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PARCERIAS PÚBLICO PRIVADAS

PARA O DESENVOLVIMENTO:
IMPLEMENTANDO SOLUÇÕES NO BRASIL

MÓDULO I

PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

UNIDADE 1: VISÃO GERAL DAS PPPs


Parcerias Público Privadas para o Desenvolvimento:
Implementando Soluções no Brasil

Coordenador Geral do Programa:


José E. Yitani

Documento original:
Public Private Partnerships Reference Guide Version 2.0 (IDB-WB-ADB)

Adaptação e edição original para o programa em espanhol:

Andrea Dusso
Robert Pilkington
Ana Haro
José Yitani
Lorena Rodríguez

Contribuição e revisão original dos conteúdos versão em espanhol:


Gerardo Reyes-Tagle Daniela Carrera
Ignacio Astorga David Bloomgarden
Reinaldo Fioravanti Rocío Medina

Tradução ao português:
EY Brasil (www.ey.com/br)

Adaptação dos conteúdos ao contexto do Brasil:


EY Brasil (www.ey.com/br)
Marcos Siqueira Moraes

Validação da tradução dos conteúdos e do contexto do Brasil (escritório do BID no Brasil):


Ana Lucia Dezolt
Cesar Leyva Marcos Siqueira Moraes
Karisa Ribeiro German Zappani

Pesquisa bibliográfica:
Cecilia Justino

Estilo e Diagramação:
Manthra Comunicación Integral

Copyright©2015 Banco Interamericano de Desarrollo. Esta obra está sujeita a uma licença CreativeCommons
IGO 3.0 Atribuição-NãoComercial-SemDerivações (CC-IGO 3.0 BY-NC-ND) (http://creativecommons.org/li-
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As opiniões expressas nesta publicação são de responsabilidade dos autores e não necessariamente refle-
tem a posição do Banco Interamericano de Desenvolvimento, de sua Diretoria Executiva ou dos países que
representa.
MÓDULO I
UNIDADE 1: VISÃO GERAL DAS PPPs

ÍNDICE

Objetivo do módulo 5

Objetivos de aprendizagem 5

1. O quê e o porquê: aspectos básicos das PPPs 6

1.1. O que é uma PPP? Definição de parceria público-privada 7

1.1.1 Tipos de contrato de PPP e terminologia 8

1.1.2 As PPPs e outros tipos de parceria 15

1.1.3 As PPPs e a regulamentação do setor 16

1.2 Como as PPPs são utilizadas: setores, infraestrutura e serviços 19

Ideias principais 20

Bibliografia 21

Anexos 24

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PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

APRESENTAÇÃO DO MÓDULO

O Módulo 1 apresenta o conceito de Parcerias Público-Privadas (PPPs) e está


organizado em três unidades.

A Unidade 1 traz a definição de PPP que será usada em todo este curso, bem
como uma descrição da variedade de tipos de contrato, setores e serviços aos
quais comumente se aplicam.

Na Unidade 2 são descritos alguns problemas e desafios de investimento em


infraestrutura nos países em desenvolvimento, e como as PPPs podem ajudar a
resolver algumas dessas questões, considerando, inclusive, limitações e riscos.

Finalmente, na Unidade 3 são apresentadas estruturas financeiras privadas que


são usadas para as PPPs e as formas como o governo pode participar desses
mecanismos.

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MÓDULO I
UNIDADE 1: VISÃO GERAL DAS PPPs

OBJETIVO DO MÓDULO

Estabelecer um marco conceitual das PPPs, no que se refere à sua definição,


tipologia, utilização e financiamento, analisando os desafios que os agentes
públicos e privados enfrentam na implantação de uma PPP, bem como as so-
luções que existem à disposição destes para que sejam alcançados objetivos
comuns.

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
• Identificar as principais características e benefícios de uma PPP.

• Diferenciar uma PPP de outros tipos de acordos existentes entre os


setores público e privado, incluindo concessões comuns, no âmbito
da gestão pública.

• Distinguir os diversos tipos de contrato de uma PPP, conforme o tipo de


ativo a que se refere, as funções que assume o parceiro privado e
os mecanismos de remuneração empregados.

CONTEXTO NO BRASIL

O termo PPP define-se pela cooperação voluntária entre o setor público


e o privado com a finalidade de alcançar uma série de objetivos comuns,
compartilhando a responsabilidade em matéria de riscos, benefícios, in-
vestimentos e poder. Dentro desde conceito de PPP, no Brasil, podemos
incluir as Concessões, previstas na Lei Federal n. 8.987/95, e as Parcerias
Público-Privadas (PPPs), conforme a Lei 11.079/04

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PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

1. O QUÊ E O PORQUÊ:
ASPECTOS BÁSICOS DAS PPPs

Para promover o desenvolvimento econômico, a região da América Latina e do


Caribe (LAC) deve aumentar seu investimento em infraestrutura, dos 2-3% atuais
para no mínimo 5%, o que representa um aumento de mais de 280 bilhões de
dólares ao ano, em valores de 20141. No contexto das limitações fiscais existen-
tes na região, esse aumento somente poderá ser alcançado por meio de uma
combinação entre maior eficiência no planejamento e licitação de projetos e o
uso de novas modalidades de financiamento.

Nesse sentido, as Parcerias Público-Privadas (PPPs) podem, caso utilizadas da


forma adequada, constituir-se em uma modalidade vantajosa para o desen-
volvimento da infraestrutura2 e da oferta de serviços básicos (energia, água,
saneamento, saúde e educação), os quais cumprem um papel fundamental na
melhoria da qualidade de vida de milhares de pessoas, especialmente, na re-
gião da América Latina e do Caribe.

Ainda que muitos países da região já possuam experiência em PPP, ainda há


muito por fazer e aprender para melhorar a aplicação da modalidade para o
bem de todos: os usuários, a população em geral e, ainda, os setores público
e privado.

O desafio primordial para aqueles que têm a responsabilidade de elaborar polí-


ticas de PPP é gerar ambientes propícios para os tipos de iniciativas que serão
apresentadas nesta seção e ao longo do curso.

1 BID. Infraestructura sostenible para la competitividad y el crecimiento inclusivo. Estrategia de


infraestruc-tura del BID. Washington, DC Disponível em: http://www19.iadb.org/intal/intalcdi/
PE/2014/14088es.pdf

2 O termo infraestrutura é empregado em sentido abrangente, para cobrir a variedade de setores e


serviços para os quais são utilizadas as PPPs. Neste contexto, compreende infraestrutura econômica, social
e go-vernamental, ou seja, as estruturas físicas e a organização básica necessárias para promover a
atividade econômica, social e governamental (segundo a definição do Oxford English Dictionary)

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MÓDULO I
UNIDADE 1: VISÃO GERAL DAS PPPs

1.1. O QUE É UMA PPP?


DEFINIÇÃO DE PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA

Como ocorre com muitos conceitos, existem diversas definições do termo Par-
ceira Público-Privada. Atualmente, não existe uma única definição admitida de
PPP, e os países que incorporaram esse termo em suas legislações e processos
o fizeram das mais variadas formas. Entretanto, para fins deste curso, é im-
prescindível chegar a um entendimento comum sobre o que é uma PPP, assim
como compreender sua essência, para além das particularidades de cada con-
texto no qual se utilize este conceito.

