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UNIVERSIDADE PAULISTA - UNIP

PATRÍCIA ALVES DE SOUZA

AUTOMUTILAÇAO NA ADOLESCENCIA E A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE


SOCIAL

SÃO PAULO
2017
PATRÍCIA ALVES DE SOUZA

AUTOMUTILAÇAO NA ADOLESCENCIA E A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE


SOCIAL

Trabalho de conclusão de curso para


obtenção do título de especialista em Saúde
Mental para Equipes Multiprofissionais
apresentado à Universidade Paulista - UNIP.

Orientadores:
Profa. Ana Carolina S. de Oliveira
Prof. Hewdy L. Ribeiro

SÃO PAULO
2017
PATRÍCIA ALVES DE SOUZA

AUTOMUTILAÇAO NA ADOLESCENCIA E A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE


SOCIAL

Trabalho de conclusão de curso para


obtenção do título de especialista em Saúde
Mental para Equipes Multiprofissionais
apresentado à Universidade Paulista - UNIP.

Orientadores:
Profa. Ana Carolina S. de Oliveira
Prof. Hewdy L. Ribeiro

Aprovado em:

BANCA EXAMINADORA

_______________________/__/___

Prof. Hewdy Lobo Ribeiro

Universidade Paulista – UNIP

_______________________/__/___

Profa. Ana Carolina S. Oliveira


AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus pelo dom da vida, mesmo com todas as


dificuldades e conflitos vivido esse ano, consegui concluir mais uma etapa de estudos.

Aos meus familiares pela compreensão e dedicação e principalmente meus


filhos Benício e Lara que colaboraram com a mamãe para as leituras dos livros e
artigos.

Os meus amigos que principalmente o Éder que contribuíram diretamente e


indiretamente para a conclusão do trabalho.
“Nenhuma técnica psicológica funcionará se o
amor não funcionar. ”
(Augusto Cury)
RESUMO

A automutilação representa um problema na vida de muitos jovens, esse ato ocorre


como forma de demonstrar sentimentos ou de amenizar um momento de angústia,
esse problema acontece independentemente do jovem estar em situação de
vulnerabilidade social ou não. Essa pesquisa justifica-se pela falta de estudo e
pesquisa sobre o tema e pela crescente da prática da automutilação no Brasil. O
objetivo foi verificar como é o tratamento desse problema que envolve os jovens,
aprofundando o estudo das estratégias terapêuticas. Teve-se em vista identificar a
atuação do profissional em Serviço Social de forma efetiva na orientação, no
acompanhamento, na escuta, no acolhimento e no desenvolvimento de Políticas
Públicas. Este estudo, apesar de restrito à pesquisa bibliográfica demostra que a
automutilação é uma prática antiga e ocorre com muitos jovens que veem a
necessidade de se mutilar pela busca de tranquilidade e alívio de seus sentimentos
ou angústias, sem o desejo de cometer o suicídio.

Palavras- chave: automutilação, saúde mental, transtorno de impulsos.


ABSTRACT

Self-mutilation is a problem in the lives of many young people, this act occurs as a way
of showing feelings or lightening a moment of distress, this problem happens
regardless of whether the young person is in a situation of social vulnerability or not.
This research is justified by the lack of study and research on the subject and by the
increasing practice of self-mutilation in Brazil. The objective was to verify how the
treatment of this problem involving the young people, deepening the study of the
therapeutic strategies. The purpose of this study was to identify the professional's
performance in Social Work in an effective way in guiding, monitoring, listening,
welcoming and developing Public Policies. This study, although restricted to
bibliographical research, shows that self-mutilation is an old practice and occurs with
many young people who see the need to mutilate themselves in search of tranquility
and relief of their feelings or anguish, without the desire to commit suicide.

Key-words: Self-mutilation, Mental Health, Impulse disorder.


