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TREINAMENTO TÁTICO NO FUTSAL

M577t Miguel, Henrique


                      Treinamento tático no futsal / Henrique Miguel.-
Londrina ; Sport Training, 2015.- 80 p. : il. ( Teoria
e metodologia do treinamento desportivo ).

ISBN 978 – 85 – 63794 – 12 – 3

1.Futsal. 2. Futsal – Treinamento tático. I. Série. ll Título.

CDD – 796.3348

Elaborada pela Bibliotecária Clarice Tsuruda Takehana – CRB-9/653


TREINAMENTO TÁTICO NO FUTSAL

1ª EDIÇÃO

Henrique Miguel
Mestrando em Ciências da Saúde, com área de concentração na
Ciência da Motricidade Humana; Especialista em Treinamento Desportivo;
Docente do Departamento de Educação Física da FEUC (São José do
Rio Pardo - SP) e da UNIPINHAL (Espírito Santo do Pinhal - SP).
Colaborador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Futebol
e Futsal da USP (GEPEFFS-USP);
Participa de importantes cursos, palestras e simpósios na área do
Treinamento Desportivo, voltando-se especialmente para os processos
de treinamento do rendimento, e na área de preparação física nos desportos
coletivos, com ênfase nas modalidades de Futebol e Futsal.

2015
© Editora Sport Training

Capa e imagens:
Alane Calmon dos Santos

Preparação do original:
Luiz Antonio de Oliveira Ramos Filho

Leitura final:
Nanci Glade Gomes
Luiz Antonio de Oliveira Ramos Filho

Supervisão editorial:
Danhara Glade Gomes

Supervisão final:
Antonio Carlos Gomes

Projeto e editoração:
Fernando Henrique de Valentin Aguiar

Reservados todos os direitos de publicação, em língua portuguesa, à


EDITORA SPORT TRAINING
Rua Pernambuco, n° 1187, sala n° 07, Centro.
86020-121 – Londrina, Paraná, Brasil. Tel: (43) 3024-5654

É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no


todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer
meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia, distribuição
na Web e outros), sem permissão expressa da Editora.
6 Henrique Miguel

CONSELHO EDITORIAL
Os originais da presente obra foram submetidos à comissão consultiva editorial, tendo
sido aprovados pelos consultores ad hoc responsáveis, e recomendada a sua publicação
na forma atual.

COMISSÃO EDITORIAL
Prof. Dr. Abdallah Achour Junior (UEL)
Prof. Dr. Antonio Carlos da Silva (UNIFESP)
Prof. Dr. Antonio Carlos Gomes (CBAt)
Prof. Dr. Dartagnan Pinto Guedes (UEL)
Prof. Dr. Edson Marcos de Godoy Palomares (Estácio de Sá)
Prof. Dr. Emerson Farto Ramirez (Universidade de Vigo – Espanha)
Prof. Dr. Enrico Fuini Puggina (USP)
Prof. Dr. Hélcio Rossi Gonçalves (UEL)
Prof. Dr. Hugo Tourinho Filho (USP)
Prof. Dr. João Paulo Borin (UNICAMP)
Profa. Dra. Ligia Andréa Pereira Gonçalves (UNIPAR)
Prof. Dr. Paulo Cesar Montagner (UNICAMP)
Prof. Dr. Paulo Roberto de Oliveira (UNICAMP)
Profa. Dra. Rosângela Marques Busto (UEL)
Prof. Dr. Sérgio Gregório da Silva (UFPR)
Prof. Dr. Tácito Pessoa de Souza Júnior (UFPR)
Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira (UFPR)
Prof. Dr. Wagner de Campos (UFPR)
Prof. Me. Clovis Alberto Franciscon (CBAt)
Prof. Me. Pedro Lanaro Filho (UEL)
AGRADECIMENTOS

A Deus, por me abençoar todas as e Dr. Cortez. Aos meus primeiros mestres
manhãs e mostrar-me os caminhos certos no futsal, professor Aécio e Tidu, que me
nos momentos de dúvida e escuridão; mostraram como um esporte pode ser tão
Aos atletas de futsal do DERLA/Aguaí, marcante na vida de uma pessoa;
que serviram de instrumento de indagação A todos os meus familiares que podem
para elaboração e finalização desse proje- dividir comigo o sabor de mais essa
to; conquista nessa ainda recente, porém
Aos alunos e professores da Faculdade vitoriosa carreira, em especial aos meus
de Filosofia, Ciências e Letras de São José avós paternos Waldemar e Terezinha e
do Rio Pardo (SP) – FEUC e da UNIPINHAL maternos, Marlene e Oswaldo;
(SP), pela convivência e questionamen- Aos colegas de profissão, Marcelo
tos que puderam servir de base para o Rodrigues, Estevam Oscar, Celso Bertozzi,
interesse na discussão desse assunto. Em Júlio, Luís Felipe, Sidnei de Parólis,
especial, aos professores e demais profis- Raphael Carneiro, Silvio César, Rogério
sionais das instituições: Ricardo Taveira, e, em especial, ao amigo Marcus Vinícius
Roque, Gustavo, Chico, Cleide e Germano; Campos;
A todos os companheiros de graduação Aos professores do Curso de Educação
do Curso de Educação Física da Unifae, Física da Unifae, da Pós-Graduação
do Curso de Pós-Graduação Lato-Sensu Lato-Sensu em Treinamento Desportivo
em Treinamento Desportivo da UniFMU, e da UniFMU, e da Pós-Graduação Stricto-
do Curso de Pós-Graduação Stricto-Sensu Sensu, pelos ensinamentos repassados
em Motricidade Humana (UCA) pela convi- com veracidade;
vência sempre produtiva nas aulas; Em especial aos professores Antonio
Aos companheiros do Grupo de Carlos Gomes, Paulo Roberto de Oliveira,
Estudos e Pesquisas em Futebol e Futsal Fabiano Pinheiro Peres, pelos ensinamen-
da USP (GEPEFFS – USP), em especial tos, propostas e conceitos, que propicia-
aos amigos Renê, Bruno Folmer, Alonso ram a organização desse projeto.
DEDICATÓRIA

Ao meu pai, Orlando Miguel e minha seria insuficiente para mostrar minha
mãe, Kátia Crivelari Miguel, pela real imensa gratidão.
demonstração de afeto, amor, carinho, À minha irmã, Gisele Miguel, pelo conví-
compreensão, honestidade e apoio em vio sempre produtivo e pela demonstração
todos os momentos da minha caminhada. de respeito e orgulho.
Sem eles, todos estes momentos tornar- À Thayrine, pelo carinho, apoio, afeto e
se-iam impossíveis, portanto, uma vida partilha.
APRESENTAÇÃO
Tiago Volpi Braz*

Alinhado com as teorias recentes em Neste sentido, é importante o destaque


pedagogia do esporte, este livro traz inúme- colocado para a dimensão tática da modali-
ras contribuições para o futsal, modalidade dade, já que tratando-se de um espor-
que culturalmente tem um papel impor- te coletivo, o futsal está norteado pelas
tante no cenário nacional. Além disso, relações de cooperação e oposição entre
traz relações com a teoria do treinamento participantes e adversários com comple-
esportivo adequando princípios científicos, xas interações na esfera individual, setorial
planejamento e organização da estrutu- e coletiva da modalidade. Exemplos práti-
ra de preparação, bem como preza pela cos aplicáveis na realidade concretizam a
especificidade da preparação por meio de contribuição do autor com as metodologias
análise de jogo e adequação para a reali- de treinamento tático descritas.
dade competitiva. Dessa forma, os conhecimentos descri-
Um dos diferenciais desse livro é a tos neste livro certamente permitirão um
busca pela compreensão teórica aliada caminho seguro para aqueles que neces-
a vivência prática do futsal, muito em sitam prescrever o treinamento tático no
consequência da experiência acadêmica e futsal além de uma atualização rápida do
empírica do autor com o treinamento neste que de mais moderno existe nesta temáti-
esporte, fato que evidencia esta referên- ca.
cia como instrumento de conhecimento Por todo o exposto, tenho a honra de
em instituições de ensino superior e para apresentar esta obra, já que permitirá a
treinadores de categorias de base e profis- teorização de um esporte com tamanha
sional. representatividade no cenário nacional.

*Doutorando em Educação Física pela UNIMEP


PREFÁCIO
Marcus Vinícius de Almeida Campos*

Prefaciar um livro é uma honra e uma capítulo, em que são descritos os aspec-
responsabilidade enorme, mas quando o tos físicos, técnicos, psicológicos e sua
autor é um amigo, esta responsabilidade, o influência no desenvolvimento tático do
prazer e a honra se tornam ainda maiores. atleta e da equipe.
Tenho observado de perto o avanço O quarto capítulo traz ao leitor os
acadêmico de Henrique Miguel, e a sua sistemas de jogo, que são os responsá-
preocupação em não levantar teoria, sem veis diretos na estruturação tática de uma
a qual não exista vivência prática. equipe. O autor deixa evidente os princi-
O livro “Treinamento Tático no Futsal” pais aspectos de cada sistema e suas
é uma obra onde observo esta sua marca. aplicações.
Aqui, com uma linguagem simples e clara, Uma reflexão quanto aos métodos de
embasada na ciência do treinamento ensino global e sintético é proposta pelo
desportivo, a teoria do treinamento tático autor no quinto capítulo, discutindo a
é proposta de forma aplicável, dentro da tendência atual, porém de uma forma que
realidade do leitor. o leitor se sinta livre para trabalhar com o
No primeiro capítulo, onde o conceito método que julgar melhor.
de tática é definido, o autor descreve de Os conceitos teórico-científicos da
maneira clara as principais diferenças dos periodização tática (PT), algo muito discuti-
atletas nas várias ações táticas ofensivas do no desporto coletivo atual, são aborda-
e defensivas, além de abordar variadas dos no sexto capítulo, onde de maneira
situações de jogo, trazendo dados recen- simples e prática o autor discorre sobre as
tes de competições dos diversos níveis. características, conceitos metodológicos
No segundo capítulo, o autor aborda o e princípios da PT, bem como possíveis
processo ensino-aprendizagem dos fatores inadequações a sua utilização.
táticos, destacando o que há de mais No capítulo final, são propostos exercí-
importante ao trabalhar o ensino tático à cios práticos, onde a teoria dos capítulos
atletas de futsal. anteriores pode ser trabalhada em diver-
As condições influenciadoras no desen- sas situações e objetivos.
volvimento tático do atleta e de uma Uma boa leitura e desfrutem ao máximo
equipe de futsal são abordadas no terceiro dessa obra.

*Docente do Curso de Educação Física da Faculdade de


Filosofia, Ciências e Letras de São José do Rio Pardo – FEUC
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO............................................................................................................ 15

PARTE 1
BASES E CONCEITOS DO TREINAMENTO TÁTICO NO FUTSAL

CAPÍTULO I
1. CONCEITOS TÁTICOS NO FUTSAL.................................................................. 19

Definição ................................................................................................................ 19
Tática ofensiva ...................................................................................................... 20
Tática defensiva .................................................................................................... 20
O futsal como esporte de cooperação/oposição................................................ 21
Funções dos atletas na organização tática do futsal ........................................ 22
Função em relação à zona de posicionamento .................................................. 25
Situações de jogo e ações táticas ....................................................................... 26
Contra-ataques ..................................................................................................... 26
Ações do goleiro linha .......................................................................................... 28

CAPÍTULO II
2. INTELIGÊNCIA TÁTICA NOS JOGADORES DE FUTSAL................................ 31

Aprendizagem tática ............................................................................................. 31


Fatores que compõem a aprendizagem tática.................................................... 33
Fundamentação.................................................................................................... 33
Formação.............................................................................................................. 34
Princípios............................................................................................................... 34
Aprendizado tático e as ações de jogo................................................................ 36

CAPÍTULO III
3. FATORES QUE INTERFEREM NO DESENVOLVIMENTO TÁTICO.................. 40

Condições individuais e coletivas........................................................................ 41


Condições de jogo................................................................................................. 42
Condições da regra de jogo.................................................................................. 43
Condições do processo de comunicação/ação.................................................. 44

CAPÍTULO IV
4. SISTEMAS DE JOGO NO FUTSAL.................................................................... 45

Definição dos sistemas de jogo............................................................................ 45


Sistema 2-2............................................................................................................. 46
Sistema 3-1............................................................................................................. 46
Sistema 1-1-2/ 2-1-1/, “Y” ou funil......................................................................... 46
Sistema losango..................................................................................................... 46
Sistema 4-0............................................................................................................. 48
Sistema 1-4............................................................................................................. 48

PARTE 2
TENDÊNCIAS ATUAIS PARA O TREINAMENTO TÁTICO NO FUTSAL


CAPÍTULO V
5. TREINAMENTO TÁTICO GLOBAL E ANALÍTICO SINTÉTICO......................... 51

Treinamento tático global...................................................................................... 51


Treinamento analítico sintético............................................................................. 53

CAPÍTULO VI
6. PERIODIZAÇÃO TÁTICA NO FUTSAL.............................................................. 55

Uma nova tendência de treino.............................................................................. 55


Características da periodização tática (PT)......................................................... 55
Conceitos metodológicos da periodização tática............................................... 57
Princípio da hierarquização dos componentes de jogo......................................... 58
Princípio da especificidade do modelo de jogo..................................................... 59
Princípio da alternância horizontal........................................................................ 60
Princípio das propensões...................................................................................... 61
Princípio da progressão complexa........................................................................ 61
Subprincípio da intensidade e concentração decisional....................................... 62
Subprincípio da liderança...................................................................................... 63
Subprincípio da descoberta guiada....................................................................... 63
Precipitações na utilização da periodização tática............................................. 63

PARTE 3
METODOLOGIAS PRÁTICAS APLICADAS AO TREINAMENTO TÁTICO NO
FUTSAL

CAPÍTULO VII
7. EXERCÍCIOS PRÁTICOS.................................................................................... 66

A utilização dos jogos reduzidos.......................................................................... 66


Jogos de manutenção de posse de bola............................................................. 66
Jogos de superioridade e inferioridade numérica.............................................. 67
Jogos de transição................................................................................................. 69
Jogos de utilização efetiva do pivô...................................................................... 69
Jogos de largura e profundidade......................................................................... 72
Jogos de utilização do goleiro linha.................................................................... 75

REFERÊNCIAS........................................................................................................... 78
“Quanto mais aumenta nosso
conhecimento, mais evidente fica
nossa ignorância”.

