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Ópera dezembro 19

Francesa 2017 Professora Vanda de Sá

Trabalho realizado no âmbito da disciplina de História da Música Período


Ocidental III, sobre a ópera francesa passando por alguns dos Barroco, França
compositores a este tema agregados, mostrando também, a vida social e
e a corte de
política de França no final do século XVII e meados do século XVIII.
Luís XIV

Trabalho realizado por Bianca Maria Coelho Mendes,


l38512

Universidade de Évora
Ópera Francesa
Período Barroco
1600 – 1750

Jean - Baptiste Lully


Sumário

Introdução ………………………………………. Página 4


Condicionalismos na Música Barroca………...… Página 5
Objetivação da ópera como novo género musical no
Barroco……………………………………... Páginas 6 – 7
França e a Corte de Luís XIV……………… Páginas 8 – 9
Antecedentes da ópera em França………. Páginas 10 - 11
Jean - Baptiste Lully ……………………. Páginas 12 – 17
Conclusão………………………………... Páginas 18 – 19
Bibliografia……………………………………. Página 20
Introduçáo
Barroco etimologicamente, deriva da expressão baroque que

significa irregular, grotesco, excêntrico, exagerado ou extravagante. Foi


pela primeira vez usado em 1750 por Charles de Brosses1, aquando
adjetivou uma fachada do palácio de Phampili em Roma. Na música, já
tinha também sido usado o termo barocque para adjetivar a obra Hippolyte
et Aricie de Romeau. Esta obra demonstrava contraste com a música até
então praticada, logo, foi também apelidada com sentidos pejorativos.
Diferenciava-se pelas suas modulações, repetições e flutuações métricas.
O barroco explica-se pela convergência entre o progresso artístico e a
peculiar situação social e política das nações europeias. É considerado um
movimento artístico que se manifesta tanto nas Belas Artes como na
Música, desde o século XVII e início do século XVIII. Diz respeito a um
período artístico que surge, inicialmente, em Itália e que depois se espalha
por mais países Europeus e da América Latina.
Este período, descomedido e imoderado, é caraterizado pelo contraste com
o Renascimento, pondo em evidência elementos como a teatralidade, a
exuberância, o movimento, a amplitude, a excentricidade, em detrimento de
outros elementos como o pensamento apenas racional, a ponderação, o
equilíbrio, a simetria e a serenidade. Pode significar também, um (mau)
gosto pelo excesso e descomedimento de adornos ou ornamentos.
Enquanto período musical é também conhecido como o período do baixo
contínuo ou do estilo concertato. A música barroca é, também, considerada
exuberante e notada de ritmos enérgicos, melodias ornamentadas e de
contrastes tímbricos.
O barroco vai supor um novo rumo no mundo da arte, e, tal como a Igreja,
também o Mundo da arte, incluindo a música, vai viver uma reforma.

1
Charles de Brosses foi um escritor francês do século XVIII
Condicionálismos geográficos ná
Musicá Bárrocá
Península Itálica estava dividida em estados/regiões

governados por Espanha e Áustria. No entanto, a efemeridade política não


impede uma boa cultura artística e, por isso, as primeiras conceções
musicais do Barroco foram dominadas por Itália que foi, desde sempre,
uma das maiores influências (principalmente entre meados do século XVI a
meados do século XVIII). É de realçar Veneza, Nápoles, Florença e Roma
enquanto núcleos musicais e culturais ativos.

Na Alemanha a cultura musical e artística é completamente

afetada pela Guerra dos Trinta Anos, que começou em 1618. Mas, mais
tarde, apesar da desunião política, a música alemã culmina no expoente
máximo do Barroco com Johann Sebastian Bach. No entanto, o estilo
Italiano está implícito nas obras que os compositores, como Bach e
Haendel, escrevem.

Em Inglaterra, após o período isabelino, jacobino e a Guerra


civil, houve uma entrega notável ao estilo musical italiano assim como na
Alemanha.

