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Educação Socioemocional

Artigo 1:
Pensar positivo funciona?
Funciona. Mas não como a maioria das pessoas gostaria. O pensamento positivo não vai engordar sua conta bancária do dia para a
noite. Nem fará carros e diamantes orbitarem ao seu redor. Porém, segundo várias pesquisas, uma atitude otimista pode influenciar
muito a resistência do organismo às doenças.

Uma comprovação disso veio da Universidade Harvard, nos EUA. Há 5 anos, um grupo de médicos da instituição descobriu que
pensar positivamente pode fazer bem para os pulmões. Os pesquisadores avaliaram o estado de saúde de 670 homens na faixa dos
60 anos de idade. Também aplicaram testes de personalidade para identificar quem eram os otimistas e os pessimistas. Depois de
8 anos, constatou-se que a turma do bom humor tinha um sistema imunológico mais resistente a doenças pulmonares quando
comparada ao grupo dos estressados. Até mesmo os fumantes otimistas apresentaram resultados melhores que os adeptos do
tabagismo que eram, digamos, baixo-astral.

O coração também bate melhor quando estamos com bom humor. Os pesquisadores do Instituto Delfland de Saúde Mental, na
Holanda, monitoraram homens com idade entre 64 e 84 anos durante 15 anos. A incidência de enfartes e derrames foi menor entre
aqueles que tinham uma atitude positiva. Os otimistas apresentaram ainda 55% menos risco de ter doenças cardíacas.

O que essas pesquisas revelam pode soar óbvio: pessoas com disposição para ver o lado positivo da vida tendem a cuidar mais da
saúde, a praticar exercícios e se alimentar melhor. Porém, há outra explicação, que fala da relação entre os hormônios e o estresse
— problema que os otimistas parecem enfrentar melhor em relação aos pessimistas. Longos períodos de irritação e melancolia
influenciam a secreção de alguns hormônios. “No estresse crônico, predomina a ativação do córtex das glândulas suprarrenais com
produção de cortisona, que é um hormônio imunossupressor, ou seja, que diminui a ação do sistema imunológico”, explica o médico
Régis Cavani Ferreira, especialista em Psiconeuroendocrinologia, uma área que estuda a relação entre cérebro, hormônios e
comportamento. “Assim, evitando o estresse, o indivíduo tem melhor competência imunológica para se recuperar das doenças”,
afirma. As glândulas suprarrenais, aliás, parecem ser um dos principais termômetros do pensamento positivo no nosso corpo. Como
o próprio nome diz, elas ficam na parte superior dos rins, e sua função consiste basicamente na liberação de hormônios. Isso
acontece como resposta ao nível de estresse a que somos expostos.

O poder da motivação
Quando o assunto sai da área de saúde e bem-estar, os resultados do pensamento positivo ainda são controversos — pelo menos
no que diz respeito aos estudos acadêmicos. A ciência não confirma a eficácia do otimismo na obtenção de sucesso profissional ou
do êxito em qualquer outra atividade. Contudo, não faltam exemplos de que alguma coisa parece funcionar a nosso favor quando
adotamos uma atitude “para cima”. Ou melhor: quando estamos motivados. O técnico de voleibol Bernadinho, por exemplo,
conhece bem os resultados que um time talentoso e focado no sucesso pode alcançar. Há algum tempo, ele vem compartilhando
sua experiência com grandes empresas, realizando palestras em que ensina os segredos do trabalho em equipe e da superação
individual.

“Temos que buscar sempre a renovação e a qualificação individual. Cabe aos comandantes identificar líderes do grupo e trabalhar
na motivação de todos para o sucesso coletivo”, disse Bernadinho em uma palestra na UnB. Nessa frase, ele resume alguns de seus
principais pilares para o sucesso: superação, obstinação, treinamento, persistência, foco na liderança. E, claro, motivação.
Misturando esses ingredientes com uma boa dose de trabalho, afirma o treinador, não tem erro. Pode ser nas quadras, no escritório,
dentro de casa ou na sala de aula.
A motivação é mesmo uma palavra de ordem dentro do vasto universo do pensamento positivo. No mundo dos negócios, ela veste
uma roupagem mais elaborada, tem estratégias bem traçadas, baseadas no planejamento e na execução de metas.

É aqui que entra a programação neurolinguística (PNL), uma outra referência quando o assunto é o poder da mente positiva. Criada
nos anos 1970 por um matemático e um linguista americanos, a PNL ensina a reprogramar o cérebro por meio de exercícios
envolvendo imagens, sons e toques. As técnicas, que ficaram populares no Brasil com os livros do médico Lair Ribeiro, são usadas
para incrementar a criatividade, o aprendizado e a memória. Entre outras coisas, a PNL ensina que cada pessoa deve encontrar o
seu “motivo” para entrar em ação, estabelecendo metas concretas e desejando ser extraordinária no que faz.

Os motivos que nos fazem agir são um assunto sério para a psicologia. A motivação, nessa área de estudos, é considerada o conjunto
de fatores que impulsionam o nosso comportamento. Alguns são comuns a todo mundo, como a necessidade de se alimentar.
Outros variam de pessoa para pessoa, como o desejo de realização e poder. “A motivação é aquilo que faz você levantar da cama
todos os dias. E só você sabe quais são seus motivos”, afirma a psicóloga Valquíria Rossi, professora da Universidade Metodista de
São Paulo. Pessoas motivadas geralmente têm objetivos claros e se esforçam para alcançá-los, e aí está uma parte da explicação
para o sucesso. Por exemplo: se você está motivado a trocar seu Fusca por uma BMW, vai se esforçar para descobrir o que precisa
fazer para mudar de carro e não desistirá facilmente.

Mas motivação não age sozinha. Ela deve estar aliada justamente ao otimismo. Em outras palavras: ao pensamento positivo.
“Algumas pessoas têm predisposição para ver o futuro com mais otimismo e, então, assumem a responsabilidade pela própria vida
e vão atrás do que desejam, sem responsabilizar os outros por eventuais fracassos”, diz Valquíria.

