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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL

INSTITUTO DE GERIATRIA E GERONTOLOGIA

RICARDO LARROYED DE OLIVEIRA

A RELAÇÃO ENTRE A RELIGIÃO, A ESPIRITUALIDADE


E A DEPRESSÃO EM IDOSOS

Porto Alegre
2005
9

RICARDO LARROYED DE OLIVEIRA

A RELAÇÃO ENTRE A RELIGIÃO, A ESPIRITUALIDADE


E A DEPRESSÃO EM IDOSOS

Monografia apresentada como


requisito para obtenção do grau de
Especialista, pelo programa de Pós-
Graduação do Instituto de Geriatria e
Gerontologia, Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul.

Orientador: Rodolfo Herberto


Schneider, MD, MSc, PhD

Porto Alegre
2005
10

Dedico este trabalho a todas as pessoas que


acreditam que a vida é mais do que uma
experiência biológica, estendendo-se do
ínfimo das células até nossas almas.
11

AGRADECIMENTOS

A minha esposa, Elisabeth Maria Nardelli, pelo carinho, compreensão e apoio.

A minha mãe, Mara Rúbia Larroyed, sem a qual nada disso seria possível.

Ao Professor Dr. Rodolfo Herberto Schneider pela sábia orientação.

Aos meus colegas de Especialização pelo companheirismo.

Aos meus pacientes, pela motivação de me tornar constantemente melhor.


12

Religion is good medicine.


Most of us became doctors because we really
wanted to help people.
I think this can bring back what medicine needs,
what it’s lost, and what doctors really want.
It will give their practices meaning.

Harold G. Koenig
13

RESUMO

A religião e a espiritualidade são uma importante fonte de suporte na

vida dos idosos, especialmente em períodos de doença. No entanto, têm

recebido pouca atenção da literatura médica. O propósito deste estudo é

investigar a associação entre a religião, a espiritualidade e a depressão nos

idosos. Foram analisados estudos publicados, meta-análises, revisões

sistemáticas e subjetivas que examinaram a relação entre a religião, a

espiritualidade, a saúde física e mental. Os artigos selecionados foram

identificados em uma busca na MEDLINE e em outras fontes. A maioria dos

pesquisadores demonstrou que a religião e a espiritualidade estão associadas

a melhores desfechos clínicos, incluindo qualidade de vida, além de um menor

risco de depressão e melhor recuperação de transtornos depressivos. Logo,

discernir, conhecer e apoiar as necessidades espirituais e religiosas dos

pacientes pode reduzir o risco e melhorar a recuperação de doenças, além de

poder ser realizada de forma objetiva e ética.

Palavras-chave: Religião. Espiritualidade. Depressão. Idoso.


14

ABSTRACT

Religion and spirituality are an important source of support in the life

of older adults, especially during illness. Nonetheless, they have received little

proeminence in the medical literature. The purpose of this study is to

investigate the association between religion, spirituality and depression in the

elderly. This study reviewed published studies, meta-analyses, systematic

reviews and subjetive reviews that examined the association between religion,

spirituality, physical and mental health. Relevant articles were identified by a

search in the MEDLINE and other sources. Most researchers have shown that

religion and spirituality are associated with better health outcomes, including

quality of life, and also less risk of depression and better recovery from

depressive disorders. Therefore, discerning, acknowledging, and supporting

the spiritual and religious needs of patients may reduce the risk and enhance

recovery from illness. Furthermore, it can be done in a straightforward and

ethical manner.

Key-words: Religion. Spirituality. Depression. Elderly.


15

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO........................................................................................ 9

2 OBJETIVO.............................................................................................. 10
2.1 Objetivo Geral......................................................................................... 10
2.2 Objetivo Específico.................................................................................. 10

3 METODOLOGIA..................................................................................... 11

4 REVISÃO DA LITERATURA.................................................................. 12
4.1 A religião e a espiritualidade na relação médico-paciente...................... 12
4.2 A mudança do paradigma: religião, espiritualidade e ciência................. 14
4.3 Conceituando a religião, o envolvimento religioso e a espiritualidade.... 15
4.4 A religião e a espiritualidade nas pesquisas médicas............................. 16
4.5 O envolvimento religioso e a espiritualidade na saúde física.................. 17
4.5.1 As doenças cardiovasculares e a hipertensão arterial sistêmica............ 18
4.5.2 A mortalidade.......................................................................................... 19
4.6 A qualidade de vida................................................................................. 20
4.7 Os pacientes terminais............................................................................ 20
4.8 A saúde mental....................................................................................... 21
4.8.1 O abuso de substâncias.......................................................................... 21
4.8.2 O suicídio................................................................................................ 23
4.8.3 A ansiedade............................................................................................ 23
4.9 A depressão............................................................................................ 24
4.9.1 A religião, a espiritualidade e a depressão............................................. 26
4.9.2 Limitações da literatura........................................................................... 28
4.9.3 Denominação religiosa e depressão....................................................... 29
4.9.4 A relação entre a religião e a depressão................................................. 31
4.10 Mediadores associados ao envolvimento religioso e a espiritualidade... 31
4.11 Implicações práticas do envolvimento religioso e da espiritualidade...... 35
4.12 Considerações éticas.............................................................................. 37
4.13 A História Espiritual................................................................................. 38

5 CONCLUSÕES....................................................................................... 41

REFERÊNCIAS....................................................................................... 43
16

1 INTRODUÇÃO

Ao passo em que envelhece a população, aumenta a prevalência dos

transtornos depressivos devido a maior fragilidade física e psíquica dos idosos. A

depressão nesta faixa etária possui um efeito devastador na qualidade de vida do

idoso e de seus familiares. Apesar deste fato, ela é freqüentemente ignorada pelos

profissionais da saúde, que tendem a considerar a tristeza e o pesar como eventos

existências inevitáveis.

Para modificar esta realidade, deve-se analisar os fatores psicológicos,

sociais, biológicos e culturais que influenciam a manifestação e o curso da doença.

Dentre esses fatores, a religião e a espiritualidade atuam como moduladores

psicológicos e comportamentais. Logo, podem possuir conotações positivas e

negativas com relação à saúde mental e física.

A relação entre a religião, a espiritualidade e a saúde física e mental, em

especial a depressão, têm sido destacada pela mídia e pelas revistas médicas,

havendo um grande apelo para que a religião e a espiritualidade façam parte da

rotina médica. No entanto, uma análise crítica é necessária na avaliação dos

estudos publicados.

O presente trabalho analisa os estudos publicados nas últimas três

décadas, indexados na MEDLINE e em outras fontes, apresentando um contexto

ordenado de informações, de maneira que auxilie os leitores a tomarem suas

próprias decisões, baseadas em suas experiências e consciências.


