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DIREITO ADMINISTRATIVO

PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO

PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO
A sucessão ordenada de actos e formalidades que visam assegurar a correcta
formação ou execução da decisão administrativa e a defesa dos direitos e
interesses legítimos dos particulares.
PROCESSO ADMINISTRATIVO
O conjunto de documentos em que se traduzem os actos e formalidades que
integram o procedimento administrativo
ESPÉCIES DE PROCEDIMENTOS ADMINISTRATIVOS
 De iniciativa pública
 De iniciativa privada
 Procedimentos decisórios - Visam a tomada de uma decisão administrativa
 Procedimentos executivos - Visam assegurar a projecção dos efeitos de
uma decisão administrativa
 Procedimentos de 1° grau - Os que incidem pela 1ª vez sobre uma situação
da vida
 Procedimentos de 2° grau - Incidem sobre uma decisão administrativa
anteriormente tomada
 Procedimentos comuns - Aqueles que não são regulados por lei especial,
mas pelo próprio CPA
 Procedimentos especiais - Aqueles que são regulados por leis especiais.
PRINCÍPIOS GERAIS DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO (arts. 55° a 60°)

 Princípio do inquisitório (art. 56°CPA)


Assinala o papel preponderante dos órgãos administrativos na instrução do
procedimento e na preparação da decisão administrativa.
 Princípio da celeridade (arts. 57° ee 58° CPA)
Este princípio é acompanhado da fixação de um prazo geral para a conclusão do
procedimento
 Princípio da publicidade do impulso processual (art. 55° CPA)
Através da informação do início do procedimento, procura-se assegurar aos
interessados, efectivas possibilidades de participação no mesmo.
 Princípio da colaboração dos interessados (art. 60° CPA)
Pretende-se garantir que os interessados facilitem a actividade da Administração
Pública, auxiliando-a com boa fé e seriedade, na preparação das decisões
administrativas.
FASES DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO
 1ª - FASE INICIAL
O procedimento pode ser por iniciativa pública:

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Quando o órgão com competência para decidir, é aquele que inicia o
procedimento (impulso processual autónomo)

Quando o órgão que inicia o procedimento carece de competência para a


decisão final (impulso processual heterónomo).
Pode ser por iniciativa particular:
Através de requerimento (art. 74°/1 CPA)
O requerimento inicial dos interessados deve ser formulado por escrito (salvo nos
casos em que a lei admite o pedido verbal)
Sobre o requerimento pode recair um despacho inicial consistindo no
Indeferimento liminar quando o requerimento é anónimo ou ininteligível ou no
Aperfeiçoamento se o requerimento não satisfizer todas as exigências do artigo
74°do CPA.
Esta fase encerra com o Saneamento (art. 83° CPA) que consiste na
verificação de que não existem quaisquer problemas que obstem ao andamento
do procedimento ou à tomada da decisão final. Se ocorrer algum problema o
requerimento pode ser arquivado liminarmente, terminando assim, precocemente,
o procedimento.
 2ª - FASE DA INSTRUÇÃO
É aquela em que se procede à recolha e ao tratamento dos dados indispensáveis
à decisão.
A direcção da fase da instrução é atribuída pelo CPA ao órgão que possui
competência para a decisão final, podendo este delegar esta competência em
subordinado seu, que passará a dirigir a instrução ou encarregar um subordinado
seu da realização de diligências instrutórias avulsas.
Diligências instrutórias:
1. Exames, vistorias, avaliações, inspecções, peritagens (art. 94°CPA)
Diligências instrutórias efectuadas por peritos, cujo objectivo é a apreensão e
compreensão da realidade.
2. Pedidos de parecer (art. 98° CPA)
Os pareceres são opiniões técnicas solicitadas a especialistas em
determinadas áreas do saber ou a órgãos colegiais consultivos.
Podem ser Pareceres obrigatórios quando a lei exige que sejam pedidos; Pareceres
facultativos quando a decisão de os pedir foi livremente tomada pelo órgão instrutor; Pareceres
vinculativos se as suas conclusões têm de ser acatadas pelo órgão decisor ou Pareceres não
vinculativos quando as suas conclusões poderão não ser acatadas.
3. Recolha e apreciação de documentos
É a actividade instrutória mais comum, constituída pelas informações
burocráticas, pontos de vista que visam a formação esclarecida da vontade
administrativa.
4. Audição de pessoas
Nomeadamente de pessoas que possuam informação relevante passível de
condicionar a decisão administrativa.
Princípios relevantes na fase de instrução
Princípio da legalidade (art. 3° CPA)
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Condiciona as diligências a promover, à respectiva conformidade legal
Princípio do inquisitório (art. 56° CPA)
Confere ampla liberdade ao órgão instrutor do procedimento, mesmo nos
procedimentos de iniciativa particular.
Princípio da liberdade de recolha e apreciação dos meios probatórios
O órgão competente pode recorrer a todos os meios de prova admitidos em direito
(Arts. 87°/1 in fine e 91°/2 CPA)
Regras em matéria de prova:
1. Dever geral de averiguação (art. 87°/1 CPA)
2. Desnecessidade de prova dos factos notórios e outros do conhecimento do
instrutor (art. 87°/2 CPA)
3. O ónus da prova recai sobre quem alegar os factos a provar (art. 88° CPA)
 3ª - FASE DA AUDIÊNCIA DOS INTERESSADOS (art. 59° CPA)
Em qualquer fase do procedimento podem os órgãos administrativos ordenar a
notificação dos interessados para, no prazo que lhes for fixado, se pronunciarem
acerca de qualquer questão.
Regra geral a audiência dos interessados realiza-se no termo da instrução,
podendo realizar-se por escrito ou oralmente, à escolha do instrutor (arts. 101° e
102° CPA).
Situações em que não se realiza a audiência dos interessados (artº 105º):
1. Casos em que a lei considera desnecessária a audiência
 Quando a decisão seja urgente
 Quando a realização da audiência possa prejudicar a execução ou a
utilidade da decisão a tomar.
 Quando o número de interessados seja tão grande que torne impossível a
realização da audiência.
2. Casos em que a lei autoriza o instrutor a dispensarem a audiência
 Porque os interessados já se pronunciaram, sobre as questões relevantes
para a decisão, sobre a prova produzida e sobre o sentido provável da
decisão.
 Porque se perspectiva uma decisão favorável aos interessados.
Fundamentação
O instrutor deve sempre fundamentar clara e completamente as razões que levam
à não realização da audiência dos interessados, sob pena de invalidade da
decisão final.
4ª - FASE DA DECISÃO
Esta fase inicia-se usualmente com o relatório do instrutor onde se dá conta do
pedido do interessado, se resumem as fases do procedimento e se propõe uma
decisão.
O relatório só não é necessário se a instrução tiver sido dirigida pelo próprio órgão
competente para a decisão (art. 105° CPA)
Causas de extinção do procedimento:
1. Decisão expressa
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2. Desistência do pedido e renúncia dos interessados, aos direitos ou interesses
que pretendiam fazer valer no procedimento
3. A deserção dos interessados (falta de interesse pelo andamento do
procedimento)
4. A impossibilidade ou inutilidade superveniente do procedimento, decorrentes
da impossibilidade física ou jurídica do respectivo objecto, ou da perda de
utilidade do procedimento (art.112° CPA)
5. Falta de pagamento de taxas ou despesas, previsto no artigo 11° /1 do CPA
6. O "acto tácito" - Omissão juridicamente relevante
ACTO TÁCITO:
Para que uma omissão de um órgão da Administração pública assuma o
significado jurídico de um "acto tácito" é indispensável que se verifiquem
cumulativamente os seguintes pressupostos:
 A iniciativa de um particular
 A competência do órgão administrativo interpelado para decidir sobre o
assunto
 O dever legal de decidir por parte de tal órgão.
 O decurso do prazo estabelecido na lei, (90 dias, se outro não for
especialmente fixado).

