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Esta nova coletânea traz como novidade a apresentação

2004 O Projeto Desenvolvendo Casos de Sucesso no Sebrae


dos casos por área temática, visando facilitar a consulta teve sua origem em 2002 com o objetivo de disseminar
e melhor entendimento do conteúdo. 2004 as melhores práticas vivenciadas por empreendedores
e empresários de diversos segmentos e setores,
O primeiro volume da nova edição descreve casos participantes dos programas e projetos do Sebrae
vinculados aos temas de artesanato, turismo e cultura, em vários Estados do Brasil.
empreendedorismo social e cidadania. O segundo relata
histórias sobre agronegócios e extrativismo, indústria, A primeira fase do projeto, estruturada para escrever estudos
comércio e serviços. E o terceiro aborda exclusivamente de caso sobre empreendedorismo coletivo, publicou em
casos com foco em inovação tecnológica. 2003 a coletânea Histórias de Sucesso – Experiências

Os resultados obtidos com o projeto Desenvolvendo


Histórias de Sucesso Empreendedoras, em três livros integrados de 1.200
páginas, que contou 80 casos desenvolvidos em
Casos de Sucesso, desde sua concepção e implantação, Experiências Empreendedoras diferentes localidades e vários setores, abrangendo as
têm estimulado a elaboração de novos estudos sobre cinco regiões: Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Norte e
histórias de empreendedorismo coletivo e individual, e, Nordeste. Participaram 90 escritores, provenientes do
conseqüentemente, têm fortalecido o processo de Gestão quadro técnico interno ou externo do Sebrae.

Histórias de Sucesso
do Conhecimento Institucional. Contribui-se assim, de forma
significativa, para levar ao meio acadêmico e empresarial Esta segunda edição da coletânea Histórias de Sucesso –
o conhecimento acerca de pequenos negócios bem- Experiências Empreendedoras – 2004, composta de três
sucedidos, visando potencializar novas experiências volumes que totalizam cerca de 1.100 páginas, contou com
que possam ser adotadas e implementadas no Brasil. a participação de 89 escritores e vários profissionais de
todos os Estados brasileiros, que escreveram os 76 casos.
Para ampliar o acesso dos leitores interessados em utilizar
os estudos de caso, o Sebrae desenvolveu em seu portal A continuidade do projeto reitera a importância da
(www.sebrae.com.br) o site Casos de Sucesso, onde o disseminação das melhores práticas observadas no âmbito
usuário pode acessar na íntegra todos os 156 estudos de atuação do Sistema Sebrae e de sua multiplicação para
das duas coletâneas por tema, região ou projeto, bem o público interno, rede de parceiros, consultores, professores
como fotos, vídeos e reportagens. e meio empresarial.

Todos os casos do projeto foram desenvolvidos sob a orientação


de professores tutores, atuantes no meio acadêmico e em
diversas instituições brasileiras, que auxiliaram os autores
a pesquisar dados, entrevistar pessoas e escrever os casos,
de acordo com a metodologia elaborada pelo Sebrae.

Foto do site do Sebrae. Casos de Sucesso.

Esperamos que essas histórias de sucesso possam


produzir novos conhecimentos e contribuir para fortalecer
os pequenos negócios e demonstrar sua importância
econômica no País.
Série Histórias
Boa leitura e aprendizado! de Sucesso.
Primeira edição 2003.
COPYRIGHT © 2004, SEBRAE – SERVIÇO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS – É permitida a reprodução total ou parcial, de qualquer


forma ou por qualquer meio, desde que divulgadas as fontes.

SEBRAE – Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas


Presidente do Conselho Deliberativo Nacional
Armando Monteiro Neto
Diretor-Presidente
Silvano Gianni
Diretor de Administração e Finanças
Paulo Tarciso Okamotto
Diretor Técnico
Luiz Carlos Barboza
Gerente da Unidade de Estratégias e Diretrizes
Gustavo Henrique de Faria Morelli
Coordenação do Projeto Desenvolvendo Casos de Sucesso
Renata Barbosa de Araújo Duarte
Comitê Gestor do Projeto Desenvolvendo Casos de Sucesso
Cezar Kirszenblatt, SEBRAE/RJ; Daniela Almeida Teixeira, SEBRAE/MG; Mara Regina Veit, SEBRAE/MG;
Renata Maurício Macedo Cabral, SEBRAE/RJ; Rosana Carla de Figueiredo Lima, SEBRAE Nacional
Orientação Metodológica
Daniela Abrantes Serpa – M.Sc., Sandra Regina H. Mariano – D.Sc., Verônica Feder Mayer – M.Sc.
Diagramação
Adesign
Produção Editorial
Buscato Informação Corporativa

