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Organizadoras

Bernadete Santos Campello


Beatriz Valadares Cendón
Jeannette Marguerite Kremer

Fontes de Informação para


Pesquisadores e Profissionais

Copyright © 2000 by Bernadete Santos Campello e outras. 2003 - 1 reimpressão


Este livro ou parte dele não pode ser reproduzido por qualquer meio sem autorização escrita do Editor.
Editoração de texto: Ana Maria de Moraes
Projeto gráfico: Escritório de Design
Capa: Glória Campos
Revisao de provas: Lilian Valderez Felicio, Maria Aparecida Ribeiro, Maria Stela Souza Reis e Rúbia Flávia
dos Santos
Formatação; Jonas Rodrigues Fróis
Produção grafica: Warren M. Santos

Editora UFMG
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Universidade Federal de Minas Gerais


Reitora Ana Lúcia Almeida Gazzola
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Antônio Luiz Pinho Ribeiro, Beatriz Rezende Dantas, Carlos Antônio Leite Brandão, Heloisa Maria Murgel
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Cristiano Machado Gontijo, Denise Ribeiro Soares, Leonardo Barci Castriota, Lucas José Eretas dos Santos,
Maria Aparecida dos Santos Paiva, Maunlio Nunes Vieira, Newton Bignotto de Souza, Reinaldo Martiniano
Marques. Ricardo Castanheira Pimenta Figueiredo

F683 Fontes de informação para pesquisadores e profissionais / Bernadete Santos


Campello, Beatriz Valadares Cendón, Jeannette Marguerite Kremer,
Organizadoras. - Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2000.
319p, - (Aprender)
1. Bibliografia especializada - Fontes de informação I. Campello,
Bernadete Santos II. Cendón, Beatriz Valadares III. Kremer, Jeannette
Marguerite IV. Título V. Série
CDD: 025.5
CDU: 025.5

Catalogação na publicação: Divisão de Planejamento e Divulgação da Biblioteca Universitária - UFMG


ISBN: 85-7041-209-6
Como referenciar os capítulos do livro?

Autor(es) do capítulo. Título do capítulo. In: CAMPELLO, Bernadete Santos; CENDÓN,


Beatriz Valadares; KREMER, Jeannette Marguerite (organizadoras). Fontes de informação para
pesquisadores e profissionais. Belo Horizonte: UFMG, 2003. Cap. Número do capítulo, p. Página
inicial-Página final.

OBS.: preencha todos os campos (basta dar um clique em cima de cada um) com os dados
necessários e copie depois todo o modelo de referência acima e cole no local desejado.

Páginas inicial e final de cada capítulo no livro original impresso de onde se extraiu o texto

Página Página
Cap. Título Autor(es)
Inicial Final

A ciência, o sistema de
1 comunicação científica e a Suzana Pinheiro Machado Mueller 21 34
literatura científica
Organizações como fonte de
2 Bernadete Santos Campello 35 48
informação
3 Pesquisas em andamento Bernadete Santos Campello 49 54
4 Encontros científicos Bernadete Santos Campello 55 72
5 O periódico científico Suzana Pinheiro Machado Mueller 73 96
Sandra Lúcia Rebel Gomes
6 Literatura cinzenta Manha Alvarenga Rocha Mendonça 97 104
Clarice Muhlethaler de Souza
7 Relatórios técnicos Bernadete Santos Campello 105 110
8 Publicações governamentais Waldomiro Vergueiro 111 120
9 Teses e dissertações Bernadete Santos Campello 121 128
10 Traduções Bernadete Santos Campello 129 136
11 Normas técnicas Maria Matilde Kronka Dias 137 152
12 A patente Ricardo Orlandi França 153 182
Eduardo Wense Dias
13 Literatura comercial 183 190
Bernadete Santos Campello
Daisy Pires Noronha
14 Revisões de literatura 191 198
Sueli Mara Soares Pinto Ferreira
15 Obras de referência Eduardo Wense Dias 199 216
16 Serviços de indexação e resumo Beatriz Valadares Cendón 217 248
Daisy Pires Noronha
17 Índices de citação 249 262
Sueli Mara Soares Pinto Ferreira
18 Guias de literatura Paulo da Terra Caldeira 263 274
19 A internet Beatriz Valadares Cendón 275 300

2
Sumário

Sumário .......................................................................................................................... 3
Apresentação .................................................................................................................. 4
1 - A ciência, o sistema de comunicação científica e a literatura científica....................... 5
Suzana Pinheiro Machado Mueller ........................................................................................... 5
2 - Organizações como fonte de informação ................................................................... 11
Bernadete Santos Campello ................................................................................................... 11
3 - Pesquisas em andamento ......................................................................................... 16
Bernadete Santos Campello ................................................................................................... 16
4 - Encontros científicos................................................................................................ 18
Bernadete Santos Campello ................................................................................................... 18
5 - O periódico científico................................................................................................ 24
Suzana Pinheiro Machado Mueller ......................................................................................... 24
6 - Literatura cinzenta................................................................................................... 33
Sandra Lúcia Rebel Gomes .................................................................................................... 33
Marília Alvarenga Rocha Mendonça ........................................................................................ 33
Clarice Muhlethaler de Souza ................................................................................................ 33
7 - Relatórios técnicos ................................................................................................... 36
Bernadete Santos Campello ................................................................................................... 36
8 - Publicações governamentais .................................................................................... 39
Waldomiro Vergueiro ............................................................................................................. 39
9 - Teses e dissertações ................................................................................................. 43
Bernadete Santos Campello ................................................................................................... 43
10 - Traduções .............................................................................................................. 47
Bernadete Santos Campello ................................................................................................... 47
11 - Normas técnicas .................................................................................................... 50
Maria Matilde Kronka Dias .................................................................................................... 50
12 - A patente ............................................................................................................... 56
Ricardo Orlandi França ......................................................................................................... 56
13 - Literatura comercial ............................................................................................... 67
Eduardo Wense Dias ............................................................................................................. 67
Bernadete Santos Campello ................................................................................................... 67
14 - Revisões de literatura ............................................................................................. 70
Daisy Pires Noronha .............................................................................................................. 70
Sueli Mara Soares Pinto Ferreira ............................................................................................ 70
15 - Obras de referência ................................................................................................ 73
Eduardo Wense Dias ............................................................................................................. 73
16 - Serviços de indexação e resumo ............................................................................. 80
Beatriz Valadares Cendón ...................................................................................................... 80
17 - Índices de citação................................................................................................... 91
Daisy Pires Noronha .............................................................................................................. 91
Sueli Mapa Soares Pinto Ferreira ........................................................................................... 91
18 - Guias de literatura ................................................................................................. 96
Paulo da Terra Caldeira ......................................................................................................... 96
19 - A internet ............................................................................................................. 101
Beatriz Valadares Cendón .................................................................................................... 101
Anexo - Endereços na internet .................................................................................... 110

3
Apresentação

No início da década de 90, quando a profa. Carlita Maria Campos e eu preparávamos a


segunda edição do livro Fontes de Informação Especializada, a Internet constituía apenas uma
palavra nova no extenso vocabulário de siglas do universo da informática e estava disponível a um
número reduzido de pesquisadores brasileiros. Hoje a rede já faz parte do cotidiano de um
número significativo de pessoas e está modificando inteiramente o paradigma da comunicação
científica, incorporando novas práticas ao processo e introduzindo novas formas de inter-relação
entre os membros da comunidade de pesquisa. Assim, uma revisão completa do livro se fez
necessária, para permitir um melhor entendimento dessa nova realidade.
Esta é uma nova versão bastante modificada de Fontes de Informação Especializada, que foi
publicado em 1988 e 1993 (respectivamente primeira e segunda edições) pela Editora UFMG.
Além do novo título, o livro aprofunda tópicos já abordados nas edições anteriores, acrescentando
mudanças que ocorreram nos últimos sete anos. Por exemplo, passamos a utilizar o termo
literatura cinzenta ao invés de publicações não convencionais, pois acreditamos que a expressão
já foi devidamente incorporada ao vocabulário da biblioteconomia e da ciência da informação no
Brasil. Foi também acrescentado um capítulo dedicado inteiramente à Internet, e é claro que
praticamente todos os outros capítulos abordam a rede a partir de sua perspectiva particular.
Os professores que utilizaram Fontes de Informação Especializada já estão familiarizados
com a estrutura da obra (por tipo de material), que foi aqui mantida, pois consideramos que é a
maneira mais adequada de facilitar ao estudante a compreensão da natureza, da dinâmica de
produção e do controle da literatura científica, que são peculiares a cada um dos diversos tipos de
documentos que a compõem. Cada capítulo procura apresentar inicialmente uma visão histórica
do tipo de material que aborda, descrevendo em seguida suas características e acrescentando as
formas de acesso àquele material, Não houve a preocupação de se esgotar as fontes de informação
existentes, mas de apresentar apenas as mais importantes como exemplos, dando ênfase às obras
brasileiras.
Os endereços da Internet mencionados no texto foram marcados com um ícone (), e uma
lista completa de URLs é apresentada no Anexo.
Houve uma grande mudança com relação à autoria dos capítulos. Esta nova edição é uma
obra coletiva e constitui o resultado do trabalho de 13 autores, oriundos de quatro escolas e
departamentos de biblioteconomia e ciência da informação do Brasil. Essa empreitada representa
uma forma de trabalho conjunto que deveríamos realizar cada vez mais (aproveitando os recursos
da Internet), reunindo competências e esforços para aperfeiçoar o ensino de biblioteconomia e
ciência da informação no Brasil.
O livro objetiva atingir principalmente o estudante de biblioteconomia, mas pode ser de
utilidade para qualquer pessoa interessada em conhecer os meandros da comunicação científica e
o papel que os diferentes tipos de documentos representam nesse universo.
Não é nossa expectativa que esta obra seja utilizada como recurso didático único nas
disciplinas de fontes especializadas. A nossa pretensão é que, reunindo informações dispersas na
literatura, ela facilite o trabalho do professor, criando espaço nas disciplinas para a exploração e
aprofundamento de temas atuais e de elaboração de trabalhos práticos, no qual o aluno possa,
criativa e conscientemente, construir seu conhecimento e, a partir de sua própria vivência,
compreender a dinâmica de produção do conhecimento científico e tecnológico. A síntese, que
dará ao estudante a noção da dinamicidade do processo de comunicação científica e tecnológica e
da variedade de formas que a compõem, será alcançada mediante o trabalho do professor em sala
de aula e preparará o aluno para lidar de forma competente com esse universo informacional.
Agradecemos a todos os autores que atenderam com presteza ao nosso convite para
colaborar nessa tarefa, especialmente às professoras Beatriz Valadares Cendón e Jeannette
Marguerite Kremer que mostraram enorme interesse e dedicação na organização e revisão dos
textos.
Especial menção deve ser feita à profa. Carlita Maria Campos, co-autora da obra que serviu
de base para a produção do presente trabalho e que, mesmo não tendo participado diretamente
da revisão, sempre apoiou e estimulou o nosso esforço.
Esperamos que nossos leitores, principalmente aqueles que utilizarem o livro como auxiliar
didático, possam nos ajudar no aprimoramento do mesmo com suas críticas e sugestões. Elas
serão sempre bem-vindas.
Bernadete Santos Campello
Belo Horizonte, maio de 1999
e-mail campello@eb.ufmg.br

4
1 - A ciência, o sistema de comunicação científica e a literatura
científica
Suzana Pinheiro Machado Mueller

Aprendemos sobre o mundo e sobre nós mesmos de muitas maneiras: observamos,


ouvimos, lemos e experimentamos, e assim aumentamos nosso conhecimento. No entanto, nem
sempre a percepção que obtemos da realidade é confiável. Mas quando o conhecimento sobre
determinado fenômeno é obtido segundo uma metodologia científica, ou seja, é o resultado de
pesquisas realizadas por cientistas, de acordo com regras definidas e controladas, então
aumentam muito as probabilidades de que nossa compreensão desse fenômeno seja correta.
Chamamos ao conhecimento assim obtido de conhecimento científico ou ciência (KERLINGER,
1979).
A confiabilidade é, portanto, uma das características mais importantes da ciência, pois a
distingue do conhecimento popular, não científico. Para obter confiabilidade, além da utilização de
uma rigorosa metodologia científica para a geração do conhecimento, é importante que os
resultados obtidos pelas pesquisas de um cientista sejam divulgados e submetidos ao julgamento
de outros cientistas, seus pares.
A ampla exposição dos resultados de pesquisa ao julgamento da comunidade científica e
sua aprovação por ela propicia confiança nesses resultados. Por essa razão, todo trabalho
intelectual de estudiosos e pesquisadores depende de um intrincado sistema de comunicação, que
compreende canais formais e informais, os quais os cientistas utilizam tanto para comunicar os
resultados que obtêm quanto para se informarem dos resultados alcançados por outros
pesquisadores. Assim, toda pesquisa envolve atividades diversas de comunicação e produz pelo
menos uma publicação formal. Na verdade, uma determinada pesquisa costuma produzir várias
publicações, geradas durante a realização da pesquisa e após o seu término. Tais publicações
variam no formato (relatórios, trabalhos apresentados em congressos, palestras, artigos de
periódicos, livros e outros), no suporte (papel, meio eletrônico e outros), audiências (colegas,
estudantes, público em geral) e função (informar, obter reações, registrar autoria, indicar e
localizar documentos, entre outras). O conjunto dessas publicações, que chamamos de literatura
científica, permite expor o trabalho dos pesquisadores ao julgamento constante de seus pares, em
busca do consenso que confere a confiabilidade. Em resumo, sem sua literatura, uma área
científica não poderá existir pois, sem o aval dos seus pares, o conhecimento resultante da
pesquisa conduzida pelos cientistas não será validado e não será considerado científico (ZIMAN,
1968).
A produção da literatura de uma área científica envolve muitas e diferentes atividades de
comunicação entre os pesquisadores, algumas das quais antecedem e outras se seguem a sua
publicação. Conforme suas características, essas atividades costumam ser chamadas de
comunicação informal ou comunicação formal. A comunicação informal utiliza os chamados
canais informais e inclui normalmente comunicações de caráter mais pessoal ou que se referem à
pesquisa ainda não concluída, como comunicação de pesquisa em andamento, certos trabalhos
de congressos e outras com características semelhantes. A comunicação formal se utiliza de
canais formais, como são geralmente chamadas as publicações com divulgação mais ampla, como
periódicos e livros. Dentre esses últimos, o mais importante, para a ciência, são os artigos
publicados em periódicos científicos.
O conjunto dessas atividades constitui o sistema de comunicação científica de uma
determinada área da ciência. Esse sistema inclui, portanto, todas as formas de comunicação
utilizadas pelos cientistas que pesquisam e contribuem para o conhecimento nessa determinada
área, além das publicações formais. Com o desenvolvimento da tecnologia de comunicação,
especialmente computadores e redes eletrônicas, as formas de comunicação disponíveis à
comunidade científica vêm se modificando, ampliando e diversificando, tornando-se cada vez mais
eficientes, rápidas e abrangentes, vencendo barreiras geográficas, hierárquicas e financeiras.
Essas mudanças estão ocorrendo tanto nos canais informais como nos formais. Dentre esses
últimos, os mais importantes, para a ciência, ainda são os artigos publicados em periódicos
científicos impressos.

1.1 Características da literatura especializada


Embora a literatura produzida por diferentes áreas do conhecimento apresente diferenças e
peculiaridades, pode-se dizer que a literatura científica, como um todo, possui várias
características comuns e sofre influências de um conjunto comum de fatores.
O trabalho do profissional de informação é em grande parte baseado no conhecimento e uso
de fontes de informação sobre a literatura científica, a qual reflete as características próprias da
ciência e tecnologia modernas. Algumas dessas características afetam e dificultam bastante o
trabalho profissional, entre as quais estão: o fenômeno da explosão bibliográfica, a diversificação
de formatos de apresentação e divulgação, a eliminação de barreiras no acesso (geográficas,
hierárquicas e outras), a aceleração do avanço do conhecimento e conseqüente obsolescência
mais rápida das publicações, a intensificação da interdisciplinaridade (unindo áreas científicas
antes isoladas) e a tendência à pesquisa em colaboração.
A explosão bibliográfica, fenômeno comum a todas as áreas do conhecimento e talvez a
característica mais visível das literaturas científicas, pode ser definida como a quantidade
crescente de documentos científicos produzidos e a rapidez com que esse número aumenta. Esse
fenômeno não é novo, pois vem ocorrendo de maneira exponencial desde o estabelecimento da
ciência moderna e da publicação dos primeiros periódicos, no fim do século XVII (SOLLA PRICE,
1963).
Recentemente, com o desenvolvimento das tecnologias eletrônicas de comunicação,
especialmente da Internet, a questão da explosão da literatura tomou-se ainda mais complexa.
Novos formatos e canais de comunicação se tomaram disponíveis, expandindo de maneira nunca
vista as possibilidades da comunicação e eliminando barreiras geográficas. O fenômeno tem
conseqüências profundas na organização de centros de informação. Como jamais será possível a
qualquer centro possuir tudo o que interessa sobre um assunto, chegou-se à conclusão que é
melhor dirigir todos os esforços no sentido de garantir acesso. A política de seleção do acervo deve
ser muito bem planejada e suplementada por esquemas de cooperação com outras bibliotecas.
Mas o desenvolvimento das tecnologias de informação, ao mesmo tempo que aumentou a
quantidade de textos e informações disponíveis, abriu alternativas muito eficientes para satisfazer
demandas que ultrapassam as possibilidades do acervo local, entre as quais incluem-se a compra
de cópia ou de acesso ao documento especifico em demanda, via meio eletrônico. Isso implica,
então, na necessidade de reserva de recursos específicos nos orçamentos dos centros de
informação (ou no pagamento de tais serviços pelos usuários) e também na necessidade de
treinamento de profissionais capazes de reconhecer as fontes e as maneiras mais eficientes e
econômicas de acesso.
Os resultados alcançados por determinado pesquisador são freqüentemente retomados por
outros cientistas, teóricos ou aplicados, que dão continuidade ao estudo, fazendo avançar a
ciência ou produzindo tecnologias ou produtos neles baseados. Tem sido uma característica do
mundo atual que o lapso do tempo, durante o qual uma novidade científica permanece novidade,
é cada vez menor, ou seja, o tempo entre a publicação inicial de determinados resultados da
pesquisa e publicações que avançam em relação a eles está encurtando cada vez mais. A
velocidade com que o conhecimento é renovado, tornando ultrapassada a literatura ainda recente
— especialmente em algumas áreas do conhecimento — acarreta problemas para todos os
interessados: é difícil para o cientista manter-se informado ou atualizado e é também difícil e caro
para os centros de informação manter suas coleções atualizadas, pois o número de fontes
aumenta com igual velocidade. Da mesma forma, também o profissional encarregado de atender
demandas e administrar coleções encontra dificuldades. Torna-se assim importante saber o que
está sendo pesquisado antes mesmo que a pesquisa termine; conhecer as tendências e frentes de
pesquisa; conhecer grupos e centros de pesquisa que trabalham na área de interesse. Tendo em
vista esses problemas, este manual inclui capítulos sobre pesquisas em andamento, encontros
científicos, literatura cinzenta, relatórios técnicos, teses e dissertações, além de outros que se
referem à informação já formalmente divulgada: periódicos científicos, normas técnicas, patentes
e literatura comercial, e outros ainda que se referem à literatura secundária e terciária, que têm
por finalidade apresentar o conhecimento consolidado e ajudar a encontrar o que se procura.
Diferentemente da literatura científica ou acadêmica, a literatura tecnológica nem sempre
recebe divulgação ampla. Isso se explica pelas suas finalidades: a ciência se baseia no consenso
dos cientistas, e os autores se destacam pela freqüência com que são lidos e citados, portanto
procuram ampla divulgação para seus trabalhos. Por outro lado, as empresas e indústrias que
patrocinam a tecnologia visam o lucro e não lhes interessa ampla divulgação de suas tecnologias,
mas sim o domínio do mercado em que seu produto se insere. Conseqüentemente, divulgação
restrita é a norma para a literatura tecnológica. Para o profissional que pretende atender a
demandas nessa área, esses fatos tornam difícil a identificação e o acesso a documentos que
potencialmente seriam de interesse para seus usuários.
É tradição considerar a ciência como se fosse composta de áreas diversas, cada qual com
suas características e limites bem estabelecidos. Assim, referimo-nos às ciências exatas e
naturais, às ciências sociais e humanidades, às áreas tecnológicas e engenharias como se fossem
realmente separadas. Mas todas as ciências e tecnologias referem-se à natureza, e esta é uma só.

6
As divisões ajudam no esforço da pesquisa e na organização da literatura produzida, mas a
verdade é que, à medida que nosso conhecimento avança, diminui a clareza da divisão
estabelecida. Chamamos a isso de interdisciplinaridade da ciência ou de uma determinada área
do conhecimento. As conseqüências práticas desse fenômeno, que tem ocorrido de maneira muito
rápida, afetam fortemente a literatura especializada, especialmente a literatura periódica: surgem
novos títulos, que se referem a novas áreas de pesquisa, novas especialidades, gerando problemas
de dispersão de artigos e dificultando o trabalho de identificação e localização. Significa também a
necessidade de maiores investimentos na seleção de títulos e na habilidade do profissional de
informação.
Paralelamente ao crescimento dos estudos interdisciplinares, o trabalho em equipe também
tem sido uma característica crescente da ciência moderna. Isso é especialmente verdade para as
chamadas ciências exatas e da natureza, mas também ocorre nas demais áreas de conhecimento.
O reflexo dessa característica na literatura científica está na autoria múltipla de artigos e livros
Nas áreas tecnológicas, por razões que incluem a sua natureza, é comum a autoria institucional.

1.2 Estrutura da literatura especializada


Esquemas de estruturação da literatura especializada têm sido apresentados por diversos
autores como GROGAN (1992) e SUBRÀMANYAN (1981). Tais classificações se baseiam com
freqüência no fluxo da informação, isto é, os documentos são classificados de acordo com o lugar
e função que ocupam no fluxo de informação. Este é um conceito que pretende representar o
caminho percorrido pela pesquisa, desde que nasce uma idéia na mente de um pesquisador,
passa pelo ponto mais alto que é a publicação formal dos resultados, geralmente em um artigo
científico, e continua até que a informação sobre esse artigo possa ser recuperada na literatura
secundária ou apareça como citações em outros trabalhos. Em alguns casos, continua até que os
resultados da pesquisa sejam integrados em um tratado sobre o assunto. Durante o processo, a
informação é veiculada por meios e canais diversos.
O fluxo da informação científica é geralmente representado através de um modelo. O mais
famoso deles foi desenvolvido na década de 70 por dois autores americanos, Garvey e Griffith
(GARVEY e GRIFEITH, 1972; GARVEY, 1979), que observaram como os cientistas da área de
psicologia se comunicavam e divulgavam suas pesquisas.
O modelo resultante dos estudos desses dois autores foi logo adaptado para todas as áreas
do conhecimento. Nele o processo de comunicação aparece representado por um contínuo, onde
se situam, em sucessão e por ramificações, as diversas atividades cumpridas por um pesquisador
e os documentos que tais atividades geram. Por exemplo, o início da pesquisa é logo seguido por
relatórios preliminares e comunicações de pesquisas em andamento; um pouco antes e logo após
o término da pesquisa há uma sucessão de seminários, colóquios, conferências e relatórios, que
geram trabalhos escritos completos ou resumos (publicados geralmente em anais) e que já serão
indexados em fontes adequadas; ao submeter o seu original para publicação em periódico
científico, aparecem as versões preliminares (preprints), distribuídas à comunidade de pares; após
a publicação do artigo em periódico haverá normalmente uma série de notícias sobre ele, em
veículos de alerta, índices e resumos e talvez, também, em obras que realizam ensaios
bibliográficos sobre as tendências de pesquisa e desenvolvimento da área, tipo annual reviews. Se
a pesquisa teve o impacto desejado pelo seu autor, citações ao trabalho começam a aparecer
assim que o artigo se toma disponível. Nesse modelo é fácil perceber que a informação flui por
muitos canais e que diferentes tipos de documentos são produzidos, cujas características variam
conforme o estágio da pesquisa e tipo de público a que se destina e o objetivo de quem a
comunica. Com base em modelos como esse, os canais de informação foram classificados como
canais informais ou canais formais.
Os canais informais apresentam uma série de características comuns: são geralmente
aqueles usados na parte inicial do contínuo do modelo; é o próprio pesquisador que o escolhe; a
informação veiculada é recente e destina-se a públicos restritos e, portanto, o acesso é limitado.
As informações veiculadas nem sempre serão armazenadas e assim será difícil recuperá-las.
Exemplos tradicionais são os relatórios de pesquisa, os textos apresentados em seminários ou
reuniões pequenas e mesmo os anais de alguns simpósios.
Os canais formais também apresentam uma série de características comuns: permitem o
acesso amplo, de maneira que as informações são facilmente coletadas e armazenadas; essas
informações são geralmente mais trabalhadas, correspondendo aos estágios mais adiantados do
contínuo do modelo. Ao contrário dos canais informais, é o destinatário da mensagem e não o
pesquisador que o escolhe e consulta. Enquanto os canais informais permitem um bom nível de

7
interação com o pesquisador, os canais formais tradicionais geralmente não prevêem isso
(MEADOWS, 974).
Da mesma forma, os documentos (ou fontes) produzidos ao longo do processo de pesquisa
podem ser classificados como primários, secundários e terciários1 Documentos primários são
geralmente aqueles produzidos com a interferência direta do autor da pesquisa. Considerando o
contínuo do modelo de Garvey e Griffith, estariam principalmente no início do processo,
incluindo, por exemplo, relatórios técnicos, trabalhos apresentados em congressos, teses e
dissertações, patentes, normas técnicas e o artigo científico. Segundo GROGAN (1992), as fontes
primárias. por sua natureza, são dispersas e desorganizadas do ponto de vista da produção,
divulgação e controle. Registram informações que estão sendo lançadas, no momento de sua
publicação, no corpo de conhecimento científico e tecnológico. As fontes primárias são, por essas
razões, difíceis de serem identificadas e localizadas.
Esse fato gerou o aparecimento das fontes secundárias, que têm justamente a função de
facilitar o uso do conhecimento disperso nas fontes primárias. As fontes secundárias apresentam
a informação filtrada e organizada de acordo com um arranjo definido, dependendo de sua
finalidade. São representadas, por exemplo, pelas enciclopédias, dicionários, manuais, tabelas,
revisões da literatura, tratados, certas monografias e livros-texto, anuários e outras.
As fontes terciárias são aquelas que têm a função de guiar o usuário para as fontes
primárias e secundárias. São as bibliografias, os serviços de indexação e resumos, os catálogos
coletivos, os guias de literatura, os diretórios e outras. Após a publicação do artigo relatando a
pesquisa em periódico científico, são principalmente as fontes secundárias e terciárias que
ocorrem no contínuo do fluxo.
Desde o desenvolvimento do modelo de Garvey e Griffith, quase trinta anos atrás, houve um
avanço enorme das tecnologias da informação, que mudaram de maneira dramática alguns
aspectos da comunicação científica, oferecendo alternativas inovadoras para cada ponto daquele
modelo. Por exemplo, o uso do computador na editoração e publicação de documentos
tradicionais impressos propiciou a emergência de bases de dados online e textos legíveis por
máquina; em seguida apareceram também periódicos inteiramente eletrônicos. O computador
pessoal ligado em rede abriu novas possibilidades de comunicação pessoal — o correio eletrônico
e suas variações — enquanto as redes, especialmente a Internet colocou à disposição de
pesquisadores formas de comunicação e divulgação nunca antes sonhadas, oferecendo ainda
possibilidades de conexão entre textos, de busca, localização e aquisição de informação.
Em resumo, o modelo inicial proposto por Garvey e Griffith já não representa tão bem o
processo de comunicação científica moderno. Todas as fases desse processo foram e continuam
sendo afetadas pelo emprego da tecnologia (CRAWFORD, HURT e WELLER, 1996). O quadro geral
está mudando e já se antevêem formas de comunicação que provavelmente colocarão o periódico
tradicional em cheque, num futuro próximo.
As mudanças causadas pela tecnologia têm sido tão abrangentes e inovadoras que até
mesmo conceitos estabelecidos como canais informais e canais formais são questionados por
alguns autores, que alegam já não ser possível distinguir com clareza as diferenças entre eles. De
fato, tomou-se difícil definir o que seja comunicação formal e informal, documento primário ou
secundário.
Dada a importância da literatura especializada para uma determinada área de
conhecimento, a sua identificação, coleta, organização e preservação estão entre as
responsabilidades mais importantes do profissional da informação. Não é uma tarefa muito fácil
pois, como foi dito, o volume de publicações é muito grande e continua a crescer, e os formatos
em que ocorrem estão também em evolução, complicando a identificação do material pertinente.
Faltam instrumentos de busca adequados e abrangentes, especialmente quando a questão
envolve pesquisas produzidas no Brasil.
Apesar de toda a evolução tecnológica — e mesmo por causa dela — a necessidade de se
conhecer as fontes e saber identificar e promover o acesso à informação pertinente continua
sendo tão importante quanto sempre foi para os profissionais que se dedicam ao atendimento do
usuário. A finalidade deste manual é contribuir para isso.

1 Embora aqui considerados como fontes terciárias, os serviços bibliográficos são também chamados de serviços

secundários, com base em algumas classificações da literatura, cujos autores consideram que há apenas dois tipos de
fontes: primárias (a literatura propriamente dita) e secundárias (os serviços bibliográficos).

8
Readaptação da versão apresentada. HURD, Julie M. Models of scientific communication. In: CRAWFORD, S. Y., FIURD, J. M., WELLER, A. C.
From print to electronic: the transformation of scientific communication. Medford: Information Today’, Inc., 1996. p11. (ASÍS Monograph Series)
Referências bibliográficas
CRAWFORD, S. Y., HURD, J. M., WELLER. A. C. From print to electronic: the transformation
of scientific communication. Medford: Information Today, 1996. (ASIS Monograph Series).
GARVEY, W. D. Communication: the essence of science. Oxford: Pergamon Press, 1979.
GARVEY, W. D, GRIFFITH, B. C. Communication and information processing within scientific
disciplines: empirical findings for psychology. Information Storage and Retrieval, v.8., n.3, p.
123-136, 1972.
GROGAN, D. Science and technology: an introduction to the literature. 2nd.ed. London: C.
Bingley, 1992. Cap. 1: The literature, p. 14-19.
HURD, Julie M. Models of scientific communication. In: CRAWFORD, S. Y., HURD, J. M.,
WELLER, A. C. From print to electronic: the transformation of scientific communication.
Medford: Information Today, 996. (ASIS Monograph Series). p. 11
KERLINGER, F. N. Metodologia da pesquisa em ciências sociais: um tratamento conceitual.
São Paulo: EPU/ EDUSP, 1979.
SOLLA PRICE, D. J. Little science, big science. New York: Columbia University Press, 1993.
MEADOWS, A. J. Communication in science. London: Butterworths, 1974.
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ZIMAN, John. Public knowledge: the social dimension of science. London: Cambridge
University Press, 1968.
2 - Organizações como fonte de informação
Bernadete Santos Campello

A palavra organização costuma ser usada com dois significados. O primeiro está ligado à
idéia de método, ordem, sistematização. O segundo refere-se a uma entidade que reúne pessoas
que desenvolvem um trabalho coordenado, estruturado em torno de metas definidas, consistindo
de vários grupos ou subsistemas interrelacionados. É dirigida visando atingir metas
estabelecidas, e as regras para seu funcionamento são determinadas de forma clara e registradas
por escrito. É sob este aspecto que se pretende discutir as organizações neste capítulo.

2.1 Conceito
As organizações têm cada vez mais importância na sociedade contemporânea. Caracterizam-
se como um espaço de ações econômicas no qual se concentram capital, gerência, mão-de-obra e
tecnologia, proporcionando um ambiente de convívio e de interações constantes entre os diversos
atores envolvidos em cada um dos setores acima mencionados, Constituem um ponto de
convergência da sociedade, pois geram empregos, desenvolvem tecnologia e atraem investimentos.
Para sobreviverem devem estar constantemente ligadas a outras organizações e instituições. Por
necessitarem de recursos financeiros para manter seu nível de produção, precisam relacionar-se
com as instituições financeiras e com o mercado de capitais. Para gerar produtos ou serviços
lucrativos (ou que tenham aceitação, no caso de empresas não lucrativas) têm que estar
constantemente atentas às tendências do mercado consumidor e às necessidades de seus
clientes. Como consumidoras de matéria-prima e de serviços, dependem de outras organizações e,
finalmente, dependem também do governo, devendo estar alertas para as políticas públicas e suas
alterações, principalmente no que diz respeito à legislação tributária, trabalhista, de transferência
de tecnologia e de patentes.
O desenvolvimento do capitalismo levou ao aparecimento das grandes empresas
transnacionais que, hoje, com seu poder econômico e sua estrutura extremamente burocratizada,
influenciam governos e ditam políticas. O aparecimento das transnacionais e das multinacionais,
entretanto, não significou o fim das pequenas empresas que têm um papel preponderante nas
economias, principalmente de países periféricos. A característica marcante das pequenas
empresas é a limitação de seus papéis sociais internos que se resumem nos relacionamentos
entre patrão e empregados, muito diferente do que ocorre nas grandes organizações. Nas
pequenas empresas o patrão desempenha várias funções e às vezes chega a ombrear-se com os
empregados na produção, sobretudo se ele próprio foi um artesão ou um operário que por um
grande esforço criou sua própria empresa.
Na grande organização, os papéis tendem a diferenciar-se. Os papéis de proprietário-
acionista, empresário, gerente são exercidos por pessoas diferentes e, além desses, existem os de
especialistas, técnicos, operários qualificados, pessoal de escritório etc. Em conseqüência, os
relacionamentos entre indivíduos e grupos nas grandes organizações tornam-se extremamente
complexos.
Os processos formais que ocorrem numa organização são definidos em função da
racionalização e da eficiência, sendo representados em diversos tipos de documentos, tais como
organogramas, regulamentos e normas internas. Entretanto, existe toda uma gama de
relacionamentos não formais que podem influenciar as formas de acesso à informação nas
organizações. Esse aspecto informal resulta dos processos sociais, dos relacionamentos humanos
e das tendências culturais. As chamadas amizades de escritório costumam ter um papel
importante no desempenho das funções formais, embora não estando, é claro, refletidas no
organograma formal da organização, e podem ter influência decisiva na obtenção de informações
junto a ela.

2.2 As organizações e a informação


As organizações constituem importante fonte de informação. O acesso às informações de
urna organização pode se dar através dos indivíduos a ela ligados ou dos documentos que ela
gera. Algumas organizações, por sua natureza, têm na divulgação de informações sua própria
razão de ser. É o caso da maioria das organizações não lucrativas que produzem uma variedade
de documentos que podem ser facilmente obtidos, muitas vezes gratuitamente. As organizações
que visam o lucro, embora não tornem disponíveis as informações que consideram sigilosas,
costumam divulgar documentos úteis, tais como relatórios, catálogos de produtos e serviços,
house organs e outros.
Uma forma de se ter acesso aos documentos de uma organização é através de sua biblioteca
ou centro de informação. Desse modo, pode-se viabilizar permutas, doações ou aquisição de
materiais da própria organização ou utilizar-se de seus recursos bibliográficos, através do
empréstimo entre bibliotecas.

2.3 Identificação de organizações


Os diretórios são as fontes tradicionais para a identificação de organizações: essas obras
listam os nomes das organizações fornecendo em geral informações tais como endereço, telefone,
fax, e-mail, produtos e serviços, nomes e cargos dos dirigentes e outras do gênero. As listas
telefônicas, com suas Páginas Amarelas, constituem a forma mais primária de diretório, mas
atualmente uma grande variedade de diretórios tem sido publicada, cobrindo organizações de
áreas especificas, com diversas opções de formatos e com informações detalhadas sobre as
organizações que incluem. Como exemplos temos: o Guia dos Museus Brasileiros, publicado em
1997 pela Comissão de Patrimônio Cultural da Universidade de São Paulo (USP); o Guia de
Bibliotecas de Instituições Brasileiras de Ensino Superion produzido pelo Sistema de Bibliotecas e
Informação da Universidade Federal do Rio de janeiro (UFRJ), em disquete.
Existem grandes empresas especializadas na produção de diretórios, atuando na área há
muitos anos, como o Gale Group, a Dunn & Bradstreet e a Europa Publications, que oferecem
seus produtos em várias opções: impressos, em CD-ROM ou online. Essas empresas possuem
enormes bases de dados com informações sobre milhões de organizações e divulgam e tornam
disponíveis seus produtos em sítios na Internet.
Para identificação de diretórios, a fonte mais conhecida é o Directories in Print publicada pelo
Gale Group , que, na sua 17a edição de 1999, reúne dados sobre mais de 15 mil diretórios
científicos, profissionais e comerciais de diferentes áreas, no mundo inteiro, com ênfase para os
Estados Unidos.
A natureza mutante das informações sobre organizações toma, neste caso, a Internet a fonte
mais adequada para buscas. Muitas organizações têm seu próprio sítio, e esta é uma boa opção
para se obter informações sobre organizações que já foram identificadas e que estão presentes na
rede, O importante é verificar a correção das informações, garantida pela data de atualização do
sítio.

2.4 Organizações comerciais


Organizações comerciais são aquelas que trabalham com finalidade de lucro. Podem ser
empresas industriais que fabricam produtos ou organizações que prestam serviços.
Uma fonte tradicional para identificação desse tipo de organização são as Páginas Amarelas
das listas telefônicas que relacionam as empresas pelo produto ou serviço que oferecem,
indicando simplesmente seu endereço e telefone. Fontes mais sofisticadas são as publicações da
Dunn & Bradstreet, empresa multinacional especializada em informação sobre empresas e que
produz uma série de diretórios com a finalidade de atender a diferentes necessidades de
informação. O sítio da Dunn & Bradstreet na Internet  lista seus produtos e serviços e informa
que a base de dados da empresa contém informações sobre mais de 53 milhões de companhias
públicas e privadas do mundo todo.
Informações sobre organizações comerciais brasileiras na Internet podem ser encontradas
em sítios tais como o Brazilian Business Connection , produzido pelo Grupo Quattro Digital
Media, que tem como objetivo informar sobre a presença de empresas brasileiras na Internet.

2.5 Organizações educacionais e de pesquisa


Universidades, centros ou institutos de pesquisa, bibliotecas, arquivos, museus e academias
podem ser excelentes fontes de informação, pois produzem um grande volume de documentos
técnicos em suas especialidades (ver, por exemplo, o Capítulo 9: Teses e Dissertações).
A fonte mais tradicional para a identificação dessas organizações é o diretório The World of
Learning, editado anualmente desde 1950 pela Europa Publications , tendo atingido em 1999
sua 49a edição. Tem cobertura mundial e é organizado por país, contendo um índice de
organizações. A editora americana Gale tem também uma longa tradição na publicação de
diretórios e produz alguns dos mais conhecidos, como, por exemplo, o Associations Unlimited,

12
disponível online e que dá informações sobre cerca de quinhentas mil organizações não lucrativas
no mundo inteiro.
No Brasil, o Anuário Brasileiro de Educação, publicado em disquete em 1999, contém
informações sobre cerca de mil instituições brasileiras de ensino superior.
A identificação de organizações educacionais e de pesquisa brasileiras via Internet pode ser
feita através do Prossiga, que constitui uma boa fonte para essas organizações, apresentando
diretórios como, por exemplo, Universidades e Programas de Pós-Graduação e Institutos de
Pesquisa, Centros, Fundações e Laboratórios de P & De do Universities.com , sítio que inclui links
para home pages de milhares de universidades e escolas do mundo todo.

2.6 Organizações governamentais


As organizações ligadas ao governo em todos os níveis costumam publicar muitos
documentos de interesse do cidadão. O papel dessas organizações como produtoras de informação
será estudado no Capítulo 8: Publicações Governamentais.

2.7 Organizações profissionais e sociedades científicas


As organizações profissionais são criadas com a finalidade de estimular o aperfeiçoamento
de determinada classe profissional. São mantidas através de contribuições dos sócios e não têm
fins lucrativos, embora costumem cobrar pelos produtos que oferecem, que consistem geralmente
de documentos resultantes de eventos que organizam.
As sociedades científicas têm uma característica que as distingue das associações
profissionais, que é o fato de seu foco de interesse ser normalmente uma área do conhecimento e
não uma classe profissional. Têm origem no século XII, quando a comunicação científica passou a
ter importância fundamental no desenvolvimento da ciência, O principal veículo para essa
comunicação eram as sociedades científicas, cujos membros se reuniam periodicamente para
discutir os resultados de suas pesquisas, estabelecer contatos, trocar idéias. Muitas sociedades
estabeleceram programas de publicações editando periódicos especializados e anais dos encontros
que realizavam, O papel das sociedades científicas continua basicamente o mesmo e, atualmente,
além das atividades já mencionadas, elas são as interlocutoras das comunidades científicas que
representam junto às agências financiadoras de pesquisa.
Na identificação de associações profissionais e de sociedades científicas pode-se utilizar o
diretório The World of Learning, já mencionado, que cobre também essas organizações em âmbito
mundial, além do Research Centers and Services Directories, produzido pela conhecida editora
Gale e que lista aproximadamente 30 mil organizações de pesquisa governamentais, acadêmicas e
independentes não lucrativas. Na Internet encontram-se inúmeros sítios que possibilitam sua
identificação. Scientific Organizations and Associations  e Scientific Societies  são alguns
exemplos. Para entidades brasileiras pode-se consultar o sítio Sociedades e Associações
Científicas e Tecnológicas, através da home page do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência
e Tecnologia (IBICT)  e do Universities.com  que inclui links para sítios de universidades do
mundo inteiro.

2.8 Organizações internacionais


Muitas organizações internacionais foram criadas para promover a colaboração entre os
Estados membros, eliminando conflitos e estabelecendo esquemas de cooperação entre eles. São
organizações intergovernamentais baseadas em acordos ou tratados formais, firmados entre os
governos dos países membros. Constituem importante instrumento de relações internacionais e
atuam em diferentes setores. A Organização das Nações Unidas (ONU)  é a maior e mais
conhecida dessas organizações. Surgiu em 1945, substituindo a Liga das Nações, com o objetivo
de resolver pacificamente as questões internacionais e de promover o desenvolvimento econômico
e social dos povos. É formada por inúmeras agências que cobrem os mais variados assuntos,
incluindo, entre outros, alimentação (Food and Agriculture Organization, FAO), saúde
(Organização Mundial da Saúde, OMS), educação e cultura (Organização das Nações Unidas para
a Educação, Ciência e Cultura, UNESCO).
Outra categoria de organização internacional é aquela que congrega pessoas e entidades
particulares de vários países, sendo mantidas por contribuições de seus associados, com a
finalidade de promover atividades em determinado setor cujos interesses extrapolam as fronteiras
de um país. É o caso da Organização Internacional de Normalização (ISO) , que desenvolve

13
atividades de normalização técnica que vão afetar todas as nações industrializadas e em processo
de industrialização. Outro exemplo é a Federação Internacional de Associações e Instituições
Bibliotecárias (IFLA) , que congrega pessoas e associações do mundo inteiro interessadas no
aperfeiçoamento das bibliotecas e das questões da biblioteconomia.
As organizações internacionais constituem fontes de informação importantes, dada a
variedade de suas atividades que cobrem os mais diversos assuntos e a quantidade de materiais
que publicam. É difícil calcular a quantidade de documentos publicados pelas organizações
internacionais, mas sabe-se que eles são produzidos em grande número, resultantes das
atividades típicas dessas organizações, ou seja, estudos, encontros, conferências, pesquisas,
trabalhos de campo, dentre outros. Essa documentação é produzida para agilizar a participação
dos membros, sejam eles governos ou indivíduos no trabalho da organização. O uso dessa
documentação por pessoas não pertencentes à instituição não está previsto. Assim, o
conhecimento da estrutura e das atividades das organizações internacionais é fundamental para
quem deseja obter seus documentos. Analisando documentos das organizações
intergovernamentais, WILLIAMS (1989) observa que, devido à diversidade do seu tamanho e a
abrangência de suas responsabilidades, a natureza e a qualidade dos documentos que essas
organizações geram também são bastante diversificadas. O autor identifica os seguintes tipos de
documentos e sistema de informação das organizações intergovernamentais:
• publicações para distribuição externa
São documentos disponíveis para venda ou para distribuição gratuita ao público externo.
Podem variar em formato e em número de cópias e serem adquiridos na própria organização ou
em distribuidores autorizados. Esses documentos podem, inclusive, ser publicados por editoras
comerciais privadas;
• documentos internos
São geralmente acessíveis apenas aos funcionários e aos governos membros da organização.
Podem estar listados em bibliografias, catálogos ou índices publicados pela organização, com
indicações tais como distribuição limitada, restrito ou para uso interno. Pessoas interessadas
nesse tipo de documento podem contatar diretamente o setor que o produziu ou o representante
do seu governo naquela organização;
• documentos de arquivo
São quaisquer documentos produzidos pela organização, mantidos permanentemente nos
seus arquivos, para fins administrativos ou históricos, O acesso a esses documentos depende de
critérios estabelecidos pela organização;
• bibliotecas/centros de informação
Quase todas as organizações internacionais mantêm bibliotecas ou centros de informação, e
seus serviços estão, geralmente, disponíveis ao público externo. A biblioteca da ONU, em Nova
Iorque, por exemplo, fornece uma série de serviços aos usuários externos, além de elaborar
índices e outros instrumentos bibliográficos para acesso à documentação da organização;
• redes de informação
A abrangência de suas atividades, bem como o grande volume de material sobre assuntos
de seus interesses, tem levado algumas organizações intergovernamentais a criar redes
sofisticadas de informação. Esses sistemas — algumas vezes em cooperação com outras
organizações — colecionam, resumem, indexam e disseminam informações sobre os assuntos de
interesse da organização e são de grande utilidade para a comunidade científica. Um exemplo
desses sistemas é o International Nuclear Information System (INIS) da International Atomic
Energy Agency (IAEA).
Essas categorias de documentos e recursos informacionais são, de maneira geral, comuns
às organizações internacionais, embora possam variar em termos de acessibilidade de uma
organização para a outra.
A entidade que congrega as organizações internacionais, a Union of International
Associations (UIA), publica, já há algum tempo, o Yearbook of international Organizations, já na
34a edição em 1997. O sítio da UIA  na Internet contém links para um número enorme de
organizações internacionais, facilitando sua identificação e proporcionando o acesso a
informações sobre as mesmas. Nos sítios dessas organizações é possível encontrar as últimas
novidades sobre suas atividades (eventos, programas, serviços de informação, publicações, quadro
de associados etc.), além de links para sítios de outras organizações e documentos muitas vezes
em texto completo que podem ser de grande interesse.

14
2.9 As ONGs
Organização Não Governamental ou ONG é o termo usado internacionalmente para designar
organizações que realizam trabalhos voltados para o bem público, sem ligação com o Estado e
sem compromisso com as políticas oficiais. O termo foi criado na década de 40 pela ONU que
reconheceu a importância dessas organizações como representantes da sociedade civil
participativa.
Embora a concepção original da ONG suponha sua independência política, muitas delas
têm ligações com os governos de seus países (como é o caso das ONGs na Suécia, que são
financiadas pelo Estado) e com organizações internacionais (isto acontece com algumas que
mantêm relações oficiais com a ONU, atuando como membros do seu Conselho Econômico e
Social e servindo como poda-vozes de outras).
As ONGs surgiram no bojo dos movimentos sociais que buscavam o reconhecimento dos
direitos de setores excluídos ou discriminados. A questão ecológica, em evidência a partir do início
da década de 90. também se constituiu num propulsor para a criação de ONGs.
No Brasil, as primeiras ONGs surgiram na década de 60 como uma reação ao regime
militar, voltadas para a defesa de presos políticos e para a anistia de exilados. A busca do
reconhecimento dos direitos à saúde, educação, moradia etc. dos setores sociais excluídos foi o
fator que levou ao aparecimento de muitas hoje atuantes. Aquelas dedicadas às causas ecológicas
também existem em grande número, Das cinco mil que se estimavam haver no País, na década de
90, cerca de 40% eram voltadas a questões ecológicas.
A democratização da sociedade brasileira na década de 90 reforça o papel das ONGs como
promotoras da cidadania e sua busca de articulação com outras instituições que lutam por uma
sociedade democrática, ampliando o espaço das pessoas que, cada vez mais, têm interesse em
participar das soluções dos problemas coletivos.
A identificação de ONGs pode ser feita nas mesmas fontes utilizadas para identificar
organizações internacionais, pois muitas delas atuam nesse nível. As brasileiras se congregam em
torno da Associação Brasileira de ONGs (ABQNG) e podem ser identificadas a partir de sítios
mantidos por determinadas ONGs na Internet, que fazem links para organizações congêneres. É o
caso do OCARA , sítio que promove o intercâmbio de informações e experiências entre ONGs,
associações e movimentos populares, indicando links para várias das organizações brasileiras.

Referências bibliográficas
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Revista do Serviço Público, v. 18, n.3, p97- 100, 1994,
FERREIRÁ, Meireluce da Silva, MUSSI, Raimundo Nonato Fialho. Organismos internacionais para
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KOMOROWSKI, Walter J. An analysis of United Nations serial publishing patterns and practices.
The Seriais Librarian, v. 16, n. 1/2, p.2O5-223, 989.
MONTALLI, Kátia Maria Lemos, CAMPELLO, Bernadete Santos. Fontes de informação sobre
companhias e produtos industriais: uma revisão de literatura. Ciência da Informação, v.26, n.3,
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Getúlio Vargas, 986. p. 848-85O.
WILLIAMS, Robert V. Using the information resources of the global village: the information
systems of international intergovemmental organizations. Special Libraries, v.80, n. 1, p. 1-8,
1989.

15
3 - Pesquisas em andamento
Bernadete Santos Campello

O ritmo acelerado em que as mudanças científicas e tecnológicas ocorrem atualmente faz


com que muitos dos resultados de pesquisa divulgados nos canais formais de comunicação
(periódicos e livros, principalmente) já estejam ultrapassados quando são publicados. Isso é mais
evidente ainda no que se refere à tecnologia e desenvolvimento industrial, quando o produto
desenvolvido hoje torna-se obsoleto amanhã.
A morosidade de publicação do periódico científico, que é ainda o principal veículo de
divulgação da pesquisa em muitas áreas do conhecimento, tem levado ao aparecimento de formas
alternativas de divulgação, sendo a mais recente delas a publicação eletrônica (ver Capítulo 5: O
Periódico Científico). A comunicação entre pesquisadores, através de correio eletrônico e de listas
de discussão, via Internet, também vem possibilitando uma maior rapidez no processo de
divulgação da ciência (ver Capítulo 4: Encontros Científicos).
Outras tentativas, que têm contribuído para agilizar o processo formal de comunicação
científica, incluem o lançamento de revistas destinadas exclusivamente à publicação de
resultados parciais de pesquisas e o uso de relatórios técnicos como veículo de relatos de
pesquisa. No entanto, o ritmo em que a ciência e a tecnologia têm evoluído exige mais do que a
agilização dos meios de comunicação formais, pressionando os pesquisadores a tomar
conhecimento do que está sendo pesquisado antes que os resultados atinjam a fase de divulgação
formal, ou seja, há uma demanda crescente por informações sobre pesquisas em andamento.
Embora em algumas circunstâncias seja necessária a realização de pesquisas sobre um
mesmo tema por vários cientistas, como no caso das investigações sobre AIDS, a maioria dos
pesquisadores deseja empreender trabalhos inéditos e originais. Isto ocorre principalmente na
área acadêmica, onde o candidato à obtenção do grau de doutor é obrigado a desenvolver
pesquisa original como requisito à obtenção do título.
Há também uma grande preocupação por parte dos órgãos financiadores da pesquisa em
divulgar amplamente os trabalhos que estão financiando, de maneira a evitar pesquisas
desnecessariamente repetitivas, aproveitando melhor os recursos financeiros, geralmente
escassos.

