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VERIFICAÇÃO DA DIFERENÇA ENTRE AGREGADOS BASÁLTICOS PARA

LASTRO FERROVIÁRIO ORIUNDOS DE UMA MESMA JAZIDA EM


DIFERENTES PROFUNDIDADES

George Wilton Albuquerque Rangel1


Francisco Thiago Sacramento Aragão1
Laura Maria Goretti da Motta1
Clayton Luiz Pontes Júnior2
1 – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). COPPE – Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação
e Pesquisa de Engenharia
2 – Universidade de Uberaba (UNIUBE)

RESUMO
Este trabalho apresenta um comparativo dos resultados dos ensaios preconizados pelos normativos brasileiros
ABNT NBR 5564 (2011) e VALEC (2014) em agregados basálticos para lastro ferroviário oriundos de uma
mesma jazida, porém obtidos em diferentes profundidades. Menciona-se os ensaios de massa especifica
aparente, massa unitária no estado solto, absorção de água, porosidade aparente, resistência ao ataque de sulfato
de sódio, índice de forma, desgaste por abrasão Los Angeles, Índice de Tenacidade Treton, resistência à
compressão simples axial, materiais pulverulentos, torrões de argila, granulometria, análise petrográfica e
desgaste por esmagamento. Como conclusão, para os fins que se destina, é constatado que a rocha mais
superficial com estrutura vesicular (A) possui qualidade inferior à rocha depositada na parte mais profunda da
pedreira (B), maciça. Por fim, foi verificado visualmente que quando a rocha (A) é utiliza na construção da via
permanente ferroviária ocorrerá a quebra acentuada dos fragmentos, ainda na fase de compactação mecanizada,
sem a plena utilização do pavimento.

ABSTRACT
This paper presents a comparison of the tests recommended by Brazilian regulatory ABNT NBR 5564 (2011)
and VALEC (2014) in basaltic aggregates for rail ballast coming from the same field, but obtained at different
depths. The tests were apparent specific mass, unitary mass in the loose state, water absorption, porosity,
resistance to sodium sulfate attack, index of form, Los Angeles abrasion, Treton Tenacity Index, axial
compression strength, powdery materials, clay lumps, grain size, petrographic analysis and crushing resistance.
In conclusion, for the purposes intended, it is found that the most superficial rock with vesicular structures (A)
has a lower quality than the rock deposited in the deepest part of the quarry (B). Finally, it was visually checked
that when the rock (A) is used in the construction of the railway track will occur sharp fall in fragments, still in
the mechanical compression phase without the full use of the track.

1. INTRODUÇÃO
O lastro é uma camada granular que se situa diretamente acima do sublastro ou do subleito,
que conforme SELIG e WATERS (1994), KLINCEVICIUS (2011), INDRARATNA et al.
(2011) e MEDINA e MOTTA (2015), possui as principais funções de:
a) suportar e distribuir uniformemente as tensões verticais, transmitindo-as para as
camadas de sublastro e subleito;
b) garantir a estabilidade da grade em relação a forças laterais, longitudinais e
verticais, preenchendo os espaços entre os dormentes, tanto longitudinalmente
quanto transversalmente (ombreiras);
c) prover suficiente permeabilidade e facilitar a drenagem da via;
d) facilitar a manutenção, permitindo o rearranjo das partículas durante as operações
de nivelamento e alinhamento da via, provendo a mínima deformação plástica
durante as socarias mecanizadas;
e) prover nível aceitável de durabilidade e resiliência para o pavimento, minimizando
as cargas dinâmicas e amortecendo as vibrações;
f) resistir ao levantamento da grade pelo atrito com os dormentes e ter resistência
adequada à ataques químicos e desgastes;
g) absorver ruídos em virtude da vibração dos trens;
h) prover resistência elétrica adequada em linhas sinalizadas.
O lastro pode ser dividido em algumas zonas, segundo o arranjo em relação à grade:
a) berço – material entre dormentes que colabora contra o deslocamento longitudinal
do dormente e não sofre tensões verticais consideráveis;
b) ombro – material adjacente às seções transversais nas extremidades dos dormentes,
formando o talude de lastro, que colabora contra o movimento transversal do
dormente em relação ao comprimento longitudinal da via. Geralmente se
admitindo larguras do ombro entre 30 a 35 cm;
c) lastro inferior – material sob o dormente, podendo ainda ser dividido em parte
superior, que recebe as maiores tensões e é afetada pela socaria, e parte inferior,
em contato com o sublastro, geralmente não afetado pela socaria, podendo estar
degradado por partículas fora de granulometria oriundas da própria quebra do
lastro superior ou com materiais diversos, oriundos das camadas inferiores ou de
cargas transportadas.
Entre os vários tipos de materiais utilizados para lastro ferroviário, no Brasil tem-se
empregado o basalto. O basalto é uma rocha ígnea, abundantes na crosta terrestre, formado
pelo resfriamento e consolidação do magma derretido, podendo ser:
a) resfriado no interior da crosta sob alta pressão confinante e existente em camadas mais
profundas;
b) resfriado no exterior ou na parte superior da crosta sob baixa pressão confinante,
oriundo da expulsão do magma, o que favorece ao escape de gases e
consequentemente podendo formar estrutura vesicular, inadequado como material de
pavimentação dado aumento da porosidade e absorção (Figura 1).

