Vous êtes sur la page 1sur 297

UNIVERSIDADE DE LISBOA

FACULDADE DE PSICOLOGIA

DETERMINANTES SOCIAIS E PSICOLÓGICOS DO


COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Maria da Graça Massano de Amorim Mavigné Andrade

DOUTORAMENTO EM PSICOLOGIA

Especialidade Psicologia da Saúde

2014
ii
UNIVERSIDADE DE LISBOA

FACULDADE DE PSICOLOGIA

DERTERMINANTES SOCIAIS E PSICOLÓGICOS DO


COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Maria da Graça Massano de Amorim Mavigné Andrade

DOUTORAMENTO EM PSICOLOGIA

Especialidade Psicologia da Saúde

Tese orientada pela Prof.ª Drª Luísa Barros, especialmente elaborada para a
obtenção do grau de doutor em Psicologia da Saúde

2014
iv
Esta investigação foi apoiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia,

do Ministério da Educação e Ciência, com a Bolsa de Doutoramento

referência Nº SFRH / BD / 45193 / 2008.

O projeto foi também apoiado pela Nestlé Portugal.


vi
Aos meus pais.

À Margarida e ao João,

pelo afeto incondicional.


viii
Agradecimentos

O meu primeiro agradecimento vai para a Professora Doutora Luísa Barros.

Ao longo deste projeto foi-me possível usufruir dos seus profundos conhecimentos,

do seu espírito crítico e criativo, da sua sensibilidade para as questões da

parentalidade. Um obrigado, igualmente forte, pela solidariedade e

disponibilidade.

Muitos colegas da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa

(ESTeSL) apoiaram diretamente este projeto. Aos professores Manuel Correia e

João Lobato, o meu agradecimento por terem facilitado o acesso às crianças e pais,

integrando este projeto como uma das parcerias entre a ESTeSL e a Câmara

Municipal de Loures. À Área Científica de Dietética e Nutrição, em particular ao seu

coordenador, professor Lino Mendes, que fomentou e possibilitou muito do apoio

recebido; à professora Rute Borrego, pelo tempo e esforço despendido no

acompanhamento da avaliação do peso e altura das crianças; a todos os estudantes

da Licenciatura em Dietética e Nutrição que colaboraram na avaliação das crianças

e também aos que ajudaram na adequação dos instrumentos de avaliação; à

professora Marisa Cebola, pelos seus esclarecimentos fundamentais. À professora

Luísa Veiga, pelo interesse e partilha de conhecimentos na preparação do

questionário de conhecimento nutricional. Ao professor André Coelho, pela imensa

afabilidade e pela ajuda na leitura ótica dos questionários. À professora Elisabete

Carolino, pelos conselhos, durante a fase inicial deste estudo.

i
O meu especial agradecimento à Professora Doutora Rosário Ramos, pelo

apoio no tratamento estatístico dos dados e pela disponibilidade e simpatia.

Às psicólogas Ana Luísa Quintais, Ana Isabel Gomes, Melissa French e

Catarina Morais pela sua colaboração em vários momentos deste trabalho.

À Dr.ª Conceição Antunes e à Dr.ª Ana Vale, da Divisão de Inovação Social e

Promoção da Saúde da Câmara Municipal de Loures, pelo seu interesse e pela

divulgação do projeto nos agrupamentos escolares e serviços de saúde da zona

Norte de Loures. Às educadoras dos jardins-de-infância que colaboraram neste

estudo, cujo dinamismo foi determinante para a adesão dos pais.

À Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) por ter financiado este

projeto. À Nestlé Portugal, e em particular ao Dr. Gonçalo Granado, pelo apoio

recebido.

E, em especial, pelo apoio em alguns momentos mais difíceis, agradeço: à

minha cunhada, aos meus amigos Nuno Medeiros, David Tavares e Teresa Denis

pela sua constante solidariedade e à Isabel Pinto que, para além da sua presença

amiga, possibilitou o acesso às crianças e aos pais que participaram no estudo

prévio.

Porque este projeto reduziu a minha disponibilidade, mais nuns momentos

do que noutros, agradeço ao Jorge pela forma como compensou estas limitações.

A todas as crianças e pais que participaram neste projeto, obrigada!

ii
RESUMO

A redução da taxa de crescimento da obesidade infantil é um dos principais


objetivos de saúde, a nível nacional e internacional, o que reforça a importância da
aquisição de hábitos alimentares saudáveis nos primeiros anos da infância.
Uma vasta evidência empírica aponta para a influência de uma
multiplicidade de determinantes do comportamento alimentar infantil, sendo
contudo necessário aprofundar o conhecimento do processo de influência destes
fatores, em particular dos psicológicos e sociais. Com este objetivo foram
realizados dois estudos.
No primeiro estudo, observacional, transversal e analítico, recorreu-se a
uma amostra de 231 crianças dos jardins-de-infância oficiais da zona Norte de
Loures e respetivos pais. Todas as crianças foram pesadas e medidas para a
determinação do IMC. As preferências alimentares foram avaliadas diretamente
com as crianças, tendo-se utilizado uma adaptação do Rank Order Preference
Assessment. Foi utilizado o Caregiver’s Feeding Style Questionnaire para a avaliação
dos estilos parentais e o General Nutrition Knowledge Questionnaire for Adults para
o conhecimento nutricional dos pais. As restantes variáveis cognitivas dos pais, o
tempo de televisão e os hábitos alimentares das crianças foram também avaliados
por questionários preenchidos pelos pais.
O tempo de visionamento de televisão, as preferências alimentares da
criança, a dimensão de responsividade parental e a atribuição parental de controlo
foram identificados como preditores dos hábitos alimentares das crianças. O
conhecimento nutricional e a autoeficácia parental, embora não acrescentem valor
preditivo ao modelo, apresentam-se positivamente correlacionados com a
qualidade dos hábitos alimentares.
O conhecimento nutricional apresentou-se correlacionado com as
atribuições parentais de controlo e de autoeficácia e com as características
demográficas (idade, profissão e nível de escolaridade). A subavaliação do peso é
significativamente maior nos pais de crianças obesas e pré-obesas do que nos pais
de crianças com peso normal, sendo a perceção parental de peso a única
característica que se mostrou significativamente associada ao IMC. A análise das
relações entre algumas das variáveis cognitivas parentais permitiu concluir que a

iii
atribuição parental de autoeficácia e a perceção de controlo estão correlacionadas
entre si, e apresentam correlações negativas com a preocupação parental com o
peso.
O segundo estudo, exploratório, e com recurso a análise de conteúdo, teve
como objetivo identificar as significações parentais relacionadas com a
alimentação infantil. Foram entrevistados 26 pais, selecionados intencionalmente
da amostra do primeiro estudo. Os pais consideraram as suas ações como um
determinante importante da alimentação saudável da criança, embora muitos
refiram também as preferências alimentares inatas da criança. Os pais
identificaram consequências físicas e psicológicas de uma alimentação e peso
saudáveis. As barreiras a uma alimentação saudável mais referidas foram as
influências de outros familiares, o marketing e o contexto socioeconómico. Para
promover a alimentação saudável da criança os pais referiram tanto estratégias
adequadas como inadequadas. Muitos dos pais consideraram que os
comportamentos alimentares dos filhos resultam da coordenação da vontade
parental com outros determinantes alimentares ou com outros objetivos parentais.
Das conclusões do presente trabalho salienta-se a importância das variáveis
psicológicas, e em particular das variáveis cognitivas parentais, na determinação
dos comportamentos alimentares saudáveis da criança, as quais deverão ser
integradas em intervenções futuras.

Palavras-chave: comportamento alimentar infantil; preferências


alimentares, conhecimento nutricional, perceção parental de peso, controlo
parental, autoeficácia parental

iv
ABSTRACT

The inversion of ever-increasing rates in childhood obesity trends has been


prompted as a major health goal, one that enhances the importance of healthy
eating habits in early childhood. A vast body of research on children’s eating
behavior points out the influence of a complex set of factors deriving from multiple
contexts, which interact with each other. The underlying psychological and social
causes of the child eating behavior however, need further clarification. This
dissertation aims to explore the influence of social and psychological factors on
childhood eating behaviors. Pursuing this general purpose, two studies were
carried out.
The first, an observational, cross-sectional and analytical research, involved
231 kindergarten children and their parents from north Loures (a county located
in the Lisbon area). All children were weighed and measured to determine BMI.
Food preferences were assessed directly with the children, using an adaptation of
the Rank Order Preference Assessment. Parents completed a series of
questionnaires to evaluate parental styles (The Caregiver’s Feeding Style
Questionnaire), parental nutritional knowledge (General Nutrition Knowledge
Questionnaire for Adults), child’s eating habits, TV viewing, parental attribution of
control and self-efficacy, parental concern, parental perception of child weight and
demographics characteristics.
Children’s TV viewing, food preferences, parental responsiveness and parental
attribution of control were predictors of the children’s eating habits. Parental
nutritional knowledge and self-efficacy, though not adding predictive value to the
model, were clearly correlated with the quality of food habits.
Nutritional knowledge is correlated with parental attributions of control and
self-efficacy and with demographic characteristics (age, occupation and
education). The parental undervaluation of the child’s weight is significantly larger
in parents of overweight children. Parental perception of weight is the only feature
that was significantly associated with BMI. Both parental attribution of self-efficacy
and perception of control are negatively correlated with parental concern about
the child weight.

v
In the second study, an exploratory methodology was used to identify parental
significations about child feeding. Twenty six parents were chosen from the first
study, using a criterion-based selection. The parents were interviewed, and
content analysis was carried-out. Parents identified physical and psychological
consequences of healthy dieting and weighting. The most referred barriers to child
healthy eating were the influence of other family members, marketing, and socio-
economic context. Parents tend to use both appropriate and inadequate strategies
to promote healthy eating. Many parents express the belief that parental dietary
goals need to be coordinated with other parenting aims or with other
determinants of child eating behavior.
The present work highlights the importance of psychological determinants,
particularly parental cognitive characteristics, in determining children healthy
eating behaviors, which should be integrated in future interventions.

Keywords: child eating behaviors, food preferences, nutritional knowledge,


parental perception of child weight, parental control, parental self-efficacy

vi
ÍNDICE

Página

Agradecimentos……………………………………………………………………………………………….. i

Resumo……………………………………………………………………………………………………………. iii

Abstract…………………………………………………………………………………………………………… v

Índice………………………………………………………………………………………………………………. vii

Abreviaturas………………………………………………………………………………………………......... xi

Índice de tabelas………………………………………………………………………………………………. xiii

Índice de figuras……………………………………………………………………………………………..... xvii

1. INTRODUÇÃO………………………………………………………………………………………….. 1

1.1. Contextualização da obesidade: um problema nutricional e de saúde……… 2

1.2. Obesidade infantil: dados epidemiológicos e comorbilidades………………….. 6

2. DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL………….. 11

2.1. Obesidade e comportamento alimentar infantil……………………………………… 12

2.2. Modelos explicativos do comportamento alimentar infantil……………………. 17

2.2.1. O modelo de Contento e Michela……………………………………………………….. 17

2.2.2. O Modelo ecológico…………………………………………………………………………… 19

2.3. Sistemas macro e micro - enquadramento da investigação em Psicologia


para o conhecimento e intervenção no comportamento alimentar
infantil….................................................................................................................................... 23
2.4. Determinantes psicológicos e sociais do comportamento alimentar
infantil………………………………………………………………………………………………… 25
2.4.1. Determinantes relacionados com a criança………………………………………... 26
2.4.1.1. Características demográficas………………………………………………………… 26

2.4.1.2. Preferências alimentares………………………………………………………………. 27

2.4.1.3. Visionamento de televisão…………………………………………………………….. 31

2.4.2. Determinantes parentais………………………………………………………………….. 35

2.4.2.1. Estilos parentais…………………………………………………………………………… 35

2.4.2.2. Processos cognitivos parentais……………………………………………………… 40

2.5. Conclusões…………………………………………………………………………………….……... 61

vii
ÍNDICE

Página

2.6. Objetivos do estudo………………………………………………………………………………. 64

3. METODOLOGIA……………………………………………………………………………………….. 67

3.1. Metodologia Quantitativa……………………………………………………………………… 68

3.1.1. Amostra…………………………………………………………………………………………… 68

3.1.2. Procedimento………………………………………………………………………………..…. 69

3.1.3. Variáveis e instrumentos de avaliação……………………………………………….. 72

3.1.4. Procedimentos estatísticos…………………………………………..…………………… 101

3.2. Metodologia Qualitativa………………………………………………………………………… 104

3.2.1. Amostra…………………………………………………………………………………………… 104

3.2.2. Procedimento…………………………………………………………………………………… 105

3.2.3. Entrevista e metodologia de análise de conteúdo……………………………….. 106

4. RESULTADOS………………………………………………………………………………………….. 113

4.1. Resultados do estudo de determinantes e correlatos do comportamento


alimentar infantil…………………………………………………………………………………. 114
4.1.1. Caracterização da amostra………………………………………………………………... 114

4.1.1.1. Caracterização sociodemográfica da amostra………………………………… 114

4.1.1.2. Caracterização da amostra em relação às variáveis em estudo……….. 117


4.1.2. Resultados relativos aos objetivos 1 a 7…………………………………………….. 132

4.2. Resultados relativos às significações parentais relacionadas com a


alimentação infantil………………………………………………………………………………….. 149
4.2.1. Caracterização sociodemográfica e grupos de comparação………………… 149

4.2.2. Apresentação dos resultados relativos aos objetivos 8 e 9………………...... 151

5. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS………………………………………………………………... 181

5.1. Características das crianças e dos pais…………………………………………………… 182

5.2. Determinantes e fatores correlatos dos hábitos alimentares das crianças.. 189

5.3. Correlatos do conhecimento nutricional dos pais…………………………………… 196

5.4. Correlatos da perceção parental de peso………………………………………………... 197

viii
ÍNDICE

Página

5.5. Inter-relações entre a atribuição de autoeficácia, atribuição de controlo e


preocupação parental……………………………………………………………………………….. 199

5.6. Correlatos do IMC…………………………………………………………………………………. 200

5.7. Significações parentais relacionadas com a alimentação infantil………..……. 204

6. CONCLUSÕES…………………………………………………………………………………………... 213

Referências bibliográficas………………………………………………………………………………… 227

Anexos……………………………………………………………………………………………………………… 272

ix
x
LISTA DE ABREVIATURAS
Abreviaturas Significados

ADA American Dietetic Association

AVC Acidente Vascular Cerebral

BRFSS Behavioral Risk Factor Surveillance System - Center of Disease Control


and Prevention

CDC Center of Disease Control and Prevention

CITP Classificação Internacional do Tipo de Profissões (Organização Mundial


de Trabalho)

CML Câmara Municipal de Loures

CPP/2010 Classificação Portuguesa das Profissões de 2010 (Instituto Nacional de


Estatística)

DALY Disability-adjusted life year

DECO Associação Portuguesa Para a Defesa do Consumidor

DGS Direção Geral de Saúde (Ministério da Saúde)

DXA Densitometria Radiológica de Dupla Energia

EB1 Escola básica de 1º ciclo

ESTeSL Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa

EUA Estados Unidos da América

EP Pais de crianças com excesso de peso

FAO Food and Agricultural Organization of the United Nations

IASO International Association for the Study ok Obesity

IOTF International Obesity Taskforce (IASO)

ICAP Instituto Civil da Autodisciplina da Comunicação Comercial

IFAD International Fund for Agricultural Development

IMC Índice de Massa Corporal

MHA Pais de crianças com os melhores hábitos alimentares

N/R Não responderam

OMS Organização Mundial de Saúde

P Percentil

PHA Pais de crianças com os piores hábitos alimentares

PHD Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção

PN Pais de crianças com peso normal

xi
LISTA DE ABREVIATURAS
Abreviaturas Significados

UNICEF United Nations Children's Fund (United Nations)

USDHHS United States Department of Health and Human Service

WFP World Food Programme (United Nations)

WHO World Health Organization

xii
ÍNDICE DE TABELAS

Pág.

Tabela 1.1 - Evolução da prevalência de excesso de peso e obesidade na população


portuguesa adulta……………….……………………………………………………………………… 4

Tabela 2.1 - Comportamentos alimentares das crianças e jovens - valores globais e para
Portugal (HBSC 2009-2010) ……………...…………………………………………………… 15

Tabela 2.2 - Síntese de estudos relativos à preocupação parental com o excesso de peso
da criança…………………………………………………………………………………………………… 50

Tabela 2.3 - Síntese de estudos sobre barreiras percecionadas pelos pais a uma
alimentação saudável da criança ………………………………………………………................ 57

Tabela 3.1 - Número de crianças participantes por agrupamento escolar e jardim-de-


infância………………………………………………………………………………………………………. 71

Tabela 3.2 - Variáveis e instrumentos de avaliação do estudo………………………………………….. 73

Tabela 3.3 - Descrição dos critérios de diagnóstico do estado nutricional para crianças…… 75

Tabela 3.4 - Comparação da prevalência de excesso de peso e obesidade usando


diferentes critérios de diagnóstico……………………………………………………................ 77

Tabela 3.5 - Métodos de avaliação da dieta……………………………………………………………………… 79

Tabela 3.6 - Avaliação das preferências alimentares - classificação dos alimentos de


acordo com a frequência ideal de ingestão……………………………………………………. 87

Tabela 3.7 - Síntese dos objetivos e metodologia de análise de dados………………………………. 102

Tabela 3.8 - Grupos de pais entrevistados em função do IMC e dos hábitos alimentares da
criança………………………………………………………………………………………………………... 105

Tabela 3.9 - Temas da entrevista…………...……………………………………………………………………….. 107

Tabela 3.10 - Guião da entrevista - Perguntas e objetivos…………………………………………...…....... 110

Tabela 4.1 - Caracterização sociodemográfica específica às crianças………………………………... 114

Tabela 4.2 - Caracterização sociodemográfica da família………………..………………………………... 116

Tabela 4.3 - Frequência de refeições durante os dias de semana……………………………………… 117

Tabela 4.4 - Frequência de refeições durante o fim-de-semana………………………………………... 118

Tabela 4.5 - Frequência de ingestão de alimentos……………………………………….............................. 119

Tabela 4.6 - Variedade alimentar (valores para o período de uma semana)……………………… 120

Tabela 4.7 - Estatísticas descritivas dos hábitos alimentares (score total)………………………... 120

Tabela 4.8 - Frequências absolutas e relativas das categorias do estado nutricional das
crianças………………………………………………………………………………………………………. 122

Tabela 4.9 - Estatísticas descritivas das preferências alimentares das crianças……………….... 123

Tabela 4.10 - Tempo de visionamento de televisão nos dias úteis e ao fim-de-semana………... 124

Tabela 4.11 - Tempo médio semanal de visionamento de televisão……………………………………. 125

xiii
ÍNDICE DE TABELAS

Pág.

Tabela 4.12 - Estatísticas descritivas das dimensões parentais………………………………………….. 126

Tabela 4.13 - Estatísticas descritivas do conhecimento nutricional……………………………………. 127

Tabela 4.14 - Perceção parental de peso por categoria de IMC da criança…………………………... 129

Tabela 4.15 - Perceção parental de peso nas categorias correta e incorreta………………………... 129

Tabela 4.16 - Preocupação parental, atribuições parentais de autoeficácia e de controlo…….. 130

Tabela 4.17 - Teste de independência dos hábitos alimentares em relação ao sexo da


criança………………………………………………………………………………………………………... 132

Tabela 4.18 - Correlações entre o tempo de visionamento de televisão e os hábitos


alimentares…………………………………………………………………………………………………. 133

Tabela 4.19 - Valores do teste t para comparação dos hábitos alimentares nas categorias de
perceção parental de peso da criança…………………………………………………………… 135

Tabela 4.20 - Modelo de regressão linear (método forward) dos hábitos alimentares………… 137

Tabela 4.21 - Valores centrais do conhecimento nutricional parental nas duas categorias de
idade do adulto………………………………………………………………………………………….... 138

Tabela 4.22 - Valores centrais do conhecimento nutricional nas categorias de escolaridade.. 138

Tabela 4.23 - Valores centrais do conhecimento nutricional nas categorias profissionais do


adulto.................................................................................................................................................... 139

Tabela 4.24 - Valores centrais de conhecimento nutricional das categorias da atribuição de


controlo parental………………………………………………………………………………………… 141

Tabela 4.25 - Valores dos testes de associação da perceção parental de peso com as
variáveis sociodemográficas………………………………………………………………………… 143

Tabela 4.26 - Grupos de cruzamento entre a perceção parental de peso e o conhecimento


nutricional.......................................................................................................................................... 143

Tabela 4.27 - Perceção parental de peso por preocupação parental com o peso da
criança………..................................................................................................................................... 144

Tabela 4.28 - Valores centrais da atribuição de controlo nos dois grupos de perceção
parental de peso………………………………………………………………………………………….. 145

Tabela 4.29 - Valores dos testes de correlação entre preocupação parental, atribuição
parental de autoeficácia e de controlo………………………………………………………….. 146

Tabela 4.30 - Caracterização sociodemográfica dos pais entrevistados e respetivos


filhos………………………………………………………………………………………………………….. 150

Tabela 4.31 - Definições das categorias relativas às significações parentais sobre


determinantes da alimentação saudável da criança………………………………………. 152

xiv
ÍNDICE DE TABELAS

Pág.

Tabela 4.32 - Definições das categorias relativas às significações parentais sobre os


determinantes das preferências alimentares da criança………………………………... 156

Tabela 4.33 - Definições das categorias relativas às significações parentais sobre o grau de
influência dos pais nas preferências alimentares da criança………………………….. 158

Tabela 4.34 - Definições das categorias relativas às significações parentais sobre as


consequências da alimentação e peso saudáveis…………………………………………… 160

Tabela 4.35 - Definições das categorias relativas às significações parentais relacionadas


com autoeficácia/barreiras a uma alimentação saudável………………………………. 165

Tabela 4.36 - Definições das categorias relativas às significações parentais relacionadas


com autoeficácia/estratégias……………………………………………………………………….. 168

Tabela 4.37 - Definições das categorias relativas aos modelos parentais explicativos do
desenvolvimento dos comportamentos alimentares saudáveis da criança……... 172

Tabela 6.1 - Estádios de prontidão parental para a mudança dos hábitos alimentares da
criança com excesso de peso………………………………..………………………………………. 221

xv
xvi
ÍNDICE DE FIGURAS
Pag.
Figura 1.1 - Percentagens de população mundial e por zona geográfica com IMC≥ 30.00
kg/m2 (obesidade) em 2008………………………………….................................................... 3

Figura 2.1 - Processos de influência das escolhas alimentares das crianças e


adolescentes (Contento & Michela, 1999) …………….……………………………………. 18

Figura 2.2 - Determinantes do comportamento alimentar infantil – Modelo ecológico…… 21

Figura 2.3 - Estilos parentais…………………….………………….……………………………………………… 37

Figura 3.1 - Procedimento de recolha de dados…………………………………………………………….. 70


Figura 4.1 - Gráfico boxplots dos três grupos de hábitos alimentares…………………………… 121
Figura 4.2 - Gráfico boxplot dos três grupos de preferências alimentares……………………… 123
Figura 4.3 - Gráfico de percentagens de pais por estilo parental alimentar…………................. 126
Figura 4.4 - Gráfico boxplot dos cluters do conhecimento nutricional………………………….. 128
Figura 4.5 - Síntese das relações entre os hábitos alimentares e as variáveis parentais… 135
Figura 4.6 - Síntese das relações entre o conhecimento nutricional e variáveis parentais. 141
Figura 4.7 - Hábitos alimentares nos grupos de IMC……………………………………………………… 147
Figura 4.8 - Categorias das significações parentais relativas aos determinantes de uma
alimentação saudável da criança……………………………...………………………………… 155
Figura 4.9 - Categorias das significações parentais relativas aos determinantes das
preferências alimentares das crianças - frequências absolutas das unidades
de registo por categoria…………………………………………………………………………….. 158
Figura 4.10 - Categorias das significações parentais relativas à possibilidade de influência
dos pais sobre preferências alimentares das crianças - frequências absolutas
das unidades de registo por categoria………………………………………………………… 159
Figura 4.11 - Categorias das significações parentais relativas às consequências de uma
alimentação saudável - frequências absolutas das unidades de registo por
categoria………………………………………………………………………………………………. 163
Figura 4.12 - Categorias das significações parentais relativas às barreiras a uma
alimentação infantil saudável - frequências das unidades de registos por
categoria…………………………………………………………………………………………………... 167
Figura 4.13 - Categorias das significações parentais realtivas às estratégias para a
promoção de uma alimentação saudável infantil - frequências das unidades
de registos por categoria………………………………………………………………………….. 170

xvii
xviii
1.
INTRODUÇÃO

 Contextualização da obesidade como problema de


saúde

 Obesidade infantil
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

1.1. Contextualização da obesidade: um problema nutricional e de saúde

O estudo do comportamento alimentar infantil e dos seus determinantes


torna-se fundamental numa época em que são conhecidos os efeitos devastadores
para a saúde física e psicológica de situações nutricionais desajustadas, quer de
sobre como de subalimentação.
A subnutrição é ainda uma realidade mundial principalmente na população
infantil e feminina adulta, mantendo-se como uma das principais causas de
morbilidade e mortalidade infantil. Durante o ano de 2000 foi a causa direta de
cerca de 3,7 milhões de mortes (Organização Mundial de Saúde, 2002).
Considerando as mortes que indiretamente estão relacionadas com a subnutrição
estima-se que 54% (10,8 milhões) das mortes de crianças estiveram associadas a
problemas de subnutrição em 2001 (OMS, 2004). Apesar dos indicadores infantis
de subnutrição (e.g., raquitismo e subpeso) tenderem a diminuir a nível mundial,
em 2010 a prevalência global de raquitismo (26%) e de baixo peso (16%), em
crianças com menos de 5 anos era ainda elevada (Unicef, WHO & WB, 2012). Entre
2010-12 a prevalência da subnutrição nas zonas desenvolvidas era baixa (1,4%)
comparada com as zonas em desenvolvimento (14,9%) (FAO, WFP & IFAD, 2012).
As implicações da subnutrição na infância são variadas e a sua gravidade
está diretamente relacionada com o período de desenvolvimento em que ocorre e
com o grau de subnutrição. As situações de subalimentação estão geralmente
associadas a problemas de desenvolvimento e a alterações do sistema imunitário
que geram uma maior suscetibilidade à doença e uma ampliação dos seus efeitos.
As consequências negativas da subnutrição no desenvolvimento motor têm sido
substancialmente comprovadas na literatura (Bertenthal & Campos, 1990; Pollit &
Oh, 1994; Simeon & Grantham-McGregor, 1990), sendo muitas vezes potenciadas
por pais pouco estimulantes, também eles em situação de subnutrição. As
implicações no desenvolvimento cognitivo parecem ser indiretas, mediadas pelos
problemas sociais, emocionais e motores associados à subalimentação (Alaimo,
Olson & Frongillo, 2001; Tanner & Finn-Stevenson, 2002).
Uma outra faceta da má nutrição consiste na ingestão excessiva de nutrientes,
que associada a atividade física reduzida gera um desequilíbrio entre as calorias

2
___________________________________________________________________ INTRODUÇÃO

consumidas e gastas, provocando uma acumulação de gordura corporal, que se


reflete em excesso de peso e obesidade.

Portugal 22,3
20,4
Oeste Pacífico 6,8
5,1
Mediterrâneo oriental 24,5
13
Europa 23,1
20,4
Sudeste asiático 3,7 Mulheres
1,7
Américas 29,5 Homens
23,5
Africa 11,1
5,3
Global 14
10

0 5 10 15 20 25 30 35 %

Figura 1.1. Percentagens de população mundial e por zona geográfica com IMC≥ 30.00 kg/m 2
(obesidade) em 2008. Fonte: World Health Statistics 2012 - OMS 2012 (http://www.who.int/healthinfo)

A nível global (OMS, 2012) cerca de 15% de mulheres e 10% dos homens são
obesos (figura 1.1). Consta-se que Portugal apresenta valores de prevalência de
obesidade semelhantes aos da Europa, mas superiores aos valores mundiais. A
Europa é a segunda zona geográfica com maior percentagem de adultos obesos,
cujos valores só são suplantados no continente americano.
Comparando dois estudos de prevalência de obesidade e excesso de peso
em amostras representativas da população adulta portuguesa entre os 18 e os 64
anos (do Carmo et al., 2007; Sardinha et al., 2010), cujos resultados se apresentam
na tabela 1.1, verifica-se que entre 2003-2005 e 2008-2009 houve um aumento da
percentagem de pessoas com obesidade e excesso de peso nos dois sexos. No
estudo mais recente, as prevalências combinadas de obesidade e excesso de peso
são superiores a 50% da população: 66.6% nos homens e 57.9% em mulheres.

3
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Tabela 1.1.
Evolução da prevalência de excesso de peso e obesidade na população portuguesa adulta
Excesso de peso (%) Obesidade (%)

Mulheres Homens Mulheres Homens

2003-20051 34,4 45,2 13,4 15

2008-20092 38,1 46,7 19,8 19,9

1
do Carmo et al., 2007
2
Sardinha et al., 2012

A obesidade na idade adulta é um risco para a saúde dada a sua forte ligação
a doenças crónicas graves. A OMS estima que a nível mundial 2,8 milhões de
pessoas morrem como resultado da obesidade e excesso de peso, e que estes
fatores de risco são responsáveis por 2,3% dos DALY1 mundiais (OMS, n.d.).
As comorbilidades da obesidade são múltiplas. O risco de sofrer de
hipertensão, Diabetes tipo 2, Dislipidémia e outras doenças metabólicas, doenças
coronárias, doenças da vesícula biliar e Apneia de Sono é bastante superior nas
pessoas obesas. Outras patologias apresentam uma associação não tão forte mas
significativa com a obesidade: alguns tipos de cancro, doenças do fígado e outras
patologias gastrointestinais, perturbações músculo-esqueléticas, alterações
endócrinas e problemas respiratórios (OMS, 1997a, 2000, 2003a).
Em termos das consequências sociais da obesidade, os adultos obesos tendem a
ter menos anos de escolaridade, frequentar escolas e exercer atividades
profissionais menos prestigiadas, a ter salários mais baixos que os não obesos com
as mesmas funções e a serem-lhes atribuídas características negativas pelos
empregadores (De Jong & Kreck, 1986; Gortmaker, Must, Perrin, Sobol & Dietz,
1993; Sonne-Holm & Sorensen, 1986; OMS, 2000; Pingitore, Dugoni, Tindale &
Spring, 1994; Rothblum, Brand, Miller & Oetjen, 1990). Esta descriminação ocorre
também na área da saúde, em que muitos profissionais têm expectativas negativas
relativamente aos resultados do aconselhamento de pessoas obesas (Evans, 1995),
associando-as a características negativas como hostilidade, comunicação
desonesta e má higiene pessoal (Klein, Najman, Kohrman & Munro, 1982).

1
Disability-adjusted life year (DALY) - número de anos perdidos devido a doença, incapacidade e morte

4
___________________________________________________________________ INTRODUÇÃO

A avaliação dos efeitos psicológicos diretos da obesidade aponta para uma


tendência de maior prevalência de sintomatologia ansiosa e depressiva na
população obesa, em particular na feminina (Carpenter, Hasin, Allison & Faith,
2000; Friedman & Brownell, 1995; Gariepy, Nitka & Schmitz, 2010; Mannucci et al.,
2010; Thuthill, Slawik, Rahilly & Finer, 2000). Alguns estudos têm identificado
comportamentos alimentares específicos (e.g., dieta, binge eating e perdas cíclicas
de peso) que, associados com certos problemas psicológicos, se tornam fatores de
risco psicopatológico em alguns indivíduos obesos (OMS, 2000; van der Merwe,
2007).
Os custos da Obesidade estimados para vários países apontam para valores
entre 2 e 6% dos gastos totais em saúde (OMS, 2003a). Em Portugal existem
poucos estudos nesta área. Para o ano de 1996 em Portugal foi calculado que o
custo direto da obesidade2 corresponde a 3,5% das despesas totais em saúde para
esse ano, uma percentagem mais alta do que a maioria dos países desenvolvidos
(Astrup, 2001; Pereira, Mateus & Amaral, 1999). Para o ano de 2002 foram
calculados em 199,8 milhões de euros para Portugal os custos indiretos da
obesidade3, o que corresponde a 40,2% do total de custos da obesidade (Pereira &
Mateus, 2009).
A elevada prevalência da obesidade em adultos, as comorbilidades
associadas, a diminuição da qualidade de vida e da esperança de vida saudável, que
se refletem em custos elevados, tornam a redução da prevalência da obesidade um
imperativo de saúde pública. Este objetivo tem vindo a refletir-se nas diretrizes
para a saúde da OMS. No relatório dos estados membros para a definição de
objetivos relativos à prevenção e controlo das doenças crónicas não transmissíveis
(2012b) foi definido, entre outros objetivos, a redução a zero da taxa de
crescimento da obesidade e uma redução em 10% na prevalência de atividade
física insuficiente. A redução da obesidade está também patente nas ações
definidas pela OMS para os governos da zona europeia até 2020 (OMS, 2012a).

2
Custo direto da obesidade- o custo à sociedade resultante da diversificação de recursos para diagnosticar e tratar
doenças diretamente relacionadas com a obesidade, bem como do custo do tratamento só da obesidade (incluindo
os custos dos cuidados de saúde aos doentes e seus familiares e o custo dos prestadores de serviços).

3 Custo indiretos da obesidade – Perda de benefícios económicos e de bem-estar para os outros membros da
sociedade, pela redução dos bens e serviços produzidos (i.e. o impacto da qualidade de vida reduzida do indivíduo
obeso no potencial produtivo disponível para o resto da sociedade). Estes custos são geralmente avaliados pelas
perdas de produtividade devidas ao absentismo no trabalho, a reforma por incapacidade e a morte prematura.

5
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

1.2. Obesidade infantil: dados epidemiológicos e comorbilidades

Para atingir os objetivos propostos pela OMS é indispensável reduzir os


valores da obesidade infantil, na medida em que esta é um preditor da obesidade
na idade adulta (e.g., Guo, Roche, Chumlea, Gardner, Siervogel, 1994;
Magarey,Daniels,Boulton & Cockington, 2003b; Serdula, Ivery, Coates, Freedman.
Williamson & Byers, 1993).
Contudo, a obesidade em crianças surge como um problema preocupante a
nível mundial: estima-se que entre as crianças em idade pré-escolar em todo o
mundo 43 milhões de crianças são obesas, com um aumento da prevalência de
4,2% para 6,7% entre 1990 e 2010 (Onis, Blossner & Borgi, 2010). A OMS avaliava
que em Portugal entre 2000 e 2009 a percentagem de crianças com menos de 5
anos e com excesso de peso era de 8,3% (OMS, 2011). Contudo alguns estudos
epidemiológicos nacionais, que abarcam uma amplitude maior de idades, apontam
para valores de prevalência mais elevadas: entre 5,3% e 10,5% de crianças e
jovens obesos e entre 18,5% e 23,7% de pré-obesos (Matos et al., 2004; Ribeiro et
al., 2003; Ferreira, 2003). Numa revisão de literatura de estudos mais recentes
posteriores a 2007 e relativos à população de crianças e jovens portugueses,
Antunes e Moreira (2011) encontraram valores ainda mais elevados de
prevalência da obesidade que variavam entre os 5,9% e os 26% para o sexo
masculino e entre 6,1% e 21,3% para o sexo feminino. Para a prevalência de pré-
obesidade os valores oscilavam entre 8,3% e 27,4% para o sexo masculino e entre
13,4% e 35% para o sexo feminino.
As comorbilidades da obesidade infantil são tanto físicas como psicológicas.
Asma, Síndroma Metabólico e cáries dentárias são as mais documentadas na
bibliografia (Pulgarón, 2013). Outras comorbilidades também identificadas são:
doença hepática, insulino-resistência, problemas gastro intestinais, problemas
músculo-esqueléticos, apneia do sono e sono reduzido (Bayer, Rosario, Wabitsch &
von Krie, 2009; OMS, 2000; Pulgarón, 2013). O IMC e a gordura corporal estão
também relacionados com a hipertensão e outros fatores de risco cardiovascular
em crianças (Choy, 2011; Katzmarzyk, Trinivasan, Chen, Malina, Bouchard &
Berenson, 2004).

6
___________________________________________________________________ INTRODUÇÃO

Das comorbilidades psicológicas a patologia mais referenciada é a


Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção (PHDA) (Agranat-Meged et
al., 2005) bem como alguns dos sintomas que lhe estão associados: impulsividade,
dificuldade no adiamento da gratificação e maior reatividade às recompensas
(Bonato & Boland, 1983; Davis, 2009; Nederkoorn, Braet, Van Eijs, Tanghe &
Jansen, 2006). Contudo nem todos os estudos confirmam a associação entre
obesidade infantil e PHDA (PitrouI, Shojaei, Wazana, Gilbert, Kovess-Masfety,
2010; Rojo, Ruiz, Dominguez, Calaf, Livianos, 2006; Waring & Lapane, 2008),
havendo indicadores de que esta relação será mediada por outros fatores (e.g.,
grau de obesidade, comportamentos de binge eating, nível socioeconómico, idade e
sexo) (Pulgarón, 2013).
Tal como os obesos adultos, as crianças obesas são socialmente
descriminadas. Van den Berg e colaboradores (2008) num estudo realizado nos
EUA concluíram que entre um terço a metade das crianças com excesso de peso se
sentiam incomodadas com a troça dos pares e familiares, variando contudo em
função da etnia da criança. Também os jovens vitimizados devido ao excesso de
peso são mais vulneráveis à depressão, baixa autoestima, imagem corporal
negativa e ideação suicida (Sargent & Blanchflower, 1994).
Os professores tendem a atribuir características negativas às crianças
obesas, avaliando-as mais frequentemente como desarrumadas, excessivamente
emocionais, com menor probabilidade de sucesso e com tendo mais problemas
familiares que as crianças não obesas (Price, Desmond & Stelzer, 1987). Da mesma
forma, em relação a algumas áreas de competências académicas, os professores
apresentam expectativas inferiores de desempenho quando a criança é obesa
(O’Brien, Hunter & Banks, 2007).
Embora haja indicação de uma associação entre sintomas de depressão e de
ansiedade com a obesidade infantil (Csabi, Tenyi & Molnar, 2000; Drukker,
Wojciechowski, Feron, Mengelers & Van Os, 2009; Lamertz, Jacobi, Yassouridis,
Arnold & Henkel, 2002; Pine, Goldstein, Wolk & Weissman, 2001; Vila et al., 2004),
são poucos os estudos que controlam a ordem de aparecimento destes sintomas e
da obesidade. No estudo longitudinal de Pines e colaboradores (2001) as crianças
foram avaliadas 10 e 15 anos depois do início do estudo, concluindo-se que a
depressão duplicava a probabilidade de vir a ter excesso de peso durante a

7
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

infância e adolescência e era também um preditor do excesso de peso na idade


adulta. Uma explicação para esta comorbilidade pode residir na dificuldade das
crianças obesas em autorregularem emoções e consequentemente utilizarem a
ingestão emocional (emotional eating) como estratégia de confronto das emoções
negativas (Faith, Allison & Geliebter 1997; Galloway , Farrow & Marz, 2010).
O excesso de peso na infância e adolescência parece estar também
associado à insatisfação com a imagem corporal (Muris et al., 2006; O'Dea &
Wilson, 2006; Wardle & Cook, 2005). A relação com a autoestima não é tão clara.
Na meta-análise realizada por Wardle e Cook, identificou-se que a maior parte dos
dezoito estudos considerados apresentava associações fracas ou não significativas
entre esta variável e o excesso de peso. Esta meta-análise aponta também o efeito
moderador da idade, sexo e etnia na relação da obesidade tanto com a insatisfação
corporal como com a autoestima. Outros estudos apontam o papel mediador dos
fatores genéticos e bioquímicos/neurológicos na relação entre obesidade infantil e
as suas consequências psicológicas (Dockray, Susman & Dorn, 2009; Goossens,
Braet, Van Vlierberghe & Mels, 2009).
Assim o impacto psicológico da obesidade infantil não parece ser linear,
dependendo da interação de competências psicológicas, variáveis biológicas e
sociodemográficas.
A manutenção da obesidade infantil na idade adulta, a elevada prevalência
da obesidade na infância e as suas consequências na saúde física e psicológica
tornam necessária a intervenção junto da população mais jovem. Esta abordagem é
definida nos objetivos do documento Health 2020 (OMS, 2012a), em que se prevê
uma intervenção precoce, como por exemplo, através do controlo do peso durante
a gravidez, do aleitamento materno exclusivo até aos seis meses e de especial
atenção ao período de diversificação alimentar que se segue ao aleitamento. Para
os anos que se seguem, e em particular na fase pré-escolar, o documento salienta a
necessidade de intervenção para a criação de comportamentos alimentares
saudáveis, dado que estes influenciam a dieta nos períodos posteriores da infância
e também na idade adulta (Kelder et al. 1994; Singer, Moore, Garrahie & Ellison,
1995).
A importância do comportamento alimentar na idade pré-escolar é ainda
reforçado pelas mudanças pré-definidas na composição corporal da criança: um

8
___________________________________________________________________ INTRODUÇÃO

rápido aumento da gordura corporal durante o primeiro ano de vida, a que se


segue um declínio em média até aos 6 anos, idade em que se inicia um aumento de
gordura corporal (adiposity rebound) que continua pela adolescência e idade
adulta. A intensidade deste aumento de gordura corporal está diretamente
relacionado com o tipo de dieta anterior da criança. Nos obesos este aumento é
mais intenso e ocorre mais cedo (Boonpleng & Gallo, 2012; Rolland-Cachera et al.,
1984), razão pela qual a intervenção nos comportamentos alimentares com
crianças pré-escolares ganha ainda maior relevância. Contudo, a intervenção
deverá ser sustentada num conhecimento sólido sobre o processo de influência
dos múltiplos determinantes que estão associados aos comportamentos
alimentares neste período da infância.

9
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

10
2.
DETERMINANTES DO
COMPORTAMENTO
ALIMENTAR INFANTIL

 Obesidade e comportamento alimentar

infantil

 Determinantes psicológicos e sociais do

comportamento alimentar infantil

 Objetivos do estudo
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

2.1. Obesidade e comportamento alimentar infantil

De um modo geral é reconhecido que a prevenção da obesidade e excesso


de peso infantil exige a aquisição, desde cedo, de hábitos alimentares saudáveis.
Contudo não é clara a relação da ingestão alimentar infantil com a gordura
corporal na infância (Rodríguez & Moreno, 2006).
Os trabalhos que avaliam a ingestão calórica e a relacionam com o IMC
apresentam resultados heterogéneos. Alguns estudos indicam não haver relação
entre a ingestão calórica e o IMC da criança, mas encontram uma relação entre o
consumo de ácidos gordos e o IMC (Gazzaniga & Burns, 1993; McGloin et al., 2002),
o que está de acordo com os resultados de Hooper e colaboradores (2013), que
concluíram que a redução da ingestão de ácidos gordos na dieta leva a uma
pequena mas significativa redução no peso, IMC e perímetro da cintura em
crianças e adultos.
Num estudo canadiano com sujeitos entre os 4 e os 16 anos foi encontrada
uma relação positiva entre a obesidade e a ingestão calórica (Gillis, Kennedy, Gillis
& Bar-Or, 2006), enquanto outros estudos não encontram esta relação em crianças
pré-escolares (Atkin & Davies, 2000; Mira, 2006), em crianças dos 5 aos 8 anos
(McGloin et al., 2002), e em crianças mais velhas e adolescentes (Ferreira, 2010;
Fulton, 2009; Guillaume, Lapidus & Lambert, 1998). Existem ainda estudos em que
as crianças obesas têm uma ingestão calórica inferior à das crianças com pesos
normal (Maffeis, Pinelli & Schut, 1996), mesmo quando é controlado o grau de
atividade física (Gazanniga & Burns, 1993).
Esta diversidade de resultados pode dever-se a questões metodológicas de
avaliação da ingestão alimentar, mas também ao facto de as crianças obesas,
apesar de poderem ter tido uma dieta mais calórica no passado, terem no
momento da avaliação uma dieta menos rica em calorias. Por esta razão os estudos
longitudinais são uma forma mais fidedigna de avaliar esta relação, mas também
estes apresentam resultados contraditórios relativamente à relação entre ingestão
calórica e o IMC ou outras medidas de gordura corporal (Berkey et al., 2000;
Bogaert, Steinbeck, Baur, Brock & Bermingham, 2005; Maffeis, Talamini & Tato,
1998; Magarey, Daniels, Boulton & Cockington, 2003ª).

12
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

O consumo adequado de nutrientes na infância, bem como um IMC normal,


parecem estar mais diretamente associados a vários comportamentos alimentares:
consumo diário de pequeno-almoço, consumo de fruta e vegetais, baixa ingestão de
alimentos e bebidas doces, consumo reduzido de gorduras, variedade alimentar e
número de refeições (Rodríguez & Moreno, 2006). Estas conclusões refletem-se
nas indicações que organizações mundiais, como a OMS e o USDA, divulgam para a
alimentação infantil.
O consumo de pequeno-almoço está associado a uma maior ingestão de
micronutrientes, a uma dieta mais saudável e, de um modo geral, a um IMC mais
baixo e a uma menor prevalência de obesidade (Dubois, Girard & Potvin, 2006;
Duerkse, Elder & Arredondo, 2007; Macfarlane et al., 2006; Utter, Scragg &
Mhurchu, 2007). Contudo, nem todos os estudos confirmam esta relação (Abalkhail
& Shawky, 2002; French, 2001; Nicklas, 2004). O consumo do pequeno-almoço está
também associado ao desenvolvimento das funções cognitivas e a um melhor
desempenho escolar (Miller, Forgac, Cline & McBean, 1998; Semeon & Grantham-
McGregor, 1989), sendo ainda mais nítido este efeito em crianças em situação de
subnutrição (Rampersaud, 2009).
O consumo de fruta promove um bom desenvolvimento físico e intelectual
da criança, menor gordura corporal e, combinado com o consumo de vegetais, está
associado a maior densidade óssea (OMS, 2005) e a padrões alimentares saudáveis
na idade adulta (Lien, Lytle & Klepp, 2001; Lytle, Seifert, Greenstein & McGovern,
2000). O consumo regular de fruta e vegetais diminui a probabilidade de
ocorrência de Obesidade, Diabetes, doenças cardiovasculares, AVC, alguns tipos de
cancro e de outras doenças crónicas (Block, Patterson & Subar, 1992; Gerster,
1991; Maynard, Gunnel, Emmett, Franke & Smith, 2003; Joshipura et al., 2001;
Steinmetz & Potter 1996; Willett & Trichopoulos, 1996). Contudo a relação entre o
consumo de fruta e vegetais e a adiposidade corporal parece ser mais evidente em
adultos do que em crianças (Ledoux, Hingl & Baranowski, 2011).
Embora sejam bem conhecidos os efeitos na saúde do consumo excessivo de
açúcar, a relação deste comportamento com o IMC da criança não é clara (Gibson &
Neate, 2007). O consumo de açúcar está associado a uma menor ingestão de
micronutrientes, vegetais e fruta (Øverby, Liligaard, Johansson & Anderson, 2003).

13
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Já o consumo de refrigerantes parece estar associado a maior ingestão calórica,


ganho de peso, risco de obesidade e excesso de peso e ao desenvolvimento de
doenças associadas à obesidade (Klesges, Klesges, Eck, & Shelton, 1995). O
consumo destas bebidas está também relacionado com um menor consumo de
leite e sumos naturais (Harnack, Stang & Story, 1999).
Está amplamente confirmada a relação inversa entre o IMC infantil e o
número de refeições diárias (Ferreira, 2010; Nicklas et al, 2004; Thompson et al.,
2006; Toschke, Küüchenhoff, Koletzko & von Kries, 2005; Toschke,
Thorsteinsdottir, Von Kries & The Gme Study Group, 2009; Zerva, Nassis,
Krekoukia, Psarra & Sidossis 2007). Intervalos não muito longos entre as refeições
reduzem a intensidade de fome, implicando um consumo de menor quantidade de
alimentos em particular os que geram saciação rápida. Por sua vez, a maior
quantidade de alimentos ingeridos por refeição leva a uma absorção mais rápida
de nutrientes e a alterações nos processos biológicos que ocorrem no tecido
adiposo, gerando aumento de peso (Tosche et al. 2009).
A variedade alimentar define-se como o consumo de alimentos pertencendo
aos diferentes grupos alimentares da Pirâmide dos Alimentos, sendo desejável o
consumo de quantidades mínimas (mas não máximas) diárias de cada grupo. A
variedade deve também refletir-se no consumo de diferentes alimentos dentro do
mesmo grupo alimentar. Uma dieta variada, ao expor a criança a diferentes
sabores, promove a aquisição de preferências por um leque alargado de alimentos,
facilitando uma dieta variada tanto na infância como mais tarde na idade adulta, o
que aumenta a probabilidade de uma ingestão equilibrada de nutrientes (Nicklaus,
Chabanet, Boggio & Issanchou, 2005; Steyn, Nel, Nantel, Kennedy & Labadarios,
2006). Apesar de a variedade alimentar estar presente em todas as orientações de
uma alimentação saudável, nem sempre está relacionada com a qualidade
alimentar (Drewnoski et al., 1996; Coulsten, 1999; Levitski, 2005). Um número
significativo de trabalhos aponta para que a variedade de alimentos numa refeição
leva ao aumento do consumo calórico e/ou maior gordura corporal (Bellisle & Le
Magnen, 1981; Epstein et al., 2006; McCrory et al., 1999; Pliner et al., 1980; Rolls et
al., 1982; Rolls, Rowe & Rolls, 1981). É também importante que a variedade ocorra
só para determinados grupos de alimentos. A variedade alimentar no grupo de
doces, snacks, glícidos e condimentos (e.g., manteiga, maionese) foi identificada

14
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

como preditor de gordura corporal. Pelo contrário a variedade no grupo de


vegetais estava inversamente correlacionada com a gordura corporal e a ingestão
calórica (Nicklaus et al., 2005). Também Krebs-Smith e al. (1987, cit. em Coulston,
1999) concluem que as vantagens da variedade alimentar só ocorrem até um certo
ponto, a partir do qual não há melhorias na qualidade nutricional da dieta.
Conclui-se então que, para gerar comportamentos alimentares saudáveis,
este conceito de variedade deverá ser entendido pelos pais unicamente associado a
certos grupos de alimentos e a porções adequadas, de modo a impedir excessos
calóricos. A adesão dos pais a um conceito simplificado de variedade alimentar
(i.e., “comer um bocadinho de tudo”) pode ter efeitos adversos. Atualmente, as
possíveis consequências negativas de uma variedade alimentar "excessiva" são
potenciadas pelo facto da oferta de produtos alimentares ter aumentado
exponencialmente para os alimentos mais calóricos, o que não ocorreu para outros
alimentos como, por exemplo, vegetais ou fruta.

Tabela 2.1.
Comportamentos alimentares das crianças e jovens - HBSC 2009-2010
11 anos 13 anos 15 anos

Portugal Portugal Portugal


Globala Globala Globala
% % %
% % % %
Consumo de pequeno-almoço 91 91 71 78 88 61 69 82 55
todos os dias de escola
Ingestão de pelo menos uma 54 44 42 46 44 36 39 34 31
peça fruta/dia
Ingestão diária de refrigerantes 14 21 18 25 25 23 21 24 25
a
Global = crianças e jovens de todos países e dos dois sexos
Fonte: HBSC (Currie et al.,2012)

Muitas crianças do mundo ocidental apresentam padrões de consumo que


se distanciam do ideal em relação aos comportamentos alimentares acima
referidos (Currie, 2012; Krebs-Smith et al., 1997; Munoz, Krebs-Smith, Ballard-

15
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Barbash & Cleveland, 1997; Yngve et al., 2005). No relatório mais recente do
Health Behavior in School-aged Children (Currie et al.,2012) com dados recolhidos
entre 2009 e 2010 em 37 países europeus, EUA e Canadá, são apresentados os
valores globais para três comportamentos alimentares (i.e., ingestão de pequeno
almoço, consumo de fruta e de refrigerantes) assim como os dados recolhidos em
Portugal, com crianças e jovens entre os 11 e os 15 anos (tabela 2.1). A
percentagem de crianças e jovens que, a nível global, apresentam valores
adequados nos três comportamentos alimentares considerados é inferior ao
desejável, havendo um agravamento significativo com a idade. Os dados do
relatório confirmam que para além da idade, o sexo e o rendimento familiar
influenciam a adoção destes comportamentos. O número de crianças e jovens
portugueses que ingere diariamente o pequeno-almoço é claramente superior à da
maioria dos países, sendo unicamente suplantada pelas crianças holandesas. A
ingestão de fruta é ligeiramente superior à média dos outros países nos grupos
etários dos 13 e dos 15 anos. Relativamente aos restantes comportamentos os
resultados nacionais são menos favoráveis. Para a ingestão de refrigerantes, as
crianças portuguesas apresentam valores próximos do valor global, podendo-se
afirmar que a partir dos 13 anos cerca de 25% das crianças bebe diariamente
refrigerantes.
A relação do IMC com os comportamentos alimentares referidos parece ser
mais clara do que com a ingestão calórica. No momento atual este facto é ainda
difícil de explicar.

16
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

2.2. Modelos explicativos do comportamento alimentar infantil

O vasto corpo de investigação sobre os determinantes do comportamento


alimentar infantil aponta para que este é influenciado por múltiplos fatores -
genéticos, fisiológicos, psicológicos, sociais e ambientais - cuja totalidade de
interações ainda não é conhecida. Esta complexidade torna-se ainda maior dado o
contexto de mudança que define o desenvolvimento infantil. A dificuldade de
abarcar num só modelo a ação (e interação) de todos os fatores envolvidos tem
sido um dos desafios da conceptualização e investigação do comportamento
alimentar infantil. Já há uma década Davinson e Birch (2001) levantavam este
problema no artigo em que defendiam a necessidade de um modelo que
integrassem características da criança, práticas parentais e o ambiente em que
estas práticas têm lugar. De acordo com os autores, este modelo seria um
instrumento indispensável para orientar a investigação da obesidade infantil.
São apresentados em seguida dois modelos que se enquadram nesta
perspetiva: i) o modelo de Contento e Michela (1999), que visa explicar as escolhas
alimentares da criança e do adolescente recorrendo a fatores fisiológicos,
cognitivos e ambientais (onde se incluem os determinantes familiares); ii) o
modelo ecológico, que se adequa à integração de múltiplos determinantes
provenientes de contextos proximais e distais da criança na explicação do
comportamento alimentar infantil.

2.2.1. O modelo de Contento e Michela

Uma das primeiras propostas integradoras foi feita por Contento e Michela
(1999), que a partir de uma vasta revisão de literatura propuseram um modelo
que envolve múltiplos determinantes do comportamento alimentar infantil e
propõe alguns processos de interação entre eles (figura 2.1).

17
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Figura 2.1. Processos de influência das escolhas alimentares das crianças e adolescentes (Contento &
Michela, 1999).

Fonte: Contento & Michela (1999), pp. 264

Os autores consideram que as escolhas alimentares das crianças e


adolescentes dependem de três tipos de fatores: fisiológicos,
cognitivos/motivacionais e ambientais. Os fatores fisiológicos são vistos como o
principal determinante das preferências alimentares, resultado dos efeitos
agradáveis ou aversivos das características organoléticas dos alimentos (e.g.,
sabor). Os fatores cognitivos e motivacionais combinam o conhecimento e as
crenças sobre alimentação com os objetivos que a criança ou o jovem pretende
atingir (e.g., objetivos saudáveis ou hedonistas), resultando nas decisões
alimentares do indivíduo. Por fim, os fatores ambientais determinam uma maior
ou menor disponibilidade dos alimentos que, com os restantes fatores, irá
determinar as escolhas alimentares.

18
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Os fatores envolvidos em cada um destes processos não são exclusivos. Por


exemplo, os fatores familiares influenciam a disponibilidade de alimentos mas
também são importantes no desenvolvimento de crenças que determinam as
escolhas alimentares.
Uma limitação deste modelo é o facto de não se adequar tão bem a crianças
mais novas, cujas escolhas alimentares são ainda pouco autónomas e em que
determinantes como as crenças e conhecimento não têm ainda impacto
significativo nas escolhas alimentares. Por outro lado, desde de que Contento e
Michela propuseram este modelo um número significativo de outras variáveis
envolvidas no comportamento alimentar da criança têm vindo a ser identificadas,
bem como a complexidade das suas interações. Os modelos explicativos mais
recentes enquadram-se na perspetiva ecológica, a qual se tem revelado um
referencial holista, adequado para a organização de múltiplos fatores e dos seus
processos de influência ao longo do desenvolvimento infantil.

2.2.2. O Modelo ecológico

O Modelo Ecológico proposto por Bronfenbrenner (1979) explica o


processo de desenvolvimento através da interação entre a criança e as
características do contexto, que a influenciam direta e indiretamente. Este contexto
organiza-se em quatro sistemas: o microssistema, o mesossistema, o exossistema e
o macrossistema.
O primeiro – microssistema - refere-se aos contextos mais próximos da
criança, nos quais está envolvida e com os quais tem experiências diretas (e.g.,
família, pares, escola). O nível seguinte – mesossistema - envolve as relações entre
os vários contextos do microssistema, por exemplo as relações existentes entre a
família e a escola. O mesossistema é muitas vezes esquecido na educação alimentar
na escola, a qual raramente engloba ativamente os pais das crianças, os quais
poderão ter um papel preponderante no reforço das aprendizagens escolares.
Tanto o microssistema como o mesossistema são influenciados e
influenciam os determinantes de desenvolvimento que integram o nível seguinte –
o exossistema – que se refere a contextos em que a criança não participa

19
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

diretamente, mas que a afetam. A sua influência provém do sistema social alargado
em que a criança se insere (e.g., condições de trabalho dos pais).
O último nível, o macrossistema, também ele determinado e determinante
dos sistemas anteriores, consiste na organização das instituições sociais e das
ideologias existentes na sociedade em que a criança se insere, que se traduzem,
por exemplo, na legislação ou no apoio do estado a programas de promoção da
alimentação saudável.
De acordo com este modelo (Bronfenbrenner & Ceci, 1994) o
desenvolvimento da criança resulta: i) da interação dos fatores dentro de cada
sistema e entre os diferentes sistemas entre si (e.g., políticas de trabalho que
influenciam o tempo disponível dos pais que por sua vez podem influenciar a
maior ou menor exposição da criança a alimentos saudáveis e consequentemente
as suas preferências alimentares); ii) da influência da própria criança nos
determinantes mais próximos (e.g., comportamentos parentais) e também nos
mais distantes (e.g., a utilização crescente da internet pelas crianças determina o
aumento da publicidade alimentar nos sites mais visitados pelas crianças).
É com base no modelo ecológico que surgem duas teorias de referência,
uma proposta por Story e outra por Davinson e Birch, criadas a partir de uma
análise exaustiva da evidência empírica. Os modelos não diferem
significativamente, sendo que ambos propõem vários níveis de determinantes que
interagem entre si. Estes modelos facultam essencialmente um quadro organizador
dos múltiplos determinantes do comportamento alimentar.
O modelo de Story (Story, Kaphingst, Robinson-O’Brien & Glanz, 2008;
Story, Neumark-Sztainer & French, 2002) propõe a organização dos determinantes
do comportamento alimentar em quatro níveis de influência do adolescente:
intrapessoal, interpessoal, comunitário e social.
O modelo proposto por Davinson e Birch (2001) propõe três níveis que
integram os determinantes do IMC da criança. Na medida em que os
comportamentos alimentares e a atividade física/sedentarismo são variáveis
proximais do IMC, muitos dos fatores que incluídos neste modelo são
determinantes dos comportamentos alimentares.
Num primeiro nível os autores integram as características da criança (e.g.,
sexo, idade) que interatuam com os determinantes familiares, que constituem o

20
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

nível seguinte. No último nível integram-se as características da comunidade,


demográficas e sociais que influenciam, mas são também influenciados, pelos
determinantes dos níveis anteriores.
Apesar da proximidade dos dois modelos referidos, no modelo de Birch
reflete-se a maior importância dada aos determinantes familiares, o que é natural
dado incidir na infância e não na adolescência. Em contrapartida o modelo de Story
foca diversos determinantes cognitivos do adolescente (crenças, atitudes,
autoeficácia, conhecimento) que têm um impacto ainda reduzido ou nulo no
comportamento alimentar infantil.

Figura 2.2. Determinantes do comportamento alimentar infantil – Modelo ecológico

Com base nestes dois modelos e considerando a literatura mais recente,


propõe-se na figura 2.2 uma organização dos vários determinantes do
comportamento alimentar infantil em três níveis: características da criança, os
microssistemas (social e familiar) e, por fim, o nível mais distante da criança que
agrupa os determinantes do macro e do exossistema. Embora alguns dos

21
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

determinantes alimentares sejam abordados em detalhe mais à frente, apresenta-


se uma breve síntese de cada um dos sistemas.
As características da criança que estão identificadas como influenciando o
comportamento alimentar são demográfica (e.g., sexo e idade), fisiológicas (e.g.,
predisposição genética para ganhar peso, sensibilidade ao sabores que influenciam
as preferências alimentares, sistemas de autorregulação de ingestão),
psicofisiológicas (e.g., preferências alimentares, neofobia), comportamentais (e.g.,
tempo de visionamento da televisão) e cognitivas como as crenças da criança,
embora estas só influenciem o comportamento alimentar a partir dos 8 anos
(Contento, 1981).
No nível dos microssistemas são incluídos os sistemas familiar e social. No
microssistema familiar englobam-se determinantes diretamente relacionados com
a alimentação dos próprios pais como o peso, as preferências e os seus
comportamentos alimentares. Incluem-se igualmente determinantes cognitivos
que influenciam os comportamentos parentais como crenças, perceções e
conhecimento relacionados com a alimentação da criança. As emoções parentais,
como stress, ansiedade e cansaço, têm também sido referidas como barreiras
pessoais com que os pais se confrontam relativamente à alimentação dos filhos, em
parte relacionados com o tempo e o esforço despendidos no local de trabalho.
Incluem-se também os comportamentos parentais diretamente relacionados com a
alimentação da criança, como os estilos e práticas parentais, a influência sobre o
visionamento de televisão (e.g., feedback dado à publicidade televisiva alimentar) e
a disponibilidade dos alimentos em casa que influenciam diretamente a exposição
da criança aos mesmos.
No microssistema social encontram-se os fatores escolares, como a
integração de informação nutricional nos currículos e as refeições escolares. É
também na escola que se dá a maior parte da influência dos pares. As
características do ambiente físico estão presentes, em particular a acessibilidade
dos restaurantes e locais de venda de alimentos saudáveis/não saudáveis, que
influenciam a exposição alimentar. É também relevante acessibilidade das crianças
aos media e à internet, na medida em estes podem promover o desenvolvimento de
atitudes de acordo com uma alimentação mais ou menos saudável, mesmo em
crianças pré-escolares. As variáveis sociodemográficas, como o nível económico e

22
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

cultural em que a criança e os pais se inserem, influenciam o tipo de alimentação


que a criança faz e a educação nutricional dos pais. Por fim o maior ou menor
acesso a programas de promoção da saúde determina o acesso a informação
nutricional por parte da criança, dos pais e dos professores.
No último sistema, que engloba os determinantes que exercem uma
influência mas indireta sobre a alimentação da criança, encontram-se as normas e
valores partilhados pelo grupo social em que a criança se insere e os aspetos
relacionados com a política e legislação, em particular as relacionadas com a saúde
e a regulamentação laboral assim como as políticas empresariais e estatais de
produção e publicidade dos alimentos.
De acordo com os pressupostos do modelo ecológico i) os determinantes
referidos interagem de forma bidirecional (e.g., a exposição frequente a
determinados alimentos aumenta as preferência da criança por esses alimentos,
mas as preferências da criança também influenciam os alimentos que os pais
servem); ii) os fatores de um nível interferem nos efeitos de determinantes de
outro nível (e.g., a disponibilidade de alimentos saudáveis a preços acessíveis nas
lojas de bairro gerará melhores resultados na alimentação da criança se os pais
tiverem um conhecimento nutricional que lhes permita fazerem as opções
adequadas).

2.3. Sistemas macro e micro - enquadramento da investigação em Psicologia


para o conhecimento e intervenção no comportamento alimentar
infantil

As respostas à complexidade desafiante do comportamento alimentar


infantil nem sempre correspondem a abordagens integradoras como o modelo
ecológico. Recentemente têm surgido algumas perspectivas que defendem a
intervenção exclusiva no nível social e político, depreciando a intervenção a nível
da família e do indivíduo. Exemplo desta mudança é, por exemplo, a nota
introdutória do ministro inglês Edward King ao relatório do Government Office for
Science, sobre a obesidade no Reino Unido (Butland et al., 2007), mas também os
conteudos de muitos dos encontros científicos nacionais e internacionais sobre

23
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

obesidade, que se pretendem tranversais, e onde dominam as abordagens


orgânicas e ambientais em detrimento das centradas no indivíduo e na sua relação
direta com o meio envolvente. Por outro lado, a abordagem dominantemente
ambiental tem sido sustentada por um novo conceito, o de ambiente obesogénico,
que defende a centração (quase) exclusiva no ambiente como meio de explicação e
de intervenção na obesidade (e.g., utilização de transportes motorizados,
recreação sedentária, variedade e publicidade de alimentos calóricos,
acessibilidade da fast-food, aumento de doses, preços dos alimentos mais calóricos,
etc.). O excesso de peso passa a ser visto como uma resposta normal a um
ambiente anormal, não tendo em conta a variabilidade individual. De acordo com
este conceito o problema da obesidade deve ser visto como outras epidemias, e
resolvido através de alterações ambientais (Garry Egger & Swinburn, 1997). Esta
abordagem desvaloriza as intervenções comunitárias, defendendo que a solução
eficaz se resume a políticas governamentais e legislação (Walls, Peeters, Proietto &
McNeil, 2011).
Felizmente, entre os defensores deste modelo existem já algumas
perspetivas que manifestam um sentido crítico. Duas meta-análises identificam
que a maioria dos estudos sobre a influência do ambiente obesogénico não satisfaz
alguns requisitos metodológicos que o conceito implica, como por exemplo uma
definição operacional e adequada do que são exatamente variáveis ambientais e
também o facto de muitos estudos se limitarem a uma análise de fatores
microambientais, não abarcando vários níveis (Brug, Van Lenthe, & Kremers, 2006;
Kirk, Penney & McHugh, 2009). Alguns autores propõem como mais adequado o
conceito de comportamento obesogénico (vs. ambiente obesogénico), sendo este
determinado por fatores ambientais e individuais (Brug et al., 2006; Chaput,
Klingenberg, Astrup, & Sjödin, 2011; Hill, Wyatt, Reed & Peters, 2003).
É também importante salientar que a possibilidade de mudanças no
ambiente é limitada, sendo inviável a criação de um ambiente perfeito, livre da
maioria dos fatores obesogénicos. Para além disto, a abordagem centrada no
ambiente retira a Pessoa da equação e defende toda uma intervenção legal e
política extremamente paternalista e autoritária, que embore possa parecer
atraente por não ter que abarcar a complexidade do Ser Humano não é, por isso
mesmo, realista.

24
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Esta problemática enquadra-se na questão epistemológica que retrata a


oposição entre teorias macro e micro, entre o sujeito e a estrututra em que este se
insere. Contudo é necessário um esforço progressivo para superar esta cisão entre
micro e macro a nível teórico, sem contudo desconhecer os diferentes métodos de
estudo, análise e intervenção das duas perspectivas (Serapioni, 2013).
Dado que cada área científica tem o seu campo de estudo e intervenção
específico, o contributo da investigação em Psicologia centra-se no estudo das
variáveis individuais e do sistema familiar, bem como nos aspetos do sistema
social que as influenciam.

2.4. Determinantes psicológicos e sociais do comportamento alimentar


infantil

Em seguida serão abordados mais detalhadamente os determinantes


psicológicos do comportamento alimentar que estão diretamente relacionados
com a criança e com a família. Para a apresentação destes determinantes seguiram-
se alguns critérios, que se descrevem em seguida.
Dado que o presente trabalho incide sobre os comportamentos alimentares,
excluiram-se os determinantes exclusivamente associados ao sedentarismo da
criança (e.g., atividade física da criança; preferência e prática parental de atividade
física). Porque se trata do estudo das varíáveis psicológicas foram excluídos os
determinantes exclusivamente orgânicos (e.g., sistemas de autorregulação
orgânica da ingestão de nutrientes, fome). Não serão também abordadas os
determinantes cognitivos da criança na medida em que no período pré-escolar
estes ainda não interferem diretamente no seu comportamento alimentar
(Contento, 1981).
Na revisão de literatura os determinantes não serão apresentados de uma
forma individualizada por se tornar demasiado exaustivo e não refletir a interação
existente entre eles. A abordagem de cada determinante não será estanque e
remeterá para os processos de influência mútua com outros fatores. Por exemplo,
as preferências e comportamentos alimentares dos pais, a exposição aos alimentos,
a sensibilidade aos sabores e a neofobia são analisados no contexto das

25
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

preferências alimentares da criança. Por outro lado a influência de certas


características dos pais (e.g., sociodemográficas, peso, condições e horário de
trabalho) serão abordadas transversalmente ao longo do texto.
Assim, começa-se por abordar as características da criança relacionadas
com o comportamento alimentar e em seguida os determinantes parentais. No
primeiro grupo são analisados as preferências alimentares e o tempo de
visionamento de televisão. Os determinantes familares/parentais serão focados a
partir dos estilos parentais, conhecimento nutricional dos pais, das suas crenças e
perceções, dando-se assim um enfoque especial aos determinantes cognitivos
parentais.

2.4.1. Determinantes relacionados com a criança

2.4.1.1. Características demográficas

As variáveis demográficas têm comprovado o seu impacto, de forma indireta, nos


comportamentos alimentares das crianças. Embora não sejam um aspeto central
do presente trabalho, importa salientar que as características demográficas que se
têm revelado como associações mais fortes aos comportamentos alimentares e ao
IMC de crianças pré-escolares são a idade e sexo da criança e o nível
socioeconómico dos pais (Dubois & Girard, 2006; McGowan et al., 2012;
Rasmussen et al., 2006). As raparigas e as crianças mais novas tendem a ter uma
ingestão calórica mais elevada, embora no estudo de McGowan e colaboradores
não tenha sido identificada diferenças entre os dois sexos. O nível socioeconómico
e o grau de escolaridade dos pais apresentam geralmente uma correlação positiva
com a qualidade da ingestão alimentar e com o IMC da criança (e.g., Hesketh et al.,
2007; Padez, Mourão, Moreira & Rosado, 2005).

26
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

2.4.1.2. Preferências alimentares

As preferências e o sabor dos alimentos são os determinantes com maior


peso nas escolhas alimentares de adultos (ADA, 1997). Um dos aspetos que torna
central o estudo e intervenção sobre as preferências no início da infância é que
estas estão correlacionadas com as preferências nos anos posteriores e na idade
adulta. Num estudo longitudinal, Nicklaus e colaboradores (2004) concluíram
existir uma concordância significativa das preferências alimentares iniciais (2-3
anos de idade) com as preferências ao longo da vida: 40% aos 4-7 anos, 32% aos 8-
12 anos, 21% aos 13-16 anos e 18% de concordância com as preferências dos
mesmos indivíduos aos 17-22 anos. Este estudo confirma a importância da
intervenção precoce nas preferências alimentares. Esta intervenção parece viável
pois apesar de um forte determinismo genético nos primeiros meses de vida, um
vasto número de estudos comprova a influência da família e dos restantes sistemas
sociais na aquisição de preferências alimentares.
As preferências alimentares inatas pelo doce e salgado e a aversão pelo
azedo e ácido estão amplamente confirmadas (Beauchamp & Cowart, 1986, 1985;
Desor, Maller & Turner, 1973; Maller & Turner, 1973). A neofobia, que consiste na
aversão por alimentos novos, tem também base genética na medida em que é
comum à maioria dos seres humanos desde o nascimento até aos seis anos de
idade (Adessi et al., 2005; Cooke & Wardle, 2006; Dovey et al., 2008; Rozin, 1973),
e existe uma semelhança da intensidade da reação neofóbica entre pais e filhos e
entre irmãos, em cerca de 60 a 80% (Cooke, Haworth & Wardle,2007; Knaaapila et
al., 2007). Ao longo da infância a sensibilidade e a preferência pelo sabor amargo
parecem ser determinadas em parte pelo genótipo4 que influenciando a maior ou
menor sensibilidade a este sabor, afeta as preferências alimentares (Anliker et al.
1991; Drewnowski & Rock, 1995; Steiner, 1979; Rosenstein & Uster, 1988). Por
exemplo, em crianças pré-escolares aquelas com menor sensibilidade ao sabor
amargo consomem mais vegetais do que as crianças com maior sensibilidade, as

4
Os estudos têm focado essencialmente a influência genética na sensibilidade ao sabor amargo,
especificamente a dois componentes que se encontram nos alimentos ácidos: 6-n-propil-tio-uracilo
(PROP) e fenil-tio-carbamida (PTC), presente nos vegetais e frutas. Os indivíduos com menor
sensibilidade ao amargo terão dois alelos recessivos enquanto que os com maior sensibilidade têm dois
alelos dominantes.

27
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

quais tendem a ter aversão pelos vegetais mais amargos (Drewnoswki & Rock,
1995;Kendra & Tepper, 2006).
Apesar da influência genética no início de vida, o papel da família e da
escola é determinante na evolução das preferências alimentares. Já antes do
nascimento, a exposição a um determinado alimento aumenta a preferência por
esse mesmo alimento. A dieta da mãe durante os últimos meses de gravidez e no
período de aleitamento refletem-se no líquido amniótico que a criança ingere e no
leite materno, levando a criança a manifestar maior preferência pelos alimentos
mais ingeridos pela mãe (Birch, 1999; Cook & Fields, 2011; Menella, Jagnow &
Beauchamp, 2001; Skinner et al., 2002). A amamentação (vs. Alimentação artificial)
leva a que a criança desde cedo seja exposta a uma maior variedade de sabores, o
que gera reações neofóbicas menos intensas (Sullivan & Birch, 1994).
Concomitantemente, a ausência de exposição a alimentos doces no início de vida
gera uma redução da preferência inata por este sabor (Beaucham & Moran, 1982).
O efeito da exposição nas preferências alimentares e na neofobia continua ao longo
da infância. As crianças pré-escolares, quando expostas aos sabores doces e
salgados, aumentam a preferência por estes sabores, potenciando assim as
preferências geneticamente determinadas (Sullivan & Birch, 1990). Ainda nesta
idade as crianças aumentam a sua preferência por vegetais após exposição
repetida (Anzman-Frasca et al., 2012), mesmo quando são expostas a pequenas
quantidades de vegetais de que não gostam (Lakkakula et al., 2010). Também a
aversão ao amargo pode ser rapidamente invertida pela repetição deste sabor
(Rosenstein & Oster, 1988; Steiner, 1979).
De um modo geral poderá afirmar-se que, em crianças de 5 anos, a
exposição aos alimentos explica cerca de 30% das preferências (Birch, 1979b). Não
se deve também esquecer que as próprias preferências da criança podem servir de
orientação para os pais na escolha dos alimentos que servem aos filhos,
aumentando a exposição e consequentemente a preferência por esses mesmos
alimentos (Holsten et al., 2012).
Para além da exposição, a modelagem é um dos fatores ambientais que
influi na neofobia e nas preferências alimentares. Vários estudos confirmam a
semelhança entre as preferências dos pais e dos filhos (Cathey & Gaylord,
2004;Savage, Fisher, & Birch, 2007; Scaglioni, Salvioni, & Galimberti, 2008).

