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ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO

PROFESSORA BRUNA PINOTTI

ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO

Prof. Ma. Bruna Pinotti Garcia Oliveira


Advogada e pesquisadora. Doutoranda em Direito, Estado e Constituição pela Universidade de Brasília – UNB.
Mestre em Teoria do Direito e do Estado pelo Centro Universitário Eurípides de Marília – UNIVEM – (bolsista
CAPES). Professora de curso preparatório para concursos e universitária da Universidade Federal de Goiás –
UFG. Autora de diversos trabalhos científicos publicados em revistas qualificadas, anais de eventos e livros,
notadamente na área do direito eletrônico, dos direitos humanos e do direito constitucional.

1 Ética e moral

A ética é composta por valores reais e presentes na sociedade, a partir do momento em que, por mais que
às vezes tais valores apareçam deturpados no contexto social, não é possível falar em convivência humana se
esses forem desconsiderados. Entre tais valores, destacam-se os preceitos da Moral e o valor do justo
(componente ético do Direito).
Se, por um lado, podemos constatar que as bruscas transformações sofridas pela sociedade através dos
tempos provocaram uma variação no conceito de ética, por outro, não é possível negar que as questões que
envolvem o agir ético sempre estiveram presentes no pensamento filosófico e social.
Aliás, uma característica da ética é a sua imutabilidade: a mesma ética de séculos atrás está vigente hoje.
Por exemplo, respeitar o próximo nunca será considerada uma atitude antiética. Outra característica da ética
é a sua validade universal, no sentido de delimitar a diretriz do agir humano para todos os que vivem no
mundo. Não há uma ética conforme cada época, cultura ou civilização. A ética é uma só, válida para todos
eternamente, de forma imutável e definitiva, por mais que possam surgir novas perspectivas a respeito de sua
aplicação prática.
É possível dizer que as diretrizes éticas dirigem o comportamento humano e delimitam os abusos à
liberdade, estabelecendo deveres e direitos de ordem moral, sendo exemplos destas leis o respeito à
dignidade das pessoas e aos princípios do direito natural, bem como a exigência de solidariedade e a prática
da justiça1.
Outras definições contribuem para compreender o que significa ética:
- Ciência do comportamento adequado dos homens em sociedade, em consonância com a virtude.
- Disciplina normativa, não por criar normas, mas por descobri-las e elucidá-las. Seu conteúdo mostra às
pessoas os valores e princípios que devem nortear sua existência.
- Doutrina do valor do bem e da conduta humana que tem por objetivo realizar este valor.
- Saber discernir entre o devido e o indevido, o bom e o mau, o bem e o mal, o correto e o incorreto, o
certo e o errado.

1
MONTORO, André Franco. Introdução à ciência do Direito. 26. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2005.
- Fornece as regras fundamentais da conduta humana. Delimita o exercício da atividade livre. Fixa os usos e
abusos da liberdade.
- Doutrina do valor do bem e da conduta humana que o visa realizar.
“Em seu sentido de maior amplitude, a Ética tem sido entendida como a ciência da conduta humana
perante o ser e seus semelhantes. Envolve, pois, os estudos de aprovação ou desaprovação da ação dos
homens e a consideração de valor como equivalente de uma medição do que é real e voluntarioso no campo
das ações virtuosas”2.
É difícil estabelecer um único significado para a palavra ética, mas os conceitos acima contribuem para uma
compreensão geral de seus fundamentos, de seu objeto de estudo.
Quanto à etimologia da palavra ética: No grego existem duas vogais para pronunciar e grafar a vogal e, uma
breve, chamada epsílon, e uma longa, denominada eta. Éthos, escrita com a vogal longa, significa costume;
porém, se escrita com a vogal breve, éthos, significa caráter, índole natural, temperamento, conjunto das
disposições físicas e psíquicas de uma pessoa. Nesse segundo sentido, éthos se refere às características
pessoais de cada um, as quais determinam que virtudes e que vícios cada indivíduo é capaz de praticar
(aquele que possuir todas as virtudes possuirá uma virtude plena, agindo estritamente de maneira conforme à
moral) 3.
A ética passa por certa evolução natural através da história, mas uma breve observação do ideário de
alguns pensadores do passado permite perceber que ela é composta por valores comuns desde sempre
consagrados.
Entre os elementos que compõem a Ética, destacam-se a Moral e o Direito. Assim, a Moral não é a Ética,
mas apenas parte dela. Neste sentido, Moral vem do grego Mos ou Morus, referindo-se exclusivamente ao
regramento que determina a ação do indivíduo.
Assim, Moral e Ética não são sinônimos, não apenas pela Moral ser apenas uma parte da Ética, mas
principalmente porque enquanto a Moral é entendida como a prática, como a realização efetiva e cotidiana
dos valores; a Ética é entendida como uma “filosofia moral”, ou seja, como a reflexão sobre a moral. Moral é
ação, Ética é reflexão.
Em resumo:
- Ética - mais ampla - filosofia moral - reflexão
- Moral - parte da Ética - realização efetiva e cotidiana dos valores - ação
No início do pensamento filosófico não prevalecia real distinção entre Direito e Moral, as discussões sobre
o agir ético envolviam essencialmente as noções de virtude e de justiça, constituindo esta uma das dimensões
da virtude. Por exemplo, na Grécia antiga, berço do pensamento filosófico, embora com variações de
abordagem, o conceito de ética aparece sempre ligado ao de virtude.
Aristóteles4, um dos principais filósofos deste momento histórico, concentra seus pensamentos em
algumas bases:
a) definição do bem supremo como sendo a felicidade, que necessariamente ocorrerá por uma atividade
da alma que leva ao princípio racional, de modo que a felicidade está ligada à virtude;
b) crença na bondade humana e na prevalência da virtude sobre o apetite;
c) reconhecimento da possibilidade de aquisição das virtudes pela experiência e pelo hábito, isto é, pela
prática constante; d) afastamento da ideia de que um fim pudesse ser bom se utilizado um meio ruim.
Já na Idade Média, os ideais éticos se identificaram com os religiosos. O homem viveria para conhecer,
amar e servir a Deus, diretamente e em seus irmãos. Santo Tomás de Aquino 5, um dos principais filósofos do
período, lançou bases que até hoje são invocadas quanto o tópico em questão é a Ética:

2
SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
3
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. 13. ed. São Paulo: Ática, 2005.
4
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Tradução Pietro Nassetti. São Paulo: Martin Claret, 2006.
a) consideração do hábito como uma qualidade que deverá determinar as potências para o bem;
b) estabelecimento da virtude como um hábito que sozinho é capaz de produzir a potência perfeita,
podendo ser intelectual, moral ou teologal - três virtudes que se relacionam porque não basta possuir uma
virtude intelectual, capaz de levar ao conhecimento do bem, sem que exista a virtude moral, que irá controlar
a faculdade apetitiva e quebrar a resistência para que se obedeça à razão (da mesma forma que somente
existirá plenitude virtuosa com a existência das virtudes teologais);
c) presença da mediania como critério de determinação do agir virtuoso;
d) crença na existência de quatro virtudes cardeais - a prudência, a justiça, a temperança e a fortaleza.
No Iluminismo, Kant6 definiu a lei fundamental da razão pura prática, que se resume no seguinte
postulado: “age de tal modo que a máxima de tua vontade possa valer-te sempre como princípio de uma
legislação universal”. Mais do que não fazer ao outro o que não gostaria que fosse feito a você, a máxima
prescreve que o homem deve agir de tal modo que cada uma de suas atitudes reflita aquilo que se espera de
todas as pessoas que vivem em sociedade. O filósofo não nega que o homem poderá ter alguma vontade
ruim, mas defende que ele racionalmente irá agir bem, pela prevalência de uma lei prática máxima da razão
que é o imperativo categórico. Por isso, o prazer ou a dor, fatores geralmente relacionados ao apetite, não
são aptos para determinar uma lei prática, mas apenas uma máxima, de modo que é a razão pura prática que
determina o agir ético. Ou seja, se a razão prevalecer, a escolha ética sempre será algo natural.
Quando acabou a Segunda Guerra Mundial, percebeu-se o quão graves haviam sido as suas consequências,
o pensamento filosófico ganhou novos rumos, retomando aspectos do passado, mas reforçando a dimensão
coletiva da ética. Maritain7, um dos redatores da Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948,
defendeu que o homem ético é aquele que compõe a sociedade e busca torná-la mais justa e adequada ao
ideário cristão. Assim, a atitude ética deve ser considerada de maneira coletiva, como impulsora da sociedade
justa, embora partindo da pessoa humana individualmente considerada como um ser capaz de agir conforme
os valores morais.
Já a discussão sobre o conceito de justiça, intrínseca na do conceito de ética, embora sempre tenha estado
presente, com maior ou menor intensidade dependendo do momento, possuiu diversos enfoques ao longo
dos tempos.
Pode-se considerar que do pensamento grego até o Renascimento, a justiça foi vista como uma virtude e
não como uma característica do Direito. Por sua vez, no Renascimento, o conceito de Ética foi bifurcado,
remetendo-se a Moral para o espaço privado e remanescendo a justiça como elemento ético do espaço
público. No entanto, como se denota pela teoria de Maquiavel 8, o justo naquele tempo era tido como o que o
soberano impunha (o rei poderia fazer o que bem entendesse e utilizar quaisquer meios, desde que visasse
um único fim, qual seja o da manutenção do poder).
Posteriormente, no Iluminismo, retomou-se a discussão da justiça como um elemento similar à Moral, mas
inerente ao Direito, por exemplo, Kant 9 defendeu que a ciência do direito justo é aquela que se preocupa com
o conhecimento da legislação e com o contexto social em que ela está inserida, sendo que sob o aspecto do
conteúdo seria inconcebível que o Direito prescrevesse algo contrário ao imperativo categórico da Moral
kantiana.
Ainda, Locke, Montesquieu e Rousseau, em comum defendiam que o Estado era um mal necessário, mas
que o soberano não possuía poder divino/absoluto, sendo suas ações limitadas pelos di reitos dos cidadãos
submetidos ao regime estatal.
5
AQUINO, Santo Tomás de. Suma teológica. Tradução Aldo Vannucchi e Outros. Direção Gabriel C. Galache e Fidel
García Rodríguez. Coordenação Geral Carlos-Josaphat Pinto de Oliveira. Edição Joaquim Pereira. São Paulo: Loyola,
2005. v. IV, parte II, seção I, questões 49 a 114.
6
KANT, Immanuel. Crítica da razão prática. Tradução Paulo Barrera. São Paulo: Ícone, 2005.
7
MARITAIN, Jacques. Humanismo integral. Tradução Afrânio Coutinho. 4. ed. São Paulo: Dominus Editora S/A, 1962.
8
MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. Tradução Pietro Nassetti. São Paulo: Martin Claret, 2007.
9
KANT, Immanuel. Doutrina do Direito. Tradução Edson Bini. São Paulo: Ícone, 1993.
Tais pensamentos iluministas não foram plenamente seguidos, de forma que firmou-se a teoria jurídica do
positivismo, pela qual Direito é apenas o que a lei impõe (de modo que se uma lei for injusta nem por isso
será inválida), que somente foi abalada após o fim trágico da 2ª Guerra Mundial e a consolidação de um
sistema global de proteção de direitos humanos (criação da ONU + declaração universal de 1948). Com o
ideário humanista consolidou-se o Pós-positivismo, que junto consigo trouxe uma valorização das normas
principiológicas do ordenamento jurídico, conferindo-as normatividade.
Assim, a concepção de uma base ética objetiva no comportamento das pessoas e nas múltiplas
modalidades da vida social foi esquecida ou contestada por fortes correntes do pensamento moderno.
Concepções de inspiração positivista, relativista ou cética e políticas voltadas para o homo economicus
passaram a desconsiderar a importância e a validade das normas de ordem ética no campo da ciência e do
comportamento dos homens, da sociedade da economia e do Estado.
No campo do Direito, as teorias positivistas que prevaleceram a partir do final do século XIX sustentavam
que só é direito aquilo que o poder dominante determina. Ética, valores humanos, justiça são considerados
elementos estranhos ao Direito, extrajurídicos. Pensavam com isso em construir uma ciência pura do direito e
garantir a segurança das sociedades.10
Atualmente, entretanto, é quase universal a retomada dos estudos e exigências da ética na vida pública e
na vida privada, na administração e nos negócios, nas empresas e na escola, no esporte, na política, na justiça,
na comunicação. Neste contexto, é relevante destacar que ainda há uma divisão entre a Moral e o Direito,
que constituem dimensões do conceito de Ética, embora a tendência seja que cada vez mais estas dimensões
se juntem, caminhando lado a lado.
Dentro desta distinção pode-se dizer que alguns autores, entre eles Radbruch e Del Vechio são partidários
de uma dicotomia rigorosa, na qual a Ética abrange apenas a Moral e o Direito. Contudo, para autores como
Miguel Reale, as normas dos costumes e da etiqueta compõem a dimensão ética, não possuindo apenas
caráter secundário por existirem de forma autônoma, já que fazem parte do nosso viver comum.11
Em resumo:
- Posição 1 - Radbruch e Del Vechio - Ética = Moral + Direito
- Posição 2 - Miguel Reale - Ética = Moral + Direito + Costumes
Para os fins da presente exposição, basta atentar para o binômio Moral-Direito como fator pacífico de
composição da Ética. Assim, nas duas posições adotadas, uma das vertentes da Ética é a Moral, e a outra é o
Direito.
Tradicionalmente, os estudos consagrados às relações entre o Direito e a Moral se esforçam em distingui-
los, nos seguintes termos: o direito rege o comportamento exterior, a moral enfatiza a intenção; o direito
estabelece uma correlação entre os direitos e as obrigações, a moral prescreve deveres que não dão origem a
direitos subjetivos; o direito estabelece obrigações sancionadas pelo Poder, a moral escapa às sanções
organizadas. Assim, as principais notas que distinguem a Moral do Direito não se referem propriamente ao
conteúdo, pois é comum que diretrizes morais sejam disciplinadas como normas jurídicas. 12
Com efeito, a partir da segunda metade do século XX (pós-guerra), a razão jurídica é uma razão ética,
fundada na garantia da intangibilidade da dignidade da pessoa humana, na aquisição da igualdade entre as
pessoas, na busca da efetiva liberdade, na realização da justiça e na construção de uma consciência que
preserve integralmente esses princípios.
Assim, as principais notas que distinguem Moral e Direito são:
a) Exterioridade: Direito - comportamento exterior, Moral - comportamento interior (intenção);
b) Exigibilidade: Direito - a cada Direito pode se exigir uma obrigação, Moral - agir conforme a moralidade
não garante direitos (não posso exigir que alguém aja moralmente porque também agi);
10
KELSEN, Hans. Teoria pura do Direito. 6. ed. Tradução João Baptista Machado. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
11
REALE, Miguel. Filosofia do direito. 19. ed. São Paulo: Saraiva, 2002.
12
PERELMAN, Chaïm. Ética e Direito. Tradução Maria Ermantina Galvão. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
c) Coação: Direito - sanções aplicadas pelo Estado; Moral - sanções não organizadas (ex: exclusão de um
grupo social). Em outras palavras, o Direito exerce sua pressão social a partir do centro ativo do Poder, a
moral pressiona pelo grupo social não organizado. ATENÇÃO: tanto no Direito quanto na Moral existem
sanções. Elas somente são aplicadas de forma diversa, sendo que somente o Direito aceita a coação, que é a
sanção aplicada pelo Estado.
O descumprimento das diretivas morais gera sanção, e caso ele se encontre transposto para uma norma
jurídica, gera coação (espécie de sanção aplicada pelo Estado). Assim, violar uma lei ética não significa excluir
a sua validade. Por exemplo, matar alguém não torna matar uma ação correta, apenas gera a punição daquele
que cometeu a violação. Neste sentido, explica Reale 13: “No plano das normas éticas, a contradição dos fatos
não anula a validez dos preceitos: ao contrário, exatamente porque a normatividade não se compreende sem
fins de validez objetiva e estes têm sua fonte na liberdade espiritual, os insucessos e as violações das normas
conduzem à responsabilidade e à sanção, ou seja, à concreta afirmação da ordenação normativa”.
Como se percebe, Ética e Moral são conceitos interligados, mas a primeira é mais abrangente que a
segunda, porque pode abarcar outros elementos, como o Direito e os costumes. Todas as regras éticas são
passíveis de alguma sanção, sendo que as incorporadas pelo Direito aceitam a coação, que é a sanção aplicada
pelo Estado. Sob o aspecto do conteúdo, muitas das regras jurídicas são compostas por postulados morais,
isto é, envolvem os mesmos valores e exteriorizam os mesmos princípios.