(John F. Kennedy)
Treinamento Tático no Futsal 15

INTRODUÇÃO

Com o avanço da ciência do treina- Tal fato proporcionou debates que


mento desportivo, os vários fatores que ocasionariam as profundas mudanças nas
englobam a dinâmica do esporte têm sido regras e auxiliariam na modificação das
cada vez mais estudados e avaliados estruturas de planejamento do treinamento
pelos profissionais das diversas modali- desportivo da modalidade. Contudo, muito
dades competitivas profissionais. O futsal, trabalho ainda deve ser feito para que a
como parte integrante dessa proposta de lacuna existente entre o campo prático e o
estudos, atualmente, passa por transfor- teórico da modalidade possa ser superada,
mações notórias, no seu contexto de traba- facilitando a comunicação entre todos os
lho físico, técnico e tático, mostrando um componentes da comissão técnica de uma
crescimento assustador nos mais diferen- equipe.
tes e variados cantos do mundo (Miguel e Os fatores físicos do futsal têm sido
Campos, 2012). bastante abordados por especialistas e
Como desporto coletivo de quadra, tal profissionais da área, sendo que muitas
qual o basquetebol, o voleibol e o hande- pesquisas apontam dados relevantes e
bol, o futsal necessita de uma análise importantes sobre as capacidades mais
minuciosa para otimização de suas diver- exigidas em uma partida de futsal (Campos,
sas vertentes de trabalho, a fim de buscar Miguel e Rodrigues, 2012). Por meio da
um perfeito nível esportivo para os atletas descrição desses estudos, podemos deter-
que compõem o grupo, culminando numa minar a carga de trabalho realizada por
proposta mais eficaz de rendimento coleti- cada jogador no contexto de um jogo, de
vo dentro de uma partida ou de uma um campeonato, ou até mesmo, durante
competição. uma temporada. Por exemplo, é possível
Na busca pela evolução, o futsal tem saber quantos metros, ou quilômetros, um
se destacado como uma das modalidades ala percorre em uma partida.
que procuram amplamente a aproximação Pode-se verificar com muita clareza,
da ciência. também, a intensidade desses desloca-
Esta moderna visão possibilitou várias mentos (corrida frontal, corrida lateral,
parcerias entre clubes e universidades, de deslocamento de costas, corrida de baixa
forma a modificar e desenvolver o antigo intensidade, de alta intensidade ou sprint,
“futebol de salão”. etc.), e qual o tempo médio que esse atleta
16 Henrique Miguel

necessita para se recuperar, no que diz sua disseminação para a proliferação dos
respeito ao seu aporte fisiológico, para padrões de jogo da modalidade.
sair e entrar durante o jogo e conseguir Penso que o futsal atualmente no
um rendimento ideal (o maior tempo e da Brasil, assim como o futebol, já é um
melhor forma possível). fator cultural. Nasce e cresce regionaliza-
Os fatores técnicos, por sua vez, preci- do com o ambiente ao qual está inserido.
sam ser treinados e trabalhados desde a Dessa forma, em cada lugar do país há
seleção e preparação do atleta nas catego- uma maneira diferente de se trabalhar, de
rias que iniciam a modalidade. A automa- se jogar e de se aprender futsal. Porém,
ção desses fatores na sua forma de reali- felizmente não há um modelo fixo, que
zação ideal leva o jogador a patamares decida o que cada jogador aprenderá ou o
essenciais para a prática do futsal. Nas que cada equipe deverá fazer durante uma
categorias maiores, o atleta irá lapidar e partida. Os fatores táticos estão envolvidos
maximizar suas potencialidades a fim de nessa proposta.
tornar-se extremamente eficiente na reali- É necessário que haja um direciona-
zação das mesmas durante uma partida. mento de atitudes que possa surpreender o
Em suma, um atleta destro precisa ter adversário em determinados momentos do
eficiência também nas habilidades exigidas jogo, onde possa haver um desequilíbrio
com sua perna esquerda, ou vice-versa. defensivo que acarretará numa superiori-
Como o futsal tornou-se uma modali- dade ofensiva. Em contrapartida, é neces-
dade muito rápida durante sua evolução, sário que uma equipe possua manobras
os processos defensivos de marcação defensivas que impeçam as investidas do
dão poucos espaços para as investidas ataque adversário, evitando jogadas que
de ataque, fazendo com que os atletas levem perigo à sua meta.
busquem alternativas imediatas para O treinamento tático na literatura inter-
desestabilizar esse sistema. Assim, as nacional é pouco discutido, porém, tem
noções técnicas juntamente com os papel fundamental durante um macroci-
processos de consciência corporal, são clo de trabalho dentro das modalidades
fundamentais para o êxito esportivo indivi- coletivas. Há duas maneiras distintas de
dual e coletivo. se trabalhar os fatores táticos durante um
Todavia, um fator pouco estudado no período de treinamento. O primeiro deles,
âmbito do futsal é a proposta de trabalho e mais utilizado, é trabalhar de maneira
tático de uma equipe. Por ser de difícil visua- fracionada junto a outras capacidades, ou
lização durante uma partida e de complexo seja, trabalhar os fatores físico, técnico e
entendimento por parte de muitos estudio- tático em sessões de treino separadas.
sos do esporte, essa proposta é bem Nessa proposta, embora o controle do
menos evidente quando comparada aos trabalho seja mais preciso, perde-se um
fatores físicos e técnicos. Pouquíssimos pouco a confiabilidade quanto ao aspecto
estudos refletem os paradigmas táticos de sua especificidade.
que são utilizados no futsal de alto nível, Em contrapartida, uma nova tendência
deixando apenas aos processos do cotidia- de treinamento tático vem assumindo papel
no de treinamento seu conhecimento e importante na periodização desportiva da
Treinamento Tático no Futsal 17

modalidade. O treinamento tático global, Não é objetivo desta obra manifestar


ou como denominam alguns profissionais preferência por um ou outro tipo de treina-
da área, periodização tática, vem tomando mento tático. Primeiramente, é importante
forma e está sendo inserida gradualmente termos em mente que seu plantel defini-
no planejamento de trabalho das equipes rá o tipo de trabalho a ser realizado. A
de alto nível. consciência tática dos atletas de um grupo
Abordada principalmente por estudio- é responsável pelo sucesso do mesmo
sos do esporte português, essa proposta no que se refere aos fatores anteriormen-
está cada dia mais presente no cotidiano te mencionados, e essa não é uma tarefa
de treinamento do futebol, e, por sua vez, fácil. Existem muitos pontos que podem
vem rompendo as barreiras dos esportes interferir nas respostas táticas de um
coletivos, chegando também ao futsal. Tal atleta, e o profissional deve estar atento a
contexto define que os fatores do treina- esses acontecimentos.
mento não devem ser divisíveis, fazen- Espero que o entendimento desta obra
do com que as atividades presentes no possa auxiliá-lo de diversas maneiras no
desenvolvimento do treinamento possam seu âmbito de trabalho, sendo uma ferra-
proporcionar aos atletas situações mais menta que venha a somar na sua brilhante
parecidas às circunstâncias reais que carreira como profissional dos esportes.
encontrarão durante o contexto de um ou
mais jogos. Boa leitura.
PARTE 1

BASES E CONCEITOS DO
TREINAMENTO TÁTICO NO FUTSAL
Treinamento Tático no Futsal 19

1
CONCEITOS TÁTICOS NO FUTSAL

DEFINIÇÕES Na maioria das vezes, os acontecimentos


decorridos durante um jogo não se repetem
Segundo Garganta (2000), a tática sempre na mesma ordem cronológica. Por
pode ser entendida como um processo que esse motivo, é necessário que os atletas
se refere à maneira ou à forma com que aprendam a tomar decisões rápidas, possi-
os atletas, principalmente das modalidades bilitando a resolução de ações-problema
coletivas, consigam manifestar-se duran- da melhor forma possível. Esse processo
te os vários momentos de um jogo. As de tomada de decisões é uma atitude ou
experiências táticas adquiridas em contex- ação tática que pressupõe a atitude cogniti-
tos anteriores podem resultar em uma va do atleta e tem uma participação efetiva
melhor adaptação tática, configurando a do treinador como elo entre o conhecimen-
especificidade adequada de cada modali- to e o desenvolvimento do jogador (Paula
dade competitiva esportiva. Dessa forma, et al., 2000).
busca-se o planejamento adequado que irá É importante ressaltar que nos espor-
focar um objetivo específico de acordo com tes coletivos, não basta ao atleta dominar
as pretensões de uma equipe. profundamente os conceitos táticos indivi-
A tática é representada através de atitu- duais. É necessário que o jogador tenha em
des, procedimentos e ações que podem ser mente um aprendizado global das propos-
realizados tanto no âmbito ofensivo quanto tas táticas coletivas, proporcionando uma
no defensivo, que visa a melhor utilização melhor interação com o meio instável onde
dos fatores e gestuais técnicos, proporcio- acontece o jogo. As diferentes mudan-
nando uma supremacia ou um desequilí- ças repentinas existentes nessa situação
brio no processo tático adversário. A tática necessitam do entendimento coletivo, a fim
nos esportes pode ser visualizada como de construir recursos que possam capaci-
recurso fundamental na tentativa de suces- tar a equipe a vencer obstáculos propostos
so dentro de um jogo, abrangendo todos por seu adversário.
os demais elementos (físicos, técnicos e A tática de jogo no futsal pode ser dividi-
psicológicos) que podem influenciar nessa da em duas situações: a primeira define-se
perspectiva. por tática de ataque ou ofensiva e, a segun-
Os esportes coletivos possuem carac- da, por tática de defesa ou defensiva.
terísticas que são totalmente imprevisíveis.
20 Henrique Miguel

TÁTICA OFENSIVA TÁTICA DEFENSIVA

A tática ofensiva tem início quando a A tática defensiva diz respeito às ações
equipe detém a posse de bola e necessita em que a equipe não detém a posse de
de situações-problema para desequilibrar bola, tentando impedir que o adversá-
o sistema defensivo adversário. O conceito rio consiga o desequilíbrio em seu setor
principal para essa situação é a realização defensivo.
de uma manobra que possibilite a criação de A marcação pode ser realizada indivi-
superioridade numérica sobre a defesa. dualmente ou em zona, aumentando ou
Este processo visa a troca rápida de diminuindo os espaços da quadra de jogo
passes entre os componentes de uma equipe, adversária. Essa proposta pode ser feita
as movimentações diferentes no espaço da sob pressão, meia pressão, quadra inteira,
quadra (ambiente de jogo), gerando confu- meia quadra, marcação com dobra, marca-
são entre os defensores oponentes. Também ção sem dobra, e outras inúmeras termi-
faz parte das táticas ofensivas às infiltrações nologias que são vistas nas instruções dos
no sistema defensivo, o desequilíbrio gerado vários profissionais que trabalham com a
pela ação ofensiva coletiva ou individual de modalidade.
forma racional e planejada e a utilização A Tabela 1 explica com mais clareza
inteligente dos fatores técnicos que possam os fatores encontrados nas propostas de
gerar benefícios frente ao adversário. ações táticas ofensivas e defensivas no
Todas essas propostas visam o objetivo de futsal atual.
marcar o gol e buscar uma vantagem real na Contudo, visualizando todos os termos
partida e no placar final, culminando na vitória. descritos anteriormente, é importante que
Treinamento Tático no Futsal 21

não façamos confusões entre tática e O FUTSAL COMO ESPORTE DE


estratégia. Tática é a aplicação incisiva e COOPERAÇÃO/OPOSIÇÃO
concreta dos meios de ação e estratégia é
o processo ao qual adaptamos a tática aos Segundo Ferreira (2001), o futsal, como
objetivos escolhidos. outros esportes coletivos, orienta-se por
22 Henrique Miguel

