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Ouvrage publié avec le soutien du Centre National du Livre – Ministère Français Chargé de

Ouvrage publié avec le soutien du Centre National du Livre – Ministère Français Chargé de la Culture –

Obra publicada com o apoio do Centro Nacional do Livro – Ministério Francês da Cultura –

Título original: Petit Larousse de la Psychologie – Les grandes questions, notions essentielles Tradução, notas e adenda bibliográfca: Hélder Viçoso Grafsmo: Cristina Leal Paginação: Vitor Pedro

Larousse, Paris, 2005

Todos os direitos desta edição reservados para

Edições Texto & Grafa, Lda. Avenida scar Monteiro Torres, n.º 55, 2.º Esq. 1000‑217 Lisboa Telefone: 21 797 70 66 Fax: 21 797 81 30 E‑mail: texto‑grafa texto‑grafa.pt www.texto‑grafa.pt

Impressão e acabamento:

Papelmunde, SMG, Lda. 1.ª edição, Setembro de 2008

ISBN: 978‑989‑95884‑0‑0 Depósito Legal n.º 281984 /08

Esta obra está protegida pela lei. Não pode ser reproduzida no todo ou em parte, qualquer que seja o modo utilizado, sem a autorização do Editor. Qualquer transgressão à lei do Direito de Autor será passível de procedimento judicial.

Sejam dicionários, prontuários, léxicos, vocabulários ou obras genéricas de referência identifcadas através de

Sejam dicionários, prontuários, léxicos, vocabulários ou obras genéricas de referência identifcadas através de ordenação alfabética, pretende‑se sobretudo que os temas abordados na colecção “ ndice” sejam represen‑ tados por obras de indiscutível qualidade, que se possam afrmar como auxiliares imprescindíveis de consulta e de leitura nos diversos domínios do conhecimento humanístico, científco, técnico ou artístico.

Introdução

Os avanços dos séculos XX e XXI levaram‑nos a integrar novos conhe‑ cimentos tanto no plano médico quanto no plano psicológico.

O desenvolvimento da Psicologia, da Psicanálise, das terapias sisté‑

micas, cognitivas e comportamentais – das diferentes escolas terapêuticas, em suma – deu‑nos a possibilidade de mergulhar nestas ciências de modo a

dispormos de uma maior bagagem cultural. Num momento em que a duração da vida se prolonga, esforçamo‑nos

por precisar os diferentes parâmetros da nossa história, por investir nos cam‑ pos afectivo, profssional ou relacional e encontrar um sentido para a nossa vida. Num período em que os parâmetros familiares são mais complexos (dif‑

culdades conjugais, separações precoces

apogeu do individualismo interpela‑nos a todos: o culto do desempenho

),

procuramos viver melhor.

O

).
).

e a euforia da felicidade são colocados à frente de tudo o resto. O desenvolvimento pessoal prevalece, em detrimento de outras escolhas e, por vezes, com prejuízo dos valores familiares. Paralelamente, as pessoas estão cada vez mais sozinhas, isoladas. A solidariedade e o campo relacional estreitam‑se. Os terapeutas da alma

(psiquiatras, psicólogos, etc.) são cada vez mais solicitados para ajudar os indiví‑ duos que se debatem com difculdades relacionais ou do foro íntimo. Numa altura em que esta procura se torna cada vez mais importante, somos afectados pelo paradoxo da diminuição da formação psiquiátrica:

esta disciplina, que responde a uma procura cada vez maior por parte da sociedade, viu diminuir o número dos seus profssionais ao longo dos anos. A par da resposta a perturbações psicopatológicas que necessitam de uma intervenção precoce (e, por vezes, até de hospitalização), encontra‑se um acompanhamento psicológico feito por esses «terapeutas da alma», que permite, quer de forma regular, quer de forma pontual, responder a crises individuais, conjugais ou familiares. Eles intervêm em muitos campos da saúde mental, mas também nos de

em muitos campos da saúde mental, mas também nos de cariz social (escola, trabalho Longe de

cariz social (escola, trabalho

Longe de nós a ideia de pensar que é neces‑

sário haver uma «psicologização» ou uma «psiquiatrização» da sociedade. No entanto, é preciso evitar uma intervenção demasiado tardia em problemas que podem ser tratados cedo e, por vezes, pontualmente.

A

imagem da Psicanálise do início do século XX dava aos indivíduos

uma noção de obrigações importantes (cura psicanalítica que exigia entre quatro a cinco sessões por semana, durante vários anos). Hoje em dia, gra‑ ças à integração dos diferentes modelos da Psicologia e das Ciências Sociais, existem ferramentas que permitem soluções a diferentes níveis e, às vezes, intervenções extremamente efcazes e rápidas. A evolução deste saber‑fazer

possibilitou a consulta de muitas pessoas. A prevenção no campo da saúde mental é um dado a ser desenvolvido nos próximos anos. Compreender adequadamente o desenvolvimento da personalidade, reparar feridas afectivas precoces, aprender a refectir, a autoconhecer‑se e levar (o seu/o nosso) tempo a pensar – eis aquilo a que se destina esta obra.

Dr.ª Sylvie Angel

ApresentAção

Abrangendo os domínios da Psicologia, da Psiquiatria e da Psicanálise,

este Dicionário Enciclopédico de Psicologia pretende ser uma obra de referên‑ cia, simultaneamente teórica e prática, ao percorrer da maneira mais vasta possível estas três disciplinas. Tal como qualquer dicionário enciclopédico, esta obra reúne defni‑ ções, desenvolvimentos enciclopédicos, dossiês e biografas, tanto de auto‑ res como de teóricos. Para uma consulta mais fácil, optámos por uma organização em três partes.

A primeira é consagrada à história das disciplinas, assim como à vida e

à obra de grandes teóricos. A escolha das biografas apresentadas responde a vários critérios. Encontrar‑se‑ão,
à obra de grandes teóricos. A escolha das biografas apresentadas responde a
vários critérios. Encontrar‑se‑ão, com efeito, os «fundadores» das disciplinas
dos séculos XIX e XX, autores que inovaram no seu domínio, mas também
autores contemporâneos de grande relevância.
A
segunda parte apresenta, através de um conjunto de cerca de ses‑
senta dossiês organizados alfabeticamente, as grandes questões da Psico‑
logia e da Psicanálise aplicadas à vida quotidiana: universo da adolescência,
apego, segredos familiares, casal e fdelidade, mas também perturbações
obsessivo‑compulsivas e fobias, depressão, auto‑estima, personalidades
difíceis
O leitor poderá encontrar igualmente alguns dossiês acerca das
principais psicopatologias: neuroses, psicoses, esquizofrenia
A
terceira parte agrupa defnições de aproximadamente 1 500 dos ter‑
mos mais importantes da Psicologia, da Psiquiatria e da Psicanálise. Algumas
destas defnições são prolongadas por um desenvolvimento enciclopédico
que acrescenta uma explicação teórica ou histórica à defnição em causa.
Estas três partes são complementares: a circulação do leitor pela obra
é promovida por um sistema de remissões, assinaladas pelos símbolos
› (remissão para dossiês das Grandes Questões),
u
(para termos do Glossário),
¤ (para Histórias da Psiquiatria, da Psicologia e da Psicanálise) e
p
(para Grandes Teóricos).

No fnal de cada uma das partes desta obra encontram‑se as notas introduzidas pelo tradutor, também responsável pelo acréscimo de indica‑ ções bibliográfcas que não constam da edição francesa.

CoLABorAdores

Alguns textos deste livro foram retirados das obras Dictionnaire fon- damental de psychologie (sob a direcção de Henriette Bloch, Éric Dépret, Alain Gallo, Philippe Garnier, Marie‑Dominique Gineste, Pierre Leconte, Jean‑ ‑François Le Ny, Jacques Postel, Maurice Reuchlin e Didier Casalis), Mieux vivre, mode d’emploi (sob a direcção de Sylvie Angel), Grand Dictionnaire de la psychologie (sob a direcção de Henriette Bloch, Roland Chemama, Éric Dépret, Alain Gallo, Pierre Leconte, Jean‑François Le Ny, Jacques Postel, Mau‑ rice Reuchlin) e Larousse médical (sob a direcção de ves Morin), nas quais colaboraram:

Mélinée Agathon

de ves Morin), nas quais colaboraram: Mélinée Agathon Ex‑investigadora no CNRS [Centre National de la Recherche

Ex‑investigadora no CNRS [Centre National de la Recherche Scienti‑ fque (Centro Nacional de Investigação Científca)], psicoterapeuta comportamental.

Éric Albert

Psiquiatra no Instituto Francês da Ansiedade e do Stress (IFAS). Autor de Comment devenir un bon stressé: le stress au travail (Odile Jacob, 1994) [Como Tornar-se um Bom Estressado, edição brasileira com Gil‑ berto Ururahy, Rio de Janeiro, Salamandra, 1997], L’Anxiété (com Laurent Chneiweiss, Paris, Odile Jacob, 1999) [Depressão e Ansiedade:

Atitudes Práticas, Lisboa, Servier, 2002], L’Anxiété au quotidien (em cola‑ boração, Odile Jacob, 1999), N’obéissez plus! (Éditions d’Organisation, 2001) [Desobedeça!, Lisboa, Bertrand, 2002].

2001) [ Desobedeça! , Lisboa, Bertrand, 2002]. Isabelle Amado-Boccara Interna de Psiquiatria nos Hospitais

Isabelle Amado-Boccara

Interna de Psiquiatria nos Hospitais de Paris, Serviço Hospitalar Uni‑ versitário de Saúde Mental e de Terapia Comportamental do Centro Hospitalar Sainte‑Anne.

pierre Angel

Professor universitário, psiquiatra hospitalar, director‑geral do Centro Monceau (Paris), director científco do centro de consultas pluridis‑ ciplinares Pluralis. Autor de Comment bien choisir son psy? (com Syl‑ vie Angel, Robert Lafont, 1999), Toxicomanies (com Denis Richard e Marc Valleur, Paris, Masson, 2000) [Toxicomanias, trad. de Maria Clara Correia, revisão de Carlos Rodrigues, Lisboa, Climepsi Editores, 2002], Guérir les soufrances familiales. 50 spécialistes répondent (obra dirigida com Philippe Mazet, Paris, PUF, 2004).

sylvie Angel

Doutorada em Psiquiatria, exerceu a sua actividade nos campos da Pedopsiquiatria, do tratamento das toxicodependências e da terapia familiar. Criadora (1980) e, posteriormente, directora clínica do Cen‑ tro de Terapia Familiar Monceau, co‑fundadora (1993) e, depois, vice‑

‑presidente (até 1999) da Sociedade Francesa de Terapia Familiar de Paris, directora da colecção «Réponses» das Éditions Robert Lafont, publicou, entre outros, além de inúmeros artigos científcos, La Poudre et la Fumée. Les toxicomanes: prévenir et soigner (1987, em colaboração com Pierre Angel e Marc Horwitz), Des frères et des sœurs. Les liens complexes de la fraternité (Robert Lafont, 1996), Comment bien choisir son psy (em colaboração com Pierre Angel, Robert Lafont, 1999), Les toxicomanes et leurs familles, Paris, Armand Colin, 2003 [Os Toxicóma- nos e Suas Famílias, trad. Emanuel Pestana, rev. Fernanda Fonseca, Lisboa, Climepsi Editores, 2005].

Corinne Antoine

Fonseca, Lisboa, Climepsi Editores, 2005]. Corinne Antoine Doutorada em Ciências da Vida e da Saúde, psicóloga

Doutorada em Ciências da Vida e da Saúde, psicóloga clínica, professora no Instituto de Ensino à Distância da Faculdade de Paris‑VIII. Colaborou em La Santé au féminin (Paris, Larousse, 2003), Vous et votre grossesse, (Larousse, 2004), Guérir les soufrances familiales (Paris, PUF, 2004) e Pratiquer la psychologie clinique aujourd’hui (Paris, Dunod, 2004).