28
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Contudo na maior parte dos estudos torna-se difícil discriminar o efeito da


modelagem e o da exposição, na medida em que as preferências alimentares da
criança poderão resultar da maior exposição aos alimentos preferidos pelos pais
(Cathey & Gaylord, 2004; Cooke et al., 2004; Falciglia, Pabst, Couch & Goody, 2004;
Howard et al., 2012; Skinner et al., 1998, 2002). Contudo, abordagens em contextos
mais controlados permitem concluir que, na presença de adultos que consomem
novos alimentos sem efeitos negativos, as crianças tendem a reduzir as reações
neofóbicas a esses alimentos (Adessi et al., 2005), sendo o efeito mais forte se os
modelos forem crianças da sua idade ou mais velhas (Birch, 1980; Hendy, 2002).
Os processos de condicionamento são outro aspeto importante na
aprendizagem de preferências ou aversões alimentares. A associação de um
alimento a sabores/alimentos preferidos pela criança aumenta a sua aceitação e
preferência (Birch & Anzman-Frasca, 2011), a qual é superior à preferência que
resulta da exposição isolada (Havermans & Jansen, 2007; Johnston, et al. 2011;
Williams, Paul, Pizzo & Riegel, 2006). Um estudo mais recente não encontrou esta
relação em crianças pré-escolares, embora concluísse que a associação de vegetais
com molhos preferidos pelas crianças encoraja a criança a provar os vegetais
(Anzman-Frasca et al., 2012).
As preferências são também influenciadas pelas consequências da ingestão.
Esta influência reflete-se na escolha preferencial por alimentos que devido à sua
elevada densidade calórica geram saciação rápida (Birch et al., 1990; Johnson,
McPhee & Birch, 1991; Sacalfani, 1991), mesmo quando se tratam de novos
sabores (Birch, 1992). Esta preferência ocorre também dentro do grupo de
vegetais e frutas, dado que as crianças tendem a preferir as frutas e os vegetais
mais calóricos (e.g., banana vs. Melão; batatas vs. curgetes) (Gibson & Wardle,
2003). As consequências da ingestão de alimentos incluem também reforços
externos (e.g., “Se comeres os vegetais podes ver televisão/comer chocolate”). Esta é
uma prática parental comum que resulta na diminuição da preferência pelo
alimento consumido (e.g., vegetais) e um aumento pela atividade ou alimento
utilizado como reforço (e.g., televisão/chocolate) (Birch, Marlin & Rotter, 1984).
A associação dos alimentos a interações sociais agradáveis ou aversivas tem
também impacto nas preferências alimentares. A utilização de pressão ou de
estratégias coercivas pelos pais pode produzir aversão ao alimento (Batsell et al.,

29
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

2002; Birch et al., 1982; Galloway et al., 2006), dando-se o efeito contrário quando
a ingestão do alimento é associada à atenção do adulto ou a interações agradáveis
(Birch, Zimmerman & Hind, 1980). As preferências alimentares também podem ser
alteradas por associação a características do contexto que não exclusivamente
interpessoais, como por exemplo a imagem de marca. Numa investigação com
crianças entre os 3 e os 5 anos concluiu-se que estas preferiam o sabor de batatas
fritas, hambúrgueres, nugets de frango e cenouras anãs quando apresentadas em
embalagens da McDonalds em comparação com os mesmos alimentos em
embalagens simples (Robinson, Borzekowski, Matheson & Kraemer, 2007).
Podendo as preferências alimentares ser influenciadas pela intervenção
parental, torna-se importante perceber se aquelas influenciam o comportamento
alimentar da criança. Desde os anos 70 que um extenso corpo de investigação
confirma esta relação. A preferência por alimentos com elevado teor de gordura
está correlacionada com a ingestão de gordura e com a adiposidade (i.e., prega do
tricípede) em crianças pré-escolares (Fisher & Birch, 1995) e também em crianças
mais velhas (Rickets, 1997). A preferência por fruta e vegetais está também
correlacionada com o consumo destes alimentos em crianças em idade escolar
(Resnicow et al., 1997). Pelo contrário a associação entre a preferência e consumo
de alimentos doces parece não ser tão evidente (Lanfer, 2012), o que poderá ser
justificado por serem alimentos sobre os quais muitos pais exercerão um maior
controlo e restrição.
Em contrapartida, a relação entre preferências alimentares e o IMC da
criança não é evidente. Apesar de Lanfer e colaboradores (2012) identificarem
uma relação entre o IMC de crianças em idades escolar e a preferência por
alimentos ricos em açúcar e gordura (Lanfer et al., 2012), outros estudos não
identificam nenhuma relação do IMC da criança com a preferência por alimentos
ricos em gordura, glícidos e proteínas (Fieldstone et al., 1997), nem com a
preferência por frutas e vegetais (Hill, Wardle & Cook, 2009).
Embora a influência das preferências alimentares sobre o comportamento
alimentar pareça ser evidente, a maioria dos estudos foca-se em crianças em idade
escolar, em que a autonomia de decisão alimentar é superior à das crianças pré-
escolares. Por esta razão é importante confirmar esta relação em crianças mais
novas.

30
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

2.4.1.3. Visionamento de televisão

Existe um vasto o conjunto de investigações que estuda os efeitos do


visionamento de televisão não só no IMC das crianças mas também nos
comportamentos alimentares.
O tempo gasto em frente à televisão está associado ao aumento de gordura
corporal (Jackson, Djafarian, Stewart & Speakman, 2009) e a um maior risco de
obesidade (Kristiansen, Júlíusson, Eide, Roelants & Bjerknes, 2013). Também
Toschke e colaboradores (2005) identificaram que o visionamento de mais de 1
hora por dia de televisão, a baixa atividade física e o menor número de refeições
diárias eram preditores da obesidade em crianças de 5-6 anos. Os estudos
longitudinais comprovam também esta relação (Velde et al., 2011). Num estudo em
que as crianças foram avaliadas no primeiro e no quarto ano de escolaridade, o
tempo de televisão (juntamente com o numero de refeições em família) foi um
preditor do início e da manutenção da obesidade no final dos quatro anos (Gable,
Chang & Krull, 2007). Outro estudo longitudinal de MacFarlane e colaboradores
(2009) confirmou que o tempo de visionamento de televisão era preditor do IMC
num intervalo de 3 anos, mas só no grupo de crianças mais velhas (com 10-12 anos
no início dos estudo). Relativamente a Portugal são conhecidos dois estudos que
confirmam a relação entre IMC e o tempo de visionamento de televisão em
crianças em idade escolar (Padez, Mourão, Moreira & Rosado, 2005), embora um
deles só tenha verificado esta relação nos rapazes (Carvalhal, Padez, Moreira, &
Rosado, 2006).
Também se verifica que os padrões alimentares das crianças que vêm mais
tempo televisão são geralmente menos saudáveis (Marquis, Filion & Dagenais,
2005), incluindo em crianças pré-escolares (Halford et al., 2007, Hare-Brunnet et
al., 2011). As crianças que passam mais tempo em frente à televisão têm uma
ingestão diária de calorias superior em comparação que as que vêm menos tempo
de televisão (Campbell, Crawford & Ball, 2006; Crespo et al., 2001; Wiecha, 2006),
comem mais alimentos ricos em gordura mas pouco nutritivos (Davinson, Marshal
& Birch, 2006; Dixon et al., 2007) e menos vegetais (Boynton-Jarret et al., 2003;
Coon, Goldberg, Rogers & Tucker, 2001).

31
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Associado ao tempo utilizado pelas crianças a ver televisão está o grau de


exposição à publicidade. Um estudo internacional (Lobstein & Dibb, 2005), que
envolveu crianças dos EUA, Austrália e de sete países europeus, encontrou uma
correlação positiva entre a prevalência de excesso de peso em cada país e o
número de anúncios televisivos a alimentos gordos e açucarados. Zimmerman e
Bell (2010), num estudo longitudinal com crianças entre os 0 e os 6 anos no início
do estudo, confirmaram a associação entre o visionamento de publicidade no início
do estudo e o IMC das mesmas crianças em três anos mais tarde.
As preferências alimentares são também influenciadas pela publicidade, na
medida em que as crianças parecem apresentar maior preferência pelos produtos
alimentares publicitados (Borzekowski & Robinson, 2001). Embora este efeito se
reflita na maioria das crianças, aquelas que vêm mais televisão são mais
suscetíveis à influência da publicidade nas suas preferências alimentares (Boyland,
Harrold, Kirkham & Halford, 2012).
O efeito da publicidade nos comportamentos alimentares reflete-se não só
no maior consumo do alimento publicitado, mas também no aumento de ingestão
dos alimentos da mesma categoria (Buijzen, Schuurman & Bomhof, 2008). Alguns
estudos laboratoriais indicam que o visionamento de publicidade alimentar gera
também um aumento da quantidade total de alimentos ingeridos após o
visionamento e não só dos produtos publicitados (Halford et al., 2007; Halford,
Gillespie, Brown, Pontin & Dovey, 2004), sendo que esta relação parece ser ainda
mais forte nas crianças obesas (Halford et al., 2008).
Os dados apresentados apontam de forma consistente que o tempo em
frente ao televisor e a exposição à publicidade alimentar interferem de modo
negativo nas preferências alimentares e na quantidade e tipo de alimentos
ingeridos pela criança.
Outros aspetos agravam a influência da publicidade alimentar na
alimentação da criança. Um deles é a incapacidade da criança pré-escolar em
identificar as estratégias persuasivas que são utilizadas (Boyland et al., 2011; Folta,
Goldberg, Economos, Reil & Meitzer, 2006) ou fazer uma análise crítica destas
(Bijmolt, Claassen & Brus, 1998; D'Alesio, Laghi & Baiocco, 2009), uma vez que a
capacidade de compreender a intenção manipulatória da publicidade surge por
volta dos oito anos (Robertson, Thomas, Rossiter & Johnson, 1974).

32
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

A gravidade dos efeitos da publicidade é ainda maior, se tivermos em conta


a elevada frequência de anúncios a produtos alimentares nos períodos em que as
crianças vêm mais televisão. Estudos internacionais descrevem uma realidade em
que a maioria dos anúncios destinados às crianças são de produtos alimentares e
dentro destes dominam os alimentos que menos se adequam a uma alimentação
saudável (Batada, Seitz, Wootan & Story, 2008; Hawkes, 2004; Kelly et al., 2010;
Morgan, Fairchild, Phillips, Stewart & Hunter, 2008; OMS, 2003). Em Portugal a
realidade não é diferente. Um estudo realizado pela DECO em 2005 identificou que
na televisão portuguesa ao sábado de manhã cerca de 45% dos anúncios eram a
alimentos e bebidas. Os resultados de um trabalho mais recente (Fialho & Almeida,
2008), que analisou a publicidade durante o sábado e domingo em três canais
generalistas portugueses, confirma que de entre os anúncios a géneros
alimentícios a maioria focava produtos que não correspondiam às orientações para
uma alimentação saudável, 48% eram dirigidos ao público infantil/juvenil, e destes
a categoria mais publicitada era a dos alimentos açucarados. Em contrapartida os
produtos como fruta e vegetais são pouco publicitados (Deco, 2005; Magalhães,
2008).
A regulamentação da publicidade alimentar bem como a promoção da
publicidade a alimentos saudáveis são medidas importantes para melhorar os
comportamentos alimentares infantis (Beaudoin, Fernandez, Wall, & Farley, 2007;
Dixon, Scully, Wakefield, White, & Crawford, 2007; Rodrigues, Carmo, Breda & Rito,
2011). Neste sentido salientam-se os Princípios de Sidney criados pela IOTF (IASO,
2007) que, baseados em estudos empíricos, constituem linhas de orientação para a
regulamentação da publicidade a produtos alimentares destinada a crianças.
Contudo a experiência dos países que iniciaram já esta regulamentação demostra
que este processo se revela bastante mais complexo do que poderia inicialmente
parecer (Hawkes & Lobstein, 2011; Editorial, 2003). A autorregulação do setor
privado é outra das medidas adotadas em vários países (IASO, 2006), tanto nos
que têm já regulamentação governamental nesta área como nos restantes, sendo
que em Portugal estão a ser dados os primeiros passos nesta área (ICAP, 2010).
Contudo a intervenção não pode ser só baseada em intervenções macro
(e.g., regulamentação e legislação), nem estas podem ser vistas como a solução do
problema. Vários factos fundamentam esta conclusão: i) o visionamento de

33
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

televisão, mesmo sem a exposição a anúncios, está associado a piores hábitos


alimentares e a ganho de peso infantil; ii) mesmo que este tipo de publicidade
televisiva seja proibido, esta medida só terá um efeito mais significativo se as
crianças não tiverem um acesso fácil a este tipo de alimentos em casa ou nos locais
de venda (e.g., apesar das gomas não serem um produto publicitado, existe um
elevado consumo nas camadas mais jovens, pela fácil acessibilidade de locais de
venda).
Para além de limitarem o tempo que a criança vê televisão5, ocupando-o em
atividades que combatam o sedentarismo, os pais têm outras formas de reduzir os
efeitos negativos da televisão na alimentação dos filhos. Uma delas é reduzindo o
seu próprio tempo de visionamento de televisão (Bleakley, Jordan &Hennessy,
2013; Frederick, Zimmerman, Ortiz, Christakis & Elkun, 2012). Por outro lado a
recusa aos pedidos das crianças diminuem consideravelmente o efeito da
publicidade na alimentação da criança, em particular nas pré-escolares (Buijzen &
Valkenburg, 2003), diminuindo a acessibilidade e a exposição aos alimentos
publicitados. Outra área de intervenção dos pais, principalmente em crianças a
partir dos 4-5 anos, que conseguem já descriminar os anúncios do resto da
programação (Levin, Petros & Petrella, 1982), é a educação das crianças para os
media, sendo ideal que o visionamento decorra na companhia dos pais e dê azo a
discussão com as crianças promovendo, por exemplo, a perceção das estratégias de
marketing mais simples (e.g., a utilização de celebridades que são pagas para fazer
o anúncio). Contudo não se deve presumir que todos os pais têm conhecimentos e
capacidade para fazer esta análise crítica adequada à idade da criança, sendo esta
uma área potencial de trabalho com os pais e também com as crianças.
Em conclusão, o tempo passado em frente ao ecrã de televisão e a exposição
à publicidade alimentar parecem influenciar negativamente as preferências
alimentares, os hábitos alimentares e o IMC da criança. Contudo, os pais podem
reduzir o impacto da televisão e publicidade nos hábitos alimentares. Através de
estratégias de restrição e controlo do visionamento televisivo, mas também da
modelagem deste comportamento, da comunicação familiar acerca da publicidade

De acordo com a American Academy of Pediatrics (2001) o tempo ideal de visionamento de


5

televisão é 1 hora, no máximo 2 horas.

34
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

e da seleção criteriosa dos alimentos que estão disponíveis em casa os pais


conseguem influenciar o efeito negativo da televisão nos hábitos alimentares dos
seus filhos.

2.4.2. Determinantes parentais

2.4.2.1. Estilos parentais

Desde há algumas décadas que têm sido estudadas tipologias do


comportamento parental que facilitem a compreensão do desenvolvimento e
comportamento da criança.
As teorias que focam as tipologias parentais centram-se em um de dois
conceitos: o de estilo parental e o de práticas parentais (parental practice), que se
refletem também no estudo sobre parentalidade e comportamento alimentar
infantil. Os estilos parentais baseiam-se em tipologias (e.g., autoritário), definidas
por um conjunto de características globais que influenciam o modo como os pais
interagem com os filhos e que são comuns a vários domínios de influência como o
desempenho académico ou a alimentação (Baumrind, 1991; Hughes, Power, Fisher,
Mueller & Nicklas 2005). O conceito de práticas parentais (Constanzo & Woody,
1985) tem subjacente uma análise mais específica, focada nos comportamentos
dos pais (e.g., pressão para a criança comer, restrição de alimentos, utilização de
reforços) que visam que a criança faça algo de específico. As práticas parentais
podem variar quando os pais avaliam que estes objetivos podem estar ameaçados
(Levine, 1988), sendo por isso mais variáveis em função do contexto.
O primeiro modelo teórico de desenvolvimento infantil que integrou os
estilos e práticas parentais foi o de Darling e Steinberg (1993). Os autores
consideram que o estilo parental, embora possa variar nos mesmos pais em função
da área educacional, é uma característica mais estável dos que a utilização de
práticas parentais específicas. Ainda de acordo com o modelo, os estilos parentais,
para além de determinarem um uso mais frequente de determinadas práticas e
não de outras, criam um contexto emocional em que as práticas parentais ocorrem,
podendo por isso ter impactos diferentes no comportamento da criança. Assim,
35
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

pais com diferentes estilos parentais podem ter comportamentos semelhantes,


mas estes ocorrerem num contexto relacional diverso, sendo interpretados de
forma diferente pela criança, gerando efeitos diferenciados no seu comportamento
alimentar (Kremers et al., 2003; Musher-Eizenman & Holub, 2006; Van der Horst,
Kremers, Ferreira, Singh, Oenema & Brug, 2007).
Um dos estudos mais relevantes para o conceito de estilos parentais foi
realizado por Maccoby e Martin (1983) que através de análise fatorial detetaram
duas dimensões no comportamento parental: exigência (demandigness) e
responsividade (responsiviness)6. A exigência parental é definida pelas imposições
que os pais fazem consistentemente à criança de modo a integrar-se no seio da
família e a desenvolver a sua maturidade. Os pais com elevada exigência
desenvolvem esforços de supervisão e de disciplina e estão disponíveis para
confrontar a criança que desobedece.
A responsividade é definida pelo grau em que os pais intencionalmente
promovem a individualidade, a autorregulação e a autoafirmação da criança, sendo
empáticos, dando apoio e sendo sensíveis às suas necessidades especiais e
exigências. Baumrind (1997) refere que a responsividade se define por uma
relação parental calorosa, recíproca, com uma comunicação clara e centrada no
indivíduo e uma boa relação de vinculação. Esta dimensão é também associada à
proteção parental e aceitação (Sleddens et al., 2011).
Em 1991 Baumrind propôs a utilização destas duas dimensões na definição
de quatro estilos parentais: orientador, autoritário, permissivo e não envolvido. Na
figura 2.3 caracterizam-se sucintamente os quatro estilos parentais.
O estilo orientador tem sido associado a melhores resultados no
desenvolvimento da criança: competências sociais, melhor desempenho escolar,
maior autoconfiança, autonomia, capacidade de autorregulação, utilização de
estratégias adaptativas, menos probabilidade de comportamentos de risco, menor
ansiedade e depressão (Aunola, Stattin & Nurmi, 2000; Darling & Steinberg, 1991;
Glasgow, Dornbusch, Troyer, Steinberg &Ritter, 1997;Radziszewska, Richardson,

6
Estas duas dimensões aparecem referidas na bibliografia ou associadas a diferentes termos. Responsividade surge
também como “narturance”, centração na criança, aceitação, cuidado (care) e empatia. A exigência surge também
designada como controlo firme e democracia (Sleddens et al., 2011).

36
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Dent & Flay,1996; Maccoby &Martin, 1983; Steinberg, Mounts, Lamborn &
Dornbusch, 1991).

EXIGÊNCIA

Controlo, exigências racionais e supervisão


Elevada
Baixa

PERMISSIVO ORIENTADOR
-Caloroso, aceitante -Envolvido, cuidadoso, refletido e com boa

Elevada -Favorece a liberdade ao controlo estruturação do ambiente.


- Não estrutura o meio da criança nem -Transmite claramente e controla o
a supervisiona. cumprimento de regras; disciplina mais com
-Pouco convencional e brando, não apoio do que por punição.
exige muita maturidade aos seus filhos. - É assertivo e democrático mas não
-Conta essencialmente com a intrusivo; a comunicação é bidirecional
RESPONSIVIDADE
capacidade de autorregulação da -É capaz de autorregulação na relação com
Afeto caloroso
criança, embora não a promova. os filhos
Aceitação
Envolvimento NÃO ENVOLVIDO AUTORITÁRIO
- Não reage adequadamente às -Comportamentos restritivos, punitivos,
necessidades do filho. rejeitantes e de poder
-Não estrutura o meio da criança nem -Providencia um ambiente estruturado, com
Baixa
a supervisiona. regras claramente definidas
-Em situações extremas pode ser -Exigente e diretivo, espera ser obedecido
rejeitante ou negligente face à sem necessidade de explicações
responsabilidade de educação da -Supervisiona atentamente as atividades dos
criança filhos

Figura 2.3. Estilos parentais (baseado em Baumrind, 1991)

A maioria dos estudos que aborda os estilos parentais no contexto da


alimentação infantil recorre ao conceito de estilo parental alimentar (feedind style).
De acordo com Blissett " os estilos parentais alimentares são concetualizados como
um subtipo dos estilos parentais, aos quais estão associadas algumas características
do comportamento parental relacionado com a alimentação" (2011, p. 827).
Para categorizar os diferentes estilos alimentares são geralmente utilizados
os mesmos grupos propostos por Baumrind, mas definidos por características que
definem o contexto socioemocional da alimentação. Assim o estilo autoritário

37
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

caracteriza-se por elevada exigência relativamente aos comportamentos


alimentares, que se reflete na imposição de regras centradas nos objetivos
parentais, cujo cumprimento é conseguido através de controlo, supervisão e
restrição do comportamento alimentar da criança.
O estilo parental orientador caracteriza-se por elevada exigência nos
comportamentos alimentares da criança, mas tendo em conta as características e
algumas das preferências da criança. O cumprimento dos objetivos parentais é
conseguido através de modelagem, comunicação com a criança, negociação e
interações calorosas durante as refeições. Este estilo tem sido considerado como o
mais adequado pois a responsividade e o envolvimento que o caracterizam
facilitam a recetividade da criança às orientações parentais. Por outro lado as
interações que os pais têm com a criança promovem a autorregulação do
comportamento alimentar da criança (Hughes et al., 2011).
O estilo parental alimentar permissivo caracteriza-se por ausência de
expetativas e de regras relativas à dieta da criança, sendo os limites do consumo
definidos pela disponibilidade de alimentos, mas as interações no contexto
alimentar são calorosas.
O estilo parental alimentar não envolvido caracteriza-se por uma
abordagem negligente ou sem objetivos em relação à alimentação da criança,
associada a uma tonalidade emocional fria.
Também na área do comportamento alimentar infantil o estilo orientador
tem vindo a ser associado a melhores hábitos alimentares e a um IMC mais baixo.
Numa revisão de literatura (Sleddens et al., 2007), a maioria dos estudos
analisados confirma o impacto positivo do estilo parental orientador: alimentação
mais saudável, maior prática de exercício físico e valores mais baixos de IMC das
crianças. Cinco dos sete estudos longitudinais que foram analisados nesta meta-
análise confirmam também que o estilo parental avaliado no início da infância é
um preditor do valor do IMC da criança nos anos seguintes. Os estudos analisados
numa outra revisão de literatura sobre a influência dos estilos parentais no
consumo de frutas e vegetais apontam para a associação entre estes
comportamentos e o estilo alimentar orientador (Blissett, 2011).
Contudo alguns dos trabalhos nesta área com crianças pré-escolares
identificam o impacto positivo não só do estilo orientador mas também do estilo

38
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

autoritário em oposição aos estilos permissivo e não envolvido (Hoerr et al., 2009;
Hughes, 2005, 2008; Overa & Power, 2009; Wake, Nicholson, Hardy & Smith,
2007). Este resultado é expetável nestas idades em que os pais conseguem
controlar mais eficazmente o que as crianças comem, num período em que estas
têm ainda uma baixa autonomia de decisão (Blissett, 2011).
No entanto não devem ser ignorados os trabalhos que não encontram
diferenças quanto aos estilos parentais nos diferentes grupos de IMC e hábitos
alimentares. Em crianças entre os 24 e os 59 meses, Blissett e Haycraf (2008) não
encontraram diferenças significativas de IMC nas crianças filhas de pais
orientadores, autoritários e permissivos. Também Agras, Hammer, McNicholas e
Kraemer (2004) não encontraram relação entre o estilo parental autoritário e o
risco de obesidade, num estudo longitudinal com 150 crianças que foram
acompanhadas desde o nascimento até aos 9 anos e meio. A mesma ausência de
relação foi encontrada para o consumo de fruta e vegetais num estudo com cerca
de 4500 crianças de quatro países europeus (De Bourdeaudhuij et al., 2008). Os
resultados dos dois últimos estudos apresentam a limitação de só avaliarem os
pais relativamente ao estilo parental autoritário, sendo que o grupo de
comparação poderá incluir pais com diferentes estilos, limitando as conclusões.
A classificação nos quatro estilos parentais de acordo com a tipologia
proposta por Baumrind (i.e., orientador, autoritário, permissivo e não envolvido)
implica que pais com características razoavelmente diferentes nas dimensões base
(i.e., responsividade e exigência) possam ser classificados no mesmo estilo
parental. Por exemplo, um pai com um valor elevado de exigência e médio de
responsividade pode ser classificado no estilo orientador juntamente com um pai
com um nível médio de exigência e elevado de responsividade. Poucos estudos têm
considerado as relações entre o IMC e hábitos alimentares da criança e estas
dimensões base (em vez dos estilos parentais) (Kim et al., 2008; Ludrosky, 2005,
citados por Sleddens et al., 2011). Não é conhecido nenhum estudo que foque estas
relações em crianças pré-escolares. Kim e colaboradores estudaram a relação de
duas dimensões parentais (nurturing e controlo, que são geralmente associadas
respetivamente às dimensões de responsividade e exigência), em crianças do 1º ao
4º ano de escolaridade, salientando-se que de um modo geral o consumo calórico
estava inversamente relacionado com a responsividade materna.

39
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

O corpo de investigação existente relativamente aos estilos parentais de


alimentação apresenta vários problemas metodológicos que serão, em parte, a
causa de alguma da heterogeneidade encontrada. O primeiro problema diz
respeito à variedade de instrumentos utilizados, com características bastante
diversas, o que leva a que diferentes artigos designem sob o mesmo nome (i.e.,
estilos parentais alimentares) aspetos diversos da relação pais-criança em
contextos alimentares. Existem também questionários que avaliam um só estilo
parental ou uma só dimensão (e.g., exigência), não permitindo tirar conclusões
sobre os outros estilos ou dimensões parentais, havendo claramente uma maior
incidência na avaliação dos estilos orientador e autoritário.
Apesar de alguns dos resultados apresentados apontarem para os efeitos
positivos do estilo orientador nos comportamentos alimentares e no IMC da
criança, esta é uma conclusão que precisa de ser consolidada para as crianças pré-
escolares. Por outro lado a possibilidade do estilo autoritário parental produzir
efeitos positivos semelhantes aos do estilo orientador nestas idades deverá ser
alvo de estudos confirmatórios, os quais devem ultrapassar as limitações
metodológicas que foram enunciadas.

2.4.2.2. Processos Cognitivos parentais

Apresenta-se em seguida a revisão de literatura relativa às variáveis cognitivas


parentais que têm sido relacionadas com o comportamento alimentar e com o IMC
da criança. Assim serão focadas inicialmente as pesquisas mais relevantes relativas
ao conhecimento nutricional. Em seguida focar-se-á a perceção parental de peso, a
preocupação com o peso da criança, e as atribuições de autoeficácia e de controlo
parental relativas ao comportamento alimentar do filho.

40
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Conhecimento nutricional dos pais

Os estudos existentes apresentam resultados heterogéneos sobre o impacto


do conhecimento nutriconal dos pais nos comportamentos alimentares e no IMC
da criança. Contudo a aquisição de informação nutricional tem sido o objetivo
primordial das ações de promoção de uma alimentação saudável. Por outro lado,
os pais parecem considerar a informação nutricional importante, principalmente
os pais de crianças mais novas (Andrade, 2007) e de níveis socioeconómicos mais
baixos (Hart et al., 2003). O facto de o conhecimento nutricional poder ser uma
variável que atenua a relação positiva entre o nível socioeconómico e a qualidade
da dieta (Mcleod, Campbell & Hesketh, 2011; Turrell & Kavanagh, 2006) reforça a
importância do estudo desta característica parental.
Realtivamente ao impacto do conhecimento nutricional, Kersey e
colaboradores (2010) não encontraram níveis diferentes de conhecimento entre os
pais das crianças normoponderais e com excesso de peso. A partir dos dados do
Health Knowledge Survey (DHKS)7, Varyam encontrou uma relação entre o
conhecimento alimentar dos pais e a qualidade dos hábitos alimentares de crianças
entre os 6 e os 17 anos: os pais com maior conhecimento nutricional tinham
filhos cujas dietas incluam menos alimentos com gordura, ingeriam menos ácidos
gordos saturados, colesterol e sódio e comiam mais fibra (Variyam, 2001; Variyam,
Blaylock , Lin , Ralston & Smallwood, 1999). Neste último estudo, o conhecimento
nutricional dos pais foi significativamente menor no grupo de pais de crianças
com excesso de peso (vs. peso normal), embora as diferenças entre os dois grupos
não fossem muito acentuadas. Este estudo aponta outro dado relevante: um
número significativo de pais tem informação correta realtivamente aos aspetos
essencias da informação nutricional. Por exemplo, 84% sabiam que se deveria
comer fruta pelo menos duas vezes por dia e 70% estavam a par que a baixa
ingestão de fibra está relacionado com algumas doenças. Os autores defendem a
importância do conhecimento nutricional mas reforçam que este, por si só, não se
traduz em comportamentos alimentares mais saudáveis, tendo que estar associado
a outros fatores psicológicos, como as atitudes parentais relativamente às

7
O DHKS - Diet Health Knowledge Survey - é um seguimento do Continuing Survey of Food Intakes by
Individual (CSFII) da USDA.

41
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

orientações para uma alimentação saudável ou à prontidão dos pais para a


mudança (Prochaska, Norcross & Diclemente, 1994).
Em entrevistas de grupo com 25 pais, McGarvey e colaboradores (2004)
concluiram que a maioria sobrealimentava os seus filhos. Apesar disto a
percentagem destes pais que tinha um conhecimento correto era elevada. Por
exemplo, 90% pais sabiam as doses corretas diárias de consumo de fruta e de
vegetais e que a manutenção de um peso saudável era importante. Quase todos os
pais de crianças com excesso de peso tinham a informação correta sobre as
doenças provocadas pela obesidade.
Um estudo de Shepherd e Towler (1992) vem também confirmar que as
atitudes parentais relativamente à alimentação dos filhos não estão
obrigatoriamente de acordo com os seus conhecimentos nutricionais. Neste estudo
a avaliação das atitudes baseou-se no Modelo do Comportamento Planeado (Ajzen
& Fishbein, 1980), incluindo algumas questões em que os pais deveriam associar
certos grupos de alimentos (carne, produtos à base de carne, laticínios e fritos) a
certos atributos nutricionais (e.g., saudável, rico em gorduras, proteínas,
vitaminas), havendo por isso uma sobreposição com temas que eram incluídos na
avaliação do conhecimento nutricional. A correlação entre atitudes e conhecimento
só foi encontrada para o grupo da carne e derivados e não para os laticínios e
fritos.
Alguns estudos indicam que a relação entre a qualidade da dieta e o
conhecimento nutricional é mais forte em pais de crianças mais novas (Variyam et
al., 1999) e em particular de crianças pré-escolares (Blaylock, Variyam, & Lin,
1999). Contudo o estudo de Colavito e colaboradores (1996) não identificou um
correlação significativa entre o conhecimento nutricional dos pais e a dieta de
crianças entre os 2 e os 5 anos.
Se alguns estudos apontam para que a conhecimento nutricional dos pais
está realcionado com o nível socioeconómico e anos de escolaridade (Parmenter,
Waller & Wardle, 2000) outros indicam que não existe uma relação direta entre
estas duas características parentais. Um estudo australiano com 527 primíparas,
identificou que a maioria destas mães tinha um elevado nível de conhecimento
nutricional, independentemente do nível socioeconómico (Mcleod, Campbell &
Hesketh, 2001). No mesmo sentido vão os resultados de outros estudos. Cluss e

42
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

colaboradores (2013) confirmaram que a maioria dos pais de crianças obesas de


nível socioeconómico baixo tinham um bom conhecimento nutricional em relação
ao valor calórico e composição nutricional dos alimentos. Também Kersey e
colaboradores (2010) identificaram níveis razoáveis de conhecimento sobre
nutrição e obesidade em pais de níveis socioeconómicos baixos.

Com base nos estudos apresentados pode-se concluir que, de um modo


geral, o conhecimento nutricional dos pais é relativamente elevado. Este resultado,
de acordo com o que foi referido, deve ser atribuído às políticas de saúde dos
países desenvolvidos que levaram a uma aposta forte na informação para a saúde,
na qual o tema da alimentação tem sido central.
Nem todos os estudos confirmam que os pais de níveis socioeconómicos
mais elevados têm melhor conhecimento nutricional.
Não é claro se os comportamentos alimentares e o IMC das crianças têm
uma relação direta com o conhecimento nutricional dos pais. Esta relação poderá
variar com a idade da criança e deverá ser entendida em conjugação com as
crenças e atitudes parentais, as quais podem reduzir ou potenciar os efeitos dos
conhecimentos nos comportamentos parentais relacionadas com a alimentação
dos filhos.

Perceção parental de peso da criança

A importância de os pais reconhecerem o excesso de peso da criança é


fundamentada por vários modelos da Psicologia da Saúde. De acordo com o
modelo de autorregulação do comportamento de saúde (Leventhal, Nerenz &
Steele, 1984) a avaliação de uma situação como ameaça para a saúde é um dos
fatores que influencia a adoção de estratégias de confronto, que resultarão numa
diminuição dessa ameaça. Também os modelos de estádios de mudança dos
comportamentos de saúde (Prochaska & Velicer, 1997; Weinstein, 1988)
consideram que a consciência da existência de um problema relacionado com a
saúde é uma premissa fundamental para iniciar a mudança de comportamentos.

43
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Assim, a subavaliação do peso da criança pode levar os pais a não desenvolverem


as alterações necessárias para a redução de peso do filho.
Um número bastante significativo de estudos indica que a maioria dos pais
das crianças obesas e pré-obesas subavalia o peso da criança, confirmando uma
forte associação entre a perceção parental de peso e o IMC da criança (Doolen,
Alpert & Miller, 2009; Fitzgibbon & Beech, 2009; Parry, Netuveli, Parry & Saxena,
2008; Towns & D'Auria, 2009). Parry e colaboradores, numa revisão de literatura
identificaram que, nos vinte e três estudos incluídos, mais de 50% dos pais
subavaliavam o peso dos seus filhos pré-obesos e obesos. Os estudos analisados
por Towns e D’Auria indicam que a percentagem de pais que distorcia o peso
variava entre 45 a 98%. Estes valores são semelhantes aos encontrados em
estudos nacionais (Aparício, Cunha, Duarte & Pereira, 2011; Gomes, Espanca, Gato
& Miranda, 2010). Alguns estudos apontam que a percentagem de pais das
crianças pré-obesas que distorce o peso é menor do que a que é encontrada nos
pais de crianças pré-obesas (Macedo, Festas & Vieira, 2011)
A subavaliação de peso não é uma distorção percetiva dado que os pais que
subavaliam o peso do filho avaliam corretamente o peso em silhuetas ou
fotografias de outras crianças (Warschburger & Kröller, 2009; Huang et al., 2007)8.
A subavaliação parental do peso tem sido alvo de um corpo significativo de
estudos que, contudo, não é muito esclarecedor sobre este processo cognitivo.
Existem já alguns estudos que tentam relacionar a distorção parental de peso
com variáveis sociodemográficas. As crianças do sexo feminino parecem ter mais
probabilidade de terem o seu peso subavaliado pelos pais (Crouch, O'Dea &
Battisti, 2007; Huang et al., 2007; Maynard, Galuska, Blanck & Serdla, 2003; Wald
et al., 2007), mas nem todos os estudos confirmam esta conclusão (Goodman et al.,
2000; Intagliata, Gesell & Barkin, 2008; Wake et al., 2002; West et al., 2008). Em
relação à idade da criança o número de estudos é bastante superior mas também
com resultados contraditórios. Se uns estudos confirmam que as crianças mais

8
Para o presente trabalho optou-se pela designação de perceção parental de peso da criança por ser a
tradução da terminologia mais utilizada na literatura de língua inglesa (parental percetion of child´s
weight).

44
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

novas9 têm mais probabilidade de ter o peso subavaliado pelos pais (Carnell,
Edwards, Croker, Boniface & Wardle, 2000; Eckstein et al., 2006; Fisher, Fraser &
Alexander, 2006; Maynard, Galuska, Blanck & Serdula, 2003; Rich et al., 2005; Wald
et al., 2007), outros estudos não sustentam esta conclusão (Cochran, Neal, Cottrell
& Ice, 2012; He & Evans, 2007).
Poucos estudos relacionam o nível educacional dos pais com a perceção
parental de peso. Baughcum e coalaboradores (2000) identificaram que o nível
educacional baixo da mãe estava associado a uma maior distorção do peso da
criança. À conclusão contrária chegaram Genovesi e colaboradores (2005) que
realizaram um estudo semelhante com famílias italianas. É de salientar os
resultados do estudo de Garrett-Wright (2011) com pré-escolares, que identificam
a relação entre a avaliação correta de peso da criança com o grau de literacia de
saúde, mas não com o nível educacional.
Alguns autores apontam para que a habituação dos pais a um padrão de
peso infantil superior ao normal promoveria uma noção errada de “normalidade”
dos filhos com excesso de peso. Mães que vivem em zonas onde a prevalência do
excesso de peso é elevada tendem a maior subavaliação do peso dos seus filhos
(Binkin, Spinelli, Baglio & Lamberti, 2011). Também o peso da criança à nascença
bem como um ganho de peso rápido no início da infância estão associados à
subavaliação parental do peso dos filhos (Chaparro, Langellier, Kim & Whaley,
2011; Manios, Moschonis, Grammatikaki, Anastasiadou & Liarigkovinos, 2010).
Num estudo com pais de crianças entre os 6 e os 8 anos (Parkinson et al.,
2011) o perímetro da cintura e as pregas corporais estavam associados a uma
perceção de peso mais correta do que o IMC da criança. Este resultado indica que
uma maior “visibilidade” da obesidade poderá facilitar uma perceção mais correta.
Alguns estudos têm abordado a possível influência do processo de
comunicação entre os profissionais de saúde e os pais na distorção parental de
peso. Os pais de crianças pré-escolares que referem que o excesso de peso não foi
abordado nas consultas de pediatria têm maior probabilidade de distorcer o peso
da criança (Hernandez, Cheng & Serwint, 2010). Contudo este resultado é pouco

9 Rich et al. (2005) sugerem que a subavaliação parental de peso ocorra mais frequentemente
quando a criança tem menos de quatro anos, Eckstein et al. (2006) identificaram os seis anos
como ponto de corte e Fisher et al. (2006) os oito anos.
45
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

esclarecedor na medida em que os pais que subavaliam o peso tenderão a esquecer


mais facilmente conteúdos relativos ao excesso de peso, por não estarem de
acordo com as suas próprias perceções e crenças. Contudo, os resultados de um
questionário enviado aos pediatras e médicos de família de New England indicam
que vinte por cento da amostra sentia-se pouco à vontade em abordar a questão do
excesso de peso de crianças e adolescentes e cerca de 25% sentia-se pouco ou nada
competente para lidar com este problema (Jelalian, Boergers, Alday & Frank,
2003). Por outro lado os aspetos clínicos em que os profissionais de saúde se
centram quando abordam os problemas de peso não coincidem com os temas que
os pais consideram mais relevantes no excesso de peso, como por exemplo
qualidade de vida, aceitação social, vivência emocional da criança, autoestima,
limitações físicas (Goodell, Pierce, Bravo & Ferris, 2008; Jain et al., 2001; Reifsnider
et al., 2006; Stewart, Chapple, Hughes, Poustie & Reilly, 2008).
Como já foi referido, vários modelos da Psicologia da Saúde sustentam que a
os pais que subavaliam o peso dos filhos obesos tenderão a não identificar e a não
se preocupar com o problema de peso do filho, logo não tomam medidas para
promover um estilo de vida mais saudável da criança. Contudo a evidência
empírica, ainda que reduzida, não confirma cabalmente este processo.
Relativamente à relação entre perceção parental de peso e preocupação
parental os dados são heterogéneos. Alguns estudos mostram que realmente os
pais que subavaliam o peso estão menos preocupados com o peso (Tschamler,
Coon, Cook e Halterman, 2010; Wald, et al., 2007) e com os hábitos alimentares da
criança (Tremblay, Rinaldib, Lovsin & Zecevic,2012). Contudo o estudo de Garret-
White (2011) com pais de crianças dos 2 aos 5 com peso normal e excesso de peso
não identificou uma relação significativa entre a preocupação e a perceção de peso
em nenhum dos grupos de peso das crianças.
Ainda outros estudos mostram resultados no sentido contrário. Hughes,
Sheman e Whitaker (2010), a partir da entrevista a 21 mães de crianças pré-
escolares com excesso de peso, concluíram que a maioria subavaliava o peso da
criança mas estava preocupada com o peso, em particular com as consequências
no bem-estar emocional do filho. Também Parkinson e colaboradores (2011)
identificaram, que entre os pais de filhos com excesso de peso, a percentagem dos
que estava preocupado com o peso era superior à dos que tinham uma perceção

46
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

correta, implicando que alguns destes pais estão preocupados com o peso da
criança apesar de o avaliarem como normal.
Por outro lado também se verifica que nem todos os pais que têm uma
perceção correta do excesso de peso do filho estão preocupados com o problema.
Num estudo com mães de crianças e jovens entre os 2 e os 20 anos que recorreram
a uma clínica para tratamento de peso, identificou-se que todas consideravam que
o filho tinha excesso de peso, mas 70% não estavam preocupadas com o peso da
criança/jovem (Watkins, Clark, Foster, Welch & Kasa-Vubu, 2007).
A diversidade dos resultados apresentados parece refletir um processo
cognitivo mais complexo, que não se limita a uma relação direta entre perceção
parental de peso e preocupação e onde intervirão outras variáveis.
Relativamente à relação entre a perceção parental de peso e os estilos de
vida da criança, existem poucos estudos e com resultados discordantes. Dois
estudos de Manios e colaboradores identificaram que os filhos das mães que
subavaliavam o peso tinham dietas mais calóricas (Manios et al., 2010) e menos de
3 horas/semana de atividade física (Manios et al., 2011), o que está de acordo com
a relação esperada. Num estudo com uma metodologia muito semelhante realizado
com crianças finlandesas de 7 anos foram obtidos resultados exatamente opostos:
os pais que subavaliavam o peso tinham maior probabilidade de ter filhos com
melhores hábitos alimentares e mais atividade física, do que os filhos de pais que
tinham uma perceção correta (Vanhala, Keinänen-Kiukaanniemi, Kaikkonen,
Laitinen & Korpelainen, 2011). Um outro estudo, com crianças entre os 6 e os 8
anos com excesso de peso, não identificou diferenças entre os pais relativamente
ao encorajamento para o consumo de alimentos saudáveis ou para a prática do
exercício físico entre as mães que avaliavam corretamente e as que subavaliavam o
peso (Parkinson et al., 2011).
Os resultados das intervenções que visam promover uma perceção parental
correta e o seu impacto nos estilos de vida da criança são também interessantes
para clarificar a relação entre a perceção parental de peso e os hábitos alimentares
dos filhos. Fitzgibbon e Beech (2009) reviram várias investigações, a maioria em
contexto escolar, cujos resultados apontam para que a informação aos pais sobre o
IMC elevado da criança tem como consequência uma perceção mais adequada e
alterações em outros comportamentos de saúde mas não gera, por si só, mudanças

47
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

significativas nos comportamentos alimentares da maioria das crianças. Num


estudo posterior com cerca de 300 pais de crianças entre os 6 e os 11 anos
(Grimmet, Croker, Carnell & Wardle, 2010) não se verificaram alterações
significativas após envio de informação para casa sobre o IMC da criança, à exceção
de um aumento de restrições alimentares impostas pelos pais das raparigas com
excesso de peso. De salientar ainda que neste estudo a informação dada aos pais
não teve sequer efeitos significativos na melhoria da perceção parental de peso.
Em consonância com estas conclusões, Fitzgibbon e Beech (2009) salientam os
possíveis riscos da informação isolada aos pais sobre o IMC da criança, como a
diminuição da autoestima e da satisfação com a imagem corporal da criança,
aumento da imposição de restrições alimentares por parte dos pais e possibilidade
de estigmatização das crianças obesas, entre outros (Fitzgibbon & Beech,2009).
A ausência de relação entre a perceção correta de excesso de peso e a
mudança de comportamentos alimentares da criança pode não resultar da
indiferença dos pais a esta informação mas sim da inadequação das estratégias
escolhidas para lidar com o problema. Confirmando esta ideia alguns estudos
apontam para que a perceção correta promova a utilização de estratégias
restritivas (May et al., 2007; Tremblay, Rinaldib, Lovsin & Zecevic, 2012) que,
como já foi referido anteriormente, não são as mais adequadas para promover
bons hábitos alimentares. Um estudo longitudinal com 340 adolescestes e os seus
pais, identificou que os pais com uma perceção correta incentivavam mais os filhos
a fazerem dieta, o que não se revelou um preditor da diminuição do IMC cinco anos
depois (Neumark-Sztainer, Wall, Story & Van der Berg, 2008).
Paralelamente, o estudo de Perrin e colaboradores (2010), feito em consultas de
pediatria, aponta para que, quando se associa aconselhamento sobre
comportamentos de saúde à informação sobre o excesso de peso da criança, se
verificam alterações a curto prazo nos hábitos alimentares e de atividade física
(mas não no IMC).

Concluindo, é evidente que a maioria dos pais de crianças com excesso de peso
subavalia o peso da criança. Um dos aspetos que poderá fomentar esta distorção na
avaliação do peso é a comunicação entre profissionais de saúde e pais,
possivelmente influenciada pelo facto destes dois grupos terem quadros de

48
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

referência diferentes no que se refere ao excesso de peso. Embora para alguns pais
a perceção correta do excesso de peso do seu filho gere maior preocupação, esta
relação não se verifica de um modo sistemático, fazendo supor que a relação entre
perceção de excesso de peso e a preocupação parental será mediada por outros
fatores.
A informação isolada sobre o IMC da criança não gera alterações nos
comportamentos alimentares da criança podendo gerar até algumas
consequências negativas para a criança. Contudo, se esta informação for
acompanhada de aconselhamento, em especial sobre estratégias que os pais devam
utilizar para promover mudança de comportamentos alimentares da criança,
poderá produzir resultados positivos.

Preocupação parental

A preocupação parental com aspetos relacionados com a alimentação da


criança tem sido o alvo de um número razoável de publicações. Os diversos
estudos que focam esta variável centram-se, na sua maioria, na preocupação com o
peso da criança, enquanto um menor número avalia a preocupação com a saúde. O
papel da preocupação na determinação da mudança de comportamentos de saúde
é fundamentado em vários modelos da Psicologia da Saúde como o modelo de
Weinstein & Sandman (1992), segundo o qual a preocupação é um dos fatores que
descrimina as pessoas que iniciaram já ações de prevenção da doença das que
ainda não as executaram. Também os modelos cognitivos consideram que a
perceção de vulnerabilidade à doença e da sua gravidade influenciam o grau em
que o indivíduo adere a comportamentos de saúde (Becker & Rosenstock, 1987;
Rogers 1985).
Como já foi referido, vários estudos comprovam que os pais das crianças
com excesso de peso e obesas não estão obrigatoriamente preocupados com o peso
ou com a saúde da criança.
Na tabela 2.2 apresentam-se os resultados de quatro estudos que ilustram a
grande variabilidade na percentagem de pais que estão preocupados com o
excesso de peso dos filhos.

49
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Tabela 2.2.
Síntese de estudos relativos à preocupação parental com o excesso de peso da criança
Pais de crianças com excesso de
Nº e idade das crianças com excesso de
Estudo peso que estão preocupados
peso
com o peso atual da criança

Eckstein et al. (2006) 230 crianças e jovens dos 2 aos 17 anos 30%
Campbell, Williams, 324 crianças de 4 anos 83%
Hampton & Wake (2006)
Crawford,Timperio,Telford 291 crianças de 5-6 anos 71%
& Salmon (2005) 919 crianças 10-12 anos 43%
Lampard, Byrne, Zubrick 347 crianças entre os 6 e os 13 anos 82% (Pais de crianças obesas)
&Davis (2008)
18% (Pais de crianças pré-
obesas)
Wake, Salmon, Walters, 3174 crianças do ensino básico 58% (Pais de crianças obesas)
Wright & Hesketh (2002)
19% (Pais de crianças pré-
obesas)

No que se refere à preocupação parental em função do grupo de IMC, alguns


estudos indicam que os pais de crianças com excesso de peso estão mais
preocupados com o peso da criança do que os pais com filhos normoponderais
(Karp et al., 2014; Moore, Harris & Bradlyn, 2011; Mulder, Kam, Uauy & Seidell,
2009). Um estudo nacional com 102 crianças portuguesas entre os 8 e os 10 anos
confirmou esta diferença (Costa, 2010). Dois dos estudos apresentados na tabela
2.2 (Lampard et al. 2008; Wake et al., 2002) mostram que o número de pais
preocupados varia bastante em função dos filhos apresentarem excesso de peso ou
obesidade. Contudo, um outro estudo com crianças entre os 4 e os 8 anos não
confirmou estes resultados (Etelson, Brand, Patrick & Shirali, 2003). Estes dados
permitem concluir que o IMC elevado da criança promove preocupação num
número significativo de pais, mas não em todos, estando a preocupação parental
dependente de outras variáveis.
Uma conclusão interessante surge em vários estudos: alguns pais estão
preocupados com o facto de a criança ter uma ingestão inferior ao
nutricionalmente desejado, mesmo quando a criança tem excesso de peso (e.g.,
Lopez-Dicastillo, Grande & Callery, 2010). Também Agras e colaboradores (2004)

50
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

encontraram uma correlação significativa entre o excesso de peso da criança com a


preocupação parental com a magreza do filho.
Outro dado interessante é o facto de o número de mães que manifestam
preocupação com o peso futuro dos filhos ser bastante superior ao das que estão
preocupadas com o peso atual. Num estudo com cerca de 320 crianças de 4 anos
das quais 19% eram obesas, 16% dos pais estavam preocupadas que a criança
viesse a ter excesso de peso no futuro mas só 5% estavam preocupados com o peso
atual da criança (Campbell, Williams, Hampton & Wake, 2006). Um outro estudo
com crianças com excesso de peso e ligeiramente mais velhas (6 e os 8 anos)
confirmou estes resultados (Parkinson et al., 2011). Embora estes dados possam
ser interpretados como um processo de adiamento do problema por parte das
mães, eles deverão ser contextualizados no processo de parentalidade. Em função
dos objetivos que os pais têm para os filhos em várias áreas (e.g., saúde,
desempenho académico e social) é natural que se preocupem face à incerteza se
eles atingirão esses objetivos a longo prazo. Por exemplo, a maioria dos pais
preocupar-se-á com a saúde ou o desempenho académico do filho no futuro,
mesmo que a criança seja saudável ou tenha aproveitamento escolar no momento
presente. Assim a preocupação com o peso futuro da criança poderá refletir esta
preocupação generalizada com o futuro da criança, e em particular com aspetos
relacionados com a saúde, numa perspetiva de longo prazo.
Alguns dos estudos procuram identificar preditores da preocupação
parental, abarcando uma variedade ampla de variáveis. Um dos fatores que parece
ser relevante é o sexo da criança. As raparigas com excesso de peso parecem gerar
mais preocupação nos pais do que os rapazes na mesma categoria de peso
(Campbell, Williams, Hampton & Wake, 2006; Moore, Harris & Braddlyn, 2011),
embora Wake e colaboradores (2002) não tenham confirmado esta diferença.
Quanto à idade da criança os resultados são contraditórios, havendo estudos que
avaliam que a preocupação parental é maior quando a criança é mais nova (e.g.,
Crawford, Timperio, Telford & Salmon, 2006), enquanto outros não encontram
essas diferenças (e.g., Lampard, Byrne, Zubrick & Davis, 2008).
Um estudo de Eckstein et al. (2010) concluiu que as variáveis que prediziam
a preocupação com o peso dos pais de crianças com mais de 6 anos eram: perceção
de que a criança é menos ativa do que as outras, recordação do médico ter

51
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

manifestado preocupação com o peso da criança e perceção da criança como tendo


excesso de peso. Estes resultados estão de acordo com alguns estudos que
identificam a atividade física da criança como uma característica central nas
definições parentais de criança saudável (Jain et al., 2001; Reifsnider, 2006).
Parece, então, que quando os pais de crianças com excesso de peso a avaliam como
tendo pouca atividade física têm mais probabilidade de ficarem preocupados com
o peso.
O facto de os pais mais preocupados se lembrarem de o médico referir o
peso da criança como problema não clarifica as relações de causa-efeito, como já
foi referido para a perceção parental de peso. Se por um lado a comunicação do
médico pode alertar os pais e gerar preocupação, esta mesma comunicação pode
ser mais facilmente memorizada pelos pais que já estão previamente preocupados.
Foram já apresentados alguns estudos que mostram que a relação da
perceção de excesso de peso com a preocupação parental é variável. Alguns dados
indicam que há pais que avaliam (erradamente) que o seu filho tem peso normal
mas mesmo assim estão preocupados com o peso da criança (Parkinson et al.,
2011), havendo também pais que percecionam os seus filhos com tendo excesso de
peso mas que não estão preocupados (Watkins et al., 2007).
Num outro estudo (Keller, Olsen, Kuilema, Meyermann & van Belle, 2013),
com pais de crianças entre os 4 e os 6 anos, identificaram a obesidade andróide da
criança (vs. ginóide), como um dos preditores da preocupação parental. Os autores
referem que a obesidade andróide, estando relacionada com consequências mais
graves para a saúde, pode suscitar nos pais maior preocupação. Embora esta possa
ser uma explicação, não se deve ignorar a possibilidade de a acumulação da
gordura corporal predominantemente na região abdominal possa tornar mais
"visível" o excesso de gordura corporal da criança e gerar maior preocupação.
Lampard e colaboradores (2008) identificaram como preditores da
preocupação parental as seguintes características: subavaliação parental do peso,
menor qualidade de vida da criança (avaliada pelos pais), IMC infantil mais
elevado, maior preocupação parental com o próprio peso e IMC parental mais
elevado. Este modelo explicava 75% da variância da preocupação parental, sendo
que as três primeiras variáveis se revelaram os preditores mais significativos. O
facto de a avaliação parental de uma menor qualidade de vida da criança ser um

52
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

preditor da preocupação reflete, mais uma vez, que a preocupação dos pais com o
peso é mais frequente quando os pais percecionam, para além do peso, outro tipo
de problemas na criança. A possibilidade das mães com excesso ou preocupadas
com o seu próprio peso terem mais probabilidade de estar preocupadas com o
excesso de peso do filho foi confirmada por outros estudos (Campbell, Williams,
Hampton & Wake, 2006; Carnell et al., 2006; Faith et al., 2004), podendo indicar
que uma perceção aumentada de risco de obesidade da criança pode desencadear
maior preocupação parental.
O impacto da preocupação nos comportamentos parentais é uma área de
estudo fundamental, na medida em que é necessário clarificar se a preocupação
dos pais tem efeitos positivos ou negativos nos comportamentos relacionados com
a alimentação da criança. Contudo, esta questão tem sido puco abordada. Num
estudo comparativo entre crianças caucasianas e afroamericanas dos 9 aos 15 anos
conclui-se que, independentemente da etnia, os pais de filhos com excesso de peso
recorriam mais a estratégias de controlo, mas dentro deste grupo quem as
utilizava menos eram os pais que estavam preocupados com o peso da criança
(Polfuss & Frenn, 2012). Num estudo com 1500 crianças numa amostra
estratificada da pré-primária, 2º, 4º 5º, 7º e 9º ano, Moore e colaboradores (2011)
identificaram que os pais mais preocupados limitavam mais o tempo de
visionamento de televisão e tomavam medidas para melhorar a dieta da criança e a
frequência de atividade física. Outros estudos confirmam a relação entre a
preocupação e a utilização de práticas restritivas (Keller et al., 2013; MacFarlane,
Crawford & Worseley, 2010; Weber et al., 2010). Embora a maioria destas
estratégias possa ser vista como positiva, o facto de os pais relatarem que tomaram
medidas para a mudança alimentar não garante uma efetiva melhoria da dieta da
criança. Por outro lado, as práticas de controlo parental estão associadas a uma
menor capacidade de autorregulação alimentar da criança (John & Birch, 1994).
Alguns estudos encontram relações entre a ingestão da criança e a
preocupação parental. O estudo de Costa (2010), no qual foi feita uma avaliação
nutricional detalhada, confirma que os filhos dos pais preocupados têm um
consumo energético menor em comparação com as outras crianças. Também no
estudo de MacFarlane e colaboradores (2010) os filhos de pais preocupados

53
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

ingerem menos alimentos calóricos, mas esta diferença não se verifica


relativamente à ingestão de fruta e vegetais.
Num estudo longitudinal realizado por Spruijt-Metz, Li, Cohen, Birch e
Goran (2006) as mães mais preocupadas tinham filhos com mais massa gorda na
avaliação inicial. Contudo, no follow-up (2 anos) estas crianças tinham tido um
menor aumento de gordura corporal em comparação com os filhos dos pais menos
preocupados. Os autores consideram que embora a preocupação possa não
corresponder diretamente a ações parentais, poderá estar ligada a uma intenção
de comportamentos ainda não definidos pelos pais, que se irá refletir em futuras
ações concretas para ajudar a criança a regular o peso.

Dos dados apresentados salientam-se algumas conclusões. O grau de


preocupação dos pais de crianças com excesso de peso varia bastante nos vários
estudos, indicando que a preocupação não é um fenómeno generalizado a todos
estes pais. Alguns estudos concluem que os pais que estão preocupados com o
excesso de peso têm filhos com uma dieta mais saudável em comparação com as
crianças cujos pais não estão preocupados, contudo os poucos estudos que
abordem esta relação não apresentam resultados homogéneos. Por outro lado, pais
de crianças com excesso de peso podem até estar preocupados com o facto da
criança não comer o suficiente, ou a sua preocupação incidir só no futuro da
criança e não no presente.
Os estudos que tentam identificar os preditores da preocupação parental
com o peso da criança são ainda em número reduzido, contudo existe alguma
evidência de que o excesso de peso da mãe, a acumulação androide da gordura
corporal (mais grave e mais visível), a preocupação dos pais com outros aspetos da
saúde do filho, bem como a perceção correta de excesso de peso da criança possam
aumentar a probabilidade dos pais estarem preocupados. A comunicação dos
profissionais de saúde parece estar relacionada com a preocupação mas a
direccionalidade desta relação não é clara.
Relativamente aos efeitos da preocupação no comportamento parental, os
pais que estão mais preocupados com o peso tendem a usar mais práticas de
controlo, em particular estratégias restritivas, o que não se reflete
obrigatoriamente em perda de peso da criança.

54
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Autoeficácia parental e barreiras percebidas

O conceito de autoeficácia teve a sua origem na teoria da cognição social e é


definida com a crença ou expetativa de que é possível, através do esforço pessoal,
realizar com sucesso uma determinada tarefa e alcançar um resultado desejado
(Bandura, 1977, 1997).
Embora sejam escassos os estudos sobre autoeficácia na área do
comportamento dos pais relacionado com a alimentação dos filhos, esta tem sido
muito estudada noutras áreas da parentalidade (Coleman & Karraker, 2003). A
autoeficácia elevada está relacionada com a adoção de comportamentos de
promoção da saúde (Maddux, Brawley & Boykin, 1995; Maibach & Murphy, 1995)
e especificamente com padrões alimentares mais saudáveis em adultos (Havas et
al., 1998) e perda de peso em adolescentes obesos (Smith, Annesi, Walsh, Lennon
& Bell, 2010).
A autoeficácia parental relacionada com a alimentação dos filhos traduz-se
nas expetativas que os pais têm sobre a sua capacidade de levar a cabo as ações
necessárias para conseguir que a criança tenha uma dieta saudável e nas suas
crenças sobre a sua competência para conseguirem ultrapassar satisfatoriamente
as barreiras encontradas.
Vários estudos indicam que os pais estão frequentemente bem informados
sobre dieta saudável e as recomendações de atividade física, mas relatam
problemas de autoeficácia em traduzir este conhecimento no dia-a-dia das suas
famílias (Hart, Herriot, Bishop & Truby, 2003; Hesketh, Waters, Green, Salmon
&Williams, 2005).
Campbell et al (2010), num estudo com 159 mães australianas com filhos
entre os 12 meses e aos 5 anos, avaliaram a autoeficácia materna para promover o
consumo de alimentos saudáveis e em limitar o consumo de alimentos pouco
saudáveis. No grupo das crianças de um ano a autoeficácia estava correlacionada
com a ingestão de vegetais e inversamente correlacionada com o consumo de
doces. No grupo dos 5 anos a autoeficácia parental em promover uma alimentação
saudável mostrou-se diretamente correlacionada com o consumo de fruta, vegetais
e água e inversamente correlacionada com o consumo de doces. Estes resultados

55
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

apontam para que a autoeficácia parental está associada à qualidade da dieta da


criança, mas que essa associação não será semelhante para todos os alimentos.
A autoeficácia parental diminui com a idade da criança. Dois estudos
confirmam que os pais das crianças com 1- 2 anos apresentam uma autoeficácia
mais elevada do que os pais de crianças com 5 anos relativamente a conseguirem
que a criança tenha uma alimentação saudável e seja fisicamente ativa (Campbell,
Hesketh, Silverii & Abbott, 2010; Hesketh & Campbell, 2007). Esta alteração será
em grande parte resultado da progressiva autonomia da criança em relação aos
pais, a qual faz parte integrante desenvolvimento infantil, e que diminui a
possibilidade de os pais moldarem facilmente os comportamentos alimentares dos
filhos.
Conforme referido anteriormente a autoeficácia está inversamente
correlacionada com as barreiras percebidas. Van e colaboradores (2011)
verificaram que a qualidade dos hábitos alimentares estava inversamente
correlacionada com algumas barreiras percecionadas pelas mães (i.e., os filhos não
gostarem de alimentos saudáveis, a criança gostar de comer em frente da televisão
ou do computador, a criança só se portar bem se lhe fossem prometidas
guloseimas). West e Sanders (2009) compararam pais de crianças com excesso de
peso e normoponderais e identificaram diferenças significativas entre os dois
grupos relativamente ao grau de autoeficácia que os pais reconheciam para
resolver as barreiras com que se confrontavam (e.g., a criança comer muitos
snacks ou estar muito tempo no computador).
Dado que a diminuição das barreiras percebidas é uma dimensão que pode
ser trabalhada nas intervenções para a promoção da saúde infantil, vários estudos
têm procurado identificar o tipo de barreiras mais referidas pelos pais. Na tabela
2.3. apresenta-se uma síntese destes estudos.

56
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Tabela 2.3.
Síntese de estudos sobre barreiras percecionadas pelos pais a uma alimentação saudável da criança
Estudo /origem Metodologia Barreiras percecionadas pelos pais à alimentação saudável
da criança
Dwyer, Needham, Entrevistas em grupo Intrapessoais: preferências alimentares da criança;
Simpson & com mães de crianças Interpessoais: diferentes perspetivas e práticas de outros
Heeney, 2008 de 2 a 5 anos. familiares ou adultos, influência do jardim-de-infância e
falta de tempo dos pais.
Origem: Canadá Ambiente físico: acessibilidade de alimentos saudáveis e
crianças com necessidade de dietas especiais.
Hoerr, Utech & Entrevistas em grupo a Oposição aos alimentos servidos, controlo da criança nas
Ruth, 2005 pais de crianças de 3-5 decisões alimentares, falta de tempo, custo dos alimentos.
anos de nível
Origem: EUA socioeconómico baixo
Hesketh, Waters, Entrevistas de grupo Propriedades organoléticas agradáveis dos alimentos não
Green, Salmon & com pais de crianças saudáveis, oferta alimentar não saudável nas escolas, pares,
Williams, 2005 de 7-8 e 10-11 anos número crescente de estabelecimentos de fast-food,
publicidade e embalagem atrativa dos alimentos menos
Origem: Austrália saudáveis.

Andrade, 2007 Entrevistas individuais 7-12 meses: Ingestão insuficiente, falta de informação
a pais de crianças entre nutricional, distrações durante as refeições e neofobia
Origem : Portugal os 7 meses e os 12 13-23 meses: Preferências alimentares, recusa de
anos alimentos, comportamento à mesa e falta de informação
nutricional.
2-5 anos: comportamento à mesa, preferências
alimentares, falta de informação nutricional
6-9 anos: Preferências alimentares, recusa de alimentos,
comportamento à mesa e omissão de refeições
10-12 anos: Preferências alimentares, influências dos pares,
recusa de alimentos e comportamentos à mesa
Hart, Herriot, Pais de crianças entre Pais de nível socioeconómico alto: escola, pares, influência
Bishop & Truby, os 7 e os 12 anos de de irmãos e outros familiares, preferências alimentares das
2003 nível socioeconómico crianças, custo e falta de tempo
baixo e alto
Pais de nível socioeconómico baixo: influência de irmãos e
Origem: outros familiares, falta de informação nutricional,
Inglaterra preferências alimentares das crianças, custo e falta de
tempo

As barreiras que surgem num maior número de estudos são: as preferências


alimentares da criança e aspetos que lhe estão associados (e.g., propriedades
organoléticas dos alimentos, oposição/recusa a alimentos oferecidos, neofobia), a

57
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

falta de tempo dos pais, o custo de uma alimentação saudável e a oferta pouco
saudável de alimentos na escola10.
A falta de tempo, resultante em grande parte das condições de trabalho dos
pais, surge referido na tabela 2.3 e é também abordada noutros estudos (Blake,
2009, 2011; Brown, Broomb, Nicholson & Bittman, 2010; Devine et al., 2006; Jabs
et al., 2007).
Curiosamente a publicidade só é referida num estudo, bem como a
acessibilidade a estabelecimentos de fast-food (apesar de todos os estudos
apresentados terem sido realizados em meio citadino).
A falta de conhecimento nutricional é pouco mencionado e parece perder
importância nos níveis socioeconómicos mais altos (Hart et al., 2003) e conforme a
criança vai crescendo (Andrade, 2007). Pelo contrário, a influência negativa dos
pares parece ser mais sentida pelos pais das crianças mais velhas (de um modo
geral a partir dos sete anos). Para além da idade da criança, o nível socioeconómico
dos pais parece gerar diferenças nas barreiras que são vistas como problemáticas.
Por exemplo, no estudo de Hart e colaboradores a influência dos pares é visto
como barreira pelos pais de nível socioeconómico mais elevado mas é considerado
como um facilitador da alimentação saudável pelos pais de nível mais baixo.
Steinsbekk, Ødegård & Wichstrøm (2011) estudaram a importância das
barreiras emocionais (i.e., desconforto ou culpa sentida pelos pais por restringirem
comportamentos alimentares e sedentários das crianças). Tendo analisado o
impacto de várias variáveis (barreiras emocionais, autoeficácia parental, norma
subjetiva e atitudes), só as barreiras emocionais estavam (inversamente)
correlacionadas com a perda de peso de crianças durante os follow-up (6 meses e
2 anos após o final do tratamento). Embora não sejam conhecidos mais estudos
que abordem a questão das barreiras emocionais, estas poderão estar diretamente
relacionadas com o estilo parental (i.e., os pais com estilo indulgente serão
provavelmente aqueles que vivenciam mais as barreiras emocionais relacionadas
com as restrições impostas à criança).

10
A oferta de alimentos pouco saudáveis nas cantinas escolares não corresponde à realidade das escolas
oficiais portuguesas. Contudo, as características organoléticas menos agradáveis dos alimentos
oferecidos nas escolas portuguesas criam também problemas nutricionais (Figueira, 2012).

58
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Dos estudos apresentados a autoeficácia parental parece estar relacionada com


a qualidade da dieta das crianças. Esta relação vai diminuindo ao longo do
crescimento da criança, com o aumento de autonomia em relação aos pais. Um
aspeto importante para a autoeficácia dos pais é a atribuição que estes fazem da
sua capacidade de ultrapassar as barreiras subjetivas a uma alimentação saudável
da criança. Um número substancial de estudos identifica várias destas barreiras,
salientando-se as relacionadas com as preferências alimentares da criança.

Atribuição de Controlo parental

O conceito de controlo parental é central em vários modelos de psicologia


do desenvolvimento (Steinberg, 1990), sendo por exemplo um dos atributos
utilizados por Baumrind (1997) para a definição dos estilos parentais. Barber no
seu modelo sobre controlo parental (Barber, 1996; Barber & Hamon, 2002)
descrimina dois tipos de controlo (psicológico e comportamental), sendo que o
controlo comportamental é definido como os esforços dos pais para controlar o
comportamento dos filhos através de regras e restrições comportamentais,
visando essencialmente que a criança adquira comportamentos socialmente
valorizados. Trata-se aqui do controlo que é de facto exercido pelos pais sobre o
comportamento dos filhos e que pode ser avaliado pelas práticas educativas
utilizadas.
De acordo com os modelos da Psicologia da Saúde que recorrem à
abordagem de expetativa-valor (e.g., Fishbein & Azjen, 1980), os pais tentarão
controlar o comportamento alimentar dos seus filhos em função de dois tipos de
avaliação: do valor que atribuem aos resultados que possam obter e da expetativa
que o seu comportamento leve aos resultados desejados. Embora ainda em
número reduzido, alguns estudos têm vindo a avaliar o grau de controlo que os
pais consideram ter na alimentação da criança, diferenciando-se dos estudos que
avaliam o que os pais fazem para conseguir esse controlo (práticas parentais).
Num estudo em que foram avaliadas as crenças de pais de crianças com
peso normal e excesso de peso, concluiu-se que 37% dos pais consideravam ter
pouco controlo e 5% considerava não ter nenhum controlo sobre os

59
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

comportamentos relacionados com o peso da criança (Kersey, Lipton, Quinn &


Lantos, 2010). Também Hoerr e colaboradores (20005), num estudo com pais de
crianças pré-escolares de nível socioeconómico baixo, encontraram uma
percentagem grande de pais que referia como problema diário o excesso de
controlo da criança (vs. controlo parental) sobre as decisões alimentares (e.g.,
servir vegetais às refeições). O estudo de Siebold, Knafl e Grey (2003) aponta que
uma das razões para a atribuição de baixo controlo será o facto das tentativas
parentais serem inconsistentes e irregulares, levando à perceção de ineficácia das
mesmas.
Também os profissionais de saúde consideram que uma das principais
barreiras para a perda de peso é o facto de os pais não disporem de formas eficazes
para disciplinarem a criança, o que resulta num baixo controlo em relação aos
comportamentos alimentares dos filhos (Chamberlin, Serman, Jain, Powers &
Whitaker, 2002).
Jonhson (2002) concluiu que os pais que têm filhos com menor capacidade
de autorregulação alimentar descrevem-se como tendo menor capacidade de
controlar a ingestão alimentar dos filhos, não se conhecendo outros estudos que
relacionem a perceção de controlo parental com as características da criança.
Mesmo os pais que consideram ter um controlo razoável sobre a
alimentação dos filhos em idade pré-escolar, relatam dificuldades maiores em
ultrapassar a vontade da criança quando se trata de introduzir novos alimentos ou
alimentos que a criança não gosta (Baughcum, Burklow, Deeks, Powers &
Whitaker, 1998; Dwyer et al., 2008), ou em controlarem os comportamentos
alimentares da criança fora de casa (Hoerr et al., 2004). Assim, a atribuição de
controlo não é uma dimensão única, mas antes pode variar em função da situação
ou tarefa específica.

Resumindo, os estudos revistos parecem indicar que os pais variam na sua


perceção de controlo parental e que alguns deles vêm o pouco controlo sobre os
comportamentos alimentares dos filhos como um problema. Os profissionais de
saúde também identificam este problema como uma barreira à perda de peso da
criança. Uma baixa atribuição parental de controlo resultará possivelmente dos

60
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

pais não disporem de estratégias adequadas para lidar com as recusas ou


exigências alimentares da criança ou de as utilizarem de um modo inconsistente.

2.5. Conclusões

A prevenção e o tratamento precoce da obesidade é hoje uma das linhas


orientadoras das políticas internacionais de saúde (OMS, 2012a). Um vasto
número de estudos identifica uma multiplicidade de determinantes do
comportamento alimentar e IMC infantil, refletindo a complexidade de interação
entre fatores culturais, políticos, sociais, familiares e individuais.
O papel dos determinantes psicológicos e sociais, sobre os quais incide o
presente estudo, tem sido alvo de grande interesse, sendo contudo uma área de
conhecimento que necessita de maior aprofundamento e clarificação. Da
informação resultante da revisão de literatura sobre a influência dos
determinantes da criança e dos pais no comportamento alimentar infantil,
podemos desde já retirar algumas conclusões que abrem para novas questões.
Os resultados dos estudos são heterogéneos relativamente ao impacto da
maioria dos determinantes psicológicos e sociais nos comportamentos alimentares
infantis e ainda mais no IMC da criança. Embora questões metodológicas possam
explicar parte desta heterogeneidade, esta parece refletir a complexidade de
processos multifatoriais, que necessitam de ser melhor compreendidos.
Salienta-se a relação pouco clara entre o IMC e a ingestão nutricional da
criança, que não provou ser completamente clarificada com o efeito da atividade
física. Contudo está patente uma associação mais forte entre o IMC e
comportamentos alimentares da criança (e.g., consumo de pequeno almoço, de
fruta, de vegetais e número de refeições), ganhando estes um papel fundamental
no estudo da alimentação infantil.
De entre os determinantes do comportamento alimentar infantil, o estudo
das preferências alimentares traz um contributo importante, não só porque são
uma barreira a uma alimentação saudável consistentemente referida pelos pais,
mas também porque influenciam o tipo de alimentos ingeridos pelas crianças.
Apesar da influência genética, que se manifesta sobretudo nos primeiros tempos

61
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

de vida, as preferências podem ser moldadas em função das experiências


alimentares que os pais proporcionam às crianças. A influência das preferências
nos comportamentos alimentares será tanto maior quanto a autonomia decisional.
O estudo desta relação no período pré-escolar revela-se de particular interesse
porque a criança tem já autonomia em algumas das decisões alimentares, mas os
pais continuam a ter um papel importante na determinação da dieta dos filhos.
O tempo de visionamento de televisão é dos poucos determinantes que
parece estar consistentemente relacionado tanto com o IMC como com os hábitos
alimentares. Também esta é uma área em que os pais podem ter uma intervenção
significativa, não só restringindo o tempo de visionamento e os alimentos
disponíveis em casa, mas também educando para uma postura crítica face à
publicidade alimentar.
Apesar de não haver evidências muito sólidas, alguns estudos apontam para
uma relação entre os estilos parentais e o comportamento alimentar da criança.
Nas crianças pré-escolares tem-se identificado o impacto positivo do estilo
orientador mas também do estilo autoritário.
A influência dos fatores cognitivos parentais no comportamento de saúde
da criança é sustentada por um vasto corpo de investigação. Relativamente ao
comportamento alimentar da criança, as dimensões cognitivas parentais mais
estudadas têm sido o conhecimento nutricional e a avaliação do peso da criança
(i.e., perceção parental de peso). Contudo a preocupação parental e as atribuições
de autoeficácia e de controlo sobre o comportamento alimentar da criança têm
também sido alvo de análise.
O conhecimento nutricional dos pais parece promover melhores hábitos
alimentares, embora níveis muito elevados de conhecimento não se reflitam num
acréscimo de qualidade da dieta da criança. Parece também ser evidente que nem
sempre os pais utilizam ou concretizam os seus conhecimentos na promoção de
uma alimentação saudável dos filhos, e que esta utilização poderá estar
relacionada com as crenças parentais relacionadas com a alimentação da criança. A
manutenção da informação nutricional como a componente principal de muitas
das intervenções para a promoção de uma alimentação saudável tem de ser
sustentada em mais estudos. As características parentais que têm sido mais
associadas ao conhecimento nutricional são o nível socioeconómico e as atitudes

62
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

parentais, não existindo estudos que nos permitam concluir a relação do


conhecimento com outras variáveis cognitivas parentais como a preocupação ou as
atribuições de autoeficácia e controlo.
De um modo geral, mais de metade dos pais das crianças com excesso de
peso subavalia o peso do seu filho. Apesar da proliferação de estudos sobre este
tema, pouco se sabe ainda sobre o processo que lhe está subjacente. O facto de uma
perceção correta do excesso de peso não gerar maior preocupação parental, nem
ser suficiente para a mudança dos comportamentos dos pais, aponta para a
necessidade de aprofundar a compreensão deste processo.
A relação da preocupação parental com o peso ou com os comportamentos
alimentares da criança tem sido pouco estudada. Os diversos estudos que avaliam
a preocupação dos pais de crianças com excesso de peso indicam que alguns destes
pais se encontram preocupados, mas outros não. Alguns dos resultados apontam
que os pais de crianças com excesso de peso têm mais probabilidade de estarem
preocupados com o peso da criança quando estão também preocupados com
outros aspetos (e.g., atividade física da criança; qualidade de vida). Mesmo tendo
uma perceção do excesso de peso da criança, os pais tendem a estar menos
preocupados com as consequências a curto prazo do que a longo prazo. Por outro
lado, a preocupação nem sempre está associada a iniciativas parentais para
confrontar o problema de peso. Torna-se necessário clarificar a relação da
preocupação parental com os comportamentos alimentares da criança, assim como
o papel que outras variáveis parentais podem ter na relação da preocupação com
as ações dos pais.
No período pré-escolar a autoeficácia dos pais para mudar os
comportamentos alimentares dos filhos é inferior à dos primeiros anos de vida da
criança, pelo que se torna importante estudar esta atribuição parental. De acordo
com alguns estudos, os pais que apresentam uma maior autoeficácia relacionada
com a mudança dos comportamentos alimentares da criança têm filhos com um
IMC mais baixo e uma dieta mais saudável. A autoeficácia está inversamente
relacionada com a perceção de barreiras parentais. Assim torna-se importante não
só a confirmação do papel positivo da autoeficácia parental nos comportamentos
alimentares da criança como também conhecer melhor as barreiras percecionadas
pelos pais.

