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Índice

Dedicatória.......................................................................................................................................V

Agradecimentos ............................................................................................................................. VI

Lista de Siglas ou abreviaturas ..................................................................................................... VII

Resumo .......................................................................................................................................... IX

CAPITULO I ................................................................................................................................. 10

1. Introdução............................................................................................................................... 10

1.1. Delimitação do Tema.......................................................................................................... 11

1.2. Justificativa ......................................................................................................................... 11

1.3. Problematização.................................................................................................................. 12

1.4. Hipóteses ............................................................................................................................ 13

1.5. Objectivos ........................................................................................................................... 13

1.5.1. Objectivo Geral ............................................................................................................... 13

1.5.2. Objectivos Específicos .................................................................................................... 13

1.6. Metodologias ...................................................................................................................... 13

1.6.1. Tipo de pesquisa ............................................................................................................. 13

1.6.2. Pesquisa experimental..................................................................................................... 14

1.6.3. Técnicas usadas na recolha de dados .............................................................................. 14

1.6.3.1. Observação .................................................................................................................. 14

1.6.3.2. Método bibliográfico ................................................................................................... 15

1.6.3.3. Método experimental................................................................................................... 15

1.6.3.4. Experimentação ........................................................................................................... 15

1.6.4. Método de análise de dados ............................................................................................ 15

1.6.4.1. Método estatístico ....................................................................................................... 15

1.6.4.2. Descrição do Teste de Fervura de Agua (WBT) ......................................................... 16


Capitulo II ...................................................................................................................................... 17

2. Revisão Bibliográfica ............................................................................................................. 17

2.1. Fogão como fonte de calor ................................................................................................. 21

2.1.1. Processos de transmissão de calor .................................................................................. 21

2.1.1.1. Condução ..................................................................................................................... 22

2.1.1.2. Convenção ................................................................................................................... 22

2.1.1.3. Radiação ...................................................................................................................... 23

2.2. Eficiência de fogões............................................................................................................ 23

2.2.1. Constituição .................................................................................................................... 24

2.2.2. Princípio de funcionamento ............................................................................................ 25

2.2.3. Durabilidade.................................................................................................................... 25

Capitulo III .................................................................................................................................... 26

3. Análise e discussão de resultados........................................................................................... 26

3.1. Calor libertado durante a combustão Qlib  ....................................................................... 26

3.2. Determinação do calor libertado......................................................................................... 27

Tabela 1: Resultado dos experimentos sobre a quantidade de calor libertado em cada fogão ...... 27

Gráfico 1. Referente aos experimentos sobre a quantidade de calor libertado em cada fogão ..... 28

Tabela referente a Quantidade de carvão usado nos fogões .......................................................... 33

3.3. Cálculo de Erros do fogão Metálico ................................................................................... 34

3.3.2. Erro Relativo ................................................................................................................... 34

3.4. Cálculo de erros do Fogão Poupa Lenha ............................................................................ 34

3.4.1. Erro absoluto ................................................................................................................... 34

3.44.2. Erro Relativo ..................................................................................................................... 35

3.5. Cálculo de erros do Fogão Mbaula ..................................................................................... 35

3.5.1. Erro absoluto ................................................................................................................... 35


3.5.2. Erro Relativo ................................................................................................................... 35

3.6. Medidas de dispersão ......................................................................................................... 36

3.6.1. Desvio padrão para a massa da quantidade do carvão usado.......................................... 36

4. Conclusões ............................................................................................................................. 39

4.1. Sugestões ............................................................................................................................ 39

4.2. Referências bibliográficas .................................................................................................. 40


IV

Declaração

Declaro que esta monografia é resultado da investigação pessoal e das orientações do meu
supervisor. O seu conteúdo é original e todas as fontes consultadas estão devidamente mencionadas
no texto, nas notas e bibliografia final.

Declaro ainda que este trabalho nunca foi apresentado em nenhuma outra instituição para obtenção
de qualquer outro grau académico.

Chimoio, Março de 2017

___________________________________________

(Francisco José Noris)


V

Dedicatória

Dedico este trabalho a minha família em especial ao meu pai por ter acreditado no meu potencial
e creditou os seus recursos financeiros para a minha formação. Aos meus pastores que estavam a
par de tudo quanto é a minha vida académica. A minha namorada que sempre teve paciência e pelo
suporte em todos momentos.
VI

Agradecimentos

De um modo geral, os meus agradecimentos vão para todos aqueles que directas ou indirectamente
me deram uma força para que este trabalho passasse de sonho à realidade.

Aos docentes do curso de Física e aos meus colegas que partilharam comigo essa longa caminhada,
em particular destaque o meu supervisor dr. Domingos Mário Zeca Fernando, ao meu pai José
Noris e minha mãe Victória Francisco que me motivou bastante para assim escrever o trabalho.

Em suma, o meu muito obrigado a todos.


VII

Lista de Siglas ou abreviaturas

ma - Massa da água vaporizada

ADEL - Agência de Desenvolvimento Económico Local

BR - Boletim da República

F. M - Fogão Metálico

F. Mb - Fogão Mbaula

F. P. L - Fogão Poupa Lenha

J - Joule

°C - Graus Celsius

Qlib - Quantidade de calor libertado

Qab - Quantidade de calor absorvido

QV - Quantidade de calor vaporizado

SNV - Organização Holandesa de Cooperação (sigla em inglês)

TFA - Teste de Fervura de Água

L - Calor latente de vaporização

mia - Massa inicial de água

KW - Kilowatts

Bc - Poder calorífico do carvão

OMS – Organização Mundial de Saúde

T fa -Temperatura final de água


VIII

Tia -Temperatura inicial de água

𝑥̅ - Média;

∆𝑥̅ - Variação da média;

∑𝑛𝑖=1 𝑥 𝑖 - Somatório de vários elementos;

CV - Coeficiente de variação;

∆𝐶𝑉 - Variação de coeficiente de variação;

𝑠 2 - Medidas de dispersão

𝑥̅max - Média máxima;

𝑥̅𝑚𝑖𝑛 - Média mínima;

WBT - Water Boiling Test


IX

Resumo
O presente trabalho de pesquisa intitulado “Análise comparativa da eficiência térmica entre os fogões: Metálico, Poupa
Lenha e Mbaula”, pretendeu determinar e comparar quantitativamente a eficiência térmica do fogão metálico, poupa
lenha e Mbaula, oferecendo uma base de dados que podem ser usados pelos utentes. Para a sua execução recorreu-se
ao método experimental e as técnicas de experimentação, leitura bibliográfica, observação. Importa referir que para a
colecta de dados quantitativos foi necessário um número de dez experimentos e consistiu no TFA onde se media a
quantidade de carvão usado em cada fogão, o tempo necessário para a água atingir a ebulição. As massas médias usadas
pelos fogões foram 2,19, 1,65, 1,45 kg respectivamente, o tempo decorrido para atingir a ebulição sugere que o fogão
Mbaula está em vantagem com relação aos outros dois fogões, as temperaturas que foram representados graficamente
e após se calculou os erros que nos permitiram oferecer um juízo de valores de que o fogão Mbaula é o mais eficiente
termicamente comparado com os outros fogões em estudo.

