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coleção

LEIS ESPECIAIS
para concursos
. Dicas para realização de provas com questões de concursos
e jurisprudência do STF e STJ Inseridas artigo por artigo
Coordenação: LEONARDO DE MEDEIROS GARCIA

HERMES ZANETI JR.


LEONARDO DE MEDEIROS GARCIA

7 8 edição
revista, ampliada e atualizada

I~);I fosPODIVM
EDITORA
www.editorajuspodivm.com.br
HE

EDITORA
.JUsPODIVM
www.editorajuspodivm.com.br

Rua Mato Grosso, 175- Pituba, CEP: 41830-151 -Salvador- Bahia


Tel (711 3363-8617 I Fax: (71) 3363-5050
• E-ma i : fale@editorajuspodivm.com.br
Copyright: Edições JusPODIVM
Conselho Editorial: Eduardo Viana Portela Neves, Dirley da Cunha Jr., Leonardo de Medeiros Garcia, Fre-
die Didier Jr, José Henrique Mouta, José Marcelo Vigliar, Marcos Ehrhardt Júnior, Nestor Távora, Robério
Nunes filho, Roberval Rocha Ferreira Filho, Rodolfo Pamplona Filho, Rodrigo Reis Mazzei e Rogério San-
ches Cunha. LE
Capa: Rene Bueno e Daniela Jardim (www.buenojardim.com.br)
Diagramação: Linotec Fotocomposição e Fotolito Ltda. (www.linotec.com.br)

D597 Direito; Difusos e Coletivos I coordenador Leonardo de Medeiros Garcia - 7. ed. rev.,
ampl. e atual.- Salvador: Juspodivm, 2016.
480 p. (Leis Especiais para Concursos, v.28)

ISBN 978-85-442-0804-5

1. Direi:o Constitucional. I. Zaneti Jr.. Hermes. 11. Garcia, Leonardo de Medeiros. 111. Título.

CDD 341.2

Todos os direitos desta edição reservados à Edições JusPODIVM.


É terminantemente proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer meio ou processo,
sem a expressa autorização do autor e da Edições JusPODIVM. A violação dos direitos autorais
caracteriza crime descrito na legislação em vigor. sem prejuízo das sanções civis cabíveis.
Os AuToREs

HERMES ZANETI JR.


Promotor de Justiça no Estado do Espírito Santo.
Mestre e Doutor (UFRGS);
Doutor em Teoria e Filosofia do Direito (Sezioni di Sistemi Punitivi e Garanzie Costituzionali)
pela Università degli Studi di Roma Tre- Itália (UNIROMA3);
Pós-doutor em Processos Coletivos pela Università degli Studi di Torino- Itália (UNITO).
Professor Adjunto do Curso de Direito da Universidade Federal do Espírito Santo nos curso de
Pós-Graduação Stricto Sensu (Mestrado) e Graduação (UFES);
Professor da Escola Superior do Ministério Público do Estado do Espírito Santo - EESMP;
Professor de Cursos na Escola Superior do Ministério Público da União- ESMPU e ESMAFE,
como palestrante convidado, nos Estados do RS e ES, entre outros.
Membro da IAPL (International Association o f Procedural Law); Membro do Instituto Ibero-
-Americano de Direito Processual (IIDP); Membro do Instituto Brasileiro de Direito Proces-
sual (IBDP); Membro da ABRAMPA (Associação Brasileim do Ministério Público de Meio
Ambiente) e do MPCON (Associação Nacional do Ministério Público do Consumidor) e IAP
(lnternational Association ofProssecutors).;
Autor dos seguintes livros, entre outros: O Valor Vinculante dos Precedentes, ed, Jus Podivm;
O "Novo" Mandado de Segurança Coletivo, ed, Jus Podivm; A Constitucionalização do Pro-
cesso, ed. Atlas; Co-Autor, com Fredie Didier Jr.', do Curso de Direito Processual Civil- Pro-
ros Garcia, Fre- cesso Coletivo, v oi. I O, ed, Jus Podivm (edição atuali~da com o CPC-20 15).
ávora, Robério e-mail: zaneli.ez@Jerra.com.br
e Rogério San-
LEONARDO DE MEDEIROS GARCIA
Procurador do Estado do Espírito Santo;
Ex-Procurador Federal com exercício no Gabinete do Advogado-Geral da União (AGU) com
atuação específica perante o STF;
Especialista em "Derecho de! Consumo .l' ~:·cunumia" pela Universidad de Castilla la Man-
cha/Espanha;
- 7. ed. rev.,
Mestre em Direitos Difusos e Coletivos p..:la PUC/SP;
Assessor do Relator da Comissão Especial de Atualização do CDC no Senado Federal;
Membro do Conselho Estadual de Ddesa du Consumidor do Espírito Santo;
Professor da Escola da Magistratura do Fstado do Espírito Santo - ESMAGES; Professor
iros. 111. Título. da Escola Superior do Ministério Público do Estado do Espírito Santo- ESMP; Professor
do Curso CERS; Professor do Curso <\lcancc (RJ) preparatório para o MPF; Professor e
CDD 341.2 palestrante da Escola Superior da OABiFS:
Graduado pela Universidade Federal ck \·li nas Gerais (UFMG);
Autor dos seguintes livros: Livro Comemúriu' 110 Código de Defesa do Consumidor. Ed. Juspo-
divm; Consumo Sustentável, Ed. Juspodivm: I >ircito do Consumidor. Ed. JusPodivm; Co-autor
do Livro Direito Ambiental. Ed. JusPodi' m: Co-Autor do Livro Direitos Difusos e Coletivos.
ou processo, Ed. JusPodivm; Co-autor do Livro Cód1go J<' I >efésa do Consumidor Comentado. Ed. Verbatim.
itos autorais Site: WH'H,:I(·unardrJgarcia.coJn.Ór
e-1nail: leunard~ J.1.r !( 111< ndogarcia.con1. br
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PROPOSTA DA COLEÇÃO
LEIS EsPECIAIS PARA CoNcuRsos

A coleção Leis Especiais para Concursos tem como objetivo pre-


parar os candidatos para os principais certames do país.
Pela experiência adquirida ao longo dos anos, dando aulas nos prin-
cipais cursos preparatórios do país, percebi que a grande maioria dos
candidatos apenas lêem as leis especiais, deixando os manuais para as
matérias mais cobradas, como constitucional, administrativo, processo
civil, civil, etc .. Isso ocorre pela falta de tempo do candidato ou porque
falta no mercado livros específicos (para concursos) em relação a tais leis.
Nesse sentido, a Coleção Leis Especiais para Concursos tem a
intenção de suprir uma lacuna no mercado, preparando os candidatos
para questões relacionadas às leis específicas, que vêm sendo cada vez
mais contempladas nos editais.
Em vez de somente ler a lei seca, o candidato terá dicas específicas
de concursos em cada artigo (ou capítulo ou título da lei), questões
de concursos mostrando o que os examinadores estão exigindo sobre
cada tema e, sobretudo, os posicionamentos do STF, STJ e TST (prin-
cipalmente aqueles publicados nos informativos de jurisprudência). As
instituições que organizam os principais concursos, como o CESPE,
utilizam os informativos e notícias (publicados na página virtual de ca-
da tribunal) para elaborar as questões de concursos. Por isso, a necessi-
dade de se conhecer (e bem!) a jurisprudência dos tribunais superiores.
Assim, o que se pretende com a presente coleção é preparar o leitor,
de modo rápido, prático e objetivo, para enfrentar as questões de prova
envolvendo as leis específicas.
Boa sorte!
Leonardo de Medeiros Garcia
(Coordenador da coleção)
leonardo@leonardogarcia. com. br
leomgarcia@yahoo.com. br
www.leonardogarcia. com. br

7
ABRE
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CAPÍ
Brev

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Lei d

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CAPÍ
Man
2009
SUMÁRIO

ABREVIATURAS UTILIZADAS NAS REFERÊNCIAS E NOS


COMENTÁRIOS •••••••••••••••••••••••••• ;......................................................... 11

CAPÍTULO I
Breve histórico legislativo das ações coletivas......................................... l3

CAPÍTULOII
Microssistema Processual Coletivo ....... ...... .. ............ .. ....... ...... ... ... .......... 19

CAPÍTULO 111
Princípios do Processo Coletivo ............................................................... 25

CAPÍTULO IV
O novo CPC, o Processo Coletivo e o IRDR (Incidente de Resolução
de Demandas Repetitivas)........................................................................ 33

CAPÍTULO V
Lei da Ação Civil Pública -Lei no 7.347, de 24 de julho de 1985 ........... 37

CAPÍTULO VI
Título III da Lei no 8078/1990- CDC ...................................................... 309

CAPÍTULO VII
Lei da Ação Popular- Lei no 4.717, de 29 de junho de 1965 .................. 385

CAPÍTULO VIII
Comentários ao Mandado de Segurança Coletivo.................................... 443

CAPÍTULO IX
Mandado de Segurança Coletivo- Lei n° 12.016, de 7 de agosto de
2009 ··········································································································· 449

9
NA

CDC
CF
CPC
DCSS
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LACP
LIA
LNM
LP
MS
MSC
STF
STJ
ABREVIATURAS UTILIZADAS
A T
NAS REFERENCIAS E NOS COMENTARIOS

CDC Código de Defesa do Consumidor


CF Constituição Federal
CPC Código de Processo Civil
DCSS Direitos Coletivos Stricto Sensu
DD Direitos Difusos
DIH Direitos Individuais Homogêneos
LACP Lei da Ação Civil Pública
LIA Lei de Improbidade Administrativa
LNMS Lei Nacional do Mandado de Segurança
LP Lei da Ação Popular
MS Mandado de Segurança
MSC Mandado de Segurança Coletivo
STF Supremo Tribunal Federal
STJ Superior Tribunal de Justiça

11
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de

1. ALM
Púb
De
CAPÍTULO I
BREVE HISTÓRICO
LEGISLATIVO DAS AÇÕES COLETIVAS

As ações coletivas iniciaram sua história moderna no sistema processual


brasileiro com a promulgação da Lei da Ação Popular (Lei 4717/1965),
que se tornou o primeiro instrumento sistemático voltado à tutela de
alguns interesses coletivos em juízo, em especial o patrimônio público.
Nesse momento, duas foram as grandes alterações ocorridas em âmbito
processual: a legitimação ativa e a coisa julgada. Isso porque, o artigo 1Q
legitimou o cidadão a defender, em nome próprio, os direitos perten-
centes de toda a população, através da técnica chamada substituição
processual. Já o artigo 18 ampliou a qualidade da coisa julgada dando-
-lhe efeito erga omnes. Se, porém, a ação fosse julgada improcedente
por deficiência {ou insuficiência) de provas, qualquer cidadão teria a
faculdade de propor novamente a ação, desde que fundada em nova
prova. Esta técnica foi reconhecida posteriormente com o nome de coi-
sa julgada secundum eventum probationls.
Outra lei importante no tocante às ações cóletivas foi a Lei da Política
Nacional do Meio Ambiente (Lei 6938/1981), prevendo a responsabi-
lidade civil para as agentes poluidores do meio ambiente, e atribuindo
ao Ministério Público a legitimidade para postular ação em defesa da
natureza. O art. 14, § 1Q expressamente reconheceu a legitimação do
Ministério Público para ajuizar a ação de responsabilidade civil por da-
nos ao meio ambiente.
A doutrina 1, justamente em razão dessa evolução gradual, costuma
identificar as fases evolutivas em três momentos principais: 1. Primei-
ra fase ou "fase da absoluta predominância individualista da tutela
jurídica", inaugurada com o Código Civil de 1916 que determinou o
fim das ações populares como ações coletivas no Brasil, relegando o
direito de ação apenas àqueles que possuíssem interesse próprio ou
de sua família e deixando as questões atinentes aos interesses das

1. ALMEIDA, Gregório Assagra. Direito Material Coletivo: Superação da Summa Divisio Direito
Público e Direito Privado por uma nova Summa Divisio constitucionalizada. Belo Horizonte:
De I Rey, 2008, p. 422-428.

13
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia BREVE H

coletividades ao direito penal e ao direito administrativo; 2. Segun- mes


da fase ou "fase da proteção fragmentária dos direitos transindi- o re
viduais" ou "fase da proteção taxativa dos direitos massificados", § 12
na qual passaram a serem tuteladas algumas espécies de direitos ceu
coletivos, predominando a dimensão individualista dos direitos, de de s
sua tutela e do processo civil, como regra. Assim a tutela do patri- LXX
mônio público (conceito ampliado em 1977 para abranger o patri- açã
mônio imaterial, através da tutela de bens e direitos, tais como, os adm
de valor econômico, artístico, estético, histórico ou turístico) através ces
da decretação de nulidade ou anulação dos atos lesivos, por meio proc
da ação popular (Constituições de 1934 e 1946, Lei 4.717 /65), res- aos
ponsabilidade civil por dano ambiental (art. 14, §12 da Lei 6.938/81, gató
"O Ministério Público da União e dos Estados terá legitimidade para As g
propor ação de responsabilidade civil e criminal, por danos causados dem
ao meio ambiente."), meio ambiente, consumidor, bens e direitos de 52,
valor artístico, histórico, estético, turístico ou paisagístico, tendo sido con
vetado, à época, o inc. IV que ampliava a ação para "qualquer outro a se
siva
interesse difuso", só por isso a ACP nasceu manietada pela noção de
o d
fragmentariedade e taxatividade. 2 ; 3. Terceira fase ou "fase da tutela
fica
jurídica integral, irrestrita, ampla" (também referida como "tutela
225
jurídica coletiva holística"), iniciada com a CF/88 que reconheceu
tuci
expressamente os direitos e deveres coletivos como direitos funda-
cole
mentais (Tít. 11, Cap. 1), garantindo o acesso à justiça e a inafastabili-
dade da tutela coletiva (art. 52, XXXV da CF/88), e o devido processo Tod
legal também aos direitos coletivos (art. 52, LV da CF/88), ampliando 734
a tutela para "outros os direitos e interesses difusos e coletivos" e e te
com isto superando a antiga taxatividade material (art. 129, 111), ao nam
leg
(art
Min
2. Próximo, afirma Assagra: "Todavia, como os sistemas implantado inicialmente pela LACP
(1985) era o da taxatividade da tutela jurisdicional coletiva, pois o seu art. 1Q arrolava tura
taxativamente quais direitos ou interesses transindividuais poderiam ser objeto material por
da ação civil pública, a LACP (Lei n. 7.347/85) encontra-se inserida nessa segunda fase da LAC
tutela jurídica coletiva fragmentária e taxativa" (op. cit., p. 425). A única observação rele-
bie
vante que fazemos é que do projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional constava a
norma de encerramento "outros interesses difusos", vetada pelo Presidente da República artí
José Sarney, com apoio do Min. da Justiça Fernando Lyra, sob o argumento de que a se-
gurança jurídica e as incertezas doutrinárias à respeito assim deter·minavam, sendo que,
nas próprias letras do veto "eventuais hipóteses rebeldes à previsão do legislador, mas
ditadas pela complexidade da vida social, merecerão a oportuna disciplinação legislativa." 3. Po
Confirma-se, assim, que a lei se insere no período ou fase da tutela fragmentada e taxativa, (Inc
mas discord<.~-se, dessarte, que tenha sido essa a vontade do legislador, à época, já imbuído pel
da missão constitucional de refundação da nossa democracia, corno se verá. 2.1

14
ardo Garcia BREVE HISTÓRICO LEGISLATIVO DAS AÇÕES COLETIVAS

. Segun- mesmo tempo que garante o princípio da legitimação adequada com


ansindi- o reconhecimento da legitimidade concorrente e pluralista (art. 129,
ficados", § 12 da CF/88). Como conquistas processuais a Constituição reconhe-
direitos ceu a ACP e a legitimação do Ministério Público, previu o mandado
eitos, de de segurança coletivo (art. 52, LXX), o mandado de injunção (art. 5..
do patri- LXXI, que poderá ser individual ou coletivo), a ampliação do objeto da
o patri- ação popular para abranger também o meio ambiente e a moralidade
como, os administrativa como bens jurídicos tuteláveis, a representação pro-
) através cessual para as entidades associativas (art. 52, XXI) e a substituição
por meio processual para os sindicatos (art. 82, 111), a legitimação processual
65), res- aos índios; suas comunidades e organizações com intervenção obri-
.938/81, gatória do Ministério Público em todos os atos do processo (art. 232).
ade para As garantias não se restringem ao processo, mas também se esten-
causados dem ao direito material, como determinam vários dos incisos do art.
reitos de 52, ressaltando-se o que prevê a tutela do direito fundamental dos
ndo sido consumidores, inc. XXXII, inclusive com a edição de código, que veio
er outro a ser a Lei 8.078/90, o art. 62, que trata dos direitos sociais, progres-
sivamente ampliados por emendas constitucionais, como a que prevê
noção de
o direito fundamental à moradia (EC n2 26/2000}, e ainda, exempli-
da tutela
ficativamente, os arts. 14/16, 196/200, 201/202, 203/204, 205/217,
o "tutela
225, 226/230 E 231/232. Várias leis seguiram essa orientação consti-
onheceu
tucional, disciplinando e positivando direitos materiais e processuais
s funda-
coletivos.
fastabili-
processo Todavia, foi com o surgimento da Lei da Ação Civil Pública- LACP (Lei
mpliando 734 7/1985 ), que a tutela dos direitos coletivos passou a ser difundida
etivos" e e ter sua importância reconhecida. Assim, a LACP incorporou ao orde-
9, 111), ao namento jurídico institutos processuais coletivos como a extensão da
legitimidade ativa a vários órgãos, pessoas, entidades ou associações
(art. 52); previu a possibilidade de instauração do inquérito civil pelo
Ministério Público, destinado à colheita de elementos para a proposi-
e pela LACP
1Q arrolava tura responsável da ação civil pública, funcionando também como im-
to material portante instrumento facilitador de conciliação extrajudicial. Porém, a
nda fase da LACP restringiu a utilização da ACP, no art. 12, à defesa do meio- am-
vação rele-
biente {inciso 1), do consumidor (inciso 11), dos bens e direitos de valor
constava a
a República artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico (inciso 111}. 3
e que a se-
sendo que,
slador, mas
legislativa." 3. Posteriormente foram inseridos os incisos IV "a qualquer outro interesse difuso ou coletivo"
a e taxativa, (Incluído pela Lei n2 8.078 de 1990); V "por infração da ordem econômica;" (Redação dada
já imbuído pela Lei n2 12.529, de 2011); VI "à ordem urbanística." (Incluído pela Medida provisória nº
2.180-3S, de 2001}

15
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS -Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia BREVE H

A ação civil pública só veio a ser ampliada com a Constituição de 1988, e)


determinando, definitivamente, um direito fundamental ao processo
coletivo. Com efeito, o art. 129, 111 da CF previu a possibilidade da ACP
f)
para proteção "de outros interesses difusos e co/etivos"4 • Não bastas-
se, previu uma série de ações constitucionais para a tutela dos direitos
fundamentais coletivos materiais, tais como o mandado de segurança
coletivo, o mandado de injunção e a ação popular. g)

Finalmente, a promulgação do Código de Defesa do Consumidor- CDC,


em 1990, trouxe regras específicas e inovadoras para a tramitação dos h)
processos coletivos. Estabeleceu os conceitos de direitos difusos, coleti-
vos stricto sensu e individuais homogêneos, fato que não havia sido feito
por nenhuma outra legislação até então, procurando dirimir as dúvidas
com relação ao tema, inclusive em sede doutrinária, bem como alterou
profundamente a LACP, criando um microssistema de tutela coletiva e
inovando com institutos como o compromisso de ajustamento de con-
duta às exigências legais (TAC, art. 52.,§ 62 da LACP) e a possibilidade de
litisconsórcio entre os Ministério Públicos (art. 52,§ 52 da LACP).
Sobre tais inovações introduzidas pelo CDC, destacamos:
a) a possibilidade de determinar a competência pelo domicílio do autor
consumidor (art. 101,1);
b) a vedação da denunciação à lide e um novo tipo de chamamento ao
processo (art. 88 e 101, 11);
c) a possibilidade de o consumidor valer-se, na defesa dos seus direi-
tos, de qualquer ação cabível (art. 83);
d) a tutela específica em preferência à tutela do equivalente em dinhei-
ro (art. 84), note-se que à época ainda não existia previsão no CPC
{art. 461 do CPC/73). Atualmente o CPC/15 prevê diversos dispositi-
vos para a tutela específica, vale a conferência dos arts. 139, IV (po-
deres do juiz e execução de medidas atípicas), 497 a 501 (julgamento
das ações relativas às obrigações- e deveres- de fazer, não fazer e
entrega de coisa, com destaque para a previsão da tutela inibitória e
de remoção do ilícito sem a necessidade de identificação de dolo ou
culpa ou demonstração da existência de dano, art. 497, par. ún.);

4. No concurso da Defensoria Pública/MA - 2011 - CESPE, foi considerada ERRADA a seguinte


afirmativa: "A ação civil pública, não prevista na CF, é garantida em preceito normativo infralegal."

16
nardo Garcia BREVE HISTÓRICO LEGISLATIVO DAS AÇÓES COLETIVAS
·---·---·

de 1988, e) a extensão subjetiva da coisa julgada em exclusivo benefício das pre-


processo tensões individuais (art. 103);
de da ACP
f) regras de legitimação (art. 82) e de dispensa de honorários advocatí-
ão bastas-
cios (art. 87) específicos para as ações coletivas e aperfeiçoadas em
s direitos
relação aos sistemas anteriores;
segurança
g) regulamentação da litispendência entre a ação coletiva e a ação indi-
vidual (art. 104);
dor- CDC,
ação dos h) alteração e ampliação da tutela da lei 7347/85 (LACP), harmonizan-
os, coleti- do-a com o sistema do CDC (arts. 109 até 117), criando um núcleo
sido feito para o microssistema do processo coletivo.
as dúvidas
mo alterou
coletiva e
o de con-
ilidade de
P).

o do autor

mento ao

seus direi-

m dinhei-
ão no CPC
dispositi-
39, IV (po-
lgamento
ão fazer e
nibitória e
e dolo ou
r. ún.);

A a seguinte
o infralegal."

17
MICR

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Títul
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seja
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S. Fred
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gera
6. GIDI,
p.77
7. MAZ
Gom
e con
CAPÍTULO 11
MICROSSISTEMA PROCESSUAL COLETIVO

Os sistemas processuais do CDC e da LACP foram interligados, estabe-


lecendo-se, assim, um microssistema processual coletivo, sendo aplicá-
veis, reciprocamente, a um e ao outro, conforme os artigos 90 do CDC e
21 da LACP (este último introduzido pelo artigo 117 do CDC). 5 Mas não
somente, também todas as demais leis que tratam dos direitos coleti-
vos materiais e estabelecem regras processuais passam a integrar este
microssistema, porque estas normas, unidas pelos princípios e lógica
jurídica comum, não-individualista, se interpenetram e subsidiam.
Assim, considerado um microssistema processual coletivo, o Título 111
do CDC deve ser aplicado, no que for compatível, à ação popular, à ação
de improbidade administrativa, a ação civil pública e ao mandado de
segurança coletivo. Antônio Gidi, sobre o novo enfoque dado às ações
coletivas, disciplina que "a parte processual coletiva do coe, fica sendo,
a partir da entrada em vigor do Código, o ordenamento processual civil
coletivo de caráter geral, devendo ser aplicado a todas as ações coleti-
vas em defesa dos interesses difusos, coletivos e individuais homogê-
neos. Seria, por assim dizer, um Código de Processo Civil Coletivo, como
ordenamento processual geral." 6
Interessante lembrar o quanto afirmado por Rodrigo Mazzei sobre o as-
sunto: o microssistema processual coletivo não comportaria somente o
Título 111 do CDC e a LACP. Assim, entende o jurista que "a concepção do
microssistema jurídico coletivo deve ser ampla, a fim de que o mesmo
seja composto não apenas do CDC e da LACP, mas de todos os corpos
legislativos inerentes ao direito coletivo, razão pela qual o diploma que
compõe o microssistema é apto a nutrir carênc'a regulativa das demais
normas, pois, unidas, formam sistema especialíssimo." 7

S. Fredie Didier Jr. e Hermes Zaneti Jr. chegam, inclusive, a t·atar o Título 111 do coe como
um verdadeiro "Código Brasileiro de Processos Coletivos" e um "ordenamento processual
geral" para a tutela coletiva.
6. GIDI, Antônio. Coisa Julgada e Litispendência em ações cole~vas. São Paulo: Saraiva, 1995,
p.77.
7. MAZZEI, Rodrigo. "A ação populàr e o microssistema da tutela coletiva.". In: Luiz Manoel
Gomes Júnior; Ronaldo Fenelon Santos Filho (Coords.) -Ação Popular-Aspectos relevantes
e controvertidos. São Paulo: RCS, 2006.

19
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS -Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia MICROSSIST
----------~--------···------------------------------------------------

A jurisprudência do STJ também aponta nessa direção: Assim,


139, X
"A lei de improbidade administrativa, juntamente com a lei da ação
deman
civil pública, da ação popular, do mandado de segurança coletivo,
do Código de Defesa do Consumidor e do Estatuto da Criança e do Defens
Adolescente e do Idoso, compõem um microssistema de tutela dos se for o
interesses transindividuais e sob esse enfoque interdisciplinar, inter-
Como e
penetram-se e subsidiam-se." (STJ, Resp 510.150/MA, Rei. Min. Luiz
cisão d
Fux, DJ. 29.03.2004).
Já com relação à aplicação do CPC às ações coletivas, a doutrina anterior
ao CPC/2015 afirmava que "o CPC terá aplicação somente se não houver
solução legal nas regulações que estão disponíveis dentro do microssis-
tema coletivo, que, frise-se, é formado por um conjunto de diplomas
especiais com o mesmo escopo (tutela de massa)" Conclui seu enten-
dimento expondo que "o CPC será residual e não imediatamente subsi-
diário, pois, verificada a omissão no diploma coletivo especial, o intér-
prete, antes de angariar solução na codificação processual, ressalta-se,
de índole individual, deverá buscar os ditames constantes dentro do mi-
crossistema coletivo:•s O CPC atual não é mais pensado exclusivamente
para a tutela dos direitos individuais, mas deve ser pensado a partir da
teoria do diálogo das fontes, por admitir desde logo a coexistências en-
tre o processo coletivo e o processo individual. Trata-se de um código
da "Era da (Re) Codificação", flexível e aberto, voltado para a tutela dos
direitos. Assim, as normas fundamentais previstas nos arts. 1º a 12, mas
também nos arts. 190, 489, §§ e 926, 927 e 928, aplicam-se plenamente
aos processos coletivos (não se pode falar de subsidiariedade- no sen-
tido de subordinação -entre normas fundamentais e o microssistema,
mas em coordenação). A integração é demonstrada pelo próprio CPC ao
referir no art. 139, X (dever do juiz de prestar informação da existência
de ações individuais repetitivas aos colegitimados para ajuizamento da
ação coletiva) e na disciplina dos casos repetitivos (IRDR, incidente de
resolução de demandas repetitivas; e, REER, recursos especial e extraor- Outro
dinário repetitivos). 9 Minist
ACP fo
to da p
8. MAZZEI, Rodrigo. "A ação popular e o microssistema da tutela coletiva.". In: Luiz Manoel honorá
Gomes Júnior; Ronaldo Fenelon Santos Filho (Coords.) -Ação Popular-Aspectos relevantes salário
e controvertidos. São Paulo: RCS, 2006. tude d
9. Para esta relação cf. ZANETI JR., Hermes. A tutela dos direitos coletivos deve ser preservada
Público
no Novo Código de Processo Civil: o modelo combinado de remédios e direitos como ga-
rantia de tutela. In.: ZANETI JR., Hermes (coord.). Processo Coletivo. Salvador: Jus Podivm, Pública
2015, p. 23/48 (DIDIER JR, Fredie. Coleção Repercussões do Novo CPC. V. 8). Lei da

20
rdo Garcia MICROSSISTEMA PROCESSUAL COLETIVO
-------

Assim, dando efetividade ao tratamento coletivo das demandas, o art.


139, X do novo CPC/15 previu que quando o juiz se deparar com diversas
i da ação
demandas individuais repetitivas, deverá oficiar o Ministério Público a
coletivo,
nça e do Defensoria Pública e, na medida do possível, os outros legitimados, pa~a,
utela dos se for o caso, promoverem a propositura da ação coletiva respectiva.
nar, inter-
Como exemplo da utilização do CPC de maneira coordenada, veja-se de-
Min. Luiz
cisão do STJ:
"ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL IMPROBIDADE ADMINISTRA-
anterior
TIVA. LITISCONSORTES. PRAZO EM DOBRO PARA APRESENTAÇÃO DE
o houver DEFESA PRÉVIA. AUS~NCIA DE PREVISÃO NA LIA. UTILIZAÇÃO DOS
microssis- INSTITUTOS E MECANISMOS DAS NORMAS QUE COMPÕEM O MI-
diplomas CROSSISTEMA DE TUTELA COLETIVA. ART. 191 DO CPC. (ART. 229 DO
u enten- CPC/2015) APLICABILIDADE. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. 1.
te subsi- Os arts. 21 da Lei da Ação Civil Pública e 90 do CDC, como normas
, o intér- de envio, possibilitaram o surgimento do denominado Microssiste-
ssalta-se, ma ou Minissistema de proteção dos interesses ou direitos coletivos
ro do mi- amplo senso, no qual se comunicam outras normas, como o Estatuto
do Idoso e o da Criança e do Adolescente, a lei da Ação Popular, a
vamente
lei de Improbidade Administrativa e outras que visam tutelar direitos
partir da
dessa natureza, de forma que os instrumentos e institutos podem ser
ncias en- utilizados para "propiciar sua adequada e efetiva tutela" (art. 83 do
m código CDC). 2. A Lei de Improbidade Administrativa estabelece prazo de 15
utela dos dias para a apresentação de defesa prévia, sem, contudo, prever a
a 12, mas hipótese de existência de litisconsortes. Assim, tendo em vista a au-
namente sência de norma específica e existindo litisconsortes com patronos
- no sen- diferentes, deve ser aplicada a regra do art. 191 do CPC, contando-se
ssistema, o prazo para apresentação de defesa prévia em dobro, sob pena de
io CPC ao violação aos princípios do devido processo legal e da ampla defesa. 3.
Recurso especial não conhecido." (STJ, REsp 1221254/RJ, Rei. Ministro
existência
Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, julgado em 05/06/2012, DJe
mento da
13/06/2012)
dente de
e extraor- Outro caso julgado pelo STJ ilustra bem a ideia do microssistema. O
Ministério Público ajuizou ACP visando reparar o patrimônio público. A
ACP foi extinta com resolução do mérito em virtude do reconhecimen-
to da prescrição com a condenação do ente público à R$ 5.000,00 de
Luiz Manoel honorários advocatícios. Como o valor da condenação foi inferior a 60
s relevantes salários mínimos, o TJSP não reconheceu da remessa necessária em vir-
tude do art. 475, §2º do CPC/73 (atual art. 496 do CPC/15). O Ministério
preservada
Público recorreu do acórdão alegando que embora na lei da Ação Civil
os como ga-
Jus Podivm, Pública não haja regramento específico sobre a remessa necessária, na
Lei da Ação Popular há (art. 19) e nesta lei não há nenhum requisito que

21
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia MICROSSIST
----------------------

limite a remessa necessária. Isto porque a primeira parte do dispositivo


legal em tela disciplina que "A sentença que concluir pela carência ou
pela improcedência da ação está sujeita a a duplo grau-de jurisdição, não
produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal". Note-s
senten
Assim, como há no microssistema uma lei que regula o procedimento da
proferi
remessa necessária, não poderia ser utilizado o CPC, uma vez que este
entend
possui caráter mais restrito. Isso ocorre porque o regime da remessa
repetit
necessária está fundado no interesse público primário e no caso dos
mento
processos coletivos o interesse público está com o autor da ação coleti-
tração
va e não com o réu. próprio
Assim, o STJ, acolhendo os argumentos do MP, entendeu que embora
-? A
o art. 19 refira-se imediatamente à ação popular, tem seu âmbito de
aplicação estendido às ações civis públicas diante do microssistema pro- • D
cessual da tutela coletiva, de maneira que as sentenças de improcedên- A
cia devem se sujeitar indistintamente à remessa necessária. Importante du
notar, como já referido, que tal regra decorre da presença forte do in- do

teresse público primário nas ações coletivas, como um dos elementos C) P


caracterizadores do modelo brasileiro de processo coletivo. de

Segue informativo publicado sobre o julgamento: R
Informativo nQ 0395 AÇÃO CIVIL PÚBLICA. REMESSA NECESSÁRIA.
Na ausência de dispositivo sobre remessa oficial na Lei da Ação Civil
~ Ob
Pública (Lei n. 7.347/1985), busca-se norma de integração dentro do
microssistema da tutela coletiva, aplicando-se, por analogia, o art. 19
• T
da Lei n. 4.717/1965. Embora essa lei refira-se à ação popular, tem
sua aplicação nas ações civis públicas, devido a serem assemelhadas O
as funções a que se destinam (a proteção do patrimônio público e do d
microssistema processual da tutela coletiva), de maneira que as sen- n.
tenças de improcedência devem sujeitar-se indistintamente à remessa e
necessária. De tal sorte, a sentença de improcedência, quando pro- d
posta a ação pelo ente de Direito Público lesado, reclama incidência B) P
do art. 475 do CPC, sujeitando-se ao duplo grau obrigatório de juris- te
dição. Ocorre o mesmo quando a ação for proposta pelo Ministério a
Público ou pelas associações, incidindo, dessa feita, a regra do art. 19 R
da Lei da Ação Popular, uma vez que, por agirem os legitimados em
defesa do patrimônio público, é possível entender que a sentença, na Intere
hipótese, foi proferida contra a União, estado ou município, mesmo lam di
que tais entes tenham contestado o pedido inicial. Com esse enten-
apont
dimento, a Turma deu provimento ao recurso do Ministério Público,
tratam
concluindo ser indispensável o reexame da sentença que conduir pela
improcedência ou carência da ação civil pública de reparação de da- o Cód

22
onardo Garcia MICROSSISTEMA PROCESSUAL COLETIVO

dispositivo nos ao erário, independentemente do valor dado à causa ou mesmo


da condenação. REsp 1.108.542-SC, Rei. Mi~. Castro Meira, julgado
carência ou
em 19/5/2009.
sdição, não
. Note-se que no atual CPC não caberá remessa necessária sempre que a
sentença estiver fundada em: a) súmula de tribunal superior; b) acórdão
dimento da
proferido pelo STF ou pelo STJ no julgamento de casos repetitivos; c)
ez que este
entendimento firmado em IRDR (incidente de resolução de demandas
da remessa
repetitivas) ou IAC (incidente de assunção de competência); d) entendi-
o caso dos
mento consolidado como orientação vinculante no âmbito da adminis-
ação coleti-
tração (parecer, súmula administrativa ou manifestação vinculante do
próprio ente público), art. 496, § 42, CPC.
que embora
-? Aplicação em concurso:
âmbito de
istema pro- • Defensor Público - RR/2013 - CESPE
mprocedên- A respeito das regras gerais de defesa judicial dos interesses transindivi-
Importante duais e da ACP, assinale a opção correta de acordo com o entendime:1to
forte do in- do STJ.

s elementos C) Por aplicação analógica de dispositivo da Lei da Ação Popular, as sentenças


de improcedência de ACP sujeitam-se indistintamente ao reexame neces-
sário.
Resposta: A afirmativa está correta.
NECESSÁRIA.
da Ação Civil
~ Obs: mesma questão cobrada no concurso de 2012. Veja abaixo.
ão dentro do
ogia, o art. 19
• TJ-CE- Juiz de Direita Substituto-CE/2012 - CESPE
popular, tem
assemelhadas O sistema de proteção dos interesses individuais homcgêneos, coletivos e
o público e do difusos integra um conjunto de leis, entre as quais se destacam o coe (Lei
a que as sen- n.Q 8.078/1990), a lei que dispõe sobre a ação popular (Lei n.2 4.717/1965)
nte à remessa e a que dispõe sobre a ação civil pública (Lei n.2 7.347/1985). Consideran-
quando pro- do essas normas e o entendimento do STJ, assinale a opção correta.
ma incidência B) Por aplicação analógica de norma prevista na Lei da Ação Popular, as sen-
tório de juris- tenças de improcedência de ação civil pública sujeitam-se indistintamente
elo Ministério ao reexame necessário.
gra do art. 19 Resposta: A afirmativa está correta.
gitimados em
a sentença, na Interessante exemplo da intercambiaridade entre os diplomas que tute-
cípio, mesmo lam direitos coletivos é citado por Fredie Didier Jr e Hermes Zaneti Jr ao
m esse enten-
apontar ao menos três situações capazes de demonstrar a unidade de
stério Público,
tratamento, aplicando conjuntamente a Lei de Ação Civil Pública (LACP),
e conduir pela
aração de da- o Código de Defesa do Consumidor (CDC) e a Lei de Ação Popular (LAP):

23
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS -Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia
~*---~~------~---~--------------·------~-----------------------------

"a) efeitos em que apelação é recebida nos processos coletivos (art.


14 da LACP)
PRIN
b) conceito de direitos coletivos lato sensu (direito.s difusos, coletivos
stricto sensu e individuais homogêneos- art. 81 do CDC}
c) pcssibilidade de execução por desconto em folha de pagamento
Com bas
(art. 14, § 32 da LAP)" 10
Hermes
Finalmente, insta salientar que estão em fase de elaboração reformas
ao Código de Defesa do Consumidor, inclusive no que tange aos Proces- 1. Princípi
sos Coletivosll. As reformas irão alterar, por consequência, muitas nor- cesso co
mas do microssistema dos processos coletivos no Brasil. Esta discussão O juiz d
já fora veicu ada através de projeto de lei no Congresso Nacionat arqui- suais, p
vado pela Comissão de Constituição e Justiça. Não obstante, os avanços desse p
do debate teórico ensejador dos anteprojetos poderão ter reflexos na dade pr
prática independentemente de sua aprovação. Muitos destes avanços, legitima
como o princípio da primazia do julgamento de mérito (art. 4º), o refor-
efetivaç
ço nas medidas executivas atípicas (art. 139, IV), a determinação para
quando
que a prova pericial seja produzida por órgãos públicos (art. 91, §1º), a
parte au
possibilidade da distribuição dinâmica do qnus da prova (art. 373, § 1º),
mirem o
já foram inseridos pelo CPC/2015 e se aplicam de imediato aos proces-
sos coletivos. ~ Aplic
• Pro

oq
os
dev
de
Res

2. Princípi

Reconh
o princí
tinados
da regra

10. DIDIER, Fredie. ZANETI, Hermes. Curso de Direito Processual Civil - Processo Coletivo.
Salvador: Jus Podivm. 2007. p. 53.
11. As alterações propostas por um Código Brasileiro de Processos Coletivos estão tempora- 12. Para uma
riamente suspensas. Para maior análise dos projetos de Código de Processos Coletivos, de Alme
verificar DIDIER, Fredie. ZANETI, Hermes. Curso de Direito Processual Civil - Processo (princípio
Coletivo. Salvador: Jus Podivm. 2007. Paulo: S

24
nardo Garcia
------------

etivos (art. CAPÍTULO 111


PRINCÍPIOS DO PROCESSO COLETIVO
s, coletivos

pagamento
Com base nas lições de Grégorio Assagra de Almeida 12, Fredie Didier Jr e
Hermes Zaneti Jr, destacamos os seguintes princípios coletivos:
reformas
os Proces- 1. Princípio do interesse jurisdicional no conhecimento do mérito do pro-
uitas nor- cesso coletivo.
discussão O juiz deve buscar facilitar o acesso à Justiça, superando vícios proces-
nat arqui- suais, pois as ações coletivas são ações de natureza social. Sob a luz
os avanços desse princípio, deve o Judiciário flexibilizar os requisitos de admissibili-
eflexos na dade processual para enfrentar o mérito do processo coletivo e, assim,
s avanços, legitimar a sua função social, que é pacificar com justiça, na busca da
º), o refor- efetivação dos valores democráticos. Exemplo desse princípio ocorre
ação para
quando o juiz, ao invés de extinguir a ação coletiva por ilegitimidade da
91, §1º), a
parte autora, publica editais convidando outrqs legitimados para assu-
373, § 1º),
mirem o pólo ativo da ação.
os proces-
~ Aplicação em concurso:
• Promotor de Justiça- SC/2014- FAPESE
"É princípio do processo coletivo a instrumentalidade das formas, segundo
o qual as formas do processo não devem ser excessivas, de modo a sufocar
os escopos jurídicos, sociais e polfticos da jurisdição. A técnica processual
deve ser vista sempre a serviço dos escopos da jurisdição e ser flexibilizada
de modo a servir à solução do litígio."
Resposta: A afirmativa está correta.

2. Princípio da máxima prioridade da tutela jurisdicional coletiva.

Reconhecendo que "sempre existirá interesse social na tutela coletiva",


o princípio em foco determina a prioridade de tratamento de feitos des-
tinados a tal espécie de tutela. Isso se justifica, inclusive, pela aplicação
da regra principiológica de que o interesse social geralmente prepon-

sso Coletivo.

tão tempora- 12. Para uma abordagem mais completa desses princípios, conferir a obra de Gregório Assagra
sos Coletivos, de Almeida: Direito Processual Coletivo Brasileiro: um novo ramo do direito processual
il - Processo (princípios, regras interpretativas e problemática da sua interpretação e aplicação). São
Paulo: Saraiva, 2003.

25
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia PRINC[PIOS
---------~-----~--~~~---·-----------------,----------~------

dera sobre o individual. A prioridade se justifica, pois, no julgamento Assagr


dos conflitos coletivos se possibilita diri'mir, em um único processo e em 28, do
uma única decisão, uma série de litígios repetitivos, grandes conflitos
coletivos ou vários conflitos individuais entrelaçados pela homogenei-
dade de fato ou de direito que justifique, seja por força de economia
processual, seja para evitar decisões conflitantes, a tutela jurisdicional
coletiva. Mesmo uma ação coletiva "pura", ou seja, a tutela dos direitos
essencialmente coletivos (direitos difusos e coletivos em sentido estri-
to) irá, através do transporte in ut/ibus, beneficiar os titulares de direitos
individuais. Contud
tenden
Isso não importa, no entanto, deixar de reconhecer a dignidade dos di-
reitos individuais e a preferência destes no modelo de processo coletivo
brasileiro. Alguns exemplos podem esclarecer o ponto. A coisa julgada
não prejudicará aos titulares de direitos individuais quando a ação co-
letiva for julgada improcedente, evitando-se apenas o novo processo
coletivo, art. 103 do CDC. Ao titular de direito individual será sempre
possível optar por uma ação individual, nos termos do art. 104 do CDC,
excluindo-se da ação coletiva. Entre as execuções individuais e as co-
letivas preponderam as primeiras, como forma de atender também a Com o
este princípio, art. 99 do CDC, inclusive sendo sustadas as execuções nas deve s
ações coletivas enquanto pendente recursos nos processos individuais. em ap
Isto se explica porque as gerações de direitos fundamentais (dimensões) Nesse
se somam e não se subtraem, sendo constitucionalmente inadmissível analog
um bloqueio total do direito individual de ação por força das tutelas à soluç
públic
coletivas.
3. Princípio da disponibilidade motivada da ação coletiva.
13 Uma t
mérito
Havendo interesse em desistir da ação, os motivos deverão estar pre- evitar
sentes e fundamentados. O princípio determina a análise dos motivos cessid
da desistência da ação pelos legitimados ativos. Se for considerada in- dos M
fundada, caberá ao Ministério Público assumir a titularidade do feito Revisã
quando à ação houver sido originariamente proposta por quaisquer dos to da
legitimados concorrentes (art. 5'2, §3'2, LACP). Se, porém, a desistência
houver sido levada a efeito pelo MP, segundo opinião de Gregório de
14. També
desistê
de Pro
13. Fredie Didier e Hermes Zaneti denominam esse princípio de "Princípio da indisponibilida-
15. MAZZI
de (temperada) da demanda coletiva cognitiva e princípio da continuidade da demanda
p.355.
coletiva.

26
onardo Garcia PRINC[PIOS DO PROCESSO COLETIVO
--~------

julgamento Assagra, caberá ao magistrado aplicar analogicamente a regra do art.


cesso e em 28, do Código de Processo Penal: 14
es conflitos "Art. 28. Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a de-
homogenei- núncia, requerer o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer
e economia peças de informação, o juiz, no caso de considerar improcedentes as
urisdicional razões invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de informação
ao procurador-geral, e este oferecerá a denúncia, designará outro ór-
dos direitos
gão do Ministério Público para oferecê-la, ou insistirá no pedido de
entido estri-
arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender."
s de direitos
Contudo, como registra o próprio autor, há opiniões discordantes, en-
tendendo pela aplicação da regra inserta no art. 9º, da LACP, que dispõe:
dade dos di-
sso coletivo "Art. 92. Se o órgão do Ministério Público, esgotadas todas as diligên-
cias, se convencer da inexistência de fundamento para a propositura
oisa julgada
da ação civil, promoverá o arquivamento dos autos do inquérito civil
o a ação co- ou das peças informativas, fazendo-as fundamentadamente.
vo processo
§12 Os autos do inquérito civil ou das peças de informação arquivadas
será sempre
serão remetidos, sob pena de se incorrer em falta grave; no prazo de
104 do CDC,
3 (três) dias, ao Conselho Superior do Ministério Público".
ais e as co-
r também a Com o devido respeito a tais opiniões, entendemos que a regra aplicável
ecuções nas deve ser a do art. 9'2, da LACP, uma vez que, juntamente com o CDC,
individuais. em aplicação integrada, formam o microssistema processual coletivo.
(dimensões) Nesse sentido, doutrina Hugo Nigro Mazzilli 15 que "não há razão para a
inadmissível analogia com o art. 28 do CPP, já que o art. 9º e § § da LACP se prestam
das tutelas à solução analógica do problema dentro do mesmo sistema da ação civil
pública."
Uma terceira corrente advoga a extinção do processo sem resolução do
mérito (art. 485, 111 e VIII do CPC/2015). Tal solução traz o benefício de
ão estar pre- evitar a formação da coisa julgada material, serr, existir prejuízo ou ne-
dos motivos cessidade de controle da extinção do processo pelo Conselho Superior
nsiderada in- dos Ministérios Públicos Estaduais ou pelas Câmaras de Coordenação e
ade do feito Revisão do MPF. Assim, a ausência de análise permitirá novo ajuizamen-
uaisquer dos to da ACP pelo próprio MP.Já no caso de decisãc dos órgãos superiores
a desistência
Gregório de
14. Também no sentido da aplicabilidade do art. 28 do CPP, caso o juiz não concorde com a
desistência da ACP pelo MP, Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery. In "Código
de Processo Civil comentado e legislação processual civil extravagante em vigor", pág. 1533.
indisponibilida-
15. MAZZILLI, Hugo Nigro. A Defesa dos interesses difusos em fuízo. 19a ed. São Paulo: RT,
de da demanda
p.355.

27
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia PRINCfPlOS D

haveria vinculação e, consequentemente, não poderia ser reproposta a garanti


ação. Mas é corrente minoritária. deman
(transp
4. Principio da presunção da legitimidade "ad causam" ativa pela afirma-
ção de direito coletivo. 7. Princíp
De acordo com tal princípio, basta a afirmação de direito coletivo para O Pode
que se presuma a legitimidade ad causam. O Poder Judiciário, ao aferir a tórios a
legitimidade ativa do legitimado coletivo, não deve analisar a titularida- a busca
de do direito ou interesse coletivo. Com relação ao Ministério Público, a põe-se
aplicação do princípio decorre da própria Constituição, pois os arts. 127, verdad
caput, e 129, inciso 111, atribuem legitimidade coletiva institucional, bas- pelo si
tando se tratar de direito social ou individual homogêneo indisponível trutório
para, naturalmente, restar configurada a legitimidade do parquet. de cau
o interesse processual que importa conferir para assegurar as condições process
da ação não é o do co-legitimado (substituto processual), mas o do gru-
1) det
po de substituídos (pessoas indeterminadas, grupo, categoria ou classe
can
de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação
jurídica-base, titulares de direitos individuais abstrata e genericamente 2) con
considerados). 7.3
Esta legitimidade e interesse do substituto decorre, portanto, ope legis, 3) con
ou seja, da lei. te (
5. Princípio da não-taxatividade da ação coletiva. 4) con
Pelo princípio da não-taxatividade da ação coletiva, não se pode limitar 8.0
as hipóteses de cabimento de ação coletiva. Esse princípio está inserto
Sobre
no art. 129, 111, da CF "outros interesses difusos e coletivos", bem como
legrini
nos arts. Sº, XXXV, da CF "a lei não excluirá da apreciação do Poder Ju-
gistrad
diciário lesão ou ameaça a direito" e 1º, IV, da LACP "qualquer outro
tos de
interesse difuso ou coletivo'~ Assim, qualquer direito coletivo poderá ser
proces
objeto de ação cDietiva. Portanto, limitações levadas a efeito tanto pela
freqüe
jurisprudência como pela legislação infraconstitucional são inconstitu-
as inst
cionais.
investi
6. Princípio do máximo benefício da tutela jurisdicional coletiva.
Exemp
Por tal princípio, busca-se o aproveitamento máximo da prestação ju-
sos co
risdicional coletiva, a fim de se evitar novas demandas, principalmen-
dido e
te as individuais que possuem a mesma causa de pedir. Assim, devem
medida
ser extraídos todos os resultados positivos possíveis da certeza jurídica
emergente do julgamento procedente do pedido formulado em sede de
uma ação coletiva. É o que se observa do sistema da extensão in uti/ibus
da coisa julgada coletiva prevista no art. 103, § 3Q, do coe, em que fica 16. In "A m

28
nardo Garcia PRINCfPlOS DO PROCESSO COLETIVO
---------------------------

roposta a garantido ao titular do direito individual, em caso de procedência da


demanda coletiva, utitizar a sentença coletiva no seu processo individual
(transporte in uôlibus}.
la afirma-
7. Princípio da máxima efetividade do processo coletivo
etivo para O Poder Judiciário possui, no direito processual coletivo, poderes instru-
ao aferir a tórios amplos e deve atuar independente da iniciativa das partes para
titularida- a busca da verdade processuai e a efetividade do processo coletivo. Im-
Público, a põe-se que sejam realizadas todas as diligências para que se alcance a
arts. 127, verdade, o que exige do juiz a realização do novo oapel a ele conferido
onal, bas- pelo sistema constitucional vigente. Tal sistema concede poderes ins-
disponível trutórios amplos, autorizando o julgador, em especial em se tratando
quet. de causas com forte presença de interesse público, como é o caso do
condições processo coletivo:
s o do gru-
1) determinar ex officio a produção de toda a prova necessária ao al-
ou classe
cance da verdade processual;
ma relação
ricamente 2) conceder liminar, com ou sem justificação prévia (art. 12 da lei n.
7.347/85);
ope legis, 3) conceder a antecipação de tutela com ou sem requerimento da par-
te (art. 84, § 32, da lei n. 8.078/90);
4) conceder medidas de apoio previstas no art. 84, § 32, da lei n.
ode limitar 8.078/90, para assegurar o resultado prático equivalente.
stá inserto
Sobre o novo papel desempenhado pelos magistrados, ensina Ada Pel-
bem como
legrini Grinover 16 que "nas demandas coletivas, o próprio papel do ma-
Poder Ju-
gistrado modifica-se, enquanto cabe a ele a decisão a respeito de confli-
quer outro
tos de massa, por isso mesmo de índole política. Não há mais espaço, no
poderá ser
processo moderno, para o chamado 'juiz neutro' -expressão com que
tanto pela
freqüentemente se mascarava a figura do juiz não comprometido com
nconstitu-
as instâncias sociais -, motivo pelo qual todas as leis processuais têm
investido o julgador de maiores poderes de impulso."
a.
Exemplo dessa mudança de perspectiva para a efetividade dos proces-
estação ju-
sos coletivos é a relativização do princípio da congruência entre o pe-
ncipalmen-
dido e o obtido na sentença. Nos processos coletivos a subrogação das
im, devem
medidas executivas visa a atender ao núcleo do pedido, não se podendo
za jurídica
m sede de
in uti/ibus
m que fica 16. In "A marcha do processo", Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, pág. 57.

29
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia PRINC[PIO

obstar a máxima da congruência para evitar a conversão do pedido de letiva


instalação de filtro antipoluente em cessação das atividades da empre- o dire
sa, quando a impossibilidade prática da instalação mostrar-se inefetiva profe
para coibir o ilícito. O novo CPC traz pelo menos dois artigos que au-
Fredi
xiliam a garantir esta efetividade no âmbito da execução: o art. 139,
IV, que amplia os poderes do juiz, inclusive para determinar medidas
"Prin
colet
mandamentais em obrigações para o pagamento de quantia; e, o art.
497, parágrafo único, que reconhece as tutelas inibitória e de remoção
do ilícito como tutelas específicas independentes da demonstração do
dano, do dolo ou da culpa.
8. Princípio da máxima amplitude ou atipicidade da tutela jurisdicional
coletiva.
Em decorrência desse princípio, são cabíveis todos os tipos de tutelas no
direito processual coletivo: preventivas, repressivas, condenatórias, de-
claratórias, constitutivas, mandamentais, executivas lato sensu, cautela-
res, etc. Da mesma forma, podem ser utilizados todos os ritos e medidas
eficazes previstos np sistema processual, a fim de se garantir a tutela
efetiva dos direitos ou interesses coletivos .. Decorre do disposto no art.
83, do coe, em combinàção com o art. 21, da LACP. 17
Por outro lato, o princípio da atipicidade insiste em que o nome da ação
não é relevante, podendo ser ajuizada qualquer espécie de ação e plei-
teada qualquer forma de tutela jurisdicional, declaratória, constitutiva,
condenatória, executiva lato sensu e mandamental, desde que adequa-
da para a efetiva proteção do direito coletivo (art. 83 do CDC).
Assim, a não-taxatividade diz respeito ao direito material tutelável e a
atipicidade diz com as espécies de ações, os instrumentos processuais,
adequados à tutela.
9. Princípio da obrigatoriedade da execução coletiva
Previsto no art. 15 da LACP e no art. 16 da Lei Popular. Determina que,
em havendo desídia dos outros legitimados ativos, caberá ao parquet,
por dever, a promoção da execução coletiva. Assim, ajuizada a ação co-

17. "( ... )Todas e quaisquer ações são admissíveis para a tutela jurisdicional dos direitos prote-
gidos pela LACP, por expressa incidência do CDC, 83, aplicável às ações fundadas na LACP
por determinação da LACP ( ... )". Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery. In 18. Foi ab
"Código de Processo Civil comentado e legislação processual civil extravagante em vigor", DIDIE
pág. 1530. Vol. 4

30
nardo Garcia PRINC[PIOS DO PROCESSO COLETIVO

pedido de letiva e julgada procedente, é dever do Estado (através do MP) efetivar


da empre- o direito coletivo lato sensu. O autor é obrigado a executar a sentença
e inefetiva proferida em ação coletiva em 60 dias, senão o MP o fará.
os que au-
Fredie Didier Jr. e Hermes Zaneti Jr. acrescentam ainda outro princípio, o
o art. 139,
r medidas
"Princípio do microssistema: aplicação integrada das leis para a tutela
coletiva (diálogo de fontes)". 18
a; e, o art.
e remoção
stração do

risdicional

tutelas no
tórias, de-
u, cautela-
e medidas
tir a tutela
sto no art.

me da ação
ção e plei-
onstitutiva,
e adequa-
).
telável e a
ocessuais,

rmina que,
o parquet,
a ação co-

ireitos prote-
adas na LACP
rade Nery. In 18. Foi abordado esse princípio quando tratamos do microssistema processual ccletívo. Cf.
te em vigor", DIDIER JR., Fredie; ZANETI JR., Hermes. Curso de Direito Processual Civil- Processo Co.'etivo.
Vol. 4. 10ª ed. Salvador: Jus Podivm. 2016.

31
I
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no lrti
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soluçã
prioriz
princí
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possív
cípios
10, co
do jui
debat
489, §
§ 1º, V
aplica
A par
todo
quada
proce
Além
micro
a) A
928),
I IV
I
CAPÍTULO

0 NOVO CPC, O PROCESSO COLETIVO E


i'
o IRDR {INCIDENTE DE RESOLUÇÃO DE
'I DEMANDAS REPETITIVAS)
Ii
Ii" A redação do Novo CPC traz uma grande novidade que irá resultar em
!i mudanças no cenário dos processos coletivos no Brasil. O CPC não é
mais distante da Constituição e dos microssistemas. o Código, com nor-

I
r
mas fundamentais e uma parte geral, reassume a função de organizar o
processo civil. Trata-se de um Código da "Era da Recodificação" (Natali-
no lrti), flexível, adaptável, dúctil.
A flexibilidade, abertura e adaptação à tutela dos direitos estão previs-
tas deste o início por normas fundamentais: princípio/dever da promo-
ção da solução consensual (art. 3º, § 3º, segundo o qual os meios de
solução consensual não são mais apenas "alternativos", mas devem ser
priorizados quando forem "adequados" pqra solução da controvérsia);
princípio da primazia do julgamento do mérito e da saneabilidade dos
atos processuais (art. 4º, segundo o qual os julgadores devem fazer todo
o possível para analisar o mérito, saneando as nulidades sempre que
possível e estabelecendo deveres de cooperação paras as partes); prin-
cípios da boa-fé, da cooperação e do contraditório (arts. 5º, 6º, 7º e 9º,
10, com destaque para a vedação da decisão surpresa e a submissão
do juiz ao contraditório com as partes- direito de influência e dever de
debates); negócios processuais (art. 190); fundamentação analítica (art.
489, § 1º); precedentes normativos formalmente vinculantes (arts. 489,
§ 1º, V, VI, 926 e 927). As normas fundamentais espalhadas pelo CPC se
aplicam diretamente aos processos coletivos.
A partir da parte geral e das normas fundamentais do CPC podemos ler
todo o sistema processual. O processo serve a tutela dos direitos, ade-
quada, efetiva e tempestiva e o CPC reconhece a plasticidade do sistema
processual em torno deste objetivo.
Além das normas fundamentais que são imediatamente aplicáveis ao
microssistema, o CPC apresenta outras interações importantes:
a) A superveniência do procedimento das causas repetitivas (art.
928), consistente no incidente de resolução de demandas repetitivas

33
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia O NOVO C

(arts. 976 a 987) e nos recursos especial e extraordinário repetitivos Os ca


(arts. 1.036 a 1.041). as aç
serão
os casos repetitivos são uma técnica de julgamento e gerenciamento de
do. A
processos, pensada a partir da experiência da KapMug e do Musterver-
fharen do direito alemão. Sua finalidade é servir como substituto das Vale
ações coletivas (c/ass actions americanas) em um modelo de mercado tre a
e em um modelo de Estado e sociedades mais conservadores como é cogn
o modelo Europeu. Trata-se de julgamento de litígios agregados, ações órgão
coletivas opt-in, em que se exige o comportamento ativo dos litigantes, tida p
ajuizando ações individuais, para obterem o benefício decorrente do tese.
processo coletivo. sejam
Há polêmica quanto a sua natureza jurídica, se mera técnica ou processo No c
coletivo. ating
Alguns veem nestes casos repetitivos uma técnica para substituição das que t
demandas para tutela dos direitos individuais homogêneos; outros uma da. H
técnica para julgamento de questões de direito material ou processual. No c
Fredie Didier Jr e Hermes Zaneti Jr defendem se tratar de um processo te se
coletivo para defesa dos direitos do grupo- formado com o IROR ou o sofre
REER- no qual a situação jurídica coletiva é a discussão de uma tese- have
questão- de direito material ou processual. 19
Os a
Segundo o CPC, forma-se o incidente ou admite-se o recurso para que
tigos
seja fixada uma tese jurídica aplicável a todas as questões jurídicas de
que
direito material ou processual (art. 928, parágrafo único).
ma d
Há nestes processos uma preocupação com a gestão das causas repetiti- que
vas. Assim, o principal valor em jogo é a segurança jurídica e a eficiência revis
processual.
São
Ademais, como já vimos, trata-se de modalidade de processo coletivo, ating
forma-se a partir da admissibilidade do incidente ou do recurso um gru- tend
po de pessoas, aqueles que optaram por ajuizar a ação. gare
Neste sentido, para esta finalidade, podemos dizer que se trata de uma ação em
coletiva opt in (na qual as partes optam por fazer parte do grupo tutelado). nhec

Somente aqueles que optarem por ingressar com as ações serão atingi-
dos. Estes serão atingidos tanto positiva, quanto negativamente, caso a
20. DIDIE
demanda venha a ser julgada improcedente. de Im
2016
21. Trata
tido:
19. Curso, Vai. 4.

34
nardo Garcia O NOVO CPC, O PROCESSO COLETIVO E O IRDR

repetitivos Os casos repetitivos no Brasil afetam tanto as ações individuais quanto


as ações coletivas ajuizadas. Aceito o incidente ou admitido o recurso
serão suspensas as ações individuais e coletivas que estiverem tramitan-
amento de do. A tese jurídica firmada será aplicada as ações individuais e coletivas.
Musterver-
stituto das Vale observar, contudo, que o regime jurídico continua diferenciado en-
e mercado tre ações coletivas e ações individuais. Há nestes processos uma cisão
es como é cognitiva e decisória. O órgão que julga a causa repetitiva não será o
dos, ações órgão que aplica a decisão, salvo quanto ao caso-piloto. A causa discu-
s litigantes, tida poderá ter mais capítulos do que a questão decidida na fixação da
orrente do tese. Isto faz com que as peculiaridades de ações coletivas e individuais
sejam realçadas.
u processo No caso de ações individuais os titulares dos direitos individuais serão
atingidos pro et contra, formando-se a coisa julgada em cada processo
tituição das que tramita individualmente, após a aplicação da tese jurídica geral fixa-
outros uma da. Haverá coisa julgada material.
processual. No caso das ações coletivas, os titulares dos direitos individuais somen-
m processo te serão atingidos positivamente, em caso de procedência. É certo que
o IROR ou o sofrerão os efeitos do precedente formado no IRDR ou REER, mas não
uma tese- haverá coisa julgada.
Os artigos referentes ao IRDR devem ser lidos em conjunto com os ar-
so para que
tigos referentes ao REER, pois formam um modelo legislativo de norma
urídicas de
que se interpenetram e subsidiam. A doutrina fala de um "microssiste-
ma dos casos repetitivos", que incluiria além do CPC a Lei 13.015/2014,
sas repetiti- que alterou a CLT para estabelecer o julgamento dos casos de recurso de
a eficiência revista repetitivos (Enunciado n. 346 do FPPC). 20
São características do modelo de julgamento de casos repetitivos: a)
so coletivo, atingir os processos tramitando, sejam eles individuais ou coletivos; b)
rso um gru- tendencialmente formarem precedentes para os casos futuros; c) jul-
garem a causa-piloto e ao mesmo tempo admitirem o prosseguimento
de uma ação em caso de desistência para julgamento da causa-modelo; 21 d) reco-
po tutelado). nhecimento de conexão por afinidade, com suspensão dos processos

serão atingi-
ente, caso a
20. DIDIER JR., Fredie; CUNHA, Leonardo Carneiro da. Curso de D1reito Processual Civil. Meios
de Impugnação às Decisões Judiciais e Processo nos Tribunais, :.3~ ed. Salvador: Jus Podivm,
2016 (já de acordo com o CPC/2015), p. 590.
21. Trata-se, portanto, de um modelo combinado de causa-piloto e causa-modelo, nesse sen-
tido: DIDIER JR., Fredie; CUNHA, Leonardo Carneiro da. Curso de Direito Processual Civil.

35
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia ~,
'

que estão tramitando, individuais e coletivos; e) direito a distinção e


revogação da suspensão indevida (art. 1.037, § 8!! a 13!!); f} estimulo
a desistência do processo, antes de proferida a sentença (art. 1.040, §
12 a 3!!); g) comunicação aos órgãos, entes ou agências reguladoras da LEI
tese firmada no julgamento do caso repetitivo para que apliquem a tese
jurídica fixada, ampliando os diálogos institucionais entre os poderes;
h) regramento comum do abandono ou desistência (art. 976, § 1!!), que
não impede o julgamento da tese jurídica a ser fixada; h) regramento
da competência para julgamento da tutela de urgência (arts. 982, § 2!!
e 1.029, § 5!!, 111); i) aplicação da decisão da tese jurídica aos casos pen-
dentes (arts. 985, I e 1.040, I e 111).

ARTIGOS

.... CDC

..,._ CAD
Meios de Impugnação às Decisõe5 Judiciais e Processo nos Tribunais, 13!! ed. Salvador: Jus Def
"odivm, 2016 (já de acordo com o CPC/2015), p. 597.
infr

36
ardo Garcia
~,
'

stinção e
estimulo
v CAPÍTULO

1.040, § LEI DA AçÃo CIVIL PÚBLICA -


doras da
em a tese
LEI N° 7.347, DE 24 DE .JULHO DEl985
poderes;
1!!), que
gramento Disciplina a ação civil pública de responsabi-
982, § 2!! lidade por danos causados ao meio-ambiente,
asos pen-
ao consumidor, a bens e direitos de valor artís-
tico, estético, histórico, turístico e paisagístico
(VETADO) e dá outras providências.

ARTIGOS CORRELATOS:

.... CDC (Lei 8078/1990)- Art. 81, § único .

..,._ CADE (Lei 12.529/2011)- Art. l!!i Esta Lei estrutura o Sistema Brasileiro de
alvador: Jus Defesa da Concorrência- SBDC e dispõe sobre a prevenção e a repressão às
infrações contra a ordem econômica, orientada pelos ditames constitucio-

37
LEI DA AÇ

nais de liberdade de iniciativa, livre concorrência, função social da proprie- -7


dade, defesa dos consumidores e repressão ao abuso do poder econômico.

Parágrafo único. A coletividade é a titular dos bens jurídicos protegidos por
esta lei.
1. Ação civil pública ou ação coletiva?

Nem sempre a ação civil pública será uma ação coletiva. A ação coletiva
é um gênero que abarca uma série de ações: ação popular, ação civil pú- Qua
blica, ação de improbidade administrativa, mandado de segurança cole- sens
tivo, mandado de injunção coletivo, entre outras. Para ser considerada gên
uma ação coletiva ela precisa conter cinco requisitos básicos:
Om
a) tutelar direta ou indiretamente o interesse público primário; a aç
b) legitimação extraordinária e adequada representação dos substituí- que
dos;22 pici

c) coisa julgada secundum eventum litis e secundum eventum probatio- -7


nis23; •
d) maior amplitude da cognição (ex vi, art. 103, § 3º do CDC); e por
último e mais importante,
e) um direito coletivo lato sensu como causa de pedir (art. 81, parágra-
fo único do CDC). 24
São direitos coletivos lato sensu os direitos difusos (DO), os direitos in-
dividuais homogêneos (DI H) e os direitos coletivos stricto sensu (DCSS).
Se a ação veicular uma pretensão individual de uma criança, um idoso
ou mesmo uma pretensão à saúde de pessoa hipossuficiente, não have-
rá ação coletiva. Teremos uma ACP para tutela de direito individual, uma
ação civil pública individual, na qual não será possível falar em coisa jul-
gada erga omnes ou ultra partes, em coisa julgada secundum eventum
probationis, entre outros institutos próprios do processo coletivo.

22. Sobre a representatividade adequada, conferir comentários ao art. 52 da LACP.


23. Trataremos do significado destas expressões quando do estudo do Título 111 do CDC.
24. Na doutrina Fredie Didier Jr e Hermes Zaneti Jr defendem que o processo coletivo é ca-
racterizado pela concomitância de dois requisitos: a) pela presença de um grupo no polo
ativo ou passivo, b) com a finalidade de tutelar uma situação jurídica ativa ou passiva.
Assim, os casos repetitivos, nos quais se forma um grupo a partir das ações que tramitam
em juízo (opt in), para tutelar a situação jurídica, questão discutida, mediante a fixação da
tese jurídica aplicável para todos os casos, seria, ao lado do processo coletivo das ações
coletivas, uma espécie de processo coletivo. Cf. Curso, vol. 4, 2016.

38
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
IM II

da proprie- -7 Aplicação em concurso:


econômico.
• Defensor Público- ES/ 2012- CESPE
otegidos por
"A categoria ético-política dos sujeitos hipervulneráveis justifica a defesa
de direito individual indisponível, ainda que não homogêneo, por meio de
ACP."
Resposta: A afirmativa está correta.
ão coletiva
ão civil pú- Quando a ação civil pública veicular pretensão de direitos coletivos lato
rança cole- sensu, quer sejam difusos, coletivos stricto sensu ou individuais homo-
onsiderada gêneos não restará dúvida que se trata de demanda coletiva.
O mais importante é saber que no direito processual o nome dado para
rio; a ação não importa, mas sim o conteúdo que foi dado à demanda, qual-
s substituí- quer ação poderá tutelar direitos coletivos lato sensu (princípio da ati-
picidade).

m probatio- -7 Aplicação em concurso:


• MPE-PI- Promotor de Justiça- Pl/2012- CESPE
CDC); e por "Os direitos transindividuais e meta individuais, direitos coletivos em sen-
tido amplo, abrangem os direitos difusos, coletivos, individuais homogê-
neos e o individual indisponível."
1, parágra-
Resposta: A alternativa foi considerada como correta pela Banca do Cespe.
Não concordamos com tal posicionamento da Banca. É errado afi:mar que
direitos in- direitos individuais indisponíveis são direitos coletivos em sentido amplo.
nsu (DCSS). Não são. Aliás, como o próprio nome diz, são direitos individuais. O exa-
minador, muito provavelmente, disse mais do que queria. Os direff:os indi-
, um idoso viduais ligados por um feixe e chamados direitos individuais homogêneos
, não have- poderão ser disponíveis ou indisponíveis. O entendimento consolidado dos
vidual, uma tribunais superiores é pela legitimidade do MP para ambos os casos. Talvez
m coisa jul- por isso a questão tenha ficado confusa. Direitos coletivos lato sensu são:
m eventum direitos difusos, direitos coletivos em sentido estrito e direitos ir.dividuais
etivo. homogêneos (disponíveis ou indisponíveis, conforme o caso e o momento
processual). Talvez o fato do MP poder, via A CP, defender direito individual
indisponível (v.g. saúde), tenha confundido o examinador. O fato de utilizar
da ACP não significa necessariamente que o direito defendido sejo coletivo.
ACP. A Banca CESPE se defendeu da seguinte forma: "Argumentação: O gabari-
do CDC. to está correto. A doutrina destaca que os direitos transindividuais perten-
coletivo é ca- cem a mais de uma pessoal e os metaindividuais a toda a sociedade. A as-
grupo no polo
va ou passiva. sertiva está em consonância com a doutrina. Assim, são "direitos coletivos
que tramitam em sentido amplo, abrangendo os direitos difusos, coletivos, individuais
te a fixação da homogêneos e o individual indisponível." (Manual dos direitos dif'Jsos e co-
ivo das ações letivos. Thiago Henrique Fedri Viana. Pág. 4}" Assim, conforme afirmamos,
não concordamos com a Banca e com a doutrina citada.

