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O CRIME DE ESTUPRO E A CULTURA DE
CULPABILIZAÇÃO DA VÍTIMA

FRANCISCA MOANA A. DE OLIVEIRA1
MAÍSA ALINE ALEXANDRE SOUZA 2
IGOR VASCONCELOS CANUTO3
VANESSA L. VASCONCELOS4

Resumo: O presente artigo tem por objetivo demonstrar como vem se perpetuando a chamada “cultura do estupro",
naturalizada pelos diversos tipos de violências suportadas pelas mulheres e pelo fato de culparem a vítima pela
conduta de seu agressor. Assim, utilizando-se de estudo doutrinário, legislativo e social, partindo do histórico da
previsão legal do estupro como crime, visa analisar os movimentos sociais que buscam desconstruir o ideal
machista sobre o assunto em questão, à medida que a pena por si só é insuficiente, buscando uma forma alternativa
de amenizar os danos causados à vítima com a aplicação da justiça restaurativa.

Palavras-Chave: Estupro. Cultura do Estupro. Violência de Gênero. Culpabilização da vítima. Direitos sexuais.
Justiça restaurativa.

INTRODUÇÃO

ANAIS do VIII Encontro de Pesquisa e Extensão da Faculdade Luciano Feijão.
ISSN 2318.4329
As mulheres são as maiores vítimas do crime de estupro no Brasil. A violência contra a
mulher se naturaliza quando se busca motivos no comportamento da vítima para justificar a
ocorrência do estupro, colocando-a na condição de culpada pela conduta de seu agressor, à
medida que relacionar o motivo do estupro à roupa da vítima ou ao seu comportamento cria a
falsa ideia de que a vítima “merece” ou “pede” para ser estuprada.
É muito comum cometer o erro de achar que estuprador é somente aquela pessoa
desconhecida quando, na verdade, a maioria dos casos ocorre entre familiares e amigos, o que

Sobral-CE, novembro de 2015.

1
Graduanda do 4º semestre do curso de Direito na Faculdade Luciano Feijão (FLF). E-mail:
moana.direito@hotmail.com
2
Graduanda do 4º semestre do curso de Direito na Faculdade Luciano Feijão (FLF). E-mail:
mayalexandre7@gmail.com
3
Graduando do 7º semestre do curso de Direito na Faculdade Luciano Feijão (FLF). E-mail:
igorvasconcelos100@hotmail.com
4
Mestre em Ciências Jurídicas Internacionais pela Universidade de Lisboa. Professora do Curso de Direito na
Faculdade Luciano Feijão (FLF). Email: vanessavasconcelos85@gmail.com

colocando- as como responsáveis pela conduta de seu agressor. . oprimindo e agredindo aqueles que se recusam a assumir esses modelos predeterminados. o presente trabalho busca incentivar uma reflexão sobre os aspectos regem o crime de estupro e as medidas necessárias para a desconstrução da cultura de culpabilização da vítima. 2005). embora. mediante violência física. os crimes sexuais como uma maneira de manter cada um dentro de seus papeis. ISSN 2318. tanto no meio jurídico como no social. Este crime estava diretamente atrelado a conceitos sexistas e moralistas no que dizem respeito à liberdade sexual da mulher. ANAIS do VIII Encontro de Pesquisa e Extensão da Faculdade Luciano Feijão. o patriarcalismo reforce a cultura de desvalorização da mulher quando aceita e naturaliza. Podemos encará-lo como um mecanismo de controle social que tenta submeter mulheres à autoridade masculina. 1975). Já na antiguidade era prevista a punição para aquele que cometesse o crime de estupro. Essa é uma realidade a ser discutida pela necessidade de uma reavaliação das relações de gênero. estupro é reflexo da hierarquia sexista. que intimida mulheres e as mantêm em um estado permanente de medo (BROWNMILLER. Sobral-CE. mesmo que tacitamente. 2 ressalta a mania social de achar que existe um meio termo entre negação e consentimento quando se trata de violência sexual. psicológica ou moral. Essa naturalização da culpabilização da vítima gera nas vítimas o medo de represália social. especialmente no que diz respeito à igualdade e liberdade sexual da mulher. Sexo necessita de consentimento.4329 BREVE HISTÓRICO SOBRE O CRIME DE ESTUPRO NA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA O crime de estupro não está relacionado a sexo ou desejo sexual. por isso a grande maioria se cala diante da violência. novembro de 2015. enquanto o estupro configura-se no ato abominável de forçar e constranger alguém a praticar atos sexuais contra a sua própria vontade. É incontestável que nos últimos tempos as mulheres conquistaram espaço no meio social. Desta forma. gerando a necessidade de se romper o silêncio que legitima as mais diversas formas de violências suportadas pelas mulheres. que por muito tempo foi considerada o sujeito passivo do delito (PORTINHO.