Figura 1: Basalto com estrutura vesicular

Apesar de serem de mesma origem geológica e estarem situados na mesma jazida, o material
do topo da pedreira é visivelmente de qualidade inferior do que o material existente em
camadas mais profundas, podendo inclusive ser aprovado em ensaios vigentes de seleção de
material para lastro, se tornando um problema para o pavimento ferroviário. Mesmo aprovado
nos ensaios vigentes, o material destinado para a camada de lastro sofre severos desgastes em
função do uso e da manutenção da via, devendo o engenheiro responsável pelo
empreendimento ter conhecimento das diferenças entre os diferentes agregados provenientes
da mesma jazida e na oportunidade descartar o material vesicular.
A seleção do material do lastro é de vital importância para um bom desempenho do
pavimento ferroviário e redução da manutenção. Pedras lamelares e porosas tendem a quebrar
com maior facilidade e mais rapidamente que as partículas cúbicas e sãs, gerando finos que
irão, além de alterar as propriedades mecânicas, reduzir a capacidade drenante da camada e
alterar a geometria da via. Os fragmentos do lastro não devem ser muito lamelares e também
não tão arredondados, o que proporcionará maior imbricamento e maior resistência ao
cisalhamento.

Conforme KLINCEVICIUS (2011), a influência do lastro no comportamento da via


permanente depende de três características principais, apresentadas na Tabela 1.

Tabela 1: Principais fatores que influenciam o comportamento do lastro


Características Propriedades
Rocha de origem
Resistência ao intemperismo
Forma
Individuais dos grãos de lastro
Textura
Resistência mecânica

Graduação
Do conjunto de grãos que compõe a camada de Compacidade ou índice de vazios
lastro Presença de água

Frequência e amplitude
Pressão de confinamento
Do carregamento Histórico de tensões
Estado de tensões
Número de ciclos
(Fonte: KLINCEVICIUS, 2011)

Nesse contexto, este trabalho apresenta o caso real de uma obra de implantação ferroviária de
carga pesada no interior do estado de Goiás. O lastro é composto de pedra basáltica obtida a
aproximadamente 10 m de profundidade (designada como B), maciço, e obtida a
aproximadamente 5 m de profundidade a partir do topo da pedreira (designada como A),
vesicular, localizada no município de Quirinópolis-GO, coordenadas 18° 26' 52" Sul e 50° 27'
07" Oeste (Figura 2).

(b)
(a)
Figura 2: mapa de localização da cidade de Quirinópolis-GO (a); Vista da pedreira (b)
Diversos ensaios requeridos para a caracterização do lastro conforme a norma brasileira
ABNT NBR 5564 (2011) e especificação VALEC (2014) foram executados em amostras
oriundas da parte superior (A) e inferior (B) da pedreira. Os resultados são então comparados,
permitindo conhecer a variação de qualidade do agregado para diferentes profundidades da
pedreira.