Em França, também se desenvolve, a partir de 1630, uma cultura


musical no Barroco, que resiste às tendências italianas durante mais um
século. A música francesa pode ser sempre encarada como uma reação à
música que se faz em Itália.
Concluindo, a música barroca desenvolve-se em toda a Europa, tornando-se
uma linguagem internacional mas que tem sempre por base as ideias
germinadas em Itália. Pode-se mesmo considerar Itália o berço do barroco.
Objetiváçáo dá operá como novo
genero musicál no Bárroco
Ópera é um género musical e teatral que combina um monólogo ou
solilóquio com diálogo, cenário, ação e música quase contínua. O
fenómeno da junção de música e de teatro não era novidade na Europa
Ocidental. Exemplos são as peças2 de Eurípides e Sófocles onde se
cantavam dramas litúrgicos medievais.
Ao longo do século XVI é preparado um novo caminho que mistura o
movimento maneirista3 e as experiências de cultura clássica que nos
remontam aos finais do período renascentista. O movimento maneirista
marca a transição de um estilo clássico, extremamente formal e equilibrado
(renascimento inicial) para um período mais descomedido onde as emoções
e os afetos passam a ser um elemento essencial (sendo esta umas das
maiores novidades e caraterísticas do período barroco).
O primado da expressão textual (seconda practica) 4 é reforçado, no campo
musical, pelo uso frequente de dissonâncias, cadências intermédias e pela
eleição de escrita homófona ou em acordes. Assim, é notável a introdução,
cada vez mais evidente, de instrumentos que fazem alternâncias sonoras
substituindo a consonância densa do contraponto pelos acordes regulares
do baixo-contínuo (outra grande inovação é o aparecimento do baixo
contínuo em detrimento do acompanhamento utilizando um basso per
organo, baseado em harmonias que constroem a composição e do

2
Nas peças de Eurípides e Sófocles eram cantados, pelos menos, os coros e algumas partes líricas. Eram também
cantados os dramas litúrgicos medievais, e a música era usada, se bem que apenas ocasionalmente, nos mistérios e
milagres da baixa Idade Média.
3 A música maneirista em linhas gerais mostra, conforme a descrição de Claude Palisca, uma tensão "entre o desejo

de preservar um elevado nível de habilidade contrapontística e o impulso de acompanhar as imagens, ideias e


sentimentos" descritos no texto.
4
Em 1605 Monteverdi estabeleceu a distinção entre uma prima practica e uma seconda practica. Pela primeira
entendia-se o estilo de polifonia vocal em que a música dominava o texto (exemplo: Willaert) e pela segunda
entendia-se o estilo dos modernos italianos onde o texto dominava a música e as dissonâncias podiam ser mais
livremente utilizadas para adequar a música à expressão dos sentimentos do texto (exemplos: Rore, Marenzio
Monteverdi), (Grout, D. ;Palisca, 1988, História da Música Ocidental). Esta seconda practica, mais tarde apelidada
de monodia (estilo entre fala e canto) traz o cenário perfeito para o surgimento da ópera barroca.
acompanhamento realizado de forma limitada num teclado devido à
existência de muitas vozes).
No século XVI, os compositores italianos de madrigais escreviam música
para intermedi5. É importante dar ênfase às emoções que eram evidenciadas
pela música e também pelas sugestões de ações referidas no texto
(exemplo: suspiros/choro). Bons exemplos de madrigais, que se
aproximavam mais da ópera, “onde o compositor toma o texto como uma
cena dramática de um poema” é Gerusalemme liberata, de Tasso e a
pastorela6 Il pastor fido, de Guarini. No entanto, as práticas de maior
consecução foram os ciclos de madrigais onde se representava, sob a forma
de diálogo, um enredo cómico simples. A comédia famosa de madrigais
mais conhecida é L’Amfiparnaso, de Orazio Vecchi.

