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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

CAMPUS “PROFº ALBERTO CARVALHO” - ITABAIANA


DEPARTAMENTO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÃO
DISCIPLINA: INTRODUÇÃO Á FILOSOFIA 2017/1
DOCENTE: VICTOR WLADIMIR CERQUEIRA NASCIMENTO

A DESIGUALDADE E A INVERSÃO DA ORDEM NATURAL EM


“MORTE E VIDA SEVERINA” DE JOÃO CABRAL DE MELO NETO

Igor dos Santos Bezerra

Introdução:
A intenção desse artigo é a análise de teorias que visam explicar a o “Discurso
sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens” (1755)
apresentada por Jean-Jacques Rousseau (1718-1778), que buscar explicar como nasceu a
desigualdade e quais seriam as suas consequências para a civilização. E a Inversão da
Ordem Natural fundamentando na crítica que Georges Bataille (1897-1962) faz no Livro
“A literatura e o mal” (1957) sobre a teoria de “Jules Michelet” (1798- 1874) em “O
bem, o mal, o "valor" e a vida” buscando mostra o “mal” de forma positiva.

Biografia do autor:

João Cabral de Melo Neto, nasceu no ano de 1920 no Recife. Passa a infância
nos Engenho da família, mas volta para capital jovem e logo se muda para o Rio de
Janeiro. Publicou seu primeiro livro em 1942 “Pedra do Sono” lança logo em seguida o
“Cão sem plumas” que é considerado uma obra marcante da sua poesia, anos depois
outras obras foram publicadas entre elas “O rio” e “Morte e vida severina”. Ele morou
em vários países e recebeu inúmeros prêmios importantes, foi cogitado para receber o
Prémio Nobel faleceu em 1999 aos 79 anos.

Biografia dos teóricos:

Georges Bataille nasceu em 10 de setembro de 1897 em Billou na França. Se converteu


ao catolicismo aos 17 anos. Foi um pensador acêntrico, desempenhou sua profissão em
vastos campos da literatura, trabalhou como bibliotecário na Biblioteca Nacional de Paris,
foi editor e fundou várias revistas, escreveu os seguintes livros La Part Maudit (1949),
LAbbé C (1950), O Erotismo (1957), e várias outras obras importantes, Georges Bataille
morre em paris no dia 08 de julho de 1962.

Jean-Jacques Rousseau foi filosofo, teórico político e escritor, nasceu no dia 28 de junho
de 1712 em Genebra, Suíça. Sua mãe faleceu logo após seu nascimento, foi educado por
um pastor protestante, aos 16 anos de idade foi para Savóia, Itália, mas retorna a Genebra
onde se converte ao protestantismo. Foi mais popular dos filósofos do Iluminismo. Em
1755 publicou ”Discurso Sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade Entre os
Homens” O pensamento de Rousseau influenciou as ideias da Revolução Francesa. Jean-
Jacques Rousseau faleceu em 2 de julho de 1778.

Resumo da obra analisada:

A obra Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto, foi escrita entre 1954 e 1955.
Conta a história de Severino um retirante nordestino que foge da seca e vai em direção ao
litoral em busca de melhores condições de vida. Durante seu trajeto Severino encontra
algumas situações em que há a presença da morte, a fome, a falta de oportunidades e o
desespero, que são uma série de fatores cujo a seca e o desprezo do governo e a
desigualdade social são os elementos que causam o sofrimento. A morte é abordada como
algo comum, e as profissões dependem da morte como um negócio proveitoso. O uso da
linguagem poética, ressalta a mais palpável das emoções o interminável lamento da
população nordestina.
Desigualdade Social (J.-J. Rousseau)

Na análise das obras de Rousseau e João Cabral de Melo Neto, vou comparar os
elementos filosóficos em relação a desigualdade social apresentada no livro Morte e Vida
Severina (1955), e quais as consequências dela na civilização.

Na primeira parte da obra de Rousseau a origem da Desigualdade Entre os


Homens ele abre vários pontos de observação, que nos faz refletir sobre o caminho
histórico percorrido pelo ser humano, ao passar do estado de natureza para sua forma mais
civilizada. Antes do homem acumular sabedoria, dois fundamentos alimentavam os
desejos humanos que era preservação do próprio indivíduo e sentimento de compaixão.
Esses princípios provêm de todas as normas do direito natural.

