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Hailton Madureira de Almeida

Criação e Destruição de Postos de Trabalho no Setor Formal Brasileiro: Uma Abordagem por Gênero

Belo Horizonte - MG UFMG/CEDEPLAR Fevereiro de 2004

Hailton Madureira de Almeida

Criação e Destruição de Postos de Trabalho no Setor Formal Brasileiro:

Uma Abordagem por Gênero

Dissertação apresentada ao curso de mestrado do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial à obtenção do Título de Mestre em Economia.

Orientadora: Ana Flávia Machado

Belo Horizonte – MG Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional Faculdade de Ciências Econômicas - UFMG Fevereiro de 2004

2

Aos meus pais e meus irmãos

à

Andresa, pelo amor, carinho e

pelo

incentivo

e

apoio

e

compreensão

nesta

etapa

da

minha vida.

Agradecimentos

À FAPEMIG e à CAPES, pela concessão das bolsas de estudo.

Ao

CEDEPLAR,

pelo

excelente

corpo

ambiente de estudo e pesquisa.

docente,

infra-estrutura

e

o

saudável

Aos professores do CEDEPLAR, funcionários da biblioteca, CPD e da secretaria.

Aos professores Ana Maria Hermeto Camilo de Oliveira e Marco Flávio da Cunha Resende pelos comentários e sugestões a este trabalho.

Em especial a minha orientadora Ana Flávia Machado, pelos conselhos, apoio, confiança e paciência na elaboração desta dissertação.

Aos colegas de mestrado em economia da turma de 2001, principalmente ao Euler, pela grande ajuda.

Aos meus pais, Eleuza e Hailton, aos meus irmãos, Rômulo e Yordan e à Andresa, por tudo.

5

Sumário

1 - Introdução

1

2 - Revisão Bibliográfica

5

3 - Metodologia

21

3.1 Base de Dados

21

3.2 Definição das variáveis

24

3.3 Falácias Estatísticas

29

4 - Análise dos Resultados

32

4.1 - Resultados Agregados

32

4.2 – Análise Regional

43

4.3 – Análise Setorial

49

4.3.1 – Setor de Serviço

49

4.3.2 – Setor de Comércio

52

4.3.3 – Análise comparativa dos setores

56

4.4

– Análise por Tamanho do Estabelecimento

63

Considerações Finais

72

Referências bibliográficas

Erro! Indicador não definido.

Apêndice

78

6

Lista de Gráficos

33

GRÁFICO 4.2 – Taxas de admissão e demissão por ano 34 GRÁFICO 4.3 – Criação de postos de trabalho por nascimento 35

GRÁFICO 4.1 – Postos de trabalho médios por ano

GRÁFICO 4.4 – Taxas de criação por expansão e destruição de postos de trabalho GRÁFICO 4.5 – Taxas de criação total e destruição de postos de trabalho

e destruição de postos de trabalho GRÁFICO 4.5 – Taxas de criação total e destruição de

36

38

GRÁFICO 4.6 – Rotatividade dos postos de trabalho por sexo 39

40

GRÁFICO 4.8 – Postos de trabalho médios por região e sexo 44 GRÁFICO 4.9 – Rotatividade do trabalhador por região e sexo 45

GRÁFICO 4.10 – Variação líquida de postos de trabalho por região e sexo 46

47

GRÁFICO 4.12 – Rotatividade dos postos de trabalho por região e sexo 48 GRÁFICO 4.13 – Postos de trabalho médios por sexo 50 GRÁFICO 4.14 – Taxas de admissão e demissão 51 GRÁFICO 4.15 – Rotatividade dos postos de trabalho 52 GRÁFICO 4.16 – Postos de trabalho médios por sexo 53 GRÁFICO 4.17 – Taxas de admissão e demissão 54

GRÁFICO 4.18 – Rotatividade dos postos de trabalho

GRÁFICO 4.11 – Rotatividade dos postos de trabalho por região

GRÁFICO 4.7 – Rotatividade do trabalhador por sexo

55

GRÁFICO 4.19 – Postos de trabalho médios por setor e sexo 57 GRÁFICO 4.20 – Rotatividade do trabalhador por setor e sexo 58 GRÁFICO 4.21 – Variação líquida de postos de trabalho por setor e sexo 59

60

GRÁFICO 4.22 – Rotatividade dos postos de trabalho por setor

GRÁFICO 4.23 – Rotatividade dos postos de trabalho por setor e sexo 61 GRÁFICO 4.24 – Rotatividade do trabalhador por tamanho de empresa e sexo 64 GRÁFICO 4.25 – Variação líquida de postos de trabalho por tamanho de empresa e

sexo

65

7

GRÁFICO 4.26 – Variação absoluta de postos de trabalho por tamanho de empresa e

sexo

GRÁFICO 4.27 – Rotatividade dos postos de trabalho por tamanho de empresa 67 GRÁFICO 4.28 – Rotatividade dos postos de trabalho por tamanho de empresa e sexo 68 GRÁFICO 4.29 – Rotatividade dos postos de trabalho por tamanho de empresa e ano 69

66

8

Resumo

O objetivo desta dissertação é examinar o comportamento dos postos de trabalho

criados e destruídos no Brasil, entre os anos de 1985 e 2001, no setor formal da economia.

A pesquisa tenta, por meio de controles como o espaço geográfico, setor de atividade e

tamanho de empresa, verificar se postos de trabalho ocupados por homens são mais

propensos à criação/destruição do que os ocupados por mulheres. Os resultados indicam que a mulheres estão preenchendo postos de trabalho mais

estáveis, em grande parte devido ao tipo de setor em que estão ocupadas, setor de serviços no Brasil. Este setor é o mais estável da economia quanto à rotatividade de trabalhadores e

de

postos de trabalho.

Abstract

The purpose of this thesis is to examine the behavior of the creation and destruction

of

Through the controls such as the geographic space, the activity sector and the size of a company, this research tries to verify if the jobs occupied by men are more susceptible to

instability than ones occupied by women.

jobs in Brazil, between the years of 1985 and 2001, in the formal sector of economy.

The results indicates that women are trilling up the most stable jobs, mostly because

of the type of sector they work in, which is the service in Brazil. This sector is the most

stable in relation to the mobility of workers and jobs.

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1 - Introdução

A flexibilidade e a rotatividade no mercado de trabalho têm sido bastante estudadas no

Brasil por influenciar a produtividade e a alocação do fator trabalho, com fortes conseqüências

sobre o bem estar da população. Um mercado de trabalho flexível consegue responder mais rapidamente às mudanças da demanda. No entanto, a alta rotatividade inibe investimentos, por parte das firmas e dos trabalhadores, em treinamento específico, o que acarreta prejuízos para ambos.

BARROS e MENDONÇA (1996) definem flexibilidade de um mercado como “a capacidade de os preços e quantidades transacionadas nesse mercado de se ajustarem rapidamente a choques nas curvas de demanda e oferta”. Essa flexibilidade deve ser um nível ótimo para ter impacto positivo sobre o crescimento econômico. Segundo a teoria do capital humano, os conhecimentos e habilidades de um trabalhador são fatores que determinam a sua produtividade. A produtividade, por sua vez, determina os salários. Portanto, os conhecimentos adquiridos pelo trabalhador através de

treinamento geral ou específico e suas habilidades explicam os salários percebidos. A rotatividade do trabalhador, ao desestimular treinamento por parte da firma, diminui os ganhos de produtividade e prejudica a própria qualidade do posto de trabalho. Como o salário real é função da produtividade, a rotatividade da mão-de-obra excessiva aumenta as disparidades salariais.

O Estado precisa tentar conhecer o mercado de trabalho quanto à flexibilização, pois é

necessário que se crie incentivos para o investimento em capital humano, sem diminuir a eficiência produtiva da economia. Na verdade, a baixa rotatividade dever ser um desejo e não uma imposição para trabalhadores e empregadores. O excesso de rotatividade também gera outros problemas como o aumento da informalidade. Isso ocorre porque o custo de demissão de um trabalhador sem carteira assinada é menor. GONZAGA (1996) demonstra que, quanto menor a escolaridade, maior a rotatividade e, portanto, menores são os salários. É o caso do setor informal no Brasil. Nesse estudo, o autor afirma que a rotatividade no Brasil é uma das mais altas do mundo. No

1

mercado de trabalho brasileiro ocorre uma relação negativa entre a rotatividade da mão-de- obra e o tamanho da empresa e quanto menor a escolaridade maior tende a ser a rotatividade. BARROS, CORSEUIL, FOGUEL (2001) tentam explicar o porquê da alta rotatividade de trabalhadores no Brasil. A principal conclusão é que os programas de proteção social no

Brasil, como FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), seguro desemprego, além de mal focalizados também incentivam a informalidade e a rotatividade. Os trabalhadores possuem incentivos a induzirem as suas demissões, principalmente em períodos de expansão econômica. O caso clássico é o FGTS que tem baixa liquidez e baixa remuneração e o trabalhador só tem acesso quando demitido, salvo algumas exceções. Neste caso, o trabalhador

é estimulado a aumentar sua rotatividade, pois o benefício de curto prazo, o recebimento em

dinheiro da demissão, é mais atrativo que o benefício de longo prazo, que é o aumento de sua

produtividade e, por conseguinte, o aumento de seus rendimentos. CAMARGO (1996) reforça

a idéia que contratos de trabalho no Brasil incentivam relações de trabalho instáveis. O

empregado quando demitido recebe uma quantia em dinheiro, enquanto por outro lado, as demissões têm um custo relativamente baixo para as firmas. O mercado de trabalho pode sofrer desequilíbrios entre a oferta e a demanda por trabalho. BARROS et. al (1997) estabelecem que os choques provocam este desequilíbrio citado e, dado um choque, o mercado procura o equilíbrio via mudanças no nível salarial e/ou realocação da mão-de-obra entre os segmentos da economia. A flexibilidade salarial e a rotatividade do fator trabalho são variáveis importantes para avaliar efeitos de choques econômicos sobre o mercado de trabalho. Neste estudo, o autor diferencia os choques agregados e os idiossincráticos, onde o primeiro afeta todos os segmentos do mercado e o segundo afeta uns de maneira positiva e outras negativa. No primeiro caso, o ajuste ao equilíbrio via realocação do trabalhador tem papel limitado, então ele se dá por meio de variação salarial. Quando não há flexibilidade salarial, o desemprego torna-se a alternativa. Por outro lado, o choque idiossincrático ocorre de maneira inversa, onde a realocação do trabalhador tem uma resposta mais eficiente do que via correção salarial. Dessa forma, “a capacidade do mercado de trabalho se ajustar às mudanças no ambiente econômico e o custo de ajuste depende do grau de flexibilidade salarial e alocativa deste mercado” afirmam BARROS et. al. (1997).

2

O mercado de trabalho nacional foi marcado por um grande período de ajustamentos

na década de 90. Houve uma profunda recessão entre os anos de 1990 a 1992, a abertura

comercial iniciada no Governo Collor, as privatizações, os planos de estabilização de preços e uma maior busca de competitividade das empresas nacionais. Isso tudo provoca várias mudanças no mercado de trabalho e repercute via criação de postos de trabalhos em algumas regiões e setores e destruição em outros. Segundo estudos (IBGE,2003), a partir da Pesquisa Mensal de Emprego – PME, as pessoas com carteira assinada perdem participação nesta década de 90 e aumenta o número de pessoas sem carteira assinada e os trabalhadores por conta própria. Os dados da PME para o ano de 2003 indicam que, na média, o setor formal conta com 43,6% dos trabalhadores, o informal, com 42,7%, sendo o restante, 13,7%, formado por funcionários públicos, empregadores e pessoas não remuneradas.

A PME mostra ainda que, nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador e Rio de

Janeiro ,a participação do trabalhador informal é maior que a do formal, enquanto São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre é menor. Neste estudo (IBGE,2003) o trabalhador com carteira assinada recebe aproximadamente 30% a mais do que o trabalhador sem carteira assinada em

2003.

Essa dissertação trata do setor formal da economia, restrito à ótica da empresa que fornece as informações ao Ministério do Trabalho anualmente, preenchendo os formulários da Relação Anual de Informações Sociais –RAIS. É claro que ao se estudar apenas o setor formal da economia, as interpretações não podem ser expandidas para todo o mercado de trabalho sem as ressalvas necessárias. O setor formal é diferente do informal, apesar de, em muitos casos, as unidades produtivas concorrerem diretamente, visto o exemplo de vendedores de roupa em centros das grandes cidades. Os estudos sobre criação e destruição de postos de trabalhos têm a sua motivação na necessidade de compreensão do mercado de trabalho, principalmente quanto à rotatividade. Na verdade, os últimos trabalhos vêm de encontro a artigos anteriores que concluem que as pequenas empresas eram as grandes criadoras líquidas de empregos. Os primeiros trabalhos possuem problemas de metodologia que enviesavam a amostra em benéfico das pequenas empresas contra as grandes.

3

Esta dissertação tem por objetivo mensurar as taxas de criação e destruição de postos de trabalho no Brasil, entre os anos de 1985 a 2001, por meio da Relação Anual de Informações Sociais - RAIS. O estudo controla essas taxas por sexo do trabalhador, setor de atividade, região e tamanho de empresa. No mais, esse estudo faz uma análise das taxas de admissão e demissão e sua relação com as taxas de criação e destruição. Nesse aspecto, o objetivo é verificar quais são as características dos postos de trabalho que têm as maiores taxas de rotatividade, e principalmente, como as mulheres são afetadas. Além dessa introdução, o trabalho é dividido em mais três capítulos. O segundo trata

de apresentar as principais contribuições acadêmicas sobre este assunto e as suas conclusões. Assim, é apresentada a referência internacional sobre o tema, que é o artigo de DAVIS, HALTIWANGER (1992). Neste artigo o autor apresenta sua metodologia para cálculo de criação e destruição de postos de trabalho. Além disso, este capítulo introduz outras referências internacionais e nacionais, particularmente o artigo de PAZELLO, BIVAR e GONZAGA (2000) que é o primeiro no Brasil a tratar deste tema.

O capítulo seguinte apresenta a metodologia adotada nesta pesquisa, as características

e limitações da base de dados utilizada e as falácias estatísticas cometidas pelos primeiros estudos que tentam estimar as taxas de criação e destruição de postos de trabalho.

O quarto capítulo descreve os resultados empíricos desta pesquisa. Portanto, o capítulo

é subdividido em quatro partes, onde a primeira parte faz uma análise global, a segunda trata

das estimativas de criação e destruição por região geográfica, a terceira por setor de atividade

e a quarta e última por tamanho de empresa. Por fim, apresenta-se a conclusão.

4

2 - Revisão Bibliográfica

A maioria dos estudos sobre mercado de trabalho só contribui com análises sobre os

dados do trabalhador, provenientes de pesquisas domiciliares, havendo baixa incidência de estudos que tentam entender a demanda por trabalho recorrendo a dados de estabelecimentos. O desenvolvimento de bases de dados confiáveis sobre empresas nos últimos anos, em vários países, inclusive no Brasil, tem permitido superar esse obstáculo, tornando possível aprofundar o conhecimento sobre o comportamento da demanda por trabalho.