Valor jurídico do "acto tácito"


 Sistema de deferimento tácito)
A consequência do "acto tácito" seria equivalente a um deferimento do pedido
do particular.
Tem o valor de um verdadeiro acto administrativo, uma decisão tácita, que se
aplica a um número reduzido de casos (art. 108° CPA).
 Sistema de indeferimento tácito
A omissão juridicamente relevante equivaleria a um indeferimento.
É uma condição para que o interessado possa pedir ao tribunal administrativo
que condene a entidade pública à prática do acto administrativo devido (art.
67°/1 CPTA, art. 109° CPA)

O ACTO ADMINISTRATIVO

ACTO ADMINISTRATIVO:
O acto administrativo é um acto jurídico unilateral com carácter decisório,
praticado no exercício de uma actividade administrativa pública, destinado a
produzir efeitos jurídicos numa situação individual e concreta
O acto administrativo distingue-se da sentença judicial pois contrariamente a esta
não visa a composição de um litígio, embora possa encerrá-lo ou iniciá-lo.
Encara a aplicação do direito como um meio (de prosseguir fins públicos) e não
como um fim em si (a prossecução do interesse público aplicação da justiça).
É modificável, não tendo o valor de verdade legal associado ao caso julgado.

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O acto administrativo distingue-se do negócio jurídico pois não prossegue um fim
privado. Apresenta como suporte a vontade normativa em vez da vontade
psicológica.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO ACTO ADMINISTRATIVO


 Autoridade
Traduz-se na obrigatoriedade do acto administrativo para todos aqueles
relativamente a quem ele produza os seus efeitos

 Revogabilidade limitada
Decorre da necessidade de equilíbrio entre a permeabilidade dos actos
administrativos à variação dos interesses públicos que visam promover e a
protecção da confiança dos particulares.
 Presunção de legalidade
Decorre do princípio da legalidade e justifica aspectos como a ilegalidade da
oposição do direito de resistência a actos administrativos anuláveis e o efeito
meramente devolutivo do recurso contencioso
ELEMENTOS DO ACTO ADMINISTRATIVO
 Elementos subjectivos
 O autor
Na maioria dos casos um órgão da Administração Pública.
 O destinatário
Um particular ou outra pessoa colectiva pública
 Elementos objectivos
 O conteúdo (ou objecto imediato)
Integrado pela conduta voluntária e pelas cláusulas acessórias que possam
existir.
 O objecto (objecto mediato)
A realidade sobre que o acto incide (ex: o terreno expropriado)
 Elementos funcionais
 Os motivos (por quê?)
As razões de decidir do seu autor
 O fim (para quê?)
Os objectivos que com ele se prosseguem.
 Elementos formais
 A forma
Consiste no modo de exteriorização da vontade administrativa.
Forma escrita: é a regra geral para os actos dos órgãos singulares.
Forma oral: é a regra geral para os actos dos órgão colegiais
 As formalidades
Ritos destinados a garantir a correcta formação ou execução da vontade
administrativa ou o respeito pelos direitos e interesses dos particulares
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TIPOLOGIA DOS ACTOS ADMINISTRATIVOS PRIMÁRIOS
 Acto primário e acto secundário
O acto primário incide pela 1ª vez sobre uma situação da vida. Dividem-se em
impositivos e permissivos.
Os actos impositivos impõem uma conduta ou sujeitam o destinatário a certos
efeitos jurídicos. Os actos permissivos possibilitam ao destinatário a adopção de
um comportamento positivo ou negativo.
O acto secundário tem por objecto um acto primário anterior
 Actos administrativos internos e actos administrativos externos:
O acto administrativo interno tem a ver com a produção de efeitos, são aqueles
que se produzem naquela pessoa que praticou o acto (internamente).
Ex: O director geral determina que as máquinas fotocópias do seu departamento
só podem ser utilizados por pessoal especializado.
Os actos internos podem ter relevância externa.
Os actos externos são aqueles cujos efeitos se produzem em terceiros que não a
entidade que se pronunciou.
Ex: Uma pena disciplinar praticado pelo Ministro a um funcionário.
Tem importância determinar se são actos internos ou externos porque só os
actos administrativos de eficácia externa podem ser impugnáveis.
 Actos administrativos constitutivos e actos não constitutivos:
O acto constitutivo é aquele que cria, modifica, ou extingue direitos, obrigações,
relações jurídicas.
O acto não constitutivo é aquele que nada cria, nada modifica, nada extingue.
Ex: declarações, certidões…
Os actos constitutivos dividem-se em constitutivos de direitos e não constitutivos
de direitos.
Os constitutivos de direitos são aqueles que criam, modificam ou extinguem em
sentido favorável ou aqueles que eliminam um dever.
Ex: todos os actos de diferimento, acto de revogação de pena disciplinar…
Os actos não constitutivos de direitos são actos constitutivos de obrigações,
deveres, situações desfavoráveis.
Ex: todos os indiferimentos, aplicação de penas disciplinares, expropriações…
Só os actos constitutivos de direitos podem ser revogados (artº 140º alínea
b).
PRINCIPAIS CLASSIFICAÇÕES DOS ACTOS ADMINISTRATIVOS
 Quanto aos sujeitos:
- Decisões - órgãos singulares
- Deliberações - órgãos colegiais
- Actos simples
- Actos complexos
 Quanto aos efeitos
- Actos de execução instantânea
- Actos de execução continuada Ex: concessão de uma licença.
- Actos positivos
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- Actos negativos
- Actos constitutivos
- Actos declarativos

VALIDADE DO ACTO ADMINISTRATIVO


É a aptidão intrínseca do acto para produzir os efeitos jurídicos correspondentes
ao tipo legal a que pertence, em consequência da sua conformidade com a ordem
jurídica.

 Requisitos de validade

Competência do autor do acto (art. 123°/1a CPA)


Quanto aos
sujeitos Identificação do destinatário do acto(art.123°/1b CPA)
Requisitos de Quanto à
Observância da forma legal (art. 122° CPA)
Validade forma Cumprimento das formalidades essenciais
Exercício dos poderes discricionários por um motivo principalmente
Quanto ao determinante correspondente à finalidade para que a lei atribuiu ao autor do
acto administrativo a competência para o praticar
fim

INVALIDADE DO ACTO ADMINISTRATIVO


É o juízo de desvalor emitido sobre ele em resultado da sua desconformidade
com a ordem jurídica.
 Causas da invalidade do acto administrativo
Usurpação do poder
Orgânicos
Absoluta
Incompetência relativa

Vícios do acto Formais Vício de forma


(ilegalidade)

Desvio de poder
Causas da materiais
invalidade Violação de lei

Erro
Dolo
Vícios da vontade Coacção
Incapacidade acidental

 Vícios orgânicos:
Usurpação de poder
Ofensa por um órgão da Administração Pública do princípio da separação de
poderes, por via da prática de acto incluído nas atribuições do poder judicial ou do
poder legislativo.
Incompetência
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Consubstancia-se na prática por um órgão de uma pessoa colectiva pública de
um acto incluído nas atribuições de outra pessoa colectiva pública.
 Vícios formais:
Vício de forma
Consiste na carência de forma legal ou na falta de formalidades essenciais.
 Vícios materiais:
Desvio de poder
Traduz-se no exercício de um poder discricionário por um motivo principalmente
determinante desconforme com a finalidade para que a lei atribuiu tal poder.