O autor defende a forma ao estado natural e faz críticas a civilização, alguns


princípios da teoria de Rousseau destaca-se o Estado da Natureza, o Amor e o Ódio e o
Contrato Social, dentro da análise da obra “A Origem e os Fundamentos da Desigualdade
Entre os Homens” (1754) dentro do contesto estudado no Estado da Natureza meditamos
sobre o humano em estado natural é um ser simples e primitivo, ele apenas precisa do
básico, o suficiente para sua sobrevivência, pois ele vive o presente onde ele presa apenas
pela preservação da sua espécie, e que não age de forma gananciosa por ser uma criatura
inocente não possui noção do “bem nem do mal” os únicos desejo seriam apenas suas
indigências corporais.

Porque só podemos desejar o temer coisas segundos as ideias que


temos delas, ou pelo simples impulso da natureza; e o homem
selvagem, privado de toda sorte de luzes, só experimenta as
paixões dessa última espécie; seus desejos não passam das suas
necessidades físicas (p.58)
Rousseau concluiu então, que o estado que o homem havia chegado poderia ser o seu
último. A ambição nasceu e originou sentimentos que não era aceitável, dessa forma
seria impossível um indivíduo que adotassem essas práticas pudesse viver em
comunidade não haveria convivência em sociedade.

A segunda parte fala como foi a transição da forma natural para a forma social, a partir
daí o homem passa a adquirir mais conhecimento aperfeiçoar as suas habilidades,
Rousseau explana uma coisa bastante importante, que foi a construção de aldeias ou
abrigos onde ele supõe que nasce aí o fato da desigualdade, a partir do momento que se
alguém toma posse ou defende algo ele gera uma dessemelhança no meio em que tal
habita.

É certo que a esse ponto já predominava a desigualdade social tendo assim que
fossem criadas regras ou leis para proteger suas propriedades, e também da ganância de
quem tinha muito, e sempre queria mais. O homem a partir disso passa a ser vaidoso,
buscar padrões de beleza, começa a dar preferência a seus gostos.

A Grande Revolução que o autor põe em aberto seria uma série de eventos que
dão início ao cultivo de terras e o trabalho com ferramentas. A partir daí ao surgimento
de políticas, governos e leis que asseguravam que o homem pudesse gozar do que ele
dizia ser seu. Rousseau é totalmente contrário ao governo opressor, pois ele presa pela
liberdade e seria inimaginável em uma sociedade absolutista.

Conclui-se que o surgimento da desigualdade acarretou vários outros fatores; a


divisão de deveres entre o homem e a mulher o surgimento do rico e do pobre o Governo
e o Estado. É preciso que houvesse uma harmonia entre os governantes e a sociedade
levando em consideração a liberdade, uma relação pacifica comunitária que garantisse a
igualdade entre os homens.

O primeiro que, tendo cercado um terreno, se lembrou de dizer: isto é, meu, e encontrou
pessoas bastante simples para acreditar, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil.
(ROUSSEAU, 1754 p.91)

COMPARAÇÃO (Morte e vida severina)

No livro Morte e vida severina a desigualdade social e um fato muito evidente e


é explicito durante toda a obra, desde o seu ponto de partida “Serra da Costela” até o seu
destino final “Recife”.

A morte de vários Severinos mostra a dificuldade que tiveram vários migrantes


ao tentar se viver em uma terra seca, cheia de ganancia dos poderosos, em um lugar que
para se ter o direito se se viver tem que driblar a morte.

A primeira morte, onde dois homens levam um defunto, um Severino, que


morreu por possuir uns hectares de terra, mostra a desigualdade entre os trabalhadores
rurais nordestino e os grandes latifundiários, e também os coronéis que buscam a todo
custo a expansão de suas propriedades, uma ganancia ampla pelo poder.
Em uma das suas paradas, Severino busca emprego, mas não acha, mostrando
como a região não há desenvolvimento, Cabral faz uma crítica voltada a falta políticas
públicas, volvidas à construção de uma melhor qualidade de vida, onde não se é respeitada
a cidadania, e as diferenças culturais.

A terceira morte, outra crítica direta a reforma agraria um tema político social,
bastante discutido na época do lançamento da obra.

É de bom tamanho, nem largo nem fundo, é a parte que te cabe neste latifúndio. (MELO
NETO, 1955 p.118)

Ao chegar em Recife Severino ouve a conversa de dois Coveiros onde eles


comparam os cemitérios em que ambos trabalham, a diferençam no pagamento e a
quantidade de pessoas entre de Santo Amaro onde se enterram os ricos, e o de Casa
Amarela onde enterram os pobres onde ali há mais trabalho, pois, a qualidade de vida é
alta e a expectativa baixa, levando a um número maior de pobres mortos, comparado aos
ricos havendo desigualdade social, até na hora da morte.

