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III Congresso de Pesquisa e Extensão da FSG

I Salão de Extensão & I Mostra Científica

http://ojs.fsg.br/index.php/pesquisaextensao
ISSN 2318-8014

A CRIANÇA FALA AO BRINCAR

Daniele Feiten da Silvaa.


a)
Faculdade da Serra Gaúcha

Informações de Submissão Resumo


danielefs@live.com Sendo a atividade lúdica uma forma de instrumentalizar a
Rua Celestino Deitos, 929 – Caxias do Sul - RS possibilidade de comunicação entre a criança com o
- CEP: 95110-180 psicólogo, o presente artigo busca analisar o brincar na hora
Rua Os Dezoito do Forte, 2366 - Caxias do Sul do jogo como forma de expressão da criança. Procura
- RS - CEP: 95020-472 evidenciar o brincar como instrumento terapêutico
considerando que por meio dele, a criança consegue elaborar
Palavras-chave:
situações que lhe causam angústia. Além disso, busca
Brincar. Hora do jogo diagnóstica. Hora do descrever o funcionamento da Hora do Jogo Diagnóstica bem
jogo terapêutica. como o da Hora do Jogo terapêutica.

1 INTRODUÇÃO

Por meio dos brinquedos, a criança estrutura a representação de seus conflitos,


fantasias, pensamentos, ansiedades, desejos e defesas, permitindo assim que o seu
funcionamento transpareça. Ela traz para a brincadeira objetos da realidade externa usando-os
para expressar aspectos da sua realidade interna. Considerando que a criança se expressa ao
brincar surge a seguinte questão: Qual a importância do brincar na Hora do Jogo?
Diante desse contexto, o presente trabalho tem como objetivo geral identificar a
importância do brincar como forma de expressão da criança, e como objetivos específicos
descrever a representação do brincar, abordar o brincar como instrumento terapêutico,
descrever o funcionamento da Hora do Jogo diagnóstica e da Hora do Jogo Terapêutica.
Levando em consideração que o trabalho desenvolvido por psicólogos para o
atendimento de crianças envolve o brincar, mostra-se imprescindível abordar o tema
salientando que, por meio do brincar a criança estrutura a representação de seus conflitos,
fantasias, pensamentos, ansiedades, desejos e defesas.
Considerando que a criança traz para a brincadeira objetos da realidade externa
usando-os para expressar aspectos da sua realidade interna, reafirma-se a importância de

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discorrer sobre a temática a fim de reunir considerações a respeito e ampliar os


conhecimentos sobre a prática do psicólogo na análise do brincar com a criança.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

Ao brincar, a criança mostra-se em todo a sua espontaneidade, em todo seu frescor.


Não escondendo nenhum dos sentimentos que a impulsionam, transparecem pulsões de
agressividade e de desejos. Além disso, salienta-se que no brincar, as crianças repetem tudo o
que lhes causou profunda impressão na vida (LEBOVICE; DIATKINE, 1985).
O brinquedo pode ser considerado uma criação livre, contínua e espontânea, uma
construção. Por meio dele, a criança conquista sua primeira relação com o mundo exterior e
entra em contato com os objetos. Melanie Klein esclareceu em seus trabalhos que o
significado dos jogos das crianças engloba questões de fantasias. A teoria kleiniana referente
ao brinquedo está centrada essencialmente em seu conteúdo. Anna Freud, por sua vez mostra
o brincar com um sentido defensivo (LEBOVICE; DIATKINE, 1985).
Brincando a criança projeta seus conteúdos internos para dar conta das ansiedades das
suas experiências traumáticas, o que possibilita a elaboração de seus conteúdos. Winnicott
(1975) ponderava que o brincar por si só já diz de uma terapia. Considerava que “o brincar
das crianças possui tudo em si”.
Na brincadeira a criança procura se relacionar com o real, o experimentando de sua
maneira com o intuito de construir e recriar essa realidade. Segundo Werlang (2000), por
meio do brinquedo “a criança não só realiza seus desejos, mas também domina a realidade,
graças ao processo de projeção dos perigos internos sobre o seu mundo externo”. Dessa
forma, colocas-se o brinquedo como uma ponte, um meio de comunicação, que possibilita
relacionar o mundo externo e o interno, à realidade e a fantasia. Busca-se dar um lugar ao
brinquedo, entre o irreal e a realidade, onde os objetos transformam-se de acordo com a ilusão
daquele que brinca.
Winnicott (1975, p.70) considerando a brincadeira como universal e geradora de saúde
define que:
o brincar facilita o crescimento e, portanto, a saúde; o brincar conduz aos
relacionamentos grupais; o brincar pode ser uma forma de comunicação na
psicoterapia; finalmente, a psicanálise foi desenvolvida como forma altamente
especializada do brincar, a serviço da comunicação consigo mesmo e com os outros.

