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e há poucos sinais de que essas pressões diminuam na década de SO. Para os Estados Unidos, a proximidade do México e da América Central e a limitada

capacidade desses países de forn,:ccr emprego produtivo para os J ºY<;.ns colo- cam um desafio especial. Esses países são responsáveis por quase dez milhões do aumento de 29 milhões da população jovem da América Latina projetado

para o período entre l 9SO e 2000. A melhoria dos transportes e elas comuni- cações contribuiu para a inter nacionalização do mercado de t ra balho da

região. Medir e controlar esses fluxos é difícil (portanto, caro), ap(sar do cres- cente sentimento nacional cm algumas áreas receptoras de que devem prote-

  • 1 ger seus próprios conterrâneos da necessidade de competir por empregos

1 ,

com migrantes que estão dispostos a aceita r salários mais baixos e piores con- dições de trabalho que lhes parecem melhores do que não ter emprego no lugar de origem. Por causa da m igração internacional, a pressão demográfica e os problemas que ela gera têm crescentemente um alcance mais regional que

nacional, o qu e significa que mesmo aqueles países que ..

prese11 ta ra m um

crescimento mais lento no pós-guerra estão propensos a participd r, nos pró- ximos anos, das conseq üências do grande crescimento experimentado por seus vizinhos.

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0 CRESCI M ENTO URBANO E A ESTRUTURA SOCIAL URBANA NA AMÉRI CA LATI NA, 1930-1990

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ESTE CAPÍTULO ANALISA as mudanças na estrutura social urbana e, de modo especial, aquelas na estrutura ocupacional, ocorridas na América Latina da década de 30 à de 80, as quais resultaram da conjugação de três pro- cessos: a grande urbanização, a industrialização em seus diferentes estágios e a progressiva importância, uas economias latino-americanas, do setor de ser- viços, ta nto dos tradicionais quanto dos modernos associados à expa nsáo da bu rocra cia do governo e às p rá ticas empresa riais do século XX ( técn icos, financeiros e administrativos). Nos países desenvolvidos, os processos seme- lhantes produziram u ma convergência das estruturas sociais: a expa nsão das classes médias, a consolidação de u ma classe t ra bal hadora i nd ust rial e a melhoria do bem-estar geral da população. No caso da América La ti na, houve uma m aior heterogeneidade nos padrões de estratificação. Sua dependência d,1 tecnologia estrangeira e, cm grau crescente, de fina ncia mentos externos, aliada ao papel que a região desempenhava na economia m undial como for- necedora de produtos primários e, por ta nto, de base rura l, resul tou n u ma modernização irregular, tanto entre os países quanto entre regiões do mesmo país. Este capítulo pretende ressaltar essas diferenças e a necessidade de con- ceder a tenção à situação específica de cada país. No tocante à estratificação social, havia na América Lati na u ma relação contraditória entre o crescimento urbano, o desenvolvimento econômico e a moder nização. As cidades multiplicavam-se e concentravam os recu rsos eco- nômicos. O crescimento industrial estimulava a elevação dos níveis de educa- ção, a proletarização da força de trabalho e também a expansão dos setores de trabalhadores não-manuais. Por outro lado, esse mesmo crescimento u rba no trazia consigo uma acentuada polarização da estrutura social, tanto em termos de renda quanto no tocante às condições de trabalho, como o mostra a persis- tência de formas não-assalariadas de trabalho (trabalhadores por conta própria e mem bros da família não-remunerados) e uma distribuição de renda forte- mente distorcida. No final do século XX, tal como havia ocorrido no começo do

300

século, as cidades latino-americanas eram cenários de extrema desigualdade social. A opulência coexistia com a pobreza de enormes setores da população. As mudanças socioeconómicas e políticas ocorridas na região ri'iodifica- ram radicalmente a estratificação social urbana. Alguns atores sociais - como, por exemplo, os profissionais e os artesãos -perderam importância. Outros se tornaram mais fortes, como, por exemplo, os trabalhadores da indústria e do setor de serviços. Novos atores apareceram cm cena, como a classe média assalariada dependente do Estado e da empresa privada. Com essas mudan- ças, as base:; para a formação d as identidades coletivas alterara m-se, assim como as raízes sociais da política urbana.

Para captar a heterogeneidade dessas mudanças na América Latina, usa- mos principalmente dados de seis países: Argentina, J3rasil, Colômbia, Chile, México e Peru, os quais constituíam, em 1980, 85 por cento da população lati- no-americana. Para ressaltar o contraste entre os modelos de u rbanização, exa minaremos a diferença entre sua classe média e sua classe trabalhadora, mostraremos as mudanças ocorridas no papel das mulheres no mercado de trabalho e analisaremos as impli cações desses processos na mobilidade e na desigualdade sociais.

Com o objetivo de destacar as transformações ocorridas na organização u rbana entr,! 1930 e 1990, dividi mos as tendências cm três eta pas, ,mbora, na verdade, est e tenha sido um período de mudanças relativamente contín uas. Além disso, as três etapas se superpõem, e os países da América La tina se dife- renciam na cronologia das etapa:; e no grau com que foram afetados pelas ten- dências dominantes do período. A primeira etapa, que começou 11a década de 30 e chegou a seu término no inicio dos anos 60, foi a fase da expa nsão e con- solidação dos centros ind ustria is. Nesse período, houve uma fo r te onda de crescimento industrial com base na substituição das importações de produtos básicos de consumo: têxteis, al imentos e bebidas, sapatos. O c rescimento urbano alcançou níveis elevados e a migração do campo para a zona urba na foi intensa. As atividades indus1 riais, que se a mpliaram, faziam uso intensivo da força de trabalho.

A segunda etapa começou no final da década de 50 e caracterizou-se por uma acentuada internacionalização das economias urbanas e pe>r urna nova fase de industrialização (bem como pela modernização da agricult ura e estag- nação do setor camponês). O período de substituição das importações dos produtos básicos de consumo começou a esgotar-se, e os investimentos con-

centraram-se nas indústrias de bens intermediários e de

capital.

.\ tecnologia

301

de que essas indústrias necissitavam era cara e muitas vezes só se podia obtê- la por meio da asociação com empresas estrangeiras. Essa nova etapa da industrialização usava mais capital do que trabalho, acarretando u niões com empresas multinacionais. Esse deslocamento de ênfase foi produzido, cm parte, pelas mudanças ocorridas na organização da economia mundial, pelas quais as companhias multinacionais até então integra4s fragmentaram os mercad os nacionais e buscaram novos mercados-para seus produtos nos paí-

- ses em desenvolvimento. Finalmente, no período que decorre entre a década de 70 e a de 90, as eco- nomias latino-americanas tornaram-se sumamente dependentes dos finan- ciamentos externos, apoiando-se cada vez mais nos serviços modernos para a geração de emprego e de receita, e voltaram-se pa ra a produção de bens industriais para exportação. Além disso, a década de 80 foram anos de crise económica para a América Latina, que resultaram numa abrupta interru pção da modernização de determinados setores das economias urbanas. A crise teve conseqüências negativas para a renda per capita e para o emprego. Estas, junto com uma taxa elevada de inflação e a inadequada prestação de serviços sociais, contribuíram para uma acentuada deterioração do padrão de vida da popula,;ão da região. A crise tomou uma forma urbana. A suspensão de sub- sídios u rbanos de v,írias espécies e a redução generalizada dos gastos públicos acarretaram a deterioração da infra-est rut u ra e dos serviços u rba nos e aumen taram os problemas ambientais. Além disso, os problemas sociais tor-

naram-se mais evidentes. Na década de

80, mu itas cidades da América La t i na

e;·am lugares de grande inquietação, com alto índice de violência urbana, fre- q'.lentcs protestos contra a alta dos preços e muitos atos de pilhagem. Era visí- vd a exclusão social e econômica -dos mendigos aos vendedores a mbulantes. Fora dessas conseqüências imediatas, a crise acentuou o relativo fracasso da mobilidade social, tão evidente nas décadas de 60 e 70, baseada cm melhorias do consumo e do estilo de vida resultantes do crescimento econômico, e ele- vado índice de mobilidade ocupacional dos empregos agrícolas aos náo-agrí- colas e dos trabalhos manuais aos não-manuais 1 .

  • J. CL J, DURSTON, "Transición cst ructurat, movilidad ocu pacional y crisis social cn América La tina, 1960-1983", Docu mento de Trabajo, LC/R.547. Reproduzido cm Ccpal,

1úmsformación ocupacional y crisis social cn América Latim1 , Santiago de C.hilc, 1 989.

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O CRESCIMENTO UR BANO

Em 1930, a América Latina continuava sendo uma região predominante- mente rural, tanto em termos do local de residência d e sua população quan- to no que se refere à atividade econômica. As grandes cidades, com poucas

  • l exceções, dependiam de seus vínculos com o setor agrícola. Algumas delas, como, por exemplo, Buenos Aires, São Paulo ou Mcdellín, prosperavam gra- ças às atividades de comércio e de transporte associadas às exportações de produtos da agricultura. Outras eram, principalmente, centros administrati- vos e comerciais regionais onde os proprietários rurais tinham suas residên- cias principais e cujas atividades econômicas estavam ligadas, especialmente, à economia e à população ru rais. As diferenças nacionais nos sistemas urba- nos eram enormes, visto que os países diferiam consideravelmente em á rea, cm população e no nível de desenvolvimento econômico. Essa!: d iferenças, aliadas à natu reza do comércio externo dos países, já haviam produzido for- tes contrastes entre, por exempl u, Buenos Aires ou São Paulo, açodadas com os migrantes europeus e a riqueza produzida pela economia de exportação, Lima ou Cidade do México, cuja fase de gra nde crescimento populacional estava apenas começando e seria baseado na migração interna, e as capitais muito menores da América Cen t ral, todas elas num patamar aba ixo dos cem mil habitantes cm 1930. Nas décadas de 30 e 40, tiveram início na região as mudanças fondamcn- tais na distribuição espacial da população. Graças à exportação de matérias- primas e à importação de produtos manufaturados, a América L1tina conti- nuava vinculada à economia m undial, conquanto, agora, de fo rma menos firme. A depressão de 1929 e a Segunda Guerra Mu ndial estimular:1111 a ind us- trialização para substituiçã o de importações. Junto com a modernização da agricultura, essa industrialização deu origem a grande urbanizaçã o, por força da migração do campo para a cidade, que começou, em maior esca la, na déca- da de 40.

1

A expansão urbana da

América Latina foi

maior

<lo que

a

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industrial ad ia ntad o cm seu período compa rável de crescimento. Por exem- plo, no século XIX, a Inglaterra passou por um período de "explosão" urba- na. Mesmo assim, cm nenhuma década desse século, a taxa de e rescimento urbano passou de 2,5 por cento, ao passo que, na América Latina, ela alcan- çou quase o dobro desse número durante todo o período de 1940--1960, che- gando a seus maiores níveis na década de 50 (4,6 por cento) (cf. Apêndice

1) 2 Em 1940, apenas 37,7 por cento da população dos seis países que esta-

mos ana lisando viviam cm zonas urbanas, e muitas destas eram pouco mais que vilas que serviam de centros administ rativos de uma zona rura l. Em contraste, esse número aumentou para 69,4 por cento em 1980. Em 1940, a eGtrutura urbana estava extremamente polarizada: 2.s cidades de peq ueno e médio porte concentravam 53,5 por cento da populaç urbana, ao passo que nos centros metropolitanos viviam apenas 35 por cento. Em 1980, a dis- tribuição da população urbana se havia diversificado: embora a concent ra- ção met ropolitana persistisse, o peso relativo das cidades médias aumentou em detrimento das pequenas, e o sistema urbano da América Latina conti- nuou fortemente desequilibrado 3 Dur;rnte todo o período, o crescimento das cidades pequenas ( cf. Tabela 5.1) foi menor do que o das médias e grandes e pouco diferente da taxa global de crescimento demográ fico, sugerindo que grande par te da m igração do ca mpo para a cidade evitou os lugares urbanos menores e dirigiu-se direta- mente para as grandes cidades. Aquelas que, nos meados da década de 80, eram classificadas como cen t ros metropolitanos cresceram enormemente entre 19,1 0 e 1980. Até a década 1970-1980, sua taxa de crescimento foi mais alta do que a da população urbana. No final da década de 80, porém, houve uma red ução da primazia urbana nesses paíscs 4

.

  • - - - ·----------------------------- -

    • 2. A conccntraçào populacional nas metrópoles atingiu seu ponto alto no con1c,·o d,1 Jécada de 511, chegando a 40,6 por cen to da populaç,1o u rba na

cm

1 950, a 39,5 por

cen to cm

e ;1 .i9A por cento cm 1970.

