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revisão

O TREINO DA FLEXIBILIDADE MUSCULAR E O AUMENTO DA


AMPLITUDE DE MOVIMENTO: UMA REVISÃO CRÍTICA DA LITERATURA
THE MUSCULAR FLEXIBILITY TRAINING AND THE RANGE OF
MOVEMENT IMPROVEMENT: A CRITICAL LITERATURE REVIEW

RESUMO ABSTRACT
O treino da flexibilidade muscular The muscular flexibility training put
AUTORES
Luís Filipe dos Santos Coelho1
põe em evidência uma série de in evidence a train of neurophy-
1
Fisioterapeuta e Professor de Pilates princípios neurofisiológicos e um siological principals and an intricate
do Consultório e Clínica de Reabilitação, Lda. conjunto intrincado de propriedades amount of muscular and viscous-
- Lisboa musculares e visco-elásticas. São -elastic properties. There are a lot
diversos os métodos de estiramento of stretching methods, used on the
realizados nos contextos clínico e clinical and sport contexts. Despite
O TREINO DA FLEXIBILIDADE
MUSCULAR E O AUMENTO DA
desportivo. Apesar da sua utilização its common utilization, it isn’t usual
AMPLITUDE DE MOVIMENTO: UMA ser comum, não é usual os pro- the health and educational profes-
REVISÃO CRÍTICA DA LITERATURA fissionais de saúde e educação sionals reflect about the com-
4(4): 59-70 reflectirem sobre as componentes pounds and efficacy of the diverse
e eficácia dos diversos métodos de stretching methods. In this article,
PALAVRAS-CHAVE estiramento. Neste artigo, realiza- we realize a critical review about
estiramento passivo; estiramento mos uma revisão crítica dos diver- the diverse methods used on the
activo; facilitação neuromuscular
sos métodos utilizados no treino de flexibility training, as the principles
proprioceptiva; aquecimento;
coeficiente de elasticidade.
flexibilidade, assim como dos prin- and parameters related with that.
cípios e parâmetros que com eles We will done special emphasis to
KEYWORDS se relacionam. Daremos especial the principles of the proprioceptive
passive stretching; active ênfase aos princípios em que se neuromuscular facilitation and the
stretching; proprioceptive baseia a facilitação neuromuscular diverse local relaxation methods,
neuromuscular facilitation; proprioceptiva e os diversos méto- like warming. We will also have in
warming; elasticity coefficient.
dos de relaxamento local, como o count the revealing data relating to
aquecimento. Para além disso, te- the Elasticity Coefficient paradox,
data de submissão remos em conta os dados revela- witch can help to conceive an inter-
Julho 2006 dores relativos ao paradoxo do Coe- vention philosophy of the flexibility
ficiente de elasticidade, os quais training different from what it have
data de aceitação
Maio 2007 podem ajudar a conceber uma being defended and practiced.
filosofia de intervenção do treino de
flexibilidade divergente relativamen-
te ao que classicamente tem sido
defendido e efectivado.
60| 61| investigação técnico original opinião revisão estudo de caso ensaio