estas mesmas expressões foram mantidas. apenas “se alguém viola a mulher que ainda não conheceu homem e vive na casa paterna”. 130. Na legislação brasileira. 222 do Código Criminal de 1830. o estupro era previsto no art. abre-se espaço para questionar o estupro dentro do casamento. como afirma Noronha: . o código referido foi revogado. Os doutrinadores tradicionais. Ordenações Manuelinas e Ordenações Filipinas. Noronha (2002). sendo regido de acordo com a legislação de Portugal. cuja pena seria a morte. E. ao marido. neste período. o Brasil não possuía leis próprias. eram aplicadas as Ordenações Afonsinas. uma vez que a mulher precisava atender determinadas exigências sociais para ser respeitada perante a sociedade. valorativas de designação da mulher. como Nelson Hungria e Magalhães de Sobral-CE. Já em 1890. Somente no período imperial o Brasil passou a ter legislação própria. podendo ter a pena diminuída caso a mulher em questão fosse prostituta. para que houvesse punição o agressor precisaria ser surpreendido durante o ato. já que a conjunção carnal é tida como uma obrigação matrimonial. apoiam suas argumentações no debitus conjugales e afirmam que o marido pode obrigar a esposa a ter relações sexuais com ele. conhecido como o Código de Hamurabi. e a vítima ficaria livre. prevendo o crime de estupro no art. que via o estupro como a realização de cópula carnal por ISSN 2318. Tratando-se de dever marital. 2012). Estas expressões moralistas como requisito caracterizador do tipo penal impossibilitavam uma proteção mais abrangente às mulheres. pertencia o direito à posse sexual da mulher. Com isso. pois o mesmo estaria acobertado pela excludente de ilicitude do exercício regular de direito e. a previsão legal do estupro como um tipo penal foi iniciada desde o período colonial.4329 meio de violência ou ameaças. novembro de 2015. com uma redação marcada por expressões ANAIS do VIII Encontro de Pesquisa e Extensão da Faculdade Luciano Feijão. contra qualquer “mulher honesta”. Neste código. já que a elas estava reservado um comportamento sexual resignado e submisso. mediante violência ou grave ameaça. lembrando que. contudo. percebe-se que a concepção de honra da mulher sempre esteve ligada à manutenção da virgindade com relação ao pai (RAMOS. que por muitas vezes é desconsiderado. Desta maneira. 3 Os primeiros registros de previsão legal são encontrados no primeiro conjunto de leis criado na Mesopotâmia. embora o artigo conceda a mulher tal “liberdade” sabe-se que o desvirginamento era o início de um caminho sem volta.

(NORONHA. para evitar imposição de . deste modo. O código de 1940. 2013. passou a existir um conflito entre normas. possuía viés patriarcalista em algumas de suas disposições legais. apenas a mulher era tida como vítima e o homem sempre era o sujeito ativo do delito especificamente. mas sim o de exigir. cujo fim mais nobre é o da perpetuação da espécie. ocorreria o chamado perdão tácito. todavia. Assim como afirma Guilherme de Sousa Nucci (2002). No que faz alusão ao crime de estupro. em seu texto originário. ou seja. constituindo direito e dever recíproco dos que casaram. art. a mulher não se pode furtar ao congresso sexual. sendo mais preciso no tópico referente à extinção de punibilidade caso houvesse o casamento da vítima de estupro com aquele que lhe violentou (art. 107. há doutrinadores que enxergam a possibilidade do cometimento do crime de estupro no casamento. A partir da vigência de tal lei. por infração a um dos deveres do casamento”. um novo código penal foi decretado e é vigente até os dias atuais. em seu art. dormindo sob o mesmo teto. desde que a razão da esposa para não aceder à união sexual seja mero capricho ou fútil motivo.106/05. podendo. primeiramente. ANAIS do VIII Encontro de Pesquisa e Extensão da Faculdade Luciano Feijão. não havendo previsão de estupro para a figura masculina como possível vítima. 1.70) Em contrapartida. o término da sociedade conjugal na esfera civil. passando por várias alterações no decorrer de sua vigência. visto que o Código Civil de 2002. ao qual ela não se pode opor. p. VII do CP). 2002. 4 As relações sexuais são pertinentes à vida conjugal.4329 mediante violência ou grave ameaça. E em 1940. a fim de manter a honra da vítima e de sua família. 11. O marido tem direito à posse sexual da mulher. pois a recusa da mulher em manter relações sexuais com ele não pode ser motivo de estupro. evitando que essas mulheres fossem revitimizadas pelo seu agressor. tal disposição foi revogada. deixam claro que não há possibilidade de adotar excludente de ilicitude na conduta do marido que violenta a própria esposa. A violência por parte do marido não constituirá. novembro de 2015. e somente com o advento da Lei Sobral-CE. Casando-se. deste modo. se for o caso. todavia. em principio. “tal situação não cria o direito de estuprar a esposa. crime de estupro. já que a lei não autoriza o emprego de violência ou grave ameaça na relação matrimonial. essas mulheres que eram forçadas ao casamento acabam por se tornar vítimas infindáveis de violência doméstica por parte do cônjuge.520. aceitando a vida em comum. o restringiu como o constrangimento de mulher à conjunção carnal. previa a autorização para o casamento daquela pessoa que ainda não atingiu a idade núbil na hipótese de gravidez. ISSN 2318. ele responder pelo excesso cometido.