17

2 OBJETIVOS

2.1 Objetivo Geral

Estabelecer uma relação entre a religião, a espiritualidade e a depressão

nos idosos.

2.2 Objetivos Específicos

- Estimular um posicionamento crítico e reflexivo diante do tema;

- Descrever a importância da depressão na população de idosos;

- Enfatizar o papel da religião e da espiritualidade nos contextos sociais e

sua influência na relação médico-paciente;

- Distinguir os termos: prática religiosa, religião e espiritualidade;

- Questionar o paradigma entre a religião e a ciência;

- Contextualizar o uso das variáveis religião e espiritualidade nas

pesquisas médicas;

- Analisar as limitações e dificuldades dos estudos sobre a relação entre a

religião, a espiritualidade e a depressão;

- Expor os mecanismos teóricos através dos quais a religião e a

espiritualidade exercem seu efeito na depressão;

- Discutir questões éticas do envolvimento religioso na prática clínica;

- Sugerir aplicações da religião e da espiritualidade na prática clínica.


18

3 METODOLOGIA

Revisão da literatura através de estudos publicados, meta-análises, revisões

sistemáticas e subjetivas que examinaram a associação entre a religião, a

espiritualidade e a depressão na população de idosos.

Os artigos foram selecionados através de uma pesquisa realizada na base

de dados MEDLINE, utilizando as palavras-chave: religion (religião), spirituality

(espiritualidade) sozinhas e associadas com: depression (depressão), depressive

disorder (transtorno depressivo), major depressive disorder (transtorno depressivo

maior), epidemiology (epidemiologia), mortality (mortalidade), cardiovascular disease

(doença cardiovascular), cancer (câncer), anxiety (ansiedade), substance abuse

(abuso de substâncias), suicide (suicídio) e quality of life (qualidade de vida). A

pesquisa foi limitada a estudos realizados no período de 1970 a 2005, envolvendo

indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos.

Os estudos selecionados utilizaram avaliações validadas ou em

desenvolvimento de envolvimento religioso e espiritualidade, além de testes

estatísticos de significância com a depressão e outros fatores de saúde.

Foram incluídos artigos de outras fontes que continham sugestões de como

os profissionais da saúde poderiam, eticamente, avaliar e fornecer suporte para as

necessidades espirituais e religiosas dos pacientes.


19

4 REVISÃO DA LITERATURA

A população mundial está envelhecendo. O número de pessoas com idade

superior a 60 anos foi estimado em 629 milhões em 2002 e é projetado que alcance

dois bilhões em 2050. Segundo esta previsão, a população de idosos será maior que

a de crianças (0 a 14 anos) pela primeira vez na história. No Brasil, cerca de 8% da

população é formada por indivíduos idosos e é esperado que este número aumente

para 24% nas próximas décadas.1

Acompanhando o envelhecimento da população, ocorre o aumento da

prevalência de diversas doenças crônico-degenerativas, além de alterações

fisiológicas que geram desconforto, debilidade e dependência física, tornando o

idoso propenso a apresentar sintomas depressivos e conseqüentemente a

depressão maior.2

Frente a estas situações adversas, a religião e a espiritualidade

demonstraram ser importantes fatores, tanto psicológicos como sociais, nos quais o

idoso procura apoio e conforto. Conhecer a maneira como estes fatores se

relacionam com diferentes contextos sociais e patológicos é necessário para que o

profissional da saúde entenda e atenda melhor seu paciente.

4.1 A religião e a espiritualidade na relação médico-paciente

A maioria das pessoas afirma possuir uma vida espiritual. 3 Em

levantamentos realizados nos Estados Unidos da América, cerca de 95% acreditam


20

em Deus, mais de 50% reza diariamente, 40% freqüenta a igreja semanalmente e

quase três quartos afirmam que sua maneira de viver é fundamentada em sua fé

religiosa.4

Lukoff et al. (1995) afirmam que a religião e a espiritualidade contribuem na

formação dos valores, comportamentos e experiências. Assim, estão presentes,

diretas ou indiretamente, em todas as relações interpessoais, inclusive na relação

médico-paciente.5

A maioria dos pacientes desejam que seus médicos considerem seus

comprometimentos religiosos e espirituais na decisão do plano terapêutico. 6 King e

Bushwick (1994) afirmam que cerca de 94% dos pacientes consideram a saúde

espiritual e física igualmente importantes e que mais de 75% acreditam que os

médicos deveriam focar questões religiosas e espirituais como parte de suas

condutas.6 Porém, apesar destes achados, estas necessidades são geralmente

ignoradas ou insatisfeitas.7,8

Vários autores elaboraram diferentes teorias para explicar este fenômeno.

Stephen G. Post (apud MITKA, 1998, p.1897) afirma que os médicos sempre

conheceram a relação entre corpo e mente, porém parte deste conhecimento foi

perdida quando passaram a tratar somente segmentos do corpo, negligenciando a

pessoa como um todo.9

Jerome e Willian (1989) sugerem que as divergências de crenças entre

médicos e pacientes contribuíram para o pouco interesse na religião e na

espiritualidade como ferramentas terapêuticas.10 Outros pesquisadores sustentam

esta afirmativa, ao descreverem que 95% da população norte americana declara que

acredita em Deus, enquanto somente 40 a 70% dos psiquiatras e 43% dos

psicólogos afirmam o mesmo.4,11,12


21

4.2 A mudança do paradigma: religião, espiritualidade e ciência

Há alguns anos, avaliar o sistema de crenças dos pacientes era

considerado desnecessário e inapropriado. Esta divisão tradicional pode ser

compreendida como resultado da dicotomia entre religião e ciência que prevaleceu

na cultura ocidental por quase 400 anos.4

Apesar da religião, tradicionalmente, ser considerada pelos profissionais da

saúde como tendo pouco efeito positivo ou, até mesmo, negativo na saúde mental e

física.4 Foi observado que, ao passo em que aumentava o número de estudos com

associações válidas entre o envolvimento religioso e a espiritualidade com melhores

desfechos clínicos, houve um crescente interesse da classe médica por este

assunto.3

Esta mudança de paradigma coincide com alterações sociais importantes,

tais como: a valorização das diferenças étnico-sociais; uma maior reflexão sobre

métodos científicos ditos “livres de valores”, os quais não consideram fatores

filosóficos ou espirituais; e o aumento do interesse da população geral em questões

religiosas e espirituais.4

Este processo de transição ideológica influenciou estudiosos que

recentemente começaram a solicitar a inclusão da educação religiosa nos currículos

das escolas médicas.13 A própria Associação Americana de Psiquiatria reconheceu

que as informações sobre a orientação religiosa e as crenças dos pacientes podem

auxiliar o psiquiatra a melhor atendê-los durante o curso do tratamento.14


22

4.3 Conceituando a religião, o envolvimento religioso e a espiritualidade

Os estudos que avaliam a relação entre a religião, a prática religiosa, a

espiritualidade e o transtorno depressivo apresentam diversas particularidades,

sendo a mais prevalente a própria definição dos fatores estudados.