3.1 Fontes para identificação


A forma mais comum pela qual um pesquisador toma conhecimento das pesquisas que seus
colegas estão realizando é através do contato pessoal. Essa prática ocorre com intensidade na
vida de cientistas, que mantêm conversas freqüentes com colegas da mesma área, através de
telefonemas ou correio eletrônico, por ocasião da realização de eventos como congressos ou
seminários, ou quando se reúnem em bancas de avaliação de teses e dissertações e de concursos
docentes. Entretanto, para a maioria dos pesquisadores é necessário recorrer a fontes formais,
uma vez que as oportunidades de contato pessoal com seus pares podem ser restritas.
Instituições, tais como universidades, institutos e centros de pesquisa e desenvolvimento
geralmente divulgam os trabalhos que estão sendo realizados por suas equipes através de suas
próprias publicações: boletins, revistas, jornais ou mesmo listas elaboradas especialmente para
dar conhecimento de sua produção científica. Mas essas iniciativas têm utilidade bastante
limitada por fornecer informações dispersas e fragmentadas. A natureza passageira desse tipo de
informação, que exige atualização constante, sempre foi um empecilho para que as fontes
impressas se constituíssem em instrumentos adequados para identificação de pesquisas em
andamento. Nesse sentido, a Internet provocou um grande impacto na área científica, ao
possibilitar a divulgação dessas pesquisas em dois níveis: através do correio eletrônico, facilita os
contatos pessoais entre pesquisadores e, através das listas de discussão, dos sítios de instituições
de pesquisa e de serviços específicos para este fim, possibilita o acesso formal aos dados que têm
uma atualização mais garantida.
As entidades financiadoras de pesquisa, geralmente órgãos governamentais ou fundações,
têm interesse em divulgar informações sobre as pesquisas que financiam (não os resultados
propriamente ditos) e mantêm bases de dados que constituem urna excelente fonte para
identificação de pesquisas em andamento. A Federal Research in Progress Database (FEDRIP) é
um exemplo. Mantida pelo governo americano e disponível através de provedores comerciais, é
uma enorme base de dados sobre projetos financiados pelo governo federal dos Estados Unidos,
incluindo título do projeto, data de início da pesquisa, data provável do término, pesquisador
principal, instituição onde se realiza a pesquisa, resumo da pesquisa e relatório do seu
andamento (esses dados podem variar, dependendo da origem da informação). A FEDRIP
substituiu em parte a função exercida pela Smithsonian Scientific Information Exchange (SSIE),
serviço especializado em divulgar pesquisas em andamento e que funcionou desde 1949,
incluindo, inicialmente, apenas pesquisas desenvolvidas na área de medicina. Atualmente, a
FEDRIP cobre as áreas de ciências físicas, engenharia e ciências da vida. É um serviço que é
cobrado e pode ser obtido através do National Technical Information Service (NTIS) .
Existem bases de dados que cobrem determinado assunto, como, por exemplo, a
BiOtechnical REsearch Projects in the European Community (BIOREP) e a AGricutural REsearch
Projects in the European Community (AGREP); como seus próprios nomes indicam, abrangem
projetos no âmbito da União Européia. Universidades e centros de pesquisa costumam manter
listas de pesquisas em andamento. Essas listas encontram-se dispersas na Internet e são úteis
apenas quando o usuário já identificou as instituições que deseja consultar; para buscas por
assunto elas são bastante inadequadas. Outra opção para identificação de pesquisas em
andamento são os diretórios de pesquisadores. Há na Internet um sítio que reúne esses diretórios:
o Directories of Scientists on the WWW from Micro World . Nesse caso a busca é feita pelo nome
do pesquisador, sendo necessário identificá-lo para fazer contato e, então, obter dados sobre seu
projeto.
No Brasil, a fonte mais abrangente é o Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil , criado
pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em 1992. As
informações a respeito estão disponíveis gratuitamente na Internet através do Prossiga  e
incluem o nome do grupo, pesquisadores participantes, linhas de pesquisas em andamento,
produção científica e tecnológica e publicações. O Diretório representa a nova filosofia de
divulgação de dados do CNPq, que passa a trabalhar não mais com base nos projetos de pesquisa,
mas nos grupos de pesquisadores existentes em universidades, instituições isoladas de ensino
superior, institutos de pesquisa científica e tecnológica, laboratórios e organizações não
governamentais com atuação em pesquisa. Os dados são fornecidos pelas próprias instituições de
pesquisa através de levantamentos realizados a cada dois anos.
O esforço do CNPq em sistematizar e divulgar dados de pesquisas em andamento teve início
em 1968, com a publicação Pesquisas em Processo no Brasil, que teve mais duas edições, em
1969 e 1970. Em 1976, foi criado o Sistema em Linha de Acompanhamento de Projetos (SELAP)
com a finalidade de acompanhar programas, projetos e outras atividades do II Plano Básico de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico. O SELAP, projetado para constituir um sistema de
informações para gerência de atividades em ciência e tecnologia, era também uma fonte de
informações para pesquisas em andamento, mas as dificuldades relacionadas à coleta de dados e
à atualização das publicações levou à sua desativação.
Alguns periódicos especializados costumam apresentar notícias de pesquisas em andamento
em suas seções de notas prévias. Existem também periódicos dedicados exclusivamente à
publicação de resultados parciais de pesquisas: são os chamados letters journals (ver Capítulo 5:
O Periódico Científico). Essas publicações surgiram especificamente para atender à necessidade
que os pesquisadores têm de garantir a prioridade de suas descobertas e idéias — o que só ocorre
a partir do momento em que essa descoberta é divulgada—, mas podem ser uma fonte importante
para identificação de pesquisas em andamento. Durante algum tempo, esse tipo de periódico
gerou polêmica entre os pesquisadores: muitos consideravam que a pesquisa só deveria ser
divulgada após ter sido finalizada e que os resultados deveriam ser publicados como relatos
completos, avaliados pelas comissões editoriais dos periódicos aos quais fossem submetidos. A
crítica feita aos letters journals baseava-se no argumento de que a avaliação dos resultados
parciais não seria suficiente para garantir a qualidade e a seriedade da pesquisa. As críticas,
entretanto, não foram suficientes para evitar o aparecimento de tais publicações e, atualmente,
existe um número significativo delas em todas as áreas do conhecimento, principalmente
naquelas em que a publicação é a garantia de prioridade da idéia. Exemplos desse tipo de
publicação são Letters in Mathematical Physics e Materials Letters.

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17
4 - Encontros científicos
Bernadete Santos Campello

A pesquisa científica é um processo complexo, e durante sua execução o pesquisador


assume diversas funções: a de líder de equipe, a de captador de recursos, a de comunicador,
dentre outras. A função de comunicador é de fundamental importância nesse processo, pois o
pesquisador precisa estar constantemente atualizado em relação aos avanços de sua área,
inteirando-se do que outros cientistas estão fazendo e, por outro lado, mostrando o que ele
próprio está realizando, como forma de ter seu trabalho avaliado pelos seus pares e de garantir a
prioridade de suas descobertas.

4.1 Contatos pessoais e eletrônicos


O processo de comunicação científica tem sido objeto de inúmeros estudos que abordam
tanto a comunicação formal, que ocorre através da literatura, quanto a comunicação que acontece
informalmente, por meio de contatos pessoais. Esses estudos indicam que os contatos pessoais
individuais — face a face, por correspondência, telefone e, hoje, cada vez mais freqüentemente,
através de correio eletrônico — são comuns no processo de comunicação e ocorrem sempre entre
os membros de determinada comunidade científica.
Outra possibilidade de contatos pessoais entre pesquisadores são os encontros ou eventos
que reúnem, em um único local, número significativo de membros de uma comunidade científica,
ampliando a comunicação pessoal, na medida em que permitem troca de informações de maneira
intensa, envolvendo maior número de pessoas.
A grande quantidade de eventos de caráter científico que ocorrem atualmente em todas as
áreas do conhecimento mostra que o encontro pessoal ainda é uma forma de comunicação que
muito agrada aos cientistas e pesquisadores. Mesmo com as novas possibilidades trazidas pela
tecnologia, como, por exemplo, as teleconferências e as listas de discussão via correio eletrônico,
que permitem a comunicação rápida e a baixo custo, os encontros continuam a ocorrer com
freqüência, reunindo os membros de uma comunidade científica e/ou técnica para exporem e
discutirem seus trabalhos, envolvendo-os num processo de avaliação que constitui o cerne da
atividade de pesquisa.
A apresentação de trabalhos em encontros constitui a oportunidade que o pesquisador tem
de ver seu trabalho avaliado pelos pares ou colegas, de forma mais ampla, diferentemente do que
ocorre, por exemplo, quando submete um artigo a um periódico científico que é avaliado por uma
comissão editorial composta por um número restrito de membros e que, normalmente, demora
meses para completar o trabalho de julgamento. A apresentação oral do trabalho no encontro tem
a vantagem de possibilitar que críticas e sugestões sejam feitas na hora, de forma a permitir uma
retroalimentação instantânea, podendo envolver vários pontos de vista. A possibilidade de se
comunicar pessoalmente com seus pares é de fundamental importância para o cientista,
constituindo uma das maiores motivações para seu comparecimento a eventos, e a
impossibilidade de participar pode trazer uma sensação de isolamento e frustração.
Esse processo tradicional de comunicação científica poderá, aos poucos, ser substituído
pelos encontros eletrônicos possibilitados pela tecnologia de redes. Em primeiro lugar, sabe-se
que o volume de comunicação via listas de discussão na Internet esta aumentando
significativamente no âmbito da ciência. Algumas vantagens desse tipo de comunicação já são
visíveis e podem ser assim resumidas: possibilidade de acesso informal a um número enorme de
informações, interação facilitada e rápida com os pares, permitindo compartilhar idéias, obter
uma variedade de sugestões e críticas e oportunidade de descobrir pesquisadores com os mesmos
interesses. Além disso, existem outras vantagens da chamada comunicação mediada por
computador (computer mediated communication) sobre os meios tradicionais de comunicação: o
receptor não precisa estar no local na hora em que a mensagem está sendo transmitida, e essa
pode ser transmitida a qualquer hora, independentemente de fuso horário; não há o domínio da
discussão por um número pequeno de indivíduos, tendo todos os participantes, até os mais
tímidos, a mesma oportunidade de expor suas idéias; há o nivelamento dos participantes em
termos de titulação, pois a única identificação usada é o nome da instituição; e, finalmente, há
tempo suficiente para preparar os comentários.
O processo de participação em listas de discussão, via correio eletrônico, é parecido com o
que ocorre em encontros pessoais: sendo a utilização da linguagem cada vez mais informal nesse
meio, a comunicação assemelha-se à apresentação de um trabalho em evento; é um meio de
comunicação escrita que reproduz a espontaneidade e a flexibilidade da conversação verbal. Essa
informalidade, embora benéfica no sentido de facilitar e agilizar a comunicação, traz problemas no
que diz respeito às citações, que constituem um mecanismo essencial no processo de criação
científica e que não podem ser ignoradas. Nas listas de discussão, as citações ao material
existente na própria rede carecem de maior normalização por estarem ainda incipientes as
tentativas de padronização, e as citações ao material bibliográfico tradicional (periódicos, livros
etc.) são falhas, dificultando a recuperação.
Há uma política de auto-regulação que previne falhas nas discussões, tais como afastar-se
do tópico do debate, fazer comentários de natureza pessoal e chamar atenção utilizando-se de
recursos como pontos de exclamação ou maiúsculas. De qualquer forma, o papel do mediador ou
dono da lista é o de intervir para evitar estes problemas, podendo tomar conhecimento das
mensagens antes de divulgá-las. Não há preocupação em fazer a síntese da discussão, e isso
também aproxima a lista de discussão da comunicação verbal. Tudo indica que o correio
eletrônico não precisa ficar limitado à troca de informações curtas e factuais: sabe-se que ele tem
o potencial para veicular a troca de idéias mais elaboradas e mensagens longas. A recuperação
das informações contidas nas listas é o ponto menos discutido; se a comunicação através do
correio eletrônico vier a substituir alguns dos registros formais do conhecimento, transformando-
se em uma forma definitiva de registro, deve-se pensar em meios de recuperá-los de forma rápida
e segura.
Essas características da comunicação eletrônica levam à conclusão de que, a partir do
momento em que a tecnologia estiver disponível a um maior número de pesquisadores, essa forma
de comunicação passará a ser cada vez mais utilizada.

4.2 Eventos científicos


Existem vários tipos de encontros científicos, cuja denominação varia em função de sua
abrangência e de seus objetivos. Alguns encontros voltam-se exclusivamente para a comunicação
de pesquisas e reúnem uma audiência empenhada em discutir avanços de seu campo de
conhecimento, sendo, normalmente. organizados pelas associações científicas. Outros congregam
participantes voltados para a prática profissional e são organizados pelas entidades profissionais.
Em cada um desses casos, a organização e os trabalhos apresentados têm características
distintas. De maneira geral, os encontros apresentam uma estrutura semelhante, que pode variar
de acordo com o tamanho do evento.
O congresso é um evento de grandes proporções, de âmbito nacional ou internacional, que
dura normalmente uma semana e reúne participantes de uma comunidade científica ou
profissional ampla. Hoje, praticamente todas as áreas do conhecimento realizam, através de suas
sociedades e associações, pelo menos um congresso de âmbito nacional ou internacional, que
ocorre a intervalos de dois ou mais anos. Um exemplo é o Congresso Brasileiro de Biblioteconomia
e Documentação, que vem se realizando desde 1954 a intervalos relativamente regulares,
reunindo grande número de participantes; o mais recente ocorreu em 1997.
As atividades que compõem o congresso são as mais variadas e incluem conferências,
palestras, painéis, mesas redondas e outras. As conferências são um tipo formal de apresentação,
feitas por convidados especiais, geralmente uma figura de destaque na área. Podem fazer parte de
uma sessão solene de abertura ou encerramento do congresso. As palestras, feitas também por
pessoas convidadas, são apresentações formais e diferem da conferência apenas por permitirem o
debate do palestrante com a platéia. São chamadas de plenárias, por reunirem todos os
participantes do evento. As mesas redondas e os painéis também são atividades que ocorrem
durante os congressos, consistindo na apresentação, por um número restrito de pesquisadores
convidados (geralmente quatro ou cinco), de um tema comum que, ao final, é debatido com a
platéia. Essas atividades compõem o conjunto de sessões de temas oficiais, apresentadas por
pesquisadores de renome, convidados pelos organizadores do evento.
As sessões de temas livres são a alma do congresso; é o momento em que os participantes,
geralmente divididos em grupos de interesse, apresentam os resultados de suas pesquisas para
serem discutidos. Os trabalhos apresentados nas sessões livres são submetidos antecipadamente
pelos autores à comissão organizadora e julgados por uma comissão científica ou técnica. A
aceitação do trabalho dá ao autor o direito de apresentá-lo nas sessões livres. Geralmente a
participação de um pesquisador em um congresso só é possível se ele tem seu trabalho aceito, já
que é condição essencial para que as agências financiadoras forneçam-lhe os recursos
financeiros. Dados os elevados custos de participação, não é comum que pesquisadores
compareçam por conta própria, principalmente os que estão em início de carreira.
Muitos organizadores aproveitam a oportunidade para oferecer cursos de curta duração que
podem ocorrer como atividades pré ou pós-congresso e, em alguns casos, paralelamente ao
evento. Venda de publicações especializadas, exposição de equipamentos, apresentação de filmes

19
científicos e técnicos e demonstrações as mais variadas ocorrem paralelamente ao evento e
podem, muitas vezes, desviar o participante do objetivo principal mas, ao mesmo tempo,
constituem excelente oportunidade de atualização.
Simpósio, jornada, seminário, colóquio, fórum, reunião, encontro são denominações dadas a
eventos científicos de âmbito menor que o do congresso, tanto em termos de duração, quanto de
número de participantes, cobrindo campos de conhecimento mais especializados. Algumas
exceções ocorrem no uso dessa terminologia: a Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o
Progresso da Ciência (SBPC), por exemplo, é um evento de grandes proporções, que reúne
milhares de pesquisadores, especialistas e estudantes de todas as áreas científicas.
A programação de um evento tem início muito tempo antes de sua realização, e a escolha do
próximo local é feita geralmente durante a sessão de encerramento, em assembléia com a
presença de todos os participantes. A divulgação começa com a chamada de trabalhos (call for
papers), através de diversos meios de comunicação, e consiste em convite aos pesquisadores para
submeterem seus trabalhos, na descrição dos temas a serem abordados, bem como nas
instruções para apresentação do texto. Com base nisso, os pesquisadores preparam e enviam
seus trabalhos e iniciam os procedimentos a fim de obter recursos para sua participação junto
aos órgãos de fomento à pesquisa.

4.3 Funções dos encontros científicos


Os encontros científicos têm sido bastante estudados por pesquisadores interessados em
definir melhor o seu papel no contexto da comunicação científica. Os resultados desses estudos,
que vêm sendo realizados no âmbito das mais variadas disciplinas, mostram que os eventos
podem desempenhar diversas funções:
• encontros como forma de aperfeiçoamento de trabalhos
Várias pesquisas mostram que cerca de metade dos trabalhos apresentados em encontros
científicos foi modificada substancialmente após a apresentação, tendo em vista as sugestões
feitas pelos participantes durante as sessões. Isso indica que o encontro desempenha um papel de
aperfeiçoamento, contribuindo para melhorar a qualidade dos trabalhos;
• encontros como reflexo do estado-da-arte
Embora essa função tenha sido pouco estudada, há evidências de que o encontro, através
dos painéis ou do conjunto das próprias apresentações, pode funcionar como uma oportunidade
de se traçar o estado-da-arte de determinada área, permitindo examinar tendências e
perspectivas, já que reúne um volume significativo de informações que normalmente aparecem
dispersas em periódicos diversos, ao longo do tempo. O conjunto dos trabalhos apresentados,
mais os relatos dos painéis ocorridos durante o encontro, podem refletir o panorama da área e o
perfil dos seus membros;
• encontros como forma de comunicação informal
Os eventos oferecem aos participantes a oportunidade de se comunicarem pessoalmente
com seus pares, de maneira informal: a troca de informações sobre projetos, o planejamento de
trabalhos conjuntos, a oportunidade de novos pesquisadores conhecerem os membros mais
antigos e inúmeras outras interações ocorrem nos eventos, ilustrando o papel que os contatos
pessoais desempenham no processo de comunicação científica. As chamadas conversas de
corredor constituem para muitos pesquisadores a parte mais importante do encontro.

4.4 Fontes para identificação de encontros científicos


A maioria dos eventos científicos é bem divulgada, pois seu sucesso depende
fundamentalmente do número de participantes que consegue atrair, embora haja alguns
encontros de âmbito restrito, com divulgação precária, sendo difícil obter informações sobre os
mesmos.
A divulgação é feita através de mala direta aos participantes em potencial, de boletins de
entidades científicas e técnicas, de publicações especializadas, de sítios de instituições
promotoras e listas de discussão na Internet e, dependendo do tipo de evento, da imprensa em
geral. já que os interessados precisam tomar conhecimento da realização do evento com bastante
antecedência, de modo a poder preparar adequadamente suas apresentações e buscar
financiamento que viabilize sua participação, os organizadores procuram atingir esse público logo
que o encontro começa a ser planejado.
Algumas instituições reúnem e sistematizam informações sobre eventos, de forma a facilitar
sua identificação. No Brasil, o IBICT tem trabalhado nesse sentido e vem divulgando
sistematicamente eventos brasileiros desde 1978, quando publicou a Lista de Reuniões Técnico-

20
Científicas Realizadas no Brasil. A publicação evoluiu e consolidou-se no Calendário de Eventos
em Ciência e Tecnologia, que vem sendo editado regularmente em forma impressa; atualmente
pode também ser consultado na Internet, no sítio da instituição. Lista todo tipo de evento de
interesse para pesquisadores e para a indústria, no âmbito do Brasil e do Mercosul (Mercado
Comum do Cone Sul). Outra fonte que sistematiza informações sobre eventos é o Prossiga, que
permite a identificação de eventos estrangeiros, apresentando informações sobre uma variedade
de encontros de todas as áreas.
Listas por assunto também estão disponíveis na Internet como, por exemplo, a Base de
Dados de Eventos em C&T: Qualidade e Produtividade  — e a TMS Wodd Heetings Calendar ,
que toma disponíveis informações sobre eventos na área de engenharia e ciência dos materiais e
outras. Dada a transitoriedade desse tipo de informação, a Internet é, sem dúvida, o meio ideal
para sua identificação, e aí as listas de discussão são as fontes mais úteis por sua agilidade e
atualidade.

4.5 A literatura originada de encontros científicos


Os documentos gerados em encontros científicos podem aparecer antes, durante ou depois
do evento, e sua natureza varia, dependendo da área de conhecimento. São publicados
comumente na forma de anais, reunindo o conjunto dos trabalhos apresentados e, às vezes,
também as palestras e conferências que ocorreram durante o evento.

4.5.1 Forma dos anais


Os anais aparecem numa variedade de formas que vão desde a publicação feita pela própria
instituição organizadora1, até a publicação por editoras comerciais profissionais, caso em que o
produto se apresenta na forma de volumes de excelente qualidade editorial. No primeiro caso
(publicação feita pela própria entidade que organiza o evento), a tiragem costuma ser pequena,
pois a distribuição é restrita aos inscritos (geralmente a taxa de inscrição dá direito ao
recebimento dos anais) e, portanto, sem divulgação ampla. A normalização pode ser deficiente,
apresentando falhas nos dados bibliográficos essenciais para a identificação do documento, tais
como data, local de publicação ou entidade organizadora, o que pode trazer dificuldades para
tratamento e recuperação dos anais em serviços bibliográficos e bibliotecas. Caracterizam-se,
portanto, como uma forma típica de literatura cinzenta, apresentando os problemas disto
decorrentes (ver Capítulo 6: Literatura Cinzenta).
Hoje em dia, com as possibilidades da editoração eletrônica, a publicação de anais ficou
facilitada e não mais ocorrem os atrasos de publicação que eram comuns anteriormente; em
muitos casos o participante recebe os anais durante a realização do encontro. Essa agilidade é
possível quando a impressão é feita diretamente dos originais dos próprios autores, enviados em
disquete, eliminando-se a etapa da editoração; nesse caso, a comissão organizadora define
normas bem detalhadas para a digitação dos textos, de forma a garantir um formato final
previamente padronizado.
A publicação de anais por editoras comerciais e sua distribuição através dos canais normais
de venda (livrarias e distribuidoras) não ocorre com freqüência no Brasil. Essa prática é mais
comum em países adiantados, que contam com um mercado consumidor de informação mais
amplo e consolidado. Nesse caso, a forma física dos anais não difere da de um livro formalmente
editado, e a informação sobre o fato de que aquela publicação é composta de trabalhos
apresentados em determinado evento aparece normalmente na folha de rosto.
Pode ocorrer também o caso de anais publicados em periódicos. Isso acontece quando a
entidade organizadora é responsável por alguma publicação periódica e decide incorporar, em um
fascículo normal ou em um suplemento especial da revista, os anais do evento. Essa prática pode
facilitar a divulgação mas, ao mesmo tempo, acarretar problemas de aquisição para os não-
assinantes da revista que tenham interesse em obter os anais.

4.5.2 Natureza dos anais


Em algumas áreas do conhecimento, os trabalhos apresentados em encontros científicos
têm sido considerados como uma forma intermediária de documento, sucedendo os estágios mais
informais do processo de comunicação científica — correspondência, anotações de laboratório,
cartas ao editor etc. — e precedendo a fase de formalização final, que é o artigo de periódico.
Nesse modelo evolucionário da literatura científica, considera-se que todos os trabalhos
apresentados em encontros irão, mais cedo ou mais tarde, transformar-se em artigos a serem

1 Isso ocorre quando o financiamento concedido pela agência financiadora do evento inclui a publicação dos anais.

21
publicados em periódicos científicos, devendo, portanto, ser vistos como documentos provisórios
que serão substituídos pelos permanentes (artigos de periódicos). Entretanto, em outras áreas, os
anais são a única forma de disseminação desses trabalhos.
O anais podem conter os resumos ou os trabalhos na íntegra, dependendo do objetivo do
encontro, bem como da disponibilidade de recursos financeiros para sua publicação, e isso varia
em cada área do conhecimento. Pesquisa recente (MELLO, 1996) mostra, por exemplo, que na
área de medicina veterinária no Brasil, a prática mais comum é a publicação de resumos, e na de
biblioteconomia/ ciência da informação é a de trabalhos completos. Isso, mais o fato de que, na
medicina veterinária, mais da metade dos trabalhos é publicada posteriormente como artigo de
periódico, enquanto que na biblioteconomia/ ciência da informação a publicação posterior é nula
— indica que, na primeira área, os anais representam um tipo de documento preliminar,
provisório, e na segunda ele deve ser visto como um documento permanente. Conclui-se,
portanto, que a natureza do material (provisório ou permanente) difere de área para área e,
conseqüentemente, seu tratamento em bibliotecas dependerá dessa característica.
A atividade — acadêmica ou profissional — exercida pelos autores dos trabalhos é um ponto
que ajuda a entender a natureza dos anais como forma de comunicação científica. O estudo
comparativo dos anais das áreas de medicina veterinária e biblioteconomia/ ciência da
informação, acima mencionado, mostrou que, também nesse ponto, os anais diferem, dependendo
da área. Na primeira, a maioria dos autores é ligada a instituições acadêmicas e de pesquisa,
enquanto que na segunda são profissionais atuantes no mercado de trabalho. A atividade dos
autores coincide com o tipo dos trabalhos apresentados (relatos de pesquisa ou relatos de
experiência): na medicina veterinária a maioria dos trabalhos consiste em relatos de pesquisa,
típicos da atividade acadêmica, enquanto que na biblioteconomia/ ciência da informação os
relatos de experiência são em maior número, refletindo a atividade dos profissionais.
Outro ponto importante que pode ajudar a compreender melhor os anais é a forma pela qual
os trabalhos submetidos são selecionados pela comissão científica/técnica; isso tem relação direta
com a qualidade dos trabalhos aceitos. Na seleção de anais isso deve ser levado em consideração,
sendo que alguns critérios podem auxiliar a comissão avaliadora deve ser composta por pessoas
de reconhecida competência na área, oriundas de instituições diversas; a revisão deve ser feita
sem que o revisor conheça a identidade do autor (blind review); e às críticas devem ser feitas por
escrito, com base em critérios claros, objetivos, definidos a priori e conhecidos pelos autores.
Esses cuidados irão garantir um julgamento imparcial e, ao mesmo tempo, permitirão àqueles que
não tiveram seus trabalhos aceitos conhecer as razões da recusa.

4.6 Fontes para identificação de anais


A identificação de anais pode ser feita através de catálogos de editoras (no caso daqueles
publicados comercialmente), de boletins e revistas de associações que organizam eventos, de
periódicos de indexação e resumo e, finalmente, de listas específicas para indexação desse
material.
Alguns serviços de indexação e resumo apresentam um tratamento especial para anais de
congressos. É o caso do Zoological Record, publicado pela Zoological Society of London, que tem
no seu índice de assunto o cabeçalho Meetings, onde os anais são listados, e onde é indicado se
os trabalhos são indexados separadamente.
Das listas específicas para divulgação existem aquelas publicadas pela InterDok Corp. ,
uma organização especializada que trabalha exclusivamente com anais. Publica o Directory of
Published Proceedings, em quatro séries que abrangem diferentes assuntos. A Series SEMT
(Science/Engineering/Medicine/Technology) é a mais antiga, publicada dez vezes por ano desde
1965. As outras séries são; Sedes SSH (Social Sciences/Humanities), iniciada em 1 968, Series
PCE (Pollution Control/Ecology), iniciada em 1974, Series NLS (Medical/Life Sciences), desde 1990.
Essas listas, também disponíveis online através do Dialog , são de âmbito internacional, mas
cobrem melhor os anais de encontros de entidades americanas. São limitadas no sentido de
divulgarem os anais no todo, não fornecendo dados específicos sobre cada trabalho individual. A
vantagem é que também indicam o preço das publicações e fornecem, a pedido, cópias dos anais
que divulgam, facilitando a aquisição.
O Institute for Scientific Information (ISI) , nos Estados Unidos, conhecido principalmente
pela publicação de índices de citação, atua desde 1978 na comercialização de serviços de
divulgação de anais. Publica mensalmente o Index to Scientific & Technical Proceedings, que
indexa cerca de cinco mil anais por ano (representando mais de duzentos mil trabalhos). Existe
versão em CD-ROM e fita magnética, desde 1994, e online (Index to Scientific & Technical
Proceedings Search), sendo que a última fornece os resumos dos trabalhos a partir de 1997.

22
A identificação de anais de encontros brasileiros é mais complicada, já que não existem
instrumentos de divulgação sistemática como os descritos acima. Indiretamente, pode-se usar os
calendários de eventos como fonte para identificação, embora não se tenha a garantia de que os
eventos ali divulgados geraram anais. Nesse caso, a entidade organizadora tem que ser
consultada para se confirmar a existência dos anais.
O Catálogo Coletivo de Anais de Eventos coordenado, desde 1983, pelo Centro de
Informações Nucleares da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CIN/CNEN) é outra fonte
alternativa para a identificação de anais de eventos brasileiros. Embora sua finalidade principal
seja a de possibilitar a localização de anais nacionais e internacionais em bibliotecas do País,
presume-se que inclua uma quantidade significativa de material nacional. É um trabalho
cooperativo, contando com a participação de 185 bibliotecas, que alimentam a base de dados,
possuindo atualmente cerca de cinqüenta mil registros. A cada ano aproximadamente três mil
novos registros são incorporados. A cobertura de assunto prioriza a ciência e a tecnologia, mas
não há uma rigidez na seleção dos dados recebidos, de modo que assuntos de outras áreas são
também incluídos. O Catálogo tem uma versão em microficha e outra online, chamada ANAIS ,
que pode ser acessada pela Internet.

Referências bibu0gráfica5
BURTON, Paul F. Electronic mail as an academic discussion forum. Journal of Documentation,
v.50, n.2, p99-110, 1 994.
COUTINHO, Odete Corrêa de Azevedo, BRAGA, Fabiane Reis. Bases de dados de anais de
congressos como instrumento de comutação bibliográfica. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE
COMUTAÇÃO BIBLIOGRÁFICA, 2, 1994, Campinas. Anais. Brasília: IBICT/CAPES, 995. p. 31-36.
D’ASSUNÇÃO, Evaldo Alves. Congressos, jornadas e reuniões: técnicas de organização e
participação. Belo Horizonte: Coopmed Editora, 1992.
DROTT, M. Carl. Reexamining the role of conference papers in scholarly communication, Journal
of the American Society for Information Science, v.46, n.4, p.299-305, 995.
MELLO, Lina Laura Crivellari Cardoso de. Os anais de encontros científicos como fonte de
informação: relato de pesquisa. Revista de Biblioteconomia de Brasília, v.20, n.1, p.53-68,
1996.
MIYAMOTO, Massabiro. Administração de congressos científicos e técnicos: assembléia,
convenção, painel, seminário e outros. São Paulo: Pioneira/ Ed. da Universidade de São Paulo,
1987.

23
5 - O periódico científico
Suzana Pinheiro Machado Mueller

Os periódicos científicos apareceram no século XVII na Europa. em urna época marcada por
mudanças em toda a sociedade, inclusive no campo científico. Até o século XVI a ciência era feita
por filósofos, que usavam a argumentação e dedução para explicar os fenômenos da natureza. A
partir do século XVII há uma grande mudança no meio científico: a dedução deixou de ser aceita
como método principal de pesquisa, e a comunidade científica começa a exigir evidências
baseadas na observação e na experiência empírica para que os conhecimentos resultantes
pudessem ser considerados científicos. Esses acontecimentos, que caracterizaram o nascimento
da ciência moderna, foram acompanhados por mudanças também na forma da comunicação
científica. Até então os filósofos-cientistas se comunicavam pessoalmente ou por meio de cartas. A
divulgação formal e mais ampla de suas pesquisas era feita em livros e longos tratados, que
discorriam sobre o conhecimento acumulado sobre o assunto. Com o advento da ciência moderna,
o importante passou a ser a comunicação rápida e precisa sobre uma experiência ou observação
específica, que permitisse a troca também rápida de idéias e a crítica entre todos os cientistas
interessados no assunto em questão. Isso provocou a necessidade de um novo meio de
comunicação, de alcance mais amplo que a comunicação oral e a correspondência pessoal, bem
mais rápido que os livros e tratados: o periódico científico.

5.1 Os primeiros periódicos


O primeiro periódico científico de que se tem notícia é o Journal de Scavans, fundado pelo
francês Denis de Sallo e cujo primeiro fascículo foi publicado em 5 de janeiro de 1665, em Paris.
De Sallo justificou a publicação de seu Journal para o alívio daqueles que são muito indolentes ou
muito ocupados para ler livros inteiros”. O Journal anunciava como seu objetivo

catalogar e dar informações úteis sobre livros publicados na Europa e resumir seus
conteúdos, divulgar experiências em física, química e anatomia que possam servir
para explicar os fenômenos naturais, descrever invenções ou máquinas úteis e
curiosas, registrar dados meteorológicos, citar as principais decisões das cortes
civis e religiosas e censuras das universidades, e transmitir aos leitores todos os
acontecimentos dignos da curiosidade dos homens. (Citado por HQUGHTON, 1975,
p. 13 e 14 — Tradução da autora.)

O Journal foi vítima de seu próprio sucesso e teve que interromper a publicação várias
vezes, por imposição da coroa francesa que se sentia atingida e ofendida com algumas das
matérias publicadas. (HOUGHTON, 1975; McKIE, 948)
Menos de três meses depois da publicação do Journal surgiu um segundo periódico, desta
vez em Londres. Fundado por um grupo de filósofos ingleses ligados à Royal Society, tinha uma
característica diferente do periódico francês: o novo periódico, Philosophical Transactions, era
dedicado exclusivamente ao registro das experiências científicas, não incluindo outras matérias.
Foi lançado com a intenção de divulgar, entre os membros da Royal Society, as cartas enviadas
por seus colegas cientistas, ingleses e europeus, relatando suas pesquisas. A exemplo do Journal
des Scavans, divulgava matérias em todas as áreas científicas. O conselho responsável pela Royal
Society decidiu que o Transactions deveria ser publicado na primeira segunda-feira de cada mês,
“se houvesse material suficiente”. Esse periódico sobrevive até hoje, publicado pela mesma Royal
Society.
O novo modelo de publicação científica foi muito bem aceito pelos pesquisadores da época, e
outros periódicos começaram a ser publicados por sociedades científicas de vários países
europeus, com a finalidade principal de divulgar as pesquisas que estavam sendo realizadas por
seus membros.

5.2 Funções do periódico científico moderno


A divulgação dos resultados de pesquisa, no entanto, não foi e não é a única função do
periódico. Segundo a Royal Society, seriam quatro as funções atuais do periódico científico:
• comunicação formal dos resultados da pesquisa original para a comunidade científica
e demais interessados
Essa era uma das funções originais do periódico, permanecendo praticamente inalterada até
hoje;
• preservação do conhecimento registrado
Em conjunto, os periódicos servem como arquivo das idéias e reflexões dos cientistas, dos
resultados de suas pesquisas e observações sobre os fenômenos da natureza; a preservação e
organização dos periódicos, nas bibliotecas do mundo todo, garantem a possibilidade de acesso
aos conhecimentos registrados ao longo do tempo; tem sido uma das responsabilidades mais
importantes dos bibliotecários;
• estabelecimento da propriedade intelectual
Ao publicar seu artigo, tornando públicos os resultados de suas pesquisas, o autor registra
formalmente a sua autoria, requerendo para si a prioridade na descoberta científica;
• manutenção do padrão da qualidade na ciência
A publicação em periódicos que dispõem de um corpo de avaliadores respeitados confere a
um artigo autoridade e confiabilidade, pois a aprovação dos especialistas representa a aprovação
da comunidade científica; sem ela um pesquisador não consegue publicar seu artigo em
periódicos respeitados; sem publicar não consegue reconhecimento pelo seu trabalho.

5.3 Problemas inerentes aos periódicos


Embora antigo e universalmente aceito, há muitos problemas com o modelo tradicional de
periódico científico, problemas que vêm se agravando à medida que se desenvolve a tecnologia e
se modifica a expectativa sobre os meios de comunicação científica. Entre os problemas
principais, os pesquisadores costumam destacar:
• demora na publicação do artigo que, às vezes, chega a ser de um ano após o
recebimento do original pelo editor;
• custos altos de aquisição e manutenção de coleções atualizadas;
• rigidez do formato impresso em papel, quando se compara com a versatilidade dos
formatos eletrônicos;
• dificuldade, para o pesquisador, em saber o que de seu interesse está sendo publicado,
pois são muitos os periódicos e pouco eficientes os instrumentos de identificação e
busca;
• dificuldade, para o pesquisador, em ter acesso a artigos que lhe interessam, pois
mesmo sabendo que um novo artigo de seu interesse foi publicado, nem sempre sua
biblioteca assina o periódico que o publicou ou consegue obter uma cópia desse artigo
com a rapidez suficiente.

Três fatores, bastante ligados entre si, costumam ser apontados como causas desses
problemas: a proliferação de periódicos. que causa a dispersão de artigos sobre um mesmo
assunto entre mu[tos títulos, o que eleva em demasia o custo de atualização de coleções.
O primeiro, o fenômeno da proliferação de periódicos, reflete o crescimento do número de
artigos enviados para publicação, que é muito grande e continua a crescer, e se explica, em parte,
como conseqüência do crescimento normal da ciência, isto é, do crescente número de cientistas
trabalhando e produzindo no mundo todo. Mas não tem sido apenas a evolução natural da ciência
que vem causando esse fenômeno. As regras da própria comunidade científica também são
apontadas como responsáveis pelo crescimento exagerado do número de periódicos. Os sistemas
de promoção na carreira universitária e de concessão de prêmios e financiamentos dos órgãos
governamentais de fomento à pesquisa, aos quais os cientistas e professores universitários
atualmente são submetidos, adotam o número de publicações como um dos critérios mais
importantes no julgamento do mérito científico. Isto é, a promoção na carreira, a possibilidade de
conseguir financiamento para desenvolver pesquisas, o prestígio individual que se traduz por
convites, prêmios, financiamentos, dependem bastante da quantidade de trabalhos publicados.
Sem publicação não há financiamento nem promoção. Os pesquisadores, então, se esforçam para
publicar durante toda a sua vida ativa, ainda que os textos a serem publicados não tragam
muitas novidades. Assim, há um aumento no número de artigos submetidos aos editores e de
periódicos para acomodá-los. Além de títulos novos, o número de periódicos aumenta também
pela subdivisão de títulos tradicionais, quer seja em séries independentes ou em dois ou mais
títulos diferentes. Esse crescimento da ciência escrita, considerado por muitos artificial e
desnecessário, aumenta o tempo de espera que um artigo leva para ser publicado. Na outra ponta
do processo de comunicação, aumenta ainda a dificuldade do pesquisador em se manter
informado sobre a sua área e reconhecer o que lhe é potencialmente interessante. Logicamente,
aumenta também o custo de manutenção das coleções de periódicos das bibliotecas, que já não
suportam tantas assinaturas, aumentando a dificuldade do pesquisador em obter textos que lhe
interessam.

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O segundo, a dispersão de artigos sobre um determinado tema em várias publicações, nem
sempre especializadas, é causada pelo esforço para publicar e pela conseqüente proliferação de
periódicos. Esse fato obriga o pesquisador, que quer se manter atualizado, a despender muito
tempo tentando se informar das novidades em sua área e diminuindo as chances que tem de
encontrar algo que realmente lhe interessa. Para o administrador da biblioteca, confrontado com
limitações orçamentárias, e para o bibliotecário de referência, que deve localizar textos e
informações sob demanda, a dispersão dos artigos entre muitos títulos tem implicações óbvias.
Bradford estudou o problema da dispersão da literatura periódica e formulou a lei da dispersão da
literatura (RÃO, 1986), segundo a qual, de todos os artigos publicados sobre um determinado
assunto, um terço está concentrado em um número pequeno de periódicos, que formam o núcleo
daquele assunto, outro terço está publicado em um número maior de periódicos de assuntos
correlatos, e o último terço se encontra em um número muito grande de periódicos de áreas as
mais diversas. É importante, então, para o serviço de informação de uma biblioteca e para o
administrador de coleções, identificar os periódicas que fazem parte do núcleo de um determinado
assunto.
O terceiro fator, o custo de atualização de coleções está cada vez mais alto. Além do
aumento no número de títulos a serem assinados, o preço de cada assinatura tem subido ao
longo dos anos. Na década de 80, o alto custo de manter coleções atualizadas provocou o
cancelamento de assinaturas até mesmo em bibliotecas tradicionais americanas e européias, onde
tal iniciativa jamais havia sido considerada. No mundo inteiro, bibliotecas universitárias e de
pesquisa, em maior ou menor grau, foram obrigadas a diminuir o número de assinaturas e
impedidas de assinar títulos novos de possível interesse de seus usuários, desistindo de manter
completas e atualizadas as suas coleções. Houve uma mudança de comportamento, facilitada pela
tecnologia de comunicação, que começava a possibilitar o acesso remoto a artigos com mais
eficiência.
No Brasil, o problema crônico causado pelo custo dos periódicas foi agravado no início da
década de 90 por decisões políticas e circunstâncias econômicas do País, cujas conseqüências
foram sentidas em toda a década. Os periódicas das áreas de ciências puras, engenharia e
medicina costumam ser mais caros que o das áreas de ciências sociais e humanidades; algumas
bibliotecas tiveram que fazer escolhas, preservando certas áreas e prejudicando as demais,
enquanto outras bibliotecas cortaram despesas com coleções de livros e materiais de tipos
diversos para manter as assinaturas de periódicos. Mas, seguindo uma tendência mundial, tem-
se notado também no Brasil mudanças na atitude dos bibliotecários. Ao mesmo tempo em que as
bibliotecas se viram forçadas a fazer cortes significativos em suas coleções, intensificou-se a
busca por alternativas em oposição à meta tradicional da posse de grandes coleções.

5.4 Alternativas ao periódico


O descontentamento da comunidade científica, causado pelas deficiências inerentes ao
periódico científico tradicional, não é fato recente e tem levado a várias tentativas para modificar o
seu formato. Entre as alternativas propostas, algumas deram certo, outras não. Mas nada do que
foi proposto conseguiu realmente substituí-lo nas funções que lhes são atribuídas pela
comunidade científica. São, na verdade, complementação ao periódico. Esse quadro parece estar
mudando com o aprimoramento da tecnologia de comunicação.
Talvez a iniciativa que obteve o maior sucesso tenha sido um tipo de periódico conhecido
como letter journals, que foi idealizado seguindo uma tendência observada nos periódicos
tradicionais de publicarem resultados parciais de pesquisas que chegavam às redações em forma
de cartas aos editores ou comunicações breves e não como artigos convencionais. A idéia foi,
então, abrir veículos de comunicação para pesquisas em andamento, muitas vezes como divisão
de um outro título. Atualmente, há um grande número de periódicos exclusivamente dedicados às
comunicações prévias, cuja característica principal é, ou era antes da Internet, a rapidez de
publicação. A matéria publicada sofre um processo de seleção bem menos rigoroso que os artigos
tradicionais. Hoje, as bases de dados eletrônicas de preprints, descritas mais adiante, cumprem,
em parte, essa função.
Várias outras alternativas foram testadas, mas não sobreviveram ou não conseguiram a
aprovação ampla das comunidades a que se destinavam. Dentre elas estão a distribuição de
separatas e o depósito de material suplementar do artigo em uma biblioteca, acessível sob
demanda (com isso diminuindo o volume do fascículo e conseqüentemente o seu custo).

26
5.5 Alternativas baseadas no meio eletrônico
Nessa busca por alternativas inovadoras e mais satisfatórias, o meio eletrônico foi
vislumbrado como a esperança da solução há muito buscada, já que oferece mais rapidez na
comunicação e flexibilidade de acesso, tem largo alcance e baixo custo relativo, disponibilidade
imediata, é capaz de diminuir a necessidade de manutenção de coleções, barateando os custos.
Várias propostas estão surgindo (nem todas serão implementadas), mas duas delas merecem
menção especial por sua crescente aceitação e expansão que, segundo alguns, já apontam para
uma supremacia em relação aos meios tradicionais, em futuro muito próximo: os periódicos
eletrônicos e as bases eletrônicas de preprints.

5.5.1 Periódicos eletrônicos


O desenvolvimento muito rápido da Internet e, em particular, dos serviços disponíveis na
rede desde 19941 modificaram profundamente o acesso à informação. Pode-se dizer que estamos
em um período de transição na comunicação científica, passando de um sistema de publicação
tradicional, bastante rígido, para um sistema eletrônico de publicação mais aberta, direta. Os dois
sistemas conviveram, no início, de forma quase independente, mas mostram sinais cada vez mais
fortes de convergência, com a crescente introdução de periódicos eletrônicos, que conservam
certas características dos periódicos tradicionais. A situação, no entanto, ainda é muito instável.
A expressão periódicos eletrônicos designa periódicos aos quais se tem acesso mediante o
uso de equipamentos eletrônicos. Podem ser classificados em pelo menos duas categorias, de
acordo com o formato em que são divulgados: online e em CD-ROM. Os periódicos online diferem
dos CD-ROMs por estarem disponíveis via Internet, enquanto os CD-ROMs podem ser comprados
ou assinados para uso em microcomputadores isolados. Os periódicos em CD-ROM não diferem
muito dos periódicos impressos em papel, mantendo o formato em fascículos, a numeração e a
periodicidade.
Além dos periódicos científicos eletrônicos propriamente ditos, há publicações eletrônicas
que podem ser fontes de informação úteis para pesquisadores, tais como os boletins ou
newsletters, listas de discussões ou listserves, sítios de editoras e outras tantas, que não serão
considerados neste Capítulo por não possuírem as características exclusivas dos periódicos
científicos.
Considerando apenas os periódicos científicos eletrônicos do tipo online, isto é, aqueles
disponíveis nas redes eletrônicas, há também diferenças de formato entre eles. Estão em franca
evolução, apresentando novas propostas. Alguns mantêm o formato tradicional de um periódico
impresso, sendo na verdade apenas uma versão eletrônica do periódico tradicional, enquanto
outros apresentam formatos inovadores, sem equivalente em papel, oferecendo muitos recursos,
tais como acesso aos documentos citados no texto por meio de links ou elos de hipertextos, links
para contato direto com o autor e outras possibilidades de comunicação. Podem incluir som,
imagens e movimento.
Todos os tipos de periódicos eletrônicos têm algumas características comuns: são um meio
de comunicação extremamente versátil e rápido, que permite a divulgação da pesquisa
imediatamente após sua conclusão, ignorando barreiras geográficas para acesso (embora
dependam de equipamentos e linhas de comunicação eficientes), minimizando barreiras
hierárquicas e permitindo a recuperação de informações de várias maneiras. Mas, apesar das
inúmeras possibilidades oferecidas pela tecnologia, a maioria dos periódicos científicos eletrônicos
ainda é muito parecida com os periódicos impressos, inclusive na periodicidade e na maneira de
identificar volumes e fascículos, especialmente aqueles que são apenas a versão eletrônica de um
periódico existente em formato tradicional.
Embora apresentem tantas vantagens e possibilidades, ainda há resistência na comunidade
científica em aceitar o periódico eletrônico como equivalente ao periódico tradicional. Isso parece
ser mais evidente quando os cientistas, na qualidade de autores, escolhem o periódico para o qual
enviam seu artigo. Na qualidade de leitores a resistência é bem menor. Ora, se os periódicos
tradicionais impressos já não cumprem bem suas funções de divulgadores da ciência (são lentos
demais), se são caros, ultrapassados nos recursos que oferecem, se o sistema adotado para
certificar a ciência recebe tantas críticas e se, por outro lado, os periódicos eletrônicos são
rápidos, acessíveis economicamente, fáceis de editar e oferecem tantos recursos para consulta,
por que não são mais amplamente aceitos?
A verdade é que há ainda muitos pontos controvertidos relacionados aos periódicos
eletrônicos. O meio eletrônico ainda não inspira confiança suficiente para substituir o periódico
impresso em papel na sua função de registro primário, confiável e autorizado da ciência
certificada e, paradoxalmente, também apresenta certas dificuldades de acesso que os periódicos
tradicionais não enfrentam. Esses dois problemas — confiança e acesso — não decorrem da

27
tecnologia, mas de questões externas aos aspectos tecnológicos, envolvendo hábitos da
comunidade científica, interesses de editoras comerciais e questões tais como a precariedade de
algumas bibliotecas, regiões ou países, que não dispõem de recursos materiais ou humanos
adequados. Em outras palavras, não são os eventuais problemas tecnológicos que impedem a
ampla aceitação do meio eletrônico, mas problemas humanos e econômicos.
Do ponto de vista da comunidade científica, o maior empecilho para a plena aceitação dos
periódicos eletrônicos como equivalentes aos tradicionais parece ser a falta da avaliação prévia
dos artigos veiculados. Em reação a essa objeção, um número crescente de periódicos eletrônicos
está publicando artigos devidamente avaliados, isto é, que sofrem o mesmo processo de
julgamento que os artigos publicados de maneira tradicional, À medida que aumenta o número de
periódicos eletrônicos, cujos artigos são submetidos a essa avaliação, aumenta também a
aceitação dos artigos neles publicados, como parte relevante da literatura certificada de suas
áreas.
Outro empecilho, bastante complexo, está na produção do periódico científico como fonte de
lucro, envolvendo, nesses casos, grandes editoras comerciais. O acesso livre e remoto a artigos
não é, naturalmente, conveniente para essas editoras, que têm muitos interesses comerciais no
mercado de periódicos científicos. Elas costumavam ter clientes certos: as bibliotecas
universitárias em todo o mundo não titubeavam em pagar altas somas pela renovação anual de
assinaturas dos periódicos de suas coleções e estavam sempre dispostas a aumentar o número de
títulos assinados. Essas editoras, prevendo o futuro, estão investindo pesadamente na migração
de seus títulos para o meio eletrônico mas, naturalmente, o acesso a eles será mediante
pagamento. Isso já está ocorrendo de maneira bastante acelerada.
Um boa fonte de informação sobre periódicos eletrônicos é a base de dados Directory of
Electronic Journals, Newsletters and Academic Discussion Lists , publicada anualmente pela
Association of Research Libraries (ARL), cuja versão eletrônica para 1997 está disponível na
Internet. Outra fonte interessante é a bibliografia publicada e atualizada freqüentemente por
Charles W. Bailey Jr., da University of Houston Libraries (EUA), Scholarly Electronic Publishing
Bibliography .
O Brasil não está de fora deste movimento. Organizações de fomento à pesquisa, tais como a
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e o CNPq vêm atuando no
sentido de facilitar o acesso de pesquisadores a sítios tais como o Web of Science , que permite o
acesso a diversos bancos de dados e textos completos de artigos. Por outro lado, um número
crescente de periódicos tradicionais brasileiros está mantendo versões eletrônicas de seus
fascículos, publicando artigos completos, facilmente acessíveis por meio de sítios na Internet.
Além dessas iniciativas individuais das revistas, estão começando a surgir algumas fontes
terciárias brasileiras, isto é, sítios que informam e dão acesso a várias publicações. Uma iniciativa
interessante — o SciELO (Scientific Electronic Library Online)  tem como objetivo a
implementação de uma biblioteca virtual capaz de fornecer acesso completo a vários títulos, aos
fascículos de um título específico e a textos completos de artigos. O acesso aos títulos de
periódicos e aos artigos é possível por meio de índices e formulários de busca. A concepção do
ScieELO é parte integrante de um projeto concebido e executado pela FAPESP e pela BIREME
(Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde). Até o início de 1999,
o projeto já havia incluído 27 revistas científicas brasileiras em várias áreas do conhecimento,
com ênfase em revistas de ciências biológicas e da saúde. O SciELO Brasil publica as edições
integrais das revistas, incluindo os textos completos dos artigos, que podem ser consultados
online e, em alguns casos, também no formato PDE A interface das revistas pode ser consultada
nos idiomas inglês, português e espanhol. Traz informações detalhadas sobre a revista, como
editorial, instruções aos autores e informações sobre assinatura. Os artigos estão disponíveis no
idioma em que foram originalmente escritos. As revistas da área de ciências biológicas e da saúde
estão disponíveis, em sua maioria, desde 1997, mas já é possível encontrar algumas coleções
anteriores a essa data. Todas as revistas são correntes, sendo atualizadas no SciELO de acordo
com sua respectiva periodicidade.