Ao longo deste curso,


Um contrato de longo prazo entre um parceiro
entenderemos a PPP
privado e uma entidade pública, para fornecer um
como:
ativo3 ou prestar um serviço público4, no qual o
parceiro privado assume um risco importante e a
responsabilidade da gestão, e onde a remuneração
está vinculada ao desempenho.

Como se observará a
seguir, os tipos de contrato variam segundo o tipo de ativo/projeto correspon-
dente, as funções que assume o parceiro privado e como este é remunerado.
Cabe salientar que as características fundamentais para uma PPP são:

• Que os bens ou os serviços ofertados são especificados como resultados


mais que como produtos, ou seja, define-se o que se quer obter ao invés
de como será realizado;

• Que as funções do projeto que são transferidas para o parceiro privado


podem variar segundo o contrato, mas em todos os casos o parceiro pri-
vado é responsável pelo desempenho do projeto;

3 Um ativo é um bem que pode se converter em dinheiro ou outros meios de pagamento equivalentes.

4 Serviço Público será compreendido como qualquer serviço que o governo considere que a execução (ou
a garantia de prestação) é sua responsabilidade direta.

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PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

• Que o parceiro privado assume um risco importante dentro do projeto,


bem como a responsabilidade pela gestão; e

• Que a remuneração do parceiro privado depende diretamente do desem-


penho e dos resultados alcançados.

Da mesma forma, é importante destacar que, tal como foi mencionado ante-
riormente, o objetivo do uso da modalidade PPP, independentemente do tipo
de contrato, bem ou serviço, é otimizar a geração de valor da atividade, de
forma que a população receba mais benefícios econômicos, que o setor públi-
co distribua melhor seus escassos recursos, e que o setor privado obtenha a
remuneração necessária para justificar o investimento de financiamento.

1.1.1 TIPOS DE CONTRATO DE PPP E TERMINOLOGIA

Uma PPP compreende um contrato de longo prazo, entre uma entidade públi-
ca e um parceiro privado, para fornecimento de um ativo de infraestrutura ou
prestação de um serviço correlato. Entretanto, esta definição geral abrange
uma variedade de tipos de contrato que dependerão de três fatores principais:

a. Tipos de Obra

b. Funções que o parceiro privado assume

c. Mecanismo de remuneração

a) Tipos de ativo. Pode se tratar de ativos novos, geralmente, denominados


novos projetos (greenfield), ou projetos já existentes (brownfield), nos quais se
transfere ao parceiro privado a responsabilidade de manter e gerir o ativo ou a
prestação de serviços existentes

b) Funções que o parceiro privado assume. Uma característica fundamental


em um contrato de PPP é que este acumula múltiplas fases ou funções do pro-
jeto. Não obstante, as tarefas pelas quais o ente privado é responsável variam
e podem depender do tipo de ativo ou do serviço envolvido. Dentre as funções
mais comuns estão as seguintes:

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MÓDULO I
UNIDADE 1: VISÃO GERAL DAS PPPs

• Desenho. Também identificado como trabalho de “engenharia”, significa


desenvolver o projeto desde o conceito inicial, indicando os requisitos de
resultados até as especificações de projeto prontas para a construção.

• Desenvolvimento ou Reabilitação/Reforma. Quando são utilizadas PPPs


para novas obras de infraestrutura, é comum requerer que o parceiro pri-
vado construa a obra e instale todo o equipamento. Quando as PPPs re-
ferem-se a obras existentes, o parceiro privado pode ser responsável por
reabilitá-la ou ampliá-la.

• Financiamento. Quando uma PPP compreende o desenvolvimento ou a


reabilitação/reforma de obra, costuma-se requerer também que o parcei-
ro privado financie parte ou a totalidade dos gastos de capital.

• Manutenção. As PPPs imputam ao parceiro privado a responsabilidade


pela manutenção da obra de infraestrutura ou pela prestação de serviço,
de acordo com o padrão estabelecido durante a vigência do contrato.
Esta é considerada uma característica chave nos contratos de PPPs.

• Operação. As responsabilidades de operação do parceiro privado em


uma PPP podem variar consideravelmente, conforme a natureza do ativo
subjacente e do serviço associado. Por exemplo, o parceiro privado po-
deria ser responsável:

• Pela operação técnica de uma obra ou o fornecimento de um ser-


viço básico para um comprador governamental, por exemplo, uma
estação de tratamento de água;

• Pela operação técnica de uma obra e o fornecimento de serviços


diretamente aos usuários, por exemplo, uma PPP para um sistema
de distribuição de água;

• Pela prestação de serviços de apoio, junto à instituição governa-


mental responsável, para oferecer um serviço público aos usuários,
por exemplo, uma PPP para a construção de um aterro sanitário que
inclua o serviço de separação e reciclagem de lixo.

Como demonstra o Gráfico 1, pode-se pensar em contratos de PPP como parte


de uma gradação contínua entre o fornecimento público e privado de infraes-
trutura e serviços, na qual responsabilidades e riscos são transferidos, de for-
ma crescente, para o setor privado.

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PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

Fonte de paga-
Tipo de Características Financiamento
Exemplo mento
contrato principais principal
Exemplo
Investimento
público

Projeto, Construção, fi-


Controle e nanciamento, manutenção
responsabili- e operação de um novo
dad e perma- centro de contrle de polícia Estado
nece com o incluindo sistemas de co-
Estado municação, gerido por uma
Superintendência da Policía.

Contrato de serviços de
limpeza, por um ano para
Contratos Fornecimento escola possivelmente com Pagamento
Integrados de de serviço pagamenrtos vinculados a Estado (fixo/variável)
Serviço especifico indicadores de desempenho do Estado
e gerido pela administração
da escola.

Contrato de serviços de ma-


Pagamento
nutenção e operação de um
(parcialmente
Contratos de Gestão do sistema regional de água
Estado fixo/ parcial-
Gestão ativo existente potável, por cinco anos.
mente variável)
Vínculo entre pagamentos e
do Estado
qualidade de desempenho.

Contrato para o desenho e


construção de uma rodovia
nova entregue ao gover-
no pronta para operação,
Entrega com
conforme características
preço e prazo Pagamento fixo
especifícadas nos termos do
Investimento

Contrato fixos de uma do Estado con-


contrato, com preço e prazo Estado
privado

turm key nova obra forme progresso


fixos.
em estado do contratado
Pagamentos parciais
operacional
durante a implantaçào, e
penalidades no caso de
descumprimento de prazos
e termos contratuais.