INTRODUÇÃO e neurofisiológicas do tecido con- tação de calor e um novo compri-


tráctil e do tecido não contráctil. mento quando a sobrecarga é
Conceptualmente, a flexibilidade libertada4,5.
As propriedades neurofisiológicas
muscular tem sido definida em
do tecido contráctil estão depen- O comportamento visco-elástico
termos da amplitude de movimento
dentes do funcionamento do fuso dos tecidos moles durante um
disponível por parte de uma arti-
neuromuscular, do órgão tendinoso alongamento compõe-se de uma
culação, amplitude essa dependen-
de Golgi e das fibras neuronais deformação ou creep, expressando-
te da extensibilidade dos músculos.
Podemos atender à flexibilidade associadas, estruturas envolvidas -se mais precisamente na fluage
como “a habilidade para mover uma num complexo processo de iner- muscular. Tal comportamento mus-
articulação ou articulações através vação recíproca. cular pode ser expresso pela se-
de uma amplitude de movimento As propriedades mecânicas do guinte equação6:
livre de dor e sem restrições, de- tecido muscular dependem dos ÍNDICE DE DEFORMAÇÃO = FORÇA
pendente da extensibilidade dos sarcómeros e respectivas pontes APLICADA / COEFICIENTE DE
músculos, que permite que estes transversas de actina e miosina. ELASTICIDADE X TEMPO
cruzem uma articulação para rela- Quando um músculo é alongado
xar, alongar e conter uma força de passivamente, o alongamento ini- A deformação muscular será maior
alongamento” (1, p. 142, cap. 5). cial ocorre no componente elástico em músculos com menor Coefi-
O treino de flexibilidade é utilizado em série e a tensão aumenta agu- ciente de elasticidade e estará pro-
cada vez mais frequentemente nos damente. Após certo ponto, ocorre porcionalmente dependente da
contextos clínico e desportivo, tanto um comprometimento mecânico Força aplicada e do factor Tempo.
na preparação como na conclusão das pontes transversas à medida Mais tarde, no decorrer deste
de treinos, assim como parte de que os filamentos se separam com artigo, iremos ter em consideração
treinos autónomos que visam o es- o deslizamento e ocorre um alon- aquilo que pode ser denominado
tiramento global ou a reeducação gamento brusco nos sarcómeros2. de “paradoxo do coeficiente de
postural. Se um músculo é imobilizado na elasticidade”.
Neste artigo, iremos rever os di- posição alongada por um período
ferentes tipos de métodos tera- prolongado de tempo, o número de
pêuticos utilizados para alongar os sarcómeros em série aumenta, MÉTODOS DE ESTIRAMENTO
tecidos moles, considerando uma dando origem a uma forma mais Existem três métodos básicos para
revisão sustentada da literatura, permanente de alongamento mus- alongar os componentes contrác-
tanto no respeitante às diferentes cular. O músculo irá ajustar o seu teis e não contrácteis da unidade
modalidades e variantes de alonga- comprimento com o tempo de mo- músculo-tendinosa: estiramento
mento, como no respeitante aos do a manter a maior sobreposição passivo, inibição activa (inclui o
diferentes parâmetros de estira- funcional entre actina e miosina3. estiramento activo) e auto-alon-
mento muscular, como a frequência As características mecânicas do gamento1. O auto-alongamento pode
e a duração dos estiramentos. envolver alongamento passivo, ini-
tecido mole não contráctil estão
Iremos igualmente questionar a dependentes das forças de sobre- bição activa ou ambos.
eficácia de uma série de modali- carga e distensão tecidular, sendo De seguida, iremos precisar os diver-
dades de intervenção com vista ao que a curva sobrecarga - distensão sos tipos de alongamento passivo.
ganho de flexibilidade, tendo sempre
concebe o comportamento dos te-
em conta a literatura existente.
cidos perante uma força de defor-
mação. Quando sobrecarregadas, ESTIRAMENTO PASSIVO
inicialmente as fibras de colagéneo ESTIRAMENTO PASSIVO MANUAL
alongam-se. Com sobrecarga adi- Este é o tipo de estiramento em
DESENVOLVIMENTO cional, ocorre deformação recupe- que o terapeuta ou instrutor aplica
rável na amplitude elástica. Assim uma força externa ao segmento
PROPRIEDADES MECÂNICAS E que o limite elástico é alcançado, de modo a alongar os tecidos,
NEUROFISIOLÓGICAS DOS TECIDOS ocorre falha sequencial das fibras sem realização de qualquer tipo
A flexibilidade está dependente de de colagéneo e no tecido na ampli- de esforço por parte do doente ou
diversas propriedades mecânicas tude plástica, resultando em liber- desportista.
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Exploremos seguidamente determi- al.11. Neste estudo, foi demonstra- A lentidão dos alongamentos,
nados parâmetros relativos à efec- do haver vantagens na realização associada à moderação das trac-
tuação deste tipo de estiramentos. de estiramentos longos, até 60 ções permite todas as descom-
Diversos estudos têm sido reali- segundos de duração. Os autores pressões articulares; só tracções
zados com vista à compreensão do explicaram os resultados com a manuais suaves e prolongadas é
tempo necessário de estiramento necessidade de sujeitos mais ido- que permitem o tensionamento
com vista à obtenção de uma de- sos, com menor elasticidade teci- progressivamente global das ca-
formação permanente dos tecidos, dular, necessitarem de períodos deias musculares.
ou seja, ao ganho de flexibilidade. mais prolongados de tempo para
A primeira referência data de conseguirem a máxima deformação Em última análise, tanto a inten-
19877, estudo no qual o alonga- das suas estruturas musculares. sidade quanto a duração do alonga-
mento passivo foi aplicado nos Um estudo recente 12 apontou mento dependem da tolerância