Então, pode-se dividir a literatura entre estudos que se baseiam em fontes de dados com informações domiciliares e estudos com fonte de dados com informações dos estabelecimentos ou firmas. O cruzamento dessas duas bases de dados permite compreender as características dos trabalhadores e dos postos de trabalho que apresentam altas taxas de rotatividade e a sua relação. Os estudos com base em pesquisas domiciliares trazem indicadores sobre idade, sexo, raça, educação, renda entre outros. De fato, essas são informações muito relevantes para o

estudo do mercado de trabalho, porém incompletas, em vista que não contemplam informações sobre as características das firmas que estão, no nosso caso, criando e destruindo postos de trabalho.

A criação e a destruição de postos de trabalho gera informações sobre a dinâmica do

comportamento do mercado de trabalho e é uma importante medida do grau de rotatividade do trabalho. Altas taxas de criação e destruição, dentro de um mesmo ramo de atividade, significam uma alta heterogeneidade destas firmas, com empresas aumentando seu estoque de empregados e outras diminuindo. Os trabalhadores entram e saem do mercado de trabalho por vários fatores como problemas com a saúde, constituição de uma nova família, requalificação através da volta a escola, aposentadoria, entre outros. Alguns trabalhadores são também forçados a deixar de trabalhar não apenas por motivos relacionados a questões pessoais, mas também por razões criadas pela própria economia como as demissões temporárias ou permanentes decorridas, por exemplo, de uma recessão. Outros, ainda, migram de região ou mesmo país em busca de novas oportunidades de trabalho.

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A referência internacional é o artigo de DAVIS, HALTIWANGER (1992) e o livro elaborado por esses e por SCHUH, Job Creation and Destruction (1996). Esses autores tentam traçar o perfil e as razões para uma maior ou menor incidência da rotatividade, aqui medida como criação e destruição de postos de trabalho. Para exemplificar, a taxa de destruição de postos de trabalho devido a mortes de empresas nos Estados Unidos é de 23% entre os anos de 1973 a 1988, e taxa de criação decorrente do nascimento de empresas é de 16%, para o mesmo período. DAVIS, HALTIWANGER, SCHUB (1996) definem criação de empregos no tempo t como a soma de todos os postos de trabalhos surgidos entre o período t-1 e t nas plantas que começam a operar e as que expandem o seu número de trabalhadores. E destruição de empregos, de maneira similar, como a soma de todos os postos de trabalhos perdidos entre o período t-1 e t nas plantas que encerram suas operações e as que apenas reduzem os seus quadros de funcionários. O resultado líquido sobre o emprego é a diferença decorrente da criação e da destruição. Por fim, a realocação é medida como sendo a soma de todos os postos de trabalhos criados e destruídos entre o período t-1 e t. Os autores estudam a criação e a destruição de postos de trabalho para os Estados Unidos entre os anos de 1973 e 1988, com uso da Longitudinal Research Database (LRD). O estudo possui controles por tamanho de empresa, região, nível salarial, nível tecnológico entre outros. Além disso, existem dados sobre a correlação entre criação e destruição de postos de trabalho e o papel do ciclo econômico neste processo. A limitação do trabalho é somente contemplar o setor industrial, porém o estudo divide esse setor em várias indústrias. Algumas características dos postos de trabalho criados e destruídos são interessantes como para um dado ano, na média, uma em cada dez empresas encerra suas atividades, enquanto esse mesmo número inicia a operação em outro lugar. Outra característica é que o número de postos de trabalho criados e destruídos tende a ser menor, para um dado setor, quanto maior o período analisado. Isso acontece porque postos de trabalho criados e destruídos possuem pouca persistência, sendo muitos deles apenas sazonais ou temporários. Os postos de trabalho são bastante cíclicos. A criação do posto de trabalho tende a cair em períodos recessivos e a destruição a aumentar. No entanto, a variação dessas taxas é bem diferente, sendo que, nos Estados Unidos, entre os anos de 1973 a 1988, o desvio padrão da

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destruição é 50% maior do quem da criação para dados anuais e 78% maior para dados trimestrais, segundo DAVIS, HALTIWANGER e SCHUH (1996). Os empregos temporários são os mais afetados em períodos recessivos. O estudo mostra que demissões temporárias aumentam em períodos recessivos e caem logo depois de cessada a crise. Ao acabar a recessão, as empresas tendem a recontratar esses trabalhadores, o que demonstra o caráter transitório desde fenômeno. As empresas pequenas, novas, especializadas e com baixos salários exibem correlação perto de zero entre a criação e destruição de postos de trabalho para período recessivo. Enquanto empresas grandes, velhas, diversificadas e com altos salários exibem uma robusta correlação negativa. A conclusão é que as forças que guiam a destruição e criação de postos de trabalho são diferentes para diferentes indústrias. Segundo os autores, os ramos com maiores taxas de realocação por total de trabalhadores são as indústrias moveleiras, de vestuário e de couro. As com menores taxas são as indústrias dos ramos de papel, tabaco e química. As últimas possuem a característica de atuarem em um mercado de poucas empresas, onde a estrutura de mercado de oligopólios predomina. As primeiras, por sua vez, atuam em um mercado, onde há um maior número de firmas, aproximando-se de um mercado de concorrência perfeita, com empresas mais heterogêneas. Em valores absolutos as empresas criadoras de postos de trabalho são das indústrias de metais, máquinas elétricas e não elétricas e de transporte. Essas empresas são, também, as que empregam maior número de trabalhadores, o que pode explicar esse resultado. As de maior capacidade de destruição de postos de trabalho são as de máquinas elétricas e não elétricas e de vestuário, sendo as primeiras da indústria de bens de capital, mais sujeitas, portanto, a choques de demanda. DAVIS, HALTIWANGER, SCHUB (1996) afirmam que novos postos de trabalho, de uma forma geral, nos Estados Unidos, apresentam alta probabilidade de sobreviverem com duração média de um a dois anos. Por outro lado, postos de trabalho destruídos detêm alta probabilidade de serem reabertos no mesmo local, por outra firma, após um e dois anos. Os novos postos criados por firmas grandes ou por firmas com várias unidades são mais prováveis de sobreviverem por pelo menos um e dois anos em comparação aos das pequenas plantas.

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Postos de trabalhos destruídos por pequenas empresas são mais persistentes. As empresas são, também, divididas por tamanho e por tempo de operação da empresa. A taxa de destruição bruta de emprego cai bruscamente com aumento do tamanho da firma. Assim, pequenas empresas destroem mais empregos que as grandes empresas. As empresas com mais de quinhentos trabalhadores são responsáveis por 60% dos postos de trabalhos criados e 61% dos destruídos nos Estados Unidos entre os anos de 1973 a 1988. Isso ocorre, pois 69% dos empregos na manufatura, que é a base do estudo, estão no grupo dos grandes conglomerados. As taxas de criação e destruição de emprego caem com a idade de planta e há uma

forte correlação entre idade da planta e estabilidade do emprego. A explicação do autor é que as plantas mais maduras conhecem mais sobre seus custos e sobre o comportamento da demanda. Essas informações permitem à empresa sobreviver melhor e ter um maior lucro. Sendo assim, novas plantas passam por uma fase inicial de aprendizagem que é quando estão mais vulneráveis no mercado, apresentando elevada probabilidade de fecharem. Em termos de influência do ciclo econômico sobre a geração de postos de trabalho, os autores mostram que a destruição de postos de trabalho é muito mais sensível do que a criação em um ambiente recessivo e, em expansão econômica, a criação é um pouco maior que a destruição. Para o período analisado, 1967 a 1992, em épocas de crise, a destruição é quatro vezes maior que a criação. As empresas grandes, de maior tempo de operação, diversificadas, com várias unidades

e com os maiores salários são as mais sensíveis aos ciclos econômicos. Apesar da alta taxa de destruição, a criação também aumenta, em momentos de desaceleração do nível de atividade,

o que pode refletir processos de reestruturação vivenciados por um ramo de atividade. Segundo DAVIS, HALTIWANGER, SCHUB (1996) alguns modelos tentam explicar este comportamento diferenciado. O primeiro dos modelos pressupõe que alguns choques criam incentivos para a realocação de trabalhadores e empregos, através de mudanças de produção, localização e atividade. O modelo conclui com um estudo sobre os custos sociais dos ciclos econômicos. Outro modelo afirma que os choques alocativos alteram os desejos da demanda e, sendo assim, provocam uma diferença entre a mão-de-obra que é ofertada e a demandada. Essas diferenças podem ser físicas, geográficas e decorrentes de choques

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tecnológicos ou provenientes de mudanças nas políticas governamentais.

O terceiro tipo de modelo interage os choques agregados com os choques alocativos

para explicar a realocação do posto de trabalho pela firma. As características duração e profundidade da recessão determinam as respostas de realocação. Por exemplo, as recessões

podem levar as firmas em declínio à morte. Outro fator relevante é que o investimento em capital e a realocação de trabalho necessitam de tempo. Postula-se no modelo que os custos de realocação são menores em períodos recessivos. Finalmente, o modelo relata que o acesso ao crédito diminui para algumas empresas e que um choque adverso pode levar a um aumento na intensidade de choques alocativos. As firmas que antes já passavam por problemas tendem a fecharem as portas. Além disso, DAVIS, HALTIWANGER, SCHUB (1996) tratam também da relação entre fluxo de postos de trabalhos e o desemprego. Existe uma forte correlação entre destruição de postos de trabalho e desemprego em ciclos de negócios. A destruição de postos de trabalho aumenta rapidamente em períodos de crise e caí em fases de expansões do PIB. O interessante é a existência de uma correlação positiva entre criação e desemprego, o que reflete o caráter não-cíclico da criação de postos de trabalho. O pico do desemprego acompanha o pico de destruição de postos de trabalho.

O estudo afirma que as altas taxas de destruição de empregos em quase todos os

setores da economia reforçam a importância de um mercado de trabalho flexível e capaz de adaptar-se às mudanças de localização e habilidades requeridas para os empregos disponíveis. Aqui sim, é fundamental a presença do Estado para auxiliar a requalificação desta mão-de- obra.

DAVIS, HALTIWANGER, SCHUB (1996) afirmam que fatores idiossincráticos dominam as razões para a criação e a destruição dos postos de trabalho. É comum em um mesmo ramo de atividade, empresas caminharem em sentidos opostos na contratação e demissão de empregados. Isso torna as políticas públicas muito menos eficazes e cabe então a discussão se o Estado é capaz de aumentar a eficiência da economia. Por exemplo, políticas industriais podem apenas dar sobrevida a uma indústria que já não é mais desejável economicamente. HALL (1999) estuda a concentração da destruição de postos de trabalho nos Estados

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Unidos entre os anos de 1972 e 1988, com o uso da Longitudinal Research Database (LRD).

O estudo utiliza uma metodologia econométrica para demonstrar que a série da destruição de

postos de trabalho é concentrada, ou seja, em um ciclo econômico, a destruição tende a responder rapidamente a esse choque, porém cessa também de maneira rápida. Para a criação

de postos de trabalho, o estudo mostra que a série não é concentrada, ou seja, a criação dos postos de trabalho persiste ao longo do tempo no caso de uma expansão econômica e se dá de maneira mais gradual, sem os picos da destruição.

O trabalho contempla a análise da correlação entre as taxas e criação e entre as taxas de

destruição, com diferenciação entre criação por expansão ou nascimento e destruição por

redução de trabalhadores ou morte da empresa. Por fim, há um controle para a indústria com diferenciação entre as de bens duráveis e não duráveis.

A dinâmica do emprego depende tanto da criação quanto da destruição de postos de

trabalho. Choques na demanda agregada têm efeito imediato sobre a destruição de postos de trabalho, e somente tem efeito na criação através do aumento do estoque de trabalhadores que procuram emprego. O autor parte do pressuposto que um posto de trabalho é criado apenas quando o empregador encontra um trabalhador com habilidades necessárias para este posto. Então, em um primeiro instante, a destruição de postos de trabalho aumenta a oferta de trabalhadores à procura de empregos, o que permite, posteriormente, que as firmas encontrem

o trabalhador com os requisitos necessários para a ocupação de um novo posto de trabalho. Alguns dados do trabalho são importantes: cerca de 12% dos postos de trabalho destruídos, entre os anos de 1972 a 1988, nos Estados Unidos, decorrem do fechamento das empresas, em análise trimestral. Todavia, em períodos recessivos, esse número aumenta muito, 18,5% em 1974 e 21,3% em 1981, anos de crise nos Estados Unidos. O autor encontra,

também, que, no setor de bens duráveis, o coeficiente de concentração da destruição de postos

de trabalho é estatisticamente significativo, o que não ocorre para os de bens não duráveis.

HALL (1999) conclui que a criação de postos de trabalho é mais persistente que a destruição e que a destruição possui a característica econométrica da concentração. Para este modelo, a dinâmica do emprego no curto prazo é determinada pela destruição de postos de

trabalho, visto que essa é mais concentrada. PICOT, BALDWIN e DUPUY (1994) estudam a criação e a destruição de postos de

10

trabalho para o Canadá entre os anos de 1981 a 1988, com o uso da Longitudinal Employment Analysis Program (LEAP) que, diferente dos dados de DAVIS, HALTIWANGER, SCHUB

(1996), contempla não apenas o setor industrial, mas, também, os setores primário, construção civil e serviços de transporte, financeiro e comércio. Os autores discutem os efeitos da metodologia para medir o tamanho da empresa. A motivação do artigo está em questionar os resultados de estudos anteriores que concluíram que as pequenas empresas criaram mais postos de trabalho que as grandes. O impacto desses estudos nas políticas públicas foi muito grande como, por exemplo, a criação de crédito especial para as pequenas empresas, diferenciação de impostos, benefícios jurídicos entre outras medidas. 1

O estudo diferencia mudanças do emprego devido a razões transitórias e de longo

prazo. As transitórias geram movimentos não desejados das empresas entre as classes de tamanho. Nesse caso o critério do ano base não é indicado. Seguindo PICOT, BALDWIN e DUPUY (1994) os critérios são:

Ano Base classifica o tamanho da firma pelo ano base t1;

Média Corrente classifica o tamanho da firma pela média dos anos t1 e t2;

Média Anterior classifica o tamanho da firma pela média dos anos t0 e t1;

Média de Longo Prazo classifica o tamanho da firma pela média de todo o

período.

O critério do ano base não filtra os efeitos dos movimentos transitórios sobre o

emprego. A média anterior tende a favorecer as empresas de pequeno porte quanto e a média corrente, favorecer as de maior porte. Essas duas últimas metodologias reduzem os efeitos transitórios, porém não os eliminam. Outro aspecto relevante, é que essa metodologia é aplicada a empresas sobreviventes entre os períodos, sendo as que iniciam e encerram as

operações são classificadas apenas no respectivo ano de acontecimento desses fatos.

O estudo conclui que a criação e a destruição de postos de trabalho são maiores nas

pequenas firmas, o que demonstra a grande instabilidade do emprego neste tipo de

1 A grande crítica do autor é que esses estudos cometeram as falácias da regressão para a média e a falácia da

distribuição por tamanho

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estabelecimento. No entanto, a variação líquida (criação menos destruição) é maior também nas pequenas firmas. Outra característica é que a probabilidade de ser demitido é de duas vezes maior nas pequenas empresas do que nas grandes e que os salários são maiores nos maiores estabelecimentos. PICOT, BALDWIN e DUPUY (1994) afirmam que quanto maior o tempo de análise

(três ou quatro anos) menores são os efeitos transitórios e os efeitos de longo prazo passam a dominar as razões para criação e destruição de postos de trabalho.