2. ENSAIOS REQUERIDOS PARA A CARACTERIZAÇÃO E ACEITAÇÃO DO


AGREGADO PARA LASTRO NO BRASIL
Em relação as normas brasileiras, conforme a ABNT NBR 5564 (2011), o lastro deve ser
extraído de rocha sã, com reconhecimento petrográfico de uso próprio para lastro. O material
adequado para lastro deve ter forma cúbica e angular, rugosidade superficial, dureza elevada,
graduação uniforme e a ausência de materiais finos. Conforme VALEC (2014), o lastro deve
ser de pedra britada, ter constituição homogênea, com fragmentos duros, limpos e reduzida
absorção.

O ensaio de partículas angulares e/ou alongadas é importante para evitar excesso de


fragmentos com alto índice de quebra. Conforme INDRARATNA et al. (2011), partículas
angulares aumentam o ângulo de dilatância requerido na movimentação, o que também
aumenta a resistência ao cisalhamento. Com o aumento de partículas angulares ocorre
acréscimo da abrasão e da quebra dos fragmentos, o que consequentemente aumenta a
deformação permanente sobre cargas repetidas, reduzindo o módulo de resiliência. Neste
sentido, a melhor forma para os agregados do lastro é a cúbica.

Outro fato importante a ser mencionado, são os limites definidos em especificações brasileiras
para lastro, que podem ter sido copiados de normas estrangeiras, como a absorção e
porosidade máxima. Valores parecidos foram encontrados na norma norte americana AREMA
(2013), que varia a percentagem limite conforme o tipo de rocha (o que não ocorre na norma
brasileira). Há de se verificar que o maior problema da absorção para o lastro é em regiões
onde há gelo e desgelo, que não é o caso da maior parte do território brasileiro. A água
absorvida pelo fragmento de lastro, quando congelada, poderá contribuir para a sua quebra.
No Brasil, limites menos exigentes poderiam ser estabelecidos, conforme o tipo de rocha e
região geográfica.

Em relação aos ensaios de abrasão Los Angeles e Treton é importante salientar que os
normativos brasileiros vigentes não apresentam variações na tolerância para diferentes tipos
de rochas. No entendimento dos autores deste trabalho, o certo seria que as normas
especificassem para cada tipo de rocha e finalidade (ou grupos) a percentagem máxima de
perda em massa nos ensaios, pois diferentes tipos de rochas apresentarão diferentes
características em adversas finalidades.

No ensaio de abrasão Los Angeles chame-se atenção para o peso das esferas, que conforme a
ABNT NBR NM 51 (2001) pode variar entre 390 a 445 g cada, uma variação de
aproximadamente 14 %. Quando maior o peso das esferas, maior a energia aplicada nos
agregados, não sendo encontrado estudo sobre a interferência dessa variação. Dada a
granulometria do lastro, geralmente as faixas de ensaio são a F e G, com amostras de 10 kg
sendo solicitadas a 1000 rotações do tambor entre 30 e 33 rpm. Consideram-se os limites
australianos e canadenses (recomendados pela experiência dos autores desta pesquisa), como
apresentado na Tabela 6, bem mais conservadores que os brasileiros e norte-americanos,
portanto mais adequados.

No ensaio de Índice de Tenacidade Treton, dada a granulometria do lastro, pode-se encontrar


problemas para obter a quantidade suficiente de fragmentos em amostras de 140 kg, valor
definido por VALEC (2014). Recomenda-se então o recolhimento in situ da amostra, obtida
entre as peneiras com abertura de 19 e 16 mm, sendo necessários 60 fragmentos.