abdutores da anca de indivíduos para os mesmos resultados, em do paciente ou desportista e da
saudáveis por 15 e 45 segundos termos de ganhos de amplitude de resistência física do terapeuta ou
e dois minutos, na mesma inten- movimento, tanto com um estira- instrutor. Um alongamento manual
sidade. Segundo o estudo, o alon- mento de 30 segundos de duração de baixa intensidade aplicado pelo
gamento de dois minutos não apre- maior tempo possível será mais
como com diversos estiramentos
sentou mais vantagens no aumento confortável e mais prontamente
de cinco segundos de duração.
da amplitude de movimento que os tolerado pelo indivíduo, resultando
Há uma necessidade premente de
alongamentos mais prolongados. igualmente em mais resultados
estudar mais profundamente os
No estudo de Bandy e Irion8, com maior controlo e segurança
tempos necessários à realização
datado de 1994, foi concluído que do processo de treino17.
de estiramentos, principalmente no
um estiramento estático de 30 respeitante àqueles que são pro-
segundos é mais efectivo que os gressivos e globais. Por exemplo, o ESTIRAMENTO ESTÁTICO VS.
alongamentos de tempos inferio- ESTIRAMENTO BALÍSTICO
trabalho de fisioterapia de cadeias
res, mas não mais capaz de produ- Como vimos, um alongamento man-
musculares, previsto no método de
zir melhorias na amplitude de movi- tido por um período mínimo de
Mézières13, Reeducação Postural
mento que o estiramento de 60 tempo significa um conjunto amplo
Global e Stretching Global Activo14
segundos. de resultados no respeitante ao
e método de Busquet15, advoga a
Bandy et al.9 concluíram também ganho de amplitude articular. A
realização de estiramentos muito
que não há vantagens adicionais na dependência do factor tempo diz
prolongados no tempo. O trabalho
realização de estiramentos com respeito não só à variável tempo-
de alongamento realizado nestes
tempos superiores a 30 segundos ral prevista na fórmula de fluage
métodos respeita escrupulosamen-
de duração. Para além disso, de- muscular, como também a factores
te a fórmula da fluage muscular,
monstraram que não é vantajosa de natureza neuromotora. Referimo-
apresentada no capítulo anterior.
a passagem da frequência de -nos à acção do reflexo miotático
Segundo o que a fórmula prediz,
estiramento de uma para três de encurtamento, ligado à sensibi-
Souchard16 defende as duas seguin-
vezes por dia. lidade do fuso neuromuscular. É
tes premissas relativas ao trabalho
À semelhança dos estudos ante- bem sabido que um estiramento
passivo de alongamento:
riores, Roberts e Wilson10 também deve ser suficientemente lento e
estudaram os tempos de estira- 1) Quanto mais prolongamos o tem- prolongado de modo a se conseguir
mento estático e passivo em jovens po de alongamento, mais signi- vencer a tendência que o músculo
desportistas. Concluíram que esti- ficativo é o comprimento ganho. apresenta para encurtar no mo-
ramentos de 15 segundos eram Para ser eficaz, é preciso, então, mento do alongamento por acção
mais vantajosos que estiramentos praticar posturas de alongamen- do reflexo miotático1.
de tempos inferiores. to prolongadas no tempo, não Por essa razão de natureza teo-
A única investigação com vista ao alongamentos bruscos. rética, actualmente é rara a inves-
estudo de tempos de alongamento 2) Quanto mais aumentamos o tem- tigação realizada em torno dos
realizada em indivíduos idosos cor- po de alongamento, mais pode- estiramentos ditos balísticos. Estes
responde ao estudo de Feland et mos diminuir a força de tracção. são alongamentos “bruscos”, de
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alta intensidade, realizados a gran- amplitude articular quando se uti- gessada curta (abaixo do joelho)
de velocidade. Como tal, são esti- liza um alongamento mecânico pro- em adultos com lesão cerebral
ramentos menos seguros e, pro- longado de baixa intensidade22,23,24. (AVC), com o intuito de reduzirem
vavelmente, menos eficazes em Bohannon22 avaliou a efectividade a deformação em equino da tíbio-
termos do aumento de amplitude de um alongamento de oito minutos -társica (gerada pelo padrão espás-
de movimento. A tensão ocasiona- dos ísquiotibiais em comparação tico de flexão plantar). Os autores
da no músculo derivada da grande com 20 minutos ou mais usando verificaram que todos os utentes
velocidade de estiramento e, como um sistema de polias. O alongamen- apresentaram relevantes melho-
tal, da estimulação do reflexo mio- to de oito minutos levou somente rias da amplitude de flexão dorsal
tático, compreende cerca do dobro a um pequeno aumento na flexi- da tíbio-társica e uma diminuição
da tensão ocasionada com o esti- bilidade dos ísquiotibiais, que foi da espasticidade dos flexores plan-
ramento estático18. Na literatura, perdida num espaço de 24 horas. tares.
pode ser encontrado um estudo Sugeriu-se que um alongamento de Cusick30 realizou um estudo de caso
de 199319, segundo o qual o alon- 20 minutos ou mais seria neces- único numa criança com diplegia
gamento balístico é menos eficaz sário para aumentar efectivamente espástica, tendo obtido uma melho-
do que o alongamento estático na a amplitude de movimento numa ria no comprimento muscular dos
melhoria da elasticidade muscu- base mais permanente. Foram ísquiotibiais, após 45 dias de utili-
lar. Para além disso, o estiramento igualmente relatados aumentos zação de gessos longos. Antes do
balístico tem demonstrado não pos- significativos na amplitude de movi- tratamento, a criança apresentava
suir mais vantagens na preparação mento de indivíduos saudáveis que um flexum de ambos os joelhos
para o treino de força explosiva tinham retracções em membros de 40 . Após a utilização de imobi-
0

