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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA

“JULIO DE MESQUITA FILHO”


INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS E CIÊNCIAS EXATAS

João Carlos Cerqueira


Vitor Hugo Hoffmann

Relatório de Campo de Petrologia Metamórfica:


Amparo

Curso de Graduação em Geologia

Rio Claro (SP)


2017
Índice
1. Introdução......................................................................................Pag. 2
2. Materiais e métodos.......................................................................Pag. 2
3. Síntese Geológica do Grupo Amparo..............................................Pag. 2
4. Descrição dos afloramentos visitados.............................................Pag. 4
4.1 Afloramento 1...............................................................................Pag. 4
4.1.1 Interpretação.............................................................................Pag. 6
4.2. Afloramentos 2............................................................................Pag. 7
4.2.1. Interpretação............................................................................Pag. 10
4.3 Afloramento 3...............................................................................Pag. 11
4.3.1 Interpretação.............................................................................Pag. 14
4.4 Afloramento 4...............................................................................Pag. 15
4.4.1. Interpretação............................................................................Pag. 17
4.5 Afloramento 5...............................................................................Pag. 18
4.5.1 Interpretação.............................................................................Pag. 19
4.6. Afloramento 6..............................................................................Pag. 19
4.6.1. Interpretação............................................................................Pag. 23
5. Conclusão........................................................................................Pag. 24
6. Bibliografia......................................................................................Pag. 24

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1.Introdução
As rochas metamórficas se originam de uma mudança mineralógica e /ou
recristalização /fragmentação dos minerais, presentes no protólito, apenas no estado sólido.
Essas mudanças são geradas a partir de esforços que submetem as rochas pré-existentes a
certas pressões e temperaturas, as quais ficam registradas nas feições das rochas.

Há uma divisão de séries faciais, fácies e zonas metamórficas definidas,


respectivamente, por tipos báricos, paragênese minerais e minerais índices.

A proposta do trabalho é entender mais sobre a disposição espacial, mineralogia,


gênese, fácies e zonas metamórficas de algumas rochas do Grupo Amparo e Itapira.

2.Materiais e Métodos
A coleta de informações foi baseada nas bibliografias descritas no roteiro e utilizando
martelo petrográfico para a amostragem e para a visualização de faces não intemperizadas;
lupa (aumento 20x) para a visualização dos minerais; e canivete para a determinação da
dureza dos minerais. Caracterizando assim aspectos pertencentes a sua evolução e
diferenciação em cada ponto em que se notava variações.

3.Contexto Geologico
O Grupo Amparo está localizado no nordeste do estado de São Paulo. Ver figura 1.
Durante o Ciclo Tranzamazônico, formou-se o embasamento, o qual é constituído por
rochas metassedimentares peliticas, psamíticas e metavulcânicas do Complexo Itapira e rochas
ortoderivadas do Complexo Amparo (Tassinari, 1988; Hackspacher et al., 1992).
Há na área a presença de rochas metassedimentares migmatizadas de alto grau
metamórfico ao sul da Zona de Cisalhamento Taxaquara e rochas sedimentares da Bacia do
Paraná, definindo o Complexo Embu (Hasui, 1975 e Godoy et al.,1996).
Entre o Paleoproterozóico e o Mesoproterozóico, instalou-se no embasamento, uma
bacia do tipo rift que depositou uma sequência vulcano-sedimentar definido como Grupo
Serra de Itaberaba e em seguida houve a deposição de rochas rítmicas e vulcânicas básicas,
que define o Grupo São Roque. (Tassinari, 1988; Hackspacher et al., 1991).
O Grupo Amparo de idade Arqueana a Paleoproterozóica, que se formou no Ciclo
Tranzamazônico, é definido como rochas predominantemente ortoderivadas com principais
representantes sendo os hornblenda e/ou biotita gnaisses e os anatexitos. Há ocorrências de
intercalações frequentes de rochas paraderivadas dobradas do Grupo Itapira, sendo quartzitos,
gonditos, gnaisses portadores de granada e diopsidios (derivado uma rocha calco-silicatica),
mármores, granada-biotita xisto, etc; ao lado dos anfibolitos no Grupo Amparo. Os protólitos
dos anfibolitos foram definidos como rochas básicas plutônicas, hipoabssais e vulcânicas. Podem
ser observadas também serpentinitos derivados de intrusões ultrabásicas (Wernick e Penalva.,
1980).
O metamorfismo do Grupo Amparo foi energético e de média a alta pressão,
deformando as rochas nas fácies anfibolito alto até granulito (Wernick et al., 1977,1978).