Miller et al. (2001), em uma recente revisão sobre as implicações práticas

do envolvimento religioso e da espiritualidade, procuraram definir mais didaticamente

estes fatores: a religião organiza as experiências espirituais coletivas dentro de um

sistema de crenças e práticas; o envolvimento religioso refere-se ao grau de

participação ou aderência as crenças e práticas de uma religião organizada; e a

espiritualidade é um conceito mais amplo que a religião, sendo fundamentalmente

um processo dinâmico e de experiências pessoais. As características da

espiritualidade incluem a busca por significado, propósito, transcendência (o

sentimento de que o ser humano é mais do que uma simples existência material),

conectividade (com outros, natureza ou o divino) e valores como o amor, a

compaixão e a justiça.3,15

Diversos autores não consideram estes conceitos como sobrepostos e

dirigem suas pesquisas de maneiras diferentes. Porém, experimentalmente, tanto a

religião quanto a espiritualidade envolvem a busca por significado e propósito, além

de transcendência, conectividade e valores. Neste sentido, o envolvimento religioso

é similar à espiritualidade.3 Da mesma forma, a espiritualidade pode, também,

possuir expressões comuns ou grupais e quando estas expressões são formalizadas

ela se torna semelhante à religião organizada.16


23

4.4 A religião e a espiritualidade nas pesquisas médicas

A religião e a espiritualidade não são amplamente utilizadas nas pesquisas

médicas.3 Larson et al. (1986) revisaram os estudos publicados em quatro grandes

jornais de psiquiatria entre 1978 a 1982 e revelaram que somente 2,5% desses

utilizaram as variáveis religião ou espiritualidade.17 Após doze anos, Weaver et al.

(1998) realizaram uma nova revisão nestes mesmos jornais entre 1991 a 1995, onde

observaram que este valor reduziu para 1,2%.18 Outros pesquisadores, ao revisarem

os estudos gerontológicos, descobriram que somente 3,6% utilizaram a religião e a

espiritualidade como variáveis de pesquisa.19

A pouca utilização da religião e da espiritualidade nas pesquisas médicas

ocorre, em parte, pela confiança no modelo biomédico no qual a evidência física é

primordial. Enquanto o modelo biomédico é excelente para descrever certos

mecanismos de doenças, ele tem dificuldades em avaliar fatores psicológicos,

sociais e espirituais que influenciam em parte, se não em todo, as doenças.20

A maioria dos estudos, sobre os efeitos dos fatores religiosos e espirituais

na saúde, utilizou somente avaliações do envolvimento religioso, em detrimento da

espiritualidade. Nas revisões realizadas por Mueller et al. (2001) e Matthews et al.

(1998) foram apontados como responsáveis por esta prática as limitações dos

instrumentos de mensuração e a falta de consenso sobre a definição de

espiritualidade.3,4
24

4.5 O envolvimento religioso, a espiritualidade e a saúde física

Nas últimas décadas foram elaborados diversos estudos que analisaram a

relação entre a saúde física, a saúde mental, a religião e a espiritualidade. Koenig

(2000) afirma que grande parte da literatura descreve uma associação positiva entre

o envolvimento religioso e a espiritualidade com melhores indicadores de saúde.21

Vários autores têm sugerido que o comprometimento religioso está

associado a menor prevalência de diversas doenças crônicas. 4 Levin e Schiller

(1987), ao revisaram pesquisas clínicas sobre a relação entre a religião e a doença,

demonstraram que a maioria destes estudos descrevia relações positivas entre o

comprometimento religioso e a saúde física.22

Em outra revisão, Levin e Vanderpool (1987) examinaram especificamente a

relação entre a prática religiosa e a saúde física.23 Em 81% dos estudos revisados,

uma maior freqüência de prática religiosa era positivamente associada à saúde. Este

achado foi consistente dentro de ampla variedade de doenças, incluindo câncer e

doenças cardiovasculares. Nos 19% restantes, os autores identificaram diversos

achados que sugerem um efeito benéfico da prática religiosa na saúde, porém estes

não eram estatisticamente significantes.23

A relação entre a religião, a espiritualidade e a saúde física ainda não é bem

compreendida. No entanto, o envolvimento religioso está associado a

comportamentos promotores de saúde, como exercícios físicos, nutrição adequada,

uso de cinto de segurança, abandono do tabagismo, maior uso de serviços de

prevenção, menores índices de hospitalização e tempo de internação

hospitalar.24,25,26,27
25

4.5.1 As doenças cardiovasculares e a hipertensão arterial sistêmica

O envolvimento religioso está associado a menores níveis de pressão

sanguínea, índices de hipertensão e outras doenças cardiovasculares.3 Koenig,

George e Hays (1998) examinaram a relação entre a atividade religiosa e a pressão

sanguínea em uma amostra de 3.963 adultos residentes na comunidade, com idade

igual ou superior a 65 anos, usando dados coletados em três períodos. Após

ajustado para idade, etnia, gênero, educação, status funcional, índice de massa

corporal e pressão sanguínea prévia, a maior freqüência a serviços religiosos

reduziu consistentemente a pressão sistólica e diastólica, comparadas ao grupo de

não freqüentadores destes serviços. Ainda mais, entre os indivíduos que

freqüentavam os serviços religiosos, os que também realizavam atividades religiosas

privadas, como rezar, estavam 40% menos propensos a hipertensão diastólica.