independentemente de sexo ou gênero. As alterações realizadas por esta lei passaram a alcançar tanto o homem quanto a mulher como possíveis vítimas de estupro. 5 cumprimento de pena. novembro de 2015. foi sancionada a Lei 12. . 1º. que tem como objeto jurídico tutelado a dignidade sexual. passando a tutelar a liberdade sexual de qualquer indivíduo. onde unificou o crime de estupro e o crime de atentado violento ao pudor. dando uma nova conotação ao delito. entendendo que até a idade de 14 anos. conceituando o delito como o ato de “constranger alguém.015/09. Com isso. dando a eles a faculdade de escolher o seu parceiro e comportamento diante o ato sexual. Por se tratar de uma lei específica que visava proteger a criança e o vínculo familiar. presente no caput do art. deste modo alterando diversos dispositivos legais. mediante violência ou grave ameaça. mesmo que haja consentimento. 213 do atual Código Penal ANAIS do VIII Encontro de Pesquisa e Extensão da Faculdade Luciano Feijão. as mulheres continuam Sobral-CE. Com o decurso do tempo.4329 É preciso ressaltar que essa mesma lei revogou tacitamente a hipótese de extinção de punibilidade no caso de casamento da vítima com o agressor. o ato sexual configura- se em estupro presumido. 217-A CP). Brasileiro. a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso”. sendo as principais vítimas do crime de estupro no Brasil. a legislação refletiu o raciocínio machista em relação à liberdade sexual da mulher e mesmo com as adaptações que foram realizadas. 8. V da L. ISSN 2318. Com isso. surgiu a dúvida sobre qual legislação aplicar. o mesmo se aplica para os casos de pessoas com qualquer tipo de doença física ou mental que dificulte sua resistência. Através dos tempos. Outra conquista foi a inclusão do crime de estupro na Lei dos Crimes Hediondos (art. à medida que a legislação penal previu a situação do estupro de vulnerável (art. já que a legislação penal revogou a hipótese da extinção de punibilidade com o casamento e o Código Civilista ainda a trazia em seus dispositivos.072/90). os legisladores brasileiros decidiram inovar no que tange aos tipos penais previstos na Parte Especial do Código. encontrada no Código Civil. a disposição civilista acabou prevalecendo.