relativamente ao estiramento es- inferiores, usando-se somente 10 lização gessada, intervalada por
tático20,21. minutos de alongamento mecânico ajustamentos na amplitude de colo-
prolongado de baixa intensidade25. cação da tala gessada, a criança já
ESTIRAMENTO PASSIVO Bohannon e Larkin26 usaram igual- era capaz de realizar a completa
MECÂNICO PROLONGADO mente um regime de prancha ortos- extensão do joelho direito (tendo-se
Corresponde ao tipo de alonga- tática com calço, posicionando os mantido um flexum residual de 5 0

mento mantido por períodos pro- doentes em pé durante 30 minutos do joelho esquerdo).
longados de tempo, conseguido por diários, tendo conseguido aumentar Ada e Canning31 referem melhorias
meio da aplicação de uma força a amplitude dos flexores dorsais na amplitude de flexão dorsal da
externa de baixa intensidade, usan- do tornozelo em pacientes com tíbio-társica noutros estudos em
do-se o peso do próprio paciente ou problemas neurológicos. crianças com paralisia cerebral.
sistemas mecânicos como tracção, O alongamento prolongado de baixa Cottalorda, Gautheron, Metton,
pesos, sistema de polias, splints intensidade e um aumento na am- Charmet e Chavier32 chegaram a
dinâmicos ou gessos. plitude podem também ser conse- conclusões similares num estudo
É o tipo de estiramento utilizado guidos mediante a utilização de um de caso único numa criança com
em muitas situações de patologia splint dinâmico, utilizado durante lesão cerebral. Porém, após cerca
contraturante ou em situações oito a 10 horas27. de 18 meses sem utilização de
de patologia neurológica com pre- A utilização de gessos tem sido imobilização gessada, registou-se
sença de hipertonia e consequente relatada sobretudo nos casos de uma recorrência da deformidade
encurtamento e/ou mesmo defor- distúrbios neurológicos do primeiro em equino.
midade segmentar ortopédica. neurónio. Apesar de Brouwer, Wheeldon e
O parâmetro tempo de alongamen- A imobilização gessada é frequente- Stradiotto-Parker33 terem constado,
to é concebido como um dos mais mente utilizada em crianças com num estudo realizado em crianças
importantes a ter em conta neste paralisia cerebral, principalmente com paralisia cerebral, que, após
tipo de estiramentos. numa fase do tratamento que pro- uma imobilização gessada de três
Vários estudos têm sugerido que cede a administração de toxina semanas, os flexores plantares não
um período de 20 minutos ou mais botulínica28 ou outros fármacos. apresentavam alteração da força
é necessário para que o alonga- Booth, Doyle e Montgomery29 estu- muscular, é amplamente reconhe-
mento resulte numa melhoria da daram a utilização de imobilização cido que a imobilização prolongada
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pode levar à fraqueza muscular,


Autores Amostra Tipo de Ortótese Efeito
com consequente alteração da
função e da marcha34,35,36,37, sendo, Adultos com Ortótese de Melhoria na amplitude
Bonnuti et al38 contratura do extensão do cotovelo de extensão do cotovelo
como tal, contra-indicada a utili-
cotovelo (flexum) em todos os indivíduos
zação de gessos por tempos muito
prolongados. Crianças com diplegia Ortótese acima Efeitos positivos após
Steffen e espástica (encurta- do joelho 5 meses de utilização
Por fim, devemos referirmo-nos Mollinger39 mento dos ísquioti- (3 horas por dia, 5 dias
igualmente à utilização de talas e biais e tricípete sural) por semana)
ortóteses, as quais permitem a
Crianças com para- Ortótese acima Efeitos positivos com
manutenção do segmento numa
lisia cerebral (encurta- do joelho utilização durante
posição de alongamento por perío- James et al40
mento dos ísquioti- 3 meses, uma hora por
dos variavelmente longos, promo- biais e tricípete sural) dia, 7 dias por semana
vendo o alinhamento segmentar e
22 adultos com AVC Ortótese de 11 dos 22 indivíduos
postural. Não devemos esquecer a
(contratura extensão e de flexão tiveram aumento da
prolífica quantidade de literatura Gelinas et al41
do cotovelo) amplitude de movimento
dedicada às ortóteses e material (300-1300)
ortopédico complexo destinado à
correcção postural e de deformida- TABELA 1

des específicas. A análise da lite- Alguns estudos realizados acerca da utilização de ortóteses
no tratamento de contraturas.
ratura respeitante a esse tipo de
material não compreende um objec-
tivo deste artigo. No entanto, apre-
sentamos, de seguida, alguns estu- no final da amplitude seguido de O alongamento prolongado é mais
dos relativos à utilização de ortó- um breve repouso, com um estira- indicado de modo a se conseguirem
teses simples com vista ao trata- mento mecânico estático. A intensi- ganhos a longo prazo na amplitude
mento de contraturas (tabela 1). dade da força de alongamento era de movimento.
Mudanças plásticas em tecidos limitada pelo nível de tolerância do O alongamento mecânico prolon-
contrácteis e não contrácteis po- doente e pela habilidade para se gado, seja cíclico ou mantido, pa-
dem ser a base das melhorias “per- manter relaxado. Os procedimentos rece ser mais efectivo que o alon-
manentes” ou a longo prazo na de alongamento foram aplicados gamento passivo manual porque a
flexibilidade22. Quando os músculos aos músculos ísquiotibiais de parti- força de alongamento é aplicada
são mantidos numa posição alon- cipantes saudáveis durante 15 mi- durante muito mais tempo do que
gada durante várias semanas são nutos por dia ao longo de cinco dias seria suportável e viável com o
acrescentados sarcómeros em consecutivos. Foram registados au- alongamento manual1.
série3,4. Quando tecidos conectivos mentos significativos na extensibi-
não contrácteis são alongados com lidade dos ísquiotibiais mais signifi- INIBIÇÃO ACTIVA
uma força de alongamento prolon- cativos no método cíclico de estira- A inibição activa refere-se a técni-
gada de baixa intensidade, ocorre mento, quando foi tida em conta a cas nas quais o paciente relaxa
deformação plástica e o compri- análise de variáveis precisas. Para reflexamente o músculo a ser alon-
mento tecidular aumenta4,42,43. além disso, os participantes relata- gado antes da manobra de alonga-
ram que o alongamento cíclico era mento. Isso pode ser conseguido
ESTIRAMENTO MECÂNICO CÍCLICO mais confortável e mais tolerável através de técnicas/princípios de
Starring et al44 usou o termo esti- que o alongamento mantido. Facilitação Neuromuscular Proprio-
ramento cíclico para descrever um Este estudo sobre o alongamento ceptiva (PNF) ou através do esti-
tipo de alongamento repetitivo cíclico demonstra a importância de ramento activo.
aplicado por meio de um dispositivo impor um alongamento prolongado
mecânico. Os autores compararam sobre os músculos retraídos e o ESTIRAMENTO ACTIVO
a utilização de um alongamento tecido conectivo de modo a se con- É o tipo de estiramento em que o
cíclico, usando uma força mecânica seguir uma deformação plástica sujeito alonga o músculo ou grupo
de alongamento de 10 segundos e alongamento eficaz dos tecidos. muscular por meio da contracção
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Clinicamente os terapeutas têm


