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NISE DA SILVEIRA MÉTODO E PRÁTICA

Introdução

O presente trabalho visa explorar a perspectiva desenvolvida por Nise da


Silveira no campo do cuidado em saúde mental. Embora não seja novidade em termos
cronológicos, entendemos que sua é inovadora e sem dúvida alguma muito potente nos
desdobramentos com que pode ser desenvolvida no âmbito da psicologia brasileira.
Com efeito, para nos acercarmos a um tema tão complexo e repleto de uma
variedade imensa de abordagens como o campo do cuidado em saúde mental, o nome de
Nise é incontornável. De fato, aclamada como a maior cientista brasileira, inovadora no
campo do cuidado em saúde mental, assim como em terapia ocupacional, além de
entusiasta e catalisadora de uma renovação no campo das artes plásticas, ela é uma
figura grande não somente em dimensão, mas porque comporta muitas facetas. Assim,
este trabalho busca explorar o aspecto inovador de sua abordagem, seu método e sua
prática.
Psiquiatra rebelde, nos termos de Ferreira Gullar (1996), ela atua na interface
entre política, sociedade e arte para enfrentar com inventividade e pioneirismo um
problema científico tão difícil quanto desafiador: investigar como alguns
esquizofrênicos – incluindo-se alguns tidos como crônicos – exprimem suas vivências
por meio de formas e imagens harmoniosas e, eventualmente, com valor artístico.
Porém, até o encontro com artistas como Almir Malvignier Abraham Palatinik e críticos
como Mario Pedrosa e Leon Degard e o subsequente reconhecimento do alto valor
artístico das obras dos clientes do Setor de Terapia Ocupacional do Hospital Psiquiátrico
do Engenho de Dentro, onde Nise desenvolve seu trabalho inicialmente, ela busca
interlocução e apoio na psiquiatria.
Entretanto, mesmo os livros da psiquiatria hegemônica da época – década de
1940 – que se interessam e se prestam a discutir a produção expressiva de pessoas em
sofrimento psíquico, em sua maior parte se negam veementemente a reconhecer o valor
artístico das obras, pinturas e desenhos dos pacientes considerados doentes mentais, e
insistem em procurar nessas pinturas somente reflexos de sintomas e de ruína psíquica
como relatado em Imagens do inconsciente (SILVEIRA, 2015, p. 17). Tal olhar
depreciativo não é exatamente uma surpresa se levarmos em conta o tipo de trato
recomendado pelos cânones psiquiátricos em voga na década de 1940 aos doentes
mentais. A tônica da psiquiatria manicomial prescrevia tratamentos agressivos contra o
paciente, como a lobotomia, o cardiazol, choque insulínico e a eletroconvulsoterapia,
aos quais Nise da Silveira (1992) opunha resistência, sendo considerada anacrônica,
ultrapassada, covarde, sem coragem – tudo o que na realidade de sua coragem e
rebeldia, ela não era.
Portanto, é na contraface destas práticas psiquiátricas cujo fundamento está na
submissão, na coerção e na deterioração do interno do manicômio à autoridade médica –
conforme ilustrado por Michel Foucault (2012) – que a psiquiatra rebelde vai buscar
uma nova abordagem. De maneira tendenciosa, uma vez que tal acepção serve para
confirmar suas teorias, os psiquiatras ressaltam na produção plástica a ausência de
formas orgânicas e de figura humana e associam oportunamente o predomínio da
abstração, da estilização, do geometrismo a processos regressivos de desumanização,
esfriamento, desligamento e dissolução da realidade (SILVEIRA, 2015, p. 19)
Uma vez que se supõe de antemão as características de embotamento afetivo e
ruína da inteligência aos internos do manicômio, eles são desvalidos de sua humanidade
e da realidade de seus processos cognitivos e afetivos. Sob este fardo, a eles cabe tão
somente a insígnia da incivilidade e da brutalidade animalesca a ser higienizada, punida
e coercitivamente colonizada – processo do qual decorre a instituição e o nome de
lugares como a Colônia Juliano Moreira – nos procedimentos agressivos que
caracterizam a terapêutica psiquiátrica em voga no Brasil da primeira metade do século
passado (Machado et. al., 1978). Com isto, observamos que enquanto as expressões
imagéticas dos internos do Hospital Psiquiátrico são relegadas ao lugar menosprezado
de arte psicótica ou psicopatológica, termos intrinsecamente fundados em conceitos pré-
formados da psiquiatria, estes termos servem, em contrapartida para legitimar a própria
autoridade médica que, operando de maneira coercitiva, relaciona os traços do
sofrimento e da doença mental à expressão não-figurativa que aparecem em suas obras.
Perante este cenário aterrador no que condiz ao cuidado em saúde mental sob a
lógica manicomial de submissão é que Nise da Silveira (1992, 2015) faz questão de
ressaltar o aspecto humano dos fenômeno psíquicos considerados anormais,
aproximando os processos de criação artísticos dos processos psíquicos próprios aos
inumeráveis estados do ser – palavras de Antonin Artaud com as quais ela chama a
loucura, a esquizofrenia, mas também a psicose, a neurose tidas como passível de
internamento.

