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Características do Senhor das moscas e do contrato social.

Para o presente trabalho uma análise geral dos autores é necessária,


pois ambos possuem pontos em comum, embora de épocas diferentes. William
Golding, autor da obra “O Senhor das Moscas” que dedicou sua vida ao ensino,
se alistou na marinha britânica, tendo participado de importantes
acontecimentos da segunda guerra mundial, o naufrágio do navio Bismarck e o
desembarque na Normandia, bem como o holocausto, tendo esses
acontecimentos traumáticos influenciado em sua visão pessimista da natureza
humana, e ao longo dos seus questionamentos sobre a origem de tal maldade,
chegou ao pensamento de que essa maldade poderia estar já inserida na
natureza humana, incluindo nas crianças para quem lecionava, um importante
pensamento do William era que a criança era a prévia do homem que vinha
posteriormente, concluindo que o homem era apenas um aumento da criança.
De tal inspiração usou uma obra famosa da época “Coral Sland”, que
apresenta uma história onde seus heróis são crianças, sobreviventes de um
naufrágio, a temática central da história está no efeito civilizador que o
cristianismo proporciona, o imperialismo inglês do século 19, a superioridade
europeia civilizada sobre os habitantes das ilhas, e a extrema importância de
liderança e hierarquia nas relações. De tal história utópica William alterou para
uma distopia pessimista, tendo usado mais do que a base da história, mas
também o uso de dois dos principais personagens da obra, Ralph e Jack,
representando a civilidade e a barbárie.

Do mesmo modo Thomas Hobbes também viveu em uma conturbada


época de guerras por poder e política conturbada, vivendo viveu entre a era
Tudor, e o reinado dos Stuart, que o fez ter uma visão pessimista da
humanidade, tendo na sua concepção o homem como um ser egoísta e que
têm como objetivo a mera satisfação dos seus prazeres e objetivos pessoais,
uma situação muito próxima da passada pelo autor de “o senhor das moscas”,
observando assim uma similaridade entre suas histórias pessoais e
consequentemente nos pontos idênticos entre os dois.

A Obra “Coral Sland” possuí um pensamento alinhado com o de


Rosseau, enquanto “O Senhor das Moscas” possuí com o de Hobbes.

--

Um importante trabalho de Hobbes em seu livro “Leviatã” foram


conceitos de estado de natureza e contrato social, estes apresentados por
outros autores com uma diversidade de entendimentos sobre os mesmos
conceitos. No estado de natureza de Hobbes é presente a guerra de todos
contra todos, onde paixões humanas levam ao desejo que as coisas sejam
organizadas por medo da morte, então conseguir o mínimo para viver é um
objetivo. O homem para então fugir dessa situação faz um pacto de submissão
com o leviatã, para fugir da barbárie. Nesse estado de natureza, parte do
princípio que o homem é mau por natureza, e por ele ser mau pode haver
conflitos, todos os indivíduos possuem direito natural, intrínseco ao indivíduo e
que não necessita do Estado para existir, o direito a vida é o primeiro, e se
todos têm pressupõem todos os meios necessários para cuidar e manter ela, e
isso gera então o estado de guerra de todos contra todos. Sem instituições,
regras ou leis que criam ordem é possível fazer tudo, pois tudo seria permitido,
e cada individuo busca tudo para si próprio, inexistindo o direito de
propriedade, ninguém seria dono de nada, somente do que se consegue
manter no estado de natureza, mas esse sempre podendo ser tomado por
outro mais forte. Com a insegurança do estado de natureza escolhem abrir
mão de parte de prerrogativas, por serem racionais, e criam esse contrato
social, criando o Estado, transferindo parte de seu direito natural, não só o da
vida, mas conseqüências desta, como a proteção dessa pelo uso da força.
Para formar o Estado e centralizar a soberania em uma única instituição, e em
uma única pessoa, assim propondo a criação de um poder absolutista.

Dentre os objetivos do Estado está garantir a segurança, liberdade,


igualdade, educação pública e propriedade material, sendo só a primeira
obrigatória, já que foi esse o motivo para a criação do Estado. Este não
conseguindo assegurar a segurança terá a volta para o estado de natureza e
novamente após um tempo a reprodução novamente de outro contrato social.
Hobbes através de sua obra defende o absolutismo, leviatã é uma
imagem simbólica do soberano e do Estado, o leviatã é protege os peixes
menores, mas cobra destes respeito. O estado de natureza é de selvageria,
sem leis ou regras, a lei do mais forte reinaria. “Homem lobo do homem”
segundo o próprio Hobbes. Mas em sua obra ele não defende a monarquia
especificamente, mas o soberano. Este não aceitaria uma revolução popular ou
contestação. Características deste soberano: Absoluto (incontestável),
intervencionista (quer dominar, fiscalizar tudo dentro da esfera de poder), e
protetor (razão do contrato social).