Atenção especial deve ser dada à massa específica aparente, definida em relação ao peso
saturado e superfície seca, e não ao peso totalmente seco, o que reduz seu valor. O ensaio
deve ser realizado em 10 fragmentos individuais de uma mesma amostra. Assim, o resultado
deve apresentar 10 valores individuais, assim como a média, desvio padrão e coeficiente de
variação. Tal prática não é comum entre construtores, que geralmente apresentam apenas a
média final ou pesam em balança hidrostática todos os fragmentos ao mesmo tempo. A
porosidade e absorção são obtidos por correlações matemáticas no ensaio de massa específica
aparente.

Conforme BERNUCCI et al. (2008), alguns agregados que inicialmente apresentam boas
propriedades podem sofrer processos de desintegração química quando expostos às
intempéries, como alguns tipos de basalto. Nesse caso é necessário realizar ensaios
específicos para averiguar a resistência química do lastro, que conforme a ABNT NBR 5564
(2011) consiste em atacar o agregado com uma solução saturada de sulfato de sódio (Na2So4).
O agregado seco em estufa é colocado em um recipiente com a solução por no mínimo 8 h.
Esse procedimento é repetido 40 vezes e ao final verifica-se a diferença entre o peso inicial e
final.

O comportamento mecânico do lastro tem forte influência da granulometria utilizada e deve


levar em conta o preenchimento de grandes vazios para garantir a distribuição de tensões
uniforme das cargas. Conforme SCHRAMM (1977), antigamente os lastros eram de pedras
maiores, na faixa entre 35 a 70 mm. No entanto, dada a utilização de equipamentos
automáticos de socaria, que aumentou o índice de quebra dos fragmentos, reduziu-se o
tamanho dos fragmentos utilizados, pois estes apresentam menor probabilidade de quebra.

Assim, conforme as normas vigentes ABNT NBR 5564 (2011) e VALEC (2014), os
fragmentos do lastro devem passar inteiramente na peneira de 50,8 mm e ficarem retidos na
peneira de 12,7 mm, conforme a Tabela 2 e Figura 3. Especificamente, a ABNT NBR 5564
(2011) divide a faixa granulométrica do lastro em dois padrões: A para aplicação em linhas
principais; e B para linhas de pátios. Percebe-se que a faixa B da ABNT NBR 5564 (2011) é
aquela que permite os maiores fragmentos de lastro, com maior probabilidade de quebra. A
faixa da VALEC (2014) é aquela que permite maior quantidade de fragmentos menores, da
qual os agregados em análise foram enquadrados.
Tabela 2: Faixas granulométricas para lastro conforme a ABNT e VALEC
Abertura nominal da Porcentagem em massa acumulada retida (%)
peneira (mm) Especificação VALEC Norma ABNT - padrão A Norma ABNT - Padrão B
63,5 0 0a0 0 a 10
50,8 0 a 20 0 a 10 ---
38,0 30 a 60 30 a 65 40 a 75
25,4 70 a 90 85 a 100 ---
19,0 90 a 100 --- 90 a 100
12,0 95 a 100 95 a 100 98 a 100
(Fonte: adaptado de ABNT NBR 5564, 2011 e VALEC, 2014c)

VALEC ABNT A ABNT B


110
100
90
80
% retida acumulada

70
60
50
40
30
20
10
0
10 20 40 80
Abertura da peneira (mm)

Figura 3: Curvas granulométricas das faixas VALEC e ABNT para lastro


(Fonte: gerado a partir das informações de VALEC, 2014c e ABNT NBR 5564, 2011)

3. AMOSTRAGEM E CARACTERIZAÇÃO DOS AGREGADOS ESTUDADOS


Após a britagem (britador primário de mandíbulas e segundário de impacto), o lastro foi
transportado para depósitos situados lateralmente ao eixo da ferrovia, havendo separação
entre o material da parte superior (A) e inferior (B) da pedreira. Foram obtidas 20 amostras no
total, sendo 10 amostras do lastro A e 10 amostras do lastro B, recolhidas de maneira aleatória
entre distâncias equidistantes ao longo do talude do depósito, seguindo a metodologia da
ABNT NBR 5564 (2011), procedimento G.2.3, específico para amostras oriundas de
depósitos (Figura 4).