Autores Amostra/
/Métodos Efeitos
assumido que a contracção antes
Grupo controlo (n=10), Melhores resultados com PNF do alongamento leva a um rela-
Estiramentos balísticos (n=11), do que com outros métodos e
xamento reflexo acompanhado por
Sady et al49 Estiramentos estáticos (n=10) mais nos músculos ísquiotibiais
e PNF (n=12). 3 dias/semana, uma diminuição na actividade elec-
6 semanas de programa tromiográfica no músculo retraído1.
Pelo facto de, mediante a activação
N=63, universitários; Todos os métodos
do reflexo tendinoso de Golgi ou
Lucas e Estiramentos estáticos, dinâmicos produziram resultados no
Koslow 50 e PNF sobre músculos ísquiotibiais aumento das amplitudes
reflexo miotático inverso, as estru-
e gémeos. 3xsemana, 21 dias turas musculares relaxarem após
a sua contracção, tanto o hold-relax
N=47 (sexo masculino); 4 grupos: Contract-relax melhor que
3 grupos com contract-relax estiramentos balísticos.
quanto o contract-relax têm sido
modificado (n=10 para cada, Melhores resultados com continuamente estudados, muitas
Wallin et al51 vezes comparativamente a outras
1x, 2x e 3x/semana) e 1 grupo maior frequência de treino
com estiramentos balísticos; técnicas de estiramento, no res-
30 dias de programa peitante ao ganho de amplitude de
N=120 (sexo masculino); 4 grupos: Maior amplitude de movimento movimento.
Cornelius 3 grupos com PNF modificado observada nos grupos de PNF Se o relaxamento muscular tem
et al52 (PCP, 3-PIECP e 3-PIFCP) e sido referido continuamente como
1 grupo com estiramento passivo a razão pela qual existe um maior
TABELA 2
progresso na amplitude de movi-
Estudos clássicos sobre os efeitos do PNF na amplitude de movimento. mento com a utilização do PNF,
veremos mais tarde, quando falar-
mos de outras formas de relaxa-
mento muscular (ex. calor) e do
dos músculos “antagonistas” a es- mento da amplitude extensora. Os paradoxo do Coeficiente de elastici-
tes. Este tipo de estiramento põe autores referem que tal pode ser dade, que é possível que tudo o que
em evidência os princípios da devido à facilidade de ganho de tem sido até agora aceite de forma
inibição recíproca: a contracção de amplitude por parte de tal grupo muitas vezes acrítica esteja errado.
determinado músculo ou conjunto muscular (flexores da anca), sendo Importa referir o artigo de Chal-
de músculos provoca o relaxa- que, provavelmente, os resultados mers48, que aponta para questões
mento do músculo ou músculos poderiam ser muito diferentes se de grande relevância relativamente
que estão a ser alongados. É um o grupo testado constituísse por à base teorética da utilização do
tipo de estiramento diferente do exemplo os ísquiotibiais. PNF como forma de estiramento. O
estiramento passivo, sendo que é autor estudou minuciosamente a
impossível obter-se uma defor- TÉCNICAS DE FACILITAÇÃO teoria neurofisiológica das técnicas
mação adicional com este tipo de NEUROMUSCULAR PROPRIOCEPTIVA de estiramento de PNF. Os dados
estiramento, e como tal, não pro- O PNF clássico ou tradicional supõe obtidos não suportam a acepção
duz os mesmos resultados que a realização de um treino mediante clássica de que as técnicas de PNF,
o estiramento com apoio manual a realização de padrões diagonais nomeadamente da contracção pré-
ou mecânico45. de movimento, nos quais intervêm via do músculo a estirar, produzam
Por outro lado, o estudo de Win- princípios como a facilitação moto- o relaxamento da musculatura es-
ters et al46, o qual comparou o ra, o contacto manual preciso e a tirada. Na realidade, a seguir à
efeito do estiramento passivo e do resistência máxima47. contracção do músculo a estirar,
estiramento activo sobre a flexibi- Assim sendo, quando nos referimos a resposta de inibição do reflexo
lidade dos flexores da anca em ao PNF como forma de trabalho tónico de estiramento dura somen-
indivíduos com limitação da exten- de flexibilidade, não estamos na te um segundo. Segundo os dados
são da anca, determinou que tanto realidade a referenciar o PNF clás- do autor, a diminuição da resposta
o estiramento activo como o esti- sico, mas sim técnicas específicas do músculo a estirar (relativamente
ramento activo produziram resul- do PNF, que fazem uso da fisiologia ao reflexo miotático) a seguir à
tados análogos em termos do au- dos órgãos tendinosos de Golgi. contracção muscular não é devida
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à activação dos órgãos tendinosos