39
• Defensor Público- AC/ 2012- CESPE de julg
"'As lesões a direitos individuais homogêneos e disponíveis podem ser in- como r
vestigadas pelo MP." to dent
Resposta: A afirmativa está correta. pontos
vedaçã
2. Conceito de direitos coletivos lato sensu: atribua
A ACP poderá ser manejada para tutela de qualquer direito coletivo lato 3.3. CP
sensu. São direitos coletivos lato sensu os direitos difusos, coletivos em lando n
sentido estrito e individuais homogêneos. O art. 81 do CDC esclarece o organiz
conceito e é válido para todo o microssistema (ACP, AP, MSC, LIA etc.):
Adema
"Art. 81 do CDC ... Parágrafo único .... 1- interesses ou direitos difusos, gamen
assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de alterad
natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas indeterminadas e
sincum
ligadas por circunstâncias de fato; 11- interesses ou direitos coletivos,
assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de A regra
natureza indivisível de que seja titular grupo, categoria ou classe de são ou
pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurí- não se
dica base; 111- interesses ou direitos individuais homogêneos, assim contrár
entendidos os decorrentes de origem comum."
A prova
Abordaremos os conceitos nos comentários ao art. 81 do CDC.
produz
3. Ônus da prova- teoria estática (regra de julgamento) e teoria dinâmica muitos
(regra de atividade):
O julga
Aplicação do microssistema implica na aceitação pela doutrina da am- coisa ju
pliação da regra de inversão do ônus da prova prevista no art. 62, VIII do ficiente
CDC para todos os processos coletivos. por ins
Além da inversão, também se aplica aos processos coletivos a teoria das a ocorr
cargas ou ônus dinâmicos da prova, segundo a qual a prova é atribuída -7 Ap
a quem tem melhores condições de fazê-lo.
• D
3.1. CPC/2015: No CPC/2015 a regra adotada foi a distribuição dinâ- "A
mica, uma vez que o juiz poderá atribuir o ônus probatório de maneira a
diversa, caso haja excessiva dificuldade para a parte cumprir o encargo
Re
ou maior facilidade da pa:-te adversa fazer a prova do fato contrário (§1 o da
do art. 373 do novo CPC/15). eis
3.2. Momento da distribuição ou inversão: atividade (regra de proce-
dimento e objetiva) ou regra de julgamento (decisão)
25. É o que
Estas teorias podem ser também trabalhadas a partir do momento da apli- não pod
cação ou da inversão. Teríamos assim a teoria do ônus da prova como regra ou exce

40
de julgamento (aplicável apenas na sentença) e a teoria do ônus da prova
m ser in- como regra de atividade ou procedimento (aplicável a qualquer momen-
to dentro do processo, em especial na audiência preliminar de fixação dos
pontos controversos). A segunda nos parece mais correta, pois· decorre da
vedação da surpresa (art. 10, CPC), fazendo com que as partes para quem se
atribua o ônus tenham condições de produzir a prova em tempo.
vo lato 3.3. CPC/2015: O CPC/2015 adotou a regra de procedimento, estipu-
vos em lando no art. 357 que o juiz deverá, na decisão de saneamento e de
arece o organização do processo, distribuir o ônus da prova (inciso 111).
etc.):
Ademais, o art. 373 do novo CPC/15 afasta por completo a regra de jul-
difusos, gamento ao prever que sempre que for distribuído de forma diversa ou
uais, de alterado o ônus da prova, a parte deverá ter a oportunidade de se de-
nadas e
sincumbir do encargo.
letivos,
uais, de A regra de julgamento ainda subsiste em relação aos efeitos que a inver-
asse de são ou a distribuição dinâmica irão acarretar, ao final do processo, quem
ção jurí- não se desincumbiu da sua tarefa de produção de prova, terá presunção
s, assim contrária ao seu interesse no processo.
A prova não poderá ser "diabólica", ou seja, uma prova que não pode ser
produzida por ser excessivamente difícil ou impossível, como ocorre em
nâmica muitos casos de prova negativa. 25 '

O julgamento por ônus da prova, contudo, não prejudica o princípio da


da am- coisa julgada secundum eventum probationis. Caso não exista prova su-
VIII do ficiente para condenar o réu na ação coletiva o julgamento poderá ser
por insuficiência de provas, permitindo o ajuizamento de nova ação com
ria das a ocorrência de prova nova.
ibuída -7 Aplicação em concurso:
• Defensoria/BA- 2010- CESPE
o dinâ- "A inversão do ônus da prova, conforme a lei que rege a ACP, pode ser feita
aneira a critério do juiz."
ncargo
Resposta: A afirmativa está errada. A LACP não previu a inversão do ônus
io (§1 o da prova. Ademais, a inversão é feita a critério do juiz (inversão ope judi-
eis}, segundo o preenchimento dos requisitos previstos na lei, "hipossufi-
proce-

25. É o que prevê o §2" do art. 373 do novo CPC/15: "§ 2" A decisão prevista no§ 1" deste artigo
da apli- não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível
o regra ou excessivamente difícil."

41
LEI DA A

ciência" ou "verossimilhança da alegação'; segundo as regras ordinárias -7


da experiência (id quod plerunque accidit). Acrescente-se, ainda, que a
doutrina da distribuição dinâmica prevê a atribuição do ônus a parte que •
tem "melhores condições de produzir a prova'~

3.1. Momento da inversão:


Nem doutrina nem o STJ adota uma regra com unanimidade. O posicio-
namento é divergente.
a) ônus da prova subjetivo =regra de atividade ou procedimento (an- 3.2.
tes da sentença). 3.2.
b) ônus da prova objetivo = regra de julgamento (aplicado na sentença).
Como vimos o CPC/2015 altera esta situação (art. 357, 111, distribuição
do ônus na fase de saneamento; art. 373, § 22, vedação da prova dia-
bólica). Como dissemos acima a solução mais de acordo com o devido
processo legal e com o princípio da cooperação processual é antecipar
o entendimento sobre a inversão, permitindo a parte produzir a prova.

..,.. Regra de procedimento pelo STJ:


"O Tribunal de origem determinou, porém, que a inversão fosse apre-
ciada somente na sentença, porquanto consubstanciaria verdadeira
"regra de julgamento". Mesmo que controverso o tema, dúvida não
há quanto ao cabimento da inversão do ônus da prova ainda na fase
instrutória- momento, aliás, logicamente mais adequado do que na
sentença, na medida em que não impõe qualquer surpresa às partes
litigantes-, posicionamento que vem sendo adotado por este Supe- -7
rior Tribunal, conforme precedentes." (STJ, REsp 662608/SP, Min. Hé-
lio Quaglia Barbosa, DJ 05/02/2007) •

..,.. Regra de julgamento pelo STJ:


"RECURSO ESPECIAL. CONSUMIDOR. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
ART. 6Q, VIII, DO CDC. REGRA DE JULGAMENTO.- A inversão do ônus
da prova, prevista no Art. 6Q, VIII, do Código de Defesa do Consumi-
3.2.
dor, é regra de julgamento. Ressalva do entendimento do Relator, no
sentido de que tal solução não se compatibiliza com o devido proces-
so legal. (STJ, REsp 949000/ES, Rei. Min. Humberto Gomes de Barros,
DJe 23/06/2008

A Segunda Seção do STJ, julgando a divergência que havia entre a Terceira


e a Quarta Turmas, por maioria, adotou a regra de procedimento como
a melhor regra para o momento da inversão do ônus da prova. (STJ, REsp
802832/MG, Rei. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Segunda Seção, DJe
21/09/2011)

42
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
mso
s ordinárias -7 Aplicação em concurso:
inda, que a
a parte que • Defensor Público -SE/ 2012 - CESPE
"De acordo com decisão pacificada no STJ, a inversão do ônus da prova do
direito consumerista é regra de julgamento, ou seja, deve ser analisada na
sentença."

O posicio- Resposta: A alternativa está errada. Segundo a Segunda Seção do STJ, a


inversão do ônus da prova é regra de procedimento.

mento (an- 3.2. Inversão do ônus da prova e STJ


3.2.1. Inversão do ônus da prova na ACP a favor do MP
sentença). Informativo 463 . ACP. INVERSÃO. ÔNUS. PROVA. MP. Trata-se, na ori-
istribuição gem, de ação civil pública (ACP) interposta pelo MP a fim de pleitear
prova dia- que o banco seja condenado a não cobrar pelo serviço ou excluir o
extrato consolidado que forneceu a todos os clientes sem prévia soli-
m o devido
citação, devolvendo, em dobro, o que foi cobrado. A Turma entendeu
é antecipar que, na ACP com cunho consumerista, pode haver inversão do ônus
ir a prova. da prova em favor do MP. Tal entendimento busca facilitar a defesa
da coletividade de indivíduos que o CDC chamou de consumidores
(art. 81 do referido código). O termo "consumidor", previsto no art. 6Q
fosse apre-
do CDC, não pode ser entendido apenas como parte processual, mas
verdadeira
sim como parte material da relação jurídica extraprocessual, ou seja, a
dúvida não
parte envolvida na relação de direito material consumerista - na ver-
nda na fase
dade, o destinatário do propósito protetor da norma. REsp 951.785-
o do que na
RS, Rei. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 15/2/2011.
sa às partes
r este Supe- -7 Aplicação em concurso:
SP, Min. Hé-
• Defensor Público- RR/2013- CESPE
"É vedada a inversão do ônus da prova nas ações civis públicas ajuizadas
pelo MP, porque o parquet não é ente hipossuficiente."
DA PROVA.
são do ônus Resposta: A afirmativa está errada.
do Consumi-
3.2.2. Inversão do ônus da prova nas ações ambientais
o Relator, no
vido proces- Informativo 404. ACP. DANO AMBIENTAL. ÔNUS. PROVA. Trata-se da
s de Barros, inversão do ônus probatório em ação civil pública (ACP) que objetiva
a reparação de dano ambiental. A Turma entendeu que, nas ações
civis ambientais, o caráter público e coletivo do bem jurídico tutelado
e a Terceira
- e não eventual hipossuficiência do autor da demanda em relação
ento como ao réu - conduz à conclusão de que alguns direitos do consumidor
. (STJ, REsp também devem ser estendidos ao autor daquelas ações, pois essas
Seção, DJe buscam resguardar (e muitas vezes reparar) o patrimônio público co-
letivo consubstanciado no meio ambiente. A essas regras, soma-se o

43
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia LEI DA AÇÃO
1 ------------- .. ------

princípio da precaução. Esse preceitua que o meio ambiente deve ter


em seu favor o benefício da dúvida no caso de incerteza (por falta de
I A doutr
tificativ
provas cientificamente relevantes) sobre o nexo causal entre determi-
nada atividade e um efeito ambiental nocivo. Assim, ao interpretar o
art. 62, VIII, da Lei n. 8.078/1990 c/c o art. 21 da Lei n. 7.347/1985,
' REER).
seja pe
tivas, p
conjugado com o principio da precaução, justifica-se a inversão do
976 e s
ônus da prova, transferindo para o empreendedor da atividade po-
especia
tencialmente lesiva o ônus de demonstrar a segurança do empreen-
novo éa
dimento. Precedente citado: REsp 1.049.822-RS, DJe 18/5/2009. REsp
972.902-RS, Rei. Min. Eliana Calmon, julgado em 25/8/2009. entre a
aquelas
-7 Aplicação em concurso: de, mas
• {FCC- Defensor Público- SP/2012) A inversão do ônus da prova em Ação Ocorre
Civil Pública em matéria ambiental, conforme entendimento jurispruden- process
cial do Superior Tribunal de Justiça, consolidado no julgamento do Recur- sões co
so Especial no 1.060.753/SP, de relataria da Ministra Eliana Calmon, tem ta preju
como fundamento normativo principal, além da relação interdisciplinar por afin
entre as normas de proteção ao consumidor e as de proteção ambiental e
xergar
o caráter público e coletivo do bem jurídico tutelado, o princípio
xão por
A) da precaução.
B) da função ambiental da propriedade.
C) do usuário-pagador.
D) do desenvolvimento sustentável.
E) da cooperação. Este m
Resposta: Letra A mento

4. Relações com a ação popular- litispendência e coisa julgada: A regra


implica
A LACP não afasta a possibilidade de ajuizar ação popular, contudo,
nexas
eventualmente poderá ocorrer duplicidade de litispendência entre uma
fala em
ação popular e uma ação civil pública. Isto porque, em sede de proces-
ses coletivos o nome da ação e o co-legitimado não importam para fins .... ST
de averiguar a identidade de demandas (identidade dos elementos da
ação: partes, causa de pedir e pedido, cf. art. 337, VI, §§ 22 e 32, CPC).
Na maior parte das vezes, contudo, ocorrerá conexão por afinidade e
não litispendência, pois uma das demandas terá um objeto mais amplo
(art. 55,§ 3!?, CPC).

4.1. CPC/2015: A conexão por afinidade foi admitida pelo CPC todas as
vezes que as ações possam gerar resultados conflitantes ou contradi-
tórios. A conexão não gera necessariamente a reunião dos processos,
poderá significar a sua suspensão. 26. DI DI ER

44
do Garcia LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI No 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985 ~ '
'

1 ------------- .. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- -----~1'

deve ter
falta de
I A doutrina defende expressamente a conexão por afinidade como jus-
tificativa para suspensão dos processos nos casos repetitivos (IRDR e
etermi-
pretar o
7/1985,
' REER). "O CPC criou um sistema de julgamento de casos repetitivos:
seja pelo julgamento do incidente de resolução de demandas repeti-
tivas, perante o Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional Federal (arts.
rsão do
976 e segs., CPC), seja pelo julgamento dos recursos extraordinários e
ade po-
especiais repetitivos (arts. 1.036-1.041, CPC). Esses artigos preveem um
mpreen-
novo éaso de conexão no direito brasileiro: uma conexão por afinidade
9. REsp
entre as causas repetitivas. [ ... ] As "causas repetitivas" são exatamente
aquelas em que os autores poderiam ter sido litisconsortes por afinida-
de, mas, por variadas razões, optaram por demandar isoladamente". 26
em Ação Ocorre que nas situações em que temos um processo individual e um
pruden- processo coletivo ou dois processos coletivos que possam gerar deci-
o Recur- sões conflitantes ou contraditórias entre si, poderá o juiz, caso não exis-
on, tem ta prejuízo para a tutela dos direitos, reunir os processos por conexão
sciplinar por afinidade. Assim, defendemos um passo além, pois, ao invés de en-
biental e
xergar a simples prejudicialidade entendemos ocorrer verdadeira cone-
xão por afinidade nos casos do art. 55, § 32.
"Art. 55 [ ... ] § 32 Serão reunidos para julgamento conjunto os proces-
sos que possam gerar risco de prolação de decisões conflitantes ou
contraditórias caso decididos separadamente, mesmo sem conexão
entre eles".

Este modelo de conexão permite a formação de precedentes e o julga-


mento adequado de processos coletivos.
A regra da conexão, tem, contudo, evidentes limites temporais quando
implica em suspensão dos processos conexos. Não podem as ações co-
ontudo,
nexas por afinidade ficarem suspensas eternamente. A lei processual
re uma
fala em limite de um ano para a suspensão (art. 313, V, "a", § 42 e § 52).
proces-
ara fins .... STJ:
ntos da "AÇÃO CIVIL PÚBLICA- AÇÃO POPULAR- ANULAÇÃO DOS CONTRA-
2, CPC). TOS ADMINISTRATIVOS E RESPECTIVOS ADITAMENTOS - LITISPEN-
dade e DÊNCIA - INOCORRÊNCIA- (CPC, ART. 301, § 22) - CONEXÃO - CA-
s amplo RACTERIZAÇÃO- CPC, ART. 103- PRECEDENTES/STJ. -Inexistentes os
pressupostos necessários à caracterização da litispendência, impõe-
-se afastá-la (CPC, art. 301, § 2º). -Caracteriza-se, na hipótese, o ins-
odas as tituto da conexão, já que as ações têm a mesma finalidade, o que as
ontradi-
cessos,
26. DI DI ER JR., Fredie. Curso de Direito Processual Civil, Vol. 1, p. 236.

45
LEI DA A

tornam semelhantes e passíveis de decisões unificadas, devendo-se •


evitar julgamentos conflitantes sobre o mesmo tema, objeto das lides.
(STJ, REsp 208680/MG, Rei. Min. Francisco Peçanha, DJ 31/0S/2004)

~ Aplicação em concurso:
• FCC- TJ-AL -Juiz Substituto - 2015
"A propositura simultânea, por distintos autores, de uma ação civil pública
e de uma ação popular, ambas tendo por objeto o mesmo fato lesivo ao
patrimônio público deve levar à extinção, sem julgamento do mérito, da
ação popular, seguindo-se apenas a ação civil pública
._,.
PORQUE
A ação civil pública comporta solução processual mais abrangente, poden-
do levar à condenação em dinheiro ou ao cumprimento de obrigação de 5. Açã
fazer ou não fazer!'
Pa
A) se as duas afirmações são verdadeiras e a segunda justifica a primeira
art.
B) se as duas afirmações são verdadeiras e a segunda não justifica a primeira ceu
C) se a primeira é verdadeira e a segunda é falsa ato
D) se a primeira é falsa e a segunda é verdadeira pop
E) se as duas são falsas" ent
Resposta: Gabarito: Letra D

• UFPR- Defensor Público- PR/2014


- "É vedado à Defensoria Pública ajuizar ação civil pública quando já hou-
ver ação popular ajuizada sobre o mesmo fato."
Resposta: A afirmativa está errada.

- '::4 propositura de ação civil pública suspende a ação popular que possua
identidade do objeto."
Resposta: A afirmativa está errada.

• DPE/PI- CESPE- 2009


"À DP é vedado ajuizar ação civil pública, quando houver ação popular ajui-
zada sobre o mesmo fato."
Resposta: A afirmativa está errada.
27. Le
• MP/AM/Promotor/2007- CESPE Lei
"As ações popular e civil pública destinam-se à defesa e à proteção do pa- ( ...
IV
trimônio público. Todavia, essas ações constituem instrumentos proces-
( ...
suais reciprocamente excludentes, não se admitindo a existência concomi- b)
tante das duas, em face da litispendência." mo
Resposta: A afirmativa está errada. ou

46
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI No 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
IMIQ

, devendo-se • TRFS/Juiz/2007- CESPE


eto das lides. "Se, após o ajuizamento de ação civil pública, constatar-se a existência de
31/0S/2004) tramitação regular de ação popular objetivando a proteção de idênticos
interesses coletivos ou difusos mediante a formulação de idêntico pedido,
tal situação caracterizará a litispendência e terá, como conseqüência pro-
cessual, a extinção da ação civil pública."
o civil pública Resposta: A afirmativa está errada. O STJ, conforme julgado acima, tem
ato lesivo ao entendido pela conexão e não pela litispendência.
do mérito, da

._,. Observação importante: reparem que no mesmo ano (2007) o CESPE co-
brou a mesma questão em concursos diferentes.
ente, poden-
obrigação de 5. Ação popular multilegitimária (ação civil pública):

Partindo da interpretação original de Ada Pellegrini Grinover sobre o


primeira
art. 25, IV, b da Lei 8.625/93 (LOMPE)2 7, a jurisprudência do STJ reconhe-
ca a primeira ceu a possibilidade de uma ação popular multilegitimária para anular
atos ilegais e lesivos ao patrimônio público. A identidade entre a ação
popular e a ação civil pública é tão grande que gerou a possibilidade de
entender alguns casos de ACP como ações populares multilegitimárias.
"Hodiernamente, após a constatação da importância e dos inconve-
nientes da legitimação isolada do cidadão, não há mais lugar para o
veto da /egitimatio ad causam do MP para a Ação Popular, a Ação
uando já hou- Civil Pública ou o Mandado de Segurança coletivo. Os interesses
mencionados na LACP acaso se encontrem sob iminência de lesão
por ato abusivo da autoridade podem ser tutelados pelo mandamus
coletivo. No mesmo sentido, se a lesividade ou a ilegalidade do
ar que possua ato administrativo atingem o interesse difuso, passível é a propo-
situra da Ação Civil Pública fazendo as vezes de uma Ação Popular
multilegitimária. As modernas leis de tutela dos interesses difusos
completam a definição dos interesses que protegem. Assim é que a
LAP define o patrimônio e a LACP dilargou-o, abarcando áreas antes
popular ajui- deixadas ao desabrigo, como o patrimônio histórico, estético, moral,

27. Lei 8.625/93, Art. 25. Além das funções previstas nas Constituições Federal e Estadual, na
Lei Orgânica e em outras leis, incumbe, ainda, ao Ministério Público:
oteção do pa- ( ... )
IV- promover o inquérito civil e a ação civil pública, na forma da lei:
entos proces-
( ... )
ncia concomi- b) para a anulação ou declaração de nulidade de atos lesivos ao patrimônio público ou à
moralidade administrativa do Estado ou de Município, de suas administrações indiretas
ou fundacionais ou de entidades privadas de que participem;

47
etc. A moralidade administrativa e seus desvios, com conseqüências Válida
patrimoniais para o erário público enquadram-se na categoria dos
interesses difusos, habilitando o Ministério Público a demandar em
1. O
juízo acerca dos mesmos. (REsp 401.964/RO, Rei. Min. Luiz Fux, DJ à p
11.11.2002) ind
àc
6. Danos morais- o dano extrapatrimonial coletivo {dano moral coletivo):
O dano moral coletivo, embora apresente divergências na doutrina 2. No
quanto à existência, também foi expressamente previsto no art. 6º, in- res
cisos VI e VIl do CDC e mais recentemente, após a alteração introduzida da
pela lei 8884/94 ao art. 1º da Lei 7347/85 (Lei da Ação Civil Pública). 3. Co
int
Configura o dano mora' coletivo a injusta lesão à esfera moral de certa
as
comunidade; a vio!ação a determinado círculo de valores coletivos. Os
po
valores coletivos não se confundem com os valores dos indivíduos que
es
formam a coletividade. Com isso, percebe-se que a coletividade é pas-
co
sível de ser indenizada pelo abalo moral, independentemente dos da-
co
nos individualmente considerados. Como exemplo, temos o dano moral
gerado por propaganda enganosa ou abusiva. Recentemente, tivemos 4. De
o chamado "apagão aéreo", gerando descrédito quanto ao sistema de ca
aviação civil no Brasil. De forma ampla, a coletividade foi lesada, inde- tue
pendentemente dos danos que cada indivíduo teve pessoalmente com S. O
os atrasos e contratempos causados. cus
Em caso envolvendo pedido de dano moral em razão de degradação dif
ambiental, a Primeira Turma do STJ considerou que a vítima do dano no
moral é, necessariamente, uma pessoa, concluindo que não parece ser v.g
compativel com o dano moral a ideia da "transindividualidade". ma

Para a Primeira Turma, o dano moral envolve, necessariamente, dor, 6. Co


sentimento, lesão psíquica, afetando a parte sensitiva do ser humano, est
como a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas. ma
co
"Processual cfvil. Ação civil pública. Dano ambiental. Dano moral co- dia
letivo. Necessária vinculação do dano moral à noção de dor, de sofri-
mento psíquico, de caráter individual. incompatibilidade com a noção 7. De
de transindividu.alidade (indeterminabilidade do sujeito passivo e in- dos
divisibilidade da ofensa e da reparação). Recurso especial improvido." co
(STJ, REsp 598281/MG, Rei. Min. Luiz Fux; Rei. p/ Acórdão Min. Teori am
Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 01.06.2006)
ter
Cabe ressaltar que o Min. Luiz Fux, relator do caso acima julgado, en- fav
tendeu pela possibilidade do dano moral coletivo, sendo voto vencido 8. So
quando do julgamento. ter

48
eqüências Válida a exposição dos argumentos trazidos pelo Min. Luiz Fux:
goria dos
andar em
1. O advento do novel ordenamento constitucional - no que concerne
iz Fux, DJ à proteção ao dano moral - possibilitou ultrapassar a barreira do
indivíduo para abranger o dano extrapatrimonial à pessoa jurídica e
à coletividade.
coletivo):
doutrina 2. No que pertine a possibilidade de reparação por dano moral a inte-
rt. 6º, in- resses difusos como sói ser o meio ambiente amparam-na o art. 1º
roduzida da Lei da Ação Civil Pública e o art. 6º, VI, do CDC.
blica). 3. Com efeito, o meio ambiente integra inegavelmente a categoria de
interesse difuso, posto inapropriável uti singuli. Consectariamente,
de certa
a sua lesão, caracterizada pela diminuição da qualidade de vida da
tivos. Os
população, pelo desequilíbrio ecológico, pela lesão a determinado
duos que
espaço protegido, acarreta incômodos físicos ou lesões à saúde da
de é pas-
coletividade, revelando atuar ilícito contra o patrimônio ambiental,
e dos da-
constitucionalmente protegido.
no moral
tivemos 4. Deveras, os fénômenos analisados sob o aspecto da repercussão físi-
stema de ca do ser humano e dos demais elementos do meio ambiente consti-
da, inde- tuem dano patrimonial ambiental.
ente com S. O dano moral ambiental caracteriza-se qupndo, além dessa reper-
cussão física no patrimônio ambiental, sucede ofensa ao sentimento
gradação difuso ou coletivo- v.g.: o dano causado a paisagem causa impacto
do dano no sentimento da comunidade de determinada região, quer como
arece ser v.g; a supressão de certas árvores na zona urbana ou localizadas na
. mata próxima ao perímetro urbano.

nte, dor, 6. Consectariamente, o reconhecimento do dano moral ambiental não


humano, está umbilicalmente ligado à repercussão física no meio ambiente,
soas. mas, ao revés, relacionado à transgressão do sentimento coletivo,
consubstanciado no sofrimento da comunidade, ou do grupo social,
moral co- diante de determinada lesão ambiental.
, de sofri-
m a noção 7. Destarte, não se pode olvidar que o meio ambiente pertence a to-
ssivo e in- dos, porquanto a Carta Magna de 1988 o erigiu como bem de uso
mprovido." comum do povo. Dessa forma, em se tratando de proteção ao meio
Min. Teori ambiente, podem coexistir o dano patrimonial e o dano moral, in-
terpretação que prestigia a real exegese da Constituição Federal em
gado, en- favor do meio-ambiente sadio e equilibrado.
vencido 8. Sob o enfoque infraconstitucional, a Lei n. 8.884/94 introduziu al-
teração na LACP, restando expresso que a ação civil pública obje-

49
,,,, DIREITOS DIFUSOS ECOLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia
---~~~----------------------------------------~---------------------------

tiva a responsabilização por danos morais e patrimoniais causados


a quaisquer dos valores transindividuais de que cuida a lei. A nova
Lei do CADE não alterou a disciplina nesse ponto (cf. art. 117 da Lei
12.529/2011).

9. Outrossim, a partir da Constituição de 1988, há duas esferas de repa-


ração: a patrimonial e a moral, gerando a possibilidade de o cidadão
responder pelo dano patrimonial causado e, cumulativamente, pelo
dano moral, um independente do outro.

A Segunda Turma do STJ se manifestou favoravelmente ao dano moral


coletivo:
Informativo 418 STJ. Dano Moral Coletivo. Passe livre. Idoso. A con-
cessionária do serviço de transporte público (recorrida) pretendia
condicionar a utilização do benefício do acesso gratuito ao transporte
coletivo (passe livre) ao prévio cadastramento dos idosos junto a ela,
apesar de o art. 38 do Estatuto do Idoso ser expresso ao exigir ape-
nas a apresentação de documento de identidade. Vem daí a ação civil
pública qu,e, entre outros pedidos, pleiteava a indenização do dano
moral coletivo decorrente desse fato. Quanto ao tema, é certo que A Te
este Superior Tribunal tem precedentes no sentido de afastar a pos- ral c
sibilidade de configurar-se tal dano à coletividade, ao restringi-lo às res a
pessoas físicas individualmente consideradas, que seriam as únicas SC, R
capazes de sofrer a dor e o abalo moral necessários à caracterização DJe
daquele dano. Porém, essa posição não pode mais ser aceita, pois o
dano extrapatrimonial coletivo prescinde da prova da dor, sentimen- Assi
to ou abalo psicológico sofridos pelos indivíduos. Como transindivi- cont
dual, manifesta-se no prejuízo à imagem e moral coletivas e sua ave-
Argu
riguação deve pautar-se nas características próprias aos interesses
difusos e coletivos. Dessarte, o dano moral coletivo pode ser exami-
nado e mensurado. Diante disso, a Turma deu parcial provimento ao
recurso do MP estadual. REsp 1.057.274-RS, Rei. Min. Eliana Calmon, a) os re
julgado em 1º/12/2009. monial
ção, a a
A Terceira Turma também vem aceitando o dano moral coletivo. A Tur-
persona
ma entendeu que o Banco deverá pagar dano moral coletivo por manter reito civ
caixa preferencial em segundo andar de agência. rídica c
"RECURSO ESPECIAL- DANO MORAL COLETIVO- CABIMENTO- ARTIGO 227 do
6" VI DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR - REQUISITOS - RA- também
Z~ÁV~L SIGNIFICÂNCIA E REPULSA SOCIAL- OCORRÊNCIA, NA ESPÉCIE coletivo
-CONSUMIDORES COM DIFICULDADE DE LOCOMOÇÃO- EXIGÊNCIA DE critério
SUBIR LANCES DE ESCADAS PARA ATENDIMENTO - MEDIDA DESPRO- ra justif
PORCIONAL E DESGASTANTE - INDENIZAÇÃO - FIXAÇÃO PROPORCIO- a conde

50
onardo Garcia
-------------

s causados NAL- DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL - AUSÊNCIA DE DEMONSTRA-


lei. A nova ÇÃO- RECURSO ESPECIAL IMPROVIDO. I -A dicção do artigo 6º, VI, do
. 117 da Lei Código de Defesa do Consumidor é clara ao possibilitar o cabimento de
indenização por danos morais aos consumidores, tanto de ordem indi-
vidual quanto coletivamente. 11- Todavia, não é qualquer atentado aos
ras de repa- interesses dos consumidores que pode acarretar dano moral difuso. É
e o cidadão preciso que o fato transgressor seja de razoável significância e desborde
mente, pelo os limites da tolerabilidade. Ele deve ser grave o suficiente para produzir
verdadeiros sofrimentos, intranquilidade social e alterações relevantes
na ordem extrapatrimonial coletiva. Ocorrência, na espécie. 111 -Não é
dano moral razoável submeter aqueles que já possuem dificuldades de locomoção,
seja pela idade, seja por deficiência física, ou por causa transitória, à
situação desgastante de subir lances de escadas, exatos 23 degraus, em
Idoso. A con-
agência bancária que possui plena capacidade e condições de propiciar
a) pretendia
melhor forma de atendimento a tais consumidores. IV -Indenização mo-
ao transporte ral coletiva fixada de forma proporcional e razoável ao dano.• no importe
s junto a ela, de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais). ( ... )" (STJ, REsp 1221756/RJ, Rei.
ao exigir ape- Ministro Massami Uyeda, Terceira Turma, julgado em 02/02/2012, DJe
aí a ação civil 10/02/2012)
ação do dano
, é certo que A Terceira Turma também condenou empresa de telefonia por dano mo-
afastar a pos- ral coletivo por oferecer plano de telefonia sem alertar aos consumido-
restringi-lo às res acerca das limitações ao uso na referida adesão. (STJ, REsp 1291213/
am as únicas SC, Rei. Ministro Sídnei Beneti, Terceira Turma, julgado em 30/08/2012,
aracterização DJe 25/09/2012)
aceita, pois o
or, sentimen- Assim, sobre o tema, existem dois entendimentos. Um favorável e outro
o transindivi- contrário a possibilidade do dano moral (extrapatrimonial) coletivo.
vas e sua ave-
Argumentos para discussão do dano extrapatrimonial coletivo:
os interesses
de ser exami-
rovimento ao Favoráveis
Eliana Calmon, a) os requisitos para o dano extrapatri- a) o meio ambiente, a colervidade co-
monial seriam a compensação e a puni- mo um todo- os titulares dos direitos
ção, a ampliação da noção de direitos da difusos-, não sofrem danos morais,
etivo. A Tur-
personalidade, despessoalização do di- não sentem dor, não têm sentimentos,
o por manter reito civil, abraçando, p.ex., a pessoa ju- não podem ser afetados em seu ínti-
rídica como titular destes direitos (Súm. mo (sic., como foi referido no quadro
NTO- ARTIGO 227 do STJ), contribui para reconhecer ao lado bastaria o caráter de danos
UISITOS - RA- também a compensação no dano moral punitivos para justificar a condenação,
A, NA ESPÉCIE coletivo, contudo, é certo que basta o prescindindo os novos danos da lesão à
EXIGÊNCIA DE critério de punição (danos punitivos) pa- personalidade e da compensação);
DIDA DESPRO- ra justificar, a partir da reprovabilidade,
O PROPORCIO- a condenação no pagamento dos danos;

51
@i§ DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia

6.1. Da
do CDC
b) a expressa previsão na lei da ação ci- b) a lei refere aos direitos individuais
vil p1.Jblica (caput do artigo 1º) e no Có- decorrentes da lesão (perceba-se, por- É poss
digo de Defesa do Consumidor (art. 6º, tanto, que sempre será possível, mes- dual h
inc. VI e VIl), aplicando-se aos direitos mo na visão restritiva, a tutela dos da- rior de
coletivos lato sensu; nos morais homogêneos); o dano
c) titula~idade difusa do meio ambiente c) necessidade de titularidade concre- o ente
(intergeracional) e também a possibilida- ta, individuação pessoal dos beneficiá-
de de danos morais decorrentes de lesão rios;
aos direitos individuais homogêneos;
d) possibilidade de dano in re ipsa ou d) ausência de critérios para a quantifi-
propter rem. cação e identificação do dano.

CPC/2015: O CPC estabelece um novo regime que veda a compensação


de honorários para o caso de sucumbência parcial. Parcela da doutrina
tem conjugado o art. 85, § 14 (impossibilidade de compensação dos ho-
norários na sucumbência parcial) com o art. 292, V ("art. 292. O valor da
causa constará da petição inicial ou da reconvenção e será: [ ... ] V- na
ação indenizatória, inclusive a fundada em dano moral, o valor preten-
dido") para afirmar que o pedido de indenização por dano moral deverá
ser expresso no valor pretendido e, em caso de sucumbência parcial,
cue serão devidos honorários para os procuradores de ambas as partes,
vedada a compensação. Este raciocínio não se aplica aos processos co-
letivos, por força do regime especial de custas e honorários, previsto nos
arts. 18 da LACP e 87 do coe.

-7 Aplicação em concurso:
• CESPE- DPE-RN- Defensor Público Substituto- 2015
"O dano moral coletivo prescinde da comprovação de dor, de sofrimento e
de abalo psicológico, suscetíveis de apreciação na esfera do indivíduo, mas
inaplicável aos interesses difusos e coletivos."
A afirmativa está correta.
Resposta: Gabarito: E

• Juiz Federai/TRF3- 2011 - CESPE

I
uA indenização por danos morais cabe tanto em relação à pessoa física como
em relação à pessoa jurídica, mas não em relação às coletividades, já que os
interesses difusos ou coletivos não são passíveis de ser indenizados."
Resposta: A afirmativa foi considerada ERRADA pela banca do concurso.
Ou seja, para o CESPE cabe dano moral coletivo. I
52
I
t
nardo Garcia

6.1. Dano moral individual homogêneo e condenação genérica (art. 95


do CDC):
ndividuais
a-se, por- É possível a condenação genérica ao pagamento de dano moral indivi-
vel, mes- dual homogêneo as vítimas a serem individualizadas em processo ulte-
a dos da- rior de liquidação e execução. Perceba-se que este não se confunde com
o dano moral coletivo (tutela de direitos difusos, por exemplo). Este foi
e concre- o entendimento da Min. Nancy Andrighi no REsp 866.636/SP:
beneficiá- "Civil e processo civil. Recurso especial. Ação civil pública proposta
pelo PROCON e pelo Estado de São Paulo. Anticoncepcional Micro-
vlar. Acontecimentos que se notabilizaram como o 'caso das pílulas de
a quantifi- farinha'. Cartelas de comprimidos sem princípio ativo, utilizadas para
. teste de maquinário, que acabaram atingindo consumidoras e não
impediram a gravidez indesejada. Pedido de condenação genérica,
pensação permitindo futura liquidação individual por parte das consumidoras
a doutrina lesadas. Discussão vinculada à necessidade de respeito à segurança
ão dos ho- do consumidor, ao direito de informação e à compensação pelos da-
O valor da nos morais sofridos.- Nos termos de precedentes, associações pos-
... ] V- na suem legitimidade ativa para propositura de ação relativa a direitos
or preten- individuais homogêneos. -Como o mesmo fato pode ensejar ofensa
ral deverá tanto a direitos difusos, quanto a cohitivos e individuais, dependen-
ia parcial, do apenas da ótica com que se examina a questão, não há qualquer
as partes, estranheza em se ter uma ação civil pública' concomitante com ações
individuais, quando perfeitamente delimitadas as matérias cognitivas
cessos co-
em cada hipótese. -A ação civil pública demanda atividade probató-
evisto nos
ria congruente com a discussão que ela veicula; na presente hipótese,
analisou-se a colocação ou não das consumidoras em risco e respon-
sabilidade decorrente do desrespeito ao dever de informação.- Quan-
to às circunstâncias que envolvem a hipótese, o TJ/SP entendeu que
não houve descarte eficaz do produto-teste, de forma que a empresa
permitiu, de algum modo, que tais pílulas atingissem as consumido-
ofrimento e ras. Quanto a esse 'modo', verificou-se que a empresa não mantinha o
víduo, mas mínimo controle sobre pelo menos quatro aspectos essenciais de sua
atividade produtiva, quais sejam: a) sobre os funcionários, pois a estes
era permitido entrar e sair da fábrica com o que bem entendessem; b)
sobre o setor de descarga de produtos usados e/ou inservíveis, pois há
depoimentos no sentido de que era possível encontrar medicamentos
no 'lixão' da empresa; c) sobre o transporte dos resíduos; e d) sobre a
incineração dos resíduos. E isso acontecia no mesmo instante em que

I
física como
a empresa se dedicava a manufaturar produto com potencialidade ex-
s, já que os
tremamente lesiva aos consumidores. - Em nada socorre a empresa,
os."
assim, a alegação de que, até hoje, não foi possível verificar exatamen-
o concurso. te de que forma as pílulas-teste chegaram às mãos das consumidoras.
I O panorama fático adotado pelo acórdão recorrido mostra que tal de-
I
t 53
DIREITOS DIFUSOS ECOLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia
*ªIA LEI DA AÇ

monstração talvez seja mesmo impossível, porque eram tantos e tão 7. ACP
graves os erros e descuidos na linha de produção e descarte de medi-
camentos, que não seria hipótese infundada afirmar-se que os place- 7.1.
bos atingiram as consumidoras de diversas formas ao mesmo tempo.
Não
-A responsabilidade da fornecedora não está condicionada à introdu-
conc
ção consciente e voluntária do produto lesivo no mercado consumidor.
Tal idéia fomentaria uma terrível discrepância entre o nível dos riscos açõe
assumidos pela empresa em sua atividade comercial e o padrão de ciona
cuidados que a fornecedora deve ser obrigada a manter. Na hipótese,
Não
o objeto da lide é delimitar a responsabilidade da empresa quanto à
conc
falta de cuidados eficazes para garantir que, uma vez tendo produzido
Públ
manufatura perigosa, tal produto fosse afastado das consumidoras.- A
alegada culpa exclusiva dos farmacêuticos na comercialização dos pla-
cebos parte de premissa fática que é inadmissível e que, de qualquer
modo, não teria o alcance desejado no sentido de excluir totalmente a
responsabilidade do fornecedor.- A empresa fornecedora descumpre
o dever de informação quando deixa de divulgar, imediatamente, no-
tícia sobre riscos envolvendo seu produto, em face de juízo de valor a
respeito da conveniência, para sua própria imagem, da divulgação ou
não do problema, Ocorreu, no caso, uma curiosa inversão da relação
i
entre interesses das consumidoras e interesses da fornecedora: esta
alega ser lícito causar danos por falta, ou seja, permitir que as consu-
midoras sejam lesionadas na hipótese de existir uma pretensa dúvida
sobre um risco real que posteriormente se concretiza, e não ser lícito
agir por excesso, ou seja, tomar medidas de precaução ao primeiro
sinal de risco. - O dever de compensar danos morais, na hipótese,
não fica afastado com a alegação de que a gravidez resultante da ine-
ficácia do anticoncepcional trouxe, necessariamente, sentimentos
positivos pelo surgimento de uma nova vida, porque o objeto dos
autos não é discutir o dom da maternidade. Ao contrário, o produto
em questão é um anticoncepcional, cuja única utilidade é a de evitar
uma gravidez. A mulher que toma tal medicamento tem a intenção
de utilizá-lo como meio a possibilitar sua escolha quanto ao momen-
to de ter filhos, e a falha do remédio, ao frustrar a opção da mulher,
dá ensejo à obrigação de compensação pelos danos morais, em liqui- A pos
dação posterior. Recurso especial não conhecido." (REsp 866.636/SP,
açõe
Rei. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 29/11/2007, DJ
to e
06/12/2007).
o co
Destaque-se do voto: "Traz a recorrente, ainda, considerações a respeito na aç
do valor fixado a título de compensação pelos danos morais, qual seja, norm
R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), obtido em condenação genérica denta
que permitirá execuções individualizadas das vítimas que se habilitarem apen
a tanto, de acordo com o pedido realizado em aditamento à inicial". fician

54
Leonardo Garcia

m tantos e tão
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985

7. ACP e controle concentrado e difuso de constitucionalidade:


•••
carte de medi-
que os place- 7.1. Atenção: questão muito cobrada em concursos!
mesmo tempo.
Não há nenhum impedimento para o controle incidental, difuso, em
ada à introdu-
concreto, na causa de pedir, mediante ACP. A vedação diz respeito às
o consumidor.
ível dos riscos ações civis públicas que tenham por pedido a decretação de inconstitu-
e o padrão de cionalidade.
. Na hipótese,
Não é possível ação civil pública com objetivo do exercício de controle
resa quanto à
concentrado de constitucionalidade de leis e atos normativos do Poder
ndo produzido
Público.
sumidoras.- A
zação dos pla- PROCESSO CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA COM BASE EM INCONSTITU-
e, de qualquer

i
CIONALIDADE DE LEI. EFICÁCIA ERGA Ofii/NES. CONTROLE DE CONS-
r totalmente a TITUCIONALIDADE INC/DENTER TANTUI\1. LEGITIMIDADE ATIVA DO
ora descumpre MINISTÉRIO PÚBLICO. 1. O novel art. 129, 111, da Constituição Federal
atamente, no- habilitou o Ministério Público à promoção de qualquer espécie de
uízo de valor a ação na defesa do patrimônio público social não se limitando à ação
divulgação ou de reparação de danos. 2. Em conseqüência, legitima-se o Ministério
são da relação Público a toda e qualquer demanda que vise à defesá do patrimônio
necedora: esta público (neste inserido o histórico, cultural, urbanístico, ambiental,
que as consu- etc), sob o ângulo material (perdas e danos} ou imaterial (lesão à mo-
retensa dúvida ralidade). 3. O Ministério Público tem legitimidade para propor ação
e não ser lícito civil pública, fundamentada em inconstitucionalidade de lei, na qual
ão ao primeiro opera-se apenas o controle difuso ou incídenter tantum de constitu-
, na hipótese, cionalidade. Precedente do STF. 4. A dedaração incidental de consti-
ultante da ine- tucionalidade não tem eficácia erga omnes, porquanto premissa do
, sentimentos pedido (art. 469, 111, do CPC). S. Pretensão do Parquet que objetiva
e o objeto dos que o Distrito Federal se abstenha de conceder termo de ocupação,
ário, o produto alvarás de construção e de funcionamento, deixe de aprovar os proje-
e é a de evitar tos de arquitetura e/ou engenharia a quaisquer pessoas físicas ou jurí-
em a intenção dicas, que ocupem ou venham a ocupar áreas públicas de uso comum
nto ao momen- do povo. 6. Recurso especial provido. (REsp 493.270/DF, Rei. Min. Luiz
ção da mulher, Fux, Primeira Turma, julgado em 04.11.2003, DJ 24.11.2003).
orais, em liqui- A possibilidade de efeito erga omnes das sentenças de procedência nas
sp 866.636/SP,
ações coletivas não implica usurpação do controle concentrado, abstra-
29/11/2007, DJ
to e principaliter de constitucionalidade exe-cido pelo STF. É possível
o controle difuso, concreto e incidental nas ações coletivas, inclusive
ões a respeito na ação civil pública. Quando o STF decreta a inconstitucionalidade da
ais, qual seja, norma ele a retira do ordenamento jurídico; quando a ACP declara inci-
ação genérica dentalmente a inconstitucionalidade para atingir um objetivo concreto,
e habilitarem apenas afasta a aplicação da norma para aquele caso, mesmo que bene-
à inicial". ficiando todo o grupo.

55
IM II DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia

I LEI DA AÇÃO
--- --~ --- -----

CPC/2015: O CPC estabelece que as questões prejudiciais poderão ser


atingidas pela coisa julgada, art. 503, § 1º, quando decididas expressa
e incidentalmente no processo. Contudo, como um dos requisitos é a
competência do juízo em razão da matéria, não há falar em aplicação
I
tr,
!
.... STJ

deste dispositivo no julgamento das questões prejudiciais incidentais de


inconstitucionalidade em ações coletivas.
I
I
l
.... STF: !
I
o STF, em julgamento do Pleno, entendeu possível o controle difuso da I
constitucionalidade por meio de ação civil pública. Isso ocorreu no julga-
mento da Reclamação 600-0/90-SP, rei. Min. Néri da Silveira:
"Na ação civil pública, ora em julgamento, dá-se controle de consti-
tucionalidade da Lei 8.024/90, por via difusa. Mesmo admitindo que
a decisão em exame afasta a incidência da lei que seria aplicável à
hipótese concreta, por ferir direito adquirido e ato jurídico perfeito,
certo está que o acórdão respectivo não fica imune ao controle do
Supremo Tribunal Federal, desde logo, à vista do art. 102, 111, letra
b, da Lei Maior, eis que decisão definitiva de Corte local terá reco-
nhecido a inconstitucionalidade de lei federal, ao dirimir determinado
conflito de interesses. Manifesta-se, dessa maneira, a convivência dos
dois sistemas de controle de constitucionalidade: a mesma lei federal
ou estadual poderá ter declarada sua invalidade, quer em abstrato,
na via concentrada, originariamente no STF (CF, art. 102, I, a), quer 7 Apl
na via difusa, incidenter tantum, ao ensejo do debate de controvérsia
na defesa de direitos subjetivos de partes interessadas, afastando-se • MP
sua incidência '10 caso concreto em julgamento. Nas ações coletivas, "A a
não se nega, à evidência, também, a possibilidade da declaração de fund
inconstitucionalidade, incidenter tantum, de lei ou ato normativo Resp
federal ou local..."
• Juiz
"AÇÃO CIVIL PÚBLICA. CONTROLE INCIDENTAL DE CONSTITUCIONA-
"É a
LIDADE. QUESTÃO PREJUDICIAL. POSSIBILIDADE. INOCORRÊNCIA DE
incid
USURPAÇÃO DA COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL preju
RECLAMAÇÃO IMPROCEDENTE.- O Supremo Tribunal Federal tem Resp
reconhecido a legitimidade da utilização da ação civil pública como
instrumento idôneo de fiscalização incidental de constitucionali- • PGE
dade, pela via difusa, de quaisquer leis ou atos do Poder Público, "A aç
mesmo quando contestados em face da Constituição da República, cons
desde que, ne5se processo coletivo, a controvérsia constitucional, Resp
longe de ident'ficar-se como objeto único da demanda, qualifique-
-se como simples questão prejudicial, indispensável à resolução do • PGE
litígio principal. Precedentes. Doutrina." (Rei 1.898/DF, Rei. Min.
"Con
CELSO DE MELLO)
da qu

56
nardo Garcia

I LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE i 985


--- --~ --- ---------------- -~- ---- --------------~----------------------------------- l!bii
derão ser
expressa
uisitos é a
aplicação
I
tr,
!
.... STJ:

Informativo nQ 159. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. INCIDENTE DE INCONSTITU-


CIONALIDADE. POSSIBILIDADE. EFEITOS. Na ação civil pública, é pos-
sível a declaração incidental de inconstitucionalidade de quaisquer
dentais de
I
I
leis ou atos normativos do Poder Público, desde que a controvérsia
constitucional não figure como pedido, mas sim como causa de pe-
l
! dir, fundamento ou simples questão prejudicial, indispensável à re-
I solução do litígio principal em torno da tutela do interesse público.
difuso da I A declaração incidental de inconstitucionalidade na ação civil públi-
u no julga- ca não faz coisa julgada material, pois se trata de controle difuso de
constitucionalidade, sujeito ao crivo do STF via recurso extraordiná-
rio, sendo insubsistente, portanto, a tese de que tal sistemática teria
de consti- os mesmos efeitos da ação declaratória de inconstitucionalidade. o
mitindo que efeito erga omnes da coisa julgada material na ação civil publica será
aplicável à de âmbito nacional, regional ou local conforme a extensão e a indivi-
o perfeito, sibilidade do dano ou ameaça de dano, atuando no plano dos fatos
ontrole do e litígios concretos, por meio, principalmente, das tutelas condena-
2, 111, letra tória, executiva e mandamental, que lhe asseguram eficácia prática,
terá reco- diferentemente da ação declaratória de inconstitucionalidade, que
terminado faz coisa julgada material erga omnes no âmbito da vigência especial
vência dos da lei ou ato normativo impugnado. REsp 299.271-PR, Rei. Min. Eliana
lei federal Calmon, julgado em 17/12/2002.
m abstrato,
I, a), quer 7 Aplicação em concurso:
ontrovérsia
astando-se • MPF- Procurador da República/2011
s coletivas, "A arguição incidental de constitucionalidade só pode ser admitida com
laração de fundamento do pedido, nunca como objeto da ação principal."
normativo Resposta: A alternativa está correta.

• Juiz Federai/TRF3- 2011 - CESPE


ITUCIONA-
"É admissível a propositura de ação civil pública em que haja declaração
RÊNCIA DE
incidental de inconstitucionalidade, em face de fundamento ou questão
L FEDERAL prejudicial constitucional."
ederal tem Resposta: A alternativa está correta.
blica como
titucionali- • PGE/PE- CESPE- 2009
er Público, "A ação civil pública não pode ser usada como instrumento de controle de
República, constitucionalidade, sob pena de usurpação das atribuições do STF."
stitucional, Resposta: A afirmativa está errada.
qualifique-
solução do • PGE/PE- CESPE- 2009
Rei. Min.
"Considere que tenha sido proposta uma ação civil pública pelo MPT, por meio
da qual fora reconhecida a inconstitucionalidade de uma lei. Nesse caso, con-

57
forme entendimento do STF, mesmo havendo o trânsito em julgado, caberá • T
reclamação perante o STF, diante da possível usurpação de sua competência." "
Resposta: A afirmativa está errada. Veja julgado Rei 1.898/DF do STF acima. a
o
• PGE/CE- 2008- CESPE c
Na ação civil pública em defesa de direitos coletivos ou difusos, poderá R
ser declarada a inconstitucionalidade de lei federal, estadual ou local, pois
nessa ação pode ser feito o controle concentrado de constitucionalidade. 8. Meio
No entanto, apesar da eficácia erga omnes da decisão, o STF poderá discu-
tir a mesma matéria em ação direta de inconstitucionalidade." A tute
tica n
Resposta: A afirmativa está errada. Não pode ser feito o controle concen-
para
trado, somente o difuso.
ração
• MP/RR/Promotor/2008- CESPE te de
"É possível a declaração incidental de inconstitucionalidade na ação civil
pública de quaisquer leis ou atos normativos do poder público, desde que
a controvérsia constitucional não figure como pedido, mas sim como causa
de pedir, fundamento ou simples questão prejudicial, indispensável à reso-
lução do litígio principal em torno da tutela do interesse público."
Resposta: A aftrmativa está correta. Veja informativo 159 do STJ acima.

• TJ/Pi/Juiz/2007- CESPE
"É cabível ação civil pública objetivando a declaração incidental de incons-
titucionalidade de lei, desde que a controvérsia constitucional figure como
causa de pedir. A procedência desse pedido tem como conseqüência a
declaração em abstrato da inconstitucionalidade de lei e a coisa julgada A lei
material com eficácia erga omnes." pidad
Resposta: A afirmativa está errada. Não terá como efeito a declaração em brem
abstrato da inconstitucionalidade de lei. A declaração será em concreto. -7
• TJ/TO/J.uiz/2007- CESPE •
"É possível a propositura de ação civil pública fundada na inconstituciona-
lidade de lei, desde que se trate de controle difuso de constitucionalidade,
isto é, que essa declaração seja causa de pedir, fundamento ou mera ques-
tão prejudicial, indispensável à resolução do litígio principal, em torno da
tutela do interesse público."
Resposta: A afirmativa está correta. EstA afirmativa faz parte da ementa
do REsp 299271/PR, Min. Eliana Calmon, DJ 08/09/2003.

• Procurador do DF- 2007- ESAF.


"É juridicamente legítimo que uma sentença em ação civil pública movida
pelo Ministério Público afirme a inconstitucionalidade lei." 8.1.
dend
Resposta: A afirmativa está correta.

58
lgado, caberá • TJ/AL/Juiz/2007- FCC
competência." "O Ministério Público possui, em regra, legitimidade para a propositura de
do STF acima. ação civil pública que tenha por fundamento a inconstitucionalidade de lei
ou ato normativo federal, estadual ou municipal, operando se nesta sede
controle incidenter tantum de constitucionalidade."
usos, poderá Resposta: A afirmativa está correta.
ou local, pois
ucionalidade. 8. Meio ambiente:
poderá discu-
." A tutela ambiental começou com a Lei 6938/81 que dispõe sobre a polí-
tica nacional do meio ambiente. Naquela lei existe legitimação expressa
ntrole concen-
para que o Ministério Público da União ou dos Estados busquem a repa-
ração civil pelos danos causados ao meio ambiente, independentemen-
te de culpa do infrator.
e na ação civil Art. 14- Sem prejuízo das penalidades definidas pela legislação fede-
co, desde que ral, estadual e municipal, o não cumprimento das medidas necessá-
m como causa rias à preservação ou correção dos inconvenientes e danos causados
nsável à reso- pela degradação da qualidade ambiental sujeitará os transgresso-
blico." res:( .. ) § 12- Sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste
STJ acima. artigo, é o poluidor obrigado, independentemente da existência de
culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e
a terceiros, afetados por sua atividade. O Ministério Público da União
ntal de incons- e dos Estados terá legitimidade para propor ação de responsabilidade
al figure como civil e criminal, por danos causados ao meio ambiente.
onseqüência a
a coisa julgada A lei da ACP apenas ampliou esta legitimação, os pedidos cabíveis (atici-
pidade) e o rol de direitos protegidos (não taxatividade), melhorando, so-
declaração em bremaneira e em conjunto com o CDC, as técnicas processuais de tutela.
em concreto. -7 Aplicação em concurso:
• Defensor Público- ES/ 2012- CESPE
nconstituciona- "Considere a seguinte situação hipotética. Uma empresa de construção
itucionalidade, civil foi devidamente licenciada para iniciar as obras de construção de uma
ou mera ques- vila nas proximidades de um parque e, durante a execução dessas obras,
al, em torno da ocorreram danos ambientais à localidade. Nessa situação hipotética, a em-
presa, independentemente de culpa, responderá pelos referidos danos,
para cuja reparação o MP estará apto a intentar ACP."
arte da ementa
Resposta: A afirmativa está correta. A responsabilidade é objetiva. O licen-
ciamento ambiental não garante o direito adquirido de poluir ou degradar
o meio ambiente.
pública movida
8.1. Fungibilidade da tutela ambiental (ampliação do thema in deci-
dendum): a área objeto da agressão ambiental pode ser de extensão

59
LEI DA AÇÃO C

maior do que a referida na inicial. Maior amplitude da causa de pedir


ambiental decorrente de fatos constatados na instrução desde que li-
gados ao fato-base.
"PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANO
AMBIENTAL. OCUPAÇÃO IRREGULAR DE ÁREA DE PRESERVAÇÃO PER-
MANENTE COM DEGRADAÇÃO AMBIENTAL. JULGAMENTO EXTRA E UL-
TRA PETITA. INOCORRÊNCIA. 1. A tutela ambiental é de natureza fungí-
vel por isso que a área objeto da agressão ao meio ambiente pode ser
de extensão maior do que a referida na inicial e, uma vez assim aferida
pelo cor.junto probatório, não importa em julgamento ultra ou extra
petita. 2. A decisão extra petita é aquela inaproveitável por conferir à
parte providência diversa da almejada, mercê do deferimento de pedi-
do diverso ou baseado em causa petendi não eleita. Consectariamente,
não há decisão extra petita quando o juiz examina o pedido e aplica o
direito com fundamentos diversos dos fornecidos na petição inicial ou
mesmo na apelação, desde que baseados em jatos ligados ao jato-ba-
se. 3. Deveras, a análise do pedido dentro dos limites postos pela parte
não incide no vício in procedendo do julgamento ultra ou extra petita e,
por conseguinte, afasta a suposta ofensa aos arts. 460 {492, CPC/2015]
e 461 {497, CPC/2015}, do CPC. 4. Ademais, os pedidos devem ser inter-
pretados, como manifestações de vontade, de forma a tornar o pro-
cesso efetivo, o acesso à justiça amplo e justa a composição da lide."
(STJ, REsp 1107219/SP, Rei. Min. Luiz Fux, DJe 23/09/2010)

CPC/2015: O CPC/2015 reconheceu o dever de interpretar os pedidos e


o conjunto das postulações (art. 322, § 2Q) em conformidade com a boa-
-fé. Com isto, considerando-se que nos litígios coletivos há uma maior
amplitude da causa de pedir, devendo ser consideradas todas as circuns-
tâncias fáticas que surgirem no curso do processo desde que conectadas
(ligadas) ao fato-base objeto da postulação, os juízes e tribunais pode-
rão garantir o processo efetivo e a tutela específica ou adequada me-
9. Parágra
diante a relativização do princípio da correlação, desde que preservado
o contraditório e a vedação da decisão surpresa (art. 10, CPC}. Impossi
Trib
8.2. Princípio da informação: possibilidade de averbação de ACP no
cartório de registro de imóveis de empreendimento em área de pre- Co
servação permanente sem autorização dos órgãos ambientais. Fu
"PROCESSUAL CIVIL EAMBIENTAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA.( ... ) AVERBAÇÃO
DA DEMANDA NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. LEGALIDADE. DIREITO DOS
CONSUMIDORES À INFORMAÇÃO E À TRANSPARÊNCIA. PODER GERAL 28. Em julgad
DE CAUTELA. Cuidam os autos de Ação Civil Pública proposta com o fito dade do
de obstar a construção de empreendimento imobiliário de grande porte "Legitimi
em Área de Preservação Permanente situada em Jurerê Internacional, 29. O STF já
sem licenciamento do lbama. O acórdão recorrido limitou-se a manter 514.023

60
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
IM IA
a de pedir decisão liminar que determinou a averbação da demanda no cartório
de registro de imóveis. (... )Quanto ao mérito, observo que a recorrente
de que li-
carece de interesse jurídico tutelável porque a averbação, em si, obri-
gação alguma lhe impõe, servindo apenas para informar os. pretensos
ICA. DANO adquirentes da existência de Ação Civil Pública na qual se questiona a
VAÇÃO PER- legalidade do empreendimento. Na verdade, o interesse implícito da
EXTRA E UL- empresa, que não se mostra legítimo, é de que inexista prejuízo media-
reza fungí- to à sua atividade comercial com a ampliação da publicidade acerca da
te pode ser demanda, em negativa ao direito básico à informação do consumidor,
sim aferida bem como aos princípios da transparência e da boa-fé, estatuídos pelo
ra ou extra CDC. lmpende anotar que a averbação foi determinada na esteira de
r conferir à acórdão (questionado no REsp 1.177.692/SC) que deferira em parte a
nto de pedi- liminar pleiteada pelo Ministério Público para condicionar o prossegui-
tariamente, mento das obras à prestação de caução imobiliária equivalente a 15% do
o e aplica o valor comercial dos imóveis, para fins de compensação ambiental, bem
o inicial ou como à ciência dos adquirentes. Nesse contexto, o provimento encontra
ao jato-ba- suporte no art. 167, 11, item 12, da Lei 6.015/1973, que determina a
s pela parte averbação "das decisões, recursos e seus efeitos, que tenham por ob-
tra petita e, jeto atos ou titulas registrados ou averbados". Ressalto ainda que, ao
CPC/2015] contrário do que sustenta a recorrente, o amparo legal para proceder à
m ser inter- averbação não se restringe ao art. 167, 11, da Lei 6.015/1973, porquanto
rnar o pro- o rol nele estabelecido não é taxativo, e sim exemplificativo, haja vista
ão da lide." a norma extensiva do art. 246 da mesma'tei. Na hipótese, a averbação
serve para tornar completa e adequada a informação sobre a real si-
tuação do empreendimento, o que se coaduna com a finalidade do
pedidos e
sistema registra! e com os direitos do consumidor. Ademais, tal medida
om a boa- está legitimada no poder geral de cautela do julgador (art. 798 do CPC),
ma maior que, a par da decisão liminar, considerou-a adequada para assegurar
as circuns- a necessária informação dos adquirentes acerca do litigio existente.
onectadas Recurso Especial não provido." (STJ, REsp 1161300/SC, Rei. Ministro Her-
nais pode- man Benjamin, Segunda Turma, DJe 11/05/2011)
quada me-
9. Parágrafo único do art. lQ -+ Muito cobrado nas provas.
reservado
. Impossibilidade da utilização da ACP para:
Tributos,
de ACP no
ea de pre- Contribuições previdenciárias 28 e
is. Fundo de Garantia do Tempo de Serviço- FGTS 29
AVERBAÇÃO
IREITO DOS
DER GERAL 28. Em julgados iniciados a partir do final de 2010 o STJ e o STF vem reconhecendo a legitimi-
a com o fito dade do MP para promover ACP relativos a benefícios previdenciários. Verificar o tópico
rande porte "Legitimidade do MP".
ternacional, 29. O STF já reconheceu a legitimação do MP para as ações coletivas envolvendo o FGTS (RE
se a manter 514.023 AgR/RJ, Rei. Min. Ellen Grade, Segunda Turma, DJe de 05/02/2010). A matéria

61
11ftli DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia LEI DA AÇÃ

-7 Aplicação em concurso: • J
• Cartório- TJ- PB/2014 -lESES "
v
':A Lei 7.347 de 1985, que disciplina a Ação Civil Pública rege as disposições,
sem prejuízo da ação popular, das ações de responsabilidade por danos R
morais e patrimoniais causados:
• P
/. Ao meio-ambiente e ao consumidor.
"
11. Por infrações que envolvam tributos e contribuições previdenciárias.
c
111. Por infração da ordem econômica. m
IV. À ordem urbanística. e
e
A) Apenas 11 e IV estão corretas.
8} I, 11 e 111 estão corretas R

C) Apenas 111 e IV estão corretas. • T


D) I, 111 e IV estão corretas." "
Resposta: Letra D ç
t
• Defensor Público- SE/ 2012- CESPE e
"De acordo com a legislação de regência, não é cabível o ajuizamento de A) é
ACP para veicular pretensão que envolva tributos." d
Resposta: A afirmativa está correta. B) é
e
• Juiz Federai/TRF3- 2011 - CESPE
C) n
"É cabível a propositura de ação civil pública em matéria tributária ou pre-
l
videnciária para defender direitos individuais."
g
Resposta: A afirmativa está errada. D) n
t
• MP/SE- CESPE- 2010
d
"A ação civil pública é instrumento hábil conferido ao MP contra a cobran-
E)
ça excessiva de taxas que alcancem expressivo número de contribuintes."
Resposta: A afirmativa está errada.

• DPE/AL- CESPE- 2009


"É cabível ação civil pública para veicular pretensões que envolvam con- •
tribuições previdenciárias cujos beneficiários possam ser individualmente
determinados."
Resposta: A afirmativa está errada.

contudo está afeta como repercussão geral para decisão definitiva. Verificar o tópico
"legitimidade do MP".

62
Leonardo Garcia LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
IM II
• Juiz Federal /TRF 19 Região- CESPE- 2009
"Conforme expressa disposição legal, não será cabível ação civil pública para
veicular pretensões que envolvam tributos e contribuições previdenciárias."
as disposições,
ade por danos Resposta: A afirmativa está correta.

• PGE/PB/Procurador/2008- CESPE
"O sindicato e a associação civil têm legitimidade ativa para propor ação
nciárias.
civil pública que tenha por objeto a cobrança indevida de tributo, taxa ou
muita, desde que seja de interesse de seus associados e esteja incluída,
entre suas finalidades institucionais, a proteção ao consumidor e à ordem
econômica."
Resposta: Obs: A afirmativa está errada.

• TJ/RR/Juiz/2008- FCC
"O Ministério Público do Estado de Roraima, através de Promotor de Justi-
ça, propõe ação civil pública em face do Município de Boa Vista, que insti-
tuiu taxa de coleta de lixo, cuja alíquota é 0,25% do valor venal do imóvel
e contribuinte é o proprietário de imóvel urbano. É correto afirmar que
ajuizamento de A) é cabível ação pública na defesa dos direitos do contribuinte, por ser um
direito coletivo, equiparando-se o contribuinte a consumidor.
B) é cabível ação civil pública na defesa dos direitos do contribuinte, com efeito
erga omnes, sendo uma forma de controle difuso de constitucionalidade.
C) não é cabível ação civil pública em matéria tributária por expressa vedação
butária ou pre-
legal, apesar de ser o direito do contribuinte um direito individual homo-
gêneo.
D) não é cabível ação civil pública em matéria tributária porque o contribuin-
te não pode ser equiparado a consumidor para fins de enquadramento do
direito do contribuinte como direito difuso e coletivo.
ontra a cobran-
E) só é cabível ação civil pública para defesa de direito do contribuinte quan-
contribuintes."
do proposta por associação constituída há pelo menos um ano, não tendo
o Ministério Público legitimidade para tanto.
Resposta: Letra C.

envolvam con- • TJ/AL/Juiz/2007- FCC.


ndividualmente
"Um Estado da Federação instituiu alíquota progressiva do Imposto sobre
Circulação de Mercadorias e Serviços para o fornecimento de energia elé-
trica. lnconformada, uma organização não governamental pretende tornar
sem efeito essa prática, invocando, no interesse dos seus associados, vio-
lação do texto constitucional. Neste caso, deverá ingressar com ação civil
pública contra a respectiva concessionária dos serviços públicos."
Verificar o tópico
Resposta: Obs: A afirmativa está errada.