1 960

  • 3. Scg1111do os números apresentados pela ONU para os diversos países latino-ame ricanos, a migração interna e a reclassificação dos distritos de rurais para urb;111os contri buiu lom

algo cnt1c

trinta e cinqüenta por cento para J cxp.w!)ào urba11.1 110

período

de

1 950

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1 975: Unit,,d

Nations, l'attcrns of Ur///111 and Rural Por,11!11tio11 Growth, Ncw York, 1980, Tablc 11. f::

pos.ívcl que a reclassificação dC' distritos de rurais para urbanos potH.:o tenha contri buído

parn a expansão nas 1.onas urban ts definidas pelos censos nacionais, porque css,1 ddiniç:10

de u r bano inclui requisitos adrr.i nistrativos, e não simplesmente o tamanho da

população.

  • 4. Cf. 11LE)ANDRO PORTES, "Latin Arncrican Urbanization During thc Yca rs of thc Crisis", L,1ti11 Amcrican Research Revicw, 24(3): 7-49, 1989. A primazia urbana é medida, usual mente, pelo quociente da divisão entre a população da maior cidade de u m sistema urbano pela segun- da maior ou pelas duas maiores seguintes. Os sistemas urbanos têm alta

primazi.1

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TABELA 5. 1 /

DISTRIBUIÇAO DA POPULAÇAO E SEU CRESCIMENTO NA AMÉRICA

LATINA, 1940-1980 (COM BASE EM SEIS PAISES)

 

Distribuição da

Distribuição da

Taxa .,ml,.i de

população cm l 9•HI

população cm 1980

crescimcnlo de 1940-1980

Tamanho do local

%

%

%

Rural

62,6

30,5

0,08

Urbano"

37,4

69,5

.\,1

Em cidades pcqucnasb

20,0

23,5

3,0

Em cicl.1dcs

médiasc

4,3

19,0

6,J

Em met rópoles"

13,1

27,2

1,4

Total %

100,0

100,0

Total <la populaç:\o

(95,7)

(268,3)

2,6

Notas:

ª A dcliniçào de urbano segue a elas ificação do censo de cada país, usualmente cc111 ros administrJti-

vos e Joc.-iis com mais de dois mil h.1bitantcs.

t, Cida.Jcs pequenas sào lugares urb.mos <lc menos <lc LClll mil habitantes.

e Cidades médias estão entre cem mil habitantes e as mctr6poles.

d Dcfü1cm-sc metrópoles como aquelas cidades que tinham mais de dois milhões de h.1bitantcs cm 1985.

Foute:

Estim.: t ivas feitas a partir dos melhores Censos de Argentina, Brasil, Chile, Colómbi.1, México e Peru,

rclacior.a<los no Apêndice I a este c.:1pitulo.

As cidades médias apresent avam a taxa mais elevada de crc:;cimento de todo o período, crescendo muit o mais elo que as cidades pequen as e os gran- des centros metropolitanos. No entanto, essas taxas de crescimento das cida- des médias foram conseqüência, em parte, do maior número delas, uma vez que as cidades pequenas cresceram e passaram à categoria di: méclia5. As vezes, a taxa de aumento das cidades médias era, individualmcnk, mais baixa do que a dos centros metropolitanos. No México, as cidades com mais de cem

urbana se a maior cidade é duas ,:n1 mais vezes inaior do que a que se lhe ,<.,::.-guc imediata·

mente. Os nún1cros preliminares referentes a 1990 com relação ao Méxio1 indicam que a

Cidade do México é cinco vezes maior do que Guadalajara, a segunda cié.,dc do país, cm

comparação com 1980, quando era seis vezes maior.

  • 5. A ONU estima que quinze por cen to do crescimento das cidades com mais de 250 mil habi- tantes se devia à passagem para u ma classificação acima entre 1970-1975: United Nations, Patterns

...

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21.

305

mil habitantes em 1980 apresentaram uma taxa de crescimento de 4,1 por cento ao ano entre Í 940 e 1950, 4,2 entre 1950 e 1960, 4,6 entre 1960 e 1970 e 4,1 entre 1970 e 1980. Em contrapartida, os centros metropolitanos (Cidade do México, Guadalajara, Monterrey) cresceram nas mesmas décadas, respec-

tivamente, 5,2, 5,3 e 4,3 por cento6. Parece que os altos índices de crescimen- to das maiores cidades mexicanas não se sustentaram no ,críodo 1980-1990, porquanto os dados preliminares do censo de 1990 mostra ram u m cresci- mento dos centros metropolita nos mfcrior ao de muitas cidades médias. Essa expansão das cidades médias foi associada à maior especialização urbana rnscitada pelas novas fases da industrialização. Na década de 70, devi- do à maior complexidade da estrutura industrial, com a produção de bens

intermediários e de capital, as novas fábricas passaram a localizar-se fora das grandes cidades. Por exemplo, as grandes usinas siderúrgicas do Brasil e do México foram instaladas cm cidades secundárias. A indústria automobilística e a engenharia pesada também se localizaram fora dos centros met ropolita- nos: Córdoba na Argentina; Puebla, Toluca e Saltillo no México. Duas outras tendências reforçaram essa dispersão das atividades i ndus- triais. Primeiro, na América Latina, tal como havia ocorrido nos países i nd us- triais adiantados, as funções administrativas foram separadas elas produtivas. Os escritórios de administração localizaram-se nas grandes cidades onde se dispunha ele serviços modernos, ao passo que as instalações industria is foram localizad as onde a terra era barata e eram oferecidos infra-estrut ura adequa- da e subsídios. Na década de 80, a maior ênfase dada, cm determinados países, às indúst rias voltadas para a exportação contribuiu mais ainda para essa dis- persão, porque as fábricas que prod uziam para o mercado externo t i nham poucos estímulos para localizar-se perto dos principais mercados internos. Outro fenômeno que fortaleceu essa tendência foram as políticas, adotadas por algumas empresas multinacionais, de localizar-se cm áreas de baixo custo. A indúslria automobilística e as fábricas de autopeças do México começara m

-- --·- ---------------------- -

  • 6. GUltí'AVO GARZA e Departamento dcl Distrito Federal, Atlas de la Ci11dad de M éxico, Ciudad de México, 1987, cuadro 4.2. As estimativas da ONU para o periodo 1 960-1970 ind,cam que, comparando-se as mesmas cidades entre as datas dos censos, as cidades maio- res da região (acima de 250 mil habitantes) apresentaram maior crescimen to do que as méd ias (cem mil a 250 mil habitantes): Uni ted Nations, Patterns

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a transferir suas atividades para a região da fronteira setentrional e integra- ram-se mais estreitamente à produção norte-americana de veículos. Esta mudança - a troca de u ma concentração das atividades cc9nômicas em alguns lugares urbanos por u m sistema urba no mais diversificad e espe- cializado - aconteceu cm toda a região. Não ocorreu, porém, co m a mesma profundidade cm cada país, nem seguiu o mesmo modelo, e prod uziu alguns contrastes entre os sistemas u r banos e dentro deles. Houve "sucessos", na medida cm que algumas cidades que, industrializando-se mais cedo e com base cm mercados protegidos, logo se tornaram semelhantes, em sua organi- zação econômica e social, às cidades industriais dos países ,,diantados. Algumas delas, como, por exemplo, São Paulo, conservariam sua i mportància graças à red ução das tarifas sobre produtos industriais e ao aumento da inte- gração econômica em escala mundial. Já com outras, como Buenos Aires, por exemplo, o sucesso prematu ro não ga rantiu uma transição suave pa ra se transformarem em importantes centros ind ustriais e de serviços no plano regional e internacional. Houve t ambém "fracassos" relativos: cen1:ros provin- ciais e algumas capitais naciona is que nem se industrializaram nas primeiras fases nem conquistaram, nas fa:;es posteriores, as funções econbmicas espe- cializadas exigidas pela nova ordem econômica. Uma comparação entre os seis países, no período de 1940 a J 980, mostra expressivas diferenças entre eles nos níveis de urba nização e nas t., xas de cres- cimento urbano (cf. Apêndice 1 a este capítulo). As diferenças mais irr,portan- tes ocorrem entre aqueles países que, a partir de níveis elevados de urbaniza- ção, apresentaram taxas relativamente baixas de expansão urbana nessas quatro décadas, e aqueles que, partindo de um baixo nível d::: u rbanização, mostraram, subseqüentemente, altas tax;:s de crescimento urba no. No pri- meiro grupo figuram a Argentina e o Chile, países que, na década de 40, eram os mais urbanizados, com 61,2 e 52 por cento, respectivamente, d e sua popu- lação vivendo em zonas urbana'.,. As taxas de crescimento urbano desses dois países, entre 1940 e 1980, foram as mais baixas dos seis analisad os. O Chile experimentou, na década de 50, uma taxa de crescimento urbano mais alta do que a da Argentina, apresentou índices acima de três por cento na década de 60 e taxas mais baixas na década de 70, alcançando o nível de urbanização da Argentina por volta de 1980, quando oiten ta por cento da população de ambos os países viviam em zonas urbanas. O Brasil,. a Colômbia, o México e o Peru apresentaram, entre 1 940 e 1980, as mais a Ítas taxas ele crescimcn1o urba no. Na pri meira década est udada, 30 e

307

35 por cento de sua população viviam cm zonas urbanas. Em 1980, essa pro- porção tinha aumentado para cerca de 65 por cento. Todavia, o período de

maior expansão urbana variou de país para país: a década de 40, no México; a década de 50, na Colômbia e no Brasil, e a de 60 no Peru. Em bora essas diferenças de cronologia seja m impor ta n tes, igual mente

agudos foram os contrastes entre os sistemas urbanos de

cada

país em parti-

.. cula r. A contribuição dos ceüt ros met ropolitanos, das cidades médias e das cidades pequenas para o crescimento urbano mostrou diferenças acentuadas de um pa is para o outro. A geografia e o tamanho da população foram fatores que expl icam por que o Brasil e o México foram os únicos países a ter, em

1985, mais de uma cidade com população superior a 2,5 milhões. Con tudo, a proliferação de grandes cidades foi uma característica comum à maioria cios países da América Latina. Na Argentina, nessas quatro décadas, as cidades médias cresceram mais do que Buenos Aires e foi a capital portenha a única metrópole da região que perdeu importância relativa entre 1940 e 1980. No Peru, o predomínio de Lima se manteve, mas se deve contrapor esse fato ao aumento de importância da cidade média. Na década de 40, o Peru não tin ha nenhuma cidade média, ao passo que, cm 1980, oito cidades contavam mais de cem mil habita ntes. O crescimento de cidades médias como Arcquipa, Trujillo, Chiclayo, Chimbotc e Huancayo foi acentuado e ocorreu ài, custas

das cidades pequenas. A Colômbia, que, cm 1940, ti nha u m

n ú mero co nside-

rável de cidades médias, apresentou a maior queda de importância das peque- nas cidJ des. Nesse país, apesa r do grande cresci mento de Bogotá, cidades médias como Medellín, Cali e Barranquilla concentravam o maior contingen- te de população urbana em 1980. No México, nesses anos, as cidades médias também apresentaram grande crescimento e proliferaram: de sete que havia em 1940, esse número subiu para cinqüenta em 1980, que concentrava m trin- ta por cento da população u rbana. Em 1980, o Chile e o Brasil tinham os sistemas urbanos mais polarizados, mas por razões diferentes. No Chile, a população esparsa na maioria das regiões constituía uma base insuficiente para um crescimento das cidades médias que pudesse compensar a concentração de população no vale cent ral, em Sant iago e no porto de Valparaíso. No Brasil, o número de cidades médias cresceu bastante, mas esse aumento não foi suficiente para equilibra r a con- centração populacional inicial nas cidades pequenas e o grande crescimento d e seus seis centros met ropolita nos: São Pa u l o, Ri o de Ja nei ro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife.

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  • 308 Esses contrastes se baseavam nas diferenças existentes na orgam:r.ação regio- nal de cada país e no modelo de modernização agrícola. A Colômbia e o Peru - os países que apresentavam um declínio relativo mais acentuado ela cidade pequena - exibiam, na década de 40, uma estrutura agrária predom inantemcn- tc camponesa. Mesmo uma gra nde parte da população urbana desses países vivia em cidades pequenas cm estreita ligação com a agricultura t: a produção artesanal. A estagnação das economias camponesas desses países, junto com a debilidade da economia local, resultou cm grandes fluxos migratóri os para cen- tros urbanos regionais, sem que fosse necessário qualquer atrativo cio desenvol- vimento económico urbano. No Brasil, a persistente polarizaçãn do sistema urbano foi causada pela heterogeneidade de sua estrutura regional: 110 Nordeste, a queda da produção agrícola (tanto das grandes lavouras quanto do pequeno agricultor) estimulou a migração para as cidades do Sul e concentrou a popula- ção regional cm centros locais, que cresceram e se tornaram metn)poles, como Recife, Salvador e Fortaleza. Em contrapartida, no Centro-Sul e no Sul do pais - Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul - uma agricult ura din:1mi- ca cm termos econômicos e um comércio cm pequena escala integraram-se por meio de uma rede de negócios e de transporte local. Esse modelo de desenvolvi- mento regional, que incluía a continuidade da industrialização, su ;tcntava um sistema urbano baseado cm cidades pequenas, cidades médias e metrópoles. O crescimento e modernização das economias regionais foi niais evidente no caso da Argentina, em função da queda de importância de Buenos Aires. Foi igualmente visível no Chile, que, embora fortemente cent ralizado em Santiago, apresentava diversas economias locais dinâmicas, cuja força de tra- balho agrícola vivia às vezes em pequenas cidades, como no caso do vale de Putuendo. O México mostrou uma combinação dessas três tendências: zonas em que a população camponesa era expulsa para a Cidade do México, para outros centros regionais ou para os Estados Unidos, e zonas em que a agricul- tura comercial misturava-se a outras indústrias novas, como o tu rismo, a pro- dução automobilística e a microtecnologia, para sustentar o crescimento das cidades de médio porte - como, por exemplo, no Norte ( Her mosillo ), no Centro (Aguascalientes, Querétaro) e em algumas zonas urbanas do Sul e do Sudeste (Mérida e Villahermosa).