2 Ética, princípios e valores

A área da filosofia do direito que estuda a ética é conhecida como axiologia, do grego “valor” + “estudo,
tratado”. Por isso, a axiologia também é chamada de teoria dos valores. Daí valores e princípios serem
componentes da ética sob o aspecto da exteriorização de suas diretrizes. Em outras palavras, a mensagem
que a ética pretende passar se encontra consubstanciada num conjunto de valores, para cada qual
corresponde um postulado chamado princípio.
De uma maneira geral, a axiologia proporciona um estudo dos padrões de valores dominantes na
sociedade que revelam princípios básicos. Valores e princípios, por serem elementos que permitem a
compreensão da ética, também se encontram presentes no estudo do Direito, notadamente quando a posição
dos juristas passou a ser mais humanista e menos positivista (se preocupar mais com os valores inerentes à
dignidade da pessoa humana do que com o que a lei específica determina).
Os juristas, descontentes com uma concepção positivista, estadística e formalista do Direito, insistem na
importância do elemento moral em seu funcionamento, no papel que nele desempenham a boa e a má-fé, a
intenção maldosa, os bons costumes e tantas outras noções cujo aspecto ético não pode ser desprezado.
Algumas dessas regras foram promovidas à categoria de princípios gerais do direito e alguns juristas não
hesitam em considerá-las obrigatórias, mesmo na ausência de uma legislação que lhes concedesse o estatuto
formal de lei positiva, tal como o princípio que afirma os direitos da defesa. No entanto, a Lei de Introdução às
Normas do Direito Brasileiro é expressa no sentido de aceitar a aplicação dos princípios gerais do Direito
(artigo 4°). 14
É inegável que o Direito possui forte cunho axiológico, diante da existência de valores éticos e morais como
diretrizes do ordenamento jurídico, e até mesmo como meio de aplicação da norma. Assim, perante a
Axiologia, o Direito não deve ser interpretado somente sob uma concepção formalista e positivista, sob pena
de provocar violações ao princípio que justifica a sua criação e estruturação: a justiça.
Neste sentido, Montoro15 entende que o Direito é uma ciência normativa ética: “A finalidade do direito é
dirigir a conduta humana na vida social. É ordenar a convivência de pessoas humanas. É dar normas ao agir,
13
REALE, Miguel. Filosofia do direito. 19. ed. São Paulo: Saraiva, 2002.
14
PERELMAN, Chaïm. Ética e Direito. Tradução Maria Ermantina Galvão. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
15
MONTORO, André Franco. Introdução à ciência do Direito. 26. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2005.
para que cada pessoa tenha o que lhe é devido. É, em suma, dirigir a liberdade, no sentido da justiça. Insere -
se, portanto, na categoria das ciências normativas do agir, também denominadas ciências éticas ou morais,
em sentido amplo. Mas o Direito se ocupa dessa matéria sob um aspecto especial: o da justiça”.
A formação da ordem jurídica, visando a conservação e o progresso da sociedade, se dá à luz de postulados
éticos. O Direito criado não apenas é irradiação de princípios morais como também força aliciada para a
propagação e respeitos desses princípios.
Um dos principais conceitos que tradicionalmente se relaciona à dimensão do justo no Direito é o de lei
natural. Lei natural é aquela inerente à humanidade, independentemente da norma imposta, e que deve ser
respeitada acima de tudo. O conceito de lei natural foi fundamental para a estruturação dos direitos dos
homens, ficando reconhecido que a pessoa humana possui direitos inalienáveis e imprescritíveis, válidos em
qualquer tempo e lugar, que devem ser respeitados por todos os Estados e membros da sociedade. 16
O Direito natural, na sua formulação clássica, não é um conjunto de normas paralelas e semelhantes às do
Direito positivo, mas é o fundamento do Direito positivo. É constituído por aquelas normas que servem de
fundamento a este, tais como: “deve se fazer o bem”, “dar a cada um o que lhe é devido”, “a vida social deve
ser conservada”, “os contratos devem ser observados” etc., normas essas que são de outra natureza e de
estrutura diferente das do Direito positivo, mas cujo conteúdo é a ele transposto, notadamente na
Constituição Federal.17
Importa fundamentalmente ao Direito que, nas relações sociais, uma ordem seja observada: que seja
assegurada individualmente cada coisa que for devida, isto é, que a justiça seja realizada. Podemos dizer que
o objeto formal, isto é, o valor essencial, do direito é a justiça.
No sistema jurídico brasileiro, estes princípios jurídicos fundamentais de cunho ético estão instituídos no
sistema constitucional, isto é, firmados no texto da Constituição Federal. São os princípios con stitucionais os
mais importantes do arcabouço jurídico nacional, muitos deles se referindo de forma específica à ética no
setor público. O mais relevante princípio da ordem jurídica brasileira é o da dignidade da pessoa humana, que
embasa todos os demais princípios jurídico-constitucionais (artigo 1°, III, CF).
Claro, o Direito não é composto exclusivamente por postulados éticos, já que muitas de suas normas não
possuem qualquer cunho valorativo (por exemplo, uma norma que estabelece um prazo de 10 ou 15 dias não
tem um valor que a acoberta). Contudo, o é em boa parte.
A Moral é composta por diversos valores - bom, correto, prudente, razoável, temperante, enfim, todas as
qualidades esperadas daqueles que possam se dizer cumpridores da moral. É impossível es gotar um rol de
valores morais, mas nem ao menos é preciso: basta um olhar subjetivo para compreender o que se espera,
num caso concreto, para que se consolide o agir moral - bom senso que todos os homens possuem (mesmo o
corrupto sabe que está contrariando o agir esperado pela sociedade, tanto que esconde e nega sua conduta,
geralmente). Todos estes valores morais se consolidam em princípios, isto é, princípios são postulados
determinantes dos valores morais consagrados.
Segundo Rizzatto Nunes18, “a importância da existência e do cumprimento de imperativos morais está
relacionada a duas questões: a) a de que tais imperativos buscam sempre a realização do Bem - ou da Justiça,
da Verdade etc., enfim valores positivos; b) a possibilidade de transformação do ser - comportamento
repetido e durável, aceito amplamente por todos (consenso) - em dever ser, pela verificação de certa
tendência normativa do real”.
Quando se fala em Direito, notadamente no direito constitucional e nas normas ordinárias que disciplinam
as atitudes esperadas da pessoa humana, percebem-se os principais valores morais consolidados, na forma de
princípios e regras expressos. Por exemplo, quando eu proíbo que um funcionário público receba uma

16
LAFER, Celso. A reconstrução dos direitos humanos: um diálogo com o pensamento de Hannah Arendt. São
Paulo: Cia. das Letras, 2009.
17
MONTORO, André Franco. Introdução à ciência do Direito. 26. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2005.
18
NUNES, Luiz Antonio Rizzatto. Manual de introdução ao estudo do direito. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2006.
vantagem indevida para deixar de praticar um ato de interesse do Estado, consolido os valores morais da
bondade, da justiça e do respeito ao bem comum, prescrevendo a respectiva norma.
Uma norma, conforme seu conteúdo mais ou menos amplo, pode refletir um valor moral por meio de um
princípio ou de uma regra. Quando digo que “todos são iguais perante a lei *...+” (art. 5°, caput, CF) exteriorizo
o valor moral do tratamento digno a todos os homens, na forma de um princípio constitucional (princípio da
igualdade). Por sua vez, quando proíbo um servidor público de “Solicitar ou receber, para si ou para outrem,
direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem
indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem” (art. 317, CP), estabeleço uma regra que traduz os valores
morais da solidariedade e do respeito ao interesse coletivo. No entanto, sempre por trás de uma regra
infraconstitucional haverá um princípio constitucional. No caso do exemplo do art. 317 do CP, pode -se
mencionar o princípio do bem comum (objetivo da República segundo o art. 3º, IV, CF – “promover o bem de
todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”) e o
princípio da moralidade (art. 37, caput, CF, no que tange à Administração Pública).
Conforme Alexy19, a distinção entre regras e princípios é uma distinção entre dois tipos de normas,
fornecendo juízos concretos para o dever ser. A diferença essencial é que princípios são normas de
otimização, ao passo que regras são normas que são sempre satisfeitas ou não. Se as regras se conflitam, uma
será válida e outra não. Se princípios colidem, um deles deve ceder, embora não perca sua validade e nem
exista fundamento em uma cláusula de exceção, ou seja, haverá razões suficientes para que em um juízo de
sopesamento (ponderação) um princípio prevaleça. Enquanto adepto da adoção de tal critério de equiparação
normativa entre regras e princípios, o jurista alemão Robert Alexy é colocado entre os nomes do pós -
positivismo.
Em resumo, valor é a característica genérica que compõe de alguma forma a ética (bondade, solidariedade,
respeito...) ao passo que princípio é a diretiva de ação esperada daquele que atende certo valor ético (p. ex.,
não fazer ao outro o que não gostaria que fosse feito a você é um postulado que exterioriza o valor do
respeito; tratar a todos igualmente na medida de sua igualdade é o postulado do princípio da igualdade que
reflete os valores da solidariedade e da justiça social). Por sua vez, virtude é a característica que a pessoa
possui coligada a algum valor ético, ou seja, é a aptidão para agir conforme algum dos valores morais (ser
bondoso, ser solidário, ser temperante, ser magnânimo).
Ética, Moral, Direito, princípios, virtudes e valores são elementos constantemente correlatos, que se
complementam e estruturam, delimitando o modo de agir esperado de todas as pessoas na vida social, bem
como preconizando quais os nortes para a atuação das instituições públicas e privadas. Basicamente, a ética é
composta pela Moral e pelo Direito (ao menos em sua parte principal), sendo que virtudes são características
que aqueles que agem conforme a ética (notadamente sob o aspecto Moral) possuem, as quais exteriorizam
valores éticos, a partir dos quais é possível extrair postulados que são princípios.

3 Ética e democracia: exercício da cidadania

Historicamente, nota-se que por volta de 800 a.C. as comunidades de aldeias começaram a ceder lugar
para unidades políticas maiores, surgindo as chamadas cidades-estado ou polis, como Tebas, Esparta e
Atenas. Inicialmente eram monarquias, transformaram-se em oligarquias e, por volta dos séculos V e VI a.C.,
tornaram-se democracias. As origens da chamada democracia se encontram na Grécia antiga, sendo
permitida a participação direta daqueles poucos que eram considerados cidadãos, por meio da discussão na
polis.

19
ALEXY, Robert. Teoria dos direitos fundamentais. Tradução Virgílio Afonso da Silva. 2. ed. São Paulo: Malheiros,
2011.
Democracia (do grego, “demo” + “kratos”) é um regime de governo em que o poder de tomar decisões
políticas está com os cidadãos, de forma direta (quando um cidadão se reúne com os demais e, juntos, eles
tomam a decisão política) ou indireta (quando ao cidadão é dado o poder de eleger um representante). Com
efeito, é um regime de governo em que se garante a soberania popular, que pode ser conceituada como “a
qualidade máxima do poder extraída da soma dos atributos de cada membro da sociedade estatal,
encarregado de escolher os seus representantes no governo por meio do sufrágio universal e do voto direto,
secreto e igualitário”20.
Uma democracia pode existir num sistema presidencialista ou parlamentarista, republicano ou monárquico
- somente importa que seja dado aos cidadãos o poder de tomar decisões políticas (por si só ou por seu
representante eleito).
ATENÇÃO: a principal classificação das democracias é a que distingue a direta da indireta - a) direta,
também chamada de pura, na qual o cidadão expressa sua vontade por voto direto e individual em casa
questão relevante; b) indireta, também chamada representativa, em que os cidadãos exercem
individualmente o direito de voto para escolher representante(s) e aquele(s) que for(em) mais escolhido(s)
representa(m) todos os eleitores; c) semidireta, também conhecida como participativa, em que se tem uma
democracia representativa mesclada com peculiaridades e atributos da democracia direta (sistema híbrido).
A democracia direta tornou-se cada vez mais difícil, considerado o grande número de cidadãos, de modo
que a regra é a democracia indireta. Na Grécia Antiga se encontra um raro exemplo de democracia direta, que
somente era possível porque embora a população fosse grande, a maioria dela não era composta de pessoas
consideradas como cidadãs, como mulheres, escravos e crianças, e somente os cidadãos tinham direito de
participar do processo democrático.
Contemporaneamente, o regime que mais se aproxima dos ideais de uma democracia direta é a
democracia semidireta da Suíça. Uma democracia semidireta é um regime de democracia em que existe a
combinação de representação política com formas de democracia direta.
Democracia é um conceito interligado à Ética no que tange ao elemento da justiça, valor do Direito. Pode-
se afirmar isto se considerados os três conceitos de Aristóteles sobre as dimensões da justiça (distributiv a,
comutativa e social), dos quais se origina a dimensão da justiça participativa.
Por esta dimensão da justiça participativa, resta despertada a consciência das pessoas para uma atitude de
agir, de falar, de atuar, de entrar na vida da comunidade em que se vive ou trabalha. Enfim, busca despertar
esta consciência de que há uma obrigação de cada um para com a sociedade de participar de forma
consciente e livre e de se interar total e habitualmente na vida social que pertence.
Quem deve participar é quem vive na sociedade, é o cidadão, aquele que pode ter direitos. Participar é ao
mesmo tempo um direito e um dever. O cidadão deve participar, esta é uma obrigação de todo aquele que
vive em sociedade. E o cidadão deve ter espaço para participar, o fato de não participar em si já é uma
injustiça. Com a ampliação do conceito de soberania e cidadania e, consequentemente, da responsabilidade
do cidadão, se torna ainda mais evidente esta necessidade de participar.
A referência à justiça participativa, corolário do conceito de cidadania, é de fundamental importância para
o elemento moral da noção de ética, no sentido de possibilitar um agir voltado para o bem da sociedade.
Ninguém é obrigado a suportar desonestidades. A cidadania tem um compromisso com a efetivação da
democracia participativa. E participar não é votar a cada eleição, não se interessar pelo andamento da política
e até se esquecer de quem mereceu seu sufrágio.
Com efeito, participar é um direito de todo aquele que é cidadão, consolidando o conceito de d emocracia e
reforçando os valores éticos de preservação do justo e garantia do bem comum. Mas, afinal, quem é cidadão?

20
BULOS, Uadi Lammêngo. Constituição federal anotada. São Paulo: Saraiva, 2000.
Inicialmente, é preciso levantar alguns conceitos correlatos:
a) Nacionalidade: é o vínculo jurídico-político que liga um indivíduo a determinado Estado, fazendo com
que ele passe a integrar o povo daquele Estado, desfrutando assim de direitos e obrigações.
b) Povo: conjunto de pessoas que compõem o Estado, unidas pelo vínculo da nacionalidade.
c) População: conjunto de pessoas residentes no Estado, nacionais ou não.
Cidadão, por sua vez, é o nacional, isto é, aquele que possui o vínculo político-jurídico da nacionalidade
com o Estado, que goza de direitos políticos, ou seja, que pode votar e ser votado.
Na disciplina constitucional, os direitos políticos garantidos àquele que é cidadão encontram-se
disciplinados nos artigos 14 e 15. Direitos políticos são os instrumentos por meio dos quais a Constituição
Federal permite o exercício da soberania popular, atribuindo poderes aos cidadãos para que eles possam
interferir na condução da coisa pública de forma direta ou indireta 21.
A respeito da democracia brasileira, expõe Lenza22: “estamos diante da democracia semidireta ou
participativa, um ‘sistema híbrido’, uma democracia representativa, com peculiaridades e atributos da
democracia direta. Pode-se falar, então, em participação popular no poder por intermédio de um processo,
no caso, o exercício da soberania que se instrumentaliza por meio do plebiscito, referendo, iniciativa popular,
bem como outras formas, como a ação popular”.
Destaca-se o caput do artigo 14:

Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor
igual para todos, e, nos termos da lei, mediante:
I - plebiscito;
II - referendo;
III - iniciativa popular.

A democracia brasileira adota a modalidade semidireta, porque possibilita a participação popular direta no
poder por intermédio de processos como o plebiscito, o referendo e a iniciativa popular. Como são hipóteses
restritas, pode-se afirmar que a democracia indireta é predominantemente adotada no Brasil, por meio do
sufrágio universal e do voto direto e secreto com igual valor para todos.
Sufrágio universal é o direito de todos cidadãos de votar e ser votado. O voto, que é o ato pelo qual se
exercita o sufrágio, deverá ser direto e secreto.
O que diferencia o plebiscito do referendo é o momento da consulta à população: no plebiscito, primeiro
se consulta a população e depois se toma a decisão política; no referendo, primeiro se toma a decisão política
e depois se consulta a população. Embora os dois partam do Congresso Nacional, o plebiscito é convocado, ao
passo que o referendo é autorizado (art. 49, XV, CF), ambos por meio de decreto legislativo. O que os
assemelha é que os dois são “formas de consulta ao povo para que delibere sobre matéria de acentuada
relevância, de natureza constitucional, legislativa ou administrativa” 23.
Na iniciativa popular, confere-se à população o poder de apresentar projeto de lei à Câmara dos
Deputados, mediante assinatura de 1% do eleitorado nacional, distribuído por 5 Estados no mínimo, com não
menos de 0,3% dos eleitores de cada um deles. Em complemento, prevê o artigo 61, §2°, CF:

Art. 61, § 2º A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto
de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados,
com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles.

21
LENZA, Pedro. Curso de direito constitucional esquematizado. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
22
LENZA, Pedro. Curso de direito constitucional esquematizado. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
23
LENZA, Pedro. Curso de direito constitucional esquematizado. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
Art. 14, § 1º O alistamento eleitoral e o voto são:
I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos;
II - facultativos para:
a) os analfabetos;
b) os maiores de setenta anos;
c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.
Embora os analfabetos não possam se candidatar, possuem a faculdade de votar.

Art. 14, § 2º Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante o período do serviço militar
obrigatório, os conscritos.
Conscritos são os convocados para serviço militar.

Art. 14, § 3º São condições de elegibilidade, na forma da lei:


I - a nacionalidade brasileira;
II - o pleno exercício dos direitos políticos;
III - o alistamento eleitoral;
IV - o domicílio eleitoral na circunscrição;
V - a filiação partidária;
VI - a idade mínima de:
a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador;
b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal;
c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de
paz;
d) dezoito anos para Vereador.
O parágrafo descreve os requisitos para que uma pessoa possa ser eleita.

Art. 14, § 4º São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos.

Art. 14, § 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os P refeitos e


quem os houver sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período
subsequente.
Não poder se eleger, não significa não poder votar.

Art. 14, § 6º Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os Governadores de Estado e do
Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito.

Art. 14, § 7º São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou
afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território,
do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito,
salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.
Entre outras coisas, visa impedir que se burle a vedação à reeleição daquele que já ocupou algum destes
cargos por 2 mandatos.

Art. 14, § 8º O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições:


I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade;
II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito, passará
automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade.
Art. 14, § 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a
fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada vida
pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico
ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta.
O §9° é disciplinado pela LC n° 64/90 (Alterada pela LC n° 135/10 - Lei da Ficha Limpa).

Art. 14, § 10 O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias
contados da diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude.

Art. 14, § 11 A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça, respondendo o autor, na
forma da lei, se temerária ou de manifesta má-fé.

Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de:
I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;
II - incapacidade civil absoluta;
III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;
IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII;
V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º.
O inciso V se refere à ação de improbidade administrativa, que tramita para apurar a prática dos atos de
improbidade administrativa, na qual uma das penas aplicáveis é a suspensão dos direitos políticos.
Obs.: os direitos políticos somente são perdidos em dois casos, quais sejam cancelamento de naturalização
por sentença transitada em julgado (o indivíduo naturalizado volta à condição de estrangeiro) e perda da
nacionalidade brasileira em virtude da aquisição de outra (brasileiro se naturaliza em outro país e assim deixa
de ser considerado um cidadão brasileiro, perdendo direitos políticos). Nota-se que não há perda de direitos
políticos pela prática de atos atentatórios contra a Administração Pública por parte do servidor , mas apenas
suspensão.

