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C APÍTULO 1

O Texto e o Contexto da Linguagem
na Escola

A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes
objetivos de aprendizagem:

33Compreender o que é língua e linguagem.

33Refletir sobre os gêneros orais e escritos na escola.

33Apresentar o conceito de gêneros discursivos: primários e secundários.

33Reconhecer a relevância da oralidade na aprendizagem das crianças, principalmente
nos primeiros anos do Ensino Fundamental.

33Identificar a escola como um lugar de construção de leitura (leitor) e de escrita (autor).

Letramentos Múltiplos na Alfabetização 10 .

estimado acadêmico. pois acreditamos que o professor do Ensino Fundamental. a leitura sob uma ótica discursiva. toda palavra comporta duas faces. de forma interativa. como também os das ciências da linguagem e demais áreas. é uma maneira bem concreta de se estabelecer a interação entre nós. por exemplo. produzimos um texto que nos une em dialogia. mas também para validar a prática docente. de língua. jogos. comentários e. Toda palavra serve de expressão a um em relação ao outro. trouxemos reflexões práticas. abordaremos os gêneros orais e escritos na escola. Ter clareza quanto à concepção de linguagem é fundamental não só para o entendimento das teorias. Poderemos refletir sobre os múltiplos letramentos na alfabetização também através de gêneros literários. como resultado. caro leitor.113) p. 1992. planejamentos e uma infinidade de possibilidades de diálogo. os autores. a participar dialogicamente deste primeiro capítulo. como pelo fato de que se dirige para alguém. a refletir teoricamente sobre sua prática docente. Ela constitui de expressão a um justamente o produto da interação do locutor e do ouvinte. Por isso. Linguagem. em relação ao outro. deve buscar não somente os conhecimentos de sua área pedagógica. p. consequentemente. Ela é Toda palavra serve determinada tanto pelo fato de que procede de alguém. ampliando nossa compreensão em torno do ensino da língua materna e da aprendizagem de modo geral. 1992. nosso interlocutor. e o ser-leitor. Sentimo-nos autoras à medida que pensamos em você. também é essencial para a prática profissional 11 .113). brincadeiras. textos e imagens da Internet. Nossa expectativa é que você aceite o convite e sinta-se desafiado. Iniciaremos nossos estudos procurando entender a concepção de linguagem presente em pesquisas e documentos norteadores das práticas de alfabetização e de letramento. Fizemos algumas escolhas teóricas. ilustrações. um Conceito Fundamental para os Múltiplos Letramentos Na realidade. a nossa concepção de linguagem e. É através dela que lemos e compreendemos o mundo e as pessoas em nossa volta. a relevância da oralidade (como um resgate da fala e da escuta). a escrita. Capítulo 1 O Texto e o Contexto da Linguagem na Escola Contextualização Queremos convidar você. A interação pode acontecer através de diferentes formas: este caderno. (BAKHTIN. à medida que lê. Considerando isso. e você. Comecemos este capítulo pensando na importância que tem a linguagem em nossas vidas. (BAKHTIN. de modo especial dos anos iniciais.

pelo qual as pessoas como a música. A linguagem é um processo comunicativo pelo qual processo comunicativo as pessoas interagem entre si. Veja que interessante: a resposta do programador não corresponde à pergunta de seu interlocutor. a fotografia. escrita e leitura.vidasuporte. Um estava se referindo à linguagem de programação e outro. o teatro e os programas de TV. escuta. falada ou escrita. a dança. atividades nas quais produzimos e atribuímos sentidos em seus diferentes usos sociais. o cinema. e não verbal. Figura 1 – Tirinha Fonte: Disponível em: <www. como as histórias em quadrinhos. mistas. por exemplo. Observando a tira abaixo.2011. à língua.com. o figurino. trazemos à tona dois conceitos: o de língua e de linguagem. a palavra. que podem reunir diferentes linguagens. Você já parou para pensar qual é a diferença entre linguagem e língua? A gramática de Cereja e Magalhães (2009) explica muito bem a diferença A linguagem é um entre linguagem e língua. Com o surgimento da era tecnológica. como o desenho. a música. aparece 12 . o cenário etc. Acesso em: 10 jun. Pode ser verbal.br>. Letramentos Múltiplos na Alfabetização e para o nosso entendimento de fala. Há ainda as linguagens interagem entre si.