No estado de natureza todos os homens se julgando com direito a tudo,


então ninguém reconhece ou respeita direito algum, lealdade de soberanos só
dura enquanto este proteger adequadamente seus súditos, e senão ocorrer,
então sua autoridade é questionada, e seus súditos substituem por outro
governante.

A tentativa de achar na razão fundamentos que levem indivíduos a se


sujeitarem ao poder do Estado, e sua premissa é a origem do Estado estar em
um contrato, no estado de natureza inexiste organização e todos são movidos
por instintos de conservação e manter a própria vida, e seguindo assim suas
paixões e desejos, e que um ambiente que favoreça a competição entre
homens e luta por bens, que gera o medo, inveja e disputa, assim gerando a
guerra generalizada. Com essa ausência de uma sociedade e eternas disputas,
não há produtividade, somente esforço gasto na autodefesa e conquista. Mas
estes atos não são irracionais, são racionais, enquanto não existir instituição do
Estado que seja forte para manter controlados impulsos naturais e impor a
ordem, assim como proteger de inimigos, o homem governa sua própria razão,
livre para fazer o que quiser. Este homem não é um selvagem, mas um ser
racional.

E para pôr fim a essa hostilidade entre indivíduos, cria a necessidade da


busca por um poder comum, para assegurar a paz e segurança, e este só
surgirá com o contrato, com concordância de todos que renunciam o uso
privado e individual de força para construir uma entidade superior que acabará
com a condição de guerra generalizada comum do estado de natureza onde
vivem.
A história começa com o naufrágio, sob circunstâncias pouco
informadas, de um grupo de crianças, e nos é apresentado os primeiros
personagens, Ralph, um menino loiro, que andando na praia encontra
Porquinho, um menino gordo de óculos, que possuí asma, porém marcado por
sua inteligência, eles se encontram em uma ilha paradisíaca do pacífico, com
riquezas de recursos. A primeira ideia provinda do porquinho é o uso de uma
concha para então tentar chamar os demais sobreviventes, ao tocar ela todas
as crianças aos poucos são chamados para se reunirem.

Inicialmente a imagem de Ralph com a concha é assimilada ao“adulto da


corneta” que anteriormente que usava um interfone para comandar elas, assim
observando nele uma imagem de comando que antes era dado ao adulto que
cuidava delas.

Interessante notar o comentário feito sobre a ilha “era uma ilha de coral”,
comentário que pode estar reforçando assim a sátira do livro “Coral Sland”

Com a reunião de todas as crianças o grupo já estava dividido entre


vários grupos diferentes de crianças, provindas dos mais distintos colégios,
notando-se através dos uniformes usados “Alguns estavam nus e carregavam
suas roupas; outros, seminus ou mais ou menos vestidos com uniformes
escolares: cinzento, azul, castanho, paletós, suéteres. Havia distintivos, até
divisas, listas

coloridas nas meias e pulôveres.”Entretando no mesmo grupo podemos


destacar também as crianças de mais idade e mais altas, e as menores,
descritas como “pequenos” “indiscutivelmente pequenos, aqueles com cerca de
seis anos, levam uma vida própria e bem diferente em ao mesmo tempo
intensa. Comiam a maior parte do dia ...”, e especialmente os garotos vestidos
com túnicas pretas, este era o coral, que era liderado por Jack, que chegaram
sendo liderados por Jack, inicialmente querendo assim comandar o grupo.

Ralph então com a reunião de todos, começaram então a pensarem na


formação de um grupo, e assim na escolha de um líder para ele, jack então
logo se forneceu para a liderança, embora todos escolherem
democraticamente o Ralph, pois este estava com a concha. Esse momento é
importante como o estabelecimento do soberano na visão de Hobbes, para
esse contrato social “Aquele que é portador dessa pessoa se chama soberano,
e dele se diz que possui poder soberano. Todos os restantes são súditos”, e
este poder pode ser obtido de dois modos distintos “Este poder soberano pode
ser adquirido de duas maneiras. Uma delas é a força natural ....A outra é
quando os homens concordam entre si em submeterem-se a um homem, ou a
uma assembleia de homens, voluntariamente, com a esperança de serem
protegidos contra todos os outros.” Este estado político formado é nomeado de
Estado por instituição.