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MÓDULO I
UNIDADE 1: VISÃO GERAL DAS PPPs

Fonte de paga-
Tipo de Características Financiamento
Exemplo mento
contrato principais principal
Exemplo
Investimento
público

Contrato de gestão de
Acesso a uma serviços de água, incluindo
obra construí- a cobrança ao usuário, onde
da para sua o nível de remuneração, a
Contrato de Pegamiento va-
exploração arrecadação do sistema e
Arrendamiento Estado riável segundo a
econômica , a infraestrutura continuam
financeiro arrecadação
sem nessidade sendo propriedade do
de investimen- arrendador, incluindo a res-
tos de capital ponsabilidadde sobre obras
de capital.

Contrato de desenho/cons-
Obra nova, trução para um hospital
um ou número novo, segundo característi- Pagamento do
DNO de ativo limitado de cas de resultados contrata- Estado segundo
Estado
novo clientes, fi- dos; por exemplo, número o desempeho
nanciado pelo de leitos disponivel, nível do Contrato
Estado. de higiene, segurança de
elevadores, etc.

Pagamento
Concessão do desenho-am-
Obra existente, do Governo,
pliação-financiamento-ope-
um cliente, condicionados à
BOT de ativo ração-manutenção de uma
financiamento Contratado disponibilidade
novo estrada onde o governo
privado para e ao nível de
tenha decidido não cobrar
melhorias serviço pres-
pedágio
tado.

Sem PPa
(Power Purcha-
sing Agree-
Contrato para o desenvolvi-
ment):
mento completo, incluindo
Concessão de Pegamentos do
Obra nova, propriedade da obra, de
Investimento

obra existente, mercado para


um ou número uma nova planta de energia
privado

com paga- Contratado serviço pres-


limitado de eólica, durante un período
mento por dis- tado.
clientes de trinta anos, após o qual o
ponibilidade No caso de
ativo voltará a ser proprie-
PPP, pagamen-
dade do Estado
tos mínimos
garantidos pelo
governo.

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PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

Fonte de paga-
Tipo de Características Financiamento
Exemplo mento
contrato principais principal
Exemplo
Investimento
público

Pagamentos
dos usuários
mediante ta-
xas aeropor-
Obra existente, tuárias e ou-
Concessão para o desen-
amplo número tras receitas.
ho-ampliação-financiamen-
Concessão de de clientes Pegamentos
to-operação-manutenção
obra existente, (tipicamente do Estado,
de um aeroporto existente, Contratado
com risco de o público), conforme
que requer novo terminal e
arrecadação financiamento contrato de
melhoras nos serviços pres-
privado de concessão
tados ao usuário.
melhorias (prêmio ou
subsídio
acordado
durante a
licitação)

Um país vende sua empresa


Venda ao aérea estatal, mas man-
mercado, juros tém juros menores para a Pagamento
Joint venture/ retidos pelo empresa que vai operar, variável, depen-
Investidor/
Privatização Estado, regu- garantindo uma regulação dendo da arre-
Estado
parcial. lação do setor que assegure concorrência cadaçào gerada
no caso de no mercado e proteção para pelo operador
monopólio. o consumidor, contra ações
monopolistas.

Um país vende sua empresa


Investimento

de distribução de energía a
Venda ao Pagamento
investidores privados, para
privado

mercado, regu- variável, depen-


operação privada, garantin-
Privatização lação do setor Investidor dendo da arre-
do regulação que assegure
no caso de cadaçào gerada
concorrência no mercado e
monopólio. pelo operador
proteção para consumidor,
contra açoes monopolistas.

Fonte: Introducción a las Asociaciones Público Privadas, Unidad 1: Visión General De Las APP, versão
em espanhol, BID, 2015.

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MÓDULO I
UNIDADE 1: VISÃO GERAL DAS PPPs

c) Modelo de receita. Dependerá das funções que venha a assumir o parceiro


privado, o qual pode receber pagamentos de usuários dos serviços, do gover-
no ou de uma combinação de ambos.

• Pagamento de usuários. O parceiro privado presta um serviço e gera


receita ao cobrar esse serviço dos usuários (por exemplo, o pedágio em
estradas, pagamentos por coleta de lixo, etc.). Esses encargos (ou tarifas)
normalmente são regulamentados em contrato e podem ser complemen-
tados por subsídios pagos pelo governo, ou, em outros casos, podem
gerar um pagamento ao governo na forma de um bônus.

• Pagamento do governo. O governo é responsável pelos pagamentos


correspondentes aos serviços prestados pelo parceiro privado. Os pa-
gamentos do governo costumam depender de que o ativo ou o serviço
estejam sendo ofertados com o nível de qualidade definido contratual-
mente (pagamentos por disponibilidade). Os pagamentos podem tam-
bém basear-se nos resultados dos serviços ofertados aos usuários; por
exemplo, uma estrada com pedágio-sombra5, que é gratuito para os usuá-
rios, pelo qual o governo paga uma tarifa por veículo ao operador.

Essas características (tipo de bem, funções e mecanismo de pagamento)


podem ser combinadas de diversas formas, dando margem a uma grande
variedade de tipos de contrato, que podem ser vistos no Anexo 1 - Tabela 2.
Nomenclatura de PPP.

É importante mencionar que, no contexto deste curso, as concessões comuns


(projetos onde tradicionalmente a maioria das receitas são oriundas de paga-
mentos diretos do usuário) serão incluídas como tipos de contrato de PPP, já
que requerem um tipo de análise similar aos projetos tradicionalmente conhe-
cidos como PPPs no Brasil (onde o governo tende a assumir a responsabilida-
de por parte relevante dos pagamentos).

5 Com o Pedágio-Sombra, quem paga a rodovia não são os usuários, mas sim a administração que a con-
cessionou. A concessão estabelece que os pagamentos periódicos (geralmente anuais) da administração
para a empresa concessionária serão realizados levando em consideração o tráfego que a rodovia possui.
Também pode ser estabelecida uma combinação de um montante fixo acrescido de um aporte variável em
função do tráfego. Em resumo, o pedágio-sombra é um método de financiamento de rodovias baseado em
um orçamento, com uma taxa variável em função (total ou parcial) do tráfego.

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PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

CONTEXTO NO BRASIL
CONCEITO DE PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA – PPP NO BRASIL

No Brasil, as PPPs são uma modalidade especial de concessão pública, apli-


cável a projetos públicos que, pela natureza do serviço, não possuem auto
sustentabilidade financeira, mas podem beneficiar-se da atuação privada.

De acordo com a Lei Federal Brasileira nº 11.079 de 20046, a Parceria Pú-


blico-Privada (PPP) é um contrato de concessão na forma patrocinada ou
administrativa. As PPPs no país são caracterizadas como contratos em
que a concessionária presta serviços, em geral, de longo prazo, prece-
didas ou não por investimentos em infraestrutura e equipamentos. Deve
existir uma repartição objetiva de riscos entre as partes e a receita do ente
privado, geralmente, está associado a determinados indicadores de des-
empenho devidamente definidos no contrato de PPP.