D812h Histórias de sucesso: experiências empreendedoras / Organizado


por Renata Barbosa de Araújo Duarte – Brasília: Sebrae, 2004.

392 p. : il. – (Casos de Sucesso, v.1)

Publicação originada do projeto Desenvolvendo Casos de


Sucesso do Sistema Sebrae.
ISBN 85-7333-385-5
1. Empreendedorismo 2. Estudo de caso 3. Artesanato
4. Turismo 5. Cultura I. Duarte, Renata Barbosa de Araújo II. Série
CDU 65.016:001.87

BRASÍLIA
SEPN – Quadra 515, Bloco C, Loja 32 – Asa Norte
70.770-900 – Brasília
Tel.: (61) 348-7100 – Fax: (61) 347-4120
www.sebrae.com.br
PROJETO DESENVOLVENDO CASOS DE SUCESSO

OBJETIVO
O Projeto Desenvolvendo Casos de Sucesso foi concebido em 2002 a partir das prioridades
estratégicas do Sistema SEBRAE com a finalidade de disseminar na própria organização, nas
instituições de ensino e na sociedade as melhores práticas de empreendedorismo individual e
coletivo observadas no âmbito de atuação do SEBRAE e de seus parceiros, estimulando sua
multiplicação e fortalecendo a Gestão do Conhecimento do SEBRAE.

METODOLOGIA “DESENVOLVENDO CASOS DE SUCESSO”


A metodologia adotada pelo projeto é uma adaptação do consagrado método de estudos
de caso aplicado em Babson College e Harvard Business School, que se baseia na história
real de um protagonista, que, em dado contexto, se encontra diante de um problema ou de
um dilema que precisa ser solucionado. Esse método estimula o empreendedor, o aluno ou a
instituição parceira a vivenciar uma situação real, convidando-o a assumir a perspectiva do
protagonista.

O LIVRO HISTÓRIAS DE SUCESSO – Edição 2004


Esse trabalho é o resultado de uma das ações do projeto Desenvolvendo Casos de Su-
cesso, elaborado por colaboradores do Sistema SEBRAE, consultores e professores de ins-
tituições de ensino parceiras. Esta edição é composta por três volumes, em que se
descrevem 76 estudos de casos de empreendedorismo, divididos por área temática:
• Volume 1 – Artesanato, Turismo e Cultura, Empreendedorismo Social e Cidadania.
• Volume 2 – Agronegócios e Extrativismo, Indústria, Comércio e Serviço.
• Volume 3 – Difusão Tecnológica, Soluções Tecnológicas, Inovação, Empreendedorismo e
Inovação.

DISSEMINAÇÃO DOS CASOS DE SUCESSO DO SEBRAE


O site Casos de Sucesso do SEBRAE (www.casosdesucesso.sebrae.com.br) visa divulgar as
experiências geradas a partir das diversas situações apresentadas nos casos, bem como suas
soluções, tornando-as ao alcance dos meios empresariais e acadêmicos.
O site apresenta todos os estudos de caso das edições 2003 e 2004, organizados por área de
conhecimento, região, municípios, palavras-chave e contém, ainda, vídeos, fotos, artigos de
jornal, que ajudam a compreender o cenário onde os casos se passam. Oferece também um
manual com orientações para instrutores, professores e alunos de como utilizar o estudo de caso
na sala de aula.
As experiências relatadas ilustram iniciativas criativas e empreendedoras no enfrentamento
de problemas tipicamente brasileiros, podendo inspirar a disseminação e aplicação dessas
soluções em contextos similares. Esses estudos estão em sintonia com a crescente importância
que os pequenos negócios vêm adquirindo como promotores do desenvolvimento e da geração
de emprego e renda no Brasil.
Boa leitura e aprendizado!

