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JORN RUSEN
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CULTURA FAZ SENTIDO
Orientações entre o
ontem e o amanhã

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Rüsen, Jõrn
Cultura faz sentido: orientações entre o ontem e o amanhã / Jõrn
Rüsen ; tradução de Nélio Schneider. - Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.
Tradução de Nélio Schneider
Título original: Kultur macht Sinn : Orientierung zwischen Gestern
und Morgen

Bibliografia
ISBN 978-85-326-4736-8

1. Antropologia - Filosofia 2. Cultura 3. Sociologia I. Título.

13-13801 CDD-306.01
• EDITORA
Índices para catálogo sistemático:
l. Antropologia crítica 306.01
Y VOZES
Petrópolis

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1
Converter tempo em sentido

Ensaio de uma tipologia de formações
de sentido temporais*

Seres vivos são [...} tempo com forma,
como melodias.
Adolf Portmann'"

l.l O problema do tempo
O tempo é uma determinação fundamental da existência
humana. Ele abrange ser humano e mundo, pensamento e ser,

tPrimeira versão com o título "Zeitsinn. Einige Ideen zur Typologie des menschlichen
Zeitbewusstseins[Sentido do tempo. Algumas ideias sobre a tipologia da consciência hurna-
nadotempo]" foi publicada em: JORDAN, S.& WALTHER, P.T.(orgs.). Wissenschaftsgeschichte
IIIdGeschichtswissenschaft - Aspekte einer problematischen Beziehung. Waltrop: Spenner,
~2,p.168-186 [Wolfgang Küttler zum 65. Geburtstag]. Em inglês: "Making senseoftime-
Towardsan universal typology of conceptual foundations of historical consciousness". Taida
lihixuebao,n. 29, 2002, p. 189-205. Também em HUANG, c.-c. & HENDERSON, J.B. (orgs.).
Hotions orTime in Chinese Historical Thinking. Hongkong: Chinese University Press, 2004. Em
dlinês: "Wei shi Li Vi: mai xiang lishi yishi jichu guannian zhi pubianxing leixingxue". Dangdai,
Taipei,n. 155, 2000, p. 36-43. Em outra tradução para o chinês: "Fuyu shijian ViVi - yi lishi-
Jlshi Weigainian jichu de pubian fenleixue". Historiographical Quarterly [Shixue lilun yanjiu],
Pelang, n. i, 2002, p. 11-20. Versão ampliada sob o título 'Tvpen des Zeitbewusstseins -
Sblkonzeptedes geschichtlichen Wandels [Tipos da consciência do tempo - concepções de
lIntidoda mudança histórica]".ln: JAEGER, F.& LlEBSCH, B. (orgs.). Handbuch der Kulturwis-
~ften - Vol. 1: Grundlagen und Schlüsselbegriffe. Stuttgart: Metzler, 2003, p. 365-384.
~a versão: "Die Kultur der Zeit - Versuch einer Typologie temporaler Sinnbildu~gen [A
••••. ra do tempo - Ensaio de uma tipologia das formações de sentido temporais]".ln: RUSEN, J.
. 1.Zeitdeuten- Perspektiven - Epochen - Paradigmen. Bielefeld: Transcript, 2003, p. 23-53.

PoRTMANN. Die Zeit im Leben der Organismen, p. 127s.

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interior e exterior, cultura e natureza. Por conseguinte, ele é
caracterizar o tempo como categoria fundamental das ciên-
categoria fundamental (não só) das ciências da cultura C
. °rn culturais é uma tarefa quase impossível de cumprir. Ela leva a
compreensão de tempo, estas determinam a conexão e a difl
IbitoSde pressupostos naturais e condições da cultura de difícil
ça entre cultura e natureza, a peculiaridade do ser humano e
sso às ciências culturais. E, visto que se trata de nada me-
modo de lidar com seu mundo e consigo mesmo. Ao mesmo tean,
s que a determinação do quadro referencial da interpretação
po, elas determinam a si mesmas, determinam uma de suas
• C· d ll1aIa tIO.ntífico-culturalde fenômenos temporais em geral, deveríamos
Importantes taretas: seguir o rastro o tempo como fenôm,
fll8ispropriamente resignar diante da profusão dos fenômenos e
em todas as esferas da vida humana, entendê-lo, interpretá_lo
das pesquisas dedicadas a eles. Só o recurso a altas abstrações,
explicá-lo, e, ao fazer isso, assumir uma postura racional e crítica
esquematizações e tipologias permite traçar um esboço do modo
(argumentando com método) em relação a ele.
ientífico-cultural de lidar com o tempo. O esquema exposto a
As ciências culturais não devem ignorar que, nessa atM
seguirrestringiu-se, ademais, a uma perspectiva, na qual o tempo
dade, são, com suas próprias ações cognitivas, uma efetuaçio
aparecee é tratado precipuamente como concepção de sentido
do tempo. Em seu distanciamento produzido pela argumentação
damudança histórica - todavia, sempre tendo em vista também
racional, elas fazem parte do tempo, exatamente do mesmo m~
as determinações fundamentais do tempo que antecedem essa
como os objetos do seu conhecimento. Sendo assim, elas nãopo
perspectivae estão na sua base.
dem se comportar em relação a ele de modo neutro nem alçar
acima dele, mas são, elas próprias, parte da cultura que perfazo
1.2 Mundo vital e experiência
âmbito do seu objeto de estudo. Ao pesquisarem o sentido que
Como as ciências culturais obtêm acesso ao tempo? É reco-
os seres humanos extraem do tempo ou conferem ao tempo, elas
mendáveltomar como ponto de partida fenômenos elementares
próprias pertencem a esse evento de sentido da cultura.
antropológico-universais da relação entre ser humano e tempo.
Isso deve ser especialmente levado em conta em termos
Elesconstituem o fundamento (fenomenológico) do fato de a
temáticos e metodológicos quando a diferença cultural se con~
culturaser um modo de lidar com o tempo que leva à formação
te em ensejo de comunicação intercultural. Porque essas dife:
ifesentido onde quer que vivam seres humanos e como quer que
ças mesmas podem incluir-se nas premissas dessa comuni
ilesvivam. •
de modo único, de maneira que sejam consolidadas, em vez
O tempo é uma dimensão fundamental, universal e elemen-
diluídas. Caso não queiramos correr o risco de sair com um
tar da vida humana. Ele é experimentado como devir e fenecer,
tivismo cultural fundamental (que, em última análise, des
scimento e morte, mudança e duração. Sendo experiência, ele
as ciências culturais enquanto disciplinas especializadas), fi
cisa ser de tal modo apropriado mediante feitos interpretati-
necessárias reflexões e fundamentações específicas para qUI
S da consciência humana que o ser humano possa orientar-se
possa oferecer e concretizar chances de entendimento sobre
le, estabelecer uma relação significativa entre sua vida e ele. O
tensões de verdade no pensamento acerca do tempo.
humano não pode simplesmente deixar o tempo como ele está

254
255

trata-se de uma ri' . 257 . não sucede "simples 'ai "crítica"). EVI rões de interpretação disponíveis. que. pela primeira lIquisitar e aplicar padrões de interpretação já existentes (nesse uma forma cultural concreta. O tempo não se atém sim- quanto a tripartição do tempo em passado. como se depara diretamente com ele). Porque ele ()' te ignorá-Ios. Muito antes. Eles precisam dar-lhe ltlltaa se instaurar e precisa ser sempre elaborada de maneira nova sentido com o qual se relacionam com ele. no entanto. nsão e a ação (nesse caso. ou seja. presente e futuro adquire. quando ações ll perimenta como irrupção de acontecimentos imprevistos no !e ma resultados não intencionados e até a resultados que con- mundo interpretado. Ele não brota de nenh permanentedesses padrões de interpretação ao que acontece na das três dimensões. sendo violado por (dotados da qualidade específica do particular). po. interpretar o evento temporal do seu pr l l1esuavida há uma distorção.sem a execução de um fého interpretativo próprio. os padrões de interpretação precisam ser modifica- atenção especial: a contingência. sem a qual as outras antecedência. a forma da vida real. p-6prioem relação a elas. presente e futuro p~esmenteaos padrões de interpretação culturalmente dados com sentido é a quarta dimensão do tempo. sem um comportamento acontecimento é posto em marcha ou mantido em movirnetll.mas os extrapola e torna necessária uma aplicação não podem ser humanamente vividas. o que acontece pode ser diante a qual e com a qual o arco da vida do ser humano es I!Iperimentadode modos distintos. sempre pria temporalidade e apropriar-se dela. Os I que por si só ela ainda não está suficientemente relacionada Ivolvidosprecisam levá-Ias em conta. ~o.(isto é. também há sucedimentos temporais que de tal modo que" desde sempre pode ser percebida e "err pam à interpretação.para que seja possível apropriar-se do que acontece pela com- contingente na medida em que representa um desafio ao tr. cujo ímpeto avassalador desmantela os da" . de modo que o ser humano contingentes são inopinados. de modo que num caso basta dido entre passado. mas representa uma realização espiritual a1temânciadas coisas. Nesse processo. que m esso. Ao mesmo nas Possibilidades de sua cultura. trata-se de uma experiência temporal "normal"). em outro Há uma experiência originária do temporal. Uma experiência tempo: . no qual aquilo que acontece passa e um jlSrticipação. como foi dito. Isso é tão elem e preparada para trazer proveito à vida. Isso é evidente. even' ece diante deles "nu" em termos culturais. que precisa ser superada mediante o mundo e de si mesmos para poderem efetuar em vida a sua trabalhode interpretação da consciência. os envolvidos sistematicamenterompida. inesperados. lidar com o seu agir para dar-lhe sentido. qual ele tem de sofrer e em relação à qual ele tem de estabel Experiências temporais contingentes precisam ser interpreta- uma relação interpretativa que vá além da mera experiência 4aS porque exercem influência na vida dos respectivos sujeitos.Faz parte do equipamento humano chamado "liberdade" não O tempo não se efetua simplesmente no processo vital poderviver as efetuações temporais de sua vida sem sua própria seres humanos. trata-se de uma experiência tem- interpretativo da consciência. eJas. repentinos. o modo de sua experiência significa que não se pode si enClatemporal traumática. entre ele e os acontecimentos no curso vem. como mudança em sua vida e no seu iam as intenções que norteiam a ação. porém. Nesse caso. Por fim. referir-se a elas. A sua relação com o tempo é como que rumo ao futuro por meio da ação. por exemplo.sem seu posicionamento.

uma mutação genética tempode duração da significatividade e do significado. pressão do tempo.sedimentadas e preservadas no mundo há muito já fran- diferenciado: ~ ueado ao sentido. e morte. que permite aos seres humanos ingressar num a própria evolução. Em contextos interpretativos ras específicas e restaurada a ordem cósmica por ela perturbada ainda mais complexos. Dependendo de qual é o padrão de interpretação cul uito já ingressaram em interpretações possibilitadoras da vida. Enquanto modalidade de expe bá desentido. em conexão com a percepção estética: ter contingente do acontecimento em questão. de repetição e retorno. no quadro de Dlaisradical dessa experiência temporal enquanto experiência de uma experiência temporal interpretada. em cujo âmbito as experiências temporais são feitas. Sen ciaisde significado: melhora e piora. Essaqualificação visa expressar que se trata de uma experiência No quadro de uma interpretação de tempo nos termos da quepossui um significado que vai além do instante do aconteci- teoria evolucionista a contingência seria o acaso que direciona mentotemporal. Der Krüppel. inversão do entendida como ameaça à ordem moral do cosmo. a CO/1" fIlt s eram experiências temporais familiares. Nesse caso. precisa ser posta numa conexão nar processo de transcendência para um tempo diferente dele mes- rativa com outros acontecimentos.s a gência a ser apropriada pode assumir um caráter extremam fIláticas. entre nascimento rado de interpretações temporais. habituais. de estrutura- feito que perturba esse cosmo. Em foiexperimentado transcende a si mesmo para dentro do ato da termos históricos. a escassez de tingência é eliminada mediante medidas expiatórias e purificado. que afastamos de nós. Ela é experimentada transcendimento do tempo deve ser a unia mystica. enquanto experiência. o tempo pode ser experimentado como A contingência também pode ser um evento dentro de um algode que devemos nos distanciar. Ele se anula num oaqui e agora do processo da experiência e do fato dado do que contexto vital histórico carregado de sentido e significado. a contingência também pode ser experimenta experiência de outro tempo. MÜLLER. como. há também expe- como desafio à interpretação moral que ocasiona a busca por 11Dl riênciasmais complexas que são "feitas" com coeficientes espe- malfeito que provocou esse infortúnio e deve ser eliminado. mas também de irreversibi- de uma criança aleijada numa sociedade arcaica é experimentado lidade. as experiências fundamentais de duração. 258 259 . como ocorrência de um fato num contex como"eternidade" ou "atemporalidade" de uma esfera de valor. contexto interpretativo de cunho histórico do tempo. por exemplo.de imobilidade. ela se distingue de outras modalidades de experiência que ~retaçãouma ocorrência temporal pode ser experimentada como extemporâneo". essa con detendências de desenvolvimento. na qual desaparece o cará mo. na qual o como contraste com outra experiência que há muito já foi intef' tempoé momentaneamente suspenso na plenitude não temporal ) riên' pretativamente processada. Nessa forma. Mas o tempo também pode ser experimentado como um ela. há a experiência originária do N o quadro de referência de um cosmo moralmente estrutU. por exemplo.Ethnologia passionis humanae. A forma A contingência sempre acontece. de fugacidade. vazio temporal. tempoou a preciosidade do tempo.como. to temporal em que ele não cabe. a diferença entre jovem e velho. No quadro de um padrão histórico complexo de inter- cia. Assim. Porém. portanto. o nascimento çãorítmica. por ser típico de outro tempo. como algo que pertence mais propriamente a 1 Cf. não dra- f. :evir e fenecer. por exemplo. que frequentemente é qualificado da como anacronismo. a contingência seria um mal.

ciênciah' . delimitadano intervalo entre os primeiros anos de vida e o res- ração complexa entre memoração e expectativa. tb. réplica. The Generation ot Memory: Reflections on the "Memory Boom" in IlemporaryHistorical Studies . History and Memory. o panorama sucinto em BECHER. Ele comp pectivopresente. 260 261 . resumidamente ASSMANN. A práxis do tempo. Para conseguir isso.outro tempo. mas que está presente no tempo da expe n. Tudo sidade de interpretar culturalmente o tempo. como diferen tempO. IStorica cf. e pensando.• WINTER. '( e sofrer dentro dele e nele. preencher interpretativamente. Sobre o discurso da o fundamento antropológico da multiplicidade de interpre . Ungskonzepte. e ambos estão imbricados em cada talada no lapso de tempo da sua conduta de vida que ele pn efetuaçãovital que se dá no tempo presente. de modo correspondente.). a sua própria Para cada ser humano individual a memoração pessoal está consciência está temporalmente direcionada mediante uma i. Esse não é o caso no Essa consciência humana do tempo desprendida da Ursodiferentemente posicionado sobre a consciência histórica. Das kulture/le Gedachtnis. no relacionamento com a natureza. incl riênciase expectativas. ou. RUSEN (org. essa imbricação não está aí apenas sem o qual ele não pode viver. com a qual o ser humano trans camentetransposto: memorações pessoais estão impregnadas e ilimitadamente de um modo não geneticamente fixado os sãomodeladas pela memória social e. uma zontetemporal do intervalo da vida pessoal sempre é sistemati- terpretação simbolizante.empirische Befunde. Esse hori- aspecto de que a ambas inere um feito interpretativo. na expectativa. seguido da crítica e formulou Edmund Husserl. '.entende a si mesmo dentro desse curso e orienta o seu relação a si próprio.. também e justamen aperspectiva de futuro se alonga para além da morte pessoal na instantes aparentemente definitivos do nascimento e da m futuridadedo contexto social da vida do grupo a que se pertence. mas se diferencia deles nutredessa memoração tem a morte como seu limite. Porém. o ser humano que os seres humanos fazem e sofrem acontece em cada mo- prendeu-se do tempo da natureza e se afirma como ser de JIIentopresente situado no campo de tensão entre a memoração tura num relacionamento interpretativo 'com ele. A perspectiva de futuro da própria vida que se essa capacidade com muitos animais.Vorlesungen zur Phiinomenologie des inneren Zeitbewusstseins. o discurso atual da memoração tende a subestimar sistematicamente a expectativa !limocomponente constitutivo da consciência temporal humana. I ~ 2 CO . damentos naturais da sua própria vida. Ickl 2 HUSSERL. e essas três dimensões estão sempre sistemati- temporal de sua vida e lhes acrescenta um significado cul! camenteimbricadas. . FAUSSER& RUSEN. Com a experiência desafiadora da contingência e a n O tempo é um fator elementar da práxis vital humana. O passado está presente na memoração com a sua própria natureza. ele detonou os limites da nature constituição temporal de sua vida. tempO. de retenção e protensao. suas faculdades intelec vitalcotidiana é determinada em sua relação temporal por expe- sua subjetividade. ele afirma a si mesmo. Geschichtsbewusstsein . com as quais o ser humano situa a sua vida no curso O tempo é experimentado. . Com o amemo de sua interpe mo fato.• AH R FORUM.Psychologische Grundlagen.. Sobre o discurso da tureza no antagonismo de memoração e expectativa. Com a primeira flor que o ser humano primitivo deitou sa dimensão temporal abrangente é preenchida pelas obriga- o túmulo de um falecido. Simbol' a expectativa3• A vida humana está estendida entre passado.Geschichts- ISstseinCf . loraçãocf. ele transcende os fundamentos naturais no d presentee futuro. mas tem de ser realizada de maneira própria. por assim dizer. e o futuro. A cultura do ser humano está .

