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Enfermeiros acusam médicos de interferir no exercício da profissão; CRM rebate

Para diretora de enfermagem da UFMT, Áurea Corrêa, decisão que proíbe enfermeiros de realizar
realizar consultas, solicitar exames e medicação é equívoco e prejudica população. Para o CRM-
MT, medida não interfere em programas estabelecidos
RAFAEL DE SOUSA - DA REDAÇÃO - 12.10.2017 | 17h20

A decisão da Justiça Federal de Brasília (DF) - “Então quando um enfermeiro deixa de fazer
que suspendeu por meio de decisão liminar a portaria esse atendimento de pedido de pré-natal, de prescrever
nº 2488 do Ministério da Saúde (MS) que permitia medicação inscritas nas políticas, quem perde é a
enfermeiros realizar consultas, solicitar exames e população que vai deixar de ser atendida, uma vez que
medicação - tem causado divergências entre as é um médico e um enfermeiro por unidade. Mas o
categorias médica e de enfermagem. Por esse motivo, médico cumpre a sua função e não daria conta de fazer
a discussão será tema de um encontro de enfemeiros na todo o atendimento preventivo e de promoção. Quem
Associação de Professores da Universidade Federal de vai sofrer o prejuízo dessa decisão é a população”,
Mato Grosso (UFMT) na próxima segunda-feira (16). argumentou.
A diretora da Faculdade de Enfermagem “Nós decidimos nos mobilizar junto com todas
(Faen) da UFMT, professora Áurea Cristina de Paula as instituições que atuam na área junto com o
Corrêa, disse ao que a decisão da Justiça é sindicatos e associação nacional de enfermagem e
um equívoco e acusa o Conselho Nacional de vamos nos reunir para discutir o assunto na Associação
Medicina de interferir diretamente no exercício da de Professores da UFMT”, concluiu.
profissão.
“É uma decisão liminar que proíbe o Outro lado
enfermeiro de exercer as funções que estão previstas Para o Conselho Regional de Medicina de
dentro da própria Política Nacional da Atenção Básica. Mato Grosso (CRM-MT) a decisão é importante e
Por esse motivo, a diretoria de Atenção Básica já defende a exclusividade das atividades previstas na Lei
lançou, inclusive, uma nota falando do equívoco do de número 12.842/2013, conhecida como a “Lei do
Judiciário em aprovar essa medida”, destacou. Ato Médico”.
Áurea explica que a Política de Atenção “O que estávamos assistindo é enfermeiros e
Básica, que é um braço do Sistema Único de Saúde outras profissionais da saúde abrindo consultórios,
(SUS) autoriza enfermeiros a diagnosticar doenças e a solicitando exames, interpretando esses exames,
prescrição de exames e medicamentos, bem como o fazendo diagnóstico e prescrevendo. É isso que não
encaminhamento para outros profissionais ou serviços pode”, pontuou a presidente do CRMT, Maria de
de pacientes que tiverem inseridos nos programas de Fátima. Porém, a presidente do CRM afirma que a
saúde aprovados pelo Ministério, como por exemplo, a medida não interfere em programas sociais como tem
campanha “Outubro Rosa” – que alerta mulheres para sido colocado pela categoria de enfermagem.
prevenção e diagnóstico do câncer de mama. “Estou sabendo que estão se recusando a
“A briga da enfermagem não passa apenas por recolher preventivos dentro da campanha Outubro
uma questão de classe porque o conselho federal de Rosa, mas isso em um levantamento populacional ela
medicina está interferindo na ação de um outro não aplica em fazer solicitação de exames porque é um
profissional. Que tem uma lei profissional que nos procedimento de triagem e isso é independente da
segura, mas sim no cuidado que a comunidade geral solicitação de exames”, explicou.
vai receber”. Ela explica ainda que “a solicitação de exames,
Outro ponto observado pela diretora de elaboração de diagnóstico e prescrição são atos
enfermagem é relativo a sobrecarga que a decisão médicos, sendo que isso não exclui a atuação do
impõe sobre os médicos. Neste caso, Áurea acredita enfermeiro em programas de saúde definidos. Depois
em acumulo de trabalho e prejuízo no atendimento do diagnóstico firmado você tem programas
médico. estabelecimentos que não se interferem”.

