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1ª QUESTÃO

Para nós, professores de filosofia, que estamos com a incumbência de


lecionar esta disciplina no ensino médio é de fundamental importância sabermos de
que lugar falamos. Isto é, que tenhamos de forma clara quais são os objetivos para o
desenvolvimento do potencial filosófico que cada aluno poderá atingir e,
consequentemente, alcançar uma síntese entre saber, cultura, poder e
transformação, ou seja, torne-se um indivíduo emancipado. O professor de filosofia
tem a seu dispor mais de 2500 anos de história da filosofia. Pois não há uma filosofia
como saber fechado, acabado. Mas o que há são diversas “filosofias” das quais o
professor pode fazer o recorte para constituir a imagem de filosofia que se quer
formar no aluno e, com a qual ele próprio formará a sua prática.
Filosofar permite ao indivíduo compreender que as coisas estão em constante
devir. Que por trás dos eventos há um desenvolvimento gradual, para o qual não há
acaso. Por isso a necessidade de “compreender o funcionamento de uma lei que lhe
é infusa”. Isso implica dizer que seja disponibilizado para a educação do aluno
condições para que o pensamento crítico se viabilize.
Para que o alunado possa compreender o funcionamento de uma lei que lhe é
infusa é de suma importância que ele desenvolva a capacidade de sai da superfície
do pensamento para mergulhar nas profundezas deste. Sair da superfície do
pensamento consiste na atitude filosófica. Mas, que atitude filosófica seria esta?
Entendemos por atitude filosófica aquela postura de inquietação frente ao mundo, ao
saber, a sociedade, a si mesmo. Atitude esta que assuma um “pensar por si
mesmo”, crítico diante dos supostos dos demais saberes. Que proporcione um agir
democrático e responsável, isto é, que respeite as diferenças culturais, religiosas,
políticas e étnicas.
A atitude filosófica pode modificar a relação aluno-professor na sala de aula.
Pois o processo educativo é descentralizado, o centro não é o aluno tampouco o
professor. O processo educativo passa a ser, então, compartilhado. Tomando como
base o saber do professor e o saber do aluno, mediante o diálogo entre professor e
aluno, o saber é construído. Desta forma, a sala de aula poderá transformar-se em
uma comunidade filosófica.
2ªQUESTÃO

Ainda que Kant haja realizado a tão conhecida distinção entre ensinar filosofia
e filosofar, entendemos que essa disjunção entre o ensino de filosofia e o filosofar,
consiste em dois polos de um mesmo processo. Compreendemos não ser possível
dissociar filosofia do filosofar, não podemos separa o produto do seu processo. Para
um ensino de filosofia que em sua proposta esteja o potencializar o aluno para o
desenvolvimento de uma linguagem filosófica, o ensino não pode ficar na
passividade de ensinar matéria morta. É de suma importância que os alunos possam
estar capacitados a aplicar os conceitos filosóficos ou mesmo a re-criar estes
conceitos. E isso pode ser realizado mediante a filosofia e o filosofar.
Como já afirmamos acima sobre a bem conhecida e clássica questão sobre a
distinção entre filosofia e filosofar, Kant já assegurava não ser possível ensinar
filosofia, devido ela não se constituir num saber fechado, mas que continua sempre
aberto a novas possibilidades, sempre em movimento, nunca acabado. Por isso,
“Até então não se pode aprender nenhuma filosofia; pois onde está ela? Quem a
possui? Por que caracteres se pode conhecer? Pode-se apenas aprender a filosofar,
isto é, a exercer o talento da razão na aplicação dos seus princípios gerais” [...]
(Kant, 2001, p. 673). Para Kant, o máximo que podemos fazer é filosofar. O ato de
filosofar para ele tornaria o indivíduo autônomo em seu exercício de analise e
interpretação dos sistemas filosóficos.
Para aprender a filosofar deve ser estabelecido um diálogo crítico com a
filosofia. E, para que haja esse diálogo, se faz necessário “exercer o talento da razão
na aplicação dos seus princípios gerais” para compreender e criticar os sistemas
filosóficos. Mas para que os jovens alunos do Ensino Médio compreendam e
critiquem não só sistemas de filosofia, como quaisquer tipos de texto, seja de poesia,
jornalístico, ficcional, autobiográfico etc. é importante que saibam não apenas lê-los,
porém saibam interpretá-los. Pois do contrário acabam se tornando analfabetos
funcionais, no qual sabem ler, mas não processam e não refletem sobre a
informação recebida.
A leitura para ser filosófica não basta apenas a leitura de textos filosóficos,
mas pode ser textos poéticos, literários, jornalísticos, etc. para que seja considerada
uma leitura filosófica, ela deve nos desconcertar, nos forçar a novas releituras com
outras perspectivas.
Ser autodidata não quer dizer que não se aprende nada com os outros, mas
que não se aprende nada com eles, se eles não nos desconcertarem. A tarefa do
professor de filosofia é justamente esta, a de desconcertar o aluno, a de desconstruir
e a de re-começar o conhecimento junto a seus alunos. Para isso, urge a
necessidade de que o docente aprenda a filosofar para que possa auxiliar o seu
alunado na atividade filosófica em sala de aula.