quando se tornou aUI 'ssibilitadopor essa passagem do tempo não se efetua simples- nomo em relação às coisas. é experimentado concretamente constitui um proce8lO purocaos. a experiência turais. em tudo que são. Aqui o tempo é algo ontologica' COmo perda de sentido ameaçadora . mas tomam forma em razõesmetodológicas caso se queira. Contudo.não só nas culturas "frias". A ordem significativa do tempo sempre modificar consideravelmente em termos históricos: o tempo pode estáprojetada para ser renovada. no sa que aconteceu e por uma antevisão correspondente do que ar do sagrado. mas tem de ser ativamente con- não é só a mudança temporal das coisas. nsformado. N mediantea atividade cultural. no qual o primeiro foi vai da memoração à expectativa.pegar o rastro da interpretação do tempo como efetuação da duração no processo do trabalho depende da economia do elementarda vida humana. mas a própria a' " ada e culturalmente elaborada. Po pentemente entrelaçadas. Por exemplo. mente preordenado. Arnbas as coisas estão perma- dições estruturais dadas por um quadro referencia\. ordenado e vivenciável. Eles estão sujeitos ao tempo e são determinados por • s geradas por um sentido de tempo que assumiu forma podem e. O tempo é experimentado de modo completaml transformações na durabilidade de uma ordem cósmica fundada diferente quando se tem de preenchê-lo com sentido. quando porum mito originário". Die fünfte Dimension . nas é responsável por ele ou quando ele. No entanto.• MÜLLER. reforçada e destinada a durar ser percebido como qualidade dos fatos experimentados. cada coisa tem seu tempo. como funda- tais da vida. trabalho e está em estreita ligação com dados econômicos. o sentido às experiências temporais primárias. Aio.O mundo da mudança temporal de fato sempre será da experiência temporal também para si. Em eventos festivos que ~ MÜLLER. em ~perimentado como significativamente ordenado e jamais como cada caso. interpretação efetuada nela ou sobre elà. Elas fazem com que este primeiro mundo se mos- As experiências temporais sempre são feitas dentro de treà luz da serventia para a vida. As forma- manos. pela experiência proces ificativo.ções cotidianas da vida prática. afias da contingência e os terrores da morte. sua separação analítica é exigida por elas não são uma coisa "para si". No centro dessa extensão tempor. Uma experiência práxis vital cotidiana estão postados os seus sujeitos. o que se experiml nte com a mudança do tempo. os seres elhante de tempo interpretado é mediada pela arte. As modalidades da experiência temporal podem mentalmenteameaçada.da quefazem de tudo para imobilizar toda a mudança e todas as vida humana. é possível diferenciar. Assim sendo.Soziale Raum-. ou seja. as duas experiências jamais coincidirão comple- da assim. sendo um só e o rnes tuais a mudança é tida como carregada de sentido: o sentido abrange fatos bem diferentes. und Geschichtsverstãndnis in presentam a ordem do mundo. Porque aquilo que. mas também nas culturas "cálidas". mas essa orientação cultural antecedent~ da práxis mental no contexto condicionado pelas circunstâncias não ml vital humana sempre se apresenta como precária. no fanum. Sein ohne Zeit. o tempo é experimentado rdialen Kulturen . a que se deve corresponder na efetuação. A pura passagem do tempo já é tida caso. ou seja. em termos científico-cul- textos objetivos das condições vitais. 263 . encontram-se ret~sados dentro do arco ~ entendidas com um segundo mundo. desapareceram as inquietações da mudança. modalicWia tamente. Zeit. como tipos ideais. os acontecer e acontecerá.

o metatempo abrangente enq ial é simultaneamente construído e não derivável. O tempo mento ou fim do tempo. por fim. o tempo pode ser interpretado como poral atemporal. sem tempo. p. a linear idade. ear de tempo está disseminada e serve sobretudo para carac- sado como espaço da experiência. um (meta) fDdasas culturas utilizam simultaneamente ambas as concepções abrangente e superior. As interpretações do tempo totalmente di- O tempo é dimensionado de acordo com as premO otes dadas por Aristóteles (o tempo é "a quantidade de movi- lSS. ciar um tempo cosmológico. à arché do mito. pode-se empreender outras de vista segundo os quais eles são desenvolvidos e que OCO! turações carregadas de sentido: o ciclo. possível. ao "tempo prim O tempo social padroniza e coordena ações e expectativas.Ir meço os tempos'") não se contradizem. esp. ainda que em diferentes constelações.) sentido. a uma origem enfática que dá sentido a tudo tempose converte em instituição que reifica e pereniza normas. terpretativas. então.36. Física 219 b 29. Com a ajuda dos critérios de sentido de tal metate POderconsiste na possibilidade de dispor do tempo de outros. nos . Desse modo. a um éschaton como alvo do des ores e formas de organização que norteiam a ação. por de tempo é um instrumento sumamente eficaz de regula- experiências temporais são relacionadas com interpre sociaP. meu experiência e da percepção em cada um dos quais vigora 'l'tO. Zeit in soziologischer Perspektive. que une as três dimensões num contextd de tempo. O que não se percebe ao proceder assim é que prognósticos apoiados na experiência. e no tempo não humano pode-se difl ISTÓTELES.o . isto é. recurso para o exercício de poder' e dominação. 149. eterna. ele é classificado de acordo com âmbi ros segundo o antes e o depois'") e Agostinho ("em ti. Ela integra critério de sentido para o dimensionamento e a interpretação da indivíduos numa unidade social mediante a sincronização. Dentro dela própria se recorre. mas também um sincronismo e naturalmente o tempo como embora não em todas. Confissões 27. por sua vez.1. é possível diferenciar um tempo não hurntl um tempo humano. Nesse caso.3 Dimensões priação humana. o futuro como espaço da ízar as culturas oriental e ocidental ou culturas mais antigas tativa no sentido dos lineamentos pragmáticos das projeções ~ maisrecentes. e. . ainda ass' scritos em grandes traços com os termos "objetivo" e "subje- possível diferenciar (mesmo que apenas artificialmente) " No interior dessas dimensões. ou a um passado metaempírico. vem depois ou a um futuro. periência temporal também pode ser concebido como ordem Em termos políticos. :0 que tem começo e fim. que determina o mundo in: OSTINHO. Tais dl ensionamentos fundamentais diferentes que podem ser cir- sionamentos são culturalmente variáveis. conceber diferentes dimensionamentos. a uma q O tempo humano pode ser diferenciado ainda mais: de do tempo. Porém. mas. abstraída do tempo. 265 . . de um tempo natural que determina a natureza como obj HÃFER. (Uma diferenciação fundamental de Há quatro dimensões antropologicamente universais do ~ho tipológico-cultural entre concepção cíclica e concepção po: o presente como o mundo vital experimentado e vivido. mas tematizam ferentes padrões e procedimentos de interpretação. o rit- (mesmo que em constelações diferenciadas) em muitas cul .

O tempo determina também o trabalho. Cultura consiste na interpretação desse tempo..bem como apropriar-se dele leIa ação e pelo sofrimen- ciente de um indivíduo "não há reconhecimento de um de: to. ] uma modificação do processo psíquico cornouma esfera própria da vida humana ao lado de outras. 266 267 . orientar e motivar. bilidadesdas colheitas. ele 8 FREUD. outrOS. com o trabalho. Ursprungsgeschichte des Bewusstseins.4 O sentido do tempo em suas motivações a partir de diferentes estados de consci O sentido é a quinta-essência dos feitos interpretativos que nesse ponto reside o significado ainda inesgotado da psica s seres humanos têm de produzir na efetuação de sua vida para para a compreensão de tempo das demais disciplinas cienl ~nseguir entender o seu mundo e a si próprios em conexão com co-culturais. a teoria dos sociedade. NEUMANN. o trabalho. ou então a forma da dominação política Transversalmente a esses dimensionamentos situam-se queé influenciada pelo nascimento e pela morte de dominantes qualificações do sentido. sl1· interpretado nas perspectivas da memoração e da expectativa. enquanto qualidade do mundo humano. Cul- meio do curso do tempo" 8. 9 Cf. A categoria do sentido permite que a concepção num passado longínquo. algodiferente dela. enquanto gênero e também definem o seu desenvolvimento bis mediantea alternância das estações do ano que fixam as possi- tórico.. por exemplo. mesmo que temporalmente (cronologicamente) se situem ciaisde vida etc. nítidos outra ordem temporal diferente daquela que é efetuada inten. Em todo caso. que determinam as ações propriamente ditas de for A formação de sentido pode ser explicitada conceitualmen- de sentido da consciência humana do tempo. Por exemplo. mas constitui um modo. interpretar. A sua cone. p. teComoa interconexão complexa de quatro atividades mentais: ~perirnentar. O tempo precisa regulada pelos pontos de vista e critérios determinantes em adquirirum sentido possibilitador da vida. do sentido ou províncias do sentido em múltiplas constelações. por exemplo. voltam a constituir dimensões tênciahumana. a psicanálise amplia a dimenaio umadimensão desse acontecimento.universal". Udarcom o que acontece com eles nesse tempo.a política e com a dependência de reçursos naturais. uma qualificaçãore. o tempo psíquico determina a efetuação da vida hu . decultura ganhe. A "cultura" não cobre tudo e cada coisa cionalmente em ordem cronológica. arquétipos de C. e interpretação sempre tem como referência volver um efeito presente na modalidade de tempo da posteri0l'i. Os acontecimentos podem desen. Segundo Freud. circunstâncias so- dade. Vorlesungen zur Einführung in die Psychoana/yse Und Neue Fo/ge. Enquanto tal feito interpretativoAS sentido constitui a cultura temporal nem [. contornos analíticos. inseparável e estreitamente das atividades mentais que motivam o agir humano muito além entrelaçada com outros modos ou dimensões. nas camadas profundas do in . a das respectivas intenções conscientes. enaturalmente a mudança das condições vitais naturais da exis- ligiosa ou estética. o passado pode queacontece no e com o ser humano. como. por sua vez. Nesse caso. portanto. tura é interpretação. se tornar futuro. Eleprecisa ser interpretado para que os seres humanos consigam Todas as dimensões estão interconectadas. a dominação. caso. [ung alega dar acesso a um reservatório de A questão do tempo não é uma questão exclusivamente ações constitutivas de interpretação que definem a humanidade cultural. O tempo é experi- lIIentadocomo alternância das coisas e dos seres humanos. que. Para o inconsciente vigora.G.

Todos os três são fundam' na forma de efeitos colaterais não intencionais da ação que por mente determinados por referências temporais: a experiêOl 269 . Porém. na qual ordem temporal acima dos processos de mudança experimenta- circunstâncias e questões da vida prática atuam e se dese dosdo mundo ou construtivamente como realização da consciên- com determinação temporal. Contudo. ganhando significância socP!l de ordens supratemporais. e uma externa. As duas coisas aparecem frequentemente enquanto duração do próprio eu ou nós de tal maneira que a sobrepostas e mescladas. a consciência também pode se re- temporal da autocompreensão humana. pode-se diferenciar (artificialmente) duas dime O sentido do tempo pode ser fundamentalmente concebido uma interna que trata da subjetividade humana.Com essas e nessas perspectivas a vida humana é efetuada udança temporal pretérita pela via da memoração. que contingência umatransformação histórico-universal abrangente do sentido de morte possam ser suportadas e superadas na forma de um tempodo objetivo para o subjetivo. tempo sempre já estará objetivamente estabelecido para os seres referência ao tempo. o sentido do caracterizada e acessada com a categoria da identidade. Essa identidade permite si: tingência há igualmente duas possibilidades fundamentalmente socialmente os sujeitos. toda tentativa de tornar essa dominação normativo da vida humana para objetivos e estabelecimen~ o princípio predominante de sentido no trato com as experiên- uma relação retroativa de ambos com o autoentendimento ciastemporais acaba gerando novos problemas de contingência sujeitos sobre sua identidade. orientados na tratar no mundo com a sua capacidade ordenadora. euna interseçao e am os como presente V1VO. Com suas concepções de coerência. tura ou na determinação de sentido. que acontece. alçadas acima da mudança. eternas ou então apenas abstratas. ciahumana no trato com o mundo. na mu cepçãohermenêutica. mediante o pertencimento. para. poderem dar conta do o sentido do tempo será reiteradamente conferido pelos seres sofrimento e conferir intencionalidade ao seu agir. ao mesmo tempo. No to. O mundo pode ser retratado A dimensão interna da orientação temporal costuma na consciência como ordem cósmica. orientação. e essa orientação chega ao ponto de IJ\ rspectivas futuras mediante a expectativa e duração do próprio minar a vontade de agir enquanto força motivadora. Isso acontece cotidianamente me- As atividades mentais da formação de sentido pela via da diantea geração de regras de experiência. projeção de diante a orientação. eles distintas:pode-se dar um sumiço na contingência em concepções se delimitam em relação a outros. pe ~ d b . e pode-se muito bem tornar plausível experiência de sofrimento do estar exposto. cujo uso especializado periência temporal seguem uma lógica que sintetiza previaml (técnico-instrumental) converte o ser humano em dono dos cur- estes três elementos: explicação de interconexões. nesse caso. direcionaJIl' SOstemporais. nesse caso. identidade representa a proporção humanos e seu comportamento em relação a ele será o da per- da coerência de que os seres humanos necessitam. de modo normativamente No foco da formação de sentido como apropriação da con- tivado e apoiado na experiência. A identidacle humanos e seu comportamento em relação a ele será o da deter- aglutina a experiência consigo mesmo e o projeto de si mes minação construtiva. de sua c' dedois modos diferentes: mimeticamente mediante a elevação da cia temporal entre futuro e passado.

Isso costuma acontecer a partir do seu começo primordial.princípio não podem ser dominados 10. o tempo é pro. da ori- contingência em portadora de sentido. repetindo cem em múltiplas sobreposições e multiformes entrelaçamentos. O tempo adquire seu sentido a partir do "começo". tude de sentido é pura e simplesmente colocado numa posição sado é explicado por meio dessa ordem. com a mesma c 1areza. temporal ladeada de outras como diferentes e relacionada comu. Unersiitt/iche Neugier . Nesse caso. Nesse caso. dotá -Ia de. Diante desse passado com a natureza mediante a sua historização. masestá constantemente presente e atuante como fonte de sen- nicativamente com elas. A COntingên~' e por isso elas são apropriadas para decifrar os achados em- te desaparece numa ordem nomológica contínua do mundo. é a física newtoniana. ela não pode ser dominada. Essas duas possibilidades também apare.5 Tipos da formação de sentido do e o tempo pragmático da vida é representada pela genealogia. desse modo. de sentido sobre a experiência do tempo é representado pelo A outra possibilidade consiste em transformar a própria mito. O tempo possui traços superior ao presente e ao passado memorado na vida prática e fortemente normativos que não permitem qualquer capacidade aofuturo projetado pragmaticamente a partir dessa memoração. ela já está completamente contida na origem. E ritualmente o começo e. significado por gemde todas as coisas (arehé). entrepassado e presente: o "passado" da origem com sua pleni- jetado como ordem de cadeias de eventos. Raramente pIasocorrem empírícamente . seta I 'cos em termos conceituais-analíticos. recebendo a primazia normativa e compromissiva em relação a Simultaneamente o sujeito humano se concretiza numa figura estes. . Uma ligação entre esse tempo primitivo carregado de senti- 1. carregando com sentido também aqui há uma tendência histórico-universal de mudança a a sua realidade presente. o acontecimento pas. O que acontece atualmente no ser um evento. Algo parecido da formação de sentido a respeito da experiência de tempo que valepara a concepção de pertencimento mediante a descendên- cia de ancestrais primitivos ou figuras lendárias de fundadores. eles tornam aptas para favor da crescente contingência e narratividade (inclusive no trato o futuro as suas atuais condições de vida. 270 271 . tido.Innovation in einer fragilen zukunft. Pretensões de domínio são legitimadas pelo prolongamento da Tipos de sentido do tempo caracterizam diferentes lógicas própria linhagem para dentro do tempo mítico. numa ordem t poral universal do mundo. trata. Desse modo. serão plrJ força explicativa se confronta com uma redução normativa à r~ listados alguns tipos especialmente efetivos e influentes de in- cionalidade matemática. Os seres humanos se asseguram dessa atuação. reza racional de um ego cogito puro e indiferenciado na efetuação Um dos mais antigos e mais difundidos tipos de formação dessa racional idade. Aqui se diferencia claramente por meio da narração de uma história. NOWOTNY. 10 Sobre isso cf. seu exemplo mais carregado de sentido o futuro não é uma categoria própria abs- marcante é a teoria biológica da evolução) . e o eu humano é generalizado na natu terpretação do tempo. O paradigma mais ef odem ser claramente diferenciadas uma da outra. O passado da origem não chegou propriamente a passar. prognóstica de um futuro projetado com objetivos determinados. No que segue. mas Pode cursotemporal do mundo pode ser interpretado e compreendido ser interpretada de modo a servir à vida. E'justamen- e influente dessa eliminação da contingência.

