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DISCIPLINA/UNIDADE DE FORMAÇÃO: PORTUGUÊS

Prof. Adelaide da Cruz Ano letivo 2016/2017


12º Ano –
MÓDULO/SUBUNIDADE DE FORMAÇÃO:
Data:_______________________

Teste diagnóstico
Turma:
Nome: A professora: Nota:_______________________

GRUPO I

A
Lê o poema seguinte:

AS PALAVRAS
São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
5 Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.


Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
10 as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
15 E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem


as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
20 nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade

Apresenta, de forma clara e bem estruturada, as tuas respostas aos itens que se seguem.

1. Interpreta o sentido da primeira estrofe.


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2. Identifica um recurso estilístico presente no poema, citando um exemplo do texto e referindo a sua
expressividade.
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3. Relaciona o conteúdo da última estrofe com as reflexões apresentadas nas três estrofes anteriores.
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Lê atentamente o texto que se segue e responde às questões. Se necessário, consulta o


vocabulário:

MARIA – “Menina e moça me levaram de casa de meu pai”1 é o princípio daquele livro tão
bonito que minha mãe diz que não entende; entendo-o eu. Mas aqui não há menina nem
moça; e vós, senhor Telmo Pais, meu fiel escudeiro, “faredes o que mandado vos é”. E não
me repliques, que então altercamos2, faz-se bulha, e acorda minha mãe, que é o que eu não
5 quero. Coitada! Há oito dias que aqui estamos nesta casa, e é a primeira noite que dorme
com sossego. Aquele palácio a arder, aquele povo a gritar, o rebate dos sinos, aquela cena
toda... oh! Tão grandiosa e sublime, que a mim me encheu de maravilha, que foi um
espetáculo como nunca vi outro de igual majestade!... À minha pobre mãe aterrou-a, não se
lhe tira dos olhos: vai a fechá-los para dormir e diz que vê aquelas chamas enoveladas em
10 fumo a rodear-lhe a casa, a crescer para o ar, e a devorar tudo com fúria infernal... O retrato
de meu pai, aquele do quarto de lavor tão seu favorito, em que ele estava tão gentil-homem3,
vestido de Cavaleiro de Malta4 com a sua cruz branca no peito, – aquele retrato, não se pode
consolar de que lho não salvassem, que se queimasse ali. Vês tu? Ela que não cria em
agouros, que sempre me estava a repreender pelas minhas cismas, agora não lhe sai da
15 cabeça que a perda do retrato é prognóstico fatal de outra perda maior que está perto, de
alguma desgraça inesperada, mas certa, que a tem de separar de meu pai. E eu agora é que
faço de forte e assisada, que zombo de agouros e de sinas... para a animar, coitada!... que
aqui entre nós, Telmo, nunca tive tanta fé neles. Creio, oh! se creio! que são avisos que Deus
nos manda para nos preparar. E há... oh! há grande desgraça a cair sobre meu pai... decerto,
20 e sobre minha mãe também, que é o mesmo.
TELMO (Disfarçando o terror de que está tomado) – Não digais isso... Deus há de fazê-lo por
melhor, que lho merecem ambos. (Cobrando ânimo e exaltando-se) Vosso pai, D. Maria, é
um português às direitas. Eu sempre o tive em boa conta; mas agora, depois que lhe vi fazer
aquela ação, – que o vi, com aquela alma de português velho5, deitar as mãos às tochas e

1 Com estas palavras inicia uma novela sentimental de Bernardim Ribeiro (séc. XVI). Nela são relatados os amores
infelizes de dois jovens e também nela se observam vários enigmas.
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discutimos.
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Fidalgo.
4
A Ordem de Malta só admitia cavaleiros da mais distinta fidalguia, o que confirma a estirpe social de Manuel de Sousa.
5
Português de antigamente.
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25 lançar ele mesmo o fogo à sua própria casa, queimar e destruir numa hora tanto do seu
haver, tanta coisa do seu gosto, para dar um exemplo de liberdade, uma lição tremenda a
estes nossos tiranos... Oh, minha querida filha, aquilo é um homem! A minha vida, que ele
queira, é sua. E a minha pena, toda a minha pena é que o não conheci, que o não estimei
sempre no que ele valia.
MARIA (Com lágrimas nos olhos e tomando-lhe as mãos) – Meu Telmo, meu bom Telmo!...
É uma glória ser filha de tal pai: não é? Dize.
TELMO – Sim, é. Deus o defenda!
Almeida Garrett, Frei Luís de Sousa

1. Nas suas palavras, Maria deixa transparecer sentimentos diferentes dos da sua mãe em
relação ao incêndio do palácio onde ambas habitavam. Justifica esta afirmação.
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2. Telmo confessa ter ocorrido nele determinada mudança relativamente ao modo como
considerava Manuel de Sousa Coutinho. Explicita a natureza dessa alteração.
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GRUPO II

Lê o texto seguinte. Em caso de necessidade consulta o glossário apresentado.