Método

Ao enaltecer o aspecto humano das pessoas consideradas doentes mentais, Nise


vai encontrar apoio e suporte para uma outra abordagem acerca do problema do
sofrimento psíquico, sua expressão e cuidado não em seus pares médicos, mas com o
reconhecimento do valor artístico da produção dos clientes do Ateliê de Terapia
Ocupacional. Pois a apreciação e a análise da produção pictórica dos doentes mentais
exige um entendimento mais profundo que o da psiquiatria de base coercitiva de então,
compreensão que ela encontra na interlocução com a psicologia analítica de C. G. Jung.
A partir da proposta de compreensão do sofrimento e do transtorno psíquico
como resultado do conflito elementar entre os conteúdos arcaicos do inconsciente e a
consciência que estrutura o ego (Jung, 1984, 2008) é que nos dispomos a expor um
método intrínseco à prática de cuidado e tratamento que fundamentam a abordagem
inovadora que extraímos dos escritos de Nise da Silveira (1992, 2015)
Em Imagens do inconsciente, Silveira (2015) pondera que em 1915, durante a
guerra o célebre pintor Paul Klee afirma que é característico que um mundo em paz seja
capaz de gerar arte realista. Num período conflituoso, contudo, se abandona o mundo
real em favor de outro, que possa permanecer intacto; argumento chave na história da
arte.
De Worringer (1955) a Chipp (1996) e a Pedrosa (1949), uma série de críticos e
historiadores da arte apontam que os movimentos modernistas que vêm a legitimar a
abstração, o geometrismo, o espontaneísmo – valorizando a expressividade outrora
considerada expressão pura, simples ou primitiva – são agitados pela onda de conflitos
que assolam a Europa e o mundo entre o final do século XIX e início do XX, quando
eclodem os movimentos de vanguarda. Apesar disto e do fato de que, sem dúvidas, os
pintores do Engenho de Dentro sejam sensíveis e vivenciem a seu modo o que se passa
durante os anos da Nova República e os períodos agitados que vêm na sequência –
período no qual Nise desenvolve seu trabalho em meio a crises e problemas políticos,
dentre eles, um período no cárcere e no exílio, sob outro nome como relata Horta
(2008)– não é este tipo de conflito que ela aponta na encruzilhada entre a produção
pictórica e o estado da mente e da alma dos frequentadores do Ateliê de Terapia
Ocupacional.
Para Nise da Silveira (2015, p. 35), trata-se sobretudo de um conflito psíquico,
conflito entre forças inconscientes e a consciência que estrutura o ego, forças de uma
instância desconhecida, arcaica e profunda que atacam o ego, seus recursos de
mediação, percepção e sentido, de modo a comprometer seus mecanismos de defesa e
ação. Tais formações inconscientes, dotadas de alta carga energética, são capazes de
gerar efeitos de desintegração ocasionando a invasão e a concomitância de realidades
distintas, como ela encontra na descrição da esquizofrenia segundo a psicologia
analítica junguiana.
O tumulto causado pela desintegração do ego e a subsequente derrocada de suas
funções que ocorre quando o psiquismo se vê incapaz de suportar as tensões de alguma
situação existencial, de lidar com relacionamentos frustrantes, com o impacto de
emoções violentas ou com o trabalho surdo dos afetos intensos. Nestes casos em que a
libido é introvertida e reativa o inconsciente em suas dimensões mais profundas e
arcaicas, “o ego, partido em pedaços, não tem forças para fazer face à realidade externa
nem tampouco consegue controlar a maré montante do inconsciente” (SILVEIRA, 2015,
p. 178).
Neste aspecto, Silveira (2015, p. 120) enfatiza que embora a psicologia
junguiana dê maior relevo aos fenômenos intrapsíquicos, ela não despreza as situações
interpessoais capazes de gerar grande comoção emocional e assim mobilizar as
profundezas de nosso psiquismo, fazendo com que a ativação dos conteúdos do
inconsciente coletivo busque saídas para os impasses e situações adversas vivenciadas
pelo indivíduo, mesmo que atue de forma arcaica e tumultuada.
De maneira sucinta, Silveira (2015) fundamenta seu método contiguamente à
psicologia junguiana, que retoma a definição de Bleuler para a esquizofrenia,
caracterizada como cisão das funções psíquicas, como uma cisão interna refletida na
produção plástica dos esquizofrênicos com a ruptura e fragmentação das formas. Esta
ruptura é devida à própria distinção e ao tipo de relação compensatória que a psicologia
junguiana presume entre consciência e inconsciente. Esquematicamente, observamos
que os conteúdos e tendências de ambas as instâncias raramente coincidem e, ao passo
que o inconsciente compensa aquilo que a consciência e o ego não conseguem lidar,
compensando seus limites e incapacidades, há ainda uma possível inversão nestes
termos, na qual a consciência tende a compensar aquilo que fica mal-resolvido no limiar