O trabalho é divido, então, entre os anos de 1981 a 1984, recessão econômica, 1984 a

1988, expansão econômica e 1981 a 1988, o ciclo econômico completo. Entre 1981 a 1984,

somente pequenas empresas apresentaram resultados líquidos sobre o emprego positivo. Entre 1984 a 1988, todas as empresas tem variação líquida positiva, no entanto continuam as empresas pequenas com resultados positivos maiores. Os autores concluem que há uma relação negativa clara entre tamanho da empresa e crescimento líquido do emprego. Algumas dúvidas persistem para os autores como encontrar as causas da maior rotatividade dos postos de trabalho nas pequenas empresas. Uma hipótese levantada é que nas pequenas empresas os baixos salários percebidos pelos trabalhadores incentivam a rotatividade, uma hipótese ligada a oferta de trabalho. Outra hipótese é que as pequenas empresas conseguem se adaptar mais rapidamente às novas tecnologias, ou seja, a rotatividade é uma resposta da demanda por trabalho. ABOWD, CORBEL e KRAMARZ (1990) estudam o fluxo de trabalhadores na França entre os anos de 1987 a 1990, com o uso de quatro bases de dados do Institut National de la Statistique et des Etudes Economiques (INSEE) da agência nacional de estatística da França. Os autores seguem a metodologia empregada por DAVIS, HALTIWANGER, SCHUB (1996). Essa base de dados possui informações sobre números de trabalhadores admitidos e demitidos.

A criação e a destruição de postos de trabalho é maior quando se possui informação

mensal de admissões e demissões, o que mostra a fragilidade de alguns empregos criados que não duram um ano. Por exemplo, em média, são criados 17 empregos em um ano com dados mensais, mas o resultado líquido ao final do ano cai para 8. Outro importante resultado é que a

taxa de admissão é aproximadamente duas vezes maior que a criação de postos de trabalho, ou seja, são necessárias duas admissões para ocorrer uma criação de postos de trabalho. Por outro

12

lado, a taxa de demissão é três vezes maior que a taxa de destruição de postos de trabalho. O interessante é o comportamento dos estabelecimentos ditos estáveis, sem variação líquida do emprego, que são também ativos quanto a realocação, ou seja, “os estabelecimentos estáveis não são estáticos”. Na maioria do tempo, os estabelecimentos estão admitindo e demitindo trabalhadores. Em relação ao tipo de contrato, mais da metade das demissões é decorrente do fim dos contratos temporários que não são renovados e apenas 1% é devido a transferências dentro de uma mesma firma. A rotatividade do trabalhador no setor de serviços é maior do que na indústria, porém a variação líquida tem sido maior no setor serviços, o que reflete seu aumento da participação do PIB mundial. Por fim, quanto maior a escolaridade do trabalhador menor a sua rotatividade. As taxas de admissão e demissão são pró-cíclicas com maiores amplitudes no caso da demissão. A sazonalidade é muito forte para ambas, sendo que as contratações ocorrem na França entre junho e outubro, e as demissões durante o verão francês e em dezembro. Quanto à característica do ciclo econômico, as contratações de curto prazo (temporárias) e as de longo prazo são pró-cíclicas, sendo a magnitude maior no caso das temporárias. Quanto maior o tempo de serviço menor a influência do ciclo econômico sobre o emprego, ou seja, os estabelecimentos tendem a demitir primeiro os trabalhadores temporários. O que é respondido por outro dado que quanto maior a qualificação do trabalhador menos ele é influenciado sazonalmente e ciclicamente. ABOWD, CORBEL e KRAMARZ (1990) chegam a alguns resultados, como por exemplo, para cada emprego criado em um dado ano existem três pessoas contratadas e duas demitidas. Em cada emprego destruído, em um dado ano, existem duas demissões e uma contratação. Dois terços de todas as contratações são com contratos curtos (temporários) e metade de todas as demissões são devido ao fim desses contratos. Quando os estabelecimentos estão contraindo o estoque de trabalhadores, o ajuste é feito pela redução à entrada (contratos curtos e longos) e não muda a taxa de demissão. Por fim, para a França, o ajuste no emprego se dá primeiramente na taxa de admissão e não na taxa de demissão. HAMERMESH, HASSINK e VANOURS (1996) estudam a rotatividade dos trabalhadores e dos postos de trabalho para a Holanda entre os anos de 1988 a 1990, com o

13

uso dos dados da Organization for Labor Market Research (OSA). Esse estudo trabalha com a firma e não com o estabelecimento e o foco do estudo é analisar o comportamento da admissão e demissão e comparar com o comportamento da criação e destruição de postos de trabalho.

Para os autores, a maior parte da rotatividade ocupacional ocorre entre as firmas sobreviventes. As firmas que contratam trabalhadores não estão necessariamente em fase de crescimento líquido do emprego e as que estão demitindo podem estar em fase de expansão dos postos de trabalho. Há uma clara heterogeneidade das empresas, e a maior parte da rotatividade dos trabalhadores está ocorrendo entre os empregos existentes e não para postos de trabalhos criados e destruídos. As forças microeconômicas que guiam as criação e a destruição são heterogêneas e de difícil captação.

A rotatividade do trabalhador (medido como admissão mais demissão) é

aproximadamente três vezes maior que a rotatividade dos postos de trabalho (medido como criação mais destruição de postos de trabalho). Essa comparação foi possível devido à base de dados ter informações sobre admissão e demissão. Como os dados são por firma e não por estabelecimento, é possível estudar a rotatividade dentro da firma e esse valor foi maior para firmas que estão em crescimento do emprego. As contratações são maiores para as empresas que estão ampliando o emprego e as

demissões são maiores para empresas que estão destruindo postos de trabalho.

Na literatura nacional, PAZELLO, BIVAR e GONZAGA (2000) analisam a geração

de postos de trabalhos por porte da empresa de forma pioneira, no setor industrial, no período de 1986 a 1995, recorrendo aos dados da Pesquisa Industrial Anual (PIA-IBGE). Esse tipo de base de dados, por ter um indexador para a empresa, permite análise longitudinal dos dados. A importância dos dados serem longitudinais é que o critério de cálculo do tamanho da empresa deve se basear em mais de uma observação de modo a evitar a falácia da distribuição do tamanho e a falácia da regressão para a média 2 . A metodologia aplicada é semelhante a DAVIS, HALTIWANGER, SCHUB (1996). O estudo classifica o tamanho das firmas pela média corrente, ou seja, pelo número médio de pessoas ocupadas nos anos t-1 e t, do período considerado. No entanto, os autores

2 Ver definição dessas falácias no capítulo metodológico.

14

enfatizam que esse tipo de classificação atenua os efeitos dos movimentos transitórios, porém não os elimina completamente.

PAZELLO, BIVAR e GONZAGA (2000) buscam mostrar o papel das pequenas empresas na criação e destruição de postos de trabalho e o resultado líquido sobre o emprego. O fato estilizado de que são as pequenas empresas que mais criam novos postos de trabalho é de fato verdadeiro, porém são também as que mais destroem. De fato, a participação na criação e destruição de postos de trabalho das micros, pequenas e médias empresas é praticamente igual à participação das grandes empresas. Nesse estudo, assim como para os Estados Unidos e Canadá, quanto menor a empresa maior a criação e destruição de postos de trabalho e, conseqüentemente, maior realocação. Os resultados da variação líquida vão ao encontro dos estudos estrangeiros.

A qualidade do posto de trabalho também é analisada e medida por meio do valor dos

salários e dos benefícios percebidos pelo trabalhador e pela estabilidade das relações contratuais. Os resultados mostram, nesse caso, que a estabilidade independe do tamanho da empresa e as maiores empresas são as que pagam os maiores salários e benéficos. Ademais, no período analisado (1986-1995), a destruição de vagas de trabalho é maior do que a criação e, então, a variação líquida do emprego é negativa, sendo seu valor ainda maior a partir de 1992. Por fim, a duração do emprego é maior quanto maior o tamanho a empresa. Uma limitação do

trabalho é a ausência das relações entre criação de empregos por nascimento de firmas e destruição por morte de firmas e a restrição ao setor industrial brasilerio.

CORSEUIL et. al. (2002) analisam, também, a criação, destruição e realocação de postos de trabalho no Brasil entre os anos de 1996 e 1998 para todos os setores da economia, segundo portes da empresa, natureza jurídica, setor de atividade e localização nas diversas regiões do país. Por intermédio da pesquisa baseada nos dados fornecidos pelo CEMPRE verificam que 40% da realocação no Brasil são devido a falências e a abertura de novas unidades. Isso sugere baixos custos de entrada e saída do mercado e uma alta flexibilidade da economia brasileira. Em comparação a outros países, o Brasil apresenta taxas bastante elevadas.

A realocação de postos varia muito entre setores de atividade sendo o comércio e o

serviço os que apresentam a maior contribuição na criação e destruição de postos de trabalho

15

com 50%, seguido pela industria com 23%.Porém é a construção civil que registra as maiores taxas. Os pequenos estabelecimentos detêm a maior taxa de destruição de postos de trabalho, porém, no período analisado, esses foram os criadores líquidos de emprego. Há uma clara relação negativa entre tamanho e realocação, no entanto, as grandes foram destruidoras líquidas e as pequenas, criadoras líquidas no período estudado. No que tange às regiões da federação, as regiões Norte e Centro Oeste apresentam as maiores taxas de realocação. A maior parte da realocação se dá, segundo CORSEUIL et. al. (2002), dentro de cada setor, unidade de federação e classe de tamanho, o que sugere que choques setoriais não conduzem essa realocação, e sim, fatores idiossincráticos é que explicam essa rotatividade, o que reflete o alto grau de heterogeneidade das empresas no Brasil. CORSEUIL et. al. (2002) relatam que apesar do papel reduzido (14%) no emprego total, os postos de trabalho criados e destruídos devido a nascimento e morte de empresas explicam muito a dinâmica do emprego no Brasil. Como exemplo, 50% do emprego destruído em 1998 foram decorrentes do fechamento de empresas. Sobre a persistência, empregos já existentes apresentam 84% de chance de sobreviverem entre 1996/97 e 1997/98, enquanto os criados em 1997, apenas 67,5% sobreviveram em 1998 e os destruídos em 1997, 73,6% não haviam sido recuperados em 1998. Este estudo encontra resultados diferentes de PAZELLO, BIVAR e GONZAGA (2000) em relação à participação das pequenas empresas quanto à criação e destruição de postos de trabalho, neste caso as empresas pequenas possuem maior participação no agregado também. A explicação possível é metodológica, pois PAZELLO, BIVAR e GONZAGA (2000) desconsideram nascimento e mortes de firmas devido às limitações da base de dados e, principalmente, restringem-se ao setor industrial. CORSEUIL et. al. (2002) encontram resultados para tamanho de empresas similares a DAVIS, HALTIWANGER e SCHUH (1996), isto é, quanto maior a empresa, menores as taxas de criação e destruição de postos de trabalho. NAJBERG, PUGA e OLIVEIRA (2000) estudam a criação e fechamento das firmas no Brasil entre os anos de 1995 e 1997, utilizando os dados da RAIS. O estudo utiliza o critério do ano base para classificar os tamanhos da firma. Portanto, metodologia diferente da empregada por DAVIS, HALTIWANGER, SCHUB (1996). Para o caso do estudo de criação

16

e fechamento das firmas, o problema pode não ser muito grave, no entanto para quantificar criação e destruição de postos de trabalho em empresas sobreviventes, o artigo está sujeito às falácias da distribuição do tamanho e a falácia da regressão para a média, discutidas na parte metodológica. Os autores abordam também criação e destruição de postos de trabalho para o mesmo período. O estudo possui controles por região, setor de atividade e por tamanho de empresa. As micro e pequenas empresas foram as únicas a apresentarem criação maior que destruição de postos de trabalho. Os microestabelecimentos (0-19 empregados) foram responsáveis por 54,8% do emprego nas novas firmas e 49,7% dos destruídos por firmas que encerraram suas atividades. NAJBERG, PUGA e OLIVEIRA (2000) concluem que foram as micro e pequenas empresas que criaram mais empregos no período de 1995 e 1997, porém utilizam metodologia diferente de CORSEUIL et. al. (2002) e PAZELLO, BIVAR e GONZAGA (2000), como dito anteriormente, para medir criação e destruição de postos de trabalho. NAJBERG, PUGA e OLIVEIRA (2000) discutem os critérios de porte das empresas e adotam o ano base, seguindo estudo sueco onde se conclui que esta metodologia cria as menores distorções. Assim, conhecer quais as firmas ou indústrias que mais contratam e demitem ao longo do ciclo econômico é importante para elaboração de políticas públicas, na medida em que há comportamentos distintos das firmas dentro de um mesmo setor. Podem ocorrer firmas demitindo trabalhadores em períodos de recessão e outras, dentro da mesma atividade, contratando, o que reflete a alta heterogeneidade do setor e uma grande dificuldade para a elaboração de políticas públicas de combate aos aspectos negativos da rotatividade. Entender os fatores que levam as empresas a criarem e destruírem postos de trabalho permite que se entenda qual grau de rotatividade é benéfico à economia do país. A abordagem por gênero é relevante, pois as mulheres se inserem no mercado de trabalho em alguns setores, diferente dos homens que tendem a ter uma distribuição mais homogênea. Entender em que medida esses setores se comportam em um ciclo econômico e se as mulheres são mais prejudicadas, dado que estão concentradas em determinados segmentos, pode contribuir para definição de políticas públicas e para a formação de estratégias de investimento pessoal de modo a incrementar a empregabilidade das mulheres.

17

MELO (2000) analisa o emprego industrial feminino para os anos de 1985, 1993 e

1997 com o uso dos dados da PNAD. Os controles do trabalho são setor de atividade, faixa

etária, posição na ocupação, posição na família, escolaridade, renda e algumas ocupações. O emprego industrial feminino é caracterizado por concentrar-se nos setores têxtil, vestuário e calçados e ocupações como costurador, montador de equipamentos eletrônicos, auxiliar administrativo e embalador de mercadorias. Desse modo, os resultados da análise mostram alguns setores industriais estão sobre-representados por mulheres, enquanto em outros a presença feminina é praticamente nula. Esta diferenciação pode gerar grande vulnerabilidade da mulher em períodos de ciclo econômico, pois a alta concentração é, também, um fator de

risco e a base da desigualdade salarial entre os sexos. A autora ressalta que a reestruturação produtiva não expulsou as mulheres da indústria, porque sua participação entre os anos de

1985 a 1997 se mantém praticamente constante.