Françoise Askevis-Leherpeux

Professora investigadora da Universidade de Paris‑V.

Marie-Frédérique Bacqué

Doutorada em Psicologia, professora de Psicopatologia na Universi‑ dade Louis Pasteur de Estrasburgo, vice‑presidente da Sociedade de Tanatologia. Autora de Le Deuil à vivre (Odile Jacob, 1992), Deuil et santé (Odile Jacob, 1997), Mourir aujourd’hui. Les nouveaux rites funéraires (com outros autores, Odile Jacob, 1997), Le Deuil (com Michel Hanus, PUF, 2000), Apprivoiser la mort (Odile Jacob, 2003).

PUF, 2000), Apprivoiser la mort (Odile Jacob, 2003). Gabriel Balbo Psicanalista, membro da Associação Freudiana

Gabriel Balbo

Psicanalista, membro da Associação Freudiana Internacional.

Laurence Bardin

Professor investigador da Universidade de Paris‑V.

Jean-Léon Beauvois

Ex‑professor

de

Psicologia

Social,

Universidade

de

Nice‑Sophia‑

‑Antipolis.

Jean-paul Bertrand

Formador em Relações Humanas, com intervenção em empresas, Paris.

odile de Bethman

Doutorada em Medicina, Serviço de Neonatologia, Clínica de Port‑ ‑Royal (Paris).

Guy Beugnon

Director de Investigação no CNRS (Centro Nacional de Investigação Científca), Laboratório de Etologia e de Cognição Animal, Universi‑ dade de Toulouse‑III.

Chantal Blain-Lacau

Ortoptista, doutorada em Psicologia.

Henriette Bloch

Directora honorária da EPHE [École Pratique des Hautes Études (Escola Prática de Altos Estudos)], no CNRS (Centro Nacional de Investigação Científca), Laboratório de Psicobiologia do Desenvolvimento.

Laboratório de Psicobiologia do Desenvolvimento. Mireille Bonnard Investigadora no CNRS (Centro Nacional de

Mireille Bonnard

Investigadora no CNRS (Centro Nacional de Investigação Científca).

Claude Bonnet

Professor de Psicologia na Universidade Louis Pasteur de Estras‑ burgo.

Marie-Claire Botte

Directora de investigação no CNRS (Centro Nacional de Investigação Científca).

richard Bourhis

Nacional de Investigação Científca). richard Bourhis Professor doutorado da Universidade do Quebeque (Montreal),

Professor doutorado da Universidade do Quebeque (Montreal), Depar‑ tamento de Psicologia.

Bénédicte de Boysson-Bardies

Ex‑directora de investigação no CNRS (Centro Nacional de Investiga‑ ção Científca).

Alain Braconnier

Psicanalista, psiquiatra hospitalar em Paris. Autor de Adolescentes, adolescents: psychopathologie diférentielle (obra dirigida com Colette Chiland, Paris, Éditions Bayard, 1995), Le Sexe des émotions (Paris, Odile Jacob, 1996) [O Sexo das Emoções, trad. Lucinda Martinho, Lisboa, Instituto Piaget, 1998], Abrégé de psychologie dynamique et psycha- nalyse (Paris, Masson, 1998) [Psicologia Dinâmica e Psicanálise, Lisboa, Climepsi Editores, 2000], Adolescence et psychopathologie (com Daniel Marcelli, Paris, Masson, 1999) [Adolescência e Psicopatologia, Climepsi Editores, 2005], Guide de l’adolescence (Odile Jacob, 1999), Mère et fls (Odile Jacob, 2005) [A Nova Mãe-Galinha, trad. Margarida Vale de Gato, rev. Ayala Monteiro, Cruz Quebrada, Casa das Letras, 2006].

Jean-Claude Cadieu

Professor titular de Ciências Naturais, Colégio Émile ola, Toulouse.

nicole Cadieu

Investigadora no CNRS (Centro Nacional de Investigação Científca), Labo‑ ratório de Etologia e de Cognição Animal, Universidade de Toulouse‑III.

Mireille Campan

Directora de investigação no CNRS (Centro Nacional de Investigação Científca), Laboratório de Etologia e de Cognição Animal, Universi‑ dade de Toulouse‑III.

raymond Campan

Ex‑professor, Laboratório de Etologia e de Cognição Animal, Univer‑ sidade de Toulouse‑III. Isabelle Carchon
Ex‑professor, Laboratório de Etologia e de Cognição Animal, Univer‑
sidade de Toulouse‑III.
Isabelle Carchon
Doutorada em Psicologia (Psicologia Experimental e Desenvolvimento
Mental).
Felice Carugati
Professora de Psicologia Social na Universidade de Bolonha (Itália).
séverine Casalis
Professora investigadora na área da Psicologia na Universidade Char‑
les de Gaule, Lille‑III.
Jean-paul Caverni
Director de investigação no CNRS (Centro Nacional de Investigação
Científca), professor na Universidade de Aix‑Marselha‑I.
raphaël Chalmeau
Doutor da Universidade Paul Sabatier, Laboratório de Neurobiologia
e Comportamento, Universidade de Toulouse‑III.
Georges Chapouthier
Director de investigação no CNRS (Centro Nacional de Investigação
Científca), Laboratório de Vulnerabilidade, Adaptação e Psicopatolo‑
gia, Hospital de la Salpêtri re.

Michel Charolles

Professor de Linguística, Universidade de Paris.

sylvie Chokron

Investigadora no CNRS (Centro Nacional de Investigação Científca), Laboratório de Psicologia e Neurocognição, Grenoble, Serviço de Neu‑ rologia, Fundação Rothschild, Paris.

richard Clément

Professor doutorado, titular, director e decano associado, Escola de Psicologia, Universidade de Otava (Canadá).

stéphane Clerget

Pedopsiquiatra, médico hospitalar, Paris. Autor de Ne sois pas triste mon enfant. Comprendre et soigner la dépression au cours des premières années de la vie, Robert Lafont, 1999 [Não Estejas Triste Meu Filho. Com- preender e Tratar a Depressão durante os Primeiros Anos de Vida, Porto, Ambar, 2001], Adolescents, la crise nécessaire (Paris, Fayard, 2000), Nos enfants aussi ont un sexe (Robert Lafont, 2001), Se séparer sans que les enfants trinquent (Paris, Albin Michel, 2004).

Véronique Cohier-rahban

Psicóloga clínica em terapia de pais e flhos e terapia de casal, Centro Pluralis (Paris).

de pais e flhos e terapia de casal, Centro Pluralis (Paris). Claire Colombier Psicanalista. Jean-Marie Coquery

Claire Colombier

Psicanalista.

Jean-Marie Coquery

Professor de Psicofsiologia na Universidade de Ciências e Técnicas de Flandres‑Artois (Lille‑I).

Jean-Michel Cruanes

Psiquiatra na Clínica veline, Vieille‑Église‑en‑ velines.

Boris Cyrulnik

veline, Vieille‑Église‑en‑ velines. Boris Cyrulnik Psiquiatra, etólogo, docente na Universidade de

Psiquiatra, etólogo, docente na Universidade de Toulon‑Var. Autor de Sous le ligne du lien (Paris, Hachette, 1989) [Sob o Signo do Afecto, trad. Ana Maria Rabaça, Lisboa, Instituto Piaget, 1989], Les Nourritures affectives (Paris, Odile Jacob, 1993) [Nutrir os Afec- tos, trad. Ana Maria Rabaça, Lisboa, Instituto Piaget, 1993], Ces enfants qui tiennent le coup (com outros autores, Paris, Revigny‑sur‑ ‑Ormain, Édition Hommes et Perspectives, 1999), Un merveilleux malheur (Odile Jacob, 1999) [Uma Infelicidade Maravilhosa, trad. Carlos Correia de Oliveira, Porto, Ambar, 2001], Les Vilains Petits Canards (Odile Jacob, 2001) [Resiliência: Essa Inaudita Capacidade de Construção Humana, trad. Ana Maria Rabaça, Lisboa, Instituto Piaget, 2003], Parler d’amour au bord du gouffre (Odile Jacob, 2004) [Falar de Amor à beira do Abismo, São Paulo, Martins Fontes Editora, 2006], etc.

Jean-pierre deconchy

Ex‑professor da Universidade de Paris‑X, director do Laboratório de Psicologia Social de Paris‑X.

Anne-Marie de La Haye

Investigadora no CNRS (Centro Nacional de Investigação Científca), Universidade de Paris‑V.

Geneviève delaisi de parseval

Psicanalista, ex‑associada da maternidade do Hospital Saint‑Antoine (Paris). Autora de L’enfant à tout prix (com Alain Janaud, Paris, Éditions du Seuil, 1983), Les Sexes de l’homme (obra dirigida com Jean Bela sch, Éditions du Seuil, 1985), Objectif bébé. Une nouvelle science: la bébo- logie (com Jacqueline Bigeargeal, Paris, Autrement, 1985), Enfant de personne (com Pierre Verdier, Paris, Odile Jacob, 1994), La Part de la mère (Odile Jacob, 1997), La Part du père (Éditions du Seuil, 1998), L’Art d’accommoder les bebés (com Suzanne Lallemand, Odile Jacob, 1998), Le Roman familial d’Isadora D. (Odile Jacob, 2002), Famille à tout prix (Éditions du Seuil, 2008).

2002), Famille à tout prix (Éditions du Seuil, 2008). Florian delmas Professor investigador na área de

Florian delmas

Professor investigador na área de Psicologia Social, Universidade Pierre Mend s France, Grenoble‑II.

Michel denis

Director de investigação no CNRS (Centro Nacional de Investigação Científca), LIMSI [Laboratoire d’informatique pour la mécanique et les sciences de l’ingénieur (Laboratório de Informática para a Mecânica e as Ciências do Engenheiro)], Universidade de Paris‑Sud, Orsay.

do Engenheiro)], Universidade de Paris‑Sud, Orsay. Éric dépret Professor doutorado da Universidade de

Éric dépret

Professor doutorado da Universidade de Massachusetts, profes‑ sor investigador na área de Psicologia Social na Universidade de Grenoble‑II.

Jean-Claude deschamps

Doutorado em Psicologia Social, professor no Instituto de Ciências Sociais e Pedagógicas da Universidade de Lausanne.

Jean-pierre di Giacomo

Professor de Psicologia Social na Universidade de Charles de Gaulle, Lille‑III.

Willem doise

Professor de Psicologia Social na Universidade de Genebra.

Lise dubé,

Professora doutorada, titular de Psicologia Social, Universidade de Montreal.

nicole dubois

Doutorada em Letras e Ciências Humanas, professora de Psicologia na Universidade de Nancy‑II.

eugène enriquez

Professor de Sociologia e director da formação doutoral em Socio‑ logia na Unidade de Formação e Investigação em Ciências Sociais da Universidade de Paris‑VII.

pierre eyguesier

Psicanalista.

Jacqueline Fagard

Directora de investigação no Centro Nacional de Investigação Cientí‑ fca (CNRS), na Unidade Mista de
Directora de investigação no Centro Nacional de Investigação Cientí‑
fca (CNRS), na Unidade Mista de Investigação, Laboratório de Cogni‑
ção e Desenvolvimento, Boulogne‑Billancourt.
Florent Farges
Doutorado em Psicologia, psiquiatra, professor na Universidade de
Paris‑VIII. Autor de Approche communautaire des toxicomanies (PUF,
1998).
Michel Fayol
Professor de Psicologia na Universidade Blaise Pascal‑Clermont‑II.
pierre Ferrari
Professor de Psiquiatria Infantil na Universidade de Paris‑Sud, médico‑
‑chefe da Fundação Vallée (Gentilly).
Cécile Fiette
Psicóloga clínica, psicanalista.
tristan Fouilliaron
Psicanalista.
Alain Gallo
Ex‑professor investigador, Laboratório de Neurobiologia do Compor‑
tamento, Centro Nacional de Investigação Científca (CNRS), Universi‑
dade de Toulouse‑III.

philippe Garnier

Psiquiatra, psicanalista.