do inconsciente com ela.
Destarte, Jung (1984, p. 132) descreve uma relação de complementaridade que
se desenvolve entre ambas as instâncias em quatro pontos, primeiramente assinalando
que
“os conteúdos do inconsciente possuem um valor liminar”. Isto significa que os
conteúdos inconscientes assumem um valor de passagem entre duas instâncias, atuando
nos limites entre o que é perceptível, o que é sensível (na relação consigo, com o mundo
e com os outros) e o que acontece.
Segundo ponto, se o inconsciente assume este papel de passagem e trânsito, a
consciência exerce a função de inibição e censura sobre todo material considerado
incompatível de acordo com as funções dirigidas do ego e da consciência na mediação
entre o mundo interno e o exterior. Consequentemente, o material incompatível
mergulha no inconsciente. Portanto, chegamos ao terceiro ponto, onde se entende a
consciência como um processo momentâneo de adaptação que conjuga a realidade
presente (interna e exteriormente) com o inconsciente, que condensa não apenas o
material esquecido e reprimido pela censura do passado individual, como os traços
funcionais arquetípicos que são herdados e constituem a estrutura filogenética do
espírito humano. Tais formações arquetípicas são consideradas inatas em nossa espécie
– ou pelo menos em nossa cultura – desde a decantação das vivências de nossos
antepassados.
Por último, considerando as funções de passagem, mediação e armazenamento
do inconsciente, observa-se que ele contém todas as combinações da fantasia que não
encontraram circunstâncias disparadoras ou favoráveis para ultrapassarem a intensidade
liminar desde a qual os conteúdos inconscientes se traspõem para a consciência.
Destarte, se Jung (2008, p. 129) considera o inconsciente – em seu individual e
coletivo – um fenômeno natural caracterizado pela produção de símbolos relevantes,
podemos compreendê-lo como polo armazenador que contém virtualmente toda
extensão do que é vivível na vida de uma pessoa. Porém, desde a perspectiva do
inconsciente coletivo, ele não se restringe ao que fora vivido em sua história pessoal,
alcançando os dramas, tesouros, paixões, posses, desejos, sofrimentos, deuses e ilusões
que uma pessoa possa vir a ter ou experimentar por meio dos arquétipos, capazes de
atualizar na existência de um indivíduo os temas arcaicos e profundos deste estrato
profundo de caráter universal que repousa na imaginação dos homens (Jung, 1984, p.
105-118).
Atuando de maneira condensada desde o que se apresenta como conteúdo dos
mitos e religiões, as formações deste inconsciente coletivo são vivenciadas como algo
monstruoso que, devido à alta carga de afeto e energia, acaba tendo efeitos
desintegrativos sobre o indivíduo em sofrimento psíquico. Partindo de tal concepção
caracteristicamente germânica para o conflito e o transtorno psíquico, como decorrente
da invasão de um agente exterior e estranho ao ego no cerne deste, é que Nise opera
uma torção fundamental, que permite a humanização dos internos do Hospital
Psiquiátrico, assim como do tratamento e do cuidado a eles dispensado.
Para Jung (1984), embora haja distinção entre aquela dimensão inconsciente
basal e universal e o inconsciente pessoal, formado por elementos originariamente
conscientes, censurados e recalcados pelo embate com os termos que estruturam o ego,
ambas as dimensões – coletiva e individual – do inconsciente são vivenciados como
algo exterior e não como algo pertencente a si mesmo. Logo, no bojo desta defasagem, a
compulsão, o delírio e os demais sintomas do adoecimento psíquico se manifestam com
a força de um impulso instintivo.
Para o austríaco, a relação complementar entre inconsciente e consciência define
a função transcendental, descrita sobre os quatro pontos acima citados, a partir dos quais
entende-se que o esquizofrênico se encontra inteiramente sob o influxo direto do
inconsciente, o que favorece um contato mais intensivo com os conteúdos arcaicos que
constituem a base comum de nosso psiquismo profundo, formada de conteúdos e
experiências afetivas tão intensas quanto arcaicas. Com efeito, a função transcendental é
a instância que opera os estratos mais profundos da psique, estratos que transcendem,
ultrapassam e vão além da superfície do ego e da consciência pessoal com a qual o
indivíduo se identifica e se reconhece nas relações cotidianas ordinárias.
O inconsciente coletivo corresponde, portanto, a esta instância basal, comum à
nossa espécie. Ele é um tecido vivo de disposições inatas que invadem o psiquismo
como blocos de energia afetiva vivenciados como um caos de visões, vozes e figurações
que possuem o indivíduo ao passo em que se traduzem numa tendência à configuração