movimentações e ações de ataque e defesa FUNÇÕES DOS ATLETAS


realizadas quase que simultaneamente NA ORGANIZAÇÃO
pelas duas equipes envolvidas na partida, TÁTICA DO FUTSAL
tendo como objetivo principal a realização
do maior número de gols na equipe adver- Como dito anteriormente, o futsal é uma
sária, impedindo que essa faça o mesmo. modalidade na qual atletas se enfrentam
Esse constante processo de ataque contra em duas equipes de cinco jogadores cada
defesa durante toda a partida, torna o jogo uma, sendo um deles o goleiro. No futsal,
de futsal muito atraente aos espectadores, como nas demais modalidades coletivas,
proporcionando um ótimo espetáculo aos é importante haver jogadores que possam
apaixonados pelo esporte. ocupar certos lugares dentro da quadra
O futsal enquadra-se nos esportes de (ou campo) de jogo, a fim de maximizar o
cooperação/oposição, em que aconte- desempenho da equipe, proporcionando
ce uma intervenção sobre a bola (objeto situações favoráveis ao ataque ou à defesa
móvel), de forma alternada, conforme durante os vários momentos de uma parti-
demonstração na Figura 1 (Bayer, 1986; da. Essa divisão entre os atletas é funda-
Moreno, 1994; Graça e Oliveira, 1995). mental para todo o processo de trabalho da
Treinamento Tático no Futsal 23

equipe, desde o treinamento até os jogos futsal utilizam-se, na maior parte das vezes,
propriamente ditos. dos mesmos recursos físicos durante uma
É importante esses posicionamentos partida; portanto, descrevo a seguir esses
serem aprendidos já nas categorias de jogadores e suas principais características
base, sendo apenas aprimorados poste- quanto à sua função tática no jogo de futsal.
riormente nos vários anos de vivência
da modalidade. Dessa forma, exige-se
a atuação dos jogadores em diferentes O goleiro
posições, desempenhando funções múlti-
plas. • É o atleta responsável por impedir a
Esse complexo processo deve ser pauta- entrada da bola em sua baliza (Figura 2);
do na versatilidade, exigindo dos técnicos • Quando fora de sua área de meta,
e responsáveis da área novas condutas e trabalha a bola com seus pés e passa
propostas pedagógicas (Santana, 2004). a ser um jogador de linha como os
O aprendizado tático adquirido pelo atleta demais, atuando no sistema ofensivo
necessita de vários momentos importan- que é designado dentro do padrão de
tes, passando por adaptações e readap- jogo da equipe;
tações neurofisiológicas, culminando num • É peça fundamental no futsal atual,
processo de inteligência tática do jogo. pois, além de ser o principal jogador do
Podemos observar, em vários momen- sistema defensivo de uma equipe, pode
tos de um jogo de futsal, situações táticas auxiliar de forma efetiva nos movimen-
que podem modificar a organização normal tos de ataque e contra-ataque;
de uma equipe. Contudo, a maior parte dos • Possui padrões e aspectos fisiológi-
profissionais da modalidade procura ter em cos diferentes dos demais jogadores
quadra, na maior parte do tempo (quando em uma partida de futsal.
em condições normais de jogo), a seguin-
te definição de elenco: um goleiro, um fixo,
dois alas e um pivô. O fixo
Por ser um esporte intermitente, dinâmi-
co e de diversas movimentações por parte • Responsável pelo processo funda-
dos jogadores durante a realização do jogo, mental de destruição de jogadas adver-
vários atletas têm buscado exercer mais de sárias, sendo peça essencial na inicia-
uma função dentro de quadra, facilitando a ção de um contra-ataque (Figura 3);
organização tática de sua equipe. • Serve de referência aos demais
O equilíbrio defensivo e ofensivo de companheiros na montagem do sistema
uma equipe necessita do entendimento defensivo, bem como dificulta qualquer
tático colocado em questão. As respostas armação de ataque da equipe adversá-
dadas pelos atletas durante a partida é de ria;
extrema responsabilidade dos integrantes • Ocupa sempre uma região frontal à
da comissão técnica que prescrevem e sua meta, utilizando-se do referencial
repassam o treinamento. da sua meia quadra até a área penal a
Com exceção do goleiro, os jogadores de qual defende.
24 Henrique Miguel

Os alas O pivô

• Responsáveis pela movimenta- • É o homem de referência ofensiva em


ção lateral da equipe, utilizam-se de uma equipe de futsal (Figura 5);
jogadas paralelas com as linhas laterais • É responsável, principalmente, por
da quadra e movimentações diagonais servir os companheiros que estão
que dificultam a marcação adversária melhores posicionados para a finaliza-
(Figura 4); ção do gol;
• Em momentos defensivos, os alas • Geralmente é um atleta fisicamente
auxiliam na cobertura, mantendo forte, conseguindo trabalhar de costas
sempre o balanço defensivo, buscando para a meta adversária, facilitando o
a superioridade numérica de defesa, o trabalho de seus companheiros nas
que dificulta as ações de ataque adver- investidas de ataque;
sárias; • Ocupa um espaço localizado da meia
• Na maioria das vezes, são os atletas que quadra ofensiva, até a área penal do gol
mais finalizam durante uma partida e os que que está atacando;
mais tocam na bola durante uma jogada. • Quando cria um deslocamento total
Treinamento Tático no Futsal 25

para as laterais da quadra, auxilia na de futsal, é observá-los de acordo com a


movimentação diagonal dos alas e na zona de posicionamento na quadra. Por
movimentação paralela do fixo, princi- exemplo, quando uma determinada equipe
palmente nas jogadas ofensivas. está defendendo e seu ala está na zona de
atuação do fixo, esse ala passa a exercer
a função do fixo momentaneamente (Figura
FUNÇÃO EM RELAÇÃO À 6).
ZONA DE POSICIONAMENTO O mesmo acontece quando um pivô
desloca-se para a zona de atuação do ala,
Por se tratar de uma modalidade em passando a realizar o papel de ala durante
que os atletas estão em constante desloca- aquele momento específico do jogo. Tal fato
mento, podemos observar que nem sempre obriga os atletas da modalidade a vivencia-
os jogadores ocupam suas respectivas rem todas as propostas táticas possíveis em
posições em vários momentos da partida. uma partida de futsal, a fim de desenvolver
Sendo assim, outra forma de definir um repertório avançado de ações de jogo.
o posicionamento tático dos jogadores
26 Henrique Miguel

SITUAÇÕES DE JOGO E disputam uma partida. A versatilidade dos


AÇÕES TÁTICAS atletas é fundamental, tanto no ataque
(terminando uma jogada com a marca-
As situações de jogo são os fatos ção do tento), quanto na defesa de sua
ocorridos durante uma partida que podem meta (não deixando que o atleta adversá-
ocasionar propostas transformadas em rio consiga chegar facilmente ao gol que
vantagens no decorrer de uma jogada está defendendo). O contra-ataque pode
ou ato de jogo. Muitas dessas situações ser direto ou indireto (Bello Júnior, 1998;
podem ser observadas em propostas Garganta, 2002).
defensivas, ofensivas, recuperações de
bola ou ações de bolas paradas.
Contra-ataque indireto

Contra-ataques O contra-ataque indireto é consequên-


cia de um desarme, ocorrido principalmen-
No futsal, os contra-ataques são muito te na defesa, onde há a troca de passes
frequentes, devido à constante troca entre os jogadores até o momento ideal de
de posse de bola entre as equipes que conclusão à meta adversária.
Treinamento Tático no Futsal 27

Contra-ataque direto constituíram-se de contra-ataques diretos


e 22% caracterizaram-se como contra-ata-
O contra-ataque direto, poderia ser ques indiretos. Dos contra-ataques carac-
assim descrito, para situações quando terizados como diretos, 28% desses foram
ocorre um novo ataque através de uma iniciados pelo goleiro, mostrando a impor-
defesa do goleiro e o passe desse é feito tância desse jogador durante a situação de
para um jogador de linha progredir em jogo em destaque (Tabela 2).
direção à meta adversária com situação Outra pesquisa que pode descrever tal
favorável à marcação do tento. situação foi a de Marchi et al. (2010). Os
Poucos estudos ainda têm se preocupa- autores analisaram 20 partidas da Liga
do com as ações táticas do futsal, porém, Nacional de Futsal do ano de 2009. De
elas podem auxiliar de maneira significati- acordo com os dados do estudo, foram
va na prescrição do treinamento da modali- observados 285 contra-ataques, estabe-
dade. lecendo uma média de 14,47 (± 3,791)
Ferreira (2004), abordando as situa- contra-ataques por partida. Durante as
ções de contra-ataque no futsal, pesqui- partidas pesquisadas, 88 gols foram anota-
sou nove partidas do campeonato mundial dos, sendo que 30 deles ocorreram em
universitário da modalidade, sendo que situações de contra-ataque. O levantamen-
as seleções observadas foram Ucrânia, to minucioso da pesquisa pode ser obser-
Rússia e Brasil. Das 277 ações obser- vado na Tabela 3.
vadas durante as partidas pesquisadas Quando a equipe estiver bem postada
pelo autor, 39% delas, ou seja, 108 ações em quadra, as oportunidades de contra-
ocorreram em contra-ataques, demons- ataque ocorrem com mais frequência,
trando a quantidade de oportunidades fazendo com que uma equipe possa tirar
construídas ao contra-atacar. vantagem desse propósito frente à outra. É
Santana e Garcia (2003), abordando a importante ressaltar então, que o contra-a-
mesma temática de Ferreira (2004), busca- taque mostra-se uma arma fundamental na
ram estudar a incidência de contra-ataques estrutura de jogo de um time.
em uma competição profissional do futsal São mais frequentes as oportunidades de
brasileiro. Foram analisadas 28 partidas, contra-ataque quando a equipe estiver bem
observando-se que 521 ações foram reali- postada em quadra. Essa vantagem frente ao
zadas em contra-ataques, em que 78% adversário ratifica a importância dessa tática
28 Henrique Miguel

na estrutura de jogo, pois o erro em empregá- a realização dessa ação não é feita por um
la pode acarretar uma ação contrária, com goleiro de fato, e sim, por um atleta de linha
igual ou maior perigo à meta defendida. que busca um ponto diferencial no balanço
ofensivo da equipe, sendo quase sempre
usada nas partidas em que o resultado não
Ações do goleiro-linha é favorável, e necessita-se reverter esse
quadro.
No futsal atual, a atuação do goleiro Quando colocada em prática, a ação do
deixou de ser vista como a de um atleta goleiro-linha no futsal modifica toda a estru-
que está restrito apenas às funções de tura tática, não apenas da equipe que está
defesa dentro da área de meta. Esse realizando a movimentação, mas também,
jogador, ultimamente, tem papel impor- da equipe que atua contra esse sistema.
tantíssimo nos contra-ataques, após uma Uma maior demanda fisiológica por parte
defesa ou uma rápida reposição de bola; dos defensores é requerida, pois a marca-
no futsal de alto nível, pode ser um jogador ção sempre deverá ser feita com um atleta
a mais dentro do sistema de jogo ofensi- a menos (situação de 5x4), mesmo esse
vo de sua equipe (Soares, 2012). A partir embate ocorrendo em uma quadra reduzi-
do momento em que sai de sua área, pode da (na maioria das vezes meia quadra,
jogar com os pés como se fora os demais chegando a um terço de quadra em alguns
jogadores de linha, podendo ter contato de momentos).
quatro segundos com a bola em sua meia A equipe que mantém o poder ofensivo
quadra e posse ilimitada na quadra adver- também deverá sofrer modificações duran-
sária. te o processo, pois as movimentações
Para buscar uma situação tática ofensiva deverão ser mais intensas e a procura por
de mais eficácia, em muitas oportunidades, um espaço melhor e uma chance ótima
Treinamento Tático no Futsal 29

para a marcação do tento deverão ocorrer um atleta a mais na quadra de ataque para
com mais veemência. um engajamento que resulte no gol.
Soares et al. (2012) observaram que Contudo, há divergências entre a utili-
muitos técnicos de elite do futsal brasileiro zação desse sistema, pois, apesar de ser
adotam com frequência a ação do goleiro- favorável ao ataque, 83,3% dos técnicos
linha. Dessa forma, investigaram a utiliza- que responderam à pesquisa, disseram
ção desse sistema de jogo e sua importân- também já terem perdido jogos devido
cia para os treinadores, na Liga Nacional à utilização dessa tática. O fato ocorreu
de Futsal do ano de 2011. principalmente no erro de passes no
Os autores do estudo entrevistaram os ataque, na finalização deficiente ou na falta
comandantes de equipes de elite do futsal de atenção do engajamento de ataque.
brasileiro e notaram, através das respostas A Figura 7 representa a ação tática
dos técnicos, que a função do goleiro-linha, capaz de gerar uma situação de 5 jogado-
em sua totalidade, é a tentativa da mudan- res contra 4 adversários (5x4 na linha), com
ça do resultado da partida, através da o goleiro colocado de diversas formas pela
variação tática ofensiva, somando sempre quadra de jogo.
30 Henrique Miguel
Treinamento Tático no Futsal 31