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  • Cl Uma grande parte do crescimento da população urbana na América Latina, entre 1930 e 1990, foi conseqüência da migração, e, aqui também, os modelos diferiram de país para país. A diferença entre a taxa de crescimento da popula-

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ção total e o índice de aumento da população urbana fornece u ma estimativa aproximada do peso da migração no crescimento urbano. Usando essa medida, a Tabela S.l aponta as amplas mudanças do papel da migração dura nte o perío- do. Na década de 50, quando o crescimento urbano estava em seu apogeu, uma parte considerável desse crescimento (cerca de 44 por cento) foi conseqüência d,1 migração dos habitantes das zonas rurais. Nas décadas, seguintes, a contri- buição da migração do campo para a cidade diminuiu em trmos relativos. Esse proccssü foi mais acentuado no caso dos centros metropolita nos. Neles, a migraçã o contribuiu com mais da metade de seu crescimento na década de 40, ao passo que, na década de 70, sua contribuição tinha caído pa ra um terço. No apogeu da urban ização da América Latina, a migração ocupou lugar ptoeminente na discussão de política púbiica e na pesquisa das ciências sociais. Esa pesquisa concentrava-se cm questões como as diferenças entre os migran- tes e os naturais da terra, a assimilação do migrante à vida u rbana e sua contri- buição para os mercados de trabalho urbano. A pa rti r da década de 70, a migração do campo para a cidade deixou de ser um problema importa nte no desenvolvimento urbano, e a atenção passou a concentrar-se nos movimentos migratórios interurbanos, intra-urbanos e internacionais. Essa tendência era mais visível naqueles países que tinham níveis elevados de urbanização e apre- sentavam queda da população rural em números absolutos. O impacto da migração foi diferente de país para país (cf. Apêndice 1)7. Durante a maior parte do período, a contribuição da migração para o cresci- mento urbano foi maior no Brasil, seguido pelo Chile e pela Colômbia. Foi mrnor no México, no Peru (salvo de 1960 a 1970) e na Argentina (com exce- ção do período de 1950 a 1960). Somente na Argentina a migração do campo para a cidade foi um fator relativamente pequeno no crescimento met ropoli- tano, sendo responsável por cerca de vinte por cento do crescimento de Buenos

  • 7. Cálculos alternativos da contribuição da migração e da reclassificação pa ra o cresci mento

u rb;i no podem ser encon trados cm Unitcd Nations, l'attcms

,

tablc I L

A

migraçào foi

mais importan te pa ra a expansão urbana na Argentina de 1947 a 1960 (50,8 por

cen to),

vindo a seguir o Brasil (49,6 por cento de 1950 a 1960 e 44,9 por cento de 1960 a 1970), o

Peru (41,6 por cento de 1961 a 1 972), o Chile (36,6 e 37,4 por cento de 1952 a 1960 e de

1960 a 1970, respectivamente), a Colômbia

( 36,6

por

cen to

no

período

1951-1964 ) e

o

Mé úco (31,7 no período de 1960-1970),

309

310

Aires entre 1940 e 1980. No México, a migração, embora tenha t01uado maior vulto do que na Argentina, nunca foi o principal componente, sohrc\ll(IO por causa das altas taxas de crcscimcn to natural da população. Em com pensação, a migração, e não o crescimento natural, contribuiu com a metade ou mais para a expansão metropolitana no Brasil e no Peru, cm dois dos períod os si t uados entre 1940 e 1970, e na Colômbia em todo o período analisado. A migração internacional foi outro fator importante na região e , novamen- te, sua importância diferiu de acordo com o país. No México, é provável que a migração permanente ou temporária de habitantes do campo para os Estados Unidos tenha contribuído para diminuir o fluxo migratório para as cidades mexicanas. Na Argentina, o papel da migração internacional foi diferente, aumentando a contribuição da migração rural para o crescimento urbano: cm Buenos Aires, uma grande parcela dos migrantes estrangeiros informados em 1970 eram originários da Bolívia e do Paraguai, e provavclmcn1 e das zonas rurais desses países; em contrapartida, a migração interna para Bllcnos Aires, no mesmo ano, provinha principalmente das zonas urbanas.

Raramente os modelos de uso do solo urbano na América Latina, entre 1930 e 1990, foram regidos claramente por fatores de mercado como os gra- dientes d e renda do solo urbano atrelados aos custos e benefícios de u ma localização centrais. A cidade latino-america na, quando mudou, tornou-se mais heterogênea em seus padrões de uso residencial e econômico do solo do que havia sido no inicio do período. A organização espacial, e as mudanças feitas nela, forneceram apenas um quadro frouxo que canalizava a interação social e econômica. Em 1930, o modelo normal para as vilas e odades, pelo menos na América espanhola, era sua organização em torno de uma praça central, perto ou cm torno da q ual se localizavam os importantes órgãos do governo, os principais edifícios religiosos, as mansões da elite e os estabeleci- mentos comerciais relevantes. A maior distância cm relação a esse centro sig- nificava, em geral, uma diminu ição de importância social; os art esãos urba- nos respeitáveis habitavam o anc:l seguinte, cm casas que lhes serviam tanto de

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8.

Esse fato é discutido cm OSCAR Y UJNOVSKI, "Urban Spatial Configu ration a nd Land Use

Policies i n Latin Amcrica", cm ALLJANDRO PORTES & 1IARLEY L. BROWNI NC (cds.), C11rrc11t

Perspectivcs i11 Latir, A111crica11 Rn.:arch, Austi n (Tcx.), 1976, pp. 17-42.

moradia como de local do negócio. Nas fímbrias da cidade encont rava m-se os h;1bitan1 cs urbanos mais pobres, que trabalhava m como diaristas, vendedores ambulantes, ou ofereciam uma variedade de serviços pessoais. A proximidade da zona rural significava que a periferia urbana se fundia, tanto econômica quanto c·spacialmentc, com o mu ndo ru ral, e seus habita n,tes cult ivava m hor- tas ou trabalhavam como diaristas na agricultura. Essa descrição adapta-se mais às cidades mais-antigas e menos dinâmicas do que àquelas que estavam em processo de industrialização nas décadas de 20 e de 30. Já as elites de cidades como Buenos Aires e Cidade do México (e São Pau lo, no Brasil) tinham começado a mudar-se para longe do centro, para bairros livres do barulho e da poluição. Quanto às cidades "de fronteira" da década de 30, eram heterogêneas em termos de espaço, que era com partilha- de pela indústria, pelos negócios e pelas residências e onde os pobres e os ricos viviam muito próximos uns dos outros. Rara mente foram construídas casas com o propósito deliberado de abri- gar as classes trabalhadoras. Mesmo nas poucas cidades em que esse tipo de moradia apareceu - Buenos Aires, São Paulo, Monterrey - apenas uma fração dessa população foi contemplada. As classes trabalhadoras achavam a mora- dia que pudessem - subdividindo as mansões abandonadas pelos ricos, como cm algu mas das vecindades de Cidade do México, ou ocupa ndo de forma intensiva outros espaços cent rais?. Cada vez mais foram procuradas formas alternativas de moradia barata, como a construção própria depois da invasão de terrenos ou aquisições semi- legais de especuladores imobiliários. Essa não foi uma ocupação ordenada cm termos de espaço, uma vez que, embora a maior parte do espaço desocupado se localiz.asse na periferia urba na, sua disponibilidade dependia de fatores políticos tais como: a natureza pública ou privada da terra, a força da organi- zação popular e as intenções especulativas de seus proprietários, tudo o que foi descrito como "a lógica da desordem" 1 º. Além disso, algumas das á reas

-

- --------- -·------------------ -

9.

Encontra-se um relato desses processos, i nclusive o assentamento ilegal, cm l'ETER WAR IJ,

Mcxim City: Thc Producti01i n11d Rcprorluctio11 of n11 Urbm, E11viro11111c11t , London, 1990.

10

Cf. l.UCIO KOWARICK, "Thc Logic of Disorder: Capitalist Expa nsion i n t hc Mct rupolita n

Are., of Grcater São Paulo", Oiscussion Papcr, lnstitutc of Dcvclopmcnt St udics, Univcrsity

of S11sscx, 1 977, e Espnliaçtlo Urbana, Rio de J,t nci ro, 1 979.

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312

desocupadas localizavam-se no centro da cidade, como no caso dus morros do Rio de Janeiro ou das ravinas ele Cidade da Guatemala. Apesar da çonstru- ção própria, o aluguel continuou sendo o principal meio d e acesso , lo{pobrcs à moradia; e é provável que a incidência desse fenômeno tenha a umentado mais para o final da década de 90, quando até mesmo os asscntanwn tos pre- cários tornaram-se parte "normal" da cidade e os proprietários originais pas- saram a alugar o espaço para complementar sua renda i 1 A fuga do centro das cidades por parte das classes média e alta foi contida pela escassez de comunicações e pela falta de infra-estrutura ad,:quada nas zonas suburbanas em potencial. Além disso, a proximidade entre os assenta- mentos precários e a maioria dos bairros de classe média diminuiu sua exclu- sividade social. Não se pode deixar de apontar outras complicaçôes, criadas pela heterogeneidade econômica das cidades. A persistente importância das atividades econômicas infor mais, que examinaremos adiante, teve como corolário a instalação por toda a cidade de estabelecimentos comerciais e industriais de pequeno porte, tanto nos bairros de classe média quanto nos de classe trabalhadora, já que os empresários economizavam o custo do aluguel utilizando parte da residência da família para instalar seu negócio. Nas décadas de 80 e 90, eram evidentes as tendências conflitantes na orga- nização do espaço urbano. Em Santiago, ocorreu um "salto qualitativo" na polarização de classes cm decorrência das políticas adotadas pelo governo militar no mercado imobiliário e na administração urbana 12 Em contrapar- tida, embora tivessem surgido claramente, na década de 70, em Montevidéu e em Bogotá, os padrões de segregação habitacional segundo a renda e a ocupa- ção foram invertidos em parte na década de 80, quando a crise econômica impôs à maioria das classes a busca da moradia que podiam pagar, sem pen- sar na sua localização. Em outras cidades, como, por exem plo, no Rio de

11.

Cf. ALAN GILllERT & PETER WAR D, J-Iousing, the Statc and the Poor: Policy and Prnctice in

Threc J,atin American Cities, Ca1nbridgc, 1985, e ALAN GIL!lERT & ANN VA,LEY, "Rcnting a

Homc in a Third World City: Choicc or Constrai nt?", l11tcmatio1111 / Jour11al of Urba11 1111d

Regional Research, 14(1): 89-IOB, 1990.

  • 12. A expressão é de Alejandro Porte:;, cm sua comparação dos modelos de poia rização espacial em Santiago com os de Bogotá ê Montcvidéu. Cf. ALEJANDRO PORTES, 'Latin Amcrica n Urbanization During thc Ycars of the Crisis", Latin A111crica11 Rcsearch Revim, 24(3): 22, 1989.

313

Janeiro e cm São Paulo, a ocupação do espaço se havia tornado mais hetero- gênea social e economicamente, quando se passou a construir residências de alto padrão para a classe média em regiões pobres. Os assentamentos de pobres foram eliminados para dar luga r a novos bairros de classe média, enquanto os pobres foram procurar qualquer nicho que pudessem encont rar nos bairros residenciais estabelecidosl3. Até 1980, conseguiu-se um grande progres.so em termos de fornecimento de serviços u rba nos básicos, como água, eletricidade e remoção de lixo; mas, na maioria das principais cidades latino-americanas, parte substancial da população urbana continuou exclui- da desses serviços 14.