O negócio é que essas duas atitudes — motivação e otimismo — não podem ser adquiridas do dia para a noite. Insistir que deseja
um carro se você, intimamente, está feliz andando de ônibus não vai motivá-lo a trocar de meio de transporte. E repetir “eu sou
otimista” não vai transformar um pessimista de carteirinha em alguém “para cima”. Uma das coisas que contribuem para isso é a
forma como fomos educados. Pensar positivo pode não ser fácil para alguém que cresceu ouvindo frases do tipo: “Não arrisque”
ou “Não faça isso, pois não dará certo”. “Se você cresce nesse tipo de família, provavelmente vai pensar assim”, afirma a psicóloga.

Pensar negativo faz mal?


Depende. Em profissões que envolvem a previsão de riscos, por exemplo, um pouco de pessimismo é até bem-vindo. Imagine um
operador da bolsa que tem certeza de que as ações irão subir. Ou um controlador de voo que sabe que os aviões não irão colidir
nunca. O pessimismo — que pode ser traduzido aqui como uma certa ansiedade e medo do fracasso — faz uma diferença bem
positiva nesses casos.

Durante provas e exames, a tática de pensar positivo ou relaxar demais pode igualmente sair pela culatra. Nessas horas, uma
pequena dose de estresse irá contar pontos a seu favor. Esse estresse agudo, ao contrário do crônico, não prejudica o sistema
imunológico. “Quando o nível de produção dos hormônios associados ao estresse é moderado, ficamos em estado de alerta. Isso
nos ajuda a manter a atenção e nos predispõe à batalha”, explica o neurocientista Martin Cammarota, do Centro de Memória da
PUC de Porto Alegre. Atletas, por exemplo, costumam se sair melhor nas competições quando estão mais tensos, uma vez que
secretam mais adrenalina. Nesse caso, o estresse é percebido pelo corpo como algo bom.

Temos que buscar sempre a renovação e a qualificação individual. Cabe aos comandantes identificar líderes do grupo e trabalhar
na motivação de todos para o sucesso coletivo.

Claro que pensar repetidamente em coisas desagradáveis não faz bem para ninguém — inclusive, pode fazer mal à saúde. Segundo
a psicóloga Susan Andrews, a longo prazo, a secreção do cortisol — um hormônio liberado em maior quantidade durante o estresse
crônico — pode matar até 25% dos neurônios do hipocampo. Essa é a parte do cérebro responsável pela memória e pelo
aprendizado. “Por isso, quando estamos muito estressados e irritados, ficamos confusos e esquecidos”, explica.

O médico Régis Cavini também investigou o pensamento negativo. Ele avaliou a relação entre a lembrança de acontecimentos
traumáticos e o funcionamento do cérebro. Descobriu que, ao evocarmos uma memória traumática, a secreção de hormônios
associados ao estresse aumenta como se estivéssemos revivendo aquela experiência. “Ao lembrarmos de um trauma, o vivenciamos
outra vez em sua plenitude metabólica e emocional”, diz o pesquisador, que conduziu a investigação no Instituto de Psicologia da
USP. Aí pode estar a explicação científica para a antiga ideia de que remover o passado faz mal ou de que desejar o mal a alguém
faz o feitiço virar contra o feiticeiro.

Alimentar ideias negativas, aliás, pode ser também um clássico sintoma de que
algo não anda bem. “Às vezes, a pessoa sofre de depressão, ansiedade ou
simplesmente aprendeu a ter pensamentos negativos ainda na infância com o pai
e a mãe. E, assim, entra num círculo vicioso”, diz o neurofisiólogo e psicanalista
Roque Magno, da UnB. A psicoterapeuta Eva Strum defende o acompanhamento
médico para os casos em que o pessimismo se torna crônico. Lembra, ainda, que
doses pequenas de pensamento positivo — conquistadas, por exemplo, durante a
leitura de um livro ou em atividades lúdicas — podem ajudar. Há 6 anos, ela fundou
a ONG Pensamento Positivo, formada por voluntários que visitam hospitais de São Paulo para divertir os pacientes com jogos e
músicas. “Ao brincar, você mexe com a endorfina, que é um medidor da sensação de dor. Quanto mais relaxado você fica, menos
dor sente”, afirma. A equipe do Pensamento Positivo hoje percorre 11 hospitais paulistanos a cada semana. Para os voluntários, se
a ciência comprova ou não os efeitos dessa terapia antipessimismo, isso é o que menos importa.

Extraído de: Revista Superinteressante. São Paulo: Abril. N. 242. Ago./2007.

Artigo 2:
Escola das emoções
No século em que a tecnologia compactou o planeta, pulverizou valores, permutou culturas e afirma piamente que dominará o
humano, para nós – pais, educadores, sistema, governo – é imperioso puxarmos o freio, estacionarmos para reavaliarmos ações,
conteúdos, conceitos, excepcionalmente, de formação…

O colapso é um convite para interrompermos a cadência, olharmos para dentro de nós, checarmos conteúdos e não termos receio
de perguntar: qual o estado do nosso HD? Abarrotado de parafernálias ou um vácuo? Infestado de arquivos ocultos ou de programas
revolucionários? Dados inutilizáveis ou conteúdos inovadores? Ou, simplesmente, futilidades? O que fazer para expandir o espaço?
O que é preciso para inovar, atrair o novo? Deletar arquivos suplantados? Ou uma varredura com potente antivírus para aniquilar
violência, ranços… Uma formatação completa, se necessário!

Vamos deixar a ficha cair, encarar a realidade e termos um papo cabeça… Somos âncora dos nossos filhos, dos nossos alunos e,
como âncora, podemos ser mais: ROTA. Não podemos atracar o destino daqueles por quem somos responsáveis por formar, inserir
valores e conteúdos que transformem comportamentos em embarcações à deriva e, com o mínimo de sensibilidade, apreciá-las
serem instigadas por um vento oriental e arremessadas contra o iceberg! Reflita, pois chegamos ao almejado… Ao EU… Focamos
no aluno, apontamos a família como ponto de desequilíbrio… E você, educador, em qual rota navega as suas emoções?

Os caminhos trilhados pela escola


Como é difícil o educador formar com amor, pelo exemplo. Como é difícil para a escola, o sistema e o governo cumprirem obrigações
para proporcionarem o sucesso daqueles que adentram no espaço da sala de aula – educandos – proporcionando-lhes o básico dos
básicos: Condições de estudo, respeito, reconhecimento. Esse básico é fundamental, pois oferecer suporte é ser parceiro, e ser
parceiro é cumprir metas, é ter respeito aos que necessitam dos serviços públicos para ser alguém.