63
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

A reduzida falta de estratégias eficazes para controlar o comportamento


alimentar dos filhos é um problema identificado por alguns pais e pelos
profissionais de saúde. A atribuição de controlo sobre o comportamento alimentar
do filho não é uniforme, variando em função dos objetivos e de diferentes situações
(e.g., controlo dentro e fora de casa). Já no período pré-escolar os pais começam a
sentir uma redução de controlo sobre o que os seus filhos comem.
Na medida em que a principal área de interesse do presente estudo incide
sobre as dimensões cognitivas parentais, interessa também assinalar a ausência de
estudos sobre algumas das significações parentais que são consideradas como
centrais na determinação dos comportamentos relacionados com a saúde da
criança (Barros, 1999). Dada que vários estudos identificam que a comunicação
dos profissionais de saúde muitas vezes se distancia das questões mais valorizadas
pelos pais em relação aos problemas de peso, é importante conhecer as
significações parentais sobre as consequências de uma alimentação saudável. Na
medida em que as significações parentais sobre os determinantes do
comportamento alimentar infantil poderão orientar os pais no modo como
promovem uma alimentação saudável, este é também um tema de interesse. As
estratégias que os pais utilizam para lidar com os problemas relacionados com a
alimentação da criança são também um tema que interessa conhecer melhor.
Dada a complexidade que envolve o comportamento alimentar infantil e a
vasta informação a que a maioria dos pais tem acesso, e porque a alimentação dos
filhos é uma questão de primordial interesse para a maioria dos pais, considera-se
também importante perceber como os pais integram e compreendem esta
complexidade.

2.6. Objetivos do estudo

O presente estudo tem como objetivo geral aprofundar o conhecimento da


influência dos determinantes psicológicos e sociais no comportamento alimentar
das crianças pré-escolares. De entre estes visa-se dar particular relevo aos
determinantes familiares e também àqueles sobre os quais os pais podem ter uma

64
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

intervenção direta. São também focadas algumas características


sociodemográficas.
Assim, são abordadas a influência das características da criança (i.e., sexo,
idade, preferências alimentares e tempo de visionamento de televisão) nos seus
comportamentos alimentares e IMC. Relativamente às características parentais,
foca-se a influência das variáveis cognitivas, dos estilos parentais e das
características sociodemográficas (idade, escolaridade e profissão). A relação entre
o comportamento alimentar e o IMC da criança é também estudada.
Dada a relevância que a transmissão de conhecimento nutricional tem
atualmente na prevenção e tratamento da obesidade considerou-se importante
clarificar a sua importância, mas também aprofundar a sua relação com as
variáveis cognitivas, os estilos parentais e as características sociodemográficas
parentais.
Como a maioria dos pais das crianças com excesso de peso tende a
subavaliar o peso dos seus filhos foi estudada a relação da perceção de peso com o
IMC, as restantes variáveis cognitivas e os estilos parentais, visando compreender
melhor este processo.
Ainda dentro do estudo das variáveis cognitivas parentais considerou-se
importante aprofundar o conhecimento das significações parentais relacionadas
com a alimentação da criança, em particular as significações sobre os
determinantes e consequências de uma alimentação e peso saudáveis, sobre as
preferências alimentares das crianças e sobre a autoeficácia parental (perceção de
barreiras e estratégias disponíveis).

Apresentam-se em seguida os objetivos específicos do estudo.

Objetivo 1 - Explorar a relação dos hábitos alimentares com as características da


criança: sexo, preferências alimentares e tempo de visionamento de televisão.

Objetivo 2 - Explorar a relação dos hábitos alimentares da criança com as


características parentais: demográficas, estilo parental, conhecimento nutricional,
preocupação com o peso da criança, atribuições de controlo e autoeficácia e
perceção parental de peso

65
___________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Objetivo 3 - Identificar as características demográficas e psicológicas (da criança e


dos pais) preditoras dos hábitos alimentares das crianças.

Objetivo 4 - Estudar as relações entre o conhecimento nutricional e as


características parentais (demográficas, estilo parental, preocupação e atribuições
de controlo e autoeficácia).

Objetivo 5 - Estudar as relações da perceção parental do peso do filho com o IMC


da criança e com as características parentais (demográficas, conhecimento
nutricional, estilo parental, preocupação e atribuições de controlo e autoeficácia).

Objetivo 6 - Explorar as relações entre a preocupação parental com o peso da


criança, a atribuição parental de autoeficácia e a atribuição parental de controlo

Objetivo 7 - Explorar a relação do IMC com os hábitos alimentares da criança e com


as características sociodemográficas e psicológicas da criança e dos pais.

Objetivo 8 - Identificar as significações parentais sobre a alimentação infantil,


especificamente as relacionadas com os seguintes temas: determinantes de uma
alimentação e peso saudáveis, determinantes das preferências alimentares,
influência parental nas preferências alimentares, consequências de uma
alimentação e peso saudáveis, barreiras e estratégias parentais para uma
alimentação saudável e modelos parentais explicativos do desenvolvimento dos
comportamentos alimentares saudáveis da criança.

Objetivo 9 – Identificar as principais diferenças nas significações parentais


relacionadas com a alimentação infantil em função do IMC e da qualidade dos
hábitos alimentares da criança, mais especificamente:
- pais de crianças com excesso de peso vs. pais de crianças com peso normal
- pais de crianças com os piores hábitos alimentares vs. pais de crianças com os
melhores hábitos alimentares.

66
3.
METODOLOGIA

 Metodologia quantitativa
 Metodologia qualitativa
___________________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Neste capítulo é descrita a amostra, os procedimentos e os instrumentos de


avaliação do estudo. De acordo com os objetivos apresentados no capítulo anterior
foi necessário a utilização de duas metodologias diferenciadas, uma quantitativa e
outra qualitativa. Na primeira parte deste capítulo descreve-se a metodologia
quantitativa utilizada no estudo dos determinantes e correlatos dos
comportamentos alimentares e do IMC da criança (objetivos 1 a 7). Na segunda
descreve-se a metodologia qualitativa para a avaliação das significações parentais
relacionadas com a alimentação da criança (objetivos 8 e 9).

O projeto deste trabalho foi aprovado pelo Conselho Científico da Faculdade


de Psicologia da Universidade de Lisboa, pela Presidência da Câmara Municipal de
Loures (CML) e pelo Conselho Diretivo da Escola Superior de Tecnologias da Saúde
de Lisboa do Instituto Politécnico de Lisboa.

3.1. Metodologia Quantitativa

O presente estudo obedece a um desenho observacional, transversal e


analítico, em que são observadas as covariações das variáveis e as diferenças entre
grupos, num único momento e sem a manipulação das mesmas pelo investigador
(Bowling, 2009).

3.1.1. Amostra

O universo ou população geral deste estudo é constituído pelos pais e


crianças de 5-6 anos.
Teve-se como critério de inclusão: crianças de 5-6 anos inscritos nos
jardins-de-infância oficiais da zona Norte de Loures e respetivos pais11. Foram
excluídos da amostra a crianças com limitações cognitivas que não permitissem

11
A Zona Norte do concelho de Loures é constituída pelas freguesias de Bucelas, Lousa, Fanhões, São Julião do Tojal, Santo
Antão do Tojal, Loures, Frielas e Santo António dos Cavaleiros. A área total ronda os 132,46 Km2 e em 2001 tinha cerca de
82500 habitantes. (Anexo A)

68
__________________________________________________________________________ METODOLOGIA

realizar a avaliação das preferências alimentares, dado que se trata de uma


metodologia que exige a compreensão de alternativas alimentares e a capacidade
de decisão de acordo com as preferências pessoais.
Trata-se de uma amostra de conveniência, em que todos os elementos da
amostra de trabalho (i.e., todas as crianças de 5-6 anos inscritos nos jardins-de-
infância oficiais da zona Norte de Loures e respetivos pais) foram contactados,
tendo por isso a mesma probabilidade de serem incluídos no estudo.
A adesão ao estudo foi de 67% em relação a todos os pais contactados,
tendo a amostra final sido constituída por 232 díades de pais e crianças.
A amostra de crianças foi constituída por uma percentagem semelhante de
rapazes (48,9%) e de raparigas (51,1%), a maioria não apresentava nenhuma
doença com duração superior a seis meses (87,9%) nem tinha restrições
alimentares por razões de saúde ou religiosas (95,7%). Relativamente aos adultos
participantes 83,1% eram mães das crianças, 11,3% pais e os restantes eram
familiares que coabitavam ou cuidavam diariamente da criança12. A maioria
encontrava-se entre os 25 e os 44 anos de idade. Cerca de 34% tinha entre 5 a 9
anos de escolaridade e 25,5% entre 10 a 12 anos de escolaridade. Uma
caracterização sociodemográfica mais detalhada da amostra será apresentada no
capítulo dos resultados.

3.1.2. Procedimento

A escolha da amostra decorreu da colaboração da ESTeSL, onde a autora é


docente, e da CML, o que facilitou a acessibilidade à população pré-escolar dos
jardins-de-infância oficiais da zona Norte de Loures.

12
Para simplificação, são designados por pais todos os adultos da amostra.

69
___________________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Figura 3.1. Procedimento de recolha de dados

O procedimento para a recolha de dado apresenta-se na figura 3.1. Em


agosto/setembro de 2008, com o apoio logístico do Gabinete de Saúde da CML,
todos os jardins-de-infância da zona Norte de Loures foram contactados. Os
responsáveis pelos agrupamentos escolares envolvidos, bem com as respetivas
educadoras, foram convidados a estarem presentes numa sessão de apresentação

70
__________________________________________________________________________ METODOLOGIA

do projeto. A participação no estudo foi significativa pois dos 21 estabelecimentos


existentes na zona abrangida pelo projeto só dois não aceitaram participar.

Tabela 3.1
Número de crianças participantes por agrupamento escolar e jardim-de-infância
Agrupamento escolar/jardim-de-infância N
Agrupamento de Escolas de Bucelas 18
Vila de Rei 2
Bucelas 13
Chamboeira 3
Agrupamento de Escolas de Loures 68
À-das-Lebre 7
Loures 16
Lousa 13
Montemor 5
Casaínhos 8
Salemas 6
Cabeço de Montachique 4
À-dos-Cãos 9
Agrupamento de Escolas João Villaret 58
Pintéus 3
Frielas 11
Fanqueiro 30
Manjoeira 5
Zambujal 9
Agrupamento de Escolas General 35
Humberto Delgado

Santo António dos Cavaleiros 35

Agrupamento de Escolas de Santo


53
António dos Cavaleiros
Fernando Bulhões 32
Flamenga 21

Total 223

Apresenta-se na tabela 3.1 o número de crianças da amostra, por jardim-de-


infância e agrupamento escolar. As diferentes dimensões dos jardins-de-infância
que participaram, e a consequente variabilidade no número de crianças inscritas
(i.e., de cinco até mais de cinquenta), levou a uma amplitude bastante grande do
número de crianças provenientes de cada estabelecimento.

71
___________________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

O pedido de autorização para participação no estudo foi enviado a todos os


pais das crianças inscritas nos jardins-de-infância (Anexo B), apresentando de uma
forma breve os objetivos do estudo, a autora e as instituições envolvidas, assim
como os procedimentos de avaliação que envolviam os pais e as crianças
(avaliação das preferências alimentares, peso e altura da criança e preenchimento
de questionários pelos pais). Foi também enviado o consentimento informado
relativo a estes procedimentos e um outro consentimento para a realização da
entrevista com os pais, salientando que a indisponibilidade para a entrevista não
inviabilizava a participação dos pais na restante componente da investigação. Na
informação enviada era referido que todos os pais que colaborassem no estudo
receberiam um relatório da avaliação.
Os questionários foram entregues e recolhidos pela autora e por duas
psicólogas com experiência em avaliação clínica de crianças, as quais estiveram
também envolvidas na avaliação das preferências alimentares. Os dados foram
recolhidos entre novembro de 2008 e julho de 2009. Os relatórios de avaliação
(Anexo C) foram enviados em julho de 2009 incluindo, para além do
agradecimento pela participação, informação personalizada sobre cada criança:
resultados da avaliação (estado nutricional e hábitos alimentares), informação
sobre algumas estratégias parentais relativamente à alimentação da criança de
acordo com o estilo parental orientador, informação nutricional personalizada13
(descrição breve da pirâmide alimentar, outras regras base de uma alimentação
saudável e um exemplo de um plano nutricional de acordo com o estado
nutricional de cada criança) e, por fim, alguns conselhos para facilitar a mudança
do comportamento alimentar, quando necessário. Foi fornecido o telefone e
endereço de correio eletrónico da autora para qualquer esclarecimento adicional.

3.1.3. Variáveis e instrumentos de avaliação

Apresentam-se na tabela 3.2 as variáveis consideradas no estudo


quantitativo e os respetivos métodos de avaliação. No texto, cada instrumento de
avaliação será descrito e, sempre que possível, serão apresentados estudos

13
Material disponibilizado pela da Área Científica de Dietética e Nutrição da ESTeSL

72
__________________________________________________________________________ METODOLOGIA

anteriores em que foram utilizados. A escolha dos instrumentos será também


fundamentada.

Tabela 3.2
Variáveis e instrumentos de avaliação do estudo

Variável Metodologia/Instrumento de avaliação

IMC / estado nutricional da criança Avaliação do peso e altura corporal / critérios do CDC (2002)
para diagnóstico do estado nutricional da criança

Comportamentos alimentares Questionário de Hábitos Alimentares Infantis

Preferências alimentares Avaliação Hierárquica das Preferências Alimentares


Adaptado de Rank Order Preference Assessment
(Birch, 1979; 1979a)

Estilo parental alimentar Questionário de Estilos Parentais de Alimentação


Caregiver’s Feeding Style Questionnaire ( Hughes, 2004)

Conhecimento nutricional Questionário de Conhecimento Nutricional


General Nutrition Knowledge Questionnaire for Adults
(Parmenter e Wardle, 1999)

Tempo de visionamento de Questionário de avaliação de determinantes do


Televisão comportamento alimentar

Perceção parental de peso

Preocupação parental com o peso da


criança

Atribuição de autoeficácia parental

Atribuição de controlo parental


sobre a alimentação da criança

Foi realizado um estudo prévio para testar todos aos questionários


utilizados e a metodologia de avaliação das preferências alimentares. Para este fim

73
___________________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

recorreu-se a uma amostra de conveniência de 40 crianças pré-escolares de dois


jardins-de-infância do ensino particular em Lisboa. Na escolha das duas escolas
teve-se a intenção de abranger crianças e pais com características sociais diversas.
Os dois jardins-de-infância que colaboraram nesta fase do estudo apresentavam
diferenças relevantes nos custos mensais e situavam-se em zonas com habitantes
com características sociais diferentes. Da informação recolhida foram feitas
pequenas alterações a alguns dos questionários. Foi também feito um estudo
prévio da fiabilidade dos instrumentos, cujos valores serão descritos quando da
apresentação dos instrumentos.

Índice de massa Corporal (IMC)

Não existe uma medida perfeita para a avaliação da gordura corporal. Para
além dos métodos indiretos de avaliação de composição corporal (e.g., Pesagem
hidrostática, Densitometria Radiológica de Dupla Energia-DXA), existem métodos
duplamente indiretos (i.e., validados pelos métodos diretos): a bioimpedância e a
antropometria. Esta última inclui perímetros corporais (e.g., perímetros da cintura
e da anca) e medidas de pregas cutâneas (e.g., do braço e do tronco). O IMC14 é uma
medida da proporção massa–estatura, que embora não permita estimar a
quantidade de massa gorda e massa magra do indivíduo, tem sido considerado um
indicador da gordura corporal em crianças (Bellizzi & Dietz, 1999; Frelut, 2001;
Lobstein, Baur & Uauy, 2004). As comparações do IMC infantil com medidas menos
indiretas de composição/gordura corporal apresentam correlações entre os 0.50 e
0.85 (Himes & Dietz, 1994; Pietrobelli et al., 1998), com maior probabilidade de
algumas crianças com excesso de gordura corporal serem classificadas como tendo
peso normal do que o inverso (Lazaruz, Baur, Webb, & Blyth, 1996; Sardinha,
Going, Teixeira & Lohman, 1999).
O IMC permite a utilização de critérios de diagnóstico do estado nutricional
da criança (e.g., baixo peso, peso normal, pré-obesidade e obesidade). O IMC da
criança altera-se substancialmente ao longo da infância (obesity rebound), pelo que

14
O cálculo do IMC é feito através da fórmula: IMC = peso / altura 2

74
__________________________________________________________________________ METODOLOGIA

o cálculo do IMC em crianças baseia-se em curvas de referência e percentis por


idade/sexo, tendo como referencia uma população específica.
Não existem critérios específicos de diagnóstico do estado nutricional em
crianças para a população portuguesa, ao contrário do que acontece, por exemplo,
em França e no Reino Unido. A nível internacional não existem pontos de corte
universalmente aceites para definir as diferentes categorias de IMC. Os critérios
internacionais mais utilizados são apresentados na tabela 3.3.

Tabela 3.3
Descrição dos critérios de diagnóstico do estado nutricional para crianças
International Obesity Centre for Disease NHANES/WHO
Task Force (IOTF) Control and Prevention
(CDC)

VALORES DE Curvas propostas por Curvas de crescimento e Curvas de crescimento por


REFERÊNCIA Cole e al. percentis (P) de IMC idade e sexo para crianças
(2000;2007) específicas para a e adolescentes americanos
idade/sexo das crianças (Must, Dall, Dietz, 1991; OMS,
e adolescentes 2007)
americanos
(Kuczmarski e al.,2002)

IDADES 2-18 2-20 5-19

DEFINIÇÃO DO
ESTADO
NUTRICIONAL
Baixo peso <18,5 kg/m2 <P5 IMC/idade ≤ -2 DP*
Pré-obesidade ≥25 kg/m2 ≥P85 IMC/idade ≥ 1DP* a
Obesidade ≥30 kg/m2 ≥P95 IMC/idade ≥ +2DP* b
*Desvio padrão da mediana da amostra de referência
aDefine o ponto de corte para pré-obesidade + obesidade; equivale ao P85 e ao IMC de 25kg/m2 na idade adulta
bCorresponde ao P97 e ao IMC=30kg/m2 aos 19 anos

75
___________________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Os pontos de corte propostos pela International Obesity Task Force (IOTOF)


baseiam-se em curvas de percentis do IMC específicas para a idade e sexo da
criança (Cole, 2000), obtidas pela avaliação de cerca de 2 milhões de crianças do
Brasil, Reino Unido, Hong-Kong, Holanda, Singapura e Estados Unidos. Estes
valores foram propostos para permitir a comparação de estudos internacionais. Os
critérios de diagnóstico para o estado nutricional do Centre for Disease Control
and Prevention (Kuczmarski et al.,2002) são uma revisão do estudo efetuado na
década de 1970 e fornecem gráficos de crescimento atualizados com percentis de
referência de IMC por meses de idade, expressos no ponto médio do mês (e.g., os
valores de referência para crianças entre os 97.0-97.9 são dados nos 97,5 meses).
Estes valores têm sido bastante utilizados quer em contexto clínico quer de
investigação. Resultado de um levantamento anterior, o National Health and
Nutrition Examination Survey I (NHANES I) realizado pelo US National Center for
Health Statistics (NCHS), foram criados gráficos de referência e pontos de corte
para a população americana (Must, Dallal & Dietz, 1991). Estes valores foram
recomendados por uma comissão de peritos da OMS em 1995 (OMS, 1995), tendo
sido proposto que, para crianças com menos de 10 anos, a utilização de percentis
fosse substituída por Z-scores (i.e., número de desvios-padrão em relação à média)
específicos para a idade e altura. Os pontos de corte da NHANES/WHO foram
recentemente atualizados (OMS, 2007).
Diferentes critérios de diagnóstico implicam resultados semelhantes mas
não idênticos de prevalência de excesso de peso e obesidade numa mesma
população. Na tabela 3.4 apresenta-se um exemplo destas diferenças num estudo
comparativo com crianças americanas (Flegall, Ogden, Wei, Kuczmarski & Johnson,
2001), sendo estes resultados confirmados por outros estudos (Onis, Garza,
Onyango & Borghi, 2007).

76
__________________________________________________________________________ METODOLOGIA

Tabela 3.4
Comparação da prevalência de excesso de peso e obesidade usando diferentes critérios de diagnóstico
(Fonte: Flegal e al., 2001)
6-8 anos 12-14 anos

Rapazes Raparigas Rapazes Raparigas

NHANES/OMS 25% 31% 30% 30%


Excesso
CDC 23% 23% 29% 31%
de peso
IOTOF 18% 23% 29% 31%
NHANES/OMS 13% 17% 11% 12%
Obesidade CDC 11% 11% 12% 12%
IOTOF 8% 8% 9% 10%

As percentagens mais elevadas de obesidade e excesso de peso em crianças


mais novas são obtidas com a utilização dos critérios da NHANES/OMS e os mais
baixos com os da IATOF. Esta ordenação entre os três critérios foi também
confirmada na população portuguesa, salientando-se ainda que os critérios da
IOTF são os que geraram taxas superiores de prevalência de baixo-peso (Rito,
Paixão, Carvalho & Ramos, 2011).
A utilização de qualquer destes critérios de diagnóstico assume que as
crianças avaliadas são comparáveis com a população de referência. Considerando
que nenhuma das pesquisas que os sustentam incluiu população portuguesa ou
mediterrânica, nenhum destes critérios nos pareceu ter como base uma população
com maior ou menor semelhança antropométrica à população portuguesa.
Neste contexto, no presente estudo optou-se pelos critérios do CDC. Para
além de serem amplamente utilizados em estudos internacionais, foram também já
utilizados em estudos epidemiológicos portugueses de grande dimensão (Moreira,
2007; Rito et al., 2011). Foram igualmente adotados pela Direção Geral de Saúde e
são os utilizados nos serviços de saúde portugueses (e.g., boletim da saúde
infantil). Considerando a variabilidade da prevalência de pré-obesidade e
obesidade em função dos critérios de diagnóstico adotados, os pontos de corte do
CDC originam valores intermédios de prevalência de obesidade, em comparação
com os dois critérios alternativos, em especial para as crianças mais novas, sobre
as quais o nosso estudo incide.

77
___________________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

No presente estudo a avaliação antropométrica – pesagem e medição da


altura – foi realizada por estudantes do 3º ano da Licenciatura em Dietética e
Nutrição da ESTeSL no âmbito da unidade curricular de Estágio, com supervisão
presencial de uma dietista docente do curso. Estes estudantes tinham já treino em
avaliação antropométrica e cálculo de IMC. Para a avaliação do peso foi utilizada
uma balança de chão com estadiómetro marca SECA® modelo 70, com precisão
milimétrica de estadiómetro e de duas casas decimais de peso. A idade das crianças
foi avaliada em anos e meses. O IMC foi calculado e comparado com os percentis
(P) para crianças do CDC, tendo o estado nutricional das crianças sido classificado
da seguinte forma: baixo peso (P<5), peso normal (5≤P≥84), pré-obesidade
(85≤P≥94), e obesidade (P≥95).

Hábitos alimentares

A avaliação de comportamentos alimentares, embora sempre associada à


ingestão alimentar da criança, tem sido realizada com métodos bastante distintos.
Todos estes métodos se baseiam em auto e hetero relatos e por isso estão sujeitos
a enviesamentos (Black & Cole, 2001; Falcão–Gomes, Coelho & Schmitz, 2006;
Hebert, Clemow, Ockene & Ockene, 1994).
Para a orientação relativamente à escolha do método a utilizar neste estudo
foram utilizadas as obras de Thompson e colaboradores (1994, 2008). Os autores
definem cinco tipos de métodos de avaliação da ingestão alimentar (dieta),
caracterizados na tabela 3.5.

78
__________________________________________________________________________ METODOLOGIA

Tabela 3.5
Métodos de avaliação da dieta

METODOLOGIA VANTAGENS LIMITAÇÕES

Registos Registo pelo indivíduo, logo a seguir à Melhor forma de obter Registos tendem a
Alimentares ingestão, de tudo o que come e bebe e informação quantitativa subestimar a ingestão
respetivas quantidades, durante um período fidedigna dos alimentos real ao que acresce o
específico de dias (3-4). Deve ser seguido de ingeridos durante o efeito reativo do
entrevista para clarificar os registos feitos e período de registo. autoregisto.
identificar esquecimentos. A taxa de adesão é baixa.
Foram já utilizados autoregistos alimentares Com crianças a
por crianças, utilizando imagens e em forma informação recolhida é
de pergunta fechada (i.e., a criança assinala mais limitada.
a figura correspondente ao grupo de
alimentos que ingeriu), mas não permitem
uma informação tão aprofundada como em
adultos.

24-hour É pedido ao sujeito que se lembre e Permite recolher Exige um protocolo de


recall enumere todos os alimentos e bebidas que informação quantitativa treino, administração,
ingeriu nas últimas 24 horas. É geralmente sobre os alimentos registo de respostas e de
feito por entrevista (± 20 minutos). Exige ingeridos, bem como o cálculo nutricional a
bastante perícia do entrevistador pois as modo de preparação. partir das respostas.
perguntas de aprofundamento feitas são Reduz omissões, em A utilização de um só 24
determinantes na recolha de informação especial as adições de hour recall não é
fidedigna. alimentos ao item aconselhado para
É indicado ter dados de três ou quatro dias inicialmente referido diferenciar elementos da
não consecutivos, incluindo dias úteis e fim- (ex.: tosta, em que o população com dietas
de-semana, para caracterizar a dieta do doce que a adequadas e
indivíduo. acompanhou é inadequadas porque há
Pode ser realizado com crianças, geralmente omitido). muito variabilidade
com a participação dos pais. alimentar ao longo dos
dias para o mesmo
sujeito e também entre
sujeitos.

79
___________________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Tabela 3.5 (cont.)


Métodos de avaliação da dieta

METODOLOGIA VANTAGENS LIMITAÇÕES

Frequência É pedido aos sujeitos que relatem a Adequa-se à recolha de A informação sobre o
alimentar frequência com que ingerem um ou informação sobre a dieta modo de confeção ou a
mais tipos de alimentos. Para estimar o habitual do sujeito e também combinação dos
valor nutricional pode incorporar para avaliar alterações de alimentos às refeições é
questões sobre as porções ingeridas. dieta. A recolha e o limitada.
processamento de dados são O cálculo da ingestão
simplificados em relação aos nutricional é geralmente
restantes métodos. sobrestimado.

Métodos Consistem em questionários com listas Permite, de forma rápida, Não permite a avaliação
breves de de alimentos em que o respondente avaliar de um modo geral a da ingestão diária de
avaliação assinala em resposta fechada a dieta do indivíduo ou a sua nutrientes. Os estudos de
dietética frequência de ingestão ou somente se ingestão de alimentos correlação com outros
consome ou não. A quantidade de específicos (ex.: alimentos métodos de avaliação
alimentos sobre a qual o sujeito é ricos em gordura). podem ser específicos
inquirido pode ser variada (e.g.: entre Adequa-se a situações em para uma população mas
13 a 100 ou mais). Pode incidir sobre que se pretende uma não para outra com
outros comportamentos alimentares avaliação de parte da dieta diferentes padrões
que não a ingestão de alimentos ou em que não seja alimentares.
específicos (ex.: número de refeições necessário a fiabilidade
diárias). Apresenta correlações quantitativa de nutrientes
satisfatórias com outros métodos de ingeridos. Adequa-se
avaliação dietética. também à avaliação de
mudanças de dieta.
É especialmente indicado
para triagens de um número
elevado de sujeitos e para a
sua classificação em grupos
de risco diferenciado.

80
__________________________________________________________________________ METODOLOGIA

Tabela 3.5 (cont.)


Métodos de avaliação da dieta

METODOLOGIA VANTAGENS LIMITAÇÕES

Históricos Método que avalia a ingestão alimentar Permite a avaliação do A extensão do período
da dieta em que são focadas muitas padrão das refeições e da avaliado implica o
características das refeições e dos ingestão alimentar por um aumento dos efeitos da
alimentos habitualmente consumidos, período longo, assim como o subjetividade dos
para além da frequência e quantidade modo de confeção e a respondentes. É um
ingerida. Abrangem um período de associação de alimentos. método pouco
avaliação geralmente superior aos Permite também a avaliação estandardizado e que
outros métodos. de comportamentos exige profissionais
relevantes para a dieta (e.g., treinados.
retirar a pele ao frango).

Atendendo aos objetivos deste trabalho, ficou claro que não se pretendia a
determinação de nutrientes ingeridos, pelo que não seriam necessários
instrumentos que recolhessem informação nutricional muito detalhada. Teve-se
também como critério optar um instrumento de preenchimento simples e rápido,
visto que os pais tinham de responder a um número alargado de questionários.
Assim, foram excluídos os métodos de registo alimentar, frequência alimentar e
24-hour recall. Os dois últimos métodos exigiam também uma formação
aprofundada por parte dos avaliadores, bem como a presença de todos os pais nos
jardins-de-infância para a avaliação, o que reduziria drasticamente a taxa de
adesão. A mais-valia informacional dos históricos de dieta não era relevante para
os objetivos da avaliação, apresentando este método os inconvenientes já referidos
anteriormente.
Optou-se pelos métodos breves de avaliação dietética, pois a perda de
informação que implicam em relação aos restantes não representava um
inconveniente relevante para o presente estudo, são de aplicação mais fácil e
permitem a introdução de outros comportamentos alimentares para além da
frequência de ingestão de alimentos (e.g., número de refeições e variedade
alimentar). Paralelamente apresentam boas correlações com outros métodos de
avaliação dietética (Beresford et al., 1992; Connor et al., 1992; Kinlay, Heller &

81
___________________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Halliday, 1991; Kristal, Abrams et al., 1990; Kristal, Shatuck & Henry, 1990;
Trieber et al. 1990).
Existem bastantes questionários breves de avaliação dietética, na sua
maioria extensos, que avaliam diferentes aspetos, como (a) a ingestão de um
nutriente (e.g., Morin, Herrmann, Ammann, Uebelhart & Rizzoli, 2005) ou de
alimentos específicos como frutas, vegetais (e.g., Thompsom, Subar, Smith et al.,
2002) ou gorduras (e.g., Coates e tal., 1995), (b) a eficácia de intervenções,
geralmente incidindo somente sobre os comportamentos alvo dessas mesmas
intervenções (e.g., Kristal et al., 1998; California Department of Health Services and
the Public Health Institute, 2005) (c) ou comportamentos de ingestão ou
preparação (e,g., opção por produtos magros, remoção da gordura da carne e da
pele das aves), geralmente relacionados com a ingestão de gordura, como o Eating
behaviors Questionnaire (Kristal et al., 1990), cujas últimas versões incorporam já
questões sobre ingestão de outros nutrientes e também comportamentos de
ingestão emocional e consumo compulsivo de snacks.
A informação sobre os hábitos alimentares de crianças pré-escolares é
normalmente recolhida junto dos pais (Burrows, Martin & Collins, 2010; Falcão-
Gomes, Coelho & Schmitz, 2006; Thopmson & Byers, 1994). Optámos por esta
alternativa pois antes dos 7-8 anos as crianças têm dificuldade em se lembrarem
do que comeram, cooperam pouco nos inquéritos alimentares e desconhecem
alguns dos alimentos sobre os quais são inquiridos (Baxter, Thompson, Litaker,
Frye & Guinn, 2002; Livingstone & Robson, 2000; Pereira, Fisberg, Brasil, Abreu,
Pacheco & Vasconcelos, 1997).
No presente estudo, a avaliação dos hábitos alimentares tinha como
objetivo diferenciar os comportamentos alimentares das crianças da amostra com
base em critérios gerais orientadores de uma alimentação saudável infantil, não
visando quantificar a ingestão de nutrientes ou de alimentos específicos. Por outro
lado, a inexistência de questionários breves e adaptados às necessidades
alimentares de crianças pré-escolares criou a necessidade de construir um
questionário específico para este estudo.
Os documentos de referência para a definição de uma alimentação saudável,
tanto os nacionais da DGS (Nunes & Breda, 2005) como os internacionais (USDA,
2008; 2011), incluem os seguintes critérios: mínimo de seis refeições diárias,

82
__________________________________________________________________________ METODOLOGIA

frequência diferenciada de ingestão dos alimentos dos vários grupos alimentares


com reduzida ingestão de gorduras, sal e açúcar e, por fim, a variedade alimentar.
Com base nestes comportamentos foi construído o Questionário sobre
Hábitos Alimentares (Anexo D) que inclui três grupos de perguntas que avaliam
respetivamente: (a) número de refeições diárias; (b) frequência de ingestão de
alimentos específicos e (c) variedade alimentar.
As perguntas do questionário inicial foram analisadas por um painel de três
dietistas e uma psicóloga, tendo sido integradas as alterações propostas, depois de
discutidas. As principais alterações situaram-se na parte referente à lista de
alimentos considerados para a frequência de ingestão e nas instruções
relativamente à variedade alimentar. São apresentadas e fundamentadas em
seguida as componentes do questionário.
Como já referido, o questionário é constituído por 3 componentes. O
número de refeições diárias, para além de fazer parte das recomendações
nacionais e internacionais, é um dos preditores do IMC da criança (Toschke et al.,
2007). Na primeira parte do questionário é avaliada a frequência com que a
criança toma o pequeno-almoço, o lanche da manhã, o almoço, o lanche da tarde, o
jantar e come antes de se deitar, durante os dias úteis da semana. As mesmas
perguntas são feitas para os dias de fim-de-semana. Esta diferenciação baseia-se
no facto do padrão de refeições ao fim de semana ser geralmente diferente do dos
dias úteis em crianças desta idade. Durante o fim-de-semana, em que a criança não
está na escola, há maior variabilidade no número de refeições e no tipo de
alimentos ingeridos, dependendo mais da disponibilidade de alimentos em casa e
da vontade e gestão de tempo da família (Biing-Hwan, Guthrie & Blaylock,1996;
Lin et al, 1996; Macdiarmid, et al., 2009; Sepp, Lennerna & Abrahamsson, 2006). A
resposta a esta parte do questionário é dada numa escala de Likert com três
pontos: Sempre, às vezes e Nunca, que foram cotadas com valores de 2 a 0
respetivamente.
Na segunda parte do questionário é avaliada a frequência semanal de
ingestão de 17 tipos de alimentos que são habituais na alimentação de uma
criança, com três alternativas de resposta (i.e., raramente ou nunca; pelo menos
uma vez por semana; pelo menos uma vez por dia). A frequência semanal de
ingestão é utilizada frequentemente em estudos sobre hábitos alimentares e foi

83
___________________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

recentemente a forma de avaliação utilizada num estudo internacional - Cosi


Portugal 2008 (Rito et al., 2011). Os 17 alimentos considerados foram classificados
em função da frequência ideal de ingestão semanal para crianças pré-escolares de
acordo com as indicações da USDA (2008; 2011) e as recomendações da DGS
(Nunes e Breda, 2001). Assim consideraram-se alimentos a serem ingeridos
raramente (e.g., “alimentos temperados ou cozinhados com sal”), frequentemente
(e.g., “vegetais”; “fruta”) e moderadamente (e.g., “carne vermelha”). As respostas
aos itens desta parte do questionário foram cotadas com 2 (frequência adequada)
ou com zero (frequência inadequada). Embora não seja considerado na
classificação final do questionário, as respostas que indicam uma frequência
inadequada podem ser classificadas como ingestão excessiva ou ingestão por
défice, permitindo uma análise qualitativa mais detalhada da frequência de
ingestão dos alimentos.
A última parte do questionário remete para a variedade alimentar, que é
avaliada com a questão "Quantas variedades diferentes dos seguintes alimentos o
seu filho come geralmente por semana?". Esta pergunta é feita em relação a seis
categorias de alimentos: legumes, peixe, carne, cereais, leguminosas e fruta. São
dados vários exemplos de resposta para familiarizar os pais com a contagem de
diferentes alimentos de cada categoria. A cotação dos itens desta parte do
questionário é feita para cada categoria de alimento/item entre 0 (nenhuma
variedade) a 4 (mais de 5 variedades).
A cotação total do questionário pode oscilar entre 0 e 78, correspondendo
os valores mais elevados a hábitos alimentares mais saudáveis.
A partir dos questionários de hábitos alimentares respondidos pela amostra
do estudo foram calculados os valores de fiabilidade (Alpha de Cronbach) para os
três grupos de questões: 0,60 para o grupo de questões relativa à frequência de
refeições diárias, 0,66 para a frequência de ingestão de alimentos específicos 0,65
para a variedade alimentar e 0,63 para o resultado global. Estes valores foram
ligeiramente inferiores aos encontrados no pré-teste15.

15
Os valores do Alpha de Cronbach do questionário, obtidos com os resultados do estudo prévio,
foram: 0,67 para o grupo de questões relativa à frequência de refeições diárias, 0,62 para a
frequência de ingestão de alimentos específicos, 0.,81 para a variedade alimentar e 0,74 para o
resultado global.

84
__________________________________________________________________________ METODOLOGIA

Este questionário foi posteriormente utilizado em estudos nacionais sobre


comportamento alimentar de crianças pré-escolares (Filipe, 2011; Viveiros, 2012).

Preferências Alimentares

A metodologia de questionário tem sido já utilizada para avaliar as


preferências alimentares de crianças, sendo os questionários preenchidos pelas
próprias crianças geralmente a partir dos 8 anos (Hare-Bruun et al., 2011), ou
pelos pais no caso de crianças mais novas (Skinner, Carruth, Bounds & Ziegler,
2002; Skinner et al., 1998). A metodologia de entrevista foi também já utilizada
com crianças do quarto ano de escolaridade (Baxter, Fada & Thompson, 2002).
Contudo, muitos dos trabalhos de investigação sobre as preferências alimentares
em crianças pré-escolares baseiam-se numa metodologia lúdica - o Rank Order
Preference Assessment, criada por Lean Birch (1979a;1979b). Esta metodologia
permite a avaliação direta com crianças, sendo mais adequado que o questionário
quando se avaliam crianças mais novas. Este método foi utilizado pela primeira vez
com crianças entre os 3 e os 5 anos, que depois de provarem oito frutas escolhiam
aquela que tinham gostado menos, a qual era retirada. Repetia-se este processo até
ficar só um alimento para escolha. A estabilidade da ordem de preferências dos
indivíduos foi feita utilizando o mesmo método passados 17 dias, tendo-se
verificado correlações significativas entre as duas avaliações (Birch,1979a). Numa
investigação posterior, a autora utilizou a mesma metodologia com diferentes tipos
de sandes, tendo obtido resultados semelhantes (Birch, 1979b).
Num estudo mais recente (Fisher & Birch, 1995) esta metodologia foi
utilizada para avaliação de preferências por alimentos com diferentes teores de
gordura, contudo foi feita uma alteração. Depois de a criança provar o alimento
colocava-o em cima de uma de três imagens: um rosto sorridente que era dito à
criança representar a expressão “Yummy”, uma cara neutra representando “just
okay” e uma cara enrugada representando “yucky”.
Para o presente estudo a operacionalização da prova de alimentos era
inviável dada as condições em decorreu. As crianças que participaram neste estudo

85
___________________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

encontravam-se repartidas por 19 estabelecimentos, cada um deles com um


número muito díspar de crianças e abrangendo uma área geográfica bastante
extensa. Acresce que as avaliações tiveram de ser coordenadas com as atividades
curriculares. Estas condicionantes implicariam o prolongamento do período de
recolha de dados para depois do final do ano escolar. Por outro lado estas
condições não permitiam cumprir algumas regras essenciais de segurança
alimentar, inviabilizando o transporte e a utilização de produtos alimentares
rapidamente perecíveis.
A utilização de fotografias de alimentos para a avaliação nutricional de
crianças é comum (Matthiessen, Steinberg & Kaiser, 2011) e foi já utilizada para a
avaliação das preferências alimentares (Noble, Corney, Eves, Kipps & Lumbers,
2000). Por outro lado as crianças pré-escolares têm competências cognitivas que
lhes permitem fazer a classificação de alimentos representados, de acordo com
características sensoriais (e.g., sabor) e preferências (Michela & Contento, 1986).
Deste modo optámos por apresentar às crianças fotografias de alimentos,
facilitando o processamento da imagem quer pelo seu tamanho (A4), quer por se
apresentar um só alimento ou categoria de alimentos em cada foto (Anexo D).
Sendo um dos objetivos do presente estudo avaliar de que modo as
preferências alimentares da criança incidiam em alimentos mais ou menos
saudáveis, foram selecionados 39 alimentos bem conhecidos pelas crianças. A lista
de alimentos foi depois submetida ao escrutínio de 25 estudantes finalistas da
licenciatura em Dietética e Nutrição da ESTeSL, tendo sido pedido que
classificassem os alimentos em três categorias de frequência ideal de consumo16.
Os alimentos que apresentaram uma concordância inferior a 80% dos
respondentes foram excluídos.

16 Alimento a ingerir raramente – alimento ou um conjunto de alimentos que as crianças de 5/6 anos não
devem comer ou então comer com pouca frequência. São alimentos que de uma forma geral apresentam
desvantagens para a saúde da criança.

Alimento a ingerir com frequência média - alimento ou um conjunto de alimentos que as crianças de 5/6 anos
podem comer com alguma moderação. Pode ser um alimento que deve fazer parte da dieta da criança mas que
não deve ser consumido muitas vezes por dia / semana.

Alimento a ingerir frequentemente – Alimento cujo consumo apresenta essencialmente vantagens para a
saúde da criança e cuja quantidade ideal a ser consumida é maior do que os alimentos da categoria anterior.

86
__________________________________________________________________________ METODOLOGIA

A lista final de alimentos é constituída por 33 alimentos. A classificação


obtida em função da frequência ideal de ingestão apresenta-se na Tabela 3.6.

Tabela 3.6
Avaliação das preferências alimentares - classificação dos alimentos de acordo com a frequência ideal
de ingestão
Alimentos a ingerir frequentemente Vegetais cozinhados, leite simples, maçã, peixe branco,
carne branca, sopa de vegetais, cerais matinais sem
adição de açúcar, queijos que não queijo fresco,
vegetais consumidos crus, sumo de laranja e água.

Alimentos a ingerir com frequência média Arroz, massas, pão, queijo fresco, batatas cozidas ou
em puré, sumo de laranja, feijões, iogurtes, banana,
carne vermelha e ovos.

Alimentos a ingerir raramente Cereais matinais doces com adição de açúcar, batatas
fritas, leite com chocolate ou outros sabores doces,
atum em lata, gelados, chocolate, refrigerantes, fruta
em calda, bolachas, gomas e piza.

A classificação está de acordo com a pirâmide alimentar para crianças pré-


escolares (USDA, 2008). A classificação refletiu também algumas das indicações
nutricionais comummente conhecidas e também elas divulgadas pela USDA. Assim,
o queijo fresco foi classificado como alimento de consumo médio pois, apesar de
ser um produto lácteo, não é recomendável que as crianças o comam com muita
frequência por razões de segurança alimentar. Os peixes em conserva foram
classificados como alimentos a comer raramente pelo seu elevado teor de sal bem
como as frutas enlatadas pelo seu elevado conteúdo de açúcar. A banana foi
classificada como alimento a ingerir com frequência média também por ser muito
rica em açúcar.
A avaliação das preferências alimentares foi realizada nos jardins-de-
infância por duas psicólogas com formação e experiência profissional na área de
avaliação clínica de crianças. A avaliação de cada criança durou em média cerca de
15 minutos. Previamente as avaliadoras estabeleceram relação com a criança e
explicaram o objetivo e procedimento, salientando que não havia respostas certas.
Cada fotografia foi apresentada individualmente e pediu-se à criança para
identificar o alimento. Uma vez identificado, solicitou-se à criança que colocasse a

87
___________________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

fotografia numa das caixas, consoante gostasse muito (caixa com símbolos verdes -
), gostasse assim-assim (caixa com símbolos laranjas - ) ou não gostasse (caixa
com símbolos vermelhos - ). Caso a criança não conhecesse o alimento passava-
se à fotografia seguinte.
A cotação das respostas apresenta-se no Anexo D. Os valores mais elevados
indicam preferências alimentares mais saudáveis.
No estudo prévio foi avaliada a validade convergente do instrumento
através da correlação das respostas das crianças com as dos pais, de acordo com
estudos anteriores sobre preferências alimentares infantis (Skinner et al., 2002).
Após a avaliação das preferências das crianças na ausência dos pais, foi pedido ao
pai/mãe que classificasse as preferências alimentares do filho utilizando a mesma
metodologia. Obteve-se um coeficiente de correlação elevado de 0.82 (p<0.001)
entre as respostas dos pais e das crianças.
A metodologia de avaliação das preferências alimentares descrita foi já
utilizada posteriormente em outros estudos com crianças pré-escolares e escolares
(Pataco, 2013; Viveiros, 2012),

Estilo Parental alimentar

De acordo com os objetivos do presente o estudo a avaliação de tipologias


parentais relacionadas com a alimentação incide sobre estilos e não sobre as
práticas parentais. Os estilos parentais têm sido avaliados por diferentes métodos:
por gravação e codificação de comportamentos de interação mãe-filho (Rhee,
Lumeng, Appugliese, Kaciroti, Bradley, 2006), pelo método de Q-sort (e.g,, Child-
Rearing Practices Q-sort; Block, 1965; Roberts 1999)17 e por questionários. Estes
podem ser preenchidos pelos filhos adolescentes, como por exemplo o Parenting
Style Index (Steinberg, Mounts, Lamborn & Dornbusch, 1991), o Authoritative
Parenting Index (Jackson, Henriksen & Foshee, 1998) e o Parental Authority
Questionnaire (Buri, 1991; Agras, Hammer, McNicholas & Kraemer, 2004), entre

17
Na aplicação do Child-Rearing Practices Q-sort a/o mãe/pai tem de distribuir 99 cartões com
afirmações que descrevem atitudes e valores parentais por 9 categorias em função da sua maior ou
menor concordância com a afirmação.

88
__________________________________________________________________________ METODOLOGIA

outros (Aunola, Stattin & Nurmi, 2000; Glasgow, Dornbusch, Troyer, Steinberg &
Ritter, 1997).
No presente estudo a metodologia de observação e codificação de
interações não se adequava à dimensão da amostra. O preenchimento dos
questionários pelos filhos era inviável, por razões óbvias. Assim optou-se pela
metodologia de questionário a ser preenchido pelos próprios pais. Destes, foram
analisados os questionários mais utilizados em estudos relacionados com os
comportamentos alimentares infantis: o Child Feeding Questionnaire (Birch et al.,
2001), o Parenting Feeding Questionnaire – PFQ 1 (Baugham et al, 2001), o
Parenting Practices Questionnaire (Robinson, Mandleco, Olsen & Hart, 1995), o
Parenting Scale (Arnold, O'Leary, Wolff & Acker, 1993) e o o Caregiver’s Feeding
Style Questionnaire (Hughes, Power, Fisher, Mueller, & Nicklas , 2005).
O Child Feeding Questionnaire avalia práticas parentais (utilização de
pressão para comer, restrição alimentar e controlo sobre comportamentos
alimentares) e perceções parentais (responsabilidade percebida, perceção do peso
da criança, perceção do próprio peso, preocupação com o peso da criança). Estas
sete subescalas são suportadas pela análise factorial, apresentando todas elas
valores de consistência interna superiores a 0,70. Para os objetivos do presente
estudo este questionário apresentava uma limitação: permite somente avaliar em
que medida os pais apresentam características do estilo autoritativo (orientador),
inviabilizando a identificação de outros estilos parentais.
O Parenting Feeding Questionnaire – PFQ é destinado a pais de crianças
entre os 2 e os 5 anos. Inclui questões sobre controlo parental nas quantidades de
alimentos ingeridas, estruturação das interações durante as refeições, utilização da
comida para alterar comportamentos da criança, utilização diária de biberão,
preocupação com o peso da criança e com as quantidades de alimentos ingeridas.
Depois de realizada a análise fatorial os itens foram agrupados em oito fatores. A
consistência interna dos itens de cada fator é baixa. Esta foi uma das razões que
levou a abandono deste questionário, acrescendo ainda o facto de que alguns das
questões remetiam para um período bastante anterior aos 5 anos (e.g., utilização
do biberão, introdução de dieta sólida), o que diminui a fidedignidade das
respostas. Foram também identificados algumas dificuldades de compreensão de
algumas perguntas (Jain et al. 2005), tendo sido posteriormente construído uma

89
___________________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

segunda forma do questionário – PFQ 2 (Powers, 2005), que contudo revelou uma
qualidade psicométrica ainda mais baixa que a do PFQ 1.
O Parenting Practices Questionnaire é constituído por 62 itens, adequados a
pais de crianças pré-escolares e de primeiro ciclo, que avaliam a utilização de três
dos estilos propostos por Baumrind (i.e., autoritativo, autoritário e permissivo).
Outro exemplo e o Parenting Scale, um questionário de origem clínica, é
constituído por 30 itens que avaliam práticas disciplinares disfuncionais dos pais,
permitindo identificar três estilos disciplinares: 1) laxismo, 2) hiper-reactividade,
3) verbosidade (Arnold, O'Leary, Wolff & Acker, 1993). Estes dois questionários
não são específicos para o comportamento alimentar da criança.

Optou-se pelo Caregiver’s Feeding Style Questionnaire (Hughes et al., 2005)


porque i) avalia comportamentos e atitudes parentais diretamente relacionados
com a alimentação; ii) permitia a classificação dos pais nos quatro estilos parentais
definidos por Baumrind (i.e., autoritário, orientador, permissivo e não envolvido);
iii) apresentava uma validação sólida; iv) era um questionário breve,
condicionante importante neste estudo dado os pais terem de preencher um
número elevado de questionários.
Neste questionário são descritos 38 comportamentos físicos e verbais que
os pais podem utilizar para fomentar que a criança coma os alimentos desejados,
cuja frequência é avaliada por uma escala de Likert de 5 pontos. Estes
comportamentos foram identificados após uma extensa pesquisa (i.e., análise de
refeições gravadas em vídeo, observações de campo, literatura e entrevistas).
A partir das respostas parentais são calculadas as medianas da amostra
para as duas dimensões base (i.e., exigência e responsividade)18. O estilo parental é
identificado a partir dos valores conjugados destas duas dimensões: (1) orientador
(valores elevados nas duas dimensões), (2) autoritário (exigência
elevada/responsividade baixa), (3) permissivo (baixa exigência/responsividade
elevada) e (4) não envolvido (valores baixos em ambas as dimensões).
A validação do questionário apresenta bons resultados (Hugues, 2005), com
valores elevados de confiança teste-reteste (rp=0.85 para a escala de exigência e

18
As normas de cotação do Caregiver’s Feeding Style Questionnaire pode ser consultada em:
https://www.bcm.edu/research/centers/childrens-nutrition-research-center/faculty/Scoring.pdf

90
__________________________________________________________________________ METODOLOGIA

rp=0.82 para a escala de responsividade) e valores satisfatórios de consistência


interna: os valores do coeficiente Alpha de Cronbach oscilam entre 0,76 e 0.81 para
as duas escalas (Hugues, 2005). Ainda no mesmo estudo, para a análise da validade
convergente apresentou bons resultados, tendo o questionário sido comparado
com o Child Feeding Questionnaire (F(9,518)=3.17, p<0.001) e o Parenting
Dimensions Inventory (F(27,602)=2.26, p<0.001 ).
Para o presente estudo a versão inglesa do questionário foi traduzida para
português por dois tradutores fluentes em Português e Inglês. As duas versões
foram comparadas e conciliadas numa só versão. Esta versão foi retrovertida para
inglês por uma psicóloga e tradutora bilingue e comparada com o original, não se
tendo verificado discrepâncias relevantes. A versão em português foi depois
analisada por duas psicólogas com larga experiência em avaliação parental e
comportamentos alimentares infantis. Este painel avaliou a pertinência, adequação
e aceitabilidade dos itens, do estilo empregue bem como das palavras e frases
utilizadas. Foi também avaliado a facilidade de compreensão para indivíduos de
diferentes níveis culturais. Uma versão corrigida foi produzida a partir das
sugestões propostas.
Os valores de consistência interna encontrados a partir da amostra do
estudo foram de 0,87 para a escala de responsividade e de 0,78 para a escala de
exigência19.

Conhecimento nutricional dos pais

Um dos aspetos a ter em conta quando se avalia o conhecimento nutricional


é que a maioria da população tem acesso a informação nutricional, quer pela
presença continuada deste tema nos currículos escolares, quer pela exposição a
uma grande quantidade de informação na comunicação social (Wardle, Parmenter
& Walker, 2000). No entanto estes transmitem repetidamente informação sobre
determinados tópicos nutricionais (e.g.: consumo de gorduras e vegetais),
enquanto outros são raramente abordados (e.g.: segurança alimentar, leitura de

19
No pré-teste do questionário traduzido os valores do Alpha de Cronbach foram de 0,81 (escala de
responsividade) e 0,88 (escala de exigência).

91
___________________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

rótulos). Por outro lado, algumas mães com níveis razoáveis de conhecimento
nutricional geral têm poucos conhecimentos específicos relativos à alimentação
infantil (Walker, Conn, Davies & Moore, 2007).
Um outro problema reside na fraca validação psicométrica da maioria dos
instrumentos utilizados nos trabalhos de investigação (Axelson & Brinberg, 1992;
Sapp & Jensen,1997; Wardle, Parmenter & Waller, 2000). Muitos autores
constroem questionários não validados e específicos para a investigação que
realizam, focando somente os aspetos do conhecimento nutricional que são
abordados no seu trabalho (e.g., consumo de vegetais e fruta).
Como ponto de partida para a pesquisa de um instrumento que avaliasse o
conhecimento nutricional parental definiram-se cinco critérios orientadores:
1. Utilização de um instrumento devidamente validado.
2. A avaliação do conhecimento nutricional dos pais deveria ser feita de uma
forma abrangente, tanto numa perspetiva pragmática (e.g., composição de
uma refeição saudável) como numa perspetiva mais teórica (e.g., principais
nutrientes de alimentos ingeridos).
3. O questionário deveria ter um nível médio de exigência, para permitir
diferenciar conhecimentos de uma população que na sua maioria recebeu já
informação nutricional básica.
4. Algumas questões do questionário deveriam referenciar-se especificamente
à alimentação infantil.
5. Ser um questionário de aplicação rápida, pelas razões apresentadas
anteriormente.
Da pesquisa realizada sobre questionários que avaliassem o conhecimento
nutricional foram seleccionados três que apresentavam estudos de validação: o
Nutrition Knowledge Test (Sapp & Jensen, 1997), o Nutrition Knowledge
Questionnaire (Parmenter & Wardle, 1999) e o General Nutrition Knowledge
Questionnaire for Adults (Gibson, Wardle & Watts, 1998)
O Nutrion Knowledge Test é um questionário de fácil aplicação, com 23 itens
de escolha dicotómica (e.g., O que tem mais fibra: sumo de laranja – maçã), que
incidem sobre o conhecimento da presença de nutrientes em alimentos comuns.
Este teste foi excluído por apresentar uma fiabilidade bastante baixa no estudo de

92
__________________________________________________________________________ METODOLOGIA

validação (Sapp et al., 1997) e por não focar nenhuma informação especificamente
relacionada com a alimentação infantil.
O Nutrition Knowledge Questionnaire apresenta boas qualidades
psicométricas (Parmenter & Wardle, 1999) e cobre várias áreas de conhecimento
nutricional: recomendações dos especialistas sobre alimentação saudável,
conteúdo nutricional dos alimentos, escolhas alimentares do dia-a-dia e relações
entre dieta e doença. Este questionário foi já aplicado em diversos estudos com
amostras de grande dimensão (Parmenter, Waller & Wardle, 2000; Wardle et al.,
2000) mas não apresenta questões específicas à alimentação infantil. Depois de
discutido com especialistas de Bioquímica Alimentar e de Psicologia da Saúde
identificou-se um nível de exigência de conhecimentos nutricionais
excessivamente elevado para a população portuguesa.

Assim, optou-se pelo General Nutrition Knowledge Questionnaire for Adults


(Gibson et al., 1998) que, sendo semelhante ao anterior, difere deste por
apresentar questões sobre alimentação infantil e ter um nível de dificuldade
inferior. Para além disso este questionário foi construído e utilizado para a
avaliação do conhecimento nutricional de mães de crianças entre os 9 e 10 anos
(Gibson et al., 1998). Avalia várias dimensões do conhecimento nutricional: vinte e
seis itens avaliam o conhecimento sobre os principais nutrientes de alimentos
comuns (grupo 1 e 2); nove itens focam o conhecimento dos pais sobre as
recomendações dos profissionais de saúde sobre o consumo de determinados
grupos de alimentos e nutrientes (grupo 3); dois itens avaliam o conhecimento das
doses diárias adequadas de vegetais e frutas adequadas a criança (grupo 4); os dez
itens finais avaliam a capacidade dos pais aplicarem os seus conhecimentos
nutricionais em situações alimentares do dia-a-dia, tratando-se por isso de um
conhecimento mais prático (grupo 5). Os valores do alpha de Cronbach para a
consistência interna dos itens de cada dimensão foram respectivamente: 0,69;
0,61; 0,61 (Gibson et al., 1998).
A tradução do questionário seguiu etapas semelhantes às descritas para a
tradução do Caregiver’s Feeding Style Questionnaire, sendo que para o presente
questionário o painel de especialista foi constituído por duas psicólogas, uma
dietista com vasta experiência em aconselhamento nutricional de crianças e uma

93
___________________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

especialista em Bioquímica. Este painel avaliou a pertinência, adequação e


aceitabilidade dos itens, do estilo empregue bem como das palavras e frases
utilizadas. Foi também avaliada a facilidade de compreensão para indivíduos de
diferentes níveis culturais. Uma versão corrigida foi produzida a partir das
sugestões propostas.
A versão traduzida para português (Anexo D) inclui os mesmos cinco
grupos de questões da versão original. O primeiro grupo inclui uma lista de 19
alimentos abrangendo todos os grupos alimentares, em relação aos quais o
respondente tem de identificar o principal nutriente entre os seguintes: gordura,
fibra, proteína, açúcar e hidratos de carbono. No grupo 2 os sujeitos são inquiridos
sobre o facto de oito alimentos serem ou não ricos em ferro, cálcio, sal ou vitamina
C. Para o presente estudo foi também acrescentada uma coluna para reduzir a
probabilidade de respostas ao acaso (“Não tenho a certeza”).
Para a avaliação do conhecimento parental sobre as recomendações dos
profissionais de saúde (grupo 3) são apresentados 16 alimentos, em relação aos
quais os pais devem referir a frequência ideal de ingestão com base na informação
dada pelos profissionais de saúde (comer mais, menos ou a mesma quantidade).
O grupo 4 é composto por questões de escolha múltipla que incidem sobre
as doses diárias de vegetais e fruta indicadas para crianças de cinco anos. O grupo
5 incide sobre a quantidade de fibra e gordura em diferentes alimentos ou pratos
confecionados.
A análise feita pelo painel de especialistas identificou alguns problemas na
cotação das respostas como certas ou erradas nos grupos 1, 2 e 3. Na versão
original as respostas dos grupos 1 e 2 eram cotadas como certas se a escolha
recaísse sobre um nutriente específico em que o alimento era rico e errada se a
escolha incidia sobre um nutriente inexistente ou de baixo teor no alimento.
Identificou-se que alguns dos alimentos tinham mais de um nutriente principal,
pelo que pedir a identificação de um único nutriente não era uma abordagem
adequada, e poderia ser confuso para alguns pais. Assim optou-se por pedir aos
respondentes, nos primeiros dois grupos do questionário, que assinalassem 1 ou 2
nutrientes principais. Nestes grupos a resposta era considerada certa sempre que
incluía pelo menos um nutriente dominante e não incluía nenhum dos nutrientes
inexistentes no alimento. Nos casos em que as escolhas feitas pelo sujeito não

94
__________________________________________________________________________ METODOLOGIA

incluíam nenhum dos nutrientes predominantes no alimento a resposta foi


também considerada errada.
Para a parte 3, em que se avalia o conhecimento das recomendações atuais
dos profissionais de saúde, considerou-se que a correção das respostas a esta parte
do questionário era bastante influenciada por variáveis culturais e temporais.
Trata-se pois de uma área muito dependente dos conteúdos de informação
nutricional dominantes no momento, nas comunidades académica e profissional de
cada país. Por essa razão foi pedido a 30 estudantes do 3º e 4º ano da licenciatura
em Dietética e Nutrição da ESTeSL que classificassem os alimentos apresentados
neste grupo em função da tendência atual das recomendações dos profissionais de
saúde (i.e., comer mais, menos ou a mesma quantidade de cada um dos alimentos
apresentados). A resposta correta para cada item/alimento correspondeu à moda
das respostas dos futuros dietistas para cada item.
A cotação do questionário apresenta-se no Anexo D. O resultado final,
resultante da soma das cotações de todas as respostas, varia entre 0 e 46.
O valor do Alpha de Cronbach calculado a partir da amostra do estudo foi de
0,7120. Este valor deve ser analisado tendo em consideração que a escala de
medição de todos os itens é dicotómica (certo e errado) o que não otimiza a
estimação deste coeficiente.

Questionário de avaliação de determinantes do comportamento alimentar

Este questionário, respondido pelos pais, visa a avaliação dos seguintes


determinantes do comportamento alimentar infantil: tempo de visionamento de
televisão pela criança, preocupação parental com o peso da criança, atribuição de
autoeficácia para mudar os comportamentos alimentares do filho e atribuição de
controlo parental sobre o que a criança come (Anexo D). Apresenta-se em seguida
a fundamentação das questões utilizadas para a avaliação destas dimensões.

Tempo de visionamento de televisão. De acordo com outros trabalhos em que se


avalia o tempo que a criança utiliza a ver televisão (Dennison, Erb & Jenkins, 2002;

20
No estudo prévio o valor do Alpha de Cronbach (0,69) indicou uma consistência interna razoável.

95
___________________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Dietz & Gortmaker, 1985), recorreu-se à metodologia de pergunta fechada, com


intervalos de tempo diário que a criança passava em frente à televisão (menos de 1
hora; 1-2; 3-4; 5-6; mais de 6 horas). Optou-se pela avaliação diária e não semanal
pois considerou-se que permitiria respostas mais fidedignas. Para que se pudesse
considerar a diversidade diária de tempo de visionamento foram feitas duas
perguntas, uma remetia para o período do fim-de-semana e a outra para os dias
úteis.
Para o cálculo do tempo total de visionamento durante a semana foi
utilizado o seguinte método:
- calculou-se o ponto médio (M)21 para cada um dos intervalos de resposta:
0-1(M=0,5); 1-2(M=1,5); 3-4(M=3,5); 5-6(M=5,5); mais de 6 horas (M=6,5);
- para o cálculo do tempo semanal total de visionamento televisivo utilizou-
se a seguinte fórmula:
(5 X M do visionamento em dias úteis) + (2 X M do visionamento ao fim de semana).

Preocupação Parental com o Peso da Criança. Esta é uma dimensão considerada


em diversos instrumentos de avaliação que focam as crenças parentais dos pais em
relação à alimentação dos seus filhos. O Preschooler Feeding Questionnaire 1 -PFQ1
(Baughcum et al., 2001) avalia a preocupação com o excesso de peso através de
sete perguntas sobre as medidas parentais para impedir/reduzir o excesso de
peso, a preocupação com o facto da criança comer demais e com ter peso a mais no
presente e no futuro. Apresenta ainda duas perguntas relativas à preocupação com
o peso inferior ao normal, no presente e no futuro.
No Child Feeding Questionnaire (Birch et al., 2001) a preocupação com o
peso é avaliada relativamente ao que a criança come quando os pais não estão
presentes e à possibilidade da criança ter que fazer dieta e ficar obesa no futuro.
Estas questões são aliás utilizadas na íntegra para o fator de preocupação parental
do Parent Feeding Questionnare -PFQ2 (Powers, 2005).

21
O ponto médio foi calculado com a fórmula estatística correspondente: M = (X1+X2)/2, em que X1 é
o valor mais baixo e X2 o valor mais alto do intervalo considerado.

96
__________________________________________________________________________ METODOLOGIA

No presente estudo pretendia-se saber especificamente com que frequência


os pais se sentiam preocupados com o peso atual da criança. Assim esta variável foi
avaliada com uma escala subjetiva, tal como em outros estudos anteriores
(Campbell e al., 2006; Carnell et al., 2005; May, Donohue, Scanlon, Sherry, Dalenius,
Faulkner & Birch, 2007). Os pais tinham de responder numa escala de Likert de 5
pontos à questão: “estou preocupado(a) com o peso do meu/minha filha(o)”. Esta
questão é semelhante a uma das utilizadas no PFQ 1.

Atribuição da Autoeficácia Parental. A avaliação deste domínio visava saber em


que medida os pais consideravam ser capazes de promover uma alimentação
saudável no seu filho. Muitos dos estudos avaliam esta variável em contexto de
entrevista. Dada a dimensão da nossa amostra a avaliação teria de ser feita por
questionário. Para esse efeito os pais responderam a uma escala subjetiva em que
avaliavam a frequência com se sentiam capazes de promover uma alimentação
saudável no seu filho: “Sou capaz de fazer com que o/a meu/minha filho/a tenha
uma alimentação saudável”, sendo a resposta dada numa escala de Likert de 5
pontos. Uma pergunta semelhante foi já utilizada no estudo de Kersey e
colaboradores (2010).

Atribuição de Controlo Parental. Esta dimensão é avaliada numa das


componentes do Child Feeding Questionnaire – monitoring - incidindo sobre o
controlo que os pais pensam ter sobre a ingestão de doces, snacks e alimentos ricos
em gordura. Estas questões focam unicamente o controlo que os pais consideram
ter sobre a ingestão de alimentos pouco saudáveis, não incluindo o controlo
relativo à ingestão de alimentos saudáveis. Pareceu-nos também útil diferenciar o
controlo fora e dentro de casa, dado que a evidência empírica aponta para que os
pais sintam mais facilidade em controlar o comportamento alimentar da criança
em casa (Herr et al., 2004). Deste modo optou-se por utilizar duas perguntas:
“Consigo controlar o que o meu/minha filho(a) come em casa” e “Consigo controlar o
que o meu/minha filha(a) come fora de casa”, respondendo os pais numa escala de
Likert de 5 pontos.
Para o cálculo de um valor global da atribuição de controlo parental (dentro
e fora de casa), atribuiu-se o valor numérico a cada uma das categorias (5 à

97
___________________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

categoria Quase sempre até 1 à categoria nunca) e calculou-se a média das duas
respostas. Depois, tendo sido obtidas médias que são valores fracionários, estas
foram recodificadas em novas categorias da seguinte forma: valor 5 – quase
sempre; valores entre 4 e 4,5 – bastantes vezes; entre 3 e 3,5 - às vezes; entre 1,5 e
2,5 - poucas vezes e o valor um 1 foi recodificado como nunca.

Perceção Parental do Peso da Criança. A avaliação desta dimensão tem sido feita
por quatro métodos: entrevista presencial (Huang e al., 2007; Maynard, 2003) ou
telefónica (Anjali, 2001; Boutelle et al., 2004), identificação de silhuetas
(Warschburger & Kröller, 2009; Intagliata et al., 2008; Edmunds, 2005; Contento,
Basch & Zybert, 2003), escala analógica visual (Etelson et al., 2003) e por pergunta
em questionário (Baughcum, Chamberlain, Deeks, Powers & Whitaker, 2000;
Carnell, Edwards, Croker, boniface & Wardle, 2005; Goodman, Hinden &
Khandelwal, 2000; He & Evans, 2007; Moore, Harris & Bradlyn, 2011; Rhea,
DeLago, Arscott-Mills, Mehata & Krisko, 2005). Optou-se por esta última pela
adequação ao estudo e pela sua fácil e já ampla aplicação.
Assim, para avaliar a perceção parental de peso foi utilizada a pergunta
fechada utilizada em outros estudos (Chaparro, Langellier, Kim & Whaley, 2011;
Grimmet, Croker, Carnell & Wardle, 2008): “Considero que o meu/minha filho(a),
para a sua idade e altura, tem”, sendo dadas três alternativas de resposta - peso a
menos, peso normal e peso a mais. Estas três alternativas de resposta já foram
utilizadas em estudos anteriores (Jackson, Strauss, Lee & Hunter, 1990; Young-
Hyman, 2000).
A partir da comparação das respostas parentais com o IMC das crianças foi
possível classificar dicotomicamente a perceção parental de peso (i.e.,
correcta/incorrecta) e também em relação ao tipo de avaliação feita pelos pais
(sobreavaliação, subavaliação e avaliação correta do peso da criança).

Avaliação das características sociodemográficas

Para a avaliação das características sociodemográficas foram consideradas


variáveis diretamente relacionadas com a criança, com a família e com o meio

98
__________________________________________________________________________ METODOLOGIA

social em que estas se inserem. A avaliação das características sociodemográficas


foi feita através de questionário a preencher pelo adulto respondente, incluindo
perguntas fechadas e abertas.
Relativamente à criança foi avaliado o sexo, data de nascimento e com que
adultos coabitava a criança (pai, mãe e outros). Considerou-se também útil
controlar o número de crianças prematuras dado que estas tendem a apresentar
menor peso à nascença, tendo este aspeto sido avaliado para caracterização da
amostra num estudo anterior sobre determinantes parentais do comportamento
alimentar infantil (Kersey, Lipton, Quinn & Santos, 2010). Assim foi incluída uma
pergunta fechada sobre o tempo de gravidez e uma pergunta aberta para as
crianças prematuras, em que era pedido o tempo exato de gestação.
Algumas doenças, em especial doenças crónicas ou prolongadas, podem ter
efeitos na alimentação e peso da criança. Por essa razão pretendeu-se garantir que
o IMC e os comportamentos alimentares da maioria da amostra não fossem
influenciados por um número relevante de crianças doentes. Para esta avaliação
foram incluídas no questionário uma pergunta fechada “A criança tem problema(s)
de saúde que dure(m) há mais de 6 meses” e uma pergunta aberta: “Se a criança tem
problemas de saúde há mais de 6 meses, diga qual ou quais”. As doenças foram
depois categorizadas em: imunológicas (essencialmente alergias),
cardiovasculares, doenças do nariz/ garganta/ ouvidos e outras.
Foi também avaliado o número de crianças que seguia algum regime
alimentar específico (e.g., vegetarianismo).
Sobre o respondente ao questionário era avaliado o parentesco com a
criança, a idade, o número de anos de escolaridade e a profissão. Era também
pedido os anos de escolaridade e a profissão do companheiro(a) /cônjuge do
respondente.
As atividades profissionais do pai respondente e do cônjuge/companheiro
foram também considerados através de duas perguntas abertas, em que se pedia
qual a profissão/ocupação. Para as situações de desemprego era requerido que
fosse referido a última atividade profissional desempenhada. As profissões foram
categorizadas de acordo com a Classificação Portuguesa das Profissões de 2010
(CPP/2010) do Instituto Nacional de Estatística, I.P., criada a partir da Classificação
Internacional Tipo de Profissões (CITP, 2008) da Organização Mundial de

99
___________________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Trabalho. As categorias estão organizadas em função da especialização das


competências exigidas. Por razões de viabilização do estudo estatístico as dez
categorias da CPP/2010 foram agrupadas em sete categorias: 1) representantes do
poder legislativo e de órgãos executivos, dirigentes, diretores e gestores executivos
e especialistas das atividades intelectuais e científicas; 2) técnicos e profissões de
nível intermédio; 3) pessoal administrativo e similares; 4) trabalhadores dos
serviços pessoais, de proteção e segurança e vendedores; 5) agricultores,
operários, artífices, operadores instalação e máquinas, trabalhadores qualificados
da indústria, construção e artífices; 6) trabalhadores não qualificados; 7) outros
onde se incluíram estudantes, donas de casa e militares. Estes últimos são
integrados numa categoria aparte no CPP/2010. Contudo como o número de
militares da amostra era muito reduzido e de patente inferior a oficial considerou-
se adequada a integração destes na categoria de menor especialização.
A população da zona norte de Loures, onde se realizou o estudo, apresenta
alguma diversidade quanto à origem geográfica e cultural. Embora a maioria seja
de origem portuguesa (continental) existe um número significativo de crianças que
vivem em lares com forte influência de gerações anteriores provenientes de países
africanos de língua original portuguesa (PALOP), e também de influência hindu e
chinesa. A presença de famílias provenientes dos antigos países de Leste e do
Brasil é também uma realidade. Sendo que os fatores culturais interferem não só
na alimentação infantil mas também nos valores aceites que se refletem no
conceito de alimentação ideal, considerámos necessário ter dados sobre as
influências culturais de que a criança é alvo. Entre as famílias de origem
estrangeira algumas estão já em Portugal há mais de uma geração, pelo que foi
avaliada a origem dos avós das crianças. Posteriormente as respostas foram
registadas nas seguintes categorias: Portuguesa, Africana, Europa de Leste,
Oriental, Brasileira ou mista. Dado que quando avaliamos as origens dos avós das
crianças estamos a incidir a avaliação sobre quatro pessoas, que poderão ter
origens diversas, considerou-se a classificação numa categoria sempre que havia
dois ou mais avós com a mesma categoria de origem. Quando a origem era mais
diversificada, a classificação foi feita na categoria “mista”. O mesmo aconteceu
quando dois dos avós pertenciam a uma mesma categoria e os outros dois
pertenciam a outra categoria.

100
__________________________________________________________________________ METODOLOGIA

Foi também avaliado o número de menores que coabitavam com a criança.


Dada a variabilidade atual da estrutura familiar, poderão existir na mesma casa
menores sem laços familiares com a criança alvo de estudo, bem como meios-
irmãos ou crianças com outros laços de família. Porque o interesse era avaliar o
número de crianças que os pais tinham a cargo pareceu mais relevante controlar o
número de menores que coabitavam com a criança do que o número de irmãos.
Esta característica foi considerada já em outros estudos relacionados com o
comportamento alimentar infantil (e.g., Wake, Salmon, Waters, Wright & Hesketh,
2002).

3.1.4. Procedimentos estatísticos

Na tabela 3.7 apresenta-se uma síntese dos métodos de análise dos dados
para cada objetivo.

Tabela 3.7
Síntese dos objetivos e metodologia de análise de dados

Objetivo Métodos de análise estatística

1. Explorar a relação dos hábitos alimentares com as Teste de associação (qui-quadrado)


características da criança: sexo, preferências Correlação de Spearman
alimentares e tempo de visionamento de televisão.

2. Explorar a relação dos hábitos alimentares da criança Teste de associação (qui-quadrado)


com as características parentais: demográficas, estilo Correlação (Pearson e Spearman)
parental, conhecimento nutricional, preocupação Teste t
com o peso da criança, atribuições de controlo e
autoeficácia e perceção parental de peso

3. Identificar as características demográficas e Regressão linear


psicológicas (da criança e dos pais) preditoras dos
hábitos alimentares das crianças

4. Estudar as relações entre o conhecimento nutricional Teste de associação (qui-quadrado)


e as características parentais (demográficas, estilo Correlação de Spearman
parental, preocupação e atribuições de controlo e Teste U de Man-Whitney
autoeficácia). Teste de kruskal-Wallis

101
___________________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Tabela 3.7 (cont.)


Síntese dos objetivos e metodologia de análise de dados

Objetivo Métodos de análise estatística

5. Estudar as relações da perceção parental do peso do Teste de associação (qui-quadrado)


filho com o IMC da criança e com as características Teste U de Man-Whitney
parentais (demográficas, conhecimento nutricional,
estilo parental, preocupação e atribuições de
controlo e autoeficácia).

6. Explorar as relações entre a preocupação parental Correlação de Spearman


com o peso da criança, a atribuição parental de
autoeficácia e a atribuição parental de controlo

7. Explorar a relação do IMC com os hábitos Testes de associação (qui-quadrado)


alimentares e com as características demográficas e Correlação de Spearman
psicológicas da criança e dos pais.

Algumas das variáveis medidas inicialmente numa escala contínua (hábitos


alimentares, preferências alimentares e conhecimento nutricional) foram alvo de
análise de clusters. Esta opção visou o enriquecimento da caracterização da
amostra. Para os hábitos alimentares e preferências alimentares foi utilizado o
método de agrupamento das k-médias fixando o número de agrupamentos em
três22. Foi aplicado o algoritmo das k-médias para a formação dos grupos de corte.
Para a análise de clusters do conhecimento nutricional dos pais optou-se pela
solução gerada pelo agrupamento hierárquico que utiliza o método de Ward,
fixado em três grupos.23 Optou-se por este método de agrupamento por ser aquele
em que os grupos se apresentavam mais homogéneos, seguindo as medidas de
proximidade/qualidade.
Para a análise bivariada foram feitos estudos de associação e correlação de
acordo com o tipo de dados subjacentes. Os testes de associação do 2 e afins foram
utilizados sobre as variáveis que originalmente estavam numa escala nominal (i.e.
sexo, estilo parental, profissão, perceção parental de peso) ou em que uma escala

22 Este método não-hierárquico, para variáveis numéricas ou binárias, transfere cada indivíduo para o agrupamento cujo
centróide se encontra a menor distancia, com base no score final do questionário/instrumento de avaliação.
23 Este processo de agrupamento tenta assegurar que os casos agrupados sejam de facto casos próximos, segundo um

critério de incremento baseado no aumento da soma de quadrados, o algoritmo de Ward (fixado em 3 grupos) e a distância
euclidiana ao quadrado.

