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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA Departamento de Ciências Biológicas Programa de Pós-Graduação Educação
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA Departamento de Ciências Biológicas Programa de Pós-Graduação Educação

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA

Departamento de Ciências Biológicas

Programa de Pós-Graduação Educação Científica e Formação de Professores Disciplina: Pesquisa e Formação de Professores de Ciências e Matemática

Docentes: Dra. Daisi Teresinha Chapani e Dr. Claudinei Camargo Sant’Ana Discente: Poliana Schettini Silva

SHULMAN, L. S. Those who understand: knowledge growth in teaching. Educational Researcher, v. 15, n. 2, p. 4-14, 1986.

Shulman e o Conhecimento Pedagógico de Conteúdo: Uma breve análise da obra Those Who Understand: Knowledge Growth in Teaching”

Lee S. Shulman possui graduação em Filosofia (1959), mestrado e doutorado em

Psicologia da Educação pela Universidade de Chicago. Com sua preocupação constante pela

qualidade do ensino e da aprendizagem e pelo estudo da natureza da atividade docente se

tornou reconhecido nacional e internacionalmente.

Juntamente com seu grupo de pesquisa da Universidade de Stanford traçou os

principais conceitos para a reconsideração da natureza do conhecimento do professor, com

especial atenção à importância do conhecimento pedagógico do conteúdo. Entre 1985 e 1990,

Lee Shulman e seus colegas conduziram os estudos técnicos para a criação do Conselho

Nacional para os Padrões do Ensino Profissional. Desde 1990, tem colaborado com Pat

Hutchings e Russell Edgerton na pesquisa sobre o papel do ensino na educação superior.

Resumidamente, as pesquisas e publicações de Lee Shulman envolvem temas como

processo ensino-aprendizagem, formação de professores, base do conhecimento dos

professores, educação médica, a instrução psicológica no ensino de ciências, matemática e

medicina, sobre a lógica da pesquisa educacional e a qualidade do ensino nas instituições de

educação superior.

Em sua obra Those Who Understand: Knowledge Growth in Teaching, publicada no

ano de 1986 na revista eletrônica Educational Researcher, Shulman inicia o texto fazendo

uma análise sobre os testes que eram utilizados para “medir” o conhecimento dos professores

utilizando como exemplo o exame para professores do ensino fundamental da Califórnia no

ano 1875. A partir de suas análises, o autor conclui, aproximadamente, 95% do teste era

dedicado ao conteúdo a ser ensinado. Esta ênfase no conteúdo a ser ensinado contrasta com

as políticas emergentes da década de 1980, onde os testes agora passam a enfatizar a

capacidade de ensinar, as habilidades básicas que o professor deve ter. Deste modo ao

comparar as categorias dos testes de 1875 e dos testes de 1980, Shulman aponta que o

contraste é gritante, “para onde foi o conteúdo?”, obtendo como justificativa desse contraste “A pesquisa com base nas competências dos professores”, o que leva Shulman a concluir que na necessidade de simplificar as complexidades do ensino o conteúdo, o aspecto central da sala de aula, foi ignorado. Diante desta inquietação o autor faz alguns questionamentos e afirma que as próprias políticas educacionais reforçam a falta de importância do conteúdo. Tendo por base o visível distanciamento entre o conteúdo e a pedagogia, Shulman apresenta alguns fatos históricos para mostrar que o conteúdo e pedagogia fazia parte de um corpo indistiguível de conhecimento, trazendo exemplos de diversas áreas do conhecimento. Surge então, o paradigma perdido que se refere às questões centrais das pesquisas em ensino, onde se percebe uma excessiva ênfase na pedagogia e a escassa atenção ao conteúdo. Para entender e superar o paradigma perdido, assim como as demais questões que surgem ao longo do texto, Shulman aprofunda a análise e traz um olhar sobre o conhecimento do professor, discutindo algumas formas de pensar sobre determinado conhecimento e faz a suas discussão em torno de três categorias: conhecimento de conteúdo específico; conhecimento pedagógico de conteúdo; e, conhecimento curricular. O conhecimento de conteúdo específico se refere a quantidade e organização do conhecimento na mente do professor e aponta que existem maneiras distintas de representar o conhecimento de conteúdo (Bloom, Gagné, Schwab). Já o conhecimento pedagógico de conteúdo diz respeito a dimensão do conhecimento do conteúdo para o ensino, incluindo as formas mais úteis de representação dessas idéias, as mais poderosas analogias, ilustrações, exemplos, explicações e demonstrações, numa palavra, as formas de representar e formular o assunto para torná-lo compreensível aos outros, além de incluir também uma compreensão do que torna a aprendizagem de temas específicos, fácil ou difícil: as concepções e conhecimento prévios dos alunos. Por fim, Shulman aponta que o conhecimento curricular é representado, de forma resumida, por toda a gama de programas para o ensino de conteúdos. Shulman sugere, ainda, três bases para o conhecimento do professor: proposicional, de caso e estratégico, que são detahadas ao longo do texto. O autor finaliza o texto apresentando as implicações de suas discussões. Onde as principais são: i) conceber de forma diferente como exames profissionais para os professores podem ser organizados e construídos; e, ii) os exames devem ser definidos e controlados por membros da profissão, refletindo um entendimento de que o conteúdo e o processo são necessários para o ensino profissional, e que é dentro do conteúdo que deve incluir o conhecimento das estruturas de um sujeito, conhecimento pedagógico dos temas gerais e específicos do domínio e conhecimento curricular especializada.

