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Hiarle de Oliveira Souza*

Ocupação do Vale do Rio Branco

A presença portuguesa no Vale do rio Branco tem como marco principal a construção do Forte São
Joaquim em 17751, este possibilitou de fato a sua ocupação e conquista. Entretanto, em 1730 temos
notícia de tropas de resgates oficiais que tinham por objetivo a captura de índios do rio Branco ou rio
Negro para serem escravizados. Essas tropas eram comandadas por portugueses, naquela região, de
modo que podemos perceber a inexistência de uma consistente fixação portuguesa na região.
No Vale do rio Branco até o final do século XIX, a presença portuguesa se fazia notar por meio de
guarnições militares e aldeamentos indígenas, esses eram como povoados indígenas, os mesmos eram
comumente “dirigidos” por missionários ou mesmo por leigos não índios e estariam localizados em
torno de fortificações, no caso do rio Branco nos referimos ao Forte São Joaquim.
O Forte São Joaquim, construção militar presente na confluência dos rios Uraricoera e Tacutu foi
construído depois de investidas de ocupação de estrangeiros na região, em especial holandeses que já
haviam estabelecido relações de comércio com os indígenas e espanhóis que se faziam presente na
região por meio do Forte Santa Rosa e o aldeamento São João Batista de Caya-caya ambos no rio
Uraricoera. As fronteiras ainda não estavam bem definidas e por isso a região do rio Branco poderia ser
facilmente ocupada por outros que não os portugueses.
O mito do “vazio demográfico” foi muito utilizado para justificar a ocupação por colonizadores
europeus nas terras tradicionalmente habitadas pelos povos indígenas que tinham uma forma
consolidada e diferente de viver dos europeus. Aquele mito se torna um tanto equivocado, pois sabemos
que existiam populações de diversas etnias habitando a região do rio Branco, as mesmas foram peças
principais nesse processo de ocupação daquela região, pois “cooperavam” como: mão de obra e aliados
no sentido de garantir a antiguidade dos portugueses na região no direito Uti possidetis2 (quem ocupa de
fato é dono por direito) utilizado para com outros europeus na disputa pelo rio Branco.
A ocupação ocorreu de várias formas: negociando, se apropriando por grilagem, expulsando com
violência, fortalezas, freguesias e outros.
Na segunda década do século XVII o sistema de plantation fora inserido como um dos primeiros
modos de colonização do Maranhão e Grão-Pará. Mas, o pouco investimento, a elevação do preço da

* Bacharela e licenciada em História pela Universidade Federal de Roraima – UFRR.


1
VIEIRA, Jaci Guilherme; GOMES FILHO, Gregorio Ferreira. Forte São Joaquim: do Marco da Ocupação Portuguesa do
Vale do Rio Branco às Batalhas da Memória – Século XVIII ao XX. In: TEXTOS&DEBATES, Boa Vista, N.20, P. 101-
119, Jan/Jun.2013.
2
RIBEIRO DE SAMPAIO, Francisco Xavier. Relação Geográphica e Histórica do rio Branco da América Portuguesa 1642
(sic). In: COSTA, Clovis Nova da. O vale do Rio Branco (suas realidades e perspectivas). Rio de Janeiro: Dep. De
Imprensa Nacional, 1949.
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mão de obra escrava negra devido ao isolamento geográfico da colônia, o desinteresse do Estado e suas
respectivas ações de política fiscal, convergiram para que a produção da região se restringisse ao açúcar
e tabaco, de modo que não alcançava condições para exportação (FARAGE, 1991). Neste sentido,
predominava naquela região a produção extrativista, em que:

Os produtos obtidos por extração, as chamadas „drogas do sertão‟, consistiam em uma gama
variada de frutos e raízes silvestres, principalmente cacau, baunilha, salsaparrilha, urucu, cravo,
andiroba, almíscar, âmbar, gengibre e piaçava (Mendonça Furtado a Diogo de Mendonça Corte
Real, 22.1.1752, in AEP, I: 199 apud FARAGE, 1991, p. 25); havia, além disso, a pesca e a
viração de tartarugas, cuja produção se voltava em grande parte para o consumo interno da
colônia (FARAGE, 1991, p. 25).