A ESTRATIFICAÇÃO

SOCIAL, 1930-1960

Já em 1930, a estrutura urbana de classes da América Latina era diversifi- cada, em razão das diferenças de tamanho e complexidade econômica entre os grandes centros metropolitanos, que com freqüência eram as capitais do pais, os centros administrativos e comerciais de províncias e os lugares urbanos menores que serviam de centros de mercado e nós de transporte para a popu- lação rural. Nas cidades maiores encontravam-se as maiores concentrações da elite comercial ou fundiária, o clero, os profissionais liberais, os migrantes estrangeiros e as classes que trabalhavam para todas essas pessoas (? cons- truíam a infra-estrutura das grandes cidades: os empregados domésticos de vá rias espécies e os diaristas. As cidades da América Latina tinham uma estrutura social heterogênea, na qual a relação entre o trabalhador e o empregador não era a dom inante de classe. Extraindo suas rendas sobretudo da agricultura e do comércio de

13.

cr. RAQUEL ROLNIK, "EI Brasil urbano de los ai1os 80: Un ret rato'; cm M. LOMHARIJI & D.

VEIGA (cds.)., Las Ciudadcs cn Conflicto, Montcvidco, 1989.

14.

Vrjarn-se os a rtigos cm MATTJ-I EW EDEI. & RONALl) G. I I ELLMAN (cds.), Cítics i11 C:risis: Thc

U rl•1111 Challenge in the Amcricas, New York, 1 989, especialmen te os de V i l.MAR FARI A e de

EUlAllETH J EJ.!N. Uma análise de Cidade do México é dada cm WAl(IJ, Mcxico City, pp. 1:18-

177. Grande parte do progresso resul tou dos movimen tos populares e de sua 1ircss,lo sobre os

governos nacionais e municip.lis.

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314

importação e exportação, as elites, em sua maioria, náo eram gra ndes empre- gadores da rnáo-de-obra urbana e tinham origens étnicas distin tas, especial- mente naqueles países que haviam recebido grande contingente de migrantes do ultra mar, como a Argentina e o Brasil. Mesmo na maioria d s cidades industrializadas, os proprietários de fábrica raramente r::onstituíam urna elite homogênea com origens e práticas empresariais comuns. Muitos dos primei- ros industriais eram imigrantes vindos da Europa e do Oriente Médio, como Francisco Ma tarazzo, o capitão-de-ind ústria de São Paulo, ou J uan Yarur, o palestino que se converteu no maior industrial têxtil de Santiag0. Somente em algumas cidades, como Monterrey, Medellín e a própria São Paulo, alguns industriais de origem nacional começaram a adquirir, em 1930, considerável poder político e económico. Fosse o empresário imigrante ou natural da terra, os meios usuais de dirigir uma empresa eram os laços de família e as práticas paternalistas de administração. Nesse período, a grande indústria era, basica- mente, uma empresa familiar, de forma que até mesmo os grandes consórcios industriais eram administrados e controlados de acordo com as relações de parentesco, ficando os filhos, os irmãos e outros parentes responsáveis pelos diversos setores da empresa 15. Na maioria das cidades, fossem pequenas ou grandes, a classe m,:d ia era um contingen te relativamente numeroso, em comparação com a elite urbana e com

.

,

  • i a classe trabalhadora. Era formada, principalmente, por aqueles q1ie trabalha- vam de maneira independente, às vezes com a ajuda dos membros da família, ou eram proprietários de pequeno negócio com poucos empregados. Entre elas havia funcionários públicos e empregados administrativos de empresas priva- das. No ponto mais alto dessa "classe média" estavam os profissionais liberais, como advogados e médicos, e na base ficavam os artesãos que trabalhavam por conta própria ou os proprietários de pequenos armazéns de bairro. Nas economias latino-americanas das décadas de 30 e 40, ainda baseadas predominantemente na agricult u ra, a classe média de pequenos empresá rios

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15.

São exem plos as empresas Ga rza S.1da cm Montcrrcy, u m conglomerado q ue ab ra ngia

fabricas de vid ro, siderúrgicas de ª\º e ferro e cervejarias, e o império indu ;trial familiar

dos Gómcz, que controlava uma grande parte da produçáo têxtil do Méxiw. Cf. LARISSA

LOMNITZ f< MARISA PÉREZ LIZUAI\, A M cxim11 l:litc fomily, 1820-1980: Ki,1si1i p, C/ass mui

C11lt11rc,

Pri nccton ( N. ).), 1 987.

315

e arteslios independentes estava espalhada por toda a parte. As rotas comer- ciais in ternas necessitavam de um contingente de pequenos empresários para dist ribuir e transportar as mercadorias. Os artesãos locais consertavam e pro- duziam muitos produtos e implementos fundamentais tanto pa ra os habitan- tes das grandes cidades quanto para atender às necessidades <le uma popula- :ão rural disseminada. R;u Cuarto, urna cidade que ünha cerca de 40 mil habitantes na década de 40, localizada nos Pam pas argentinos, exem plifica

esse tipo de estrutura social. A cidade não tinha fábricas nem outras empresas que empregassem um número razoável de trabalhadores. Calcula-se que sua classe média constituía mais de 53 por cento da população: proprietá rios de pequenas empresas comerciais e industriais, funcionários administrativos dos grandes estabelecimentos comerciais, professores e pequenos fazendei ros que preferiam viver numa cidade pequena 1 6.

Nas cidades grandes, a riqueza da elite e as necessidades do governo

exi-

giam maior volume de serviços profissionais e administra tivos d o q ue nos lugares menores, e a clientela dos comercia ntes e dos artesãos era m,1is dife- renciada. Não obstante, qualquer que fosse o tamanho ou a impor tância da cidade, fosse pequena ou grande, o t ra balho autônomo ou n uma função adminislrativa parece ter induzido um sentimento de status que diferenciava

essas pessoas daqueles que faziam serviços manuais e por conta de outros 1 7

.

Um estudo sobre a cidade argentina de Pa raná

(cem

mil

habitantes)

uma medida da importância dessas considerações de status 18 O estudo foi rea- lizado no começo da década de 60, mas é pouco provável que a situação descri- ta tenha mudado significativamente desde a década de 30. Paraná tinha poucas

  • 16. Cf. J. L. IMAZ, "Est ructura social de u na ciudad pa m pca na

..

,

C11adcr110 de Sociología, 1 -2:

  • 91- 1 69, 1965.

  • 17. A u tilidade da classificaçáo do traballiador a utônomo ent re os est ra tos de d,",e média é pos11 cm d úvida por EL!ZABETH JELIN, "Trabajadorcs por su cucnta propia y asala riados: Distinción vertical u horizontal", Revista Latinomnericana de Sociología, l \167, pp. J88-4 I O. Mc:;1110 assim, cm comparaç,10 com a situaçüo que iremos descrever com rcla\,lO J década de

lli}, era mais provável que o trabal hador por conta própria, no

período de

1 930 ,1

1 950,

se v is.se a si mesmo, e fosse visto pelos outros, (01110 classe média, e

muito m.iis p!au.sívd

que fosse visto, essencialmente, corno um proletário disfarçado.

18.

Cf. tWl\EN REINA, i'arallll: Social Bourularics in ,w Argentinc City, Austi n (Tcx.), 1 973.

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316

317

indústrias e servia, como sempre tinha acontecido desde o come,:o do século,

de centro administrativo e comercial de uma próspera zona de pequenas

fazendas. Em Paraná, os informantes não tiveram muita dificuldadi;yara dis-

tinguir três classes urbanas em termos de estilo de vida e de aspiraçõs. A clas-

se alta era constituída pelas famílias tradicionais e por membros das elites eco-

nômicas e profissionais de origem mais recente. A classe média - a classe

respeitável -· parece ter sido quase tão numerosa quanto a classe baixa e estava

subdividida cm níveis, desde os profissionais e empresários até os empregados

de escritório, os pequenos empresários e os artesãos independentes. Final-

mente, havia a classe baixa, ou e/ase humilde, formada principalmente de mi-

grantes rurais e que tinham ocupações pouco especializadas, como trabalha-

dores man uais, trabalhadores do setor de serviços e empregados d omésticos.

Os informantes pertencentes aos estratos médios diferenciavam-se tanto

da elite quanto dos pobres, que não eram considerados respeit,i veis porque

não possuíam uma renda permanente e não podiam prover adequadamente

as necessidades de suas famílias. Entre estas necessidades estava a educação

secundária ou universitária para os filhos. Um problema evidente em Paraná

era o crescimento da população de classe média com educação secundária,

mas com poucas oportunidades de carreira no mercado de traba l ho local.

Os setores numericamente mais importantes da classe trabalhadora eram

os empregados domésticos, os vendedores ambulantes e os diaristas.

Somente nas indústrias têxteis e alimentícias se podia encontrar um proleta-

riado industrial e, além disso, apenas cm algumas cidades: Buenos Aires, São

Paulo e, cm menor número, cm Lima e cm Cidade do México. Em 1910, os

dois setores manufaturciros de Buenos Aires que empregavam ,11aior núme-

ro de trabalhadores eram a indústria têxtil e a de calçados. Nessa data, havia

dezenove fábricas têxteis não-especializadas, que empregavam um total de

3 151 trabalhadores manuais, uma média de 166 por fábrica. Em compensa-

ção, o setor dos calçados contava 3 214 trabalhadores e uma média de 45

empregados por empresa. Esses operários eram uma pequena minoria ( 6,2

registradas. Esses trabalhadores, como seus congêneres da Argentina, consti-

tuíam uma pequena fração (sete por cento) da força de trabalho industrial 20

.

Em Santiago do Chile, o setor têxtil mais importante contava, cm 1930, 1 618

empregados e 233 proprietários, ou uma média de apenas sete trabalhadores

por empregador 21

.

As décadas de 40 e 50 foram testemunhas de llm crcstimento subst.ancial

das economias latino-americanas, e das oportunidades de emprego, sobretudo

pora os homens. Parece ter havido um aumento da rcna rclll que bcncfici u

os trabalhadores urbanos. Embora os índices de crescimento da pop ulaçao

urbana economicamente ativa tenham alcançado, nesses anos, uma m{:dia de

cinco por cento, houve um aumento substancial do emprego urbano formaL

Ocorreu uma queda considerável do número de empresários, profiss1ona1s

independentes e trabalhadores por conta própria. Além disso, tamém n:sses

anos, 05 serviços tradicionais, como vendas e serviço doméstico, dumn u1ram

sua importância como fontes de emprego e foram substituídos pelos serv'.ços

burocráticos (empregados de escritório, professores, trabalhadores da saude,

outros técnicos e profissionais assalariados) e dos negócios e por outros servi-

ços urbanos modernos, como o conserto de automóveis ( f. Tabela 5.2

).

.

Essa mudança assinalou a relativa perda de importânoa das cla_sses médias

•.<antigas" ( pequenos empresários, artesãos independentes) das odadcs pro-

vincianas menores, das cidades pequenas e das aldeias. Em 1940, era nesses

lugares que se podia encon trar a maioria dos trabalhadores i_n depeudntes

não-agrícolas e os pequenos empresários, porque era aí que v1v1a a ma10na da

populaçiio urbana. As classes que aumentaram de importância fram aquelas

vinculadas às grandes cidades que, nesse período e nos segumtes, foram

adquiri ndo um peso maior dentro da população urbana: entre os estratos de

frabalhadores não-manuais figuravam os profissionais, o, gerent es e os

empregados de escritório, que aumentaram enormemente em n úmero; entre

os estratos de trabalhadores manuais contavam-se os operários da construção

o

 

por cento) do setor industrial de Buenos Aires, onde o número rnédio global

civil e das indústrias de serviço, como oficinas de consertos, resta u rantes e

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7.

 

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de empregados por empresa era de apenas onze 19. Em 1931, em Lima, 2 504

hotéis e serviços de portaria e zcladoria.

 

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homens e mulheres estavam tra balhando na indústria

têxtil em 21 fábricas

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19.

Censo Gc11cral de la Ciudad de llw "ºs Aires, 1910, Buenos Aires, tomo I.

21.

Di rección General de Estadistica, X Ct'nso de la i'obl11ciú11. 1 930, Santiao. 1 931 , vol. Ili, J', 69.

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318

TABELA 5.2 /

ESTRATIFICAÇÃO OCUPACIONAL URBANA NA AMÉRICA LÃÍ'INA,

1940-1980 (%)

População não-agrícola

1940

1950

1960

1 97

1980

Estratos n,1o-manuais mais altos Emprcgadorc·;, profissionais indcp.:ndcntes. Gerentes, profissionais empregados e pessoal técnico Estratos mio-nianuais mais baixos Empregados de escritórios Empregados na área de venda Pequenos empresários Do comrcio

Outros

( m.rnufoturas,

serviços)

Trabalhadore autônomos

No comêrcio

Outros

Assalariados Tra nsportes Constru,;,io ci ,ril Indústria

Serviços

Empregados domésticos

6,6

4.4

2,2

15,2

8,4

6,8

0,8

0,8

0,0

28,5

9,5

19,0

35,9

6,1

5.4

20,1

4,3

13,0

9,4

5,2

4,2

16,0

10,0

6,0

2,5

2,3

0,2

19,8

7,1

12,7

41,J

3,8

7,0

19,2

1 1 ,J 1 1,0

10,1

1,9

8,2

16,9

11,1

5,8

2,6

1 ,5

1,1

20,5

7.5

1 3,0

40,4

4.5

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19,1

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2,6

1 0,1

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2,5

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1 6,3

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2,4

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19,0

13,2

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2,5

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1,2

18,6

5,8

12,8

.16,4

2,7

7,1

16,5

10,1

7,6

TOTAL

100,0

100,0

100,0

1110,0

100,0

AGRICUJ:f URA (();;> da popul;1çJo ativ,t)

61,6

52,5

46,7

J9,5

30,6

Fontes: Cálculos cxtraidos dos censos naci(, nais da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, i\d,3xico e Peru. Os anos sào aproximados: 1940 inclui d.idos do Censo Argentino de 1914; os n úmero, rela tivo:,. a 1980 nJo incluem a Colômbia.