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Figura 1 - Mapa geológico da região visitada. Retirada de Wernick, E.; Penalva, F. O Grupo Pinhal na região
nordeste do estado de São Paulo e áreas vizinhas do estado de Minas Gerais. São Paulo, 1980. Boletim IG
- Instituto de Geociências, Universidade de São Paulo.

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4. Descrição dos afloramentos visitados

4.1. Afloramento 1

500 M

Figura 2 - Localização do afloramento 1 no mapa. UTM 311047.16E 7486765.13N

Nesse primeiro afloramento, apresentado na figura 3, foi observado um anfibolito


ortoderivado que apresenta uma foliação bem marcada, mostrada na figura 4. O anfibolito está
ocorrendo em formato de boudins dentro de um pacote de quartzito. Esse anfibolito
apresentasse intemperizado e sua cor mostrasse esverdeada a amarela, típico de alteração de
um anfibolito. Foi possível identificar cristais de tremolita/actnolita, indicando um processo de
retrometamorfismo.

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Figura 3 - Afloramento de anfibolito com cores esverdeado a amarelo derivado da alteração.

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Figura 4 - Amostra do afloramento de anfibolito com a marcação da foliação

4.1.1. Interpretação
Havia uma rocha básica tipo MORB que estava em meio a uma camada de arenito.
Quando houve o ciclo tectônico transamazônico, as rochas foram deformadas e pelo arenito ser
mais plástico, o basalto se fragmentou em boudins no pacote de arenito e ao mesmo tempo as
rochas foram metamorfizadas, virando boudins de anfibolito num pacote de quartzito. Depois
houve um evento de retrometamorfismo que transformou as hornblenda em
actinolitas/tremolitas mais epidoto e a labradorita em albita mais epidoto.

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4.2. Afloramento 2

500 M

Figura 5 - Localização do afloramento 2 no mapa. UTM 310960.17E 7486622.83N

Nesse afloramento, apresentado na figura 6, foi visto o mesmo anfibolito do


afloramento anterior, contudo esse anfibolito apresentava em grande parte uma alteração para
argila avermelhada com veios de quartzo seguindo a foliação (ver figuras 7 e 8). Há também o
contato entra o anfibolito alterado para argila com uma argila branca devido a ser mais
feldspática, visto na figura 9.
Foi observado na parte superior do afloramento uma linha de seixo, que indica a
provável passagem de um curso de água sobre o anfibolito, apresentado na figura 10.

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Figura 6 - Afloramento do anfibolito da porção não alterada para argila

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Figura 7 - Afloramento do anfibolito da porção alterada para argila

Figura 8 - Veio de quartzo no anfibolito argilitizado

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Figura 9 - Contato entre o anfibolito argilitizado (argila vermelha) e a argila feldspática (argila branca)

Figura 10 - Linha de Seixo no afloramento do anfibolito

4.2.1. Interpretação
Havia uma rocha básica tipo MORB que sofreu deformação e virou o anfibolito com
veios de quartzo seguindo a foliação da rocha. Ao lado, a argila branca pode ser provavelmente
ser entendida como um migmatito que, junto com o anfibolito, começou a sofrer alteração para
argila.

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4.3 Afloramento 3 – SP 95/km 43,5

Figura 11 – Localização do afloramento 3, UTM 23K 0315620 7486135.

Na marginal ao lado da rodovia João Beira, próximo a um barracão, a excursão dirigiu-


se ao afloramento escuro de migmatitos. No afloramento foi-se observado muitas feições,
dobras e estruturas típicas, diferenciando claramente os neossomas, dos paleossomas e de
boudins de anfibolito cortando o migmatito, sendo cortado pelo leucossoma, figura 12.

Figura 12 – afloramento de
migmatito, paleossoma como a
parte escura e neossoma com
leocossoma e mesossoma aparente
como a parte clara, setas laranjas
indicam boudins de anfibolito.

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O migmatito apresenta aqui estruturas tipo acamadada, dictionítica, venosa e
drobradas, de acordo com a fusão parcial e esforço recebido pela tectônica da região, figura
13.

DB

Figura 13 – Estruturas acamadas (A), dicitionítica (D), venosa (V) e dobradas (DB).