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 9

2 METODOLOGIA..................................................................................................... 10

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO.............................................................................. 11

3.1 Adolescentes e o mundo atual ............................................................................ 13

3.2 Como surgem o comportamento de automutilação e seus riscos na adolescência


.................................................................................................................................. 14

3.3 Atuação do Assistente Social .............................................................................. 17

CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 19

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 20


9

1 INTRODUÇÃO

A automutilação ou autolesão é definida como qualquer comportamento


intencional envolvendo agressão direta ao próprio corpo sem intenção consciente de
suicídio. Segundo Menninger (1938), a “automutilação é uma ação do indivíduo para
evitar o suicídio e tranquilizar-se”. Essa primeira definição elaborada por Menninger
considera que a automutilação é uma ação do indivíduo que busca evitar o suicídio e
acalmar-se, aliviando dores emocionais, sentimento de raiva, tristeza, angústia e toda
a forma de emoções sentidas com muita intensidade. As formas mais frequentes de
automutilação são cortar a própria pele, queimar-se e arranhar-se.
Conforme o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtorno Mentais DSM – IV
(2014), descreve que por muito tempo a autolesão foi considerada um sintoma de
transtorno de Personalidade Borderline, essas pessoas manifestam comportamentos
perturbadores, agressivos e hostis, mas diversas avaliações clínicas apontam que a
autolesão preenche critérios para outros diagnósticos.
Segundo Aratangy (2017, p.24), “A automutilação não é um tema exatamente
novo, embora a maioria das pessoas tenha ouvido falar de casos de pessoas que se
machucam de propósito”. O primeiro relato científico sobre automutilação data de
1901, de autoria de Strock, na Inglaterra. Até hoje essa prática é sub-relatada, razão
pela qual há poucos estudos sobre o tema e poucas estatísticas.
De acordo com Favazza (1989), esse comportamento pode ser repetitivo em um
único episódio de automutilação, o indivíduo pode se ferir mais de 50 vezes, as lesões
são quase superficiais. Geralmente feitas em pontos de fácil acesso, como braços,
pernas, tórax e abdômen. Lesões mais graves podem acontecer, mas a intenção
inicial é sempre de fazer lesões superficiais. Diferente do que se imagina, essas lesões
são indolores ou acompanhadas de dor de leve intensidade.
Segundo estudos médicos realizados por Aratangy (2017) indicam que nos últimos
anos essa prática vem aumentando pelo mundo, em especial entre público
adolescentes, uma análise estatística no Reino Unido, em 2014, demonstrou um
aumento de 70% em relação aos dois anos anteriores, na busca de tratamento
especializado em automutilação para crianças de 10 a 14 anos.
De acordo com Aratangy (2017, p. 25) uma pesquisa realizada com a população
americana, realizado em 1998, a frequência de automutilação foi estimada em 4%.
10

Outra pesquisa feita no País, em 2011, revelou uma frequência maior 6% da


população praticou a automutilação pelo menos uma vez na vida, e 1% praticou a
automutilação por dez vezes ou mais.
É importante ressaltar que até o momento, poucos estudos sobre automutilação
foram realizados no Brasil, por isso, é difícil afirmar com precisão qual a taxa de
adolescentes brasileiros que sofrem com esse problema.
O trabalho desenvolvido pelo assistente social pode contribuir significativamente
para o controle e acompanhamento do paciente quanto dos seus familiares, podendo
assim, organizar um planejamento de cunho educativo, de orientação e prevenção do
comportamento de automutilação. O serviço social pode ser mediador desse problema
sendo o elo entre paciente, família e as políticas públicas do Estado. Deste modo,
pode desenvolver um trabalho assistencial a família dentro das possibilidades da sua
atuação e competências, utilizando os mecanismos que são oferecidos pelo Estado
com acesso a saúde pública e acompanhamentos necessários.
Em termos gerais o presente trabalho tem como objetivo mostrar como ocorre a
automutilação, e como o profissional da área do Serviço Social pode contribuir nesses
casos em que auxiliam os adolescentes e seus familiares. São objetivos específicos
dessa pesquisa: apresentar uma análise sobre a automutilação e verificar importância
de intervenção do profissional em serviço social.
O presente trabalho justifica-se na medida em que é reconhecido a falta de estudo
e pesquisa sobre o tema e pelo crescente da prática da automutilação no Brasil. O
que se espera é que este estudo, apesar de restrito à pesquisa bibliográfica, possa
contribuir para o surgimento de outros trabalhos sobre o tema, aprofundando-o de
modo que este possa de fato revelar todo seu potencial como ferramenta para a
atuação do profissional em Serviço Social.