102
__________________________________________________________________________ METODOLOGIA

quantitativa foi classificada em categorias, por análise de clusters. Os coeficientes


de correlação linear, paramétricos e não paramétricos, foram calculados a partir
dos dados numa escala contínua (i,e., IMC, conhecimento nutricional, hábitos e
preferências alimentares) ou no mínimo numa escala ordinal. Nos casos em que
era permitido, e se justificava, foram feitos testes estatísticos para a comparação
entre grupos (i.e., t de student, Kruskal-Wallis e o teste nao parametrico de Mann-
Whitney).
Para a identificação das variáveis preditoras dos hábitos alimentares
conduziu-se um ajustamento de um modelo de regressão linear pelo método
forward para seleção das variáveis24. Optou-se por este método por ser o que
gerou maior poder explicativo sem perda de outras qualidades do modelo. Foram
utilizados os valores em escala contínua para as variáveis que o permitiam. Para as
variáveis como valores em escalas ordinais, e porque estas eram inferiores a sete
pontos, foi feita uma introdução de variáveis indicadoras25 (Maroco, 2007).
Nos casos em que não se verificava uma das condições de validade dos
testes de associação (i.e., número de células da tabela de cruzamento com mais de
20% de frequências esperadas inferiores a 5), procedeu-se à junção de algumas
categorias de resposta desde que fosse teoricamente consistente. Esta junção de
categorias foi feita para as seguintes variáveis: preocupação parental com o peso
da criança, autoeficácia parental, controlo parental, idade, escolaridade e profissão
do adulto. Nos casos em que o procedimento anterior não foi suficiente recorreu-se
à estimativa do valor p através do Método de Monte Carlo aplicado a tabelas de
contingência. Este procedimento simula um número elevado (> 1000) de tabelas
de contingência a partir da original e, com base nas frequências observadas nas
tabelas simuladas, estima um valor p global.
Verificou-se existirem alguns questionários dos hábitos alimentares com
um número considerável de respostas em falta, o que dificultava o cálculo de um

24 Para a escolha do método de seleção de variáveis foram analisados os três métodos sequenciais de seleção de variáveis
(i.e., forward, backward e stepwise) com os seguintes passos (Maroco, 2007): identificar quais as variáveis que são deixadas
de fora pelos três métodos em simultâneo. Eliminar estas variáveis da análise e fazer o ajustamento de um modelo mais
parcimonioso, com as restantes variáveis. O método forward foi selecionado com base no valor R 2 ajustado e através da
variância residual, em comparação com os restantes métodos.
25
A introdução de variáveis indicadoras (dummy) consiste em introduzir no modelo de regressão variáveis dicotómicas, uma
por cada categoria das variáveis ordinais. Permite analisar quais as categorias da variável que contribuem efetivamente na
predição da variável dependente (Maroco, 2007). O procedimento de introdução das variáveis indicadoras foi aplicado às
variáveis: Dimensão do Controlo parental, Estilo Parental, Autoeficácia e Preocupação com o peso.

103
___________________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

valor total fiável relativo aos hábitos alimentares. Para ultrapassar esta limitação,
procedeu-se à imputação de dados utilizando a técnica SRPI – Similar Response
Patern Imputation.26
Tomou-se o nível de significancia de 0,05 como referencia para todos os
testes estatísticos.
O tratamento estatístico foi realizado atraves do programa SPSS versoes 19
e 20.

3.2. Metodologia Qualitativa

Os objetivos 8 e 9 visam aprofundar o conhecimento sobre as significações


parentais relacionadas com os comportamentos alimentares infantis e identificar
as principais diferenças entre as significações dos pais cujos filhos tivessem um
IMC ou hábitos alimentares distintos (ver tabela 3.8).
Para estes objetivos foi utilizada uma metodologia de avaliação qualitativa
na medida em que se tenta dar sentido ou interpretar fenómenos com base nas
significações das pessoas (Denzin & Lincoln, 1994). O desenho qualitativo é
também adequado por se tratar de um estudo exploratório, em que se pretende
conhecer uma realidade ainda pouco estudada e para a qual não existe ainda uma
teoria definida (Theodorson & Theodorson, 1970).

3.2.1. Amostra

Foram entrevistados 26 encarregados de educação da amostra inicial (23


mães, 2 pais e uma tia)27. Todos tinham idades compreendidas entre os 25 e os 44

26
Com esta tecnica e atribuída uma resposta em falta num determinado item a um indivíduo, utilizando a resposta que e
dada por outro indivíduo que apresenta um perfil identico em outros itens em que existe resposta em ambos (i.e., matching).
Nem sempre e possível completar totalmente os dados em falta, por nao se encontrarem indivíduos com perfil de resposta
compatível com o que tem dados em falta. Por esta razao a amostra final para a analise de clusters ficou com 200 casos
depois da imputaçao.

27 Para simplificação, os encarregados de educação serão referidos por pais.

104
__________________________________________________________________________ METODOLOGIA

anos. Relativamente ao grau de escolaridade o maior número de entrevistados


tinha entre 10 a 12 anos de escolaridade, seguindo-se os pais com mais de 12 anos
e os com 5 a 9 anos de escolaridade. As profissões da maioria dos pais
entrevistados integravam-se em três categorias: especialistas intelectuais e
científicos, pessoal administrativo e profissionais não qualificados. No capítulo dos
resultados será feita uma caracterização sociodemográfica mais detalhada desta
subamostra.

Tabela 3.8
Grupos de pais entrevistados em função do IMC e dos hábitos alimentares da
criança
Número de pais
Grupos por IMC da criança
Pais de crianças obesas e pré-obesas 10
Pais de crianças com peso normal 16
Grupos por hábitos alimentares da criança
Pais de crianças com os melhores hábitos alimentares 11
Pais de crianças com os piores hábitos alimentares 7

Apresenta-se na tabela 3.8 o número de pais de cada grupo, em função do


IMC e dos hábitos alimentares do filho. Por exemplo, um pai com o filho obeso e
hábitos alimentares médios foi só categorizado no grupo relativo ao peso (pais de
crianças obesas), enquanto um pai de uma criança obesa com piores hábitos
alimentares foi integrado no grupo de pais de crianças obesas e também no grupo
de pais de crianças com piores hábitos alimentares.

3.2.2. Procedimento

Todos os participantes assinaram um consentimento informado específico


para a entrevista (Anexo B).

105
___________________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

A seleção da amostra foi intencional, tendo-se procurado obter um número


próximo de pais de cada grupo com base no IMC e nos comportamentos
alimentares da criança. Este objetivo revelou-se difícil de atingir dado que o
número de pais de cada grupo na amostra inicial (estudo quantitativo) não era
semelhante. Por outro lado nem todos os pais que tinham assinado o
consentimento informado para a entrevista acederam a realizá-la quando
contactados. Dado que as entrevistas tiveram de ser realizadas no horário de
funcionamento dos jardins-de-infância, houve pais que não tiveram
disponibilidade para estarem presentes. Em alguns dos casos não foi possível um
contacto efetivo por telefone.
Dos pais que acederam a ser entrevistados só dois faltaram à entrevista
marcada. Todas as entrevistas foram realizadas pela autora, numa sala do jardim-
de-infância, em condições que garantissem privacidade. O tempo médio da
entrevista foi de 50 minutos. Todas as entrevistas foram gravadas com autorização
dos pais e posteriormente transcritas.

3.2.3. Entrevista e metodologia de análise de conteúdo

Entrevista

De acordo com o que já foi referido, o objetivo geral da entrevista era


conhecer melhor as significações parentais predominantes relacionadas com a
alimentação da criança.
Foram identificados os temas existentes na literatura relativos às cognições
parentais relacionadas com a alimentação da criança. Foram também consideradas
as temáticas centrais das crenças de saúde e doença incluídas nos modelos
cognitivos da Psicologia da Saúde. Sendo um campo vasto foram selecionados seis
temas a explorar, que se apresentam na tabela 3.9.

106
__________________________________________________________________________ METODOLOGIA

Tabela 3.9
Temas da entrevista
Tema Definição do tema
Determinantes da alimentação saudável Fatores que os pais consideram influenciarem os
da criança comportamentos alimentares saudáveis da criança

Preferências alimentares da criança - Fatores que os pais identificam como influenciado as


determinantes e possibilidade de preferências alimentares da criança. Perceções sobre a
influência parental possibilidade de influência parental nas preferências
alimentares infantis.
Consequências de uma alimentação e Vantagens que os pais vêm relativamente à aquisição e
peso saudáveis manutenção de comportamentos alimentares
saudáveis.
Autoeficácia parental - Barreiras à Dificuldades sentidas pelos pais na implementação de
promoção de uma alimentação saudável hábitos alimentares saudáveis

Autoeficácia - Estratégias parentais O que fazem os pais para ultrapassar as barreiras


encontradas na implementação de comportamentos
alimentares saudáveis

Modelos parentais explicativos do Como explicam os pais o processo de desenvolvimento


desenvolvimento dos comportamentos e mudança dos comportamentos alimentares infantis.
alimentares saudáveis da criança

De acordo como o modelo de autorregulação (Leventhall, Nerenz & Steele,


1984) as causas que são atribuídos aos problemas ou riscos de saúde influenciam
as estratégias de confronto que são utilizadas. Assim os fatores que os pais
valorizam como determinantes do comportamento alimentar do seu filho
determinarão as estratégias que utilizam (ou consideram eficazes) para promover
uma alimentação saudável do filho. Por esta razão, um dos objetivos do presente
estudo é identificar os determinantes do comportamento alimentar infantil que os
pais consideravam mais relevantes.
As preferências alimentares são raramente abordadas na educação para a
saúde, no entanto os pais consideram-nas uma barreira importante na promoção
de uma alimentação saudável (e.g., Andrade, 2007; Dwyer, Needham, Simpson &

107
___________________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Heeney, 2008). Estão também pouco estudadas as crenças que os pais têm
relativamente às preferências alimentares (Casey & Rozin, 1989). Assim será
relevante conhecer as significações parentais sobre os determinantes das
preferências alimentares e o modo como os pais vêm a possibilidade de
influenciarem as mesmas.
As consequências percebidas de um comportamento de saúde influenciam
as decisões relacionadas com esse comportamento (Leventhall et al., 1984;
Prochaska, Norcross & Diclemente, 1994). Assim incluiu-se esta temática, na
medida em que as significações sobre as consequências podem estar associadas à
motivação parental para promover comportamentos alimentares saudáveis do
filho.
As barreiras a um determinado comportamento e as estratégias disponíveis
para as confrontar são dois aspetos que, de acordo com o modelo da cognição
social (Bandura, 1986), são importantes para a perceção de autoeficácia. Com a
inclusão deste tema na entrevista não se pretendeu fazer uma avaliação do grau de
autoeficácia parental, já realizada no estudo quantitativo. Teve-se, sim, como
objetivo identificar as principais barreiras que os pais identificam e as estratégias
que utilizam quando se confrontam com dificuldades na implementação de uma
alimentação saudável do filho.
A exploração do último tema - modelos parentais explicativos do
desenvolvimento dos comportamentos alimentares saudáveis da criança - visa
aprofundar o modo como os pais compreendem o processo da aquisição de
comportamentos alimentares infantis. Face aos múltiplos determinantes e
barreiras, confrontando-se com informação nutricional diversa, com a realidade do
seu dia-a-dia, com os seus objetivos como pais e também com diferentes
perspetivas de qual o seu papel na determinação dos hábitos alimentares das
crianças, considerou-se importante perceber como coordenam os pais todos estes
dados. A identificação de diferentes tipos de modelos explicativos, a verificar-se,
poderia ser uma grelha de partida para abordagens diferenciadas de acordo com o
tipo de modelo parental.
Optou-se por entrevistas individuais (vs. grupos de discussão) por
permitirem uma expressão mais livre e espontânea por parte dos pais (em
particular para os pais de crianças com excesso de peso ou piores hábitos

108
__________________________________________________________________________ METODOLOGIA

alimentares) e também por ser uma metodologia que permitia maior flexibilidade
na marcação das entrevistas de acordo com as disponibilidades dos pais,
facilitando a participação a um maior número de sujeitos.
A opção pela entrevista semiestruturada teve em conta várias
considerações. Tal como a entrevista não estruturada é um método adequado à
exploração de perceções e opiniões dos entrevistados sobre temas complexos, mas
em relação a esta apresenta a vantagem de permitir uma abordagem padronizada
de temas pré definidos através do guião da entrevista, facilitando assim a
comparação de conteúdos. Considerámos igualmente esta metodologia mais
adequada do que a de entrevista estruturada pois permite utilizar questões de
aprofundamento (probing) que facilitam a recolha de toda a informação
necessária, a clarificação de conteúdos, a exploração de aspetos que se revelem
interessantes das verbalizações dos entrevistados e atenuam o efeito de
desejabilidade social que é mais forte em temas, como a alimentação infantil, sobre
os quais a maioria dos pais tem informação sobre os padrões socialmente
valorizados (Barribal, 1994).
As perguntas foram elaboradas tendo em consideração os critérios de
clareza necessários a uma entrevista (Foddy, 1996). O guião inicial da entrevista
foi revisto por duas psicólogas com experiência no contacto e entrevista com pais
no contexto de investigação em psicologia pediátrica, foi realizado um pré-teste a
três pais, sendo a versão final apresentada na tabela 3.10. Em todas as entrevistas
foi seguido este guião tendo-se recorrido a questões de aprofundamento.

109
Tabela 3.10
Guião da entrevista - Perguntas e objetivos
PERGUNTAS OBJECTIVOS
1 – O que é para si uma alimentação saudável para o seu filho? - Conhecer o conceito de alimentação saudável dos pais, para estabelecer uma base
comum de entendimento concetual entre o entrevistado e o entrevistador.

2 – Acha possível ter a certeza do que é a alimentação ideal para o seu filho de modo a promover - Identificar crenças /perceções dos pais relativas à possibilidade de conhecimento do que é
o máximo de bem-estar físico e psicológico? Se sim, como? Se não, Porquê? uma alimentação saudável e as suas implicações no processo parental relacionado com a
alimentação da criança.
3 - Como acaba por se decidir sobre o que deve fazer quando é confrontado(a) com novas
informações, diferentes do seu ponto de vista?

4 – Quais são as implicações de uma alimentação saudável para o seu filho, agora e no futuro? - Identificação das crenças/perceções parentais relativamente às vantagens (e
desvantagens) de uma alimentação saudável, a curto e ao longo prazo

5 - O que acha que influencia o que o seu filho come? De que modo pode influenciar estes - Identificação dos determinantes percecionados pelos pais
fatores?
- Identificação do papel atribuído às preferências alimentares como determinante do
comportamento alimentar da criança
7 – Qual o papel das preferências alimentares? Os pais podem influenciar as preferências
- Identificar as crenças/perceções dos pais sobre o processo de influência parental nos
alimentares? Se sim, como? Se não, Porquê? determinantes alimentares e em particular nas preferências alimentares

- Identificação de barreiras à promoção de hábitos alimentares saudáveis nas crianças


8 - Há pouco falou do que seria uma alimentação ideal. Acha que é fácil pôr em prática esse tipo
-Identificar as diferentes formas como os pais conjugam a multiplicidade de determinantes
de alimentação com o seu filho? Porquê?
da alimentação infantil

9 – As crianças vão evoluindo e mudando física e psicologicamente ao longo do crescimento. A


influência dos amigos e da escola também vai mudando. Acha que estas mudanças afetam o
comportamento alimentar do seu filho? O que acha que deve fazer ao longo deste processo para
promover uma alimentação saudável?
10 – Sendo possível, acha que seria ideal ter um controlo absoluto sobre o que o seu filho come, - Identificar questões relacionadas com o Controlo / vontade parental e a influência de
outros determinantes do comportamento alimentar do filho
ou seja ele comer exatamente o que a mãe queria?

11 - Acha que é possível ter o controlo total? Porquê?


____________________________________________________________________________________________________________________________ METODOLOGIA

Tabela 3.10 (cont.)


Guião da entrevista - Perguntas e objetivos
PERGUNTAS OBJECTIVOS
12 – Quais as principais dificuldades que sente atualmente para que o seu filho coma aquilo que a - Avaliação as crenças/perceções sobre autoeficácia: barreiras ao comportamento
alimentar saudável, estratégias parentais de confronto e sua eficácia
mãe/pai acha melhor para ele/a? O que faz para ultrapassar cada uma dessas dificuldades?

13 - O que a ajudaria a conseguir que a criança comesse mais vezes aquilo que acha melhor para
ela?

14 – Costuma ............ (28, 29)? Acha que é eficaz?

28
Na pergunta 14 as seguintes estratégias foram verbalizadas uma a uma, sendo os pais inquiridos sobre a sua utilização e eficácia na mudança dos comportamentos alimentares da criança.
1 - Ter alimentos saudáveis à disposição e/ou de fácil acesso; 2 - Dificultar a acessibilidade/exposição a alimentos não saudáveis (ex.: esconder, não ter em casa, não dar à criança); 3 – Dar várias vezes o alimento
à criança, para ela se habituar; 4 - Fazer refeições atrativas (cor e aspeto); 5 - Preparação dos alimentos de modo a facilitar a ingestão (ex.: reduzir a puré, adicionar outras coisas de que ele/a gosta);
6 - Adicionar açúcar/sal aos alimentos; 7 – Dar os alimentos à boca; 8 - Planear refeições; 9 - Fazer brincadeiras associadas ao alimento/refeição; 10 - Premiar a ingestão do alimento dando-lhe outros alimentos
de que a criança gosta; 11 – Explicar à criança porque deve comer certos alimentos e outros não; 12 - Deixar a criança escolher entre opções saudáveis; 13 - Deixar a criança decidir o que come entre opções
saudáveis e não saudáveis; 14 - Deixar a criança decidir quando come; 15 - Deixar a criança decidir a quantidade que come; 16 - Permitir que a criança que colabore nas decisões de compras alimentares;
17 - Tomar decisões em família sobre alimentação (ex: mudança de horas de refeições, decisões sobre o tipo de alimentos); 18 - Negociar com a criança; 19 - Proibir de comer os alimentos que acha
inadequados; 20 - Castigar, quando a criança não come aquilo que quer que ela coma; 21 - Insistir verbalmente para ela comer; 22 - Criar regras; 23 – Repreender/ralhar; 24 – Comer o mesmo que quer que
a criança coma, para que sirva de modelo; 25 – Tentar que outras pessoas (ex: outros familiares ou amigos) convençam a criança a comer o alimento; 26 - Procurar informação (ex: Consultar um profissional
de saúde; internet; livros); 27 – Não fazer nada: 28 – Tenta distrair a criança (ex.: comer a ver tv, brincar enquanto come)

29
As estratégias parentais utilizadas para a pergunta 14 foram baseadas num trabalho anterior da autora (Andrade, 2012) sobre autoeficácia parental na mudança de comportamentos alimentares em crianças
dos 2 aos 12 anos.

111
___________________________________________ DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Metodologia de análise de conteúdo.

Dado que se trata de um estudo exploratório optou-se por um


procedimento aberto de análise de conteúdo (Ghiglione & Matalon, 2001; Henry &
Moscovici, 1968).
Começou-se por uma leitura e análise prévias de todas as entrevistas. Foi
utilizada a frase30 como unidade de registo. Em seguida selecionaram-se de cada
uma das entrevistas as unidades de registo que expressassem ideias sobre os seis
temas previamente definidos (Tabela 3.9). No total foram trabalhadas 463
unidades de registo.
A análise foi categorial, quantitativa e frequencial (Bardin, 1979). As
categorias foram sendo construídas e definidas ao longo da análise. Cada unidade
de registo foi integrada numa categoria já existente ou, quando não existisse uma
categoria adequada, foi criada uma nova categoria ou subcategoria.
Para garantir a fidelidade do processo de codificação esta foi realizada por
dois codificadores e as respetivas classificações comparadas. Nos casos em que
houve divergências estas foram discutidas até se obter uma concordância. Foi
também realizada uma validação intracodificador, sendo que cada um dos
codificadores analisou em pelo menos dois momentos diferentes as codificações
que realizou, tendo sido discutidos os casos em que a classificação intracodificador
apresentava divergências.
A organização e quantificação das unidades de registo foram feitas com o
apoio do programa NVIVO 9. O resultado final permitiu obter o número total de
unidades e registo para cada categoria e subcategoria31

30 Para efeito deste estudo considera-se a frase como um conjunto de palavras seguidas que constitui um enunciado de
sentido completo capaz de transmitir uma ideia. Pode ser constituída por um ou mais períodos seguidos.
31 Cada frase atribuída a uma categoria foi quantificada como uma unidade, independentemente de já terem sido registadas

outras frases da mesma entrevista nessa mesma categoria.

112
4.
RESULTADOS

 Caracterização da amostra
 Determinantes e fatores correlatos do
comportamento alimentar infantil
 Significações parentais relacionadas com a
alimentação infantil

113
__________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Neste capítulo é feita a caracterização da amostra, seguindo-se a descrição


dos resultados relativos aos determinantes e correlatos do comportamento
alimentar infantil (objetivos 1 a 7). No final do capítulo apresentam-se os
resultados relativos às significações parentais relacionadas com a alimentação
infantil (objetivos 8 e 9), para os quais foi utilizada uma metodologia qualitativa.

4.1. Resultados do estudo dos determinantes e correlatos do comportamento


alimentar infantil

4.1.1. Caracterização da amostra

4.1.1.1. Caracterização Sociodemográfica da Amostra

Todas as crianças do estudo frequentavam o ultimo ano do ensino pre-


escolar e tinham idades compreendidas entre os 5 e os 6 anos. A caraterizaçao
demografica das crianças apresenta-se na tabela 4.1.

Tabela 4.1
Caracterização sociodemográfica específica às crianças
N % N %
Sexo Tempo de gestação
Feminino 118 51,1% De termo 214 92,6%
Masculino 113 48,9% Prematuro 13 5,6%
Problemas de saúde com duração superior a 6 meses Leve (36-32 semanas) 10 4,3%
Não 203 87,9% Moderado (31-28 semanas) 2 0,9%
Sim 18 7,8% Extremo (<28 semanas) 1 0,4%
Respiratórias e/ou alérgicas 11 4,8% NR 4 2,6%
Oftalmológicos ou Auditivas 3 1,3% Restrições alimentares
Cardiovasculares 3 1,3% Sem restrições 221 95,7%
Outras 2 0,9% Exclusão de carne ou carne de porco 5 2,2%
NR 10 4,3% Dieta baixa em colesterol 1 0,4%
NR 4 1,7%
NR – não responderam

114
____________________________________________________________________________RESULTADOS

A amostra de 231 sujeitos apresenta um número semelhante de crianças do


sexo feminino e masculino. A maioria das crianças não sofre de doença com
duração superior a 6 meses (87,9%), nasceu de termo (85,3%) e não tem
restrições alimentares por razões de doença ou religiosas (95,7%).
Na tabela 4.2 apresentam-se os resultados relativos às variáveis
sociodemográficas da família.
Verifica-se que as mães constituem a maioria dos respondentes aos
questionários e os pais representam somente 11,3% da amostra. Os respondentes
com outro grau de parentesco (e.g., maioritariamente cuidadores que são avós,
mas também tias e irmãos mais velhos) foram em número reduzido (3%), não
havendo nenhum respondente sem grau de parentesco com a criança.
Relativamente à idade do adulto, a grande maioria situa-se entre os 25 e os
44 anos. Foram avaliados os anos de escolaridade do adulto respondente e do seu
cônjuge/companheiro(a). A maioria dos respondentes tem 10 a 12 anos de
escolaridade. A ordenação de categorias de escolaridade é semelhante para ambos
os cônjuges, embora estes apresentem percentagens superiores nas categorias de
menor escolaridade (4 a 9 anos).
A origem dos avós ilustra uma predominância clara de crianças com origem
portuguesa (72,3%), a que se segue o grupo das crianças que têm avós de origem
africana (10,4%). A percentagem de crianças das restantes origens (i.e., Europa de
Leste, Brasileira e Oriental) é residual.
A percentagem mais elevada de respostas em falta (NR) foi de 18,6% para a
atividade profissional do cônjuge do adulto respondente. Este valor, que é superior
às percentagens de não resposta para as restantes variáveis (entre 2,6 e 8,7%),
poderá dever-se em parte ao facto de esta questão não ter a alternativa de resposta
“não se aplica”, pelo que o número de respostas ausentes incluirá também os casos
em que os respondentes não têm parceiro(a).

115
__________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Tabela 4.2
Caracterização sociodemográfica da família

Parentesco com a criança Profissão /Ocupação do respondente 1

Mãe 192 (83,1%) Quadros superiores e dirigentes 5 (2,2%)


Pai 26 (11,3%) Especialistas intelectuais e científicos 19 (8,2%)
Outro 7 (3%) Técnicos e profissionais de nível intermédio 21 (9,1%)
Sem parentesco 0 (0,0%) Pessoal administrativo e similares 37 (16%)
NR 6 (2,6%) Pessoal de serviços e vendedores 46 (19,9%)
Agricultores e trabalhadores qualificados agricultura/
Idade do adulto pesca 4 (1,7%)
Menos de 18 anos 2 (0,9%) Operários e artífices 13 (5,6%)
Operadores de instalações e máquinas e
18-24 10 (4,3%)
trabalhadores da montagem 5 (2,2%)
25-34 95 (41,1%) Trabalhadores não qualificados 29 (12,6%)
35-44 104 (45%) Outros (militares, estudantes e domésticas) 33 (14,3%)
45-54 9 (3,9%) NR 19 (8,2%)

55-64 1 (0,4%) Profissão/Ocupação do cônjuge do respondente 1

65-74 0 (0,0%) Quadros superiores e dirigentes 9 (3,9%)

Mais de 74 anos 1 (0,4%) Especialistas intelectuais e científicos 10 (4,3%)


NR 9 (3,9%) Técnicos e profissionais de nível intermédio 21 (9,1%)
Anos de escolaridade do respondente Pessoal administrativo e similares 13 (5,6%)
1-4 anos 10 (4,3%) Pessoal de serviços e vendedores 27 (11,7%)
Agricultores e trabalhadores qualificados agricultura/
5-9 anos 73 (31,6%)
pesca 4 (1,7%)
10-12 anos 79 (34,2%) Operários e artífices 46 (19,9%)
Operadores de instalações e máquinas e
Mais de 12 anos 60 (26%) 31 (13,4%)
trabalhadores da montagem
NR 9 (3,9%) Trabalhadores não qualificados 19 (8,2%)
Escolaridade do cônjuge do respondente Outros (militares, estudantes e domésticas) 8 (3,5%)

1-4 anos 25 (10,8%) NR 43 (18,6%)


5-9 anos 78 (33,8%) Origem dos avós
10-12 anos 59 (25,5%) Portuguesa ou predominante portuguesa 167 (72,3%)
mais de 12 37 (16%) Africana ou predominante Africana 24 (10,4%)
Não se aplica 12 (5,2%) Mista 22 (9,5%)
NR 20 (8,7%) Europa Leste ou predominante de Leste 3 (1,3%)
Brasileira ou predominante brasileira 3 (1,3%)
Oriental ou predominante oriental (Índia) 2 (0,9%)
NR 10 (4,3%)
1
-De acordo com a Classificação Nacional de Profissões (CNP-94) do Instituto do Emprego e Formação Profissional

116
____________________________________________________________________________RESULTADOS

4.1.1.2. Caracterização da amostra em relação às variáveis em estudo

Hábitos alimentares da criança

Relativamente aos hábitos alimentares são apresentadas as frequências


absolutas e relativas das respostas para cada item das três componentes do
Questionário de Hábitos Alimentares Infantis (i.e., número de refeições diárias,
frequência de consumo de diferentes tipos de alimentos e variedade alimentar).
Em seguida caracterizam-se os grupos que correspondem aos três níveis dos
hábitos alimentares que resultaram da análise de clusters.
Dos resultados respeitantes à frequência de refeições nos dias úteis da
semana (tabela 4.3), constata-se que a maioria das crianças toma todas as refeições
à exceção da refeição entre o jantar e o deitar, só ingerida todos os dias por 25,8%
das crianças. Os resultados relativos ao fim de semana são semelhantes (tabela
4.4), mas indicam um maior número de crianças que não toma o lanche da manhã.

Tabela 4.3
Frequência de refeições durante os dias de semana

0-1 vez/ semana 2-4 vezes/semana Todos os dias NR

N %a N %a N %a N %b

Toma pequeno-almoço durante a


5 2,2% 8 3,5% 215 94,3% 3 1,3%
semana

Toma o lanche da manhã durante a


8 3,7% 21 10% 183 86,3% 15 6,6%
semana

Almoça durante a semana 1 ,4% 1 ,4% 224 99,2% 5 2,2%

Toma o lanche da tarde durante a


0 0,0% 7 3,0% 219 97% 5 2,2%
semana

Janta durante a semana 0 00,0% 5 2,3% 220 97,7% 6 2,6%

Come antes de ir para a cama


69 31,8% 92 42,4% 56 25,8% 12 5,2%
durante a semana
aPercentagem sobre o total de casos válidos bPercentagem sobre o total de casos da amostra

117
__________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Tabela 4.4
Frequência de refeições durante o fim-de-semana

Nunca Ás vezes Sempre NR

N %a N %a N %a N %b

Toma o pequeno-almoço no fim-de-


0 0,0% 8 3,5% 220 96,5% 3 1,3%
semana

Toma o lanche da manhã no fim-de-


27 12% 114 50,5% 85 37,5% 5 2,2%
semana

Almoça no fim-de-semana 0 0,0% 1 ,4% 223 99,6% 6 2,6%

Toma o lanche da tarde no fim-de-


0 0,0% 14 6,3% 211 97,7% 6 2,6%
semana

Janta no fim-de-semana 0 0,0% 6 2,6% 221 97,4% 4 1,7%

Come um pouco antes de ir para a


47 20,8% 124 54,8% 55 24,4% 4 1,7%
cama no fim-de-semana
a Percentagem sobre o total de casos válidos b Percentagem sobre o total de casos da amostra

Relativamente à frequência de ingestão de diferentes tipos de alimentos as


respostas para cada alimento foram cotadas de forma dicotómica: ingestão
adequada ou inadequada (excesso ou défice). Conforme já referido no capítulo da
metodologia, esta classificação baseou-se nas frequências de consumo
consideradas como adequadas para as crianças pré-escolares (Nunes e Breda,
2001; USDA, 2008, 2011).
Os resultados apresentados na tabela 4.5 permitem concluir que mais de
80% das crianças tem um consumo adequado de carne branca, laticínios, sopa,
fruta, cereais e leguminosas. Entre 50 a 80% das crianças consome com frequência
adequada vegetais, laticínios meio-gordos, carne vermelha e fast-food.
Mais de 80% das crianças consome em excesso guloseimas / doces fora das
refeições e alimentos temperados com sal. Entre 50 a 80% das crianças consomem
em excesso alimentos com açúcar adicionado, refrigerantes e sobremesas doces.
Mais de metade das crianças tem um consumo deficitário de alimentos integrais e
de peixe.

118
____________________________________________________________________________RESULTADOS

Tabela 4.5
Frequência de ingestão de alimentos
Frequência de ingestão de alimentos NR
Inadequada Adequada

N %a N %a N %b

Fruta 36 16,0%D 189 84,0% 6 2,6%

Vegetais 77 34,8% D 144 65,2% 10 4,3%

Guloseimas/doces fora refeições 180 82,9% E 37 17,1% 14 6,1%

Lacticínios 11 5,0% D 209 95,0% 11 4,8%

Carne vermelha 96 43,8% E 123 56,2% 12 5,2%

Carne branca 9 4,1% D 211 95,9% 11 4,8%

Peixe 129 58,9% D 90 41,1% 12 5,2%

Leguminosas 40 18,1% D 181 81,9% 10 4,3%

Cereais 38 17,6% D 178 82,4% 15 6,5%

Alimentos c/ açúcar adicionado 175 79,9% E 44 20,1% 12 5,2%

Alimentos temperados c/ sal 207 95,4% E 10 4,6% 14 6,1%

Alimentos integrais 192 89,3% D 23 10,7% 16 6,9%

Laticínios meio-gordos 67 31,0% D 149 69,0% 15 6,5%

Fast-food 48 21,6% E 174 78,4% 9 3,9%

Refrigerantes 136 61,8% E 84 38,2% 11 4,8%

Sopa 33 14,9% D 189 85,1% 9 3,9%

Sobremesas doces 162 72,0% E 63 28,0% 6 2,6%

a Percentagem sobre o total de casos válidos. b Percentagem sobre o total de casos da amostra.
D Ingestão inadequada por défice E Ingestão inadequada por excesso

Quanto à variedade de alimentos consumidos semanalmente em cada grupo


alimentar (tabela 4.6) pode-se constatar que uma percentagem maior de crianças
come semanalmente 2 a 3 variedades de carne, peixe e cereais ou alimentos à base
de cereais. Para as frutas e legumes as percentagens mais elevadas encontram-se
na categoria seguinte (4 a 5 variedades/semana). É na categoria fruta que há uma

119
__________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

maior percentagem de crianças (22%) que consome mais de 5 variedades numa


semana. As leguminosas são o grupo de alimentos em que o consumo é menos
variado.

Tabela 4.6
Variedade alimentar (valores para o período de uma semana)
Mais de 5
1 variedade 2-3 variedades 4-5 variedades NR
variedades
N %a N %a N %a N %a N %b

Legumes 12 5,5% 67 30,7% 91 41,7% 48 2,7% 13 5,6%

Carne 6 2,8% 137 63,1% 56 25,8% 18 8,3% 14 6,1%

Peixe 33 15,9% 130 62,5% 36 17,3% 9 4,3% 23 10%

Leguminosas 79 41,4% 86 45% 19 9,9% 7 3,7% 40 17,3%

Cereais e
alimentos à 38 18,1% 103 49% 52 24,8% 17 8,1% 21 9,1%
base de cereais

Fruta 11 5% 65 29,5% 80 40,9% 54 24,5% 11 4,8%

a Percentagem sobre o total de casos válidos. b Percentagem sobre o total de casos da amostra

Apresentam-se na tabela 4.7 os valores da estatística descritiva relativa ao


score global dos hábitos alimentares, após a imputação de dados.32

Tabela 4.7
Estatísticas descritivas dos hábitos alimentares (score total)
N Min Max Média DP
200 45 78 65,18 6,08

Considerando que o valor final da cotação do questionário oscila entre 0 e


78, pode-se contatar que os hábitos alimentares da amostra são bons na medida

32
Para a substituição dos missing cases foi feita a imputação de dados utilizando a técnica SRPI – Similar
Response Patern Imputation
120
____________________________________________________________________________RESULTADOS

em que a média e o valor mínimo são superiores ao valor médio da cotação do


questionário (i.e., 39).
Com o intuito de aprofundar a caracterização da amostra e para estudos
posteriores de associação foi realizada a análise de clusters. Foi feito agrupamento
e classificação dos indivíduos em três grupos (i.e., piores hábitos, hábitos médios e
melhores hábitos), com base no score final dos hábitos alimentares (após a
imputação de dados). Não se optou por uma análise de clusters com base nas
classificações dos indivíduos nas três componentes do questionário (frequência
das refeições, frequência de ingestão e variedade) pois esta conduziria a grupos
que seriam dificilmente interpretáveis em termos da qualidade global dos seus
hábitos alimentares.
Os testes exploratórios para validação dos clusters (ANOVA) confirmaram
que há diferenças entre hábitos alimentares dos três grupos. No gráfico da figura
4.1. é feita a comparação entre os três grupos. A maioria da amostra tem hábitos
alimentares médios (53,7%; 𝑥̅ =64,36;DP=2,46), seguindo-se as crianças com os
melhores hábitos (30,5%; 𝑥̅ =71,79;DP=2,99). Só 16% se encontram na categoria
dos piores hábitos alimentares (𝑥̅ =55,31; DP=3,26). Considerando a média deste
grupo pode-se concluir que a maioria destas crianças terão hábitos alimentares
razoáveis, embora piores que os restantes crianças da amostra.

Figura 4.1. Gráfico boxplots dos três grupos de hábitos alimentares


121
__________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Constata-se que a menor amplitude ocorre no grupo dos hábitos alimentares


médios (8) e a maior amplitude no grupo dos piores hábitos (14). Os valores
máximos e mínimo da amostra são outliers. As estatísticas descritivas mais
detalhadas dos três agrupamentos são apresentadas na tabela 1 do Anexo E.

IMC da criança

A distribuição das crianças pelas quatro categorias de estado nutricional33


apresenta-se na tabela 4.8.

Tabela 4.8
Frequências absolutas e relativas das categorias do estado nutricional das crianças

N %

Baixo peso 7 3,4

Peso normal 126 60,9

Pré obesidade
36 17,4
Obesidade
38 18,4
Total
207 100,0

Mais de metade das crianças tem peso normal sendo que 35,8% apresenta
excesso de peso (i.e., pré obesidade e obesidade).

Preferências alimentares da criança

Foram avaliadas as preferências alimentares de 220 crianças. Apresentam-


se na tabela 4.9 os valores das estatísticas descritivas do score total das
preferências alimentares. Estes variam entre -23,5 e 46,5, sendo que metade da
amostra se situa entre os valores -0,5 e 12,5 (2º e 3º quartis).

33
Neste capítulo e nos seguintes os termos estado nutricional e IMC serão utilizadas de forma
indistinta
122
____________________________________________________________________________RESULTADOS

Tabela 4.9
Estatísticas descritivas das preferências alimentares das crianças
N 220
Min -23,5
Max 46,5
Média 5,53
DP 9,64
Percentis
25 -,50
50 6,25
75 12,50

A análise de clusters conduziu a três grupos (figura 4.2): o grupo das


preferências alimentares mais saudáveis com 60 crianças (27,3%; 𝑥̅ = 14,63;
DP=6,88); o grupo das preferências alimentares médias constituído por 112
crianças (45,5%; 𝑥̅ = 5,5; DP=5,76); e o grupo das preferências alimentares menos
saudáveis com 48 crianças (21,8%; 𝑥̅ = -5,78; DP=7,68). Os testes exploratórios
para validação dos clusters (ANOVA) confirmaram diferenças entre as preferências
alimentares dos três grupos.

Figura 4.2. Gráfico boxplot dos três grupos de preferências alimentares

123
__________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Os restantes valores das estatísticas descritivas dos clusters apresentam-se


em anexo (tabela 2 - Anexo E). No gráfico da figura 4.2 constata-se a maior
amplitude no grupo de crianças com as preferências mais saudáveis, embora se
observe que o máximo (46,6) e o mínimo (-9,5) deste grupo são valores isolados,
considerados outliers. Observam-se ainda outras três crianças com valores
considerados discrepantes em relação ao seu grupo.

Tempo de visionamento de televisão da criança

Na tabela 4.10 são apresentados os valores relativos ao tempo de


visionamento de televisão durante os dias úteis e fim-de-semana para 225 casos
válidos.

Tabela 4.10
Tempo de visionamento de televisão nos dias úteis e ao fim-de-semana
Dias úteis Fim-de-semana

N % N %
Tempo de visionamento de
TV
0 horas 7 3,1% 2 0,9%
1-2 horas 159 70,7% 68 30,2%
3-4 horas 52 23,1% 106 47,2%
5-6 horas 5 2,2% 37 16,4%
mais de 6 horas 2 0,9% 12 5,3%

Durante os dias úteis a maioria das crianças vê 1 a 2 horas de televisão por dia,
enquanto aos fins-de-semana a maioria vê entre 3 a 4 horas diárias.
Concomitantemente, só 3,1% das crianças visionam cinco ou mais horas diárias de
televisão durante os dias úteis e 21,7% vê o mesmo número de horas ao fim de
semana.

124
____________________________________________________________________________RESULTADOS

Tabela 4.11
Tempo médio semanal de visionamento de televisão

N %
5 -10 horas 6 2,6%
10,5-20 horas 156 69,6%
20,5-30 horas 52 21,2%
30,5-50 horas 4 1,7%
40,5-50 horas 6 2,6%
Total 224 100%

Na tabela 4.11 encontram-se as frequências e percentagens das crianças por


categoria de tempo médio semanal de visionamento de televisão, cujo método de
cálculo foi já descrita no capítulo anterior. A maioria das crianças vê entre 10,5 e
20 horas semanais, ultrapassando os valores desejáveis (i.e., máximo de 1 a 2
horas por dia). Cerca de 21% de crianças vê entre 20,5 a 30 horas por semana. As
categorias de maior e menor tempo médio de visionamento têm exatamente o
mesmo número de crianças (2,6%).

Estilos parentais

O questionário utilizado para avaliação dos estilos parentais relacionados


com a alimentação permite o cálculo dos valores correspondentes a duas
dimensões parentais: exigência (i.e., definição e supervisão do cumprimento de
regras que os pais impõem consistentemente à criança relativas aos
comportamentos alimentares) e responsividade (i.e., promoção da individualidade
da criança dando apoio e sendo sensível às suas necessidades e exigências). A
partir dos valores obtidos nestas duas dimensões é identificado o estilo parental.
Apresentam-se na tabela 4.12 os valores das estatísticas descritivas relativas à
exigência e responsividade parentais.

125
__________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Tabela 4.12
Estatísticas descritivas das dimensões parentais
Exigência Responsividade
N 224 224
Mínimo 1,53 0,66
Máximo 4,74 1,59
Média 2,77 1,05
DP 0,55 0,15

Tendo em conta que a exigência parental pode assumir valores entre 0 e 5,


a média desta amostra está próximo do valor médio da cotação do questionário. Os
valores mínimo e máximo mostram uma amplitude elevada. A responsividade
pode assumir valores entre 0,2 e 5. Considerando o máximo e mínimo assim como
a média, verifica-se uma tendência para valores baixos de responsividade parental.
A partir destas duas dimensões, os pais foram classificados em uma das
quatro tipologias de estilos parentais relacionados com a alimentação.
Apresentam-se na figura 4.3 o gráfico das percentagens de pais em cada estilo
parental.

40,0% 36,3%
35,0%
30,5%
30,0%
25,0%
20,0% 17,9%
15,2%
15,0%
10,0%
N=68 N=34 N=81 N=40
5,0%
0,0%
Autoritário Orientador Permissivo Não Envolvido
Estilo Parental Alimentar

Figura 4.3. Gráfico de percentagens de pais por estilo parental alimentar

126
____________________________________________________________________________RESULTADOS

Constata-se que um maior número de pais apresenta um estilo permissivo,


com uma percentagem ligeiramente superior à dos pais com estilo autoritário.
Estas categorias apresentam cerca do dobro de pais do que as dos estilos
orientador e não envolvido.

Conhecimento nutricional

Apresentam-se na tabela 4.13 os valores das estatísticas descritivas para os


resultados do conhecimento nutricional.

Tabela 4.13
Estatísticas descritivas do conhecimento nutricional
N 219
Mínimo 7
Máximo 44
Média 30,12
DP 6,69
Percentis
25 25
50 31
75 35

A média de conhecimento é razoável com uma larga amplitude de valores.


Metade dos pais apresenta valores de média entre os 25 e 35. Com conhecimento
nutricional inferior a 25 encontram-se 25% dos sujeitos, e uma percentagem igual
apresenta um conhecimento superior a 35.

127
__________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Figura 4.4. Gráfico boxplot dos cluters do conhecimento nutricional


parental

A partir dos scores finais no questionário foi feita a análise de clusters em


três grupos de conhecimento nutricional: mais elevado, médio e mais baixo (figura
4.4).
No grupo com conhecimento nutricional elevado situam-se 35,6% dos pais,
com valores máximos e mínimos de 34 e 44 (𝑥̅ =36,51; DP=2,17). A maioria dos
pais tem um conhecimento médio com valores entre 22 e 33 (52,3%; 𝑥̅ =28.58; DP=
2,96). Só 12,2% têm um conhecimento baixo, com valores que oscilam entre 7 e 21
(𝑥̅ =14,9; DP= 6,18), sendo neste grupo que a variância e o desvio padrão
apresentam um valor mais elevado. Os testes exploratórios para validação dos
clusters (ANOVA) confirmaram que há diferenças entre os graus de conhecimento
nutricional dos três grupos. Os restantes valores das estatísticas descritivas dos
três grupos são apresentadas mais detalhadamente na tabela 3 do Anexo E.

Perceção parental de peso da criança

Apresentam-se na tabela 4.14 os valores dos 195 casos válidos relativos à


avaliação da perceção parental de peso do filho (i.e., peso a menos, peso normal e

128
____________________________________________________________________________RESULTADOS

peso a mais, para a idade e altura da criança), relativos a cada uma das categorias
de IMC da criança.

Tabela 4.14
Perceção parental de peso por categoria de IMC da criança

Perceção parental de peso

Peso a menos Peso normal Peso a mais Total

N % N % N % N %

Baixo peso 0 0,0% 5 100% 0 0% 5 100%

Peso normal 76,3%


IMC da 19 16,1% 90 9 7,6% 118 100%
criança Pré-obesidade 1 2,8% 34 94,4% 1 2,8% 36 100%

Obesidade 1 2,8% 31 86,1% 4 11,1% 36 100%

Verifica-se que enquanto a totalidade dos pais das crianças com baixo peso
sobreavalia o peso da criança, a maioria dos pais de crianças pré-obesas (97,2%) e
obesas (88,9%) subavaliam o peso do seu filho. O mesmo já não acontece com os
pais das crianças normoponderais, dos quais só 23,7% têm uma perceção errada
do estado nutricional da criança.

Tabela 4.15
Perceção parental de peso nas categorias correta e incorreta
N %
Perceção incorreta de peso 100 51,3%
Subestimação 86 44,1%
Sobrestimação 14 7,2%
Perceção correta de peso 95 48,7%

A variável perceção de peso foi posteriormente convertida numa variável


dicotómica (perceção correta e incorreta) com vista a estudos posteriores. A
percentagem de pais nas duas categorias é semelhante (tabela 4.15), sendo que no
grupo que avalia incorretamente, a maior parte subavalia o peso da criança.
129
__________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Preocupação parental com o peso da criança

Na tabela 4.16 apresenta-se a distribuição dos pais pelas cinco alternativas


de resposta para a preocupação parental com o peso da criança, a atribuição de
autoeficácia na promoção de uma alimentação saudável do filho e a atribuição de
controlo sobre o que a criança ingere.
A maior parte dos pais situa-se nas categorias de preocupação média e
baixa, sendo a categoria mais escolhida correspondente a pais que se preocupam
poucas vezes com o peso do seu filho (29,9%), embora 19,1% dos pais esteja quase
sempre ou bastantes vezes preocupado com o peso da criança.

Tabela 4.16
Preocupação parental, atribuições parentais de autoeficácia e de controlo

Preocupação Autoeficácia Controlo

N % N % N %

Quase sempre 23 10% 97 42% 37 17,0%

Bastantes vezes 21 9,1% 82 35,5% 137 61,0%

Às vezes 62 26,9% 42 18,2% 41 18,0%

Poucas vezes 68 29,6% 7 3% 10 3,5%

Nunca 53 23,0% 0 0% 1 0,5%

NR 4 1,3% 3 1,3% 5 2,2%

Total 231 100% 231 100% 231 100%

Atribuição parental de autoeficácia na promoção de uma alimentação


saudável da criança

A maioria dos pais tem uma atribuição de autoeficácia elevada (tabela 4.16). Esta
tendência traduz-se pela categoria quase sempre ser a mais escolhida e ainda pelo
facto de 77,5% dos pais responder que se sente quase sempre ou bastantes vezes
capaz de fazer com que o filho tenha uma alimentação saudável. Apenas 3%
respondem poucas vezes e nenhum pai responde nunca.

130
____________________________________________________________________________RESULTADOS

Atribuição parental de controlo sobre o que a criança come

Observou-se (tabela 4.16) uma tendência para valores elevados, sendo que 78%
dos pais afirma que controla quase sempre ou bastantes vezes o que a criança come,
embora 18% dos pais considera que só às vezes consegue exercer este controlo.

131
__________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

4.1.2. Resultados relativos aos objetivos 1 a 7

Objetivo 1 - Explorar a relação dos hábitos alimentares com as


características da criança: sexo, preferências alimentares e tempo de
visionamento de televisão.

São apresentados em anexo os estudos de normalidade das variáveis


(tabela 4 - Anexo E) e os dados relativos ao cruzamento dos hábitos alimentares
com as restantes variáveis da criança (tabelas 5 a 16 – Anexo E).

Hábitos alimentares e sexo da criança. Os hábitos alimentares não


apresentaram relações significativas com o sexo da criança (2= 2,627, p= 0,269).
Os valores do teste t confirmam que não existem diferenças significativas entre os
dois sexos (tabela 4.17).

Tabela 4.17
Teste de independência dos hábitos alimentares em relação ao sexo da criança
Teste de Levena para
igualdade de variâncias Teste t para igualdade de médias

P Diferença entre
F p t gl
bilateral as médias

Variâncias iguais
,669 ,414 ,101 193 ,920 -,088
assumidas
Variâncias iguais
,813 192,778 ,919 -,088
não assumidas

Hábitos alimentares e preferências alimentares da criança. O estudo com os


valores contínuos destas variáveis determinou um coeficiente não significativo
(rs=0,089, p=0,219), confirmando que estas variáveis não se correlacionam.

Hábitos alimentares e tempo de visionamento de televisão. Na tabela 4.18


apresentam-se os valores do teste de correlação dos hábitos alimentares com o
tempo de visionamento de televisão (ao fim de semana, nos dias úteis e tempo
médio semanal).
132
____________________________________________________________________________RESULTADOS

Tabela 4.18
Correlações entre o tempo de visionamento de televisão e os hábitos alimentares
rs p

Tempo médio semanal de visionamento de TV


-0,211 0,003
Tempo visionamento TV dias úteis
-0,168 0,018
Tempo visionamento TV fim-de-semana
-0,207 0,003

Confirma-se que os hábitos alimentares estão inversamente


correlacionados com o tempo médio semanal de visionamento de televisão.
Apresentam-se também inversamente correlacionados com o tempo de
visionamento de televisão durante o fim-de-semana e durante os dias úteis.

Objetivo 2 - Explorar a relação dos hábitos alimentares da criança com as


características parentais: demográficas, estilo parental, conhecimento
nutricional, preocupação com o peso da criança, atribuições de controlo e
autoeficácia e perceção parental de peso

Hábitos alimentares e variáveis demográficas dos pais. Não foram encontradas


relações significativas entre os hábitos alimentares e a escolaridade (rs = 0,086, p=
0,055), profissão (2= 14,986, p= 0,059) e idade dos pais (rs = 0,086, p= 0,231).

Hábitos alimentares da criança e estilo parental. Para testar esta relação


começou-se por avaliar a correlação entre os hábitos alimentares e as duas
dimensões que definem os estilos parentais: exigência e responsividade.
Utilizaram-se testes paramétricos e não paramétricos em função da distribuição
das variáveis (tabela 4 - Anexo E). Foi encontrada uma correlação fraca e
significativa entre os hábitos alimentares e a responsividade (r=0,188, p=0,008),
permitindo concluir que existe uma tendência para que a qualidade dos hábitos
alimentares aumente com a responsividade parental. Em relação à exigência a
correlação não foi significativa (rs=-0,074, p=0,301).
133
__________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

O estudo da relação entre os hábitos alimentares e as tipologias dos estilos


parentais (i.e., autoritário, orientador, permissivo e não envolvido) permite
concluir que estas variáveis não apresentam uma associação significativa
(2=10,088, p= 0,121).

Hábitos alimentares da criança e conhecimento nutricional parental. Existe


uma correlação fraca mas significativa entre estas duas variáveis (rs=0,160,
p=0,026), confirmando uma tendência para que quanto maior o conhecimento
nutricional dos pais, melhores os hábitos alimentares dos filhos.

Hábitos alimentares da criança e preocupação parental com o peso da


criança. O estudo de correlação com as cinco categorias de preocupação parental
resultou num coeficiente baixo e não significativo (rs=-0,092, p=0,196), permitindo
concluir que estas variáveis não estão correlacionadas.

Hábitos alimentares da criança e atribuição de autoeficácia parental para


promover uma alimentação saudável do filho. A correlação entre o hábitos
alimentares da criança e a atribuição parental de autoeficácia34 é fraca mas
significativa (rs=0,172, p=0,016), confirmando que existe uma tendência para que
quanto maior a atribuição de autoeficácia dos pais, mais saudáveis serão os hábitos
alimentares das crianças.

Hábitos alimentares da criança e atribuição de controlo parental. O valor de


correlação entre a atribuição de controlo parental (em 5 categorias) e o hábitos
alimentares é positivo e bastante significativo (rs = 0,271, p=0,000), permitindo
concluir que existe uma tendência para que quanto maior a atribuição de controlo
parental, mais saudáveis os hábitos alimentares das crianças.

Hábitos alimentares da criança e perceção parental de peso. Para estudar esta


relação começou-se por realizar um teste de associação entre os hábitos
alimentares e a perceção parental de peso (correta e incorreta), sendo o resultado
indicador de que estas duas variáveis são independentes (2=1,657, p=0,437).

34
Para este teste foram consideradas as quatro categorias de autoeficácia parental com frequências
superiores a zero (Quase sempre; Bastantes vezes; às vezes; Poucas vezes).
134
____________________________________________________________________________RESULTADOS

Tabela 4.19
Valores do teste t para comparação dos hábitos alimentares nas categorias de perceção parental de
peso da criança (Correto/Incorreto)
Teste de Levena para
igualdade de variâncias Teste t para igualdade de médias

P Diferença entre
F p t gl médias
bilateral

Variâncias iguais assumidas ,465 ,496 ,811 161 ,418 ,750


Variâncias iguais não assumidas ,813 160,888 ,417 ,750

Utilizou-se em seguida o teste de t-student para comparação dos hábitos


alimentares das crianças nos dois grupos de perceção parental de peso (tabela
4.19). Conclui-se que não existem diferenças significativas nos hábitos alimentares
dos filhos nos dois grupos de perceção parental.

Figura 4.5. Síntese das relações entre os hábitos alimentares e as variáveis parentais

Na figura 4.5 apresenta-se um quadro síntese das associações e correlações


entre os hábitos alimentares e as variáveis parentais em estudo.
135
__________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Resumindo, pode-se concluir que quanto mais elevadas são as atribuições


parentais de autoeficácia e de controlo sobre o que a criança come, melhores os
hábitos alimentares das criança. Paralelamente, os pais com melhores
conhecimentos nutricionais tendem a ter filhos com melhores hábitos alimentares.
Embora os estilos parentais relacionados com a alimentação, como tipologia, não
estejam associados aos hábitos alimentares, a responsividade parental, como
dimensão, está correlacionada com a qualidade dos hábitos alimentares. As
restantes variáveis parentais (i.e., demográficas, perceção parental de peso e
preocupação parental) não mostraram ter uma relação estatisticamente
significativa com os hábitos alimentares da criança.

Objetivo 3 - Identificar as características demográficas e psicológicas (da


criança e dos pais) preditoras dos hábitos alimentares das crianças.

Para a identificação das variáveis preditoras do comportamento alimentar da


criança conduziu-se um ajustamento de um modelo de regressão linear pelos três
métodos de seleção sequencial. Após análise das variáveis excluídas
simultaneamente por todos os métodos, da análise do poder explicativo do modelo
dos vários modelos experimentados (R2 ajustado), e da análise do valor da
variância dos resíduos dos modelos, o modelo final (tabela 4.20), mais
parcimonioso, contempla as seguintes variáveis significativas: responsividade
(correlação positiva), preferências alimentares (correlação positiva), total de
visionamento de televisão (correlação positiva) e atribuição de controlo parental.
O modelo global com estas variáveis é significativo e explica cerca de 18% da
variabilidade dos Hábitos Alimentares.

136
____________________________________________________________________________RESULTADOS

Tabela 4.20
Modelo de regressão linear (método forward) dos hábitos alimentares
B
Erro padrão
Variável β (coeficientes t P(t)
de β
standardizados)

Constante do modelo 65,87 3,66 18,01 0,000*

Preferências alimentares 0,115 0,045 0,176 2,543 0,012*

Responsividade 6,072 2,976 0,142 2,040 0,043*

Atribuição controlo parental -2,371 0,589 -0,280 -4,029 0,000*

Total horas TV -0,164 0,059 -0,193 -2,789 0,006*

R=0,442 R2=0,195 R2 ajustado=0,177 (17,7%) F(4, 174)=10,57 P<0,001

* significativo aos níveis de significância de 5% ou 1%

Para uma análise mais detalhada da variável realizou-se o desdobramento


das categorias da atribuição do controlo (i.e., introdução de variáveis indicadoras),
de modo a identificar quais as categorias que contribuem efetivamente para as
diferenças nos hábitos alimentares. Verifica-se que a categoria de controlo Quase
Sempre corresponde a melhores hábitos e as categorias Às vezes, poucas, nunca têm
um coeficiente negativo, o que corresponde a valores de hábitos significativamente
mais baixos. A categoria da dimensão do Controlo Bastantes vezes está associada
aos valores mais medianos, dentro da amplitude total observada.

Objetivo 4 - Estudar as relações entre o conhecimento nutricional e as


características parentais (demográficas, estilo parental, preocupação e
atribuições de controlo e autoeficácia).

Os dados referentes ao cruzamento do conhecimento nutricional com as


variáveis parentais e os valores detalhados dos testes de comparação de grupos
são apresentados no Anexo E (tabelas 17 a 23).

137
__________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Conhecimento nutricional e idade parental. Considerando os 210 casos válidos


e utilizando as oito categorias inicias da idade do adulto encontrou-se uma
correlação positiva fraca (rs=0,196) entre a idade dos pais e o conhecimento
nutricional parental, a um nível de significância de 5%.
Com o intuito de conhecer melhor a relação entre as duas variáveis aplicou-
se o teste de Man-Whitney para comparar o conhecimento nutricional nos dois
grupos etários. Porque as frequências dos grupos etários superiores e inferiores
eram baixas, e para fortalecer a validade do teste estatístico, as categorias etárias
foram agrupadas em duas (18-34; 34-54), tendo-se excluído o único sujeito do
grupo com idade superior a 65 anos.

Tabela 4.21
Valores centrais do conhecimento nutricional parental das duas categorias de idade do adulto
Idade do adulto N Valor central do conhecimento nutricional
18-34 anos 97 93,94
35-54 anos 112 114,58
Total 209

Na tabela 4.21 apresentam-se os valores centrais para os dois grupos,


tendo-se confirmado que os pais mais novos têm um conhecimento nutricional
significativamente inferior ao grupo etário mais velho (U=4359,500, p=0,013).

Conhecimento nutricional e escolaridade parental. Observou-se uma


correlação bastante significativa (rs=0,370, p=0, 000) entre o conhecimento
nutricional e a escolaridade parental.

Tabela 4.22
Valores centrais do conhecimento nutricional nas categorias de escolaridade

N Valor central do conhecimento nutricional

≥ 9 anos de escolaridade 83 75,06

10-12 anos de escolaridade 79 124,57

<12 anos de escolaridade 60 126,27

Total 222

138
____________________________________________________________________________RESULTADOS

Para aprofundar o estudo da relação entre o conhecimento nutricional e a


escolaridade dos pais foi utilizado o teste de Kruskal-Wallis (K-W(2) = 34,480;
p=0,000) que confirmou diferenças estatisticamente significativas entre os valores
centrais de conhecimento nutricional nos diferentes níveis escolaridade, os quais
aumentam do menor para o maior grau de escolaridade (tabela 4.22).

Conhecimento nutricional e profissão parental. Encontrou-se uma associação


válida e significativa (2= 31,595, p=0,002) entre o conhecimento nutricional e a
profissão parental.

Tabela 4.23
Valores centrais do conhecimento nutricional nas categorias profissionais do adulto

N Valor central do conhecimento


nutricional

Quadros superiores e dirigentes / Especialistas intelectuais e


24 137,35
científicos

Técnicos e profissionais de nível intermédio 21 132,52

Pessoal administrativo e similares 37 127,85

Pessoal de serviços e vendedores 44 88,83

Agricultores, pesca /Operários, artífices / Operadores


21 93,64
instalações e máquinas

Não qualificados 27 94,85

Outros 32 64,84

Total 206

O estudo da significância das diferenças entre os valores centrais de


conhecimento nutricional de cada grupo profissional (K-W(6)=36,276; p<0,001)
confirmou que as diferenças são significativas35. Pela análise da tabela 4.23
constata-se que o valor central do conhecimento nutricional diminui com a menor

35
Dado a existência de algumas categorias profissionais com frequências absolutas baixas, as dez categorias
profissionais propostas no CPP/2010 foram agrupadas em sete, conforme referido no capítulo 3
139
__________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

especialização profissional, à exceção dos grupos pessoal de serviços e vendedores e


não qualificados.
Os resultados apresentados indicam uma tendência para que os pais com
profissões mais especializadas tenham um conhecimento nutricional mais elevado.

Conhecimento nutricional e estilos parentais. Não foram encontradas


correlações significativas do conhecimento nutricional com a exigência (rs =-0,092;
p=0,180) e a responsividade parental (r =0,094, p=0,169).
Não se observou a associação entre o conhecimento nutricional e os estilos
parentais relacionados com a alimentação (2=8,042, p=0,235).

Conhecimento nutricional e preocupação parental com o peso da criança. O


valor de correlação entre estas duas variáveis é praticamente nulo e não
significativo (rs =0,075, p=0,272).

Conhecimento nutricional e atribuição de autoeficácia parental para


promover uma alimentação saudável do filho. O teste de correlação permitiu
identificar que os pais com maior conhecimento nutricional apresentam uma
atribuição de autoeficácia significativamente mais elevada. (rs = 0,134, p=0,048).

Conhecimento nutricional e atribuição de controlo parental sobre o


comportamento alimentar da criança. O valor de correlação entre estas duas
variáveis (rs =0,236, p= 0,000) é bastante significativo, permitindo confirmar que
quanto maior o nível de conhecimento nutricional parental maior será a atribuição
parental de controlo.
Paralelamente confirmou-se que as diferenças de conhecimento nutricional
nas três categorias de controlo parental são significativas (K-W(2)=12,843;
p=0,002).

140
____________________________________________________________________________RESULTADOS

Tabela 4.24
Valores centrais de conhecimento nutricional das categorias da atribuição de controlo parental

N Valor central
Atribuição de controlo parental
Quase sempre 32 122,72

Bastantes vezes 127 108,15

Às vezes, poucas vezes e nunca 47 77,85

Total 206 -

A análise dos valores centrais de conhecimento nutricional nas categorias


de controlo parental (tabela 4.24) permite concluir que os pais que consideram ter
frequentemente controlo sobre o que os filhos comem apresentam níveis
superiores de conhecimento nutricional. A categoria de controlo que se distancia
mais das restantes é a correspondente aos pais com menor atribuição de controlo.
Note-se, no entanto, que há mais pais na categoria Bastantes vezes, o que
pode ter algum efeito sobre estas conclusões.

Figura 4.6. Síntese das relações entre o conhecimento nutricional e variáveis parentais

141
__________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

De acordo com a síntese dos resultados apresentados na figura 4.6, pode-se


concluir que o conhecimento nutricional é maior no grupo de pais mais velhos e
com mais anos de escolaridade. Está associado à profissão parental e é superior
nas categorias de maior especialização. Verificou-se também que o conhecimento
nutricional está positivamente correlacionado com as atribuições parentais de
autoeficácia e controlo, mas não está relacionado com o estilo parental alimentar,
com a exigência e a responsividade parental, nem com o grau de preocupação com
o peso da criança.

Objetivo 5. Estudar as relações da perceção parental de peso do filho com o


IMC da criança e com as características demográficas e psicológicas parentais
(conhecimento nutricional, estilo parental, preocupação e atribuições de
controlo e autoeficácia).

Os dados referentes aos cruzamentos da perceção parental de peso com as


restantes variáveis são apresentados no Anexo E (tabelas 24 a 32).

Perceção parental de peso e IMC. O estudo de associação entre a perceção


parental de peso e o IMC da criança revelou que estas duas variáveis se encontram
significativamente associadas (2=94,558; p=0.000).
O resultado do teste Mann-Whitney permite concluir que existem diferenças
bastante significativas no IMC dos dois grupos de perceção de peso (U=2120,500,
p= 0,000), sendo que os indivíduos do grupo da perceção correta têm filhos com
IMC mais baixos do que os do grupo da perceção incorreta (tabelas 33 e 34 - Anexo
E).

Perceção parental de peso e variáveis sociodemográficas. Os resultados dos


testes de associação das variáveis demográficas com a perceção parental do peso
da criança apresentam-se na tabela 4.25.

142
____________________________________________________________________________RESULTADOS

Tabela 4.25
Valores dos testes de associação da perceção parental de peso com as variáveis sociodemográficas
Variáveis demográficas 2 p
Sexo da criança 0,021 1,000
Idade parental 0,549 0,553
Escolaridade parental 0,510 0,775
Profissão parental 4,366 0,627

Relativamente às variáveis sexo da criança, idade, escolaridade e profissão


parental constata-se que nenhuma delas está significativamente associada à
perceção parental de peso.

Perceção parental de peso e conhecimento nutricional dos pais. Não se


verificaram associações significativas entre a perceção de peso e o conhecimento
nutricional dos pais (2= 3,55; p=0,169).

Tabela 4.26
Grupos de cruzamento entre a perceção parental de peso e o conhecimento nutricional

Perceção parental de peso

Correta Incorreta
N (%) N (%)

Conhecimento nutricional elevado 38(40,9) 33(34,4)

Conhecimento nutricional médio 50(53,8) 50(52,1)

Conhecimento nutricional baixo 5(5,4) 13(13,5)

Na análise do cruzamento destas variáveis (tabela 4.26) verifica-se que o


grupo de pais com perceção correta apresenta uma percentagem inferior de pais
com conhecimento baixo e uma percentagem superior com conhecimento elevado,
em comparação com os pais com perceção incorreta. Prosseguiu-se então com uma
análise comparativa dos dois grupos de perceção. Os resultados (U=4229,50,

143
__________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

p=0,532) não confirmaram diferenças significativas de conhecimento nutricional


nas duas categorias de perceção de peso (tabelas 35-Anexo E).

Perceção parental de peso e estilo parental. Não se verificaram diferenças


significativas nos valores da exigência (U=4780,0; p=0,554) e da responsividade
(U=4723,5: p=0,657) nos dois grupos de perceção de peso.
A perceção parental de peso não se revelou associada às tipologias dos
estilos parentais relacionados com a alimentação (2 =0,538; p= 0,911).

Perceção parental de peso e preocupação parental com peso da criança. A


análise do cruzamento destas variáveis (tabela 4.27) permite constatar que os pais
com perceção incorreta estão representados em maior percentagem no nível de
maior preocupação do que aqueles que têm uma perceção correta, passando-se o
inverso na categoria de menor preocupação. Por outro lado contata-se que os pais
com perceção incorreta se distribuem de forma mais ou menos uniforme pelos
vários níveis de preocupação.

Tabela 4.27
Perceção parental de peso por preocupação parental com o peso da criança
Perceção parental de peso
Preocupação parental Correta Incorreta
N(%) N(%)

Quase sempre / Bastantes vezes 10(10,9) 24(23,8)

Às vezes 29(31,5) 24(23,8)

Poucas vezes 28(30,4) 31(30,7)

Nunca 25(27,2) 22(21,8)

Contudo a perceção parental do peso da criança não está associada à


preocupação parental (2 =5,480; p=0,140) e não se encontraram diferenças
significativas de preocupação parental nas duas categorias de perceção de peso
(U=4100,0 p=0,144; tabela 36 – Anexo E).

144
____________________________________________________________________________RESULTADOS

Perceção parental de peso e atribuição de autoeficácia parental. O estudo de


associação entre a perceção parental de peso e a atribuição de autoeficácia
parental mostrou que estas duas variáveis não estão associadas (2=4,863;
p=0,088), embora para um nível de significância de 10% essa associação fosse
considerada significativa.
Embora a percentagem de pais na categoria de autoeficácia mais baixa seja
superior nos pais com perceção incorreta (tabela 31 - Anexo E), não se confirma a
existência de diferenças significativas na autoeficácia dos pais em função do grupo
de perceção de peso (U=4296,500, p= 0,327; tabela 37 – Anexo E).

Perceção parental de peso e atribuição de controlo parental. A associação


entre a perceção parental de peso a atribuição de controlo parental sobre a
alimentação da criança é significativa (2 =8,904, p=0,012).
O teste de Man-Whitney (U=3744,0; p=0,022; tabela38 – Anexo E) permite
concluir que existem diferenças significativas nos dois grupos de perceção de peso,
em que o grupo de pais com uma perceção correta apresenta um valor superior de
atribuição de controlo (Tabela 4.28).

Tabela 4.28
Valores centrais da atribuição de controlo nos dois grupos de perceção parental de peso

N Valor central da
atribuição de controlo
Correcta 91 103,18
Perceção parental de peso
Incorrecta
99 87,15
Total 190

Em conclusão, os resultados apresentados relativos à perceção parental de


peso permitem concluir que os pais que têm uma perceção incorreta do peso da
criança têm filhos com o IMC significativamente superior aos filhos dos pais com
uma perceção correta. Os pais com perceção correta atribuem-se maior controlo
sobre os comportamentos alimentares da criança.
A perceção parental de peso não está relacionada com as variáveis
demográficas nem com as restantes variáveis parentais consideradas (i.e.,
conhecimento nutricional, estilo parental e atribuição de autoeficácia e
preocupação).
145
__________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Objetivo 6. Explorar as relações entre a preocupação parental com o peso da


criança, a atribuição parental de autoeficácia e a atribuição parental de
controlo

Para este objetivo foram estudadas as correlações entre a preocupação


parental com o peso da criança, as atribuições parentais de autoeficácia e de
controlo.

Tabela 4.29
Valores dos testes de correlação entre preocupação parental, atribuição parental de autoeficácia e de
controlo
Preocupação com o Atribuição de
peso Autoeficácia
Preocupação com o peso Coeficiente de
- -0,248**
1
correlação
Sig. (2-tailed) - 0,000
N - 225
Atribuição de controlo Coeficiente de
-0,208* 0,434**
parental correlação1
Sig. (2-tailed) 0,002 0,000
N 224 223
1
Correlação de Spearmen; **p< 0,005; * p<0,05

Dos dados apresentados na tabela 4.29 pode-se concluir que a correlação da


preocupação com o peso com a autoeficácia parental é negativa e significativa,
podendo-se concluir que quanto maior a preocupação parental com o peso, menor
a atribuição de autoeficácia.
Verifica-se também que os pais com níveis mais elevados de preocupação se
atribuem menor controlo sobre o que os filhos comem.
Realça-se que os coeficientes de correlação apresentados são baixos,
expressando tendências mas não uma proporcionalidade direta, pelo que haverá
outros fatores que influenciem a relação entre as variáveis.
A correlação entre a autoeficácia e a dimensão do controlo parental é
positiva, moderada e significativa, podendo-se afirmar que os pais com uma maior
atribuição de autoeficácia tenderão a atribuir-se um controlo mais elevado.

146
____________________________________________________________________________RESULTADOS

Objetivo 7. Explorar a relação do IMC com os hábitos alimentares da criança


e com as características sociodemográficas e psicológicas da criança e dos
pais.

Os dados referentes aos cruzamentos do IMC com as restantes variáveis são


apresentados no Anexo E (tabelas 39 a 50).

IMC e hábitos alimentares. Na análise da distribuição percentual das


crianças (figura 4.7), a comparação dos hábitos alimentares das crianças com peso
normal e pré-obesidade permite constatar que estas têm, no geral, hábitos
alimentares menos saudáveis (i.e., mais crianças com hábitos alimentares piores e
menos crianças com melhores hábitos). Contudo, quando comparamos as crianças
pré-obesas e obesas verifica-se o contrário (i.e., no grupo de obesidade há menos
crianças com hábitos alimentares piores e mais crianças com melhores hábitos).

100%
20
90% 26,7
34,6
80%
70%
60% Melhores hábitos alimentares
57,1 Hábitos alimentares médios
50%
60
40% 52,3 Piores hábitos alimentares
30%
20%
22,9
10% 13,1 13,3
0%
Peso normal Pré-obesidade Obesidade

Figura 4.7. Hábitos alimentares nos grupos de IMC

Contudo, a análise de correlação entre os valores contínuos das duas


variáveis não foi significativo (rs=-0, 105; p=0,208).

147
__________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

IMC e variáveis sociodemográficas

Não se observou uma associação significativa entre sexo da criança e o IMC (2=
0,370, p= 0,831). As correlações do IMC com a idade parental36 (rs =0,006;
p=0,933) e com a escolaridade parental (rs=-0,036; p=0,594) são fracas e não
significativas. Não se verificou uma associação significativa entre o IMC e a origem
geográfica (2=2,843;p= 0,584) 37.

IMC e características da criança

No que respeita ao tempo médio semanal de visionamento de televisão


concluiu-se que esta variável não está correlacionada com o IMC (rs=-0,088; p=
0,231). A mesma conclusão foi obtida para a correlação entre o IMC e as
preferências alimentares da criança (rs = 0,054; p=0,444).

IMC da criança e características dos pais

O coeficiente de correlação entre o IMC e o conhecimento nutricional não é


significativo (rs = - 0,126; p=0,078), o mesmo sucedendo com a preocupação
parental (rs = 0,037; p= 0,597), a atribuição de controlo parental (rs = 0,072; p=
0,309) e a atribuição de autoeficácia (rs = -0,043; p= 0,541).
Relativamente aos estilos parentais começou-se por avaliar a correlação
entre o IMC e as duas dimensões parentais, tendo-se obtido correlações não
significativas tanto para a responsividade (r=0,050, p=0,480) como para a
exigência parental (rs=-0,085, p=0,230). Também as tipologias de estilos parentais
(i.e.,, autoritário, orientador, permissivo e não envolvido) não apresentam uma
associação significativa com o IMC (2=2,676;p=0,848).

36
Idade parental nas oito categorias iniciais
37
Com a origem geográfica em três categorias: portuguesa, Africana e outra
148
____________________________________________________________________________RESULTADOS

Dos resultados apresentados conclui-se que o IMC não apresenta relações


significativas com nenhuma das variáveis em estudo, à exceção da perceção
parental de peso já analisada a propósito do objetivo 5.

4.2. Resultados relativos às significações parentais relacionadas com a


alimentação infantil

4.2.1. Caracterização sociodemográfica e grupos de comparação

O estudo qualitativo tem como objetivo explorar as significações parentais


relacionadas com a alimentação infantil (objetivos 8 e 9). Assim, após a
caracterização da amostra serão apresentadas as categorias identificadas para os
temas das significações parentais. No final serão identificadas as principais
diferenças entre as significações dos pais com filhos com peso normal e com
excesso de peso, e também entre os pais de filhos com os melhores e com os piores
hábitos alimentares.
Apresentam-se na tabela 4.30 a caracterização sociodemográfica dos 26
pais entrevistados e dos seus filhos. A distribuição das crianças e pais pelas
características sociodemográficas não apresenta dados a salientar
comparativamente à amostra original, à exceção de um maior número de crianças
do sexo feminino do que masculino e de um número elevado de pais em profissões
não qualificadas e um número baixo de pais Pessoal de serviços e vendedores.
Dos 26 pais entrevistados 10 têm filhos com excesso de peso e 16 têm filhos
com peso normal. Relativamente aos hábitos alimentares 11 pais têm filhos com
melhores hábitos e 7 têm filhos com piores hábitos alimentares.

149
__________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Tabela 4.30
Caracterização sociodemográfica dos pais entrevistados e respetivos filhos
Caracterização da criança
Sexo N
Feminino 11
Masculino 15
Restrição alimentar
Não 25
Sim 1
Caracterização dos entrevistados
Parentesco do entrevistado com a criança N
Mãe
23

Pai 2
Outro 1
Idade do adulto
25-34 15
35-44 11
Anos de escolaridade do adulto
5-9 anos 7
10-12 anos 11
Mais de 12 anos 8
Origem dos avós
Portuguesa ou predominante portuguesa 22
Africana ou predominante africana 3
Profissão /Ocupação do entrevistado
Quadros superiores e dirigentes 1
Especialistas intelectuais e científicos 5
Técnicos e profissionais de nível intermédio 3
Pessoal administrativo e similares 6
Pessoal de serviços e vendedores 1
Operários e artífices 1
Operadores de instalações e máquinas e trabalhadores da montagem 2
Trabalhadores não qualificados 9

150
____________________________________________________________________________RESULTADOS

4.2.2. Apresentação dos resultados relativos aos objetivos 8 e 9

Objetivo 8 - Identificar as significações parentais sobre a alimentação


infantil, especificamente as relacionadas com os seguintes temas:
determinantes de uma alimentação e peso saudáveis, determinantes das
preferências alimentares, influência parental nas preferências alimentares,
consequências de uma alimentação e peso saudáveis, barreiras e estratégias
parentais para uma alimentação saudável e modelos parentais explicativos
do desenvolvimento dos comportamentos alimentares saudáveis da criança.