Na análise estatística foi considerado uma distribuição de Gauss onde 10 amostras


representam uma confiança de 68 % dos resultados encontrados, sendo o desvio padrão
considerado como o erro amostral, para mais ou para menos. Altos coeficientes de variação
(geralmente acima de 20 %) caracterizam amostras com fragmentos heterogêneos. Na Figura
5 é possível visualizar a diferença de tonalidade entre o lastro A e B e maior homogeneidade
do lastro B.

Em relação ao ensaio do índice de forma, os resultados médios apresentaram forma cúbica


para ambas as amostras A e B, sendo o lastro considerado satisfatório quanto a esse requisito.
Os ensaios de materiais pulverulentos e torrões de argila apresentaram resultados satisfatórios
com apenas algumas amostras acima dos limites estabelecidos, o que não chega a ser um
problema uma vez que as amostras podem ter sido alteradas por intempéries e forte poeira de
obra.
(a) (b)
Figura 4: Obtenção de amostras no talude do depósito de lastro (a) e visão da área (b)

(a) (b)
Figura 5: Lastro da parte superior (a) e inferior (b) da pedreira

A análise petrográfica foi realizada em laboratório especializado do Instituto de Pesquisas


Tecnológicas (IPT), classificando a rocha como basalto com textura intersertal a intergranular,
granulação fina a média, predominantemente fina, com plagioclásio variando de 0,2 mm a 2,5
mm e clinopiroxênio de 0,02 mm a 0,4 mm. Os percentuais de minerais por estimativa visual
foi de 40 a 45 % de plagioclásio, 30 % de clinopiroxênio e 20 a 25 % de vidro devitrificado
opaco. A rocha sofreu pouca alteração hidrotermal com fraca micro fissuração intragranular.
A rocha é potencialmente reativa à reação álcali-agregado.

O ensaio petrográfico foi realizado apenas uma vez no ano de abertura da pedreira (2013) com
o objetivo de caracterização do tipo de rocha. Infelizmente não foi possível a realização de
outros ensaios do mesmo tipo para a caracterização da rocha em diferentes profundidades.

No ensaio de resistência à intempérie, perda máxima em sulfato de sódio, foram realizados 40


ataques químicos durante 40 dias, um por dia, em 10 amostras do lastro A e 10 amostras do
lastro B. Os resultados médios de perda de massa aos ataques foram de 1,09 % para o lastro A
e 0,87 % para o lastro B.

No ensaio de resistência à compressão axial mínima, foram extraídos dois testemunhos


cilíndricos para cada tipo de rocha A e B. Os resultados foram de 157,7 MPa para o lastro B,
mais profundo, e 131,5 MPa para o lastro A, vesicular, mostrando a diferença de resistência à
compressão entre as rochas da mesma pedreira.
Os resultados médios dos ensaios de massa específica aparente, absorção máxima de água e
porosidade máxima aparente são apresentados na Tabela 3. A massa unitária no estado solto
de todas as amostras ficou pouco acima de 15 kN/m³, valor superior ao mínimo requerido em
norma, 12,5 kN/m³. Em relação a massa específica aparente, considera-se o resultado
satisfatório, observando pequeno aumento de massa no lastro B de maior profundidade, além
de maior homogeneidade com base no valor do coeficiente de variação.

Em relação a absorção máxima de água, os resultados do lastro A apresentam grande variação


e grande absorção. Apesar do grande coeficiente de variação do lastro B, os valores médios
apresentados por fragmentos são aceitáveis e os coeficientes de variação das amostras
individuais são menores que 20 %. Considerou-se o resultado insatisfatório e o lastro A
reprovado quanto a esse requisito, onde os altos coeficientes de variação individuais das
amostras caracterizam a grande heterogeneidade entre os agregados.

Para a porosidade aparente, os resultados do lastro A apresentaram grande variação e grande


porosidade. Considerou-se o resultado representativo e o lastro reprovado quanto a esse
requisito. A alta porosidade pode caracterizar baixa resistência mecânica frente a
carregamentos repetidos e na dúvida um ensaio triaxial de cargas repetidas deveria ser
realizado, porém não previsto nas normas brasileiras vigentes.