em que 58. ISSN 2318. uma doença. Estupros em casos de escravidão e de guerra (inclusive religiosa) também se encaixam nessa teoria. atenuando a culpa do agressor que supostamente não consegue controlar seus instintos e culpando a vítima por provocá-lo. E o conceito de feminicídio (homicídio de mulheres que não obedecem aos cânones sociais) claramente deriva dessa observação de que a cultura legitima a violência contra mulheres. mulheres e estupro”. perpetuando o equivocado e cruel pensamento de que a vítima “pede” ou “merece” ser estuprada. que coloca a mulher numa posição de propriedade do homem. ano. haveria menos estupros” (IPEA/SIPS. De acordo com os reflexos da cultura patriarcal. (SEMÍRAMIS. 2013). 2014). dando legitimidade a diversos tipos de violências de gênero. pois são uma forma de subjugar por meio da violência sexual. No mesmo Sobral-CE. para justificar a ocorrência do estupro. ressalta que se constrói a falsa ideia de que a violência faz parte do destino das mulheres. tudo pode ser visto como justificativa para o crime de estupro. Em pleno século XXI. A cultura do estupro trata especificamente da naturalização dessa violência no âmbito social. No início da década de 1970. uma mentira ou culpa da vítima (SEMÍRAMIS. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2014) divulgou um documento que revela que a cada dez minutos uma pessoa é estuprada no Brasil. afirma que esse é um mecanismo de controle social para manter as mulheres na linha. Sirlanda Maria Selau da Silva (2014). pois mulheres são tratadas como propriedade masculina e essa relação se manifesta por meio do espancamento e do estupro marital.5% dos entrevistados acreditam que “se as mulheres soubessem como se comportar. 2013). o IPEA divulgou a pesquisa “Tolerância social à violência contra mulher”. o estupro ainda é visto como uma expressão da força masculina. novembro de 2015. A escritora Susan Brownmiller (1975). o que geralmente enseja que a vítima passe à ANAIS do VIII Encontro de Pesquisa e Extensão da Faculdade Luciano Feijão. . o que salienta o mito de que a vítima pode evitar o estupro. advogada e militante feminista da Marcha Mundial das Mulheres no Rio Grande do Sul. A violência doméstica se enquadra nesse raciocínio. no seu próprio comportamento. ainda sem tradução no Brasil. 6 A VÍTIMA COMO AGRESSORA Os crimes sexuais contra a mulher são os únicos crimes no qual a vítima é julgada junto com o criminoso.4329 condição de culpada quando se buscam motivos. o estupro era visto como uma necessidade masculina. nos Estados Unidos. em sua obra “Contra a nossa vontade: homens.

Antigamente esses casos ganhavam destaque porque nada acontecia aos autores. ou pessoas violentas. rico. São homens comuns (VARELLA. em um beco escuro. foi divulgada. um caso ganhou destaque porque a Justiça de Minas Gerais entendeu que a vítima também foi culpada por ter se exposto nas imagens íntimas. entre parentes e amigos. na periferia. todavia. Em vários casos. novembro de 2015. (ARONOVICH. Nesse mesmo evento. a maioria dos casos de estupro ocorre no âmbito familiar.4329 expresso. muitos são inclusive conhecidos das vítimas. E mais tempo ainda para perceber que não teve culpa. Contudo. a pesquisa “Violência contra a mulher no ambiente universitário”. “Nós ainda temos o mito de que o estuprador é um homem negro. doentes mentais. A justificativa dos dois desembargadores baseia-se no raciocínio moralista de que às mulheres cabe um . e a própria vítima leva tempo para se convencer de que sofreu um estupro. o estuprador nem acha que estuprou. à medida que não se pode confundir ANAIS do VIII Encontro de Pesquisa e Extensão da Faculdade Luciano Feijão. mas incentivado e tolerado no dia a dia. Um exemplo comumente ignorado é o ato de embebedar alguém a fim de obter relações sexuais sem resistência. em junho de 2014. 7 Um equívoco muito comum é acreditar que os agressores geralmente são desconhecidos da vítima. como ressalta a professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). qualquer ato sexual forçado e sem consentimento ISSN 2318. negação e consentimento. não levando em consideração a ausência de discernimento da vítima para decidir se queria ou não ter relações com determinada pessoa. Ana Flávia d’Oliveira. 2014) Com o crescimento das redes sociais. pobre. Deste modo. 2015). revelando que quase três milhões de universitárias já sofreram algum tipo de violência de gênero no Brasil. realizado pelo Instituto Avon (2015). configura-se nesse crime. na graduação. Nós não vemos o estuprador como um homem jovem. mas muitos fecham os olhos para o problema quando a palavra estupro é substituída por uma dessas definições mais amenas. Está mais do que na hora de reconhecermos que vivemos em uma cultura em que o estupro é condenável na teoria. Não existe meio termo quando se trata de estupro. pós-graduado”. durante o fórum Fale Sem Medo. branco. graduado. vez mais frequentes. casos de pornografia de vingança se tornaram cada Sobral-CE. como menciona Lola Aronovich (2014). A imensa maioria dos estupradores não é composta por doentes mentais. feita pelo Instituto Data Popular. Transformar os estupradores em monstros ou colocar a culpa na mulher não vai mudar essa realidade.