aprendê-la é aprender não só as palavras. que permite armazenar e transmitir informações em meios eletrônicos. Veja a seguir um texto curioso que nos remete à relação intrínseca de uma comunidade com sua língua. pelo fato de serem faladas por menos de 500 pessoas. sons e gestos) e de leis Língua é um conjunto combinatórias por meio da qual as pessoas de uma comunidade se comunicam de sinais (grafemas. a cultura e a identidade de um povo: BRASIL DE 180 LÍNGUAS Além do português. A língua pertence a todos os membros de uma comunidade. os modos pelos quais as pessoas do seu meio social entendem e interpretam a realidade em si mesmas. R. Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa também esclarecem esses dois conceitos da seguinte maneira: A linguagem é uma forma de ação interindividual orientada para uma finalidade específica. e interagem. por sons e gestos). W. Atribui-se o desaparecimento das línguas indígenas às pressões políticas do colonizador e. a língua é um sistema de signos histórico e social que possibilita ao homem significar o mundo e a realidade. 15. 2009.. em 1500. Capítulo 1 O Texto e o Contexto da Linguagem na Escola também a linguagem digital. Fonte: CEREJA. Hoje. C. 3. Gramática reflexiva. no máximo.) Dessa perspectiva. mostrando que a língua reflete a história. 2001. Já a língua é um conjunto de sinais (grafemas. p. 110 são consideradas em extinção. 13 . (BRASIL. São Paulo: Atual. Estima-se que.T. às necessidades de sobrevivência das populações indígenas. 22. cerca de 6 milhões de índios falavam 1078 idiomas. posteriormente. Assim. Dessas línguas. um processo de interlocução que se realiza nas práticas sociais existentes nos diferentes grupos de uma sociedade. p. (. ed. nos distintos momentos da sua história. mas também os seus significados culturais e. com eles.. há no Brasil aproximadamente 180 línguas indígenas. faladas por 225 etnias. isso faz parte do patrimônio sociocultural de cada coletividade. a população indígena brasileira chega. entre 440 mil e 500 mil indivíduos. grifos nossos). MAGALHÃES.

os sujeitos têm um papel ativo: constroem-se e são construídos no texto. dos gêneros orais e escritos. bem como o adendo Gêneros do Discurso. de produção de sentidos. decifrado e entendido. considerado filósofo da linguagem. é necessário. quando a língua é concebida como estrutura. O texto é um produto do autor. é predeterminado pelo sistema e o texto é visto como simples produto de codificação e decodificação. individual. p. A teoria que fundamenta essa última concepção é do russo Mikhail Bakhtin. Linguagem como expressão do pensamento. portanto. altamente complexa. Geraldi (2004. em das palavras e as estruturas do texto. conhecer as concepções existentes. para depois adequar nossa prática pedagógica. reconhecendo o sentido das palavras e Segundo a mesma autora. de um processo de produção de sentidos. apresentado na obra Estética da Criação Verbal. dono de sua vontade. sentido ao texto. que leva em conta as experiências e os conhecimentos do leitor. ao que acreditamos ser linguagem. 2. as estruturas do texto. a língua é entendida como representação do pensamento e o sujeito. discordar ou complementar o que foi dito pelo autor. Há. O O leitor tem o leitor tem o foco no texto.41) nos apresenta três concepções ao pensar no ensino da Língua Portuguesa: 1. bem como do contexto social. É o autor que dá sentido ao texto. que vê a língua como código ou estrutura. Já na segunda concepção. Linguagem como forma de interação. cabendo ao leitor captá-lo passivamente. A leitura passa a ser uma atividade interativa. é psicológico. autor. Sugerimos a leitura do sexto capítulo de seu livro Marxismo e Filosofia da Linguagem. Segundo a autora. Koch (2006) mostra que o sujeito. 14 . interacional. leitor e texto. portanto. como vimos na terceira concepção apresentada por Geraldi (2004). 3. em sua linearidade. uma interação entre autor-texto-leitor. sujeito. de seu dizer e de suas É o autor que dá ações. Letramentos Múltiplos na Alfabetização Para termos a clareza de qual concepção de linguagem adotamos. por meio do texto. dentro de cada uma dessas concepções. Linguagem como instrumento de comunicação. nesse caso. Há uma valorização da discursividade. Koch (2006) procura explicar como entende língua. primeiramente. na primeira. por sua vez. reconhecendo o sentido foco no texto. O texto é um código que precisa ser sua linearidade. O leitor pode concordar. que trata da interação verbal. de modo coerente. Tanto um quanto o outro são interlocutores: pessoas que participam. na qual a língua é concebida como a gramática tradicional. de dialogia. se considerarmos a língua dialógica e.