Comparando as obras de pode-se dizer que, a miséria aparente na obra de Cabral


é uma série de fatores decorrentes da desigualdade social estudada por Rousseau em 1750,
a consequência desse fato é apresentada pela pobreza, a seca, a falta de trabalho, e a
desigualdade é um dos grandes problemas da nossa atual cultura.

A LITERATURA E O MAL (Georges Bataille)

A obra A Literatura e o Mal (1957) de Georges Bataille em busca mostrar que a


literatura tem sua essência é baseada no mal podendo existir ou não caso não exista o mal,
se torna algo sensabor. Na crítica ao O Bem e o Mal o Valor e a Vida de Michelet
mencionada no livro, manifesta inicialmente duas características uma negativa e outra
positiva para explicar o sentido da vida.

É natural que o ser humano persiga dois fins, o negativo unido ao conceito do bem
e da moral, é guardar-se dos perigos, proteger a sua a vida, sempre evitar a morte. E o
outro que seria o positivo, quando se coloca a vida ao extremo, o mal como hipermoral.
(MICHELET, 1946)
COMPARAÇÃO (Morte e vida severina)

Dentro da obra de Melo Neto detecta- se as duas características citadas


anteriormente por Michelet, o fim da vida em sua forma negativa, por medo da morte
Severino resolve procurar um melhor lugar para viver, mas a negatividade, segue ele por
toda a sua caminhada, buscando a conservação da vida resolve ele se apressar para chegar
a um lugar que ele possa se sentir livre, para fugir da morte “Severa”. Ao chegar no final
de sua peregrinação o Severino já desacreditado da vida, resolve se afogar, quando a vida
ou o começo do fim aparece de forma positiva com o nascimento do filho do José, Mestre
Carpina ele vai até o Severino para explicar a ele o sentido da vida, o que induz a salvação
do Severino. Dessa forma, reportar a filosofia do mal (a morte) como força vital uma
energia pulsante. O nascimento da criança abre uma questão religiosa, o ato de Natal, que
é uma particularidade da obra de Melo Neto, aludindo ao nascimento do menino Jesus,
que, uma nova interpretação das histórias de natal, encontrada nas tradições nordestinas
e da religião, o filho de Deus levou a salvação ao mundo, o filho do José, leva a salvação
do Severino. A parti daí o retirante passa a ver a vida de forma diferente, e enxerga uma
nova saída para ele.

— Severino, retirante, deixe agora que lhe diga: eu não sei bem a
resposta da pergunta que fazia, se não vale mais saltar fora da
ponte e da vida; nem conheço essa resposta, se quer mesmo que
lhe diga é difícil defender, só com palavras, a vida, ainda mais
quando ela é esta que vê, Severina, mas se responder não pude à
pergunta que fazia, ela, a vida, a respondeu com sua presença
viva. E não há melhor resposta que o espetáculo da vida: vê-la
desfiar seu fio, que também se chama vida, ver a fábrica que ela
mesma, teimosamente, se fabrica, vê-la brotar como há pouco em
nova vida explodida; mesmo quando é assim pequena a explosão,
como a ocorrida; como a de há pouco, franzina; mesmo quando é
a explosão de uma vida Severina. (MELO NETO, 1955 p.143-
144)

Conclui-se que há uma anástrofe na ordem natural, a chegada da morte é


inevitável, ela é o inverso total do que se diz vida. Por meio dela é possível dá um sentido
bem mais grandioso e extraordinária à vida, sem a morte, viver seria completamente
tedioso. A morte completa a vida.
Essa é a melhor forma que podemos afirmar que é aí que a vida chega a seu
ponto extremo, a busca natural pela paz, o descanso, a extinção da “Vida Severa”.
BIBLIOGRAFIA

Bataille, Georges
A literatura e o mal / Georges Bataille : tradução de Suely Bastos. Porto Alegre:
L&PM Editores S/A, 1989.
Disponível em: https://ayrtonbecalle.files.wordpress.com/2015/07/bataille-g-a-
literatura-e-o-mal.pdf
Melo Neto, João Cabral de
Morte e vida Severina : e outros poemas / João Cabral de Melo Neto. – Rio de Janeiro
: Objetiva, 2009.
ROUSSEAU, Jean-Jacques,
Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens / J.-J.
Rousseau : tradução Maria Lacerda de Moura : Edição eletrônica : ed. Ridendo Castigat
Mores, 2001.
Disponível em: http://www.pgcult.ufma.br/wp-content/uploads/2017/06/Jean-Jacques-
Rousseau.pdf

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