2
INTELIGÊNCIA TÁTICA NOS
JOGADORES DE FUTSAL

APRENDIZAGEM TÁTICA propósitos técnicos, mas também, a liber-


dade de ocupação dos espaços de todos
Para que os atletas de futsal (ou das os setores da quadra de jogo. O atleta (na
demais modalidades coletivas) possam assimilação dos fatores táticos) precisa
efetivar as estratégias ofensivas e defen- praticar e vivenciar todas as funções de
sivas da melhor forma possível, é funda- jogo existentes no futsal, sem necessida-
mental que os aspectos cognitivos de de inicial de especialização. É necessário
ensino-aprendizagem sejam assimilados “sentir” o jogo, para que o mesmo faça
de maneira integral, a fim de proporcionar sentido ao atleta.
ao jogador um conjunto de habilidades que Seguindo os relatos de Greco (2009),
lhe possa servir de instrumento nas diver- a fundamentação tática dos atletas de
sas situações que encontrará durante a futsal possui relação direta com as situa-
partida (Greco, 2006). ções básicas do processo ensino-apren-
Santana (1996) descreve ser o perío- dizagem vinculadas ao desenvolvimen-
do da adolescência o mais adequado para to paralelo dos aspectos cognitivos
absorção da iniciação tática. Nesse perío- individuais. Dessa forma, as capacidades
do, os jovens passam pela transição das de perceber, antecipar, agrupar, cobrir ou
categorias menores para as maiores. Esse definir a melhor situação a ser emprega-
amadurecimento na modalidade tem seu da durante o momento específico do jogo,
alicerce embasado nas mudanças neuro- só são possíveis quando o atleta conhece
fisiológicas que ocorrem individualmente e assimila tal situação ao seu repertório
com o atleta. individual. Portanto, é de suma importância
Para a aquisição tática, é necessá- que os treinadores do futsal conheçam os
rio que os profissionais da modalidade mais variados processos cognitivos indivi-
não retirem do atleta a espontaneida- duais, sendo que esse fator torna-se de
de e a criatividade. É dever do treinador grande importância ao treinamento tático
das categorias de base proporcionar ao da modalidade. A seguir, descrevo alguns
jovem o maior número possível de vivên- desses fatores que considero fundamen-
cias motoras, que incluem não apenas os tais.
32 Henrique Miguel

Percepção pessoa pode antecipar o produto de uma


ação (metas da ação), as consequências
É o processo de extração da informa- (efeitos da ação) e os valores da ação
ção do meio ambiente, em que o indiví- (sentido da ação), bem como antecipar um
duo consegue dar significado às coisas e processo geral dessa ação (aspecto instru-
aos objetos, a partir de um conhecimento mental), (Samulsky, 2009).
prévio. A percepção está em constante
interação com o aprendizado (Paula et al.,
2000). Inteligência

É definida como uma capacidade


Atenção mental de observar, raciocinar, planejar,
resolver problemas, pensar de maneira
Estado seletivo e intenso da percepção, abstrata, compreender ideias complexas
sendo que somente uma pequena quanti- e aprender. A inteligência é constituída por
dade desses estímulos sensoriais eviden- três habilidades mentais: analítica, criativa
cia-se na percepção. Quando apoiada na e prática (Stemberg, 2005).
experiência e na cognição, focaliza somen-
te o que se deseja perceber. Nos esportes,
pode ser dividida em atenção concentrati- Pensamento
va, distributiva e capacidade de alternação
da atenção (Samulsky, 2009). Pode ser visualizado de duas manei-
ras. O pensamento convergente aplica-
se quando o jogador procura resolver um
Memória problema com uma sequência definida e
hierárquica de alternativas, evidenciando
Capacidade de adquirir, conservar e uma solução mais adequada. Em contra-
restituir informações provindas de uma partida, o pensamento divergente é prati-
situação já realizada, observada ou viven- cado em situações em que não se percebe
ciada. Tanto a memória de curta duração uma hierarquia de fatores de ações e há
quanto a de longa duração refletem o várias propostas de diferentes e possíveis
processo de armazenamento e recupe- resoluções. Esse tipo de pensamento está
ração de experiências (De Vries, 1986; ligado diretamente à criatividade do indiví-
Doron e Parot, 2002). duo, sendo que as duas formas de pensa-
mento relacionam-se entre si e fornecem
subsídios uma à outra (Greco, 1999).
Antecipação

Processo de perceber e avaliar uma Tomada de decisão


situação antes do seu acontecimento. É
baseada em experiências anteriores e na É o processo relacionado à seleção de
cognição. De maneira intencional, uma uma resposta em meio a várias respostas
Treinamento Tático no Futsal 33

possíveis. Dessa forma, consiste em • Capacidade de marcar e desmarcar-


determinar as possibilidades de suces- se;
so na análise de certos resultados em • Capacidade de organizar sua equipe
diferentes probabilidades. A tomada de em quadra.
decisão envolve todos os processos
cognitivos abordados anteriormente e
solidifica-se num atleta, quando está efeti- FATORES QUE COMPÕEM O
vamente ligada à efetuação de uma habili- APRENDIZADO TÁTICO
dade motora (padrão técnico) relaciona-
da ao contexto de uma ação (Dantas e Como abordado anteriormente, o
Manoel, 2005). desenvolvimento adequado dos compo-
O componente tático (individual e nentes cognitivos, por meio do treinamen-
coletivo) torna-se fator de grande impor- to sistematizado, orientado e organizado,
tância nos esportes coletivos e proble- pode auxiliar de maneira significativa na
mática de grande relevância no processo formação, estruturação e compreensão
ensino-aprendizagem-treinamento. tática dos atletas de futsal.
A eficácia das propostas táticas depen- Portanto, Weineck (1986), aborda três
de de vários fatores. Segundo Paoli pilares para o desenvolvimento tático dos
(2008), a inteligência tática do jogador atletas das modalidades coletivas.
deve ser visualizada e configurada por
meio de alguns pontos:
Fundamentação
• Capacidade de realizar coberturas;
• Sentido de formação e disciplina São as propostas que fundamentam e
tática; servem de base para a estruturação da aprendi-
• Capacidade de armar, marcar e finali- zagem tática. Podem ser descritas como:
zar;
• Capacidade de perceber, antecipar e
tomar decisões em diferentes situações Capacidades cognitivas
do jogo (ofensivo e defensivo);
• Executar funções ofensivas e defensi- Conhecimentos táticos, inteligência de
vas sem abandonar padrões determina- jogo e capacidade mental de adaptação,
dos pela tática de jogo; modificação e aprendizagem.
• Capacidade de jogar em espaços
reduzidos;
• Capacidade de ocupar espaços livres Habilidades técnicas
com inteligência;
• Capacidade de adaptar-se ou alterar Execução particular dos fundamentos
seu posicionamento em função da do futsal (ou de outra modalidade esportiva
tática de jogo; coletiva).
34 Henrique Miguel

Capacidades psicofísicas necessita de constante repetição. Assim,


quando o atleta automatiza uma situa-
Relação do estado físico, mental e ção, esse pode fixar a atenção em outros
emocional dos atletas. É fator de grande detalhes do jogo. Esse processo pode ser
relevância na elaboração do plano tático. chamado de autonomia das ações táticas.

Formação Instrução da capacidade de


raciocínio da modalidade
O conceito de formação voltado à tática esportiva (inteligência de jogo)
pode ser dividido em duas formas: forma-
ção teórica e formação prática. A primeira Processo em que o atleta busca uma
consiste na transmissão de informações, adaptação e uma readaptação às mudan-
visando à aprendizagem e reflexão da ças constantes durante a realização de um
modalidade, proporcionando ao atleta um jogo, nos seus mais variados momentos.
pensamento lógico dedutivo, flexível, criati-
vo e crítico. Essa proposta consiste, por
sua vez, em alguns fatores: Instrução da capacidade
de antecipação

Instrução da capacidade Busca da ampliação do número de


de aprendizagem respostas automatizadas, antecipando as
situações de jogo.
Vivenciada através da aquisição, classi-
ficação e atualização de conhecimentos
inerentes à modalidade, ou seja, situações Instrução da percepção e
de entendimento das condições de organi- treinamento da atenção
zação da modalidade.
Capacidade de agir ou reagir de forma
rápida e adequada, evitando uma sobre-
Instrução dos fatores carga desnecessária. Esse processo
emocionais e motivacionais implica na percepção correta de diversos
estímulos.
Para execução do desenvolvimento
tático, o atleta necessita do autodomínio
de suas capacidades individuais. Sem o Princípios
interesse necessário do atleta, dificilmente
se alcança um nível desejado de perfor- Os princípios da aprendizagem tática
mance. viabilizam o conhecimento tático de forma
Na formação prática, observa-se a mais abrangente. Pode ser dividido da
aquisição e assimilação dos comportamen- seguinte forma:
tos táticos. A automatização de uma ação
Treinamento Tático no Futsal 35

Formação tática trabalhando o comportamento tático base


até suas diversas variáveis.
Combinação e estruturação perfeita
entre a teoria e a prática.
Domínio tático

Comportamento tático Atingido quando as ações táticas são


realizadas nas mais diferentes situações,
Realização do processo pedagógico de principalmente em condições adversas.
ensino-aprendizagem do contexto tático. A Figura 8 apresenta um resumo sobre os
A dificuldade tende a ser progressiva, principais aspectos do aprendizado tático.
36 Henrique Miguel

APRENDIZADO TÁTICO E AS Largura


SITUAÇÕES DE JOGO
Utilização de uma movimentação que
Segundo Mutti (2003), um dos grandes consiga trabalhar o mais próximo possí-
problemas encontrados entre jogadores e vel às laterais da quadra, fazendo com
técnicos, é a comunicação entre eles. Em que o adversário forneça espaços no setor
muitas oportunidades, o atleta não realiza central defensivo, aumentando a distância
o pedido do técnico porque não consegue entre os defensores (Figura 11).
entender o que lhe foi solicitado.
Esse problema pode ocorrer por diver-
sos fatores, mas é relacionado principal- Profundidade
mente à forma com que o atleta (receptor
da informação) interpreta individualmente Utilização de uma movimentação que
a mensagem repassada. consiga trabalhar o mais próximo possível
Existem, então, várias situações tradi- da linha de fundo adversária, permitindo
cionais do futsal que devem ser bem enten- penetrações dos jogadores em espaços
didas pelos jogadores, a fim de se buscar deixados pela não compactação do setor
uma melhor realização a partir de uma defensivo (Figura 12).
automatização do procedimento tático. A
seguir, coloco alguns fatores que podem
acrescentar uma dinâmica mais efetiva no Aproximação-vazio
trabalho tático.
Conceito que visa deslocar a marca-
ção para um local específico através da
Paralela movimentação de um ou mais atletas,
abrindo espaços para a penetração efetiva
Está relacionado à movimentação do de outro atleta da equipe que ataca (Figura
atleta ou ao passe realizado numa linha 13).
imaginária paralela à lateral da quadra de
jogo (Figura 9).
Ocupação do espaço

Diagonal Situação que pode ocorrer tanto no


âmbito ofensivo quanto no defensivo,
Está relacionada à movimentação do visando evitar que espaços deixados
atleta ou ao passe realizado numa linha na quadra possam ser aproveitados de
imaginária diagonal às laterais da quadra maneira efetiva pela equipe adversária
(Figura 10). (Figura 14).
Treinamento Tático no Futsal 37
38 Henrique Miguel

Dobra de marcação simultaneamente ao passe ou ao “arrasto”


da marcação (Figura 16).
Situação que ocorre no processo defen-
sivo, em que o atleta que ataca é aborda-
do por dois jogadores do setor defensivo. Cobertura
Existem locais na quadra propícios para
a realização dessa manobra (Figura 15). Processo em que um jogador defen-
sivo abandona sua zona de marcação
para fazer a abordagem num atacante
Ultrapassagem ou “overlap” que conseguiu vencer a marcação de um
primeiro defensor (Figura 17).
Ação na qual um atleta que se encon- Existem outras inúmeras situações
tra atrás de um companheiro que detém a específicas de jogo que poderiam ser
posse de bola faz a ultrapassagem pelo citadas nesse contexto. Porém, cabe ao
mesmo, dando-lhe uma opção de jogada treinador evidenciar as mais importantes
ofensiva de passe ou de desequilíbrio da e treiná-las, a fim de proporcionar uma
marcação. É denominada overlap pelo automatização ideal às respostas do
deslocamento do primeiro atleta acontecer jogo.
Treinamento Tático no Futsal 39
40 Henrique Miguel

3
FATORES QUE INTERFEREM NO
DESENVOLVIMENTO TÁTICO

No que se refere às táticas de jogo desenvolvimento desse aspecto, respon-


no futsal, podemos citar Greco (2000), sável pelo melhor plano de jogo de uma
que corrobora a organização desse fator equipe durante uma partida ou uma compe-
nas modalidades coletivas, demons- tição (Figura 18).
trando alguns pontos importantes no
Treinamento Tático no Futsal 41