Palavras-Chave: Fogão Metálico, Fogão Poupa lenha, Fogão Mbaula, eficiência térmica e teste de fervura de água
(TFA)
10

CAPITULO I

1. Introdução
O uso de combustão de biomassa em especial carvão vegetal, é uma das alternativas energéticas
mais antigas e difundidas na história da humanidade para a cocção de alimentos. Nos países em
desenvolvimentos a maioria da população recorre a este tipo de biomassa para a cocção de
alimentos, isso deve-se a facilidade em encontrar e o preço acessível no mercado. Actualmente, a
maioria dos moçambicanos recorrem a recursos de biomassa, incluindo o carvão e excrementos de
animais (estrume), para lidar com as necessidades básicas de energia. Esta prática sobre a utilização
de combustíveis da biomassa (lenha e carvão) é uma das alternativas energéticas mais antigas e
difundidas da humanidade para a cozedura de alimentos.

Na cidade de Manica, a maioria da população residente em áreas urbanas utiliza biomassa,


especialmente carvão, como principal e mais acessível combustível doméstico para a cocção de
alimentos e aquecimento de água. O fogão mais usado por essa comunidade é o triângulo usando
a lenha e o fogão metálico para o carvão vegetal. “A eficiência energética de fogão metálico
utilizado pelos agregados familiares desempenha um papel muito importante para a cocção de
alimentos, porém resulta no empobrecimento contínuo e problemas respiratórios” segundo (ADEL
- SOFALA 2008).

Em Sofala, Manica e Zambézia, o estudo de fogões melhorados (poupa lenha e Mbaula) iniciou no
ano 2006, pela ADEL – Sofala que intitularam de fogão poupa lenha e Mbaula, (ADEL - SOFALA,
2008). Este trabalho consistirá na análise quantitativa e comparativa do rendimento de fogão de
Metálico, de argila (poupa lenha) e a junção de argila e metálico por fora (Mbaula). Para a tal
análise se apresentara a descrição do método usado na análise da eficiência dos fogões – TESTE
DE FERVURA DA ÁGUA.

O objectivo do trabalho é averiguar através de experiências a eficiência térmica dos 3 fogões em


análise. O trabalho apresenta cinco capítulos, nomeadamente: Capítulo I – Introdução, Capitulo II
– Referência Bibliográfica, Capítulo III – Trabalho de campo, Capítulo IV – Apresentação dos
resultados e Análise e discussão de Resultados e Capítulo V – Conclusão e Referências
bibliográficas;
11

1.1.Delimitação do Tema

A pesquisa foi realizada na Província de Manica, Cidade de Manica 2016-2017 (Bairro Macorreia).

Como pode-se notar, o presente trabalho enquadra-se no conjunto de acções1 que tem sido levadas
a cabo um pouco por todo país, visando criar condições capazes de induzir a população a usar duma
forma eficiente e racional os recursos energéticos disponíveis. Até 2007, havia pelo menos mais de
40 fogões melhorados. Um desses fogões em questão é a poupa lenha e Mbaula, foram produzidos
pelas populações e identificados pela ADEL.

Apesar das vantagens dos fogões, a população continua usando o fogão metálico. Diante desse
comportamento, esta pesquisa buscará trazer a tona a eficiência térmica através de um rol de
experiências nos 3 fogões. O estudo deste tema centra-se na disciplina de física 9ª Classe, na
unidade: Fenómenos Térmicos e na 12ª Classe na unidade: Gases (Termodinâmica).

1.2.Justificativa

Este trabalho é escrito em dois pilares fundamentais:

“i) Cerca de 90% da população moçambicana serve-se dos recursos da biomassa para satisfazer as
suas necessidades (cozinhar, aquecer-se, etc.). ii) A disponibilidade dos combustíveis lenhosos em
Moçambique em geral não é satisfatória” (Munslow, 1984, p.27) citado por VICTORINO 1995,
p.01)

“Os países desenvolvidos e em desenvolvimento estão intensificando o uso de fontes renováveis de


energia para mitigação dos efeitos nocivos ao ambiente gerado pelos gases oriundos da queima
de combustíveis (…) ”, (REGUEIRA 2010:03)

“Moçambique possui cerca de 65,3 milhões de hectares de florestas e outras formações vegetais,
cuja potência de produção anual de lenha e carvão vegetal de cerca de 22 milhões de toneladas,
sendo consumo anual de 14,8 milhões de toneladas por ano” – disse o (MATAVEIA 2011:09)
citando REGUEIRA 2010:03

1
Estratégia de Desenvolvimento de Energias Novas e Renováveis (EDENR), 2011
12

As causas da elevada procura por lenha e carvão vegetal estão associadas a várias questões, entre
o baixo poder de compra e a falta de recursos alternativas viáveis de energia nas zonas urbanas.

Um facto adicional é que, apesar dos esforços para electrificação e disponibilização de gás
natural para cozinha, parece haver poucos agregados familiares que adoptaram as formas
alternativas de energia, sendo que apesar de estas usarem electricidade para iluminação,
continuam a cozinhar com lenha ou carvão disse SITOE, SALOMÃO e WERTZ-
KANOUNNIKOFF (2012:24-25) citando por REGUEIRA (2010:019

É diante desse pensamento que levou-se a cabo o presente estudo para propor uma base de dados
(comparar os dois fogões) e as experiencias será realizado para analisar a eficiência térmica, tal
como fundamenta LIBÂNEO, (1992:162), afirmando que “a demonstração é uma forma de
representar fenómenos e processos que ocorrem na realidade. Ela se dá seja através de
explicações em um estudo de meio, seja dada através de explicação colectiva de um fenómeno por
meio de experimento simples”.

1.3.Problematização

A energia sempre teve papel importante no desenvolvimento humano, económico e no bem-estar


de uma sociedade. Olhando para a realidade moçambicana a densidade populacional acresce a cada
dia e exige uma demanda energética cada vez maior.

Para VICTORINO (1995, p.02) sustenta dizendo nos seguintes termos: “A exploração massiva dos
combustíveis provenientes de biomassa (lenha e carvão em particular) além da escassez que possa
advir, pode por outro lado provocar sérios problemas tais como desgaste e erosão de solos,
desaparecimento de certas espécies da flora e consequentemente da fauna”

Por causa da elevada densidade populacional, os recursos são explorados em grandes quantidades
e que poderá causar a escassez destes recursos, obrigando assim a população a percorrer grandes
distâncias para colectar esses recursos e duma forma cria o agravamento de preços, afectando o
ganho negativamente do consumidor.