A desordem acionou o alerta máximo. Os guardiões do sistema entraram em cena para idealizar a Escola das Emoções e, assim,
impeliram as unidades de ensino a quebrarem protocolos na expectativa de suplantarem traumas.

Há escolas que, de tanto serem bombardeadas, deliberaram arquitetar suas trincheiras de defesa para resguardarem o emocional
do educando. Algumas abordaram a sapiente ilação de que o educando não pode tirar menos de cinco nas avaliações para não
desmotivá-lo.

É indiscutível. É preciso amparo. Todavia, determinar que o educando encontre em si a saída é desengrenar um automóvel à beira
de um abismo e alertá-lo antes de se afastar: “– A autoestrada é ali! Manobre, enverede por ela e siga em frente que encontrará a
resposta para suas dúvidas!”

Assim como o automóvel, a criança depende de um condutor para não perder a direção. Alguém tem que estabelecer regras, impor
limites, ser exemplo, transmitir valores, respeito aos direitos e ao olhar do outro… Assim, como o automóvel, a criança depende de
comandos, de um condutor que o guie pelo sinuoso caminho na busca do conhecimento, de suas ambições, para assim crescer e
amadurecer proporcionalmente.

Responda-me: qual a sua influência na vida e no desempenho escolar do educando?

Uma simples parada à porta da sala, e nos deparamos com uma realidade que se tornou arquétipo da educação brasileira: educador
estressado, gestor abordando o limite para cumprir as metas do sistema e educandos perdidos. Tudo que não resiste a esse
ambiente invasivo é emocional, pois acercar-se do Eu — do educando — para trabalhar um ponto que é a haste do equilíbrio,
esbarra com o primeiro impedimento: dificuldades para educar de dentro para fora, para que as pedras de tropeço — violência
doméstica, pedofilia, meretrício, drogas — sejam retiradas.

O humano é imprevisível. De tão inconstante, nós nos desconhecemos. Muitos mal administram os próprios impulsos. Para
coexistirem na selva social, uns são hábeis, conseguem driblar a si mesmos para ostentarem a trincheira de defesa pessoal e, assim,
sobrepujarem os tremores instigados pelos fantasmas que oferecem guarida. Por acreditarem que é mais simples se esquivar que
romper barreiras. Assim, não interrompem a caminhada para refletirem sobre o que os intimidam: suas fraquezas. Outros adotam
o estilo concha e simplesmente se fecham, para não se tornarem vítimas da sensibilidade, da fragilidade, da insegurança, da própria
carência efetiva.

Como a vida não para como decorrência do próprio ciclo de viver, cada passo é um impacto; cada impacto, novas batalhas íntimas.
Cada batalha, um duelo contra si mesmo. Pois, nesse estágio, o íntimo, a mente… estão em perfeita sintonia e ambos atentos aos
mínimos detalhes a sua volta. Uma palavra, um gesto, um singelo contratempo podem acarretar num descompasso.

Abordarmos esse território tão vulnerável para desenvolvermos o paralelo entre o emocional e a aprendizagem, para, assim,
compreendermos a influência do emocional no processo. É imprescindível a investigação, recorrer aos titãs, como a neuropsicologia
que assinala um ambiente propício ao emocional para sobrevir uma aprendizagem satisfatória.

A deficiência é espantosa… É deficiência de tudo: amor, carinho, afeto, respeito… cuidados pessoais… A autoestima está no nível
mínimo ou, para alguns, nem existe… Como é o caso de A, de oito anos. Chega à escola suja e repousa. Simplesmente, apaga.
Ninguém consegue despertá-la. Os colegas a chamam de “Bela Adormecida”; o intrigante é que é dócil, pacífica, comportamento
exemplar, e o seu rendimento escolar não é ruim.

Esse fator chamou a atenção da educadora, que acionou o especialista, e este decidiu averiguar o que ocorria. Quinze dias de
investigação, e a descoberta surpreendente: a criança desperta às três da manhã para levar o pai de bicicleta ao ponto para
embarcar no ônibus da empresa, regressa com o “camelo“, pois necessita dele para levar os dois irmãos mais novos à escola e,
entre três e seis e meia, faz esses movimentos, para regressar, no mínimo, às seis e quarenta para a mãe ir trabalhar. Todavia, não
podia dormir, pois tem que cuidar do irmão com menos de dois anos.

Novas investigações, e o especialista descobre que A nunca havia brincado, pois tem que cuidar dos irmãos até às onze horas,
quando a mãe regressa, prepara o almoço e volta para o trabalho.

Um educador, sensibilizado com a situação, pegou a bicicleta da própria filha e doou à educanda. O resultado foi impressionante,
pois passou a ser destaque, uma vez que despertava três horas mais tarde e, como a
gestora conseguiu uma vaga para o irmão na creche, ao regressar, dormia até o
momento de buscar os irmãos na escola, tomava banho e a carência de sono, que
provocava o descontrole emocional que a deixava em constante estado de tensão, foi
superado.

Ante a descoberta, a escola passou a observar e principiou pelo mapeamento das


situações críticas, como crianças que eram assíduas por causa da merenda. Para
muitos, a merenda é a única refeição do dia. Casos críticos vieram à tona, como
crianças que choravam na sala. Ao serem abordadas, revelaram: “— Estou com
fome!”.

Mesmo não podendo fazer muito, educadores e especialistas decidiram abraçar a causa por meio do projeto Cuida do Meu EU, cujo
primeiro momento alarmou a equipe: o alto índice de violência doméstica, abandono… Eram casos pequenos ante estupros por
parte de pais e padrastos, como o caso de uma menina de nove anos grávida — e abusada desde os cinco anos; outra de treze, mãe
de um bebê de sete meses; exploração pelo tráfico, prostituição, trabalho infantil, mendicância…

O projeto transformou comportamentos, pois valores como honestidade, respeito e gentileza tornaram propósitos, salientando
que a ação justa transforma realidades, a exemplo do ocorrido no clássico Corinthians e São Paulo.

Num lance de ataque do Corinthians, o goleiro do São Paulo caiu e alguém o pisou. O juiz foi preciso no lance e aplicou cartã o
amarelo ao atacante do Corinthians. Agindo com nobreza, Rodrigo Caio — zagueiro do São Paulo — deixou o juiz petrificado, quando
o abordou e disse: “Quem pisou fui eu! Tira o cartão do atacante!”. Apenas um ato… Todavia, gerou justiça, acendeu admiração…
Impediu uma sentença injusta… Mudou o jogo.