5.5.2 Bases eletrônicas de preprints


Paralelamente ao desenvolvimento do periódico científico eletrônico, as bases eletrônicas de
preprints vêm se desenvolvendo e ganhando espaço como fonte de informação importante para
algumas áreas. Preprint é o nome dado à versão original de um artigo ainda não publicado
oficialmente. Um dos maiores problemas na publicação de periódicos científicos é o longo tempo
que o artigo leva para se tornar disponível e, portanto, ter possibilidade de ser lido e citado. A
comunidade de físicos sentia essa inadequação de maneira muito, aguda, o que levou ao
surgimento de uma nova forma de comunicação científica entre eles. Consiste em fazer circular
entre os membros de uma comunidade científica trabalhos submetidos para publicação em

28
periódicos tradicionais, mas que ainda esperam avaliação. Esses trabalhos são depositados em
arquivos eletrônicos de livre acesso, podendo ser consultados a qualquer momento até que sejam
aceitos ou rejeitados pelas revistas, quando então serão retirados da base. Deve-se notar que um
documento depositado pode não ser publicado como artigo ou, ao ser aceito para publicação por
um periódico científico, pode ser obrigado a passar por muitas modificações exigidas pelos
avaliadores. Os documentos depositados nas bases de preprints não são normalmente sujeitos à
avaliação prévia. Apesar dessa limitação, as bases de preprints vêm obtendo muito sucesso.
Certamente são um prenúncio de modificações profundas na comunicação científica como um
todo, em um futuro próximo1.
Entre as bases mais conhecidas está a LANL Preprint Archive , na área de física, mantida
pelo Los Alamos National Laboratory (LANL), nos Estados Unidos, que recebe e torna disponíveis
trabalhos ainda não publicados oficialmente, enviados por físicos no mundo inteiro. A base inclui
(segundo dados de março de 1998) mais de 70% da literatura mundial corrente na área de física,
recebendo cerca de quinhentos novos artigos por semana. Segundo informações em seu sítio na
Internet, cerca de 75mil visitas de pesquisadores do mundo todo são registradas por dia. De
maneira geral, o LANL estabeleceu um modelo que está sendo seguido por outras bases.

5.6 Periódicos técnicos e comerciais


Diferentemente dos periódicos científicos, voltados para a pesquisa, os periódicos técnicos e
comerciais são dedicados aos interesses da indústria e do comércio e, nesse sentido, seus
conteúdos são menos acadêmicos. Sua função é interpretar e comentar, bem como informar sobre
o desenvolvimento de novos processos, produtos, equipamentos e materiais, estando portanto
mais centrados nas áreas produtivas e comerciais. Diferem dos periódicos científicos em vários
pontos, estando voltados para o profissional praticante e não para o pesquisador. Por exemplo,
nem sempre os artigos que publicam são pré-avaliados ou talvez o sejam segundo critérios não
acadêmicos. Os artigos têm, geralmente, um caráter prático, apresentando poucas notas
complementares ou referências a outros autores, como é a norma no artigo científico. Privilegiam
a informação atualizada sobre a indústria e o comércio e, freqüentemente, publicam dados
estatísticos de interesse para as áreas de atuação em que se inserem; trazem seções com notícias
especializadas e bastante publicidade de interesse dos leitores a quem o periódico se destina.
Diferem também na aparência, usando mais cores e recursos gráficos atraentes, como fazem as
revistas populares. A importância como fonte retrospectiva é limitada, já que o conteúdo é de
natureza transitória, incluindo também, segundo SCHROEDER (1989), artigos sobre aspectos
gerenciais (tendências, prognósticos, marketing, finanças, administração e recursos humanos). No
entanto, seus conteúdos podem interessar aos pesquisadores, especialmente das áreas técnicas e
das ciências ligadas à saúde.

5.7 Fontes para identificação de periódicos


O grande número de periódicos publicados em todo o mundo e sobre tantos assuntos
levanta para os usuários e para as bibliotecas várias questões: como identificar periódicos de
interesse? Como saber que artigos são publicados sobre determinado assunto ou por determinado
autor e em que periódicos? Como ter acesso aos seus conteúdos? Todas essas indagações
envolvem o controle dos periódicos e artigos, expressão que significa conhecimento sobre as
publicações, mediante instrumentos que permitam a obtenção de dados sobre publicação,
localização física ou conteúdos. São vários os tipos de instrumentos que possibilitam esse
conhecimento e que são descritos a seguir

5.7.1 Identificação de periódicos como publicação


Informações sobre os periódicos no todo (não de cada fascículo ou de seus artigos) são
obtidas nas listas de periódicos, das quais a mais conhecida é o Ulrich’s International Periodicals
Directory. A versão impressa da 36a edição, correspondente a 1998, em cinco volumes, contém
informações sobre mais de duzentos mil títulos de publicações seriadas e jornais, de periodicidade
regular e irregular, oriundos de cerca de duzentos países, além de uma lista de periódicos que
deixaram de ser publicados nos últimos três anos. Do total, cerca de 3 mil são periódicos
científicos que atendem ao requisito de avaliação de artigos por especialistas. Dos cinco volumes,
dois constituem índices que oferecem várias formas de acesso: assunto, ISSN (International

1 Esta base lembra a tentativa frustrada da American Association of Psychology (relatada em GARVEY, 1979) que, nos

anos 60, fez circular preprints de artigos não avaliados, então em papel.

29
Standard Serial Number, número identificador específico para cada periódico). título, títulos
modificados e interrompidos, títulos disponíveis em CD-ROM e onfine, produtor e revendedor,
senados científicos (pré-avaliados), entre outros. Traz também informações sobre os serviços de
venda de artigos, que serão descritos mais adiante. A versão impressa de 1998 se completa com
um suplemento publicado duas vezes ao ano, o Ulrich’s Update. Além da versão tradicional, o
Ulrich’s é também publicado em CD-ROM, que inclui diversos índices e possibilidades de busca
que o meio permite, uma versão online, atualizada mensalmente, e uma versão em fita que
permite adaptações para interfaces específicas. Esse tipo de lista, em qualquer meio, é
indispensável para a gestão de coleções de periódicos em bibliotecas que possuem número
significativo de assinaturas.
Embora as boas fontes internacionais, como o Ulrich’s, incluam as principais publicações
periódicas brasileiras, a sua cobertura é limitada. No Brasil, o IBICT manteve por algum tempo
publicações que listavam periódicos brasileiros de maneira mais ampla, mas a publicação dessas
fontes foi interrompida.1 Em 1956, o IBICT (então Instituto Brasileiro de Bibliografia e
Documentação IBBD), recém-fundado, iniciou esforço para registrar a produção científica
brasileira, com a publicação Periódicos Brasileiros de Cultura, cuja última edição data de 1968.
Em 1977, editou Periódicos Brasileiros em Ciência e Tecnologia e, em 1983, o ISSN: Publicações
Periódicas Brasileiras, incluídos títulos de periódicos aos quais havia atribuído o número
internacional normalizado de publicações seriadas.
O trabalho de identificação e controle das publicações seriadas em geral tornou-se mais
eficiente com a criação do International Seriais Data System (ISDS), desenvolvido dentro do
programa Universal System for Information in Science and Technology (Unisist) da UNESCO. O
sistema utiliza um esquema de numeração, o ISSN, que individualiza cada publicação periódica,
facilitando sua identificação. No Brasil, o IBICT é a agência encarregada de atribuir o ISSN às
publicações periódicas produzidas no País (CAMPELLO e MAGALHÂES, 997, Capítulo 8).

5.7.2 Identificação de artigos e seus conteúdos


A identificação de artigos de interesse e a obtenção de informações sobre seus conteúdos
são feitas pelos serviços de indexação e resumo que, embora mostrem uma tendência para cobrir
os mais variados tipos de material, ainda têm no periódico a sua fonte principal. Esses serviços
têm como critério de organização não o título do periódico, mas o assunto do artigo, ou seu autor
e, às vezes, também o título (ver Capítulo 16: Serviços de Indexação e Resumo).

5.7.3 Localização dos artigos


O acesso aos artigos propriamente ditos é possível mediante instrumentos que identificam
onde estão depositados e facilitam a sua obtenção. Os catálogos coletivos são normalmente os
instrumentos utilizados para isso. Listam os periódicos pelo título, informando, para cada um, as
bibliotecas que os possuem e quais os fascículos existentes na coleção. No Brasil, o IBICT mantém
o Catálogo Coletivo Nacional de Publicações Seriadas (CCN) que. atualmente, está disponível para
acesso das seguintes maneiras: na Internet (onde o usuário tem acesso às bases de dados do CCN
que ainda estão disponíveis através da ferramenta Telnet, além de informações gerais sobre o
CCN); CD-ROM (Bases de Dados em Ciência e Tecnologia, IBICT): e microfichas. A obtenção dos
artigos identificados no CCN pode ser feita por meio do COMUT (Programa de Comutação
Bibliográfica) , também mantido pelo IBICT. Criado em 1980, o COMUT conta com cerca de
duzentas bibliotecas-base, escolhidas para exercerem a função de fornecedoras em virtude da
qualidade e abrangência de seus acervos. Disponível online via Internet, o COMUT permite que
qualquer pessoa solicite e receba, por intermédio de uma biblioteca, cópias de artigos publicados
em periódicos técnico-científicos (revistas, jornais, boletins etc.), teses e anais de congressos. As
cópias solicitadas são pagas por meio de cupons, e o COMUT tem atendido a uma média de cem
mil transações anuais. O sistema online possibilitou a redução do tempo de atendimento, e há
expectativa de aumento na sua utilização.
Há vários serviços internacionais, disponíveis na Internet, que oferecem assinaturas de
periódicos eletrônicos ou venda isolada de artigos, constituindo um mercado que evolui
constantemente. Atuam nesse mercado online tanto editoras, oferecendo os títulos que editam,
quanto intermediários, que oferecem pacotes contendo vários títulos. Todos buscam maneiras de
aprimorar seus serviços, agregando facilidades de busca e variedade de opções, tais como índices
e links de interesse potencial aos leitores, textos completos, publicação à medida que os artigos
ficam prontos (sem esperar pela publicação do fascículo completo) e outros. Como exemplos,
dentre os serviços existentes hoje, pode-se citar o UnCover , British Library Document Supply

1 Agradeço a Regina Márcia de Castro Silva, da Biblioteca do IBCT em Brasília, as informações sobre as publicações e

serviços mantidos pelo IBICT. mencionados neste capítulo.

30
Centre (BLDSC) , University Microflms International (UMI) , Swets, ADONIS, Engineering
lnformation. O Ulrich’s, em suas versões eletrônicas, mencionadas anteriormente, inclui lista
desses serviços com informações sempre atualizadas.

5.8 Conclusão
Mais de trezentos anos após o seu aparecimento, os periódicos científicos, em seu formato
tradicional, ainda constituem o meio mais importante para a comunicação da ciência. Mas essa é
uma posição cada vez mais ameaçada pela tecnologia, que oferece vantagens que vão muito além
das possibilidades da página impressa. Os problemas da autoridade e integridade do texto
parecem estar se resolvendo. Resta o problema da preservação e do acesso retrospectivo,
problemas que envolvem, além de soluções técnicas, interesses econômicos e pessoais. De
qualquer forma, o monitoramento constante da situação é tarefa essencial para os profissionais
interessados na comunicação científica, pois as opções disponíveis aumentam e se aprimoram, o
mercado evolve com rapidez, o que é novo tem vida cada vez mais curta, sendo rapidamente
substituído por novos produtos e serviços, e a escolha é complexa. Por outro lado, é bastante
provável que o formato tradicional permaneça ainda por muito tempo com uma opção viável,
especialmente na sua função de registro e memória da ciência.

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Brasília: ABDF; Washington: OEA, 986. p. 186-194.

31
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v.17, n.1/2, p. 119-147, 1989.
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STUMPF, Ida Regina Chitto. Passado e futuro das revistas científicas. Ciência da informação,
Brasília, v.25, n.3, p.383-386, set./dez. 1996.

32
6 - Literatura cinzenta
Sandra Lúcia Rebel Gomes
Marília Alvarenga Rocha Mendonça
Clarice Muhlethaler de Souza

A expressão literatura cinzenta, tradução literal do termo inglês grey literature, é usada para
designar documentos não convencionais e semipublicados, produzidos nos âmbitos
governamental, acadêmico, comercial e da indústria. Tal como é empregada, caracteriza
documentos que têm pouca probabilidade de serem adquiridos através dos canais usuais de
venda de publicações, já que nas origens de sua elaboração o aspecto da comercialização não é
levado em conta por seus editores. A expressão se contrapõe àquela que designa os documentos
convencionais ou formais, ou seja, a literatura branca.
A facilidade de identificação e/ou obtenção de um documento está relacionada à maneira
como ele é divulgado e comercializado. Documentos formais como livros e periódicos são
amplamente difundidos e estão disponíveis no mercado livreiro, podendo ser adquiridos pelos
mecanismos usuais de compra, ao contrário daqueles que integram a literatura cinzenta, que são
distribuídos fora do circuito comercial.
A literatura cinzenta não é uma forma nova de divulgação científica. Já no início do século
XX, o meio científico recomendava aos bibliotecários especial atenção em relação a essas
publicações (então chamadas de little literature), no sentido de incorporá-las aos acervos das
bibliotecas acadêmicas, diante de sua importância para o avanço da ciência (SCHMIDMAIER,
1986). O termo grey literature foi consagrado em uma reunião ocorrida em 1978, conhecida como
Seminário de York, organizada pela antiga British Library Lending Division (BLLD), durante a
qual bibliotecários britânicos debateram os problemas de aquisição, de controle bibliográfico e de
acesso à literatura cinzenta. Desde então, o termo tem sido usado corrente- mente na literatura
das áreas de biblioteconomia e ciência da Informação, e seu correspondente em português está
substituindo rapidamente a antiga expressão literatura não -convencional.

6.1 Conceito e características


Inicialmente, o conceito de literatura cinzenta compreendia apenas os relatórios técnicos e
de pesquisa, e a verdade é que eles constituem, ainda hoje, o material predominante no conjunto
de documentos que a integram, a saber: publicações governamentais, traduções avulsas,
preprints, dissertações, teses e literatura originada de encontros científicos, como os anais de
congressos. Esses documentos têm suas especificidades, tanto em relação à forma como se
apresentam quanto às fontes onde podem ser localizados, por isso são tratados em diferentes
Capítulos deste livro, de modo a aprofundar os aspectos peculiares de cada um. Assim, neste
capítulo, coube examinar as características e os problemas genéricos da literatura cinzenta.
A não-disponibilidade em esquemas comerciais de venda é sua principal característica,
reforçada na definição revista e consolidada pela Third International Conference on Grey
Literature, organizada pela GreyNet  (Grey Literature Network Service): “Aquela que é produzida
em todos os níveis de governo, nas áreas acadêmica, do comércio e da indústria, nos formatos
impresso e eletrônico, mas que não é controlada por editores comerciais.” (GREYNET, 1999) Esta
ficou conhecida como a definição da Luxembourg Convention on Grey Literature, referindo-se ao
local que sediou o encontro. Os organizadores da conferência reconhecem que os editores das
publicações cinzentas (instituições acadêmicas, de pesquisa e governamentais) não têm a
atividade editorial como sua missão primária e quiseram, com essa definição, desafiar os editores
comerciais a repensarem sua posição em relação à literatura cinzenta.
Outros aspectos observados na literatura cinzenta podem contribuir para o entendimento de
sua caracterização. São geralmente documentos de caráter provisório ou preliminar e
reproduzidos em número limitado de cópias, normalmente inferior a mil exemplares e algumas
vezes muito menos. Não recebem numeração padronizada (ISSN ou ISBN), além de não serem
objeto de depósito legal. Outras características acentuam a sua importância para a comunicação
da informação científica e tecnológica: em muitos casos a informação que veiculam é mais
detalhada do que aquela que aparece nos artigos de periódicos e nos livros, além de não aparecer
comumente em outras fontes, ou seja, não é publicada formalmente; é uma informação altamente
atualizada, disponível e não determinada apenas por interesses comerciais (SIGLE, 1999).
6.2 Fontes para identificação
A identificação e a localização da literatura cinzenta têm sido facilitadas por um controle
bibliográfico relativamente eficiente nos últimos anos, uma vez que sua importância como forma
de comunicação científica passou a ser reconhecida em diversos países e por inúmeras
organizações internacionais.
Desde 1931, a literatura cinzenta vem sendo incluída na Deutsche National bibliographie,
passando a aparecer sistematicamente também em sistemas de informação especializada, em
coleções de bibliotecas científicas e também em sistemas de informação criados especialmente
para seu controle, como é o caso do NTIS nos Estados Unidos.
Um fato marcante em relação ao controle bibliográfico de literatura cinzenta européia foi a
criação, em 1980, do SIGLE (System for Information on Grey Literature in Europe), iniciativa que
se origina do Seminário de York, anteriormente citado, e que recebeu apoio da Comission of the
European Communities (CEC). Administrado pela European Association for Grey Literature
Exploitation (EAGLE) , o SIGLE tem como missão promover o acesso e o uso da literatura
cinzenta produzida na Europa. Atualmente, opera através de uma base de dados onfine,
centralizada e multidisciplinar, alimentada por centros de 16 países1.
A criação da GreyNet é outro fato que merece ser ressaltado. Esta importante rede de
âmbito internacional foi estabelecida como um setor da editora MCB University Press, com sede
na Holanda, com a finalidade de promover e apoiar o trabalho de autores, pesquisadores,
bibliotecários e intermediários de informação no campo da literatura cinzenta. Esse objetivo é
atingido mediante o estímulo à cooperação internacional, treinamento, organização de eventos e
publicação de resultados de pesquisas, bem como do estabelecimento de uma base de dados
referencial internacional. Nesse sentido, a GreyNet compila e distribui informação bibliográfica,
documentária e factual sobre pessoas e organizações e seus respectivos produtos e serviços. Em
seu sítio na Internet, tais atividades são divulgadas, podendo-se citar, pelo conjunto de
informações atualizadas que veiculam, as conferências internacionais voltadas para o incremento
da literatura cinzenta. Os temas focalizados nessas conferências refletem a importância crescente
da literatura cinzenta e atestam sua evolução rumo à forma eletrônica. Na primeira (1993),
enfatizou-se a produção de literatura cinzenta em formato impresso. Na segunda (1995),
observou-se sua expansão em direção aos documentos eletrônicos e, na terceira (1997),
discutiram-se novos usos da literatura cinzenta e seu impacto nos processos de inovação, além de
novas formas e novos métodos de armazenamento e distribuição. A quarta conferência, em 19991
em Washington, destaca três aspectos em seu temário: avaliação global da literatura cinzenta
(novos tópicos, formatos e usos); arquivamento da literatura cinzenta eletrônica (recuperação
bibliográfica, armazenamento e distribuição eletrônica) e copyright (autoria, posse e direitos de
propriedade). Estes temas atestam a primazia da forma eletrônica como registro preferencial da
literatura cinzenta e a necessidade de enfrentamento dos problemas que daí derivam.
As mudanças decorrentes do novo ambiente informacional representado pela Internet já
ocasionam transformações em algumas das características da literatura cinzenta e em seu próprio
conceito, indicando que, se as formas de comunicação da informação científica estão evoluindo,
com a literatura cinzenta não é diferente.
A comunicação informal, isto é, o contato direto com especialistas e pesquisadores, é
igualmente fonte de informações relevantes para a localização de literatura cinzenta. Assim, é
muito importante o contato permanente com o meio acadêmico — onde se produz grande parte
dessa literatura — para identificar documentos de interesse para o pesquisador.
Cabe lembrar que a Internet propicia amplo acesso aos produtores da literatura cinzenta
através de seus mecanismos de comunicação: e-mail, chat (conversa em tempo real entre
usuários conectados em salas virtuais), as listas e os grupos de discussão.

6.3 Conclusão
A literatura cinzenta vem conquistando, cada vez mais, amplo reconhecimento de um
número expressivo de pesquisadores, estudantes, bibliotecários e editores, em razão de sua
importância para a pesquisa científica e tecnológica.
O advento da Internet tem um significado especial para aqueles que lidam com a produção,
a organização e a transferência da informação. No mundo do texto eletrônico, a edição e a
distribuição de um documento estão interligados, ou seja, o produtor de um texto pode ser ao
mesmo tempo o editor, “no duplo sentido daquele que dá forma definitiva ao texto e daquele que o

1 Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Eslováquia, Espanha, França, Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Latvia, Luxemburgo,

Portugal, Reino Unido, República Tcheca e Rússia.

34
difunde diante de um público de leitores: graças à rede eletrônica, esta difusão é imediata”
(CHARTIER, 1998, p. 17). Resultam desses aspectos as vantagens que a Internet oferece à
literatura cinzenta: pode beneficiá-la de maneira especial, uma vez que fornece, em meio mais
eficiente de publicação e acesso, a informação inédita, muitas vezes relativa a pesquisas ainda em
processo, atendendo à demanda crescente por essa informação.

Referências bibliográficas
ALMEIDA! Maria do Rosário Guimarães. Consideraciones sobre la literatura gris. In: SEMINÁRIO
NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 8, 1994, Campinas. Anais... Campinas:
Biblioteca Central/UNICAMP, 1994. p. 245-258.
CHARTIER, R. A aventura do livro, do leitor ao navegador; conversações com Jean Lebrun.
São Paulo: Unesp, 1998.
GREYNET. Detinition of grey literature. http://www.konbib.nl/infolev/greynet/definition.htm
(capturado em abril de 1999).
POBLACIÓN, Dinah. Literatura cinzenta ou não convencional: um desafio a ser enfrentado.
Ciência da Informação, v.2 1, n.3, p.243-245, set/dez. 1992.
SCHMIDMAIER, Dieter. Ask no questions and you’ll be told no lies: or how we can remove peoples
fear of “grey literature. Libri, v.36, n.2, p.98-I 12, 1986.
SIGLE. Input how to make your grey documents available through SIGLE.
http://www.konbib.nl/sigle/input.htm (capturado em abril de 1999).

35
7 - Relatórios técnicos
Bernadete Santos Campello

Os relatórios técnicos são documentos que descrevem os resultados ou o andamento de


pesquisas para serem submetidos à instituição financiadora ou àquela para a qual o trabalho foi
feito. São publicações características de entidades que desenvolvem pesquisa, e seus processos de
produção são os mais variados.

7.1 Evolução
A história do relatório como meio de comunicação científica, ou mais precisamente
tecnológica, está ligada à evolução da indústria aeronáutica. Os primeiros relatórios que
surgiram, em 1909, pertenciam a uma série chamada R&M-Reports and Memoranda, publicados
pelo Advisory Committee for Aeronautics, atual Aeronautical Research Council, órgão do governo
britânico. Coincidentemente, nos Estados Unidos, a NASA foi a primeira a publicar relatórios, em
1915. Ainda hoje, a indústria aeroespacial é uma das que mais utilizam o relatório técnico como
forma de veicular resultados de pesquisa. Entretanto, a origem do relatório, na forma como é
conhecido atualmente, data de 1941. Nesse ano, foi criado o Office for Scientific Research and
Development (OSRD), órgão do governo americano, encarregado de servir como centro de
administração dos recursos científicos do país e de buscar aplicação para os resultados de
pesquisas na defesa nacional, durante a Segunda Guerra Mundial.
O principal fator para a expansão do relatório técnico como veículo de comunicação foi a
sua adequação para apresentar os resultados dos milhares de projetos de pesquisa desenvolvidos
no período da guerra: atendiam à necessidade de divulgação restrita e de rapidez de publicação.
Com o término do conflito, o OSRD foi extinto, mas as atividades de pesquisa e desenvolvimento
não cessaram, e a produção de relatórios continuou. Assim, foi necessário buscar formas de se
manter o sistema de controle bibliográfico de relatórios que o OSRD adotava. Foram então criadas
agências com a finalidade específica de desenvolver esse trabalho. Nos Estados Unidos, surgiram
três dessas agências: o Defense Documentation Center (DDC), o Technical Information Center da
United States Atomic Energy Commission (TIC/USAEC) e o NTIS. As duas primeiras eram
especializadas em defesa militar e energia nuclear, respectivamente, e o último era responsável
pelo controle de relatórios de diversas áreas. Na Grã-Bretanha, houve movimento semelhante,
sendo criados o Techonology Reports Centre (TRC) e, na área de energia nuclear, a United
Kingdom Atomic Energy Agency (UKAEA), destinados a colecionar e divulgar relatórios técnicos.
Hoje em dia, a produção de relatórios tende a aumentar, e isto ocorre principalmente nos Estados
Unidos, mas França e Alemanha também aparecem como grandes produtores.
Existem três tipos de organizações que produzem relatórios técnicos nos Estados Unidos:
empresas privadas, órgãos governamentais e instituições contratadas pelo governo. Os relatórios
produzidos por empresas privadas, que desenvolvem pesquisa industrial, não são normalmente
distribuídos fora da companhia, sendo portanto os mais difíceis de se obter. Órgãos ligados ao
governo federal são responsáveis por apenas um terço da atividade de pesquisa no país e
constituem outra fonte geradora de relatórios técnicos. Dois terços dessa atividade são
desenvolvidos por universidades e institutos de pesquisa contratados pelo governo, produzindo
uma quantidade significativa de relatórios. O acesso aos relatórios dessas últimas não apresenta
problemas, sendo sua divulgação feita de forma adequada para atender às exigências do
contribuinte americano.

7.2 Características
Originalmente destinados a servirem como meio de divulgação confidencial de pesquisas
tecnológicas e científicas nas áreas de defesa, aeronáutica e energia nuclear, os relatórios
apresentam-se hoje como um veículo de comunicação usual em várias outras disciplinas:
educação, economia, medicina, agricultura etc. Constituem um exemplo típico de publicação não
convencional ou literatura cinzenta (ver Capítulo 6: Literatura Cinzenta).
Os relatórios são resultado de trabalho em equipe, e uma de suas características é a autoria
coletiva, ou seja, eles são mais conhecidos e solicitados pela instituição onde foram gerados e não
por seus autores. Costumam ser produzidos em séries, caracterizadas por códigos alfanuméricos,
criados pelas entidades produtoras para facilitar sua identificação. O código é geralmente formado
pelos seguintes elementos: a sigla da instituição produtora, a indicação da categoria do relatório,
a indicação do grau de sigilo, a data, o título do projeto, a indicação do assunto e o número
seqüencial do relatório na série ou coleção à qual pertence. Existem fontes para identificação
desses códigos: Corporate Author Authority List (1987), publicado pelo NTIS: Report Series Codes
Dictionary (1986), entre outras.
Outra característica dos relatórios é o número reduzido de cópias. Feitos para uma clientela
restrita, o número de cópias é geralmente pequeno. Entretanto, isso é minimizado pelo fato de que
as fontes de identificação sempre indicam a quem o relatório pode ser solicitado, sendo que o
fornecimento em microforma é bastante comum. Refletindo a tendência do desenvolvimento
tecnológico, os relatórios apresentam alto grau de obsolescência, isto é, seu conteúdo
informacional fica desatualizado rapidamente. A forma física de um relatório é geralmente a de
uma publicação não convencional: reprodução xerográfica e capa mole. Como são produzidos sem
a preocupação de atingir um grande público, a linguagem utilizada nos relatórios não tem
restrições de estilo, o que constitui um fator de agilização para sua publicação. Essas duas
últimas características tomam o relatório muito mais ágil do que o periódico como veículo de
comunicação científica, colocando-o como uma alternativa a essa tradicional forma de publicação.
A principal crítica feita ao relatório baseia-se no fato de que não passa por um processo formal de
avaliação e julgamento, ao contrário do que ocorre com os artigos de periódicos que, para serem
publicados, devem passar pelo crivo das comissões editoriais das revistas científicas, o chamado
sistema de referee.
Há muita discussão sobre esse tipo de literatura, gerado de maneira restrita, para uma
clientela específica, sem julgamento, constituindo, segundo alguns autores, um retrocesso com
relação à transparência e à abertura que ocorrem num processo de avaliação pelos pares, prática
considerada essencial ao progresso científico. Opondo-se a esse ponto de vista, há autores que
consideram que os canais convencionais de comunicação — representados pelos periódicos
científicos — apresentam tantos problemas que passaram a se constituir, eles próprios, em
formidável barreira à abertura e à transparência fundamentais no processo de comunicação
científica. Portanto, as formas não convencionais de divulgação, como os relatórios, tornam-se
essenciais para manter livre o fluxo de comunicação. A verdade é que, considerando-se o volume
de relatórios hoje produzidos, cobrindo as mais variadas áreas do conhecimento, bem como a
estrutura existente para seu controle e divulgação, não é possível ignorar esse veículo de
comunicação científica.

7.3 Fontes para identificação


Os sistemas de informação organizados por diversos países para controlar e preservar
relatórios técnicos têm facilitado sua identificação e aquisição, pelo menos no que diz respeito
àqueles produzidos por organizações mais conhecidas. Nos Estados Unidos, o NTIS abriga uma
coleção formada por quase três milhões de relatórios, produzidos a partir de 1945, oriundos de
cerca de duzentas agências de pesquisa americanas e de países como Canadá, Japão, antiga
União Soviética, além da Europa Ocidental e Oriental. A coleção recebe aproximadamente cem mil
novos documentos por ano e cobre praticamente todos os assuntos. A base de dados do NTIS está
disponível através de vários distribuidores comerciais, como, por exemplo, o Dialog, havendo
algumas partes disponíveis em CD-ROM. O Educational Resources Information Center (ERIC) ,
também mantido pelo governo americano, possui uma das maiores bases de dados na área de
educação, formada por cerca de um milhão de referências, não só de relatórios técnicos como
também de artigos de periódicos, livros, anais e materiais instrucionais.
Algumas instituições americanas de pesquisa divulgam elas próprias seus relatórios. É o
caso da NASA, que mantém na Internet um sítio, o Langley Technical Report Server , que torna
disponíveis resumos e textos completos de seus relatórios não confidenciais.
Na Grã-Bretanha, o BLDSC, que tem como uma de suas prioridades reunir literatura
cinzenta na forma de relatórios, traduções e teses, possui uma das maiores coleções de relatórios
técnicos do mundo. A divulgação é feita através de publicações como British Reports, Translations
and Theses e por uma coleção de fascículos que cobrem assuntos específicos, chamada The Focus
on British Research Series.
No Brasil não existe uma fonte específica para divulgação ou controle de relatórios técnicos,
mesmo porque essa não é uma forma usual de apresentação de resultados de pesquisa, que são
mais comumente veiculados através de periódicos. Para identificar relatórios produzidos no País,
é necessário entrar em contato diretamente com as instituições que desenvolvem pesquisas ou
agências de fomento.

37
Referências bibliográficas
AUGER, C. P. (Ed.). Use of reports literature. London: Butterwoths, 1971.226 p.
CALHQUN, Ellen. Technical reports demystified. The Reference Librarian, Brighamton, N. Y.,
n.32, p. 1 63-175, 199 1.
CAPONIO, Josephy F., MACEQIN, Dorothy A. The National Technical Information Service: working
to strengthen US information sources. The Reference Librarian, Binghamton, N. Y., n.32, p.2
17-227, 1991.

38
8 - Publicações governamentais
Waldomiro Vergueiro

Normalmente, os órgãos públicos em geral, no exercício de suas atividades, são


responsáveis pela publicação de um variado número de documentos, que objetivam tanto orientar
o público na utilização dos serviços, como prestar contas à sociedade sobre as atividades que
desenvolvem. Nesse sentido, desempenham importante papel na constituição de sociedades
democráticas, possibilitando aos cidadãos o controle das instituições pertencentes ao Estado. De
uma certa forma, as publicações governamentais funcionam como “um espelho das funções de
um governo e de suas agências e seus instrumentos e suas subvenções” (CHILDS, 1973).
As publicações governamentais tiveram um incremento significativo a partir do século XIX
com a afirmação do Estado moderno e o crescente reconhecimento, por parte tanto de governos
como da sociedade, da necessidade de difusão dos atos de seus governantes, visando maior
controle da máquina governamental.
As publicações oriundas de órgãos governamentais são numerosas e apresentam-se em uma
variedade de formatos, Com o advento das publicações eletrônicas, governos de todos os países
têm utilizado o meio digital como ambiente para registro e disseminação de informação que
desejam colocar à disposição do público.

8.1 Definição
A World Encyclopedia of Library and Information Services (HODUSKI, 1993) prefere o termo
publicações oficiais, utilizando a definição adotada pela Federação Internacional de Associações e
Instituições Bibliotecárias (IFLA), nos seguintes termos:

[Publicação oficial é] qualquer item produzido por meios reprográficos ou outros,


editado por uma organização que é um organismo oficial, e disponível para uma
audiência mais larga que a daquele organismo.

A denominação organismo oficial, dependendo da prática de cada nação, irá englobar tanto
as universidades, instituições acadêmicas e de pesquisa, associações industriais e comerciais,
bibliotecas, museus e galerias de arte, como também institutos independentes de pesquisa que
não sejam receptores diretos de fundos governamentais. Em geral, publicações oriundas de
partidos políticos são excluídas da definição acima, embora em países de partido único esta
distinção nem sempre seja muito fácil de ser feita. Desta forma, verifica-se que a IFLA define uma
publicação governamental com base no organismo responsável por sua publicação,
independentemente de seu conteúdo ou formato físico.
já no Brasil, ALVARENGA (1991) distingue duas vertentes, ligadas à finalidade de produção
dos documentos: a primeira relacionada aos documentos ‘produzidos e emanados sob a
responsabilidade do governo, no desempenho das funções legais e administrativas dos órgãos,
refletindo a vontade e as atividades do governo, gerando direitos e obrigações ou informando aos
cidadãos”, enquanto que a segunda irá fazer referência àqueles ‘produzidos e editados pelos
órgãos públicos para comunicação de resultados de estudos e pesquisas, desenvolvidos com o
intuito de subsidiar o trabalho governamental ou a tomada de decisão, nem sempre refletindo a
opinião oficial ou a vontade do governo”.
Durante o VII Seminário de Publicações Oficiais Brasileiras, realizado em 1990, foi proposta
uma definição, aparentemente baseada na definição da IFLA acima transcrita, que buscou
englobar todas as possíveis características das publicações governamentais:

Documentos bibliográficos e não bibliográficos, produzidos por qualquer processo,


editados sob a responsabilidade, a expensas, por ordem ou com a participação dos
órgãos da administração pública, ou de entidades por ela controladas, com o
objetivo de registrar a atuação do Estado e de informar ou orientar a opinião
pública sobre a mesma (ALVARENGA, 1993).

8.2 Publicações governamentais brasileiras


O Brasil, como a maioria dos países, é palco de uma variedade de publicações
governamentais, elaboradas seja com o intuito de divulgar as atividades dos diversos governos em
âmbito da Federação, dos Estados e dos Municípios, seja como fruto de atividades específicas dos
diversos órgãos governamentais. Nesse sentido, o resultado é uma verdadeira babel de
publicações de todos os tipos e formatos, algumas apresentando um nível de qualidade similar ao
de suas congêneres em países mais desenvolvidos, enquanto que as demais — talvez a grande
maioria — sendo caracterizadas por um processo rudimentar, quase amador de editoração. já no
final da década de 50, MEYRIAT (1958) denunciava essa situação fazendo uma descrição da
realidade brasileira que, mais de quarenta anos depois, ainda parece válida:

... num país em que os gastos públicos não são controlados, em que os órgãos
governamentais têm muitas vezes suas funções desvirtuadas, em que o
apadrinhamento e a política clientelística ainda são dominantes, infelizmente não
há critérios coerentes na política de editoração oficial brasileira.

LOMBARDI (1974), na introdução ao guia Brazilian Serial Documents, corrobora a descrição


acima, afirmando que

através dos anos os órgãos da administração federal brasileira têm sido criados,
extintos e reorganizados sob um emaranhado de nomes, o que tem complicado a
identificação e localização de suas publicações. Praticamente todos eles divulgam
notas oficiais, relatórios de pesquisas e legislação, através de publicações seriadas.
Estas publicações são vastas em número, variadas no tipo e no assunto. Podem ser
jornais, anuários, anais, boletins ou relatórios de atividades, e ter interesse
administrativo, artístico, legislativo, literário, de pesquisa, científico ou técnico. O
formato e a freqüência de publicação variam enormemente, desde uma simples
página mimeografada de periodicidade irregular até um periódico cuidadosamente
produzido.

Considerando as dimensões continentais do País, a baixa padronização das publicações


governamentais não pode ser vista, no entanto, como mais um indicador do descaso das
instituições ligadas ao poder público em relação à consecução das atividades para as quais foram
legalmente constituídas. Mas é, deve-se reconhecer, um elemento a mais a ser corrigido para que
elas consigam atender em plenitude a seus objetivos institucionais. Como diz ainda ALVARENGA
(1993),

a inexistência de “comitês editoriais” para avaliarem a pertinência do conteúdo da


publicação, dentre outras funções, faz com que sejam publicados itens
desvinculados da realidade da instituição e até mesmo em desacordo com os
programas vigentes, o que, seguramente, causa no público externo grande
perplexidade, devido à desarticulação entre as funções e ações de uma entidade, ou
mesmo entre o trabalho das várias unidades que compõem uma instituição.

Em termos de normalização das publicações oficiais, pode-se afirmar que muito pouco
ainda se conseguiu caminhar no País, apesar do trabalho meritório da Comissão de Publicações
Oficiais Brasileiras (CPOB) da Associação de Bibliotecários do Distrito Federal (ABDE) Desde sua
criação, na década de 70, a CPOB vem realizando sistematicamente seminários para discutir a
problemática das publicações oficiais brasileiras.
Dois trabalhos visando auxiliar na normalização e processamento técnico de publicações
governamentais foram publicados durante a década de 70, sendo de grande utilidade para os
profissionais da informação: Cabeçalhos Uniformes para Entidades Coletivas Brasileiras e Manual
de Normas Mínimas de Editoração para Publicações Oficiais.
No que diz respeito ao controle bibliográfico das publicações governamentais no Brasil, a
Bibliografia de Publicações Oficiais Brasileiras: Área Federal, organizada pelo Centro de
Documentação e Informação da Câmara dos Deputados, constitui, provavelmente, a iniciativa
mais ambiciosa já desenvolvida no território nacional. Iniciada em 1981, teve seu sétimo volume
publicado em 990.
Para buscas retrospectivas, pode-se utilizar, além do guia de Lombardi já mencionado, as
publicações Guide to the Official Publications of the Other American Republics III — Brazil,
editado em 1948 pela Library of Congress e o Latin American Serial Documents, de autoria de
Rosa Mesa, publicado pela University Microfilms, em 1968.

8.3 Divulgação e controle


Por serem produzidas diretamente pelos órgãos públicos, grande parte das publicações
governamentais constituem documentos de difícil localização e aquisição. Na maior parte das
vezes, a obtenção de documentos governamentais implica no conhecimento exato da instituição

40
responsável pela sua publicação e na realização de contatos diretos com os responsáveis por sua
veiculação. Nem sempre isso é uma tarefa muito fácil. As instituições governamentais diferem
quanto à importância que dão a suas publicações; enquanto algumas se organizam de forma a
fazer com que sua produção chegue ao conhecimento do público e seja por ele adquirida, outras
simplesmente não têm qualquer preocupação com o estabelecimento de uma infra-estrutura
mínima para sua disseminação.
Em muitos países, a falta de uma política que designe bibliotecas para funcionarem como
depositárias desse tipo de documento acaba inviabilizando qualquer busca retrospectiva de
publicações governamentais. Produzidas em quantidade limitada, elas podem ter suas edições
rapidamente esgotadas, sem que qualquer preocupação com sua reedição jamais apareça e sem
que exista, na instituição produtora, sequer o cuidado de manter um único exemplar para fins de
registro histórico. Dessa forma, fruto apenas de imposições legais ou burocráticas, deixam de
cumprir a função de memória institucional e perdem sua razão de ser, representando, em muitos
casos, um injustificável desperdício de recursos públicos.
Nem sempre as publicações governamentais são alvo de um bom trabalho de divulgação por
parte dos organismos oficiais, o que dificulta a população tomar conhecimento de muitos
assuntos que lhe dizem respeito. Assim, embora grande parte das publicações governamentais
possa ser obtida de forma gratuita, seus destinatários em potencial acabam não tendo acesso a
elas, mesmo quando estão disponíveis em bibliotecas e centros de documentação. Isso ocorre,
muitas vezes, por uma simples questão de desconhecimento. Por outro lado, a muitas instituições
oficiais não interessa realizar uma atividade sistemática de divulgação de suas publicações, na
medida em que isso representaria um aumento de interesse por parte do público e uma demanda
maior pelas publicações, que talvez as instituições produtoras não teriam condições financeiras
ou infra-estruturais para atender. Essas e outras questões acabam por fazer com que a circulação
das publicações governamentais seja bastante restrita e, com certeza, sempre aquém do
necessário.
O controle bibliográfico das publicações governamentais tem tradicionalmente se
constituído em uma atividade inglória. Não obstante as iniciativas institucionais da IRA visando a
constituição de um esquema para controle bibliográfico universal de publicações governamentais
e buscando arregimentar instituições que, em cada país, ficariam responsáveis pela catalogação,
segundo padrões internacionais, das publicações oriundas de seus organismos oficiais, muito
ainda resta a ser feito. São poucos, na realidade, os países que adotaram uma política
permanente para adoção desses padrões. É o caso, por exemplo, da Inglaterra, onde o Her
Majesty’s Stationery Office (HMSO) foi definido como a instituição responsável pela edição,
divulgação e comercialização das publicações governamentais em nível federal, o que facilita
enormemente o seu controle. Também nos Estados Unidos a atividade de controle ocorre de forma
racionalizada, pois o Government Printing Office (GPO) , em cooperação com a Library of
Congress, realiza anualmente a catalogação de milhares de publicações oficiais, efetuando um
trabalho que pode servir de modelo para os outros países. Entre outras coisas, pode-se salientar,
por exemplo, que o GPO publica um Monthly Catalog of U.S. Government Publications, que
anualmente lista perto de cinqüenta mil publicações das áreas do legislativo, executivo e
judiciário do governo federal.
O advento da comunicação eletrônica traz enormes conseqüências para a produção,
divulgação e controle de publicações governamentais. Se, por um lado, sua produção e divulgação
parecem ser favoravelmente afetadas, possibilitando a redução de custos e acesso facilitado aos
interessados, por outro, o controle desses documentos passa a enfrentar dificuldades maiores,
pois aumenta a probabilidade de aparecimento de publicações sem respeito a normas e padrões
universalmente aceitos. No entanto, aparentemente desatentas às implicações para o controle
bibliográfico, cresce cada vez mais o número de instituições governamentais que tornam
disponíveis suas produções bibliográficas na Internet, tornando-as mais acessíveis ao público
interessado.

Referências bibliográficas
ALVARENGA, Lídia. Definição de publicações oficiais. Revista da Escola de Biblioteconomia da
UFMG, v.22, n.2, p.2 3-238, jul. /dez. 1993.
CHANDLER, Helen E. Towards open government: official information on the web. New Library
World, v.99, n. 1144, p.230-236, 1998.
CHILDS, James Bennett. Government publications (documents). In: KENT, Allen, LANCOUR,
Harold, DAILY, Jay E. (Ed.). Encyclopedia of library and information science, New York: M.
Dekker, 1973. v. 0. p. 36-140.

41
HODUSKI, Bernadine E. Abbott. Official publications. In. World encyclopedia of Library and
information services. 3rd ed. Chicago: American Library Association, 1993. p.634-636.
LOMBARDI, M. Brazilian sedal documents. Bloomington: Indiana University Press, 1974.
M EYRIAT, J. (Ed.). Etude de bibliographies courantes des publications officiales nationales.
Paris: UNESCO, 1958.
RATZAN, Lee. Uncle San, on the Net. Wilson Library Bulletin, v.69, n.6, p59-60, Feb. 1995.

42
9 - Teses e dissertações
Bernadete Santos Campello

Teses e dissertações são documentos originados das atividades dos cursos de pós-
graduação. Esses cursos visam principalmente a capacitar professores para o ensino superior,
além de formar pesquisadores e profissionais de alta qualificação em vários níveis. No nível de
mestrado, o aluno, para obter o título de mestre, deve, além de completar um curso formal,
elaborar uma dissertação consistindo em um trabalho de pesquisa que demonstre sua capacidade
de sistematização e domínio do tema e da metodologia científica. Já no nível de doutorado, o
aluno deve produzir uma tese que envolva uma revisão bibliográfica adequada, sistematização das
informações existentes, planejamento e realização de trabalho necessariamente original.
No Brasil, o termo dissertação está associado ao grau ou título de mestre, e o termo tese ao
grau de doutor. É importante observar que em outros países os termos são usados de maneira
diversa. Na Grã-Bretanha, tese (thesis) é normalmente utilizado para descrever todo o gênero,
independentemente do grau acadêmico a que se refere, enquanto que nos Estados Unidos e na
Europa continental, o termo mais utilizado é dissertação (dissertation).

9.1 Evolução
As teses e dissertações tiveram origem nas universidades medievais que, desde o século XII,
conferiam graus acadêmicos. As universidades, naquela época, eram muito diferentes das atuais,
formais e burocráticas, e consistiam de associações informais de estudantes e professores. O
emprego de professor em uma universidade medieval quase sempre implicava no estabelecimento
de um contrato direto com os estudantes, que pagavam determinada quantia pelas aulas
ministradas. Com o aumento do número de comunidades universitárias, houve a necessidade de
proteger a reputação do ensino das melhores escolas, e isso forçou o aparecimento de um sistema
que pudesse assegurar a competência dos novos docentes. Assim, os candidatos a professor
nessas comunidades deveriam submeter-se a um processo de avaliação de conhecimentos,
dirigido por um grupo de docentes mais antigos do estabelecimento. No século XIII, na Universitá
degli Studi di Bologna, a avaliação era feita em duas etapas: um exame público e outro privado; o
primeiro era o verdadeiro teste de competência, sendo o exame público uma mera formalidade.
Para o exame privado o candidato era apresentado por um patrocinador (isto é, um professor que
já lecionasse no estabelecimento) e deveria fazer uma exposição oral sobre dois assuntos
escolhidos no momento pelo grupo de examinadores. O candidato tinha algumas horas para
preparar a apresentação dos temas, auxiliado pelo patrocinador. Em seguida à apresentação, era
argüido por dois professores escolhidos pelo grupo, sendo que todos os outros poderiam propor
questões. O processo concluía-se com uma votação, e a maioria simples dos votos era suficiente
para a aprovação do candidato.
O título de mestre conferido ao candidato aprovado indicava que ele dominava o assunto de
sua área de conhecimento, O título de doutor não tinha, na época, significado especial em termos
de nível de capacitação acadêmica, correspondendo exatamente ao de mestre. Em algumas
universidades, esse título era conferido aos membros dos órgãos da administração superior, O
termo doutor com seu atual significado, isto é, designando a titulação do candidato que tenha se
submetido a uma educação acadêmica aprofundada, seguida de defesa de tese, surgiu no século
XIX, na Alemanha, e é usado hoje quase que universalmente.
Atualmente, as práticas para a atribuição de graus acadêmicos variam de país para país e
de universidade para universidade: dentro de uma mesma instituição de ensino superior pode
haver variações no processo, de uma escola para outra. Os cursos de pós-graduação das
universidades brasileiras conferem títulos de mestre e de doutor que, na carreira acadêmica,
permitem que o titulado exerça as funções de professor assistente e adjunto, respectivamente. Os
títulos mais conhecidos conferidos por universidades nos Estados Unidos e outros países de
língua inglesa são: o MA, o MBA, o M.Sc que correspondem ao nível de mestrado. No nível de
doutorado há o Ph.D. e o MD, entre outros.
Em algumas universidades estrangeiras, que mantêm longa tradição de conferir graus
acadêmicos, a cerimônia de titulação tem uma formalidade que repete as práticas de séculos
passados, e as vestimentas para a ocasião consistem em longas vestes pretas, com detalhes de
cores e decorações que correspondem a determinada área do conhecimento.
A proliferação dos cursos de pós-graduação no mundo inteiro reflete os esforços feitos para
a formação de pesquisadores, e a manutenção de cursos de pós-graduação stricto sensu1, isto é,
nos níveis de mestrado e doutorado, confere às universidades um grande prestígio. No Brasil, a
maioria delas despendeu muito esforço nos últimos anos, não só criando novos cursos, como
também melhorando a qualidade dos já existentes, de forma a obter o conceito mais alto nas
avaliações da CAPES. Essa avaliação é realizada periodicamente e termina com a atribuição, a
cada curso ou programa, de um conceito representado por uma nota. O processo baseia-se em
uma série de critérios que incluem, entre outros, os seguintes aspectos: o impacto das atividades
do curso na sociedade, a qualificação e a produção científica do corpo docente, bem como seu
reconhecimento em nível internacional e a produção de teses e dissertações. A obtenção de uma
boa nota dá ao curso maiores chances de receber as verbas destinadas pelo Governo às atividades
de pós-graduação.

9.2 Características
Teses e dissertações são consideradas um tipo de literatura cinzenta (ver Capítulo 6:
Literatura Cinzenta) no sentido de que não contam, na maioria dos casos, com um sistema de
publicação e distribuição comercial. Poucas são as teses que atingem esse estágio, devido
principalmente ao seu conteúdo extremamente especializado, que vai interessar a um público
muito restrito. Teses que abordam temas de interesse mais amplo podem ser publicadas como
livro e encontram, portanto, um canal de divulgação maior.
A publicação da tese ou dissertação como artigo de periódico é uma prática que tem sido
estimulada no Brasil pela CAPES; isso pode garantir melhor divulgação do documento, mas exige
um trabalho de compactação que, muitas vezes, o autor não está disposto a empreender. Assim
sendo, a maioria das teses e dissertações mantém-se na sua forma original: impressão
xerografada, número pequeno de exemplares, normalização deficiente. Essa última tende a
diminuir à medida que surgem os manuais de normalização bibliográfica, muitas vezes
publicados pelas próprias universidades, facilitando o trabalho de padronização e possibilitando
uma melhor qualidade na apresentação das teses e dissertações (ver lista ao final deste Capítulo).