Ao analisar a obra, que foi brevemente resumida aqui, acredito que há pontos que mereçam especial atenção e é nestes pontos princiapais que centrarei a minha análise. Inicialmente, percebe-se que ao se deparar com o contraste entre os testes desenvolvidos em 1875 (foco no conteúdo) e os desenvolvidos em 1980 (foco na pedagogia), Shulman levanta as primeiras proposições a respeito da existência de uma base de conhecimentos para o ensino, que se referem a um corpo de conhecimentos, concepções e disposições construídas em diferentes momentos, contextos e experiências vividas pelo estudante-professor ao longo da sua trajetória pessoal, escolar, acadêmica e profissional (MARCON; GRAÇA; NASCIMENTO, 2010). Mizukami (2004) aponta que os profissionais do ensino necessitam de um corpo de conhecimento profissional codificado e codificável que os guie em suas decisões quanto ao conteúdo e à forma de tratá-lo em seus cursos e que abranja conhecimento pedagógico quanto conhecimento da matéria”. A partir dessa ideia, analisando a obra é possível perceber que a intenção de Shulman é mostrar que tanto o conteúdo quanto a pedagogia são necessários para o processo de ensino- aprendizagem, no entanto, não são por si só suficientes. De modo que é preciso que haja uma articulação entre o conhecimento de conteúdo e o conhecimento pedagógico (assim como o conhecimento de currículo, de contexto), e é a partir dessa articulação/interação entre os conhecimentos que surge o que Shulman chama de Conhecimento Pedagógico de Conteúdo (PCK), onde está incluído “além dos tópicos mais regularmente ensinados sobre um assunto,

as formas mais úteis de representação dessas idéias, as analogias mais poderosas, ilustrações,

e uma compreensão a respeito dos aspectos que

exemplos, explicações e demonstrações [

tornam a aprendizagem de determinado conteúdo mais fácil ou difícil(SHULMAN, 1986, p. 9, tradução minha). Para finalizar, ressalto a importância, também, dos conhecimentos que são adquiridos na prática do professor, que vêm da sua história de vida e que são fortes influências para a forma como o professor encara o ensino, de modo que o PCK refere-se a uma contrução própria e única de cada professor, pois a sua história de vida influencia diretamente na forma como ele irá fazer as articulações necessárias entre os demais conteúdos. Além disso, tendo por base as considerações finais feitas por Shulman ao final de sua obra, acredito que os exames profissionais para professores devem abordar, igualmente, os diferentes tipos de conhecimentos, uma vez que vimos que todos são necessários para o processo de ensino e aprendizagem, mas nenhum dele é suficiente por si só.

]

REFERÊNCIAS

MIZUKAMI, M. G. Aprendizagem da docência: algumas contribuições de L. S. Shulman. Revista Educação, Santa Maria, v. 29, n. 2, p. 1-11, 2004.

MARCON, D; GRAÇA, A. B. dos S; NASCIMENTO, J. V. Reflexões sobre o processo de construção do conhecimento pedagógico do conteúdo de futuros professores. In:

CONGRESSO INTERNACIONAL DE FILOSOFIA E EDUCAÇÃO, V, 2010. Caixias do

Sul, Anais

Caixias do Sul, RS, maio de 2010.