“O baixo rendimento dos fogões usados além de contribuir para o uso excessivo dos recursos,
torna estes dispositivos em potenciais causadores de doenças (há provas que a concentração de
13

monóxido de carbono, gás poluente que se encontra no fumo libertado pelos fogões pode atingir
níveis perigosos a vida dos utentes” (Ambio vol.14 nᶱ 4-5; p.285) apud VICTORINO (1995, p.02)

A emissão de gases e partículas poluentes, dos fogões convencionais (metálico) a lenha e a carvão,
gera uma poluição que provoca doenças como: insuficiência respiratória, doenças oftalmológicas,
bronquite crónica e outras. Essas doenças respiratórias causam a morte de milhares de pessoas por
ano (OMS, 2004), apud REGUEIRA (2010:01)

Olhando para todos pontos supracitados acima, surge a seguinte pergunta de pesquisa:

O que pode-se afirmar quanto a eficiência térmica do fogão metálico, Poupa lenha e
Mbaula?

1.4.Hipóteses
Um estudo quantitativo e comparativo da eficiência térmica dos fogões metálicos (zinco),
de argila (Poupa lenha) e Mbaula através do TFA pode trazer informações decisivos sobre
o melhor fogão a usar nas comunidades da cidade de Manica;

1.5.Objectivos
1.5.1. Objectivo Geral
Estudar quantitativamente e comparativamente a eficiência térmica do fogão metálico, do
fogão de argila (poupa lenha) e Junção de metal e argila (Mbaula), através do Teste de
Fervura de Agua (TFA).

1.5.2. Objectivos Específicos


Medir a temperatura da água e a quantidade de carvão usado em cada fogão;
Comparar os resultados obtidos em forma de tabelas e gráficos;

1.6.Metodologias
1.6.1. Tipo de pesquisas
14

Esta pesquisa foi experimental, com uma abordagem quantitativa onde os dados foram
apresentados em gráficos e tabelas no capítulo III e analisados no capítulo em seguida IV. Foram
tomadas como técnicas a observação, leitura bibliográfica e experimentação.

1.6.2. Pesquisa experimental

Consistiu na recolha de dados quantitativos num rol de experiencias usando TFA para determinar
a eficiência térmica, onde se media a quantidade de carvão em cada fogão e colocava-se água numa
panela até a fervura. Mediu-se o tempo da combustão primária para a colocação das panelas no
lume. Também cronometrou-se o tempo que a água em ambos os fogões levou até a fervura, mediu-
se a temperatura da água em cada 05 minutos até a altura em que o carvão esgotou-se em cada
fogão e ainda assim verificar a temperatura da água nas panelas sobre os fogões. Onde foram
realizadas 10 experiências usando os seguintes instrumentos e materiais:

Balança
2 Termómetros
1 Cronometro
1 Fogão metálico
1 Fogão de argila
1 Fogão de argila com invólucro de metal
3Panelas de igual volume
25 Kg de carvão
10 Litros de água

1.6.3. Técnicas usadas na recolha de dados


1.6.3.1.Observação

Segundo MARCONI e LAKATOS (2002:88) “este método não só consiste em ver e ouvir, mas
também em examinar factos ou fenómenos que se desejam estudar”. Durante o TFA, observou-se
qual dos fogões “Metálico”, “Poupa lenha” e o “Mbaula” é o mais eficiente e tem maior
rendimento térmico.
15

1.6.3.2.Método bibliográfico

Porque utiliza material já publicado e artigos disponíveis na internet com maior ênfase as obras de
REGUEIRA (2010), VICTORINO (1995), onde foram retiradas informações sobre a comparação
quantitativa e da eficiência térmica dos fogões a carvão vegetal e a descrição das fórmulas de
cálculo das grandezas envolvidas para a determinação experimental da eficiência térmica de um
fogão a carvão vegetal.

1.6.3.3.Método experimental

Consistiu no rol de experiencias usando TFA para determinar a eficiência térmica, onde foram
realizadas 10 experiencias usando os seguintes instrumentos e materiais;

1.6.3.4.Experimentação

De acordo com VITORINO (1995:25-27)

Toma-se uma quantidade de carvão e mede-se para registar


Registar a temperatura da água com ajuda do termómetro;
Acender o carvão e registar o momento exacto do começo;
Registar regularmente a temperatura da água na panela e anotar cada acção tomada no
controle do fogo;
Registar o tempo em que água começa a ferver.

1.6.4. Método de análise de dados

Na análise de dados, primeiro fez-se as medições das massas do carvão, das panelas a usar e da
capacidade da água que iria se usar na balança electrónica e em seguida fez-se a construção de
tabelas das mesmas. Após isso colocou-se fogo nos fogões e cronometrou-se o tempo que cada
fogão levou a atingir a alta de potência. Daí colocou-se as panelas nos fogões e mediu-se as
temperaturas usando o Termómetro.

1.6.4.1.Método estatístico
16

Permitiu calcular as médias das massas do carvão na balança electrónica usada em cada um dos
fogões para facilitar a comparação da quantidade do carvão de cada fogão. Foi usado o cálculo do
erro médio do valor aritmético, usando a sua fórmula, para conhecer o erro máximo e mínimo dos
termómetros usados, assim como para construção de intervalo de confiança.

Permitiu ainda o cálculo de desvio padrão e coeficiente de variação, que serviu para comparar a
percentagem da eficiência térmica entre os fogões em destaque.

1.6.4.2.Descrição do Teste de Fervura de Agua (WBT)

“O teste de fervura da água é uma curta e simples simulação do procedimento padrão de cozedura
de alimentos. Ele mede a lenha ou o carvão consumido e o tempo necessário para simular o
processo de cozedura” VICTORINO (1995). “Este teste consiste em comparar o rápido
funcionamento de diferentes fogões ou mesmo fogão sob diferentes condições operatórias”
CAZULE (2013), Acrescentou o VICTORINO (1995), “O WBT (Water Boiling Test) usa água
para simular comida numa quantidade padrão de 2/3 da capacidade total da panela e inclui as fases
de alta potência (A.P) e de baixa potência (B.P) ”

Após todo esse processo que demorou 145 minutos (que corresponde a duas hora de tempo e 25
minutos), fez-se as tabelas de cada medida e a partir das tabelas fez-se os gráficos usando o
Microsoft Excel.
17

Capítulo II

2. Revisão Bibliográfica

Para Cardoso (2012),

O crescente aumento do consumo de energia mundial, grande parte em virtude da evolução


das áreas tecnológica e económica, demanda investimentos no aproveitamento de novas
fontes de energia e em novas aplicações das fontes existentes. Em ambos os casos é
primordial que as novas soluções sejam eficientes e sustentáveis.