De volta ao fato, é fundamental que a escola eleve o seu ponto de observação para vislumbrar injustiças — principalmente as
praticadas pelo educador que acossa e lesa alunos, simplesmente, por não gostar do seu jeito — para que seus especialistas
gerenciem ações que salientam a honestidade e promovam o suporte, o aporte, para que o educando supere as barreiras
emocionais que interferem no processo de aprendizagem.

Em meio ao fogo cruzado, a âncora educador.


Caro sistema, seja coerente. A comunidade escolar entrou em colapso emocional. Sem estrutura, o educador parte para o ataque,
mesmo consciente de que gritos, ameaças, pressão psicológica, castigos, saída forçada da sala de aula afetam o desenvolvimento
do educando… Mas a quem recorrer? Em que estado emocional se encontra a família, o gestor, para lhe proporcionar subsídios?
Sem amparo, valorização, reconhecimento, o educador — humano vulnerável — vem sofrendo agressões, e, cada vez mais, o
emocional se estilhaça ante as incessantes investidas.
É chocante a agressividade, nomeadamente a infantil. É arrepiante como a sexualidade se manifesta cada vez mais cedo. A família
consentiu que o carinho, o amor, o afeto, a inocência se esvaíssem. A família abafou o pudor — assistem a programas eróticos
diante das crianças, e muitas apreciam os pais praticarem atos sexuais. A família submergiu no mar das turbulências domésticas,
perdeu o senso de limites… E o fruto dessas metamorfoses são exibidos nas dependências da escola.

Esse desequilíbrio decompõe o híbrido espaço familiar num moderno laboratório que opera em alta rotatividade para aniquilar
valores, suprimir limites, eliminar amor, estilhaçar respeito… Suplantar sentimentos, emoções… O Eu para produzir delinquentes
que inundam presídios.

Se nos posicionarmos no portão de uma escola, excepcionalmente, a que tem turma de quatro a cinco anos, visualizaremos
horrores, como o desequilíbrio de pais que, simplesmente, aterrorizam com adjetivos que provocam calafrios: “Você é um
monstrinho, nunca vai ser nada na vida!”. Muitos choram e são agredidos; outros se calam, se submetem… Cruzam os braços para
apreciar a troca de farpas dos pais, e há os que já estão armados e descarregam nos colegas a violência recebida.

Sem comando, o educador deixa-se levar e toca o barco da turma adiante, navegando entre dificuldades, desaprendizagens e
fracassos discentes, sob o olhar de um sistema que se detém nas dificuldades para identificar os fatores emocionais que interferem
num processo, assentando aprendente e ensinante no mesmo paralelo. Paralelo que salienta o diferencial entre educar e ensinar,
e a resposta emana de lá — da fonte família.

A parcela da família
Pais, a paradinha é a seguinte: educar com limites e valores não tem segredo! Tampouco, determina atrativos, sortilégios, moldes…
Brindes… Por mais que a vida nos impulsione a correr, podemos cumprir obrigações para que nossos filhos sofram menos. Temos
consciência de que agir com coerência pode resgatar vidas submergidas no caos social e familiar,
pois crianças chegam à escola repletas de dificuldades: separação dos pais, pedofilia, violência
doméstica, drogas, prostituição… — e isso exige de nós tempo e atenção… Essa chamada é o
alerta para refletirmos sobre atos, ações e atitudes que deseducam.

Os pequenos gestos que se negam hoje podem ser a diferença no amanhã daqueles a quem
devemos fornecer o mínimo de subsídios, valores… Pois quando esses gestos afetam o ponto
mais vulnerável do humano, o emocional desequilibra, impele por veredas ameaçadoras, e,
como não conseguimos vigiar, a tecnologia abre um leque de veredas, como o jogo Baleia Azul.
Um jogo cruel, cujo troféu é a própria vida do jogador. E muitos, alvejados nocivamente nesse
ponto — problemas depressivos —, mudam de direção, alteram o quadro físico, como cortes,
que são camuflados com a mudança de estilo.

Essas ações são marchas rumo a um abismo, onde recuar para recomeçar é impossível. Sem
sensatez, arremessam-se pelos entrelaçados caminhos à caça do ingrediente que induza ao
ponto mais almejado: a superação. Superar a falta de afeto, suplantar conflitos, fracassos,
depressão… Fracassam.

A partir de então, iniciam-se as dores: mudanças de comportamento, isolamento,


automutilação… Até chegar ao produto final, a vida, que se entrega à destruição total com o
suicídio.

Salvo engano, pais em franco desespero buscam vislumbrar onde erraram na formação. Com um simples olhar de lado, a resposta:
faltou o acompanhamento do dia a dia; faltou o laço do afeto que não foi enlaçado; faltou irrigar a sementinha da confiança,
fortalecer a base da amizade… para assim, prepararem os filhos para enfrentarem os tremores de uma sociedade repleta de
armadilhas, cuja decomposição de valores foram compactados, diluídos pela máquina da globalização, convertendo cidadãos, em
espólios; e o espaço escolar, num ambiente cada vez mais hostil, onde crianças, jovens e adolescentes não abrem mão de estarem
conectados e que, sem orientação, monitoramento, contaminam-se com jogos que incitam à violência.

Pais e educadores, ainda há tempo para correrem em busca de retornos. Conhecem a parábola do semeador? É bom que
conheçam… Quando Cristo falou a seus discípulos em parábolas, foi para que somente os que estavam com Ele compreendessem
a Sua mensagem… Pois muitos que o seguiam, entreviam, nas situações, oportunidades para se darem bem… Como o alvo era tão
somente, os próprios interesses, viam e não enxergavam; ouviam e não escutavam…

Assim é na escola… Quantas vezes falamos e não somos ouvidos, muitos estão nela, mas não tiram proveito do que ouvem e veem
para a vida… Essa parábola é o alerta de que colhemos tão somente o que plantamos e onde plantamos… A fase que atravessam é
a época mais propícia do humano para semear.