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Emergiu uma classe média "nova", constituída de empregado:; de

escritó-

rio, gerentes e funcionários do governo e das organizações empre,;ariais e que precisavam de qualificações educacionais para ocupar esse tipo de ,:mprego. A crescente im portância do nível de escolaridade para a mobilidade social foi uma das principais modificaçõn que as m udanças econômicas do período 1940-1960 suscitaram nos padrôcs de estratificação urbana, crian do oportu- nidades e, às vezes, frustrando-as, quando os mil hares de pessoas que ingres-

savam no mercado tinham ed ucação "superior" à requisitada pelos empregos

disponíveis22.

A ind ustrialização (assim como a consolidação da economia de expor ta- ção) acarretou outra importante modificação: a formação de um grande pro- letariado industrial cm algumas das cidades maiores ( bem como nas pequenas

cidades ligadas à mineração e às plantations ). Quando o f

oco do desenvolvi-

,,

mento econômico mudou para novas regiões e a_s indústrias artesanais das zonas rurais e das pequenas cidades entraram em colapso com a melhoria das comunica ções e a concorrência dos prod utos industriais, tanto nac ionais quanto impor tados, alguns lugares prosperaram e outros estagnaram. Houve também uma mudança na natureza do emprego industrial, mudan- ça que ei;tá escondida parcialmente nos números agregados da Tabela 5.2. Na década de 40, muitos trabalhadores "industriais" eram artesãos que tra balha- vam por conta própria ou assala riados de peq uenas ofici nas onde, m ui tas vezes, era quase nula a diferença entre produzir e consertar. Em 1950, os cen- sos, em sna maioria, estabeleciam uma distinção entre, por exemplo, sapateiros que consertavam sapatos e aqueles que trabalhavam como industriários nu ma fabrica de calçados. Essa mudança na classificação refletia uma tendência real:

a queda gradual da produção artesanal e uma diferenciação econômica que resultou nu m número maior de t rabalhadores industriais empregados cm fabricas e no surgimento de u m setor de serviços especializado cm cons-:rtos. Nesse período de relativa indust rialização, a indúst ria rna n ufa t u rcira emprega va um volume muito maior de mão-de-obra do que nos períodos pos- teriores, usando tecnologia importada que variava pouco de ano pa ra a no. Os

trabalhadores fabris ganhavam importância como setor da classe operária, tal como ocorria com os ferroviários e os portuários. Não obstante, as qual ifica- ções exigidas por esses empregos continuavam sendo, basicamente, habilida- des artesanais e não indicaram uma grande ruptura com as antigas t radições

----- --------

  • 22. Com parações ent re a Argen tina e o Chile, na

dt.'-.....H.ia

de 50, cn

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r.1111-sc cm TORCUA l\l D!

TELLA, "Estratificación social e incstabilidad políticJ cn Argcntin,1 y Chile", Sixrh Confácncc ,f

thc Imtit11to de Dcsarrollo EconôJJJico y Social, Buenos Aires, 1%2 A J\rgcn tin,1 di,punh,1 de

poslo· de classe média suficientes p,1ra atender ,h ,1:-.pir.1\·úes ,Jo rnúncro crcsccnll' de pc:,,:,,0.1:-.

com t'ducação secundária e univcrsitári,1; cm cont rapartida, a populaçilo chilena ti nhc1 cd uca-

çào '\upcrior" à

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320

da classe trabalhadora. Nas décadas de 40 e 50, os trabalhadores fabris alcança- ram O ponto máximo de sua importância relativa, quando a ind ústria come-

çou a expandir-se e passou a produzir bens de capital, empregando . rnis ope-

rários em empresas de grande e médio porte, enquanto os

artes,ios ·entravam

em colapso devido à concorrência das fábricas. provável que o proletariado clássico - assalariados industriais empregados em empresas de gr ande porte - estivesse mais consolidado cm 1960 do que em 1940. Em 1960, as empresas industriais de grande e médio porte empregavam maior númr:rn de trabalha- dores do que as pequenas. Em 1 960, em países como o Brasil, a Colômbia e o

Chile, o emprego industrial cm empresas de cem ou mais cmpff'gados repre- sentava a metade ou mais do total da força de trabalho industrial 2 3.

Pouco se conhece acerca d o trabalho feminino remunerado na América Latina antes da década de 50. A ausência de informações e de análise indica a falta de interesse pelo assunto. Mas décadas de 30 e 40, sem dúvida, a participa- ção das mulheres no mercado de t rabalho urbano era baixa, devido à falta de diversificação desses mercados. O trabalho feminino estava concentrado prin- cipalmente nas zonas rurais e ,i ra dirigido para a produção doméstica. Como tal, raramente era registrado nos censos, que informavam de forma errônea o trabalho feminino nas unidade:; familiares de produção das zonJs rurais 2 No Brasil, entre 1920 e 19,10, as referências ao trabalho fem lllino indicam que, como no caso dos homem, a maioria da população feminina economica- mente ativa trabalhava na agricultura. Geralmente, as trabalhadoras urbanas eram costu reiras ou empregadas domésticas 25 . Os dados disponíveis para 1950 mos·:ram que, no total da região, os índices de participaç ii o econômica das mulheres ainda eram muito baixos (18,2 por ccnto) 26 . Os países com as

.

  • 23. F. H. CARDOSO & J. L. REYNA, '' J 11dustrialización, c.structura

ocupacion, 1 1

y

cstratifi

..

::ación

social cn América Lati na", cm l'. 11. CARDOSO, Cuestio11cs de Sociolog fu dei Dcsorrollo de

Américll Latina, Santiago1 l96f-i.

  • 24. Cf. CATAUNA WAINERMAN & /ULMA RECCl!INl lll' LATTES, E/ tra/ )(ljo f,·,11ini110 Cll d /1<m-

'l',il/o de /os arnsados: La mcdinán cc11sal en América Latina , Ciudad de México, 198l.

  • 25. F. ll. MADFlRA & P. SI NGER, "Estrut u ra <lo Em prego e Trabalho Fcrni nino no Brasil:

1920-1970", Caderno 13, São Pa ulo, 1973.

  • 26. Prcalc, Mercado de trabnjo en cifras 1950-1980, Sa ntiago, 1982, cuadro 1

321

taxas mais altas de urbanização nessa época - Argentina e Chile - apresenta- va m u m índice de participa ção feminina mais alto do que os de !Jrasil, Colômbia e México. No entanto, o Peru, apesar de seu modesto desenvolvi- mento econômico, registrava índices de participação feminina mais al tos do que os d esses três últimos países. Nu merosos estudos comparativos most ra m que, provavelmente, tanto os países com níveis elevados de desenvolvimento econômico quanto aqueles com níveis mais baixos apresetavam taxas eleva- das de participação feminina. No entanto, as altas taxas de partici pação eco- nômica nos extremos opostos baseiam-se cm realidades econômicas m uito diferentes e afetam grupos etários e classes sociais diferentes. Na década de 1950-1960, a expansão do trabalho feminino remunerado foi muito pequena na região. Somente em cinco dos vinte países houve ligeiros aumentos, embora entre esses estivessem os maiores países da região, o Brasil e o México 2 7. Na Argentina e na Colômbia, nesse período, os índices de parti- cipação feminina permaneceram constantes, enquanto diminuíram no Chile.

Essas variações do padrão de crescimer.to econômico, e sua desigualdade, acarreta ram um aguçamento das diferenças na estrutura de classes da popula- ção urba na dentro dos países e entre eles. Utilizando exemplos da Argentina, Di Tella delineia quatro tipos básicos de estratificação urba na na América Latina, na década de 50, baseados no gra u de concentração da classe triibalha- dora e nas possibilidades de mobilidade social28. O primeiro eram as grandes cidades em processo de industrialização, nas quais a pirâmide elas classes alar- gou-se na base devido ao número crescente de trabalhadores manuais. O declí- nio da im portância relativa dos estratos médios foi compensado, e foram cria- das opor tunidades de mobilidade associadas à educação, ao surgimento de uma "nova" classe média de profissionais liberais e çmpregados de escritório necessár ios para atender às demandas da administração e da organização

comercial mais complexa. Exemplos desse tipo eram as cidades do litoral da Argentina, principalmente Buenos Aires. Em segundo lugar, vinham as peque-

  • 27. EDn li PANTELIDES, E. tudios ele la po /,lació11 feminina cco11ô111icamcntc activa c11 América

Latina, 1 950-1970, Santiago, 1976.

  • 28. Cf. TORCUATO DI TELLA, La Teoria dei Primer Impacto dei Crccimienro Económico, San ta Fc (Argenti na), s.d [e. 1965], pp. 163-167.

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322 nas cidades ligadas à mineração e às plantations, como as das áreas produtoras

de açúcar da Argentina, onde predominava uma massa de trabal hadores, com

  • 1 poucas ocupações intermediá rias e poucas oportun idades d e mobilidade

!

!

ascendente. Vinham cm tercei ro lu gar as cidades pequenas ,, grand es das

regiões que, historicamente, ti nham sido importantes economi camente, mas

  • 1 que haviam declinado ou estagnado. Por exemplo, em 1950, as pequenas cida-

'

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des do nordeste da Argentina t inham uma gra nde classe média cm comparação

com outras regiões, mas seus membros tinham limitadas perspectivas locais de

manter seu status relativo. Por último, estava o padrão de estrntificação encon-

trado cm regiões agrícolas dinâmicas, como a de Santa Fc, onde as pequenas

cidades de economia ca mponesa propiciavam múltiplas opo rtunidades de

mobilidade econômica, princi palmente para o pequeno cmprcs.i riado.

Esses tipos de situação urbana foram encontrados cm toda a América La-

tina, nesse período. Os pa[scs da região, cm sua maioria, com exceção da Amé-

rica Central, começaram a ind ustrializar-se nas décadas de 30 •e 40 e tinham

pelo menos uma cidade com uma grande concentração de t rabalhadores

manuais empregados em empresas de grande porte, como fábricas, transpor-

tes (sobretudo portos e estrad as de ferro) ou construção civil. A concentração

de trabalhadores em localidades isoladas era encontrada nos a campamentos

mineiros da Bolívia, Peru, Chi.k e México; e as concentrações de trabalhadores

das planta tions haviam surgido no norte do Peru, na década de :\O. Muitos paí-

ses tinham fronteiras agrícolas onde a expansão da agricultura havia estimula-

do uma florescente economia de cidade pequena - o estado do Paraná no

Brasil; Sonora no noroeste do México; a região cafeeira de Anti oquia na

Colômbia. A melhoria das comunicações, ao intensificar a troi:a de produtos

agrícolas e industriais, também mudou o caráter das cidades p,:quenas locali-

zadas em zonas agrícolas est abelecidas. Zamora (no estado d,: Michoadn,

México) é um bom exemplo disso2 9 . Nessa cidade, em con seqüência da

  • 29. Cf. os relatos da hist6ria social de Zamora, do final do século XIX até a ,kcada de 1980, cm GUSTAVO VERDUZCO, "Traycct<:iria hist6rica dei desarrollo u rbano y rq:,nnal cn u na zo11a

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occidental de México", Estt,díos Demográficos y Urbanos, 1 (3): 3-1 3-350, septiem-

brc-diciembre de 1986; "Econ, ,mía informal y cmpico: Una visión hacia la prcvincia mexi-

ca na", M éxico c11 e/ 11111 /,ro / dei 111ilc11io, Ci udad de México, 1 990, pp. 175-396; Zr1111ora,

Ci udacl de México, 1992.

323

implant ação parcial da reh rma agrária e da expansão do comércio com as

principais cidades, o latifúndio e a indústria artesanal deixaram de ser, nas

d écadas de 30 e 40, a base da estrutura econômica e social da região pa ra ceder

luga r à agricultura empresarial em grande escala, ao comércio e aos set viços.

Outra coisa comum foi a pouca atenção que os novos modelos de cresci-

mento econômico deram a regiões anteriormente importantes. São exemplos

a região Los Altos (no estado de Jalisco, México) ,_com sus inúmeras <.:idade-

zinhas cuja prosperidade fora baseada no comércio com o Norte e na criação

de gado; as cidades pequenas do Nordeste do Brasil atreladas à economia açu-

careira em declínio ou as cidades "do ouro" de Minas Gerais; ou Popayán,

cujas fa mílias dominantes haviam desempenhado um papel impor tante na

história da Colômbia, mas que se haviam isolado economicamente na década

de 30, embora tivessem mantido urna grande classe média e alta 3°.

