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Capítulo 16

TRANSFORMADOR DE ATERRAMENTO

1. OBJETIVO

Este capítulo se destina apresentar os transformadores de aterramento


nos sistemas elétricos, detalhando suas funções, alguns aspectos construtivos
e especificação.
Neste capitulo serão também apresentados um conjunto de exemplos
que permitem dimensionar e especificar transformadores de aterramento, bem
como a avaliar a superação desses equipamentos com o crescimento dos sis-
temas elétricos.

2. INTRODUÇÃO

Como foi visto no Capítulo 15, o aterramento num sistema elétrico


permite:

 A circulação de significativas correntes de curto circuito originárias


de faltas envolvendo a terra possibilita a identificação de faltas
nos sistemas elétricos pela sensibilização dos relés de proteção,

 Coordenar os diferentes relés que constituem a proteção do


sistema elétrico fazendo com que a proteção atue de forma
adequada, rápida e seletiva, retirando de operação apenas o
trecho onde ocorreu a falta.

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Capítulo 16 – Transformadores de Aterramento

 Usar a terra como retorno de corrente,

 Proporcionar um caminho para escoar as elevadas correntes


produzidas pelas descargas atmosféricas,

 Escoar as cargas estáticas produzidas nas carcaças dos


equipamentos,

 Manter os potenciais produzidos pela corrente de falta dentro dos


limites de segurança de modo a não causar choques elétricos,
proporcionando um maior grau de segurança para pessoal e
equipamentos,

 Limitar as sobretensões temporárias surgidas nas fases sadias


durante o deslocamento do neutro provocado por faltas para a
terra,

 Limitar sobretensões de manobra surgidas no sistema elétrico


devido a chaveamentos.

Uma análise dessas funções evidencia os inconvenientes de operar


trechos de um sistema elétrico onde não existe ligação a terra, sendo muito
complexa a identificação de faltas envolvendo a terra e a própria operação
desses trechos.
Os transformadores de aterramento ou de terra (TT) são empregados
nos sistemas elétricos com a finalidade de fornecer uma ligação a terra nos
trechos de um sistema elétrico onde essa ligação não existe. Para ilustrar essa
função, considere o sistema elétrico que está mostrado na Figura 1, onde o
transformador de terra que está colocado na barra de 69 kV da subestação de
transmissão constitui o único ponto de aterramento.
Nos trechos de 69 KV do sistema elétrico existente no Nordeste do
Brasil, a utilização da conexão em triângulo ou delta nos transformadores nes-

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Capítulo 16 – Transformadores de Aterramento

se nível de tensão é muito usual, resultando assim numa ausência de ligação a


terra. Para minimizar os inconvenientes associados a não possuir uma ligação
a terra são empregados com muita freqüência os transformadores de aterra-
mento.
BARRA 13,8 KV

BARRA 69 KV
BARRA 69 KV T2
LT1
T1

SISTEMA ELÉTRICO
EM 230 KV

TRAFO
DE
TERRA

LT2 T3

BARRA 69 KV

BARRA 13,8 KV
Figura 1 - Sistema Elétrico em 69 kV

Outro aspecto relevante relacionado aos sistemas elétricos isolados é


que sobretensões transitórias de elevada intensidade podem surgir quando se
efetua manobra no trecho do sistema elétrico em que ocorreu o defeito fase
terra. (Figura 2).
Sobretensões T ransitórias nas fases b e c
T1 D2

Sistema
Elétrico D1

Falta para terra no ponto P na fase a


Figura 2 - Sobretensões transitórias durante abertura de falta para terra

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Capítulo 16 – Transformadores de Aterramento

3. TIPOS DE TRANSFORMADORES DE TERRA

Os dois tipos de transformadores de aterramento (também conhecidos


por: transformadores de terra ou reatores de aterramento) usualmente encon-
trados nos sistemas elétricos são:

 Transformadores de aterramento em ligação estrela-delta;

 Transformadores de aterramento em ligação zig-zag;

Para o caso dos transformadores de terra com ligação estrela-delta, na


ocorrência de uma falta a corrente de seqüência zero circula pelo enrolamento
em estrela e induz corrente de seqüência zero no enrolamento delta que com-
pensa os ampére-espiras iguais nas três fases. Caso os ampére-espiras não
fossem compensados o fluxo de seqüência zero circularia por um caminho dife-
rente do de seqüência positiva, no caso de um trafo de terra núcleo envolvido,
esse fluxo circularia por fora do núcleo pelo tanque reduzindo significativamen-
te o valor de sua impedância durante a falta.

