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SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 1

SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 2

SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA – A3P EA GESTÃO
SOCIOAMBIENTAL
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SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 3

Sumário
1. Introdução ................................................................................................................................... 5

1.1 Glossário .................................................................................................................................................... 7

2. Gestão Socioambiental ......................................................................................................... 12

2.1 Gestão Socioambiental ............................................................................................................................ 12

3. A3P como referencial de sustentabilidade nas atividades da administração


pública....................................................................................................................................................... 19

3.1 – A3P e objetivos ..................................................................................................................................... 19

3.2 – Histórico ................................................................................................................................................ 22

3.3 - Formas de atuação ................................................................................................................................ 24

3.4 – Prêmio Melhores Práticas ..................................................................................................................... 26

4. Planejamento, Monitoramento e avaliação de projetos ........................................... 30

4.1 - Definição de projeto .............................................................................................................................. 30

4.2 – Planejamento e execução de projetos .................................................................................................. 32

4.3 – Implementando a A3P. ......................................................................................................................... 37

4.4 – Exercícios............................................................................................................................................... 42

5. Uso racional dos recursos naturais e bens públicos .................................................. 43

5.1 - Consumo sustentável na administração pública ................................................................................... 43

5.2 – Otimização do consumo: possíveis medidas de redução de desperdício ............................................. 46

5.3 – Melhores Práticas ................................................................................................................................. 50

5.4 – Exercícios............................................................................................................................................... 51

6. Gestão de Resíduos Gerados............................................................................................... 52

6.1 – Definição de Resíduos Sólidos............................................................................................................... 52

6.2 – Política Nacional de Resíduos Sólidos ................................................................................................... 58

6.3 - Coleta seletiva solidária ......................................................................................................................... 60

6.4 - Melhores Práticas .................................................................................................................................. 65

6.5 – Exercícios............................................................................................................................................... 67

7. Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) ............................................................................ 68


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7.1 – Fundamentos da Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) ...................................................................... 68

7.2 – Elaborando um programa de QVT ........................................................................................................ 71

7.3 – Exercícios............................................................................................................................................... 74

8. Sensibilização e capacitação de servidores .................................................................. 75

8.1 – Fundamentos da sensibilização e capacitação...................................................................................... 75

8.2 – Elaborando um programa de sensibilização e capacitação .................................................................. 77

8.3 – Exercícios............................................................................................................................................... 80

9. Licitações Sustentáveis ........................................................................................................ 81

9.1 – Fundamentos das licitações sustentáveis ............................................................................................. 81

9.2 – Ferramentas de apoio às licitações sustentáveis. ................................................................................. 85

9.3 – Melhores Práticas ................................................................................................................................. 89

9.4 – Exercícios............................................................................................................................................... 91

10. Arcabouço Legal para ações de gestão socioambientais ....................................... 92

10.1 – Arcabouço legal para ações de gestão socioambiental ...................................................................... 92

11. PERGUNTAS FREQUENTES ................................................................................................ 97

11.1 – Perguntas frequentes.......................................................................................................................... 97


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1. INTRODUÇÃO

Queremos dar as boas-vindas a você, prezado aluno, neste curso intitulado


“Sustentabilidade na Administração Pública.”

Este curso foi desenvolvido para que os servidores e funcionários da


administração pública implementem em sua instituição a Agenda Ambiental da
Administração Pública – A3P. O que é, quais são os assuntos abordados por ela e
como criar o projeto e implantá-la na sua instituição.

Este curso é assíncrono, ou seja, você pode programar o seu tempo para
realizá-lo, de forma a assimilar todo o conteúdo.

Objetivos

O objetivo geral do treinamento é oferecer subsídios e apoio técnico para a


implementação da Agenda Ambiental na Administração Pública.

Os objetivos específicos do curso são:

- Apresentar a A3P, suas definições, objetivos e propostas.


- Discutir e aprofundar o conhecimento sobre os 05 eixos de atuação da A3P.

- Mostrar aos servidores públicos que existem maneiras mais adequadas de


fazer a gestão pública, considerando a sustentabilidade dos recursos
ambientais, econômicos e sociais.

Público-alvo

O público-alvo são servidores públicos que desejam implementar a A3P nos


órgãos e entidades da administração pública de todas as esferas e poderes.

Conteúdo

O conteúdo deste curso está dividido da seguinte forma:


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07
Capítulo 1: Recomendações e regras do curso

Capítulo 2: Gestão Socioambiental

Capítulo 3: A3P como referencial de sustentabilidade nas atividades da


administração pública

Capítulo 4 - Planejamento, monitoramento e avaliação de projetos

Capítulo 5 - Uso racional dos recursos naturais e bens públicos

Capítulo 6 – Gestão de Resíduos Gerados

Capítulo 7: Qualidade de Vida no Trabalho (QVT)

Capítulo 8 - Sensibilização e capacitação de servidores

Capítulo 9 - Licitações sustentáveis

Capítulo 10 – Arcabouço legal para as ações de gestão socioambientais

Capítulo 11 – Perguntas frequentes

Avaliação final
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1.1 GLOSSÁRIO

Neste material existem alguns termos técnicos bastante específicos aos temas
tratados. Pensando nisso, apresentamos um breve glossário contendo esses
conceitos. Em caso de dúvidas, retorne ao glossário e consulte o termo
desconhecido:

Absenteísmo: Prática ou costume de se ausentar de um local onde seria


obrigatória sua presença.

Acordo setorial: Ato de natureza contratual firmado entre o poder público e


fabricantes, importadores, distribuidores ou comerciantes, tendo em vista a
implantação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto.

Ciclo de vida do produto: Série de etapas necessárias na concepção e no


desenvolvimento de serviços e produtos, para que cumpram as suas respectivas
funções, desde a obtenção de matérias-primas e insumos, o processo produtivo, o
consumo, o pós-consumo, o tratamento e até a destinação ambientalmente
adequada.

Coleta seletiva: Coleta de resíduos sólidos previamente segregados conforme


sua constituição ou composição.

Coleta seletiva solidária: Coleta e separação dos resíduos recicláveis


descartados na fonte geradora, para destinação às associações e cooperativas de
catadores de materiais recicláveis. Essa estratégia busca a construção de uma
cultura institucional para um novo modelo de gestão dos resíduos, no âmbito da
administração pública somada aos princípios e metas estabelecidos pela A3P –
Agenda Ambiental na Administração Pública Federal.
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Compostagem: A compostagem é um processo biológico em que os


microorganismos transformam a matéria orgânica, folhas e restos de comida,
gerando um material denominado composto. A compostagem dá destinação
ambientalmente adequada para os resíduos orgânicos e o composto produzido, se
usado para adubação (por exemplo, pequenas hortas e jardins), melhora a estrutura
do solo e diminui a necessidade de herbicidas e fungicidas.

Consumo sustentável: É o bom uso de bens e serviços que atendam às


necessidades básicas, que proporcionam uma melhor qualidade de vida, mas
minimizando o uso dos recursos naturais e materiais tóxicos, a geração de resíduos e
a emissão de poluentes durante todo o ciclo de vida do produto ou do serviço, de
modo que não se coloque em risco as necessidades das futuras gerações.

Controle social: Conjunto de mecanismos e procedimentos que garantam à


sociedade informações e participação nos processos de formulação, implementação
e avaliação das políticas públicas relacionadas aos resíduos sólidos.

Destinação final ambientalmente adequada: Destinação de resíduos que


inclui a reutilização, a reciclagem, a compostagem, a recuperação e o aproveitamento
energético ou outras destinações admitidas pelos órgãos competentes do Sisnama,
do SNVS e do Suasa, entre elas à disposição final, observando normas operacionais
específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança e a
minimizar os impactos ambientais adversos.

Disposição final ambientalmente adequada: Distribuição ordenada de rejeitos


em aterros, observando normas operacionais específicas de modo a evitar danos ou
riscos à saúde pública, à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos.

Efeito estufa: Fenômeno natural pelo qual parte da radiação solar que chega à
superfície da Terra é retida nas camadas baixas da atmosfera, proporcionando a
manutenção de temperaturas numa faixa adequada para permitir a vida de milhares
de espécies no planeta. Entretanto, devido ao aumento da concentração de gases
causadores do efeito estufa (GEE) na atmosfera, tem ocorrido uma maior retenção
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dessa radiação na forma de calor, e, consequentemente, a temperatura média no


planeta está aumentando, provocando o aquecimento global e significativas
mudanças climáticas.

Geradores de resíduos sólidos: Pessoas físicas ou jurídicas, de direito público


ou privado, que geram resíduos sólidos por meio de suas atividades, nelas incluindo
o consumo.

Gerenciamento de resíduos sólidos: Conjunto de ações exercidas, direta ou


indiretamente, nas etapas de acondicionamento, coleta, transporte, transbordo,
tratamento e destinação final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos e
disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, de acordo com plano
municipal de gestão integrada de resíduos sólidos ou com plano de gerenciamento
de resíduos sólidos.

Gestão integrada de resíduos sólidos: Conjunto de ações voltadas para a


busca de soluções dos resíduos sólidos, de forma a considerar as dimensões política,
econômica, ambiental, cultural e social, com controle social e sob a premissa do
desenvolvimento sustentável.

Lixão: Forma inadequada de disposição final de resíduos e rejeitos, que


consiste na descarga do material no solo sem qualquer técnica ou medida de
controle.

Licitações sustentáveis: É a licitação que destina-se a garantir a observância


do princípio constitucional da isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa para a
administração e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável.

Logística reversa: Instrumento de desenvolvimento econômico e social


caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a
viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para
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reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação


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final ambientalmente adequada.

Presenteísmo: Presença física e ausência mental. Refere-se a estar presente


fisicamente, mas sem ação e comprometimento.

Produção e consumo sustentáveis: Uso de serviços e produtos relacionados


que responde às necessidades básicas humanas e traz uma melhor qualidade de
vida, ao mesmo tempo em que minimiza o uso de recursos naturais e materiais
tóxicos, bem como as emissões de resíduos e poluentes ao longo do ciclo de vida do
serviço ou produto, para não colocar em risco as necessidades das gerações futuras.

Reciclagem: Processo de transformação dos resíduos sólidos que envolve a


alteração de suas propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas, com vistas à
transformação em insumos ou novos produtos.

Rejeitos: Resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as possibilidades


de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e
economicamente viáveis, não apresentem outra possibilidade que não a disposição
final ambientalmente adequada.

Resíduos sólidos: Material, substância, objeto ou bem descartado resultante


de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe
proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem
como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável
o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para
isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia
disponível.

Responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos: Conjunto


de atribuições individualizadas e encadeadas dos fabricantes, importadores,
distribuidores e comerciantes, dos consumidores e dos titulares dos serviços públicos
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de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, para minimizar o volume de
resíduos sólidos e rejeitos gerados, bem como para reduzir os impactos causados à
saúde humana e à qualidade ambiental decorrentes do ciclo de vida dos produtos.

Reutilização: Processo de aproveitamento dos resíduos sólidos sem sua


transformação biológica, física ou físico-química.

Trabalho decente: Envolvem oportunidades de trabalho que ofereçam salário


justo, bem como segurança no local de trabalho, proteção social para as famílias,
melhores perspectivas para o desenvolvimento pessoal e integração social, liberdade
para que as pessoas expressem as suas preocupações, organizem-se e participem
das decisões que afetam suas vidas, e igualdade de oportunidade e tratamento para
mulheres e homens. Eles são essenciais na busca pela redução da pobreza e são
meio de se alcançar um desenvolvimento sustentável equitativo e inclusivo, de
acordo com a definição da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
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2. GESTÃO SOCIOAMBIENTAL

2.1 GESTÃO SOCIOAMBIENTAL

Neste capítulo nós aprenderemos os conceitos e ferramentas que auxiliam na


gestão socioambiental das instituições públicas.

De acordo com os autores Luís Felipe Nascimento, Angela Denise da Cunha


Lemos e Maria Celina Abreu de Mello, temos a seguinte definição para Gestão
Socioambiental:

“A Gestão Socioambiental de uma organização consiste na inserção da variável


socioambiental ao longo de todo o processo gerencial de planejar, organizar, dirigir e
controlar, utilizando-se das funções que compõem esse processo gerencial, bem
como das interações que ocorrem no ecossistema de mercado, visando a atingir seus
objetivos e metas da forma mais sustentável possível.”

Em outras palavras, é o modo como a instituição faz sua gestão, preocupando-


se com os problemas sociais e ambientais que estão ligados, direta ou indiretamente,
a todo seu processo produtivo.

Outro conceito importante é a Responsabilidade Socioambiental, definida em


acordo com a norma ISO 26.000. "Responsabilidade de uma organização pelos
impactos de suas decisões e atividades na sociedade e no meio ambiente, por meio
de um comportamento ético e transparente que contribua para o desenvolvimento
sustentável, inclusive a saúde e bem-estar da sociedade; leve em consideração as
expectativas das partes interessadas; esteja em conformidade com a legislação
aplicável e seja consistente com as normas internacionais de comportamento; e
esteja integrada em toda a organização e seja praticada em suas relações.”

A responsabilidade socioambiental e a gestão socioambiental são conceitos


chaves na busca da sustentabilidade. A imagem do tripé é perfeita para entender a
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 13

sustentabilidade. Nele estão contidos os aspectos econômicos, ambientais e sociais,


que devem interagir de maneira equilibrada para proporcionar sustentabilidade.

Social – Aqui estamos nos referindo ao capital humano da instituição. Salários


justos e adequação à legislação trabalhista são importantes, mas é preciso pensar
em outros aspectos, como o bem estar dos servidores, oferecendo, por exemplo, um
ambiente de trabalho agradável, pensando na saúde do trabalhador e da sua família.

Além disso, podemos perceber como a atividade administrativa afeta as


comunidades ao redor.

Ambiental – Refere-se ao capital natural da instituição. Nesse aspecto


devemos pensar no pequeno, médio e longo prazo. A princípio, praticamente todas
as atividades humanas de produção de bens ou serviços têm impacto ambiental
negativo, e, nesse aspecto, a instituição deve pensar nas formas de amenizar esses
impactos e compensar o que não é possível amenizar. Uma instituição que utiliza um
tipo de matéria-prima deve planejar formas de repor os recursos ou,
preferencialmente, minimizar o máximo possível o uso desse material.

Além disso, obviamente, deve ser levada em conta a adequação à legislação


ambiental e a vários princípios discutidos atualmente, como as metas de Aichi*.

* As metas de Aichi são 20 proposições elaboradas pela Convenção sobre


Diversidade Biológica todas voltadas à redução da perda da biodiversidade em
âmbito mundial. As 20 metas se organizam ao redor de cinco grandes objetivos
estratégicos: tratar das causas fundamentais de perda de biodiversidade, fazendo
com que as preocupações com a biodiversidade permeiem governo e sociedade;
reduzir as pressões diretas sobre a biodiversidade e promover o uso sustentável;
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 15 14

melhorar a situação da biodiversidade, protegendo ecossistemas, espécies e


diversidade genética; aumentar os benefícios de biodiversidade e serviços
ecossistêmicos para todos; e aumentar a implantação, por meio de planejamento
participativo, da gestão de conhecimento e capacitação.

Versão na íntegra:

www.mma.gov.br/estruturas/sbf2008_dcbio/_arquivos/metas_aichi_147.pdf

Econômico – Trata-se da produção e desenvolvimento econômico, como


também de sua eficiência de produção e logística que consideram a economia de
energia, de água e outros recursos naturais, bem como a qualidade de vida no
trabalho que essa empresa oferece. Não é muito difícil definir o que é o conceito. É
resultado econômico positivo de uma instituição. Quando se leva em conta o tripé,
esse item deve levar em consideração os outros dois aspectos. Ou seja, não adianta
lucrar destruindo o meio ambiente, por exemplo.

No âmbito das instituições públicas, a responsabilidade socioambiental é,


essencialmente, um conceito que expressa a decisão de contribuir voluntariamente
para uma sociedade melhor e um meio ambiente mais equilibrado e sadio.