Os resultados dos ensaios de Índice de Tenacidade Treton (ITT) e Abrasão Los Angeles
(ALA) são apresentados na Tabela 4. Os resultados de ITT foram considerados satisfatórios,
com exceção da amostra 1A, que apresentou alta porcentagem de quebra, acima de 20 %. Os
resultados do ensaio de ALA também foram considerados satisfatórios, contudo com maior
desgaste do lastro A, mostrando mais uma vez a diferença qualitativa entre as duas amostras.

Existe clara redução da resistência mecânica do lastro A frente ao lastro B, com os resultados
resumidos de todos os ensaios na Tabela 5.

Para requisitos adicionais e comparativo com as normas estrangeiras, apresenta-se a Tabela 6


de INDRARATNA et al. (2011). Recomendado como substituto do índice de forma é o
Flakiness Index, obtido pela relação em massa entre os agregados passantes em um gabarito e
a amostra total. Por utilizar um gabarito, o Flakiness Index é menos propenso a variações nos
resultados, uma vez que no ensaio de índice de forma tradicional utiliza-se paquímetro,
influenciado pela maneira como o operador faz a leitura das dimensões do agregado.

O índice máximo de desgaste por esmagamento não é requerido nas especificações e normas
vigentes para lastro no Brasil. No entanto, este ensaio foi realizado uma única vez no ano de
2013, durante a abertura da pedreira, uma vez que ela também poderia fornecer agregados
para concreto. O ensaio seguiu procedimento da ABNT NBR 9938 (1987) e teve como
resultado 12,9 % de perdas, valor inferior ao definido na Tabela 6.

Verificando a Tabela 5, constata-se a qualidade inferior da rocha existente na parte superior


da pedreira (A) em praticamente todos os ensaios. A estrutura vesicular da rocha reflete em
maior porosidade, absorção e desgaste mecânico, verificados principalmente nos ensaios de
Abrasão Los Angeles e Índice de Tenacidade Treton. A rocha A também apresentou menor
resistência à compressão e maior quebra durante a operação de socaria, o que pôde ser
verificado em campo nas vias férreas em construção, ainda sem tráfego de trens (Figura 6).

Tabela 3: Resultados médios dos ensaios de massa específica aparente, absorção máxima de
água e porosidade máxima aparente
Lastro A – rocha mais superficial com Lastro B – rocha depositada na parte mais
estrutura vesicular profunda da pedreira, maciça
Massa Massa
Amostra Absorção Porosidade Absorção Porosidade
específica específica
máxima de máxima máxima de máxima
aparente aparente
água (%) aparente (%) água (%) aparente (%)
(kN/m³) (kN/m³)
1 27,6 2,71 7,22 29,0 0,86 2,49
2 27,4 2,88 7,91 28,9 1,05 3,04
3 28,5 2,07 6,01 28,9 1,18 3,40
4 30,2 1,23 3,70 28,9 1,11 3,19
5 28,1 2,23 6,45 28,9 0,91 2,63
6 28,4 1,78 4,98 29,0 0,92 2,67
7 28,5 1,52 4,28 28,7 0,45 1,28
8 26,6 1,49 7,09 28,7 0,47 1,36
9 28,1 1,74 4,80 28,4 0,46 1,30
10 27,9 1,75 4,84 28,2 0,77 2,16
Média 28,1 1,94 5,73 28,8 0,81 2,32
Desvio
0,09 0,53 1,41 0,03 0,29 0,84
padrão
Coeficiente
3,32 27,50 24,59 0,93 35,77 36,23
de variação