Figura 3 – Correntes de seqüência zero nos trafos de terra estrela-delta

No caso dos transformadores de terra com ligação zig-zag não há ne-


cessidade do enrolamento secundário, pois a própria ligação compensa os am-

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Capítulo 16 – Transformadores de Aterramento

pére-espiras de seqüência zero nas diferentes seções do próprio enrolamento


primário. Essas unidades são denominadas de autotransformadores com rela-
ção de 1:1.

Io

Io

2Io

3Io

Io Io Io

Io Io Io

3Io

Figura 4 - Correntes de seqüência zero nos trafos de terra em zig-zag

A tensão a que cada seção do enrolamento fica submetida é 1/ 3 da


tensão normal fase terra do sistema ou 1/3 da tensão normal entre fases. Na
ocorrência de um defeito monofásico circularão através do transformador de
terra em zig-zag, correntes de seqüência zero. Sendo iguais em fase, essas
correntes fluirão em direções opostas nos enrolamentos primários e secundá-
rios correspondentes e por conseguinte do ponto de vista de força magnetomo-
triz se anulam.

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Capítulo 16 – Transformadores de Aterramento

4. OPERAÇÃO DOS TRANSFORMADORES DE ATERRAMENTO

Como foi descrito anteriormente o transformador de aterramento ou de


terra é usado em sistemas que sejam não aterrados ou sistemas insuficiente-
mente aterrados. Nesses trechos de sistemas elétricos, o transformador de
aterramento é empregado para produzir um ponto de aterramento de neutro
artificial criando o que se costuma denominar uma referencia de terra. O trans-
formador de aterramento ou de terra é projetado para oferecer uma elevada
impedância à passagem das correntes de seqüência positiva e negativa e uma
reduzida impedância à passagem das correntes de seqüência zero.

TRAFO
DE
TERRA

Figura 5 – Forma de conexão do trafo de terra ao sistema elétrico

O transformador de aterramento é conectado em paralelo com o ponto


do trecho do sistema elétrico em que é necessário se aterrar (Figura 5). Em
regime permanente, os sistemas elétricos operam com tensões e correntes de
seqüência positiva, nessas condições o transformador de aterramento é visto
como um transformador em vazio proporcionando uma elevada impedância de
magnetização. Portanto, quando o sistema elétrico opera com tensões e cor-
rentes de seqüência positiva o transformador de terra opera como um trans-
formador trifásico em vazio, cuja corrente que circula por ele em regime per-
manente é da ordem de alguns poucos da sua corrente nominal.

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Capítulo 16 – Transformadores de Aterramento

Figura 6 – Circuito equivalente do trafo de terra

Como pode ser visto na Figura 6, considerando EF a tensão de fase, U


a tensão de linha; ZTT a impedância do transformador de terra; Xm a reatância
de magnetização e Xl a reatância de dispersão desse trafo, temos que sua im-
pedância sem a existência de falta para a terra no sistema elétrico é dada por:

 X 
Z TT  j X m  l   jX m
 2 

Para um transformador de terra cuja corrente de excitação seja da or-


dem de 5%, Xm a reatância de magnetização é da ordem de:

1 1
Zm    20 pu
I m 0,05

Ocorrendo um curto circuito entre fase e terra, a impedância do trans-


formador de terra fica praticamente reduzida à sua reatância de dispersão Xl
pois a circulação de correntes para a terra faz com que circulem correntes de
seqüência zero (que é a mesma em todas as fases). Essas correntes de se-
qüência zero induzem correntes de seqüência zero no triângulo que para o de
transformador de aterramento do tipo (estrela-triângulo). Nessas condições a
impedância vista pelo sistema elétrico é praticamente a impedância de disper-
são.

