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ISLA- Instituo de Línguas e Administração de Leiria

Pós-Graduação em Psicologia, Psicoterapia e Aconselhamento

Psicoterapias dinâmicas e de suporte

Amor Transferêncial

Discente: Patrícia Isabel Valente dos Santos nº. 207085

Docente: Professor Dr. José Martinho

4 de Janeiro de 2011
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Introdução
Manusear a transferência amorosa pode trazer-nos grandes dificuldades, que por
vezes podem ser comparadas, às das transferências agressivas e paranóides, e que
podem, no seu desenvolvimento, obstruir a capacidade analítica do terapeuta, pelo
menos temporariamente.
O trabalho que se segue descreve o fenómeno da tranferência no âmbito da
análise e o seu respectivo manuseamento, pois é somente graças a este fenómeno que se
pode estabelecer efectivamente o seu tratamento.
O presente trabalho ainda faz destaque relativamente ao modo como o
psicanalista deve lidar com a tranferência amorosa, que como Freud alerta, é onde
reside a verdadeira e séria dificuldade.
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Amor Transferêncial

Estamos no “campo” a que Freud designou de transferência. É aqui que “a


vitória deve ser conquistada”.
Esta idéia da existência de um “campo”, em que se entra em jogos de afectos na
relação entre o paciente e o seu médico, é encontrada em Freud (1893-95).
Foi em 1895, que Freud utilizou pela primeira vez, a designação de
“transferência”, no sentido de esta ser uma forma de resistência, ou seja, um obstáculo à
análise. (Isolan, 2005)
No texto, “Observações sobre o amor transferêncial”, Freud afirma, que a maior
dificuldade na experiência analítica é encontrada no manuseamento da transferência.
(Murta, 2006)
Freud recorda também que a dificuldade de compreensão sobre como a
transferência funciona é justificada pelo facto de que esta se dá a partir de idéias prévias
conscientes e por idéias que foram retidas ou que são inconscientes. (Coelho, 2006)
A transferência amorosa é um processo relativamente comum, tanto na prática
clínica do psicoterapeuta de orientação analítica, quanto do psicanalista. Constituindo
um obstáculo considerável, esta forma de transferência pode ser um importante recurso
para o avanço do tratamento e para a compreensão de porções da história pessoal e do
funcionamento e desenvolvimento psíquico do paciente. (Isolan, 2005)
“ (...) o fenômeno transferencial é aquele que permite depositar o investimento
libidinal na figura do analista (Freud, 1917/1986), o que corresponderia a um primeiro
momento da experiência analítica.” (Brito & Lopes, 2008, p. 689)
Lacan afirma que este é o “sustentáculo da fala”, isto é, aquilo que permite a
sustentação de um tratamento. Freud refere que a psicanálise não conserva a
transferência intocada, ela é precisamente o “objecto do tratamento”. Desta forma,
actuando como objecto do tratamento, podemos entender que ela permite que a libido
seja introduzida num “campo de batalha”, tendo o analista o papel de objecto de
investimento. Desta forma o analista terá de seguir o caminho dessa libido. Freud porém
alerta-nos que esse investimento libidinal no analista não deve levá-lo a crer que está
perante algo provocado por si, mas sim provocado pela situação analítica. (Brito &
Cunha, 2008)
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“ (...),o analista deve aguardar a instauração da transferência para operar,