Violação de lei
Consiste na discrepância entre o objecto ou o conteúdo do acto e as normas
jurídicas com que estes deveriam conformar-se.
MODALIDADES DA INVALIDADE:
 Nulidade:
Quando o acto foi concluído sem os requisitos legalmente necessários para a sua
conclusão.
A nulidade pressupõe que o acto foi concluído.
A lei tem que dizer expressamente para que seja um acto nulo. (artº 133º CPA)
Regime da nulidade (art. 134° CPA)
- A nulidade é insanável e invocável a todo o tempo;
- O acto nulo é passível de impugnação contenciosa ilimitada no tempo;
- Qualquer tribunal ou órgão da Administração Pública pode declarar a nulidade;
- A sentença judicial que declare a nulidade tem natureza declarativa;
- Assiste aos funcionários públicos confrontados com um acto nulo o direito de
desobediência;
- Assiste aos cidadãos confrontados com um acto nulo, o direito fundamental de
resistência. (art. 21° CRP)
 Inexistência:
Quando nem sequer na aparência existe uma qualquer materialidade de um
negócio jurídico, ou existindo essa aparência, a realidade não lhe corresponde.
A inexistência pressupõe um negócio que nem chegou a ser concluído
 Anulabilidade:
Se a lei nada prever é anulável.
Regime da anulabilidade
- O acto anulável é eficaz até ser anulado, embora a anulação produza efeitos
retroactivos ao momento da sua prática.
- A anulabilidade sana-se pelo decurso do tempo. (art. 58°/2 CPTA)
- Apenas os tribunais administrativos podem anular um acto administrativo.
- A sentença judicial de anulação tem natureza constitutiva.
- Não assistem aos funcionários públicos, o direito de desobediência, nem aos
cidadãos, o direito de resistência, uma vez que o acto goza da presunção de
legalidade até ser anulado.
SANAÇÃO
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Consiste na transformação de um acto anulável, num acto válido ou insusceptível
de impugnação contenciosa, ditada por razões de segurança e certeza jurídica.
 Causas de sanação
- O decurso do prazo mais longo de impugnação contenciosa.
É a sanação "ope legis" (art. 58° /2a CPTA)
- A prática de um acto administrativo secundário. (art. 136° /1 CPA)
 Efeitos da sanação
A sanação somente obsta à impugnação contenciosa do acto, não extinguindo a
obrigação de indemnizar com fundamento nos prejuízos causados pelo acto.

Actos nulos Actos anuláveis


Actos…
 Viciados de incompetência absoluta Actos…
 Viciados de usurpação de poder  Viciados de incompetência relativa
 Que sofram de vício de forma, por  Viciados por desvio de poder
carência absoluta de forma legal.  Que sofram de vício de forma, por
 Praticados sob coacção carência relativa de forma legal, (salvo
 De conteúdo ou objecto impossível ou se a lei estabelecer para o caso a
inintelegível nulidade, de preterição de forma
 Que consubstanciem a prática de um essencial)
crime.  Praticados por erro, dolo ou incapacidade
 Que lesem o conteúdo essencial de um acidental..
direito fundamental

EFICÁCIA DO ACTO ADMINISTRATIVO


É a efectiva produção de efeitos jurídicos.
 Requisitos de eficácia
Publicidade (arts. 130° e 131° CPA)
É consubstanciada na respectiva publicação, quando exigida
Notificação (arts. 132° e 66° a 70° CPA)
Aos interessados
Aprovação tutelar
De que o acto eventualmente careça
Controlo preventivo do T.C.
Quando a ele houver lugar
São também requisitos de eficácia a condição suspensiva e o termo suspensivo aos
Integrativos
quais o acto eventualmente esteja sujeito.
TIPOLOGIA DOS ACTOS ADMINISTRATIVOS SECUNDÁRIOS
Sanadores
Aprovação
Acto confirmativo
Ratificação confirmativa
Modifiicativos
Ratificação sanação
Reforma
conversão
Desintegrativos Revogação 9
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Actos
Administrativos Suspensão
secundários Modificação
rectificação

REVOGAÇÃO
Acto administrativo que visa destruir ou fazer cessar os efeitos de um acto
anterior

Quanto à iniciativa

Revogação fundada em invalidade


Revogação Quanto ao fundamento
Revogação fundada em inconveniência

Ab-rogatória, extintiva ou ex-nunc


Quanto aos efeitos Anulatória ou ex-tunc

 Quanto à iniciativa
Pode ser espontânea ou retractação quando decidida por um órgão da
Administração Pública. Pode ser provocada quando suscitada por um interessado
 Quanto ao fundamento
Pode ser por invalidade quando fundada em invalidade do acto revogado. Pode
ser por inconveniência quando fundada em inconveniência do acto revogado.
A revogação fundada em invalidade é anulatória.
A revogação fundada em inconveniência é, regra geral extintiva, excepto quando
o autor do acto de revogação, nos termos do artigo 145°/3 CPA lhe atribua
eficácia retroactiva (art. 145°/1/2 CPA)
 Quanto aos efeitos
Pode ser ab-rogatória, extintiva ou ex-nunc quando faz cessar os efeitos do acto
revogado para o futuro. Pode ser anulatória ou ex-tunc quando elimina
retroactivamente os efeitos do acto revogado.
REGIME LEGAL DA REVOGAÇÃO
Não podem ser revogados os actos que não produzem efeitos (actos nulos ou
inexistentes e actos já anulados por um tribunal administrativo 139° CPA
Constitutivos de direitos (irrevogáveis)

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Não constitutivos de direitos (revogáveis)


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Válidos

Actos a revogar

Inválidos - (Revogáveis)

 Actos válidos constitutivos de direitos


São irrevogáveis, excepto na parte em que forem desfavoráveis aos interessados
ou quando estes concordem com a revogação e não estejam em causa direitos
indisponíveis.

 Actos válidos não constitutivos de direitos


São revogáveis, excepto quando praticados no exercício de poderes vinculados
ou quando deles resultem para a Administração Pública, obrigações legais ou
direitos irrenunciáveis.
 Actos inválidos
São revogáveis, mas somente com fundamento em tal invalidade e dentro do
prazo mais longo para a interposição de recurso contencioso ou até à resposta da
entidade recorrida neste.
O acto revogatório de acto administrativo cuja revogação esteja legalmente proibida é inválido, por
ilegalidade, sofrendo do vício de violação de lei.