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Capítulo 16 – Transformadores de Aterramento

 X 
X Xm . l 
Z TT  j l  2   jX l
 2 X 
 Xm  l 
 2 

Figura 7 – Operação do trafo de terra durante falta para terra

5. CARACTERÍSTICAS NOMINAIS DOS TRANSFORMADORES


DE TERRA

Para a correta especificação do transformador de terra a ser instalado


num dado ponto do sistema elétrico devem ser seguidas as seguintes caracte-
rísticas nominais:

 Tensão Nominal: é a tensão nominal fase-fase do ponto do


sistema elétrico onde o trafo de terra será instalado.

 Potência Nominal de Curta Duração: é a potência obtida


calculando o produto do valor eficaz da corrente simétrica máxima
de falta para a terra no ponto a ser instalado o trafo de terra pela
tensão nominal fase-neutro num dado tempo especificado (tempo
nominal). Como o transformador de terra apenas opera
plenamente nas faltas para a terra, ele é um transformador de
regime de curta duração, logo, suas dimensões físicas podem ser

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Capítulo 16 – Transformadores de Aterramento

significativamente reduzidas em comparação com


transformadores para regime contínuo.

PNOMCD  VNOMFT .I CCTMAX  3.VNOMFT .I 0

 Tempo Nominal: é o período de tempo durante o qual o trafo de


terra ou reator poderá ser submetido a um defeito para terra sem
que a elevação de temperatura resultante da circulação da
corrente de defeito, ultrapasse o valor nominal especificado. A
esse tempo especificado está relacionada a potência do
transformador de aterramento de curta duração. O tempo nominal
é usualmente padronizado em um minuto, embora outros tempos
também possam ser definidos ou especificados como: 10s, 2, 3, 4
e 5 minutos, dependendo dos esforços impostos aos mesmos.

 Elevação de Temperatura: é a elevação de temperatura nos


transformadores de aterramento acima da temperatura do
ambiente, que não deverá ser ultrapassada para a potência de
curta duração e tempo nominais especificados. Durante a
ocorrência de defeito para terra, a elevação de temperatura varia
em uma faixa entre 1250C e 2200C sobre a temperatura ambiente
dependendo do tempo da eliminação da falta e do tipo de
aplicação desses transformadores.

 Corrente Máxima no Neutro: é o valor da corrente que o trafo de


terra ou reator deverá ser capaz de conduzir quando ocorre um
defeito para a terra em seus terminais, admitindo-se que a tensão
nominal é mantida nesses terminais.

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Capítulo 16 – Transformadores de Aterramento

IMAXN  3.I OMAX

 Potência Nominal de Regime Contínuo: é o valor do


transformador equivalente de dois enrolamentos que operando
em regime contínuo estaria submetido a uma elevação de
temperatura de 550C.

A determinação da mínima Potência Nominal em Regime Contínuo


(PNOMRC) requerida para um transformador de aterramento de forma a que ele
possa conduzir num tempo nominal sua Potência Nominal de Curta Duração
(PNOMTT) é realizada a partir de dados de projeto que usualmente estão tabela-
dos a partir de um fator K. No caso de transformadores de aterramento trifási-
cos, a potência com potência PNOMTT durante um tempo nominal especificado é
dado pela equação a seguir onde K3 é obtido na Tabela 1:

PNOMRC  K 3 .PNOMTT

Tabela 1 – Fator K3 para transformadores trifásicos de aterramento


TRAFO TRAFO TRIFÁSICO ZIG-ZAG
TEMPO TRIFÄSICO 2,4 a 23 a
46 kV 69 kV 72 KV
Y/∆ 13,8 kV 34,5 kV
10 seg. ....... 0,064 0,076 0,080 0,085 0,092
1 min. 0,170 0,104 0,110 0,113 0,118 0,122
2 min. 0,240 0,139 0,153 0,160 0,167 0,174
3 min. 0,295 0,170 0,187 0,196 0,204 0,212
4 min. 0,340 0,196 0,216 0,225 0,235 0,245
5 min. 0,380 0,220 0,242 0,253 0,264 0,275

Para banco de transformadores monofásicos a potência nominal em


regime contínuo requerida para um banco de transformadores de terra monofá-
sicos (PNOMRC) com potência PNOMTT durante um tempo especificado é dado
pela equação apresentada a seguir onde K1 é obtido na Tabela 2:

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Capítulo 16 – Transformadores de Aterramento