Fabienne de Gaulejac

Bolseira do ex‑Ministério da Investigação e Tecnologia francês, profes‑ sora, Laboratório de Etologia e Cognição Animal de Toulouse‑III.

Jean-Yves Gautier

Professor, Laboratório de Etologia da Universidade de Rennes.

Christian George

Professor de Psicologia Geral na Universidade de Paris‑VIII.

Bernard Geberowicz

Ex‑psiquiatra hospitalar, co‑chefe de redacção da revista Générations. Autor de Heurs et malheurs de la vie familiale (Syros, 1994).

Jacques Gervet

Ex‑director de investigação, Centro Nacional de Investigação Científca (CNRS), Laboratório de Etologia e Cognição Animal de Toulouse‑III.

rodolphe Ghiglione

Professor de Psicologia Social da Universidade de Paris‑VIII.

Marie-dominique Gineste Professora e investigadora na Universidade de Paris‑Nord (Villeta‑ neuse). emmanuel
Marie-dominique Gineste
Professora e investigadora na Universidade de Paris‑Nord (Villeta‑
neuse).
emmanuel Guiliano
Psicólogo no campo da Gerontologia, Hospital Bretonneau (Assistên‑
cia Pública−Hospitais de Paris), professor da Universidade de Paris‑V.
Jacqueline Guy-Heinemann
Psicanalista.
Josiane Hamers
Professora do Departamento de Línguas e Linguística, Universidade
Laval (Quebeque).
Yvette Hatwell
Professora jubilada de Psicologia Experimental, Universidade de Ciên‑
cias Sociais de Pierre Mend s France, Grenoble‑II.
André Holley
Professor da Universidade Claude Bernard, Lyon‑I.
Marc Horwitz
Jornalista da área de saúde pública, director da redacção do Journal du
sida et de la démocratie sanitaire, professor da Universidade de Paris‑VI.
Autor de Voyage au bout de la vie (documentário, TF1, 1986).

pascal Huguet

Investigador no Centro Nacional de Investigação Científca (CNRS), Laboratório de Psicologia Social da Cognição, na Universidade Blaise Pascal‑Clermont II.

Marie-Claude Hurtig

Ex‑investigadora no Centro Nacional de Investigação Científca (CNRS), Universidade da Provença, Aix‑en‑Provence.

tomás Ibáñez

Professor de Psicologia Social na Universidade Autónoma de Barcelona.

Zorica Jeremic

Psicóloga de Terapia Familiar, Centro Monceau (Paris), Malakof.

François Jouen

Director da EPHE (Escola Prática de Altos Estudos), Laboratório de Psicobiologia do Desenvolvimento.

robert-Vincent Joule

Doutorado em Letras e Ciências Humanas, professor de Psicologia Social na Universidade da Provença, Aix‑en‑Provence.

Michèle Kail

Directora de investigação no Centro Nacional de Investigação Cientí‑ fca (CNRS). Éric Lainey Psiquiatra,
Directora de investigação no Centro Nacional de Investigação Cientí‑
fca (CNRS).
Éric Lainey
Psiquiatra, especialista em distúrbios do sono, médico consultor do
Hospital Europeu Georges Pompidou, Paris.
Claire Lambert
Doutorada em Psicologia.
Alain Lancry
Doutorado em Psicologia, professor de Psicologia do Trabalho na Uni‑
versidade da Picardia, Amiens.
Anne-solenn Le Bihan
Psicóloga clínica e terapeuta familiar no Centro Monceau e no Hospital
Albert Chenevier (Assistência Pública−Hospitais de Paris).
Jean-pierre Lecanuet
Director de investigação no Centro Nacional de Investigação Cientí‑
fca (CNRS), na Unidade Mista de Investigação e Desenvolvimento,
Boulogne‑Billancourt.
Maryvonne Leclère

Professora da Universidade de Paris‑VIII, psicóloga no Hospital Euro‑ peu Georges Pompidou, consultora do Centro Pluralis, perita do Tri‑ bunal de Grande Instância.

pierre Lecocq

Ex‑professor de Psicologia Cognitiva, Universidade de Lille‑III.

pierre Leconte

Professor de Psicologia da Universidade de Toulouse‑II.

roger Lécuyer

Professor da Universidade de Paris‑V, Laboratório de Cognição e de Psicologia do Desenvolvimento, Centro Nacional de Investigação Cien‑ tífca (CNRS).

rozenn Le duault

Psicanalista, membro da Associação Freudiana Internacional.

Jacques Léna

Ex‑interno dos Hospitais de Paris, associado aos Hospitais Necker‑ ‑Enfants Malades e Sainte‑Anne (Paris).

Jean-François Le ny

Professor jubilado da Universidade de Paris‑Sud, Orsay.

Gilles Le pape

Professor investigador, Laboratório de Etologia da Universidade de Tours.

Laboratório de Etologia da Universidade de Tours. Jean-Claude Lepecq Investigador no Centro Nacional de

Jean-Claude Lepecq

Investigador no Centro Nacional de Investigação Científca (CNRS), Unidade de Psicofsiologia Cognitiva, La Salpêtri re, LENA [Labora‑ toire de neurosciences cognitives et imagerie cérébrale (Laboratório de Neurociências e Tomografa Cerebral)].

Professora investigadora de Psicologia da Universidade de Paris‑X, Nanterre.

Psicanalista.
Psicanalista.

Professor de Psicologia Social da Universidade Católica de Lovaina (Lovaina‑a‑Nova, Bélgica).

Marie-Louise Le rouzo

dominique Le Vaguerèse

Jacques-philippe Leyens

Caroline Louart-devernay

Psicóloga e orientadora profssional.

Fabio Lorenzi-Cioldi

Professor investigador da Faculdade de Ciências Económicas e Sociais, Universidade de Genebra.

pierre Marcie

Investigador do INSERM [Institut national de la santé et de la recher‑ che médicale (Instituto Nacional de Saúde e Investigação Médica)].

José Marques

Professor da Universidade do Porto.

daniel Martins

Professor de Psicologia da Universidade de Paris‑X (Nanterre).

Benjamin Matalon

Ex‑professor da Universidade de Paris‑VIII.

Arnaud Marty-Lavauzelle

Psiquiatra, terapeuta familiar, provedor de saúde internacional. Autor – com Marie Jaoul de Poncheville – do romance Les Salons de Marie (1985). Presidente da AIDES (associação de luta contra o VIH‑sida e as hepatites) entre 1991 e 1998, faleceu em 2007.

Laurence Massé

Professor investigador na área de Psicologia Clínica e Patológica da Universidade de Paris‑VIII.

Clínica e Patológica da Universidade de Paris‑VIII. Jean Médioni Professor do Centro Nacional de Investigação

Jean Médioni

Professor do Centro Nacional de Investigação Científca (CNRS), Labo‑ ratório de Etologia e Psicologia Animal de Toulouse‑III.

philippe Meirieu

Professor de Ciências da Educação, director do IUFM (Instituto Uni‑ versitário de Formação de Mestres) da Academia de Lião. Autor de Frankenstein pedagogue (Paris, ESF Éditeur, 1996), L’École ou la guerre civile (com Marc Guiraud, Paris, Plon, 1997), Des enfants et des hommes (ESF Éditeur, 1999), L’École et les parents: la grande explication (Plon, 2000), La Machine-école (Gallimard, 2001), Repères pour un monde sans repères e Le Monde n’est pas un jouet (Desclée de Brouwer, 2002 e 2004, respectivamente).

jouet (Desclée de Brouwer, 2002 e 2004, respectivamente). daniel Mellier Director do Laboratório de Psicologia e

daniel Mellier

Director do Laboratório de Psicologia e de Neurociências da Cognição, Universidade de Ruão.

patrick Mollaret

Professor investigador na área de Psicologia, Universidade de Reims.

Jean-Marc Monteil

Ex‑professor de Psicologia Social da Universidade Blaise Pascal‑ ‑Clermont II, reitor da Academia da Provença.

Françoise Morange

Doutorada em Biologia, professora investigadora da Universidade de Paris‑VIII, Escola Prática de Altos Estudos (EPHE), Laboratório de Psi‑ cobiologia do Desenvolvimento.

Gabriel Mugny

Professor da Universidade de Genebra, co‑editor do Swiss Journal of Psychologie.

Catherine Musa

Professora da Universidade René Descartes (Paris‑V), consultora na área da Psicoterapia Comportamental e Cognitiva (Hospital Sainte‑ ‑Anne, Paris).

Jacqueline nadel

Doutorada em Letras e Ciências Humanas, directora de investigação no CNRS (Centro Nacional de Investigação Científca), Laboratório de Vul‑ nerabilidade, Adaptação e Psicopatologia, Hospital de la Salpêtri re.

dominique oberlé

Professora investigadora na área de Psicologia Social da Universidade de Paris‑X (Nanterre). Jean pailhous Director
Professora investigadora na área de Psicologia Social da Universidade
de Paris‑X (Nanterre).
Jean pailhous
Director de investigação do Centro Nacional de Investigação Científca
(CNRS), Marselha.
Luc passera
Professor jubilado, Laboratório de Etologia e Cognição Animal, Centro
Nacional de Investigação Científca (CNRS), Universidade de Toulouse‑III.
Marie-Germaine pêcheux
Directora de investigação do CNRS (Centro Nacional de Investigação
Científca), Laboratório de Cognição e Desenvolvimento, Boulogne‑
‑Billancourt.
Guido peeters
Professor investigador do Fundo de Investigação Científca (Fonds
Wetenschappelijk Onderzoek−Vlaanderen) [Bélgica] e professor da
Universidade Católica de Lovaina.
Juan Antonio pérez
Professor de Psicologia Social da Universidade de Valência (Espanha).

Anne-nelly perret-Clermont

Professora da Universidade de Neuchâtel (Suíça), directora do semi‑ nário de Psicologia.

Gilberte piéraut-Le Bonniec

Ex‑directora de investigação do Centro Nacional de Investigação Científca, Laboratório de Psicobiologia do Desenvolvimento, Escola Prática de Altos Estudos−Centro Nacional de Investigação Científca, (EPHE−CNRS), Paris.

Michel piolat

Professor investigador da Universidade da Provença (Aix‑en‑Provence).

Marie-France poirier-Littré

Centro de Medicina Preventiva Cardiovascular e Instituto Nacional de Saúde e Investigação Médica (CRI‑INSERM), Hospital Sainte‑Anne.

Jacques postel

Ex‑médico‑chefe do Centro Hospitalar Sainte‑Anne, ex‑professor asso‑ ciado de Psicologia Clínica da Universidade de Paris‑VII.

Viviane pouthas

Directora de investigação do CNRS (Centro Nacional de Investigação Cien‑ tífca), Unidade de Psicofsiologia
Directora de investigação do CNRS (Centro Nacional de Investigação Cien‑
tífca), Unidade de Psicofsiologia Cognitiva, Hospital de la Salpêtri re.
Joëlle provasi
Professora investigadora da EPHE (Escola Prática de Altos Estudos),
Laboratório de Psicobiologia do Desenvolvimento.
Jacques py
Professor de Psicologia Social da Universidade de Paris‑VIII.
Yvon Queinnec
Professor, director do Laboratório de Trabalho e de Cognição, Univer‑
sidade de Toulouse‑Le Mirail.
François rastier
Director de investigação do CNRS (Centro Nacional de Investigação
Científca), Instituto de Língua Francesa.
stephen david reicher
Professor da Universidade Saint Andrews (Escócia).
Maurice reuchlin
Professor honorário de Psicologia Diferencial na Universidade de Paris‑V.
Jean-François richard

Professor jubilado de Psicologia, Universidade de Paris‑VIII.

John rijsman

Professor de Psicologia Social, Universidade de Tilburgo (Holanda).

Bernard rimé

Professor de Psicologia Experimental,UniversidadedeLovaina,(Lovaina‑ ‑a‑Nova, Bélgica).

Hector rodriguez-tomé

Director de investigação do CNRS (Centro Nacional de Investigação Científca). Autor – com Françoise Bariaud – da obra Les Perspectives temporelles à l’adolescence (Paris, PUF, 1987).