Apesar das pessoas religiosamente envolvidas aderirem melhor à terapia

medicamentosa, este achado não foi estatisticamente significante na diferença das

pressões sanguíneas.28

Da mesma forma, Goldbourt, Yaari e Medalie (1993), através de um estudo

prospectivo envolvendo 10.059 pessoas durante 23 anos, demonstraram que os

indivíduos religiosos possuíam 20% menos risco de doença coronariana fatal que os

não religiosos, depois de ajustado para a idade, pressão sanguínea, níveis de

lipídeos, tabagismo, diabetes e índice de massa corporal.29 Em outro estudo

prospectivo envolvendo 232 pessoas com idade superior a 55 anos, que se

submeteram à cirurgia cardíaca eletiva, os autores demonstraram que a pouca

participação em grupos sociais e de confiança na religião eram os mais consistentes


26

fatores associados à morte, considerando idade, cirurgia cardíaca prévia e status

funcional pré-operatório. 30

4.5.2 A mortalidade

As pessoas religiosas vivem mais, demonstrando que o envolvimento

religioso pode aumentar a longevidade.3,4

Oman e Reed (1998), em um estudo prospectivo de 5 anos, envolvendo

1.931 adultos com idade igual ou superior a 55 anos, constataram que os indivíduos

que praticavam atividades religiosas possuíam 24% menos risco de morrer durante o

período de observação que os não praticantes, considerando a idade, sexo, estado

civil, renda, educação, etnia, ocupação, hábitos de saúde e suporte social.31

Koenig et al. (1999), em outro estudo prospectivo de seis anos com uma

população de 3.968 indivíduos, com idade maior ou igual a 65 anos, encontraram

um valor semelhante de 28% menos risco de morrer durante o período de

observação que os indivíduos não religiosos, considerando fatores demográficos,

relacionamentos sociais, condições e práticas de saúde.32

Em outra meta-análise de 42 estudos, envolvendo quase 126.000 pessoas,

McCullough et al. (2000) constataram que os indivíduos muito religiosos tinham 29%

mais chances de sobreviver que os menos religiosos. Os autores não atribuíram esta

associação a variáveis de confusão ou a vícios de publicações.33

Poucos trabalhos encontraram associações negativas entre o envolvimento

religioso e a sobrevida. O estudo conduzido por Janoff-Bulman e Marshall (1982),


27

envolvendo 25 adultos idosos hospitalizados, constatou que a probabilidade de

sobrevida em 30 meses de seguimento foi negativamente associada à auto-

avaliação da importância das crenças religiosas.34 Porém, este estudo apresenta

limitações metodológicas que levantam dúvidas sobre a validade das conclusões. 4

4.6 A qualidade de vida

A qualidade de vida é um conceito amplo que inclui distintas áreas da saúde

(física, psicológica, social e espiritual) que são influenciadas por experiências,

crenças, expectativas e percepções individuais.35

O envolvimento religioso e o bem-estar espiritual estão associados a melhor

qualidade de vida em pacientes com câncer, síndrome da imunodeficiência humana

(SIDA), amputação de membros e lesão da coluna espinhal.36,37,38,39 Esta relação

direta entre a qualidade de vida e a espiritualidade persiste apesar do declínio das

funções motoras do indivíduo.39

4.7 Os pacientes terminais

A Organização Mundial de Saúde enfatiza os aspectos psico-sociais e

espirituais e não somente os sintomas físicos nos cuidados da medicina paliativa. 40

Pacientes terminais buscam força e esperança nas crenças espirituais e


28

religiosas.41,42 Ainda mais, os adultos terminais reportam uma grande religiosidade e

uma profunda perspectiva espiritual comparados aos adultos saudáveis.43,44 Esta

diferente perspectiva espiritual está associada à maior sensação de bem estar, além

de tornar mais aceitável a morte, independente da crença na vida após a morte. 41,44,45

4.8 A saúde mental

Apesar do grande impacto do envolvimento religioso e da espiritualidade em

diversos aspectos da saúde física, mortalidade, qualidade de vida e nos pacientes

terminais, seus efeitos mais pronunciados encontram-se na saúde mental,

especialmente em relação ao abuso de substâncias, a ansiedade, ao suicídio e a

depressão.

4.8.1 O abuso de substâncias

O envolvimento religioso e a espiritualidade estão relacionados a uma

menor incidência de abuso de substâncias. Numerosos pesquisadores têm

demonstrado que o abuso de álcool e de outras drogas está relacionado com a falta

de propósito na vida, sugerindo, desta forma, um menor grau de envolvimento

religioso.4
29

Larson e Wilson (1980) demonstraram este “vácuo” religioso em seu estudo

sobre a vida religiosa de alcoólatras. Quando questionaram o grupo de alcoólatras

sobre suas experiências religiosas, os pesquisadores descobriram que 89% dos

alcoólatras perderam seu interesse na religião durante sua adolescência, enquanto

no grupo controle 48% tiveram um aumento do interesse na religião e 32%

permaneceu inalterado nesta fase.46

Gorsuch e Butler (1976) conduziram uma revisão de 20 estudos publicados

antes de 1976 para identificar fatores sociais e psicológicos que pudessem predispor

indivíduos ao abuso de substâncias. Os pesquisadores demonstraram que o

envolvimento religioso estava associado ao menor uso e abuso de substâncias

ilícitas, independentemente do tipo de estudo (prospectivo ou retrospectivo) e do

sistema de avaliação do envolvimento religioso.47

Gartner et al. (1991) e Miller (1998) encontraram resultados similares e

concluíram que: há uma forte evidência de que o envolvimento religioso ou espiritual

está associado à diminuição do risco de abuso de substâncias; dependentes

químicos estão mais propensos a reportar ausência de filiação, envolvimento

religioso ou espiritual; intervenções focadas na espiritualidade e práticas religiosas

podem facilitar a recuperação.48,49


30

4.8.2 O suicídio

Durkhein (apud Mueller et al. 2001, p.1228) reportou em 1897 a relação

inversa entre o envolvimento religioso e o suicídio.3 Desde então, vários

pesquisadores constataram que o risco de suicídio entre pessoas religiosamente

envolvidas era menor que o risco entre os que não possuíam o mesmo

comprometimento religioso.50 No entanto, apesar destes achados, a maioria das

escalas atualmente utilizadas por pesquisadores e clínicos para avaliar o risco de

suicídio não incluem a religiosidade ou a espiritualidade dos pacientes.51

4.8.3 A ansiedade

O envolvimento religioso está associado a menores índices de ansiedade e

medo.3 Kaczorowski (1989) examinou a relação entre o bem estar espiritual e a

ansiedade em 114 pacientes adultos com diagnóstico recente de câncer. Os

pacientes com maior bem estar espiritual possuíam menores índices de ansiedade,

independente do sexo, idade, estado civil, tipo de câncer, participação em grupos ou

tempo de diagnóstico.52
31

4.9 A depressão

A depressão é uma doença comum, atingindo 6 a 10% da população em

algum momento de suas vidas.53 Nas comunidades de residentes idosos ela afeta

menos de 1%, porém este número aumenta para 20 a 30% em hospitais e

organizações especiais.54,55,56,57,58 A combinação da prevalência da depressão maior

e menor na idade avançada é de 8 a 15%.59 Beekman et al., em uma metanálise

realizada em 1999, encontraram uma prevalência de 13,5%.60 Outros pesquisadores

demonstram que, considerando apenas os sintomas depressivos que não

preenchem os critérios para transtorno depressivo, a porcentagem de pacientes

idosos depressivos aumenta para 35% ou mais.61

No idoso, o transtorno depressivo está associado à baixa qualidade de vida,

à difícil recuperação de doenças físicas, ao aumento da utilização dos serviços de