que foi reiterada pelo colega Otávio de Abreu Portes.Apelante(s): Fernando Ruas Machado Filho . É inegável que nos últimos tempos as mulheres conquistaram espaço no meio social. travestis. Mulheres lésbicas enfrentam os mesmos problemas.Apelado(a)(s): Rubyene Oliveira Lemos Borges).. Passageiro. . negligenciando o fato de que homossexuais. mas a toda pessoa que não se enquadre nesses modelos predeterminados. contudo. As fotos em posições ginecológicas que exibem a mais absoluta intimidade da mulher não são sensuais.. no escuro. vítimas.0701. (SEMÍRAMIS. Desta forma. É preciso enfatizar que esse constrangimento social não é direcionado somente às mulheres. prostitutas e mulheres casadas também podem ser Sobral-CE. oprimindo- as quando reforçam a imagem de que mulheres devem ser sexualmente recatadas.09. punem-se aquelas que não aceitam a legitimação da violência por meio de hostilidade ou crimes sexuais. O relator Francisco Batista de Abreu ao justificar sua decisão. agravados pela ameaça de estupro corretivo para que a violência sexual as ‘transforme em heterossexuais’. não houve ‘quebra de confiança’ do casal. ISSN 2318. minimizar o estupro quando ele acontece com minorias acabou por se tornar uma prática extremamente comum. o patriarcalismo reforça a cultura de desvalorização da mulher quando aceita e naturaliza. (. ’ (TJ-MG. ‘As fotos em momento algum foram sensuais. Apelação Cível nº 1. O namoro foi curto e a distância. mas verdadeiro. mas que se trata de um processo para constranger pessoas a se adequarem a papéis de gênero. uma vez que o namoro foi ‘curto e à distância’. não podendo usar determinados tipos de roupa ou freqüentar certos lugares. Não para um ex-namorado por um curto período de um ano. mesmo que de forma implícita. forçando-os a uma heterossexualidade compulsória. E não vale afirmar quebra de confiança. 8 comportamento sexual resignado. Decisões como essas dão liberdade para que os ofensores continuem praticando o ato.4329 sexual. A cultura do estupro é o processo de constrangimento social que garante a manutenção dos papéis de gênero e dar aos homens o controle do corpo e da sexualidade da mulher. A doutoranda em Direito Cynthia Semíramis (2013) diz que a expressão “cultura do estupro” vai além da tolerância e incentivo a violência contra mulheres por meio da violência ANAIS do VIII Encontro de Pesquisa e Extensão da Faculdade Luciano Feijão. 2013).250262-7/001 . novembro de 2015. Nada sério. esse tipo de violência. Os homossexuais são moldados para agir de acordo com papéis de gênero que desprezam sua liberdade. Não foram fotos tiradas em momento intimo de um casal ainda que namorados. escreveu: Para o magistrado. estuprados e agredidos até a morte.Comarca de Uberaba . ainda que para um namorado. tanto que. Quando não se adequam são ridicularizados.) São poses para um quarto fechado. transexuais.

O medo de denunciar é uma ação normal em uma sociedade que culpa as vítimas.4329 realmente existe. o estupro acaba sendo silenciado pelo medo e a vergonha. . o delegado. que são mecanismos eficientíssimos. especialmente pela promoção de igualdade. fazendo com que esse crime continue sendo um dos mais subnotificados que existem. são argumentos moralistas. visto que desestimula as vítimas a registrarem a denúncia. (SILVA. Obviamente. 2014). que as objetifica e super sensualiza. à medida que sofrem com a aliança do machismo com o racismo. As generalizações só criam uma guerra de sexo desnecessária. não se pode fingir que esses casos não existem. oprime. que geralmente não possui testemunhas. 9 No caso de mulheres negras e indígenas esse problema parece se amplificar. É preciso romper o silêncio e mostrar que esse cenário problemático ISSN 2318. que infelizmente funcionam. as desacredita e menospreza a violência. Outro grande problema em relação ao crime de estupro é ignorar o fato de que homens também são vítimas e embora seja menos comum. visto que o machismo mata. A desconstrução dessa cultura do estupro passa a ser uma necessidade a partir do momento que encaramos o machismo como uma arma. novembro de 2015. tornando-as ainda mais vulneráveis aos crimes sexuais (VIEIRA. Sobral-CE. que a sociedade não pode simplesmente fechar os olhos e fingir isso não acontece enquanto não sente a gravidade do problema na própria pele. negligenciar as denúncias é um absurdo ANAIS do VIII Encontro de Pesquisa e Extensão da Faculdade Luciano Feijão. mesmo que ninguém seja culpado até que se prove o contrário. os advogados e até mesmo os juízes irão pensar e argumentar para invalidá-las. a punição por si só não basta. Não é por mero acaso que a grande maioria das vítimas desiste de denunciar o crime quando pensam no que a sociedade. A NECESSIDADE DE DESCONSTRUÇÃO DA CULTURA DO ESTUPRO A impunidade dos agressores também é outro grande problema. o enfrentamento desta forma de violência passa pela transformação das relações entre homens e mulheres. Geralmente. permitindo o exercício de uma nova cultura. 2010). Por se tratar de um crime tão íntimo. que precisa ser combatido. Assim. É preciso dar voz às vítimas e não desacreditá-las.