Significações parentais relativas aos determinantes da alimentação saudável


da criança. Foram identificadas sete categorias de significações parentais relativas
aos determinantes da alimentação da criança. As categorias, as respetivas
definições e os exemplos são apresentados na tabela 4.31. Entre os determinantes
inatos ou intrínsecos à criança encontram-se duas categorias: as preferências
alimentares e outros fatores (orgânicos ou psicológicos). No grupo dos
determinantes adquiridos, que refletem a influência do meio no comportamento
alimentar da criança, os pais referiram fatores culturais, parentais (i.e.,
comportamentos intencionais dos pais), imitação de pares ou outros modelos
(modelagem), publicidade/ marketing e as refeições na escola.

151
_____________________________________________________________________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Tabela 4.31
Definições das categorias relativas às significações parentais sobre determinantes da alimentação saudável da criança
TEMA: DETERMINANTES DA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL DA CRIANÇA

Categorias Definição Exemplos de unidades de registo

Determinantes inatos/intrínsecos à criança

Preferências Preferências ou aversões por determinados alimentos ou grupo "Há coisas que já nascem connosco, que já são uma referência. Há coisas que eles não experimentam, olham, não
alimentares põe sequer à boca e dizem que não gostam, há coisas que nunca provaram e que dizem que gostam."
de alimentos, intrínsecas à criança.
inatas/intrínsecas
"Eu, em relação ao meu filho, sinto alguma dificuldade em fazê-lo experimentar algumas coisas. Ele tem uma
à criança
resistência muito grande àquilo que não conhece. E por isso demorei muito a introduzir algumas frutas porque ele
se recusava simplesmente a experimentar, e pronto"

"Acho que vai da própria criança, há crianças que não gostam de chocolates, outras que não gostam de leite ou de
iogurtes. Às vezes os pais insistem para eles comerem e eles não comem."

"Eu acho que a alimentação saudável era a gente dar de tudo um bocadinho no dia-a-dia, só que infelizmente eles
não querem. A minha B. não gosta de alface, o P. não gosta de couves, a B. não gosta de leite, o P. não gosta de
batatas cozidas."

Outros Fatores orgânicos e psicológicos considerados como intrínsecos "Ele tem tendência para fazer muitas amigdalites. Quando começa já sei: “ lá vamos nós, não vai comer nada“, e
não consigo que ele coma nada de jeito. Isto é frequente"
à criança (e.g., doença, capacidades cognitivas para
compreender, personalidade). "Porque a gente também tem de compreender que ele agora tem uma idade que não percebe certas coisas, e que
depois com o desenvolvimento, ele vai perceber, vai ter outros conhecimentos, vai-se alimentando melhor."

"Se for uma criança que tenha um bom raciocínio, ajuda um bocadinho, basta falar com ele, ou vê qualquer coisa
na televisão que ele consiga perceber que facilita as coisas aos pais, é normal. Agora se for uma criança com pouco
raciocínio, claro que as coisas são mais complicadas, lá vai entrar naquela história das coisas de que ela gosta e as
birras que vai fazer à volta disso"

“Há crianças mais difíceis, algumas usam as refeições para contrariar, ou para fazer braço de ferro com os pais. É
mesmo deles e depois mantêm a mesma teimosia de que não querem isto ou aquilo. Há miúdos que com isto
acabam sempre por comer a mesma coisa, tipo hambúrguer todos os dias. ”

152
_____________________________________________________________________________________________________________________________________R ESULTADOS

Tabela 4.31 (cont.)


Definições das categorias relativas à perceção parental dos determinantes da alimentação e peso saudável da criança

Categorias Definição Exemplo de unidades de registo

Determinantes adquiridos

Culturais/Exposição Alimentação influenciada pela passagem geracional de "Se calhar as pessoas que estão mais próximas de nós, e aquilo que elas nos passaram, influenciam o que nós damos
aos nossos filhos."
hábitos e tradições alimentares, através do contacto
com a família alargada ou com outros agentes de "As crianças que se transformam em adultos normalmente levam os hábitos que têm de casa. É importante ter esta
alimentação equilibrado por causa disto. Eles ganham autonomia mas existe uma base que se conserva"
socialização. Inclui a influência da exposição aos
"
alimentos desde que não seja referida como um modo
"Isso depende dos pais, e principalmente de quem cozinha, da pessoa que cozinha. Do que gostam ou não gostam,
intencional por parte dos pais para a promoção de
vai dos pais, não tem nada a ver com a televisão nem com eles próprios. Quem cozinha está habituada a comer
comportamentos alimentares específicos. aquilo, e normalmente fazem porque acham que é melhor."

Parentais Comportamentos intencionais dos pais para "Também vai dos pais incentivarem a comer certos alimentos, de os servirem ou levarem a criança a comer menos."
promoverem/modificarem certos comportamentos
"Acho que o exemplo tem de vir sempre de casa. Nós não podemos dizer «Não faças» e depois sermos os primeiros
alimentares. A influência parental é referida de um a fazer."
modo geral ou mencionando estratégias parentais
"Ele é extremamente olfativo, cheira tudo, qualquer coisa mete no nariz para ver como cheira, e a cozinha para ele, a
específicas. Inclui a exposição intencional a preparação dos alimentos é uma coisa fascinante, portanto de nós queremos que ele coma é “vem fazer o jantar”, o
estar a mexer, a fazer, a amassar, fica motivado e gosta de provar"
determinados alimentos.
"Eu costumo perguntar “como é que se sentem depois de comerem aquilo que se calhar não faz tão bem?” Acho que
eles acabam por valorizar aquilo que o pai e a mãe dizem.

"Ouço as pessoas queixarem-se que não é possível fazer porque não têm tempo. Eu não, porque tento arranjar
sempre tempo para que tenham uma alimentação saudável. Mesmo quando estava a trabalhar, às vezes já eram 5
da manhã e já estava a fazer comidinha, para ficar tudo pronto. Eu acho que depende das pessoas e da forma como
encaram a saúde dos filhos, o bem-estar dos filhos."

"Eu agora comecei a criar regras e resulta porque ela já não come tanto aos lanches."

"Temos de ter um diálogo com eles, para que os filhos quando podem escolher o que comem pensem «espera lá,
que os meus pais não querem que eu coma assim» ".

"Os pais têm de estar atentos ao que a criança gosta mas ir-lhe dando outros alimentos para eles se habituarem."
153
_____________________________________________________________________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Tabela 4.31 (cont.)


Definições das categorias relativas às significações parentais sobre determinantes da alimentação saudável da criança
Categorias Definição Exemplos de unidades de registo

Determinantes adquiridos (cont.)

Modelagem A motivação para comer determinados "Se comermos e eles nos virem a comer pode resultar. Depois há aquela expectativa de provarem e até resulta!"
alimentos e recusar outros é influenciada pela
"Devem dar o exemplo, porque uma coisa é comerem de forma variada e darem o exemplo e outra é dizerem aos miúdos para
imitação dos pais, dos pares ou de outros comerem isto ou aquilo quando eles só comem o que não devem."
modelos.
"Ela tinha experimentado o kiwi e não gostou, e depois começou, os irmãos pegam e comem, e ela lá começou a interessar-
se."

"Ele vai a casa dos colegas e vê-os a comer coisas diferentes e depois vem para casa e diz para eu fazer igual."
Publicidade Alimentação determinada e influenciada pelo Eles às vezes insistem tanto e a publicidade é tanta que nós acabamos por deixá-los comer."
marketing e publicidade. Inclui referências da
"A publicidade influencia pela negativa, eu acho que eles deviam influenciar para as coisas que eles deviam comer: as sopas,
impotência dos pais face aos pedidos dos os legumes, as frutas, entre outras, mas não há publicidade para isso!"
alimentos publicitados.
"Reclames que ele presta mais atenção, que chamam mais à atenção, há aqueles bonecos, depois querem tudo desses
bonecos de que gostam. Isso já tem muito a ver com o marketing da televisão, que sempre teve muito peso nisto."

Refeições na escola Os hábitos alimentares adquiridos na escola Às vezes não é nada fácil. Na escola é mais fácil. Ele quando está na escolinha tem as suas ementas e, desde que veio para aqui
(escola), ele nunca teve problemas em comer o que lhe dão".
influenciam a alimentação infantil ao longo do
tempo. Inclui referências ao fato de na escola "A escola tenta ajudar também, impondo pratos, eles todos os dias têm um prato diferente e têm de ser muito criativos para
fazer pratos diferentes todos os dias. Ao irem impondo determinados pratos vão ajudando. Não se trata de obrigar, trata-se
as crianças serem obrigadas (não terem
de adequar."
alternativas) a comer alimentos saudáveis
"Ele vai ganhando gostos diferentes. Atualmente não gosta muito de fruta, espero que com o tempo ele passe a gostar mais e
como um determinante de alimentação
não coma só maçãs, que ele desde que anda aqui (escola) já come outras frutas. Em casa é sempre mais difícil que ele coma
saudável. fruta."

1 2

154
___________________________________________________________________________RESULTADOS

Apresenta-se na figura 4.8 as frequências absolutas das unidades de registo


de cada categoria.

Outros inatos 6

Refeições escola 7

Modelagem 8

Publicidade 9

Culturais 11

Prefer. alim. Inatas/intrísecas à criança 13

Parentais 17

0 5 10 15 20
Unidades de registo

Figura 4.8. Categorias das significações parentais relativas aos determinantes de uma alimentação
saudável da criança – frequências absolutas das unidades de registo por categoria.
Nota. Total = 71 de unidades de registo

Salienta-se que muitos pais atribuem a si próprios e às estratégias que


utilizam um papel determinante na alimentação dos filhos. O segundo fator mais
mencionado são as preferências alimentares inatas/intrínsecas à criança, A
passagem geracional de hábitos alimentares é também verbalizada com alguma
frequência.
Embora não sendo dos determinantes mais referidos, alguns pais
verbalizam a importância das refeições na escola e vêm-nas como uma forma de
aquisição de hábitos alimentares saudáveis que, em alguns casos, os próprios pais
não conseguem incutir nos filhos (“que ele desde que anda aqui (escola) já come
outras frutas. Em casa é sempre mais difícil que ele coma fruta”).
Salienta-se que quando os pais falam de alimentação saudável estão
principalmente centrados no tipo de alimentos ingeridos. Poucos referem a
quantidade, a variedade de alimentos (“Há miúdos que com isto acabam sempre por
comer a mesma coisa, tipo hambúrguer todos os dias”), ou ainda a segurança
alimentar (“Nem sabemos o que damos às crianças. Com as coisas que eles põem,
aditivos e outros produtos químicos) ”.

155
__________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Significações parentais relativas aos determinantes das preferências


alimentares das crianças. Relativamente às significações dos pais relacionadas
com os determinantes das preferências alimentares das crianças foram
identificadas cinco categorias (tabela 4.32). Para além de uma categoria de
determinantes inatos (genéticos ou intrínsecos à criança) foram identificados
quatro categorias de determinantes adquiridos: modelagem, estratégias parentais,
exposição a alimentos e outros (i.e., fatores ambientais não incluídos nas
categorias anteriores).

Tabela 4.32
Definições das categorias relativas às significações parentais sobre os determinantes das preferências alimentares da
criança

Categorias Definição Exemplos de unidades de registo

Determinantes inatos Preferências alimentares "Eu acho que isso é um bocado difícil, a criança tem
sempre a sua vontade própria, não é? Pode-se
vistas como sendo
adaptar ao alimento, pode ingeri-lo de vez em
determinadas por fatores quando, mas não quer dizer que passe a gostar."
genéticos e/ou intrínsecos
"Quer dizer, nós podemos tentar e incutir neles essa
à criança. ideia de comerem menos doces ou mais vegetais
mas é difícil, porque às vezes já vai mesmo deles."
Determinantes adquiridos

Modelagem Preferências alimentares "Algumas crianças nem pedem guloseimas, mas


depois na escola há miúdos que levam coisas dessas
resultam da imitação dos
todos os dias e eles vão comendo e passam a gostar"
pares e pessoas próximas à
"Há crianças que nem sequer gostam de
criança
experimentar. Mas eu acho que se os pusermos a
comer o mesmo tipo de comida em conjunto,
porque eles veem os outros a comer e mesmo
quando eles até eventualmente não gostam daquilo,
eles fazem um esforço e acabam por comer."

"Eu estou farta de pensar porque é que ela não gosta


de banana, mas começo a pensar e eu também não
gosto de banana. Até que ponto o facto de eu não
comer não a influência também a ela?"

"Eu tento, tento e resulta porque até o facto de eu


não gostar de certos alimentos a influência. Não é
que eu seja um bom modelo, mas ajuda."

156
___________________________________________________________________________RESULTADOS

Tabela 4.32 (cont.)


Definições das categorias relativas às significações parentais sobre os determinantes das preferências alimentares da
criança
Categorias Definição Exemplos de unidades de registo

Determinantes adquiridos (cont.)


Estratégias parentais Preferências alimentares "Há coisas que resultam, se nós insistirmos de uma
forma diferente ou de outra maneira a criança acaba
são impostas ou
por gostar."
determinadas por ações
"Pode-se explicar à criança porque se deve comer
intencionais ou dirigidas
apesar de ela não gostar. A minha experiência é que
dos pais ou cuidadores das isso resulta."
crianças, à exceção da
"Começa a gostar mais, desde que tenhamos o
exposição aos alimentos. cuidado de lhe dar o alimento com o sabor mais
natural possível, desde que não esteja alterado por
temperos."

" É tentar variar o mais possível, é tentar fazer com


que as comidas sejam o mais frescas possível, e isso
vê-se no aspeto e nas cores dos pratos e isso
influencia as preferências."

Exposição a alimentos Preferências são adquiridas "Eles gostarem ou não tem tudo a ver com os
hábitos que se incutem e com aquilo que estão
através da exposição
habituados a comer em casa."
repetida de alimentos.
"Se estiverem expostas aos alimentos, as crianças
vão gostar, vão querer aquilo."

"Eu acho que o hábito visual também ajuda, mesmo


que não os obriguemos a comer habituam-se a ver e
acabam por gostar"

"Se houver uma tendência para repetir um


determinado tipo de comida mais vezes, é claro que
vai preferir aquilo e não vai querer tanto as outras
variedades."

"Se calhar eu própria pus poucas vezes, quando ela


era pequenina e por isso influenciei o que ela gosta e
come atualmente."

Na figura 4.9 apresentam-se as frequências das unidades de registo das


categorias relativas aos determinantes das preferências alimentares. As muitas
referências à exposição mostram que os pais atribuem importância a este fator
como determinante das preferências e aversões alimentares da criança. Contudo a
exposição é descrita pela maioria dos pais como uma associação que estes
identificam e não como uma estratégia que utilizem. As categorias relativas a

157
__________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

estratégias intencionais dos pais, à modelagem e aos fatores inatos apresentam


frequências iguais entre si.

Inatos 8

Exposição a alimentos 18

Estratégias parentais 8

Modelagem 8

0 5 10 15 20
unidades de registo

Figura 4.9. Categoria das significações parentais relativas aos determinantes das preferências
alimentares das crianças - frequências absolutas das unidades de registo por categoria
Nota. total = 42 unidades de registo

Significações parentais relativas ao grau de influência dos pais sobre as


preferências alimentares. As respostas dos pais consideradas para esta análise
permitiram identificar três categorias que refletem graus progressivos de controlo
que os pais se atribuem sobre as preferências alimentares dos seus filhos (tabela
4.33).

Tabela 4.33
Definições das categorias relativas às significações parentais sobre o grau de influência dos pais nas
preferências alimentares da criança
Categorias Definição Exemplos de unidades de registo
Predomínio da Pais consideram ter influência e Eu acho que sim, a gente consegue. Eu acho que,
nestas idades, a gente ainda consegue manobrar
influência serem o fator determinante das
as preferências. Tento explicar que aquilo faz
parental preferências alimentares dos bem."
filhos. Inclui também os pais
"Eu acho que sim, somos nós que cozinhamos.
que se veem como capazes de Pode-se influenciar na maneira de confecionar, na
maneira de apresentar. Há pratos engraçados,
ultrapassar eficazmente os
contar histórias, há sempre aquelas artimanhas
problemas criados pelas que se podem utilizar para eles comerem
alimentos que gostam menos."
preferências alimentares da
criança.

158
___________________________________________________________________________RESULTADOS

Tabela 4.33 (cont.)


Definições das categorias relativas às significações parentais sobre o grau de influência dos pais nas
preferências alimentares da criança
Categorias Definição Exemplos de unidades de registo

Influência parental limitada A influência parental nem "Tento que ele coma um bocadinho de
sempre tem resultados tudo, mas eu talvez faça mais aquilo
que ele gosta do que aquilo que ele
diretos nas preferências
não gosta."
alimentares da criança,
conjugando-se com outros "Há coisas que eles não comem
mesmo, mas outras se insistirmos eles
determinantes.
acabam por aceitar"

"Eu acho que isso é um bocado difícil,


a criança tem sempre a sua vontade
própria, não é? Pode adaptar-se ao
alimento, passar a aceitá-lo e ingeri-lo
de vez em quando, mas não é certo
que passe a gostar dele."

Pais referem que não têm "O que se influencia é eles comerem
Impossibilidade de influência controlo sobre as sem criar grandes confusões ou não,
parental agora as preferências acho que não. Já
preferências alimentares.
vai da pessoa e quando eles não
gostam, já não se faz nada deles."

Quase todos os pais referem ter um controlo grande ou parcial sobre as


preferências. Só um pai refere não ter qualquer controlo sobre as preferências do
filho (figura 4.10).

Impossibilidade de influência
1
parental

Influência parental limitada 8

Predomínioda influência parental 8

0 2 4 6 8 10
Unidades de registo

Figura 4.10. Categorias das significações parentais relativas à possibilidade de


influência dos pais sobre preferências alimentares das crianças - frequências
absolutas das unidades de registo por categoria.
Nota. total = 17 unidades de registo

159
__________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Significações parentais relativas às consequências da alimentação e peso


saudáveis. A partir da análise de conteúdo das verbalizações dos pais foram
identificadas quatro categorias de consequências psicológicas e seis de
consequências físicas, que se apresentam na tabela 4.34.

Tabela 4.34
Definições das categorias relativas às significações parentais sobre as consequências da alimentação e
peso saudáveis

Categorias Definição Exemplos de unidades de registo


Consequências psicológicas

Feedback O peso saudável evita situações de "Se elas forem obesas vão para a escola, eles
gozam uns com os outros e aí vai influenciar o
social feedback social negativo ou facilita a
estado psicológico."
integração social da criança.
"Principalmente em rapazes, se houver
diminuição física para fazer determinadas
atividades, haverá uma dificuldade de
integração."

"Uma criança que se vê muito gorda e que é


gozada pelos colegas e que de repente muda
a sua forma habitual e fica «com as curvas no
sítio», como eu costumo dizer, eu acho que
vai ser muito bom."

Desempenho Uma alimentação saudável favorece "Se não comer coisas essenciais que lhe
escolar e façam bem, não tem capacidade de fazer os
um melhor rendimento escolar,
concentração trabalhos que lhe competem."
concentração e atenção.
"E depois também a capacidade de
aprendizagem do aluno, a alimentação
também tem muita importância. Porque não
é só o sono que é importante, mas também o
que comem fornece os nutrientes necessários
para conseguirem que o cérebro funcione de
forma mais produtiva."

160
___________________________________________________________________________RESULTADOS

Tabela 4.34 (cont.)


Definições das categorias relativas às significações parentais sobre as consequências da alimentação e
peso saudáveis

Categorias Definição Exemplos de unidades de registo


Consequências psicológicas (cont.)

Criação de Uma alimentação saudável no Eu acho que se eles tiverem hábitos


hábitos alimentares bons e se se habituarem desde
presente desenvolve e favorece a
futuros pequeninos a aprenderem o que é bom para
criação de bons hábitos alimentares eles nunca vão perder estes hábitos saudáveis,
disso tenho a certeza."
futuros.
"Se virmos os indianos, o picante nem faz mal
nenhum! Eu acho que tentamos fazer uma
alimentação variada para que eles tenham
saúde agora, para que possam experimentar
de tudo um pouco e para que, quando forem
crescidos, o façam."

Bem-estar A alimentação/peso saudável favorece "Se ela tiver um peso adequado, acho que ela
se vai sentir muito mais feliz ao longo da vida."
psicológico o bem-estar psicológico no geral,
incluindo também implicações mais "Se tiver uma alimentação mais variada, mais
saudável, vai ajudar a ter uma vida mais ativa,
específicos como a felicidade, a
vai ter mais vontade de pintar e isso, porque
motivação e a autoconfiança. aquilo que a gente come também influencia as
nossas atividades."

"E depois há o fator da pessoa que faz


alimentação saudável ter uma aparência física
mais cuidada e bonita e sente-se bem com ela
própria."
Consequências físicas
Saúde física Alimentação/peso saudável como forma "Acho que se eu tiver atenção com a alimentação
dele agora, como a minha não teve comigo, como
de promover a saúde de forma geral e/ou
eu estou agora, acho que o meu filho pode vir a ter
evitar o excesso de peso e a obesidade. o mesmo problema que eu, de obesidade."
Não é expresso o evitamento de doenças.
"Uma criança com menos corpo é mais saudável do
que uma criança com mais peso."

"Ele comendo bem isso vai influenciar vários fatores


como a saúde e outras coisas."

161
__________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Tabela 4.34 (cont.)


Definições das categorias relativas às significações parentais sobre as consequências da alimentação e peso
saudáveis
Categorias Definição Exemplos de unidades de registo
Consequências físicas (cont.)
Evitamento de Alimentação/peso saudável como forma "A nível de saúde também – uma criança obesa vai
doenças ter muitos problemas de saúde, que se vão
de prevenir ou diminuir a probabilidade
acumulando – temos os problemas cardíacos, os
do aparecimento de doenças, no presente de gordura, de sangue."
e no futuro.
" Podem ter algumas doenças por causa dos doces.
Ela pode ficar com os dentes todos estragados,
ganhar problemas no sangue por causa do excesso
de açúcar."

"Se vir ai uma criança que tenha 20 ou 15 quilos a


mais do que é normal, para começar, tem mais
problemas respiratórios como, qualquer pessoa
obesa"

Evitamento de Alimentação saudável como forma de Desde muito cedo, as crianças vão construindo as
suas reservas de determinados nutrientes
ingestão evitar a ingestão insuficiente de
essenciais ao organismo a partir da alimentação
nutricional nutrientes, o qual torna mais fácil à que elas fazem e vão mantendo essas reservas, ao
longo da vida."
insuficiente criança atingir os objetivos valorizados
pelos pais. São nomeados nutrientes ou "Uma criança mais ativa se calhar precisa de mais
alimentos energéticos do que uma não tão ativa,
funções / características destes.
por exemplo o caso do meu filho, ele é uma
criança que come muito, em quantidade, mas a
gente olha para ele e até nem diz. Porque é uma
criança que também queima muitas calorias. Ele
tem muita energia."

"Que ele não seja uma criança com debilidades


físicas, por carências de cálcio, de proteínas, de
outras coisas. E porque acho que faz parte do
desenvolvimento, se ele tiver carências agora, mais
tarde, vai tê-las de certeza e será muito mais
complicado de resolver."

Energia e Alimentação saudável referida como "Tem de ter energia durante o dia todo e se não
comer coisas essenciais que lhe façam bem, ela
agilidade fornecedora de energia necessária para a
também não anda com muita vontade de brincar e
motora atividade motora, e/ou o peso normal interagir no jardim-de-infância."
referido como facilitador da agilidade e
"Uma criança que pese mais do que aquilo que
resistência nas atividades motoras. devia, não é uma criança, não vou dizer tão feliz,
mas não é uma criança que se consiga movimentar
bem. Não consegue correr tão bem como os
outros, a brincar queixa-se um bocadinho."

“Ele engorda com muita facilidade e eu sei que ele


está no percentil mais elevado para a idade. Como
ele agora está mais gordinho noto que ele se cansa
mais a correr ou a andar depressa do que uma
criança que esteja magra."

162
___________________________________________________________________________RESULTADOS

Tabela 4.34 (cont.)


Definições das categorias relativas às significações parentais sobre as consequências da alimentação e peso
saudáveis
Categorias Definição Exemplos de unidades de registo
Consequências físicas (cont.)

Crescimento Alimentação/peso saudável visto como "Acima de tudo é dar-lhe alimentos que a
ajudem a crescer."
promotor do crescimento e
desenvolvimento físico da criança. "A alimentação saudável é para que eles não
tenham problemas de crescimento"

Outras Alimentação/peso saudável como forma de "Porque se a criança não tiver uma alimentação
adequada e como deve ser, ou passar fome, a
evitar que a criança passe fome, emagreça
criança não tem forças, começa a emagrecer,
e/ou seja vítima de contaminação começa a não ter vocação para fazer nada…."
alimentar.
"Sim, isto a nível de alimentação… o que nós
comemos, hoje em dia, tudo leva químicos. E isto
vai afetar a criança."

Na figura 4.11 apresenta-se a distribuição de todas as verbalizações


parentais, pelas categorias de significações parentais das consequências de uma
alimentação saudável.

Feedback social 8
Desempenho escolar 17
Hábitos alim futuros 24
Bem-estar psicológico 9

Saúde física 49
Evitamento da doença 37
Evitamento de ing. nutricional insuf. 24
Energia/agilidade 23
Crecimento 21
Outras físicas 8

0 10 20 30 40 50 60

Figura 4.11. Categorias das significações parentais relativas às consequências de


uma alimentação saudável - frequências absolutas das unidades de registo por
categoria
Nota. total = 220 unidades de registo

Os pais referem mais as consequências físicas (73% das unidades de


registo) do que as psicológicas. As consequências psicológicas mais valorizadas são
163
__________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

a aquisição de hábitos alimentares saudáveis no futuro e as capacidades escolares


e de concentração. Embora menos referidas, o evitamento de feedback social
negativo e o bem-estar psicológico da criança são também associados pelos pais à
alimentação e peso saudáveis.
Das consequências físicas, muitos pais referem a saúde física, mas de uma
forma geral e algo vaga, ou focando-se na prevenção da obesidade. Já um número
menor de pais refere o evitamento de doenças específicas.
Alguns pais recorrem aos conceitos de nutriente e de equilíbrio nutricional
quando falam das vantagens de uma alimentação saudável. Certos pais valorizam a
agilidade e energia físicas para as atividades do dia-a-dia. Algumas referências
fazem uma associação da alimentação saudável com o objetivo geral de
crescimento, sem especificar aspetos concretos.
Salienta-se ainda que alguns pais vêm a alimentação saudável como uma
forma da criança não emagrecer nem passar fome. Para além destes pais, constata-
se que as consequências verbalizadas noutras categorias se centram no evitamento
resultante da subalimentação e não da sobrealimentação.

Significações parentais relacionadas com autoeficácia/barreiras a uma


alimentação saudável. As definições das categorias identificadas para as
barreiras verbalizadas pelos pais durante a entrevista apresentam-se na tabela
4.35.

164
___________________________________________________________________________RESULTADOS

Tabela 4.35
Definições das categorias relativas às significações parentais relacionadas com autoeficácia/barreiras a uma
alimentação saudável

Categorias Definição Exemplos de unidades de registo

Contexto Limitações económicas e/ou "Acho que é sobretudo o ser caro, porque um quilo de
socioeconómico características dos locais de venda carne não é igual a um quilo de peixe. Os legumes, por
exemplo, às vezes não é fácil encontrar as coisas mais
que dificultam a promoção de uma
apropriadas."
alimentação saudável da criança.
Inclui também as dificuldades "Hoje em dia, com a situação que se está a viver, é um
bocadinho complicado ter essa variedade. E então ai já
geradas pelas condições de trabalho
vai influenciar negativamente a alimentação deles. Vai
dos pais. haver aquele determinante - escolher esta ou aquela
fruta porque é mais económica - acaba tudo por
influenciar."

"Temos tão pouco tempo para os nossos filhos que


depois lhes acabamos por fazer as vontades todas."

"Eu saio do trabalho, chego a casa, o meu bebé está a


chorar, não há tempo para sentar e comer com o F.
Tenho também que deixar o comer para o meu filho
mais velho quando chega do curso à noite."

Frequência / Omissão de refeições ou substituição "Porque ele às vezes come bolachas já em cima das
tipo de de refeições por snacks ou alimentos refeições e depois quando chega à mesa não tem fome."
refeições
de saciação rápida.
"Às vezes a gente quer que ela coma o jantar e ela diz
que não quer jantar, quer um prato de Cerelac ou de
Nestum. A gente sabe que o prato de Nestum ou
Cerelac é uma refeição mais para o lanche, mas às vezes
a gente cede só para ela não ir para a cama sem nada no
estômago, como é costume."

Influências Barreiras relacionadas com a "Para quem queira seguir um determinado regime
externas publicidade e marketing ou com a começa a ser mais complicado para os pais, porque
basta um colega trazer não sei o quê e ele diz logo
influência atual de outras pessoas
‹‹porque o outro traz sempre, e come sempre, e eu
que não os pais, como avós, irmãos e não››”.
pares da criança.
"Digamos, há coisas que a publicidade diz que a gente
tem de lhes mostrar que não é bem assim. Mas acho
que cada vez temos mais dificuldade em provar, as
coisas são tão bem feitas que às vezes é complicado."

" Eu acho que os avós têm mais tempo para eles e


acabam por lhes fazer mais as vontades. Eu nisto falo
por mim, nós tentamos seguir uma certa regra e depois
vem o avô e destrói a regra toda!"

165
__________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Tabela 4.35 (cont.)


Definições das categorias relativas às significações parentais relacionadas com autoeficácia/barreiras a uma
alimentação saudável

Categorias Definição Exemplos de unidades de registo

Preferências Preferência da criança por alimentos "A gente também não pode estar a obrigar sempre, não
alimentares não saudáveis, aversão por alimentos é que não deva, mas se a gente andar sempre a obrigar,
ele quando chegar ao ponto de ser ele a escolher que
saudáveis ou por experimentar
aquilo é que faz bem, ele diz que já está farto, e não
alimentos novos. quer."

"O caso dos legumes, as preferências dele, quando ele


não gosta é muito complicado estar a mudá-lo."

Pressão Efeito aversivo para os pais da "Ela tem de comer a quantidade que ela come, que ela
exercida pela insistência da criança em quer. Se eu forçar ela vai gritar e é pior. Ela come e
criança depois diz que não quer mais e não come."
comportamentos alimentares que
consideram inadequados. 38 "Acho que, falando por mim, vem de cansaço, vem de
uma certa dificuldade em resistir à pressão que a
publicidade faz, e os miúdos saem connosco ao
supermercado, querem metade dos corredores, porque
o amigo tem, porque há muitas ofertas, tudo tem
brinde, tudo tem brinquedo."

"O D. é muito teimoso, extremamente teimoso e por


vezes desistimos."

Emoções Dificuldade parental em concretizar "As emoções acabam sempre por influenciar. Se calhar,
parentais ações que promovam uma se estiver mais chateada tento fazer uma coisa mais
simples e mais rápida para não me estar a chatear, sem
alimentação saudável devido a
dúvida que isso às vezes acontece."
estados emocionais negativos dos
pais (ex.: stress, ambivalência). "Às vezes fico triste, fico aborrecida com ela, fico com
um nó no estômago porque ralho com ela e não gosto
que ela fique assim porque fica triste e enfim. Eu gosto
que a minha refeição seja uma refeição calma e
sossegada"

Na figura 4.12 encontram-se representadas as frequências das unidades de


registo para as categorias relativas às barreiras percecionadas pelos pais.

38
Quando, na verbalização, a pressão da criança é associada às preferências alimentares foi classificada
na subcategoria Preferências Alimentares
166
___________________________________________________________________________RESULTADOS

Frequência/tipo de refeições 3

Preferências alimentares 10

Emoções parentais 11

Pressão da criança 11

Contexto socioeconómico 12

Influências externas 15

0 2 4 6 8 10 12 14 16

Figura 4.12. Categorias das significações parentais relativas às barreiras a uma alimentação
infantil saudável - frequências das unidades de registos por categoria - frequências das
unidades de registos por categoria
Nota. total = 62 unidades de registo

As barreiras mencionadas abordam aspetos do sistema social bem como


outros mais diretamente relacionados com os pais e com a criança. A barreira mais
referida é a relacionada com as influências externas (e.g., marketing, avós, irmãos,
colegas). Seguem-se o contexto socioeconómico (e.g., dificuldades económicas,
características dos locais de venda e horários de trabalho), a pressão exercida pela
criança, as emoções parentais (e.g., stress, cansaço, ambivalência decisional) e as
preferências alimentares. A frequência/tipo de refeições é a barreira que os pais
menos mencionam.

Significações parentais relacionadas com autoeficácia/estratégias para a


promoção de uma alimentação saudável infantil. A partir das verbalizações
parentais foram identificadas nove categorias de estratégias que os pais utilizam
para promoverem uma alimentação saudável da criança (tabela 4.36).

167
__________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Tabela 4.36
Definições das categorias relativas às significações parentais relacionadas com autoeficácia/estratégias

Categorias Definição Exemplos de unidades de registo


Alteração de Preparação dos alimentos de "Sim, eles veem o verde, o laranja da cenoura, o roxo da couve…
refeições modo a facilitar a ingestão ou a quer dizer, acho que isso é importante."
torná-los mais atrativos.
"Da forma como o prato está decorado, porque os olhos também
comem um bocadinho. Eu noto pelos meus que quando vêm um
prato diferente, uma estrutura diferente, para eles é tudo uma
novidade e já comem com mais satisfação."

"A sopa se for toda passada já sei que levanta menos problemas,
por isso eu passo mesmo que seja só para ele."

Autogestão da Deixar a criança escolher as "Quando ele quer mais, a gente dá, mesmo que ele não vá comer,
criança quantidades ingeridas ou entre se ele não comer tudo, como já comeu, não faz mal."
alternativas saudáveis.
"Eu acho que sim, dentro da alimentação, se houver coisas que a
criança não gosta e prefira outras que também sejam saudáveis,
porque não adaptar? Eu acho que temos de ter em consideração
as características da criança. Acho que é importante porque senão
depois ela vai ganhar aversão ao comer."

“Desde que ela era bebé nunca me preocupei muito com as


quantidades. Quando ela pára de comer normalmente já comeu o
suficiente e não é uma criança que coma grandes quantidades.”

“Ele não come muitas porcarias nem grandes quantidades, dá


para o deixar à vontade. E também quando come mais de uma
vez, come menos a seguir”.

Estratégias coercivas Proibir, castigar, insistir "Não resulta com os mais velhos, mas nestas idades eu uso
verbalmente, criar regras e/ou castigos: ‹‹Se não comes, não sais da mesa, não vais ver televisão,
não vais para aqui nem para ali….››. São as técnicas habituais que
repreender.
todos os pais praticam, é normal.”

"Em casa, tenho uma rotina. Se não comerem não têm as mesmas
recompensas do que se comerem"

Estratégias de Fazer brincadeiras nas Hoje em dia, uma mãe para lhe dar de comer, para conseguir que
condicionamento refeições ou associadas ao ele coma, tem de brincar com ele."
positivo
alimento. Reforçar a ingestão
"Se ela estiver a fazer fita, a fazer uma birra para não comer, sou
de alimentos saudáveis. capaz de mudar a disposição, de forma a que ela fique mais feliz
para comer."

"Eu pessoalmente acho que desde pequenos devemos cultivar a


ideia do mérito ‹‹fizeste bem, vais ter uma recompensa, fizeste
mal, vais ter que fazer melhor para ter uma recompensa”. Isto
também se aplica à alimentação››.

168
___________________________________________________________________________RESULTADOS

Tabela 4.36 (cont.)


Definições das categorias relativas às significações parentais relacionadas com autoeficácia/estratégias
Categorias Definição Exemplos de unidades de registo
Dar informação à Explicar à criança as vantagens de uma “Para já, continuar a dar os bons conselhos, que eu acho
criança alimentação saudável. que nunca são demais. Podem ou não segui-los mas é
continuar a dar as explicações e os conselhos. Acho que
se eles já forem assim desde pequeninos, até podem
mudar mas fica sempre qualquer coisa."

"No fundo é tentar elucidar o que faz mal e o porquê,


por exemplo, as batatas fritas porque são gorduras e isso
implica que se coma poucas vezes."

Influências externas Modelagem e persuasão de terceiros "Ainda assim, a pessoa que melhor lhe dá a volta é o
(familiares ou outros). irmão mais velho, que consegue levar a experimentar
isto ou aquilo."

"Às vezes, para ele comer dizemos ‹‹Já viste, a mana


comeu tudo››.
Planear refeições Planear e/ou tomar medidas "O meu marido faz compras à semana e portanto
antecipadas para servir refeições planeia mais ou menos as refeições para a semana, o
que permite refeições mais variadas"
saudáveis.
"Se não a planearmos acabamos por cair no erro de
repetir demasiadas vezes um determinado tipo de
alimento."

Procura de Pesquisar informação junto


dos "Às vezes procuro informação junto do pediatra,
informação profissionais de saúde ou de fontes de sugestões que ele dê, ou na Internet, nas receitas e isso."
informação escrita ou em suporte
"Procuro às vezes nas revistas e tenho uns livros sobre
digital. alimentação. É útil porque permite mais variedade na
alimentação."

Acessibilidade Reduzir o acesso da criança a alimentos "A fruta está sempre em cima de mesa e acho que é
não saudáveis e/ou facilitar o acesso a importante porque mais facilmente ele vai buscar um
iogurte ou uma peça de frutas do que um pacote de
alimentos saudáveis.
bolachas, que não está tão acessível."

"Não tenho em casa os alimentos menos saudáveis e


quando tenho faço por tê-los em sítios mais
resguardados, onde ela não chegue."

As frequências das unidades de registo para cada categoria de estratégias


parentais são apresentadas na figura 4.13.

169
__________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Planear refeições 6
Condiciona mento positivo 6
Procura de informação 8
Alteração das refeições 8
Estratégias coercivas 10
Acessibilidade 12
Influências externas 16
Autogestão da criança 20
Dar informação à criança 32

0 5 10 15 20 25 30 35

Figura 4.13. Categorias das significações parentais relativas as estratégias para a


promoção de uma alimentação saudável infantil - Frequências das unidades de registo
por categoria
Nota: total = 118 unidades de registo

Mais de 25% das unidades de registo remetem para a estratégia de


informar a criança ou explicar-lhe as vantagens de uma alimentação saudável.
A estratégia seguinte mais referida foi a autogestão da criança.
Relativamente a esta categoria os pais abordam-na de forma diferente. Muitos
vêm-na como uma forma de expressão da individualidade da criança (e.g., “acho
que da mesma maneira que a gente come aquilo que quer, dentro de certas regras,
eles devem comer aquilo que os faz sentir bem”; “É importante também abrir o leque
e deixá-los explorar”). Outros recorrem à autogestão da criança como forma de
fundamentar o facto da criança comer menos do que os pais gostariam (“Ela não
gosta de comer muito, ela come pouco, é isso, eu não controlo, se ela quiser comer
sopa come, se não quer não come, mas ela come pouco”). Há pais que têm por
princípio a criança deve comer aquilo que quer (“ Se quiser comer come, se não
quiser não come”), embora alguns apliquem este princípio com alguns limites (“Eles
comem doses pequeninas, portanto, naquela dose pequenina há uma pequena
margem para poder deixar de parte. Eu fui um bocado traumatizada com uma avó
que enchia o prato todo e tínhamos de comer até rebentar e acho que isso não é
positivo”). Alguns pais referem que embora achem que a escolha deve ser deixada à
criança, esta estratégia não resulta obrigatoriamente em escolhas saudáveis (“Acho
que as crianças não devem viver numa escravatura mas… ele nem sempre vai ao
frigorífico para comer coisas que são saudáveis”).
170
___________________________________________________________________________RESULTADOS

Outro aspeto relevante é que a maioria dos pais descreve a autogestão da


criança como um princípio parental e só dois (i.e., últimos exemplos da categoria
autogestão, tabela 4.36) a referem como uma capacidade da criança de fazer
escolhas alimentares que lhe permitem a ingestão de nutrientes necessários em
quantidades adequadas (i.e., autorregulação).
Só alguns pais reconhecem a importância da acessibilidade dos alimentos
como uma possível estratégia educacional. Para além disso, é também relevante o
baixo número de verbalizações nas categorias de planeamento de refeições e
associação de contextos positivos à ingestão de alimentos saudáveis (i.e.,
condicionamento), dado que na literatura estas são geralmente associadas a
resultados positivos.
A maioria dos pais refere estratégias para a criança comer mais quantidades
ou mais alimentos saudáveis, e poucos referem estratégias com o objetivo de
reduzir as quantidades ou os alimentos menos saudáveis.

Significações parentais relativas aos modelos explicativos do


desenvolvimento dos comportamentos alimentares saudáveis da criança. A
análise das verbalizações relativas ao modo como os pais compreendem a ação dos
diferentes determinantes no desenvolvimento dos comportamentos alimentares
saudáveis dos filhos permitiu identificar quatro categorias principais: 1)
explicações centradas em fatores externos, 2) na criança, 3) na intervenção/ação
parental e, ainda, 4) na necessidade dos pais coordenarem diferentes perspetivas.
As subcategorias relativas a cada um destes grupos são apresentadas na tabela
4.37.

171
________________________________________________________________________________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Tabela 4.37
Definições das categorias relativas aos modelos parentais explicativos do desenvolvimento dos comportamentos alimentares saudáveis da criança
Categorias Definição Exemplos de unidades de registo

Centração em fatores externos

Centração em Os pais só conseguem que a criança tenha uma "Eu não consigo nada a não ser aos fins-de-semana. Ele passa mais tempo com os avós do que com os pais e
fatores alimentação saudável quando os determinantes os avós acabam por fazer todas as vontades ao menino, porque acham que o menino não pode chorar nem
externos fazer birra. Passa mais tempo com os avós e são esses os hábitos alimentares que ele aprende."
externos aos pais e à criança são favoráveis. Os fatores
externos explicam os comportamentos menos "Com o marketing acho que se torna muito difícil. Aquilo que nós compramos, também não controlamos o
saudáveis. que possui ou como é tratado!"

Centração na criança

Características A probabilidade dos pais conseguirem que a criança "É assim, se ela gosta come, se não gosta não come".
psicológicas da tenha uma alimentação saudável está inversamente
criança "Birras, ela faz muitas birras sempre que não quer comer e no supermercado quando quer que a gente lhe
relacionada com as reações negativas desta às
compre coisas. Quando ela faz isso já sei que não consigo nada."
propostas alimentares dos pais. Estas reações das
crianças dependem de características intrínsecas como "Ele ainda não percebe a vantagem de comer isto ou aquilo. Quando for mais velho já vai perceber."

personalidade, educação, idade e preferências


alimentares.

Negação ou não A ausência de ações parentais para o controlo da "Sim, porque se a gente não controlar então eles comem só porcarias, porque hoje em dia se vir, aliás, se os
reconhecimento alimentação da criança resulta em comportamentos deixarem, eles só comem porcarias. As batatas fritas, as gomas…"
da capacidade de
alimentares errados da criança. Integra a perceção de " Às refeições eu sirvo o prato e digo: podes comer. Porque se eu a deixo comer, ela come o que ela quer,
autorregulação da
criança que as opções autónomas da criança são sempre não porque ela come muito, só para quando está cheia"

saudáveis.

172
_________________________________________________________________________________________________________________________________________________R ESULTADOS

Tabela 4.37 (cont.)


Definições das categorias relativas aos modelos parentais explicativos do desenvolvimento dos comportamentos alimentares saudáveis da criança
Categorias Definição Exemplos de unidades de registo

Centração na criança (cont.)

Valorização da O controlo exaustivo sobre o que a criança come não é "Não, eu com o D. acho que não é preciso nós andarmos sempre em cima, a nível de alimentação, não sinto
capacidade necessário pois a criança tem capacidade para se necessidade de controlar constantemente. Ele chega a um ponto que ele próprio já está habituado a dizer:
Para, não como mais, estou satisfeito. Ele próprio já está habituado."
de autorregular, em termos de quantidade e/ou qualidade
autorregulação dos alimentos ingeridos.
alimentar da
criança

Centração na intervenção /ações parentais

Presença Uma condição indispensável para que os pais promovam "Quando está connosco é fácil, agora se não estiver sempre connosco, é um bocadinho complicado porque a
parental uma alimentação saudável é estarem presentes quando a gente não pode estar ali sempre em cima, se ela estiver em algum lado a gente não pode dizer «come isto e
aquilo», a gente não sabe se eles fazem ou deixam de fazer."
criança ingere alimentos. Nas situações em que estão
ausentes perdem a sua capacidade de influência.

Eficácia das Os pais podem conseguir que a criança tenha uma "Às vezes, a maior dificuldade é o que fazer, tentar variar um bocadinho mas torna-se complicado. Eu,
pessoalmente, acho que nós, mães, temos muito em que pensar, e há sempre isto e aquilo, mas tudo se
estratégias alimentação saudável na medida em que têm formas
consegue."
parentais eficazes para impor a sua vontade à criança e/ou
"Está claro que para os pais que têm crianças mais difíceis é mais complicado conseguirem que eles comam
ultrapassar as barreiras a uma alimentação saudável.
bem, mas há sempre outras formas de lá chegar."

"Eu em casa lido bem com ele, na rua quando começa a fazer birras e as pessoas começam a olhar para nós,
aí já acabo por ceder"

173
________________________________________________________________________________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Tabela 4.37 (cont.)


Definições das categorias relativas aos modelos parentais explicativos do desenvolvimento dos comportamentos alimentares saudáveis da criança

Categorias Definição Exemplos de unidades de registo

Centração na intervenção /ações parentais (cont.)

Autorregulação Os pais podem conseguir que a criança tenha uma "Está claro que se pode controlar muito mais: falar com a educadora sobre o que ele comeu, perguntar-lhe a
parental alimentação saudável na medida em que têm estratégias ele, eu devia fazer isso mas não tenho esse hábito."

para lidar com as suas próprias dificuldades (ex.: falta de


"Uma pessoa quando chega a casa vem tão cansada, por vezes teve um dia complicado, tem tantas coisas
tempo, saturação, pena da criança, preocupações). ainda para fazer, acaba por cozinhar o que é mais rápido, ter o jantar despachado. Não é o correto, mas é o
que se consegue!"

Centração na coordenação de perspetivas

Necessidade de As ações e estratégias parentais podem ter efeitos "Quanto mais se fecha e mais se controla, maior é o estrago."
equilíbrio nas negativos, que se sobrepõem aos positivos, tais como
"Não o vou forçar a comer uma coisa que ele não quer. A criança sente-se, começa a ficar aborrecida"
ações parentais agravar o estado emocional da criança, reforçar a
preferência por alimentos proibidos ou a aversão por "Se elas comessem só o que nós queríamos provavelmente não provavam de tudo e ficariam com a
alimentos saudáveis. expectativa de saber como seria comer aquilo que até, se provassem, poderiam nem gostar!"

Direito da Mesmo que as escolhas alimentares da criança não sejam "Eu também como aquilo de que gosto e sei que às vezes não como assim coisas tão boas como devia, mas
criança à livre inteiramente saudáveis, deve ser dada oportunidade à acho que isso faz parte. Faz parte podermos comer o chocolatinho e é uma questão de satisfação e de prazer
e de fazermos as nossas vontades de vez em quando."
escolha de criança de escolher, explorar e/ou experimentar prazer na
alimentos alimentação. "Ela pode comer, mas de forma controlada. Às vezes dou-lhe esse espaço, dou-lhe corda mas não a dou
toda. É a tal coisa das bolachas. Ela é doida por bolachas. Ela agora quer comer bolachas e eu deixo mas, em
vez de ser a quantidade que ela quer, controlo e pode comer duas, mais não."

"Eu às vezes pergunto o que ele quer para o jantar, ele diz e eu faço. É importante para ele sentir que
também tem um papel nas decisões"

174
_________________________________________________________________________________________________________________________________________________R ESULTADOS

Tabela 4.37 (cont.)


Definições das categorias relativas aos modelos parentais explicativos do desenvolvimento dos comportamentos alimentares saudáveis da criança

Categorias Definição Exemplos de unidades de registo

Centração na coordenação de perspetivas (cont.)


Educação VS. A promoção de uma alimentação saudável é um processo "Eu acho que nós temos de ensiná-los, o que devem ou não comer e que, às vezes, aquilo que ela come
controlo que faz parte da educação. Educar é diferente de controlar não deve ser comido. É mais isso do que propriamente o proibir. Proibindo a gente não consegue nada, às
vezes só pioramos. O importante é explicarmos o porquê de não poder comer aquilo."
ou impor, implicando outras dimensões (e.g., explicar, ter
consciência das suas próprias preferências, desenvolver "E se for acompanhada devidamente e for aprendendo o que é bom e mau e sabendo separar dentro das
competências de decisão alimentar da criança). preferências, penso que a criança depois vai eventualmente fazer isso no futuro, vai optar por uma
alimentação saudável e vai passar aos seus descendentes."

Coordenação de Os pais conseguem que a criança tenha uma alimentação "Depende da condição de cada um. Se eu não tivesse a ajuda do meu marido e do meu filho que também
determinantes saudável na medida em que coordenam a sua vontade está a trabalhar, eu não conseguia dar-lhe uma alimentação como deve ser. Se fosse eu sózinha, eu não
conseguia."
pessoal relativamente à alimentação da criança com outros
determinantes alimentares (e.g., controlo indireto para não "Seria ótimo eles comerem só o que nós queríamos, mas penso que é um bocadinho impossível porque há
sempre o fator pessoal, preferencial da criança e temos de ter isso em conta."
gerar reações negativas; concentrar a ação em casa para
compensar a possibilidade limitada de intervenção na "Como mãe galinha digo que gostaria de controlar tudo o que ele come mas se calhar é preferível que não.
Acho que ele não ia gostar que eu estivesse sempre a controlar, eu não faço isso! Quer dizer, faço-o
escola; adaptação da exigência dos objetivos parentais ao
indiretamente mas não o controlo a esse nível, e o pai também não."
grau de colaboração do resto da família).

Impossibilidade A alimentação da criança não deve ser totalmente "Não é bom ele comer só o que eu acho certo, porque o meu Universo é um Universo muito pequenino e
de dominada pela vontade dos pais porque é impossível o eu está-lo a limitar ao meu Universo acho que não é minimamente bom."

conhecimento conhecimento absoluto sobre qual a alimentação ideal para "Acho que está cada vez mais complicado saber se nós realmente fazemos as melhores coisas. Quando falo
absoluto a criança, ou porque não existe um só conceito de nos vegetarianos, é um bocado por isso, porque se calhar eles estão certos…eu acho que isto é tudo muito
complicado."
alimentação ideal (ex.: vegetarianismo, alimentação como
padrão específico à cultura do indivíduo).

175
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Mais de metade das verbalizações parentais centram-se na necessidade de


coordenação de perspetivas, indicando que muitos pais percecionam que os seus
desejos em relação à alimentação do filho têm de ser coordenados com: i) outros
determinantes do comportamento alimentar que os pais nem sempre podem
controlar, ii) outros objetivos parentais (e.g., ganho de autonomia da criança;
equilíbrio nas ações parentais; outros objetivos educacionais), e com iii) as
próprias incertezas dos pais (impossibilidade de conhecimento absoluto).
Um número elevado de pais centra as suas explicações do comportamento
alimentar infantil na intervenção/ação dos pais. A subcategoria mais verbalizada
reflete a crença que a alimentação saudável depende da eficácia das estratégias
utilizadas pelos pais. Ainda neste grupo há um número significativo de pais que
verbaliza a crença de que só poderão promover a alimentação saudável do filho em
situações em que estão presentes e não nas outras (e.g., escola). Poucos pais
referem a capacidade dos resolverem as dificuldades pessoais com que se
confrontam (i.e.,stress, falta de tempo) como um determinante fundamental.
Um número reduzido de pais considera os fatores externos ou as
características da criança como o principal determinante dos hábitos alimentares
infantis. Salienta-se que enquanto alguns pais afirmam a capacidade dos seus filhos
para, sozinhos, fazerem opções saudáveis, outros pais negam esta capacidade da
criança.

Objetivo 9 - Identificar as principais diferenças nas significações parentais


relacionadas com a alimentação infantil em função do IMC e da qualidade dos
hábitos alimentares da criança

Diferenças entre as significações dos pais com filhos com excesso de peso e
pais com filhos com peso normal.

Os determinantes do da alimentação saudável é uma das temáticas em que


os dois grupos de pais mais se diferenciam. Os pais das crianças com peso normal
(PN) referem mais os determinantes parentais e os culturais /exposição. Para os

176
___________________________________________________________________________RESULTADOS

pais das crianças com excesso de peso (EP) o determinante mais referido foram as
preferências alimentares, as quais são o determinante menos referido pelos PN.
Assim, enquanto os EP estão mais centradas num determinante que consideram
mais difícil de mudar (i.e., preferências alimentares), os PN dão mais relevância à
influência parental e a fatores culturais que são, muitas vezes, mediados pelos pais
(e.g., "Se calhar as pessoas que estão mais próximas de nós, e aquilo que elas nos
passaram, influenciam o que nós damos aos nossos filhos.").

Relativamente aos determinantes das preferências alimentares das


crianças, as significações parentais nos dois grupos não apresentam diferenças
relevantes e seguem um padrão semelhante ao apresentado para os pais em geral
(figura 4.9). Contudo os PN referem mais a exposição que os EP e menos os
determinantes inatos.

Nos dois grupos os pais fazem mais referências relativas às consequências


físicas do que psicológicas. Contudo os PN tendem a referir mais vezes as variáveis
psicológicas do que os EP. As consequências físicas mais referidas nos dois grupos
são a saúde física e o evitamento de doenças. Contudo existem algumas diferenças
ligeiras. A agilidade motora é mais referida pelos PN, enquanto as EP referem mais
as categorias evitamento de doenças e outras (i.e., não passar fome, evitar
emagrecimento e intoxicações). Quanto às consequências psicológicas, os PN
centram-se mais na aquisição de hábitos alimentares futuros, enquanto as
verbalizações dos EP se distribuem de forma semelhante por todas as categorias
de consequências psicológicas, à exceção do evitamento de feedback social
negativo, que não é referido por nenhum dos pais deste grupo.

Nas barreiras a uma alimentação saudável os EP quase não referem a


pressão da criança, enquanto verbalizam com maior frequência do que os PN as
limitações socioeconómicas e as influências externas.

Das estratégias para a promoção de uma alimentação saudável infantil a


mais referida pelos dois grupos é o dar informação à criança, mas esta é bastante
mais frequente nos EP. Os PN referem mais a acessibilidade dos alimentos,

177
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

estratégias coercivas, o planear refeições e o condicionamento positivo do que os


EP. Estes não referem as duas últimas estratégias.

Relativamente aos modelos parentais explicativos do desenvolvimento dos


comportamentos alimentares da criança, os PN centram-se na coordenação de
determinantes e na presença parental para a explicação do comportamento
alimentar infantil. Este grupo de pais não apresenta referências à autorregulação
parental. Em contrapartida os EP tendem a referir mais a necessidade de permitir
a livre escolha à criança, e que a criança terá comportamentos alimentares
saudáveis em função da eficácia das estratégias utilizadas pelos pais.

Diferenças entre as significações dos pais com filhos com melhores hábitos
alimentares e pais com filhos com piores hábitos alimentares

Os determinantes do comportamento alimentar mais referidos pelos pais


com filhos com os melhores hábitos alimentares (MHA) são os parentais e os
culturais /exposição. As verbalizações dos pais com filhos com os piores hábitos
alimentares (PHA) distribuem-se de forma mais ou menos uniforme pelas
diferentes categorias, sendo as categorias que apresentam um número de
verbalizações ligeiramente mais elevadas: refeições na escola, publicidade, outros
inatos e culturais/exposição, que, à exceção deste último, são determinantes em
que os pais têm menor influência. Salienta-se que poucos PHA referem as
preferências alimentares.

Os PHA dão menos relevância que os MHA à exposição aos alimentos na


determinação das preferências alimentares e nenhum deles refere as estratégias
parentais, o que já não acontece com os MHA.

Embora os dois grupos se centrem nas consequências para a saúde física e


no evitamento de doenças, os PHA verbalizam mais que os MHA o facto da
alimentação saudável permitir ter energia suficiente e evitar situações de ingestão

178
___________________________________________________________________________RESULTADOS

nutricional insuficiente. Para as consequências psicológicas, a criação de hábitos


alimentares futuros é bastante mais valorizada pelos MHA.

As barreiras mais referidas pelo grupo de MHA são a pressão da criança e as


emoções parentais, enquanto os PHA se centram nas limitações socioeconómicas e
principalmente nas influências externas.

As estratégias parentais apresentam também diferenças importantes nos


dois grupos. As mais referidas pelos MHA são a acessibilidade de alimentos
saudáveis e o dar informação à criança. A estratégia mais referida pelos PHA é a
autogestão da criança que é vista, na maioria dos casos, como um princípio dos
pais em deixar a criança decidir quantidades e/ou alimentos que come e não
propriamente o fomentar que a criança opte por alternativas saudáveis. Os PHA
verbalizam também mais do que os MH as estratégias coercivas e a alteração das
refeições (moer, tornar o prato mais atraente) sendo estas estratégias utilizadas
para levar a criança a comer mais e por isso fomentando uma ingestão de
quantidades maiores.

A maioria dos MHA explicam o comportamento alimentar recorrendo à


eficácia das estratégias parentais, à necessidade de coordenação de determinantes
e à presença parental. Mais de metade das verbalizações dos PHA foca a eficácia
das estratégias parentais para explicar os comportamentos alimentares dos filhos.
A segunda categoria mais referida neste grupo é a impossibilidade do
conhecimento absoluto.

179
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

180
5.
DISCUSSÃO DE
RESULTADOS

 Características das crianças e dos pais


 Determinantes e fatores correlatos dos hábitos
alimentares infantis
 Correlatos do conhecimento nutricional e da perceção
parental de peso
 Inter-relações entre a atribuição de autoeficácia,
atribuição de controlo e preocupação parental
 Correlatos do IMC
 Significações parentais relacionadas com a alimentação da
criança
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

A discussão dos resultados está organizada em função dos temas centrais sobre o
qual incide o presente trabalho. Será feita a discussão dos resultados relativos aos
fatores correlatos e preditores dos hábitos alimentares. Em seguida serão
abordados os resultados referentes ao conhecimento nutricional dos pais e à
perceção parental de peso. Serão ainda discutidas as relações entre três das
variáveis cognitivas parentais: preocupação, atribuições de controlo e de
autoeficácia parental. Segue-se a discussão dos resultados relativos à relação do
IMC com as variáveis em estudo. Por fim, serão analisadas as principais conclusões
relativas ao estudo das significações parentais relacionadas com a alimentação da
criança. Previamente, e iniciando o capítulo, será feita uma breve análise dos
resultados descritivos da amostra.

5.1. Características das crianças e dos pais

Características da criança

O presente estudo teve como amostra 231 crianças pré-escolares e seus


pais, inscritas nos jardins-de-infância oficiais da zona Norte de Loures. Cerca de
64% das crianças apresenta hábitos de qualidade média, cerca de 20% têm bons
hábitos e poucas crianças (16%) têm maus hábitos alimentares. Relativamente aos
resultados mais específicos constata-se que a maioria das crianças toma o
pequeno-almoço, o lanche da manhã e o da tarde, o almoço e o jantar. Só 25% das
crianças toma uma refeição entre o jantar e o deitar. Ao fim de semana os padrões
das refeições são semelhantes, à exceção de um número superior de crianças que
não toma o lanche da manhã.
Estes resultados apontam para um número mais adequado de refeições do
que os encontrados para crianças alemãs da mesma idade (Toschke,
Thorsteinsdottir & Kries, 2009), das quais só 28% toma cinco ou mais refeições.
Alguns estudos nacionais avaliam somente a frequência do pequeno-
almoço. Salienta-se que para as crianças portuguesas este comportamento será

182
__________________________________________________________________DISCUSSÃO DE RESULTADOS

pouco discriminatório da qualidade dos hábitos alimentares infantis, dado que os


estudos apontam para que mais de 90% de crianças portuguesas toma esta
refeição (e.g., Rito, 2008; Currie et al., 2012). Este valor está de acordo com os do
presente estudo.
O número reduzido de crianças que toma todos os dias uma refeição entre o
jantar e o deitar está de acordo com um estudo com uma amostra portuguesa
representativa das crianças do ensino básico e adolescentes (Ferreira, 2010), que
concluiu que que cerca de 50% dos inquiridos nunca tomava esta refeição. Em
crianças pré-escolares este comportamento poderá estar relacionado com um
curto intervalo de tempo entre a hora do jantar e de deitar nos padrões familiares
portugueses.
Relativamente à frequência de ingestão de alimentos verifica-se que a
maioria das crianças: a) tem um consumo adequado de carne branca, laticínios,
sopa, fruta, cereais e leguminosas, b) consome em excesso alimentos temperados
com sal, doces fora das refeições, refrigerantes e sobremesas doces c) ingere
quantidades inferiores ao ideal de peixe e alimentos integrais. Os vegetais são
consumidos com a frequência adequada por cerca de metade das crianças.
McGowan e colaboradores (2012) chegaram a resultados semelhantes ao do
presente estudo relativamente ao consumo de fruta, vegetais e refrigerantes em
crianças pré-escolares inglesas.
Não são conhecidos estudos detalhados sobre frequência alimentar das
crianças portuguesas desta faixa etária. Comparando com o grupo mais jovem (11
anos) do projeto Health Behavior in School children 2009-2010 (Currie et al.,
2012) pode-se constatar que os valores para a ingestão de uma peça de fruta diária
são bastante mais elevados no presente estudo (84%) do que no HBSC (42%).
Relativamente ao consumo de refrigerantes, as diferentes metodologias de
avaliação não permitem uma comparação fiável entre os dois estudos.
O estudo de Ferreira (2010) identificou resultados semelhantes aos nossos,
relativamente ao consumo satisfatório de laticínios meio-gordos, ao maior
consumo de carne branca em relação à carne de vaca ou porco e ao consumo
deficitário de peixe. Contudo, para outro tipo de alimentos os resultados são
divergentes. As crianças do ensino básico e adolescentes portugueses consomem
menos fruta, sopa, leguminosas, cereais, peixe e sobremesas doces, tendo um

183
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

consumo superior de fastfood. Estes resultados podem ser indicadores de uma


deterioração na qualidade dos hábitos alimentares entre a pré-primária e os ciclos
de estudo seguintes. No entanto, a comparação deve ter em conta que no presente
estudo os dados foram relatados pelos pais, enquanto no estudo de Ferreira
(2010) se trata do auto-relato das crianças.
A variedade de alimentos ingerida pela maioria das crianças do presente
estudo é razoável. Uma percentagem reduzida consome cinco ou mais variedades
de alimentos, o que não é negativo, pois uma variedade excessiva pode estar
associada a sobrealimentação (McCrory e al., 1999). À exceção das frutas, onde a
variedade é maior, a maioria das crianças ingere 2 a 4 variedades semanais. É no
grupo das leguminosas que as crianças apresentam uma menor variedade (1 a 3
por semana).

No que concerne ao IMC da criança, verifica-se que a maioria apresenta


peso normal, sendo que 3,4% tem baixo peso e 35,8% apresenta excesso de peso.
Nestas últimas, a percentagem de crianças com pré-obesidade (17,4%) e obesidade
(18,4%) é semelhante. Os estudos epidemiológicos com amostras representativas
a nível nacional incidem sobre crianças e jovens a partir dos 6 anos. Contudo,
existem vários estudos regionais que avaliam crianças pré-escolares, os quais
apresentam na sua maioria valores entre os 30 a 35% de crianças com excesso de
peso. Alguns encontram uma percentagem de crianças obesas semelhante ao do
presente estudo (Afonso, 2009; Cordinhã, Paúl & Fernandes, 2009; Freitas, 2008),
enquanto outros indicam percentagens inferiores de crianças obesas com valores
superiores para as crianças pré-obesas (Duarte, 2008; Gomes, Espanca, Gato &
Miranda, 2010; Mira, 2006; Rito, 2006; Paúl, Rocha & Mota, 2006). Dado que se
tratam de estudos regionais, é importante contextualizar os resultados do nosso
estudo em função da origem geográfica da amostra. Rito e colaboradores (2008)
identificaram que na zona de Lisboa e Vale do Tejo (onde se inclui Loures) a
percentagem de crianças obesas era uma das mais elevadas de Portugal
Continental (15,6%, pelos critérios do CDC) e superior ao valor médio nacional, o
que apoia os valores elevados de obesidade encontrados no nosso estudo.

184
__________________________________________________________________DISCUSSÃO DE RESULTADOS

Quanto às preferências alimentares das crianças, verificou-se que a maioria


tem preferências medianamente saudáveis, 27,3% apresenta preferências mais
saudáveis e 21,8% tem preferências menos saudáveis. São poucos os estudos que
permitam uma comparação com estes resultados, pois a maioria não apresenta
dados descritivos. Contudo, os valores encontrados estão de acordo com outros
estudos nacionais que utilizaram uma metodologia semelhante de avaliação
(Pataco, 2013; Viveiros, 2012).

Relativamente ao tempo de visionamento de televisão os resultados


mostram que a maioria das crianças gasta em média 10 a 20 horas por semana
nesta atividade. Este valor é superior ao máximo ideal de 1 a 2 horas por dia
(American Academy of Pediatrics, 2001). O número de horas que a maioria das
crianças vê televisão aos dias de semana (1-2 horas) e fim-de-semana (2-4h) é
semelhante aos valores de um estudo nacional (Rito et al., 2008). Não se pode
concluir que haja um aumento de sedentarismo ao fim de semana, pois de acordo
com o estudo de Rito e colaboradores o aumento do tempo de visionamento de
televisão é compensado com um aumento de horas ocupadas a brincar fora de
casa, durante o fim-de-semana.
Mais importante do que estes valores, é de salientar que durante a semana
23,1% de crianças vê 3 a 4 horas diárias de televisão. Isto poderá indicar que, para
estas crianças, a maior parte do tempo que estão acordadas em casa, aos dias de
semana, é passado a ver televisão.

Características parentais

Um dos objetivos centrais deste estudo foi a exploração de dimensões


parentais eventualmente associadas aos hábitos alimentares das crianças pré-
escolares. Apresenta-se em seguida uma análise dos resultados descritos relativos
a cada uma destas dimensões.
O estilo parental relacionado com a alimentação tem sido associado aos
hábitos alimentares dos filhos. No nosso estudo, verificámos que, quanto à
dimensão parental de responsividade a média da amostra é baixa, enquanto a

185
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

dimensão de exigência apresenta um valor médio. A maioria dos pais avaliados


distribuem-se pelos estilos alimentares permissivo (36,3%) e autoritário (30,5%).
Os pais permissivos não criam regras relativas à dieta da criança, os limites do
consumo são definidos essencialmente pela disponibilidade de alimentos, mas
estão preocupados em gerarem interações calorosas com o filho durante as
refeições. Os pais com estilo alimentar autoritário impõem regras alimentares
centradas nos objetivos parentais, que fazem cumprir através de controlo,
supervisão e restrição alimentar. Estes dois estilos poderão ter um impacto
negativo na educação alimentar da criança pré-escolar. No caso dos pais de estilo
permissivo, a criança terá uma maior autonomia do que o desejável e as suas
preferências menos saudáveis poderão ter um papel mais importante do que o
desejável na determinação dos seus hábitos alimentares. No caso dos pais com
estilo autoritário, embora possam impor padrões saudáveis no momento atual,
poderão conduzir a maiores erros alimentares assim que a criança adquire maior
autonomia.
Os resultados encontrados relativos aos estilos parentais relacionados com
a alimentação são próximos aos de outros estudos, tanto estrangeiros (Hoerr et al.,
2009; Hughes, 2005; Vereecken, Legiest, De Bourdeaudhuij & Maes, 2009), como
nacionais (Fernandes, 2010), embora estes apresentem uma percentagem superior
de pais autoritários em relação aos pais permissivos.

Relativamente ao conhecimento nutricional, identificou-se que a grande


maioria dos pais apresenta valores satisfatórios, sendo que a maioria tem um
conhecimento médio, seguindo-se os pais com conhecimento elevado (35,6%) e só
cerca de 12% têm um conhecimento nutricional baixo. O facto de os pais terem na
sua maioria uma informação nutricional razoável é confirmado por outros estudos
nacionais e estrangeiros, tanto para pais de crianças pré-escolares (Costa, Nunes;
Duarte & Pereira, 2012; McGarvey et al., 2004), como para pais de crianças e
jovens de um leque mais alargado de idades (Variyam, Blaylock , Lin, Ralston &
Smallwood, 1999).
Estes resultados estarão possivelmente relacionados com a forte aposta de
conteúdos nutricionais nos curriculos escolares e também com a divulgação de
informação nutricional pela comunicação social.

186
__________________________________________________________________DISCUSSÃO DE RESULTADOS

Verificou-se que um pouco mais de metade dos pais avaliados tem uma
perceção errada do peso da criança, sendo que 44,1% subestiam o peso e 7,2%
incorrem no erro de sobrestimação do peso do filho. Estes valores integram-se na
amplitude de percentagens da maioria dos estudos nacionais e internacionais (i.e.,
45 a 98% de pais distorce o peso do filho), sendo que na maioria dos estudos esta
percentagem é superior a 50% (Aparício, Cunha, Duarte & Pereira, 2011; Gomes,
Espanca, Gato & Miranda, 2010; Macedos, Festas & Vieira, 2011Parry, Netuveli,
Parry & Saxena, 2008; Towns & D’Auria, 2009).
As conclusões do presente estudo confirmam que a grande maioria dos pais
que têm filhos obesos (88,9%) ou com excesso de peso (97,2%) subavaliam o peso
da criança, o que está de acordo com a generalidade dos estudos nacionais e
estrangeiros (Aparício et al., , 2011; Doolen, Alpert & Miller, 2009; Fitzgibbon &
Beech, 2009; Gomes et al., 2010; Parry et al., , 2008; Towns et al.,, 2009)

Relativamente às restantes variáveis cognitivas a maioria dos pais descreve-


se como pouco preocupado com o peso atual da criança, com elevada autoeficácia
para fazer mudanças na dieta da criança e atribuindo-se um controlo elevado
sobre o que a criança come.
Relativamente à preocupação com o peso da criança, a maioria dos pais
distribui-se pelas categorias nunca (23%) e poucas vezes (29,6%). Só 19,1% diz
estar quase sempre ou bastantes vezes preocupado com o peso da craiança.
São bastante diversos os graus de preocupação parental com o peso que se
encontram noutros estudos. Por exemplo, Campbell, Williams, Hampton e Wake
(2006) encontraram também 19% de pais preocupados com o peso da criança mas
quando esta tinha excesso de peso, enquanto que só 4% dos pais das crianças
normoponderais tinham esta preocupação. Wake e colaboradores (2002)
encontraram valores mais baixos: 12% de pais preocupados com o peso atual da
criança. Em contrapartida, outros dois estudos, um com crianças dos 4 aos 8 anos
(Etelson, Brand, Patrick & Shirali, 2003) e outro com crianças mais velhas (Spruijt-
Metz, Li, Cohen, Birch & Goran, 2005), encontram níveis bastante mais elevados de
preocupação (e.g., cerca de 70% de pais muito preocupados). Um estudo português
(Costa, 2010) encontrou também valores mais elevados do que os do presente
estudo, embora avalie a preocupação com o excesso de peso da criança no futuro,

187
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

em relação à qual os pais manifestam habitualmente valores mais elevados


(Campbell et al., 2006; Parkinson et al., 2011).

A quase totalidade dos pais situa-se entre as categorias que indicam níveis
médios e elevados de autoeficácia. Só 3% dos pais se situou nas duas categorias de
menor autoeficácia. A avaliação da autoeficácia em pais de crianças de cinco anos é
bastante relevante, pois este é um período de desenvolvimento em que claramente
há uma redução da autoeficácia parental relacionada com a alimentação dos filhos
(Campbell, Hesketh, Silverii & Abbott, 2010; Hesketh & Campbell, 2007), o que
está de acordo com o progressivo ganho de autonomia das crianças.
Muitos dos estudos que focam a autoeficácia parental para gerar mudanças
na alimentação da criança são qualitativos e/ou focam-se mais na identificação de
barreiras a uma alimentação saudável. Por esta razão são poucos os dados
disponíveis para comparação. Campbell e colaboradores (2010) encontram
resultados semelhante de autoeficácia em pais de crianças de cinco anos. Taveras,
Mitchell & Gortmaker (2012) encontraram valores mais baixos de autoeficácia
parental, mas numa amostra com uma maior amplitude etária das crianças (2-12
anos) e focando a autoeficácia relativa à mudança de uma maior variedade de
comportamentos (alimentação, televisão, atividade física).

A maioria dos pais tem uma atribuição elevada de controlo sobre o que a
criança come. Setenta e oito por cento dos pais considera que controla quase
sempre e Bastantes vezes. Só 4% dos pais consideram que controla Poucas vezes ou
Nunca. Identificou-se que os pais têm uma atribuição de maior controlo nas
situações de ingestão em casa do que fora de casa. Apesar das estratégias que os
pais utlizam para controlar a alimentação da criança serem muito abordadas na
literatura, a atribuição parental de controlo sobre a alimentação da criança tem
sido alvo de poucos estudos. O único estudo conhecido que apresenta resultados
descritivos é o de Kersey, Lipton, Quinn e Lantos (2010), que aponta para valores
inferiores aos do presente estudo (52% dos pais considerava controlar bastante,
37% um pouco e 5% nada), o que em parte se pode justificar pela facto da
avaliação ser feita em relação ao controlo do peso e não só da alimentação.

188
__________________________________________________________________DISCUSSÃO DE RESULTADOS

5.2. Determinantes e fatores correlatos dos hábitos alimentares das


crianças

Neste estudo identificámos como preditores dos hábitos alimentares as


preferências alimentares da criança, o tempo de visionamento de televisão, a
responsividade e a atribuição de controlo parental. O modelo global com estas
variáveis é válido e explica uma percentagem reduzida, mas mesmo assim
relevante (cerca de 18%), da variabilidade dos hábitos alimentares. A atribuição de
autoeficácia e o conhecimento nutricional dos pais, embora não aumentem o poder
explicativo do modelo, estão correlacionados com os hábitos alimentares. Todas as
restantes características dos pais (i.e., demográficas, tipologias do estilo parental,
exigência, preocupação, e perceção parental de peso) e o sexo da criança não
apresentaram relações significativas com os hábitos alimentares.

A relação inversa entre o tempo de televisão e a qualidade dos hábitos


alimentares está de acordo com a maioria dos estudos (e.g., Halford et al., 2007;
Hare-Brunnet al., 2011). Esta relação pode ser em parte explicada pelo facto de as
crianças que vêm mais televisão serem expostas a mais publicidade alimentar, o
que interfere negativamente na qualidade da ingestão alimentar.
Contudo, algumas características parentais poderão também estar
subjacentes à relação entre a alimentação da criança e o tempo de visionamento da
televisão. Numa revisão de estudos qualitativos sobre significações parentais
relacionadas com a alimentação infantil (Pocock, Trivedi, Wills, Bunn &
Magnusson, 2010) vários dos trabalhos identificam que os pais justificam o tempo
excessivo que os seus filhos passam a ver televisão com a falta de disponibilidade
para promoverem outras atividades da criança. Os pais atribuem esta falta de
disponibilidade a diversos fatores: falta de tempo, cansaço, excesso de tarefas
dentro e fora de casa, vários filhos em casa. Por outro lado, alguns pais valorizam o
efeito distrativo da televisão, permitindo que as crianças “não incomodem” os
adultos. Com base nestes dados poder-se-á colocar a hipótese de que os pais que
sentem esta falta de disponibilidade para reduzir o tempo de visionamento de
televisão dos filhos estarão também pouco recetivos a efetuarem mudanças nos
hábitos alimentares dos filhos, as quais lhes exigiriam um esforço suplementar.

189
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

O estudo da influência das preferências alimentares na explicação dos


hábitos alimentares é particularmente relevante em crianças pré-escolares, na
medida em que a autonomia de escolha alimentar é ainda limitada, sendo que a
família e a escola têm um papel preponderante na determinação do que a criança
come. Dos resultados obtidos conclui-se que as preferências da criança, embora
não estejam diretamente correlacionadas, têm algum peso na determinação dos
hábitos alimentares. Esta associação parece indicar que aos cinco anos as crianças
têm alguma liberdade para escolher de acordo com as suas preferências
alimentares. Contudo, podem também resultar do facto de os pais escolherem
alimentos que estão de acordo com as preferências da criança (Roberts, 2006).
Dois outros estudos avaliam a relação entre os hábitos e as preferências
alimentares. Fisher e Birch (1995), em contexto laboratorial com crianças pré-
escolares, identificaram que as preferências e o consumo de alimentos ricos em
gordura estavam correlacionados. O presente estudo não foi feito em ambiente
laboratorial o que poderá diminuir a relação entre as duas variáveis, dada a
influência de outros fatores, como a acessibilidade dos alimentos preferidos.
No estudo de Reniscow e colaboradores (1997) foram avaliadas as
preferências e consumo de frutas e vegetais em crianças mais velhas (8-10 anos).
As preferências eram um dos preditores dos hábitos de ingestão de frutas e
vegetais e, ao contrário do presente estudo, estavam correlacionadas com o
consumo. A avaliação só com base em fruta e vegetais facilitará a identificação de
relações diretas entre consumo e preferência, ao contrário do presente estudo em
que foi avaliada a relação entre a qualidade global das preferências e dos hábitos
alimentares da criança. Por outro lado, esta diferença poderá indicar que a
correlação entre preferências e hábitos alimentares aumenta com a idade (i.e.,
autonomia de decisão), embora só estudos longitudinais possam confirmar esta
hipótese.