2 METODOLOGIA

Pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de informações de dados já


elaborados, essas informações são constituídas a partir de levantamento em artigos
científicos, livros, jornais, sites entre outros meios de comunicação. A pesquisa
11

desenvolvida tem como objetivo a busca para apresentar uma problematização,


analisando e discutindo as contribuições cientificas referente a automutilação.

A pesquisa bibliográfica procura explicar um problema a partir de referências


teóricas publicadas em artigos, livros, dissertações, e teses. Pode ser
realizada independentemente ou como parte da pesquisa descritiva ou
experimental. Em ambos os casos busca-se conhecer e analisar as
contribuições culturais ou científicas do passado sobre determinado assunto,
tema ou problema. (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007, p.60)

O desenvolvimento desta pesquisa colocou o pesquisador em contato com o


que já se produziu e registrou a respeito do seu tema, foram analisados fatos e
contribuições cientificas sobre a automutilação.
Para ser possível alcançar o resultado desejado, foi realizado todo o
levantamento bibliográfico em livros acadêmicos, banco de dados Scielo e Lilacs no
portal regional de saúde BVS. A partir disso foi realizado analises de todos os dados
e conteúdos levantados, permitindo assim, que se chegasse aos indicadores relativos
aos objetivos da pesquisa.

A análise de conteúdo leva a unidade de significação que se liberta


naturalmente de um texto analisado, segundo critérios relativos à teoria que
serve de guia a leitura. Trata-se de um conjunto de procedimentos divididos
em pré-análise; exploração de material; tratamento dos dados obtidos e
interpretação. ( BARDIN, 2006, p.95)

Desta forma, foram realizadas leituras do material referente aos profissionais de


serviço social e da pratica de automutilação, considerando todos os objetivos da
pesquisa. Foram analisados os apontamentos teóricos para a constituição do corpus
de análises, possibilitando chegar ao resultado final do tema após a realização das
análises.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os casos de automutilação ocorrem há séculos devidos a crenças religiosas, por


conta da fé as pessoas acreditavam que a através de lesões físicas era possível a
purificação da alma e a expiação dos pecados cometidos. Segundo Aratangy (2017,
p.10) Charles Darwin, em seu livro A descendência do homem e seleção em relação
12

ao sexo de 1871, afirma que o “fenômeno da automutilação é um achado universal,


mas associa-o às sociedades e aos homens muito primitivos”.
Conforme Aratangy (2017, p.07) “Mutilações e autoflagelo ligados às mais
diferentes religiões e cultos não são incomuns há muitos séculos”.

No século XIX, psiquiatras franceses descreviam a automutilação como um


sintoma ligado ao que denominavam de monomania religiosa, um tipo de
obsessão religiosa que ocorria particularmente em mulheres. No entanto, o
conhecimento psiquiátrico ao longo dos anos não conseguiu provar como
válido esse diagnóstico de monomania religiosa, e a leitura dos casos
relatados na época levaria a diagnósticos bastante variados nas
classificações mais recentes. (ARATANGY 2017, p.09)

Psiquiatras franceses no século XIX, caracterizavam a automutilação como um


sintoma de monomania religiosa, uma obsessão que ocorria particularmente entre as
mulheres. Com o passar do tempo o conhecimento psiquiátrico não conseguiu
comprovar esse diagnóstico de monomania religiosa, é possível perceber que os
casos relatados na época levariam a diagnósticos bastante variados em comparação
com as novas classificações de automutilação.
Segundo Aratangy (2017), Médicos ingleses no ano de 1830 debateram a
possibilidade de que a circuncisão de judeus serviu de debate travestido de problema
médico, quando de fato encobria outra questão, a do antissemitismo. Mutilações e
autoflagelo ligados às mais diferentes religiões e cultos são práticas comuns há muitos
séculos.
Conforme Aratangy (2017, p.34), “O comportamento da automutilação
aparentemente tenha crescido na atualidade, as descrições de pessoas que a
praticam não são novas”.
Para Aratangy (2017) “Em uma tribo da Indonésia, as mulheres amputam um dos
dedos a cada morte de um dos familiares, como meio de satisfazer os ancestrais. No
Ashura, evento islâmico reconhecido por muçulmanos de todo o mundo que celebra
o martírio de Husaynibn Ali (ou Imam Hussein), neto profeta Maomé, ocorre um ato
de autoflagelação assustador”.
A história conta que Hussein e seus companheiros foram repetidamente atingidos
na cabeça por punhais de seus inimigos na Batalha de Karbala, no século VII, e,
depois de mortos, o sangue deles foram derramados sobre as ruas muçulmanas.
Como forma simbólica de absolver o pecado e lamentar o fato de que eles não
13