9.3 Fontes para identificação


Embora consideradas como literatura cinzenta, teses e dissertações não apresentam
grandes problemas no que diz respeito a sua identificação e obtenção, pois sempre houve
instituições interessadas na sua divulgação. As universidades e faculdades onde são defendidas,
os órgãos de fomento de pesquisas, ministérios de educação e de ciência e tecnologia são
entidades normalmente empenhadas em tornar teses e dissertações acessíveis através de
publicações que, entretanto, têm distribuição restrita.
Uma forma de distribuição de teses e dissertações baseada num esquema comercial é o
serviço fornecido pela empresa americana University Microfilms International (UMI), que trabalha
na divulgação e venda de teses desde 1938. Originalmente, o autor da tese ou a universidade
interessada pagava para que a obra fosse microfilmada e para que o resumo aparecesse na
publicação Microfilm Abstracts. Em 1952, o Micro [um Abstracts foi substituído pelo Dissertation
Abstracts que, por sua vez, refletindo a inclusão de teses européias a partir de 1968, passou a
chamar-se Dissertation Abstracts International. Atualmente, o Dissertation Abstracts
International Online é uma enorme base de dados, com cerca de um milhão e meio de referências,
crescendo na proporção de 180 mil registros por ano. A base, que cobre todos os assuntos,
incorpora os antigos serviços oferecidos pela UMI: Dissertation Abstracts International, American
Doctoral Dissertations, Comprehensive Dissertation Index e MasterAbstracts, incluindo teses
defendidas desde 1861. Cerca de um milhão das teses estão disponíveis em texto completo. Além
do serviço via Internet, que é comercializado por diversos brokers (Ovid, Dialog, Online Computer
Library Center — OCLC, dentre outros), a base de dados está disponível em CD-ROM. A venda é
feita por solicitação dos interessados e há um serviço — o Dissertation Express— que vende
cópias não encadernadas por um preço mais acessível.
As primeiras tentativas de divulgação sistemática de teses no Brasil foram feitas na década
de 70, quando ocorreu a ampliação dos cursos de pós-graduação no País, e os primeiros cursos
criados começavam a se consolidar O antigo IBBD, atual IBICT, colecionava as teses brasileiras e
as divulgava no suplemento Livro, do Jornal do Brasil. Era uma forma de divulgação bastante

1 No Brasil os programas de pós-graduação se estruturam em três níveis: especialização (também chamado de lato sensu),

mestrado e doutorado (stricto sensu).

44
precária, que se manteve durante pouco tempo. A CAPES também desenvolveu um processo de
controle e divulgação, publicando, em 1974, a Lista de Dissertações e Teses. Logo depois, em
1977, o próprio Ministério da Educação (MEC) iniciou a edição do Católogo do Banco de Teses,
interrompido em 1982, que teve cinco volumes publicados, incluindo no total cerca de 5 mil
referências. Houve também uma tentativa de copiar a fórmula desenvolvida pela UMI, feita por
uma empresa paulista, a IMS-Informações, Microformas, Sistemas S/A que, em 1977, iniciou a
publicação do Índice Cenate, mas que teve vida curta.
Em 1986, o IBICT, já na sua fase de informatização e retomando o trabalho iniciado pelo
IBBD, iniciou a publicação do Índice de Teses, gerado a partir da base de dados Teses, que incluía
dados de quase todas as teses financiadas pelo CNPq e de outras que eram enviadas ao IBICT por
instituições de ensino superior do País. Criada em 1984, a base Teses incluía aquelas defendidas
desde 1982 e, na área de ciência da informação, mantinha registros desde 1971. Em 1996, o
IBICT lançou o Sistema de Informação sobre Teses (SITE ), disponível na Internet através do
Prossiga, ampliando sua atuação no controle e divulgação de teses brasileiras. É uma rede
formada inicialmente por 13 bibliotecas de instituições de ensino superior do País e pela
biblioteca do próprio IBICT, responsável pela alimentação do sistema com as teses defendidas no
exterior. O sistema, que conta atualmente com cerca de sessenta mil registros, vai funcionar com
os documentos propriamente ditos descentralizados (com exceção das teses defendidas no exterior
que serão mantidas na biblioteca do IBICT) e os registros centralizados. Assim, as universidades
devem manter em suas bibliotecas centrais ou setoriais pelo menos um exemplar de cada tese ali
defendida e devem atender às solicitações de cópias pelo COMUT.
As teses e dissertações devem ser analisadas no contexto da educação pós-graduada. Seu
valor e qualidade vão depender também da qualidade dos cursos onde são produzidas, além da
competência do orientador e, portanto, o processo de seleção de teses para inclusão no acervo de
bibliotecas deve levar em conta esses aspectos. A área do conhecimento é outro fator que tem
influência no status das teses e dissertações. Em áreas com grande volume de produção
bibliográfica, tende-se a considerar esses documentos como meros exercícios acadêmicos e a
valorizar mais as formas nobres de publicação, como os artigos de periódicos. Assim sendo, os
profissionais da informação precisam conhecer o contexto de produção de teses e dissertações da
área em que atuam, de maneira a formar coleções que realmente sejam úteis para seus usuários.

Referências bibliográficas
DAVINSON, D. Theses and dissertations: as information sources. London: C. Bingley, 1977.
RUTLEDGE, John B. European dissertations: production, access, and use. Collection
Management, v.19, n.112, p.43-67, 1994.
VILAN FILHO, Jayme Leiro. Catálogo coletivo de teses: situação atual e perspectivas. In:
SEMINÁRIO NACIONAL DE COMUTAÇÃO BIBLIOGRÁFICA, Campinas. 1994. Anais... Brasilia:
IBICT, 995. p.2I-29.

Manuais para Elaboração de Teses e Dissertações

FRANÇA, Júnia Lessa et al. Manual para normalização de publicações


técnico-científicas. 4. ed. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1998.
SILVA, Maria Virgínia dos Santos et al. Estrutura da dissertação/tese e sua
apresentação gráfica. Santa Maria: universidade Federal de Santa Maria,
1985.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO. Biblioteca central.
Normalização e apresentação de trabalhos científicos e acadêmicos: guia
para alunos, professores e pesquisadores da UFES. Vitória, 1997.
UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SÃO PAULO. Coordenadoria Geral de
Bibliotecas. Normas para publicações da UNESP. São Paulo: Editora UNESP,
1994. v. 4. Dissertações e teses.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ. Biblioteca central. Normas para
apresentação de trabalhos, Curitiba: Editora UFPR, 1996. Parte 2: Teses,
dissertações e trabalhos acadêmicos,
SILVA, Mário Camarinha da. BRAYNER, Sonia, Normas técnicas de
editoração: teses, monografias, artigos e papers. 3.ed. Rio de janeiro:
UFRJ, 1995.

45
SOUZA. Francisco das Chagas de. Escrevendo e normalizando trabalhos
acadêmicos: um guia metodológico. Florianópolis: Editora da UFSC. 997.

46
10 - Traduções
Bernadete Santos Campello

Existem hoje no mundo cerca de seis mil línguas de importância variada. Os 12 idiomas
mais falados hoje são o mandarim (falado por cerca de oitocentos milhões de chineses), o hindi, o
espanhol e o inglês (por mais de trezentos milhões de pessoas cada um), o bengali, o árabe, o
russo e o português (por aproximadamente duzentos milhões cada um), o japonês e o alemão
(falados por cerca de cem milhões de pessoas cada um), o francês (setenta milhões) e o malaio
(cinqüenta milhões). Se considerarmos o inglês como segunda língua, esse idioma passa a ser o
segundo mais falado: cerca de quatrocentos milhões de pessoas.
O mandarin e o hindi são línguas maternas de cerca de 25% da população mundial;
entretanto, menos de 1% da literatura científica e técnica do mundo é publicado nesses idiomas.
O inglês, ao contrário, sendo a língua materna de apenas 8% da humanidade, é utilizado em mais
de 50% da literatura científica e técnica. Apenas cinco idiomas (inglês, russo, alemão, francês e
japonês) são usados em 90% das publicações especializadas; os restantes 10% são escritos nas
demais línguas, incluindo o português. Muitas das línguas faladas por um número pequeno de
pessoas tendem hoje a desaparecer e a serem substituídas por línguas de maior alcance. Calcula-
se que 90% das línguas faladas na década de 90 estarão extintas ou condenadas ao
desaparecimento até o final do século XXI.
Esses dados mostram a predominância de certos idiomas na divulgação de pesquisas e a
necessidade de tradução de trabalhos para que essa divulgação se dê de forma ampla. Mesmo
com a influência do inglês como idioma de publicação da literatura científica e técnica, e levando-
se em conta o número de pessoas que o domina, uma parte dessa literatura é produzida em
outras línguas, geralmente pouco acessíveis, necessitando ser traduzida. A atividade de tradução
é complexa e lenta, e a produtividade de um tradutor se compara à de um copista na Idade Média:
cerca de mil a seis mil palavras por dia, dependendo da complexidade do texto.

10.1 A tradução na área de ciência e tecnologia


O inglês tem sido a língua preponderante na comunicação da pesquisa científica e
tecnológica e, com o advento da Internet, consolida-se cada vez mais como o idioma dos
pesquisadores. Há também, em praticamente todos os países em desenvolvimento, uma pressão
das instituições financiadoras de pesquisa e das próprias universidades para que os cientistas
publiquem em revistas de prestígio internacional, que são geralmente em língua inglesa. Aqueles
que insistem em publicar em suas línguas pátrias têm seus trabalhos desvalorizados nos
processos de avaliação institucional e, conseqüentemente, acabam penalizados na distribuição de
recursos para a pesquisa.
Outra prática que se torna comum atualmente é a pressão sobre os editores de periódicos
científicos para publicar suas revistas em inglês, de forma a alcançar uma maior visibilidade na
comunidade científica internacional. Tudo isso sinaliza para um processo de homogeneização na
linguagem científica, com o inglês despontando como o idioma universal.

10.2 Tradução automática


As pesquisas para desenvolvimento de tradução automática, como recurso para agilizar a
elaboração de traduções, sofreram um incremento na década de 50, após a Segunda Guerra
Mundial. Durante a Guerra, os Estados Unidos já tinham projetos sobre o assunto, visando a
tradução automática de documentos militares. Na mesma época, também a França, a Inglaterra e
a antiga União Soviética desenvolviam pesquisas na área.
Na década de 60, praticamente todos os projetos com financiamento governamental foram
suspensos, devido às dificuldades na solução de problemas lingüísticos, embora alguns trabalhos
custeados pela iniciativa privada ainda continuassem. Hoje o maior esforço de pesquisa em
tradução automática é feito pelo Japão, considerando o interesse comercial do país tanto na
exportação de seus produtos, quanto na absorção de conhecimentos científicos e tecnológicos
gerados em outros países.
A União Européia, que tem como princípio a igualdade de tratamento para cada uma das
línguas oficiais de seus países membros, desenvolve atualmente um grande projeto de tradução
automática, o EUROTRA envolvendo todos os países membros, num total de nove idiomas oficiais
(francês, italiano, alemão, holandês, inglês, dinamarquês, grego, espanhol e português). O
EUROTRÀ tem dois objetivos: desenvolver um protótipo para tradução automática entre as
línguas da União Européia e estimular a pesquisa em lingüística computacional nos países
membros.
Pode-se observar que as motivações para o desenvolvimento dos projetos de tradução
automática variaram ao longo do tempo, refletindo interesses militares, técnico-científicos,
comerciais e políticos.

10.3 Fontes para identificação de traduções


As instituições que trabalham com tradução de documentos científicos e técnicos
geralmente não têm como objetivo a sua publicação formal. Assim, é comum que essas traduções
sejam feitas sob encomenda, e o resultado é um serviço rápido que permite ao solicitante entender
o conteúdo geral do documento, sendo secundárias as questões de estilo. Essa possibilidade de
um trabalho menos sofisticado barateia o custo da tradução e tem sido utilizada, por exemplo,
pelo Centro Argentino de Información Científica y Tecnológica (CAICYT).
A fonte mais completa para a identificação de traduções em todos os campos da ciência e da
tecnologia é o World Transiations Index, uma base de dados de cerca de quinhentos mil registros,
que cresce na proporção de 2.500 registros por mês. A base reúne referências de documentos cuja
tradução é comunicada ao International Translations Center (ITC) , localizado em Delft,
Holanda, e ao Centre National de la Recherche Scientifique et Technique (CNRS), na França, que
são as organizações mantenedoras da base de dados, O World Translations Index, que é também
fornecido em versão impressa, inclui a referência bibliográfica do documento original e do
traduzido, e cópias podem ser solicitadas diretamente à organização responsável pela tradução, já
que a referência inclui sempre a informação de onde pode ser obtida. Cerca de metade dessas
traduções é de documentos traduzidos do russo para o inglês; outros 30% são do japonês e
alemão para o inglês.
Outra fonte de documentos traduzidos é o BLDSC, que os divulga, juntamente com
relatórios e teses do seu acervo, na publicação British Reports Translations and Theses. Nos
Estados Unidos, o National Translations Center (NTC), criado em 1953, e que. desde 1989, estava
sediado na Library of Congress, fechou suas portas em 1993, devido aos altos custos de
manutenção do programa. Funcionando como um centro de informações sobre traduções, o NTC
possuía cerca de um milhão de registros sobre documentos traduzidos e mantinha um acervo
próprio de mais ou menos quatrocentos mil documentos traduzidos, nas áreas de ciências físicas,
médicas e sociais.
Alguns sítios na Internet podem ser úteis para identificação de traduções: é o caso do
English Language Transiations: a Guide to Selected Resources ih the Duke University Libraries .
Embora voltado para os usuários de uma universidade, esse tipo de sítio pode servir para
identificação de fontes para traduções.
Existem também fontes especializadas que divulgam documentos traduzidos em
determinadas áreas do conhecimento, como é o caso do Transiations index: a quarterly source
and author index to the avaliable transiations into English of technical papers in metais and
materials, publicado desde 1977 pela American Society of Metais que, como o próprio nome
indica, é voltado para a metalurgia e ciência dos materiais.

10.4 Traduções capa a capa


Instituições que fornecem serviços de tradução trabalham geralmente com artigos de
periódicos, trabalhos de congressos, documentos de patentes e normas técnicas. Mais rara é a
tradução de teses e livros.
Alguns periódicos são traduzidos na sua totalidade para idiomas mais conhecidos; são as
chamadas traduções capa a capa. Grande número desses periódicos constituem tradução de
publicações em russo e já têm aparecido algumas traduções de outros idiomas. A grande
vantagem dessas publicações é a facilidade de sua obtenção, já que são produzidas dentro de
esquemas comerciais. A identificação desse tipo de periódico pode ser feita por meio de fontes
específicas para esse fim, como, por exemplo, Journals in Transfation (5. ed., 1991), publicado
pelo BLDSC, que lista principalmente periódicos russos, seguidos dos alemães e japoneses. A
cobertura, no que concerne ao assunto, abrange ciência e tecnologia, mas alguns periódicos de
ciências sociais são incluídos.

48
10.5 Fontes para identificação de tradutores
O alto custo e o tempo necessário para se traduzir um documento exigem que se esgotem
todos os meios disponíveis para encontrar uma tradução já pronta, antes de encomendá-la a um
tradutor. Existem pessoas e serviços especializados nessa atividade na maioria das capitais
brasileiras, e as listas telefônicas são uma opção para sua identificação.
Uma fonte mais abrangente é Tradução e Terminologia: Repertório Biográfico Internacional,
que reúne dados biográficos de cerca de dois mil tradutores do mundo inteiro, com endereços e
principais publicações traduzidas. A obra é publicada pela União Latina, de Paris, e pelo
International Information Center for Terminology (Infoterm), de Viena, além de duas organizações
privadas do Reino Unido e Alemanha Conta com o apoio da Federação Internacional de
Tradutores e de vários outros organismos internacionais. Na Internet, encontram-se inúmeras
listas e serviços de tradutores, embora não se possa ter garantias sobre a qualificação dessas
pessoas. É o caso da lista da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)  e da Webra:
Índice do Mercosul .
A identificação de documentos traduzidos não se apresenta como um problema significativo
nas bibliotecas brasileiras de pesquisa, já que a maioria dos pesquisadores do País domina o
inglês. O domínio do francês também é razoável, e o espanhol, pela similaridade com o português,
não constitui problema para o cientista brasileiro. Entretanto, considerando-se o custo e o tempo
gastos para se obter uma boa tradução, é necessário que o bibliotecário conheça as fontes
disponíveis.

Referências bibliográficas
BARANOW, Ulf G. Tradução automática hoje: uma visão panorâmica. In: SIMPÓSIO LATINO-
AMERICANO DE TERMINOLOGIA, 2, ENCONTRO BRASILEIRO DE TERMINOLOGIA TÉCNICO-
CIENTÍFICA, 1, 1990, Brasília. Anais... Brasília: CNPq/IBICT, 1992. p. 67-77.
GIETZ, Ricardo A. La inforrnación en la traducción técnico-científica: perspectivas de la TAC e de
la TA. In: SIMPÓSIO LATINO-AMERICANO DE TERMINOLOGIA, 2, ENCONTRO BRASILEIRO DE
TERMINOLOGIA TÉCNICO- CIENTÍFICA, 1, 990, Brasília. Anais... Brasília: CNPq/IBICT, 1992. p.
8 1-88.
KALIYAN, S., RAO, V. Kasi. Information dissemination through document translation: subject
specialist or translator? Library Review, v.42, n.6, p.47-55, 1993.

49
11 - Normas técnicas
Maria Matilde Kronka Dias

A normalização é uma característica essencial da atividade humana desde os primórdios da


civilização, tendo sido essencial no desenvolvimento da linguagem falada e escrita. Outros
aspectos de normalização da atividade humana em épocas passadas podem ser observados
quando o comércio entre os povos primitivos exigiu o estabelecimento de medidas padronizadas
de peso, dimensão e formas de pagamento.
A padronização de produtos é outro tipo de normalização empregada há muito tempo pelo
homem. Uma das primeiras tentativas de normalização de produtos foi a British Pharmacopaeia,
publicada inicialmente em 1864. Essa obra determinava a composição ideal de drogas e de
produtos químicos usados em medicamentos e, desde então, tem sido editada regularmente
(HOUGHTON, 1972). A necessidade da normalização na indústria foi sentida logo que se iniciaram
as atividades fabris e, a partir daí, a padronização de componentes passou a ter uma função
essencial em nossa sociedade que é, basicamente, tecnológica. A economia proporcionada pelo
emprego de normas técnicas na área industrial é fundamental em economias baseadas no
conceito de produtividade. As normas simplificam o processo de produção em massa, asseguram
a uniformidade do produto, eliminando uma variedade desnecessária e antieconômica.
A normalização é uma atividade social e econômica a ser promovida mediante a cooperação
mútua de todos os elementos envolvidos, O estabelecimento de uma norma deve ser baseado no
consenso geral:

A normalização é o processo de estabelecer e aplicar regras a fim de abordar


ordenadamente uma atividade específica, para o benefício e com a participação de
todos os interessados e, em particular, de promover a otimização da economia
levando em consideração as condições funcionais e as exigências de segurança.
(REIS, [s.d.].)

A normalização é de grande importância no comércio internacional. Os países em


desenvolvimento, interessados via de regra em aumentar o volume de suas exportações, devem
adotar normas de fabricação e controle de qualidade aprovadas internacionalmente, garantindo
uma melhor aceitação de seus produtos.
O papel que a normalização desempenhou na década de 90 foi fundamental para o êxito das
empresas brasileiras em função de diversos fatores, a saber a formação de blocos econômicos
como o dos países da União Européia, o dos chamados tigres asiáticos e o norte-americano; a
crescente organização do consumidor brasileiro, mais exigente com a qualidade dos produtos; a
exigência de normalização de produtos e serviços, explicitada no Código de Defesa do Consumidor
e, finalmente, a necessidade de competitividade no mercado internacional, aberto à concorrência
externa, que tem exigido especificações de alto padrão tecnológico.
O número de normas técnicas que um país produz pode ser um indicador do seu grau de
desenvolvimento tecnológico. O Brasil possuía, até 1998, cerca de dez mil normas, produzidas
pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)  e registradas no Sistema Nacional de
Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (SINMETRO). Embora seja um número alto, é
pouco significativo se comparado com alguns países desenvolvidos, não tendo o País uma tradição
na utilização de normas. Entretanto, a globalização da economia tem levado o Brasil a desenvolver
um esforço maior na questão da normalização. Assim é que, na década de 80, o País se mobilizou
na busca da qualidade de produtos e serviços, aderindo às normas da série ISO 9000. Essas
normas originaram-se do modelo de qualidade e produtividade do Japão, país que desde a década
de 50 tem investido no desenvolvimento de uma industrialização voltada para a exportação —
portanto, altamente competitiva — e que, por isso mesmo, precisava oferecer produtos mais
baratos e de melhor qualidade. As normas 50 9000 são adotadas por inúmeros países,
principalmente os da União Européia, e foram incorporadas, no início da década de 90, pela
ABNT, ao conjunto de normas brasileiras. São normas estruturais que se destinam a organizações
que desejam implantar sistemas de controle de qualidade, funcionando como complemento aos
requisitos para produtos e serviços definidos pelas especificações técnicas, fornecendo diretrizes
para a gestão e garantia da qualidade.
Na metade da década de 90, sob o imperativo das exigências ambientais, surgiram as
normas da série ISO 14000. A série é um conjunto de normas que se destinam a ajudar as
empresas a se adequarem ao paradigma do crescimento responsável, no qual a economia do meio
ambiente se desloca da visão do impacto ambiental como um custo adicional, que se reflete
negativamente nos balanços das empresas, e passa a ser vista como um agente de
competitividade e de novas oportunidades de negócios. Essas normas também foram incorporadas
ao conjunto de normas brasileiras, e o País passa a contar com instrumentos de apoio à
exportação e de atendimento à pressão pública que exige não só produtos e serviços com
qualidade assegurada, mas também ambientalmente sadios e, ainda, que os recursos naturais
sejam usados de forma racional para manter as condições de vida adequadas para as gerações
atuais e futuras (DEDDING e TANAK, 1991).
A inclusão de tópicos relativos à normalização nos currículos de algumas escolas brasileiras
de engenharia demonstra claramente a preocupação em desenvolver nos especialistas maior
conscientização da importância do uso de normas técnicas.

11.1 Características
Segundo VEADO (1985):

Norma técnica é um documento que reflete a consolidação de uma tecnologia; nela


podem encontrar-se a definição dos parâmetros de um produto, sua provável
padronização e os métodos para sua certificação; também pode definir as
especificações de projetos, as características das matérias-primas, os
procedimentos de fabricação e os métodos de ensaio e inspeção.

É necessário fazer uma distinção entre as normas técnicas aqui descritas e as normas
físicas, que têm uma função diversa, tratando de grandezas físicas ou fenômenos naturais e que
não estão sujeitas a mudanças ocasionadas pelo progresso científico e tecnológico. São as normas
ou medidas de temperatura, tempo, peso, massa, comprimento etc.
O formato físico de uma norma técnica varia muito: ela pode aparecer como um folheto
mimeografado ou impresso, sem capa, ou como um volume encadernado, como é o caso das
normas da American Society for Testing and Materiais (ASTM) — cuja edição de 1998 em papel se
apresenta em 62 volumes.
Deve-se estar atento para o aspecto de atualidade das normas técnicas que são documentos
dinâmicos, sempre sujeitos a revisões e que acompanham de perto o desenvolvimento tecnológico.
A solicitação de uma norma pelos técnicos é feita em geral por um código alfanumérico, que
indica a entidade produtora e o número da norma específica dentro dessa entidade. Assim o
profissional da informação poderá ser solicitado a localizar a norma BS 3012, ou NBR 6023, ou
DIN 1945, que são respectivamente uma norma britânica, uma brasileira e uma alemã.
O termo norma técnica é usado em relação a publicações que incluem especificações,
códigos de prática, recomendações, métodos de testes, nomenclaturas etc. A classificação dos
diversos tipos de normas brasileiras elaboradas pela ABNT pode ajudar na compreensão dos
termos sob os quais uma norma técnica aparece, bem como auxiliar na definição dos vários tipos
de normas que existem. Segundo o referido órgão, as normas são classificadas em:
• “classificação (CB): ordena, designa, distribui e/ou subdivide conceitos, materiais ou
objetos, segundo uma determinada sistemática;
• especificação (B): fixa as condições exigíveis para aceitação e/ ou recebimento de matérias-
primas, produtos semi-acabados, produtos acabados;
• método de ensaio (MB): prescreve a maneira de verificar ou determinar características,
condições ou requisitos exigidos de um material ou produto, de acordo com a respectiva
especificação; de uma obra, instalação, de acordo com o respectivo projeto;
• procedimento (NB): fixa condições para: a execução de cálculos 1 projetos, obras, serviços,
instalações; o emprego de materiais e produtos industriais; certos aspectos das transações
comerciais (ex.: reajustamento de preços); a elaboração de documentos em geral, inclusive
desenhos; a segurança na execução ou na utilização de uma obra, equipamento, instalação, de
acordo com o respectivo projeto;
• padronizaç&o (PB): restringe a variedade pelo estabelecimento de um conjunto metódico e
preciso de condições a serem satisfeitas com o objetivo de uniformizar características geométricas,
físicas ou outras, de elementos de construção, materiais, aparelhos, produtos industriais,
desenhos e projetos;
• simbologia (SB): estabelece convenções gráficas e/ou literais para conceitos, grandezas,
sistemas ou partes de sistemas;
• terminologia (TB): define, relaciona e/ou dá a equivalência em diversas línguas de termos
técnicos empregados em um determinado setor de atividade, visando ao estabelecimento de uma
linguagem uniforme”. (BRASIL, 1978)

Essas definições, embora propostas pelo órgão brasileiro da área, são aplicáveis a normas
de outros países e mesmo a normas internacionais.

51
11.2 Organizações produtoras
O grande número de normas técnicas usado em atividades científicas e tecnológicas é
produzido por uma variedade de organizações tanto governamentais como privadas. Essas
organizações podem ser divididas em quatro categorias:
• organizações internacionais
O principal objetivo dessas organizações é a promoção de atividades de normalização em
nível internacional e o desenvolvimento de cooperação mútua entre os órgãos nacionais. As mais
conhecidas são a ISO e a International Electrotechnical Commission (IEC) . A 50 é uma
federação mundial integrada por organismos nacionais de normalização, contando com um
representante por país. É uma organização governamental (da qual a ABNT é membro fundador)
estabelecida em 1947, contando atualmente com cerca de cem membros. A IEC é uma federação
constituída em 1906, nos moldes da 150, atuando especificamente na normalização internacional
no campo da eletricidade. O Brasil foi um dos primeiros países não europeus a associar-se à IEC
e, como conseqüência, fundou em 1908 o Comitê Eletrotécnico Brasileiro, que se uniu à ABNT
quando de sua criação, transformando-se no atual Comitê Brasileiro de Eletricidade (COBEI, CB-
03).
As organizações regionais podem ser incluídas aqui. São aquelas formadas por países
membros localizados numa mesma região e que trabalham para seu benefício mútuo. Podemos
citar como exemplos a Comissão Pan-americana de Normas Técnicas (COPANT) e o Comité
Européen de Normalisation (CEN) . Outro exemplo é o do Comitê Mercosul de Normalização, que
surgiu em decorrência da criação do Mercosul, em 1991. Os projetos de Norma Mercosul (NM)
estão submetidos a votação pelos organismos de normalização dos países integrantes do
Mercosul: Instituto Argentino de Normalización (IRAM), ABNT do Brasil, Instituto Nacional de
Tecnologia Y Normalización (INTN) do Paraguai e Instituto Uruguayo de Normas Técnicas (UNIT);
• organizações nacionais
A maioria dos países possui órgãos que preparam e publicam normas a nível nacional, a fim
de beneficiar a indústria e o comércio locais. Esses órgãos, via de regra, representam seus países
na ISO e em outras entidades internacionais:
• organizações governamentais
Alguns órgãos do governo também produzem normas aplicáveis às suas atividades
específicas;
• outras organizações
Nesse grupo estão as sociedades técnicas, associações profissionais e comerciais,
instituições de pesquisas etc. Também aqui deveriam ser incluídas as indústrias ou empresas
privadas que produzem suas próprias normas ou adaptam às suas necessidades as normas
editadas por outras instituições. Algumas empresas ou grupos de empresas mantêm atividades
normalizadoras permanentes com a finalidade de orientar compras, fabricação, vendas e outras
operações para a satisfação das necessidades de seus clientes. Como exemplos temos a American
Society of Mechanical Engineers (ASME) , cujas normas são bastante conhecidas no campo da
engenharia mecânica, e a Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG) , no campo da
engenharia elétrica.
A multiplicidade das fontes produtoras pode dificultar as tarefas de identificar, selecionar e
adquirir as normas mais adequadas.

11.3 A normalização no Brasil


No Brasil, o marco inicial da normalização foi a criação da ABNT em setembro de 1940. A
ABNT é uma sociedade civil, sem fins lucrativos, reconhecida pelo Governo Federal como entidade
de utilidade pública pela Lei 4150/1962. Seu objetivo é promover a elaboração de documentos
normativos e colaborar nas atividades relativas à normalização, fornecendo a base necessária ao
desenvolvimento tecnológico brasileiro. É representante no Brasil das entidades de normalização
ISO e IEC.
A ABNT é constituída de 35 comitês, dois organismos de normalização setorial e 12 órgãos
especiais, atuando nas mais diversas áreas. Essas comissões são integradas por produtores,
órgãos de defesa do consumidor, governo, entidades de classe, universidades, escolas técnicas e
outros, que analisam e discutem propostas de projetos de normas. Obtido o consenso, o projeto é
submetido à aprovação nacional, para então passar à condição de norma técnica. Além desses,
conta com um Grupo de Apoio à Normalização Ambiental (GANA) e comitês ISO/TC. Como
exemplo, a área de informação e documentação é representada pelo Comitê Técnico, o ISO/TC 46

52
e o SC 9 que tratam especificamente de normas para apresentação, identificação e descrição de
documentos.
Uma vez aprovada, a norma é encaminhada ao Instituto Nacional de Metrologia,
Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO)  que a registra como norma brasileira. A partir
daí, a norma recebe um código de identificação formado pela abreviatura NBR e por um número
seqüencial que a individualiza (exemplo: NBR-10520). Da primeira reunião de uma Comissão de
Estudo até o registro da norma há um processo de elaboração que demora de seis meses a dois
anos.
Até 1973, a ação governamental na área de normalização técnica imitou-se ao apoio dado
pelo Governo à ABNT, no sentido de considerá-la como entidade de utilidade pública e de instituir
por lei a obrigatoriedade de observância de normas técnicas nos contratos de obras e compras do
Serviço Público. Naquele ano foi criado o SINMETRO, com a finalidade de formular e executar a
política nacional nas referidas áreas. A ABNT passou a ser identificada como Fórum Nacional,
local de compatibilização dos interesses públicos, das empresas industriais e do consumidor. Seu
objetivo principal é justamente garantir o consenso de todos os envolvidos, direta ou
indiretamente, na elaboração de normas técnicas, através de seus comitês.
O SINMETRO, integrado por entidades públicas e privadas que exercem atividades
relacionadas com metrologia, normalização industrial e certificação da qualidade de produtos
industriais, visa a defesa do consumidor, a conquista e a manutenção do mercado externo, a
racionalização do mercado industrial com a compatibilização de todos os interesses comerciais,
industriais e do consumidor. O SINMETRO tem como objetivo dotar o País de infra-estrutura de
serviços tecnológicos para a qualidade e produtividade com a criação de normas e regulamentos
técnicos, de redes de laboratórios de calibração e de ensaios e de um sistema de certificação de
conformidade.
O sistema é formado basicamente por dois órgãos, ambos vinculados ao Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio, com características e atribuições específicas. O Conselho
Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (CONMETRO) é um colegiado
interministerial que exerce a função de órgão normativo do SINMETRO e que tem como sua
secretaria executiva o INMETRO. O CONMETRO é responsável pela coordenação e diretrizes gerais
executivas, coordenação internacional, planos, programação e estudos do Sistema. O INMETRO é
o órgão executivo central do sistema. No âmbito de sua ampla missão institucional, objetiva
fortalecer as empresas nacionais, aumentando sua produtividade por meio da adoção de
mecanismos destinados à melhoria da qualidade de produtos e serviços. Sua missão é trabalhar
decisivamente para o desenvolvimento socioeconômico e para a melhoria da qualidade de vida da
sociedade brasileira, contribuindo para a inserção competitiva, para o avanço científico e
tecnológico do País e para a proteção do cidadão, especialmente nos aspectos ligados à saúde,
segurança e meio ambiente. Além disso, funciona como fórum de compatibilização dos interesses
governamentais com os seguintes comitês: químico, siderúrgico, mecânico, naval, aeronáutico,
eletroeletrônico, de veículos rodoviários, transportes ferroviários, transportes urbanos, construção
civil, alimentos e bebidas.
Para oferecer ao CON METRO o adequado assessoramento técnico, foram criados os
seguintes comitês: Comitê Nacional de Normalização: Comitê Brasileiro de Certificação: Comitê
Nacional de Credenciamento; Comitê Codex Alimentarius do Brasil: Comitê Brasileiro de
Metrologia e Comitê de Coordenação de Barreiras Técnicas ao Comércio.
No Brasil, outras entidades governamentais, prefeituras, indústrias e institutos de
pesquisas também elaboram suas normas técnicas, como a CEMIG e o Instituto Adolfo Luiz de
São Paulo. Em alguns casos, essas normas não estão restritas às fronteiras da entidade que as
gerou, mas se encontram disponíveis para uso de outras organizações do mesmo ramo.

11.4 Fontes para identificação


A maioria das organizações normativas publica catálogos, periódicos, boletins e outros
materiais de divulgação de grande utilidade no trabalho de identificação de normas. A British
Standard Institution (BSI), por exemplo, tem diversas publicações de divulgação: BSI News,
boletim mensal que registra as normas novas e revistas; Sectional Lists, que são listas de normas
de assuntos específicos. A Association Française de Normalisation (AFNOR)  publica o Courrier
de la Normalisation; a American National Standards Institution (ANSI) , o ANSI Report.
A ABNT lança anualmente o Catálogo ABNT incluindo a relação de todas as normas por ela
aprovadas, bem como a correspondência numérica das normas ABNT com as normas aprovadas
pelo SINMETRO. O ABNT Boletim assegura uma atualização mensal, divulgando as normas
publicadas, as normas canceladas, projetos em estudo, além de uma variedade de normas

53
estrangeiras. Fornece um banco de dados com informações referenciais de todas as Normas
Brasileiras e do Mercosul, o texto completo das normas das séries ISO 9000, 10000 e 14000. Está
disponível mediante a assinatura do Sistema CENWIM 3.0 (Controle Eletrônico de Normas para
Windows — Versão 3.0). O aplicativo do sistema é fornecido sem custo e é um programa
multiusuário, podendo ser instalado em servidores de redes sem limitação de usuários.
Algumas empresas comerciais oferecem serviços de identificação e acesso a normas
técnicas. É o caso do IHS Group (Information Handling Services Group)  que torna disponível,
por meio do Worldwide Standards Service Plus Index, uma lista contendo cerca de trezentos mil
normas de mais de quatrocentas organizações, além de documentos normativos escaneados de
cerca de oitenta organizações, tais como ANSI, ASTM, API (American Petroleum Institute), ISO,
BSI, DIN (Deutsches Institut For Normung), AENOR, dentre outras.
Criado em 1984, com o objetivo de auxiliar o fluxo de informações tecnológicas básicas,
principalmente entre pequenas, médias e microempresas, o SINORTEC (Sistema Nacional de
Informações sobre Normas e Regulamentos Técnicos) procura ampliar o conhecimento e a
conseqüente utilização das normas brasileiras. O sistema é uma fonte para identificação e
aquisição de normas através de três núcleos básicos de normas técnicas que funcionam na ABNT,
no INMETRO e no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) . Esses núcleos desenvolvem uma
variedade de serviços que buscam atender à demanda diversificada e ágil do setor industrial e
comercial por documentos normativos, tais como: especificação de materiais, métodos de análise e
de ensaio, normas de cálculo e de segurança, terminologia técnica, simbologia, padronização
dimensional, gestão ambiental e da qualidade, normas de produtos.
Em 1986, foi implantado no Setor de Informação sobre Normas Técnicas (INTec) do IPT o
serviço Empresa-INTec, com a finalidade de fornecer às empresas interessadas — através de um
contrato de adesão — acesso aos serviços de documentação e informação do INTec. Contando com
um dos maiores e mais completos acervos de normas técnicas da América Latina, possui mais de
oitocentos mil documentos normativos, entre normas vigentes, históricas e duplicatas, de
natureza industrial e/ou governamental e de origem nacional, nacional-estrangeira e
internacional (DEDDING e TANAKA, 1991).
O periódico Science & Technology Libraries, em número dedicado às normas técnicas,
apresenta uma extensa relação de recursos bibliográficos disponíveis sobre normas estrangeiras
(SCIENCE & TECHNOLOGY LIBRARIES, 1988).
A identificação de normas produzidas no âmbito de empresas deve ser feita através de
contato direto com as mesmas, já que não existem instrumentos específicos para este fim.
À medida que a tecnologia avança, normas técnicas são estabelecidas para cobrir novos
campos, de modo a proporcionar segurança e padronização. A importância adquirida por esse tipo
de material bibliográfico no processo de transmissão da informação exige que se conheça a
dinâmica de sua produção e se desenvolvam meios eficientes para selecioná-lo e adquiri-lo.

Referências bibliográficas
BEZERRA, C. A. M., SÂO THIAGO, E. C. de. O Mercosul e as normas técnicas. Ciência da
Informação, Brasília, v.21, n. 1, p.68-70, jan. /abr. 993.
BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Departamento de Assuntos Universitários e Ministério
da Indústria e Comércio. Secretaria Executiva do CONMETRO. Normalização: histórico e
informações. Brasília, 978. 27p.
BRASIL. Ministério da Indústria e Comércio. Secretaria de Tecnologia Industrial. Sistema Nacional
de Netrologia, Normalização e Qualidade Industrial: legislação e resoluções. Brasília: MICISTI,
1976. Slp.
D’AVIGNON, A. Normas ambientais 150 14000: como podem influenciar sua empresa. Rio de
janeiro: CNI, 1995. 66p.
DEDDING, Anita Tereza, TANAKA, Edmar Rinaldo. Informação sobre normas técnicas no IPT:
uma experiência de auto-sustentação. Ciência da Informação, Brasilia, v.20, n. 1, p.69-73,
1991.
HOUGHTON, B. Technical information sources: a guide to patents, specifications, standards
and technical reports literature. London: C. Bingley, 972. ll9p.
MACEDO, L T. Quando normalização técnica quer dizer interesse nacional. Dados e Idéias, São
Paulo, v.4, p.2-8, 979.
REGAZZI FILHO, C. L. Normas técnicas: conhecendo e aplicando na sua empresa. Rio de
Janeiro: CNI, DAMPI, 1995. 60p.

54
REIS, M. J. L. ISO 14000: gerenciamento ambiental, um novo desafio para a sua competitividade.
São Paulo: Qualitymark, [s.d.]. 200p.
SANTOS, M. V. R. A norma como fonte de informação bibliográfica. Ciência da Informação,
Brasilia, v. II, n.2, p.23-3O, 1982.
SCIENCE & TECHNOLOGY LIBRARIES. The role of standards in scitech libraries, Binghamton,
N.Y.: Hatworth Press, v.9, n.2, 1988.
VEADO, J. T. A norma técnica. ABNT Notícias, Rio de Janeiro, v.3, n.25, p3, 1985.

55
12 - A patente
Ricardo Orlandi França

A invenção é um ato intelectual que se Configura por trazer Consciência uma novidade, algo
por ninguém ainda pensado a respeito de assuntos de conteúdo técnico. A invenção muitas vezes
se materializa em produtos ou processos de fabricação e provoca um avanço real nas atividades
industriais, podendo ser por isso bastante valorizada, tornando-se mesmo um bem econômico.
Entretanto, sendo formada por raciocínios e conhecimentos técnicos, como uma síntese da
experiência e das habilidades do inventor, ela é, na verdade, uma propriedade intangível, volátil,
impossível de ser retida. Assim sendo, o meio elaborado pela sociedade para assegurar a posse
desse tipo de bem econômico é a patente.

12.1 Definição, objetivos e características


A patente de invenção é o instrumento legal destinado a proteger a invenção aplicável à
indústria, durante um prazo de tempo definido, contra cópias e quaisquer outros usos não
autorizados pelo seu possuidor, de modo a permitir-lhe a exploração rentável dessa nova idéia. A
patente declara a existência de um monopólio temporário, outorgado pelo Estado ao inventor ou a
outrem por ele indicado, reconhecendo-lhe o direito de propriedade e de exploração da invenção
descrita nesse documento. A patente pode ser concedida a pessoas físicas ou jurídicas,
isoladamente ou em grupo.
São dois os objetivos clássicos do sistema patentário. O primeiro trata de recompensar o
inventor de uma novidade técnica, que tenha necessariamente uma aplicação industrial, através
da concessão pelo estado do direito de exclusividade para a exploração dessa invenção por um
prazo determinado. Como contrapartida, o inventor (ou quem mais detenha os direitos de
propriedade da invenção) está obrigado a explorar a patente outorgada no território desse estado.
De acordo com a interpretação atual desse princípio. a patente dá ao seu detentor o direito de
excluir outras pessoas de todos os atos relativos à invenção, ou seja, impede a fabricação. uso,
importação e venda do produto ou processo patenteado sem a sua devida autorização.
O segundo objetivo é a plena e universal divulgação das inovações tecnológicas geradas
pelas invenções, para possibilitar o seu uso no benefício geral da humanidade, desenvolvendo as
artes e a indústria.
O sistema patentário, na atualidade, tem ainda outras características importantes
internacionalmente reconhecidas. Uma delas é que a patente será concedida a quem fizer o
pedido (chamado depósito de patente) primeiro, independentemente da data da invenção. A
exceção notória são os Estados Unidos, onde a autoria de um invento é de quem provar tê-lo
concebido primeiro. Na maioria dos países presume-se que o depositante do pedido é o real
detentor dos direitos solicitados, seja ou não seu inventor.
Outra característica é que a invenção, para a qual se pede patente, deve atender ao requisito
de novidade absoluta, isto é, não pode ser já conhecida em lugar nenhum do mundo. Como esse
critério é muito difícil de ser aferido, considera-se para a pesquisa da novidade as fontes escritas.
Concede-se um período de graça de 12 meses anteriores ao pedido, no qual o inventor, ou
terceiros, podem divulgar o invento, inclusive com a sua apresentação em exposições
internacionais oficiais, sem quebra desse requisito.
É fundamental também que a patente represente uma invenção, ou seja, ela não deve ser
naturalmente deduzida do estágio atual da técnica. Do mesmo modo, a patente deve
necessariamente ter alguma aplicação industrial. Assim sendo, criações intelectuais, tais como
teorias científicas, métodos matemáticos, programas de computador e as criações estéticas, não
são patenteáveis. Em geral, considera-se ainda como não patenteável o que for contrário à
segurança e à saúde públicas, bem como os seres vivos e materiais biológicos como são
encontrados na natureza. Em alguns países também é vedado o patenteamento de ligas metálicas
e materiais resultantes de transformações atômicas.
A questão da engenharia genética e das transformações produzidas em seres vivos continua
sendo polêmica. Algumas nações preferem adotar uma legislação específica sobre alguns aspectos
da manipulação biológica que têm significativa repercussão econômica, como fez o Brasil através
da Lei 9.4561I997 que trata dos cultivares vegetais.
12.2 A história do sistema de patentes
Desde a Antigüidade e através da Idade Média, algumas cidades européias e da Ásia Menor
especializaram-se na fabricação de artigos que se tomaram reconhecidos em todo o mundo
ocidental pela sua originalidade, qualidade ou utilidade, resultando na transferência de prestígio
do artigo para a própria cidade. Assim foi com a produção de vidro em Murano (Veneza), de
porcelanas em Sèvres e Limoges, de espadas em Toledo, de cutelaria em Solingen, de ourivesaria
em Florença, trazendo fama e riqueza para essas comunidades.
A conseqüência natural foi que os artesãos procuraram proteger seus rentáveis negócios,
agregando-se em corporações de ofício ou guildas, de modo a obter as matérias-primas
necessárias sem sobressaltos e com uniformidade, e a escoar com maior rentabilidade e
segurança sua produção. Eles terminaram por descobrir que a condição sine qua non para
manterem seu monopólio de mercado, com base nos conhecimentos técnicos ímpares que
detinham, era o segredo profissional que só poderia ocorrer se houvesse uma disciplina rígida na
corporação.
Esse tipo de sociedade profissional tinha uma estrutura hierárquica peculiar, evoluindo o
conhecimento do estágio de aprendiz a artesão e a mestre-de-ofício, sempre baseado no sigilo
sobre os métodos de trabalho: cada aprendiz admitido tinha que jurar manter segredo sobre as
técnicas aprendidas e nunca discuti-las fora dos limites da corporação. Nada era escrito — todas
as fórmulas e processos eram decorados, às vezes com a ajuda de cânticos e versos mnemônicos
(NICHOLAS, 1984).
A estrutura de produção das corporações constituiu-se num importante estágio entre o
artesanato e a produção industrial. Entretanto, ao iniciar-se o modo de produção capitalista
moderno, as corporações de ofício passaram a representar um entrave ao desenvolvimento
econômico, já que os cidadãos de iniciativa, mas fora do seu rígido esquema, quase sempre eram
impedidos de estabelecer sua indústria nas cidades. Além disso, a estrutura corporativa burguesa
conquistou uma total liberdade de ação em relação ao sistema de poder político, na época feudal.
Tornava-se cada vez mais importante para os governantes, com a formação dos grandes estados
nacionais, ter novamente essa estrutura submetida ao seu arbítrio (HUBERMAN, 1977). Uma
maneira de reduzir essa liberdade de ação era justamente o rompimento do sigilo de fabricação,
desmantelando-se sua razão de ser.
Em 1474, a República de Veneza promulgou a primeira lei específica sobre patentes,
beneficiando os fabricantes independentes de vidro de Murano (RIMMER e GREEN, 1985),
proclamando através de uma litterae-patente, ou seja, uma carta-aberta, um compromisso entre o
Estado e um cidadão, pelo qual o governo manteria um monopólio de manufatura para o segundo
no seu território, durante um período regular de tempo e, em troca, este divulgaria seus
procedimentos de fabricação. Note-se que esses procedimentos deveriam ser recém-inventados,
pois na época as corporações não abriam mão dos seus segredos. Uma vantagem adicional para o
Estado (e também para a civilização), com a divulgação dos inventos, era o próprio
desenvolvimento da técnica, já que o regime de autocontrole das corporações evitava a adoção de
inventos que pudessem representar um avanço de uma oficina em particular Assim, qualquer
inovação só poderia ser posta em uso pelo consenso dos mestres oficiais, o que era raro.
Seguindo o modelo veneziano, vários Estados passaram a adotar esquemas semelhantes, e o
direito de patentes foi sendo aperfeiçoado. Em 1624, o Parlamento da Inglaterra promulgou o
Statute of Monopolies, que é a base do sistema contemporâneo de patentes. A lei considerava
como novidade inventiva qualquer produto ou processo de manufatura não conhecido ainda no
Reino Unido, independentemente de já ser conhecido ou usado em outros países, daí resultando
diversos conflitos sobre os direitos da novidade, cuja solução só foi possível a partir de 1714,
quando a lei passou a obrigar o inventor a providenciar a descrição completa da sua invenção no
pedido de patente, de modo a melhor esclarecer o julgamento de pendências.
Em meados do século XIX, a prática de concessão de patentes já estava desenvolvida e
adotada como legislação nacional na maioria dos países integrantes da Revolução Industrial.
Entretanto, a proteção aos direitos de estrangeiros não era ainda regulamentada, dificultando a
apresentação de invenções em exposições internacionais, tal como sucedeu na Exposição de Viena
de 1873, quando a negativa dos estrangeiros em divulgar suas inovações, sem garantias de
proteção contra cópias não autorizadas, quase a inviabilizou. O efeito imediato foi a realização do
Congresso de Viena para a Reforma das Patentes, que iniciou um entendimento sobre a
abrangência internacional da proteção legal. Continuado em Paris, em 1878 e 1880, o movimento
finalizou pela Convenção da União de Paris para a Proteção da Propriedade Industrial de 1883,
apoiada inicialmente por apenas 14 países, mas evoluindo rapidamente até contar na atualidade,
após dez revisões1, com mais de 140 países membros (OMPI, 1998).
1 A última revisão, feita em 1967, é conhecida como Ata de Estocolmo.

57
No que diz respeito ao Brasil, já na Constituição imperial de 1824 foram incluídos alguns
dispositivos de forma a garantir ao inventor nacional a propriedade das suas invenções. Em 1883,
o Brasil continuava atento ao assunto, tendo subscrito a Convenção da União de Paris, estando
entre os países que inicialmente a apoiaram. Desde então a legislação pertinente tem evoluído, de
acordo com a importância dada à indústria e ao intercâmbio comercial, até a recente promulgação
da Lei 9.279/1996.

12.3 O sistema de propriedade industrial


O instrumento de patente de invenção é um dos principais componentes do sistema
internacional de propriedade industrial. Este sistema é considerado como o conjunto de leis e
tratados que tem o objetivo de proteger todas as formas de ativos intangíveis da indústria, ou seja,
a riqueza não-material gerada paralelamente à fabricação de bens materiais, e representada por
valores voláteis, tais como a tecnologia utilizada, o conceito da empresa junto à clientela, o seu
reconhecimento frente aos concorrentes etc.
Uma outra modalidade de propriedade industrial, também importante para a indústria e o
comércio, é a marca de negócio, geralmente conhecida como marca registrada ou através do
símbolo ® com a função de atestar que a mercadoria que se está comprando foi fabricada por
determinada indústria. A marca está associada à conquista do mercado pelo fabricante e ao seu
prestígio junto ao consumidor, e daí seu valor intrínseco.
Fazem parte também do sistema duas outras modalidades de bens intangíveis, menos
abrangentes e mais recentes em termos de regulamentação. Uma delas é a patente de modelo de
utilidade (ou mero registro, dependendo do país), definido como a modificação realizada num
objeto já conhecido ou numa parte dele, que tenha uso prático e seja de aplicação industrial,
capaz de melhorar seu uso ou sua fabricação. Essa modalidade se aplica à evolução e
modernização de ferramentas, máquinas e objetos, ou ainda à sua adaptação para novos usos.
A quarta modalidade é o registro de desenho industrial, definido como o design (bi ou
tridimensional) dos ornamentos característicos de um objeto (como uma garrafa de refrigerante)
ou do conjunto de linhas e cores que podem ser aplicados ao objeto (como um rótulo), de modo a
destacá-lo visualmente, distinguindo o produto dos concorrentes.
A legislação de propriedade industrial, apesar de ser soberana em cada país, tende a
uniformizar seu teor e abrangência graças aos tratados internacionais, já que o interesse
econômico sobre esse patrimônio transcende as fronteiras nacionais.
É interessante notar que o sistema de propriedade industrial faz parte de um outro sistema
mais abrangente, o da propriedade intelectual, englobando todos os processos criativos humanos
em todos os campos de atividade, regendo também os direitos sobre a divulgação das obras
literárias, artísticas, arquitetônicas e musicais. Os direitos sobre a propriedade intelectual na área
artística, conhecidos como direitos autorais ou copyright ou ainda pelo símbolo ©, são delimitados
em legislação específica nos países e organizações internacionais, a partir da Convenção de Berna
de 1886.

12.4 A organização internacional do sistema de patentes


É importante destacar os princípios básicos estabelecidos pela Convenção da União de Paris
e o papel exercido pela OMPI e pelo EPO na organização internacional do sistema de patentes.

12.4.1 A convenção da união de paris


São três os princípios básicos acordados em 1883 na Convenção da União de Paris e
chamados princípios unionistas. O primeiro refere-se ao tratamento nacional, pelo qual os países-
membros devem dar igualdade de tratamento aos inventores nacionais e estrangeiros, na
tramitação dos depósitos de patente, desde que estes últimos sejam súditos unionistas, ou seja,
originados de outros países-membros da União. Normalmente exige-se que a documentação esteja
na língua do país onde se faz o depósito do pedido. Esse status inclui tanto indivíduos como
empresas.
O segundo princípio é o da prioridade unionista, pelo qual fica garantido ao depositante de
uma patente original, em qualquer um dos países signatários, o direito de salvaguarda da
novidade em todos os demais países-membros pelo prazo de um ano, para que tenha tempo
suficiente de proceder ao depósito dessa patente em qualquer outro país unionista que quiser. As
solicitações posteriores de depósito serão consideradas como tendo a mesma data da primeira, a
qual é denominada solicitação prioritária.

