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Metodologias de inspecção e ensaios para mitigação

dos erros e defeitos nas intervenções de conservação

INTRODUÇÃO
A ocorrência de erros e defeitos nas intervenções de conservação, em particular, sobre
construções antigas é devida, fundamentalmente, à inadequada ou falta de formação dos
diferentes técnicos intervenientes nas fases do processo, nomeadamente, do projecto, da
obra e da manutenção e conservação.

Esta importante lacuna origina que as intervenções sejam, muitas vezes, desajustadas
das reais necessidades, obrigando, a curto prazo, a novas intervenções correctivas, com
os consequentes prejuízos. No caso dos engenheiros civis, que constituem apenas um
dos elos da cadeia, poder-se-á apontar, como uma das causas principais, a inexistência
de um perfil específico ao nível da licenciatura (normalmente, apenas existem pós-
graduações), pelo que tem sido, basicamente, o mercado a "formar" os técnicos à medida
das necessidades.

FASE CRITICA DO PROCESSO DE INTERVENÇÕES DE CONSERVAÇÃO -


PROJECTO
A fase do projecto é, reconhecidamente, a fase mais importante por condicionar, no
futuro, as restantes. No entanto, está dependente de uma fase prévia, de recolha de
informação, que frequentemente é esquecida ou preterida, com todos os inconvenientes
daí decorrentes.

O projecto de execução de uma intervenção de conservação (restauro), só pode ser


correctamente desenvolvido desde que se disponha de informação actualizada sobre o
objecto a intervir, nomeadamente, sobre as suas características arquitectónicas,
históricas, funcionais, construtivas ou estruturais, bem como sobre o estado de
conservação, ou sobre os mecanismos de deterioração em presença e a sua influência na
intervenção pretendida.

Fruto da experiência, apresentam-se a seguir algumas metodologias de inspecção e


ensaios segundo objectivos a atingir, que poderão ajudar a mitigar os erros e defeitos tão
indesejáveis nas intervenções de conservação.

METODOLOGIAS DE INSPECÇÃO E ENSAIOS

Levantamento arquitectónico
Consiste no primeiro método de abordagem do objecto em estudo. Visa a definição da
geometria, no caso dum imóvel, quer do envelope, quer do seu interior, utilizando-se,
normalmente, técnicas topográficas. Dependendo do detalhe pretendido, o levantamento
poderá incluir a identificação das características arquitectónicas do imóvel.

Levantamento estrutural (exaustivo ou por amostragem)


O levantamento estrutural surge, normalmente, quando se pretende levar a cabo uma
remodelação importante numa dada construção da qual não se encontra disponível
qualquer informação ou, caso exista, torna-se necessário validar (verificação da
conformidade do projecto com o construído).

Resumidamente, consiste na caracterização dos elementos estruturais e, por


consequência, não estruturais, em termos da sua disposição no imóvel, da sua geometria
(obtida em parte no levantamento arquitectónico) e das propriedades mecânicas dos
materiais constituintes dos elementos estruturais (ver exemplo na fig. 1).
PLANTA DO 1º ANDAR
vigamento oculto pelo forro
(vigamento do tecto) 16 x 13

LEGENDA
AxL
- vigamento de madeira, altura e largura da secção
- pavimento pré-fabricado de vigotas de betão
pré-esforçadas e abobadilhas cerâmicas
- viga principal de madeira
- alvenaria de pedra irregular (xistosa) e fragmentos
cerâmicos assentes em terra barrenta
- divisória de alvenaria de tijolo cerâmico maciço
colocado de cutelo
- alvenaria de pedra irregular com elementos de
madeira dispostos em "Cruz de Stº. André"

estrutura da cobertura e
forro bastante deteriorados, - taipa
encontrando-se em risco
iminente de ruína
- alvenaria de pedra e tijolo cerâmico maciço
- troço de parede de alvenaria de pedra irregular,
e taipa no topo
- alvenaria de tijolo cerâmico maciço argamassado
com ligante de cal
- troço de parede de alvenaria de pedra irregular, e
alvenaria de tijolo cerâmico maciço (lambás), no topo
chaminé zona onde ruiu a cobertura

Fig. 1 – Representação esquemática dum levantamento estrutural dum edifício antigo.