Um determinado atleta, quando neces- CONDIÇÕES INDIVIDUAIS OU


sita solucionar um problema dentro do COLETIVAS
contexto de jogo, precisa estruturar rapida-
mente uma série de fatores que o levem Condição física
à realização da tática individual. Essa
proposta torna-se mais amplamente exigi- O condicionamento físico é fator prepon-
da nos desportos coletivos, pela participa- derante para que um atleta, de qualquer
ção de vários atletas numa mesma jogada, modalidade, exerça sua atividade espor-
sendo ela uma ação tática ofensiva ou tiva num nível elevado (Bompa, 2002). O
uma ação tática defensiva. Para que a trabalho físico deve ser bem estruturado
tática da equipe seja realizada da melhor na periodização de treinamento do futsal,
forma possível, é necessário que haja uma pois a execução dos esquemas táticos
grande organização dos atletas no espaço necessita de um elevado estado físico dos
de jogo, bem como a devida estruturação jogadores.
dos papéis que cada um deve realizar Como o futsal é um esporte muito
dentro do momento em que são exigidos. dinâmico, há a necessidade de diversas
Também é importante ressaltar que movimentações e coberturas precisas. A
a distribuição de responsabilidades dos proposta de ataque e defesa está sempre
membros da equipe evita a sobrecarga em constante alternância, gerando um
de determinado atleta, tanto no âmbito grande desgaste físico nos atletas durante
de ataque quanto no de defesa, permitin- a realização do jogo.
do que o sistema de jogo flua com mais Por exemplo, uma equipe com condi-
naturalidade. cionamento físico abaixo do esperado não
Segundo Mutti (2003), vários fatores conseguirá manter uma marcação pressão
podem ser vistos como pontos cruciais na na quadra adversária durante um tempo
execução das situações-problema dentro elevado (Santimaria, Arruda e Almeida,
do jogo de futsal. As ações táticas podem 2009).
perder eficácia quando um atleta não reali-
za corretamente as orientações exigidas
pela comissão técnica, alterando de forma Condição técnica
aguda a tática coletiva.
Tal fator leva a um desequilíbrio lógico Para que um padrão tático possa ser
entre a “instrução idealizada” e a “manobra realizado com excelência, é necessário
realizada”. A sintonia entre os jogadores de que os atletas possuam um refinado reper-
uma equipe e a fidedignidade aos concei- tório técnico durante suas ações. Todo
tos táticos trabalhados durante as sessões esse trabalho precisa ser minuciosamen-
de treinamento tornam-se pontos funda- te galgado durante as categorias de base,
mentais para a realização de uma proposta para que no alto nível, as habilidades
tática que obtenha êxito. possam ser apenas polidas de acordo com
Contudo, algumas circunstâncias podem as necessidades táticas.
desestruturar o padrão de jogo e desestabilizar Uma equipe que possui jogadores
todo o processo tático definido por uma equipe. altamente técnicos, teoricamente tende a
42 Henrique Miguel

realizar as situações táticas com mais facili- CONDIÇÕES DE JOGO


dade, conseguindo desequilibrar a defesa
adversária de forma mais acentuada. Adversário
Várias jogadas no futsal dependem da
habilidade técnica dos atletas, sejam elas Uma análise sobre o adversário é o
no contexto defensivo ou no ofensivo. Um fator mais importante quando tratamos
fator que devemos sempre ter em mente, é sobre a tática de jogo a ser definida para
que a tática apenas sobrevive por meio da uma partida. Acerca dos conhecimentos
técnica. Um passe diagonal bem coloca- que possuímos da equipe adversária, é
do para o ala oposto, um chute de média possível montar e estruturar o padrão de
distância, ou um drible que desequilibra o jogo, as táticas ofensivas e defensivas e as
padrão defensivo são exemplos de como estratégias que poderão ser utilizadas no
a técnica é essencial à proposta tática de transcorrer do jogo. Dessa forma, indepen-
um treinador. dente da categoria em que se trabalhe,
deve-se realizar um estudo prévio a respei-
to do adversário, levantando todas as infor-
Condição psicológica mações que possam fazer diferença frente
à sua equipe (jogadores mais habilidosos,
Os fatores psicológicos estão cada sistema tático mais empregado pelo adver-
dia mais em evidência nos relatos dos sário, utilização efetiva das bolas paradas,
estudiosos do esporte. Os atletas preci- utilização do goleiro como homem de linha,
sam estar motivados, confiantes e tranqui- pontos vulneráveis de marcação individual
los para exercer seu papel dentro do jogo. ou defesa coletiva, utilização da referência
Além disso, a união coletiva torna-se de ataque com o pivô, entre outros). No
essencial para um bom direcionamento alto rendimento, não há mais espaço para
tático da partida. o empirismo, portanto, dificilmente esque-
Muitos outros contextos podem ser matiza-se um plano de jogo de uma equipe
discutidos dentro das condições psicoló- sem saber como o adversário esteve posta-
gicas, como: jogar na quadra adversária, do nos últimos jogos. Subestimar o adver-
torcida contra e a favor, nível da compe- sário antes mesmo de o jogo começar, é o
tição, momento da competição, tempera- primeiro passo para o fracasso.
mento dos atletas do plantel, entre outros.
Por esse motivo, é necessário que os
membros da comissão técnica saibam Situações pré-jogo
como administrar os pontos de desequilí-
brio psicológico dos atletas, evitando que Essas situações também são muito
essa se torne uma situação de desequilí- comuns nos esportes de alto nível.
brio do planejamento de trabalho esporti- Imprevistos podem ocorrer nos momentos
vo (Machado, 1997). que antecedem a uma prova, um jogo, uma
Treinamento Tático no Futsal 43

corrida, etc. No futsal, isso não é diferen- ou desfavorecer determinado tipo de


te. A perda de um atleta antes do início do esquema tático, tanto no seu âmbito ofensi-
jogo ou a modificação da escalação adver- vo quanto no defensivo. Por exemplo,
sária são pontos que merecem atenção por quadras pequenas tendem a favorecer
parte da comissão técnica. Quanto mais equipes de marcação forte, pois o adver-
rápidas forem as respostas a essas situa- sário terá pouco espaço para suas ações
ções anteriores à partida, menos proble- táticas de ataque. Em contrapartida, uma
mas ocorrerão durante a realização da equipe que possui bons finalizadores
mesma. pode utilizar-se das medidas restritas da
quadra para tentar furar o bloqueio defen-
sivo adversário, com finalizações de média
Situações durante o jogo distância.

Os acontecimentos durante a realiza-


ção do jogo podem modificar profundamen- Regulamento
te o padrão tático de uma equipe. Esses
incidentes podem modificar de maneira É uma situação variável de competição
significativa a tática ofensiva e a defensi- para competição. A tática de uma equipe
va, sendo que a comissão técnica deve depende da estrutura do regulamento de
estar atenta a um desequilíbrio desfavorá- uma competição, a fim de se buscar o êxito
vel, corrigindo-a de forma rápida e eficaz. esportivo. Por exemplo, saldo de gols, gols
Podemos exemplificar essas situações- anotados dentro e fora de casa, confronto
problema como a expulsão de um atleta, a direto, número de vitórias, quantidade de
utilização do goleiro-linha pelo adversário, partidas nos jogos que decidem a competi-
a postura incorreta dos setores de marca- ção, vantagem de poder jogar pelo empate,
ção ou ataque, a vantagem ou desvanta- são apenas algumas situações que podem
gem no placar, entre outros. modificar a estrutura tática de uma equipe
no planejamento para um jogo.

CONDIÇÕES DA REGRA DO JOGO


Regras
Dimensão da quadra
O planejamento tático de uma equipe
Atualmente há muitos esforços no futsal depende das regras de cada esporte,
para que as dimensões das quadras de assim, sem regras, não há tática. A tática
jogo sejam padronizadas, evitando que o de jogo do futsal foi muito modificada de
nível do espetáculo caia bruscamente em acordo com as mudanças das regras. A
algumas competições. Nas partidas oficiais atuação do goleiro-linha, por exemplo,
internacionais, as medidas da quadra não foi uma alteração de regra que permitiu a
diferenciam, evitando o favorecimento de criação de uma infinidade de possibilida-
uma ou outra equipe. des táticas para sua utilização durante o
As diferentes quadras podem favorecer contexto do jogo.
44 Henrique Miguel

CONDIÇÕES DO PROCESSO DE desequilíbrio (seja ele ofensivo ou defensi-


COMUNICAÇÃO-AÇÃO vo), que sobrecarregará um companheiro
da outra função.
Informação insuficiente Esses desequilíbrios podem custar
muito caro, principalmente se ocorrerem
Muitos problemas táticos encontrados no setor defensivo. Dessa forma, a atenção
dentro de uma partida de futsal ocorrem no jogo de futsal deve ser redobrada,
pela informação incompleta ou “quebrada” evitando que o foco do atleta seja perdido
por parte dos técnicos da modalidade. As durante a partida.
informações dadas aos atletas, principal-
mente durante as sessões de treinamento,
devem ser claras e precisas, mostrando o Processo organizacional
que realmente deve ser realizado durante
as ações táticas. Os atletas no alto rendimento preci-
A informação não deve se estender sam saber organizar-se dentro do siste-
demais, ou seja, precisa ser sucinta, fazen- ma tático de jogo, mesmo que o adver-
do com que o atleta não perca o verda- sário proponha desequilíbrios constantes
deiro foco do que deve executar. É claro a eles. No setor defensivo e nas bolas
que atletas com mais experiência tendem paradas, esse processo organizacional
a responder mais rápido às situações-pro- deve antever todas as possibilidades
blemas propostas pelo técnico ou por outro de êxito que o adversário possa realizar
integrante da comissão técnica. durante a jogada.
A bola é o alvo do jogo de futsal, contu-
do, ela só traz problemas à defesa quando
Tática coletiva imperfeita está em posse de um jogador adversá-
rio. Isso nos remete à afirmação de que
A tática coletiva necessita que todos a marcação deve ser realizada sempre
os atletas conheçam suas funções e as no atleta, e nunca diretamente na bola. A
desempenhem da melhor forma possível maior falha que ocorre dentro das jogadas
durante o jogo. Quando um atleta equivo- de bola parada (faltas, laterais e escan-
ca-se na sua função pré-estabelecida, teios), acontece quando o marcador deixa
possivelmente atrapalhará todo o sistema de focar seu adversário direto e mantém
tático que o grupo realiza, culminando num os olhares apenas na bola.
Treinamento Tático no Futsal 45

4
SISTEMAS DE JOGO
NO FUTSAL

DEFINIÇÃO DOS SISTEMAS pode utilizar suas peças da melhor forma


DE JOGO possível, buscando o aproveitamento
integral das características individuais dos
O futsal, assim como as demais modali- jogadores que fazem parte do seu plantel.
dades coletivas, conta com alguns siste- Segundo Mutti (2003), podemos definir
mas que auxiliam na estruturação tática da sistema como “a colocação dos jogado-
equipe, visando uma melhor organização res em quadra com o objetivo de anular
dos atletas dentro da quadra de jogo. as manobras ofensivas do adversário e
De acordo com cada sistema, o técnico confundir seus dispositivos defensivos
46 Henrique Miguel

para marcar o gol”. ofensivas, porém, esse fator modifica-se


A partir do momento em que os jogado- com a aquisição tática no processo de
res entendem a tática como processo automatização dos conceitos de resposta
fundamental do jogo, as movimentações aos fatores de jogo (Figura 21).
e manobras ofensivas e defensivas dentro
dos sistemas trazem enormes benefícios
para a equipe (Figura 19). SISTEMA 1-1-2, 2-1-1, “Y” OU FUNIL
A seguir, serão descritos os principais
sistemas de jogo utilizados no futsal. Existem várias definições para esse
sistema de jogo. Sua principal caracterís-
tica é possuir apenas um homem mais ao
SISTEMA 2-2 centro da quadra auxiliando principalmente
nas descidas dos alas, fazendo a cobertura
Foi o pioneiro dos sistemas de jogo do de defesa. Outra característica a ser desta-
futsal sendo muito utilizado nas catego- cada é que esse sistema pode possuir um
rias menores (por ser muito simples e de “Y” ofensivo (quando o setor ofensivo está
fácil execução), porém não oferece muita ocupado com dois jogadores) ou um “Y”
mobilidade ao conjunto devido à dispo- defensivo (quando o setor defensivo está
sição dos jogadores dentro de quadra. ocupado com dois jogadores), demonstra-
Consiste fundamentalmente num balanço dos na Figura 22-A e 22-B.
de ataque e defesa, com dois jogadores
colocados no setor ofensivo e outros dois
no setor defensivo. Segundo Voser (2001), SISTEMA LOSANGO
o posicionamento mais utilizado no siste-
ma 2-2 é o tipo “caixote” (Figura 20). Para muitos autores, o sistema losan-
go é apenas uma variação do sistema
3-1. Contudo, procuro abordar esses dois
SISTEMA 3-1 sistemas separadamente. Como já dito,
no sistema 3-1, ainda há uma pequena
Consiste na manutenção de um homem deficiência na movimentação do fixo ao
responsável pelo setor defensivo, dois ataque, o que não proporciona uma chega-
alas que fazem o trabalho de ataque e da efetiva com quatro jogadores.
defesa e um jogador mais avançado com Já no sistema losango, os jogado-
a função específica de ataque. É o siste- res estão mais agrupados, dando-lhes a
ma que sucede o 2-2, visto que pode trazer oportunidade de movimentações rápidas
mais movimentações aos atletas dentro e coberturas mais precisas. Esse siste-
da quadra de jogo. Inicialmente o fixo não ma ainda propicia as movimentações de
possui muita mobilidade para jogadas rodízio e de engajamento (Figura 23).
Treinamento Tático no Futsal 47
48 Henrique Miguel