58
O terceiro princípio refere-se à independência legal, pelo qual ressalva-se que a patente só
tem validade no território do país que a concede, mesmo sendo unionista. Cada país tem inteira
liberdade de legislar e organizar seu controle sobre a propriedade industrial, mas na prática essa
liberdade tem sido cada vez mais restringida por tratados e por pressões políticas e econômicas.
A União de Paris estabeleceu também uma padronização mínima dos procedimentos,
requerendo dos países participantes a organização de um escritório central para a tramitação e
divulgação das patentes. O escritório deve publicar regularmente um boletim com os nomes dos
detentores das patentes concedidas, bem como um resumo das invenções patenteadas. A maioria
dos países inclui nessa publicação outras informações úteis, tais como índices, reivindicações
principais de cada patente, andamento dos protocolos etc.
A única grande modernização do sistema ocorreu recentemente. Até os anos 60, a descrição
do invento depositado para patenteamento (chamada especificação) ficava indisponível ao público
até que tivesse sido examinada pelo escritório nacional. Às vezes, vários anos se passavam antes
da publicação e, assim, os inventos de patenteamento negado permaneciam desconhecidos. Em
1964. a Holanda iniciou um novo procedimento de exame conhecido como exame adiado (deferred
examination), ou publicação prévia, no qual a especificação é invariavelmente publicada 8 meses
após a data de depósito, acompanhada por um relatório de busca quanto ao aspecto de novidade,
compilado pelo escritório de patentes. O solicitante tem então algum tempo para decidir se requer
ou não a continuidade do exame de patenteabilidade (na prática, mais da metade das solicitações
não prossegue, já que não contém novidade). Se o inventor, porém, decide continuar o processo, e
sua invenção é patenteada, a especificação é publicada pela segunda vez com as correções
necessárias. Esses dois estágios de publicação são diferenciados pela adição das letras A ou B ao
número de série da publicação da patente (RIMMER e GREEN, 1985).
Em cada país unionista onde for feito o depósito da solicitação, há que se cumprir todos os
trâmites burocráticos previstos na respectiva legislação nacional, principalmente quanto ao
pagamento de taxas e prazos a cumprir. Normalmente também é requerido que o solicitante
mantenha um domicilio local ou que constitua ali um procurador. Para a redução da carga
burocrática tem-se buscado a implantação de organismos internacionais de controle de patentes,
com procedimentos centralizados e abrangentes para a sua concessão.
A tendência atual é de que todas as nações acabem por aderir à União, já que a criação da
Organização Mundial do Comércio, através do Tratado de Marrakech de 1994, toma obrigatório o
cumprimento das principais disposições unionistas por parte dos seus estados-membros, através
da convenção denominada TRIPS (Trade-related Aspects of Intellectual Property Rights, ou
assuntos de propriedade intelectual relacionados com o comércio).

12.4.2 A organização mundial de propriedade intelectual


A Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI) é um organismo da ONU com sede
em Genebra, que tem a incumbência de administrar o Tratado de Cooperação sobre Patentes
(TCP), assinado em Washington em 1970. O tratado unifica os procedimentos para que uma
solicitação depositada em qualquer país signatário possa ser objeto de uma busca internacional
quanto ao aspecto da novidade. A especificação e o relatório de busca são publicados 18 meses
após a data de solicitação, sempre em inglês. Se o interessado prosseguir no processo de
patenteamento, a solicitação é encaminhada. para exame, aos escritórios dos países por ele
designados. A apresentação via TCP poderá estender os prazos de apresentação nacional para até
30 meses. Esse tratado não interfere com a concessão da patente, sempre afeta à soberania dos
Estados e atua apenas no que diz respeito à pesquisa quanto à novidade. Entretanto, ele pode
também viabilizar um exame preliminar nos aspectos de atividade inventiva e aplicação
industrial, útil para os países emergentes, que não têm uma estrutura completa de controle de
patentes.
A OMPI criou o International Patent Documentation Center (INPADOC) em 1972, com sede
em Viena. Esse organismo gerencia a base de dados computadorizada CAPRI, contendo todos os
documentos de patentes anteriores a 19751 (cerca de 15 milhões), além da documentação
atualizada de propriedade industrial de 49 países e organizações, representando 95% das
patentes em vigor no mundo.

12.4.3 European patent office


O European Patent Office (EPO)  administra os termos da Convenção Européia de
Patentes, também chamada de Convênio de Munique, em vigor desde 1978, permitindo que uma
única solicitação de depósito seja feita em um de seus escritórios (Munique, Berlim ou Haia), ou
ainda, pelo escritório nacional de qualquer país europeu conveniado. O Convênio de Munique

1 Anterior à padronização dos documentos definida pelo Acordo de Estrasburgo.

59
concede a proteção patentária em todos os países-membros na Europa designados pelo
solicitante. Uma vez concedida, a patente européia é administrada pelo escritório nacional de cada
um dos países designados, como se fosse uma patente nacional.

12.5 A organização do sistema de patentes no Brasil


No Brasil, é importante destacar a lei relativa à propriedade industrial e a atuação do INPI,
fundamentais na organização de seu sistema de patentes.

12.5.1 A Lei 9.279/1996


A atual lei de propriedade industrial (BRASIL, 1996) foi promulgada para atender as
exigências do acordo TRIPS sobre o comércio internacional. Ela concede os quatro tipos de
privilégios, conforme definido anteriormente neste Capítulo. O mais importante para este estudo é
a patente de invenção, com validade máxima de 20 anos, a partir da data de depósito, e não
menos de 10 anos, a partir da concessão (para cobrir os casos de tramitação demorada), sendo
improrrogável. Outro privilégio referente a inovações é a patente de modelo de utilidade, com
validade máxima de 15 anos, a partir da data do depósito, e não menos de 7 anos, a partir da
data de concessão, prazo também improrrogável. Um outro prazo importante é o da publicação do
pedido de patente pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) , feita 18 meses após
a data de depósito, independentemente da concessão (sistema de exame adiado). O requerimento
de continuidade do exame deve ser feito pelo interessado no prazo máximo de 3 anos da data de
depósito, caso contrário o processo é arquivado.
A lei não considera patenteáveis, por não terem aplicação industrial, as descobertas ou
teorias científicas e métodos matemáticos; as obras literárias, artísticas ou qualquer criação
estética; os programas de computador; as técnicas cirúrgicas, bem como métodos terapêuticos ou
de diagnóstico, e ainda o todo ou parte de seres vivos naturais e materiais e processos biológicos
como encontrados na natureza. Também são matérias não privilegiadas com patente no Brasil
(embora possam ser invenções originais) qualquer produção atentatória à segurança e à saúde
públicas, bem como as matérias, elementos e produtos resultantes de transformação do núcleo
atômico.
Em relação à legislação preexistente, é importante notar que a lei atual reconhece a
patenteabilidade de produtos químicos. alimentícios, farmacêuticos e medicamentos, bem como
dos microorganismos transgênicos, ou seja, aqueles que possuem alguma característica inédita,
introduzida mediante intervenção humana e não alcançável em condições naturais (WOLEE,
1998). A lei reconhece também a possibilidade de uso não-autorizado de uma patente, desde que
em caráter privado, sem fins comerciais e que não acarrete prejuízo econômico ao detentor.
A nova lei introduziu o dispositivo de certificado de adição, para atender a casos de
aperfeiçoamento feitos a posteriori numa invenção que já está sendo objeto de exame de patente,
quando tal aperfeiçoamento não tenha condições, por si mesmo, de obter uma patente
independente.
A lei abriu ainda ao detentor a possibilidade de colocar a patente em estado de oferta de
licenciamento para terceiros, durante o qual as taxas de anuidades reduzem-se em 50%.

12.5.2 O instituto nacional da propriedade industrial


O INPI, autarquia ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, com sede
no Rio de janeiro, foi criado pela Lei 5.64811970, obedecendo às recomendações da União de
Paris, sendo portanto o escritório brasileiro encarregado do controle da concessão de patentes e
registro de marcas.
Para a concessão da patente, adotado o conceito de novidade absoluta da invenção, torna-se
necessária a consulta a coleções especializadas para se avaliar o estágio de evolução da tecnologia
em âmbito mundial. O Centro de Documentação e Informação Tecnológica (CEDIN) do INPI é o
setor encarregado de proporcionar os serviços e programas para facilitar o acesso a essa
informação especializada, sendo sua estrutura composta pela Divisão de Documentação (DIDOC)
e pela Divisão de Informação Tecnológica (DINTEC).
A DIDOC tem como encargo a gestão da coleção de todos os documentos de cunho
tecnológico, em âmbito nacional e internacional, sendo, por sua vez, composta pela SADTEP -
Seção de Documentação de Patentes e pela BIDTEC - Biblioteca Técnica. A primeira administra o
Banco de Patentes que recebe mensalmente cerca de 30 mil documentos dos países e
organizações com os quais o Brasil mantém convênio1. Computando-se patentes brasileiras, o

1 Austrália, Canadá, LUA, França, Grã-bretanha, Japão, Alemanha, Suíça, Espanha. Rússia, Holanda, OMPI e EPO.

60
banco tem um acervo de mais de 18 milhões de documentos de patentes. A BIDTEC é uma
biblioteca especializada em propriedade industrial e tecnologia, com cinco mil volumes. Está
encarregada também de publicar trimestralmente o boletim Tec Informe, destinado a divulgar
artigos e trabalhos técnicos na área. A DINTEC tem como tarefa a coordenação e execução dos
programas de recuperação, análise e disseminação da informação tecnológica, sendo composta
pela SAOBUS - Seção de Orientação e Buscas e SADIVU - Seção de Divulgação. A SAOBUS é
encarregada de pesquisas e buscas de informação tecnológica seja no Banco de Patentes do INPI,
seja em bases de dados eletrônicas. Esta seção pode também prestar serviços remunerados de
busca para qualquer interessado. A SADIVU é responsável pela disseminação da informação
tecnológica. Administra o Programa de Fornecimento Automático de Informação Tecnológica
(PROFINT) encarregado de fornecer cópias de patentes sobre temas específicos às empresas
brasileiras interessadas. Desenvolve ainda três programas de disseminação de informação
tecnológica, denominados Monitoramento Tecnológico, Prospecção Tecnológica e Radiografia
Tecnológica, sobre temas específicos, como, por exemplo, construção civil.
Para facilitar a pesquisa de patentes, o CEDIN está implantando bancos de dados setoriais
em diversas associações de classe e pólos industriais, já foram estruturados os bancos dos pólos
de eletroeletrônica, em Manaus; de fundição, em São Paulo; de couros e calçados, em Porto
Alegre, e de informática, em Brasília. Além disso, foi colocado à disposição o acesso online através
da Internet à base de patentes brasileiras a partir de 1992.

12.6 A patente como fonte de informação tecnológica


O documento de patente é, em tese, a mais importante fonte primária de informação
tecnológica, pois permite o conhecimento de inovações fundamentais para a indústria,
imediatamente e a partir da descrição original do invento. Além disso, já que as patentes têm
restrição territorial (só vigoram nos países que as concederam), cerca de 95% das patentes válidas
nos países industrializados são de domínio público nos demais, podendo ser livremente usadas
(ARAÚJO, 1984). Entretanto, tem sido constatado que raramente a patente é levada em
consideração no momento da busca de informações técnicas.

12.6.1 Possibilidades de uso


Várias possibilidades se apresentam no uso de patentes como fonte de informação
tecnológica. Por exemplo, patentes recém-publicadas podem atuar como indicadores do estado-
da-arte, apresentando a informação mais recente num dado setor da técnica, pois o pedido de
patente deve necessariamente demonstrar o que preexistia e o que está sendo reivindicado como
novidade. A patente apresenta a informação técnica bem antes que as demais fontes
bibliográficas: na maioria dos casos, ela já está disponível antes do produto entrar no mercado.
Ela informa detalhadamente sua aplicação por meio da descrição da invenção e dos necessários
diagramas e desenhos explicativos, sendo mais abrangente e minuciosa do que os artigos de
periódicos ou a documentação do fabricante.
No caso de uma negociação de transferência de tecnologia, o conhecimento das patentes
permite a identificação tanto de alternativas técnicas para o atendimento das necessidades da
indústria, quanto de empresas capacitadas no setor considerado. A informação das patentes
cobre praticamente todos os setores da técnica humana, sendo sempre a informação mais
atualizada em qualquer campo industrial.
Uma análise de cunho temporal pode ser realizada sobre um conjunto de patentes de um
determinado setor industrial, indicando como tem sido sua evolução e apontando novos caminhos
de desenvolvimento, para os quais podem ser direcionados os esforços de modernização da
indústria. já a análise de um conjunto de patentes de um dado setor industrial, originadas de
vários países, pode indicar tendências na evolução desse setor, de acordo com as características
nacionais, em termos de economia, recursos naturais, mercado etc., podendo originar alertas
tecnológicos para empresas e governos.
O documento de patente identifica com clareza as datas de prioridade e de concessão da
carta-patente, os inventores, os titulares, seus endereços etc., possibilitando um conhecimento
imediato da sua situação legal e facilitando o contato direto com o titular para negociações sobre
licenciamento ou obtenção de know-how específico.
Costumeiramente, as invenções de certa importância são patenteadas em vários países,
formando a família de patentes, ou seja, o mesmo documento traduzido em diversas línguas,
facilitando desse modo sua compreensão pela escolha da língua mais apropriada, eliminando-se
esse tipo de barreira.

61
12.6.2 Restrições ao uso
Algumas restrições podem ser observadas quanto ao uso das patentes como fonte de
informação técnica. A maior delas é o desconhecimento do tipo e da estruturação da informação
nelas contida. Há também a tendência em acreditar-se que as informações relevantes estarão
disponíveis em periódicos técnicos, embora várias pesquisas tenham demonstrado que apenas
uma parcela diminuta das informações contidas em patentes será divulgada em qualquer outro
meio, sem demora e integralmente. Além disso, o volume de patentes é assombroso: são
publicados anualmente mais de um milhão de solicitações de patentes, embora o número real de
invenções seja menor — cerca de trezentos mil — por causa das famílias de patentes. O total
estimado até 1990 era de 35 milhões de documentos.
Na busca de dados tecnológicos faz-se pouco uso das citações de patentes. Isso pode ser
atribuído a vários fatores, sendo importante lembrar primeiro que em poucos países as
especificações publicadas oficialmente contêm referências. Quando ocorrem, não têm a mesma
finalidade que as referências de artigos de periódicos, sendo feitas pelo examinador do escritório
nacional de propriedade industrial para alertar o requerente sobre outras patentes que podem
afetar a novidade de sua invenção. Além disso, não existe uma fonte de citações de patentes,
como ocorre com os artigos de periódicos. O mais grave é que os artigos publicados em periódicos,
quando o fazem, citam deficientemente as patentes seja deixando de mencionar dados
importantes, tais como a data de prioridade ou o código de identificação internacional CIP
(Classificação Internacional de Patentes), seja citando esse código de modo incompleto.
Em vários setores industriais todas as inovações são patenteadas. Entretanto, em outros,
tais como telecomunicações, energia nuclear, química fina e farmacêutica, isso não ocorre seja
por falta de interesse da própria indústria (que prefere a via do segredo industrial), seja pela
proibição legal de patenteamento de certas classes de produtos. Desse modo, não se pode garantir
que uma busca de informação em patentes será exaustiva para toda a tecnologia em certos
campos.
Na maioria dos países, a localização física do escritório nacional também contribui para
dificultar o acesso aos bancos de patentes, fato que tende a ser superado tanto pelo acesso
remoto via computador, quanto pela organização de coleções específicas em bibliotecas regionais e
centros industriais.
Quando se trata do Terceiro Mundo, há uma tendência em ignorar-se os documentos locais
de patenteamento, o que é um erro, conforme aponta ARMITAGE (1980), porque eles fornecem
dados significativos, mostrando o tipo de tecnologia que é desenvolvida domesticamente, bem
como as invenções estrangeiras que as indústrias consideram de valor para exploração local.
O interesse dos tecnologistas quanto ao uso de patentes também é bastante restrito, por
motivos um pouco diferentes dos acima citados. Em primeiro lugar, é fato que as especificações
de patente são escritas e desenhadas pelos próprios solicitantes, contendo o que eles querem
dizer e não aquilo que os outros estão interessados em conhecer, dificultando portanto a
compreensão por terceiros. Mesmo sendo detalhado, o documento de patente não contém tudo e,
muitas vezes, é mais rápido e barato colocar a invenção em uso com o auxílio do inventor do que
tentar interpretar sua descrição. Além disso, em setores industriais de rápida evolução
tecnológica, há o risco da especificação estar superada já no momento da publicação.
Por último, sabendo-se que a patente é depositada antes que o invento possa ser
comercialmente explorado, nada garante o sucesso futuro de sua exploração, trazendo um
importante elemento de incerteza quanto á sua utilidade.

12.6.3 Facilitadores do uso


Visando contornar vários dos obstáculos acima apontados, alguns tratados internacionais
foram implementados desde a década de 70, uniformizando certos aspectos da informação
patentária e facilitando assim sua consulta e recuperação.
• Padronização internacional do documento de patente
Para possibilitar o acesso mais rápido e de maneira uniforme aos dados contidos nas
patentes, o Acordo de Estrasburgo de 1971 definiu um padrão de apresentação quanto ao seu
formato e conteúdo, bem como uma codificação por assunto, para possibilitar sua rápida
recuperação. Esse acordo foi posto em uso desde 1975 na maioria dos países e organizações
internacionais, estando presente em quase 18 milhões de documentos já em 1990 (SANTOS,
[s.d.]).
A forma-padrão de identificação dos dados do documento de patente é feita pelas normas ST
da OMPI, divulgadas no Patent Information and Documentation Handbook, como, por exemplo:
o Norma ST. 03 - código de país com duas letras;
o Norma ST. 10 - apresentação de datas, unidades de classificação, etc.;
o Norma ST. 16 - código para identificação dos tipos de documentos de patentes.

62
O documento de patente padronizado é formado pelas seguintes partes:
o folha de rosto - contém dados bibliográficos essenciais, tais como a classificação
internacional, nomes do inventor e do depositante, título da invenção, número da
patente, datas de depósito e de publicação, além do resumo;
o relatório descritivo - descrição pormenorizada do invento, indicando o estado-da-
técnica, o problema a ser resolvido e como resolvê-lo. Demonstra ainda sua aplicação
industrial, podendo conter esquemas, diagramas e desenhos;
o reivindicações - delimita aquilo que vai ser protegido pela patente, ou seja, os
elementos distintivos do invento em relação a outros:
o resumo da patente- descrição sucinta do invento, fazendo parte da folha-de-rosto.

Código internacional de identificação de dados bibliográficos Para possibilitar a identificação


uniforme dos dados bibliográficos das patentes, foi criado o código INID (Intemational Iyagreed
Numbers for the Identification of Bibliographic Data on Patent Documents), formado por dois
algarismos. Alguns itens dessa codificação são os seguintes;
11 número do documento 43 data da publicação da
solicitação
12 designação do tipo de 45 data da expedição da carta-
documento patente
19 nome do país onde foi feito o 51 código CIP do assunto
depósito
21 número do depósito 54 título
22 data do depósito 57 resumo ou reivindicações
31 número de depósito da 71 nome do depositante
prioridade unionista
32 data de depósito da prioridade 72 nome do(s) inventor(es)
33 nome do país de depósito da 73 nome do(s) titular(es)
prioridade

• Classificação Internacional de Patentes


Para a recuperação da informação em patentes de invenção e modelos de utilidade, foi
criada pelo Acordo de Estrasburgo de 1971 a codificação CIP (Classificação Internacional de
Patentes) gerida pela OMPI. Para acompanhar a contínua evolução da técnica, a CIP vem sendo
revista regularmente a cada cinco anos, e sua 6a edição, adotada em 1995, tem validade até
1999. Os temas estão distribuídos em mais de 64 mil entradas, sendo a classificação composta
hierarquicamente por seções (8 tipos), classes (115 tipos), subclasses (616 tipos), grupos e
subgrupos. As seções são as seguintes:
• necessidades humanas correntes;
• técnicas industriais diversas, operações de processamento, transporte;
• química e metalurgia;
• têxteis e papel;
• construções fixas;
• mecânica, iluminação, aquecimento, armas e explosivos;
• física;
• eletricidade.

A simbologia completa da classificação compõe-se de:

Seção Classe Subclasse Grupo Subgrupo


Exemplo D 21 C 009/ 147

O exemplo acima representa o assunto branqueamento de pasta de celulose para


papel com uso de oxigênio.
Quando o assunto específico a ser coberto pela classificação se divide entre dois ou
mais conjuntos técnicos diferentes (por exemplo: branqueamento de fibras de
celulose para uso em papel ou para uso em tecidos), o sistema usa remissivas,
mostrando onde o assunto está classificado; qualquer que seja esse assunto, ele
estará sempre num código único, sem ambigüidade (SANTOS, [s.d.]).
A classificação CIP está disponível em CD-ROM, contendo um guia de utilização,
um índice de palavras-chave para pesquisa, uma tabela de concordância dos
códigos entre suas diversas edições e também uma lista de códigos válidos entre as
edições versus seu período de validade.

63
12.7 Acesso eletrônico à informação de patentes
Não há dúvida de que o esforço internacional continuamente despendido para organizar e
uniformizar a informação técnica contida em patentes indica a necessidade de metabolizá-la
desde a fonte primária. Isso agora é possível através da sua estruturação lógica computadorizada,
resultando num nível otimizado de coerência e inteligibilidade para essa enorme massa de dados e
aumentando assim seu valor de uso.
A leitura isolada de uma patente certamente não trará o esclarecimento total do assunto
desejado pelo pesquisador É então imprescindível o uso intensivo de métodos computacionais,
pesquisando as bases de dados especializadas para possibilitar a descoberta das inter-relações
desses dados. Essas relações se estruturam finalmente como conhecimento estratégico, para ser
aplicado seja em desenvolvimento técnico, seja para monitoramento do estado-da-arte e ainda
outros usos, como indicam os trabalhos de ROSTAING (1996) e SANTOS (1997).
Há dois tipos de bases de dados que devem ser considerados para a realização de pesquisas.
Do primeiro tipo são as bases de dados exclusivamente sobre patentes, pertencentes a
organizações internacionais, como o EPO e a OMPI, ou ainda a organizações comerciais
especializadas, como a Derwent Information. Do segundo tipo são as bases de dados de resumos
de artigos de periódicos e outros tipos de documentos, que cobrem também patentes, como a
Chemical Abstracts.
Geralmente, as patentes anteriores ao início dos anos 70, época de surgimento dos
primeiros bancos de dados em computador, não estão bem cobertas. As principais exceções são a
base Claims/Us Patent Abstracts, cobrindo patentes americanas em geral, a partir de 1963; a
base WPI, da Derwent, cobrindo patentes farmacêuticas após 1963; a base USClass também de
patentes americanas, desde 1798, mas usando somente os códigos de classificação do US Patent
Office, e a base CAPRI do INPADQC.
Nas bases de dados as buscas podem ser divididas, grosso modo, em três categorias: por
assunto, por nome ou ainda por números ou datas de referência. Essa última é usual apenas
para estabelecer uma concordância entre a data de solicitação e a da publicação, ou para montar
a família de patentes.
Na busca por assunto, a maioria das bases exige o uso de combinações de palavras-chave,
termos ou classes de patentes, concatenadas por operadores booleanos (and, or, not etc) para
gerar referências relevantes. Algumas bases são pesquisadas usando-se palavras ou termos
definidos pela própria organização provedora, enquanto outras usam as próprias palavras do
título, das reivindicações ou do resumo da patente. Portanto, é preciso conhecer o sistema de
indexação da base antes de realizar a pesquisa.
É importante notar que algumas bases cobrem campos específicos da tecnologia e contêm
referências de patentes, juntamente com outros assuntos derivados de periódicos de resumos
sendo preferíveis quando são usados termos que, numa base geral, produziriam recuperações
indesejáveis.
Nas bases de dados exclusivos de patentes, o código de classificação pode ser o nacional ou
CIP, mas podem também existir sistemas de códigos próprios adicionais para melhorar o
desempenho. O único código nacional que ainda é usual é o americano; entretanto, é necessário
cuidado com a sua escolha, já que sua atualização, segundo a revisão periódica do Manual of
Classification, não acontece em todas as bases.
Ao se pesquisar pela CIP também é preciso ter atenção. A identidade de um subgrupo pode
ser perdida numa referência descuidada, levando a sérias imprecisões, uma vez que a hierarquia
entre os seus grupos depende do número de pontos precedendo o título do subgrupo, e não
exclusivamente da numeração deste, sempre que os títulos de grupos e subgrupos forem iguais
(essa codificação por pontos foi definida para economia de espaço de armazenagem magnética).
Por exemplo:
- D 21 C-003/00 (grupo): redução química em pasta de celulose;
- D 21 C-003/04 (subgrupo): • com ácidos, sais ácidos ou anidridos ácidos;
- D 21 C-003/06 (subgrupo): • • anidridos ou ácidos sulfurosos; bissulfitos;
- D 21 C-003/08 (subgrupo): • • • bissulfito de cálcio.

A pesquisa exclusiva pela CIP deve também levar em conta as idiossincrasias do examinador
do escritório nacional em cada país, ao definir o assunto da patente e, portanto, ao conferir-lhe
um código próprio. Esse efeito pode ser reduzido examinando-se toda a família de patentes
equivalentes.

64
Na busca por nomes, pode-se pesquisar o inventor, o requerente ou a empresa na maioria
das bases. Os números e datas de depósito e de publicação também podem ser pesquisados, mas
podem ser encontradas dificuldades, pela natureza não uniforme desses dados de referência. Há
restrições de ordem comercial em algumas bases para pesquisa a partir da data de prioridade
unionista, não se permitindo montar a família de patentes sem o pagamento de uma taxa extra,
como as bases INPADOC e INPI-3 (escritório central da França).
No Brasil, a SAOBUS realiza costumeiramente a recuperação informatizada online nos
bancos de dados Dialog, Questel Orbit e STN, acessando mais de 190 milhões de itens de
informação em cerca de seiscentas bases de dados internacionais.
Algumas organizações, tais como o EPO e o INPADOC, tomam disponíveis suas bases de
dados em CD-ROM, permitindo o acesso offline. Cientes da principal desvantagem desse formato
— desatualização das informações — elas produzem reedições periódicas dos discos, fornecendo-
as por assinatura.

Referências bibliográficas
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par l’analyse fonctionelle, pour répondre a la demande de l’information industrielle.

65
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d’Economie e des Sciences d’AixMarseille, [s.d.]. (Tese, doutorado em Ciência da Informação.
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1 3p. (Seminario Nacional de la OMPI sobre Propriedad Intelectual para Universidades, Belo
Horizonte! abril de 1998).

66
13 - Literatura comercial
Eduardo Wense Dias
Bernadete Santos Campello

Literatura comercial (trade literature) é o nome utilizado por profissionais da informação


para designar o material produzido por empresas e outras organizações, com o objetivo de
promover a venda de seus produtos e serviços. São catálogos de fabricantes e de produtos, na
forma de folhetos, folders ou brochuras e, mais recentemente, de sítios na Internet.
Empresas de projetos, de construção civil e indústrias necessitam desse tipo de informação,
pois suas atividades dependem do conhecimento e da avaliação adequada de uma série de
produtos e serviços. Engenheiros e técnicos são obrigados a se manter atualizados sobre novos
produtos disponíveis no mercado pois, se especificarem um produto obsoleto ou contratarem um
serviço inadequado, haverá certamente prejuízo para a empresa.
Outra função da literatura comercial é a de servir como fonte de informação histórica. Uma
boa coleção de catálogos de fabricantes pode constituir um excelente instrumento de pesquisa
para historiadores que queiram estudar o desenvolvimento tecnológico, tomando como base os
produtos industrializados. Essa tendência tem levado muitas bibliotecas a darem um tratamento
bibliográfico mais sofisticado às suas coleções de catálogos de fabricantes. Quando essas coleções
são grandes, é comum a existência de guias que as descrevem e orientam os interessados em
como usá-las. Em bibliotecas onde a função da literatura comercial é atender usuários que
necessitam fazer especificação de materiais, as coleções são organizadas de forma a permitir a
recuperação rápida e eficiente dos documentos.

13.1 Características
A literatura comercial aparece comumente sob a forma de folhetos, folders ou brochuras,
denominados de catálogos de fabricantes ou catálogos de produtos, onde são descritas as
características de um ou mais produtos de determinada empresa.
A quantidade de informação técnica contida nesse tipo de material pode variar mas, de
maneira geral, considerando-se que o interesse final é a venda, os catálogos procuram apresentar
todas as características importantes do produto anunciado, de modo a facilitar a tarefa do técnico
ou do administrador responsável pela decisão sobre qual produto será especificado. Algumas
vezes, tendo em vista a complexidade de certos produtos, as informações dos catálogos têm que
ser complementadas pessoalmente pelos vendedores.
A natureza efêmera dessas informações e as rápidas mudanças a que estão sujeitas fazem
da Internet um canal excepcional para sua divulgação. Embora planejada inicialmente como um
canal de informação acadêmica e de pesquisa, a Internet revelou enorme potencialidade de
aplicação comercial, hoje reconhecida por todos. Com isso, a divulgação de produtos em sítios na
rede tornou-se uma prática comum a milhares de empresas.
A organização de uma coleção tradicional de literatura comercial, na forma impressa, exige
certos cuidados em todas as etapas, desde a aquisição até o armazenamento. Embora seja
gratuito e considerando-se também o fato de que, quando solicitado, os fornecedores têm sempre
interesse em enviá-lo rapidamente, a aquisição deste tipo de material exige um controle
constante, tanto do que foi pedido como do que foi efetivamente recebido. Além disso, é necessário
acrescentar sempre novos produtos ou fabricantes, o que vai exigir uma constante monitoração
do mercado fornecedor.
A rápida desatualização que ocorre com uma coleção impressa de literatura comercial,
refletindo a obsolescência veloz dos produtos industriais na atualidade, exige uma constante
renovação da coleção. Entretanto, isso não significa que o descarte deva ser feito tão logo o
produto seja substituído por outro; em geral, o catálogo que descreve um produto especificado em
determinado projeto deve ser mantido no acervo, mesmo que o produto tenha saído de fabricação,
pois ele constitui uma documentação comprobatória em eventuais disputas judiciais relacionadas
com o projeto.
Finalmente, há a questão do armazenamento, que exige cuidados especiais, tendo em vista
a grande variedade de formatos dos catálogos.

13.2 Fontes para identificação


A identificação e a localização de literatura comercial podem ser feitas de diversas formas.
Técnicos e especialistas constituem a primeira fonte a ser consultada, pois estão constantemente
recebendo informações e em permanente contato com os fornecedores. Os periódicos
especializados, que trazem publicidade de produtos relacionados a sua área de especialização, são
também uma boa fonte, se a coleção estiver atualizada. Alguns facilitam o trabalho de solicitação
de catálogos, pois inserem em suas páginas cartões de pedidos de informações suplementares
sobre os produtos que anunciam. Feiras e exposições também são excelentes fontes para
obtenção de literatura comercial, considerando-se que dão especial destaque às últimas novidades
do setor de atuação.
Além dos catálogos produzidos pelas empresas para publicidade de seus próprios produtos,
existem organizações especializadas que reúnem informações sobre produtos de diversos
fabricantes em uma única publicação, facilitando o trabalho de identificação. O Noticiário de
Equipamentos Industriais (NEI)  é um exemplo. Publicado desde 1960, pelo Grupo Lund, divulga
todas as novidades em produtos e equipamentos industriais brasileiros e internacionais, Com o
nome de NEI Brasil desde 1974, a publicação, em formato tablóide, funciona também como um
elo entre fabricantes e compradores, fornecendo, a pedido dos interessados, informações sobre os
produtos que divulga. O NEI Spanish Latin America é a versão em língua espanhola do NEI Brasil,
sendo destinado aos países hispano-americanos.
Os diretórios ou listas de empresas ou de produtos comerciais e industriais são fontes
importantes para obtenção de literatura comercial. Nos Estados Unidos, existem editoras que
publicam esses diretórios há mais de 80 anos, como é o caso da Thomas Publishing Company .
Atualmente, publica 24 guias de compras, 29 periódicos de novos produtos, dois serviços de troca
de informação sobre produtos, uma revista sobre automação de fábricas, três guias de seleção de
software, e uma publicação para ajudar compradores a selecionar as modalidades mais eficientes
de transporte, em termos de custo-benefício, para seus fretes. Muitas dessas publicações estão
disponíveis tanto na forma impressa, quanto em CD-ROM e em formatos Internet. A Thomas,
aliás, está presente na Internet, com um sítio onde é possível obter informações sobre cerca de 1,5
milhões produtos e serviços.
Um tipo diferente de serviço é oferecido por organizações como o IHS Group, que
especializou-se no fornecimento dos próprios catálogos de fabricantes, através de microforma ou
de CD-ROM. A IHS possui uma base dados com cerca de 13 milhões de páginas, incluindo mais
de nove milhões de imagens e, diariamente, atualiza esse enorme acervo, que cresce na proporção
de mais de trezentas imagens por mês.

13.3 Publicações de empresas


Há um conjunto de publicações de empresas que pode ser considerado uma forma de
literatura comercial, embora sua finalidade seja bem diferente da dos catálogos de produtos. São
publicações, geralmente periódicas, destinadas a vender não o produto, mas a imagem da
empresa. Algumas são destinadas a um público interno, ou seja, aos empregados ou membros da
organização, enquanto outras visam atingir ao público externo, que são os clientes e fornecedores
(atuais e potenciais), assim como pessoas a quem a empresa deseja manter informadas a respeito
de sua atuação. Há ainda publicações híbridas cuja finalidade é atingir esses dois tipos de
audiência. As publicações de empresa têm, portanto, uma clara função de relações públicas e não
diretamente de venda.
Há quem tenha ido buscar as origens desse tipo de publicação no século II a.C., com as
cartas régias da dinastia chinesa Han (REDDICK & ROWELL, citados por WALKER, 1974). que
tinham a função de manter a corte informada sobre as decisões do imperador. Já no século XVII,
durante a dinastia Tang, transformam-se em jornais oficiais e assim podem ser consideradas
precursoras dos modernos house organs, que é o tipo mais conhecido de publicação de empresa.
Um outro precursor, na modalidade de publicação interna, foi o Lowell Offering, publicado de
1840 a 1847 pelas funcionárias do Lowell Cotton Mills; entretanto, não se encaixa perfeitamente
no conceito moderno, porque não era patrocinado pela empresa.
O house organ (ou house journal)1 é uma espécie de magazine ou revista contendo material
informativo sobre a empresa ou de interesse para a imagem da mesma. O primeiro house organ
surgiu nos Estados Unidos, em 1887; foi o NCR Factory News, da empresa National Cash
Register, voltado para os empregados e publicado até a década de 80, já com o nome de NCR
World. O primeiro jornal de empresa destinado ao público externo foi também publicado nos
Estados Unidos, em 1865, pela The Travelers Insurance Companies, em Hartford, Connecticut.
Chamava-se The Travelers Record, e sua tiragem inicial de cinqüenta mil exemplares é um
indicador da importância desse tipo de publicação.

1 Parece não existir qualquer tradução aceitável para esse termo em língua portuguesa, sendo praxe na literatura

conservar-se o termo original inglês.

68
A expansão do chamado jornalismo empresarial é um fato observado em diversos países.
Essa evolução pode ser constatada em relação a vários fatores: o crescimento do setor nas
empresas: a utilização de sofisticada tecnologia eletrônica na sua produção: e a mudança na
forma e conteúdo das publicações, que de neutras passam a assumir o papel de agentes de
mudanças culturais para seu público alvo, assumindo um papel abrangente de catalisador de
opiniões, posturas e imagens para as empresas. Essa ampliação do papel do jornalismo
empresarial levou ao aparecimento de um profissional com conhecimentos mais amplos e à
utilização de novas formas e linguagens de comunicação, que abrangem a multimídia e seus
inúmeros recursos.
No Brasil, esse tipo de publicação teve origem no início do século XX. Os primeiros jornais
de empresa no Brasil seguiam o modelo de seus congêneres europeus e americanos e foram,
provavelmente, uma forma de reação do empresariado ao surgimento do jornalismo operário, que
constituía uma das formas de fortalecimento do movimento operário.
As publicações de empresas aparecem geralmente na forma de publicação periódica e
podem apresentar os mesmos problemas que afetam o periódico científico, mas de maneira mais
aguda: irregularidade, atraso e interrupção de publicação, mudanças freqüentes de título e
formato, normalização bibliográfica falha e outras. As dificuldades de seleção e aquisição são as
mesmas já mencionadas com relação aos catálogos de fabricantes.
Os sítios de empresas na Internet podem também cumprir um papel semelhante ao dos
house organs. São veículos mais que apropriados para divulgar todo tipo de informação sobre a
empresa que possa ser do interesse de suas várias clientelas, com as vantagens já sobejamente
conhecidas que o meio eletrônico tem sobre os meios impressos como canal de comunicação.
As publicações de empresas têm algumas organizações representativas, a maior delas sendo
a International Association of Business Communicators, sediada em San Francisco, Califórnia
(Estados Unidos). No Brasil, foi fundada em 1987 a Associação Brasileira de Editores de Revistas
e jornais de Empresas (ABERJE ) que atualmente denomina-se Associação Brasileira de
Comunicação Empresarial com sede na cidade de São Paulo. A ABERJE publica trimestralmente
a Revista de Comunicação Empresarial, considerada no mercado como publicação de referência
na área de comunicação de empresas no Brasil. Quizenalmente, publica o Newsletter Ação Aberje,
veículo de divulgação das principais notícias da comunicação empresarial, parcerias e programas
de desenvolvimento, que traz ainda uma seção dedicada à divulgação de cursos e palestras para o
mês.

Referências bibliográficas
BARBOSA, Marialva, jornalismo de empresa: uma reação ao movimento operário? Intercom —
Revista Brasileira de Comunicação, São Paulo, n.58, p.64-75, 1988.
KING, D. Market research reports, house journals and trade literature. Aslib Proceedings,
London, v.34, n.11/12, p.466-472, 1982.
SCIENCE AND TECHNOLOGY LIBRARIES. The role of trade literature in sci-tech libraries.
Binghamton, N,Y.: Haworth Press, v. 10, n.4, 1990. 135p.
SUBRAMANYAN, K. Scientific and technical information resources. New York: M. Dekker,
1981. Cap. 9: House journals, p. 149-154.
TRADE literature in British libraries. London: Science Reference Library, 1985.
WALKER, A. House journals. In: KENT Allen, LANCOUR. Harold (Ed.). Encyclopedia of library
and information science. New York: M. Dekker, 1971. v. II. p. 61 -64.

69
14 - Revisões de literatura
Daisy Pires Noronha
Sueli Mara Soares Pinto Ferreira

A necessidade de atualização e de aquisição de novos conhecimentos exige do pesquisador


uma busca constante de informações obtidas em variadas fontes. Dado o acúmulo de informação
existente hoje e sua dispersão física, este acompanhamento se torna mais e mais difícil, não
somente pela impossibilidade de se acessar tudo o que existe e controlar toda a bibliografia, como
principalmente pela própria impossibilidade física — limitação humana — de absorver toda a
informação relevante e disponível. Várias são as ferramentas de que os cientistas necessitam e se
utilizam hoje para identificar, conhecer e acompanhar o desenvolvimento de pesquisas em suas
áreas de atuação. Uma dessas é a revisão.
Trabalhos de revisão são estudos que analisam a produção bibliográfica em determinada
área temática, dentro de um recorte de tempo, fornecendo uma visão geral ou um relatório do
estado-da-arte sobre um tópico específico, evidenciando novas idéias, métodos, subtemas que têm
recebido maior ou menor ênfase na literatura selecionada. Assim, a consulta a um trabalho de
revisão propicia ao pesquisador tomar conhecimento, em uma única fonte, do que ocorreu ou está
ocorrendo periodicamente no campo estudado, podendo substituir a consulta a uma série de
outros trabalhos. As revisões podem também contribuir com sugestões de idéias para o
desenvolvimento de novos projetos de pesquisa. Ao lado de bibliografias especializadas, índices e
abstracts, servem como fontes na identificação de trabalhos de interesse do pesquisador.
Segundo BRUNNING, citado por VIRGO (1971. p278),

uma boa revisão contém uma boa bibliografia: assim! as referências citadas nas
revisões constituem-se, em larga escala, em uma bibliografia de bibliografias e,
como tal, representa um recurso adicional para acesso a grande volume de
literatura, sendo, muitas vezes, o meio mais rápido para se identificar literatura
específica de um assunto específico.

A necessidade de uma produção sistemática de revisões é indiscutível. A função dos


revisores e compiladores — de digerir, consolidar, simplificar, analisar, comparar informações
dispersas e reempacotá-las de modo a torná-las úteis para dada categoria de usuários — é uma
atividade essencial para que ocorra o efetivo uso da informação e do conhecimento e para que não
se percam tens relevantes.
A revisão só pode ser feita por especialistas que, além de coletar a literatura, analisam o
assunto, acrescentando o seu próprio conhecimento ou domínio da área para o desenvolvimento
da mesma. A revisão desempenha importante papel na transferência da informação entre
cientistas e os seus pares, conforme atestam algumas pesquisas realizadas sobre sua utilização
(BUTKOVICH, 1996; SAYERS et al., 1990).

14. 1 Características
As revisões podem ser classificadas segundo seu propósito. abrangência, função e tipo de
análise desenvolvida.
Quanto ao propósito podem ser:
• analíticas
São feitas como um fim em si mesmas, por pesquisadores que se dedicam a efetuar,
esporádica ou periodicamente, revisões sobre temas específicos, de modo que a somatória desses
estudos possa, a longo prazo, fornecer um panorama geral do desenvolvimento de uma
determinada área, com suas peculiaridades, sucessos e fracassos. Seria como um olhar por cima
refletindo e agrupando os vários desenvolvimentos ocorridos em uma área de assunto;
• de base
São aquelas cujo propósito não é ser um fim em si mesmo, mas, ao contrário, servir de
apoio, suporte para a comprovação ou não de hipóteses e idéias em pesquisas científicas. São as
revisões de literatura desenvolvidas como respaldo teórico de teses, dissertações e projetos
científicos.

Quanto à abrangência, podem ser


• temporais
Quando tratam do assunto dentro de um período estipulado, normalmente identificado nos
trabalhos;
• temáticas
Nesse caso, todo o trabalho de revisão é calcado em um recorte específico de um tema;
quanto mais específico o tema, mais profunda a abordagem de revisão.

Quanto à função, podem ser:


• históricas
À medida que arrola literatura retrospectiva de forma compacta, como parte integrante do
desenvolvimento da ciência, permite a comparação de informações de fontes diferentes;
• de atualização
Notifica sobre a literatura publicada recentemente, permitindo a identificação de
informações para o desenvolvimento corrente do conhecimento. Assim, serve como um serviço de
alerta, tanto para aqueles que se aprofundam no tema como para os pesquisadores iniciantes em
um novo projeto, chamando atenção para os trabalhos mais importantes sobre o assunto coberto.

Quanto ao tratamento e abordagem dadas aos trabalhos analisados:


• bibliográficas
Considerada como uma bibliografia anotada. Consiste em um apanhado dos documentos
selecionados, sem grandes análises ou apontamentos críticos. Embora com ressalvas, serve como
subsídio para comparação das abordagens dadas nos diferentes trabalhos, permitindo uma
seleção daqueles de maior interesse;
• críticas
A identificação dos trabalhos é feita de forma seletiva, refletindo, para cada um deles, a
opinião do revisor. Pelo fato de emitir julgamento de valor sobre os documentos selecionados, sua
importância depende da autoridade de quem a elabora.

14.2 Formas de publicação


Os trabalhos de revisão podem aparecer como artigos em publicações periódicas. Nesse caso
o título ou subtítulo do artigo comumente indica a natureza do trabalho. Existem também
periódicas dedicados exclusivamente a publicar artigos de revisão, como, por exemplo, o Reviews
of Modern Physics, do American Institute of Physics e o Science Progress a Review Journal of
Current Scientific Advance, editado pela Blackwell Scientific Publications. Outra forma em que os
trabalhos de revisão aparecem é através de volumes anuais, comumente chamados de annual
reviews, que analisam o desenvolvimento de um assunto em determinado ano. Esses volumes são
compostos de vários artigos que enfocam temas específicos dentro do assunto geral e são
elaborados por especialistas. Exemplos desse tipo de publicação: o Annual Review of Information
Science and Technology (ARIST) , editado pela American Society for Information Science (ASIS),
desde 1966, e o Advances in Librarianship  da Academic Press, publicado anualmente, desde
1970. Ambos cobrem o estado-da-arte de maneira sistemática e contínua na área da
biblioteconomia, documentação e ciência da informação.
Normalmente essas publicações apresentam em seus títulos as palavras state of the art
annual review, progress, advances, embora existam exceções, como o Methods in Virology, da
Academic Press (1967-), que é uma publicação especializada em revisões na área de virologia
A editora Annual Review Inc.  é especializada nesse tipo de trabalho e publica, desde l
932, volumes anuais dedicados à revisão das mais variadas áreas do conhecimento, agrupadas
em 28 séries (astronomia, medicina, psicologia, genética, ecologia, nutrição, ciências políticas,
entre outras).

14.3 Fontes para identificação


Tanto quanto outras formas de literatura, os trabalhos de revisão são incluídos nos serviços
de indexação e resumos especializados que, em alguns casos, os identificam como tal. Essa
identificação aparece, com freqüência, subentendida na menção do número de referências citadas
no artigo indexado, ou pela não inclusão de resumo (quando se trata de periódico de resumo), ou
mesmo pela sua reunião em uma seção especial da publicação.
Alguns serviços oferecem produtos especificamente destinados à divulgação de trabalhos de
revisão. São exemplos: a Bibliography of Medical Reviews, parte integrante do Index Medicus,
publicada pela National Library of Medicine desde 1960; o Index to Scientific Reviews, publicado
pelo SI, desde 1975, na forma de índice de citação, incluindo os artigos de revisão indexados no
Science Citation Index.

71
Existem publicações específicas que têm a finalidade de divulgar exclusivamente os
trabalhos de revisão. Como exemplos tem-se o Director of Review Serials in Science & Technology,
1970-1973, compilado por A. M. Woodward e editado pela Aslib (Association for Information
Management) em 1974, que é bastante abrangente, relacionando cerca de quinhentas publicações
sobre trabalhos de revisão em ciência e tecnologia. A List of Annual Review of Progress in Science
and Technology, 2.ed., 1969, editada pela UNESCO, inclui cerca de duzentos trabalhos de revisão,
e o KWIC Index to Some of the Review Publications in the English Language, held at the BLLD, de
1996 e Some Current Review Sedes, 1964, ambos elaborados pelo BLDSC, que divulga as
publicações de revisões existentes no acervo da British Library.

14.4 Considerações finais


A importância dos trabalhos de revisão, a sua utilidade e a riqueza de sua bibliografia
devem ser bem compreendidas pelo bibliotecário para que possa dar a essas publicações um
tratamento adequado na biblioteca, a fim de obter o melhor proveito do seu potencial informativo.
Sintetizando, os trabalhos de revisão contribuem para o desenvolvimento do conhecimento
científico, principalmente porque comparam informação de fontes diferentes; compactam o
conhecimento existente; identificam especializações emergentes; direcionam pesquisas para novas
áreas; notificam os pesquisadores periodicamente sobre a literatura publicada em dada época;
promovem um serviço de alerta para campos correlatos; dão suporte à busca bibliográfica,
constituindo-se em fonte inicial básica para a elaboração de projetos de pesquisa; auxiliam
indiretamente o ensino, dando suporte a trabalhos acadêmicos e, finalmente, oferecem um
feedback através da avaliação do trabalho publicado.
Na sociedade contemporânea, chamada de sociedade da informação, a mediação do
conhecimento é um fator de fundamental importância e para facilitá-la serão necessários
produtos de informação de alto valor agregado. Os trabalhos de revisão, com seu grande teor
analítico, precisam ser produzidos e oferecidos crescentemente aos usuários, de modo a orientá-
los, capacitá-los e muni-los de ferramentas básicas para acompanhar o acelerado
desenvolvimento científico e tecnológico desta época.

Referências bibliográficas
BUTKOVICH, Nancy j. Reshelving study of review literature in the physical sciences. Library
Resources and Technical Services, v.40, n.2, p. 139-144, 1996.
FIGUEIREDO, Nice. Da importância dos artigos de revisão da literatura. Revista Brasileira de
Biblioteconomia e Documentação, v.23, n.1-4, p. 131-135, jan./dez. 1990.
SAVERS, Mary, JOICE, John, BAWDEN, David. Retrieval of biomedical reviews: a comparative
evaluation of online databases for reviews of drug therapy. Journal of Information Science, v.
16, p321-325, 1990.
STUART, R. D. Reviews and reviewing. In: KENT, Allen, LANCOUR, Harold (Ed.). Encyclopedia of
library and information science. New York, M. Dekker, 1971. v.25. p.314-323.
VIRGO, Julie. A The review article: its characteristics and problems. Library Quarterly, v.4 1,
n.4, p.275-29 1, Oct. 1971.
WOODWARD, Anthony M. The roles of review in information transfer. Journal of the American
Society for Information Science, v.28, p. 175-180, May 1977.

72
15 - Obras de referência
Eduardo Wense Dias

Obras de referência, ou fontes de referência, são expressões traduzidas diretamente do


inglês (reference works e reference sources, respectivamente) e designam aquelas obras de uso
pontual e recorrente, ao contrário de outras que são destinadas, normalmente, a serem lidas do
princípio ao fim. Exemplo típico é o dicionário, que ninguém lê do começo ao fim, mas a que se
recorre, até mesmo diariamente, para procurar pequenas parcelas de informação, dentro do
enorme conjunto de informações que esse tipo de obra normalmente contém. Por isso, há quem
utilize também a expressão obras de consulta para se referir a essas fontes de referência; trata-se,
por conseguinte, de uma expressão perfeitamente apropriada.
Uma das principais finalidades das fontes de referência é facilitar a localização da
informação que se procura. Essa facilitação é conseguida por meio do arranjo da obra. Por arranjo
se entende o modo como as informações são organizadas dentro de uma obra de referência. Um
exemplo, novamente, é o dos dicionários, a maioria dos quais apresenta o arranjo alfabético.
Assim, qualquer consulta a um dicionário é muito fácil e muito rápida, porque a ordem alfabética
leva diretamente ao lugar onde pode (ou não) estar a palavra procurada.
Mas não apenas o arranjo é responsável pelo bom desempenho de uma obra de consulta.
Um fator também importante, mas talvez nem sempre lembrado, são os objetivos da obra. Assim,
dois dicionários especializados — que são os dicionários de que estamos falando aqui — mesmo
quando têm semelhanças de especialização, podem ser bem diferentes um do outro, dependendo
do objetivo a que cada um se propuser.
Embora as obras de referência continuem a aparecer em edições impressas, a tendência
crescente é de sua disseminação em suportes eletrônicos, on ou offline1, Ou seja, em bases de
dados acessíveis por meio de sistemas como a Internet, ou em formatos como o CD-ROM ou o
DVD-ROM. Muitos autores afirmam que as obras de consulta, por sua própria natureza, são o
tipo de documento que se adequa muito bem ao formato eletrônico, pois o tempo de leitura frente
ao terminal é muito menor se comparado ao que seria necessário para ler uma monografia ou
uma obra de ficção. Como se sabe, muitos leitores não gostam de ler textos muito extensos
diretamente numa tela de computador.
Além do dicionário, outros tipos muito comuns e conhecidos de obras de referência são as
enciclopédias, os manuais e as tabelas.