Você, educador, o que está disseminando? Trigo para alimentar e fortalecer ou joio para desequilibrar? Preparou o solo para o tipo
de cultura que seus educandos almejam cultivar? O que semeou? Onde semeou? À beira do caminho para as aves do céu
devorarem? Entre espinhos? Num terreno pedregoso? Ou teve zelo no tratamento, na recuperação do solo? Irrigou? Escolheu uma
semente de qualidade?

Assim é na escola… A semente pode ser de qualidade, todavia se o terreno não for propício, dificilmente teremos uma boa safra…
Não existem solos com a mesma proporção de acidez e fertilidade. Assim como não há pessoas iguais… Quando falo igual, não me
refiro à aparência física, ao estilo de vida, de ser, vestir… cultural ou social… Contudo, ao Eu… É esse Eu que nos faz únicos… O que
plantamos ou permitimos ser plantado no solo do nosso Eu fará a diferença, pois, na trajetória viver, muitas espécies são semeadas
à beira do caminho… Esse terreno é o point para as aves se alimentarem; outras entre as pedras e mesmo lutando para existir não
resistem à ausência de nutrientes e água… Algumas entre espinhos, germinam, crescem, conseguem se adaptar… Contudo, não
chegam à fase adulta, pois são asfixiadas e mortas no meio da trajetória… As que caem em terreno fértil, crescem, produzem… Pois
o primeiro semeador — a família — teve o cuidado de preparar o solo, escolher uma semente de qualidade, o fertilizante adequado.

O que faltou? Faltou um olhar, para vislumbrar aquela vida que muitas vezes não vale nada para o próprio educador; faltou
sensibilidade para degustar a experiência de compartilhar sonhos e projetos, e a mesma flecha que atingiu o seu educando pode
alterar a direção e acertá-lo… Olhar, sentir, entender, compartilhar, amparar… Podem ser ações simples, mas que farão total
diferença na vida daqueles que necessitam tão somente de que o seu Eu seja notado, estimulado e respeitado para não se perder
dentro de si mesmo.

ATENÇÃO! Carinho educa por meio dos reflexos, porque a dedicação pela profissão promove situações que acolhem, atos e atitudes
que transformam vidas.
ATENÇÃO! Falácias exaltam, todavia, não mudam; falácias excitam, contudo, não fecundam, tampouco geram expectativas,
alimentam a esperança e muito menos estimulam a luta…
ATENÇÃO! A maturidade ensina, guia com prudência, aprende com valores, advertindo que a palavra mais sábia é aquela que não
foi falada para magoar, ferir… fazer sofrer… Ou desviar seu cliente do intento maior: ser feliz. Afinal, o que doamos ao outro,
exclusivamente, o que exala de nós pode abrir feridas, acender ódio ou contentar o íntimo a ponto de transformar vidas.

Artigo 3:
A emoção vai à escola: educação socioemocional
O novo paradigma mundial é efêmero, tudo parece passar tão rapidamente que as pessoas não conseguem vivenciar as emoções.
O mundo tem pressa, e as mudanças são velozes, as palavras mais clamadas são mudar, modificar, transmutar, transformar, e tudo
numa velocidade incrível. Os estudos acerca do comportamento humano são um desafio neste modelo contemporâneo. As
transformações biopsicossociais são evidentes e tudo se torna imprevisível. Situações como desigualdades, discriminação,
preconceito, movimentos fanáticos, terrorismo, etc., que a humanidade vivencia, deixam sequelas emocionais, como o medo, a
desconfiança e a insegurança, e tendem a atingir a todos. Um novo panorama mundial, econômico, político, social e
comportamental se estabelece, e esse modelo pós-moderno, que estimula a competitividade, o consumo desenfreado, que oferece
uma avalanche de estímulos através dos meios de comunicação, a transição do conceito de família para um com novos modelos, a
escala de valores constituídos nas famílias, o trabalho fora de casa dos pais (que muita vezes terceirizam a educação dos filhos),
entre outros, contribuem para o desequilíbrio emocional das pessoas e dificultam o convívio social. Desse modo, há novos sujeitos,
novos comportamentos, que exigem uma transformação e participação ativa da escola na formação das crianças e dos jovens. Esta,
responsável pela sistematização de conhecimentos e desenvolvimentos pessoal e social dos indivíduos. A escola busca, há décadas,
caminhos para uma educação articulada à realidade — temporal e histórica — voltada para esse novo sujeito. Assim, é fundamental
que a função da escola e do professor seja ampliada para uma dimensão afetiva, pautada na educação socioemocional com a qual
se possam experimentar as emoções e construir sujeitos pensantes capazes de administrar os pensamentos, as ações, as emoções,
e construir uma sociedade mais justa, igualitária, empática e humana.

Emoções e inteligência na escola


É evidente que o homem tem a necessidade de relacionar-se com o seu semelhante e consequentemente adaptar-se ao meio
ambiente onde está inserido, estes fatores primários são fundamentais para o desenvolvimento humano como um todo.

As emoções, portanto, constituem a fonte mais poderosa de autenticidade, orientação e energia humana e, se bem direcionadas,
podem proporcionar uma sabedoria intuitiva, informação vital e potencialmente proveitosa no existir das pessoas. Nesse contexto,
a escola é o espaço para a permissão e o desenvolvimento da competência emocional, entretanto deve-se considerar que, para tal,
o professor também precisa desenvolver essa competência considerando as suas frustrações e dificuldades que lhe são peculiares
no exercício da profissão, observa-se então que é uma necessidade emergente. (GOLLEMAN, 1995).

O ambiente escolar é uma experiência fantástica de vida, tanto para alunos quanto para professores. É nesse espaço que se refletem
os relacionamentos social e emocional que influenciam na formação do ser humano tanto enquanto pessoa quanto profissional.
Nesse convívio diário, professores e alunos experimentam a alternância das emoções que leva a mudanças de humores e à
necessidade de desenvolver capacidades de autocontrole emocional.
As emoções estão diretamente ligadas à dinâmica cerebral, e esse processo mental está articulado às estruturas cerebrais. O
cérebro humano possui três zonas situadas umas sobre as outras: o bulbo raquidiano, o sistema límbico e o neocórtex, ou córtex
cerebral, que perfazem a trindade do cérebro, formando uma total interação, segundo Mártin e Boeck (2002).