O final da década de 80 e toda a década de 90 foram marcados pela construção


de novas abordagens teóricas nos países desenvolvidos, tratando da relação das
instituições com o meio ambiente, sendo bem diferente do posicionamento observado
até os meados dos anos 80. Veja no quadro a seguir essa evolução.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 16 15

Período Abordagem Valor Concepção Atitude

Sem controle da Indiferença aos Poluir e degradar


Até 1970 Lucro
poluição problemas ambientais (externalizar custos)

Controle da Lucro e respeito à O controle da poluição Poluir no limite que a


Até 1985
poluição regulação diminui os lucros regulação permite
Reduzir resíduos no
Lucro, respeito à
Prevenção da processo produtivo e
Atual regulação e Aumento dos lucros
poluição desenvolver maior
eficiência
política de segurança
Aumento dos lucros e
Análise do Ciclo Gerenciar o produto, da
Lucro, eficiência e de vantagens
Atual Vida (Product produção a sua
qualidade ambiental competitivas no longo
Stewardship) disposição final.
prazo
Lucro e preservação Aumento da produção
Produzir produtos que
Desenvolvimento da qualidade e de vantagens
Atual não agridam o meio
Sustentável ambiental no longo competitivas no longo
ambiente.
prazo prazo

Um dos processos mais importantes relacionado a esse assunto é o de


conscientização dos servidores quanto à importância de se tomar decisões e
implementar ações que promovam a sustentabilidade dentro das instituições.

As mudanças de hábitos, comportamentos e padrões de consumo de todos os


servidores impactam diretamente na preservação dos recursos naturais e podem
gerar resultados positivos, como a melhoria da qualidade ambiental, por exemplo,
com a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Os novos desafios globais e a necessidade de promover um programa que


"atenda às necessidades do presente, sem comprometer a capacidade de as futuras
gerações atenderem às suas próprias necessidades" destacam a importância da
criação de políticas e programas de Responsabilidade Socioambiental. Tudo isso
tendo como princípio a necessidade de mudar comportamentos e adotar novas
práticas éticas e responsáveis.

A participação das instituições públicas no processo de mudança nos padrões


de gestão é necessária, pois o Estado é um dos principais interlocutores junto à
sociedade. Ele possui uma ampla responsabilidade e papel indutor fundamental para
tornar as iniciativas, atuais e futuras, mais transparentes, incitando a inserção de
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 16

critérios de sustentabilidade em suas atividades e integrando as ações sociais e


ambientais com o interesse público.

Curiosidade: Atualmente, 50% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro


depende da biodiversidade, o que demanda a adoção de novos padrões de
sustentabilidade, bem como a busca por novas formas – mais eficazes - de pensar
sobre o desenvolvimento, preservando os recursos naturais, dos quais depende a
nossa economia e o crescimento sustentável do país.

Como se sabe, a biodiversidade ocupa lugar importantíssimo na economia


nacional: o setor de agroindústria, sozinho, responde por cerca de 40% do PIB
brasileiro (calculado em US$ 866 bilhões em 1997); o setor florestal, por sua vez,
responde por 4%; e o setor de pesca, 1%. Na agricultura, o Brasil possui exemplos
de repercussão internacional sobre o desenvolvimento de biotecnologias que geram
riquezas por meio do adequado emprego de componentes da biodiversidade.

Produtos da biodiversidade respondem por 31% das exportações brasileiras,


com destaque para o café, a soja e a laranja. As atividades de extrativismo florestal e
pesqueiro empregam mais de três milhões de pessoas. A biomassa vegetal, incluindo
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 17

o etanol da cana-de-açúcar, e a lenha e o carvão derivados de florestas nativas e


plantadas respondem por 30% da matriz energética nacional – e em determinadas
regiões, como o Nordeste, atendem a mais da metade da demanda energética
industrial e residencial. Além disso, grande parte da população brasileira faz uso de
plantas medicinais para tratar seus problemas de saúde.

Outra questão a ser considerada: você já parou para pensar que a forma como
vivemos deixa marcas no meio ambiente? É isso mesmo, nossa caminhada pela
Terra deixa “rastros”, “pegadas”, que podem ser maiores ou menores, dependendo
de como caminhamos. De certa forma, essas pegadas dizem muito sobre quem
somos! Atualmente, há disponível na internet muitas informações sobre a pegada
ecológica, inclusive com ferramentas para o cálculo do tamanho da pegada.
18

A responsabilidade socioambiental vai muito além da ideia de plantar árvores e


fazer coleta seletiva de lixo. Envolve aspectos bem mais complexos como a
eliminação dos impactos ambientais em toda a cadeia produtiva, investindo na
aquisição de produtos e serviços que contribuam para que a administração pública
reduza o seu próprio dano ao meio ambiente, incentivando padrões responsáveis de
consumo e a melhoria na qualidade de vida.

Para saber se a sua instituição pratica a Responsabilidade Socioambiental,


algumas perguntas devem ser respondidas:

 O planejamento estratégico da instituição inclui fatores da responsabilidade


socioambiental e da sustentabilidade?

 Existe mapeamento dos impactos ambientais causados pelas operações?

 Os dirigentes da instituição estão engajados no processo de gestão


socioambiental?

 A instituição implementa ações para reduzir as emissões de CO2?

 A instituição adota medidas para reduzir o consumo e evitar desperdícios de


recursos naturais?

 A instituição faz o correto gerenciamento dos resíduos gerados em suas


dependências? Tem estratégias para a redução, reutilização e reciclagem dos resíduos
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 18

sólidos? Separa e destina os materiais para as cooperativas e associações de


catadores de materiais recicláveis?

 A instituição produz e divulga relatórios de sustentabilidade?

 Existem processos estruturados de diálogo e engajamento com partes


interessadas?

 Existem canais formais para o recebimento de denúncias sobre transgressões


ao código de ética e/ ou fraudes de qualquer natureza?

 A instituição aplica pesquisas de clima organizacional e realiza sua respectiva


gestão?

 Existe um programa de voluntariado?

 A instituição utiliza ou implementa ferramentas para ampliar a participação


social?

É com essas perguntas que finalizaremos esta lição. Enquanto você pensa
sobre as respostas, vamos seguir o nosso curso conhecendo as ferramentas de
gestão que podem apoiar a implementar da gestão socioambiental na sua instituição.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 19

3. A3P COMO REFERENCIAL DE SUSTENTABILIDADE


NAS ATIVIDADES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

3.1 – A3P E OBJETIVOS

Vamos entender a importância da A3P com um exemplo simples: Você, no seu


ambiente de trabalho, separa o lixo para a reciclagem, economiza água, usa uma
caneca e copos duráveis e não usa um copo de plástico cada vez que vai tomar
café? Mas e o seu colega da mesa ao lado, também faz isso? E a sua instituição?
Como é descartado o lixo que você separa com tanto cuidado? Entrega para os
catadores de materiais recicláveis?

Para essas questões é que existe a A3P.

A Agenda Ambiental na Administração Pública – A3P é um programa,


coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, com a finalidade de promover a
responsabilidade socioambiental e a adoção de procedimentos, referenciais de
sustentabilidade e critérios socioambientais nas atividades do setor público.

A A3P busca incentivar os órgãos governamentais a assumirem um processo


de gestão exemplar para a sociedade, sendo os grandes multiplicadores da inclusão
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 21 20

de processos administrativos que resultem em melhoria do bem-estar das pessoas e


igualdade social e reduzam, significativamente, riscos ambientais e escassez
ecológica.

Se você está engajado no assunto de sustentabilidade, gestão e


responsabilidade socioambiental, com certeza você já ouviu falar sobre a A3P. Mas
você sabe o que significa A3P?

A A3P tem como missão o incentivo à inserção de critérios socioambientais nas


atividades públicas, que vão desde uma mudança nos investimentos, compras e
contratação de serviços pelo governo até uma gestão adequada dos recursos
naturais utilizados e dos resíduos gerados. Também tem como objetivo a
sensibilização e a melhoria na qualidade de vida no ambiente de trabalho.

A A3P é um convite ao engajamento individual e coletivo para a mudança de


hábitos e a difusão das práticas sustentáveis. Nesse sentido, convidamos você a
repensar a sua atuação pessoal e profissional, visando à construção de uma nova
cultura institucional.

A Agenda se encontra em harmonia com o princípio da economicidade, que se


traduz na relação custo-benefício e, ao mesmo tempo, atende ao princípio
constitucional da eficiência, incluído no texto da Carta Magna (art. 37) por meio da
Emenda Constitucional 19/1998, que se trata de um dever da administração.

Como foi falado no vídeo, se cada um fizer a sua parte, maior será a
contribuição para redução dos impactos ambientais decorrentes das atividades
públicas. E você e a sua instituição, estão fazendo sua parte? Suas ações têm
colaborado para um meio ambiente mais saudável?

Agora que você já sabe o que é a A3P e o quão importante ela é, vamos definir
quais são seus principais objetivos.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 22 21

A A3P tem como principal objetivo estimular a reflexão e a mudança de atitude


dos servidores públicos para que eles incorporem os critérios de gestão
socioambiental em suas atividades rotineiras.

Para isso, a A3P trabalha com cinco objetivos básicos, mas essenciais para a
mudança e preservação do meio ambiente.

“Sensibilizar os gestores públicos para as questões socioambientais.”

“Promover o uso racional dos recursos naturais e a redução de gastos


institucionais.”

“Contribuir para a revisão dos padrões de produção e consumo e para a adoção


de novos referenciais de sustentabilidade no âmbito da administração pública.”

“Reduzir o impacto socioambiental negativo - direto e indireto - causado pela


execução das atividades de caráter administrativo e operacional.”

“Contribuir para a melhoria da qualidade de vida.”

O que você poderia fazer para atingir os objetivos da A3P em sua


instituição?
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 22

3.2 – HISTÓRICO

A Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P) foi criada, em 1999, por


funcionários do MMA (Ministério do Meio Ambiente) preocupados com os impactos
sociais e ambientais negativos ocasionados pela administração pública. Essa ação
voluntária buscava a revisão dos padrões de produção e consumo e a adoção de
novos referenciais de sustentabilidade ambiental nas instituições da administração
pública.

A A3P, sendo reconhecida pela relevância do trabalho e dos resultados


positivos que obteve ao longo do seu desenvolvimento, foi consagrada, em 2002,
com o prêmio Unesco "O melhor dos exemplos", na categoria Meio Ambiente.

Diante da sua importância, a Agenda foi incluída no PPA 2004/2007 como ação,
no âmbito do programa de educação ambiental. Essa medida garantiu recursos para
que a A3P pudesse ser efetivamente implantada e tornar-se um novo referencial de
sustentabilidade socioambiental das atividades públicas.

Inicialmente, a A3P foi implementada apenas no MMA, mas, com os resultados


positivos alcançados, o MMA decidiu divulgar o programa para as demais instituições
da administração pública e oferecer apoio técnico para sua implantação.

A partir de 2007, com a reestruturação do Ministério do Meio Ambiente, a A3P


passou a integrar o Departamento de Cidadania e Responsabilidade Socioambiental
(DCRS), da Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental (SAIC).
Nesse novo arranjo institucional, a A3P foi fortalecida como Agenda de
Responsabilidade Socioambiental do governo e passou a ser uma das principais
ações para proposição e estabelecimento de um novo padrão de responsabilidade
nas atividades econômicas na gestão pública, incorporando critérios ambientais,
sociais e econômicos a tais atividades.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 23

Atualmente, o principal desafio da A3P é promover a gestão socioambiental e a


24
responsabilidade socioambiental como política governamental, auxiliando na
integração da agenda de crescimento econômico concomitantemente ao
desenvolvimento sustentável, por meio da inserção de princípios e práticas de
sustentabilidade na administração pública.

Depois de conhecer os principais feitos da A3P, percebemos o quanto ela é


importante, pois com ela existe o compromisso de as instituições públicas
contribuírem para o meio ambiente.

Vamos citar um relato da Prefeitura Municipal de Natal/ RN, que implantou a


A3P em 2010.

"Com a assinatura do termo, Natal está sendo uma das cidades pioneiras na
adesão da gestão sustentável”, destaca o presidente da Comissão Agenda Verde,
Gustavo Soares. Para aderir ao modelo de gestão ambiental, a Prefeitura lançou a
Agenda Verde nos moldes da A3P em junho deste ano, cuja implantação é
coordenada pela secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb). A partir daí
várias ações já começaram a ser desenvolvidas no âmbito do município. De acordo
com o Gustavo Soares, o objetivo da Agenda é reduzir o consumo e desperdício de
água, energia e materiais de expediente nas secretarias do município. Bem como a
gestão adequada dos resíduos produzidos e as licitações sustentáveis, que utilizam
critérios ambientais para a aquisição de materiais, projetos e serviços. Na Semurb o
Plano de Ação já foi iniciado com a distribuição de canecas personalizadas aos
funcionários para reduzir o consumo de copos plásticos; depósitos adequados para a
coleta seletiva e cursos de capacitação por setor, que detalham a metodologia a ser
aplicada pela Agenda Verde.

“Com a Agenda Verde estamos gerando economia de recursos e dando


destinação adequada aos resíduos. Todas as secretárias devem aderir ao programa,
até o momento os trabalhos foram iniciados efetivamente em duas e até o fim do ano
esperamos iniciar em pelo menos mais quatro secretarias”, explica Gustavo.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 24

3.3 - FORMAS DE ATUAÇÃO

O que vamos ver nesta lição é como a A3P faz seu trabalho baseado nos seus
princípios e eixos.

A A3P trabalha fornecendo orientações e capacitando os servidores públicos


para auxiliar na adoção de critérios sustentáveis na gestão pública.

O apoio aos órgãos e entidades pode ser feito por meio da assinatura de um
termo de compromisso entre a instituição e MMA. Esse documento é denominado
Termo de Adesão, e contém o plano de trabalho da instituição, com ações, metas,
indicadores e formas de avaliação das iniciativas de administração socioambientais
que serão implementadas.

Ao final de 2012, mais de 120 instituições possuíam Termo de Adesão e esse


número continua a crescer.

Para visualizar a lista de parceiros da A3P, visite a página da A3P, no site do


MMA.

A A3P atua ainda por meio da Rede A3P, um canal de comunicação cujo
principal objetivo é promover a troca de experiências, por meio do intercâmbio
técnico, divulgação de informações relevantes à A3P, sistematização de dados e
disseminação de informações sobre o desempenho socioambiental das instituições.

Para participar da rede não é necessário que a


instituição tenha aderido ao programa, ou seja, qualquer
órgão público interessado em aprender e difundir práticas
sustentáveis pode participar desta rede.

A A3P é estruturada em cinco eixos temáticos prioritários – uso racional dos


recursos naturais e bens públicos, gestão adequada dos resíduos gerados, qualidade
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 25

de vida no ambiente de trabalho, sensibilização e capacitação dos servidores e


26
licitações sustentáveis.

Cada um dos eixos temáticos da A3P será explicado com mais detalhes nos
capítulos a seguir, mas o que podemos adiantar é que o trabalho feito pela A3P é
todo baseado nesses eixos.

A temática desenvolvida no trabalho da A3P é orientada pelo conceito dos


"5R's".

Esse último R, em grande medida, irá definir o


sucesso de qualquer iniciativa para a introdução de
critérios socioambientais no ambiente de trabalho.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 27 26
5
3.4 – PRÊMIO MELHORES PRÁTICAS

Aqui conheceremos o prêmio “Melhores Práticas de Sustentabilidade da A3P”.

Tudo o que é bom é um exemplo e deve ser reconhecido, certo? E é esse o


intuito da A3P: Premiar os melhores projetos de sustentabilidade implementados nas
instituições públicas.

O Prêmio “Melhores Práticas de Sustentabilidade da A3P” tem como intuito dar


visibilidade às iniciativas de cunho socioambiental, estimular a replicação das ações
bem-sucedidas e reconhecer o mérito das atividades promovidas pelos órgãos
públicos na prática da A3P.