A Concessão patrocinada é aquela definida como a concessão de serviços


públicos ou de obras públicas que envolvam, adicionalmente à tarifa cobra-
da dos usuários, contraprestação pecuniária do parceiro público ao parceiro
privado. A Concessão administrativa é aquela cuja prestação de serviços con-
tratados tenha a Administração Pública como usuária direta ou indireta, po-
dendo envolver a execução de obra e/ou fornecimento e instalação de bens.

As contraprestações públicas, geralmente, estão associadas ao atingi-


mento dos níveis de serviços prestados, medidos por indicadores de des-
empenho definidos contratualmente. No caso da concessão patrocinada,
a receita do operador é composta pela soma de tarifa cobrada do usuário
e da contraprestação pública. O desempenho do parceiro privado pode
afetar diretamente o valor da contraprestação, conforme o mecanismo de
pagamento contratual. Já os contratos de concessão comum que, via de
regra, não dependem de contraprestação do governo, podem ter parte do
reajuste tarifário atrelado a indicadores de desempenho, como é o caso
do fator “Q” nas concessões aeroportuárias federais.

É permitido à entidade privada solicitar reajustes ou compensações do go-


verno se o projeto falhar substancialmente em manter seu equilíbrio financei-
ro, desde que obedecido o compartilhamento de risco previsto em contrato.

6 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/l11079.htm

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MÓDULO I
UNIDADE 1: VISÃO GERAL DAS PPPs

1.1.2 AS PPPs E OUTROS TIPOS DE PARCERIA

O termo Parceria Público-Privada em outros ambientes regulatórios pode re-


presentar outros tipos de acordo entre a Administração Pública e o setor pri-
vado que contribuem para o alcance dos objetivos das políticas públicas. No
presente módulo, considerando o contexto brasileiro, esses modelos não serão
considerados PPPs. Alguns desses modelos são:

• Mecanismos de intercâmbio de informações, como por exemplo, Parce-


rias Público-Privadas contra fraudes no sistema de atendimento em saú-
de nos Estados Unidos, envolvendo o Governo Federal, servidores públi-
cos, diversas organizações líderes da área de seguros em saúde e outros
grupos antifraude do sistema de atendimento médico.

• Atividades voluntárias ou filantrópicas desenvolvidas por empresas pri-


vadas, com vocação pública, e em coordenação com as autoridades co-
rrespondentes, como projetos de saúde ou de educação para a comunida-
de, assim como importantes projetos de investimento estrangeiro direto.

• Projetos de execução conjunta para pesquisa e inovação, criados para


combinar capacidades e informações do setor público e do setor privado.

• Intervenções governamentais para apoiar o desenvolvimento do setor


privado, de maneira ampla ou em setores selecionados, como oferta de
terrenos, ativos, empréstimos, subvenções ou garantias para empreendi-
mentos totalmente privados que não participem da prestação de serviços
públicos.

Como pode ser visto, estes são apenas alguns exemplos dos diversos tipos de
parceria que contam com arranjos contratuais distintos daqueles que preten-
demos tratar nesse módulo, na medida em que diferem em termos de duração,
objetivos, legislação e estrutura.

Por outro lado, existem outros tipos de contrato que os governos podem fir-
mar com empresas privadas, que, ainda que possuam características similares
às PPPs, se diferenciam nos seguintes aspectos:

• Contratos de gestão. Costumam incluir indicadores de desempenho e


requisitos similares às PPPs. Entretanto, esses contratos costumam ter

15
PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

duração mais curta que as PPPs e não envolvem investimento relevante


de capital privado, ao passo que os incentivos por desempenho são cria-
dos a partir de mecanismos de pagamento e multas.

• Contratos de “desenho-construção” ou “chave na mão” (turn key). In-


cluem especificações similares baseadas em resultados, embora, por se-
rem contratos de mais curto prazo, não criam os mesmos incentivos de
desempenho de longo prazo que as PPPs.

• Contratos de arrendamento financeiro (leasing). São contratos de lon-


go prazo para a oferta de ativos públicos. Entretanto, estes contratos
transferem um risco significativamente menor para o parceiro privado se
comparados às PPPs.

Na Seção “Anexos” é apresentado um quadro comparativo entre os contratos


de PPP e estes tipos de contratos, assim como exemplos de cada um deles.

O importante é relembrar que um dos objetivos principais da modalidade de


PPP é transferir risco ao setor privado para melhorar os resultados de médio e
longo prazo de determinado projeto, a um custo menor para o governo.

1.1.3 AS PPPs E A REGULAMENTAÇÃO DO SETOR

Como veremos a seguir, existem várias formas de relacionar as PPPs com o


conceito de regulamentação do setor7 no contexto dos setores de monopólio
natural, já que estas PPPs costumam lidar com a prestação de serviços essen-
ciais em situações onde existe monopólio (ou quase-monopólio).

Os provedores de serviços essenciais de monopólio privado costumam ser re-


gulados pelo governo no que diz respeito ao controle tarifário e padrões de

7Alguns setores econômicos que são considerados primordiais para a sociedade são submetidos à regula-
mentação do Estado. O setor de transporte, por exemplo, é regulado para garantir regularidade, observân-
cia aos trajetos, descanso dos motoristas, dentre outros. Se o setor de transporte não for regulamentado,
corre-se o risco de que as empresas atuem unicamente em defesa de seus próprios interesses e privem os
passageiros dos seus direitos, que ficariam sem chance de manifestar-se. O setor de energia também está
sob a regulação estatal. Neste caso, espera-se que as tarifas não sejam excessivas (privando os usuários
de um serviço essencial, como a luz) e que não existam cortes de energia. A regulamentação também
fiscaliza, assim, as empresas para que realizem investimentos necessários para assegurar a qualidade dos
serviços prestados.

16
MÓDULO I
UNIDADE 1: VISÃO GERAL DAS PPPs

prestação de serviço, geralmente, com a atribuição de responsabilidades a um


ente regulatório independente para proteger os usuários de possíveis abusos
de poder sobre o mercado. A regulamentação do setor também pode reger os
termos sob os quais os provedores de um setor negociam entre si; o ingresso
no setor por meio de licenças; e o controle sobre as decisões de investimento
no setor. A regulamentação é particularmente importante em áreas como água,
eletricidade, gás e telecomunicações, aeroportos e estradas, muito embora pos-
sa ser verificada em praticamente todos os setores. A clareza e a efetividade
da regulamentação, bem como o sistema de monitoramento e de resolução de
controvérsias, são elementos fundamentais para o bom desempenho das PPPs.