Autores Amostra/
/Métodos Efeitos
de Golgi, como tem sido comum-
mente aceite, mas sim devido à N=30 (sexo masculino); 2 grupos: A sequência de cinco estira-
existência de um prévio mecanismo um grupo controlo e um grupo ex- mentos de hold-relax produziram
Spernoga perimental. O grupo experimental mais resultados na flexibilidade
de inibição pré-sináptica do sinal
et al53 recebeu cinco estiramentos de dos ísquiotibiais, que se manti-
sensorial do fuso neuromuscular. hold-relax modificado veram durante seis minutos
Assim sendo, a deformação adi- depois de finalizado o protocolo
cional adviria não da acção do re-
24 adultos; 3 grupos: Método agonist contract-relax com
flexo tendinoso de Golgi e posterior
estiramentos estáticos, contract- melhores resultados de amplitude
relaxamento tecidular, mas sim da -relax e contract-relax do agonista de movimento e maior actividade
mera inibição do reflexo de Hoff- Ferber et al54
electromiográfica. Porém, os efeitos
mann, permitindo, como tal, uma não parecem ter-se devido ao
maior progressão em termos de relaxamento do músculo estirado
amplitude articular. Para além das 43 raparigas; 3 grupos: 1 grupo Melhores resultados nos grupos
explicações de natureza neurofisio- com PNF + 5 contracções PNF relativamente ao controlo.
lógica, o autor, referindo que estas Rowlands
isométricas, 1 grupo com PNF + Um maior número de contracções
et al55
são provavelmente insuficientes 10 contracções isométricas isométricas no PNF produz
para explicar os resultados obtidos e grupo controlo maiores ganhos de flexibilidade
com o PNF, aponta para explica- N=72 (sexo masculino); 4 grupos: Os grupos PNF apresentaram
ções de outras naturezas, como 1 grupo controlo, 1 grupo PNF todos melhores resultados de ampli-
por exemplo, o facto de o estira- com 1,20% de contracção tude de movimento dos ísquiotibiais
mento com PNF ser mais tolerável Feland et al56 isométrica, 1 grupo PNF com que o grupo controlo. Não se verifi-
para o doente ou desportista. 2,60% de contracção isométrica caram diferenças entre os diversos
Não fazemos, no entanto, grandes e 1 grupo PNF com 100% grupos PNF - contract-relax
de contracção isométrica (diferentes níveis de contracção)
considerações sobre os possíveis
mecanismos visco-elásticos envol- 19 jovens adultos; 4 grupos: Em todos os grupos experimentais
vidos no PNF. Isto porque, sendo Grupo 1 (n=5) realizou auto- houve aumento da amplitude de
-alongamento, Grupo 2 (n=5) movimento dos ísquiotibiais para
que as estruturas moles se apre-
realizou estiramentos estáticos, além da linha de base. Mas so-
sentam como mais relaxadas após Davis et al57 grupo 3 (n=5) utilizou PNF e grupo mente o grupo dos estiramentos
a contracção do músculo a estirar, 4 é o grupo de controlo. Todos os estáticos apresentou resultados
entramos mais uma vez no para- grupos experimentais receberam significativos quando comparados
doxo do Coeficiente de elasticidade, estiramentos de 30 segundos, com o grupo de controlo
o qual, como veremos, aponta para 3x semana, durante 4 semanas
uma ausência de vantagens no 30 participantes (ambos os sexos) Melhoria na amplitude de movi-
aumento da amplitude de movi- foram divididos em 3 grupos mento do ombro nos grupos expe-
mento com o aumento directo da (n=10 para cada): grupo PNF rimentais relativamente ao grupo
Decicco
elasticidade muscular. e Fisher58
contract-relax, grupo PNF de controlo. O grupo contract-relax
Sendo assim, consideramos que os hold-relax e grupo de controlo. obteve ganhos de amplitude
efeitos do PNF serão de natureza Programa 2x por semana, ligeiramente superiores ao grupo
6 semanas hold-relax (0,300 de diferença)
fundamentalmente neurofisiológica
e não muscular, mesmo que o pro- TABELA 3
cesso seja diferente daquilo que Estudos recentes sobre os efeitos do PNF na amplitude de movimento.
até agora tem sido considerado.
Não obstante as razões pelas quais
o PNF fornece os seus resultados,
apresentamos seguidamente di- Dos estudos apresentados, pode- termos do aumento da amplitu-
versos estudos encontrados na mos constatar que houve um pro- de de movimento. Estas vantagens
literatura que apresentam essa gresso nas metodologias desde as tendem a ser maiores na técnica
evidência, para além de compa- investigações mais antigas até às
rarem as técnicas de PNF com mais recentes. Em termos gerais, contract-relax e quando são rea-
outras de estiramento muscular observa-se a existência de grandes lizadas contracções isométricas
(tabelas 2 e 3). vantagens na utilização do PNF em mais prolongadas.
66| 67| investigação técnico original opinião revisão estudo de caso ensaio

