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<p style="Normal" xid="2" props="text-align:left"> 7 de Agosto, 1993.</p>
<p style="Normal" xid="3" props="text-align:justify"> O céu nublado revela uma
textura genérica de certo modo tão incomum, que era quase impossível descrever quão
poucas vezes poderia se ver uma combinação de características, que poderiam ser tão
denotadas como, tais como estavam, extremamente comuns, que ao se juntarem todas em
um único cenário era, perceptivelmente, de um tom quase artificial. E isso tudo era
instigantemente fastidioso, se é permitido a antítese e o neologismo da expressão.
</p>
<p style="Normal" xid="4" props="text-align:justify"> Não seria árduo trabalho
perceber que a face de contemplação ante as “feias belezas” do céu Russo naquele
momento do jovem rapaz era apenas um devaneio lúcido combinado ao cansaço trazido
pelas lembranças das vontades suprimidas pelo seu progenitor, o Grande Oleg
Nimijyov – um dos maiores generais da hoje extinta União Soviética - , para que
pudesse estar naquele local longe de tudo e de todos apenas para observar o que seu
pai descrevia incessantemente como “A passagem de volta para a grandeza da Grande
Mãe Soviética”. </p>
<p style="Normal" xid="5" props="text-align:justify"> O indômito sotaque de Oleg,
acentuado por sua própria vontade de externar seu ufanismo, apenas revelava sua
crença de que não havia nada no mundo que pudesse opor-se a infindável força de
vontade e superioridade intelectual da raça russa. Mesmo que a cerca de 2 anos, a
União Soviética já houvera se dissipado em outras nações, e seu sistema tivesse
sido vencido pelo feroz Capitalismo Estadunidense, o Grande Oleg – assim como boa
parte de seus “companheiros de guerra”, como ele mesmo chamava – acreditava que
poderia trazer de volta a umbrático poder do derradeiro sistema socialista, assim
como a indubitável glória da “Mãe Soviética”.</p>
<p style="Normal" xid="6" props="text-align:justify"> - Vamos pequeno Nimijyov! Sei
que é belo o céu da nossa terra-mãe, mas o momento agora é de olhar para frente,
não para cima! - O fervor na fala de Oleg só era mais irritante que a mania de
tentar ser poético que o mesmo tinha sempre que falava da sua amada terra-mãe. Mas
o que mais poderia irritar mais o rapaz? Havia combinado com sua mais próxima e
bela “amiga”, Rutt, que iriam ao “Topo de Vasili”, o bar onde costumeiramente se
encontravam na sua cidade natal Rutskoi, levar-lhe uma bela surpresa. Mal sabia
Rutt que nunca ouviria as palavras que ele tanto ensaiara para contar-lhe naquele
dia.</p>
<p style="Normal" xid="7" props="text-align:justify"> O duro e frio banco de couro
sintético agora arranhava suas costas, mesmo que encobertadas por 4 camadas de
casacos e sueteres de lã russa. Com o leve diminuir de velocidade do veículo a
inércia fazia com que o jovem sucessor da família Nimijyov fosse levemente
empurrado para frente, o que aliviaria suas costas do constante incomodo, para não
muito depois, o carro parar finalmente e a mesma inércia forçar suas já sensíveis
costas de uma vez para o incomodo anterior.</p>
<p style="Normal" xid="8" props="text-align:justify"> Vigorosamente saem aos berros
dois homens do carro, Oleg Nimijyov e seu assistente Boris Leniviev, batendo as
duas portas posteriores do veículo com tanta energia que esta poderia ser
facilmente confundida por raiva ou estresse. O jovem, como que por obrigação – o
que não era tão distante da realidade – apenas sai do veículo, com toda a
displicência cabida a um adolescente contrariado. </p>
<p style="Normal" xid="9" props="text-align:justify"> Um grande campo aberto,
coberto de neve – vista não muito incomum naquela região do oriente russo – com
diversos homens fardados com o que parecia um uniforme paramilitar. Não tão
escondidos, como esperava-se que deveriam estar, no uniforme de cada soldado havia
um entalho com o simbolo do Soviete Supremo, a mais alta instância do poder
Legislativo da URSS. Carregando caixas e engradados ora para lá, ora para cá,
sempre com o rosto estampando clara urgência em seus afazeres.</p>
<p style="Normal" xid="10" props="text-align:justify"> Não demorou muito para
que exclamasse o provável, e com quase toda certeza, líder e responsável por aquele