O leucossoma, de composição granítica, apresentou três diferentes deformações, uma


estrutura dobrada (S1), menos pervasiva, que se apresenta dentro de camadas foliadas (S2),
que se encontra muito pervasiva, ambas aparentes na figura 14. Também se analisou uma
nova fase de dobramentos foi observada na vertical (S3), também pervasiva, figura 15.

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S1
S2
Figura 14 – Parte do afloramento com a presença de S1 e S2.

S3

Figura 15 – Deformação S3.

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Analisou-se também o sentido da deformação S2 pelo movimento do leucossoma, que
foi observado na diração anti-horária, Figura 16.

Figura 16 – Neossoma deformado de acordo com a direção do movimento.

4.3.1 Interpretação
Nessa área o protólito que foi intrudido por uma rocha básica (já que ela também está
cortada pelo leucossoma), foi metamorfizado e dobrado até alcançar em torno de 800°C e com
o auxílio de água, sofreu fusão parcial, gerando um orto-migmatito no protólito e um
anfibolito na rocha básica que por ser menos plástico foi quebrado e formou boudins, também
foi formado S1, esse primeiro estágio sendo o ápice metamórfico. Após esse grupo ser exposto
a uma situação mais fria com uma deformação ainda continua, o migmatito sofreu
transposição, assim a deformação S2, começando a se tornar um gnaisse novamente. Esse
grupo começou a sofrer uma nova deformação de compressão, com uma temperatura mais
alta, gerando assim uma deformação S3, sendo que após isso se estabilizou. Esse afloramento
chegou a fácies anfibolito de alto grau a um granulito de baixo grau, pela presença da fusão
parcial.

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4.4 Afloramento 4 – Estrada municipal Amatis José Franchi

Figura 17 – Localização do afloramento 4, UTM 23K 0328824 7499671.

Em um corte de estrada, numa região alta da estrada, analisou-se um afloramento de


quartzito do grupo Itapira fortemente fraturado e foliado, com as cristas direcionadas a
nordeste, havendo a presença de falhas e de uma coloração bege, pela presença de outros
minerais além do quartzo, parcialmente intemperizado, figura 18.

Figura 18 – Afloramento 4, suas


fraturas e foliação seguindo o
acamamento com a presença de
inúmeras cristas de quartzitos.

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Observou-se que nesse afloramento diversas estrias e estruturas lineadas pela
movimentação das falhas, apresentando-se em ângulo, pelo abatimento da camada e um
esforço transcorrente, figura 19, enquanto que outras falhas de menor ângulo sendo geradas
pelo limite compressivo, outras falhas de alto ângulo, geradas pela descompressão, que não
apresentam nenhuma lineação muito aparente, a não ser a formada pelo cruzamento da
foliação com o plano, também foram verificadas, marcada por micas nesse plano, figura 20.

Figura 19 – Afloramento com a presença de Figura 20 – Seta amarela indicando falha normal
estrias em diagonal. e seta branca indica falha de descompressão.

Foi-se observado uma zona de alta milonitização pela presença de uma rocha muito
fraturada, em uma granulação menor, gerada pela falha transcorrente, figura 21.

Proto-milonito

Ultra-milonito

Figura 21 - presença de ultra-milonito na falha.

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Analisou-se a rocha mais perto, e verificou-se que suas camadas reliquiares estão
paralelas a foliação gerada pelo metamorfismo, verificou-se também a presença de biotita,
muscovita, ambos alterando para sericita, quartzo de granulação média e algumas turmalinas
subeudrais, Figura 22.

Figura 22 – Foliação paralela ao acamamento nesse afloramento, marcado pelas linhas pretas.

4.4.1 Interpretação
O protólito é um arenito marinho, com uma porcentagem em torno de 10% de
sedimento fino, que quando metamorfizado pela compressão, formou a biotita e a muscovita,
pelo aumento de temperatura e pressão, dobrando intensamente as camadas sedimentares e
formando a foliação marcada por esses minerais micáceos. Formou-se também falhas no
momento compressivo e após isso, no momento descompressivo na tectônica local, sendo o
ápice metamórfico, chegando a rocha a fácie anfibolito de alto grau na zona da silimanita, já
que poucas silimanitas puderam ser observadas e esse afloramento ser intercalado por
migmatitos. A presença de líquidos hidrotermais foi observada pela presença das turmalinas.
Esforços transcorrentes se instalaram na região, gerando nas falhas ultra-milonitos de
granulação mais fina, pelo faturamento. A rocha passou por um retro-metamorfismo após uma
colocação mais rasa na crosta, gerando sericita. As foliações observadas estão paralelas a
camada por este afloramento estar nos flancos da dobra, caso não fosse haveria ângulo entre
a foliação e as camadas sedimentares.