Com a realização do Prêmio, o MMA homenageia os gestores comprometidos


com a responsabilidade socioambiental e promove ampla divulgação das práticas
públicas sustentáveis que atendem aos anseios da sociedade.

A primeira edição do Prêmio foi realizada em 2009, com a inscrição de 23


instituições públicas e 41 projetos. Já a segunda edição ocorreu em 2010, onde
foram contabilizados 21 instituições e 33 projetos inscritos. Na terceira edição 26
instituições e 39 projetos foram inscritos.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 28 27
5
No ano de 2012, com a criação de uma nova categoria denominada “Destaque
da Rede A3P”, foi possibilitada a participação de órgãos e entidades que não têm
Termo de Adesão assinado com a A3P, mas que participem da Rede A3P. Assim,
chegou-se a marca de 40 instituições e 74 projetos inscritos, com a seguinte
distribuição:

1. Gestão de Resíduos: 14

2. Inovação na Gestão Pública: 26

3. Uso Sustentável dos Recursos Naturais: 14

4. Destaque da Rede A3P: 20

Mas qual o objetivo deste prêmio? Podemos destacar os quatro principais, que
são a essência desta premiação:

- Identificar e reconhecer as iniciativas implementadas no âmbito da


administração pública que contribuam para a sustentabilidade;

- Estimular a implementação de iniciativas inovadoras de gestão socioambiental


que contribuam para a melhoria do ambiente organizacional e do meio ambiente;

- Compartilhar informações que sirvam de inspiração ou referência para


iniciativas de outras instituições; e

- Encorajar e recompensar as instituições que possuem compromisso na


implementação da A3P.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 28

Divididas em quatro categorias, como citamos anteriormente, a comissão


julgadora segue os seguintes quesitos em cada uma das premiações:

Gestão de Resíduos: iniciativa que englobe a cadeia produtiva global,


envolvendo processos e produtos, desde a obtenção da matéria prima até a
destinação final dos resíduos, racionalizando o uso, priorizando a reciclagem e
minimizando o desperdício dos recursos naturais;

Uso Sustentável dos Recursos Naturais (Água ou Energia): iniciativa que


atua na gestão sustentável de água ou energia. No caso da gestão da água, as
iniciativas devem envolver desde projetos de captação e esgotamento até redução no
consumo, produzindo resultados positivos para o meio ambiente. E no caso da
gestão de energia, as iniciativas devem englobar mudanças no uso desse recurso,
seja pela implementação de fontes alternativas de energia, seja pelo melhoramento
na gestão com resultados diretos na economia de energia, atuando em consonância
com o meio ambiente e com o Plano Nacional de Mudança do Clima (PNMC);

Inovação na Gestão Pública: iniciativas que contemplem os demais eixos


temáticos da A3P - Licitações Sustentáveis, Sensibilização e Capacitação dos
Servidores, Qualidade de Vida no Ambiente de Trabalho, além de iniciativas que
promovam mudanças em práticas anteriores, por meio de incorporação de princípios
e ações de gestão socioambiental, que produzam resultados positivos para o meio
ambiente, para o serviço público e para a sociedade.

Destaque da Rede A3P: Premiação do órgão ou entidade participante da Rede


A3P que ainda não possua Termo de Adesão, mas que demonstre implementar
iniciativas que poderiam se enquadrar nas outras três categorias: "Gestão de
Resíduos", "Uso Sustentável dos Recursos Naturais" e "Inovação da Gestão Pública".

Todos os anos são elaborados troféus que utilizam materiais reaproveitados e


naturais. Nestas fotos podemos ver os troféus da 3º e 4º edição do prêmio.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 30 29

Em 2012, além da premiação das três melhores iniciativas, com indicação dos
1º, 2º e 3º colocados em cada categoria, foi identificado pela Comissão Julgadora do
Prêmio um projeto destaque para o qual foi concedida menção honrosa.

A comissão julgadora é composta por 4 ou 5 pessoas que não pertencem ao


quadro de funcionários do MMA, especialistas nas áreas relacionadas à gestão
socioambiental, ecologia e educação ambiental.

O que é bom merece ser premiado e reverenciado por todos. É essa a ideia
do prêmio “Melhores Práticas de Sustentabilidade da A3P”.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 30

4. PLANEJAMENTO, MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DE


PROJETOS

4.1 - DEFINIÇÃO DE PROJETO

Neste capítulo da formação, aprenderemos os conceitos sobre projetos. Como


planejar, executar, monitorar, avaliar e adaptar seus projetos.

A A3P pode ser entendida como um grande projeto a ser implementado nas
instituições públicas. Então, para o sucesso da iniciativa, é preciso pensar em todas
as fases de desenvolvimento de projetos: planejamento, execução, monitoramento,
avaliação e adaptação.

Na primeira lição, definiremos o que é um projeto. Nas lições seguintes veremos


as fases de desenvolvimento. Vamos lá?

O que é um projeto?

A palavra projeto vem da palavra latina projectum do verbo em latim proicere, e


significa “antes de uma ação", ou seja, representa tudo o que deve ser feito antes da
execução de uma atividade.

Tendo essa definição em mente, definimos um projeto como uma ação ou


empreendimento, com início, meio e fim definidos.

Um projeto é agenda de compromissos e ações encadeadas visando o


desenvolvimento de um interesse comum.

Um projeto deve:

•ser planejado, executado e monitorado;

•entregar serviços ou resultados exclusivos;

•ser desenvolvido em etapas;

•ser realizados por pessoas;


SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 31

•ser realizado com recursos limitados.

A organização das atividades em projetos pode ser usada em todos os níveis da


organização e/ou nas diversas esferas governamentais. Projetos podem envolver
uma pessoa, ou milhares delas. Podem exigir poucas semanas ou muitos anos até
serem concluídos. Os projetos podem ser desenvolvidos em um único departamento
da organização ou pode transpor fronteiras.

Todo projeto nasce do desejo de transformar determinado pensamento em uma


realidade, é o produto inicial de uma ideia para solucionar uma questão específica.
Para ser bem sucedido, o projeto deve ser bem elaborado. Isso significa conter a
maior quantidade de detalhes possível das atividades propostas, de forma clara e
organizada, para revelar aos interessados e envolvidos o que a instituição pretende
fazer, por que deve fazer, e quais as possibilidades reais de obter os resultados
esperados.

Um projeto bem elaborado contribui para obter aprovação e captar recursos e,


ao mesmo tempo, é mecanismo de trabalho e subsídio para o planejamento, a
implantação e o gerenciamento de suas próprias etapas.

A administração pública deve ser pautada pelos princípios dos 3 E's: eficiência,
eficácia e efetividade. Uma grande ferramenta para o gerenciamento de recursos
financeiros, humanos e materiais, para o alcance desses objetivos, é a organização
das atividades e rotinas em torno de projetos.

Agora que já temos em mente o que é um projeto, vamos estudar suas fases,
do início ao término.

Você já participou de algum projeto em sua instituição? A experiência foi


agradável ou deixou a desejar?

Vamos agora para o próximo passo, que é a fase de planejamento e elaboração


de um projeto.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 32

4.2 – PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO DE PROJETOS

Aqui nós veremos todas as fases de um projeto, do planejamento à execução.


Veremos detalhes sobre esses passos e como eles são importantes para um
desenvolvimento sem maiores imprevistos.

Vimos na lição anterior o que é um projeto, agora vamos começar esta lição
ajudando você a fazer o planejamento do seu próximo projeto.

A primeira fase para que um projeto seja criado é o planejamento. É aqui que
vamos pensar e discutir todos os detalhes do projeto.

O trabalho começa pelo “coração” do projeto: a definição concreta do objeto de


trabalho, os propósitos, os objetivos que se tem e uma visão clara dos problemas que
se quer resolver com a realização da ideia. É importante discutir a ideia central da
proposta desde o início com todas as pessoas interessadas, pois seu envolvimento
futuro nos trabalhos será motivado pelas visões compartilhadas nesta primeira etapa.
Para isso será necessário encontros ou reuniões do grupo de trabalho envolvido.
Essa fase é conhecida como iniciação do projeto.

A seguir vem a fase de planejamento e execução. As atividades que compõem


essa fase são:

- Realização de diagnóstico da situação ou problema que o projeto visa


resolver;

- Definição dos objetivos do projeto;

- Elaboração do fluxo do processo: definição de atividades, equipe e recursos


necessários;

- Definição de formas de monitoramento e controle: definição de indicadores de


resultado, definição das metas a serem alcançadas com o projeto;

- Definição do plano de comunicação do projeto e dos resultados alcançados;

- Definição de métodos de análise dos dados.

Para a fase de planejamento, algumas definições são necessárias:


SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 34 33

Objetivos: descrições concretas do que se deseja atingir com o projeto.

Monitoramento: monitorar é obter informação relevante sobre os resultados do


projeto. No nosso caso, significa a obtenção de dados que indiquem se os esforços
empregados no projeto estão sendo transformados em resultados para o alcance dos
objetivos.

Indicadores de resultado: os indicadores são a representação quantitativa do


que se quer alcançar com o projeto. São utilizados para o monitoramento dos
resultados do projeto.

Meta: é o tamanho do resultado que se espera alcançar com o projeto.

Análise e adequação: representam as análises críticas e periódicas dos dados


do monitoramento, com a proposição de alterações necessárias ao sucesso do
projeto.

Vamos ver um exemplo bem simples para clarificar os conceitos.

Vamos supor que os servidores de uma instituição conheceram a A3P e,


pensando no assunto, perceberam que, provavelmente, é possível reduzir o consumo
de energia elétrica por meio da adoção de algumas recomendações propostas.

Eles decidem agir, mas como devem proceder? Como vimos, o primeiro passo
é o planejamento de um projeto.

Nesse exemplo, o objetivo do projeto é a redução do consumo de energia


elétrica na instituição.

Possíveis indicadores de resultado são:

1. Consumo de energia elétrica per capita – representado pela fórmula


“Quantidade de kWh consumidos / número total de servidores”.

2. Gasto com energia elétrica - representado pelo valor da fatura em reais (R$).
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 34

As metas são o quanto queremos reduzir no consumo de energia elétrica. Por


35
exemplo:

Meta para o indicador 1 – reduzir o consumo de energia elétrica per capita em


5%.

Meta para o indicador 2 – reduzir o gasto com energia elétrica em 10%.

Como podem ver, para conseguir definir uma meta coerente com a realidade de
cada instituição é preciso fazer antes um diagnóstico da atual situação, como
mencionado anteriormente. Não é possível saber aonde se quer chegar sem saber
onde se está.

Algumas dicas:

Cada indicador deve ter uma meta;

As metas não podem ser muito fáceis de serem alcançadas, pois isso causa
desmotivação. Mas também não podem ser inalcançáveis. As metas devem ser
desafiadoras.

Depois de definido os objetivos, indicadores e metas, passamos a definição das


atividades necessárias para execução do projeto. Nesse momento devem ser
definidos os servidores designados para cada atividade e os recursos necessários
para a implementação.

Para definição de recursos financeiros, devemos pensar em orçamento e


relações de custo-benefício.

Em seguida, deve ser definido o cronograma geral do projeto, com datas para
execução de todas as atividades e periodicidade de monitoramento, avaliação e
adequação. E, finalmente, as formas de divulgação do projeto e, também, dos
resultados alcançados. As ações de comunicação devem ser desenvolvidas ao longo
de todo o projeto, inclusive com a divulgação de resultados preliminares.

A partir dessas considerações, é possível iniciar a elaboração de procedimentos


que garantirão a execução dos processos de forma eficiente e eficaz.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 35

A princípio, a fase de planejamento pode parecer difícil, mas o sucesso do


projeto está totalmente baseado nessa fase. Quanto melhor for o planejamento e
elaboração do projeto, mais fácil serão as demais fases.

A fase de execução é simplesmente transformar em realidade o que foi


planejado. Se o planejamento foi bem feito, todos os servidores envolvidos no projeto
já sabem suas funções e o cronograma de execução de cada uma.

As fases de monitoramento e análise e adequação são, geralmente, feitas


simultaneamente. Coletam-se os dados referentes aos indicadores, realiza-se a
análise e, caso necessário, definem-se os ajustes que devem ser implementados.
Essas fases propiciam as informações do que está surtindo efeito e do que deve ser
ajustado.

Por meio do monitoramento e avaliação é possível verificar o desempenho das


ações, identificar falhas e pontos de melhoria e replanejar as atividades que não
estão alcançando os resultados esperados.

As fases de execução, monitoramento, avaliação e adequação constituem


um processo sistemático e contínuo.

Com que frequência podemos realizar os monitoramentos? Eles podem ser


semanais, mensais ou anuais.

Para alguns indicadores, como energia elétrica economizada, quantidade de


material enviado para a reciclagem ou consumo de água, que são resultados de curto
prazo, o monitoramento pode ser mensal. Mas quanto a outros indicadores, cuja
aquisição de dados é mais demorada, como a emissão de CO2, o monitoramento
pode ser anual.

Mas a periodicidade de monitoramento deve ser definida caso a caso, de


acordo com a realidade da instituição e o tipo de indicador usado.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 36

Vamos a um resumo geral:

Fase Descrição

Discussão inicial do projeto, envolvendo causas e efeitos, viabilidade


Iniciação
e a análise dos riscos e custos.

Estruturação de plano de ação, com definição de objetivos,


atividades e servidores responsáveis por cada uma, indicadores de
Planejamento
desempenho, metas, cronograma e recursos físicos, financeiros e
humanos necessários, plano de comunicação.

Execução Implementação das atividades propostas.

Monitoramento Coleta dos dados referentes aos indicadores

Análise e
Análise dos dados, proposição de ações corretivas.
adaptação
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 37

4.3 – IMPLEMENTANDO A A3P.

Aqui veremos os procedimentos básicos para implementação da A3P nas


instituições públicas, tendo como base o que vimos nos capítulos anteriores.

Vamos conhecer os trâmites necessários para a assinatura do Termo de


Adesão e as etapas de implementação.

Primeiro, vamos conhecer os objetivos da implementação da A3P, os gerais e


específicos.

OBJETIVOS GERAIS

Promover a reflexão sobre os problemas socioambientais em geral e na


administração pública em particular, estimulando a adoção de atitudes e
procedimentos que levem ao uso racional dos recursos naturais e dos bens públicos.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

• Elaborar plano de gestão de resíduos sólidos;

• Implementar programa de redução de consumo e reaproveitamento de


material de expediente;

• Implementar programa de combate ao desperdício de água e energia;

• Introduzir componentes socioambientais na aquisição de bens, materiais


e contratação de serviços;

• Implementar programa de substituição de insumos e materiais por


produtos que provoquem menos danos ao meio ambiente;

• Elaborar planos e programas voltados à eliminação ou minimização dos


impactos ambientais negativos gerados durante a jornada de trabalho;

• Implementar programa de formação de recursos humanos em


sustentabilidade por meio de palestras, reuniões, exposições, oficinas e concursos
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 38

internos que estimulem ações criativas, inovadoras e positivas na adequação da


infraestrutura funcional aos conceitos de sustentabilidade;

Vamos descrever 5 passos utilizados para a implementação da A3P.

A Comissão tem o papel de fazer a gestão compartilhada e ficará encarregada


de:

a) sensibilizar os gestores sobre a importância da implantação do programa;

b) realizar o diagnóstico da instituição;

c) realizar o planejamento das ações;

d) apoiar a implantação das ações;

e) promover o monitoramento das ações.

A comissão deve ser formada por representantes de todos os setores da


instituição. Sugere-se que a Comissão tenha de 5 a 10 pessoas.

O diagnóstico deve ser um levantamento/inventário da situação socioambiental


da instituição e deve conter informações sobre aspectos dos cinco eixos da A3P,
desde o consumo de bens naturais e política interna de gestão de resíduos até a
avaliação dos programas de qualidade de vida e práticas de sensibilização dos
servidores.

Como vimos, o diagnóstico é fundamental para se ter uma boa eficiência na


implantação da A3P.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 39

Essa etapa corresponde às fases de planejamento, elaboração e execução do


projeto, que vimos no capítulo 4.