63
f!Bil_ DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia

I
• PGE/RR - 2004 - CESPE
"O Ministério Público está legalmente autorizado a propor ação civil públi-
ca para defesa de direitos de contribuintes, visando obstar a cobrança de
I c) nos o
dores
Lei n.
taxas e tributos."
Resposta: A afirmativa está errada.
II d) presc
f Faze
i 03/1
..,.. Para a critica desse dispositivo e sua inconstitucionalidade, conferir Fredie
Didier Jr e Hermes Zaneti Jr. Curso de Direito Processual Civil - Processo i e) quan
ação
Coletivo. Vol. 4, 10ªed. Salvador: Jus Podivm, 2016 (CPC/2015).
I esten
prazo
10. ACP e Ação de Improbidade Administrativa
É compatível a utilização de ação civil pública com fundamento na Lei
iI anos
'
do tr
de Improbidade Administrativa. Sendo o caso da face sancionatória da
improbidade, requerida a sanção de perda do cargo e suspensão dos di- f) o pra
reitos políticos, será obrigatório seguir o procedimento da Lei 8429/92. de p
A face reparatória poderá ser veiculada por ACP nos termos da Lei inicia
7347/85. nuid
Mau
..... STJ
~ Apl
"É perfeitamente cabível na ação civil pública, regulada pela Lei
7.347/85, pedido de reparação de danos causados ao erário pelos • CES
atos de improbidade administrativa, tipificados na Lei 8.429/92." (STJ,
"No
REsp 735424/SP, Rei. Min. Eliana Calmon, DJ 18/05/2007)
ajui
11. Prescrição na ACP ça p

No tocante à prescrição das ações coletivas, o STJ ainda não firmou en- Res
tendimento conclusivo quanto ao tema. O que se extrai dos recentes jul-
• CES
gamentos é o seguinte {verificar os informativos colacionados a seguir):
"A p
a) é imprescritível a ação civil pública em que se discute a ocorrência amb
de dano ao erário.
Res
b) é imprescritível a ação civil pública em que se discute o direito à
reparação de danos ambientais. 30 • Pro
"É d
em
30. Observe-se, contudo, que a multa administrativa, assim como as ações penais, tem prazo Res
prescricional previsto em lei, não sendo imprescritíveis em matéria arnbientaf. Nesse sen-
11
tido, Esta Corte adotou entendimento, inclusive em sede de recurso especial repetitivo
(REsp n. 1.112.577/SP), na sistemática do art. 543-C, do CPC, no sentido de que o prazo
prescricional nas ações de cobrança de multa aplicada devido a infração administrativa ao contados
meio ambiente é de cinco anos, nos termos do art. 1º do Decreto n. 20.910/32. 3. Sobre promover
o tema, esta Corte editou a Súmula n. 467, a qual dispõe que: "Prescreve em cinco anos, Mauro Ca

64
nardo Garcia

I
civil públi-
obrança de
I c) nos outros casos, em geral {v.g. ações envolvendo direitos dos consumi-
dores), o STJ tem aplicado o prazo de 5 anos da ação popular (art. 21 da
Lei n. 4.717/65)- utilização do microssistema processual coletivo.
II d) prescreve em 5 {cinco) anos a ação civil pública ajuizada contra a
f Fazenda Pública {Lei n.º 20.910/32). {AgRg no Ag 1180561/PR, DJe
i 03/11/2011)
ferir Fredie
- Processo i e) quando se tratar de execução individual de sentença proferida em
ação coletiva, aplica-se o prazo próprio das ações populares, que foi
I estendido pela jurisprudência do STJ para todas as ações coletivas, o
prazo é quinquenal. Assim, o beneficiário de ação coletiva tem cinco

nto na Lei
iI anos para o ajuizamento da execução individual, contados a partir
'
do trânsito em julgado de sentença coletiva. ·
natória da
ão dos di- f) o prazo prescricional de ação civil pública em que se busca anulação
8429/92. de prorrogação ilegal de contrato administrativo tem como termo
os da Lei inicial o término do contrato, porque, nestas situações, existe conti-
nuidade de efeitos no tempo. {STJ, REsp 1150639/RS, Rei. Ministro
Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, , DJe 08/10/2010)
~ Aplicação em concurso:
da pela Lei
rário pelos • CESPE- DPE-PE- Defensor Público- 2015
9/92." (STJ,
"No âmbito do direito privado, cinco anos é o prazo prescricional para o
ajuizamento da execução individual em pedido de cumprimento de senten-
ça proferida em ação civil pública."

irmou en- Resposta: A afirmativa está correta.


centes jul-
• CESPE- DPE-RN- Defensor Público Substituto- 2015
a seguir):
"A prescrição para a pretensão reparatória de caráter coletivo em matéria
ocorrência ambi-ental é de cinco anos, conforme entendimento do STJ."
Resposta: A afirmativa está errada.
o direito à
• Promotor de Justiça- MG/2014- Fundep
"É de cinco anos o prazo prescricional para ajuizamento da execução individual
em pedido de cumprimento de sentença proferida em ação civil pública."
is, tem prazo Resposta: A afirmativa está correta.
f. Nesse sen-
ial repetitivo
que o prazo
inistrativa ao contados do término do processo administrativo, a pretensão da Administração Pública de
/32. 3. Sobre promover a execução da multa pur infração ambiental". (REsp 1225489/SP, Rei. Ministro
m cinco anos, Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 22/02/2011, DJe 04/03/2011)

65
,,,, DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia

• Defensor Público - SE/2012 - Cespe


"De acordo com entendimento do STJ, o termo inicial do prazo de prescri-
ção para o ajuizamento de ação coletiva com a finalidade de atacar contra-
to ilegal é a subscrição do contrato."
Resposta: A afirmativa está errada.
11.2.
Crítica: os prazos prescricionais deveriam ser distintos conforme os di- cidiu
reitos materiais tutelados, não faz nenhum sentido aplicar o prazo de 5 e Ver
anos (da ação popular, direito material à anulação do ato administrati-
vo) para o direito material do consumidor, da saúde ou educação. Erro
inadmissível do ponto de vista da boa dogmática jurídica é considerar
o prazo prescricional pelo seu efeito processual. O prazo prescricional
é de natureza sabidamente material. Há um precedente do STJ, (REsp
995.995-DF, Terceira Turma, DJe 16/11/2010), em que a Min. Nancy An-
drighi aplicou o prazo da ação individual (direito material). Como se tra-
tava de ação de nulidade de cláusula contratual, e o prazo prescricional
do coe é somente para acidente de consumo (art. 27), foi utilizado o
prazo geral do CC (10 anos).
A aplicação de prazos prescricionais dos direitos individuais nos proces-
sos coletivos também deveria ser melhor discutida, pois tratam-se de
posições jurídicas diversas. Mas, para tanto, é necessário que lei preveja
expressamente a matéria
11.1. o STJ entende que se aplica analogicamente o prazo de 5 anos do
art. 21 da Lei da Ação Popular.
.... STJ
Informativo 400. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. PRESCRIÇÃO. In casu, o Minis-
tério Público estadual ajuizou ação civil pública para anular o ato que
prorrogou, por mais 20 anos, contrato de concessão de exploração de
estação rodoviária municipal, porquanto não precedido de licitação.
o Tribunal a quo manteve a sentença em reexame necessário, mas,
quanto à prescrição para propositura da ação, considerou que, sen-
do relação de trato sucessivo, não havia prescrição nem decadência
do direito enquanto não findo o contrato. Explica o Min. Relator ser
cediço que a Lei n. 7.347/1985 é silente quanto à prescrição para a
propositura da ação civil pública e, em razão dessa lacuna, aplica-se
~
por analogia a prescrição quinquenal prevista na Lei da Ação Popu-
lar. Citou, ainda, que a MP n. 2.180-3S/20001, que introduziu o art. •
1Q-C na Lei n. 9.494/1997 (que alterou a Lei n. 7.347/1985), estabele-
ceu prazo prescricional de cinco anos para ações de inde11ização por
danos causados por agentes de pessoas jurídicas de direito público e
privado prestadores de serviços públicos. Com essas considerações,

66
eonardo Garcia

a Turma deu provimento ao recurso para acolher a prescrição quin-


quenal para propositura da ação civil pública, ficando prejudicada a
zo de prescri-
apreciação dos demais questionamentos. Precedentes citados: REsp
atacar contra-
1.084.916-RJ, DJe 29/6/2004, e REsp 911.961-SP, DJe 15/12/2008.
REsp 1.089.206-RS, Rei. Min. Luiz Fux, julgado em 23/6/2009.

11.2. Seguindo este entendimento, o STJ (através da Segunda Seção) de-


forme os di- cidiu que o prazo para ajuizar ações civis públicas sobre planos Bresser
o prazo de 5 e Verão é de 5 anos.
administrati-
ucação. Erro "CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA DECORRENTE DE
é considerar DIREITOS INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS. POUPANÇA. COBRANÇA DOS
EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. PLANOS BRESSER E VERÃO. PRAZO
prescricional
PRESCRICIONAL QUINQUENAL. 1. A Ação Civil Pública e a Ação Popu-
do STJ, (REsp
lar compõem um microssistema de tutela dos direitos difL:sos, por isso
n. Nancy An-
que, não havendo previsão de prazo prescricional para a propositura
Como se tra- da Ação Civil Pública, recomenda-se a aplicação, por analogia, do prazo
prescricional quinquenal previsto no art. 21 da Lei n. 4.717/65.2. Embora o direito
oi utilizado o subjetivo objeto da presente ação civil pública se identifiq~..;e com aque-
le contido em inúmeras ações individuais que discutem a cobrança de
expurgos inflacionários referentes aos Planos Bresser e Verão, são, na
s nos proces-
verdade, ações independentes, não implicando a extinção da ação civil
tratam-se de
pública, que busca a concretização de um direto subjetivo coletiviza-
ue lei preveja do, a extinção das demais pretensões individu3is com origem comum,
as quais não possuem os mesmos prazos de prescrição. 3. Em cutro
de 5 anos do ângulo, considerando-se que as pretensões coletivas sequer existiam
à época dos fatos, pois em 1987 e 1989 não 1avia a possibilidade de
ajuizamento da ação civil pública decorrente ::le direitos individuais
homogêneos, tutela coletiva consagrada com o advento, em 1990, do
n casu, o Minis- coe, incabível atribuir às ações civis públicas o prazo prescricional vin-
nular o ato que tenário previsto no art. 177 do CC/16. 4. Aindê que o art. 7Q do CDC
e exploração de preveja a abertura do microssistema para outras normas que dispõem
do de licitação. sobre a defesa dos direitos dos consumidores, a regra existente fora do
ecessário, mas, sistema, que tem caráter meramente geral e vai de encontro ao regido
derou que, sen- especificamente na legislação consumeirista, n,3o afasta o prazo prescri-
em decadência cional estabelecido no art. 27 do CDC. 5. Recurso especial a que se nega
Min. Relator ser provimento." (STJ, REsp 1070896/SC, Rei. Ministro Luis Felipe Salomão,
escrição para a Segunda Seção, julgado em 14/04/2010, DJe 04/08/2010)
cuna, aplica-se
~ Aplicação em concurso:
da Ação Popu-
ntroduziu o art. • MPE-RR- Promotor de Justiça- RR/2012- CESPE
1985), estabele- "Aplica-se o prazo prescricional quinquenal previsto na Lei da Ação Popular
nde11ização por à ACP decorrente de direitos individuais homogêne>Js."
direito público e
considerações,
Resposta: A afirmativa está correta.

67
11.3. A exceção seria as ações que visem o ressarcimento de danos ao
erário, que é imprescritível por expressa determinação do art. 37, § Sº
da CF.
"No que concerne à ação civil pública em que se busca a condenação
por dano ao erário e o respectivo ressarcimento, esta Corte considera
que tal pretensão é imprescritível, com base no que dispõe o arti-
go 37, § 52, da Constituição da República. Precedentes de ambas as
Turmas da Primeira Seção. (STJ, REsp 1107833/SP, Rei. Min. Mauro
Campbell Marques, DJe 18/09/2009)

~ Aplicação em concurso:
• MPE-PI- Promotor de Justiça- Pl/2012- CESPE
"É imprescritível a ACP que tenha por objeto o ressarcimento de danos
causados ao erário por atos de improbidade administrativa."
Resposta: A afirmativa está correta.

11.4. O STJ tem considerado as ações coletivas de reparação de dano


ambiental também imprescritíveis (interessante observar o critério ado-
tado pela Min. Eliana Calmon para diferenciar os prazos prescricionais
-direito privado vs direito indisponível):
"O direito ao pedido de reparaçãÓ de danos ambientais, dentro da lo-
gicidade hermenêutica, está protegido pelo manto da imprescritibili- -7 Apl
dade, por se tratar de direito inerente à vida, fundamental e essencial
• Def
à afirmação dos povos, independentemente de não estar expresso em
texto legal. Em matéria de prescrição cumpre distinguir qual o bem ju- "A a
rídico tutelado: se eminentemente privado seguem-se os prazos nor- con
mais das ações indenizatórias; se o bem jurídico é indisponível, funda- Res
mental, antecedendo a todos os demais direitos, pois sem ele não há
vida, nem saúde, nem trabalho, nem lazer, considera-se imprescritível 11.5. Ex
o direito à reparação. O dano ambiental inclui-se dentre os direitos in- ca-se o
disponíveis e como tal está dentre os poucos acobertados pelo manto ações co
da imprescritibilidade a ação que visa reparar o dano ambiental." (STJ,
O inform
REsp 1120117/AC, Rei. Min. Eliana Calmon, DJe 19/11/2009)
finir o p
A Min. Eliana Calmon acolheu, neste ponto, a doutrina de Hugo Nigro os prazo
Mazz;li: "Em questões transindividuais que envolvam direitos funda-
prazo ge
mentais da coletividade, é impróprio invocar as regras de prescrição
coletivas
próprias do Direito Privado. O direito de todos a um meio ambiente
sadio não é patrimonial, muito embora seja passível de valoração, ações in
para efeito indenizatório; o valor da eventual indenização não reverte ações co
para o patrimônio dos lesados nem do Estado: será destinado ao fun-
do de que cuida o art. 13 da LACP, para ser utilizado na reparação di·
reta do dano. Tratando-se de direito fundamental, indisponível, co- 31. Conforme

68
danos ao mum a toda a humanidade, não se submete à prescrição, pois uma
37, § Sº geração não pode impor às seguintes o eterno ônus de suportar a
prática de comportamentos que podem destruir o próprio habitat
ndenação do ser humano. Também a atividade degradadora contínua não se su-
considera jeita a prescrição: a permanência da causação do dano também elide
õe o arti- a prescrição, pois o dano da véspera é acrescido diuturnamente. Em
ambas as matéria ambiental, de ordem pública, por um lado, pode o legislador
n. Mauro dar novo tratamento jurídico a efeitos que ainda não se produziram;
de outro lado, o Poder Judiciário pode coibir as violações a qualquer
tempo. A consciência jurídica indica que não existe o direito adquirido
de degradar a natureza. É imprescritível a pretensão reparatória de
caráter coletivo, em matéria ambiental. Afinal, não se pode formar
direito adquirido de poluir, já que é o meio ambiente patrimônio
de danos
não só das gerações atuais como futuras. Como poderia a geração
atual assegurar o seu direito de poluir em detrimento de gerações que
ainda nem nasceram?! Não se pode dar à reparação da natureza ore-
gime de prescrição patrimonial do direito privado. A luta por um meio
de dano ambiente hígido é um metadireito, suposto que antecede à própria
ério ado- ordem constitucional. O direito ao meio ambi~nte hígido é indispo-
cricionais nível e imprescritível, embora seja patrimonialmente aferível para
fim de indenização". (in A Defesa dos Direitos Difusos em Juízo, 19ª
ed., rev. e ampli. e atual.- São Paulo: Saraiva, 2006, págs. 540-541,)
ntro da lo-
escritibili- -7 Aplicação em concurso:
essencial
• Defensor Público -SE/ 2012 - Cespe
presso em
o bem ju- "A ação coletiva para a tutela do meio ambiente prescreve em cinco anos
razos nor- contados da ciência do dano."
el, funda- Resposta: A afirmativa está errada. O STJ considera imprescritível.
le não há
rescritível 11.5. Execução individual de sentença proferida em ação coletiva, apli-
ireitos in- ca-se o prazo próprio das ações populares estendido pelo STJ para as
elo manto ações coletivas, que é quinquenal.
ntal." (STJ,
O informativo a seguir contém importantes considerações. Além de de-
finir o prazo da execução individual nas ações coletivas, o STJ distinguiu
ugo Nigro os prazos das ações coletivas (5 anos) das ações individuais (20 anos -
os funda-
prazo geral do antigo CC31). Segundo o STJ, os prazos aplicáveis às ações
prescrição
coletivas (de conhecimento ou execução individual) e os aplicáveis às
ambiente
valoração, ações individuais devem ser contados de forma independente, pois as
ão reverte ações coletivas estão inseridas em um microssistema próprio com regras
do ao fun-
aração di·
nível, co- 31. Conforme o art. 2028 do Código Civil de 2002.

69
I particulares e, devido às diferenças substanciais entre tutela individual
LEI DA A

Este
e coletiva, é razoável a aplicação de regras distintas (já apresentamos Res
nossas críticas a este posicionamento!)
-7
Informativo 484 STJ. PRAZO. PRESCRIÇÃO. EXECUÇÃO INDIVIDUAL.
AÇÃO COLETIVA. Trata-se, na origem, de pedido de cumprimento in- •
dividual de sentença proferida em ação civil pública que condenou -
instituição financeira a pagar poupadores com contas iniciadas e/ou
renovadas até 15/6/1987 e 15/1/1989, os expurgos inflacionários re-
ferentes aos meses de junho de 1987 a janeiro de 1989, e juros de
0,5% ao mês. O Min. Relator afirmou que para a análise da quaestio
juris deve-se ater aos seguintes aspectos: I - na execução, não se de-
duz pretensão nova, mas aquela antes deduzida na fase de conheci-
mento, com o acréscimo de estar embasado por um título executivo
judicial que viabiliza atos expropriatórios, consubstanciando a senten-
ça marco interruptor do prazo prescricional, daí por que a execução
deve ser ajuizada no mesmo prazo da ação (Súm. n. 150-STF); 11 -as
ações coletivas fazem parte de um arcabouço normativo vocaciona-
11.
do a promover a facilitação da defesa do consumidor em juízo e o
cion
acesso pleno aos órgãos judiciários (art. 62, VIl e VIII, do CDC), levan-
do sempre em consideração a vulnerabilidade do consumidor (art.
42 do CDC). Assim, o instrumento próprio de facilitação de defesa e
de acesso do consumidor não pode voltar-se contra o destinatário de
proteção, prejudicando sua situação jurídica; 111 - as ações coletivas
inseridas em um microssistema próprio e com regras particulares,
sendo que das diferenças substanciais entre tutela individual e cole-
tiva mostra-se razoável a aplicação de regras diferenciadas entre os
dois sistemas. Do exposto, concluiu que o prazo para o consumidor
ajuizar ação individual de conhecimento, a partir do qual lhe poderá
ser aberta a via da execução, independe do ajuizamento da ação co- -7
letiva, e não é por essa prejudicada, regendo-se por regras próprias •
e vinculadas ao tipo de cada pretensão deduzida. Porém, quando se
tratar de execução individual de sentença proferida em ação coletiva,
como no caso, o beneficiário se insere em microssistema diverso e
com regras pertinentes, sendo necessária a observância do prazo pró-
prio das ações coletivas, que é quinquenal, conforme já firmado no De
REsp 1.070.896-SC, DJe 4/8/2010, aplicando-se a Súm. n. 150-STF. Daí tem
o beneficiário de ação coletiva teria cinco anos para o ajuizamento
da execução individual, contados a partir do trânsito em julgado de
sentença coletiva, e o prazo de 20 anos para o ajuizamento de ação
de conhecimento individual, contados dos respectivos pagamentos
a menor das correções monetárias em razão dos planos econômi-
cos. REsp 1.275.215-RS, Rei. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em Nos o
27/9/2011. midor

70
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI No 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
l;ftll
ela individual Este entendimento foi consolidado no julgamento do Recurso Repetitivo
presentamos Resp 1273643/PR.

-7 Aplicação em concurso:
O INDIVIDUAL.
mprimento in- • Defensor Público- SE/2012- CESPE
que condenou - "O beneficiário da ação coletiva tem o prazo de cinco anos para o aju'za-
iniciadas e/ou mento da execução individual, contado a partir do trânsito em julgado da
lacionários re- sentença coletiva, e o prazo de vinte anos para o ajuizamento da ação de
89, e juros de conhecimento individual, contado dos respectivos pagamentos a me:1or
se da quaestio das correções monetárias em razão de planos econômicos."
ão, não se de- Resposta: A afirmativa está correta.
se de conheci-
tulo executivo "Em regra, a execução de sentença coletiva prescreve em cinco anos a ron-
ando a senten- tar da prolação da sentença."
ue a execução Resposta: A afirmativa está errada. A contagem começa do trânsito em
50-STF); 11 -as julgado.
ivo vocaciona-
11.6. STJ: havendo execução coletiva, fica interrompido o prazo prescri-
r em juízo e o
cional para o ajuizamento da pretensão executória individual.
do CDC), levan-
nsumidor (art. ':4 jurisprudência desta Corte Superior firmou-se no sentido de que,
ão de defesa e havendo execução coletiva, fica interrompido o prazo prescricional
destinatário de para o ajuizamento da pretensão executória individual. Esse enten-
ações coletivas dimento tem como objetivo desonerar eventual inércia do exequente
s particulares, que, ante a ciência do aforamento da execução pelo Ministério Pú-
dividual e cole- blico Federal, prefere a satisfação do crédito exequendo pela vic da
iadas entre os execução individual. {STJ, AgRg no REsp 1267246/RS, Rei. Ministre Og
o consumidor Fernandes, Segunda Turma, DJe 18/11/2013)
ual lhe poderá
nto da ação co- -7 Aplicação em concurso:
egras próprias • Promotor de Justiça- MG/2014- Fundep
ém, quando se "O fato de existir execução coletiva não influencia no prazo prescricional
m ação coletiva, para o ajuizamento da pretensão executória individual."
ema diverso e
Resposta: A afirmativa está errada.
a do prazo pró-
já firmado no De modo sistemático quanto aos prazos prescricionais, segundo o STJ,
n. 150-STF. Daí temos:
o ajuizamento
em julgado de
mento de ação
s pagamentos
anos econômi-
ão, julgado em Nos outros casos (v.g. direito do consu- 5 anos (art. 21 da Lei n. 4. 717/65- LAP)
midor, etc.

71
13.STJ:
13.1. AC

Execução individual de sentença proferi- 5 anos do trânsito em julgado da sen-


da em ação coletiva coletiva

12.litisconsórcio passivo facultativo: A responsabilidade nos ilícitos de


massa (v.g., acidentes ambientais e de consumo} é solidária e indepen-
dente, ensejando litisconsórcio facultativo, sendo que o agente poderá -7 Ap
se sub-rogar naquilo que houver pago a maior.
• MP
..... STJ: "É
mo
Informativo n2 360. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANO AMBIENTAL. LITIS-
CONSÓRCIO FACULTATIVO. A ação civil pública ou coletiva que ob- Re
jetiva a responsabilização por dano ambiental pode ser proposta
contra o poluidor, pessoa física ou jurídica, de direito público ou pri-
13.2. In
vado, responsável direta ou indiretamente, por atividade causadora imóvel.
de degradação ambiental (art. 32, IV, da Lei n. 6.898/1991), todos
co-obrigados solidariamente à indenização, mediante litisconsórcio
facultativo. A sua ausência não acarreta a nulidade do processo. Pre-
cedentes citados: REsp 604.725-PR, DJ 22/8/2005, e REsp 21.376-
SP, DJ 15/4/1996. REsp 884.150-MT, Rei. Min. Luiz Fux, julgado em
19/6/2008.

-7 Aplicação em concurso: 14. ACP e p

• MP/RR/Promotor/2008- CESPE Segund


política
"A ação civil pública por danos causados a interesses difusos, inclusive os
diretrize
ambientais, pode ser proposta contra o responsável direto, contra o res-
princípi
ponsável indiretc ou contra ambos. Trata-se de responsabilidade objetiva
e solidária, porém, ensejadora de litisconsórcio facultativo." amplo
sico, co
Resposta: A afirmativa está correta. Verificar informativo 360 do STJ acima.
dos pro
• TRFS/Juiz/2007- CESPE proteçã
"A ação civil públ'ca por danos causados a interesses difusos, incluindo-se Segund
os ambientais, pode ser proposta contra o responsável direto, contra o res- judicial
ponsável indireto ou contra ambos. Trata-se de responsabilidade objetiva letiva, s
e solidária, ensejadora de litisconsórcio facultativo."
a) resp
Resposta: A afirmativa está correta. Verificar informativo 360 do STJ acima.
a se
-------------------------------------------------------------
..... Observação: veja como as questões se repetiram no CESPE. São idênticas!
traíd
do s
-------------------------------------------------------------
72
13.STJ:
13.1. ACP: Ordem econômica
"O Poder Judiciário é competente para examinar Ação Civil Pública
da sen- visando à proteção da ordem econômica, independentemente de
prévia manifestação do Conselho Administrativo de Defesa Econômi-
ca- Cade ou de qualquer outro órgão da Administração Pública." (STJ,
REsp 1181643/RS, Rei. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma,
itos de
DJe 20/05/2011).
depen-
poderá -7 Aplicação em concurso:
• MP/RN/Promotor/2009- CESPE
"É cabível ação civil pública de responsabilidade por danos morais e patri-
moniais causados por infração da economia popular."
L. LITIS-
que ob- Resposta: A afirmativa está correta. Art. 12, V da LACP.
roposta
o ou pri-
13.2. Indenização fica suspensa se houver ACP discutindo domínio do
usadora imóvel.
, todos "O entendimento das turmas que compõem a Primeira Seção con-
nsórcio verge no sentido de que, além da indenização, também o pagamen-
so. Pre- to da verba honorária sucumbencial fixada em ação de desapropria-
21.376- ção deverá permanecer suspenso enquanto se discutir na ação civil
ado em pública o domínio do imóvel respectivo." 1 (STJ, EREsp 650.246/PR,
Rei. Ministro Cesar Asfor Rocha, Primeira Seção, DJe 02/12/2011)

14. ACP e políticas públicas


Segundo Ricardo de Barros Leonel, quando se pensa no conceito de
políticas públicas "vem-nos prontamente a percepção do conjunto de
usive os
diretrizes e realizações do Poder Público, capazes de tornar efetivos
a o res-
princípios constitucionais relacionados, em última análise, ao conceito
objetiva
amplo de cidadania, ou seja, saúde pública, educação, saneamento bá-
sico, condições de adequado desenvolvimento urbanístico, tratamento
acima.
dos problemas relacionados à infância e à adolescência, sistemas de
proteção ambiental, segurança pública etc."
indo-se Segundo o autor, "apontam-se como requisitos e limites para o controle
a o res- judicial das políticas públicas, seja em ação individual, seja em ação co-
objetiva letiva, sintética e sistematicamente:

a) respeito por parte da Administração pública do mínimo existencial


acima.
a ser garantido a cada cidadão (com parâmetros que podem ser ex-
------
ticas!
traídos da própria Constituição, envolvendo saúde e existência digna
do ser humano};
------
73
LEI DA A

b) razoabilidade da pretensão individual ou coletiva deduzida em juízo


em face do Poder Público (que envolve o trinômio necessidade, ade-
quação, e proporcionalidade em sentido estrito);
c) existência de disponibilidade financeira e orçamentária por parte do
Estado para concretizar as prestações positivas que lhe são exigidas." 32
O conceito de políticas públicas mais referido na doutrina é o de Maria
Paula Dallari Bucci, para quem:
"Política pública é o programa de ação governamental que resulta de
um processo ou conjunto de processos juridicamente regulados- pro-
cesso eleitoral, processo de planejamento, processo de governo, pro-
cesso orçamentário, processo legislativo, processo administrativo, pro-
cesso judicial- visando coordenar os meios à disposição do Estado e as
atividades privadas, para a realização de objetivos socialmente relevan-
tes e politicamente determinados. Como tipo ideal, a política pública
deve visar a realização de objetivos definidos, expressando a seleção
de prioridades, a reserva de meios necessários à sua consecução e o
intervalo de tempo em que se espera o atingimento dos resultados". 33
o tema vem sendo estudado com muita atenção pela doutrina brasilei-
ro, a exemplo das pesquisas do CEBEPEJ- Centro Brasileiro de Pesquisas
e Estudos Judiciais, presidido por Kazuo Watanabe. Em estudo muito
relevante, coordenado por Ada Pelegrini Grinover, foram publicadas as
seguintes conclusões:
"1- O controle jurisdicional de políticas públicas relacionadas aos direi-
tos sociais constitucionalmente assegurados, para sua implementação
ou correção, encontra pressupostos ou limites na observância do míni-
mo existencial, do princípio da razoabilidade e da reserva do possível;
2 - O mínimo existencial corresponde ao núcleo duro dos direitos
sociais garantidos pela Constituição, e consiste no mínimo indispen-
sável à dignidade humana, autorizando a imediata judicialização dos
direitos, independentemente da existência de lei ou de atuação ad-
ministrativa;
3 -O princípio da razoabilidade indica a razoabilidade da pretensão
coletiva ou individual e, em contrapartida, a desarrazoabilidade da lei,
de sua interpretação ou da atuação administrativa;

32. Manual de Processo Coletivo. Ed. RT, 2 Ed, pg. 449/450. 34. Ap
33. BUCCI, Maria Paula Dallari. O conceito de política pública em direito. In: Bucci, Maria Paula Jur
Dallari (coord.). Políticas Públicas: reflexões sobre o conceito jurídico. São Paulo: Saraiva, rel
2006. P. 1-51, esp. p. 39. art

74
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
GH•A
ida em juízo 4 -A reserva do possível indica tanto a existência de disponibilidade
sidade, ade- orçamentária-financeira, como a necessidade de planejamento ne-
cessário à execução da política pública a ser implementada;

por parte do 5- Não haverá necessidade de observar a reserva do possível quando


o exigidas." 32 se tratar de casos de urgência ou do mínimo existencial;

6 - Observados os pressupostos ou limites supra referidos, o Poder


é o de Maria
Judiciário pode intervir para implementar ou corrigir a política :Júbli-
ca, sem afronta ao princípio da separação dos Poderes, tal qual se
que resulta de apresenta no Estado Democrático de Direito (rectius, separação de
gulados- pro- funções);
governo, pro-
7 - Para tanto, o Judiciário pode ser provocado por intermécio de
nistrativo, pro-
todos os meios previstos no ordenamento jurídico, em especial por
do Estado e as
meio das ações constitucionais, como o Mandado de Injunção, a Ação
mente relevan-
Declaratória de Inconstitucionalidade por Omissão e a Ação de Des-
olítica pública
cumprimento de Preceito Fundamental;
ndo a seleção
onsecução e o 8- No plano da jurisdição ordinária, ações coletivas ou mesmo indi-
esultados". 33 viduais podem ser ajuizadas, tendendo na maioria das vezes a obriga-
ções de fazer, como a de implementar ou corrigir determinada política
rina brasilei-
pública, de incluir no orçamento futuro a verba necessária e de aplicar
de Pesquisas efetivamente a verba para a implementação ou correção da p:>!ítica
studo muito pública, devendo o juiz acompanhar a execução, inclusive mediante
ublicadas as sub-rogação de pessoas;

9 - Para a tomada de decisões e sua execução, o processo deve obe-


adas aos direi- decer a um novo modelo de cognição, senco necessário que c juiz
mplementação dialogue com a administração pública para colher informações sobre
ância do míni- a política pública já existente ou a ser implementada e examinar o or-
a do possível; çamento, devendo também ampliar-se o contraditório, inclusive por
o dos direitos intermédio de audiências públicas e da intervenção de amici curiae,
imo indispen- tudo de modo a que o juiz decida corretamente e de maneira exequí-
cialização dos vel, com motivação rigorosa;
e atuação ad- 10- Para a implementação dessas conclusôes, é necessário pensar
num novo modelo de processo e num novo modelo de gestão do
da pretensão Judiciário, que permita inclusive a reunião de processos, e:-r pri-
bilidade da lei, meira e segunda instância, sempre que possam onerar o mesmo
orçamento;" 34

34. Apêndice do livro, GRINOVER, Ada Pellegrini; WATANABE, Kazuo (coord.). O Controle
ucci, Maria Paula Jurisdicional de Políticas Públicas. Rio de Janeiro: Forense, 2011. r~este trabalho existem
o Paulo: Saraiva, relevantes contribuições sobre o tema, tendo um dos autor2s deste livr-:> publicado um
artigo sobre a admissibilidad2 do debate judicial sobre políticas pé•blicas :10 Brasil.

75
I
Os problemas ligados ao controle judicial de políticas públicas estão
vinculados, portanto, a dois grandes argumentos. O argumento demo-
crático, segundo o qual o Poder Judiciário não teria legitimidade para
decidir sobre essas matérias pois não é eleito para fazer leis ou estabe-
I de proteção
pelo crivo do
pois o ativism
diciário não
lecer políticas públicas; e o argumento da inaptidão estrutural, segundo de meias-pa
o qual o Poder Judiciário não teria condições de substituir as atividades nem mesmo
reservadas ao legislador e ao administrador por não ter meios técnicos Benjamin, Se
e físicos adequados para tomar e executar suas decisões. 35 Ao primeiro
Uma última
argumento é geralmente oposta à conclusão de que em um Estado De-
maiores con
mocrático Constitucional o papel dos direitos fundamentais é contra ma-
ônus da pro
joritário e portanto dev.e ser admitido o "ativismo judicial" (ativismo da
tária) é de q
lei e da Constituição) voltado a efetivação desses direitos.
implementar
Ao segundo argumento, que também já foi apresentado como "reserva
Neste sentid
de consistência", segundo a qual o Poder Judiciário não poderia decidir
efetiva dos
sobre questões muito complexas como as políticas públicas que envol-
ções, assim c
vam a política habitacional ou a busca do pleno emprego 36, foi corre-
tamente oposto pela doutrina o princípio de que as decisões judiciais O STF aceita
devem ser cumpridas, de que ao juiz é possível se informar e executar haver invasã
suas decisões através de técnicos, interventores judiciais, especialistas desde que p
na matéria ouvidos como amici curiae (art. 138, CPC), bem como, existe ARE 639337
o mandamento constitucional e legal de fundamentação analítica das 23/08/2011
decisões (art. 489, §1º, CPC), permitindo que a prática judiciária supere
"DE
todos estes limites em face de casos concretos bem instruídosY CO
Portanto, entendemos que a questão não deve oscilar entre judicial ac- RIS
tivism (ativismo judicial) ou judicial self-restraint (autocontenção da ma- ou
no
gistratura), mas sim em conformidade com a missão institucional do Po-
to n
der Judiciário como instituição de garantia dos direitos fundamentais. 38
no
Neste sentido, defendendo o ativismo legal e constitucional, afirma o STJ ênc
que: ,..No Brasil, ao contrário de outros países, o juiz não cria obrigações ME
cion
titu
evi
35. Sobre o tema, DIAS, Jean Carlos. O controle Judicial de Políticas Públicas. São Paulo: Método, ela
2007, esp. p. 131-152.
me
35. MORO, Sergio Fernando. Jurisdição Constitucional como Democracia. São Paulo: RT, 2004,
p.120
de
37. FREIRE JR., América Bede. O Controle Judicial de Políticas Públicas. São Paulo: RT, 2005,
p, 121.
33. Nesse sentido o cap. 3 do livro, ZANETI JR., Hermes. Processo Constitucional. Rio 39. SARLET, lngo W
de Janeiro: Lumen Juris, 2J07, que trata das relações entre direitos fundamentais, direito à saúde
;)Oiítica e direito processual. do Possível': P

76
I
tão
mo-
ara
be-
I de proteção do meio ambiente. Elas jorram da lei, após terem passado
pelo crivo do Poder legislativo. Daí não precisarmos de juízes ativistas,
pois o ativismo é da lei e do texto constitucional. Felizmente nosso Ju-
diciário não é assombrado por um oceano de lacunas ou um festival
ndo de meias-palavras legislativas. Se lacuna existe, não é por falta de lei,
des nem mesmo por defeito na lei" (REsp 650.728/SC, Rei. Ministro Herman
cos Benjamin, Segunda Turma, julgado em 23/10/2007, DJe 02/12/2009).
eiro
Uma última observação deve ser feita, conforme bem salientou um dos
De-
maiores constitucionalistas brasileiros da atualidade, lngo W. Sarlet, o
ma-
ônus da prova na alegação da reserva de possível (fática ou orçamen-
da
tária) é de quem a alega, portanto, do Poder Público que se negue a
implementar a política pública requerida.
rva
Neste sentido: "cabe ao poder público o ônus da comprovação da falta
idir
efetiva dos recursos indispensáveis à satisfação dos direitos a presta-
vol-
ções, assim como da eficiente aplicação dos mesmos." 39
rre-
iais O STF aceita a judicialização das políticas públicas, considerando não
utar haver invasão do judiciário na separação de poderes (rectius: funções)
stas desde que presentes os requisitos acima indicad.os. No julgamento do
iste ARE 639337 AgR, Rei Min. Celso de Mello, Segunda Turma, julgado em
das 23/08/2011, constou na ementa:
ere
"DESCUMPRIMENTO DE POLÍTICAS PÚBLICAS DEFINIDAS EM SEDE
CONSTITUCIONAL: HIPÓTESE LEGITIMADORA DE INTERVENÇÃO JU-
ac- RISDICIONAL- O Poder Público- quando se abstém de cumprir, total
ma- ou parcialmente, o dever de implementar políticas públicas definidas
no próprio texto constitucional- transgride, com esse comportamen-
Po-
to negativo, a própria integridade da Lei Fundamental, estimulando,
s. 38
no âmbito do Estado, o preocupante fenômeno da erosão da consci-
STJ ência constitucional. Precedentes: ADI 1.484/DF, Rei. Min. CELSO DE
ões MELLO, v.g .. - A inércia estatal em adimplir as imposições constitu-
cionais traduz inaceitável gesto de desprezo pela autoridade da Cons-
tituição e configura, por isso mesmo, comportamento que deve ser
evitado. É que nada se revela mais nocivo, perigoso e ilegítimo do que
odo, elaborar uma Constituição, sem a vontade de fazê-la cumprir integral-
mente, ou, então, de apenas executá-la com o propósito subalterno
004,
de torná-la aplicável somente nos pontos que se mostrarem ajustados
005,

Rio 39. SARLET, lngo Wolfgang; FIGUEIREDO, Mariana F. "Reserva do possível, mínimo existencial e
ais, direito à saúde: algumas aproximações". In: Direitos Fundamentais Orçamento e "Reserva
do Possível': Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2008, 11-53, esp. p. p. 32. !
d
.I·I
77
LEI DA AÇ

à conveniência e aos desígnios dos governantes, em detrimento dos


interesses maiores dos cidadãos. -A intervenção do Poder Judiciário,
em tema de implementação de políticas governamentais previstas e
determinadas no texto constitucional, notadamente na área da edu-
cação infantil (RTJ 199/1219-1220), objetiva neutralizar os efeitos le-
sivos e perversos, que, provocados pela omissão estatal, nada mais
traduzem senão inaceitá·;el insulto a direitos básicos que a própria
Constituição da República assegura à generalidade das pessoas. Pre-
cedentes. A CONTROVÉRSIA PERTINENTE À "RESERVA DO POSSÍVEL"
E A INTANGIBILIDADE DO MÍNIMO EXISTENCIAL: A QUESTÃO DAS
"ESCOLHAS TRÁGICAS".- A destinação de recursos públicos, sempre
tão dramaticamente escassos, faz instaurar situações de conflito, quer
com a execução de políticas públicas definidas no texto constitucio-
nal, quer, também, com a própria implementação de direitos sociais
assegurados pela Constituição da República, daí resultando contextos
de antagonismo que impõem, ao Estado, o encargo de superá-los me-
diante opções por determinados valores, em detrimento de outros
igualmente relevantes, compelindo, o Poder Público, em face dessa
relação dilemática, causada pela insuficiência de disponibilidade fi-
nanceira e orçamentária, a proceder a verdadeiras "escolhas trágicas",
em decisão governamental cujo parâmetro, fundado na dignidade
da pessoa hu.mana, deverá ter em perspectiva a intangibilidade do
mínimo existencial, em ordem a conferir real efetividade às normas Tam
programáticas positivadas na própria Lei Fundamental. Magistério da ciár
doutrina.- A cláusula da reserva do possível- que não pode ser invo-
serv
cada, pelo Poder Público, com o propósito de fraudar, de frustrar e de
pelo
inviabilizar a implementação de políticas públicas definidas na própria
Constituição - encontra insuperável limitação na garantia constitu-
cional do mínimo existencial, que representa, no contexto de nosso
ordenamento positivo, emanação direta do postulado da essencial
dignidade da pessoa humana. Doutrina. Precedentes. - A noção de
"mínimo existencial", que resulta, por implicitude, de determinados
preceitos constitucionais (CF, art. 12, 111, e art. 32, 111), compreende um
complexo de prerrogativas cuja concretização revela-se capaz de ga-
rantir condições adequadas de existência digna, em ordem a assegu-
rar, à pessoa, acesso efetivo ao direito geral de liberdade e, também,
a prestações positivas originárias do Estado, viabilizadoras da plena
fruição de direitos sociais básicos, tais como o direito à educação, o
direito à proteção integral da criança e do adolescente, o direito à
saúde, o direito à assistência social, o direito à moradia, o direito à
alimentação e o direito à segurança. Declaração Universal dos Direitos
da Pessoa Humana, de 1948 (Artigo XXV). A PROIBIÇÃO DO RETRO-
CESSO SOCIAL COMO OBSTÁCULO CONSTITUCIONAL À FRUSTRA-
ÇÃO E AO INADIMPLEMENTO, PELO PODER PÚBLICO, DE DIREITOS

78
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985 I!HIQ

etrimento dos PRESTACIONAIS.- O princípio da proibição do retrocesso impede, em


der Judiciário, tema de direitos fundamentais de caráter social, que sejam descons-
is previstas e tituídas as conquistas já alcançadas pelo cidadão ou pela formação
área da edu- social em que ele vive.- A cláusula que veda o retrocesso em matéria
os efeitos le- de direitos a prestações positivas do Estado (como o direito à educa-
al, nada mais ção, o direito à saúde ou o direito à segurança pública, v.g.) traduz, no
que a própria processo de efetivação desses direitos fundamentais individuais ou
pessoas. Pre- coletivos, obstáculo a que os níveis de concretização de tais prerro-
DO POSSÍVEL" gativas, uma vez atingidos, venham a ser ulteriormente reduzidos ou
QUESTÃO DAS suprimidos pelo Estado. Doutrina. Em conseqüência desse princfpio,
licos, sempre o Estado, após haver reconhecido os direitos prestacionais, assume o
conflito, quer dever não só de torná-los efetivos, mas, também, se obriga, sob pena
o constitucio- de transgressão ao texto constitucional, a preservá-los, abstendo-se
ireitos sociais de frustrar- mediante supressão total ou parcial- os direitos sociais
ndo contextos já concretizados. LEGITIMIDADE JURÍDICA DA IMPOSIÇÃO, AO PO-
uperá-los me- DER PÚBLICO, DAS "ASTREINTES". - Inexiste obstáculo jurídico-pro-
nto de outros cessual à utilização, contra entidades de direito público, da multa co-
m face dessa minatória prevista no§ Sº do art. 461 do CPC. A "astreinte"- que se
onibilidade fi- reveste de função coercitiva -tem por finalidade específica compelir,
legitimamente, o devedor, mesmo que se cuide do Poder Público, a
lhas trágicas",
cumprir o preceito, tal como definido no ato sentencia!. Doutrina. Ju-
na dignidade
risprudência.
gibilidade do
de às normas Também poderá o Poder Judiciário usar os recursos do Fundo Peniten-
Magistério da ciário para a implementação das políticas públicas necessárias à pre-
pode ser invo-
servação dos direitos dos presos, como decidido em repercussão geral
e frustrar e de
pelo STF:
das na própria
ntia constitu- "REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO DO MPE CONTRA ACÓRDÃO DO
exto de nosso TJRS. REFORMA DE SENTENÇA QUE DETERMINAVA A EXECUÇÃO DE
da essencial OBRAS NA CASA DO ALBERGADO DE URUGUAIANA. ALEGADA OFEN-
- A noção de SA AO PRINCÍPIO DA SEPARAÇÃO DOS PODERES E DESBORDAMENTO
determinados DOS LIMITES DA RESERVA DO POSSÍVEL. INOCORRÊNCIA. DECISÃO
mpreende um QUE CONSIDEROU DIREITOS CONSTITUCIONAIS DE PRESOS MERAS
capaz de ga- NORMAS PROGRAMÁTICAS. INADMISSIBILIDADE. PRECEITOS QUE
dem a assegu- TÊM EFICÁCIA PLENA E APLICABIILIDADE IMEDIATA. INTERVENÇÃO
e e, também, JUDICIAL QUE SE MOSTRA NECESSÁRIA E ADEQUADA PARA PRESER-
oras da plena VAR O VALOR FUNDAMENTAL DA PESSOA HUMANA. OBSERVÂNCIA,
à educação, o ADEMAIS, DO POSTULADO DA INAFASTABIUDADE DA JURISDIÇÃO.
e, o direito à RECURSO CONHECIDO E PROVIDO PARA MANTER A SENTENÇA CAS-
a, o direito à SADA PELO TRIBUNAL I- É lícito ao Judiciário impor à Administração
al dos Direitos Pública obrigação de fazer, consistente na promoção de medidas ou
O DO RETRO- na execução de obras emergenciais em estabelecimentos prisionais.
À FRUSTRA- 11 - Supremacia da dignidade da pessoa humana que legitima a in-
DE DIREITOS tervenção judicial. 111 - Sentença reformada que, de forma correta,

79
LEI DA AÇÃO CI

buscava assegurar o respeito à integridade física e moral dos deten-


tos, em observância ao art. 5º, XLIX, da Constituição Federal. IV- Im-
possibilidade de opor-se à sentença de primeiro grau o argumento
da reserva do possível ou princípio da separação dos poderes. V -
Recurso conhecido e provido. (RE 592581, Relator(a): Min. Ricardo
Lewandowski, Tribunal Pleno, julgado em 13/08/2015, acórdão ele-
trônico repercussão geral - mérito dje-018 divulg 29.01.2016 public
01.02.2016).

Sobre os temas já tratados pelo STF em relação às políticas públicas,


temos exemplificativa mente:
a) Creche e pré-escola para crianças de até 6 anos

RECURSO EXTRAORDINÁRIO -CRIANÇA DE ATÉ SEIS ANOS DE IDADE-


Sobre a r
ATENDIMENTO EM CRECHE E EM PRÉ-ESCOLA- EDUCAÇÃO INFANTIL
bre o ônu
-DIREITO ASSEGURADO PELO PRÓPRIO TEXTO CONSTITUCIONAL (CF,
ART. 208, IV) - COMPREENSÃO GLOBAL DO DIREITO CONSTITUCIO- significat
NAL À EDUCAÇÃO- DEVER JURÍDICO CUJA EXECUÇÃO SE IMPÕE AO
PODER PÚBLICO, NOTADAMENTE AO MUNICÍPIO {CF, ART. 211, § 2º)
-RECURSO IMPROVIDO.- A educação infantil representa prerrogati-
va constitucional indisponível, que, deferida às crianças, a estas asse-
gura, para efeito de seu desenvolvimento integral, e como primeira
etapa do pfocesso de educação básica, o atendimento em creche e o
acesso à pré-escola (CF, art. 208, IV).- Essa prerrogativa jurídica, em
conseqüência, impõe, ao Estado, por efeito da alta significação social
de que se reveste a educação infantil, a obrigação constitucional de
criar condições objetivas que possibilitem, de maneira concreta, em
favor das "crianças de zero a seis anos de idade" (CF, art. 208, IV), o
efetivo acesso e atendimento em creches e unidades de pré-escola,
sob pena ce configurar-se inaceitável omissão governamental, apta
a frustrar, injustamente, por inércia, o integral adimplemento, pelo
Poder Público, de prestação estatal que lhe impôs o próprio texto da
Constituição Federal.- A educação infantil, por qualificar-se como di-
reito fundamental de toda criança, não se expõe, em seu processo de
concretização, a avaliações meramente discricionárias da Administra-
ção Pública, nem se subordina a razões de puro pragmatismo gover-
namental.- Os Municípios- que atuarão, prioritariamente, no ensino
fundamental e na educação infantil (CF, art. 211, § 2º)- não poderão
demitir-se do mandato constitucional, juridicamente vinculante, que
lhes foi outorgado pelo art. 208, IV, da Lei Fundamental da Repúbli-
ca, e que representa fator de limitação da discricionariedade políti-
co-administrativa dos entes municipais, cujas opções, tratando-se do
atendimento das crianças em creche (CF, art. 208, IV), não podem ser
exercidas de modo a comprometer, com apoio em juízo de simples

80
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
'*li
os deten- conveniência ou de mera oportunidade, a eficácia desse direito básico
. IV- Im- de índole social.- Embora resida, primariamente, nos Poderes Legis-
gumento lativo e Executivo, a prerrogativa de formular e executar polrticas pú-
eres. V - blicas, revela-se possível, no entanto, ao Poder Judidário,,determi-
. Ricardo nar, ainda que em bases excepcionais, especialmente nas hipóteses
rdão ele- de polrticas públicas definidas pela própria Constituição, sejam estas
16 public implementadas pelos órgãos estatais inadimplentes, cuja omissão
- por importar em descumprimento dos encargos político-jurídicos
que sobre eles incidem em caráter mandatário - mostra-se apta a
públicas, comprometer a eficácia e a integridade de direitos sociais e cultu-
rais impregnados de estatura constitucional. A questão pertinente à
"reserva do possível". (STF, RE 410715 AgR, Rei. Min. Celso De Mello,
Segunda Turma, julgado em 22/11/2005, DJ 03-02-2006)
E IDADE-
Sobre a reserva do possível X efetivação dos direitos fundamentais e so-
INFANTIL
bre o ônus da prova da escassez de recursos pelo poder público, segue
ONAL (CF,
STITUCIO- significativo julgado do STJ:
MPÕE AO "ADMINISTRATIVO E CONSTITUCIONAL - ACESSO À CRECHE AOS
11, § 2º) MENORES DE ZERO A SEIS ANOS - DIREITO SUBJETIVO - RESERVA
rerrogati- DO POSSÍVEL- TEORIZAÇÃO E CABIMENTO- IMPOSSIBILIDADE DE
stas asse- ARGUIÇÃO COMO TESE ABSTRATA DE DEFESA- ESCASSEZ DE RECUR-
primeira SOS COMO O RESULTADO DE UMA DECISÃO POLÍTICA- PRIORIDADE
reche e o DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS- CONTEÚDO DO MÍNIMO EXISTEN-
dica, em CIAL- ESSENCIALIDADE DO DIREITO À EDUCAÇÃO - PRECEDENTES
ção social DO STF E STJ. 1. A tese da reserva do possível assenta-se em ideia
cional de que, desde os romanos, está incorporada na tradição ocidental, no
creta, em sentido de que a obrigação impossível não pode ser exigida (tmpos-
08, IV), o sibifium nu/la ob/igatio est- Celso, D. 50, 17, 185). Por tal motivo, a
é-escola, insuficiência de recursos orçamentários não pode ser considerada
ntal, apta uma mera falácia. 2. Todavia, observa-se que a dimensão fática da
nto, pelo reserva do possível é questão intrinsecamente vinculada ao proble-
texto da ma da escassez. Esta pode ser compreendida como "sinônimo" de
como di- desigualdade. Bens escassos são bens que não podem ser usufruí-
cesso de dos por todos e, justamente por isso, devem ser distribuídos segun-
ministra- do regras que pressupõe o direito igual ao bem e a impossibilidade
mo gover- do uso igual e simultâneo. 3. Esse estado de escassez, muitas vezes,
no ensino é resultado de um processo de escolha, de uma decisão. Quando
poderão não há recursos suficientes para prover todas as necessidades, a
ante, que decisão do administrador de investir em determinada área implica
Repúbli- escassez de recursos para outra que não foi contemplada. A título de
de políti- exemplo, o gasto com festividades ou propagandas governamentais
do-se do pode ser traduzido na ausência de dinheiro para a prestação de uma
odem ser educação de qualidade. 4. É por esse motivo que, em um primeiro
e simples momento, a reserva do possível não pode ser oposta à efetivação

81
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia
f!Hid

dos Direitos Fundamentais, já que, quanto a estes, não cabe ao


administrador público preterí-los em suas escolhas. Nem mesmo
a vontade da maioria pode tratar tais direitos corno secundários.
Isso, porque a democracia não se restinge na vontade da maioria.
o princípio do majoritário é apenas um instrumento no processo
democrático, mas este não se resume àquele. Democracia é, além
da vontade da maioria, a reaHzação dos direitos fundamentais. Só
haverá democracia real onde houver liberdade de expressão, plu-
ralismo político, acesso à informação, à educação, inviolabilidade
da intimidade, o respeito às minorias e às ideias minoritárias etc.
Tais valores não podem ser malferidos, ainda que seja a vontade
da maioria. Caso contrário, se estará usando da "democracia" para
extinguir a Democracia. S. Com isso, observa-se que a realização dos
Direitos Fundamentais não é opção do governante, não é resulta-
do de um juízo discricionário nem pode ser encarada como tema
que depende unicamente da vontade política. Aqueles direitos que
estão intimamente ligados à dignidade humana não podem ser li-
mitados em razão da escassez quando esta é fruto das escolhas do
administrador. Não é por outra razão que se afirma que a reserva
do possível não é oponível à realização do mínimo existencial. 6. O
mínimo existencial não se resume ao mínimo vital, ou seja, o míni-
mo para se viver. o conteúdo daquilo que seja o mínimo existencial
abrange também as condições socioculturais, que, para além da
-7
questão da mera sobrevivência, asseguram ao indivíduo um míni-
mo de inserção na "vida" social. 7. Sendo assim, não fica difícil per- •
ceber que dentre os direitos considerados prioritários encontra-se o
direito à educação. O que distingue o homem dos demais seres vivos
não é a sua condição de animal social, mas sim de ser um animal po-
lítico. É a sua capacidade de relacionar-se com os demais e, através
da ação e do discurso, programar a vida em sociedade. 8. A cons-
b) D
ciência de que é da essência do ser humano, inclusive sendo o seu
traço característico, o relacionamento com os demais em um espaço
público -onde todos são, in abstrato, iguais, e cuja diferenciação se
dá mais em razão da capacidade para a ação e o discurso do que em
virtude de atributos biológicos - é que torna a educação um valor
ímpar. No espaço público- onde se travam as relações comerciais,
profissionais, trabalhistas, bem como onde se exerce a cidadania- a
ausência de educação, de conhecimento, em regra, relega o indiví-
duo a posições subalternas, o torna dependente das forças físicas
para continuar a sobreviver e, ainda assim, em condições precárias.
9. Eis a razão pela qual o art. 227 da CF e o art. 4º da lei n. 8.069/90
dispõem que a educação deve ser tratada pelo Estado com absoluta
prioridade. No mesmo sentido, o art. 54 do Estatuto da Criança e do
Adolescente prescreve que é dever do Estado assegurar às crianças

82
Leonardo Garcia

não cabe ao de zero a seis anos de idade o atendimento em creche e pré-esco-


Nem mesmo la. Portanto, o pleito do Ministério Público er1contra respaldo legal
secundários. e jurisprudencial. Precedentes: REsp 511.645/SP, Rei. Min. Herman
e da maioria. Benjamin, Segunda Turma, julgado em 18.8.2009, DJe 27.8.2009; RE
o no processo 410.715 AgR I SP- Rei. Min. Celso de Mello, julgado em 22.11.2005,
cracia é, além DJ 3.2.2006, p. 76. 10. Porém é preciso fazer uma ressalva no senti-
damentais. Só do de que mesmo com a alocação dos recursos no atendimento do
xpressão, plu- mínimo existencial persista a carência orçamentária para atender
nviolabilidade a todas as demandas. Nesse caso, a escassez não seria fruto da es-
noritárias etc. colha de atividades não prioritárias, mas sim da real insuficiência
eja a vontade orçamentária. Em situações limítrofes como essa, não há como o
mocracia" para Poder Judiciário imiscuir-se nos planos governamentais, pois estes,
realização dos dentro do que é possível, estão de acordo com a Constituição, não
não é resulta- havendo omissão injustificável. 11. Todavia, a real insuficiência
da como tema de recursos deve ser demonstrada pelo Poder Público, não sen-
es direitos que do admitido que a tese seja utilizada como uma desculpa genérica
podem ser li- para a omissão estatal no campo da efetivoi~ção dos direitos fun-
as escolhas do damentais, principalmente os de cunho social. No caso dos autos,
que a reserva não houve essa demonstração. Precedente: REso 764.085/PR, Rei.
xistencial. 6. O Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 1Q.12.2009,
u seja, o míni- DJe 10.12.2009. Recurso especial improvido." {REsp 1185474/SC,
mo existencial Rei. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 29/04/2010)
para além da
-7 Aplicação em concurso:
íduo um míni-
fica difícil per- • Promotor de Justiça- MPE-AC/2014- CESPE
s encontra-se o "O MP é parte ilegítima para propor ACP com a finalidade de compelir
mais seres vivos município a efetivar matrícula de criança em creche municipal."
um animal po-
Resposta: A afirmativa está errada.
mais e, através
ade. 8. A cons-
b) Direito à saúde
ve sendo o seu
em um espaço "DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITO A SAÚDE. AGRAVO REGIMEN-
iferenciação se TAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. IMPLEMENTAÇÃO DE POLÍTI-
urso do que em CAS PÚBLICAS. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. PROSSEGUIMENTO DE JULGA-
cação um valor MENTO. AUSÊNCIA DE INGERÊNCIA NO PODER DISCRICIONÁRIO
ões comerciais, DO PODER EXECUTIVO. ARTIGOS 2º, 6º E 196 DA CONSTITUIÇÃO
a cidadania- a FEDERAL 1. O direito a saúde é prerrogativa constitucional indis-
relega o indiví- ponível, garantido mediante a implementação de políticas públicas,
as forças físicas impondo ao Estado a obrigação de criar condições objetivas que
ções precárias. possibilitem o efetivo acesso a tal serviço. 2. É possível ac Poder
lei n. 8.069/90 Judiciário determi1ar a implementação pelo Estado, quando ina-
o com absoluta dimplente, de políticas públicas constitucioralmente previstas, sen
da Criança e do que haja ingerênda em questão que envolve o poder discricion::ír o
urar às crianças do Poder Executivo. Precedentes. 3. Agravo regimental improvido."

83
LEI DA AÇÃO CIV

(STF, AI 734487 AgR, Rei. Min. Ellen Grade, Segunda Turma, julgado 14.2. Aplic
em 03/08/2010, DJe-154 DIVULG 19-08-2010) • CETA

c) Direito à segurança pública "Sobr


deter
"DIREITO CONSTITUCIONAL SEGURANÇA PÚBLICA AGRAVO RE- cente
GIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPLEMENTAÇÃO DE
A) Os M
POLfTICAS PÚBLICAS. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. PROSSEGUIMENTO DE
JULGAMENTO. AUS~NCIA DE INGERÊNCIA NO PODER DISCRICIONÁ- pleite
RIO DO PODER EXECUTIVO. ARTIGOS 22, 6º E 144 DA CONSTITUIÇÃO ne à À
FEDERAL 1. O direito a segurança é prerrogativa constitucional indis- const
ponível, garantido mediante a implementação de políticas públicas, re con
impondo ao Estado a obrigação de criar condições objetivas que pos- B) Os Mi
sibilitem o efetivo acesso a tal serviço. 2. É possível ao Poder Judiciário ca ple
determinar a implementação pelo Estado, quando inadimplente, de ne à A
políticas Públicas constitucionalmente previstas, sem que haja inge- const
rência em questão que envolve o poder discricionário do Poder Exe- contra
cutivo. Precedentes. 3. Agravo regimental improvido.(STF, RE 559646 C) Apena
AgR, Rei. Min. Ellen Grade, Segunda Turma, julgado em 07/06/2011, do de
DJe-120 DIVULG 22-06-2011) de dir
14.1. Políticas Públicas e o STJ D) Nem
ca, ne
A) Controle jurisdicional de polfticas públicas relacionado a inúmeras Judici
irregularidades estruturais e sanitárias em cadeia pública. blica
Constatando-se inúmeras irregularidades em cadeia pública - super- recon
lotação, celas sem condições mínimas de salubridade para a perma- pio da
nência de presos, notadamente em razão de defeitos estruturais, de E) Como
ausência de ventilação, de iluminação e de instalações sanitárias ade- Públic
quadas, desrespeito à integridade física e moral dos detentos, haven- adota
do, inclusive, relato de que as visitas íntimas seriam realizadas dentro cidas
das próprias celas e em grupos, e que existiriam detentas acomodadas Ente
improvisadamente-, a alegação de ausência de previsão orçamentá- Respo
ria não impede que seja julgada procedente ação civil publica que,
entre outras medidas, objetive obrigar o Estado a adotar providências • Defen
administrativas e respectiva previsão orçamentária para reformar a Já há
referida cadeia pública ou construir nova unidade, mormente quando prime
não houver comprovação objetiva da incapacidade econômico-finan- so de
ceira da pessoa estatal. REsp 1.389.952-MT, Rei. Min. Herman Benja- a que
min, julgado em 3/6/2014. lnfo 543 40 pauta
realiz
de. A
40. Ver ainda, no 5TF, RE 592581, Relator( a): Min. Ricardo Lewandowski, Tribunal Pleno, julgado tro G
em 13/08/2015, acórdão eletrônico repercussão geral- mérito dje-018 divulg 29-01-2016 públic
public 01-02-2016. médic

84
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
.H ___ @il
a, julgado 14.2. Aplicação em concursos sobre políticas públicas:
• CETAP- MPCM-PA -Analista -Direito- 2015
"Sobre a possibilidade do Poder Judiciário, em sede de Ação Civil Pública,
determinar a realização de políticas públicas, de acordo com o mais re-
AVO RE- cente entendimento do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que:
AÇÃO DE
A) Os Ministérios Públicos têm legitimidade para ajuizar Ação Civil Pública
ENTO DE
CRICIONÁ- pleiteando ao Poder Judiciário que, em situações excepcionais, determi-
TITUIÇÃO ne à Àdministração Pública que adote medidas assecuratórias de direitos
nal indis- constitucionalmente reconhecidos como essenciais, sem que isso configu-
públicas, re contrariedade ao Princípio da Separação dos Poderes
que pos- B) Os Ministérios Públicos não têm legitimidade para ajuizar Ação Civil Públi-
Judiciário ca pleiteando ao Poder Judiciário que, em situações excepcionais, determi-
plente, de ne à Administração Pública que adote medidas assecuratórias de direitos
haja inge- constitucionalmente reconhecidos como essenciais, pois isso configura
oder Exe- contrariedade ao Princípio da Separação dos Poderes
E 559646 C) Apenas os cidadãos têm legitimidade para propor ações individuais visan-
06/2011, do determinar à Administração Pública que adote medidas assecuratórias
de direitos constitucionalmente reconhecidos como essenciais
D) Nem os Ministérios Públicos têm legitimidade para ajuizar Ação Civil Públi-
ca, nem os cidadãos podem ajuizar ações individuais pleiteando ao Poder
númeras Judiciário que, em situações excepcionais, determine à Administração Pú-
blica que adote medidas assecuratórias de direitós constitucionalmente
a - super- reconhecidos como essenciais, pois isso configura contrariedade ao Princí-
a perma- pio da Separação dos Poderes
turais, de E) Como os Ministérios Públicos não têm legitimidade para ajuizar Ação Civil
árias ade- Pública que busque determinação judicial à Administração Pública para
os, haven- adotar medidas assecuratórias de direitos constitucionalmente reconhe-
as dentro cidas como essenciais, cabe à ele propor o Termo de Ajuste de Conduta ao
omodadas Ente Público."
çamentá- Resposta: Gabarito: Letra A
blica que,
ovidências • Defensor Público - SP/ 2012 - FCC
eformar a Já há algum tempo, pelo menos desde o julgamento da Ação de Descum-
e quando primento de Preceito Fundamental (ADPF) no 45, de relataria do Min. Cel-
ico-finan- so de Mello, no ano de 2004, no âmbito do Supremo Tribunal Federal,
an Benja- a questão da "judicialização" dos direitos fundamentais sociais tem sido
pautada na atuação do Poder Judiciário brasileiro, tendo o STF, inclusive,
realizado audiência pública para tratar das ações judiciais na área da saú-
de. A audiência pública, convocada pelo Presidente do STF à época, Minis-
eno, julgado tro Gilmar Mendes, "ouviu 50 especialistas, entre advogados, defensores
29-01-2016 públicos, promotores e procuradores de justiça, magistrados, professores,
médicos, técnicos de saúde, gestores e usuários do sistema único de saú-

85
LEI DA AÇÃ
---------

de, nos dias 27, 28 e 29 de abril, e 4, 6 e 7 de maio de 2009". A partir de Ressa


tais considerações, com base na jurisprudência constitucional brasileira e
na doutrina especializada sobre o tema, é correto afirmar:
A) A intervenção do Poder Judiciário em políticas públicas, por exemplo, nas
áreas da saúde e da educação, deve se dar de forma subsidiária, ou seja, quan-
do verificada situação concreta de omissão ou atuação insuficiente dos Pode-
res Legislativo e Executivo, em respeito ao princípio da separação dos poderes.
B) Conforme entendimento doutrinário majoritário e consagrado na jurispru-
dência do STF, os direitos sociais devem ser tratados exclusivamente como
direitos difusos, sob pena de, admitindo-se o ajuizamento individual de
ações para pleitear direitos sociais, subverter-se o princípio da igualdade.
C) A atuação da Defensoria Pública, com base no inciso 11 do art. 4º, da Lei
Complementar no 80/94, não deve privilegiar a atuação extrajudicial no
tocante ao controle de políticas públicas, buscando sempre, de forma pre-
ferencial, a resolução dos conflitos por intermédio do Poder Judiciário. 15. Intere

O) A fundamentação jurídico-constitucional que legitima a intervenção judi- --------


..,_ At
cial em matéria de direitos sociais, tanto em sede individual quanto coleti-
va, está alicfi!rçada no direito-garantia fundamental ao mínimo existencial, co
consagrado, de forma expressa na Lei Fundamental de 1988, cabendo ao --------
Estado-Juiz assegurar tais condições materiais mínimas indispensáveis a Trans
uma vida digna, de modo a suprimir as omissões do Estado-Legislador e Amnis
do Estado-Administrador. resse
E) A atuação da Defensoria Pública em matéria de direitos fundamentais de int
sociais esgota-se no ajuizamento de ações judiciais, uma vez que não se secun
encontra na legislação qualquer embasamento normativo para práticas como
extrajudiciais tal como a conscientização e educação em direitos. sentid
Resposta: Letra A. Observe-se que a única resposta correta seria a letra como
A. Contudo, a questão exigia um profundo conhecimento e atenção por mínim
parte do candidato. O candidato deve observar que o STF admite a judicia- ao pa
lização tanto coletiva quanto individual. Igualmente, deve observar que a os se
Defensoria Pública, como órgão público, poderá firmar compromissos de condi
ajustamento de conduta na forma da LACP, portanto, solucionar as ques-
impos
tões através de atuação extrajudicial. Deve ainda atentar para o fato que o
mínimo existencial conforme a jurisprudência do STF é direito fundamental so de
implícito ou atribuído, ou seja, decorre da interpretação das normas cons- origin
titucionais, não tendo sido "expressamente" escrito na CF/88. Por fim, a italian
própria Constituição ao criar o acesso à justiça por meio da defensoria pú-
blica, em paridade de dignidade com as demais instituições de garantia e -7 A
tutela dos direitos, esclareceu que este acesso seria através da assistência
• D
jurídica integral, incumbindo-lhe a orientação e defesa, em todos os graus,
dos necessitados, o que obviamente inclui a conscientização e a educação '
il em direitos. b

l
'~
86
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
-------------"·--------------------------------~-~--~----~~--------
t!UMQ

009". A partir de Ressalte-se o trecho de julgamento do STF:


onal brasileira e
"A noção de "mínimo existencial", que resulta, por imp/icítude, de de-
terminados preceitos constitucionais (CF, art. 1º, 111, e art. 3º, 111), com-
or exemplo, nas
preende um complexo de prerrogativas cuja concretização revela-se
ia, ou seja, quan-
capaz de garantir condições adequadas de existência digna, em ordem
ciente dos Pode-
a assegurar, à pessoa, acesso efetivo ao direito geral de liberdade e,
ção dos poderes.
também, a prestações positivas originárias do Estado, viabilizadoras de
rado na jurispru- plena fruição de direitos sociais básicos, tais como o direito à educação,
sivamente como o direito à proteção integral da criança e do adolescente, o direito à
to individual de saúde, o direito à assistência social, o direito à moradia, o direito à ali-
o da igualdade. mentação e o direito à segurança. Declaração Universal dos Direitos da
o art. 4º, da Lei Pessoa Humana, de 1948 (Artigo XXV)!' (AG.REG. no Recurso Extraordi-
extrajudicial no nário com Agravo 639.337/SP, rei. min. Celso de Mello).
e, de forma pre-
er Judiciário. 15. Interesse público primário e secundário:

ntervenção judi- -------------------------------------------------------------


..,_ Atenção: estes conceitos estudados no Direito Administrativo estão sendo
al quanto coleti-
nimo existencial, cobrados nas questões de ações coletivas.
988, cabendo ao -------------------------------------------------------------
ndispensáveis a Transcrevendo a leitura de Renato Alessi (Sistema lstitlizionale del Diritto
ado-Legislador e Amnistrativo Italiano) assevera Celso Antônio Bandeira de Melo: "o inte-
resse coletivo primário ou simplesmente interesse público é o complexo
s fundamentais de interesses coletivos prevalente na sociedade, ao passo que o interesse
vez que não se secundário é composto pelos interesses que a Administração poderia ter
vo para práticas como qualquer sujeito de direito, interesses subjetivos, patrimoniais, em
direitos. sentido lato, na medida em que integram o patrimônio do sujeito. Cita
eta seria a letra como exemplo de interesse secundário da administração o de pagar o
o e atenção por mínimo possível a seus servidores e de aumentar ao 11áximo os impostos,
admite a judicia- ao passo que o interesse público primário exige, respectivamente, que
e observar que a os servidores sejam pagos de modo suficiente a colocá-los em melhores
ompromissos de condições e tornar-lhes a ação mais eficaz e a não gravar os cidadãos de
ucionar as ques-
impostos além de certa medida". MELLO, Celso Antonio Bandeira de. Cur-
para o fato que o
eito fundamental so de direito administrativo, 15. ed. São Paulo: Malheiros, p. 603. Cf., no
as normas cons- original, ALESSI, Renato. Sistema istituzionale del diritto amministrativo
CF/88. Por fim, a italiano. Milano: Giuffre, 1953. p. 148-155.
a defensoria pú-
es de garantia e -7 Aplicação em concurso:
és da assistência
• Defensor Público- RR/2013- CESPE
m todos os graus,
ão e a educação 'A distinção entre interesse público primário (o bef'1 geral) e interesse pú-
blico secundário (o modo pelo qual a administração vê o interesse públt-

87
iMM DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS -Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia

co) é, atualmente, juridicamente irrelevante, pois, na sociedade moderna, 16. Atenção: a


qualquer interesse público coincide com o interesse da sociedade."
Resposta: A afirmativa está errada.
Inserção d
acrescenta
• lv1PE-P/- Promotor de Justiça- Pl/2012- CESPE
Inserção d
'"Segundo entendimento do STJ, o interesse patrimonial da fazenda pública
acrescenta
identifica-se, por si só, com o interesse público a que se refere a lei quando
dispõe sobre a intervenção do MP." ou religioso
Resposta: A afirmativa está errada. Veja julgado do STJ: "O Superior Tribu- Normalme
nal de Justiça é firme no entendimento de que o interesse público a justifi-
car a obrigatoriedade da participação do Ministério Público não se confun- 17. Atenção: L
de com o mero interesse patrimonial-econômico da Fazenda Pública." (STl_
O art. 21 d
AgRg no REsp 1147550/GO, Rei. Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira
Turma, julgado em 02/09/2010, Dle 19/10/2010}
e civil de p
pública pre
- '·os bens que integram o patrimônio financeiro do Estado inserem-se no ponsabiliza
âmbito do interesse público primário."
Resposta: A afirmativa está errada.

- "A lei confere exclusividade ao MP na defesa judicial do interesse público


primário."
Resposta: A afirmativa está errada. Como veremos, a legitimação para de-
fesa do interesse coletivo é concorrente e não exclusiva.