Embora vários dos avanços legislativos dos últimos anos derivem de condenações do Brasil nas cortes internacionais de direitos humanos. que debutou no Brasil através do blog Think Olga é um exemplo de movimento social feminista que empoderou e incitou mulheres a falarem das primeiras violências que sofreram. ao menos em relação ao Estado. Mas é importante lembrar que essas ações devem compreender as mudanças dos últimos anos e reconhecer que se trata de uma disputa em torno de papéis de gênero. 2013). à medida que se elas obtiverem poder e voz para não se calar diante da opressão é que se pode ISSN 2318. atue para que essas práticas sejam modificadas. do programa de TV Master Chef Júnior . (SEMÍRAMIS. pois cabe a eles desconstruir pensamentos e comportamentos machistas corriqueiros. A jornalista Juliana de Faria. motivada pela indignação dos comentários inapropriados e brutais de cunho sexual e incitação a pedofilia. (MORAES. à proporção que as campanhas publicitárias. uma maquinaria que por muitas vezes nos parece distantes. 10 agride e estupra. principalmente. Inegavelmente. ANAIS do VIII Encontro de Pesquisa e Extensão da Faculdade Luciano Feijão. mal conseguimos nos aproximar (. os jornais e as revistas divulgam uma ideologia arcaica e opressora que legitima desde o racismo à violência contra as mulheres e homossexuais. 2015). Sobral-CE. O papel dos movimentos sociais feministas é fundamental para essa missão. o que importa é a pressão exercida por essas condenações e pelos movimentos sociais para que o Estado. com todo o seu aparato e poder de coerção. penosamente.. as novelas. As modificações na legislação demonstram que.) politizar essa dimensão do cotidiano. A campanha virtual “Primeiro Assédio”. vocalizá-los com uma voz coletiva. enfim. Mostra-nos a importância da escuta e da cumplicidade como elementos indispensáveis para a produção de resistências. por se tratar de uma norma social que representa a condenável prática de opressão feminina. a cultura do estupro vem sendo sistematicamente eliminada.4329 desnaturalizar a violência. A estrutura social se modifica para encampar a igualdade entre homens e mulheres e garantir a liberdade sexual de todas as pessoas. É uma forma de compartilhar nossos silêncios e de. direcionados à participante Valentina. trazer à luz os sofrimentos que produzimos delicadamente. trata-se de um processo de mudança que caminha lentamente. comum. em silêncio. novembro de 2015. produzindo enunciados maiores. Semíramis (2013) ressalta que é necessário combater essa cultura por meios legais e também com manifestações mais incisivas de movimentos sociais. a misoginia e o preconceito. no que diz respeito aos direitos sexuais.. Uma forma significativa de desconstruir a sociedade sexista é empoderando mulheres. de apenas 12 anos de idade. como nos ensinam as cartilhas sobre os “modos de funcionamento do patriarcado”. As campanhas nos revelam o lado encarnado e extremamente potente das relações machistas de poder: elas não estão (apenas) lá em um “sistema” superior de opressão.