15.1 Dicionários especializados


O dicionário de língua, ou comum, é uma das fontes de referência mais conhecidas, com a
qual as pessoas têm bastante familiaridade. No âmbito das fontes especializadas de informação
existem também dicionários, geralmente chamados de especializados. O tipo mais conhecido é o
dicionário temático ou de assunto (em inglês, subject dictionary).
Os dicionários temáticos têm a finalidade de definir termos de um assunto. Profissionais e
especialistas, em qualquer área, utilizam uma linguagem especial que, muitas vezes, é inteligível
apenas para os iniciados. Esse jargão torna-se, geralmente, uma barreira para os leigos ou não
especialistas da área, e o dicionário pode ajudá-los na superação desse problema. Os termos
técnicos são símbolos adotados, adaptados ou inventados por especialistas para facilitar a
expressão precisa no registro de suas idéias, e uma das funções do dicionário especializado é
justamente a de dar consistência a esses símbolos.
Os dicionários temáticos complementam os dicionários de língua e o fazem de duas formas.
Em primeiro lugar, pela inclusão de termos altamente especializados, que dificilmente serão
encontrados nesses últimos. Em segundo, as definições tendem a ser mais completas no que diz
respeito aos significados do termo na especialidade.
É comum que os dicionários especializados façam referência aos autores, escolas e teorias
associadas às definições de um termo. Podem ser considerados, portanto, uma condensação
acumulativa, fornecendo uma visão ampla dos conceitos de determinada disciplina. Esses
dicionários podem ser de três níveis básicos: dirigidos ao público em geral, a estudantes e a
especialistas.
Existe atualmente uma grande quantidade de dicionários de assunto, cobrindo áreas cada
vez mais específicas do conhecimento.

1 As fontes eletrônicas citadas neste texto foram escolhidas em fontes seletivas, como a base NetFirst , que utilizam
critérios qualitativos na eleição dos sítios nelas incluídos.
O OicionSrio de Ecologia e Ciências Ambientais (Melhoramentos, 1998) é exemplo típico
dessa categoria de obra, com definições sucintas dos termos utilizados nessa especialidade. O
Vocabulário de Parasitologia Médica, de Alberto Serravalle, de 1987, e o Dicionário de
Mineralogia, de Pércio de Morais Branco (3.ed., 1987), também são exemplos de dicionários
temáticos, embora alguns verbetes recebam um tratamento enciclopédico, ou seja, são mais
extensos, extrapolando uma simples definição e incluindo informações biográficas e históricas.
Aliás, esse é um fato comum no que se refere aos dicionários temáticos — alguns deles
ultrapassam a sua função de fornecer definições e se assemelham a uma enciclopédia,
apresentando longas explicações para um verbete: são os chamados dicionários enciclopédicos. O
Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, de Ronaldo Rogério de Freitas Mourão
(2.ed., 1995) é um exemplo.
Bons dicionários temáticos já estão sendo apresentados em formato eletrônico, devendo ser
mencionados como exemplos o Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro , editado pela Fundação
Getúlio Vargas, e o BioTech; Life Science Didionary .
Como de resto acontece em relação a todo tipo de publicação, também os dicionários podem
aparecer com títulos não muito claros, sendo necessária certa atenção para identificá-los. Disso é
exemplo a publicação Trabalho e Tecnologia, organizada por Antonio David Cattani (Vozes, 1997).
O subtítulo — Dicionário Crítico — ajuda a defini-lo melhor, mas só uma análise mais detalhada
permite descobrir que, além dos assuntos mencionados no título, trata-se também de um
dicionário de sociologia organizacional e de globalização. Por outro lado, muitas vezes os títulos
podem dar uma idéia falsa da obra. Embora alguns se denominem enciclopédia, não passam de
dicionários. É o caso da TechEncyclopedia , que inclui termos relacionados com tecnologia;
apesar da palavra enciclopédia no título, não passa de um dicionário.
Considerando-se essas imprecisões é importante que, na seleção e aquisição, não se
detenha apenas no título da obra, mas que se examine a profundidade do tratamento dos
verbetes, o nível do leitor em potencial, a qualidade extrínseca e intrínseca da obra.
Existem outros tipos de dicionários especializados que, embora com características diversas
dos acima descritos, são de grande utilidade: terminologias e glossários; dicionários poliglotas
especializados; dicionários de nomes; dicionários de abreviaturas; e tesauros. Deles tratamos a
seguir.

15.1.1 Terminologias e glossários


A necessidade de uniformizar produtos e procedimentos, principalmente na área técnica e
industrial, tem levado ao estabelecimento de sistemas de normalização em diversos países. Dentro
desses sistemas existem tipos variados de normas, e um deles é a terminologia ou glossário. O
CONMETRO define a terminologia como “... tipo de norma que se destina a definir, relacionarei ou
conceituar termos técnicos empregados em um determinado setor de atividade visando ao
estabelecimento de uma linguagem uniforme” (BRASIL. 1976). Esse material tem, portanto, uma
função fundamental na área de normalização técnica e se constitui em parte importante de
programas nacionais de padronização industrial, embora não possa ser definido como dicionário,
no sentido restrito do termo. Alguns glossários e terminologias, dependendo da extensão e do
nível de tratamento dos verbetes, podem funcionar como dicionários temáticos. Exemplo, em
formato eletrônico, na Internet, é o Glossary , preparado pelo Department of Chemistry da
University of Wisconsin (EUA), que apresenta um glossário de termos de química.
A ABNT tem terminologias aprovadas em diversas áreas, como, por exemplo, a TB-23 —
Iluminação: Terminologia, e a NBR 6504 — Piso Cerâmico; Terminologia. A ANSI, entidade
nacional norte-americana de normalização, também tem uma série de publicações desse tipo
cobrindo vários assuntos, como a American National Standard Industrial Engineering
Terminology: Biomechanics (ANSI 294.1 - /972). A TELEBRAS publicou em 1990 o Glossário de
Termos Técnicos de Telecomunicações, com vistas à padronização e consolidação de termos
técnicos utilizados em telecomunicações.

15.1.2 Dicionários bilíngües e poliglotas especializados


Os dicionários bilíngües especializados são muito úteis para os usuários da informação
especializada. Um termo pode ter um significado técnico diferente do significado ou significados
registrados nos dicionários bilíngües gerais, e o dicionário especializado pode resolver o problema
de tradução de termos específicos de uma área de assunto, de um idioma para outro. Exemplos
dessa categoria de dicionários especializados são o Dicionário Inglês-Português para Economistas,
de José C. M. Cavalcante, publicado pela Freitas Bastos, e o Glossário Bilíngüe de Tecnologia e
Negócios, de Adelaide Maria Coelho Baeta e Rosa Maria Neves da Silva (Editora Nova Fronteira,
1998). Este último traz mais de cinco mil termos utilizados por profissionais da área, além de
expressões idiomáticas de uso corrente e termos afins.

74
Embora os dicionários bilíngües sejam os mais comuns, há também dicionários
multilíngües, ou poliglotas. Exemplo é o A í4ultilingual Glossary of Biotechnological Terms (IUPAC
recommendations): in English, French, Gemian, Japanese, Portuguese, Russian, and Spanish,
editado por Hans Georg W. Leuenberger, Bertrand Nagel e Heinz Kölbl (New York, VCH, 1995).

15.1.3 Dicionários de nomes


Dicionários de nomes são comuns nas áreas de botânica e zoologia, onde é enorme a
quantidade de espécies existentes e conhecidas, tomando-se essencial a correta identificação de
tais espécies. Alguns dicionários de nomes têm cobertura internacional, como o Dictionary of
Plants Names, de Gerth van Work. e o Index of Generic Names of Fossil Plants, com dados do US
Geological Survey. Outros têm cobertura mais restrita, como o Dicionário das Plantas Úteis do
Brasil, de Gilberto L. Cruz (5. ed., Bertrand do Brasil, 995) e o Dicionário dos Peixes do Brasil, de
Hitoshi Nomura, da Editerra, de 1984.
Obras clássicas desse tipo são o Nomenclator Zoologtcus, de Neave, publicado pela
Zoological Society of London, e o Index Kewensis, da Clarendon Press. Este último registra cerca
de quinhentos mil nomes de gêneros e espécies de plantas, indicando seu país de origem,
sinônimos, trabalhos onde foram inicialmente divulgados e os nomes dos autores desses
trabalhos.

15.1.4 Dicionários de abreviaturas


O ritmo da vida moderna, onde o tempo parece ser pouco para tanto o que fazer, é
certamente uma das principais explicações para o surgimento de formas condensadas de
expressão, tais como as abreviaturas e as siglas. E com elas, a necessidade de instrumentos que
as decodifiquem.
As abreviaturas são uma forma de representar uma determinada palavra por meio de
silabas ou letras da mesma. Existem diferentes tipos de abreviaturas, cada um com
peculiaridades próprias que, pelo menos teoricamente, os distinguem dos demais. Na prática,
contudo, verifica-se que os diferentes tipos se superpõem e se confundem a um ponto que fica
difícil caracterizá-los.
As abreviaturas chamadas de contração constituem simplesmente um encurtamento da
palavra original, como as que se usam para os nomes dos meses do ano e títulos de periódicos.
Outro tipo de abreviatura é o símbolo, usado principalmente na química, para abreviar nomes de
substâncias, por exemplo. Os dicionários de língua, tanto gerais como especializados, costumam
incluir contrações e símbolos entre seus verbetes.
Existem dicionários específicos para a identificação de abreviaturas, como a obra editada
por Crowley, Acronyms, Initialisms & Abbreviations Oictionary: a Guide to Acronyms,
Abbreviations, Contractions, Alphabetic Syrn bois, and Similar Condensed Appellations,
publicada pelo Gale Group. (22.ed., 1997).
As siglas podem ser definidas como o conjunto das iniciais das palavras que constituem
uma denominação ou título. Essa é a regra geral, mas pode ocorrer que essa correspondência não
exista. Caso típico é aquele em que uma organização muda de nome mas decide manter a sigla,
que já é bem conhecida. Um exemplo é a sigla do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico — CNPq, mantida de sua antiga denominação, Conselho Nacional de
Pesquisa.
Siglas de organizações do mundo inteiro são apresentadas no Diccionario Internacional de
Siglas, de Martinez de Sousa, que abrange os mais diversos assuntos. O Buttress’s World Guide to
Abbreviations of Organizations (11 ed., 1 997) também tem cobertura internacional. Na Internet
um sítio recomendável é o Acronyms , que em 1998 já registrava cerca de 18 mil siglas e
continua crescendo.
Se o interesse está restrito a áreas continentais, é possível também encontrar fontes
apropriadas, de que é exemplo o Siglas Latinoamericanas, publicado pela CEPAL/Comissão
Econômica para América Latina e Caribe (Santiago do Chile, 1992).
As siglas brasileiras podem ser identificadas através da publicação Siglas de Entidades
Brasileiras (1979), do IBICT, um subproduto do cadastro básico de entidades. Essa publicação
lista mais de cinco mil siglas e tem a vantagem de apresentar, além dos nomes completos das
organizações, os seus endereços. Pode funcionar também como um diretório de entidades. Mas
como já está desatualizada, não havendo obras mais recentes com a mesma amplitude de escopo,
deve-se recorrer adicionalmente a fontes mais específicas, como por exemplo a Latin America
Reference Aid: Abbreviations and Acronyrns Used in the Press of Brazil Washington, DC., FBIS,
1995) e o Dicionário de Novos Termos de Ciências e Tecnologias: Empréstimos, Locuções, Siglas,
Cruzamentos e Acrônimos. (São Paulo: Editora Pioneira, 1996), de autoria de Franco Vidossich.

75
Muito comuns também são os dicionários de siglas restritos a determinadas áreas de
assunto ou atividade. Exemplo é o Diccionario de Acrónimos en Información y Docurnentación
(2.ed., 1995). publicado pelo Centro de lnformación y Documentación Científica (CINDOC) do
Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC), em Madrid, Espanha. Também, o
Dicionário de Siglas Médicas, de Barbanti (São Paulo: Maitiry, 1995). Disponível via Internet,
temos como exemplo o Nasa/Ksc Acronym List ‘, dicionário de siglas da NASA, listando termos de
interesse do setor aeroespacial.

15.2 Tesauros1
Os tesauros são listas de palavras de uma determinada área, apresentando o
relacionamento entre os termos utilizados naquele assunto ou área do conhecimento. Os
relacionamentos entre os termos, mais comumente apresentados nos tesauros, são do tipo
hierárquico (do geral para o específico) de equivalência (termos sinônimos) e de associação (termos
relacionados). Os tesauros servem principalmente para a indexação de documentos em catálogos
e bases de dados.
Existem diversos tesauros compilados nas mais variadas áreas de assunto. São exemplos o
Microtesa uro Brasileiro de Educação Especia1 TESESPE, da Secretaria Nacional de Educação
Básica, publicado em 1990-1992, e o Tesauro para Estudos de Gênero e sobre Mulheres,
publicado pela Editora 34, em 1998.
A localização de tesauros pode ser feita por meio do guia Current Thesaun an Analytical
Guide to Selected Standardized Tools for Information Retrieval, publicado em 1985 pela CEC. O
IBICT publicou, em 1983, o Tesauros, Bibliografia; 1970/1982, com informações acerca de
trezentos tesauros do mundo inteiro, com um suplemento em 1985, Tesauros, Bibliografia
1983/1984 Thesauri, Bibliography 1983/1984.

15.3 Enciclopédias
A forma e a função das grandes enciclopédias gerais são bem conhecidas do profissional da
informação e dos estudantes em geral. As enciclopédias temáticas, ou especializadas, têm a
mesma função das enciclopédias gerais, isto é, apresentar, de forma concisa e facilmente
acessível, informações a respeito do assunto de sua especialização. Por isso1 podem servir como
ponto de partida para um estudo e, nesse caso, a bibliografia que normalmente aparece no final
dos verbetes é o instrumento apropriado para que o consulente possa se aprofundar no assunto.
As diferenças entre enciclopédias gerais e especializadas são basicamente duas. Em
primeiro lugar, o âmbito de uma enciclopédia especializada é claramente definido: física,
psicologia, direito, tecnologia química, por exemplo. Em segundo lugar, o nível de tratamento do
assunto na enciclopédia especializada costuma ser altamente técnico. Por conseguinte, os
verbetes das enciclopédias especializadas são escritos por especialistas e geralmente assinados.
Da mesma forma, o corpo editorial da obra precisa ser constituído de especialistas reconhecidos
como autoridades na área de assunto coberta pela obra. Esses aspectos todos, além das demais
características mencionadas, são elementos importantes a serem observados no momento da
seleção.
Exemplo típico de enciclopédia especializada na área de ciência é a Van Nostrand’s Scientific
Encyclo pedia (7. ed., New York, Van Nostrand Reinhold, 2 volumes), publicada desde 1938 e
considerada a obra de referência científica mais consultada do mundo (GROGAN, 1990. p59). Na
Internet, serve como exemplo a CRC Encyclopedia of Mathematics .
Como outras formas de publicação, as enciclopédias especializadas também apresentam o
problema de títulos confusos e pouco explicativos. Algumas não trazem a palavra enciclopédia no
título, como é o caso da Magill’s Survey of Science: Life Science Serias (1992), em seis volumes, ou
do Handbuch der Physik, em 77 volumes, da editora Springer Verlag. O Thorpe’s Dictionaty of
Applied Chemistry, da Longmans Green, 1937-1956, é uma enciclopédia em 12 volumes, apesar
da palavra dicionário no título, que pode induzir as pessoas em erro quanto à sua verdadeira
natureza. O oposto também pode ocorrer, ou seja, obras com a palavra enciclopédia no título e
que não passam de dicionários, como mostrado anteriormente. Ou, às vezes, até mesmo outros
tipos de obras. Por exemplo, tanto a Intemational Encyclopedia of Physical Chemistty and
Chemical Physics, da Pergamon Press, quanto a Enciclopédia de Ecologia, da EPU (1992), são
apenas monografias, embora tragam a palavra enciclopédia nos respectivos títulos.

1 Embora com uma função diversa da dos dicionários, os tesauros são aqui incluídos por se constituírem em listagens

terminológicas

76
Na teoria, a diferença entre um dicionário e uma enciclopédia é bem clara. Um dicionário
basicamente fornece definições de palavras ou sua tradução em outros idiomas, ao passo que a
enciclopédia trata de assuntos. Na prática, essa diferença nem sempre é tão óbvia, pelos motivos
já apontados. Entretanto, conforme observado, se a obra tiver seus objetivos bem definidos e for
bem planejada, não restará dúvida quanto à sua natureza, após uma análise ainda que ligeira.

15.4 MANUAIS
O Glossaty of Library Terms, da ALA (American Library Association) define um manual
(handbook, em inglês) como uma obra compacta, que trata concisamente da essência de um
assunto, tendo como finalidade principal servir como fonte de informações correntes. Segundo
GROGAN (1982), os manuais são os livros de referência mais usados por cientistas e tecnólogos,
quando surge necessidade de informações objetivas no curso do desempenho profissional e, por
isso mesmo, têm sido considerados instrumentos de trabalho. É nas áreas de ciência e tecnologia
que se encontra o maior número dessas obras, embora elas existam também em outros campos
do conhecimento, como, por exemplo, biblioteconomia. O Handbook of Special Librarianship and
Information Work, publicado pela Aslib, já em sua 7ª edição (1997), apresenta informações básicas
sobre o planejamento, organização e funcionamento de bibliotecas especializadas. Inclui, por
exemplo, orientações sobre o espaço necessário para os diversos setores, número de estantes
necessárias para uma determinada coleção, distância entre as estantes e distribuição das mesas e
cadeiras.
Grande parte da informação contida nos manuais é apresentada de forma compacta, por
meio de tabelas, gráficos, símbolos, equações e fórmulas. Por isso, os manuais propiciam a
conferência de fórmulas, a obtenção de dados numéricos de vários tipos, definições e descrições
de processos, materiais e peças de mecanismos, entre outros.
O tratamento do assunto no manual costuma ser sistemático ou lógico, isto é, segue o
desenvolvimento natural da matéria, exigindo, por conseguinte, um bom índice. Este vai permitir
que os leitores não familiarizados com o assunto possam localizar tópicos específicos dentro do
manual. Os manuais incluem os conhecimentos já sedimentados e não as descobertas ou
invenções, os avanços ou progressos recentes. Entretanto, é desejável que se procure adquirir a
edição mais recente da obra.
A autoridade do editor e do autor deve ser elemento determinante quando se seleciona um
manual pois, além da facilidade de consulta, deve apresentar dados confiáveis. O CRC Handbook
of Chemistr’ and Physics, 1998-1999, publicado pela Chemical Rubber Co., e já na 79a edição, de
1998, é conhecido como a bíblia dos químicos porque sempre conseguiu manter um alto nível de
informação, desde a sua l edição, de 1913.
Observa-se que nem sempre a palavra manual handbook) aparece no título desse tipo de
obra, de que são exemplos os títulos de manuais como Sourcebook on Atomic Energy, The
Engineer’s Companion, Corrosion Guide e Primrose McConnell’s the Agricultural Notebook.

15.5 Tabelas
Como já foi mencionado anteriormente, a apresentação de dados em forma tabular é uma
característica de muitos manuais. E, quando aumenta a proporção de tabelas e diminui a de
texto, a obra passa a ser um livro de tabelas. A finalidade da apresentação tabular é economizar
tempo. A informação poderia ser apresentada sob outra forma, mas a tabela, que vai exigir muito
esforço, tempo e paciência do compilador para localizar a informação que está dispersa na
literatura primária, é de utilidade comprovada para especialistas que dependem de dados
numéricos. Nas ciências físicas e tecnológicas as tabelas constituem parte importante da
literatura, já que áreas como matemática, termodinâmica e cristalografia são basicamente
dependentes de quantificação.
O trabalho mais conhecido em forma tabu lar é o International Critical Tables, publicado
pela McGraw Hill há mais de cinqüenta anos e ainda hoje muito utilizado. O termo critical, do
título, indica que os dados apresentados são aqueles considerados os mais confiáveis na opinião
dos trezentos consultores da obra. Outra característica da obra é a apresentação das referências
bibliográficas dos documentos de onde os dados foram extraídos, permitindo assim sua
verificação. Outro exemplo é o Manual de Fórmulas, Métodos e Tabelas Matemáticas, de Murray R.
Spiegel (2ª edição revista e ampliada, 1992), que é de utilidade para estudantes e pesquisadores
nos campos da matemática, física, engenharia e outras ciências. É interessante observar que o
problema da barreira lingüística é praticamente inexistente nas compilações tabulares,

77
especialmente se o texto explanatório é multilíngüe, como é o caso da International Critical Tables,
acima citada.
Muitas tabelas são publicadas na forma de artigos de periódicos, ao invés da forma
tradicional de livro, o que tem provocado o aparecimento de periódicos que se dedicam
exclusivamente à divulgação de dados em forma tabular. Como exemplo há o Journal of Chemical
and Engineering Data.
Outra tendência é o aparecimento de centros especializados em coletar, organizar e
disseminar dados. Nos Estados Unidos, o National Standard Reference Data System (NSRDS),
criado em 1963 e ligado ao National Bureau of Standards (NBS), coordena uma rede de 25 centros
de dados espalhados por todo o país, localizados em agências do governo, universidades e centros
particulares de pesquisa. O NSRDS divulga seus trabalhos em diversas publicações, das quais a
mais conhecida é o periódico Journal of Physical and Chemical Reference Data, de periodicidade
trimestral.
Na Inglaterra, o Office for Scientific and Technical Information (OSTI) é a entidade nacional,
ligada ao Governo Britânico, encarregada da compilação de dados. Nesse país também o
Engineerig Science Data Unit (ESDU), entidade privada, divulga dados em áreas tecnológicas.
O CODATA (Committee on Data for Science and Technology)  é um organismo do
International Council of Scientific Unions (ICSU) , criado em 1966 em nível mundial para
promover a produção, compilação, avaliação e disseminação de dados numéricos relevantes para
ciência e tecnologia. As áreas de assunto cobertas pelo CODATA são: física pura e aplicada,
química pura e aplicada, biociências (bioquímica, nutrição, microbiologia, farmacologia,
imunologia, biofísica, biotecnologia), geociências (geografia, cristalografia, geologia, geofísica),
astronomia e meio ambiente.
Cabe ao IBICT, como membro nacional, coordenar as atividades do CODATA no Brasil,
desenvolvendo ações que possibilitem a disseminação de informações sobre bases de dados
científicos e tecnológicos existentes no País, estimulando sua criação, promovendo a disseminação
das referidas bases e dos documentos técnicos em assuntos específicos de interesse da
comunidade científica e tecnológica.

15.6 Fontes para identificação de obras de referência


Dicionários, enciclopédias, manuais e tabelas são identificados principalmente através de
guias de obras de referência, como o Guide to Reference Material, de Walford, e outras obras do
gênero. Os guias de literatura constituem fontes mais seletivas para identificar obras de referência
(ver Capítulo 18: Guias de Literatura).
Há também fontes dedicadas a tipos específicos de obras de referência, de que são exemplos
o World Dictionaries in Print, 1983: a Guide to General and Subject Dictionaries in World Languages
(New York Bowker, 1 983), o ARBA Guide to Subject Encyclopedias and Dictionaries (2. ed., 1997),
editado por Susan C. Awe e, na Internet, o sítio Enciclopédias e Dicionários ‘, do Prossiga. Neste
registram-se enciclopédias e dicionários referentes a ciência e tecnologia, que dão acesso ao texto
integral, bem como fontes de referência sobre esse tipo de material bibliográfico. O sítio está
dividido em fontes brasileiras e estrangeiras.
Muito comuns são as fontes dedicadas a áreas temáticas específicas, de que é exemplo a
Encyclopedia of Health Information Sources: a Bibliographic Guide to Over 13,000 Citations for
Publications, Organizations, and Databases on Health-Related Subjects (2. ed., 1993), editada por
Alan M. Rees. Nela pode-se encontrar referências a dicionários, enciclopédias, manuais e todos os
demais tipos de fontes de referência na área de saúde.
Sendo material comercializado no mercado livreiro, podem ser utilizados também os
catálogos de editoras, que são as fontes mais adequadas na seleção das edições mais recentes.
Como qualquer obra de consulta, os dicionários, enciclopédias, manuais e tabelas são obras
caras, cuja aquisição pode sobrecarregar qualquer orçamento. Assim, a seleção deve ser a mais
criteriosa possível, para evitar a aquisição de obras sem real utilidade.

Referências bibliográficas

BRASIL Ministério da Indústria e Comércio. Secretaria de Tecnologia Industrial. Sistema


Nacional de Metrologia Normalização e Qualidade Industrial: legislação e resoluções.
Brasília: MIC/STI, 1976. 81 p.
FERREIRA. A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira!
1997. 1838p.

78
GROGAN, D. Science and technology: an introduction to the literature. 4th.ed. London: C.
Bingley, 982. Cap. 3: Encyclopedias, p.37-46.
GROGAN, D. Subject encyclopedias. In: LEA, Peter W. (Ed.). Printed reference material; and
related saurces of information. 3rd.ed. London: The Library Association, 1990. p. 58-81.
MARTINEZ DE SOUSA, José. Dicionário internacional de siglas e acrônimos. 2. ed. Madrid:
Pirâmide, 1984. 551 p.
SISTEMA Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial: legislação, 1973-79.
Brasília: Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, 1980. 108p. (Série
Legislação / INMETRO : 1)
SUBRAMANYAM, K. Scientific and technical information resources. New York: M. Dekker,
1981. Cap. IS: Encyclopedias, p.131-241.
WHITTAKER, K.A. Dictionaries. In: LEA, Peter W. (Ed.). Printed reference material; and related
sources of information. 3rd.ed. London: The Library Association, 990. p. 11-34.

79
16 - Serviços de indexação e resumo
Beatriz Valadares Cendón

Os periódicos de indexação e resumo listam os trabalhos produzidos em um determinado


assunto ou área com a finalidade de facilitar a identificação e acesso á informação que se
encontra dispersa em um grande número de publicações. São, portanto, fontes terciárias.
A função principal dos periódicos de indexação e resumo é a identificação do conteúdo de
publicações. Ou seja, ao invés de listar referências bibliográficas de obras inteiras como livros,
anais de congressos ou periódicos, um periódico de indexação e resumo procura representar mais
detalhadamente o seu conteúdo, indexando e resumindo partes específicas desses materiais, a
saber capítulos, trabalhos de congressos e artigos.
Por ser a literatura especializada composta, principalmente, de revistas e outras publicações
periódicas, os periódicos de indexação e resumo assumem importância fundamental nessa área.
Além de permitirem a identificação de artigos e outros trabalhos, são instrumentos valiosos para o
pesquisador, cientista, engenheiro ou administrador, que têm necessidade de obter informações
recentes sobre tópicos ainda não incluídos em fontes secundárias como livros-texto, enciclopédias
e manuais ou verificar tendências em um determinado campo de conhecimento.
Os periódicas de indexação e resumo costumam ser chamados abreviadamente de índices,
quando listam apenas as referências bibliográficas, e de abstracts, quando incluem também os
resumos das publicações. No Brasil, são também chamados de bibliografias especializadas,
principalmente quando sua publicação não tem a regularidade de um periódico. Podem ser
produzidos em forma de bases de dados bibliográficos, as quais incluem, geralmente, as mesmas
informações que suas versões impressas, mas apresentam maior facilidade para pesquisa. Neste
capítulo, para simplificar, referir-se-á genericamente aos periódicos de indexação e resumo como
índices e às bases de dados bibliográficas como bases de dados ou, às vezes, apenas como bases1.
Os índices e bases de dados são produzidos por organizações, chamadas de serviços de
indexação e resumo, que se responsabilizam por sua divulgação e comercialização.

16.1 Histórico e evolução


As bibliografias especializadas, que se transformaram nos atuais periódicos de indexação e
resumo, eram inicialmente compiladas por indivíduos preocupados com o controle e acesso à
informação científica. As primeiras foram publicadas logo após a invenção da imprensa. já em
1494 aparece o trabalho de Joham Tritheim, Líber de Scriptoribus Ecclesiasticis. Em 1506 foi
publicada a bibliografia De Medicinae Claris Scriptoribus, de Symphorien Champier. Com o
surgimento dos periódicos, gerais e especializados, elas passaram a ser também publicadas como
um anexo a eles. Por exemplo, o Journal des Scavans, o primeiro periódico científico do mundo,
publicado a partir de 1665, possuía uma seção de resumos, que serviu de modelo para
empreendimentos similares em muitos países da Europa.
Entretanto, foi com a intensificação do movimento científico, a partir de 1810 e o
conseqüente aumento do número de publicações, que surgiu a necessidade de um esforço
sistemático para o controle da literatura. Associações profissionais e sociedades eruditas
substituíram as ações individualizadas na tarefa de resumir a literatura específica da área,
passando a oferecer mais um serviço profissional a seus membros. Essas primeiras iniciativas, no
final do século XIX e início do século XX, deram origem aos grandes serviços de indexação e
resumo atuais. O drástico crescimento da literatura científica e tecnológica no século XX,
particularmente depois da Segunda Guerra Mundial, fez com que o seu número aumentasse
significativamente.
As primeiras áreas cobertas pelos periódicos de indexação e resumo foram as ciências
básicas e aplicadas, tais como química, engenharia, zoologia e medicina. Alguns exemplos desses
primeiros índices são o Pharmaceutisches Central-Blatt (1830), que depois se transformaria no
Chemisches Zentralblatt, publicado pela AkademieVerlag (de Berlim); o Engineering Index (1884),
editado pela Association of Engineering Societies, e o Review of American Chemical Research,
iniciado em 1895 e substituído, em 1907, pelo Chemical Abstracts da American Chemical Society.
Desde então novos índices têm surgido em outros ramos do conhecimento, atendendo à
evolução da ciência e ao aparecimento de novas áreas de pesquisa científica e tecnológica.
Exemplos mais recentes são Computer & Control Abstracts, Pollution Abstracts, Enviroline ®,

1 Existe uma grande variedade de tipos de bases de dados. Elas podem conter informações numéricas ou textuais;

bibliográficas ou não bibliográficas; referências ou texto completo. A maioria das bases de dados que serão objeto deste
Capítulo são bases de dados de referências bibliográficas. Algumas das bases de dados citadas contêm as referências
bibliográficas acompanhadas do texto completo dos trabalhos.
Energy Science and Technologye Aerospace Database, que cobrem as áreas de ciência da
computação, poluição ambiental, meio ambiente, energia e engenharia espacial, respectivamente.
Da mesma forma que os novos ramos da ciência que cobrem, esses índices também se
caracterizam por serem interdisciplinares.
Na década de 70, quando empresas do setor comercial começaram a entrar no ramo de
produção de periódicos de indexação e resumo, as ciências sociais, artes e ciências humanas
passaram também a ser contempladas pelos índices. Alguns exemplos são Economic Literature
Index, Business Periodical Index e ABI/Infom ® (economia e administração de empresas),
PsycINFO ® (psicologia), Art Abstracts (artes) e Philosopher’s Index (filosofia).
O desenvolvimento da tecnologia dos computadores na década de 60 permitiu inovações nas
formas como os serviços de indexação e resumo atendiam sua clientela. Inicialmente os serviços
usaram computadores apenas para produzir fitas magnéticas com os dados e para imprimir os
seus índices. O primeiro índice produzido por computador foi o Chemical Titles, do Chemical
Abstracts Service (CAS), em 1961. Os dados, registrados no computador em forma eletrônica,
podem ser facilmente manipulados e possibilitaram a geração de novos produtos, tais como
boletins de notificação corrente, bibliografias sobre tópicos específicos, serviços de disseminação
seletiva da informação e levantamentos retrospectivos a pedido. Além disso, os serviços passaram
a produzir e comercializaras seus índices em forma de bases de dados. Hoje, muitos dos serviços
de indexação e resumo produzem índices tanto em forma impressa como em versão eletrônica:
por exemplo, BIOSIS, uma organização produtora de bases de dados na área biológica e médica,
publica o Biological Abstracts (impresso) e BIOSIS Previews ® (base de dados).
Além de proporcionar mais eficiência na consulta, as bases de dados possibilitaram outros
meios de acesso à informação. Inicialmente disponíveis apenas para consulta local, já na década
de 60 as bases de dados puderam ser acessadas remotamente, via redes de computadores de
comutação de pacotes. A partir de 1985, passaram também a ser produzidas e disseminadas
utilizando a tecnologia do CD-ROM. A difusão da Internet na década de 90 facilitou ainda mais o
acesso remoto às bases de dados.
Atualmente a produção de periódicos de indexação e resumo constitui uma verdadeira
indústria, com um grande número de empresas produzindo uma variedade de índices, O diretório
The Index and Abstracts Directory: an International Guide Lo Services and Serials Coverage, por
exemplo, fornece informações sobre cerca de mil índices. Outro diretório, o Gale Direcfory of
Databases, lista, em sua edição de 1995, mais de cinco mil bases online e quatro mil bases em
outros formatos, produzidas por quase quatro mil organizações. Essas bases de dados são
comercializadas por cerca de mil vendedores e distribuidores e colocadas à disposição para acesso
online por 825 empresas diferentes.
Essa indústria está em constante evolução. Os produtores de índices têm procurado criar
novos produtos, voltados para as necessidades específicas de bibliotecas de diferentes tipos e
tamanhos. Com a finalidade de reduzira intervalo de tempo entre a publicação de um documento
e sua divulgação, foram criados os sumários correntes, um outro tipo de produto similar aos
periódicos de indexação e resumo. Os sumários correntes reproduzem as páginas dos sumários de
periódicos e, portanto, sua produção é mais rápida por não envolver o trabalho de indexação e
elaboração de resumos. Por exemplo, desde 1958,0 ISI produz a versão impressa do Current
Contents, que atualmente possui sete edições diferentes, cobrindo agricultura, biologia, meio
ambiente, medicina clínica, engenharia, computação e tecnologia, ciências da saúde, física e
química. Vários outros serviços de sumários apareceram recentemente, cobrindo tanto a
literatura de interesse geral como periódicos acadêmicos. Os serviços vêm aprimorando seus
produtos, passando a incluir resumos e não apenas referências bibliográficas, às vezes colocando
o texto completo dos artigos em suas bases de dados e adicionando a indexação de jornais ao
invés de se limitarem a cobrir periódicos; para facilitar a obtenção do texto completo, têm feito
parcerias com serviços de fornecimento de texto completo de documentos.

16.2 Características
Os periódicos de indexação e resumos são produzidos atualmente por uma gama de
diferentes organizações: grandes empresas, operando em bases comerciais (por exemplo, BIOSIS,
na área de ciências biológicas), associações profissionais (por exemplo, a American Chemical
Society), órgãos governamentais (por exemplo, a NASA) ou editoras comerciais (por exemplo,
EBSCO Publishing). Alguns são também produzidos por entidades internacionais, tais como o
INIS Atomindex, publicado pela International Atomic Energy Agency (IAEA), ou o Agrindexdo
Agricultural Information System (AGRIS), um sistema de informação em agricultura administrado
pela Food and Agriculture Organization (FAO), órgão da ONU. Esses serviços internacionais

81
funcionam, na maioria das vezes, com base em redes cooperativas formadas por países membros,
que coletam e resumem sua produção bibliográfica, reunida e colocada à disposição pela
instituição central.
No processo de elaboração dos índices, um profissional analisa o conteúdo dos documentos
e cria sua representação, a qual inclui não apenas a referência bibliográfica, mas também termos
de indexação. Muitas vezes utiliza-se um vocabulário controlado para definição dos termos a
serem usados para indicar o assunto dos documentos. Dessa forma, agrega-se valor à informação.
Parte-se do pressuposto que esses esforços garantam uma melhor recuperação, permitindo a
identificação dos itens que melhor atendam aos propósitos do usuário.
Como o próprio nome indica, a maioria dos periódicos de indexação e resumo fornece, além
da referência bibliográfica, resumos dos trabalhos incluídos. Nesses casos, são chamados
abreviadamente de abstracts. Os resumos, idealmente, contêm informações suficientes para
permitir a determinação da relevância do trabalho. Podem ser simplesmente descritivos ou podem
fornecer uma avaliação crítica do item, embora isso seja menos comum. Muitos abstracts usam
os resumos preparados pelo próprio autor evitando, assim, o custo de pessoal para ler os artigos e
resumi-los, o que constitui um processo dispendioso.
Os índices apresentam cobertura variada quanto ao assunto, tipo de material, número de
publicações, área geográfica e idioma. Diferem também quanto à freqüência de publicação,
cobertura cronológica, pontos de acesso e formatação dos seus dados. Devido a essas diferenças,
nos índices impressos o material introdutório é especialmente importante por fornecer
informações detalhadas sobre suas características, além de instruções sobre o seu uso. No caso
dos índices em formato eletrônico, deve-se consultar as descrições das bases de dados contidas
na documentação fornecida pelo vendedor ou nos diretórios. Para o profissional da informação,
que adquirirá ou utilizará um índice, é imprescindível a leitura dessas informações.
Embora existam índices cobrindo as mais variadas áreas, algumas são melhor servidas que
outras. Nas áreas mais bem servidas pode haver vários serviços, que contam com uma clientela
consolidada em vários países. Em agricultura, por exemplo, existem a Bibliography of Agriculture,
produzida pela National Agricultural Library dos Estados Unidos, o Agrindexda FAO, além de
mais de 30 índices diferentes produzidos pela CAB International  (organização produtora de
bases de dados em agricultura e florestas, anteriormente chamada de Commonwealth Agricultural
Bureau). Nesses casos, quando existem vários índices em uma mesma área, pode haver
duplicação de cobertura. Mesmo que os serviços procurem diferenciar os índices uns dos outros, é
bastante freqüente acontecer que dois serviços diferentes, dentro de uma mesma área, cubram
várias das mesmas revistas.
Índices que se destinam a indexar e resumir a literatura de uma área especializada
freqüentemente abrangem vários tipos de publicações para assegurar uma cobertura extensa.
Podem incluir artigos de periódicos, trabalhos de congressos, relatórios ou Capítulos de livros,
embora a maioria cubra principalmente artigos de periódicos.
As características específicas de alguns tipos de material, como teses, dissertações,
relatórios técnicos, publicações governamentais, anais de eventos ou patentes, levaram ao
surgimento de serviços que indexam apenas um tipo de publicação. Por exemplo, o Index to
Scientific and Technical Proceedings R é um índice multidisciplinar, que se dedica exclusivamente
a anais de congressos, indexando mais de quatro mil anais de eventos por ano. já o controle dos
relatórios técnicos americanos é feito pelo NTIS, órgão do governo americano. Patentes e normas
técnicas são indexadas por instituições, como a OMPI e a ISO, respectivamente, as quais
desenvolveram sistemas cooperativos para controle destes materiais. Uma empresa privada
inglesa, a Derwent Information, também se destaca na área de patentes.
Os índices diferem quanto ao número de trabalhos cobertos e quanto à profundidade da
cobertura. Em alguns casos cobrem todos os itens publicados nas revistas que indexam, em
outros1 selecionam apenas aqueles mais relevantes para o escopo do índice. Alguns indexam até
cartas ao editor e editoriais, enquanto outros se restringem a artigos de pesquisas.
Alguns índices podem ter restrições quanto à área geográfica e idioma das publicações que
cobrem. Por exemplo, alguns cobrem apenas publicações em língua inglesa, enquanto outros
procuram identificar material relevante para uma disciplina em qualquer idioma.
A cobertura cronológica dos índices nem sempre coincide com o período de publicação. Por
exemplo, o Science Citation Index começou a ser publicado nos anos 60; no entanto, cobre a
literatura desde 1945.
Freqüência de publicação é outra característica que deve ser também considerada quando
da sua consulta ou aquisição. Alguns índices são atualizados mensalmente outros, a cada
trimestre. A freqüência de acumulação indica a periodicidade com que as publicações parciais são
sintetizadas em um único volume. Por exemplo, em um índice impresso com atualizações mensais
e acumulações anuais, o usuário teria que consultar vários fascículos separados, até que a

82
acumulação anual seja publicada. No caso de bases de dados online ou em CD-ROM, o conteúdo
é acumulado automaticamente, o que é uma vantagem desses índices em forma eletrônica.
Quanto à sua organização, em geral esses índices contêm uma lista hierárquica dos
aspectos ou subdivisões de um assunto, onde os itens são listados com um número de acesso, os
dados bibliográficos e o resumo. Os pontos de acesso nos índices impressos são, comumente,
autor e assunto. No caso das bases de dados, podem existir muitas outras opções para pesquisa,
como palavras-chave do título e resumo, título da revista ou instituição de afiliação do autor.
Os índices diferem também quanto à formatação das entradas. Alguns fazem uso extensivo
de abreviaturas, sendo necessário consultar as listas de abreviaturas e símbolos para leitura das
referências. A forma como os nomes de autores são representados pode também diferir de um
índice para outro. Em alguns casos, apenas o sobrenome e iniciais dos nomes dos autores são
fornecidos.

16.3 Bases de dados


As bases de dados produzidas pelos serviços de indexação e resumos, na maioria das vezes,
são vendidas na forma de fitas magnéticas para outras organizações que se especializam no
fornecimento de informação eletrônica. Essas empresas adaptam as fitas dos produtores de bases
de dados de acordo com seus padrões e vendem o acesso remoto ao conjunto de bases de dados
para bibliotecas, instituições de pesquisa, empresas e pessoas físicas. No Brasil, essas empresas
têm sido chamadas de bancos de dados.
Existem várias empresas (bancos de dados) fornecedoras de acesso online a bases de dados.
A Dialog é a maior delas, oferecendo mais de quinhentas bases de dados. Outros dos maiores
fornecedores são STN Intemational (parte do CAS), OCLC, DataStar, LEXIS/NEXIS, Questel-Orbit,
Ovid Technologies e H. W. Wilson.
Algumas vezes os próprios serviços de indexação e resumo se encarregam de vender
diretamente suas bases de dados, ao invés de fazer uso de uma empresa intermediária. Por
exemplo, a Information Access Company (IAC) e a National Library of Medicine, além de produzir
bases de dados, atuam também como fornecedores.
O cliente pode escolher um ou vários fornecedores e acessar todas ou algumas entre as
centenas de bases disponíveis. Algumas podem ser oferecidas por vários fornecedores; outras por
apenas um. O custo do acesso é determinado por diferentes métodos, variando conforme o
vendedor e o tipo de contrato de fornecimento. O preço pode ser estabelecido com base em
assinaturas anuais, número de buscas realizadas ou número permitido de usuários com acesso
simultâneo ao sistema, Mas é sempre caro. Por exemplo, uma instituição que assina o CitaDel,
serviço da Research Libraries Group (RLG), paga, pelo acesso a cada base de dados, entre 750 a
18 mil dólares por ano para cinco usuários simultâneos. Outro elemento que compõe o custo do
acesso online é o custo de telecomunicações. Devido às altas tarifas praticadas no Brasil para
ligações a distância, o acesso online a bases de dados nunca foi muito utilizado no País.
Em um sistema online, um computador de um centro de informações é usado para entrar
diretamente em contato com o computador hospedeiro das bases de dados, via linha telefônica
através de um modem. O termo online significa que tanto o computador do usuário como o
computador hospedeiro estão se comunicando no momento da busca. O acesso é feito através de
redes de comutação de pacotes como a Rede Nacional de Comunicação de Dados por Comutação
de Pacotes (RENPAC), do Brasil, e Tymnet ou Telenet, dos Estados Unidos. É a forma mais rápida
e eficaz de acesso às bases de dados e a preferida por profissionais da informação em países como
os Estados Unidos. Nas bases online, as informações são atualizadas mais freqüentemente que
nas versões impressas ou em CD-ROM, garantindo o acesso a informações mais recentes.
Entretanto, existem algumas desvantagens relacionadas com o acesso online. A primeira
delas é o custo, já mencionado anteriormente. Outro problema é a variedade dos sistemas, pois os
detalhes técnicos de utilização e pesquisa nas bases de dados variam de fornecedor para
fornecedor. Por serem destinados a profissionais da informação, o uso dos sistemas pode ser
complexo, exigindo treinamento e experiência. Em geral, os usuários finais têm dificuldade em
lidar com eles. Além disso, a constante evolução da tecnologia de busca torna necessário que o
profissional da informação se atualize constantemente, estudando a documentação tanto do
sistema de cada fornecedor, quanto da base de dados.
No final da década de 90, os vendedores de bases de dados começaram a utilizar também a
Internet para oferecer outra forma de acesso remoto às bases. O acesso via Internet é similar ao
acesso online, mas neste caso a rede utilizada para acesso é, obviamente, a Internet, e o custo de
telecomunicações é menor, já que as ligações são tarifadas como locais (caso exista um provedor
local de acesso à Internet). Como no caso dos sistemas online, uma vez acessado o sítio do

83
fornecedor, é necessário o uso de senhas para a pesquisa. Entretanto, pelas informações que
contêm, esses sítios são importantes, mesmo para os não assinantes. É possível verificar,
geralmente, a lista das bases de dados fornecidas e sua documentação. Além disso, pode-se
usufruir de alguns serviços grátis. O Dialog Web , por exemplo, permite pesquisa grátis de
palavras-chave nas bases disponíveis. O usuário pode, desta forma, identificar quais bases de
dados contêm maior número de registros relevantes dentro do seu tópico — um ponto importante
para uma decisão de compra de uma base —, mas não tem permissão para consultar o conteúdo
dos registros recuperados.
O fornecimento de acesso às bases dos grandes bancos de dados via Internet ainda é uma
novidade em experimentação e, para o profissional da informação, apresenta várias desvantagens.
Ao contrário da conexão direta anime, o acesso através da Internet pode ser demorado,
dependendo do tráfego na rede e do horário de acesso. Normalmente os fornecedores tornam
disponíveis via Internet um leque menor de bases de dados do que o oferecido pelo acesso direto
online. A interface de pesquisa e o software para busca costumam fornecer recursos menos
sofisticados que os dos sistemas online. Entretanto, para os usuários brasileiros essa nova opção
de acesso remoto elimina um fator limitante, que é o custo da ligação telefônica.
Além do acesso remoto, existe atualmente a opção de acesso local às bases. Algumas bases
são distribuídas em disquetes. É o caso da base Current Contents on Oiskette do ISI. Muitas das
bases estão também disponíveis em CD-ROM. Alguns dos produtores/ distribuidores de bases de
dados em CD-ROM são: UMI, OCLC, SilverPlatter e IAC. O CD-ROM tem a vantagem de oferecer
um custo fixo por uso ilimitado e de eliminar as dificuldades relacionadas com o acesso remoto.
Por isso é o meio de acesso a bases de dados que tem tido maior penetração em países do terceiro
mundo. Outra vantagem é a simplicidade de sua interface de pesquisa, que visa o usuário final e
elimina a necessidade da presença de um intermediário que conheça o sistema. Entretanto, da
mesma forma que nos sistemas online, existe, no caso dos CD-ROMs, uma variedade de sistemas
com detalhes técnicos de utilização diferentes, o que representa um obstáculo para o usuário.
Outras desvantagens dos CD-ROMs em relação aos sistemas online são o menor número de bases
disponíveis nesse formato, informações atualizadas com menor freqüência que nas bases online e
recursos de busca menos flexíveis que nos sistemas voltados para o profissional.
Alguns vendedores de bases de dados como Ovid, IAC ou H. W. Wilson podem fornecer
também fitas magnéticas com o conteúdo das bases de dados para que sejam montadas
localmente. Esse tipo de instalação exige grande capacidade de armazenagem dos computadores.
As bases de dados são adquiridas, processadas, carregadas no sistema e colocadas à disposição
para toda a instituição, geralmente mediante senha de acesso. Normalmente são montadas junto
com o catálogo online, como bases de dados adicionais. No Brasil esse método é pouco usado,
pois apenas recentemente sistemas mais sofisticados para automação de catálogos de bibliotecas
têm sido implantados.
Algumas bases de dados podem estar disponíveis em vários formatos: a base AGRÍCOLA
(AGRiCultural OnLine Access), que corresponde ao índice impresso Bibliography of Agriculture, é
produzida na versão impressa, online e em CD-ROM. Entretanto, nem sempre as diversas versões
oferecem cobertura idêntica. Algumas bases podem combinar registros bibliográficos de vários
índices impressos e reuni-los em uma única base. Por exemplo, os mais de 30 índices produzidos
pelo CAB International são reunidos em uma única base, a CAS Abstracts. Essas diferenças
tornam necessário o estudo da documentação sobre a base de dados para determinar as
diferenças entre os conteúdos da versão impressa e da eletrônica.
Como no caso dos índices impressos, as bases de dados bibliográficas cobrem uma grande
variedade de campos de conhecimento. Algumas, como o Dissertation Abstracts Online, são
multidisciplinares, porém limitadas a um único tipo de documento. A maioria focaliza uma única
área de conhecimento, mas inclui em sua cobertura vários tipos de documentos. Outras bases de
dados cobrem as publicações de uma única fonte. Um exemplo é a base de dados do GPO que
cobre as publicações daquele órgão desde 1976.
Quando da aquisição ou uso de bases de dados online e em CD-ROM, é importante ter em
mente o período coberto por elas. Por serem um desenvolvimento recente, as bases de dados, em
geral, não cobrem a literatura publicada anteriormente à metade da década de 60. A conversão de
tens mais antigos para a forma eletrônica é um processo caro e poucos produtores de bases de
dados o fizeram. Uma exceção é Dissertation Abstracts Online, cuja cobertura atinge desde o ano
de 1861. Por isso, para buscas retrospectivas, na maioria dos casos, não se pode dispensar os
índices impressos.
Poucos índices existem apenas em forma eletrônica. A maioria das bases de dados
bibliográficas corresponde a um índice impresso e contém essencialmente as mesmas informações
que as suas versões em papel. Nas bases de dados bibliográficos cada registro corresponde a um
artigo, livro, capítulo ou trabalho publicado. A referência bibliográfica pode incluir, além de autor,

84
título do artigo e data de publicação, um resumo, bem como várias outras informações adicionais
sobre o item, como tipo de publicação ou idioma. Para facilitar a recuperação de informações,
palavras que indicam o assunto são incluídas em campos chamados descritores ou
identificadores. Algumas bases de dados utilizam vocabulários controlados ou tesauros para a
definição dos descritores, os quais nem sempre estão disponíveis em forma eletrônica para
consulta no momento da pesquisa. Nesse caso, para montar a estratégia de busca, o usuário deve
consultar separadamente o tesauro impresso. Detalhes e especificidades, tais como os campos
disponíveis para pesquisa, o seu conteúdo ou o uso de vocabulário controlado, variam de base
para base. Essas informações são encontradas na documentação que acompanha a base de dados
e devem ser lidas pelo profissional da informação.
Devido às vantagens que as bases de dados oferecem em relação aos índices impressos, seu
uso tem se tomado cada vez mais comum, As bases de dados oferecem mais pontos de acesso,
podendo-se, muitas vezes, pesquisar palavras-chave que aparecem em qualquer ponto do registro,
inclusive no resumo e no texto completo (quando esses estão disponíveis). Além disso, permitem
realizar pesquisas mais complexas, nas quais vários conceitos necessitam ser relacionados, pois
pode-se combinar grande número de termos de busca com lógica booleana, de maneiras que não
seriam possíveis nos índices impressos. Permitem também fazer, rapidamente, buscas
abrangentes cobrindo vários anos de publicações. Essas e outras facilidades representam uma
grande economia de tempo para o usuário, permitindo que uma pesquisa, que poderia tomar
muitas horas de trabalho se realizada manualmente, seja executada bem mais rapidamente com o
uso dos computadores.