- "O interesse público secundário é protegido pelos denominados direitos


difusos, coletivos, individuais homogêneos e individuais indisponíveis, per-
tencentes à sociedade."
ARTIGOS CO
Resposta: A afirmativa está errada.
..,
• Defensor Público - AC/ 2012 - CESPE
'·o MP atua na defesa dos direitos difusos, coletivos, individuais homogê-
neos e individuais indisponíveis, ou seja, na defesa do chamado interesse
público primário."
Resposta: A afirmativa está correta.

• MPE-TO- Promotor de Justiça- T0/2012- CESPE ..

"O interesse público secundário é o interesse social, o da sociedade ou


c'a coletividade, assim como a proteção ao meio ambiente."
Resposta: A afirmativa está errada.

• Defensoria Pública/AL- 2009- CESPE


..
"O interesse público primário pode ser identificado como o interesse social
cu da coletividade, e o interesse público secundário, como o modo pelo
qual os órgãos da administração veem o interesse público."
Resposta: A afirmativa está correta.

88
nardo Garcia

e moderna, 16. Atenção: alteração recente no art. 1o da LACP.


de."
Inserção do inciso VIII ao artigo rpela lei nº 13.004 de 2014, para
acrescentar a proteção ao patrimônio público e social.
Inserção do inciso VIl ao artigo 1 o pela Lei nº 12.966 de 2014, para
nda pública
acrescentar a proteção à honra e à dignidade de grupos raciais, étnicos
lei quando
ou religiosos.
erior Tribu- Normalmente alterações legislativas são cobradas em provas.
co a justifi-
o se confun- 17. Atenção: Lei 12.846, de 1º de agosto de 2013.
blica." (STl_
O art. 21 da nova lei que dispõe sare a responsabilização administrativa
o, Primeira
e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração
pública prevê a aplicação do rito previsto na LACP para os casos de res-
erem-se no ponsabilização judicial.

sse público

ão para de-

dos direitos
níveis, per-
ARTIGOS CORRELATOS
..,.. CDC (lei 8078/1990)- Art. 93. Ressalvada a competência da Justi-
ça Federal, é competente para a causa a justiça local: 1- no foro do
s homogê- lugar onde ocorreu ou deva ocorrer o dano, quando de âmbito lo-
o interesse cal; li- no foro da Capital do Estado ou no do Distrito Federal, para
os danos de âmbito nacional ou regional, aplicando-se as regras do
Código de Processo Civil aos casos de competência concorrente.

..,.. ECA (lei 8069/1990) -Art. 209. As ações previstas neste Capítulo I
.I
serão propostas no foro do local onde ocorreu ou deva ocorrer a
ciedade ou
ação ou omissão, cujo juízo terá competência absoluta para pro-
cessar a causa, ressalvadas a competência da Justiça Federal e a
competência originária dos tribunais superiores.

..,.. IDOSO (Lei 10741/2003) - Art. 80. As ações previstas neste Ca-
resse social pítulo serão propostas no foro do domicílio do idoso, cujo juízo
modo pelo terá competência absoluta para processar a causa, ressalvadas as
competências da Justiça F-ederal e a competência originária dos Tri-
bunais Superiores.

89
LEI DA AÇÃ

..,.. AÇÃO POPULAR (Lei 4717/196S)- Art. S. Conforme a origem~do


ato impugnado, é competente para conhecer da ação, processá-la
e julgá-la o juiz que, de acordo com a organização judiciária de cada
Estado, o for para as causas que interessem à União, ao Distrito Fe-
deral, ao Estado ou ao Município. § 12 Para fins de competência,
equiparam-se atos da União, do Distrito Federal, do Estado ou dos
Municípios os atos das pessoas criadas ou mantidas por essas pes-
soas jurídicas de direito público, bem como os atos das sociedades
de que elas sejam acionistas e os das pessoas ou entidades por elas
subvencionadas ou em relação às quais tenham interesse patrimo-
nial. § 22 Quando o pleito interessar simultaneamente à União e a
qualquer outra pessoas ou entidade, será competente o juiz das
causas da União, se houver; quando interessar simultaneamente
ao Estado e ao Município, será competente o juiz das causas do
Estado, se houver. § 32 A propositura da ação prevenirá a jurisdição
do juízo para todas as ações, que forem posteriormente intentadas
contra as mesmas partes e sob os mesmos fundamentos. § 42 Na
defesa do patrimônio público caberá a suspensão liminar do ato
Assim
lesivo impugnado.
da LA
.... JUIZADOS ESPECIAIS (Lei 102S9/01)- 32 (... ), § 12 Não se incluem civil p
na competência do Juizado Especial Cível as causas: I - referidas aplicá
no art. 109, incisos 11, 111 e XI, da Constituição Federal, as ações de Em co
mandado de segurança, de desapropriação, de divisão e demarca-
dema
ção, populares, execuções fiscais e por improbidade administrativa
cia pe
e as demandas sobre direitos ou interesses difusos, coletivos ou
Note-
individuais homogêneos.
to, vis
1. Dois critérios de competência: lugar e âmbito de extensão: de tu
Nas demandas coletivas existem dois critérios para determinar a com- ou pr
petência. O primeiro é o foro do local do dano (art. 2º). O segundo é o ..... S
âmbito de extensão do dano (art. 93, 11 do CDC).
Assim, como a ACP não trata das situações em que o dano é nacional
ou regional, por força do microssistema da tutela coletiva, entendemos
que deve ser aplicado conjuntamente o art. 93, 11 do coe (embora este
artigo trate, no coe, dos direitos individuais homogêneos).
Sobre a aplicação do art. 93 do coe a todas as demandas coletivas,
apontou a Min. Nancy Andrighi no REsp 1101057/MT, DJe 15/04/2011:
Desta
"O legislador consumerista, além de definir a extensão do dano como
tente
critério determinante do foro competente, nos moldes do previsto
não h
no art. 22 da Lei 7.347185 (LACP), trouxe resposta para as indagações
que versavam sobre situações em que o dano é nacional ou regional, da ca

90
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985 IMij

rme a origem~do para as quais a Lei de Ação Civil Pública não havia atentado. Dessa
ação, processá-la forma, estabeleceu o art. 93 do coe que, para as hipóteses nas quais
udiciária de cada as lesões ocorram apenas em âmbito local, será competente o foro
ão, ao Distrito Fe- do lugar onde se produziu o dano ou se devesse produzir (inciso 1),
de competência, mesmo critério já fixado pelo art. 22 da LACP. Por outro lado, toman-
do Estado ou dos do a lesão dimensões geograficamente maiores, produzindo efeitos
as por essas pes- em âmbito regional ou nacional, serão competentes os foros da ca-
s das sociedades pital do Estado ou do Distrito Federal (inciso 11). (.•. ) Nesse contex-
ntidades por elas to, merece consignar-se que, ainda que o mencionado dispositivo de
nteresse patrimo- lei esteja localizado no capítulo do coe referente às ações coletivas
mente à União e a para a defesa dos interesses individuais homogêneos, a mais abaliza-
etente o juiz das da doutrina vem partilhando do entendimento de que sua aplicação
simultaneamente se dá de forma mais ampla, como regra de fixação de competência
iz das causas do a todas as ações coletivas para defesas de direitos difusos, coletivos
enirá a jurisdição ou individuais homogêneos, não somente aos relativos às relações de
mente intentadas consumo {REsp 448.4701RS, 2ª Turma, Rei. Min. Herman Benjamin,
amentos. § 42 Na DJe de 15/1212009)''
ão liminar do ato
Assim, o STJ também aplica o art. 93 do CDC conjuntamente ao art. 2º
da LACP. O STJ entende que como a regra é plenamente adaptável à ação
2 Não se incluem civil pública em geral, incide o art. 21 da Lei nº 7.347/85, pelo qual são
sas: I - referidas aplicáveis àquela ação os mandamentos do coe naquilo que for cabível.
deral, as ações de Em consequência, serão essas as regras de competência para a tutela dos
visão e demarca-
demais interesses transindividuais. Temos assim dois critérios, competên-
de administrativa
cia pelo local do dano e competência pela abrangência/âmbito do dano.
usos, coletivos ou
Note-se que tecnicamente será sempre preferível o local do dano ou ilíci-
to, visto que a tutela poderá ser do ato ilícito, nos casos em que se tratar
são: de tutela inibitória (para a qual o dano não se apresenta como requisito)
erminar a com- ou preventiva.
O segundo é o ..... STJ
"ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. COMPETÊNCIA. ART 22 DA
dano é nacional LEI 7.347/85. ART. 93 DO CDC. 1. No caso de ação civil pública que
va, entendemos envolva dano de âmbito nacional, cabe ao autor optar entre o foro
oe (embora este da Capital de um dos Estados ou do Distrito Federal, à conveniência
os). do autor. Inteligência do artigo 22 da lei 7.347/85 e 93, 11, do CDC. 2.
Agravo regimental não provido." (AgRg na MC 13.660/PR, Rei. Min.
andas coletivas, Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 4.3.2008, DJe 17.3.2008.)
Je 15/04/2011:
Desta forma, se o dano for de âmbito nacional ou regional será compe-
ão do dano como
tente o foro da capital dos Estados ou do Distrito Federal, um ou outro,
oldes do previsto
não havendo na jurisprudência (inclusive do STJ) prevalência dos foros
ara as indagações
ional ou regional, da capital sobre o do DF ou vice-versa.

91
t;Hii __ DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS - Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia

..,._ STJ d
d
"A competê,cia para julgar as ações civis coletivas para o combate de t
dano de âmbito nacional não é exclusiva do foro do Distrito Federal, o
podendo a ação ser ajuizada no juízo estadual da Capital ou no juízo à
do Distritc, Federal." (STJ, REsp 944464/RJ, Rei. Min. Sidnei Beneti, DJe a
11/02/20091 a
"Interpretando o art. 93, inciso 11, do Código de Defesa do Consumi- t
dor, já se manifestou esta Corte no sentido de que não há exclusivida- I
de do foro do Distrito Federal para o julgamento de ação civil pública
Parcela da
de âmbito nacional. Isto porque o referido artigo ao se referir à Ca-
pital do Estado e ao Distrito Federal invoca competências territoriais
ca será re
concorrentes, devendo ser analisada a questão estando a Capital do praticame
Estado e o Distrito Federal em planos iguais, sem conotação específica com deslo
para o Distrito Federal." (STJ, CC 17533/DF, Rei. Min. Carlos Alberto a comarca
Menezes Direito, DJ 13/09/2000, 2a Seção.) geral da t
7 Aplicação em concurso: Na verdad
do a jurisp
• Juiz Federal/rRF1 - 2011 - CESPE
7 Aplic
"Caso o dano c corrido abranja mais de uma localidade, ou seja, de âmbito
nacional, a ação civil pública terá de ser proposta no DF." • Defen
Resposta: A afirrwtiva está errada. "A fa
visto
Elucidativos são os exemplos apontados por Hugo Nigro Mazzilli: comp
"a) Tratando-se de danos efetivos ou potenciais a interesses transindi- colet
viduais, que atinjam todo o País, a tutela coletiva será de competência Resp
de uma vara do Distrito Federal ou da Capital de um dos Estados, a
critério do aiJtor. Se a hipótese se situar dentro dos moldes do art. • MPE
109, I, da CR, a competência será da Justiça federal; em caso contrário, "É co
da Justiça estadual ou distrital. A ação civil pública ou coletiva poderá, ou te
pois, ser proposta, alternativamente, na Capital de um dos Estados estad
atingidos ou na Capital do Distrito Federal;
Resp
b) Em caso de ação civil pública destinada à tutela de interesses tran-
sindividuais que compreendam todo o Estado, mas não ultrapassem • MP/
seus limites territoriais, a competência deverá ser, conforme o caso, "O fo
de uma das varas da Justiça estadual ou federal na Capital desse Es- domi
tado;
Resp
c) Em se tratando de tutela coletiva que objetive a proteção a lesados deve
em mais de uma comarca do mesmo Estado, mas sem que o dano
alcance todo o território estadual, o mais acertado é afirmar a com- • TJ/SE
petência segundo as regras de prevenção, reconhecendo-a em favor "Se d
de uma das comarcas atingidas nesse Estado; coma

92
onardo Garcia

d) Na hipótese de tutela coletiva que envolva lesões ocorridas em mais


de um Estado da Federação, mas sem que o dano alcance todo o terri-
combate de tório nacional, a ação será da competência de uma das varas estaduais
rito Federal, ou federais da Capital de um dos Estados envolvidos, conform.e o caso,
ou no juízo à escolha do co-legitimado ativo. Mais sensato nos parece utilizarmos
Beneti, DJe as regras da prevenção, ajuizando a ação na Capital de um dos Estados
atingidos, e deixando para ajuizá-la na Capital do Distrito Federal somen-
o Consumi- te quando o dano tiver efetivamente o caráter nacional" (A Defesa dos
exclusivida- Interesses Difusos em Juízo, Editora Saraiva, 19l! edição, págs.255-257).
civil pública
Parcela da doutrina entende que se o dano atingir mais de uma comar-
eferir à Ca-
territoriais
ca será regional, isso implicaria na utilização analógica do art. 93, 11 em
a Capital do praticamente todos os casos de lesão ambiental de maior amplitude,
o específica com deslocamento para a capital do estado, mesmo que não incluíssem
rlos Alberto a comarca da capital. A regra precisa ser ponderada por que o princípio
geral da tutela coletiva ambiental é: julga o juiz mais próximo da prova.
Na verdade o CDC não definiu claramente o que é dano regional, caben-
do a jurisprudência preencher o conteúdo do conceito jurídico.
7 Aplicação em concurso:
, de âmbito
• Defensor Público- SE/ 2012- CESPE
"A facilitação da defesa dos direitos dos consumidores, direito básico pre-
visto expressamente no CDC, foi observada pelo legislador, que previu a
zilli: competência absoluta da justiça estadual para julgar as ações individuais e
s transindi- coletivas que envolvam conflitos nas relações de consumo."
ompetência Resposta: A afirmativa está errada.
s Estados, a
des do art. • MPE-RR- Promotor de Justiça- RR/2012 - CESPE
o contrário, "É competente, sem exceção, a justiça local do foro do lugar onde ocorra
iva poderá, ou tenha ocorrido o dano, quando de âmbito local, e do foro da capital do
dos Estados estado ou no do DF, para os danos de âmbito nacional ou regional."
Resposta: A afirmativa está errada.
esses tran-
ltrapassem • MP/RN/Promotor/2009- CESPE
me o caso, "O foro competente para processar e julgar ação civil pública deve ser o do
al desse Es- domicílio do autor da infração."
Resposta: A afirmativa está errada. Segundo o parágrafo único do art. 211,
o a lesados deverá ser proposta no foro do local do dano.
que o dano
mar a com- • TJ/SE/Juiz/2008 ·- CESPE
a em favor "Se determinado dano ecológico atingir uma vasta região, envolvendo várias
comarcas de um mesmo estado, qualquer um dos foros do local do dano

93
LEI DA AÇÃ

será competente para processar e julgar a ação civil pública para responsa- destac
bilizar os causadores do dano, fixando-se a competência pela prevenção:' promo
Resposta: A afirmativa foi considerada correta. Isso porque o CESPE não ção no
considerou o art. 93, 11 do CDC. Se considerasse, a resposta correta seria a pois g
capital do Estado-membro. Como somente considerou o contido no art. 22 letivos
da LA CP, a competência é do local do dano.
Note-s
• MPE/PE- Promotor- 2008- FCC "É inc
"Em relação à ação civil pública sua propositura se dará no foro do local ma de
onde ocorrer o dano, cujo juízo terá competência funcional para processar dual f
e julgar a causa." 91041
Resposta: A afirmativa está correta. Idêntico ao caput do art. 22 da LACP. Albino
obra "
2. Doutrina. Necessidade de fixar como competente para as causas de
âmbito nacional o foro do DF. Críticas. 3. Comp

A doutrina tem defendido em muitas obras a necessidade de fixar como Não s


competente para as causas de âmbito nacional o foro do DF. O problema o legi
é que a fixação no DF poderia ser em prejuízo da produção da prova, da absol
defesa do réu e da melhor tutela do próprio direito guerreado, ferindo a territo
lógica da competêflcia nas ações coletivas e em geral. Além disto, ressal- nal"
ta Elton Venturi que esta postura poderia ferir o princípio do promotor cia é
natural, eliminando a possibilidade dos promotores de justiça estaduais autor
ingressarem com ACP's de âmbito nacional, pois apesar de terem atri- torial
buição para tanto, seria necessário ajuizar a demanda em Brasília: "so- Barro
mente Promotores e Procuradores da República atuantes no Distrito Fe- A me
deral teriam atribuição para a promoção de tais feitos - concentração,
cou u
essa, política e institucionalmente desinteressantes ao sistema nacional do ca
de tutela jurisdicional coletiva", e não se diga que a "abertura das fron-
cia te
teiras" resolveria o problema, permitindo que qualquer promotor ou
detém
procurador da república, de qualquer localidade, pudesse ajuizar tais
ações no foro da Capital do Estado ou no Distrito Federal, "longe de re- No m
presentar avanço ou a democratização do exercitamento das funções do
Ministério Público, a proposta redunda na violação do princípio do pro-
motor natural, para além do agravamento na já delicada e nem sempre
bem resolvida relação entre os princípios constitucionais da indepen-
dência funcional e da unidade do Parquet'~ (VENTURI, Elton. Processo
Civil Coletivo. São Paulo: Malheiros, 2007, p. 294-297.)
Imagine o promotor de justiça do consumidor capixaba ajuizando uma
demanda no Distrito Federal. Quem irá acompanhar a demanda? O
MPES deverá constituir advogado em Brasília? Criar uma promotoria

94
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
M*l
a para responsa- destacada, fora do território do Estado? Solicitar os bons préstimos dos
ela prevenção:' promotores do MPDFT ou dos Procuradores da República com atribui-
que o CESPE não ção no DF? Situação de alta complexidade e desnecessária explicitação,
ta correta seria a pois graves entraves surgiriam para a adequada tutela dos direitos co-
ontido no art. 22 letivos lato sensu.
Note-se, no ponto, o precedente do TRF da 42 Região que determina:
"É incompatível com os princípios de regência da Instituição e do siste-
no foro do local ma de repartição de atribuições a atuação do Ministério Público Esta-
al para processar dual fora do seu Estado ou fora da jurisdição estadual." (2g Turma. AC
9104132750/RS, j. 17.10.1991), da lavra do agora ministro, Min. Teori
art. 22 da LACP. Albino Zavascki do STJ, que sustenta o mesmo ponto de vista em sua
obra "Processo Coletivo".
a as causas de
3. Competência funcional: na verdade é competência territorial-absoluta:

e de fixar como Não se trata de "competência funcional" como descreve o art. 29. O que
DF. O problema o legislador queria é que a competência na ACP não fosse relativa e sim
ão da prova, da absoluta. Como no Brasil rege o entendimento de que a competência
eado, ferindo a territorial é relativa, o legislador optou por inserir a expressão "funcio-
m disto, ressal- nal"- absoluta. Mas, por se tratar de aspecto geográfico, a competên-
o do promotor cia é territorial, porém absoluta em razão do interesse público. Alguns
stiça estaduais autores sustentam, com base em Chiovenda, que a competência terri-
de terem atri- torial, quando absoluta, se torna funcional. Nesse sentido, Ricardo de
m Brasília: "so- Barros Leonel, Manual de Processo Coletivo, RT, 2002, pg.216.
s no Distrito Fe- A melhor doutrina, capitaneada por José Carlos Barbosa Moreira colo-
concentração,
cou uma pá de cal sobre a polêmica. A expressão funcional que consta
stema nacional do caput deste artigo quer significar apenas que se trata de competên-
ertura das fron-
cia territorial-absoluta. Portanto, o juízo do local do dano é o juízo que
r promotor ou
detém a competência absoluta para julgar a ACP.
sse ajuizar tais
l, "longe de re- No mesmo sentido é o entendimento do STJ:
das funções do "Em síntese, qualquer que seja o sentido que se queira dar à expres-
rincípio do pro- são "competência funcional" prevista no art. 2º, da Lei 7.347/1985,
a e nem sempre mister preservar a vocação pragmática do dispositivo: o foro do local
is da indepen- do dano é uma regra de eficiência, eficácia e comodidade da pres-
Elton. Processo tação jurisdicional, que visa a facilitar e otimizar o acesso à justiça,
sobretudo pela proximidade fisica entre juiz, vítima, bem jurfdico afe-
tado e prova. E se é assim, a competência posta nesses tennos é de
ajuizando uma ordem pública e haverá de ser absoluta - inderrogável e improrro-
a demanda? O gável pela vontade das partes." (STJ, Resp. 1.057.878, Min. Herman
ma promotoria Benjamin, DJe 21/08/2009).

95
LEI DA AÇAO CIV
f!tiil DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia

Mais recentemente: "Na hipótese de ação civil pública, a competência "P


se dá e-n função do local onde ocorreu o dano. Trata-se de competên- P
cia absoluta, devendo ser afastada a conexão com outras demandas." 1
(STJ, AgRg nos EDcl no CC 113788/DF, Rei. Ministro Arnaldo Esteves p
Lima, Primeira Seção, DJe 23/11/2012) p
d
4. Juízo, foro e justiça competente: d
a
A competência de foro está diretamente ligada à ideia de território, de
p
limites te::-ritoriais, nos quais o juiz exerce e atua a jurisdição. Juízo re-
q
fere-se ao órgão judicial, ao cartório, a vara, a unidade administrativa
d
competente. o
Dize'" juízo e foro significa respeitar que a Justiça Federal, a Justiça Elei- d
toral, a Justiça Estadual, a Justiça do Trabalho, dentro de suas respecti- d
3
vas esferas de competência, serão constitucionalmente adequadas para
o
julgar a demanda quando ocorrida na sua circunscrição ou comarca e
E
houver um juízo previamente determinado (juiz natural). P
Assim, o foro será o da Justiça Federal se o dano/ilícito atingir aos in- ~ Aplic
teresses, bens e direitos da União, entidades autárquicas ou empresas
públicas federais, não importando se a sede da respectiva seção é no • MPE-
k>cal do dano, mas sim se o local está dentro da circunscrição territorial "A jus
correspectiva. causa
da jus
Dessarte, em face da interiorização da Justiça Federal, bem como, vigen
pela ausência de delegação constitucional para o julgamento das
Respo
causas de meio ambiente pelas Justiças Estaduais, o STJ, após revisão
da questão pelo STF, cancelou a Súm. 183 que equivocamente esta- • Juiz F
belecia a competência da Justiça Estadual nas comarcas em que não "Ação
fossem sede de vara da Justiça Federal, mesmo que a União figura-se estad
no processo. Respo

4.1. Competência da Sede da Justiça Federal - Súm. 183 - Cancela- • MP/A


mento: "Com
grau,
O teor da Súmula nº 183 era o seguinte:
nio pú
..,._ Sum. 183 do STJ: "Compete ao juiz estadual, nas comarcas que não da Un
sejam sede de vara da justiça federal, processar e julgar ação civil Respo
publica, ainda que a união figure no processo." petên

Julgando os Em::>argos de Declaração no CC n. 27.676-BA, na sessão de • DPGU


08/11/2000, a Primeira Seção deliberou pelo CANCELAMENTO da Sú- "Com
mula n. 183. O Conteúdo da ementa: possu

96
ardo Garcia LEI DA AÇAO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985 ,,.,
mpetência "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONFLITO DE COM-
ompetên- PETÊNCIA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. LOCAL DO DANO. JUfZO FEDERAL ART.
mandas." 109, I, E§ 32, DA CF/88. ART. 22, DA LEI 7.347/85. 1-O tema em debate,
o Esteves por ser de natureza estritamente constitucional, deve ter a sua inter-
pretação rendida ao posicionamento do Colendo Supremo Tribunal Fe-
deral, que entendeu que o dispositivo contido na parte final do art. 3º,
do art. 109, da CF/88, é dirigido ao legislador ordinário, autorizando-o
a atribuir competência ao Juízo Estadual do foro do domicílio da outra
tório, de
parte ou do lugar do ato ou do fato que deu origem à demanda, desde
Juízo re-
que não seja sede de Vara da Justiça Federal, para causas específicas
istrativa
dentre as previstas no inciso I, do referido art. 109. No caso dos autos,
o Município onde ocorreu o dano não integra apenas o foro estadual
tiça Elei- da comarca local, mas também o das Varas Federais. 2- Cancelamento
respecti- da Súmula nº 183, deste Superior Tribunal de Justiça, que se declara.
3- Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para
das para
o fim de reconhecer o Juízo Federal da 16íl Vara da Seção Judiciária do
marca e
Estado da Bahia:'(STJ, EDcl no CC 27676/BA, Rei. Ministro José Delgado,
Primeira Seção, julgado em 08.11.2000, DJ 05.03.2001)
r aos in- ~ Aplicação em concurso:
mpresas
ção é no • MPE-TO- Promotor de Justiça- T0/2012- CESPE
erritorial "A justiça estadual é competente para processar e julgar ACP por danos
causados ao patrimônio público, nas comarcas que, não sejam sede de vara
da justiça federal, ainda que a União seja parte no processo, conforme
m como, vigente súmula do STJ."
nto das
Resposta: A afirmativa está errada.
revisão
nte esta- • Juiz Federai/TRF1- 2011- CESPE
que não "Ação civil pública em que autarquia seja autora poderá ser julgada por juiz
igura-se estadual se não houver sede da justiça federal na localidade."
Resposta: A afirmativa está errada.

Cancela- • MP/AM/Promotor/2007- CESPE


"Compete à justiça estadual do local onde ocorreu o dano, em primeiro
grau, processar e julgar ação civil pública que vise à proteção do patrimô-
nio público e do meio ambiente, mesmo no caso de comprovado interesse
que não da União no deslinde da causa."
ção civil Resposta: A afirmativa está errada. Se envolver interesse da União, a com-
petência será da Justiça Federal.

essão de • DPGU/Defensor/2007- CESPE


O da Sú- "Como a OAB não tem personalidade jurídica de direito público e não
possui qualquer vínculo funcional ou hierárquico com a administração

97
DIREITOS DIFUSOS ECOLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia
Mil

pública, as ações civis públicas por ela ajuizadas, por intermédio de uma
co q
de suas seccionais, independentemente da matéria nelas discutida, serão
Tute
processadas e julgadas pelo juízo cível estadual do local onde se situar a
sua sede." Essa
Resposta: A afirmativa está errada. Se a matéria envolver interesse da
União, competente será a Justiça Federal, uma vez que a Sum. 183 do STJ
foi cancelada.

• TRFS/Juiz/2007- CESPE
"A competência para processar e julgar a ação civil pública por danos
ao meio ambiente é da justiça estadual, fixada pelo critério territorial e
delimitada pelo local do dano. No entanto, admite-se a prorrogação da
competência fundada na qualidade da parte. Assim, é da competência ab-
soluta da justiça federal a ação proposta contra empresa privada conces-
sionária de serviço público federal, ainda que não evidenciado o interesse
da União, de suas autarquias ou suas empresas públicas."
Resposta: A afirmativa está errada.

-------------------------------------------------------------
..,._ Observação importante: lembrem-se do cancelamento da Súmula 183 do
STJ. Este tema é recorrente nas provas de concursos. Assim, se houver inte-
resse da União, de suas autarquias ou suas empresas públicas, a competên-
cia será da Justiça Federal, mesmo que não haja Vara da Justiça Federal no
local do dano.
-------------------------------------------------------------
s. Presença do MPF no polo ativo é suficiente, como regra, para determi-
nar a competência da Justiça Federal:

Entende parcela da doutrina e da jurisprudência que a presença do Mi-


nistério Público Federal no pato ativo da demanda é suficiente, como
regra, para determinar a competência da Justiça Federal, nos termos do
art. 109, I, da Constituição Federal, o que, contudo, não dispensa o juiz
de verificar a sua legitimação ativa para a causa em questão.

o Ministro do STJ Teori Albino Zavascki, em obra especializada, afirma


que, "para fixar a competência da Justiça Federal, basta que a Ação Civil
Pública seja proposta pelo Ministério Público Federal. Assim ocorrendo,
bem ou mal, figurará como autor um órgão da União, o que é suficiente
para atrair a incidência do art. 109, I, da Constituição". E continua: "fi-
gurando o Ministério Público Federal, órgão da União, como parte na
relação processual, a um juiz federal caberá apreciar a demanda, ainda
que seja para dizer que não é ele, e sim o Ministério Público Estadual, o
que tem legitimação ativa para a causa", para tanto devendo investigar
se a demanda se insere "no âmbito das atribuições do Ministério Públi-

98
Leonardo Garcia

médio de uma
co que a promoveu" (Processo Coletivo: Tutela de Direitos Coletivos e
discutida, serão
Tutela Coletiva de Direitos, 2ª ed., São Paulo, 2007, pp. 144-145).
nde se situar a
Essa, aliás, é exatamente a jurisprudência do STJ.
er interesse da
um. 183 do STJ PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. TUTELA DE DIREITOS TRAN-
SINDIVIDUAl$. MEIO AMBIENTE. COMPETÊNCIA. REPARTIÇÃO DE
ATRIBUIÇÕES ENTRE O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL E ESTADUAL.
DISTINÇÃO ENTRE COMPETÊNCIA E LEGITIMAÇÃO ATIVA. CRITÉRIOS.
lica por danos 1. A ação civil pública, como as demais, submete-se, quanto à com-
rio territorial e petência, à regra estabelecida no art. 109, I, da Constituição, segun-
prorrogação da do a qual cabe aos juízes federais processar e julgar "as causas em
ompetência ab- que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem
privada conces- interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes,
ado o interesse exceto as de falência, as de acidente de trabalho e as sujeitas à Jus-
tiça Eleitoral e a Justiça do Trabalho". Assim, figurando como autor
da ação o Ministério Público Federal, que é órgão da União, a com-
petência para a causa é da Justiça Federal. (... ) 3. Não se confunde
------------
Súmula 183 do
competência com legitimidade das partes. A questão competencial
é logicamente antecedente e, eventualmente, prejudicial à da legi-
se houver inte- timidade. Fixada a competência, cumpre ao juiz apr~ciar a legitima-
as, a competên- ção ativa do Ministério Público Federal para promover a demanda,
stiça Federal no consideradas as suas características, as suas finalidades e os bens
jurídicos envolvidos. 4. À luz do sistema e dos princípios constitucio-
------------ nais, nomeadamente o princípio federativo, é atribuição do Ministério
para determi- Público da União promover as ações civis públicas de interesse federal
e ao Ministério Público Estadual as demais. Considera-se que há in-
teresse federal nas ações civis públicas que (a) envolvam matéria de
esença do Mi- competência da Justiça Especializada da União (Justiça do Trabalho e
ficiente, como Eleitoral); (b) devam ser legitimamente promovidas perante os órgãos
nos termos do Judiciários da União (Tribunais Superiores) e da Justiça Federal (Tribu-
dispensa o juiz nais Regionais Federais e Juízes Federais); (c) sejam da competência
tão. federal em razão da matéria - as fundadas em tratado ou contrato
da União com Estado estrangeiro ou organismo internacional (CF, art.
alizada, afirma 109, 111) e as que envolvam disputa sobre direitos indígenas (CF, art.
ue a Ação Civil 109, XI); (d) sejam da competência federal em razão da pessoa - as
sim ocorrendo, que devam ser propostas contra a União, suas entidades autárquicas
ue é suficiente e empresas públicas federais, ou em que uma dessas entidades figure
E continua: "fi- entre os substituídos processuais no pólo ativo (CF, art. 109, I); e (e) as
como parte na demais causas que envolvam interesses federais em razão da natureza
dos bens e dos valores jurídicos que se visa tutelar.( ... ) 6. No caso dos
emanda, ainda
autos, a causa é da competência da Justiça Federal, porque nela figura
lico Estadual, o
como autor o Ministério Público Federal, órgão da União, que está
endo investigar legitimado a promovê-la, porque visa a tutelar bens e interesses niti-
Ministério Públi- damente federais, e não estaduais, a saber: o meio ambiente em área

99
LEI DA AÇÃO C

de manguezal, situada em terrenos de marinha e seus acrescidos, que


são bens da União (CF, art. 20, VIl), sujeitos ao poder de polfcia de
autarquia federal, o IBAMA (Leis 6.9381E1, art.18, e 7.735189, art. 42).
(REsp 440.002/SE, Rei. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA
TURMA, julgado em 18.11.2004, DJ 06.12.2004 p. 195)

No sentido contrário, Fredie Didier Jr. e Hermes Zaneti Jr. afirmam que:

"O Ministério Público, qualquer que seja ele, poderá exercer as suas
funções em qualquer Justiça. O que importa, realmente, é saber se
é da sua atribuição constitucional a causa que venha a demandar
(art. 177, CPC). Se for, poderá fazê-lo perante qualquer órgão do Po-
der Judiciário [ ... ] Eis alguns fundamentos para isso. a) A delimitação
das funções e atribuições de cada Ministério não está constitucional-
mente vinculada à competência dos órgãos judiciais, sendo objeto
de disciplina na Constituição e nas íeis. A Lei Complementar n. 75/93
(art. 37, 11) é explícita ao anunciar o exercfcio das funções ministeriais
federais nas causas de quaisquer juízes ou tribunais. b) Não se pode
equiparar o Ministério Público Federal à União ou a um de seus entes,
de modo que a sua simples presença na relação jurídica processual
determinasse a competência em razão da pessoa da Justiça Federal,
quer porque a sua atuação é desvinculada da dos entes políticos (art.
129, IX, CF/88; art. 178, par. ún., CPC) quer porque o rol do art. 109
da CF/88 é exaustivo e nele não há referência ao Ministério Público
Federal. c) A expressa autorização para o litisconsórcio facultativo en-
tre Ministérios Públicos para a propositura de ação civil pública (art.
Sº, §52, Lei Federal nº 7.347/85) revela nitidamente a possibilidade
de o Ministério Público poder demandar em Justiça que não lhe se-
ria correspondente. Esse litisconsórcio é facultativo e unitário; como
tal, exige que cada um dos litisconsortes, sozinho, tenha legitimida-
Existe, a
de para demandar o mesmo pedido, fato que por si já demonstra
o acerto da tese ora defendida. d) Se assim não fosse, o Ministério entendi
Público Estad~cal ficaria na dependência da atuação do Ministério
Público Federal, que, se não agisse, impediria aquele de exercer as
suas atribuições, demandando, por exemplo, uma ação civil pública
por dano ambiental contra um ente público federal. 41 Trata-se de um

que o MP
41. Também existe a possibilidade contrária. O STJ reconheceu a legitimidade (atribuição) do inquérito
MPF para tutelar direito ambiental mesmo quando :J dano não ocorreu em bem da União: julgado e
"'Nao há falar em competên-:ia exclusiva de um ente da federação para promover medidas
42. Cf. "O M
protetivas. Impõe-se amplo aparato de fiscalizaçãc a w exercido pelos quatro entes fe- riamente
derados, independentemerte do local onde a ameaça ou o dano estejam ocorrendo, bem relativam
como da competência para o licenciamento. A dominialidade da área em que o dano ou o e compe
risco de dano se manifesta é apenas um dos critérios definidores da legitimidade para agir do STF, n
do Parquet Federal." No caso a fiscalização fora realizada pelo IBAMA, mas nada impede 43. Curso, V

100
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985 ....)Mfj

cidos, que absurdo que, por si, já justificaria essa corrente defendida. e) Ao Mi-
polfcia de nistério Público se aplicam os princípios constitucionais da unidade e
89, art. 42). indivisibilidade institucional (art. 127, § 12). "O titular do direito de
PRIMEIRA ação é o MP como instituição e não por seus órgãos fragm~ntados". f)
Como ficaria, assim, a presentação do Ministério Público Estadual nos
tribunais superiores? Somente o Ministério Público Federal poderia
mam que: neles atuar? Quem faria a sustentação oral de um recurso especial
cer as suas interposto por um procurador de justiça? O subprocurador-geral da
é saber se república? Reconhecendo a legitimidade e a necessidade de atuação
demandar direta pelos diversos ramos do MP, o STF, aceitou a legitimidade ordi-
gão do Po- nária do Ministério Público Estadual para impetrar mandado de segu-
elimitação rança na Justiça Federal. 42 g) Como ficaria, por exemplo, a situação do
titucional- Ministério Público Estadual diante da negativa de informações não-
do objeto -sigilosas por autoridade coatora vinculada à União (p. ex.: delegado
ar n. 75/93 Chefe da Receita Federal)? Ocorre, no caso, que a solicitação é do pró-
ministeriais prio órgão do MPE, portanto a autoridade coatora (Delegado Chefe da
ão se pode Receita Federal) é responsável por obstaculizar, mediante ato ilegal
seus entes, e abusivo, as atribuições investigativas do parquet estadual. Como o
processual "direito" atingido é do MPE, como órgão, por óbvio é ele que detém
a Federal, a legitimidade autônoma e ordinária para a impetração do mandado
íticos (art. de segurança, que, no caso, não é uma ação coletiva, mas, sim, uma
o art. 109 demanda para a tutela do poder-dever, do Ministério Público, que foi
io Público ofendido. Observem, ainda, que a competência será da Justiça Fede-
ltativo en- ral, embora o autor seja o Ministério Público Estadual, mas o MPF
ública (art. deverá manifestar-se como fiscal da ordem jurídica, já que se trata
ssibilidade de direito referente às atribuições do órgão (manifestação obrigatória
ão lhe se- de mérito), sendo nítido exemplo de atuação conjunta do Ministério
ário; como Público como órgão agente e órgão interveniente." 43
egitimida-
Existe, ainda, precedente do STF no sentido diametralmente oposto ao
demonstra
Ministério entendimento do STJ:
Ministério AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITU-
exercer as CIONAL. COMPETÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA
vil pública PROVIMENTO. 1. O Supremo Tribunal Federal assentou que a cir-
-se de um

que o MPF pudesse obter as informações mediante outros órgãos e até mesmo mediante
ibuição) do inquérito civil próprio (REsp 1479316/SE, Rei. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma,
m da União: julgado em 20/08/2015, DJe 01/09/2015).
ver medidas 42. Cf. "O Ministério Público estadual tem legitimidade ativa autônoma para atuar origina-
ro entes fe- riamente neste Supremo Tribunal, no desempenho de suas prerrogativas institucionais
rendo, bem relativamente a processos em que seja parte", Boletim Informativo do STF, nº 683, CNMP
o dano ou o e competência revisional (transcrições), MS n. 28.827 /SP. Igualmente, Boletim Informativo
de para agir do STF, nº 686, MS n. 28.028/ES. Ambos rei. Min. Carmen Lúcia.
ada impede 43. Curso, Vol. 4, item 10.1, no prelo,

101
cunstância de figurar o Ministério Público Federal como parte na lide
não é suficiente para determinar a competência da Justiça Federal
para o julgamento da lide. 2. Compete à Justiça comum processar e
julgar as causas em que é parte sociedade de economia mista, exceto -7
se houver interesse jurídico da União no feito. (RE 596836 AgR I ES

- Rei. Min. Cármen Lúcia, Julgamento: 10/05/2011, Órgão Julgador:
Primeira Turma, DJe 26/05/2011).

-7 Aplicação em concurso:
• MPE-PI- Promotor de Justiça- Pl/2012- Cespe
Acerca da proteção ao meio ambiente, assinale a opção correta.

D) É de competência da justiça federal o julgamento da ACP ajuizada pelo
MPF, ainda que o objeto da ação seja dano ambiental.
Resposta: A afirmativa está correta.
A)

6. ACP- competência de primeiro grau:


Assim como nas ações populares o STF fixou entendimento de que na ACP B)
o juiz de primeiro'grau é o juiz natural, mesmo quando em face de auto-
ridades como o Presidente da República, Ministros de Estado e outras.
C)
..... STF
"Competência do Supremo Tribunal Federal. Ação Civil Pública contra E)
Presidente da República. Lei n2 7.347/85. A competência do Supremo
Tribunal Federal é de direito estrito e decorre da Constituição, que a
restringe aos casos enumerados no art. 102 e incisos. A circunstância
de o Presidente da República estar sujeito à jurisdição da Corte, para
os feitos criminais e mandados de segurança, não desloca para esta
o exercício da competência originária em relação às demais ações
propostas contra ato da referida autoridade. Agravo improvido." (RTJ
159/28, Rei. Min. limar Galvão).

"AÇÃO CIVIL PÚBLICA. MINISTRO DE ESTADO. INCOMPETÊNCIA AB-


SOLUTA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PRECEDENTES. -O Su-
premo Tribunal Federal não dispõe de competência originária para
processar e julgar ação civil pública ajuizada contra Ministro de Es-
tado. - O reconhecimento da competência originária do Supremo
Tribunal Federal, por configurar matéria sujeita a regime de direito
estrito, revela-se cabível, unicamente, nas hipóteses indicadas, em

~j
numerus clausus, no art. 102, I, da Constituição da República. Nesse
rol taxativo, não se inclui a previsão constitucional pertinente ao jul-
gamento de ações civis públicas, ainda que ajuizadas contra o Presi-
dente da República, Ministros de Estado e outras autoridades, que,

102
\
em sede penal, dispõem de prerrogativa de foro perante a Suprema
o parte na lide
Corte. Precedentes." (Pet 1926MC/DF, Rei. Min. Celso de Mello, j.
ustiça Federal
24.02.2000, DJU 02.03.00).
m processar e
mista, exceto -7 Aplicação em concurso:
6836 AgR I ES
• Defensor Público -SE/ 2012 - CESPE
gão Julgador:
"O juiz federal não dispõe de competência para processar e julgar a ACP e
a ação popular quando o presidente da República figurar como autoridade
demandada."
Resposta: A afirmativa está errada.
eta.
• Defensor Público - AC/ 2012 - CESPE
ajuizada pelo Acerca da competência referente aos direitos difusos e coletivos, assinale
a opção correta.
A) A justiça federal e a estadual de primeira instância têm competência fun-
cional para julgar as demandas que envolvam direitos difusos e coletivos,
conforme a pessoa e a matéria.
e que na ACP B) A competência em razão da hierarquia poderá, ou não, ser da primeira
ace de auto- instância jurisdicional, situada no lugar onde tenha ocorrido dano a direito
o e outras. difuso coletivo.
C) O valor da causa influencia diretamente a determinação da competência
para fins de ação civil pública.
Pública contra E) Se o lesado na ação coletiva for um trabalhador, o critério de fixação de
a do Supremo competência será o funcional, ou seja, a ação deverá ser julgada na justiça
tituição, que a comum estadual.
circunstância Resposta: Letra A. A questão explora problemas de competência ligando o
da Corte, para tema da hierarquia e do valor da causa nas açães coletivas. Efetivamente,
oca para esta excetuado o mandado de segurança coletivo, no qual a hierarquia seria
demais ações determinante, a regra da competência pela "hierarquia" não se aplica nas
provido." (RTJ ações coletivas. É o caso da ACP e da AP já comentadas, nas quais não
importa quem seja a autoridade, a competência será do juiz de primeiro
grau. Igualmente não tem nenhuma influência o valor da causa na análise
PETÊNCIA AB-
da competência. É bom lembrar que os juizados especiais não tem com-
NTES. -O Su-
petência para julgar ações coletivas (art. 32 (. .. ), § 12. Não se incluem na
riginária para
competência do Juizado Especial Cível as causas: I- referidas no art. 109,
Ministro de Es-
incisos /1, 111 e XI, da Constituição Federal, as ações de mandado de segu-
do Supremo
rança, de desapropriação, de divisão e demarcação, populares, execuções
me de direito
fiscais e por improbidade administrativa e as demandas sabre direnos ou
indicadas, em interesses difusos, coletivos ou individuais homogêneos, Lei 10259/01}.
pública. Nesse Assim, correta a assertiva que determina a competência da justiça fede-
tinente ao jul- ral como decorrente da pessoa e da matéria, nos termos do mandamento
ontra o Presi-
constitucional (art. 109 da CF/88}.
oridades, que,

103
IMfJ --------------~~REITOS DIFUSOS ECOLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia
-----~------~-----~-------------------------~-------------------·------------

Vale ressaltar, contudo, que nas ações coletivas para análise da im-
probidade administrativa, as autoridades têm gradativamente ganha-
do espaço no foro. Existem recentes precedentes do STF e do STJ re-
conhecendo aos ministros, aos governadores e deputados federais e
aos desembargadores e juízes de tribunais superiores o foro por prer-
rogativa de função sempre que o julgamento da ação puder resultar a
perda do cargo. As teses adotadas partem do fundamento das assim
chamadas competências implícitas complementares, ou seja, o tribu-
nal que detém as competências para o julgamento das ações penais
que acarretam a perda do cargo é o mesmo que detém a competência
para as ações de improbidade administrativa que possa resultar na
perda do cargo.

A questão central é a identificação dos casos em que a própria Cons-


tituição da República estabeleceu competência de foro por prerro-
gativa de função para crimes comuns e de responsabilidade. Nestes
casos os tribunais superiores têm reconhecido através do princípio da
competência implícita que se as sanções de perda de cargo se admi-
tem apenas nos mesmos tribunais que detém essa prerrogativa crimi-
nal e político-administrativa, partindo da premissa que a improbidade
pode ocasionar a perda do cargo, somente aos tribunais superiores
caberá o julgamento. A tese é simples, mas criticável, pois na verdade
estende um privilégio que não deveria existir em um país democrático
no qual a justiça é igual para todos (equal justice under the Jaw).
CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA. AÇÃO DE IMPROBIDADE CONTRA
GOVERNADOR DE ESTADO. DUPLO REGIME SANCIONATÓRIO DOS
AGENTES POLfTICOS: LEGITIMIDADE. FORO POR PRERROGATIVA DE
FUNÇÃO: RECONHECIMENTO. USURPAÇÃO DE COMPETÊNCIA DO
STJ. PROCEDÊNCIA PARCIAL DA RECLAMAÇÃO. 1. Excetuada a hipó-
tese de atos de improbidade praticados pelo Presidente da República
(art. 85, VI, cujo julgamento se dá em regime especial pelo Senado
Federal (art. 86), não há norma constitucional alguma que imunize
os agentes políticos, sujeitos a crime de responsabilidade, de qual-
quer das sanções por ato de improbidade previstas no art. 37, § 4.2.
Seria incompatível com a Constituição eventual preceito normativo
infraconstitucional que impusesse imunidade dessa natureza. 2. Por
decisão de 13 de março de 2008, a Suprema Corte, com apenas um
voto contrário, declarou que "compete ao Supremo Tribunal Federal
julgar ação de improbidade contra seus membros" (QO na Pet. 3.211-
0, Min. Menezes Direito, DJ 27.06.2008). Considerou, para tanto, que
a prerrogativa de foro, em casos tais, decorre diretamente do sistema
de competências estabelecido na Constituição, que assegura a seus

104
ardo Garcia
------------

e da im-
Ministros foro por prerrogativa de função, tanto em crimes comuns,
e ganha-
na própria Corte, quanto em crimes de responsabilidade, no Senado
o STJ re- Federal. Por isso, "seria absurdo ou o máximo do contra-senso con-
derais e ceber que ordem jurídica permita que Ministro possa ser julgado por
por prer- outro órgão em ação diversa, mas entre cujas sanções está também
esultar a a perda do cargo. Isto seria a desestruturação de todo o sistema que
as assim fundamenta a distribuição da competência" (voto do Min. Cezar Pe-
o tribu- luso). 3. Esses mesmos fundamentos de natureza sistemática autori-
s penais zam a concluir, por imposição lógica de coerência interpretativa, que
petência norma infraconstitucional não pode atribuir a juiz de primeiro grau
o julgamento de ação de improbidade administrativa, com possível
ultar na
aplicação da pena de perda do cargo, contra Governador do Estado,
que, a exemplo dos Ministros do STF, também tem assegurado foro
a Cons- por prerrogativa de função, tanto em crimes comuns (perante o STJ),
prerro- quanto em crimes de responsabilidade (perante a respectiva Assem-
Nestes bléia Legislativa). É de se reconhecer que, por inafastável simetria
com o que ocorre em relação aos crimes comuns (CF, art. 105, I, a),
cípio da
há, em casos tais, competência implfcita complementar do Superior
e admi-
Tribunal de Justiça. 4. Reclamação procedente, em parte. (STJ, Rei
a crimi- 2.790-SC, Corte Especial, Rei. Min. Teori Albino Zavascki, 02.12.2009).
obidade
periores CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO ..IMPROBIDADE ADMINISTRA-
TIVA. AGENTES POLÍTICOS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTE DA CORTE
verdade
ESPECIAL. SECRETÁRIOS DE ESTADO. COMPETÊNCIA. PRERROGATIVA
ocrático
DE FORO. CONSTITUIÇÃO ESTADUAL. COMPETÊNCIAS IMPLÍCITAS
w). COMPLEMENTARES. REMESSA AO TRIBUNAL DE JUSTIÇA LOCAL. 1.
CONTRA Trata-se de Ação Civil Pública contra os recorridos em razão da prá-
RIO DOS tica de atos de improbidade administrativa, descritos como dispensa
ATIVA DE indevida de licitação, desvio de verbas públicas, autorização de des-
NCIA DO pesas não previstas em lei e desvio de finalidade na implementação
a hipó- do 'Programa do Leite', com prejuízo aos cofres públicos no valor de
epública aproximadamente R$ 10 milhões. 2. Após sentença de procedência, o
Senado acórdão acolheu a alegação de inaplicabilidade de Lei de improbidade
imunize Administrativa aos agentes políticos e, em relação aos demais, anulou
de qual- a sentença por cerceamento de defesa. O Recurso Especial pugna pela
7, § 4.2. reforma do acórdão nesses dois pontos. 3. A Corte Especial do Supe-
ormativo rior Tribunal de Justiça decidiu pela submissão dos agentes políticos
a. 2. Por à Lei de Improbidade Administrativa (Rei 2.790/SC, Corte Especial,
enas um Relator Ministro Teori Albino Zavascki, DJe 4.3.2010). 4. Todavia, o
Federal mesmo precedente estabelece privilégio de foro aos agentes políticos
t. 3.211- em ações de improbidade - com base em construção amparada em
nto, que julgado do STF -,na relevância do cargo de determinados sujeitos, no
sistema interesse público ao seu bom e independente exercício e na idéia de
a a seus competências implícitas complementares. 5. A Constituição do Estado
do Rio Grande do Norte prevê prerrogativa de Foro a Secretários de

105
LEI DA A
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia

pre
Estado. 6. Recurso Especial parcialmente provido para reconhecer a
aplicabilidade da Lei de Improbidade Administrativa aos recorridos, apli
agentes políticos, com remessa, de ofício, dos autos ao Tribunal de
Justiça do Rio Grande do Norte para que julgue a demanda em com-
petência originária. (STJ, REsp 1.235.952-RN, 2ª Turma, Rei. Min. Her-
man Benjamin, 02.06.2011, v.u.).

A nova tese poderá ser aplicada por simetria nos tribunais, como já
ocorreu no TJPR:
"APELAÇÃO CfVEL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA POR ATO DE IMPROBIDADE
Esta
ADMINISTRATIVA. SENTENÇA DE PROCEDtNCIA. APELAÇÃO DO RÉU.
blic
QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA SUSCITADA PELO APELANTE APÓS O
PROCESSAMENTO DO RECURSO. INCOMPETtNCIA ABSOLUTA EM foro
RAZÃO DE FORO PRIVILEGIADO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO. IN- cab
COMPETtNCIA RECONHECIDA. NOVEL ENTENDIMENTO DO STJ QUE dim
PACIFICA A QUESTÃO, RECONHECENDO QUE O FORO PRIVILEGIADO de
POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO TAMBÉM DEVE SER APLICADO ÀS car
AÇÕES CIVIS PÚBLICAS POR ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA,
QUANDO fiOUVER PERIGO DE QUE A AUTORIDADE INVESTIGADA VE- 6.1
NHA A PERDER O CARGO OU O MANDATO QUE ESTIVER EXERCENDO,
Or
AINDA QUE NÃO SEJA ESTE O EXERCIDO À ÉPOCA DOS FATOS OU DA
sar
PROPOSITURA DA AÇÃO. (RECL. 4927-DF; AGRG 1404254-RJ STJ). RE-
par
MESSA DOS AUTOS AO ÓRGÃO ESPECIAL PARA APRECIAÇÃO DO RE-
CURSO QUE SE IMPÕE (ARTIGOS 125, §V!, CF, 101, VI/, A, CONSTITUI- .....
ÇÃO ESTADUAL, 84, 11, A RITJPR). NULIDADE DA SENTENÇA QUE NÃO
RESTA CONFIGURADA, EIS QUE À ÉPOCA DE SUA PROLAÇÃO VIGIA
ENTENDIMENTO JURISPRUDENCIAL CONTRÁRIO, QUE NÃO ADMITIA
A PRERROGATIVA DE FORO, O QUE ATESTA A VALIDADE DO DECISUM.
INCOMPETtNCIA ABSOLUTA RECONHECIDA. REMESSA DOS AUTOS
AO ÓRGÃO ESPECIAL PARA APRECIAÇÃO E JULGAMENTO DO APELO."
(Processo: 669032-8. Relator: Maria Aparecida Blanco de Lima. Orgão
Julgador: 4ª Câmara Cível. Data de Publicação: 15.05.2012).

Note-se, contudo, que em julgado o TJES julgou incidentalmente incons-


titucional a EC 85/2012 à Constituição Estadual do Estado do Espírito
Santo justamente por entender que não há foro por prerrogativa de
função nas ações civis {Plenário do Tribunal de Justiça no julgamento da
questão de ordem na ação de improbidade administrativa n!1 0534649-
14.2010.8.08.0024{050.10.002324-6). Como afirmamos acima este pa-
rece ser o entendimento mais correto e consentâneo à Constituição e a
tradição e culturas republicanas mais evoluídas.

I Contudo, o STJ entende que caso a ação possa gerar a perda do cargo ou
a suspensão dos direitos políticos de autoridade pública com foro por

I 106
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
Leonardo Garcia Mfj

prerrogativa de função o juiz poderá decidir a matéria sem, contudo,


reconhecer a
aos recorridos, aplicar estas sanções:
ao Tribunal de "A ação de improbidade administrativa proposta contra agente políti-
anda em com- co que tenha foro por prerrogativa de função é processada e julgada
Rei. Min. Her- pelo juiz de primeiro grau, limitada à imposição de penalidades pa-
trimoniais e vedada a aplicação das sanções de suspensão dos direi-
tos políticos e de perda do cargo do réu" (Jurisprudência em Teses,
ais, como já
Direito Administrativo, Improbidade Administrativa 11, com elenco de
precedentes).
IMPROBIDADE
Esta tese é a redução das ações de improbidade à meras ações civis pú-
AÇÃO DO RÉU.
blicas. Obtém-se, por via transversa, a mesma consequência nefasta do
LANTE APÓS O
ABSOLUTA EM foro por prerrogativa de função. Na verdade, mais ainda, visto que não
E FUNÇÃO. IN- caberá ação civil no juízo competente para decretar a sanção. Tal enten-
O DO STJ QUE dimento é, portanto, inconstitucional, frente ao mandamento expresso
PRIVILEGIADO de aplicação das sanções de suspensão de direitos políticos e perda do
APLICADO ÀS cargo aos agentes ímprobos pelo art. 37, § 42, CF/88.
MINISTRATIVA,
VESTIGADA VE- 6.1. Incompetência do STF e indicação do órgão competente:
R EXERCENDO,
O reconhecimento, pelo STF, da sua incompetência para julgar e proces-
FATOS OU DA
sar o feito torna necessária a indicação do órgão que repute competente
54-RJ STJ). RE-
para tanto.
CIAÇÃO DO RE-
A, CONSTITUI- ..... STF
NÇA QUE NÃO
OLAÇÃO VIGIA Informativo 512 - STF. "Salientando a alteração da jurisprudência
NÃO ADMITIA da Corte a respeito desse tema, e com base no art. 113, § 2Q, do
DO DECISUM. CPC ("Declarada a incompetência absoluta, somente os atos deci-
A DOS AUTOS sórios serão nulos, remetendo-se os autos ao juiz competente.") e
TO DO APELO." no art. 21, § 1Q, do RISTF, na redação dada pela Emenda Regimen-
de Lima. Orgão tal 21/2007 ("Poderá o(a) Relator(a) negar seguimento a pedido ou
012). recurso manifestamente inadmissível, improcedente ou contrário à
jurisprudência dominante ou a Súmula do Tribunal, deles não co-
mente incons- nhecer em caso de incompetência manifesta, encaminhando os au-
o do Espírito tos ao órgão que repute competente, bem como cassar ou reformar,
errogativa de liminarmente, acórdão contrário à orientação firmada nos termos
do art. 543-B do Código de Processo Civil."), o Tribunal manteve
ulgamento da
decisão que negara seguimento a ação civil pública, autuada como
n!1 0534649-
petição - ajuizada pela Associação de Moradores e Produtores da
cima este pa-
Região do Romão - SOMAR, contra decisão do Conselho Nacional
nstituição e a de Justiça- CNJ -,em que se objetiva a desconstituição de acórdãos
proferidos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Estado de Tocantins.
Considerou-se não se estar diante de uma das hipóteses de com-
a do cargo ou
petência originária do Supremo previstas no rol exaustivo do art.
com foro por

107
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia

102, I, da CF, e determinou-se a remessa dos autos às instâncias


ordinárias. Alguns precedentes citados: AO 1137 AgR/DF (DJU de
19.8.2005); AO 1139 AgR/DF (DJU de 19.8.2005); MS 25087/SP (DJU
de 11.5.2007); Pet 3674 QO/DF (DJU de 19.12.2006); MS 26006 AgR/
DF (DJE de 15.2.2008. Pet 3986 AgR/TO, rei. Min. Ricardo Lewand-
owski, 25.6.2008. (Pet-3986)." (Boi. lnf. STF nº 512, Pet- 3986).
7. Dano Ambiental

7 Aplicação em concursos:

• Defensor Público -SE/ 2012 - CESPE


"Compete à justiça federal processar e julgar todas as ações coletivas cujo
objeto seja a proteção ao meio ambiente."
Resposta: A afirmativa está errada. Se não houver interesse da União (for
um bem da União por exemplo), a competência será estadual.

7.1. Rio da União. Competência da Justiça Federal:


A jurisprudência está consolidada no sentido de que os rios que banham
mais de um Estado serão considerados rios da União e, portanto, a com-
petência será da Justiça Federal para a ACP correspondente.
"( ... ) Deveras, proposta a ação civil pública pelo Ministério Público
Federal e caracterizando-se o dano como interestadual, impõe-se
a competência da Justiça Federal (Súmula 183 do STJ), que coinci-
dentemente tem sede no local do dano [(sic. - súmula cancelada].
Destarte, a competência da Justiça Federal impor-se-ia até pela regra
do art. 219 do CPC. 6. Não obstante, é assente nesta Corte que dano
ambiental causado em rios da União indica o interesse desta nas
demandas em curso, a arrastar a competência para o julgamento
das ações para a Justiça Federal. Precedentes da Primeira Seção: CC
33.061/RJ, Rei. Min. Laurita Vaz, DJ 08/04/2002; CC 16.863/SP, Rei.
Min. Demócrito Reinaldo, DJ 19/08/1996." (STJ, CC 39.111/RJ, Rei.
Min. Luiz Fu:<, Primeira Seção, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005)
7 .3. ACP
7.2. Dano ou risco de dano ambiental em porto marítimo, fluvial ou te em ra
lacustre. Competência da Justiça Federal. e não e
"PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. REPARAÇÃO DE DANO AM-
BIENTAL. ROMPIMENTO DE DUTO DE ÓLEO. PETROBRAS TRANSPOR-
rr:s ,S/A TRANSPETRO. VAZAMENTO DE COMBUSTÍVEL. ( ... ) COM-

PETENCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. SÚMULA 150/STJ. LEGITIMAÇÃO DO


MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. NATUREZA JURÍDICA DOS PORTOS. LEI
8.630/93. INTERPRETAÇÃO DO ART. 29, DA LEI 7.347/85. 1. Cinge-se
a controvérs'a à discussão em torno a) da tempestividade do Agravo
de Instrumento interposto pelo MPF e b) da competência para o jul-

108
rdo Garcia

stâncias gamento de Ação Civil Pública proposta com a finalidade de reparar


(DJU de dano ambiental decorrente do vazamento de cerca de 1.000 (mil)
/SP (DJU litros de óleo combustível após o rompimento de um dos dutos sub-
006 AgR/ terrâneos do pier da Transpetro, no Porto de Rio Grande. ( ... ) 5. A
Lewand- presença do Ministério Público Federal no pólo ativo da demanda é
86). suficiente para determinar a competência da Justiça Federal, nos ter-
mos do art. 109, I, da Constituição Federal, o que não dispensa o juiz
de verificar a sua legitimação ativa para a causa em questão. 6. Em ma-
téria de Ação Civil Pública ambiental, a dominialidade da área em que
o dano ou o risco de dano se manifesta (mar, terreno de marinha ou
Unidade de Conservação de propriedade da União, p. ex.) é apenas um
vas cujo dos critérios definidores da legitimidade para agir do Parquet federal.
Não é porque a degradação ambiental se deu em imóvel privado ou
nião (for afeta res communis omnium que se afasta, ipso facto, o interesse do
MPF. 7. É notório o interesse federal em tudo que diga respeito a por-
tos, tanto assim que a Constituição prevê não só o monopólio natural
da União para "explorar, diretamente ou mediante autorização, con-
cessão ou permissão", em todo o território nacional, "os portos maríti-
banham
mos, fluviais e lacustres" (art. 21, XII, f), como também a competência
a com- para sobre eles legislar "privativamente" (art. 22, X). 8. Embora com-
posto por partes menores e singularmente identificáveis, em terra e
Público mar- como terminais e armazéns, públicos e privados-, o porto cons-
mpõe-se titui uma universalidade, isto é, apresenta-se como realidade jurídica
e coinci- una, embora complexa; equipara-se, por is~o, no seu conjunto, a bem
celada]. público federal enquanto perdurar sua destinação específica, em nada
la regra enfraquecendo essa sua natureza o fato de se encontrarem imóveis
ue dano privados inseridos no seu perímetro oficial ou mesmo o licenciamento
sta nas pelo Estado ou até pelo Município de algumas das unidades individuais
amento que o integram. 9. O Ministério Público Federal, como regra, tem legi-
eção: CC timidade para agir nas hipóteses de dano ou risco de dano ambiental
SP, Rei. em porto marítimo, fluvial ou lacustre. ( ... ) (STJ, REsp 1057878/RS, Rei.
RJ, Rei. Min. Herman Benjamin, DJe 21/08/2009)
2.2005)
7 .3. ACP proposta contra partidos políticos por dano ao meio ambien-
vial ou te em razão de propaganda eleitoral. Competência da justiça estadual
e não eleitoral.
NO AM- "ADMINISTRATIVO. CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. AÇÃO
NSPOR- CIVIL PÚBLICA. PROPAGANDA ELEITORAL. DEGRADAÇÃO DO MEIO
) COM-
AMBIENTE. AUSÊNCIA DE MATÉRIA ELEITORAL. COMPETÊNCIA DA
ÇÃO DO JUSTIÇA ESTADUAL. 1. A Justiça Eleitoral, órgão do Poder Judiciário
TOS. LEI brasileiro (art.92, V, da CF), tem seu âmbito de atuação delimitado
Cinge-se pelo conteúdo constante no art. 14 da CF e na legislação específica.
Agravo 2. "As atividades reservadas à Justiça Eleitoral aprisionam-se ao pro-
a o jul- cesso eleitoral, principiando com a inscrição dos eleitores, seguin-

109
DIREITOS DIFUSOS ECOLETIVOS -Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia
MIP --------------------------·------··--···------------------------------ LEI DA

do-se o registro dos candidatos, eleição, apuração e diplomação,


ato que esgota a competência especializada (art. 14, parágrafo 10,
CF)" (CC 10.903/RJ). 3. In casu, sobressai a incompetência da justiça
eleitoral, uma vez que não está em discussão na referida ação civil
pública direitos políticos, inelegibilidade, sufrágio, partidos políticos,
nem infração às normas eleitorais e respectivas regulamentações,
isto é, toda matéria concernente ao próprio processo eleitoral. 4. A
pretensão ministerial na ação civil pública, voltada à tutela ao meio
ambiente, direito transindividual de natureza difusa, consiste em
obrigação de fazer e não fazer e, apesar de dirigida a partidos polí-
ticos, demanda uma observância de conduta que extravasa período
eleitoral, apesar da maior incidência nesta época, bem como não
constitui aspecto inerente ao procesSD eleitoral. 5. A ação civil públi-
ca ajuizada imputa conduta tipificada no art. 65 da Lei 9.605/98 em
face do dano impingido ao meio ambiente, no caso especificamente,
artificial, formado pelas edificações, equipamentos urbanos públi-
cos e comunitários e todos os assentamentos de reflexos urbanís-
ticos, conforme escólio do Professor José Afonso da Silva. Não visa
delimitar condutas regradas pelo direito eleitoral; visa tão somente
a tutela a meio ambiente almejando assegurar a função social da
cidade e' garantir o bem-estar de seus habitantes, nos termos do
art. 182 da Constituição Federal. 6. Conflito conhecido para declarar
competente o Juízo de Direito da 2~ Vara Cível de Maceió - AL, ora
suscitado:' (STJ, CC 113433/AL, Rei. Ministro Arnaldo Esteves Lima,
Primeira Seção, julgado em 24/08/2011, DJe 19/12/2011)

8. Competência para execução nas demandas individuais: condenação


genérica em ACP:
O STJ decidiu através de precedente firmado pela Corte Especial, com efi- 1. P
cácia de recurso repetitivo, nos termos do art. 543-C do CPC/73 (art. 1036 ti
do novo CPC/15), que as ações individuais de liquidação e execução dos re
consumidores lesados poderão ser ajuizadas, a escolha do autor, em seu m
domicílio, no domicílio do réu, onde estiverem os bens ou no juízo da ação a
ordinária. Sobre o tema ver comentários 2.1 ao art. 98 do coe. C
9. Parágrafo único. Prevenção. A propositura da ação prevenirá a jurisdi- s
ção do juízo para todas as ações posteriormente intentadas que possu- p
am a mesma causa de pedir ou o mesmo objeto. ti

-7 Aplicação em concursos: 2. A
• FCC- Analista do CNMP- 2015 c
ç
"Nas ações civis públicas, a
e
A) prevenção é determinada pela simples pro.Ji)Dsitura da ação
d
B) competência é territorial e será deterrninadal pela prevenção
c

li O
J
Leonardo Garcia
-------------- LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
-'*"'1
e diplomação,
C) prevenção institui um juízo universal para quaisquer outras ações poste-
4, parágrafo 10,
riormente intentadas que possuam a mesma causa de pedir ou o mesmo
ência da justiça
erida ação civil objeto
rtidos políticos, D) competência é relativa e será determinada pelo foro do domicílio do réu
gulamentações, E) prevenção é determinada somente pela citação válida"
o eleitoral. 4. A
Resposta: Gabarito: Letra A
tutela ao meio
a, consiste em
a partidos polí- • Defensor Público -SE/ 2012 - CESPE
ravasa período "De acordo com a legislação de regência, o juízo perante o qual seja pro-
bem como não posta a primeira ACP é prevento para todas as ações coletivas que, poste-
ação civil públi- riormente ajuizadas, possuam a mesma Ci'lUSa de pedir ou o mesmo pe-
ei 9.605/98 em dido, exigindo-se ainda, para a incidência da prevenção, a identidade de
specificamente, partes,"
urbanos públi-
eflexos urbanís- Resposta: A afirmativa está errada. Segundo o parágrafo único oo art 2º
Silva. Não visa da LACP, não há necessidade da identidade de partes para a configura-
sa tão somente ção da prevenção. Isso porque uma das características das ações coletivas
unção social da é a legitimação concorrente dos colegitimados, logo, não importa quem
nos termos do ajuizou a ação coferiva, haverá identidade de ações se for identificada a
do para declarar identidade de causa de pedir e de pedido.
Maceió - AL, ora
o Esteves Lima,
2011)

: condenação

pecial, com efi- 1. Possibilidade de se requerer qualquer tutela !declaratória, constitu-


C/73 (art. 1036 tiva, condenatória, mandamental ou executiva lato sensu): embora a
execução dos redação do art. 3º somente aluda às ações condenatórias, o coe, que
autor, em seu mantém com a LACP uma relação de intercambiariedade, estabelece no
o juízo da ação art. 83 que "para a defesa dos direitos e interesses protegidos por este
coe. Código são admissíveis todas as espécies de ações capazes de propiciar
enirá a jurisdi- sua adequada e efetiva tutefa." Dessa forma, dúvidas não há sobre a
as que possu- possibilidade de se formular qualquer tipo de pretensão nas ações cole-
tivas.

2. ATENÇÃO: possibilidade de cumulação de pedidos: poderá haver a


cumulação da condenação em dinheiro com o cumprimento da obriga-
ção de fazer ou não fazer. Ou seja, pode-se buscar. por meio da ACP, por
exemplo, tanto a cessação do ato lesivo ao meio ambiente, a reparação
o
do que for possível e, até mesmo, a indenização por danos irreparáveis
ão
caso tenham ocorrido.