saúde, incluindo o prolongamento do tempo de internação hospitalar, ao déficit

cognitivo, à redução do status funcional e à mortalidade.62,63,64,65,66,67 Dentre estes

desfechos, vários pesquisadores, em estudos epidemiológicos recentes,

identificaram o declínio cognitivo e, mais especificamente, a doença de Alzheimer,

como prováveis seqüelas da depressão geriátrica.68,69,70,71

Também é importante ressaltar o impacto da depressão no idoso dentro de

seu contexto social, pois, ao contrário da crença popular de que os idosos doentes

são abandonados em instituições asilares, constatou-se que a maioria destes é

cuidada por membros da família.72 Esses passam por estresse emocional, físico e

social e possuem altas prevalências de conflitos familiares, isolamento social e

depressão.73 Este fato pode levar à diminuição da qualidade dos cuidados prestados
32

ao idoso, possibilitando agravar o quadro depressivo de ambos, idosos e

familiares.74

Tanto os pacientes quanto os médicos freqüentemente acreditam que a

angústia psicológica é uma decorrência normal do processo de envelhecimento e

falham em diferenciar a angústia existencial, tristeza e pesar da depressão

clínica.75,76

Os pacientes idosos freqüentemente possuem outros problemas que

necessitam da atenção e do tempo do médico, os quais limitam o diagnóstico da

depressão, além de haver uma preocupação de que este diagnóstico poderá causar

futura angústia.75 Além disso, alguns pacientes podem sofrer de demência, sendo

incapazes de se expressarem claramente.77

Outro fato relevante é o de que vários sinais de depressão podem ser

confundidos com os de outras doenças.78,79 Sintomas falsamente atribuídos à

depressão podem fazer com que outros diagnósticos sejam ignorados, o que pode

levar ao uso inapropriado de medicações, às quais podem resultar em efeitos

adversos e quedas.77

O diagnóstico e o tratamento adequado da depressão no idoso envolve o

reconhecimento dos seus fatores biológicos, psicológicos, sociais, ambientais e

culturais. Esses determinam a forma como o idoso se relaciona consigo e com os

outros, o que afeta a maneira como a depressão se manifesta e evolui.

Há vários fatores relacionados à ocorrência de sintomas depressivos no

idoso, incluindo a queda do estado geral relacionada às doenças crônicas e a

dependência física, além de outros fatores como a diminuição do status social após

a aposentadoria, o desemprego, os sentimentos de inutilidade pessoal, as

dificuldades financeiras, as falhas na rede de relacionamentos interpessoais e a


33

morte do cônjuge, parente ou amigos.2 Hahn et al. (2004) e Braam et al. (2000)

sugerem que a religião, dentre estes fatores, atua como um fator modulador dos

sintomas depressivos, sendo igualmente importante no diagnóstico e na evolução da

doença. 2,80

4.9.1 A religião, a espiritualidade e a depressão

A relação entre a religião e a depressão foi o foco de numerosas pesquisas

nas últimas décadas. Os achados, majoritariamente, indicam que há uma

associação inversa entre o envolvimento religioso e a depressão nos idosos de

populações predominantemente européias e norte americano.2

Bosworth et al. (2003) realizaram um estudo prospectivo sobre a relação

entre a religiosidade e a depressão, considerando fatores clínicos, em uma amostra

de 114 idosos depressivos por seis meses. Os autores constataram que os

indivíduos com aspectos religiosos positivos relatavam menores índices de sintomas

depressivos após o período de observação, independente das medidas de suporte

social e de fatores clínicos ou demográficos.81

Estes achados são consistentes com outros estudos, como o conduzido por

Koenig et al. (1998). Neste trabalho, os autores estudaram os efeitos das crenças e

atividades religiosas na remissão da depressão em 111 pacientes idosos

hospitalizados. A religiosidade intrínseca (combinação de prática religiosa com um

maior aspecto espiritual da religião) foi significativamente e independentemente

relacionada a um menor tempo de remissão.73


34

Outros pesquisadores, em estudos conduzidos em várias culturas,

encontraram resultados similares, sugerindo que a relação entre a prática religiosa e

a depressão é universal. Em um estudo conduzido em Taiwan por Hahn et al.

(2004) foram avaliados 863 indivíduos utilizando questionários adaptados para sua

realidade cultural. Os autores observaram que 24,9% dos entrevistados relataram ter

sofrido de depressão no passado, enquanto em localidades européias como Dublin

(8,3%), Liverpool (9,8%), Londres (17,5%), Berlin (15,1%), Finlândia (16,4%) a

prevalência de depressão é menor. Estes dados podem resultar de fatores culturais,

incluindo o índice de prática religiosa que era menor em Taiwan (11,5%) do que em

países europeus (31 a 88%, Braam et al., 2001), o que fornece outra explicação

para os altos índices de depressão.2,82

Em uma recente revisão, McCullough e Larson (1999) examinaram a

relação entre o envolvimento religioso e a depressão. Do total de 29 estudos

examinados, em 24 os pesquisadores observaram que as pessoas religiosamente

envolvidas possuíam menos sintomas e transtorno depressivo, enquanto nos cinco

estudos restantes não houve associação.83

Poucos pesquisadores analisaram o papel das formas negativas da

religiosidade na depressão.81 Enquanto menos comum que as formas positivas, há

indicação de que as formas negativas da religiosidade tenham um efeito deletério na

saúde.84
35

4.9.2 Limitações da literatura

A relação entre o envolvimento religioso, a espiritualidade e a depressão foi

estudada por diversos pesquisadores, gerando um número considerável de

trabalhos. No entanto, boa parte desta fonte literária apresenta resultados discutíveis

por pelo menos quatro razões:

1) A maioria dos estudos utilizou o delineamento transversal-seccional.81

Uma vez que a depressão pode afetar a maneira como um indivíduo se expressa, os

relatos podem ser distorcidos resultando em dados falsos. Logo, conclusões sobre a

casualidade neste tipo de estudo permanecem desconhecidas. 2

2) A maioria dos estudos utilizou pequenas amostras que limitam a

capacidade de conclusões.81

3) Na maioria dos estudos a depressão é avaliada através de questionários

auto-aplicáveis, enquanto poucos trabalhos o fizeram sob o enfoque de um clínico. 81

4) A falta de consenso sobre os fatores estudados. Como citado

anteriormente, os estudos apontam para diversas direções com base na definição

dos conceitos estudados.