4 Ética e função pública

Quando se fala em ética na função pública, não se trata do simples respeito à moral social: a obrigação
ética no setor público vai além e encontra-se disciplinada em detalhes na legislação, tanto na esfera
constitucional (notadamente no artigo 37) quanto na ordinária (em que se destaca a Lei n° 8.429/92 - Lei de
Improbidade Administrativa, a qual traz um amplo conceito de funcionário público no qual podem ser
incluídos os servidores do Banco do Brasil). Ocorre que o funcionário de uma instituição financeira da qual o
Estado participe de certo modo exterioriza os valores estatais, sendo que o Estado é o ente que possui a
maior necessidade de respeito à ética. Por isso, o servidor além de poder incidir em ato de improbidade
administrativa (cível), poderá praticar crime contra a Administração Pública (penal). Então, a ética profissional
daquele que serve algum interesse estatal deve ser ainda mais consolidada.
Se a Ética, num sentido amplo, é composta por ao menos dois elementos - a Moral e o Direito (justo); no
caso da disciplina da Ética no Setor Público a expressão é adotada num sentido estrito - ética corresponde ao
valor do justo, previsto no Direito vigente, o qual é estabelecido com um olhar atento às prescrições da Moral
para a vida social. Em outras palavras, quando se fala em ética no âmbito dos interesses do Estado não se
deve pensar apenas na Moral, mas sim em efetivas normas jurídicas que a regulamentam, o que permite a
aplicação de sanções. Veja o organograma:
As regras éticas do setor público são mais do que regulamentos morais, são normas jurídicas e, como tais,
passíveis de coação. A desobediência ao princípio da moralidade caracteriza ato de improbidade
administrativa, sujeitando o servidor às penas previstas em lei. Da mesma forma, o seu comportamento em
relação ao Código de Ética pode gerar benefícios, como promoções, e prejuízos, como censura e outras penas
administrativas. A disciplina constitucional é expressa no sentido de prescrever a moralidade como um dos
princípios fundadores da atuação da administração pública direta e indireta, bem como outros princípios
correlatos. Logo, o Estado brasileiro deve se conduzir moralmente por vontade expressa do constituinte,
sendo que à imoralidade administrativa aplicam-se sanções.
Assim, tem-se que a obediência à ética não deve se dar somente no âmbito da vida particular, mas também
na atuação profissional, principalmente se tal atuação se der no âmbito estatal, caso em que haverá coação. O
Estado é a forma social mais abrangente, a sociedade de fins gerais que permite o desenvolvimento, em seu
seio, das individualidades e das demais sociedades, chamadas de fins particulares. O Estado, como pessoa, é
uma ficção, é um arranjo formulado pelos homens para organizar a sociedade de disciplinar o poder visand o
que todos possam se realizar em plenitude, atingindo suas finalidades particulares. 24
O Estado tem um valor ético, de modo que sua atuação deve se guiar pela moral idônea. Mas não é
propriamente o Estado que é aético, porque ele é composto por homens. Assim, falta ética ou não aos
homens que o compõe. Ou seja, o bom comportamento profissional do funcionário público é uma questão
ligada à ética no serviço público, pois se os homens que compõe a estrutura do Estado tomam uma atitude
correta perante os ditames éticos há uma ampliação e uma consolidação do valor ético do Estado.
Alguns cidadãos recebem poderes e funções específicas dentro da administração pública, passando a
desempenhar um papel de fundamental interesse para o Estado. Quando estiver nesta condição, mais ainda,
será exigido o respeito à ética. Afinal, o Estado é responsável pela manutenção da sociedade, que espera dele
uma conduta ilibada e transparente.
Quando uma pessoa é nomeada como servidor público, passa a ser uma extensão daquilo que o Estado
representa na sociedade, devendo, por isso, respeitar ao máximo todos os consagrados preceitos éticos.
Todas as profissões reclamam um agir ético dos que a exercem, o qual geralmente se encontra
consubstanciado em Códigos de Ética diversos atribuídos a cada categoria profissional. No caso das profissões
na esfera pública, esta exigência se amplia.
Não se trata do simples respeito à moral social: a obrigação ética no setor público vai além e encontra-se
disciplinada em detalhes na legislação, tanto na esfera constitucional (notadamente no artigo 37) quanto na
ordinária (em que se destacam o Decreto n° 1.171/94 - Código de Ética - a Lei n° 8.429/92 - Lei de
Improbidade Administrativa - e a Lei n° 8.112/90 - regime jurídico dos servidores públicos civis na esfera
federal).
Em verdade, “*...+ a profissão, como exercício habitual de uma tarefa, a serviço de outras pessoas, insere -se
no complexo da sociedade como uma atividade específica. Trazendo tal prática benefícios recíprocos a quem
24
SPITZCOVSKY, Celso. Direito Administrativo. 13. ed. São Paulo: Método, 2011.
a pratica e a quem recebe o fruto do trabalho, também exige, nessas relações, a preservação de uma conduta
condizente com os princípios éticos específicos. O grupamento de profissionais que exercem o mesmo ofício
termina por criar as distintas classes profissionais e também a conduta pertinente. Existem aspectos claros de
observação do comportamento, nas diversas esferas em que ele se processa: perante o conhecimento,
perante o cliente, perante o colega, perante a classe, perante a sociedade, perante a pátria, perante a próp ria
humanidade como conceito global”25. Todos estes aspectos serão considerados em termos de conduta ética
esperada.
Em geral, as diretivas a respeito do comportamento profissional ético podem ser bem resumidas em alguns
princípios basilares.
Segundo Nalini26, o princípio fundamental seria o de agir de acordo com a ciência, se mantendo sempre
atualizado, e de acordo com a consciência, sabendo de seu dever ético; tomando-se como princípios
específicos:
- Princípio da conduta ilibada - conduta irrepreensível na vida pública e na vida particular.
- Princípio da dignidade e do decoro profissional - agir da melhor maneira esperada em sua profissão e fora
dela, com técnica, justiça e discrição.
- Princípio da incompatibilidade - não se deve acumular funções incompatíveis.
- Princípio da correção profissional - atuação com transparência e em prol da justiça.
- Princípio do coleguismo - ciência de que você e todos os demais operadores do Direito querem a mesma
coisa, realizar a justiça.
- Princípio da diligência - agir com zelo e escrúpulo em todas funções.
- Princípio do desinteresse - relegar a ambição pessoal para buscar o interesse da justiça.
- Princípio da confiança - cada profissional de Direito é dotado de atributos personalíssimos e
intransferíveis, sendo escolhido por causa deles, de forma que a relação estabelecida entre aquele que busca
o serviço e o profissional é de confiança.
- Princípio da fidelidade - Fidelidade à causa da justiça, aos valores constitucionais, à verdade, à
transparência.
- Princípio da independência profissional - a maior autonomia no exercício da profissão do operador do
Direito não deve impedir o caráter ético.
- Princípio da reserva - deve-se guardar segredo sobre as informações que acessa no exercício da profissão.
- Princípio da lealdade e da verdade - agir com boa-fé e de forma correta, com lealdade processual.
- Princípio da discricionariedade - geralmente, o profissional do Direito é liberal, exercendo com boa
autonomia sua profissão.
- Outros princípios éticos, como informação, solidariedade, cidadania, residência, localização, continuidade
da profissão, liberdade profissional, função social da profissão, severidade consigo mesmo, defesa das
prerrogativas, moderação e tolerância.
O rol acima é apenas um pequeno exemplo de atitudes que podem ser esperadas do profissional, mas
assim como é difícil delimitar um conceito de ética, é complicado estabelecer exatamente quais as condutas
esperadas de um servidor: melhor mesmo é observar o caso concreto e ponderar com razoabilidade.
Em suma, respeitar a ética profissional é ter em mente os princípios éticos consagrados em sociedade,
fazendo com que cada atividade desempenhada no exercício da profissão exteriorize tais postulados, inclusive
direcionando os rumos da ética empresarial na escolha de diretrizes e políticas institucionais.
O funcionário que busca efetuar uma gestão ética se guia por determinados mandamentos de ação, os
quais valem tanto para a esfera pública quanto para a privada, embora a punição dos que violam ditames
éticos no âmbito do interesse estatal seja mais rigorosa.

25
SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
26
NALINI, José Renato. Ética geral e profissional. 8. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011.
Neste sentido, destacam-se os dez mandamentos da gestão ética nas empresas públicas:

PRIMEIRO: “Amar a verdade, a lealdade, a probidade e a responsabilidade como fundamentos de dignidade


pessoal”.
Significa desempenhar suas funções com transparência, de forma honesta e responsável, sendo leal à
instituição. O funcionário deve se portar de forma digna, exteriorizando virtudes em suas ações.

SEGUNDO: “Respeitar a dignidade da pessoa humana”.


A expressão “dignidade da pessoa humana” está estabelecida na Constituição Federal Brasileira, em seu
art. 3º, III, como um dos fundamentos da República Federativa do Brasil. Ao adotar um significado mínimo
apreendido no discurso antropocentrista do humanismo, a expressão valoriza o ser humano, considerando
este o centro da criação, o ser mais elevado que habita o planeta, o que justifica a grande consideração pelo
Estado e pelos outros seres humanos na sua generalidade em relação a ele. Respeitar a dignidade da pessoa
humana significa tomar o homem como valor-fonte para todas as ações e escolhas, inclusive na atuação
empresarial.

TERCEIRO: “Ser justo e imparcial no julgamento dos atos e na apreciação do mérito dos subordinados”.
Retoma-se a questão dos planos de carreira, que exteriorizam a imparcialidade e a impessoalidade na
escolha dos que deverão ser promovidos, a qual se fará exclusivamente com base no mérito. Não se pode
tomar questões pessoais, como desavenças ou afinidades, quando o julgamento se faz sobre a aç ão de um
funcionário - se agiu bem, merece ser recompensado; se agiu mal, deve ser punido.

QUARTO: “Zelar pelo preparo próprio, moral, intelectual e, também, pelo dos subordinados, tendo em vista
o cumprimento da missão institucional”.
A missão institucional envolve a obtenção de lucros, em regra, mas sempre aliada à promoção da ética. Na
missão institucional serão estabelecidas determinadas metas para a empresa, que deverão ser buscadas pelos
funcionários. Para tanto, cada um deve se preocupar com o aperfeiçoamento de suas capacidades, tornando-
se paulatinamente um melhor funcionário, por exemplo, buscando cursos e estudando técnicas.

QUINTO: “Acatar as ordens legais, não ser negligente e trabalhar em harmonia com a estrutura do órgão,
respeitando a hierarquia, seus colegas e cada concidadão, colaborando e aceitando colaboração”.
Existe uma hierarquia para que as funções sejam desempenhadas da melhor maneira possível, pois a
desordem não permite que as atividades se encadeiem e se enlacem, gerando perda de tempo e desperdício
de recursos. Não significa que ordens contrárias à ética devam ser obedecidas, caso em que a medida cabível
é levar a questão para as autoridades responsáveis pelo controle da ética da instituição. Cada atividade deve
ser desempenhada da melhor maneira possível, isto é, não se pode deixar de praticá-la corretamente por ser
mais trabalhoso (por negligência entende-se uma omissão perigosa). No tratamento dos demais colegas e do
público, o funcionário deve ser cordial e ético, embora somente assim estará contribuindo para a gestão ética
da empresa.

SEXTO: “Agir, na vida pessoal e funcional, com dignidade, decoro, zelo, eficácia e moralidade”.
O bom comportamento não deve se fazer presente somente no exercício das funções. Cabe ao funcionário
se portar bem quando estiver em sua vida privada, na convivência com seus amigos e familiares, bem como
nos momentos de lazer. Por melhor que seja como funcionário, não será aceito aquele que, por exemplo, for
visto frequentemente embriagado ou for sempre denunciado por violência doméstica.
Dignidade é a característica que incorpora todas as demais, significando o bom comportamento enquanto
pessoa humana, tratando os outros como gosta de ser tratado. Decoro significa discrição, aparecer o mínimo
possível, não se vangloriar com base em feitos institucionais. Zelo quer dizer cuidado, cautela, para que as
atividades sempre sejam desempenhadas do melhor modo. Eficácia remete ao dever de fazer com que suas
atividades atinjam o fim para o qual foram praticadas, isto é, que não sejam abandonadas pela metade.
Moralidade significa respeitar os ditames morais, mais que jurídicos, que exteriorizam os valores tradicionai s
consolidados na sociedade através dos tempos.

SÉTIMO: “Jamais tratar mal ou deixar à espera de solução uma pessoa que busca perante a Administração
Pública satisfazer um direito que acredita ser legítimo”.
O bom atendimento do público é necessário para que uma gestão possa ser considerada ética. Aquele que
tem um direito merece ser ouvido, não pode ser deixado de lado pelo funcionário, esperando por horas uma
solução. Mesmo que a pessoa esteja errada, isto deve ser esclarecido, de forma que a confiabilidade na
instituição não fique abalada.

OITAVO: “Cumprir e fazer cumprir as leis, os regulamentos, as instruções e as ordens das autoridades a que
estiver subordinado”.
O Direito é uma das facetas mais relevantes da Ética porque exterioriza o valor do justo e o seu
cumprimento é essencial para que a gestão ética seja efetiva.

NONO: “Agir dentro da lei e da sua competência, atento à finalidade do serviço público”.
Não basta cumprir o Direito, é preciso respeitar a divisão de funções feitas com o objetivo d e otimizar as
atividades desempenhadas.

DÉCIMO: “Buscar o bem-comum, extraído do equilíbrio entre a legalidade e finalidade do ato administrativo
a ser praticado”.
Bem comum é o bem de toda a coletividade e não de um só indivíduo. Este conceito exterioriz a a dimensão
coletiva da ética. Maritain27 apontou as características essenciais do bem comum: redistribuição, pela qual o
bem comum deve ser redistribuído às pessoas e colaborar para o desenvolvimento delas; respeito à
autoridade na sociedade, pois a autoridade é necessária para conduzir a comunidade de pessoas humanas
para o bem comum; moralidade, que constitui a retidão de vida, sendo a justiça e a retidão moral elementos
essenciais do bem comum.

5 Ética no Setor Público

O paradigma da Ética Pública parte da noção de liberdade social, envolta nos valores da segurança,
igualdade e solidariedade. Neste sentido, cada pessoa deve ter espaço para exercer individualmente sua
liberdade moral, cabendo à ética pública garantir que os indivíduos que vivem em sociedade realizem projetos
morais individuais.
A Ética Pública pode ser vista sob o aspecto da moralidade crítica e sob o aspecto da moralidade legalizada:
quando estuda-se a lei posta ou a ausência de lei e questiona-se a falta de justiça, há uma moralidade crítica;
quando a regra justa é incorporada ao Direito, há moralidade legalizada ou positivada.
Sobre a Ética Pública, explica Nalini28: “Ética é sempre ética, poder-se-ia afirmar. Ser ético é obrigação de
todos. Seja no exercício de alguma atividade estatal, seja no comportamento individual. Mas pode-se falar em
ética realçada quando se atua num universo mais amplo, de interesse de todos. Existe, pois, uma Ética

27
MARITAIN, Jacques. Os direitos do homem e a lei natural. 3. ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora,
1967.
28
NALINI, José Renato. Ética geral e profissional. 8. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011.
Pública, e apura-se o seu sentido em contraposição com o de Ética Privada. Um nome pelo qual a Ética Pública
tem sido conhecida é o da justiça”.
Assim, ética pública seria a moral incorporada ao Direito, consolidando o valor do justo. Diante da
relevância social de que a Ética se faça presente no exercício das atividades públicas, as regras éticas para a
vida pública são mais do que regras morais, são regras jurídicas estabelecidas em diversos diplomas do
ordenamento, possibilitando a coação em caso de infração por parte daqueles que desempenham a função
pública.
Os valores éticos inerentes ao Estado, os quais permitem que ele consolide o bem comum e garanta a
preservação dos interesses da coletividade, se encontram exteriorizados em princípios e regras. Estes, por sua
vez, são estabelecidos na Constituição Federal e em legislações infraconstitucionais, a exemplo das que serão
estudadas neste tópico, quais sejam: Decreto n° 1.171/94, Lei n° 8.112/90 e Lei n° 8.429/92.
Todas as diretivas de leis específicas sobre a ética no setor público partem da Constituição Federal, que
estabelece alguns princípios fundamentais para a ética no setor público. Em outras palavras, é o texto
constitucional do artigo 37, especialmente o caput, que permite a compreensão de boa parte do conteúdo
das leis específicas, porque possui um caráter amplo ao preconizar os princípios fundamentais da
administração pública. Estabelece a Constituição Federal:

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: [...]
São princípios da administração pública, nesta ordem:
Legalidade
Impessoalidade
Moralidade
Publicidade
Eficiência
Para memorizar: veja que as iniciais das palavras formam o vocábulo LIMPE, que remete à limpeza
esperada da Administração Pública. É de fundamental importância um olhar atento ao significado de cada um
destes princípios, posto que eles estruturam todas as regras éticas prescritas no Código de Ética e na Lei de
Improbidade Administrativa, tomando como base os ensinamentos de Carvalho Filho 29 e Spitzcovsky30:
a) Princípio da legalidade: Para o particular, legalidade significa a permissão de fazer tudo o que a lei não
proíbe. Contudo, como a administração pública representa os interesses da coletividade, ela se sujeita a uma
relação de subordinação, pela qual só poderá fazer o que a lei expressamente determina (assim, na esfera
estatal, é preciso lei anterior editando a matéria para que seja preservado o princípio da legalidade). A origem
deste princípio está na criação do Estado de Direito, no sentido de que o próprio Estado deve respeitar as leis
que dita.
b) Princípio da impessoalidade: Por força dos interesses que representa, a administração pública está
proibida de promover discriminações gratuitas. Discriminar é tratar alguém de forma diferente dos demais,
privilegiando ou prejudicando. Segundo este princípio, a administração pública deve tratar igualmente todos
aqueles que se encontrem na mesma situação jurídica (princípio da isonomia ou igualdade). Por exemplo, a
licitação reflete a impessoalidade no que tange à contratação de serviços. O princípio da impessoalidade
correlaciona-se ao princípio da finalidade, pelo qual o alvo a ser alcançado pela administração pública é
somente o interesse público. Com efeito, o interesse particular não pode influenciar no tratamento das
pessoas, já que deve-se buscar somente a preservação do interesse coletivo.