J 111
I
li

2.1. STJ: I p
t
O STJ, na lavra do Min. Luiz Fux, REsp 625249/PR, DJ 31/08/2006, bem s
explica a possibilidade de cumulação de pedidos de acordo com o art. 3º t
da LACP: a
q
"A exegese do art. 3!"1 da Lei 7.347/85 ("A ação civil poderá ter por
v
objeto a condenação em dinheiro ou o cumprimento de obrigação
de fazer ou não fazer"), a conjunção "ou" deve ser considerada com ~ Aplic
o sentico de adição (permitindo, com a cumulação dos pedidos, a tu-
tela integral do meio ambiente) e não o de alternativa excludente (o • Juiz F
que tornaria a ação civil pública instrumento inadequado a seus fins)." "A aç
cump
Sobre a correta interpretação a ser dada ao art. 3º, segue interessante
Resp
observação do Min. Teori Zavascki no REsp 605323/MG, DJ 17/10/2005:
"Não teria sentido imaginar, por outro lado, que a tutela ambiental • DPE
que demandasse prestações variadas devesse ser prestada em de- "A aç
mandas separadas, uma para cada espécie de prestação. Isso, além
Resp
de atentar contra o princípio da instrumentalidade e da economia
processual, acarretaria a possibilidade de sentenças contraditó- • PGE
rias e incompatíveis para a mesma situação de fato e de direito. "Ação
O exemplo dos autos é significativo. Diante de alegada conduta objet
lesiva ao meio ambiente praticada pela autora, deduziu-se pe- ou nã
dido cumulativo de prestação de não fazer (cessar a emissão de a reg
efluentes sanitários no rio; cessar a emissão de material particu- nizaç
lado para a atmosfera), de fazer (implantar sistema de controle
Resp
anti-poluentes, adequar-se aos níveis de emissão de partícula-
dos sólidos compatíveis com sua localização urbana, adequar o
3. STJ.
tratamento de efluentes líquidos, recuperar as lesões ambientais
causadas) e de pagar quantia (indenização pelos danos ambien-
tais já causados, mas insuscetíveis de serem recuperados por
via específica e in natura). A demanda, bem se vê, busca tute-
la ambiental mediante atendimento conjunto dos princípios da
prevenção (obrigações pessoais negativas- de não fazer), do po-
luidor-pagador (obrigações pessoais positivas- de fazer) e da re-
paração integral (pagar indenização). As partes e a causa de pedir
são as mesmas para todos os pedidos. O objetivo final é, nos três
casos, o mesmo: a tutela do meio ambiente lesado em circunstân-
cias específicas. O que se cumula são apenas os pedidos mediatos,
consistentes de prestações variadas. Exigir, para cada espécie de
prestação, uma ação autônoma, significaria, sem dúvida, atentar
contra os princípios antes referidos da instrumentalidade e da eco-
nomia processual, além de propiciar a superveniência de decisões
conflitantes. Se a tal ônus estivesse submetido o autor da ação civil

112
I
'~
;{

i1
'·'·

li

I pública, melhor seria que utilizasse, simplesmente, o procedimen-


1
to comum ordinário para tutelar o meio ambiente, já que nesse
6, bem seria permitida, sem empecilho, a cumulação aventada. Ora, não
art. 3º teria sentido negar à ação civil pública, criada especialmente como I
alternativa para melhor viabilizar a tutela dos direitos difusos, o
que se permite para a tutela de todo e qualquer outro direito, pela
ter por \
via do procedimento comum."
rigação
da com
s, a tu-
ente (o
~


Aplicação em concurso:
Juiz Federal /TRF lg Região- CESPE- 2009
I
s fins)." "A ação civil pública poderá ter por objeto a condenação em dinheiro ou o
cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer."
ssante
/2005:
biental
em de-

Resposta: A afirmativa está correta.

DPE/AL- CESPE- 2009


"A ação civil pública não pode ter por objeto a condenação em dinheiro!'
I
o, além
Resposta: A afirmativa está errada.
onomia
raditó-
direito.
• PGE/CE/Procurador/2008- CESPE I
onduta
"Ação civil pública por danos causados ao meio ambiente pode ter como
objeto a condenação em dinheiro ou o cumprimento da obrigação de fazer I
I
I
-se pe- ou não fazer. Declarada a procedência dos pedidos deduzidos nessa ação, !
são de a regra é a reparação do dano aos bens lesados, e a condenação à inde-
articu- nização em dinheiro somente acontecerá quando o dano for irreversível."
ontrole
Resposta: Obs: A afirmativa está correta.
rtícula-
quar o
3. STJ.
ientais
mbien- ACP. INSTALAÇÃO DE LINHA TELEFÔNICA. AUTORIZAÇÃO EXPRESSA. A
os por Turma manteve decisão proferida em ACP ajuizada pelo MP em que
a tute- se condenou a empresa de telefonia ora recorrente ao cumprimen-
pios da to de diversas obrigações de fazer e não fazer, entre elas, a de não
do po- prestar serviços de habilitação de linha telefônica sem autorização
e da re- expressa, bem como a de excluir os nomes de todos os consumidores
e pedir dos bancos de restrição de crédito em que não há prova escrita da
os três solicitação do referido serviço, sob pena de pagamento de multa diá-
unstân- ria. ( ... ) REsp 976.217-RO, Rei. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em
diatos, 11/9/2012. lnf. 504.
écie de DIREITO ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. OBJETO DE AÇÃO
atentar CIVIL PÚBLICA PARA ANULAR PERMISSÔES PRECÁRIAS. Em ação civil
da eco- pública movida para anular permissões para a prestação de serviços
ecisões de transporte coletivo concedidas sem licitação e para condenar o Es-
ão civil tado a providenciar as licitações cabíveis, não cabe discutir eventual

113
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia LEI DA A

indenização devida pelo Estado ao permissionário. A ação civil pública CPC


é o instrumento processual destinado à defesa judicial de interesses de r
difusos e coletivos, permitindo a tutela jurisdicional do Estado com sult
vistas à proteção de certos bens jurídicos. Por meio desta ação, repri- dolo
me-se ou previne-se a ocorrência de danos ao meio ambiente, ao con-
sumidor, ao patrimônio público, aos bens e direitos de valor artístico, -7
estético, histórico, turístico e paisagístico, dentre outros, podendo ter •
por objeto a condenação em dinheiro ou o cumprimento de obriga-
ção de fazer ou não fazer. Assim, não cabe neste tipo de ação, em que
se busca a tutela do bem coletivo, a condenação do Estado a indenizar
o réu - na hipótese, a permissionária de transporte público - pelos
investimentos realizados, o que pode ser pleiteado em ação autôno-
ma. AgRg no REsp 1.435.347-RJ, Rei. Min. Mauro Campbell Marques,
julgado em 19/8/2014. lnfo. 546 3. Aten

CPC/2015: O cumprimento das obrigações de fazer e não fazer e a con- Acré


denação de pagar quantia sofreram um avanço no CPC com a edição do das
art. 139, IV, que prevê a atipicidade dos meios executivos. Este dispositi- gios
das
vo é colocado à disposição do autor especialmente em direitos de eleva-
do interesse público primário, como as ações coletivas, para garantia da Norm
tempestividade, efetividade e adequação dos meios executivos à tutela
-7
dos direitos. Além deste dispositivo o art. 497, parágrafo único, discipli-
na as tutelas inibitória e de remoção do ilícito para as quais não se exige •
prova do dano, dolo ou culpa.

;~~!J!!·~~~tr para os fins: d~!>~ 1;€(~, ()p_,.


~\Íbll~Q:í~ ~ô~J~lii~ô "
.digni~ade ·.~e;.~gniPI?S·é­
?u à()s bét1Si~direit()s
paiS"íigfgtfÇti?,~~a~ão
20f4) . . ., ; .

1. Qualquer direito coletivo lato sensu: a norma não se aplica somente às


hipóteses descritas expressamente no art. 42. A descrição é exemplifica-
tiva. Assim, em ação que envolva qualquer direito coletivo, é possível o
ajuizamento de ação cautelar.
2. Tutela inibitória: embora mencione expressamente a tutela cautelar, a
redação do dispositivo se refere à tutela inibitória, que é preventiva,
autônoma e satisfativa e visa exatamente obter providência judicial que
impeça a prática de ato ilícito independentemente da ocorrência de um
dano e da prova do dolo ou culpa.

114
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N<> 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
Leonardo Garcia
I!DIJ
ção civil pública CPC/2015: o art. 497, parágrafo único, disciplina as tutelas inibitória e
l de interesses de remoçã? .do ilíci~o no CPC, como espécies de tutela específica ou re-
do Estado com sultado pratico eqwvalente, para os quais não se exige prova do dano
sta ação, repri- dolo ou culpa. '
biente, ao con-
valor artístico, -7 Aplicação em concurso:
s, podendo ter • Juiz Federaf/TRF3- 2011 - CESPE
ento de obriga-
e ação, em que "A a~ão civil púb~ica é mecanismo judicial que se destina à tutela repressiva
ado a indenizar dos mteresses dtfusos e coletivos quando já se consumou a ofensa a tais
interesses, razão pela qual não admite ação de natureza cautelar."
público - pelos
m ação autôno- Resposta: A afirmativa está errada.
pbell Marques,
3. Atenção: alteração recente no art. 4° da LACP.

fazer e a con- Acréscimos no texto do art. 4°, pelas Leis nQ 12.966 e 13.004 de 2014
m a edição do das expressões à honra e à dignidade de grupos raciais, étnicos ou reli~
Este dispositi- giosos, e patrimônio público e social, em razão das alterações promovi-
das no art. r.
itos de eleva-
ra garantia da Normalmente alterações legislativas são cobradas em provas.
utivos à tutela
-7 Aplicação em concurso:
único, discipli-
s não se exige • Vunesp - Defensor Público - MS/2014
"Poderá ser ajuizada ação cautelar objetivando, inclusive, evitar 0 dano à
honra e à dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos, dentre outros."
1;€(~, ()p_,. Resposta: A afirmativa está correta.
~J~lii~ô "
niPI?S·é­
direit()s
?,~~a~ão
; .

a somente às
é exemplifica-
, é possível o

ela cautelar, a
é preventiva,
a judicial que
rência de um

115
LEI DA AÇÃO C

ARTIGOS CORRELATOS
~ OEFIOENTE (Lei 7853/89)- Art. 3º. As ações civis públicas desti-
nadas à proteção de interesses coletivos ou difusos das pessoas
portadoras de deficiência poderão ser propostas pelo Ministério
Público, pela União, Estados, Municípios e Distrito Federal; por
associação constituída há mais de 1 (um) ano, nos termos da
lei civil, autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de
economia mista que inclua, entre suas finalidades institucionais,
a proteção das pessoas portadcras de deficiência. § 1º Para ins-
truir a inicial, o interessado poderá requerer às autoridades com-
petentes as certidões e informações que julgar necessárias. § 2º
As certidões e informações a que se refere o parágrafo anterior
deverão ser fornecidas dentro de 15 (quinze) dias da entrega, sob
recibo, dos respectivos requerimentos, e só poderão se utilizadas
para a instrução da ação civil. § 3º Somente nos casos em que o
interesse público, devidamente _justificado, impuser sigilo, poderá

116
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI No 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985

ser negada certidão ou informação. § 4º Ocorrendo a hipótese


do parágrafo anterior, a ação poderá ser proposta desacompanha-
da das certidões ou informações negadas, cabendo ao juiz, após
apreciar os motivos do indeferimento, e, salvo quando se tratar
de razão de segurança nacional, requisitar umas e outras; feita a
requisição, o processo correrá em segredo de justiça, que cessará
com o trânsito em julgado da sentença. § Sº Fica facultado aos
demais legitimados ativos habilitarem-se como litisconsortes nas
ações propostas por qualquer deles. § 6º Em caso de desistência
ou abandono da ação, qualquer dos co-legitimados pode assumir
a titularidade ativa.

~ COC (Lei 8078/1990) - Art. 82. Para os fins do art. 81, parágrafo
único, são legitimados concorrentemente: I -o Ministério Público,
11- a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal; 111- as
entidades e órgãos da Administração Pública, direta ou indireta,
ainda que sem personalidade jurídica, especificamente destinados
à defesa dos interesses e direitos protegidos por este código; IV-
as associações legalmente constituídas há pelo menos um ano e
que incluam entre seus fins institucionais a defesa dos interesses
e direitos protegidos por este código, dispensada a autorização as-
semblear. § 1º O requisito da pré-constituição pode ser dispensado
pelo juiz, nas ações previstas nos arts. 91 e seguintes, quando haja
manifesto interesse social evidenciado pela dimensão ou caracte-
rística do dano, ou pela relevância do bem jurídico a ser protegido.
§ 2º (Vetado).§ 3º (Vetado).

~ ECA (Lei 8069/1990) -. Art. 210. Para as ações cíveis fundadas


em interesses coletivos ou difusos, consideram-se legitimados
concorrentemente: I -o Ministério Público; 11 - a União, os es-
cas desti- tados, os municípios, o Distrito Federal e os territórios; 111 - as
s pessoas associações legalmente constituídas há pelo menos um ano e
Ministério que incluam entre seus fins institucionais a defesa dos interesses
deral; por e direitos protegidos por esta Lei, dispensada a autorização da
ermos da assembléia, se houver prévia autorização estatutária. § 1º Admi-
edade de tir-se-á litisconsórcio facultativo entre os Ministérios Públicos da
tucionais, União e dos estados na defesa dos interesses e direitos de que
º Para ins-
cuida esta Lei.§ 2º Em caso de desistência ou abandono da ação
por associação legitimada, o Ministério Público ou outro legiti-
ades com-
árias. § 2º mado poderá assumir a titularidade ativa.
o anterior ~ IDOSO (Lei 10741/2003) -Art. 81. Para as ações cíveis fundadas
trega, sob em interesses difusos, coletivos, individuais indisponíveis ou ho-
utilizadas mogêneos, consideram-se legitimados, concorrentemente: I - o
em que o Ministério Público; 11- a União, os Estados, o Distrito Federal e os
lo, poderá Municípios; 111- a Ordem dos Advogados do Brasil; IV- as associa-

117
ções legalmente constituídas há pelo menos 1 (um) ano e que in-
cluam entre os fins institucionais a defesa dos interesses e direitos
da pessoa idosa, dispensada a autorização da assembléia, se hou-
ver prévia autorização estatutária. § 1º Admitir-se-á litisconsórcio
facultativo entre os Ministérios Públicos da União e dos Estados na
defesa dos interesses e direitos de que cuida esta lei. § 2º Em caso
de desistência ou abandono da ação por associação legitimada, o -------
.... A
Ministério Público ou outro legitimado deverá assumir a titularida-
de ativa. no
te
..,. AÇÃO POPULAR (Lei 4717 /1965)- Art. 1º. Qualquer cidadão será
parte legítima para pleitear a anulação ou a declaração de nulida-
de de atos lesivos ao patrimônio da União, do Distrito Federal, dos Exem
Estados, dos Municípios, de entidades autárquicas, de sociedades tor d
de economia mista (Constituição, art. 141, § 38), de sociedades ACP a
mútuas de seguro nas quais a União represente os segurados au- do te
sentes, de empresas públicas, de serviços sociais autônomos, de socie
instituições ou fundações para cuja criação ou custeio o tesouro do te
público haja concorrido ou concorra com mais de cinqüenta por
cento do patrimônio ou da receita ânua, de empresas incorpora- 1. legit
das ao patrimônio da União, do Distrito Federal, dos Estados e dos
Municípios, e de quaisquer pessoas jurídicas ou entidades subven- 1.1. E
cionadas pelos cofres públicos. Segu
.... MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO (Lei 12016/2009) Art. 21. proce
O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido nom
político com representação no Congresso Nacional, na defesa de
seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalida-
de partidária, ou por organização sindical, entidade de classe ou
associação legalmente constituída e em funcionamento há, pelo
menos, 1 (um) ano, em defesa de direitos líquidos e certos da to-
talidade, ou de parte, dos seus membros ou associados, na forma
dos seus estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades,
dispensada, para tanto, autorização especial.
..,. Lei 9966/2000 (Poluição causada por lançamento de óleo e ou-
tras substâncias nocivas ou perigosas em águas sob jurisdição na-
cional) Art. 27 § 1º. A Procuradoria-Geral da República comunicará
previamente aos ministérios públicos estaduais a propositura de
ações judiciais para que estes exerçam as faculdades previstas no
44. Ness
§ 5º do art. 5º da lei no 7.3117, de 7.4 de julho de 1985, na redação 45. Apon
dada pelo art. 113 da lei no 8.078, de 11 de setembro de 1990- dout
Código de Defesa do Consumidor. iden
é def
..,. Lei 9870/99 {Dispõe sobre anuidades escolares). Art. 7º. São le- tem-
gitimados à propositura das ações previstas na Lei no 8.078, de VoL

118
ano e que in- 1990, para a defesa dos direitos assegurados por esta Lei e pela
sses e direitos legislação vigente, as associações de alunos, de pais de alunos e
mbléia, se hou- responsáveis, sendo indispensável, em qualquer caso, o apoio de,
á litisconsórcio pelo menos, vinte por cento dos pais de alunos do estabelecimen-
dos Estados na to de ensino ou dos alunos, no caso de ensino superior.
. § 2º Em caso
o legitimada, o -------------------------------------
.... Atenção: a questão da legitimidade para as~-çÕ~; ~~~~~~~s-é ~~;0-~b-r~d~
mir a titularida-
nos concursos. Saber bem quem são os legitimados pela lei e quais as hipó-
teses admitidas pela jurisprudência .
er cidadão será
ação de nulida-
to Federal, dos Exemplo: veja esta questão cobrada no concurso do MPE-TO- Promo-
de sociedades tor de Justiça - T0/2012 - CESPE: "Possuem legitimidade ativa para a
de sociedades ACP a DP, o MP, a União, os estados, o DF_ os municípios, as entidades
segurados au- do terceiro setor; as autarquias, as empresas públicas, as fundações e as
autônomos, de sociedades de economia mista." A afirmativa está errada. As entidades
steio o tesouro do terceiro setor não estão no rol dos legitimados.
cinqüenta por
esas incorpora- 1. legitimidade
s Estados e dos
idades subven- 1.1. Entendimento do STF sobre a legitimidade para a ação civil pública:
Segundo o STF, a legitimidade tratada é extraordinária (substituição
/2009) Art. 21. processual), pois os legitimados concorrentes defendem em juízo, em
ado por partido nome próprio, direito alheio. 44 •45
al, na defesa de
"CONSTITUCIONAL. MINISTÉRIO PÚBLICO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA Plo~RA
es ou à finalida-
PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO PÚBLICO. ART. 129, 111, DA CF. Legitima-
de de classe ou
ção extraordinária conferida ao órgão pelo dispositivo constitucio-
mento há, pelo
nal em referência, hipótese em que age como substituto processual
s e certos da to-
de toda a coletividade e, conseqüentemente, na defesa de autêntico
ciados, na forma
interesse difuso, habilitação que, de resto, não impede a iniciativ;.; do
uas finalidades,
próprio ente público na defesa de seu patrimônio, caso em que o Mi-
nistério Público intervirá como fiscal da lei, pena de nulidade da ação
o de óleo e ou- (art. 17, § 4º, da lei nº 8.429/92). (STF, RE 208790/SP, Rei. Min. llnar
ob jurisdição na- Galvão, DJ 15-12-2000)
blica comunicará
a propositura de
des previstas no
44. Nesse sentido, João Batista de Almeida, A Proteção Jurídica do Consumidor, p. 249.
1985, na redação 45. Apontando com maestria a diferença entre a legitimação extraordinária e a ordirária,
embro de 1990- doutrina Fredie Didier Jr e Hermes Zaneti Jr que "quando o titular do direito subjetivo se
identifica com o autor, tem-se legitimação ordinária; quando, porém, o direito subjetivo
é defendido por terceiro (alheio à relação de direito material afirmada), em nome próprio,
. Art. 7º. São le- tem-se a legitimação extraordinária." Cursa de Direita Processual Civil- Processa Coletiva.
Lei no 8.078, de VoL 4. Salvador: Jus Podivm. 2007. pg. 190.

119
LEI DA AÇÃO CI

Já a legiti
A mesma posição é adotada pelo STJ. ristas Ada
"O Ministério Público detém legitimidade para a propositura de ação do as "for
civil pública com o fito de obter pronunciamento judicial acerca da com seus
legalidade de cláusulas constantes de contrato de plano de saúde. A próprio di
legitimação extraordinária justifica-se pelo relevante interesse social
e pela importância do bem jurídico a ser tutelado." (STJ, Resp 208068/ Já para N
SC, Rei. Min. Nancy Andrighi, DJ 08.04.2002) dicotomia
to para a
-7 Aplicação em concurso: Nelson Ne
• Promotor de Justiça - SC/2014 - FAPESE se tratam
"O Ministério Público, ao atuar judicialmente na defesa de direitos e inte- vez que o
resses difusos ou coletivos, o faz como substituto processual." prio, porq
Resposta: A afirmativa está correta. difusos e
ou alguma
" DPE/AL - CESPE- 2009 ação cole
"A defesa judicial coletiva faz-se por meio de legitimação ordinária." citado jur
ria)47 pois
Resposta: A afirmativa está errada.
fender po
1.2. Três correntes na doutrina sobre a legitimidade (ordinária, para pessoas d
condução autônoma do processo, por substituição processual): 1.3. Legit
A doutrina aponta 3 correntes para justificar a legitimação para defesa Plúrima p
nas ações coletivas. que temo
1. legitimação extraordinária por substituição processual; legitimaçã
sos coletiv
2. legitimação ordinária das "formações sociais"; de um órg
3. legitimação autônoma para a condução do processo. público e
e cidadão
De modo objetivo e didático, a tese da legitimação extraordinária por lar tem a
substituição processual é defendida por Barbosa Moreira, Hugo Mazzil- continuida
li, Fredie Didier Jre Hermes Zaneti Jr já que os legitimados defendem em pelo MP,
juízo, em nome próprio, direito alheio (como vimos, é o posicionamento pedido (a
dn STF e do STJ). 4 E admite le

46. ln:eressante é o pcs cionamento de Fredie Didier Jr e Hermes Zaneti Jr, apontado que geral, que é
" ,,.,õitima~aQ e:llt~<~orllinárla seria por substituição processual autônoma e exclusiva. Processual
·~ll.ssim, o autor é subtituto processual, agindo sem necessidade de autorização, em nome 47. Código de
co direito subjetivo de outrem e os próprios titulares individuais não podem fazer valer Paulo: RT, 1
diretamente seus dilreitos subjetivos coletivos. Nenhum dos titulares do direito individual 48. Código de P
vinculado à pretensê::J coletiva (difusa, coletiva strictosensu ou individual homogênea) pode p.1885
atJar como parte no mandado de segurança coletivo, e assim, no processo coletivo em

120
I
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985

Já a legitimação ordinária das "formações sociais" é defendida pelos ju-


ristas Ada Pellegrini Grinover e Kazuo Watanabe. Para os autores, quan-
a de ação do as "formações sociais" estiverem defendendo o "grupo", de acordo
I
com seus objetivos institucionais, estarão atuando como titulares do
acerca da
saúde. A próprio direito alegado, tendo-se, portanto, legitimação ordinária.
I
sse social
208068/ Já para Nelson Nery Júnior, Antônio Gidi e grande parte da doutrina, a
dicotomia clássica legitimação ordinária-extraordinária só tem cabimen-
I
to para a explicação de fenômenos envolvendo direito individual. Para
Nelson Nery, as ações coletivas na tutela de direitos difusos e coletivos
se tratam de legitimação autônoma para a condução do processo, uma
I
os e inte- vez que o legitimado não estará defendendo direito alheio em nome pró-
prio, porque não se pode identificar o titular do direito. Como os direitos
difusos e coletivos não têm titulares determinados, a lei escolhe alguém
ou algumas entidades para que os defendam em juízo. Somente para a
ação coletiva de tutela de direitos individuais homogêneos, segundo o
a." citado jurista, haveria substituição processual (legitimação extraordiná-
ria)47 pois, nesse caso, a lei legitima alguém ou alguma entidade a de-
fender por meio de ação coletiva, em nome próprio, direito alheio de
ria, para pessoas determinadas. 48
): 1.3. Legitimação Plúrima e Mista:
a defesa Plúrima porque temos mais de um legitimado previsto em lei; mista, por-
que temos órgãos estatais e privados entre os legitimados. O problema da
legitimação tem sido um dos mais angustiantes para a teoria dos proces-
sos coletivos. No Brasil o legislador optou pela legitimação plúrima (mais
de um órgão ou agente legitimado) e mista (pessoas jurídicas de direito
público e agentes estatais, bem como, pessoas jurídicas de direito privado
e cidadãos). Existem, contudo, algumas exceções. Apenas a ação popu-
nária por lar tem a legitimação exclusiva do cidadão, mas mesmo assim permite a
o Mazzil- continuidade da ação, nos casos de desistência ou abandono infundados,
ndem em pelo MP, bem como o ajuizamento de ACP com idêntica causa de pedir e
namento pedido (ação popular plúrima). Apenas a improbidade administrativa não
admite legitimação das associações, restringindo-se a admitir a legitima-

ontado que geral, que é exclusivo para os legitimados extraordinariamente pela lei." Curso de Direito
e exclusiva. Processual Civil-Processo Coletivo. 10~ ed. Vol. 4. salvador: Jus Podivm. 2016 (CPC/2015).
o, em nome 47. Código de Processo Civil e Legislação Processual Civil Extravagante em Vigor. 4a ed. São
fazer valer Paulo: RT, 1999. Nota 2 ao art. 52, da Lei nº 7.347/85.
o individual 48. Código de Processo Civil Comentada e legislação extravagante. 7~ ed. São Paulo: RT, 2003.
ênea) pode p.1885
coletivo em

121
'"''
DIREITOS DIFUSOS ECOLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia
LEI DA AÇ

ção do MP e da pessoa jurídica. O MP também tem sua legitimação excep-


cionada nas ações de mandado de segurança coletivo, característica que É au
tende a ser modificada pela jurisprudência (hoje a doutrina e jurisprudên- direi
cia dominantes não admitem sua legitimação, a nova lei não mudou essa É con
realidade). Confira-se, sobre o tema, a dicção do art. 129, § 12 da CF que até m
expressamente abre o sistema. ulter
CF. Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: É dis
( ... ) sozin
mesm
§ 12- A legitimação do Ministério Público para as ações civis previstas
neste artigo não impede a de terceiros, nas mesmas hipóteses, segun- ~
do o disposto nesta Constituição e na lei.

1.4. legitimação Extraordinária por Substituição Processual e por Re-
presentação:
Como vimos, quando o titular do direito subjetivo se identifica com o
autor, tem-se legitimação ordinária; quando, porém, o direito subjetivo
é defendido por terceiro (alheio à relação de direito material afirmada),
em nome próprio, tem-se a legitimação extraordinária. A legitimação •
extraordinária poderá ser mediante autorização do titular do direito ou
independentemente desta. No primeiro caso diz-se legitimação extraor- j
dinária por representação; no segundo, por substituição processual. O
STF deixou claro que a legitimação nos processos coletivos independe
de autorização, portanto trata-se de substituição processual.

Mediante autorização do titular do direito -7 Representação49 •

Independente de autorização do titular do direito -7 Substituição pro- B)


cessual D)

1.5. Substituição processual Exclusiva, Autônoma, Concorrente e Dis-


juntiva/Simples- características da legitimação extraordinária nas de- • D
mandas coletivas:
d
A legitimação extraordinária nas demandas coletivas por substituição
m
processual possui quatro características essenciais. t
É exclusiva, porque só são legitimados aqueles indicados na lei ou pelo R
ordenamento jurídico (ver abaixo legitimação conglobante); b
m

• T
49. Ver, adiante, os comentários ao RE 573.232/SC, no qual o STF entendeu que nas ações
"
mediante representação a execução está limitada aos associados que autorizaram a im-
petração, nos termos do art. 52, XXI, CF/88. f
t

122
Leonardo Garcia
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
ll'ftil
mação excep-
cterística que É autônoma, pois não depende de qualquer autorização dos titulares do
e jurisprudên- direito material posto em causa;
o mudou essa É concorrente, porque qualquer co-legitimado poderá propor a ação, ou
12 da CF que até mesmo por isso, ingressar como assistente em litisconsórcio ativo
ulterior;
úblico: É disjuntiva ou simples, pois os mesmos co-legitimados poderão figurar
sozinhos na demanda, não sendo necessário o ajuizamento conjunto da
mesma.
s civis previstas
póteses, segun- ~ Aplicação em concurso:
• CESPE- TJ-DF- Analista Judiciário - 2015
ual e por Re-
"No sistema processual pátrio de tutela coletiva, a legitimação ativa para
propositura de ação civil pública é concorrente e disjuntiva entre diversos
ntifica com o entes indicados pela legislação."
eito subjetivo Resposta: A afirmativa está correta.
ial afirmada),
A legitimação • UFPR- Defensor Público- PR/2014
do direito ou ':4 legitimidade para a propositura de ação coletiva é concorrente e dis-
ação extraor- juntiva, mas havendo pertinência temática do objeto litigioso aos fins ins-
processual. O titucionais com determinado co-legitimado forma-se o litisconsórcio ativo
necessário."
os independe
al. Resposta: A afirmativa está errada. Não há litisconsórcio ativo necessário.

ção49 • Defensor Público- SE/ 2012- CESPE

bstituição pro- B) É vedada a formação de litisconsórcio ativo para a propositura da ACP.


D) Não se admite a assistência litisconsorcial na ACP.
Resposta: as duas afirmativas estão erradas.
orrente e Dis-
nária nas de- • Defensoria Pública/MA- 2011 -'CESPE
"O CDC institui a legitimação concorrente e complexa para o ajuizamento
de ação coletiva para tutela dos direitos difusos, coletivos e individuais ho-
r substituição
mogêneos do consumidor, estando, entre os legalmente legitimados para
tal, o PROCON."
na lei ou pelo Resposta: A alternativa estó errada. A legitimação não é complexa, pois
); basta um legitimado, nlio havendo necessidade de praticarem todos (ou
mais de um) o ato de oposição da ação coletiva conjuntamente.

• TRT/MT- Juiz do Trabafho- 2008


u que nas ações
"É concorrente a legitimidade para a propositura de ação coletiva em de-
utorizaram a im-
fesa dos interesses e direitos dos consumidores, cabendo fazê-lo 0 Minis-
tério Público; a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal; as

123
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia

entidades e órgãos da administração pública, direta e indireta, ainda que 12016/200


sem personalidade jurídica, especificamente destinados à defesa dos inte- Observe-s
resses e direitos protegidos pelo CDC; e, as associações legalmente cons- como, ide
tituídas há pelo menos um ano, desde que tenham sido autorizadas em eis, da legi
assembléia destinada a esse fim." processo l
Resposta: A afirmativa está incorreta. Não há a necessidade da autoriza-
ção dos titulares. Como salientado, a legitimidade é autônoma. CPC/2015
"lei", prev
• MP/RN/Promotor/2009- CESPE art. 18 do
"Ao MP compete promover privativamente a ação civil pública para a de-
fesa do meio ambiente." 1.7. Repre
Resposta: Obs: A afirmativa está incorreta. A legitimidade é concorrente.
A represe
• MP/DF- 26g Concurso. adequada
titulares d
"Na defesa do consumidor, cada um dos co-legitimados pode, sozinho,
promover a ação coletiva, sem que seja necessária anuência ou autori- palavra, é
zação dos demais co-legitimados. O eventual litisconsórcio que se formar Existem d
entre eles será facultativo." no Brasil,
Resposta: A afirmativa está correta. sendo que
para a leg
1.6. Legitimação Conglobante: e também
A expressão legitimação conglobante é de Hermes Zaneti Jr. que, se- deste sist
gundo explica, é "a legitimação extraordinária permitida pelo ordena- nuição do
mento, mesmo que não expressa na lei, por não estar contrariada por to da dem
norma jurídica ou em desacordo com os princípios do ordenamento co- porque es
letivo. Dessa forma, com a adoção de tal denominação, prestamos nos- porque o
sa justa homenagem aos juristas do direito penal, Eugenio Raúl Zaffaroni ope legis
e José Henrique Pierangeli, pela importante contribuição científica na forma de
elaboração deste conceito: "A tipicidade conglobante é um corretivo da preponde
tipicidade legal, posto que pode excluir do âmbito do típico aquelas con-
dutas que apenas aparentemente estão proibidas, como acontece no
caso do oficial de justiça, que se adequa ao ,subtrair, para si ou para ou- 50. Mesmo ain
MP para o
trem, coisa alheia móvel" {art. 155 do CP), mas que não é alcançada pela
entre os in
proibição do ,não furtarás". A função deste segundo passo do juízo de Ministério
tipicidade penal será, pois, reduzi-la à verdadeira dimensão daquilo que Federal hab
a norma proíbe, deixando fora da tipicidade penal aquelas condutas que de direitos
namente, a
somente são alcançadas pela tipicidade legal, mas que a ordem norma-
do cidadão
tivi:l nêio quer proibir, preci:>amente porque as ordena ou as fomenta."" Popular, a A
legitima-se
Nesse sentido revisamos o posicionamento anterior para entender que
e coletivos,
o ordenamento jurídico como um todo legitima o MP para a proposi- timado a de
tura do Mandado de Segurança Coletivo {MSC, mesmo com a nova Lei individuais
i:

rdo Garcia

inda que 12016/2009, que não legitimou o MP, por analogia do microssistema.
dos inte- Observe-se, contudo, que este é o entendimento minoritário)s0 , bem
nte cons- como, identificamos a possibilidade de controle em concreto, ope judi-
adas em eis, da legitimação processual dos co-legitimados, uma vez que o devido
processo legal assim exige.
autoriza-
CPC/2015: o CPC adota a legitimidade conglobante ao alterar o termo
"lei", previsto no art. 6º do CPC/1973, por "ordenamento jurídico", no
art. 18 do CPC/2015.
ara a de-
1.7. Representatividade Adequada: controle ope legís e ope judieis
orrente.
A representatividade adequada é saber se o legitimado poderá tutelar
adequadamente os direitos materiais postos na causa, substituindo os
titulares dos direitos materiais sem prejuízo desses direitos. Em uma
sozinho,
u autori- palavra, é saber se o legitimado tem condições de dar conta do recado.
se formar Existem dois sistemas de aferição. O sistema ope /egis, preponderante
no Brasil, exige que a adequação seja previamente determinada em lei,
sendo que somente o legislador, e não o juiz, poderá prever requisitos
para a legitimação. Estes requisitos serão previstos de forma taxativa
e também a menção aos legitimados deverá ser expressa. A vantagem
que, se- deste sistema é evitar que considerações de ordem pragmática {dimi-
ordena- nuição do número de processos, dificuldade no julgamento do méri-
ada por to da demanda, etc.) levem a um juízo de ilegitimidade da parte não
ento co- porque esta não representa adequadamente os direitos em causa, mas
mos nos- porque o juiz não quer decidir o mérito da ação. No Brasil o sistema
Zaffaroni ope legis determina o critério objetivo da pertinência temática como
tífica na forma de controle da adequada representação. Já o sistema ope judieis,
etivo da preponderante nos Estados Unidos, reconhece ao juiz o dever-poder de
elas con-
ntece no
para ou- 50. Mesmo ainda encontrando resistência na doutrina, o STJ tem admitido a legitimação do
MP para o MSC: "A nova ordem constitucional erigiu um autêntico 'concurso de ações'
ada pela
entre os instrumentos de tutela dos interesses transindividuais e, a fortiori, legitimou o
juízo de Ministério Público para o manejo dos mesmos. 4. O novel art. 129, 111, da Constituí,;ão
uilo que Federal habilitou o Ministério Público à promoção de qualquer espécie de ação na defesa
utas que de direitos difusos e coletivos não se limitando à ação de reparação de danos. 5. Hodíer-
namente, após a constatação da importância e dos inconvenientes da legitimação isolada
m norma-
do cidadão, não há mais lugar para o veto da /egitimatio ad causam do MP para a Ação
menta."" Popular, a Ação Civil Pública ou o Mandado de Segurança coletivo. 6. Em consequêncía,
legitima-se o Parquet a toda e qualquer demanda que vise à defesa dos interesses difusos
nder que
e coletivos, sob o ângulo material ou imaterial. 7. Deveras, o Ministério Público est<i legi-
proposi- timado a defender os interesses transindividuais, quais sejam os difusos, os coletivos e us
nova Lei individuais homogêneos." (STJ, REsp 700206 I MG, Rei. Min. Luiz Fux, DJe 19/03/2010)

l25
LEI DA AÇÃ
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia
QIJ
m
verificar a adequada representação, sendo que nestes casos o controle N
será in concreto, em decisão fundamentada, segundo critérios não-ta- p
xativos indicados na lei. Este modelo tem sido utilizado no Brasil para 1
0 controle da adequada representação pelo Ministério Público nos ca-
e
sos em que se versa sobre direitos individuais homogêneos disponíveis, h
quando se exige para a legitimação a presença do "relevante interesse t

público (social)".
U
o STJ decidiu que o juiz poderá, de ofício, verificar a idoneidade de uma c
associação para decidir se ela tem legitimidade para propor ação em

defesa de interesses dos cidadãos que diz representar:
"Por um lado, é bem de ver que, muito embora a presunção iuris et
de iure seja inatacável - nenhuma prova em contrário é admitida -,
no caso das presunções legais relativas ordinárias se admite prova em
contrário. Por outro lado, o art. 125, 111, do CPC [correspondente ao
art. 139, 111, do novo CPC] estabelece que é poder-dever do juiz, na
direção do processo, prevenir ou reprimir qualquer ato contrário
à dignidade da Justiça. Com efeito, contanto que não seja exercido Sobre
de modo á ferir a necessária imparcialidade inerente à magistratura, nifes
e sem que de~orra de análise eminentemente subjetiva do juiz, ou
mesmo de óbice meramente procedimental, é plenamente possível
que, excepcionalmente, de modo devidamente fundamentado, o
magistrado exerça, mesmo que de oficio, o controle de idoneidade
(adequação da representatividade} para aferir/afastar a legitima-
ção ad causam de associação." (STJ, REsp 1213614/RJ, Rei. Ministro
Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe 26/10/2015).

-7 Aplicação em concurso:
• UFPR- Defensor Público- PR/2014
"O Brasil adotou o sistema judicial de legitimação, eis que exige a demons-
tração processual da representatividade adequada dos entes legitimados."
Resposta: A afirmativa está errada.

• FCC- Defensor Público- AM/2013


"Dos legitimados ativos, somente o Ministério Público e a Defensoria Pú-
blica podem ajuizar ação civil pública sem necessidade de demonstração
da pertinência temática."
Resposta: a afirmativa está errada. De plano cabe dizer que o STJ, como se
verá adiante, reconheceu que a OAB não tem necessidade de comprovar a
pertinência temática para o ajuizamento de ACP. Por outro lado, a questão
poderia estar aqui abordando o problema da necessidade de demonstra-

I
ção tanto pelo MP quanto pela Defensoria da adequada representação,

126
eonardo Garcia
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N" 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
IM IV

muitas vezes equiparada na doutrina à noção de pertinência temática.


s o controle Neste caso a resposta está errada porque o MP só será legitimado quando
érios não-ta- presentes o interesse social ou os direitos individuais indisponfveis {Art.
o Brasil para 127, caput da CF/88), qualificados como interesse social re.'evante pelo STJ,
blico nos ca- e a Defensoria somente seria legitimada quando defendesse os direitos de
disponíveis, hipossuficientes, econômicos ou jurídicos. Tudo conforme explicitado no
nte interesse tópico sobre legitimação. Também pode ser argumentado, ao final, que a
pertinência temática compreendida em sentido estrito não será exigida da
União, dos Estados e dos Municípios, existindo na verdade uma pertinên-
dade de uma cia territorial (sic.).
por ação em
• Defensoria Pública/MA- 2011- CESPE
"Mesmo que a defesa coletiva de direitos individuais homogêneos não re-
sunção iuris et presente relevante interesse social, o MP poderá promovê-la, em -azão cie
é admitida -, expressa disposição legal."
mite prova em Resposta: A afirmativa está errada, pois a posição majoritária na doutrina
spondente ao e no STJ entende que há necessidade de relevância social para a defesa dos
ver do juiz, na direitos individuais homogêneos pelo MP.
ato contrário
seja exercido Sobre a representatividade adequada (e pertinência temática), já se ma-
magistratura, nifestou o STJ:
va do juiz, ou
"PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. LEGI-
mente possível
TIMATIO AD CAUSAM DO SINDICATO. PERTINtNCIA TEMÁTICA. ( ... )
damentado, o
Os sindicatos possuem legitimidade ativa para demandar em juízo
de idoneidade
a tutela de direitos subjetivos individuais dos integrantes da cate-
ar a legitima-
goria, desde que se versem direitos homogêneos e mantenham
J, Rei. Ministro
relação com os fins institucionais do sindicato demandante, atu-
ando como substituto processual (Adequacy Representation). 2. A
pertinência temática é imprescindível para configurar a legitimatio
ad causam do sindicato, consoante cediço na jurisprudência do E.
S.T.F na ADI 3472/DF, Sepúlveda Pertence, DJ de 24.06.2005 e ADI-
xige a demons- -QO 1282/SP, Relator Ministro Sepúveda Pertence, Tribunal Pleno,
s legitimados." DJ de 29.11.2002 e do S.T.J: REsp 782961/RJ, desta relator a, DJ de
23.11.2006, REsp 487.202/RJ, Relator Ministro Teori Zavascki, DJ
24/05/2004. 3. A representatividade adequada sob esse enfoque
tem merecido destaque na doutrina; senão vejamos: "( ... ) A perti-
Defensoria Pú- nência temática significa que as associações civis devem incluir en-
tre seus fins institucionais a defesa dos interesses objetívados na
demonstração
ação civil pública ou coletiva por elas propostas, dispensada, em-
bora, a autorização de assembléia. Em outras palavras. a pertinên-
e o STJ, como se cia temática é a adequação entre o objeto da ação e a finalidade
de comprovar a institucional.( ... ) in A Defesa dos Interesses Difusos em Juízo, Hugo
lado, a questão Nigro Mazzilii, São Paulo, Saraiva, 2006, p. 277/278 (STJ, AgRg no
de demonstra- REsp 901936/RJ, Rei. Min. Luiz Fux, DJe 16/03/2009)
representação,
127
LEI DA AÇÃO C

2. MINISTÉRIO PÚBLICO: -7 Apl


• Defe
2.1. Previsão da legitimidade na LACP: Art. 5º, I
"Em
-7 Aplicação em concurso: o MP
fisca
• Ministério Público/ PE- 2008- FCC
Res
"O Ministério Público tem legitimidade para propor tanto a cautelar como
a ação principal." ...,.. STJ:
Resposta: A afirmativa está correta. de dos a
convalid
2.2. Fiscal da lei (art. 52, § 12): nulo o p
talidade
2.2.1. Se o MP não intervier no processo como parte atuará sempre
resultou
como fiscal do ordenamento jurídico, não há mais o "fiscal.da lei" (art.
52, § 1º). Isso significa, que será necessária a presença de um Promotor
de Justiça nos autos, não só para tutela da lei, mas do direito, no caso,
do ordenamento jurídico constitucional (art. 178, CPC/2015).

CPC/2015: o Ministério Público no CPC se constitucionalizou, deixou de


atuar em prol dos interesses da Fazenda Pública, art. 178, par. ún., e
vinculou-se à atuação em defesa do ordenamento jurídico e de suas fun-
CPC/201
ções constitucionais (arts. 176, 177 e 178).
as nulida
-7 Aplicação em concurso: o art. 27
nistério P
• FCC- Defer.sor Público- AM/2013
que se m
"Tratando-se de ação civil pública envolvendo pessoas carentes a Defenso-
ria Pública deve intervir como custos legis." -7 Apli

Resposta: A afirmativa está errada. Somente o MP deve intervir como cus- • Defe
toslegis. "Em
cion
• FCC- Ministério Público/ PE- 2008
Resp
"Se não intervier no processo da ação civil pública como parte, o Ministé-
rio Público atuará obrigatoriamente como fiscal da lei". ---------
..... Obs: m
Resposta: A afirmativa está correta.
-----------
2.2..2. É desnecessária a intervenção do MP como fiscal do ordenamen- • TJ-C
to jurídico (CDC,art. 82). em ação civil pública que foi ajuizada pelo pró- "A au
prio MP (STJ, 2ª Turma, REsp 156291-S:::>, rei. Min. Adhemar Maciel, j. fiscal
9.10.1998, DJU 1.2.1999). Portanto, não há necessidade de intervenção pres
do Ministério Público como custus iuris em ação civil pública em que o Resp
Par-quet figure como autor ou litisconsorte do autor. de nu

128
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI No 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
Wi.g
-7 Aplicação em concurso:
• Defensor Pública - RO/ 2012 - CESPE
"Em ações civis públicas para a defesa dos direitos do consumidor, quando
o MP atuar como parte na demanda, será desnecessária sua atuação como
fiscal da lei."
Resposta: A afirmativa está correta.
telar como
...,.. STJ: Atuação obrigatória do Ministério Público, sob pena de nulida-
de dos atos praticados. Observar que o órgão de segundo grau poderá
convalidar os atos praticados, bem como, não poderá ser considerado
nulo o processo em que não houve prejuízo (aplicação da instrumen-
talidade e do formalismo valorativo à teoria das nulidades do CPC, que
á sempre
resultou na alteração do texto legal).
lei" (art.
Promotor "Em segundo lugar, é pacífico nesta Corte Superior entendimento se-
, no caso, gundo o qual a ausência de intimação do Ministério Público em ação
civil pública para funcionar como fiscal da lei não dá ensejo, por si só,
a nulidade processual, salvo comprovado prejuízo." (REsp 1207855/
deixou de SE, Rei. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe
ar. ún., e 14/09/2011)
suas fun-
CPC/2015: o texto do CPC reconheceu a possibilidade do MP convalidar
as nulidades, desde que não tenha ocorrido prejuízo. Assim, conforme
o art. 279, § 2º, a nulidade por falta de intervenção obrigatória do Mi-
nistério Público somente poderá ser decretada após a intimação do MP,
que se manifestará sobre a existência ou inexistência de prejuízo.
a Defenso-
-7 Aplicação em concurso:

como cus- • Defensor Público- RR/2013- CESPE


"Em razão do prejuízo presumido, a ausência de intimação do MP para fun-
cionar como fiscal da lei em ACP acarreta nulidade processual insanável."
Resposta: A afirmativa está errada.
o Ministé-
-----------------------
..... Obs: mesma questão cobr;da-;~-;;1~~ ~~j~-a-ba~;;------ -----------
-------------------------------------------------------------
denamen- • TJ-CE- Juiz de Direito Substituto-CE/2012- CESPE
pelo pró- "A ausência de intimação do MP em ação civil pública para funcionar como
Maciel, j. fiscal da lei acarreta nulidade processual insanável, em razão do prejuízo
ervenção presumido."
em que o Resposta: A afirmativa está errada. Aplica-se aqui a teoria da inexistência
de nulidade sem prejuízo.

129
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia
I!HI' ~~-~-----------------------------~-----------·---------------------------------------------·-- LEI DA AÇ

• MP/AM- 2007 (CESPE)


"O MP, mesmo se não for o autor de ação em defesa dos consumidores,
necessariamente atuará na causa como fiscal da lei."
Resposta: A afirmativa está correta. O MP não intervém nas ações para 3} L
tutela de direitos individuais dos consumidores. Nos termos da Recomen- q
dação 16 do CNMP, bem identificado o interesse na causa, é desnecessária a
a intervenção do MP nessas hipóteses (art. 5, XVII "ação que verse sob.re
direito individual não-homogêneo de consumidor, sem a presença de tn-
capazes").

2.3. LEGITIMIDADE DO MP - hipóteses admitidas pelo STF e STJ: im-


portante ficar atento às jurisprudências do STJ e STF, pois os concursos
estão transformando-as em questões de provas.
1} Legitimidade- Tutela do dano ao erário (defesa do patrimôni~ p~b~i­
co): 0 MP tem legitimidade para proteger mediante ~CP o p:tnmomo
público de forma ampla (art. 127 c/c art. 129, 111 ... proteçao do pa-
trimônio público e social" ... da CF/88). O art. 129, IX da CF/88 apenas
vedou a consultoria e advocacia em prol de entidades públicas.
'
"Predomina nesta Corte Superior de Justiça a tese segundo a qual
é cabível o ajuizamento, pelo Ministério Público, de ação civil públi-
ca por dano ao erário decorrente da concessão ou reconhecimento
indevidos de vantagens ou direitos a servidores públicos."(STJ, REsp
401007 /RO, Rei. Min. Maria Thereza de Assis Moura, DJe 1S/09/2008)
7
.... STJ: •
Súmula 329: o Ministério Público tem legitimidade para propor ação
civil pública em defesa do patrimônio público.

7 Aplicação em concurso:
• CESPE- Procurador Geral do Estado da Paraíba - 2008.
"O Ministério Público não possui legitimidade para propor ação civil pú-
blica visando à proteção do patrimônio de sociedade de economia _mista, •
pois a defesa judicial do patrimônio público é atribuição dos órgaos da
advocacia dos entes públicos".
Resposta: A afirmativa está errada.

2) Legitimidade- Comunidades indígenas


"PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DIREI- •
TOS INDÍGENAS. Com base no artigo 129, V da Carta da República, o
aresto recorrido concluiu Ministério Público Federal tem legitimidade

130
eonardo Garcia

'"''
--------------·-- LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1S85

para propor ação civil pública em defesa de comunidades indígenas!'


onsumidores, (STJ, REsp 961263/SC, Rei. Min. Castro Meira, DJe 25/11/2008)

s ações para 3} Legitimidade - Direitos indisponíveis de crianças e idosos (ainda


da Recomen- que individualmente considerados) (direito a medicamento, direito
desnecessária a tratamento médico, direito a creche, etc.}
e verse sob.re
esença de tn-
3.1} Crianças/ menor carente:
Informativo 315 do STJ- LEGITIMIDADE. MP. MENOR CARENTE. DIREI-
TO. SAÚDE. A Turma reiterou o entendimento de que o Parquet tem legi-
TF e STJ: im- timidade para a ação civil pública na defesa do direito à saúde de menor
os concursos carente necessitado de prótese auditiva, exames e atendimento fonau-
diológico, tutelável ex vi dos arts. 52, caput, 127 e 196 da CF/1988. Prece-
dentes citados: EREsp 715.266-RS, DJ 12/2/2007; EREsp 741.369-RS, DJ
imôni~ p~b~i­ 12/2/2007; EDcl nos EREsp 734.493-RS, DJ S/2/2007, e REsp 750.409-RS,
o p:tnmomo DJ 11/12/2006. EREsp 700.8S3-RS, Rei. Min. Eliana Calmon, julgados em
teçao do pa- 28/3/2007.
CF/88 apenas
"As Turmas de Direito Público dessa Corte já pacificarám o entendi-
úblicas.
mento no sentido de que o Ministério Público, haja vista a expressa
egundo a qual previsão legal do art. 201, V, do ECA, detém a legitimidade ativa para
ção civil públi- propor ação civil pública para a defesa de interesse de menor carente,
conhecimento ainda que individualmente considerado." (STJ, REsp 884034/RS, Rei.
cos."(STJ, REsp Min. Mauro Campbell Marques, DJe 05/11/2008)
Je 1S/09/2008)
7 Aplicação em concurso:
• Promotor de Justiça- MPE-AC/2014- CESPE
ra propor ação "O MP é parte legítima para propor ACP com o fim de pleitear a defesa de
interesses individuais, difusos ou coletivos, relativos à infância e à adoles-
cência, apesar de não haver, a esse respeito, previsão expressa no ECA."
Resposta: A afirmativa está errada. O art. 210 do EC4 prevê a legitimidade
do MP para as ações coletivas.
r ação civil pú-
conomia _mista, • TJ/TO/Juiz/2007 -CESPE
dos órgaos da "O Ministério Público tem legitimidade ativa para aj Jizar medidas judiciais
para defender direitos individuais indisponíveis de crianças e adolescen-
tes, em que se pede o cumprimento de obrigação de fazer, ainda que em
favor de pessoa determinada."
Resposta: A afirmativa está correta.

PÚBLICA. DIREI- • TRF 59 Região/Juiz Federal/ 2009- CESPE


da República, o
"Suponha que Pedro, menor com 10 anos de idade, não tenha acesso a
em legitimidade
medicamento gratuito fornecido pelo SUS. Nessa situação hipotética, tem

131
legitimidade para impetrar ação civil pública o MP, com vistas a condenar • DP
o ente federativo competente a disponibilizar esse medicamento, sem que
"O
haja usurpação da competência da defensoria pública." oo
Resposta: Obs: A afirmativa está correta. me
Re
Vale ressaltar interessante acórdão do STJ reconhecendo a legitimi-
dade do MP, inclusive, para fornecimento de passagens rodoviárias e 3.3
custeio de viagem para indispensável tratamento médico-hospitalar
em favor de menor acometido de problemas (STJ, REsp 710594/RS,
Rei. Min. Luiz Fux, DJ 20/02/2006) e fornecimento de pilhas para o
funcionamento de aparelhos auditivos em favor de menor (STJ, REsp
681012/RS, Rei. Min. Luiz Fux, DJ 24/10/2005)

3.2) Idosos:
Informativo 297 do STJ - AÇÃO CIVlL PÚBLICA. LEGITIMIDADE. MP.
IDOSO. Tal quando objetiva proteger o interesse individual do menor
carente (arts. 11, 201, V, 208, VI e VIl, da Lei n. 8.069/1990), o Minis-
tério Público tem legitimidade ativa ad causam para propor ação civil
pública diante da hipótese de aplicação do Estatuto do Idoso (arts. 1S,
74 e 79 da Lei n. 10.741/2003). No caso, cuidava-se de fornecimento
de remédio. Precedentes citados: REsp 688.0S2-RS, DJ 17/8/2006, e
REsp 790.920-RS, DJ 4/9/2006. REsp 8SS. 739-RS, Rei. Min. Castro Mei-
ra, julgado em 21/9/2006.

-7 Aplicação em concurso:
• MPE-PI- Promotor de Justiça- Pl/2012- CESPE
No que se refere à tutela de pessoas idosas pelo MP, assinale a opção cor-
reta, considerando a jurisprudência pertinente ao tema.
A) O MP tem legitimidade para propor ACP cuja finalidade seja obter pro-
vimento jurisdicional que assegure internação hospitalar a pessoa idosa
acometida de grave doença.
B) A ACP não figura entre os instrumentos aptos para a defesa de direitos dos
idosos pelo MP.
C) O MP não tem legitimidade para propor ação judicial destinada a garantir
o fornecimento de medicação para suprir a necessidade de idoso carente.
Dj A intervenção do MP em ação que envorva o benefício previdenciário do
idoso é obrigatória.
E) O fato de pessoa idosa figurar na demanda torna imprescindível a oitiva do
parquet.
Resposto: Letra A

132
ondenar • DPE/ES- CESPE- 2009
sem que
"O Ministério Público é parte legítima para propor ação civil pública com
o objetivo de tutelar direitos individuais indisponíveis, como o de recebi-
mento de medicamento de uso contínuo por pessoa idosa."
Resposta: A afirmativa está correta.
egitimi-
viárias e 3.3) Cidadão desprovido de recursos
spitalar
Informativo 381. LEGITIMIDADE. MP. TRATAMENTO MÉDICO. O Es-
594/RS,
tado-membro recorrente pretende ver declarada a ilegitimidade ad
s para o
causam do MP para a proteção dos direitos individuais indisponíveis.
TJ, REsp Alega, em síntese, que o MP está atuando como representante judi-
cial, e não como substituto processual, como seria o seu mister. O Min.
Relator João Otávio de Noronha entendia faltar ao MP legitimidade
para pleitear em juízo o fornecimento pelo Estado de certo tratamen-
ADE. MP. to médico a pessoa determinada fora de seu domicílio, pois, apesar
o menor de a saúde constituir um direito indisponível, a presente situação não
o Minis- trata de interesses homogêneos. Isso porque, na presente ação civil
ação civil pública, não se agiu em defesa de um grupo de pessoas ligadas por
(arts. 1S, uma situação de origem comum, mas apenas de um indivíduo. O Min.
ecimento Herman Benjamin concordava com o Min. Relator apenas no que to-
/2006, e cava à indisponibilidade do direito pr~tegido suscetível de proteção
stro Mei- pelo Ministério Público. E, divergindo com relação ao enfoque dado
ao direito tutelado, de que se trata de direito não homogêneo, motivo
que implicaria a falta de legitimidade processual ao parquet, concluiu
o Min. Herman Benjamin que o MP tem legitimidade para a defesa
dos direitos indisponíveis, mesmo quando a ação vise à proteção de
uma única pessoa. Diante disso, a Turma, por maioria, negou provi-
pção cor- mento ao recurso. REsp 830.904-MG, Rei. originário Min. João Otávio
de Noronha, Rei. para acórdão Min. Herman Benjamin, julgado em
bter pro- 18/12/2008.
oa idosa Informativo nº 0332. LEGITIMIDADE. MP. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DIREI-
TO. SAÚDE.O Ministério Público tem legitimidade ativa para ajuizar
eitos dos ação civil pública objetivando que o Estado custeie a aquisição de pró-
tese auditiva, na espécie, para cinco pessoas pertencentes a uma as-
a garantir sociação de deficientes auditivos. Precedentes citados: REsp 688.0S2-
carente. RS, DJ 17/8/2006, e REsp 822.712-RS, DJ 17/4/2006. REsp 8S4.SS7-RS,
Rei. Min. Luiz Fux, julgado em 20/9/2007.
ciário do
"PROCESSUAL CIVIL E CONSTITUCIONAL. RECURSO ORDINÁRIO EM
MANDADO DE SEGURANÇA. SUS. FORNECIMENTO GRATUITO DE ME-
oitiva do
DICAMENTO, PELO ESTADO, À PESSOA HIPOSSUFICIENTE PORTADO-
RA DE DOENÇA GRAVE. OBRIGATORIEDADE. LEGITIMIDADE PASSIVA.
SECRETÁRIO DE ESTADO DA SAÚDE. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DO

133
LEI DA

DIREITO À ESPÉCIE. ART. 515, § 32, DO CPC. INEXISTÊNCIA DE SU-


PRESSÃO DE INSTÂNCIA. EFETIVIDADE. AFASTAMENTO DAS DELIMI-
TAÇÕES. PROTEÇÃO A DIREITOS FUNDAMENTAIS. DIREITO À VIDA E
À SAÚDE. DEVER CONSTITUCIONAL. ARTS. 52, CAPUT, 62, 196 E 227
4)
DA CF/1988. PRECEDENTES DESTA CORTE SUPERIOR E DO COLENDO
STF. ( ... ) Constitui função institucional e nobre do Ministério Público
buscar a entrega da prestação jurisdicional para obrigar o Estado a
fornecer medicamento essencial à saúde de pessoa carente, espe-
cialmente quando sofre de doença grave que se não for tratada po-
derá causar, prematuramente, a sua morte. 6. O Estado, ao negar a
proteção perseguida nas circunstâncias dos autos, omitindo-se em
garantir o direito fundamental à saúde, humilha a cidadania, des-
cumpre o seu dever constitucional e ostenta prática violenta de aten-
tado à dignidade humana e à vida. É totalitário e insensível. 7. Pela
peculiaridade do caso e em face da sua urgência, hão de se afastar
as delimitações na efetivação da medida sócio-protetiva pleiteada,
não padecendo de ilegalidade a decisão que ordena à Administra-
ção Pública a dar continuidade a tratamento médico. 8. Legitimidade
ativa do Ministério Público para propor ação civil pública em defe-
sa de direito indisponível, como é o direito à saúde, em benefício
de pessoa pobre!' (STJ, RMS 23184/RS, Rei. Min. José Delgado, DJ
19/03/2007) . 5)
"o Ministério Público ajuizou ação civil pública visando à condena-
ção da concessionária de energia elétrica à obrigação de não fazer,
consistente na proibição de interromper o fornecimento do serviço à
pessoa carente de recursos financeiros, diagnosticada com enfermi-
dade grave e que depende, para sobreviver, da utilização doméstica
de equipamento médico com alto consumo de energia." (STJ, AgRg
no REsp 1162946/MG, Rei. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma,
julgado em 04/06/2013, DJe 07/06/2013}.

~ Aplicação em concurso:
• Promotor de Justiça- MPE-AC/2014- CESPE
" O MP é parte ilegftima para propor ACP com o fim de obrigar o Estado 6)
a fornecer alimento especial indispensável à saúde de pessoa pobre, mor-
mente quando sofra de doença grave que, em razão do não fornecimento
do aludido alimento, possa causar prematuramente a sua morte."
Resposta: A afirmativa está errada.

• MP/SE- CESPE- 2010


"O MP tem legitimação para, mediante ação civil pública, compelir o po-
der público a adquirir e fornecer medicação de uso contínuo, de alto

I
custo, não disponibilizada pelo SUS, mas indispensável e comprovada-

134
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI No 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
IMIJ
mente necessária e eficiente para a sobrevivência de um único cidadão
NCIA DE SU- desprovido de recursos financeiros."
DAS DELIMI-
Resposta: A afirmativa está correta.
TO À VIDA E
2, 196 E 227
4) legitimidade- Direito de petição e direito de obtenção de certidão
O COLENDO
ério Público em repartições públicas {Direitos individuais homogêneos de rele-
r o Estado a vante natureza social)
rente, espe- "O direito à certidão traduz prerrogativa jurídica, de extração constitu-
tratada po- cional, destinada a viabilizar, em favor do indivíduo ou de uma deter-
, ao negar a minada coletividade (como a dos segurados do sistema de previdência
indo-se em social), a defesa {individual ou coletiva) de direitos ou o esclarecimen-
adania, des- to de situações.- A injusta recusa estatal em fornecer certidões, não
nta de aten- obstante presentes os pressupostos legitimadores dessa pretensão,
sível. 7. Pela autorizará a utilização de instrumentos processuais adequados, como
e se afastar o mandado de segurança ou a própria ação civil pública. -O Ministé-
a pleiteada, rio Público tem legitimidade ativa para a defesa, em juízo, dos direi-
Administra- tos e interesses individuais homogêneos, quando impregnados de
egitimidade relevante natureza social, como sucede com o direito de petição e
ca em defe- o direito de obtenção de certidão em repartições p6blicas." (STF, RE
m benefício 472489 AgR/RS, Rei. Min. Celso de Mello, DJe 29-08-2008)
Delgado, DJ
5) legitimidade -Irregularidades na fiscalização do trânsito
à condena- "Hipótese em que o Tribunal de origem concluiu pela ilegitimidade
e não fazer, ativa do Ministério Público para ajuizar ação civil pública contra o
do serviço à departamento de trânsito local, em que se busca demonstrar irregu-
om enfermi- laridades nos procedimentos de fiscalização delegados a empresas
o doméstica particulares, as quais teriam exercido competência exclusiva do Po-
" (STJ, AgRg der Público. 2. O Parquet detém legitimidade para ajuizar a presente
meira Turma, demanda, pois tem conteúdo abrangido pelas funções desse órgão,
uma vez que objetiva a proteção e o respeito aos princípios que nor-
teiam as atividades da administração pública. Dicção dos arts. 52 e
52 da Lei Complementar 75/1993." (STJ, REsp 808393/DF, Rei. Min.
Eliana Calmon, DJe 25/06/2009)

gar o Estado 6) legitimidade- Correção dos serviços tabelados no âmbito do SUS


pobre, mor-
"A precariedade da saúde pública, com a cefasagem dos preços da
ornecimento
tabela, refletindo na queda do número de atendimentos e outras
rte."
seqüelas de igual relevância, caracterizam a natureza difusa do in-
teresse despertado e, conseqüentemente, a legitimidade do Mi-
nistério Público para o ajuizamento da ação civil pública, visando
à correção dos serviços tabelados no âmbito do SUS, por ocasião
mpelir o po- do plano real." (STJ, REsp 422671/RS, Rei. \1in. Francisco Falcão, DJ
nuo, de alto 30/11/2006)
omprovada-

135
fMij DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia

7) Legitimidade- Mutuários do SFH


• MP
"É firme o entendimento desta eg Corte Especial no sentido de que "A
o Ministério Público é parte legítima para ajuizar ação civil públi- im
ca em defesa de interesses dos mutuários do SFH, por isso que tos
caracterizado o relevante interesse social." (STJ, AgRg nos EREsp
633470/CE, Rei. Min. Francisco Peçanha Martins, Corte Especial, DJ Re
14/08/2006)

-7 Aplicação em concurso: .... Obs


sos!
• Juiz Federal /TRF 29 Região- CESPE- 2009
"O STJ entende que o MP tem legitimidade para ajuizar ação civil pública
• DP
na defesa de mutuários do SFH."
"A
Resposta: A afirrrJativa está correta. de

8) legitimidade- Mensalidades escolares Re

.... STF:
9) Leg
Súmula 643: O Ministério Público tem legitimidade para promover
ação civil pública cujo fundamento seja a ilegalidade de reajuste de
mensalidades escolares.

.... Atenção: assunto multo cobrado nos concursos!

-7 Aplicação em concurso:
• Juiz Federai/TRF3- 2011- CESPE
"O MP não tem legitimidade para promover ação civil pública cujo funda-
mento seja a ileg<Jiidade de reajuste de mensalidades escolares."
Resposta: A afirmativa está errada, questão sumulada {STF 643).
-7 A
• MP/RO- 2010- CESPE
"De acordo com entendimento do STF, as mensalidades escolares, quando • M
abusivas ou ilegais, não podem ser impugnadas pelo MP por intermédio da "N
ação civil pública ante a natureza individual do direito envolvido." te
Resposta: A aftrmati'JO está errada. R

• Defensoria/BA- 2010- CESPE - "A


"De açordo corr a jurisprudência do STF, o MP tem legitimidade para ci
promover ACP fundada na ilegalidade de reajuste de mensalidade es- aç
colar." gê
Resposta: A afirmativa está carreta. R
qu
136
o Garcia

• MP/SE -2010- CESPE


de que "Ao MP não se permite a utilização de ação civil pública com o escopo de
públi- impedir aumento abusivo de mensalidades escolares por estabelecimen-
so que tos privados de ensino fundamental de certo município brasileiro."
EREsp
cial, DJ Resposta: A afirmativa está errada.

.... Observação: no mesmo ano, o CESPE cobrou a mesma questão em 3 concur-


sos! Isso se deu em virtude da Súmula 643 do STF.

pública
• DPE/PA - 2009- FCC
"A ação civil pública pode ser promovida pelo Ministério Público em caso
de ilegalidade do reajuste de mensalidades escolares."
Resposta: A afirmativa está correta.

9) Legitimidade- Cláusulas abusivas em planos de saúde


omover
INFORMATIVO 19. PLANO DE SAÚDE. DIREITO INDIVIDUAL HOMOGÊ-
uste de
NEO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. O Ministério Público tem legitimidade para
promover ação civil pública motivada pela cobrança de mensalidades
em contratos de planos de saúde? Considerando que a Lei da Ação
Civil Pública (Lei n.º 8.078/90, art. 82, I) deve ser interpretada em sua
teleologia mais ampla, a Turma consignou que, no âmbito dos interes-
ses individuais homogêneos, cuja violação é passível de ter reflexos
no interesse coletivo, o Parquet é parte legítima para propor ação
civil pública a fim de proteger a coletividade de descabidas cláusulas
funda- abusivas contra a saúde pública, a educação ou as condições míni-
mas de sobrevivência dos grandes grupos sociais .. REsp 177.96S-PR,
Rei. Min. Ruy Rosado, julgado em 18/5/1999.

-7 Aplicação em concurso:
quando • MP/RO- 2010- CESPE
édio da "Na defesa dos direitos e interesses individuais homogêneos, o MP não
tem legitimidade para ajuizar ação civil pública."
Resposta: A afirmativa está errada.

- "A Embora tenha a atribuição constitucional de defender os interesses so-


e para ciais e individuais indisponíveis, o MP não tem legitimidade para propor
de es- ação coletiva (ação civil pública) na defesa de interesses individuais homo-
gêneos."
Resposta: A afirmativa está errada. Interessante! Foram cobradas duas
questões sobre o mesmo assunto na mesma prova.

137
LEI DA A

"A atuação do MP como substituto processual na defesa de direitos decor-


rentes de relação de consumo é legítima, independentemente da natureza
impessoal ou coletiva dos direitos subjetivos lesados."
Resposta: A afirmativa está errada.

10) Legitimidade- Captação de poupança popular disfarçada de finan-


ciamento de linha telefônica.
INFORMATIVO 421. MP. LEGITIMIDADE. ACP. O Ministério Público
tem legitimidade processual extraordinária para propor ação civil
pública (ACP} com o objetivo de que cesse a atividade tida por ile-
gal de, sem autorização do Poder Público, captar antecipadamente a
poupança popular, ora disfarçada de financiamento para compra de
linha telefônica, isso na tutela de interesses individuais homogêneos
disponíveis. Anote-se que o conceito de homogeneidade pertinente
aos interesses individuais homogêneos não advém da natureza in- 12
dividual, disponível e divisível, mas sim de sua origem comum, en-
quanto se violam direitos pertencentes a um número determinado ou
determinável de pessoas ligadas por essa circunstância de fato (art. 81
do CDC). Outrossim, conforme precedente, os interesses individuais
homogêneos possuem relevância por si mesmos, o que torna desne-
cessário comprová-la. A proteção desses interesses ganha especial
importância nas hipóteses que envolvem pessoas de pouca instrução
e baixo poder aquisitivo que, mesmo lesadas, mantêm-se inertes, pois
tolhidas por barreiras econômicas e sociais (justamente o caso dos
autos). Essas situações clamam pela iniciativa estatal mediante a atu-
ação do MP em salvaguarda de direitos fundamentais. Precedentes ci-
tados do STF: RE 163.231-SP, DJ 29/6/2001; do STJ: REsp 635.807-CE,
DJ 20/6/2005. REsp 910.192-MG, Rei. Min. Nancy Andrighi, julgado
em 2/2/2010.