As emoções se originam no sistema límbico e são trabalhadas pelo cérebro, isto é, no momento em que surgem os sinais emocionais,
uma estrutura no sistema límbico proclama uma emergência, e aciona o resto do cérebro para uma decisão imediata; em seguida,
é tomada pela amígdala cortical, que é a grande responsável pelas questões emocionais, inclusive pelas lágrimas, um sinal
emocional exclusivo dos seres humanos.

Valle (1997) cita a existência de cinco emoções básicas: o medo, a raiva, a tristeza, a alegria e o afeto, que se manifestam
independentemente e são responsáveis por gerar novas facetas emocionais. Certamente, uma emoção ocorre a partir de um
estímulo que causa a detonação da carga emocional no tronco encefálico, passando por três processos distintos: o sentir —
processo intrapsíquico; o expressar — tradução da emoção por palavras, que é um processo verbal; e o atuar — que se traduz pela
expressão corporal das emoções sentidas e verbalizadas.

Na visão de Cury (2001, p. 34),

A emoção é um campo de energia em contínuo estado de transformação. Produzimos centenas de emoções diárias. Elas se
organizam, se desorganizam e se reorganizam num processo contínuo e inevitável.
E, neste vai e vem de energia e emoções, experimentamos sensações e sentimentos agradáveis e desagradáveis.

Segundo Golleman (1995, p. 70):

Não se trata de evitarmos os sentimentos desagradáveis, para que fiquemos satisfeitos, mas de não permitir que sentimentos
tempestuosos nos arrebatem, atrapalhando o nosso bem-estar.
Assim,

A inteligência emocional abarca qualidades como a compreensão das próprias emoções, a capacidade de nos pormos no lugar de
outras pessoas e a capacidade de controlarmos as emoções de forma a melhorar a qualidade de vida (MÁRTIN E BOECH, 2002, p.
17).
Neste momento, em que a educação de crianças e jovens é algo tão complexo para
os pais, educadores e escola, urge buscar estudos e pesquisas científicas que
contribuam para “formar” seres independentes, que compreendam o ponto de vista
do outro, com capacidade de controle emocional, para então se reverter o quadro
contemporâneo.

A escola ainda proporciona uma aprendizagem voltada ao desenvolvimento do


pensamento puramente cognitivo, e em contrapartida grande parte do pensamento
exigido fora dela exige do sujeito capacidades muito mais voltadas para a gestão de
situações adversas, de gerenciar pessoas, com desenvolvimento das inteligências
intra e interpessoais. Portanto, a escola precisa sair da posição de uma visão uniforme
de educar para uma visão muito mais ampla, conceituada por Gardner (2000) como
uma escola mais humanista, centrada no indivíduo, e que desenvolva todos os
âmbitos, não somente o aspecto cognitivo dos alunos.

Diante da realidade contemporânea, evidenciada pela complexidade de educar numa


sociedade ansiosa, consumista, com crianças e jovens que valorizam o “ter”
(brinquedos, celulares, roupas de marca, objetos), com informações rápidas e relações fugazes, é importante compreender o novo
papel da escola, esta como um espaço educacional multiplicador de pessoas que pensam, que vivem em um momento histórico e
social de “vida tecnológica”, de seres que necessitam de qualidade de vida e saibam gerenciar esses pensamentos, essas situações
e reações emocionais.
Observa-se que a sala de aula hoje permeia um espaço de pessoas ansiosas,
tensas, sem relacionamentos mais profundos, superficiais, produto da
mudança de valores desse novo milênio e das novas configurações que
originaram um novo comportamento; portanto, é importante que a emoção
vá à escola, e as instituições de ensino desenvolvam em seus alunos a arte de
conviver com suas emoções, e não apenas passar conhecimento técnico, não
se pode perder de vista a sensibilidade humana. Para tal, é necessária a
inclusão de um currículo voltado também para o desenvolvimento da
inteligência multifocal, base para o desenvolvimento da competência
emocional do indivíduo.

Segundo Cury (2001), para reverter essa situação, não é preciso tomar remédios ou fazer terapia. Se os jovens tivessem aulas
específicas de educação socioemocional, o panorama seria totalmente diferente. A ideia principal é ensinar aos estudantes a lidar
melhor com suas emoções e com sua inteligência. A aptidão emocional influi em todos os aspectos básicos da vida.

Certamente, cada vez mais se exige do professor que desenvolva em seus alunos a capacidade de controle emocional; para tal, a
relação pedagógica torna-se cada vez mais de ordem afetiva. É fundamental a transformação de uma concepção do professor de
uma perspectiva intelectual para uma perspectiva afetiva; assim, é necessária uma restauração da afetividade no espaço escolar na
relação humana; inclusive na relação professor-aluno, não há como separar mais a razão dos sentimentos e das emoções.
Augusto Cury traz a educação socioemocional como o futuro da educação mundial. Para o autor, a teoria sobre inteligência
multifocal ajuda a desenvolver a educação socioemocional. As instituições de ensino devem oportunizar, além da construção de
lições de conhecimento técnico, construções de lições mútuas da vida, que permitirão que seus alunos convivam com suas emoções.
Professores e alunos convivem juntos durante anos sem cruzar suas histórias. Os alunos saem das escolas e universidades com
diplomas nas mãos, mas despreparados para lidar com desafios, confrontos, decepções e fracassos. Em geral, têm dificuldades em
interpretar as imagens, libertar a criatividade e apresentar a liderança do Eu nos focos de tensão. Para Postic (1990, p. 115).

O docente que oferece ao jovem a possibilidade de se empenhar nas atividades e, por isso, de ultrapassar a fase familiar da
reciprocidade afetiva para chegar a um investimento de si mesmo na situação irá adquirir a sua autonomia.
Para Cury, na aplicação da teoria da inteligência multifocal, os alunos podem ser estimulados a se colocar no lugar do outro, a expor
suas ideias, a pensar antes de reagir, a filtrar os pensamentos não positivos, a prevenir o estresse e fundamentalmente a trabalhar
perdas e frustrações. O desenvolvimento dessas funções é primordial para o não adoecimento; certamente, é quase impossível não
adoecer nessa sociedade já adoecida coletivamente, na qual tudo é fugaz, rápido e urgente.

A educação emocional voltada para a formação de pensadores, portanto pautada no desenvolvimento da inteligência multifocal,
na ampliação da consciência crítica na construção de relações interpessoais e na formação da personalidade, visa também à
prevenção de doenças psíquicas de nossas crianças e jovens e certamente irá produzir uma sociedade mais justa, igualitária,
empática e humana.