Mesmo com a perda de votação de Jack, Ralph forneceu uma posição


de poder, como responsável pelo coro que ele participava, assim dando a
liderança para serem caçadores, ou o exército pessoal dele, uma decisão nada
sábia.

Deste momento ocorreu a primeira caçada, esta que não deu certo.

Na segunda reunião com o caos de comunicação, ficou estabelecido


uma regra de fala, assim fornecendo a concha cada vez que seja necessário
nas reuniões a fala de alguém do grupo, não sendo permitido falar a não ser
que esteja com a concha. Desta regra inicial jack já apresentou a vontade de
criar regras ‘Vamos ter regras! —gritou, excitado. — Muitas regras! E quando
qualquer um não as respeitar...’ entretanto não estabelecendo ai punições para
as regras.

A ilha era atestada ter riqueza de recursos “Mas é uma boa ilha. Nós,

Jack, Simon e eu, subimos a montanha. É incrível. Tem comida e bebida


e...”
Um dos momentos importante na ilha é o surgimento de uma criatura
desconhecida, que algumas crianças discutem a existência, que provavelmente
seria apenas um medo do desconhecimento, comum em crianças.

A existência da criatura foi negada tanto por Ralph como Porquinho,


embora ele não tenha prometido segurança contra esta, coisa que Jack
prometeu fornecer, e ainda assim afirmado ter procurado em busca desta, ato
que foi recebido bem pelo grupo e elevando sua autoridade e respeito.

A escolhe de ralph para prioridades do grupo era o resgate de todos,


então preparou juntamente com todos uma fogueira no alto da montanha
especificamente para que a fumaça dela pudesse então sinalizar para
possíveis navios ou aviões que passassem nas proximidades da ilha. Esta
fogueira foi feita usando os óculos de porquinho, já que todos os demais
métodos de produzir fogo seriam trabalhosos, embora ele nunca tenha gostado
de todos aproveitarem seus óculos para fazer fogo.

Foi então estabelecido pessoas para cuidarem da fogueira para que esta
nunca se apagasse, e jack então ofereceu parte de seu coro para esse serviço.

Embora este mesmo serviço foi desertado por eles, quando jack viu que
a caça era um serviço que necessitava de mais pessoas, mas durante essa
deserção, um navio passou nas proximidades, assim todos perdendo a chance
de serem resgatados, mas então jack volta com seu coro com um porco que
haviam acabado de matar, e que assim assariam para todos comerem, diante
da situação ralph tenta discutir com ele, porém eles haviam combinado regras,
mas jamais punições para os que fossem contra estas ou desobedecessem
suas ordens, fazendo assim jack e seu coro ficarem impunes, e deixando sua
liderança em cheque, e esta sendo discutida por jack.

Na assembléia seguinte em outro dia, mais uma vez volta a discussão


de Jack com Ralph, desta vez por Jack nunca permitir porquinho falar. A partir
desse momento várias tentativas de Jack de colocar todos contra Ralph,
chegando então a ser expulso. Logo após caçar com seu grupo pessoal de
caçadores, consegue matar um javali, voltam para roubar o fogo e os óculos do
porquinho, e em uma reunião com vários meninos dá a opção de todos se
unirem a ele, coisa que todos aceitam. Os fatos a partir disso levam ao final
onde porquinho morre com uma pedra jogada por uma das crianças, levando
ele a ser esmagado, e a uma caçada onde todos freneticamente queimam a
floresta e caçam Ralph, onde na fuga chega a praia, e todos percebem adultos
presentes e um navio ancorado, chegando agora o resgate de todos.

“a natureza fez os homens tão iguais, quanto às faculdades do corpo e do


espírito..”

“portanto se dois homens desejam a mesma coisa, ao mesmo tempo, que é


impossível ela ser gozada por ambos, eles tornam-se inimigos.”
“os homens não tiram prazer algum da companhia uns dos outros, quando não
existe um poder capaz de manter a todos em respeito”
“ de modo que na natureza do homem encontramos três causas principais de
discórdia. Primeiro a competição; Segundo, a desconfiança; e terceiro, a glória”
“as paixões que fazem os homens tender para a paz são o medo da morte, o
desejo daquelas coisas que são necessárias para a vida confortável, e a
esperança de consegui-las através do trabalho”
“o direito de natureza, a que os autores geralmente chamam de jus naturale, é
a liberdade que cada homem possui de usar seu próprio poder..”
“ quando se faz um pacto em que ninguém cumpre imediatamente sua parte, e
uns confiam nos outros, na condição de simples natureza, a menor suspeita
razoável torna nulo essa pacto”
“mas se houver um poder comum situado acima dos contratantes, com direito e
força suficientes para impor seu cumprimente, ele não será nulo”
“Mas num Estado civil, onde foi estabelecido um poder para coagir aqueles que
de outra maneira violariam sua fé, esse termor deixa de ser razoável”
“ a causa do medo que torna inválido um tal pacto deve ser sempre algo que
surja depois de feito o pacto, como por exemplo algum fato novo, ou outro sinal
da vontade de não cumprir; caso contrário, ela não pode tornar nulo o pacto”
“e contra esta desconfiança de uns em reação aos outros, nenhuma
maneira de se garantir é tão razoável como a antecipação; isto é, pela força
ou pela astúcia, subjulgar as pessoas de todos os homens que puder,
durante o tempo necessário para chegar ao momento em que não veja
qualquer outro poder suficientemente grande para ameaça-lo”

