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dA COLECCAO CRITICA E SOCIEDADE 1. PRATICA EPISTEMOLOGICA E CIE Manuel Castells ¢ Emilio de Ipola, 2: CIAS SOCIAIS, ico. 1975. DEBATE SOBRE O ESTADO CAPITAL Miliband © Nicos Poulantzas, 1975. 3. O PENSAMENTO POLITICO DE GRAMS Piote, 1975, esgotado. a. 4. A CAMINHO DE UMA NOVA CRISE ESTRUTURAL DO SISTEMA CAPITALISTA, Samir Amin, 1976. IDEOLOGIAS E PRATICAS PSIQULATRICAS, Ma- nucle Fleming, 1976. 6. UMA SOCIOLOGIA ALTERNATIVA, Da sociologia come técnica do conformismo « uma sociologia alter nativa, 197. MULHERES, CELEIROS & CAPITAIS. Claute Mail lassoux, 1977. 8 MARXISHO E CRITICA- LIT 1978. ERARIA, Terry Eagleton, | | MARXISMO E - CRITICA LITERARIA Terry Eagleton ‘SBD-FFLCH-USP wig critica e sociedade 8 AFRONTAMENTO DEDALUS - Acervo - FFLCH ALCOA 20900018153 ‘Titulo original: Marxism and Literary Cri Methuon & Co., Londres © 1976 Terry Eagleton Tradugio de Anténio Sousa Ribeiro Capa de Joao B. EDIGOES AFRONTAMENTO Rua Costa Cabral, 859— Porto | PREFACIO A importincia e actualidade desta pequena obra de Terry Eagleton de que agora apresentamos tradugio portu- guesa justificam, quer-nos parecer, algumas breves patavras de introdugio. B que, se € certo que um propésito funda- mentalmente diddetico presidiu a elaboracao de Marxismo Critica Literdria e Ihe determina em grande parte a forma, ndio mos encontramos, no entanto, perante wm «manual> no sentido académico do termo. Mais do que fornecer um conjunto de definigdes universalmente vilidas, interessa, isso sim, ao autor, que desde logo define o seu tema como basicamente :polémico, «limpar o terrenos, isto é, delimitar com o rigor possivel os pardmetros de uma critica que se pretenda materialista, equacionar as diferentes posigdes em conjronto ¢ demarcar, assim, as bases em que, contra pre- conceitos ¢ dogmatismos, comeca hoje a ser possivel, ao nivel da teoria como da pritica, uma resposta concrela a interrogagées jé antigas. Estamos, pois, antes de mais, perante uma tentative de clarifieacéo, que parte, como néo podia deixar de ser. dos textos dos préprios Marx e Engels, analisados no con- texto concreto & luz da sua relevincia para a constituigio de uma teoria literéria materialista, mas passe também pela consideracio atenta, ainda que sucinta, das mais relevantes contribuigdes posteriores, nessa historia plena de desconti- nuidades e contradicées, porque viva, que é a histéria da teoria marsista. Descontinuidades € contradicées que, como 5 muito justamente assinala Eagleton, nio poderiio ser correc famente compreendidas fora do contexto mais amplo da histéria do movimento operdrio internacional. Como abor- dar uma problemdtica téo rica e complexa em escassa centena de péginas, eis uma dificuldade para que o autor néo deixa de estar alerta ¢ que conscientemente assume. E se é certo que, aqui @ além, Eagleton nio consegue fur- tar-se ao risco de wna abordagem excessivamente esquemé- tiea, tal ndo deveré servir de pretexto para uma leitura superficial ¢ simplista, mas antes por em cvidéneia @ neces- sidade de uma discussiio ¢ aprofundamento das questics levantadas. A verdade € que essa discussio continua, sem diivida, a nao beneficiar de condigdes particularmente propicias entre nés. Basta lembrar, para nio irmos mais longe, que © leitor portugués continua ainda hoje &@ espera de tradu- gies minimamente de confianca de grande parte dos textos fundamentais de Marx e Engels e dos principais teéricos marxistas. Mas, mais que isso, continuamos ainda marcados por um atraso cujos condicionatismos coneretos esto ainda, quer-nos parecer, grandemente por investigar e que irre- mediavelmente remete esta ordem de questées para o cir cuito rigorosamente exclusive de una meiandiisia de privi- legiados, quando as circunstdncias exigiam que elas se tornassem «questibes piblicas» no mais amplo seuitido da palavra, As condigdes especificas da constituigio e desen- volvimento do movimento operério portugués mantiveram-no por largo tempo @ margem de uma recepgio generatizada ¢ criadora do marxismo ¢ as incidéncias deste facto para a teoria e a prética da Uteratura entre nds mereceriam 36 por sium estudo pormenorizado, que esté, assim 0 cremos, ainda por fazer. Mas 0 divércio entre vanguarda artistica ¢ vanguarda politica é um facto facilmente constatdvel, nao seré também dificil verificar que um movimento como © neo-realismo, que teré tentado uma superacio desse dixér cio, ignora ow passa em siléncio, tal como 0 seu congénere soviético, 0 do artista, degradando-o @ simples cescravo do processo econémicor. A critica uni- versitdria vai apaziguar a sua eventual mé conseiéncie debrucando-se sobre as , ¢psi- canaliticas», ete., ela nao se limita a aceité-las passivamente como mais uma