Grout, D.;Palisca, 1988, História da Música Ocidental

5
Intermedi ou intermezzi eram interlúdios de caráter bucólico, simples, alegóricos ou mitológicos onde já se
notavam os elementos dramáticos.
6
Pastorela: poemas sobre pastores ou outros temas campestres que contavam histórias de natureza idílica ou bucólica
intimando ao poeta a capacidade de transparecer uma atmosfera de um mundo remoto ou de um conto de fadas. Esta
forma mostrava uma natureza requintada e civilizada, povoada por rapazes e raparigas simples e rústicos, e pelas
antigas — e quase sempre inofensivas — divindades dos campos, dos bosques e das fontes. A poesia pastoril foi, ao
mesmo tempo, a última etapa do madrigal e a primeira da ópera. (Grout, D.;Palisca, 1988, História da Música
Ocidental)
Fránçá e á Corte de Luís XIV
Em 1603 morre o Rei Luís XIII de França, ficando com a regência
do poder, sua esposa Ana d’Áustria (1601-1666), que estaria grávida, e o
primeiro-ministro, Cardeal Mazarino (1602 – 1661). Luís XIV, filho de
Ana e do Rei Luís XIII de França, nasce a 5 de Setembro de 1638, na
cidade de Saint-Germain-en-Laye. Após a morte do Cardeal Mazarino, este
assume a plena responsabilidade do reino.
Entre 1600 e 1750 foi um período de governos absolutos na Europa. Um
dos mais importantes deu-se em Franca com Luís XIV (reinado de 1643 a
1715).
Tendo em conta as teorias políticas da época, Luís XIV defendia que a sua
autoridade provinha de Deus, logo, as suas vontades não podiam nem
deviam ser contestadas. A esta ideologia chama-se de Direito Divino dos
reis7.
Assim, em 1661, nasce o Absolutismo8, movimento político que se instaura
em França em que todo o poder está apenas concentrado num único
monarca. Este rei de França, quando chega à regência do trono, acaba com
o cargo de primeiro-ministro, mantendo apenas um chanceler, quatro
secretários e um administrador das finanças. Com a ajuda de Colbert, chefe
da controladoria geral, desenvolveu o comércio e tornou os impostos mais
eficientes reduzindo o défice do país. Perseguiu protestantes, reorganizou o
exército do país, travou guerras contra Espanha, Holanda, Áustria e
Luxemburgo e construiu o Palácio de Versalhes.
Reinou setenta e dois anos seguidos tendo atingindo o “título” do monarca
que governou mais tempo na Europa.
7
O direito divino dos reis é uma doutrina política e religiosa segundo a qual o poder dos reis tem como fundamento
a vontade de Deus.
8
Numa monarquia absolutista, o rei tinha com seus súbditos uma relação marcada pelo princípio da lealdade:
todos, sem exceção, deviam obediência e respeito ao monarca. Questionar o desejo do soberano poderia ser
considerado, por si só, um crime passível de punição, como pode ser visto durante o reinado daquele que é
considerado o expoente máximo do absolutismo: o monarca francês Luís XIV, cognominado como o Rei Sol.
É nesta disposição que surge a frase que melhor define o regime da época:
9
O Estado sou eu, dita por Luís XIV que fica conhecido como o Rei-Sol
uma vez que adota o sol como o seu emblema.
Assim, concluímos que, com este rei, tínhamos uma França absolutista,
mas renovada enquanto país próspero, brilhante, rico e militarmente
poderoso, até à Revolução francesa.
Luís XIV de França acaba por morrer aos 76 anos sendo sucessor ao trono,
o seu bisneto de 5 anos.

Rei Luís XIV – Rei Sol

9
O Sol é o astro que dá vida a qualquer coisa, mas é também o símbolo da ordem e da regularidade. Ele reinou como
um sol sobre a corte, sobre os cortesãos e sobre a França.
Antecedentes dá Operá em Fránçá
A França também teve a sua tradição local de música dramática