3ªQUESTÃO

Segundo Alejandro Cerletti, o1 ensino de filosofia parece não precisar de uma


teoria pedagógica geral para se consolidar enquanto ensinável. Tanto o método
quanto as estratégias de ensino para a disciplina de filosofia no ensino médio, talvez
sejam elaboradas no curso filosófico, no ensino médio mediante “conjunto de nomes,
de datas, de lugares, elabora o seu idioma, o idioleto no qual esse trabalho se faz”.
Esse idioleto que parece ser a junção de dois termos, idioma com intelecto, surge da
construção de um ambiente, no caso do ensino médio, a sala de aula, propício para
o filosofar.
Os docentes de filosofia no ensino médio tem um protagonismo central, uma
vez que eles não são meros transmissores de conhecimento tampouco executores
de receitas genéricas, eles são filósofos e filósofas que podem criar e recriar suas
próprias didáticas. Para os problemas práticos do ensino de filosofia não há
“soluções” prontas e acabadas, são os próprios docentes quem mais estão aptos a
estabelecer a intervenção e construção de soluções para o ensino de filosofia. Pois
só eles estão em condições de avaliar com exatidão todos os elementos
intervenientes em cada situação pontual. Daí o que se espera dos docentes de
filosofia é que sua formação consista em uma constante autoformação, ou seja, esta
pressuponha uma trans-formação de si.
A afinidade que há entre o autodidata e o idioleto espelha justamente a
atividade filosófica que o professor de filosofia realiza com seus alunos na sala de
aula. Para o desenvolvimento desta atividade filosófica concorre o aluno como
construto de si mesmo, auxiliado por seu professor.

1 CERLETTI, Alejandro. O ensino de filosofia como problema filosófico. p. 77


O professor de filosofia mais que um mero professor que transmite conteúdos
da História da Filosofia, ele deve ser filósofo. As aulas de filosofia são momentos
oportunos para a produção filosófica, para a elaboração de textos, com vista a uma
filosofia viva, isto é, filosofando com o alunado. O professor de filosofia pode e deve
proporcionar em suas aulas um espaço de problematização compartilhado por seus
alunos. Ele instiga a que os jovens sejam capazes não só de analisar a consistência
de um argumento, ou mesmo a correção de um raciocínio, mas que eles possam
desconfiar da naturalidade de saberes e práticas que se apresentam como naturais.
A experiência filosófica em sala de aula tem como finalidade impelir o aluno a
filosofar. Essa experiência poderá afetar o alunado para que estes elaborem linhas
de fugas para problemas concretos do seu dia a dia. Assim, é oportuno que eles
aprendam a ler, a pensar, a escrever, a investigar, a dialogar filosoficamente.

4ª QUESTÃO

Para que haver um ensino filosófico no ensino médio, os alunos necessitam


desenvolver “uma língua de segurança” e um “repertório de topoi”. O que isto
significa? Elas são as condições para que eles possam filosofar. Ou seja, é a
familiaridade que eles adquirem com a linguagem, os conceitos e as doutrinas dos
filósofos. Mediante esta familiaridade os alunos aprendem o sentido das palavras e,
consequentemente, são educados para a inteligibilidade, pois onde alguns vem um
amontoado de acontecimentos, a filosofia permite discernir uma significação, uma
estrutura.
O que se busca com isso é que o alunado possa adentrar nos procedimentos
filosóficos. Espera-se que os alunos se familiarizem com o modo de uma linguagem
que possa articular e fabricar conceitos, assim como, saiba argumentar com
propriedade, sistematize o pensamento e possa dar significação às coisas. Ao falar
uma língua de segurança, ao instalar-se num vocabulário que o auxilie às
dificuldades, munindo-se de um repertório de topoi, isto os permitirá denunciar a
“ingenuidade” do cientista e a “ideologia” de quem não pensa como ele.
De forma sucinta, pode-se dizer que o específico do trabalho filosófico
consiste em educa para a inteligibilidade, compreensão do funcionamento de uma
configuração a partir da lei que lhe é infusa. Para o mínimo que se espera para o
trabalho filosófico é a constituição de uma retórica e de um, como já foi dito acima,
repertório de topoi que proporcione a linguagem de segurança para o alunado. Com
estes objetivos o que se espera no ensino médio é o desenvolvimento do
pensamento crítico, mediante a vinculação entre problemas vivências e problemas
filosóficos.
Durante a aula de filosofia o que se objetiva não é o discurso vazio, nem o
simulacro de reflexão, mas educa para a inteligibilidade, isto é, que torne possíveis
as condições para saber critica e discutir. Pois independente do programa escolhido
para a aplicabilidade do ensino de filosofia no ensino médio, devemos ter em mente
que a leitura filosófica é o essencial da atividade filosófica. É preciso enfatizar que
por ler um texto de filosofia ainda não se está realizando uma leitura filosófica. Pode-
se ler textos filosóficos sem filosofar e ler textos artísticos, políticos, jornalísticos, etc,
filosoficamente. A leitura filosófica é um “exercício de escuta”. Esse exercício
possibilita que leitor se transforme na leitura. A leitura como compreensão e
interpretação constitui uma atividade produtiva que “reconstrói um imaginário oculto,
sob a literalidade do texto”.
O pensamento crítico não se restringe a uma simples discussão, ou mesmo a
confrontação de proposições contrárias, tampouco pelas soluções propostas pelos
professores. A crítica pode ser avaliada pela capacidade de os alunos formarem
questões e objeções de maneira rigorosa, organizada e estruturada. Daí que entre o
ensino e a aprendizagem da filosofia constituir dois momentos importantes do
exercício e da atividade filosófica na sala de aula. Pois através desta atividade
busca-se criar, inventar, re-inventar e produzir novos saberes e ações que se
configurem como uma experiência filosófica. A experiência do filosofar proporciona
uma maior flexibilidade entre o pensar e o agir, tendo como finalidade a
emancipação intelectual do aluno.