O Plano de Gestão Socioambiental é o plano de ação do projeto. Como vimos,


nele devem estar os objetivos, as atividades ou ações que serão implementadas, os
indicadores, as metas a serem alcançadas, os recursos necessários, as
responsabilidades institucionais – do órgão e dos servidores – e as medidas de
monitoramento.

Essa etapa corresponde, em parte, ao plano de comunicação do projeto, pois


envolve a divulgação de objetivos e resultados alcançados. Mas, requer, ainda, o
desenvolvimento de campanhas, cursos e publicação de material educativo
específicos para os servidores. Deve prever também uma estratégia de comunicação
específica para os servidores envolvidos na limpeza.

A capacitação dos servidores contribui para desenvolvimento de competências


institucionais e individuais nas questões relativas à gestão socioambiental. Ao mesmo
tempo, fornece aos servidores oportunidades para aperfeiçoar habilidades e atitudes
para um melhor desempenho das suas atribuições.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 40

Essa etapa é a fase de manutenção e controle do projeto. Com a ajuda dos


indicadores, é possível a verificação do desempenho do projeto, com identificação de
resultados, falhas e pontos de melhoria.

A A3P já possui um conjunto de indicadores para os cinco eixos de ação. Esses


indicadores estão disponíveis na página da A3P, no site do MMA.

Como vimos, as etapas 4 e 5 devem ser contínuas.

O que é realizar avaliação contínua?

Realizar a avaliação contínua é perceber se as atividades planejadas estão


modificando a realidade problemática e chegando aos resultados propostos. Esses
resultados devem garantir a materialização, na prática, do projeto que o grupo se
propõe realizar. Quais novas atividades podemos propor a partir da avaliação?
Temos que ir fazendo e avaliando, avaliando e fazendo.

No decorrer do projeto é recomendado a realização de avaliações globais,


geralmente, em ciclos anuais. Nesse momento, deve-se buscar responder a questões
como:

 Quais foram os grandes problemas enfrentados pela instituição na


implementação da A3P ao longo do último ano?
 Quais foram os grandes avanços da A3P implementada ao longo do último ano?
 Qual é o grande desafio para o próximo ano?
 Finalizados os cinco passos, viu como fácil fazer a implantação da A3P na sua
instituição? Você gostaria de fazer parte desta comissão? A A3P precisa de pessoas
como você para auxiliar no processo de melhorias dentro das instituições públicas.

Agora é com você: Você já viu como implantar a A3P em sua instituição e
dicas para o uso racional de recursos naturais. Mãos à obra?
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 41

Encerramos aqui este capítulo. Aprendemos o que é um projeto, qual sua


importância e suas principais fases.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 42

4.4 – EXERCÍCIOS

Como forma de praticar os conteúdos discutidos nesse capítulo, faça uma


primeira reunião de iniciação do projeto de implementação da A3P em sua instituição.
Como o nome indica, a fase de iniciação constitui o início do projeto, com a discussão
sobre os problemas que se quer resolver, a ideia central do projeto, a definição de
partes interessadas e partes importantes no desenvolvimento do projeto.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 43

5. USO RACIONAL DOS RECURSOS NATURAIS E BENS


PÚBLICOS

5.1 - CONSUMO SUSTENTÁVEL NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Vamos discutir agora o Uso racional dos recursos naturais e bens públicos.
Vamos lá?

Estudos comprovam que o crescimento populacional e o consequente


crescimento da demanda por recursos naturais compromete a capacidade do planeta
se regenerar.

Somado ao crescimento da população, observamos uma mudança no padrão


de consumo das pessoas, que torna-se cada vez maior e, muitas vezes, mais
poluidor.

Infelizmente, a cultura das sociedades e economias modernas incentiva


indiretamente ao desperdício, o que virou a marca do nosso tempo, fruto de um
modelo econômico apoiado em padrões de consumo e produção que não conseguem
ser sustentáveis.

A economia do Brasil caracteriza-se por elevados níveis de desperdícios de


seus recursos naturais, e, para piorar a situação, quando o assunto é meio ambiente,
várias oportunidades de negócio e métodos de redução de custos são esquecidos.

Sua instituição, por exemplo, pode não ter ideia de quanto recurso financeiro
pode ser economizado com a adoção de medidas de redução do consumo de
energia, de água e outros recursos naturais utilizados.

Reciclar resíduos é outro exemplo que pode ser utilizado pela sua instituição.
Diminuir o número de copos descartáveis e substituí-los por copos individuais
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 45 44

permanentes é uma ótima contribuição, tanto na economia da instituição quanto na


melhoria do meio ambiente.

Você sabia? O tempo de decomposição de um simples copo plástico é de 50


anos! É esse presente que você quer deixar para as futuras gerações?

Uma abordagem simples relacionada às preocupações ambientais se constitui


na utilização positiva do meio ambiente no processo de desenvolvimento. É recurso
hoje o que não foi recurso ontem, e poderá ser recurso amanhã o que não foi
percebido hoje como recurso.

Para garantir o uso racional dos recursos necessários à execução de sua


função final, garantir a segurança e bem estar social, a Administração Pública pode
se pautar no conceito dos 3 E’s: eficiência, eficácia e efetividade.

Eficiência diz respeito à boa utilização dos recursos (financeiros, materiais e


humanos) em relação às atividades e resultados atingidos. A eficiência pode ser
medida por meio de relações custo empregado no planejamento e execução de uma
atividade versus o resultado obtido. Por exemplo: atividades planejadas X realizadas,
custo total X pessoas atingidas, quantidade de cursos de capacitação oferecida pela
instituição X número de servidores capacitados.

Eficácia observa se as atividades executadas permitiram alcançar os resultados


previstos. Por exemplo, um programa de capacitação em gestão socioambiental para
os servidores permitiu aos seus participantes adquirir novas habilidades e
conhecimentos?

Efetividade examina em que medida os resultados da atividade, em termos de


benefícios ou mudanças gerados, estão incorporados de modo permanente à
realidade da instituição. Por exemplo, as novas habilidades e conhecimentos
adquiridos na capacitação foram convertidos em mudanças reais nos processos
administrativos da instituição?
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 45

Esse conceito pode ser empregado para todos os setores e recursos usados na
administração pública.

A Administração Pública utiliza um número variado de recursos naturais, tanto


os genéricos usados no processo administrativo, quanto os específicos para cada
tipo de atividade finalística.

Para todos eles podemos pensar em uso racional e podemos usar a A3P como
modelo para alcançar a eliminação ou redução de consumo.

A lista de recursos comuns para toda instituição pública inclui água, energia
elétrica, papel, copos plásticos e meios de transporte. A A3P possui mecanismos de
controle para todos eles, como vimos no capítulo de implementação da A3P.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 46

5.2 – OTIMIZAÇÃO DO CONSUMO: POSSÍVEIS MEDIDAS DE REDUÇÃO DE

DESPERDÍCIO

Aqui mostraremos que a prática de pequenas medidas no nosso dia a dia pode
fazer uma diferença enorme para o planeta.

Veja o que pode ser feito visando o consumo racional do papel:

- Fazer diagnóstico e acompanhamento do consumo de papel usado para


impressão e cópias;

- Realizar levantamento das impressoras que precisam de manutenção ou


substituição;

- Instalar caixas coletoras de papel para a reciclagem e para o reuso;

- Reaproveitar o papel na confecção de blocos de rascunho;

- Utilizar papel não-clorado ou reciclado;

- Utilizar sistemas para digitalização de documentos;

- Adotar procedimentos de verificação do material que está sendo impresso;

- Adotar modelos de ilhas de impressão. Ao utilizar impressoras coletivas ao


invés das individuais, favorecemos a redução das impressões;

- Revisar os textos no computador antes de imprimir;

- Reaproveitar envelopes, sacolas, papéis de embrulho e embalagens.

E a energia elétrica do seu local de trabalho, é utilizada de forma correta? Veja


o que pode ser feito:

- Fazer diagnóstico da situação das instalações elétricas e propor as alterações


necessárias para redução de consumo;

- Realizar levantamento e acompanhamento do consumo de energia;


SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 48 47

- Adotar as diretrizes propostas pelo programa Procel – Prédios Públicos, que


visa promover a economia e o uso racional da energia elétrica nas edificações
públicas;

- Promover campanhas de conscientização.

- Desligar luzes, computadores e monitores na hora do almoço e ao fim do dia;

- Desligar o monitor quando for se afastar da estação de trabalho por mais de


15 minutos;

- Fechar as portas e janelas quando o ar condicionado estiver ligado;

- Aproveitar as condições naturais do ambiente de trabalho – ventilação e luz


solar;

- Desligar um dos elevadores nos horários de menor movimentação.

- Dar preferência a lâmpadas fluorescentes compactas ou circulares para os


ambientes que permanecem com as luzes acesas mais de 4 horas ininterruptas por
dia. Este tipo de lâmpada, além de consumir menos energia, dura 10 vezes mais.
Uma lâmpada fluorescente de 20 W gasta 1 kWh a cada 50 horas;

- Utilizar somente lâmpadas de 127 ou 220 Volts, compatíveis com a tensão de


sua rede. Uma lâmpada de 100 W gasta 1 kWh a cada 10 horas;

- Pintar paredes e tetos com cores claras, que refletem melhor a luz, diminuindo
a necessidade de iluminação artificial;

- Utilizar iluminação dirigida para leitura e trabalhos manuais;

- Apagar as lâmpadas que não estiverem sendo utilizadas, salvo aquelas que
contribuem para sua segurança;

- Evitar a instalação de equipamentos de ar condicionado em locais não


utilizados ou vazios, onde seu uso seja desnecessário;

- Regular os termostatos para uma temperatura que esteja de acordo com a


estação do ano e o número de pessoas no ambiente;

- Limpar regularmente filtros de ar e providenciar manutenção periódica.

Você foi ao banheiro hoje, certo? Verificou se fechou as torneiras ao lavar as


mãos e escovar os dentes? Após o uso, verificou se elas ficaram bem fechadas?
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 48

Verificou se havia algum vazamento nos vasos ou torneiras? Essas são algumas
medidas para reduzir o consumo de água. Veja outras:

- Realizar levantamento sobre a situação das instalações hidráulicas, propondo


as alterações necessárias para redução do consumo, como: torneiras com
temporizadores; instalação de caixa acoplada de 6 litros;

- Regulagem dos registros da água; troca das bacias sanitárias por mictórios
com sensores;

- Realizar levantamento e acompanhamento do consumo de água;

- Promover campanhas de conscientização para o não desperdício da água;

- Não usar o vaso sanitário como lixeira ou cinzeiro;

- Realizar a manutenção periódica do sistema hidráulico.

Agora pare e pense: quantos copos plásticos você utilizou hoje? 1? 2?


5?? 10???

Será que alguns desses copos poderiam ser utilizados para pegar mais
um cafezinho antes de serem descartados?

Quais ações podem contribuir para a redução do consumo de copos


descartáveis?

- Fazer diagnóstico do consumo atual de copos descartáveis;

- Promover campanhas de conscientização para o uso de copos individuais não


descartáveis;

- Disponibilizar copos ou garrafas permanentes para todos os servidores;

- Se possível, não utilizar embalagens plásticas. Dar preferência para caixas de


papelão, sacos de papel ou sacolas reutilizáveis.

Você sabia? Uma sacola plástica pode levar até 300 anos para se decompor
na natureza. Enquanto isso, as sacolas retornáveis, se forem feitas de algodão,
levam apenas 5 meses para se decompor. Pense nisso!
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 49

Você viu como simples ações podem fazer toda a diferença para o planeta?
Você acha que consegue adotar atitudes como essas no seu dia a dia? Pense que
você, como servidor público, é o exemplo para a sociedade e para as próximas
gerações.

Mais uma vez queremos reforçar a ideia de como é fácil fazer o que é correto
em situações corriqueiras, que, se adicionadas a de outras pessoas, contribuem para
mudar o ambiente ao nosso redor.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 50

5.3 – MELHORES PRÁTICAS

Olá, seja bem-vindo a esta lição sobre Melhores Práticas. Nesta lição vamos
mostrar o programa elaborado pela Prefeitura Municipal de Vitória (ES), ganhador do
Prêmio “Melhores Práticas de Sustentabilidade da A3P” de 2012, na categoria Uso
Sustentável dos Recursos Naturais.

O programa foi iniciado em 2011 como uma medida de redução de gastos, com
ações que privilegiassem a mudança de atitudes por meio da conscientização
ambiental e seus impactos sobre a qualidade de vida no ambiente de trabalho e fora
dele. O Programa trabalha em cinco temáticas: Eficiência Energética, Água, Coleta
Seletiva, Licitações Sustentáveis e materiais.

Priorizando de imediato o uso sustentável de copos plásticos e papel e ações


educativas para a coleta seletiva.

Ao realizar as campanhas específicas como: “Adote sua caneca” cuja meta é


reduzir em 85% o consumo de copos descartáveis de 200 ml, “CONSCIÊNCIA” e
“Separe o lixo e acerte na lata”, foram realizadas também abordagens educativas e
formativas para os servidores e colaboradores, além de inseri-los como protagonistas
destas campanhas.

Segundo os responsáveis pelo projeto: “Os resultados que surgiram a partir da


implantação do programa, mesmo que tímidos, demonstram que estamos nos
caminho certo, num exemplo de que as atitudes e ações desenvolvidas
separadamente podem ser consolidadas num esforço único, resultando na
preservação do meio ambiente e na promoção sadia da qualidade de vida para as
presentes e futuras gerações.”

Mais uma vez mostramos a você que são simples ações que fazem toda a
diferença.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 51

5.4 – EXERCÍCIOS

Como forma de praticar os conteúdos discutidos nesse capítulo, faça uma lista
dos responsáveis em sua instituição pelo controle do consumo de cada um dos
recursos naturais mencionados. Qual setor tem os dados referentes ao consumo de
energia elétrica, água etc.?

Como vimos, o diagnóstico da situação atual da instituição é o primeiro passo


para a busca de melhorias na gestão.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 52

6. GESTÃO DE RESÍDUOS GERADOS


6.1 – DEFINIÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS

Seja bem-vindo ao capítulo “Gestão de Resíduos Gerados”. Nas próximas três


lições veremos: o que são resíduos sólidos e a quantidade gerada no Brasil, a
Política Nacional dos Resíduos Sólidos e a Coleta Seletiva Solidária.

O que são Resíduos Sólidos?

A palavra lixo não serve mais para definir o que é descartado diariamente pelas
residências, empresas e órgãos públicos. Tudo o que no passado aprendemos a
chamar de lixo deve ser chamado atualmente de “resíduo”.

Assim, resíduos sólidos são definidos como qualquer material, substância,


objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, cuja
destinação final se procede nos estados sólido ou semissólido.

Hoje, os especialistas asseguram que, qualquer que seja o resíduo, sempre


haverá uma destinação mais adequada para ele do que simplesmente descartar. Da
reutilização à geração de energia, tudo tem valor e pode, inclusive, tornar-se fonte de
renda e gerador de novos negócios.

Já sabemos que a natureza impõe limites, principalmente em relação ao volume


de recursos naturais que podemos utilizar e à quantidade de resíduos que podemos
devolver aos ambientes naturais.

No entanto, os volumes de resíduos que as atividades humanas geram


superaram, em muito, esses limites. As montanhas de resíduos acumulados em
lixões produzem líquidos que contaminam o solo e a água, além de produzir gases
tóxicos para as pessoas e para o meio ambiente. Uma das maiores fontes de gases
que provocam o efeito estufa é justamente a disposição inadequada dos resíduos
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 53

que, amontoados sem nenhum cuidado, emitem grandes quantidades de metano, um


gás tóxico e altamente inflamável.

Cada brasileiro produz 1,1 kg de resíduos, em média, por dia. No Brasil, são
coletadas diariamente 188,8 toneladas de resíduos sólidos.

Com relação à destinação, em 50,8% dos municípios, os resíduos ainda têm


destino inadequado, pois vão para os 2.906 lixões que o País possui.

