Vous êtes sur la page 1sur 4

Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP

Instituto de Ciências Humanas e Sociais - ICHS

Disciplina: Metodologia Científica


Docente: Prof. Dr. Erisvaldo Pereira dos Santos
Discentes: Sheila Rose Tomaz Pires Candido
Jorge Luis Miranda Ezequiel
Matrículas: 16.2.9290
16.2.3870

BARBOSA, Vânia Soares; ARAUJO, Antônia Dilamar; ARAGÃO, Cleudene de


Oliveira. Multimodalidade e multiletramentos: análise de atividades de leitura em
meio digital. Revista Brasileira de Linguística Aplicada. Belo Horizonte, v.16, n.4,
p.623-650, out-dez. 2016. ISSN 1984-6398. Disponível em: < http://www.scielo.br/sci
elo.php?script=sci_arttext&pid=S1984 -63982016000400623& lng=pt&tlng=pt>.
Acesso em: jun. 2017.

As autoras apresentam a multimodalidade como algo presente na


comunicação e fazem uma citação do autor Van Leeuwen com a definição que
“multimodalidade se refere ao uso integrado de diferentes recursos comunicativos,
tais como linguagem [texto verbal], imagem, sons e música em textos multimodais e
eventos comunicativos” (p. 626). Elas relacionam a tecnologia a textos multimodais
no meio digital, investigando se na leitura de hipertextos eletrônicos, a imagem, o
texto e os recursos semióticos auxiliam nas práticas pedagógicas, dando sentido ao
texto.
Após abordarem uma definição para multimodalidade, as autoras apontam
uma ideia defendida por Mayer, sobre a falta de coerência no uso dos diversos
modos e elementos semióticos, desviando o leitor da apreensão do texto. Porém,
elas ressaltam que não existe uma congruência entre os avanços tecnológicos e as
práticas pedagógicas no uso de textos multimodais, em que persiste uma
reprodução dos métodos tradicionais no qual apenas o texto verbal é predominante.
As autoras se amparam no argumento de Kress e van Leeuwen de que “a
educação produz cidadãos não letrados quando prioriza informações verbais em vez
de ensiná-los a produzir e ler textos que combinem os diversos modos” (p. 631).

1
Através dessa citação elas apresentam o que é os multiletramentos, não se
limitando apenas a alfabetização, e também a sua importância nas práticas
pedagógicas em referência a questões culturais e sociais decorrentes da
globalização e da tecnologia.
Os multiletramentos apresentam três letramentos, o digital, o visual e o crítico.
O letramento digital colabora no método de ensino-aprendizagem. Nesse aspecto as
autoras aprofundaram sua pesquisa utilizando autores como Lobo Souza e Araújo
Pinheiro, analisando como é a leitura e a escrita na tela, a competência de
localização, filtração e avaliação de conhecimentos nos textos multissemióticos. As
autoras abrem uma discussão com base em uma teoria dos autores Snyder, van
Leeuwen, Mayer e Kress, de que a tecnologia facilitaria o letramento dos alunos.
Essa discussão fez com que as autoras chegassem a uma conclusão, ao qual, a
tecnologia não pode ser vista como um fim de um aprendizado mais fácil e ágil, e
sim como um meio. E, para isso, os alunos e os professores devem estar
capacitados para o uso da tecnologia.
O letramento visual, “está diretamente relacionado ao entendimento da
informação visual” (p. 634), sendo de extrema importância para dar entendimento ao
texto. Para as autoras seria a habilidade de compreender e ler os dados visuais para
a comunicação. E, para essa definição de letramento visual, elas utilizam da teoria
de semiótica de Kress, em que as diferentes formas de apresentar o texto
funcionarão como uma forma de facilitar a compreensão do leitor e proporcionarão
uma liberdade para escolher de que maneira ele irá interpretar o texto disponível.
Neste momento, as autoras colocam em jogo a língua inglesa, que é o foco do
artigo, então essa semiótica ajudará os leitores a fazerem uma tradução melhor do
texto.
O letramento crítico é fazer que o leitor tenha uma perspectiva mais analítica
de um texto, através da imagética, analisando discursos sobre questões sociais e
políticas. As autoras reconhecem que o “letramento crítico é um dos desafios da
prática docente” (p. 636).
Depois desse contexto apresentado, as autoras analisam quatros atividades
para leitores anônimos com proficiência a partir do intermediário da língua inglesa
em sites de livre acesso. Delimitando o espaço da pesquisa, focando apenas no
espaço de análise.

2
Para a análise, as autoras levaram em conta 5 perguntas para visar a clareza
e organização da pesquisa:

“I. Quais os principais modos e recursos semióticos presentes


nessa atividade?”; II. Quais são os tipos de questões nessa
atividade?; III. Quais ações de interatividade com a máquina
estão inseridas nessa atividade?; IV. É possível afirmar uma
promoção explícita desse letramento?, V. Há, nas questões
dessa atividades, alguma pergunta que leve ao leitor a
reconhecer diferentes discursos presentes no texto imagético e
a discutir questões sociais, políticas e culturais?” (p.638).

Para respondê-las, as autoras consideraram como que o texto verbal é


apresentado, de que forma as atividades são apresentadas, a organização do sítio
eletrônico, onde a atividade se encontra e como essa organização ajudará no
letramento digital, os diferentes recursos semióticos que contribuem para a
compreensão dos enunciados e instruções das perguntas, como as atividades
abordam um letramento crítico em conjunto com as informações de outros assuntos
nos enunciados das questões.
Como resultado na multimodalidade das questões analisadas pelas autoras,
apresentou-se um fato que, apesar das questões explorarem outros recursos
semióticos, ainda há uma valorização da linguagem no texto verbal. Reforçando
assim, a teoria discutida pelas autoras de Martinec e Salway.
Portanto, apesar das tecnologias favorecerem a criação dos materiais
multimodais, ainda as atividades continuam parecidas com as atividades do modelo
impresso e no momento que elas analisaram a sequência das atividades, as autoras
perceberam que há uma linearidade das respostas de acordo com a leitura.
Ao considerarem a multimodalidade e o multiletramento no meio digital, as
autoras se preocupam que o meio digital possa ter o risco de funcionar apenas como
um apoio para o meio impresso. Elas observaram isso na maneira que era proposta
as respostas, pois não há muitos recursos digitais envolvidos, apenas a opção de
clicar nas respostas já disponibilizadas nas atividades.
Já a multimodalidade e o multiletramento visual, apenas há uma valorização
verbal textual nas perguntas e respostas das atividades, portanto não há perguntas
relacionadas às imagens ou aos outros recursos semióticos disponibilizados e há
uma ausência de metalinguagem entre o recurso semiótico para o outro.

3
Mas, apesar do letramento crítico ser possível com a multimodalidade das
questões, a partir de uma afirmação utilizada pelas autoras, as atividades
observadas não direcionam o leitor a pensar criticamente sobre determinado
assunto.
Sendo assim, no contexto dessa pesquisa, as autoras obtiveram resultados
que afirmam que não existe uma concordância da multimodalidade para os materiais
didáticos na leitura de hipertextos eletrônicos. Percebe-se uma permanência de
atividades pedagógicas tradicionais, assemelhando-se ao meio impresso, não
apresentando um aproveitamento dos multiletramentos no meio digital, e não
fazendo uso das qualidades que esse meio proporciona. Por isso, há uma
necessidade de aprimorar essas atividades, propiciando ao leitor que ele produza
sentido, integrando-o na “participação em eventos comunicativos” (p.644).