“A evolução do consumo mundial de energia baseada em combustíveis não renováveis conduziu a


humanidade a uma matriz energética insegura e poluidora” (PROTÁSIO et al., 2012). Olhando
para a situação de esgotamento dos combustíveis não renováveis, aquecimento global e efeito
estufa muitos países tem recorrido em energias de biomassa.
Biomassa é todo recurso renovável oriundo de matéria orgânica (de origem animal ou vegetal) que
pode ser utilizada na produção de energia. (PROTÁSIO et al., 2012, p.02), sustentado por Cardoso
(2012), “tem como grandes vantagens seu aproveitamento directo por meio da combustão em
fornos, fogões, caldeiras e também a redução de impactos ambientais”, a biomassa representa
cerca de 80% das necessidades energéticas do país e este valor é ainda superior nas zonas rurais.
Estima-se que cerca de 16000000 m 3 , segundo (BR, 2009; 3ii). “Os diversos países têm recorrido
a fontes renováveis de energia para mitigar os efeitos nocivos ao ambiente gerado pelos gases
oriundos da queima de combustíveis fósseis” (PARIKKA, 2004) citado por REGUEIRA (2010).
Essa intensificação por fontes renováveis se dá pelo motivo de reposição natural enquanto as
renováveis sofrem esgotamento. Nessa perspectiva lenha e o carvão são os combustíveis
predominantes para as actividades domésticas onde o uso deste recurso não é sustentável, porque
a taxa de abate é inferior a de reflorestamento.

“A lenha sempre foi uma importante fonte de energia para a humanidade” diz REGUEIRA (2010),
sustentado por (GRAUER e KAWANO, 2001) citados por REGUEIRA (2010) diz:

(…) Entre as vantagens está baixo custo de aquisição e a seu carácter renovável o que lhe confere
a possibilidade de que, se bem manejado, seu uso seja sustentável ou tenha menos impacto
18

ambiental. Como desvantagens tem-se um menor poder calorífico, maior possibilidade de geração
de material proliferado na atmosfera e as dificuldades no estoque e armazenamento.

“O uso de lenha e seus derivados como combustível para a cocção de alimentos é uma prática
milenar” diz o MORAES; MARTINS e TRIGOSO (2007). Por haver muitas vantagens de se usar
os derivados de lenha para a cocção de alimentos, datada milenarmente, é importante sublinhar que
foram sendo adoptadas técnicas, tecnologias para a cocção de alimentos.

As causas da elevada procura por lenha e carvão vegetal estão associadas a várias questões,
entre o baixo poder de compra e a falta de recursos alternativas viáveis de energia nas zonas
urbanas. Um facto adicional é que, apesar dos esforços para electrificação e
disponibilização de gás natural para cozinha, parece haver poucos agregados familiares que
adoptaram as formas alternativas de energia, sendo que apesar de estas usarem electricidade
para iluminação, continuam a cozinhar com lenha ou carvão, afirma SITOE,
SALOMAO e WERTZ-KANOUNNIKOFF (2012:24-25) apud
REGUEIRA 2010:01.

VICTORINO (1995) diz:

A biomassa como recurso energético assume um papel relevante para o nosso país; não só
pelo fato de ser uma fonte renovável mas também porque a população tem uma longa
experiência no uso dos combustíveis bioenergéticos, e isso, pode de certa forma facilitar
quaisquer acções tanto para conservação como para poupança de energia.

A cultura destinada a produção de energia pode ser plantada nas proximidades do local de consumo,
eliminando assim os custos de transporte de energia.

“A produção e queima dos combustíveis oriundos da biomassa minimizam o problema dos resíduos
dos combustíveis em geral. Actualmente, são conhecidas técnicas para o aumento da eficiência
dos dispositivos de queima dos combustíveis bioenergéticos” (Luiz, 1985, p.11).

Em Moçambique há evidências de ser a biomassa o recurso mais explorado; dados do Ministério


da Agricultura (1980) indicam que cerca de 90% da população depende deste tipo de combustíveis
19

e os que os mesmos representam cerca de 80% da energia total consumida, da qual 45% é usada
para fins domésticos.

E mais tomando como base o ano de 1980 constatava se no trabalho de Munslow (1984, p.21) apud
VICTORINO (1995) “que o consumo de lenha e carvão quer nas zonas rurais como nas zonas
urbanas duplicara no ano 2000, e que além dos sectores supracitados, a indústria e o comércio
dependem também de modo do carvão e da lenha”.

Pelo que podemos concluir dizendo que Moçambique teve, tem e terá na biomassa uma das fontes
básicas de energia. Entretanto a situação em termos de disponibilidades dos recursos bioenergéticos
vista separadamente varia de uma província para outra.

Até nos finais de 2008 a cidade de Manica, Província de Manica, dependia de lenha para a cocção
de alimentos e usava-se três pedras (em forma de triângulo). Actualmente as famílias abandonaram
a lenha, adoptando o uso de fogões metálicos de uma ou duas bocas. Mesmo os que tem uma vida
abastada tem no seu armazém pelo menos um fogão a carvão vegetal. A técnica mais usada por
essa comunidade é o triângulo usando a lenha e o fogão metálico para o carvão vegetal. “A
eficiência energética de fogão metálico utilizado pelos agregados familiares desempenha um papel
muito importante para a cocção de alimentos, porém resulta no empobrecimento contínuo e
problemas respiratórios” segundo (ADEL - SOFALA 2008). Enquanto os fogões poupa lenha e
mbaula possuem uma eficiência energética aceitável, pois reduz o consumo de carvão e emissões
de fumo, causando assim problemas de saúdes das vias respiratórias, infecções de olho, etc.

Como pode-se analisar da observação de Regueira, as populações usam a biomassa e esses tipos
de fogões por possuir baixa renda familiar. Em certas famílias possuem os fogões modernos
(electricidade, gás e a combinação de gás - electricidade) e ainda assim recorrem aos fogões
tradicionais. Na actual conjuntura social politica e económica, pretende-se “(…) encontrar novas
formas de desenvolvimento económico, sem redução dos recursos naturais e sem danos ao meio
ambiente” BARBOSA (2008, p. 2-3) citado por CAZULE (2012, p. 18), para isso devemos olhar
para o conceito sustentabilidade social que para SACHS (1993), apud BARBOSA (2008, p. 8) “a
melhoria da qualidade de vida da população, (…) implica a adopção de politicas distributivas e a
universalização de atendimento a questões como saúde, educação, habitação e segurança social
(…)”.
20

“A eficiência energética é uma das características fundamentais que se toma em consideração na


escolha e utilização de qualquer dispositivo”, diz Cazule (2012). O fogão metálico bem como os
fogões melhorados (poupa lenha e mbaula) não fogem da regra. Exemplo de fogão Mbaula e Poupa
lenha:

Jeremias (2008, p.6): “A eficiência pressupõe a implementação de estratégias e medidas para


combater o desperdício de energia ao longo do processo de transformação: desde que a energia é
transformada e, mais tarde, quando é utilizada”. E Victorino (1995) no seu artigo “Estudo Sobre
o fogão a Carvão Vegetal e o ensino de Física em Moçambique”, fundamenta dizendo nos seguintes
termos:

O rendimento de um sistema qualquer é uma grandeza que caracteriza a sua eficiência e é


dado pela razão entre a energia útil e a energia motora (fornecida). O rendimento  do
fogão a carvão vegetal é dado pela relação entre quantidade de calor utilizado efectivamente

Q  para fim previsto (cozinhar) e a quantidade de calor libertado ( Q


ef lib ) durante a

combustão.