Michel-Louis rouquette

Professor da Universidade de Paris‑VIII.

Jean-Claude roy

Professor de Psicofsiologia, Universidade de Lille‑I.

Gérard salem

Professor e investigador com formação em Psiquiatria e Psicoterapia, Lausana. Autor de L’Approche thérapeutique de la famille e Soigner par l’hypnose (ambas publicadas pela editora Masson em 2001).

Jacques salomé

publicadas pela editora Masson em 2001). Jacques salomé Psicossociólogo que cursou Psiquiatria Social na Escola de

Psicossociólogo que cursou Psiquiatria Social na Escola de Altos Estu‑ dos em Ciências Sociais (EHESS, École des hautes études en sciences sociales), formador na área de Relações Humanas, escritor. Autor de Papa, Maman, écoutez-moi vraiment. À l’écoute des langages multiples de l’enfant (Paris, Albin Michel, 1989) [Papá, Mamã, Escutem-me com Atenção: para Compreender as Diferentes Linguagens da Criança, trad. Fátima Leal e Carlos Gaspar, Lisboa, Instituto Piaget, 1989], Aimances (Le Regard Fertile, 1990), Bonjour Tendresse (Albin Michel, 1992), Contes à guérir. Contes à grandir (Albin Michel, 1993), Jamais seul ensemble (Quebeque, Éditions de l’Homme, 1995), Une vie à se dire. Ce n’est pas en perfectionnant la chandelle qu’on a inventé l’electricité (Quebeque, Les Éditions de l’Homme, 1998; Paris, Pocket, 2003), Pour ne plus vivre sur la planète TAIRE. Une méthode pour mieux communiquer (Albin Michel, 1999), Le Courage d’être soi. L’art de communiquer en conscience (Édi‑ tions du Relié, 1999) [A Coragem de Ser Autêntico. A Arte de Comunicar em Consciência, Lisboa, Ésquilo, 2000], Minuscules aperçus sur la dif- culté de soigner (Albin Michel, 2004), Les Paroles de rêves (Albin Michel, 2005), Pensées tendres à respirer au quotidien (Albin Michel, 2006), Et si nous inventions notre vie? (Éditions du Relié, 2006), Pourquoi est-il si difcile d’être heureux? (Albin Michel, 2007), etc.

si difcile d’être heureux? (Albin Michel, 2007), etc. patrick salvain Psicanalista. Alain savoyant Investigador no

patrick salvain

Psicanalista.

Alain savoyant

Investigador no CNRS (Centro Nacional de Investigação Científca).

Benoît schaal

Doutorado em Neurociências, director de investigação no CNRS (Cen‑ tro Nacional de Investigação Científca), Instituto do Gosto (Dijon).

Georges schadron

Investigador do Departamento de Psicologia da Universidade Católica de Lille, professor associado.

Gérard schmaltz

Professor investigador de Psicofsiologia, Universidade de Lille‑I.

scania de schonen

Directora de investigação no CNRS (Centro Nacional de Investigação Científca), doutorada em Letras e Ciências Humanas.

Xavier seron

Professor da Universidade Católica de Lovaina, Faculdade de Psicolo‑ gia, Unidade de Neuropsicologia Cognitiva (Bélgica).

Victor simon

Médico especialista em doenças psicossomáticas, do aparelho diges‑ tivo e da nutrição; tratamento das doenças psicossomáticas por hipnose ericksoniana e terapia breve estratégica, Paris e Lille. Autor da obra Du bon usage de l’hypnose. A la découverte d’une thérapeutique incomparable (Robert Lafont, 2000).

d’une thérapeutique incomparable (Robert Lafont, 2000). Liliane sprenger-Charolles Directora de investigação no

Liliane sprenger-Charolles

Directora de investigação no CNRS (Centro Nacional de Investigação Científca).

Jean-pierre suzzoni

Professor de Ecologia Terrestre em Toulouse.

Bernard thon

Professor de Ecologia Terrestre em Toulouse. Bernard thon Investigador do CNRS, Centro de Investigação em Biologia

Investigador do CNRS, Centro de Investigação em Biologia do Com‑ portamento, Universidade de Toulouse‑III.

serge tisseron

Psiquiatra e psicanalista, Paris. Autor de Tintin et les secrets de famille (Aubier, 1990), La Honte, psychanalyse d’un lien social (Dunod, 1992), Nos secrets de famille, histoire et mode d’emploi (Ramsay, 1999), La Télé en famille, oui! (Bayard, 2004).

stanislaw tomkiewicz

Pediatra e psiquiatra de origem polaca (Varsóvia, 1923 – Paris, 2003), foi director do INSERM (Instituto Nacional de Saúde e Investigação Médica). Autor de Aimer mal, châtier bien. Enquêtes sur les violences dans des institutions pour enfants et adolescentes (com Pascal Vivet, Éditions du Seuil, 1991), L’Adolescence volée (Calmann‑Lévy, 1999) e C’est la lutte fnale etc. (Éditions de La Martini re, 2003).

Gilles-Marie Valet

Psiquiatra, clínico hospitalar, Pontoise.

denis Vallée

Psiquiatra, terapeuta familiar no Centro Monceau (Paris) e em Mont‑ rouge.

serge Vallon

Professor da Universidade de Toulouse‑Le Mirail, psicanalista, chefe de redacção da revista Vie sociale et traitements.

Michel Vancassel

Director de investigação, CNRS (Centro Nacional de Investigação Cien‑ tífca), Laboratório de Etologia, Rennes.

Françoise Van duüren

Professora investigadora da Universidade de Lille‑III.

Jacques Vauclair Director de investigação no CNRS (Centro Nacional de Investigação Científca), professor da
Jacques Vauclair
Director de investigação no CNRS (Centro Nacional de Investigação
Científca), professor da Universidade de Aix‑Marselha‑I.
pierre Vermersch
Psicólogo, investigador do CNRS (Centro Nacional de Investigação
Científca).
Éliane Vurpillot
Doutorada, professora honorária de Psicologia na Universidade René
Descartes, Paris‑V, ex‑directora de investigação em Psicologia do
Desenvolvimento.
régine Waintrater
Psicanalista, terapeuta familiar, professora investigadora da Universi‑
dade de Poitiers.
dominique Weil
Doutorada em Letras, professora investigadora da Universidade de
Estrasburgo‑I.
Vincent Yzerbt
Professor da Universidade Católica de Lovaina, Unidade de Psicologia
Social, Lovaina‑a‑Nova (Bélgica).

tania Zittoun

Investigadora na área de Psicologia, Universidade de Neuchâtel (Suíça).

ÍndICe

Introdução . . . . . . . . . . . . . .
Introdução .
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7
Apresentação
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8
Colaboradores
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9
1.
Introdução: HIstÓrIAs e teÓrICos
História da psiquiatria
História da psicologia
História da psicanálise
Grandes teóricos .
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28
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34
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43
Notas
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94
2.
As GrAndes QuestÕes dA VIdA QuotIdIAnA,
As prInCIpAIs psICopAtoLoGIAs
Adolescência
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104
Adolescência (Comportamentos de risco na) Pierre Angel
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108
Adoptar uma criança Stéphane Clerget
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111
Adulta (Idade) Zorica Jeremic
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115
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Alzheimer (Doença de)
Agressividade
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119
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122
Amizade Jean-Paul Bertrand .
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126
Amor Boris Cyrulnik .
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130
Anorexia e bulimia Corinne Antoine .
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134
Apego Boris Cyrulnik
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139
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Auto-estima Catherine Musa
Autismo
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145
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150
Avós e netos Anne-Solenn Le Bihan
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155
Casal Denis Vallée
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159
Casal homossexual Arnaud Marty-Lavauzelle .
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164
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Criança com difculdades de aprendizagem Caroline Louart-Devernay .
dependência de «drogas» Florent Farges
Criança Corinne Antoine .
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167
173
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178
dependências Florent Farges
depressão
desenho infantil
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183
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185
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doença psíquica de um familiar (perante a) Régine Waintrater .
educação e papel dos pais Philippe Mérieu
emoções femininas, emoções masculinas Alain Braconnier .
esquizofrenia
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191
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198
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204
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209
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213
esterilidade e seus paliativos Geneviève Delaisi de Parseval .
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221
Fidelidade e infdelidade Sylvie Angel
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Filho (Chegada do primeiro) Véronique Cohier-Rahban
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225
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228
Filho (desejar ou não desejar ter um) Geneviève Delaisi de Parseval . Filho diferente (ter
Filho (desejar ou não desejar ter um) Geneviève Delaisi de Parseval .
Filho diferente (ter um) Jacques Léna .
Fim da vida, acompanhamento e cuidados paliativos Marc Horwitz
.
234
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238
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242
Gerações anteriores (Laços com as) Marc Horwitz .
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247
Grafologia
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250
Gravidez Véronique Cohier-Rahban .
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253
Hipnose clínica Victor Simon
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259
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Infelicidade (Quando se é causador da sua própria) Gérard Salem
Irmã(o)s [entre] Sylvie Angel
Histeria
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264
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267
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270
Julgar os outros – como e com que critérios? .
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274
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Mãe/pai (tornar-se) Véronique Cohier-Rahban
neurose
Ódio Bernard Geberowicz
paranóia .
personalidades difíceis Catherine Musa
Luto Marie-Frédérique Bacqué .
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279
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283
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290
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294
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297
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perturbações obsessivo-compulsivas e fobias Maryvonne Leclère
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300
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304
perturbações ancoradas na infância? Gilles-Marie Valet .
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308
psicanalítica (Corrente) Pierre Angel, Laurence Massé
psicose
psicose maníaco-depressiva
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312
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320
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326
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resiliência e aptidão para a felicidade Stanislas Tomkiewicz, Sylvie Angel .
segredos de família Serge Tisseron
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psicoterapia (seguir uma) Pierre Angel, Laurence Massé
recém-nascido (Interacções com o) Boris Cyrulnik .
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335
340
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344
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sexualidade (perturbações da) Corinne Antoine
sexualidade Corinne Antoine
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348
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sistémica (Corrente) Pierre Angel, Laurence Massé
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351
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355
solidão Jacques Salomé
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359
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sono (distúrbios do) Éric Lainey .
sono Éric Lainey
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371
Stress e ansiedade Éric Albert .
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375
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terapias breves Victor Simon
suicídio Florent Farges
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379
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terapias cognitivas e comportamentais Maryvonne Leclère
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383
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388
Velhice Marc Horwitz, Emmanuel Guiliano
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394
Notas
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398
3. GLossÁrIo dos terMos essenCIAIs eM
psICoLoGIA, psIQuIAtrIA e psICAnÁLIse
.
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408
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Bibliografa geral .
Notas
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620
História da psiquiatria História da psicologia História da psicanálise . . . . . .
História da psiquiatria
História da psicologia
História da psicanálise
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28
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34
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39
Grandes teóricos
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43

A Psiquiatria, a Psicologia e a Psicanálise permitem uma melhor com‑

preensão das perturbações psíquicas do ser humano. Há já alguns anos que

os profssionais destas três disciplinas exprimem o desejo de que todos os novos domínios sejam explorados de forma conjunta. Hoje existe, por exemplo, uma abertura da Psiquiatria à Psicanálise, à Psicologia, às ciências cognitivas e comportamentais, assim como à dimen‑ são biológica do ser humano. Surgem cada vez mais médicos que insistem numa necessária dimen‑ são pluridisciplinar. Percorrendo a mesma senda, e inspirando‑se numa tal abertura de espírito, este dicionário apresenta uma refexão comum, consi‑ derando de forma global as três abordagens distintas supra‑referidas.

A evolução do pensamento e dos cuidados relativos ao sofrimento

humano possibilita o desenvolvimento de um trabalho em rede que conduz

ao confronto dos pontos de vista das diferentes disciplinas. Assim, através desta obra colectiva, tornar‑se‑á possível o acesso a diferentes formas de abordar o sofrimento psíquico e o subsequente alargamento da visão, muitas vezes redutora, da doença e do modo de lidar com ela.