“ com isto se torna manifesto que durante o tempo em que os homens


vivem sem um poder comum capaz de os manter a todos em respeito, eles
se encontram naquela condição a que se chama de guerra; e uma guerra
que é de todos os homens contra todos os homens”

“os desejos e outras paixões do homem não são em si mesmos um


pecado. Nem tampouco o são as ações que derivam dessas paixões,
até o momento em que se tome conhecimento de uma lei que as
proíba; o que será impossível até ao momento em que sejam feitas
as leis; e nenhuma lei pode ser feita antes de se ter determinado qual
a pessoa deverá fazê-la”

“desta guerra de todos os homens contra todos os homens também


isto é consequência: a que nada pode ser injusto. As noções de bem
e de mal, de justiça e injustiça, não podem ai ter lugar. Onde não há
poder comum não há lei, e onde não há lei não há injustiça.” Estas
são “qualidades que pertencem aos homens em sociedade, não na
solidão. Outra consequência da mesma condição é que não há
propriedade, nem domínio, nem distinção entre o meu e o teu; só
pertence a cada homem aquilo que ele é capaz de conseguir, e
apenas enquanto for capaz de conservar.”

“por liberdade entende-se, conforme a significação própria da palavra,


a ausência de impedimentos externos, impedimentos que muitas
vezes tiram parte do poder que cada um tem de fazer o que quer,
mas não podem obstar a que use o poder que lhe resta, conforme o
que seu julgamento e razão lhe ditarem”

“dado que a força das palavras é demasiado fraca para obrigar os


homens a cumprirem seus pactos, só é possível conceber, na
natureza do homem, duas maneiras de reforça-la. Estas são o medo
das consequências de faltar à palavra dada...”
“Portanto, para que as palavras “justo” e “injusto” possam ter lugar, é
necessário alguma espécie de poder coercitivo, capaz de obrigar
igualmente os homens ao cumprimento de seus pactos, mediante o
terror de algum castigo que seja superior ao benefício que esperam
tirar do rompimento do pacto, e capaz de fortalecer aquela
propriedade que os homens adquirem por contrato mútuo”

“e os pactos sem a espada não passam de palavras, sem força para


dar qualquer segurança a ninguém. Portanto, apesar das leis de
natureza, se não for instituído um poder suficientemente grande para
nossa segurança, cada um confiará, e poderá legitimamente confiar,
apenas em sua própria força e capacidade, como proteção contra
todos os outros.”

“ a única maneira de instituir um tal poder comum, capaz de defende-


los das invasões dos estrangeiros e das injúrias uns dos outros .. é
conferir toda sua força e poder a um homem, ou a uma assembleia
de homens, que possa reduzir suas diversas vontades, por
pluralidade de votos, a uma só vontade”.

O romance apresentado por William Golding vai além de uma simples


história literal, chegando ao valor de uma alegoria, assim transmitindo um ou
mais sentidos além do literal, sendo uma figura retórica, e para aprofundar a
obra é necessário então analisar os demais símbolos e seus significados
dentro da história, para então conhecer a diversidade de temas que o autor se
propôs a discutir.

O autor usou dos seus principais personagens para adentrar em seus


vários temas, um importante personagem de sua trama, ralph, claramente é
identificado com o arquétipo da democracia, claramente sendo reconhecido
pelo modo que foi escolhido para a liderança, através de uma votação
democrática feita pelas demais crianças, e este para tentar manter a ordem do
grupo cria uma série de regras que seriam fundamentais para a sobrevivência
na ilha, e juntamente proporcionar um possível resgate, entretanto usando
como principal objetivo e preferência o resgate, uma decisão para esse objetivo
ser possível foi a criação da fogueira no alto da montanha, para que a fumaça
pudesse ser avistada., outras simbologias usadas para ele seria da
representação do governo, ordem e da responsabilidade.