Na confecção de alimentos com fogões a carvão, parte de energia calorífica é desperdiçada. Em


que a eficiência é tida como uma grandeza fundamental para avaliar o desempenho de uma
máquina. E neste trabalho determina quantitativamente e comparativamente o rendimento térmico
para avaliar a eficiência dos fogões em estudo. Esta determinação quantitativa serve para apurar
dados observados durante as experiencias.

Efectuados já foram os estudos em relação a esta temática. ADEL – Sofala considera o fogão
Mbaula sendo o melhor no conjunto dos fogões de forma quantitativa.

VICTORINO (1995) usando o WBT fez:


21

Comparou dois fogões, de metal e um protótipo (um fogão feito de paredes que impedem a
penetração de ar e uma base localizada na parte interior do fogão). Os testes foram
realizados em alta potência (AP) e baixa potencia (BP) fervendo uma certa quantidade de
usando panelas com mesma capacidade.

Neste trabalho, a comparação é feita com três fogões, o Poupa Lenha, o Metálico mais usado e o
Mbaula, produzido pela ADEL – Sofala. REGUEIRA (2010) “comparou os fogões usando um
modelo de ecofogão tipo “CAMPESTRE 2” da empresa ecofogões – fogões a lenha ecológico2 em
que o tipo de combustão produzido é tipo Americana (Rockectstove) uma chapa de ferro fundida
com duas bocas e uma chaminé”. SANGA (2004) citando DUTT e RAVINDRANAH (1993),
apresenta resultados de testes de TFA para 12 fogões, (…) onde os fogões metálicos que não
apresentam um controlador de ar tem uma eficiência média de 42%, ao passo que Mbaula tem
uma eficiência acima de 46%. A utilização de fogões eficientes, é a intervenção saudável em
respeito ao custo por unidade de energia produzida.

No outro estudo levado acabo por SANGA (2004), calcular o rendimento dos dois fogões para
disseminar e incentivar o uso do fogão “Mbaula” pelas populações com vista a reduzir os níveis de
desmatamento, poluição atmosférica e consequente contribuição para a redução do aquecimento
global e diminuição dos efeitos do buraco do ozono.

2.1.Fogão como fonte de calor


2.1.1. Processos de transmissão de calor3

Dado que a determinação do rendimento de um certo sistema físico exige o conhecimento de todas
energias envolvidas no processo em que este se encontra integrado, vamos em princípio analisar
as diferentes modalidades de transmissão de calor que ocorrem neste tipo de fogões, para desse
modo e, com base na energia fornecida ao fogão, identificar a energia efectivamente aproveitada

2
Disponível em: www.ecofogão.com.br (Acessado em 18 de Janeiro de 2017)
3
Neste trabalho, os calores perdidos por condução, convenção e por radiação não são calculados por razoes que se
prendem com falta de termómetros sensíveis e adequados para avaliar a temperatura interna e externa do fogão.
22

para o fim previsto, assim como a energia perdida. Para efeito buscaremos alguns conceitos básicos
da teoria de transmissão de calor, disse VICTORINO (1995).

“A transmissão de calor é o processo de transferência de energia de um ponto para outro como


resultado da diferença de temperaturas entre eles. São conhecidas três modalidades básicas de
transmissão de calor: Condução, Convenção e Radiação”, VICTORINO (1995).

2.1.1.1.Condução

“Durante o processo de condução, a energia é transferida através de interacções entre fotões ou


moléculas (o calor flui de uma região de alta temperatura para outra de temperatura baixa dentro
de um meio), onde os átomos ou moléculas não são, eles próprios, transportados”, VICTORINO
(1995).

Durante este processo, verifica-se que a quantidade de calor transmitida Q é proporcional à área
A da camada através da qual se realiza o processo, ao intervalo de tempo t e a diferença de
temperatura T entre as duas faces da camada, sendo inversamente proporcional à espessura d :
T
Q  K . A.t 1 .
d

2.1.1.2.Convenção

“Convenção é a troca de calor efectuada durante o processo de deslocamento de camadas de um


fluido desigualmente aquecidas sob acção da forca de gravidade”, VICTORINO (1995).

A partir da temperatura ambiente Tamb e da superfície do fogão Ts , calcula-se o calor perdido por

convenção com ajuda da lei de resfriamento de Newton: Qconv  hc. ATs  Tamb t 2 onde: Ts -

temperatura da superfície do fogão (K); Tamb - Temperatura ambiente (K); t - Intervalo de tempo

que dura o processo s  ; hc - coeficiente de transmissão de calor por convenção. Este, é um


coeficiente com o qual se tenta representar o efeito do conjunto já que depende necessariamente da
composição do fluido e da natureza geométrica do movimento do fluido ao longo da superfície. “A
sua determinação passa pela análise tanto das leis de condução como das leis da dinâmica de
fluidos” (Chapman, 1968, p.13) citado por VICTORINO (1995).
23

2.1.1.3.Radiação

Radiação é a emitida pela superfície de um corpo que tenha sido termicamente excitado. Ela se
emite em todas direcções e quando incide sobre outro corpo uma parte da mesma pode ser
absorvida, outra reflectida e outra transmitida.

“Se tomarmos o fogão como um corpo cinza de área A, poder emissivo  e admitindo que a
superfície do meio envolvente (ar neste caso) é muito maior que A, calcula-se o calor perdido por

radiação através da relação: Q   . A. Ts4  Tamb
4
t 3 ” (Champman, 1968, p.365) citado por

VICTORINO (1995), onde:  - Constante de Stefan – Boltzman:   5,67.10 8 Wm 2 K 4 ; Ts -

temperatura da superfície do fogão (K); Tamb - Temperatura ambiente (K); t - Intervalo de tempo

que dura o processo s  ;  - poder emissivo da chapa de que é feito o fogão. Alem dos calores
citados acima, durante o funcionamento do fogão outros, devem ser considerados para efectivação
do balanço energético.