Em 27,7% das cidades, os resíduos vão para os aterros sanitários e em 22,5%


delas, para os aterros controlados, de acordo com dados da Pesquisa Nacional de
Saneamento Básico do Instituto Brasileiro de Estatística (IBGE).

Agora explicaremos o segundo eixo, "Gestão adequada dos resíduos sólidos


gerados".

A Gestão Adequada dos Resíduos Sólidos pauta-se pelo princípio dos 5R’s:
Repensar, Reduzir, Reutilizar, Reciclar e Recusar. Dessa forma, devemos pensar
primeiramente em repensar e reduzir o consumo, recusar produtos que gerem
impactos socioambientais negativos e combater o desperdício. Só após, destinar o
resíduo gerado para o local correto.

A situação do manejo de resíduos sólidos no país é um assunto que cada vez


mais recebe atenção por parte das instituições públicas, em todos os níveis de
governo: O governo federal e os estaduais têm investido na elaboração dos Planos
Nacionais e Estaduais de Gestão dos Resíduos Sólidos e criado programas para
apoiar os municípios para o gerenciamento integrado dos Resíduos Sólidos.

Entretanto, ainda tem muito a ser feito. Nesse sentido, é muito importante que
os órgãos públicos definam e adotem mecanismos para o gerenciamento integrado
dos resíduos gerados em suas dependências, aproveitando para promover aplicação
dos princípios dos 5Rs no dia a dia de suas organizações.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 54

Vamos, agora, classificar para você alguns tipos de resíduos sólidos que fazem
parte do nosso dia a dia.

Resíduos Sólidos Urbanos - São originários de estabelecimentos comerciais,


domicílios e da limpeza urbana (varrição de logradouros e vias públicas e outros
serviços públicos de limpeza). Podem ser divididos pela composição em:

Resíduos úmidos - Compostos por alimentos e outros materiais que se


decompõem na natureza, tais como cascas e bagaços de frutas, verduras, material
de podas de jardins, entre outros. Podem ser usados para produzir adubo por meio
do processo de compostagem.

Resíduos secos/recicláveis - São geralmente compostos de papel, plástico,


metal e vidros, como: jornais, revistas, cadernos, folhas soltas, caixas e embalagens
em geral, caixa de leite, caixas de papelão (desmontadas), metais (ferrosos e não
ferrosos) latas em geral, alumínio, cobre, pequenas sucatas, copos de metal e de
vidro, garrafas, potes e frascos de vidro (inteiros ou quebrados), plásticos (todos os
tipos), garrafas PET, sacos e embalagens, brinquedos quebrados, utensílios
domésticos quebrados.

Rejeito – Composto por materiais que não podem ser encaminhados para a
reciclagem, como papéis sujos de gordura e tecidos.

Resíduos Sólidos Industriais - São os gerados nos processos produtivos e


instalações industriais. Podem ser descartados em estado sólido ou semissólido,
como lodos e alguns líquidos contaminantes, que não podem ser lançados na rede
pública de esgotos ou corpos d’água;

Resíduos Especiais - são aqueles que colocam em risco a saúde pública e o


meio ambiente, necessitando de maiores cuidados no acondicionamento, transporte,
tratamento e destino final. Geralmente, são gerados em atividades industriais,
hospitalares, agrícolas, entre outras.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 55

São incluídos nessa categoria os materiais radioativos, alimentos ou


medicamentos com data vencida ou deteriorados, resíduos de matadouros,
inflamáveis, corrosivos, reativos, tóxicos e dos restos de embalagem de inseticida e
herbicida empregados na área rural.

A norma NBR-10 004 da ABTN, Associação Brasileira de Normas Técnicas,


classifica os resíduos especiais em:

Classe I - Perigosos: são os que apresentam riscos ao meio ambiente e


exigem tratamento e disposição especiais, ou que apresentam riscos à saúde
pública.

Classe II A - Não-Inertes: são basicamente os resíduos com as características


do lixo doméstico.

Classe II B - Inertes: são os resíduos que não se degradam ou não se


decompõem quando dispostos no solo, são resíduos como restos de construção, os
entulhos de demolição, pedras e areias retirados de escavações.

57

Começou a ser veiculada em junho de 2011 a campanha “Separe o Lixo e


Acerte na Lata”, promovida pelo MMA em parceria com o Ministério do
Desenvolvimento Social. A campanha tem o intuito de estimular os brasileiros a
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 56

separar em casa o lixo seco (materiais de plástico, papel, metal, vidro) do lixo
úmido (restos de alimentos e outros materiais orgânicos) como forma de facilitar a
vida do catador e melhorar o processo de reciclagem.

A separação do resíduo na fonte geradora é extremamente importante, pois


muitos materiais deixam de ser reciclados devido à mistura entre resíduo úmido e
seco. Um exemplo disso são os papéis. A mistura de papel com resíduos orgânicos
muitas vezes impossibilita a reciclagem. Muitos resíduos que poderiam ser reciclados
ou receber outro tratamento tomam um destino inadequado por falta de atitudes
simples que os consumidores poderiam adotar.

Vamos agora falar sobre o padrão das cores dos coletores de resíduos. Você
sabe o que é isso?

A Resolução CONAMA nº 275/2001 estabeleceu um código de cores para


coletores e transportadores de resíduos sólidos, de acordo com as tipologias dos
resíduos.

Mas que cores são essas? O que está relacionado a cada uma delas? Vamos
ver.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 57

O diagnóstico dos resíduos gerados em sua instituição irá apontar quais cores
devem ser utilizadas nos coletores. Dependendo das características dos resíduos
apenas a separação em secos e úmidos já será suficiente.

Sua instituição já fez o diagnóstico dos resíduos? Se sim, saiba que você está
ajudando, e muito, o nosso meio ambiente!

Você já ouviu alguma coisa relacionada à Política Nacional de Resíduos


Sólidos? Esse é o assunto da próxima lição.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 58

6.2 – POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS

Antes de tudo, você sabe por que a Política Nacional de Resíduos Sólidos
foi criada?

Uma pesquisa de 2008, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística


(IBGE), apontou que grande parte dos resíduos sólidos gerados em nosso País é
descartada inadequadamente. Esses dados apenas confirmam uma preocupação
que já estava em debate há muito tempo, pois o nosso País não possuía ainda
diretrizes que orientassem os Estados e Municípios sobre a forma de gerir esses
resíduos.

Depois de 21 anos de tramitação no Congresso Nacional, a lei 12.305, que


institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) foi sancionada em agosto
de 2010.

Com a sanção da PNRS, o país passou a ter um marco regulatório na área de


Resíduos Sólidos. A lei faz a distinção entre resíduo (material que pode ser
reaproveitado ou reciclado) e rejeito (o que não é passível de reaproveitamento),
além de fazer menção a todo tipo de resíduo: doméstico, industrial, da construção
civil, eletroeletrônico, da área de saúde e perigosos.

Resultante de ampla discussão com os órgãos de governo, instituições


privadas, organizações não governamentais e sociedade civil, a PNRS reúne
princípios, objetivos, instrumentos e diretrizes para a gestão dos resíduos sólidos.

Assim, os geradores, o poder público e os consumidores passam a possuir


responsabilidades específicas neste quadro.

Vamos conhecer algumas das principais diretrizes estabelecidas por meio


dessa lei?

A Responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos é um


conjunto de atribuições que faz com que fabricantes, importadores, distribuidores,
comerciantes e consumidores atuem tanto na redução da geração de resíduos
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 59
60
sólidos, do desperdício de materiais, da poluição e dos danos ambientais quanto no
estímulo ao desenvolvimento de mercados, produção e consumo de produtos
derivados de materiais reciclados e recicláveis.

Isso envolve toda a sociedade na discussão de temas como reavaliação dos


padrões de consumo, reciclagem de materiais, oportunidades de novos negócios com
viés socioambiental, ecodesign, diminuição dos impactos ambientais inerentes ao
nosso modo de vida e inclusão social.

A implantação do sistema de Coleta Seletiva também é um dos instrumentos


da Lei, e se dará por meio da separação dos resíduos sólidos conforme sua
constituição ou composição. Esse item ajudará, dentre outras coisas, na logística
reversa, permitindo um retorno mais fácil dos resíduos sólidos ao ciclo produtivo.

Outro aspecto importante da Lei é o incentivo para que Catadores de materiais


recicláveis atuem nos processos de gerenciamento de resíduos sólidos, integrando
suas organizações aos processos da atividade de limpeza urbana, melhorando suas
condições de trabalho e valorizando a sua atividade.

O SINIR - Sistema de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos


também é estabelecido por meio desta Lei e deverá coletar e sistematizar os dados
relativos aos serviços públicos e privados de gestão e gerenciamento de resíduos
sólidos.

Basicamente, estes são os pontos mais importantes da Política Nacional de


Resíduos Sólidos. Caso você queira saber mais a respeito do assunto, consulte a Lei
Nº 12.305/10 ou visite a página do MMA.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 60

6.3 - COLETA SELETIVA SOLIDÁRIA

Na terceira lição deste capítulo você conhecerá os conceitos sobre coleta


seletiva solidária e os passos principais para implantar um projeto de gerenciamento
de resíduos no seu local de trabalho.

O que você sabe sobre coleta seletiva solidária?

O Decreto 5.940/06 determina a separação de resíduos recicláveis de órgãos e


entidades de administração pública federal direta e indireta em benefício de
associações e cooperativas de catadores de material recicláveis. Significa dizer que:
os cerca de 10.000 prédios públicos federais, presentes em 1.400 municípios, devem
destinar os diversos tipos de materiais recicláveis usados no dia a dia das repartições
- jornais, envelopes, revistas, materiais de reforma e de construção, plástico e outros
materiais inservíveis - para as organizações de catadores do seu município.

Ao mesmo tempo, a PNRS estabelece como objetivo a integração dos


catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis nas ações de gerenciamento dos
resíduos sólidos, visando sua inclusão social e emancipação econômica.

Vamos mostrar a você alguns números importantes (e preocupantes) sobre a


reciclagem no Brasil, que irão mostrar que embora o decreto seja referente à
administração pública federal, a coleta seletiva solidária deve ser adotada por toda a
sociedade.

- Apesar da importância no processo de reciclagem, a coleta seletiva só está


presente em 443 municípios brasileiros (8% do total);

- Cerca de 22 milhões de brasileiros têm acesso a programas municipais de


coleta seletiva. Mas, apesar de o número de cidades com esse serviço ter aumentado
nos últimos anos, na maior parte delas a coleta não cobre mais que 18% da
população local;

- O País perde R$ 8 bilhões por ano quando deixa de reciclar todo resíduo
reciclável que é encaminhado para aterros e lixões nas cidades brasileiras, gastando
outros tantos bilhões para enterrá-los;

- Cerca de 90% do material reciclado no Brasil é coletado por catadores;


SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 61

- No Brasil, existem cerca de 800 mil catadores de materiais recicláveis,


poucos deles vinculados a uma associação de catadores;

- Grande parte dos catadores tem baixo nível de escolaridade e muitos deles
vivem em condições insalubres e desumanas.

A coleta seletiva solidária é um processo de valorização de recursos. A


separação e a destinação adequada dos resíduos diminui os impactos ao meio
ambiente. A reciclagem promove a valorização dos resíduos, ao reintroduzi-los na
cadeia produtiva, gerando economia de recursos naturais e financeiros. A destinação
dos resíduos coletados e separados aos catadores promove a inclusão social e
condições de trabalho decentes para milhares de pessoas no Brasil.

Vamos aprender, agora, quais são os principais passos para que seja feito
um bom projeto de coleta seletiva.

1º passo - Formar uma Comissão Gestora da Coleta Seletiva Solidária

 Indicar um representante responsável pela coordenação do projeto e pela


construção da comissão;
 Pesquisar sobre o interesse do grupo relativo ao tema e adesão ao projeto,
identificando pessoas com perfil para auxiliar na sua execução.

São funções da comissão:

 Planejar e organizar eventos de sensibilização e implantação do projeto;


 Monitorar, avaliar e realimentar o projeto;
 Atuar como interlocutora junto às cooperativas ou associações de catadores.

2º Passo - Realizar Diagnóstico

 Fazer o levantamento de dados sobre a situação da gestão dos resíduos na


Instituição;
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 62

 Elaborar diagnóstico dos materiais e equipamentos geradores de resíduos


utilizados, dos resíduos gerados na unidade, da logística do recolhimento e do
envolvimento dos catadores;
 Levantar a quantidade e tipos das impressoras utilizadas na unidade para
averiguar a possibilidade de doar os cartuchos de tinta usados para os catadores;
 Identificar o volume e recursos gastos na compra de materiais e na destinação
dos resíduos pelo órgão;
 Levantar os principais materiais de consumo potencialmente recicláveis
utilizados na unidade;
 Classificar os resíduos gerados – recicláveis, orgânicos e rejeitos;
 Determinar o fluxo e frequência do recolhimento, volume estimado por tipo e
responsáveis pela coleta interna;
 Identificar os locais de destinação – para onde os resíduos são enviados e como
é feita a coleta;
 Identificar as cooperativas ou associações de catadores que podem receber os
resíduos gerados.

3º Passo - Planejamento

 Definir estratégias e adotar providências necessárias para a implantação da


coleta seletiva na Unidade;
 Definir os tipos de materais a serem selecionados, considerando:

1) diagnóstico elaborado;

2) disponibilidades de locais de armazenamento;

3) logística de coleta possível;

4) possibilidade de absorção no mercado local;

5) capacidade da cooperativa para a coleta de determinados materiais, tendo


em vista a especificidade do material ou a sua periculosidade, em atenção às normas
de segurança;

 Definir locais para disposição e armazenamento de materiais recicláveis


recolhidos, separadamente dos rejeitos;
 Definir cronograma de implantação e execução;
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 63

 Utilizar a Comunicação interna como agente de sensibilização;


 Apresentar os resultados do diagnóstico aos funcionários, reforçando a
importância da implementação do projeto na Unidade e buscando a sua aceitação e
adesão;
 Definir estratégias de sensibilização e mobilização da equipe interna.

Vale ressaltar que o trabalho de sensibilização de pessoas é contínuo,


com resultados em longo prazo, uma vez que depende do nível de educação e
cultura de cada indivíduo.

4º Passo - Contato com as organizações de catadores de materiais


recicláveis

 Realizar contatos com as associações de catadores de materiais recicláveis e


entidades apoiadoras para a identificação da possibilidade de parcerias;
 Marcar reunião com as organizações de catadores;
 Apresentar o resultado do diagnóstico (plano operacional / processo);
 Selecionar cooperativa ou associação de catadores que se responsabilizará
pela coleta dos materiais. Obedecer às regras burocráticas internas aos órgãos e
presentes no decreto 5940/06 que podem ser usadas por qualquer ente da federação
analogamente;
 Habilitar formalmente a associação ou cooperativa, de acordo com o Termo de
Compromisso previsto do Decreto 5940/06.

5º passo - Execução

 Realizar o evento de lançamento do projeto;


 Distribuir coletores de materiais recicláveis, material de comunicação e didático
e demais equipamentos necessários;
 Desenvolver atividades permanentes de informação e sensibilização para os
servidores.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 64

6º passo - Monitoramento e Avaliação do Processo

 Realizar vistorias periódicas para verificação do cumprimento das rotinas


estabelecidas para a seleção, coleta e destinação dos materiais;
 Realizar controle e registro do material selecionado e coletado;
 Divulgar os resultados do projeto para a equipe e para os servidores;
 Identificar os fatos facilitadores e dificultadores do processo e reformular as
estratégias, com redirecionamento das ações, quando necessário.

Percebeu como não é difícil fazer um projeto de coleta seletiva na sua


instituição? Que tal começar a plantar a sementinha desta ideia? Pense nisso!
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 65

6.4 - MELHORES PRÁTICAS

Vamos ver um exemplo de uma boa iniciativa na gestão de resíduos sólidos.

O exemplo a seguir é de um projeto elaborado pelo Banco da Amazônia,


iniciado no ano de 2006.