Disponível em: http://www.reportermt.com.br/geral/enfermeiros-acusam-medicos-de-interferir-no-exercicio-da-


profissao-crm-rebate/73395
Justiça Federal suspende portaria do governo que permitia aos enfermeiros
fazer diagnósticos e solicitar exames
Qua, 27 de Setembro de 2017 17:50

O enfermeiro não pode realizar consultas na Diante dos argumentos apresentados, o juiz
qual oferece ao paciente diagnóstico de doenças e a federal Renato Borelli entendeu ser necessário
prescrição de exames e medicamentos, bem como o suspender a norma do Ministério da Saúde para evitar
encaminhamento para outros profissionais ou serviços. danos à saúde pública. Em sua justificativa, o
Esse é o entendimento da Justiça Federal, no Distrito magistrado entendeu que a Portaria nº 2.488/2011
Federal, que suspendeu por meio de decisão liminar os permite, indevidamente, aos enfermeiros a
efeitos da Portaria nº 2488, de 21 de outubro de 2011, possibilidade de solicitar exames complementares,
editada pelo Ministério da Saúde. prescrever medicações e encaminhar usuários a outros
Essa norma é que define a Política Nacional de serviços.
Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes e Invasão - Para o juiz federal, ao autorizar essas
normas para a organização da Atenção Básica, para a ações, a norma permite a invasão das atribuições dos
Estratégia Saúde da Família (ESF) e o Programa de profissionais da medicina, que, pela Lei nº
Agentes Comunitários de Saúde (PACS). A decisão, 12.842/2013 (Lei do Ato Médico) detém a
considerada uma importante vitória dos médicos exclusividade dessas ações. Para chegar a essa
brasileiros em defesa da exclusividade das atividades conclusão, o magistrado analisou também a legislação
previstas na Lei nº 12.842/2013 (Lei do Ato Médico), que regulamenta a profissão do enfermeiro.
atende à ação movida pelo Conselho Federal de Segundo ele, a lei dos enfermeiros (Lei nº
Medicina (CFM), que coordena a Comissão Jurídica 7.498/1986) não autoriza os graduados em
de Defesa ao Ato Médico. enfermagem a executarem os procedimentos previstos
Esse grupo reúne advogados de diversas na Portaria do Ministério da Saúde que teve seus
entidades médicas – entre elas a Associação Médica efeitos suspensos e ainda orienta-os a pautarem a
Brasileira (AMB), os Conselhos Regionais de condução de suas atividades em determinações
Medicina (CRMs) e as sociedades de especialidade – recebidas pelo médico assistente, salvo as situações
com o objetivo de estudar estratégias jurídicas de legais previstas.
contraposição a atos administrativos que contrariam a "Está demonstrado que o ato fustigado, ao
legislação. permitir que o enfermeiro possa realizar consultas
Tribunais Superiores - Para o presidente do (diagnosticar), exames e prescrever medicamento, foi
CFM, Carlos Vital Tavares Corrêa Lima, a decisão além do que permite a lei regente da profissão de
coroa o trabalho feito pela Comissão Jurídica, que enfermeiro, sendo, assim, ato eivado de ilegalidade,
permanentemente monitora e defende o cumprimento passível de correção judicial, tudo de modo a evitar
da legislação brasileira. "Os médicos continuam a ser dano à saúde pública", ressaltou magistrado em sua
responsáveis pelo diagnóstico de doenças e prescrição decisão liminar, à qual ainda cabe recurso.
de tratamentos, sendo que os outros profissionais Considerando a edição da Portaria nº
atuarão unicamente dentro do escopo de suas 2.436/2017, que revogou a nº 2.488/2011, mas
respectivas legislações e conforme jurisprudência dos manteve no texto os mesmos artigos relacionados ao
Tribunais Superiores", afirmou. papel do enfermeiro na atenção básica, o Conselho
No pedido apresentado à Justiça Federal, o Federal de Medicina já solicitou à Justiça Federal que
CFM questionava apenas o artigo da Portaria nº os efeitos da liminar concedida sejam estendidos à
2.488/2011 que permitia aos enfermeiros a adoção de norma recentemente publicada.
medidas consideradas exclusivas do médico
(diagnóstico de doenças e prescrição de tratamentos). Disponível em:
A preocupação do CFM era evitar a prática da https://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_conte
medicina por profissionais não habilitados, evitando- nt&view=article&id=27198:2017-09-27-20-52-
se, assim, colocar o paciente em situação de risco. 48&catid=3