 Competência para revogar (artº 142º)


Pertence ao autor do acto, aos seus superiores hierárquicos (salvo, por iniciativa destes,
se se tratar de acto da competência exclusiva do subordinado) , ao delegante e ao órgão que
exercer tutela revogatória (excepcionalmente e nos casos previstos na lei - artigo 142° CPA)

A EXECUÇÃO DO ACTO ADMINISTRATIVO:


Os actos administrativos praticados pela Administração devem ser executados,
praticar todos os actos e executar todas as medidas a fim de que o acto se
concretize de modo que os efeitos do acto tenham seguimento. (artº 149)
A imposição coerciva dos actos administrativos, sem recurso aos tribunais, só é
possível desde que seja feita pelas formas e nos termos admitidos por lei.
A execução de um acto administrativo tem por fim o pagamento de quantia certa,
a entrega de coisa certa ou a prestação de um facto (artº 154º).
A execução do acto administrativo obedece a regras:
 Princípio da autotutela executiva ou privilégio da execução prévia (artº 149 nº
2);
 Princípio da tipicidade das formas de execução (artº 149 nº 2);
 Princípio da legalidade (artº 151º nº 1);
 Princípio da proporcionalidade (artº 151º nº 2);
 A proibição dos embargos (artº 153º);

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 O princípio da observância dos direitos fundamentais e do respeito devido à
pessoa humana (artº 157 nº 3).
PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO DE EXECUÇÃO:
São os procedimentos que são necessários para que o acto se execute, produza
efeitos.
Podem assumir diversas formas.
Ex: Acto administrativo que aplicou pena de demissão a funcionário público. Como
é que se executa este acto?
Quanto aos efeitos financeiros: cessar pagamento ao funcionário.
Outro efeito é o facto de não se poder atribuir mais trabalho a essa pessoa.

DISTINÇÃO ENTRE EXECUÇÃO, EXECUTORIEDADE E EFICÁCIA:


A executoriedade é a susceptibilidade de um acto ser executado. Pode ser
executado quando é executório e é executório quando é eficaz.
A eficácia é a aptidão extrínseca e intrínseca para um acto poder produzir os seus
efeitos. Exceptuam-se os actos nulos que não produzem efeitos mesmo que
reúnam os requisitos de eficácia.
Há certos actos que não são executórios (artº 150º).
SUSPENSÃO DA EFICÁCIA E DA EXECUÇÃO:
Protecção dos particulares face à Administração que tem poderes de autoridade e
pode executar actos (auto tutela e execução prévia- presunção da legalidade dos
actos administrativos).
A suspensão da eficácia e/ou execução de um acto administrativo só deve ser
possível em casos excepcionais a fim de não se pôr em causa a capacidade de
agir da Administração (situações pessoais de difícil reparação – Ex: demolição de
um prédio).
ACTOS MATERIAIS E ACTOS DE NATUREZA TÉCNICA:
Na elaboração do procedimento administrativo podem ser necessário, para
completar o acto administrativo, que exista a prática de actos técnicos.
Os actos técnicos podem ter relevância jurídica.
Ex: vistoria, parecer técnico, relatório médico.
Os actos materiais são actos de realização de trabalhos.
Ex: Efectuar um pagamento, proceder a uma reparação.
Estes actos estão sujeitos ao princípio da proporcionalidade e ao princípio da
legalidade (artº 151º CPA).
Estes actos podem ser realizados em consequência dos actos administrativos,
dos contratos, etc…

REGULAMENTO ADMINISTRATIVO

REGULAMENTO:
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É um acto normativo da função administrativa, conjunto de normas jurídicas
editadas por uma autoridade administrativa, é um acto geral e abstracto,
secundário, unilateral.
O regulamento dá corpo à lei, mantendo a lei sempre actualizada e completando-
a. A lei é uma norma primária. O regulamento é uma norma secundária.
As decisões ou actos administrativos concretos não constituem a única forma de
actuação da Administração Pública. A Administração Pública pode, também,
estabelecer regras ou normas gerais, aplicáveis a determinados tipos ou
categorias de situações, normalmente destinadas a executar e desenvolver o
conteúdo das leis. Os actos da Administração que criam essas regras gerais são
os regulamentos administrativos.
O regulamento permite adaptar as leis à vida do dia-a-dia, pela sua maior
celeridade e maior capacidade de adaptação.
Distingue-se do acto administrativo porque o regulamento tem um carácter
normativo e é um acto secundário enquanto que o acto administrativo é um acto
primário geral e abstracto.
ESPÉCIES DE REGULAMENTOS:
 Critério de dependência face à lei:
 Regulamentos complementares ou de execução:
Quando a própria lei estipula expressamente que uma taxa ou outra condição são
fixadas em regulamento.
Desenvolvem e detalham uma determinada lei, em cujo texto a sua emissão se
encontra expressamente prevista.
 Regulamentos independentes ou autónomos:
É quando a lei permite que um determinado órgão possa regular uma situação
concreta. Não se referem a nenhuma lei em especial.
 Critério do objecto:
 Regulamentos de organização:
Estruturam um aparelho administrativo;
 Regulamentos de funcionamento:
Incidem sobre os métodos de actuação dos órgãos e serviços públicos.
 Regulamentos de polícia:
Operam restrições às liberdades individuais.
 Critério da projecção da eficácia do regulamento:
 Regulamentos internos:
Apenas produzem efeitos no interior da pessoa colectiva pública cujo órgão os
editou.
 Regulamentos externos:
Projectam os seus efeitos nas esferas jurídicas de outros sujeitos de direito.
LIMITES DO PODER REGULAMENTAR:
- Reserva da competência relativa da AR (164º e 165º CRP), ou seja, o
Governo apenas pode aprovar regulamentos de execução;

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- Os regulamentos editados por órgãos de freguesia não podem dispor em
contrário dos regulamentos do município em cujo território se inclua o
território da freguesia;
- As normas dos regulamentos administrativos não podem ter eficácia
retroactiva.
VALIDADE DO REGULAMENTO:
 Elemento orgânico:
Tem de ser praticado pelo órgão competente (AR, Governo e Assembleias
legislativas regionais)
Se um regulamento for aprovado por um órgão incompetente é ilegal.
 Elemento formal:
Os regulamentos têm formas específicas. Os regulamentos independentes do
Governo têm a forma de decretos regulamentares.
COMPETÊNCIA REGULAMENTAR E FORMAS JURÍDICAS:
Os regulamentos têm especificidades no que respeita à forma propriamente dita
ao modo como os regulamentos se exteriorizam.
Os regulamentos do Governo podem assumir várias formas:
 Decreto regulamentar:
- É a forma mais solene dos regulamentos do Governo (artº 112º nº 7 CRP);
- Deve-se observar quando a lei expressamente o determine;
- É aprovado e responsabiliza todo o Governo;
- Carece de promulgação pelo PR;
- Enquanto que a promulgação de uma Lei ou Decreto-Lei tem um conteúdo
político, no caso do Decreto Regulamentar não se trata de um juízo de
conteúdo mas sim um juízo de legalidade, conformidade com a lei que visa
regulamentar.
 Resolução de Conselho Ministros:
- Podem ter forma de regulamento como também acto administrativo como
acto político;
- É o conteúdo que permite saber se é regulamento, acto administrativo ou
acto político.
- Distingue-se do Dec.-Regulamentar por não carecer de promulgação mas
assemelha-se pelo facto de responsabilizar todo o Governo;
- É assinado pelo Primeiro-ministro.
 Portaria:
- Não carece de assinatura do Primeiro-ministro nem de promulgação do
PR;
 Despacho Normativo:
- Não é um regulamento do Governo;
- Não responsabiliza todo o Governo, responsabiliza apenas um
determinado Ministro ou Ministros;
- É uma decisão individual e concreta aprovando normas
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NOTAS: se não observarem estas formas são inválidos por vício de forma. A
forma é um requisito de validade;
Os órgãos das autarquias locais e regionais também dispõem de poder
regulamentar aprovando Decretos regionais, Decretos regulamentares regionais e
Posturas;
Os regulamentos são actos secundários impugnáveis.
INICIATIVA REGULAMENTAR:
Os regulamentos podem, naturalmente, nascer por iniciativa da Administração
Pública. Mas os particulares interessados também podem apresentar petições
(que têm de ser fundamentadas) em que solicitem a elaboração, modificação ou
revogação de regulamentos. A entidade competente para fazer o regulamento tem
de informar os interessados do destino dado a essas petições e da sua posição
acerca delas (artº 115º).
PUBLICAÇÂO E VIGÊNCIA DOS REGULAMENTOS:
Os regulamentos para produzirem efeitos têm de ser publicados. Os decretos
regulamentares, as resoluções do Conselho de Ministros, as portarias e os
despachos normativos têm de ser publicado no DR.
Os regulamentos autárquicos (posturas e regulamentos policiais) são publicados
em boletim autárquico ou edital.
A publicidade é um requisito de eficácia.
Os regulamentos entram em vigor no dia fixado (ver artº 72º da Lei 74/98) e
podem cessar por caducidade, revogação, anulação contenciosa ou declaração
da sua ilegalidade.