HIstÓrIAs e teÓrICos

HIstÓrIA dA psIQuIAtrIA

A psiquiatria realizou progressos consideráveis, graças a um melhor conhecimento do funcionamento neurológico e psíquico. Contudo, seria uma ilusão julgar que a sua efcácia terapêutica passou a advir apenas da valori- zação automática do avanço das neurociências e da psicofarmacologia. Con-

frontada com algumas das formas mais complexas da realidade humana, a psiquiatria deve, com efeito, evitar qualquer perspectiva redutora, preservar

a sua capacidade de integrar as contribuições trazidas pelas outras aborda- gens dessa mesma realidade e, sobretudo, exigir uma ética irrepreensível

– e maior à medida que o seu papel social se for consolidando. Quanto mais

esclarecida for a sociedade, mais se considerará responsável por assegurar aos «doentes mentais» uma oportunidade de cura e de reintegração; mais se arriscará, eventualmente, a transigir demasiado facilmente com aquilo que ela pode conter em si de patogénico e a descartar-se das suas próprias responsa- bilidades, depositando-as na competência reconhecida aos especialistas.

na competência reconhecida aos especialistas. nascimento da psiquiatria A Psiquiatria constitui‑se como

nascimento da psiquiatria

A

Psiquiatria constitui‑se como prática e instituição específcas no fnal

do século XVIII, na Grã‑Bretanha, em Itália e, sobretudo, em França, com Phi‑

lippe Pinel em Paris (Hospital Bicêtre e, mais tarde, Hospital de la Salpêtri re). Homem de progresso, impregnado do novo ideal de respeito pelos Direitos Humanos, preocupado, segundo as concepções do grupo de ideólogos a que se liga, em afastar todos os preconceitos da análise da mente humana à qual se dedica, Pinel defne e impõe uma atitude radicalmente nova relativamente aos «alienados», a quem anteriormente se recusava qualquer estatuto pes‑ soal, assim como qualquer comunicação. O hospital deixa de ser um local de encarceramento e exclusão, transformando‑se num lugar de isolamento do mundo exterior e de encontro do «louco» com o médico, que poderá instituir entre si e o doente uma relação terapêutica, o chamado «tratamento moral». Trata‑se de uma psicoterapia racional da loucura, baseada na benevolência, na brandura e na persuasão, preconizada e aplicada igualmente por William Tuke 1 na Grã‑Bretanha. Tal atitude assenta na ideia de que a loucura não é uma perda da razão, mas um desarranjo da mente que deixa subsistir a razão, embora de forma vacilante. Mais tarde, depois de 1830, sob pressão social,

o isolamento transforma‑se em retiro imposto ao doente e em enclausura‑ mento destinado a «proteger» a sociedade.

em enclausura‑ mento destinado a «proteger» a sociedade. psiquiatria no século XIX A Psiquiatria afasta‑se do

psiquiatria no século XIX

A Psiquiatria afasta‑se do projecto de Pinel, construindo‑se segundo

o modelo da Medicina da época. Passa a procurar entidades anatomoclínicas

para «defnir» o doente, ao qual se chama «alienado», ou seja, estranho a si mesmo e aos outros. À falta de comprovação de lesões indiscutíveis, utilizam‑ ‑se noções como hereditariedade, degenerescência ou constituição. As princi‑ pais rubricas da nosografa psiquiátrica actual constituíram‑se a partir destes

a priori. Uma tal terapêutica da loucura tem igualmente consequências práticas na própria vida do doente: medidas de assistência e protecção; defnição de incapacidade civil e irresponsabilidade penal; internamento por dever de ofício, em asilos criados para esse efeito, dos indivíduos considerados perigosos para si mesmos ou para os outros; internamento voluntário a pedido de pessoas ligadas ao doente, familiares ou não (lei francesa de 30 de Junho de 1838).

revolução psicanalítica

Ao descobrir o inconsciente e ao afrmar que qualquer sintoma possui um signifcado, Freud revoluciona a Psiquiatria clássica, e a perspectiva orga‑ nicista perde a sua importância, em benefício de concepções psicogenéticas. No entanto, a Psicanálise fca à margem das práticas psiquiátricas, que, cen‑ tradas no asilo, dispõem de pouquíssimos meios terapêuticos: isolamento, banhos e duches, assim como alguns sedativos não específcos. As principais terapêuticas de choque (electrochoques, insulinoterapia) surgem por volta de 1930. É apenas com a psicoterapia institucional, nos anos 50, que a Psica‑ nálise faz a sua entrada nos hospitais. Porém, o impacto freudiano e, poste‑ riormente, lacaniano em França há‑de marcar profundamente a Psiquiatria e

em França há‑de marcar profundamente a Psiquiatria e teoria psicanalítica vê ser‑lhe reservada um lugar

teoria psicanalítica vê ser‑lhe reservada um lugar preponderante no estudo psicopatológico das doenças mentais, ainda que se acredite menos do que antigamente na efcácia terapêutica da psicanálise.

a

que antigamente na efcácia terapêutica da psicanálise. a Classifcação das perturbações mentais Foi em 1952 que

Classifcação das perturbações mentais

Foi em 1952 que surgiu pela primeira vez o DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturba- ções Mentais, editado pela Associação Americana de Psiquiatria. Essa obra conheceu transformações sucessivas ao longo dos anos: em 1968 (DMS-II),

1980 (DMS-III), 1987 (DMS-III-R) e 1994 (DMS-IV) 2 . O intuito permanente da obra

é

comum à escala planetária; se é verdade que passou a poder‑se esperar maior segurança no estabelecimento dos diagnósticos, um tal projecto, cujas impli‑ cações institucionais são consideráveis, não deixa de sofrer preferências cientí‑ fcas, senão mesmo ideológicas e políticas, por parte daqueles que asseguram

unifcar as linhas de investigação e tratamento, a partir de uma linguagem

a sua realização. Perante as críticas à classifcação de 1952 por fazer referência

a entidades mórbidas e patologias pré‑defnidas, adoptou‑se de seguida uma posição «ateórica» que não dependia unicamente dos critérios americanos. O certo é que os progressos das Neurociências parecem dever encorajar uma perspectiva essencialmente biomédica.

progressos da psicofarmacologia

Com os tratamentos biológicos surgidos depois de 1930, a organo‑ génese encontra um certo interesse: a cura de Sakel 3 (técnica de choque respeitante à convulsivoterapia utilizada no tratamento das psicoses), a psi‑

) (

29

HIstÓrIAs e teÓrICos

34

HIstÓrIA dA psICoLoGIA

embora o ser humano se tenha esforçado sempre por sondar os mistérios da sua alma, foi apenas no século XIX, num terreno desbravado pela evolução das ideias flosófcas a partir de descartes e pelos rápidos progressos da Fisiologia, que a psicologia se constituiu como um discurso e um saber autónomos. desde então, diversifcando progressivamente os seus domínios e multiplicando as suas aplicações concretas (no ensino, na formação, no mundo do trabalho, etc.), ela conquistou um espaço de pleno direito, e o desenvolvimento da psicologia Cognitiva faz aumentar o alcance das suas ambições.

origens e desenvolvimento da psicologia

das suas ambições. origens e desenvolvimento da psicologia A conversão da Fisiologia ao método experimental e

A conversão da Fisiologia ao método experimental e a construção de instrumentos de medição aperfeiçoados dão origem, na Alemanha, aos primeiros progressos em matéria de fsiologia das sensações [medição dos limites sensoriais por Ernst Weber (1795‑1878)] e de fsiologia do sistema ner‑ voso (descoberta das células do sistema nervoso), assim como ao estabeleci‑ mento dos primeiros paradigmas psicofísicos e psicofsiológicos. Gustav The‑ odor Fechner (1801‑1887) quantifca os fenómenos psíquicos e Hermann von Helmholtz (1827‑1894) estuda os mecanismos da percepção; Wilhelm Wundt (1832‑1920) funda em Leipzig, em 1879, o primeiro laboratório de Psicologia Experimental, assentando a experimentação na introspecção. Franz Bren‑ tano (1838‑1917), Hermann Ebbinghaus (1850‑1909) e Oswald K lpe (1862‑1915) contribuem signifcativamente para o desenvolvimento da Psicologia na Ale‑ manha; paralelamente, tendo cada caso uma orientação original, a Psicologia acaba por ser fundada por Francis Galton (1822‑1911) na Grã‑Bretanha, por Théodule Ribot (1839‑1916) e Alfred Binet (1857‑1911) em França, por Ivan Petrovič Pavlov (1849‑1936) na Rússia, e por William James (1842‑1910) e John Dewey (1859‑1952) nos Estados Unidos.

(1842‑1910) e John Dewey (1859‑1952) nos Estados Unidos. Correntes e teorias Em seguida, várias são as

Correntes e teorias

Em seguida, várias são as correntes e teorias fecundas que se desen‑ volvem.

Behaviorismo Com o behaviorismo, iniciado por Watson, a Psicologia, rejeitando a introspecção, afasta‑se do estudo da consciência e torna‑se uma ciência do comportamento. Em 1913, John Watson (1878‑1958) escreve um artigo que faz história (“Psychology as the Behaviorist views it”), negando que a consciência possa ser objecto de estudo ou princípio explicativo. A análise do comportamento, que alguns já praticavam, é elevada por Watson a doutrina. A observação exterior do comportamento é sufciente para estabelecer leis que permitam prever as reacções a variações ambientais. A observação objectiva aplica‑se

) (

HIstÓrIA dA psICAnÁLIse

Constituída no fnal do século xIx por Freud, a Psicanálise dá conta de algumas questões que a Medicina da época apresenta, embora renovando totalmente, a partir daí, a concepção que se pode ter do ser humano.

Histeria e hipnose

A Psicanálise constitui‑se a partir de um trabalho clínico que diz res‑

peito sobretudo à histeria. Aos sujeitos que sofriam de sintomas físicos inca‑ pacitantes (paralisias, paresias, anestesias, etc.) que não tivessem uma ori‑

gem orgânica identifcável, tentava‑se por vezes, por volta do fnal do século XIX, fazer desaparecer os sintomas por meio da sugestão, colocando‑os em estado de hipnose. Quem também se serviu da hipnose foi Josef Breuer, a quem Freud atribui, curiosamente, a paternidade da Psicanálise. Porém, Breuer utilizou a hipnose para fazer com que fossem verbalizadas algumas lembranças que se encontravam fora do alcance da sua paciente Anna O. (isto é, Bertha Pappenheim), de Julho de 1880 a Junho de 1882. A partir de então, através de algumas modifcações na técnica e com a introdução do conceito de recalcamento, as bases da Psicanálise puderam ser constituídas entre o fnal do século XIX e o começo do século XX.

entre o fnal do século XIX e o começo do século XX. primórdios da psicanálise A

primórdios da psicanálise

A

Psicanálise parte de um postulado segundo o qual tudo o que sobre‑

vém nos sonhos e nos actos falhados comporta uma dimensão que perma‑ nece oculta. Trata‑se do inconsciente, produto de uma série de acontecimen‑ tos ocorridos logo no início da infância (e, talvez, até mesmo antes dela) e se relacionam com o desenvolvimento da sexualidade em sentido lato, inicial‑ mente não genital (o prazer da boca e da excreção). Tais acontecimentos são

da sexualidade em sentido lato, inicial‑ mente não genital (o prazer da boca e da excreção).