Tabela 4: Resultados dos ensaios de ITT e ALA


Lastro A – rocha mais superficial com Lastro B – rocha depositada na parte mais
estrutura vesicular profunda da pedreira, maciça
Amostra
Resistência ao choque, Abrasão Los Resistência ao choque, Abrasão Los
ITT (%) Angeles (%) ITT (%) Angeles (%)
1 21,01 29,28 5,50 13,08
2 12,83 24,64 8,20 12,66
3 9,35 18,51 8,18 13,07
4 11,70 22,49 8,44 18,16
5 10,27 27,15 11,43 19,27
6 12,00 23,58 7,04 16,26
7 10,90 23,84 8,35 11,47
8 8,04 23,00 7,06 13,89
9 8,27 22,25 5,48 13,08
10 8,61 20,94 6,49 12,23
Média 11,30 23,57 7,62 14,32
Desvio padrão 3,79 3,03 1,74 2,65
Coeficiente de
33,55 12,85 22,90 18,51
variação

Recomenda-se ainda o ensaio de Abrasão Mill (AM), conforme sugerido por RAYMOND e
DIYALJEE (1979) apud. SILVA (2002) e LI et al. (2015), normatizado pela ASTM D7428,
em complemento ao ensaio de Abrasão Los Angeles. O ensaio de AM consiste em revolver 3
kg de material com uma quantidade específica de água dentro de uma jarra a 33 rpm durante
10.000 revoluções. Tal condição de ensaio resulta em um desgaste do material sem quebra
significativa das partículas. O resultado do ensaio é a relação entre a massa do material
passante na peneira #200 e o peso inicial da amostra.
Figura 6: Lastro degradado com partículas finas em virtude da própria quebra dos fragmentos
do lastro oriundo da parte superior da pedreira

Tabela 5: Características físicas dos lastros analisados conforme normativos brasileiros


Limite
Característica Limite ABNT Lastro A Lastro B
VALEC
Aprovado Aprovado
Massa específica aparente mínima 24 kN/m³ 25 kN/m³
28,1 kN/m³ 28,8 kN/m³

Massa unitária mínima no estado Aprovado Aprovado


--- 12,5 kN/m³
solto > 15 kN/m³ > 15 kN/m³

Reprovado Aprovado
Absorção máxima de água 1% 0,8 %
1,94 % 0,81 %

Reprovado Reprovado
Porosidade máxima aparente 1% 1,5 %
5,73 % 2,32 %

Resistência à intempérie, perda Aprovado Aprovado


5% 10 %
máxima em sulfato de sódio 1,09 % 0,87 %

Máximo de partículas planas e/ou


10 %
alongadas Aprovado Aprovado
Forma média cúbica. Partículas
Cúbica Cúbica
não cúbicas, máximo de 15 %
Máximo de partículas lamelares 10 % 83 % 94 %

Índice máximo de desgaste por Aprovado Aprovado


40 % 30 %
abrasão obtido no teste Los Angeles 23,57 % 14,32 %

Resistência ao choque, índice de Aprovado Aprovado


20 % 25 %
tenacidade Treton máximo 11,30 % 7,62 %

Resistência mínima à compressão Aprovado Aprovado


100 MPa 100 MPa
simples axial 131,5 MPa 157,7 MPa

Aprovado Aprovado
Máximo de materiais pulverulentos 1% 1%
0,47 % 0,33 %

Aprovado Aprovado
Máximo de torrões de argila 0,5 % 0,5 %
0,22 % 0,40 %

Máximo de fragmentos macios e


5% 5% Ensaio não realizado
friáveis

Material enquadrado na
Granulometria Ver faixas granulométricas na Tabela 2
especificação VALEC (2014)
Tabela 6: Características físicas do lastro conforme normativos estrangeiros
Característica Austrália EUA Canadá
Massa específica aparente mínima 25 kN/m³ --- 26 kN/m³
Limite de massa unitária no estado solto 12 kN/m³ 11,5 kN/m³ ---
Resistência à intempérie, perda máxima em
--- 10 % 5%
sulfato de sódio
Flakiness Index 30 % --- ---
Desgaste máximo por esmagamento 25 % --- ---
Desgaste máximo por abrasão Los Angeles 25 % 40 % 20 %
Fonte: adaptado INDRARATNA et al., 2011

Aproveitando a análise petrográfica, corrobora-se ainda com RAYMOND (1979) apud.