estavam presentes para salvar Hussein, centenas de homens derramaram seu próprio
sangue com batidas de facão na cabeça.

3.1 Adolescentes e o mundo atual

A partir do início do século, a adolescência foi motivo de contínuos estudos, que


progrediram desde o considerar somente os problemas surgidos com o despertar da
genialidade até o estudo das estruturas do pensamento que localizam o jovem no
mundo de valores do adulto. A psicologia, a psiquiatria e a psicanálise tentaram
compreender e descrever o significa do desta crise do crescimento que é
acompanhada de tanto sofrimento, de tanta contradição e de tanta confusão.
Para Aberastury e Knobel (1981), “A sociologia e a psicologia social lançaram
luzes sobre o problema e permitiram vislumbrar a solução de alguns de seus
problemas intrínsecos”.
De acordo com Aberastury (1991) A palavra a adolescência (latim, adolescência,
ad: a, para a + olesce-re: forma incoativa de olere, crescer, significa a condição ou o
processo de crescimento. O termo se aplica especificamente ao período da vida
compreendido entre a puberdade e o desenvolvimento completo do corpo, cujos
limites se fixam, geralmente, entre os 13 e os 23 anos no homem, podendo estender-
se até os 27 anos.
Segundo Aberastury e Knobel (1981), “Embora se costuma incluir ambos os
sexos no período compreendido entre os 13 e os 21 anos, os fatos indicam que nas
adolescentes se estende dos 12 aos 21 anos, e nos rapazes dos 14 aos 25 anos em
termos gerais‘.
O crescimento e as modificações do corpo ao chegar à puberdade (Latim,
pubertas, de puder: adulto, capacidade de gerar, impõem ao adolescente uma
mudança de papel frente ao mundo exterior, e o mundo externo exige lhe se ele não
o assume. Conforme Aberastury e Knobel (1981), essa exigência do mundo exterior
é vivida como uma invasão a sua própria personalidade. Ainda que ele não queira
sobretudo o adolescente que muda de repente, é exigido como se fosse um adulto. E
essa exigência do mundo exterior geralmente o conduz como defesa a manter-se nas
suas atitudes infantis.
14

Entre 16,17 ou 18 anos se mostram muito maduros, em alguns aspectos, mas


paradoxalmente imaturos em outros. Isso surge por um jogo de defesa frente
ao novo papel à frente à mudança corporal que é vivida como uma invasão
súbita incontrolável de um novo esquema corporal que lhe modifica a sua
posição frente ao mundo externo e o obriga a procurar novas pautas de
convivência. (ABERASTURY E KNOBEL, 1981, p.30)

O mundo externo e ele mesmo exigem uma mudança em toda a sua


personalidade, quando se afastam do mundo exterior e se refugia no mundo interno,
é para estar seguro, por que em todo crescimento existe um impulso para o
desconhecido e um temor ao desconhecido. Esse refúgio na infância deve-se não
somente ao fato de que lhe custe fazer o luto da infância, mas que a própria infância
é o que ele conhece. Outros problemas centrais dos adolescentes é a busca de sua
identidade, pois vivemos em um mundo no qual a tensão e a ansiedade criadas pelo
acúmulo dos meios de destruição representam uma ameaça permanente e sabemos
que a estabilidade é o clima necessário para que um ser humano se desenvolva
normalmente.
Segundo Aberastury e Knobel (1981, p.31), na formulação das medidas para
uma higiene mental do adolescente ainda que a adolescência tenha caráter universal
devem admitir caráter próprios e portanto, medidas especificas nos diferentes meios
sociais e, especialmente, em sociedades como as latino – americanas, que estão
sofrendo, em diversas graus, uma transformação da sociedade tradicional à
sociedade moderna, técnica ou industrializada, ou de um mundo rural à adaptação
dos avanços do industrialismo e da urbanização.