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Além de ser a liberação de um excesso de vitalidade, uma imitação, compensação e


aprendizagem, o brincar também é considerado expressão da cultura, característico de toda a
estrutura social. É uma ação livre, evasão da vida comum, onde se existe a possibilidade de
ser outro. Lebovici e Diatkine (1985, p.14) definem essa ação livre como:

Ação livre, sentida como fictícia e situada fora da vida comum, capaz, não obstante,
de absorver totalmente o jogador; ação despojada de qualquer interesse material e de
qualquer utilidade, que se realiza num tempo e num espaço estritamente definidos;
desenvolve-se com ordem, segundo regras estabelecidas, e suscita, na vida, relações
de grupo que, saborosamente se rodeiam de mistério, ou que acentuam, mediante o
disfarce, o quão estranhos são ao mundo habitual.

O brinquedo, quando ativo e espontâneo é sinal de saúde mental, por outro lado, sua
ausência representa um sintoma de doença física ou mental. A forma com que a criança
brinca, representa como ela é e como ela está. A criança que não brinca, acaba por não de
aventurar em algo novo, desconhecido. Por outro lado, a que se envolve em um brincar,
sonhar e fantasiar, aceita um crescimento que engloba a possibilidade de tentar, errar e
arriscar progredindo e evoluindo (LEBOVICE; DIATKINE, 1985).
Segundo Campos e Fiochi (2011), a criança não possui a capacidade verbal
completamente construída e, além disso, ainda não consegue nomear o que se passa
internamente. Diante disso, é atribuído ao brincar e ao jogo um caráter de elaboração, que
possibilita a simbolização das situações que lhe causam angústia. Arzeno (1995)
complementa que “quando falta a palavra, o brincar expressa tudo, e mesmo quando a palavra
já tiver sido incorporada, a linguagem lúdica é mais expressiva que a verbal”.
O brincar da criança costuma ser uma atividade desvalorizada, característica da
infância. Contudo, esse brincar terá valor na aquisição de um sentido social somente se não
for desvalorizado pelos adultos (LEBOVICE; DIATKINE, 1985).
A criança possui capacidade de simbolizar o que se passa em seu mundo interno. Por
meio do brincar, consegue elaborar situações traumáticas, permitindo a realização dos desejos
condizentes com a sua faixa etária. Relacionam-se com o real e recriam a realidade
(CAMPOS; FIOCHI, 2011).
A postura do psicólogo, segundo Werlang (2000) deve “estimular a interação,
conduzindo a situação de maneira tal que possa deixar transparecer a compreensão do
momento, respeitando e acolhendo a criança, de forma que esta se sinta segura e aceita.”

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A atividade lúdica consiste em uma forma de instrumentalizar a possibilidade de


comunicação da criança. Klein (1955) relaciona as brincadeiras, os comportamentos, como
meios de expressar o que o adulto manifesta principalmente por palavras. Arzeno (1995)
coloca que “quando falta a palavra, o brincar expressa tudo, e mesmo quando a palavra já
tiver sido incorporada a linguagem lúdica é mais expressiva que a verbal”.
Mostra-se necessário diferenciar o funcionamento da hora do jogo diagnóstica ao da
hora do jogo terapêutica. A primeira engloba um processo com inicio, desenvolvimento e fim,
operando como uma unidade. A segunda representa uma ligação a mais em um amplo
continuum e envolve a intervenção do terapeuta (OCAMPO, 2001).