LAVINAS (2001) discute a questão da empregabilidade das mulheres no Brasil, entre os anos de 1981 a 1998, utilizando dados da PNAD. Entre os vários aspectos abordados no trabalho, o de interesse dessa dissertação se refere à crescente participação da mulher no mercado de trabalho, mesmo em momentos de crise. A autora primeiro conclui que isso decorre do fato de que a indústria é o setor destruidor líquido de postos de trabalhos e, nesse setor, predomina a mão-de-obra masculina. O setor de serviço, onde a participação feminina é

maior, apresenta taxas de criação maior do que de destruição, com resultado positivo na geração de emprego. Um dado interessante da mão-de-obra feminina é que à medida que aumenta a homogeneidade salarial entre homens e mulheres, aumenta também a heterogeneidade entre as mulheres. LAVINAS, AMARAL, BARROS (2000) utilizam dados da PME, entre os anos de

1982 a 1998, concluindo que os postos de trabalho femininos são mais sensíveis à variação do

PIB que os dos homens, independente do setor da ocupação. O estudo mostra que o desemprego feminino é mais dependente da dinâmica econômica que o masculino e é o principal fator de explicação. As mulheres estão mais sujeitas a postos de trabalho temporários e menos estáveis que os homens, sendo este tipo de trabalho o mais sensível às oscilações

econômicas. Os controles são por setor de atividade e escolaridade. O objetivo desta dissertação é entender as características dos postos de trabalho que

18

são suscetíveis a maiores taxas de rotatividade, ou seja, possuem maiores taxas de criação e destruição de postos de trabalho. Além disso, o estudo pretende comparar os postos de trabalho ocupados por homens com os ocupados por mulheres e analisar quais são mais instáveis, isto é, se postos de trabalho femininos têm maiores taxas de criação e destruição. Em que pese os vários estudos sobre a participação da mulher no mercado de trabalho, não há nenhum que relacione criação/destruição de postos de trabalho ao sexo do trabalhador. Em razão disso, pretende-se na dissertação incluir essa variável na análise do fenômeno com o uso dos dados da RAIS de forma pioneira. Segundo MELO (2000), as mulheres não possuem uma profissão tão bem definida como os homens, o que diminui o investimento em capital humano específico ao longo da sua vida profissional e aumenta a sua rotatividade ocupacional. Contudo, não há evidencias empíricas, analisando todos os segmentos da economia, de que postos de trabalho ocupados por mulheres registram maior ou menor rotatividade do que os ocupados por homens. Assim, este estudo pretende utiliza os controle como setor de atividade, espaço geográfico e tamanho de empresa, entre os anos de 1985 a 2001, para verificar qual sexo apresenta maiores taxas de criação e destruição de postos de trabalho. A hipótese da dissertação quanto ao tamanho da empresa estabelece uma relação inversa entre tamanho do estabelecimento e criação/destruição de postos de trabalho. Outra expectativa é de que mulheres e homens se insiram da mesma maneira nos diferentes tamanhos de empresa. Uma outra hipótese é a de serviços e comércio, setores mais heterogêneos no que tange a absorção de tecnologias e qualidade dos postos de trabalho, a criação e destruição de postos de trabalho seja maior do que na indústria. Contudo, são esperadas que as maiores taxas de rotatividade dos postos de trabalho estejam nos setor da construção civil e agropecuária, pois nesses setores há uma maior quantidade de postos de trabalho temporários. As regiões do país devem apresentar distintas taxas de rotatividade dos postos de trabalho, o que pode ser explicado pelos diferentes níveis de formalização das empresas e, principalmente, ao tipo de atividade econômica prevalecente. O Brasil possui uma indústria heterogênea, quanto ao aspecto geográfico. Quanto ao controle por gênero, é esperado que acompanhe as taxas globais de cada região.

19

Em relação aos ciclos econômicos, é esperado que a destruição aumente e a criação caia em épocas de crise econômica, ocorrendo o contrário em períodos de crescimento de produção. Na verdade, é esperado que essas taxas caminhem em sentidos opostos, quando em resposta a choque agregados e no mesmo sentido, quando ocorrem choques setoriais. No período analisado, entre 1985 a 2001, ocorrem mudanças importantes na estrutura produtiva do país, com expansão da participação dos setores de serviços e comércio e retração da indústria. Isso sugere taxas acentuadas de rotatividade de trabalhadores e de postos de trabalho. Neste caso, á hipótese é de que a rotatividade do trabalhador, medida pela soma das admissões e demissões, seja bem maior que a rotatividade dos postos de trabalho, medida pela soma da criação e destruição de postos de trabalho. Na verdade é esperado que a maior parte da rotatividade ocupacional se dê entre postos de trabalho existentes. Isso não é bom, visto que o investimento em capital humano específico é perdido pela firma, o que a desestimula em realizá-lo. O comportamento das empresas brasileiras deve ser bem heterogêneo com firmas de uma mesma indústria caminhando em sentidos opostos em relação ao estoque de empregados, assim como encontrado por CORSEUIL et. al. (2002) para o Brasil e DAVIS, HALTIWANGER e SCHUH (1996) para os Estados Unidos.

20

3 - Metodologia

Neste capítulo são apresentadas as principais considerações sobre a metodologia empregada nesta dissertação, bem como a descrição da base de dados utilizada, suas principais limitações e o porquê de sua escolha. A primeira parte discorre sobre a base de dados. A segunda parte apresenta a metodologia aplicada para criação e destruição de postos de trabalho, seguindo a Metodologia desenvolvida por DAVIS, HALTIWANGER (1992) e adaptada à base de dados. Na terceira parte discute-se brevemente sobre a falácia da distribuição por tamanho e a falácia da regressão para a média.

3.1 Base de Dados

Para estudos sobre criação/destruição de postos de trabalho, pode-se contar com a Pesquisa Industrial Anual – PIA realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, Pesquisa Industrial Mensal – PIM do IBGE, a Relação Anual de Informação Sociais – RAIS do Ministério do Trabalho e Emprego - MTE e o Cadastro Central das Empresas – CEMPRE do IBGE. A PIA e a PIM, por só cobrirem o setor industrial e não contemplarem o corte por gênero, não se mostram adequadas para a pesquisa. O CEMPRE cobre todos os setores da economia, porém só existem dados sobre a variação líquida do emprego, não havendo, portanto, informações sobre o sexo do trabalhador contratado ou despedido. A base de dados a ser utilizada é a RAIS realizada pelo MTE para os anos de 1985 a 2001. A RAIS é um registro administrativo com periodicidade anual e de caráter obrigatório para todos os estabelecimentos. Com isso, temos uma cobertura de 90% do setor organizado da economia, ou seja, do mercado formal, cobrindo mais de 2 milhões de estabelecimentos com vínculos empregatícios com cerca 19 milhões de empregos Celetistas e 5 milhões de Estatutários. Como os dados são fornecidos pela empresa, ou seja, a fonte de informação é

21

unilateral, e há outros problemas de representatividade, os dados devem ser interpretados com cautela. Além disso, como acompanhamos a empresa apenas em cada ano, as empresas nascentes são inseridas na amostra e as empresas que encerram suas atividades são excluídas, visto que elas param de enviar os dados para o MTE, o que torna difícil a mensuração dos desligamentos por falências, omissão e mudanças de CGC. Desse modo, os dados de destruição de postos de trabalho podem estar subestimados, dado que essas empresas podem, simplesmente, não ter enviado as informações de desligamento de seus empregados, o que resulta na não contabilização dessas demissões. Assim, ocorre um favorecimento à criação líquida de emprego. Como havia a necessidade de se calcular criação e destruição de postos de trabalho por estabelecimento, foi requerido ao MTE a RAIS Identificada, a qual possui informações sobre

o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica – CNPJ. Desse modo, temos a possibilidade de

acompanhar a empresa por um dado período do tempo, no nosso caso, durante um ano. O CNPJ é um cadastro administrado pela Receita Federal que registra as informações das pessoas jurídicas e veio substituir o Cadastro Geral de Contribuinte – CGC. De fato, todas as pessoas jurídicas são obrigadas a se inscrever neste cadastro, inclusive as equiparadas (firma individual e pessoa física equiparada à pessoa jurídica). Neste estudo foi detectado que algumas empresas não declaram seu CPNJ. Nesses

casos, o MTE atribui o número “0” para esta variável da empresa. Como é impossível saber quantas empresas não forneceram seu CNPJ, todas foram excluídas da amostra. Se este

procedimento não tivesse sido adotado, poderíamos ter um viés nas estimativas de criação ou destruição, visto que esse calculo agregaria várias empresas ao invés de apenas uma. No entanto, poucas empresas não declaram o CPNJ. Para os anos de 1985 a 2000 temos a RAIS já revisada e definitiva. No entanto, para o ano de 2001 os dados são da RAIS Preliminar. A diferença é que a RAIS Preliminar só possui

as declarações enviadas dentro do prazo legal. Novamente, a análise dos dados de 2001 deve

ser feita com ressalvas. Essa base de dados traz informações do setor formal da economia desagregadas por características do empregado, como gênero, instrução, idade, salário e desagregadas por características da empresas como a localidade, setor de atividade e o tamanho da empresa,

22

medido por meio do número de trabalhadores. Além disso, temos informações da movimentação da mão-de-obra como admissões e demissões por período mensal e cobertura

de todo o território nacional e todos os setores da economia, sendo possível a comparação geográfica e setorial.

O levantamento da RAIS é feito em nível de estabelecimento, considerando para isso o

endereço da empresa. Assim, diferentes linhas de produção podem estar agregadas, desde que estejam no mesmo prédio. Sendo assim, as variáveis admissão e demissão podem captar transferências dentro de uma mesma firma. Contudo, esse estudo agrega as informações, como admissão e demissão, por meio do CNPJ.

Para estabelecer o tamanho da empresa é utilizado o estoque médio de empregos em um dado estabelecimento. Esse tamanho é determinado pela média simples do número de empregados existente no estabelecimento em 31 de dezembro do ano base e de 31 de dezembro do ano anterior. As empresas de tamanho zero, que não contrataram ninguém no

referido ano, estão automaticamente excluídas do estudo. Cabe informar que como não se tem informações de faturamento, este fator não é utilizado para mensuração de tamanho.

É importante ressaltar que o número de empregados em um determinado período

corresponde ao total de vínculos empregatícios, o que difere um pouco do número de pessoas empregadas, uma vez que o empregado pode estar acumulando mais de um emprego. Além disso, entende-se como vínculo empregatício às relações de emprego que envolve trabalho remunerado. As empresas informam os dados ao MTE anualmente e detalham as pessoas admitidas e demitidas por mês, o que melhora a sensibilidade da rotatividade da mão-de-obra. Para efeito de cálculo de criação e destruição de postos de trabalho, a pesquisa considera o estoque médio de postos de trabalho e compara essa informação com o número de empregados admitidos e demitidos no mesmo ano. As variáveis utilizadas no estudo são o sexo do trabalhador, o CNPJ da empresa, o vínculo empregatício, setor de atividade, tamanho da empresa, região geográfica/estado, além das informações das pessoas admitidas e demitidas por empresa. Segundo NEGRI et. al.(2001), a RAIS não é homogênea para todos os setores da economia e unidades da federação. A RAIS subestima os empregados no setor agropecuário e

23

em menor escala no setor da construção civil, e sobreestima os trabalhadores na administração pública. A participação da região nordeste apresenta problemas de informação e está subestimada, enquanto Estado de São Paulo, por ter um maior nível de formalidade nas relações de trabalho, está superestimada.

3.2 Definição das variáveis

As taxas a serem calculadas neste trabalho são apresentas abaixo. As admissões são divididas entre primeiro emprego - PE (onde o PIS ou PASEP do trabalhador é incluído no sistema), reemprego - RE, transferência com ônus - TC, transferência sem ônus – TS e outros casos especiais - Oa.

adm

it

= PE

it

+ RE

it

+ TC

it

+ TS

it

+ Oa

it

onde i é o indexador para a empresa e o t para o período (ano).

As demissões são divididas entre desligamentos por rescisões - RE, transferência - TR, falecimentos - FA, aposentadorias - AP entre outras - Od. Outra maneira de cálculo da demissão, por meio da RAIS, é utilizando a variável “vínculo do trabalhador”. Caso essa assuma a posição “não”, isso significa que houve desligamento durante o ano de referência.

dem

it

= RE

it

+ TR

it

+ FA

it

+ AP + Od

it

it

A taxa de criação de postos de trabalho é igual a razão entre o número de trabalhadores admitidos menos demitidos e o estoque médio - X do subgrupo analisado no intervalo de t e t- 1, caso a variação do emprego seja positiva. Neste cálculo utilizaremos a metodologia de DAVIS, HALTIWANGER, SCHUB (1996) que foi utilizada no Brasil por CORSEUIL et. al. (2002) e por PAZELLO(2001).

24

X

t

=

( n

t

+

n

t 1

) / 2

n

it

JC

it

JC

t

=

adm

it

dem

it

=∆

(

n

it

/

x

t

N

=Σ ∆

i =

1

(

n

it

)

/

I

(

x

t

)

n

I

it

(

n

0)

it

0)

As taxa de admissão e demissão também levam em consideração o estoque médio de

trabalhadores – X. Desse modo definem-se essas taxas assim:

Tadm

e

Tdem

it

it

=

=

adm

it

X

t

dem

it

X

t

Foi feita uma subdivisão da taxa de criação de postos de trabalho, decorrente da

percepção que as firmas nascentes estavam presentes na amostra e as que encerram suas

atividades estão excluídas. Assim, quando a empresa no ano anterior tinha “0” empregado e

contrata no ano corrente, considera-se que ela criou emprego por nascimento. Caso contrário

foi por expansão. Desse modo, é feita uma tentativa de controle da variável criação de postos

de trabalho com a desagregação por nascimento. De todo modo, cabe lembrar que o controle

não é igual para criação e destruição de postos de trabalho.

25

JCN

JCN

it

t

=∆ (

n

it

/

x

t

N

=Σ ∆

i =

1

(

n

it

)

/

I

(

x

t

)

n

I

it

(

n

0)

e ( n

it 1

=

0)

it

0)

e ( n

it

1

=

JCE

JCE

JC

it

it

=∆ (

n

it

/

x

t

)

I

(

t

N

=Σ ∆

=

i =

1

JCN

(

it

/

x

t

it

n

it

+

JCE

)

n

I

it

(

n

0)

e ( n

it 1

it

0)

e ( n

it

0)

1

JC

t

=

JCN

t

+

JCE

t

0)

0)

Quando a variação do emprego é negativa, a taxa de destruição de postos de trabalho é

igual à razão entre demitidos menos admitidos e o estoque médio de trabalhadores em cada

empresa no intervalo de t e t-1.

∆ n = adm − dem it it it JD = ( ∆ n /
n
=
adm
dem
it
it
it
JD
= (
∆ n
/ x
)
I ∆ n
(
it
it
t
it
N
JD =Σ
(
∆ n
/ x
)
I ∆ n
(
t
i = 1
it
t

0)

it

0)

O corte por sexo do trabalhador para os contratados e desligados em cada empresa

permite medir como homens e mulheres são afetados pela criação e destruição de postos de

trabalho. A contribuição dos homens na taxa de criação dos postos de trabalho é igual à razão

entre o número de homens admitidos menos demitidos e o estoque médio de trabalhadores

homens em cada empresa no intervalo de t e t-1. E para as mulheres, vale o mesmo raciocínio.

TadmH

it

=

adm

ith

X th

26

TdemH

it

=

TadmM

itm

TdemM

itm

dem

ith

=

=

X

adm

th

itm

X

tm

dem

itm

X

t

∆ =

n

ith

∆ =

n

itm

adm

ith

adm

itm

dem

ith

dem

itm

JCH

it

JCH

t

JCM

it

JCM

t

=∆

(

n

ith

N

=Σ ∆

i = 1

(

/

n

x

t

ith

)

/

I

(

x

t

)

n

I

ith

(

0)

n

ith

0)

=∆

(

n

itm

N

=Σ ∆

i = 1

(

/

n

x

t

itm

)

/

I

(

x

t

)

n

I

itm

(

0)

n

itm

0

onde h é o indexador para homens e m para as mulheres

A rotatividade do trabalhador é medida pela soma das taxas de admissões e

desligamentos que ocorrem no intervalo de t e t-1, enquanto a rotatividade do posto de

trabalho é medida pela soma das taxas dos empregos criados mais os empregos destruídos, no

intervalo de t e t-1.