3.2 Como surgem o comportamento de automutilação e


seus riscos na adolescência

Segundo Aratangy (2017, p.26), “o adolescente sente uma sensação ruim,


crescendo em sua mente, uma tensão emocional difícil de nomear, até descobrir uma
maneira de aliviar esse desconforto de se machucar”.
A automutilação é um comportamento que, geralmente, se inicia na
adolescência, por volta dos 13 e 14 anos de idade, podendo durar muitos anos.
15

Entre crianças com menos de 12 anos, estima-se que 8% se automutilem, e


esse número cresce com a idade, chegando a 20% nos adolescentes, ou seja, um em
cada cinco adolescentes se automutila.
Para Giusti (2013), “Na automutilação, são usados métodos para machucar o
próprio corpo, de maneira intencional, mas frequentemente sem a intenção de
cometer suicídio”. Os Adolescentes costumam usar diferentes tipos de objetos para
se machucar, como lâminas de barbear, grampos de cabelo, facas, tampa de canetas,
etc.
Geralmente a parte do corpo preferida para se machucar, são os braços,
pernas e barrigas, onde podem ser escondidas com uso de roupas ou adereços. Os
ferimentos são praticados em locais onde se consegue privacidade, por exemplo,
quarto ou banheiro.
Conforme Aratangy (2017, p.27), “os adolescentes que se mutila fala sobre
sensação emocionalmente insuportáveis, que dominam a mente, como raiva,
ansiedade, tristeza, culpa, sensação de perda de controle, medo, rejeição, abandono
e vazio”.
Segundo Giusti (2013), nesse momento a automutilação traz alívio dessas
sensações angustiantes e é comum ouvirmos do paciente que a dor física causada
pela automutilação traz alívio dessas sensações angustiantes e é comum ouvir que
surgem alívio e bem – estar momentâneo, depois ressurgem emoções contraditória
como culpa, frustração, arrependimento ou raiva de si mesmo. Durante a
automutilação é mais comum que a pessoa sinta pouca ou nenhuma dor, embora a
dor física possa piorar depois.
De acordo com Favazza (1998) “O comportamento de automutilação ocorre de
forma episódico mas pode se tornar repetitivo e a frequência dessa prática intensa
acaba causando graves marcas físicas e ações incontroláveis”.
A prática repetitiva pode levar uma sequência de horas ou até mesmo dias de
automutilação em formato de rituais buscando a melhor parte do corpo e os melhores
objetos para automutilação. Para Favazza (1998), “ a mudança da prática de episódico
para repetitivo ocorre gradualmente entre 5 a 10 episódios seguindo entre 10 e 20 por
episódio. Deste modo, Favazza (1998), considera que a prática repetitiva não deve
ser considera como transtorno de personalidade borderline e sim transtorno de
controle de impulso, e caracteriza essa prática como automutilação repetitiva ou
automutilação deliberada”.
16

Favazza e Rosenthal (1993), desenvolveram quatro categorias de


caracterização para a automutilação com bases clínicas e fenomenológicas são elas:
 Estereotipada: Os ferimentos mantem um padrão o
comportamento é repetitivo, monótono, fixo, com o mesmo ritmo
e comando.
 Grave: Acaba colocando a vida em risco e causam ferimentos que
podem ser irreversíveis como a castração, amputação de
extremidades,
 Compulsivo: É realizado várias vezes no mesmo dia.
 Impulsivo: Ocorre geralmente após o sentimento de fortes
emoções realiza cortes, queimaduras e agressões físicas.