tornam-se incompreendidos. considerando que as estatísticas apontam que apenas 10% das vítimas buscam apoio podemos concluir que via de regra a vítima de violência sexual silencia sua dor e a sufoca internamente. 11 Brasil. 2003). Neste sentido. medo. A Justiça Restaurativa vem como um novo modelo de resolução de conflitos que busca ir além da punição (FREITAS. 2015). insônia. (DIAS. No Brasil. ISSN 2318. a vítima busca justiça através da punição. adolescentes e adultos que apresentam diversos comprometimentos ao nível de saúde física. não atribuam culpa à vítima pelo ocorrido. trauma emocional. BRAGA. uma opressão e não “parte da vida”. comportamento do Estado em relação ao autor do crime. o método da justiça retributiva preocupa-se com o Sobral-CE. fazendo com que. Feita uma análise a partir das histórias publicadas. afetando toda a vida da vítima diante a situação. 2015). a dificuldade em se relacionar sexualmente e a dificuldade em retomar o trabalho ou atividade curricular. Como em praticamente todo crime. Esse fato foi o estopim para a mobilização feminina nas redes sociais. Tornando perceptível que o problema não está na roupa ou no comportamento da vítima. existe a ideia de que a maioria dos conflitos. usando a hashtag #primeiroassedio como forma de protesto (FARIA. sim. Contudo. mental e emocional. ANAIS do VIII Encontro de Pesquisa e Extensão da Faculdade Luciano Feijão. 2015). Daí. se constatou que a idade média do primeiro assédio é de 9. 2015). novembro de 2015. termos o saldo desconhecido de crianças.4329 É sabido que as sequelas da violência podem ser atenuadas se a vítima dispor de tratamento especializado e possuir uma consistente rede de apoio (pessoas que compreendam sua dor. de fato. a pena por si não sacie a necessidade de justiça que a vítima tanto busca. pré- adolescência e adolescência. que permitiu que outras mulheres divulgassem em seus perfis virtuais casos de assédio sofridos na infância. que o real problema está no raciocínio patriarcalista que a objetifica. . à medida que uma criança não tenta seduzir e. Mostrando que se apoderar da própria história é importante para que ocorra a mudança social que tanto precisamos. (FARIA. onde além de anônimos. principalmente os penalistas. Todavia. É uma questão de enxergar que a opressão é. e procuram fomentar sua autoestima). de forma que a vítima assim se reconheça como vítima. deu o pontapé inicial ao relatar seu primeiro assédio em uma rede social. A violência sexual causa danos irreversíveis para a sua vítima. buscando meios punitivos para retribuir o tipo penal por ele realizado. a fim de devolver o sentimento de segurança para a sociedade.7 anos (FARIA. tais como danos físicos. possui solução no Poder Judiciário.

suas famílias e a sociedade. É impossível garantir recuperação total. o processo em si pode frequentemente transformar o relacionamento entre a comunidade e o sistema de justiça como um todo. Este método baseia-se na escuta das partes.deveriam contrabalançar o dano advindo do crime. a vítima. de modo que haja espaço para ouvir todas as partes envolvidas no processo. agressor. afirma ZEHR (2008. 12 À medida que para as vítimas de crimes sexuais. Neste sentido. a reconciliação e o desenvolvimento de acordos concernentes a um resultado almejado entre vítima e ofensor. pode-se dar início a negociação de uma possível resolução do problema. (. Além disso.) Através deles.. mesmo sabendo que esta restauração não será absoluta. A participação das partes é uma parte essencial do processo que enfatiza a construção do relacionamento. Atos de restauração . 176): Se o crime é um ato lesivo. alguns danos poderão ser reparados. já que. e restaurar os laços que foram rompidos após a prática do crime. A Justiça Restaurativa oferece uma estrutura de entendimento e resposta ao crime fundamentalmente diferente. problema para os envolvidos. Como ISSN 2318. responsabilizando diretamente os praticantes do crime frente às pessoas prejudicadas por eles com intuito de restaurar as perdas emocionais e materiais da vítima. BRAGA. deste modo. sem que se exclua a pena. evidentemente. mas a verdadeira justiça teria como objetivo oferecer um contexto no qual esse processo pode começar.4329 relata a ONU (2007): A Justiça Restaurativa refere-se ao processo de resolução do crime focando em uma nova interpretação do dano causado às vítimas. mediante a aproximação entre vítima.ao invés de mais violação . encontra-se por meio da Justiça Restaurativa uma maneira de saciar essa necessidade de justiça. engajando a comunidade na resolução desse conflito. percebe-se que este novo modelo de justiça busca primordialmente amenizar os danos sofridos pela vítima. p. devolvendo a sensação de segurança para a sociedade e o término do ANAIS do VIII Encontro de Pesquisa e Extensão da Faculdade Luciano Feijão. Visando o diálogo entre as partes. a justiça significará reparar a lesão e promover a cura. devolvendo-a o controle de sua própria vida. considerando os ofensores responsáveis por suas ações e. preocupando-se mais com as pessoas e seus relacionamentos e dando oportunidade a figura da vítima e a comunidade onde o crime ocorreu (FREITAS. Com isto. o ofensor e a comunidade recuperam controle sobre o processo.. para então analisar Sobral-CE. . 2015). novembro de 2015. ademais. a punição sozinha torna-se insuficiente para o conforto e tranquilidade da vítima. Esta ressalta a importância de se aumentar a participação das vítimas do crime e dos membros da comunidade.