Rotativtrabalhador

t

Rotativposto

t

=

JC

t

=

+

Tadm

JD

t

t

+

Tdem

t

A taxa de variação líquida do emprego (NEG) na economia é medida através da

27

diferença entre os admitidos e o demitidos e é igual à diferença entre empregos criados menos

os destruídos.

NEG

t

= Σ

N

i = 1

(

n h Xt = Tadm Tdem = JC JD

it

/

)

t

t

t

t

A divisão da atividade econômica é o Grande Setor de Atividade segundo o IBGE, que

divide a economia em indústria, serviços, construção civil, comércio e agropecuário, extração

vegetal, caça e pesca. As empresas que não estavam classificadas nesses grupos foram

excluídas da amostra.

Quanto à localização geográfica, a divisão é por região sendo elas a Norte, Sul,

Nordeste e Centro Oeste, e a região Sudeste, sendo esta última dividida por estado. Desse

modo, ao invés de se apresentar a região Sudeste, têm-se os dados desagregados em São

Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Assim como na atividade econômica,

empresas que não declaram essas variáveis foram excluídas.

A classificação do tamanho das firmas é de acordo com o número médio de pessoas

ocupadas nos anos t-1 e t, que é a variável “X”. Isso se faz necessário para evitar a falácia da

regressão para a média. PAZELLO (2000) afirma que isso reduz os impactos dos movimentos

entre as classes de tamanho, mas não as elimina. As faixas de tamanho das empresas são de 1-

4, 5-9, 10-19, 20-49, 50-99, 100-499, 499 ou mais.

A RAIS que foi utilizada não traz informações sobre as empresas que não empregaram

nenhuma pessoa no referido ano, ou seja, não tiveram vínculo empregatício. Neste trabalho,

onde o objetivo é calcular rotatividade de postos de trabalho, não é necessário identificar as

empresas que não contratam pessoas.

Por fim, o estudo faz uma análise de correlação entre algumas séries, como entre as

taxas de admissão e demissão e criação e destruição de postos de trabalho. O coeficiente de

correlação representa a relação linear entre duas ou mais variáveis. Caso o valor seja positivo,

a correlação é direta, caso contrário, é indireta. Com a correlação, pode-se inferir se as

variáveis possuem algum grau de associação, mas não, necessariamente, relação de

causalidade.

28

3.3 Falácias Estatísticas

Baseada em DAVIS, HALTIWANGER, SCHUB (1996), PAZELLO (2000) comenta dois erros muito comuns em pesquisas deste tipo, a saber, a falácia da distribuição por tamanho e a falácia da regressão para a média. A primeira ocorre devido ao uso de dados anuais para analisar o comportamento da firma. A falácia surge quando firmas migram entre categorias pré-definidas de ano para ano. A segunda ocorre, porque pequenas empresas tendem a crescer e as grandes tendem a diminuir de tamanho ao longo do tempo. Assim, uma empresa considerada grande em t-1 pode passar a ser pequena em t e esse processo pode ser contabilizado como aumento do número de postos de trabalho criados na categoria das pequenas e destruição na categoria das grandes. Para evitar esse tipo de erro, recomenda-se o uso de uma média entre t-1 e t para definir os grupos por tamanho da empresa. 3

A Falácia da distribuição por tamanho.

A Falácia da distribuição por tamanho surge quando se usa dados em Cross Section

para analisar comportamento no tempo das empresas. Basicamente, a questão se centra na possibilidade das firmas migrarem entre diferentes categorias de tamanho nos diferentes anos.

Exemplo: Definimos empresas grandes as que têm mais de 100 trabalhadores e as pequenas com menos de 100.

Empresa

Número em t-1

Número t

Firma 1

101

99

Firma 2

103

101

Pequenas

0

99

Grandes

204

101

3 Na literatura sobre o tema, muitos trabalhos que concluem que os pequenos negócios são os que mais criam postos de trabalhos líquidos incorrem nesse tipo de erro, o que contribui para motivar política econômicas favoráveis a pequenas e médias empresas.

29

Neste exemplo a Firma 1 reduziu o estoque de empregados de 101 para 99, passando da classificação de grande para pequena. A Firma 2 passou de 103 para 101 e manteve a classificação de firma grande. Na ótica dos grupos de tamanho da empresa, a pequena tem 0 empregado em t-1, 99 em t, enquanto a grande têm 204 em t-1 e 101 em t. Quando a análise é por grupo de tamanho, a conclusão é que foram criados 99 postos de trabalho nas pequenas e destruídos 103 nas grandes. Esse exemplo básico mostra que analisar o comportamento do tamanho de firmas usando dados em Cross Section não é indicado. É importante ressaltar que essa falácia não cria distorções nos resultados para nenhum grupo específico, sendo apenas um erro de interpretação.

PAZELLO (2000) demonstra que o uso de dados em Cross Section comparados ao em Longitudinais é bastante distinto. Por fim, DAVIS, HALTIWANGER, SCHUB (1996) lembram que a migração entre as classes é freqüente e muito importante para as conclusões de criação e destruição de postos de trabalho.

Falácia da regressão para a média.

Essa falácia surge em virtude da classificação das empresas por tamanho, principalmente quando é utilizado o critério do ano base. Esse critério classifica o tamanho da empresa no primeiro ano de estudo. De acordo com PAZELLO (2000) e DAVIS, HALTIWANGER, SCHUB (1996) empresas pequenas detêm maior probabilidade de aumentarem de tamanho, enquanto as grandes têm de diminuir. Na média, firmas grandes são mais prováveis de terem passado por um período recente transitório de aumento de tamanho e devem agora diminuir. O que ocorre de forma contrária nas pequenas. Desse modo, PAZELLO (2000) compara o uso do ano base com a média corrente, onde a firma é classificada pela média entre t-1 e t. Os resultados apontam que o ano base apresenta maiores taxas de crescimento do emprego para empresas pequenas, e menores para as grandes, em comparação ao critério do ano corrente. O critério a ser utilizado neste trabalho é o da média corrente, que filtra os impactos

30

transitórios, mas não os elimina por completo, como ressaltado em PICOT, BALDWIN, DUPUY (1994).

31

4 - Análise dos Resultados

Neste capítulo é apresentado o comportamento das principais variáveis de rotatividade

dos postos de trabalho e do trabalhador no setor formal da economia brasileira, principalmente as estimativas das taxas de criação e destruição de postos de trabalho e admissão e demissão dos trabalhadores.

A primeira seção analisa as taxas agregadas de criação por expansão de postos de

trabalho – JCE, criação total – JC, destruição de postos de trabalho - JD, taxa de admissão – TX_ADM, demissão – TX_DEM, variação líquida do emprego – NEG, rotatividade dos postos de trabalho – RotPosto e a rotatividade dos trabalhadores - RotTrab.

A segunda seção apresenta as taxas citadas acima com controle de setor de atividade da

economia, a terceira seção com controle por região geográfica e a quarta e última com controle

do tamanho do estabelecimento. Por fim, em todas essas seções, é tratado conjuntamente a variável sexo do trabalhador.

4.1 - Resultados Agregados

Nesta seção, a análise se concentra na descrição das principais variáveis, de maneira

global 4 . O objetivo é identificar a criação e destruição de postos de trabalho no Brasil e as variáveis associadas a essas taxas e, posteriormente, controlar pelo sexo do trabalhador.

A análise se inicia pela demonstração da trajetória da quantidade média de postos de

trabalho no setor formal da economia, a variável X, em cada ano, sendo XH para homens e XM para mulheres. Assim, é possível visualizar o que acontece com este estoque durante os anos de 1985 a 2001.

O Gráfico 4.1, abaixo, mostra que os menores valores de postos de trabalho no setor

formal são os anos de 1985 e 1993 e o maior no ano de 2001. A estimativa de X é crescente de 1985 a 1989 e decrescente entre 1990 a 1993. Esse valor apresenta uma queda constante entre

4 Todas as informações da amostra se encontram no apêndice.

32

os anos de 1990 a 1993, e queda nos de 1996 e 1998. A taxa média de postos de trabalho no setor formal da economia é de 21.962.038.

Gráfico 4.1

Postos de trabalho médios por ano

30000000 25000000 20000000 15000000 10000000 5000000 0 1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999
30000000
25000000
20000000
15000000
10000000
5000000
0
1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001
X XH XM
X
XH
XM

Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

Realmente, o país passa por uma recessão na economia entre os anos de 1990 a 1992, com impactos expressivos nas taxas de emprego. Esse fato, associado ao aprofundamento da liberalização comercial, têm efeitos negativos sobre o mercado de trabalho formal e, somente em 1995, a quantidade de pessoas empregadas passa ser superior ao observado em 1989. Quanto ao sexo, as trajetórias do emprego médio para homens e mulheres são bem próximas, porém no caso das mulheres, o crescimento é maior. A taxa de crescimento dos postos de trabalho para homens é de 18,90%, para as mulheres de 62,10% e, no global de 33,16%, entre 1985 a 2001. A participação das mulheres passa de 33% para 40%, um crescimento que corrobora a maior participação do sexo feminino no mercado de trabalho. Após 1996, o estoque médio de postos de trabalho tem uma trajetória bem mais estável de crescimento apesar das crises financeiras, fiscais e cambiais sofridas no período.

33

O Gráfico 4.2 apresenta as taxas de admissão e demissão. Nele se verifica que essas

taxas possuem a mesma tendência de queda ou ascensão para todos os anos do estudo, com exceção de apenas três anos, os de 1987, 1990 e 1993, onde as taxas caminham em sentido oposto. Essa tendência é comprovada pela correlação entre as taxas que é de 0,75, ou seja, a correlação é positiva e forte.

Gráfico 4.2

Taxas de admissão e demissão por ano

70,00% 60,00% 50,00% 40,00% 30,00% 20,00% 10,00% 0,00% 1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997
70,00%
60,00%
50,00%
40,00%
30,00%
20,00%
10,00%
0,00%
1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001
TX_ADM TX_DEM
TX_ADM
TX_DEM

Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

A taxa de admissão apresenta seu maior valor no ano de 1986 e menor no ano de 1992,

enquanto a taxa de demissão é maior em 1990 e menor em 1993. A explicação aparente para a as taxas de admissão e demissão em 1992 e 1993 é a crise econômica brasileira nos anos anteriores, o que leva trabalhadores e empresas a ter menos incentivos a realocar a mão-de- obra. Os trabalhadores sabem que novos postos de trabalho estão mais difíceis e as firmas já demitiram os trabalhadores menos produtivos nos anos anteriores.

A taxa média da admissão é de 48,64% e da demissão é de 45,36%. Em resumo, essas

taxas são muito elevadas, visto que, na média, aproximadamente, 1 em cada 2 trabalhadores de uma empresa é admitido em cada ano, o mesmo ocorrendo para a demissão. Novamente, caso cada trabalhador trocasse de emprego apenas uma vez ao ano, metade de cada empresa seria demitida e outra metade admitida, evidenciando a expressiva rotatividade da mão-de-obra

34

nacional. A taxa de demissão é maior que a de admissão apenas para os anos de 1990 a 1992, o que produziu retração no emprego líquido nesses anos. Essas taxas possuem tendência de queda entre os anos de 1986 a 1992, com pequena elevação entre 1993 e 2001. Quando a análise é por sexo, as taxas de admissão e de demissão dos homens são sempre maiores que as das mulheres, ou seja, a rotatividade dos trabalhadores do sexo masculino é maior do que do sexo feminino, para todos os anos estudados. A taxa de criação de postos de trabalho por nascimento apresenta tendência de ascensão durante a série estudada, de acordo com o gráfico 4.3. As menores taxas são nos anos de 1990 e 1992, de 1,99% e a maior em 1997, de 4,85%, e a média é de 3,14%. A taxa de 1986 é bem atípica em relação aos anos subseqüentes, só sendo menor após 1997.

Gráfico 4.3

Criação de postos de trabalho por nascimento

6,00% 5,00% 4,00% 3,00% 2,00% 1,00% 0,00% 1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999
6,00%
5,00%
4,00%
3,00%
2,00%
1,00%
0,00%
1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001
JCN JCNH JCNM
JCN
JCNH
JCNM

Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

Quanto ao sexo, as taxas para as mulheres - JCNM são maiores do que as dos homens - JCNH, com exceção dos anos de 1995 e entre 1999 e 2001. Tanto para homens e mulheres, as maiores e menores taxas coincidem com a taxa global. Os dados sugerem que nos anos de 1986 e 1997 a economia favorecia a abertura de novas empresas, visto as altas taxas de criação de postos de trabalho por nascimento.

35

A criação de postos de trabalho por expansão - JCE e a taxa de destruição - JD, por

diferentes maneiras, tem filtros de controle para criação por nascimento e destruição por

mortes. É claro que esses filtros não são os ideais e são diferentes para cada taxa, o que pode levar a falsas conclusões. Por isso, a análise tem que ser feita com cautela.

A menor taxa de expansão – JCE, observando o gráfico abaixo, ocorre em 1990 e a

maior em 1985. Essa taxa é baixa para os anos de 1990 a 1993, sendo, na verdade, as taxas anteriores a 1990 maiores que todas as taxas até 2000. A taxa de JCE tem trajetória de ascensão pouco constante, sendo apenas nos anos de 1992 a 1994 e 1995 a 1997 que são, seguidamente, de crescimento.

Gráfico 4.4

Taxas de criação por expansão e destruição de postos de trabalho

14,00% 12,00% 10,00% 8,00% JCE 6,00% JD 4,00% 2,00% 0,00% 1985 1987 1989 1991 1993
14,00%
12,00%
10,00%
8,00%
JCE
6,00%
JD
4,00%
2,00%
0,00%
1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001

Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

Nos anos de 1990 a 1993 e 1995 a 1999, JCE é menor que a taxa de destruição de

postos de trabalho - JD. Isso indica que o país cria poucos postos de trabalho líquidos no setor formal, o que deve levar a mão-de-obra nacional à informalidade ou ao desemprego.

A menor taxa de destruição de postos de trabalho – JD ocorre no ano de 1985 e a maior

em 1990, exatamente oposto a JCE. O sentido das taxas (ascensão ou queda) é igual apenas

nos anos de 1989 e 1994.

36

A correlação entre as duas taxas é de –0,82, ou seja, forte e negativa e reforça o fato que essas taxas tendem a caminhar em sentidos opostos. Pode-se afirmar, portanto, que as firmas tendem, em momento de recessão econômica, a aumentar as taxas de destruição e diminuir a criação, e o contrário em períodos de crescimento econômico, algo esperado. No entanto, a admissão e demissão de trabalhadores caminham no mesmo sentido no período, o que não é esperado.

A correlação entre JCE e a criação líquida de emprego – NEG é de 0,99, uma

correlação quase perfeita. Não se pode afirmar que uma taxa explica a outra, apenas que

ambas estão fortemente associadas.

Os homens têm taxas de JCE maiores que as mulheres em todos os anos, com exceção

do ano de 1986. Como a participação masculina é maior, a trajetória de JCE total acompanha

mais a taxa de JCE para homens. Tanto para homens e mulheres, as maiores taxas são em 1986 e as menores em 1990. As taxas de JD para os homens são, também, sempre maiores do que das mulheres, mas ambos tem a mesma tendência. Entretanto, após 1993, a taxa para as mulheres é bem mais suave do que dos homens. Enquanto, entre 1993 e 1998, a taxa feminina cresce constantemente, para os homens ela sobe muito em 1995, caí em 1996 e 1997 e volta a subir em 1998. Por fim, a média da taxa de JD é de 9,95%, mas ressalta-se a sua possível subestimação. No caso da criação total de postos de trabalho – JT a taxa caminha no mesmo sentido que a taxa de destruição de postos de trabalho - JD apenas em 1986, 1989 e 1994, com correlação entre as taxas é de –0,53. O Gráfico abaixo compara JT a JD.