O Banco da Amazônia realiza a coleta seletiva e destinação de material


reciclável gerado pela sua atividade. Em 2009, foram 22 unidades operacionais e 8
administrativas que contribuíram para a redução dos lixos nas cidades onde o Banco
atua. Foram 66,3 toneladas de material destinado a 539 pessoas de 15 associações
de catadores, espalhadas em 21 municípios brasileiros, propiciando oportunidade de
trabalho e renda.

Amazônia recicla. O que é?

Trata-se de um programa de gestão ambiental, com foco na coleta seletiva de


resíduos sólidos para fins de reciclagem. A principal ação é a coleta e destinação
para reciclagem do papel de relatório do Centro de Processamento de Dados. O seu
reaproveitamento via reciclagem reduz a pressão sobre a floresta, evitando o corte de
milhares de árvores e a economia de milhares de litros de água.

Dentre os principais objetivos do Amazônia Recicla estão:

- Desenvolver com sua comunidade interna uma maior consciência ambiental,


estimulando a mudança de valores e hábitos comportamentais.

- Reduzir o volume de lixo gerado pelo Banco, contribuindo para a causa


ambiental, por meio da redução da necessidade de áreas de terra destinada aos
lixões e aterros e da redução da poluição.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 66

- Prover nova fonte de insumos e estímulos para os crescentes negócios de


reciclagem na Amazônia.

Como funciona: A coleta seletiva é feita nas estações de reciclagem


instaladas em lugares estratégicos nos pontos de venda e no hall de cada andar do
edifício-sede em Belém. Nas estações de trabalho há coletores azuis específicos
para o papel consumido individualmente pelos empregados.

As lixeiras convencionais são utilizadas apenas para o os rejeitos, como restos


de comida, chiclete, canetas vazias, pontas de lápis, cds, etiquetas, e todos os papéis
não recicláveis tais como papel vegetal, papel carbono, papel toalha, papel de
bombom, plastificado, higiênico, parafinado, fotografias, espirais e fitas adesivas.

O Programa “Amazônia Recicla” foi o vencedor do Prêmio “Melhores


Práticas de Sustentabilidade da A3P” de 2010, na categoria Gestão de
Resíduos.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 67

6.5 – EXERCÍCIOS

Como forma de praticar os conteúdos discutidos nesse capítulo, faça uma lista
de possíveis membros da comissão gestora da coleta seletiva solidária na sua
instituição. Converse com seus colegas, discuta os benefícios para a sua instituição e
para a qualidade de vida dos servidores e da sociedade.

Faça, também, uma lista das cooperativas e associações de catadores de


materiais recicláveis que existem perto da sua instituição.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 68

7. QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO (QVT)


7.1 – FUNDAMENTOS DA QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO (QVT)

Iniciaremos o capítulo “Qualidade de Vida no Trabalho” explicando sua definição


e porque esse assunto é importante na realidade de nosso ambiente de trabalho.

Vamos para um exemplo simples, porém muito presente nas instituições de


hoje: você tem um emprego no órgão X, ganha um salário que condiz com a sua
função e acorda disposto todos os dias para encarar mais um dia de trabalho. Porém,
ao chegar lá é que os problemas começam: o local de trabalho não oferece bem-
estar para os colegas e o seu superior te cobra de 5 em 5 minutos pela finalização de
um trabalho, que ele só lhe entregou às 18h do dia anterior. Quem gosta de trabalhar
em um ambiente como esse? Por mais que o salário seja bom, até maior que suas
expectativas, não existem condições para exercer um bom trabalho, não acha? Por
isso a Qualidade de Vida no Trabalho é tão importante.

Segundo a Organização Mundial da Saúde: "Qualidade de Vida é a percepção


do indivíduo sobre sua posição na vida, no contexto de sua cultura e sistema de
valores em que ele vive e em relação com seus objetivos, expectativas, padrões e
conceitos. Trata-se de um conceito amplo, que inclui a saúde física, o estado
psicológico, crenças pessoais, relações sociais e suas relações com o ambiente."

Dentro do conceito de Qualidade de Vida, existe um outro conceito que está


diretamente ligado à vida do trabalhador: a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT),
que pode ser definida como uma forma de pensamento envolvendo servidores,
trabalho e organizações. De acordo com a QVT, deve ser buscada a compatibilidade
entre o bem-estar dos servidores, seu desempenho funcional e a missão da
instituição.
71

A QVT está intimamente relacionada à satisfação do servidor quanto à sua


capacidade produtiva e sua percepção do ambiente de trabalho como um local
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 69

seguro, de respeito mútuo, com oportunidades de treinamento e aprendizagem e com


equipamentos adequados ao desempenho de suas funções.

Vários estudos mostram que as pessoas querem dar sentido para o que fazem
e, principalmente, sentido para o seu trabalho. Querem compartilhar decisões, ter
mais autonomia e mais salubridade emocional no ambiente de trabalho. Querem ter
reais possibilidades de crescimento e desenvolvimento contínuo.

Os programas de QVT, de modo geral, buscam alcançar dois objetivos:


aumentar a satisfação do servidor e, com isso, aumentar a sua produtividade e
desempenho. A ideia básica é que as pessoas são mais produtivas quando estão
satisfeitas e envolvidas com o próprio trabalho. Ou seja, a QVT é uma iniciativa a
partir da qual todos ganham: o servidor e a instituição.

A administração pública deve buscar permanentemente uma melhor QVT,


promovendo ações para o desenvolvimento pessoal e profissional de seus
servidores.

O grande benefício de um programa de QVT é criar um ambiente onde as


pessoas possam se sentir bem com a gerência, com elas mesmas e entre seus
colegas de trabalho, estando confiantes na satisfação das próprias necessidades, ao
mesmo tempo em que cooperam com o grupo. As pessoas podem ser motivadas
para o bem ou para o mal, fazendo aparecer o melhor ou o pior do que elas têm. Se
as pessoas não estão motivadas a fazer alguma coisa ou alcançar uma meta, pode-
se convencê-las a fazer algo que elas prefeririam não fazer, mas, a menos que
estejam prontos a assumir as atitudes e os valores do motivador, os comportamentos
não serão permanentes.

Para os servidores, o programa de QVT pode contribuir com a melhora na


autoestima e, por consequência, para redução de aspectos negativos, como o
absenteísmo e presenteísmo, acidentes e doenças do trabalho e licença saúde.

Para a instituição representa a melhora na qualidade do trabalho, redução de


perdas e danos de materiais e equipamentos, aumento da produtividade e diminuição
da rotatividade de servidores.

Parte da motivação de uma pessoa vem do fato de ela saber que tem um papel
importante na organização e que outras pessoas dependem do trabalho dela. Sem
essa percepção, a vontade de trabalhar deteriora e as pessoas ficam desmotivadas.
72

SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 70

As dificuldades mais sérias são causadas, geralmente, por problemas na


comunicação entre pessoas de uma mesma equipe.

Instituições que insistirem numa visão obsoleta de que só salário e alguns


benefícios motivam e garantem a melhor produtividade e a retenção do trabalhador,
estão correndo um sério risco de perderem seus talentos e seu capital humano.

E na sua instituição, no seu local de trabalho, como está a qualidade de vida? A


instituição investe em melhores condições para seus servidores? O que você acha
que falta para isso ser melhorado?
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 71

7.2 – ELABORANDO UM PROGRAMA DE QVT

Continuaremos a discutir sobre a Qualidade de Vida no Trabalho. Veremos


pontos importantes a serem considerados no planejamento de um programa de QVT.
Este é o ponto de partida para qualquer programa de qualidade de vida.

Não é incomum encontrarmos instituições que adotam medidas visando à


qualidade de vida dos servidores, mas, muitas vezes, são ações isoladas, com
grande tendência a serem interrompidas em um curto espaço de tempo. Um
programa de QVT, para ser efetivo, deve ser bem planejado.

O primeiro passo, como já vimos, é o diagnóstico da situação atual. Os


servidores estão satisfeitos? Qual o nível de estresse geral? Quais as principais
reclamações que chegam ao setor de recursos humanos?

Para elaboração de um programa de QVT devem ser observados:

1. A legislação relacionada à segurança, saúde e meio ambiente;

2. A visão organizacional da instituição quanto ao nível de desempenho dos


servidores;

3. A oportunidade de sucesso das ações de QVT, tendo o conhecimento de que


são passos a serem dados um a um.

A partir do diagnóstico, devem ser criados espaços de discussão participativa,


definição do plano de ação do projeto de QVT, de acordo com a percepção dos
servidores dos problemas existentes e as possíveis soluções.

A partir desse ponto é só seguir o fluxo de gerenciamento de projetos que


discutimos no capítulo 4.

Entre os muitos fatores que implicam a melhoria na qualidade de vida no


trabalho, apresentaremos abaixo algumas ações que podem ser implantadas:
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 72

Uso e desenvolvimento de capacidades

- Aproveitamento das habilidades;

- Autonomia na atividade desenvolvida;

- Percepção do significado do trabalho;

- Reconhecimento e recompensa pelo bom desempenho.

Integração social e interna

- Ausência de preconceitos;

- Criação de áreas comuns para integração dos servidores;

- Promoção dos relacionamentos interpessoais;

- Senso comunitário.

Respeito à legislação

- Liberdade de expressão;

- Privacidade pessoal;

- Tratamento imparcial.

Condições de segurança e saúde no trabalho

- Acesso para portadores de deficiência física;

- Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA;

- Controle da jornada de trabalho;

- Ergonomia: equipamentos e mobiliário;

- Ginástica laboral e outras atividades;

- Grupos de apoio antitabagismo, alcoolismo, drogas e neuroses diversas;

- Orientação nutricional;
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 73

- Salubridade dos ambientes;

- Saúde Ocupacional.

Você tinha ideia de como a qualidade de vida no trabalho é importante? E


quantas coisas que julgamos “pequenas”, se somadas às ações do cotidiano, fazem
uma grande diferença em nossas vidas?
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 74

7.3 – EXERCÍCIOS

Como revisão deste capítulo, reflita sobre como você se sente em seu ambiente
de trabalho. Você se sente motivado e reconhecido pelo seu desempenho?

Pense quais pontos considera fundamentais para um programa de Qualidade


de Vida na sua instituição.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 75

8. SENSIBILIZAÇÃO E CAPACITAÇÃO DE SERVIDORES

8.1 – FUNDAMENTOS DA SENSIBILIZAÇÃO E CAPACITAÇÃO

Aqui veremos sobre a sensibilização e capacitação dos servidores quanto às


ações relacionadas à implementação da A3P.

Programas e projetos de sensibilização e capacitação são instrumentos


essenciais para construção de uma nova cultura de gerenciamento dos recursos
públicos, provendo orientação, informação e qualificação aos servidores públicos e
permitindo um melhor desempenho das atividades implantadas. A formação dos
servidores pode ser considerada como uma das condicionantes para efetividade da
ação de gestão socioambiental no âmbito da administração pública.

A sensibilização pode ser vista como um processo com objetivo de desenvolver


a consciência de responsabilidade socioambiental nos servidores públicos. Isso é um
grande desafio para a implantação da A3P e ao mesmo tempo fundamental para o
seu sucesso. Não é possível mudar o processo de gestão de uma instituição sem
mudar os hábitos, comportamentos e padrões de consumo dos servidores.

Para que essas mudanças sejam possíveis é necessário o engajamento


individual e coletivo, pois apenas dessa forma será possível a criação de uma nova
cultura institucional de sustentabilidade nas atividades do setor público, sejam estas
relacionadas à área meio ou à área finalística.

A sensibilização envolve a realização de campanhas que busquem chamar a


atenção para temas socioambientais importantes, esclarecendo a importância e os
impactos de cada um no processo.

Já a capacitação é uma ação que contribui para o desenvolvimento de


competências institucionais e individuais nas questões relativas à gestão
socioambiental e, ao mesmo tempo, fornece aos servidores oportunidade para
desenvolver habilidades e atitudes para um melhor desempenho das suas atividades,
valorizando aqueles que participam de iniciativas inovadoras e que buscam a
sustentabilidade. Os processos de capacitação promovem ainda um acesso
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 76

democrático a informações, novas tecnologias e troca de experiências, contribuindo


para a formação de redes no setor público.

E qual a justificativa de um projeto de sensibilização e capacitação? Devemos


justificar o porquê da existência do projeto.

Cabe na justificativa salientar alguns pontos importantes que devem estar


contidos em todos os instrumentos de sensibilização. São eles:

- Quais as vantagens da A3P.

- Qual a relação entre reflexão e prática.

- Qual a importância de um ambiente adequado ao desempenho sustentável em


longo prazo.

É necessário que no programa de sensibilização reconheça-se que, num


primeiro momento, a A3P significará mais trabalho, mas, com a prática, facilitará o
trabalho de todos.

Percebeu como esses dois temas que abordamos nesta lição são importantes
para o funcionamento da A3P? E, por mais importantes que sejam, eles são
extremamente simples de serem executados, basta um direcionamento e boa
vontade das pessoas que estão ao redor.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 77

8.2 – ELABORANDO UM PROGRAMA DE SENSIBILIZAÇÃO E CAPACITAÇÃO

Nesta lição você verá quais os fatores importantes para definição de um projeto
de sensibilização e capacitação.

Ao elaborar e implantar um plano de capacitação e sensibilização dentro da


instituição, os objetivos, de modo geral, podem ser:

- Desenvolver equipes e líderes;

- Promover a melhoria contínua dos processos;

- Incentivar a criatividade;

- Melhorar o ambiente de trabalho;

- Aprender a lidar com as mudanças;

- Estimular a motivação pessoal;

- Promover a mudança de hábitos

- Aprimorar a segurança;

- Reduzir custos

- Estimular o uso racional dos recursos, com combate efetivo aos desperdícios e
estímulo a otimização do uso.

Como estratégia de sensibilização recomenda-se:

• Criar formas interessantes de envolvimento das pessoas com o projeto;

• Orientar para a redução no consumo e para as possibilidades de


reaproveitamento do material descartado;

• Incentivar o protagonismo e a reflexão crítica dos servidores sobre as


questões socioambientais, promovendo a mudança de atitudes e hábitos de consumo
da instituição.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 78

As campanhas de sensibilização devem usar mensagens claras e objetivas


sobre os benefícios de adesão à A3P, regras simples de conduta e bons exemplos de
comportamento.

Algumas recomendações que podem ser usadas na sensibilização:

- Faça o deslocamento casa-trabalho-casa utilizando meios de transporte mais


econômicos. Um exemplo, use a bicicleta. Faz bem para a saúde. Se não for
possível, use transportes coletivos ou monte um pequeno programa de caronas com
pessoas que fazem trajetos similares;

- Use a escada para deslocamentos curtos entre andares;

- Se no seu prédio não tem torneiras com fechamento automático, desligue-as


ao escovar os dentes ou lavar vasilhas;

- Desligue os monitores do computador se for se ausentar de sua mesa e, ao


sair, desligue o monitor e o computador, assim como outros equipamentos
eletrônicos de sua sala;

- Utilize as condições naturais do seu ambiente de trabalho, como variações de


vento, temperatura e luminosidade, a seu favor. Por exemplo, prefira a iluminação
natural à artificial, controle a temperatura ambiente abrindo ou fechando as janelas e
se for ligar o ar condicionado, lembre-se de fechar portas e janelas;

- Pense duas vezes antes de imprimir algo. Você economizará papel, tinta e
energia. Se for realmente necessário, use frente e verso do papel;

- Cuide do seu resíduo. Evite a geração de resíduos e dê destinação


ambientalmente adequada aos que são inevitáveis.

Para a elaboração de um programa de capacitação é necessário o


levantamento das lacunas de conhecimento entre os servidores.

Lembra do diagnóstico preliminar de um projeto? Aqui está ele novamente.

A partir do resultado desse levantamento, podem ser desenvolvidos cursos


específicos para a instituição.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 79

As capacitações podem ser desenvolvidas e ministradas por um servidor


especialista no assunto ou por meio da contratação de um professor externo.