alvoroço – Hoje é o grande dia que a União Soviética voltará a representar o poder
absoluto e igualdade entre os homens! - pelos rostos ao redor, podia-se perceber
que apenas o jovem Nimijyov tinha percebido a ironia daquela frase – Hoje, meus
irmãos, o mundo verá o poder da grande Mãe Rússia! - todo aquele nacionalismo
chegava a doer aos ouvidos dos menos ufanistas.</p>
<p style="Normal" xid="11" props="text-align:justify"> Então de repente muitos
brados e berros, todos avisando o início do teste de lançamento… Um instante, teste
de lançamento? Pensou o jovem lembrando que após o fim da Segunda Grande Guerra, os
testes com material bélico eram feitos sob sete chaves, para impedir que uma
Terceira Guerra encontrasse seu estopim em um momento em que o Governo não
estivesse preparado para arcar com as consequências, sendo que a Segunda Guerra já
tinha deixado muitas feridas, que até ali não tinham cicatrizado, bastava olhar a
fome e desemprego nos centros urbanos. Cerca de dezessete segundos depois, um
alçapão de cerca de trinta metros de largura e vinte e oito de comprimento se abre
no chão, a uns cento e tantos metros de Boris, Oleg e seu filho.</p>
<p style="Normal" xid="12" props="text-align:justify"> A cada segundo que
passa, um aperto de receio e mal pressentimento tomam conta do jovem coração do
garoto ao ver a magnificência e o terrível esplendor da arma que se revelava
segundo a segundo. Um míssil balístico enorme, tanto mais evoluídos que os, agora
simplórios, V2 nazistas.</p>
<p style="Normal" xid="13" props="text-align:justify"> - O mundo hoje lembrará
de nós! - Com um berro que mais parecia uma frase de ação exclamada por um
supervilão prestes a por o seu infalível plano em ação, Oleg dá ordem a uma série
de suboficiais através do seu rádio de longa distância. As ações que seguiram foram
de uma sequencia lógica imutável, o míssil é disparado, voa em direção ao seu alvo
ganhando velocidade a cada instante de voo, os olhos de todos com uma atenção
incomensurável – seria de tantas mais aproveitada esta atenção na sala de aula do
Sr. Boyar, o subalterno responsável pelo treinamento de mais de quatro quintos
daqueles soldados – que todos sabiam pouco interessar, pois o destino do alvo já
estava agora selado. - O destino daquela pobre cidade agora está marcado, nada
sobrevive a um ataque nucle… - Não precisava ter terminado a frase, o jovem rapaz
sabia do que se tratava. Agora bastava acompanhar na pequena tela que portava o
general Oleg o trajeto traçado por aquele dardo de destruição, lançado ao ar com
tanta displicência e falta de responsabilidade social que mais parecia ser um
brinquedo de uma inocente criança.</p>
<p style="Normal" xid="14" props="text-align:justify"> A cada momento, diminuía
a distância que marcava um pequeno contador à direita inferior da tela. 200
quilômetros... 170 quilômetros… 140 quilômetros… 110… 80… 7… Quê? Abruptamente o
contador zera e a tela mostra um aviso mal desenhado “Erro”. A movimentação de
soldados e oficiais ao redor sobe exponencialmente, logo todos estão correndo e
perguntando uns aos outros o que havia ocorrido, quem teria errado, e qual a
consequência do erro. Agora estava na mente de todos que o artefato lançado era um
míssil nuclear, o que antes parecia estar esquecido. Cálculos mentais rápidos
feitos na cabeça do jovem permitia-o saber o raio mínimo e máximo de cidades que
poderiam ter sido atingidas. Algumas cidades campestres, que poderiam estar por
sorte vazias por conta da necessidade dos cidadãos de acompanhar as disputas que
começavam a ser dar pelo poder do país entre os presidencialistas e o poder
legislativo, umas duas cidades que viviam da extração de minério e gás natural e um
médio centro urbano, onde boa parte de seus cidadãos eram militares reformados e
seus filhos, uma tal… De repente um grito de terror que se une ao desespero sentido
pelo jovem – Rutskoi foi atingida! - berra um oficial responsável por uma das
sequencias de lançamento do artefato balístico.</p>
<p style="Normal" xid="15" props="text-align:justify"> A tela antes vermelha do
monitor de Oleg agora brilha imagens de satélite da cidade. Arrasada de entrada a
entrada. Uma imagem pisca e um lugar familiar – mais familiar que toda aquela
