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NOITE

DENSA

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CAPÍTULO 1

Marcava exatamente 11:30 no rádio relógio. O quarto mais se assemelhava a um campo de guerra. Latas de refri, embalagens de doces e salgados por todo o chão. Uma pilha de roupa amontoava-se sobre a cama. Quando acordou, percebeu que dormia com uma cueca encobrindo seu rosto. A retirou, disparando-a sobre a escrivaninha. Uma bela e superlotada escrivaninha. Rechiada de livros de escola. Um exemplo vivo de estudante. O abajur emanava uma luz sublime sobre o

criado mudo. O rádio o despertou do sono tocando ‘’Don’t Get Me Wrong”. Ainda havia um pedaço enorme de pizza com anchovas. Uma

bocada a fez sumir.

Bocejou enquanto afastava a cortina da janela. Uma linda vizinhança; pensou coçando a cabeça. Havia paz na madrugada. A inexorável madrugada. A névoa fantasmagórica que encobria os automóveis, a grama, e a luz amarelada dos postes. Morcegos voavam sobre a luz pálida do luar. Todos dormiam na casa de Ethan. Amanhã seria um dia cansativo e chato. Mudanças são sempre chatas. Tinha passado oito anos nessa cidadezinha do sul americano. Não consegui assimilar partir tão repentinamente de sua “vida feita”. Pensou no que ia fazer da hora vespertina; ao crepúsculo. Algo que o faria lembrar do último momento. Emocionante!!! Algo realmente emocionante. Dedicou-se ao estudo como um louco. E conseguiu a tão almejada bolsa de estudos. Professor de

Inglês. Igualzinho ao papai. Estou feliz Junior. Você é nosso tesouro. Agora caia fora da minha casa garota e compre um carro. Não me apareça

aqui até conseguir uma mulher perfeita. Riu ao imaginar tal cena. Pensou no folheto que recebeu na escola.

-Será que devo? -Indagou-se quase filosoficamente. -Rolou sobre a cama até outra extremidade. Puxou uma mochila esfarrapada, que se

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escondia-se em baixo da cama. Uma folha de papel amassada que foi copiada várias vezes, continha um convite. Uma festa na praia: Para todos da turma de 1988. Genial. Era isso que o aguardava. Bebida, música, e Cindy Thompson, a garota mais linda da escola. Idiota total. Você sabe as regras: Não coloque o dedo no nariz em público; e não se apaixone pela menina que é líder de torcida. Você é um infeliz cego. Um canalha asqueroso que merece a cadeira elétrica.

-Dane-se!! Não vou estar aqui amanhã. O pensamento primal explodiu de dentro para fora. Seu corpo parecia renovado. Sentia que sempre esteve contíguo com Cindy. Ou pensou estar. Nunca vemos nada realmente. Tudo é uma simples ilusão de ótica. Estou aqui, estou ali, e depois não estou mais. O que acontece é puramente mecânico.

Como se houvesse um mecanismo subconsciente em nossa teia cerebral. Mas era tarde para ele decidir fica em casa. Dormir não era a sua opção. Foi até o telefone e discou várias vezes. Esperou atenciosamente como uma criança. Porém ninguém do outro lado respondeu. Pô Dylan!!! Vai me deixar nessa sozinho. Parou para pensar no que estava dizendo. Dylan iria estragar tudo quando começasse a olhar os seios das garotas. Pervertido era o adjetivo que mais se adequava a ele.

-Melhor não o levar. Seria um risco e tanto. Estava decidido a sair e não esperaria mais nem um segundo. Abriu o closet e vasculhou a procura da melhor roupa. Estava indeciso. A camisa de Depeche mode’’, ou Human league’’. Gostava das duas, mas a sua preferida era a de ‘’Toyah’’. Vestiu um jeans claro e uma jaqueta marrom. Um pouco de spray ali, outro acolá, o fez fica novo. A princípio parecia pronto, mas o estômago começou a revirasse como uma cobra. O maldito calafrio pré- saída. Aquele que só acontece com maricas. Obviamente ele não se sentia um marica. Já estava com 16. Desceu pelo telhado até a grama fresca e molhada. O frio era quase glacial. Deu uma olhada na rua a procura de sei lá o que. Decerto com medo do velho Billy, que ás vezes passava a madrugada na varanda. Esperava com paciência a chegada dos soviéticos. Perdeu a mulher no verão passado, e os filhos não vinham visita-lo. Tudo ok superEthan!!. Que pensamento mais infantil.

-Deixe de medo. Vamos cair fora. A praia não é tão longe. E além disso você não acredita mais em lobisomens. -Dizer isso para si mesmo o fazia ficar mais forte. Quase uma terapia inconsciente. Começou então sua

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caminhada pela noite. Tudo tranquilo pela vizinhança. Excerto por cachorros latinos e sapos a coaxar.

Continue em frente Ethan. Nunca olhe para trás em circunstância alguma. Nem mesmo se você ouvir passos a lhe seguir. Já imaginava tudo o que tinha que fazer. Sua cachola era muito densa e imaginativa. Um golpe de karatê, outros à la Steven Segal, e até Bruce. É claro que não iria parar, iria correr como um louco. Mãos acima da cabeça, olhos esbugalhados, e transpiração ofegante. Sua reação não foi nem uma das mencionadas, e sim a paralização súbita do corpo. Uma delica mão repouse em seu ombro. Era definitivamente feminina.