SISTEMA 4-0 SISTEMA 1-4

É o sistema mais empregado atual- Com as mudanças efetivas da modali-


mente no futsal de alto nível. Conhecido dade no decorrer dos anos, tornou possível
também como sistema quatro em linha, utilizar o goleiro como elemento de ataque
pois na sua disposição observamos que durante uma partida. O sistema 1-4 conta
os atletas estão colocados quase numa com a mobilidade da equipe e a superio-
mesma linha. Proporciona muita mobilida- ridade numérica dada pela participação
de aos atletas, desde que saibam como efetiva do goleiro. É importante ressaltar
reagir às respostas de jogo. Também é que, na maioria das vezes, quem desem-
propício à marcação, pois, na maioria das penha o papel de goleiro-linha é um atleta
vezes, temos os quatro jogadores atrás da que tenha facilidade de passe e finaliza-
linha da bola. ções de média distância.
Para que tenha efeito ofensivo adequa- Esse sistema busca uma troca de
do, o sistema quatro em linha necessita passes constante, trabalhando sobre o
de constantes aproximações e buscas por desgaste físico da equipe adversária, no
espaços, estruturados por diversas trocas processo de superioridade numérica de
de posições (Figura 24). ataque (Figura 25).
Treinamento Tático no Futsal 49
50 Henrique Miguel

PARTE 2

TENDÊNCIAS ATUAIS PARA O


TREINAMENTO TÁTICO NO FUTSAL
Treinamento Tático no Futsal 51

5
TREINAMENTO TÁTICO GLOBAL
E ANALÍTICO SINTÉTICO

Primeiramente, é importante observar- da postura que assuma diante do ensina-


mos nas modalidades coletivas que o traba- mento das propostas táticas, o feedback
lho dos fatores técnico-tático deve estar observado no cotidiano com seus atletas
inserido no processo de treinamento, junta- precisa ser avaliado da melhor forma possí-
mente com os fatores físico e psicológico. vel. A informação dada deve ser sucinta e
Gomes (2002; 2010) aborda sobre o precisa para uma melhor assimilação por
referido índice de cargas de treinamento parte dos atletas que compõem o plantel da
em esportes de diferentes características equipe.
em relação ao volume de trabalho anual
(Tabela 4).
No treinamento desportivo atual, tem-se TREINAMENTO TÁTICO GLOBAL
discutido muito sobre os métodos de ensino
das abordagens táticas nas modalidades Consiste no estudo e na realização
coletivas, contudo, o papel do técnico torna- das ações táticas inerentes à modalidade
se fundamental no processo. Independente numa situação de caráter integral, ou seja,
52 Henrique Miguel

o atleta recebe as informações a serem podem ser encontradas ao colocar-se a


realizadas de uma só vez. proposta em prática:
Nos esportes coletivos, essas informa-
ções devem ser passadas em grupo, pois • Dificuldade de execução por parte
a tática de jogo só é possível quando todos dos jogadores quando se tratar de reali-
os atletas da equipe conseguem assimilar o zar uma ação tática complexa;
que é pretendido pelo técnico, buscando a • Dificuldade de focar diferentes
realização da ação na melhor performance respostas para uma mesma situação-
possível. problema, quando a ação inicial não
Uma das vantagens da proposta é a está automatizada;
interação permanente entre as fases do • Por ser um trabalho que exige muito
contexto tático, mantendo assim uma estru- mais do aparato fisiológico, o atleta
tura completa que possui início, meio e pode entrar em fadiga mais rápido;
fim, dando um caráter generalizado à ação • Dificuldade de corrigir imediatamente
(Figura 26). os erros durante a movimentação ou a
No entanto, algumas dificuldades ação tática por parte do técnico.
Treinamento Tático no Futsal 53

Os estudos minuciosos sobre o treina- parte dos atletas.


mento global proporcionaram novas Uma das deficiências notórias dessa
metodologias de trabalho tático para as proposta de trabalho é que nem sempre
modalidades coletivas, que vêm sendo as ações táticas podem ser divisíveis.
empregadas aos poucos na ciência do Algumas situações impedem o desmem-
treinamento esportivo. Uma delas é a bramento de uma movimentação de
periodização tática, proposta que discutire- ataque, por exemplo, fato que torna inviá-
mos melhor no próximo capítulo deste livro. vel divisão da ação em pontos distintos.
A utilização de exercícios que comple-
tem os diferentes momentos de uma ação
TREINAMENTO ANALÍTICO- tática podem ser frequentemente corri-
SINTÉTICO gidos pelo técnico, trabalhando sobre os
erros de forma repetitiva e constante, até a
O treinamento analítico sintético repre- realização adequada (Figura 27).
senta a divisão das ações em partes Portanto, alguns pontos importantes
distintas, a fim de se obter, ao final, uma podem ser destacados no trabalho analí-
somatória que culmine na realização da tico-sintético:
ação tática completa. Os fatores podem • Divisibilidade das ações táticas,
ser relativamente independentes entre si, ofensivas e defensivas, desde que a
sendo levados posteriormente a uma ação situação assim permita;
globalizada. • Informação constante dentro da reali-
Ainda nos dias atuais é muito utilizada zação das partes distintas, buscando a
nas categorias menores, em que os atletas melhor realização da ação;
necessitam visualizar as diversas partes • Informação dada de forma mais
distintas da ação que irão realizar durante sucinta e desmembrada, buscando a
um momento específico do jogo. totalidade da ação apenas no momento
É de suma importância que o desmem- em que as partes forem aprendidas e
bramento de uma ação tática não deixe que realizadas com destreza e performance
a estrutura da movimentação ou do padrão adequada;
pretendido perca sua eficiência. Muitas • Possibilidade de realizar repetições
vezes a execução por partes isoladas pode sucessivas apenas da parte que a
causar confusões aos atletas, principal- equipe mais necessita dentro da ação
mente com a utilização das várias situa- tática;
ções técnicas oriundas do futsal (chutar, • Obter uma forma ideal de desmem-
driblar, fintar, passar, receber e etc.). brar a ação sem danificar o processo
Podemos utilizar a divisão das ações tático em sua totalidade, bem como
táticas em pequenas partes destacadas, todas as ações técnicas que devem ser
que possuam um número reduzido de empregadas para a realização ideal da
informações, facilitando a assimilação por proposta pretendida.
54 Henrique Miguel
Treinamento Tático no Futsal 55

6
PERIODIZAÇÃO
TÁTICA NO FUTSAL

UMA NOVA TENDÊNCIA DE TREINO teórico-científicos capazes de auxiliar


na estruturação e no entendimento mais
Atualmente, com a evolução da ciência aprofundado desse conceito que se torna
do treinamento, vem ganhando cada vez muito discutido no desporto coletivo atual.
mais espaço a metodologia de trabalho
denominada Periodização Tática (PT).
Muito difundida no futebol, e transportada CARACTERÍSTICAS DA
(mesmo que lentamente) para as modali- PERIODIZAÇÃO TÁTICA (PT)
dades coletivas em geral, essa metodolo-
gia visa romper os conceitos da periodi- A formação dos atletas no despor-
zação esportiva clássica, que procurava to coletivo (inclusive no futsal) promove
desmembrar os conteúdos do treinamen- uma seleção natural desde as categorias
to, a fim de proporcionar ao atleta uma de base até a chegada às equipes de alto
somatória produtiva de performance num rendimento. A preocupação principal de
momento posterior. muitos técnicos é a seleção do indivíduo/
Em seu contexto mais aplicado, a atleta mais alto, mais forte fisicamente,
metodologia da Periodização Tática tem mais veloz, mais flexível, mais ágil, esque-
sido profundamente discutida no desporto cendo a verdadeira essência da proposta
português, em que nomes como Mourinho, da modalidade em que ele será inserido
Peseiro, Carvalhal e Queiroz, podem ser (Garganta, 2002). É importante que encon-
citados como técnicos desportivos respon- tremos atletas que “pensem o jogo”, e não
sáveis pela disseminação dessa proposta. simplesmente atletas que apenas “joguem
Na literatura internacional, muito pouco o jogo”.
se aborda sobre a PT no treinamento do Assim, o treino das modalidades
futsal. Neste capítulo, contudo, procurarei coletivas perde toda a sua efetividade
abordar a temática de uma forma simples quando separado e desmembrado de
e prática, fazendo com que seja possí- forma desordenada, sem exigir do atleta
vel usufruir a metodologia no seu cotidia- a capacidade de pensar o jogo como
no de trabalho, embasado em conceitos uma situação de equilíbrio-desequilíbrio e
56 Henrique Miguel

problema-solução (Losa et al., 2006). desde os aspectos mais particulares até os


Segundo Mourinho (2001), a PT é a conceitos globais de jogo. O futsal é uma
forma particular da periodização de treina- modalidade eminentemente tática, assim
mento que se relaciona com a distribuição como o futebol. Sendo assim, faz-se neces-
num espaço de tempo definido, de manei- sária uma modelagem constante do tipo de
ra regular, dos componentes táticos de jogo que se pretende que a equipe execu-
jogo, nos seus contextos coletivos e indivi- te. Esse modelo, mesmo sendo efetivo,
duais, bem como, a progressiva adaptação está sempre aberto aos contextos constru-
do jogador e da equipe em nível técnico, tivos, permitindo aos jogadores uma forma
físico, tático, cognitivo e psicológico. de criatividade sem a perda da identidade
O objeto principal de atenção e de dispu- inicial. O modelo final é sempre indefinido,
ta no futsal é a bola. Desta forma, é neces- porque está em constante construção e
sário que ela esteja no treinamento a todo reconstrução.
instante, sendo que a disputa pela mesma Esses parâmetros vão ainda mais além.
possa resultar aos atletas uma constante A modelagem dos comportamentos e atitu-
diferenciação nas formas de ver o jogo, des dos atletas deve estar em sintonia com
pensar o jogo e jogar o jogo. As situações- as propostas buscadas pelo técnico, crian-
problema passam a ter várias soluções e do uma cultura coletiva para jogar, e isto
o atleta adquire uma melhora das formas só faz sentido, quando existe um projeto
física e técnica, através de parâmetros que orientado para o conceito de jogo/compe-
lhe são impostos nas diferentes formas de tição (Garganta, 2007).
jogar. Na periodização tática, há consen-
Muita confusão ainda existe quando so quando se diz que a fundamentação
tratamos dessa forma de metodologia. do processo tático não está apenas na
Muitos especialistas da área visam ao distribuição dos jogadores pelo espaço de
treino integrado como a forma idêntica de jogo e na determinação das suas funções
trabalhar a Periodização Tática. Contudo, específicas ao jogar. Deve haver uma
de acordo com Oliveira (2006), o treino concepção única em que os jogadores
integrado não rompe verdadeiramente estabeleçam uma linguagem comum entre
com a lógica da norma do treinar. O treinar si. O tático é uma filosofia de jogo, possuin-
com bola, no treinamento integrado, é visto do relação direta com todos os componen-
apenas como um meio de simular o treino tes da equipe, numa forma organizada e
físico/técnico, e não como uma proposta orientada de jogar (Faria, 2003). A Figura
necessária para operacionalizar o modelo 28 demonstra as inter-relações do compo-
e os princípios de jogo que se almejam no nente tático.
decorrer de um planejamento de trabalho Um contexto muito importante a ser
para uma determinada equipe. abordado dentro da Periodização Tática é
É imprescindível que, antes de qualquer a especificidade do trabalho. Essa especifi-
coisa, o técnico saiba realmente o que cidade não deve focar apenas a modalida-
pretende com o treinamento proposto. Ou de, mas sim, a forma de se jogar. Torna-se
seja, deve pensar e estruturar a manei- importante a prática sistemática e planifica-
ra que pretende que sua equipe jogue, da da realização do exercício, evidenciando
Treinamento Tático no Futsal 57

uma efetividade dos princípios do modelo fenômeno multidimensional, causando


de jogo, ou seja, uma forma conceitual de efetivas interações com os vários compo-
trabalhar constantemente o que se preten- nentes do treino. As decisões devem ser
de realizar, denominado Modelo de Jogo tomadas constantemente, fazendo com
Adotado (MJA). Nessa temática, o micro- que essas ações tornem-se hábitos utilizá-
ciclo segue uma progressão complexa veis nos padrões de jogo (Ferreira, 2006).
relacionada ao processo e compreensão
da lógica do jogo e ao modelo de jogo a se
jogar (Mourinho, 2001). CONCEITOS METODOLÓGICOS
Para o jogador/atleta, uma altera- DA PERIODIZAÇÃO TÁTICA
ção eficaz no seu nível de treinamento
acontece quando é obrigado a pensar. A É necessário que uma metodologia de
orientação desse deve permitir uma ação treinamento possua um referencial científi-
que contemple grandes objetivos, num co abrangente em seu contexto. Para que
58 Henrique Miguel

um macrociclo de trabalho tenha resultado conceito auxilia na compreensão didática