29
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen juris, 2010.
30
SPITZCOVSKY, Celso. Direito Administrativo. 13. ed. São Paulo: Método, 2011.
c) Princípio da moralidade: A posição deste princípio no artigo 37 da CF representa o reconhecimento de
uma espécie de moralidade administrativa, intimamente relacionada ao poder público. A administração
pública não atua como um particular, de modo que enquanto o descumprimento dos preceitos morais por
parte deste particular não é punido pelo Direito (a priori), o ordenamento jurídico adota tratamento rigoroso
do comportamento imoral por parte dos representantes do Estado. O princípio da moralidade deve se fazer
presente não só para com os administrados, mas também no âmbito interno. Está indissociavelmente ligado à
noção de bom administrador, que não somente deve ser conhecedor da lei, mas também dos princípios éticos
regentes da função administrativa. TODO ATO IMORAL SERÁ DIRETAMENTE ILEGAL OU AO MENOS
IMPESSOAL, daí a intrínseca ligação com os dois princípios anteriores.
d) Princípio da publicidade: A administração pública é obrigada a manter transparência em relação a todos
seus atos e a todas informações armazenadas nos seus bancos de dados. Daí a publicação em órgãos da
imprensa e a afixação de portarias. Por exemplo, a própria expressão concurso público (art. 37, II, CF) remonta
ao ideário de que todos devem tomar conhecimento do processo seletivo de servidores do Estado. Diante
disso, como será visto, se negar indevidamente a fornecer informações ao administrado caracteriza ato de
improbidade administrativa. Somente pela publicidade os indivíduos controlarão a legalidade e a eficiência
dos atos administrativos. Os instrumentos para proteção são o direito de petição e as certidões (art. 5°, XXXIV,
CF), além do habeas data e - residualmente - do mandado de segurança.
e) Princípio da eficiência: A administração pública deve manter o ampliar a qualidade de seus serviços com
controle de gastos. Isso envolve eficiência ao contratar pessoas (o concurso público seleciona os mais
qualificados ao exercício do cargo), ao manter tais pessoas em seus cargos (pois é possível exonerar um
servidor público por ineficiência) e ao controlar gastos (limitando o teto de remuneração), por exemplo . O
núcleo deste princípio é a procura por produtividade e economicidade. Alcança os serviços públicos e os
serviços administrativos internos, se referindo diretamente à conduta dos agentes.
Além destes cinco princípios administrativo-constitucionais diretamente selecionados pelo constituinte,
podem ser apontados como princípios de natureza ética relacionados à função pública a probidade e a
motivação:
a) Princípio da probidade: um princípio constitucional incluído dentro dos princípios específicos da
licitação, é o dever de todo o administrador público, o dever de honestidade e fidelidade com o Estado, com a
população, no desempenho de suas funções. Possui contornos mais definidos do que a moralidade. Diógenes
Gasparini31 alerta que alguns autores tratam vêem como distintos os princípios da moralidade e da probidade
administrativa, mas não há características que permitam tratar os mesmos como procedimentos distintos,
sendo no máximo possível afirmar que a probidade administrativa é um aspecto particular da moralidade
administrativa.
b) Princípio da motivação: É a obrigação conferida ao administrador de motivar todos os atos que edita,
gerais ou de efeitos concretos. É considerado, entre os demais princípios, um dos mais importantes, uma vez
que sem a motivação não há o devido processo legal, uma vez que a fundamentação surge como meio
interpretativo da decisão que levou à prática do ato impugnado, sendo verdadeiro meio de viabilização do
controle da legalidade dos atos da Administração.
Motivar significa mencionar o dispositivo legal aplicável ao caso concreto e relacionar os fatos que
concretamente levaram à aplicação daquele dispositivo legal. Todos os atos administrativos devem ser
motivados para que o Judiciário possa controlar o mérito do ato administrativo quanto à sua legalidade. Para
efetuar esse controle, devem ser observados os motivos dos atos administrativos.
Em relação à necessidade de motivação dos atos administrativos vinculados (aqueles em que a lei aponta
um único comportamento possível) e dos atos discricionários (aqueles que a lei, dentro dos limites nela
previstos, aponta um ou mais comportamentos possíveis, de acordo com um juízo de conveniência e

31
GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo. 9ª ed. São Paulo: Saraiva, 2004.
oportunidade), a doutrina é uníssona na determinação da obrigatoriedade de motivação com relação aos
atos administrativos vinculados; todavia, diverge quanto à referida necessidade quanto aos atos
discricionários.
Meirelles32 entende que o ato discricionário, editado sob os limites da Lei, confere ao administrador uma
margem de liberdade para fazer um juízo de conveniência e oportunidade, não sendo necessária a motivação.
No entanto, se houver tal fundamentação, o ato deverá condicionar-se a esta, em razão da necessidade de
observância da Teoria dos Motivos Determinantes. O entendimento majoritário da doutrina, porém, é de que,
mesmo no ato discricionário, é necessária a motivação para que se saiba qual o caminho adotado pelo
administrador. Gasparini33, com respaldo no art. 50 da Lei n. 9.784/98, aponta inclusive a superação de tais
discussões doutrinárias, pois o referido artigo exige a motivação para todos os atos nele elencados,
compreendendo entre estes, tanto os atos discricionários quanto os vinculados.

5.1 Decreto nº 1.171/1994 (Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo
Federal).

Dentre os diplomas jurídicos específicos que regulamentam a Ética no Serviço Público, destaca-se o
Decreto nº 1.171/1994 (Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal) ,
que serve de norte para a consolidação de um padrão de comportamento ético no setor público.
Considerados os princípios administrativos basilares do art. 37 da CF (legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência), destaca-se a existência deste diploma específico que estabelece a ação
ética esperada dos servidores públicos, qual seja o Decreto n° 1.171/94. Trata-se do chamado Código de Ética
do Servidor Público, o qual disciplina normas éticas aplicáveis a esta categoria de profissionais, assemelhando -
se no formato aos Códigos de Ética que costumam ser adotados para variadas categorias profissionais
(médicos, contadores...), mas diferenciando-se destes por possuir o caráter jurídico, logo, coativo.
A respeito dos motivos que ensejam a criação de um Código de Ética, tem-se que “as relações de valor que
existem entre o ideal moral traçado e os diversos campos da conduta humana podem ser reunidas em um
instrumento regulador. Tal conjunto racional, com o propósito de estabelecer linhas ideais éticas, já é uma
aplicação desta ciência que se consubstancia em uma peça magna, como se uma lei fosse entre partes
pertencentes a grupamentos sociais. Uma espécie de contrato de classe gera o Código de Ética Profissional e
os órgãos de fiscalização do exercício passam a controlar a execução de tal peça magna. Tudo deriva, pois, de
critérios de condutas de um indivíduo perante seu grupo e o todo social. O interesse no cumprimento do
aludido código passa, entretanto, a ser de todos. O exercício de uma virtude obrigatória torna -se exigível de
cada profissional [...], mas com proveito geral. Cria-se a necessidade de uma mentalidade ética e de uma
educação pertinente que conduza à vontade de agir, de acordo com o estabelecido. Essa disciplina da
atividade é antiga, já encontrada nas provas históricas mais remotas, e é uma tendência natural na vida das
comunidades. É inequívoco que o ser tenha sua individualidade, sua forma de realizar seu trabalho, mas
também o é que uma norma comportamental deva reger a prática profissional no que concerne a sua
conduta, em relação a seus semelhantes”34. Logo, embora se reconheça que o indivíduo tem particularidades
no desempenho de suas funções, isto é, que emprega algo de sua personalidade no exercício delas, cabe o
estabelecimento de um rol de condutas padronizadas genericamente, as quais correspondem ao melhor
desempenho profissional que se pode ter, um desempenho ético.
“Para que um Código de Ética Profissional seja organizado, é preciso, preliminarmente, que se trace a sua
base filosófica. Tal base deve estribar-se nas virtudes exigíveis a serem respeitadas no exercício da profissão, e
em geral abrange as relações com os utentes dos serviços, os colegas, a classe e a nação. As virtudes básicas
32
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1993.
33
GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo. 9ª ed. São Paulo: Saraiva, 2004.
34
SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
são comuns a todos os códigos. As virtudes específicas de cada profissão representam as variações entre os
diversos estatutos éticos. O zelo, por exemplo, é exigível em qualquer profissão, pois representa uma
qualidade imprescindível a qualquer execução de trabalho, em qualquer lugar. O sigilo, todavia, deixa de ser
necessário em profissões que não lidam com confidências e resguardos de direitos” 35. Por exemplo, o servidor
público tem o dever de zelo, genérico, e o dever de sigilo, específico, já que tem acesso a informações
privilegiadas no exercício do cargo.

DECRETO N° 1.171 DE 22 DE JUNHO DE 1994

Aprova o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI, e ainda tendo
em vista o disposto no art. 37 da Constituição, bem como nos arts. 116 e 117 da Lei n° 8.112, de 11 de
dezembro de 1990, e nos arts. 10, 11 e 12 da Lei n° 8.429, de 2 de junho de 1992,

o Código de Ética foi expedido pelo Presidente da República, considerada a atribuição da Constituição
Federal para dispor sobre a organização e o funcionamento da administração pública federal, conforme art.
84, IV e VI da Constituição Federal: "IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir
decretos e regulamentos para sua fiel execução; [...] VI - dispor, mediante decreto, sobre: a) organização e
funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção
de órgãos públicos; b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos". Exatamente por causa desta
atribuição que o Código de Ética em estudo adota a forma de decreto e não de lei, já que as leis são
elaboradas pelo Poder Legislativo (Congresso Nacional).
O Decreto n° 1.171/94 é um exemplo do chamado exercício de poder regulamentar inerente ao Executivo,
que se perfaz em decretos regulamentares. Embora sejam factíveis decretos autônomos 36, não é o caso do
decreto em estudo, o qual encontra conexão com diplomas como as Leis n° 8.112/90 (regime jurídico dos
servidores públicos federais) e Lei n° 8.429/92 (lei de improbidade administrativa), além da Constituição
Federal. Assim, o decreto nº 1.171/94 não é autônomo, mas sim executivo!
Trata-se de uma norma secundária que encontra bases em normas primárias, quais sejam a Lei nº 8.112/90
e a Lei nº 8.429/92: na prática, as diretrizes estabelecidas no Código de Ética são repetidas em leis federais e
decorrem diretamente do texto constitucional – apesar da redação destas diretrizes ser bastante peculiar e
apontar para uma base deontológica que não se faz tão firme nas referidas leis (por isso, alguns dizem que
fixam mais deveres do que as referidas leis).
A adoção da forma de decreto não significa, de forma alguma, que suas diretrizes não sejam obrigatórias: o
servidor público federal que desobedecê-las estará sujeito à apuração de sua conduta perante a respectiva
Comissão de Ética, que enviará informações ao processo administrativo disciplinar, podendo gerar até mesmo
a perda do cargo, ou aplicará a pena de censura nos casos menos graves. Não obstante, o respeito ao Código
gera reconhecimento e é verificado para fins de promoção. Isso sem falar na total efetividade das regras
determinantes da instituição de Comissões de Ética.

DECRETA:

Art. 1° Fica aprovado o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal,
que com este baixa.

35
SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
36
LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
O Decreto é composto por 3 artigos que o introduzem e um anexo, que é propriamente o Código de Ética.

Art. 2° Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta e indireta implementarão, em


sessenta dias, as providências necessárias à plena vigência do Código de Ética, inclusive mediante a
Constituição da respectiva Comissão de Ética, integrada por três servidores ou empregados titulares de
cargo efetivo ou emprego permanente.
Parágrafo único. A constituição da Comissão de Ética será comunicada à Secretaria da Administração
Federal da Presidência da República, com a indicação dos respectivos membros titulares e suplentes.
Cada órgão da Administração Pública, direta ou indireta, deverá criar uma Comissão de Ética responsável
pela fiel execução deste Código. Questões inerentes ao funcionamento destas Comissões são colocadas no
próprio Código a partir do inciso XVI até o XXII e complementarmente pelo Decreto nº 6.029/2007, que
institui Sistema de Gestão da Ética do Poder Executivo Federal.
Vale destacar que a Comissão de Ética de cada órgão deve ser composta por 3 servidores ou empregados
que possuam cargo efetivo ou emprego permanente. Basicamente, não pode compor a Comissão de Ética
aquele que estiver apenas “de passagem” pelo órgão público. É necessário que tenha ingressado
regularmente na carreira, notadamente por concurso público. Então, não é possível que uma pessoa que
tenha cargo em comissão ocupe posição na Comissão de Ética. ATENÇÃO: cargo de comissão é diferente de
função de confiança, de modo que aquele que cumule uma gratificação ou uma função sendo já funcionário
público efetivo/permanente pode sim compor a Comissão de Ética.

Art. 3° Este decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 22 de junho de 1994, 173° da Independência e 106° da República.

ANEXO
Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal

CAPÍTULO I
Seção I
Das Regras Deontológicas

O Direito como valor do justo é estudado pela Filosofia do Direito na parte denominada Deontologia
Jurídica, ou, no plano empírico e pragmático, pela Política do Direito 37. Deontologia é uma das teorias
normativas segundo as quais as escolhas são moralmente necessárias, proibidas ou permitidas. Portanto
inclui-se entre as teorias morais que orientam nossas escolhas sobre o que deve ser feito, considerada a
moral vigente. Por sua vez, a deontologia jurídica é a ciência que cuida dos deveres e dos direitos dos
operadores do Direito, bem como de seus fundamentos éticos e legais, conoslidando o valor do justo. Por
isso, os incisos que se seguem traduzem o comportamento moral esperado do servidor público não só
enquanto desempenha suas funções, mas também em sua vida social.
Deontologia é, assim, a teoria do dever no que diz respeito à moral; conjunto de deveres que impõe a
certos profissionais o cumprimento da sua função. Pode-se dizer ainda que a deontologia consiste no
conjunto de regras e princípios que regem a conduta de um profissional, uma ciência que estuda os deveres
de uma determinada profissão. O profissional brasileiro está sujeito a uma deontologia própria a regular o
exercício de sua profissão conforme o Código de Ética de sua classe. O Direito é o mínimo de moral para que o

37
REALE, Miguel. Filosofia do Direito. 19. ed. São Paulo: Saraiva, 2002.
homem viva em sociedade e a deontologia dele decorre posto que trata de direitos e deveres dos
profissionais que estejam sujeitos a especificidade destas normas.
O Código de Ética cria regras deontológicas de ética, isto é, cria um sistema de princípios e fundamentos da
moral, daí porque não se preocupa com a previsão de punição e processo disciplinar contra o servidor
antiético, apesar de, na maioria das vezes, haver coincidência entre a conduta antiética e a necessidade de
punição administrativa. A verdadeira intenção do Código de Ética foi estimular os órgãos e entidades públicas
federais a promoverem o debate sobre a ética, para que ela, e as discussões que dela se extrai, permeie
amiúde as repartições, até com naturalidade.
“Muitas são as virtudes que um profissional precisa ter para que desenvolva com eficácia seu trabalho. Em
verdade, múltiplas exigências existem, mas entre elas, destacam-se algumas, básicas, sem as quais se
impossibilita a consecução do êxito moral. Quase sempre, na maioria dos casos, o sucesso profissional se az
acompanhar de condutas fundamentais corretas. Tais virtudes básicas são comuns a quase todas as profissões
[...]. Virtudes básicas profissionais são aquelas indispensáveis, sem as quais não se consegue a realização de
um exercício ético competente, seja qual for a natureza do serviço prestado. Tais virtudes devem formar a
consciência ética estrutural, os alicerces do caráter e, em conjunto, habilitarem o profissional ao êxito em seu
desempenho”38.
Para bem compreender o conteúdo dos incisos que se seguem, é importante pensar: se eu fosse a pessoa
buscando atendimento no órgão público em questão, como eu gostaria de ser tratado? Qual o tipo de
funcionário que eu gostaria que fosse responsável pela solução do meu problema? Enfim, basta lembrar da
regra de ouro da moralidade, pela qual eu somente devo fazer algo se racionalmente desejar que todas as
pessoas ajam da mesma forma - inclusive em relação a mim, ou seja, “age de tal modo que a máxima de tua
vontade possa valer-te sempre como princípio de uma legislação universal” 39.

I - A dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência dos princípios morais são primados maiores que
devem nortear o servidor público, seja no exercício do cargo ou função, ou fora dele, já que refletirá o exercício
da vocação do próprio poder estatal. Seus atos, comportamentos e atitudes serão direcionados para a
preservação da honra e da tradição dos serviços públicos.
Primeiramente, vale compreender o sentido de algumas palavras do inciso: por dignidade, deve-se
entender autoridade moral; por decoro, compostura e decência; por zelo, cuidado e atenção; por eficácia, a
produção do efeito esperado.
Na verdade, tudo isto abrange o que o inciso chama de consciência dos princípios morais: sei que devo agir
de modo que inspire os demais que me rodeiam, isto é, exatamente como o melhor cidadão de bem; no
desempenho das minhas funções, devo me manter sério e comprometido, desempenhando cada uma das
atribuições recebidas com o maior cuidado e atenção possível, evitando erros, de modo que o serviço que eu
preste seja o melhor que eu puder prestar.
Não basta que o funcionário aja desta forma no exercício de suas funções, porque ele participa da
sociedade e fica conhecido nela. O desempenho de cargo público, por sua vez, faz com que ele seja visto de
outra forma pela sociedade, que espera dele uma conduta ilibada, ou seja, livre de vícios e compulsões.
Discrição é a palavra-chave para a vida particular do servidor público, preservando a instituição da qual faz
parte. Por exemplo, quem se sentiria bem em ser atendido por um funcionário que é sempre visto
embriagado em bares ou provocando confusões familiares, por mais que os serviços por ele desempenhados
sejam de qualidade?
O comportamento ético do servidor público na sua vida particular só é exigível se, pela natureza do cargo,
houver uma razoável exigência do servidor se comportar moralmente, como invariavelmente ocorre n as

38
SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
39
KANT, Immanuel. Crítica da Razão Prática. Tradução Paulo Barrera. São Paulo: Ícone, 2005, p. 32.
carreiras típicas de Estado. O que dizer então do Decreto nº 1.171, de 1994, que impõe o comportamento
ético e moral de todo e qualquer servidor, na sua vida particular, independentemente da natureza do seu
cargo? Quando tal Código estabelece, logo no Capítulo I do Anexo, algumas “Regras Deontológicas”, quer
dizer que o servidor público está envolto em um sistema onde a moral tem forte influência no
desenvolvimento da sua carreira pública. Assim, quem passa pelo serviço público sabe ou deveria saber que a
promoção profissional e o adequado cumprimento das atribuições do cargo estão condicionados também
pela ética e, assim, pelo comportamento particular do servidor.

II - O servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético de sua conduta. Assim, não terá que
decidir somente entre o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o conveniente e o inconveniente, o oportuno e o
inoportuno, mas principalmente entre o honesto e o desonesto, consoante as regras contidas no art. 37, caput ,
e § 4°, da Constituição Federal.
Este inciso traz alguns binômios abrangidos pelo conceito de ética que se contrapõem. Com efeito, o
servidor deve sempre escolher o conveniente, o oportuno, o justo e o honesto. No caso, parte-se das
escolhas de menor relevância para aquelas fundamentais, que envolvem a opção pelo justo e honesto. Estes
são os principais valores morais exigidos pelo inciso. Quando se fala que é preciso escolher acima de tudo
entre honesto e desonesto, evidencia-se que o Código busca mais do que o respeito à lei, e sim a efetiva ação
conforme a moralidade.
Vale destacar o artigo 37 da Constituição Federal, ao qual o inciso em estudo faz remissão.

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: [...]
§ 4º Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da
função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei,
sem prejuízo da ação penal cabível.

Nota-se que o inciso faz referência ao §4°, que traz as consequências dos atos de improbidade
administrativa, que poderão variar conforme o grau de gravidade (uma das sanções possíveis é a de obrigar o
servidor a devolver o dinheiro aos cofres públicos, o que se entende por ressarcir o erário).

III - A moralidade da Administração Pública não se limita à distinção entre o bem e o mal, devendo ser
acrescida da ideia de que o fim é sempre o bem comum. O equilíbrio entre a legalidade e a finalidade, na
conduta do servidor público, é que poderá consolidar a moralidade do ato administrativo.
Bem e mal são conceitos que transcendem a esfera particular. O servidor público não deve pensar por uma
pessoa, mas por toda a sociedade. Assim, não se deve agir de uma forma para beneficiar um particular - ainda
que isso possa ser um bem para ele, é injusto para com a sociedade que uma pessoa seja tratada melhor que
a outra. O fim da atitude do servidor é o bem comum, ou seja, o bem da coletividade. O coletivo sempre deve
prevalecer sobre o particular.
Por isso, o servidor deve equilibrar a legalidade, que é o respeito ao que a lei determina, e a finalidade, que
é a busca do fim da preservação do bem comum. Assim, o respeito à lei é fundamental, mas a atitude do
servidor não pode cair numa burocratização sem sentido, ou seja, o respeito às minúcias da lei não pode
prejudicar o bem comum, sob pena de violar a moralidade.