AS PALAVRAS QUE SÓ ELES ENTENDEM

Se alguma vez um polícia lhe disser que cometeu uma contraordenação e o vai autuar,
não se assuste com as palavras caras, mas entenda que violou uma regra de trânsito e está
prestes a ser multado. E se um médico lhe perguntar se tem cefaleias, o que ele quer saber é
se tem dores de cabeça. Pior é se administração da sua empresa mencionar a palavra
5 downsizing. Nesse caso, leve o assunto a sério. Provavelmente, vai haver despedimentos.
Vários grupos profissionais têm aquilo a que a linguística chama socioletos: códigos de
linguagem próprios partilhados por um grupo etário, social ou laboral. “Isso permite que as
pessoas desse núcleo se entendam melhor e pode ser também uma forma de um profissional
10 se afirmar entre os seus pares ”, explica o professor universitário Eduardo Prado Coelho. O
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pior é quando estes profissionais falam para uma plateia de leigos. Nessa altura,
compreender o que dizem os protagonistas do futebol, da política, do direito, da economia, do
marketing ou da medicina pode ser um quebra-cabeças. Nalguns casos, a mensagem é
confusa até para os próprios elementos desse grupo.
15 A maioria dos inquiridos (54%) de uma sondagem realizada […] pela empresa
britânica YouGov considera que a linguagem técnica é um problema até no local de trabalho.
Das 2900 pessoas que participaram na pesquisa, 39% dizem que este tipo de vocabulário

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parceiros de profissão, área, formação.
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reduz o nível de confiança em quem as utiliza. E 18% dos interrogados veem o recurso a
20 estas palavras como uma forma de tentar esconder alguma coisa.
Essa é, aliás, uma das teses defendidas pelos autores do livro Why Business People
Speak Like Idiots (Porque é que os homens de negócios falam como idiotas). De acordo com
eles, frases complicadas são muitas vezes utilizadas para disfarçar fraudes ou
comportamentos negligentes7. […]
Mas a utilização de frases pomposas8 nem sempre tem um objetivo tão negro. Podem
ser usadas apenas para dar a um pequeno avanço de uma empresa a dimensão empolada
de uma grande conquista do mercado. Nesta matéria, há palavras que dão para tudo. […]
Rita Garcia, in Sábado, 16 de agosto de 2007 (adap. e com supressões)

1. Para responder a cada um dos itens 1.1. a 1.7., seleciona a única opção que permite obter uma
afirmação correta.

1.1. O uso por parte de alguns grupos profissionais entre si daquilo a que a linguística chama
“socioletos” (linha 6) tem por objetivo
(A) fazer com que sejam facilmente entendidos pelo púbico geral.
(B) levá-los a afirmarem-se perante os outros e a compreenderem-se melhor.
(C) permitir-lhes arranjar par com mais facilidade.
(D) impedir que os leigos os percebam.

1.2. Na sondagem referida no texto, a maioria dos entrevistados considera que


(A) o uso da linguagem técnica pode não ser aconselhável nem no local de trabalho.
(B) a linguagem técnica descredibiliza quem recorre a ela.
(C) o uso da linguagem técnica só é aconselhável no local de trabalho.
(D) a linguagem técnica é sempre utilizada para esconder algum problema.

1.3. Relativamente ao raciocínio desenvolvido nos parágrafos anteriores, o último parágrafo


anuncia
(A) uma consequência.
(B) uma ideia equivalente.
(C) um outro ponto de vista.
(D) uma explicação.

1.4. No contexto em que ocorrem, as expressões “Isso” (linha 7) e “eles” (linha 18) contribuem
para a coesão
(A) interfrásica.
(B) temporo-aspetual.
(C) lexical.
(D) referencial.

1.5. Na frase “Provavelmente vai haver despedimentos.” (linhas 4-5), a primeira palavra
desempenha a função sintática de
(A) modificador do grupo verbal.
(B) modificador de frase.
(C) modificador do nome.

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desleixados; pouco cuidadosos.
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aparatosas; que chamam muito a atenção pela sua aparente grandiosidade.

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(D) complemento oblíquo.

1.6. A palavra “até” (linha 12) é um advérbio


(A) de tempo.
(B) conectivo.
(C) de inclusão.
(D) de predicado.

1.7. Na frase “Das 2900 pessoas que participaram na pesquisa, 39% dizem que este tipo de
vocabulário reduz o nível de confiança em quem as utiliza.” (linhas 14-15),
(A) o primeiro “que” introduz uma oração subordinada adjetiva relativa e o segundo, uma oração
subordinada substantiva completiva.
(B) o primeiro “que” introduz uma oração subordinada substantiva completiva e o segundo, uma
oração subordinada adverbial consecutiva.
(C) os dois “que” introduzem orações subordinadas adjetivas.
(D) as palavras destacadas pertencem à mesma classe.

2. Responde de forma correta aos itens apresentados.


2.1. Indica a função sintática desempenhada pelo pronome “o” (linha 1).
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2.2. Refere a classe a que pertence a palavra “melhor” (linha 8).
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2.3. Identifica o sujeito do complexo verbal “pode ser” (linha 11).
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GRUPO III

A corrupção é um tema muito atual.


Num texto bem estruturado, entre 180 e 240 palavras, disserta sobre a corrupção, a falta de
valores éticos e morais na sociedade atual e as suas consequências.
Fundamenta o teu ponto de vista recorrendo, no mínimo, a dois argumentos e ilustra cada um
deles com, pelo menos, um exemplo significativo.

Observações:
1. Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência delimitada por espaços em branco,
mesmo quando esta integre elementos ligados por hífen (ex.: /dir-se-ia/). Qualquer número conta como uma única
palavra, independentemente dos algarismos que o constituam (ex.: /2014/).
2. Um desvio dos limites de extensão indicados implica uma desvalorização parcial (até 5 pontos) do texto produzido;
− um texto com extensão inferior a oitenta palavras é classificado com zero pontos.

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COTAÇÕES:

GRUPO I- 100 pontos GRUPO II- 50 pontos GRUPO III


50 pontos
1. 2. 3. 4. B. 1 a 10
5 cada 50
20 20 20 20 20 ETD-30
(C12+F8) (C12+F8) (C12+F8) (C12+F8) (C12+F8) CL-20

BOM TRABALHO!!!!!!!!!!!

A PROFESSORA

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