1992. In M. está fundamentado na diferença. variados contextos que darão origem Conforme Sobral (2005. estamos falando em múltiplos letramentos. N. p. 4. considerando a diversidade de contextos nos quais estamos inseridos. Capítulo 1 O Texto e o Contexto da Linguagem na Escola BAKHTIN. Tradução de Paulo Bezerra. à fala e à escuta. 106). Para compreendermos o(s) múltiplos letramento(s). ed. 261-269 A leitura destes textos é fundamental. do indivíduo e do sentido. embora nenhum enunciado/discurso seja constitutivamente monológico nas duas outras acepções do conceito. o dialogismo se faz presente nas obras à diversidade de do círculo de Bakhtin de três maneiras distintas: letramentos hoje conhecidos. São as diferentes São as diferentes linguagens e os variados contextos que darão origem à diversidade de linguagens e os letramentos hoje conhecidos. o Programa de Formação Continuada de Professores dos Anos/Séries Iniciais do Ensino Fundamental (Pró-Letramento) e também este Caderno. 2003. 15 . as Propostas Curriculares Estaduais. São Paulo: Martins Fontes. considerando também o contexto. Isso se refere não somente à escrita. Marxismo e Filosofia da Linguagem.. a) como princípio geral do agir – só se age em relação de contraste com relação a outros atos de outros sujeitos: o vir-a-ser. p. que advém de “diálogos” retrospectivos e prospectivos com outros enunciados/discursos. por exemplo. São Paulo: Hucitec. Bakhtin. Estética da Criação Verbal. VOLOSHINOV.V. O princípio que rege a teoria de Bakhtin é o dialogismo. torna-se essencial adotarmos uma concepção de linguagem e de língua que nos permita olhar para além do texto. Mikhail M. lembrando que tanto a fala quanto a escuta têm grande importância na interação verbal. (1979) Os gêneros do discurso. c) como forma específica de composição de enunciados/ discursos. pois sua teoria vem sustentando academicamente muitas pesquisas e fundamentando documentos norteadores como. (1929). Mikhail M. afinal. 110-127 BAKHTIN. mas também à leitura. b) como princípio da produção dos enunciados/discursos. p. opondo-se nesse caso à forma de composição monológica. os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs).

gesticula ou escreve. mas a vida. 2011. vê ou lê. o dialogismo não rege somente a linguagem. mas de quem ouve. com/page/15/>. de natureza dialógica. A comunicação não depende só de quem fala. leitores. para Bakhtin. pelo contrário. ouvintes. todos têm um papel ativo no diálogo oral ou escrito. autores. Ninguém é sujeito passivo nestas relações. 16 . Acesso em 12 jun. qual interpretação você faz da frase ilustrada por Ceó Pontual? figura 2 – Frase ilustrada Fonte: Disponível em: <http://frasesilustradas. Atividade de Estudos: 1) Concebendo a linguagem como interação. Letramentos Múltiplos na Alfabetização Simplificando. pois considera as relações entre falantes.wordpress.

cujo 17 . Mar Mediterrâneo) foi um escritor. Lyon – 31 de julho de 1944. seu código e a consciência individual. De um ensino baseado em regras e exceções. com a publicação do livro “O Texto na Sala de Aula”. Capítulo 1 O Texto e o Contexto da Linguagem na Escola Antoine-Jean-Baptiste-Marie-Roger Foscolombe de Saint- Exupéry (29 de junho de 1900. _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ 2) Qual é a concepção de linguagem que fundamenta os Parâmetros Curriculares Nacionais? Como você entende o trabalho docente que adota essa concepção? _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ Gêneros Discursivos e Escola – que Relação é essa? Sabemos que durante muito tempo o ensino da língua tinha como objeto suas normas. Geraldi (2004) foi o precursor da ideia do texto como unidade de ensino. ilustrador e piloto da Segunda Guerra Mundial. organizado como material de apoio aos professores. terceiro filho do conde Jean Saint-Exupéry e da condessa Marie Foscolombe.