IV - A remuneração do servidor público é custeada pelos tributos pagos direta ou indiretamente por todos,
até por ele próprio, e por isso se exige, como contrapartida, que a moralidade administrativa se integre no
Direito, como elemento indissociável de sua aplicação e de sua finalidade, erigindo-se, como consequência, em
fator de legalidade.
O servidor público deve colocar de lado seus interesses egoísticos e buscar a aplicação da moralidade no
Direito, lembrando que quem paga pelos seus serviços é a sociedade como um todo. “Parece ser uma
tendência do ser humano, como tem sido objeto de referência de muitos estudiosos, a de defender, em
primeiro lugar, seus interesses próprios, quando, entretanto, esses são de natureza pouco recomendável,
ocorrem seriíssimos problemas. Quando o trabalho é executado só para auferir renda, em geral, tem seu valor
restrito. Por outro lado, nos serviços realizados com amor, visando ao benefício de terceiros, dentro de vasto
raio de ação, com consciência do bem comum, passa a existir a expressão social do mesmo. O valor ético do
esforço é, pois, variável de acordo com seu alcance em face da comunidade. Aquele que só se preoc upa com
os lucros, geralmente, tende a ter menor consciência de grupo. Fascinado pela preocupação monetária, a ele
pouco importa o que ocorre com a sua comunidade e muito menos com a sociedade. [...] O egoísmo
desenfreado pode atingir um número expressivo de pessoas e até, através delas, influenciar o destino de
nações, partindo da ausência de conduta virtuosa de minorias poderosas, preocupadas apenas com seus
lucros. [...] Sabemos que a conduta do ser humano tende ao egoísmo, repetimos, mas, para os interesses de
uma classe, de toda uma sociedade, é preciso que se acomode às normas, porque estas devem estar apoiadas
em princípios de virtude. Como só a atitude virtuosa tem condições de garantir o bem comum, a Ética tem
sido o caminho justo, adequado, para o benefício geral” 40.

V - O trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a comunidade deve ser entendido como
acréscimo ao seu próprio bem-estar, já que, como cidadão, integrante da sociedade, o êxito desse trabalho
pode ser considerado como seu maior patrimônio.
O cidadão paga impostos e demais tributos apenas para que o Estado garanta a ele a prestação do melhor
serviço público possível, isto é, a manutenção de uma sociedade justa e bem estruturada. O mesmo dinheiro
que sai dos bolsos do cidadão, inclusive do próprio servidor público, é o que remunera os serviços por ele
prestados. Por isso, agir contra a moral é insultante, mais que um aproveitamento da máquina estatal, é um
desrespeito ao cidadão honesto que paga parte do que recebe ao Estado.
Assim, para bem aplicar o Direito é preciso agir conforme a moralidade administrativa, sob pena de mais
que violar a lei, também desrespeitar o bem comum e prejudicar a sociedade como um todo – inclusive a si
próprio.
No mais, chama-se atenção à vedação de que o servidor receba do particular qualquer verba extra: sua
remuneração já é paga pelo particular, por meio dos impostos, não devendo pretender mais do que aquilo.
Isto não significa que o patrimônio do servidor seja apenas o seu salário – há um patrimônio inerente à boa
prestação do serviço, proporcionando a melhoria da sociedade em que vive.

VI - A função pública deve ser tida como exercício profissional e, portanto, se integra na vida particular de
cada servidor público. Assim, os fatos e atos verificados na conduta do dia-a-dia em sua vida privada poderão
acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida funcional.
Reiterando o que foi dito no inciso I, o Código de Ética lembra que um funcionário público carrega consigo
a imagem da administração pública, ou seja, não é servidor público apenas quando está desempenhando suas
funções, mas o tempo todo. Por isso, não importa ser o melhor funcionário público da repartição se a vida
particular estiver devassada, isto é, se não agir com discrição, coerência, compostura e moralidade também
na vida particular. Isso implica em ser um bom pai/mãe, uma pessoa livre de vícios, um cidadão reservado e
cumpridor de seus deveres sociais.

40
SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
VII - Salvo os casos de segurança nacional, investigações policiais ou interesse superior do Estado e da
Administração Pública, a serem preservados em processo previamente declarado sigiloso, nos termos da lei, a
publicidade de qualquer ato administrativo constitui requisito de eficácia e moralidade, ensejando sua omissão
comprometimento ético contra o bem comum, imputável a quem a negar.
Como visto, a publicidade é um princípio basilar da administração pública, ao lado da moralidade. Como
tal, caminha lado a lado com ela. Não cabe ao servidor público negar o acesso à informação por parte do
cidadão, salvo em situações especiais. Nota-se que “quando benefícios morais se fazem exigíveis,
especificamente, para um desempenho de labor, forçoso é cumpri-los; só podemos justificar o não
cumprimento quando fatores de ordem muito superior o possam impedir, pois o descumprimento será
sempre uma lesão à consciência ética” 41.
ATENÇÃO: O dispositivo autoriza que os atos administrativos não sejam públicos em situações
excepcionais, quais sejam segurança nacional, investigações policiais e interesse superior do Estado e da
Administração Pública.

VIII - Toda pessoa tem direito à verdade. O servidor não pode omiti-la ou falseá-la, ainda que contrária aos
interesses da própria pessoa interessada ou da Administração Pública. Nenhum Estado pode crescer ou
estabilizar-se sobre o poder corruptivo do hábito do erro, da opressão ou da mentira, que sempre aniquilam
até mesmo a dignidade humana quanto mais a de uma Nação.
Mentir é uma atitude contrária à moralidade esperada do servidor público, ainda mais se tal men tira se
referir à função desempenhada, por exemplo, negando a prática de um ato ou informando erroneamente um
cidadão. Não existe uma hipótese em que mentir é aceito: não importa se dizer a verdade implicará em
prejuízo à Administração Pública.
Se o Estado errar, e isso pode acontecer, não deverá se eximir de seu erro com base em uma mentira, pois
isto ofende a integridade dos cidadãos e da própria Nação. Para ser um bom país, não é preciso se fundar em
erros ou mentiras, mas sim se esforçar ao máximo para evitá-los e corrigi-los.

IX - A cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo dedicados ao serviço público caracterizam o esforço
pela disciplina. Tratar mal uma pessoa que paga seus tributos direta ou indiretamente significa causar-lhe
dano moral. Da mesma forma, causar dano a qualquer bem pertencente ao patrimônio público, deteriorando-
o, por descuido ou má vontade, não constitui apenas uma ofensa ao equipamento e às instalações ou ao
Estado, mas a todos os homens de boa vontade que dedicaram sua inteligência, seu tempo, suas esperanças e
seus esforços para construí-los.
Quem nunca chegou a uma repartição pública ou cartório e recebeu um tratamento ruim por parte de um
funcionário? Infelizmente, esta é uma atitude comum no serviço público. Contudo, o esperado do servidor é
que ele atenda aos cidadãos com atenção e boa vontade, fazendo tudo o possível para ajudá-lo, despendendo
o tempo necessário e tomando as devidas cautelas.
O instituto da responsabilidade civil é parte integrante do direito obrigacional, uma vez que a principal
consequência da prática de um ato ilícito é a obrigação que gera para o seu auto de reparar o dano, mediante
o pagamento de indenização que se refere às perdas e danos. Afinal, quem pratica um ato ou incorre em
omissão que gere dano deve suportar as consequências jurídicas decorrentes, restaurando-se o equilíbrio
social.42
A responsabilidade civil, assim, difere-se da penal, podendo recair sobre os herdeiros do autor do ilícito até
os limites da herança, embora existam reflexos na ação que apure a responsabilidade civil conforme o

41
SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
42
GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade Civil. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2005.
resultado na esfera penal (por exemplo, uma absolvição por negativa de autoria impede a condenação na
esfera cível, ao passo que uma absolvição por falta de provas não o faz).
Genericamente, os elementos da responsabilidade civil se encontram no art. 186 do Código Civil: “aquele
que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda
que exclusivamente moral, comete ato ilícito”. Este é o artigo central do instituto da responsabilidade civil,
que tem como elementos: ação ou omissão voluntária (agir como não se deve ou deixar de agir como se
deve), culpa ou dolo do agente (dolo é a vontade de cometer uma violação de direito e culpa é a falta de
diligência), nexo causal (relação de causa e efeito entre a ação/omissão e o dano causado) e dano (dano é o
prejuízo sofrido pelo agente, que pode ser individual ou coletivo, moral ou material, econômico e não
econômico).
Prevê o artigo 37, §6° da Constituição Federal: “As pessoas jurídicas de direito público e as de direito
privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade,
causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa”. Este
artigo deixa clara a formação de uma relação jurídica autônoma entre o Estado e o agente público que causou
o dano no desempenho de suas funções. Nesta relação, a responsabilidade civil será subjetiva, ou seja, caberá
ao Estado provar a culpa do agente pelo dano causado, ao qual foi anteriormente condenado a reparar.
Direito de regresso é justamente o direito de acionar o causador direto do dano para obter de volta aquilo
que pagou à vítima, considerada a existência de uma relação obrigacional que se forma entre a vítima e a
instituição que o agente compõe.
Assim, o Estado responde pelos danos que seu agente causar aos membros da sociedade, mas se este
agente agiu com dolo ou culpa deverá ressarcir o Estado do que foi pago à vítima. O agente causará danos ao
praticar condutas incompatíveis com o comportamento ético dele esperado. 43
A responsabilidade civil do servidor exige prévio processo administrativo disciplinar no qual seja
assegurado contraditório e ampla defesa.
Trata-se de responsabilidade civil subjetiva ou com culpa. Havendo ação ou omissão com culpa do
servidor que gere dano ao erário (Administração) ou a terceiro (administrado), o servidor terá o dever de
indenizar.
Mais do que incômodo, maltratar um cidadão que busca atendimento pode caracterizar dano moral, isto é,
gerar tamanho abalo emocional e psicológico que implique num dano. Apesar deste dano não ser econômico,
isto é, de a dor causada não ter meio de compensação financeiro que a repare, o juiz estabelecerá um valor
que a compense razoavelmente.
Por sua vez, deteriorar o patrimônio público caracteriza dano material. No caso, há um correspondente
financeiro direto, de modo que a condenação será no sentido de pagar ao Estado o equivalente ao bem
destruído ou deteriorado.

X - Deixar o servidor público qualquer pessoa à espera de solução que compete ao setor em que exerça suas
funções, permitindo a formação de longas filas, ou qualquer outra espécie de atraso na prestação do serviço,
não caracteriza apenas atitude contra a ética ou ato de desumanidade, mas principalmente grave dano moral
aos usuários dos serviços públicos.
Este inciso é um desdobramento do inciso anterior, descrevendo um tipo específico de conduta imoral com
relação ao usuário do serviço público, qual seja a de deixá-lo esperando por atendimento que seja de sua
competência. Claro, a espera é algo natural, notadamente quando o atendimento estiver sobrecarregado. O
que o inciso pretende vetar é que as filas se alonguem quando o servidor enrola no atendimento, enfim, age
com preguiça e desânimo.

43
SPITZCOVSKY, Celso. Direito Administrativo. 13. ed. São Paulo: Método, 2011.
XI - O servidor deve prestar toda a sua atenção às ordens legais de seus superiores, velando atentamente
por seu cumprimento, e, assim, evitando a conduta negligente. Os repetidos erros, o descaso e o acúmulo de
desvios tornam-se, às vezes, difíceis de corrigir e caracterizam até mesmo imprudência no desempenho da
função pública.
Dentro do serviço público há uma hierarquia, que deve ser obedecida para a boa execução das atividades.
Seria uma desordem se todos mandassem e se cada qual decidisse que função iria desempenhar. Por isso,
cabe o respeito ao que o superior determina, executando as funções da melhor forma possível.
“A razão pela qual se exige uma disciplina do homem em seu grupo repousa no fato de que as associações
possuem, por suas naturezas, uma necessidade de equilíbrio que só se encontra quando a autonomia dos
seres se coordena na finalidade do todo. É a lei dos sistemas que se torna imperiosa, do átomo às galáxias, de
cada indivíduo até sua sociedade. [...] Cada ser, assim como a somatória deles em classe profissional, tem seu
comportamento específico, guiado pela característica do trabalho executado. Cada conjunto de profissionais
deve seguir uma ordem que permita a evolução harmônica do trabalho de todos, a partir da conduta de cada
um, através de uma tutela no trabalho que conduza a regularização do individualismo perante o coletivo” 44.
Negligência é a omissão no agir como se deve, isto é, é deixar de fazer aquilo que lhe foi atribuído. As
condutas negligentes devem ser evitadas, de modo que os erros sejam minimizados, a atenção seja uma
marca do serviço e a retidão algo sempre presente. Imprudência, por sua vez, é o agir sem cuidado, sem zelo,
causando prejuízo ao serviço público.

XII - Toda ausência injustificada do servidor de seu local de trabalho é fator de desmoralização do serviço
público, o que quase sempre conduz à desordem nas relações humanas.
O servidor público tem obrigação de comparecer religiosamente em seu local de trabalho no horário
determinado. Todas as ausências devem ser evitadas e, quando inevitáveis, devem ser justificadas.
Os demais funcionários e a sociedade sempre ficam atentos às atitudes do servidor público e qualquer
percepção de relaxo no desempenho das funções será observada, notadamente no que tange a ausências
frequentes.

XIII - O servidor que trabalha em harmonia com a estrutura organizacional, respeitando seus colegas e cada
concidadão, colabora e de todos pode receber colaboração, pois sua atividade pública é a grande
oportunidade para o crescimento e o engrandecimento da Nação.
O bom desempenho das funções a o agir conforme o esperado pela sociedade implica numa boa imagem
do servidor público, o que permite que ele receba apoio dos demais quando realmente precisar.
“É inequívoco que o trabalho individual influencia e recebe influências do meio onde é praticado. Não é,
pois, somente em seu grupo que o profissional dá sua contribuição ou a sonega. Quando adquire a
consciência do valor social de sua ação, da vontade volvida ao geral, pode realizar importantes feitos que
alcançam repercussão ampla”45.

Seção II
Dos Principais Deveres do Servidor Público

XIV - São deveres fundamentais do servidor público:


Embora se trate de outra seção do Código de Ética, há continuidade no tratamento do agir moral esperado
do servidor público. No caso, são elencados alguns deveres essenciais que devem ser obedecidos.

44
SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
45
SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
“Todas as capacidades necessárias ou exigíveis para o desempenho eficaz da profissão são deveres éticos.
Sendo o propósito do exercício profissional a prestação de uma utilidade a terceiros, todas as qualidades
pertinentes à satisfação da necessidade, de quem requer a tarefa, passam a ser uma obrigação perante o
desempenho. Logo, um complexo de deveres envolve a vida profissional, sob os ângulos da conduta a ser
seguida para a execução de um trabalho”46.
a) desempenhar, a tempo, as atribuições do cargo, função ou emprego público de que seja titular;
Cabe ao servidor público desempenhar todas as atribuições inerentes à posição de que seja titular.
b) exercer suas atribuições com rapidez, perfeição e rendimento, pondo fim ou procurando prioritariamente
resolver situações procrastinatórias, principalmente diante de filas ou de qualquer outra espécie de atraso na
prestação dos serviços pelo setor em que exerça suas atribuições, com o fim de evitar dano moral ao usuário;
O desempenho de funções deve se dar de forma eficiente. Situações procrastinatórias são aquelas que
adiam a prestação do serviço público. Procrastinar significa enrolar, adiar, fugir ao dever de prestar o serviço,
lerdear. Cabe ao servidor público não deixar para amanhã o que pode fazer no dia e agilizar ainda mais o seu
serviço quando houver acúmulo de trabalho ou de filas, inclusive para evitar dano moral ao cidadão.
c) ser probo, reto, leal e justo, demonstrando toda a integridade do seu caráter, escolhendo sempre,
quando estiver diante de duas opções, a melhor e a mais vantajosa para o bem comum;
Honestidade, retidão, lealdade e justiça são valores morais consolidados na sociedade, refletindo o caráter
da pessoa. O servidor público deve erigir tais valores, sempre fazendo a melhor escolha para a coletividade.
d) jamais retardar qualquer prestação de contas, condição essencial da gestão dos bens, direitos e serviços
da coletividade a seu cargo;
Prestar contas é uma atitude obrigatória por parte de todos aqueles que cuidam de algo que não lhe
pertence. No caso, o servidor público cuida do patrimônio do Estado. Por isso, sempre deverá prestar contas a
respeito deste patrimônio, relatando a sua situação e garantindo que ele seja preservado.
e) tratar cuidadosamente os usuários dos serviços aperfeiçoando o processo de comunicação e contato com
o público;
A atitude ética esperada do servidor público consiste em exercer suas funções de forma adequada, sempre
atendendo da melhor forma possível os usuários.
f) ter consciência de que seu trabalho é regido por princípios éticos que se materializam na adequada
prestação dos serviços públicos;
Os funcionários públicos nunca podem perder de vista o dever ético que eles possuem com relação à
sociedade como um todo, que é o de respeito à moralidade insculpida no texto constitucional. “A consciência
ética busca ser cidadã e, por isso, faz da honestidade pessoal um caminho certo para a ética pública. Vivendo
numa República, estamos tratando da ‘coisa pública’, do que é de todos; isso requer vida administrativa e
política transparente, numa disposição a colocar-se a serviço de toda a coletividade” 47.
g) ser cortês, ter urbanidade, disponibilidade e atenção, respeitando a capacidade e as limitações
individuais de todos os usuários do serviço público, sem qualquer espécie de preconceito ou distinção de raça,
sexo, nacionalidade, cor, idade, religião, cunho político e posição social, abstendo-se, dessa forma, de causar-
lhes dano moral;
Para bem atender os usuários, é preciso tratá-los com igualdade, sem preconceitos de qualquer natureza.
Vale lembrar que o tratamento preconceituoso e mal-educado caracteriza dano moral, cabendo reparação.
h) ter respeito à hierarquia, porém sem nenhum temor de representar contra qualquer comprometimento
indevido da estrutura em que se funda o Poder Estatal;