peloacontecimento intramundano em seus contextos temporais. um sentido epocal do tempo. apocalíptico) com suas modificações de numerosas práticas religiosas que visam alçar-se acima das coer. a mediação entre esse sentido Porém. "T'Ime "d"S an '''' rn Ch'mese H'15t onca upertlme ' ITh' tn k'tng.como.(b) o corpo temporal do contexto histórico no qual um orientação cultural da existência: o sentido é experimentado e ex. Trata-se de desprender-se do cotidiano é possívelvislumbrar e descrever qualidades de sentido secundá- de maneira tal que o próprio eu possa conseguir a si mesmo. em enquadramento da nossa própria época num desses segmentos. primeira mão. por exemplo. zer.no horizonte temporal da memoração e da plo. de historiografia: a diferenciação dos tropos retóricos "metáfora" 4 1 HUANG . Essa interpretação pode. (c) e o "supertempo" do plicado como apropriação e sobrepujamento ou então. crítica e genética de sentido.escatológico. em conexão como o tempo do evento. Tabari. Por conseguinte. Ele resulta com relativa independência desse cotidiano. Em formas mais antigas do pensamento histórico. Metahistory _ Die historische Einbildungskraft im 19. camente decifráveis. prática da vida. que se expande num presente pu Chun-chieh Huang propôs a seguinte categorização plau- rae simplesmente avassalador que abrange tudo.Die vier Typen des historischen Erziihlens. Jahrhundert in Europa. No aspecto formal. por exemplo. Ele desempenha um papel central em pológico.exemplar. listo as mais importantes: sentido epocal do tem- Grande afinidade com o sentido místico do tempo tem o po.d o tempo comci incid em. Vom Nutzen und Nachteil der Historie für das Leben. A peculiaridade do sentido histórico reside em que o aconteci· orespectivo presente costuma ser entendido e interpretado como mento eventual se evidencia ou é visto como carregado de sentido aúltimaépoca de um conjunto de longo prazo.. atmente ao mstante a b straííd o d o tempo. dentro do de tale crítico de lidar com o passado 12 e a tipologia das formações ~ diimensoes as tres . tipologi !2 NIETZSCHE. a místico. Noque segue. 273 . como. a partir da qual seja possível obter. constitui o radical das formações de sentido ativas e refletidas na efetuação tempoda história 14. um sentido sustentável para a vida. perde sua essência nela e. No âmbito da significatividade histórica do tempo ções do tempo cotidiano. Agostinho. devorado pelo instante. O tempo e. como instância de dasubdivisão do curso da história em segmentos individuais e o contemplação do mundo. cunhosecular. de Rüsen 13. percepção atual.destruição sentidoque. acontecer em formas sumamente diferenciadas. O sentido torna-se questão de interpretação de cadeias de eventos intramundanos. por exem- no próprio mundo . feita por Hayden White 11. ' por assimqual di tr8dicional.Pode-se diferenciar do sentido mítico do tempo o seu sem JIIewnímia". por It WHITE. síVelpara a decifração do dimensionamento do tempo pelo pen- o sentido místico do tempo tem muito em comum com a destrui samentohistórico: (a) o tempo de um evento concreto (crono- ção traumática dos critérios de sentido ativos na vida prática da lógico). eventoadquire seu significado histórico. Desse ponto fazem parte os diferentes tipos 13R" USEN.kairós e os diversos tipos de sentido histórico-salvíficos (ti- seu sentido contemplativo. há mais coisas que pertencem ao sentido histórico: e a práxis vital representa um problema constante: o mundo se todaa profusão das diversas referências de sentido evidenciadas perde na unia mystica. rias. desse modo. monumen- sentiidoo ati . mas de uma dimensão diferenciaçãonietzschiana entre os modos antiquário.em Hesíodo."sinédoque" e "ironia". converte-se em tarefa permanente de reflexão ressignificante. Neste não se trata da origem. sua vez.

171-182. Porém. mas agora de fato acon çõeshistórica-salvíficas de sentido. atraves as quais e nas quais ta-histórica.UIJI CI. culiar dentro do presente: a concepção do kairós Como instante Os tipos descritos até aqui são formações de sentido positivas: especial carregado de sentido.104 BC [O grande começo .. mtramundano atualPC> juStezaempírica e validade normativa. os acontecimentos intramundanos) são inter- com o potencial de sentido dessa interpretação do presente como pretadoscom referência à salvação religiosa. se torna uma questão atinente à sempre já foram cumpridos no aqui e agora desse presente. Sobre o exemplo da China momentos" desempenham depois. e também por todo o futuro esse acontecimento animará desentido míticas. p. 274 275 . Da ordem temporal asseguradora Deus está próximo" (Me 1. o caráter de um acontecimento intra- ções passadas e representativamente também pelas futuras. quando foi intrO rais)bem ordenado enquanto o regente estiver governando legiti- duzido um novo calendário na China e empreendidas refo~ . carregados de valores. as séries geracionais do passa elementovital de toda interpretação do tempo. mento crítico. presentes nas duas dimensões essamudança e. P. "Nk" o airos. (Are suaapropriação intelectual.:---- fundamentais na asseguração ritual de sentido. nestas os eventos as esperanças. 327-342. no processo. na qual passado e futuro se imbricam de modo ~em ser eliminadas desordens instauradas 15.104 d.. e essa salvação mes- kairós: o que acontece aqui e agora acontece em nome de gera maadquire. Ela deve ter atuado. Nesse caso. místicas e contemplativas. Crisis and Conf/ict in Han China (104 BC to AO 9). p. a salvação pode significar a preservação O paradigma de um kairós na cultura ocidental é a hist6ria daordem mundial ou a redenção em relação a ela (a primeira é da origem do cristianismo: "O tempo se cumpriu e o Reino de maisantiga do que a segunda).) A ação revolucionária frequentemente se carrega históricos(ou seja. Com ela. a mudança do e do futuro se juntam de tal maneira que os planos de açio dostempos é efetuada no medium da formação de sentido sobre projetivos.15).C. 17-36 ("The Grand Begin- papel de destaque como asseguração da aptidão das formas ~g . rejeição e condenação. na memoração hlstorlc lIi LOEWE. por conseguinte. por é fundamentalmente (portanto. como o instante em que "o tem elaS carregam concepções de ordens temporais com uma síntese de se cumpre.C]"). no "grande começo". "a. Em distinção às concepções teceu. Nele. Mas também em outras cultur81 dotipo histórico-salvífico faz parte a concepção de que o mundo há a concepção significante do kairós. n. Nesse caso. as expectativas dos seres humanos no passado se rea é precisodesfazer-se ou que podem e devem ser transformados em lizam de tal maneira que representam simultaneamente a realiza concepçõesde ordem mais proveitosas para a vida. presentação do kairós pode ser concebida assim: durante séculos Um grande tipo bem próprio é representado pelas concep- os seres humanos esperaram por isso. como fonte de renovação e re- caráter de evento intramundano e uma dimensão de sentido I d . também em seus cursos tempo- exemplo. Writings in the Philosophy oi Reli- . o trato interpretativo carrega de um sentido que é experimentado e interpretado colllO dotempo sempre pode também ser efetuado na forma de distancia- consumação do passado e futuro antecipado. Essa crítica é um ção de expectativas futuras. d eração de or ens temporais. Religionsphilosophische Schriften. em 104 a. o acontecimento . Há uma mediação retroativa carregada de sentido en 'ver tradicionais para o futuro. sendo também efe.. 53-73. Tais "gran~ ~ SObreo kairós remeta-se de modo geral a TILLlCH. mundano. o sentido cultu- tuado conscientemente dessa maneira pelos respectivos agenteÍ ralmentedado de antemão é encarado como fardo e carga dos quais No kairós. Sou grato a Achim Mittag pelas indicações exemplos chineses.

• KOLMEL. de diferenciados entre si e inter-relacionados com diferentes modo que no acontecimento que antecede o fim dos tempos se de carga salvífica. o tempo progressivo Testamento. por fim. O Macbeth sentido seria. o fim carregado de sentido se converte em início de um relaciona com uma promessa. mentos históricos figuram como exemplos para regras un' O sentido apocalíptico do tempo consiste em que o éscha- ton é separado radicalmente do "tempo histórico" precedente. continuação. na modalidade secular. Essa efetuação pode ser diferentemente tempo que se fez na Idade Média europeia 16.mamente. os eventos tem determinada como cumprimento. para um sentido mais elevadol WalterBenjamin. de ação. Isso ocorre na interpretação "tipológica" efetua o sentido deste. rais têm aqui um significado que remete para um tempo situado No tipo do sentido escatológico positivo do tempo. Mas há também um sentido es- tido da indicação antecipada para a história salvífica do NoVo catológico negativo do tempo. Porém. os acon novotempo. o Messias). mu saIS e. 697. o desordem quando é assassinado o "good old king [velho e sentidodo tempo é produzido a partir do fim do mundo. A esse tipo pertencem o ca assim essa multiplicidade de sentidos dos eventos históriCOl quiliasmoe as concepções do redentor vindouro do mundo (o Buda todos os acontecimentos do Antigo Testamento possuem o sen Maitreia. Uber den Begriff der Geschichte. encena drasticamente que e como o mundo cai O sentido escatológico constitui um tipo próprio. eles remetem para além de todos os tempos. no qual o curso do mundo é interpretado me- Isso quer dizer que o acontecido se cumpre propriamente taforicamente como um monte de escombros cada vez maior 17. essa ordem remete para além de si mesma aindao sentido catastrófico da história na filosofia da história de uma ordem histórico-salvífica. Shakespeare. cular". então.Zum Geschichtsbild der kl ~ litischen Publizistik (11. geralmente um sentido positivo. ainda há um sentido escatológico recursivo do tem- Um tempo está relacionado com outro como o cumprimento po. 17BENJAM . 276 277 . idadesdo mundo de Hesíodo. por exemplo no Egito a . Essa escatologia está alia- do sentido. em consequência.. Jahrhundert). Ao mesmo tempo. O 16 AUERBACH. Esse um faraó e um novo faraó assume o governo. Typik und Atypik . A hermenêutica cristã mais antiga explil se acerca do fim como cumprimento. eles têm um significado exemplar de cunho moral. Nele. do tempo na Ásia oriental medieval e. esp. mas foi além dela num significado quádruplo: da com a distinção mítica do início como origem. o escatológico.-14. Figura . tidotemporal do fim dos tempos é relacionado com o aconteci- Uma tensão ingressa no interior da concepção da o: mento intramundano de tal maneira que este adquire um senti- histórico-salvífica do tempo pelo fato de diversos tempos s do próprio a partir daquele. O sen- rei]" que representa a sua ordem. Nesse caso. são realizados. o Mahdi. "de modo histórico-se. A esse tipo do eventos históricos têm primeiramente o seu significado dentro sentidoescatológico negativo do tempo pertencem a doutrina das do contexto do acontecimento do seu próprio tempo. por assim dizer. intensificação. em outros acontecimentos (posteriores) da história da salvi Por fim. IN. para o rituais de fim de mundo e renovação do mundo quando tempOfinal situado além de todo acontecimento histórico. Neste. A morte do regente põe em perigo essa ordem . p. A Idade Média não se restringiu a essa duplici significaperda progressiva de sentido.Nele. o tempo além do nosso próprio. mas também a concepção budista eles estão ordenados.

The Dead WiI/ Arise . entos e das práticas que visam controlar os cursos temporais. em aberto a questão da concepção abrangente de tempo carregada não é uma invenção da Era Moderna. e 111. Sabbatai Sevi: The Mystical Messiah. PEIRE5. Enquadra-se predomina uma dialética hermenêutica de ocultamento e revela nessetipo também o sentido do tempo que especula com núme- ção: porque. predito e se possa agir de modo correspondente. mas de sua contraposição. Ele determina as concepções da legalidade dos cursos his- E ntre os d OlS. ------- 20 Cf. o sentido do tempo só é indiretamente ros: neste. rim se torna irrelevante em vista do fim esperado. então. na verdade. istória umana e a história divioa sobretudo para justificação da ação política. referência experiencial do histórico e forma sentido mediante um tido utópico. JAUSS. Os eleitos passam. do Sabbatai Zevi 18 ou a revelação dos nunqavuse na África do Sul Um âmbito bem próprio da interpretação do tempo com ti- com a consequência abaladora da autodestruição dos xhosa 19. à ilustração.eaot Trata-se. mas é tão antiga quanto de sentido). dentro do l'8i&. para fazer com que neste se mani- nesse caso. Ele se opõe como contras senso à história "empírica" in. aparência de outro tempo. Em teórica (ficcionalização). crítica ou utopicamente potencialidades de de sentido. serve para a visualização. marco zero ou um vacuo. Tais concepções apocalípticas acontecimentos temporais de tal maneira que o futuro possa ser de sentido servem para interpretar o tempo terreno. A as- possa ser instaurado. de um sentido instrumental ou estratégico do sa concepção de sentido é a ruptura entre dois cursos tempo . Ela se desprende da Do sentido histórico do tempo pode-se diferenciar o sen.fim do mundo é contraposto ao acontecimento anterior d Um sentido bem diferente do tempo está na base dos expe- . mas também problemas de estratégia política. Os resultados disso também podem ser contrapostas temporalmente (nesse caso. Desta se podem extrair ~ sentido como chances da subjetividade livre no trato com cursos contornos nítidos da crítica de condições atuais. fbt podem ser catastróficos. Desse con. 1St. Nesse tocante. temporais reais. este último transcende o primeiro. Representativo dela é. decifrar os cursos temporais quanto a suas legalidades contínuas. 279 . ele 18 Cf. A. h qual os po d eres d rvmos agem. A h' . texto faz parte a concepção de que se deve revolucionar e destruir Aciência dessas legalidades serve então para resolver problemas conscientemente as condições de vida presentes para que o novo docotidiano. 5CHOLEM. no entanto. um estado temido) em relação ao estado presente. nesse caso. posbem próprios é representado pela arte 20. a cronologia constatada no padrão de interpretação acessível. ao adensa- I K"llingMolIII'" 19 Cf. a figura trologia é outro exemplo muito difundido. tempo. tóricOs. não se trata.Nonqawuse and the Great Xhosa Catt e. Ele faz do tempo uma determinação da diferença jogoda capacidade imaginativa que abstrai das pressões da con- que delimita rigidamente um estado desejável (ou. no caso de duta prática da vida tanto quanto das regras de sua orientação distopias. Reiteradamente se tentou interpretar os . háa um um " ". de um tempo para o outro:" a própria humanidade. que o tempo real dos acontecimentos intramundanos da h' . O sentido estético pode assumir funcionalmente a forma de outros tipos de formação de sentido. dasrelações numéricas carregadas de sentido serve para revelar e tramundana e seu mistério precisa ser extraído desta. Controlabilidade do tempo. de uma interligação de diversos tempos carregada festemhermenêutica.sthetische Erfahrung und literarische Hermeneutik.. A arte eléva o tempo experimentado à distinção ao tempo historicamente interpretado.cujo conhecimento é usado para a instrução ideológica e · . por exemplo.I ment of 1856-7. à evocação. Constitutiva d. nesse caso.

Na sua forma humanas e muitos atos comunicativos transcorrem com base em moderna. 21 tornar suportavels e VIVenClaVelS.mento. Zeit und Tradition . t. o sentido sedimentado nas decepcionada com a falta de sentido da modernização. pouco ao Afunilando o assunto nos tipos ideais. Pois o suportável. O ponto de vista da perduração. ele sempre tende a ir além do seu valor pura uta de vida humana além do fator do uso dos recursos natu- COnd te funcional no arcabouço cultural de orientação da vida hu .. pode-se diferenciar. dois fatos ou dois modos práticos de efetuação da duração. sedimentado e ativo como premissa da ação nos dados e nas cir- pecialmente quando as potencialidades religiosas de sentido são cunstâncias da práxis vital humana.. as relações tem rais da práxis vital são elevadas a um outro tempo: no momento 1. p ". também são extremamente rente dessa formação negativa de sentido. 280 281 . O preço que se paga por essa estetização é alto: uma fato é que confluem permanentemente para o ser humano expe- considerável perda de experiência temporal e uma despolitização riências que ele tem de processar mediante feitos interpretativos e des-historização das orientações temporais de ordem cultural. as premissas desencantadas. os elementos da duração em meio à mu orientação significante da práxis vital humana: o modo funcio- acelerada da Era Moderna são interpretados como condição nal e o modo reflexivo. Com certeza. da até agora do ponto de vista da teoria da história.. que não se quer imobilizar através das tradições. Ele sempre já está pode tornar-se efetiva como estimulante da conduta de vida. sobretudo porque ele zar fundamentalmente a realidade política e social visando tornã-la é desafiado por constantes experiências de contingência. desdobrando-se na profusão temporal tradicional tendo em vista os processos de mudança do obras de arte com um sentido exclusivamente estético e Com resente.. tratar-se-ia. pudesse ser simplesmente seguido. a arte assume a função de segurar o lugar ou de objetivasde sentido da práxis vital humana não são do tipo que representar a impregnação da experiência temporal com espa. pode ser validado também com referência a outros fatores da \'18. Todavia. .". eficazes.. o ação dos seres humanos seguem premissas culturais de sentido humano permaneça apto a viver no que se refere aos recursOl naturais do seu mundo. Ele pode se tornar autônomo.6 Modalidades de sentido do tempo em que se dá uma experiência de significatividade. Essa ex O sentido do tempo não é apenas uma questão de feitos riência só pode ser feita mediante tal diferenciação -e só a8~' interpretativos ativos da consciência humana. muitas ações ços de liberdade do autodesenvolvimento humano. Na contracee rados óbvios e. (sejade modo consciente e reflexivo: seja de modo inconsciente). ASSMANN. . mas recepção e comunicação específicas. em meio a essa mudança acelerada. Na modalidade da experiência estética. dos quais estes não têm sensível para uma orientação metaestética da subjetividade h1Jol consciência. nessa sua obviedade. o sofrimento e a possibilidade de que. Eles os seguem simplesmente porque são conside- mana. Uma nova categoria do sentido de tempo. de uma nova compreensão da orientação f81S. a arte remete para além do âmbito da contemplação padrões de interpretação dos agentes. é a da portanto.Kulturelle Strategien der Dauer. Nesta. Fundamentalmente. então. tenta esteti circunstâncias da vida humana é precário. porém. ::-:------- 21Cf. dadas. Ea. No modo funcional. a pós-modernidade. No entanto. na qual só se pode ainda supor o sentido. à enfatização de dimensões de sentido e configuraç.