tendo como base o aporte teórico bakhtiniano. dependendo do lugar (campo de atividade humana) onde o gênero for produzido. O professor precisa ter essa clareza ao trabalhar com os gêneros na escola. ao qual Bakhtin chama de campo de atividade humana.12). apresentando um trabalho. A criança vai aprendendo na escola que os gêneros são diferentes entre si. é produzido e entendido dentro de um determinado contexto social. Isso acontece com a linguagem de um modo geral. e o texto ainda não fora tomado realmente como unidade de ensino. relacionando também a gramática ao texto. e de que é preciso usá- los com adequação. A escola é o lugar legitimado socialmente para trabalhar a passagem do uso adequado dos gêneros primários aos secundários. (ROJO. No primeiro caso. fruto do cotidiano e. científicos. pois há uma valorização dos usos sociais da leitura e da escrita. nossa fala será mais científica e formal. do real ao científico. porém se estivermos em sala de aula. estudando o uso da língua na leitura e na escrita. o que são gêneros discursivos? Para Bakhtin (2003) são os tipos relativamente estáveis de enunciado. coerência. É nesse aspecto que os gêneros orais e escritos tornam-se o foco de ensino. e sim visto como um pretexto para ensinar estrutura textual. mais elaborado. Letramentos Múltiplos na Alfabetização foco era a análise da língua e a gramática. 18 . Você deve estar se perguntando: afinal. assim a criança começa do simples ao complexo. artísticos etc. brasileiras a língua em que os gêneros discursivos passam a ser instrumentos de ensino. p. esse ensino foi assumindo um caráter mais cognitivo. passou-se ao ensino procedimental. tipologias.. Essa passou a ter uma mudança traz muitas implicações para a prática docente. terá características próprias e singulares. no segundo. 2004. 2004. estaremos empregando um gênero primário. exigindo novas dimensão mais posturas em relação “ao modo de pensar e ao modo de fazer esse ensino” discursiva. assim como defendia o autor.. nosso vocabulário é mais informal. dando espaço às práticas de letramento. por exemplo: se estamos conversando entre amigos. produzido em campos políticos.30). Na prática. havendo dois tipos: os gêneros primários e os secundários. Recentemente nas Só recentemente nas práticas escolares brasileiras a língua passou a ter práticas escolares uma dimensão mais discursiva. Cada gênero. por exemplo. seja oral ou escrito. um gênero secundário. “[..] os gêneros primários são o nível real com o que a criança é confrontada nas múltiplas práticas de linguagem” (SCHNEUWLY et al. CORDEIRO. Assim. coesão. p. Os gêneros primários servem como instrumentos para a elaboração dos gêneros secundários.