intervir.” (Brito & Cunha, 2008, p. 690)
Podemos então concluir, segundo Freud, que se trata de aguardar o momento em
que o paciente deposita confiança no analista. (Brito & Cunha, 2008)
Então qual será o laço que liga a transferência e o desejo, que promove a relação
professor-aluno?
Segundo Lacan é o amor que unifica, transferência e desejo, designando-o por
“efeito de transferência”. O aluno dirige o seu desejo de saber ao seu professor pois
anseia ser amado, assim como deseja ser amado pelos seus pais. No entanto este amor
que instiga a relação professor-aluno pode levar à “morte” do desejo de saber do aluno.
Freud indica que a resistência existe em toda a transferência, tendo como uma
das suas consequências a dificuldade de compreensão interna que ela cria no paciente.
(Murta, 2006)
Então como preencher esse lugar necessário à transferência, lugar a que Lacan
apontou como o lugar do “sujeito suposto saber”?
Se pensar-mos a respeito do narcisismo, podemos encontrar algumas respostas.
Segundo Freud a idéia de narcisismo apoia-se na teoria da circulação da libido.
No trabalho de Freud Sobre o narcisismo este define o narcisismo como uma atitude em
que a libido distanciada do mundo externo se dirige para o ego. (Murta, 2006)
“Nesse texto, Freud supõe pela primeira vez, a existência de uma antítese entre a
libido do ego e a libido objectal, referindo que quanto mais uma é investida a outra é
“esvaziada”. (Murta, 2006, p.39)
O importante é o conceito de ideal do ego. Freud afirma que a repressão é
originada pelo ego, ou seja, do amor-próprio do ego. Conforme Freud, o que é
projectado no outro, pelo sujeito, como sendo um ideal a ser alcançado, é o substituto do
narcisismo perdido da sua infância, ao qual ele se recusa a resignar.
Como a idealização é um processo que diz respeito ao objecto, de certo que a
encontramos no enamoramento. Relativamente a esta questão, Freud, afirma que, “a
libido objetal atinge sua fase mais elevada de desenvolvimento no caso de uma pessoa
apaixonada, quando o indivíduo parece desistir de sua própria personalidade em favor
de uma catexia objetal”. (Murta, 2006)
Pode-se então concluir que uma das armadilhas transferenciais em que pode cair
o professor é pensar que deve ocupar esse “lugar ideal”, lugar em que a demanda
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narcísica do aluno com frequência o coloca. E o aluno assim o faz pensar. Como recorda
Lacan, “o desejo situa-se na dependência da demanda”. (Murta, 2006)
Segundo Catherine Millotesta esta dinâmica transferencial é inevitável, pois:
“(...),para que o desejo do aluno não fosse alienado no do professor, seria necessário que
não houvesse nenhum desejo em particular, ou seja, que o professor não investisse o
aluno como objeto de seu desejo de ensinar, o que interditaria no aluno o acesso a
qualquer desejo: “não há desejo além do desejo alienado”. (Murta, 2006, p.39)
No clássico relato do caso Dora, Freud afirma que o paciente não recorda nada
do que reprimiu e esqueceu, mas reproduz o reprimido uma acção inconsciente e
repetitiva. No pós-escrito deste trabalho, Freud refere que as transferências são
reedições, reduções das reações e fantasias que, ao se avançar na análise, geralmente
despertam e tornam-se conscientes, caracterizadas por uma substituição de uma pessoa
anterior pela pessoa do médico. (Isolan, 2005)
“Em 1915, Freud referiu-se ao “amor de transferência” como uma complicação
do processo psicanalítico, que acontece com freqüência e no qual o paciente se diz
“apaixonado ” pelo seu terapeuta.” (Isolan, 2005, p.189)
Nesta situação o analista deve reconhecer que a paixão do paciente não deve ser
atribuída aos encantos de sua própria pessoa. Freud afirma que o analista deve estar
atento para saber com o que está a lidar, utilizando a transferência amorosa para uma
melhor compreensão do paciente. Freud classifica também a transferência em positiva e
negativa. A transferência positiva refere-se, a todas as pulsões e derivações relativas à
libido,isto é, sentimentos de afecto e carinho, incluindo os desejos eróticos, sob a forma
de amor não-sexual não persistindo como um vínculo erotizado. A transferência
negativa é referente à existência de pulsões agressivas e suas derivações, como por
exemplo inveja, ciúmes, destrutividade e sentimentos eróticos intensos. (Isolan, 2005)
“(...), nas transferências eróticas, a capacidade de fantasiar não é perdida, e as
demandas eróticas se mantêm ao nível da fantasia, ou seja, o analista é um objeto da
fantasia do paciente, ao contrário das transferências erotizadas, onde ele é vivido como
um objeto concreto.” (Isolan, 2005, p.190)
Zimerman refere que existem dois grandes riscos que podem acompanhar a
instalação da transferência erotizada no campo analítico:
“(...), que, diante da não gratificação, por parte do terapeuta, dessas demandas
sexuais do paciente, este recorra a atuações fora da situação analítica, que, às vezes,
podem adquirir características de grave malignidade. (...), que a terapia, a partir dessa
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transferência perversa, possa descambar para uma perversão da transferência, (...), com
a possível eventualidade de o terapeuta ficar nela envolvido.” (Isolan, 2005, p.190)
Ao se manusear a transferência amorosa, deve-se ter em conta que as reedições
de conflitos infantis provêm de desejos que permaneceram insatisfeitos e que procuram
realização no contexto do tratamento psicanalítico. O papel do terapeuta é mostrar a
realidade do que está a ser pedido, o que poderá ser feito pela análise pormenorizada
dos sentimentos transferenciais, contratransferênciais da dupla analítica. (Isolan, 2005)
“Quando o terapeuta interpreta, colocando em palavras essa troca de emoções
inconscientes, ele possibilita a passagem para o simbólico. A interpretação, ao tornar
consciente o que é inconsciente, possibilita à libido ficar à disposição do ego para
investimentos mais saudáveis.” (Isolan, 2005, pp. 190-191)
Ao interpretar, entra-se em contato com a realidade, e não com a realização do
desejo, como pede o paciente. E, caso a interpretação seja correctamente utilizada, reduz
com frequência, o desejo e a resistência inerentes à transferência amorosa. (Isolan,
2005)
Freud, no entanto afirmava que existe uma: “determinada classe de mulheres
com quem esta tentativa de preservar a transferência erótica para fins de trabalho
analítico, sem satisfazê-la, não logrará êxito. Trata-se de mulheres de paixões poderosas,
que não toleram substitutos”. (Isolan, 2005, pp. 190-191)
“Quanto mais um tratamento analítico demora e mais claramente o paciente se
dá conta que as deformações do material patogênico não podem, por si próprias,
oferecer qualquer proteção contra sua revelação, mais sistematicamente faz ela uso de
um tipo de deformação que obviamente lhe concede as maiores vantagens - a
deformação mediante a transferência.” (Freud, 1912, p. 64)
Essas circunstâncias permitem que se combata contra todo o conflito da esfera
da transferência.
Desta forma, a transferência, no tratamento analítico, aparece inevitávelmente,
desde o início, como a mais forte arma da resistência.
Como é possível que a transferência sirva tão admiravelmente de meio de resistência?
(Freud, 1912)
“(...), uma relação de dependência afetuosa e dedicada pode, (...), ajudar uma pessoa a
superar todas as dificuldades de fazer uma confissão. Assim, a transferência para o
médico poderia, (...), servir para facilitar as confissões, (...). (Freud, 1912, p.64)
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Percebe-se então que não podemos compreender o uso da transferência como