Jack Merridew que inicialmente era líder do coro, que se tornaram


caçadores, e seu exército pessoal, dados essa função pelo próprio Ralph,
assim favorecendo ele como uma posição de poder e comando somente
abaixo dele, mostra um símbolo do pensamento europeu, sendo sofisticado e
educado, um representante da sofisticação, valores e educação típicas
inglesas. Mas sua simbologia até o final da história se altera, sendo
posteriormente relacionado a volta de todos para o estado de natureza de
hobbes, conquistando também a liderança de todos por outro meio, sem ser
uma votação democrática. Jack se apresenta como a contraparte na dualidade
entre ele e ralph, sendo ele a tirania, Mesmo que ao longo do tempo ser um
grande apoiador das regras, devido aos seguidas humilhações passa então a
desejar a liderança do grupo, e ficar cada vez mais violento, chegando a
deliberadamente desrespeitar as regras e sair impune, e não ver mais sentido
em seguir regras, então entregando todos a selvageria do mundo sem leis e
regras. Ele mesmo sendo provindo de uma sociedade civilizada guarda um
instinto selvagem, que o convívio em um meio distante da sociedade de sua
origem acaba por liberar, provavelmente representado que os instintos e
maldade humana estão presentes no interior do homem civilizado, mesmo que
se tente reprimir para o convívio. Outro tema possível de sua representação
seja a do facismo, já que tenta controlar a ilha de modo cruel e impiedoso. Ele
é a barbárie e o lado obscuro da natureza humana.

Essa dualidade entre jack e ralph é presente em toda a obra, os dois


sempre entram em discussões e jamais conseguiriam conviver mutuamente, já
que desejam a mesma coisa, o poder e liderança, então ambos não podem ter
o mesmo, e assim se tornam inimigos naturais. Esta situação é bem observável
um pensamento hobbessiano, da natureza humana egoísta e a eterna busca
por interesses próximos. A grande diferença entre ambos é o modo de lidar
com prioridades da ilha, ralphalmeija acima de tudo o resgate, colocando sua
prioridade na fogueira, embora jack pense na conservação e manutenção do
grupo através da caça como seu objetivo principal.

Porquinho jamais tem seu nome mencionado na obra, ele possuí uma
diversidade de características que o fazem ser marginalizado por todos, ele é
gordo, com problemas respiratórios e com visão ruim, entretanto ele é o mais
esperto de todos, embora pouco escutado e jamais sendo seguidos seus
conselhos, mesmo sendo vários bons, ele é o mais lógico e racional do grupo.
Ele acaba por se tornar por isso conselheiro de ralph. Ao longo da história ele
têm sua situação piorada, seus óculos quebrados e roubados, e sua saúde
piorada, talvez indicando um sinal da debilidade gradativa da civilidade e razão
no estado de natureza. Sua morte acaba por indicar a entrega total da ilha ao
estado de natureza primitivo. Além de tudo ele é a ciência, inteligência e razão,
sendo impopulares fora de uma sociedade, e até ignorados.

A obra também se aventura em campos de temas espirituais, um


personagem que adentra nessa temática é simon, um personagem pouco
expressivo em toda a relação de fatos, mas com destaque em grandes
momentos. Ele é quem consegue se comunicar com o “Senhor das moscas”,
uma cabeça de porco colocada em uma estaca, que é uma oferenda de jack
para o suposto monstro que habita a ilha e assusta todos, que no bem afrente
na história se mostra ser apenas um corpo de um paraquedista. Uma das
afirmações dele era que o monstro da ilha não existia, mas era então a
maldade que existe no interior de todos. A sua morte representa a bondade
sendo derrotado pela maldade. Ele representa a religião e o misticismo,
embora possivelmente ele possa ter esquizofrenia, ou atésomente ter
imaginação fértil.

O caráter religioso da obra pode ser de modo mais profundo, a ilha


sendo um local inabitado, intocado simbolizaria o jardim do éden, nãoi
corrompido e onde os garotos vão habitar, e onde mesmo com a paz natural
reinante, eles produzem uma guerra, talvez demonstrando o desvio natural do
homem para a prática de atos nefastos, o incêndio da floresta no final faz com
que seja possível o resgate.

Alguns objetos ao longo da história possuem também valores igualmente


importantes, os óculos de porquinho simbolizariam a capacidade de
raciocionio e conhecimento, a quebra inicial de uma das lentes demonstra a
perda inicial de visão racional de todos da ilha, e falta de foco do necessário.