2004. produzido numa esfera ou seja. Assim a função social da receita é compreendida. 19 . • prever e elaborar. Vale necessário adequar ressaltar que é necessário adequar os gêneros às suas funções sociais. quadrinhos. devendo haver o cuidado para não distanciá-lo de sua função social. poemas. São infinitas as possibilidades do trabalho com os gêneros. começa do simples ao • escolher as atividades indispensáveis para a realização da complexo. 2004. não pode perder suas Cada gênero é características. cartazes. trava-línguas. em torno de um gênero textual de que é preciso usá- oral ou escrito” (SCHNEUWLY et al. de maneira sistemática. peças de teatro.111) Segundo os mesmos autores. devemos tomar o cuidado para que nossa decisão didática não o simplifique. o tornamos um material social diferente e. ao trazermos o gênero para a sala de aula. funções sociais. na oralidade. fábulas. parlendas. (2004) são pesquisadores que se preocupam em explicar A criança vai como é possível pensar e aplicar os gêneros orais e escritos na escola aprendendo na escola didaticamente. podendo- se optar por contos. para os casos de insucesso. e escolares organizadas. Lembremos que cada gênero é produzido numa esfera social diferente e. relatos. entrevistas. os gêneros às suas mesmo que tenhamos nossos objetivos pedagógicos em vista. do real ao continuidade da sequência. um trabalho mais profundo e intervenções diferenciadas no que diz respeito às dimensões mais problemáticas. Os gêneros primários o aluno a dominar melhor um gênero. • analisar as produções dos alunos em função dos objetivos assim a criança da sequência e das características do gênero.. p. termos os ingredientes necessários seu contexto real. científico. “Sequência didática é um conjunto de atividades diferentes entre si.. e tem a finalidade de ajudar los com adequação. receitas. ao escolhermos o gênero a ser trabalhado na escola. e aplicarmos o modo de fazer para que o produto final possa ser saboreado e compartilhado. textos literários e científicos etc.97). o ideal é primarmos pelo demasiadamente de espaço adequado: cozinha ou refeitório. poesias. (SCHNEWLY et al. Uma das possibilidades para isso é o trabalho realizado através que os gêneros são de sequências didáticas. adivinhas. Vale ressaltar que é manual de instrução. Cabe a nós propormos aos alunos situações de comunicação que oportunizem não pode perder a construção de sentidos e o domínio do gênero escolhido. quando trazido para didático. quando trazido para dentro da escola. suas características. ou do restaurante. Capítulo 1 O Texto e o Contexto da Linguagem na Escola Schneuwly et al. convites. Já na escrita é possível explorar embalagens. embora a cozinha da escola não seja a mesma da sua casa. escrever ou falar de uma maneira mais servem como adequada numa dada situação de comunicação. canções. por exemplo. instrumentos para a elaboração dos Adaptação das sequências às necessidades dos alunos exige. nem se distanciar demasiadamente de seu contexto real. p. mesmo que tenhamos nossos objetivos pedagógicos em vista. nem se distanciar Se optarmos em trabalhar uma receita culinária. da parte do professor: gêneros secundários. dentro da escola.

Esta é a mudança mais 20 . sequência didática. língua. mas o trabalho do suíço Bernard Schneuwly. porque assumimos uma concepção de linguagem como forma de interação. gêneros discursivos (orais e escritos). Utilizaremos o gênero entrevista para que você conheça um pouco mais as ideias do psicólogo suíço Bernard Schneuwly. O que seus estudos propõem de novo no ensino da língua? Bernard Schneuwly . dentre outros que ainda surgirão no decorrer dos próximos capítulos. pesquisa como a criança aprende a escrever. ENTREVISTA COM BERNARD SCHNEUWLY O psicólogo suíço Bernard Schneuwly diz que os professores precisam de material didático para trabalhar com leitura e escrita Você pode não conhecê-lo pelo nome. doutor em Ciências da Educação. principalmente para quem leciona Língua Portuguesa.Colocamos a questão da comunicação no centro do ensino da língua materna. os principais trechos da entrevista que ele concedeu à revista NOVA ESCOLA. dialogismo. Por essa razão. Desde a década de 1980. complementando o que já estudamos até agora. Isso explica o valor dos gêneros orais e escritos como instrumentos de ensino e aprendizagem. A seguir. Suas ideias sobre gêneros e tipos de discurso e linguagem oral estão nos Parâmetros Curriculares Nacionais. professor da Universidade de Genebra. a escuta. Os estudos resultaram na criação de sequências didáticas para ensino de expressão escrita e oralidade. podemos enfocar a fala. Schneuwly vem colaborando com a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo em trabalhos na área e pesquisadores da instituição estão publicando uma coleção com sequências didáticas inspiradas no modelo suíço. estamos trazendo para este Caderno conceitos de linguagem. em que o contexto social também é considerado. já deixou de ser novidade há algum tempo. Os conceitos presentes nesse material didático se difundem aos poucos no Brasil. Para tanto. a leitura e a escrita como habilidades de uma competência discursiva. Letramentos Múltiplos na Alfabetização Através do trabalho com os gêneros. o psicólogo de 49 anos. leitura. o professor dos anos iniciais deve apropriar-se de alguns conceitos e conhecimentos mais específicos da Língua Portuguesa.