Um programa de capacitação pode ser desenvolvido a partir dos eixos de


atuação da A3P.

A mobilização dos servidores deve ser permanente e contínua, pois a mudança


de atitudes e hábitos depende da reflexão sobre as questões ambientais e sociais e
do envolvimento de cada pessoa com a temática. Pense nisso!
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 80

8.3 – EXERCÍCIOS

A A3P disponibiliza o modelo de vários materiais de sensibilização, como a


diagramação de canecas, coletores de resíduos e adesivos. Visite a página da A3P,
no site do MMA, e pense em como esse material pode ser adaptado à realidade de
sua instituição.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 81

9. LICITAÇÕES SUSTENTÁVEIS

9.1 – FUNDAMENTOS DAS LICITAÇÕES SUSTENTÁVEIS

Aqui falaremos sobre o tema “Fundamentos de Licitações Sustentáveis”. O que


é, qual a sua importância e como a legislação atual pode ser usada para esse fim.

Nesta primeira lição definiremos as licitações sustentáveis.

Começaremos com uma definição do termo: "Licitação é o procedimento


administrativo formal para contratação de serviços ou aquisição de produtos pelos
entes da Administração Pública direta ou indireta."

No Brasil, as licitações são regulamentadas, principalmente, pela Lei nº


8666/93.

Partindo da definição de licitação, vamos expandir para a definição de licitações


sustentáveis:

Procedimento administrativo formal que inclui critérios sociais, ambientais e


econômicos nas especificações de bens, contratações de serviços e execução de
obras a serem licitadas.

"Art. 3º: A licitação destina-se a garantir a observância do princípio


constitucional da isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa para a
administração e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável será
processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 82

legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da


probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento
objetivo e dos que lhes são correlatos”.

Nesse sentido, pode-se dizer que a licitação sustentável é o procedimento


administrativo formal que contribui para a promoção do desenvolvimento nacional
sustentável.

De uma maneira geral, trata-se da utilização do poder de compra do setor


público para gerar benefícios econômicos e socioambientais.

O governo brasileiro despende, aproximadamente, 15% do seu Produto Interno


Bruto (PIB, soma, em valores monetários, de toda riqueza produzida pelo país em um
determinado período de tempo) com a aquisição de bens e contratações de serviços.
Nesse sentido, direcionar o poder de compra do setor público para a aquisição de
produtos e serviços com critérios de sustentabilidade implica na geração de
benefícios socioambientais e na redução de impactos ambientais, ao mesmo tempo
em que induz e auxilia o setor produtor a se tornar mais competitivo em um mercado
no qual a demanda por tecnologia ambiental está crescendo rapidamente. Ao
estabelecer critérios socioambientais para as suas contratações, o governo
contribuirá para estimular a produção e a disponibilidade de produtos mais
sustentáveis.

As compras e licitações sustentáveis possuem um papel estratégico para os


órgãos públicos e, quando realizadas adequadamente, promovem a sustentabilidade
nas atividades públicas. Para tanto, é fundamental que os compradores públicos
saibam delimitar corretamente as necessidades da sua instituição e conheçam a
legislação aplicável e características dos bens e serviços que poderão ser adquiridos.

A decisão de se realizar uma licitação sustentável não implica,


necessariamente, em maiores gastos de recursos financeiros. Isso porque, nem
sempre, a proposta mais vantajosa do ponto de vista socioambiental é a de maior
preço e, também, porque se deve considerar no processo de aquisição de bens e
contratações de serviços, dentre outros, os seguintes aspectos:
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 83

a) Custos ao longo de todo o ciclo de vida: É essencial ter em conta os custos de


um produto ou serviço ao longo de toda a sua vida útil – preço de compra, custos de
utilização e manutenção e custos de eliminação.

b) Eficiência: As compras e licitações sustentáveis permitem satisfazer as


necessidades da administração pública mediante a utilização mais eficiente dos
recursos e com menor impacto socioambiental.

c) Compras compartilhadas: Por meio da criação de centrais de compras é possível


utilizar produtos inovadores e ambientalmente adequados sem aumentar os gastos
públicos.

d) Redução de impactos ambientais e problemas de saúde: Grande parte dos


problemas ambientais e de saúde a nível local é influenciada pela qualidade dos
produtos consumidos e dos serviços que são prestados.

e) Desenvolvimento e Inovação: O consumo de produtos mais sustentáveis pelo


poder público pode estimular os mercados e fornecedores a desenvolver abordagens
inovadoras e a aumentar a competitividade da indústria nacional e local.

Os critérios de sustentabilidade a serem usados nas licitações são variados e,


muitas vezes, específicos para cada tipo de produto ou serviço. Mas, alguns atributos
são gerais e podem ser incluídos em quase todos os editais:
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 84

Viu como as licitações sustentáveis são importantes? Cada instituição deve ter
em mente que as licitações sustentáveis não só geram economia de dinheiro, como
ajudam e muito o meio ambiente e a sociedade.

Com essas reflexões encerramos esta lição. Aqui vimos o que são as licitações
sustentáveis, como elas são importantes e alguns de seus conceitos.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 85

9.2 – FERRAMENTAS DE APOIO ÀS LICITAÇÕES SUSTENTÁVEIS.

Nesta lição veremos algumas normas legais e guias que podem ser úteis na
elaboração de um edital para uma licitação sustentável.

Normas Legais

Art. 3° da Lei n° 8.666/93, alterado pela Lei n° 12.349/10, com vistas à


promoção do desenvolvimento nacional sustentável. Com a nova redação, as
licitações devem estar apoiadas em três pilares: o princípio constitucional da
isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa para a administração e a promoção
do desenvolvimento nacional sustentável.

Decreto nº 7.746/12, que regulamentou o Art. 3º da Lei nº 8.666/93, para


estabelecer critérios, práticas e diretrizes gerais para a promoção do
desenvolvimento nacional sustentável por meio das contratações realizadas pela
administração pública federal direta, autárquica e fundacional e pelas empresas
estatais dependentes. São partes do decreto, os artigos:

Art. 2º: A administração pública federal direta, autárquica e fundacional e as


empresas estatais dependentes poderão adquirir bens e contratar serviços e obras
considerando critérios e práticas de sustentabilidade objetivamente definidos no
instrumento convocatório, conforme o disposto neste Decreto.

Parágrafo Único. A adoção de critérios e práticas de sustentabilidade deverá ser


justificada nos autos e preservar o caráter competitivo do certame.

Art. 3º: Os critérios e práticas de sustentabilidade de que trata o Art. 2º serão


veiculados como especificação técnica do objeto ou como obrigação da contratada.

Art. 4º: São diretrizes de sustentabilidade, entre outras:

I – menor impacto sobre recursos naturais como flora, fauna, ar, solo e água;

II – preferência para materiais, tecnologias e matérias-primas de origem local;


SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 86

III – maior eficiência na utilização de recursos naturais como água e energia;

IV – maior geração de empregos, preferencialmente com mão de obra local;

V – maior vida útil e menor custo de manutenção do bem e da obra;

VI – uso de inovações que reduzam a pressão sobre recursos naturais;

VII – origem ambientalmente regular dos recursos naturais utilizados nos bens,
serviços e obras.

Art. 5º: A administração pública federal direta, autárquica e fundacional e as


empresas estatais dependentes poderão exigir no instrumento convocatório para a
aquisição de bens que estes sejam constituídos por material reciclado, atóxico ou
biodegradável, entre outros critérios de sustentabilidade.

Decreto nº 5.450/05, que regulamentou o pregão, na forma eletrônica, para


aquisição de bens e serviços comuns.

Instrução Normativa nº 1/10, que estabeleceu critérios de sustentabilidade


ambiental na aquisição de bens e contratação de serviços ou obras na Administração
Pública Federal.

Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte

Lei Complementar nº 123/06, que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa


e da Empresa de Pequeno Porte e estabeleceu normas gerais relativas ao tratamento
diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de
pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios.

Decreto nº 6.204/07, que regulamentou o tratamento favorecido, diferenciado e


simplificado para as microempresas e empresas de pequeno porte nas contratações
públicas de bens, serviços e obras, no âmbito da administração pública federal.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 87

Resíduos Sólidos

Lei nº 12.305/10, que estabelece como objetivos a prioridade, nas aquisições e


contratações governamentais, para produtos reciclados e recicláveis e para bens,
serviços e obras que considerem critérios compatíveis com padrões de consumo
social e ambientalmente sustentáveis.

Decreto nº 7.404/10, que estabeleceu normas para execução da Política


Nacional de Resíduos Sólidos e instituiu o Comitê Interministerial da Política Nacional
de Resíduos Sólidos.

Decreto nº 5.940/06, que instituiu a separação dos resíduos recicláveis


descartados pelos órgãos e entidades da administração pública federal direta e
indireta, na fonte geradora, e a sua destinação às associações e cooperativas dos
catadores de materiais recicláveis, e dá outras providências.

Lei nº 11.445/07 (Política Nacional de Saneamento) – Altera a Lei nº 8.666/93


permitindo a contratação de cooperativas e associações de catadores de materiais
recicláveis com dispensa de licitação.

Energia Elétrica

Lei nº 12.187/09, que prevê critérios de preferência nas licitações públicas para
propostas que propiciem maior economia de energia, água e outros recursos
naturais.

Lei nº 10.295/01, que trata da Política Nacional de Conservação e Uso Racional


de Energia e visa à alocação eficiente de recursos energéticos e a preservação do
meio ambiente.

Decreto nº 4.059/01, que regulamentou a Lei nº 10.295/01 e dispõe sobre a


90
Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia.

Alimentação

Lei nº 11.947/09, que dispõe sobre a alimentação escolar e prevê que 30% dos
recursos repassados pela União para os Estados e Municípios devem ser aplicados
na compra de produtos provenientes da agricultura familiar.

Lei nº 10.831/03, que dispõe sobre a agricultura orgânica.


SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 88

Lei nº 10.696/03, Art. 19, que criou o Programa de Aquisição de Alimentos.

Decreto nº 7.794/12, que instituiu a Política Nacional de Agroecologia e


Produção orgânica.

Produtos ou equipamentos que não contenham substâncias degradadoras


da camada de ozônio

Decreto nº 2.783/98 – proíbe as entidades do governo federal de comprar


produtos ou equipamentos contendo substâncias degradadoras da camada de
ozônio.

Computadores Sustentáveis – TI Verde

Portaria nº 2/10, da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do


Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão que dispõe sobre as especificações
padrão de bens de Tecnologia da Informação no âmbito da Administração Pública
91
Federal direta, autárquica e fundacional.

Aplicação de Margem de Preferência

Lei n°12.349/10, e Decreto n° 7.546/11, que alterou e regulamentou o §§ 5º do


Art. 3º da Lei nº 8.666/93, estabelecendo margem de preferência de até 25% para
produtos manufaturados e serviços nacionais que atendam a normas técnicas
brasileiras e incorporem inovação.

Decreto nº 7.601/11, que estabeleceu a aplicação de margem de preferência


nas licitações realizadas no âmbito da administração pública federal para aquisição
de produtos de confecções, calçados e artefatos.

Portaria MDIC nº 279/11, que instituiu regime de Origem para efeitos de


aplicação da margem de preferência.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 89

9.3 – MELHORES PRÁTICAS

Olá. Nesta lição veremos mais um exemplo de melhores práticas, dessa vez
relacionado às licitações sustentáveis. O bom resultado veio da Câmara dos
Deputados, por meio da EcoCâmara. O projeto foi um dos premiados no Prêmio
“Melhores Práticas de Sustentabilidade da A3P” de 2012, na categoria Inovação na
Gestão Pública.

Desde o ano de 2003, a licitação sustentável constitui um dos focos do Comitê


de Gestão Socioambiental da Câmara dos Deputados – conhecida como
EcoCâmara. A inserção de critérios ambientais nas compras governamentais era
vista como preocupante, em razão da inexistência de uma normatização mais
específica sobre o assunto e devido aos altos valores dos produtos. A
regulamentação das licitações sustentáveis representou um marco no
“esverdeamento” das aquisições da Casa.

Os resultados alcançados superaram as expectativas, na medida em que a


prática das licitações sustentáveis intensificaram-se consideravelmente com a
inclusão de novos produtos com requisitos ambientais, além de fazer constar nos
editais as exigências legais de cunho ambiental. Desde 2003 já se fazia compra de
papéis reciclados, tintas e colas isentas de elementos tóxicos. No presente,
adquiriram-se também papéis com certificação, utilizando como parâmetros os selos
CERFLOR, FSC e PEFC.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 90

Foi registrado que em 2012 foram adquiridas 69.944 resmas de papel e em


2011 foram 72.427 resmas com certificação, o que demonstra o poder de compra do
órgão contribuindo para o meio ambiente.

Produtos Critério de sustentabilidade


Credenciamento ou registro junto ao IBAMA e comprovação de
Madeira
origem legal.
Aquisição de pilhas recarregáveis e exigência de logística
Pilha
reversa.
Pneus A contratada deverá coletar os pneus fornecidos após seu uso.
Comprovação que o equipamento cumpre exigências para
Computadores
controle de impacto ambiental em sua fabricação.
Eletrodomésticos Selo de eficiência energética – PROCEL.
Materiais médicos e Programa de segregação retirada e descarte de resíduos de
laboratoriais serviços de saúde e dos componentes substituídos.
Empresa que faz o recolhimento e descarte ambientalmente
Serviços gráficos
corretos de resíduos químicos oriundos dos serviços gráficos.
Lanchonetes e
Plano de manejo de resíduos.
restaurantes
Responsabilidade pelo descarte ambiental dos resíduos gerados,
Serviço de impressão
incluindo consumíveis, peças usadas e embalagens.
Observância da legislação nacional e distrital quando da
Serviço de limpeza
aquisição e utilização de produtos de limpeza e manutenção.
Lâmpadas
Exigência da estrutura e logística reversa.
fluorescentes
Embalagens de água Aquisição de 340 filtros, 150 torneiras com fechamento
mineral automático e 20 torneiras com sensor.
Soluções que levam à economia da manutenção e
operacionalização da edificação, redução de consumo de energia
Projetos de arquitetura
e água. Tecnologias e materiais que reduzem o impacto
ambiental.

Considera-se que os objetivos almejados foram alcançados, em razão do


aumento expressivo do número de processos licitatórios com os requisitos
ambientais. E, com isso, foi reforçado o estímulo aos fornecedores na produção de
produtos sustentáveis, com um modo de produção mais limpo, observadas as
exigências ambientais condizentes. A meta constitui-se em ampliar continuamente o
catálogo de produtos com requisitos ambientais e incluir outros cuja especificação é
técnica, bem como rever rotinas, no intuito de evitar aquisições desnecessárias.

Mais um bom exemplo, não é? Os resultados deste projeto podem demorar um


tempo para surtir algum efeito, mas este será de longo prazo e colaborará muito com
o nosso meio ambiente.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 91

9.4 – EXERCÍCIOS

Como forma de reflexão sobre as licitações sustentáveis, tente descobrir como


são feitas as licitações em sua instituição. São usados critérios de sustentabilidade?
Pesquise sobre duas questões, que, ao serem respondidas, podem tornar a
realização de licitações sustentáveis muito mais fáceis:

Em sua região existe um cadastro de fornecedores de produtos sustentáveis?

Outras instituições em sua região já fazem licitações sustentáveis?


SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 92

10. ARCABOUÇO LEGAL PARA AÇÕES DE GESTÃO


SOCIOAMBIENTAIS

10.1 – ARCABOUÇO LEGAL PARA AÇÕES DE GESTÃO SOCIOAMBIENTAL

Nesta lição veremos algumas das normas legais e técnicas que podem ser
utilizadas para implementar projetos e ações que visam à gestão socioambiental.

É o modo como os órgãos e entidades realizam sua gestão administrativa,


preocupando-se com as questões socioambientais que estão ligadas, direta ou
indiretamente, a todo processo produtivo.

Embora algumas normas sejam aplicáveis à administração federal, elas podem


ser usadas como modelo e direcionador para a administração estadual e municipal.