Em seguida apresentamos alguns exemplos:

• Regulamentação por contrato, por meio de uma PPP. Quando as PPPs são
inseridas em setores que, tipicamente, requerem regulação, o contrato de
PPP em si pode ser utilizado para definir tarifas e padrões de serviço de
maneira a proteger os interesses dos usuários e do governo, como uma
alternativa à criação de um regime regulatório.

• PPP em conjunto com a regulamentação do setor. Alguns países deci-


dem estabelecer marcos regulatórios quando introduzem uma PPP para
prestar serviço em um setor, incluindo, em alguns casos, atuação como
a contraparte governamental em um contrato. Em outros casos, a regu-
lação do setor já pode estar criada. De todas as formas, o acordo de PPP,
a legislação e as regulamentações do setor devem estar em cuidadosa
harmonia para garantir que não haja conflitos entre o contrato de PPP e
os requisitos regulatórios, assim como para estabelecer papéis e respon-
sabilidades claros.

ESTUDO DE CASO - REGULAMENTAÇÃO POR CONTRATO

No caso de um contrato de concessão, o governo estabelece qual será a


tarifa, bem como as regras e os procedimentos de ajuste periódico. Em
um contrato de arrendamento, o governo pode ter o poder de estabelecer
as tarifas, mas o pagamento ao operador – que também está relacionado
com o montante de serviço prestado – é estabelecido em contrato. Esta

17
PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

abordagem é usada com sucesso na França e em muitos países francófo-


nos. Alguns casos são:

• Concessão de serviço de fornecimento de água em contexto urbano,


Senegal8. Em 1995, o governo implantou reformas para reunir os ope-
radores privados em um contrato de arrendamento e performance, a
fim de melhorar o desempenho do setor de abastecimento de água.
As cláusulas dos contratos descreveram padrões e indicadores de
desempenho, viabilizaram o monitoramento, por meio de um Comi-
tê, e incluíram mecanismos eficientes de resolução de controvérsias.
O operador privado ficou legalmente obrigado a cumprir com pa-
drões estabelecidos em contrato, tais como os de qualidade da água,
acesso e água não-contabilizada.

• Concessões de serviço de fornecimento de água em Manila, Filipinas9.


Quando o governo das Filipinas decidiu dar fim à crise da água em
Manila e fechou dois contratos de concessão para prestação de ser-
viços de abastecimento na cidade, considerou criar um marco jurídico
independente. Entretanto, decidiu que ir ao Congresso promulgar as
leis necessárias levaria muito tempo e seria demasiado arriscado. Con-
sequentemente, criou um escritório regulador (que foi o proprietário
do ativo e a contraparte do contrato de PPP) para os dois acordos de
concessão. Uma cláusula no acordo de concessão requereu aos opera-
dores privados “cooperar” com o escritório regulador, o qual, por sua
vez, foi responsável por interpretar as regulamentações dos acordos.

CONTEXTO NO BRASIL

No Brasil, diversas PPPs sofrem regulação extra contrato, como é o caso dos
contratos na área de saneamento, energia e transporte. Outras PPPs acabam
sendo reguladas predominantemente pelo próprio contrato: estádios, arenas
e centros administrativos.

8 Banco Mundial (2006). “Urban water sector reform in Senegal: innovative contract design to expand ser-
vices to the poor”. En Water Feature Stories, Issue 4. Washington, D. C.

9 Dumol, Mark (2000). The Manila water concession: a key government official’s diary of the world’s largest
water privatization. Washington, D. C.: Banco Mundial.

18
MÓDULO I
UNIDADE 1: VISÃO GERAL DAS PPPs

1.2 COMO AS PPPs SÃO UTILIZADAS:


SETORES, INFRAESTRUTURA E SERVIÇOS

Como já indicado nas seções anteriores, existem duas características princi-


pais dos setores e serviços para os quais são utilizadas as PPPs.

• Primeiro, que o projeto contribua para a oferta de bens e prestação de


serviços públicos.

• Segundo, que o projeto envolva obras/ativos de longa duração, alinhados


com o prazo de contrato da PPP.

Alguns países decidem concentrar o uso de PPP em certos setores, o que pode
refletir suas prioridades de investimento ou de melhoria de desempenho de
prestação de serviços, ou, simplesmente, a priorização de setores nos quais se
espera que as PPPs tenham mais sucesso.

Por outro lado, alguns países também podem definir certos setores - ou ser-
viços dentro de setores - para os quais não se utilizarão PPP. Muitas vezes
estes são serviços centrais, ou seja, serviços que o governo prestaria com ex-
clusividade e que não delegaria ao setor privado em uma PPP. Por exemplo,
em alguns países, a responsabilidade pela prestação de serviços/oferta de
energia elétrica, água ou segurança pública é intransferível ou indelegável. Na
prática, as definições de serviços centrais variam segundo as preferências e
percepções locais.

19
PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

IDEIAS PRINCIPAIS

Existem várias definições do que é uma PPP, mas o elemento comum


entre todas elas é que as PPPs envolvem o setor privado na oferta de
ativos de infraestrutura e prestação de serviços tradicionalmente pro-
porcionados pelo governo.

A definição que se apresenta neste curso é ampla e enfatiza a duração


do contrato, a transferência de riscos ao setor privado e a geração de
valor agregado.

As PPPs devem otimizar os benefícios para cada uma das partes envol-
vidas, sob a égide de um contrato claro e justo.

A variedade de contratos é definida em virtude do tipo de obra/ati-


vo, das funções, do mecanismo de pagamento, dos resultados dese-
jados e do marco regulatório necessário para assegurar condições de
concorrência e proteção contra ações monopolistas.

20
MÓDULO I
UNIDADE 1: VISÃO GERAL DAS PPPs

BIBLIOGRAFIA
• Farquharson, Torres de Mästle e Yescombe, em colaboração com Encinas
(2011). How to engage with the private sector in Public-Private Partners-
hips in emerging markets. Banco Mundial / PPIAF.

• O Capítulo 1.1., sobre a definição de Parcerias Público-Privadas, concen-


tra-se em como as PPPs se diferenciam das privatizações e dos contratos
de gestão, e descreve as PPPs de pagamentos de usuários e de pagamen-
tos por disponibilidade. Diversos estudos de caso nesse livro apresentam
exemplos de PPP em países em desenvolvimento.

• Eberhard, Anton (2007). “Infrastructure regulation in developing coun-


tries: an exploration of hybrid and transitional models”.

• Documento de Trabalho N.° 4. do Banco Mundial. Apresenta uma visão


geral dos diferentes modelos regulatórios, bem como das vantagens e
possíveis ameaças de cada modelo. Além disso, o documento apresenta
recomendações de como melhorar o desempenho dos modelos regula-
tórios.

• BID. Infraestructura sostenible para la competitividad y el crecimiento in-


clusivo: estrategia de infraestructura del BID. Washington, DC.