283 . e essa signi- pode ocorrer por meio de experiências que não se manifestam de ficatividadeinclusive é permanentemente efetuada na práxis vital. narrative and history . ano. 01 en atizado por David Carr em numerosos trabalhos. o prolongamento mental do meu próprio período lo que por muito tempo foi plausível.].l: Tempo e narrativa histórica. manifestam-se e atuam como segunda natureza: ficadas dos sujeitos. é criticado. Por conseguinte "objetivas" estão ancoradas em camadas profundas da constitui- elas não são sempre nem regularmente perenizadas intergeracio~ çã0 antropológica da temporalidade humana. nela estão atuando como algo óbvio. te. de sua própria subje- Tornou-se usual encarar padrões culturais de interpretação tividade. da práxis vital humana como "invenção" ou "construção".: Tempo enarro eol Wor/d: An Argument for Continuity . Justamente faz-se isto e deixa-se de fazer aquilo 0 não passível de tematizações ulteriores e assim mantido em CoJ1l e tais normas de comportamento atuam frequentemente sõ vigor. Antes de qualquer "invenção" ou "construção" os se. cuja competência interpretativa é requisitada. conver- 22 Acompanho a diferenciação de três níveis da mimese proposta por RICOEUR. Com o auxílio dela o sentido refletido é podem assumir um caráter coercivo tal que os envolvidos nem convertido em práxis vital e mediado com as interpretações que sequer conseguem conceber a ideia de modificá-Ios. por exemplo. mas que primeiro Acrescem-se a isso padrões de interpretação que estão tão pro- precisam ser compatibilizadas mediante um feito interpretativo fundamente sedimentados nas circunstâncias da vida que. o olhar se reduz para o nível reflexivo da Confiadaàs práticas culturais da subjetividade humana: o sentido cultura. os envolvidos. mas apenas são apro. fedobras.Time. o sentido do tempo no nível reflexivo é modo de ver as coisas. Na organização temporal da vida humana. Nesse Em contrapartida. Phenomen%gy and historica/ know/edge Vol. 9055. das estações do O feito interpretativo do consciente humano . que não conseguem mais compreender aqui. modificado.Vol. As histórias Essas duas modalidades de efetuação e atuação das inter. Há espe- truídos". trabalho próprio de interpretação. para explícito. reinter- res humanos sempre também já foram "inventados" ou "cons. modo compatível com elas no plano imediato.do que dessas premissas objetivas. Narrat/ve and the und Erziih/ung . tais premissas COIl1 a força de sua simples existência e obviedade. muita coisa IClto.estar desperto e dormir. Os melhores exemplos disso são os USOS Orna tão óbvia para eles que escapa à sua atenção ou é visto se t os costumes. 1: Zeit und historische Erzãhlung. CARR. para dar conta delas. Isso doscomo coisas que sempre já foram significativas. 2011.da órbita das estrelas e muitas coisas mais são experimenta- flexivo sempre que tais premissas são postas em questão. determinantes nesse tocante fazem parte da realidade social 23 • pretações culturais são mediadas por uma terceira modalidade de Reguladores culturais da organização temporal da vida humana efetuação: a operativa". prelado.se torna re. • CARR. p. mas pode ocorrer também por meio de posturas modi. 8555. Nascimento' e mor- nalmente por práticas educativas próprias. Eles nascem para dentro de circunstâncias culturais e cialistas. é mais provável que duvidem de si mesmos. os processos corporais de maturação priadas mimeticamente.Studies in phenomenology and existential philosophy.das quais nem precisam ter consciência e com as quais tall1 se apropriam delas ainda antes de se tornarem capazes de um co precisa se ocupar na forma de feitos interpretativos expl' . PtiZ: -------- 23 R Issofoi f" . Nesse processo.• CARR. São Paulo: Martins Fontes. Nesse caso. e os cursos temporais naturais do dia e da noite. p. devida para além dos limites de nascimento e morte. Em torno dele há controvérsias e conflitos. do tempo se torna negociável.

numa temporalida- . Diz-se dele que menteexercem seu papel. toSdas práticas reflexivas de interpretação adquirem validade desafiam os feitos interpretativos reflexivos. toriadoresà sua presença para que a informassem sobre o que se pio são suficientes para a orientação. mas constantemente se m deveriapensar dos alemães. Nesta. É conhecido ser cunho político-nacionalista de construção coletiva da identi~ o exemplo de Margareth Thatcher.As premissas não decidem sobre a reflexão nem esta tica surpreendentemente nova de significado de amplo alcance. desse modo. Essa modalidade reflexiva decorre forçosamente do fato de as paquelaépoca.• WEIGELlN-SCHWIEDRZIK.tendo-se. a um processo histórico que precede toda e Beispiel der siebziger Jahre. por exemplo.então. con- Zedong . controversas e expostas à luta pelo poder visando No nível operativo da interpretação do tempo. normal.precário de prática. os constru- a posições de domínio e reconhecimento social. por sua vez. Um paradigma fascinante dessa mediação é o píricade interpretações culturalmente atuantes do tempo igual- papel do historiador da corte no império chinês. também sucede que os historiadores POdeser reflexivamente predeterminada nem sistematicamente são consultados quando se trata de aquilatar uma situação polí. que não pode ser alcançada ou ultrapassada por acordo com antigos padrões historiográficos ". A validade teórica de concepções explícitas de sentido sua premissa objetiva desafia as faculdades mentais das práticas da temporalidade humana se torna prática. e. os· tram precárias. estimada. tação impelem para a construção subjetiva do sentido de tempo mente o seu papel é mais modesto. sobreo efeito prático dos padrões de interpretação tratados. der Historiographie der VR China . paradentro da efetuação da vida prática. Por si sós. é novamente mediado operativamente que decidem sobre a conservação de monumentos. No horizonte da nenhumfeito interpretativo. t». astrólogos para estipular os tem e interpretação por parte de muitos governos que não poderia favoráveis a determinadas ações. portanto. numa dinâmica que ela realiza tempo- 24 WEIGELlN-SCHWIEDRZIK. em fator econômico no orçamento de uma '111 SI . primeira-ministra britânica etc. Erste Kaiser und: ralmente dentro de si mesma. portanto. Se analisarmos a inter-relação desses três níveis. torna-se tóricos da ação política atual. como. padrões de interpretação adquirem um status diferente daque- Na modalidade operativa da interpretação do tempo. (As duas modalidades práticas reflexivas são mediadas com as efetuações vitais carentes naturalmente sempre se sobrepõem e a validade objetiva ou em- de interpretação. O status . ditas leque têm no discurso de sua reflexão. . As premissas objetivas de interpre- experiência dos historiadores profissionais ocidentais. a reunificação alemã levou a uma considerável demanda ciedade. as interpretações ção de memoriais. Ainda em tempos mais recentes foi visíveluma temporalidade interna peculiar da própria interpreta- possível observar que as questões de Estado chinesas tramitam de ção do tempo. na lógica da sua efetuação. assim. Eles colaboram em comissões que.Bemerkungen zu Politik und Geschichtsschreibung in der Volksrepubllk Sando-a.t/VS In deinterior bem própria. que chamou um grupo de cientistas sociais e his- premissas de sentido funcionais da práxis vital humana por Princí. A interpretação do tempo acontece. a formata. os historiadores para tarefasPoa d atendida sem os especialistas em história alemã. Porém. os culturais de interpretação do mundo e do eu no trato com o tempo. e elaboração de diretrizes para o ensino da reflexivamenteefetuadas se modificam de uma maneira que não história e similares. Der erste Kaiser von China und das Problem des Rez. elas .) está assentado ao lado do imperador e lhe fornece os padrões his.

qualquer formação de sentido e transcende de toda e qual.7 Noções básicas de uma teoria histórica do tempo aceleraçãodas sociedades que estão se modernizando ". utópica. samento efetua a si mesmo e do qual não pode se assenhor sentidodo tempo (escatológica. cujo fim provisório é representado pelos processos de 1. presenta um desafio ao ser humano para que interprete também aumento ou então redução da complexidade.a respeito disso. Quemargumenta resolutamente contra a tendência geral é DUX. Pelo contrário: o seu próprio devir e fenecer re. reflexivização dos esse tempo no sentido do tempo. os seguintes exemplos de tais tipos: incremento da experiência. 287 . descrita na seção anterior no nexo interno das três modalidades Uma interpretação teórica do tempo é decorrente da ques- de formação de sentido a respeito dó tempo. da apropriação humana interpretações teóricas universalistas. diversos acervos fenomênicos. Die Zeit in der Ges- Ichte-Ihre Entwicklungslogik von Mythos zur Weltzeit. não é mais possível manter o sentido do tempo exclu- narração e tempo que narra a si mesmo como unidade interna no sivamenteno mundo. não quer dizer que esse prolongamento his. adquirindo a partU' =. Um desenvolvimento histórico individual desse tipo ricodo mundo e encararam as suas concepções de sentido do é representado. ele próprio. culturas. Isso. por exemplo. nas quais os autores e destinatários de tais interpretações individuais são visualizadas e interpretadas com acontecimento se asseguraram de seu status singular no acontecimento histó- significativo. adquireuma nova potencialidade de inquietude. a exposição que se tornou clássica de Lõwith: Weltgeschichte und fi 'I elsgeschehen_ Die theologischen Voraussetzungen der Heilsgeschichte. secularização. Ele se dirige. sendo demonstrada e explica. Semprehouve essas interpretações nas grandes narrativas mes- Tal interpretação se torna histórica quando transformações tras. todavia. abrangendo cultura e tempo. apocalíptica. Depois que pode-se falar de um tempo histórico imemorial. das trans- da nos termos da antropologia cultural. e também pela formação de sentido. Essas transformações históricas são específicas de épocas e tórico da interpretação do tempo não tenha de ser. posta na dependência no qual a salvação do ser humano não é mais da manutenção de uma ordem cósmica ------- 25Ct. pela transformação do pensamento tempo como consumação de seu desenvolvimento histórico.. mediante a profusão dos formações temporais no modo humano de lidar com o temp026.reparticularização. temporali- Uma interpretação antropológica explicita a historicidade zação. tempo: mística). Elas também podem ser tipificadas. vas. histórico e teórico. A temporalidade tão se há transformações da interpretação do tempo que abran- da interpretação do tempo pode ser exposta como padrão básico gem diferenças temporais e culturais. O tempo é ruim para essas universal. versaise historicamente específicas ao mesmo tempo. universalízação de normas constituti- modos: antropológico. cientificização. Dito de outro modo: o tempo do mundo processo vital humano. sedimentada nas questões terrenas. deste urna relação bem diferente com os acontecimentos intra- formação de sentido. Pode-se enumerar interpretado. no qual esse seconseguiu acesso a uma dessas dimensões transcendentes do Jlen. muito ant~ contra as ordens mundanas e para um além. antropologicamente uni- do mundo e do auto entendimento.transformação de tipos de formação de sentido etc. Isso pode ser feito de diferentes padrões de interpretação. um movimento dinâmico. O histórico-salvífico. Com referência ao pensamento hist6ril J11undanose com as circunstâncias atuais da vida. História é tempo narrado.

que se pode calcu- mais antigas tornou-se obsoleta.. E nesse sentido há indícios suficientes. E com isso foi inaugurada uJdI lare medir. Em estágios posteriores e especialmente nas sociedades terpretação do tempo. natural. porém. dorque leva da compreensão de tempo que se orienta pelo movi- porém. semprefoi visto como qualidade objetiva associada aos acervos Isso naturalmente não pretende ser uma apologia do retor deexperiências do mundo humano: cada coisa tem seu próprio no das antigas narrativas mestras histórico-culturais sobre a in· tempo. portanto. (Isso não precisa necessariamente nem deveria levar a A reflexão sobre o próprio trabalho de interpretação no Umaconcepção puramente construtivista. O seu lugar foi tomado por um culturalis ~a representa um passo decisivo rumo a uma teoria decidida- interpretativo que considera a profusão das diferenças hist: mentehistórica do tempo 27. mas perfi b:-- Quem Contribuiu decisivamente para isso foi Dux. A diferenciação entre teleologia e reconstrução tem a tendo em vista a profusão de divergências culturais na inte ande vantagem de ser sistemática e genética ao mesmo tempo. é verdade. só consegue fazer jus à profusão de. O que se quer. não podendo.abstrata. No contexto discursivo da multiplicidade cultural não é possível nasquais a subjetividade humana se afirma de modo crescente. na qual não existe mais modo de lidar com a formação cultural de sentido já pode resul· nenhumtipo de realidade nem o controle da experiência que lhe tar num ponto de vista abrangente: a referência teleológica que é devido. experiências mosda teoria da modernização. cas como única determinação da universalidade antropológica O passo histórico-universal da teleologia para a reconstru- das interpretações humanas mutáveis do tempo. Esta.) O tempo objetivo da natureza é racionalizado num distinguiu as narrativas mestras de autodeterminação culwral assunto que se interpreta matematicamente. faz parte destas. ção é uma tentativa atual de interpretação universalista nos ter- lismo. ser desacoplada delas eledá acesso ao rico acervo fenomênico das transformações his- por algum olhar etnológico. porque mentono espaço para uma compreensão de tempo que acentua a referida interpretação histórica das interpretações do tempo a temporalidade interna da subjetividade humana. 289 . Esse cultura. o tempo floreio retórico abstrato sobre equivalência. tóricasnas práticas de interpretação de experiências temporais. ses drões de interpretação das narrativas mestras universalistaa formação de interpretações teleológicas em interpretações recons- podem ser sustentados ao preço de uma renúncia à expe fi.status ideológico dessas estratégias de interpretação eo JI'Iente capaz de dar acesso à experiência -. O tempo humano foi diferenciado cada vez mais do achados empíricos. eliminar as pretensões de validade nem dispensá-Ias com algum Nos estágios iniciais do desenvolvimento cultural. O tempo perde o significado que lhe é inerente e se primeira dimensão temporal . tfUtivas. Ele visualiza o passo diferencia- ao preço de não poder mais levantar a questão da validade. tação do tempo. na qual a mudança pai cognitivo nelas predominante se tornaram evidentes Es histórica da interpretação do tempo pode ser localizada: a trans- . nos quais é possível identificar determinações temponatural e este último passou a ser entendido (em termos orientadoras nas transformações temporais de interpretações do epistemológicos) como construtivo' e não mais como premissa tempo. Desse modo.. o tempo é tido como uma construção do espírito listados e interpretados de modo culturalmente abrangente 08 humano. no entanto. é que sejam modernas. sempre precisa ser levantada e é incontornável. independentemente de qual seja.