Gustavo Morelli
Gerente da Unidade de Estratégias e Diretrizes
Renata Barbosa de Araújo Duarte
Coordenadora do Projeto Desenvolvendo Casos de Sucesso

HISTÓRIAS DE SUCESSO – EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2004


TREM DA SERRA NO PLANALTO
DISTRITO FEDERAL
REGIÃO ADMINISTRATIVA: SOBRADINHO II (Cidade Satélite)

INTRODUÇÃO

O sonho de José Renato Brandão Bravo e de sua esposa Maria do


Carmo Peixoto Bravo era viver da suinocultura e da agricultura fa-
miliar. Ele vindo de Cambuci, no Rio de Janeiro, e ela de Bonfinópolis,
Minas Gerais, pretendiam trabalhar e viver da mesma forma que seus
pais e avós. Em 1969, iniciaram sua jornada com a Granja Nova Cam-
buci, localizada no Núcleo Rural de Sobradinho II e distante 30 quilô-
metros da Praça dos Três Poderes, em Brasília.
Ao tentar realizar seus sonhos seu Bravo e dona Carminha, como são
conhecidos, “abriram a porteira” para uma atividade que até então não
fazia parte dos seus planos. A falta de estrutura para o abate e para a
comercialização dos animais obrigou o casal a improvisar e, a partir daí,
surgiram idéias criativas e funcionais.
Tentar mostrar aos clientes a forma como o homem do campo
trabalha e que o alimento que ele consome é de boa qualidade era, a
princípio, uma maneira de manter a fidelidade dos fregueses que pode-
riam verificar a procedência do alimento. A idéia funcionou e, em 1994,
o casal descobriu que poderia utilizar a propriedade para outras ativi-
dades, aumentar a renda familiar e resgatar costumes trabalhando com
o turismo rural.

Flávia Carrijo, jornalista terceirizada da Unidade de Comunicação e Marketing do SEBRAE/DF, ela-


borou o estudo de caso sob orientação do professor João Bosco Ribeiro, do Centro Universitário de
Brasília (CEUB), integrando as atividades do Projeto Desenvolvendo Casos de Sucesso do SEBRAE.

HISTÓRIAS DE SUCESSO – EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2004 1


Clives Sampaio

RESTAURANTE TREM DA SERRA:


NO CAMINHO DO TURISMO RURAL
Renato Bravo

CAPRINOCULTURA NA GRANJA NOVA CAMBUCI


TREM DA SERRA NO PLANALTO – SEBRAE/DF

INICIATIVAS EMPREENDEDORAS

A região escolhida pela família Bravo era inexplorada, estradas, precá-


rias e só havia uma propriedade no local. O sítio que seu Bravo ad-
quiriu em 1969 possuía 29 hectares, mas apenas três deles eram
cultiváveis. No local houve a extração de pedras que foram utilizadas para
construção dos alicerces da nova capital. Mesmo assim, trocou seu auto-
móvel, um Fusca 66, pelo terreno.
Na época, o sítio não possuía nenhum tipo de cobertura vegetal,
mas era rico em minas d’água e o novo proprietário visualizou as pos-
sibilidades. “De lá pra cá crescemos em torno de um sonho que era vi-
ver da agricultura familiar, enquanto muitos diziam que era utopia”,
relembra seu Bravo.
Em 1970, com os animais já instalados, foi fundada a Granja Nova Cam-
buci. Seu Bravo e dona Carminha, com mais quatro funcionários, inicia-
ram a pequena produção. Mas os problemas começaram a surgir na hora
de comercializar seu produto. O número de animais era muito reduzido
para justificar economicamente a atividade. “Me recordo que vendi um ca-
minhão com 55 animais e quando o caminhão saiu por esse portão afora
eu olhei para o cheque pré-datado que havia recebido, não dava para pa-
gar um terço da ração que os animais haviam comido. Eu tive a sensação
de ter nascido morto.”
As exigências para implantar um abatedouro eram muitas. Até então,
não existia uma lei de abate no Distrito Federal e eles não possuíam re-
cursos suficientes. “Eu teria que vender tudo e não daria para construir
os banheiros do abatedouro. Era impossível.” Os proprietários depararam
apenas com duas opções: parar imediatamente, com um prejuízo enor-
me, ou tentar buscar outra alternativa, a clandestinidade. “Não tinha
como me habilitar ao mercado, então cumpria todos os preceitos de hi-
giene e trabalhava na clandestinidade. Essa foi uma atitude extremada
para poder sobreviver.”
Cerca de um mês depois de tomada a decisão, 13 animais foram aba-
tidos e vendidos peça por peça. Esses animais renderam o mesmo fa-
turamento que os 55 entregue no caminhão anteriormente. “Eu vi que
a agregação de valor não estava em vender a unidade, mas vender os
valores dessa unidade, separadamente. E nessa atividade vivi durante
25 anos.”