CONTRATOS ADMINISTRATIVOS

CONTRATO ADMINISTRATIVO (artº 178º)


É um acto jurídico bilateral ou plurilateral, secundário, individual e concreto, uma
manifestação de vontades.
Todos os contratos públicos são contratos administrativos mas nem todos os
contratos administrativos são contratos públicos.
Os contratos públicos abrangem contratos celebrados na Administração mas
também contratos da Administração no regime privado, onde a Administração tem
limitações jurídico-públicas.
Existe na nossa ordem jurídica o princípio da liberdade contratual que dispõe que
ninguém está obrigado a contratar com a Administração Pública, mas depois de
celebrar o contrato fica sujeito aos poderes de autoridade que esta pode exercer.
(artº 180º - poderes de autoridade).
Existem vários tipos de contratos administrativos entre os quais os que estão
dispostos no nº 2 do artº 178º.
O contrato administrativo está subordinado à lei e não pode violar os actos
administrativos porque estes podem constituir direitos.
Os contratos são condicionados da prática de outros actos.
FORMAÇÃO DO CONTRATO:
É através da contratação que se gasta a maioria dos dinheiros públicos.
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Os particulares são livres de contratar conforme entendem.
Quem gere dinheiros públicos já não pode fazer isso, para contratar tem de
analisar e escolher as propostas mais adequadas e vantajosas.
Torna-se pois saber quem tem idoneidade para concorrer e quem oferece
melhores condições, escolhendo-se através de procedimentos administrativos
adequados.
Há várias formas para escolher o co-contratante tendo em conta os montantes
envolvidos (artº 182º) mas regra geral é a obrigatoriedade de realização de
concurso público (artº 183º).
A formação de um contrato administrativo tem que seguir um procedimento
administrativo (artº 181º) sendo este por iniciativa da Administração ou por
iniciativa dos particulares (artº 54º).
O acto administrativo pelo qual se atribui a alguém ou se designa alguém para
realizar uma obra é a adjudicação.
CONCURSO PÚBLICO:
Há dois documentos muito importantes o programa do concurso e o caderno de
encargos.
Estes documentos são normas que disciplinam como o concurso se vai
desenrolar (regulamentos), logo terão de ser publicitados.
Seguidamente serão apresentadas as propostas ou candidaturas e, em acto
público, para que haja transparência, com júri e representantes dos concorrentes
são abertas as propostas.
É verificado a admissibilidade das candidaturas, ou seja, se os candidatos têm
legitimidade para concorrer (ex.: alvará, situação fiscal regularizada…).
Seguidamente vai-se analisar as respectivas proposta para escolher qual a
melhor.
Há um relatório final em que o júri diz qual a melhor empresa e depois de ouvidos
os interessados segue-se a proposta de adjudicação, após a qual é celebrado o
contrato.
VALIDADE DO CONTRATO ADMINISTRATIVO:
O contrato para ser válido tem que o ser quanto à forma. A forma é o modo como
os actos se exteriorizam. Regra geral a forma é escrita (artº 184º)
Na preparação de um contrato normalmente existe uma proposta e uma
aceitação.
Quando há uma proposta escrita e uma aceitação escrita há um contrato por
escrito.
O elemento forma abrange também a génese do acto ou do contrato, o modo da
sua formação.
Se o procedimento administrativo da formação do contrato estiver revestido de
ilegalidade de procedimento, isso implica a invalidade do contrato.
Há outros elementos que condicionam a validade tal como o conteúdo. Este tem
de estar de acordo com as normas que pautam. Também será inválido se for
praticado por órgão que não tem competência para praticar, inválido por vício da
vontade (p.e. erro ou coacção de algum dos contratantes, nos correspondentes
termos do Código Civil);
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Os contratos administrativos revestidos de invalidade poderão ser nulos ou
anuláveis (artº 185º)
EFICÁCIA DOS CONTRATOS ADMINISTRATIVOS:
Os contratos entram em vigor quando as partes o determinarem.
A eficácia dos contratos administrativos depende do visto do Tribunal de Contas
relativamente a contratos superiores a determinados montantes.
O visto é um acto do Tribunal de Contas que permite a execução de determinado
contrato em termos financeiros.
Ex: Supondo que um contrato foi feito em 1 de Março e começa logo a produzir
efeitos, ou seja, o co-contratante inicia a obra contratada.
Em 18 de Março o T. Contas recusa o visto por considerar ilegal o procedimento.
Será que a Administração tem que pagar alguma coisa pelo trabalho feito até
então?
A Administração paga a obra entretanto realizada mas dentro da programação
financeira do contrato, pode pagar proporcionalmente.
Um contrato pode ser executado forçosamente pelo tribunal (artº 187º). Para além
disso as partes podem clausular que as questões suscitadas sejam executadas
por árbitros (artº 188º).

RESPONSABILIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA:


No exercício da sua actividade a Administração Pública é responsável pelos seus
actos.
Pode haver lugar a indemnização pelos actos que praticam ou não. Um dos
princípios fundamentais do ordenamento jurídico-administrativo é o princípio da
responsabilidade (artº 22º e 271º CRP)
A Administração Pública pode ser responsável por actos lícitos, ilícitos e pode
haver responsabilidade objectiva ou pelo risco.
A responsabilidade é um princípio da ordem jurídica, é uma fonte de obrigações, é
uma garantia dos particulares face a Administração.
RESPONSABILIDADE NO EXERCÍCIO DA ACTIVIDADE ADMINISTRATIVA:
Pelo exercício da actividade administrativa pública podem existir várias formas de
responsabilidade:
 Política:
Um determinado órgão responde perante um órgão político.
A generalidade dos órgãos administrativos não é responsável politicamente mas o
Governo já é responsável pela AR. A sanção é de natureza política.
 Criminal:
Desvio de dinheiros (p.ex.) constitui um crime, tem que haver responsabilidade
criminal.
 Disciplinar:
Sanções de suspensão, aposentação compulsiva, etc…
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 Financeira:
Reintegrar o dinheiro nos cofres do Estado
 Social:
Apreciação social do comportamento dos agentes públicos.
 Civil:
Sobre uma pessoa colectiva que actua de acordo com as regras do direito público
recai a obrigação de indemnizar os prejuízos causados a particulares, trata-se da
responsabilidade civil extracontratual por actos de gestão pública (ver DL 48051).
A responsabilização comporta duas modalidades:
 Responsabilidade Subjectiva:
Está enquadrada nos artºs 22º e 271º CRP e regulada pelo DL 48051.
Para que se possa efectivar a responsabilidade subjectiva é indispensável que se
verifiquem os pressupostos da obrigação de indemnizar: acto ilícito (acto
administrativo positivo, omissão, conduta material), culpa (pessoal ou legitima),
prejuízo, nexo causal entre o acto e o prejuízo.
Trata-se de culpa funcional quando a causa radica no serviço (responsabilidade
solidária).
Trata-se de culpa pessoal quando a causa é estranha ao serviço
(responsabilidade do agente).
O agente não responde se houve culpa do serviço (desorganização), agiu com
culpa leve, actuando em cumprimento de ordens legítimas e tiverem delas
reclamado.
A Administração responde sempre solidariamente com os seus agentes, mas se a
falta é pessoal (do agente) a Administração tem direito de regresso.
 Responsabilidade Objectiva
Pode ser pelo risco (regulada no artº 8º DL 48051)
Nem todos os danos são indemnizáveis, para que dê lugar a indemnização é
necessário que o prejuízo possua características de especialidade e da
anormalidade.
Pode ser pela prática de actos lícitos (artº 9º DL 48051), ou seja, a obrigação de
indemnizar pelo prejuízo causado por um comportamento administrativo praticado
no interesse e para proveito da colectividade (princípio da justa repartição dos
encargos públicos).