37

Gráfico 4.5

Taxas de criação total e destruição de postos de trabalho

18,00% 16,00% 14,00% 12,00% 10,00% JT 8,00% JD 6,00% 4,00% 2,00% 0,00% 1985 1987 1989
18,00%
16,00%
14,00%
12,00%
10,00%
JT
8,00%
JD
6,00%
4,00%
2,00%
0,00%
1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001

Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

A taxa média de criação total - JT é de 13,23% e é maior em 2000 e menor em 1985.

JT é maior que JD em todos os anos, com exceção de 1990 a 1992. É importante ressaltar que

apesar da grande recessão sofrida em 1990 com queda do PIB, empresas criarão postos de

trabalho a taxa de 9,32%. Isso indica que um número expressivo de empresas estava

aumentando o número de empregos, apesar da crise econômica ter afetado a maioria das

firmas.

A rotatividade dos postos de trabalho – RotPosto é a soma das taxas de criação e

destruição de postos de trabalho. O Gráfico 4.6 apresenta sua trajetória, sendo RotPostoH a

taxa dos homens e RotPostoM das mulheres.

38

Gráfico 4.6

Rotatividade dos postos de trabalho por sexo

30,00% 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% 5,00% 0,00% 1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999
30,00%
25,00%
20,00%
15,00%
10,00%
5,00%
0,00%
1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001
RotPostoH RotPostoM RotPosto
RotPostoH
RotPostoM
RotPosto

Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

A estimativa dessa variável apresenta trajetória de ascensão para a série estudada, entre

1985

a 2001, passando de 21,26% para 26,23%. Aliás, o maior valor ocorre exatamente em

2001

e o menor em 1989. Portanto, a rotatividade dos postos de trabalho aumenta ao longo do

período, o que sugere impactos negativos sobre a produtividade do trabalhador e da empresa.

A década de 90 é marcada pela reestruturação da cadeia produtiva no país, o que leva a

migração de postos de trabalhos entre diferentes firmas e entre outros setores e regiões. Dessa forma, pode-se perceber que ocorrem choques alocativos na economia, sendo esses mais importantes para criação e destruição de postos de trabalho do que choques agregados, como o de 1990, visto as baixas taxas de rotatividade de postos de trabalho nesse ano, quando comparadas as taxas após 1995. A taxa masculina é sempre maior que a feminina, sendo a taxa média para os homens de 24,36%, para as mulheres de 21,16% e no global de 23,19%. Assim, os postos de trabalho ocupados por homens apresentam maior rotatividade do que os ocupados por mulheres, em todos os anos estudados.

A taxa de rotatividade do trabalhador – RotTrab é a soma das taxas de admissão e

demissão e é mostrada no Gráfico 4.7. Fato interessante é que, ao contrário de RotPosto, a rotatividade do trabalhador apresenta tendência de queda entre os anos e tem o maior valor em

39

1986 com 113,08%.

Gráfico 4.7

Rotatividade do trabalhador por sexo

140,00% 120,00% 100,00% 80,00% 60,00% 40,00% 20,00% 0,00% 1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997
140,00%
120,00%
100,00%
80,00%
60,00%
40,00%
20,00%
0,00%
1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001
RotTrab RotTrabH RotTrabM
RotTrab
RotTrabH
RotTrabM

Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

A menor taxa de RotTrab é o do ano de 1992, um ano de crise econômica, assim como detalhado na taxas de admissão e demissão. A taxa média de RotTrab é de 94%, um valor quatro vezes maior que a taxa média de RotPosto. Isso indica que a maior parte da rotatividade da mão-de-obra se dá entre postos de trabalho existentes e não pela criação de empregos em uma empresa e destruição em outras, ou seja, via realocação de postos de trabalho entre firmas. Cabe ressaltar que a estimativa de RotTrab é decrescente entre 1986 a 1992 e, apesar de 1990 ter sido um ano de crise acentuada, a RotTrab é igual a de 1988. A conclusão que pode ser tirada do parágrafo acima é que a soma das taxas de admissão e demissão tende a cair em uma recessão. No entanto, ressalta-se que a demissão pode estar subestimada, mesmo quando comparada a outros anos, visto que a morte de empresas é mais intensa, em períodos de grave crise econômica. Na média, para cada 100 trabalhadores em um ano, há uma variação líquida positiva de 3 postos de trabalho, o que necessita a admissão de 48 pessoas, demissão de 45, o que gera a criação de 13 postos de trabalho e destruição de 10. Desse modo, a maior parte da rotatividade

40

dos trabalhadores se dá entre postos de trabalho existentes e não pela criação de postos em uma firma e destruição em outra. As taxas de demissão e admissão possuem uma correlação de 0,75, sendo forte e positiva, o que significa uma relação direta. Ao contrário, as taxas de criação e destruição apresentam uma correlação negativa de 0,52, uma relação indireta. Isso é bastante interessante e mostra o comportamento heterogêneo das firmas em respostas a choques econômicos. Na verdade, empresas que estão com variação líquida do emprego negativa estão, também, contratando pessoas, mas claro que em número menor. O mesmo ocorre com as firmas com variação positiva. Dado um choque econômico no Brasil, em um grupo de firmas, a maioria passa a destruir postos de trabalho, porém algumas têm taxas positivas de emprego. No entanto, as taxas de admissão e demissão caminham no mesmo sentido neste mesmo choque. Pode-se concluir que as firmas ao retraírem os postos de trabalho, aproveitam para fazer uma realocação do fator trabalho, demitem mais que o necessário e aproveitam para admitir novos trabalhadores. Aparentemente, em períodos de choques positivos, trabalhadores e firmas no Brasil tem incentivos para realocarem o fator trabalho. A explicação está no baixo custo e benefício para ambos de contratos de trabalho estáveis. A princípio, o trabalhador tem mais incentivos a rotatividade nos anos de aquecimento econômico, visto que há novas vagas para ele ocupar, ou seja, ele tem maior facilidade de realocação. A firma, por outro lado, detém mais incentivos nos anos de recessão, visto que aumenta o número de trabalhadores em busca de uma ocupação. Em 1990, ocorre um choque agregado negativo na economia, mas as taxas de demissão são menores do que em 1986 e 1987. Uma resposta para isso está na forma de cálculo da destruição, a qual não está incorporando corretamente as firmas que morrem, visto que muitas ao encerrarem suas atividades param de informar ao MTE. É claro que o número de firmas que morrem, em uma recessão, é maior do que em uma expansão econômica. Cabe ressaltar que caso a subestimação não seja a explicação, então se tem que a rotatividade acontece mais pelo interesse do trabalhador do que da empresa, o que vai ao encontro das críticas de BARROS, CORSEUIL, FOGUEL (2001) aos programas de proteção

41

social do Brasil. No mais, a literatura sobre a rotatividade no mercado de trabalho ressalta que, nos casos de choques alocativos, há um aumento da realocação da mão-de-obra e de postos de trabalho, pois a sociedade diminui a demanda por um certo tipo de produto ou serviço e aumenta por outro, o que eleva a taxa de criação, destruição de postos de trabalho e admissão e demissão do trabalhador.

42

4.2 – Análise Regional

Nesta seção, a análise se concentra na descrição das principais variáveis, com controles regionais. O objetivo é entender quais as localidades geográficas são mais propensas à rotatividade de postos de trabalho e do trabalhador. Divide-se aqui em região Sul, Nordeste, Centro-Oeste, Norte e nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais.

O Brasil é um país bastante heterogêneo quanto às características dos postos de

trabalho nas diferentes regiões do país. As regiões apresentam diferentes níveis de formalização dos empregos e distintas participações nos ramos de atividade. Assim, é

esperado diferente taxas de rotatividade de postos de trabalho nas distintas localidades.

A estimativa do estoque médio de postos de trabalho – X possui o maior valor no

estado de São Paulo, concentrando 32,90% do total. O menor estoque se encontra no Espírito Santo, com 1,70%. São Paulo possui também a maior parte das empresas, com 32,65% do total e o Espírito Santo a menor parte, com 2,0%. Cabe ressaltar que a região sudeste é a única a ser dividida em estados e, portanto, é preciso ter cuidado nas comparações e conclusões regionais. A trajetória de X apresenta crescimento em todas as regiões do país, entre 1985 a 2001, sendo maior na região Centro Oeste do país, com crescimento de 72%. O Rio de Janeiro apresenta o menor crescimento, com apenas 3,7%. O gráfico abaixo mostra a variável X, na média entre 1985 a 2001, por região e sexo do trabalhador.

43

Gráfico 4.8

Postos de trabalho médios por região e sexo

8.000.000 7.000.000 6.000.000 5.000.000 X 4.000.000 XH 3.000.000 XM 2.000.000 1.000.000 0 NORTE CENTRO ES
8.000.000
7.000.000
6.000.000
5.000.000
X
4.000.000
XH
3.000.000
XM
2.000.000
1.000.000
0
NORTE
CENTRO ES NORD MG SUL
SP
RJ

Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

A estimativa de X para os homens e mulheres tem, também, o maior crescimento na

região Centro Oeste e menor no estado do Rio de Janeiro, entre os anos de 1985 a 2001. Na

verdade, o Rio de Janeiro sofre uma redução do estoque médio de postos de trabalho ocupados por homens, com queda de 8%.

A maior taxa de admissão ocorre no estado de São Paulo, porém é, também, neste

Estado que ocorre a maior taxa de demissão de trabalhadores. Desse modo, São Paulo apresenta a maior taxa de rotatividade de trabalhador. A região Nordeste possui as menores taxas de admissão e demissão e, conseqüentemente, a menor rotatividade do trabalhador.

A estimativa da taxa de admissão e demissão é maior no caso dos homens do que das

mulheres para todas as regiões estudadas. No caso dos homens, a maior taxa de admissão

apresenta-se no estado de Minas Gerais, e das mulheres no estado de São Paulo. A menor, para ambos, encontra-se no Nordeste do país.

O gráfico abaixo mostra a variável rotatividade do trabalhador, que é a soma das taxas

admissão e demissão por espaço geográfico e sexo do trabalhador.

44

Gráfico 4.9

Rotatividade do trabalhador por região e sexo 140,00% 120,00% 100,00% RotTrab 80,00% RotTrabH 60,00% RotTrabM
Rotatividade do trabalhador por região e sexo
140,00%
120,00%
100,00%
RotTrab
80,00%
RotTrabH
60,00%
RotTrabM
40,00%
20,00%
0,00%
NORTE
CENTRO ES NORD MG SUL
SP
RJ

Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

A região Nordeste apresenta taxas de admissão e demissão bastante inferiores, quando

comparadas a de outras regiões. Isso decorre do fato da RAIS está subrepresentada nesta

região, o que cria viés os dados na direção dos setores mais formais, como a administração pública, a qual possui taxas de rotatividade bastante baixas.

A estimativa da variação líquida do emprego – NEG calcula a diferença entre as taxas

de admissão e demissão, ou de criação total de postos de trabalho e destruição. A estimativa de NEG é maior na região Norte do país, e menor no estado do Rio de Janeiro. Para os homens, a maior coincide com a global, porém as mulheres apresentam a maior taxa na região centro- oeste. Os homens e as mulheres têm menores taxa de NEG no estado do Rio de Janeiro. Por fim, a variável NEGH é menor que NEGM apenas na região Nordeste do país, como observado no gráfico abaixo.

45

Gráfico 4.10

Variação líquida de postos de trabalho por região e sexo 6,00% 5,00% 4,00% NEG NEGH
Variação líquida de postos de trabalho por região e
sexo
6,00%
5,00%
4,00%
NEG
NEGH
3,00%
NEGM
2,00%
1,00%
0,00%
NORTE
CENTRO
ES NORD MG SUL
SP
RJ

Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

A diferença entre o maior crescimento de X (centro-oeste) e o maior de NEG (Norte)

sugere que a região Norte tem maiores problemas de informação, principalmente quanto à declaração de empresas que morrem. Isto ocorre porque as empresas deixam de informar os empregados demitidos quando morrem. Assim, há uma influência na variável NEG, que requer as declarações de demissão, mas não a comparação de X entre os anos. Dessa forma,

pode-se concluir que, no norte do país, um número maior de empresas deixa de informar ao Ministério do Trabalho, por meio da RAIS, as demissões de trabalhadores, em grande parte devido ao encerramento das atividades. Isso leva a uma superestimativa da variável NEG.

O estado do Espírito Santo tem a maior taxa de criação total de postos de trabalho,

seguido de Minas Gerais. A menor está no Nordeste. O Espírito Santo possui, também, a

maior taxa de criação por nascimento de empresas. A maior taxa de destruição está no estado do Espírito Santo, seguido de Minas Gerais, assim com a criação total.

A estimativa da taxa de criação por expansão é menor que a estimativa de destruição

nos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais e na região Sul do país, como demonstrado no gráfico abaixo. Quanto à criação total dos postos de trabalho, essa estimativa é sempre maior

46

que a destruição.

Gráfico 4.11

Rotatividade dos postos de trabalho por região

16,00% 14,00% 12,00% 10,00% 8,00% 6,00% 4,00% 2,00% 0,00% NORTE CENTRO ES NORD MG SUL
16,00%
14,00%
12,00%
10,00%
8,00%
6,00%
4,00%
2,00%
0,00%
NORTE
CENTRO
ES NORD MG SUL
SP
RJ
JCN JCE JT JD
JCN
JCE
JT
JD

Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

Os homens, quando comparados às mulheres, têm maiores taxas de criação em todas as regiões estudadas, com exceção do estado de São Paulo. Contudo, os homens também apresentam as maiores taxas de demissão, sendo nesse caso maior que as mulheres em todas as regiões. O gráfico abaixo mostra a estimativa da variável rotatividade dos postos de trabalho, que é a soma da criação total e destruição de postos de trabalho. O gráfico mostra que os homens são mais propensos a rotatividade que as mulheres, para todas as regiões.

47

Gráfico 4.12

Rotatividade do posto de trabalho por região e sexo

30,00% 28,00% 26,00% 24,00% 22,00% 20,00% 18,00% 16,00% 14,00% 12,00% 10,00% NORTE CENTRO ES NORD
30,00%
28,00%
26,00%
24,00%
22,00%
20,00%
18,00%
16,00%
14,00%
12,00%
10,00%
NORTE
CENTRO ES NORD MG SUL
SP
RJ
RotPosto RotPostoH RotPostoM
RotPosto
RotPostoH
RotPostoM

Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

A relação entre rotatividade do trabalhador e rotatividade dos postos de trabalho é maior no estado de São Paulo – 4,6 e menor na região Norte do país – 3,7. Pode-se inferir dessa relação que, em São Paulo, é necessário mais trabalhadores trocarem de empregos para que postos de trabalho sejam criados por determinadas empresas e destruídos por outras. Dessa forma, São Paulo apresenta o maior excesso de rotatividade, onde a maior parte das admissões e demissões encontra-se em postos de trabalho que não são criados e nem destruídos, em um dado ano. Por fim, a correlação entre as taxas de admissão e demissão é maior no estado de São Paulo e menor no Centro Oeste. No mais, em todas as regiões, a correlação entre essas taxas é positiva. Quanto à correlação entre a criação total e destruição de postos de trabalho, é maior, em módulo, no Norte e menor no Nordeste do país. Contudo, em todas as regiões essa correlação é negativa.