A fumaça da fogueira possui como importância o contato com a


civilização, já que usavam esta para tentar entrar em contato com alguém para
tentar resgate e voltar para a sociedade, com o tempo na ilha perdem o
interesse em manter a chama da fogueira acessa e assim cada vez mais
desistindo da chance de resgate.

O “bicho” que mesmo não surgindo na história como uma forma de


personagem, teve grande impacto, sendo a representação do medo, ou até
mesmo como modo de propaganda onde é usado um inimigo desconhecido,
assim aproveitado por Jack para criar caos e medo, e desestabilizar o comando
de Ralph, no final sendo conhecido que era apenas o corpo de um Pará-
quedista. Também é interessante ver que em certas ocasiões era apresentado
uma descrição de “grande cobra”, talvez sinalizando uma ligação com o leviatã,
a serpente bíblica e nome da obra de Hobbes. Outro significado religioso do
mesmo seria a sua ligação com a serpente do éden, onde esse implantaria o
desespero e o princípio do pecado original.

A queda do avião ou naufrágio do navio que os transportava possuí igual


importância para mostrar a ruptura com a sociedade, aproveitada pelo autor
para então jogar todas as crianças diretamente em um ambiente propício para
aflorar os mais diversos instintos naturais.

A concha é demonstrada como um símbolo de ordem e democracia, a


sua quebra representou o fim desta. Ela também representa o voz de todos, já
que é usada para se falar quando for a chance, usada assim para a
democracia direta usada na ilha pelo Ralph.

Hobbes na sua concepção do estado de natureza, onde há a ausência


total de instituições que pudessem então garantir regras morais, e também o
certo errado, o justo e injusto, proporcionaria então o direito a tudo por parte de
todos, onde até mesmo a propriedade inexistiria, já que esta apenas poderia
ser mantida por pouco tempo, enquanto o pertencente pudesse manter a
propriedade para si, mas neste estado não há diferença entre o meu e o seu,
como demonstrado com os óculos de porquinho, costumeiramente roubado
para acender a fogueira, e no final roubado por Jack para o seu grupo. Então
com a ausência de ordem que seria mantida por essas instituições, todos para
se protegetemda violência possível por parte dos outros grupos, usam a
antecipação.

Uma das coisas que fomenta isso é a igualdade de necessidade, uma


competição pelos recursos, sendo estes terra, água, alimentos e objetos úteis.
Outro fator é a situação igualmente vulnerável de todos “Porque, assim como a
força do corpo, o mais fraco têm a força suficiente para matar o mais forte, quer
por maquinação secreta, ou confederação com os outros, .... (tem mais, ver no
livro) Assim cada um representa perigo para o outro, sendo ou não forte.

Essa antecipação faz com que cada garoto tenha desconfianças do


outro, já que esses possuem mesmas necessidades, sendo possível o roubo
de recursos essenciais, e então contra isso é necessário proteção. “A eterna
vigilância é o preço da liberdade”.

Nesse conflito não pode haver espaço para moralidade ou outros valores
que seriam somente possíveis inseridos em uma sociedade com governo,
então o que toma conta é a selvageria e violência como modo de proteção dos
interesses. Dado esse pensamento a vida de uma pessoa nesse estado de
natureza brutal é “solitário, pobre, desagradável, brutal e curta”. E para então
sair dessa desagradável situação que o homem cria o contrato social e
instituem assim o Estado para manter a segurança tanto interno como externa.

É interessante analisar a prática da antecipação com um famoso


problema presente na teoria dos jogos, que demonstra que mesmo a
cooperação sendo uma opção mais vantajosa, o homem não conhecendo os
objetivos do outro, escolhe então usar a estratégia que seja mais vantajosa
para si.

“Dois suspeitos, A e B, são presos pela polícia. A polícia tem provas insuficientes
para os condenar, mas, separando os prisioneiros, oferece a ambos o mesmo acordo: se
um dos prisioneiros, confessando, testemunhar contra o outro e esse outro permanecer
em silêncio, o que confessou sai livre enquanto o cúmplice silencioso cumpre 10 anos de
sentença. Se ambos ficarem em silêncio, a polícia só pode condená-los a 6 meses de
cadeia cada um. Se ambos traírem o comparsa, cada um leva 5 anos de cadeia. Cada
prisioneiro faz a sua decisão sem saber que decisão o outro vai tomar, e nenhum tem
certeza da decisão do outro. A questão que o dilema propõe é: o que vai acontecer? Como
o prisioneiro vai reagir?”

Então com a incerteza de cooperação por parte do cúmplice do mesmo


crime, já que para ser vantajoso ambos necessitam de uma cooperação,
resolve então a opção que ele possa controlar melhor, assim traindo seus
cúmplices para benefício próprio.