que, embora inspirada no modelo do teatro antigo, se diferencia do modelo


italiano. No início do século XVIII já o modelo da ópera italiana tinha sido
aceite na maior parte dos países europeus ocidentais, excetuando França,
mesmo com apresentações realizadas em Paris, em meados do século XVII.
França estava carente de uma ópera nacional, uma vez que não aceitava
outros modelos, nem criou uma outra ópera com elementos distintos como
imagem de marca. Assim, em 1670, surge, com o apoio do Rei Sol, uma
ópera nacional francesa. Traz caraterísticas díspares e contrastantes com o
estilo italiano. Esta ópera foi inspirada em tradições do país como o
ostentoso ballet que nasce na corte - ballet de cour 10 (bailado da corte) cuja
obra mais significativa foi o Ballet comique de la Rayne (1581, Ballet
cómico da rainha). Tem também inspirações na tragédia clássica francesa
onde se destacam os nomes de Pierre Corneille e Jean Racine.
A situação política de França era bastante diferente de Itália, que era
dividida em cidades-estado, uma vez que o poder era apenas concentrado
numa só entidade, Luís XIV- Rei Sol. Assim, a música lá praticada e,
nomeadamente a ópera, era também distinta. O rei promovia espectáculos
na corte, difundindo assim o ballet e fazendo transparecer o poder régio, ao
criar atividades onde a aristocracia e o próprio rei poderiam participar
(Grand Ballet final). Os ballets eram usados como um meio útil de
10 Desde o final do século XVI, em França, havia o chamado Ballet de Cour (ballet da corte). O ballet foi desde
sempre o entretenimento da corte. Associado a este estilo desenvolve-se o Air de Cour, canções um pouco mais
ligeiras para cantar na corte. Esta prática deriva da Académie de poésie et musique (1570) que procurava restaurar o
ideal grego da reunião das artes. Este novo género, reunia a Dança (geralmente feita por membros da corte), a Poesia,
a Música (coros, récits e música instrumental) e as demais artes cénicas necessárias à elaboração dos cenários. Os
temas eram alegorias com temas mitológicos. O Ballet de Cour não foi um género criado na corte de Luís XIV mas
ganhou aí a sua importância, dando origem a um outro género musical – Suite. Destaca-se como compositor: Jean
Baptiste Lully.
Esquema Ballet de cour
Coro
Recitativos e árias (acompanhados de alaúde-air de cour- precedendo cada entrada).
Entradas (danças e pantomimas)
Grand ballet final (onde entravam o rei e os cortesãos)
glorificar o monarca que, nos espectáculos, era representado por
personagens mitológicas e/ou alegóricas. Estes bailados acabam por se
expandir a festas e salões tanto privados como públicos, fora da corte. Foi
então que o gosto francês por espectáculos se estendeu a toda a população.
O pápel de Jeán - Báptiste Lully ná
operá fráncesá
Jean - Baptiste Lully (1632 – 1687) foi um italiano,

que viveu em Paris desde criança. Aos 14 anos estava em Paris


como garçon de chambre, ao serviço da prima de Luís XIV Anne-Marie-
Louise d’Orléans, a quem ensinava italiano. Seguiu os estudos musicais,
aperfeiçoou-se no violino e ingressou na corte do Rei Sol onde se tornou
um dançarino bastante prezado e um compositor muito bem sucedido. Em
1653, Lully entrou ao serviço de Luís XIV como músico nos "24 Violons
11
du Roi" tendo, mais uma vez, devido às suas qualidades musicais, sido
elevado ao lugar de 1º Violino. A sua ascensão nesta fase, bem como no
resto da sua vida, foi, no entanto, também baseada na sua amizade com o
rei. Graças a uma hábil administração da sua carreira transformou-se, por
assim dizer, no ditador musical de França.
A maneira italiana não se irá estabelecer em França. Jean-Baptiste Lully,
como principal compositor da corte do Rei Sol, vê-se na necessidade de
“reformar” a ópera italiana para satisfazer a corte com um estilo nacional.
A sua origem italiana, possibilitou França a ter contacto com as práticas
desse país. Um dos benefícios, que este teve, foi o contacto com a Abertura
tipicamente italiana que o levou, depois de uma adaptação aos costumes e
gostos, a ter a sua própria Abertura (Overture). O facto de a ópera italiana
impor cantores profissionais, excluindo assim a participação da nobreza,
não agradou à corte absolutista instalada. França apenas vai pegar em
géneros italianos e adaptá-los. Retira-se a ornamentação em demasia e a