censurados. Por volta dos três anos, a criança descobre a diferença entre os sexos. Nos seus primeiros anos, ela vive, portanto, alguns acontecimentos fundamentais que, provavelmente, nunca tiveram lugar, mas que acabam por aforar a sua consciência: o espectáculo do coito entre os pais (cena geral‑ mente fantasiada) e a castração. Para o rapaz, trata‑se da ameaça de fcar com o sexo cortado devido à masturbação, que constitui para ele a descarga normal dos desejos edipianos. Para a rapariga, a visão «daquilo que lhe falta» leva‑a à inveja do pénis, o que a conduz da sexualidade ao desejo de ter um flho do seu próprio pai, fazendo‑a entrar na evolução normal da heterosse‑ xualidade. Segundo Lacan, a castração é um acontecimento imaginário que implica a submissão do sujeito ao simbólico, isto é, à linguagem. É através da linguagem que se estabelecem as denominações do parentesco e dos interditos. Para a criança, as proibições sociais, ainda que não formuladas, estão na origem do recalcamento das representações ligadas à sexualidade na direcção do inconsciente, o qual acaba por fcar carregado de energias potenciais. Tudo o que foi recalcado tende sempre a regressar sob a forma de sintomas, actos falhados, lapsos, sonhos, etc. É o conjunto desses confitos

HIstÓrIAs e teÓrICos

40

que cria a pessoa humana. O complexo de Édipo é a descoberta de um pro‑ cesso fundamental: o ciúme que a criança sente relativamente ao genitor do mesmo sexo e o desejo inconfessado de eliminá‑lo e substituí‑lo. Tal confito origina neuroses quando o complexo não encontra uma saída favorável, e desaparece quando o sujeito encontra outros objectos. Freud elaborou dois modelos do aparelho psíquico (tópicas). O primeiro atribui à pessoa humana três instâncias: o pré-consciente, o inconsciente e o consciente. Contudo, essa primeira tópica tem mais um valor descritivo, na medida em que não distingue as forças que produzem o recalcamento ao enfrentar‑se no confito psíquico. Em 1923, Freud elabora a sua segunda tópica. O sujeito é estruturado por três instâncias: o id (reservatório das pulsões), o ego e o superego (conjunto de regras morais, interiorização do interdito parental). Na história da Psicanálise, convém, aliás, atribuir uma importância particular à viragem da década de 20, ou seja, à teoria da pulsão de morte, ligada à observação da força da repetição no ser humano, repetição que faz reaparecer regularmente o que há de mais penoso ou traumático.

regularmente o que há de mais penoso ou traumático. sessão analítica e suas regras fundamentais As

sessão analítica e suas regras fundamentais

As neuroses, mas também algumas outras tensões psíquicas que tra‑ duzem o mal‑estar do sujeito adulto, podem levar este a consultar um psica‑ nalista – pessoa que também seguiu uma análise e que, por esse motivo, se encontra, em princípio, apta a escutar aquele que sofre. Durante a sessão analítica, as associações do paciente permitem percorrer o curso do processo de recalcamento e revelar os desejos inconscientes. A primeira regra fun‑ damental da Psicanálise é, portanto, a associação livre: pede‑se ao paciente que se permita dizer tudo aquilo que lhe vem à cabeça, mesmo que se trate de algo que considere inútil, inadequado ou estúpido. É‑lhe absolutamente exigido que não omita qualquer pensamento, ainda que embaraçoso ou penoso. É esta regra fundamental que estrutura a relação entre o analista e o paciente. A reconstituição da história do sujeito deveria implicar o desa‑ parecimento do sintoma. No entanto, mesmo após alguns êxitos, tal acção encontra dois problemas no método analítico: a resistência e a transferência. Depressa, o paciente deixa de ser capaz de comunicar livremente os seus pensamentos: estes resistem e ele próprio resiste à sua confssão. Simul‑ taneamente, opera‑se uma transferência de sentimentos de amor ou ódio em relação à própria prática da análise e à pessoa do analista. Resistência e transferência condicionam o facto de reviver situações confituosas antigas ou lembranças traumáticas recalcadas, podendo a situação de revivescência constituir um obstáculo para o trabalho da cura. Para superar tal situação de bloqueio, é necessário que tudo o que resulta da análise – os aconteci‑ mentos que nela se produzem, as imagens, os pensamentos secretos, os silêncios, etc. – seja igualmente analisado, dado que tudo isto faz parte do

imagens, os pensamentos secretos, os silêncios, etc. – seja igualmente analisado, dado que tudo isto faz

) (

GrAndes teÓrICos

Abraham (Karl)

Médico e psicanalista alemão (Bremen, 1877 – Berlim, 1925) A partir de 1904, Karl Abraham começa a trabalhar no Burgh lzli (hos‑ pital psiquiátrico de urique) juntamente com Eugen Bleuler, de quem virá a tornar‑se, em 1906, o primeiro assistente. Ali encontra Jung, que o põe em contacto com as ideias de Freud, que virá a conhecer em 1907. Em 1910, funda a Associação Psicanalítica de Berlim, primeira ramifcação da Associação Psi‑ canalítica Internacional, da qual se tornará presidente em 1924. Karl Abraham foi um dos que mais contribuíram para a extensão da corrente psicanalítica para fora de Viena, assim como para a sua coesão. O seu contributo pessoal para a teoria é rico e diversifcado: introdução da noção de objecto parcial, defnição dos processos de introjecção e incorporação, estudo dos estádios pré‑genitais. Exerceu uma grande infuência sobre Melanie Klein. A sua obra comporta, para além de uma importante correspondência (1907‑1926) com Freud, Sonho e Mito: Um Estudo sobre Psicologia dos Povos (Traum und Mythus:

Um Estudo sobre Psicologia dos Povos ( Traum und Mythus: eine Studie zur Völkerpsychologie, 1909), Versuch

eine Studie zur Völkerpsychologie, 1909), Versuch der Entwicklungsgeschichte der Libido 14 (1916), assim como estudos psicanalíticos acerca da formação da personalidade (1925).

›Luto › Psicanalítica (Corrente) u Ambivalência u Oral (Estádio)

Adler (Alfred)

u Ambivalência u Oral (Estádio) Adler (Alfred) Médico e psicólogo austríaco (Viena, 1870–Aberdeen,

Médico e psicólogo austríaco (Viena, 1870–Aberdeen, 1937) Aluno de Freud a partir de 1902, participa no Primeiro Congresso de Psicanálise de Salzburgo (1908). Afasta‑se rapidamente (1910) do movimento psicanalítico, dado não partilhar da opinião de Freud acerca do papel da pul‑ são sexual, e desenvolve uma teoria do funcionamento psíquico centrada no sentimento de inferioridade [Teoria e Prática da Psicologia Individual (Praxis und Theorie der Individualpsychologie, 1918)].

Bibliografa passiva: Alfred Adler, The Man and His Work: Triumph over the Inferiority Complex, de Hertha Orgler (Londres, C. W. Daniel, 1939); Alfred Adler: Apostle of Freedom, de Phyllis Bottome (Londres, Faber & Faber, 1939); Die Freud-Adler-Kontroverse, de Bernhard Handlbauer (Gießen, Hesse, Alemanha, Psychosozial‑Verlag, 2002).

¤ História da Psicanálise › Agressividade › Psicanalítica (Corrente) › Sistémica (Corrente) u Inferioridade (Complexo de)

Balint (Michael)

Psiquiatra e psicanalista britânico de origem húngara (Budapeste, 1896 – Londres, 1970) Autor de The Doctor, His Patient and the Illness 15 (1957), criou um método que consiste em reunir regularmente um grupo de médicos para que analisem em conjunto o seu comportamento relativamente aos doentes (grupo Balint).

u Balint (Grupo)

HIstÓrIAs e teÓrICos

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Bateson (Gregory)

Antropólogo e etnólogo americano de origem britânica (Cambridge, Grã-Bretanha, 1904 – San Francisco, Califórnia, 1980) Gregory Bateson mostrou que é possível descrever as interacções entre indivíduos em termos quer de simetria, quer de complementaridade. No primeiro caso, os pares adoptam um comportamento em espelho, enquanto no segundo o comportamento de um completa o do outro. Elaborou igual‑ mente a teoria do duplo constrangimento. Escreveu Communication: The Social Matrix of Psychiatry (com Jurgen Ruesch, 1951), Steps to an Ecology of Mind. Collected Essays in Anthropology, Psychiatry, Evolution, and Epistemology 16 (1972), Mind and Nature: A Necessary Unity 17 (1979).

(1972), Mind and Nature: A Necessary Unity 1 7 (1979). › Esquizofrenia › Sistémica (Corrente) ›

› Esquizofrenia › Sistémica (Corrente) › Terapias breves p Palo Alto (Escola de) u Duplo constrangimento

Bettelheim (Bruno)

Psicanalista americano de origem austríaca (Viena, 1903 – Silver Spring, Maryland, 1990) Após ter realizado estudos em Psicologia, recebe formação psicanalí‑ tica. Deportado para Dachau e Buchenwald, devido às suas raízes judaicas, é libertado graças à intervenção da comunidade internacional. Tal experiência dá‑lhe material para escrever um relatório intitulado “Individual and Mass Behavior in Extreme Situation” (1943), que o general Eisenhower dá a ler a todos os ofciais do exército americano. Dessa experiência também retirou The Informed Heart: Autonomy in a Mass Age 18 (1960) e Surviving and Other Essays 19 (1979), onde analisa as atitudes humanas em situações extremas e hierarquiza os comportamentos que parecem mais efcazes de modo a sal‑ vaguardar a integridade funcional do ego. Após a sua libertação, vai para os Estados Unidos, onde se torna pro

vai para os Estados Unidos, onde se torna pro ‑ fessor nas áreas de Pedagogia (1944)

fessor nas áreas de Pedagogia (1944) e Psiquiatria (1963), na Universidade de Chicago. Assume igualmente a direcção, em 1944, de um instituto destinado

a crianças em difculdades, o qual reforma em 1947, dando‑lhe o nome de Ins‑

tituto Ortogenético de Chicago; organiza‑o e descreve‑o – em A Home for the Heart (1974) – como um meio isolado das pressões exteriores (principalmente

dos pais), no qual toma a seu cargo crianças autistas. Põe em causa, através da sua prática e das suas observações, as concepções do autismo, avançando que

a causa principal dessa doença é um incidente ocorrido no início da infância,

especialmente numa relação mal estabelecida entre a criança e a mãe. Tenta demonstrar tal tese a partir de vários casos, em The Empty Fortress. Infantile Autism and the Birth of the Self 20 (1967). No Instituto Ortogenético, nenhum

pormenor é deixado ao acaso: ambiente continuamente favorável à criança; divisão dos internos em seis grupos de oito; respeito absoluto pelos desejos da criança; inexistência de intervenção de qualquer hierarquia, pois, como

) (

AS GRANDES QUESTÕES

ADolESCêNCiA

A adolescência representa uma passagem entre dois estados: da

infância à idade adulta. É um período de grande fragilidade, no qual se tornam a jogar diferentes estádios já vividos na primeira infância, mas

igualmente um movimento de desidealização dos pais, que submerge

os adolescentes numa perda de referências. Tais mudanças físicas e

psíquicas provocam nos jovens uma desorganização passageira.

Cronologicamente associado ao arranque da maturidade pubertária,

início da adolescência situa-se por volta dos 11/12 anos, e a sua conclusão dá-se cerca dos 18 anos, termo que convém reter, embora os limites entre o fm da adolescência e o estatuto de jovem adulto sejam imprecisos. Com efeito, as transformações biológicas, psicológicas e psicossociais próprias da adolescência estão completas por volta dos 18 anos, embora o desenvol- vimento prossiga depois dessa idade noutros domínios e segundo outras modalidades.

o

idade noutros domínios e segundo outras modalidades. o Caracterização da adolescência O período da

Caracterização da adolescência

O

período da adolescência é marcado pela convergência de três fac-

tores fundamentais, a partir dos quais se pode estabelecer um quadro que compreende os acontecimentos característicos da passagem da infância à idade adulta:

viva aceleração do crescimento, que tem como um dos sinais mais impressionantes o aumento da estatura;

– – –

importância das mudanças que se produzem e concernem ao con-

junto do organismo e da pessoa;

grande variabilidade interindividual: a velocidade de tais mudanças e

o

grande variabilidade intra-individual: num mesmo indivíduo, as mudanças não ocorrem todas no mesmo momento, nem seguindo o mesmo ritmo, em todos os sectores do desenvolvimento (físico, intelectual, socioafectivo); essas duas formas de variabilidade são inerentes ao desenvolvimento normal.

momento (idade) da sua ocorrência variam muito de criança para criança; e

Puberdade e suas repercussões

Central na adolescência, a questão da identidade não poderá ser escla- recida sem referência ao corpo pelo sujeito, embora o sentido da identidade não se esgote aí. Durante a puberdade, o corpo da criança modifca‑se na morfologia, no funcionamento e na aparência; em pouco tempo (quatro anos, em média), torna‑se um corpo adulto, sexualizado. O adolescente deve adaptar-se a tais mudanças, integrar na auto-imagem esse corpo em transfor- mação, assumir a sua identidade de género (masculina ou feminina) e avançar no caminho que conduz à sexualidade genital adulta.