cidade – um bar com quase todo letreiro despedaçado, o resto formando uma silhueta
familiar, “T o e Va i”, o Topo de Vasili não mais existia, por ironia, 5
minutos antes do tempo marcado para o encontro do jovem com sua aspiração amorosa…
Mais uma vez saltou o coração do jovem sucessor de Nimijyov, não pela sua mãe, que
havia perdido para um câncer de mama havia já uns 16 anos, não por irmãos que ele
poderia porventura ter, talvez por amigos que, com pouco probabilidade voltaria a
ver, mas com certeza pela vida de sua jovem amiga. Se ele pudesse ao menos ter
avisado que, pelas desventuras do destino, não poderia ele comparecer para o que
ele tinha dito diversas vezes em sua mente na noite anterior, o dia em que ele
teria coragem… se ele pudesse ter sido mais forte e se contrariado a vontade do
pai… se ele pudesse… se ele. Não podia mais nada agora.</p>
<p style="Normal" xid="16" props="text-align:justify"> Seu coração agora fervia
de medo, de pena, condolência, comiseração, e tantas outras emoções sem nome que só
poderiam ser expressadas pelas mais abstratas expressões da alma, como a música e a
arte, pela qual tinha um leve apresso. Mas fluia também ali, naquele emaranhado de
emoções uma mais fraca, que de tempos em tempos o atormentava, e agora parecia,
instante a instante ganhar lugar naquele amontoado de pensamentos, o desejo de
vingança, a cólera o dominava pouco a pouco.</p>
<p style="Normal" xid="17" props="text-align:justify"> Então, de súbito, tomado
de ódio e furor, as habilidades na qual tinha sido treinado em seus breves 15 anos
de treinamento numa arte milenar oriental que consistia na capacidade e perícia de
matar com materiais corriqueiros do dia a dia, assim como desarmar os oponentes
para, com sua própria arma, os mandar para o seio da terra, o jovem toma uma
pistola do primeiro soldado que se aproxima. Sua mente parecia treinada e
experimentada no combate desde sempre. Uma fabricação da Kalashnikov, nova com seus
mecanismos recém fabricados, se não fosse um momento de ação, seria um de
contemplação pela belíssima obra de arte de artesãos bélicos russos. O jovem com
precisão mecânica, sua memoria muscular estava acostumada a tiros rápidos, que
passara incontável tempo treinando com as pistolas do pai em seu “shooting range”
particular. Um soldado à esquerda, o motorista de um veículo, que cai pela porta já
aberta, Boris o assistente e enfim, desfere um único e mortal tiro no peito do
grande General, aquele que buscava restaurar a glória de seu próprio país, mas,
obtivera em troco apenas seu próprio afundamento na lama, ao disparar contra uma
importante cidade no mapa político por acidente, um acidente tão idiota que poderia
ser confundido com sabotagem ou mal intencionamento. Pouco importava, agora jazia
em meio à neve, com atordoados soldados russos ao redor, sem saber se abriam fogo
contra o jovem, que agora corria ferozmente em direção ao carro cuja o motorista
acabara de promover o encontro com o criador, ou se ajudavam o general caído e seu
assistente que se contorcia na neve agora tingida de vermelho vivo.</p>
<p style="Normal" xid="18" props="text-align:justify"> Não foram necessários
mais de quinze segundos de desordem para que o jovem desse partida no carro e fosse
em alta velocidade em direção as fronteiras do país. Agora era sucessor de um dos
maiores desgraçados do próprio país, e como se não bastasse, é mais desgraçado em
si por ter matado seu próprio pai, mesmo que se, se feito por outro, este seria
taxado como herói, a desonra de matar o próprio progenitor superava a honra de
despachar um malfeitor nacional. Também pouco importava, agora a Mãe Russia não
passava de uma velha madrasta que adoraria puxar as orelhas do jovem, fosse com
doutrinação nos “campos de reeducação”, ou extermínio, para os mais admiradores da
verossimilhança, ou com uma execução em público.</p>
<p style="Normal" xid="19" props="text-align:justify"> Onde poderia viver um
homem cuja a presença seria odiada para sempre pelos seus compatriotas? Apenas no
país que se opunha integralmente a ele. O grandioso Estados Unidos da América não
estava preparado para receber este novo hospede, mesmo que para esta nação, fosse
ele uma espécie de herói...</p>
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