HISTÓRIAS DE SUCESSO – EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2004 3


TURISMO E CULTURA

CESTINHA DA ROÇA

O s animais eram vendidos de porta em porta, em pequenas cestas. Em


cada uma delas havia pernil, leitão à pururuca, bisteca, costelinha e
lingüiça. À medida que iam conquistando mercado, os clientes começa-
ram a pedir que outros produtos fossem incluídos na “cestinha da roça”,
como era chamada. “Pediam galinha caipira, aí começamos a criar ga-
linha caipira, pediam um queijinho, aí começamos a criar vacas e as
coisas foram crescendo de acordo com a demanda da própria clientela.”
A idéia da cestinha foi de dona Carminha e, segundo seu Bravo, era
um sucesso. Dessa forma conseguiram se manter por muitos anos. Os
alimentos, todos produzidos em apenas três hectares, agradavam à
clientela por sua qualidade.
Em 1990, quando tudo parecia correr bem, o presidente Fernando
Collor de Mello lançou seu programa de estabilização econômica, o Pla-
no Collor, baseado em um inédito confisco monetário, congelamento
temporário de preços e salários e reformulação dos índices de correção
monetária. “Ficamos sem o dinheirinho que nós tínhamos para tocar a
nossa vida. Foi muito duro manter o custeio aqui, sem um tostão no
banco”, comentou.
Para tentar sair da crise, mais uma vez dona Carminha teve uma
idéia. Começou a mandar bilhetes na “cestinha da roça”, convidando
seus clientes para conhecer o local onde eram produzidos os alimentos
que consumiam.
Inicialmente, a intenção era que as pessoas soubessem da procedên-
cia e confirmassem a qualidade dos alimentos da Granja Nova Cambu-
ci. Mas, segundo seu Bravo, acabou virando uma estratégia de
marketing, pois os clientes passaram a visitar a propriedade com certa
freqüência.
Às vezes passavam por constrangimentos na hora do almoço por não
haver comida suficiente para todos. Mas as mulheres iam para a cozi-
nha e improvisavam, achavam uma solução de última hora. “Essa situa-
ção acabou por dar margem ao talento gastronômico familiar. Nossas
raízes afloraram ao ofertar aquele alimento e isso inspirou o Trem da
Serra, idéia que minha esposa já vinha amadurecendo.”