• A estratégia identifica as tendências esperadas para a infraestrutura na


região, bem como seu impacto nas necessidades de investimento; analisa
a participação do BID no financiamento da infraestrutura na região LAC;
analisa as forças, desafios e oportunidades; e descreve áreas prioritárias
de intervenção do BID.

• Frauendorfer, Rudolf y Roland Liemberger (2010). The issues and challen-


ges of reducing non-revenue water. Manila: Banco Asiático de Desenvol-
vimento.

• Descreve como os contratos baseados no desempenho podem ser usa-


dos para ajudar a aprimorar os padrões de manutenção.

• Fischer, Ronald (2011). The promise and peril of Public-Private Partners-


hips: lessons from the Chilean experience.

21
PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

• Utiliza a experiência chilena e de outros países em desenvolvimento para


analisar benefícios e insucessos das PPPs, e, ainda, apresenta recomen-
dações para resolver questões comuns.

• Reino Unido, Tesoro de Su Majestad (2011). The green book: appraisal and
evaluation in central Government (atualização da edição de 2003).Londres.

• Apresenta diretrizes sobre a avaliação de projetos, programas e políticas,


combinando avaliações econômicas, financeiras, sociais e ambientais, a
fim de guiar a análise de opções vigentes, inclusive com anexos técnicos
detalhados. O livro verde é usado como guia por vários governos.

• UNIDADE CENTRAL DE PARCERIAS PÚBLICO PRIVADAS. Manual de


padronização de regras chave de parcerias público-privadas do gover-
no de Minas Gerais. Belo Horizonte, http://www.ppp.mg.gov.br/images/
documentos/Projetos/em_elaboracao/manual_ppp/MANUAL%20DE%20
PADRONIZACaO%20DE%20REGRAS%20CHAVES%20DE%20PPP-%20
Versao%20Pos%20Consulta%20Publica.pdf

• Discute as principais disposições dos contratos de PPPs e propõe uma


padronização das cláusulas de Contrato e Edital. O manual é usado como
uma padronização de contratos do governo Estadual além de conter o
debate sobre os principais instrumentos jurídicos e econômicos dos con-
tratos.

• CONSELHO GESTOR DO PROGRAMA ESTADUAL DE PARCERIAS PÚ-


BLICO PRIVADAS - CGP. Manual de parcerias público-privadas-PPPs. Rio
de Janeiro: 2008, http://download.rj.gov.br/documentos/10112/167695/
DLFE-32801.pdf/manual_PPP.pdf .

• O Manual apresenta um debate sobre o modelo de PPPs e institui proce-


dimentos específicos para a seleção, aprovaçao, e licitação de projetos no
Governo Estadual.

• SECRETARIA DE ESTADO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO. Manual


de operações do programa estadual de parcerias público-privadas de Mi-
nas Gerais. Belo Horizonte: 2008, http://www.ppp.mg.gov.br/images/do-
cumentos/Consulta/Manual_de_Opera%C3%A7%C3%B5es_atual.2013.pdf.

22
MÓDULO I
UNIDADE 1: VISÃO GERAL DAS PPPs

• O Manual elabora arquitetura institucional para o planejamento e seleção


de projetos no Governo de Minas Gerais, incluindo o papel da Unidade de
PPP, do Conselho Gestor de PPP e das unidades Setorial.

• Impulso de alianzas público privadas para el desarrollo, materiales Didác-


ticos, Elaborados por la Fundación Cideal (2014), http://www10.iadb.org/
intal/intalcdi/PE/2014/14673.pdf.

• Brasil, Decreto Federal nº 8.428, de 2 de Abril de 2015, http://www.planal-


to.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Decreto/D8428.htm.)

• O decreto institui as regras para a participação da iniciativa privada no


processo de planjemanto e desenho de contratos, por meio de Procedi-
mentos de Manifestação de Interesse. São criadas regras válidas para o
governo Federal sobre procedimentos a serem adotados e sobre o ressar-
cimento dos custos associados a elaboração de estudos. O decreto serve
também de referência para práticas de governos subnacionais a respeito
do tema.

• Brasil, Lei Federal nº 11.079, de 2004, http://www.planalto.gov.br/cci-


vil_03/_ato2004-2006/2004/lei/l11079.htm.

• A lei institui os modelos de concessões Administrativas e Patrocinadas,


efetivamente permitindo o modelo de PPPs no Brasil. A Lei estabelece
características essenciais dos contratos e do procedimento de Licitação,
além de estabelecer aspectos do ambiente institucional para implantação
de PPPs no Brasil

• Brasil, Lei Nº 8.987, de 13 de Fevereiro de 1995, http://www.planalto.gov.


br/ccivil_03/LEIS/L8987cons.htm .

• A Lei é um dos fundamentos do modelo de PPPs no Brasil, estabelecendo


os principais elementos do ambiente regulatório tais como as garantias
ao investidor, os modelos de financiamento e os critérios de licitação.

23
PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

ANEXOS

ANEXO 1.

TABELA 2. NOMENCLATURA9 DE PPP

INSTRUMEN-
NOMENCLATURA DO DESCRIÇÃO GERAL E TIPO DE FUNÇÕES
TO DE PA-
CONTRATO REFERÊNCIAS ATIVO TRANSFERIDAS
GAMENTO
Nesta nomenclatura,
o alcance dos tipos
de contratos de PPP é
descrito pelas funções
transferidas ao setor
Planejar-Construir- privado. A função
Financiar-Operar- “manter” pode ser
Manter(PCFOM); deixada de lado
da descrição
Pode ser
(assim, em vez de
tanto
PCFOM, um contrato
transferindo todas As obtidas pelo pagamentos
Planejar-Contruir- essas funções podem nome do
Infraestru-
Financiar-Operar ser simplesmente
tura do contrato governo
(PCFO); Planejar- descritas como
PCFO, com a como
responsabilidade da dos usuários
manutenção implícita
como parte das
Construir- operações).
Administrar-Financiar Uma descrição
(PCAF) alternativa similar é
a Planejar-Construir-
Administrar-Financiar
(PCAF), que é o
equivalente do
contrato (PCFOM)

24
MÓDULO I
UNIDADE 1: VISÃO GERAL DAS PPPs

INSTRUMEN-
NOMENCLATURA DO DESCRIÇÃO GERAL E TIPO DE FUNÇÕES
TO DE PA-
CONTRATO REFERÊNCIAS ATIVO TRANSFERIDAS
GAMENTO
Os contratos O&M,
no caso de ativos
existentes,
podem se enquadrar
Operações e na definição de
Manutenção (O&M) PPP, visto que eles
se baseiam no
infraestru- Operações e Pagamento
desempenho e são de
tura manutenção do governo
longo prazo
(às vezes chamados
de contratos de
manutenção
baseados no
desempenho)