2.2.Eficiência de fogões

DUTT e RAVINDRANATH (1993) citado por SANGA (2004) mencionam três testes
padronizados para medir a eficiência de fogões:

Teste de fervura de água (TFA), Teste de Cozedura Controlado (TCC) e Teste de Desempenho na
Cozinha (TDC). No teste de TFA, usa-se uma predeterminada quantidade de água e o consumo de
combustível. A eficiência de um fogão é calculada pela razão do calor absorvido pela água na
panela e o poder calorífico do combustível (PCS) – quantidade de calor libertada pela combustão
completa de uma quantidade em volume ou massa de um combustível, quando queimado
completamente em uma determinada temperatura, levando-se os produtos da combustão, por
resfriamento, a temperatura da mistura inicial na qual o vapor da água é condensado e o calor
recuperado.

Dada a fiabilidade dos resultados que os TFA apresentam, estes foram usados para determinar
quantitativamente o rendimento, tal como fundamenta o VICTORINO (1995) nos seguintes
moldes:
24

O rendimento de um sistema qualquer é uma grandeza que caracteriza a sua eficiência e é


dado pela razão entre a energia útil e a energia motora (fornecida). O rendimento do fogão

a carvão vegetal é dado pela relação entre a quantidade de calor Qef utilizado efectivamente

para o fim previsto (cozinhar) e a quantidade de calor Qlib libertado durante a combustão

Qef
 3
Qlib

De acordo com o balanço energético, para o fogão a carvão vegetal resulta que: Qef  Qab  Qvap 4

mia .ca T fa  Tia   ma L


E, por força das equações o rendimento toma o seguinte aspecto:   5 ,
Bc mcc
mas neste trabalho os rendimentos de fogões são calculados através do teste de fervura de água
(WBT).

Fotografia 3; Fogões usados param a apuração de dados;

2.2.1. Constituição

Maioritariamente os fogões observados são feitos a partir de ferro velho. Em alguns casos
encontramos fogões construídos a partir de material novo (chapa de ferro com uma espessura de
3mm). Enquanto o fogão Poupa Lenha é todo feito de argila (com capacidade de preservar o calor
por um longo período). O fogão Mbaula é constituído de um invólucro de metal que tem uma
25

abertura para regular a provisão e controlar uma boa circulação do ar e por dentro esta a parte
cerâmica). O fogão é mais higiénico4 devido a estrutura metálica que o fogão tem na parte exterior.

2.2.2. Princípio de funcionamento

Baseia-se na combustão do carvão vegetal;

2.2.3. Durabilidade

O tempo de vida de um fogão em geral e destes em particular dependem de muitos factores como
seja, o tipo e o estado do material de que é feito, a frequência com que é usado, o tempo que dura
a cocção de alimentos;

4
Higiénico no sentido de ser limpo, isto é, tem um involucro metálico que conserva a cinza e pode ser carregado sem
sujar os utentes.
26

Capítulo III

3. Análise e discussão de resultados

Neste capítulo analisa-se os dados apresentados nos gráficos e tabelas e os cálculos efectuados.

3.1.Calor libertado durante a combustão Qlib 

Combustão é a combinação de qualquer elemento com oxigénio, que é acompanhado pela


libertação de calor e chama; durante este processo independentemente dos combustíveis aplicados,
libertam-se grandes quantidades de calor são aproveitados para diferentes fins. A experiencia
mostra quantidade de calor libertado Qlib  por combustão, mede-se pela quantidade de calor
libertado durante a combustão total de uma unidade de massa de combustível (Jdanov, 1985, p.89)
citado por VICTORINO (1995): Qlib  Bc .mcc 6 , onde: mcc - massa do carvão consumido (kg); Bc

- poder calorífico do carvão vegetal; Bc  2,97.10 7 jKg 1 5

Calor absorvido pela água Qab é o calor necessário para elevar a temperatura de uma certa massa
de água ate a ebulição. Este calor depende da massa e da temperatura inicial da água:
Qab  mia .C a T fa  Tia  (7) onde:

mia - Massa da água no início do teste (Kg); c a - calor específico da água; c a  4,2.10 3 Jkg 1 K 1

; T fa - temperatura final da água (K); Tia - temperatura inicial da água (K).

Calor de vaporização ( Qvap ) é a quantidade de calor necessária para transformar uma certa massa

de água em vapor: Qvap  ma L8 onde: m a - massa de água evaporada (kg); L - calor latente de

vaporização, L  2,26.10 6 Jkg 1

5
EnergyBasics, 1988, p.24
27

3.2.Determinação do calor libertado

Objectivo: determinar a quantidade de calor libertado por uma certa quantidade de carvão vegetal

Material necessário: Certa quantidade de carvão

Procedimentos: 1 – Medir diferentes quantidades de carvão em kg; 2 – registar os valores; 3 –


escrever a fórmula para a determinação de calor libertado Qlib  Bc .mcc 8 ; 4 – substituir os valores
da quantidade de carvão medido em kg e o valor da constante do poder calorífico do carvão
Bc  2,97.10 7 Jkg 1 . ; 5 – preencher a tabela.

Tabela 1: Resultado dos experimentos sobre a quantidade de calor libertado em cada fogão
N° De Massas (kg) Q. De calor libertado (J)
Experim
entos
F. M F. P. L F. Mb F. M F. P. L F. Mbaula

1 2,9 2,7 2,4 8,41.10 7 7,83.10 7 7,1.107

2 2,6 2,3 2,1 7,54.10 7 6,67.10 7 6,09.10 7

3 2,5 2,0 2,0 7,25.10 7 5,8.10 7 5,8.10 7

4 2,8 1,9 1,8 8,12.10 7 5,51.10 7 5,22.10 7

5 1,9 1,5 1,3 5,51.10 7 5,22.10 7 3,77.10 7

6 2,3 1,7 2,0 6,67.10 7 4,93.10 7 5,8.10 7

7 2,1 1,3 1,1 6,09.10 7 3,77.10 7 3,19.10 7

8 1,7 0,9 0,4 4,93.10 7 4,93.10 7 1,16.10 7

9 1,3 1,2 0,6 3,77.10 7 3,48.10 7 1,74.10 7


28

10 1,8 1,0 0,8 5,22.10 7 5,51.10 7 2,32.10 7

Média 2,19 1,65 1,45 8,44.10 7 4,80.10 7 4,2.10 7

Fonte: Autor

Gráfico 1. Referente aos experimentos sobre a quantidade de calor libertado em cada fogão
3,5
3
2,5
2
1,5
1
0,5
0

Gráfico 1; Fonte: Autor

Conclui-se que: o calor libertado é proporcional a massa do carvão usado. Onde a cor azul
representa a massa do fogão metálico, o vinho representa o fogão poupa lenha e o verde representa
a massa do fogão Mbaula. Com isso pode-se concluir que o fogão Mbaula liberta menos quantidade
de calor comparativamente aos outros dois fogões em estudo. E tem a enorme vantagem de
conservar o calor por um período de 30 minutos a 45 minutos.