4 EDIÇÃO 2004 HISTÓRIAS DE SUCESSO – EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS


TREM DA SERRA NO PLANALTO – SEBRAE/DF

A SALVAÇÃO DA LAVOURA

E m um domingo chuvoso, de 1994, mais pessoas apareceram, eram


clientes já assíduos, mas, por falta de estrutura, as crianças foram abri-
gadas em um galpão ao lado da casa, ainda não terminado, que seria uti-
lizado para produzir laticínios. “Era mais um sonho de criador, a tentativa
de produzir laticínios artesanalmente.” Mas o espaço foi aproveitado para
outra finalidade. “Era o espaço mais democrático do mundo, era menino
para um lado, vaca para o outro, era uma farra”, diverte-se.
Neste mesmo dia do mês de junho, dona Carminha teve outra idéia e
se prontificou logo a avisar seus fregueses, cerca de 30 pessoas que esta-
vam na sala da sua casa: “Sabe esse galpão onde as crianças estão brin-
cando? Ainda vou fazer um restaurante rural ali”. Segundo seu Bravo foi
uma aclamação, mas ele, assustado, disse a ela, ao encontrá-la na porta
da cozinha: “E eu vou cair nesse cerrado e sumir, você está louca?”.
Um mês depois começaram a se organizar e estruturar o restaurante ru-
ral com recursos da poupança familiar. Por serem os pioneiros do setor
na região, tiveram que vencer as resistências iniciais para convencer e ob-
ter parceiros importantes para a atividade, como o SEBRAE/DF, o Sindica-
to Rural, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do DF
(Emater/DF) e a Secretaria de Turismo do Distrito Federal. “As pessoas não
sabiam o que era o turismo rural, nem as autoridades, nem a junta co-
mercial daqui. Era estranho identificar a palavra rural com Brasília, era
aquela estranheza, uma capital moderna, urbanóide, não combinava.
Foi uma atitude pioneira.”
O primeiro curso de que o casal participou para desenvolver o novo
empreendimento foi o de Iniciação Empresarial, no SEBRAE/DF, em
1994. “Nós descobrimos que não sabíamos ser empresários e queríamos
aprender, principalmente sobre o ramo gastronômico que nós também
não conhecíamos.”
Em 1995 foi inaugurado o restaurante rural Trem da Serra. Em maio do
mesmo ano, o SEBRAE “abraçou a causa”, segundo seu Bravo, e começou
a orientá-los profissionalmente com cursos e treinamentos voltados para
atividade turística. Seus funcionários também foram capacitados pela Se-
cretaria de Trabalho do Distrito Federal.
O Sindicato Rural e a Secretaria de Turismo, em parceria com o
SEBRAE/DF, criaram, em 1996, o programa de Turismo Rural no Distrito
Federal. Desde então passou a apoiar o desenvolvimento e a consolida-

HISTÓRIAS DE SUCESSO – EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2004 5


TURISMO E CULTURA

ção do turismo rural no Distrito Federal.


O Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) deu um passo importante
para a valorização e padronização da atividade, quando, em 1998, concei-
tuou o turismo rural como “conjunto de atividades turísticas praticadas no
campo, comprometido com a produção agropecuária, agregando valor a
produtos e serviços, no sentido de resgatar e de promover o patrimônio
cultural e natural da comunidade”.

O CAMINHO DA ROÇA

A propriedade foi aos poucos sendo transformada e adaptada para vi-


sitação. Na mata nativa, já recuperada, foram feitas trilhas ecológicas,
mirantes para apreciação da paisagem e para prática de esportes radicais
como o rapel. Além disso, crianças e adultos poderiam vivenciar a autên-
tica vida no campo, ao observar a criação de suínos, galinha caipira, ove-
lhas, eqüinos, as plantações de hortaliças e leguminosas.
Em março de 2001, foi inaugurado mais um atrativo, o “hotel de pô-
neis”. Esses animais, de propriedade de outros criadores, utilizavam o es-
paço da granja como abrigo e podiam ser desfrutados pelas crianças que
visitavam o sítio. Os turistas participavam interessados da lida do campo
e com isso resgatavam a auto-estima de pequenos produtores rurais.
Os negócios começaram a prosperar e cada vez mais a clientela aumenta-
va. O número de funcionários da Granja Nova Cambuci também aumentou
para atender à demanda. Todos os funcionários eram oriundos da região e
das famílias que já trabalhavam com os proprietários do sítio, quando ini-
ciaram a criação de suínos. As esposas desses funcionários, antes humildes
donas de casa, puderam demonstrar seus talentos gastronômicos.
Houve uma evidente melhoria na vida destas pessoas. Segundo seu
Bravo, o que ocorreu em sua propriedade foi a “contramão do êxodo ru-
ral”. Houve, portanto, a valorização da mão-de-obra existente, a capacita-
ção dos funcionários da Granja Nova Cambuci para exercer novas
funções, além da oportunidade de trabalho para seus familiares.
A expectativa profissional no trabalho do campo foi resgatada. Os des-
cendentes dos primeiros funcionários da Granja Nova Cambuci continua-
ram trabalhando por lá. “Quando é que poderíamos criar uma expectativa
de profissão para uma criança de campo com a realidade que nós vive-
mos hoje?”