Só a resistência que as experiências temporais cotidianas (por temporalização do tempo: a cada passado se acresce. 48s. a m . dlisponrver: . Ela tem significado dimento gradativo da realidade do tempo rumo a um tempo do consciente a~éCh~ Para ta _ o ser humano exatamente por causa de sua factici .Perspektiven . 290 291 . Essa concessão. Pelo contrário: a importância crescente da das do autoentendimento reflexivo sobre as orientações culturais formação reflexiva de sentido na interpretação do tempo repre- presentes na arte. "Zeit und Zeichen". unsichtbare Augenblick. Isso vale não só para as formações elabora. Assim como a história samento sobre o futuro. da racional idade desencantada e da subjetividade secularizada. a meu ver.(poupar tempo.assim também o tempo sempre já nos determinou antes que No âmbito dessa subjetivação e temporalização abrangentes a reconheçamos e determinemos . Exemplo: "b tempo. Dali por diante. inevitável de pre- mais recente de dissolução da unílinearidade e homogeneidade a missas temporais "objetivas" do nosso sentido temporal subjeti- favor de uma multiplicidade heterogênea de linhas e desenvolvi. para citar Raulff (d. constitui um fenômllflO de interpretação. 31Naturalmente a morte. nterpretação.nortea d oras d a açao mtençoes .Konstellationen von Sinn. sobre isso em termos fundamentais: RUSTEMEYER. na literatura e na filosofia desde a virada para sentauma grandeza histórico-universal de primeira linha. vonão significa nenhuma reabilitação de concepções ontológicas mentos temporais. um passado e um futuro próprios que é di. mas é a sua indisponibilidade que demanda Zeit deuten . é "um fato da explicação e 29 Dirk Rustemeyer descreveu isso resumidamente em relação à filosofia como "despre: daConstrução(cultural e social)". ção.). Zeitkonzepte in der Geschichte. 56. um fato da explicação e da construção (cultural e social)" (RAULFF. e o mesmo vale para o peno ne das teorias construtivistas do temp031. mas também e justamente para a compreensão de Contestariaque. que desde Einstein perdeu a sua dadepelo que acontece temporalmente é nossa. Zeit und Moral. a morte. p. .transforma em objeto de uma práxis de interpretação efet -rigorosa uniformidade. p. 9).como e ./Jff ------- 30SANDBOTHE. 28 Cf. acima p.de modo inalcançável! .e. Eles levam sua traponto empírico nos achados históricos das transformações de vidanecessitada de esclarecimento também sob a predominância interpretações do tempo 29. o atual processo de globalização. In: RUSEN I çaoque lhe confere facticidade indisponível. antes que nós a "construamos" pela interpreta- no trato interpretativo com a experiência temporal.ao que parece . o tempo passou a ser de modo conscientemente subjetivo 28. t erpre uma temporalidade da existência" (RUSTEMEYER. em todas as modalidadese sob todas as rubricas em que é compreendido pela ciência histórica.Epochen . .Paradigmen. usar o tempo p de Todavia. p. em conteúdo PO versale relacionamento horizontal de tempos plurais próprios" 30. 65).irreversíveis do tempo ainda há uma tendência construto subjetivo. os velhos padrões de pensamento nunca desapa- coisas valiosas etc. I nao .Die Verzeitlichung der Zeit in der modernen Phifosophie. a responsabili- tempo das ciências naturais. como pre exemplo. Isso abre um espaço de possibilidades semprejá nos construiu por meio dos efeitos objetivos do passado qualitativamente novo e um ganho considerável de contingência sobreo presente. mas ela não é isto em sua facticidade. Cada vez mais o te'::' entendido como "rede complexa".) A concepção weberiana de uma racional: recem totalmente dentro dos mais novos. Quem o século XX. Subjekt. Sinnformen . mas também o singelo surgir e desaparecer) sente acontecido. como "entrelaçamento trans- se torna uma questão da subjetividade humana. id ad e m . maisantigas do tempo. embora saibamos oujustamente por sabermos que não controlamos o que acontece. os padrões objetivos ção e um desencantamento histórico-universais tem o seu con nunca somem totalmente dentro dos subjetivos. opõem à interpretação e à construção já é um espinho na car- ferente de cada um dos presentes. O mesmo movimento pode ser interpretado também CODlO .

Do começo ao fim o fator determinante é a linguagem. não são portadores de normatividade norteadora da olhar desejoso para a dimensão das premissas de sentido que se ação. ele aos quais tinham de assumir uma atitude interpretativa podiam geralmente possui um direcionamento conservador em termos ser interpretados de tal maneira que esses acontecimentos mes políticos:torna-se obrigatória. distância entre experiência temporal enquanto conteúdo e in- mesmo que também haja percepção do tempo e formatação. no entanto. O meio da escrita domina há vários milênios a cultura he- 1. cada transformação continha são integradas nela de modo a confirmar o conjunto essencial uma chance de sentido. o sentido do tudodetermina. no numacomunicação face a face e tem um efeito imediato que lhe momento em que a significância do trato com a experiência tem. até um tempo mítico que foi acrescida. A comunicação do sentido do tempo se efetuou original- porais do que foi o caso até agora.---- ONG. O sentido não podia ser destruído POrque de normas da sociedade e sua autocompreensão nele baseada. experiências temporais novas submeter (porque tinha de fazê-lo).do terpretação do tempo enquanto forma de comunicação 32. a ordem mundial mos são regidos por um sentido ao qual o ser humano podia se previamente dada pela tradição. ele pode. eleretrocede para aquém das gerações mais jovens. A experiência temporal pode se tornar traumática e. lão da imediatidade de uma situação comunicativa e cria uma mitidas. os As múltiplas e diferenciadas forrnatações de sentido do tem.8 Meios de comunicação gemônica da interpretação do tempo (na qual. 293 . s e na dança. sso quer dizer que acontecimentos reais. "históricos" no sentido Todavia. Os seus critérios de sentido são do tipo mítico. pelo menos na esfera da vida privada. a subjetivi~ municação humana. ligao presente genealogicamente com a origem do mundo que no trauma das experiências catastróficas da história. na imagem e no som. as próprias forças destruidoras da transformação temporal sem. tempo da subjetividade humana encontra o seu fim intransponível. que continua perfeitamente efeti- temporais a que os seres humanos estavam expostos e em relação VO . elementosorais sempre permanecem importantes e efetivos. O tempo é apresentado de modo concreto-sensível. desafiada ao extremo e fundamentalmente negada pelas experiên. até po e sua mudança histórica dependem ~ssencialmente dos meios Illesmoconstitutivos . Ela tira a pres- pelos quais a experiência e a interpretação do tempo são tranS. por meio dela.pelo menos na educação). uma vez mais. Essa subjetivaçâo evidentemente apresenta também um . Enquanto os acontecimentos menteatravés do discurso oral. Orality and Literacy. Determinantes para a formatação da consciência CIO sombrio do sentido: à medida que crescem as competências s~ de tempo são as modalidades em que a linguagem regula a co- jetivas no ~rato com as experiê~cias te~porais.Suas pretensões de validade são propostas e ganham plau- perderam no processo de sua própria produção. em edifY- . humana Vai se tornando bem mais vulneravel a experiências tern. sibilidadede modo repetitivo mediante os rituais. no plano da história dos acontecimentos. Nas culturas orais. Porém. tomar uma atitude e dirigir um maisestrito. cujas merno- cias temporais no que se refere à competência de sentido que lhe raçõesregistram fatos intramundanos. corresponde. ele sucede pre foram tidas ("cridas") como carregadas de sentido.. Cognitivamente ele contém a experiência acumula- poral passa a ser da alçada da subjetividade humana. Essa tempo na esfera do imaginativo. esta pode ser dade muitas gerações.

Na cultura pública. Os novos meios de armazenamento de informações pro- Nos dois casos. novas formas e novos terpretação histórica. do tempo pode ser anulada numa simultaneidade universal. substânciaduradouras do próprio são ultrapassadas pela multiplici- Nos últimos tempos.9 Interculturalidade tiva.O termo "pós-história" e a discussão travada com o terpretação. A relação original entre poesia e verdade decomunicação (intemet) não permitem uma decisão politicamente se rompe.as ínterpreta. Contra isso se voltam. em relação às quais se pode supor que trarão transforma çõesetnocêntricas. do tempo. A profusão das possibilidades e a multi- conceitualidade passa a ser um elemento cognitivo essencial da ín. a interpretação se converte numa práxis intelectual piciamnovas modalidades de experiência temporal e levantam com bem própria da formação histórica de sentido (com o correspon.ãO fundante de um sentido contínuo do tempo se dissipa numa mentos meto do Iogicos e acumu açao e controle da experiênc' correntedesconexa de instantes estéticos. os novos meios modificam o modo da for. A isso se soma uma crítica. presente e futuro terá se tornado no mínimo temporal abrem-se também novas chances de subjetivação da in. o que se pode indicar sãoas comunicaçãoe através dela. A gramáticada interpretação do tempo se transforma em imagologia de apresenta tr-- NIETHAMMER. nessa mesma desenvolvimento nem estruturas sólidas. narradores se transformam em autores e os receptores auxíliodele sobre uma forma de vida sem orientação genuinamen- das interpretações do tempo obtêm um espaço ampliado de leitura te histórica aponta para essa questão aberta 33. insistem teimosamente nas diferencia- inovações.sobretu A diferença cultural desempenha um papel heurístico espe- " iae do as da racionalidade distanciadora . ções fundamentais da interpretação do tempo. que não comunicação. Conflitos políticos e sociais são car- especialmente eficácia política com bastante rapidez. As formas de consciência resultantes da literalidade . reações que. Posthistoire -1st die Geschichte zu Ende? 295 . Nesse caso. tos imediatos da ação e faz dele um fenômeno sui generis . cria novas formas 18. enormeampliação do acesso empírico a fenômenos e interpretações ção ou transformadas em assunto de fundamentação discursiva. A diferença constitutiva A literalidade desonera a memória.· d I - • 0Cedj. A sancionadaa respeito disso. então. 1. ~.podem perder importanC cialna era da globalização. decisõessobre temas essenciais. as concepções fixas da essencialidade e para a ciência e a teoria.Em todo caso.a longo prazo . JUnto uma"ordem do histórico" específica no nexo temporal norteador com as novas chances de subjetivação no trato com a experiência daação entre passado. questionável. fixa fatos.distância amplia de modo bastante considerável o horl'zante _ s nas quais todos os tempos aparecem simultaneamente e a con- experiência da consciência de tempo e possibilita novos pr . uma gigantesca enxurrada de imagens toma conta da memória c0le. desacopla o cosmo do sentido temporal de co n•. radicalidadea questão dos critérios de sentido que permitem tomar dente quadro de especialistas e os problemas decorrentes da tra. Ainda não é possível apontar linhas claras de e abertas. de modo que .•• t~ maispode ser narrativamente ordenada.a crítica fundamental. plicidadedas vozes exigem novas estratégias. a existência de l\. os mitos são submetidos a um. conteúdosde pertencimento e delimitação historicamente funda- ções do tempo mediante histórias até conseguiram se tornar aptas mentados. As pretensões de validade são fixadas mediante canoniza. Ao mesmo tempo. os novos meios dução e popularização). dade da comunicação global em favor de diferenciações dinâmicas mação de sentido.

seus representantes mais proemi. Essa força só pode ser quebrada r~flexivamente quando raldo tempo interpretado é fonte permanente de motivos para -------- 34 P. RÜSEN (org. estreitamente ligadas entre si: uma monadologia obedecerem juntos à regra da argumentação conceitual que tem a cultural e a lógica da formação de sentido etnocêntrica. A própria comparação é apenas um fator ao lado de outros lacionamento mútuo. ou seja. sempre já estão incluídos na reflexão também o uma interpretação teleológica de desenvolvimentos e segue uma COntrassensoe a falta de sentido .mesmo que com frequência ordem especial centralista (o próprio constitui o centro do mun.).Übersetzung ais Medium des Kulturverstehens und sozialer Integratíon . mas. WIMMER. Westliches Geschichtsdenken . nas quais são tratadas as orienta~ lIdal policêntrica em vez de centralista. combatem-se. Die "$inne" der Geschichte. deagressão e dar início a forças motrizes do entendimento-".l O Limites tipologia universal 35 • O etnocentrismo carrega a diferença cultu. As duas premissas têm força também em discursoS acadê. As ciências cu) reconstrutivo em vez de um tempo teleológico e uma ordem es- rais são instituições sociais. numprocesso de comunicação. Fica em aberto como tal comparaçãOéeP1S::: !I logicamente possível sem a aceitação de um ponto de vista metacultural exterior q \lerstehen.regados com as energias culturais da luta por reconhecimen' se favorece uma relação de reconhecimento mútuo. civilização versus barbárie). Ele tende para tidodo tempo. Die Pragmatik der kulturellen Produktion . lerpretativer Wissenschaften.). no qual todos os envolvidos tratam "tratativas" proporcionam às ciências da cultura duas premissas discursivamente as suas concepções de interpretação. issoocorra apenas implicitamente sem que haja ênfase especial do. I se pressupõe que os sistemas culturais de sentido sejam semanticamente fechados. pensar favorece procedimentos metodológicos da tipologia ideal. ~6SObreisso cf. o pensamento científico-cul- nentes são Oswald Spengler e Arnold Toynbee .Eine interkulturelle Debatte.apresenta as cul. um tempo desse modo tornam-se especialmente agudos. 297 . Anerkennung . • RENN. Os processos naturais espontâneos desSa. Esse modo de ras se interpenetram. turalpode civilizar a função ideológica do etnocentrismo no emba- turas como universos semânticos que seguem um código próprio tedas culturas.Anmerkungen zur thnozentrismusproblematik aus ethnologischer Sicht. A ameaça da perda de sentido em virtude da mudança tempo- micos. O ato de pensar o tempo de modo significativo comparti- ral com valorações as simétricas que afirmam o próprio à custa do lhaos limites próprios de toda concepção de sentido. o outro fica à margem). As comparações cul- e os autoentendimentos culturais normativos. o fato seja reprimido e suprimido. antes. nemexplicitação. STRAUB & SHIMADA (orgs. aprendem urnas das outras e se modificam no. Se todos problemáticas. II 35 GALTUNG.Das Eigene und das Fremde in der Erkenntnisbildung in.ex.. experiênciacomo referencial e orientarem as suas tratativas para o A monadologia cultural ./~ cultu elementos e fatores comuns a todas as culturas. delimitam-se umas em relação às outras. A experiência de ~rais podem corrigir o erro de usar o seu próprio paradigma culturas estranhas e diferentes é sistematicamente elaborada e in cultural como parâmetro se recorrerem a universais antropoló- terpretada e a comunicação intercultural é efetuada na práticalf gicoSe conceberem a diferença como constelação específica de Essa comunicação sempre ocorre também ao natural.• STRAUB. No sen- outro (por exemplo. ele pode criticar o seu potencial destrutivo e se inter-relacionam apenas superficialmente. objetivodo reconhecimento mútuo. de fechada universal pode ser decifrada hermeneuticamente e as diferentes culturas podem ser comparadas entre si mediante uma l. A sua peculiarida.Kritik.

cog- pode acontecer pela aplicação de concepções já desenvolvidas de [Iitivasdeterminantes de tratar o tempo. e ciências da natureza. de sentido do estar dado dos seus objetos. mas que possa trazer física. mesmo que não seja sentido do tempo a novas experiências ou pela modificação doa possível fazer uma separação estrita entre ciências da cultura padrões e das estratégias de interpretação . Tradicionalmente rastros. o tempo das doras do sentido na própria posterioridade dessas experiências.ar vestígios a diferença qua- a lume o caráter experiencial específico do traumático (e criticar litativa entre passado e futuro. que distingue a vida humana seu nivelamento numa aparente normalidade). Critério de diferenciação pode ser a su- tando a correspondente resistência das experiências em questão posição de uma qualidade de sentido no âmbito do objeto. como tal. irníte situa-se tnina O seu 1" on ara a atual cultura das sociedades modernas. O seu tempo de vida. superior à do ser humano. Ela se tornou "natureza" no sentido moderno por tuar com seus recursos interpretativos mediante argumentação meiode "desencantamento e racionalização". O pensamento cognitivo foi metodologicamente a afirmar-se a subjetividade humana enquanto dependência de comprometido com a formação de sentido negativa. Se Mas sempre pode acontecer também que as experiências des. enfren. desse fato. se a forma decisiva experimentou uma matematização contínua na intenção é que ele não faça desaparecer.repensar e reinterpretar o tempo.I 1 Perspectiva interpretação sempre é abrangente. elas são representadas pa. Na qualidade de taspor ele permanecem exteriores ao sujeito. Só a partir dele se deter . o tempo absoluto de Newton foi recolhido numa pluralidade in- Contornável de dimensões heterogêneas do tempo. A vontade de sobrevivência dos atingidos elapossuía qualidade divina e. então ele nece& no atual campo de tensão entre memoração e expectativa. referência temporal. ou seja. determinações temporais do ponto de vista do observador. Nela se dissolveu sem dei. tornou-se racional essa destraumatização . Na sita de novas modalidades de interpretação e de representações passagem da física newtoniana para a física moderna. mas as interpretações do tempo fei- permitem reconhecer a fragilidade desse tempo. Esse pensamento de Na qualidade de condenações dentro do tempo interpretado.. tivações culturais) for determinante para o mundo humano. elas levam à beira. cuja mesmo que esteja direcionado para os traumas. Porém. ao limite da formação de sentido com essa exterioridade mesma ainda era determinante do intelecto. voltou bem próprias. elas são catastróficas ou traumá.todo conhecimento faz sentido. obtinham seu sentido O conhecimento científico-cultural pode (e deve) ajudar a efe. elas fato também faz sentido. Nesse caso. suas lides para cumprir o prazo da vida. 'a determinidade de sentido (feitos interpretativos e suas obje- truam o sentido. A diferenciação entre natureza e cultura é fundamental é sem sen o que e sem sentid 1 o e contrassenso. Ela está na base novas experiências temporais têm de ser reinterpretadas.nesse caso. metodologicamente a sua própria subjetividade enquanto fonte radigmaticamente (mas não com exclusividade) pelo Holocausto. detinha uma posição força-os à destraumatização das experiências temporais devora. a ticas e têm um efeito posterior significativo sobre o que não foi "natureza" seria âmbito objetal de um pensamento que exclui compreendido. umencadeamento de fatos dentro de um nexo condicional. O sentido como resultado [. 299 . Na cultura ocidental. IS: pde diversas areas âreas do con h'ecímento e de suas estratégias .