A maioria dos adolescentes chega aí sem conhecer perturbações

psicológicas de maior; a tarefa não é, todavia, fácil, comportando muita

104

inquietação, dúvidas, angústia. Embora a maturação pubertária lhes afecte a intimidade corporal, provoca igualmente mudanças na maneira como os adolescentes são percebidos e considerados pelo respectivo meio (pais, cole- gas, professores, etc.). De modo que a adaptação às mudanças corporais se decide também no contexto das relações com os outros, muitas vezes infuenciadas pelas representações colectivas e pelas crenças que incidem sobre a chegada precoce ou tardia da puberdade, sobre a natureza e o sen- tido dos sinais que anunciam a maturação sexual (como o aparecimento do período menstrual nas raparigas), assim como pelos padrões culturais de beleza e sedução associados às formas de homem e mulher.

Como pensam os adolescentes?

às formas de homem e mulher. Como pensam os adolescentes? Durante a adolescência observam‑se mudanças importantes

Durante a adolescência observam‑se mudanças importantes no modo de funcionamento do pensamento. Segundo a teoria operatória de Piaget, tais modifcações correspondem à aquisição das estruturas do pensamento formal, que caracterizam o estado de acabamento do desenvolvimento inte- lectual. Segundo Bärbel Inhelder e Piaget, com o advento do pensamento formal (entre os 11/12 e os 14/15 anos), o adolescente fca apto a raciocinar, abstractamente, em termos de hipóteses, enunciadas verbalmente, já não se referindo apenas a objectos concretos e respectivas manipulações, ace- dendo, portanto, ao pensamento hipotético‑dedutivo. No entanto, muitos estudos, utilizando experiências derivadas dos trabalhos de Inhelder e Piaget, mostram que uma grande percentagem de adolescentes (e de adultos até) não atingiam tais resultados, o que põe em causa a generalidade das teorias de Piaget, sugerindo que a aquisição e o emprego da lógica formal serão apenas uma das realizações possíveis do desenvolvimento cognitivo na adolescência. Neste sentido, é evidente a infuência positiva das estimulações oferecidas pelo ambiente familiar das crianças. Contudo, também é preciso ter em conta a diferenciação das apti- dões (literárias, artísticas, científcas, práticas) que aumenta signifcativa- mente na adolescência, o facto de nem todas (nem ao mesmo nível) impli- carem o contributo da lógica formal para a elaboração dos comportamentos adaptativos. O mesmo se passa com o que pertence a diferentes domínios (por exemplo, o domínio profssional) de exercício da inteligência. Como recorda o próprio Piaget, a lógica não está toda no pensamento. Para compreender melhor o pensamento do adolescente, também devemos reportar-nos a outras modalidades de funcionamento, não necessariamente dependentes da aquisição da lógica formal ou, pelo menos, não se reduzindo a elas. Ocorrem progressos sensíveis em relação à criança, nomeadamente no que se refere à metacognição (conhecimento que cada pessoa pode ter dos seus próprios processos mentais) e ao pensamento recursivo (pensar no pensamento, de si ou de outrem: «eu penso que ele pensa que tu pen- sas que…»). Esses dois aspectos do pensamento refexivo encontram‑se na

«eu penso que ele pensa que tu pen- sas que…»). Esses dois aspectos do pensamento refexivo

105

AS GRANDES QUESTÕES

106

propensão do adolescente para a introspecção, a ruminação, o devaneio, traduzindo-se na construção de formas mais elaboradas do conhecimento de

si e de outrem enquanto pessoas bem diferenciadas pelos traços de persona-

lidade, pelas ideias, emoções, ambiguidades, contradições, etc. Tal evolução das concepções de si e de outrem fornece argumentos (sem ser, apesar disso,

o seu motor) às reivindicações de autonomia, igualdade e reciprocidade que alimentam tantos confitos do adolescente com o seu meio envolvente.

O pensamento do adolescente distingue-se ainda do da criança pelas

tentativas que faz de dar (ou encontrar) um sentido a/para todos os aspectos da sua experiência concreta do mundo, enriquecida pelos contactos com novos grupos e instituições. A auto‑interrogação alarga‑se então a ques-

tões mais vastas, emocionalmente investidas, como o amor e a amizade, a sociedade, a justiça, a religião, a moralidade. Evidentemente, nem todos os adolescentes constroem teorias originais; a maior parte adere a crenças e a ideologias disponíveis no respectivo meio circundante; porém, fazendo isso, munem-se dos meios de inserir o quotidiano vivido num âmbito interpreta- tivo que o suplanta. É próprio da adolescência apreender e pôr pela primeira vez, sob uma forma completa e compreensível, a questão do sentido da vida e da morte.

e compreensível, a questão do sentido da vida e da morte. Socialização do adolescente transição do

Socialização do adolescente

transição do estado de dependência infantil para o estado de auto-

A

do estado de dependência infantil para o estado de auto- A nomia afectiva e social do

nomia afectiva e social do adulto negoceia‑se primeiro no meio familiar. É

nesse contexto que a Psicanálise, a partir de Anna Freud, situa a crise da ado- lescência, desencadeada pelo despertar das pulsões que a maturação sexual provoca. Segundo essa abordagem, no momento da puberdade, numa repe- tição do período sexual infantil, reactiva‑se a situação edipiana. Resultantes do confito entre um id relativamente forte e um ego relativamente fraco, as perturbações e inadaptações transitórias do adolescente são concebidas como normais e mesmo necessárias para um desenvolvimento ulterior mais equilibrado. A saída da crise é marcada pelo abandono das antigas identifca- ções parentais (das quais o adolescente deve fazer o luto), a elaboração de novos mecanismos de defesa (como um sobreinvestimento intelectual, espé- cie de tentativa para proteger a omnipotência infantil aplicada ao domínio das ideias) e o reforço das actividades autónomas do ego que levam, entre outros aspectos, a uma diversifcação das relações com outrem. Seja qual for a abordagem que se faça, é claro que, na adolescência, os flhos devem abandonar o anterior modo de relacionamento com os pais,

e construir um outro no qual a autonomia e a identidade dos parceiros serão

plenamente reconhecidas. Por conseguinte, o comportamento dos pais deve modifcar‑se, tanto do ponto de vista da expressão dos afectos como no que respeita ao seu papel enquanto agentes de socialização. Tal transição não decorre sem confitos, embora estes não revistam sempre o carácter

dramático que uma generalização das observações feitas pelos clínicos nas suas práticas pode sugerir. Ao mesmo tempo que as suas relações com a família se alteram, o adolescente abre-se a um mundo bem mais amplo, onde os colegas vão ocupar um lugar muito importante. Os grupos de colegas da mesma idade constituem nesse período poderosos agentes de socialização, cujas funções são mais complementares do que opostas às do grupo familiar. Eles facilitam, com efeito, o desenvolvimento das relações de amizade (muito investidas na adolescência) e a experiência da intimidade; estimulam as identifcações recíprocas, contribuindo para a remodelação da identidade pessoal e social; dão, enfm, aos adolescentes a possibilidade de experimentarem papéis e situações sociais que se inscrevem numa dialéctica do «fazer» e do «proibido» relativamente autónomo com respeito à ordem institucional. Outro agente de socialização é a escola, que cria, por um lado, con- dições propícias à constituição e ao funcionamento dos grupos de colegas, estimulando (ou devendo estimular), por outro, a confrontação com os esta- tutos profssionais adultos.

a confrontação com os esta- tutos profssionais adultos. A questão da identidade A remodelação da identidade

A questão da identidade

A remodelação da identidade representa uma aposta maior desse período: o adolescente deve assimilar e integrar nas auto-representações o conjunto das mudanças físicas, psicológicas e relacionais de que é objecto; deve, além disso, inserir-se numa perspectiva temporal personalizada:

› Amor › Sexualidade
› Amor › Sexualidade

reconhecer-se num passado que é o seu e que funda a certeza da autocon- tinuidade e, tendo consciência do carácter transitório do presente, confar num futuro que pode tentar construir.

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AS GRANDES QUESTÕES

ADolESCêNCiA

(Comportamentos de risco na)

Para exprimirem o seu sofrimento, entre 10% e 20% dos jovens recor- rem a comportamentos de risco de diversa ordem (do correr irrefec- tido de riscos físicos à toxicodependência ou a tentativas de suicídio, passando por companhias duvidosas, fugas, etc.), mas com um deno- minador comum (geralmente autodestrutivas, alteram as potenciali- dades evolutivas).

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Os limites da adolescência e da pós-adolescência são imprecisos e variam segundo as sociedades. O início da adolescência é caracterizado pela transformação da puberdade, que provoca múltiplas modifcações ao mesmo tempo fsiológicas, psicológicas e sociais. Com o prolongamento da

psicológicas e sociais. Com o prolongamento da escolaridade, difculdades acrescidas para entrar na vida

escolaridade, difculdades acrescidas para entrar na vida profssional, mas também a tendência para retardar o estabelecimento de um laço conjugal,

a

«pós‑adolescência» a tal período marcado por uma defnição progressiva das características que constituirão o adulto. Durante a adolescência, verifca‑se que o «agir» é um modo privile- giado de testemunhar e exprimir angústias e confitos internos. Quando se evocam os comportamentos de risco (que se referem apenas a uma pequena percentagem dessa faixa etária) designa-se igualmente uma tendência para a passagem ao acto (na maioria dos casos, violento e impulsivo, por vezes,

actual evolução social leva a diferir o fm da adolescência. Alguns chamam

delituoso): roubo, agressão, abuso de álcool ou droga, fuga, acto impulsivo automutilador. Abordados por este prisma, os comportamentos de risco conjugam‑se sob a forma de confrontação – íntima, familiar ou, inclusive, comprometendo

o

– íntima, familiar ou, inclusive, comprometendo o Confronto íntimo indivíduo numa relação desviante com

Confronto íntimo

indivíduo numa relação desviante com respeito à sociedade.

Ordálio designa o julgamento de Deus. Perante um presumível culpado, recai nos elementos naturais o cuidado de indicar a culpa ou inocência. Na Europa ocidental, fazia-se geralmente pelo fogo ou pela água: se a pessoa julgada escapasse à morte por queimadura ou afogamento, era declarada inocente.

O adolescente em situação de crise íntima e, logo, de sofrimento moral volta amiúde contra si próprio a angústia, durante um processo parcialmente inconsciente, que podemos aproximar do ordálio. Esse risco voluntário deve ser compreendido como um «confronto simbólico com a morte». É, pois, sob a forma do ordálio indi- vidual que se pode dar um sentido ao cor-

rer riscos. Nos possíveis comportamentos dos adolescentes, muitos exemplos ilustram tal propósito. Em alguns casos, rodarão o automóvel a uma velocidade sufcientemente viva para que surja um real perigo de morte; noutros, levarão a viagem da droga mais longe do que antes, para sítios onde não se sabe «exactamente» se o organismo sobreviverá a novo trajecto. Resposta individual a um sofrimento individual,

o ordálio recai sobre o adolescente quando nenhuma outra saída parece perflar‑se no horizonte.