Apesar de sobrepostos, diversos autores seguem os conceitos definidos por

Allport (1963) que descreveu a religiosidade como extrínseca (corresponde aos

rituais e práticas associadas a instituições religiosas) e intrínseca (aspecto espiritual

da religião).85 Nelson et al. (2002), em seu estudo sobre a espiritualidade, a religião e

a depressão em pacientes terminais, afirmam que o componente não espiritual da

religião (religiosidade extrínseca) pode ser menos relevante para o bem estar

psicológico que as funções espirituais e sociais das instituições religiosas. 86 No


36

entanto, apesar de muitos autores separarem teoricamente os fatores religião e

espiritualidade, usando diferentes meios de avaliação de cada, deve-se lembrar que

os indivíduos são tanto espirituais quanto religiosos, apesar de alguns tenderem

mais para um dos lados.

4.9.3 Denominação religiosa e depressão

Comparações entre populações de jovens e idosos depressivos sugerem

que os sintomas afetivos e os sentimentos de culpa tornam-se menos proeminentes

com a idade, enquanto os sintomas somáticos tornam-se mais importantes.87 Porém,

independente da idade, a cultura também influencia a expressão da depressão.80

A religião representa um importante fator cultural em que o idoso procura

apoio, sendo a denominação religiosa um fator modulador dos sintomas da

depressão. Por exemplo, a herança cristã favorece a expressão de sentimentos de

culpa, enquanto os sintomas somáticos são mais prevalentes em culturas não

ocidentais e minorias étnicas.80

Braam et al. (2000) analisaram a relação entre a denominação religiosa e o

perfil de sintomas depressivos de 2.728 idosos alemães. Os indivíduos foram

alocados em grupos de acordo com sua preferência religiosa em calvinistas,

católicos e os sem denominação religiosa. Os autores observaram que os calvinistas

depressivos reportavam menos sintomas afetivos e mais sentimentos de culpa,

sintomas cognitivos e vegetativos do que os católicos e os indivíduos sem


37

denominação religiosa. No entanto, eles também observaram que altos níveis de

sentimentos de culpa eram encontrados tanto em calvinistas quanto em católicos.80

Os sentimentos de culpa são considerados uma característica da depressão

associada a aspectos psicóticos de culpa. Este tipo de depressão é mais prevalente

em pessoas criadas em sociedades tradicionalistas, que denominam a

responsabilidade, o dever e a culpa como suas maiores tradições religiosas. Dentre

as pessoas que cresceram em uma sociedade mais moderna, os sentimentos de

culpa podem ser substituídos por outros, como o de insatisfação, onde a culpa pode

assumir um papel secundário ou simplesmente não atuar.80

Várias hipóteses foram elaboradas para explicar porque os sintomas

mentais são mais prevalentes em um grupo religioso do que em outro.22

Comparações entre várias culturas sugerem que diferentes grupos religiosos

desenvolvem diferentes expectativas sociais, as quais podem influenciar as atitudes

frente a doenças mentais, a expressões de emoções negativas e a participação em

serviços religiosos. Diversos pesquisadores reportaram uma tendência entre

católicos americanos de origem irlandesa negarem seus sentimentos, serem

impassíveis frente a problemas e a não solicitarem ajuda. Em contraste, Kennedy et

al. (1996) observaram que o judaísmo está associado a uma maior prevalência de

sintomas depressivos e que esta associação permanecia significativa mesmo após

considerado os efeitos da idade, sexo, saúde, desabilidade e do suporte social.88


38

4.9.4 A relação entre a religião e a depressão

A relação entre a religião e a depressão pode ser explicada através de dois

modelos: o modelo de estresse-vulnerabilidade e o modelo de efeito principal. O

modelo de estresse-vulnerabilidade determina que um fator protetor exerce seu

efeito somente em pessoas sobre estresse. No modelo de efeito principal, um fator

protetor exerce seu efeito independente da presença de estresse.2

Hahn et al. (2004) e Krause e Tran (1989) demonstraram que a relação

entre a prática religiosa e o estado depressivo permanecia constante, mesmo após

considerado o sexo, a educação, o estado civil, o desemprego, a renda familiar e a

presença de doenças físicas.2,89 Outros estudos, como o conduzido por Koenig et al.

(1999), também relacionavam o envolvimento religioso e a espiritualidade com

melhores desfechos clínicos, independente de outros fatores.90 Logo, a prática

religiosa, como um fator protetor, exerce seu efeito independente de outras variáveis

relacionadas ao estresse, como descrito no modelo de feito principal. 2

4.10 Mediadores associados ao envolvimento religioso e à espiritualidade

Como outros fatores que promovem a saúde, como o exercício, o

envolvimento religioso e a espiritualidade aumentam a resistência a doenças através

da interação de múltiplos mediadores benéficos.3


39

Pessoas religiosamente envolvidas são mais propensas a: adquirirem

comportamentos promotores de saúde, como dieta adequada; abandonarem

comportamentos de risco, como tabagismo; freqüentar serviços de prevenção; e a

aderirem melhor aos tratamentos propostos por seus médicos. 3 Além disso, estes

mesmos indivíduos geralmente possuem um forte sistema de suporte social, o qual

possui conhecidos benefícios para a saúde física e mental.26

No entanto, estes fatores não são responsáveis por todos os benefícios do

envolvimento religioso e da espiritualidade. Vários pesquisadores, em grandes

estudos prospectivos ajustaram seus dados com relação a estes fatores e ainda

observaram uma associação significativa entre o envolvimento religioso e a

espiritualidade com desfechos clínicos favoráveis.90

Logo, outros fatores também contribuem para os benefícios do envolvimento

religioso e da espiritualidade. Práticas religiosas e espirituais, como a meditação e a

oração, favorecem emoções positivas como a esperança, o amor, o contentamento e

o perdão e limitam as emoções negativas como a hostilidade. Por sua vez, as

emoções positivas podem levar a diminuição da atuação do ramo simpático do

sistema nervoso autonômico e do eixo hipotalâmico-pituitário-adrenal, com

conseqüente redução da liberação de hormônios ligados ao estresse, como a

norepinefrina e o cortisol. Esta resposta tem efeitos psicológicos, como a diminuição

da ansiedade e efeitos fisiológicos, como a redução da pressão sanguínea, da

freqüência cardíaca e do consumo de oxigênio, os quais podem levar a um melhor

estado de saúde.91,92

Comparados aos indivíduos não religiosos, as pessoas religiosas possuem

uma melhor função do sistema imunológico. 3 O efeito placebo é um fenômeno

comumente observado na pesquisa e prática médica. Pessoas religiosamente


40

envolvidas possuem um maior otimismo e expectativa de melhores desfechos

clínicos, beneficiando-se mais do efeito placebo.93

No entanto, nem todos os mecanismos pelos quais o envolvimento religioso

e a espiritualidade afetam a saúde são compreendidos e mais estudos são

necessários para melhor defini-los. Estes mecanismos envolvem uma complexa

interação de processos psico-sociais, comportamentais e biológicos.3

Ellison (1994, apud Hahn CY et al., 2004, p. 1149) afirma que, de modo

geral, a pesquisa sobre a religião e a depressão focou-se em duas teorias

sobrepostas para explicar a maneira como a religião exerce seu efeito na saúde

mental.2 A primeira teoria enfatiza a função da psicológica cognitiva. As pessoas

usam a religião para construir uma estrutura cognitiva de experiências de vida ou

como uma estratégia de adaptação.94 A segunda teoria enfatiza a influência da

sociologia, Durkheim (1951 apud Hahn CY et al., 2004, p. 1149) afirma que ao

fortalecer o suporte social a partir de uma rede de interações interpessoais, a religião

pode proteger o idoso contra a depressão.2 Logo, a primeira enfatiza as crenças

religiosas, enquanto a segunda a prática religiosa.