Aqui estão as normas gerais sobre a gestão socioambiental, exceto as


específicas para licitações sustentáveis, que foram apresentadas no capítulo
correspondente.

Na Constituição Federal foi reservado um artigo específico para tratar do meio


ambiente, o que demonstra a importância do tema para a sociedade brasileira.

Artigo 225 – “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,


bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao
poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes
e futuras gerações.”

No texto constitucional foram atribuídas competências aos entes federados para


a proteção ambiental, o que possibilitou a descentralização e permitiu à União,
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 93

Estados, Municípios e Distrito Federal ampla competência para legislarem sobre


matéria ambiental. Essas competências estão definidas nos art. 21, 22, 23 e 24.

Decreto nº 5.940/2006 – Instituiu a separação dos resíduos recicláveis


descartados pelos órgãos e entidades da administração pública federal direta e
indireta, bem como sua destinação às associações e cooperativas dos catadores de
materiais recicláveis.

Decreto nº 6.087 - Regulamenta, no âmbito da Administração Pública Federal, o


reaproveitamento, a movimentação, a alienação e outras formas de desfazimento de
material e dá outras providências.

Decreto nº 99.658 - Regulamenta, no âmbito da Administração Pública Federal,


o reaproveitamento, a movimentação, a alienação e outras formas de desfazimento
de material.

Lei nº 12.187/2009 – Instituiu a Política Nacional de Mudanças Climáticas.

Lei nº 12.305/2010 – Instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Instrução Normativa nº 10/2012: MPOG – Estabelece as regras para elaboração


dos Planos de Gestão de Logística Sustentável pela administração pública federal
bem como suas vinculadas.

Decreto nº 7.746/2012 – Determina a adoção de iniciativas, dentre elas a A3P,


referentes ao tema da sustentabilidade pelos órgãos e entidades federais bem como
suas vinculadas;

Além destas, existem as resoluções do CONAMA (Conselho Nacional do Meio


Ambiente).
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 94

Resolução nº 226/1997, alterada pela Resolução nº 321/2003 - "Estabelece


limites máximos de emissão de fuligem de veículos automotores".

Resolução nº 267/2000, alterada pela Resolução nº 340/2003 - "Proibição de


substâncias que destroem a camada de ozônio".

Resolução nº 272/2000 - "Define novos limites máximos de emissão de ruídos


por veículos automotores".

Resoluções nº 307/2002 e 348/2004 - "Estabelece diretrizes, critérios e


procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil".

Resolução nº 358/2005- "Dispõe sobre o tratamento e a disposição final dos


resíduos dos serviços de saúde e dá outras providências".

Resolução nº 401/2008, alterada pela Resolução nº 424/2010- "Estabelece os


limites máximos de chumbo, cádmio e mercúrio para pilhas e baterias
comercializadas no território nacional e os critérios e padrões para o seu
gerenciamento ambientalmente adequado e dá outras providências".

Resolução nº 416/2009 - "Dispõe sobre a prevenção à degradação ambiental


causada por pneus inservíveis e sua destinação ambientalmente adequada e dá
outras providências".

Recomendação nº 12/2011 – indica aos órgãos e entidades do Sistema


Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA a adoção de normas e padrões de
sustentabilidade.

Resolução nº 450/2012- "Altera os arts. 9º, 16, 19, 20, 21 e 22, e acrescenta o
art. 24-A à Resolução nº 362, de 23 de junho de 2005, do Conselho Nacional do Meio
Ambiente - CONAMA, que dispõe sobre recolhimento, coleta e destinação final de
óleo lubrificante usado ou contaminado".

ISO 26000

Em 2005, a Organização Internacional de Normalização - ISO iniciou o processo


de elaboração de uma norma de diretrizes em Responsabilidade Social, a ISO 26000,
a qual foi publicada em novembro de 2010.

O Inmetro e o CSJT fizeram parte da delegação brasileira, representantes da


categoria Governo, como Especialista e Observador, respectivamente, e, em
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 95

continuidade ao trabalho, tiveram como atribuição articular a categoria Governo no


Brasil para o tema, bem como disseminar e promover o diálogo sobre o conteúdo da
norma técnica.

A ISO 26000 é uma norma de diretrizes que se destaca por trazer uma
abordagem inédita, traduzindo e integrando, por uma perspectiva gerencial, os temas
e as práticas centrais da responsabilidade social e da sustentabilidade
organizacional.

A Norma traz sete temas centrais:

- Governança organizacional: Trata de processos e estruturas de tomada de


decisão, delegação de poder e controle. O tema é, ao mesmo tempo, algo sobre o
qual a organização deve agir e uma forma de incorporar os princípios e práticas da
99
responsabilidade social à sua forma de atuação cotidiana;

- Direitos humanos: Situações de risco para os direitos humanos; como evitar


cumplicidade; resolução de queixas; discriminação e grupos vulneráveis; direitos civis
e políticos, direitos econômicos, sociais e culturais; princípios e direitos fundamentais
do trabalho;

- Práticas trabalhistas: Refere-se tanto a emprego direto quanto ao


terceirizado e ao trabalho autônomo. Inclui emprego e relações do trabalho;
01
condições de trabalho e proteção social; diálogo social; saúde e segurança no
trabalho; desenvolvimento humano e treinamento no local de trabalho;

- Meio ambiente: Inclui prevenção da poluição; uso sustentável de


recursos; mitigação e adaptação às mudanças climáticas; proteção do meio
ambiente e da biodiversidade e restauração de habitats naturais;
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 96

- Práticas leais de operação: Compreende práticas anticorrupção;


envolvimento político responsável; concorrência leal; promoção da responsabilidade
social na cadeia de valor e respeito aos direitos de propriedade;

- Questões dos consumidores: Inclui marketing leal, informações factuais e


não tendenciosas e práticas contratuais justas; proteção à saúde e à segurança do
consumidor; consumo sustentável; atendimento e suporte ao consumidor e solução
de reclamações e controvérsias; proteção e privacidade dos dados do consumidor;
acesso a serviços essenciais e à educação; e conscientização;

- Envolvimento e desenvolvimento da comunidade: Refere-se ao


envolvimento da comunidade; educação e cultura; geração de emprego e
capacitação; desenvolvimento tecnológico e acesso a tecnologias; geração de
riqueza e renda; saúde e investimento social.

Para cada tema, são abordadas várias possíveis ações e expectativas


100
relacionadas. A norma ainda traz os Princípios da Responsabilidade Social e várias
definições como: diligência devida, Meio Ambiente, comportamento ético, Igualdade
de gênero, impacto de normas internacionais de comportamento, governança
organizacional, esfera de influência, desenvolvimento sustentável etc.

ISO 20121:2012

Foi criada para garantir que eventos, desde pequenas festas locais até
"megaeventos" como os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo, deixem um legado
positivo após a sua realização.

A nova norma aplica-se a todos os integrantes da cadeia de suprimentos da


indústria de eventos, incluindo organizadores, gestores de eventos, construtores
de stands e operadores logísticos.

Conferências, simpósios, concertos, eventos esportivos, exposições e festivais


podem gerar uma ampla gama de benefícios públicos, comunitários e econômicos.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 97

No entanto, a realização de um evento pode também gerar impactos ambientais,


sociais e econômicos negativos, tais como o desperdício de materiais, o consumo
excessivo de energia e problemas para as comunidades locais.

Você já ouviu falar sobre algumas dessas ferramentas? Consegue entender


como elas podem realmente fazer a diferença para a implementação da gestão
socioambiental? Como você pode observar, já existem instrumentos disponíveis para
a inserção da sustentabilidade nas instituições públicas.

Nesta lição podemos conhecer algumas ferramentas para ajudar a aprimorar a


tomada de decisões quando o assunto é implementar e gestão socioambiental na
administração pública.

11. PERGUNTAS FREQUENTES

11.1 – PERGUNTAS FREQUENTES

Seja bem-vindo à última lição desta formação. Aqui podemos ver quais são as
perguntas frequentes relacionadas à A3P. Todo o conteúdo foi visto neste curso, e,
se tiver qualquer dúvida, pode voltar ao capítulo desejado e rever a lição.

O que é a A3P?

A Agenda Ambiental na Administração Pública – A3P é um programa,


coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, com a finalidade de promover a
responsabilidade socioambiental e a adoção de procedimentos, referenciais de
sustentabilidade e critérios socioambientais nas atividades do setor público. A A3P é
uma iniciativa que demanda o engajamento individual e coletivo para a mudança de
hábitos e a difusão do programa.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 98

Quais são os objetivos da A3P?

I - orientar os gestores públicos para a adoção de princípios e critérios de


sustentabilidade em suas atividades;

II - apoiar a incorporação de critérios de gestão socioambiental nas atividades


públicas;

III - promover a economia de recursos naturais e eficiência de gastos


institucionais;

IV - contribuir para a revisão dos padrões de produção e consumo e para a


adoção de novos referenciais de sustentabilidade no âmbito da administração
pública.

Quais são os eixos temáticos da A3P?

A A3P trabalha com cinco eixos temáticos:

I - uso racional dos recursos naturais e bens públicos;

II - gestão adequada dos resíduos gerados;

III – qualidade de vida no ambiente de trabalho;

IV - sensibilização e capacitação dos servidores;

V – licitações sustentáveis.

Como a administração pública participa da A3P?

Qualquer instituição da administração pública, de qualquer uma das esferas de


governo, pode e deve implantar a A3P, basta decidir e promover as ações. Para
auxiliar o processo de implantação da agenda, o Ministério do Meio Ambiente propõe
aos parceiros interessados a institucionalização da A3P, por meio da assinatura do
Termo de Adesão. O Termo tem por finalidade integrar esforços para desenvolver
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 99

projetos destinados à implementação da agenda. A assinatura do termo demonstra o


comprometimento da instituição com a agenda socioambiental e gestão transparente.

O que é a Rede A3P?

A Rede é um canal de comunicação permanente para promover o intercâmbio


técnico, difundir informações sobre temas relevantes à agenda, sistematizar dados e
informações sobre o desempenho ambiental dos órgãos, incentivar e promover
programas de formação e mudanças organizacionais, permitindo a troca de
experiências. Para aderir à Rede basta solicitar, por meio do e-mail
a3p@mma.gov.br, o cadastro, informando seus dados: nome, órgão, setor, e-mail,
telefone e endereço.

Como posso aderir à A3P?

O Termo de Adesão é o instrumento de compromisso para implantação da A3P


nas instituições públicas. Celebrado entre os interessados e o MMA, tem por
finalidade integrar esforços para desenvolver projetos destinados à implementação
da A3P. Para aderir formalmente à A3P o órgão interessado deve enviar os
documentos necessários para a formalização do Termo de Adesão (conforme
pergunta/resposta a seguir). Além da adesão formal, a agenda pode ser
implementada por meio da participação na Rede A3P, como ocorre com diversos
órgãos e instituições públicas.

Que documentos são necessários para formalização do Termo de


Adesão?

Da instituição:
Ofício para encaminhamento dos documentos;
Cópia do comprovante de endereço do órgão;
Cópia do comprovante de regularidade fiscal do órgão;
Minuta do Termo de Adesão (sem assinatura e datação) em meio digital (e-mail ou
cd);
Plano de Gestão Socioambiental com as ações que serão implementadas no órgão
em meio digital.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 100

Como emitir o comprovante de regularidade fiscal do órgão?

O comprovante de regularidade fiscal pode ser obtido no portal da Secretaria de


Fazenda do respectivo estado, no caso de órgãos Estaduais ou Municipais, e na
página do Ministério da Fazenda, no caso de órgãos Federais e Prefeituras.

Do representante da instituição no Termo:

Cópia autenticada do ato de nomeação;


Cópias autenticadas da Carteira de Identidade e do CPF;
Cópia de delegação de competência para a assinatura de atos.

A que destinatário deve ser encaminhado o Ofício para encaminhamento


dos documentos?

À Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental - Ministério do


Meio Ambiente.

O Termo de Adesão e o Plano de Gestão Socioambiental precisam ser


enviados assinados, juntamente com a documentação?

Não, o Termo de Adesão e o Plano de Gestão Socioambiental devem ser


encaminhados em versão digital, sem qualquer assinatura. Somente após a abertura
do processo e devida tramitação no MMA é que os documentos serão devolvidos ao
órgão interessado para assinatura.

Onde encontro o ato de nomeação?

As autoridades são nomeadas geralmente por meio de Portaria. Pode ser


realizada uma pesquisa no Diário Oficial do Município, Estado ou União, conforme o
caso, para emitir este documento.

Onde encontro a delegação de competência para assinatura de atos?

A delegação de competência para assinatura de atos pode ser encontrada em


Portaria específica, no regimento interno do órgão ou em Lei.
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 101

O Ministério do Meio Ambiente oferece contrapartida financeira aos órgãos


com Termo de Adesão firmado?

Não. O MMA, por meio da A3P, oferece aos órgãos apenas apoio de caráter
técnico e capacitação à distância, por meio de cartilhas, manuais, e-mail, telefone e
Rede A3P e sensibilização presencial, atendida de acordo com a demanda.

O diagnóstico deve ser realizado antes da celebração do Termo de


Adesão?

Não necessariamente. O diagnóstico é uma das primeiras etapas do Plano de


Ação para implementação da A3P, ocorrendo portanto no início da vigência do Termo
de Adesão.

A vigência do Termo de Adesão poderá ser prorrogada?

O Termo de Adesão poderá ser renovado. Para tanto, toda a documentação


deverá ser encaminhada ao MMA até 30 dias antes do vencimento do Termo
anterior. O procedimento ocorre como se fosse uma nova adesão.

A A3P realiza palestras presenciais nos órgãos com Termo de Adesão


firmado?

Sim. O MMA também oferece o apoio técnico à distância, por meio de e-mail,
telefone, cartilhas e manuais.

Como devo elaborar o Plano de Gestão Socioambiental?

O MMA disponibiliza um modelo de Plano de Gestão Socioambiental que pode


ser implantado pelos órgãos aderentes. O mais importante é que no Plano de Gestão
Socioambiental constem os objetivos específicos a serem alcançados, os indicadores
de desempenho, as metas a serem alcançadas e a forma de monitoramento.

Como é realizado o monitoramento das ações?

Desde 2010, os parceiros da A3P são demandados a elaborar um relatório com


a situação do Plano de Gestão Socioambiental implementado. Para auxiliar nesse
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 102

processo, foi elaborado pela coordenação um conjunto de indicadores que buscam


auxiliar os órgãos públicos no processo de monitoramento e avaliação das ações.

Quais comprovantes de regularidade fiscal devem ser encaminhados


pelos órgãos?

Certidão de Tributos Federais + Dívida Ativa


Acessar o endereço:
www.receita.fazenda.gov.br/Aplicacoes/ATSPO/Certidao/CndConjuntaInter/InformaNI
Certidao.asp?Tipo=1
Digitar o CNPJ / Consultar
Clicar em: Emissão de 2ª via da certidão

Certidão de Contribuições Previdenciárias


Acessar o endereço:
www010.dataprev.gov.br/cws/contexto/cnd/cnd.html
Digitar o CNPJ / Consultar
Clicar sobre a primeira da lista

Certidão de Regularidade do FGTS


Acessar o endereço:
www.sifge.caixa.gov.br/Cidadao/Crf/FgeCfSCriteriosPesquisa.asp
Digitar o CNPJ / Consultar
Clicar em: Certificado de Regularidade do FGTS – CRF
Escolher a Finalidade da Emissão: Contratação de prestação de serviços com órgãos
públicos / Prosseguir

Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas


Acessar o endereço:
http://www.tst.jus.br/en/certidao
Emitir Certidão
Digitar o CNPJ / Consultar
SUSTENTABILIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – A3P E A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 103

Onde encontro a lista de instituições que possuem Termo de Adesão ou


participam da Rede A3P?

Os nomes dos órgãos e instituições que já possuem Termo de Adesão ou


fazem parte da Rede A3P podem ser consultados na página da A3P, no site do
Ministério do Meio Ambiente.