Tabela 2: Comparação do tempo que os fogões levaram para atingir a combustão necessária

N° de Fogão Fogão Fogão


Experimentos Metálico Poupa Lenha Mbaula
1º 12 10 8
2º 14 8 6
3º 11 7 4
29

4º 15 6 10
5º 10 8 3
6º 13 9 7
7º 16 6 4
8º 18 5 9
9º 12 8 5
10º 17 12 8
Média 13.8 7.9 6.4
Tabela 2; Fonte: Autor

20
18
16
14
12
Fogão metálico
10
Fogão Poupa Lenha
8
Fogão Mbaula
6
4
2
0
1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º

Gráfico 2: Comparação do tempo que os fogões levaram para atingir a combustão necessária

O gráfico mostra que nos dez experimentos, o Mbaula foi primeiro a atingir a combustão necessária
para colocar as panelas ao lume, com uma média de 6,4 minutos. É preciso lembrar que no primeiro
dia, 04 de Março, foram realizadas 6 testes. Os experimentos decorreram num estado de tempo
com céu nublado, ventos fracos e moderados.

Os gráficos que se seguem mostram a variação do tempo para a fervura de água no decurso dos 14
experimentos e a quantidade de água sobrada no fim do experimento.
30

Tabela 3, referente ao tempo decorrido para ebulição da água


Exp. F. F. Poupa F. Mbaula
Metálico lenha

t min  t min  t min 

1º 25 20 17

2º 26 23 18

3º 30 27 24

4º 39 31 28

5º 32 26 22

6º 34 29 25

7º 23 18 15

8º 37 29 27

9º 33 30 26

10º 29 24 20

T.M 30,8 min 26,7 min 22,2 min

Tabela 3; Fonte: Autor


31

2,5

2
2,9
1,5
2,7

1 2,4

0,5

0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11

Gráfico 3: Tempo decorrido para ebulição da água

A partir do gráfico podemos verificar que o Mbaula (representado pela cor azul) leva muito pouco
tempo para atingir a ebulição; o que faz do fogão Mbaula o melhor para a cocção de alimentos,
seguido do fogão poupa lenha com a cor vinho e o azul que representa o fogão metálico;

Tabela 4, referente a temperaturas de água em cada fogão

Número de Fogão metálico Fogão poupa Fogão


experimento lenha Mbaula

T C  T C  T C 

1 28 28 28

2 31 33 39

3 36 41 46

4 41 52 57

5 52 68 70
32

6 65 78 83

7 74 85 88

8 83 93 94

9 90 96 98

10 100 100 100

Tabela 4; Fonte: Autor

Gráfico 4, referentes as temperaturas de água em cada fogão


120

100

80
Número de experimento

60 Fogão metálico
Fogão poupa lenha
40 Fogão Mbaula

20

0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11

Gráfico 4; Fonte: Autor

Pode-se observar que as temperaturas das águas nos diferentes fogões variam de 28 graus a 100
graus. Mas o fogão Mbaula atingiu os 100 graus em tão pouco tempo. Como pode-se observar no
gráfico que a percentagem maior está registada para o fogão Mbaula acima de 65%, o fogão poupa
lenha esta na ordem de 40 a 65%. E por fim abaixo de 35% esta o fogão metálico.
33

Tabela referente a Quantidade de carvão usado nos fogões


Q. A. S F. F. F.
Metálico Poupa Mbaula
lenha

mkg  mkg  mkg 

1º 2.9 2.7 2.4

2º 2.6 2.3 2.1

3º 2,5 2,0 2.0

4º 2.8 1,9 1,8

5º 1.9 1.5 1.3

6º 2.3 1.7 2.0

7º 2.1 1.3 1,1

8º 1.7 0.9 0.4

9º 1.3 1.2 0.6

10º 1.8 1.0 0.8

Massa 2.2 1.65 1.45


média

Tabela 5; Fonte: Autor

Pode-se observar nesta tabela que o fogão Mbaula usou pouca quantidade de carvão numa média
de 1,45 kg. Muitas árvores podem ser preservadas.

Olhando para as tabelas podemos determinar os erros usando a tabela das massas para o fogão
Metálico.
34

3.3.Cálculo de erros

Para se fazer os cálculos de erros, o autor procurou os valores tabelados dos instrumentos por si
usados. E as constantes não participam no cálculo de erros, isto é, são dispensados.

3.3.1. Cálculo de Erros do fogão Metálico

Erro de quantidade de calor libertado durante a combustão.


Qlib  ma .ca .Ta  Qlib  2,9.4,186.100  28  Qlib  876,96 J

3.3.2. Erro absoluto

Qlib ma c a 2Ta Qlib 0,001 2.1 Qlib


        0,027  0,0367  Qlib  322,5
Qlib ma ca Ta 876,96 2,9.10 3
72 876,96

3.3.3. Erro Relativo

Q 322,5
Ir  x100%  Ir  x100%  Ir  36,7%
Q 876,96

x  Qa  Qa  x  876,96  322,5  x1  1199,46  x2  554,46

1199,46
554, 876,9 O valor teórico calculado
46 6
O valor teórico encontra se dentro do intervalo de confiança só que sofreu um desvio á direita por
causa da direcção do vento

3.4.Cálculo de erros do Fogão Poupa Lenha

Qlib  ma .c a .Ta  Qlib  2,7.4,2.100  28  Qlib  816,48J

3.4.1. Erro absoluto

Qlib ma c a 2Ta Qlib 0,001 2.1 Qlib


        0,37  0,027  Qlib  324,7
Qlib ma ca Ta 816,48 2,7.10 3
72 816,48
35

3.44.2. Erro Relativo

Q 324,7
Ir  x100%  Ir  x100%  Ir  39,7%
Q 816,48

x  Qa  Qa  x  816,48  324,7  x1  1141,18 x2  491,78

491,78 816,48 1141,18

O valor teórico encontra se dentro do intervalo de confiança só que sofreu um desvio á direita por
causa da direcção do vento

3.5.Cálculo de erros do Fogão Mbaula

Qlib  ma .c a .Ta  Qlib  2,4.4,2.100  28  Qlib  725,76 J

3.5.1. Erro absoluto

Qlib ma c a 2Ta Qlib 0,001 2.1 Qlib


        0,416  0,027  Qlib  322,07
Qlib ma ca Ta 725,76 2,4.10 3
72 725,76

3.5.2. Erro Relativo

Q 322,07
Ir  x100%  Ir  x100%  Ir  44,37%
Q 725,76

x  Qa  Qa  x  725,76  322,07  x1  1047,83 x2  403,89

403,69 725,76 1047,8

O valor teórico encontra se dentro do intervalo de confiança só que sofreu um desvio á direita por
causa da direcção do vento
36