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4.5 Afloramento 5 – SP 360

Figura 23 – Localização do afloramento 5, UTM 23K 0326340 7499612.

Neste afloramento foi-se observado blocos de gnaisse, sofrendo esfoliação esferoidal


pelo intemperismo, figura 24, apresentando bandamentos proeminentes de intercalações de
material félsico e máfico, com biotita, feldspato e quartzo de tamanhos médios, figura 25.

Figura 24 – Bloco de gnaisse.

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Figura 25 – Foto mais próxima do bloco, com o bandamento aparente.

4.5.1 Interpretação
Havia um migmatito semelhante ao ponto 3 nessa região, que sofreu o processo de
anatexia e por estar em uma parte mais próximo da crosta, ao ser metamorfizanada e dobrada
novamente, mas com menores temperaturas e pressão, sofreu o processo de transposição.

4.6 Afloramento 6 – SP 147 km 31,8

Figura 26 – Localização do afloramento 6, UTM 23K 0332928 7505745.

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Foi-se observado um afloramento na beira da estrada semelhante ao migmatito do
afloramento 3, apesar de estar mais alterado, apresenta cor escura, com leucossoma menos
dobrado e com acamamentos mais aparentes, pouco espessos, com a presença de outras
estruturas migmatíticas e falhas, figura 27. Aqui não foi identificado o anfibolito do
afloramento 3.

Figura 27 – Afloramento 6 alterado, fraturado e falhado.

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As deformações foram idênticas ao afloramento 3, um S1 que foi gerado por um
dobramento, chegando ao ápice metamórfico, que posteriormente foi transposto gerando o
S2 e um novo dobramento gerou o S3 na vertical, mas não avançando muito, por essa
deformação não estar tão proeminente, figura 28.Entre as estruturas, foi-se identificado a
acamadada, dobrada (Figura 28) , estictolítica (Figura 29), venosa e augen (Figura 30).

S3

S1
S2

Figura 28 – Migmatito com texturas acamada e dobrada, e suas deformações.

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Figura 29 – Textura Estictolítica pela presença de alguns restitos máficos no leucossoma.

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Figura 30 – Migmatito com estruturas venosas e augen (pequanos grãos no centro).

4.5.1 Interpretação
O protólito magmático gerou, pelo metamorfismo regional, um migmatito pela alta
temperatura e pressão, no mínimo 800°C, mas menor do que o presente no terceiro
afloramento, já que o protólito é o mesmo e aqui existe menos leucossoma, indicando essa
diferença entre ambos. A fusão parcial gerou, pelos esforços, dobras com foliação S1. Um novo
esforço e um reposicionamento crustal mais próximo da superfície fez com que a rocha
sofresse um certo estágio de transposição, marcado por S2. Após esse esforço um novo
esforço compressivo gerou dobras sin-formes e anti-formes, gerando a deformação S3. Pelas
transformações a rocha chegou em seu ápice ao formar as dobras de S1, chegando na fácies
Anfibolito alto, a granulito baixo.

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5. Conclusão
As rochas do Grupo Amparo e do Itapira, estão em um alto grau de
metamorfismo, gerado pelas intensas deformações do esforço compressivo, presente no ciclo,
tranzamazônico, que criou dobras sin-formes e anti-formes, falhas, estruturas e texturas
típicas permitindo que em áreas mais elevadas fosse possível a identificação do Grupo Amparo
mais antigo, pela erosão do grupo Itapira.

O Grupo Amparo mostrou possuir um grau elevado de migmatização, com suas


várias estruturas, geradas também por um espessamento crustal e outros regimes de esforços,
além de servir de embasamento para as rochas sedimentares do Grupo Itapira, que também
foi metamorfizado em altos graus, indicado pela presença de silimanita nos quartzitos.

6. Bibliografia
Wernick, E.; Penalva, F. O Grupo Pinhal na região nordeste do estado de São Paulo e
áreas vizinhas do estado de minas gerais. São Paulo, 1980. Boletim IG - Instituto de Geociências,
Universidade de São Paulo.
EBERT, H. - 1968 - Ocorrência da fácies granulítica no Sul de Minas Gerais e em áreas
adjacentes, em dependência da estrutura orogênica. Hipóteses sobre sua origem.
An.Acad.Bras.Ciênc. 40 (suplementos): 215-229.

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