de imagens e ações instintivas, calcadas nos arquétipos que a compõem. Com isto,
Silveira (2015, p. 118-20) destaca que o tumulto de imagens arquetípicas que emerge da
rede estrutural básica da psique invade e inunda o espaço intrapsíquico. Com o mundo
interno investido de libido, ele passa a se confundir com o mundo externo pois, uma vez
que se encontra fragilizado, o ego se torna paulatinamente incapaz de exercer mediação,
controle e síntese entre as fronteiras psíquicas.
Em suma, podemos afirmar que o esquizofrênico vivencia de maneira mais
direta a invasão dos arquétipos do inconsciente coletivo, por isso Jung aconselha Nise
da Silveira (2015, p. 106) a estudar mitologia como relatado em Imagens do
inconsciente. Apoiando-se na psicologia junguiana, ela reitera a ideia de que no contato
com a loucura, nos vemos às voltas com os fundamentos de nosso próprio ser, pois nela
não nos deparamos com nada de novo e desconhecido, uma vez que ali não se manifesta
outra coisa que a própria matriz das questões nas quais toda nossa espécie se vê
engajada.
Com efeito, os arquétipos do inconsciente coletivo – que são matéria prima para
os delírios – têm valor positivo e expressam uma base sadia de nosso psiquismo que
reage à confusão caótica e desorientada. Atentando (sem preconceitos médicos) para as
imagens e representações arquetípicas que emergem das camadas mais profundas da
psique em sua formação, pode-se vislumbrar os fundamentos e o dinamismo próprio da
psique, assim como a evidência de que elas não são problemáticas por si mesmas, não
são signos da patologia, mas do ímpeto à saúde próprio à nossa psique. Isto porque uma
vez assimilados e integrados, os arquétipos – que são necessariamente blocos de
imagem e emoção – permitem alargar nossos horizontes e nossa consciência num
processo que acaba por modificar a personalidade do indivíduo 1. Portanto, Jung (2008,
p. 126) destaca a atividade natural de simbolização da psique é uma tentativa de
reconciliar os elementos opostos que se antagonizam e geram conflitos na psique.
Porém, quando a numinosidade dos símbolos – isto é, seu valor afetivo dada na força da
realidade viva e dinâmica desde a qual eles realizam as sínteses psíquicas – é obstruída
ou menosprezada na atividade interpretativa de assimilação dos arquétipos, o indivíduo
cai no caos indiferenciado. Neste processo mórbido observa-se a substituição
desordenada de imagens (simbólicas e arquetípicas) que acaba por atacar e desestruturar
o ego e a consciência.
De fato, Nise da Silveira (1992, p.63) percebe nos freqüentadores do ateliê de
pintura, “a existência de uma pulsão configuradora de imagens sobrevivendo mesmo
quando a personalidade estava desagregada”, uma tendência humana à atividade de
simbolização, pois o caráter patológico de cada condição existencial não advém da
simples presença destas representações arquetípicas, mas da dissociação do ego e da
pulverização da consciência que os torna incapazes de operar e controlar o inconsciente,
mediando as relações entre ambas as instâncias e o mundo exterior. A psicopatologia
não coincide tão somente com o simples reflexo destas imagens, antes, ela é signo do
comportamento autônomo desses conteúdos em relação à estruturação básica da psique,
contra a qual eles atuam com a violência que dispõem da alta intensidade energética que
os constitui e dispara.
Porém, devido à afetividade intensa e disruptiva que os arquétipos e dramas
contêm, nem sempre eles se manifestam de maneira serena e articulada. Todo arquétipo
tem suas manifestações clara e sombria, seu aspecto positivo e negativo. Constatação
que faz com que Silveira (2015, p. 177-81) aponte que a mobilização emotiva destas
representações na situação pré-psicóticas, pode gerar vivências terrificantes ou
compensações, de acordo com o caráter manifesto da imagem arquetípica emergente. O
caráter compensatório de tal mobilização sinaliza a articulação sadia entre os conteúdos
inconscientes emergentes e a consciência que media as ações do ego. Assim, por vezes,
frente ao alto grau de crispação da consciência, expressar o que se passa no cerne do
1 Neste âmbito é que podemos encontrar no abstracionismo presente pinturas dos esquizofrênicos uma
tentativa de articular a vivência difícil e conflituosa que define e ocasiona sua situação de vida desde a
disposição à manifestação simbólica, que Jung (2008, p. 64) considera inerente a todo fenômeno psíquico.
Pois é no movimento de autocura que conduz a expressão à abstração desde a dificuldade de exprimir-se
de maneira verbal e concatenada, é que encontramos a beleza no inorgânico e cristalino.
conflito psíquico que caracteriza os inumeráveis estados do ser se torna possível apenas
às mãos que, mesmo na confusão desintegradora do ego, são ainda capazes de fantasia.