6 EDIÇÃO 2004 HISTÓRIAS DE SUCESSO – EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS


TREM DA SERRA NO PLANALTO – SEBRAE/DF

As atividades conseguiram ainda beneficiar outros produtores rurais da


região. Doze propriedades rurais do Núcleo Rural de Sobradinho II pro-
duziam queijo, mel, doces caseiros, biscoitos, polpa de frutas e artesana-
to para serem vendidos ou servidos no restaurante Trem da Serra. Muitos
seguiram os passos da família Bravo e a região passou a contar com di-
versas propriedades trabalhando com o turismo rural.

PRODUÇÃO INTEGRADA À CAIPIRA

D esde sua fundação o regime de produção da granja era integrado


por completo. Este procedimento permitiu substancial economia
no custeio da produção de animais e de vegetais. Os suínos se alimen-
tavam de ração verde e farelada produzida na própria granja; seus ex-
crementos eram processados por decantação em tanques, e os resíduos
reaproveitados na irrigação das capineiras e como composto orgânico
para as hortaliças e leguminosas. Essas eram transformadas em ração
para a própria criação.
O sonho inicial do casal, a suinocultura também foi realizado, mas
direcionado para as atividades turísticas e utilizado para culinária de
seu próprio restaurante. Mesmo assim, foi desenvolvido, com tecnolo-
gia própria, o melhoramento genético dos suínos. Sua carne, com pou-
ca espessura de toucinho, foi o resultado alcançado pela alimentação:
40% dos alimentos oferecidos aos animais são leguminosas, o que, apu-
rou sabor da carne.
Segundo seu Bravo, esse tipo de atividade não precisava de grandes
investimentos. “Vendemos dois carros populares da família, o que nos ren-
deu cerca de R$ 40 mil”, lembra. Com o dinheiro, foram comprados os
equipamentos básicos para cozinha, mesas e cadeiras. Em oito meses, as
dívidas foram pagas e já estavam capitalizados.
Para ele o manejo sustentável foi suficiente e conveniente para propor-
cionar a seus clientes a alta qualidade dos produtos oferecidos. Mas ele
acreditava que não se podia deixar de lado a permanente preocupação
ambiental e a originalidade da oferta turística. “Está assim de hotel fazen-
da, onde você acha o hotel e fica procurando a fazenda.”
Nesse aspecto, ainda segundo o proprietário, à medida que se capitali-
za, o empreendedor tem a tendência de “urbanizar” o campo, fato comu-
mente observado e caracterizado pela “commoditização” das atividades.

HISTÓRIAS DE SUCESSO – EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2004 7


TURISMO E CULTURA

“É freqüente encontrarmos o meio rural descaracterizado, como fogões à


lenha de mentirinha ou a prática de self-service nas refeições, quando
sabemos que a tradição cultural do campo é a da mesa posta e servida
pela família anfitriã.”

MOTIVAÇÃO E RECONHECIMENTO

A excelência da cozinha do restaurante Trem da Serra foi seguidamen-


te premiado entre 1998 a 2004 pela Revista Quatro Rodas e também
conquistou o XXV Troféu Internacional de Turismo e Gastronomia na Fei-
ra Internacional de Turismo, em Madri.
Pela primeira vez, o turismo rural brasileiro era reconhecido no exte-
rior e uma das principais razões para o sucesso era a oferta gastronômica
que tinha como diferencial a produção artesanal familiar. Todos os ali-
mentos servidos no Trem da Serra são procedentes da Granja Nova Cam-
buci. “Existe o turismo chamado rural e o turismo rural autêntico, aquele
realmente comprometido com a produção agropecuária e com a tradição.”
Em 2002, o SEBRAE/DF apoiou a constituição do Sindicato de Turismo
Rural e Ecológico do Distrito Federal e Entorno e juntos assumiram a li-
derança do segmento no DF. Todas estas iniciativas foram inspiradoras
para os moradores da região. Seu Bravo tornou-se um dos recordistas em
motivação, com mais de 400 palestras desde 1997, em todas as regiões
brasileiras, levando o modelo bem sucedido de seu negócio, visando fo-
mentar a atividade de turismo rural no País.
A forma utilizada para passar conhecimento e tecnologia, adotada pelo
produtor rural que virou empresário era a boa “prosa de compadre”. “Digo
ao pequeno produtor que ele também é capaz de fazer isso. Atrás daquele
‘causo’ tem uma lição e, quando termino e as pessoas ainda estão rindo,
mostro que no dia-a-dia também é assim e passo as lições que aprendi.”