PNOMRC  3.K 1 .PNOMTT

Tabela 2 – Fator K1 para banco de transformadores de aterramento


BANCO TRIFÄSICO OU
BANCO
TRANSFORMADORES MONOFÁSICOS
TEMPO TRIFÁSICO
2,4 a 23 a
Y/∆ 46 kV 69 kV 72 KV
13,8 kV 34,5 kV
1 min. 0,057 0,033 0,037 0,040 0,043 0,046
2 min. 0,080 0,046 0,051 0,055 0,060 0,064
3 min. 0,098 0,057 0,064 0,068 0,074 0,080
4 min. 0,113 0,065 0,073 0,078 0,084 0,091
5 min. 0,127 0,073 0,082 0,088 0,095 0,102

Para ilustrar a redução de dimensões de um transformador de terra em


relação a um transformador de regime contínuo, pode-se afirmar que um trans-
formador de terra para regime de 10 segundos, tem potência física ou equiva-
lente a de um transformador para regime contínuo de cerca de 10% da sua po-
tência nominal. Portanto, os transformadores aterramento tem sempre tamanho
e custo menor que um transformador de potência regime contínuo de mesma
potência.

 Impedãncia de Sequencia Zero Nominal por Fase: é a


impedância, usualmente expressa em ohms por fase que o
transformador de aterramento apresenta para a circulação das
correntes de sequencia zero.

A definição da impedância de seqüência zero do transformador de ater-


ramento requerida está relacionada a sobretensão máxima que ocorrer nas
fases sãs ou sadias durante ocorrência de faltas para terra nesse trecho do
sistema elétrico. Para um sistema efetivamente aterrado, a sobretensão nas
fases sadias ou sãs para uma falta fase-terra, deverá ser inferior a 140% que é
a máxima sobretensão temporária. Esta sobretensão é função da relação entre
as impedâncias de sequencia positiva e zero em módulo e em fase (ângulo de
defasamento entre a impedância de seqüência positiva e zero). Para uma falta

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Capítulo 16 – Transformadores de Aterramento

entre duas fases e a terra, a sobretensão na fase sã não é afetada pelo defa-
samento angular entre impedâncias de seqüência positiva e zero, a menos que
esse defasamento seja bastante grande.
Em algumas concessionárias de energia elétrica é adotado como crité-
rio manter a relação X0/X1 numa faixa entre 3 e 10. Para esses limites, as so-
bretensões podem variar numa faixa entre 25% e 52% acima da tensão nomi-
nal nas fases sadias.
A impedância de seqüência zero de cada transformador monofásico de
um banco de transformadores delta/estrela solidamente aterrado é igual à im-
pedância de seqüência positiva do banco.
No caso dos transformadores trifásicos de aterramento delta/estrela,
normalmente a impedância de sequencia zero é inferior a impedância de se-
quencia positiva, variando conforme o tipo construtivo. Usualmente o valor típi-
co da impedãncia de sequencia zero para transformadores de aterramento do
tipo núcleo envolvido é de 0,85% da impedãncia de sequencia positiva e a va-
riação desse valor em função dos projetos de construção é mínimo. Nos trans-
formadores zig-zag, a reatância é aproximadamente 2/3 da reatância dos trans-
formadores delta/estrela.

 Os transformadores tipo zig-zag são normalmente 58% menores


que os transformadores deita/estrela de mesma potência. É
utilizado o termo "kVA partes" para representar uma aproximação
entre o tamanho físico e peso entre transformadores zig-zag e
deita/estrela. Os "kVA partes" podem ser usados para fins
comparativos entre os transformadores de aterramento. Os "kVA
partes" são obtidos através de curvas específicas fornecidas por
fabricantes como as mostradas na Figura 9.

A Figura 8 apresenta a placa de um transformador de aterramento em


ligação zig-zag com tensão nominal de 69 kV e potência nominal de 119 MVA
durante 10 segundos.

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Capítulo 16 – Transformadores de Aterramento

Figura 8 - Placa de Identificação de transformador de terra

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Capítulo 16 – Transformadores de Aterramento

Figura 9 – Percentual da carga de curta duração

6. ESPECIFICAÇÃO DE TRANSFORMADORES DE ATERRA-


MENTO

A especificação de um transformador de aterramento para um dado


ponto de um sistema elétrico é realizada a partir do seguinte procedimento:

 Obtenção da impedância de sequencia zero requerida a partir do


tipo de aterramento desejado (efetivamente aterrado ou aterrado
através de resitência ou reatância) para o trecho do sistema
elétrico a partir das relações R0/R1 e X0/X1, ou da máxima
sobretensão nas fases sadias durante faltas para a terra nesse
ponto do sistema elétrico.