48

4.3 – Análise Setorial

Nesta seção, a análise se concentra na descrição das principais variáveis, com controles de setores de atividade. O objetivo é descrever quais os ramos da economia são mais propensos à rotatividade de postos de trabalho e do trabalhador. Dividem-se os setores em

construção civil, serviço, comércio, indústria e agropecuário, extração vegetal, caça e pesca. Para simplificar, denomina-se esse último setor de agropecuário.

A análise dos setores de serviço e comércio é mais detalhada e para os outros setores

faz-se apenas uma análise comparativa. Isso se justifica porque a maior parte dos postos de trabalho ocupados por mulheres está nesses setores, correspondendo, aproximadamente, 85% do total, no setor formal da economia.

4.3.1 – Setor de Serviço

O setor de serviços é o ramo da economia que mais cresceu no país, passando de um

estoque de postos de trabalho de 9.925.670 em 1985 para 14.310.886 em 2001, um crescimento de 144%. Esse é também o que mais emprega trabalhadores formais, 54% do total. A participação do total de empregos é de 46,36% para os homens e de 66,89% para as

mulheres. Em 1985, essa participação no total de postos de trabalho é de 52% e, em 2001, passa a 57% e o número de empresas acompanha o crescimento dos postos de trabalho, com crescimento de 118% ao longo da série. Este setor no Brasil é composto por subsetores muito heterogêneos quanto às características de salário, qualificação e produtividade e, portanto, pode ser falacioso generalizar conclusões. Segundo MELO et. al. (1999) esse setor apresenta uma geração de valor agregado por pessoa ocupada baixo, quando comparado à indústria. Porém, há subsetores, como das instituições financeiras, que apresentam relação valor agregado/participação na ocupação superior aos observados na indústria. As características desse setor podem ser resumidas em prestação de trabalho, marcada

49

pelo caráter pessoal, pela simultaneidade dos atos de produção e consumo, a maior propensão à incorporação do progresso técnico e a natureza de não comercializáveis (non-tradebles) dos produtos que leva a uma baixa competição no setor. No mais, há baixa geração de renda por pessoa ocupada e é intensivo em trabalho (MELO et. al., 1999). O setor de serviços sofre uma queda na quantidade média de postos de trabalho formais – “X” entre os anos de 1989 a 1993. Na verdade, o valor da variável “X” em 1988 é superado apenas em 1995. Porém, trajetória de “X” é ascendente, tendo seu menor valor em 1985 e o maior em 2001.

O gráfico abaixo apresenta essa trajetória descrita acima e, também, separa a dos

homens do das mulheres. Os postos de trabalho ocupados por mulheres apresentam

crescimento, passando de 41% em 1985 para 49% em 2001.

Gráfico 4.13

Postos de trabalho médios por sexo

16000000 14000000 12000000 10000000 8000000 6000000 4000000 2000000 0 1985 1987 1989 1991 1993 1995
16000000
14000000
12000000
10000000
8000000
6000000
4000000
2000000
0
1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001
X XH XM
X
XH
XM

Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

A comparação entre a taxa de variação líquida de postos de trabalho - NEG e a

variação do estoque médio de postos de trabalho, nos anos de 1990 a 1993, aponta para subestimação das taxas de destruição de postos de trabalho. Nesses anos, a estimativa de “X” sofre redução, enquanto NEG é positivo.

50

A taxa de admissão média é de 36,12%, de demissão é de 32,2%. A demissão é maior

que a admissão apenas em 1990. Em 1990, portanto, ocorre a única variação negativa líquida com –0,43%. A variação média líquida é de 3,92%, com maior valor em 1985 de 8,23%. As taxas de admissão e demissão coincidem em teto e piso, sendo, em 1986, no maior valor e, em 1992, no menor. Portanto, o ano de 1986 é marcado por grande instabilidade dos contratos de trabalho, e de maneira inversa, o ano de 1992 tem contratos mais estáveis, apesar da recessão.

Gráfico 4.14

Taxas de admissão e demissão

50,00% 45,00% 40,00% 35,00% 30,00% 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% 5,00% 0,00% 1985 1987 1989 1991
50,00%
45,00%
40,00%
35,00%
30,00%
25,00%
20,00%
15,00%
10,00%
5,00%
0,00%
1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001
ADM DEM
ADM
DEM

Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

A taxa de criação total - JT e a taxa de expansão - JCE de postos de trabalho têm o

maior valor em 1985 e o menor em 1990. A destruição tem seu maior valor em 1990 e o

menor 1985, exatamente de maneira oposta das taxas de criação. A destruição é maior que a criação total apenas em 1990, enquanto a criação por expansão é menor entre 1990 e 1992.

É fato interessante que a maior e a menor taxa de admissão ocorrem nos mesmos anos

e a maior de criação ocorre quando a taxa de destruição é menor, e vice-versa. Dessa maneira, as taxas de correlação entre JT e JD (–0,50) e entre JCE e JD (–0,71) são negativas, e entre a taxa de admissão e demissão (0,94) são positivas.

51

Gráfico 4.15

Rotatividade dos postos de trabalho

14,00% 12,00% 10,00% 8,00% 6,00% 4,00% 2,00% 0,00% 1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997
14,00%
12,00%
10,00%
8,00%
6,00%
4,00%
2,00%
0,00%
1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001
JD JT JCE
JD
JT
JCE

Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

No caso dos homens, a taxa JCE apresenta média de 9,07%, a taxa de JT de 11,26% e JD de 7,86%. As mulheres detêm taxa média de JCE de 8,27%, JT de 10,06% e JD de apenas 5,48%. Assim, os homens têm maiores taxas de RotPosto, 23% maior, e de RotTrab, de 50% maior, quando comparado às mulheres.

4.3.2 – Setor de Comércio

O setor de comércio é um ramo de atividade que conta com o maior número de firmas, mas que não representa o maior número de postos de trabalho. Na verdade, as empresas de comércio são bem menores do que nos outros ramos de atividade, em termos de número de postos de trabalho. Na média, entre 1985 a 2001, 43% das empresas são do setor de comércio, sendo que, em 1985, esse percentual é de 41% e passa em 2001 para 45%. Esse setor é bastante heterogêneo quanto aos níveis de produtividade e salário. Basicamente, o comércio se divide em atacadista, varejista e outras atividades comerciais. O

52

varejista, segundo relatório do o Cadastro Central Empresas – IBGE (2001), não requer volume de capital nem complexidade de negócios, o que facilita a proliferação de pequenas

unidades. As empresas varejistas são caracterizadas por pequenos negócios, o que muita vezes não conta com a participação de trabalhadores assalariados.

O comércio representa 15% dos postos de trabalho entre 1985 e 2001. O maior valor

desse número médio, que é a variável “X”, ocorre no ano de 2001 e o menor no ano de 1993. A estimativa dessa variável é decrescente entre 1989 e 1993 e crescente para todos os outros anos, com um salto em 1994.

Gráfico 4.16

Postos de trabalho médios por sexo

4500000 4000000 3500000 3000000 2500000 2000000 1500000 1000000 500000 0 1985 1987 1989 1991 1993
4500000
4000000
3500000
3000000
2500000
2000000
1500000
1000000
500000
0
1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001
X XH XM
X
XH
XM

Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

Esse setor tem crescimento de 70% no número de postos de trabalho e de 146% no

número de empresas, o que reduz a média de empregados por firma de 5,4 em 1985 para 3,8 em 2001.

A taxa de admissão média é de 63,82% e a de demissão é de 59,02%. A taxa de

demissão é maior que a de admissão apenas entre os anos de 1990 a 1992, que são os anos com variação líquida negativa. A maior taxa de admissão ocorre em 1986 e a menor em 1992,

enquanto a demissão é maior também 1986 e menor em 1993.

53

Os homens ocupam 65% dos postos de trabalho no setor de comércio e esse setor detêm 30% dos postos de trabalho ocupados por homens e 18% das mulheres.

Gráfico 4.17

Taxas de admissão e demissão

90,00% 80,00% 70,00% 60,00% 50,00% 40,00% 30,00% 20,00% 10,00% 0,00% 1985 1987 1989 1991 1993
90,00%
80,00%
70,00%
60,00%
50,00%
40,00%
30,00%
20,00%
10,00%
0,00%
1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001
ADM DEM
ADM
DEM

Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

Mais uma vez, a taxa de destruição é maior que a de criação total nos mesmos anos quando a admissão é maior do que a demissão, enquanto a de criação por expansão é maior que a destruição em 1985, 1986, 1989 e 2001. Esse último resultado indica o quanto é importante a destruição por morte das empresas como forma de demissões e que, possivelmente, está incluída parcialmente dentro de JD.

54

Gráfico 4.18

Rotatividade dos postos de trabalho

30,00% 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% 5,00% 0,00% 1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999
30,00%
25,00%
20,00%
15,00%
10,00%
5,00%
0,00%
1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001
JD JT JCE
JD
JT
JCE

Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

A taxa de criação por expansão tem média de 17,77%, a criação total de 19,43% e de destruição de 14,63%. A maior taxa de criação por expansão ocorre em 2000 e a menor em 1992. No caso da destruição, a menor ocorre em 1985 e a maior em 1992. Para os homens, as maiores e menores taxas são iguais as globais citadas acima e para as mulheres a menor taxa de JD ocorre em 1992 e a maior em 1986, coincidindo JT e JCE com as globais. O comércio representa 35,78% do total da criação de postos de trabalho por nascimento, o que comprova as quão reduzidas são as barreiras à entrada neste setor. Também, a análise por gênero mostra que esse setor possui a maior quantidade de postos de trabalho criados por nascimento para ambos os sexos. A rotatividade do trabalhador possui média de 122,83%, número esse maior que a indústria e o serviço, enquanto a rotatividade dos postos de trabalho é de 34,06%, também maior que os dois setores. Porém, a relação entre essas taxas é de 3,61, bem próxima as atividades citadas. A participação no RotTrab de serviços no RotTrab total é de 19%, ou seja,

55

maior que sua participação no total de postos de trabalho médio (15%). Os homens têm taxa de RotPosto de 33,02% e as mulheres de 35,97%, enquanto no caso de RotTrab, os homens têm taxa de 121,06% e as mulheres de 126,05%. Em resumo, as mulheres têm taxa 9% maior de RotPosto e 4% maior de RotTrab. Nesse setor, ao contrário do setor de serviço, as mulheres têm taxas maiores para ambas estimativas e é interessante que a diferença entre as taxas de homens e mulheres é menor em RotTrab do que em RotPosto.

4.3.3 – Análise comparativa dos setores

A estimativa do estoque médio de postos de trabalho – X possui o maior valor no setor

de serviço, concentrando 53,80% do total, para a média entre os anos de 1985 a 2001. O menor estoque se encontra no setor agropecuário, com 1,84% O maior número de empresas, por outro lado, encontra-se classificada no setor de comércio, com 42,74% e o menor do

agropecuário, com 1,18%.

A relação entre X e o número de empresas fornece o tamanho médio das empresas por

setor. O estoque médio de postos de trabalho por empresa é maior, para a média de 1985 a 2001, no setor agropecuário, com aproximadamente vinte (20) trabalhadores por empresa. Os números da construção, serviço e indústria são bastante próximos. O menor está no comércio, com apenas quatro (4) trabalhadores por empresa.

A relação descrita acima apresenta redução, entre 1985 a 2001, para todos os setores de

atividade, sendo a queda maior na construção civil e na indústria. Isso indica o aumento do

número de pequenas empresas na economia e, possivelmente, o aumento da formalização. Quanto ao setor agropecuário, esse número sugere que a RAIS tem maior cobertura nas grandes empresas, o que enviesa as conclusões.

A trajetória de X apresenta crescimento em todos os setores de atividade, entre 1985 a

2001, com exceção da indústria. O maior crescimento está no setor de comércio, com crescimento de 70%, enquanto a indústria apresenta redução de 2,35% para o mesmo período. O gráfico abaixo mostra a variável X, na média entre 1985 a 2001, por setor e sexo do trabalhador.

56

Gráfico 4.19

Postos de trabalho médios por setor e sexo

14000000 12000000 10000000 8000000 6000000 4000000 2000000 0 AGRO CONSTR
14000000
12000000
10000000
8000000
6000000
4000000
2000000
0
AGRO
CONSTR
X XH XM
X
XH
XM

Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

A estimativa de X para os homens e mulheres registra, também, o maior crescimento

no setor de comércio e menor na indústria. No caso da indústria, as mulheres têm crescimento

de 10,45% e os homens redução de 6,79%.

A maior taxa de admissão ocorre no setor da construção civil, porém é também nesse

setor que se verifica a maior taxa de demissão de trabalhadores. Desse modo, a construção civil apresenta a maior taxa de rotatividade de trabalhador. O setor de serviço possui as menores taxas de admissão e demissão, e conseqüentemente, a menor rotatividade do trabalhador. Esses são, portanto, os setores da economia com maior e menor rotatividade do trabalhador. Contudo, o setor de serviço apresenta, em valores absolutos, o maior valor de admissão e demissão de trabalhadores.

A estimativa da taxa de admissão e demissão é maior no caso dos homens do que das

mulheres para os setores de serviço e construção civil, sendo nos outros casos o oposto. No caso dos homens, a maior taxa de admissão apresenta-se na construção e a menor no Serviço.

57

As mulheres apresentam, também, a menor no serviço, porém a maior está no agropecuário.

O gráfico abaixo mostra a variável rotatividade do trabalhador, que é a soma das taxas

admissão e demissão, por setor e sexo do trabalhador.

Gráfico 4.20

Rotatividade do trabalhador por setor e sexo 300,00% 250,00% 200,00% RotTrab 150,00% RotTrabH 100,00% RotTrabM
Rotatividade do trabalhador por setor e sexo
300,00%
250,00%
200,00%
RotTrab
150,00%
RotTrabH
100,00%
RotTrabM
50,00%
0,00%
AGRO
CONSTR

Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

A estimativa de rotatividade do trabalhador para os homens – RotTrabH é maior que

das mulheres – RotTrabM apenas nos setores no setor de serviços e construção civil. Conclui- se que como o setor da construção possui a maior taxa de rotatividade e o serviço possui o maior número de postos de trabalho e o maior número de admissões e demissões, daí decorre a explicação da maior taxa de rotatividade nos postos de trabalho ocupados por homens no global.

Além disso, as mulheres ocupam mais postos de trabalho no setor de serviço, setor esse que tem as menores taxas de rotatividade, ou seja, é o setor mais estável da economia quanto à rotatividade do trabalhador. Na verdade, 66% das mulheres que estão empregas no setor formal da economia estão neste setor.

A variável variação líquida do emprego – NEG calcula a diferença entre as taxas de

admissão e demissão, ou de criação total de postos de trabalho e destruição. A estimativa de

58

NEG é maior no comércio e menor na indústria. Para os homens, a maior e a menor coincidem com as globais, porém as mulheres têm a maior taxa na construção e a menor igual a global. Por fim, a variável NEGH é menor que NEGM em todos os setores de atividade. Dessa forma, as mulheres ganham participação, entre os anos de 1985 a 2001, em todos os setores de atividade estudados.