16.4 Acesso aos documentos


Refletindo a pressão do público por rápido acesso aos documentos, quando as bibliotecas
locais não possuem os itens identificados, um número crescente de serviços de indexação e
resumo tem incluído facilidades para a obtenção do texto completo dos documentos cobertos em
seus índices. Em alguns casos, o texto completo é fornecido na própria base de dados.1 Muitos
deles oferecem também um serviço de fornecimento de documentos mediante solicitação. The
Genuine Article, do ISI, CAS Document Detective Service , do CAS, e Ask*IEEE do INSPEC (The
Database for Physics, Electronics and Computing) são exemplos desses serviços de fornecimento
de documentos, oferecidos diretamente pela empresa produtora de índices e bases de dados.
Os serviços de indexação e resumo utilizam também parcerias com serviços independentes
de fornecimento de documentos. Dois dos maiores e mais conhecidos são o BLDSC e o UnCover.
O BLDSC é, provavelmente, um dos maiores e mais antigos do mundo. Existe desde 1961 e
atende à comunidade internacional através de sua coleção de mais de 250 mil títulos de
periódicos. O UnCover existe há dez anos nos Estados Unidos, e sua coleção é composta de 17 mil
títulos de periódicos. Através do serviço UncoverWeb , fornece sem custo via Internet uma base
de dados contendo mais de 15 milhões de citações de documentos, cujas cópias podem ser
solicitadas por usuários de todo o mundo.
Os serviços de fornecimento de documentos fazem amplo uso da Internet e de fax, sendo
extremamente eficientes. Após identificação dos documentos desejados, o usuário pode solicitá-
los mediante preenchimento de formulário na Internet. Caso seja selecionada a opção de envio por
fax (ao invés de por correio), o documento é, em geral, transmitido imediatamente, podendo estar
disponível para o solicitante em questão de minutos, mesmo que ele esteja em outro país. Um
artigo de 30 páginas, solicitado por fax ao UncoverWeb, custa aproximadamente IS dólares, um
preço que muitos dos usuários da informação especializada não se importam de pagar, em vista
da rapidez e conveniência do serviço.
Outros serviços de fornecimento de documentos são SWETS, Faxon Finder e OCLC Contents
First, cada um deles cobrindo entre dez e IS mil títulos de periódicos. No Brasil, o serviço de
fornecimento de documentos mais conhecido no meio acadêmico é o CQMUT (ver item 5.7.3, do
Capítulo 5: O Periódico Científico). Devido à ênfase no acesso a documentos, ao invés de sua
posse, política adotada por muitas bibliotecas atualmente, é importante que os profissionais da
informação estejam informados sobre os serviços de fornecimento de documentos, a fim de
determinar qual deles oferece a melhor cobertura e condições para atender aos seus usuários.

1 Nestes casos, a base de dados pode ser fornecida em duas versões: uma com as referências bibliográficas e outra

contendo, além das referências bibliográficas, o texto completo do documento. Nesses casos, a versão com o texto completo
é mais cara, um exemplo de base de dados oferecida nessas duas modalidades é a ABI/INFORM.

85
16.5 Uso de bases de dados e periódicos de indexação e resumo estrangeiros no
Brasil
Apesar de cobrirem de maneira limitada a literatura nacional, os índices e bases de dados
estrangeiros são úteis para a comunidade científica e tecnológica brasileira, devido à necessidade
de se acompanhar os desenvolvimentos tecnológicos que ocorrem, na sua maior parte, nos países
do primeiro mundo. Eles têm sido fornecidos, em geral, de forma restrita, em centros de
informação e bibliotecas de universidades, organizações privadas e órgãos do governo. Usuários e
profissionais da informação preferem as bases de dados (quando disponíveis) aos índices
impressos, devido à facilidade de consulta e economia de tempo que o seu uso possibilita.
No esforço de promover amplo acesso a índices e bases de dados estrangeiros, destacam-se
as iniciativas do IBICT. Desde 1977, o IBICT vinha utilizando sistemas online como o Dialog e
outros, fornecendo buscas bibliográficas a pedido de instituições e pesquisadores individuais.
Inicialmente, o acesso aos fornecedores de bases estrangeiros era feito online via Empresa
Brasileira de Telecomunicações (EMBRATEL). Os pedidos dos usuários eram feitos nos postos de
serviço do IBICT, que divulgava sistematicamente no Informativo IBICT as bases de dados
disponíveis para consulta. Mais tarde, o IBICT passou a adquirir bases de dados em CD-ROM,
oferecendo serviços de buscas bibliográficas feitas localmente.
Para melhorar o acesso às bases, tanto nacionais como estrangeiras, foi criada, em 1993, a
Rede Antares (Rede de Serviços de Informação em Ciência e Tecnologia)1. Coordenada pelo IBICT,
a ANTARES foi desenvolvida no âmbito do PADCT/ICT. Seu objetivo é articular instituições com
potencial de informação, visando a manutenção e o fornecimento de bases de dados referenciais.
Atualmente, cerca de duzentas instituições integram a Rede, que oferece, no seu sítio na Internet,
informações sobre as base de dados produzidas e/ou disponíveis nos centros cooperantes e, em
alguns casos, fornece links para o acesso e a pesquisa. As bases de dados descritas no sítio da
ANTARES podem ser nacionais ou estrangeiras, em CD-ROM ou acessíveis via Internet Algumas
podem ser acessadas sem necessidade de uma senha, outras exigem um registro do usuário junto
ao centro distribuidor. Outras, particularmente aquelas em CD-ROM, só estão disponíveis para
consulta nas instituições participantes.
Grandes fornecedores de acesso a bases de dados como Dialog, DataStar, OCLC, IAC e Ovid
possuem representantes no Brasil. Exemplos de empresas que representam estes fornecedores no
Brasil são a Publicações Técnicas Internacionais (PTI) , de São Paulo, e Agência Fornecedora de
Informações Técnicas e Comerciais (AFITEC) , de Belo Horizonte.

16.6 Bases de dados e periódicos de indexação e resumo brasileiros


As primeiras bibliografias especializadas brasileiras foram publicadas na primeira metade
do século XX. Produzidas por órgãos governamentais, caracterizavam-se por descontinuidade na
produção e atrasos na publicação. São exemplos daquele período a Bibliografia e Índice da
Geologia do Brasil (1938), produzida pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), o
Índice Catálogo Médico Brasileiro (1939), de Jorge de Andrade Maia, a Bibliografia Cartográfica
Brasileira (1951), de Isa Adonias e o Índice Tecnológico (1953), de Bernadette Sinay Neves.
O esforço para a produção institucionalizada de bibliografias especializadas brasileiras
começa com a criação do IBBD em 1954. Com relação às bibliografias, o IBBD adotou uma
política de centralização de sua produção, possível na época devido ao então reduzido tamanho da
atividade científica brasileira. Nesse sentido, assumiu a produção de bibliografias nas áreas de
medicina e ciências sociais, as quais já vinham sendo cobertas anteriormente e também de outras
áreas até então não cobertas, como matemática, física, zoologia, química, botânica e
documentação. Ainda no final dos anos 60, em um trabalho pioneiro, o IBBD passou a utilizar o
computador para impressão das bibliografias que produzia, através do seu Sistema Integrado de
Automação de Bibliografias Especializadas (SIABE).
A partir de 1976, o IBBD foi reestruturado como IBICT, que passou a coordenar o setor de
informação científica e tecnológica no Brasil. Com relação às bibliografias especializadas, o IBICT
tomou duas decisões. Primeiro, reconhecendo que o controle bibliográfico da literatura
especializada é melhor exercido pelos setores específicos, decidiu descentralizar sua produção.
Segundo, optou pela ênfase na produção de bases de dados, ou seja, o produto básico do controle
bibliográfico nacional seriam as bases eletrônicas de dados, enquanto as bibliografias impressas
poderiam ser um subproduto opcional. A cargo do IBICT ficaria apenas a coordenação das
entidades produtoras e o fornecimento de apoio e incentivo para a produção independente, auto-
sustentada e moderna das bibliografias. O apoio técnico, prestado através do seu Sistema de

1 Anteriormente chamada Sistema Público de Acesso a Bases de Dados (SPA).

86
Registro Bibliográfico (SRB), incluía o desenvolvimento de metodologias para produção de bases
de dados dentro de padrões e formatos uniformes, que garantissem a compatibilidade com outros
sistemas e assistência para a elaboração de tesauros.
Assim, no início da década de 80, o IBICT passou a coordenar uma rede de 18 instituições
cooperativas, as quais coletavam os dados bibliográficos relativos à literatura produzida no País e
os forneciam ao IBICT. As bases de dados eram mantidas na sede do IBICT e compreendiam as
seguintes áreas: geociências, química, meio ambiente, zoologia, botânica, antropologia,
desenvolvimento regional, medicina tropical, tecnologia mineral, carvão mineral, carvão vegetal,
política científica e tecnológica e ciência da informação.
A partir de 1985, O IBICT tentou agilizar a transferência da produção e manutenção
daquelas bases de dados para entidades representantes de diversos setores, por exemplo: DNPM
(base de dados sobre geociências e tecnologia mineral); Instituto Nacional de Tecnologia (INT)
(química geral e tecnológica): UFRGS (meio ambiente): UFPa (zoologia, biologia, antropologia,
desenvolvimento regional e medicina tropical) e Coordenação de Informação Documental Agrícola
- CENAGRI (ciências agrícolas). O IBICT ficou responsável pela base de dados em ciência da
informação e, também, pela base de dados de política científica e tecnológica (esta última,
anteriormente, a cargo do CNPq).
Nessa fase, o IBICT passou também a limitar os serviços oferecidos pelo SRB, concentrando-
se em incentivar instituições a assumirem a produção de bibliografias em suas áreas de
competência. Progressivamente, limitou ainda mais a sua atuação como órgão incentivador e,
atualmente, apenas elabora os editais que contemplam a produção de bases de dados. Podem
concorrer a esses editais quaisquer instituições que se enquadrem nas exigências previstas em
cada um. Essas ações ocorrem em programas de financiamento, como o Programa de Apoio ao
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (PADCT).
Não se pode dizer que as diversas iniciativas para o controle da literatura especializada no
Brasil, seja através de ações centralizadoras ou descentralizadoras, tenham obtido, até o
momento, completo êxito. Enquanto os índices e bases de dados estrangeiros são bastante
eficientes no controle da literatura produzida em suas áreas de atuação, de forma abrangente e
regular, isso ainda não acontece no Brasil. A produção de índices ainda é limitada a algumas
áreas e, mesmo nessas, ainda acontece o problema de descontinuidades ocasionais.
Algumas das áreas que se destacaram no controle bibliográfico, desde os anos 70,
caracterizaram-se pela formação de redes nacionais cooperativas e pela participação em redes
internacionais, que forneceram apoio financeiro e técnico. Uma delas, com posição privilegiada, é
a de informação em saúde devido, principalmente, às ações da BIREME (Centro Latino-Americano
e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde) e das bibliotecas da USP. A BIREME, ligada à
Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), produz a base de dados LILACS (Literatura Latino-
Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) que cobre a literatura médica da região desde
1982. Os dados que compõem a LILACS são resultado de uma ação cooperativa de 23 países da
América Latina e Caribe, unidos em uma rede da qual a BIREME é o órgão central. A BIREME
produz também o tesauro DeCS: Descritores em Ciências da Saúde Fornecido em forma de base
de dados, o DeCS contém o vocabulário controlado, utilizado para a indexação e recuperação de
informação nas bases de dados LILACS e MEDLINE ®.
A metodologia desenvolvida para produção da base de dados LILACS em CD-ROM foi um
trabalho pioneiro no Brasil, tendo sido iniciado em 1987, por iniciativa da OPAS e do escritório
regional da Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa metodologia é usada atualmente também
para produção das bases de dados BBO (Bibliografia Brasileira de Odontologia) e Ad5aúde. A
BBO, publicada pela Faculdade de Odontologia da USP, inclui a literatura nacional na área de
saúde oral, a partir de 1986. A AdSaúde reúne a literatura relativa à área de administração de
serviços em saúde, desde 1986. A Bibliografia Brasileira de Medicina Veterinária e Zootecnia,
publicada pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, deverá ter sua produção,
que foi interrompida em 1990, retomada em CD-ROM.
Juntamente com a BIREME, o CIN/CNEN foi um dos pioneiros na participação em redes
cooperativas, nacionais e internacionais e na absorção de tecnologia para produção de bases de
dados no Brasil. Desde 198 1, produz a Bibliografia Brasileira de Energia Nuclear. Atualmente
fornece também a base de dados FONTE que contém literatura nacional e internacional na área
de fontes alternativas de energia. O CIN/CNEN integra o sistema cooperativo da IAEA,
alimentando sua base INIS (International Nuclear lnformation System) com a literatura produzida
no Brasil na área de energia nuclear.
Outro setor que se destacou desde os anos 70 foi o de informação agrícola. A Bibliografia
Brasileira de Agricultura, publicada pelo IBICT até 19.78 e posteriormente pela Biblioteca
Nacional de Agricultura (BINAGRI), é apresentada hoje em forma eletrônica, através da Agrobase
(Base Bibliográfica da Agricultura Brasileira). Essa base é, atualmente, gerenciada pela CENAGRI,

87
órgão do Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária e unidade central do
Sistema Nacional de Informação e Documentação Agrícola (SNIDA). Cobre a literatura agrícola
brasileira, técnico-científica e de extensão rural desde 1870 até o momento, contendo quase 180
mil referências bibliográficas. Seus dados são usados para alimentar a base internacional AGRIS,
mantida pela FAO, que reúne a literatura dos países membros nas ciências agrárias. A Agro base
é também apresentada no CD-ROM Bases de Dados de Pesquisa Agropecuária, produzido pela
Embrapa, outro órgão atuante na área de informação agrícola desde os anos 70. O CD-ROM tem
por objetivo a disseminação da informação agrícola, produzida e colecionada pelas unidades de
pesquisa da Embrapa e por outras instituições agrícolas brasileiras, reunindo, além da Agrobase,
as bases de dados: Acervo Documental da Embrapa, com mais de 250 mil referências
bibliográficas, Base de Dados Bibliográficos sobre Cerrado, com dez mil documentos técnicos-
científicos e a Base de Dados Bibliográficos de Recursos Naturais do Nordeste do Brasil,
Também dentro do modelo cooperativo, uma área que recentemente adquiriu novo ímpeto
foi a de informação desportiva. Criado em 985, o Sistema Brasileiro de Documentação e
Informação Desportiva (SIBRADID) controla a produção nacional em ciências do esporte, através
de uma rede cooperativa. A rede funciona com uma unidade central, sediada na Escola de
Educação Física da UFMG e dez universidades colaboradoras. A sua base de dados, pesquisável
via Internet, cobre a literatura em ciências do esporte, educação física, fisioterapia, terapia
ocupacional, lazer, recreação e afins. Contém o registro de documentos publicados no Brasil,
inclusive traduzidos, a partir de 1985. A produção científica dos países de língua portuguesa é
também alvo do conteúdo da base, que inclui dissertações, teses, relatórios de pesquisa, relatórios
técnicos, livros, Capítulos de livros e artigos de periódicos. Os dados bibliográficos do SIBRADID
são usados para alimentar a base de dados SPORT CON, que reúne a produção bibliográfica dos
países ibero-americanos. Alimentam ainda a base de dados SPORT INFO, produzida pela Sport
Information Research Center (SIRC), que reúne a literatura oriunda dos países membros da
International Association for Sport Information (IASI).
A Bibliografia Brasileira de Educação, editada semestralmente desde 1954 pelo Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), atualmente é resultado do trabalho
cooperativo de uma rede de instituições. O Centro de Informações Bibliográficas do MEC, as
faculdades de educação da UFMG, da UFRGS e da UFRJ e a Fundação de Desenvolvimento da
Educação e Fundação Joaquim Nabuco se encarregam de levantamentos sistemáticos do que se
publica sobre a educação brasileira, trabalhando com documentação coletada em livros, folhetos,
periódicos, catálogos e outras publicações. Embora com a periodicidade atrasada (o último
volume publicado corresponde a 1991), existem esforços para sua atualização, bem como para
sua veiculação em meio eletrônico.
A informação jurídica é uma das poucas áreas que alcançou o estágio comercial, não mais
se limitando a iniciativas governamentais para seu controle e acesso. Um dos motivos que podem
ter levado a essa situação privilegiada é a peculiaridade desse tipo de informação, mais
dependente de fontes nacionais que as informações científicas e tecnológicas. Dentro da política
de descentralização do IBICT, em 1986. a Biblioteca do Senado, em parceria com o Centro de
Informática e Processamento de Dados do Senado Federal (PRODASEN), assumiu a
responsabilidade pela edição regular da Bibliografia Brasileira de Direito. Disponível em forma
impressa, online e CD-ROM, a Bibliografia compõe-se de referências bibliográficas de monografias
e artigos de periódicos, em português ou outros idiomas, editados no Brasil desde 1980 e de
artigos de jornais publicados no Caderno Direito e Justiça do Correio Braziliense, desde 1992. É
alimentada pela Biblioteca do Senado Federal e por IS bibliotecas do Distrito Federal que integram
a Rede SABI (Subsistema de Administração de Bibliotecas do PRODASEN). Outras bases
oferecidas pela Biblioteca do Senado são NJUR (normas jurídicas), DISC (discursos), JURI
(jurisprudência), MATE (matérias em tramitação nas casas do congresso) e o Thesaurus, um
índice de palavras ou expressões que orientam a indexação e as pesquisas nessas bases de dados.
Além do Senado Federal, vários serviços comerciais fornecem informações sobre legislação
fiscal, contábil, trabalhista e jurisprudencial. Editoras comerciais que se especializam no
fornecimento de informações jurídicas, como a Lex Editora e a Editora Saraiva, passaram a
oferecer suas publicações também em CD-ROM. A Editora Saraiva, por exemplo, produz a base de
dados LIS (Legislação Informatizada Saraiva), que contém praticamente toda a legislação federal
vigente desde 1850, abrangendo todas as áreas: civil e processual civil, comercial, penal e
processual penal, administrativa pública federal, trabalhista, previdenciária, tributária e
financeira. A base JUIS (Jurisprudência Informatizada Saraiva) contém a transcrição integral das
ementas jurisprudenciais de vários tribunais de São Paulo e Rio Grande do Sul.
Muitas outras empresas comerciais como o Sistema Infolegis e a empresa CD-GRAF
produzem bases de dados com o objetivo de simplificar, modernizar e agilizar a consulta à

88
jurisprudência e legislação. Sítios na Internet, como o da Ordem dos Advogados do Brasil, listam
várias outras empresas especializadas na produção de bases de dados jurídicas.
Outra área, a de informação econômica, tem merecido a atenção de empresas comerciais. A
empresa Brasília Computadores e Sistemas Ltda vem produzindo, desde 1993, a base de dados
IBBE (Índice Brasileiro de Bibliografia Econômica — Orientador — Adviser). Disponível em disquete,
abrange artigos sobre economia publicados em revistas especializadas de 1970 até 1997,
coletâneas sobre economia publicadas no Brasil a partir de 1986, teses de mestrado e doutorado
aprovadas em universidades brasileiras, além de publicações nacionais e internacionais
dedicadas a estatísticas e legislação econômicas.
Nas áreas onde não existe uma instituição que se responsabilize pela produção de serviços
de indexação e resumo de forma regular. o usuário não tem outra alternativa senão consultar
primeiro os índices brasileiros que, quando existem, podem estar com a publicação interrompida
há vários anos e, portanto, desatualizados. Essa busca em um índice defasado pode ser útil para
um levantamento bibliográfico retrospectivo e também para que o usuário identifique os
periódicos nos quais freqüentemente aparecem os tópicos de seu interesse. Para encontrar as
publicações mais recentes, nesses casos, o usuário deve fazer, manualmente, uma pesquisa nos
anos mais recentes desses periódicos e, assim, identificar artigos de seu interesse.
Na ausência de índices atualizados, os catálogos de bibliotecas, disponíveis em forma de
bases de dados acessíveis através da Internet, podem ser uma importante fonte complementar A
UFRGS e a USP, por exemplo, oferecem, além do seu catálogo, a produção bibliográfica gerada
nessas universidades incluindo teses, dissertações, livros, capítulos de livros, artigos de
periódicos nacionais, artigos de periódicos estrangeiros, trabalhos de eventos nacionais, trabalhos
estrangeiros, entre outros. Embora não sejam exatamente serviços de indexação e resumo, podem
funcionar como instrumentos que suplementam as necessidades do usuário brasileiro.
Além das bases de dados e dos índices com pretensão de cobertura abrangente da literatura
nacional, nota-se que tem surgido nos últimos tempos um grande número de pequenas bases de
dados brasileiras. Essas bases de dados, em geral de menor porte e abrangência, são geradas,
muitas vezes, a partir dos acervos de bibliotecas de determinados órgãos e do material
bibliográfico por eles produzidos e refletem a sua área de atuação específica. Apesar de
representarem mais uma alternativa para o usuário, devido à fragmentação dos seus dados, essas
pequenas bases locais não são uma solução para as deficiências no controle da literatura
produzida no Brasil.
Com a carência de sistemas abrangentes, a informação acessada via Internet tem sido de
grande utilidade para o usuário brasileiro, completando esse cenário de recursos informacionais
fragmentados. Um exemplo de um sítio útil é o do Prossiga, o qual contém bibliotecas virtuais nas
áreas de educação, economia, estudos culturais, políticas públicas e pesquisa em C&T, energia,
competitividade, ática e engenharia de petróleo. Essas bibliotecas digitais congregam uma
variedade de fontes de informações nacionais e estrangeiras, podendo dar acesso a bibliografias
sobre tópicos específicos, a listas de periódicos nacionais, às vezes com acesso aos seus textos
completos ou resumos.

16.7 Fontes para identificação


Para a identificação de índices e bases de dados podem ser usados diretórios, revistas
especializadas, livros didáticos sobre serviços de referência ou guias de literatura especializada.
Na escolha de um índice, o profissional da informação deve selecionar aquele que melhor reflita o
conteúdo de sua biblioteca ou o que forneça referências úteis para os seus usuários, mesmo que a
biblioteca não possua as fontes.
Os diretórios, em geral, fornecem descrições dos índices e serviços de indexação e resumo,
mas não os avaliam ou comparam. Um exemplo de diretório que pode ser usado para identificação
de serviços de indexação e resumo é o Ulrich’s International Periodicals Directory. Esse diretório
possui uma seção sobre serviços de indexação e resumo, com informações sobre índices gerais e
especializados que eles produzem. Além disso, para cada periódico listado, o Uirich’s indica os
índices que o incluem na sua cobertura. A EBSCO Publishing edita The Index and Abstracts
Directory: an intemational Guide to Services and Seriais Coverage que fornece informações sobre
índices impressos ou eletrônicos.
Existem diretórios que se especializam em bases de dados. O Gale Directory of Databases é
formado pela combinação de três títulos (Computer Readable Databases, Directory of Online
Databases e Directory of Portabfe Databases), fornecendo uma cobertura extensa de bases de
dados em todos os formatos.

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Para CD-ROMs, os diretórios CD-ROMs in Printe CD-ROM Finder (anteriormente Optical
Pubhshing Directory) e The CD-ROM Directory são algumas das principais fontes de informação.
Nelas pode-se encontrar mais de seis mil títulos de CD-ROM e cerca de quatro mil empresas
produtoras.
Outras publicações não são tão abrangentes na sua cobertura, mas fornecem descrições
avaliativas, comparativas e críticas dos índices e bases de dados. Livros didáticos sobre serviços
de referência (como, por exemplo, Business information: How to Find it, Howto Use It) e livros
comerciais (como The Onfine 100) fornecem informações que podem auxiliar na seleção de um
índice ou base de dados. Uma variedade de periódicos voltados para os profissionais da
informação como Library Journal, Magazines for Libraries, Online & CD-ROM Review, CD-ROM
World e CD-ROM Professional oferecem regularmente colunas e artigos analíticos sobre novos
produtos disponíveis. A revista Library Journal publica desde 1997, no fascículo da segunda
quinzena de maio, uma revisão anual da situação dos mais expressivos vendedores de bases de
dados.
Não existem diretórios brasileiros, atualizados regularmente, que compilem informações
sobre os índices e bases de dados nacionais. Alternativamente, pode-se consultar o Informativo
IBICT e a revista Ciência da Informação, que informam sobre os novos lançamentos no setor.

Referências bibliográficas
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2nd.ed. Englewood, CO.: Libraries Unlimited, 1995.
CAMPELLO, Bernadete Santos, MAGALHÃES, Maria Helena de Andrade. Introdução ao controle
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LAVIN, Mjchael R. Business information: how to find it, how to use it. 2nd.ed. exp. e rev,
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O’LEARY, Mick. The Online 100: Online Magazines field guide to the 100 most important
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PRITCHARD, Eileen, SCOTT, Paula R. Literature searching in science, technology and
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May 1997.
VIEIRA, Anna da Soledade. Redes de ICT e a participação brasileira. Brasília: IBICT, SEBRAE,
1994.

90
17 - Índices de citação
Daisy Pires Noronha
Sueli Mapa Soares Pinto Ferreira

Uma parte essencial de todo documento científico é a lista de referências bibliográficas que o
acompanha, a qual tem a finalidade de indicar outras publicações relacionadas ao tema do
documento. Isso significa que um artigo científico não se faz sozinho, mas sempre absorve a
literatura já existente sobre aquele assunto. As referências são necessárias para identificar os
pesquisadores cujos conceitos, métodos ou teorias serviram de inspiração ou foram utilizados pelo
autor no desenvolvimento de seu próprio artigo. estabelecendo-se assim um processo de
referência e de citação.

17.1 Referência e citação


Referência é o conhecimento que um documento fornece sobre outro, e citação é o
reconhecimento que um documento recebe de outro. Esses processos implicam uma relação entre
as partes ou o todo do documento citado e a parte ou o todo do documento que o está citando.
Dentre as várias razões que um autor tem para referenciar/ citar documentos podem-se
mencionar (CARVALHO, 1973, WEINSTOCK, 1971), entre outras:
• indicar leituras para complementação do assunto;
• alertar para trabalhos relacionados;
• identificar publicações originais nas quais uma idéia ou um conceito foi discutido;
• dar crédito a trabalhos relacionados;
• autenticar datas e situações de descoberta de fatos.

Para a elaboração e ordenação das referências e citações, os autores devem seguir normas
nacionais ou internacionais, utilizando padrões já estabelecidos por organizações dedicadas
especificamente a essa tarefa. Como exemplo dessas organizações há a ISO e a ABNT, entidades
dedicadas exclusivamente à elaboração de normas de todos os tipos, dentre elas as normas
bibliográficas. Algumas sociedades científicas especializadas, como a American Psychological
Association e o Grupo de Vancouver, que reúnem editores de revistas médicas, também
estabelecem padrões para uso de suas comunidades, sendo o resultado uma variedade de normas
de referenciação e citação. A partir da década de 50, a prática da referenciação/citação começa a
servir também ao propósito de ordenar, preservar e controlar a literatura de ciência e tecnologia,
utilizando-se os índices de citação.
Índice de citação é uma obra de referência especialmente organizada para permitir observar
o impacto que determinado trabalho teve na literatura científica, através da verificação do número
de vezes que foi citado por outros autores. Esse tipo de índice lista documentos citados — tanto
em notas de rodapé quanto em listas bibliográficas de final de texto — seguidos dos trabalhos que
os citaram. O índice de citação serve de base para uma diversidade de estudos bibliométricos, que
permitem verificar vários aspectos da literatura científica.

17.2 Origem dos índices de citação


Existem algumas controvérsias sobre a origem desses índices. O seu precursor parece ter
sido a obra A Table of Cases in California as Affirmed, Overailed, Modfled, Commented upon, or
Altered by Statutory Enactment, de Henry J. Labatt (1860). Nela estão arranjados,
alfabeticamente, nomes de processos jurídicos com breves anotações sobre o tratamento
dispensado a casos similares, incluindo comentários e decisões. Outra publicação, também na
área jurídica, considerada como precursora dos índices de citação, é o trabalho de William Wait
(1872), intitulado A Table of Cases Affïrmed, Reversed or Cited in Any of the Volumes of Lhe
Reports of the State of New York (SHAPIRO, 1992). O mais significativo sucessor dos índices de
Labatt e de Wait foi o trabalho de Erank Shepard que iniciou, em 1873, a compilação das citações
dos casos da Corte do Tribunal Superior Americano, para distribuição a assinantes e
interessados. Essa compilação gerou uma publicação conhecida como Shepard’s Citations, que
tem sido considerada efetivamente a primeira aplicação prática do conceito de citação, conforme
conhecido hoje. Esse trabalho permitia acompanhar os ditames da doutrina que regia tanto a lei
americana como a lei inglesa, conhecida por Stare Decisis, que determinava que todos os
processos jurídicos deviam ser relacionados a processos similares ou correspondentes, inclusive
com anotações sobre suas respectivas soluções, ponderações e/ou determinações (WEINSTOCK,
1971). O sistema de compilação desenvolvido por Shepard expandiu-se com grande repercussão,
sendo ampliado com listagens suplementares das citações subseqüentes, incluindo diferentes
tipos de fontes legais, como decisões, estatutos e outras.
Foi somente após a Segunda Guerra Mundial que os índices de citação surgiram no âmbito
da ciência e da tecnologia, coincidindo com um período em que o acesso à literatura dessas áreas
estava dificultado em decorrência de vários fatores. O primeiro deles foi o aumento considerável
da literatura. Nessa ocasião surgiram os primeiros estudos e projeções sobre o fenômeno do
crescimento da literatura, emergindo o termo explosão da informação. As previsões da época
estimavam, por exemplo, que em 1975 existiriam mais de dois milhões de cientistas no mundo,
produzindo um milhão de papers por ano. O segundo fator foi a escassez de profissionais
necessários para indexar todo o material publicado, o que ocasionava demora no acesso a
publicações, ocorrendo inclusive perda de informações relevantes. O fenômeno da
multidisciplinaridade na ciência foi outro fator que colaborou para dificultar o acesso à literatura.
Finalmente, deve-se lembrar que os tradicionais índices temáticos da época já sofriam do
problema de obsolescência, no que diz respeito aos termos de indexação que utilizavam, como
conseqüência das rápidas mudanças que a ciência vinha sofrendo.
Esses problemas demonstraram a necessidade de um sistema de indexação que fosse livre
de dificuldades semânticas e independente de indexadores especializados, agilizando o processo
de recuperação da informação e melhorando o acesso à literatura. Surgiu assim, em 1953, a idéia
de se criar um índice de citação na área científica. A sugestão partiu de William C. Adair (vice-
presidente do tribunal onde anteriormente Shepard trabalhara), que propôs a Eugene Garfield
(que, na época, trabalhava no Johns Hopkins Welch Medical Library Indexing Project) a criação de
um índice de citação para a área médica. Ampliando a idéia, Garfield criou, em 1961, o Science
Citation Index, o maior exemplo de índice de citação da atualidade.

17.3 Os índices de citação do ISI


Hoje em dia, a produção de índices de citação concentra-se no ISI, dirigido por Eugene
Garfield, o pioneiro no desenvolvimento desse tipo de índice. Criado em 1958, na Philadelphia
(Pennsylvania, EUA), o primeiro produto do ISI foi o Science Citation Index, lançado em 1961.
Além dos índices de citação — seus produtos mais conhecidos — oferece inúmeros outros serviços
de informação. Inicialmente foram lançados índices de citação multidisciplinares, como o já citado
Science Citation Index, além do Social Science Citation Index, em 1972, e o Arts & Humanities
Citation Index, em 1978.
O Science Citation Index cobre 3.500 títulos de periódicos nas áreas de ciência, tecnologia e
medicina. O Social Science Citation Index cobre a literatura produzida em 1.600 títulos de
periódicos nas diversas áreas das ciências sociais. O Arts & Humanities Citation Index arrola
1.100 títulos de periódicos em ciências humanas e artes.
O ISI produz também índices de citação em áreas especializadas: o Biochemistry &
Biophysics Citation Index, o Biotechnology Citation Index, o Chemistry Citation Index, o CompuMath
Citation Index, o Materials Science Citation Index e o Neuroscience Citation Index. Em seu
conjunto, esses índices de citação indexam mais de oito mil periódicos. A cobertura das diversas
bases de dados varia: o Science Citation Index, por exemplo, indexa uma média de 17 mil novos
artigos por semana, o que significa, aproximadamente, uma média de trezentos mil novas citações
por semana, perfazendo um total de 14 milhões de papers por ano. já o Social Sciences Citation
Index inclui uma média de 2.800 novos artigos por semana, com aproximadamente cinqüenta mil
novas citações por semana, o que perfaz um total aproximado de quase três milhões de citações
(ISI, 1998). Todos os índices de citação do ISI estão disponíveis, mediante assinatura, em
formatos variados: impresso, fita magnética, CD-ROM e, mais recentemente, na opção onfine,
através do sítio intitulado Web of Science1  na Internet. Cada uma dessas publicações oferece
recursos e vantagens diferenciados, em função das características do suporte, com variações na
periodicidade de atualização, nos recursos de busca, no custo e na disponibilidade de informações
retrospectivas.
A opção via Internet oferece vantagens sobre as demais: sua atualização é mais rápida,
utiliza recursos extras para composição de opções de busca, oferecendo, por exemplo, a função
quick search (busca rápida) para usuários principiantes e a função fult search (busca completa)
para usuários experientes. Possibilita ainda a pesquisa combinada entre todos os índices
(possibilidade inviável nos demais suportes), recurso de delimitação da pesquisa por período de

1 Disponível gratuitamente para instituições federais de ensino superior brasileiras, em decorrência de convênio firmado
entre o ISI e a CAPES/FAPESP, o que possibilitará a realização de pesquisas bibliográficas, como também de estudos
cientométricos.

92
tempo, idioma ou tipo de documento, utilizando lógica booleana e operadores de proximidade. Os
resultados das buscas são apresentados classificados por data, relevância, autor ou título do
periódico. Através do recurso do hipertexto, é possível navegar por entre todos artigos citados e
citantes (linkados entre si) atuais e retrospectivos, independentemente da base de dados em que
se encontrem indexados. Localiza todos os autores que foram citados e não apenas os primeiros.
Outra possibilidade oferecida pelo sistema de busca online é o acesso aos acervos locais
através de conexões entre as bases de dados do ISI e sistemas OPACs disponíveis na Internet. É
possível exportar os resultados da pesquisa diretamente para o software de banco de dados do
pesquisador, como Pro Cite ou Reference Manager1, ambos comercializados pelo ISI. O ISI
Document Solution, implementado há muitos anos para permitir acesso ao documento primário,
encontra-se agora disponível também eletronicamente.
Os índices de citação produzidos pelo ISI compõem-se basicamente das seguintes partes:
• citation index
Lista alfabética dos autores (primeiro autor citado) cujos trabalhos foram citados durante o
período coberto, seguidos do nome dos autores e artigos que os citaram, incluindo apenas o
volume, página e ano do artigo citante;

• source index
Lista alfabética dos autores citantes, com dados bibliográficos completos de cada item
indexado. Permite descobrir o que um autor em particular publicou durante o período coberto;

• permuterm subject index


Lista de palavras-chave ou frases retiradas dos títulos dos artigos citantes. Este índice
permite uma abordagem por assunto, remetendo ao Source Index, onde se encontram as
referências bibliográficas completas dos artigos citantes cobertos no período;

• corporate index
Lista de entidades e instituições que permite recuperar documentos a partir da filiação
acadêmica ou institucional dos autores citantes.

17.4 Funções dos índices de citação


Os índices de citação servem como ferramentas de trabalho tanto para a recuperação de
informação (funcionando como um índice convencional), como para uma variedade de estudos
bibliométricos, sendo a análise de citação um dos mais conhecidos.

17.4.1 Recuperação da informação


Como instrumentos de recuperação da informação, os índices de citação mostram o que foi
publicado sobre determinado assunto, possibilitando a identificação de trabalhos correntes e
retrospectivos sobre temas de interesse. A recuperação da informação nesses índices difere da dos
índices e abstracts convencionais: tipicamente, a busca no índice de citação é feita a partir do
nome de um autor cujo trabalho se conhece e, secundariamente, pelas palavras-chave retiradas
do título desses documentos.
Os índices de citação apresentam algumas vantagens sobre os índices convencionais. Em
primeiro lugar, são eliminados os problemas de terminologia, já que nos índices de citação a
indexação é feita pelo trabalho citado e não por termos que descrevem o assunto e que podem não
ser adequados, além de serem vulneráveis à obsolescência científica e tecnológica. Os vínculos
entre os trabalhos dependem das citações do autor e não de descritores de assunto, o que
beneficia a cobertura interdisciplinar, eliminando as barreiras rígidas de assunto. Outro ponto
positivo decorre de sua elaboração exclusivamente por processos eletrônicos, resultando em
rapidez de produção, característica atualmente fundamental nos serviços terciários. Além disso,
sua produção é mais simples, não requerendo indexadores especializados, o que significa custo
menor que na indexação convencional.
Algumas desvantagens devem ser notadas no índice de citação. O grande número de
referências rapidamente recuperadas e a inexistência de resumos dificultam a seleção dos
trabalhos identificados. A relevância dos itens citados, ou seja, até que ponto esses itens têm
relação com o trabalho em que foram citados, é um ponto que determina a sua utilidade. Também

1 Programas que permitem aos usuários a organização de suas bases de dados individuais com inúmeras facilidades, tais

como saída de referências bibliográficas em variados formatos (ISO, ICMJE - International Committee of Medical Journal,
APA etc.), uso concomitante com editores de textos (como, por exemplo, o Word da Microsoft), importação e exportação de
dados diversos e de sítios na Internet.

93
a falta de rigor por parte dos autores na elaboração da referência bibliográfica, que pode estar
incorreta ou incompleta, é outro ponto que prejudica o índice de citação.

17.4.2 Análise de citação


Os índices de citação são ferramentas essenciais para a análise de citações, possibilitando o
exame da relação entre a unidade produtora (citante) e a unidade produzida (citado), servindo
como instrumento para análise das atividades de pesquisa, especificamente a avaliação da
produtividade científica. A análise de citações tem sido usada para medir o chamado fator de
impacto da produção de um cientista, constituindo-se em parâmetro para a competitividade
profissional. Permite também avaliar o impacto, o crescimento e a obsolescência da literatura,
caracterizando as publicações em relação a sua idade, às áreas mais ativas, à autoria dos
trabalhos publicados, além de identificar autores e periódicos mais citados. Assim, a análise de
citações permite a “avaliação dos cientistas, publicações e instituições de pesquisa; investigação
de hipóteses concementes à história e sociologia da ciência e tecnologia; e o estudo das
características do desempenho das buscas de informação e os procedimentos de recuperação”.
(ZUNDE, 1971, citado por PERITZ, 1992). Para GARFIELD (1983), ao se considerar apenas o
número de artigos produzidos em um país, tem-se o nível de produtividade, mas se for
considerado também o número de citações que esses artigos receberam, tem-se a medida de
utilidade ou impacto. Com isso, o número de citações recebidas por um trabalho “supostamente
mede o progresso científico, agregando um atributo de qualidade à produção científica” (VELHO,
1989).
Deve-se considerar, no entanto, que a utilização pura e simples da análise de citação para
medir a produtividade na ciência pode levar os autores, mesmo que inconscientemente, a utilizar
o processo de citação para aumentar o seu índice de produtividade, através, por exemplo, da
prática da autocitação. A investigação das razões pelas quais um trabalho é citado, utilizando-se
métodos qualitativos e uma abordagem sociológica, é uma tendência que se observa e que poderá
enriquecer a análise da produtividade através da citação, diminuindo os equívocos da simples
contagem de citações.
Mesmo sendo objeto de críticas e controvérsias quanto a sua eficácia, a análise de citação
continua a ser usada como meio de estudo da produção científica, funcionando como um
indicador de impacto dos trabalhos dos pesquisadores e de periódicos, como atesta a imensa
literatura existente no campo da bibliometria, da cienciometria e, mais recentemente, da
informetria1.
Embora sendo uma ferramenta única para a análise de citação, os índices produzidos pelo
SI devem ser considerados com cautela quando se trata de avaliar a produtividade de autores e de
publicações de países periféricos, tendo em vista que a maioria dos periódicos indexados é
predominantemente oriunda de países desenvolvidos: de mais de três mil itens analisados, menos
de uma centena corresponde a países do terceiro mundo e somente uma dezena da América
Latina e do Caribe (SPINAK, 1996).
A experiência do ISI é pioneira e única. Esparsas iniciativas surgem e são abandonadas em
vários países. No Brasil, por exemplo, já houve uma tentativa para elaboração de um índice de
citação em ciências agrárias, iniciada por um grupo de pesquisadores da Escola Superior de
Agricultura da Universidade de São Paulo, porém sem continuidade (PERES. 1996).
Com a evolução da área de ciência da informação e. principalmente, com a exigência de
melhores serviços e de produtos mais competitivos, os profissionais da informação estão
despertando para diferentes caminhos de pesquisa a serem percorridos. Para tanto, várias
ferramentas, entre elas os índices de citação, estão sendo buscadas.
O advento das publicações periódicas em suporte eletrônico (ver Capítulo 5: O Periódico
Científico) está levando várias editoras e organismos ligados à publicação científica de diversos
países a desenvolverem recursos tecnológicos que permitam o controle automático do processo de
citação. Dentre as iniciativas nessa linha há a da editora Elsevier, que vem desenvolvendo uma
metodologia para utilização nos milhares de títulos de periódicos com os quais trabalha.

1 A bibliometria, como disciplina de alcance multidisciplinar, está associada a medidas quantitativas da comunicação
impressa, com aplicação de métodos matemáticos e estatísticos para estudar as características de uso e citação de
documentos (SPINAK, 996, SPINAK, 1998).
A cienciometria aplica as técnicas bibliométrias para medir as características das investigações científicas, disciplinas,
campos e áreas temáticas, a estrutura da comunicação científica, conhecendo a natureza e influência a que estão sujeitos
(SPINAK. 1996).
A informetria é um subcampo emergente da ciência da informação, baseado na combinação de métodos bibliométricos
aperfeiçoados, aplicados não somente aos estudos cienciométricos e às avaliações da pesquisa em ciência e tecnologia,
mas também à análise de suas mútuas relações sociais, econômicas etc. (WORMELL, 1998).

94
No Brasil, a BIREME, em parceria com a EAPESP, vem desenvolvendo, desde 1997, o
projeto SciELO, para a inclusão de periódicos científicos brasileiros na Internet (PACKER, 1998).
Um dos módulos do projeto prevê a produção de indicadores bibliométricos e relatórios de uso,
partindo de estudos feitos na própria publicação periódica, o que significa que estão surgindo
novas formas de elaboração e/ou organização para os índices de citação. Os resultados e
produtos desse projeto já estão sendo testados e disseminados em várias publicações periódicas
brasileiras e de outros países da América Latina. Abre-se, assim, um grande espaço para estudos
da literatura efetivamente utilizada pelos pesquisadores da América Latina, com possibilidade de
identificação do real impacto de sua produção científica

Referências bibliográficas
CARVALHO, Maria de Lourdes Borges de. Índice de citações: uma revisão da literatura. Revista
da Escola de Biblioteconomia da UFMG, v.2, n.2, p207-216, set. 1973.
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GARFIELD, Fugene. Mapping science in the Third World. Part 2. Science Publ. Policy, v.10, n.3,
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INGWERSEN, P., CHRISTENSEN, F.H. Data set isolation for bibliometric online analyses of
research publications: fundamental methodological issues. Journal of the American Society for
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<http://www.isinet.com/prodserv/citation/citsci.html>. Acesso em 04.08.1998.
LIMA, Regina Célia Montenegro de. Bibliometria: análise quantitativa da literatura como
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PACKER, Abel Laerte et al. SciELO: uma metodologia para publicação eletrônica. Ciência da
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PERES, Fernando C. et al. Brazilian Agricultural Science Citation Index — IBCCAg: prehminary
results. Quarterly Bulletin of the International Association of Agricultural Information, v.41,
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the American Society for Information Science, v.43, n.6, p.448-451, July 1992.
SHAPIRO, Fred. R. Origins of bibliometrics, citation indexing and citation analysis: the neglected
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SMITH, Linda C. Citation analysis. Library Trends, v.30, n. 1, p83-106, 1981.
SPINAK, Ernesto. Indicadores cienciométricos. Ciência da Informação, v.27, n.2, p.141-148,
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latinoamericana. Boletin de 1ª Oficina Sanitária Panamericana, v.120, n.2, p.139-147, 1996.
VELHO, Léa. Avaliação acadêmica: a hora e a vez do baixo clero. Ciência e Cultura, v.41, n.10,
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WEINSTOCK, Melvin. Citation index. In: KENT, Allen, LANCOUR, Harold (Ed.). Encyclopedia of
library and information science. New York: M. Dekker, 1971. v.5, p.6-40.
WORMELL, Irene. Online searching is like gold-washing. [Paper presented at The Online
Information Scandinavia 98. Exhibition and Conference, May 12-14, 1998. Stockholn,
International Fairs].
ZUNDE, P. Structural models of complex information sources. Information Storage and
Retrieval, v.7, p. 1018, 1971.

95
18 - Guias de literatura
Paulo da Terra Caldeira

A enorme massa de informação produzida diariamente por professores e pesquisadores em


inúmeras áreas do conhecimento tem como destino, na maioria das vezes, algum veículo de
divulgação que, por sua vez, é analisado por determinado serviço de indexação e resumo,
planejado especialmente para facilitar a localização de um tem específico demandado por um
consulente. Com o objetivo de simplificar o processo de busca, algumas instituições publicam um
tipo de obra denominado guia de literatura, organizado principalmente para familiarizar o usuário
com esse emaranhado mundo das fontes de informação.
Esses guias pretendem abrir as podas da literatura para os usuários, especialmente aqueles
que necessitam de informação para compreender as teorias e idéias que possam ser aplicadas em
seus trabalhos; são úteis também para pesquisadores, que necessitam de orientação para
desempenharem com mais desembaraço suas atividades no complexo mundo dessas fontes, e
para os bibliotecários, que devem ser especialistas no fornecimento de informação para seus
clientes.
Os guias de literatura são publicações que relacionam fontes de informação relativas a um
assunto, fornecendo uma visão geral da área abrangida e comentários a respeito das obras
incluídas. Descrevem também as necessidades de informação dos usuários, suas dificuldades na
sua obtenção e as principais instituições de ensino e bibliotecas da área.
Dada a natureza abrangente de seu conteúdo, os guias de literatura geralmente incluem
uma descrição das principais instituições de ensino da área, as bibliotecas, os sistemas de
classificação utilizados, além de discutir os problemas enfrentados pelos usuários na busca de
informação. Os guias de literatura incluem informações que ultrapassam uma simples listagem
de obras: tratam do conjunto de fontes que compõem a produção bibliográfica de determinada
área, dos serviços de indexação e resumo impressos e online, além de indicadores institucionais.

18.1 Características
Os guias de literatura, de modo geral, apresentam as seguintes características: dedicam-se
a uma área do conhecimento, incluem Capítulos que conceituam o assunto, as informações
fornecidas para cada tipo de obra, os problemas enfrentados no seu controle e as principais
instituições produtoras de fontes de informação. Entretanto, alguns guias de literatura podem ser
mais enumerativos, isto é, apresentam as referências bibliográficas das obras amoladas,
acompanhadas de resumos, assemelhando-se a bibliografias, uma vez que incluem um número
bastante grande de títulos de obras e são menos descritivos. Assim, quando se examina essas
obras é difícil, muitas vezes, definir com precisão a categoria a que pertencem, pois elas podem
mesclar as características que as distinguiriam uma da outra.
Para aclarar a diferença de tratamento apresentada para uma mesma fonte em um guia de
literatura textual e em um guia enumerativo, são destacados os comentários a respeito do
Sociological Abstracts, encontrados no guia textual Use of Social Sciences Literature, de
ROBERTS (1977), e no tradicional Walford’s Cuide to Reference Materials (1982), enumerativo.
No guia de ROBERTS (1977), o Sociological Abstracts é assim apresentado:

Além das bibliografias especializadas no assunto de caráter nacional, tais como a


seção Sociologie do Bulletin Signalétique e dos dois principais índices gerais de
literatura periódica, o International Index to Periodicals e o IBZ - International
Bibliographie der Zeitschriftenliteratur, existem dois instrumentos bibliográficos de
particular importância para o sociólogo. São o Sociological Abstracts (1952) e a
International Bibliography of Sociology (1952). O Sociological Abstracts tem
crescido em tamanho e importância através dos anos, e a porcentagem de material
em língua inglesa cresceu de 15% a aproximadamente 30%. Com seis fascículos
publicados ao ano, ele é inevitavelmente mais atualizado do que a International
Bibliography of Sociology (anual) e, mesmo que a qualidade dos resumos varie —
alguns sendo retirados de outras fontes, outros sendo redigidos por estudantes —
há a grande integridade do veículo. O índice aparece no sexto fascículo, mas seu
formato e a ausência de classificação específica provavelmente diminuem a sua
utilidade como instrumento de recuperação de informações a longo prazo. A
International Bibliography of Sociology tem uma cobertura mais abrangente...

O Cuide to Reference Materiais, de WALEORD (1982), fornece os seguintes comentários a


respeito do Sociological Abstracts:
SOCIOLOGICAL ABSTRÁCTS: Brooklyn, N.Y. posteriormente San Diego, Calif.,
Sociological Abstracts, Inc., 1952 - v.1, no. 1-5 fascículos anuais. $ 145 a
assinatura anual. Índice: $42. Cerca de seis mil resumos indicativos e informativos
a cada ano. Principais seções: 0100 - Metodologia e tecnologia da pesquisa; 0200 -
Sociologia: história e teoria; 0300- Psicologia social...; 0800 - Fenômenos de
massa...; 1000 - Diferenciação social...; 1900 - Família e socialização...; 2100-
Problemas e bem-estar sociais...; 2400- Política, planejamento. estimativa e
investigação...; 2900 - Estudos feministas; 3000 - Sociologia marxista...; 9000 -
Trabalhos apresentados em encontros e congressos. Índices de assunto, autor e
periódicos. Base de dados online, 1961- (atualizada trimestralmente).