2.1 Hora do jogo diagnóstica

A avaliação psicológica é um procedimento que envolve uma estruturação teórica,


metodologias e técnicas de investigação de personalidade, bem como de funções cognitivas.
Utilizam-se entrevistas e observações clínicas, técnicas projetivas, testes psicológicos, como
também podem ser utilizadas técnicas de desenhos, jogos, o contar histórias, a hora do jogo
diagnóstica, o brincar, entre outras. O objetivo e a finalidade da avaliação irão influenciar na
escolha das estratégias e dos instrumentos que serão utilizados (ARAÚJO, 2007).
Ao adotar uma perspectiva clínica, a avaliação psicológica recebe a denominação
psicodiagnóstico, o qual enfatiza a importância da subjetividade, da individualidade e também
dos aspectos transferências e contratransferências. O uso dos testes juntamente com outros
procedimentos clínicos, tem o objetivo de integrar os dados levantados, proporcionando uma
compreensão global do funcionamento da pessoa (ARZENO, 1995; ARAÚJO, 2007).
O psicodiagnóstico é considerado uma prática clínica bem delimitada. Segundo
Arzeno (1995), mostra-se imprescindível um enquadre, o qual envolve a formulação do
trabalho, seu objetivo, a frequência dos encontros, o local, os horários e honorários e
principalmente o papel que cabe a cada um. Essa prática é realizada com o intuito de obter
uma compreensão profunda e completa do paciente, abordando aspectos presentes, referentes
às hipóteses diagnósticas e ao diagnóstico atual, assim como os futuros, relacionados ao
prognóstico.
Psicodiagnóstico é um processo que envolve quatro etapas. Segundo Araújo (2007), a
primeira envolve desde o contato inicial à primeira entrevista com o paciente. A segunda
etapa refere à aplicação dos testes e técnicas projetivas. A terceira diz do encerramento do

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processo de avaliação, com a devolutiva oral ao paciente ou aos responsáveis. Por fim, a
quarta etapa consiste na elaboração do parecer, laudo de avaliação psicológica para o
solicitante.
Considerando que a criança expressa suas fantasias, pensamentos, sentimentos,
desejos e ansiedades principalmente no brincar, a hora do jogo diagnóstica é um recurso
técnico que o psicólogo utiliza dentro do processo de psicodiagnóstico. Esse tem a finalidade
de conhecer a realidade da criança que foi trazida à consulta. Além de ser denominado como
hora do jogo, esse momento de brincar no processo de psicodiagnóstico também pode ser
considerado como entrevista lúdica (CUNHA, 2000; OCAMPO, 2001).
Cada hora diagnóstica significa uma nova experiência. Nela ocorre o estabelecimento
de um vínculo transferncial breve, o qual tem objetivo de conhecer e compreender a criança.
O papel do psicólogo na hora do jogo diagnóstica é de um observado não participante, porém
existem situações onde a criança solicita que o terapeuta faça algo com ela. Responder ao
pedido de brincar é funcionar como Ego auxiliar da criança. Diante disso, o papel do
psicólogo pode ser considerado passivo, na medida em que é observador, como também ativo,
tendo atitude atenta e atenção flutuante que lhe permita a compreensão e formulação de
hipóteses, bem como na ação de questionar, com o intuito de esclarecer dúvidas sobre a
brincadeira (ARZENO, 1995; CUNHA, 2000; OCAMPO, 2001).
A sala onde são realizadas as observações diagnósticas, segundo Araujo (2007), “deve
ser um lugar razoavelmente amplo, seguro e fácil de limpar, de maneira que dê liberdade à
criança para se expressar”. Brinquedos são colocados à sua disposição, para usá-los da
maneira que quiser. Klein (1955) já salientava a importância de “dispor de pequenos
brinquedos, pois seu número e variedade permitem à criança expressar uma vasta gama de
fantasias e experiências”. Considerava que a simplicidade destes capacita à criança utilizá-los
em diversas situações distintas. Sendo bastante variados, incluem bonecos, animais, carrinhos,
tinta, pincel, papel, lápis de escrever, borracha, canetinha, lápis de cor, lápis de cera, tesoura
sem ponta, cola, barbante, argila, livros de história, fantoches, jogos, entre outros (OCAMPO,
2001).
Tratando-se de psicodiagnóstico, deve ser realizada a análise da escolha dos
brinquedos e brincadeiras, levando em consideração, que essa escolha está relacionada ao
momento evolutivo intelectual e emocional no qual a criança de encontra. Além desse
aspecto, também deve ser analisada a modalidade de brincadeiras, as questões de
personificação, motricidade, criatividade, capacidade simbólica, tolerância a frustração e