11 Uma das estruturas já existentes que se desenvolveu durante este período foram os 24 Violons du Roi,

uma pequena estrutura, guiada por Lully que depressa se destacou, através do tribunal de França, como
entretenimento oficial de cerimónias. Aliados aos 12 Hautboit deram origem ao primeiro exemplo de orquestra
formal – Primeira Orquestra Permanente na Europa.
“falsidade” dos Castratti e usam-se vozes que correspondem mais à mezzo,
soprano e tenor. As grandes despesas que se faziam com a ópera italiana,
numa altura em que o povo francês morria de fome, suscitou algumas
críticas do Cardeal Mazarino. Os franceses foram mais respeitosos com a
natureza humana, rejeitando atos como a castração e obras demasiado
luxuosas.
Lully, criou vários géneros musicais como a "Comédie-Ballet", em
colaboração com Moliére, a "Tragédie Lyrique", em colaboração com
Quinault e uma tradição de música instrumental, expressa na criação
da típica "Ouverture" (que foi sucessivamente recriada pelos compositores
franceses como Campra, Charpentier ou Rameau, e outros como Bach ou
Haendel), ou das "Suites" instrumentais igualmente recriadas e
provenientes da tradição da dança da corte francesa e do "Ballet-de-Cour".
Jean-Baptiste foi o primeiro compositor importante na escrita de óperas
francesas e foi o principal músico da corte. O seu libretista era Jean-
Phillippe Quinault, dramaturgo bastante estimado na época. Quinault
facultou a Lully textos onde se combinavam temas mitológicos, com
extensos e frequentes interlúdios de dança coral, denominados
divertissements. Tudo isto, engenhosamente intercalado de lisonja ao rei,
exaltação da nação francesa, extensas conferências sobre l'amour e
episódios de aventuras maravilhosas e românticas. A música que ele
escrevia tinha um estilo luxuoso e pomposo e tinha como objetivo a
adulação ao rei e a glorificação da nação francesa. Para os libretos de
Quinault, Lully compôs uma música igualmente aparatosa e faustosa, onde
se projetaram o esplendor extremamente formal da corte real francesa e a
sua preocupação intelectualizada com os detalhes do amor cortês e da
atitude cavalheiresca. Alguns exemplos da dupla Lully e Quinault são
Cadmus et Hermione em 1673, Alceste em 1674 e Armide em 1686.
As caraterísticas essenciais do estilo francês, que Lully foi criando,
prendem-se na forma clara e concisa, nas peças instrumentais de expressão
condensada e nos movimentos curtos e muito simples. A ópera era voltada,
sobretudo, para a dança. Era como se a forma clara e rígida das danças
tivesse sido criada, especialmente para que se pusesse, em música, o estilo
desta nação.

Lully transformou o recitativo italiano aos ritmos da língua e da


versificação francesa. No recitativo típico de Lully, o compasso, ou
agrupamento dos valores das notas, oscilava entre o binário e o ternário.
Esta oscilação era normalmente interrompida por trechos de recitativo de
pulsação uniforme e melodiosos. Alguns destes trechos são designados na
partitura como “árias” (exemplo: monólogo de Armide da ópera Armide –
1686, NAWM 75). Armide é a obra prima de Lully. O recitativo
acompanhado cantabile atinge nesta ópera o seu apogeu. É mais ágil,
natural e dramático do que o recitativo das suas primeiras tragédias líricas.
O desespero de Armide no quinto ato: “As árias, intimamente ligadas a este
recitativo, têm a beleza dos monólogos de Recine, com a riqueza complementar
de um acompanhamento onde afloram os sentimentos não expressos”.

Jean-Baptiste Lully cooperava, em grande medida, para a influência


italiana no meio musical francês. A grande criação francesa a partir da
cultura italiana é a Overture (Abertura Francesa), que vai ser aproveitada
por todos os outros países. Servia como introdução a obras grandiosas mas
também podia ser uma peça independente. A ideia era criar uma atmosfera
festiva e saudar a presença do rei, que assistia a todos os espetáculos. Na
ópera francesa, a nível formal, temos uma “abertura à francesa” que se
pode repartir em três partes. A primeira é caraterizada por um ritmo
pontuado, andamento lento e sumptuoso. Esta, encadeia-se com um allegro
fugado, finalizando com a terceira parte que, por norma, faz um retorno à
primeira ou uma repetição abreviada. De seguida, existia uma espécie de
introdução, intitulada de prólogo que louvava o rei. Toda a ópera era
constituída por árias (pouco ornamentadas), recitativos (melodiosos,
adaptados à prosódia francesa), números instrumentais, coros e os bailados
(grande marca francesa que advém da tradição do Ballet cour).

Todas estas caraterísticas eram condensadas em 5 atos, notando um grande


contraste com a tradição da ópera italiana. Assim, simplificava-se a
ornamentação, as árias e a declamação do texto tornava-se mais natural. A
isto, aliavam-se fortes costumes franceses como o bailado exuberante e
condições cénicas com a tradição do teatro falado. Os efeitos cénicos e os
fatos eram colossais e riquíssimos, mostrando a riqueza da corte de Luís
XIV. Os textos eram também, por contraste com Itália, com temáticas mais
sérias.
Lully beneficiava de um enquadramento político, especialmente favorável
ao culto das artes e letras, e talvez isso, tenha alimentado a afirmação de
uma ópera nacional, não receando a prevalência da ópera italiana.
Conseguiu unir o teatro a elementos de ballet criando um género musical a
que chama de Tragédie Lyrique (Tragédia músical). Torna-se uma das
imagens musicais francesas quando, mais tarde, dá origem à Ópera
Nacional Francesa.
As aberturas de Lully, os recitativos disciplinados e fluidos e os
seus intermezzi, estabeleceram um padrão que Gluck lutou por reformar
quase um século depois.