à proporção que realizaria um diálogo intermediário com o fim de conscientizar a comunidade a cerca da gravidade do problema em questão. O ofensor deveria ser incentivado a mudar.4329 ocorrência do crime. além de conscientizar o agressor da extensão dos danos causados e incentivá-lo a mudar.) O primeiro objetivo da justiça deveria ser.. novembro de 2015. Sanar o relacionamento entre vítima e ofensor deveria ser a segunda maior preocupação da justiça. . A desconstrução da cultura do estupro e. portanto. já que se trata de uma concepção construída historicamente. O movimento de reconciliação vítima-ofensor chamou esse objetivo de reconciliação. é uma prática diária e individual. do machismo. numa forma de fechar o ciclo. cria-se a oportunidade para que todos os sentimentos resultantes do delito sejam manifestados e de alguma forma solucionados.. Ele ou ela deveriam receber a liberdade de começara vida de novo. Ante as considerações feitas neste trabalho. desconstruir a ideia de que a vítima tem culpa pela violência que sofreu. ISSN 2318. 13 (. foi possível realizar uma reflexão diante o estudo sobre o crime e a cultura do estupro. consequentemente. Sendo aplicado este método. Entretanto. Em casos de estupro a aplicação do método da Justiça Restaurativa pode ser bastante eficaz. Nota-se que o termo cultura do estupro indica o quanto a violência contra a mulher é tolerada e normalizada dentro da sociedade. CONSIDERAÇÕES FINAIS Sobral-CE. A vítima deveria voltar a sentir que a vida faz sentido e que ela está segura e no controle. Implica num senso de recuperação. A cura abarca um senso de recuperação e esperança em relação ao futuro. reparação e cura para as vítimas. não se pode crer que a punição judicial conjugada a aplicação da Justiça Restaurativa sejam suficientes para dizimar tais práticas. para. fazendo com que a vítima deixe de sentir culpada e demonstre os danos que sofreu do agressor e os que vêm sofrendo pela sociedade que busca um motivo no seu comportamento para explicar o porquê da ANAIS do VIII Encontro de Pesquisa e Extensão da Faculdade Luciano Feijão. Cura para as vítimas não significa esquecer ou minimizar a violação. que infelizmente está enraizada na nossa sociedade. deste modo. que necessita da adoção de políticas educativas para a promoção da igualdade.

que visam a igualdade de gênero. Abstract: This article aims to show how the so-called "rape culture" continues to exist. considerando que homens e mulheres podem ser vítimas de estupro. novembro de 2015. based on the history of rape legal provision as a crime. que insiste em atribuir a culpa dos crimes sexuais as suas vítimas. Victim blaming. Thus. mas que vem sendo combatido tanto pelo Estado quanto pelos movimentos sociais. Gender violence.4329 vista que se trata de uma questão cultural. THE RAPE CRIME AND CULTURE VICTIM BLAMING Sobral-CE. obtendo cada vez mais igualdade de direitos. using doctrinal. 14 Não há como ignorar que as mulheres conquistaram mais espaço na sociedade nestes últimos anos. tem um papel fundamental na questão de assistência a vítima. Contudo. this work aims to analyze the social movements that seek to deconstruct the sexist ideal on the matter concerned. O estudo dessa cultura e sua desconstrução ainda é um tema pouco desenvolvido. segundo os ditames sociais. Key-Words: Rape. . principalmente em questões relacionadas à liberdade sexual. assim como. não. reprovando as práticas de violência de gênero. ao agressor e a sociedade. amenizar as sequelas deixadas pelo crime de estupro. a legislação aceitou com o decurso do tempo que é direito de qualquer um direcionar sua sexualidade de acordo com sua própria vontade e. ainda existe a opressão social. mesmo caminhando lentamente. No Brasil. mudou de modo a reconhecer que o crime de estupro está diretamente relacionado às relações sexistas. Ainda que não seja o suficiente. as the penalty itself is insufficient. que são cada vez mais garantidas pelo Estado. mesmo com estas conquistas. tendo em ISSN 2318. naturalized by the several types of violence borne by women and the fact that the victim is blamed for the conduct of his attacker. Rape culture. Restorative justice. O método da justiça restaurativa. Portanto. este trabalho traz uma reflexão geral sobre a necessidade de mudanças nas bases ideológicas da sociedade como meio de desconstruir essa mania social de culpabilização da vítima. it is seeking an alternative way of softening the damage caused to the victim with the application of restorative justice. legislative and social study. Sexual rights. a fim de reparar ou ANAIS do VIII Encontro de Pesquisa e Extensão da Faculdade Luciano Feijão.

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