Em sentido parecido, "o Ministério Público possui legitimidade para o


ajuizamento de ação civil pública na defesa dos direitos de adquirentes
de linha telefônica, com cláusula de participação financeira na compa-
nhia (art. 81, § único, inciso 111, do Código de Defesa do Consumidor)."
(STJ, REsp 753159/MT, Rei. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma,
29/04/2011)
11) Legitimidade - Débitos não autorizados na conta de telefonia do
consumidor
Informativo 408. SERVIÇO. TELEFONIA. LEGITIMIDADE. MP. Trata-
-se, na espécie, de recurso interposto contra agravo de instrumento
manejado para combater decisão saneadora proferida em ação civil
pública, proposta com o objetivo de afastar a cobrança relativa à de-

138
'ª''
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEi N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985

nominada assinatura básica, reduzir a tarifa referente à mudança de


eitos decor- endereço e impedir a disponibilização do serviço de valor adicionado
da natureza sem prévia concordância do usuário. Assim, a Turma entendeu que
a inclusão de débitos não autorizados na conta do consumidor e co-
brados em razão do uso pelo consumidor ou por terceiros de serviço
de valor adicionado legitimam o Ministério Público a propor ação
de finan- com o objetivo de garantir a continuidade do serviço público essen-
cial de telefonia fixa, conforme disposto na art. 22 do coe. Quan-
to ao serviço de valor adicionado fornecido sem que haja solicitação
rio Público prévia e expressa do consumidor, é desnecessária a participação dos
r ação civil provedores dos referidos serviços no polo passivo da demanda, pois o
da por ile- bloqueio e os eventuais desbloqueios a pedido do usuário e controle
adamente a na cobrança dos referidos serviços não autorizados são de responsa-
compra de bilidade da concessionária. REsp 605.755-PR, Rei. Min. Herman Ben-
omogêneos jamin, julgado em 22/9/2009.
pertinente
atureza in- 12} legitimidade- Cessação dos jogos de azar (máquinas caça-níqueis,
omum, en- vídeo-pôquer e similares)
rminado ou
Informativo 406. ACP. JOGOS. AZAR. Cinge-se a questão à possibili-
ato (art. 81
dade de ajuizamento, na esfera cível, de ação civil pública (ACP) com
individuais
pedido de cessação de atividade ilfcita consistente na exploração de
rna desne-
jogos de azar (máquinas caça-níqueis, vídeo-pôquer e similares). O
ha especial
Tribunal a quo eKtinguiu o feito sem julgamento de mérito, por enten-
a instrução
der que compete ao juízo criminal apreciar a prática de contravenção
nertes, pois
penal, bem como decidir sobre as medidas acautelatórias: fechamen-
o caso dos
to do estabelecimento, bloqueio de contas bancárias e apreensão de
iante a atu-
máquinas caça-níqueis. Diante disso, a Turma deu provimento ao
cedentes ci-
recurso do Ministério Público estadual ao argumento de que a Lei
635.807-CE,
n. 7.347/1985, em seu art. 1!!, V, dispõe ser cabível a interposição
ghi, julgado
de ACP com o escopo de coibir a infração da ordem econômica e da
economia popular. O coe, em seu art. 81, igualmente prevê o ajuiza-
de para o mento de ação coletiva com vistas a garantir a tutela dos interesses
dquirentes ou direitos difusos e coletivos de natureza indivisível, na qual se insere
a vedação da a:ividade de exploração de jogos de azar, considerada
na compa-
infração penal nos termos dos arts. 50 e 51 do DL n. 3.688/1941 (lei
sumidor)."
das Contravenções Penais}. Observou o Min. Relator que a relação de
rta Turma, consumo, no caso, é evidente, uma vez que o consumidor é o des-
tinatário final do produto que não poderia estar no mercado, haja
vista a ausência de lei federal permissiva. É cediço que as máquinas
lefonia do
eletrônicas denominadas caça-níqueis são dotadas de mecanismos
que permitem fixar previamente a porcentagem de pagamento ao
MP. Trata- jogador ou até o valor que o consumidor poderá ganhar com o jogo,
nstrumento o que consubstancia prática comercial abusiva. Desnecesssário dizer
m ação civil também que a exploração de jogos de azar acarreta graves prejuízos
elativa à de-
139
Uii DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia LEI DA AÇ
·--~-----

à ordem econômica, notadamente no campo da sonegação fiscal, da


evasão de divisas e da lavagem de dinheiro. Acresça-se que as dispo-
sições da Lei de Contravenções Penais que criminalizam a exploração
de jogos de azar não foram derrogadas pelas normas contidas na LC
n. 116/2003 que determinam a incidência de ISS sobre a atividade de
exploração de bingos, pois a referida lei não prevê expressamente que
a prática de jogos de azar, como os denominados caça-níqueis, enqua-
dra-se no conceito de diversões eletrônicas, donde se conclui que os
arts. SO e 51 do DL n. 3.688/1941 encontram-se em pleno vigor. Des-
sarte, o pedido formulado pelo MP estadual, concernente à cessação
de atividade de exploração de jogos de azar, revela-se juridicamente
possível. Na presente ação, o Parquet postula a responsabilização civil
da recorrida e a paralisação da atividade de exploração de máquinas
caça-níqueis, inexistindo pedido de condenação na esfera criminal.
No que tange à possibilidade de buscar, na esfera cível, a suspensão
de atividade lesiva à ordem econômica e à economia popular, este
Superior Tribunal, ao apreciar o CC 41.743-RS, DJ 12/2/2005, enten-
deu que o pedido de cessação de atividade ilícita formulado contra
empresa que explora máquinas caça-níqueis, por ser de cunho inibi-
tório, deve ser processado na esfera cível. REsp 813.222-RS, Rei. Min.
Herman Benjamin, julgado em 8/9/2009.

13) Legitimidade- Tarifa cobrada pelos bancos pelo boleto bancário


Informativo 423. ACP. BOLETO BANCÁRIO. Cuida-se de ação civil pú-
blica (ACP) ajuizada pelo Ministério Público estadual contra vários
bancos, ora recorrentes, ao fundamento de que, não obstante a edi-
ção da Res. n. 2.303/1996-Bacen, que disciplina a cobrança de tarifas
pela prestação de serviços por parte das instituições financeiras, os
bancos continuaram a cobrar tarifa indevida e abusiva pelo recebi-
mento, em suas agências, de boletos bancários ou fichas de compen-
sação, de tal forma que o consumidor, além de pagar a obrigação
constante do titulo, mais encargos moratórios eventualmente exis-
tentes, é compelido a pagar, também, aquele valor adicional para
que o titulo possa ser quitado na agência bancária. Vê-se, daí, que,
malgrado a controvérsia acerca da natureza jurídica dos interesses
em questão, pelas circunstâncias do caso identificadas pelo Tribunal
de origem e pela leitura atenta da peça inaugural, parece claro que
o autor visa à proteção de interesses individuais homogêneos (art.
81, 111, do CDC), sendo indiscutível sua legitimação para intentar a
ACP (art. 82, I. do mesmo código). Anote-se, como consabido, estar
inclusa, entre as finalidades primordiais do MP, justamente a defesa
do consu:nidor (arts. 127 da CF/1988 e 21 da Lei n. 7.347/1985). No
tocante à alegada violação dos arts. 22 e 32 do coe, conforme de-
cidiu o STF em ADI (que, quanto aos serviços de natureza bancária,

140
ardo Garcia LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
·--~--------~-------------------------~--~---------------------
w•w
fiscal, da confirmou a constitucionalidade do art. 32, § 22, daquele codex), a
as dispo- relação jurídica existente entre o contratante ou usuário de serviços
xploração bancários e a instituição financeira deve ser disciplinada pelo coe. Já
das na LC no que diz respeito à alegada violação do art. 51 também do coe,
vidade de visto que os serviços prestados pelos bancos são remunerados pela
mente que chamada tarifa interbancáría (criada por protocolo assinado pela Fe-
s, enqua- braban e outros entes), tal qual referido pelo tribunal de origem, a
lui que os cobrança de tarifa dos consumidores pelo pagamento mediante bole-
igor. Des- to ou ficha de compensação constitui enriquecimento sem causa das
cessação instituições financeiras, pois há uma dupla remuneração pelo mesmo
icamente serviço, o que denota vantagem exagerada dos bancos em detrimento
zação civil dos consumidores. Assim, cabe ao consumidor apenas o pagamento
máquinas da prestação que assumiu junto a seu credor, não sendo razoável que
criminal. seja responsabilizado pela remuneração de serviço com o qual não se
uspensão obrigou, nem tampouco contratou, mas lhe é imposto como condição
ular, este para quitar a fatura recebida seja em relação a terceiro seja do próprio
5, enten- banco. Há, também, desequilíbrio entre as partes, decorrente do fato
do contra de que ao consumidor não resta senão se submeter à cobrança, pois
nho inibi- não lhe é fornecido outro meio para adimplir suas obrigações. Diante
Rei. Min. disso tudo, conclui-se ser abusiva a cobrança da tarifa pela emissão
do boleto bancário nos termos dos arts. 39, V, e 51, § 12, I e 111, todos
do CDC. Contudo, no tocante à pretensão de devolução em dobro dos
ncário valores pagos em razão da cobrança de emissão de boleto bancário,
o civil pú- prosperam os recursos dos bancos; pois, como bem referido pelo juízo
tra vários de primeira instância, o pedido de indenização, seja de forma simples
nte a edi- seja em dobro, não é cabível visto que a ACP busca a proteção dos
de tarifas interesses individuais homogêneos de caráter indivisível. O requeri-
ceiras, os mento de devolução dos valores indevidamente cobrados tem cará-
lo recebi- ter subjetivo individual, por isso deve ser postulado por seus próprios
compen- titulares em ações próprias. Por fim, a indenização prevista nos arts.
obrigação 97 a 100 do coe não se confunde, como querem fazer entender os re-
ente exis- correntes, com a multa cominada pelo não cumprimento da obrigação
onal para de não fazer determinada pelo tribunal de origem, consubstanciada
daí, que, na abstenção da cobrança da tarifa de emissão do boleto bancário. A
nteresses indenização, segundo já dito, deve ser requerida em ação própria, pois
o Tribunal passível de liquidação e execução da sentença de modo individual,
claro que motivo pelo qual não se fala, na hipótese dos autos, em indenização
neos (art. autônoma, tampouco em destinação dessa indenização ao Fundo de
ntentar a Direitos Difusos. Todavia, a multa cominatória em caso de descumpri-
ido, estar mento da obrigação de não fazer, por outro lado, será destinada ao
a defesa fundo indicado pelo MP (art. 13 da Lei n. 7.347/1985), uma vez que
1985). No não é possível determinar a quantidade de consumidores lesados pela
orme de- cobrança indevida da tarifa sob a emissão de boleto bancárioREsp
bancária, 794.752-MA, Rei. Min.luis Felipe Salomão, julgado em 18/2/2010.

141
Mil DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia
LEI DA AÇ

14) legitimidade- Cobrança de multa por resolução de contrato quan-


do ocorre roubo ou furto de celular.
Informativo 405. ROUBO. FURTO. CELULAR. RESOLUÇÃO. CONTRATO.
Trata-se de ação civil pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público
estadual em desfavor da recorrente, empresa de telefonia celular,
objetivando, cumulativamente, sua condenação, entre outras, a abs-
ter-se de cobrar qualquer multa, tarifa, taxa ou valor por resolução
de contrato de telefonia móvel decorrente de força maior ou caso
fortuito, especialmente na hipótese de roubo ou furto do aparelho
celular. Para a Min. Relatora, a resolução do contrato deverá resultar
na distribuição dos prejuízos, partindo da premissa de que a perda do
aparelho deriva de caso fortuito ou força maior, portanto sem que se
possa responsabilizar qualquer das partes pelo evento; o consumidor
pagará apenas metade do valor devido a título de multa pela resci-
são do contrato, mantida a regra de proporcionalidade ao tempo de
carência já transcorrido. A solução encontra amparo no art. 413 do
CC/2002, que autoriza a redução equitativa da multa. Dessa forma,
havendo a perda do celular, a recorrente terá duas alternativas: dar
16}
em comodato um aparelho ao cliente durante o restante do perío-
do de carênCia, a fim de possibilitar a continuidade na prestação do
serviço e, por conseguinte, a manutenção desse contrato; ou aceitar
a resolução do contrato, mediante redução pela metade do valor da
multa devida, naquele momento, pela rescisão. Ressaltou a Min. Re-
latora que, na hipótese de a recorrente optar por fornecer um celular
ao cliente, não poderá ele se recusar a dar continuidade ao contrato,
sob pena de se sujeitar ao pagamento integral da multa rescisória.
Isso porque, disponibilizado um aparelho para o cliente, cessarão os
efeitos do evento (perda do celular) que justifica a redução da multa.
REsp 1.087.783-RJ, Rei. Min. Nancy Andrighi, julgado em 1º/9/2009.

15) legitimidade- Manter curso de ensino médio no período noturno


de colégio custeado pela União.
Informativo 399. ACP. LEGITIMIDADE. MP. Trata-se de ação civil públi-
ca (ACP) ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF) com o obje-
tivo de manter curso de ensino médio no período noturno de colégio
custeado pela União o qual o diretor teria ilegalmente suprimido.
A sentença, por sua vez, extinguiu o feito sem resolução de mérito,
por considerar a ilegitimidade do MPF para figurar como parte ati-
va. Entretanto, o TRF deu provimento à apelação do MPF e anulou a
sentença, ao argumento de tratar-se de direito coletivo e difuso que,
nos termos do art. 81, I e 11, da Lei n. 8.078/1990 (CDC), atrai a legiti-
midade do MPF. Para o Min. Relator, o direito à continuidade do cur-
so noturno por um grupo de alunos matriculados não é passível de

142
onardo Garcia

'ª''
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985

rato quan-
divisão, pois deriva de uma relação jurídica com o colégio e sua ex-
tinção acarretaria prejuízo a todos, sendo inviável sua quantificação
CONTRATO. individual. Observa que também se devem considerar os interesses
ério Público daqueles que ainda não ingressaram no colégio, mas que eventu-
onia celular, almente podem ser atingidos pela extinção do curso noturno. Eles
utras, a abs- formariam um grupo indeterminável de futuros alunos a titularizar
or resolução direito difuso à manutenção do curso noturno. Além disso, o ECA
ior ou caso estabelece expressamente a legitimidade do MP para ingressar com
do aparelho ações fundadas em interesses coletivos ou difusos para garantir direi-
erá resultar to à oferta de ensino regular noturno (art. 208, IV, e art. 210, I, ambas
e a perda do do ECA). Diante clesse contexto, a Turma negou provimento ao recur-
sem que se so do colégio e confirmou a decisão a quo, ratificando a legitimidade
consumidor do parquet, para determinar que os autos retornem e prossiga o feito
a pela resci- no juízo de primeiro grau. Precedentes citados: EREsp 141.491-SC, DJ
o tempo de 1º/8/2000, e REsp 913.3S6-RS, DJ 15/5/2007. REsp 933.002-RJ, Rei.
art. 413 do Min. Castro Meira, julgado em 16/6/2009.
essa forma,
nativas: dar
16} legitimidade- Cumprimento de normas atinentes à segurança e à
e do perío- medicina do trabalho. Atuação conjunta do MP estadual e do MP
restação do do Trabalho.
; ou aceitar Informativo 387. LEGITIMIDADE. MP. Discute-se a legitimidade, se do
do valor da Ministério Público estadual ou do Ministério Público do Trabalho, para
u a Min. Re- propor ação civil pública com objetivo de cumprimento de normas
r um celular atinentes à segurança e à medicina do trabalho pelas construtoras
ao contrato, vencedoras de licitação estadual para contenção de enchentes ..A.
a rescisória. sentença extinguiu a ação com base no art. 267, VI, c/c art. 295, 11,
cessarão os ambos do CPC, e o Tribunal a quo proveu apelação, reconhecendo a
ão da multa. legitimidade do MP estadual. No REsp, o Min. Luis Felipe Salomão,
1º/9/2009. inaugurando a divergência, considerou ser inegável a legitimação do
MP estadual para a ação civil pública em exame, além de observar a
do noturno
concorrência de atribuições entre os órgãos do MP, o que eventual-
mente garantiria a possibilidade de atuaçã:) conjunta na defesa do
o civil públi- interesse públice>. Já conforme o voto vista do Min. João Otávio de
com o obje- Noronha, condutor da tese vencedora, a legitimidade para a proposi-
o de colégio tura da ação é do Ministério Público estadual. Aponta que, à época da
suprimido. propositura da a:;ão (1997), a jurisprudência neste Superior Tribunal
o de mérito, era no sentido de que compete à Justiça comum o conhecimento e
o parte ati- julgamento de ações que envolvem acidente do trabalho, consequen-
F e anulou a temente, essa Justiça também é competente para julgar a ação civil
difuso que, pública quando destinada a prevenir acidente do trabalho. Outros-
atrai a legiti- sim, ressalta que a LC n. 75/1993 atrelou a legitimidade ad causam
ade do cur- do MP à competência do órgão julgador, ou seja, só atua o parquet
passível de especializado nas ações judiciais que tramitam na Justiça do Trabalhe
e o Tribunal a quo reconheceu a legitimidade do MP estadual. Por ou-

143
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS -Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia
'ª''
tro lado, a tese vencida reconhecia a legitimidade do MP do Trabalho
e extinguia o processo (art. 267, VI, do CPC), também com base em
precedentes deste Superior Tribunal, empatando a votação. No voto
de desempate, a Min. Nancy Andrighi acompanhou a divergência, ou 18) Legit
seja, admitiu a legitimidade do MP estadual, mas também defendeu terio
a atuação isolada ou integrada de ambas as instituições do MP, uma
vez que reconhecia a legitimidade do MP do Trabalho para proteger
os direitos sociais dos trabalhadores (arts. 83, 111 e 84, 11, da LC n.
75/1993), e a legitimidade do MP estadual para atuar na defesa dos
interesses difusos e coletivos relacionados com o meio ambiente do
trabalho (art. 292, 11, da LC estadual n. 734/1993). Isso posto, a Tur-
ma, por maioria, não conheceu do recurso. Precedente citado: REsp
493.876-SP, DJ 12/8/2003. REsp 240.343-SP, Rei. originário Min. Aldir
Passarinho Junior, Rei para acórdão Min. João Otávio de Noronha, jul-
gado em 17/3/2009.
17) Legitimidade- ACP contra governador compete ao Procurador-Ge-
ral de Justiça.
Informativo 386. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. ILEGITIMIDADE. MP. questão
consiste em saber se, sob a égide do art. 29, VIII, da Lei n. 8.625/1993,
a ação civil pública contra governador compete ao procurador-geral
de Justiça ou se a petição inicial poderia ser subscrita exclusivamen-
te por membro do Ministério Público estadual que atua na primeira
instância. No caso, o Tribunal a quo anulou o feito desde o recebimen-
to da petição inicial, por entender que somente o procurador-geral de
Justiça teria legitimidade para o ajuizamento de ação civil pública em Percebe
desfavor de governador à época da propositura da ação. Para o Min.
nistrativ
Relator, ainda que se admitisse o principio do promotor natural no
caráter r
ordenamento pátrio, sua disciplina estaria circunscrita ao âmbito ln-
fraconstitucional, ou seja, à lei n. 8.625/1993, que, ao dispor sobre
19) legi
a organização dos Ministérios Públicos estaduais, conferiu ao pro-
curador-geral de Justiça a competência para o ajuizamento da ação
civil pública contra governador (art. 29, VIl, daquela legislação). Ob-
serva ainda que nem mesmo o art. 29, IX, da citada lei, que trata da
delegação a membro do MP pelo procurador-geral de Justiça, poderia
legitimar, nos autos, a atuação do membro do parquet, uma vez que o
Tribunal de origem registrou expressamente não haver qualquer dele-
gação. Dessa forma, não poderia a promotora de Justiça subscrever
a petição inicial por falta de legitimidade ad processurn para a pro-
POSitura da ação civil pública contra governador, a qual caberia ao
procurador-geral de Justiça. Com esse entendimento, a Turma negou
provimento ao recurso do Ministério Público estadual, com a ressalva
do ponto de vista pessoal do Mln. Herman Benjamin e do Min. Mauro
Campbell. Precedentes citados do STF: HC 67.759-RJ, DJ 13/6/1993;

144
o Garcia

rabalho HC 84.468-ES, DJ 29/6/2007, e HC 70.290-RJ, DJ 13/9/1997. REsp


ase em 851.635-AC, Rei. Min. Castro Meira, julgado em 10/3/2009.
No voto
ncia, ou 18) Legitimidade - Improbidade administrativa (inclusive por atos an-
fendeu teriores à CF/88)
MP, uma Informativo 384. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. IMPROBIDADE. LEGITIMIDADE.
roteger MP. Trata-se de recurso especial em que se questiona a legitimidade
a LC n. do Ministério Público para a propositura de ação civil pública por
esa dos
ato de improbidade administrativa, bem como a imprescritibilidade
ente do do prazo para o ajuizamento de tal ação. A Turma reiterou o enten-
o, a Tur- dimento de que o Ministério Público é legitimo para ajuizar ação civil
o: REsp
pública por ato de improbid~de administrativa e, sendo essa ação
in. Aldir
de caráter ressarcitório, é imprescritível. Ressalte-se que a distinção
nha, jul-
entre interesse público primário e secundário não se aplica ao caso.
O reconhecimento da legitimação ativa encarta-se no próprio bloco
or-Ge- infraconstitucional de atores processuais a quem se delegou a tutela
dos valores, princípios e bens ligados ao conceito republicano. REsp
1.069. 723-SP, Rei. Min. Humberto Martins, julgado em 19/2/2009.
questão
5/1993, Informativo 426. ACP. MP ESTADUAL LEGITIMIDADE. A Turma proveu
or-geral o recurso, reiterando o entendimento de que o Parquet estadual tem
ivamen- legitimidade para ajuizar ação civil pública (ACP) por atos de improbi-
primeira dade administrativa anteriores à CF/1988, em defesa do patrimônio
ebimen- público e social (art. 12, IV, da Lei n. 7.347/1985) .. REsp 1.113.294-
geral de MG, Rei. Min. Luiz Fux, julgado em 9/3/2010.
blica em Percebe-se, novamente, a distinção entre ação de improbidade admi-
a o Min.
nistrativa e ação civil pública por atos de improbidade, essa última com
tural no
caráter ressarcitório e anulatório, a primeira, com caráter sancionatório.
mbito ln-
or sobre
19) legitimidade- Adequação do serviço público de transporte
ao pro-
da ação Informativo 336. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. SERVIÇO. TRANSPORTE. Trata-
ão). Ob- -se de ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público estadual em
trata da face da concessionária de serviço público, para adequar o serviço de
poderia transporte de passageiros, que, no entender do autor, vinha sendo
ez que o deficientemente prestado. O juízo condenou a concessionária a ade-
uer dele- quar-se, nos termos da sentença, aos serviços que devem ser pres-
bscrever tados aos cidadãos. Esclareceu o Min. Relator que é dever do Poder
a a pro- Público e de seus concessionários e permissionários prestar serviço
beria ao adequado e eficiente, atendendo aos requisitos necessários para se-
ma negou gurança, integridade física e saúde dos usuários (art. 62, I e X, do CDC
ressalva c/c art. 62 da Lei n. 8.987/1995). Uma vez constatada a não-observân-
n. Mauro cia de tais regras básicas, surge o interesse-necessidade para a tutela
/6/1993; pleiteada. Vale observar, ainda, que as condições da ação são vistas

145
LEI DA AÇ

in satu assertionis (teoria da asserção}, ou seja, conforme a narrati-


va feita pelo demandante na petição inicial. Desse modo, o interesse
processual exsurge da alegação do autor, realizada na inicial, o que,
ademais, foi constatado posteriormente na instância ordinária. Tudo
isso implica reconhecer a não-violação dos arts. 32 e 267, VI, do CPC.
No caso, não ocorre a impossibilidade jurídica do pedido, porque o
Parquet, além de ter legitimidade para a defesa do interesse público
22) le
(aliás, do interesse social), encontra-se respaldado para pedir a ade-
quação dos serviços de utilidade pública essenciais no ordenamento te
jurídico, tanto na Lei da Ação Civil Pública (Lei n. 7 .347/1985}, quan-
to na Lei Orgânica Nacional do Ministério Público e Normas Gerais
para os Ministérios Públicos dos Estados (Lei n. 8.625/1993) e ou-
tras, ou mesmo nos arts. 127 e 129 da CF/1988. REsp 470.675-SP, Rei.
Min. Humberto Martins, julgado em 16/10/2007.

~ Aplicação em concurso:
• MP/RO- 2010- CESPE
"Segundo 0 STJ, o MP possui legitimidade ativa para promover a defesa
dos direitos difusos e coletivos dos consumidores, bem como dos interes-
ses ou direitos individuais homogêneos destes, exceto no que se refere à
prestação de serviços públicos."
Resposta: A afirmativa está errada.

20) legitimidade- Demolição de obra irregular em área tombada


Informativo 287. MP. LEGITIMIDADE. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. D~MOLI­
ÇÃO. OBRA. MULTA. DESCUMPRIMENTO. ORDE~ :uDICI~L. : ~ert_o
que 0 Ministério Público tem legitimidade para aJUizar açao c1vll pu-
blica em busca da demolição de obra irregular construída em área
tombada (art. 12, 111, da Lei n. 7.347/1985}. Assim, nos autos, não há
que se falar em cumulação de condenações em dinheiro e à ~b~igação
23) L
de fazer, pois a condenação à indenização, no caso, nada mats e que a
vide
determinação do pagamento da multa (art. 11 da referida lei) fixada
devido ao descumprimento da ordem judicial concedida na liminar da
ação civil pública. Outrossim, a mera falta de uma página ~o parecer
do MP não resulta em nulidade do processo. Precedente Citado: REsp
493.270-DF, DJ 24/11/2003. REsp 405.982-SP, Rei. Min. Denise Arru-
da, julgado em 12/6/2006.
21) legitimidade- Devolução de valores pagos indevidamente em con-
tratos do SFH
Informativo 229 STJ. LEGITIMIDADE. MP. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. Pros-
seguindo 0 julgamento, a Corte Especial decidiu que o Ministério
Público tem legitimidade para propor ação civil pública objetivan-

146
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI f\ 0 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
Mil
do a devolução de valores pagos indevidamente em contratos de
me a narrati- aquisição de casa própria disciplinados pelo SFH. No caso há direitos
, o interesse individuais homogêneos, ainda que disponíveis, mas presente o re-
nicial, o que, levante interesse social. Assim, a Corte Especial conheceu e recebeu
dinária. Tudo os embargos de divergência. Precedente citado: EREsp 141.491-SC,
7, VI, do CPC. DJ 12/8/2000. EREsp 171.283-PR, Rei. Min. Peçanha Martins, julgados
do, porque o em 17/11/2004.
esse público
22) legitimidade- Impugnar majoração abusiva de tarifa de transpor-
pedir a ade-
rdenamento te coletivo público
1985}, quan- Informativo 568 STF. AÇÃO CIVIL PÚBLICA E LEGITIMIDADE DO MINIS-
ormas Gerais TÉRIO PÚBLICO. Em conclusão de julgamento, a Turma proveu recur-
/1993) e ou- so extraordinário para assentar a legitimidade do Ministério Público
0.675-SP, Rei. estadual para propor ação civil pública com o objetivo de impugnar
majoração supostamente abusiva de tarifa de transporte coletivo
público- v. Informativo 500. Considerou-se que a mencionada ação
estaria voltada à proteção dos usuários (consumidores) do transporte
coletivo público, indeterminados, o que faria transparecer o interesse
over a defesa difuso em jogo, taJ como definido pelo art. 81, I, do coe. Aduziu-se
o dos interes- que, na situação em apreço, negar legitimidade ao parquet implica-
ue se refere à ria desfalcar a coletividade (usuários) de um meio de defesa contra
o Poder Público e contra as concessionárias. Ademais, esclareceu-se
que não se estaria diante de tributo, mas de preço público cobrado
como contraprestação ao serviço de transporte público urbano. De
outro lado, rejeitou-se a tese utilizada no acórdão recorrido de que
mbada o Poder Judiciário não poderia se pronunciar sobre o assunto. Enfa-
LICA. D~MOLI­ tizou-se que, no caso, tratar-se-ia de controle da legalidade dos atos
ICI~L. : ~ert_o e contratos firmados pelo Poder Público municipal para a prestação
açao c1vll pu- à população dos serviços de transporte público urbano. Precedente
uída em área citado: RE 379495/SP (DJU de 20.4.2006}. RE 228177/MG, rei. Min.
autos, não há Gilmar Mendes, 17.11.2009. (RE-228177)
o e à ~b~igação
23) Legitimidade:- MP pode ajuizar ação civil pública em matéria pre-
a mats e que a
videnciária
rida lei) fixada
a na liminar da "( ... ) Restando caracterizado o relevante interesse social, os direitos
ina ~o parecer individuais homogêneos podem ser objeto de tutela pelo Ministé-
te Citado: REsp rio Público mediante a ação civil pública. Precedentes do Pretória
n. Denise Arru- Excelso e da Corte Especial deste Tribunal. 4. No âmbito de direico
previdenciário (um dos seguimentos da seguridade social). eleva-
do pela Constituição Federal à categoria de direito fundamental do
ente em con- homem, é indiscutível a presença do relevante interesse social. via-
bilizando a legitin-.idade do Órgão Ministerial para figurar no polo
PÚBLICA. Pros- ativo da ação civil pública, ainda que se trate de direito disponível
e o Ministério (STF, AgRg/RE 472.489/RS, V! Turma, Rei. Min. CELSO DE MELLO, DJe
lica objetivan-
147
de 29/08/2008). 5. Trata-se, como se vê, de entendimento firmado A título il
no âmbito do Supremo Tribunal Federal, a quem a Constituição Fe- Público p
deral confiou a última palavra em termos de interpretação de seus monocrát
dispositivos, entendimento esse aplicado no âmbito daquela Excelsa
Corte também às relações jurídicas estabelecidas entre os segurados RE n.2
da previdência e o INSS, resultando na declaração de legitimidade do jeto da
Parquet para ajuizar ação civil pública em matéria previdenciária (STF,
AgRg no AI 516.419/PR, V Turma, Rei. Min. GtlMAR MENDES, DJe RE n.2
de 30/11/2010). 6. O reconhecimento da legitimidade do Ministério jeto da
Público para a ação civil pública em matéria previdenciária mostra-se
RE 491
patente tanto em face do inquestionável interesse social envolvido no
assunto, como, também, em razão da inegável economia processual, to da a
evitando-se a proliferação de demandas individuais idênticas com re- a filho
sultados divergentes, com o consequente acúmulo de feitos nas ins-
RE 44
tâncias do Judiciário, o que, certamente, não contribui para uma pres-
11/11
tação jurisdicional eficiente, célere e uniforme. 7. Após nova reflexão
sobre o tema em debate, deve ser restabelecida a jurisprudência des- benefí
ta Corte, no sentido de se reconhecer a legitimidade do Ministério V, da C
Público para figurar no polo ativo de ação civil pública destinada à
defesa de direitos de natureza previdenciária. (STJ, REsp 1142630/PR, 24)J.egjti
Rei. Min. Laurita Vaz, DJe 01/02/2011) ligado

O art.
..,_ IMPORTANTE: o STJ tinha entendimento de que o MP NÃO era legítimo da Pro
para questionar benefícios previdenciárics em ACP. Depois de alguns acór-
afirma
dãos do STF reconhecendo a legitimidade do MP, as turmas do STJ, princi-
lacion
palmente da Terceira Seção, estão começando a adotar o posicionamento
do STF (pela legitimidade do MP). O entendimento tinha por base o pará- acaba
g·afo único do art. 1Q da LACP, alterado por medida provisória, já referido Foram
adma.
da ma
temen
A Ministra Laurita Vaz, componente da Terceira Seção, destacou em seu
voto no REsp 1142630: "
5
"Registre-se que o enter.dimento em prol da legitimidade do Parquet T
para a ação civil pública tanto em matéria relativa à previdência social C
quanto à matéria relativa à assistência social vem sendo:Mtetada- a
mente adotado no âmbito do Supremo Tribunal Federal, resultando, d
inclusive, em reforma de acórdãos prolatados pelas Quinta e Sexta c
Turmas deste Superior Tribunal de Justiça. Com efeito, ao apreciar, por C
decisão monocrática, o AG 516.419/PR (DJe de)..210212010), ..ore1ator L
do feito, Min. CEZAR PELUSO, acolheu o agravo e proveu o Recurso 1
Extraordinário interposto pelo Ministério Público, reconhecendo ao P
Parquet a legitimidade para açiio civil pública, cujo objeto era a revi- s
são de benefícios previdenciários." a

148
o firmado A título ilustrativo, foi reconhecida no STF a legitimidade do Ministério
uição Fe- Público para o ajuizamento de ação civil pública nos seguintes julgados
o de seus monocráticos:
a Excelsa
egurados RE n.2 549.419/DF, Rei. Min. AYRES BRITTO, DJe de 06/08/2010, ob-
midade do jeto da ação civil pública: revisão de benefício previdenciário;
iária (STF,
NDES, DJe RE n.2 607.200/SC, Rei. Min. AYRES BRITTO, DJe de 06108/2010, ob-
Ministério jeto da ação civil pública: revisão de benefícios previdenciários;
mostra-se
RE 491.762/SE, Rei.!! Min.!! CARMEN LÚCIA, DJe de 26/0212010, obje-
olvido no
ocessual, to da ação civil pública: equiparação de menores sob guarda judicial
s com re- a filhos de segurados, para fins previdenciários;
s nas ins-
RE 444.357/PR, Rei. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, DJe de
uma pres-
11/11/2009, objeto da ação civil pública: critério de concessão do
a reflexão
ência des- benefício assistencial a portadores de deficiência e idosos (art. 203,
Ministério V, da Constituição Federal).
stinada à
42630/PR, 24)J.egjtimidade do Ministério Público - ACP para defesa de direito
ligado ao FGTS

O art. 12, parágrafo único da Lei 7.347/1985, resultante da Medi-


a legítimo da Provisória n. 2.180-35, inconstitucional for,mal e materialmente,
guns acór-
afirma que não cabem ações civis públicas para discutir matérias re-
TJ, princi-
lacionadas ao FGTS. A legitimidade do Ministério Público na matéria
onamento
se o pará- acaba se confundindo com a questão do cabimento da ação.
á referido Foram ajuizadas várias ações individuais e coletivas para a discussão
da matéria, tendo o STJ entendido que a matéria tem cunho eminen-
temente constitucional:
u em seu
"PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. ART.
535, 11, DO CPC. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. FGTS. SINDICATO. INCONSTI-
o Parquet TUCIONALIDADE. DISPOSITIVO DE LEI. MATÉRIA CONSTITUCIONAL.
ncia social COMPETÊNCIA DO STF. 1. Constato que não se configurou a ofensa
Mtetada- ao art. 535, I e 11, do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal
esultando, de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, tal
a e Sexta como lhe foi apresentada. 2. O TRF foi enfático em afirmar que sua
reciar, por Corte Especial, por maioria, declarou a inconstitucionalidade parcial
, ..ore1ator Lloart. lQ, parágrafo único, da lei 7.347/1985, por ofensa aos arts.
o Recurso 127 e 129, 111, da CF, no tocante à vedação do cabimento da Ação Civil
ecendo ao Pública sobre o FGTS. Dessa forma, a Corte estadual apreciou a lide
era a revi- sob o enfoque eminentemente constitucional. Dessarte, é inviável a
apreciação do Recurso Especial, sob pena de invasão da competên-

149
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia
Qil ~-~----------~-------------·----------------------------------------------·-------- LEI DA AÇÃ

cia do STF. 3. Recurso Especial não provido. (REsp 1477028/RS, Rei.


Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 04/11/2014,
DJe 27 /11/2014)

A questão ainda não foi definitivamente decidida.


o STF reconheceu a repercussão geral na matéria:
"Processual civil e constitucional. Recurso extraordinário. Ministério
Público. Ação civil pública. Cabimento para a veiculação pretensão
que envolva o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). In-
terpretação do art. 12, parágrafo único, da lei 7.347/85 em face da
disposição do art. 129, 111, da Constituição Federal. Repercussão geral
configurada. 1. Possui repercussão geral a questão relativa à legitimi-
dade do Ministério Público para a propositura de ação civil pública
que veicule pretensão envolvendo o Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço (FGTS). 2. Repercussão geral reconhecida. (RE 643978/DF, Rei.
Min. Teori Zavascki, julgado em 17/09/201S, public 25-09-2015).

Como analisado, o STF tem garantido a legitimação do Ministério


Público em todos os casos em que, apesar de disponíveis os direi-
tos individuais homogêneos envolvidos, os mesmos se configurem a
relevância social (art. 127 c/c art. 129, 111, CF/88). O STF já entendeu
desta maneira pelo menos em um julgamento (RE 514.023 AgR/RJ,
Rel. Min. Ellen Grade, 2010)
25)Legitimidade- ACP visando o tratamento de esgoto a ser jogado
-7 A
em águas fluviais
Ministério Público: Ação Civil Pública e Saneamento. É consentâneo • M
com a ordem jurídica o Ministério Público ajuizar ação civil pública "
visando ao tratamento de esgoto a ser jogado em águas fluviais. Com b
base nesse entendimento, a Turma proveu recurso extraordinário, in- a
terposto pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, para afastar d
a extinção declarada do feito e determinar o julgamento do tema de ç
fundo veiculado na apelação do Município de Sorocaba, pronuncian- R
do-se 0 órgão quanto à remessa obrigatória. Frisou-se que não ca-
beria, no caso, cogitar-se da impossibilidade jurídica do pedido e da 27) Le
extinção do processo sem julgamento do mérito. RE 254764/SP, rei. vale t
Min. Marco Aurélio, 24.8.2010.
A
26) Legitimidade - ACP contra resolução que impõe aos graduados a
obrigação de realizarem o exame como condição prévia à obtenção t
do registro profissional
"PROCESSUAL CIVIL- AÇÃO CIVIL PÚBLICA - DIREITOS INDIVIDUAIS
v
HOMOGÊNEOS - RELEVANTE INTERESSE SOCIAL- MINISTÉRIO PÚ-

150

\
eonardo Garcia
-------·-------- LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
Mil
7028/RS, Rei.
m 04/11/2014, BLICO - LEGITIMIDADE - REGISTRO PROFISSIONAL NO CONSELHO
DE MEDICINA VETERINÁRIA - EXAME. 1. Discute-se a legitimidade
do Ministério Público Federal para demandar em Ação Civil Pública
sobre as relações jurídicas constituídas pela Resolução n. 691/2001,
editada pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária, que institui o
Exame Nacional de Certificação Profissional. A Resolução impõe aos
rio. Ministério graduados de medicina veterinária a obrigação de realizarem o exame
ção pretensão como condição prévia à obtenção do registro profissional no Conselho
iço (FGTS). In- Regional. 2. O Superior Tribunal de Justiça reconhece a legitimidade
85 em face da ad causam do Ministério Público, seja para a tutela de direitos e inte-
ercussão geral resses difusos e coletivos seja para a proteção dos chamados direitos
tiva à legitimi- individuais homogêneos, sempre que caracterizado relevante interes-
ão civil pública se social. 3. In casu, tanto a dimensão do dano e suas características
a do Tempo de como a relevância do bem jurídico a ser protegido determinam a atu-
43978/DF, Rei. ação do Ministério Público {CDC, art.82, § 12). 4. Não seria razoável
09-2015). esperar que todos os graduados e graduandos do curso de medicina
veterinária ajuizassem ação própria para ver atendida igual preten-
do Ministério são. A prevenção da proliferação de demandas individuais evidencia
íveis os direi- o interesse social. A. diminuição de causas com o mesmo objeto privi-
configurem a legia uma prestação jurisdicional mais eficiente, célere e uniforme. S.
F já entendeu o Ministério Público é legítimo para defender, por meio de ação civil
4.023 AgR/RJ, pública, os interesses relacionados aos direitos sociais constitucional-
mente garantidos. Agravo regimental improvido." (STJ, AgRg no REsp
938951/DF, Rei. Min. Humberto Martins, DJe 10/03/2010)
a ser jogado
-7 Aplicação em concurso:

É consentâneo • MP/RO- 2010- CESPE


ão civil pública "Se determinada organização de classe, por intermédio de resolução, esta-
as fluviais. Com belecer, como condição prévia para a obtenção do registro profissional, a
traordinário, in- aprovação dos graduados em exames específicos, o MP não terá legitimi-
ulo, para afastar dade ativa para o ajuizamento de ação civil pública contra referida resolu-
nto do tema de ção, ante a natureza individual dos interesses envolvidos."
ba, pronuncian- Resposta: A afirmativa está errada.
-se que não ca-
do pedido e da 27) Legitimidade - Informação ao consumidor de saldo em bilhete de
254764/SP, rei. vale transporte
A Turma, por maioria, reiterou que o Ministério Público tem legitimidade
s graduados a para propor ação civil pública que trate da proteção de quaisquer direitos
via à obtenção transindividuais, tais como definidos no art. 81 do CDC. Isso decorre da
interpretação do art. 129, 111, da CF em conjunto com o art. 21 da Lei n.
7.347/1985 e arts. 81 e 90 do coe e protege todos os interesses transindi-
OS INDIVIDUAIS
viduais, sejam eles decorrentes de relações consumeristas ou n~o. Ressal-
MINISTÉRIO PÚ-
tou a Min. Relatora que não se pode relegar a tutela de todos os direitos

151
LEI DA AÇÃO CIV

a instrumentos processuais individuais, sob pena de excluir do Estado e


da democracia aqueles cidadãos que mais merecem sua proteção. Outro
ponto decidido pelo colegiado foi de que viola o direito à plena informa-
ção do consumidor (art. 6º, 111, do CDC) a conduta de não informar na role-
ta do ônibus o saldo do vale-transporte eletrônico.( ... ) REsp 1.099.634-RJ, 30) Legiti
Rei. Min. Nancy Andrighi, julgado em 8/5/2012. lnfo. 497 STJ. de cesta d
28) Legitimidade - Abusividade de critérios de reajuste em contrato "
de adesão nos serviços de concessão de lotes e jazigos em cemitério T
R
"Esta Corte firmou entendimento de que o Ministério Público tem legiti- c
midade para promover ação civil pública para reconhecimento da abusi-
p
vidade de critérios de reajuste das obrigações previstas em contrato de
g
adesão estipulado por empresa que explora os serviços de concessão de
d
lotes e jazigos em cemitério." (STJ, AgRg no REsp 1113844/RJ, Rei. Ministro
9
Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 02/08/2012, DJe
1
09/08/2012)
31) Legiti
~ Aplicação em concurso:
custear tr
• Defensor Público- SE/ 2012- CESPE
"
"Consoante entendimento do STJ, o MP tem legitimidade para promover a
ACP para o reconhecimento da abusividade de critérios de reajuste das a
obrigações previstas em contrato de adesão estipulado por empresa que m
explore serviços de concessão de lotes e jazigos em cemitério." a
Resposta: A afirmativa está correta. d
p
29) Legitimidade- O Ministério Público tem legitimidade para ajuizar T
ação civil pública com o objetivo de garantir o acesso a critérios de
correção de provas de concurso público. ~ Apli
"ADMINISTRATIVO. CONCURSO P(JBLICO. SISTEMA DE MERITOCRA- • Prom
CIA. LEGITIMIDADE ATIVA DO MINISTÉRIO PÚBLICO. AÇÃO CIVIL "O M
PÚBLICA. 1. Concurso público é o principal instrumento de garantia saúde
do sistema de meritocracia na organização estatal, um dos pilares de es
dorsais do Estado Social de Direito brasileiro, condensado e concre-
Respo
tizado na Constituição Federal de 1988. Suas duas qualidades es-
senciais - ser "concurso", o que implica genuína competição, sem 32) Legiti
cartas marcadas, e ser "público", 10 duplo sentido de certame trans-
ação civil
parente e de controle amplo de sua integridade- impõem generoso
reconhecimento de legitimidade ad causam no acesso à justiça. 2.
ministrati
O Superior Tribunal de Justiça é firme em reconhecer a legitimidade rior ao cu
do Ministério Público para ajuizar Ação Civil Pública com objetivo de questões
declarar a nulidade de concurso público realizado sem a observân- "
cia dos princípios constitucionais da legalidade, da acessibilidade e s
da moralidade. 3. Se o Parquet tem legitimidade para postular a nu-

152
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
'ª''
fação de concurso público, igualmente a possui para invalidar ato
o Estado e administrativo que o tiver anulado. Precedentes do STJ. 4. Recurso
ção. Outro Especial provido." (REsp 1362269/CE, Rei. Ministro Herman Benja-
a informa- min, Segunda Turma, DJe 01/08/2013)
mar na role-
099.634-RJ, 30) Legitimidade- ação civil pública tendo por objeto o fornecimento
de cesta de alimentos sem glúten a portadores de doença celíaca.
m contrato "ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DIREI-
emitério TOS. INDIVIDUAIS INDISPONfVEIS. LEGITIMIDADE ATIVA DO MINISTÉ-
RIO PÚBLICO. O Ministério Público é parte legítima para propor ação
tem legiti- civil pública em defesa da vida e da saúde, direitos individuais indis-
o da abusi-
poníveis, tendo por objeto o fornecimento de cesta de alimentos sem
ontrato de
glúten a portadores de doença celíaca, como medida de proteção e
ncessão de
defesa da saúde. Agravo regimental improvido." (STJ, AgRg no ÀREsp
ei. Ministro
91114/MG, Rei. Ministro HUmberto Martins, Segunda Turma, DJe
/2012, DJe
19/02/2013)

31) Legitimidade - ação civil pública para obrigar plano de saúde a


custear tratamento.
"Constitui função institucional e nobre do Ministério Público buscar
a promover a entrega da prestação jurisdicional para obrigar o plano de saúde
eajuste das a custear tratamento quimioterápico em' qualquer centro urbano, à
mpresa que menor, conveniado do recorrente. Assim, reconhece-se legitimidade
ativa do Ministério Público para propor ação civil pública em defesa
de direito indisponível, como é o direito à saúde, em benefício do hi-
possuficiente." (STJ, REsp 976.021/MG, Rei. Ministra Nancy Andrighi,
ara ajuizar Terceira Turma, DJe 03/02/2011)
itérios de
~ Aplicação em concurso:
ERITOCRA- • Promotor de Justiça - MPE-AC/2014 - CESPE
AÇÃO CIVIL "O MP é parte ilegítima para propor ACP com o fim de compelir plano de
de garantia saúde a voltar a fornecer medicamento específico a consumidor que sofra
dos pilares de esclerose múltipla."
o e concre-
Resposta: A afirmativa está errada.
alidades es-
etição, sem 32) Legitimidade - o Ministério Público tem legitimidade para ajuizar
tame trans-
ação civil pública cujo pedido seja a condenação por improbidade ad-
m generoso
à justiça. 2. ministrativa de agente público que tenha cobrado taxa por valor supe-
egitimidade rior ao custo do serviço prestado, ainda que a causa de pedir envolva
objetivo de questões tributárias.
a observân- "De acordo com o parágrafo único do art. 1º da Lei 7.347/1985, não
sibilidade e será cabível ação civil pública para veicular pretensões que envolvam
ostular a nu-

153
tributos. Essa restrição, entretanto, está relacionada ao pedido, o qual
tem aptidão para formar coisa julgada, e não à causa de pedir. Na
hipótese em foco, a análise da questão tributária é indispensável para
que se constate eventual ato de improbidade, por ofensa ao princípio
da legalidade, configurando causa de pedir em relação à pretensão
--------
.... Ob
condenatória, estando, portanto, fora do alcance da vedação prevista res
no referido dispositivo. REsp 1.387.960-SP, Rei. Min. Og Fernandes, de
julgado em 22/5/2014. lnfo 543" ca
do
33) Legitimidade- O Ministério Público tem legitimidade para propor bu
ação civil pública cujos pedidos consistam em impedir que determina- 329
dos hospitais continuem a exigir caução para atendimento médico-hos- ca
pitalar emergencial e a cobrar, ou admitir que se cobre, dos pacientes
conveniados a planos de saúde valor adicional por atendimentos reali-
zados por seu corpo médico fora do horário comercial. REsp 1.324.712-
MG, Rei. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 24/9/2013.1nfo 532
2.4. ILEGITIMIDADE DO MP- hipóteses inadmitidas pelo STF e STJ: im-
portante ficar atento às jurisprudências do STJ e STF, pois os concursos
estão transformando-as em questões de provas.

1) Ilegitimidade -Tributos
"PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. TAXA DE ILUMINAÇÃO
PÚBLICA. ILEGITIMIDADE ATIVA. MINISTÉRIO PÚBLICO. O Ministério
Público não tem legitimidade para promover ação civil pública com
o objetivo de impedir a cobrança de tributos na defesa de contri-
buintes, pois seus interesses são divisíveis, disponíveis e individua-
lizáveis, oriundos de relações jurídicas assemelhadas, mas distintas
entre si. Contribuintes não são consumidores, não havendo como se
vislumbrar sua equiparação aos portadores de direitos difusos ou co-
letivos." (STJ, AgRg no REsp 969087 /ES, Rei. Min. Castro Meira, DJe
09/02/2009)

Mesmo antes da MP 2.180-35/2001(que inseriu o parágrafo único a O STF


LACP), já era vedada a ACP para cobrança de tributos. A tese central cardo
afirma que contribuinte não é consumidor, assim não estaria o MP legi-
timado a tutelar os direitos individuais homogêneos, pois estes últimos
estão previsto no CDC. Sem razão, muito embora esta seja a orientação
majoritária nas provas.
"O fato de a ação civil pública haver sido ajuizada antes da edição
da MP 2.180-35/2001, que desautorizou o uso daquele instrumento
para discutir matéria tributária, não altera esse quadro, visto que o
posicionamento jurisprudencial acerca do tema foi estabelecido antes

154
pedido, o qual
a de pedir. Na mesmo do advento da novel norma" (AgREsp 531.985/SP, Rei. Min.
spensável para Eliana Calmon, DJU 14.06.06).
sa ao princípio
o à pretensão
-------------------------------------------------------------
.... Observação 1: o STJ entende, com base na literal disposição da lei, que a
dação prevista restrição do parágrafo único do art. 12 da LACP diz respeito unicamente a
Og Fernandes, demandas envolvendo matéria tributária movidas contra a Fazenda Públi-
ca e em prol de beneficiários "que podem ser individualmente determina-
dos". Quando o objeto da ação trata de benefícios fiscais {envolvendo tri-
para propor butos) que possam causar danos ao patrimônio público, aplica-se a Súmula
e determina- 329/STJ: "O Ministério Público tem legitimidade para propor ação civil públi-
médico-hos- ca em defesa do patrimônio público".
dos pacientes
mentos reali- "PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA VISANDO A ANULAR ATOS
ADMINISTRATIVOS CONCESSIVOS DE BENEFÍCIO FiSCAL A DETERMI-
sp 1.324.712-
NADA EMPRESA. TUTELA DO PATRIMÔNIO PÚBLICO. LEGITIMIDADE
.1nfo 532
DO MINISTÉRIO PÚBLICO. SÚMULA 329/STJ. CONTROLE INCIDENTAL
STF e STJ: im- DE CONSTITUCIONALIDADE. CABIMENTO. 1. A restrição estabelecida
os concursos no art. 12, parágrafo único da Lei 7.347/85 ("Não será cabível ação
civil pública para veicular pretensões que env~vam tributos( ... ) cujos
beneficiários podem ser individualmente determinados") diz respeito
a demandas propostas em favor desses beneficiários. A restrição não
alcança ação visando a anulação de atos administrativos concessivos
E ILUMINAÇÃO
de benefícios fiscais, alegadamente ilegítimos e prejudiciais ao patri-
O. O Ministério
mônio público, cujo ajuizamento pelo Ministério Público decorre da
vil pública com sua função institucional estabelecida pelo art. 129, 111 da Constituição
fesa de contri- e no art. 52, 111, b da LC 7S/93, de que trata a Súmula 329/STJ. 2. A
eis e individua- ação civil pública não pode ter por objeto a declaração de inconstitu-
, mas distintas cionalidade de atos normativos. Todavia, se o objeto da demanda é a
vendo como se declaração de nulidade de ato administrativo concreto, nada impede
s difusos ou co- que, como fundamento para a decisão, o juiz exerça o controle inci-
stro Meira, DJe dental de constitucionalidade. 3. Recurso especial provido."(STJ, REsp
760034/DF, Rei. Min. Teori Albino Zavascki, DJe 18/03/2009)

grafo único a O STF também entende no mesmo sentido: RE 576155/DF, rei. Min. Ri-
A tese central cardo Lewandowski, 12.8.2010.
aria o MP legi-
Informativo 595. LEGITIMIDADE DO MINISTÉRIO PÚBLICO: AÇÃO CI-
estes últimos VIL PÚBLICA E ANULAÇÃO DE TARE -Entendeu-se que a ação civil
a a orientação pública ajuizada contra o citado TARE não estaria limitada à prote-
ção de interesse individual, mas abrangeria interesses metaindivi-
duais, pois o referido acordo, ao beneficiar uma empresa privada
antes da edição
e garantir-lhe o regime especial de apuração do ICMS, poderia,
ele instrumento
em tese, implicar lesão ao patrimônio público, fato que, por si só,
dro, visto que o
legitimaria a atuação do parquet, tendo em conta, sobretudo, as
abelecido antes
condições nas quais celebrado ou executado esse acordo (CF, art.

155
LEI DA AÇÃO C
~--~-~~~~----------

129, 111). Reportou-se, em seguida, à orientação firmada pela Corte B) A le


em diversos precedentes no sentido da legitimidade do Ministério ta-s
Público para ajuizar ações civis públicas em defesa de interesses me- arre
ta individuais, do erário e do patrimônio público. Asseverou-se não C) o M
ser possível aplicar, na hipótese, o parágrafo único do art. 12 da Lei dad
7.347/85, que veda que o Ministério Público proponha ações civis dua
públicas para veicular pretensões relativas a matérias tributárias D) oM
individualizáveis, visto que a citada ação civil pública não teria sido que
ajuizada para proteger direito de determinado contribuinte, mas
E) oM
para defender o interesse mais amplo de todos os cidadãos do Dis-
por
trito Federal, no que respeita à integridade do erário e à higidez do
que
processo de arrecadação tributária, o qual apresenta natureza ma-
nifestamente metaindividual. No ponto, ressaltou-se que, ao veicu- Res
lar, em juízo, a ilegalidade do acordo que concede regime tributário do j
especial a certa empresa, bem como a omissão do Subsecretário da
• Def
Receita do DF no que tange à apuração do imposto devido, a partir
"Co
do exame da escrituração do contribuinte beneficiado, o parquet te-
emp
ria agido em defesa do patrimôn:o público. Vencidos os Ministros
apu
Menezes Direito, Cármen Lúcia, Eros Grau e Gilmar Mendes que
emp
negavam provimento ao recurso. RE 576155/DF, rei. Min. Ricardo
con
Lewandowski, 12.8.2010.
nar,
-7 Aplicação em concurso: Res

• FCC- Analista do CNMP- 2015


..,. Obse
"É firme a orientação no sentido da ilegitimidade do Ministério Público contr
para propor ação civil pública com objetivo tipicamente tributário, inclusi- prete
ve para questionar acordo firmado entre o contribuinte e o Poder Público
para pagamento de dívida tributária, tendo em vista o disposto no parágra-
----------
fo único do artigo 12 da Lei da Ação Civil Pública, e porque o contribuinte
não se confunde com o consumidor."
Resposta: A afirmativa está errada.

• Defensor Público- RO/ 2012 - CESPE


"O MP ajuizou ação civil pública, visando anular acordo firmado entre o
estado X e determinada empresa, por meio do qual o ente federativo con-
cedia à empresa o benefício de inserção em regime especial de apuração
tributária. Alegou o MP que a inserção da empresa no referido regime
acarretaria cobrança de tributo em valor menor que o devido, o que gera-
ria prejuízo ao referido estado e lesão ao patrimônio público. Com relação
à situação hipotética acima descrita, assinale a opção correta.
AI A ação civil pública não é cabível na hipótese, sendo a ação popular o ins-
trumento adequado para o caso.

156
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
..
~--~-~~~~----------~ -----------~ ·------- ·------------------------~-· ~-~·-- ---·--·- -----------~------~----- --:-------------------
fMIW

pela Corte B) A legitimidade do MP para ajuizar a referida ação civil pública fundamen-
Ministério ta-se no fato de o MP estar tutelando a defesa do erário e a higidez da
resses me- arrecadação tributária.
ou-se não C) o MP não possui legitimidade para ajuizar a referida ação civil pública,
t. 12 da Lei dada a caracterização de direito disponível, cujos beneficiários são indivi-
ações civis dualizáveis.
tributárias D) o MP não tem legitimidade para ajuizar a referida ação civil pública, visto
o teria sido que a ele não cabe propor ação coletiva cujo objeto seja matéria tributária.
uinte, mas
E) o MP só teria legitimidade para ajuizar a referida ação civil pública provocado
ãos do Dis-
por associação ou entidade de representação dos <:ontribuintes, situação em
higidez do
que o parquet figuraria no polo ativo da ação como substituto processual."
ureza ma-
, ao veicu- Resposta: Letra B. A alternativa utilizou, inclusive, as mesmas expressões
tributário do julgado do STF.
cretário da
• Defensoria/BA - 2010- CESPE
do, a partir
"Considere que determinado estado da Federação firme acordo com as
parquet te-
empresas ali localizadas, visando à instituição de um regime especial de
Ministros
apuração e cobrança do ICMS, que implique redução fiscal a determinada
endes que
empresa, bem como diminuição na arrecadação estadual. Nessa situação,
n. Ricardo
conforme entendimento do STF, o MP não tem legitimidade para impug-
nar, via ACP, esse acordo."
Resposta: A afirmativa está errada.

..,. Observação 2: o fato de conter como pedido da ACP a discriminação da


rio Público contribuição de iluminação pública nas contas de energia elétrica não revela
rio, inclusi- pretensão de índole tributária, de modo a afastar a legitimidade do MP.
der Público
no parágra-
-------------------------------------------------------------
"O Ministério Público ostenta legitimidade para a propositura de Ação
ontribuinte Civil Pública em defesa de direitos transindividuais, como sói ser a
pretensão de emissão de faturas de consumo de energia elétrica, com
dois códigos de leitura ótica, informando de forma clara e ostensiva
os valores correspondentes à contribuição de iluminação pública e à
tarifa de energia elétrica, ante a ratio essendi do art. 129, 111, da Cons-
tituição Federal, arts. 81 e 82, do Código de Defesa do Consumidor
do entre o
e art. 12, da Lei 7.347/85. 2. In casu, o pedido veiculado na ação co-
rativo con-
letiva ab origine não revela pretensão de índole tributária, ao revés,
e apuração
objetiva a condenação da empresa concessionária de energia elétrica
do regime
à emissão de faturas de consumo de energia elétrica, com dois códi-
o que gera-
gos de leitura ótica, informando de forma clara e ostensiva os valores
om relação correspondentes a contribuição de iluminação pública e à tarifa de
energia elétrica, fato que, evidentemente, afasta a vedação encarta
pular o ins- no art. 12, parágrafo único, da Lei 7.347/95 (Lei da Ação Civil Pública).
(STJ, REsp 1010130/MG, Rei. Min. Luiz Fux, DJe 24/11/2010)

157
LEI DA AÇÃ
@li DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia

4) Ile
7 Aplicação em concurso: se
• MPE-RR - Promotor de Justiça - RR/2012 - CESPE
"O MP não possui legitimidade para promover ACP na defesa de direitos
dos consumidores de energia elétrica, dada a vedação expressamente pre-
vista na lei que dispõe sobre a ACP."
Resposta: A alternativa está errada.

• TJ/PB- Juiz Substituto/2011 - CESPE


"Por força de vedação prevista em lei, o MP não possui legitimidade para
promover ação civil pública na defesa de direitos dos consumidores de
energia elétrica." 5} Ile
Resposta: A alternativa está errada.

2) Ilegitimidade- Benefícios previdenciários (direitos individuais dis-


poníveis)

Informativo n2 170 do STJ- MP. LEGITIMIDADE. AÇÃO CIVIL PÚBLICA.


REVISÃO. BENEFfCIOS PREVIDENCIÁRIOS. Prosseguindo o julgamento,
a Turma, por maioria, entendeu que o Ministério Público não tem
6} Il
legitimidade ativa para promover ação civil pública para defesa
de direitos individuais disponíveis referentes à revisão de benefí- d
cios previdenciários de que trata o art. 22, parágrafo único, da Lei
n. 8.078/1990. Precedentes citados: REsp 370.957-SC, DJ 15/4/2002
e REsp 248.281-SP, DJ 29/5/2002. REsp 419.187-PR, Rei. originário
Min. Laurita Vaz, Rei. para acórdão Min. Gilson Dipp, julgado em
15/4/2003.

..... Atenção: em recentes julgados o STJ vem reconhecendo a legitimidade do


MP para promover ACP relativos a benefícios previdenciários. Verificar o tó-
pico "Legitimidade do MP". Importante ainda destacar que o STF vem reco-
nhecendo a legitimidade do MP.

3) Ilegitimidade- Recebimento de valores a título de gratificação na-


talina por juízes federais e servidores públicos
"O Superior Tribunal de Justiça já teve a oportunidade de se mani-
festar a respeito da ilegitimidade do Ministério Público para ajuizar
ação civil pública em razão de suposta ilegalidade no recebimento
de valores a título de gratificação natalina por juízes federais e servi-
dores públicos do TRF 2l! Região.'' (STJ, AgRg no REsp 672957/RJ, Rei.
Min. Mauro Campbell Marques, DJe 01/07/2009)

158
LEI DA AÇÃO CIVIL PúBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985 Mij
eonardo Garcia

4) Ilegitimidade- Definição do sujeito passivo do PIS e da COFINS nos


serviços de telefonia

"No caso concreto, trata-se de ação civil pública objetivando definir o


a de direitos sujeito passivo da COFINS e do PIS/PASEP no serviço público de tele-
samente pre- fonia, do que se conclui que a presente ação versa sobre direitos indi-
viduais homogêneos, identificáveis e divisíveis, que devem ser postu-
lados por seus próprios titulares, carecendo o Ministério Público de
legitimidade para a propositura da presente. Precedentes: REsp nº
302.647/SP, Rei. Min. FRANCIULLI NETTO, DJ de 04/08/2003;" (AgRg
no AgRg no REsp 669.371/RS, Rei. Ministro Francisco Falcão, julgado
imidade para em 14.08.2007, DJ 11.10.2007).
sumidores de
5} Ilegitimidade- Reajuste de servidor público

"Pretende-se, na ação civil pública, que seja reconhecido aos servido-


res públicos civis do Poder Executivo o reajuste de 28,86%, decorrente
viduais dis- das Leis n. 8.622/92 e 8627/92. O reajuste pretendido é direito patri-
monial disponível, passível de sofrer renúncia pelo titular, razão pela
qual está demonstrada a ilegitimidade do Ministério Público para a
IVIL PÚBLICA. tutela do direito vindicado." (STJ, AgRg no REsp 1012968/SP, Rei. Min.
o julgamento, Jorge Mussi, DJe 06/04/2009)
lico não tem
6} Ilegitimidade do Ministério Público Estadual para a tutela coletiva
para defesa
o de benefí- de bem da União
único, da Lei "O Ministério Público Estadual não possui legitimidade para a pro-
DJ 15/4/2002 positura de ação civil pública objetivando a tutela de bem da União,
Rei. originário porquanto atribuição inserida no âmbito de atribuição do Ministério
, julgado em Público Federal, submetida ao crivo da Justiça Federal, coadjuvada
pela impossibilidade de atuação do Parquet Estadual quer como
parte, litisconsordando-se com o Parquet Federal, quer como cus-
tos /egis. Precedentes desta Corte: REsp 440.002/SE, DJ 06.12.2004
gitimidade do
e REsp 287.389/RJ, DJ 14.10.2002. 3. É que "( .. )Na ação civil pública,
Verificar o tó-
a legitimação ativa é em regime de substituição processual. Versando
STF vem reco-
sobre direitos transindividuais, com titulares indeterminados, não é
possível, em regra, verificar a identidade dos substituídos. Há casos,
todavia, em que a tutela de direitos difusos não pode ser promo-
ificação na- vida sem que, ao mesmo tempo, se promova a tutela de direitos
subjetivos de pessoas determinadas e perfeitamente identificáveis.
É o que ocorre nas ações civis públicas em defesa do patrimônio pú-
de se mani- blico ou da probidade administrativa, cuja sentença condenatória
o para ajuizar reverte em favor das pessoas titulares do patrimônio lesado. Tais
recebimento pessoas certamente compõem o rol dos substituídos processuais.
derais e servi- Havendo, entre elas, ente federal, fica definida a legitimidade ativa
2957/RJ, Rei. do Ministério Pl;bLco Federal. Mas outras hipóteses de atribuição do

159
LEI DA AÇÃO
----------~--

Ministério Púolico Federal para o ajuizamento de ações civis públicas


são configuradas quando, por força do princípio federativo, ficar evi-
denciado o envolvimento de interesses nitidamente federais, assim
considerados em razão dos bens e valores a que se visa tutelar (... )"
RESP 440.002/SE, DJ de 06.12.2004. 3. In casu, a ação civil pública ob- 7 Ap
jetiva a tutela de bens e interesses eminentemente federais, como só i • MP
ser, a proteção de bem da União cedido ao Estado do Rio de Janeiro,
"O
cognomin;;do Parque Lage." (STJ, REsp 876936/RJ, Rei. Min. Luiz Fux, con
DJe 13/11/2008).51 res
7) Ilegitimidade- quando não for verificado o interesse coletivo não
Res
"AÇÃO CIV L PÚBLICA. PRETENSÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO. DECLA-
atu
RAÇÃO DE NULIDADE DE CLÁUSULA CONTRATUAL DE ADESÃO PARA
AQUISIÇÃO DE IMÓVEL TIDA COMO ILEGAL. INTERESSES OU DIREITOS 8) Ileg
COLETIVOS. AUS~NCIA DE CARACTERIZAÇÃO. 1. A falta de configu- tem
ração de real interesse coletivo afasta a legitimidade do Ministério
Público para promover ação civil pública objetivando declarar nuli- Anterio
dade de cláusula contratual de adesão para aquisição de imóvel tida gitimida
como ilegal. Não sendo divisado direito coletivo na espécie, carece de era, inc
legitimidade c Ministério Público para propor ação civil pública, uma
vez que sua atuação não pode ser confundida com a da Defensoria
Pública, mesmo porque, para tal desiderato, existem vários outros ór-
gãos que c Estado oferece ou deveria oferecer." (STJ, REsp 2947S9/
RJ, Rei. para acórdão Min. Carlos Fernando Mathias, DJe 09/12/2008)
"CIVIL E PROCESSUAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA INDENIZATÓRIA. ILEGITI-
MIDADE ATIVA COMPROMISSOS DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEIS.
ATRASO NA EI'JTREGA DE APARTAMENTOS EM CONSTRUÇÃO. INICIAL
INDEFERIDA. PROCESSO EXTINTO. I. A falta de configuração de real
interesse coletivo afasta a legitimidade do Ministério Público para
promover ação civil pública objetivando o recebimento de indeni-
zação pelo atraso na entrega da obra de imóveis compromissados
à venda, monnente quando se identifica verdadeira hipótese de
invasão da seara da advocacia particular e, inobstante o limitado
grupo de poss'veis interessados, de fácil identificação, a instrução da
inicial traz à colação apenas dois contratos, sem esforço prévio rele-
vante para a co1gregação do todo ou de um número mais expressivo,

Tal ente
51. Em sentido contrário, m doutrina, defendendo a legitimação tanto do Ministério Público
Federal quanto do Ministério Publico Estadual, em litisconsórcio. cf. DIDIER JR; ZANETI JR. cancela
Curso- Vol. 4. 7~ ed. Salvador: Jus Podium, 2012, Cap.IX, item 10.1. Bem como, DIDIERJr.,
Fredie. "Ministério Públ co Federal e competência da Justiça Federal". Revisto de Processo.
São Paulo: RT, n. 196, 2011, p. 463-468.

160
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
----------~--~-------~----------~---------------------~-------------------- *M*W
vis públicas
ensejando interpretação de que, na espécie, a lide foi proposta para
o, ficar evi- atender apenas alguns descontentes." (STJ, REsp 236161/DF, Rei. Min.
rais, assim
Aldir Passarinho Júnior, DJ 02/05/2006)
utelar (... )"
pública ob- 7 Aplicação em concurso:
s, como só i • MP/SE- CESPE- 2010
de Janeiro,
"O MP está legitimado a agir, por meio de ação civil pública, em defesa de
n. Luiz Fux, condôminos de edifício de apartamentos contra o síndico, objetivando o
ressarcimento de parcelas de financiamento pagas para reformas afinal
etivo não efetivadas."
Resposta: A afirmativa está errada. Não há interesse coletivo a justificar a
CO. DECLA-
atuação do MP.
ESÃO PARA
U DIREITOS 8) Ilegitimidade- DPVAT (atualmente o STF e STJ entendem que o MP
e configu- tem legitimidade para defender beneficiários do DPVAT)
Ministério
clarar nuli- Anteriomente, o STJ, principalmente, entendia que o MP não possuía le-
móvel tida gitimidade para defender os beneficiários do DPVAT. Este entendimento
, carece de era, inclusive, sumulado (súmula 470 do STJ). Nesse sentido:
blica, uma
Defensoria Informativo 359 do STJ: AÇÃO CIVIL PÚBLICA. ILEGITIMIDADE. MP. DP-
outros ór- VAT. Trata-se de recurso especial remetjdo à Seção sobre ilegitimidade
sp 2947S9/ do Ministério Público para ajuizar ação civil pública em desfavor de
9/12/2008) seguradora, ao fundamento de que as indenizações de DPVAT foram
pagas em valores inferiores aos previstos em lei, fato que causa danos
IA. ILEGITI- materiais e morais aos consumidores. Para o Min. Relator, na hipó-
E IMÓVEIS. tese dos autos, os direitos defendidos são autônomos e disponíveis,
ÃO. INICIAL sem qualquer caráter de indisponibilidade. O fato de a contratação
ão de real desse seguro (DPVAT) ser obrigatória e atingir parte da população
úblico para não lhe confere relevância social a ponto de ser defendida pelo Mi-
de indeni- nistério Público. Além disso, tal seguro é obrigatório, sua contratação
omissados vincula a empresa de seguro e o contratado, relação eminentemente
pótese de particular, tanto que, na ocorrência do sinistro, o beneficiário pode
o limitado deixar de requerer a cobertura ou dela dispor. Ademais, os preceden-
strução da tes deste Superior Tribunal são nesse mesmo sentido. Com esse en-
révio rele- tendimento, a Seção, prosseguindo o julgamento, deu provimento ao
expressivo, recurso. REsp 858.056-GO, Rei. Min. João Otávio de Noronha, julgado
em 11/6/2008.

Tal entendimento foi transformado na SÚMULA 470 do STJ (atualmente


ério Público
R; ZANETI JR.
cancelada):
o, DIDIERJr., "O Ministério Público não tem legitimidade para pleitear, em ação
de Processo.
civil pública, a indenização decorrente do DPVAT em benefício do
segurado."

161
I!Hfj DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia LEI DA

.... Atenção: O STF, no final de 2014, entendeu que o MP tem legitimidade ativa
para defender beneficiários do DPVAT, ao contrário do entendimento do STJ,
sumulado no enunciado nB 470. Posteriormente o STJ cancelou a Súmula 470.