expressivo na metodologia em questão, dos elementos da equipe, fazendo com
deve-se observar uma interligação entre que não ocorra mudança na essência do
seus princípios, de forma que eles possam jogo da equipe, mas sim, na estrutura-
agrupar-se constantemente (Figura 29). ção da escolha correta para um problema
decorrente do jogo.
Busca-se uma simplificação da estrutu-
Princípio da hierarquização ra complexa de jogo (Figura 30), sendo que
dos componentes do jogo as ações devem progredir num processo
pedagógico crescente, do mais simples ao
Esse princípio busca eleger os objetivos mais complexo. A proposta de hierarquizar
a serem trabalhados na proposta escolhida. significa distinguir os componentes mais e
É importante ressaltar que, mesmo com a menos importantes durante uma determina-
supervalorização de alguns pontos, o siste- da situação do jogo, levando aos atletas uma
ma mantém-se em constante interação. O linha de orientação para que possam resolver
Treinamento Tático no Futsal 59

uma situação/problema da melhor forma adaptação constante provinda dos exercí-


possível e da maneira correta (Brito, 2003). cios voltados para a forma de jogar. Não
se trata aqui da especificidade do jogo (da
modalidade), mas sim “do jogar” (forma de
Princípio da especificidade jogo).
do modelo de jogo Os exercícios planejados devem
basear-se na estrutura de jogo da equipe,
Através desse conceito, busca-se a criando uma identidade e uma linguagem
criação de situações táticas decorrentes comum. Oliveira (2009) só considera algo
do jogo, que possam implicar ao atleta o específico em PT se estiver diretamen-
desenvolvimento de todas as dimensões te relacionado ao modelo de jogo criado.
treináveis, dentro do Modelo de Jogo Além disso, Frade (2006) destaca que
Adotado (MJA). O modelo de jogo de uma para atingir os parâmetros adequados de
determinada equipe condiciona a especi- tal princípio, é necessário que se consiga
ficidade do trabalho, sendo que requer (Figura 31):
60 Henrique Miguel

da periodização tática, ou seja, estruturar a


• Intervir antecipadamente e de forma operacionalização do jogar, as exigências
adequada; gerais do esforço e suas consequências
• Entender de forma global os objetivos específicas.
e as finalidades do trabalho; É fundamental que os atletas, para
• Conseguir um nível de concentração conseguirem obter o êxito competitivo,
adequado durante a atividade; desenvolvam os métodos do jogar varian-
• Operacionalizar as escalas coletivas, do a complexidade dessas propostas
intersetorial, setorial e individual; ao longo dos ciclos de trabalho. Dessa
• Buscar com que o atleta vivencie as forma, busca-se uma alternância horizon-
ideias do trabalho; tal na planificação do trabalho (durante a
• Criar situações específicas que semana, por exemplo) com diferentes tipos
produzam várias soluções. de variáveis de treino (velocidade, duração,
complexidade, entre outros).
Uma mesma atividade pode ter o mesmo
Princípio da alternância horizontal objetivo, porém, seu método de execução
pode variar em inúmeras formas, determi-
Segundo Tamarit (2007), o citado nando aspectos de jogar de acordo com as
princípio busca regular a relação existen- exigências que cada dimensão comporta.
te entre o esforço e a recuperação dentro Cabe ressaltar que a periodização tática
Treinamento Tático no Futsal 61

visa a propostas que desenvolvam diferen- de trabalho. Com isso, o treinador deve
tes tipos e escalas de organização, fugindo condicionar atividades que realizem o
de uma alternância vertical, para escapar máximo de vezes os comportamentos de
do overtrainning (Figuras 32 e 33). jogo pretendidos para a equipe.

Princípio das propensões Princípio da progressão complexa

De acordo com Frade (2006), esse As atividades propostas durante uma


princípio consiste na realização de uma semana de trabalho na periodização
repetição sistemática daquilo que se tática podem ser montadas, desmonta-
pretende que o atleta adquira durante o das e hierarquizadas de acordo com a
treino. Essa atitude tende a levar o jogador necessidade da equipe. A progressão
a uma compreensão efetiva de determina- desses padrões de trabalho é observada
dos padrões e princípios de jogo propostos pela complexidade dos modelos de jogos
pela atividade. propostos. Os princípios e subprincípios
Oliveira (2009) ainda cita que o princí- devem estar articulados entre si, transmi-
pio das propensões define a densidade tindo informações que procuram transfor-
dos princípios e subprincípios do que se mar hábitos em padrões de jogo (Oliveira,
pretende treinar numa proposta horizontal 2009).
62 Henrique Miguel

Dessa forma, a complexidade das infor- jogadores, sujeitos à PT, são dados de
mações deve ser aumentada progressiva- forma diferenciada das demais propostas
mente, saindo de um padrão generalizado de elaboração do treinamento.
(que procura dar uma visão global daqui- O subprincípio da intensidade tende a
lo que se pretende) para uma proposta provocar no atleta uma grande pressão
específica que aumente os critérios de competitiva que possa chegar o mais
exigência dos atletas (como chegar àquilo próximo possível dos aspectos do jogo
que se pretende). propriamente dito. Porém, o desgaste
energético não é fator primordial desse
subprincípio, focando aspectos como
Subprincípio da intensidade concentração (fator decisivo para esportis-
e concentração decisional tas de alto nível) e minimizando a “fadiga
tática” (incapacidade dos atletas mante-
Quando aplicada a Periodização Tática, rem um padrão de atenção durante toda a
é importante que os conceitos de inten- partida) que impede um melhor rendimento
sidade sejam bem entendidos, principal- (Carvalhal, 2003).
mente nos propósitos fisiológicos que Na proposta da PT temos a intensida-
englobam a modalidade, buscando, assim, de como padrão de comando do treino e o
uma melhor aplicação da proposta compe- volume como fator a ser gerido dentro do
titiva. Os tipos de estímulos colocados aos período de treinamento de acordo com o
Treinamento Tático no Futsal 63

Modelo de Jogo Adotado (MJA). As situa- de vivências do processo de treino. As


ções de treino voltadas ao MJA, seguin- situações de treinamento devem ser
do as intermitências máximas, adapta o construídas para propostas específicas do
organismo do atleta fisiologicamente a uma MJA, porém, os atletas precisam viven-
recuperação mais rápida aos componentes ciar diferentes soluções para os proble-
de jogo propostos (Carvalhal, 2002). Dessa mas propostos. Precisam descobrir por si
forma, a intensidade culmina na necessi- próprios a maneira mais eficaz de realizar
dade de criar dinâmicas de jogar, seguindo uma ação de defesa ou ataque quando se
os contextos de padrão de jogo da equipe. deparam com determinada situação adver-
sária dentro do jogo.
Embora direcionadas, as atividades
Subprincípio da liderança propostas levam os atletas a buscarem
suas próprias soluções. O trabalho princi-
A proposta geral desse subprincípio pal do técnico sobre esse subprincípio é
aborda que o atleta (ou o próprio técni- assegurar que sua equipe seja autônoma
co) deve ser capaz de gerar e comparti- o suficiente para que o jogo seja “pensado”
lhar sentimentos positivos entre todos. O da melhor forma possível durante a parti-
líder precisa estar sempre interligado com da, chegando a uma liberdade pretendida
os comandados, buscando em todos os em relação às determinadas circunstân-
momentos uma influência e uma motiva- cias do jogo.
ção significativa. As decisões individuais Devemos buscar jogadores inteligentes
precisam ser entendidas como decisões e críticos, não apenas no contexto indivi-
do grupo, e para que isso ocorra, neces- dual, mas sim, numa inteligência tática
sitam de uma série de variáveis difíceis de coletiva, que possa auxiliar na estruturação
controlar como personalidade, experiên- do MJA segundo a proposta de cada jogo
cia, ética e outros processos que passam da temporada (Mourinho, 2002).
sempre pelas discussões da psicologia do
esporte.
PRECIPITAÇÕES NA UTILIZAÇÃO
DA PERIODIZAÇÃO TÁTICA
Subprincípio da descoberta guiada
Como os demais métodos de periodi-
Dentro de uma modalidade coletiva, o zação nos esportes, a Periodização Tática
simples processo de transmissão/assimi- deve obedecer a seus pilares fundamentais,
lação pode não ser necessário para otimi- desde sua essência. O estudo minucioso e
zação da performance esportiva. Quanto o entendimento dos fatores que estruturam
maior o processo de interação entre todas tal proposta fazem com que o técnico possa
as situações existentes na esfera competi- realmente trabalhar sobre os Modelos de
tiva de treino/competição, mais ampla será Jogo Adotados.
a resposta do atleta aos estímulos de jogo. Contudo, muitos são os equívocos que
O subprincípio da descoberta guiada podem aparecer quando se busca trabalhar
visa manter o atleta em constante trabalho sobre a PT. Seguindo a estruturação das
64 Henrique Miguel

demais periodizações, a PT deve ser bem sistematicamente concretas, por isso, é


estruturada em relação aos seus ciclos de necessário evitar o exercício anárquico
trabalho, sessões de treinamento e exercí- durante o trabalho da PT.
cios de treino. Caso a planificação não seja A principal característica da PT visa ao
distribuída de forma adequada, os objetivos trabalho das diferentes variáveis em função
jamais serão alcançados, e a equipe não do exercício de caráter tático. Sob essa
conseguirá moldar os padrões necessários perspectiva, desenvolvem-se os aspec-
para a construção de um modelo de jogo tos físicos, técnicos, táticos e psicológicos
adequado. A falta de objetivos claros que inerentes à modalidade. Portanto, na PT, o
auxiliem na formação desse modelo de jogo objetivo principal é o aspecto do jogo, da
faz com que os atletas não assimilem o que situação que leva à realização do problema
o técnico pretende, dificultando o trabalho a ser resolvido, deixando para um segundo
de efetivação do MJA. plano a preocupação incisiva com a inten-
Por parte de quem comanda o treina- sidade do treino ou o tempo de duração da
mento, é necessário um feedback especí- atividade.
fico das várias situações que ocorrem Esse método de treino sobre os fatores
quando a dimensão tática é abordada de jogo, num primeiro momento, pode ter
como processo amplo. A construção de grande adesão entre os atletas, porém,
um padrão adequado só é capaz a partir poderá causar problemas num controle de
de correções sistemáticas que visem a um treino futuro. É importante que a diversida-
melhor rendimento coletivo, bem como a de dos exercícios seja utilizada, buscando
propostas verbais que façam o atleta enten- uma complexidade adequada para a equipe
der o que deve ser realizado. com que se trabalha. Caso isso não ocorra,
Isso só é possível com um proces- as correções sistemáticas poderão levar a
so pedagógico que construa um padrão divergências de opiniões nos jogadores,
habitual da forma mais simples para a culminando num desacordo tático que pode
mais complexa, coerente e progressiva, atrapalhar o contexto de trabalho.
que possa ser treinada constantemen- Devemos também ressaltar que, na
te. É normal a busca de uma progressão PT, trabalham-se os princípios e não os
rápida para o processo, visando sempre ao exercícios. Esses últimos são apenas os
melhor método de jogo num curto espaço facilitadores que levam ao objetivo que se
de tempo, porém, devemos observar como pretende. Portanto, um mesmo exercício
respondem os atletas a determinadas poderá ser utilizado para diferentes situa-
situações-problema, evitando a “queima de ções, comportamentos ou hábitos de jogo.
etapas”. O controle dessas práticas também neces-
Seguindo essa linha de raciocínio, é sita de cuidados especiais, buscando uma
usual buscar uma facilitação das ativida- avaliação em função da qualidade e não da
des propostas, interferindo no princípio quantidade de ações durante uma sessão
da especificidade de jogo. Os jogadores de treino. Tal conceito define precisamente
devem ser conduzidos às reais soluções o verdadeiro valor da análise de trabalho
das tarefas propostas, através de repetições quando utilizada a PT.
Treinamento Tático no Futsal 65

PARTE 3

METODOLOGIAS PRÁTICAS APLICADAS


AO TREINAMENTO TÁTICO NO FUTSAL
66 Henrique Miguel

7
EXERCÍCIOS PRÁTICOS

A UTILIZAÇÃO DOS
JOGOS REDUZIDOS • EMPB: exercícios de manutenção de
posse de bola;
Principalmente na estruturação do • ESIN: exercícios de superioridade e
treinamento da periodização tática, os inferioridade numérica;
jogos reduzidos vêm ganhando cada dia • ETP: exercícios de transição e
mais espaço. Tal processo requer que a progressão;
montagem do trabalho desportivo seja • EUEP: exercícios de utilização efetiva
influenciada nas ênfases da proposta do do pivô;
Modelo de Jogo Adotado. Abordando os • ELP: exercícios de largura e profun-
princípios e subprincípios dessa proposta didade;
de treinamento, podemos evidenciar vários • EUGL: exercícios de utilização do
tipos de atividades que poderão ser usadas goleiro-linha.
no contexto do jogo do futsal, de acordo
com o padrão de jogo de cada equipe.
A seguir, serão colocados alguns JOGOS DE MANUTENÇÃO
exemplos de atividades de jogos reduzi- DE POSSE DE BOLA
dos (atividades de espaços reduzidos)
que servirão de modelo para seu traba- Um dos fatores importantes para que
lho. Porém, é importante termos sempre uma equipe evite as ações ofensivas
em mente que um dos fatores fundamen- adversárias, é a manutenção da posse
tais para um profissional de sucesso é a de bola o maior tempo possível. Porém,
criatividade que ele consegue exercer em apenas manter a posse de bola não signi-
seu trabalho, buscando desenvolver ativi- fica obter vantagem sobre a equipe adver-
dades que tenham efetiva conexão dos sária. É necessário que os atletas saibam o
processos de jogo e de treino. Para facilitar que fazer com essa bola, e como manipu-
a compreensão dos leitores, as atividades lá-la de forma adequada buscando sempre
foram definidas por siglas, bem como suas uma finalização que resulte num processo
legendas: efetivo de ataque.
Treinamento Tático no Futsal 67