Resultados

Uma vez que parte considerável da vivência de irrealidade atribuída à


experiência esquizofrênica é de difícil elaboração e comunicação verbal, tal vivência
encontra expressão em imagens e na produção pictórica que se vê permeada de
símbolos. Diferentemente da palavra escrita ou falada que operam a linguagem
denotativa ou dos sinais, que resumem um caminho, sinalizam um lugar indicando os
objetos aos quais estão ligados (tal qual as siglas ou os signos do horóscopo), os
símbolos correspondem a uma palavra ou imagem que implica algo além do significado
manifesto ou imediato.
O símbolo aparece como um termo, nome ou “imagem que pode nos ser familiar
na vida cotidiana, embora possua conotações especiais além de seu significado evidente
e convencional” (Jung, 2008, p. 18). Perante tal aspecto que não é precisamente
apreensível, definido ou integralmente explicável pela consciência – diferentemente dos
sinais, que se explicam por si – observamos que o símbolo implica algo cujo significado
pode nos escapar, pois sua natureza implica na significação vaga, desconhecida ou
oculta para nós. Portanto, pode-se conhecer o elemento que simboliza algo, mas ignorar
suas implicações simbólicas. À medida em que os símbolos operam e indicam aquilo
que escapa à razão ordinária, aos instrumentos que nos servem de mediação no dia-a-dia
é que a religião, por exemplo, se expressa preferencialmente em símbolos e metáforas,
visando atuar na profundidade da psique.
Apesar de tal caráter hermético, os símbolos são produzidos e processados de
maneira espontânea e inconsciente (isto é, de modo que independe de nossa vontade e
desejo) em no psiquismo. Constatação que serve de apoio para a afirmação junguiana de
que a mente humana extrapola a racionalidade consciente.
Deste modo, nos casos graves, de muita comoção da vida psíquica, as imagens
expressam o que a linguagem falha em dizer, como o espaço estreito de vazio branco e
incomunicável com o mundo ao redor que pinta Emygdio como relatado no livro
Imagens do Inconsciente (SILVEIRA, 2015, p. 37-9). Em suas pinturas, a solidão e a
tristeza são expressas no isolamento das grades e uma vez que na experiência psicótica
os espaços interno e externo se interpenetram, o amontoado promíscuo de gente que
aparece em uma das pinturas reproduzidas no livro reflete a desordem interna.
Ora, a irrealidade do delírio e das demais manifestações sofridas e patológicas
do psiquismo – em especial identificadas à esquizofrenia – é ocasião precisamente do
enraizamento das coisas, da vertiginosa proximidade e invasão dos objetos investidos de
energia psíquica, por sua vez liberada pela ocasião de conflito entre as instâncias do
inconsciente e da consciência. Ou seja, o embate entre realidades surge como produto
da intrusão de conteúdos inconscientes carregados de energia psíquica afetiva
acarretando num efeito de desintegração na consciência.
Assim, considerando o inquietante conflito entre os conteúdos inconscientes e a
consciência que define a esquizofrenia, Nise da Silveira (2015, p. 26) aponta que a
condição para a abstração na produção pictórica dos clientes do ateliê de Terapia
Ocupacional é a projeção – a priori inconsciente – de uma forte carga emocional e
libidinal investida nos objetos externos. Uma vez investidos de carga afetiva, os objetos
tornam-se inquietantes e autônomos, adquirindo agência sobre, com e a despeito do ego
individual, que se vê, portanto, cindido e fragmentado pelo entrave de realidades
concomitantes decorrente do conflito entre as instâncias psíquicas.
Em síntese, vemos que perante o conflito entre as instâncias psíquicas, há uma
descarga afetiva que é ao mesmo tempo inquietante – uma vez que opera uma
discrepância entre realidades distintas, paralela e simultaneamente vivenciadas– e
potencialmente desintegradora, já que pode vir a atacar o ego e suas funções
elementares de ação e mediação. Embora tal conflito seja interior ao psiquismo, o
indivíduo só pode senti-lo como exterior a si mesmo e com isto projeta a inquietação
desintegrante nos objetos externos, sentindo-se por eles diretamente assediado.
Entretanto, o indivíduo não permanece inerte a tal investimento de energia psíquica nos
objetos externos que se voltam contra ele. Há uma série de processos que vão dos mais
mórbidos (da catatonia e da dissociação aguda ilustrada na indiferença do olhar que
atravessa) aos mais criativos colocados em marcha ali. Neste âmbito, Nise, junto a Jung
(1984; 2008) e Franz (2008), consideram a produção pictórica abstrata que decorre
deste processo um movimento de refluxo, de introversão da libido investida e aderida
nos objetos. Um movimento que acaba despotencializando estes objetos, tornando-os
menos inquietantes.
Portanto, o tipo de inquietação que concerne aos inumeráveis estados do ser tem
origem no conflito entre os conteúdos psíquicos, podendo desembocar no sofrimento
dado no entrave entre realidades contraditórias vivenciadas de maneira simultânea e
dolorosa pela pessoa acometida pela dissociação com que Jung (2008) caracteriza a
esquizofrenia. Dissociação que funciona tornando os objetos monstruosos,
ameaçadores, ao passo que desestabiliza e embaralha sua vontade e sua sensatez assim
como as funções psicológicas do ego, sensação, sentimento, pensamento e intuição que
definem os tipos de personalidade, introvertido e extrovertido, da psicologia junguiana.
Logo, o colapso do ego varia em grau de acordo com a gravidade da desintegração e da
invasão da consciência que estrutura o ego pelos conteúdos inconscientes. Como
salientado por Nise da Silveira (2015, p. 104-9), tal inquietação, provinda do contato
com o inconsciente coletivo – considerado a base profunda e universal de nosso
psiquismo, constituída de formas arcaicas de representação de motivos mitológicos – é
vivenciada de maneira mais imediata, vívida e atuante nos inumeráveis estados do ser.