por exemplo. no entanto (pelomenos em parte). Essa diferença é um problema. Para a totalida· de. falta um critério narrativo de sentido englobante. ocasionalmente também do tipo estético e. astronômica. no aspecto formal. Só o que faz sentido é a di [)Ie ção crítica de todas as concepções desse tipo. O tempo rege ambas. Não sabemos de tempo por elas tematizadas. não existe tempo histórico sem o tempo físi. geológica e biológica. Oenken vom Vorrang der NOtu~ Naturalisierung des Geistes . em cas: paradigmas de conhecimento que se excluem reciprocamente excepcionais. química. DUX. no plano da teoria do conhecimento. Eles só conseguem integrar as preta.• DUX. Se elas próprias fossem inter elo culturalismo. Wie der Sinn in die Welt kam und was aus ihm WU 301 . Todavia.sobretudo do tino vaoutra. natureza e cultura. Os reducionismos. à luz de conhecimentos pertinentes de ordem físi- ca. é ambas as coisas. entrariam ~uasdimensões da natureza e da cultura uma à custa da respecti- jogo concepções específicas acerca do tempo . porém. co (cronométrico). as duas seguem histórico. que. inversamente. ~ leva à renúncia a uma concepção englobante de sentido. o caráter histórico da cultura humana. das como feitos culturais na mudança do tempo. a natureza constitui uma parte da história humana. O mundo humano. o que é essa totalidade de sentido nem como o tempo age nela. oferecidos pelo naturalismo ou do tempo e sua mudança. 'apesar de vivermos nela e a partir dela. A conexão entre tempo humano e não huma- no é um fato do qual não se consegue dar conta satisfatoriamente em termos científicos porque não há uma categoria englobante para sua interpretação que pudesse mediar entre a determinidade de sentido da cultura e a outra qualidade ontológica da natureza. As ciências culturais podem constatar tais interpretaÇÕes incompatíveis ao mesmo tempo. diferenciam-se rigorosamente em termos lógicos das concep~ e as mantém coesas numa totalidade de sentido. Esta constitui uma parte da natureza e. a natureza tem uma "história" que vai do seu início absoluto até o presente e cujo acontecimento futuro não pode ser predito. E. no qual é suspensa a diferença entre ambas ". complementares e 37 Günter Dux propõe pensar esse nexo a partir "da primazia da natureza". Cultura e natureza consti. até mesmo do tipo religioso -. Desse modo. 1550. ela compartilha. não convencem. para o nexo temporal interior entre natureza e cultura. tuem diferenciações conceituais que fazem sentido em vista de procedimentos cognitivos.

de setembro de 2001 é o sinal contemporâneo mais carregado de Jonathan Sacks** sentido para isso .p. ancorada e ativa na consciência de todos os envolvidos.'. sobre as normas universalistas que a determinam. Religiõser Pluralismus und Toleranz aoprincípio da igualdade e ao imperativo da tolerância. J.sobre isso os trabalhos compilados na "Parte 111:Identidade e alteridade no espelho dahist· . na Faltampontos de vista e regras de como proceder com a própria esperança de que predomine o pró e diferença cultural quando ela é levada a termo num contexto vital não o contra.1 Conflitos culturais como desafio para a sociedade civil nada. Porém.impô-Ias com os meios do monopólio estatal do poder. 9. Orla .Schneeflocken fallen in die Sonne . e a tolerância desmerece as dife- Ideia de relação* renças religiosas como indiferentes ou de igual validade [gleich- gü/tig].). fez que se o encontro do ser humano e da perdesse de vista a carga de conflito da diferença cultural. isto é.caso ne- doadora e receptiva. O que falta é uma cultura desenvolvida. 302 303 .In: RUSEN.o 11 will certainly be part of the problem. it . *** KOPP. É preciso in Europa. p. & WINKLER.. que se trate de um reconhecimento entre iguais e.dados com a diferença cultural e a desigualdade religiosa .'. também religioso carregado de sentido. c.Geschichte im Kulturprozess. Os potenciais conflitivos na vida das sociedades modernas lf religion is not part of the solution.29. mas ambos têm uma relação apenas abstrata com o fenômeno da diferença cultural: o princípio da igualdade abstrai Sociedade civil e religião da desigualdade do pertencimento cultural e. comum englobante (no nível da sociedade civil). da igualdade e o imperativo da tolerância de fato representam conquistas históricas que quebraram o aguilhão político dos con- 2 flitosreligiosos.foram excluídos por um período longo demais da cultura política das sociedades civis. que a vinculam o modo de lidar com a diferença cultural estritamente * Primeira versão com o título "Sociedade civil e religião . a sociedade civil não está suficientemente preparada. Não é suficiente enfatizar igualdade e tolerância e . " . estamos a caminho disso.How to Avoid the Clash of Civilizations. ela certamente será parte do problema:) --------- SACKS. portanto. 38Cf. WIENAND. porém. para o modo ** ["Se a religião não for parte da solução.ideia de relação" foi publicad em AUGUSTIN. Wiesbaden: Verlag für Sozialwissenschaften. Isso. permitam resolver essa diferença e não abstrair dela. O princípio ou seja. espe- religião consigo mesmos não acontece na existência que se delimita em cialmente da religiosa. apenas cessária. 2005. mas numa proexistência aberta. Johannes Kopp . (orgs. de reconhecimento da diferença. Imprescindível para tal cultura é A diferença religiosa produz conflitos culturais para os quais sua fundação sobre as conquistas históricas da sociedade civil. C. The Dignitiy of Diiierence . Até hoje faltam regulações efetivas que relação aos outros e os discrimina..Christuserfahrungen auf dem Zen-Weg. quando se fazdela uma questão de diferenciação e delimitação conscientes 38. legalmente sancio- 2.

Kann Gestern besser cativo. A identidade é uma questão de vida e morte. ••••• erden?.How to OvercomeEthnocentrism: Approaches to a Culcure o e 42 Cf. visto que sempre contém elementos do próprio para que o ser humano seja ele mesmo: não há identidade sem desvalorizado. O etnocentrismo ganha efetividade quando identidade Essa as simetria é recíproca e é nisso que consiste a razão e ser si mesmo. Que soluções se oferecem? construção identitária individual e coletiva.Geschichte. tornando-a carregada de canalizadas para os traços do ser diferente dos outros.desse reconhecimento. via de regra. normativa adquire a força capaz de acirrar conflitos pelo fato de mentos. não consegue se Poder diferenciar-se dos demais é um pressuposto necessário desvencilhar dele. 305 .• RÜSEN. de ma. também se mata e se morre em caso para não fazer com que a inter-relação dos seres humanos seja de conflitos. portan. Patchwork: Oimensionen multikultuteller Ge- History in the 21st Century.). Trata-se. 101ss. pertencimento e comunidade se formam cultural. Ele tem seu extremo no fato de que. são dester- conflitos com o potencial de agressão da autoafirmação humana ritorializadas do próprio para o outro. Problematik und Chancen. Essa se afirma como problema 42. permanentemente tão ameaçadora que uma vida mais ou menos A agressividade latente que a diferença cultural costuma aceitável se torne impossível. e justa- diferença. Tal cultura é capaz de quebrar a força do etnocentris. o outro sempre também ainda é o próprio. ACKERMANN & MÜLLER (orgs. A minoria que reclama o seu direito de desenvolver livremente a sua diferença cultural.Essayszum Bedenken der Geschichte. ele necessita uma regulamentação próprio em oposição ao outro. por causa desse das culturas como "natural". sem encarar como normativos paras! ---------------- mesma exatamente os mesmos pontos de vista que acabaram tornando tal direito signlft. 41 MÜLLER. . Ethnicity. RUSEN. por assim dizer. que confere carga normativa ao fato singelo das diferenças atingidos. de uma cultura em que o ponto de vista do reconhecimento rente dos outros. Nesse tocante. que seguem a lógi- 2. também está inseparavelmente ligado ao outro.2 Tentativas de solução A pior solução é a que estabelece uma separação política de 39 Esse aspecto muitas vezes é ignorado nos debates em torno do exercício livre da relI- diferentes pertencimentos culturais.. o próprio no trato com os outros 40. dos outros. p. no qual a diferença cultural mente na diferenciação e delimitação em relação a outros. dificultam a sua vida e prejudicam sua auto estima são culturais na vida dos seres humanos. Ethnozentrismus und Essentia/ismus . não há si mesmo sem que se estabeleça o ser diferente mente aquele que nós mesmos não queremos ser. Ela repetidamente foi tenta- gião sob o teto das formas de vida da sociedade civil. Não se pode deixar esse problema junção e delimitação acontecem por meio da luta pelo poder que os de lado alegando que o etnocentrismo é um fenômeno univer- seres humanos constantemente são forçados a travar no contexto sal em termos antropológicos. que as qualidades e experiências do si mesmo que incomodam os mo. f R cognitiOltbV 40 Cf. mental do "clash of civilizations". Mesmo que encaremos o embate da vida social. o ser próprio "'Pro metido com o ponto de vista da reciprocidade'". Essa assimetria recíproco da diferença regula a relação entre diferentes pertenci. a priori desse direito. e o ser si mesmo recebe carga normativa positiva e o ser dife- to. isso significa que ele deve estar co••• ca do etnocentrism041• Em conformidade com ela. Com a crescente densidade da co- assumir como meio da construção identitária humana baseia-se municação aumenta a pressão por uma solução para esse proble- sem procedimentos mentais de pertencimento e delimitação. priva-se. é desvalorizado. 5el/schaften.

• WALDEN FELS. 45Ct. que se sedimentou em sua cultura científica específica a partir 46Ct. ao representarem. 145 .e tornou. por exemplo. cidade das culturas. que sempre desempenhou um As culturas ocidentais desenvolveram as primeiras tentativas papel extraordinariamente importante na formação de pertenci- de feitos de reconhecimento desse tipo que podem ser tomados mento e delimitação. e também para isso a cultura da sociedade civil compreensão ao reconhecimento do estranho enquanto incom- com seu princípio de igualdade e seu imperativo da tolerância . assumir o direcionamento de uma "promoção da humanidade" Em estreita conexão com esse enriquecimento estético me. a única solução que entra em cogitação é a da Coex' tamente) escapa à compreensão. campo de experiência da riqueza cultural a todo membro do gênero fez da categoria da igualdade cultural. FLASCH. Die Grenzen des Verstehens .Die deutschen Intellektuel- ls lenundder Erste Weltkrieg. atingiu um grau inaudito de barb' . em perspec. 43 MÜLLER. que (supos- co. Der Stache/ des Fremden. Aqui são justamente a diferença. é ra146• O sentido histórico que se explicitou nessa perspectiva pôde a elas que se dá acesso e elas são percebidas de diferentes modos. Sobre isso cf. Lessing. a manidade foi divisada e historicamente concretizada na multipli- profusão infinita das formações artísticas s. Quem descreveu de modo impactante tudo o que ainda está pela frente e à espera deumasolução foi MATIHES.Phãnomenologlsche Grenzgânge. Ein Versuch. 306 307 . A estetização e a hermenêutica foram acompanhadas de nar plausível com base nesses pressupostos o passo adiante que uma historização abrangente da autocompreensão humana. O leva até uma cultura do reconhecimento da diferença cultural (re. e de estender o feito humano da IS- tência política. preenslve criou pressupostos importantes e incontornáveis. a diversidade. A que mais vingou situa-se na esfera da integrantes do gênero e a unidade carregada de identidade da hu- arte.da ao longo da história em diversas formas de reassentarnento No seu desenvolvimento mais recente.as explanações anteriores sobre Kant. historismo produziu um feito de reconhecimento de um tipo bem cíproco) efetivado positivamente? especial: a qualidade humanitária. a hermenêutica in- forçados e. Portanto. Compreender é um pressuposto necessário do reconhe. (org. 44 Isso não significa que o arsenal teórico e metodológico desenvolvido pela hermen~u~~ ca nas ciências culturais. séculoXVIII. modelos etnocêntricosde formação de identidade. Phiinomen Ku/tur . Naturalmente. foi ampliado universalisticamente a todos os como ponto de partida.já seja suficiente para resolver os problemas atuais da comunicação intercul- cimento. • WALDE N FELS. A concessão de uma qualidade humanitária tiva sincrônica e diacrônica. ção que perfazem a profusão das manifestações artísticas e que na qual pôde ser localizada a profusão da particularidade cultu- são tidas como valiosas na modalidade da experiência estética.Perspektiven und Aufgaben der Kulturw - senschaften. (Herder) no processo englobante da comunicação que ia se tor- diante a diferença cultural está a hermenêutica das ciências cul- turais'"./nterku/turelle Komperenz . a grandeza determinante de uma perspectiva histórico-universal. Mas como tor. F. a varia.8 clusive chegou ao ponto de acolher no horizonte hermenêutico arle em forma de limpeza étnica na esteira do nacionalismo étní da intersubjetividade também o estranho imemorial. não se deveria esquecer que as ciências da cultura também até que acabaram abarcando todas as manifestações culturais do pOdemser instrumentos de uma cultura oposta. e as ciências culturais ampliaram de modo crescente o tural. Schiller e Droysen. partiCipaçãode renomados cientistas culturais na propaganda em favor da Primeira Guer- raMundial. Isso é evidenciado pelo testemunho notável da gênero humano ". sein Kontext und horizonte do compreensível em termos sincrônicos e diacrônicos seinPotential. no século XX.).Vertremdung der Moderne . Diegeistige Mobilmachung . Com uma compreensão genuinamente estética da arte. J.KOGGE.Ein Konzept.

Uma vez liberada. no longo prazo. A doura entre todos os filhos de Adão. em sua qualidade n • mento é apenas a associação maior dos seres humanos efetivada. de Lessing. converteu-se. excetuando o Sul da Índia"47. VÓGELE. Perspektiven sozialer Reform zum Beginn des 20. para os reguladores normativos da vida política e social. Diaz.nando mais densa. nos processos de pertencimento sub- em sua maior parte. o meu fu da ~aparticularidade histórica da crença religiosa. ria institucionalização religiosa e se desconstruiu critic~mente OU a qualidade empírica desse direcionamento: "Ora. Colombo e J ermak estabelecem uma relação dura. mas ao mesmo tempo quis munir as pretensões ambivalente. em sua atuação atual. de cons- 2. tucionalizações delimitadoras. dá um testemunho eloquente dessa universalização. sas dessa subjetividade na forma da positividade histórica foram cionamento inequivocamente como "progresso": ''A atração das vistas como ultrapassadas e. Leopold von Ranke caracterizou esse mesmo dire. A religião assim chamada "positiva" ou "histórica". O direcionamento diante da diferença religiosa. Tradicionalmente essa diferença recebeu sua formatação final ao minação da identidade. diferença histórica deveria ser dissolvida na subjetividade que E. por meio de conquistas. 309 . sob as condições universalista interior das religiões de constituição positivo-parti- favoráveis da sociedade burguesa. reguladores normativos. Seu pacidade de persuasão da crença religiosa 49. dade civil aninha-se o problema não resolvido do reconhecimen- dência que. to da diferença religiosamente determinada pela própria religião. de validade da orientação cultural da sociedade civil com a ca- tre os pressupostos históricos da cultura da sociedade civil. Exatamente nessa monoteísmo transpôs todas os limites naturais do pertencimento imbricação de particularidade religiosa e universalidade da socie- social e dotou a subjetividade humana de um poder de transcen. no Oriente Méd' ~ no Norte da Africa e no Sul da Europa. uma religião civil que coibiu toda a di- conhecimento. que deixa para trás os contextos particulares de sua origem. na qual se fundamente secular da quali- culturalmente a for- maiores (Anti~uidade). 80. Por fim. p. convertem em povos (modelo). O efeito dessa força não se deteve nem assumir uma pretensão universalista assassina. Vorstellungeiner Universalhistorie (1772/1773). fez dela. Offentlicher Theologie . ma de vida da sociedade civil. juntam-se (Idade Média). apesar de sua conhecida crítica à categoria do progresso do se entende como humanidade. O iluminista August Ludwig Schlõzer acentu . ela se voltou contra sua pró- 49 Sobre o contexto histórico e teológico da religião civil cf. uma poderosa grandeza de deter. Os seres humanos se jetivobaseados na certeza da salvação. Educação do gênero humano (1780). Três parcel~s do mundo.• JAEGER. Amerikanischer Libera/ismus und zivile Gesellschaft - 48 RAN KE. tidas como diversas nações e dos indivíduos para a ideia da humanidade e da assunto particular que não deveria ter mais nenhum significado cultura significa um progresso incondicional" 48. Outros povos. a religião desempenhou um papel extremamente ferença crítica. Sem dúvida o judaísmo e o cristianismo figuram en. O universalismo religioso . Tendências genuinamente religio- Iluminismo. convertem-se em Estados transcendeu a si mesmo na universalização dade humanitária. Über die Epochen der neueren Gcschichte.3 A ambivalência da religião tituição ecJesial e confessional. no que tange aos Na formação e institucionalização dessas chances de re.Begründungen von Menschenrechten in der Perspektive 47 SCHLÓZER. Menschenwürde ~ischen Recht und Theologie . Vorrede. de diferença e delimitação. excetuando ape. nas o Sul da Africa e o Norte da Asia. Jahrhunderts. para além de todas as insti.