46
SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
47
AGOSTINI, Frei Nilo. Ética: diálogo e compromisso. São Paulo: FTD, 2010.
i) resistir a todas as pressões de superiores hierárquicos, de contratantes, interessados e outros que visem
obter quaisquer favores, benesses ou vantagens indevidas em decorrência de ações imorais, ilegais ou aéticas
e denunciá-las;
O respeito à hierarquia é algo necessário ao setor público, pois se ele não existisse as atividades seriam
desempenhadas de forma desorganizada, logo, ineficiente. Isso não significa, contudo, que o servidor deva
obedecer a todas as ordens sem questioná-las, notadamente quando perceber que a atitude de seu superior
contraria os interesses do bem comum, nem que deva ter medo de denunciar atitudes antiéticas de seus
superiores ou colegas.
São atitudes que não podem ser aceitas por parte dos superiores ou de pessoas que contratem ou
busquem serviços do poder público: obtenção de favores, benefícios ou vantagens indevidas, imorais, ilegais
ou antiéticas. Ao se deparar com estas atitudes, deverá denunciá-las.
j) zelar, no exercício do direito de greve, pelas exigências específicas da defesa da vida e da segurança
coletiva;
O Supremo Tribunal Federal decidiu que os servidores públicos possuem o direito de greve, devendo se
atentar pela preservação da sociedade quando exercê-lo. Enquanto não for elaborada uma legislação
específica para os funcionários públicos, deverá ser obedecida a lei geral de greve para os funcionários
privados, qual seja a Lei n° 7.783/89 (Mandado de Injunção nº 20).
l) ser assíduo e frequente ao serviço, na certeza de que sua ausência provoca danos ao trabalho ordenado,
refletindo negativamente em todo o sistema;
m) comunicar imediatamente a seus superiores todo e qualquer ato ou fato contrário ao interesse público,
exigindo as providências cabíveis;
n) manter limpo e em perfeita ordem o local de trabalho, seguindo os métodos mais adequados à sua
organização e distribuição;
Os três incisos acima reiteram deveres constantemente enumerados pelo Código de Ética como o de
comparecimento assíduo e pontual no local de trabalho, o de comunicação de atos contrários ao interesse
público (inclusive os praticados por seus superiores) e o de preservação do local de trabalho (mantendo-o
limpo e organizado).
o) participar dos movimentos e estudos que se relacionem com a melhoria do exercício de suas funções,
tendo por escopo a realização do bem comum;
Frequentemente, são promovidos cursos de aperfeiçoamento pela própria instituição, sem contar aqueles
disponibilizados por faculdades e cursos técnicos. Cabe ao servidor público participar sempre que for benéfico
à melhoria de suas funções.
“O valor do exercício profissional tende a aumentar à medida que o profissional também aumentar sua
cultura, especialmente em ramos do saber aplicáveis a todos os demais, como são os relativos às culturas
filosóficas, matemáticas e históricas. Uma classe que se sustenta em elites cultas te garantida sua posição
social, porque se habilita às lideranças e aos postos de comando no poder. A especialização tem sua utilidade,
seu valor, sendo impossível negar tal evidência *...+” 48.
p) apresentar-se ao trabalho com vestimentas adequadas ao exercício da função;
A roupa vestida pelo servidor público também reflete sua autoridade moral no exercício das funções. Por
exemplo, é absurdo chegar ao local de trabalho utilizando bermuda e chinelo, refletindo uma imagem de
descaso do serviço público. As roupas devem ser sóbrias, compatíveis com a seriedade esperada da
Administração Pública e de seus funcionários.
q) manter-se atualizado com as instruções, as normas de serviço e a legislação pertinentes ao órgão onde
exerce suas funções;

48
SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
A regulamentação das funções exercidas pelos órgãos administrativos está sempre mudando, cabendo ao
servidor público se manter atualizado.
r) cumprir, de acordo com as normas do serviço e as instruções superiores, as tarefas de seu cargo ou
função, tanto quanto possível, com critério, segurança e rapidez, mantendo tudo sempre em boa ordem.
A alínea reflete uma síntese do agir moral esperado do servidor público, refletindo a prestação do serviço
com eficiência e respeito à lei, atendendo ao bem comum.
s) facilitar a fiscalização de todos atos ou serviços por quem de direito;
As atividades de fiscalização são usuais no serviço público e, por isso, os ficais devem ser bem atendidos,
cabendo ao servidor demonstrar que as atividades atribuídas estão sendo prestadas conforme a lei
determina.
t) exercer com estrita moderação as prerrogativas funcionais que lhe sejam atribuídas, abstendo-se de fazê-
lo contrariamente aos legítimos interesses dos usuários do serviço público e dos jurisdicionados
administrativos;
Prerrogativas funcionais são garantias atribuídas pela lei ao servidor público para que ele possa bem
desempenhar suas funções. Não cabe exercê-las a torto e direito, é preciso ter razoabilidade, moderação.
Assim, quando invocá-las, o servidor público será levado a sério.
u) abster-se, de forma absoluta, de exercer sua função, poder ou autoridade com finalidade estranha ao
interesse público, mesmo que observando as formalidades legais e não cometendo qualquer violação expressa
à lei;
O servidor público deve agir conforme a lei determina, observando-a estritamente, preservando assim os
interesses da sociedade.
v) divulgar e informar a todos os integrantes da sua classe sobre a existência deste Código de Ética,
estimulando o seu integral cumprimento.
O Código de Ética é o principal instrumento jurídico que trata das atitudes do servidor público esperadas e
vedadas. É preciso obedecer suas diretrizes e aconselhar a sua leitura àqueles que o desconheçam.

Seção III
Das Vedações ao Servidor Público

XV - É vedado ao servidor público;


Nesta seção, são descritas algumas atitudes que contrariam as diretrizes do Código de Ética. Trata-se de
um rol exemplificativo, ou seja, que pode ser ampliado por um juízo de interpretação das regras éticas até
então estudadas.
ATENÇÃO: não será necessário gravar todas estas regras se o candidato se atentar ao fato de que elas se
contrapõem às atitudes corretas até então estudadas. Por óbvio, não agir da forma estabelecida caracteriza
violação dos deveres éticos, o que é proibido.
a) o uso do cargo ou função, facilidades, amizades, tempo, posição e influências, para obter qualquer
favorecimento, para si ou para outrem;
O cargo público é para a sociedade, não para o indivíduo. Por isso, ele não pode se beneficiar dele
indevidamente. A esta descrição corresponde o tipo criminal da corrupção passiva, prescrito no Código Penal
em seu artigo 317 nos seguintes termos:

Corrupção passiva
Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou
antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem: Pena -
reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.
b) prejudicar deliberadamente a reputação de outros servidores ou de cidadãos que deles dependam;
Causar intrigas no trabalho, fazer fofocas e se negar a ajudar os demais cidadãos que busquem
atendimento é uma clara violação ao dever ético.
c) ser, em função de seu espírito de solidariedade, conivente com erro ou infração a este Código de Ética ou
ao Código de Ética de sua profissão;
Como visto, é dever do servidor público denunciar aqueles que desrespeitem o Código de Ética, bem como
obedecê-lo estritamente. Não deve pensar que cobrir o erro do outro é algo solidário, porque todos os erros
cometidos numa função pública são prejudiciais à sociedade.
d) usar de artifícios para procrastinar ou dificultar o exercício regular de direito por qualquer pessoa,
causando-lhe dano moral ou material;
O trabalho não deve ser adiado, mas sim prestado de forma rápida e eficaz, sob pena de causar dano moral
ou material aos usuários e ao Estado.
Na esfera penal, pode incidir no crime de prevaricação (art. 319, CP):

Prevaricação
Art. 319. Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição
expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

e) deixar de utilizar os avanços técnicos e científicos ao seu alcance ou do seu conhecimento para
atendimento do seu mister;
A incorporação da tecnologia aos serviços públicos, aproximando-o da sociedade, é chamada de
governança eletrônica. Cabe ao servidor público saber lidar bem com tais tecnologias, pois elas melhoram a
qualidade do serviço prestado.
f) permitir que perseguições, simpatias, antipatias, caprichos, paixões ou interesses de ordem pessoal
interfiram no trato com o público, com os jurisdicionados administrativos ou com colegas hierarquicamente
superiores ou inferiores;
O funcionário público deve agir com impessoalidade na prestação do serviço, tratando todas as pessoas
igualmente, tanto os usuários quanto os colegas de trabalho.
g) pleitear, solicitar, provocar, sugerir ou receber qualquer tipo de ajuda financeira, gratificação, prêmio,
comissão, doação ou vantagem de qualquer espécie, para si, familiares ou qualquer pessoa, para o
cumprimento da sua missão ou para influenciar outro servidor para o mesmo fim;
A remuneração do servidor público já é paga pelo Estado, fomentada pelos tributos do contribuinte. Não
cabe ao servidor buscar bônus indevidos pela prestação de seus serviços, seja solicitando (caso que
caracteriza crime de corrupção - art. 317, CP), seja exigindo (restando presente o crime de concussão - art.
316, CP). Caso o faça, se sujeitará às penas cíveis, penais e administrativas.
h) alterar ou deturpar o teor de documentos que deva encaminhar para providências;
Caso o faça, além das sanções cíveis e administrativas, incorre na prática do crime de alterar ou deturpar
(modificar, alterar para pior; desfigurar; corromper; adulterar) dados de documentos pode configurar o crime
previsto no artigo 313-A, do Código Penal:

Inserção de dados falsos em sistema de informações


Art. 313-A. Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção de dados falsos, alterar ou excluir
indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da Administração Pública com
o fim de obter vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar dano: Pena - reclusão, de 2 (dois) a
12 (doze) anos, e multa.
i) iludir ou tentar iludir qualquer pessoa que necessite do atendimento em serviços públicos;
Como visto, o funcionário público deve atender com eficiência o usuário do serviço, prestando todas as
informações da maneira mais correta e verdadeira possível, sem mentiras ou ilusões.
j) desviar servidor público para atendimento a interesse particular;
Todos os servidores públicos são contratados pelo Estado, devendo prestar serviços que atendam ao seu
interesse. Por isso, um servidor não pode pedir ao seu subordinado que lhe preste serviços particulares, por
exemplo, pagar uma conta pessoal em agência bancária, telefonar para consultórios para agendar consultas,
fazer compras num supermercado.
l) retirar da repartição pública, sem estar legalmente autorizado, qualquer documento, livro ou bem
pertencente ao patrimônio público;
Os bens que se encontram no local de trabalho pertencem à máquina estatal e devem ser utilizados
exclusivamente para a prestação do serviço público, não podendo o funcionário retirá-los de lá. Se o fizer,
responde civil e administrativamente, bem como criminalmente por peculato (art. 312, CP).

Peculato
Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou
particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio:
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.
§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou
bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade
que lhe proporciona a qualidade de funcionário.

Peculato caracteriza-se pela subtração ou desvio, por abuso de confiança, de dinheiro ou de coisa móvel
apreciável economicamente, para proveito próprio ou alheio, por servidor público que o administra ou
guarda.

m) fazer uso de informações privilegiadas obtidas no âmbito interno de seu serviço, em benefício próprio,
de parentes, de amigos ou de terceiros;
As informações que são acessadas pelo funcionário público somente devem ser aproveitadas para o bom
desempenho das funções. Não cabe fazer fofocas, ainda que sem nenhum interesse de obter privilégio
econômico, ou seja, apenas para aparentar importância por mera vaidade pessoal. É possível que caracterize
crime de violação de sigilo funcional pois utilizar-se de informações obtidas no âmbito interno da
administração, nos casos em que deva ser guardado sigilo pode caracterizar crime, previsto no artigo 325, do
Código Penal:

Violação de sigilo funcional


Art. 325 - Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou
facilitar-lhe a revelação:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave.

n) apresentar-se embriagado no serviço ou fora dele habitualmente;


Trata-se de ato típico de falta de decoro e retidão, valore morais inerentes à boa prestação do serviço
público.
o) dar o seu concurso a qualquer instituição que atente contra a moral, a honestidade ou a dignidade da
pessoa humana;
p) exercer atividade profissional aética ou ligar o seu nome a empreendimentos de cunho duvidoso.
O servidor público, seja na vida privada, seja no exercício das funções, não deve se filiar a instituições que
contrariem a moral, por exemplo, que incitem o preconceito e a desordem pública. Afinal, o servidor público é
um espelho para a sociedade, devendo refletir seus valores tradicionais.

CAPÍTULO II
DAS COMISSÕES DE ÉTICA

XVI - Em todos os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta, indireta autárquica e
fundacional, ou em qualquer órgão ou entidade que exerça atribuições delegadas pelo poder público, deverá
ser criada uma Comissão de Ética, encarregada de orientar e aconselhar sobre a ética profissional do servidor,
no tratamento com as pessoas e com o patrimônio público, competindo-lhe conhecer concretamente de
imputação ou de procedimento suscetível de censura.
“Estabelecido um código de ética, para uma classe, cada indivíduo a ele passa a subordinar-se, sob pena de
incorrer em transgressão, punível pelo órgão competente, incumbido de fiscalizar o exercício profissional. [...]
A fiscalização do exercício da profissão pelos órgãos de classe compreende as fases preventiva (ou
educacional) e executiva (ou de direta verificação da qualidade das práticas). Grande parte dos erros
cometidos derivam-se em parte do pouco conhecimento sobre a conduta, ou seja, da educação insuficiente, e
outra parte, bem menor, deriva-se de atos propositadamente praticados. Os órgãos de fiscalização assumem,
por conseguinte, um papel relevante de garantia sobre a qualidade dos serviços prestados e da conduta
humana dos profissionais” 49.
Com efeito, as Comissões de Ética possuem função de orientação e aconselhamento, devendo se fazer
presentes em todo órgão ou entidade da administração direta ou indireta.
A Comissão de Ética não tem por finalidade aplicar sanções disciplinares contra os servidores Civis. Muito
pelo contrário: a sua atuação tem por princípio evitar a instauração desses processos, mediante trabalho de
orientação e aconselhamento. A finalidade do código de ética consiste em produzir na pessoa do servidor
público a consciência de sua adesão às normas ético-profissionais preexistentes à luz de um espírito crítico,
para efeito de facilitar a prática do cumprimento dos deveres legais por parte de cada um e, em
consequência, o resgate do respeito ao serviço público e à dignidade social de cada servidor. O objetivo deste
código é a divulgação ampla dos deveres e das vedações previstas, através de um trabalho de cunho
educativo com os servidores públicos federais.

XVII - Revogado pelo Decreto n° 6.029/07 (art. 25).

XVIII - À Comissão de Ética incumbe fornecer, aos organismos encarregados da execução do quadro de
carreira dos servidores, os registros sobre sua conduta ética, para o efeito de instruir e fundamentar
promoções e para todos os demais procedimentos próprios da carreira do servidor público.
Além de orientar e aconselhar, a Comissão de Ética fornecerá as informações sobre os funcionários a ela
submetidos, tanto para instruir promoções, quanto para alimentar processo administrativo disciplinar.

XIX a XXI - Revogados pelo Decreto n° 6.029/07 (art. 25).

XXII - A pena aplicável ao servidor público pela Comissão de Ética é a de censura e sua fundamentação
constará do respectivo parecer, assinado por todos os seus integrantes, com ciência do faltoso.
A única sanção que pode ser aplicada diretamente pela Comissão de Ética é a de censura, que é a pena
mais branda pela prática de uma conduta inadequada que seja praticada no exercício das funções. Nos demais

49
SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
casos, caberá sindicância ou processo administrativo disciplinar, sendo que a Comissão de Ética fornecerá
elementos para instrução.
Censura é o poder do Estado de interditar ou restringir a livre manifestação de pensamento, oral ou
escrito, quando se considera que tal pode ameaçar a ordem pública vigente.

XXIV - Para fins de apuração do comprometimento ético, entende-se por servidor público todo aquele que,
por força de lei, contrato ou de qualquer ato jurídico, preste serviços de natureza permanente, temporária ou
excepcional, ainda que sem retribuição financeira, desde que ligado direta ou indiretamente a qualquer órgão
do poder estatal, como as autarquias, as fundações públicas, as entidades paraestatais, as empresas públicas
e as sociedades de economia mista, ou em qualquer setor onde prevaleça o interesse do Estado.
Este último inciso do Código de Ética é de fundamental importância para fins de concurso público, pois
define quem é o servidor público que se sujeita a ele.
“Uma classe profissional caracteriza-se pela homogeneidade do trabalho executado, pela natureza do
conhecimento exigido preferencialmente para tal execução e pela identidade de habilitação para o exercício
da mesma. A classe profissional é, pois, um grupo dentro da sociedade, específico, definido por sua
especialidade de desempenho de tarefa” 50.
Elementos do conceito de servidor público:
a) Instrumento de vinculação: por força de lei (por exemplo, prestação de serviços como jurado ou
mesário), contrato (contratação direta, sem concurso público, para atender a uma urgência ou emergência)
ou qualquer outro ato jurídico (é o caso da nomeação por aprovação em concurso público) - enfim, não
importa o instrumento da vinculação à administração pública, desde que esteja realmente vinculado;
b) Serviço prestado: permanente, temporário ou excepcional - isto é, ainda que preste o serviço só por um
dia, como no caso do mesário de eleição, é servidor público, da mesma forma que aquele que foi aprovado
em concurso público e tomou posse; com ou sem retribuição financeira - por exemplo, o jurado não recebe
por seus serviços, mas não deixa de ser servidor público;
c) Instituição ou órgão de prestação: ligado à administração direta ou indireta, isto é, a qualquer órgão que
tenha algum vínculo com o poder estatal. O conceito é o mais amplo possível, abrangendo autarquias,
fundações públicas, empresas públicas, sociedades de economia mista, enfim, qualquer entidade ou setor que
vise atender o interesse do Estado.

50
SÁ, Antônio Lopes de. Ética profissional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
EXERCÍCIOS

01. (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL – ADVOGADO – CESPE/2010) A respeito das classificações da ética como
campo de estudo, assinale a opção correta.
a) Na abordagem da ética absoluta, toda ação humana é boa e, consequentemente, um dever, pois se
fundamenta em um valor.
b) De acordo com a ética formal, não existem valores universais, objetivos, mas estes são convencionais,
condicionados ao tempo e ao espaço.
c) Segundo a ética empírica, a distinção entre o certo e o errado ocorre por meio da experiência, do
resultado do procedimento, da observação sensorial do que de fato ocorre no mundo.
d) Quanto ao aspecto histórico, a ética empírica possui a razão como enfoque para explicar o mundo, na
medida em que ela constrói a teoria explicativa e vai ao mundo para ver sua adequação.
e) Em todas as classificações da ética, ela se torna equivalente à moral porque direciona o comportamento
humano para ações consideradas positivas para um grupo social.

02. (TRT - 15ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA - FCC/2013) Os princípios que
regem a Administração pública podem ser expressos ou implícitos. A propósito deles é possível afirmar que:
a) moralidade, legalidade, publicidade e impessoalidade são princípios expressos, assim como a eficiência,
hierarquicamente superior aos demais.
b) supremacia do interesse público não consta como princípio expresso, mas informa a atuação da
Administração pública assim como os demais princípios, tais como eficiência, legalidade e moralidade.
c) os princípios da moralidade, legalidade, supremacia do interesse público e indisponibilidade do interesse
público são expressos e, como tal, hierarquicamente superiores aos implícitos.
d) eficiência, moralidade, legalidade, impessoalidade e indisponibilidade do interesse público são princípios
expressos e, como tal, hierarquicamente superiores aos implícitos.
e) impessoalidade, eficiência, indisponibilidade do interesse público e supremacia do interesse público são
princípios implícitos, mas de igual hierarquia aos princípios expressos.