Poucos estudos focam a relação dos hábitos alimentares com os estilos


parentais relacionados com a alimentação, sendo que a maioria se foca na
associação destes com o IMC da criança (Ventura & Birch, 2008).

190
__________________________________________________________________DISCUSSÃO DE RESULTADOS

A partir dos resultados obtidos conclui-se que a dimensão de


responsividade parental está correlacionada e é um dos preditores dos hábitos
alimentares da criança. Assim, os pais que intencionalmente promovem a
individualidade, a autorregulação e a autoafirmação da criança, sendo empáticos e
protetores da criança, dando apoio e sendo sensíveis às suas necessidades, têm
maior probabilidade de ter filhos com melhores hábitos alimentares.
Vários estudos chegam a conclusões semelhantes. Os resultados obtidos por
Kim (2006, citado por Sleddens et al., 2011) com crianças do primeiro ao quarto
ano de escolaridade indicam que apenas a dimensão de “nurturance” (semelhante
à dimensão de responsividade) tem uma relação inversa com o consumo calórico
da criança.
McPhie e colaboradores (2013) identificaram, num estudo longitudinal de
um ano, que a responsividade parental era preditor (relação inversa) dos hábitos
alimentares não saudáveis em crianças pré-escolares. Pelo contrário a dimensão
de controlo parental (semelhante à dimensão de exigência) não estava relacionada
nem com o peso nem com a qualidade dos hábitos da criança.
Será importante ver esta relação de uma forma bidirecional. Se as
dimensões parentais poderão influenciar os hábitos alimentares da criança, a
relação inversa também poderá ocorrer. Os pais que têm filhos com hábitos
alimentares pouco adequados e que resistem mais às propostas parentais poderão
lidar com esta situação definindo regras alimentares e controlando o seu
cumprimento, aproximando-se assim de um perfil de exigência.
Alguns estudos apontam que no período pré-escolar, os pais orientadores e
autoritários têm filhos com um IMC mais baixo e melhores hábitos alimentares.
Contudo outros estudos apresentam resultados semelhantes aos nossos, não
encontrando diferenças nos hábitos alimentares da criança em função do estilo
parental (Agras, Hammer & Kraemer, 2004; Blissett & Haycraf, 2008; De
Bourdeaudhuij et al., 2008).
Os quatro estilos parentais estão fortemente consolidados, teórica e
empiricamente, embora se possam identificar algumas limitações. Uma delas
remete para o facto de que pais classificados no mesmo estilo parental poderem
apresentar valores bastante diferentes em cada uma das duas dimensões (e.g.,
podem ser classificados no estilo orientador pais com níveis médios a elevados de

191
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

responsividade). Por essa razão no presente estudo foi analisada a relação da


exigência e da responsividade com os hábitos alimentares. Dos resultados obtidos
pode-se considerar que o estudo das dimensões parentais, em particularmente a
de responsividade, pode contribuir significativamente para um melhor
conhecimento da relação entre os comportamentos parentais e os hábitos
alimentares das crianças.

Verificou-se que a atribuição de controlo parental sobre o que a criança


come está correlacionada e é preditor da qualidade dos hábitos alimentares. Esta é
uma característica parental ainda pouco conhecida e a maioria dos estudos
existentes são qualitativos, não apresentando valores de correlação com os hábitos
alimentares da criança. A atribuição mais elevada de controlo em relação ao que a
criança come em casa em comparação com o que come fora de casa confirma
resultados anteriores (Hart, Herriot, Bishop & Truby, 2003).
Outro dado importante do presente estudo é que, de acordo com o modelo
de regressão, não são os pais que respondem na categoria máxima de controlo (i.e.,
Quase sempre) que têm filhos com os melhores hábitos, mas sim os da categoria
seguinte (i.e., Bastantes vezes). Este resultado indica que os melhores hábitos estão
associados aos pais com uma atribuição elevada, mas não máxima, de controlo.
Esta conclusão tem que ser considerada com alguma precaução na medida em que
61% dos pais se situam na categoria Bastantes vezes. Contudo, outros estudos
apontam para que níveis médios de controlo correspondem a melhores hábitos
alimentares (Gable & Litz, 2000; Golan & Grow, 2004).
A associação entre baixa atribuição de controlo parental e piores hábitos
alimentares é facilmente compreendida. Relativamente aos pais com uma
atribuição muito elevada de controlo pode-se colocar a hipótese de que estes pais
utilizem frequentemente estratégias de controlo (e.g., pressionar a criança para
comer alimentos saudáveis, restringir acesso a alimentos menos saudáveis), cuja
eficácia relativa é sustentada por um número elevado de estudos (e.g., Webber,
Hill, Cooke, Carnell & Wardle, 2010).
Não se deve esquecer que nos estudos realizados não é avaliado o objetivo
que os pais pretendem atingir ao controlar o comportamento alimentar. De acordo
com o presente estudo sobre as significações parentais e também com estudos

192
__________________________________________________________________DISCUSSÃO DE RESULTADOS

anteriores (Agras et al., 2004; Lopes-Dicastillo et al, 2010), alguns pais estão mais
preocupados com a subalimentação do que com a ingestão excessiva, mesmo
quando os filhos têm excesso de peso. É natural que estes pais exerçam controlo
para que a criança coma alimentos e, principalmente, quantidades desadequadas, o
que pode diminuir os valores de correlação entre controlo e a qualidade dos
hábitos alimentares. Os objetivos parentais do controlo devem ser considerados
em estudos futuros.

O conhecimento nutricional mostrou-se correlacionado com a qualidade


dos hábitos alimentares da criança, embora não acrescente poder explicativo ao
modelo de regressão dos hábitos alimentares. A correlação positiva entre estas
duas variáveis vem confirmar resultados de estudos anteriores com crianças pré-
escolares (Variyam, 2001; Variyam, Blaylock , Lin , Ralston & Smallwood, 1999).
Um aspeto que poderá estar subjacente ao facto do conhecimento
nutricional não ser um preditor dos hábitos alimentares é o facto de alguns pais
verem as linhas orientadoras que lhes são transmitidas como demasiado
prescritivas e rígidas (Hart el al. 2003), pelo que podem conhecer estas orientações
mas não terem com objetivo o seu cumprimento integral.
Estes dados apontam também para que a tradução do conhecimento
parental nos hábitos alimentares da criança estará, em parte, dependente das
variáveis preditores identificados no modelo. Por exemplo, o desejo de satisfazer
as preferências alimentares da criança pode condicionar as escolhas dos pais por
alimentos que eles sabem não serem as opções mais saudáveis. Os pais poderão
também não tentar impor padrões alimentares que sabem ser os mais adequados,
quando acham que têm pouco controlo sobre o que a criança come.

Embora a atribuição de autoeficácia parental não seja uma característica


preditora dos hábitos alimentares, os pais que consideram ser capazes de executar
com sucesso mudanças na alimentação dos seus filhos tendem a ter filhos com
melhores hábitos. Esta correlação entre a autoeficácia parental e os hábitos
alimentares do filho não permite inferir relações de causalidade, na medida em que
esta pode ser compreendida de um modo bidirecional. Por um lado os pais que
antecipam que conseguem implementar com sucesso alterações alimentares na
dieta do filho mais provavelmente as porão em prática. Por outro lado, ter um filho
193
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

cujos comportamentos alimentares já são adequados levará os pais a avaliarem


como mais fácil promover mudanças saudáveis na alimentação da criança.
Na área da promoção da saúde infantil a autoeficácia parental tem sido uma
das características cognitivas parentais mais estudadas e que se tem mostrado
relacionada com os comportamentos de saúde infantil (Brenner, Simons-Morton,
Bhaskar, Das, & Clemens, 2001; Finlayson, Siefert, Ismail & Sohn, 2007; Maddux et
al., 1995; Maibach et al., 1995). Contudo os estudos sobre a sua influência nos
comportamentos alimentares da criança são escassos. Num estudo com crianças de
cinco anos verificou-se um resultado semelhante ao do presente estudo, tendo sido
identificada uma correlação entre alguns comportamentos alimentares saudáveis
da criança e a autoeficácia das mães para promover uma alimentação saudável e
para restringir certo tipo de alimentos (Hesketh, Silverii & Abbott, 2010).
A autoeficácia parental tem sido frequentemente relacionada com as
barreiras identificadas pelos pais para executar mudanças na alimentação da
criança (e.g., Anzman-Frasca, Stifter, Paulc & Birch, 2013). Estas serão abordadas
mais à frente, relativamente às significações parentais.

No nosso estudo verificou-se que a preocupação parental não estava


correlacionada com os hábitos alimentares da criança. Os trabalhos existentes têm
focado mais a associação da preocupação com o IMC da criança. Um dos estudos
conhecido que avalia a relação com os comportamentos alimentares da criança
(Keller, Olsen, Kuilema, Meyermann & van Belle, 2013) chega a conclusões
semelhantes às nossas, na medida em que, de uma variedade de alimentos, só a
ingestão de bebidas doces estava correlacionada com a preocupação parental com
o peso da criança. Também Spruijt-Metz,Li, Cohen, Birch e Goran (2006)
identificam que, mesmo que a preocupação não leve os pais a alterar de imediato
os comportamentos alimentares dos filhos, é um preditor da alteração desses
comportamentos no futuro (após 2 anos). Estes resultados podem ser lidos à luz
do modelo de estádios de mudança (Prochaska et al., 1994), que indica que entre
os pais preocupados, uns podem já ter tomado medidas para confrontar o
problema de peso (estádio de ação), enquanto outros não fizeram ainda mudanças
significativas (estádio de contemplação), mas provavelmente irão realizá-las no
futuro.

194
__________________________________________________________________DISCUSSÃO DE RESULTADOS

A perceção parental de peso revelou-se independente dos hábitos


alimentares da criança. Os dois estudos conhecidos que abordam esta relação
apresentam resultados significativos mas contraditórios: enquanto num se conclui
que os pais que têm filhos com os melhores hábitos alimentares têm uma perceção
mais correta do peso da criança (Manios et al., 2010), o outro aponta para que são
os pais com perceção incorreta que têm filhos com melhores hábitos (Vanhala,
Keinänen-Kiukaanniemi, Kaikkonen, Laitinen & Korpelainen, 2011).
Para clarificação desta relação seria importante estudá-la numa amostra
que incluísse exclusivamente pais de crianças com excesso de peso, na medida em
que só estes se confrontam realmente com um problema de peso. No presente
estudo não se avançou com esta análise na medida em que o número de pais de
crianças com excesso de peso e com perceção correta de peso era muito baixo,
inviabilizando a validade dos estudos estatísticos.

Nenhuma das variáveis demográficas se mostrou relacionada com os


hábitos alimentares. Embora o sexo da criança não seja identificado em todos os
estudos como um determinante significativo (McGowan, 2012), o nível
socioeconómico tem-se revelado mais sistematicamente relacionado com a
qualidade dos hábitos alimentares das crianças (Cook et al., 2003; Ramussen et al.,
2006; Robisson et al., 2007).
O facto de não ter sido utilizada uma amostra estratificada por níveis
socioeconómicos e de todas as crianças e pais pertencerem a uma zona geográfica
específica (i.e., zona norte de Loures) restringiu a heterogeneidade socioeconómica
da amostra, o que poderá explicar estes resultados.

195
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

5.3. Correlatos do conhecimento nutricional dos pais

Para além do conhecimento nutricional estar correlacionado com a


qualidade dos hábitos alimentares, os resultados obtidos permitem identificar a
tendência para que, quanto maior o conhecimento nutricional dos pais mais
elevadas as atribuições de autoeficácia e controlo. Salienta-se ainda que, ao
contrário do que se poderia esperar, os pais com maior conhecimento não estão
mais preocupados com a alimentação dos seus filhos. Na medida em que o estudo
destas relações é inovadora, não se conhecem outros estudos para comparação.
Os modelos da Psicologia da Saúde sustentam a relação entre conhecimento
e autoeficácia, na medida em que os pais só se sentirão capazes de levar a cabo
melhorias na alimentação dos seus filhos se souberem que alterações devem ser
feitas. Mas pode-se também colocar a hipótese de que os pais que se avaliam como
capazes de melhorar a alimentação da criança, pesquisem mais informação para
levar a cabo essas mudanças. Tendo em conta esta possível relação bidirecional, e
também o facto de não ser clara uma relação de causalidade entre a atribuição de
controlo parental e o conhecimento nutricional, não se avançou com o estudo de
um modelo de regressão para determinar preditores psicológicos do conhecimento
nutricional.

Os estilos parentais relacionados com a alimentação e as dimensões de


exigência e responsividade não apresentaram associações significativas com o
conhecimento nutricional. Salienta-se contudo uma tendência (não significativa)
para que os pais com estilo orientador apresentem níveis de conhecimento mais
elevados do que os pais com outros estilos.

As variáveis demográficas estudadas (idade, anos de escolaridade e


especialização profissional dos pais) estão positivamente relacionadas com o
conhecimento nutricional. Um estudo de Parmenter, Waller e Wardle (2000)
encontrou também diferenças significativas de conhecimento em função do nível
socioeconómico, do nível de escolaridade e da idade dos pais. Neste estudo os pais
mais novos apresentavam um conhecimento nutricional significativamente
inferior aos pais mais velhos, o que é confirmado em outros trabalhos sobre

196
__________________________________________________________________DISCUSSÃO DE RESULTADOS

conhecimento nutricional em adultos (Hansbro et al., 1997; Tate & Clade, 1990;
Whichelow & Prevost, 1996).
Enquanto a relação entre a escolaridade e profissão e o conhecimento
nutricional é facilmente compreendida, a relação com a idade é menos clara.
Alguns autores (Parmenter et al., 2000) relacionam este dado com o fato de as
pessoas de meia-idade terem uma perceção de vulnerabilidade à doença superior
aos jovens adultos estando, por isso, mais centrados e interessados em assuntos
relacionados com a saúde. Este é um resultado que necessita de maior
esclarecimento, mas que aponta para que, para além dos pais de níveis socio
educacionais mais baixos, serão os pais mais novos que poderão retirar maior
benefício da informação nutricional.

5.4. Correlatos da perceção parental do peso da criança

Como foi anteriormente referido, a maioria dos pais cujos filhos têm excesso
de peso subavaliam o peso da criança, o que não acontece com os pais de crianças
com peso normal. Este resultado está de acordo com a maioria dos estudos
nacionais e estrangeiros (Aparício, Cunha, Duarte & Pereira, 2011; Doolen, Alpert
& Miller, 2009; Fitzgibbon & Beech, 2009; Gomes, Espanca, Gato & Miranda, 2010;
Parry, Netuveli, Parry & Saxena, 2008; Towns & D’Auria, 2009). Embora não
existam estudos que clarifiquem o processo de distorção de peso, os resultados de
Jones e colaboradores (2011) identificam as razões que as mães consideram
estarem subjacentes à dificuldade de reconhecimento do excesso de peso: os meios
de comunicação social são a principal fonte de informação sobre o excesso de peso,
contudo os pais atribuem-lhes pouca credibilidade; relativização das categorias do
estado nutricional infantil, na medida em que são feitas com base em estatísticas
(vistas como pouco fiáveis); mensagens conflituantes dos profissionais de saúde
durante a 1ª infância (centração no ganho de peso) e em fases posteriores
(centração no evitamento do excesso de peso); diversidade das formas corporais
entre as crianças e a constante mudança corporal ao longo do desenvolvimento; a
criança usar roupas que são vendidas para a sua idade; a atenção dos pais ao
excesso de peso poder levar a perturbações do comportamento alimentar; os pais

197
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

focarem-se na qualidade da dieta e nas capacidades físicas e da criança e não tanto


no IMC. Alguns estudos indicam ainda outras razões que possam estar subjacentes
a esta distorção de avaliação do peso em pais de crianças com excesso de peso, de
que se salienta a comunicação dos profissionais de saúde, a “normalidade”(i.e.,
aumento da prevalência) de crianças com excesso de peso e uma divergência nos
critérios utilizados pelos pais e pelos profissionais de saúde na definição de
excesso de peso e obesidade.
Do estudo das relações da perceção parental de peso com as restantes
variáveis (demográficas, conhecimento nutricional dos pais, estilos parentais,
controlo, preocupação e autoeficácia) só se identificaram diferenças significativas
para a atribuição de controlo sobre o que a criança come, sendo que os pais com
perceção correta tendem a ter uma atribuição de controlo mais elevada do que os
pais com perceção incorreta.
No presente estudo não se verificou uma associação entre a perceção
parental de peso (correta/incorreta) e a preocupação parental. Este resultado é
semelhante a de outros estudos (Etelson, Brand,Patrick &Shirali, 2003; Garret-
White et al., 2011). Uma das causas para o resultado obtido estará relacionada com
o facto de que entre os pais com perceção incorreta, que na sua maioria têm filhos
com excesso de peso, 48% referem graus elevados de preocupação com o peso da
criança. Este é um resultado inesperado, de acordo com os modelos cognitivos que
explicam os comportamentos de saúde. O estudo de Etelson e colaboradores
(2003) mostra que, em pais de crianças com excesso de peso, a percentagem que
está preocupada com o peso ou com queimaduras solares é a mesma, indicando
que muitos pais se preocupam com o peso da mesma forma que se preocupam com
situações de potencial risco, mas que não são consideradas como problemas
presentes. A divulgação feita pelos meios de comunicação social sobre a obesidade
infantil faz com que as questões do peso e da alimentação estejam na “agenda” da
grande maioria dos pais. Estes factos poderão indicar que a preocupação de alguns
dos pais que subavaliam o peso da criança possa refletir uma preocupação com o
tema em geral, e não com o peso do próprio filho.

Os resultados obtidos indicam que as características sociodemográficas não


têm um papel determinante na capacidade dos pais avaliarem corretamente o peso

198
__________________________________________________________________DISCUSSÃO DE RESULTADOS

da criança. A ausência de associação com o sexo da criança está de acordo com


vários estudos (Goodman et al., 2000; Intagliata, Gesell & Barkin, 2008; Wake et al.,
2002; West et al., 2008). Contudo outros trabalhos têm identificado que os pais
distorcem mais o peso das filhas do que dos filhos (Crouch, O'Dea & Battisti, 2007;
Huang et al., 2007; Maynard, Galuska, Blanck & Serdla, 2003; Wald et al., 2007). Em
relação às restantes variáveis demográficas, só o nível educacional da mãe tem
sido associado à avaliação correta do peso, mas com resultados heterogéneos.

5.5. Inter-relações entre a atribuição de autoeficácia, atribuição de controlo e


preocupação parental

Os resultados apresentados anteriormente apontam que a qualidade dos


hábitos alimentares da criança está diretamente correlacionada com a autoeficácia
e inversamente com a preocupação parental, confirmando a importância destas
características parentais.
Concluiu-se também que quanto maior a preocupação dos pais com o peso
atual da criança menor a sua atribuição de autoeficácia para mudar os
comportamentos alimentares da criança e menor a atribuição de controlo sobre o
que a criança come.
A maioria das intervenções com pais inclui informação sobre os riscos do
excesso de peso infantil, a qual aumentará a preocupação parental. Com base nos
resultados do presente estudo e no modelo de prontidão para a mudança
(Prochaska et al., 1994), e apesar de não ser possível estabelecer relações causais,
podemos supor que o aumento isolado da preocupação parental poderá levar à
diminuição da autoeficácia e da atribuição de controlo parental, gerando uma
conjugação de fatores que facilmente podem levar ao evitamento do problema ou a
outras reações defensivas (Witte & Allan, 2000). Assim será adequado que antes de
aumentar a perceção de risco do excesso de peso infantil, gerando maior
preocupação dos pais, se incida no aumento da autoeficácia parental para as
mudanças alimentares (propondo estratégias eficazes e relativamente fáceis de
aplicar) e se fomente a possibilidade de controlo parental sobre a alimentação da

199
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

criança, mesmo para os pais que não se apresentem preocupados com o excesso de
peso da criança.
Um outro resultado relevante é que a autoeficácia parental e a atribuição de
controlo estão positivamente correlacionadas. Era expetável que estas duas
características cognitivas se relacionassem na medida em que a capacidade de
controlar o que a criança come (i.e., evitar que coma quantidades ou tipos
alimentos menos adequados e conseguir que coma as quantidades e alimentos
desejados) será um recurso importante para os pais considerarem que são capazes
de levar a cabo mudanças na alimentação da criança (i.e., autoeficácia). Contudo, e
porque não se trata de uma correlação linear perfeita (rs=0,434), estes dados
confirmam a diferenciação destes dois conceitos.
Salienta-se a relevância que a atribuição de controlo parental assume,
tratando-se de uma característica cognitiva parental pouco estudada e que se
apresenta relacionada com melhores comportamentos alimentares da criança, com
maior conhecimento nutricional e autoeficácia dos pais e com uma perceção
parental mais correta do peso da criança.

5.6. Correlatos do IMC

Nenhuma das variáveis em estudo (demográficas, hábitos e preferências


alimentares, tempo de visionamento de televisão, estilos parentais e variáveis
cognitivas parentais) se mostrou relacionada com o IMC da criança, à exceção da
perceção parental de peso, já analisada neste capítulo.

A ausência de relação significativa entre o IMC e os hábitos alimentares da


criança está de acordo com a maioria da literatura (Rodriguez & Moreno, 2006).
Este resultado pode ser em parte justificado pelo papel da atividade física na
determinação do IMC, embora alguma evidência científica não confirme esta
hipótese (Gazanniga & Burns, 1993). Também questões metodológicas podem
estar subjacentes a este resultado. A avaliação dos hábitos alimentares por relato
parental pode ser afetada pelo efeito de desejabilidade social e pela distorção do
processamento da informação relativa à ingestão alimentar da criança. Por outro

200
__________________________________________________________________DISCUSSÃO DE RESULTADOS

lado, algumas das crianças com excesso de peso podem já ter sido alvo de
mudanças alimentares introduzidas pelos pais, quando da avaliação. Esta
possibilidade pode também ser uma explicação para o facto constatado no nosso
estudo, no qual a percentagem de crianças com piores hábitos alimentares é
inferior no grupo de crianças obesas em comparação com o grupo de pré-obesas.
As mudanças alimentares introduzidas intencionalmente pelos pais devem ser
controladas em estudos futuros.
A complexidade dos hábitos alimentares que envolvem frequência
eregularidade de refeições, outras situações de ingestão alimentar, quantidades
ingeridas, frequência e variedade alimentar torna difícil a avaliação abrangente de
todos estes fatores. No presente estudo optou-se por uma avaliação da qualidade
global dos hábitos alimentares, em que se incluiu o número de refeições, a
variedade alimentar e a frequência de alguns alimentos, o que poderá ter
dificultado a identificação de uma relação com o IMC. A dificuldade e diversidade
de métodos e instrumentos para a avaliação dos hábitos alimentares foi uma das
limitações para este trabalho.
É também possível que a obesity rebound39, que leva a que as crianças de 5-6
anos se encontrem num período de mudança no processo de acumulação de
gordura corporal, interfira na relação entre a dieta e o IMC da criança.
O estado da arte em relação a este tema mostra a necessidade de mais
estudos longitudinais que permitam perceber a influência dos hábitos alimentares
no período pré-escolar no peso futuro da criança. Por outro lado, é importante
compreender as razões subjacentes à ausência de relação entre o IMC e a ingestão
alimentar da criança, identificada num número muito sifgnificativo de estudos,
embora este não seja um objetivo primordial de estudo da Psicologia da Saúde.

A ausência de relação entre o tempo de visionamento de televisão e o IMC,


apesar de não ser inédita (Macfarlane, Cleland, Crawford, Campbell & Timperio,
2009; Robinson et al., 1993), não está de acordo com a maioria dos estudos nesta
área. Este resultado não se deverá a questões metodológicas, na medida em que o

39
Após um rápido aumento da gordura corporal durante o primeiro ano de vida, segue-se um declínio,
em média, até aos 5-6 anos, idade em que se inicia um aumento de gordura corporal (adiposity
rebound) que continua pela adolescência e idade adulta. Consequentemente, as crianças pré-escolares
encontram-se num período de mudança no processo de acumulação de gordura corporal.

201
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

IMC resulta de uma avaliação objetiva e rigorosa e a avaliação do tempo de


visionamento de televisão por autorrelato dos pais é usada na maioria dos estudos.
Contudo, alguma especificidade da amostra, que não foi controlada, poderá
justificar este resultado.

O facto das preferências alimentares não estarem relacionadas com o IMC


da criança era esperado, na medida em que aquelas se refletirão mais diretamente
nos hábitos alimentares e só de forma indireta no peso da criança.

A ausência de relação entre os estilos parentais relacionados com a


alimentação e o IMC da criança está de acordo com outros estudos (Agras et al.,
2004; Blissett & Haycraf, 2008; De Bourdeaudhuij et al., 2008). Contudo esta é uma
área de estudo que carece de aprofundamento dada a heterogeneidade de
resultados existentes na bibliografia. É também necessária uma maior clarificação
dos múltiplos conceitos relacionados com os estilos parentais e também uma
maior homogeneidade nos instrumentos de avaliação utilizados.

Dos resultados referentes à correlação dos IMC com as variáveis cognitivas,


consideramos ser de destacar a ausência de relação do IMC com o conhecimento
nutricional e com a preocupação com o peso.
Apesar dos pais com melhores conhecimentos nutricionais não terem filhos
com um IMC mais baixo, têm filhos com melhores hábitos alimentares. A evidência
científica está de acordo com estes resultados, apesar de existir um número muito
superior de estudos que estuda a relação do conhecimento nutricional com os
hábitos alimentares do que com o IMC da criança. Será particularmente
esclarecedor a utilização de metodologias longitudinais que permitam esclarecer
se o conhecimento parental se reflete, a médio prazo, no IMC dos filhos.
De acordo com os resultados já analisados anteriormente, deve-se salientar
a necessidade dos pais terem acesso a informação sobre estratégias eficazes para
mudarem o comportamento alimentar do seu filho, para além da informação
nutricional. Esta necessidade é identificada pelos próprios pais em vários estudos
quantitativos (e.g., Hart el al, 2003) e pelos nossos resultados relativos às
significações parentais, que permitem concluir que muitos pais consideram que a

202
__________________________________________________________________DISCUSSÃO DE RESULTADOS

eficácia (ou ineficácia) das estratégias parentais utilizadas é o determinante


principal da alimentação saudável infantil.

Um aspeto relevante neste estudo é o facto dos pais de crianças com o IMC
elevado não estarem mais preocupados do que os pais que têm filhos com um IMC
normal. Embora este resultado seja semelhante ao de um estudo anterior (Etelson,
Brand, Patrick & Shirali, 2003), a bibliografia existente aponta para que haverá
alguma variabilidade no grau de preocupação que os pais têm com o peso da
criança.
Vários fatores podem estar na base do resultado encontrado. Como já
vimos, a maior parte dos pais de filhos com excesso de peso consideram que a
criança tem peso normal, o que gerará níveis mais baixos de preocupação em
alguns destes pais.
Por outro lado, e com base em alguns dos modelos cognitivos (Becker &
Rosenstock, 1984; Leventhall,Nerenz & Steele,1984), a identificação de que a
criança tem excesso de peso não leva obrigatoriamente a uma preocupação
parental significativa, a qual será também determinada pelas crenças parentais
associadas ao excesso de peso (e.g., gravidade, consequências, evolução,
vulnerabilidade a ameaças para a saúde).
Na medida em que foi pedido aos pais para avaliarem a sua preocupação
com o peso, não podemos deixar de considerar que alguns pais estejam a
manifestar a sua preocupação com a criança ter peso a menos, e não com o excesso
de peso. De acordo com esta hipótese, Agras e colaboradores (2004) identificaram
uma correlação positiva entre o IMC da criança e a preocupação parental com a
magreza, o mesmo não se verificando para a preocupação com o excesso de peso.
Também os nossos resultados relativos às significações parentais reforçam esta
possibilidade.
Assim, para estudos futuros é importante que o tipo de preocupação seja
controlado (i.e., com a magreza e/ou com o excesso de peso). Serão de particular
interesse os estudos qualitativos para uma melhor compreensão dos processos
que levam os pais a diferentes níveis de preocupação com o peso.

203
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Um número extenso de estudos tem identificado que o nível educacional e


socioeconómico estão inversamente correlacionados como IMC, contrariamente
aos resultados do presente trabalho. Tal como já foi referido anteriormente, a
amostra do presente estudo não é representativa dos vários grupos
socioeconómicos e educacionais, podendo ter originado alguns enviesamentos.

5.7. Significações parentais relacionadas com a alimentação infantil

Começaremos por discutir os resultados relativos às significações dos 26


pais entrevistados. Em seguida analisam-se as principais diferenças nas
significações dos pais de filhos com excesso de peso e com peso normal. Em
seguida discutem-se as diferenças nas significações entre os pais das crianças com
melhores e piores hábitos alimentares.

Em termos dos determinantes de uma alimentação infantil saudável, os pais


identificam um número bastante alargado de fatores, salientando-se contudo a
ausência de referências à exposição, que é só referida como determinante das
preferências alimentares. A maioria dos pais atribui a si próprio um papel
preponderante na determinação dos hábitos alimentares da criança, mas muitos
pais referem a influência das preferências alimentares intrínsecas à criança.
Salienta-se ainda a existência de várias referências às refeições da escola, vistas
como promotoras da qualidade da alimentação e da aquisição de novos hábitos
(geralmente mais saudáveis).40
Os determinantes das preferências alimentares referidos pelos pais são em
menor número (exposição, estratégias parentais, modelagem e inatos). A
exposição é a mais referida, embora na sua maioria não como uma estratégia
intencional. Parece que os pais embora tenham já identificado a forte relação entre
o que a criança está habituada a comer e aquilo de que gosta, não vêm esta relação
como algo que possam utilizar intencionalmente, para mudar as preferências do

40
Este dado deve ser contextualizado tendo em conta a boa qualidade nutricional das refeições que são
servidas nos jardins-de-infância.

204
__________________________________________________________________DISCUSSÃO DE RESULTADOS

filho. Apesar de muitos pais referirem a influência orgânica/genética nas


preferências alimentares, a maioria dos pais considera que as podem influenciar.
Em relação às consequências que antecipam de uma alimentação e peso
saudáveis os pais focam tanto consequências psicológicas como orgânicas, dando
mais relevância às últimas. Apesar da maioria de pais referir que a alimentação
saudável previne doenças específicas (e.g., diabetes) e relaciona a ingestão de
nutrientes específicos com a saúde da criança, muitos pais referem somente
consequências físicas gerais e vagas (saúde física geral; crescimento adequado), o
que indica a existência de perfis/necessidades de informação diferentes.
É importante salientar que alguns pais vêm a alimentação saudável como
uma forma da criança não emagrecer ou passar fome, e que algumas das
verbalizações de certas categorias (e.g., ingestão nutricional suficiente, energia
física, crescimento) focam-se nos problemas de subalimentação e não de
sobrealimentação. Este resultado está de acordo com que já foi referido antes
relativamente à preocupação de alguns pais com a magreza da criança, mesmo
quando o filho tem excesso de peso, o que está de acordo com estudos anteriores
(Agras, et al., 2004; Dicastillo, Grande & Callery, 2009; Pocock et al., 2009). Este
resultado é importante para a intervenção, na medida em que os conteúdos das
ações com pais estão centrados nos problemas de sobrealimentação, o que é pouco
adequado para pais com este tipo de significações.
Quanto às consequências psicológicas do peso e alimentação saudável, a que
é mais verbalizada é a aprendizagem de hábitos alimentares saudáveis que se
refletirão no futuro, o que está de acordo com outros estudos (Pocock et al., 2009).
Muitos pais referem que a alimentação saudável permite um bom desempenho
escolar e funcionamento cognitivo da criança, e alguns assinalam o evitamento de
feedback social negativo.
Ao contrário de outros estudos (Hart et al., 2003; Watt & Sheiham, 1997),
não se verificou que os pais estivessem mais centrados nas consequências de curto
prazo do que nas consequências a longo prazo da alimentação saudável, na medida
em que referem consequências físicas e psicológicas da alimentação saudável no
presente e no futuro (e.g., prevenção de doenças na idade adulta; criação da
hábitos alimentares futuros).

205
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Pode-se ainda verificar que as significações parentais relativas às


consequências de uma alimentação e peso saudáveis não estão muito distanciadas
das abordagens feitas pelos profissionais de saúde, dado o elevado número de pais
que refere as vantagens para a saúde física da criança e o evitamento de doenças.
Contudo, os pais valorizam também outras vantagens, que deverão ser salientadas
pelos profissionais de saúde, como a energia e agilidade da criança e as
consequências psicológicas já mencionadas.
As barreiras a uma alimentação saudável atravessam os diferentes sistemas
propostos no modelo ecológico: do mesossistema são referidas características
socioeconómicas (financeiras, acessibilidade dos locais de venda e horários de
trabalho); do sistema familiar e social são referidas as emoções parentais e as
influências externas (marketing, outros familiares, pares); das características da
criança são referidas a pressão que a criança exerce sobre os pais e as suas
preferências alimentares. É de salientar que, apesar de se tratar de uma população
pré-escolar, alguns pais já referem o facto de a criança saltar refeições ou ingerir
alimentos de saciação rápida (e.g., papa) em vez de uma refeição normal. Estas
barreiras não se distanciam das referidas nos estudos anteriores.
Em termos das estratégias para promover uma alimentação saudável, um
elevado número de pais refere que dá informação à criança. No período pré-
escolar a informação que a criança detém não influencia ainda significativamente
os seus comportamentos alimentares. Contudo, um estudo qualitativo europeu
com pais de crianças em idade escolar e pré-escolar (Hebestreit et al., 2010)
identificou que a falta de comunicação entre pais e filhos estava na base da
discrepância entre as regras alimentares definidas pelos pais e as regras
percecionadas pelos filhos. Deste modo, embora a comunicação das vantagens da
alimentação saudável possa não ter benefícios imediatos, a comunicação clara de
regras alimentares adequa-se ao período de desenvolvimento pré-escolar, durante
o qual as crianças orientam o seu comportamento por normas definidas pelos
adultos, para evitarem as consequências que possam resultar das transgressões
(Kohlberg,1976; Piaget, 1932). Contudo, os pais por nós entrevistados centram a
sua comunicação com a criança na apresentação de argumentos a favor da
alimentação saudável.

206
__________________________________________________________________DISCUSSÃO DE RESULTADOS

Os pais referem com alguma frequência estratégias que a evidência


científica aponta como inadequadas (estratégias coercivas/de pressão; autogestão
da criança), mas são também verbalizadas várias estratégias que estão
habitualmente associadas a resultados positivos - condicionamento positivo,
acessibilidade, procura de informação e planear refeições - embora sejam as
menos referidas, à exceção da acessibilidade. Frequentemente as estratégias
verbalizadas pelos pais são descritas como uma forma de facilitar a ingestão e
raramente como um meio de limitar o consumo de alimentos menos saudáveis.
É ainda importante notar que a segunda estratégia mais referida é a
autogestão da criança, mostrando que os pais deixam frequentemente a criança
decidir as quantidades ingeridas ou escolher que alimentos come, de entre os
servidos pelos pais. Poucos pais referem esta estratégia associada à capacidade de
autorregulação da criança.
Os pais não referiram utilizar a modelagem parental e poucos mencionam a
a criação de regras, estratégias que foram identificadas no estudo de De Lepeleere
e colaboradores (2010). Também no estudo de Hart e colaboradores (2005) os
autores encontraram mães (de nível socioeconómico baixo) que evitavam criar
regras alimentares, pois consideravam que estas perturbavam o bom ambiente
durante as refeições.
Salienta-se também que poucos pais referem a procura de informação. Este
facto pode estar relacionado com a idade da criança, o que está de acordo com um
estudo anterior da autora (Andrade, 2007), em que se concluiu que os pais de
crianças com cerca de 5-6 anos relatam com pouca frequência a falta de
informação nutricional. Outra explicação poderá estar relacionada com o facto de
os pais considerarem que são alvo de informação e opiniões nutricionais em
excesso, as quais defendem linhas orientadoras demasiado prescritivas e rígidas,
gerando sentimentos de frustração e insucesso (Hart el al., 2003). Estes dados
apontam que a passagem de informação não deve ser feita de forma uniformizada,
devendo ter em conta a diversidade das necessidades parentais, mas também o
feedback parental a essa mesma informação. Os profissionais de saúde devem
adotar uma atitude flexível e de compreensão das dificuldades sentidas pelos pais.
Relativamente ao modo como os pais compreendem o desenvolvimento dos
comportamentos alimentares da criança, foram encontrados três categorias

207
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

principais: i) compreensão do processo como resultado da interação/coordenação


da vontade dos pais com outros determinantes alimentares ou outros valores
parentais ii) compreensão do processo com dependendo essencialmente das ações
parentais, iii) centração nas características da criança ou iv) em fatores externos
(e.g., avós). Esta categorização é próxima dos resultados encontrados por Roberts
(2006) a partir de entrevistas a pais de crianças entre os 9 e os 11 anos.
Verifica-se que a maioria das significações parentais se integra no primeiro
grupo, em relação ao qual os pais verbalizam principalmente a necessidade de
coordenar os seus objetivos relativos à alimentação da criança com outros
determinantes alimentares e também com a necessidade de dar autonomia de
escolha à criança. Este último tipo de significação foi também encontrado
Hebestreit e colaboradores (2010) que, num estudo europeu, identificaram que
alguns pais de crianças pré-escolares e escolares consideravam que não se deveria
limitar muito a exposição a alimentos inadequados pois esta era uma forma das
crianças desenvolverem responsabilidade pessoal e autocontrolo. Estes dados
indicam que alguns pais têm dificuldade em compreender o processo de
desenvolvimento e as características desta fase e que, como tal, não estarão muito
recetivos a uma mensagem que defenda uma atitude de maior controlo sobre a
alimentação da criança.
Um número menor de pais centra-se quase exclusivamente na ação parental
para explicar o comportamento alimentar da criança, sendo que destes, a maioria
foca a eficácia das estratégias parentais como o aspeto fundamental no
desenvolvimento dos hábitos alimentares saudáveis.
Um número reduzido de pais centra a explicação do desenvolvimento dos
comportamentos alimentares da criança nas características da criança ou em
fatores externos.

Significações parentais por IMC da criança

As significações parentais em que se registam maiores diferenças entre os


pais com crianças com excesso de peso e peso normal são referentes a
determinantes, consequências psicológicas e barreiras a uma alimentação

208
__________________________________________________________________DISCUSSÃO DE RESULTADOS

saudável, e também relativamente às estratégias e aos modelos explicativos do


desenvolvimento dos comportamentos alimentares.

Nos determinantes do comportamento alimentar os pais com crianças com


excesso de peso centram-se mais nas preferências. Os pais de crianças de peso
normal dão mais relevância aos determinantes parentais.
Quanto às consequências de uma alimentação saudável, os pais das crianças
com peso normal referem mais o evitamento do feedback social, que não é referido
por nenhum dos pais das crianças com excesso de peso. Outros estudos concluem
que os pais de crianças com excesso de peso estão particularmente preocupadas
com o feedback social negativo (Jackson et al, 2005; Jain et al.,2001). Embora as
reações negativas ao excesso de peso possam não ser ainda um problema muito
significativo no contexto pré-escolar, este resultado poderá eventualmente indiciar
um processo de evitamento parental. Esta questão só poderá ser esclarecida com
outro tipo de estudos.
As limitações socioeconómicas e as influências externas são as barreiras em
que se centra a maioria dos pais das crianças com excesso de peso. Os pais das
crianças com peso normal referem uma maior variedade de barreiras, em especial
as emoções parentais e a pressão da criança. Estes resultados evidenciam alguns
aspetos importantes a ter em conta na intervenção com pais cujos filhos tenham
excesso de peso. Salienta-se a importância de trabalhar as questões relacionadas
com a assertividade com outros cuidadores da criança (pais, sogros ou amas), a
educação para o marketing e publicidade, bem como estratégias para ultrapassar
as consequências das limitações económicas na qualidade da alimentação.
Quanto às estratégias utilizadas, embora não se verifiquem muitas
diferenças entre os dois grupos, os pais das crianças com peso normal tendem a
referir mais estratégias geralmente consideradas adequadas (planeamento de
refeições, acessibilidade dos alimentos, condicionamento positivo) do que os pais
com filhos com excesso de peso. Estes, por sua vez, tendem a referir mais as
estratégias tendencialmente ineficazes ou inadequadas para a idade (alteração das
refeições, dar informação, autogestão da criança).
Quanto à explicação do desenvolvimento dos comportamentos alimentares
da criança, os dois grupos recorrem essencialmente a explicações centradas na

209
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

necessidade de coordenar diferentes perspetivas ou na ação parental. Contudo, os


pais com filhos com excesso de peso referem mais vezes a relevância de dar
oportunidade à criança de fazer escolhas livres, e que esta estratégia tem de ser
também aplicada aos comportamentos alimentares. Estes pais avaliam a
necessidade de limitar as suas ações de controlo, pois consideram que o controlo
parental em excesso podem trazer mais desvantagens do que benefícios. Estas
duas conceções podem ser desenvolvidas como forma de racionalização face a uma
atitude parental mais permissiva. Em contrapartida, os pais de crianças com peso
normal salientam mais que as ações parentais devem ser coordenadas com outros
determinantes do comportamento alimentar. Referem também que o controlo não
deverá ser a estratégia central para o desenvolvimento de bons hábitos, pois a sua
função de educadores lhes exige uma abordagem mais complexa.

Significações parentais por hábitos alimentares da criança

Serão focadas de seguida as principais diferenças identificadas nas


significações parentais entre o grupo de pais de crianças com os melhores hábitos
e com os piores hábitos alimentares. Estas diferenças foram verificadas nas
seguintes temáticas: determinantes dos comportamentos e das preferências
alimentares, consequências de uma alimentação saudável, barreiras e modelos
explicativos do desenvolvimento dos comportamentos alimentares.
Os pais das crianças com os melhores hábitos referem mais frequentemente
determinantes sobre os quais os pais têm algum controlo (i.e., parentais e culturais
/exposição) enquanto os pais das crianças com os piores hábitos, além dos
determinantes culturais, referem mais frequentemente fatores sociais sobre os
pais têm menor controlo (refeições na escola, publicidade).
A exposição é o determinante das preferências alimentares mais mencionada
nos dois grupos, salientando-se contudo que nenhum dos pais das crianças com
piores hábitos referiu as estratégias intencionais dos pais como forma de moldar
as preferências das crianças.
Os pais dos dois grupos descrevem de forma semelhante as consequências
de uma alimentação saudável, embora os pais de crianças com piores hábitos

210
__________________________________________________________________DISCUSSÃO DE RESULTADOS

alimentares referem com maior frequência a criança ter energia suficiente e o


evitamento de carências nutricionais.
Os pais com filhos com piores hábitos alimentares referem mais barreiras
sociais (socioeconómicas e influências de outros familiares e pares da criança),
enquanto o outro grupo refere mais barreiras diretamente relacionados com eles
próprios e com a criança (pressão da criança e emoções parentais).
Os pais das crianças com filhos com os melhores hábitos alimentares
centram-se em estratégias consideradas mais adequadas, sendo que a mais
mencionada é a acessibilidade de alimentos. Os pais com filhos com os piores
hábitos alimentares referem mais a autogestão da criança e estratégias coercivas.
Relativamente aos modelos explicativos do desenvolvimento dos
comportamentos alimentares a maioria dos pais dos dois grupos considera que
estes dependem das ações parentais serem ou não eficazes para desenvolver
hábitos alimentares saudáveis. As diferenças mais relevantes são que os pais das
crianças com piores hábitos valorizam mais a capacidade de autorregulação da
criança como um determinante de bons hábitos alimentares e referem menos
vezes a presença parental. Hart e coalboradores (2003) encontraram no seu
estudo mães que viam positivamente os momentos em que os pais não estão
presentes como um espaço de liberdade das crianças, apesar de saberem que elas
poderiam fazer escolhas menos saudáveis.

211
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

212
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

6.
CONCLUSÕES
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

A elevada prevalência da obesidade infantil tornou o combate a este


problema um objetivo prioritário de saúde (OMS, 2012). Este só poderá ser
atingido se as ações desenvolvidas abarcarem os vários sistemas que influenciam
direta e indiretamente a criança (Story, Kaphingst, Robinson-O’Brien & Glanz,
2008; Davinson & Birch, 2001). Contudo, é ainda necessário um melhor
conhecimento sobre os determinantes mais relevantes tanto dos comportamentos
sedentários como dos hábitos alimentares da criança.
O estudo dos comportamentos alimentares no período pré-escolar revela-se
de particular interesse por diversas razões. Entre os 5 e os 6 anos a gordura
corporal diminui para um mínimo (adiposity rebound), para depois aumentar até à
idade adulta. Embora se trate de um processo pré-determinado, o aumento de
gordura corporal está também relacionado com os hábitos alimentares da criança.
(Rolland-Cachera, Deheeger, Maillot & Bellisle, 2006; Whitaker, Pepe, Wright,
Seidel & Dietz, 1998). Concomitantemente, o desenvolvimento psicológico da
criança neste período implica um ganho crescente de autonomia, que ocorre
também no domínio alimentar. Em resultado deste processo, os pais tendem a
diminuir a sua autoeficácia para mudar os comportamentos alimentares da
criança.
O presente trabalho teve como objetivo geral o estudo de determinantes
psicológicos e sociais do comportamento alimentar das crianças pré-escolares.
Para este fim foram realizados dois estudos. No primeiro, foram focados os
determinantes e fatores correlatos do comportamento alimentar infantil. O
segundo visou aprofundar o conhecimento sobre as significações parentais
relacionadas com a alimentação da criança.
Para o primeiro estudo, e face à multiplicidade de determinantes
psicológicos e sociais abordados na literatura, a escolha dos determinantes a
incluir no presente estudo seguiu algumas linhas orientadoras. As variáveis
cognitivas parentais mereceram particular atenção. Uma vasta evidência científica
fundamenta os modelos cognitivos que explicam os comportamentos de saúde
(Norman, Abraham & Conner, 2000), sendo que os processos cognitivos parentais
assumem particular relevância na explicação dos comportamentos dos pais
relacionados com a saúde da criança (Barros, 1999). Também a longa atividade da
autora como docente, em particular na formação de profissionais de saúde, bem

214
_________________________________________________________________________CONCLUSÕES

como os trabalhos anteriores sobre significações parentais relacionadas com a


alimentação da criança (Andrade, 2007; 2012), influenciaram o interesse por estes
processos. Assim, foram abordados neste estudo o conhecimento nutricional dos
pais, a perceção parental de peso da criança, a preocupação com a alimentação da
criança e as atribuições parentais de autoeficácia e controlo. O conhecimento
nutricional e a perceção parental de peso foram alvo de um estudo mais detalhado.
Para além dos processos exclusivamente cognitivos, foram também focadas as
relações entre os hábitos alimentares e os estilos parentais.
Dos determinantes específicos à própria criança foram analisadas as
relações dos hábitos alimentares com as preferências alimentares e o tempo de
visionamento de televisão. Estas são características com particular interesse para a
intervenção, na medida em que podem ser diretamente influenciadas pelos pais.
Considerou-se também de interesse o estudo das relações do IMC da criança
com as restantes variáveis em estudo.
Este primeiro estudo é transversal e correlacional, tendo incluído 231
crianças dos jardins-de-infância da zona Norte de Loures e respetivos pais. A
avaliação foi feita por questionários preenchidos pelos pais, à exceção das
preferências alimentares e do IMC que foram avaliadas diretamente com as
crianças.
Para o segundo estudo, de caráter descritivo, foi utilizada uma metodologia
qualitativa para a identificação das significações parentais relacionadas com a
alimentação. Foram entrevistados 26 pais da amostra original. Tratou-se de uma
subamostra intencional, que incluiu pais de crianças com excesso de peso e IMC
normal, bem como pais com filhos com os piores e os melhores hábitos
alimentares. Utilizou-se um procedimento aberto de análise de conteúdo para
trabalhar as verbalizações parentais.

Os resultados e as conclusões deste estudo foram já analisados nos


capítulos 4 e 5. A discussão de resultados confirmou as conclusões de estudos
anteriores, mas identificou aspetos inovadores e complementares em relação aos
estudos já existentes. Neste capítulo serão salientadas as conclusões mais
relevantes e inovadoras e será feita uma análise mais integradora dos resultados
obtidos.

215
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

- As preferências alimentares, o tempo de visionamento de televisão, a


atribuição parental de controlo e a dimensão de responsividade parental foram
identificados como preditores dos hábitos alimentares. O conhecimento
nutricional e a autoeficácia, embora não acrescentando valor preditivo ao modelo
estudado, estão diretamente correlacionados com os hábitos alimentares.

- A atribuição de controlo parental sobre o que a criança come revelou-se


uma característica importante. É um preditor da qualidade dos hábitos
alimentares, sendo que os pais que têm uma atribuição moderadamente elevada,
têm os filhos com os melhores hábitos. Por outro lado, está também correlacionada
com o conhecimento nutricional e está associada à perceção parental de peso (i.e.,
pais com perceção correta de peso têm atribuições mais elevadas de controlo).
De acordo com o esperado, a atribuição parental de controlo está
positivamente correlacionada com a autoeficácia parental para a mudança de
comportamentos alimentares do filho, e estas estão inversamente correlacionadas
com a preocupação parental com o peso da criança. Esta relação está de acordo
com os principais modelos cognitivos que explicam os comportamentos de saúde
(Becker & Rosenstock, 1984; Leventhal, Nerenz & Steele, 1984; Prochaska &
Nerenz, 1994).

-Os resultados obtidos confirmam que os pais de crianças com excesso de


peso tendem maioritariamente a subavaliar o peso dos seus filhos, o que não
acontece quando a criança tem peso normal. A perceção de peso não está associada
à preocupação parental. Os pais com perceção incorreta, que na sua maioria
subavaliam o excesso de peso da criança, distribuem-se de forma mais ou menos
uniforme pelas várias categorias (graus) de preocupação.

- Confirma-se que o conhecimento nutricional dos pais é um fator relevante


para a promoção dos hábitos alimentares saudáveis das crianças, embora não seja
suficiente, por si só, para os pais porem em prática mudanças efetivas na
alimentação dos seus filhos. Esta conclusão reforça as limitações da transmissão de

216
_________________________________________________________________________CONCLUSÕES

informação se não forem trabalhados paralelamente outros determinantes dos


comportamentos alimentares.

- A dimensão de responsividade parental está correlacionada e é um


determinante dos hábitos alimentares da criança, confirmando a vantagem dos
pais que promovem a individualidade e a autorregulação do filho, e que estão
centrados nas necessidades da criança. Estas questões são levantadas também por
muitos dos pais entrevistados, que referem a necessidade de dar autonomia de
decisão alimentar às crianças e de promover a autorregulação da criança. Porém é
importante não esquecer que esta relação poderá ser bidirecional, na medida em
que os pais com crianças que já têm uma dieta saudável não necessitem de ter uma
atitude exigente e controladora em relação à alimentação, o que poderá facilitar
uma centração maior nas necessidades e características da criança e não tanto no
cumprimento das normas impostas pelos pais.
Não foi confirmada uma relação entre a qualidade dos hábitos alimentares e
os estilos parentais (i.e., autoritário, orientador, permissivo e não envolvido).
Possivelmente esta relação é influenciada por diversos fatores (e.g., práticas
parentais, grau adesão da criança às normas parentais), que contudo não puderam
ser abordados neste estudo.

- Das estratégias que os pais utilizam para promover uma alimentação


saudável do seu filho, algumas são consideradas como adequadas na literatura.
Contudo, os pais referem com alguma frequência a utilização de estratégias
coercivas e de delegação na autogestão da criança. Estas duas estratégias são mais
verbalizadas pelos pais de crianças com os piores hábitos alimentares e com
excesso de peso.
A estratégia mais referida foi a de fornecer informação à criança. Este
resultado é relevante na medida em que as crianças pré-escolares não orientam
ainda as suas ações por informação /crenças de saúde. Hebestreit e colaboradores
(2010) salientam a importância da comunicação de regras alimentares entre pais e
filhos, o que é adequado na idade pré-escolar. Contudo a comunicação dos pais
entrevistados foca-se mais na argumentação e explicação das vantagens da

217
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

alimentação saudável, e não diretamente na definição de regras alimentares a


serem cumpridas.

- Relativamente ao modo como os pais compreendem o desenvolvimento


dos hábitos alimentares dos filhos, muitos consideram que os seus objetivos da
alimentação saudável têm de ser coordenados com outros fatores, também eles
importantes, de que se salientam a necessidade da criança ter alguma autonomia
nas decisões alimentares e também os riscos do excesso de controlo parental.
Alguns pais referem ainda que a alimentação saudável é conseguida na medida em
que os pais souberem conjugar este objetivo com outros determinantes do
comportamento alimentar (e.g., falta de tempo, preferências da criança). Há ainda
pais que referem a necessidade de relativizar as linhas orientadoras de uma
alimentação saudável por ser impossível ter a certeza sobre qual é exatamente a
alimentação adequada para a criança, sendo que as orientações atuais são vistas
como uma entre várias alternativas adequadas.
Um número significativo de pais centra as suas explicações quase
exclusivamente na intervenção parental, considerando que a qualidade dos hábitos
alimentares depende dos pais disporem de estratégias eficazes ou de estarem
presentes quando a criança come.

Este estudo apresenta algumas limitações, que se mencionam em seguida.


- Optou-se por utilizar uma medida que permitisse a avaliação global da
qualidade dos hábitos alimentares da criança. Esta opção foi deliberada, na
tentativa de não limitar a avaliação a determinados tipos de nutrientes (e.g.,
ingestão de gorduras), ou alimento específicos (e.g., frutas e vegetais). Contudo
esta metodologia terá levado a uma perda de poder discriminativo.
O mesmo tipo de avaliação global foi feito para a avaliação das preferências
alimentares. Assim, para o estudo da correlação entre as preferências e os hábitos
alimentares foram utilizadas medidas gerais destas variáveis, o que reduziu a
possibilidade de se encontrarem relações mais significativas.
Para futuros estudos em que os hábitos alimentares sejam avaliados por
questionários breves, sugere-se que estes incidam num número restrito de
comportamentos alimentares, que sejam relevantes para descriminar as crianças

218
_________________________________________________________________________CONCLUSÕES

em termos da qualidade dos seus hábitos alimentares. Por outro lado, o estudo da
relação entre hábitos e preferências alimentares deverá ser feita a partir da
preferência e consumo de alimentos específicos.

- A avaliação foi feita maioritariamente por questionários, à exceção do IMC


e das preferências alimentares, que foram avaliadas diretamente com a criança.
Para algumas das variáveis em estudo (conhecimentos nutricional, perceção
parental de peso e atribuições parentais) a metodologia de autorrelato é a mais
adequada. Contudo, a avaliação dos hábitos alimentares e dos estilos parentais
pode ter sido influenciada por distorções nas respostas dos pais, resultado do
efeito de desejabilidade social e de distorções no processamento de informação.

- De acordo com o Parentig Feeding Questionnaire, a classificação dos estilos


parentais foi feita a partir das medianas da amostra relativamente às duas
dimensões: responsividade e exigência. Este facto pode ter levado a um
enviezamento da classificação dos pais nos diferentes estilos. Para obviar este
efeito foram estudadas também as duas dimensões de base. Contudo, a ausência de
relações entre o estilo parental e os hábitos alimentares da criança poderá ter sido
afetada, em parte, pelo problema referido.

- Apesar de a amostra incluir um número alargado de crianças e pais, a


amostragem seguiu critérios de conveniência, com as limitações que lhe estão
associadas. Neste estudo o método de amostragem levantou dois problemas em
particular. O primeiro consistiu no número de pais com filhos com excesso de peso,
que se revelou insuficiente para análises mais finas, como foi referido ao longo da
discussão. Este problema tornou-se mais evidente nas conclusões relacionadas
com a perceção parental de peso, face ao baixo número de pais com perceção
correta do excesso de peso dos filhos. Por outro lado, o facto de não ser uma
amostra representativa dos diferentes níveis socioeconómicos poderá ter afetado o
papel pouco relevante que estes assumiram neste estudo, em particular na
explicação dos comportamentos alimentares e do IMC da criança.

219
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

- A avaliação da preocupação parental, embora feita através de uma questão


comum a muitos estudos, poderia ter beneficiado de uma formulação mais
específica. Alguns pais podem ter assinalado que estavam preocupados com o peso
da criança referindo-se à magreza e não ao excesso de peso, mesmo no caso dos
pais de crianças com um IMC superior ao normal. Em futuros estudos este
problema deverá ser ultrapassado através de uma questão que inquira sobre a
preocupação específica com o excesso de peso.

- Este estudo não incluiu todos os determinantes psicológicos e sociais que a


evidência científica tem identificado como relevantes (e.g., exposição; práticas
parentais relacionadas com a alimentação), pois o número de instrumentos de
avaliação reduziria a adesão dos pais. Esta poderá ser uma das razões pela qual o
valor preditivo do modelo de regressão dos hábitos alimentares não é forte.
Todavia o presente estudo centrou-se no papel das variáveis cognitivas parentais,
tendo permitido confirmar a sua importância para os hábitos alimentares das
crianças pré-escolares.

Propostas para estudos futuros

O presente estudo identificou relações importantes entre as variáveis


cognitivas analisadas. Porém estas relações necessitam de maior clarificação. Para
um estudo futuro, exclusivamente com pais de crianças com excesso de peso, seria
interessante a concetualização proposta na tabela 6.1, para a qual se recorre aos
estádios de prontidão para a mudança para equacionar o modo como estas
caracerísticas cognitivas se podem organizar entre si. Na coluna da direita da
tabela apresentam-se alguns dos resultados que foram orientadores para esta
conceptualização.

220
_________________________________________________________________________CONCLUSÕES

Tabela 6.1.
Estádios de prontidão parental para a mudança dos hábitos alimentares da criança com excesso de peso

Estádio de
Caraterísticas Resultados orientadores
prontidão

Pré- • Pais que consistentemente subavaliam o peso e • As atribuições de


contemplação com baixa preocupação com o peso da criança. autoeficácia e controlo
Podem apresentar preocupações generalistas com estão correlacionadas
o peso, mas não especificamente com o excesso de entre si e inversamente
peso da criança, no presente. correlacionadas com a
• Pais não consideram haver necessidade de preocupação parental.
mudanças alimentares • A preocupação com peso
não está correlacionada
Contemplação • Ambivalência em relação à perceção do excesso de
com a qualidade dos
peso da criança e à preocupação. A subavaliação do
hábitos alimentares, mas
excesso de peso pode ser uma forma de reduzir
é preditor da sua
(temporariamente) a preocupação com o peso da
alteração no futuro
criança.
(Spruijt-Metz et al.,
• As atribuições parentais de controlo e autoeficácia
2006).
limitam o início de mudanças no comportamento
• Os pais com perceção
alimentar da criança
correta tendem a ter
Preparação • Perceção correta do excesso de peso da criança níveis mais elevados de
• Pais manifestam preocupação elevada controlo sobre o que a
• As atribuições parentais de controlo e autoeficácia criança come.
limitam ainda a realização de mudanças • As atribuições parentais
significativas na alimentação da criança. Os pais de autoeficácia e
fazem algumas mudanças pontuais e/ou planeiam controlo estão
mudanças futuras mais estruturadas. positivamente
correlacionadas com a
Ação • Perceção correta do excesso de peso da criança
qualidade dos hábitos
• Atribuições parentais de controlo e autoeficácia
alimentares.
elevadas.
.Existe uma variabilidade
• Pais realizam mudanças significativas dos
grande nos graus de
comportamentos alimentares da criança.
preocupação dos pais, a
• Os pais poderão diminuir a sua preocupação por
qual não é
terem já tomado medidas para a resolução do
significativamente
problema de peso ou por constatarem a perda de
superior nos pais com
peso.
filhos com excesso de
peso

221
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Esta proposta não pretende ser um modelo explicativo do comportamento


parental relacionado com a alimentação da criança, na medida em que se centra
somente nas características cognitivas parentais que foram abordadas no presente
estudo. No entanto, propõe um quadro integrador das relações entre estas
características, que poderá ser testado em estudos futuros.

Os estilos parentais são outra área de estudo em relação à qual se levantam


várias questões de interesse, suscitadas pelos resultados deste estudo e pela
restante evidência científica.
Seria relevante clarificar se a eficácia das práticas parentais (e.g., controlo,
pressão, modelagem) depende do contexto relacional em que estas ocorrem, o qual
é determinado pelo estilo parental. A título de exemplo, poderemos antecipar que
as estratégias de controlo parental serão mais eficaz quando exercidas num
contexto orientador do que num contexto autoritário.
Dada a existência de poucos estudos que foquem a relação entre os estilos
parentais e a utilização preferencial de determinadas práticas relacionadas com a
alimentação da criança, esta será outra área de interesse. Seria particularmente
inovadora a comparação das estratégias utilizadas pelos pais com níveis elevados
de responsividade e de exigência.
Seria também interessante confirmar se os estilos parentais relacionados
com a alimentação se alteram quando os pais adquirem uma perceção correta do
excesso de peso da criança e estão preocupados, em particular se estas condições
levam ao aumento da exigência parental (i.e., criação de normas alimentares e
supervisão do cumprimento dessas mesmas normas).

Implicações para a prática

Do presente estudo podem ser retiradas algumas indicações importantes


para as intervenções com pais que visem promover o comportamento alimentar
saudável da criança.
Com base nos determinantes identificados é fundamental a abordagem das
questões psicológicas da criança e dos pais, em particular a modificação das

222
_________________________________________________________________________CONCLUSÕES

preferências alimentares e a atribuição parental de controlo sobre o que a criança


come.
Para além de serem um determinante dos hábitos alimentares, as
preferências alimentares são uma das barreiras mais mencionadas pelos pais. Por
estas razões as estratégias para modificação das preferências devem assumir
particular relevância na intervenção com pais. Na medida em que os pais referem a
modelagem e principalmente a exposição como determinantes das preferências
almientares, mas não como estratégias, estas devem ser realçadas como formas
dos pais intervirem intencionalmente nas preferências alimentares dos filhos.
Dado que o desenvolvimento de preferências alimentares saudáveis desde o
nascimento é um processos mais fácil do que a alteração de preferências já
adquiridas, torna-se de extrema importância a intervenção precoce com pais (e.g.,
aconselhamento a puérperas), de modo que desde os primeiros meses de vida os
pais possam ter ações dirigidas para o desenvolvimento de preferências saudáveis
e para a redução da neofobia.
Relativamente à atribuição de controlo, o presente estudo aponta para uma
correlação inversa entre a preocupação e as atribuições de autoeficácia e controlo.
Este resultado permite colocar a hipótese de que o aumento da preocupação
parental poderá ter como efeito uma redução nas expetativas dos pais em de
conseguirem lidar eficazmente com o problema de peso/alimentar do filho. De
acordo com o modelo de prontidão (Prochaska et al., 1994) os pais preocupados
com o peso da criança mas que tenham atribuições baixas de autoeficácia e
controlo tenderão a evitar ou minimizar o problema de saúde da criança. Estas
conclusões indicam que a estruturação da maioria dos programas, que incidem
inicialmente no aumento da perceção de risco e da preocupação e só depois
abordam as questões relacionada com a autoeficácia e o controlo, será desajustada.
Um dos aspetos relevantes deste estudo é a confirmação de que o
conhecimento nutricional é uma área importante a ser focada com os pais, em
particular os mais novos e os de níveis socio-educacionais mais baixos. Também a
partir das significações parentais sobre as consequências da alimentação saudável
se identifica que os pais têm diferentes necessidades de informação. Enquanto
alguns pais estão bem informados, referindo o evitamento de doenças específicas,
compreendendo o conceito de nutriente e a relação entre peso e saúde, outros têm

223
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

um conhecimento pouco aprofundado, abordando de uma forma muito geral os


benefícios da alimentação saudável para a saúde ou para o desenvolvimento da
criança.
Considerando que muitos pais identificam as limitações económicas como
barreira, um tema indispensável a abordar na informação nutricional serão formas
económicas de realizar uma alimentação saudável.
As conclusões do presente estudo, bem como a evidência empírica atual,
indicam que a intervenção na perceção parental do peso da criança deve ser feita
com alguma precaução. A perceção correta do peso não se mostrou associada a
melhores hábitos alimentares da criança. Por outro lado, as intervenções
apresentadas na literatura que visam a promoção de uma perceção correta do
excesso de peso não têm, na sua maioria, revelado resultados muito positivos. Será
ainda necessário um conhecimento mais aprofundado dos processos antecedentes
e consequentes da subavaliação do excesso de peso, antes de esta ser um dos alvos
de intervenção.
O objetivo de redução do tempo de visionamento de televisão é
fundamental nas intervenções com pais, mas não esquecendo que períodos de
tempo prolongados em frente à televisão podem ser um reflexo da falta de
disponibilidade dos pais para se ocuparem com outras atividades de
acompanhamento da criança. Assim, as propostas que visem a substituição do
tempo de visionamento da televisão por atividades que exijam maior envolvimento
dos pais poderão não ter uma adesão significativa. Os profissionais de saúde
poderão explorar com os pais atividades que exijam maior dispêndio de energia e
possam ser integradas nas rotinas familiares e facilmente aceites.
Considerando as barreiras mais verbalizadas pelos pais, que confirmam
estudos anteriores, será importante que o aconselhamento parental aborde
estratégias para: i) comunicar assertivamente com as pessoas que cuidam da
criança (e.g., avós), ii) promover a capacidade dos pais educarem a criança em
relação à publicidade, de uma forma adequada à idade da criança, iii) ultrapassar a
pressão exercida pela criança; iv) gerir as emoções parentais, em particular o
stress e a ambivalência resultantes das consequências negativas que alguns pais
associam às mudanças para uma alimentação saudável (e.g., tensões com a criança
e outros familiares, privar a criança de momentos de prazer, gerar emoções

224
_________________________________________________________________________CONCLUSÕES

negativas do filho, ou ainda reduzir a sua autonomia). Considerando que muitos


pais continuam a utilizar estratégias que a literatura aponta como pouco eficazes,
bem como inadequadas para o período de desenvolvimento psicológico da criança
pré-escolar, estas devem continuar a fazer parte integrante das intervenções para
a promoção da alimentação saudável em crianças.

Para terminar as conclusões deste trabalho é importante fazer algumas


considerações sobre a investigação em psicologia na área dos comportamentos
alimentares infantis.
Os estudos existentes têm-se centrado mais nos determinantes do IMC e
menos na explicação dos hábitos alimentares da criança. Entre outras explicações,
este facto poderá estar relacionado com questões metodológicas (i.e., maior
dificuldade na avaliação dos comportamento alimentares), mas também com a
circunstância dos objetivos nacionais e internacionais de saúde serem definidos
em termos do IMC. Contudo, a relação entre o IMC e os comportamentos
alimentares da criança não é clara e necessita de ser melhor compreendida. Por
esta razão, e sendo os comportamentos o âmbito de estudo da Psicologia, a
investigação deverá centrar-se mais na compreensão dos comportamentos e
hábitos alimentares da criança, ao contrário do que tem acontecido até agora.
Embora os estudos existentes recorram a modelos teóricos da Psicologia
(e.g., modelo de cognição social; modelo do comportamento planeado) para
identificar as características psicológicas (dos pais e das criança) que possam estar
relacionados com os comportamentos alimentares infantis, a diversidade de
determinantes envolvidos tem dificultado uma conceptualização teórica
abrangente e especifica para estes comportamentos. O modelo ecológico, embora
apresente linhas gerais importantes para a compreensão dos comportamentos
alimentares, é um modelo multidisciplinar global, que não traz um contributo
teórico específico a cada uma das áreas científicas envolvidas. Urge que, no futuro,
se comecem a testar modelos que englobem os determinantes psicológicos mais
relevantes do comportamento alimentar da criança, para que sejam ainda mais
profícuos os contributos da psicologia para o conhecimento e intervenção nesta
área.

225
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Por fim, e de acordo com a experiência da autora, a maioria dos


profissionais de saúde que trabalha na promoção da alimentação saudável infantil
está sensibilizada para a importância dos aspetos psicológicos no comportamento
alimentar das crianças, mas dispõe de informação e estratégias limitadas para a
intervenção nestas dimensões. É, por isso, necessário um maior esforço de
formação destes profissionais, para a aquisição de competências que lhes
permitam trabalhar adequadamente com estas características parentais e da
criança, sempre num enquadramento de parceria com os pais e longe de uma
atitude prescritiva de comportamentos de saúde.