Uma variante desse jogo é dilema do prisioneiro iterado,onde o jogo é


reproduzido várias vezes, e os cúmplices traídos podem ter a opção de castigar
o que não cooperou, assim a ameaça do castigo torna todos mais
cooperativos, assim reduzindo incrivelmente a chance de traição. Essa chance
de castigar pode ser uma ótima visão do que o Estado como terceira pessoa
castigando quem não siga seus pactos pode favorecer a cooperação e ordem
dentro de uma sociedade de pessoas, já que o medo de punições fará eles
irem contra a opção de não seguir seus pactos pessoais.

Sem um soberano, ou poder comum capaz de manter todos em ordem,


acordos de paz e pactos diversos sempre serão vistas com grande suspeita,
mesmo que cooperação possa ser vista sempre como uma opção de grande
produtividade, a opção sempre mais comum é a desconfiança, assim sempre
partindo para o ataque preventivo, e essa violência não é irracional, pelo
contrário, seria a opção mais racional.

A moralidade deixa de existir assim para o bem e conservação da


própria vida, usando todas as oportunidades e ações necessárias para isso.

Mas com a existência de um terceiro, que seria este o soberano, ele que
teria o monopólio do poder e força, e teria meios suficientemente capazes de
impor penalidades para as leis que fossem quebradas, assim incentivando
como no dilema do prisioneiro itinerário a não traição, bem como produzir a
segurança de que é necessária para se seguir as regras morais, indo assim
manter a ordem e paz.
- Moralidade é referente a um código seguido de modo voluntário, e que
estariam presentes valores comuns e idéias comuns. O que pode ser
levemente diferente do significado para Hobbes, para ele, a moralidade têm
certo significado relacionado com o soberano, já que este que escolheria o
certo e errado, e o justo e injusto, já que sem este, valores morais não seriam
possíveis ser mantidos. Então a moralidade somente existe em particular,
dentro de uma sociedade, mas claro, esses códigos morais podem diferir muito
de uma sociedade para outra.

Mesmo com grande parte do público seguindo um certo pacto, basta um


dominador para tudo ser colocado a risca, o dominador é um termo para
expressar alguém do estado de natureza que quebrará todos os pactos, ou
evitar seguir, e atacar todos por simples prazer de dominação, mesmo com um
único dominador, é suficiente para mesmo os que seguiriam de bom grado as
regras começarem a se atacar, usando assim a antecipação.

Isso pode ser bem visualizado na história, os valores morais trazidos da


civilização logo se dissolvem, todos começando assim a se entregarem para a
irracionalidade, o personagem do dominador é observado em Jack, que tanto
não seguiu o pacto, como incentivou todos a seguirem ele na sua anarquia as
regras. Isto só sendo possível pelo líder, Ralph, não ser forte o suficiente para
impedir que a ilha mergulhe no estado de natureza.

Uma salvação para ele deveria ter sido usar a antecipação, assim ter
cuidado com o poder que deu para o dominador, Jack, que a partir dessa
posição conseguiu subverter todo as crianças para seu lado.

Um medo é um dos instintos básicos, e é importante para a produção do


contrato social, ele reúne pessoas, e reunido com outro instinto, o de
sobrevivência, formam os principais motivos da feitura do contrato, mostrando
que o homem não é naturalmente bom ou sociável, e nem gosta da companhia
“As paixões que levam os homens a preferir a paz são o meda da morte”, e
para então viverem em paz optam por limitar sua natureza egoísta natural, e
então renunciar parte de suas liberdades, bem como seu direito natura a tudo,
e renunciar o uso da força.
E para assegurar essa paz e segurança é necessário cessar a liberdade
individual e o uso da força para o papel do soberano, sendo este leviatã, e
então com a privação de alguns direitos através do contrato social, ganha-se a
paz.

Uma sociedade é um grupo de pessoas que se unem em um interesse


comum, mesmo sendo pessoas com vários pontos de vista diferentes,
possuem o mesmo interesse comum, que no contrato social é a sobrevivência
e busca de paz.

Um pensamento interessante é questionar qual pensamento relacionado


a, hobbes acreditava que a natureza humana era naturalmente inclinada para a
maldade, busca de poder e realização de desejos pessoais, enquanto que
Locke afirmava que o homem era uma folha em branco, tabulae rasa, então
sendo criados através das experiências de que passam, assim sendo
moldados em condição disso. Então os meninos da ilha poderiam tanto ter
liberado seus instintos naturais e desvios naturais, como também o ambiente
ter condicionado eles a essa situação específica e a ter estes instintos.