Existem inúmeros fatores de riscos para os adolescentes que praticam a


automutilação os riscos são:

 Problemas de infância: Negligencia, Abusos (sexual, físico ou


emocional), dificuldade de apego, doenças, estresse precoce.
 Fatores pessoais: Falta de adaptação, pessimismo,
insegurança, distroção da imagem corporal, baixa autoestima,
instabilidade emocional, impulsividade, autodepriação.
 Fatores familiar: Dependência de álcool, ausência de algum
dos pais, separação dos pais, desvalorização por familiares,
violência familiar e depressão de pai ou mãe.
 Transtornos psiquiátricos: Transtorno de personalidade
borderline, ansiedade, depressão, transtorno alimentares, uso
de substancias e transtornos de personalidade.
 Fatores sociais: Bullying, dificuldade de relacionamento e
isolamento social.

Devido as diversas formas de caracterização da automutilação os


pesquisadores Nock e Prinstein (2004), apresentaram quatro eixos teórico para
colaborar com definições da automutilação:
17

 Reforço automática negativo: execução da automutilação


para remoção de estado cognitivo ou emocional indesejado. Seu
objetivo é aliviar tensão ou pensamento ruim;
 Reforço automática positivo: Gerar um estado desejável,
fazendo sentir alguma coisa, essa prática está relacionada ao
transtorno de estresse pós-traumático, depressão, anedonia e
inutilidade;
 Reforço social positivo: Prática da automutilação para chamar
a atenção, demonstrar sua angústia a terceiros e familiares;
 Reforço social negativo: Serve para fugir de alguma
responsabilidade como não ir à escola para não fazer algo que
considere ser chato.

Essa caracterização foi possível após a realização de uma pesquisa com


adolescentes que praticavam automutilação Nock e Prinstein (2004) constataram que
52,9% praticavam a automutilação por reforço automático positivo ou negativo
buscando parar com sentimentos ruins ou sentir no mínimo as dores. Já a pratica por
reforço social positivo ou negativo está relacionado a sintomas depressivos. Também
identificou-se que não existe consumo de álcool ou drogas durante a automutilação e
buscam regular suas emoções aliviando suas angústias em processos de isolamento
e consequentemente não buscam influenciar o comportamento de terceiros.

3.3 Atuação do Assistente Social

O conselho regional de Serviço Social (CRESS) define o Serviço Social como uma
profissão de caráter sociopolítico, crítico e interventivo, que se utiliza de Instrumental
cientifico multidisciplinar das Ciências Humanas e Sociais para análise e intervenção
nas diversas refrações da questão social, ou seja, no conjunto de desigualdades que
se originam do antagonismo entre a socialização da produção e a apropriação privada
dos frutos do trabalho.
18

Os assistentes sociais surgiram para auxiliar o Estado no enfrentamento da


questão social. A institucionalização e a legitimação da profissão tiveram
origens nas estratégias de intervenção do Estado para administrar os
conflitos entre a classe trabalhadora e a classe empresarial. (ALVES, 2014,
p.19)

Conforme o Conselho Federal de Serviço Social, a atuação do Assistente Social


se insere nas mais diversas áreas, como por exemplo: previdência, saúde, educação,
lazer, habitação, justiça, assistência social, hospitalar, etc. Com o papel de planejar,
gerenciar, administrar, executar e assessorar políticas, programas e serviços sociais,
atuam nas relações entre os seres humanos no cotidiano da vida social, por meio de
uma ação global de cunho socioeducativo e de prestação de serviços.
De acordo com Alves (2014), o serviço social “É uma das poucas profissões
que possui um projeto profissional coletivo e hegemônico, denominado projeto ético-
político, que foi construído pela categoria a partir das décadas de 1970 e 1980”. Ele
expressa o compromisso da categoria com a construção de uma nova ordem
societária, mais justa, democrática e garantidora de direitos universais. Esse projeto
expressa claramente a Lei 3252, juntamente com o Decreto 994 de 15 de maio 1962,
regulamentou a profissão.
Vale a ressaltar que a profissão do assistente social surgiu no Brasil na década
de 1930 e o curso de serviço social foi oficializado no país pela lei nº 8662, de 7 de
junho de 1993 que legítima o Conselho Federal de Serviço Social e os Conselhos
Regionais.
É importante ressaltar a atuação do assistente social nos adolescentes que
praticam a automutilação e com seus familiares se dá de forma de parceria, a
realidade social está delicada a violência física e emocional tem tornado a atuação do
assistente social mais árduo e complexo.
Segundo Alves (2014), “A realidade sócioecominico e a sobrecarga das longas
jornadas de trabalho obrigam muitos pais a ficarem fora de casa na maior parte do
tempo, e acompanhar a rotina dos filhos nem sempre é uma tarefa simples”. Desta
forma, Alves considera que muitos familiares ao perceberem que os filhos se
automutilam não sabem como lidar, desse modo a parceria com a família é
certamente, de grande valia para o acolhimento afetivo.
No exercício de suas funções o assistente social tem que deverá desenvolver
sua atuação com as melhores intervenções possíveis para os usuários dos serviços
19