03. (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL – ADVOGADO – CESPE/2010) Acerca da relação entre ética e moral,
assinale a opção correta.
a) O entendimento ético discorre filosoficamente, em épocas diferentes e por vários pensadores, dando
conceitos e formas de alusão ao termo ética.
b) Durante as Idades Média e Moderna, a ética era considerada uma ciência, portanto, era ensinada como
disciplina escolar. Na Idade Contemporânea, a ética assumiu uma nova conotação, desvinculando-se da
ciência e da filosofia e sendo vinculada às práticas sociais.
c) A simples existência da moral significa a presença explícita de uma ética, entendida como filosofia moral,
isto é, uma reflexão que discute, problematiza e interpreta o significado dos valores morais.
d) A ética não tem por objetivo procurar o fundamento do valor que norteia o comportamento, tendo em
vista a historicidade presente nos valores.
e) O conhecimento do dever está desvinculado da noção de ética, pois este é consequência da percepção,
pelo sujeito, de que ele é um ser racional e, portanto, está obrigado a obedecer ao imperativo categórico: a
necessidade de se respeitar todos os seres racionais na qualidade de fins em si mesmos.
04. (ASPERH – Professor auxiliar ética profissional – ASPERH/2010) Sobre moral e ética
é incorreto afirmar:
a) A moral é a regulação dos valores e comportamentos considerados legítimos por uma determinada
sociedade, um povo, uma religião, uma certa tradição cultural etc.
b) Uma moral é um fenômeno social particular, que tem compromisso com a universalidade, isto é, com o
que é válido e de direito para todos os homens. Exceto quando atacada: justifica-se se dizendo universal,
supostamente válida para todos.
c) A ética á uma reflexão crítica sobre a moralidade. Mas ela não é puramente teoria. A ética é um conjunto
de princípios e disposições voltados para a ação, historicamente produzidos, cujo objetivo é balizar as ações
humanas.
d) A moral é um conjunto de regras de conduta adotadas pelos indivíduos de um grupo social e tem a
finalidade de organizar as relações interpessoais segundo os valores do bem e do mal.
e) A moral é a aplicação da ética no cotidiano, é a prática concreta.

05. (ASPERH – Professor auxiliar ética profissional – ASPERH/2010) Sobre a ética, moral e direito é
incorreto afirmar:
a) Tanto a moral como o direito baseiam-se em regras que visam estabelecer uma certa previsibilidade
para as ações humanas. Ambas, porém, se diferenciam.
b) O direito busca estabelecer o regramento de uma sociedade delimitada pelas fronteiras do Estado.
c) As leis têm uma base territorial, elas valem apenas para aquela área geográfica onde uma determinada
população ou seus delegados vivem.
d) Alguns autores afirmam que o direito é um subconjunto da ética. Esta perspectiva pode gerar a
conclusão de que toda a lei é moralmente aceitável. Inúmeras situações demonstram a existência de conflitos
entre a ética e o direito.
e) A desobediência civil ocorre quando argumentos morais impedem que uma pessoa acate uma
determinada lei. Este é um exemplo de que a moral e o direito, apesar de referirem-se a uma mesma
sociedade, podem ter perspectivas discordantes.

06. (ASPERH – Professor auxiliar ética profissional – ASPERH/2010) Sobre moralidade administrativa e a
constituição federativa é incorreto afirmar:
a) A carta magna faz menção em diversas oportunidades ao princípio da moralidade. Uma delas, prevista
no art. 5º, LXXIII, trata da ação popular contra ato lesivo à moralidade administrativa.
b) Em outra, o constituinte determinou a punição mais rigorosa da imoralidade qualificada pela
improbidade (art. 37, §4º).
c) Há ainda o art. 14, §9º, onde se visa proteger a probidade e moralidade no exercício de mandato, e o art.
85, V, que considera a improbidade administrativa como crime de atividade administrativa.
d) O princípio da moralidade, com o advento da Carta Constitucional de 1988 foi alçado, pela vez primeira
em nosso direito positivo a princípio constitucional, nos termos do artigo 37, caput, o qual estabelece
diretrizes à administração pública.
e) Também o artigo 5º, inciso LXXIII, da Constituição Federal, prevê a possibilidade de anulação de atos
lesivos à moralidade administrativa.

07. (ASPERH – Professor auxiliar ética profissional – ASPERH/2010) Referente a principio constitucional
da moralidade administrativa e administração publica é incorreto afirmar:
a) O princípio constitucional da moralidade administrativa configura um vigoroso instrumento à função de
controle de legalidade, legitimidade e economicidade dos atos administrativos dos quais resultam despesas
públicas
b) O princípio atua positivamente, impondo à Administração Publica o dever de bem gerir e aumentando
os demais deveres de conduta administrativa, tais como os de agir impessoalmente, garantir a ampla
publicidade de seus atos, pautar-se com razoabilidade, motivar seus atos e decisões, agir com eficiência e
observar a compatibilidade entre o objetivo de suas ações e o ato praticado para operacionalizar tal objetivo
ou finalidade. Bem assim, configura cânone de interpretação e integração de norma jurídicas e/ou atos
administrativos.
c) O princípio atua negativamente, impondo limites ao exercício da discricionariedade e permitindo a
correção dos atos praticados em desvio de finalidade, mediante o seu expurgo do mundo jurídico através da
invalidação
d) O princípio geralmente “aplicável” isoladamente, compondo-se e articulando-se, algumas vezes, com
outros princípio jurídicos
e) O princípio consubstancia “norma jurídica” e, portanto, ao utilizá-lo no exercício das funções
constitucionais de controle dos atos administrativos que geram despesas públicas sob os prismas de
legalidade e da legitimidade, não desborda o Tribunal de Contas de sua competência constitucional

08. (ASPERH – Professor auxiliar ética profissional – ASPERH/2010) Antígona, por razões de Estado, havia
sido proibida de dar sepultura a seu irmão. No entanto, mesmo correndo o risco de ser condenado à morte
por haver descumprido essa proibição legal, resolve piedosamente enterrar seus parente, e é então indagada
pela autoridade civil (Creonte):
“Creonte: - Confessas ou negas ter feito o que ele diz?
Antígona: - Confesso o que fiz! Confesso-o claramente!
Creonte: - Sabias que, por uma proclamação, eu havia proibido o que fizeste?
Antígona: - Sim, eu sabia! Por acaso poderia ignorar, se era uma coisa pública?
Creonte: - E, apesar disso, tiveste a audácia de desobedecer a essa determinação?
Antígona: - Sim, porque não foi Júpiter que a promulgou; e a Justiça... jamais estabeleceu tal decreto entre
os humanos; nem eu creio que teu édito tenha força bastante para conferir a um mortal o poder de infringir
as leis divinas, que nunca foram escritas, mas são irrevogáveis, não são escritas a partir de ontem ou de hoje,
são eternas, sim. E ninguém sabe desde quando elas vigoram. - Tais decretos, eu, que não temo o poder de
homem algum, posso violar sem que por isso me venham punir os deuses!...”
Este texto indica a existência de uma lei moral natural - universal no tempo e no espaço, imutável,
inscrita no coração dos homens, indicando em seu íntimo o bem e o mal, irrevogável pelas leis humanas -
foi expressa de uma maneira poética na tragédia grega Antígona:
a) de Aristóteles
b) de Platão
c) de Sócrates
d) de Sófocles
e) de Xenofonte

09. (CORREIOS – Agente de Correios – CONSULPLAN/2008) Pode-se afirmar que a ética tem como objeto
de estudo:
a) O ato humano (voluntário e livre) que é o ato com vontade racional, permeado por inteligência e
reflexão prévia.
b) A distinção entre o existir e o agir, solenemente.
c) A tradução dos costumes aceitos pela sociedade emergente.
d) O conceito de moralidade dos povos segregados.
e) N.R.A.
10. (NOSSA CAIXA DESENVOLVIMENTO – Contador – FCC/2011) A respeito dos conceitos de ética, moral e
virtude, é correto afirmar:
a) A vida ética realiza-se no modo de viver daqueles indivíduos que não mantêm relações interpessoais.
b) Etimologicamente, a palavra moral deriva do grego mos e significa comportamento, modo de ser,
caráter.
c) Virtude deriva do latim virtus, que significa uma qualidade própria da natureza humana; significa, de
modo geral, praticar o bem usando a liberdade com responsabilidade constantemente.
d) A moral é influenciada por vários fatores como, sociais e históricos; todavia, não há diferença entre os
conceitos morais de um grupo para outro.
e) Compete à moral chegar, por meio de investigações científicas, à explicação de determinadas realidades
sociais, ou seja, ela investiga o sentido que o homem dá a suas ações para ser verdadeiramente feliz.

11. (TRT 8ª REGIÃO – TÉCNICO – FCC/2010) O servidor público que deixa de acatar as ordens legais de seus
superiores e a sua fiel execução, infringe o dever de
a) conduta ética.
b) eficiência.
c) obediência.
d) lealdade.
e) fidelidade.

12. (TRT 22ª REGIÃO – TÉCNICO – FCC/2010) O princípio da administração pública que tem por
fundamento que qualquer atividade de gestão pública deve ser dirigida a todos os cidadãos, sem a
determinação de pessoa ou discriminação de qualquer natureza, denomina-se
a) Eficiência.
b) Moralidade.
c) Legalidade.
d) Finalidade.
e) Impessoalidade.

13. (DPE/PR – DEFENSOR – FCC/2012) Sobre os princípios orientadores da administração pública é


INCORRETO afirmar:
a) A administração pública não pode criar obrigações ou reconhecer direitos que não estejam
determinados ou autorizados em lei.
b) A conduta administrativa com motivação estranha ao interesse público caracteriza desvio de finalidade
ou desvio de poder.
c) A oportunidade e a conveniência são delimitadas por razoabilidade e proporcionalidade tanto na
discricionariedade quanto na atividade vinculada da administração pública.
d) Além de requisito de eficácia dos atos administrativos, a publicidade propicia o controle da
administração pública pelos administrados.
e) O princípio da eficiência tem sede constitucional e se reporta ao desempenho da administração pública.

14. (TRF 5ª REGIÃO – TÉCNICO – FCC/2012) O artigo 37 da Constituição Federal estabelece os princípios
aplicáveis à Administração Pública, entre os quais NÃO se inclui, expressamente,
a) eficiência.
b) finalidade.
c) publicidade.
d) impessoalidade.
e) moralidade.

15. (SET/RN – Auditor Fiscal do Tesouro Estadual – ESAF/2005) Sobre os princípios constitucionais da
administração pública, pode-se afirmar que
I. o princípio da legalidade pode ser visto como incentivador do ócio, haja vista que, segundo esse princípio,
a prática de um ato concreto exige norma expressa que o autorize, mesmo que seja inerente às funções do
agente público;
II. o princípio da publicidade visa a dar transparência aos atos da administração pública e contribuir para a
concretização do princípio da moralidade administrativa;
III. a exigência de concurso público para ingresso nos cargos públicos reflete uma aplicação constitucional
do princípio da impessoalidade;
IV. o princípio da impessoalidade é violado quando se utiliza na publicidade oficial de obras e de serviços
públicos o nome ou a imagem do governante, de modo a caracterizar promoção pessoal do mesmo;
V. a aplicação do princípio da moralidade administrativa demanda a compreensão do conceito de "moral
administrativa", o qual comporta juízos de valor bastante elásticos;
VI. o princípio da eficiência não pode ser exigido enquanto não for editada a lei federal que deve defini -lo e
estabelecer os seus contornos.
Estão corretas as afirmativas
a) I, II, III e IV.
b) II, III, IV e V.
c) I, II, IV e VI.
d) II, III, IV e VI.
e) III, IV, V e VI.

16. (UERN – Agente Técnico Administrativo – CESPE/2010) Carlos, servidor público, excede-se na bebida
aos fins de semana, quando costuma frequentar bares e casas noturnas de sua localidade. Nessas ocasiões,
Carlos costuma falar palavras de baixo calão, fazer gestos obscenos e dirigir impropérios contra a vida
conjugal de seus colegas de trabalho. Diante da situação hipotética acima e considerando a regulamentação
ética do serviço público, assinale a opção correta.
a) Os excessos cometidos por Carlos referem-se aos períodos de folga e fora de seu local de trabalho,
portanto não afetam o serviço público.
b) Embora não haja nenhuma disposição no Código de Ética do Servidor Público quanto aos excessos
cometidos por Carlos, ele praticou o crime de difamação contra seus colegas, podendo, em razão, disso, ser
por estes processado.
c) O problema de Carlos é a propensão ao alcoolismo. Isso não é crime nem imoralidade, pois se trata de
um distúrbio que deve ser devidamente tratado no Sistema Único de Saúde.
d) Ao prejudicar deliberadamente a reputação de seus colegas e apresentar-se embriagado com
habitualidade, Carlos viola as disposições do Código de Ética do Servidor Público.
e) Carlos poderá ser exonerado do serviço público pelas práticas dos crimes de atentado violento ao pudor
e calúnia.

17. (DPE/SP – Agente de Defensoria – FCC/2010) O servidor público quando instado pela legislação a atuar
de forma ética, não tem que decidir somente entre o que é legal e ilegal, mas, acima de tudo entre o que é
a) oportuno e inoportuno.
b) conveniente e inconveniente.
c) honesto e desonesto.
d) público e privado.
e) bom e ruim.

18. (INSS – Perito Médico Previdenciário – FCC/2012) Considere duas hipóteses:


I. Fernanda, servidora pública civil do Poder Executivo Federal, tem sido vista embriagada, habitualmente,
em diversos locais públicos, como eventos, festas e reuniões.
II. Maria, também servidora pública civil do Poder Executivo Federal, alterou o teor de documentos que
deveria encaminhar para providências.
Nos termos do Decreto n° 1.171/1994,
a) ambas as servidoras públicas não se sujeitam às disposições previstas no Decreto n° 1.171/1994.
b) apenas o fato descrito no item II constitui vedação ao servidor público; o fato narrado no item I não
implica vedação, vez que a lei veda embriaguez apenas no local do serviço.
c) apenas o fato descrito no item I constitui vedação ao servidor público, desde que ele seja efetivo.
d) ambos os fatos não constituem vedações ao servidor público, embora possam ter implicações em outras
searas do Direito.
e) ambos os fatos constituem vedações ao servidor público.

19. (CGU – ANALISTA – ESAF/2006) De acordo com o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil
do Poder Executivo Federal, aprovado pelo Decreto nº 1.171, de 22.6.1994, é vedado ao servidor público:
I. receber gratificação financeira para o cumprimento de sua missão.
II. ser sócio de empresa que explore jogos de azar não-autorizados.
III. informar, a um seu amigo de muitos anos, do conhecimento que teve, em razão das funções, de uma
minuta de medida provisória que, quando publicada, afetará substancialmente as aplicações financeiras desse
amigo.
IV. permitir que simpatias ou antipatias interfiram no trato com o público.
V. ser, em função do seu espírito de solidariedade, conivente com seu colega de trabalho que cometeu
infração de natureza ética.
Estão corretas:
a) apenas as afirmativas I, II, IV e V
b) as afirmativas I, II, III, IV e V.
c) apenas as afirmativas I, II, III, e V.
d) apenas as afirmativas I, II e V.
e) apenas as afirmativas I e II.

20. (ANP – Técnico Administrativo – CESGRANRIO/2008) Qual das afirmações a seguir está em
DESACORDO, com o Código de Ética, Decreto nº 1.171, de 22 de junho de 1994, incluídas suas alterações
posteriores, e com a Constituição Federal de 1988?
a) O trabalho de uma comissão de ética pública deve ser pautado pelos princípios constitucionais da
administração pública, pelos princípios legais atinentes aos processos administrativos e pelos princípios
específicos de sua norma regulamentar constituitiva, dentre outros.
b) O Código de Ética dispõe que deve haver tratamento cortês e com boa vontade aos administrados.
c) O Código de Ética é aplicável não somente aos servidores públicos, mas também àqueles que sejam, de
alguma forma, ligados ao órgão federal, mesmo que excepcionalmente.
d) Uma comissão de ética pública, após a devida instrução preliminar, pode decidir pela pena de suspensão
de um servidor, por falta de urbanidade.
e) Um cidadão pode dirigir uma petição, com reclamação sobre falta de urbanidade no tratamento
recebido em órgão federal
21. (CGU – Analista de Finanças e Controle – ESAF/2006) Para os fins do Código de Conduta do Servidor
Público Civil do Poder Executivo Federal, entende-se por servidor público:
I. os servidores públicos titulares de cargo efetivo.
II. os titulares de cargo em comissão.
III. os empregados de sociedades de economia mista.
IV. os que, temporariamente, prestam serviços à Administração Pública Federal, desde que mediante
retribuição financeira.
Estão corretos os itens:
a) I, II, III e IV
b) II, III e IV
c) I, III e IV
d) I, II e IV
e) I, II e III

22. (CGU – Analista de Finanças e Controle – ESAF/2006) De acordo com o Código de Ética Profissional do
Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, aprovado pelo Decreto nº 1.171, de 22.6.1994, é vedado ao
servidor público:
I. receber gratificação financeira para o cumprimento de sua missão.
II. ser sócio de empresa que explore jogos de azar não-autorizados.
III. informar, a um seu amigo de muitos anos, do conhecimento que teve, em razão das funções, de uma
minuta de medida provisória que, quando publicada, afetará substancialmente as aplicações financeiras desse
amigo.
IV. permitir que simpatias ou antipatias interfiram no trato com o público.
V. ser, em função do seu espírito de solidariedade, conivente com seu colega de trabalho que cometeu
infração de natureza ética.
Estão corretas:
a) apenas as afirmativas I, II, IV e V
b) as afirmativas I, II, III, IV e V.
c) apenas as afirmativas I, II, III, e V.
d) apenas as afirmativas I, II e V.
e) apenas as afirmativas I e II.

23. (ADASA – Advogado – FUNIVERSA/2009) O Decreto n.º 1.171/1994, que cria o Código de Ética do
Servidor Público Civil, prevê a constituição de uma comissão de ética a fim de implementar as novas
disposições a serem observadas. Acerca dessa comissão, assinale a alternativa correta.
a) Será integrada apenas por servidores públicos.
b) Será integrada por servidores de carreira.
c) Será integrada por três servidores ou empregados titulares de cargo efetivo.
d) Será integrada por três empregados com mais cinco anos no cargo.
e) Será integrada por três servidores com mais de cinco anos no cargo.

24. (DPU – Agente Administrativo – CESPE/2010) Assinale a opção correta acerca da comissão de ética
prevista no Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal.
a) As ações de ética não devem guardar correlação com outros procedimentos administrativos da
organização, como, por exemplo, a promoção de servidores.
b) Para fins de apuração de comprometimento ético entende-se como servidor apenas o concursado,
mesmo que ainda não estável.
c) A comissão de ética deve ser formada, preferencialmente, pelos dirigentes da organização.
d) À comissão de ética é vedado fornecer informações acerca dos registros da conduta ética dos servidores.
e) Qualquer órgão ou entidade que exerça atribuições delegadas pelo poder público deverá criar uma
comissão de ética.

RESPOSTAS

01. RESPOSTA: C.
Empirismo é a observação prática de um fenômeno. Enquanto que numa ética teórica bastaria a reflexão
para conhecer o certo e o errado, por uma ética empírica é preciso vivenciar o contato direto com situações
que permitam compreender estes valores.

