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O CENÁRIO COMO ELEMENTO FANTÁSTICO EM

“CRÔNICAS DE NÁRNIA: O LEÃO, A FEITICEIRA E O GUARDA-ROUPA”


Juliana Pádua Silva Medeiros (USP/CSD)
julianapadua81@terra.com.br
Cristiano Camilo Lopes (USP/UPM)
RESUMO cristianoclopes@Hotmail.com
Este pôster tem por objetivo analisar como se configura o fantástico na obra “Crônicas de Nárnia: o leão, a feiticeira e o guarda-roupa”,
do irlandês Clive Staples Lewis. Para tanto, após contextualizar o livro, o presente trabalho busca traçar o fantástico, à luz dos estudos
de David Roas. A necessidade de tal recorte teórico se dá em virtude da composição do espaço, pois o projeto estético do exemplar
literário supracitado fia-se a partir do cenário fantástico onde Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia Peyensie enfrentam um terrível inverno
prolongado, imposto pela Feiticeira Branca. No mais, cabe sublinhar que - ao se observar os fios que urdem esse primeiro romance da
série em ordem de publicação, mas o segundo em uma sequência cronológica - é possível discorrer acerca da presença do sagrado,
responsável pela aura de mistério no exemplar literário. Sob uma releitura dos contos de fadas, o próprio escritor confessou, ao criar sua
obra, que o referido gênero foi a melhor forma encontrada para expressar o que desejava dizer.

O CENÁRIO COMO ELEMENTO FANTÁSTICO


De acordo com Roas (2014, p. 111),:
Por mais que saibamos quanto são fictícios os fatos narrados, o leitor deve contrastá-los com a sua ideia do real para avaliar na medida
justa o que acontece na história narrada e, sobretudo, para compreender o que se pretende com a narração de tal história (alterar nossa
noção do real). O fantástico, portanto, depende sempre do que consideramos real, e o real deriva diretamente daquilo que conhecemos.
Na obra de Lewis (1997), a experiência com o espaço transforma a vida das crianças. Eles crescem e mudam com o passar do tempo
na nova terra. Mais do que isso, o espaço desperta vocações, fornece habilidades e, por fim, constrói a formação do ser:
Pedro ficou um homem alto e parrudo: foi chamado Pedro, o Magnífico. Susana virou uma mulher alta e esbelta, de cabelos negros que
chegavam quase aos pés. Foi chamada Susana, a Gentil. Edmundo era mais grave e calado do que Pedro, muito sábio nos conselhos de
Estado. E foi chamado de Edmundo, o Justo. Lúcia, esta continuou sempre com os mesmos cabelos dourados e a mesma alegria, e todos
os príncipes desejavam que ela fosse rainha. E foi chama de Lúcia, a Destemida. (LEWIS, 1997, p. 21)
Diante do exposto, verifica-se a relevância do espaço na construção do enredo, pois, como pontua Coelho (2006, p. 77), “[...] a ficção
narrativa decorre sempre em um determinado local ou espaço que lhe dá significação e verossimilhança”. Candido (1993, p. 76), ao
tratar disso, acrescenta:
Aí está porque [...] a descrição assume importância fundamental, não a modo de enquadramento ou complemento, mas de instituição da
narrativa. É ela, de fato, que estabelece como denominador comum a supressão das marcas de hierarquia entre o ato, o sentimento e as
coisas, que povoam o ambiente e representam a realidade perceptível do mundo [...].
Quanto ao espaço no âmbito do sagrado, esse pode ser classificado como transreal, tendo em vista que assume conotação simbólica:
[...] espaço não-localizável no mundo real, tal como o conhecemos; [...] ultrapassa a simples funcionalidade dentro da ação ou em face da
personagem, para adquirir um valor transcendente, um valor que ultrapassa a sua importância objetiva na história. (COELHO, 2006, p. 77)

CONSIDERAÇÕES FINAIS
EM LFGR, o narrador sempre sugere o sobrenatural como exceção, como algo incomum caso contrário não seria transgressão. O
narrador tenta convencer o leitor sem explicar o sobrenatural:
E este seria o fim da história, se as crianças não se sentissem na obrigação de explicar ao professor por que quatro casacos tinham
desaparecido do guarda-roupa. E o professor (um sujeito fora do comum) não lhes disse que deixassem de ser bobos ou de inventar
histórias. Acreditou. (LEWIS, 1997, p. 179)
Dessa forma, o cenário, como elemento fantástico na literatura infantil, proporciona ao leitor a experiência com a realidade e permite, por
exemplo, que a criança decodifique a seu modo, à semelhança de Lúcia que encontra em Nárnia um modo de sobreviver ao universo da
guerra.

BIBLIOGRAFIA
CANDIDO, Antonio. O discurso e a cidade. São Paulo, Duas Cidades, 1993.
COELHO, Nelly Novaes. Literatura infantil. teoria, análise, método. 7.ed., São Paulo, Moderna, 2006.
DURIEZ, Colin. Manual prático de Nárnia. Osasco/SP; Novo Século, 2005.
LEWIS, Clive Staples. Crônicas de Nárnia. O leão, a feiticeira e o guarda-roupa. Trad. Paulo Mendes Campos. São Paulo: Martins
Fontes, 1997.
___________ O problema do sofrimento. Trad. Alípio Franca. São Paulo, Ed. Vida, 2006.
ROAS, David. A ameaça do fantástico. São Paulo: Unesp, 2014.