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adequação á realidade. Mostra-se importante observar como a criança dá início à estruturação


das suas brincadeiras, qual a sequência dos jogos, quais são os brinquedos preferidos,
comentários verbais, entre outros (OCAMPO, 2001; ARAUJO, 2007).
A maior dificuldade da hora do jogo diagnóstico, segundo Araujo (2007), está na sua
avaliação. Sendo um procedimento não estruturado, “depende da experiência clínica do
psicólogo e da sua capacidade de observação e interpretação”. Contudo, representa uma
técnica valiosa, que possibilita a compreensão da natureza do pensamento infantil. Fornece
significativas informações que possibilitam a formulação de hipóteses diagnósticas,
prognósticas, bem como indicações terapêuticas (WERLANG, 2000).

2.2 Hora do jogo terapêutica

Diante o atendimento clínico de crianças, Winnicott (1975) considera que a


psicoterapia ocorre na sobreposição de duas áreas do brincar, a do paciente e a do terapeuta.
Trata-se de duas pessoas brincando juntas. O autor acrescenta que se o terapeuta não pode
brincar, não está adequado ao trabalho com crianças.
As crianças expressam suas fantasias e ansiedades, principalmente ao brincar.
Levando em consideração a associação livre, que é um princípio fundamental da psicanálise,
Melanie Klein (1955) apontou a importância de interpretar não somente as palavras da
criança, mas também sua interação com os brinquedos, que envolve esse fluir livremente. A
autora coloca que a brincadeira, as atividades diversas, assim como todo o seu comportamento
“são meios de expressar o que o adulto manifesta predominantemente por palavras”.
O trabalho desenvolvido pela psicanálise no atendimento da criança envolve o
compreender e interpretar as fantasias, as ansiedades, os sentimentos, as expressões e as
experiências expressas no brincar. Caso as atividades lúdicas estejam inibidas, buscam-se as
causas dessa inibição (KLEIN, 1955).
Onde o brincar não é possível, o trabalho do terapeuta segundo Winnicott (1975),
consiste em trazer o paciente de um estado em que não é capaz de brincar para um estado em
que o é. O psicoterapeuta primeiramente tem que atender a esse sintoma, para posteriormente
interpretar os fragmentos de conduta e de fato iniciar o processo psicoterápico.
O ambiente onde serão realizados os atendimentos, seja consultório ou a sala de
brinquedos, deve proporcionar condições que possam superar resistências contra experimentar
e expressar seus sentimentos, pensamentos e desejos. Deve-se dispor de diferentes

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brinquedos, onde a variedade permite à criança expressar diversas fantasias e experiências.