25
PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

INSTRUMEN-
NOMENCLATURA DO DESCRIÇÃO GERAL E TIPO DE FUNÇÕES
TO DE PA-
CONTRATO REFERÊNCIAS ATIVO TRANSFERIDAS
GAMENTO
Este método de
escrever as PPPs no
caso de novos ativos
obtém a posse e o
controle legal dos
ativos do projeto. No
caso do projeto COT, Em geral,
a companhia privada planejamento,
possui os ativos do construção,
projeto até que eles financiamento,
Construir-Operar- sejam transferidos no manutenção
Transferir (COT), fim do contrato. e algumas
O CPOT costuma ou todas as
Construir-Possuir- ser intercambiável operações.
Pode ser
Operar-Transferir com o COT, tal Sob algumas
tanto
(CPOT), como Yescombe definições,
infraestru- pagamentos
[#295] descreve. o COT ou o
tura dos governos
Em contraste com CTO podem
Construir- como de
isso, um contrato de não incluir
Transferir-Operar usuário
Construir-Transferir- financiamentos
(CTO) Operar (CTO), a privados,
posse dos ativos é enquanto
transferida quando que o CPOT
a construção é sempre inclui
concluída. financiamentos
Como Delmon [#58, privados
páginas 20-21] diz,
os direitos de posse
afetam, em especial,
como a transferência
dos ativos é
administrada no fim
do contrato

26
MÓDULO I
UNIDADE 1: VISÃO GERAL DAS PPPs

INSTRUMEN-
NOMENCLATURA DO DESCRIÇÃO GERAL E TIPO DE FUNÇÕES
TO DE PA-
CONTRATO REFERÊNCIAS ATIVO TRANSFERIDAS
GAMENTO

Em cada um das
convenções nomeadas
acima, “Reabilitar”
Como acima,
Reabilitar-Operar- pode substituir
mas “reabilitar”
“Construir” quando infraestru-
em vez de Como acima
a parte privada for tura
Transferir (ROT) “construir”
responsável pela
reabilitação, melhoria
ou extensão dos
ativos existentes

27
PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

CONTEXTO NO BRASIL

INSTRUMEN-
NOMENCLATURA DO DESCRIÇÃO GERAL E TIPO DE FUNÇÕES
TO DE PA-
CONTRATO REFERÊNCIAS ATIVO TRANSFERIDAS
GAMENTO

O termo “concessão”
é utilizado em certo
tipos de contratos,
tal como descrito em
Delmon [#59, Quadro Em geral,
1, na página 9]. Em pagamento
algumas jurisdições, deusuários
as concessões — em alguns
Planejar,
podem implicar um países,
reabilitar,
tipo específico de dependendo
estender ou
contrato, enquanto da
Infraestru- construir,
que, em outros, elas viabilidade
tura financiar,
Concessão são usadas de modo financeira da
nova ou manter e operar
mais amplo. No concessão,
existente — em geral,
contexto da PPP, as a parte
por se oferecer
concessões costumam privada pode
serviços
ser mais usadas para pagar uma
aos usuários
descrever PPPs de taxa para o
“pagamento de governo ou
usuários”. pode receber
Concessões”, um subsídio
incluindo contratos
pagos totalmente pelo
governo

28
MÓDULO I
UNIDADE 1: VISÃO GERAL DAS PPPs

INSTRUMEN-
NOMENCLATURA DO DESCRIÇÃO GERAL E TIPO DE FUNÇÕES
TO DE PA-
CONTRATO REFERÊNCIAS ATIVO TRANSFERIDAS
GAMENTO
Por exemplo, no
Brasil, a “Lei de
Concessões” se aplica
apenas em contratos
de pagamento de
Em geral,
usuários; uma “Lei
pagamento
de PPP” diferente
deusuários
regula os contratos
— em alguns
que exigem algum Planejar,
países,
pagamento do reabilitar,
dependendo
governo. Por outro estender ou
Infraestru- construir, da
lado, o termo
viabilidade
“concessão” é usado, tura nova financiar,
Concessão financeira da
às vezes, como um ou exis- manter e operar
concessão,
termo abrangente tente — em geral,
a parte
para descrever vários por se oferecer
privada pode
tipos de PPPs — serviços
pagar uma
por exemplo, todas aos usuários
taxa para o
as PPPs recentes
governo ou
no Chile foram
pode receber
implementadas de
um subsídio
acordo com a “Lei
de Concessões”,
incluindo contratos
pagos totalmente pelo
governo

29
PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

INSTRUMEN-
NOMENCLATURA DO DESCRIÇÃO GERAL E TIPO DE FUNÇÕES
TO DE PA-
CONTRATO REFERÊNCIAS ATIVO TRANSFERIDAS
GAMENTO
Um contrato de locação
ou arrendamento é
parecido com uma
concessão, mas, nesse
caso, o governo
costuma ser
responsável
pelo capital de
Pagamento
investimento.
deusuários
O termo
— a parte
“arrendamento”, em
privada
especial, pode ter
costuma
um significado
Manter e operar, enviar parte
específico em
Locação ou fornecendo das taxas
algumas jurisdições. Existente
arrendamento serviços dos usuários
As notas explicatórias
aos usuários para o
do Banco Mundial
governo
sobre a regulação da
para cobrir
água [#122, páginas
o capital de
36-42] descrevem
investimento
os contratos de
locação, bem como as
concessões.
Tais contratos talvez
se enquadrem na
definição de PPP,
dependendo da
duração do contrato

30
MÓDULO I
UNIDADE 1: VISÃO GERAL DAS PPPs

INSTRUMEN-
NOMENCLATURA DO DESCRIÇÃO GERAL E TIPO DE FUNÇÕES
TO DE PA-
CONTRATO REFERÊNCIAS ATIVO TRANSFERIDAS
GAMENTO

O termo “franquia” é,
Pode incluir
às vezes, usado para
planejamento,
descrever
construção e Pode ser de
um arranjo parecido
financiamento; pagamentos
com um contrato de
Existente ou pode do governo
Franquia concessão
ou novo se limitar à ou de
ou de locação ou
manutenção e usuários
arrendamento, tal
operação de um
como descrito em
ativo
Yescombe [#295]

O Reino Unido foi Planejar,


um dos primeiros construir,
países a apresentar o financiar,
conceito da PPP, sob manter — pode
o termo “Iniciativa incluir algumas
Iniciativa de de Financiamento operações, mas
Pagamentos
Financiamento Privado”. O termo Novo não costuma
incluir do governo
Privado (IFP) “IFP” costuma ser
usado para descrever o fornecimento
a PPP como uma de serviços
maneira de financiar, diretamente aos
construir e administrar usuários
novas infraestruturas

31
PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

ANEXO 2. LEITURAS COMPLEMENTARES


Você se interessou por algum tema em particular que gostaria de aprofundar?
Quer conhecer mais casos e exemplos? Recomendamos então:

O QUE É UMA PPP?