Assim, pais e professores, escola e comunidade, famílias e sociedade, podem, juntos, construir um novo paradigma que será
passado de geração para geração promovendo a sustentabilidade do ser humano saudável, capaz de administrar os pensamentos,
ações, as emoções, reconhecer os erros e ressignificar o caminho. Certamente, a transformação da escola oportunizará a mudança
das atitudes e construirá a arte de pensar e a autonomia que humaniza. É importante que educadores tenham a consciência de que
educar crianças e jovens é penetrar um no mundo do outro. A educação socioemocional pauta-se na EMOÇÃO na escola… em
permitir que a EMOÇÃO chegue na escola e seja vivenciada… diariamente…

Considerações finais
Rosangela Nieto de Albuquerque é Ph.D. em Educação, pós-doutoranda em Psicologia Social, doutoranda em Psicologia Social,
Mestra em Ciências da Linguagem, professora universitária de cursos de graduação e pós-graduação, coordenadora de cursos de
pós-graduação em Educação, psicopedagoga clínica e institucional, analista em Gestão Educacional, pedagoga. Autora de projetos
em Educação, autora da implantação de uma clínica-escola de Psicopedagogia como projeto social. Autora de três livros:
Neuropedagogia e Psicopatologias, Psicoeducação e Neuropsicologia. E-mail: rosangela.nieto@gmail.com
A escola e os educadores devem repensar sua práxis educativa em relação à importância de promover o ajustamento emocional de
seus alunos. Dessa forma, torna-se fundamental a educação emocional, que consiste na compreensão das emoções individuais, na
percepção dos fatores motivacionais de tais emoções e na análise de como foram adquiridas. Trata-se, portanto, de uma nova visão
educacional que tem como objetivo conhecer o mundo das emoções a fim de proporcionar o bem-estar e consequentemente a
melhoria de qualidade de vidas das pessoas.
Educar as crianças e jovens com atenção às competências emocional e social estabelece uma medida preventiva para os indicadores
do mal-estar da modernidade. É imprescindível a inserção de uma educação emocional no currículo, principalmente nas escolas
públicas, onde os alunos são vítimas da desigualdade social, sendo alvos de alienação e pressão que poderão lhes causar sérios
colapsos nas relações com a sociedade.

A escola não deve se limitar a simplesmente transmitir conhecimentos sistemáticos e desenvolver somente o aspecto cognitivo, é
necessário refletir o panorama educacional brasileiro que clama por mudanças significativas. É fundamental que a escola tenha
como metodologia básica uma educação emocional; esse espaço funcionará como multiplicador de pessoas que pensam, com
reflexão crítica, que aceitam as diferenças, que saibam tomar decisões em prol do bom convívio social, que saibam refletir antes de
agir, que tenham qualidade de vida, enfim, de pessoas que compreendam, expressem e avaliem suas emoções, identificando-as e
controlando-as a fim de solucionarem problemas e conflitos surgidos nas mais variadas situações cotidianas de sua vida, seja no
ambiente familiar, escolar, na comunidade ou no trabalho, e que principalmente valorizem a vida.

Artigo 4:
Psicologia Positiva e o processo de ensino-
aprendizagem
A Psicologia Positiva surgiu em meados dos anos 90 do século passado, nos Estados Unidos. Cientistas de alguns dos maiores centros
de estudos em Psicologia da atualidade, tais como os das Universidades de Harvard, Yale, Pensylvania e Michigan, reuniram-se com
o objetivo de compreender melhor os caminhos que levariam o ser humano à felicidade. Martin Seligman (ex-presidente da
Associação Americana de Psicologia), focado em estudar as questões da felicidade e do bem-estar do sujeito, desenvolveu uma
pesquisa voltada a identificar os bons sentimentos e as emoções positivas nas relações interpessoais, o bom-humor, o otimismo e
a gentileza. Certamente, há muitas décadas os pesquisadores da área de Saúde se preocupam com as questões das emoções e as
consequências que elas exercem sobre o organismo.

Assim, a Psicologia Positiva, voltada para o estudo científico das potencialidades humanas, além de agregar ao clássico papel
curativo da Psicologia convencional, também se apresenta com um caráter preventivo, essencial quando se pensa em qualidade de
vida e no desenvolvimento pleno do potencial humano.

Em 2000, Barbara Fredrickson, pesquisadora da Universidade de Michigan, publicou uma pesquisa acerca da função das emoções
positivas. Assim, descobriu-se que as emoções positivas (e, por extensão, a felicidade) possuem funções significativas, maiores do
que, simplesmente, a de promover o bem-estar.

As emoções positivas, tais como alegria, otimismo e esperança, fortalecem os recursos intelectuais, físicos e sociais. Em contraponto
ao que ocorre com as negativas, o cultivo das emoções positivas promove uma disposição mental expansiva, tolerante e criativa,
deixando as pessoas abertas a novas ideias e experiências.

Alguns pesquisadores são enfáticos no que tange ao cultivo das emoções positivas, que são primordiais à própria sobrevivência da
espécie humana.

A escola e a Educação positiva


A Educação Positiva está permeada de habilidades específicas que auxiliam os alunos a reforçar as suas relações interpessoais,
promover consciência, construir emoções positiva, e incentivar um estilo de vida mais saudável. A Educação Positiva se une à ciência
da Psicologia Positiva no sentido de melhorar as práticas educacionais para apoiar, desenvolver e incentivar os indivíduos, a
comunidade e o espaço escolar.

A Educação Positiva está permeada de habilidades específicas que auxiliam os alunos a reforçar as suas relações interpessoais,
promover consciência, construir emoções positivas e incentivar um estilo de vida mais saudável.

Na verdade, as escolas, há algum tempo, já estão praticando a Psicologia Positiva, pois já optaram por implementar no currículo o
Programa de Resiliência Penn ou o Programa Bounce Back. Certamente, esses programas não só permeiam o desenvolvimento de
resiliência, mas buscam trabalhar as relações e emoções positivas, os pontos fortes e práticas de incentivo para se chegar à
motivação do estudante.

Observa-se, no contexto mundial, que alguns países investem na Psicologia Positiva em suas escolas, pois criaram seus próprios
currículos específicos baseados no bem-estar. A Federação de Aske, no Reino Unido, a Luanda International School, em Angola, e a
Saint Peter School, na Austrália, estão implementando a aplicação da Psicologia Positiva articulando programas, conforme a
realidade social no tocante ao bem-estar do sujeito, e sucesso no processo ensino-aprendizagem.

