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XVI Semana dos Alunos de Pós-Graduação

em Filosofia PUC-RIO -2015

FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO

Nome do aluno(a): Paulo Henrique Flores Cople

Universidade de origem: PUC - RJ

Aluno(a) de: ( ) mestrado


( X ) doutorado

Endereço de e-mail: phcople@gmail.com

Telefone para contato (DDD e número): 21 97956-5657

Título da apresentação: Pierre Clastres, a paixão do múltiplo

Área do trabalho: Filosofia Política

Resumo (de 500 a 650 palavras):

Pierre Clastres, a paixão do múltiplo

Já se pôde dizer, com razão e à exaustão, que o Conceito, em


sua gênese grega, encontra seus motivos de origem no plano sócio-
histórico que o envolve. E se é verdade que a vida política não
deixa de sussurrar na constituição do Conceito, este, por outro
lado, não enviaria, mesmo quando o ignorasse ou quando passa a
se encarar como Absoluto – isto é, como elemento de sentido do
qual todas as relações são internas, o narciso da auto-significação –
ou mesmo quando ultrapassa os limites do plano sócio-histórico,
todo tipo de eco secreto ao universo político 1? A ontologia é

1 Cf., em especial, VERNANT, Jean-Pierre. As origens do pensamento grego, notadamente p. 141-142: “Advento da
Polis, nascimento da filosofia: entre as duas ordens de fenômenos os vínculos são demasiado estreitos para que o
pensamento racional não apareça, em suas origens, solidário das estruturas sociais e mentais próprias da cidade
grega. (...) Quando Aristóteles define o homem como animal político, sublinha o que separa a Razão grega da de
hoje. Se o homo sapiens é a seus olhos um homo politicus, é que a própria Razão, em sua essência, é política. (...)
Quando nasce em Mileto, a filosofia está enraizada nesse pensamento político cujas preocupações fundamentais
traduz e do qual tira uma parte de seu vocabulário. É verdade que bem depressa se afirma com maior
independência. Desde Parmênides, encontrou seu caminho próprio; explora um domínio novo, coloca problemas
que só a ela pertencem.”
sempre política, mas na exata medida em que a própria política é
ontológica: “tudo é político”! Ainda que a elaboração sucessiva das
categorias centrais construídas pelo pensamento grego ao longo do
devir da filosofia possa obscurecer ou amortecer seus efeitos
políticos, mesmo os menores gestos esboçados no sentido da
extensão de sua aplicação metódica a universos significantes até
então ignorados pela composição conceitual podem ser, no mais
das vezes, reveladores.
Não é outro o caso com as noções gêmeas do Uno e do
Múltiplo. É esse o sentido de nosso pequeno esboço: tentamos, em
um primeiro passo e a partir da obra de Pierre Clastres, reinserir
de maneira precisa a problemática clássica das relações entre o
Uno e o Múltiplo em seu campo de sentido propriamente político.
Tentamos, a seguir, apontar como em suas operações teóricas
sobre a cosmologia e a política ameríndias, o que se trata de
apontar e de fazer surgir é uma nova lógica político-coneitual (pois,
como diriam Deleuze & Guattari, “há tão somente o social e o
metafísico”!) que supera a lógica dos registros sociais que se
distribuem entre o Uno e o Múltiplo, uma lógica, enfim, da
Multiplicidade ou do Dois como aquilo que escapa à oposição
clássica entre a unidade do governo e a diversidade do campo
social. Tentamos, enfim, apontar como essa nova lógica implica um
distribuição propriamente comunista (desde que sejamos capaz de
liberar o comunismo de toda encarquilhada fraseologia sobre o
socialismo) do campo social. O que descobriremos, então, é a
operação secreta de uma lógica de organização do campo social
para além da identidade (como sobra do Uno no Múltiplo) e do
Estado (como modelo superior do múltiplo).