Pode-se analisar a combustão inicial, quantidade de carvão usado nos fogões, quantidade de água
vaporizada e a temperatura da água após o fogo apagar. Pode-se também observar a diferença de
temperatura da água nos três fogões, o calor absorvido, Tal como se viu no gráfico da combustão
inicial mostra nos dez experimentos, que o Mbaula foi o primeiro a atingir a combustão necessária
para colocar as panelas do lume, com uma média de 6,4 minutos. Este comportamento se verificou
devido aos posicionamentos dos fogões na direcção do vento. Também o Mbaula, esteve em
vantagem devido a sua constituição. Apresenta uma câmara fechada onde acumula oxigénio que
emite facilmente para a grelha e muito rapidamente para o carvão depositado. Enquanto os fogões
poupa lenha e metálico apresenta uma estrutura que admite e evacua facilmente o ar, por isso
demora mais tempo para acender o carvão com uma média de 7,9 minutos e 13,9 minutos
respectivamente.

Com relação ao tempo gasto para a ebulição, constatou-se que nos dez experimentos, o fogão
mbaula foi o que levou menos tempo com uma média de 22,2 minutos seguido de fogão poupa
lenha com um tempo médio de 26,7 minutos e por fim fogão metálico com uma média de 30,8
minutos. Essa rapidez está ligada a combustão inicial (o Mbaula atinge rapidamente a combustão
inicial). Também podemos ver a vantagem do fogão Mbaula quanto a quantidade de carvão usada
no fogão, as tabelas e os gráficos falam por si.

3.6.Medidas de dispersão
3.6.1. Desvio padrão para a massa da quantidade do carvão usado.

𝑛 𝑛
2
1 1
𝑠 = ∑(𝑥𝑖 − 𝑥̅ )2 → 𝑠=√ ∑(𝑥𝑖 − 𝑥̅ )2 (9)
𝑛−1 𝑛−1
𝑖=1 𝑖=1

Fogão metálico: 0,575 kg

Fogão Poupa Lenha: 0,63kg

Fogão Mbaula: 0,70 kg


37

A medida de dispersão entre os três fogões é de 0,63 kg, segundo a estatística quando a dispersão
é menor que 1 considera-se que é fraca isso significa que o uso dos fogões é aceitável.

3.6.1.1.Coeficiente de variação

𝑠
𝐶𝑉 = × 100% (10)
𝑥̅

Fogão metálico: 95,8%

Fogão Poupa Lenha: 47%

Fogão Mbaula: 45,3%

∆𝐶𝑉 = (95,8 − 47 − 45,5)% 𝑒 ∆𝐶𝑉 = 3,3%

Olhando para o coeficiente de variação dos fogões, verifica-se que a percentagem é aceitável para
o seu uso.

3.6.2. Medidas de tendência central das observações com erros aleatórios

Valor médio aritmético das medições das temperaturas e massas da água e do carvão usado em
cada fogão.

𝑛
1
𝑥̅ = ∑ 𝑥𝑖 (11)
𝑛
𝑖=1

Para o cálculo do valor médio das massas de água evaporada usou-se a fórmula acima e se obteve
os seguintes resultados:

Fogão metálico: 0,6 kg

Fogão Poupa Lenha: 1,34 kg

Fogão Mbaula: 1,545 kg


38

Para o cálculo do valor médio das temperaturas usou-se a fórmula e obteve-se os seguintes
resultados:

Fogão metálico: 60°C

Fogão Poupa Lenha: 67,4°C

Fogão Mbaula: 70,3°C

Para o cálculo do erro do valor aritmético foi usada a fórmula 2 que se segue.

𝑛
1
∆𝑥̅ = ±√ ∑(𝑥𝑖 − 𝑥̅ )2 (12)
𝑛(𝑛 − 1)
𝑖=1

Fogão Metálico:∆𝑥̅ = ±0,0947 𝑘𝑔

Fogão Poupa lenha:∆𝑥̅ = ±0,2 𝑘𝑔

Fogão Mbaula:∆𝑥̅ = ±0,167 𝑘𝑔


39

Capitulo IV

4. Conclusões

O estudo quantitativo e comparativo do rendimento térmico do fogão metálico, poupa lenha e do


Mbaula, realizado e apresentado neste trabalho, pode-se obter as seguintes conclusões:

A partir do estudo efectuado pode-se constatar que a eficiência térmica dos fogões em estudo foi
verificado e os objectivos alcançados. Onde a eficiência térmica maior foi do fogão Mbaula. Uso
do carvão no fogão Mbaula é menor que o fogão poupa lenha e metálico, logo, o fogão Mbaula é
mais eficiente na conversão de energia do carvão para a redução de calor necessário para
confeccionar alimentos;

Apenas a melhoria da eficiência no consumo do carvão vegetal não contribui significativamente


na redução da demanda, a eficiência térmica do fogão diminui o tempo de cozeduras dos alimentos,
mas pode diminuir a demanda de madeira para a produção do carvão e consequentemente, o
desmatamento.

4.1.Sugestões

A realização de palestras visando difundir as vantagens do fogão Mbaula, deveriam ser


intensificadas nas escolas e bairros periféricos da cidade de Manica;

 Desenvolver e promover tecnologias que possibilitarão a transição de combustíveis e


tecnologias mais limpas utilizando recursos domésticos.
 Melhorar a eficiência na produção e no consumo do carvão vegetal como também melhorar
as políticas de sensibilização para a utilização de fogões eficientes, como o Mbaula.
 Intensificar a expansão de áreas reflorestadas, de modo que, além de aumentar a oferta dos
combustíveis da biomassa sólida (lenha e carvão) para a utilização energética, são
importantes cativar o dióxido de carbono expelido na atmosfera.
40

4.2.Referências bibliográficas

1. ADEL – SOFALA, Projecto de Energias sustentáveis para a Província de Sofala, 2008

CARDOSO, Bruno Monteiro; Uso da Biomassa como Alternativa Energética, Rio de Janeiro 2012
– Disponível em: http://monografias.poli.ufrj.br/monografias/monopoli10005044.pdf acessado no
dia 18 de Fevereiro de 2017, pelas 17:30 minutos;

CAZULE, Amâncio Manuel; Estudo comparativo da eficiência térmica do fogão tradicional de


Boca quadrada em relação ao fogão Mbaula através do teste de fervura de água, Beira; 2013
disponível em http://www.conteudojuridico.com.br/pdf/cj052778.pdf 18:33 minutos no dia 18
de Fevereiro de 2017

JEREMIAS, Vassilca Joaquim, Energia Renováveis. Uma alternativa sustentável para


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