A ind ustrialização e o crescimento econômico do período posterior a 1930

tiveram , por conseguinte, diversas conseqüências para a estratificação. Na

maioria dos países, o resultado foram acentuadas diferenças regionais na

natureu da organização de classes. Como a concentração da classe t rabalha-

dora e o peso relativo da classe média eram diferentes de u m pais para o

outro, surgiram também amplos contrastes nacionais nos pad rões globais de

estratifiução, o que contribuiu para as diferenças nos regimes políticos entre

as nações latino-americanas. Um fator adicional nesse período foi a i mpor-

tância da população rural na formação da classe t rabalhadora e, cm certa

medida, da classe média. Na maioria dos países, as classes urba nas estavam

num estágio inicial de consolidação, visto que seus vínculos com a gra nde

populaçiio rural continuavam fortes.

Para o período até 1960, podemos identificar a Argentina como o país que,

de um Lido, tinha uma população agrícola relativamente pequena e, de outro,

uma classe média forte e um proletariado urbano consolidado, tanto de ori-

gem européia quanto de longa tradição urbana. Em 1947, a população agríco-

la somava 25,2 por cento do total da população economicamente ativa; a clas-

se média urbana, cerca de dezenove por cento; e o proletariado, 34 por cento

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30.

Cf.

.\ NDREW HUNTER Wl!lTEf-ORD, Two Citics of Latir, A111ericr1: A Co111parativc /)cscri ption

of Social Classes, Garden Ci t y ( N. Y.), 1 9M; e ;\11 ;\111/c1111 City 111 A·lid-tc11t11ry: 1\

h,1r/itio11,1 /

Urban Society, East Lansing (Mich.),

1977.

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324

da população não-agrícoJa3 1 . O Chile tinha uma população agrícola relativa- mente pequ ena e uma sólida classe média, mas os trabalhadores man uais estavam concentrados principalmente cm cidades isoladas ligad as1'ils minera- ções ou às pla11tatio11s. Em 19152, a população agrícola ch ilena represen tava 34,3 por cçnto do total da população. Daqueles que não trabalhava m na agri- cultu ra, 12,4 por cento pertenciam à classe média e 25,2 por ccnto eram t ra- balhadores manuais assalariados. Tanto as classes médias quanto os trabalha- dores man uais estava m relativamente consolidados e sua importâ ncia era reforçada por se concentrarem em Santiago, cm Valparaíso e, nc, caso dos tra- balhadores, nas pequenas cidad es mineiras elo Norte32_ O Brasil e o México tinham, cm 1950, grandes contingentes de população agrícola - respectivamente, 59,tl e 58,l por cento do total da popul ação. O peso da população agrícola fez dim i:,rnir a im portância relativa e o c1ráter urbano tanto elo p roletariado quanto ela classe média. Os dois países tin ham grandes concen t rações de proletários cm determinadas cidades, u m estra l o que repre- sentava 26 por cento do emprigo não-agrícola no Brasil e 24 por cento no México. Essa classe trabalhadora urbana estava menos consolidada do que no caso argen tino ou mesmo no c h ileno, uma vez que muitos de seus membros eram m igra n tes recentes das zonas ru rais. No caso do Brasi l , porém, os migra ntes europeus que se havi a m dirigido pa ra o Sul tinham cri .ido, cm al gu- mas cidades, como São Paulo, por exemplo, u ma vigorosa trad i,;ão de classe média. Do mesmo modo, a cbsse média u rbana de ambos os pa íses estava

3 l. Esses números baseiam-se nas porcentagens indicadas no J\pên<licc 2. que apontam a

populaçJ.o agrícola e definem de 111aneira estrita a classe média urbana , 01110 o tot,il dos

empregados de escritório e dos t':itratos mais altos dos trabalhadores não- manuais. O pro-

letariado urbano é o total de t1 .1 balhadorcs manuais, exclusive emprcgc.11.!os nos !>Crviços

domésticos. A base de Gílculo é ,:. mesma para outros países que figuram nas tabelas.

32. O Chile, cm 1960, tinha os nívci mais elevados de educação entre os seis países ,rnalisados,

pois quase 25 por cento <lc sua 1 ,-:,pulaçJ.o cconomiu1mcntc ativa tinham de ou mais anos

de escolaridade (Tabela 5.4). H;ivia

mais pcssoc1s

com níveis de c.:ducaçâo

de "classe

média"

do que postos de emprego disponíveis. h1 na Argcnlina acontecia o i1wcrso O tipo rt'prcscn-

tado pelos casos da Costa Rica e do Uruguai, que, cm comparação com os outros ti pos,

tinh.im cl asses méd ias urba na.') fortes, mas poucos trabalhadores indus1 riais é discutido

também por TORCUATO DI TEU.,\, Classes rncinlcs y cstr11ct11ras po!f ticas, Buenos Aires, 1 974.

325

menos estabelecida e mais dispersa cm m uitas ocupações de classe média

baseadas na prestação ele serviços à população rural. As classes méd ias con t ri.

buía m com 9,6 por cento do emprego não-agrícola

no

Brasil e com

1 1,4

por

-:cnto no México. Final mente, os países tin ha m ainda gra ndes cont ingentes de
-:cnto no México. Final mente, os países tin ha m ainda gra ndes cont ingentes de
populaçiio ocupados na agricult ura e não possuíam um_a classe média sólida
uem urna classe trabalhadora urbana consolid ada, qucr.'.n«s cid,1des gra ndes
quer nos pequenos centros l igados à mineração- e às pla11tations: Colôm bia,
Equador, Paraguai e os países centro-americanos, com exceçãc da Costa Rica.
Na Col,S m bia, a populaçào agrícola representava 50,2 por cen to do total dos
habitan tes, ao passo que dez por cento constituíam a classe média u r ba na e
dezenove por cento eram trabalhadores ma n uais assala riados u rba n os. Com
relação dO Peru, os dados revelam u ma populaç,1o agrícola maior do q ue a da
Colôm bia - 57,7 por cento do total - enqua nto as cifras pa ra a classe média e a
classe tra balhadora eram semclh,mtcs. 10,3 e 18,3 por cento, respcct i v,i mcn te.
Havia, porém, uma grande diferença en t re o pad rão de cstra tificaç,io d o Peru
e o do l i po representado pela Colôm bia. O Peru, do mesmo mod o q ue a
Venezuela e a Bolívia, que também tinham u ma clasc média u rba na relativa -
mente pequena, tinha concentrações de t rabalhadores industria is nas cidades
pequenas ligadas à mineração, às pla11tatio11s e à ind úst ria pet rolífera. No Peru,
como n,1 Bolívia, esses t rabalhadores ind ust r ia is eram '\:am poncses" que con-
servava m seus direitos à terra cm suas aldeias de origem e pa ra l.í vol tava m
para cultivar a pós um período de t rabalho nas ind úst rias.1.1.
As d i ferenças na consolidação de u ma classe trabalhadora urbana podem ser
vistas no tocante à importância relativa dos artesãos a utônomos (sa p.iteiros,
tecelões. carpintciros)3 4 • Na Argentina e no Chile, na década de 40, o n úmero de
trabalhadores assalariados era três a quatro vezes maior do que o dos artesãos
au tónomos. No Brasil e no México, nessa data, os assala riados eram cerca de
duas vezes mais numerosos que os artesãos a utônomos, ao passo que no Peru e
na Colômbia estes eram tão numerosos quanto os trabalhadores assala riados
- ---·------------------------- -
33.
Cf. JULIAN LAITE, Jnd Hstrial Dcvclopment a11d /v!igran f /.(l hor i ,r L1ti11 A111cricn , :\ust i n
(Te,
..
),
1981, e AllRJ AN W. llE Wi Nll, "Pcasan ts lkrnmc M incrs: Thc Evol u tion of l nd uslri,d
Min i t1g Systcms in Peru", tese de Ph. D., i nédita, Col u mbia Univcrsi ty, 1 977.
u
34.
Cf. ,\pndiccs 2-7. Nas tabelas os artesãos por urn t.1 prúpri,1 s;lo e1H1mer.1do 11,1 1 .1lcgori.1
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"Trnhalh.idorcs por conta prúpri.i, Out ros".
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não-agrícolas. A queda rcl.,tiva do emprego industrial (que aiJ ra?gia o trabalho a rtesanal) entre os trabalhadores assalariados, na Argentina, n,J Brasil e no Chile, cm 1960, e o ligeiro crescimento no México refletiam a consolidação desse tipo de emprego nas fábricas 1.:rbanas e o desaparecimento do 1 rabal ho artesanal corno categoria industrial. O emprego industrial começou ,, diferenciar-se do a r tesa nal, com uma conseqüente expansão do emprego de se1·-'iços nos diversos ramos de conserto e out ros serviços pessoais. As desiguald ades regionais no Brasil e, cm alguma medida, no México fizeram com que esse processo fosse um pouc.:o desigual, porque os artesãos que trabalhavam por co1; La própria se con- cen travam nas regiões m ais pobres. Du ra nte todo esse pc dodo, o Peru e a Colômbia mantiveram proporções rela tivamente baixas de tr;i ball:adorcs indus- triais assalariados. Embor.1 tenha havido uma queda no pese relativo dos arte- sãos autônomos, seu núm,::ro contin uou elevado, refletindo t;dvcz a pcristênch da proporção de artesãos autônomos nas aldeias e nas pequenas cidades. A migração contribuiu ainda mais para a hetcrogencidad,: social da popula- ção urbana em toda a América Latina. As diferenças nas rou pas, no falar e cm outros aspectos da cultma tra nsformaram os migra ntes num grupo muito visí- vel. Como a maioria dos migrantes concentrou-se entre os grupos mais jovens da população economicamente ativa, seu impacto sobre o m,:rcado de trabalho foi imenso. Esses fatores acabaram por criar a impressão de q ue a cidade latino- a mericana continha uma extensa população socialmente marginal. Alguns ana- listas ressaltaram a "superlcrciarização" das cidades latino-americanas na década de 60, atribuindo esse fato ao subemprego permanente cm ativilkdes marginais do setor de serviços, como o comércio ambulante ou o trabalho doméstico e outros serviços pessoais. Estudos de caso sobre a pobreza urbana. realizados no México e em Porto Rico, na década de 50 e início cios anos 60, reforçaram esse pon1o de vista. Foi cunhada a expressão "cultura da pobreza" para descrever o círculo vicioso cm que muitos pobres urbanos se viram apanhaclos 35 . Os estudos

de caso de famílias, cm sua maioria de migrantes rurais, dcscevcram as

dificul-

dades que enfrentavam para conseguir um trabalho permanente e relativamen-

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viverem constantemente no limiar da extrema pobreza, dizia-se que i:sses pobres

  • i urba nos tiveram uma orientação fatalista de vida que, somada ii fal ta de escola-

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ridade, reforçava suas desvantagens e era passada de geração pa ra gcr,1,·1,

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As provas disponíveis não confirmam esse quad ro pessim ista

de

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mer-

cado de trabalho urbano fortemente segmentado, no qúal os m igr,rn tes ru rais comLituiam uma subclasse socialmente marginal. Estudos realizados no final da d(cada de 50 e du ra n te toda a década de 60, cm cidades (orn o Li ma, Ciud.1d Guyana, Rio de Ja neiro, Santiago do Ch ile, Cidade da c;ua tcmala e

Cidade do México, most ra ra m que os pobres u rba n os, fossem n a t u ra is das cidades fossem migrantes rurais, se organiza ra m com eficiência pa ra obter

aqueles recursos disponíveis3r

..

Por meio de redes de pa rentesco e de

a m izade,

não só conseguiam trabalho mas ta mbém, com o tem po, lograva m mel hora r

suas oportu nidades de emprego. Nessa época, as fa milias dava m

gra nde

i m-

portá ncia à educação dos filhos, aumenta ndo com isso fortemente os n íveis de escolaridade. Além disso, podemos vislu mbrar nesses estudos u m sen ti mento gera l de que as familias tinham mel horado sua situaçúo, cm com pa raç,1o com

a de seus pais e, no caso dos migra ntes, com as oportu nidades d ispon íveis na aldeia ou cidade de onde tinham vindo. Algu ns estudos mostra ra m que, cm

algu mas cidades, os m igra ntes havia

m consegu ido

u m

n ível

ocu

paciona l

superior ao dos nat u rais elo luga rn. Em out ras, os na t ivos ti n h a m u m st11t11s

  • 36. Uma visão geral desses estudos é dada cm lt MORSE, "Trcnd:s and lssues i n L1 t in Amcri(,111 Urban Rcsearch", Lllf in J\mcrica11 Rcscarch Revicw, 6( 1-2): 3-52, 1 9-75, i'J7 i, e cm \J. BUTTERWORTH & J. K. CI IANCE, l.ati11 Amcrinrn Urb11ná111io11, C

..

unhridg(',

1 'J8 I .