A análise dos comentários incluídos em cada um dos dois tipos de guia permite constatar
que a obra de Roberts fornece uma apreciação mais crítica do Sociological Abstracts,
relacionando-a a outras semelhantes, mostrando a sua posição no contexto da literatura da área,
o percentual de material publicado em língua inglesa, sua atualização em relação às demais
publicações, a qualidade dos resumos e seus pontos fracos. O guia de Walford, de caráter
enumerativo, apresenta um conjunto de informações objetivas sobre a fonte pesquisada, que
visam a identificação da instituição publicadora, sua sede, data inicial da publicação, sua
periodicidade, preço e assuntos abordados.
Exemplos conhecidos de guias de literatura são as obras que compõem as séries How to
Find Out, Information Sources in... e Butterworths Guides to Information Sources, publicadas a
partir da década de 60 por tradicionais editoras científicas, demonstrando suas preocupações
com o problema do crescimento da literatura nas diversas áreas do conhecimento. O aumento do
número de publicações a cada ano torna impossível para um pesquisador ler todo o enorme
volume de trabalhos publicados e arrolados nos serviços de indexação e resumo de sua
especialidade. Esse fenômeno gera a necessidade de se preparar instrumentos que facilitem o
conhecimento de trabalhos publicados em áreas abrangentes de assunto, em resposta à tendência
da especialização, que obriga o pesquisador a ficar cada vez mais restrito à literatura de um
campo específico do saber
A série de guias de literatura denominada How Ir Find Out, editada pela editora Pergamon
Press, sediada em Oxford, inclui títulos nas mais diversas áreas de assunto como How to And Out
in Architecture and Bullding, de Smith (1969), How to And Out About the Arts, de carrick (1967),
How to And Out About Literature, de Chandler (1968). A série procura cobrir também áreas mais
específicas como How to And Out About Children’s Literature, de Ellis (1978), e How to Find Out
About the Wool Texture Industry, de Lemon (1968). Esses guias geralmente incluem Capítulos que
indicam ao leitor fontes que o ensinam a estudar, a pesquisar, a encontrar obras sobre o assunto
procurado, a escolher a futura profissão e a decidir sobre a realização de treinamento específico.
Discorrem sobre as possibilidades da carreira na área, as principais instituições educacionais, o
uso de bibliotecas, os sistemas de classificação bibliográfica mais utilizados, além das principais
fontes de informação da área abrangida.
De maneira semelhante, a série Butterworths Guides to Information Sources, da editora de
mesmo nome, sediada em Londres, vem lançando volumes cobrindo os mais diversos campos do
conhecimento. Os guias dessa série apresentam como característica serem editados por um ou
mais autores, tendo a colaboração de especialistas da área e bibliotecários. Estes últimos,
responsabilizam-se, de modo geral, pelos Capítulos relativos à produção bibliográfica. Na maioria
das vezes, todos eles apresentam capítulos que descrevem o sistema bibliográfico da área, o uso
da biblioteca como fonte de informação, como realizar uma pesquisa e recuperar a informação de
forma ágil nas principais obras de referência da especialidade. São exemplos: Information Sources
in Economics, de Fletcher (1984); Information Sources in Management and Business Literature, de
Vernon (1984); Information Sources in Politics and Political Science, de Englefield e Drewry (1984).
A colaboração dos especialistas na elaboração de Capítulos específicos garante uma abordagem
em profundidade, que será completada com a visão de bibliotecários que possuem experiência em
bibliotecas especializadas, conhecem as necessidades de informação dos usuários, como acessar e
localizar as obras e os problemas de produção, controle e uso da literatura em cada área coberta.
A Bowker-Saur, do Reino Unido, vem lançando a série The Guides to Information Sources
que apresenta boa cobertura e riqueza de detalhes em suas publicações. A série foi planejada
para que o usuário conheça as fontes, de modo que recupere a informação com facilidade, Os
organizadores da série possuem grande experiência na área de informação: um deles foi diretor da
British Library Science and Reference Library e o outro professor de biblioteconomia da University
College London. Os títulos lançados pela Bowker-Saur mostram que, embora idealizados
inicialmente com o objetivo de cobrir áreas abrangentes, eles vêm apresentando uma tendência à
especialização, cobrindo áreas mais específicas do conhecimento. Dessa editora, são exemplos de

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guias de literatura que abrangem áreas mais amplas: Information Sources in Architecture and
Construction, de V. Nurcombe (1996), e Information Sources in Engineering, de K. Mildren e P.
Hicks (1996). Como exemplos de guias de literatura que abrangem áreas cada vez mais específicas
citamos: Information Sources in Environmental Protection, de S. Eagle e J. Deschamps (1997);
Information Sources in Finance and Banking, de R. Lester (1996); Information Sources for the Press
and Broadcast Media, de S. Eagle (199 1): e Information Sources in Sport and Leisure, de M.
Shoebridge (1992).
Também a Greenwood Press, de Westport, Connecticut (EUA), vem publicando guias de
literatura1 destinados principalmente a estudantes, com o objetivo de auxiliar o leitor na criação e
manutenção de coleções básicas e de como se atualizar na área. Exemplos de guias dessa editora
são o Social Science Reference Sources: a Practical Guide, de Li (1990), e Information Sources in
Children’s Literature, de M. Meacham (1978), este último destinado a bibliotecários, professores
do ensino fundamental, estudantes de literatura infantil e de biblioteconomia. Esses guias
discutem a natureza, as necessidades dos usuários, o acesso e o uso das fontes de informação.
No Brasil, publicações similares aos guias de literatura são representadas pela série de
guias lançados pelo IBICT a partir da década de 80. Desde sua criação em 1950 como IBBD, o
Instituto esteve preocupado com o controle bibliográfico nas diversas áreas do conhecimento, haja
vista a variedade de títulos de bibliografias por ele publicadas. Mais recentemente, o IBICT vem se
preocupando com o controle bibliográfico de uma forma mais ampla, através da elaboração de
bases de dados bibliográficos e da publicação de fontes de informação que possam facilitar o
trabalho do pesquisador e do estudioso de determinada área. Assim, dentre os fatores
determinantes da elaboração dos guias de literatura no País, podem-se destacar o aumento do
volume de informação gerada nas diversas áreas do setor produtivo, as coleções existentes nas
diversas instituições de forma dispersa e o fato de serem elas, as instituições, também geradoras
de informação, compartilhadoras de acervos e controle bibliográfico e atuarem na localização e
obtenção de documentos, não disponíveis na biblioteca, para seus usuários e pesquisadores. Para
tentar minimizar esses problemas, o IBICT desenvolveu uma metodologia para elaboração de
guias de fontes de informação mostrando que essas publicações constituem instrumentos de
pesquisa importantes para apoiar o trabalho dos profissionais e pesquisadores e facilitar a
identificação de fontes básicas para a recuperação da informação (LOBO e BARCELOS, 1992). Os
guias produzidos pelo IBICT, em parceria com diversas organizações, reúnem informações sobre
instituições de ensino superior e de pesquisa, laboratórios, escolas técnicas, entidades
associativas, normativas e certificadoras, unidades de informação, bases de dados, além de obras
como anais de eventos, manuais, dicionários e as principais publicações periódicas relevantes
para as atividades de ensino e pesquisa. Dessa forma, esses guias, ao agregarem dados até então
dispersos ou inacessíveis, destinam-se à melhoria da qualidade e da eficiência dos serviços de
informação, constituindo-se em mecanismos facilitadores de acesso às fontes de informação,
sejam elas de natureza institucional, pessoal ou documentária, para uso de pesquisadores e
técnicos das instituições envolvidas, ampliando os limites da literatura da área ao oferecer para a
comunidade científica as informações sobre entidades, eventos, legislação, bases de dados etc.
Dessas parcerias resultaram os seguintes guias: Fontes de Informação em Energia no Brasil
(1982), Guia de Fontes de Informação sobre Energia para o Setor Industrial (Núcleo Setorial de
Informação em Conservação de Energia do CETEC/Fundação Centro Tecnológico de Minas
Gerais), de 1992, Guia de Fontes de Informação sobre Tecnologia de Controle Ambiental (Instituto
Euvaldo Lodi, 1992); Guia de Fontes de Informação sobre Eletro-eletrônica, (FUCAPI/ Fundação
Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica, Confederação Nacional da Indústria, FINEP e
SEBRAE/Sistema Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas, 1993), e o Guia de Fontes de
Informação sobre Gestão e Tecnologia da Qualidade (Instituto de Tecnologia do Paraná, 1993),
todos eles pretendendo facilitar o trabalho de pesquisadores em áreas estratégicas para o
desenvolvimento do País.

18.2 Formas de publicação


Os guias de literatura são publicados, geralmente, na forma de livros, podendo aparecer
também como artigos de periódicos. Isso acontece quando o assunto é específico e a literatura da
área não alcançou, ainda, grande volume em termos de trabalhos publicados. Exemplos de guias
publicados em periódicos são o Researching Rock’n’roll: a Cuide to Reference Sources, de P.
Feehan (1987); The Literature of Dance, de S. N. Brownmiller e D. C. Dickinson (1988); Motion
Pictures: an Update Survey of Reference Sources 1982-1988, de E. S. Block(l989), publicados no
Reference Services Review. O guia Medical Reference Tools for the Layperson, de B. Walters

98
(1988/1989), foi publicado no periódico Reference Books Bulletin, e o Animals: a Selected List of
Reference Tools, de M. E. Quinn (1992), apareceu na revista Booklist.
Os guias de literatura podem aparecer também na forma de Capítulos de livros ou como
verbetes em enciclopédias. Exemplos são o capítulo “Psychiatry”, de M. Guha, incluído no guia
Information Sources in the Medical Sciences, de L. T. Morton e S. Godbolt (1991); os verbetes
‘Geological Literature’, de G. Lea et ai, e Technical Literature”, de K. Subramanyan, publicados na
Encyclopedia of Library and Information Science, respectivamente nos volumes 9 (1973) e 30
(1980).
Os guias podem ser concebidos ainda como projeto de dissertação. Um exemplo é A Guide to
the Literature of Oceanography and an Enquiry into the Density, Distribution, and Use of Periodical
Literature of the Discipline, de C. Freeman (1971), dissertação defendida na University of Sheffield,
Inglaterra.
Há casos também em que os guias de literatura, mesmo mantendo as características
descritas anteriormente, mudam a ênfase na abordagem de seu objeto, isto é, deixam de focalizar
um assunto determinado para abordar um tipo de material. São exemplos: Information Sources in
Grey Literature (1998), Information Sources in Patents (1992) e Use of Reports Literature (1975),
todos de um mesmo autor, C. P. Auger. O primeiro, Information Sources in Grey Literature, aborda
publicações que não possuem um sistema de distribuição formal, embora sejam fontes de
informação vitais para pesquisadores. Discute a natureza e o desenvolvimento desse tipo de
literatura, os métodos de aquisição, controle bibliográfico, catalogação, indexação e os diversos
tipos de materiais das várias áreas do conhecimento. O segundo, Information Sources in Patents,
fornece um panorama do sistema de patentes na Europa e nos Estados Unidos, mostrando como
o mesmo pode ser melhor compreendido e utilizado. O terceiro, Use of Reports Literature, é um
guia de relatórios técnicos publicados nas mais diversas áreas de assunto. Descreve a evolução
dos relatórios como veículos de informação, discute os problemas de controle bibliográfico,
catalogação e indexação desse material e apresenta as principais fontes para sua identificação
nas áreas abrangidas. Outros exemplos de guias também dedicados a um tipo de material são:
Information Sources in Cartography, de C. R. Perkins e R. B. Parry (1990), e Information Sources in
Official Publications, de V. Nurcombe (1997).
O tipo de leitor a que se destinam os guias de literatura pode variar de acordo com os
objetivos propostos pelos autores. Existem aqueles escritos para facilitar o trabalho dos
bibliotecários em suas atividades de pesquisa e de atendimento aos usuários, como o Science and
Engineering Literature, de Malinowsky (1995), e outros que se destinam especialmente a
estudantes de biblioteconomia, como o Science and Technology: an Introduction to the Literature,
de Grogan (1982). O Information Sources in Science and Technology, de Parker e Turley (1998), é
um guia prático escrito para profissionais e estudantes da área de ciência e tecnologia. O
Information Sources in Children’s Literature (1978), citado anteriormente, destina-se tanto a
professores como a bibliotecários e estudantes de biblioteconomia e de literatura infantil.
Na utilização dos guias de literatura deve-se observar certos aspectos que são importantes
na avaliação de qualquer obra de referência: sua atualidade, a cobertura das fontes de informação
para cada tópico, os países e línguas abrangidos, o grau de seletividade dos itens incluídos, a
tipologia do material abordado, a inclusão de índices de autores e assuntos, a competência do
organizador, dos colaboradores, a seriedade da editora, entre outros.
Para atender a uma das necessidades da sociedade contemporânea — agilidade na obtenção
da informação — o conhecimento e a destreza no manuseio dos guias de literatura permitirão que
o pesquisador adquira rapidamente conhecimento sobre as principais fontes de informação em
qualquer área, permitindo-lhe desenvolver suas pesquisas com maior facilidade, embasamento
científico e, como resultado, atingindo os objetivos propostos em sua pesquisa.

Referências bibliográficas
FUNDAÇÃO CENTRO DE ANÁLISE, PESQUISA E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA, Manaus. Guia de
fontes de informação sobre eletro-eletrônica. Brasília: IBICT, 1993. 146p.
GROGAN, D. Science and technology: an introduction to the literature, 4th.ed. London: C.
Bingley, 1982. Cap. 2: Guides to the literature, p. 30-36.
GUTTSMAN, W. L. The literature of sociology and the pattern of research and retrieval. In:
ROBERTS, N. (Ed.). Use at social sciences literature. London: Butterworths, 1977. p.56-79.
KENT, A., LANCOUR, H. (Ed.). Encyclapedia at library and information science. New York: M.
Dekker, 1968-1992. 49V.

99
LOBO, M. de F. D., BARCELLOS, S. de O. Guias de fontes de informação: metodologia para
geração e automaçâo. Ciência da Informação, v.2 1, n. 1, p.75-8 1, jan./abr. 1992.
MULLAT, M., SCHLICKE, P. (Ed.). Walford’sguide to reference material. 6th.ed. London: Library
Association, 993. V.1: Science and technology.
ROBERTS, N. Use of socialscience literature. London: Butterworths, 1977. 326p.
SU BRAMANYAN, K. Scientific and technical information resources. New York: M. Dekker,
1981. p.304-307.
WALFORD, A. J. (Ed.). Guide at reference material. 4th.ed. London: Library Association, 1982.
V. 2: Social & historical sciences, philosophy & religion, p. 95.

100
19 - A internet
Beatriz Valadares Cendón

A década de 90 marcou o início de uma expansão vertiginosa do volume e variedade de


informação disponível na Internet. Atualmente, o número crescente de empresas, órgãos
governamentais, associações profissionais, universidades e indivíduos que oferecem informações
na Internet tornam-na uma ferramenta fundamental para os profissionais da informação. É
possível que a Internet adquira ainda maior expressão pois acredita-se que, no futuro, muitas
informações só estarão disponíveis através da grande rede e que, com base nas suas atuais taxas
de crescimento, ela se tomará o repositório da maior parte do conhecimento científico e comercial
do mundo (CRONIN e MCKIM, 1996).
Todos os que têm alguma experiência no uso da Internet sabem que não é possível listar
seus recursos de forma exaustiva e atualizada. Alguns exemplos ilustrativos dos diferentes tipos
de fontes de informação especializada disponíveis através da rede foram fornecidos nos Capítulos
anteriores. Portanto, o objetivo deste capítulo será o de descrever a evolução e consolidação da
Internet como fonte de informação, os principais meios de publicação e os mecanismos de
identificação de recursos. Serão também discutidas as características especiais que a diferenciam
de outras fontes e os meios de acesso à informação especializada que ela proporciona.

19.1 Evolução
A Internet é uma rede global de computadores ou, mais exatamente, uma rede que
interconecta outras redes locais, regionais e internacionais. Para o usuário final, a impressão que
se tem é que se trata de uma só rede, já que de qualquer ponto em que se está pode-se comunicar
com qualquer outro computador. independentemente de onde ele estiver ou de que tipo ele seja
(supercomputador, mainframe, estações de trabalho UNIX, ou microcomputadores pessoais). A
interconectividade ampla entre os diferentes computadores é garantida pelo uso em toda a rede de
um conjunto de protocolos padrão, o TCP/IP (Transmission Control Protocol/Internet Protocol).
Dessa forma, recursos informacionais que anteriormente, apesar de acessíveis por redes, eram
sistemas ilhados, podem, na Internet, ser oferecidos de maneira integrada.
Outras características da Internet são a confiabilidade e interatividade. Caso algum sistema
ou rede tenha problemas, os dados transmitidos ainda podem atingir seus destinos através de
caminhos alternativos. Isso a torna um sistema confiável, do qual dependem diariamente
milhares de indivíduos e empresas. Além disso, a sua interatividade permite que, além do correio
eletrônico e transferência de arquivos, sejam oferecidos uma variedade de outros recursos
informacionais que exigem a conexão direta entre duas máquinas, a interação do usuário com
outro computador ou mesmo a comunicação entre programas.
O início do desenvolvimento dos conceitos e tecnologias, que fazem da Internet o que ela é
hoje, data do final da década de 60 quando, durante a Guerra Fria, o Department of Defense do
governo americano tomou as primeiras iniciativas para a criação de uma rede experimental de
supercomputadores, a ARPANET (Advanced Research Projects Agency Network). Para garantir a
comunicação entre computadores em caso de ataques nucleares, procurou-se desenvolver uma
rede descentralizada que conectasse computadores híbridos e que permitisse, em caso de perda
de um deles, rotas alternativas de comunicação. A ARPANET que se tornou operacional em 1975,
posteriormente foi subdividida em outras redes, substituída e finalmente desativada em 1989. Do
projeto ARPANET originaram-se, além das tecnologias usadas na rede atualmente, o próprio
termo Internet que passou a ser utilizado como uma designação geral para todas as redes
conectadas pelo protocolo TCP/IP.
Até o final da década de 80, a Internet era utilizada principalmente pela comunidade
científica e acadêmica. Seu uso para fins comerciais não era permitido, e o custo da conexão era
pago pelas instituições participantes. Para o usuário final a Internet era totalmente grátis, o que
estimulava seu uso. A cultura de livre acesso e compartilhamento de recursos informacionais por
membros da comunidade acadêmica tomou-se uma tradição vinculada às origens históricas da
Internet, diferenciando-a de outras redes, tais como a RENPAC.
Entretanto, as restrições quanto ao seu uso comercial impunham limites à quantidade de
informação disponível. Em 1990, LYNCH e PRESTON (1990) consideravam modesto o número de
recursos informacionais na Internet e classificaram como um exagero retórico a literatura
publicada sobre a importância das redes como fontes de informação. A ausência de uma massa
crítica de recursos e usuários não permitia, naquele estágio, que a Internet constituísse um
acervo relevante para o pesquisador.
Em 1987, com a liberação do uso comercial da Internet nos Estados Unidos, houve um
aumento significativo do número de usuários e computadores conectados (chamados hosts na
linguagem técnica), O sistema tomou novo ímpeto dois anos depois com a criação da Worfd Wide
Web (ou simplesmente Web), um sistema global para documentos multimídia. Finalmente, em
1993, o desenvolvimento da versão para microcomputadores do Mosaic, um programa para
acesso aos recursos na Web, na Univerty of Illinois (EUA), adicionou mais um ingrediente
fundamental para a ampla disseminação do uso da Internet. Constituindo-se em um programa
para microcomputadores, ele tomou-se acessível a uma população bem maior. Ao fornecer um
ambiente gráfico que permitia a interação com o sistema através de facilidades, tais como diques
de mouse, menus, janelas e barras de rolamento, diminuiu a necessidade de conhecimento
técnico por parte do usuário, contribuindo para aumentar o número de atores que poderiam
participar da rede.
Assim, a Internet vem, quase, dobrando de tamanho a cada ano. As pesquisas da empresa
americana Network Wizards contabilizaram 1,3 milhões computadores conectados à rede em
1993, 2,2 milhões em 1994, quase cinco milhões em 1995, cerca de dez milhões em 1996 e mais
de 19 milhões em julho de 1997. já em janeiro de 2000 havia mais de 70 milhões. Segundo
informe da ONU, no ano 2000 a Internet provavelmente superará os 200 milhões de usuários em
mais de 200 países.
A ampliação do número de usuários, somada à ampla interconectividade, robustez,
interatividade e facilidade com que recursos informacionais podem ser criados e acessados fazem
da Internet um meio atraente para divulgação de uma variedade de informação. Ao mesmo tempo,
essa combinação de fatores faz supor que o ritmo atual de expansão será mantido e que ela
continuará a se consolidar como fonte de informação fundamental.

19.2 A internet no Brasil


No Brasil, como no restante do mundo, o uso da Internet iniciou e ganhou força no meio
acadêmico. Desde 1988 algumas instituições de ensino e pesquisa (FAPESP, Laboratório Nacional
de Computação Científica - LNCC e UFRJ) começaram a estabelecer conexões com redes
internacionais. Entretanto, foi com a criação da Rede Nacional de Pesquisa (RNP) , em 1989,
que se introduziu no Brasil a tecnologia TCP/IP da Internet. A RNP, um programa do Ministério
de Ciência e Tecnologia (MCT), apoiado pela Secretaria de Política de Informática e Automação
(SEPIN) e executado pelo CNPq, visa a apoiar e incentivar o uso educacional, acadêmico e social
da Internet. A implantação da sua primeira espinha dorsal (ou backbone), em 199 1, possibilitou
a interligação das principais universidades e centros de pesquisa do País e de algumas
organizações não-governamentais, O backbone da RNP continua a se expandir e, atualmente,
conecta todas as capitais e, direta ou indiretamente, todas as universidades e centros de
pesquisa1.
Até 1995, a quase totalidade das cerca de quinhentas instituições brasileiras com presença
na Internet consistia de universidades e institutos de pesquisa, Naquele ano, com a liberação para
seu uso comercial no Brasil, a Internet deixou de ser um projeto exclusivamente acadêmico.
Começaram a surgir, também, outros backbones, além do da RNP, implantados pela iniciativa
privada. Entre eles, cita-se o da EMBRATEL.
A exemplo do que vem acontecendo em outros países, o crescimento da Internet no Brasil
tem sido rápido: estatísticas mostram que o número de hosts brasileiros passou de oito mil em
janeiro de 1995 para quase 500 mil no ano 2000. Com 4 milhões de usuários, o Brasil está na 13ª
posição entre os mais de 200 países participantes da Internet.

19.3 Acesso às fontes de informação na internet


Os recursos de informação existentes na rede estão armazenados em computadores,
chamados de servidores, que podem servir essas informações para outros computadores,
chamados clientes. Os termos cliente e servidor são usados tanto para o hardware (isto é, os
computadores) como para o software (os programas) que estão instalados nesses computadores e
que armazenam e tornam disponíveis informações, no caso dos servidores, ou as buscam e
exibem, no caso dos clientes. Para ser localizado, cada computador recebe um endereço, chamado
endereço IP, que o identifica de forma única entre os milhões que existem.
Existem muitos serviços para fornecimento e acesso aos recursos da Internet, Os mais
relevantes como meios de publicação e/ou acesso a fontes de informação especializada são o

1 Consultar o sítio da RNP para verificar a situação atual da Internet.

102
correio eletrônico, a Usenet, o Telnet, o FTP (File Transfer Protocol), o Gopher, o WAIS (Wide Area
Information Server) e a Web. Cada um desses serviços implica na existência de um programa
servidor e de um programa cliente. Por exemplo, Mosaic, Netscape e Internet Explorer são
programas clientes Web, necessários para acessar as informações armazenadas por outros
programas, os servidores Web. Da mesma forma, usando-se um cliente ETP, é possível acessar e
recuperar informações armazenadas nos servidores FTP.
Neste capítulo pretende-se proporcionar apenas uma explicação sobre a importância de
cada um desses serviços, Para maiores detalhes sobre os requisitos técnicos para conexão e sobre
o uso de cada um dos aplicativos, recomenda-se a consulta aos diversos guias existentes sobre a
Internet.

19.3.1 Acesso a fontes pessoais de informação: correio eletrônico, listas e grupos de


discussão
Usados para enviar e receber mensagens entre indivíduos ou grupos de pessoas, o correio
eletrônico, listas e grupos de discussão são serviços que facilitam e agilizam o processo de
comunicação informal entre especialistas.
• Correio eletrônico e listas de discussão
Os programas de correio eletrônico modernos permitem o envio de documentos escritos em
processadores de texto, gráficos, clips de vídeo ou outros programas como um anexo às
mensagens. Os documentos recebidos via correio eletrônico (que, na linguagem da Internet, são
chamados de documentos atachados) podem ser abertos, gravados e alterados no computador do
recipiente. Este recurso, que permite uma variedade de outras aplicações do correio eletrônico,
tem sido usado, por exemplo, para elaboração de publicações em colaboração, reunindo autores
que muitas vezes se encontram em países diferentes.
Além da troca de mensagens entre indivíduos, o correio eletrônico é também utilizado para
formar listas de discussão. Nestas, uma mensagem é copiada e reenviada para os assinantes que
podem enviar novas mensagens ou responder às recebidas, contribuindo com novos argumentos.
O assinante pode também simplesmente acompanhar as discussões para se manter a par dos
novos eventos, problemas e questões abordados na lista.
Como fonte de informação especializada, as listas são ainda mais importantes que o correio
eletrônico ao constituírem pontos de encontro de especialistas, permitindo discussão sobre uma
ampla gama de tópicos. Existem milhares de listas sobre praticamente qualquer tópico: ver, por
exemplo, as 90 mil relacionadas pelo serviço Liszt . As mensagens trocadas entre os membros
das listas costumam ser armazenadas em arquivos que estão disponíveis para o público e, na
maioria das vezes, é possível acessar também a relação de assinantes. Esses arquivos são uma
valiosa fonte de informação para especialistas.

• Grupos de discussão — Usenet


A Usenet é um sistema de grupos de discussão chamados de newsgroups. Possui alguma
similaridade com as listas de discussão apresentadas acima, já que se destina à interação entre
grupos de pessoas que se interessam por um determinado assunto. Entretanto, há algumas
diferenças: a mais evidente é a maneira como os usuários participam dos newsgroups. Ao
contrário das listas de discussão, não é preciso ser um assinante de um dos newsgroups para
receber e ler as mensagens. Qualquer pessoa pode usar um programa para conectar-se a um sítio
Usenet que oferece, geralmente, alguns milhares de newsgroups. Para melhor organização, os
grupos são classificados por assunto. Alguns exemplos das categorias principais são: ciência da
computação (comp), notícias (news), recreação (mc), ciência (sci), questões sociais (soc), debates
sobre tópicos controversos (talk) e negócios (biz). Cada categoria pode conter centenas ou milhares
de newsgroups. Cada grupo recebe um nome, cuja primeira parte representa a categoria à qual
ele está subordinado. Por exemplo, um grupo para pessoas que estão aprendendo a usar a Usenet
chama-se news.newusers.questions.
Dezenas de milhares de paginas de texto são enviadas à Usenet todos os dias. Obviamente,
é impossível para um usuário acompanhar tudo o que é discutido em todos os newsgroups.
Normalmente seleciona-se alguns grupos de interesse que se pretende acompanhar. Devido ao
volume de informações, as mensagens (chamadas artigos na linguagem da Usenet) são, na
maioria das vezes, armazenadas apenas alguns dias e, em seguida, excluídas. Não servem,
portanto, para pesquisas restrospectivas, ao contrário das listas de discussão.
Além das mensagens em si, uma importante fonte de informação na Usenet são os artigos
chamados FAQ (Frequently Asked Questions), que contêm perguntas freqüentemente
apresentadas ao grupo. Em cada newsgroup, encontra-se um artigo FAQ com informações básicas
sobre o assunto do grupo de discussão. Por exemplo, em um grupo sobre direitos autorais, o FAQ
fornece uma lista de respostas para as perguntas mais apresentadas ao grupo. Como existem

103
newsgroups abrangendo inúmeros tópicos de interesse, os FAQs podem ser usados como uma
fonte para dirimir rapidamente as dúvidas mais comuns sobre uma variedade de assuntos.

19.3.2 Acesso a computadores remotos: Telnet


O serviço Telnet permite a conexão direta a outro computador. Ao conectar-se a um
computador remoto (que pode estar em qualquer lugar do mundo), o usuário pode executar
qualquer programa instalado naquela máquina, desde que haja permissão para isso.
Por oferecer uma interface exclusivamente textual e pouco amigável ou intuitiva, o Telnet é
um aplicativo menos usado por leigos. Normalmente, para se aproveitar dos recursos instalados
em outros computadores, é necessário conhecimento de alguns comandos básicos de seu sistema
operacional. Na maioria das vezes, o sistema operacional é o UNIX, o mais usado pelos
computadores conectados à Internet, que é bastante complexo.
Entre profissionais da informação, o Telnet é usado principalmente para acesso a servidores
de correio eletrônico, ou para conexão a bases de dados e catálogos de bibliotecas. Quando se
acessa uma base de dados via Telnet, geralmente o computador servidor oferece ao usuário um
sistema de menus ou indicações dos comandos a serem utilizados para pesquisar a base, o que
facilita o uso dos recursos, exigindo menos conhecimento do pesquisador. Mas, ainda assim,
comparado com outros sistemas atualmente disponíveis, o Telnet tem menos aceitação. É de se
esperar que a maioria das bibliotecas e outras instituições que oferecem bases de dados
pesquisáveis via Telnet, progressivamente as migrem para a inter-face Web.

19.3.3 Transferência de informação remota: FTP


Se com o Telnet o usuário da Internet entra em um outro computador remoto para usá-lo
como se ele estivesse na sua própria sala, com o uso do FTP os arquivos localizados remotamente
podem ser transferidos para o computador do usuário. Na Internet existem sítios de FTP que são
repositórios públicos de arquivos. Qualquer usuário da rede tem permissão para entrar nesses
sítios, observar o que oferecem, selecionar algum arquivo desejado e transferi-lo para seu próprio
computador Uma vez conectado, o usuário pode solicitar, por exemplo, a transferência de artigos,
livros, software, ou qualquer outro recurso armazenado. Efetuada a transferência, desde que o
usuário possua o programa adequado, esses arquivos podem ser abertos, manipulados ou
impressos.
Nos primórdios da Internet, o uso do FTP costumava representar alguma dificuldade para
principiantes. Atualmente existem interfaces gráficas que fazem da transferência de arquivos um
processo muito simples e amplamente utilizado. São exemplos de alguns sítios especializados em
armazenagem de software: Lemon , SHAREWARE.COM  e TUCOWS .

19.3.4 Navegação por menus: GOPHER


Originado na University of Minnesota (EUA) em 1991, o Gopher foi a primeira ferramenta
para navegação na Internet. Ao se conectar com um Gopher, que, como o Telnet, oferece uma
interface textual, o usuário recebe um menu, ou seja, uma lista de tópicos para seleção. Cada
tópico representa um recurso informacional que pode estar sediado localmente ou em outros
computadores. Escolhendo-se uma das opções apresentadas, o usuário acessa a fonte de
informação desejada ou pode ser levado a um novo menu com outras subopções. Ao navegar pela
hierarquia de menus em um Gophen o usuário pode obter documentos textuais, acessar
repositórios de arquivos de FTP, entrar em uma sessão de Telnet ou se conectar a um outro
Gopher localizado remotamente. O programa permite ainda que o usuário descarregue e salve os
arquivos acessados, ou os envie para outra pessoa, por correio eletrônico. Dessa forma, além de
facilitar a exploração de recursos, o serviço Gopher oferece uma interface simples que integra
vários outros serviços.
Por representar uma grande melhoria de interface em relação a serviços existentes, como o
FTP e Telnet, o Gopher alcançou extraordinário sucesso, quando de seu lançamento. Um grande
número de instituições criou coleções de recursos oferecidos via Gopher. Entretanto, sua interface
textual e a hierarquia rígida de menus limitam a flexibilidade do usuário, tendo o Gother sido
rapidamente substituído pela Web, o sistema de navegação introduzido mais recentemente.
Enquanto no exterior ainda existem sítios de Gopher que congregam um grande número de
recursos, no Brasil, onde a Internet foi introduzida mais tarde, o Gopher não chegou sequer a
adquirir proeminência. A tendência é de que os recursos oferecidos atualmente através de
Gophers sejam paulatinamente migrados para sítios Web.

104
19.3.5 Acesso a coleções de documentos textuais: WAIS
Os servidores WAIS fornecem acesso a coleções de texto completo de documentos,
permitindo também a pesquisa por palavras-chave. Na época em que foi lançado, o WAIS
representou um enorme desenvolvimento em relação aos sistemas existentes anteriormente. Ates
dele, os documentos estavam disponíveis na Internet mas, na maioria das vezes, só podiam ser
localizados pelos títulos dos arquivos que os continham (que, normalmente, podiam ter o máximo
de oito caracteres) ou, caso estivessem disponíveis em um Gopher, pelo título do menu que
oferecia acesso a ele. O programa WAIS indexa uma coleção de documentos textuais produzindo
uma lista de todas as palavras nela contidas. O usuário de um cliente WAIS indica as coleções de
documentos que quer pesquisar e, a seguir, entra com palavras-chave para realizar a busca O
cliente WAIS fornece, então, uma lista de documentos que contêm as palavras-chave.
Selecionando-se um documento, o programa cliente o requisita ao servidor WAIS e, a seguir, exibe
na tela do usuário o seu texto completo.
Como o Gopher, o sistema WAIS de armazenagem e indexação de coleções de documentos
textuais foi uma idéia que floresceu por pouco tempo no ambiente dinâmico da Internet. O
surgimento da Web implicou na rápida diminuição do entusiasmo por esse sistema, antes que as
informações acumuladas em suas bases de dados atingissem um volume expressivo. A partir de
1996, novos serviços e produtos deixaram de ser oferecidos pela companhia WAIS mc. Embora
não seja muito usado, existem ainda algumas coleções ou bibliotecas WAIS disponíveis na
Internet. O sítio Res-Links: Search Tools — Veronica/Jughead/Wais  lista alguns destes
recursos.

19.3.6 Navegação por hipertexto: World Wide Web


Desenvolvida por um laboratório suíço, o CERN (Centre Européen de Recherches
Nucléaires), a Web é um conjunto de documentos, disperso em milhões de computadores ao redor
do mundo, que pode conter textos, imagens, sons e outros tipos de dados. Tão importante quanto
o conteúdo desses documentos são os links (vínculos para outros documentos), que eles contêm e
que caracterizam a Web como um sistema de hipertexto ou hipermídia. Esses links, combinados
com a interligação dos computadores na Internet, permitem que o usuário se locomova
rapidamente de um documento para outro, mesmo que esses estejam em computadores situados
em locais distantes um do outro. A Web rapidamente dominou a Internet ao combinar
simplicidade de uso, facilidade de criar e fornecer documentos e a exibição de documentos em
formatos multimídia, mais aceitáveis do que longas páginas ininterruptas de texto.
Os programas clientes Web são conhecidos como navegadores ou browsers. Como o Gopher,
eles integram em uma única interface o acesso a uma variedade de outros recursos
informacionais. Ou seja, além dos documentos hipermídia, através deles pode-se acessar recursos
armazenados em servidores Usenet Telnet FTP, Gophere WAIS. Para isso, a Web usa um sistema
de endereçamento, chamado de URL (Uniform Resource Locator), capaz de fazer referência a
recursos de todos os tipos. Cada servidor, seja ele um Gopher, um sítio de FTP, Usenet ou WAIS,
recebe um URL que o identifica e permite acessá-lo. Por exemplo, um servidor de FTP pode
receber o URL ftp://ftp.cecom.ufmg.br, e um servidor Gopher, o URL
gopher://gopher.micro.umn.edu/. Independentemente do tipo de programa servidor que os
armazena, os recursos podem ser acessados e exibidos pelo cliente Web.

19.4 Localização de recursos informacionais na internet


A Internet, com seus milhões de computadores contendo uma vastíssima quantidade de
documentos, pode ser comparada a uma biblioteca de proporções gigantescas, onde bilhões de
livros estão empilhados sem qualquer organização ou indicação da localização dos volumes. Um
usuário que entra em um sítio de ETP, de Gopherou em um documento na Web pode ser
comparado a alguém que cruza o patamar de entrada dessa biblioteca e folheia alguns livros da
pilha mais próxima à porta, sem poder ter a menor idéia de como chegar à informação que
procura. Ainda não foram desenvolvidos meios para se organizar completamente uma biblioteca
tão vasta e dinâmica quanto a Internet, mas as ferramentas de busca aos seus recursos, descritas
abaixo, visam proporcionar meios de se localizar o arquivos que se deseja obter.

• Archie
Foi primeira ferramenta de pesquisa da Internet e permite a busca de arquivos armazenados
em repositórios de FTP. Os servidores Archie pesquisam a intervalos regulares todos os sítios
conhecidos de FTP público e compilam em uma base de dados a lista dos nomes de arquivos e
diretórios nesses sítios. Acessando-se um servidor Archie, pode-se fazer uma busca na sua base

105
de dados, entrando-se com uma palavra que se supõe que o nome do arquivo ou diretório conterá.
O Archie fornecerá, então, os dados necessários para se acessar o arquivo, ou seja, o endereço do
computador e a localização do arquivo ou diretório dentro dele. Um recurso usado em conexão
com o Archie é a base de dados Whatis. A Whatis serve de ajuda ao usuário que sabe o que
deseja, mas não conhece o nome dado ao arquivo procurado. Mantida pelos servidores Archie,
essa base de dados contém curtos textos descritivos dos conteúdos dos arquivos de programas,
dados ou documentos encontrados nos sítios de FTP. Quando pesquisada, fornece uma lista de
nomes de arquivos cujas descrições contêm as palavras-chave usadas. Uma lista de servidores
Archie pode ser encontrada no sítio da NEXOR.COM .

• Veronica e jughead
Para arquivos disponíveis no espaço Gopher, as ferramentas de busca são Veronica e
Jughead. Os servidores Veronica periodicamente entram em contato com todos os servidores
Gopher e compilam uma lista dos títulos de seus itens de menus. Uma busca no servidor
Veronica proporcionará uma relação de títulos de itens de menus em diferentes Gophers que
contêm a(s) palavra(s) pesquisada(s). O Jughead funciona de maneira similar ao Veronica. A
diferença é que, enquanto o último, pesquisa Gophers em todo o mundo, o Jughead é usado para
pesquisar uma seleção menor de sítios Gophers ou, às vezes, apenas o Gopher ao qual se está
conectado. Uma lista de servidores Veronica e Jughead pode ser encontrada no sítio Res-Links:
Search Tools — Veronica/Jughead/Wais, bem como no sítio da University of Nevada (EUA) .

• WAIS
Conforme explicado anteriormente, um cliente WAIS fornece uma interface para pesquisa
em bases de dados textuais disponíveis por servidores WAIS. Apresenta um mecanismo mais
sofisticado de busca do que o Ardi/e, o Veronica ou o Jughead, permitindo que o usuário use
linguagem natural para formular a pergunta de busca (ou seja, ao invés de se usar palavras-
chave e operadores booleanos, pode-se entrar uma frase em linguagem cotidiana), usando
técnicas de recuperação probabilística para ordenar os documentos recuperados de acordo com
sua provável relevância.

• Ferramentas de busca na Web


Como quase todos os recursos de informação existentes na Internet são acessíveis via Web,
as ferramentas de busca utilizadas costumam ser consideradas como sinônimos de ferramentas
de busca na Internet em geral. Através delas pode-se encontrar listas de discussão, pesquisar
arquivos de grupos de discussão da Usenet, ou recursos em servidores de FTP, por exemplo.
Existe hoje um grande número de ferramentas de busca que podem ser classificadas em dois
tipos básicos: motores de busca que permitem a busca por palavras-chave (por exemplo, Altavista
) e catálogos que compilam listas hierárquicas de assunto (das quais, provavelmente, a mais
conhecida é o Yahoo! ). Um terceiro tipo consiste nas chamadas mega ferramentas ou mega
motores que executam, ao mesmo tempo, busca em vários motores.
Cada uma dessas ferramentas compila uma base de dados, que contém os endereços de
recursos na Internet e suas descrições. As ferramentas diferem entre si pelo tamanho,
especificidade e conteúdo de suas bases de dados, bem como pelo modo como os sítios na
Internet, que constituem as bases de dados, são identificados e indexados. Por exemplo, a base de
dados dos motores de busca é criada por programas automáticos — que recebem nomes exóticos,
tais como aranhas, robôs ou vermes — e que percorrem a Web incessantemente, rastreando os
links dentro de cada documento encontrado. Por isso os motores de busca primam pela sua
abrangência, incluindo em suas bases de dados o maior número possível de sítios. Já a base de
dados dos catálogos é criada por pessoas que selecionam e classificam recursos na Internet e,
assim, são menores mas, provavelmente, contêm itens mais relevantes, Devido a essas diferenças,
o número e a qualidade dos recursos recuperados podem variar enormemente, dependendo da
ferramenta utilizada.

19.5 Características e implicações


A informação na Internet difere da informação disponível em outras fontes por sua
acessibilidade via redes de computadores, sua estrutura, seu dinamismo e seus métodos de
publicação. As peculiaridades da informação eletrônica em redes podem originar tanto vantagens
como barreiras e desafios. Assim, se por um lado, o usuário tem na ponta dos dedos um acervo de
vulto impressionante, por outro, o uso da informação na Internet exige, além dos aspectos

106
técnicos de conexão, o conhecimento do funcionamento de vários aplicativos e, muitas vezes, de
outros idiomas, o que pode vir a ser um empecilho para muitos.
Uma das características mais marcantes da Internet é a facilidade para exploração de novas
idéias e para interação imediata com outros indivíduos e sistemas. Juntamente com o grande
volume de recursos e serviços, essa maximização do potencial para exploração e descoberta toma
a pessoa que usa a Internet mais que um leitor passivo, estimulando sua criatividade (CRONIN e
MCKIM, 1996). Portanto, esse efeito sinergístico coloca a Internet um passo além de um armazém
de informações, distinguindo-a de outras fontes.
Para o Brasil e outros países emergentes. a principal vantagem da Internet talvez seja a
possibilidade de acesso a informações que antes eram demoradas de se conseguir, ou mesmo
completamente inacessíveis, exceto para uma elite. Muitas vezes a informação que se procura é
encontrada em texto completo na rede e, dessa forma, é superada a limitação dos acervos locais.
Outras vezes a Internet facilita e agiliza a identificação e obtenção de fontes impressas, reduzindo
a dependência de serviços de terceiros para o acesso a documentos nacionais ou estrangeiros.
Através das livrarias virtuais, como a Amazon , ou de serviços de fornecimento de documentos
como o UnCover, é possível a identificação e obtenção de publicações recentes nas mais diversas
áreas de conhecimento. Essa disponibilidade de informação representa. portanto, um fator de
aumento de competitividade para cientistas e especialistas nas nações de economia periférica.
Conforto e economia de tempo para indivíduos e organizações são outras vantagens
potenciais. Com o uso da Internet pode-se obter informações sem a necessidade de se deslocar e
sem limitações de horário. Um exemplo é o Prossiga, biblioteca digital do CNPq, na qual um
pesquisador pode obter informações tão variadas quanto: uma lista de pesquisadores brasileiros
em sua área, o endereço eletrônico de bibliotecas brasileiras com presença na Internet,
informações sobre mercado de trabalho, um ponto de encontro virtual para interação com seus
pares, informações sobre fontes de financiamento para suas pesquisas ou sobre universidades e
programas de pós-graduação, dicionários e enciclopédias virtuais, entre outras.
Algumas pessoas vêem a Internet como uma fonte estratégica de informação, devido aos
dados que são apresentados na rede antes de sua publicação pelos canais formais. Por exemplo,
alguns documentos do Banco Mundial são oferecidos na Internet bem antes de sua distribuição
em cópia impressa. As informações estatísticas ou informações sobre organizações também
costumam ser encontradas na rede antes de sua publicação em canais normais. Todavia, não se
deve supor que todas as informações na Internet são recentes, pois nem sempre as páginas da
Web são atualizadas com freqüência. Além disso, devido à lei dos direitos autorais, muitos livros
só são oferecidos em texto completo na rede muitos anos após a data de sua publicação, quando
expira o prazo estabelecido na legislação para vigência dos direitos do autor. É o caso da maioria
da obras de referência disponíveis em texto completo na rede. Desta forma, é importante que se
procure verificar a data, pertinência e atualidade dos dados obtidos.
Um dos maiores incentivos ao uso da Internet ainda é a grande quantidade de informações
disponíveis sem custo. Entretanto, com a consolidação do caráter comercial da rede, alguns
serviços estão começando a exigir o pagamento de taxas ou assinaturas para fornecer acesso às
suas informações e é provável que, progressivamente, a proporção de serviços pagos aumente.
Esses serviços costumam oferecer alguns recursos grátis para o público em geral e um leque
maior de opções para os que possuem assinaturas pagas. É comum também o oferecimento de
um período de acesso grátis ou demonstrações para que o usuário experimente os sistemas antes
de decidir sobre a sua assinatura.
A determinação da confiabilidade da informação na Internet representa um problema.
Algumas vezes, pode-se avaliar a confiabilidade de uma fonte pela reputação da instituição que a
fornece. Por exemplo, supõe-se que as informações estatísticas obtidas na página do Comitê
Gestor Internet/Brasil  sejam fidedignas. Porém, freqüentemente, os documentos não indicam
datas, autoria ou origem das informações e, além disso, são efêmeros e voláteis. Um documento
disponível ria rede pode ser retirado a qualquer momento. Em outros casos, os documentos
podem continuar disponíveis, porém modificados. Como não existe ainda um mecanismo para
controle de versões ou edições, o usuário não tem meios de saber qual versão está acessando. A
autenticidade, na maioria das vezes, não pode ser facilmente comprovada. Na ausência de
qualquer processo de seleção para a informação que é publicada, a qualidade das fontes varia de
sítio para sítio. Para auxiliar o usuário na determinação da qualidade das fontes na Internet,
alguns serviços se especializam em avaliá-las e conferir-lhes notas ou prêmios. Dois exemplos são
o Argus Clearinghouse  e o Scout Reports . Alguns critérios usados por esses serviços para
determinação da qualidade dos sítios que recomendam são: aspectos gráficos do sítio, organização
da informação, facilidades para exploração, atualização, conteúdo e autoridade das informações.
A organização, controle e recuperação da informação na Internet são alguns dos maiores
desafios atuais. As bases de dados tradicionais, que, como a Internet, são fontes eletrônicas,

107
contêm informações organizadas, indexadas através de vocabulários controlados e/ou tesauros e
disponíveis em sistemas bem documentados. Mesmo com esses recursos, a recuperação eficiente
da informação nessas bases é um problema ainda não solucionado satisfatoriamente. Na Internet
este problema se agrava com o enorme volume e diversidade de informações que não seguem uma
estrutura definida de registros e campos. Além da falta de estrutura, com o crescimento
desordenado da rede, não existe ainda perspectiva de padrões universais para a organização dos
documentos, como os que existem para bibliotecas e arquivos. A indexação de páginas Web é feita
de maneira precária (através de informações chamadas de metatags que são adicionadas ao
documento pelo criador das páginas) ou, na maioria das vezes, elas simplesmente não são
indexadas. São poucos os recursos organizados por profissionais com conhecimento de técnicas
de indexação e catalogação.
Alguns estudos para introdução de sistemas mais sofisticados para indexação e catalogação
dos recursos da Internet encontram-se em andamento. O Dublin Core , por exemplo, é um
conjunto de elementos de dados básicos para descrição e indexação de páginas Web. Definido por
especialistas de diversos países, ele já está sendo usado como base para vários projetos de
indexação. Outros projetos que visam a classificação e catalogação de recursos na rede são o
Internet Cataloging Project , coordenado pela OCLC nos Estados Unidos, e o projeto BUBL
Information Service , na University of Strathclyde, Escócia. Porém, devido à quantidade de
informação, talvez esses sistemas nunca se viabilizem de maneira global.
A essas dificuldades somam-se as limitações das interfaces para a busca de informação. As
ferramentas de busca na Web, de modo geral, oferecem recursos menos sofisticados para
pesquisa e recuperação que os sistemas computadorizados para acesso à base de dados. Por
exemplo, em um sistema de bases de dados como o Dialog, podem existir opções como tesauros
online ou busca de palavras adjacentes que possibilitam um maior refinamento da pesquisa e que
nem sempre estão presentes nas ferramentas da Web. Assim, se a quantidade e diversidade de
informação são pontos fortes da Internet, a falta de organização e estrutura e a ausência de
mecanismos eficientes de recuperação dificultam a identificação das informações. Uma queixa
freqüente dos usuários da rede é o tempo gasto na busca de informações. Em uma pesquisa feita
com profissionais da informação atuando na área financeira, 82% das respostas indicaram o
dispêndio de tempo como uma das maiores desvantagens do uso da Internet (KELLY e NICHOLAS,
1996). O tempo de busca é afetado também pelo congestionamento das linhas para transmissão
dos dados. No momento, os backbones brasileiros estão ainda subdimensionados para o tráfego
que sustentam, o que, em determinados horários, ocasiona grande demora, especialmente para o
carregamento de imagens. Este problema não ocorre apenas no Brasil. Nos Estados Unidos, a
World Wide Web tem sido apelidada de World Wide Wait (ou seja, no trocadilho em inglês, a Teia
Mundial tem sido chamada de a Espera Mundial). Com o objetivo de solucionar esses problemas,
têm sido lançadas iniciativas como a Intemet2 (norte-americana) ou a RNP2 (brasileira), que
visam desenvolver redes acadêmicas de alta velocidade, cerca de 2.500 vezes mais rápidas que a
Internet comum,

19.6 Fontes de informação sobre a internet


Para encontrar informações gerais sobre o desenvolvimento e a situação da Internet no
Brasil, um sítio fundamental é o do Comitê Gestor Internet/Brasil 1. Nesse sítio pode-se
encontrar links com dados estatísticos sobre a Internet no Brasil e no mundo, provedores dos
backbones federais e estaduais, catálogo de provedores de acesso à rede e texto completo de
artigos e palestras sobre o seu desenvolvimento. No sítio da Secretaria de Política de Informática e
Automação do Ministério da Ciência e Tecnologia (SEPIN)  existem links para informações sobre
a política e legislação sobre a informática e redes no Brasil. Duas associações na área são a
Associação Nacional de Provedores Internet (ANPI)  e a Associação Nacional dos Usuários da
Internet Brasil (ANUI) .
Para os diversos serviços da rede, o sítio Internet Tools Summary , mantido por John
December, contém informações sempre atualizadas, Uma relação de ferramentas brasileiras e
estrangeiras de busca na Internet é oferecida no Prossiga, Como achar Uma outra referência,
bastante extensiva sobre ferramentas estrangeiras é The Complete Search Engine Index .
Algumas das ferramentas brasileiras são: Cadê? , Surf , Zeek , RADAR UOL ,
Bookmarks  e Lemon . Sítios brasileiros também são cadastrados pelas ferramentas
estrangeiras, e elas não devem ser desprezadas quando se procura informações nacionais. Por

1 Esse Comitê, que canta com representantes do Ministério das Comunicações, Sistema TELEBRAS, CNPq, comunidades

acadêmicas, provedores de serviços, empresas e usuários, gerencia desde 1995 todas as atividades relativas à Internet no
Brasil.

108
exemplo, entrando-se com palavras-chave em português no Alta Vista  ou Yahoo Brazil 
recupera-se, às vezes, mais informações que nas ferramentas brasileiras.

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109
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ABNT http://www.abnt.org.br
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AFITEC http://www.afitec.com.br
AFNOR http://www.afnor.fr
Altavista http://altavista.digital.com
Amazon http://www.amazon.com
ANAIS telnet:cnen.lncc.br (logirucin)
Annual Review Inc http://www.AnnualReviews.org/ari
ARIST http://www.asis.org/ARIST/index.html
ANPI http://www.anpi.org.br
ANSI http://www.ansi.org
ANTARES http://redeantares.ibict.br
ANUI http://ww.anui.org.br
Argus Clearinghouse http://www.clearinghouse.net
ASME http://www.asme.org
ASTM http://www.astm.org
Base de Dados de Eventos em http://www.ibict.br/~ibict/pap00138.htm
C&T, Qualidade e Produtividade
BioTech; life science dictionary http://biotech.chem.indiana.edu/search/dict-search.Phtml
BLDSC http://icarus.bl.uk/dsc
Bookmarks http://www.boolmarks.com.br
Brazilian Business Connection http://www.brazilbiz.com.br
BUBL Information Service http://bubl.ac.uk
CAB International http://www.cabi.org
Cadê? http://cade.com.br
CAD Document Detective Service http://info.cas.org/cgi-bin/AT-www_cas_orgsearch.cgi
CCN http://www.ct.ibict.br.82/ccn/admin
CEMIG http://www.cernig.com.br/norbra_i.htm
CEN http://www.cenorm.be
CODATA http://www.cisti.nrc.ca/programs/codata
Comitê Gestor Internet/Brasil http://www.cg.org.br
COMUT http://www.ctibict.br.8000/comut/html/
CRC Encyclopedia of Mathematics http://ww.astro.virginia.edu/~eww6n/math
Dialog Web http://www.dialogweb.com
Dialog http://www.dialog.com
Dicionário Histórico-Biográfico http://www.fgv.br/cpdoc/dic
Brasileiro
Directories of Scientists on the http://www.mwm.com/feature/people.htm
WWW from Micro World
Directory of Electronic Journals, http://www.arl.org/scomm/edir/pr97.html
Newsletters and Academic
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Scholarly Communication
Diretório dos Grupos de Pesquisa http://www.prossiga.cnpq.br
no Brasil
Dublin Core http://purl.oclc.org/metadata/dublin_core
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Chemistry, University of
Wisconsin (EUA)
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GreyNet http://www.konbib.nl/infolev/greynet
IBICT http://www.ibict.br
ICSU http://www.lmcp.jussieu.fr/icsu
IEC http://www.iec.ch
IFLA http://www.ifla.org
HS http://ww.ihs.com
INMETRO http://inmetro.gov.br
INPI http://www.inpi.gov.br
InterDok Com. http://www.interdok.com
Internet Cataloging Project http://ww.oclc.org/oclc/man/catproj
Internet Tools Summary http://www.december.com/net/tools
IPT http://www.ipt.br
SI http://www.isinet.com
ISO http://www.iso.ch
ITC http://www.wtm.net/itc/index.htm
Langley Technical Report Server http://techreports.larc.nasa.gov/ltrs/ltrs.html
LANL Preprint Archive http://xxx.lanl.gov
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Liszt http://www.liszt.com
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ONU http://www.unsystem.org
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