Gráfico 4.21

Variação líquida de postos de trabalho por setor e sexo 7,00% 6,00% 5,00% 4,00% NEG
Variação líquida de postos de trabalho por setor e sexo
7,00%
6,00%
5,00%
4,00%
NEG
3,00%
NEGH
2,00%
NEGM
1,00%
0,00%
AGRO
CONSTR

Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

A diferença entre o maior crescimento de X (comércio) e o maior de NEG (construção

civil) sugere, assim como na análise regional, que existem problemas de informação do número de trabalhadores demitidos na construção. Isso se deve, em grande parte, a morte de empresas que deixam de informar as demissões ao encerrarem suas atividades.

A estimativa da taxa de criação por expansão é maior que a estimativa de destruição

apenas no setor de serviço, como demonstrado no gráfico abaixo. Quanto à criação total dos postos de trabalho, essa estimativa é sempre maior que a destruição. A construção civil registra a maior taxa de criação e destruição total de postos de trabalho. Por outro lado, a menor taxa de criação e destruição está no setor de serviço.

59

Gráfico 4.22

Rotatividade dos postos de trabalho por setor

30,00% 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% 5,00% 0,00% AGRO CONSTR
30,00%
25,00%
20,00%
15,00%
10,00%
5,00%
0,00%
AGRO
CONSTR
JCN JCE JT JD
JCN
JCE
JT
JD

Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

Os homens, quando comparados às mulheres, têm maiores taxas de criação total na construção e no serviço, porém, também têm maiores taxas de destruição. O gráfico abaixo mostra a estimativa da variável rotatividade dos postos de trabalho, que é a soma da criação total e destruição de postos de trabalho. O gráfico mostra que os homens são menos propensos a rotatividade que as mulheres nos setores agropecuário, comércio e indústria.

60

Gráfico 4.23

Rotatividade do Posto de Trabalho por Sexo

60,00% 50,00% 40,00% 30,00% 20,00% 10,00% 0,00% AGRO CONSTR
60,00%
50,00%
40,00%
30,00%
20,00%
10,00%
0,00%
AGRO
CONSTR

RotPostoRotPostoH RotPostoM

RotPostoHRotPosto RotPostoM

RotPostoMRotPosto RotPostoH

Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

A relação entre rotatividade do trabalhador e rotatividade dos postos de trabalho é

maior no agropecuário (6,51) e menor no comércio (3,61). Pode-se inferir dessa relação que há uma maior necessidade de trocas de trabalhadores no setor agropecuário para que seja criado e destruído postos de trabalho. Isso decore, em grande parte, do caráter sazonal desta

atividade. Por fim, a correlação entre as taxas de admissão e demissão é maior no agropecuário e menor na indústria. No mais, em todas as regiões a correlação entre essas taxas é positiva. Quanto à correlação entre a criação total e destruição de postos de trabalho, essa é maior, em módulo, na indústria e menor no comércio, contudo, em todas os setores essa correlação é negativa.

A correlação negativa das taxas JT e JD indica que choques na economia tendem a ser

mais agregados do que setoriais. A indústria apresenta a maior correlação, em módulo, nessas taxas o que sugere que o setor é mais homogêneo e que os choques na economia afetam esse setor de maneira global e não apenas setorialmente. No caso do comércio e do setor agropecuário, a correlação é menor, o que indica que o setor é mais heterogêneo e que os

61

choques são mais setoriais, quando comparados à indústria. É claro que a subdivisão da indústria e do comércio permitiria entender melhor a relação entre os choques da economia e os efeitos sobre o mercado de trabalho.

62

4.4 – Análise por Tamanho do Estabelecimento

Nesta seção, a análise se concentra na descrição das principais variáveis desta

dissertação, com controle por tamanho da empresa. O objetivo é verificar se as pequenas empresas são mais propensas a criarem e destruírem postos de trabalho. O tamanho da empresa é medido pelo número de pessoas ocupadas em determinado estabelecimento. As faixas de tamanho das empresas são de 0-4, 5-9, 10-19, 20-49, 50-99, 100-499, 500 ou mais. Estas classes de tamanho são baseadas em PAZELLO (2000), com apenas uma maior divisão na classe entre 0 e 19 pessoas ocupadas. Segundo o IBGE (2001), as maiores taxas de natalidade e mortalidade de empresas estão no grupo de 0 a 4 pessoas ocupadas, independente do segmento econômico. Além disso, as empresas menores são mais novas que as de maior porte, sendo que, aproximadamente, 50% das empresas na primeira faixa de tamanho têm até cinco (5) anos de vida.

O maior número de empresas se encontra na primeira faixa de tamanho, com

aproximadamente 74% do total. Há uma relação negativa entre a quantidade de empresas e o tamanho, a maior classe de tamanho apresenta o menor número de empresas, com apenas 0,29%. Por outro lado, este grupo das maiores empresas apresenta 40% do postos de trabalho no mercado formal, na média entre os anos de 1985 e 2001, enquanto a faixa de 0 a 4 possui

participação de apenas 9%.

A maior taxa de admissão e demissão ocorre no grupo de empresas de 0 a 4

trabalhadores. Desse modo, essas empresas apresentam a maior taxa de rotatividade de trabalhador. A menor estimativa da taxa de admissão e demissão ocorre no grupo das maiores empresas, com 500 ou mais trabalhadores e, conseqüentemente, é nessa faixa a menor

estimativa de rotatividade do trabalhador. As classes intermediárias, entre 5 e 99 trabalhadores, apresentam taxas de admissão e demissão bem próximas, na média entre 1985 e

2001.

Pode-se concluir, portanto, que as menores empresas tendem a admitir e demitir mais trabalhadores do que as empresas de maior porte, o que leva à impactos negativos na produtividade da mão-de-obra e, conseqüentemente, explica os menores salários percebidos naquele grupo de empresas.

63

A estimativa da taxa de admissão e demissão é maior no caso dos homens do que das

mulheres para todas as classes de tamanho estudadas. Além disso, o teto e o piso dessas taxas coincidem com as globais para ambos os sexos.

O gráfico abaixo mostra a variável rotatividade do trabalhador, que é a soma das taxas

admissão e demissão, por tamanho de estabelecimento e sexo do trabalhador.

Gráfico 4.24

Rotatividade do trabalhador tamanho de empresa e sexo

RotTrab RotTrabH RotTrabM
RotTrab
RotTrabH
RotTrabM
180,00% 160,00% 140,00% 120,00% 100,00% 80,00% 60,00% 40,00% 20,00% 0,00% 0 - 4 5 -
180,00%
160,00%
140,00%
120,00%
100,00%
80,00%
60,00%
40,00%
20,00%
0,00%
0 - 4
5 - 9
10 -
20 -
50 -
100 -
500 -
19
49
99
499
+
Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

Cabe ressaltar que as taxas de demissão tendem a estar mais subestimada no caso das pequenas empresas do que das grandes, visto que há uma maior probabilidade das pequenas

encerrarem suas atividades do que as grandes e deixarem de informar esse ato ao Ministério do Trabalho, por meio da RAIS.

A estimativa da variação líquida do emprego – NEG calcula a diferença entre as taxas

de admissão e demissão, ou de criação total de postos de trabalho e destruição. A estimativa de NEG é decrescente quanto maior o tamanho da empresa. Para os homens, a menor taxa coincide com a global, porém as mulheres apresentam a menor taxa nas empresas de 100 a 499 trabalhadores. Os homens e as mulheres têm maiores taxas de NEG no menor grupo de empresas. Por fim, a variável NEGH é menor que NEGM apenas nos dois maiores grupos de empresas.

64

Gráfico 4.25

Gráfico 4.25 Variação líquida de postos de trabalho por tamanho de empresa e sexo 16,00% 14,00%
Variação líquida de postos de trabalho por tamanho de empresa e sexo 16,00% 14,00% 12,00%
Variação líquida de postos de trabalho por tamanho de
empresa e sexo
16,00%
14,00%
12,00%
10,00%
NEG
8,00%
NEGH
6,00%
NEGM
4,00%
2,00%
0,00%
-2,00%
0 - 4
5 - 9
10 - 19
20 - 49
50 - 99
100 -
500 -
499
+
Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

A variação líquida de emprego, em valores absolutos e não em taxa como descrito antes, registra que as pequenas empresas, entre 0 e 4 trabalhadores, são as grandes criadoras líquidas de emprego no Brasil. Ressaltando, é claro, a possível subestimação da destruição de postos de trabalho nesta faixa de tamanho. Para as outras faixas de tamanho, o comportamento da variação líquida de postos de trabalho é semelhante, contudo os homens ocupam a maioria destes postos criados, com exceção das empresas com 500 ou mais pessoas ocupadas. Na verdade, os postos de trabalho ocupados por homens, nesta faixa de tamanho, têm variação negativa no período estudado. A possível explicação para a variação negativa dos postos de trabalho ocupados por homens para as empresas de maior porte está no fato da indústria ter reduzido seu estoque de empregos neste período, com maior efeito sobre os homens.

65

Gráfico 4.26

Variação absoluta de postos de trabalho por tamanho de empresa e sexo

Global Homens Mulheres
Global
Homens
Mulheres
300000 250000 200000 150000 100000 50000 0 0 - 4 5 - 9 10 -
300000
250000
200000
150000
100000
50000
0
0 - 4
5 - 9
10 -
20 - 49
50 - 99
100 -
500 -
-50000
19
499
+
Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

As menores empresas apresentam as maiores estimativas das taxas de criação total, criação por nascimento e destruição de postos de trabalho. Na verdade, essas taxas são decrescentes com o aumento do tamanho da empresa. As empresas que têm entre 0 e 4 trabalhadores são o único caso onde a criação por nascimento é maior que a por expansão, com taxa de 23,6% contra 12,6%, respectivamente. Dessa forma, subentendemos que a taxa de destruição por morte da empresa é muito importante para determinação da taxa de destruição total, visto a importância da taxa de nascimento. A estimativa da taxa de criação por expansão é menor que a estimativa de destruição apenas no caso do menor grupo de tamanho de empresa, como demonstrado no gráfico 4.27. Quanto à criação total dos postos de trabalho, essa estimativa é sempre maior que a destruição. Os homens, quando comparados às mulheres, têm maiores taxas de criação para todos os tamanhos de empresas estudadas, com exceção do maior grupo. Contudo, os homens também apresentam as maiores taxas de demissão e, nesta situação específica, maior que as mulheres em todas as classes de tamanho.

66

Gráfico 4.27

Rotatividade dos Postos de Trabalho 40,00% 35,00% 30,00% JCN 25,00% JCE 20,00% JT 15,00% JD
Rotatividade dos Postos de Trabalho
40,00%
35,00%
30,00%
JCN
25,00%
JCE
20,00%
JT
15,00%
JD
10,00%
5,00%
0,00%
0 - 4
5 - 9
10 - 19
20 - 49
50 - 99
100 -
500 - +
499

Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

A rotatividade dos postos de trabalho - RotPosto, que é a soma da criação total e

destruição de postos de trabalho, é decrescente com o tamanho da empresa. Assim, quanto

maior o estabelecimento, menor é a taxa de rotatividade dos postos de trabalho. O menor grupo de tamanho registra uma taxa oito vezes superior a do maior grupo. Cabe ressaltar que essa relação negativa não ocorre com a variável rotatividade do trabalhador.

O gráfico abaixo mostra a estimativa da variável rotatividade dos postos de trabalho

por tamanho de empresa e sexo do trabalhador. O gráfico mostra que os homens são mais propensos a rotatividade que as mulheres, em todas as faixas de tamanho de estabelecimento.

67

Gráfico 4.28

Rotatividade dos postos de trabalho por tamanho de empresa e sexo

RotPosto RotPostoH RotPostoM
RotPosto
RotPostoH
RotPostoM
70,00% 60,00% 50,00% 40,00% 30,00% 20,00% 10,00% 0,00% 0 - 4 5 - 9 10
70,00%
60,00%
50,00%
40,00%
30,00%
20,00%
10,00%
0,00%
0 - 4
5 - 9
10 -
20 - 49 50 - 99
100 -
500 -
19
499
+
Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS.

A relação entre rotatividade do trabalhador e rotatividade dos postos de trabalho é maior nas empresas entre 100 e 499 trabalhadores e menor no grupo de empresas com 0 a 4 trabalhadores. Pode-se inferir dessa relação que, em empresas maiores, é necessário que mais trabalhadores troquem de empregos para que postos de trabalho sejam criados por determinadas empresas e destruídos por outras. Dessa forma, as maiores empresas apresentam o maior excesso de rotatividade, onde a maior parte das admissões e demissões encontra-se em postos de trabalho que não são criados nem destruídos, em um dado ano. Cabe informar que, em muitos casos, a destruição de postos de trabalho em empresas de 0 a 4 trabalhadores leva à morte desta empresa e, conseqüentemente, a possível não mensuração na RAIS, o que pode subestimar a relação citada.

68

O gráfico abaixo apresenta a estimativa da taxa de RotPosto para todas as faixas de

tamanho de empresa e em todos os anos estudados. Pode-se perceber que a crise econômica de

1990 afeta mais as empresas de médio e grande porte. De fato, nas empresas de 0 a 4 pessoas

ocupadas, observa-se uma redução dessa variável, o que torna mais evidente a subestimação

da destruição de postos de trabalho por morte de empresa. Assim, além de RotPosto ser muito

maior para o grupo de menor tamanho em comparação aos outros grupos, este valor deve ser o

que se apresenta mais subestimado.

Gráfico 4.29

Rotatividade dos postos de trabalho por tamanho de empresa e ano 70,00% 0 - 4
Rotatividade dos postos de trabalho por tamanho de
empresa e ano
70,00%
0
- 4
60,00%
5
- 9
50,00%
10
- 19
40,00%
20
- 49
30,00%
50
- 99
20,00%
100
- 499
10,00%
500
- +
0,00%
1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001

Fonte: Elaboração própria a parir da RAIS

Por fim, a correlação entre as taxas de admissão e demissão é próxima para todos os

tamanhos de empresa (0,84), com exceção do menor grupo, onde esse número é bem menor

(0,57). No mais, para todos os tamanhos, a correlação entre essas taxas é positiva. Quanto à

correlação entre a criação total e destruição de postos de trabalho, essa é maior, em módulo, na

classe de menor tamanho (0,88). Além disso, para todas as faixas de tamanho, essa correlação

é negativa. A correlação entre a taxa de destruição e criação por expansão é menor no grupo

de 0 a 4 trabalhadores (0,68) e maior no grupo entre 20 e 49 (0,95).

69

Neste capítulo 4, os resultados encontrados indicam que postos de trabalho ocupados por homens apresentam maiores taxas de rotatividade do que os ocupados por mulheres. Além disso, os homens apresentam maiores taxas de admissão e demissão do que as mulheres. Assim, os homens ocupam a maioria dos postos de trabalho criados, mas, também, são os que mais perdem o emprego quando postos de trabalho são destruídos. Além disso, as mulheres apresentam as maiores taxas de variação líquida de postos de trabalho, levando aa crescimento da participação no mercado de trabalho em todos os segmentos da economia, passando a ocupar, em 2001, 40% dos postos de trabalho formais.

A região Nordeste registra as menores taxas de rotatividade de postos de trabalho -

RotPosto, que é a soma de criação e destruição de postos de trabalho e de rotatividade do

trabalhador - RotTrab, que é a soma das taxas de admissão e demissão. Por outro lado, o

estado de São Paulo apresenta o maior valor para ambas taxas. Cabe ressaltar que a região Sudeste foi à única a ser dividida em Estados.

A análise regional explicita a maior estabilidade das mulheres no mercado de trabalho,

pois em todas as regiões do país, os postos de trabalho ocupados por pessoas do sexo feminino