Diversos autores, como Hahn CY et al. (2004) e Idler (1987), durante seus

estudos, encontraram suporte somente para a teoria social. 2,95 A análise de suas

pesquisas não demonstrou relação entre as crenças religiosas e a ocorrência de

depressão, apesar da significativa associação entre a prática religiosa e a

depressão.

Este achado poderia sugerir que as crenças religiosas não forneceriam

proteção contra a depressão ou que essas não eram fortes o suficiente para tanto.

Nos estudos que enfocaram a espiritualidade, somente as crenças (religiosidade

intrinseca) possuíam efeito protetor contra a depressão ao passo que a simples


41

freqüência ou participação nos atos religiosos não influenciava os desfechos

clínicos. Estes resultados controversos reforçam ainda mais a necessidade de novos

estudos com amostras maiores e métodos mais fidedignos de graduação das

crenças.

Poucos pesquisadores demonstraram que o envolvimento religioso e a

espiritualidade estão associados a piores desfechos clínicos. Todavia, como

qualquer outro fator que pode afetar a saúde, como o estilo de vida, o envolvimento

religioso e a espiritualidade podem adversamente afetar um indivíduo. Por exemplo,

crenças religiosas podem afetar a saúde de uma pessoa encorajando-a a evitar ou

descontinuar regimes terapêuticos tradicionais, a não procurar assistência médica

em tempo hábil, a evitar medidas preventivas de saúde como imunização infantil e

serviço pré-natal, além de poder fomentar o abuso religioso como permitir o abuso

físico de crianças.3 Pessoas religiosas podem ter expectativas idealísticas de si

próprias, levando ao isolamento social, estresse e ansiedade, além de se alienarem

de outros que não compartilham as mesmas crenças. Finalmente, sistemas de

crenças não saudáveis podem afetar adversamente a saúde como visto no

fanatismo religioso. 3

Portanto, diversos mediadores e mecanismos estão envolvidos nesta

relação, sendo que a literatura aponta para diversas direções. Apesar destas

divergências, a associação entre o envolvimento religioso, a espiritualidade e a

saúde parece válido. Esta associação foi encontrada independente do delineamento

dos estudos (ex. prospectivo, retrospectivo) e da população estudada. Ainda mais,

as variáveis religião e espiritualidade não foram as principais ou os únicos fatores

estudados na maioria das pesquisas, o que limita possíveis erros. Além disso, vários
42

pesquisadores, em estudos recentes e bem delineados, demonstrando que esta

relação é válida mesmo depois de afastadas variáveis de confusão.90

Contudo, como em qualquer outro tema, os leitores devem ser cautelosos

ao analisarem os estudos publicados, evitando conclusões erradas. Levin (1996)

apontou questões que não são respondidas pela literatura e que podem levar a

adoção de condutas errôneas. Por exemplo, as pesquisas não mostram se as

pessoas religiosas ficam doentes ou se a doença deve-se a falta de fé religiosa.96

4.11 Implicações práticas do envolvimento religioso e da espiritualidade

Os resultados dos estudos analisados sugerem que conhecer e fornecer

suporte para a espiritualidade do paciente pode melhorar seu tratamento. De fato,

diversas organizações de saúde recomendam e requerem que as necessidades

espirituais dos pacientes sejam avaliadas na rotina médica. Esta resolução baseia-

se no resgate de uma concepção holística de que o paciente é muito mais do que

uma doença e sim um indivíduo complexo e único.3

Há razões específicas pelas quais os clínicos devem conhecer e fornecer

suporte para a espiritualidade dos pacientes:

- Os pacientes consideram sua saúde física e espiritual igualmente

importante;6

- Pesquisas sugerem que a espiritualidade dos pacientes melhora sua

qualidade de vida durante o curso de uma doença. Ela pode ser uma fonte de
43

identificação, significado, propósito, esperança, segurança e transcendência que

pode atenuar os efeitos das doenças;

- Conhecer e fomentar a espiritualidade dos pacientes pode melhorar seu

suporte social;

- A preocupação do clínico pelo aspecto espiritual do paciente pode

enriquecer a relação médico-paciente.16

Finalmente, o objetivo da medicina é curar quando possível e aliviar o

sofrimento sempre, inclusive o espiritual.3

O suporte para a espiritualidade dos pacientes deve ser visto na mesma luz

que outros fatores psico-sociais, como a discórdia familiar ou o desemprego, que

influenciam nos cuidados e desfechos das doenças. Contudo, um grande número de

barreiras impede o suporte à espiritualidade dos pacientes:

- Muitos clínicos praticam somente o modelo biomédico, no qual os

assuntos espirituais são menos relevantes;3

- Menos médicos que pacientes descrevem-se como religiosos ou procuram

orientações espirituais. Logo, a importância de fatores espirituais dos pacientes pode

ser subestimada ou irreconhecível;7

- O efeito do envolvimento religioso e da espiritualidade na saúde é

freqüentemente ignorado pelas escolas médicas;97

- Alguns pacientes, como as crianças, podem ter necessidades espirituais

complexas ou em desenvolvimento que podem desencorajar o envolvimento

clínico.98

Por fim, as preocupações espirituais dos pacientes podem ser ignoradas por

restrições no tempo ou por desconfiança na efetividade dos cuidados espirituais.99


44

4.12 Considerações éticas

Questões éticas são levantadas quando a espiritualidade dos pacientes é

incluída na prática clínica. O princípio bioético da não maleficência requer que o

clínico não influencie as crenças dos pacientes, tornando-os prosélitos. Os

resultados dos estudos revisados não justificam que um médico prescreva a adoção

de atividades religiosas.100 O profissional ético não deve fazer tais recomendações,

assim como não deve recomendar a seus pacientes que casem ou tenham filhos,

mesmo que estas atividades estejam associadas com conhecidos benefícios para a

saúde. Da mesma forma, a prática religiosa e espiritual não deve substituir

tratamentos alopáticos efetivos.21 No entanto, o médico holístico conhece e apóia a

espiritualidade de seus pacientes.