As aulas de gramática devem ser dadas em função dos textos? Schneuwly . Mas há problemas gramaticais complexos que poderiam ser estudados por jovens de 16. cerca de 70% ou 80% do ensino da língua corresponde à gramática e ortografia e apenas 20% ou 30% à leitura e escrita. de maneira geral. e eu sei que aqui acontece o mesmo. Além disso. não se dá importância suficiente à questão. Por que há um peso maior em ortografia e gramática? Schneuwly . os estudantes aprendem apenas literatura. Existem livros didáticos e dicionários disponíveis. Temos trabalhado para chegar a um equilíbrio. Na Suíça. mas não tinham métodos. O fato de os professores terem pedido mudanças foi muito importante. em congressos. de escrever textos. Capítulo 1 O Texto e o Contexto da Linguagem na Escola significativa: dar às crianças mais possibilidades de ler. depois do ensino elementar.Sim. Era sinal de que eles estavam prontos para adaptar-se. 18 anos.Em meu país. 21 . que precisavam lecionar comunicação.É essencial ensinar as crianças a ler e a produzir textos. Quando começam a estudar elas têm de realizar essas tarefas e. É o trabalho que o senhor vem desenvolvendo na Suíça? Schneuwly . 17. Ao mesmo tempo os docentes diziam.Porque é mais fácil dar aulas sobre esses dois temas. Mais do que se tivesse havido uma imposição. de aprender gramática e ortografia em função da comunicação. acho que há gramática demais nas séries iniciais e de menos nas finais. muitos educadores não sabem o que fazer no momento de trabalhar leitura e escrita. Há ainda uma outra maneira. mais forte na Suíça: pedir que os estudantes escrevam sentenças que depois são usadas para análise e aprendizado. Em 1990 houve uma demanda oficial do governo para que o grupo de pesquisa do qual faço parte criasse um material que ajudasse a ensinar expressão escrita e oralidade. No entanto. Quanto tempo da aula deve-se dedicar à gramática? Schneuwly . É possível fazer isso analisando sentenças complexas extraídas dos próprios textos. Eles precisam de material para isso. Isso não significa deixar de dar também um pouco de gramática à parte.

Por outro lado. Recursos como esses conseguem mudar o trabalho do docente? Ou ele precisa de mais formação? Schneuwly . se formular as questões espontaneamente. por exemplo.A criança entra em contato com vários gêneros de texto que serão vistos novamente no futuro. conseguirá melhor resultado. outro para 5ª e 6ª e o último para 7ª . Um é a formação inicial. escrita para que ele possa usá-la sem dificuldade. Um destinado para 1ª e 2ª séries. histórias de aventuras. Há dois pontos envolvidos. São cerca de 40 sequências didáticas para diferentes tipos de texto: científico. A consulta será feita só se houver problemas. no verso. ela está no 4º ano. a capacitação pode se dar na teoria e na prática. entre outros. que são numerosos. mas aprende que. e não apenas emendar uma questão da lista na outra. há a necessidade de formar aqueles que já estão na ativa. A nova geração tem uma educação melhor e consegue trabalhar da maneira que propomos com mais facilidade. Na primeira vez que estuda entrevista. Em todos eles há uma apostila que deve ser usada pelo aluno e outra pelo professor. Letramentos Múltiplos na Alfabetização Como é o material? Schneuwly . com apenas um dia de treinamento. As crianças a desenvolvem ao fazer uma entrevista. Nessa fase.Esse é um problema importante e sua solução deve levar um longo tempo. Ela prepara o questionário. Uma folha pode ser levada com a relação de perguntas de um lado e. palavras-chave. um para 3ª e 4ª. ficção científica. Outra dica é perguntar algo sobre o que o entrevistado acabou de falar. 22 . Com o material em mãos.São quatro volumes. por exemplo.Sim. A oralidade também é trabalhada? Schneuwly . conhece técnicas simples e vai entrevistar um funcionário do colégio. Como as sequências são usadas? Schneuwly . 8ª e 9ª. crítica literária. participar de um debate ou expor um tema para uma plateia.