Contudo, os brinquedos não devem ser considerados os únicos instrumentos para a análise
pelo brinquedo. A Criança pode realizar desenhos, pinturas, escritas, recortes, colagens,
reparação de brinquedos, entre outros.
Em alguns momentos, as crianças brincam atribuindo diferentes papéis a si e ao
terapeuta. Frequentemente, assume o papel do adulto, onde demonstra não apenas o desejo de
inverter os papéis, mas também os comportamentos e relações às quais a cerca (KLEIN,
1955).
Melanie Klein (1955) coloca que “ao brincar, a agressividade da criança se expressa
de várias maneiras, quer direta ou indiretamente”. Considera imprescindível permitir que a
criança possa ali expressar essa agressividade e salienta a importância de buscar compreender
seus motivos. Assim como pode apresentar esses impulsos destrutivos, posteriormente podem
aparecer sentimentos de culpa e desejo de reparação ao dano. Contudo, não se deve expressar
desaprovação caso a criança venha a danificar algo, bem como também não se pode estimulá-
la a reparar esse dano. Deve-se compreender e interpretar o que motiva as suas atitudes
naquele momento (CAMPOS; FIOCHI, 2011).
O brinquedo é parte essencial do modo de expressão da criança. Klein (1955)
considera que se deve fazer o mais completo uso da linguagem simbólica, considerando que,
ao brincar, expressam-se variados significados simbólicos que são vinculados às fantasias,
desejos e experiências. Acrescenta que deve ser considerado o uso dos símbolos, sendo
particular de cada criança, relacionados com suas emoções, suas ansiedades e sua situação
total, não podendo ser generalizado.
Cada situação deve ser considerada em sua totalidade. Um único brinquedo pode ser
utilizado em diversas análises, tendo para cada uma delas um significado diferente, único.
Campos e Fiochi (2011) consideram que para a compreensão do brincar da criança é
imprescindível um olhar atento voltado para todo o contexto da brincadeira, para os
mecanismos que são utilizados, bem como para as representações que são feitas.
O brincar é considerado um instrumento de suma importância que auxilia na
comunicação entre o psicólogo e a criança. Diante do brincar existe a possibilidade de entrar
em contato com os conteúdos inconscientes expondo-os para a criança, de forma com que ela
possa elaborá-los. O papel do psicólogo envolve então, o auxilio na possibilidade de
elaboração conflitos, frustrações e traumas (CAMPOS; FIOCHI, 2011).

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3 METODOLOGIA

Para pesquisar a importância do brincar na hora do jogo, será utilizada como método
de pesquisa a revisão bibliográfica. Essa se utiliza fundamentalmente das contribuições dos
diversos autores sobre determinado assunto. A pesquisa será desenvolvida a partir de material
já analisado e elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos (GIL,
2008).
O levantamento de referências descreve a pesquisa como abordagem qualitativa, que
pretende compreender o objeto de estudo utilizando-se de recursos como a descrição e
explicação de conceitos e conteúdos encontrados na pesquisa. A pesquisa qualitativa trabalha
com o universo de significados e valores que inferem em um entendimento singular do objeto
de estudo que não é permeada por generalizações. Dessa forma, preocupa-se com aspectos
que não podem ser quantificados (GIL, 2008).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O brincar pode ser utilizado como um recurso, um instrumento para os psicólogos,


com o intuito de se estabelecer uma comunicação com a criança, assim como também auxilia
na construção de um vínculo. Por meio do brincar ela se manifesta expressando fantasias,
pensamentos, sentimentos, desejos e ansiedades. Diante disso, existe a possibilidade de se ter
acesso aos conteúdos internos e às suas representações, auxiliando-a na elaboração das suas
questões.
Na brincadeira, construindo e recriando a sua realidade, a criança expressa o que ela
ainda não consegue nomear. O psicólogo deve desempenhar o seu papel de forma adequada,
estando atendo aos conteúdos que lhe são fornecidos. Para tanto, salienta-se a importância de
se ter um ambiente adequado, dispor de diversos brinquedos, jogos e materiais e manter uma
postura que incentive e possibilite o brincar livremente da criança.
Deste modo pode-se concluir que a hora do jogo é um instrumento de suma
importância tanto para o processo de psicodiagnóstico, bem como para um processo
terapêutico. Possibilita a compreensão da natureza do pensamento infantil e fornece
significativas informações que possibilitam a formulação de hipóteses, assim como o
entendimento da criança.

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CUNHA, Jurema Alcides. Psicodiagnóstico – V. 5. ed. Porto Alegre: ARTMED, 2000.

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