EMPB1: atletas posicionados em local e superioridade numérica dentro deles.


definido pelo técnico devem trocar o maior Porém, entre esses dois quadrantes,
número de passes entre si, sem que a bola haverá jogadores de apoio que auxiliarão
seja recuperada pela equipe adversária. na troca de passes dos jogadores que
Como dinâmica de jogo, utilizam-se finali- detêm a posse de bola. Como dinâmica
zações após a troca de passes adequada efetiva de jogo, utilizam-se finalizações
(Figura 34). após a troca de passes adequada (Figura
EMPB2: atletas posicionados nas duas 38).
metades da quadra devem trocar passes
entre si, evitando que a bola seja recupe-
rada pelos jogadores adversários. Quando JOGOS DE SUPERIORIDADE E
alcançada a quantidade de passes preten- INFERIORIDADE NUMÉRICA
dida pelo exercício, a bola deve ser passa-
da para os companheiros da quadra São jogos que buscam auxiliar na
oposta, continuando a atividade. Como estruturação das ações de superiorida-
dinâmica de jogo, utilizam-se finalizações de e inferioridade numérica. As principais
após a troca de passes adequada (Figura situações aqui verificadas podem ser
35). colocadas em propostas de 2x1, 3x2 e
EMPB3: atletas posicionados em 4x3. Observamos essas movimentações
quadrantes definidos pelo técnico devem principalmente nos contra-ataques ocorri-
trocar passes entre si, evitando que a bola dos durante o jogo.
seja recuperada pelos jogadores adversá- ESIN1: uma equipe ataca em superio-
rios. Dentro de alguns desses quadrantes, ridade numérica finalizando ao gol. Após
ocorrerá situação de superioridade numéri- isso, imediatamente, os jogadores que
ca. Quando alcançada a quantidade de estavam defendendo, farão o ataque
passes pretendida pelo exercício, a bola também em superioridade numérica, utili-
deve ser passada para os companheiros zando um atleta que já se encontrava na
de outro quadrante, continuando a ativi- quadra ofensiva. Como dinâmica efetiva de
dade. Como dinâmica de jogo, utilizam- jogo, pode-se utilizar tempo limite para a
se finalizações após a troca de passes realização do ataque (Figura 39).
adequada (Figura 36). ESIN2: um quadrante é definido no
EMPB4: um quadrante é definido pelo centro da quadra. Fora dele, temos situa-
técnico com uma situação de inferiorida- ções de 1x1. Quando a bola for passada
de numérica dentro do mesmo. Porém, para um companheiro que se posiciona
em cada lado do quadrante, haverá um dentro do quadrante, esse atleta poderá
jogador de apoio que auxiliará na troca de sair do mesmo e produzir uma situação de
passes dos jogadores que detêm a posse superioridade numérica para o lado que
de bola. Como dinâmica efetiva de jogo, se ataca. Como dinâmica efetiva de jogo,
utilizam-se finalizações após a troca de pode-se utilizar tempo limite para a realiza-
passes adequada (Figura 37). ção do ataque (Figura 40).
EMPB5: dois quadrantes são definidos ESIN3: define-se uma diagonal de
pelo técnico com situações de inferioridade movimentação no fundo da quadra que
68 Henrique Miguel
Treinamento Tático no Futsal 69

se ataca. Os jogadores que estão fora de fundo. Esse, por sua vez, deve fazer
dela buscam uma situação de superio- com que a bola chegue aos companheiros
ridade numérica ativando o jogador que colocados na zona intermediária da quadra
está posicionado na diagonal de passe. (Figura 44).
Se o jogador de defesa intercepta esse Finalizando o exercício, a bola preci-
passe, por sua vez, passarão a realizar a sa chegar ao jogador o qual se encontra
movimentação ofensiva, seguindo a ativi- na zona de pivô, que pode ser auxiliado
dade (Figura 41). pelos atletas que se encontravam na zona
ESIN4: dois quadrantes são definidos central, podendo fazer a finalização. Caso
na quadra. Entre eles, há uma situação os jogadores que desempenham o papel
de 1x1 onde o jogador que detém a posse defensivo recuperem a bola, essa deve ser
de bola precisa acionar um companheiro solta pelo goleiro, iniciando novamente a
que está colocado dentro do quadrante. mecânica do exercício.
Quando acionado, ocorre uma situação ETP2: a quadra de jogo é divida em
de 2x1 em direção ao gol. Se esse passe 6 porções preferencialmente iguais. A
for interceptado pelo defensor, por sua mecânica desse exercício é semelhante
vez, passarão a realizar a movimentação ao anterior, porém, a bola necessita passar
ofensiva, seguindo a atividade (Figura 42). pelos atletas colocados nos 6 quadrantes
ESIN5: são definidos 3 quadrantes na para ser finalizada ao gol (Figura 45).
quadra de jogo. Em cada um deles, há uma ETP3: a quadra de jogo é divida em
situação de 1x1, assim como fora deles. O dois quadrantes de defesa, um quadrante
jogador que detém a posse de bola precisa central e dois quadrantes de ataque. A bola
acionar pelo menos dois companheiros de é solta pelo goleiro para um dos jogado-
quadrantes diferentes para fazer a finaliza- res que estejam nos quadrantes defen-
ção. Se a bola for interceptada pelos defen- sivos. Por sua vez, esse atleta necessita
sores, por sua vez, passarão a realizar a passar a bola ao companheiro que está
movimentação ofensiva, seguindo a mesma no setor central da quadra. Quando isso
mecânica da atividade (Figura 43). ocorre, o primeiro jogador pode acompa-
nhar o ataque até os quadrantes ofensivos,
sem ser acompanhado pelo seu marcador
JOGOS DE TRANSIÇÃO inicial (Figura 46).

Jogos que buscam uma estruturação


adequada da transição entre a quadra de JOGOS DE UTILIZAÇÃO
ataque e defesa, auxiliando nas movimen- EFETIVA DO PIVÔ
tações adequadas para situações de
superioridade numérica ou desequilíbrio Ações que procuram uma maior utili-
da defesa. zação do pivô nas diferentes zonas que
ETP1: a quadra de jogo é divida em 3 esse atleta pode ocupar no setor ofensivo,
porções preferencialmente iguais. O golei- sendo referência nas propostas de ataque.
ro faz o arremesso de meta para o compa- EUEP1: dois jogadores são colocados
nheiro que está mais próximo de sua linha no fundo da quadra, mais próximos à zona
70 Henrique Miguel
Treinamento Tático no Futsal 71
72 Henrique Miguel

de escanteio, fazendo o papel de pivôs. bola, o pivô realiza uma proposta de 1x1
No centro da quadra, acontece um proces- em relação ao seu marcador buscando a
so de inferioridade numérica, em que os finalização (Figura 51).
jogadores que detêm a posse de bola
precisam acionar os jogadores posiciona-
dos no fundo da quadra. Assim que aciona- JOGOS DE LARGURA E
dos, os “pivôs” podem fazer a finalização PROFUNDIDADE
ou procurar uma melhor situação de finali-
zação para os companheiros (Figura 47). Ações que procuram utilizar tanto as
Caso a bola seja recuperada, os laterais da quadra, quanto a profundidade
jogadores de defesa passam a atacar com de ataque.
a mesma mecânica do exercício. ELP1: numa situação de igualda-
EUEP2: o pivô é liberado para se de numérica, a bola deve ser tocada ao
movimentar livremente na zona do fundo companheiro que se encontra na zona
da quadra, enquanto seus companhei- lateral da quadra. Esse atleta não pode
ros buscam uma melhor oportunidade de ser marcado dentro de sua zona e pode
fazer-lhe um passe. Assim que acionado, movimentar-se livremente no setor. Com
o pivô pode fazer a finalização ou procurar a bola em seu domínio, pode buscar uma
uma melhor situação de finalização para os finalização cruzada ou uma melhor situa-
companheiros (Figura 48). ção de finalização para seus companheiros
EUEP3: o pivô é liberado para movimen- de equipe. Caso a bola seja interceptada,
tar-se livremente na zona do fundo da os jogadores que faziam a marcação, por
quadra, porém, tem a marcação individual sua vez, passam a atacar obedecendo a
de um fixo. Seus companheiros buscam mesma mecânica do exercício (Figura 52).
uma melhor oportunidade para fazer-lhe o ELP2: dois gols são colocados de forma
passe. Assim que acionado, o pivô podem assimétrica na quadra de jogo, de forma
fazer a finalização ou procurar uma melhor que os atletas possam utilizar a largura
situação de finalização para os companhei- para se deslocarem. Essa proposta vai
ros (Figura 49). objetivar a utilização de passes laterais e
EUEP4: o pivô é liberado para movimen- a ocupação do espaço na quadra (Figura
tar-se livremente na zona do fundo da 53).
quadra, porém, tem a marcação individual ELP3: dois gols são colocados na
de um fixo. Se o pivô sai da zona que lhe é quadra de jogo de forma invertida, fazen-
compreendida, outro jogador precisa entrar do com que os atletas busquem uma
na mesma e compor o setor ofensivo. É movimentação mais profunda, objetivando
importante que haja sempre um jogador a utilização de passes profundos e uma
dentro da zona do pivô (Figura 50). melhor ocupação do espaço na quadra
EUEP5: o pivô é liberado para movimen- (Figura 54).
tar-se numa zona intermediária da quadra, ELP4: numa situação de igualda-
onde receberá o passe dos seus compa- de numérica, a bola deve ser tocada ao
nheiros que saem de uma situação de companheiro que se encontra na zona
superioridade numérica. Após receber a lateral da quadra. Esse atleta não pode ser
Treinamento Tático no Futsal 73
74 Henrique Miguel
Treinamento Tático no Futsal 75

marcado dentro de seu quadrante, onde sua vez, esse último jogador procura uma
pode movimentar-se livremente. Com a melhor situação de finalização para seus
bola em seu domínio, pode buscar uma companheiros de equipe (Figura 57).
finalização cruzada ou uma melhor situa- EUGL2: um quadrante é colocado
ção de finalização para seus companheiros no fundo da quadra próximo à zona de
de equipe. Caso a bola seja interceptada, escanteio de ataque. No quadrante estará
os jogadores que faziam a marcação, por colocado o goleiro-linha que não poderá
sua vez, passam a atacar obedecendo a ser marcado desde que esteja posicionado
mesma mecânica do exercício (Figura 55). dentro do mesmo. Busca-se uma efetivida-
ELP5: quatro quadrantes são coloca- de maior de passes com o goleiro no fundo
dos próximos às zonas de escanteio da da quadra, enquanto os demais jogado-
quadra de jogo. O objetivo é fazer com res movimentam-se de forma constante
que a bola chegue até os atletas coloca- (Figura 58).
dos dentro desses quadrantes, após uma EUGL3: um quadrante é colocado no
situação de superioridade numérica, fundo da quadra, próximo à zona de escan-
buscando uma profundidade no ataque. teio de ataque (onde estará inserido o golei-
Com a bola em seu domínio, os atletas ro) e outro é colocado lateralmente num setor
procuram uma melhor situação de finali- central da quadra (onde estará colocado
zação para seus companheiros de equipe outro jogador de linha). Quando o jogador
(Figura 56). posicionado no quadrante mais central da
quadra recebe o passe, esse precisa trocar
de setor com o goleiro, buscando o desequilí-
JOGOS DE UTILIZAÇÃO brio do setor defensivo (Figura 59).
DO GOLEIRO LINHA EUGL4: este exercício realiza-se com
a mesma mecânica da atividade anterior,
Jogos que procuram o trabalho efetivo porém, os quadrantes de troca estão
do goleiro como jogador de linha, auxilian- colocados próximos à zona de escanteio
do nas propostas ofensivas da equipe. de ataque (Figura 60).
EUGL1: com o goleiro posicionado EUGL5: um quadrante é colocado
paralelamente à linha lateral da quadra, ao centro do setor ofensivo de ataque, e
tem-se um corredor que se estende por o atleta que está dentro dele não poderá
toda a lateral da quadra, onde o goleiro receber marcação no interior do mesmo. A
não poderá ser marcado. Busca-se a efeti- bola deve ser passada entre os jogadores
vidade de passes com o goleiro e o passe do ataque e só poderá ser finalizada após
profundo ao jogador que se encontra ser recebida pelo atleta que está dentro do
próximo à linha de fundo adversária. Por quadrante central (Figura 61).
76 Henrique Miguel
Treinamento Tático no Futsal 77
78 Referências

REFERÊNCIAS

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