Caso a intervenção o justifique o levantamento poderá incidir, também, na caracterização


da fundação do imóvel, através, por exemplo, de poços de reconhecimento e de
sondagens mecânicas para caracterização geológica/geotécnica dos solos interessados.

O levantamento estrutural é feito com recurso a técnicas não destrutivas ou


reduzidamente intrusivas. Por exemplo, o tipo de frontal Pombalino (ver exemplos reais,
das figuras 2 e 3), pode ser, perfeitamente, caracterizado através da técnica de
termografia, conforme ilustrado na fig. 4., sendo necessário apenas aquecer
uniformemente a parede e filmá-la com uma câmara de infra-vermelhos.

Fig. 2 – Tipo de frontal Fig. 3 – Outro exemplo. Fig. 4 – Imagem


Pombalino termográfica.

Ainda, no caso dos edifícios da Baixa Pombalina, são muito frequentes as alterações
estruturais, tendo, muitas delas, tido lugar no início do século XX (pelo menos nos casos
em que existe registo), onde era usual o recurso a elementos de aço (ver fig. 5). A
caracterização geométrica da secção dos perfis metálicos, previamente localizados com
um pacómetro (detector de armaduras, conforme evidenciado na fig. 6) pode ser feita
utilizando ensaios de ultra-sons para a medição indirecta da espessura, por exemplo, da
alma ou do banzo de secções “I” (ver fig. 7).
Fig. 5 – Exemplo de alteração Fig. 6 – Detecção de Fig. 7 – Medição indirecta
estrutural antiga num edifício elementos estruturais da espessura de
Pombalino com a introdução metálicos com o elementos metálicos
de elementos metálicos. pacómetro. através de ultra-sons.

As propriedades mecânicas do aço dos referidos elementos estruturais (importantes para


a verificação da segurança estrutural do edifício) podem ser determinadas através de
ensaios sobre amostras recolhidas de locais criteriosamente seleccionados de modo a
não fragilizar demasiado esses elementos.

No caso das propriedades mecânicas da alvenaria das paredes resistentes, dado não ser
praticável a recolha de amostras representativas do material constituinte para posterior
ensaio laboratorial, é possível, com pouca perturbação da parede, através da técnica dos
macacos planos de pequena área, aferir, com grande rigor as referidas propriedades, ou
seja “levando” o laboratório para a obra (ver figuras 8 e 9).

(MPa) Gráfico 14 - Ciclos de carga e descarga na zona M5 - Bases 2 e 4

2,55
2,36
2,18

2,00
1,82
1,64
1,45
1,27
1,09
0,91
0,73
0,55
0,36

0,18
0,00
-4500 -4000 -3500 -3000 -2500 -2000 -1500 -1000 -500 0 500 1000 1500 2000

base2 base4 (µε


µε )

Figuras 8 e 9: Avaliação das propriedades mecânicas (deformabilidade e resistência à


compressão) de uma parede de alvenaria de pedra através de ensaios de macacos
planos de pequena área SFJ (Small Flat Jack).

No âmbito do levantamento construtivo, intimamente ligado ao levantamento estrutural,


pode ter interesse a caracterização das argamassas antigas, tendo em vista a definição
dos materiais de reparação, cujas características físicas e químicas deverão ser
compatíveis com as dos materiais existentes. Tal desiderato poderá ser levado a cabo
através de ensaios laboratoriais sobre amostras de argamassas recolhidas do edifício,
nomeadamente:
- Determinação da composição mineralógica das argamassas e seus componentes, areia
e ligante, através da técnica de difracção de Raios X.
- Estudo micro-morfológico das amostras através de observação microscópica de luz
reflectida.
- Determinação da relação areia-ligante e determinação da granulometria de areia por
fracções.

Levantamento das anomalias visíveis


As anomalias de índole estrutural têm especial relevância na medida em que denunciam
um comportamento deficiente da estrutura ou seus componentes, pelo que a sua
detecção atempada é fundamental para a tomada de decisão quanto à implementação de
medidas correctivas urgentes.

O levantamento consiste na identificação das anomalias visíveis e avaliação da sua


disposição e extensão nos elementos da construção, através de referenciação em
desenhos.