Cf.

1,tm bém

W. MANGI N, «Latin Amcrican Squattcr

Scttlcmcnts: A Problcm and a Sol ution", J.at i11

Amcrican Rcscarch Rcvicw, 2 (3): 65-98, 1 967; J. MATOS MAR, Urln111izaciô11 y /,11rri11dt1s 01

América dei Sur, Limai 1968; LISA PEATTIE, Tht· Vicwfrom thc H,1rrio, J\1111 Arhnr (Midi.).

1968; ALEJANDRO PORTES, "Rationality in thc Slurn", Compar(l tivc Sr wlics 111 Societ y awl

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Cl

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te bem pago, o que forçava a maioria dos membros da família, crianças e adul- tos, a procurar oportunidades legais ou ilegais de auferir a lguma renda. Por

  • 35. CL, cm pa rticular, OSCA II LEWIS, TJ ,c Childrrn of Sanchez: J\11 J\utohiogra phy nf a Mcxic.111 Ft,mily, Ncw York, l96 !, e La Vidn, Ncw York, J 9(J8, pp. xliiiliii.

1

1

l

i

Histnry, 14(3): 268-286, 1 972; ANTIJONY IEl'D . "Thc Sign ifica n l Va riablcs l ktcrmi n i ng

the Charactcr of Squattcr Sl'ttlcmcnts",

América Lat ina,

1

2(

3):

44-8(),

J lJ(llJ; !IJ{YAN

R.

ROHERTS, Orgnnizing Strt111gcrs: Poor 1-"t1111ilics in (;1111tn11e1 /a City, Aust in ( Tcx. ), l97J;

1.ARISSA LOMNITZ, Nctworks and h1{/ rginalit y in ,1 Mcxirn11 .)l11111t ytow11 , NL'w York, 1 977.

  • 37. Para chega r a essa conclus,lo, os dados sobre Buenos Ai res, S.io P.1ulo, R io til J,rnciro e Santiago foram revistos por W. BOCK & S. llJTAK A , " [{ur,d-urh.1r1 Migrc1t io11 ;ind Sot:ial Mohilit y: Thc Contrnvcrsy on Lati n Amcric.i'', U11 ral

,\ocio!o:,::,r.

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328

ocupa cional um pouco melhor do que o dos migra ntes, mas as diferenças eram pequenas e diminuíam com a per manência desses no locaI3 8 Com a falta de moradia adequada para abrigar a crescente popu l ação urbana, os assentamentos precár ios tornaram-se, nesse período, a caracterís- tica familiar da paisagem citadina da América Latina. Mesmo esses assrnta- mentos, localizados geralmente na per i feria das cidades, não foram con cen- trações de migrantes rurais chegados posteriormente. Todos os habita:i.tcs da

cidade, quer nativos quer migrantes, para conseguir uma moradia barata e
1 fugir das casas de cómodo superpovoadas dos centros da cidade, acaba ram invadindo terrenos e construindo eles próprios suas residências. As mudanças econômicas e a industrialização também começaram a nwdifi- car a composição das elites urbanas. Os investimentos externos diretos twuxe- ram consigo um grupo gerencial de expatriados, principalmente norte-ame: rica- nos, mas também europeus. Eram incluídos dent ro da elite, embora seu pedodo de residência num lugar não tenha ultra passado uns poucos anos e seus co1:tatos sociais se tenham limitado aos círculos de seus próprios conterràneos39. O 1ama- nho e a complexidade das economias urbanas, cada vez mais vinculadas ao exte- rior pelos investimentos e pela tecnologia, tornou difícil a subsistêm 1a da empresa de tipo familiar da década de 30. As elites empresariais adotaram c:;tilos mais impessoais de gestão e obtiveram treinamento técnico quer cm insti t utos tecnológicos particulares que se desenvolveram em ritmo acelerado cm m uitas partes da América Latina quer em cursos feitos no cxtcrior40. Essas tendências, ao lado da crescente importância do Estado nos negócios por meio dos contra-

!

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38. Corno podemos ver cm

est udos,

realizados

no

final

da

década

de

60, sobre

Mon tcrrcy,

Cidade do México e Cidade da Guatemala. Cf., respectivamente, JORGE BALAN, HAl!LEY L.

BROWNING & ELIZA!lETH JEL1N, Men in a Dcc/ining Society: Gcogmphic and Social /llobility

i11 M onterrcy, Austin (Tcx.), 1973, pp. 201-208; l!UMllERTO MUNOZ, ORLANDI MA DE

OLIVEIRA & CLAUDIO STERN, Migración y desigualdad social en la Ciudad de México, Ciudad

de México, 1977, cuadro 5.5; e BRYAN R. ROBERTS, Organizing Strangcrs, pp. 29, 123-143.

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39.

Sobre essa elite empresarial expatriada na Argentina, que muitas vezes não falavam caste-

lhano, viviam cm bairros segregados e usavam as escolas e clubes de sua nacionalid;idc, cf.

J. L. IMAZ, Los que mandan, Buenos Aires, 1 964, pp. 145-147.

40.

Isso aconteceu n1 empresa têxtil Ya rur, como relata l'ETER W!N N, Weavers of Revohllion:

Yarur Workcrs a11d the Clzilean Road to Socialism, New York, 1986, pp. 21-24. Um relato

1,

!

329

tos, subsídios, licenças de importação de novas tecnologias, e regulamentos do
1 trabalho, solaparam a base da ideologia e prática da elite esteada na família e no

1

  • i paternalismo. A,; elites empresariais buscaram cada vez mais alianças de caráter

  • l classista e mesmo ampliaram estas para abranger os burocratas do governo e os
    i militares-! I. O poder econômico do Estado fez com que uma carre,ira no serviço

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público se tornasse o meio de ingressar nas elites urbanas, levandp os filhos familias t radicionais da elite a procurar cada vez mais essa-carreira.

A natureza das elites urbanas podem ser resumidas cm três grandes

ten-

de

dências. Primeiro, as elites urhanas r:assaram a vincular-se mais a suas redes de interesses e relações sociais. A famíl ia deixou de ser a base principal cio poder econômico e social. O acesso ao crédito, à tecnologia, geralmente localizados no exterior, e à informação política e econômica tornou-se mais importa nte para o sucesso de uma empresa, qualquer que fosse o setor da econom ia cm que atuava. Nesse contexto, o uso das relações pessoais pa ra promover i n teres- ses econômico e políticos contin uou tão determinante quanto no passado, mas as redes sociais passaram a incorporar um espectro mais amplo de posi- ções ela elite do que até o momen to, especialmente nas economias u rba n as mais dinámicas. Os meios de comunicação, a política, a burocracia, as finanças e os serviços profissionais adquiriram uma nova relevà ncia para a manutenção

detalhado dt: como essa mu<lança afetou o im pério

indust rial

dos

Gómc1., com

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tens.lo

entre mantc1 uma empresa famil iar e a necessidade de desenvolver rclaçücs so(i.tis com o

funcionários do governo, e as limitações impostas às c1npresas Gómez dianlc da recusa do

patriarca cm abandonar seu estilo particularista de controle, apa rece cm LOM NITZ & l'f:IUJ

LIZUAR, A M cxican Elite Family: 1820-1980. Com relação a Mon terrey, cf. H UM HEJn o

MUNOZ & HERLINDA SUÁREZ, Ed11cació11 y cmplco: Ci11dad de M éxico, G11adailljara )'

Montcrrcy, C:ucrnavaca, 1989.

41. Em entrevistas com industriais argentinos e brasileiros na década de 60, remando

Henrique

Cardoso documenta a importância que davam às alianças dentro da classe e entre uma classe e

outra para conseguir o desenvolvimento econômico, entre eles fazendeiros, banqueiros, milita-

res, políticos e trabalhadores. Era menos provável

que

os

i ndust riais

brasilei ros,

cm

compara-

ção com os argentinos, dessem importância às alianças com os trabalhadores. Além disso, cm

ambos os países, os industriais que mais dependiam do exterior eram aqueles q ue, mais prova-

velmente, negavam a necessidade de incluir os trabalhadores nessas alia nças. Cf. F. l l. CARDOSO,

Ideologias de la burguesia i11d11st1 ia/ en sociedades dcpc11dic11tcs, Ciudad de México, 1971.

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330

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e o avanço das carreiras da elite. Segundo, a importância do Estado tanto como

empresário econômico quanto como ad ministrador, e a relativa debilidade do

setor empresarial privado tornaram os altos funcionários do governo rné_m-

bros co-iguais das elites urbanas. Terceiro, o aumento da presença econl, mica

estrangeira, seja por meio das multinacionais seja pela transferência de tecno-

logia, atenuou o caráter nacional e a independência das elites urbanas.

Essas tendências eram mais evidentes nos centros metropolitanos mai ores,

especialmente naqueles que eram ao mes. mo tempo capitais nacionais. Por causa

de sua menor centralidade política e econômica e de suas histórias particu lares,

as elites das outras cidades estiveram menos expostas a essas tendências. O resul-

tado foi certa diversidade regional nas características e ideologias das elite:;, fato

que se pode ilustrar com as elites de Montcrrey e de Guadalajara no Méxic, e

as

de Medellín e de Cali na Colômbia 42 . Em Monterrey, a natureza da região, pobre

de agricultura mas próxima dos Estados Unidos e rica em minérios, const ituiu

um fator na consolidação da industrialização a partir da década de 40, med iante

grandes conglomerados industriais, que passaram a empregar um enorme setor

da força de trabalho. A elite de Monterrey era pequena em número, coesa e man-

tinha grande independência e poder de negociação com respeito ao capital

estrangeiro e ao governo central e seus funcionários locais43, Em contrapa rtida,

Guadalajara, que se desenvolveu com base numa rica região agrícola e no con-

trole de importantes rotas de comércio, tinha, na década de 60, uma elite muito

mais fragmentada do que a de Monterrcy e era sede de empresas comerciais de

médio porte e de indústrias de produtos básicos. Os entrevistados dessa cidade

viam nos funcionários do governo membros importantes da elite com um poder

muito maior cio que o que lhes era atribuído cm Monterrcy. O capital ext erno,

quer estrangeiro, quer proveniente de Montcrrey, ou de Cidade do México, exer-

cia enorme influência. As elites locais tinham uma menor sensação de con trolar

seu ambiente do que suas congêneres de Monterrey. A compa ração entre

  • 42. Uma análise da organização da elite dessas quatro cidades, com base cm extensas en t revis- tas com membros dessas elites, é feita por JOHN WALTON, Elite mui Econnmic DcVl'lopmcnt: Comparativc St udics 011 thc Political Economy of Latin Amcrican Citics, Austin (Tcx.). 1977.

  • 43. Cf. tamb<'m IIALAN e! ai., M cn

in a Dcl'elopíng Societ y, e MENNO VEI.LINGA, Ew110111 ic

Dcvclopmc11t atul thc Dy11r1rnics of Clllss: lnd11strializat io11 , /Jowtr, mid Ccmtrol i11 Mo111crrcy,

Mcxico, Asscn, 1979.

33 1

Medellín e Cali il ustra outros fatores de diferenciação. Dessas quatro cidades,

Cali era a que exibia maior faccionalismo de elite. O grande mas desigual desen-

volvimento econômico da cidade havia gerado diferenças entre a elite local "tra-

dicional", os recém-chegados ele outras regiões da Colômbia e uma poderosa

presença estrangeira. Medellín, como Monterrey, tinha uma elite_ coesa, de base

industrül, que mantinha enorme poder de negociação com o gove; no central ou

com o capital e Kterno. Ao cont rário da elite de Montçrrey, mas igual à de

Guacl,i!aJara, a dite de Medellín era relativimente numerosa, baseava-se nas

empresas de médio porte e pn'movia projetos de melhorias cívicas.

AS ESTRUT URAS OCUPACIO NAIS, 1960-1980

- ---- - -·· ---- -

-----------------

Se considerarmos o período decorrido entre 1930 e 1990, foi entre o final da

década de 50 e meados dos anos 70 que os países latino-americanos estiveram

mais próximos de consolidar suas estruturas ocupacionais urbanas em estratos

claramente diferenciados de trabalhadores assalariados. Um setor crescente de

trabalhadores náo-manuais coexistia com um setor ainda enorme de trabalha-

o

dores manuais assalariados e com um setor decrescente de trabalhadores autô- ,

nomos. Surgiu também, nessa época, uma elite baseada em empresas modernas

de negócios. A natureza do trabalho também mudou. Os profissionais indepen-

dentes e os pequenos empresários cederam lugar ao trabalho assalariado nas

empresas de gra nde porte, públicas ou privadas. As relações sociais perdera m

seu caráter predominantemente clientelístico, à medida que se transformaram

em relações de trabalho, que eram, em sua essência, relações contratuais.