GARANTIAS DOS PARTICULARES

GARANTIAS DOS ADMINISTRADOS:


Instrumentos jurídicos que asseguram os direitos e interesses dos particulares
face à Administração Pública, bem como a defesa da legalidade.
Há garantias que visam a defesa dos direitos e interesses dos cidadãos, mas o
MP também tem legitimidade de accionar estas garantias para defesa da
legalidade.
Quais as garantias que a ordem jurídica põe à disposição dos particulares?
 GARANTIAS POLÍTICAS:

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 Direito de Petição:
Consiste no facto dos particulares poderem “desabafar” perante órgãos políticos
(AR, Prés. Repúb…), para protestar. (artº 52º CRP)
O direito de petição traduz-se na possibilidade dos cidadãos se dirigirem a
qualquer órgãos políticos (PR, AR, Governo…) para apresentar petições,
reclamações, queixas para defesa dos seus direitos e interesses ainda que sejam
interesses difusos, de todos em geral mas de nenhum de nós em particular. Ex:
defesa do ambiente.
É uma exposição em que alguém dirigindo-se a um órgão de soberania apresenta
um pedido ou uma proposta para que sejam tomadas certas medidas
relativamente a certas matérias.
A petição poderá ser pela representação que se traduz na possibilidade de se
dirigir aos órgãos de soberania para protestar sobre determinados actos sobre
uma posição já tomada relativamente a determinadas matérias. Pode ser por
queixas (chamar à atenção do comportamento de alguém que infringe
determinadas regras) ou denúncias (refere-se a situações, ao funcionamento dos
serviços).
A petição deve ser assinada.
O regime do direito de petição é extremamente flexível e livre.