Em alguns estudos começa já a antes ou durante o alongamento. É, no mínimo, uma questão que
questionar-se se a base dos resul- Exercícios de baixa intensidade tem de ser estudada com mais
tados está realmente na produção feitos antes do alongamento au- afinco. Por outro lado, devemos
de um maior relaxamento no mús- mentarão a circulação para os questionar se um possível efeito
culo a estirar, ou seja, naquele que tecidos moles e aquecerão os te- do calor na flexibilidade estará só
produziu contracção. Se a base cidos a serem alongados. Embora relacionado com o relaxamento
dos resultados estiver somente os resultados dos estudos possam tecidular, ou se não estará rela-
na obtenção de um maior relaxa- diferir, uma caminhada curta, exer- cionada com factores de natureza
mento muscular, é de esperar que cícios não fatigantes em bicicleta neuromuscular. E a mesma ques-
a realização de estiramentos em estacionária ou alguns minutos de tão se aplica no respeitante aos
músculos previamente aquecidos exercícios activos para os membros diferentes métodos e técnicas de
resulte também em resultados superiores podem ser usados para relaxamento global, ou a técnicas
observáveis na amplitude de movi- aumentar a temperatura intramus- mais específicas como a massa-
cular antes de se iniciar actividades gem, seja realizada de forma autó-
mento. É disso que iremos falar
de alongamento64,65,66. noma, seja realizada previamente
de seguida.
ao treino de flexibilidade.
Sendo assim, seja através do aque-
cimento directo, seja por meio de Contudo, a questão do relaxamento
O CALOR NO TREINO exercícios de aquecimento, o alon- produzido através do calor, da
DA FLEXIBILIDADE
gamento deve, segundo os argu- massagem ou do PNF, se é mesmo
O aquecimento do tecido mole de relaxamento que se trata, ex-
mentos precedentes, que são na
realizado antes do alongamento pressa-se num aumento da elasti-
realidade clássicos argumentos
permitirá aumentar a extensibili- cidade muscular, algo que, como
coerentes, ser precedido de aque-
dade dos tecidos encurtados. Mús- veremos de seguida, é controverso
cimento.
culos aquecidos relaxam e alongam- no respeitante ao aumento da
Veremos, de seguida, que todo o flexibilidade a longo prazo.
-se mais facilmente, tornando o conteúdo anteriormente explanado
alongamento mais confortável para é fundamentalmente teorético e
o paciente. À medida que a tem- especulativo. Neste momento do O PARADOXO DO COEFICIENTE
peratura do músculo aumenta, a artigo, a opção mais legítima de DE ELASTICIDADE
quantidade de força requerida desenvolvimento conteudístico será Classicamente, tem sido conside-
para alongar os tecidos contrác- apresentarmos uma sinopse dos rado que os efeitos do PNF, do
teis e não contrácteis e o tempo estudos efectuados acerca do aquecimento prévio, da massagem
durante o qual a força de alonga- efeito do aquecimento no treino de e até mesmo dos fármacos mio-
mento precisa de ser aplicada flexibilidade e ganho de amplitude -relaxantes são comuns no que
diminuem. Com o aumento da tem- de movimento (tabela 4). implicam de relaxamento dos mús-
peratura intramuscular, o tecido Pela observação da tabela 4, é pos- culos a serem estirados. O rela-
conectivo cede mais facilmente ao sível constatar que há dois estudos xamento expressa-se num aumento
alongamento e a sensibilidade dos que apontam para melhores resul- da elasticidade muscular, e esse
órgãos tendinosos de Golgi aumen- aumento implica uma maior defor-
tados na flexibilidade por se realizar
ta (o que leva a uma maior inibição mação a curto termo. Tem sido
uma forma de aquecimento profun-
muscular)59. assumido que esta mesma defor-
do (Knight et al70, Draper et al72) e
Para além disso, o aquecimento mação num tempo imediato resulta
um estudo que aponta para resul-
também minimiza a probabilidade num maior ganho de flexibilidade
tados semelhantes no respeitante
de microtraumas aos tecidos moles em termos mais permanentes.
à realização de aquecimento activo
durante o alongamento e, desse Porém, tal pode estar longe da
(Wenos e Konin73). De resto, todos
modo, pode diminuir a dor muscu- realidade.
os outros estudos infirmam aquilo
lar tardia que ocorre após os exer- que classicamente tem sido admi- Tudo se resume à fórmula de fluage
cícios60,61,62,63. tido, ou seja, que o aquecimento muscular, que passamos a rever:
O aquecimento pode ser consegui- prévio ao treino de flexibilidade Índice de deformação = Força
do com calor superficial ou pro- melhora o nível permanente de aplicada / Coeficiente de
fundo aplicado aos tecidos moles deformação muscular. elasticidade x Tempo
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Acontece que quanto maior o Coe-