resistência enquanto pensarmos simplesmente em transferência. (Freud, 1912)
“A contratransferência inicialmente passou pelas mesmas vicissitudes da
transferência, sendo vista como uma manifestação indesejável no tratamento.” (Isolan,
2005, p.191)
Freud define a contratransferência como aquilo que :
“Surge no médico como resultado da influência que exerce o paciente sobre os
seus sentimentos inconscientes”. (Isolan, 2005, p.191)
Heimann designou a contratransferência como a todos os sentimentos do
terapeuta relativamente ao paciente e refere que a resposta emocional do terapeuta às
projecções do paciente serve de instrumento de compreensão para o terapeuta. Para a
contratransferêcia ser utilizada nesse sentido o terapeuta tem que resistiros aos
sentimentos nele despertados, em vez de descarregá-los. (Isolan, 2005)
Kernberg afirma que o analista deve tolerar suas fantasias sexuais sobre o
paciente e permitir que seja desenvolvida na narrativa, um relacionamento sexual
imaginário. Isto vai permitir que se aperceba ao longo do processo, dos aspectos
antilibidinais, autodestrutivos e rejeitadores que poderão estar escondidos da
manifestação erótica explícita do paciente. Ao mesmo tempo o analista deve ser capaz
de examinar o amor transferencial sem utilizar uma abordagem sedutora. (Isolan, 2005)
Teixeira da Silva salienta que :
“ (...), análise didática ideal (...), seria aquela na qual ele pudesse analisar,
minuciosamente, todos os seus aspectos pré-edípicos e edípicos, ultrapassando-os para
desenvolver uma relação natural e verdadeira consigo mesmo, conquistando uma
identidade sexual harmoniosa e a aceitação de sua bissexualidade, podendo lidar com
espontaneidade e liberdade com seus aspectos masculinos e femininos. (...),
complementado por uma excelente preparação teórica e prática”. (Isolan, 2005, p.192)
O tratamento pessoal do terapeuta continua a ser um instrumento de extrema
importância:
“(...), pode capacitá-lo a compreender melhor o seu próprio funcionamento psicológico
e os processos em ação na mente do paciente, bem como os mecanismos que influem na
transferência e na contratransferência eróticas.” (Isolan, 2005, p.193)
As dificuldades teóricas e técnicas no manuseamento e identificação da
transferência amorosa podem também agravar-se, deixando de ser um problema apenas
clínico podendo vir a constituir problemas éticos e legais. (Isolan, 2005)
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“ As más condutas sexuais no relacionamento paciente-terapeuta são


potencialmente nocivas ao paciente e ao próprio terapeuta, destrutivas em relação ao
trabalho terapêutico e danosas à profissão em si.” (Isolan, 2005, p.194)
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Bibliografia

Brito, B. e Besset, B. (2008). Amor e saber na experiência analítica. Revista mal-estar e


subjectividade, Vol. VIII, n° 3. Obtido a 3 de Janeiro de 2011 através do website:
http://redalyc.uaemex.mx/pdf

Coelho, R. (2006). Fundamentos da Psicanálise. Revista da associação psicanalítica de


Porto Alegre. Obtido a 30 de Dezembro de 2010 através do website:
http://www.appoa.com.br/download/revista31

Freud, S. (1912). A dinâmica da transferência. Obras de Freud, Vol. 12. Obtido em 30 de


Dezembro de 2010 através do website:
http://www.ricardoborges.net

Isolan, L. (2005). Transferência erótica: uma breve revisão. Obtido a 3 de Janeiro de


2011 através do website:
http://www.scielo.br/pdf/rprs/v27n2/v27n2a09.pdf

Murta, C. (2006). Um amor de corpo e alma. Revista AdVerbum. Obtido a 28 de


Dezembro de 2010 através do website:
http://www.psicanaliseefilosofia.com.br/adverbum/Vol1_1/um_amor_de_corpo_e_alma.
pdf