CARACTERÍSTICAS:
- É cumulável com quaisquer outras garantias (artº 3º Lei 43/90);
- Não tem prazo;
- Todos os cidadãos são titulares destes direitos (artº 4º e 5º Lei 43/90);
- É uma garantia universal;
- Pode ser exercido gratuitamente (artº 5º);
- É uma garantia livre, ninguém pode impedir ou dificultar o direito de petição.
- Não está sujeita a qualquer forma de procedimento (artº 9º)
NOTA: É necessário 4000 assinaturas para que as petições possam ser
apreciadas pelo plenário, 2500 para serem publicadas no DR.
INDEFERIMENTO DA PETIÇÃO:
- Não podem apreciar actos ilegais;
- Não podem apreciar actos dos tribunais;
- Quando já forem resolvidos;
- Quando forem anónimas.
 Direito de Resistência:
Traduz-se no facto dos particulares em certas situações poderem resistir a actos
de natureza política (artº 21º CRP).
Quando for possível recorrer a uma autoridade pública não se pode exercer este
direito, tem que ser actual e eminente.
É uma garantia política sobre o ponto de vista material.
Ex: Destinatários de actos nulos juridicamente inexistentes.
Estes actos não produzem quaisquer efeitos jurídicos.
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O acto nulo não é protegido pelo Direito.
Se formos destinatários desse acto, caso não seja possível recorrer a uma
autoridade pública podemos exercer o direito de resistência.
 GARANTIAS ADMINISTRATIVAS:
Meios que se podem desencadear dentro da própria Administração e
relativamente a essa Administração para poder fazer valer os seus direitos.
Há garantias administrativas petitórias e impugnatórias.
 Garantias administrativas petitórias
São aquelas que não pressupõe a prévia prática de um acto administrativo e
integram:
 Direito de Petição:
Consiste no facto dos particulares poderem “desabafar” perante órgãos
administrativos, para protestar (artº 52º CRP).
O regime é idêntico ao das garantias políticas, apenas muda o órgão ao qual é
dirigida.
 Direito de representação:
Consiste na faculdade de alertar um órgão da Administração pelas consequências
que possam advir das suas decisões.
 Direito de denúncia:
Consiste na faculdade de chamar a atenção de um órgão da Administração para
um facto ou situação que este tenha o dever de averiguar.
 Direito de oposição administrativa:
Consiste na faculdade de contestar decisões que um órgão da Administração
projecta tomar.
 Garantias administrativas impugnatórias:
Traduz-se em combater, enfrentar atacar um acto administrativo tendo em vista
obter uma determinada finalidade (artº 158º a 177º CPA). São dirigidas à
Administração (autor do acto, superior hierárquico do autor do acto, ao órgão da
tutela do autor do acto e a quem tem competência para revogar nos termos do
artº 142º).
As garantias administrativas impugnatórias podem ser de 2 tipos:
 Reclamação
É um direito exercitado junto do autor do seu acto com fundamento na ilegalidade
ou a inconveniência do acto (artº 159º) e apresenta sempre um carácter
facultativo (artº161, nº1).
Tem legitimidade para reclamar todos os titulares de direitos subjectivos ou
interesses legalmente protegidos que se consideram lesados (artº 160º).
Pode-se reclamar de qualquer acto administrativo salvo disposição em contrário
(artº 161º) no prazo de 15 dias de acordo com o artº 162º.
Os actos praticados, que não caibam impugnação judicial, têm efeitos
suspensivos (artº 163º nº 1).
Os actos praticados, que caibam impugnação judicial, não têm efeitos
suspensivos (artº 163º nº 2).
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O órgão competente da decisão da reclamação tem o prazo de 30 dias para
decidir (artº 165º)
 Recurso
A ideia do recurso implica pedir ajuda a outrem, a outra entidade que não aquela
que praticou o acto. Recorre-se para alguém de um acto que definiu uma situação
jurídica.
Há 3 tipos de recurso:
 Recurso hierárquico (artº 166º)
É um meio de impugnação, um pedido de reapreciação de um acto administrativo
junto do superior hierárquico do órgão que praticou o acto. Superior esse que tem
poderes de direcção e supervisão (modificar, suspender, revogar) sobre o autor do
acto.
O recurso hierárquico pode fundar-se na ilegalidade ou no demérito do
comportamento administrativo.
O recurso hierárquico pode ser necessário se o acto recorrido não poder ser
impugnado contenciosamente ou pode ser facultativo se o facto de não recorrer
hierarquicamente não impede que não se possa impugnar contenciosamente (artº
167º nº 1).
Até 31/12/2003 a lei previa que só se poderia recorrer para os tribunais dos actos
definitivos e executórios.
Um acto era definitivo se o fosse triplicamente definitivo, ou seja, tinha que ser
materialmente definitivo (definir uma relação jurídica), horizontalmente definitivo
(se constituiu o fim do procedimento) e verticalmente definitivo (se foi praticado
por um órgão a quem a lei reconheceu essa qualidade).
Hoje passou a falar-se em actos lesivos, sendo que, todos os actos lesivos são
susceptíveis de impugnar.
A regra é que o recurso é facultativo porque todos os actos administrativos são
susceptíveis de lesar os direitos e interesses, mas poderá ser necessário se a lei
o exigir.
O recurso hierárquico é dirigido ao mais elevado superior hierárquico do autor do
acto recorrido (artº 169º nº2) no prazo de 30 dias se se tratar de um recurso
hierárquico necessário e a um prazo idêntico ao do recurso contencioso se se
tratar de recurso facultativo.
Se o recurso for necessário o acto recorrido suspende os seus efeitos, se o
recurso for facultativo não suspende os efeitos do acto recorrido. (artº 170º).
Interposto o recurso as pessoas interessadas e também o órgão requerido são
notificados para se pronunciarem no prazo de 15 dias (artº 171º).
Há casos em que o recurso deve ser rejeitado (artº 173º e artº 83º CPA).
A decisão do recurso deverá ser proferida no prazo de 30 dias (artº 175º) ou de 90
no termos do nº2 do mesmo artigo, e o órgão competente para conhecer o
recurso poderá confirmar ou revogar, modificar, substituir o acto recorrido bem
como anular o procedimento administrativo (artº 174º).
 Recurso hierárquico impróprio (artº 176º)
É um pedido de reapreciação de um acto administrativo dirigido a um órgão da
mesma entidade pública a que pertence o autor do acto recorrido e que exerce
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sobre este um poder de supervisão sobre outro órgão da mesma pessoa colectiva
(artº 176º). Diz-se recurso hierárquico impróprio porque não há propriamente uma
hierarquia mas há um poder de supervisão.
Ex: O Ministro não é superior hierárquico do Secretário de Estado mas é
delegante com poder para revogar a delegação bem como os actos praticados
pelos delegados (artº 142º).
Há também recurso hierárquico impróprio por determinação da lei.
Ex: A lei prevê que dos actos do vereador cabem recurso hierárquico impróprio
por determinação da lei para a Câmara na medida em que a lei permite que a lei
possa revogar os actos dos seus membros apesar de não haver hierarquia.
Ao recurso hierárquico impróprio aplica-se o regime do recurso hierárquico com
as necessárias adaptações (artº 176º nº 3).
 Recurso tutelar (artº 177º)
É um pedido de reapreciação de um acto administrativo praticado por um órgão
de uma entidade pública dirigido a outro órgão de outra entidade pública numa
relação intersubjectiva (tutela e superintendência).
O recurso tutelar tem o carácter facultativo salvo disposição em contrário (artº
177º nº 2).
O recurso tutelar está intimamente ligado com a tutela administrativa.
Ao recurso tutelar aplica-se o regime do recurso hierárquico com as necessárias
adaptações (artº 177º nº 5).
 Provedor de justiça:
Os cidadãos para defesa dos seus direitos e interesses podem dirigir queixas ao
Provedor de Justiça.
O Provedor de Justiça é um órgão independente da Administração pública eleito
pela AR (artº 23º CRP).
É uma garantia muito próxima do direito de petição.
Recebe as queixas que os cidadãos têm relativamente às acções e omissões do
poder público.
Também ao nível da União Europeia existe um órgão onde se podem apresentar
queixas (Provedor de Justiça Europeu).
Podem recorrer ao Provedor de Justiça todos os cidadãos por acções ou
omissões do poder público.
O provedor de Justiça goza de independência, inamovibilidade e legitimidade
própria (artº 5º e seg. Lei 9/91).
Para além de apreciar as queixas e recomendar o Provedor de Justiça tem outros
poderes e competências (artº 20º e 21º Lei 9/91).
O Provedor de Justiça não tem carácter decisório, apenas pode recomendar aos
órgãos para a reparação dos danos.
A recomendação para que um órgão do poder público aja em determinado sentido
não é vinculativa e apesar de envolver um parecer, porque este tem que dar uma
opinião, esta é mais do que um simples parecer pois engloba um conselho para a
adopção de uma determinada conduta.
Apesar de não serem vinculativas, as recomendações do Provedor de Justiça
revestem um carácter persuasivo de acatamento, pelo que o órgão destinatário
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deve, no mínimo, informar dos motivos do não acatamento, para além de
transferir responsabilidade para o destinatário e agrava a sua culpa (artº 38º lei
9/91).
O Provedor de Justiça também pode praticar actos de administração, age como
um órgão de Administração, logo os seus actos poderão ser impugnáveis.
O recurso para o Provedor de Justiça é cumulável com quaisquer outras
garantias.
 Garantias Jurisdicionais:
Garantias efectivadas fora da Administração em órgãos independentes da
Administração e imparciais que são os tribunais.
Nesta garantia os cidadãos têm que ser acompanhados de patrocínio judiciário,
ou seja, de assistente.
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO:
O contencioso administrativo pode ser entendido como um domínio particular da
vida administrativa em que está em causa a resolução de conflitos surgidos entre
a Administração e os particulares.
Há quem fale em contencioso como os meios processuais para defesa dos
direitos e interesses dos particulares bem como para a defesa da legalidade
(tribunais).
Fala-se também em contencioso no domínio orgânico referindo-se aos órgãos do
contencioso administrativo (STA, TCA, TAC).
 Âmbito de jurisdição dos tribunais administrativos (artº 4º ETAF):
Não está no âmbito da jurisdição dos tribunais administrativos os actos praticados
no exercício da função política e legislativa, violava o princípio da separação de
poderes.
Ex: Se A intentar um acto de natureza política junto dos tribunais administrativos o
acto é indeferido liminarmente, ou seja, o tribunal rejeita, não aprecia porque não
está no seu âmbito de acção.
Mas, há outros motivos para o indeferimento liminar da acção (falta de
legitimidade, fora de prazo, etc.
Supondo que estão reunidos todos os pressupostos o tribunal manda seguir a
acção e manda citar o réu.
No final de acção o tribunal vai proferir uma decisão (julga procedente, julgar
improcedente, concede provimento, não concede provimento).
 Tribunal competente:
Dentro da jurisdição administração saber a competência do STA, TCA Norte e Sul
e do TAC (artº 24º, 37º e 44º ETAF).
Os tribunais competentes em 1ª linha são, em regra, os de círculo.
Se for o tribunal competente o de círculo (TAC) entre eles qual é o competente?
- Regra geral, são intentados no tribunal da residência habitual ou da sede do
autor ou da maioria dos autores (artº 16º CPTA e seguintes).
 Elementos dos processos:
 Sujeitos (os intervenientes nesse processo, os actores):
 Tribunais Administrativos:
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Quais podem ser, qual a jurisdição e qual a competência e como ela se
distribuir.
 Partes:
AUTOR: é quem intenta a acção, quem desencadeia o processo. Coloca-se
aqui a questão da legitimidade que é um pressuposto processual (artº 9º e 10º
CPTA)
A legitimidade é uma relação que existe entre uma determinada pessoa e uma
determinada situação da vida.
Configura uma situação de interesse pessoal, directo e legítimo. (legitimidade
quanto ao autor – artº 9º CPTA, legitimidade quanto ao réu (artº 10º CPTA)
A lei exige que para intentar a acção haja legitimidade sob a pena de
indeferimento liminar.
Ex: Se quiser intentar uma acção contra a Câmara Municipal de Lisboa a acção
deverá ser intentada contra o Município de Lisboa porque o Município é que é
a Pessoa colectiva, a Câmara é um órgão.
CONTRA-INTERESSADOS: pessoas para quem o resultado da acção tem
interesse.
MP: O MP pode ser chamado a intervir no processo.
 Objecto da acção:
É a relação material controvertida:
Artº 37º CPTA (objecto da acção administrativa comum);
Artº 46º CPTA (objecto da acção administrativa especial);
 Pedido e causa de pedir;
O que se pode pedir num processo jurisdicional?
De acordo com o artº 4º Código do Processo Civil há 2 tipos de acção: acção
declarativa (ex: o tribunal declarou condenar o réu), e pode ser acção executiva
(ex: penhora do vencimento…)
Dentro das acções declarativas podemos distinguir:
- Acção declarativa de simples apreciação positiva ou negativa: as que
pedem que o tribunal declare um direito ou um interesse legítimo e o tribunal
limita-se a declaração (positiva ou negativa). O tribunal não vem criar nada de
novo.
- Acções declarativas de condenação: em que o tribunal condena a alguém (por
ex: a pagar);
- As acções declarativas constitutivas: aquelas que alteram uma situação
jurídica (ex: sentença de divórcio).
Dentro das acções executivas podemos ter:
- Para pagamento de uma quantia;
- Para a prestação de um facto;
- Para a entrega de uma coisa.
 Pedidos:
- Numa acção administrativa especial – nº 2 artº 46º CPTA;
- Numa acção comum – nº2 artº 37º CPTA;
- Pedido para por exemplo suspender cautelarmente a execução de um acto;
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- Pedido para adoptar determinado comportamento.
 Causa de pedir (fundamento):
- A causa de pedir na acção administrativa comum, em geral, é a invalidade, seja
derivada da ilicitude ou da ilegalidade;
- A responsabilidade civil (indemnizar os danos provocados);
- Violação de uma cláusula contratual;
- Todas as situações da vida que geraram a situação que obriga alguém a agirem
(ex: que se formule um acto tácito);
- Enriquecimento sem causa.
 Valor (artº 31º a 33º CPTA:
Serve para determinar a forma do processo (ordinária, sumária ou sumaríssima),
para ver se é julgado por 1 ou por 3 juízes e apara saber se da decisão que é
proferida pelo tribunal cabe recurso.
Os critérios na fixação do valor estão previstos nos artigos 32º e 33º do CPTA.
PRINCÍPIOS QUE NORTEIAM O PROCESSO ADMINISTRATIVO
CONTENCIOSO:
 Princípio da Economia Processual:
É um princípio geral do Direito processual. São proibidos ou não aconselháveis os
actos inúteis.
 Princípio da tutela jurisdicional efectiva (artº 2º CPTA e 268º CRP):
Todos os cidadãos têm direito à efectiva realização da justiça obtendo dos
tribunais uma decisão em tempo útil.
O tribunal não pode deixar de fazer justiça, tem de encontrar a providência
adequada para assegurar os direitos e interesses.
 Princípio da separação de poderes (artº 3º CPTA)
 Princípio da cumulação de pedidos (artº 4º CPTA):
Num mesmo processo pode-se pedir a anulação do acto, a suspensão da
eficácia, etc…
No mesmo meio é possível cumular vários pedidos.
 Princípio da igualdade das partes (artº 6º CPTA):
As partes são iguais nos tribunais administrativos.
 Princípio da promoção do acesso à justiça (artº 7º CPTA):
 Princípio da cooperação e da boa fé processual (artº 8º CPTA):
Todas as partes incluindo a Administração devem actuar de forma cooperante e
de boa fé sob pena de serem condenados de litigância de má fé.
MEIOS PROCESSUAIS QUE AS PARTES PODEM EXERCITAR NOS
TRIBUNAIS:
 Acção Administrativa Comum (artºs 37º a 45º CPTA):
É o meio processual que se efectiva nos tribunais administrativos e em primeira
linha no TAC, adequado para formular pedidos relativos a contratos, acções de
responsabilidade… (artº 37º nº2 CPTA).
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Ao intentar a acção tem de se verificar todos os pressupostos processuais sob
pena de indeferimento liminar:
- Saber qual o tribunal competente (artº 16º CPTA com remissão para o DL
325/2003);
- Ver se o autor e o réu têm legitimidade (artº 9º e 10º CPTA – regime geral, artºs
39º e 40º CPTA – especificidades);
- Tempestividade (artº41º)
A acção administrativa comum segue nos termos do processo civil nas formas
ordinária, sumária ou sumaríssima (artº 42º CPTA)
 Acção Administrativa Especial (artºs 46º a 96º CPTA):
É o meio adequado para se defenderem de actuações unilaterais da
Administração no exercício de poderes de autoridade (actos administrativos e
regulamentos).
É instaurada para impugnar actos administrativos (artº 50º e ss), condenar à
prática de acto devido (artº 66º e ss) ou para impugnação de normas e declaração
de ilegalidade por omissão (artº 72º e ss).
No que respeita à impugnação de actos administrativos é necessário cumprir os
pressupostos, ou seja, saber que actos podem ser impugnados (artº 51 CPTA),
quem os pode impugnar (artº 55º CPTA) e em que prazos (artº 58º CPTA).
No que respeita à condenação à prática de acto devido é necessário cumprir os
pressupostos do artº 67º CPTA, bem como o que respeita à legitimidade (artº 68º
CPTA) e os respectivos prazos para efectuar estes pedido (artº 69º CPTA).
No que respeita à impugnação de normas e declaração de ilegalidade há também
que respeitar os pressupostos do artº 73º CPTA, podendo ser pedido a todo o
tempo.
No que respeita aos processos em acção administrativa especial, esta segue
marcha prevista nos artºs 78º e seguintes do CPTA.