"Considerada a natureza e a finalidade do seguro obrigatório DPVAT


- Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Ter-
restre (Lei 6.194/74, alterada pela Lei 8.441/92, Lei 11.482/07 e Lei
11.945/09) -,há interesse social qualificado na tutela coletiva dos di-
reitos individuais homogêneos dos seus titulares, a/egadamente lesa-
dos de forma semelhante pela Seguradora no pagamento das corres-
pondentes indenizações. A hipótese guarda semelhança com outros
direitos individuais homogêneos em relação aos quais - e não obs-
tante sua natureza de direitos divisíveis, disponíveis e com titular de-
terminado ou determinável-, o Supremo Tribunal Federal considerou
11
que sua tutela se revestia de interesse social qualificado, autorizando,
por isso mesmo, a iniciativa do Ministério Público de, com base no art.
127 da Constituição, defendê-los em juízo mediante ação coletiva."
(RE 163.231/SP, AI 637.853 AgR/SP, AI 606.235 AgR/DF, RE 475.010
AgR/RS, RE 328.910 AgR/SP e RE 514.023 AgR/RJ). (STF, RE 631111,
Rei. Min. Teori Zavascki, Tribunal Pleno, DJ. 30-10-2014)

.... Atenção: a Súmula 470 do STJ foi cancelada em virtude do julgamento do


Resp 858.056, DJ 05/06/2015. Agora, STJ e STF entendem que o Ministério
Público possui legitimidade para defender beneficiários do DPVAT.

9) Ilegitimidade - Contra ex-dirigente de clube de futebol por danos


causados à agremiação futebolística.
Informativo 408. MP. LEGITIMIDADE. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. O Ministério
Público não tem legitimidade para interpor ação civil pública contra
ex-dirigente de clube de futebol em razão da alegada prática de atos
que teriam causado prejuízos de ordem moral e patrimonial à agre-
miação futebolística. Na espécie, não está evidenciada desordem na 12
entidade privada que lese de forma direta o interesse público, logo não
há que falar em legitimidade do Parquet para propor ação civil pública.
Precedentes citados: REsp 242.643-SC, DJ 18/12/2000; REsp 933.002-
RJ, DJe 29/6/2009, e AgRg no REsp 336.599-SC, DJe 22/5/2009. REsp
1.041.765-MG, Rei. Min. Eliana Calmon, julgado 22/9/2009.

10) Ilegitimidade - Garantir o direito das crianças sob guarda judicial


de serem inscritas, no regime geral da previdência social, como be-
neficiárias na condição de dependentes do segurado guardião.
Informativo 366. MP. ILEGITIMIDADE. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. A Turma
reiterou seu entendimento ao afirmar que o Ministério Público não

162
Leonardo Garcia LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEl No 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985

timidade ativa tem legitimidade ativa ad causam para ajuizar ação civil pública con-
imento do STJ, tra o INSS com o objetivo de garantir o direito das crianças sob guar-
a Súmula 470. da judicial de serem inscritas, no regime geral da previdência social,
como beneficiárias na condição de dependentes do segurado guar-
gatório DPVAT dião, pois se trata de direitos individuais disponíveis. A Min. Relatora
es de Via Ter- ressalvou seu entendimento, pois afirma que, diante da existência de
1.482/07 e Lei relevante interesse social, o MP tem legitimidade para propor ação
coletiva dos di- civil pública que verse sobre interesses individJais homogêneos. As-
damente lesa- sim, a Turma, ao prosseguir o julgamento, deu provimento ao recurso,
nto das corres- extinguindo o processo sem julgamento do mérito. Precedentes cita-
ça com outros dos: REsp 703.471-RN, DJ 21/11/2005, e AgRg no REsp 441.815-SC, DJ
s - e não obs- 9/4/2007. REsp 396.081-RS, Rei. Min. Maria Thereza de Assis Moura,
com titular de- julgado em 2/9/2008.
eral considerou
11) Ilegitimidade - Ressarcimento ao erário de gratificações natalinas
o, autorizando,
m base no art. concedidas indevidamente
ação coletiva." Informativo 241. LEGITIMIDADE. MP. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. VENCI-
F, RE 475.010 MENTOS. SERVIDORES PÚBLICOS. Em retificação à notícia divulgada
TF, RE 631111, no Informativo n. 240, leia-se: é certo que a jurisprudência deste Su-
) perior Tribunal firmou-se no sentido de que o Ministério Público tem
legitimidade para propor a ação civil pública na hipótese de dano ao
ulgamento do erário (art. 129, 111, da CF/1988, e arts. 12 e 52 da Lei n. 7.347/1985).
ue o Ministério Contudo se trata de ressarcimento aos cofres públicos federais deva-
PVAT. lores pagos a titulo de adiantamento de parce:a da gratificação natali-
na a alguns juízes e servidores vinculados ao TRF da 2ª Região. Assim,
ol por danos vê-se que não se cuida de resguardar interes~e difuso, tampouco co-
letivo, mas, sim, interesse individual da Fazenda Pública de reaver
tais valores; ente representado pela Advocacia Pública e não pelo Mi-
A. O Ministério nistério Público estadual, autor da ação. Logo, é forçoso concluir que
pública contra há ilegitimidade ativa do MP na hipótese. REsp 673.135-RJ, Rei. Min.
prática de atos Franciulli Netto, julgado em 22/3/2005.
monial à agre-
a desordem na 12) Ilegitimidade- defesa de um pequeno grupo de pessoas- associa-
úblico, logo não dos de um clube.
ão civil pública.
O Ministério Público não tem legitimidade ativa para propor ação ci-
REsp 933.002-
vil pública na qual busca a suposta defesa de um pequeno grupo de
2/5/2009. REsp
pessoas -no caso, dos associados de um clube, numa óptica predo-
009.
minantemente individual. A proteção a um grupo isolado de pessoas,
uarda judicial ainda que consumidores, não se confunde con a defesa coletiva de
ial, como be- seus interesses. Esta, ao contrário da primeira, é sempre impessoal e
guardião. tem como objetivo beneficiar a sociedade em sentido amplo. Desse
modo, não se aplica à hipótese o disposto nos artigos 81 e 82, I, do
BLICA. A Turma CDC. No caso, descabe cogitar, até mesmo, de interesses i1d:viduais
io Público não homogêneos, isso porque a pleiteada proclaTação da nulidade be-

163
:_E_I_D_A!:_~_A_o
DII DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS -Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia

neficiaria esse pequeno grupo de associados de maneira igual. Além "N


disso, para a proteção dos interesses individuais homogêneos, seria de
imprescindível a relevância social, o que não está configurada na es- çõ
pécie. Recurso especial provido. (STJ, REsp 1109335/SE, Rei. Ministro de
Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, D.Je 01/08/2011). po
Re
3. DEFENSORIA PÚBLICA:
• MP
3.1. Previsão da legitimidade na LACP: Art. 52, 11
"A
~ Aplicação em concurso: do

• UFPR- Defensor Público- PR/2014 Re


- "O ajuizamento de ação civil pública pela Defensoria Pública depende de de- • De
núncia ou provocação de indivíduo ou de pa:-te da coletividade representada."
"A
Resposta: A afirmativa está errada. fes
es
• UFPR- Defensor Público- PR/2014 siç
- "É requisito para a propositura da ação coletiva pela Defensoria Pública a lad
instauração e a conclusão de procedimento administrativo."
Re
Resposta: A afirmativa está errada.
• D
• Defensor Público -SE/ 2012 - CESPE "C
"Segundo a lei, a legitimidade da DP para o ajuizamento de ACP só se justi- te
fica na qualidade de representante judicial de associação economicamen- di
te hipossuficiente legitimada para a propositura da ação." R
Resposta: A afirmativa está errada. le
co
• Defensor Público - ES/ 2012 - CESPE "e
CO
"Considere que vários taxistas tenham firmado, com vistas à aquisição de
Ja
veículos automotores, contratos de arrendamento mercantil com cláusula
na
de indexação monetária atrelada à variação cambial. Nessa situação, ha-
em
vendo violação dos direitos consumeristas, a DPE terá legitimidade ativa
ex
para propor ACP para a defesa dos interesses desses consumidores."
Resposta: A afirmativa está correta. • M
"A
• Defensor Público - SP/ 2012- FCC gi
"A legitimidade da Defensoria Pública para a tutela coletiva de direitos di- co
fusos - como, por exemplo, a ordem urbanística, o direito aos serviços R
públicos essenciais de saúde e educação e o direito ao ambiente -está em
perfeita sintonia com o art. SQ, 11, e o rol exemplificativo de direitos coleti- • D
vos em sentido amplo trazido pelo art. 1Q, ambos da Lei no 7.34 7/85." "D
Resposta: A afirmativa está correta. b

164
do Garcia :_E_I_D_A!:_~_A_o_c_IV_IL_P_u_·B_L_IC_A_-_L~~_2:~7_,_D_E_2_':_~E J_~_L_H_O_D~~~~-5______.Jfili..
n111ilil
••

al. Além "No caso da tutela coletiva dos direitos fundamentais sociais, o ajuizamento
os, seria de Ação Civil Pública pela Defensoria Pública implica sobreposição de atribui-
a na es- ções com o Ministério Público, tomando por base ainda que os beneficiários
Ministro de tais medidas não se enquadram no público alvo da Defensoria Pública e,
por tal razão, não haveria como identificar a pertinência temática no caso."
Resposta: A afirmativa está errada.

• MPE-RR -Promotor de Justiça- RR/2012 - CESPE


"A defensoria pública não detém legitimidade para ajuizar ACP em defesa
dos direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos dos consumidores."
Resposta: A afirmativa está errada.
de de de- • Defensor Público - RO/ 2012 - CESPE
sentada."
"A DP não tem legitimidade ativa para propor ação civil pública para a de-
fesa, por exemplo, dos interesses da coletividade de consumidores caso
estes tenham assumido contratos de arrendamento mercantil para a aqui-
sição de veículos automotores, com cláusula de indexação monetária atre-
Pública a lada à variação cambial, dada a natureza individual desse direito."
Resposta: A afirmativa está errada.

• Defensoria/BA - 2010- CESPE


"Conforme previsão expressa do CDC, entre outros legitimados concorren-
se justi- temente, a DP é parte legitimada para propor 'ACP na defesa coletiva dos
micamen- direitos dos consumidores."
Resposta: A afirmativa está errada. O CDC não previu expressamente a
legitimidade da Defensoria. A previsão está somente na LACP. Note-se,
contudo, que existem precedentes do STJ reconhecendo a legitimidade de
"ente despersonalizado'~ órgão especial de defesa da consumidor- NUDE-
CON - Núcleo de Defesa do Consumidor, da Defensoria Pública do Rio de
sição de
Janeiro, haja vista que o coe reconhece a legitimidade de "entes desperso-
cláusula
nalizados" para o ajuizamento da ação coletiva (REsp 555111/RJ, julgado
ação, ha-
em 2006). Portanto, se a pergunta frisar tratar-se de "órgão especializado"
ade ativa
existe legitimação expressa no art. 82, 1/1 do CDC.
es."
• MP/RO- 2010- CESPE
"A defensoria pública, assim como o MP e outros legitimados, é parte le-
gitimada para propor ação civil pública na defesa coletiva dos direitos dos
reitos di- consumidores, conforme previsão expressa do CDC."
serviços Resposta: A afirmativa está errada. Questão quase idêntica a de cima.
está em
os coleti- • DPE/MA/Defensor/2009- FCC.
/85." "Dentro da tutela dos direitos transindividuais, compete à Defensoria Pú-
blica propor a ação principal e a ação cautelar de responsabilidade por

165
LEI DA A

danos morais e patrimoniais causados ao consumidor, ao meio ambiente e


à ordem urbanística."
Resposta: A afirmativa estó correta.

"Dentro da tutela dos direitos transindividuais, compete à Defensoria Públi-


ca propor a ação principal e a ação cautelar para a tutela de direitos indivi-
duais dos necessitados, mas não para a tutela dos direitos transindividuais:'
Resposta: A afirmativa estó errada. Com
pro
A Lei 11.448/07 incluiu no rol de legitimados da ACP a defensoria públi-
jurí
ca. A defensoria pública será legitimada sempre que houver interesses
de necessitados. A defensoria será legitimada para a tutela dos direitos Qu
difusos, coletivos em sentido estrito e individuais homogêneos. A exis- tiva
tência de pessoas não necessitadas no grupo não elide a legitimação da
defensoria (ex: ACP para proteger consumidores de energia elétrica terá
pessoas necessitadas e não necessitadas}, mas a ausência de interesses
de necessitados é causa de ausência de legitimação.

Sobre esta mudança efetuada pela Lei 11448/2007, foi proposta ação
direta de inconstituCionalidade pela Associação Nacional dos Membros
do Ministério Público - .Conamp, questionando a validade constitucio-
nal do art. 5°, 11 da Lei 7.347/85. O STF, no julgamento da referida ação
(ADI 3943); julgou improcedente a ação direta de inconstitucionalidade,
reconhecendo a legitimidade da Defensoria Pública para propor ações
civis públicas quando existir interesses de necessitados, não sendo atri-
buição exclusiva do Ministério Público. 52

A emenda constitucional 80 de 2014 também alterou o teor do art. 134


da CF, inserindo expressamente a possibilidade da Defensoria Pública
promover a defesa coletiva dos necessitados.

52. A ementa ficou assim: "AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEGITIMIDADE ATIVA


DA DEFENSORIA PÚBLICA PARA AJUIZAR AÇÃO CIVIL PÚBLICA (ART. 52, INC. 11, DA LEI N.
7.347/1985, ALTERADO PELO ART. 22 DA LEI N. 11.448/2007). TUTELA DE INTERESSES
TRANSINDIVIDUAl$ (COLETIVOS STRITO SENSU EDIFUSOS) EINDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS.
DEFENSORIA PÚBLICA: INSTITUIÇÃO ESSENCIAL À FUNÇÃO JURISDICIONAL ACESSO À JUS-
TIÇA. NECESSITADO: DEFINIÇÃO SEGUNDO PRINC[PIOS HERMENÊUTICOS GARANTIDORES
DA FORÇA NORMATIVA DA CONSTITUIÇÃO E DA MÁXIMA EFETIVIDADE DAS NORMAS
CONSTITUCIONAIS: ART. 52, INCS. XXXV, LXXIV, LXXVIII, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA.
INEXISTÊNCIA DE NORMA DE EXCLUSIVIDADE DO MINISTÉRIO PÚBLICO PARA AJUIZAMENTO
DE AÇÃO CIVIL PÚBLICA. AUSÊNCIA DE PREJU[ZO INSTITUCIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO
PELO RECONHECIMENTO DA LEGITIMIDADE DA DEFENSORIA PÚBLICA. AÇÃO JULGADA
IMPROCEDENTE."( STF, ADI 3943, Relator(a): Min. Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, julgado
em 07/05/2015, PUBLIC 06-08-2015)

166
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEIIIJ 0 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
lmiJ
ambiente e Art. 134 da CF. A Defensoria Pública é instituição permanente, essen-
cial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe, como expressão
e instrumento do regime democrático, fundamentalmente, a orienta-
ção jurídica, a promoção dos direitos humanos e a defesa, em todos
nsoria Públi- os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e coletivos, de
eitos indivi- forma integral e gratuita, aos necessitados, na forma do inciso LXXIV
ndividuais:' do art. 52 desta Constituição Federal.

Com isso, o STJ tem exigido como requisito para a Defensoria Pública
propor a ação coletiva que os beneficiados se enquadrem na condição
oria públi-
jurídica de "necessitados".
interesses
os direitos Quanto ao limitador imposto à Defensoria para atuação nas ACP, elucida-
os. A exis- tivas são as palavras do Min. Teori Albino Zavascki no Resp 912.849-RS:
imação da
"As normas infraconstitucionais de legitimação ativa da Defensoria
étrica terá
Pública devem ser interpretadas levando em consideração as funções
interesses
institucionais estabelecidas na Constituição. Nos termos do art. 134
da CF, "A Defensoria Pública é instituição essencial à função jurisdi-
posta ação cional do Estado, incumbindo-lhe a orientação jurídica e a defesa, em
Membros todos os graus, dos necessitados, na forma do ar{ 52, LXXIV". Esse
onstitucio- dispositivo a que se reporta a norma estabelece, por sua vez, que "O
Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que com-
erida ação
provarem insuficiência de recursos". Considerado o princípio da má-
onalidade,
xima efetividade da Constituição e, especialmente, dos instrumentos
opor ações
de tutela dos direitos por ela criados, não há dúvida de que os dis-
sendo atri- positivos transcr:tos conferem à Defensoria Pública legitimação ativa
ampla no plano jurisdicional, tanto sob o aspecto material, quanto no
do art. 134 instrumental. Não há razão para, no pano material, excluir as relações
de consumo ou de, no âmbito processual, limitar seu acesso ao mero
ria Pública
plano das ações individuais. Portanto, é legítima, do ponto de vista
constitucional, a disposição do art. 42, XI, da Lei Complementar 80,
de 1994, segundo a qual "São funções institucionais da Defensoria
Pública, dentre outras( ... ) patrocinar cs direitos e interesses do con-
MIDADE ATIVA sumidor lesado". E nada impede que, para o adequado exercício dessa
. 11, DA LEI N. e das suas outras funções institucionais, a Defensoria Pública lance
E INTERESSES mão, se necessário, dos virtuosos instrumentos de tutela coletiva.
OMOGÊNEOS.
Se é certo que a Defensoria Pública está investida desses poderes,
CESSO À JUS-
RANTIDORES também é certo que a Constituição estabelece, sob o aspecto sub-
DAS NORMAS jetivo, um limitador que não pode ser desconsiderado: à Defenso-
A REPÚBLICA. ria cumpre a df!fesa "dos necessitados" (CF, art. 134), ou seja, dos
JUIZAMENTO "que comprovarem insuficiência de recursos" (art. 52, LXXIV). Essa
ÉRIO PÚBLICO limitação, que restringe a legitimidade ativa a ações visando à tu-
ÃO JULGADA
Pleno, julgado tela de pessoas comprovadamente necessitadas, deve ser tida por
implícita no ordenamento infraconstitucional, como, v.g., no art. 42

167
LEI DA AÇ
---~----------

da LC SQ/94 e no art. 52, 11 da Lei 7.347/85. Sustentamos esse entendi- Cons


mento também em sede doutrinária (Processo Coletivo, 2ª ed., SP:RT, ("Da
p.77). E foi justamente assim que entendeu o STF quando apreciou a mília,
constitucionalidade do art. 176, § 22, V, e e f, da Constituição Estadual
asseg
do Rio de Janeiro, que trata de legitimação dessa natureza (Adin-MC
bem-
558-8, Pleno, Min. Sepúlveda Pertence, DJ de 26.03.93)."
Conc
O STJ havia entendido que a Defensoria Pública não tem legitimidade
de d
para defender consumidores de plano particular de saúde, uma vez que
basta
estes não se enquadram na condição de necessitados.
favo
PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. EMBARGOS INFRINGEN- sufic
TES. LEGITIMIDADE DA DEFENSORIA PÚBLICA PARA A PROPOSITURA outro
DE AÇÃO CIVIL PÚBLICA. LIMITADOR CONSTITUCIONAL. DEFESA DOS
NECESSITADOS. PLANO DE SAÚDE. REAJUSTE. GRUPO DE CONSUMI- Com
DORES QUE NÃO É APTO A CONFERIR LEGITIMIDADE ÀQUELA INSTI- Defe
TUIÇÃO. No caso, a Defensoria Pública propôs ação civil pública re- colet
querendo a declaração de abusividade dos aumentos de determinado to "n
plano de saúde em razão da idade. Ocorre que, ao optar por contratar "nec
plano particular de saúde, parece intuitivo que não se está diante de
enqu
consumidor que possa ser considerado necessitado a ponto de ser pa-
trocinado, de forma coletiva, pela Defensoria Pública. Ao revés, trata- Con
-se de grupo que ao demonstrar capacidade para arcar com assistên- prov
cia de saúde privada evidencia ter condições de suportar as despesas a fas
inerentes aos serviços jurídicos de que necessita, sem prejuízo de sua tenç
subsistência, não havendo falar em necessitado." (STJ, REsp 1192S77I
na d
RS, Rei. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe 15/08/2014)
que
Porém, acertadamente, em embargos de divergência julgado pela Corte Es- o ar
pecial53, o STJ reformou este entendimento, possibilitando a Defensoria Pú- prom
blica tutelar não somente os necessitados econômicos (pobres ou miserá-
-7
veis), mas também os necessitados jurídicos, hipervulneráveis (v.g. criança
e adolescente, idosos, pessoa portadora de necessidades especiais, mulher •
vítima de violência doméstica e familiar, entre outros), que necessitam de
proteção contra os abusos praticados rotineiramente pelos detentores do
poder econômico ou político. No presente caso, foi possível a Defensoria
Pública tutelar os idosos sobre os aumentos abusivos praticados pelos pla-
nos de saúde em razão da idade do consumidor. E não poderia ser de forma
diferente, uma vez que conforme muito bem lembrado pela Min. Laurita
Vaz, a condição de vulnerabilidade dos idosos é reconhecida pela própria

53. STJ, EREsp 1192577/RS, Rei. Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe 13/11/2015. 54. Voto

168
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985 fMij
---~------------------------------------------------~---~--------------------------~-----------------------

entendi- Constituição Federal ao dispor no art. 230, sob o Capítulo VIl do Título VIII
d., SP:RT, ("Da Família, da Criança, do Adolescente, do Jovem e do Idoso") que "a fa-
preciou a mília, a sociedade e o Estado tem o dever de amparar as pessoas idosas,
Estadual
assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e
Adin-MC
bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida."
Concluiu o STJ desta forma que "o juízo realizado a priori da coletivida-
midade
de de pessoas necessitadas deve ser feito de forma abstrata, em tese,
vez que
bastando que possa haver, para a extensão subjetiva da legitimidade, o
favorecimento de grupo de indivíduos pertencentes à classe dos hipos-
RINGEN- suficientes, mesmo que, de forma indireta e eventual, venha a alcançar
OSITURA outros economicamente mais bem favorecidos." 54
ESA DOS
ONSUMI- Com isso, o STJ, através de sua Corte Especial, possibilitou a atuação da
LA INSTI- Defensoria Pública nas ações coletivas em relação aos direitos difusos,
ública re- coletivos stricto sensu e individuais homogêneos, ampliando o requisi-
rminado to "necessitados" para além dos carentes de recursos financeiros. São
contratar "necessitados", assim, aqueles que precisam de proteção jurídica por se
diante de
enquadrarem na condição de vulnerabilidade agravada.
e ser pa-
és, trata- Conforme bem assinalou o Min. Luis Felip~ Salomão, a aferição da com-
assistên- provação individualizada de recursos econômicos ficará postergada para
despesas a fase de liquidação ou execução da ação cdletiva. Assim, após a sen-
zo de sua tença de procedência, a Defensoria Pública somente poderá prosseguir
1192S77I
na demanda, seja liquidando ou executando, a favor dos beneficiados
08/2014)
que forem economicamente necessitados. Isso porque, de acordo com
Corte Es- o art. 97 do coe, qualquer beneficiado pela sentença coletiva poderá
soria Pú- promover de forma individualizada a liquidação e execução do julgado.
miserá-
-7 Aplicação em concurso:
. criança
, mulher • FCC- Defensor Público- PB/2014
sitam de '1!\o se deparar com a notícia de que os 1.000 vefculos de um específi-
tores do co modelo produzidos por uma famosa marca italiana, vendidos por
efensoria US$1.000.000,00 cada, apresentavam um pequeno defeito no motor que
comprometia seu rendimento em alta velocidade, um indivíduo encami-
elos pla-
nhou pedido à Defensoria Pública da Paraíba para que fossem tomadas
de forma
providências para que se verificasse quantos desses veículos foram impor-
. Laurita
tados para o Brasil e, em caso positivo, que fosse intentada alguma medida
própria para garantir o recai/. Nessa situação, a melhor medida a ser adotada é

15. 54. Voto-vista proferido pelo Min Luís Felipe Salomão no ERESP 1192577/RS.

169
A) a instauração de inquérito civil para averiguar os fatos, pelo Defensor Pú-
blico natural.
B) o ajuizamento de ação civil pública na defesa do direito coletivo stricto
sensu da coletividade dos consumidores que adquiriram o veículo.
C) o arquivamento do pedido com encaminhamento das informações para os -
órgãos de proteção ao consumidor, para que possam adotar as providên-
cias cabíveis dentro de suas atribuições.
D) o encaminhamento do pedido à Defensoria Pública da União, já que se
trata de competência da Justiça Federal por envolver empresa sediada no •
exterior.
E) o ajuizamento de ação cautelar preparatória da principal, requerendo in-
formações sobre a efetiva importação de algum desses veículos para oBra-
sil, antes de qualquer outra providência."
Resposta: Letra C. Por se tratar de um problema que não envolva consumi-
dores necessitados (carros de um milhão de dólares), a Defensoria não tem
legitimidade, de acordo com a orientação do STJ.

• Defensor Público -,AM/2013- FCC


"A Defensoria Pública passou a ter legitimidade ativa para a propositura de
ação civil pública com ó advento da Constituição Federal de 1988."
Resposta: A afirmativa está errada. A legitimação da defensOria deixou de
ser polêmica apenas com a reforma da Lei 7.347/85.

• Defensor Público- SP/ 2012- FCC


"A legitimidade da Defensoria Pública em matéria de direitos difusos não
pode ser admitida, mas tão somente em relação aos direitos individuais
homogêneos, uma vez que não se faz possível a identificação dos benefi-
ciários de uma Ação Civil Pública que tenha tal propósito."
Resposta: A afirmativa está errada.

• TJ/BA -Juiz de Direito Substituto-BA/2012- CESPE


Determinado defensor público, lotado em comarca do interior, atendeu
diversos cidadãos hipossuficientes que se queixavam do fato de que de-
terminada loja local de venda de eletrodomésticos se negava a prestar
assistência pós-venda aos consumidores, sob a alegação de que somente
os fabricantes dos produtos são responsáveis pelo conserto ou troca dos
aparelhos. Após consultar, via oficio, a loja, o defensor público confirmou
a veracidade dos fatos, tendo constatado que ela atuava dessa forma com
todos os seus clientes. Considerando a situação hipotética acima, assinale
a opção correta com base nas normas referentes à defesa do consumidor
em juízo.

170
efensor Pú- "Como se trata de interesse difuso, que, por isso, abrange direitos de hi-
possuficientes e de pessoas abastadas, não cabe à defensoria pública atuar
no caso."
tivo stricto
ulo. Resposta: A afirmativa está errada.

ões para os - "O defensor público só poderá agir, por meio do ajuizamento de ação indivi-
providên- dual, em nome dos consumidores que se queixararr à defensori3 pública.
Resposta: A afirmativa está errada.
já que se
sediada no • Defensoria Púb/ica/1\//A- 2011 - CESPE
"Cabe à DP promover ações capazes de propiciar a adequada tutela dos di-
erendo in- reitos difusos, coletivos ou individuais homogêneos, independentemente
para oBra- de o resultado da demanda beneficiar grupo de pessoas hipossufidentes."
Resposta: A afirmativa está errada, para a legitimação da DP é imperativa
a consumi- a existência de hipossuficientes no grupo, econômicos ou jurid!cos, nos ter-
ia não tem mos da Constituição e da lei.

• TJ/ES- Juiz Substituto/ 2011- CESPE


"Defensor público de determinada comarca do interior do estado do Espí-
positura de rito Santo atendeu dez pessoas que se queixavam de que uma loja local de
88." venda de celulares se negava a prestar assistência pós-venda aos consumi-
dores sob a alegação de que somente os fabricantes dos ceh.Jares seriam
deixou de
responsáveis por conserto ou troca dos aparelhos. O defensor público,
então, consultou, via ofício, a referida loja, tendo constatado, com isso, a
veracidade dos fatos mencionados pelos consumidores. Além disso, cons-
tatou que a loja atuava dessa forma com todos os clientes. O:nsiderando
ifusos não a situação hipotética acima, assinale a opção correta relativa às normas de
individuais defesa do consumidor, em juízo.
dos benefi-
A) O defensor público poderá, a seu critério, ajuizar ações individúais ou ação
coletiva.
B) O defensor público deve, antes de ajuizar qualquer demanda, instaurar
inquérito civil público, a fim de investigar os fatos narrados pelos consumi-
r, atendeu dores por ele atendidos.
de que de- C) Nesse caso, a atuação do defensor público deve restringir-se a ajuizar ação
a prestar individual para cada consumidor.
e somente D) O defensor público deve remeter ao MP local cópia das ações individuais
troca dos que ajuizar, para que o promotor de justiça ajuíze a ação coleti'Ja perti-
confirmou nente.
orma com E) Como se trata de interesse difuso, não cabe à defensoria :·ública atuar
a, assinale
nesse caso."
onsumidor
Resposta: Letra A

171
"'' ~~~A A_Ç_~
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia
~---~----------~-------------------------------~---·~

" CESPE- Procurador Substituto do Estado do Pia ui- 2008. 3.2. L


"A defensoria pública tem legitimidade concorrente e disjuntiva para a
1) Co
ação coletiva que objetive, por exemplo, a tutela de interesses difusos co-
letivos e indi'liduais homogêneos, ainda que não tenham repercussão em
interesses particulares dos necessitados, e que a sentença proferida possa
operar efeitos perante outros sujeitos."
Resposta: A afirmativa está errada. Como visto, é necessária a verificação
de pessoas necessitadas sendo protegidas.

• FCC /Procurador de Contas/ RR - 2008


"A Lei n2 7.347/85, que disciplina a Ação Civil Pública, foi alterada pela 2) Aç
Lei n2 11.448/07, que incluiu dentre os legitimados para a propositura da m
Ação Civil Pública principal e a cautelar" es
A) as fundações.
8) as empresas públicas.
C) a Defensoria Pública.
D) as associações que estejam constituídas há pelo menos 01 ano.
E) a sociedade de economia mista.
Resposta: Letra C.

• FCC- Defensor Público do Estado de SP- 2007.


"A legitimidade ativa da Defensoria Pública para propor ação civil pú-
blica é:

A) limitada à existência de relação com os interesses dos necessitados, po- ~ A


dendo apontar para qualquer tipo de interesse metaindividual, inclusive • C
para os interesses difusos, eis que não há necessidade destes correspon- "
derem completamente a interesses dos necessitados.
c
é) ilimitada, cab:ndo, porém, ao Defensor Público dirigi-la para a defesa dos
R
necessitados.
C) limitada à existência de relação com os interesses dos necessitados, po- • D
dendo apontar, porém, somente para os interesses individuais homogê- T
neos e 'nteresses coletivos, eis que com relação aos interesses difusos não d
há possibilida:.ie de discriminar os interesses dos necessitados. r
D) ilimitada, pooendo apontar para qualquer tipo de interesse metaindivi- p
duaL d
b
E) ilimitada, mas somente para os interesses individuais homogêneos." d
Resposta: Letra A. Poderá abranger qualquer tipo de direito ou interesse A) a
metaindividual protegido: difuso, coletivo stricto sensu e direito individual p
homogêneo.
d