SILVA (2002), que sugere a classificação do lastro conforme a Tabela 7. Nela, quanto menor
a numeração, melhor o lastro, uma vez que rochas mais duras resistem melhor a efeitos
abrasivos. Com a petrografia, soma-se a percentagem de minerais com dureza Mohs maior
que 5,5. Para as amostras deste trabalho (% de minerais com dureza Mohs > 5,5 igual a 70 %,
plagioclásio e clinopiroxênio), o lastro proveniente da rocha A tem classificação 3 (ALA =
23,57 %) e o lastro proveniente da rocha B (ALA = 14,32 %) classificação 2, mostrando mais
uma vez a superioridade da rocha extraída de maior profundidade.

Tabela 7: Classificação do lastro segundo dureza Mohs e Abrasão Los Angeles


Abrasão Los Percentagem em volume de minerais com dureza Mohs > 5,5
Angeles 0 a 25 % 25 a 50 % 50 a 75 % 75 a 100 %
0-10 3 3 2 1
10-15 3 3 2 1
15-20 4 4 2 2
20-25 4 4 3 2
25-30 5 4 3 2
30-35 5 5 3 3
35-40 5 5 4 3
40-50 6 5 4 4
Fonte: adaptado de SILVA, 2002

Por fim, tentativas de correlação entre os ensaios de Índice de Tenacidade Treton e Los
Angeles não mostraram boa correspondência de valores, sendo esta a melhor representação
um polinômio do segundo grau (Figura 7) entre várias regressões analisadas.

23
y = 0,0473x2 - 1,3608x + 16,902
21
R² = 0,6973
19

17
Los Angeles (%)

15

13

11

5
10 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30
Treton (%)

Figura 7: Correlação entre os ensaios de Abrasão Los Angeles e Treton


5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este trabalho apresentou o comparativo de ensaios em agregados basálticos para lastro
oriundos de uma mesma jazida, porém em diferentes profundidades, de acordo com os
normativos brasileiros vigentes. O problema de quebra dos fragmentos do lastro é agravado
com o aumento do número de ciclos de carga ao longo dos anos de operação da ferrovia,
sendo recomendado para futuros empreendimentos a não utilização de agregados basálticos
com estrutura vesicular para o lastro.

É fortemente recomendada a revisão dos normativos específicos para lastro ferroviário no


Brasil, incluindo limites diferenciados para ensaios mecânicos conforme o tipo de rocha ou
classificando o lastro conforme o tipo de rocha. Na impossibilidade da diferenciação,
recomenda-se a redução de alguns limites vigentes, como o caso do ensaio de Abrasão Los
Angeles. Reduzir o limite para 20 ou 25 %, já excluiria o lastro de menor qualidade
apresentado neste trabalho. Nesses mesmos normativos devem ser incluídos limites máximos
de quebra e/ou deformação axial a partir de ensaios de carregamentos cíclicos, como o triaxial
de cargas repetidas, para um número de ciclos de carga de 100 mil até 500 mil.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Normas Técnicas. Rio de Janeiro, p. 26. 2011.
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SILVA, L. F. M. Fundamentos teóricos-experimentais da mecânica dos pavimentos ferroviários e esboço
de um sistema de gerência aplicado à manutenção da via permanente. Tese (Doutor em Ciências
em Engenharia Civil). Universidade Federal do Rio de Janeiro, p. 347. 2002.
VALEC. Pedra britada para lastro. Especificação. VALEC Engenharia, Construções e Ferrovias S. A.
Brasília, p. 7. 2014c. (80-EM-033A-58-8006 Rev 1).

George Wilton Albuquerque Rangel1 (george.rangel@valec.gov.br)


Francisco Thiago Sacramento Aragão1 (fthiago@coc.ufrj.br)
Laura Maria Goretti da Motta1 (laura@coc.ufrj.br)
Clayton Luiz Pontes Júnior2 (claytonjr26@gmail.com)
1 – Programa de Engenharia Civil, COPPE/Universidade Federal do Rio de Janeiro
2 – Departamento de Engenharia Civil da Unibersidade de Uberaba, campus Uberlândia - MG