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Alguns comentários sobre a obra kantiana:

Trata-se de sintetizar duas posições aparentemente contraditórias: a liberdade humana e a


ciência moderna. Dum ponto de vista naturalista, ou seja, admitindo-se que toda e qualquer
entidade existente ou possível está subjugada a leis imanentes fixas, é muito difícil imaginar
espaço à liberdade humana .
Por outro lado, se se admite a liberdade humana, entramos em clara contradição com o
determinismo intrínseco ao método científico moderno – substanciado, em último caso, no
princípio da causa suficiente. Um agir livre não poderia, portanto, se dizer causado. A
liberdade aí está entendida, antes de tudo, como um movimento que não pode ser realocado
dentro de uma sucessão causal. Como então Kant responde a esse desafio?

“… a natureza lógica dos tipos de julgamento que usamos e suas relações com as
preocupações da metafísica”.

O objeto de estudo da metafísica são os transcendentais – coisas das quais não temos
experiência, a não ser a de termos certa “consciência” delas. Um exemplo, a ideia de Deus, da
alma, do infinito. De todas essas coisas não podemos ter uma experiência direta. Daí definir a
metafísica enquanto uma disciplina da “razão pura”, ou seja, do uso da razão sem conexão ou
dependência da experiência. Os juízos metafísicos, portanto, não poderiam ser falseados por
nenhum uso ordinário da experiência.

Resumidamente: Metafísica é o estudo racional dos objectos transcendentes.

Kant começa portanto por examinar a tipologia dos tipos de juízos usados na Metafísica.

Dois aspectos do juízo:


- Formal – a maneira como o predicado se relaciona com o sujeito. Neste aspecto, os juízos se
distinguem entre sintéticos e analíticos.
Analíticos são aqueles juízos em que o predicado está “contido” no sujeito. Como no caso: A
bola é esférica. O predicado “esférico” não apresenta nenhum conhecimento novo sobre a
coisa bola – ele apenas aclara, através da análise, o sujeito. Uma das marcas dos juízos
analíticos é a autocontrariedade da sua negação. Por exemplo, “O triângulo não tem três
lados”
Já no caso dos juízos sintéticos, não podemos dizer que o predicado estaria “contido” no
sujeito. O muro é amarelo, por exemplo. Não há autocontradição se negamos tal juízo.

- Justificativo – a maneira como justificamos o juízo. Justificamos um juízo seja pelo apelo à
experiência (a posterior) ou a algo que independe da experiência (a priori).

Daí toda a questão se coloca em saber da possibilidade da existência de juízos sintéticos a


priori. A característica central, que dá força aos juízos analíticos a priori é a sua necessidade e
verdade. Kant então centra sua análise em juízos como “A Alma é imortal”, juízos típicos da
tradição metafísica dita dogmática – juízos sintéticos, visto que a imortalidade não é
propriamente algo que imputamos à alma por simples processo de análise da mesma e a
priori, visto que sua justificação não apelava a nenhuma experiência, dada a própria
imaterialidade da alma.