Discussão

Uma vez entendido que o movimento que conduz à expressão abstrata


corresponde a uma atitude de introversão, na qual o indivíduo projeta sua difícil relação
consigo – dada no embate entre os conteúdos inconscientes invasores e o ego – no
objeto exterior. Movimento que exprime uma tentativa de autorregulação e um ímpeto à
saúde sob o aspecto de tendência ao lúdico, onde as formas adquirem vida própria,
transformando-se multiplamente. Por um lado, a tendência da psique à autorregulação é
expressa pela função criadora de símbolos, que mobiliza uma energia psíquica primitiva
para dispor de uma consciência que Jung (2008, p. 124) considera mais avançada ou
esclarecida, expressa numa mente arcaica comum a todo homem.
Por outro, a fim de fundamentar seu argumento, Nise recorre à tese de Worringer
(1955), segundo a qual o sentimento estético se move entre os polos da necessidade de
empatia e de abstração, cada qual mobilizada de acordo com distintas relações entre a
pessoa e o cosmos. Por um lado, a empatia surge como pressuposto básico da
experiência estética e articula o mundo orgânico com uma atitude de extroversão
projetando os bons sentimentos que tem consigo no objeto. Por outro, porém, a
tendência à abstração é mobilizada quando o cosmos e os fenômenos do mundo externo
infundem medo e na sua confusa interligação provocam inquietação interior. Ambas,
empatia e abstração, funcionam por projeção e são necessárias para a apreciação e a
criação estéticas.
Do cerne deste jogo – que não raro adquire os tons de um redemoinho
perturbador – entre o indivíduo e o mundo exterior é que a arte ganha corpo. Pois a arte
retira as coisas de suas manifestações vitais instáveis para coloca-las sob leis
permanentes, do tipo que regem o mundo inorgânico num movimento que nos permite
compreender que assim como a estilização, a abstração seja buscada como ponto de
refúgio e tranquilidade.
Deste modo, podemos observar a torção paradigmática, ressaltada por Silveira
(2015) na primeira metade da obra Imagens do inconsciente, que aproxima a loucura da
arte, tida como a mais alta atividade humana como uma pista que marca sua abordagem:
ao enaltecer o aspecto humano do sofrimento psíquico em correlação com a produção
pictórica de pessoas consideradas doentes mentais, o aspecto médico do problema toca
o artístico através da terapêutica. No bojo desta torção, as expressões inorgânicas
abstratas, geometrizadas e estilizadas que foram consideradas signos da inferioridade,
do caráter mórbido, intratável e animalesco das pessoas consideradas doentes mentais
são positivadas e ressignificadas no contexto da vanguarda das artes plásticas no século
XX.
Ora, se a psiquiatra rebelde não encontrava interlocução com seus colegas
médicos, na teoria e na terapêutica psiquiátrica em voga primeira metade do século
passado – à medida em que estes se restringem a técnicas que decaem facilmente ao
patamar da coerção e da punição –, vemos que antes de tudo é o meio artístico que
acolhe o aspecto único e singularmente valioso da pintura dos esquizofrênicos.
Na época curador do Museu de Arte de São Paulo, o crítico belga Leon Degard,
ressalta o valor estético das obras dos artistas do Engenho de Dentro, ao passo que
Mário Pedrosa (1949) destaca sua modernidade na contravenção das convenções
acadêmicas, da visão naturalista e fotográfica receitadas nas escolas (Arantes, 1991).
Assim sendo, aquelas expressões outrora associadas por psiquiatras ao embotamento
afetivo e à incapacidade intelectual passa a ocupar um lugar reconhecidamente de valor
naquilo que Silveira (2015) talvez considere a mais elevada manifestação humana: a
arte.
Alçar a arte como a mais alta atividade humana fundamenta o argumento de
Nise da Silveira (1992) que enaltece a dignidade do trabalho. Mesmo quando se depara
com a dura questão sobre as dificuldade e a efetividade do tratamento com
esquizofrênicos e sobre a imutabilidade da condição humana, e especialmente daquela
cronificada em doença mental, ela diz que o tratamento parte sobretudo de se aceitar e
promover a dignidade do trabalho. Pois o trabalho não é algo (necessariamente) servil,
mas uma atividade capaz de exprimir a alma da pessoa. Torção que faz passar de uma
visão coercitiva, desumanizadora e de submissão à autoridade médica a uma verdadeira
reforma no modo de compreender e de pautar a política de assistência e cuidado em
saúde mental.
À medida que a expressão pictórica – por vezes abstrata e estilizada – dos