como se a sua força armistício na guerra religiosa entre cada uma das pretensões mental pudesse contribuir para o fortalecimento das convicções de universalidade de constituição particular. 18855. (Em comparação. 2012]. a civil . em dia fazem da diferença cultural um problema a ser regula- aiS universalista era a tendência dos outros. não metê-Ias ao íntimo da subjetividade crente. Justamente no pon- O Estado moderno desarmou as religiões e quebrou o agui. a qual deveria mais legal. mais precisamente onde essa diferença como catalisador de conflitos cultúrais. até parecer como se a religião fosse capaz de desencantar-se em clusivistas das religiões entre si. simplesmente por que. no qual as velhas pretensões de exclusividade entrassem em propriamente ser libertada da opressão e da necessidade. 311 . Ela conseguiu ganhar credibilidade especialmente tes da diferença cultural. A intenção era salvação dos seres humanos. p. pôde regulador pertinente da sociedade civil para as estratégias ex. Os pogroms Contra os mentado. ostenta agudeza especial e força mental? Não basta uma carrega a subjetividade humana com referenciais de transcendên- reminiscência histórica de que a cultura secular da sociedade civil cia e potenciais de sentido específicos e altamente eficazes na tem pressupostos religiosos. suas concepções transcendentes. nesse caso. correndo o risco da concessão de um privilégio crimes monstruosos contra a humanidade. tornar inofensivas as energias mentais da crença religiosa e re. apenas consegue provocar um razão secular dos reguladores humanitários.: FilOdSO: Potenciais de sentido eram universalistas e exclusivos ao mesmo • Leopol O. ela não permitiu a secularização. legitimar e reforçar mentalmente a ordem secular da sociedade desse modo. da salvação. devido a ferença cultural exatamente a mesma incisividade com que ela isso. Sao tempo. sociedade civil. não deveria. A questão se coloca de modo bem vida prática.todavia. Phi/osophie der Menschenrechte. fedobras. sob condições puramente seculares. Porém. portanto. levaram à desgraça. a atratividade intelectual do politeís- Unisinos. Essa esperança foi ilusória. Pior: todas as tentativas de rea- Pôde-se até mesmo recorre ao cristianismo e ao judaísmo para lizar a salvação do ser humano nas condições intramundanas e. nhecimento das outras religiões. essa havia como obter a salvação de que tratavam as religiões com estratégia de pacificação foi bem-sucedida nos países ocidentais. A longo prazo. tornar a religião supérflua. advir da própria religião um judeus e a guerra confessional dos cristãos na Europa do século impulso para o reconhecimento? XVII dão testemunho eloquente disso. cena com nova roupagem 50. qual a contribuição das próprias religiões para uma caz da orientação cultural e sempre conseguiu se afirmar contra cultura do reconhecimento de que a sociedade civil necessita se todas as tentativas de eliminá-Ia a favor de outras concepções quiser superar com perspectiva de futuro os problemas premen. A religião permaneceu sendo. Paz verdadeira é pós-religiosas básicas comuns aos portadores da práxis vital da outra coisa. / Tradicionalmente esses referenciais de transcendência e 50 Sobre isso ct BIELEFELDT.o No contexto histórico da gênese da sociedade civil.cular forçosamente se tornou incapaz de uma postura de r · mais radical: se são justamente os elementos religiosos que hoje eco. to em que a religião em seus referenciais transcendentes visou à Ihão político de sua particularidade histórica. e isto tanto mais quanto m . fIOdos direitos humanos: fundamentos de um ethos de liberdade universal. a tolerância . Ela pode emprestar à di- se manifesta em primeira linha em termos religiosos e. um momento efi- Porém.

o confucianismo poderia tomar um rumo semelhante se fracassar o experimento contra a sua petrificação em teoremas dogmáticos. capitalista na China comunista. diferença e positividade histórica de outro. Nesse to- se consideravelmente. de fato. masum decisivo é. e é cultura do reconhecimento. nutrindo-se. Die mosaische Unterscheidu". O neopaganismo de Assmann não resolveu nem o problema da verd. em contrapartida.Auf der Gedãchtnísspur d~r Toleranz kornrnt man ais Dienstspürhund nicht weiter: Eine Replik auf die Kritiker der Monographie "Moses der um caráter especialmente incisivo e implacável. as coerções cortantes de uma luta implacável pela verdade por meio do primado da radO em prática e das pretensões de verdade da salvação bem-sucedida que lhe correspond 54 P. Frankiurter AlIgemeine Zeitung. a crítica em ESSEN a ocupar o palco da história como força de transformações po- Ethischer Monotheismus und menschliche Freiheit . o seguinte teor: essa mistura tradi_ OU seja.ex.Über Monomythie und Polymythie. p. se deve somente ao fato de ter se tornado uma enorme força cunharam grandes espaços culturais e figuram entre os fatores política que.de nem o problema da 53 Sobre o conceito "religião mundial" cf.Theologische Annaherungen an den Pluralismus der Moderne . quando ela própria a a essenciais da identidade cultural e da comunicação intercultural rece em formas irreligiosas. Çoes ainda estão em atividade e não há nada contra a Possibilidade antes de tudo. 312 313 . na origem da Modernidade. não propõe um pollteísmo religioso artificial. às três religiões abraâ. que. desencantadas 52. dos referenciais ral dos universalismos religiosos exdudentes (ASSMANN. e convertê-Io em ações terroristas de grande efeito midiático. A pergunta decisiva pelo papel da religião cante.. essa pergunta se dirige. em última análise. da relação entre universalismo de um lado e parti- de que. O hinduísmo também conhece esse tipo de mo- religião poderia. Trata-se.Sinnstiftende Unruhe im Systern des Rechts . Cf. 28/12/2000. em condições vitais de crise. É justamen- oder der Preis des Monotheismus . antes de tudo.) Essas tradí ~ nos processos atuais da modernização e globalização. versões parecidas em sua relação com a modernidade 54. com suas configurações radicais. Lob des Polytheismus . particularidade histórica com seu direcionamento humanitário vil? Ou as próprias religiões podem mudar nessas condições universalista.• ASSMANN. Isso não micas. p. que esse potencial tem uma qualidade fortalecimento do panteísmo.Religion1m líticas. Essa questão é representada pelo desafio proposto na lógica das suas pretensões de validade? É concebível que o pelo fundamentalismo. m051 parece fraca e até mesmo ridícula. "Es bleibt die Unterscheidung zwischen te essa qualidade religiosa do terror político que lhe empresta wahrer und falscher Religion . a damentalistas. Não são só as religiões abraâmicas que seu universalismo assuma traços inclusivos (e desse modo pela ameaçam a cultura da sociedade civil com seus movimentos fun- primeira vez se universalize de verdade)? Se fosse o caso. O 52 Jan Assmann. do qual ela parecia (do ponto de vista ocidental da teoria Beziehungsgeflecht von modernem Verfassungsstaat und sãkularer Zivilgesellschaft). afigurou-se como alter- nativa pacífica à luta pelo monopólio monoteísta da verdade em meio à diferença cultu- especificamente religiosa. todas as religiões com -traços universalistas estão em jogo - na sociedade civil tem. As duas coisas talvez pudessem ser alcançadascontra DieEntwicklung des religiõsen Bewusstseins. A religião volta Ãgypter".• ESSEN. muito antes. provável que as demais religiões mundiais também venham a ter Tendo em vista a problemática das sociedades ocidentais. OHLlG. mas abrange. elas possam revitalizar_ cularismo. J. também as outras que . converter-se num fator eficaz de uma vimento com considerável força explosiva de cunho político. as assim chamadas religiões mundiais 53. portanto. Religion in der Geschichte der Menschheit- historicidade das religiões positivas. da transcendência que são essenciais para a religião.l11. é capaz de con- centrar em si mesmo um extraordinário potencial de agressão 51 MARQUARD. pois. 54. Salta aos olhos a cional de universalismo e exclusividade permanecerá essencial brisância da questão referente ao modo como elas interligam sua também para a vida religiosa sob as condições da sociedade ci. O fundamentalismo chama a atenção de todos.

Levando sua força motivadora do agir e sofrer huma e além do universalismo das modernas concepções racionais. ' namente religiosa deveria ser localizada e posta à disposição de De fato: a profundidade e a força da convicção religiosa se urna cultura do reconhecimento. a religião civil. junto com política nas profundezas da subjetividade de suas cidadãs e seus essa desparticularização desaparecem também as forças especifi. abram-se para eles e inclusive se interessada no enfraquecimento estrutural desse particularismo incorporem a esses fundamentos (cada qual segundo a sua capa- mediante todos os tipos de secularização e mediante a estrita de. a fonte genui- uma ameaça atual para ela. o ponto de vista cultura da modernidade. então a sociedade civil só poderá convi. nutre de sua particularidade. ticularidade concreta se aproximem dos fundamentos culturais ver com uma forma atenuada desse particularismo. nos ao extremo fundamentalista. O termo "religião civil" se refere à capacidade O quanto esse extremismo é acertado? Com certeza é pos. Um primeiro passo consiste em que as religiões em sua par- ridades e constituições. São Paulo: Paulinas. eles deveriam realizar uma virada para limitação do seu espaço vital. desencantamento da racionalidade modernizante e lhe conferiu no plano histórico-mundial das modernas formas secularesÇd: validade onde a subjetividade humana reclamou sentido aquém viver. A religião se transforma em simples moral. haurindq dela a força e a solidez de tais recíprocas e a concepção de uma elevada qualidade norrnati- sua autoafirmação. que se com estas.. bras. 19931. cidadãos. de sua constituição histórica con- creta específica.para poderem fortalecê-los com o poder de seu referencial 314 315 . Junto com isso. 2.da modernização) ter descido com o surgimento e a imposi ã . desse modo. ela se ateve ao encanto va da humanidade do ser humano). mas determinam o modo de lidar de persuasão. a regra de ouro das exigências comportamen- sua positividade histórica. legalda igualdade. Uma virada das religiõe~ para a sociedade civil justa- comporta de modo abstrato e.4 Ou ais as chances de reconhecimento religioso da dife- sões de validade de cunho religioso essa constituição só puder ser rença cultural? vivida e afirmada numa relação excludente com outras particula. É claro que não. correspondente organização legal-democrática de dominação versalismo das próprias religiões mundiais 55. de mente não significa que elas se anulariam num acervo mínimo de modo fraco diante das particularidades concretas da vida religiosa. de persuasão de um acervo básico das orientações culturais que sível desparticularizar as convicções religiosas básicas em questão ancora a forma de viver de uma sociedade civil moderna e sua num ethos mundial. cidade). a religião afirmou sua particularidade. portanto morial e sabe que foi projetado para o imemorial. Ora. Porém. civil. por exemplo. tornando-se. a religião parece ter se aliado COm Justamente no ponto em que o eu humano é marcado pelo ime- as forças que se opõem à sociedade civil. Essa possibilidade é representada pelo uni. em última análise. se com a versão universalista das preten. religião civil composto de orientações culturais universalmente Em meio à composição dos princípios universalistas na aceitáveis (do qual fariam parte. Elas apenas dê . Tais orientações não servem à delimitação e diferen- camente religiosas que deveriam conferir a esse ethos a sua força ciação de posturas normativas. s de de seu referencial transcendente contra todas as ten enCla teriam de abrir-se para esses reguladores fundamentais da vida 55 KÜNG.: Projeto de ética mundial. Nesse aspecto. Ela deve estar das sociedades civis seculares. Projekt Weltethos [ed.

Essa ideia não é tão artificial como parece à primeira vista. mas se manifesta sempre em IS.transcendente e sua certeza de salvação. certamente é possível mencionar experiências religiosas ele perderia a sua força destrutiva de subjugação de todos os ou. Tal prolongamento honraria a sua própria mente em jogo. Porém. quando não consumando. fortalecendo.. Todo particularismo religioso sem- respeito da disposição e do direcionamento da salvação human pre se manifesta empiricamente de modo pluralista. pluralismo da diferença interior. perderia a sua negativi- queira preservar e afirmar a sua substância religiosa? Não vejo dade interior. à melhor compreen- tros ao seu próprio. Enomiya-Lassalle com base na sua própria experiência religiosa: Der 317 . Neste caso. certeza da salvação na medida em que sobrepujarem em termos Todavia. Em vez disso. Essa universalidade seria realmente abrangente. pelas quais ele se adapta à mu- sem perda de substância. então. Num exame a. elacorresponderia à universalidade da própria concepção de trans- nhecimento por parte das religiões consistiria em pôr afirmativa. O desenvolvimento h' al nunca existe numa forma pura. O universalismo das concep. como res- saltadopor Hugo M. Decisivo é e libertá-lo das coerções da subjugação e assimilação de todo o o modo de associação de ambos. também dar sem prejuízo de suas convicções básicas bem mais amplas a adapta as circunstâncias a si. A força do concreto Trata-se de perceber essa outra pretensão de universalidade seria conservada nas diversas concepções de transcendência-e como espírito do seu próprio espírito da universalidade da religião se associaria à infinitude interior do transcendente. nessas formas plurais é mantida a diferenciação entre religiosos a própria religião civil. cendência e de salvação. essa virada poderia carregar as cente e o estranho. Essa abertura e assimilação podem se dança histórica de suas circunstâncias e. Como outro que servem à formatação final. um passo na direção da diferen- ciedade civil. por essa via. O próprio universalismo perderia o caráter coercivo com ções salvíficas só pode se desdobrar de modo excludente caso que gera a diferença a partir de si mesmo. tornar plausíveis a força de sua fé e a preciso. E m pnmeiro Iugar. dinâmico que pode levar da exclusão para a inclusão. I'ansmo re I'19lOSO . o partícu . a respectiva particula. Perceber o outro fundamentalmente como o religiões com a potencialidade do humanismo. ao fazer isso. ridade e positividade histórica bem próprias. Pelo contrário: o próprio vigorosa específica na dos outros e. entre o perten- No plano intrarreligioso. Em vez disso. ça mais universal. isto é. própria convicção 56. o próprio e o outro. com esse sobrepujamento. ele se espelharia no universa· são e à apreensão mais profunda (por não ser tão coerciva) da lismo dos outros como sendo o seu próprio no outro. entre o interior e o exterior. que foi parida e outro do próprio significa dar um passo qualitativo para além desse posta em vigor como crítica à religião pela virada secular da so. sua força assassina. / 1'0 de cada propr ------- 56Como exemplo aponte-se o significado do zen-budismo para o cristianismo. afirmando e até universalismo religioso deveria chegar a uma compreensão histó. analisar-se à luz de um desenvolvimento Não é possível vislumbrar o que isso significa no detalhe. borram-se os limites que separam do outro. Um segundo passo decisivo rumo a uma cultura do reco. . o que lhe é mais próprio. o próprio univer- razão forçosa para considerar insuperável o cunho etnocêntrico salismo se consumaria espelhando a sua própria particularidade tradicional do universalismo religioso. • qU tórico do judaísmo e do cristianismo mostrou que isso é Possível formas variadas e até divergentes. pretensão de universalidade quando se deparasse com algum outro. As religiões podem. diferente. rica de si mesmo.

Nessas partes o seu brilho diminuiu as potencialidades de reconhecimento na cultura das sociedades de tal maneira que agora ele reluz em diversas cores. o seu brilho ofusca todo aquele que o recebe sua negatividade subjugadora. nesse caso. ele possuía um único anel.Zen-Meditation und christliche Mystik. ele escurecerá e perderá seu poder benfaze- força de sua particularidade (compreendida de maneira nova) jo. Esse anel emitia uma . Porém. O limite entre religião e cultura civil é fluida e per. ao mesmo tempo fazê-Ia com toda a os outros dois anéis. com esse jogo de cores. No seu civis modernas se nutrem historicamente (também) de fontes colorido fracionado. em vista do qual suas diferenças históricas não têm peso. que abstrai do outro destruindo_o como propriedade.precisamente o da concreção histórica. portanto. Todavia. a sua preciosidade pode agora ser admirada religiosas. Ademais. Esse peso deveria ser posto no prato da balança da cultura civil e. ele deu um anel para cada um e morreu. Porém é po ' • era a mais preciosa de todas as suas posses. que trabal~a rn: nessa tradição cristã zen. palavras. disse o seguinte: "A minha experiência zen-budista fez d~ um cristão melhor" (em diálogo com este autor). pois do contrário os outros ficariam em des- se inflamar) na experiência de que a nossa própria religião Com vantagem. não obstante. de modo que . O exemplo da luta de Las Casas pela dignidade dos índios ele chamou seus filhos e Ihes disse: não posso legar o anel para mostra que tais feitos de reconhecimento se inflamam (ou podem nenhum de vocês. Tais experiências ocorrem apenas aqui e ali. que \ Versenkungsweg . também destrói a sua própria substância. 318 319 . Com a parábola dos anéis Lessing pretendeu dizer que as três religiões abraâmicas compartilham um universalismo de re- gras de vida humanizadoras. KOPP. Johannes KoPP. Sabemos que essas diferenças têm um grande peso . Alegrem-se. p. Schneeflocken fa/len m Sonne . tanto mais belo e chamativo será o brilho de um dos anéis e tanto de civil por uma crescente cultura do reconhecimento exerça maisos outros dois que se encontram em sua proximidade osten- uma força de atração sobre as religiões: elas poderão ver nessa tarão o seu jogo de cores. a parábola poderia ser narrada nestes termos: Um pai tinha três filhos entre os quais queria repartir sua herança em partes iguais. meável (para ambos os lados).Christuserfahrungen auf dem Zen-Weg. Quanto mais irmanados vocês ficarem. 37ss. sSlvel vinculá -las à perspectiva de um desenvolvimento histórico n luz tão forte que ofuscava qualquer olho humano. o umversa 1" ismo interno transcen dee aa particu narti Iaridade própria ' o qual de ninguém podia alegrar-se com o seu aspecto e era preciso man- cada qual e identifica o seu próprio universal no outro estranh tê-Ia encoberto. Em consequência. Talvez a demanda da socieda. Acresce-se a isso que fracionasse em três partes. Cf. o. por vocês e pelos outros. se considerarem o esplendor necessidade objetiva uma chance de reafirmar-se de maneira de um dos anéis como a luz propriamente dita e afastarem dele inaudita e. Dizendo essas e historicidade. Quando o pai sentiu que seu fim se aproximava. dispus que um joalheiro o .