Uma lição do livro é que em condições todos podem fazer tudo.

Na ilha essas crianças reproduziram o que seus pais haviam feito fora
da ilha, uma guerra, mostrando que a natureza para a guerra e selvageria
também está contido nelas, independente de idade. E com a ausência de quem
orientasse elas, elas acabaram se tornando cruéis, através de dois principais
fatores presentes na ilha, o medo e o caos. Elas tentaram se portar como
adultos, mas acabou sendo provado que os adultos se portam como crianças.

A história apresenta uma grande luta entre a civilização e a barbárie, ou


da natureza contra a cultura, possivelmente sendo este a temática central da
obra , representados simbolicamente pelas diversas lutas entre Jack e Ralph,
uma luta dualista.

Na votação de líder que irá ser responsável até o grupo de resgate


possivelmente chegar têm como resultado a vitória de Ralph, já que este
parecia no momento mais protetor e amigável, e com a escolha dele se cria
uma nova sociedade, mas ela foi formada sem nenhum planejamento assim
ditando regras, mas sem a prévia informação de suas devidas punições caso
ocorresse o descumprimento delas, situação onde Jack inicialmente desejava
regras e mais regras, por serem ingleses e então se considerarem ótimos em
viver em regras e organização.

Jack então começa a desrespeitar as regras que apoiava anteriormente,


como os cuidados do fogo, que preferiu desertar com parte do seu coro para
uma atividade que julgava até então mais divertida e complicada, que seria a
caça, mas nesse meio tempo ocorre a passagem de um navio onde, enquanto
a fogueira que não estava mais sendo cuidada já estava apagada. Com esse
ocorrido Jack volta com sua caça para dividir a comida com todos, e é
repreendido por Ralph, mas por fraqueza não impõe nenhuma penalidade,
ficando assim impune. Algo que poderia ter sido feito para consertar essa
situação seria o uso da força, apoiado por Hobbes, castigando os desertores,
assim não favorecendo novas ações parecidas pelo medo da sanção, então se
essa sociedade não possuía um poder centralizado que conseguisse manter o
respeito de suas normas, os membros dessa iriam abandonar ela, e voltar
então ao estado de natureza, novamente tendo sua volta a guerra de todos
contra todos.

A obra então demonstra que para manter a ordem é necessário


recunciar parte de sua liberdade, e seguir os pactos impostos, que seria
controlado por um soberano, o seu responsável, que faria uso da força de
modo legitimo que aplicaria penalidades para o seu descumprimento. É
necessário assim para isso a criação prévia de penalidades, sob o risco de não
segem seguidas, só é possível dar parcela de liberdade conhecendo de
antemão as regras e suas penalidades, e tenha sobretudo quem as assegure,
para dar a certeza a todos que serão seguidas, e esse papel seria do
responsável, estes não seriam seguidos sem conhecer as conseqüências do
seu não seguimento.

A sociedade criada na ilha erra em não usar a força legitima, que assim
poderia manter a ordem, o desejo de criar essa sociedade não estava em falta
nas crianças, somente o medo do castigo faz possível o seguimento de regras,
em sua qualidade coercitiva, e também assim controlar seus desejos e instintos
em prol da cooperação.

O acidente de avião é uma maneira inteligente de fazer os meninos


serem devolvidos ao estado de natureza, rousseau vê os homens como puros,
mas corrompidos pela sociedade, enquanto Golding vê a natureza maléfica,
mostrando que mesmo sendo largados em uma ilha de recursos suficientes,
logo começam a discórdias e brigas por liderança. Rousseau vê a razão como
uma forma do homem se afastar das regras da natureza, e então entrar em
excessos, diferente de Golding que considera essa como sendo a base da
sociedade civilizada.

Os dois também discordam da capacidade de compaixão, Rousseau


acredita que o homem natural possuí compaixão inata, enquanto o outro define
que Jack não queria matar o porco de começo, mas indo mais para a
selvageria ganha o prazer na caça. Até mesmo Ralph participa desse ataque,
mostrando assim que em certas circunstâncias, todos possuem a capacidade
para o mal. interessante observar a conversa de Simon com o senhor das
moscas, que é a cabeça do porco, em que ele comenta estar dentro de Simon,
talvez demonstrando que o lado animal e violento também pode morar dentro
dele. Para Locke os homens são motivados por emoção e razão, e
naturalmente sociáveis ou altruístas, em contraste, Hobbes afirma que pessoas
são centradas por desejos e até egoístas, sendo impossível o auto-governo
que Locke defende.