clientes do Ateliê de Terapia Ocupacional manifesta simbolicamente os temas profundos
e arcaicos que surgem do conflito entre as instâncias psíquicas, o método junguiano
auxilia Nise a fundamentar sua abordagem e sua prática numa visão que torna política,
sociedade e arte indissociáveis na visão de Ferreira Gullar (1996). Destarte, o método, a
abordagem e a prática da psiquiatra rebelde confluem para transformar a política de
assistência manicomial contiguamente à mentalidade de parcela da população e dos
profissionais acerca da natureza, do funcionamento e do tratamento do sofrimento e dos
transtornos mentais desde a interlocução do trabalho desenvolvido no Setor de Terapia
Ocupacional do Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro com o mundo artístico.
Uma vez que a abstração deixa de ser considerada como manifestação de
morbidade, do caráter animalesco e desumano da doença para ser entendida como
procedimento criativo, signo da tendência à autorregulação e do ímpeto à saúde próprio
ao psiquismo, pode-se depreender uma reestruturação da organização e da política de
assistência. Com esta torção, a expressividade deixa de ser mero reflexo da condição
deficitária ou confirmação da ruína suposta no transtorno psíquico e passa a ser eixo
central de um tratamento humanizado, que leva em conta o contexto de produção, o
apoio afetivo e o ambiente acolhedor capazes de dar continência aos internos, acolher
suas dores, silêncios, ritmos, ao mesmo tempo em que estimula a expressão, como
podemos conferir nos escritos de Nise da Silveira (1992, 2015). Seguindo esta linha de
raciocínio, ela nota que embora boa parte dos frequentadores do ateliê tivessem uma
vida aparentemente inativa de reduzida atividades nos pátios, corredores e demais
instalações do hospital, ali, ela se impressiona – em termos de quantidade e da qualidade
do material produzido – com a criatividade que pulsa na expressividade forte e
pungente.
De fato, a criatividade opera na psique como catalisador das relações entre
opostos, aproximando-os de modo que elementos dispares e conflitantes próprios às
sensações, às emoções, à intuição e ao pensamento – as quatro funções estruturantes do
ego – são levados a se reconhecerem e a se associarem entre si, propiciando que mesmo
os mais arraigados tumultos internos adquiram forma expressiva, por vezes
consideradas formas harmônicas, complexas e belas (Silveira, 2015). Esta expressão
harmoniosa emerge como problema científico desde onde Nise pauta seu método: partir
da produção de imagens, encontrando nesta atividade uma maneira de se comunicar
com o cliente, ao passo em que considera a vivência de sua realidade específica para
fazer a leitura do que está sendo pintado e modelado e deste modo adentrar no mundo
interior da pessoa. Com isto, Frayze-Pereira (1995, p.106) salienta que a leitura da obra
é “trabalho, e não deciframento, é instauração do sentido, e não mero desvendamento de
um significado que se crê já depositado em si mesmo na obra”, pois Nise se atenta aos
processos de criação. Ao passo que os psiquiatras viam somente as obras já feitas, os
produtos decantados, signos da patologia, visa acessar a dimensão processual, infinitiva
do ato de pintar, da atividade de formalização de conteúdos inconscientes na qual a obra
é irredutível às condições atuais daquele que a produz e ao conhecimento que dela se
vem a ter.
Tendo em vista que o esquizofrênico mal consegue comunicar sua experiência
ao outro através dos meios habituais, a finalidade de seu método consiste em ajudá-lo a
entender os conteúdos arcaicos e primitivos que invadem a psique guiando-o numa
elaboração – não raro difícil e sofrida – desse material na qualidade de linguagem
simbólica. Uma vez realocando os conteúdos e temas arcaicos na esfera do simbólico,
pode-se efetuar sua ressignificação da sua vivência não como realidade concreta ou
como invasão do real, tal qual eles experienciam, mas como material de trabalho e
expressão da alma. Portanto, se a expressão em imagens é capaz de efetuar a
significação da experiência, é através da expressividade que Silveira (2015) propõe
atividades capazes de estimular o fortalecimento do ego dos usuários e a subsequente e
progressiva ampliação do relacionamento com o meio social. Tendo estes dois objetivos
básicos como horizonte é que a psiquiatra rebelde encontra nas atividades um meio de
expressão para o conflito psíquico por vezes inominável e incomunicável.