Grout, D.;Palisca, 1988, História da Música Ocidental


Conclusáo
Tendo em conta e estudando todo o ambiente artístico na Europa antes de
1600, entendemos que o ambiente era bastante racional e empírico, ao
contrário do que aconteceu após a mesma data. Assim, surge um período de
excentricidade, diferença e exageros. Entre 1600 e 1750, há uma mudança
drástica de ideias e mentalidades o que influência, obrigatoriamente, toda a
arte. A este período chamámos de Barroco.
A nível musical, uma das grandes inovações e diferenças, é o aparecimento
de um novo estilo que é a ópera. Podemos dizer que a ópera nasce barroca.
Teve o seu berço em Itália, mas rapidamente se espalha pelo resto da
Europa. Excetuando França, todos os países adotaram o modelo da ópera
italiana. França, que estava em pleno período da corte Absolutista, do Rei
Luís XIV – Rei Sol, zelava por valores diferentes. França não poderia ter
uma ópera que não glorificasse o rei e o seu poder. As diferenças
estilísticas, que cada vez mais se vão destacando no século XVII, são
esclarecidas pela mentalidade oposta que desune os italianos dos franceses.
Poderíamos considerar os Italianos extrovertidos, espontâneos,
sentimentais e amantes de música mais informal ou coloquial. Por sua vez,
os Franceses eram controlados, frios, dotados de perspicácia e gostavam de
música mais formal e solene. A música barroca italiana era centrada,
principalmente, no concerto e na ópera. As formas musicais eram
imponentes e grandiosas. A sonoridade das cordas prevalecia e os sopros
eram, raramente, empregados.
Os italianos foram praticamente os criadores do estilo barroco que, pela sua
teatralidade e ilimitada riqueza formal, correspondia, plenamente, ao
caráter deles. Por outro lado, a música francesa desta época surge como
uma reação à música que se concebia em Itália.
As características essenciais do estilo francês presidem na forma clara e
concisa, peças instrumentais de expressão condensada, movimentos curtos
e muito simples. A ópera francesa, de um género totalmente diverso da
italiana, era voltada, sobretudo, para a dança. Era como se a forma clara e
rígida das danças tivesse sido criada, especialmente, para que essas
caraterísticas fossem expressas em música, criando um estilo próprio e
nacionalista. Foi Jean-Baptiste Lully que deu à música francesa uma forma
definitiva, considerada internacionalmente, como uma alternativa à música
italiana.
O maior contributo de Lully, para a História da Música, constitui-se,
principalmente, pela criação de vários géneros musicais como a "Comédie-
Ballet", em colaboração com Moliére, a "Tragédie Lyrique", em
colaboração com Quinault, e a criação de uma tradição de música
instrumental expressa na conceção da típica "Ouverture" (que foi
sucessivamente recriada pelos compositores franceses como Campra,
Charpentier ou Rameau, e outros como Bach ou Haendel), ou das "Suites"
instrumentais identicamente recriadas e originárias da tendência da dança
na corte francesa e do "Ballet-de-Cour".
Bibliográfiá
GONÇALVES, Robson Uma breve viagem pela história da ópera
barroca, Clube dos Autores

GROUT, Donald.; CLAUDE, Palisca. 1988, 5 edição (2007) História da


Música Ocidental, Lisboa, Gradiva

SADIE, Julie Anne. 1998, Companition to BAROQUE MUSIC. EUA

CANDÉ, Roland de. 1 edição, 1994 As obras – primas da Música 1..


Edições ASA

http://www.casadamusica.com/artistas-e-obras/compositores/l/lully-jean-
baptiste#tab=0, consultado a 3 Dezembro 2017

https://www.infoescola.com/artes-cenicas/opera-bale/, consultado a 3
Dezembro 2017

https://www.infoescola.com/artes/opera/, consultado a 3 Dezembro 2017

http://www.wikiwand.com/pt/%C3%93pera, consultado a 15 Dezembro


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http://josedelara.blogspot.es/1288488960/, consultado a 16 Dezembro 2017