Os sintomas mais correntes são as fissuras com orientação bem definida, associadas,
normalmente a deformações aparentes dos elementos estruturais. A disposição e a
abertura das fissuras (medida por exemplo com um comparador de fissuras) são
fundamentais para o diagnóstico das causas que estiveram na sua origem (ver fig. 10).

Destacam-se outros sintomas relacionados com movimentos importantes da estrutura,


nomeadamente, as deformações, quer das paredes, quer dos pisos, podendo ser
detectadas com grande rigor através de técnicas topográficas, a fim de se avaliar a sua
importância. A representação das deformações dos pisos através de curvas de nível
ajuda muito o diagnóstico (ver fig. 11).

1.06 1.07 5 1.04 1.0


3
1.0 2 0
1.06 1.0 1
1.0
1.0
1.04 1.05
0.99

8
1.04

0.9
1.05
1.03

1.02

1.
01
0.97

1.05
1.04

0.9
8

1.03
1.0
5

1.03

1.04 0.95
1.0 1.04
0.96
5 2
1.0 1.0 0.97
6 1.05
0.98
1.06

Fig. 10 – Levantamento de Fig. 11 – Levantamento de deformações de índole


fissuras de índole estrutural estrutural (assentamento diferencial das fundações,
(assentamento diferencial das associada com flexão excessiva dos vigamentos)
fundações)

No caso de anomalias de índole não estrutural não está, tanto, em causa a segurança
actual da estrutura ou dos seus componentes, mas sim outras exigências funcionais que
comprometem a normal utilização do imóvel durante o restante período de vida útil. No
entanto, o desempenho estrutural pode vir a ser seriamente afectado caso não sejam
implementadas, atempadamente, medidas correctivas.
Monitoragem de movimentos da construção
Esta ferramenta de diagnóstico, que pode ser utilizada sobre todo o tipo de estruturas, é
muito útil para se acompanhar a evolução, por exemplo, de fenómenos de instabilidade
em curso e, consequentemente, permite a definição de medidas correctivas eficazes. A
abertura de fissuras de índole estrutural, consiste num dos parâmetros, normalmente, a
monitorar (figuras 12 e 13).

Fig. 12 – Fissuras inclinadas associadas Fig. 13 – Fissurómetro Oz, para


com assentamentos diferenciais das acompanhamento da evolução da fissura.
fundações.

A escolha dos dispositivos de medição, a definição da periodicidade das sessões de


leitura e a duração da monitoragem devem ser feitas função do tipo de estrutura e das
causas prováveis que estão na origem das anomalias.

No caso de obras importantes pode-se, também, monitorar o comportamento dinâmico


das estruturas (ferramenta de diagnóstico relativamente recente, que envolve recursos
técnicos tecnologicamente mais avançados), visando a detecção e avaliação de desvios
importantes no comportamento dinâmico global da estrutura ou dos seus componentes.
Pode ser levada a cabo nas diferentes fases da obra.

Controlo de qualidade em obra durante a construção


Para além dos habituais ensaios de recepção dos materiais, devem ser executados outros
ensaios "in-situ", nomeadamente, na estrutura ou seus componentes, visando o controlo
da sua execução. Por exemplo, a aderência dos novos materiais de revestimento, pode
ser avaliada através de ensaios de arrancamento.

CAPACIDADE TÉCNICA
A capacidade técnica exigida aos intervenientes encontra-se definida na legislação (para
os prestadores de serviços ver, por exemplo, artº. 36º. do Dec. Lei 197/99). Infelizmente,
tem-se optado por os omitir nas consultas feitas ao mercado, permitindo que “empresas”
muito pouco qualificadas sejam as escolhidas sob o pretexto de apresentarem a proposta
economicamente mais vantajosa. No entanto, na maioria dos casos, a pretensa proposta,
economicamente mais vantajosa, só o é no imediato, pois a breve prazo, com o inevitável
surgimento dos erros e defeitos, essa decisão revelar-se-á pouco acertada, acarretando
sobrecustos não previstos, que podem mesmo inviabilizar a obra inicialmente desejada.

Carlos Mesquita, Director Técnico


Oz – Diagnóstico, levantamento e controlo de qualidade em estruturas e fundações, lda.

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