226
_________________________________________________________________________________BIBLIOGRAFIA

Referências bibliográficas

Abalkhail, B., & Shawky, S. (2002). Prevalence of daily breakfast intake, iron deficiency anaemia and
awareness of being anaemic among Saudi school students. International Journal of Food Sciences
and Nutrition, 53(6), 519-528. doi: 10.1080/09637480220164370
Abraham, C., Norman, P., & Conner, M. (Eds.). (2000). Understanding and changing health behaviour: From
health beliefs to self-regulation. Amsterdam, Netherlands: Harwood Academic Publishers.
Aday, L. A. & Cornelius, L. J. (1989). Designing and conducting health surveys - A comprehensive guide. San
Francisco, CA: Jossey-Bass Publishers.
Addessi, E., Galloway, A. T., Visalberghi, E., & Birch L. L. (2005). Specific social influences on the acceptance
of novel foods in 2–5-year-old children. Appetite, 45(3), 264–271. doi: 10.1016/j.appet.2005.07.007
Adolfsson, B., Andersson, I., Elofsson, S., Rössner, S., & Undén, A. L. (2005). Locus of control and weight
reduction. Patient Education and Counseling, 56(1), 55-61. doi:10.1016/j.pec.2003.12.005
Afonso, L. (2009). Educação alimentar pré-escolar – Projecto: Saber comer para bem crescer. Nutrícias, (9):
16-21.
Agranat-Meged, A. N., Deitcher, C., Goldzweig, G., Leibenson, L., Stein, M., & Galili-Weisstub, E. (2005).
Childhood obesity and attention deficit/hyperactivity disorder: a newly described comorbidity in
obese hospitalized children. International Journal of Eating Disorders, 37(4), 357–359. doi:
10.1002/eat.20096
Agras, W., Hammer, L., McNicholas, F., & Kraemer, H. (2004). Risk factors for childhood overweight: a
prospective study from birth to 9.5 years. Journal of Pediatrics, 145(1), 20–25. doi:
10.1016/j.jpeds.2004.03.023
Ajzen, I., & Fishbein, M. (1980). Understanding attitudes and predicting social behavior. Englewood Cliffs, NY:
Prentice-Hall
Alaimo, K., Olson, C. M., & Frongillo, E. A. (2001). Food Insufficiency and American School-Aged Children's
Cognitive, Academic, and Psychosocial Development. Pediatrics, 108(1), 44-53. Disponível em
http://pediatrics.aappublications.org/content/108/1/44.full
Albertson, A. M., Anderson, G. H., Crockett, S. J., & Goebel, M. T. (2004). Ready-to-eat cereal consumption: Its
relationship with BMI and nutrient intake of children aged 4 to 12 years. Journal of American
Dietetic Association, 103(2), 1613-1619. doi:10.1016/j.jada.2003.09.020
Alles-White, M. L., & Welch, P. (1985). Factors affecting the formation of food preferences in preschool
children. Early childhood development and care, 21(4), 265-276. doi:10.1080/0300443850210402
Almeida, F. R., & Ferreira, J. A. (2010). Obesidade infantil: a mediação parental do uso dos media.
Psychologica, 53, 237-258. Disponível em http://hdl.handle.net/10316.2/5538
American Academy of Pediatrics. (2001). American Academy of Pediatrics: children, adolescents, and
television. Pediatrics, 107(2), 423-426. doi: 10.1542/peds.107.2.423
American Dietetic Association (1997). Nutrition Trends Survey 1997. Compiled by Wirthlin Worldwide.
Chicago, IL: ADA. Disponível em http://www.eatright.org/press090397d.html

227
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Andrade G. (2007, abril). Percepção parental das barreiras a uma alimentação saudável. Comunicação oral
apresentada no X Congresso Internacional de Educação Familiar da Association Internationale de
Formation et de Recherche en Éducation Familiale, Coimbra.
Andrade, G. (2012,fevereiro). Promoção da autoeficácia parental para a alimentação saudável infantil –
áreas de intervenção. Comunicação oral apresentada no 9º Congresso Nacional de Psicologia da
Saúde da Sociedade Portuguesa de Psicologia da Saúde, Aveiro. Disponível em
http://repositorio.ipl.pt/bitstream/10400.21/2698/1/Promo%C3%A7%C3%A3o%20da%20auto
efic%C3%A1cia%20parental%20para%20a%20alimenta%C3%A7%C3%A3o%20saud%C3%A1ve
l%20infantil.pdf
Anliker, J. A., Bartoshuk L., Ferris A. M., & Hooks L. D. (1991). Children's food preferences and genetic
sensitivity to the bitter taste of 6-N-propylthiouracil (PROP). American Journal of Clinical Nutricion,
54(2), 316–320. Disponível em http://ajcn.nutrition.org./content/54/2/316.full.pdf+html
Antunes, A., & Moreira, P. (2011). Prevalência de excesso de peso e obesidade em crianças e adolescentes
portugueses. Acta Médica Portuguesa, 24(2), 279-284. Disponível em
http://www.actamedicaportuguesa.com/revista/index.php/amp/article/view/1621/1203
Anzman, S. L., & Birch, L. L. (2009). Low inhibitory control and restrictive feeding practices predict weight
outcomes. The Journal of Pediatrics, 155(5), 651-656. doi:10.1016/j.jpeds.2009.04.052
Anzman-Frasca, S., Stifter, C. A., Paul, I. M., & Birch, L. L. (2013). Infant temperament and maternal parenting
self-efficacy predict child weight outcomes. Infant Behavior and Development, 36(4), 494-497.
doi:10.1016/j.infbeh.2013.04.006
Aparício, G., Cunha, M., Duarte, J., & Pereira, A. (2011). Olhar dos Pais sobre o Estado Nutricional das
Crianças Pré‐escolares. Millenium, 40, 99‐113. Disponível em
http://www.ipv.pt/millenium/Millenium40/8.pdf
Arnold, D.S., O'Leary, S. G., Wolff, L. S., & Acker, M. M. (1993). The parenting scale: A measure of
dysfunctional parenting in discipline situations. Psychological Assessment, 5(2), 137-144. doi:
10.1037/1040-3590.5.2.137
Arredondo, E. M., Elder, J. P., Ayala, G. X., Campbell, N., Baquero, B., & Duerksen, S. (2006). Is parenting style
related to children’s healthy eating and physical activity in Latino families? Health Education
Research - Theory & Practice, 21(6), 862–871. doi:10.1093/her/cyl110
Astrup A. (2001). Healthy lifestyles in Europe: prevention of obesity and type II diabetes by diet and
physical activity. Public Health Nutrition, 4(2B), 499-515. doi: 10.1079/PHN2001136
Atkin, L. M., & Davies, B. S. W. (2000). Diet composition and body composition in preschool children.
American Journal of Clinical Nutrition, 72(1), 15-21. Disponível em
http://ajcn.nutrition.org/content/72/1/15.full.pdf+html
Aunola, K., Stattin, H., & Nurmi, J. -E. (2000). Parenting styles and adolescents’ achievement strategies.
Journal of Adolescence, 23(2), 205-222. doi: 10.1006/jado.2000.0308
Axelson, M. L., & Brinberg, D. (1992). The measurement and conceptualization of nutrition knowledge.
Journal of Nutrition Education, 25(5), 239-246. doi:10.1016/S0022-3182(12)81238-6

228
_________________________________________________________________________________BIBLIOGRAFIA

Ayres, C., Agranonik, M., Portella, A. K., Filion, F., Johnston, C. C., & Silveira, P. P. (2012). Intrauterine growth
restriction and the fetal programming of the hedonic response to sweet taste in newborn infants.
International Journal of Pediatrics. doi:10.1155/2012/657379
Bandura, A. (1997). Self-efficacy: the exercise of control. New York, NY: Freeman.
Bandura, A. (1986). Social Foundations of Thought and Action: A Social Cognitive Theory. Englewood Cliffs,
NJ: Prentice-Hall
Bandura, A. (1977). Self-efficacy: Toward a unifying theory of behavioral change. Psychological Review,
84(2), 191-215. doi:10.1016/0146-6402(78)90002-4
Barber, B. K. (1996). Parental psychological control: Revising a neglected construct. Child Development,
67(6), 3296–3319. doi: 10.1111/j.1467-8624.1996.tb01915.x
Barber, B. K. (2002). Intrusive parenting: How psychological control affects children and adolescents.
Author, Intrusive parenting: How psychological control affects children and adolescents (pp. 3-13).
Washington, DC: American Psychological Association.
Bardin, L. (1977). Análise de conteúdo. Lisboa, Portugal: Edições 70.
Barriball K. L., & While A. (1994). Collecting data using a semi-structured interview: a discussion. Journal of
Advanced Nursing, 19:328-335. doi: 10.1111/j.1365-2648.1994.tb01088.x
Barros, L. (1999) Psicologia pediátrica - perspetiva desenvolvimentista. Lisboa, Portugal: Climepsi Editores
Batada, A., Seitz, M. D., Wootan, M. G., & Story, M. (2008). Nine out of 10 food advertisements shown during
Saturday morning children’s television programming are for foods high in fat, sodium, or added
sugars, or low in nutrients. Journal of the American Dietetic Association, 108(4), 673–678.
doi10.1016/j.jada.2008.01.015
Batsell, W. R., Brown, A. S., Ansfield, M. E., & Paschall, G. Y. (2002). ‘‘You will eat all of that!’’. A retrospective
analysis of forced consumption episodes. Appetite, 38(3), 211–219. doi:10.1006/appe.2001.0482
Baughcum, A. E., Burklow, K. A., Deeks, C. M., Powers, S. W., & Whitaker, R. C. (1998). Maternal feeding
practices and childhood obesity: a focus group study of low-income mothers. Archives of Pediatrics
& Adolescent Medicine, 152(10), 1010-1014. doi:10.1001/archpEdi.152.10.1010.
Baughcum, A. E., Chamberlain; L. E., Deeks, C. D., Powers, S. W., & Whitaker, R. C. (2000). Maternal
perceptions of overweight preschool children. Pediatrics, 106(6), 1380-1386.
doi:10.1542/peds.106.6.1380
Baughcum, M. S., Powers, S. W., Johnson, S. B., Chamberlain, L. A., Jain, A., & Whitaker, R. C. (2001). Maternal
feeding practices and beliefs and their relationships to overweight in early childhood.
Developmental and Behavioral Pediatrics, 22(6), 391-408. doi: 10.1097/00004703-200112000-
00007
Baum C. L. 2nd, & Ford W. F. (2004). The wage effects of obesity: a longitudinal study. Health Economics,
13(9), 885-899. doi: 10.1002/hec.881
Baumrind, D. (1991). The influence of parenting style on adolescent competence and substance use. Journal
of Early Adolescence, 11(1), 56-95. doi: 10.1177/0272431691111004
Baumrind, D. (1989). Rearing competent children. In W. Damon (Ed.), Child Development Today and
tomorrow (pp. 349-378). San Francisco, CA: Jossey Bass

229
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Baxter, S. D., & Thompson, W. O. (2002). Fourth-Grade children´s consumption of fruit and vegetables items
available as part of school lunches is closely related to preferences. Journal of Nutritional Education
and Behavior, 34(3), 166-171. doi.org/10.1016/S1499-4046(06)60086-9
Baxter, S. D., Thompson, W. O., Litaker, M. S., Frye, F. H. A., & Guinn, C. H. (2002). Low accuracy and low
consistency of fourth-graders’ school breakfast and school lunch recalls. Journal of the American
Dietetic Association, 102(3), 386- 395. doi:10.1016/S0002-8223(02)90089-1
Blaylock, J. R., Variyam, J.N., & Lin, B.-H. (1999). Maternal Nutrition Knowledge and Children’s Diet Quality
and Nutrient Intakes (Food Assistance and Nutrition research report No. 1). Economics Division,
Economic Research Service, U.S. Department of Agriculture. Disponível em
http://www.usda.gov/wps/portal/usda/usdahome
Bayer, O., Rosario, A. S., Wabitsch, M., & von Kries, R. (2009). Sleep Duration and Obesity in Children: Is the
Association Dependent on Age and Choice of the Outcome Parameter? Sleep, 32(9), 1183–1189.
Disponível em http://europepmc.org/articles/PMC2737576
Beauchamp, G. K., Cowart, B. J., Menella, J., & Marsh, R. R. (1994). Infant salt taste: developmental
methodology and contextual factors. Development Psychobiology, 27(6), 353–365. doi:
10.1002/dev.420270604
Beauchamp, G. K., & Moran, M. (1982). Dietary experience and sweet taste preference in human infants.
Appetite, 3(2), 139–152. doi:10.1016/S0195-6663(82)80007-X
Becker, M. H., & Rosenstock, J. M. (1984). Compliance with medical advice. In A. Steptoe & A. Mathews
(Eds.), Health Care and Human Behavior. London, England: Academic Press
Bell, K. I., & Tepper, B. J. (2006). Short-term vegetable intake by young children classified by 6-n-
propylthoiuracil bitter-taste phenotype1–3. American Journal of Clinical Nutrition, 84(1), 245-251.
http://ajcn.nutrition.org/content/84/1/245.full.pdf
Ben-Joseph, E. P., Dowshen, S. A., & Izenberg, N. (2009). Do parents understand growth charts? A national,
internet-based survey. Pediatrics, 124(4), 1100-1109. doi:10.1542/peds.2008-0797)
Beresford, S. A., Farmer. E. M., Feingold, L., Graves, K. L., Sumner, S. K., & Baker, R. M. (1992). Evaluating of a
self-help dietary intervention in a primary care setting. American Journal of Public Health, 82(1), 79-
84. doi: 10.2105/AJPH.82.1.79
Berge, J.M., Wall, M., Loth, K., & Neumark-Sztainer, D. (2010). Parenting style as a predictor of adolescent
weight and weight-related behaviors. Journal of Adolescent Health, 46(4), 331–338.
doi:10.1016/j.jadohealth.2009.08.004
Berkey, C. S., Rockett, H. R., Field, A. E., Gillman, M. W., Frazier, A. L., Camargo Jr, C. A., & Colditz , G. A. (2000).
Activity, dietary intake, and weight changes in a longitudinal study of preadolescent and adolescent
boys and girls. Pediatrics, 105(4), e55-e56. Disponível em
http://pediatrics.aappublications.org/content/105/4/e56.full.html
Berridge K. C. (2004). Motivation concepts in behavioral neuroscience. Physiology & Behavior, 81(2), 179–
209. doi:10.1016/j.physbeh.2004.02.004
Berridge K. C. (1996). Food reward: brain substrates of wanting and liking. Neuroscience and Biobehavioral
Reviews, 20(1), 1–25. doi:10.1016/0149-7634(95)00033-B

230
_________________________________________________________________________________BIBLIOGRAFIA

Bijmolt T. H., Claassen W., & Brus B. (1998). Children’s understanding of TV advertising: effects of age,
gender, and parental influence. Journal of Consumer Policy. 21(2), 171-194. Disponível em
http://link.springer.com/article/10.1023/A:1006831206697.
Binkin, N., Spinelli, Baglio, G., & Lamberti, A. (2011). What is common becomes normal: The effect of obesity
prevalence on maternal perception. Nutrition, Metabolism & Cardiovascular diseases, 23(5), 410-
416. doi: 10.1016/j.numecd.2001.09.006
Birch, L. L. (1999). Development of food preferences. Annual Review of Nutrition, 19(1), 41-62. doi:
10.1146/annurev.nutr.19.1.41
Birch, L. L. (1998). Psychological influences on the childhood diet. The Journal of Nutrition, 128(2), 407S-
410S. Disponível em http://nutrition.highwire.org/content/128/2/407S.full
Birch, L. L. (1979). Dimensions of preschool children’s food preferences. Journal of Nutrition Education,
11(2), 77-80. doi:10.1016/S0022-3182(79)80089-8
Birch, L. L. (1979). Preschool children’s food preferences and consumption patterns. Journal of Nutrition
Education, 11(4), 189-192 doi.org/10.1016/S0022-3182(79)80025-4
Birch L. L. (1992) Children’s preferences for high-fat foods. Nutrition Reviews, 50(9), 249–255. doi:
10.1111/j.1753-4887.1992.tb01341.
Birch, L. L., & Anzman-Frasca, S. (2011). Promoting children's healthy eating in obesogenic environments:
Lessons learned from the rat. Physiology & Behavior, 104(4), 641-645. doi:
10.1016/j.physbeh.2011.05.017
Birch L. L., Billman, J., & Richards, S. S. (1984). Time of day influences food acceptability. Appetite, 5(2), 109–
116. doi:10.1016/S0195-6663(84)80030-6 Birch L.L. & Fisher J.O. (2000). Mothers’ child-feeding
practices influence daughters’ eating and weight. American Journal of Clinical Nutrition, 7185),
1054–1061. Disponível em http://ajcn.nutrition.org/content/71/5/1054.full
Birch, L. L., Birch, D., Marlin, D. W., & Kramer, L. (1982). Effects of instrumental consumption on children’s
food preference. Appetite, 3(2): 125–134. doi:10.1016/S0195-6663(82)80005-6
Birch, L. L., Fisher, J. O., Grimm-Thomas, K., Markey, C.N., Sawyer, R., & Johnson, S. L. (2001). Confirmatory
factor analysis of the child feeding questionnaire: a measure of parental attitudes, beliefs and
practices about child feeding and obesity proneness. Appetite, 36(3), 201-210. doi:
10.1006/appe.2001.0398
Birch, L. L., Fisher, J. O., Smiciklas-Wright, H., & Mitchell, D. (1999). Eat as I do not as I say: parental
influences on young girls' calcium intakes. FASEB Journal, 13(4), A593-A593.
Birch, L. L., & Marlin, D. W. (1982). I don’t like it; I never tried it. Effects of exposure on two-year-old
children’s food preferences. Appetite, 3(4), 353–360. doi:10.1016/S0195-6663(82)80053-6
Birch, L. L., Marlin D. W., & Rotter, J. (1984). Eating as the ‘‘means’’ activity in a contingency: effects on
young children’s food preference. Child Development, 431–439. doi: 10.2307/1129954
Birch, L. L., McPhee, L., Shoba, B. C., Pirok, E., & Steinberg, L. (1987). What kind of exposure reduces
children’s food neophobia? Looking vs. tasting. Appetite, 9(3), 171–178. doi.org/10.1016/S0195-
6663(87)80011-9
Birch L. L., McPhee L., Steinberg L., & Sullivan, S. (1990). Conditioned flavour preferences in young children.
Physiology & Behavior, 47(3), 501–505. doi:10.1016/0031-9384(90)90116-L

231
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Birch, L. L., Zimmerman, S. L., & Hind, H. (1980). The influence of social-affective context on the formation of
children’s food preferences. Child Development, 51(3), 856–861. doi: 10.2307/1129474
Black, A. E., Cole, & T. J. (2001). Biased over-or under-reporting is characteristic of individuals whether over
time or by different assessment methods. Journal of the American Dietetic Association, 101(1), 70-
80. doi:10.1016/S0002-8223(01)00018-9
Blades, M. Oates, C., & Shiying, Li (2013). Children’s recognition of advertisements on television and on Web
pages. Appetite 62(1), 190–193. doi:10.1016/j.appet.2012.04.002
Blake, C. E., Devine, C. M., Wethington, E, Jastran, M., Farrell, T. J., & Bisogni, C. A. (2009). Employed parents’
satisfaction with food-choice coping strategies. Influence of gender and structure. Appetite, 52(3),
711–719. doi:10.1016/j.appet.2009.03.011
Blake C. E., Wethington E., Farrel T. J., ; Bisogni C. A., & Devine C.M. (2011). Behavioral contexts, food-choice
coping strategies, and dietary quality of a multiethnic sample of employed parents. Journal of the
American Dietetic Association, 111(3), 401-407. doi: 10.1016/j.jada.2010.11.012
Blanchette L., & Brug J. (2005). Determinants of fruit and vegetable consumption among 6–12-year-old
children and effective interventions to increase consumption. Journal of Human Nutrition and
Dietetics, 18(6), 431–443. doi: 10.1111/j.1365-277X.2005.00648.x
Bleakley, A., Jordan, A. B., & Hennessy, M. (2013). The Relationship between parents’ and children’s
television viewing. Pediatrics, 132(2), e364-e371. doi: 10.1542/peds.2012-3415
Blissett, J., & Haycraft, E. (2008). Are parenting style and controlling feeding practices related? Appetite,
50(2-3), 477–485. doi:10.1016/j.appet.2007.10.003
Block, G., Clifford, C., Naughton, M. D., Henderson M., & McAdams, M. (1989). A brief dietary screen for high
fat intake. Journal of Nutrition Education, 21(5), 199-207. doi:10.1016/S0022-3182(89)80003-2
Block, G., Patterson, B. & Subar, A. (1992) Fruit, vegetables, and cancer prevention: a review of the
epidemiological evidence. Nutrition and Cancer, 18(1):29. doi:10.1080/01635589209514201
Block, J. H. (1965). The Child-rearing Practices Report (CRPR): A Set of Q items for the description of parental
socialization attitudes and values. Institute of Human Development, University of California,
Berkeley. Disponível em http://www.tru.ca/faculty/wlroberts/block,1965.pdf
Bogaert, N., Steinbeck, K. S., Baur, L. A., Brock, K., & Bermingham, M.A. (2003). Food, activity and family
environmental vs biochemical predictors of weight. European Journal of Clinical Nutrition, 57(10),
1242–1249. doi:10.1038/sj.ejcn.1601677
Bonato D. P., & Boland F. J. (1983). Delay of gratification in obese children. Addictive Behavior, 8(1), 71–74.
doi:10.1016/0306-4603(83)90059-X
Boonpleng, W., Park, C., & Gallo, A. M. (2012). Timing of adiposity rebound: A step toward preventing
obesity. Pediatric Nursing, 38(1), 37-42.
Borra, S. T., Kelly, L., Shirreffs, M. B., Neville, K., & Geiger, C. J. (2003). Developing health messages:
qualitative studies with children, parents, and teachers help identify communications opportunities
for healthful lifestyles and the prevention of obesity. Journal of the American Dietetic Association,
103(6), 721–728. doi:10.1053/jada.2003.50140

232
_________________________________________________________________________________BIBLIOGRAFIA

Borzekowski, D. L., & Robinson, T. N. (2001). The 20-seconds effect. An experiment revealing the impact of
television commercials on food preferences of preschoolers. Journal of the American Dietetic
Association, 101(1), 42-46. doi:10.1016/S0002-8223(01)00012-8
Bourcier E., Bowen D. J., Meischke H., & Moinpour C. (2003). Evaluation of strategies used by family food
preparers to influence healthy eating. Appetite, 41(3), 265–72. doi:10.1016/S0195-
6663(03)00104-1
Boutelle, K., Fulkerson, J. A., Neumark-Sztaine, D., & Story, M. (2004). Mother’s perceptions of their
adolescents’ weight status: Are they accurate? Obesity Research, 12(11), 1754-1757. doi:
10.1038/oby.2004.217
Bowling, A, (2009). Research methods in health. Berkshire, England: Open University Press.
Boyland, E. J., Harrold, J. A., Kirkham, T. C., & Halford, J. C .G. (2012). Persuasive techniques used in television
advertisements to market foods to UK children. Appetite, 5(2), 658–664.
doi:10.1016/j.appet.2011.11.017
Boyland, E. J., Harrold, J. A., Kirkham, T. C., Corker, C., Cuddy, J., Evans, J., ...Halford, J.C.G. (2011). Food
Commercials Increase Preference for Energy-Dense Foods, Particularly in Children Who Watch
More Television. Pediatrics, 128(1), e93–e100. doi: 10.1542/peds.2010-1859
Boynton-Jarrett, R., Thomas, T. N., Peterson, K. E., Wiecha, J., Sobol, A. M., & Gortmaker, S. L. (2003). Impact
of television viewing patterns on fruit and vegetable consumption amongst adolescents. Pediatrics,
112(6), 1321–1326. Disponível em
http://pediatrics.aappublications.org/content/112/6/1321.short
Breen, F.M., Plomin, R., Wardle, J. (2006). Heritability of food preferences in young children. Physiology &
Behavior, 88(4-5), 443–447. doi: 10.1016/j.physbeh.2006.04.016
Brenner, R. A., Simons-Morton, B. G., Bhaskar, B., Das, A., & Clemens, J. D. (2001). Prevalence and predictors
of immunization among inner-city infants: a birth cohort study. Pediatrics, 108(3), 661-670.
doi:10.1542/peds.108.3.661
Bronfenbrenner, U (1979). The ecology of human development: experiments by nature and design. Cambridge,
MA: Harvard University Press.
Bronfenbrenner, U., & Ceci, S. J. (1994). Nature-nurture reconceptualized in developmental perspective: A
bioecological model. Psychological Review, 101(4), 568-586. doi: 10.1037/0033-295X.101.4.568
Bronfenbrenner, U., & Morris, P. A. (1998). The ecology of developmental processes. In W. Damon & R. M.
Lerner (Eds.), Handbook of child psychology: Theoretical models of human development (5th Ed, Vol.
1, pp. 993-1023). New York: John Wiley and Sons, Inc.
Brown, J. E., Broom, D. H., Nicholson, J. M., & Bittman, M. (2010). Do working mothers raise couch potato
kids? Maternal employment and children's lifestyle behaviours and weight in early childhood.
Social Science & Medicine, 70(11), 1816-1824. doi:10.1016/j.socscimed.2010.01.040
Brug, J., Van Lenthe, F. J., & Kremers, S. P. J. (2006). Revisiting Kurt Lewin: How to gain insight into
environmental correlates of obesogenic behaviours. American Journal of Preventive Medicine, 31(6),
525–529. doi:10.1016/j.amepre.2006.08.016
Buijzen, M., & Valkenburg, P. M. (2003). The unintended effects of television advertising: A parent–child
survey. Communication Research, 30(5), 483–503. doi: 10.1177/0093650203256361

233
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Buijzen, M., Schuurman, J., & Bomhof, E. (2008). Associations between children’s television advertising
exposure and their food consumption patterns: a household diary-survey study. Appetite, 50(2-3),
231-239. doi:10.1016/j.appet.2007.07.006
Buri, J. R. (1991). Parental authority questionnaire. Journal of Personality Assessment, 57(1),
110-119. doi:10.1207/s15327752jpa5701_13
Butland, B., Jebb, S., Kopelman, P., McPherson, K., Thomas, K., Thomas, S., Mardell, J., & Parry, V., (2007).
Tackling Obesities: Future Choices: Project Report (2nd Ed.). Department of Innovation Universities
and Skills. Government’s Foresight Programme, UK. Disponível em
https://www.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/287937/07-
1184x-tackling-obesities-future-choices-report.pdf
California Department of Health Services and the Public Health Institute (2005). California Health Interview
Survey. Disponível em www.chis.ucla.Edu.
Campbell, K., Andrianopoulos, N., Hesketh, K., Ball, K., Crawford, D., Brennan, L., Corsini, N., & Timperio, A.
(2010). Parental use of restrictive feeding practices and child BMI z-score. A 3-year prospective
cohort study. Appetite, 55(1), 84–88. doi:10.1016/j.appet.2010.04.006
Campbell, K., Crawford, D. A., & Ball, K. (2006). Family food environment and dietary behaviors likely to
promote fatness in 5-to 6-year-old children. International Journal of Obesity, 30(8): 1272-1280.
doi:10.1038/sj.ijo.0803266
Campbell, K., Hesketh, K., Silverii, A., & Abbott, G. (2010). Maternal self‐efficacy regarding children's eating
and sedentary behaviours in the early years: Associations with children's food intake and sedentary
behaviours. International journal of pediatric obesity, 5(6), 501-508.
doi:10.3109/17477161003777425
Campbell, M. W., Williams, J., Hampton, A., & Wake, M. (2006). Maternal concern and perceptions of
overweight in Australian preschool-aged children. Medical Journal of Australia, 184 (6), 274-277.
Disponível em http://www.mja.com.au/public/issues/184_06_200306/cam10711_fm.html
Carnell, S., Edwards, C., Croker, H., Boniface, D., & Wardle, J. (2005). Parental perceptions of overweight in 3-
5 years old. International Journal of Obesity, 29(4), 353-355. doi:10.1038/sj.ijo.0802889
Carpenter, K. M., Hasin, D. S., Allison, D., & Faith, M .S. (2000). Relationships between obesity and DSM-IV
Major Depressive Disorder, Suicide Ideation, and suicide attempts: results from a general
populations study. American Journal of Public Health, 90(2), 251-257. doi: 10.2105/AJPH.90.2.251
Carruth, B. R., Skinner, J., Houck, K., Moran III, J., Coletta, F., & Ott, D. (1998). The phenomenon of “picky
eater”: A behavioral marker in eating patterns of toddlers. Journal of the American College of
Nutrition, 17(2), 180-186. doi:10.1080/07315724.1998.10718744
Carruth, B. R., Ziegler, P. J., Gordon, A., & Barr, S. I. (2004). Prevalence of picky eaters among infants and
toddlers and their caregivers’ decisions about offering a new food. Journal of the American Dietetic
Association, 104 (1): 57-64. doi:10.1016/j.jada.2003.10.024
Carvalhal, M. M., Padez, M. C., Moreira, P. A., & Rosado, V. M., (2007).Overweight and obesity related to
activities in Portuguese children, 7–9 years. European Journal of Public Health, 17(1), 42-46. doi:
10.1093/eurpub/ckl093

234
_________________________________________________________________________________BIBLIOGRAFIA

Casey, R., & Rozin, P., (1989).Changing children's food preferences: Parent opinions. Appetite, 12(3), 171-
182. http://doi:10.1016/0195-6663(89)90115-3
Cathey, M., & Gaylord, N. (2004). Picky eating. A toddler’s approach to mealtime. Pediatric Nursing, 30(2),
101–107.Disponível http://www.nutrociencia.com.br/upload_files/arquivos/picky%20eating.doc
Caton, S., Ahern, S. M., & Hetherington, M. M. (2011). Vegetables by stealth. An exploratory study
investigating the introduction of vegetables in the weaning period. Appetite, 57(3), 816–825. doi:
10.1016/j.appet.2011.05.319
Cecil, J. E., Palmer, C. N., Wrieden, W., Murrie, I., Bolton-Smith, C., Watt, P., ... Hetherington, M. M. (2005).
Energy intakes of children after preloads: adjustment, not compensation. The American journal of
clinical nutrition, 82(2), 302-308. Disponível em
http://ajcn.nutrition.org/content/82/2/302.full.pdf+html
Centers for Disease Control and Prevention (2007). Behavioral Risk Factor Surveillance System (BRFSS).
Disponível em www.cdc.gov/brfss.
Chamberlin, L. A., Sherman, S. N., Jain, A., Powers, S. W., & Whitaker, R. C. (2002). The challenge of
preventing and treating obesity in low-income, preschool children: perceptions of WIC health care
professionals. Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine, 156(7), 662-668.
doi:10.1001/archpedi.156.7.662
Chaparro, M. P., Langellier, B. A., Kim, L. P., & Whaley, S. E. (2011). Predictors of accurate maternal
perception of their preschool child's weight status among Hispanic WIC participants. Obesity,
19(10), 2026-2030. doi:10.1038/oby.2011.105
Chaput, J.-P., Klingenberg, L., Astrup, A., & Sjödin, A. M. (2011). Modern sedentary activities promote
overconsumption of food in our current obesogenic environment. Obesity Reviews, 12(5), e12-e20.
doi: 10.1111/j.1467-789X.2010.00772.x
Choy, C.-S., Chan, W.-Y., Chen, T-L., Shih, C.-C., Wu, L.-C. , & Liao, C.-C. (2011). Waist circumference and risk of
elevated blood pressure in children: a cross-sectional study. BMC Public Health, 11(1), 613.
doi:10.1186/1471-2458-11-613
Cluss, P. A., Ewing, L., Wendy, C. K., Reis, E. C., Dodd, J. L., & Penner, B. (2013). Nutrition knowledge of low-
income parents of obese children. Translational Behavioral Medicine,
3(2), 218-225. doi:10.1007/s13142-013-0203-6
Coates, R. J., Serdula, M. K., Byers, T., Mokdad, A., Jewell, S., Leonard, S. B., ... Chavez, N. (1995). A brief,
telephone-administered food frequency questionnaire can be useful for surveillance of dietary fat
intakes. Journal of Nutrition, 125(6), 1473–1483. Disponível em
http://nutrition.highwire.org/content/125/6/1473.full.pdf+html
Cochran, J. D., Neal, W. A., Cottrell, L. A., & Ice, C. L. (2012). Parental perception of their child’s weight status
and associated demographic factors. Online Journal of Rural Nursing and Health Care, 12(2).
Disponível em http://rnojournal.binghamton.Edu/index.php/RNO/article/view/71
Cohen, R. Y., Brownell, K. D., & Felix, M. R. (1990). Age and sex differences in health habits and beliefs of
schoolchildren. Health Psychology, 9 (2), 208-224. doi: 10.1037/0278-6133.9.2.208

235
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Colavito, E. A., Guthrie, J. F., Hertzler, A. A., Webb, R. E. (1996.) Relationship of diet-health attitudes and
nutrition knowledge of household meal planners to the fat and fiber intakes of meal planners and
preschoolers. Journal of Nutrition Education, 28(6):321-328. doi:10.1016/S0022-3182(96)70121-8
Cole, T., Bellizzi, M. C., Flegal, K. M., & Dietz, W. H. (2000). Establishing a standard definition for child
overweight and obesity worldwide: international survey. British Medical Journal, 320(7244), 1240-
1243. doi:10.1136/bmj.320.7244.1240
Cole, T. J., Flegal, K. M., Nicholls, D., & Jackson, A. A. (2007). Body mass index cut offs to define thinness in
children and adolescents: international survey. British Medical Journal, 335(7612), 194 -201.
doi:10.1136/bmj.39238.399444.55
Coleman, P., & Harraker, K. H. (2003). Maternal self-efficacy beliefs, competence in parenting, and toddlers'
behavior and developmental status. Infant Mental Health Journal, 24(2), 126-148. doi:
10.1002/imhj.10048
Connor, S. L., Gustafson, J. R., Sexton, G., Becker, N., Artaud-Wild, S., & Connor, W. E. (1992). The diet habit
survey: a new method of dietary assessment that relates to plasma cholesterol changes. Journal of
the American Dietetic Association, 92(1), 41-47. Disponível em
http://europepmc.org/search?page=1&query=ISSN:%220002-8223%22&restrict=All+results
Contento, I. (1981). Children’s thinking about food and eating – A Piagetian-based study. Journal of Nutrition
Education, 13(1), s86-s90.
Contento, I. R., Basch, C., & Zybert, P. (2003). Body image, weight, and food choices of Latina women and
their young children. Journal of Nutrition Education and Behavior, 35(5), 236-248.
doi:10.1016/S1499-4046(06)60054-7
Contento, I. R., & Michela, J. L. (1999). Nutrition and food choice behavior among children and adolescents.
In A. Goreczny & M. Hersen (Eds.), Handbook of Adolescent Health Psychology. Needham Heights,
Ma: Allyn & Bacon.
Cooke, LJ.., Carnell, S., & Wardle, J. (2006). Food neophobia and mealtime food consumption in 4–5 year old
children. International Journal of Behavioural Nutrition and Physical Activity, 6(3), 14. doi:
10.1186/1479-5868-3-14
Cooke, L. J., & Fildes, A. (2011). The impact of flavour exposure in utero and during milk feeding on food
acceptance at weaning and beyond. Appetite, 57(3), 808–811. doi:10.1016/j.appet.2011.05.317
Cooke, L. J., Haworth, C. A., & Wardle, J. (2007). Genetic and environmental influences on children’s food
neophobia. American Journal of Clinical Nutrition, 86: 428–433.
Cooke, L. J., Wardle, J., Gibson, E. L., Sapochnik, M., Sheiham, A., & Lawson, M. (2004). Demographic, familial
and trait predictors of fruit and vegetable consumption by pre-school children. Public Health
Nutrition, 7(2), 295–302. doi: 10.1079/phn2003527.
Coon, K. A., Goldberg, J., Rogers, B. L., & Tucker, K. L. (2001). Relationships between use of television during
meals and children's food consumption patterns. Pediatrics, 107(1), e7. doi 10.1542/peds.107.1.e7
Corder, K., Crespo, N. C., van Sluijs, E. M., Lopez, N. V., & Elder, J. P. (2012). Parent's awareness of young
children's physical activity. Preventive Medicine. 55(3), 201-205. doi:
10.1016/j.ypmed.2012.06.021.

236
_________________________________________________________________________________BIBLIOGRAFIA

Costa, M. G.; Nunes, M. M.,; Duarte, J. C., & Pereira, A. S. (2012).Conhecimento dos pais sobre alimentação:
construção e validação de um questionário de alimentação infantil. Revista Enfermagem, III(6), 55-
68. doi:10.12707/RIII1158.
Costa, M. J. (2010). Atitudes e práticas alimentares maternas: associações com o estado ponderal e a ingestão
nutricional da criança (Trabalho de investigação. Faculdade da Ciências de Nutrição e da
Alimentação, Universidade do Porto). Disponível em http://repositorio-
aberto.up.pt/bitstream/10216/54752/3/138337_1027TCD27.pdf
Costanzo, P. R., & Woody, E. Z. (1985). Domain-specific parenting styles and their impact on the child's
development of particular deviance: The example of obesity proneness. Journal of Social and Clinical
Psychology, 3 (4), 425-445. doi: 10.1521/jscp.1985.3.4.425
Cowart B. (1981). Development of taste perception in humans: sensitivity and preference throughout the
life span. Psychological Bulletin, 90(1), 43–73. doi:10.1037/0033-2909.90.1.43
Crawford, D., Timperio, A., Telford, A., & Salmon, J. (2006). Parental concerns about childhood obesity and
the strategies employed to prevent unhealthy weight gain in children. Public Health Nutrition, 9(7),
889–895. doi: 0.1017/PHN2005917
Crespo, C. J., Smit, E., Troiano, R. P., Bartlett, S. J., Macera, C. A., & Andersen, R. E. (2001). Television watching,
energy intake and obesity in US children. Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine, 155(3),
360–365. doi:10.1001/archpedi.155.3.360.
Crouch, P., O'Dea, J. A., & Battisti, R. (2007). Child feeding practices and perceptions of childhood overweight
and childhood obesity risk among mothers of preschool children. Nutrition & Dietetics, 64(3), 151-
158. doi: 10.1111/j.1747-0080.2007.00180.x
Crystal S. R., & Bernstein I. L. (1998). Infant salt preference and mother’s morning sickness. Appetite 30(3),
297–307. doi:10.1006/appe.1997.0144
Csabi, G., Tenyi, T., & Molnar, D. (2000). Depressive symptoms among obese children. Eating and Weight
Disorders, 5(1), 43–45. Disponível em http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10840656#
Cullen, K. W., Baranowski, T., Rittenberry. L., Cosart, C., Owens, E., & Hebert D. (2000). Socioenvironmental
influences on children’s fruit, juice and vegetable consumption as reported by parents : reliability
and validity of measures. Public Health Nutrition, 3(3), 345–356.
doi:10.1017/S1368980000000392
Currie, C., Zanotti, C., Morgan, A., Currie, D., Looze, M. D., Roberts, C., & Barnekow, V. (2012). Social
determinants of health and well-being among young people: Health Behaviour in School-aged
Children (HBSC) study: international report from the 2009/2010 survey. Disponível em
http://www.euro.who.int/__data/assets/pdf_file/0003/163857/Social-determinants-of-health-
and-well-being-among-young-people.pdf
D’Alessio, M., Laghi, F., & Baiocco, R, (2009). Attitudes toward TV advertising: a measure for children.
Journal of Applied Developmental Psychology, 30(4), 409-418. doi:10.1016/j.appdev.2008.12.026
Darling, N., & Steinberg, L. (1993). Parenting style as context: An integrative model. Psychological Bulletin,
113(3), 487-496. doi: 10.1037/0033-2909.113.3.487
Davis C. (2009). Psychobiological traits in the risk profile for overeating and weight gain. International
Journal of Obesity, 33 (S 2), S49–S53. doi:10.1038/ijo.2009.72

237
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Davis, A. M., James, R. L., Curtis, M. R., Felts, S. M., & Daley, C. M. (2008). Pediatric obesity attitudes, services,
and information among rural parents: a qualitative study. Obesity a Research Journal, 16(9), 2133–
2140. doi: 10.1038/oby.2008.312
Davison, K. K., & Birch, L. L. (2001). Childhood overweight: a contextual model and recommendations for
future research. Obesity Reviews, 2(3), 159-171. doi:10.1046/j.1467-789x.2001.00036.x
Davison, K. K., Marshall, S. J., & Birch, L. L. (2006). Cross-sectional and longitudinal associations between TV
viewing and girls’ body mass index, overweight status, and percentage of body fat. The Journal of
Pediatrics, 149(1), 32–37. doi:10.1016/j.jpeds.2006.02.003
De Bourdeaudhuij, I., Velde, S. J., Meas, L., Perez-Rodrigo, C., de Almedia, M. D. V., & Brug, J. (2008). General
parenting styles are not strongly associated with fruit and vegetable intake and social–
environmental correlates among 11-year-old children in four countries in Europe. Public Health
Nutrition, 12(2), 259–266. doi:10.1017/S1368980008002930
De Jong, W., & Kreck, R. E. (1986). The social psychological effects of overweight. In C. P. Herman, M. P.
Zanna & E. T. Higgins (Eds.). Physical appearence, stigma and social behavior: the Ontario
symposium, 3, 66-87. Hilsdale, NJ: Lawrence Erlbaum.
De Lepeleere, S., De Smet, A., Verloigne, M., Cardon, G., & De Bourdeaudhuij, I. (2013). What practices do
parents perceive as effective or ineffective in promoting a healthy diet, physical activity, and less
sitting in children: parent focus groups. BMC Public Health, 13(1), 1067. doi:10.1186/1471-2458-
13-1067
DECO - Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (2005). Crianças: publicidade pouco saudável.
Proteste, 255:8-12. Disponível em
http://www.deco.proteste.pt/?show=179037&q=Publicidade+pouco+saud%C3%A1vel
Demir, D., Skouteris, H., Dell'Aquila, D., Aksan, N., McCabe, M. P., Ricciardelli, L. A., …,Baur, A.L. (2012) An
observational approach to testing bi-directional parent–child interactions as influential to child
eating and weight. Early Child Development and Care, 182(8), 943-950. doi:
10.1080/03004430.2012.678591
Dennison, B. A., Erb, T. A., & Jenkins, P. L. (2002). Television viewing and television in bedroom associated
with overweight risk among low-income preschool children. Pediatrics, 109(6), 1028-1035. doi:
10.1542/peds.109.6.1028
Denzin, N. K. (1989). The research act: A theoretical introduction to sociological methods. Englewood Cliffs,
NJ: Prentice Hall.
Denzin, N. K., & Lincoln, Y. S. (1994). Handbook of qualitative research. Authors, (4th Ed.). Thousand Oaks,
CA: Sage Publications.
Devine, C. M., Jastran, M., Jabs, J., Wethington, E., Farell, J., & Bisogni, C. A. (2006). A lot of sacrifices. Work–
family spillover and the food choice coping strategies of low-wage employed parents. Social Science
& Medicine, 63(10), 2591–2603. doi:10.1016/j.socscimed.2006.06.029
Dietz, W. H., & Gortmaker, S. L. (1985). Do we fatten our children at the television set? Obesity and television
viewing in children and adolescents. Pediatrics, 75(5), 807-812. Disponivel em
http://pediatrics.aappublications.org/content/75/5/807.short

238
_________________________________________________________________________________BIBLIOGRAFIA

Dixon, E. G., Scully, M. L., Wakefield, A., White, V. M., & Crawford, D. A. (2007). The effects of television
advertisements for junk food versus nutritious food on children's food attitudes and preferences.
Social Science & Medicine, Volume 65 (7), 1311–1323. doi: 10.1016/j.socscimed.2007.05.011
Do Carmo, I., Dos Santos, O., Camolas, J., Vieira, J., Carreira, M., Medina, L., & Galvão‐Teles, A. (2008).
Overweight and obesity in Portugal: national prevalence in 2003–2005. Obesity reviews, 9(1), 11-
19. doi: 10.1111/j.1467-789X.2007.00422.x
Dockray, S., Susman, E. J., & Dorn, L. D. (2009). Depression, cortisol reactivity, and obesity in childhood and
adolescence. Journal of Adolescent Health, 45(4), 344–350. doi:10.1016/j.jadohealth.2009.06.014
Doolen, J., Alpert, P. T., & Miller, S. K. (2009). Parental disconnect between perceived and actual weight
status of children: A metasynthesis of the current research. Journal of the American Academy of
Nurse Practitioners, 21(3), 160–166. doi: 10.1111/j.17457599.2008.00382.
Dovey, T. M., Staples, P. A., Gibson, E. L., & Halford, J. C. G. (2008). Food neophobia and ‘picky/fussy’ eating in
children. A review. Appetite, 50(2–3), 181–193. doi:10.1016/j.appet.2007.09.009
Drewnowski, A., Henderson, S. A., & Shore, A. B. (1997). Genetic sensitivity to 6-n-propylthiouracil (PROP)
and hedonic responses to bitter and sweet taste. Chemistry Sensitivity, 22(1), 27–37. doi:
10.1093/chemse/22.1.27
Drewnoswki, A., & Rock, C. L. (1995). The influence of genetic markers on food acceptance. The American
Journal of Clinical Nutrition, 62(3), 506–511. Disponível em
http://ajcn.nutrition.org/content/62/3/506.short
Drukker. M., Wojciechowski, F., Feron, F. J., Mengelers, R., & Van Os, J. (2009). A community study of
psychosocial functioning and weight in young children and adolescents. International Journal of
Pediatric Obesity, 4(2), 91–97. doi: 10.1080/17477160802395442
Duarte, E. (2008). Obesidade em idade pré-escolar: A realidade da Beira interior sul (resultados preliminares).
Comunicação oral apresentada no I Fórum de projectos de prevenção da obesidade da Ordem dos
Nutricionistas, Lisboa.
Dubois, L., & Girard, M. (2006). Early determinants of overweight at 4.5 years in a population-based
longitudinal study. International Journal of Obesity, 30(4), 610–617. doi:10.1038/sj.ijo.0803141
Dubois, L., Girard, M., & Kent M. P. (2006). Breakfast eating and overweight in a pre-school population: is
there a link? Public Health Nutrition, 9(4), 436-442. doi: 10.1079/PHN2005867
Duerksen, S. C., Elder, J. P., Arredondo, E. M., Ayala, G. X., Slymen, D. J., Campbell, N. R., & Baquero, B. (2007).
Family restaurant choices are associated with child and adult overweight status in Mexican-
American families. Journal of the American Dietetic Association, 107(5), 849-853. doi:
10.1016/j.jada.2007.02.0
Duke, R. E., Bryson, S., Hammer, L. D., & Agras, W. S. (2004). The relationship between parental factors at
infancy and parent-reported control over children’s eating at age 7. Appetite, 43(3), 247–252.
doi:10.1016/j.appet.2004.05.006
Dwyer, J., Needham L., Simpson J. R., Heeney, E. S. (2008). Parents report intrapersonal, and environmental
barriers to supporting healthy eating and physical activity among their preschoolers. Applied
Physiology, Nutrition, and Metabolism, 33(2) 338-346. doi:10.1139/H07-195

239
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Eckstein, K. C., Mikhail, L. M., Ariza, A. J., Thomson, J. S., Millard, S. C., & Binns, H. J. (2006). Pediatrics practice
research group. Parents’ perceptions of their child’s weight and health. Pediatrics, 117(3), 681-690.
doi: 10.1542/peds.2005-0910
Editorial: Thought for food [Editorial].2003. The Lancet, 3. Disponível em
http://download.thelancet.com/pdfs/journals/lancet/PIIS0140673603148350.pdf?id=laa-
xODJrdNZ4P__YLyu
Edmunds, L.D. (2005). Parents’ perceptions of health professionals’ responses when seeking help for their
overweight children. Family Practice, 22(3), 287–292. doi: 10.1093/fampra/cmh729
Egger, G., & Swinbum, B. (1997). An “ecological” approach to the obesity pandemic. British Medical Journal,
315(7106), 477–480. doi:10.1136/bmj.315.7106.477
Epstein, L. H., Fletcher, K. D., O’Neill, J., Roemmich, J. N., Raynor, H., & Bouton, M. E. (2013). Food
characteristics, long-term habituation and energy intake. Laboratory and field studies. Appetite,
60(1), 40-50. doi:10.1016/j.appet.2012.08.030
Etelson, D., Brand, D. A., Patrick, P. A., & Shirali, S. (2003). Childhood obesity: do parents recognize this
health risk? Obesity Research, 11(11), 1362-1368. doi: 10.1038/oby.2003.184
Evans, S. J., Harries, C., Dennis, I., & Dean, J. (1995). General practitioners' tacit and stated policies in the
prescription of lipid lowering agents. British Journal of General Practice, 45(390), 15-18. Disponível
em http://bjgp.org/content/45/390/15.short
Faith, M. S., Allison, D. B., & Geliebter, A. (1997). Emotional eating and obesity: theoretical considerations
and practical recommendations. In Sharron Dalton (Ed.), Overweight and Weight management. The
health professional's guide to understanding and practice, (pp.439-465). Gathersburg, MD: Aspen
Publishers.
Faith, M. S., Berkowitz R. I., Stallings, V. A., Kerns, J., Storey, M., & Stunkard, A. J. (2004). Parental feeding
attitudes and styles and child body mass index: prospective analysis of a gene-environment
interaction. Pediatrics, 114(4), e429–e436. doi: 10.1542/peds.2003-1075-L
Faith, M. S., & Kerns, J. (2005). Infant and child feeding practices and childhood overweight: the role of
restriction. Maternal and Child Nutrition, 1(3), 164-168. doi:10.1111/j.17408709.2005.00024.x
Falcão-Gomes, R. C., Coelho, A. A. S., Schmitz, B. A. S. (2006). Caracterização dos estudos de avaliação do
consumo alimentar de pré-escolares. Revista de Nutrição, 19(6), 713-727. Disponível em
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=1415527320060006&lng=pt&nrm=iso
Falciglia, G., Pabst, S., Couch, S., & Goody, C. (2004). Impact of Parental Food Choices on Child Food
Neophobia. Children’s Health Care, 33(3), 217–225. doi: 10.1207/s15326888chc3303_4.
Fao, W. F. P. IFAD (2012) The State of Food Insecurity in the World 2012: Economic growth is necessary but
not sufficient to accelerate reduction of hunger and malnutrition. FAO, Rome. Disponível em
http://www.fao.org/docrep/016/i3027e /i3027e00.htm
Feldman, R.S. (2005). Introdução à Psicologia. São Paulo: McGraw Hill Interamérica do Brasil.
Fernandes, C. R. L. (2010) Consumo de fruta e hortícolas numa amostra de crianças do ensino pré-escolar,
factores sócio-demográficos, familiares e comportamentais (Trabalho de Investigação. Faculdade de
Ciências da Nutrição e da Alimentação - Universidade do Porto). Disponível em
http://hdl.handle.net/10216/54580

240
_________________________________________________________________________________BIBLIOGRAFIA

Ferreira, E. A. M. (2005). Caracterização nutricional de crianças pré-escolares. Relação com factores


antropométricos e comportamentais desde o nascimento (Trabalho de Investigação. Faculdade de
Ciências da Nutrição e Alimentação - Universidade do Porto). Disponível em
http://hdl.handle.net/10216/54572
Ferreira, J. S. (2010). Prevalência de obesidade infanto-juvenil - Associação com os hábitos alimentares,
actividade física e comportamentos sedentários dos adolescentes escolarizados de Portugal
Continental (Tese de doutoramento). Escola Nacional de Saúde Pública - Universidade Nova de
Lisboa). Disponível em
http://run.unl.pt/bitstream/10362/4263/1/RUN%20%20Tese%20de%20Doutoramento% 20
%20Joana%20Sousa%20Ferreira.pdf
Fialho, A. S. R., Almeida, M. D. V. (2008). Publicidade a géneros alimentícios no meio televisivo dirigido a
crianças e adolescentes em Portugal. Alimentação Humana, 14 (2), 57-65.
http://www.spcna.pt/publicacoes/?imc=7n&publicacao=21&edicao=67&fmo=pa
Fieldstone, A., Zipf, W. B., Schwartz, H. C., & Berntson, G. G. (1997). Food preferences in Prader–Willi
syndrome, normal weight and obese controls. International Journal of Obesity and Related Metabolic
Disorders, 21(11), 1046–1052. doi: 10.1038/sj.ijo.0800514
Figueira, J. S., (2012). Influência da satisfação com as refeições escolares no desperdício alimentar, em
crianças do 4º ano de escolaridade (Trabalho de investigação. Faculdade de Ciências da Nutrição e
Alimentação – Universidade do Porto). Disponível em http://repositorio-
aberto.up.pt/bitstream/10216/68607/2/11713.pdf
Figueroa, V., Ip, E. H., Gesell, S. B., & Barkin, S. L. (2008). Accuracy of self and parental perception of
overweight among Latino preadolescents. North Carolina Medical Journal, 69(2), 88-91. Disponível
em http://nciom.org/wp-content/uploads/NCMJ/mar-apr-08/figueroa.pdf
Filipe, A. P. P. S. P. (2011). Neofobia alimentar e hábitos alimentares em crianças pré-escolares e
conhecimentos nutricionais parentais (Dissertação de mestrado. Faculdade de Psicologia-
Universidade de Lisboa). Disponível em http://repositorio.ul.pt/handle/10451/5093
Finlayson, G., King, N., & Blundell .J. E. (2007). Is it possible to dissociate ‘liking’ and ‘wanting’ for foods in
humans? A novel experimental procedure. Physiology & Behavior, 90(1), 36–42. doi:
10.1016/j.physbeh.2006.08.020
Finlayson, T. L., Siefert, K., Ismail, A. I., & Sohn, W. (2007). Maternal self‐efficacy and 1–5‐year‐old children's
brushing habits. Community Dentistry and Oral Epidemiology, 35(4), 272-281. doi:10.1111/j.1600-
0528.2007.00313.x
Fisher, J. O. & Birch, L. L. (1999a). Restricting access to foods and children's eating. Appetite, 32(3), 405-419.
doi:10.1006/appe.1999.0231
Fisher, J. O., & Birch, L. L. (1999b). Restricting access to palatable foods affects children’s behavioral
response, food selection and intake. American Journal of Clinical Nutrition, 69(6), 1264–1272.
Disponível em http://ajcn.nutrition.org/content/69/6/1264.full
Fisher, J. O., & Birch, L. L. (1995a). Fat preferences and fat consumption of 3-to 5-year-old children are
related to parental adiposity. Journal of the American Dietetic Association, 95(7), 759-764. doi:
10.1016/S0002-8223(95)00212-X

241
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Fisher, J. O., & Birch, L. L. (2002). Eating in the absence of hunger and overweight in girls from 5 to 7 year of
age. American Journal of Clinical Nutrition, 76(1), 226–231.
http://ajcn.nutrition.org/content/76/1/226.short
Fisher, J. O., Mitchell, D. C., Smiciklas-Wright, H., & Birch, L. L. (2002). Parental influences on young girls’
fruit and vegetable, micronutrient, and fat intakes. Journal of the American Dietetic Association,
102(1), 58–64. doi:10.1016/S0002-8223(02)90017-9
Fisher, J., Mitchell, D., Smiciklas-Wright, H., & Birch, L. (2000). Maternal milk consumption predicts the
tradeoff between milk and soft drinks in young girls' diets. Journal of Nutrition, 131(2), 246-250.
Disponível em http://jn.nutrition.org/content/131/2/246.short
Fisher, L., Fraser, J., & Alexander, C. (2006). Caregivers’ inability to identify childhood adiposity: a cross-
sectional survey of rural children and their caregivers’ attitudes. Australian Journal of Rural Health,
14(2), 56-61. doi: 10.1111/j.1440-1584.2006.00764.
Fitzgibbon, M. L., & Beech, B. M. (2009). The role of culture in the context of school-based BMI Screening.
Pediatrics, 124(S1), S50. doi: 10.1542/peds.2008-3586H
Flegal, K. M., Ogden, C. L., Wei, R., Kuczmarski, R. L., & Johnson, C. L. (2001). Prevalence of overweight in US
children: comparison of US growth charts from the Centers for Disease Control and Prevention with
other reference values for body mass index. American Journal of Clinical Nutrition, 73(6), 1086–
1093. Disponível em http://ajcn.nutrition.org/content/73/6/1086.short
Foddy, W. (1996). Como perguntar. Oeiras, Portugal: Celta Editora.
Fox, M. K., Pac, S., Devaney, B., & Jankowski, L. (2004). Feeding infants and toddlers study. What foods are
infants and toddlers eating? Journal of the American Dietetic Association, 104(1), s22–s30.
doi:10.1016/j.jada.2003.10.026
Francis, L. A., Hofer, S. M., & Birch, L. L. (2001). Predictors of maternal child-feeding style: maternal and
child characteristics. Appetite, 37(3), 231-243. doi:10.1006/appe.2001.0427
Freitas, I. (2008). Exame global de saúde dos 5-6 anos: análise de resultados (Trabalho de Investigação.
Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação - Universidade do Porto). Disponível em
http://hdl.handle.net/10216/54536
Frelut, M. (2001). De l’obésité de l’enfant à l’obésité de l’adulte. Cahiers de Nutriton et de Diététique, 36(2),
123-127. doi: CN-06-2001-36-2-0007-9960-101019-ART59
French, S. A., Story, M., Neumark-Sztainer, D., Fulkerson, J. A., & Hannan, P. (2001). Fast food restaurant use
among adolescents: associations with nutrient intake, food choices and behavioral and psychosocial
variables. International Journal of Obesity and Related Metabolic Disorders, 25(12), 1823-1833. doi:
10.1038/sj.ijo.0801820.
Friedman, M.A., & Brownell, K. D. (1995). Psychological correlates of obesity: Moving to the next research
generation. Psychological Bulletin, 117(1), 3-20. doi: 10.1037/0033-2909.117.1.3
Fulton, J, E., Dai, S., Steffen, L. M., Grunbaum, J. A., Shah, S. M., Darwin R., & Labarthe, D. M. (2009). Physical
activity, energy intake, sedentary behavior, and adiposity in youth. American Journal of Preventive
Medicine, 37(1S), S40-S48. doi:10.1016/j.amepre.2009.04.010

242
_________________________________________________________________________________BIBLIOGRAFIA

Gable, S., & Chang, Y. (2007). Watching and frequency of family meals are predictive of overweight onset
and persistence in a national sample of school-aged children television. Journal of the American
Dietetic Association, 107(1), 53-61. doi: 10.1016/j.jada.2006.10.010.
Gable, S., & Lutz, S. (2000). Household, parent and child contributions to childhood obesity. Family
Relations, 49(3), 293-300. doi: 10.1111/j.1741-3729.2000.00293.x
Galloway, A. T., Farrow, C. V., & Martz, D. M. (2010). Retrospective reports of child feeding practices, current
eating behaviors and BMI in college students. Obesity, 18(7), 1330-1335.doi: 10.1038/oby.2009.393
Galloway, A. T., Fiorito, L. M., Francis, L. A., & Birch, L. L. (2006). ‘‘Finish your soup’’: Counterproductive
effects of pressuring children to eat on intake and affect. Appetite, 46(3), 318–323.
doi:10.1016/j.appet.2006.01.019
Gardner, G., Halweil, B., & Peterson, J. A. (2000). Underfed and overfed: the global epidemic of malnutrition.
Washington, DC, USA: Worldwatch Institute. Disponível em http://edepot.wur.nl/78918
Gariepy, G., Nitka, & D., Schmitz, N. (2010). The association between obesity and anxiety disorders in the
population: a systematic review and meta-analysis. International Journal of Obesity, 34(3), 407-419.
doi:10.1038/ijo.2009.252
Gazanniga, J. M., & Burns, T. L. (1993). Relationship between diet composition and body fatness, with
adjustment for resting energy expenditure and physical activity, in preadolescent children.
American Journal of Clinical Nutrition, 58(1), 21-28. Disponível em
http://ajcn.nutrition.org/content/58/1/21.short:
Genovesi, S., Giussani, M., Faini, A., Vigorita, F., Peiruzzi, F., Strepparava, M. G., ... Valsecchi, M. G. (2005).
Maternal perception of excess weight in children: A survey conducted by pediatricians in the
province of Milan. Acta Paediatrica, 94(6) 747–752. doi: 10.1111/j.1651-2227.2005.tb01975.x
Gerstner, H. (1991). Potential role of beta-carotene in the prevention of cardiovascular disease.
International Journal for Vitamin and Nutrition Research. 61: 227–291.
Ghiglione, R., Matalon, B. (2001). O inquérito. Oeiras, Portugal: Celta Editora.
Gibson E. L., & Wardle, J. (2003). Energy density predicts preferences for fruit and vegetables in 4 year-old
children. Appetite, 41(1), 97–98. doi: 10.1016/S0195-6663(03)00077-1
Gibson, E. L., Wardle, J., & Watts, C. J. (1998). Fruit and Vegetable Consumption, Nutritional Knowledge and
Beliefs in Mothers and Children. Appetite, 31(2), 205–228. doi:10.1006/appe.1998.0180
Gibson, S., & Neate, D. (2007). Sugar intake, soft drink consumption and body weight among British
children: Further analysis of National Diet and Nutrition Survey data with adjustment for under-
reporting and physical activity. International Journal of Food Sciences and Nutrition, 58(6), 445-460.
doi:10.1080/09637480701288363
Gillis, L. J., Kennedy, L. C., Gillis, A. M., & Bar-Or, O. (2002). Relationship between juvenile obesity, dietary
energy and fat intake and physical activity. International Journal of Obesity, 26(4), 458-463. doi:
10.1038=sj=ijo=0801967
Golan, M., & Crow, S. (2004). Parents are key players in the prevention and treatment of weight related
problems. Nutrition Reviews. 62(1), 39-50. doi: 10.1111/j.1753-4887.2004.tb00005.x

243
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Gomes, A. L. C. (2010). A influência do controlo parental no comportamento alimentar das crianças (Trabalho
de Investigação. Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação - Universidade do Porto).
Disponível em http://hdl.handle.net/10216/54592
Gomes, S., Espanca, R., Gato, A., & Miranda, C. (2010). Obesidade em idade pré-escolar. Cedo demais para
pesar demais! Acta Medica Portuguesa, 23, 371-378. Disponível em
http://www.actamedicaportuguesa.com/revista/index.php/amp/article/view/644/328
Goodell, L. S., Pierce, M. B., Bravo, C. M., & Ferris, A. M. (2008). Parental perceptions of overweight during
early childhood. Qualitative Health Research, 18(11), 1548 - 1555. doi:
10.1177/104973230832553r
Goodman, E., Hinden, B. R., & Khandelwal, S. (2000). Accuracy of teen and parental reports of obesity and
body mass Index. Pediatrics, 106(1): 52-58. doi: 10.1542/peds.106.1.52
Goossens, L., Braet, C., Van Vlierberghe, L., & Mels, S. (2009). Loss of control over eating in overweight
youngsters: the role of anxiety, depression and emotional eating. European Eating Disorders Review;
17: 68–78. doi:10.1002/erv.892
Gordon, B., Mackay, R., Rehfuess, E., & World Health Organization. (2004). Inheriting the world: the atlas of
children's health and the environment. Geneva: World Health Organization Disponível em
http://www.who.int/ceh /publications/ atlas/en/
Gortmaker, S. L., Must, A., Perrin, J. M., Sobol, A. M., & Dietz, W.H..(1993). Social and economic consequences
of overweight in adolescence and young adulthood. New England Journal of Medicine, 329(14),
1008-1012. doi:10.1056/NEJM199309303291406
Grimmett, C., Croker, H., Carnell, C., & Wardle, J. (2008). Weight-screening program telling parents their
child's weight status: psychological impact of a weight-screening program. Pediatrics, 122(3), e682-
e688. doi: 10.1542/peds.2007-3526
Guillaume, M., Lapidus, L., & Lambert, A. (1998). Obesity and nutrition in children. The Belgian Luxembourg
Child Study IV. European Journal of Clinical Nutrition, 52(5):323-328. doi: 10.1038/sj.ejcn.1600532
Guo S. S., Roche A. F., Chumlea W. C., Gardner J. D., & Siervogel, R. M. (1994). The predictive value of
childhood body mass index values for overweight at age 35 years. American Journal of Clinical
Nutrition, 59(4), 810–819. Disponível em http://ajcn.nutrition.org/content/59/4/810.short
Hackie, M., & Bowles, C. L. (2007). Maternal perception of their overweight children. Public Health Nursing,
24(6), 538-546. doi: 10.1111/j.1525-1446.2007.00666.x
Halford, J. C. G., Boyland, E. J., Hughes, G. M., Oliveira, L. P., & Dovey, T. M. (2007). Beyond-brand effect of
television (TV) food advertisements/commercials on caloric intake and food choice of 5–7-year-old
children. Appetite, 49(1), 263–267. doi:10.1016/j.appet.2006.12.003
Halford, J. C. G., Boyland, E. J., Hughes, G. M., Stacey, L., McKean, S., & Dovey, T.M. (2008). Beyond-brand
effect of television food advertisements on food choice in children. The effects of weight status.
Public Health Nutrition, 11(9), 897–904. doi:10.1017/S1368980007001231
Halford, J. C. G., Gillespie, J., Brown, V., Pontin, E. E., & Dovey, T. M. (2004). Effect of television
advertisements for foods on food consumption in children. Appetite, 42(2), 221–225.
doi:10.1016/j.appet.2003.11.006

244
_________________________________________________________________________________BIBLIOGRAFIA

Hare-Bruun, H., Nielsen, B. M., Kristensen, L., Møller, N. C., Togo, P., & Heitmann, B. L. (2011). Television
viewing, food preferences, and food habits among children: A prospective epidemiological study.
BMC Public Health, 11(1), 311. doi: 10.1186/1471-2458-11-311
Harnackm L., Stang, J., & Story, M. (1999). Soft drink consumption among us children and adolescents:
nutritional consequences. Journal of the American Dietetic Association, 99(4), 436-441.
doi:10.1016/S0002-8223(99)00106-6
Hart, K. H., Herriot, A., Bishop, J. A., & Truby, H. (2003). Promoting healthy diet and exercise patterns
amongst primary school children: a qualitative investigation of parental perspectives. Journal of
Human Nutrition and Dietetics, 16(2), 89–96. doi:10.1046/j.1365-277X.2003.00429.x
Havas, S., Treiman, K., Langenberg, P., Ballesteros, M., Anliker, J., Damron, D. , ... Feldman. R. (1998). Factors
associated with fruit and vegetable consumption among women participating in WIC. Journal of the
American Dietetic Association, 98(10), 1141-1148. doi:10.1016/S0002-8223(98)00264-8
Havermans, R. C. (2011). ‘‘You Say it’s Liking, I Say it’s Wanting . . .’’. On the difficulty of disentangling food
reward in man. Appetite, 57(1) 286–294. doi:10.1016/j.appet.2011.05.310
Havermans, R. C. (2012). How to tell where ‘liking’ ends and ‘wanting’ begins. Appetite 58(1), 252–255.
doi:10.1016/j.appet.2011.10.013
Hawkes C. (2011). Marketing food to children: the global regulatory environment. Geneva: World Health
Organization. Disponível em http://whqlibdoc.who.int/publications/2004/9241591579.pdf.
Hawkes, C., Lobstein, T., & PolMark Consortiurm (2010). Regulating the commercial promotion of food to
children: A survey of actions worldwide. International journal of Pediatric Obesity, 6(2), 83-94.
doi:10.3109/17477166.2010.486836
Hayman, L. L., Meininger, J. C., Daniels, S. R., McCrindle, B. W., Helden, L., Ross, J., Dennison, B. A., ... Williams,
C. L. (2007). Primary prevention of cardiovascular disease in nursing practice: focus on children
and youth. A Scientific Statement From the American Heart Association Committee on
Atherosclerosis, Hypertension, and Obesity in Youth of the Council on Cardiovascular Disease in the
Young, Council on Cardiovascular Nursing, Council on Epidemiology and Prevention, and Council on
Nutrition, Physical Activity, and Metabolism. Circulation, 116, 344-357. doi: 10.1161/
CIRCULATIONAHA.107.184595
He, M., & Evans, A. (2007). Are parents aware that their children are overweight or obese? Do they care?
Canadian Family Physician, 53(9), 1493-1499. Disponível em
http://171.66.125.180/content/53/9/1493.short
He M., Irwin J. D., Bouck L. M. S., Tucker P., & Pollett G. L. (2005). Screen-viewing behaviors among
preschoolers: parents’ perceptions. American Journal of Preventive Medecine, 29(2), 120–125.
doi:10.1016/j.amepre.2005.04.004
Heath, P., Houston-Price, C., & Kennedy, O. B. (2011). Increasing food familiarity without the tears. A role
for visual exposure? Appetite, 57(3), 832–838. doi:10.1016/j.appet.2011.05.315
Hebert, J. R., Clemow, L., Pbert, L., Ockene, I. S., & Ockene, J. K., (1995). Social desirability bias in dietary self-
report may compromise the validity of dietary intake measures. International Journal of
Epidemiology, 24(2), 389-398. doi: 10.1093/ije/24.2.389

245
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Hebestreit, A. Keimer, K. A., Hassel, H., Nappo, A., Eiben, G., Fernández, J. M., ... Ahrens, W. (2010). What do
children understand? Communicating health behavior in a European multicenter study. Journal of
Public Health, 18(4), 391–401. doi 10.1007/s10389-010-0316-z
Hendy, H. M. (2002). Effectiveness of trained peer models to encourage food acceptance in preschool
children. Appetite, 39(3), 217–225. doi:10.1006/appe.2002.0510
Henry, P., & Moscovici, S. (1968). Problèmes de l’ánalyse de contenu. Langages, 3 (11): 36-60. doi
10.3406/lgge.1968.2900
Hernandez, R. G., Cheng, T. L., & Serwint, J. R. (2010). Parents' healthy weight perceptions and preferences
regarding obesity counseling in preschoolers: pediatricians matter. Clinical Pediatrics, 49(8), 790-
798. doi: 10.1177/0009922810368288.
Hesketh, K., & Campbell, K. (2007). What can mothers’ expectations about young children’s physical activity
and sedentary behavior tell us about intervention needs? Journal of Science and Medicine in Sport,
10(6): S131.
Hesketh, K., Crawford, D., Salmon, J., Jackson, M., & Campbell, K. (2007). Associations between family
circumstance and weight status of Australian children. International Journal of Pediatric Obesity,
2(2), 86-89. doi:10.1080/17477160601148554
Hesketh, K., Waters, E., Green, J., Salmon, L., & Williams, J. (2005). Healthy eating, activity and obesity
prevention: a qualitative study of parent and child perceptions in Australia. Health Promotion
International, 20(1), 19-26. doi:10.1093/heapro/dah503
Hetherington, M. M., Cecil J. E., Jackson, D. M., & Schwartz, C. (2011). Feeding infants and young children.
From guidelines to practices. Appetite, 57(3), 791–795. doi:10.1016/j.appet.2011.07.005
Hill, C., Wardle, J., & Cooke, L. (2009). Adiposity is not associated with children’s reported liking for selected
foods. Appetite, 52(3), 603–608. doi:10.1016/j.appet.2009.02.003
Hill, J. O., Wyatt, H. R., Reed, G. W., & Peters, J. C. (2003). Obesity and the environment: where do we go from
here? Science, 299(5608), 853-855. doi:10.1126/science.1079857
Himes, J.H., Dietz, W.H. (1994). Guidelines for overweight in adolescent preventative services:
recommendations from an expert committee. American Journal of Clinical Nutrition, 59(2), 307–
316. Disponível em http://ajcn.nutrition.org/content/59/2/307.short
Hindin, T. J., Contento, I. R., Gussow, & J. D. (2004). A media literacy nutrition Education curriculum for Head
Start parents about the effects of television advertising on their children's food requests. Journal of
the American Dietetic Association, 104(2): 192-198. doi:10.1016/j.jada.2003.11.006
Hoerr, S. L., Hughes, S. O., Fisher, J. O., Niklas, T. A., Liu, Y., & Shewchuck, R. M. (2009) . Associations among
parental feeding styles and children's food intake in families with limited incomes. International
Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity, 6, 55. doi:10.1186/1479-5868-6-55
Hoerr, S. L., Utech, A. E., & Ruth E. (2005). Child control of food choices in Head Start families. Journal of
Nutrition Education and Behavior, 37(4), 185-190. doi:10.1016/S1499-4046(06)60244-3
Holsten, J. E., Deatrick, J. A., Kumanyika, S., & Pinto-Martin, J. (2012). Children’s food choice process in the
home environment. A qualitative descriptive study. Appetite, 58(1), 64-73. doi:
10.1016/j.appet.2011-09-002

246
_________________________________________________________________________________BIBLIOGRAFIA

Hooper, L., Abdelhamid, A., Moore, H. J., Douthwaite, W., Skeaff, C. M., & Summerbell, C. D. (2013). Effect of
reducing total fat intake on body weight: systematic review and meta-analysis of randomised
controlled trials and cohort studies. BMJ: British Medical Journal, 345 (7866).
doi:10.1136/bmj.e7666
Hougan, M., & Altevogt, B. (2008). From molecules to minds: Challenges for the 21st century: Workshop
summary. Washington, DC: National Academies Press. Institute of Medicine.
Howard, A., Mallan, M., Byrne, R., Magarey, A., & Daniels, L.A. (2012). Toddlers’ food preferences. The impact
of novel food exposure, maternal preferences and food neophobia. Appetite, 59(3), 818-825.
doi:10.1016/j.appet.2012.08.022
Huang, J. S., Becerra, K., Oda, T., Walker, E., Xu, R., Donohue, M., ... Breslow, A.(2007). Parental ability to
discriminate the weight status of children: results of a survey. Pediatrics, 120(1), e112-e119.
doi:10.1542/peds.2006-2143
Hubbs-Tait, L., Kennedy, T. S., Page, M. C., Glade, L. T., & Harrist, A. D. (2008). Parental feeding practices
predict authoritative, authoritarian, and permissive parenting styles. Journal of the American
Dietetic Association, 108(7), 1154-1161. doi:10.1016/j.jada.2008.04.008
Hudson, C., Sttotts, R. C., Pruett, J., & Cowan, P. (2005). Parents’ diet-related attitudes and knowledge, family
fast food dollars spent, and the relation to BMI and fruit and vegetable intake of their preschool
children. Southern Online Journal of Nursing Research, 6(5), 1-23. Disponível em
http://www.resourcenter.net/images/snrs/files/sojnr_articles/iss05vol06.pdf-
Hughes, C. C., Sherman, S. N., & Whitaker, R. C. (2010). How low-income mothers with overweight preschool
children make sense of obesity. Qualitative Health Research, 20(4), 465 - 478. doi:
10.1177/1049732310361246
Hughes, S. O., Power, T. G., Fisher, J. O., Mueller, S., & Nicklas, T. A. (2005). Revisiting a neglected construct:
parenting styles in a child feeding context. Appetite, 44(1), 83-92. doi:10.1016/j.appet.2004.08.007
Hughes, S. O., Power, T. G., Papaioannou, M. A., Cross, M. B., Nicklas, T. A., Hall, S. K., & Shewchuk, R. M.
(2011). Emotional climate, feeding practices, and feeding styles: an observational analysis of the
dinner meal in Head Start families. International Journal of Behavioral Nutrition and Physical
Activity, 8, 60. doi:10.1186/1479-5868-8-6
Hughes, S. O., Shewchuk, R. M., Baskin, M. L., Nicklas, T. A., & Qu, H. (2008). Indulgent feeding style and
children’s weight status in preschool. Journal of Developmental & Behavioral Pediatrics, 29(5), 403–
410. doi:10.1097/DBP.0b013e318182a976
Ikeda, J. P., Crawford, P. B., & Woodward-Lopez, G. (2006). BMI screening in schools: helpful or harmful.
Health Education Research, 21(6), 761-769. doi: 10.1093/her/cyl144
Instituto Civil da Autodisciplina da Comunicação Comercial (2010). Código de auto-regulação em matéria de
comunicação comercial de alimentos e bebidas dirigida a crianças. Disponível em
http://www.icap.pt/icapv2/icap_site/mod1.php?AG4JPQ51=ADEJYwtela9Xr1tela9Xr1&AHAJJg5i=
ADEJZQ43&AG8JOg5uVj0BdgFo=
Instituto Nacional de Estatística (2010). Classificação Portuguesa das Profissões 2010. Disponível em
http://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes&PUBLICACOESpub_boui=107
961853&PUBLICACOESmodo=2

247
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

International Association for the Study of Obesity (2006). World policy on marketing to children (2006).
Disponível em http://www.iaso.org/policy/marketing-children/policy-map/
International Association for the Study of Obesity, International Obesity Task Force (2007). The Sydney
principles Disponível em http://www.iaso.org/iotf/obesity/childhoodobesity/sydneyprinciples/
Jabs, J., Devine, C. M., Bisogni, C. A., Farrell, T. J., Jastran, M., & Wethington, E., (2007). Trying to find the
quickest way: employed mothers’ constructions of time for food. Journal of Nutrition Education and
Behavior, 39(1), 18-25. doi: 10.1016/j.jneb.2006.08.011
Jackson, C.; Bee-Gates, D. J., & Henriksen, L. (1994). Authoritative parenting, child competencies, and
initiation of cigarette smoking. Health Education & Behavior, 21(1), 103-116. doi:
10.1177/109019819402100110
Jackson, D. M., Jafarian, K. M., Stewart, J., & Speakman, J. R. (2009). Increased television viewing is associated
with elevated fatness but not with lower total energy expenditure in children. American Journal of
Clinical Nutrition, 89(4), 1031-1036. doi:10.3945/ajcn.2008.26746
Jackson, D., McDonald, G., Mannix, J., Faga, P., & Firtko A. (2005). Mothers’ perceptions of overweight and
obesity in their children. Australian Journal of Advanced Nursing, 23(2), 8-13. Disponível em
http://search.ebscohost.com/login.aspx?direct=true&db =a9h&AN=19764776&site=ehost-
live&scope=site
Jackson, J., Strauss, C. C., Lee, A. A., & Hunter, K. (1990). Parents’ accuracy in estimating child weight status.
Addictive Behavior, 15(1), 65-68. doi:10.1016/0306-4603(90)90007-K
Jain, A., Sherman, S. N., Chamberlin, L. A., Carter, Y., Powers, S. W., & Whitaker, R. C. (2001). Why don't low-
income mothers worry about their preschoolers being overweight? Pediatrics, 107(5), 1138-1146.
doi: 10.1542/peds.107.5.1138
Jain, A., Sherman, S. N., Chamberlain, L. A., Carter, Y., Powers, S. W., & Whitaker, R. C. (2001). Why don’t low-
income mothers worry about their preschoolers being overweight? Pediatrics, 107(5), 1138-1146.
doi: 10.1542/peds.107.5.1138
Jeffery, A. N., Voss, L. D., Metcalf, B. S., Alba, S., & Wilkin T .J. (2005). Parents’ awareness of overweight in
themselves and their children: cross sectional study within a cohort (EarlyBird 21). British Medical
Journal, 330(7481), 23-24. doi: 10.1136/bmj.38315.451539.F7
Jelalian, E., Boergers, J., Alday, C. S., & Frank, R. (2003). Survey of physician attitudes and practices related
to pediatric obesity. Clinical Pediatrics, 42(3), 235 – 245. doi: 10.1177/000992280304200307
Johnson, R. K., Panely, C. V., & Wang, M. Q. (2001). Associations between the milk mothers drink and the
milk consumed by their school-aged children. Family Economics and Nutrition Review, 13: 27-36.
Disponível em http://www.cnpp.usda.gov/familyeconomicsandnutritionreview.htm
Johnson, S. L. (2000). Improving preschoolers' self-regulation of energy intake. Pediatrics, 106(6), 1429-
1435. doi: 10.1542/peds.106.6.1429
Johnson, S. L., & Birch, L. L. (1994). Parents’ and children’s adiposity and eating style. Pediatrics, 94(5), 653-
661. Disponível em http://pediatrics.aappublications.org/content/94/5/653.short
Johnson, S. L., McPhee, L., & Birch L. L. (1991). Conditioned preferences: young children prefer flavors
associated with high dietary fat. Physiology & Behavior, 50(6), 1245–1251. doi:10.1016/0031-
9384(91)90590-K

248
_________________________________________________________________________________BIBLIOGRAFIA

Johnson, S. L., & Taylor-Holloway, L. A. (2006). Non-Hispanic white and Hispanic elementary school
children’s self-regulation of energy intake. American Journal of Clinical Nutrition, 83(6), 1276-1282.
Disponível em http://ajcn.nutrition.org/content/83/6/1276.short
Jones, A. R., Parkinson, K. N., Drewett, R. F., & Hyland, R.M., (2011). Parental perceptions of weight status in
children: the Gateshead Millennium Study. International Journal of Obesity, 35, 953–962.
doi:10.1038/ijo.2011.106
Jones, A. R., Parkinson, K. N., Drewett, R. F., Hyland, R. M., Pearce, M. S., & Adamson, A. J. (2011). Parental
perceptions of weight status in children: the Gateshead Millennium Study. International Journal of
Obesity, 35(7), 953-962. doi:10.1038/ijo.2011.106
Joshipura, K. J., Ascherio, A., Manson, J. E., Stampfer, M. J., Rimm, E. B., Speizer, F. E., ... Willett, W. C. (1999).
Fruit and vegetables intake in relation to risk of ischemic stroke. Journal of the American Medical
Association, 282(13), 1233-1239. doi:10.1001/jama.282.13.1233
Joyce J. L., & Zimmer-Gembeck, M. J. (2009). Parent feeding restriction and child weight. The mediating role
of child disinhibited eating and the moderating role of the parenting context. Appetite, 52(3), 726–
734. doi:10.1016/j.appet.2009.03.015
Kalat, J. W. (1985) Taste-aversion learning in ecological perspective. In T. Johnston & A. Pietrewicz (Eds.),
Issues in the Ecological Study of Learning, (pp.119–149). Hillsdale, NJ: Erlbaum.
Kalat, J. W., & Rozin, P. (1973). "Learned safety" as a mechanism in long-delay taste aversion learning in rats.
Journal of Comparative and PhysiologicaI Psychology, 83(2), 198-207. doi:10.1037/h0034424
Karpa, S. M., Barryb, K. M., Gesellb, S. B. ., Po’eb, E. K., Dietrichc, M. S., & Barkinb, S. L. (2014). Parental
feeding patterns and child weight status for Latino preschoolers. Obesity Research & Clinical
Practice, 88(1), e88—e97. doi:10.1016/j.orcp.2012.08.193
Katzmarzyk, P. T., Srinivasan, S. R., Chen, W., Malina, R. M., Bouchard, C., & Berenson, G. . (2004). Body mass
index, waist circumference, and clustering of cardiovascular disease risk factors in a biracial sample
of children and adolescents. Pediatrics, 114(2), e198-205. doi: 10.1542/peds.114.2.e19
Kelder, S. H., Perry, C. L., Klepp, K. I., & Lytle, L. L. (1994). Longitudinal tracking of adolescent smoking,
physical activity, and food choice behaviors. American Journal of Public Health, 84(7), 1121-1126.
doi: 10.2105/AJPH.84.7.1121
Keller, K. L., Olsen, A., Kuilema, L., Meyermann, K., & van Belle, C. (2012). Predictors of parental perceptions
and concerns about child weight. Appetite, 62, 96–102.
doi:10.1016/j.appet.2012.11.016
Keller, K. L., Pietrobelli, A., Johnson, S. L., & Faith, M. S. (2006). Maternal restriction of children's eating and
encouragements to eat as the 'non shared environment': a pilot study using the child feeding
questionnaire. International Journal of Obesity, 30(11), 1670-1675. doi:10.1038/sj.ijo.0803318
Kelly, B., Halford, J. C. G., Boyland, E. J., Chapman, K., Bautista-Castano, I., Berg, C., ... Summerbell, C. (2010).
Television food advertising to children. A global perspective. American Journal of Public Health,
100(9), 1730–1736. doi:10.2105/AJPH.2009.179267
Kersey, M., Lipton, R., Quinn, M., & Lantos, J. D. (2010). Overweight in Latino preschoolers: do parental
health beliefs matter? American Journal of Health Behavior, 34(3), 340–348. doi:
10.5993/AJHB.34.3.9