QUANDo o ADolESCENTE SE ATACA A Si MESMo

Certos adolescentes atacam o próprio corpo de modo aparentemente absurdo, mas é uma maneira de atacarem (e, ao mesmo tempo, de se confrontarem com) o sentimento de estarem vivos, ou seja, de verem se ainda estão vivos. Tais ataques podem também ser expressos por sérios distúrbios ali- mentares: assim, actualmente, detecta-se em consultas um aumento importante de anorexia mental ou de bulimia em modalidades bas- tante comparáveis àquelas que se encontram em outros tipos de dependência (em particular, a toxicomania, inclusive em comporta- mentos graves).

a toxicomania, inclusive em comporta- mentos graves). Confronto com a família e o meio envolvente Certos
a toxicomania, inclusive em comporta- mentos graves). Confronto com a família e o meio envolvente Certos

Confronto com a família e o meio envolvente

Certos contextos fomentam comportamentos de risco. Um meio demasiado permissivo (que permite uma independência e uma autonomia sem controlo nem acompanhamento) favorece as passagens ao acto. Na adolescência, além dos tradicionais confitos pais‑criança, um dos meios de expressão da ruptura é a fuga. Trata‑se de uma partida impulsiva, amiúde

confitos pais‑criança, um dos meios de expressão da ruptura é a fuga. Trata‑se de uma partida

isolada, sem objectivo preciso, sendo o ponto culminante de uma crise grave entre o sujeito e o seu ambiente familiar. Qualquer acção, mais ou menos consciente, que vise o afastamento das suas referências é uma maneira de fuga. É assim que o adolescente sai da escola, na medida em que esta representa para ele uma microssociedade.

O

lio, por conseguinte psicológica, o que torna tão difcilmente aplicáveis as

desinvestimento escolar reveste inegavelmente uma dimensão de ordá-

soluções colectivas usadas por educadores e pedagogos. Do fazer gazeta à passagem ao acto violento contra um professor apresentam-se ao aluno uma série de riscos calculados que o colocam num ponto de equilíbrio perigoso:

de um lado, o possível recuo para o universo próprio da adolescência que constitui a normalidade; do outro, a exclusão.

Confronto com a sociedade

Uma forte componente ansiosa ou um desfasamento entre as trans- formações corporais e as aquisições linguísticas impelem, às vezes, o adoles- cente a exprimir por gestos o que não pode dizer por palavras. A companhia de jovens marginais ou grupos de jovens delinquentes pode amplifcar os riscos de desvio. No intuito autodestrutivo a que aludimos, é a tomada de pontos de referência com respeito à lei que permite forjar uma parte da

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AS GRANDES QUESTÕES

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identidade do adolescente. Trata‑se de um mero teste: segundo David Le Breton 1 , «após um primeiro contacto com a polícia, a imensa maioria dos jovens já não tem problemas com a justiça». Procura de prazer, limite ou excesso pessoal, busca que, aparente- mente, não tem outro intuito senão ela própria, elemento indissociável da adolescência, rito iniciático – os comportamentos de risco são tudo isso ao mesmo tempo. Surge, todavia, uma separação signifcativa entre rapazes e raparigas quanto à manifestação do mal‑estar e à passagem ao acto. Assim, embora a delinquência seja maioritariamente um modo de expressão mascu- lino, a anorexia mental continua a ser uma patologia quase exclusivamente feminina. Numa perspectiva de prevenção, convém chamar a atenção para o facto de os comportamentos de risco, que se banalizam, apelarem a res- postas (psico)terapêuticas apropriadas, tais como as que se concebem facilmente hoje em dia para os comportamentos de dependência. Porém, importa também sublinhar que é a repetição que inquieta o pessoal médico. Quando não são repetitivos e o seu potencial destruidor é atenuado, muitos desses comportamentos podem esclarecer o desenvolvimento do adoles- cente e representar a indução de uma mudança.

do adoles- cente e representar a indução de uma mudança. › Anorexia e bulimia › Dependências

› Anorexia e bulimia › Dependências › Suicídio

do adoles- cente e representar a indução de uma mudança. › Anorexia e bulimia › Dependências

GLOSSÁRIO DOS TERMOS

A

410

ABANDONISMO

Abandonismo

Sentimento e estado psicoafectivo de insegurança permanente, liga- dos ao receio irracional de se ser abandonado pelos pais ou familiares, sem relação com uma situação real de abandono.

Ablactação

PSICOL. Cessação da alimentação láctea da criança.

A ablactação começa a partir do terceiro mês de vida; faz-se progressi-

vamente, coincidindo com o início de uma alimentação mais sólida ou consistente. Trabalhos de psicanalistas (Melanie Klein) mostraram que

a ablactação é um importante corte, traumatizante amiúde, causador

de desamparo: não que a privação do leite materno ou artifcial tenha importância biológica no organismo, mas porque o comportamento da mãe nesse instante decisivo provoca angústia, da qual a criança se defende precocemente.

angústia, da qual a criança se defende precocemente. Ab-reacção Descarga emocional pela qual o sujeito se

Ab-reacção

Descarga emocional pela qual o sujeito se liberta de um aconteci- mento esquecido que o tinha traumatizado.

Abstinência (Síndrome de)

PSIQ. Síndrome de desabituação do sujeito toxicodependente.

u Desintoxicação (Cura de) › Dependência › Dependência de «drogas»

Abulia

de) › Dependência › Dependência de «drogas» Abulia Diminuição da vontade, que provoca indecisão e

Diminuição da vontade, que provoca indecisão e impotência para agir.

Acesso delirante

Surgimento súbito de um delírio, que pode seguir-se a um episódio traumatizante (luto, situação de fracasso, etc.). Acompanhado, em muitos casos, de perturbações alucinatórias múltiplas, o acesso deli- rante atinge bruscamente um indivíduo até então incólume a distúr- bios psíquicos graves e retrocede espontaneamente ao fm de duas a três semanas, curando-se amiúde sem deixar sequelas.

Acinesia

PSICOL. Incapacidade parcial ou total de executar um movimento. PSIQ. Sinal mais importante da doença de Parkinson, que se traduz em raridade de gestos, difculdade em mover‑se e perda do balancea- mento do braço ao andar.

Acomodação

BIOL. Processo segundo o qual o organismo se modifca para adaptar‑ -se aos novos dados da sua experiência ou do seu meio. PSIC. A acomodação é, juntamente com a assimilação, uma noção fun- damental da teoria de Piaget, servindo para explicar os mecanismos de adaptação do indivíduo (nomeadamente, da criança) ao seu meio envolvente e o desenvolvimento da sua inteligência.

ACTO

A

Por exemplo, a criança que entra na escola pela primeira vez modifca a sua estrutura de assimilação anterior (esquema), elaborando uma mais apropriada para adaptar-se a essa situação nova.

u Adaptação u Assimilação

Acting out

Expressão súbita de sentimentos recalcados. Transgressivo ou incongruente (do objecto roubado ao gesto sedutor inopinado), dá a ver e põe em cena o que não pôde ser dito – articu- lado em palavras – pelo emissor, assim como aquilo que não pôde ser escutado da pelo destinatário. Na cura psicanalítica, é considerado como uma transformação da transfe- rência consciente. Assinala um momento de impasse imputável ao anali- sando ou ao analista. Lacan (1962) releu em Freud [“Fragmento da Análise de um Caso de Histeria” (“Bruchstück einer Hysterie-Analyse”, 1905)] um exemplo de acting out no jogo sedutor de Dora junto de M. K., actuação verdadeiramente destinada ao pai dela e à senhora K. Forma selvagem de transferência, apela à interpretação e à simboliza- ção, possíveis dentro da cura psicanalítica.

simboliza- ção, possíveis dentro da cura psicanalítica. Actividades intelectuais Actividades de tratamento da

Actividades intelectuais

Actividades de tratamento da informação que utilizam conhecimentos explícitos, intervindo na compreensão, no raciocínio, na aquisição de conhecimentos e na resolução de problemas. As actividades intelectuais constituem o domínio da inteligência abs- tracta que se opõe muitas vezes à inteligência prática. Tal oposição baseia-se principalmente na psicometria (conjunto de métodos para medir os fenónemos psicológicos), que distingue testes de inteligência teórica e testes de inteligência prática. Podem assinalar-se quatro tipos de actividades que sobressaem no tratamento da informação:

de actividades que sobressaem no tratamento da informação: as actividades de compreensão , incluindo ao mesmo

as actividades de compreensão, incluindo ao mesmo tempo a compre- ensão da linguagem e a compreensão de situações físicas, na medida em que empregam conhecimentos; as actividades de raciocínio, que consistem em produzir operações (de natureza indutiva ou dedutiva), visando a compreensão, a comunica- ção, a aquisição de conhecimentos ou a elaboração de decisões; a aquisição de conhecimentos, que se produz quer pelo ensino ou por tex- tos, quer por uma experiência de descoberta na resolução de problemas; a elaboração de decisões de acção, nomeadamente, a planifcação de tarefas complexas, como aquelas que são realizadas diariamente na actividade profssional.

Acto

Conduta humana que implica a existência de um sujeito com um com- portamento de satisfação de uma necessidade psicológica ou social. A psicanálise visa permitir que o sujeito assuma a responsabilidade pelos aspectos conscientes e inconscientes dos seus actos.

411

GLOSSÁRIO DOS TERMOS

A

412

ACTO fALhADO

Acto falhado

Acto ou comportamento socialmente inadaptado que realiza um desejo inconsciente.

Para Freud (Psicopatologia da Vida Quotidiana 1 ), tal acto faz parte – com o sonho e o lapso – dos fracassados do controlo consciente. Exemplos: perder chaves, esquecer um encontro importante, chumbar num exame bem preparado, etc. Constitui um sintoma – benigno, na maioria dos casos – que garante um compromisso entre o ego cons- ciente e um desejo inconsciente imperfeitamente recalcado. Para esse desejo recalcado, é um acto conseguido.

O uso demasiado lato dessa noção pode salientar como patológico

qualquer acto que escape mais ou menos à intenção consciente. Con- vém reservar tal expressão para as situações que obstam à satisfação consciente do objectivo.

que obstam à satisfação consciente do objectivo. Acto psicanalítico Acção do psicanalista. A bilidade

Acto psicanalítico

Acção do psicanalista.

A

bilidade dos seus actos, das suas interpretações e intervenções no tratamento, das suas falhas ao participar na produção de acting out do paciente. O psicanalista deve conduzir o analisando ao fm da análise, o que implica uma formação adequada na sua própria experiência dessa terminação. Diversos dispositivos interrogam tal resultado (cura didác- tica, controlos, passe 2 , processo de habilitação, etc.).

ética da Psicanálise impõe que o psicanalista assuma a responsa-

da Psicanálise impõe que o psicanalista assuma a responsa- Adaptação BIOL. Conjunto dos ajustamentos realizados num

Adaptação

BIOL. Conjunto dos ajustamentos realizados num organismo para sobreviver e perpetuar a sua espécie num determinado ambiente. PSIC. Conjunto das modifcações dos comportamentos que visam garantir o equilíbrio das relações entre o organismo e os seus meios de vida e, ao mesmo tempo, mecanismos e processos que subenten- dem tal fenómeno. Para Piaget, a vida psíquica obedece às mesmas leis estruturantes da vida biológica. São usados processos de adaptação sempre que uma situação comporta um ou vários elementos novos, desconhecidos ou simplesmente não familiares. Segundo Piaget, há assimilação quando o sujeito integra dados novos em modelos comportamentais anteriormente constituídos, havendo acomodação quando esses novos dados transformam a estrutura mental do sujeito para torná-la compatível com as exigências da nova situação. Entre os primeiros exercícios de refexos de sucção do recém‑nascido e as suas manifestações aplicadas a diversos objectos (polegar, roca, chucha, etc.),

há extensão progressiva da reacção, mas também mudança de forma por

ajustamento à forma do novo objecto. Assimilação e acomodação são con- sideradas por Piaget como actividades essenciais para o desenvolvimento do indivíduo, cujo dinamismo exprimem em conjunto. O desenvolvimento

da inteligência representa a adaptação mais elevada e completa: prolonga

) (