rege em toda parte o pragmatismo. O pragmatismo autoritário da ação Iso liwela umfula ugcwele**. 34-37. The View Across the River . A esfera desenvolver de maneira nova a linguagem que lhe corresponde. 57 Cf. Thinking Utopia . cretas e efetivas e não as imagens utópicas às avessas de um mun- do perfeito. tornaram-se obsoletos também os anseios ta é simples e singela: porque ela foi declarada morta e.• Gegen WOrte. O "fim da utopia" se transformou em bordão eficaz 58.Blick zurück auf das utopische Zeitalter Europas .Zeitschrift für den Oisput über Wissen. ritual. a regulamentação taram a sua credibilidade. vol. p.outono/2002.• FEST. Onde foram assumidas pelo agir côns- do desequilíbrio de poder no sistema estatal e a crescente dispa. 10. 1.a reforma do Estado ao ideal da factibilidade das condições de vida humanas malbara- de bem-estar social e o conflito das culturas.Vom Ende des utopischen lenso and the Zulu Struggle against Imperialism.egu: 58 WINTER. 2001 . 100. econômica dos mercados distanciou-se mais do que nunca do al.• SAA- COLENSO. ** "O olho atravessa o rio (mesmo que os pés não possam)" _ provérbio dos zulus s. 276-281.Steps into Other Worlds. Os graves Acresce-se a isso que os projetos utópicos de ação devidos problemas na política. inspirador e passível de consenso visan- do uma nova forma de viver. No grande ano epocal de 1989. (orgs.Oer zerstõrte Traum . p. os problemas ambientais prementes e-a norteadora da ação da humanidade factível transformou-se no leviandade no modo de lidar com eles' . sociedade e cultura . cio do seu poder. 321 . Mudanças consideráveis nas circunstâncias de vida (por exemplo. FEHR. contudo. Em vez do en. cance do Estado.os cadernos temáticos dedicados ao tema "utopia": Merkur. J. I. .1 Voltar a perguntar pela utopia bito a que nos apegamos e que atualmente começam a perder sua Por que deveríamos voltar a falar de utopia hoje? 57 A respos- aptidão para o futuro. a utopia foi declarada liqui- dada e descartada. vol. Até A favor de uma cultura da inspiração* agora. faz parte da vida da cultura. T. não obs- e as esperanças que no passado foram depositadas nelas.). tusiasmo utópico. 2005. Das Ende der politischen Utopie . Ende eines Traums .Harnett GE.w. Havia & RIEGER. Junto com as formas de viver que se tornaram um há. para solucionar problemas anda a par com uma peculiar ausência de concepções que estimulem à ação e que poderiam representar um contraponto adequado às concepções culturais norteadoras o tema "utopia" não está em alta hoje em dia. 3. e isso foi tido como um grande progresso espi- * Primeira versão em Kulturpolitische Mitteilungen. apud GUY.M. In: RÜSEN.requerem soluções con. do pós-guerra que se tornaram obsoletas. p. 2003. vol. as utopias tiveram efeitos devastadores: a ideia ridade entre Norte e Sul. não se logrou compensar essas incertezas com um objetivo abrangente. Em in' glês: "Rethinking Utopia: A Plea for a Culture of Inspiration".. 2eitalters. "Zulu-English Dictionary". Nova YorklOxtord: --------- Berghahn Books. n. do tipo demográfico) levam Repensar a utopia a novas incertezas e geram uma clara demanda por ação. E porque ela sempre precisa confiança na competência de regulamentação do Estado. e sua dinâmica desenfreada oferece mais ensejo à crítica do que ainda poderia conter em termos de potencial de 3 esperança de bem-estar para todos. terror da desumanidade experimentada. 55. Foi-se a tante.

sua inspiração ideal e sua construtivi- mente para dentro do puro reino das possibilidades.mais propriamente uma contradi. Nessa tentativa. mas partiu implacavelmente para o contragolpe. influência dessa visão da factibilidade do desejável. pode ser interpretado de modo que essa brincadeira um dia se converteria num jogo mortalmente similar. Ele poderia ter imaginado ror do século XX. narealidade foi reiteradamente tentado. que deveria abrir quanto projeto de práxis. enquanto imposição do possível ao real. O fato de terem su- de perguntar pelo propriamente utópico que justamente não tem cedido os terrores do século XX não raro foi posto na conta da lugar na realidade.2 O aparente "fim da utopia" e supremos. te o salto ideal para dentro do totalmente outro. MOMMSEN. sucumbiu nos' crimes contra a humanida- de que foram cometidos e legitimados em nome de fins últimos 3. • 'ro da visão da práxis conduzida pela razão? Deveríamos privar a e 59 Cf. uma brincadeira com a qual ele espelhou a amarga experiência de em opressão. O pensamen- tura possa renunciar seriamente a um movimento espiritual rumo to utópico da Era Moderna.dentro do totalmente diferente. a saber. é preciso res- que se deve diferenciar claramente entre um pragmatismo realista tringir-se a evocar os terrores de tais obcecações. 322 323 . Die Realisierung des Utopischen: Die "En~lõsung der Judenfrag I Culturado estímulo à transposição de limites? "Dritten Reich". justamente originalmente utópicos. de Tomás Morus. Porque dificilmente se pode conceber que a cul. que teria se acabado como ilusão de ao totalmente novo e outro. seria dernização à luz de tal dialética do utópico. Se essas duas coisas são vistas pa. ser remodelada para conformar-se à utopia. A outra experiência de ter. No início. . Morus falou de humano da opressão e da necessidade resultou no seu oposto. opressão e necessidade da sua época. tenderam como "utopia real" . factibilidade e ao mesmo tempo encontrado a si mesmo como sonho a respeito razão. assassinato e miséria.boas razões para isso: junto com os Estados socialistas na Eu ra. Isso teve consequên_ A cultura da Era Moderna reiteradamente foi vítima dessa cias terríveis: a realidade não permitiu a simples remodelação. A crítica da utopia mostrou de modo convincente e enfático No modo de lidar com o pensamento utópico. para a realidade que distorceu a ação. com sua visão de um sistema comunitário ideal realizar uma concepção utópica da libertação definitiva do ser organizado de acordo com princípios racionais. A realidade não foi ultrapassada utopica_ seu caráter isento de lugar. A tentativa de do ano de 1516. osolhos para as possibilidades. forçosamente resultou em cegueira acarretou o fim de toda e qualquer utopia? Os seus adeptos a en. Em contraposição. justamen- A eliminação dessas versões questionáveis do utópico en. chegara a um fim deplorável o experimento político. Não foram poucos os que interpretaram o processo da mo- ção em si. temos a Utopia. mas deveria dade inalcançável e de tipo ideal. Ele também apresenta os traços de uma política guiada sério? Esse passo rumo à localização forçada dos ideais utópicos pela utopia 59. mistura das esferas. Residia aí um efeito funesto. portanto. e ao mesmo tem- declaradamente deveria tratar-se de realizar na prática objetivos po a utopia perde o que tem de mais valioso. no qual col11Ouma só a práxis sóbria se torna irrealista. visando adver- que toma conhecimento dos fatos com sobriedade e o salto para tirContra sua repetição no futuro? Deveríamos desistir. a do nazismo.

que posições. Minha pergunta mira no fundamental: . também pode se tornar atuante. A experiência amarga do século XX. as utopias 324 325 . visões e utopias como elixir da vida para trutos e teorias. 190.com a razão que as ciências veem atuando quo para ter se transformado no fetiche da intransponibilidade em si mesmas. Onde foi parar a visão sumamente persuasiva da justiça so- Hoje em dia. Estaremos na defensiva diante deles tação corajosa num mundo que de modo crescente clama por enquanto não tivermos ideias melhores com força motivadora de novas orientações? configuração viva e humana das relações para confrontar com as Algo parecido parece se aplicar às ciências. denominou "utopia" o Instrumento conceltua pa . por exemplo. que são provisoriamente pensadas e discutidas como levou o agir conduzido pela utopia a provocar catástrofes hor- ripilantes na humanidade."""" .o tischer Erkenntnis. para respirar diante do brilho cintilante do anything goes [tudo regar culturalmente a ação humana e estatal com o sentido para é válido].3 Inspirações. As duas coisas são necessárias: olho clínico. Max Weber certa vez caracterizou a ação política c "O provisório. Onde não se vai mediante Como podemos entender o utópico hoje? Para não ter de hipóteses resolutamente além do que está dado e já é sabido não renunciar às forças mentais do pensamento visionário é preci- pode haver progresso do conhecimento. cons. deve ser sistematicamente levada em 60 WEBER. de motivar culturalmente para a ação? Se fosse assim. O olhar por cima dos limites dos fatos dados discurso científico? A pós-modernidade nos deixou sem força na direção do novo e diferente perdeu força e mal consegue car. a transformação." É verdade que somente aquilo que é tido como factível é capaz conhecimento da realidade social: Die "Objektivitiit" sozialwissenschaftlicher und soz. lidá-lo de modo destrutivo. política e sistema cial? Ela silenciou em meio ao coro dos apologistas das coerções comunitário verdadeiramente não são movidos por projeções econômicas. I"". Parece que entregamos a vontade de transformação utópicas do futuro. . na hora de pôr-se a caminho e na orien. a paixão sem e do tradicional. e paixão que leva para além dos blindagem dura que protege de mudanças o reino da necessidade fatos dados. 88.. perguntas e respostas amadurecem no ato de pensar. Política sem paixão é fraca na ação. O mar revolto das SUo so redefinir o utópico. p. A ciência tenta pensar o que ainda não foi pensado e formular o novo em hipóteses. Onde estão as ideias indicativas do caminho aos fundamentalistas de todos os matizes. rompe-se a ceber a realidade como ela é. I ra obter o 61 Max Weber. para per. 3. olho clínico leva ao erro. nas sociedades ocidentais. Politik 015 Beruf. Onde são levantadas clínico" 60. . Nelas o utópico ideias mortais com que promovem a destruição. Onde foi parar a paixão carregada de utopia no dos limites da ação. Conta nessa redefinição. p. A ciência enquanto projeção de hipóteses pode a cultura ser lida como procedimento utópico'". também é o reino das utopias científicas e o campo orno "perfuração lenta e potente de tábuas duras com paixão e olho de atuação do utópico na busca do saber. que só conseguem va- a seguir nas reformas. O status manas com a razão . Esse passo para o novo e impensado com frequência esteve Deve-se falar de utopia porque a situação atual é caracteri_ associado à esperança e à visão de poder regular as questões hu- zada por um excesso de olho clínico e falta de paixão.

transposição fundamental do aqui e agora. determinações de sentido da vida humana. por liberdade e felicidade . Eles aparecem renovação podem ser observados em toda parte. es- por e esse entusiasmo de ir além de tudo que está dado ocor. desempenhar hoje enquanto modalidade do extrapolante nas for- ra e fantasista de transpor os limites inibidores e. e criativa com a realidade sem nossa capacidade para a ficção? no ser tomado pela experiência estética ou religiosa. para dar seja na economia como felicidade da satisfação das necessidades um sentido sustentável ao nosso agir. rante a noite) para fazer o nosso trabalho sóbrios e despertos Esse princípio do transcender possui amplitude e profundi- (durante o dia). seja na técnica so desembaraçado da ciência e da técnica? Elas estão o tempo como visão da possibilidade de dominar a natureza segundo fins todo em ação. de estímulos para a ação: O que os seres humanos têm de dar ao seu mundo e a si mesmos. O que é política sem a ideia da jus. A cultura é a quinta- visão da felicidade para todos. Não tiça social que se contrapõe conscientemente à experiência da há cultura sem extrapolação interpretativa. no sofrer e no agir. está por acontecer uma transmissão con- da reconciliação. A questão é como fazer sofrimento e na ciência como regulador contrafático da argu. . reforma e pragmatismo. Comque aconteça.em suma: ele se mostra sempre que jetos de vida prática deve ser analisado com mais exatidão. seja. de modo geral. ou seres humanos transcendem resolutamente. Precisamos sonhar (du. que vão além de todo o factível e controlável. em primeiro lugar. Ela promove paralisia e desânimo. tagnação social. justamente do pensamento que vai além das condições e o que está dado no aqui e agora e se projetam na direção de um circunstâncias concretas do agir prático e mostra palpavelmente outro. Esse ato de trans. das circunstâncias e como é possível aguentar sofrimento sem que se transforme em condições da práxis vital. desmobilização de movimentos esperançosos de rem em todas as épocas e em todas as culturas. não há sentido sem a desigualdade? Como é possível sup~rtar fracassos e frustrações. no anseio No entanto. Bastam as utopias que prometem um progres- mentação livre de dominação e guiada pela razão. que é a política sem a ideia do bem comum que se inflama na para poderem viver nele e consigo mesmos. Essa deveria ser a relação entre utopia e senso dade antropológicas. o papel do pensamento visionário em nossos pro. Mas é mais provável que o oposto se' .. As ciências culturais existem para pesquisar as interpretações Trata-se. as possibilidades do totalmente diferente e melhor.de fato seriam supérfluas. Desânimo com a política. Ela reduz a força das ideias animadoras e inspiradoras. no entusiasmo do amor. em formações extremamente variadas: seja na arte como reflexo Em contraposição. ação de resistência à luz de sua superação? É obscuro e controvertido que papel o utópico pode e deve As potencialidades do utópico constituem a força inspirado. na religião como salvação que transcende todo creta de utopia. Ja o correto: necessitamos e perspectivas utópicas para o n de legitimação de dominação na vontade comum dos dominados. no qual querem encontrar a si mesmos. pragmático de realidade. d . osso mundo. Essa falta de clareza é um pro- a força espiritual do entusiasmo nas interpretações culturais e blema. -essência dessas interpretações e o sentido é seu princípio. propostos pelo próprio ser humano. e na sociedade como projeto de justiça social. seja na política como fonte . mas em vista das possibilidades até agora inauditas . possuindo algo de universal e fundamental. mações de sentido da cultura. O que seria a nossa relação modeladora Ele se mostra no sorriso de uma criança.

Ein Antwortschreiben zu el und Funktionen der kulturellen Erinnerung. 1. U.).Formen und Wandlungen de maneira a afastar o perigo de pervertê-los em instrumentos de des kulturellen Gedãchtnisses. nesse processo. 1999 [Beitrãge zur Geschichtskultur. Munique: Beck. D. 15].Vom Umgang mit deutschen Vergangen- heiten nach 1945. B. estimulante e vivaz. 1997. Zeit und Tradition . p.). A. Proble- e. (orgs. Porém. Referências Rememoremos: nem faz tanto tempo assim que a opinião pública alemã foi fortemente sacudida por ponderações filosóficas no sentido de converter a própria humanidade do ser humano em ACKERMANN. (orgs. Stuttgart: Deutsche Verlagsanstalt. humanismo 62. Patchwork: Di- assunto da remodelação planificadora e da previdência do futuro mensionen multikultureller Gesellschaften . 3.4 A utopia como "inquietude da cultura" ANGVIK. 1999. ANKERSMIT. A. 2 vols. 295-323. poder e violência. & FREVERT. vol. qual é Kõrber-Stiftung.de lidar com a natureza do ser humano suscitam fortes dúvidas éticas. Fischer. relegar definitivamente ad acta a tradição do matik und Chancen. como um sentido mobilizador. & MÜLLER. A. 2002. Frankfurt am Main: Brief über den Humanismus. "The sublime Dissociation of the Past: Or tâncias de vida e descortina novos horizontes? Como podemos How to Be(come) what one is no longer". 1997. F.Geschichte. 1991. Se lograrmos ponderar os elementos utópicos da orientação cultural da ação ASSMANN. avaliá-Io e como podemos estabelecer contato com ele? vol. provocando em algumas pessoas até mesmo visões aterro_ rizantes de uma nova barbárie em nome do progresso. K. Bielefeld: Transcript.R. vivas de força. esperem e temam ir além do que está dado em seu mundo. o sentido que leva além da pura reprodução das atuais circuns. bem 1993. (orgs. A utopia como "inquietude da cultura" tem um sentido __ o De historische Ervaring. & BORRIES.A O pensamento utópico alude à inquietude da cultura que faz Comparative European Survey on Historical Consciousness com que os seres humanos sempre pensem.). Groningen: Historische Uitgeverij. & HARTH. p. 1999. Geschichtsvergessenheit . Youth and History .372-1. 102.Ges- o elixir da nossa vida. A. 328 329 . duplo: um sentido perturbador. Erinnerungsrãume . e desenvolvimentos do mundo e fortalecer as esperanças que são ASSMANN. aguçar nosso olhar crítico para as circunstâncias Colônia: Bõhlau. ASSMANN. irritante. "History and Memory". Regeln für den Menschenpark . voI. chichtsversessenheit .412. 2001. 40. desejem. M. AHR FORUM. The American Historical Review. History and Theory.Kulturelle Strategien der Dauer. intranquilizador.Formen H 'deggers 62 SLOTERDIJK. Hamburgo: o seu agir em pontos de vista da significatividade. a fim de orientar and Political Attitudes among Adolescents. eles poderão inspirar nosso agir como fontes _. Mnemosyne .E.