prestados em especial para praticantes da automutilação que estão em situação de


sofrimento e angústia.
Conforme Fávero (2004) os que buscam os serviços se colocam muitas vezes
frente ao profissional em estado de sofrimento, aparente passividade ou revolta,
desacreditado ou esperançoso de possíveis soluções para situações singulares que
vivenciam.
Para Alves (2014), o assistente social nesse cenário tem o papel fundamental
de atender o adolescente e sua família de forma acolhedora e sem julgamentos.
Tentando mostrar a família que a automutilação se dá pelos sentimentos, ansiedades,
angústia que o adolescente está vivendo, orientando a rede de proteção para atender
essa demanda, proceder com a escuta sensível no caso em seguida proceder com o
acompanhamento da família e do adolescente.
Para os familiares também é uma situação problemática, em muitos casos não
sabem como agir e tem dificuldade em buscar apoio e tratamento quando se deparam
com essa situação, esse problema vem crescendo cada vez mais. Desta forma, o
papel a ser desenvolvido pelo assistente social é de estrema importância pois é por
meio, do acompanhamento e dedicação no tratamento junto a família que será
possível conseguir resultados positivos de controle desse transtorno.
Por fim, o diagnóstico de automutilação pode ser identificado depois de um longo
tempo, pois as maiorias dos casos são realizados em isolamento, pois seu único
objetivo é aliviar-se de algum sentimento ou angústia. O grau dessa pratica pode variar
ele ocorre tanto de forma esporádica como repetitiva, e a automutilação repetitiva não
deve ser considera como transtorno de personalidade borderline e sim transtorno de
controle de impulso sem a intensão de suicido.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo apesar de limitado à pesquisa bibliográfica possibilitou


conceitualizar que a automutilação é sintoma de transtorno borderline ou um
transtorno impulsivo, e que o objetivo central dessa ação é aliviar sentimentos, dores
emocionais e desconfortos a sua prática não tem a intenção de suicidio, Deste modo,
ficou comprovado que a automutilação é uma ação intecional realizada com
20

consentimento e consciência das suas consequências e acontece por diferentes


motivos ligados a problemas familiares ou sociais. As mutilações mais realizadas são
grandes cortes feitos com qualquer objeto pontiagudo ou queimaduras, são realizadas
em locais de fácil acesso no corpo para amenizar determinadas situações, busca
acalmar-se, aliviando dores emocionais, sentimento de raiva, tristeza, angústia e toda
a forma de emoções sentidas com muita intensidade.
Os indivíduos que praticam a automutilação têm em sua mente a clareza e
convencimento que precisam disso para escapar ou fugir dos seus sentimentos e suas
angústias, alguns até tentam, mas não conseguem sair deste ciclo vicioso. Não existe
uma cura para esse problema mas existe a ajuda com tratamento e acompanhamento
clínico.
O Serviço Social sendo uma profissão interventiva tem intuito de atuar
diretamente com a família e o usuário que pratica a automutilação, com uma visão
dialética no campo atuante propõe-se um trabalho de articulação de rede com equipe
multiprofissional, trabalhos em grupos com intuito de propor e assegurar Políticas
inclusivas e eficaz. Essa pesquisa não chegou ao esgotamento do assunto, é
fundamental a elaboração de pesquisas que continuem a aprofundar mais ainda esse
tema apresentando mais informações que auxiliem no controle e tratamento desses
distúrbios.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Artmed, 1981.
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