 Processos Urgentes (artºs 97º a 111º CPTA):


Meios processuais que se caracterizam pela urgência na tomada de decisão.
As impugnações urgentes podem incidir sobre o contencioso eleitoral (artº 97 e
ss), contencioso pré-contratual (artº 100º e ss), intimação para a prestação de
informações, consulta de processos ou passagens certidões (artº 104º e ss) e
intimação para protecção de direitos liberdades e garantias (artº 109º e ss CPTA).
 Processos ou providências Cautelares (artºs 112º a 134º CPTA):
As providências cautelares são medidas que visam antecipar ou conservar uma
determinada situação.
Para haver uma providência cautelar é necessário que se verifique a situação de
perigo na demora do processo principal, aparência de um bom direito e um
processo sumário. Está sempre ligada a uma causa principal (artº 113º e 114º).
As providências cautelares são, entre outras, as previstas no nº 2 artº 112º CPTA.
Se um acto for indevidamente executado por se tratar de um acto nulo, pode ser
requerido a suspensão da sua eficácia através de uma providência cautelar
prevista no artº 128º CPTA.

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EXECUÇÃO DAS DECISÕES DOS TRIBUNAIS ADMINISTRATIVOS (artº 157º e
ss)
Todas as decisões dos tribunais administrativos devem ser executadas, sendo
obrigatórias para todas as entidades públicas e privadas e prevalecem sobre
quaisquer autoridades administrativas (artº 158º).
A execução das sentenças tem por fim a execução para prestação de factos ou de
coisas (artº 162 e ss), execução para pagamento de quantia certa (artº 170º e ss),
execução de sentenças de anulação de actos administrativos (artº 173º e ss)

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