Alguns autores afirmam que assuntos espirituais e religiosos são privados e

que o médico não deveria discuti-los.100 Dentro deste contexto, outros assuntos,

como a sexualidade, também deixariam de serem avaliados. Porém, estes temas

são rotineiramente discutidos pelos médicos em virtude de seu grande efeito na

saúde, o mesmo se aplica à religião e à espiritualidade.3

O dever do médico não é julgar as atitudes privadas e comportamentos dos

pacientes e sim entender a importância desses no contexto clínico.90 Logo, os

médicos devem inquirir e apoiar as crenças e necessidades espirituais dos

pacientes, especialmente durante doenças severas ou terminais, quando essas são

mais propensas a afetar as decisões clínicas.101

Alguns autores sugerem que os médicos ignoram a espiritualidade dos

pacientes devido à falta de conhecimento ou de habilidade em lidar com a


45

adversidade religiosa dos pacientes durante a decisão da conduta terapêutica,

correndo o risco de ofendê-los no processo.100

O princípio da autonomia requer que os médicos respeitem as decisões dos

pacientes, as quais são geralmente baseadas em suas crenças religiosas e

espirituais. Além disso, independente das decisões médicas, os pacientes

espontaneamente levantam questões e preocupações espirituais com seus médicos.

Logo, é difícil para um médico ignorar ou evitar a espiritualidade de seus pacientes. 3

De fato, segundo Post et al. (2000), a falta de um apropriado cuidado espiritual pode,

em algumas situações, ser considerada uma forma de negligência. 101

4.13 A História Espiritual

De forma similar à história social, a história espiritual informa ao médico a

importância dos assuntos espirituais na vida do paciente e como esta mesma

espiritualidade poderia ser utilizada como uma fonte de força e apoio. Claro, a

avaliação da história espiritual não é necessária em cada encontro. Em pacientes

com quadros agudos, como faringites, este processo é desnecessário, além disso,

alguns pacientes, independente da severidade da doença, não desejam este tipo de

discussão. Todavia, como citado anteriormente, as pesquisas sugerem que a

maioria dos pacientes deseja este tipo de inquérito.3

Pacientes depressivos ou terminais podem estar preocupados com

questões existenciais ou espirituais, como o questionamento da fé ou a falta de

sentido e propósito na vida. Para esses, a história espiritual ajuda a discernir estas
46

preocupações, além de determinar se eles estão dispostos a intervenções

religiosas.3

Diversos formatos de questionários espirituais foram elaborados, porém de

forma geral são sugeridas perguntas como:

- Você se considera uma pessoa espiritual? Você possui uma fé religiosa? 102

- Quão importantes são suas crenças religiosas e sua espiritualidade e

como elas podem influenciar decisões sobre sua saúde?102

- Você faz parte de uma comunidade religiosa, espiritual ou outra? Se sim,

como sua comunidade o apóia?102

- Como posso ajudar suas necessidades espirituais?102

- O que ajuda você em tempos difíceis?101

- A quem você procura quando precisa de apoio?101

- Que significado esta doença tem para você?101

- Quais suas esperanças, expectativas e medos para o futuro? 101

Convém ressaltar que estas perguntas fora traduzido pelo autor deste

trabalho, não sendo ainda validadas em português.

Isoladamente, a história espiritual pode ser uma forma de cuidado espiritual.

Ela permite aos pacientes verbalizarem suas duvidas, necessidades e preocupações

espirituais, o que pode confortá-los.103

Informar aos pacientes e tornar acessível outras fontes de cuidados

espirituais também pode ser uma forma de apoio ao limitar o isolamento causado

pela doença e facilitar a recuperação. Capelães são uma importante fonte de

cuidados espirituais. Muitos centros médicos são instituições religiosas e possuem

departamentos de cuidados pastorais assistidos por capelães. Eles podem fornecer

suporte aos pacientes, na forma de aconselhamento espiritual e administrando


47

sacramentos. Ainda mais, podem, inclusive, alertar e orientar os médicos sobre os

pacientes que possuem questões espirituais mais complexas. Os departamentos de

cuidados pastorais podem ter acesso a recursos da comunidade, como

congregações locais ou grupos de apoio. Outras importantes fontes de cuidados

espirituais incluem a família, amigos, textos religiosos, artefatos, capelas

hospitalares, salas especiais devotadas à meditação e a oração.


48

5 CONCLUSÃO

O transtorno depressivo é uma doença comum na população de idosos,

estando associado à baixa qualidade de vida e a uma maior mortalidade. Logo, o

diagnóstico e o tratamento desta enfermidade devêm ser realizados de forma

adequada, o que envolve fatores psicológicos e sociais, dentre os quais a religião e

a espiritualidade exercem papéis importantes.

A maioria dos pacientes idosos possui uma vida espiritual e consideram a

saúde física e espiritual igualmente importantes. Os idosos, principalmente durante o

curso de uma enfermidade grave, podem ter importantes necessidades espirituais.

No entanto, vários pesquisadores sugerem que estas necessidades são ignoradas

pelos profissionais da saúde.

Um grande e crescente número de autores têm mostrado uma relação direta

entre o envolvimento religioso, a espiritualidade e melhores desfechos clínicos.

Ainda mais, pessoas religiosamente envolvidas aderem a comportamentos

promotores de saúde e evitam os de risco, além de possuírem uma melhor rede de

suporte social.

Todavia, estes fatores não são os únicos responsáveis por todos os

benefícios do envolvimento religioso e da espiritualidade. Provavelmente, estes

efeitos benéficos são resultados de um complexo processo comportamental,

psicológico, social e biológico que não é completamente entendido.

Identificar, conhecer e apoiar as necessidades espirituais dos pacientes são

ações que podem ser realizadas de uma maneira prática, ética e não controversa,

podendo facilitar a recuperação de doenças, especialmente o transtorno depressivo.


49

A história espiritual auxilia o médico a discernir as necessidades espirituais

dos pacientes. Além disso, este tipo de inquérito é uma forma de cuidado espiritual,

a qual permite ao paciente verbalizar suas preocupações existenciais e espirituais.

Além disso, muitas outras formas de cuidado espiritual, especialmente os capelães,

estão disponíveis ao clínico para apoiar as necessidades religiosas dos pacientes.

Portanto, os profissionais da saúde, em particular o médico, devem resgatar

uma visão holística do ser humano e começar a valorizar outros aspectos, além do

físico e mental, de maneira que entendam e atendam melhor este paciente especial

que é o idoso.
50

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