Naturalmente, a implementação de um programa de educação positiva na escola requer uma preparação de todos envolvidos no
processo, e alguns fatores devem ser levados em consideração, como o estudo do tempo de execução, o treinamento, o custo do
programa e as questões interdisciplinares, e essa mudança no currículo deve ter uma ampla abordagem holística, com enfoque na
cultura e valores da instituição, pautar-se no bem-estar pessoal e do aluno e conscientizar os sujeitos educacionais, de que, para se
chegar ao sucesso do uso da Educação Positiva nas escolas, é fundamental trabalhar as emoções positivas.
É preciso, portanto, compreender que o objetivo da escola, além de transmitir conhecimento e aprendizagem acadêmica para
alcançar metas, é ajudar a desenvolver as emoções positivas; a aprendizagem social e emocional; e o bem-estar; assim, a escola
estará investindo na melhoria do sujeito como um todo.

As emoções constituem a fonte mais poderosa de autenticidade, orientação e energia humana e, se bem direcionadas, podem
proporcionar uma sabedoria intuitiva, informação vital e potencialmente proveitosa no existir das pessoas. Nesse contexto, a escola
é o espaço para a permissão e o desenvolvimento da competência emocional; entretanto, deve-se considerar que para tal o
professor também precisa desenvolver essa competência, considerando as frustrações e dificuldades que lhe são peculiares no
exercício da profissão. Observa-se então que é uma necessidade emergente (CURY, 2012).

A opção de vivenciar a Psicologia Positiva na escola contribuirá para todo o contexto educativo, a comunidade escolar, docentes,
discentes, funcionários e também para a comunidade do entorno. É evidente que para o processo ensino-aprendizagem ter sucesso
eles devem estar permeados pela afetividade entre professor-aluno, num clima de respeito, bem-estar e emoções positivas.

Analisar as emoções dos aprendentes é fundamental para a práxis educativa, pois, no contexto escolar, especialmente no processo
ensino-aprendizagem, é importante conhecer e praticar as emoções positivas, e ela deve iniciar na postura do docente. Neste
contexto, é fundamental que o docente trabalhe suas emoções, pois a práxis pedagógica funciona quando há um elo de teoria,
prática e vivência efetiva. O termo emoção está pautado em três dimensões importantes: valência, alerta e controle, que tomam
como base as experiências do indivíduo, o comportamento e a maneira de expor o que está sentindo, que, dependendo da situação,
podem alterar as ações do sujeito, com reflexos no sistema neurofisiológico (GIL, 2010).

Felicidade na escola
Os estudos acerca da felicidade envolvem também a ótica da neurociência, sobretudo porque as emoções são resultado das
atividades cerebrais e dos processos neuroquímicos, estes relacionados à saúde orgânica e psíquica e também aos estudos na área
da Psiconeuroimulogia. Os avanços nos estudos da neurociência já demonstraram que existe a proteína da felicidade, e os benefícios
para a saúde são espetaculares.

A felicidade permeia vários conceitos e definições, mas a


neuropsicologia enfatiza que ela está ligada ao sistema emocional e à
memória e leva o indivíduo ao estado de bem-estar interferindo no
sistema somatossensorial, imunológico e endocrinológico (BALLLONE,
2007).

Gil (2010) remete às questões dos marcadores somáticos quando se


refere à felicidade, pois as sensações físicas e os sentimentos, apesar
de terem origem na experiência emocional, interferem nos processos
cognitivos. As informações recebidas pela memória são processadas
no córtex cerebral, e os impulsos elétricos transformam-se em
sensação de bem-estar (SELIGMAN, 2002). Portanto, nas situações de
felicidade, de bem-estar, as chances de sucesso na aprendizagem são significativas.

É importante enfatizar que as emoções positivas impedem a produção de dois hormônios que, em excesso, são prejudiciais à saúde
— o estradiol e a adrenalina —, pois permitem o surgimento de doenças. Em antítese, estar feliz faz o organismo produzir uma
substância chamada endorfina, que circula pelo organismo fazendo-o funcionar melhor (SELIGMAN, 2002).

A felicidade, que é o objetivo da Psicologia Positiva, não se resume a alcançar estados subjetivos momentâneos. Felicidade também
inclui a ideia de uma vida autêntica [...] e autenticidade descreve o ato de obter gratificação e emoção positiva através do exercício
das próprias forças pessoais, que são caminhos naturais e permanentes para a gratificação (SELIGMAN, 2002, p. 288).

Considerações finais
A Psicologia Positiva constitui um desafio para as novas gerações de psicólogos, pois ela preenche uma importante lacuna do
conhecimento, revelando preocupações na aplicação dos métodos científicos à complexidade do comportamento humano.
Certamente, ela estabelece influência no equilíbrio dos corpos físico e mental, e uma característica é a questão da resiliência, ou
seja, o poder humano de se manter firme diante dos infortúnios, adaptando-se a eles.

A prática busca quebrar os vínculos que prendem o pensamento humano a uma concepção negativista sobre a jornada existencial
humana. Inspirada pela psicologia humanista, ela tem como foco a natureza positiva das experiências e vivências do indivíduo. A
ênfase permeia a esfera iluminada da mente, visando promover qualidade de vida.

Certamente, as emoções positivas, como esperança, alegria e otimismo, são fundamentais para fortalecer os recursos intelectuais,
sociais e físicos; então, o cultivo das emoções positivas promove uma disposição mental expansiva, tolerante e criativa, deixando
as pessoas abertas a novas ideias e experiências.
A Psicologia Positiva estuda os processos cognitivos e emocionais subjacentes às experiências subjetivas e aos traços de
personalidade dos sujeitos, no sentido de facilitar mudanças comportamentais. Assim, no contexto educacional, a Psicologia Positiva
contribui no contexto do processo ensino-aprendizagem, porque promove situações de otimismo, bem-estar, segurança e
felicidade; assim, são grandes as chances de sucesso na aprendizagem.

É importante enfatizar que as emoções positivas impedem a produção de dois hormônios que, em excesso, são prejudiciais à saúde
— o estradiol e a adrenalina —, pois permitem o surgimento de doenças.