Conclusão
Por fim, podemos conferir que os aspectos de intrusão e desintegração que
caracterizam o que é considerado patologia, transtorno e sofrimento psíquico são um
contraponto à concepção de psiquismo como um sistema vivo que podemos extrair dos
livros de Nise da Silveira (1992, 2015). Sistema cujo dinamismo próprio tende à
autorregulação e se orienta para a saúde e a autocura e desemboca num método de
leitura que vai do psíquico ao artístico extrapolando o que se poderia identificar coma
uma psicopatologia para alcançar os mecanismos de constituição psíquica e a própria
vontade de formar o mundo, num ponto em que coincidem os laços entre a psicologia
profunda, a lógica da criatividade e a base profunda universal da psique (Frayze-Pereira,
1995, p.15).
Partindo da comunicação e do acesso – mediante linguagem simbólica não-
verbal – à vivência da pessoa em sofrimento psíquico, Nise busca realizar os contornos
da experiência, auxiliando-os na luta por uma existência menos sofrida. Contornos
dados desde a dinâmica dos conflitos que se expressam nos símbolos (imagens
carregadas de afeto) e que devem auxiliar a restabelecer o ego e as relações de mediação
e socialização dele dependentes ao passo em que visa o favorecimento o
desenvolvimento das “sementes criativas inerentes” (Silveira, 2015, p. 110),
enaltecendo o potencial de simbolização, criatividade e produção de vida.
Logo, a reabilitação psicossocial colocada em marcha no tratamento depreende
uma prática inovadora efetivada mediante duas condições: a tendência do psiquismo à
instauração de meios de autorregulação e autocura impulsionadas, por sua vez pela
mediação do cuidado através do que Nise chama de afeto catalizador.
No que concerne ao ímpeto de autorregulação e saúde próprio da psique, o
acompanhamento dos ateliês de pintura e modelagem proporcionou a Nise uma maior
compreensão do dinamismo psíquico presente na esquizofrenia, assim como da
tendência humana ao simbolismo. Tendência que ela encontra especialmente na
produção espontânea das mandalas, que indica, por usa vez uma disposição inconsciente
a compensar o caos interior e na busca de um ponto central na psique como tentativa de
reconstruir a personalidade dividida. Ao mesmo tempo em que esta tendência apresenta
uma face que visa de restabelecimento de uma ordem, pulsa nela ainda um propósito
criador, que leva a dar forma e expressão a algo de novo e único que ainda não existe.
Por fim, a prática de cuidado pautada por Nise da Silveira (2015) depreende que
se faça do ateliê um ambiente de acolhedor com clima de liberdade e sem coação, no
qual, por meio de diversas atividades, os sintomas pudessem encontrar oportunidade
para sua expressão. Para construir este espaço significativo, desencadeador de
aproximações e disparadores do processo de criação ela investe na formação de
monitores. Sua presença constante no ateliê não visa condicionar ou interferir nos
trabalho dos clientes, mas ofertar um afeto catalisador capaz de estimular a criatividade
e restaurar os meios de comunicação com o mundo ao redor.
A eficácia do tratamento depende da presença de um ponto de apoio com o qual
o paciente fazer trocas de investimento afetivo. Assim, a presença dos monitores visa
dar continência às experiências, para não apressar as coisas, acolhendo dores, silêncios,
ritmos, e, ao mesmo tempo, estimulando a expressão e processos de criação, que se
desenvolvem apenas mediante o suporte do afeto. Neste ponto em que o suporte afetivo
funciona como um disparador do processo de cura é que se tocam o método analítico, a
abordagem humana e a prática radical e acolhedora de Nise da Silveira. Ponto no qual
se diminui a importância da função diagnóstica – base da ideia de arte patológica e dos
tratamentos desumanos coercitivos – em prol da experimentação, da invenção, da
criatividade, do afeto e do cuidado através dos quais o tratamento se volta para
compreensão da vivência e construção de passagens para a autonomia dos usuários dos
sistemas de saúde mental.

Referências

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