172
rdo Garcia
-~---·~
~~~A A_Ç_~~-~~V_IL_P_~_BL_l~A -LEI N° 7 .347, DE 24 DE JULHO=-::D:_::E:_1:_:9:_::8::::_S_ _ _ __li iilil4.
..i111u11

3.2. LEGITIMIDADE DA DEFENSORIA. STF e STJ


a para a
1) Consumidores de energia elétrica
usos co-
ssão em Informativo 346. Legitimidade. Defensoria Pública. Aç~o Coletiva. A
da possa Turma, ao prosseguir o julgamento, entendeu que a Defensoria Públi-
ca tem legitimidade para ajuizar ação civil coletiva em benefício dos
consumidores de energia elétrica, conforme dispõe o art. 5!!, 11, da Lei
rificação
n. 7.347/1985, com redação dada pela Lei n. 11.448/2007. Preceden-
te citado: REsp 555.111-RJ, DJ 18/12/2006. REsp 912.849-RS, Rei. Min.
José Delgado, julgado em 26/2/2008.

ada pela 2) Ações que buscam auferir responsabilidade por danos causados ao
itura da meio-ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico,
estético, histórico, turístico e paisagístico
"PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO COLETIVA. DEFENSORIA PÚBLICA. LEGITI-
MIDADE ATIVA. ART. 52,11, DA LEI N!! 7.347/1985 (REDAÇÃO DA LEI N2
11.448/2007). ( ... ) Este Superior Tribunal de Justiça vem-se posicio-
nando no sentido de que, nos termos do art. S!!, 11, da Lei n2 7.347/85
(com a redação dada pela Lei n2 11.448/07), a Defensoria Pública
tem legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar em
ações civis coletivas que buscam auferir responsabilidade por da-
nos causados ao meio-ambiente, ao consumidor, a bens e direitos
de valor artístico, estético, histórico, tur,ístico e paisagístico e dá ou-
tras providências.'' (STJ, REsp 912849/RS, Rei. Min. José Delgado, DJe
civil pú-
28/04/2008)

dos, po- ~ Aplicação em concurso:


nclusive • CESPE- DPE-PE- Defensor Público - 2015
respon- "A DP pode defender réu a que é imputado ato lesivo ao patrimônio públi-
co, mas não tem legitimidade para propor ação civil pública."
esa dos
Resposta: A afirmativa está errada.

os, po- • Defensor Público - SP/ 2012- FCC


omogê- Tramita no Supremo Tribunal Federal a Ação Direta de Inconstitucionalida-
sos não de n2 3.943 interposta pela Associação Nacional dos Membros do Ministé-
rio Público - CONAMP, contestando a legitimidade da Defensoria Pública
aindivi- para a propositura de Ação Civil Pública, sob a alegação, em linhas gerais,
de que tal legitimidade da Defensoria Pública "afeta diretamente" as atri-
buições do Ministério Público. De acordo com os diplomas normativos e a
" doutrina dominante que tratam do Direito Processual Coletivo,
eresse A) a exclusão da Defensoria Pública do rol dos entes legitimados paro a pro-
ividual positura da Ação Civil P(!blica, especialmente para a hipótese dos direitos
difusos, notadamente no caso da proteção do ambiente, segue o caminho

173
tMII DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia LEI DA A

da ampliação do acesso à Justiça, encontrando suporte normativo na legis- 3)


lação processual coletiva e mesmo na Lei Fundamental de 1988.
Resposta: A afirmativa estó errada.

D) a Ação Direta de Inconstitucionalidade deve ser julgada procedente, tendo


em vista a contrariedade existente entre o art. 52, 11, da Lei no 7.347/85, e
o art. 129, § 12, da Constituição Federal de 1988, o qual confere ao Minis-
tério Público exclusividade para a propositura de Ação Civil Pública.
Resposta: A afirmativa estó errada. É sempre bom lembrar que o art. 129,
§ 12 da CF/88 determinou o regime jurídico aberto para a legitimação co-
letiva, sem exclusividade do Ministério Público, segundo definido na Cons-
tituição e na lei.

• DPE/RS/Defensor/2011 - FCC
"A Defensoria Pública não tem legitimidade para a tutela coletiva de direi-
tos que envolvam relações de consumo."
Resposta: A afirmativa está errada.

• Defensoria Pública/MA- 2011- CESPE


"A DP não tem legitimidade para propor a ação principal nem a cautelar
em ações civis coletivas que busquem auferir apenas responsabilidade por
danos causados ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de
valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico."
Resposta: A afirmativa está errado.

• Juiz Federai/TRFS- 2011 - CESPE


"Apenas o MP e as associações que tenham a proteção ao meio ambien-
te entre suas finalidades institucionais dispõem de legitimidade para
ingressar em juízo na defesa de interesses difusos resultantes de dano
ambiental."
Resposta: A afirmativa está errada. A defensoria, por exemplo, também
tem legitimidade.

• OPU- CESPE- 2010


"De acordo com entendimento do STJ, a Defensoria Pública tem legitimi-
dade para propor tanto a ação principal quanto a ação cautelar em ações
civis coletivas que buscam auferir responsabilidade por danos causados ao
meio ambiente."
Resposta: A afirmativa está correta.

• DPE/ES - CESPE- 2009


"A defensoria pública, conforme previsto na lei de regência, tem legitimi-
dade para propor ação civil pública na defesa do meio ambiente."
Resposta: A afirmativa está correta.

174
onardo Garcia LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985

ivo na legis- 3) Direito à educação


8.
"ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DIREITO À EDUCAÇÃO. ART.
13 DO PACTO INTERNACIONAL SOBRE DIREITOS ECONÔMICOS, SO-
ente, tendo CIAIS E CULTURAIS. DEFENSORIA PÚBLICA. LEI 7.347/85. PROCESSO
7.347/85, e DE TRANSFERÊNCIA VOLUNTÁRIA EM INSTITUIÇÃO DE ENSINO. LEGI-
re ao Minis- TIMIDADE ATIVA. LEI 11.448/07. TUTELA DE INTERESSES INDIVIDUAIS
blica. HOMOGÊNEOS. 1. Trata-se na origem de Ação Civil Pública proposta
e o art. 129, pela Defensoria Pública contra regra em edital de processo seletivo
timação co- de transferência voluntária da UFCSPA, ano 2009, que previu, como
do na Cons- condição essencial para inscrição de interessados e critério de cálculo
da ordem classificatória, a participação no Enem, exigindo nota média
mínima. Sentença e acórdão negaram legitimação para agir à Defen-
soria. 2. O direito à educação, responsabilidade do Estado e da família
va de direi- (art. 205 da Constituição Federal), é garantia de natureza universal e
de resultado, orientada ao "pleno desenvolvimento da personalidade
humana e do sentido de sua dignidade" (art. 13, do Pacto Internacio-
nal sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, adotado pela XXI
Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em 19 de dezembro
m a cautelar de 1966, aprovado pelo Congresso Nacional por meio do Decreto Le-
bilidade por gislativo 226, de 12 de dezembro de 1991, e promulgado pelo De-
direitos de creto 591, de 7 de julho de 1992), daí não poder sofrer limitação no
plano do exercício, nem da implementação administrativa ou judicial.
Ao juiz, mais do que a ninguém, compete zelar pela plena eficácia do
direito à educação, sendo incompatível com essa sua essencial, no-
bre, indeclinável missão interpretar de maneira restritiva as normas
eio ambien- que o asseguram nacional e internacionalmente. 3. É sólida a jurispru-
idade para dência do STJ que admite possam os legitimados para a propositura
es de dano de Ação Civil Pública proteger interesse individual homogêneo, mor-
mente porque a educação, mote da presente discussão, é da máxi-
o, também ma relevância no Estado Social, daí ser integral e incondicionalmente
aplicável, nesse campo, o meio processual da Ação Civil Pública, que
representa "contraposição à técnica tradicional de solução atomiza-
da" de conflitos (REsp 1.225.010/PE, Rei. Ministro Mauro Campbell
em legitimi- Marques, Segunda Turma, DJe 15.3.2011). 4. A Defensoria Pública,
ar em ações instituição altruísta por natureza, é essencial à função jurisdicional do
causados ao Estado, nos termos do art. 134, caput, do Constituição Federal. A rigor,
mormente em países de grande desig,Jaldade social, em que a lar-
gas parcelas da população - aos pobres sobretudo - nega-se acesso
efetivo ao Judiciário, como ocorre infelizmente no Brasil, seria impró-
prio falar em verdadeiro Estado de Direito sem a existência de uma
Defensoria Pública nacionalmente organizada, conhecida de todos e
em legitimi-
por todos respeitada, capaz de atender aos necessitados da maneira
e."
mais profissionai e eficaz possível. 5. O direita à educação legitima a
propositura da Ação Civil Pública, inclusive pela Defensoria Pública,

175
LEI DA AÇÃO

cuja intervenção,. na esfera dos interesses e direitos individuais homo- D) a le


gêneos, não se limita às relações de consumo ou à salvaguarda da sor
criança e do idoso. Ao certo, cabe à Defensoria Pública a tutela de é in
qualquer interesse individual homogêneo, coletivo stricto sensu ou di- E) cab
fuso, pois sua legitimidade ad causam, no essencial, não se guia pelas gên
características ou perfil do objeto de tutela (= critério objetivo), mas vid
pela natureza ou status dos sujeitos protegidos, concreta ou abstrata-
mente defendidos, os necessitados (= critério subjetivo). 6. "É impe- Res
rioso reiterar, conforme precedentes do Superior Tribunal de Justiça, 12'
que a legitimatio ad causam da Defensoria Pública para intentar ação
civil pública na defesa de interesses transindividuais de hipossuficien- 4. UNIÃO,
tes é reconhecida antes mesmo do advento da Lei 11.448/07, dada a
relevância social (e jurídica) do direito que se pretende tutelar e do
As pess
próprio fim do ordenamento jurídico brasileiro: assegurar a dignidade vação d
da pessoa humana, entendida como núcleo central dos direitos fun-
damentais" (REsp 1.106.515/MG, Rei. Ministro Arnaldo Esteves Lima, 5. AUTARQ
Primeira Turma, DJe 2.2.2011). 7. Recurso Especial provido para reco- NOMIA
nhecer a legitimidade ativa da Defensoria Pública para a propositura
da Ação Civil Púb:ica." (STJ, REsp 1264116/RS, Rei. Ministro Herman Igualme
Benjamin, Segunda Turma, julgado em 18/10/2011, DJe 13/04/2012) pessoas
~ Aplicação em concurso: blicas, q
privado
• FCC- Defensor Público- AM/2013
deverão
A Defensoria Pública de um Estado ajuizou ação civil pública contra regra
de edital de processo seletivo de transferência voluntária de Universida- ~ Ap
de Pública do mesmc Estado, que previu, como condição essencial para
inscrição de interessados e critério de cálculo da ordem classificatória, a • MP
participação no Enem.. exigindo nota média mínima. Nesse caso, "So
A) o direito à educação é garantia de natureza universal e de resultado orien- pú
tada ao "pleno desenvolvimento da personalidade humana e do sentido Re
de sua dignidade" sendo, porém, direito público subjetivo disponível, ra-
zão pela qual a Defensoria Pública não possui interesse processual nem • DP
legitimidade ativa para essa ação. "So

B) a jurisprudência do STJ admite que os legitimados para a ação civil pública
protejam interesses individuais homogêneos, sendo que a educação é da Re
máxima relevância no Estado Social, daí ser integral e incondicionalmente
aplicável, nesse campo, o meio processual da Ação Civil Pública, que repre- ..,.. Obs
senta contraposição à técnica tradicional de solução atomizada de conflitos. tões
C) a Defensoria Pública, instituição altruísta por natureza, é essencial à fun-
ção jurisdicional do Estado, nos termos do art. 134, caput, da Constituição
5.1. OA
Federal; todavia, como não atuou exclusivamente na defesa de hipossufi-
cientes a ação deverá ser extinta sem julgamento do mérito, por ilegitimi- O STJ e
dade de causa. de tema

176
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
*ª'•
s homo- D) a legitimidade para referida ação é do Ministério Público- e não da Defen-
arda da soria Pública- tendo em vista que a natureza jurídica do direito defendido
utela de é indisponível.
u ou di- E) cabe à Defensoria Pública a tutela de qualquer interesse indivídual homo-
ia pelas gêneo, coletivo stricto sensu ou difuso, desde que presente a representati-
o), mas vidade adequada.
bstrata-
É impe- Resposta: Letra 8. A questão foi baseada na jurisprudência do STJ (REsp
Justiça, 12'64116/RS)
ar ação
uficien- 4. UNIÃO, ESTADO, DISTRITO FEDERAL !E MUNidPIOS:
dada a
ar e do
As pessoas jurídicas de direito público interno dependerão da compro-
gnidade vação de seu interesse direto.
tos fun-
es Lima, 5. AUTARQUIA, EMPRESA PÚBLICA, FUNDAÇÃO OU SOCIEDADE DE ECO-
ra reco- NOMIA MISTA:
positura
Herman Igualmente, as entidades da administração pública indireta, quer sejam
4/2012) pessoas jurídicas de direito público, como as autarquias e fundações pú-
blicas, quer sejam pessoas jurídicas a que se deu estrutura de direito
privado, como as sociedades de economia mista e as empresas públicas,
deverão demonstrar um interesse direto.
a regra
versida- ~ Aplicação em concurso:
ial para
atória, a • MP/RN/Promotor/2009- CESPE
"Sociedade de economia mista não tem legitimidade para propor ação civil
o orien- pública."
sentido Resposta: A afirmativa está errada.
ível, ra-
ual nem • DPE/AL- CESPE- 2009
"Sociedade de economia mista não tem legitimidade para propor ação civil
pública."
pública
ão é da Resposta: A afirmativa está errada.
almente
e repre- ..,.. Observação: veja como as questões são idênticas! O CESPE repete as ques-
onflitos. tões nos concursos.
l à fun-
tituição
5.1. OAB
possufi-
egitimi- O STJ entendeu que a OAB pode ajuizar ação civil pública sem restrição
de temas (pertinência temática).

177
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia LEI DA AÇÃ
Mijl

"PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. OR-

I DEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL. CONSELHO SECCIONAL. PRO-


TEÇÃO DO PATRIMÔNIO URBANÍSTICO, CULTURAL E HISTÓRICO.
LIMITAÇÃO POR PERTIN~NCIA TEMÁTICA. INCABÍVEL. LEITURA
Constitu

Perti
SISTEMÁTICA DO ART. 54, XIV, COM O ART. 44, I, DA LEI 8.906/94. tem
J
i DEFESA DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, DO ESTADO DE DIREITO E DA ou
JUSTIÇA SOCIAL. 1. Cuida-se de recurso especial interposto contra de fin
acórdão que manteve a sentença que extinguiu, sem apreciação do
mérito, uma ação civil pública ajuizada pelo conselho seccional da
Ordem dos Advogados do Brasil em prol da proteção do patrimônio ~ A
urbanístico, cultural e histórico local; a recorrente alega violação dos

arts. 44, 45, § 2º, 54, XIV, e 59, todos da lei n. 8.906/94. 2. Os con-
selhos seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil podem ajuizar
as ações previstas- inclusive as ações civis públicas- no art. 54, XIV,
em relação aos temas que afetem a sua esfera local, restringidos ter-
ritorialmente pelo art. 45, § 22, da Lei n. 8.906/84. 3. A legitimidade
ativa -fixada no art. 54, XI~ da Lei n. 8.906/94 - para propositura
de ações civis públicas por parte da Ordem dos Advogados do Brasil,
seja pelo Conselho Federal, seja pelos conselhos seccionais, deve ser

lida de for;ma abrangente, em razão das finalidades outorgadas pelo
legislador à entidade -que possuí caráter peculiar no mundo jurídi-
co -por meio·do art. 44, I, da mesma norma; não é possível/imitar
a atuação da OAB em razão de pertinência temática, uma vez que a
ela corresponde a defesa, inclusive judicial, da Constituição Federal,
do Estado de Direito e da justiça social, o que, inexoravelmente, in-
cluí todos os direitos coletivos e difusos. Recurso especial provido."
(STJ, REsp 1351760/PE, Rei. Ministro Humberto Martins, Segunda
Turma, DJe 09/12/2013)

~ Aplicação em concurso:
• MPE-BA- Promotor- 2015
"A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), embora não tenha sido consi-
derada ente legitimado para propor ações coletivas pelo artigo 5°, incisos

I
1a V, da lei no 7.347/85, poderá ser autora de medidas judiciais propostas
em benefício dos interesses difusos, coletivos, individuais indisponíveis ou
homogêneos dos idosos, de acordo com o artigo 81, inciso 111, da lei no •
10.741/03."
Resposta: A afirmativa está correta. \

6. ASSOCIAÇÃO:
l
As associações, para que possam demonstrar a sua adequada represen-
tação ope legis, terão de apresentar dois requisitos.

178
'ª''
Leonardo Garcia LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N·= 7.347, DE 24 DE JULHO DE 19!35

PÚBLICA. OR-
CIONAL. PRO-
E HISTÓRICO. Constituição ânua esteja const'tuída há pelo menos 1 (um) a1::> nos termos da lei civil
VEL. LEITURA
Pertinência incluir, entre as suas finalidades institucio1ais, a proteção ao meio
LEI 8.906/94. temática ambiente, ao consumidor, à ordem económica, à livre concorrên-
DIREITO E DA ou nexo cia, aos direitos de grupos raciais, étnicos QJ religiosos ou ao patri-
rposto contra de finalidade mônio artistico, estético, histórico, turístic::> e paisagístico.
apreciação do
o seccional da
do patrimônio ~ Aplicação em concurso:
a violação dos
• Defensoria Pública/MA- 2011 - CESPE
94. 2. Os con-
podem ajuizar "A respeito das ações civis públicas, destinadas a tutelar direitos e interes-
no art. 54, XIV, ses transindividuais, assinale a opção correta. As ass·:Jciações de classe e as
stringidos ter- entidades sindicais podem apenas extrajudicialmente promover a defesa
A legitimidade dos direitos e interesses dos respectivos associados e filiados."
a propositura
ados do Brasil, Resposta: A afirmativa está errada.
nais, deve ser
• TJ/PB- Juiz Substituto/CESPE- 2011
torgadas pelo
mundo jurídi- "São legitimados para atuar em juízo na defesa coletiva do consumidor o
ossível/imitar MP, a DP, a União, os estados, os municípios e o DF e qualquer associação
uma vez que a legalmente constituída cná pelo menos um ano, dispensada, nesse caso, a
uição Federal, autorização de assembleia."
avelmente, in-
ecial provido." Resposta: A afirmativa está errada. Não é "qualqt..er associação" a legiti-
tins, Segunda mada, mas sim a que apresentar pertinência temáti::a.

• Juiz Federal /TRF 1!2 Região- CESPE- 2009

"Tem legitimidade para propor ação civil pública a associação que esteja
constituída há, no mínimo, dois anos, devendo o ajuizamento ocorrer no
local onde estiver regularmente registrada a entid;;de, segundo a regra de
ha sido consi-
competência territorial em vigor."
tigo 5°, incisos

I
ciais propostas Resposta: A afirmativa está errada.
disponíveis ou
o 111, da lei no • DPE/AL- CESPE- 2009

"Toda e qualquer associação pode propor ação c vil pública destinada à


\ proteção de interesses difusos ou coletivos das peósoas portadoras de ne-

l cessidades especiais."

Resposta: A afirmativa está errada. É necessário apresentar os requisitos


da represen- exigidos, em particular incluir entre suas finalidades institucionats a tutela
das pessoas portadoras de necessidade especiais.

179
Jftlj DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia
--------------- ----------------- LEI DA AÇÃO C
----

• MP/AM- 2007 {CESPE) c


"Qualquer associação civil está autorizada a oferecer ação coletiva destina- c
da à defesa dos direitos e interesses difusos dos consumidores, indepen- e
dentemente de seu objeto ou de autorização individual ou estatutária." i
z
Resposta: A afirmativa está errada.
a
• MP/SP- 83Sl Concurso. (Prova discursiva) p
r
"Explique no que consiste o requisito da pertinência temática cuja presen-
ça é necessária para que uma associação civil ajuíze uma ação civil pública s
em defesa de um interesse transindividual." o
t
6.1. Pertinência temática: não precisa ter uma finalidade específica, t
bastando que tenha um nexo compatível entre os fins institucionais e d
o objeto da ACP. d
g
Por exemplo, o STJ já definiu que a associação que tem por finalidade a d
defesa do consumidor pode propor ação coletiva em favor dos partici- e
pantes desistentes de consórcio de veículos, não se exigindo tenha sido q
instituída para a defesa especifica dos interesses de consorciados. (STJ, p
REsp 132063/RS, Rei. Min. Ruy Rosado de Aguiar, DJ 06/04/1998). s
N
Embora llão seja necessário prever uma finalidade específica no esta-
tuto da associação, também ela não pode ser muito genérica a ponto Sobre a p
de abarcar qualquer tipo de defesa. O que este requisito quer impor é já decidiu
que a associação seja atuante e conhecedora do tema que visa tutelar. I
Quando muito genérica a previsão estatutária, o STJ já reconheceu a A
ilegitimidade da associação. Nesse sentido advertiu o STJ que embora a (
finalidade possa ser razoavelmente genérica, "não pode ser, entretanto, c
desarrazoada, sob pena de admitirmos a criação de uma associação civil l
para a defesa de qualquer interesse, o que desnaturaria a exigência de a
representatividade adequada do grupo lesado". (STJ, REsp 1213614/RJ, d
e
Rei. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe 26/10/2015)
t
No AgRg no REsp 901936/RJ, DJe 16/03/2009, O Min. Luiz Fux, citando r
Hugc Nigro Mazzilli, enfatizou: ç
c
"As associações civis necessitam, portanto, ter finalidades institu- o
cionais compatíveis com a defesa do interesse transindividual que a
pretendam tutelar em juízo. Entretanto, essa finalidade pode ser d
rawavelmente genérica; não é preciso que uma associação civil seja
lh
constituída para defender em juízo especificamente aquele exato in- e
teresse controvertido na hipótese concreta. Em outras palavras, de ç
forma correta já se entendeu, por exemplo, que uma associação civil 6
que tenha por finalidade a defesa do consumidor pode propor ação o

180
'i.

ardo Garcia
----- LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
---------------------------·---------------- IMIW
coletiva em favor de participantes que tenham desistido de consór-
a destina- cio de vefculos, não se exigindo tenha sido instituída para a defesa
indepen- específica de interesses de consorciados de veículos, desistentes ou
utária." inadimplentes. Essa generalidade não pode ser, entretanto, ·desarra-
zoada, sob pena de admitirmos a criação de uma associação civil para
a defesa de qualquer interesse, o que desnaturaria a exigência de re-
presentatividade adequada do grupo lesado. Devemos perquirir se o
requisito de pertinência temática só se limita às associações civis, ou
a presen-
vil pública se também alcançaria as fundações privadas, sindicatos, corporações,
ou até mesmo as entidades e os órgãos da administração pública dire-
ta ou indireta, ainda que sem personalidade jurídica. Numa interpre-
specífica, tação mais literal, a conclusão será negativa, dada a redação do art. Sº
cionais e da LACP e do art. 82, IV, do CDC. Entretanto, onde há a mesma razão,
deve-se aplicar a mesma disposição. Os sindicatos e corporações con-
gêneres estão na mesma situação que as associações civis, para o fim
alidade a da defesa coletiva de grupos; as fundações privadas e até mesmo as
s partici- entidades da administração pública também têm seus fins peculiares,
enha sido que nem sempre se coadunam com a substituição processual de gru-
dos. (STJ, pos, classes ou categorias de pessoas lesadas, para defesa coletiva de
98). seus interesses." in A Defesa dos Interesses Difusos em Juízo, Hugo
Nigro Mazzilii, São Paulo, Saraiva, 2006, p. 277/278
no esta-
a ponto Sobre a pertinência temática nas ações envolvendo o meio ambiente,
r impor é já decidiu o STJ: ·
a tutelar. Informativo 0442. ACP. PRESERVAÇÃO. CONJUNTO ARQUITETÔNICO.
nheceu a A associação de moradores recorrente, mediante ação civil pública
embora a (ACP), busca o sequestro de importante conjunto arquitetônico in-
ntretanto, crustado em seu bairro, bem como o fim de qualquer atividade que
ação civil lhe prede ou polua, além da proibição de construir nele anexos ou re-
gência de alizar obras em seu exterior ou interior. Nesse contexto, a legitimida-
13614/RJ, de da referida associação para a ACP deriva de seu próprio estatuto,
enquanto ele dispõe que um dos objetivos da associação é justamen-
15)
te zelar pela qualidade de vida no bairro, ao buscar a manutenção do
x, citando ritmo e grau de sua ocupação e desenvolvimento, para que prevale-
ça sua feição de zona residencial. Sua legitimidade também condiz
com a CF/1988, pois o caput de seu art. 225 expressamente vincula
es institu- o meio ambiente à sadia qualidade de vida. Daí a conclusão de que
vidual que a proteção ambiental correlaciona-se diretamente com a qualidade
pode ser de vida dos moradores do bairro. Também a legislação federal agasa-
o civil seja
lha essa hipótese, visto reconhecer que o conceito de meio ambiente
e exato in- encampa o de loteamento, paisagismo e estética urbana numa rela-
alavras, de ção de continência. Destaca-se o teor do art. 3º, 111, a e d, da Lei n.
ciação civil 6.938/1981, que dispõe ser poluição qualquer degradação ambiental
opor ação oriunda de atividades que, direta ou indiretamente, prejudiquem a
! I

181
IMfi DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia

saúde e o bem-estar da população ou atinjam as condições estéti- • T


cas do meio ambiente. Em suma, diante da legislação vigente, não A
há como invocar a falta de pertinência. temática entre o objeto social ta
da recorrente e o pleito desenvolvido na ação (art. 52, V, b, da lei n. c
7.347/1985). REsp 876.931-RJ, Rei. Min. Mauro Campbell Marques, p
julgado em 10/8/2010. vá
fo
No mesmo sentido: m
"Processo Civil. Ação Civil Pública. legitimidade ativa. Associação de q
bairro. A ação civil pública pode ser ajuizada tanto pelas associações fe
exclusivamente constituídas para a defesa do meio ambiente quanto m
por aqueles que formadas por moradores de bairro, visam ao bem- tu
-estar coletivo, incluída evidentemente nessa cláusula a qualidade A) fu
de vida, só preservada enquanto favorecida pelo meio ambiente" te
STJ, REsp 31.150-SP, 2ª Turma, relatora Ari Pargendler, julgado em d
20/05/1996. B) e
a
"Ação civil pública. Legitimidade. Fundação de assistência social à
c
comunidade de pescadores. Defesa do meio ambiente. Construção.
Fábrica de celulose. Embora não constando expressamente em suas C) a
finalidades institucionais a proteção do meio ambiente, é a fundação d
de assistência aos pescadores legitimada a propor ação civil pública fa
para evitar a degradação ao meio ambiente em que vive a comunida- D) r
de por ela assistida ( ... )".STJ, AR 497-BA, 1ª Seção, relator Min. Garcia d
Vieira, julgado em 12/08/1998. E) e
d
6.2. Dispensa da pré-constituição: a lei prevê expressamente a hipótese p
da dispensa da pré-constituição (art. 52, § 42). Também está previsto no§ R
12 do art. 82 do CDC. Esta dispensa é aplicável a todo microssistema.
• T
quando haja manifesto interesse social evidenciado pela dimensão ou "
característica do dano t
a
ou pela relevância do bem jurídico a ser protegido.
E
p
7 Aplicação em concurso: v
q
• FCC- Defensor Público- AM/2013 R
"Com relação à associação, o requisito da pertinência temática pode ser
dispensado pelo juiz, quando haja manifesto interesse social evidenciado • M
pela dimensão ou característica do dano, ou pela relevância do bem jurí- "
dico a ser protegido." d
Resposta: a afirmativa está errada. A pertinência temática não é dispensa- d
da. o que pode ser dispensada é o tempo de pré-constituição da associação. .R

182
eonardo Garcia

dições estéti- • TJ/BA -Juiz de Direito Substituto-BA/2012 - CESPE


vigente, não A associação estadual de defesa do consumidor (AEDC) de determinado es-
o objeto social tado da Federação ajuizou ação civil pública contra a única distribuidora de
V, b, da lei n. combustíveis do estado, sob a alegação de que o fato de ela ser a única em-
bell Marques, presa do tipo no mercado constitui monopólio e cartel, o que causa lesão a
vários direitos básicos dos consumidores. Na ação, requereu que a empresa
fosse condenada a adequar os seus preços à média nacional e a pagar danos
morais coletivos. O magistrado competente, ao analisar a inicial, constatou
Associação de que a associação, cujo estatuto prevê, entre os seus fins institucionais, a de-
as associações fesa ampla dos consumidores, tinha sido legalmente constituída havia seis
biente quanto meses e que não tinha sido juntada autorização assemblear para a proposi-
isam ao bem- tura da ação. De acordo com as normas do CDC, o juiz, nessa situação, deve
a a qualidade A) fundamentar, ao receber a exordial, a legitimidade ativa da associação,
eio ambiente" tendo em vista que, embora constituída há menos de um ano, a extensão
er, julgado em dos danos aos consumidores justifica sua atuação na ação coletiva.
B) extinguir o processo sem exame do mérito, por não ter sido a autorização
assemblear juntada aos autos, sem condenara autora ao pagamento das
tência social à
custas processuais.
e. Construção.
mente em suas C) abrir prazo para que a autora emende a exordial, a fim de retirar o pedido
e, é a fundação de danos morais coletivos, visto que somente o MP tem legitimidade para
ão civil pública fazer esse pedido.
ve a comunida- D) receber a inicial, intimar o MP para atuar como fiscal da lei e intimar a
tor Min. Garcia defensoria pública para ajuizar as ações individuais pertinentes.
E) extinguir o processo sem resolução do mérito, já que a AEDC foi constituí-
da há menos de um ano, e condenar a autora ao pagamento das custas
nte a hipótese processuais.
previsto no§ Resposta: Letra A.
ssistema.
• TJ/PI/Juíz/2012- CESPE
la dimensão ou "Supondo a ocorrência de acidente aéreo no qual morram duzentos e oi-
tenta passageiros, assinale a opção correta ::om base na disciplina legal
acerca da defesa, em juízo, do consumidor.
Evidenciada a dimensão do dano, o juiz da causa poderá dispensar, para a
propositura de ação coletiva em defesa dos interesses dos sucessores das
vítimas, o requisito de pelo menos um ano de ccnstituição de associação
que tenha sido criada para o fim."
Resposta: A afirmativa está correta.
mática pode ser
cial evidenciado • MPE-RR- Promotor de Justiça- RR/2012- CESPE
cia do bem jurí- "É vedado ao juiz dispen,;ar o requisito da pré-ccnstituição da associação
de defesa dos interesses e direitos dos consumidores para o ajuizamento
não é dispensa- de ação coletiva, mesmo quando haja manifesto interesse social."
o da associação. .Resposta: A afirmativa está errada.

183
LEI DA AÇÃO C

• TJ/ES- JUIZ SUBSTITUTO/ 2011 - CESPE term


"A Associação de Compradores de Imóveis Urbanos do Estado do Espírito da at
Santo (ACIUES) ajuizou ACP contra a maior construtora de prédios residen- mult
ciais do estado, alegando que o contrato de adesão de compra e venda requ
de unidades imobiliárias usado como modelo pela empresa feria vários Resp
direitos básicos dos consumidores. Na ação, a ACIUES requereu a decla- cluin
ração da nulidade das cláusulas abusivas e a condenação da empresa ao
pagamento de danos morais coletivos. O juiz de direito competente, ao • MP/
analisar a inicial, constatou que o estatuto da ACIUES prevê, entre os seus "O ju
fins institucionais, a defesa do comprador de imóveis e verificou que a as- asso
sociação havia sido legalmente constituída seis meses antes da propositu- de D
ra da ação. Não foi juntada autorização de assembleia da associação para
Resp
a propositura da ACP. Nessa situação hipotética, de acordo com o disposto
no coe, o magistrado deve
6.3. Men
A) receber prontamente a inicial, intimar o MP para atuar como fiscal da lei e
a defensoria pública para ajuizar as ações individuais pertinentes. A Lei 9.87
B) extinguir o processo sem exame do mérito dada a ausência do requisito de de ensino
constituição da associação por, pelo menos, um ano antes da propositura colares d
da ação, e condenar a autora ao pagamento das custas processuais.
C) abrir prazo para que a autora demonstre manifesto interesse social evi- Prevê ain
denciado pela dimensão ou característica do dano, ou pela relevância do poderão
bem jurídico a ser protegido. cento) do
D) extinguir o processo sem exame do mérito em face da ausência de autori- no caso d
zação da assembleia para propositura ca ação, sem, contudo, condenar a
Eis o disp
autora ao pagamento das custas processuais.
E) abrir prazo para a autora emendar a exordial, a fim de retirar o pedido de
danos morais coletivos, haja vista o fato de que esse pedido somente pode
ser feito pelo MP."
Resposta: Letra C

• MPE/SE/Promotor/2010- CESPE
"Em se tratando de legitimidade das associações para a propositura de Em decis
demanda coletiva, somente pode ser dispensado pelo juiz o requisito da versidade
pré-constituição após a anuência do MP."
mente da
Resposta: A afirmativa está errada. Não é necessária a anuência do MP que havia
para a dispensa do requisito da pré-constituição. do relato
• Juiz Federal do Trabalho Substituto da 89 Região pode ser
fendendo
"No que se refere à legitimidade ativa, é certo que o requisito da pré-cons-
associado
tituição poderá ser dispensado pelo juiz, quando haja manifesto interesse
social evidenciado pela dimensão ou caracteristica do dano, ou pela rele- concreto
vância do bem jurídico a ser protegido. Por outro lado, na ação que tenha defesa d
por objeto o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer, o juiz de- requisito

184
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985

'"'•
terminará o cumprimento da prestação da atividade devida ou a cessação
do Espírito da atividade nociva, sob pena de execução específica, ou de cominação de
os residen- multa diária, se esta for suficiente ou compatível, independentemente de
a e venda requerimento do autor".
eria vários Resposta: A afirmativa está correta. Observe que a resposta é literal, in-
eu a decla- cluindo também o art. 11 da LACP.
mpresa ao
etente, ao • MP/DF- 26!< Concurso.
tre os seus "O juiz pode, na forma da lei, dispensar o requisito da pré-constituição da
u que a as- associação ou sindicato para a propositura de ações com base no Código
propositu- de Defesa do Consumidor e da Lei da Ação Civil Pública."
ciação para
Resposta: A afirmativa está correta.
o disposto
6.3. Mensalidades escolares
cal da lei e
s. A Lei 9.870/99, prevê tutela específica para os consumidores de serviços
equisito de de ensino, tratando do valor das anuidades ou das semestralidades es-
ropositura colares do ensino pré-escolar, fundamental, médio e superior.
uais.
social evi- Prevê ainda que as ações do Código de Defesa do Consumidor somente
evância do poderão ser impetradas com a aprovação de pelo menos 20% (vinte por
cento) dos pais de alunos do estabelecimento de ensino ou dos alunos,
de autori- no caso de ensino superior.
condenar a
Eis o dispositivo:

pedido de "Art. 7º São legitimados à propositura das ações previstas na Lei no


mente pode 8.078, de 1990, para a defesa dos direitos assegurados por esta Lei
e pela legislação vigente, as associações de alunos, de pais de alunos
e responsáveis, sendo indispensável, em qualquer caso, o apoio de,
pelo menos, vinte por cento dos pais de alunos do estabelecimento
de ensino ou dos alunos, no caso de ensino superior."
ositura de Em decisão do STJ, no REsp 1189273, o centro acadêmico de uma uni-
equisito da versidade privada teve reconhecida sua legitimidade independente-
mente da autorização com a deteminação de prosseguimento do feito
cia do MP que havia sido extinto por ilegitimidade na primeira instância. No voto
do relator, Min. Luis Felipe Salomão, afirma-se que o processo coletivo
pode ser ajuizado por entidades civis, como associações e sindicatos, de-
fendendo diretamente seus associados ou todo o grupo, mesmo de não
a pré-cons-
associados, desde que compatível com os fins institucionais. No caso
o interesse
u pela rele- concreto, o próprio estatuto do centro acadêmico previa a condição de
que tenha defesa dos interesses dos estudantes, de forma genérica, cumprindo o
o juiz de- requisito da Lei 7.347/85. O STJ entendeu que "tal disposição também

185
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia
f;fiil

diz respeito aos interesses dos estudantes, como consumidores, diante • T


da instituição de ensino particular, para a discussão de cláusulas do con- - "
trato de prestação de serviço educacional". d
c
A questão de fundo é reconhecer que a substituição processual nos pro- e
cessos coletivos, no modelo brasileiro, independe de autorização, como
R
já afirmara o Enunciado 629 da Súmula do STF em relação aos man-
dados de segurança coletivos. A característica particular desse modelo - "
de substituição processual é ser autônoma, portanto, independente de d
autorização do titular ou dos beneficiários do direito tutelado. p

Há uma razão para essa autonomia. A vinculação à representação dos R


ofendidos poderia ser considerada uma forma processual de desarti-
cular o grupo, de fragmentar a tutela coletiva, favorecendo o fornece- 1.1) S
dor do produto ou serviço com um benefício que o próprio CDC tentou da CF
minimizar ao disciplinar uma tutela coletiva molecular para os grupos,
categorias ou classes de consumidores e para os direitos individuais ho-
mogêneos. A desorganização e desinformação dos consumidores para
tutela de seus dirt;!itos, bem como, a baixa motivação para participação
associativa impediria, com essa exigência, a sua tutela efetiva.

6.4. LEGITIMIDADE
1} Legitimidade -A associação pode tutelar direitos dos associados e
não associados
..... STJ:
"A associação que tem por finalidade a defesa do consumidor pode É imp
propor ação coletiva em favor dos participantes desistentes de con- te se
sórcio de veículos, não se exigindo tenha sido instituída para a defesa Teori
especifica dos interesses de consorciados." Art. 82, IV do coe. (STJ, das a
REsp 132063/RS, Rei. Min. Ruy Rosado de Aguiar, DJ 06/04/1998) Contu
"A associação, que tem por finalidade a defesa do consumidor, pode so Ex
propor ação coletiva em favor dos participantes, desistentes ou exclu- quan
ídos, de consórcio, sejam eles seus associados ou não." (STJ, REsp n. do M
132.502/RS, Rei. Min. Barros Monteiro, unânime, DJU de 10.11.2003) do ST
valida
-? Aplicação em concurso:
do ar
• Defensor Público- AC/ 2012- CESPE autor
"Segundo o STJ, a associação que pretenda a defesa do consumidor só quan
pode propor ação coletiva em favor dos associados não excluídos." para
Resposta: A afirmativa está errada. gené

186
Leonardo Garcia

dores, diante • TRF 5g Região/Juiz Federal/ 2009- CESPE


sulas do con- - "Para que uma associação que tenha por finalidade a defesa do consumi-
dor possa propor ação coletiva em favor dos participantes desistentes de
consórcio de veículos, exige-se que ela tenha sido instituída para a defesa
sual nos pro- específica dos interesses dos consorciados."
ização, como
Resposta: A afirmativa está errada.
ão aos man-
desse modelo - "A ação civil pública é a via apropriada para o reconhecimerto de nulidade
ependente de de cláusula abusiva que preveja a devolução, sem correção monet,3ria, das
ado. prestações pagas pelo consorciado desistente."

sentação dos Resposta: A afirmativa está correta.


al de desarti-
do o fornece- 1.1) STF- Representação processual. O STF entendeu que o art. 52, XXI
o CDC tentou da CF exige a autorização dos associados.
ra os grupos, "REPRESENTAÇÃO- ASSOCIADOS- ARTIGO Sº, INCISO XXI, DA CONS-
ndividuais ho- TITUIÇÃO FEDERAL. ALCANCE. O disposto no artigo 52, inciso XXI, da
midores para Carta da República encerra representação específica, não alcançando
a participação previsão genérica do estatuto da associação a revelar a defesa dos in-
iva. teresses dos associados. TrTULO EXECUTIVO JUDICIAL- ASSOCIAÇÃO
-BENEFICIÁRIOS. As balizas subjetivas do titule .udicial, for-nalizado
em ação proposta por associação, é definida pe a representação no
processo de conhecimento, presente a autorização expressa dos asso-
associados e ciados e a lista destes juntada à iniciai.(RE 573232, Rei. Min. RICARDO
LEWANDOWSKI, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO .A.URÉLIO, Tribu-
nal Pleno, julgado em 14/05/2014).

nsumidor pode É importante afirmar que no nosso entendimento este preceden-


stentes de con- te se aplica apenas ao caso previsto no art. Sº, XXI. No voto ::lo Min.
a para a defesa Teori foram discutidas outras questões, inclusive sobre a legijmação
V do coe. (STJ, das associações e a constitucionalidade do art. 2-.A da Lei 9.494/97.
6/04/1998) Contudo, como ficou assentado no inteiro teor do acórdão, o Recur-
nsumidor, pode so Extraordinário foi parcialmente conhecido e provido unicamente
tentes ou exclu- quanto à questão prequestionada (ver, neste sentido, a manisfestação
o." (STJ, REsp n. do Min. Teori na p. 68 do inteiro teor do acórdão, disponível no site
de 10.11.2003) do STF). Portanto, este extenso acórdão do Pleno do STF tem apenas a
validade de precedente quanto à interpretação do Supremo ao texto
do art. 5, XXI, entendendo os Ministros, por maioria, que é exigível a
autorização direta dos beneficiários para a representação processual,
consumidor só quando não ocorrer autorização assemblear, não bastando, pcrtanto,
cluídos." para perfectibilizar os requisitos do texto constituci::>nal, a autorização
genérica nos estatutos.

187
Mil DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS -Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia LEI DA AÇÃO C

O STJ vem adotando o entendimento do STF:


"O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral do tema
e, no julgamento do RE n. 573.232/SC, cristalizou sua jurisprudência
no sentido de que as balizas subjetivas do título judicial, formalizado
em ação proposta por associação, é definida pela representação no
processo de conhecimento, presente a autorização expressa dos asso- Como ac
ciados e a lista destes juntada à inicial. 2. Reconsideração do acórdão tudo, oco
proferido no Agravo Regimental para conhecer do recurso especial e minantes
negar-lhe provimento (art. 543-B, § 32, do CPC). (STJ, REsp 1165040/
pelo STJ,
GO, Rei. Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe 05/02/2016)
2) Legit
Consequência importante: como o STF e o STJ exigem a necessidade
neos
de expressa autorização dos associados para a defesa de seus direitos
de sa
em juízo, seja individualmente, seja por deliberação assemblear, não
bastando, para tanto, a previsão genérica no respectivo estatuto, caso
ocorra dissolução da associação que ajuizou ação civil pública, não é
possível a sua substituição no polo ativo por outra associação, ainda
que os interesses discutidos na ação coletiva sejam comuns a ambas.
"Reconhece-se, pois, a absoluta impossibilidade, e mesmo incom-
patibilidade, de outra associação assumir o polo ativo de ação civil
pública promovida por ente associativo que, no curso da ação, veio
a se dissolver (no caso, inclusive, por deliberação de seus próprios
associados). Sob o aspecto da representação, afigura-se, pois, inconci-
liável a situação jurídica dos então representados pela associação dis-
solvida com a dos associados do "novo ente associativo", ainda que,
em tese, os interesses discutidos na ação coletiva sejam comuns aos
dois grupos de pessoas. 4.1 Na espécie, a partir da dissolução do ente
associativo demandante, a subtrair-lhe não apenas a legitimação, mas
a própria capacidade de ser parte em juízo, pode-se concluir com se-
gurança que os então associados não mais são representados pela
associação autora, notadamente na subjacente ação judicial. Por sua
vez, a nova associação, que pretende assumir a titularidade do polo
ativo da subjacente ação civil pública, não detém qualquer autoriza-
ção para representar os associados do ente associativo demandante. 3) Legi
Aliás, da petição de ingresso no presente feito, constata-se que o pe- ocup
titório rão se fez acompanhar sequer da autorização de seus próprios
associados para, no caso, prosseguir com a presente ação, o que, por
si só, demonstra a inviabilidade da pretensão. E, ainda que hipote-
ticamerte houvesse autorização nesse sentido (de prosseguimento
no feito), esta, por óbvio, não teria o condão de suprir a ausência de
autorização dos então associados da demandante, o que conduz à
inarredável conclusão de que a associação interveniente não possui 55. DI DI ER JR
legitimidade para prosseguir com a presente ação. 4.2 In casu, o Mi- Vol. 4, 10

188
ardo Garcia LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI No 7 .347, DE 24 DE JULHO DE 1985

~
al do tema
prudência
nistério Público, ciente da dissolução da associação demandante, não
manifestou interesse em prosseguir com a subjacente ação coletiva, o
que enseja a extinção do feito, sem julgamento de mérito. S. Recurso
Especial provido." (STJ, REsp 1405697/MG, Rei. Ministro Marco Auré-
I
rmalizado
lio Bellizze, Terceira Turma, DJe 08/10/2015).
ntação no
a dos asso- Como acentuaram na doutrina Fredie Didier Jr e Hermes Zaneti Jr., con-
o acórdão tudo, ocorreu uma leitura equivocada pelo STJ dos fundamentos deter-
especial e minantes da decisão do STF. O preéedente não tem a extensão dada
1165040/
pelo STJ, deveria se limitar as ações por representação. 55
16)
2) Legitimidade- Tutela dos interesses e direitos individuais homogê-
cessidade
neos - declaração de nulidade de cláusulas em contrato de planos
s direitos
de saúde
lear, não
uto, caso Informativo 369. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. LEGITIMIDADE. ASSOCIAÇÃO
ca, não é CIVIL. A Turma reiterou entendimento da Segunda Seção deste Su-
ão, ainda perior Tribunal e afirmou que a ação civil pública é o instrumento
ambas. adequado para a defesa dos interesses individuais homogêneos dos
consumidores. Quanto à legitimidade, preenchidos os requisitos le-
mo incom- gais (art. 52 da Lei n. 7.347/1985 e art. 82, IV, do CDC), as associações
ação civil de defesa dos consumidores podem propor ação civil pública ou ação
ação, veio coletiva na tutela dos interesses e direitos individuais homogêneos.
s próprios Dispensam-se formalidades, tais como a prova de que os associados
s, inconci- tenham conferido autorização expressa ou a evidência de que tenham
ciação dis- aprovado o ajuizamento da ação em assembléia. Assim a União Nacio-
ainda que, nal em Defesa de Consumidores, Consorciados e Usuários do Sistema
omuns aos Financeiro (Unicons) tem legitimidade para propor ação civil pública
ão do ente contra a Unimed - Porto Alegre, na qual pleiteia que sejam decla-
mação, mas radas sem efeito a rescisão do contrato de assistência médica e a
ir com se- imposição de cobrança de adicional para internação hospitalar feitas
ados pela unilateralmente pela recorrida ré, bem como que sejam declaradas
al. Por sua nulas cláusulas contratuais e a condenação à reparação de danos.
de do polo REsp 805.277-RS, Rei. Min. Nancy Andrighi, julgado em 23/9/2008.
r autoriza-
mandante. 3) Legitimidade - Discussão do pagamento de taxa de aforamento,
que o pe- ocupação e laudêmio.
s próprios
o que, por Informativo 314. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. LEGITIMIDADE. ASSOCIAÇÃO
ue hipote- CIVIL. TAXAS. AFORAMENTO. OCUPAÇÃO. LAUDÊMIO. Trata-se da le-

eguimento gitimidade de associação de defesa do consumidor para propor ação


usência de
conduz à
não possui 55. DI DI ER JR., Fredie; ZANETI JR., Hermes. Curso de Direito Processual Civil. Processo Coletivo.
asu, o Mi- Vol. 4, 10• ed. Salvador: Jus Podivm, 2016.

189
LEI DA AÇÃ

civil pública em que se discute o pagamento de taxa de aforamento,


da taxa de ocupação e do laudêmio sobre os valores correspondentes
sobre as benfeitorias existentes nos imóveis dos substituídos, foreiros
de terreno de marinha de propriedade da União. A Lei n. 7.347/1985
legitima as associações para propor ações civis públicas. Elas podem
atuar na defesa de direitos e interesses transindividuais. A discussão
sobre o pagamento de foro e laudêmio nos imóveis situados no terre-
no de marinha da União, no caso, envolve um grupo determinado ou
determinável de interessados (detentores de imóveis objeto de afora-
mento situados em faixa de terreno de marinha de municípios determi-
nados), com objeto indivisível (cobrança de taxa de aforamento, da taxa
de ocupação e do laudêmio sobre as benfeitorias- construções) e com
origem em relação jurídica comum (enfiteuse ou aforamento). Ademais
consta do estatuto da associação, entre outras finalidades, promover
a defesa de qualquer outro interesse difuso e coletivo e/ou individual,
com base no permissivo constitucional vigente. Quanto à intimação da
pessoa jurídica demandada na ação civil pública para prestar informa-
ção no prazo de 72 horas (art. 22 da lei n. 8.437/1992) como requisito 6) le
para a concessão da liminar, o Tribunal a quo não a observou, sem que ch
houvesse justificativa bastante para tanto. Assim, a Turma por maioria
conheceu em parte do recurso e, nessa parte, deu-lhe provimento para
declarar nula a decisão que concedeu a liminar. REsp 667.939-SC, Rei.
Min. Eliana Calmon, julgado em 20/3/2007.

4) legitimidade - Ambiental - Descontaminação e recuperação de


áreas degradadas.

Informativo nº 359. LEGITIMIDADE. ASSOCIAÇÃO. INDENIZAÇÃO.


POLUIÇÃO. A associação de moradores tem legitimidade ativa para
propor ação coletiva contra empresas que tinham contrato com a
falida indústria de produção de tintas para reciclar as sobras dos pro-
dutos fabricados. O pedido inicial objetiva que, se condenadas, as
empresas paguem indenização por danos morais e materiais, bem
como procedam à descontaminação e à recuperação das áreas de-
gradadas. O caso é típico de tutela de direitos individuais homogêne-
os, pois a origem comum que une os associados da autora recorrente
é o vazamento de produtos tóxicos e a conseqüente contaminação 7) le
da água que consumiam. Os danos materiais e morais de cada um bre c
serão apurados em liquidação de sentença. Precedente citado: REsp
279.273-SP, DJ 29/3/2004. REsp 982.923-PR, Rei. Min. Fernando Gon-
çalves, julgado 10/6/2008.

5) legitimidade- Nulidade de garantia hipotecária dada pela cons-


trutora à instituição financeira após ter negociado o imóvel com o
promissário comprador.

190
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
'*li
e aforamento, Informativo n2 194. AÇÃO COLETIVA. IMÓVEIS. HIPOTECA. LEGITIMI-
rrespondentes DADE ATIVA. A orientação dominante neste Superior Tribunal é no
uídos, foreiros sentido de ser nula a garantia hipotecária dada pela construtora à
n. 7.347/1985 instituição financeira após já ter negociado o imóvel com promis-
s. Elas podem sário comprador. Assentou-se também que os arts. 677 e 755 do
s. A discussão CC/1916 aplicam-se à hipoteca constituída validamente e não à que
ados no terre- padece de vício de existência que a macula de nulidade desde o nas-
eterminado ou cedouro, precisamente a celebração anterior de um compromisso
bjeto de afora- de compra e venda e o pagamento integral do preço do imóvel. E o
cípios determi- banco, ao celebrar o contrato de financiamento, pode inteirar-se das
mento, da taxa condições dos imóveis: destinados à venda, já oferecidos ao público,
truções) e com com preço total ou parcialmente pago pelos terceiros de boa-fé. Em
ento). Ademais diversos julgados já se firmou o entendimento que o magistrado,
des, promover diante do relevante interesse social, como é o caso dos autos, pode
/ou individual, dispensar a exigência da constituição da associação autora há mais
à intimação da de um ano. REsp 399.859-ES, Rei. Min. Carlos Alberto Menezes Direi-
to, julgado em 2/12/2003.
estar informa-
como requisito 6) legitimidade - nulidade de cláusula de cobrança de tarifa sobre
ervou, sem que cheque emitido com valor igual ou superior a R$ 5 mil;
ma por maioria
ovimento para "RECURSO ESPECIAL CONSUMIDOR. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. TAXA PARA
67.939-SC, Rei. COMPENSAÇÃO DE CHEQUES DE VALOR IGUAL OU SUPERIOR A CIN-
CO MIL REAIS. LEGITIMIDADE ATIVA DA ASSOCIAÇÃO. RESOLUÇÃO
DO BANCO CENTRAL DO BRASIL. INOCORRÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE
uperação de SERVIÇO ESPECIAL ABUSIVIDADE RECONHECIDA. 1. Demanda coletí-
va proposta por associação nacional postulando o reconhecimento da
abusividade da cobrança de tarifa pelo Banco do Estado do Rio Gran-
INDENIZAÇÃO.
de do Sul (Banrisul) para a compensação de cheques emitídos com
ade ativa para
valor igual ou superiora R$ 5.000,00. ( ... )4. A Resolução n.2 3.919/10,
ontrato com a
veda expressamente a cobrança de tarifas em contraprestação de ser-
obras dos pro-
viços essenciais às pessoas naturais. S. Não demonstrada a efetiva
ondenadas, as
prestação de serviço especial a justificar a cobrança da referida taxa
materiais, bem
de compensação de cheques, deve ser reconhecida a sua abusividade.
das áreas de-
6. Recurso especial desprovido." (STJ, REsp 1208567/RS, Rei. Ministro
ais homogêne- Paulo De Tarso Sanseverino, Terceira Turma, DJe 10/03/2014)
ora recorrente
contaminação 7) legitimidade- associação pode questionar a cobrança de tarifa so-
s de cada um bre cheque emitido com valor igual ou superior a R$ 5 mil.
e citado: REsp
"RECURSO ESPECIAL. CONSUMIDOR. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. TAXA PARA
Fernando Gon-
COMPENSAÇÃO DE CHEQUES DE VALOR IGUAL OU SUPERIOR A CIN-
CO MIL REAIS. LEGITIMIDADE ATIVA DA ASSOCIAÇÃO. RESOLUÇÃO
a pela cons- DO BANCO CENTRAL DO BRASIL. INOCORRÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE
móvel com o SERVIÇO ESPECIAL ABUSIVIDADE RECONHECIDA. 1. Demanda coleti-
va proposta por associação nacional postulando o reconhecimento da

191
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zanetí Jr. e Leonardo Garcia
fMij LEI DA AÇÃO

abusividade da cobrança de tarifa pelo Banco do Estado do Rio Gran-


de do Sul (Banrisul) para a compensação de cheques emitidos com va-
lor igual ou superior a R$ 5.000,00. ( ..• ) 2. A regra do artigo 81, inciso
111, do CDC autoriza expressamente a defesa coletiva dos chamados di- 2) Ileg
reito individuais homogêneos. ( .•. ) 4. A Resolução n.º 3.919/10, veda reit
expressamente a cobrança de tarifas em contraprestação de serviços tula
essenciais às pessoas naturais. 5. Não demonstrada a efetiva presta-
ção de serviço especial a justificar a cobrança da referida taxa de com-
pensação de cheques, deve ser reconhecida a sua abusividade." (STJ,
REsp 1208567/RS, Rei. Ministro Paulo De Tarso Sanseverino, Terceira
Turma, DJe 10/03/2014)

8) Legitimidade - ação destinada a impor à instituição financeira a


obrigação de adotar o método braille nos contratos bancários de ade-
são celebrados com pessoa portadora de deficiência visual.
"No caso do consumidor deficiente visual, a consecução deste direito,
no bojo de um contrato bancário de adesão, somente é alcançada (de
modo pleno, ressalta-se), por meio da utilização do método braille, a
facilitar, e mesmo a viabilizar, a integral compreensão e reflexão acer-
ca das cláusulas contratuais submetidas a sua apreciação, especial-
mente aquelas que implíquem limitações de direito, assim como dos
extratos "(STJ, REsp 1315822/RJ, Rei. Ministro Marco Aurélio Bellizze,
Terceira Turma, DJe 16/04/2015)

6.5. ILEGITIMIDADE
1) Ilegitimidade -Anulação de multas de trânsito.
Informativo nº 310. LEGITIMIDADE. ASSOCIAÇÃO. AÇÃO CIVIL PÚ-
BLICA. MULTA. TRÂNSITO. A associação ora recorrida, dedicada à
proteção das relações de consumo, ajuizou ação civil pública com o
desiderato de anular, no âmbito do município recorrente, as multas
de trânsito e as anotações em prontuário dos motoristas por essas
atingidos, desde o advento do Código Brasileiro de Trânsito- CBT, ao
fundamento de ilegitimidade dos agentes de trânsito, posto que de-
tentores de funções comissionadas. Frente a isso, a Turma, ao pros-
seguir o julgamento, entendeu que, como bem disse o Min. Luiz Fux
em seu voto-vista, a relação entre o ente político e os administrados
decorrente do poder de polícia não pode ser confundida com uma
relação de consumo, além do fato de que a inexistência da relação
consumerista na hipótese conduz à ilegitimidade ativa da associação
para o ajuizamento da ação civil pública lastreada no art. 21 da Lei n.
7.347/1985. Anotou que o poder de polícia, que denota uma ativida-
de estatal tendente ao regramento das atividades engendradas pelos
particulares, não se traduz por serviço público, comodidades ofereci-

192
eonardo Garcia LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985 ______IMf-p

do Rio Gran- das pelo Estado ou por quem lhe faça as vezes. REsp 727.092-RJ, Rei.
idos com va- Min. Francisco Falcão, julgado em 13/2/2007.
go 81, inciso
chamados di- 2) Ilegitimidade- Associação não pode postular em nome próprio di-
919/10, veda reito alheio, exceto se por meio de ação coletiva. Vedação de pos-
o de serviços tular ação individual.
fetiva presta-
Informativo 416. IDEC. AÇÃO INDIVIDUAL ILEGITIMIDADE. Trata-se de
taxa de com-
. ação civil pública na qual o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumi-
vidade." (STJ,
dor (IDEC) objetiva, em nome próprio, fazer com que os recorridos,
rino, Terceira
colégios de primeiro e segundo graus, procedam aos descontos de
matrícula e mensalidade dos filhos dos substituídos processuais. O
inanceira a Instituto recorrente embasou seu pedido nas disposições do DL n.
rios de ade- 3.200/1941. O juiz julgou a ação procedente para determinar os des-
contos postulados. Interposta a apelação, o TJ reformou a sentença
.
ao entendimento de que o IDEC não possui legitimidade ativa ad
deste direito, causam para postular em nome próprio direito alheio, exceto se por
alcançada (de meio de ação coletiva, o que não é a hipótese. Ao recurso aviado pelo
odo braille, a IDEC, o Min. Relator dava-lhe provimento, ao entendimento de que o
eflexão acer- Instituto tem legitimidade para propor ação coletiva para defender in-
ão, especial- teresses individuais homogêneos. O Min. João Otávio de Noronha, em
im como dos seu voto-vista, divergindo do Min. Relator, destacou que este Superior
rélio Bellizze, Tribunal já julgou ações, propostas peló MP, cujo fundamento era o
desconto de mensalidades escolares com b<;~se no DL n. 3.200/1941,
tendo decidido pela improcedência da ação, visto que o art. 24 do
referido decreto encontra-se revogado. Todavia, ressaltou que a hipó-
tese contempla uma peculiaridade: a presente ação não é coletiva,
mas individual. E a norma consumerista é específica ao conferir le-
ÃO CIVIL PÚ- gitimidade a associações para postularem em nome próprio nas hi-
, dedicada à póteses em que a ação proposta seja coletiva (arts. 81, 111, 82, IV, do
ública com o CDC). Nessa norma percebe-se não haver previsão de substituição
te, as multas processual extraordinária para defesa de interesses particulares por
as por essas meio de ações individuais, como ocorre no caso. Para o Min. João
nsito- CBT, ao Otávio de Noronha, não se trata apenas de mero formalismo com o
posto que de- nome atribuído à presente ação, mas dos contornos a ela conferidos
rma, ao pros- pelo autor, que sonegou a feição metaindividual ao feito. Mesmo que
Min. Luiz Fux os interesses fossem considerados "individuais homogêneos", a legi-
dministrados timidade da associação estaria condicionada a que fossem também
da com uma indisponíveis. In casu, havendo apenas a soma de interesses indivi-
ia da relação duais de duas pessoas, interesses que parecem legítimos, mas não
da associação coletivos, não cabe à associação defendê-los. No caso, não há previ-
t. 21 da Lei n. são de substituição processual. Já a hipótese de representação, não
uma ativida- foi levantada pelo IDEC, que postulou em nome próprio, entendendo
ndradas pelos que fazia a defesa de direitos individuais homogêneos, conferindo ao
ades ofereci- presente feito a feição coletiva. Diante disso, a Turma, ao prosseguir o

193
LEI DA AÇ

julgamento, por maioria, não conheceu do recurso. Precedentes cita-


dos: REsp 72.413-SP, DJ 22/4/1996, e REsp 168.339-SP, DJ 16/8/1999.
REsp 184.986-SP, Rei. originário Min. luis Felipe Salomão, Rei. para
acórdão Min. João Otávio de Noronha, julgado em 17/11/2009.

6.6. ATENÇÃO: alteração recente do inciso "b" do inciso V do art. so A)


da LACP. B)

Nos moldes do acréscimo promovido no art. 1 o e na alteração do art. C)


4° da LACP, foi alterada a letra "b" do inciso V do art. so
para incluir a D)
proteção aos direitos de grupos raciais, étnicos ou religiosos e também E)
para defesa do patrimônio público e social.
Lembre-se que toda alteração legislativa costuma ser cobrada em prova. 7. ENTE

6.7. Aplicação em concursos Tam


órgã
• TJ/PE/Juiz/2011- FCC
a De
uma associação (Organização Não Governamental - ONG) com sede em ante
Petrópolis, RJ, tendo como finalidade a proteção do patrimônio histórico
e cultural, criadá há mais de 1 ano, inconformada com o tratamento dado
pelo órgão de proteção do patrimônio histórico e cultural pernambucano
a determinado imóv'ellocalizado no Recife, neste Estado,
A) não pode entrar com a ação judicial por ter sede fora do Estado de Per-
nambuco, porém pode representar ao Ministério Público do Estado de Assi
Pernambuco para que o faça. cons
B) pode ingressar com ação civil pública na comarca de Petrópolis, RJ, onde se 7
situa sua sede, citando as partes por precatória.

C) pode ingressar com ação civil pública na comarca do Recife, mesmo tendo
sua sede em outro estado, porque tem legítimo interesse para propor a
ação e legitimidade processual.
D} não pode propor a ação civil pública, porque em casos envolvendo patri-
mônio histórico e cultural apenas o Ministério Público Federal tem legiti-
midade para propô-la.
E) pode propor a ação civil pública, desde que o faça em litisconsórcio ativo
com o Ministério Público Federal ou Estadual, por expressa disposição le-
gal existente na lei n2 7.347 de 1985.
Resposta: Gab: Letra C. 56. "AÇÃ
A Tu
ação
• DPE/MA/Defensor/2009- FCC. vinc
"O órgão ambiental competente, integrante do Sistema Nacional do Meio que
Ambiente- SISNAMA, outorga licença ambiental a determinado ernpreen- 82, 1

194
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N> 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
f;ftiJ
edentes cita- dedor, permitindo-lhe o exercício de atividade que se mostra lesiva ao
J 16/8/1999. meio ambiente. Pretendendo anular judicialmente o ato administrativo
ão, Rei. para de outorga da licença, uma associação civil regularmente constituída, com
/2009. objetivo de preservação ambiental, poderá ajuizar

V do art. so A) ação popular.


B) mandado de segurança coletivo.

ção do art. C) mandado de segurança individual.


ara incluir a D) ação direta de inconstitucionalidade.
s e também E) ação civil pública!'
Resposta: Letra "e"

a em prova. 7. ENTES DESPERSONALIZADOS (Defesa do Consumidor):

Também são legitimados, mesmo que sem personalidade jurídica, os


órgãos públicos de defesa do consumidor. Esse era o caminho pelo qual
a Defensoria Pública do Rio de Janeiro passou a ajuizar ações coletivas,
com sede em antes da inclusão na LACP pela Lei 11.448/07. 56
ônio histórico
amento dado "Art. 82 ... são legitimados concorrentemente ... 111 -as entidades e órgãos
ernambucano da administração pública, direta ou indireta, ainda que sem personalidade
jurídica, especificamente destinados à defesa dos direitos e interesses pro-
tegidos por este Código".
stado de Per-
do Estado de Assim, os PROCONS ou outros órgãos públicos que visam proteger o
consumidor são legitimados para impetrar ACP.
s, RJ, onde se 7 Aplicação em concurso:
• UFPR- Defensor Público- PR/2014
mesmo tendo
"União, Estados e Municípios estão legitimados para o ingresso de ação
para propor a
coletiva de consumo, mas não podem fazer uso deste instrumento órgãos
públicos da administração indireta, ainda que tenham em suas atribuições
olvendo patri- a defesa do consumidor."
ral tem legiti-
Resposta: A afirmativa está errada. O art. 82, 111 do coe expressamente
confere a legitimidade aos órgãos e entes da administração pública, direta
onsórcio ativo e indireta, ainda que despersonalizados.
disposição le-

56. "AÇÃO CIVIL PÚBLICA. LEGITIMIDADE. DEFENSORIA PÚBLICA. INTERESSE. CONSUMIDORES.


A Turma, por maioria, entendeu que a defensoria pública tem legitimidade para propor
ação civil pública na defesa do interesse de consumidores. Na espécie, o Nudecon, órgão
vinculado à defensoria pública do Estado do Rio de Janeiro, por ser órgão especializado
ional do Meio que compõe a administração pública direta do Estado, perfaz a condição expressa no art.
ado ernpreen- 82, 111, do CDC." (STJ, REsp 555.111-RJ, Rei. Min. Castro Filho, Í'Jigado em 5/9/2006.)

195
LEI DA AÇÃO

• TJ/PI/Juiz/2012- CESPE • D
"Supondo a ocorrência de acidente aéreo no qual morram duzentos e oi- "C
tenta passageiros, assinale a opção correta com base na disciplina legal m
acerca da defesa, em juízo, do consumidor. co
D) Serão legitimados para a propositura de ação coletiva em favor dos suces- da
sores das vítimas as entidades e órgãos da administração pública, direta ou d
indireta, destinados especificamente à defesa dos interesses e direitos do R
consumidor, desde que dotados de personalidade jurídica."
• D
Resposta: A afirmativa está errada.
"S
• TJ/PA/Juiz/2012 - CESPE a
"Há entidades que, embora sem personalidade jurídica, possuem legitimi- q
dade ativa para o ajuizamento de ação coletiva." ri
p
Resposta: A afirmativa está correta. Previsão legal no art. 82, 111 do coe. te
p
• MPE/SE/Promotor/2010- CESPE
"O PROCON de Sergipe, Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa do R
Consumidor, órgão público destituído de personalidade jurídica, tem le- fo
gitimidade apenas para ajuizar demandas objetivando a tutela individual
dos consumidores."
Resposta: A afirmativa está errada.

• CESPE- (MPE/RR)- Promotor Substituto- 2008


"Tanto o Ministério Público Federal e o Ministério Público Estadual, bem
como os órgãos públicos organizados para a defesa do consumidor- PRO-
CONS -,têm legitimidade ativa ad causan concorrente para atuar na defe-
sa coletiva dos interessados lesados."
Resposta: A afirmativa está correta.

• MP/DF- 26!! Concurso.


"Nas ações que tenham por objeto direito do consumidor, é reconhecida
a capacidade de estar em juízo aos entes oficiais que têm por finalidade 7.1. ST
a defesa e proteção do consumidor, ainda que não constituam pessoa ju-
rídica;"
Resposta: A afirmativa está correta.

• MP/AM- 2007 (CESPE)


"Os órgãos de proteção do consumo que não se revestirem de personali-
dade jurídica não estarão legitimados a promover a defesa do consumidor
em juízo."
Resposta: A afirmativa está errada.

196
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985 IMIW

• Defensoria Pública/Sergipe- 2005 (CESPE)


ntos e oi- "Considere que um grupo de consumidores tenha sofrido danos materiais e
lina legal morais em razão da aquisição de automóveis que se incendiaram, logo após a
compra, em decorrência de defeitos de fábrica. Nessa situação; terá legitimi-
os suces- dade ativa, para ajuizar ação em defesa daquele grupo, ente público de defesa
direta ou do consumidor, mesmo que seja desprovido de personalidade jurídica."
reitos do Resposta: A afirmativa está correta.

• DPE/AL - CESPE- 2009


"Se ocorrer uma explosão no interior de estabelecimento empresarial que
atue com a venda de pólvora e produtos congêneres, em razão do inade-
m legitimi- quado acondicionamento de alguns produtos, e essa explosão causar sé-
rios danos materiais e morais a pessoas que se encontrem no interior e nas
proximidades do estabelecimento, a Procuradoria de Assistência Judiciária
do coe. terá legitimidade para propor ação civil pública em busca da indenização
pelos danos materiais e morais carreados a todos os prejudicados."

Defesa do Resposta: A afirmativa está correta. A questão foi extraída do seguinte in-
a, tem le- formativo do STJ:
ndividual
"Informativo 195. A Procuradoria de. Assistência Judiciária do Estado
de São Paulo tem legitimidade para propor ação civil pública em busca
da indenização por danos materiais e morpis decorrentes da explosão
de estabelecimento dedicado à venda de fogos de artifícios e pólvora
(art. 5!!, XXXII, da CF/1988 e art. 82 do CDC). A explosão resultou, além
dual, bem de vultosos prejuízos materiais, na lesão corporal e na morte de diver-
dor- PRO- sas pessoas que, em razão de sofrerem os efeitos danosos dos defeitos
r na defe- do produto ou serviço, são equiparadas aos consumidores (art. 17 do
CDC), mesmo não tendo participado diretamente da relação de con-
sumo. Note-se que a possível responsabilidade civil decorre de fato do
produto na modalidade de vício de qualidade por insegurança (art. 12
do CDC}, que pode ser imputada ao comerciante, ora recorrente. (STJ,
conhecida REsp 181.580-SP, Rei. Min. Castro Filho, julgado em 9/12/2003)
inalidade 7.1. STJ:
pessoa ju-
Informativo N2458. LEGITIMIDADE. PLANO. SAÚDE. IDOSO. REAJUS-
TE.A Turma, por maioria, reconheceu, preliminarmente, a legitimida-
de da comissão de defesa do consumidor de assembleia legislativa
estadual para ajuizar ação civil pública (ACP) em defesa dos interesses
e direitos individuais homogêneos do consumidor - no caso, relati-
personali-
vamente ao aumento efetuado pela recorrida das mensalidades de
nsumidor
plano de saúde dos segurados com mais de 60 anos - nos termos
dos arts. 81, parágrafo único, 82, 111, e 83, todos do CDC, e 21 da Lei
n. 7.347/1985. Para a Min. Relatora, o art. 82, 111, do referido código

197
LEI DA A

apenas determina, como requisito de legitimação concorrente para 9. litis


o exercício da defesa coletiva, que o órgão atue em prol dos direitos
dos consumidores, motivo pelo qual a exigência mencionada pelo
De
tribunal a quo- de que o regimento interno da comissão recorrente pod
deveria expressamente prever, à época da propositura da ACP, sua na
competência para demandar em juízo - constitui excesso de forma- ao
lismo, a incidir a regra que dispõe: onde a lei não distingue, não cabe soa
ao intérprete distinguir. ( ... ) REsp 1.098.804-RJ, Rei. Min. Nancy An- tor,
drighi, julgado em 2/12/2010. drig
~
8. O cidadão não pode propor ACP.
-7 Aplicação em concurso:
• Defensor Público - R0/2012- CESPE
"A defesa dos interesses e direitos dos consumidores pode ser exercida em
juízo, a título coletivo, pelo MP, pelas entidades da administração pública e
pelo particular vítima de acidente de consumo."
Resposta: A afirmativa está errada.

• MPE/SE/Promotor/2010- CESPE
- "É legitimado à ação cbletiva o membro do grupo, categoria ou classe para
a defesa de interesses ou direitos difusos de que seja titular um grupo,
categoria ou classe de pessoas ligadas entre si com a parte contrária por
uma relação jurídica base."
Resposta: A afirmativa está errada.

- "A interação entre as normas da Lei da Ação Civil Pública, do coe e da Lei
da Ação Popular admite a legitimidade para agir do cidadão, em defesa de
interesses individuais homogêneos de que sejam titulares pessoas ligadas
por circunstâncias de fato."
Resposta: A afirmativa está errada.

• TCE/SP/Auditor/2008- FCC
Conforme a lei que disciplina a matéria, não tem legitimidade para propor
uma ação civil pública
A) o Ministério Público.
B) a Defensoria Pública. -7
C) um cidadão, no gozo de seus direitos políticos.
O) uma sociedade de economia mista.
E) a União.
Resposta: Letra C.

198
LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI No 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985

'ª''
rente para 9. litisconsórcio (art. 52, § .22):
os direitos
nada pelo
De acordo com o § 22, o poder público e outras associações legitimadas
recorrente poderão habititar-se como litisconsortes de qualquer das partes. Trata-se
a ACP, sua na verdade de assistência litisconsorcial. Aqui cabe referir mais uma vez
de forma- ao microssistema e a aplicação do art. 62, § 3º da LAP que permite a pes-
, não cabe soa jurídica optar entre contestar, não-contestar ou atuar ao lado do au-
Nancy An- tor, se assim melhor convier ao interesse público (intervenção móvel- Ro-
drigo Mazzei- ou despolarização da demanda- Antonio do Passo Cabral).
~ STJ
Informativo 390. DANO. MEIO AMBIENTE. OMISSÃO. FISCALIZAÇÃO.
UNIÃO. Em ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal
contra município e outros sete réus devido a dano ao meio ambiente
xercida em por construções em restinga (que fixa as dunas), pleiteou-se, além de
o pública e perdas e danos, a demolição das edificações irregulares. Nos termos
do art. 5Q, § 2Q, da Lei n. 7.347/1985, consultada a União, ela reque-
reu seu ingresso no pólo ativo da demanda e o juiz o deferiu. Então o
município, em agravo de instrumento, alegou a ilegitünidade da União
porque ele detinha o domínio da área das construções. O Tribunal a
quo acolheu o argumento do município, mas reconheceu também
classe para que a União foí omissa quanto a seu dever de fiscalizar e preser-
um grupo, var o local e determinou que o parquet requeresse o ingresso da
ntrária por União no pólo passivo da demanda, como litisconsórcio necessário.
Contra esse litisconsórcio, insurge-se a União no REsp. Nesse contex-
to, observa o Min. Relator que a jurisprudência deste Superior Tri-
bunal é no sentido de reconhecer a legitimidade passiva da pessoa
oe e da Lei jurídica de direito público para responder pelos danos causados ao
meio ambiente em decorrência de sua conduta omissa quanto ao
m defesa de
dever de fiscalizar. Assim, não se trata de determinar previamen-
oas ligadas
te a responsabilidade da União, mas alocá-la adequadamente no
pólo passivo da ação, diante da presunção de sua responsabilida-
de em concorrer com o dano ao meio ambiente e, caso exista prova
superveniente a isentá-la, o feito deverá ser extinto em relação a
ela. Diante do exposto, a Turma conheceu parcialmente do recurso e,
para propor nessa parte, negou-lhe provimento. Prece ::lentes citados: AgRg no Ag
973.577-SP, DJ 19/12/2008, e AgRg no Ag 822.764-MG, DJ 2/8/2007.
REsp 529.027-SC, Rei. Min. Humberto Martins, julgado em 16/4/2009.

-7 Aplicação em concurso:
• AGU/Procurador/2007- CESPE
"É facultado ao poder público habilitar-se como litisconsorte de qualquer
das partes na ação civil pública!'
Resposta: A afirmati';a está correta.

199
MiJH DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia LEI DA AÇ

• MP/RN/Promotor/2009- CESPE Neste


"Em ação civil pública, o poder público não pode habilitar-se como litiscon- titula
sorte em ações propostas por associação legitimada." tese
Resposta: A afirmativa está errada. Ocor
• MP/SE- CESPE- 2010 caso
"No processo coletivo, é permitida a ampliação do objeto litigioso da ação, aplic
mediante formulação de demandas de caráter pessoal e individualizadas dema
de interessados, como litisconsortes necessários do autor coletivo."
Resposta: A afirmativa está errada. -?

10. Desistência (ln)fundada nas ações coletivas (art. 52, § 32):

O legislador expressou menos do que pretendia (minus dixet quam vo-


luit}, sendo certo que o dispositivo em testilha se aplica as associações e
a todos os demais legitimados para a ACP, inclusive para o próprio Minis-
tério Público. Com relação a este último, importante é verificar o prin-
cípio da indisponibilidade/obrigatoriedade (temperada ou mitigada) da •
demanda coletiva cognitiva e o princípio da continuidade da demanda
coletiva {art. 52, § 12 e 32) calcados na ideia central de "desistência fun-
dada", por parte dos co-legitimados e do órgão do MP, permitem a de-
sistência nas ACP sempre que isto esteja de acordo com a melhor tutela
do interesse público. Na doutrina: "em matéria de ação civil pública ou
coletiva, implicitamente, a nova redação do § 32 do art. 52 da LACP pas-
sou a admitir que as associações civis autoras possam manifestar desis- •
tências fundadas, caso em que o Ministério Público não estará obrigado
a assumir a promoção da ação. Daí podemos validamente deduzir que,
se existem, desistências fundadas, formuladas por associações civis, en-
tão, por identidade de razão, também pode haver desistências fundadas
de quaisquer co-legitimados, até mesmo do próprio Ministério Público" •
(MAZZILLI, Hugo Nigro. A Defesa dos Interesses Difusos em Juízo. 19ª
Edição, Editora Saraiva, 2006. pg. 347}

10.1. Desistência no IRDR e no REER


O regime jurídico dos casos repetitivos, como vimos, implica no julga-
mento de um caso-oiloto pelo tribunal. O tribunal julga uma causa e
também a tese jurídica geral.

Ocorre que, nos casos em que houver desistência, o caso-piloto transfor-


ma-se em caso-modelo, continuando o julgamento independentemente •
da existência de uma causa afetada para julgamento no tribunal. O tribu-
nal, nestes casos, julga apenas a tese jurídica geral (art. 976, § 12).

200
o Garcia LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI No 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985

Nestes casos, se tratando de um processo individual, o MP assume a


itiscon- titularidade do caso repetitivo para fins de conclusão do julgamento da
tese jurídica geral {art. 976, § 22).
Ocorre que no caso em que a ação coletiva seja a ação escolhida como
caso-piloto a desistência não poderá ser admitida, não surte efeitos,
da ação, aplicando-se o regime da sucessão processual obrigatória ao MP e aos
alizadas demais colegitimados, conforme descrito acima.
"
-? Aplicação em concurso:

• VUNESP- TJ-MS- Juiz Substituto - 2015


"Quanto à ação civil pública, afirma-se que em caso de desistência infun-
am vo- dada ou abandono da ação por associação legitimada, o Ministério Público
ações e assumirá a titularidade ativa, de forma exclusiva."
Minis-
Resposta: A afirmativa está errada.
o prin-
da) da • UFPR- Defensor Público- PR/2014
manda "Havendo desistência infundada ou abandono da ação coletiva por as-
ia fun- sociação legitimada, a Defensoria Pública poderá assumir a titularidade
m a de- ativa da demanda apenas quando o Ministério Público expressamente
r tutela não o fizer."
lica ou Resposta: A afirmativa está errada.
CP pas-
r desis- • MPE-PI- Promotor de Justiça- Pl/2012- CESPE
brigado "Se a associação autora da ACP formular pedido de desistência, o parquet
zir que, poderá assumir a legitimidade ativa extraordinária da ação."
vis, en- Resposta: A afirmativa está correta.
ndadas
úblico" • Defensoria Pública/MA - 2011 - CESPE
zo. 19ª "O MP possui disponibilidade sobre o conteúdo material da ação civil pú-
blica, bem como disponibilidade sobre a própria ação."
Resposta: A afirmativa está incorreta, as ações coletivas são de regra indis-
poníveis face u indisponibilidade do objeto de tutela ou a indisponibilidade
o julga- processual, podendo apenas ser decidido pelo MP as formas, modos e tem-
ausa e pos de execução das obrigações nos TACs, bem como, a oportunidade e
conveniência do seu prosseguimento em caso de desistência ou abandono
fundados.
ansfor-
emente • Juiz Federai/TRFS- 2011- CESPE
O tribu- "Em caso de desistªncia infundada ou abandono da ação civil pública por
associação legitimada, somente outro ente legitimado poderá assumir a

201
i!iiii. DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia LEI DA A

titularidade ativa, cabendo ao MP, nesse caso, acompanhar a ação na con-


dição de fiscal da lei."
Resposta: A afirmativa está incorreta.

• CESPE- Juiz Substituto- TJ/SE- 2008.


"Em caso de desistência ou abandono da ação civil pública proposta por
algum co-legitimado, o Ministério Público assumirá a legitimidade ativa,
devendo prosseguir na ação até a prolação da sentença de mérito, por ser
indisponível o seu objeto."
Resposta: A afirmativa está incorreta. Se a desistência for fundada e o MP
concordar; não precisará prosseguir com a ação.
b)
10.2. Desistência- Também se aplica a norma para os recursos cíveis:
"Se a própria ação pode ser objeto de desistência fundada, a fortiori
também pode haver desistência fundada do recurso nela interposto".
(MAZZILI, Regime Jurídico do Ministério Público, p. 558, note-se que
aqui se distancia o processo civil coletivo do processo penal, v. art.
576 do CPP). Importante observar que a desistência não implica em
renúncia sobre o direito que se funda a ação, não formando coisa jul-
gada material a decisão do juiz que a homologa, como bem lembra-
do pela doutrina (Carlos Henrique Bezerra Leite. Ministério Público
do Trabalho, p. 248). Não é possível ao MP ou a qualquer legitimado
renunciar ao direito em que se funda a ação, pois é indisponível seu c)
objeto. Lembre-se que o regime dos casos repetitivos é diferente nes-
te ponto, art. 976, §§ 1º e 2º, CPC.
10.3. Divergência entre o juiz e o MP:
Como deverá agir o juiz na hipótese, caso venha a divergir da postura
adotada pelo MP? São três as hipóteses aventadas pela doutrina:

a) analogia ao art. 28 do CPP- decisão pelo PGJ;


b) analogia ao art. 9º da LACP- decisão pelo CSMP;
c) extinção sem julgamento do mérito, art. 267 do CPC/73, 111 (abandono) ou VIII 57. E
(desistência) (art. 485 do novo CPC/15). d
o
d
a) A primeira, defendida por Marcelo Abelha Rodrigues (Ação Civil p
Pública Ambiental, p. 81) e Nelson Nery Jr., que afirma: "Caso o juiz C
não concorde com a desistência da ACP pelo MP, aplica-se analogi- o
ó
camente o CPP 28. O magistrado então remeterá os autos ao PGJ,
r
que insistirá na desistência ou designará outro órgão do MP para d
assumir a titularidade ativa" (Nery Jr. e Rosa Maria Andrade Nery. e

202
'ª''
ardo Garcia LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI No 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985

ão na con- Constituição Federal Comentada e Legislação Constitucional, p.


489.). Vale frisar que para parcela da doutrina, este entendimento
é inadmissível, em face da existência de regra analógica mais próxi-
ma, o art. 9º da LACP, que trata especificamente dos direitos coleti-
vos e que, portanto, é mais adequada para efetivação do raciocínio
posta por analógico. Frise-se, ainda, a lição da doutrina: "nesse particular
ade ativa,
não cabe analogia entre a ação civil penal pública e a ação civil
o, por ser
porque o Ministério Público não é titular privativo desta última; as
situações diferem." (Hugo Nigro Mazzilli. A Defesa dos Interesses
da e o MP
Difusos em Juízo, p. 238).

b) A segunda corrente conta com a adesão majoritária, consoante o


s cíveis:
entendimento de grandes especialistas na matéria como Carlos Hen-
a fortiori rique Bezerra Leite e Hugo Nigro Mazzilli: "Não aceitando o juiz a
terposto". recusa do membro do Ministério Público em assumir a ação, poderá
te-se que
remeter os autos ao Conselho Superior para, sendo o caso, ser desig-
al, v. art.
nado outro membro da instituição para propor a ação"(A Defesa dos
mplica em
coisa jul- Interesses Difusos em Juízo, p. 240, propõe, inclusive, uma consulta
m lembra- prévia pelo membro do MP ao CSMP antes de requerer a desistên-
o Público cia, idem, p. 239, sic.).
egitimado
onível seu c) A terceira e última contou com a adesão do CSMPSP, portanto, nada
rente nes- há para consultar o CSMP, sendo o controle efetuado pelo juiz e pe-
los demais co-legitimados. Frise-se que no caso não ocorre prejuízo,
pois, se trata de extinção do processo sem resolução do rr.érito, por-
tanto, proponível novamente a demanda. Neste sentido, na doutri-
postura na, Motauri Ciocchetti de Souza, Ação Civil Pública e Inquérito Civil,
a: p. 68, fundado no maior prejuízo que adviria da decisão do CSMP,
exigindo-se nova prova para a propositura da ACPY

) ou VIII 57. Este debate está relacionado ao entendimento sobre a discricionariedade do i\1P na análise
do interesse público na demanda. Como bem resenhou Emerson Garcia, em princípio,
o entendimento firmado era que ao juiz cabia verificar a presença do interesse público,
dando a última palavra sobre a matéria e determinando a obrigatoriedade da intervenção
ção Civil pelo MP (RF n2 252/18); após, com a confirmação da independência funcion<JI :lo MP na
so o juiz CF/88, ficou claro que se o juiz não concordar com a manifestação do MP deverá remeter
analogi- os autos em recusa fundamentada ao PGJ, que decidirá em definitivo sobre a atuação do
órgão. Para Emerson Garcia "o próprio agente que se manifestou pela ausênci3 do inte-
ao PGJ,
resse público deverá atuar" (sic.). Nota 520, p. 322. O caso do MP visualíza' necessidade
MP para de intervenção e o juiz discordar, ensejará o recurso cabível, conforme a fas-e do processo
de Nery. e o tipo de decisão, cabendo ao Judiciário a palavra final.

203
IM II DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia

10.4. Mudança de opinião do órgão- fato novo- imprescindibilidade: idênti


Para os casos em que o MP já tenha formado sua convicção, ajuizado a implíc
ação, a mudança de posição do órgão, em face do princípio da obrigato- LACP
riedade, dependerá, para grande parte da doutrina, de fato novo: "Com jurisp
efeito, se o princípio da obrigatoriedade consiste no dever da Instituição
de agir sempre que identificar lesão passível de sua tutela, por c~rto o
MP não poderá desistir da ação civil enquanto persistirem as mesmas
circunstâncias fáticas vigentes à época da propositura da ação" (Motau-
ri Ciocchetti de Souza, Ação Civil Pública e Inquérito Civil, p. 68.)
10.5. STJ

Na ação civil pública, reconhecido o vício na representação processual


da associação autora, deve-se, antes de proceder à extinção do proces-
so, conferir oportunidade ao Ministério Público para que assuma a titu-
laridade ativa da demanda.

"PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. VfCIO NA REPRESENTA-


ÇÃO. SÚMULAS 5/STJ E 7/STJ. EXTINÇÃO DO FEITO. IMPOSSIBILI-
DADE. PRINCfPIO DA INDISPONIBILIDADE DA DEMANDA COLETIVA.
INSTRUMEtJTALIDADE DAS FORMAS. LEGITIMIDADE DO MINISTÉRIO
PÚBLICO. PqECEDENTES. 1. A irregularidade da representação da as-
sociação foi confirmada pela Corte de origem com base na análise do
Regime:1to Interno e Estatuto Social da associação e das provas dos
autos, o que inviabiliza sua modificação em sede de recurso especial,
ante o óbice das Súmulas n. 5/STJ e 7/STJ. 2. "A norma inserta no art.
13 do CPC deve ser interpretada em consonância com o § 3º do art.
5º da Lei 7 347/85, que determina a continuidade da ação coletiva.
Prevalece, na hipótese, os princípios da indisponibilidade da deman-
12. Poss
da coletiva e da obrigatoriedade, em detrimento da necessidade de
manifestação expressa do Parquet para a assunção do pólo ativo da Assim
demanaa" IREsp 855.181/SC, Rei. Min. CASTRO MEIRA, SEGUNDA ningu
TURMA, . ulgado em 1º/9/2009, DJe 18/9/2009). 3. Somente a efe- Estad
tiva e fundamentada demonstração pelo Parquet de que a Ação Civíf
Públi
Pública é manifestamente improcedente ou temerária pode ensejar
seu arquilamento, que deverá ainda ser ratificada pelo Conselho Su- ~ ST
perior do Ministério Público, nos termos do art. 9º da Lei n. 7.347/85. tério
Recurso especial conhecido em parte e provido." (STJ, REsp 1372593/ blico
SP, Rei. Mini;tro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 17/05/2013)
direit
11. TAC e litisconsórcio entre os MP's (Veto Implícito):

Os parágrafos 59 e 69 da LACP foram vetados pelo Presidente da Re-


pública no corpo dos dispositivos do art. 92, parágrafo único, com teor

204
do Garcia

lidade: idêntico, que existia no CDC. Como se sabe, no Brasil não existe veto
izado a implícito, muito menos veto incidenter tantum. A norma foi alterada na
brigato- LACP pelo art. 113 do CDC, que não foi vetado expressamente. Daí a
o: "Com jurisprudência ter pacificado que:
tituição "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. COMPROMISSO DE AJUSTA-
c~rto o MENTO DE CONDUTA. TfTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL. VIGÊNCIA
mesmas DO ARTIGO 52,§ 62, DA LEI N. 7.347/1985. 1. Encontra-se em ple-
Motau- na vigência o§ 62 do art. 52 da Lei n. 7.347/1985, de forma que o
descumprimento de compromisso de ajustamento de conduta cele-
brado com o Ministério Público viabiliza a execução da multa nele
prevista. 2. A Mensagem n. 664/90, do Presidente da República - a
qual vetou parcialmente o Código de Defesa do Consumidor-, ao tra-
cessual tar do veto aos arts. 82, § 32, e 92, parágrafo único, fez referência ao
proces- art. 113, mas não o vetou, razão por que esse dispositivo é aplicável
a a titu- à tutela dos interesses e direitos do consumidor. 3. Recurso especial
parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. (REsp 443.407 /SP,
Rei. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em
ESENTA-
16.03.2006, DJ 25.04.2006 p. 106).
SSIBILI-
LETIVA. Processo Civil. Ação Civil Pública. Compromisso de acertamento de
STÉRIO conduta. Vigência do§ 6º, do artigo 52, da Lei 7.374/85, com a reda-
o da as- ção dada pelo artigo 113, do CDC. f. A referência ao veto ao artigo
álise do 113, quando vetados os artigos 82, § 3~, e 92, parágrafo único, do
vas dos CDC, não teve o condão de afetar a vigência do§ 62, do artigo 52, da
special, Lei 7.374/85, com a redação dada pelo artigo 113, do coe, pois invi-
no art. ável a existência de veto implícito. 2. Recurso provido. (REsp 222582/
do art. MG, Rei. Ministro Milton Luiz Pereira, Primeira Turma, julgado em
oletiva. 12.03.2002, DJ 29.04.2002 p. 166).
deman-
12. Possibilidade de litisconsórcio facultativo entre os MP's {art. 52,§ 52):
ade de
tivo da Assim, haja vista a expressa previsão na norma, bem como o fato de que
GUNDA ninguém questiona a quebra do princípio federativo quando a União,
a efe- Estado e Municípios atuam como litisconsortes, poderão os Ministérios
ão Civíf
Públicos atuar em conjunto na defesa de suas atribuições.
ensejar
lho Su- ~ STJ: pode ser admitido litisconsórcio ativo facultativo entre o Minis-
47/85. tério Público Federal, o Ministério Público Estadual e o Ministério Pú-
72593/ blico do Trabalho em ação civil pública que vise tutelar pluralidade de
/2013)
direitos que legitimem a referida atuação conjunta em juízo.
ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO
CIVIL PÚBLICA. LITISCONSÓRCIO ATIVO FACULTATIVO ENTRE MINISTÉ-
da Re-
RIO PÚBLICO FEDERAL, ESTADUAL E DO TRABALHO. ARTIGO 5º, § 5º,
m teor DA LEI N. 7.347/1985. COMUNHÃO DE DIREITOS FEDERAIS, ESTADU-

205
LEI DA AÇ

AIS E TRABALHISTAS. ( ... ) 2. À luz do art. 128 da CF/88, o Ministério


Público abrange: o Ministério Público da União, composto pelo Minis-
tério Público Federal, o Ministério Público do Trabalho, o Ministério
Público Militar e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios;
e os Ministérios Públicos dos Estados. 3. Assim, o litisconsórcio ativo
facultativo entre os ramos do MPU e os MPs dos Estados, em tese, 7
é possível, sempre que as circunstâncias do caso recomendem, para •
a propositura de ações civis públicas que visem à responsabilidade
por danos morais e patrimoniais causados ao meio-ambiente, ao
consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico e
paisagístico, à ordem econômica e urbanística, bem como a qualquer
outro interesse difuso ou coletivo, inclusive de natureza trabalhista. 4.
No caso, além de visar o preenchimento de cargos de anestesiologis-
tas, em caráter definitivo, junto ao Complexo Hospitalar Universitário, •
mediante a disponibilização de vagas pela Administração Federal, e
a possível intervenção do CADE, a presente demanda objetiva, tam-
bém, o restabelecimento da normalidade na prestação de tais ser-
viços no Estado do Rio Grande do Norte, em virtude da prática de
graves infrações à ordem econômica, com prejuízo ao consumidor, à
livre concorrência, domínio de mercado relevante, aumento arbitrário 13. Ter
de preços, exercício abusivo de posição dominante, cartelização e ter-
§ 6!
ceirização ilícita de serviço público essencial. S. A tutela dos direitos
transindividuais de índole trabalhista encontra-se consubstanciada, Mu
no caso em apreço, pelo combate de irregularidades trabalhistas no tos
âmbito da Administração Pública (terceirização ilícita de serviço públi- tam
co), nos termos da Súmula n. 331 do TST, em razão da lesão a direitos aju
difusos, que atingem o interesse de trabalhadores e envolve relação
leti
fraudulenta entre cooperativa de mão de obra e o Poder Público, além
de interesses metaindividuais relativos ao acesso, por concurso públi- des
co, aos empregos estatais. 6. Dessa forma, diante da pluralidade de Isto
direitos que a presente demanda visa proteger, quais sejam: direitos dis
à ordem econômica, ao trabalho, à saúde e ao consumidor, é viável
tam
o litisconsórcio ativo entre o MPF, MPE e MPT. 7. Recurso especial
col
provido." (STJ, REsp 1444484/RN, Rei. Ministro Benedito Gonçalves,
Primeira Turma, DJe 29/09/2014) rei
efe
..,.. STJ: é possível o litisconsórcio facultativo entre o Ministério Público ep
Estadual e o Federal. DC
"LITISCONSÓRCIO FACULTATIVO. MP. FEDERAL E ESTADUAL. A Turma
deu provimccnto ao recurso, entendendo que o veto do Presidente da
República aos arts. 82, § 3<:!, e 92, parágrafo único, do CPC, não atingiu 58. No
o § 5º do art. 5<:1 da Lei n. 7.371/1985 (Lei da Ação Civil Pública). As- DA
sim, é possível o litisconsórcio facultativo entre o Ministério Público se
Estadual e o Federal. Na espécie, ajuizaram Ação Civil Pública buscan- no

i 206
\1
'ª''
LEI DA AÇÃO CIVIL PúBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985

Ministério do impedir a comercialização de trigo importado enquanto a perícia


pelo Minis- técnica analisa se o alimento contém fungo tóxico à saúde humana."
Ministério (REsp 382.659-RS, Rei. Min. Humberto Gomes de Barros, julgado em
Territórios; 2/12/2003).
órcio ativo
s, em tese, 7 Aplicação em concurso:
ndem, para • VUNESP- TJ-MS- Juiz Substituto- 2015
nsabilidade
"Quanto à ação civil pública, afirma-se que admitir-se-á o litisconsórcio
biente, ao
necessário entre os Ministérios Públicos da União e dos Estados na defesa
histórico e
dos interesses difusos e individuais."
a qualquer
balhista. 4. Resposta: A afirmativa está errada.
stesiologis-
iversitário, • Juiz Federal/TRFS- 2011- CESPE
Federal, e "Admite-se o litisconsórcio facultativo entre os MPs da União, do DF e dos
etiva, tam- estados na ação civil pública em defesa de interesses e direitos relaciona-
de tais ser- dos ao ambiente."
prática de
Resposta: A afirmativa está correta.
nsumidor, à
o arbitrário 13. Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) às exigências legais (art. 5!!,
ação e ter-
§ 6!!):
dos direitos
bstanciada, Muito embora o art. 841 do CC vede a transação/conciliação de direi-
alhistas no tos individuais indisponÍ'Jeis58 , é possível realizar compromisso de ajus-
rviço públi- tamento de conduta às exigências legais (conhecido como termo de
o a direitos ajustamento de conduta- TAC) nos processos que veiculem direitos co-
lve relação
letivos lato sensu, mesmo reconhecendo a indisponibilidade processual
úblico, além
curso públi- destes direitos.
ralidade de Isto ocorre por uma série de razões de ordem prática e teórica: 1) os
m: direitos dispositivos que vedam a transação e conciliação nestas matérias tra-
or, é viável
tam de direitos individuais; 2) a atuação e efetivação dos DCLS (direitos
so especial
coletivos lato sensu) exige a flexibilização/adaptação das normas de di-
Gonçalves,
reito tradicionais/individuais aos fins da justiça co-existencial e a maior
efetividade destes direitos; 3) as conciliações devem se limitar aos casos
io Público e para os fins previstos na legislação (ou seja, tutelar integralmente os
DCLS); 4) a indisponibilidade não será afetada, pois o objetivo da tran-
L. A Turma
esidente da
não atingiu 58. No concurso de Juiz Federai/TRF2 em 2011 organizado pelo CESPE, foi considerada ERRA-
ública). As- DA a seguinte afirmativa: "O compromisso de ajustamento de conduta constitui instituto
ério Público semelhante ao do direito civ:l denominado transação." A assertiva encontra justificativa
ica buscan- no artigo 841 do C.C. em sua interpretação literal.

207
,,,, DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia LEI DA AÇÃO

sação/conciliação é a melhor efetivação do DCLS, sendo possível apenas Na reso


transacionar sobre o modo, prazo etc., jamais sobre a matéria de fundo são exig
(não pode dispensar das obrigações decorrentes da legislação). possibil
não for
A natureza jurídica do TAC é polêmica (até mesmo a denominação é
se pode
incerta, alguns preferindo referir a CACEL, compromisso de ajustamento
ter de t
de conduta as exigências legais, etc.). A doutrina se divide em modali-
pelo MP
dade específica de transação e negócio jurídico bilateral sui generis. O
Trata-se
certo é que se trata de finalidade nitidamente conciliatória.
A Defen
Nesse sentido:
conduta
"PROCESSO CIVIL - AÇÃO CIVIL PÚBLICA POR DANO AMBIENTAL - 7.347/1
AJUSTAMENTO DE CONDUTA- TRANSAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO
-POSSIBILIDADE. 1. A regra geral é de não serem passíveis de tran- 7 Ap
sação os direitos difusos. 2. Quando se tratar de direitos difusos que
• FC
importem obrigação de fazer ou não fazer deve-se dar tratamento dis-
"O
tinto, possibilitando dar à controvérsia a melhor solução na compo-
sição do dano, quando impossível o retorno ao status quo ante. 3. A

admissibilidade de transação de direitos difusos é exceção à regra. 4. Re
Recurso especial improvido." (REsp 299.400/RJ, Rei. Ministro Francis- tul
co Peçanha Martins, Rei. p/ Acórdão Ministra Eliana Calmon, Segunda juí
Turma, julgado em 01.06.2006, DJ 02.08.2006).
• UF
7 Aplicação em concurso: "A
• Promotor de Justiça- SC/2014 - FAPESE tam
A) O
"Embora os colegitimados à propositura da ação civil pública não sejam os
ex
titulares dos direitos e interesses que defendem em juízo (pois são direitos
difusos, coletivos ou individuais homogêneos), admite-se a possibilidade 8) Os
de celebração de acordos." tim
C) A D
Resposta: A afirmativa está correta.
na
13.1. Órgãos públicos: O) A D
da
Determina o§ 6º qLe qualquer dos órgãos públicos legitimados poderá E) Ap
tomar dos interessados compromisso de ajustamento de sua conduta fen
às exigências legais. za
Re
Daí depreendem-se três informações básicas: 1) apenas os órgãos públi-
cos poderão firmar o TAc; Z) o MP não é o único órgão público que po- • DP
derá firmar o TAC; 3) não há disponibilidade sobre o objeto, sendo que "A
o TAC deverá estar estritamente vinculado às exigências legais (pode ser aju
exigido mais do que a lei determina, mas nunca menos do que Já está çõ
expressamente escrito). Re

208
rdo Garcia LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA -LEI N° 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985

apenas Na resolução que trata do inquérito civil, o CNMP acrescentou a expres-


e fundo são exigências normativas (abrindo o sistema), acrescentando ainda a
possibilidade de compensação ou indenização para os danos em que
não for possível a tutela específica (art. 14 da Res. nº 23 do CNMP). Não
nação é
se pode esquecer que o art. 784, IV do novo CPC/15 reconheceu o cará-
amento
ter de título executivo extrajudicial também às transações referendadas
modali-
pelo MP, pela Defensoria Pública ou pelos advogados dos transatores.
neris. O
Trata-se, ademais, de uma atividade de concretização dos direitos.

A Defensoria Pública pode celebrar compromisso de ajustamento de


conduta (TAC), já que é um "órgão público" (art. 5º, § 62, lei Federal n.
ENTAL - 7.347/1985).
PÚBLICO
de tran- 7 Aplicação em concurso:
usos que
• FCC- Promotor de Justiça- PE/2014
ento dis-
"O compromisso de ajustamento de conduta referendado pelo Ministério
compo-
nte. 3. A Público tem a natureza de titulo executivo judicial."
regra. 4. Resposta: A afirmativa está errada. O TAC referendado tem eficácia de ti-
Francis- tulo executivo extrajudicial, não judicial. Apenas quando homologado em
Segunda juízo o TAC terá eficácia de titulo executivo judicial.

• UFPR- Defensor Público- PR/2014


"Assinale a alternativa correta acerca do Termo ou Compromisso de Ajus-
tamento de Conduta (TAC):
A) O TAC que tenha como objeto determinada obrigação de fazer só pode ser
sejam os
executado após prévio processo de conhecimento.
o direitos
ibilidade 8) Os TACs firmados por meio da legitimação extraordinária, pelos entes legi-
timados, têm eficácia de titulo executivo judicial.
C) A Defensoria Pública pode firmar TAC com entidade que não possua perso-
nalidade jurídica formal.
O) A Defensoria Pública somente pode firmar TAC com ente público integrante
da esfera administrativa a que pertence.
poderá E) Após o ajuizamento da demanda coletiva por outro ente legitimado, a De-
conduta fensoria Pública somente pode firmar o TAC com o réu mediante a autori-
zação judicial na própria ação transindividual ajuizada."
Resposta: Letra C.
s públi-
que po- • DPE/ES- CESPE- 2009
ndo que "A defensoria pública poderá tomar dos interessados compromisso de
ode ser ajustamento da conduta destes às exigências legais, mediante comina-
Já está ções, tendo esse compromisso eficácia de título executivo extrajudicial."
Resposta: A afirmativa está correta.

209
,_Miil DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS- Hermes Zaneti Jr. e Leonardo Garcia
-------------------------------------------------------------------------------------------------------
LEI DA AÇ

• DPE/AL- CESPE- 2009


"Em ação civil pública, a DP pode tomar compromisso de ajustamento de
conduta do causador do dano a interesses transindividuais."
Resposta: A afirmativa está correta.

• TJ/SE/Juiz/2008 - CESPE 7
"O Ministério Público é o único legitimado a firmar extrajudicialmente o •
compromisso de ajustamento de conduta lesiva às exigências legais do
causador do dano a um dos bens protegidos, visando prevenir o ajuiza-
mento da ação civil pública."
Resposta: A afirmativa está errada. Segundo o §62 do art. 52 da LACP, qual-
quer órgão público legitimado poderá celebrar o TAC e não somente o MP.

• MP/SE- CESPE- 2010


Para
"As associações civis de defesa do consumidor estão legitimadas a celebrar
compromisso de ajustamento de conduta com o autor do dano ou de sua dicial
ameaça.'' estas
carát
Resposta: A aJi,rmativa está errada.
dizer
do C
13.2. Transação formal e transação substancial:
pode
Correto o entendimento de Gregório Assagra de Almeida que assevera: ser d
"Não se admite, assim, a transação substancial (ou material). Todavia,
7
é possível a transação formal, que não signifique qualquer renúncia ao
direito coletivo em questão. Assim, poderão ser pactuados a forma e o •
prazo de reparação do dano causado ao direito coletivo, mas desde que
não signifiquem indiretamente inviabilização do próprio direito coleti-
vo". (ALMEIDA, Gregório Assagra de. Direito Processual Coletivo Brasi-
leiro: Um Novo Ramo do Direito Processual. São Paulo: Saraiva, 2003.
p. 358).
Cabív
13.3. Execução do TAC:
objeç
A lei prevê que o compromisso de ajustamento de conduta será titulo men
executivo extrajudicial. elem
tico (
Para tanto basta a presença do ente legitimado ao TAC e dos compro-
ro, s
missários, sendo desnecessária a presença de testemunhas, pois é des-
afeta
crito sem esta exigênciã na legislação.
de a
..... STJ: a ad
Informativo nº 43. IBAMA. TERMO DE COMPROMISSO. TÍTULO EXECUTI- e/ou
VO. O art. 113 do Código de Defesa do Consumidor não foi vetado pelo Res.

210
Leonardo Garcia
-------------------
LEI DA AÇAO CIVIL PÚBLICA -LEI N" 7.347, DE 24 DE JULHO DE 1985
wu
Presidente da República. Desse modo, o termo de compromisso de ajusta-
ustamento de mento de conduta firmado com o lbama- que prevê multa diária se ore-
corrido não recuperar áreas degradadas pelo garimpo- é título execJtvo
extrajudicial, podendo embasar execução, mesmo não assinado por teste-
munhas. REsp 213.947-MG, Rei. Min. Ruy Rosado, julgado em 6/12/1999.
7 Aplicação em concurso:
dicialmente o • MP/SE- CESPE- 2010
cias legais do
venir o ajuiza- "Para a configuração do termo de ajustamento de conduta como título
executivo extrajudicial, no caso de assunção de obrigação de pagar quan-
tia certa, é necessária a assinatura de duas testemunhas, ao lado das dos
da LACP, qual- interessados e da entidade legitimada."
somente o MP.
Resposta: A afirmativa está errada.

Para que o TAC seja efetivo, tendo "dentes" de titulo executivo extra_u-
das a celebrar
ano ou de sua dicial, é necessário que se estabeleçam cominações, tanto podendo ser
estas de caráter pecuniário (multas por mora e astreintes, multas com
caráter periódico) como de obrigações de fazer e não fazer. Isto significa
dizer: obrigações/deveres certos, líquidos e determinados (art. 618, 1
do CPC/73 e art. 803, I do novo CPC/15). Ausência de um dos requisitos
poderá implicar a extinção, em face de nulidade da execução, que pode
ue assevera: ser decretada de ofício (RSTJ 73/302).
ial). Todavia,
7 Aplicação em concurso:
r renúncia ao
s a forma e o • TRT-6- Juiz do Trabalho - 2015
as desde que "Na subscrição do termo de ajustamento de conduta, pode ser fixada a
direito coleti- responsabilidade pessoal do gestor pelo descumprimento das medidas
oletivo Brasi- acordadas."
araiva, 2003. Resposta: A afirmativa está correta.

Cabível também quanto ao TAC a exceção de pré-executividade (rectius:


objeção de executividade). Assim, é líquido o titulo que, mesmo sem
ta será titulo mencionar diretamente o total exato da dívida, contém em si todos os
elementos necessários à sua apuração mediante simples cálculo aritmé-
tico (não há mais liquidação por cálculos no direito processual brasilei-
dos compro-
ro, sendo mera operação mecânica de aferição de valor). Também não
s, pois é des-
afeta a liqüidez do título a cobrança pelo saldo devedor. O compromi!:so
de ajustamento de conduta poderá determinar o reparação do dano,
a adequação da conduta às exigências legais e, ainda, a compensação
ULO EXECUTI- e/ou indenização pelos danos que não possam ser recuperados (art. 14,
oi vetado pelo Res. 23 do CNMP).

211
LEI DA AÇÃO CI

13.4. TAC e vinculação estrita à lei: e


p
O dogma da vinculação estrita do direito à lei sede espaço à noção con-
temporânea de juridicidade, ou seja, a idéia. de vinculação dos aplicado- 13.5. Con
res do direito ao sentido da norma constitucional, à unidade narrativa
O TAC é u
da Constituição (OTERO, Paulo. Legalidade e administração pública: o
ria, porém
sentido da vinculação administrativa à juridicidade. Lisboa: Almedina,
pode disp
2003, p. 15, nota 1).
primento~
No atual estado do nosso ordenamento jurídico, na presença de normas mente as
porosas, de tessitura aberta, na forma de pautas carentes de preenchi- deveres n
mento, tais como, conceitos jurídicos indeterminados, cláusulas gerais
Aconselhá
e princípios, é natural que exista certa "discricionariedade" na deter-
moratório
minação dos deveres decorrentes das normas jurídicas. Isto porque as
pecífico,
normas aparecem, muita vez, desprovidas da hipótese fática (preceito
em