 Cálculo da corrente de curto máxima para a terra no ponto do


sistema elétrico onde será instalado o transformador de
aterramento.

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Capítulo 16 – Transformadores de Aterramento

 Cálculo da potência nominal de regime de curta duração do


transformador de aterramento relacionada ao tempo padronizado
de 10 segundos (ou 1 minuto).

 Obtenção com o auxílio da Tabela 1 para transformadores


trifásicos e da Tabela 2 para banco de transformadores
monofásicos a potência nominal em regime contínuo para o
transformador de aterramento.

 A tensão nominal do transformador de aterramento é a tensão


nominal do trecho do sistema elétrico onde está instalado.

 O nível de isolamento ( tensão suportável na frequencia industrial


e a tensão suportável a impulso atmosférico - NBI) é definido de
acordo com os níveis normalizados. É importante salientar que as
máximas sobretensões determinadas para o trecho do sistema
elétrico onde o transformador de aterramento será instalado
devem ser inferiores as tensões suportáveis por uma determinada
margem de segurança.

Para ilustrar o roteiro apresentado para a especificação e dimensiona-


mento de um transformador de aterramento, serão apresentados os seguintes
exemplos:

Exemplo 1:
Considere o sistema elétrico mostrado na Figura 10. Um transformador de ater-
ramento deve ser conectado na alta tensão do transformador de potência T1
para introduzir uma referência de terra nesse trecho do sistema elétrico. Essa
referência de terra deve garantir que a relação X0/X1 seja igual a 5. Especifique
esse transformador.

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Capítulo 16 – Transformadores de Aterramento

SCC3f = 50 MVA 6,9 KV


T1
CARGA LT1
Sistema
Elétrico
TT

Figura 10 – Sistema elétrico do Exemplo 1

Solução:
O trecho do sistema elétrico em 6,9 kV sem a presença do transformador de
aterramento é isolado. Com o sistema elétrico mostrado na Figura 10 operando
de forma equilibrada, a única corrente que circula no transformador de aterra-
mento são as correntes de excitação. Como foi descrito anteriormente apenas
na ocorrência de um curto envolvendo a terra, o transformador de aterramento
deve suportar a corrente de neutro.

Considerando a potência de curto circuito trifásico no ponto onde o transforma-


dor de aterramento será instalado (SCC3) igual a 50 MVA e a tensão nominal
nesse trecho do sistema elétrico igual a 6,9 kV, pode-se determinar a impedân-
cia equivalente de seqüência positiva vista da barra de 6,9 KV usando a se-
guinte equação adotando-se como valores base 100 MVA e 6,9 KV:
2
VPF 1
Z 1EQ  j.  j.  j2 pu
SCC 3F 0,5

A corrente de curto circuito trifásico pode ser determinar pela seguinte equa-
ção:
SCC 3  50  10 3
Icc 3     4.184 A
3 U 3  6,9

Admitindo as impedâncias equivalentes de seqüência positiva, negativa e zero


vistas do ponto onde será instalado o transformador de aterramento sendo pu-
ramente reativas. O transformador de aterramento deve possuir relação X0/X1
igual a 5, o que significa:

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Capítulo 16 – Transformadores de Aterramento

3.VPF
I CC1 (2.X 1  X 0 ). j 3.X 1 3
  
I CC 3  VPF 2.X 1  X 0 X
2 0
X 1 .j X1

Assim:
I cc1φ 3
  0,4286
I cc3φ 25

A reatância de seqüência zero requerida para o transformador de aterramento


em pu na base de 100 MVA e 6,9 kV é de:
X 0  5.X l  5.2j  10pu

À medida que o curto se afasta do transformador de terra, a impedância de se-


qüência zero da linha de transmissão é adicionada. A corrente de curto circuito
monofásico no ponto onde o transformador de aterramento estiver instalado é
obtida a partir da associação dos circuitos de seqüência como mostrado na
Figura 11. Deste circuito se pode obter a expressão para a corrente de curto
circuito monofásico, isto é:

Figura 11 – Associação dos circuitos de seqüência

XI - 17
Capítulo 16 – Transformadores de Aterramento

3.VPF 3 3
ICC1φ  3.I 0     0,75  90 0
X1  X2  X0 
j. 2.2  10  14j

 100 
I CC1φ  0,75.   6275,55 A   90 0

 3 .6,9 

A potência requerida pelo transformador de aterramento é o produto da tensão


nominal entre fase e terra pela corrente de falta para a terra máxima que ele
deve suportar durante num tempo especificado. Portanto:
6,9
S NOMCTDTT  UFN  3I 0   UFN  I CCMAXT  .6275,55  25000 KVA
3

S NOMCDTT  25 MVA

Como foi explicado anteriormente o transformador de terra funciona em regime


de curta duração, logo, suas dimensões físicas são muito reduzidas em compa-
ração com transformadores para regime contínuo. Os regimes padronizados
para o transformador de terra são: 10s, 1, 2, 3, 4 e 5 minutos. Este tempo é
definido a partir do tempo de eliminação de falta. Adotando o tempo padroniza-
do de 10 segundos, e escolhendo um transformador de aterramento trifásico do
tipo estrela aterrada triângulo, podemos determinar a potência de regime contí-
nuo requerida pelo transformador de aterramento usando a seguinte equação:
PNOMRC  K 3 .PNOMTT

onde a constante K3 é de aproximadamente 0,1 assim:

PNOMRC  0,064.25  1600 KVA

A impedância de seqüência positiva é obtida a partir da seguinte equação:

Z 1TT  0,85.Z 0TT  0,85.j10  8,5 pu

Exemplo 2

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Capítulo 16 – Transformadores de Aterramento

Verifique se o transformador de aterramento de 400KVA e impedância 5% po-


de ser utilizado no ponto P de um sistema elétrico mostrado na Figura 12, onde
a impedância equivalente de seqüência positiva no local onde será instalado
num horizonte de 10 anos é praticamente puramente reativa e de intensidade
de 7,3357 pu nas bases de 100 MVA e 23 KV. Assuma que se deseja ter no
horizonte de 10 anos que esse trecho do sistema elétrico seja efetivamente
aterrado com relação X0/X1 igual a 3 (três).
23 kV
LT 1
13,8 kV
T1 LT 2

LT 3

TT

Ponto P

Figura 12 – Sistema elétrico do Exemplo 2

Solução:
Adotando os valores base de 100 MVA e 23 kV, a impedância de seqüência
positiva no ponto P onde estará instalado no horizonte de 10 anos é:
Z 1  j.7,3357

Como no horizonte a ser analisado, é requerido que esse trecho do sistema


elétrico seja efetivamente aterrado isto é a relação X0/X1 igual a 3 (três), a im-
pedância de seqüência zero do transformador de terra deverá ser de:
Z 0  3.Z1  j.22,0071

O transformador de aterramento existente tem impedância de 5%, mudando


para a base de 100 MVA e 23 kV significa uma impedância de seqüência zero
de:
 100 
Z 0  0,85.Z1  0,85. j.0,05.   j10,625 pu
 0,4 

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Capítulo 16 – Transformadores de Aterramento

Esta impedância de seqüência zero do transformador acarretará uma relação


X0/X1 dada por:
X0 10,625
  0,4827  3  Sistema Efetivamente Aterrado
X 1 22,0071

A corrente de curto circuito máxima para a terra é dada pela seguinte equação:
3.VPF 3 3
ICC1φ  3.I 0     0,1186  90 0
X1  X2  X0 
j. 2.7,3357  10,625  25,2964j

 100.000 
ICC1  3.I 0  0,1186.   90 0  297,71  90 0 A
 3 .23 

7. BIBLIOGRAFIA

[ 1 ] Giguer, Sérgio, Proteção de Sistemas de Distribuição, Editora Sagra


1988, Primeira Edição.
[ 2 ] Westinghouse Corporation, Electrical Transmission and Distribution.
[ 3 ] Beeman, D. Industrial Power Systems Handbook. Segunda Edição
Mac Graw Hill
[ 4 ] Sauer, R. Análise de Sistemas Aterrados , Apostila do IME

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