Autores Amostra/
/Métodos Efeitos
ficiente de elasticidade, ou seja,
quanto mais elástico o corpo é, 51 estudantes; 3 grupos: um grupo que Os resultados não suportam
correu e depois realizou estiramentos, a ideia de que o aquecimento
menos comprimento ele ganhará.
um grupo que só realizou estiramentos dos músculos antes dos esti-
O Índice de deformação ou fluage Williford
et al67 e um grupo de controlo. Testes reali- ramentos resulta em maiores
muscular depende proporcional- zados para as amplitudes do ombro, amplitudes de movimento
mente da força e tempo de esti- ísquiotibiais, tronco e anca antes e
ramento. Porém, se a elasticidade depois de 9 semanas
for maior, algo que poderá ser con- N=54 (sexo feminino); 2 grupos rea- Não se registaram diferenças
seguido à custa do relaxamento das lizaram aquecimento (exercícios) e um nas amplitudes articulares
Cornelius
fibras musculares, então a verda- e Hands68 grupo de controlo. Após o aquecimento, comparando os grupos
deira deformação tecidular ou o todos os grupos efectuaram treino de de aquecimento com o grupo
ganho permanente de amplitude é estiramentos mediante PNF modificado de controlo
menor. Quanto mais rígido um cor- N=45 (18-25 anos de idade); Todos os grupos apresentaram
po estiver maior o ganho de ampli- 3 grupos que efectuaram treino de flexi- melhorias no comprimento
tude este mesmo corpo obterá. Burke bilidade com PNF: um grupo controlo, muscular dos ísquiotibiais.
et al69 um grupo após 10 minutos de imersão Não se encontraram
Citando Souchard16, aliás um dos em água fria e um grupo após imersão diferenças entre os grupos
poucos visionários desta questão, em água quente. 5 dias de procedimento
“as implicações práticas do para-
N=97 (idade média de 27,6 anos), Todos os grupos experimentais
doxo vigente são interessantes,
limitações na flexão dorsal do tornozelo. apresentaram uma melhoria
pois isto significa que qualquer 5 grupos: grupo 1 - grupo de controlo, na amplitude activa e passiva
aquecimento muscular, melhoran- não realizou o protocolo de estiramentos; de movimento. O grupo que
do artificial e provisoriamente a os grupos experimentais realizaram um realizou ultra-sons prévios
flexibilidade, aumenta o Coeficiente Knight protocolo de estiramentos 3x semana, ao protocolo de estiramentos
de elasticidade. O músculo dará a et al70 durante 6 semanas: grupo 2 - só esti- teve os maiores ganhos de
impressão de alongar-se com mais ramentos; grupo 3 - exercício activo flexibilidade
antes dos estiramentos; grupo 4 - calor
facilidade, mas, após o alongamento,
superficial antes dos estiramentos;
o comprimento ganho será menor. grupo 5 - ultra-sons modo contínuo
É, portanto, ‘a frio’ que se deve pro- durante 7 min. antes dos estiramentos
ceder aos alongamentos” (p. 90).
N=56 (18-42 anos de idade), com Um aumento na amplitude
Isto pode explicar a falta de evi- limitação dos ísquiotibiais. 4 grupos: dos ísquiotibiais foi obtido nos
dência relativa à eficácia dos méto- de Weijer (1) aquecimento (exercícios) e estira- grupos do estiramento. Não se
dos de aquecimento e relaxamento et al71 mento estático, (2) apenas estiramento verificaram diferenças com a
prévios ao treino de estiramento estático, (3) apenas aquecimento realização de exercício prévio
no aumento da flexibilidade dos (exercícios), (4) grupo controlo aos estiramentos
tecidos musculares. Por outro lado, N=30 (idade média de 21,5 anos), Melhoria na amplitude
no respeitante ao PNF, já vimos Draper com ísquiotibiais encurtados. 3 grupos: dos ísquiotibiais no grupo
que é muito provável que os resul- et al72 diatermia + estiramentos, diatermia diatermia + estiramentos
tados obtidos com o método pos- simulada + estiramentos, grupo controlo
sam não ser devidos ao relaxamen- N=12 (idade média de 25,3 anos); Um O grupo que efectuou
to produzido no músculo a estirar Wenos grupo com aquecimento activo e um aquecimento activo teve os
(se é que se produz algum tipo de e Konin73 grupo com aquecimento passivo (calor melhores resultados em
superficial), ambos realizaram posterior- termos de flexibilidade
relaxamento mediante a realização
mente estiramentos através de PNF
dessas técnicas) mas sim devidos
a mecanismos neuromusculares N=18, adolescentes; 3 grupos: um Melhorias na flexibilidade
grupo realizou aquecimento, um grupo nos grupos que realizaram
precisos (como a inibição do refle- Zakas realizou aquecimento + estiramentos estiramentos. O grupo que
xo de Hoffmann); eventualmente, et al74 passivos e o último grupo realizou realizou aquecimento antes dos
alguns destes mecanismos também somente estiramentos passivos estiramentos não apresenta
poderão estar presentes aquando melhores resultados
da utilização de outras técnicas,
TABELA 4 Estudos sobre o efeito do calor no treino de flexibilidade.
como a massagem.
68| 69| investigação técnico original opinião revisão estudo de caso ensaio

CONCLUSÃO REFERÊNCIAS (2001). The effect of duration of


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