REFERÊNCIA DESCRIÇÃO

Delmon, Jeffrey (2010). “Understanding Descreve detalhadamente os diferentes con-


options for private-partnership partnerships tratos de PPP e a respectiva nomenclatura;
in infrastructure”. Documento de Trabajo de introduz, ainda, uma nova classificação de
Investigación de Políticas 5173. Banco Mun- contratos de PPP, destinados a esclarecer e
dial. facilitar a comparação.

Yescombe, E. R. (2013). Public-private part- O Capítulo 1, sobre o que são as Parcerias


nerships: principles of policy and finance (2a Público-Privadas, descreve a variedade de
edición). Oxford: Elsevier Science. estruturas e como se classificam.

A Seção 7 analisa a experiência recente de


Groom, Eric, Jonathan Halpern y David PPP nos países em desenvolvimento da
Ehrhardt (2006) Explanatory Notes on Key Commonwealth. O Anexo 5 apresenta estu-
Topics in the Regulation of Water and Sani- dos de caso de 11 projetos de PPP nos seto-
tation Services, Banco Mundial res da água, transporte, energia e saúde na
África, Ásia e no Caribe.

A Seção 7 analisa a experiência recente


Yong, H. K. (ed.) (2010). Public-private de PPP nos países em desenvolvimento
partnerships policy and practice: a da Commonwealth. O Anexo 5 apresenta
reference guide. Londres: Secretariado del estudos de caso de 11 projetos de PPP nos
Commonwealth. setores da água, transporte, energia e saúde
na África, Ásia e no Caribe. .

32
MÓDULO I
UNIDADE 1: VISÃO GERAL DAS PPPs

O QUE É UMA PPP?

REFERÊNCIA DESCRIÇÃO

Ian Alexander (2008). “Regulatory certainty


through committing to explicit rules – what,
Tem foco no estabelecimento de regras pré-
why and how?”. Documento baseado em
determinadas que comprometam os regula-
uma apresentação realizada na Conferência
dores com ações futuras.
do 5º Fórum Anual de Reguladores de
Serviços Públicos (AFUR), em Accra, Gana.

Ribeiro, Mauricio Portugal(2011). Concessões Descreve as melhores práticas na


e PPPs Melhores Práticas em licitações e modelagem de licitações de concessões e
contratos, Ed. Atlas S.A. PPPs.

33
PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

COMO AS PPPs SÃO UTILIZADAS?

REFERÊNCIA DESCRIÇÃO

A Seção 7 analisa a experiência recente de


Yong, H. K. (ed.) (2010). Public-Private PPP nos países em desenvolvimento da
Partnerships policy and practice: a reference Commonwealth. O Anexo 5 apresenta estu-
guide. Londres, Reino Unido: Secretariado dos de caso de 11 projetos de PPP nos seto-
de Commonwealth. res da água, transporte, energia e saúde na
África, Ásia e no Caribe.

Farlam, P. (2005). “Working together:


Analisa a experiência na África, com
assessing Public-Private Partnerships in
estudos de caso de oito projetos nos
Africa”. Relatório de Enfoque Político do
setores de transportes, penitenciárias,
NEPAD N.°2. Johannesburgo, Instituto Sul-
telecomunicações, água, energia e turismo.
africano de Assuntos Internacionais.

Analisa a experiência de 65 PPP no setor


Mumssen, Y., L. Johannes y G. Kumar (2010).
de água nos países em desenvolvimento, e
Output-based aid: lessons learned and best
descobre melhoras constantes na eficiência
practices. Banco Mundial
e qualidade do serviço.

Apresenta uma visão geral da situação e di-


recionamento das PPPs na Europa, com uma
DLA Piper (ed.) (2009). European APP re-
análise detalhada por país, e uma lista de
port 2009.
projetos em desenvolvimento e implemen-
tação, no ano de lançamento do relatório.

Departamento de Transporte de los Estados Analisa a experiência internacional com


Unidos (Administración de Carreteras as PPPs de transportes, que inclui estudos
Federales) (2007). “Case studies of de caso sobre pontes e estradas no Reino
transportation APP around the world”. Unido, Europa, Austrália, China, Índia, Israel
Relatório final 05-002. Washington, DC. e Argentina.

34
MÓDULO I
UNIDADE 1: VISÃO GERAL DAS PPPs

COMO AS PPPs SÃO UTILIZADAS?

REFERÊNCIA DESCRIÇÃO

O Anexo 1 proporciona estudos de caso


Menzies, Iain & Cledan Mandri-Perrott(2010).
sobre projetos de PPP de trens expressos
“Private sector participation in urban rail”.
no Reino Unido, Malásia, Filipinas, Tailândia,
Em Gridlines N.º 54. Banco Mundial /PPIAF.
Canadá e África do Sul

Marin, P. (2009). “Public-Private


Analisa a experiência de 65 PPP no setor
Partnerships for urban water utilities:
de água em países em desenvolvimento e
a review of experiences in developing
desvela melhorias constantes na eficiência e
countries”. EmTendencias y Opciones de
qualidade da prestação de serviços.
Políticas N.° 8.Banco Mundial.

Eberhard, Anton & Katharine Nawal


Analisa as experiências de Produtores Inde-
Gratwick(2010). “IPPs in Sub-Saharan
pendentes de Energia (IPP) na África sub-
Africa:determinants of success”. Atualização
saariana, incluindo uma lista detalhada de
de documento publicado em Development
todos os projetos de IPP na região.
Policy Review, 2008.

A página 5 apresenta uma descrição sucin-


ta dos diferentes tipos de contrato de PPP.
Eggers, W. D. & T. Startup (2006). Closing
Além disso, o relatório analisa brevemente a
the infrastructure gap: the role of Public-Pri-
experiência das PPPs em setores como água
vate Partnerships. Nova Iorque: Deloitte.
e resíduos sólidos, educação, habitação,
hospitais, defesa e penitenciárias.

A edição sobre atendimento médico analisa


International Finance Corporation(IFC). a experiência internacional em PPP de
IFC’s Quarterly Journal on APP. Assuntos atendimento, em particular em países em
temáticos, por exemplo: Saúde. desenvolvimento, e apresenta lições sobre
como o sucesso pode ser replicado.

35
PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

COMO AS PPPs SÃO UTILIZADAS?

REFERÊNCIA DESCRIÇÃO

Trata da PPP do Hospital de Lesoto e tam-


bém analisa a experiência em Gana, na Índia
La Rocque, N. (2006). “Contracting for the
e no México. Descreve as diferentes formas
delivery of education services: a typology
que o setor privado se compromete com a
and international examples”. Fórum Fraser,
educação, inclusive através de PPP. As pági-
de 6 a 8 de setembro.
nas 20-22 se concentram na experiência das
PPPs em escolas.

Business News Americas (2011). “Social


Descreve a experiência recente de PPP nos
infrastructure: the new frontier for
setores de infraestrutura social no Chile, no
concessions”. Infrastructure Intelligence
México, no Peru e no Brasil.
Series.

36