02. RESPOSTA: B. Os princípios da Supremacia do Interesse Público e da Indisponibilidade do Interesse


Público, apesar de implícitos no ordenamento jurídico, são tidos como pilares do regime jurídico-
administrativo. Isto se deve ao fato de que todos os demais princípios da administração pública são
desdobramentos desses dois princípios em questão, cuja relevância é tanta que são conhecidos como
supraprincípios da administração pública.
Letra “A”: incorreta. Não há hierarquia entre os princípios, eles se resolvem por ponderação.
Letra “C”: incorreta. O princípio da supremacia do interesse público e indisponibilidade do interesse
público não são expressos.
Letra “D”: incorreta. O princípio da indisponibilidade do interesse público não é um princípio expresso. Não
há hierarquia entre os princípios expressos em relação aos implícitos.
Letra “E”: incorreta. Os princípios da impessoalidade e eficiência são princípios expressos.
OBS: Cuidado porque algumas bancas consideram princípios expressos apenas o que estão previstos na
Constituição Federal e outras consideram que os princípios administrativos que estiverem escritos em lei são
explícitos. Proporcionalidade, razoabilidade, finalidade, motivação, ampla defesa, contraditório, segurança
jurídica e interesse público constam expressamente no artigo 2º da Lei nº 9784/99.

03. RESPOSTA: A.
O termo ética passa por diversas interpretações no decorrer da história, mas é possível notar que alguns de
seus elementos, guardadas as devidas particularidades, são reincidentes na formação deste conceito.

04. RESPOSTA: B.
A Moral, embora seja mais subjetiva que a Ética, reflete o seu conteúdo, logo, também possui
universalidade. O sentimento moral é uno e repousa no seio social, sendo assim universal. Logo, a Moral é
válida para todos, não supostamente válida.

05. RESPOSTA: D.
O Direito é um subconjunto da Ética e, por isso mesmo, suas normas devem refletir o conteúdo ético
sempre que possível, o que ocorre pela presença do valor do justo. Tomar como correta a afirmativa d seria
entender que o Direito pode não ser justo e ainda assim ser válido, premissa positivista refutada no contexto
pós-guerra.

06. RESPOSTA: C.
Embora o artigo 85, V faça referência à probidade administrativa como um dos objetos de violação,
caracterizando crime de responsabilidade pelo Presidente da República, o ato de improbidade administrativa
praticado pelos servidores em geral tem natureza cível e está regulado na Lei nº 8.429/92.
07. RESPOSTA: D.
O princípio da moralidade administrativa deve sempre ser lido em conjunto com os demais princípios
constitucionais, notadamente os aplicáveis à Administração Pública: legalidade, impessoalidade, publicidade e
eficiência.

08. RESPOSTA: D.
O autor da tragédia grega Antígona, que marcou a distinção entre lei natural e lei positiva, é Sófocles.

09. RESPOSTA: A.
O principal objeto de estudo da ética é a ação humana, num sentido de refletir sobre ela. De forma estrita,
a moral, parte da ética, estuda a ação humana enquanto ação propriamente dita. De qualquer maneira, no
âmbito da ética é feito um estudo da ação humana baseada na razão, na vontade racional.

10. RESPOSTA: C.
Virtude é uma qualidade da natureza humana relacionada a um valor ético. A ação que seja virtuosa será
voltada sempre ao bem e praticada com responsabilidade e razoabilidade, sem o que perderia tal caráter.
Vale destacar que a alternativa d está incorreta porque embora a ética seja imutável, preceitos morais podem
sofrer pequenas variações de um grupo social para outro sem que se perca a essência ética.

11. RESPOSTA: C.
Dever de obediência é o que se liga diretamente à hierarquia que deve ser respeitada dentro das
instituições públicas, garantindo a melhor prestação do serviço. Os demais princípios são mais abrangentes,
referindo-se ao cargo como um todo, não apenas à relação hierárquica.

12. RESPOSTA: E.
Todos os princípios da administração pública se ligam, por isso, ao menos indiretamente todos acabam se
fazendo presentes. Contudo, é preciso se atentar ao mais específico: o preâmbulo da questão descreve
exatamente o conceito do princípio da impessoalidade, que veda distinções indevidas entre os administrados .

13. RESPOSTA: C.
A alternativa a) define o princípio da legalidade para a administração pública, pelo qual ela somente pode
fazer o que a lei permite; a b) traz o princípio da motivação, pelo qual todos atos da administração devem ser
justificados pelo interesse público, sob pena de desvio de finalidade ou desvio de poder; a d) relembra que a
publicidade dos atos da administração facilita o controle destes pelo povo; a e) se refere ao art. 37 da CF e
traz a principal finalidade do princípio da eficiência, que é a otimização do desempenho da administração
pública. A alternativa c) está incorreta porque oportunidade e conveniência somente são delimitadas pela
razoabilidade e pela proporcionalidade nos atos discricionários, nos quais a administração possui alguma
liberdade de escolha.

14. RESPOSTA: B.
O artigo 37 da CF traz, nesta ordem, os princípios da administração pública: legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência (formando a palavra LIMPE).

15. RESPOSTA: B.
O princípio da legalidade é reforço da moralidade, não incentivador do ócio e da preguiça, até mesmo
porque a exigência de lei expressa não exclui o desempenho de funções inerentes ao cargo pelo servidor. O
princípio da eficiência, por sua vez, consubstancia-se no binômio produtividade-economicidade e pode ser
exigido desde sua previsão no texto constitucional. Logo, I e VI estão incorretas.

16. RESPOSTA: D.
Nos termos do inciso VI do Decreto n° 1.171/94, “a função pública deve ser tida como exercício profissional
e, portanto, se integra na vida particular de cada servidor público. Assim, os fatos e atos verificados na
conduta do dia-a-dia em sua vida privada poderão acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida
funcional”. Embriagar-se, comportar-se de maneira inadequada, independentemente do horário, é algo que
compromete a instituição, sendo assim uma atitude antiética. Tanto é que as atitudes de Carlos se encontram
entre as proibições estabelecidas pelo Código de Ética no inciso XV: “f) permitir que perseguições, simpatias,
antipatias, caprichos, paixões ou interesses de ordem pessoal interfiram no trato com o público, com os
jurisdicionados administrativos ou com colegas hierarquicamente superiores ou inferiores; [...] n) apresentar-
se embriagado no serviço ou fora dele habitualmente; o) dar o seu concurso a qualquer instituição que atente
contra a moral, a honestidade ou a dignidade da pessoa humana”.

17. RESPOSTA: C.
É o que destaca o inciso II do Decreto n° 1.171/94: “O servidor público não poderá jamais desprezar o
elemento ético de sua conduta. Assim, não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal, o justo e o
injusto, o conveniente e o inconveniente, o oportuno e o inoportuno, mas principalmente entre o honesto e
o desonesto, consoante as regras contidas no art. 37, caput, e § 4°, da Constituição Federal”.

18. RESPOSTA: E.
Nos termos do inciso I do Decreto, “a dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência dos princípios
morais são primados maiores que devem nortear o servidor público, seja no exercício do cargo ou função, ou
fora dele, já que refletirá o exercício da vocação do próprio poder estatal. Seus atos, comportamentos e
atitudes serão direcionados para a preservação da honra e da tradição dos serviços públicos”. Ambas
condutas violam estes princípios, uma dentro do espaço de trabalho e outra fora dele, de forma que ambas se
sujeitam ao Decreto n° 1.171/92.

19. RESPOSTA: B.
São todas vedações previstas no inciso XV, respectivamente, nas alíneas g, o, m, f e c: “g) pleitear, solicitar,
provocar, sugerir ou receber qualquer tipo de ajuda financeira, gratificação, prêmio, comissão, doação ou
vantagem de qualquer espécie, para si, familiares ou qualquer pessoa, para o cumprimento da sua missão ou
para influenciar outro servidor para o mesmo fim; o) dar o seu concurso a qualquer instituição que atente
contra a moral, a honestidade ou a dignidade da pessoa humana; m) fazer uso de informações privilegiadas
obtidas no âmbito interno de seu serviço, em benefício próprio, de parentes, de amigos ou de terceiros; f)
permitir que perseguições, simpatias, antipatias, caprichos, paixões ou interesses de ordem pessoal interfiram
no trato com o público, com os jurisdicionados administrativos ou com colegas hierarquicamente superiores
ou inferiores; c) ser, em função de seu espírito de solidariedade, conivente com erro ou infração a este Código
de Ética ou ao Código de Ética de sua profissão”.

20. RESPOSTA: D.
A única pena que pode ser aplicada pela Comissão de Ética é a de censura (inciso XXII).

21. RESPOSTA: E.
Neste sentido: "XXIV - Para fins de apuração do comprometimento ético, entende-se por servidor público
todo aquele que, por força de lei, contrato ou de qualquer ato jurídico, preste serviços de natureza
permanente, temporária ou excepcional, ainda que sem retribuição financeira, desde que ligado direta ou
indiretamente a qualquer órgão do poder estatal, como as autarquias, as fundações públicas, as entidades
paraestatais, as empresas públicas e as sociedades de economia mista, ou em qualquer setor onde prevaleça
o interesse do Estado". O erro quanto ao IV é que a retribuição financeira é dispensável.

22. RESPOSTA: B.
São todas vedações previstas no inciso XV, respectivamente, nas alíneas g, o, m, f e c: "g) pleitear, solicitar,
provocar, sugerir ou receber qualquer tipo de ajuda financeira, gratificação, prêmio, comissão, doação ou
vantagem de qualquer espécie, para si, familiares ou qualquer pessoa, para o cumprimento da sua missão ou
para influenciar outro servidor para o mesmo fim; o) dar o seu concurso a qualquer instituição que atente
contra a moral, a honestidade ou a dignidade da pessoa humana; m) fazer uso de informações privilegiadas
obtidas no âmbito interno de seu serviço, em benefício próprio, de parentes, de amigos ou de terceiros; f)
permitir que perseguições, simpatias, antipatias, caprichos, paixões ou interesses de ordem pessoal interfiram
no trato com o público, com os jurisdicionados administrativos ou com colegas hierarquicamente superiores
ou inferiores; c) ser, em função de seu espírito de solidariedade, conivente com erro ou infração a este Código
de Ética ou ao Código de Ética de sua profissão".

23. RESPOSTA: C.
Destaca-se o artigo 2º do Decreto: "Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta e
indireta implementarão, em sessenta dias, as providências necessárias à plena vigência do Código de Ética,
inclusive mediante a Constituição da respectiva Comissão de Ética, integrada por três servidores ou
empregados titulares de cargo efetivo ou emprego permanente".

24. RESPOSTA: E.
Trata-se da previsão do artigo 2º, caput, do Decreto nº 1.171/94: "Os órgãos e entidades da Administração
Pública Federal direta e indireta implementarão, em sessenta dias, as providências necessárias à plena
vigência do Código de Ética, inclusive mediante a Constituição da respectiva Comissão de Ética, integrada por
três servidores ou empregados titulares de cargo efetivo ou emprego permanente". Assim, em todos os
órgãos e entidades vinculadas ao poder público, mesmo que façam parte da administração indireta, deve ser
instituída uma Comissão de Ética.
EXERCÍCIOS DA PRF

01. (FUNCAB/2014 - PRF - Agente Administrativo) Os conceitos de ética e moral, embora próximos, não
são idênticos. Uma das distinções possíveis entre tais concepções está fundada na constatação de que:
a) a ética é o estudo geral do que é bom ou mau, sendo seu objetivo maior o estabelecimento de regras. A
moral, ao contrário, não se vincula a costumes e hábitos porque não guarda correlação com aspectos
prescritivos ou impositivos.
b) a moral incorpora as regras adquiridas para a vida em sociedade, enquanto a ética reflete sobre as
regras morais vigentes sem, contudo, contestar a conveniência ou a exigibilidade de tais normas.
c) a moral é um conjunto de normas apreendidas no processo de socialização e que regula a conduta dos
indivíduos em sua convivência. A ética é uma ponderação teórica sobre a moral cujo objetivo é d iscutir e
fundamentar reflexivamente as normas morais.
d) quando um determinado sujeito reflete sobre uma norma moral e a considera equivocada ou
ultrapassada, faz exercício de sua consciência moral, inexistindo na hipótese qualquer consideração que se
possa vincular ao conceito de ética.
e) a ética se caracteriza como conjunto de costumes e hábitos de um grupo social, atuando sobre o
comportamento do indivíduo que interage socialmente. A moral é um conjunto de valores sociais universais
que não se materializam em padrões de conduta.

02. (FUNCAB/2014 - PRF - Agente Administrativo) É certo que os princípios distinguem-se de valores e
regras. Sobre os princípios e sua função, é correto afirmar:
a) Nem sempre os princípios devem ser aplicados em sua inteireza, pois, em caso de conflito entre regra e
princípio, as regras predominam, em razão de sua superioridade normativa.
b) Os princípios são comandos definitivos que se aplicam ou não se aplicam em uma determinada situação,
segundo um parâmetro de “tudo ou nada”.
c) Enquanto as regras são comandos definitivos, os princípios são normas de otimização, que comportam
uma ideia de gradação capaz de permitir sua aplicação de forma ponderada.
d) A noção de validade é essencial ao reconhecimento dos princípios porque estes devem ser sempre
aplicados de modo que seja feito o que preveem na íntegra, em todas as situações.
e) Os princípios são valores individuais oriundos de juízos internos formulados por cada cidadão, valores
estes que serão tolerados se estiverem de acordo com os valores sociais.

03. (CESPE/2013 - PRF - Policial Rodoviário Federal) A respeito da ética no serviço público, julgue os itens
subsequentes.
Considere que os usuários de determinado serviço público tenham formado longas filas à espera de
atendimento por determinado servidor que, embora responsável pelo setor, não viabilizou o atendimento.
Nessa situação, segundo dispõe a legislação de regência, a atitude do servidor caracteriza conduta contrária à
ética e ato de desumanidade, mas não grave dano moral aos usuários do serviço.

04. (CESPE/2013 - PRF - Policial Rodoviário Federal) A respeito da ética no serviço público, julgue os itens
subsequentes.
O elemento ético deve estar presente na conduta de todo servidor público, que deve ser capaz de discernir
o que é honesto e desonesto no exercício de sua função.

05. (CESPE/2013 - PRF - Policial Rodoviário Federal) A respeito da ética no serviço público, julgue os itens
subsequentes.
Os registros que consistiram em objeto de apuração e aplicação de penalidade referentes à conduta ética
do servidor devem ficar arquivados junto à comissão de ética e não podem ser fornecidos a outras unidades
do órgão a que se encontre vinculado o servidor.

06. (CESPE/2013 - PRF - Policial Rodoviário Federal) A respeito da ética no serviço público, julgue os itens
subsequentes.
Estará sujeito à penalidade de censura, a qual é aplicada pela comissão de ética, mediante parecer
assinado por todos os seus integrantes, o servidor que violar algum de seus deveres funcionais.

07. (CESPE/2013 - PRF - Policial Rodoviário Federal) A respeito da ética no serviço público, julgue os itens
subsequentes.
A publicidade de ato administrativo, qualquer que seja sua natureza, constitui requisito de eficácia e
moralidade.

RESPOSTAS DOS EXERCÍCIOS PRF

01. RESPOSTA: C.
A alternativa “c” está certa porque o principal objetivo da moral é regular a conduta humana, afinal, a
moral tem por objeto central justamente a ação humana. A ética pondera teoricamente sobre a moral,
exercendo o papel reflexivo. Logo, moral é ação, ética é reflexão. O erro da alternativa “a” está em afirmar
que a moral não se vincula a hábitos, quando na verdade muitos filósofos morais afirmam que o hábito gera a
virtude (ex.: Aristóteles, Santo Tomás de Aquino). O erro da alternativa “b” está no fato de que justamente
porque o papel da ética é refletir sobre a moral, é bastante possível e inclusive comum que conteste a
conveniência e exigibilidade de tais normas. O erro da alternativa “d” está em afirmar, novamente, que ao se
refletir sobre a moral não é possível que a ética sofra alterações – obviamente, é possível e é comum. O erro
da alternativa “e” está na inversão de conceitos: a moral que se caracteriza como costumes e hábitos de um
grupo social e atua sobre o comportamento do indivíduo que convive socialmente; a ética é um conjunto de
valores que não se materializam na conduta – afinal, ética é reflexão, moral é ação.

02. RESPOSTA: C.
A alternativa correta é a “c”, pois descreve de forma clara a função das regras de trazer comandos
definitivos (com baixa margem de interpretação, teor claro e preciso) e dos princípios de trazerem
mandamentos de otimização (ou seja, são o fundamento para a melhor interpretação das regras) e que
podem ser graduados (colisões de princípios são resolvidas por critérios de ponderação, diferente do conflito
de normas, em que uma norma anula a outra – nos princípios, busca-se o equilíbrio). A alternativa “a” está
errada porque no conflito entre regras e princípios, prevalecem os princípios, justamente porque eles dão
fundamento às regras. As alternativas “b” e “d” estão erradas porque é possível a aplicação parcial de um
princípio. A alternativa “e” está errada porque os princípios são essencialmente gerais, não são formados em
juízo individual.

03. RESPOSTA: Errado.


Observe o inciso X do Código de Ética: “Deixar o servidor público qualquer pessoa à espera de solução que
compete ao setor em que exerça suas funções, permitindo a formação de longas filas, ou qualquer outra
espécie de atraso na prestação do serviço, não caracteriza apenas atitude contra a ética ou ato de
desumanidade, mas principalmente grave dano moral aos usuários dos serviços públicos”. O erro da
afirmativa está no fato de afirmar que permitir a formação de longas filas não gera dano moral quando na
verdade gera.
04. RESPOSTA: Certo.
Observe o inciso II do Decreto: “O servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético de sua
conduta. Assim, não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o conveniente e o
inconveniente, o oportuno e o inoportuno, mas principalmente entre o honesto e o desonesto, consoante as
regras contidas no art. 37, caput, e § 4°, da Constituição Federal”. Logo, saber distinguir o honesto do
desonesto é justamente o elemento ético essencial à conduta do servidor.

05. RESPOSTA: Errado. É dever da Comissão de Ética fornecer a outras unidades do órgão os registros
sobre a conduta ética do servidor, conforme o inciso XVIII do Decreto: “À Comissão de Ética incumbe fornecer,
aos organismos encarregados da execução do quadro de carreira dos servidores, os registros sobre sua
conduta ética, para o efeito de instruir e fundamentar promoções e para todos os demais procedimentos
próprios da carreira do servidor público”.

06. RESPOSTA: Certo.


É o exato teor do inciso XXII do Código: “A pena aplicável ao servidor público pela Comissão de Ética é a de
censura e sua fundamentação constará do respectivo parecer, assinado por todos os seus integrantes, com
ciência do faltoso”.

07. RESPOSTA: Errado.


É da essência de alguns atos administrativos não terem publicidade. Embora a publicidade seja a regra, ela
comporta exceções, conforme se vê pelo próprio inciso VII do Código, em negrito: “Salvo os casos de
segurança nacional, investigações policiais ou interesse superior do Estado e da Administração Pública, a
serem preservados em processo previamente declarado sigiloso, nos termos da lei, a publicidade de qualquer
ato administrativo constitui requisito de eficácia e moralidade, ensejando sua omissão comprometimento
ético contra o bem comum, imputável a quem a negar”.