249
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Kildegaard, H., Tønning, E., & Thybo, A. K. (2011). Preference, liking and wanting for beverages in children
aged 9–14 years: Role of sourness perception, chemical composition and background variables.
Food Quality and Preference, 22(7), 620–627. doi:10.1016/j.foodqual.2011.03.005
Kim, M. J., McIntosh, W. A., Anding, J., Kubena, K. S., Reed, D. B., & Moon, G. S. (2008). Perceived parenting
behaviours predict young adolescents’ nutritional intake and body fatness. Maternal & Child
Nutrition, 4(4), 287 – 303. doi: 10.1111/j.1740-8709.2008.00142.x
Kinlay, S., Heller, R. F., & Halliday, J. A. (1991). A simple score and questionnaire to measure group changes
in dietary fat intakes. Prevention Medicine, 20(3) 378-388. doi:10.1016/0091-7435(91)90036-4
Kirk, S. F. L., Penney, T. L., & McHugh, T. L. F. (2011). Characterizing the obesogenic environment: the state
of the evidence with directions for future research. Obesity Reviews 11(2), 109-117. doi:
10.1111/j.1467-789X.2009.00611.x
Klein D., Najman, J., Kohrman, & A. F., Munro, C. (1982). Patient characteristics that elicit negative responses
from family physicians. Journal of Pharmaceutical Practice, 14(5), 881-888.
Klesges, R. C., Klesges, L. M., Eck, L. H., Shelton, M. L. (1995). A longitudinal analysis of accelerated weight
gain in preschool children. Pediatrics, 95(1), 126-130. Disponível em
http://pediatrics.aappublications.org/content/95/1/126.short
Klesges, R. C., Stein, R. J., Eck, L. H., Isbell, T. R., & Klesges, L. M. (1991). Parental influence on food selection
in young children and its relationships to childhood obesity. American Journal of Clinical Nutrition,
53(4), 859–864. Disponível em http://ajcn.nutrition.org/content/53/4/859.short
Knaapila, A., Tuorila, H., Silventoinen, K., Keskitaloa, K., Kallelad, M., Wessmane, M., ... Perola, M. (2007).
Food neophobia shows heritable variation in humans. Physiology & Behavior, 91(5), 573–578.
doi:10.1016/j.physbeh.2007.03.019
Kohlberg, L. (1976). Moral stages and moralization: The cognitive-developmental approach. In T. Lickona,
(Ed.) Moral development and behavior: theory, research, and social issues. (pp. 31-53). NY: Holt,
Rinehart and Winston.
Kratt, P., Reynolds, K., & Shewchuk, R. (2000). The role of availability as a moderator of family fruit and
vegetable consumption. Health Education & Behavior, 27(4), 471-482. doi:
10.1177/109019810002700409
Krebs-Smith, S. M., Cook, A., Subar, A. F., Cleveland L., Friday J., & Hahle L. L. (1996). Fruit and vegetable
intakes of children and adolescents in the United States. Archives of Pediatrics & Adolescents
Medicine, 150(1), 81-86. doi:10.1001/archpedi.1996.02170260085014.
Kremers, S. P. J., Brug, J., de Vrie, H., & Engels, R. C. M. (2003). Parenting style and adolescent fruit
consumption. Appetite, 41(1), 43–50. doi:10.1016/S0195-6663(03)00038-2
Kristal, A. R., Abrams, B. F., Thornquist, M. D., Disogra, L., Croylr, R. T., Shatuck, A. L., & Henry, H. J. (1990).
Development and validation of a food use checklist for evaluation of community nutrition
interventions. American Journal of Public Health, 80(11), 1318-1322.
doi:10.2105/AJPH.80.11.1318
Kristal, A. R., Andrilla, C. H., Koepsell, T. D., Diehr, P. H., & Cheadle, A. (1998). Dietary assessment
instruments are susceptible to intervention-associated response set bias. Journal of the American
Dietetic Association, 98(1), 40–43. doi:10.1016/S0002-8223(98)00012-1

250
_________________________________________________________________________________BIBLIOGRAFIA

Kristal, A. R., Shattuck, A. L., Henry, H. J. (1990). Patterns of dietary behavior associated with selecting diets
low in fat: reliability and validity of a behavioral approach to dietary assessment. Journal of
American Dietetic Association, 90(2), 214-220.
Kristal, A. R., Shatuck, A. L., Henry, H. J., & Fowler, A. S. (1989). Rapid assessment of dietary intake of fat,
fiber and satured fat: validity of an instrument suitable for community interventions research and
nutrition surveillance. American Journal of Health Promotion, 4(4), 288-295. doi:10.4278/0890-
1171-4.4.288
Kristan, G., Dornbusch, S. M., Troyer, L., Steinberg, L., & Ritter, P. L. (1997). Parenting styles, adolescents’
attributions, and Educational outcomes in nine heterogeneous high schools. Child Development,
68(3), 507-529. doi: 10.1111/j.1467-8624.1997.tb01955.x
Kristiansen, H., Júlíusson, P. B., Eide, G. E., Roelants, M. & Bjerknes, R. (2013), TV viewing and obesity among
Norwegian children: the importance of parental Education. Acta Paediatrica, 102(2), 199–205.
doi: 10.1111/apa.12066
Kröller, K., & Warschburger, P. (2008). Associations between maternal feeding style and food intake of
children with a higher risk for overweight. Appetite, 51(1), 166-172.
doi:10.1016/j.appet.2008.01.012
Kuczmarski, R. J., Ogden, C. L., Guo, S. S., Grummer-Strawn, L. M., Flegal, K. M., Mei, Z., & Johnson, C. L.
(2002). 2000 CDC Growth Charts for the United States: methods and development. Vital and health
statistics. Series 11, Data from the National Health Survey, (246), 1-190. Disponivel em
http://www.cdc.gov/nchs/data/series/sr_11/sr11_246.pdf
Lakkakula, A., Geaghan, J., Zanovec, M., Pierce, S., & Tuuri, G. (2010). Repeated taste exposure increases
liking for vegetables by low-income elementary school children. Appetite, 55(2), 226–231.
doi:10.1016/j.appet.2010.06.003
Lamertz, C. M., Jacobi, C., Yassouridis, A., Arnold, K., & Henkel, A. W. (2002). Are obese adolescents and
young adults at higher risk for mental disorders? A community survey. Obesity Research, 10(11),
1152–1160. doi: 10.1038/oby.2002.156
Lampard, A. M., Byrne, S. M., Zubrick S. R.., & Davis, E. A. (2008).Parents’ concern about their children’s
weight. International Journal of Pediatric Obesity, 3(2), 84-92. doi:10.1080/17477160701832552
Lanfer, A., Knof, K., Barba, G., Veidebaum, T., Papoutsou, S., de Henauw, S., ... Lissner, L. (2012). Taste
preferences in association with dietary habits and weight status in European children: results from
the IDEFICS study. International Journal of Obesity, 36(1), 27–34. doi:10.1038/ijo.2011.164;
Laraway, K. A., Birch, L. L., Shaffer, M. L., & Paul, I. M. (2010). Parent Perception of Healthy Infant and
Toddler Growth. Clinical Pediatrics, 49(4), 343–349. doi: 10.1177/0009922809343717
Lazarus R., Baur, L., Webb, K., & Blyth, F. (1996). Body Mass Index in screening for adiposity in children and
adolescents: systematic evaluation using receiver operating characteristic curves. American Journal
of Clinical Nutrition, 63(4), 500–506. Disponível em
http://ajcn.nutrition.org/content/63/4/500.short
Ledoux, T. A., Hingle, M. D., & Baranowski, T. (2011). Relationship of fruit and vegetable intake with
adiposity: a systematic review. Obesity Reviews, 12(5), e143–e150. doi: 10.1111/j.1467-
789X.2010.00786.x

251
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Leventhal, H., Nerenz, D., & Steele, D. (1984). Ilness representations and coping with health threats. In A.
Baum, E. Taylor & J. Singer (Eds.) Handbook of Psychology and Health (pp. 219-252). Hillsdale, NJ:
Lawrence Erlbaum Associates.
Levin, S. R., Petros, T. V., & Petrella, F. W. (1982). Preschoolers' Awareness of Television Advertising. Child
Development, 53(4), 933-937. http://www.jstor.org/stable/1129131
Levine, R. A. (1988). Human parental care: Universal goals, cultural strategies, individual behavior. In R. A.
Levine, P. M. Miller, M. M. West, (Eds.). Parental Behavior in Diverse Societies-New Directions for
Child Development. San Francisco, CA: Jossey-Bass.
Liem, D. G., & Zandstra, L. H. (2009). Children’s liking and wanting of snack products: Influence of shape and
flavour. International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity, 6(38).
doi:10.1186/1479-5868-6-38
Lien, N., Lytle, L. A., & Klepp, K. I. (2001). Stability in consumption of fruit, vegetables and sugary foods in a
cohort from age 14 to age 21. Preventive Medicine, 33(3), 217–26. doi:10.1006/pmed.2001.0874,
Lin, B. H., Guthrie, J., & Blaylock, J. R. (1996). The diets of America's children: Influences of dining out,
household characteristics, and nutrition knowledge. Agricultural economic report (USA). Disponível
em http://agris.fao.org/agris-search/search.do?recordID=US9735596#
Livingstone, M. B. E., & Robson, P. J. (2000). Measurement of intake in children. Proceedings of Nutritional
Society, 59(2), 279-93. doi:10.1017/S0029665100000318
Lobstein, T., Baur, L., & Uauy, R. (2004). Obesity in children and young people: a crisis in public health. IASO
International Obesity Task Force. Obesity Reviews, 5(1), 86-97. Disponível em
http://www.iaso.org/site_media/uploads/Report.pdf8
Lobstein, T., & Dibb, S. (2005). Evidence of a possible link between obesogenic food advertising and
childhood overweight. Obesity Reviews, 6, 203–208. doi:10.1111/j.1467-789X.2005.00191.x
Loe, J., Craig, L. A., Masson, L. F., Holmes, B., & McNeill, G. (2009). Meal and snacking patterns of school-aged
children in Scotland meal and snacking patterns of children. European Journal of Clinical Nutrition,
63(11), 1297-1304. doi:10.1038/ejcn.2009.8
Lopez-Dicastillo, O., Gunn, G., & Callery, P. (2010) Parents’ contrasting views on diet versus activity of
children: Implications for health promotion and obesity prevention. Patient Education and
Counseling, 78(1), 117–123. doi:10.1016/j.pec.2009.05.019
Lumeng, J. C., Burke, & L. M. 2006. Maternal prompts to eat, child compliance, and mother and child weight
status. Journal of Pediatrics, 149(3), 330-35. doi:10.1016/j.jpeds.2006.04.009
Lumeng, J. C., Gannon, K., Cabral, H. J., Frank, D. A., & Zuckerman, B. (2003). Clinically meaningful
behavior problems and childhood obesity. Pediatrics, 112 (5), 1138-1145.
doi:10.1542/peds.112.5.1138
Lytle, L. A., Seifert, S., Greenstein, J., & McGovern, P. (2000). How do children’s eating patterns and
food choices change over time? Results from a cohort study. American Journal of Health
Promotion, 14(4), 222–228. doi:10.4278/0890-1171-14.4.222

252
_________________________________________________________________________________BIBLIOGRAFIA

Lytle, L. A., Varnell, S., Murray D. M., Story, M., Perry, C., Birnbaum A. S., & Kubik, M. Y. (2003). Predicting
adolescents’ intake of fruits and vegetables. Journal of Nutrition Education and Behavior, 35(4), 170-
178. doi:10.1016/S1499-4046(06)60331-X
Maccoby, E. E., & Martin, J. A. (1983). Socialization in the context of the family: Parent-child interaction. P. H.
Mussen, E. M. Hetherington (Eds.), Handbook of child psychology: Socialization, personality, and
social development (Vol. 4, pp 1-101). New York, NY: Wiley.
Macedo, L., Festas, C., & Vieira, M. (2012). Perceções parentais sobre estado nutricional, imagem corporal e
saúde em crianças com idade escolar. Revista de Enfermagem Referência, III(6), 191-200. Disponível
em http://www.scielo.gpeari.mctes.pt/pdf/ref/vserIIIn6/serIIIn6a18.pdf
Macfarlane, A., Cleland, V., Crawford, D., Campbell, K., & Timperio, A. (2009). Longitudinal examination of
the family food environment and weight status among children. International Journal of
Pediatric Obesity. 4(4), 343_352. doi: 10.3109/17477160902846211
MacFarlane, A., Crawford, D., & Worsley, A. (2010). Associations between parental concern for adolescent
weight and the home food environment and dietary intake. Journal of Nutrition Education and
Behavior, 42(3), 152-160. doi:10.1016/j.jneb.2008.11.004
Maddux, J. E., Brawley, L., & Boykin, A. (1995). Self-Efficacy and Healthy Behavior. Self-Efficacy, Adaptation,
and Adjustment, (pp. 173-202). New York, NY: Plenum Press. doi:10.1007/978-1-4419-6868-5
Maffeis, C., Pinelli, L., & Schutz, Y. (1996). Fat intake and adiposity in 8 to 11-year-old obese children.
International Journal of Obesity, 20(2), 170-174.
Maffeis, C., Talamini, G., & Tato, L. (1998). Influence of diet, physical activity and parents’ obesity on
children’s adiposity: a four-year longitudinal study. International Journal of Obesity, 22(8),758-764.
doi:10.1038/sj.ijo.0800655
Magalhães, L. (2008). Publicidade televisiva e obesidade infantil. Observatorio Journal, 7,205-227.
Disponível em http://www.obs.obercom.pt/index.php/obs/article/viewArticle/110.
Magarey, A. M., Daniels, L.A., Boulton, T. J., & Cockington, R. A. (2003). Does fat intake predict adiposity in
healthy children and adolescents aged 2-15 years? A longitudinal analysis. European Journal of
Clinical Nutrition, 55(6), 471-481. doi: 10.1038/sj.ejcn.1601207
Magarey, A. M., Daniels, L. A., Boulton, T. J., & Cockington, R. A. (2003). Predicting obesity in early adulthood
from childhood and parental obesity. International Journal of Obesity, 27(4), 505–513. doi:
10.1038/sj.ijo.0802251
Maibach, E., & Murphy, D. A. (1995). Self-efficacy in health promotion research and practice:
conceptualization and measurement. Health Education Research, 10 (1), 37-50.
doi:10.1093/her/10.1.37
Maier, A., Chabanet, C., Schaal, B., Issanchou, S., & Leathwood, P. (2007). Effects of repeated exposure on
acceptance of initially disliked vegetables in 7-month old infants. Food Quality and Preference,
18(8), 1023–1032. doi:10.1016/j.foodqual.2007.04.005
Maier, A., Chabanet, C., Schaal, B., Leathwood, P., & Issanchou, S. (2008). Breastfeding and experience with
variety early in weaning increase infants’ acceptance of new foods for up to two months. Clinical
Nutrition, 27(6), 849–857. doi:10.1016/j.clnu.2008.08.002

253
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Malina, R. M., & Katzmarz, P. T. (1999). Validity of the mass index as an indicator of the risk and presence of
overweight in adolescents. American Journal of Clinical Nutrition, 70(1), 131s-136s. Disponível em
http://ajcn.nutrition.org/content/70/1/131s.short
Manios, Y., Kondaki, K., Kourlaba, G., Vasilopoulou, E., & Grammatikaki, E. (2009). Maternal perceptions of
their child's weight status: the ”GENESIS” study. Public Health Nutrition, 12(8), 1099-1105. doi:
10.1017/S1368980008004412
Manios, Y., Moschonis, G., Grammatikaki, E., Anastasiadou, A., & Liarigkovinos, T. (2010) determinants of
childhood obesity and association with maternal perceptions of their children’s weight status: the
“GENESIS study. Journal of the American Dietetic Association, 110(10), 1527-1531. doi:
10.1016/j.jada.2”010.07.004
Mannucci, E., Petroni, M. L., Villanova, N., Rotella, C. M., Giovanni, A., & Machesini, G. (2010). Clinical and
psychological correlates of health related quality of life in obese patients. Health and Quality of Life
Outcomes, 23(8), 90. doi: 10.1186/1477-7525-8-90.
Marôco, J. (2007). Análise estatística: com utilização do SPSS. Edições Silabo (Ed.). Lisboa, Portugal: Edições
Silabo.
Marquis, M., Filion, Y. P., & Dagenais, F. (2005). Does eating while watching television influence children’s
food-related behaviours? Canadian Journal of Dietetic Practice and Research, 66(1), 12–18. doi:
10.3148/66.1.2005.12
Martin M. A., May, A. L., & Frisco, M. L. (2010). Equal weights but different weight perceptions among US
adolescents. Journal of the Health Psychology, 15(4), 493 - 504. doi:10.1177/1359105309355334.
Matheson, D. M., Robinson, T. N., Varady, A., & Killen, J. D. (2006). Do Mexican-American mothers’ food-
related parenting practices influence their children’s weight and dietary intake? Journal of the
American Dietetic Association, 106(11), 1861–1865. doi:10.1016/j.jada.2006.08.004
Mathieu, M. E., Drapeau, V., & Tremblay, A. (2010). Parental misperception of their child’s body weight
status impedes the assessment of the child’s lifestyle behaviors. International Journal of Pediatrics,
306703. doi.:10.1155/2010/306703
Matthiessen, T. B., Steinberg, F. M., & Kaiser, L. L. (2011). Convergent validity of a digital image-based food
record to assess food group intake in youth. Journal of the American Dietetic Association, 111, 756-
761.doi: 10.1016/j.jada.2011.02.004
May, A. L., Donohue, M., Scanlon, K. S., Sherry, B., Dalenius, K., Faulkner, P., & Birch, L. L. (2007). Child-
feeding strategies are associated with maternal concern about children becoming overweight, but
not children’s weight status. Journal of American Dietetic Association, 107(7), 1167-1174. doi:
10.1016/j.jada.2007.04.009
Maynard, L. M., Galuska, D. A., Blanck, H. M., & Serdula, M. K. (2003). Maternal perceptions of weight status
of children. Pediatrics, 111(1), 1226-1231. Disponível em
http://www.pediatrics.org/cgi/content/full/111/5/S1/1226
Maynard, M., Gunnel, D., Emmett, P., Frankel, S. & Davey Smith, G. (2003.) Fruit, vegetables, and antioxidants
in childhood and risk of adult cancer: the Boyd Orr cohort. Journal of Epidemiology & Community
Health, 57(3), 218–225. doi:10.1136/jech.57.3.218

254
_________________________________________________________________________________BIBLIOGRAFIA

McCrory, M. A., Fuss, P. J., McCallum, J. E., Yao, M., Vinken, A. G., Hays, N.P., & Roberts, S. B. (1999).
Dietary variety within food groups: association with energy intake and body fatness in
men and women. American Journal of Clinical Nutrition, 69(3), 440-447. Disponivel em
http://ajcn.nutrition.org/content/69/3/440.long
McGarvey, E., Keller, A., Forrester, M., Williams, E., D., Suttle, D. E. (2004). Feasibility and benefits of a
parent-focused preschool child obesity intervention. American Journal of Public Health. 94(9), 1490-
1495. doi: 10.2105/AJPH.94.9.1490
McGloin, A. F., Livingstone, M. B., Greene L. C., Webb, S. E., Gibson. J. M., Jebb, S.A., ... Prentice, A. M. (2002).
Energy and fat intake in obese and lean children at varying risk of obesity. International Journal of
Obesity, 26(2), 200-207. doi: 10.1038/sj.ijo.0801883
McGowan, L., Croker, H., Wardle, J., & Cooke, L. (2012). Environmental and individual determinants of core
and non-core food and drink intake in preschool-aged children in the United Kingdom. European
Journal of Clinical Nutrition, 66(3), 322-328. doi:10.1038/ejcn.2011.224.
McLeod, E. R., Campbell, K. J., & Hesketh, K. D. (2011). Nutrition knowledge: a mediator between
socioeconomic position and diet quality in Australian first-time mother. Journal of the American
Dietetic Association, 111(5), 696-704. doi: 10.1016/j.jada.2011.02.011
Menella, J. A., Pepino, M. Y, & Reed, D. R. (2005). Genetic and Environmental Determinants of Bitter
Perception and Sweet Preferences. Pedriatrics, 115(2) 216-222. doi:10.1542/peds.2004-1582
Mennella, J. A., Jagnow, C. P., & Beauchamp, G. K. (2001). Prenatal and postnatal flavor learning by human
infants. Pediatrics, 107(6), 88. doi:10.1542/peds.107.6.e8.
Mennella, J. A., Johnson, A., & Beauchamp G. K. (1995). Garlic ingestion by pregnant women alters the odor
of amniotic fluid. Chemical Senses, 20(2), 207–209. doi: 10.1093/chemse/20.2.207
Mennella, J. A., Lukasewycz, L. D., Castor, S. ., & Beauchamp G. K. (2011). The timing and duration of a
sensitive period in human flavour learning: a randomized trial. American Journal of Clinical
Nutrition, 93(5), 1019-1024. doi:10.3945/ajcn.110.003541
Mennella, J. A., Nicklaus, S., Jagolino, A. L., & Yourshaw, L. M. (2008). Variety is the spice of life: Strategies for
promoting fruit and vegetable acceptance during infancy. Physiology & Behavior, 94(1), 29-38. doi:
10.1016/j.physbeh.2007.11.014.
Michela, J. L., & Contento, I. R. (1986). Cognitive, social and environmental influences on children’s food
choices. Health Psychology, 5(3), 209-230. doi: 10.1037/0278-6133.5.3.209
Miller, G. D., Forgac, T., Cline, T., & McBean, L. D. (1998). Breakfast benefits children in the US and abroad.
Journal of the American College of Nutrition, 17(1), 4-6. doi:10.1080/07315724.1998.10718728
Mira, A. (2006). Sobrepeso infantil e factores de risco associados em crianças do pré-escolar (Trabalho de
Investigação. Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação - Universidade do Porto). Dispnível
em http://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/54652/5/106874_06-08T_TL_01_P.pdf
Moore, L. C., Harris, C. V., & Bradlyn, A. S. (2012). Exploring the relationship between parental concern and
the management of childhood obesity. Maternal and Child Health Journal, 16(4), 902-908. doi:
10.1007/s10995-011-0813-x.

255
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Moreira, P. (2007). Overweight and obesity in Portuguese children and adolescents. Journal of Public Health,
15, 155-161. doi:10.1007/s10389-007-0109-1
Morentin, J. I. M., Cortés, A., Medrano, C., & Apodaca, P. (2014). Internet use and parental mediation: A cross-
cultural study. Computers & Education, 70, 212–221 doi:10.1016/j.compedu.2013.07.036
Morgan, M., Fairchild, R., Phillips, A., Stewar, T. K., & Hunter, L. A. (2008). A content analysis of children’s
television advertising: focus on food and oral health. Public Health Nutrition, 12(6), 748-755. doi:
10.1017/S1368980008003169.
Morin, P., Herrmann, F., Ammann, P., Uebelhart, B., & Rizzoli, R. (2005). A rapid self-administered food
frequency questionnaire for the evaluation of dietary protein intake. Clinical Nutrition. 24(5) 768–
774. doi:10.1016/j.clnu.2005.03.002 5614(14)00112-5.
Mulder, C., Juliana Kain, J., Uauy, R., & Seidell, J. C. (2009). Maternal attitudes and child-feeding practices:
relationship with the BMI of Chilean children. Nutrition Journal, 8, 37. doi:10.1186/1475-2891-8-37
Munoz, K. A., Krebs-Smith, S. M., Ballard-Barbash, R., & Cleveland, L. E. (1997). Food intakes of US children
and adolescents compared with recommendations. Pediatrics, 100(3), 323-329. doi:
10.1542/peds.100.3.323
Muris, P., Meesters C, van de Blom, W., & Mayer, B. (2005). Biological, psychological, and sociocultural
correlates of body change strategies and eating problems in adolescent boys and girls. Eating
Behaviors, 6(1), 11–22. doi:10.1016/j.eatbeh.2004.03.002
Musher-Eizenman, D. R., & Holub, S. C. (2006). Children’s eating in the absence of hunger: the role of
restrictive feeding practices. In: R. Flamenbaum (Ed.). Childhood obesity and health research, (pp.
135 – 156).New York, NY: Nova Science Publishers, Inc.
Must A., Dallal, G. E., Dietz, W. H. (1991). Reference data for obesity. 85th and 95th percentiles of body mass
index (wt/ht2) and triceps skinfold thickness. American Journal of Clinical Nutrition, 53(4), 839–
846. Disponível em http://ajcn.nutrition.org/content/53/4/839.full.pdf
Myers, S., & Vargas, Z. (2000). Parental perceptions of the preschool obese child. Pediatric Nursing, 26(1),
23–30. Disponível em http://bmhlibrary.info/12026313.pdf
Nederkoorn, C., Braet, C., Van Eijs, Y., Tanghe, A., & Jansen, A. (2006). Why obese children cannot resist food:
the role of impulsivity. Eating Behaviors, 7(4), 315-322. doi:10.1016/j.eatbeh.2005.11.005
Neumark-Sztainer, D., Wall, M., Story, M., & Van der Berg, P. (2008). Accurate Parental classification of
overweight adolescents’ weight status: does it matter? Pediatrics, 121(6), e1495-e1502.
doi:10.1542/peds.2007-2642
Newman, J., & Alan T. (1992). Effect of a means-end contingency on young children’s food preferences.
Journal of Experimental Child Psychology, 53(2), 200-216. doi:10.1016/0022-0965(92)90049-C
Nicklas, T. A., Morales, M., Linares, A., Yang, S. J., Baranowski, T., De Moor, C., & Berenson, G. (2004).
Children’s meal patterns have changed over a 21- year period: the Bogalusa heart study. Journal of
the American Dietetic Association, 104(5), 753_761. doi:10.1016/j.jada.2004.02.030
Nicklaus, S. (2011). Children's acceptance of new foods at weaning. Role of practices of weaning and of food
sensory properties. Appetite, 57(3), 812–815. doi:10.1016/j.appet.2011.05.321
Nicklaus, S., Boggio, V., Chabanet, C., & Issanchou, S. (2004). A prospective study of food preferences in
childhood. Food Quality and Preferences, 15(7-8), 805–818. doi:10.1016/j.foodqual.2004.02.010

256
_________________________________________________________________________________BIBLIOGRAFIA

Nicklaus, S., Chabanet, C., Boggio, V., & Issanchou, S. (2005). Food choices at lunch during the third year of
life: Increase in energy intake but decrease in variety. Acta Paediatrica, 94(8), 1023-1029.
doi:10.1016/j.appet.2008.09.018
Noblea, C., Corneyb, M., Eves, A., Kipps, M., & Lumbersc, M (2000). Food choice and school meals: primary
schoolchildren's perceptions of the healthiness of foods and the nutritional implications of food
choices. International Journal of Hospitality Management, 19(4), 413-432. doi: 10.1016/S0278-
4319(00)00038-4
Norman, P., & Bennett, P. (1996). Health locus of control. Conner. Authors. Predicting health behaviour:
Research and practice with social cognition models. , (pp. 62-94). Maidenhead, BRK, England: Open
University Press
Nunes, E., Breda, J. (2001) Manual para uma alimentação saudável em jardins-de-infância. Direccção Geral de
Saúde. Disponível em http://www.dgs.pt/upload/membro.id/ficheiros/i005536.pdf
O’Brien, K. S., Hunter, J. A., & Banks, M. (2007). Implicit anti-fat bias in physical educators: physical
attributes, ideology and socialization. International Journal of Obesity, 31(2), 308-314.
doi:10.1038/sj.ijo.0803398
O’Dea, J. A., & Wilson, R. (2006). Socio-cognitive and nutritional factors associated with body mass index in
children and adolescents: possibilities for childhood obesity prevention. Health Education Research,
21(6), 796–805. doi: 10.1093/her/cyl125
Ogden, C. L., Lamb, M. M., Carroll, M. D., & Flegal, K. M., (2010). Obesity and Socioeconomic Status in Adults:
United States, 2005–2008 (NCHS Data brief Nº 50, December). U.S. Department of Health and
Human Services, Centers for Disease Control and Prevention, National Center for Health Statistics.
Disponível em http://www.cdc.gov/nchs/data/databriefs/db50.pdf
Olvera, N., Power, & T. G. (2010). Parenting Styles and Obesity in Mexican American Children: A
Longitudinal Study. Journal of Pediatric Psychology 35(3), 243–249. doi:10.1093/jpepsy/jsp071
Onis, M., Blossner. M., & Borghi, E. (2010). Global prevalence and trends of overweight and obesity among
preschool children. American Journal of Clinical Nutririon, 92(5), 1257–1264. doi: 10.3945/
ajcn.2010.29786
Onis, M., Garza, C., Onyango, A. W., & Borghi, E. (2007). Comparison of the WHO Child Growth Standards and
the CDC 2000 Growth Charts. The Journal of Nutrition: Symposium: A New 21st-Century
International Growth Standard for Infants and Young Children. Journal of Nutrition, 137(1,) 144-
148. Disponível em http://jn.nutrition.org/content/137/1/144.full.pdf
Organização Mundial de Saúde (2012a). Health 2020: an European policy framework supporting action
across government and society for health and well-being. Disponível em
http://www.euro.who.int/__data/assets/pdf_file/0009/169803 /RC62wd09-Eng.pdf
Organização Mundial de Saúde (2012b). Report of the Formal Meeting of Member States to conclude the
work on the comprehensive global monitoring framework, including indicators, and a set of
voluntary global targets for the prevention and control of noncommunicable diseases. Disponível
em http://apps.who.int/gb/ncds/pdf/A_NCD_2-en.pdf
Organização Mundial de Saúde (2010). World Health statistics. OMS. Disponível em
http://www.who.int/gho/publications/world_health_statistics/2010/en/index.html

257
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Organização Mundial de Saúde (2009). Global health risks: mortality and burden of disease attributable to
selected major risks. OMS. Disponível em
http://www.who.int/healthinfo/global_burden_disease/global_health_risks/en/index.html
Organização Mundial de Saúde (2007). WHO child growth standards/growth reference data for 5 -19 years.
Geneva: WHO. Disponível em http://www.who.int/growthref/en/
Organização Mundial de Saúde (2005). Promoting fruit and vegetable consumption around the world.
Disponível em http://www.who.int/dietphysicalactivity/fruit/en/
Organização Mundial de Saúde (2003). Diet, nutrition and the prevention of chronic diseases. Report of a
Joint WHO/FAO Expert Consultation, WHO Technical Report Series, 916. WHO, Geneva. Disponível
em http://whqlibdoc.who.int/trs/who_trs_916.pdf
Organização Mundial de Saúde (2002). Diet, nutrition and the prevention of chronic diseases: report of a
joint WHO/FAO expert consultation. Geneva: World Health Organization 2003. Disponível em
http://whqlibdoc.who.int/trs/who_trs_916.pdf.
Organização Mundial de Saúde (2000). Obesity: preventing and managing the global epidemic: report of a
WHO consultation. WHO technical report series; 894. Disponível em
http://libdoc.who.int/trs/WHO_TRS_894.pdf
Organização Mundial de Saúde (1995). Report of a WHO Expert Committee. Physical status: the use and
interpretation of anthropometry. Technical Report Series no. 854. Geneva: WHO. Disponível em
http://whqlibdoc.who.int/trs/WHO_TRS_854.pdf?ua=1
Organização Mundial de Saúde (nd). Obesity - situation and trends. Disponível em
http://www.who.int/gho/ncd/risk_factors/obesity_text/en/index.html.
Øverby, N. C., Lilegaard, I. T. L., Johansson, L., & Anderson, L.F. (2003). High intake of added sugar among
Norwegian children and adolescents. Public Health Nutrition, 7(2), 285-293. doi:
10.1079/PHN2003515
Padez, C., Mourão, I., Moreira, P., & Rosado, V. (2005). Prevalence and risk factors for overweight and
obesity in Portuguese children. Acta Paediatrica, 94(11) 1550-1557.
doi:10.1080/08035250510042924
Padez, C., Mourão, I., Moreira, P., Rosado, V. (2005). Prevalence and risk factors for overweight and obesity
in Portuguese children. Acta Paediatrica, 94(11), 1550–1557. doi: 10.1080/08035250510042924
Pais-Ribeiro, J. L. (1999). Investigação e Avaliação em Psicologia e Saúde. Lisboa, Portugal: Climepsi Editores
Parkinson, K. N., Drewett, R. F., Jones, A. R., Dale, A., Pearce, M .S., Wright, C. M., Adamson, A. J., & Gateshead
Millennium Study core team (2011) When do mothers think their child is overweight? International
Journal of Obesity, 35(4), 510–516. doi:10.1038/ijo.2010.260.
Parmenter, K., & Wardle, J. (1999). Development of a general nutrition knowledge questionnaire for adults.
European Journal of Clinical Nutrition, 53, 298-308. Disponível em
http://www.ucl.ac.uk/hbrc/diet/140.pdf
Parmenter, K., Waller, J., & Wardle, J. (2000). Demographic variation in nutrition knowledge in England.
Health Education Research, 15(2), 163-174. doi: 10.1093/her/15.2.163

258
_________________________________________________________________________________BIBLIOGRAFIA

Parry, L. L., Netuveli, G, Parry, J., & Saxena, S. (2008). A systematic review of parental perception of
overweight status in children. Journal of Ambulatory Care Management, 31(3), 253–268. doi:
10.1097/01.JAC.0000324671.29272.04
Pataco J. S. F. (2013). Estudo da relação entre temperamento, neofobia alimentar e preferências alimentares
em crianças pré-escolares (Dissertação de mestrado, Faculdade de Psicologia -Universidade de
Lisboa). Disponível em http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/9486/1/ulfpie044703_tm.pdf
Paúl, A., Rocha, A., & Mota, L. (2006) Prevalência de excesso de peso e obesidade em crianças pré-escolares
do município da Figueira da Foz. Comunicação apresentada no 17º Congresso da Sociedade
Europeia de Pediatria Ambulatória/9ª Reunião da Secção de Pediatria Ambulatória da Sociedade
Portuguesa de Pediatria; 2006 Coimbra. Disponível em
http://www.spp.pt/UserFiles/File/Resumos_2008/Gastro_Nutricao_PD102.pdf
Pereira, A. M. L., Fisberg, R. M., Brasil, A. L. D., Abreu, V. J. S., Pacheco, M. E. M. S., & Vasconcelos, M. I. L.
(1997). Métodos para avaliação do consumo alimentar em crianças e adolescentes. Revista Paulista
de Pediatria, 15:210-214.
Pereira, J., & Mateus, C. (2003). Custos indiretos associados à obesidade em Portugal. Revista Portuguesa de
Saúde Pública, número temático, 3, 65-80. Disponível em
http://www.cdi.ensp.unl.pt/docbweb/multimedia/rpsp2003-t/e-06-2003.pdf
Pereira, J., Mateus, C., & Amaral, M.J. (1999).Custos da obesidade em Portugal. Documento de trabalho 4/99.
Associação Portuguesa de Economia da Saúde, Lisboa.
Piaget, J. (1932). The Moral Judgment of the Child. P. Kegan (Ed.). London, England: Trench Trubner and Co.
Piaget, J., & Inhelder, B. (1966). A imagem mental na criança. Porto, Portugal: Livraria Civilização
Piaget, J., & Inhelder, B. (1966). La psycholgie de l’enfant. Paris, France: Presses Universitaires de France.
Pietrobelli, A., Faith, M. S., Allison, D. B., Gallagher, D., Chiumello, G., & Heymsfield S. B. (1998). Body Mass
Index as a measure of adiposity among children and adolescents: a validation study. Journal of
Pediatrics, 132(2), 204–210. Disponível em http://www.jpeds.com/article/S0022-3476(98)70433-
0/fulltext
Pine, D. S., Goldstein, R. B., Wolk, S., Weissman, M. M. (2001). The association between childhood depression
and adulthood body mass index. Pediatrics, 107(5), 1049–1056. doi:10.1542/peds.107.5.1049)
Pingitore, R., Dugoni, B. L., Tindale, R. S., & Spring, B. (1994). Bias against overweight job applicants in a
simulated employment interview. Journal of Applied Psychology, 79(6), 909-917. Disponível em
http://homepages.gac.edu/~jwotton2/PSY225/pingitore.pdf
Pitrou, I., Shojaei, T., Wazana, A., Gilbert, F., & Kovess-Masfety, V. (2010). Child overweight, associated
psychopathology, and social functioning: a French school-based survey in 6- to 11-year-old
children. Obesity, 18(4), 809–817. doi: 10.1038/oby.2009.278.
Pliner, P., & Pelchat, M. L. (1986.) Similarities in food preferences between children and their siblings and
parents. Appetite, 7(4), 333–342. doi.:10.1016/S0195-6663(86)80002-2
Pliner, P., Pelchat, M. L. & Grabski, M. (1993.) Reduction of neophobia in humans by exposure to novel foods.
Appetite, 20(2), 111–123. doi:10.1006/appe.1993.1013

259
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Pocock, M., Trivedi, D., Wills, W., Bunn, F., & Magnusson, J. (2009). Parental perceptions regarding healthy
behaviours for preventing overweight and obesity in young children: a systematic review of
qualitative studies. Obesity Reviews, 11(5), 338-353. doi:10.1111/j.1467-789X.2009.00648.x
Polfuss, M., & Frenn, M. (2012). Parenting behaviors of African-American and Caucasian families: parent and
child perceptions, associations with child weight, and ability to identify abnormal weight status.
Journal of Pediatric Nursing, 27(3), 195–205. doi:10.1016/j.pedn.2011.03.012
Powell, L. M., Szczypka, G., Chaloupka, F.J., & Braunschweig, C. L. (2007). Nutritional content of television
food advertisements seen by children and adolescents in the United States. Pediatrics, 120(3), 576-
583. doi: 10.1542/peds.2006-3595
Power, C., Lake, J. K., & Cole, T. J. (1997). Measurements and long-term health risks of child and adolescent
fatness. International Journal of Obesity & Related Metabolic Disorders, 21 (7), 507 - 526. doi:
10.1038/sj.ijo.0800454.
Powers, S. (2005). Parenting Practices and Obesity in Low-Income African-American Preschoolers. Contractor
and Cooperator Report No. 3, USDA, ERS. Disponível em
http://files.eric.ed.gov/fulltext/ed486144.pdf
Powers, S. W., Chamberlin, L. A., van Schaick, K. B., Sherman, S. N., & Whitaker, R. C. (2006). Maternal feeding
strategies, child eating behaviors, and child BMI in low-income African-American preschoolers.
Obesity, 14(11), 2026-2033. doi: 10.1038/oby.2006.237
Price, J. H., Desmond, S. M., & Stelzer, C. M. (1987). Elementary school principals’ perceptions of childhood
obesity. Journal of School Health, 57(9):367-370. doi:10.1111/j.1746-1561.1987.tb03225.x
Prochaska, J. O., Norcross, J. C., & Diclemente, C. C. (1994). Changing for Good. New York, NY: Avon Books.
Prochaska, J. O., & Velicer, W. F. (1997). The transtheoretical model of health behavior change. American
Journal of Health Promotion, 12(1), 38-48. doi:10.4278/0890-1171-12.1.38
Puder, J. J., & Munsch, S. (2010). Psychological correlates of childhood obesity. International Journal of
Obesity 34(2), S37-S43. doi:10.1038/ijo.2010.238
Pulgarón, E.R. (2013). Childhood Obesity: A review of increased risk for physical and psychological
comorbidities. Clinical Therapeutics, 35 (1), A18–A32. doi:10.1016/j.clinthera.2012.12.014
Radziszewska, B., Richardson, J. L., Dent, C.W., & Flay, B. R. (1996). Parenting style and adolescent
depressive symptoms, smoking, and academic achievement: Ethnic, gender, and SES differences.
Journal of Behavioral Medicine 19(3), 289-30. Disponível em
http://people.oregonstate.edu/~flayb/MY%20PUBLICATIONS/Multiple%20behaviors/Radziszew
ska%20et%20al%2096%20Parenting%20style.html5
Rampersaud, G. C. (2008). Benefits of breakfast for children and adolescents: update and recommendations
for practitioners. American Journal of Lifestyle Medicine, 3(2), 86-103., doi:
10.1177/1559827608327219
Rasmussen, M., Krølner, R., Klepp, K. I., Lytle, L., Brug, J., Bere, E., & Due, P. (2006). Determinants of fruit
and vegetable consumption among children and adolescents: a review of the literature. Part I:
quantitative studies. The International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity, 11(3),
22–40. doi: 10.1186/1479-5868-3-22

260
_________________________________________________________________________________BIBLIOGRAFIA

Reifsnider, E., Flores-Vela, A. R., Beckman-Mendez, D., Nguyen, H., Keller, C., & Dowdall-Smith , S. (2006).
Perceptions of children’s body sizes among mothers living on the Texas-Mexico border (La
Frontera). Public Health Nursing, 23(6), 488–495. doi:10.1111/j.1525-1446.2006.00588.x
Resnicow, K., Davis-Hearn, M., Smith, M., Baranowski, T., Lin, L. S., Baronowski, J., ... Dongqing.,T. (1997).
Social-cognitive predictors of fruit and vegetable intake in children. Health Psychology, 16(3), 272–
276. doi: 10.1037/0278-6133.16.3.272
Rhea, K. E., DeLago, C. W., Arscott-Mills, T., Mehata, S. P., & Krisko, D. (2005). Factors associated with
parental readiness to make changes for overweight children. Pediatrics, 116(1), e94-e101. doi:
10.1542/peds.2004-2479
Rhee, K. E., Lumeng, J. C., Appugliese, D. P., Niko Kaciroti, N., & Bradley, R. H. (2006). Parenting styles
and overweight status in first grade. Pediatrics, 117(6), 2047-2054. doi:10.1542/peds.2005-2259).
Ribeiro, V. (2010). O impacto económico da obesidade em Portugal. Custos directos com internamento
(Dissertação de mestrado, Escola Nacional de Saúde Pública – Universidade Nova de Lisboa).
Disponível em http://run.unl.pt/handle/10362/6239
Rich, S. S., DiMarco, N. M., Huettig, C., Essery, E. V., Andersson, E., & Sanborn, C. F. (2005). Perceptions of
health status and play activities in parents of overweight Hispanic toddlers and preschoolers.
Family and Community Health, 28(2), 130-141. Disponível em
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15778627
Ricketts, C. D. (1997). Fat preferences, dietary fat intake and body composition in children. European Journal
of Clinical Nutrition, 51(11), 778–781. doi: 10.1038/sj.ejcn.1600487
Riet, J. V., Sijtsema, S. J., Dagevos, H, & De Bruitjn, G-J. (2011). The importance of habits in eating behavior.
An overview and recommendations for future research. Appetite, 57(3), 585-596. doi:
10.1016/j.appet.2011.07.010
Rito, A. (2006). Overweight and obesity in the preschool children of Coimbra. Obesity Reviews, 7(2):366.
Disponível em http://scholar.google.com/citations?view_op=view_citation&hl=pt-
PT&user=UL_RmDwAAAAJ&citation_for_view=UL_RmDwAAAAJ:qjMakFHDy7sC
Rito, A. I., Paixão, E., Carvalho, M. A., Ramos, C. (2011). Childhood obesity surveillance initiative: COSI
Portugal 2008. Lisboa Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. Disponível em
http://repositorio.insa.pt/bitstream/10400.18/142/4/Relat%C3%B3rio%20COSI-
%20VERS%C3%83O%20FINAL.pdf
Roberts, M.-L. E. (2006). Negotiating food choice: parent’s perception of children’s eating behavior.
Anthropological Notebooks, 12(1), 63–77. Disponível em http://www.drustvo-
antropologov.si/AN/PDF/2006_1/Anthropological_Notebooks_XII-1_5.pdf
Roberts, W. (1999). The socialization of emotion expression: Relations with prosocial behavior and
competence in five samples. Canadian Journal of Behavioral Science, 31(2), 72-85. doi:
10.1037/h0087075
Robertson, T. R., & Rossiter, J. R. (1974). Children and commercial persuasion: An attribution theory
analysis. Journal of Consumer Research, 1(1), 13-20. Disponível em
http://www.jstor.org/stable/2488950

261
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Robinson T. N, Kiernan, M., Matheson, D. M., & Haydel, K. F. (2001). Is parental control over children’s eating
associated with childhood obesity? Results from a population-based sample of third graders.
Obesity Research, 9(5), 306–312. doi: 10.1038/oby.2001.38
Robinson, C. C., Mandleco, B., Olsen, S. F., & Hart, C. H. (1995). Authoritative, authoritarian, and permissive
parenting practices: development of a new measure. Psychological Reports, 77, 819-830. doi:
10.2466/pr0.1995.77.3.819
Robinson. S., Marriott, L., Poole, J., Crozier, S., Borland, S., Lawrence W, Law, C., ... The Southampton
Women's Survey Study Group, (2007). Dietary patterns in infancy: the importance of maternal and
family influences on feeding practice. British Journal of Nutrition, 98(5), 1029-1037.
doi:10.1017/S0007114507750936
Robinson, T.N. (1999). Reducing children´s television viewing to prevent obesity. A randomized controlled
trial. Journal of the American Medical Association, 282(16), 1561-1567.
doi:10.1001/jama.282.16.1561.
Robinson, T. N., Borzekowski, D. L., Matheson, D. M., & Kraemer, H. C. (2007). Effects of fast food branding on
young children’s taste preferences. Archives of Pediatric and Adolescent Medecine, 161(8), 792-797.
doi:10.1001/archpedi.161.8.792.
Robinson, T. N., Hammer, L. D., Wilson, D. M., Killen, J. D., Kraemer, Hayward, C., & Taylor, C. B. (1993). Does
television viewing increase obesity and reduce physical activity? Cross-sectional and longitudinal
analysis among adolescent girls. Pediatrics, 91(2), 273 -280. Disponível em
http://pediatrics.aappublications.org/content/91/2/273.full.pdf+html
Rodrigues, A. S., do Carmo, I., Breda, J, & Rito, A. I. (2011). Associação entre o marketing de produtos
alimentares de elevada densidade energética e a obesidade infantil. Revista Portuguesa de Saúde
Pública. 29(2), 180-187. Disponível em
http://www.scielo.gpeari.mctes.pt/pdf/rpsp/v29n2/v29n2a11.pdf
Rodríguez, G., & Moreno, L.A. (2006). Is dietary intake able to explain differences in body fatness in children
and adolescents? Nutrition, Metabolism & Cardiovascular Diseases, 16(4), 294-301. doi:
10.1016/j.numecd.2005.08.005
Rogers, R. W. (1985). Attitude change and information integration in fear appeals. Psychological Reports,
56(1), 179-182. doi: 10.2466/pr0.1985.56.1.179
Rojo L., Ruiz E., Domínguez, J. A., Calaf, M., & Livianos, L. (2006). Comorbidity between obesity and attention
deficit/hyperactivity disorder: population study with 13-15-year-olds. International Journal of
eating Disorders, 39(6), 519-522. doi: 10.1002/eat.20284
Rolland-Cachera, M. F., Deheeger, M., Bellisle, F., Sempé, M., Guilloud-Bataille, M., & Patois E. (1984).
Adiposity rebound in children: a simple indicator for predicting obesity. American Journal of Clinical
Nutrition, 39(1) 129–135. Disponível em http://ajcn.nutrition.org/content/39/1/129.short
Rolland-Cachera, M. F., Deheeger, M., Maillot, M., & Bellisle, F. (2006). Early adiposity rebound: causes and
consequences for obesity in children and adults. International Journal of Obesity, 30, S11–S17.
doi:10.1038/sj.ijo.0803514
Rollins, B. Y., Loken, E., & Birch, L. L. (2010). Stability and change in snack food likes and dislikes from 5 to
11 years. Appetite, 55(2), 371-373. doi:10.1016/j.appet.2010.06.012

262
_________________________________________________________________________________BIBLIOGRAFIA

Rollins, B. Y., Loken, E., & Birch, L. L. (2011). Preferences predict food intake from 5 to 11 years, but not in
girls with higher weight concerns, dietary restraint, and %body fat. Obesity, 19(11), 2190-2197.
doi:10.1038/oby.2011.28
Rolls, B. J., Rowe, E. A., & Rolls, E. T. (1982). How sensory properties of food affect human feeding behavior.
Physiolgy & Behavior, 29(3), 409–417. doi:10.1016/0031-9384(82)90259-1
Rolls, B. J., Rowe, E. A., Rolls, E. T., Kingston, B., Megson, A., & Gunary, R. (1981). Variety in a meal enhances
food intake in man. Physiology & Behavior, 26(2), 215–21. doi:10.1016/0031-9384(81)90014-7
Rothblum E. D., Brand P.A., Miller C. T., & Oetjen H. A. (1990). The relationship between obesity,
employment discrimination, and employment-related victimization. Journal of Vocational Behavior,
37(3), 251-266. doi:10.1016/0001-8791(90)90044-3
Rotter, J. B. (1975). Some problems and misconceptions related to the construct of internal versus external
control of reinforcement. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 43(1), 56-57. doi:
10.1037/h0076301
Rozin, P. (1996). Sociocultural influences on human food selection. E. D. Capaldi (Ed.), Why we eat what we
eat: The psychology of eating, (pp. 233-263). Washington, DC: American Psychological Association.
Rozin, P., & Schiller, D. (1980). The nature and acquisition of a preference for chili pepper by humans.
Motivation and Emotion, 4(1), 77–101. doi: 10.1007/BF00995932
Saelens, B. E., Ernst, M. M., & Epstein L. H. (2000). Maternal child feeding practices and obesity: a discordant
sibling analysis. International Journal of Eating Disorders, 27(4), 459–463, doi:10.1002/(SICI)1098-
108X(200005)27:4<459::AID-EAT11>3.0.CO;2-C
Sallis, J. F., Broyles, S. L., Frank-Spohrer, G., Berry, C. C., Davis, T. B., & Nader, P. R. (1995). Child’s home
environment in relation to the mother’s adiposity. International Journal of Obesity and Related
Metabolic Disorders, 19(3), 190–197. Disponível em
http://www.researchgate.net/publication/15417692_Child's_home_environment_in_relation_to_th
e_mother's_adiposity
Salmon, L., Waters, E., Wright, M., & Hesketh, K. K. (2002). Parent-reported health status of overweight and
obese Australian primary school children: a cross-sectional population survey. International Journal
of Obesity & Related Metabolic Disorders, 26(5), 717-724. Disponível em
http://www.nature.com/ijo/journal/v26/n5/full/0801974a.html
Samet, J. M., (1989). Surrogate measures of dietary intake. American Journal of Clinical Nutrition, 50(5),
1139-1144. Disponível em http://ajcn.nutrition.org/content/50/5/1139.2.short
Sapp, S. G., Jensen, H. H. (1997). Reliability and validity on nutrition knowledge and diet-health awareness
tests developed from the 1989-1991 Diet and Health Knowledge Surveys. Journal of Nutrition
Education, 29(2), 63-72. doi:10.1016/S0022-3182(97)70157-2
Sara C. Folta, Economos, C., Bell, R., & Meltzer, R. (2006). Food advertising targeted at school-age children: a
content analysis. Journal of Nutrition Education and Behavior, 38(4), 244-248.
doi:10.1016/j.jneb.2006.04.146
Sardinha, L. B., Going, S. B., Teixeira, P. J., & Lohman, T. G. (1999). Receiver operating characteristic analysis
of body mass index, triceps skinfold thickness, and arm girth for obesity screening in children and

263
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

adolescents. American Journal of Clinical Nutrition, 70(6), 1090–1095. Dsponível em


http://ajcn.nutrition.org/content/70/6/1090.long
Sardinha, L. B., Santos, D. A., Silva, A. M., Coelho-e-Silva, M. J., Raimundo, A. M., Moreira, H., ... Mota, J. (2012)
Prevalence of overweight, obesity, and abdominal obesity in a representative sample of Portuguese
adults. PLOS ONE, 7(10), e47883. doi:10.1371/journal.pone.0047883
Sargent, J. D., & Blanchflower, D. G. (1994). Obesity and stature in adolescence and earnings in young
adulthood. Analysis of a British birth cohort. Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine, 148(7),
681-687. Disponível em
http://www.dartmouth.edu/~blnchflr/papers/Obesity%20and%20Stature.pdf
Savage, J. S., Fisher, J. O., & Birch, L. L. (2007). Parental influence on eating behavior. Conception to
adolescence. The Journal of Law, Medicine & Ethics, 35(1), 22–34. doi:10.1111/j.1748-
720X.2007.00111.x.
Scaglioni, S., Salvioni, M., & Galimberti, C. (2008). Influence of parental attitudes in the development of
children eating behaviour. The British Journal of Nutrition, 99(S1), S22-S25.
doi:10.1017/S0007114508892471.
Schaal, B., Marlier, L., & Soussignan, R. (1998). Olfactory function in the human fetus. Evidence from
selective neonatal responsiveness to the odor of amniotic fluid. Behavioral Neuroscience, 112(6),
1438–1449. doi:10.1037/0735-7044.112.6.1438
Schaal, B., & Orgeur, P. (1992). Olfaction in utero. Can the rodent model be generalized? The Quarterly
Journal of Experimental Psychology. B, Comparative and Physiological Psychology, 44(3–4), 245–278.
doi:10.1080/02724999208250615
Seibold, E. S., Knafl, K., & Grey, M. (2003). The family context of an intervention to prevent type 2 diabetes in
high-risk teens. The Diabetes Educator, 29(6), 997-1004. doi: 10.1177/014572170302900609
Sepp, A., Lennerna, M., & Abrahamsson, L. (2006). Preschool children’s meal patterns analysed using the
Food-Based Classification of Eating Episodes Model. Scandinavian Journal of Food and Nutrition, 50
(3), 131 -138. Disponível em
http://www.foodandnutritionresearch.net/index.php/fnr/article/viewFile/1592/1460
Serapioni, M. (2013). Sistemas de saúde e participação cidadã: algumas reflexões críticas na perspetiva da
sociologia da saúde. SAÚDE & TECNOLOGIA, 10, 10-18. Disponível em
http://www.estesl.ipl.pt/sites/default/files/ficheiros/pdf/artigo_2_n10.pdf
Serdula, M. K., Ivery, D., Coates, R. J., Freedman, D. S., Williamson, D. F., & Byers, T. (1993). Do obese children
become obese adults? A review of the literature. Preventive Medicine, 22(2), 167-177. Disponível em
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmEd/8483856
Shepherd, R. & Towler, G. (1992). Nutrition knowledge, attitudes and fat intake: application of the Theory of
Reasoned Action. Journal of Human Nutrition and Dietetics, 5, 387–397. doi: 10.1111/j.1365-
277X.1992.tb00178.x
Shonkoff, J. P., & Phillips, D. (2000). From neurons to neighborhoods-The science of early childhood
development. Washington, DC: National Academies Press.

264
_________________________________________________________________________________BIBLIOGRAFIA

Simeon, D. T., & Grantham-McGregor, S. (1989). Effects of missing breakfast on the cognitive
functions of school children of different nutritional status. American Journal of Clinical
Nutrition, 49(4), 646-653. Disponível em
http://ajcn.nutrition.org/content/49/4/646.full.pdf+html
Singer, M, R., Moore, L. L., Garrahie, E.J., & Ellison, R.C. (1995). The tracking of nutrient intake in young
children: the Framingham Children’s Study. American Journal of Public Health, 85(12), 1673-1677.
doi:10.2105/AJPH.85.12.1673
Skinner, J., Carruth, B. R., Bounds, W., & Ziegler, P. J. (2002). Children food preferences: a longitudinal
analysis. Journal of the American Dietetic Association, 102 (11), 1638-1647. doi:10.1016/S0002-
8223(02)90349-4
Skinner, J., Carruth, B. R., Moran, J., III, Houck, K., Schmidhammer, J., Reed, A., Coletta, F., Cotter, R., & Ott, D.
(1998). Toddlers’ food preferences. Concordance with family members’ preferences. Journal of
Nutrition Education, 30(1), 17–22. doi:10.1016/s0022-3182(98)70270-5.
Skouteris, H., McCabe, M., Lina A. Ricciardelli, L. A., Milgrom, J., Baur, L. A., Dell’Aquilaa, D., (2012). Parent–
child interactions and obesity prevention: a systematic review of the literature, Early Child
Development and Care, 182(2), 153-174. doi: 10.1080/03004430.2010.548606
Sleddens, E. F .C., Gerards, S. M. P. L., Thijs, C., de Vries, N. K., & Kremers, P. J. (2011).General parenting,
childhood overweight and obesity-inducing behaviors: a review. International Journal of Pediatric
Obesity, 6(2-2) e12–e27. doi: 10.3109/17477166.2011.566339
Smith, A. E., Annesi, J. J., Walsh, A. M., Lennon, V., & Bell, R. A. (2010). Association of changes in self-efficacy,
voluntary physical activity, and risk factors for type 2 diabetes in a behavioral treatment for obese
preadolescents: a pilot study. Journal of Pediatric Nursing, 25(5) 393–399.
doi:10.1016/j.pedn.2009.09.003
Smith, H. (1975). Strategies of social research: the methodological imagination. New Jersey: Prentice-Hall.
Sonne-Holme, S., & Sorensen, T. I. (1986). Prospective study of attainment of social class of severely obese
subjects in relation to parental social class, intelligence and education. British Medical Journal,
292(6520), 586-589. Disponível em
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1339564/pdf/bmjcred00223-0018.pdf
Sothern, M. S., & Gordon, S. T. (2003). Prevention of obesity in young children: a critical challenge for
medical professionals. Clinical Pediatrics, 42(2), 101–111. doi:10.1177/000992280304200202
Spruijt-Metz, D., Li, C., Cohen, E., Birch, L., & Goran, M. (2006). Longitudinal influence of mother’s child-
feeding practices on adiposity in children. The Journal of Pediatrics, 148(3), 314-320. doi:
10.1016/j.jpeds.2005.10.035
Spruijt-Metz, D., Lindquist, C. H., Birch, L. L., Fisher, J. O., Goran, M. I. (2002). Relation between mothers'
child-feeding practices and children's adiposity. American Journal of Clinical Nutrition, 75(3), 581-
586. Disponível em http://ajcn.nutrition.org/content/75/3/581.long
Steinberg, L., Mounts, N. S., Lamborn, S. D., Dornbusch, S. M. (1991). Authoritative parenting and adolescent
adjustment across varied ecological niches. Journal of Research on Adolescence, 1 (1), 19-36.

265
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Disponível em http://www.viriya.net/jabref/resilience/authoritative_parenting
_and_adolescent_adjustment_across_varied_ecological_niches.pdf
Steinmetz, K.A., & Potter, J.D. (1996). Vegetables, fruit and cancer-prevention: a review. Journal of the
American Dietetic Association, 96(10), 1027–1039. doi.10.1016/S0002-8223(96)00273-8
Steinsbekk, S., Ødegård, R., & Wichstrøm, L. (2011). Treatment of obesity in children: Parents perceived
emotional barriers as predictor of change in body fat. Obesity Research & Clinical Practice, 5, e229-
e238. doi:10.1016/j.orcp.2011.03.00
Stettler, N., Van Horn, L., Gilman, M. W., Lichtenstein, A. H., Rattay, K. T., Steinberger, J., ... Van Horn, L.
(2006). Dietary recommendations for children and adolescents: a guide for practitioners. Pediatrics
117(2), 544-559. doi: 10.1542/peds.2005-2374
Stewart, L., Chapple, J., Hughes, A. R., Poustie, V., & Reilly, J. J. (2008). Parents’ journey through treatment for
their child’s obesity: a qualitative study. Archives of Disease in Children, 93, 35-39.
doi:10.1136/adc.2007.12514in childre6
Steyn, N. P., Nel, J. H., Nantel, G., Kennedy, G., & Labadarios, D. (2006). Food variety and dietary diversity
scores in children: are they good indicators of dietary adequacy? Public Health Nutrition, 9(5), 644–
650. doi:10.1079/PHN2005912
Story, M., Kaphingst, K. M., Robinson-O`Brien, & Glan, K. (2008). Creating healthy food and eating
environments: policy and environmental approaches. Annual Review of Public Health, 29, 253-272.
doi: 10.1146/annurev.publhealth.29.020907.090926
Sullivan, S. A., & Birch, L. L. (1990). Pass the sugar, pass the salt. Experience dictates preference.
Developmental Psychology, 26(4), 546–551. doi:10.1037/0012-1649.26.4.546.
Sullivan, S. A., & Birch, L. L. (1994). Infant dietary experience and acceptance of solid foods. Pediatrics, 93(2),
884–885. Disponível em http://pediatrics.aappublications.org/content/93/2/271.short
Sullivan, S. A., Leite, K. R., Shaffer, M. L., Birch, L. L., & Paul, I. M. (2011). Urban parents' perceptions of
healthy infant growth. Clinical Pediatrics, 50(8), 698-703. doi:10.1177/0009922811398960
Taveras, E. M., Mitchell, K., & Gortmaker, S. L., (2009). Parental confidence in making overweight-related
behavior changes. Pediatrics, 124(1), 151-158. doi: 10.1542/peds.2008-2892
Thomas, R. M. (1992). Comparing Theories of Child Development. Belmont, CA: Wadsworth.
Thompson, F. E., & Byers, T, (1994). Dietary Assessment Resources Manual. Journal of Nutrition, 124(11S),
2245S-2317S. Disponível em http://jn.nutrition.org/content/124/11_Suppl/2245s.short
Thompson, F. E., & Subar, A. F. (2008). Dietary assessment. Ann M. Coulston, Carol J. Boushey (Eds.),
Nutrition in the prevention and treatment of disease. Burligton, MA: Elsevier Academic Press.
Thompson, F. E., Subar, A. F., Smith, A. F., Midthune, D., Radimer, K. L., Kahle, L. L., Kipnis, V. (2002). Fruit
and vegetable assessment: performance of 2 new short instruments and a food frequency
questionnaire. Journal of the American Dietetic Association, 102(12), 1764–1772.
doi:10.1016/S0002-8223(02)90379-2
Thompson, O. M., Ballew, C., Resnicow, K., Gillespie, C., Must, A., Bandini, G., ... Dietz, W. H. (2006). Dietary
pattern as a predictor of change in BMI z-score among girls. International Journal of Obesity, 30(1),
176–182. doi:10.1038/sj.ijo.0803072

266
_________________________________________________________________________________BIBLIOGRAFIA

Thuthill, A., Slawik, H, Rahilly, S., & Finer, N. (2006). Psychiatric co-morbidities in patients attending
specialist obesity services in the UK. QJM: An International journal of Medicine, 99(5), 317-325. doi:
10.1093/qjmed/hcl041
Tiggemann, M., & Lowes, J. (2002). Research report predictors of maternal control over children's eating
behavior. Appetite, 39(1), 1-7.doi:10.1006/appe.2002.0487,
Toschke, A. M., Küüchenhoff, H., Koletzko, B., & von Kries, R. (2005). Meal frequency and childhood obesity.
Obesity Research, 13(11), 1932–1938. doi: 10.1038/oby.2005.238
Toschke, A. M., Rückinger, S., Böhler, E., & Von Kries. R. (2007). Adjusted population attributable fractions
and preventable potential of risk factors for childhood obesity. Public Health Nutrition, 10(9), 902–
906. doi: 10.1017/S136898000725846X
Toschke, A. M., Thorsteindottir, K. H., von Kries, R., For the GME Study Group (2009). Meal frequency,
breakfast consumption and childhood obesity. International Journal of Pediatric Obesity, 4(4), 242-
248. doi: 10.3109/17477160902763341
Towns, N., & D´Auria, J. (2009). Parental perceptions of their child`s overweight: An integrative revue of the
literature. Journal of Pediatric Nursing, 24(2), 115-130. doi:10.1016/j.pedn.2008.02.032
Treiber, F. A., Leonard, S. B., Frank, G., Musante, L., Davis, H., Strong, W. B., Levy, M. (1990). Dietary
assessment instruments for preschool children: reliability of parental responses to the 24-hour
recall and a food frequency questionnaire. Journal of American Dietetic Association, 90(6), 814-820.
Disponível em http://www.cabdirect.org/abstracts/19911436525.html
Tremblay, L., & Rinaldi, C. M. (2010). The prediction of preschool children's weight from family
environment factors: Gender-linked differences. Eating Behaviors, 11(4), 266–275.
doi:10.1016/j.eatbeh.2010.07.005
Tremblay, L., Rinaldi, C. M., Lovsin, T., & Zecevic, C. (2012). Parents’ perceptions of children's weight: the
accuracy of ratings and associations to strategies for feeding. Early Child Development and Care,
182(8), 1027-1040. doi: 10.1080/03004430.2012.678598
Tschamler, J. M., Conn, K. M., Cook, S. R., & Halterman, J. S. (2010). Underestimation of children’s weight
status: views of parents in an urban community. Clinical Pediatrics, 49(5), 470-6.
doi:10.1177/0009922809336071.
Turrell, G., & Kavanagh, A. M. (2006). Socio-economic pathways to diet: Modelling the association between
socio-economic position and food purchasing behaviour. Public Health Nutrition, 9(3), 375-383. doi:
10.1079/PHN2005850
Ulla-Kaisa, K., Fellenius, J., & Sjöden, P.-O. (1994). Relations between parental mealtime practices and
children’s food intake. Appetite, 22(3), 245-257. doi:10.1006/appe.1994.1023
United Nations Children’s Fund, World Health Organization, The World Bank (2012). UNICEF WHO-World
Bank Joint Child Malnutrition Estimates. (UNICEF, New York; WHO, Geneva; The World Bank,
Washington, DC). Disponível em http://www.who.int/nutgrowthdb/estimates/en/index.html
United States Department of Agriculture (2008). My Pyramid for preschoolers. Disponível em
http://www.mypyramid.gov/downloads/PreschoolerMiniPoster.pdf
United States Department of Agriculture (2011). My Pyramid Resources – Preschoolers. Disponível em
http://www.choosemyplate.gov/preschoolers/index.html

267
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Utter, J., Scragg, R., Mhurchu, C. N., & Schaaf, D. (2007). At-home breakfast consumption among New Zealand
children: associations with body mass index and related nutrition behaviors. Journal of the
American Dietetic Association, 107 (4), 570-576. doi:10.1016/j.jada.2007.01.01
van den Berg, P., Neumark-Sztainer, D., Eisenberg, M. E., & Haines, J. (2008). Racial/ethnic differences in
weight-related teasing in adolescents. Obesity (Silver Spring), 16(S2), S3-S10.
doi:10.1038/oby.2008.445
van der Horst, K., Kremers, S., Ferreira, I., Singh, A., Oenema, A., & Brug, J. (2007). Perceived parenting style
and practices and the consumption of sugar-sweetened beverages by adolescents. Health Education
Research, 22(2), 295 – 304. doi: 10.1093/her/cyl080
van der Merwe, M.T. (2007). Psychological correlates of obesity in women. International Journal of obesity,
31(S2), S14-S18. doi: 10.1038/sj.ijo.0803731.
Vanderbroeck, I. P., Goossens, J., & Clemens, M. (2007). Obesity System Atlas. Foresight tackling obesities:
Future choices. Disponível em http://www.foresight.gov.uk.
Vann, J. C. V., Finkle, J., Ammerman, A., Wegner, S., Skinner, A. C., Benjamin, J. T., ... Perrin, E. M. (2011). Use of
a tool to determine perceived barriers to children's healthy eating and physical activity and
relationships to health behaviors. Journal of Pediatric Nursing, 26(5), 404–415.
doi:10.1016/j.pedn.2010.10.011
Variyam, J. N. (2001). Overweight children: is parental nutrition knowledge a factor? Food Review, 24(2), 18-
22. Disponível em
http://webharvest.gov/peth04/20041030222726/http://www.ers.usda.gov/publications/FoodRe
view/May2001/FRV24I2c.pdf
Variyam, J. N., Blaylock, J. R., Lin, B-H., Ralston, K., & Smallwood, D. (1999). Mother's nutrition knowledge
and children's dietary intakes. American Journal of Agriculture Economics, 81(2), 373-384. doi:
10.2307/1244588
Velde, S. J., van Nassau, F., Uijtdewilligen, L., van Stralen, M. M., Cardon, G. De Craemer, M., Manios, Y., ...
ToyBox-study group, (2012). Energy balance-related behaviours associated with overweight and
obesity in preschool children: a systematic review of prospective studies. Obesity Reviews, 13(1),
56–74. doi: 10.1111/j.1467-789X.2011.00960.x
Ventura, A.K., Birch, L.L. (2008). Does parenting affect children's eating and weight status? International
Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity, 5 (15). doi:10.1186/1479-5868-5-15
Vereecken, C. A., Keukelier, E., & Maes, L. (2004). Influence of mother's educational level on food parenting
practices and food habits of young children. Appetite, 43(1), 93-103.
doi:10.1016/j.appet.2004.04.002
Vereecken, C., Legiest, E., De Bourdeaudhuij, I. & Maes, L. (2009). Associations between general parenting
styles and specific food-related parenting practices and children's food consumption. American
Journal of Health Promotion, 23(4), 233-240. doi:10.4278/ajhp.07061355
Viana, V., Franco, T., & Morais, C. (2011). O estado ponderal e o comportamento alimentar de crianças e
jovens: Influência do peso e das atitudes de controlo da mãe. Psicologia, Saúde & Doenças, 12(2),
267-279. Disponível em http://www.scielo.gpeari.mctes.pt/pdf/psd/v12n2/v12n2a08.pdf

268
_________________________________________________________________________________BIBLIOGRAFIA

Vila, G., Zipper, E., Dabbas, M., Bertrand, C., Robert, J. J., Ricour, C., & Mouren-Siméoni, M. C. (2004).
Mental disorders in obese children and adolescents. Psychosomatic Medicine, 66(3), 387–394. doi:
10.1097/01.psy.0000126201.12813.eb
Viveiros, C. C. O. (2012). Estudo do comportamento alimentar, preferências alimentares e neofobia alimentar
em crianças pré-escolares e da eficácia de um programa de promoção de comportamentos
alimentares saudáveis em contexto escolar: um estudo exploratório (Dissertação de mestrado,
Faculdade de Psicologia - Universidade de Lisboa). Disponível em
http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/8063/1/ulfpie043049_tm.pdf
Wake, M., Nicholson, J. M., Hardy, P., & Smith, K. (2012). National population study preschooler obesity and
parenting styles of mothers and fathers: Australian national population study. Pediatrics, 120(6),
e1520-e1527. doi: 10.1542/peds.2006-3707
Wald, E. R., Ewing, L. J., Cluss, P., Goldstrohm, S., Cipriani, L., Colborn, D. K., & Weissfeld, L. (2007). Parental
perception of children’s weight in a paediatric primary care setting. Child: care, health and
development, 33(6), 738–743. doi:10.1111/j.1365-2214.2007.00753.x
Walker, R. B., Conn, J. A., Davies, M. J., & Moore, V. M. (2006). Mothers' views on feeding infants around the
time of weaning. Public Health Nutrition, 9(06), 707-713. doi:10.1079/PHN2005915
Walker, R. B., Conn, J. A., Davies, M. J., & Moore, V. M. (2009). Food and nutrient intakes of 9-month-old
infants in Adelaide, Australia. Public Health Nutrition, 12(12), 2448-2456. doi:
10.1017/S1368980009005552
Walls, H. L., Peeters, A., Proietto, J., & Mcneil, J. J., (2011). Public health campaigns and obesity - a critique.
BMC Public Health, 11:136. doi:10.1186/1471-2458-11-136
Wardle, J., & Carnell, S. (2007). Parental feeding practices and children’s weight. Acta Pædiatrica, 96(454),
5–11. doi:10.1111/j.1651-2227.2007.00163.x
Wardle, J., Cooke, L. (2008). Genetic and environmental determinants of children's food preferences. British
Journal of Nutrition, 99(S1), S15-S21. doi:10.1017/S000711450889246X
Wardle, J., Parmenter, K., Waller, J. (2000). Nutrition knowledge and food intake. Appetite, 34(3), 269-275.
doi: 10.1006/appe.2000.0314
Wardle, J., Sanderson, S., Guthrie, C. A., Rapoport, L., & Plomin, R. (2002). Parental feeding style and the
inter-generational transmission of obesity risk. Obesity Research, 10(6), 453–462. doi:
10.1038/oby.2002.63
Waring M. E., & Lapane K. L. (2008). Overweight in children and adolescents in relation to attention-
deficit/hyperactivity disorder: results from a national sample. Pediatrics, 122(1), e1–e6. doi:
10.1542/peds.2007-1955
Warschburger, P., & Kröller, K. (2009). Maternal perception of weight status and health risks associated
with obesity in children. Pediatrics, 124(1), e60-e68. doi:10.1442/peds.2008-1845.
Watkins, M. G., Clark, K. M., Foster, C. M., Welch, K. B., & Kasa-Vubu, J. Z. (2007). Relationships among body
mass index, parental perceptions, birthweight and parental weight after referral to a weight clinic.
Journal of the National Medical Association, 99(8), 908–913. Disponível em
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2574308/

269
___________________________________________DETERMINANTES DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR INFANTIL

Webber L, Hill C, Cooke L, Carnell S, & Wardle J. (2010). Associations between child weight and maternal
feeding styles are mediated by maternal perceptions and concerns. European Journal of Clinical
Nutrition, 64(3), 259-65. doi:10.1038/ejcn.2009.146
Weinstein N.D. (1988). The precaution adoption process. Health Psychology, 7(4), 355-386. doi:
10.1037/0278-6133.7.4.355
Weinstein, N. D., & Sandman, P. M. (1992). A model of the precaution adoption process: evidence from home
radon testing. Health Psychology, 11(3), 170–180. doi:10.1037/0278-6133.11.3.170.
Weng, H. H., Bastian, L. A., Taylor Jr., D. H., Moser, B. K., & Ostbye, T. (2004). Number of children associated
with obesity in middle-aged women and men: results from the Health and Retirement Study.
Journal of Women's Health, 13(1), 85-91. doi:10.1089/154099904322836492.
West, D., Raczynski, M., Phillips, M., Bursac, Z., Gauss, C., & Montgomery, B. (2008). Parental recognition of
overweight in school-age children. Obesity, 16(3), 630-6. doi: 10.1038/oby.
West, F., Sanders, M.R. (2009). The Lifestyle Behaviour Checklist: A measure of weight-related problem
behaviour in obese children. International Journal of Pediatric Obesity, 4(4), 266-273. doi:
10.3109/17477160902811199
Whitaker, R. C., Pepe, M. S., Wright, J. A., Seidel, K. D., H. Dietz, W. H. (1998). Early adiposity rebound and the
risk of adult obesity. Pediatrics, 101(3), e5. Disponível em
http://pediatrics.aappublications.org/content/101/3/e5.short
Wiecha, J. L., Peterson, K. E., Ludwig, D. S., Kim, J., Sobol, A., & Gortmaker, S. L. (2006). When children eat
what they watch. Impact of television viewing on dietary intake in youth. Archives of Pediatrics and
Adolescent Medicine, 160(4), 436–442. doi:10.1001/archpedi.160.4.436.
Willett, W. C., & Trichopoulos, D. (1996). Nutrition and cancer: a summary of the evidence. Cancer Causes &
Control, 7(1), 178–80. doi: 10.1007/BF00115648
Williams, K. E., Paul, C., Pizzo, B., & Riegel, K. (2008). Practice does make perfect: A longitudinal look at
repeated taste exposure. Appetite, 51(3), 739–742. doi: 10.1016/j.appet.2008.05.063.
Wind, M., de Bourdeaudhuij, I., te Velde, S. J., Sandvik, C., Due, P., Klepp, K. I., & Brug, J. (2006). Correlates of
fruit and vegetable consumption among 11-year-old Belgian-Flemish and Dutch schoolchildren.
Journal of Nutrition Education Behavior, 38(4), 211-221. doi:10.1016/j.jneb.2006.02.011
Witte, K., & Allen, M. (2000). A Meta-Analysis of fear appeals: implications for effective public health
campaigns. Health Education & Behavior, 27(5), 591-615. doi:10.1177/109019810002700506
Wyse, R., Campbell, E., Nathan, N., & Wolfenden, L. (2011). Associations between characteristics of the home
food environment and fruit and vegetable intake in preschool children: A cross-sectional study.
BMC Public Health, 11, 938. doi:10.1186/1471-2458-11-938
Yngve, A., Wolf, A., Poortvliet, E., Elmadfa, I., Brug, J., Ehrenblad, B., ... Klepp K., (2005). Fruit and vegetable
intake in a sample of 11-year-old children in 9 European countries: The Pro Children Cross-
Sectional Survey. Annals of Nutricion & Metabolism, 49(4), 236-245. doi:10.1159/000087247
Young-Hyman, D., Herman, L. J., Scott, D. L., & Schlundt, D. G. (2000). Care giver perception of children’s
obesity-related health risk: a study of African American families. Obesity Research, 8(3), 241-248.
doi: 10.1038/oby.2000.28

270
_________________________________________________________________________________BIBLIOGRAFIA

Zerva, A., Nassis, G. P., Krekoukia, M., Psarra, G., & Sidossis, L. S. (2007). Effect of eating frequency on body
composition in 9–11-year-old children. International Journal of Sports Medicine, 28(3), 265–270.
doi: 10.1055/s-2006-924349
Zimmerman, F. J., & Bell, J. F. (2010). Associations of television content type and obesity in children.
American Journal of Public Health, 100(2), 334–340. doi: 10.2105/AJPH.2008.155119.
Zimmerman, F. J., Ortiz, S. E., Christakis, D. A., & Elkun, D. (2012). The value of social-cognitive theory to
reducing preschool TV viewing: A pilot randomized trial. Preventive Medicine, 54(3–4), 212–218. .
doi: 10.1016/j.ypmed.2012.02.004

271

Centres d'intérêt liés