Entre 1950 e 1980, o emprego no setor não-agrícola moderno aumentou 4, l

por cento ao ano; o setor man ufatureiro cresceu menos (3,5 por cento), provo-

cando um declí nio perma nente da importância relativa do emprego industrial

no tocante ao resto do emprego não-agrlcoia44. Embora a indústria man ufatu-

reira tenha começado a revelar-se uma fonte menos dinâmica de oport unidade"

de emprego para os trabalhadores manuais, o emprego nas manufaturas aumen-

tou, de 1960 a 1970, cm vá rios países da região, mais do que no setor de serviços,

-- - -- -···- ------- -

  • 44. PrcalL, "Dcsarticulación social cn la pcrifcríJ lati noaff1cricana'\ Documento de TrabJ.jo,

Santiago,

1 9H7.

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332

excluindo-se o comércio, os transportes e a energia elétrica45. Foi notável n di-

namismo do emprego industrial no Brai,il, no Chile e no México46. Embo rn.a

nova indústria esteada na tecnologia não tenha contratado muita mão-de-o b;a,

o fato de produzir artigos novos diversificou e expandiu o emprego industr ial.

Apesar dessas variações, houve, de 1%0 a 1980, semelhanças n:i mudanc,:a da

composição do proletariado nos seis países que

esta mos a nalisando. O n ú111ero

dos trabalhadores dos serviços nao-dom{sticos aumentou, salvo na Argenti na e

no Peru, e o peso relativo do serviço doméstico na estrutura ocupacional d i mi-

nuiu nos seis casos. Com exceção do Brasil, a importância relativa dos trabal ha-

dores na indústria manufatureira dimin uiu. Contudo, essa mudança tinha um

significado diferente cm cada país: na Argentina, no Chile e no Peru, rcflctia a

acentuada deterioração da manufatura, ao passo que no Brasil e no México era

um reflexo, em parte, da modificação na composição do trabalho industrial·- de

manual para não-manual. No Chile, de 1970 a 1982, os empregos na manu fatu-

ra diminuíram em termos absolutos. Nas cidades industriais, como Concepóón,

esse crescimento negativo atingiu índices de 3,2 por cento ao ano47. No Peru, a

classe dos trabalhadores manuais foi, durante todo o período, menor do que nos

outros países. Os números peruanos para 1981 mostram que o funcionalismo

do Estado, juntamente com os serviços pessoais e o comércio, absorvia cerca de

55 por cento da força de trabalho nas quatro cidades maiores: Lima, Arequipa,

Trujillo e Huancayo 48 Em nenhuma dessas cidades, a força de trabalho indus-

trial alcançou mais de vinte por cento do emprego total e o tipo predominante

de emprego industrial se concentrava nos estabelecimentos de pequeno porte.

A persistente importância da pequena empresa se percebe pelas tendências

do emprego. Dentro da classe trabalhadora, somente no México e no

Chile

houve um aumento acentuado, em 1980, dos números relativos de trabalhadores

  • 45. HENRY KIRSCH, "EI cmpleo y cl aprovechamicnto de los recursos h umanos cn América Lati na", llvlct /11 Eco11ó111ico de A111érirn L11ti1111, vol. XV[[], l e 2, l 973.

  • 46. Cf. HUMBERTO

MUNOZ & O!U.ANIJI NA DE OLIVEIRA, "Algunas cn nt rovcrsias sobre la (ucr-

1_;1 de trabajo cn AmL"rica Latina': cm, ll. KATi'.MAN & J. llEYNA, F11crza de tmfJ11jo y 111ovi111 ic11·

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tos /a /;oralcs cn América J,athrn, Ciudad de México, 1979.

47.

48.

Instituto Nacional de Estadística (Chile), C:rnsos 1970-1982.

I nstit u to Nacional de Estadística ( Peru ), /'crú: Algu11,,s car11ct,:r/stirn.1 de /11 po/,/,,ción:

Resultados prvvisio1111/cs dei censo dei 12 dc j:<lio de 1982, Boletín Especial n. 6, Lima, J 'J81.

1

J em empresas de cinco ou mais emprega<los 49 . No México, o número desses tra-

balhadores aumentou de 51,9 para 60,4 por cento da força de t rabalho urbano e,

no Chile, onde os níveis de desemprego cm 1980 chegavam a vinte por cento, seu

número subiu de 52,7 para 63,2 por cento. No Peru e no Brasil, o peso relativo

dessa classe de trabalhador se manteve constante no mesmo pcrí9do, mas cm

nlvcis muito diferentes: 58,7 por cento no Brasil e perto de 43 por cento no Peru.

Na Argentina, houve uma redução acentuada no pcrccntuardc trabalhadores cm

empresas de mai:; de cinco empregados, de 73,4 pa ra 57, 1 por cento.

Uma cxplicai;ão para a persistência de altos níveis de emprego nas peq ue-

nas empresas no Brasil até 1980, apesar do crescimento econômico, foram as

profundas desigualdades sociais desse pais e a heterogeneidade de seu sistema

urbano. Por exemplo, havia um contraste acentuado entre São Paulo, que era

altamente industrializado e tinha mais de setenta por cento da sua força de

trabalho em empregos formais em 1980, e Fortaleza e Recife, onde aproxima-

damente •1uarenta por cento da força de trabalho eram trabalhadores infor­

mais5o. É importante lembrar também que o dinamismo do setor moderno

da economia fez. com que, sob certas circunstâncias, as atividades informais se

mantivessem por meio, por exemplo, da subcontratação 51 .

Nos seis palses, com exceção da Argentina, a modernização econômica

conseguida nas décadas de 60 e 70 continuou a reduzir o contingente de t ra-

balhado,rcs autônomos. O declínio foi menos acentuado no Peru, seguido pela

  • 49. Cf. Prcalc, M ercado de tmbajo CII cifras 1950-1980, Santiago, l 982.

  • 50. E. TELLES, "Thc Consequences of Employmcnt Structure in I3razil: Earnings, Soci-demo- graphic Cha ractcristics anel Metropolitan Differcnces", dissertação de l'h. D., inédita , Univcrsity of Texas, Austi n, 1988, tablc 2.4.

  • 51. Cf. FRANCISCO OLIVEIRA, "O Terciário e a Divisão Social do Trabalho", fstwlos Celmip 24, Petrópolis, s/d.; BR!GlDA GARCIA, Dc.<arrollo económico y al1Sorciô11 de f11crz,1 de t rnl!/1Jo 01 M éxico: 1950 --1980, Ciudad de México, 1 988; MAllTA J(l)}.l)A N & LOUIWES BENEllÍA, n,

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Crcusroads of CJa.\s ,111( / c ;cwl ,·,'i Chk.1go { Ili. ), 1 987. < :t·rca de ollZl' por ú.'nlo d,1.\ L'111pr t·,.1.,

i ndust riais f prmais do segundo estado mais impor t.1ntc do México, J.il isco,

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tavam trabalho com oficinas ou tr;1halhadorcs cm casa cm 1 982 - ante\ <.Li cric: BRYAN

R.

ROBF RTS, "Employmcn t St ruct u rc, Li fc Cyclc a n d Li fc Cha ngcs: For mal a nd l n for m.il

Sector, i n (;uadalaja ra", cm A. l'Olff FS; M. C1\STl'I.I.S & 1

..

I\ ENTON ( cds.), 'J'hc l11/é1r111<1 /

Ecm,omy in ( :omparntivc Pcrspcct ivc, Baltimore ( Md.), 1 989.

333

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334

  • 11 Colômbia. O Peru iniciou o período com o nível mais alto de trabalhadores

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por conta própria - 30,l por cento - e, em 1972, esse percentual ainda ,:hega-

va aos 28,9. O Peru e a Colômbia const ituíram exceções parciais por ca11sa, de

seu fracasso comparativo em industria lizar-se nesse período.

  • 1 Uma grande parte do aumento do emprego no setor de serviços se d eveu à

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expansão dos serviços empresariais (financeiros, técnicos etc.) e dos se1viços

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sociais e administrativos. Esses serviços modernos estavam vinculados à o:pan-

são do Estado e ao setor manufatureiro intensivo de capital. Tornaram-,::, nas

décadas de 60 e 70, a fonte mais dinâmica do emprego no setor de serviços. Os

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n úmeros e percen tuais de proprietários, gerentçs, profissionais, técnicos e

empregados de escritório aumentaram continuamente entre 1960 e 191\ 0 ( cf.

Tabela 5.2). O comércio e os transportes também se modernizaram por meio

das cadeias de supermercados e das grandes empresas de transporte e reduzi-

ram seu peso relativo no emprego durante as duas décadas. Os serviços t radi-

cionais -comércio de varejo e serviços pessoais - e a construção civil con:inua-

ram sendo os pontos de ingresso no mercado de trabalho para os novos

milhares de trabalhadores sem qualificação. Foi nessas atividades, e nas of icinas

de manufatura e no trabalho ocasional e pouco especializado da ind ústria

moderna, que se concentraram o emprego informal e os baixos salários.

Essas tendências surgiram mais cedo em alguns países do que em outros (cf.

Apêndices 2 a 7). Em 1914, a Argentina apresentava um setor de trabalho não-

manual que chegava a quase trinta por cento da força de trabalho urbana, e, nesse

caso, as mudanças mais notáveis haviam ocorrido de 1914 até 1960, quando o

número dos gerentes, dos profissionais e do pessoal técnico aumentou em detri-

mento dos profissionais liberais e dos empresários, e o número dos empregados de

escritório cresceu em detrimento dos balconistas. No decênio 1970-1980, o

aumento dos empr,:gos gerenciais, profissionais e técnicos foi acentuado, t anto

quanto diminuiu o emprego assalariado no setor de serviços. A redução do t raba-

lho autônomo e da importância da pequena empresa tinha alcançado seu apogeu

no período 1930-1960, e de 1960 a 1980 a importância do trabalho independente

voltou a crescer. O trabalho autónomo na Argentina era diferente do dos outros

países: em muitos casos, era totalmente formal e moderno e envolvia níveis relati-

vamente altos de investimento de capital em armazéns e oficinas52.

  • 52. IJURSTON, "Transición estructu ral", p. 76.

335

No Brasil e, cm menor grau, no México, o aumento dos estratos ele traba-

lhadores não-man uais ocorreu princi palmente nas ca tegorias mais altas -

gerentes, profissionais e técnicos. Ambos os países se ind ustrializaram forte-

mente nestes anos e experimentaram também grande crescimento do setor de

serviços vinculados à industrialização. As mudanças na cstrutur do trabalho

industrial incluíram a expansão do emprego não-man ual: as mµda nças tec-

nológicas não só substituíram os trabalhadores manuais por máquinas, como

também suscitaram a contratação de mais trabalhadores técn icos e ad minis-

trativos. No México, por exemplo, os gerentes, os técnicos e os funcionários

administrativos a umentaram de cerca de onze por cento d os empregados na

indústria em 1940 para 24 por cento em 198053. E o n úmero de 1940 dá u ma

falsa impressão do tamanho da força de trabalho administrativa nesse a no,

uma vez que era constituída, em sua maioria, de peq uenos empresários.

No Brasil, no decênio 1970-1980, os setores mais'dinâmicos cm termos de

criação de emprego foram os serviços empresariais (taxa anual de crescimen-

to de 11,6 por cento), o fornecimento de eletricidade e de água ( 14,3 por

cento) e a indústria manufatureira (7,5 por cento)5 4 Essa última taxa de cres-

cimento contrasta com o pequeno aumento do emprego manual neste setor e

sugere a importância da manufatu ra na criação de emprego não-ma n ual,

como vimos no caso do México. Em compensação, no Brasil os serviços pes-

soais e o comércio cresceram a um ritmo muito menor ( 4,8 e 6,0 por cen to,

respectivamente).

No Peru, a principal expan3ão do trabalho não-manual aconteceu princi-

palmente nos estratos mais baixos dos empregados administrativos, mas não

se pode negar que os estratos mais altos também aumentara m. Este cresci-

mento relativo dos empregados de escritório foi o mais alto entre os seis paí-

ses e basco:.i-se no fato de ter o emprego aumentado mais no serviço público

do que no :;etor privado. O setor manufatureiro no Peru, em contraste com o

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caso do Brasil, foi uma fonte menos importante de emprego do que o comér-

cio e os serviços. No Chile e, em grau um pouco menor, na Colômbia, cresce-

ram tanto as ocupações não-man uais de alto nível quanto as de baixo nível,

mas o crescimento nas últimas foi mais acent uado a pa rtir de 1 960 até 1980.

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  • 53. Censos J nd usl ri ales de México, 1940 e 1980.

  • 54. Os nú meros seguintes são calculados a pa rtir do Censo Dcmogr,íl1co do Br,,sil. 1 970 e 1 980 .

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A rc tcbJc mbana da,'\.méric1 La! i n a cr.i extremamente heterogênea den-

tro CÍ<"'. cacL roais bcrn como entre urn p;1ís e outro. Para analisa r como o:; pro-

cessos econôm icos, Jcmogrúficos e político se junta ra m p.i r,1 pro.J'\1 zi r

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