Até meados do século XVIII não havia moeda do modo como conhecemos hoje. Assim sendo, o
cacau no Pará e os fios de algodão no Maranhão funcionavam como moeda (FARAGE, 1991). Estes
estavam sujeitos a deteriorações e flutuações de seu preço no mercado europeu (D. Sweet, 1974, I: 63-64
apud FARAGE, 1991, p. 25).
Na Amazônia, a mão de obra indígena3 estava dividida entre os missionários, o Estado e os
moradores. E era utilizada nos mais diversos tipos de trabalho com relação à manutenção do
estabelecimento português no rio Branco, a exemplo: o transporte de canoas (remadores), vaqueiros,
pescadores e coletores de tartaruga, cultivo das roças nos aldeamentos para o seu próprio sustento,
guarnição militar e outros.
O “aportuguesamento” dos indígenas também foi utilizado na colonização, os mesmos eram
obrigados a adotarem nome, sobrenome, costumes e língua portuguesa. Tendo em vista a importância do
indígena para a garantia da conquista do rio Branco, podemos destacar um projeto produzido para toda a
Amazônia, o Diretório Pombalino (1755), uma espécie de legislação que tinha a função de “regular” à
vida dos indígenas no aldeamento, é verdade que a escravização de indígenas passa a ser proibida a
partir deste, mas também é importante destacar que essa legislação em sua grande maioria não era
cumprida.
A exploração de sua mão de obra, a violência, e a imposição da cultura europeia sobre a cultura
indígena nesse processo de colonização, gerava resistência por parte dos indígenas e, por conseguinte a
repressão por parte dos portugueses. Podemos destacar uma das inúmeras formas de resistência por parte
dos indígenas. A Revolta da Praia de Sangue em 1781, além de portugueses e índios mortos em combate
também possibilitou o declínio da colonização por aldeamentos, pois os indígenas passaram a
empreender fugas dos mesmos.
Como não havia uma atividade econômica capaz de atrair um contingente populacional
considerável capaz de garantir a ocupação da região (só existia a comercialização de índios), se adotou o

3
FARAGE, Nádia. As Muralhas dos Sertões: os povos indígenas no Rio Branco e a colonização. Rio de Janeiro: Paz e
Terra, 1991.
3

Projeto do gado e a criação de fazendas reais 4 (1787) no rio Branco, são essas: São Bento (do rei) entre
os rios Uraricoera e Branco, São José próxima ao Forte São Joaquim e São Marcos entre os rios
Uraricoera e Tacutu.
A criação de fazendas na região do rio Branco deu origem aos primeiros latifúndios no que
somente em 1988 viria a ser o estado de Roraima e desencadeou uma série de consequências como: a
disputa pela mão de obra e terra indígena5, o aumento de fazendas nas áreas ocupadas pelos indígenas, a
constituição de 1891 e a Repartição de Obras Públicas, Terras e Colonização como dispositivos legais de
demarcação e regularização para dar posse as terras para o Estado e fazendeiros.
Em 1858, uma lei Provincial6 que designou as fronteiras do Amazonas estabeleceu que a freguesia
de Nossa Senhora do Carmo passaria a ser denominada Boa Vista. Esta funcionava como sede
administrativa da Coroa Portuguesa que não só contribuiu para a consolidação da presença portuguesa
no rio Branco, como também buscou controlar ou mesmo “impedir” o comércio daquela região para com
os estrangeiros. A República possibilitara a sua elevação de freguesia à condição de município em 09 de
julho de 1890 com o nome de Boa Vista do rio Branco. A criação deste município fora de muita
importância para os grupos políticos e latifundiários que exerciam pressão sob o Estado por autonomia
na região.
Somente no final do século XIX se tem início a ocupação efetiva por colonos civis7 na região de
campos no vale do rio Branco. Momento em que a economia extrativista na Amazônia entrava em
declínio e emergia a prática da pecuária como alternativa. Coexistia a exploração do garimpo de ouro e
diamante.
No âmbito geral das relações sociais, emerge um grupo pequeno de cultura europeiaque se destaca
no setor social e no poder político. Militares de baixa patente foram incentivados pelo Estado a se
casarem com as índias e os descendentes dos militares mais graduados que trouxeram sua família para a
região tornaram-se fazendeiros. Estes foram se apropriando das terras públicas, o que resultou na
formação de uma sociedade patriarcal, em que aquele grupo europeu perpassa seus bens de forma
hereditária na transição do século XIX para o século XX.

4
LOBO D‟ALMADA, Manoel da Gama. Descripção Relativa ao rio Branco e seu Territorio (1787). In: COSTA, Clovis Nova
da. O vale do Rio Branco (suas realidades e perspectivas). Rio de Janeiro: Dep. De Imprensa Nacional, 1949.
VIEIRA, Jaci Guilherme; GOMES FILHO, Gregorio Ferreira. Ocupação do Rio Branco: Hoje Estado de Roraima. In:
MIBIELLI, Roberto; SANTOS, Herica Maria Castro dos; FERNANDES, Maria Luiza (org). Coleção: Práticas Docentes.
Ponto Incomum: Práticas pedagógicas e integração na UFRR. Boa Vista: Editora da UFRR, 2008.
5
SANTILLI, Paulo. Pemongon Patá: território Macuxi, rotas de conflito. São Paulo: Editora UNESP, 2001.
6
VIEIRA, Jaci Guilherme; GOMES FILHO, Gregorio Ferreira. Cit. p. 02.
7
SANTILLI, Paulo. Cit. p. 02.
8
VIEIRA, Jaci Guilherme; GOMES FILHO, Gregorio Ferreira. Cit. p. 02.

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