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CAPÍTULO 2

Ele foi acometido de um grito quase inaudível ao ouvido de Betty. Ela o seguia desde sua casa. Andava a passos de gato. De uma gata. O cabelo preto, estilo ‘’Joanne Catherall’’, a deixava com um ar quase gótico.

Não era nem um pouco gótica. Amava gatos e flores. Mas assim mesmo poderia ser confundida. Usava uma maquiagem forte nos olhos e no rosto. Tinha uma palidez inacreditável, mais estava saudável e bem de saúde. Quando ela sorriu, quase que enigmaticamente, Ethan se descongelou. Era sua amiga de escola. Não havia nada o que temer. Pela aparência dela, estava com certeza destinada a algum lugar. Maquiagem egípcia, batom vermelho, e um pouco de blache nas bochechas. Usava um blazer preto com uma camisa listrada por dentro. Pôs a mão no bolso. Ficou examinando Ethan. O fitando constrangedoramente.

- Você estar bem Ethan? - Perguntou.

-É obvio que estou. Pensou que eu tinha me assustado?

-Pela sua cara, acho que você teve um leve susto. -Ela já previa qual seria a sua reação. Mas, brincaria um pouco com seu temperamento.

-Não seja tola Betty. Não tenho mais oito anos. E pare de olhar para me dessa forma.

-Ethan você não muda mesmo. Disse. Ela aproximou-se dele e circundou o braço sobre seu ombro. Não fique com essa cara. Me diga o que esta fazendo por aqui? Passeando com o cachorro que não é.

-Vou a uma festa. Qual é o problema nisso? Não tenho maturidade suficiente? betty quis soltar uma risadinha, mas segurou por entre os dentes.

-Será que eu ouvir direito. Ethan Griffin indo a uma festa?

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-Isso mesmo que você ouviu. Já esqueceu que vou me mudar amanhã?

-Você Precisava lembrar. Você quer mesmo passar a madrugada em uma festa com desconhecidos?

-Não são desconhecidos. É o pessoal da escola. -Betty hesitou; afastando-se de Ethan. Afixou seus olhos castanhos sobre o dele. Por um momento Ethan não a reconheceu. Era e não era betty.

-Qual o problema Betty?

-Não posso acreditar. -Falou quase gritando. Invés de vociferar sermões, ela o abraçou. Ele sentiu o cheiro de seu cabelo quando deslizou sobre seu rosto.

-Você estar bem Betty? Afastou-se sob um movimento imperceptível.

-Desculpe Ethan. Acho que estou meia sentimental esses dias. Você e

eu

......

Hesitou por um segundo. Nós três passamos bons momentos

juntos.

-Falando a verdade foi. Vou sentir falta. Especialmente do cinema.

-É claro que vai. Meu irmão sempre nos deixando entrar na sessão das nove. Não mude de assunto. Ainda estou sem acreditar que você vai a uma festa. Me lembro muito bem que você detesta festas. Inclusive bailes.

-Ioos foi a muito tempo. Eu cresci, se por acaso você não notou.

-O pequeno príncipe cresceu não foi. Mas você continua sendo o meu irmão mais novo. Falou quase que sem gosto. Raspou na garganta ao a falar aquilo. Betty era dois anos mais velha que Ethan, e queria mostrar a ele maturidade.

-E porque você ainda anda comigo betty? Você já é maior de idade.

Ela não falou nada. Continuou andando, e Ethan à acompanhou. Esquecerá subitamente do frio que fazia. Talvez o calor de betty irradiava sobre ele, o aquecendo como um lençol térmico.

-Olhe, não quis ofender. -Falou finalmente quebrando o silêncio.

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-Não foi nada Ethan. Deixe isso para lá. Mas vou lhe responder a perguntar. Ela é simples: Somos amigos, e amigos de verdade não se separam.

Era a primeira vez que ele ouvia isso. Um discurso pré-despedida achou. O sentimento de amigos só florescer de verdade quando algo realmente impactante acontece. Como exemplo a mudança de Ethan.

-Até agora você não me disse onde é a festa? -Perguntou com uma certa insistência a Ethan.

-É na praia. E aonde você vai?

-Nadar um pouco. -Riu, quase que timidamente. - Já tinham caminhado alguns quilômetros. Pararam sobre a encosta. A descida lembrava o tempo em que os dois voavam com suas bicicletas. De lá podia-se ver a cidade calada. Lojas lado a lado; carros estacionados sobre o meio fio; o supermercado, e a pequena elevação que serpenteava para à Igreja. A cidade era um amontoado de relevos.

Quase São Francisco. Só que mais pequena. A praia ficava na descida da Igreja. Onde havia as melhores casas da região. Você andava uns 10 quilômetros até descer uma escadaria. O proprietário do supermercado, em parceria com o prefeito construiu um parque de diversões. Não era tão visitado, mas às vezes dava um bom lucro.

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