COLHENDO OS LOUROS

A iniciativa e a criatividade da família Bravo foram responsáveis pela


melhoria da qualidade de vida de pequenos produtores rurais.
Também proporcionou ao morador de Brasília e entorno, que visitam a
Granja Nova Cambuci, um dia de tranqüilidade, longe do cotidiano da

8 EDIÇÃO 2004 HISTÓRIAS DE SUCESSO – EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS


TREM DA SERRA NO PLANALTO – SEBRAE/DF

cidade grande. Para as crianças, que convivem tão pouco ao ar livre, a


visita se transformava em uma aula a céu aberto. Tudo isso com os servi-
ços do restaurante rural Trem da Serra, que, com sua produção própria,
conquistou clientes de todo o Brasil.
Além disso, abriu-se espaço para que outros produtores rurais pudessem
implantar esse sistema em suas propriedades. Em 2004, já existiam 87 em-
presas na região, com cerca de três mil pessoas trabalhando. No mesmo ano,
os pioneiros da área eram referência nacional e internacional, além de terem
incentivado outros proprietários a investir no negócio com sucesso.
O processo de verticalização, otimizado pelo turismo, proporcionou a
agregação de valor a cada produto da ordem de cinco vezes em média,
comparado ao preço anteriormente seguido. Na mesma proporção cres-
ceu o faturamento mensal, que passou de R$ 6 mil, em 1995, para R$ 36
mil em 2004.
A média de visitantes semanais que buscavam a atividade no campo e
apreciavam a culinária caipira passou de 50 pessoas em 1995, para 700
em 2004. Tudo isso proporcionou a melhoria de vida dos pequenos pro-
dutores. O número de funcionários da Granja Nova Cambuci, apenas qua-
tro no início do empreendimento, aumentou para 22 pessoas, com renda
média de R$ 350,00. Em 1995, recebiam apenas um salário mínimo.
Em 2004, os planos eram de ampliação. Havia o objetivo de se cons-
truir uma pousada com capacidade para 40 pessoas ao lado da residên-
cia da família. Tudo isso, graças ao diferencial, que seu Bravo sempre fez
questão de salientar. A produção própria e a herança cultural garantiram
a qualidade dos pratos servidos e dos serviços oferecidos no restaurante
Trem da Serra e na Granja Nova Cambuci. “O turismo rural deve favorecer
a agricultura familiar, ser comprometido com a produção agropecuária,
a tradição e os costumes da comunidade, o meio ambiente, o patrimônio
histórico e cultural da região.”
O pioneirismo e todas as dificuldades que caminham com quem se
empenha em transformar idéias em ações dão oportunidades para
que o empreendimento cresça cada vez mais e para que outros pe-
quenos produtores se empenhem em resgatar sua cultura, sua culiná-
ria e seu orgulho.

HISTÓRIAS DE SUCESSO – EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2004 9


TURISMO E CULTURA

QUESTÕES PARA DISCUSSÃO

• Quais foram as ações adotadas pela família Bravo para ampliar seu ne-
gócio sem modificar sua origem?

• Como o empreendedor agregou valor a seus produtos?

• Quais alternativas poderiam ter sido adotadas para uma utilização ren-
tável do sítio?
• O que levou a família a atuar na clandestinidade para sobreviver?

• Qual o principal diferencial dos produtos servidos no restaurante Trem


da Serra e o que isso implica?

• Outras regiões do País podem desenvolver o turismo rural? Quais são


as condições para isso?

AGRADECIMENTOS

Diretoria Executiva do SEBRAE/DF: Ana Cristina Dusi, Maria Eulália Franco, Newton de Castro.

Coordenação Técnica: Aluízio Carlos Vilela.

10 EDIÇÃO 2004 HISTÓRIAS DE SUCESSO – EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS