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2017­6­20 Territorialidade de espaço público em uma cidade ribeirinha na Amazônia Setentrional Brasileira – Afuá, Pará

Confins
Revue franco­brésilienne de géographie / Revista franco­brasilera de geografia

31 | 2017 :
Número 31

Territorialidade de espaço
público em uma cidade ribeirinha
na Amazônia Setentrional
Brasileira – Afuá, Pará
Territorialité de l'espace public dans une ville riveraine dans le nord de l'Amazonie brésilienne ­ Afuá, Pará
Territoriality of public space in a riverside city in the Brazilian Amazon ­ Afua, Pará

J៰�頃ⴄ M鞓�鄄ះ�ⴄ៰� M鞓�鄄ៀ�褂ȅ頃 Mⴄⴄ褂鄄៰�頃, J鞓�ះ�ퟂ� C៰�鄄鄄ⴄ鞓� Nⴄៀ�៰� ⴄៀ� M鞓�鄄褂鞓�ȅ鞓�
M鞓�鄄ៀ�褂ȅ頃 Mⴄⴄ褂鄄៰�頃

Résumés
Português Français English
A  Amazônia  Brasileira  possui  distintas  manisfestações  espaciais  nas  cidades.  Nesse  contexto,  a
compreensão  dos  fênomenos  urbanos  permite  o  reconhecimento  das  apropriações
contemporâneas  e  possibilita  a  tentativa  de  apreensão  do  cotidiano.  Esta  pesquisa  investiga  o
espaço público da cidade ribeirinha de Afuá (Arquipélago do Marajó, Estado do Pará, Brasil) que
estrutura­se sob o regime de palafitas e não permite o tráfego de veículos motorizados. Busca­se a
compreensão  da  apropriação  da  orla  desta  cidade  pela  população  local  através  da  noção  de
territorialidade.  A  pesquisa  realizada  possui  caráter  quantitativo  e  qualitativo  mediante  a
aplicação  de  questionários,  referências  bibliográficas  e  levantamento  de  campo  (técnicas  de
mapeamento  do  uso  do  solo,  registros  fotográficos  e  coleta  de  dados).  As  teorias  de  território,
sobretudo,  as  de  Raffestin  (1993,  2003)  permitiram  a  elaboração  de  análises  estruturadas  em
dois  aspectos:  urbanos  e  socioterritoriais,  que  poderão  servir  de  subsídios  para  elaboração  de
uma proposta de intervenção urbana a fim de promover o desenvolvimento local.

L'Amazonie brésilienne se manifeste sous diverses formes spatiales urbaines. Dans ce contexte,
la compréhension des phénomènes urbains permet la reconnaissance des spécificités du monde
contemporain  et  la  tentative  d'appréhension  du  quotidien.  Cette  recherche  examine  l'espace
public de la ville riveraine d’Afuá (archipel de Marajó, État du Para, Brésil) qui est construit sur
un  système  de  pilotis  qui  ne  permet  pas  la  circulation  des  véhicules  à  moteur.  On  cherche  à
comprendre l'appropriation des bords de la rivière par la population locale à travers le concept de
territorialité.  La  recherche  menée  a  été  quantitative  et  qualitative,  des  questionnaires  ont  été
appliqués,  les  références  ont  été  relevées  et  une  enquête  menée  sur  le  terrain  (avec  des
techniques  de  cartographie  de  l'affectation  des  sols,  d'enregistrements  photographiques  et
collecte  de  données).  Les  théories  sur  le  concept  de  territoire,  en  particulier  ceux  de  Raffestin

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(1993, 2003) ont permis la préparation d'analyses structurées en deux aspects: urbain et socio­
territoriale,  qui  peuvent  à  l'avenir  servir  de  support  à  la  préparation  d'une  proposition
d'intervention urbaine, afin de promouvoir le développement local.

The  Brazilian  Amazon  manifests  itself  in  various  urban  spatial  forms.  In  this  context,  the
understanding  of  the  urban  phenomena  allows  the  recognition  of  the  contemporary
appropriations and the apprehension of the daily life. This research investigates the public space
of the riverside town of Afua (Marajo Archipelago, State of Para, Brazil), a city structured under
wooden  stilt  system  that  does  not  allow  traffic  from  motor  vehicles.  This  research  seeks  to
understand  the  appropriation  of  the  city  river’s  banks  through  the  notion  of  territoriality.  The
data  from  this  research  also  allowed  the  construction  of  a  proposal  of  urban  intervention,  using
the interface between the territory and the design of public space. The research has quantitative
and  qualitative  characteristics,  questionnaires  have  been  applied,  and  references  have  been
collected  as  well  as  a  field  survey  (with  land­use  mapping  techniques,  photographic  recordings
and  data  collection).  Theories  on  the  concept  of  territory,  in  particular  those  of  Raffestin  (1993,
2003), allowed the preparation of structured analyzes in two aspects: urban and socio­territorial,
which  can  in  future  support  the  design  of  an  urban  intervention,  in  order  to  promote  local
development.

Entrées d’index
Index de mots­clés : Afuá; ville riveraine; espace public; territoire; bords de fleuve.
Index by keywords : Afua; riparian town; public spaces; territory; riverfronts.
Index géographique : Afuá (Pará)
Índice de palavras­chaves : Afuá; cidade ribeirinha, espaço público, território, orlas fluviais.

Texte intégral

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1 A  urbanização  brasileira,  caracteriza­se  pelo  processo  acelerado  e  tardio  da
transformação dos espaços urbanos (SANTOS, 1993). De modo peculiar, na Amazônia
os  grandes  projetos  aliados  à  intervenção  do  Estado  nas  formulações  de  políticas
estatais  de  incentivo  à  produção  e  ocupação  foram  responsáveis  pelo  crescimento
urbano. Estudos acerca do processo de urbanização brasileiro desmistificam a noção de
que  a  Amazônia  é  composta  apenas  por  florestas  intocadas.  Esta  região  rica  em
biodiversidade,  também  é  palco  de  tramas  urbanas,  tal  qual  é  evidenciado  pelas
cidades e redes urbanas que a compõem (BECKER, 2005).
2 O  crescimento  demográfico  e  urbano  das  cidades  da  Amazônia  brasileira,  segundo
Porto  (2007)  a  nível  regional  cresceu  de  37,4%  para  69,9%  entre  os  anos  de  1960  a
2000.  O  crescimento  rápido  desencadeou  uma  urbanização  precária  na  maioria  dos
casos, fator que implica diretamente na qualidade dos espaços que compõem os centros
urbanos.  Dessa  forma,  a  infraestrutura  inadequada  e  a  precariedade  física  destes
espaços,  dificultam  a  qualidade  de  vida  da  população,  tanto  nas  atividades
relacionadas ao trabalho como ao lazer e recreação.
3 A  carência  dessas  infraestruturas  urbanas,  principalmente  às  relativas  aos  espaços
públicos tornou­se ponto de partida para esta pesquisa que analisou o espaço público
da orla da cidade ribeirinha de Afuá, localizada no Arquipélago do Marajó, Estado do
Pará,  na  Amazônia  Brasileira.  Localmente  denominada  de  “Veneza  Marajoara”,  em
função  de  ser  contornada  por  três  rios  e  diversos  igarapés,  Afuá  possui  um  peculiar
modo de apropriação do território, em que o modo de vida ribeirinho prevalece, além do

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que  é  uma  cidade  que  não  permite  o  uso  de  veículos  motorizados,  em  razão  de  ser
estruturada em palafitas.
4 Nesse  sentido,  esta  investigação  do  espaço  público  da  referida  cidade  baseia­se  em
aspectos físicos e socioterritoriais, pois estes permitem a apreensão do cotidiano e das
apropriações do espaço. Buscou­se dessa forma, entender a orla como principal espaço
público da cidade, onde as territorialidades são manisfestadas em diferentes territórios,
construídos a partir das relações entre cultura, identidade e cotidiano.

Abordagens conceituais: território e
espaço público
5 O território é o resultado de uma ação conduzida por um ator sintagmático (ator que
realiza  um  programa)  em  qualquer  nível,  que  ao  se  apropriar  de  um  espaço  o
"territorializa"  (RAFFESTIN,  1993,  p.  143).  Esta  concepção  de  território  segundo
Raffestin, se forma mediante uma produção a partir do espaço, portanto, o território é
produto  da  apropriação  realizada  por  seus  atores,  a  este  processo  denomina­se  de
territorialização.  Ao  mesmo  tempo  que  é  o  território  é  meio,  ele  simultaneamente
interage e modifica seus agentes e atores.
6 Por sua vez Haesbaert (1995 e 1997), Haesbaert e Limonad (1999) apud Haesbaert
(2010)  sintetizam  três  vertentes  principais  de  abordagem  de  território:  a  política,  a
cultural  e  a  econômica.  A  primeira  vertente  compreende  o  território  baseado  nas
relações  entre  espaço  e  poder,  no  qual  este  é  tido  como  um  espaço  delimitado  e
controlado  por  algum  tipo  de  poder.  Já  a  perspectiva  cultural,  enfatiza  a  dimensão
simbólica  e  subjetiva,  resulta  da  apropriação  e  valorização  simbólica  de  um
determinado  grupo  em  seu  espaço  vivido.  Enquanto  que  a  terceira  abordagem  reflete
espacialização das relações econômicas no território como fonte de recursos e capital.
7 Em  se  tratando  do  processo  de  territorialização,  Saquet  (2010)  caracteriza­o  pela
complexidade,  em  função  de  componentes  sistêmicos,  das  tramas  sociais  e  pela
dinâmica  de  apropriação  e  reprodução  de  relações  sociais.  Nesse  sentido,  afirma  que
cada  sociedade  produz  seu  território,  bem  como,  territorialidades  de  modo  consoante
com  normas,  regras  e  crenças  de  suas  atividades  cotidianas.  Este  autor  entende  a
territorialidade  como  característica  da  territorialização,  exercício  pelo  qual  se
compreende e se pratica tal processo.
8 Para  Robert  Sack  a  territorialidade  humana  é  definida  como  “a  tentativa  de  um
indivíduo  ou  grupo  de  afetar,  influenciar  ou  controlar  pessoas,  fenômenos  e  relações,
através  da  delimitação  e  da  afirmação  do  controle  sobre  uma  área  geográfica  (SACK,
1986,  p.  21­22)  (tradução  livre)”,  neste  caso,  a  área  ao  qual  se  refere­se  é  constituída
pelo território.
9 Como  proposta  de  identificação  dos  territórios  constituídos  através  de  processos
culturais,  identitários  e  do  cotidiano,  Raffestin  (2003)  destaca  quatro  abordagens  de
territórios, as quais são: o território do cotidiano, o território das trocas, o território de
referência  e  o  território  sagrado.  O  território  do  cotidiano  consiste,  propriamente,  no
território atual, relacionado com a satisfação das necessidades e que reflete a realidade
de  aspectos  como  tensão,  conflito  e  distensão  que  são  evidenciados  pelas
territorialidades  de  todos  os  dias.  No  território  das  trocas  as  articulações  entre
diferentes  escalas  espaciais  e  economia  são  perceptíveis  através  da  fluidez  de
mercadorias e pessoas em constante movimento.
10 Já  no  território  de  referência  as  relações  entre  a  materialidade  e  imaterialidade,
memória  individual  e  coletiva  constituem­se  as  principais  características  dessa
abordagem  baseada  na  vivência  no  território  e  de  sua  expressão  através  da  leitura
espacial. Enquanto que no território sagrado se evidenciam aspectos relacionados com
religião  e  à  política,  nas  sacralidades  e  rituais  que  promovem  a  construção  da
identidade de um território (RAFFESTIN, 2003).
11 A complexidade da cidade como um sistema que agrega transformações dinâmicas e
intencionalidades  muitas  vezes  contraditórias,  traz  à  tona,  um  espaço  que  é  palco  de
diferentes  pontos  de  vista  e  distintas  classes  socioeconômicas.  Desta  maneira,  este
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espaço  de  lutas  de  classes  è  publicamente  visualizado  e  materializado  como  o  espaço
público. Por definição, este espaço é na perspectiva de Borja e Muxi (2003), a própria
cidade, em função da história da cidade ser a mesma de seu espaço público.
12 Conforme Borja e Muxi (2003) é principalmente no espaço público que as relações de
poder  e  cidadania  por  parte  dos  habitantes  da  cidade  se  materializam.  Nessa
conjuntura, o espaço público é o principal espaço abordado pelo Urbanismo, a medida
que este revela a cultura urbana, congregado em três esferas espaço público: o físico, o
simbólico e o político.
13 Gomes (2012) destaca a existência de dois tipos de compreensão de espaço público,
um vinculado à área física (ruas, praças, etc.), tema principalmente do planejamento
urbano e outro relativo à uma esfera abstrata e imaterial conformada na vida política e
na  democracia,  o  qual  é  temática  da  ciência  política.  Segundo  este  autor,  essas  duas
perspectivas de espaço público devem dialogar entre si, dado que o espaço público físico
é a espacialização da política, moldada em interesses coletivos.
14 Com  ênfase  no  papel  do  espaço  público  através  de  sua  configuração  física,  Panerai
(2006) destaca a finalidade deste em promover a distribuição e a circulação de pessoas
e  serviços.  O  espaço  público  para  este  autor  diz  respeito  “a  totalidade  das  vias:  rua  e
vielas, bulevares e avenidas, largo e praças, passeios e esplanadas, cais e pontes, mas
também rios e canais, margens e praias” (PANERAI, 2006, p. 79­80).
15 Por sua vez, Caldeirón (2009) afirma que o espaço público constitui­se como a coluna
vertebral da cidade, em razão de permitir sua organização e unidade. Adiciona que os
mesmos são caracterizados pelo convívio por excelência e por promoverem a melhoria
de  qualidade  de  vida  dos  habitantes  da  cidade.  Ademais,  enfatiza  que  através  da
“criação  destes  lugares  de  encontro  e  socialização,  as  pessoas  de  distintas  culturas  e
condições  sócio­econômicas  podem  apropriar­se  da  cidade”  (CALDEIRÓN,  2009,  p.
24).
16 Na definição de Alvares, Vainer e Queiroga (2009) o espaço público não compreende
somente  os  espaços  de  propriedade  pública,  relacionados  aos  bens  de  uso  coletivo,
como as ruas, praças, parques ou edifícios públicos, como também a qualquer lugar que
indique  a  apropriação  pública,  tais  como  em  ações  realizadas  no  âmbito  da  esfera
pública. A contribuição destes autores tange também na afirmação que, embora ocorra
a  propagação  da  ideologia  de  que  o  meios  de  informação  e  telecomunicação
provocariam um encurtamento das distância entre a sociedade, e a transformaria em
um “aldeia global, o espaço público para eles ainda “constitui­se em totalidade concreta
no qual se processa a sociedade; tratam­se,mesmo, de processos sócio­espaciais; não há
história,  nem  técnica,  fora  do  espaço  (ALVARES,  VAINER  e  QUEIROGA,  2009,  p.
131)”.
17 Arendt  (2002)  por  sua  vez,  explica  que  o  fato  de  um  espaço  tornar­se  público  não
significa que este se torne político. Para esta autora este sem a presença da política não
pode ser encarado como um espaço verdadeiramente público. Destaca que é somente no
“espaço  público­político”  que  o  convívio  entre  cidadãos  pode  ser  assegurado  e
transmitido para futuras gerações através da cidade como um lugar democrático.
18 Alguns  teóricos  como  Serpa  (2007)  guiam  a  discussão  do  espaço  público  aliada  à
crise  da  cidade,  em  função  de  que  no  “espaço  público  da  cidade  contemporânea,  o
“capital  escolar”  e  os  modos  de  consumo  são  os  elementos  determinantes  das
identidades  sociais”  (SERPA,  2007,  p.  13).  Este  autor  também  discursa  sobre  a
constituição  das  sociedades  contemporâneas,  por  sua  complexidade  e  pelo  notável
aumento do abismo entre íntimo e privado, ou seja, entre a vida privada e vida pública.
19 Igualmente,  Delgado  (1999)  afirma  que  o  espaço  público  possui  a  tendência  de
constituir­se como um cenário em relação à estruturação social, no sentido de que sua
organização  e  vivência  estarem  relacionadas  “em  torno  ao  anonimato  e  a  desatenção
mútua ou a partir de relações efêmeras baseadas na aparência, na percepção imediata e
relações  altamente  codificadas  e  em  grande  medida  fundadas  no  simulacro  e  na
dissimulação” (DELGADO, 1999. p. 13).
20 Diante  dessas  proposições,  Lefebvre  (2001)  já  na  década  de  1960  traz  à  tona
discussões  acerca  do  Direito  à  Cidade,  relativo  ao  direito  à  vida  urbana,  à  cidades
renovadas e transformadas mediante a vivência nas mesmas por seus habitantes. Para

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este autor, isto deve ser conquistado mediante à atividade participante do cidadão por
meio da apropriação.

Reconhecimento do território em
estudo: a cidade de Afuá
21 O município de Afuá está localizado sob as coordenadas geográficas 00º 09’ 04” de
Latitude Sul e 50º 23’ 15” de Longitude Oeste, ao norte do Marajó, no estado do Pará,
limitando–se a  76 km a Norte­Leste de Macapá, no estado do Amapá, a maior cidade
nos arredores (ver figura 01).

Figura 1. Localização da cidade de Afuá.

Fonte: base cartográfica da Secretaria Municipal de Infraestrutura de Afuá e Google Maps, 2015.

22 A cidade de Afuá se diferencia do modelo de ocupação colonial tradicional (figura 2),
foi  fundada  no  ano  de  1845  e  transformada  em  vila  em  1889.  A  apropriação  deste
território  se  deu  em  solo  de  várzea  e  sua  estruturação  principalmente  em  palafitas,  o
que  possibilitou  a  criação  de  um  sistema  de  vias  suspensas  que  ora  conectam­se  por
meio  de  vias  de  madeira  ora  pelas  vias  de  alvenaria  presentes  no  trecho  mais  antigo
(DIAS e SILVA, 2011).
23 Os autores Lomba e Nobre­Jr (2013) enfatizam a hidrografia como elemento inerente
tanto nas relações econômicas como sociais da cidade de Afuá, de maneira especial na
relação  urbano­rural  materializados  pelos  mercados  ou  feiras.  Além  disso,  Carvalho
(2013) mostra que a cidade também expõe suas características através do portos, este
que ligam a cidade à outras pelo acesso com rio, assim como pelo meio de transporte
empregado, a bicicleta.
24 A  cidade  de  Afuá  é  uma  cidade  totalmente  ciclável.  A  arquitetura  desempenha  um
papel  muito  importante  na  distinção  do  território  afuaense,  que  se  caracteriza  pela
predominância de casas de madeiras em palafitas.

Figura 2. Vista aérea da cidade de Afuá.

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Fonte: www.skyscrapercity.com/, 2014.
25 Carvalho  (2013)  ainda  destaca  a  composição  da  habitação  em  Afuá  no  que  diz
respeito  ao  uso  de  cores  marcantes  nas  fachadas,  aos  ornamentos,  da  mesma  forma,
afirma que as habitações geralmente são formadas por dois ou três quartos, uma sala e
cozinha,  sendo  que  esta  última,  um  exemplo  da  cultura  ribeirinha  na  cidade,  pela
presença  do  "jirau",  uma  estrutura  que  se  assemelha  à  uma  bancada  de  pia,utilizada
para o preparo de alimentos.
26 No ano de 2000 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística registrou, 29.505 mil
habitantes  no  município,  sendo  que  23%  dessa  população  é  urbana,  o  que  constitui
cerca  de  6.787  mil  habitantes.  No  censo  realizado  em  2010,  houve  um  aumento  para
35.042 mil habitantes no município, com uma população urbana registrada em 9.478
habitantes.
27 Análises físicas
28 A  cidade  de  Afuá  está  situada  em  um  relevo  de  várzea,  caracterizado  segundo  a
conformação  das  feições  de  relevo  relacionadas  ao  Arquipélago  do  Marajó,  o  qual
apresenta duas regiões predominantes, a região dos campos, constituída pelo Planalto
Rebaixado  da  Amazônia  sendo  a  mais  elevada  e  a  região  dos  furos,  que  constitui  a
Planície Amazônica, a mais baixa (OTCA; GEF; PNUMA, 2012).
29 As  cotas  altimétricas  de  Afuá  são  baixas  alcançam  no  máximo  quatro  metros.  Em
função dessa característica, fenômenos de enchentes denominados de “lançantes” pela
população  local,  ocorrem  períodos  específicos  em  que  as  cotas  dos  rios  aumentam  e
inundam toda cidade (figura 03).

Figura 3. Típica lançante em Afuá.

Fonte: http://www.parachaves.blogspot.com.br/ , 2014.
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30 O trecho mais antigo da cidade constitui­se pela orla, a evolução da ocupação urbana
(conforme apresentado na figura 4) que se estende de noroeste a leste na cidade de Afuá
entre o período de 1890 a 1940. Por conseguinte, no intervalo dos anos de 1941 a 1980
esta  foi  dirigida  do  sentido  norte  ao  centro  do  sítio  urbano,  além  do  que  avança  na
direção leste com a construção de um aeródromo (também conhecido como aeroporto
municipal).

Figura 4. Mapa de evolução e expansão urbana.

Fonte: mapa dos autores, 2015.
31 Já nos anos de 1981 a 2006, a cidade passa a sediar uma nova área denominada de
“Capim­marinho” ou “Capinlândia” com o vetor de expansão de nordeste a leste até os
dias  atuais.A  evolução  da  ocupação  na  cidade  em  um  sítio  alagadiço  e  de  várzea
permitiu  a  formação  de  dois  bairros  principais:  o  Central  e  o  Capim­marinho  ou
Capinlândia.

Morfologia urbana
32 Em se tratando da forma da cidade, Kohlsdorf (1996) propõe estudos baseados em
categorias analíticas morfológicas, fundamentadas em projeções ortogonais do espaço,
tais  como  planta  baixa,  malha  urbana,  macroparcelas  e  microparcelas,  entre  outros,
tais quais revelam a morfologia da cidade e ajudam a identificar a forma da mesma, um
dos  produtos  das  relações  sociais  no  espaço.  Essas  projeções  geométricas  no  plano
horizontal  revelam  a  condição  do  parcelamento  do  solo  na  cidade.  Com  base  nesses
estudos, foram elaborados mapas que mostram a relação das quadras e lotes, bem como
sua configuração geral através de um sistema de macro e microparcelas.

Figura 5. Mapa de macroparcelas e microparcelas.

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Fonte: mapa dos autores, 2015.
33 No que diz respeito à análise do sistema de macroparcelas (quadras), o tecido urbano
mostra­se  irregular  (figura  5)  em  função  dos  polígonos  irregulares  que  constituem  as
quadras tanto no bairro Central como no Capim­marinho, com exceção de algumas que
começam a tomar formas retangulares neste último. Já no sistema de microparcelas, os
lotes  exibem  mais  irregularidades  quanto  à  forma  em  relação  às  quadras.  No  bairro
Central, as microparcelas são maiores variando de uma média de 10 metros de testada
a 50 metros de comprimento, aproximadamente.
34 Essa  configuração  se  altera  em  alguns  pontos  no  bairro  Capim­marinho  em  que  os
lotes  sofrem  redução  em  suas  dimensões  e,  em  alguns  casos  tornam­se  regulares.
Mostram que as macroparcelas começam a ser planejadas e por conseguinte, há uma
divisão mais formal e ordenada das microparcelas.

Conectividade viária
35 O mapa de conectividade mostra o grau de integração das áreas da cidade através da
malha viária, além de mostrar a hierarquia entre as ruas em relação a seus diferentes
usos. Esta técnica se embasa na teoria da lógica social do espaço ou sintaxe espacial,
que segundo Ribeiro e Medeiros (2012) “tem por foco o estudo das relações entre espaço
e sociedade (RIBEIRO; MEDEIROS, 2012, p.126)”, tendo como principais variáveis de
estudo a conectividade e integração da malha viária com os diversos espaços da cidade.
36 A  conectividade  corresponde  às  conexões  estabelecidas  por  um  determinado  eixo
viário a qualquer outro sistema da cidade e é representada por um mapa axial formado
pelos  eixos  viários  do  tecido  urbano,  que  de  acordo  com  o  grau  integração  permite  a
visualização  de  uma  gradação  de  cores  que  variam  de  cores  quentes  a  cores  frias,
respectivamente, das mais a menos conectadas.

Figura 6. Mapa de axialidade.

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Fonte: mapa dos autores, 2015.
37 Dessa forma, este mapa mostra que os eixos viários compreendidos na faixa imediata
da orla são mais integrados com os demais eixos, seguido de um eixo mais central da
cidade (denominado localmente de “rua do meio” e que sedia um número considerável
de  pequenos  comércios  e  serviços  [ver  mapa  de  uso  e  ocupação  do  solo)  e  que  liga  as
extremidades da orla com o tecido urbano central. Nesse sentido, percebe­se que a orla é
a área mais conectada com o restante da cidade.
38 Com  relação  à  infraestrutura  viária,  nota­se  duas  tipologias  de  arruamento,  ora  as
vias  são  apoiadas  e  revestidas  em  madeira,  ora  em  são  construídas  em  concreto
armado.  Ambas  tipologias  possuem  em  média  aproximadamente  três  metros  de
largura e cerca de um metro e cinquenta centímetros acima do solo em função da área
alagadiça e das cheias das marés. As vias em concreto armado alocam­se na parte mais
antiga da cidade e contornam um considerável trecho da orla situada entre o Rio Afuá e
Rio Marajózinho enquanto que as em madeira compõem a maioria das vias na cidade.
A figura 7 exibe as referidas tipologias.

Figura 7. Vias em concreto armado e estivas de madeira.

Acervo: foto dos autores, julho de 2015.

Uso do Solo
39 Rocha  e  Forest  (1998)  enfatizam  que  a  principal  característica  do  uso  do  solo  é  o
mapeamento  das  relações  socioeconômicas  ocorridas  no  território,  dentre  as  quais
manifestam as relações de apropriação do espaço. Nessa acepção, elaborou­se o mapa
de uso e ocupação do solo no entorno imediato da orla de Afuá, que se deu mediante a
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coleta  de  informações  in  loco  pelo  autor.  Tais  informações,  são  tangenciais  às
atividades e usos presentes nas microparcelas (lotes) e áreas predefinidas (no caso de
praças,  portos,  etc.)  no  trecho  que  varia  aproximadamente  de  100  a  300  metros
(distância  aproximada  das  quadras  no  sentido  leste/oeste,  o  que  constitui  o  entorno
imediato).

Figura 8. Mapa de uso do solo do entorno imediato da orla.

Fonte: mapa dos autores, 2015.
40 Quanto as feições das atividades presentes na orla, estas se exprimem pela variedade
de  usos  incorporados  na  área.  No  trecho  norte,  os  usos  são  predominantemente
residenciais,  contudo,  com  uma  ampla  presença  de  pequenos  portos,  dentre  os  quais
são responsáveis pela ligação entre a cidade e as pequenas ilhas lindeiras do município
de Afuá.
41 No  segmento  oeste,  a  variação  de  usos  é  mais  expressiva,  encontram­se  desde
madeireiras,  residências,  pontos  comerciais,  áreas  de  uso  misto,  institucionais,
cobertura  vegetal  no  interior  das  macroparcelas  (lotes),  até  usos  educacionais  e
recreativos, com destaque aos espaços públicos (que são mais frequentes nesta área) e
dos portos (privados e municipal). Isto ocorre porque a “frente da cidade” é uma área
histórica,  umas  das  primeiras  áreas  a  serem  ocupadas,  que  incorpora  uma  dinâmica
mais  ligada  com  a  capital  do  Estado  do  Amapá,  Macapá,  em  razão  das  grandes
embarcações que atracam nos portos privados.
42 Já  no  trecho  sul,  os  usos  predominantes  são  constituídos  pelo  uso  misto  1
(comércio/residência),  pelos  serviços  ofertados  pelas  feiras  municipais  de  produtos
alimentícios,  companhia  de  eletricidade  e  cemitério,  assim  como  alguns
estabelecimentos  comerciais  que  são  pontuais  e  os  trapiches  relacionados  a  estes.
Enquanto que a leste a cidade é circundada pela cobertura vegetal fechada.

Análises socioterritoriais

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43 As  territorialidades  são  produtos  e  representações  do  território  advindas  das


apropriações  do  espaço  representadas  segundo  Raffestin  (2003)  como  formas  de
identificação  dos  territórios.  Nessa  conjuntura,  o  autor  propõe  interpretações  do
território  baseadas  em  instâncias  em  que  a  cultura  e  o  cotidiano  são  indispensáveis
para  tal  abordagem.  Com  base  nessas  propostas,  as  análises  do(s)  território(s)  neste
aspecto  tratarão  de  quatro  interpretações  acerca  da  relação  sociedade­território,  na
tentativa de revelação dessas práticas e exercícios, tais quais destacam­se o território do
cotidiano, o território das trocas, o território de referência e o território sagrado.
44 A  metodologia  para  definição  do  território  do  cotidiano  consistiu  na  apreensão  do
modo  de  vida  dos  habitantes  de  Afuá  e  de  suas  práticas  socioterritoriais  na  orla  da
cidade, além da observação em campo, foram aplicados questionários e entrevistas com
a população. Foram aplicados vinte questionários com uma amostra da população de
faixa etária entre 11 a 65 anos de idade, no sentido de obter informações de diferentes
pontos  de  vista  sobre  o  cotidiano  das  práticas  sociais  na  cidade.  Os  questionários
compreenderam  questões  pessoais,  o  reconhecimento  da  área  (tempo  e  local  de
permanência)  e  por  fim,  questões  relativas  à  importância  da  área  para  os  usuários  e
possíveis mudanças. Sobre o tempo e local de permância, perguntou­se sobre quais dos
quatro trechos seria o de maior permanência.
45 O  resultado  das  análises  do  território  do  cotidiano  foram  retrados  por  um  mapa
(figura  9).  Os  dados  indicaram  que  o  trecho  1  mostrou  ser  o  mais  frequentado,  local
onde se encontram praças e áreas de recreação. O trecho 3, também possui importância
na permanência dos usuários, lá estão situados os portos, feiras e comércios. Os trechos
4  e  2  foram  indicados  como  de  menor  permanência  possuindo  maior  uso  residencial
que os demais trechos.

Figura 9. Mapeamento dos trechos de maior e menor permanência.

Fonte: mapa dos autores, 2015.
46 No território das trocas a relação entre a formalidade e informalidade se evidencia na
economia  urbana  da  orla  de  Afuá  (figura  10).  O  movimento  de  pessoas  é  ocasionado
principalmente pela existência do mercado de carne, o qual possibilita a aproximação
da economia informal através de pequenos vendedores de hortaliças, frutas e de artigos
como roupas e utensílios domésticos. Essa relação igualmente ocorre nos mercados de
pescado e açaí, nota­se a presença de feirantes e ambulantes aos arredores destes. Além
disso, essa relação também ocorre com os portos, nota­se uma hieraquia entre portos
municipais, privados e trapiches não oficiais.

Figura 10. Relações formais e informais dos mercados e feiras no território das trocas.

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Fonte: fotos dos autores, 2015.
47 Em  relação  ao  território  de  referência,  através  de  questionários  e  mapas  foram
localizados  pontos  nodais,  marcos  visuais  e  visão  serial  de  território  (Lynch,  1997),
estes  importantes  efeitos  visuais  estavam  em  sua  maioria  na  orla  da  cidade:  Igreja
Matriz,  Trapiche,  Mercado  Municipal  e  Camera  Municipal,  “Quiosque  da  quadra”  e
“Jambeirão” (pequena praça). Além disso, crianças representaram através de desenhos
a construção de seus territórios de referência, relativos à uma apreensão afetiva acerca
destes. As crianças cartografaram seus territórios vividos e as referências que possuem
no  espaço  público  da  orla  da  cidade  de  Afuá,  nos  quais  puderam  ser  identificados
representações da orla, quadras e praças.
48 Em acepção ao território sagrado (figura 11), a simbologia das festividades e lendas
constituem­se  as  manifestações  das  sacralidades  que  se  dão  principalmente  pelas
festividades e lendas recorrentes ao longo da orla da cidade. Através de questionários,
os  moradores  das  cidades  elencaram  uma  diversidade  de  lendas  relacionadas  e  das
festividades religiosas e festivais relacionadas com o rio. As lendas mais conhecidas são
a do Boto (Inia geoffrensis) e da Cobra­grande que se refere à existência de uma enorme
cobra  que  habita  abaixo  da  igreja  matriz,  ambas  muito  presentes  na  Amazônia
Brasileira. A festividade religiosa mais conhecida é a de Nossa Senhora da Conceição e o
Festival do Camarão como festa popular.

Figura 11. Representação do território sagrado no Festival do Camarão.

Fonte: www.prefeituradeafua.com.br, 2014.

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Considerações finais
49 A  temática  oriunda  da  territorialização  do  espaço  público  de  Afuá,  recebe  devida
relevância  quando  se  considera  que  os  modelos  de  cidades  ribeirinhas  –  cita­se  a
condição/relação  rio­várzea­cidade  ­  constituem­se  uma  parcela  importante  das
cidades  que  formam  a  rede  urbana  da  Amazônia,  no  sentido  de  que  a  compreensão
dessa  realidade  possibilita  o  conhecimento  das  relações  socioespaciais  e  das
territorialidades da região.
50 As  análises  dos  territórios  mediante  a  consideração  da  cultura  e  do  cotidiano
permitiram  o  conhecimento  das  territorialidades  presentes  nos  espaços  públicos  de
Afuá.  As  diferentes  abordagens  percebidas  em  um  mesmo  território  possibilitam  a
compreensão da complexidade das relações socioespaciais da cultura ribeirinha de uma
cidade da Amazônia Setentrional Brasileira.
51 A  interface  desses  territórios  constitui­se  como  chave  para  a  apropriação  e
identificação  social,  tais  quais  devem  nortear  as  práticas  de  planejamento  e  gestão
urbanas,  assim  como,  aos  projetos  urbanos  voltados  para  a  apropriação  do  espaço
público, a fim de que os usuários, atores e/ou
52 agentes  sociais  neles  envolvidos  sintam­se  identificados  e  comprometidos  com  o
espaço que os envolve.
53 Compreender  esses  processos  de  apropriação  no  espaço  e  território  urbanos  como
fenômenos  espaciais  inerentes  à  articulação  das  relações  sociais,  tal  como  na  orla  de
Afuá,  permite  a  leitura  da  cidade  em  diferentes  escalas  que,  posteriormente,  pode
subsidiar  intervenções  no  âmbito  de  planos,  programas  e  projetos  urbanos  a  fim  de
qualificar e promover o desenvolvimento sustentável de cidades.

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Table des illustrations

Titre Figura 1. Localização da cidade de Afuá.
Crédits Fonte: base cartográfica da Secretaria Municipal de Infraestrutura de
Afuá e Google Maps, 2015.
URL http://confins.revues.org/docannexe/image/11935/img­1.png
Fichier image/png, 333k
Titre Figura 2. Vista aérea da cidade de Afuá.
Crédits Fonte: www.skyscrapercity.com/, 2014.
URL http://confins.revues.org/docannexe/image/11935/img­2.png
Fichier image/png, 1,5M
Titre Figura 3. Típica lançante em Afuá.
Crédits Fonte: http://www.parachaves.blogspot.com.br/ , 2014.
URL http://confins.revues.org/docannexe/image/11935/img­3.png
Fichier image/png, 1,2M
Titre Figura 4. Mapa de evolução e expansão urbana.
Crédits Fonte: mapa dos autores, 2015.
URL http://confins.revues.org/docannexe/image/11935/img­4.png
Fichier image/png, 558k
Titre Figura 5. Mapa de macroparcelas e microparcelas.
Crédits Fonte: mapa dos autores, 2015.
URL http://confins.revues.org/docannexe/image/11935/img­5.png
Fichier image/png, 267k
Titre Figura 6. Mapa de axialidade.
Crédits Fonte: mapa dos autores, 2015.
URL http://confins.revues.org/docannexe/image/11935/img­6.png
Fichier image/png, 125k
Titre Figura 7. Vias em concreto armado e estivas de madeira.
Crédits Acervo: foto dos autores, julho de 2015.

http://confins.revues.org/11935#text 14/15
2017­6­20 Territorialidade de espaço público em uma cidade ribeirinha na Amazônia Setentrional Brasileira – Afuá, Pará

URL http://confins.revues.org/docannexe/image/11935/img­7.png
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Titre Figura 8. Mapa de uso do solo do entorno imediato da orla.
Crédits Fonte: mapa dos autores, 2015.
URL http://confins.revues.org/docannexe/image/11935/img­8.png
Fichier image/png, 250k
Titre Figura 9. Mapeamento dos trechos de maior e menor permanência.
Crédits Fonte: mapa dos autores, 2015.
URL http://confins.revues.org/docannexe/image/11935/img­9.png
Fichier image/png, 231k
Titre Figura 10. Relações formais e informais dos mercados e feiras no
território das trocas.
Crédits Fonte: fotos dos autores, 2015.
URL http://confins.revues.org/docannexe/image/11935/img­10.png
Fichier image/png, 737k
Titre Figura 11. Representação do território sagrado no Festival do Camarão.
Crédits Fonte: www.prefeituradeafua.com.br, 2014.
URL http://confins.revues.org/docannexe/image/11935/img­11.jpg
Fichier image/jpeg, 141k

Pour citer cet article
Référence électronique
José Marcelo Martins Medeiros, Jacy Côrrea Neto et Mariana Martins Medeiros,
« Territorialidade de espaço público em uma cidade ribeirinha na Amazônia Setentrional
Brasileira – Afuá, Pará », Confins [En ligne], 31 | 2017, mis en ligne le 08 juin 2017, consulté le
20 juin 2017. URL : http://confins.revues.org/11935

Auteurs
José Marcelo Martins Medeiros
Professeur à l'Universidade Federal do Amapá, medeirosjose@gmail.com

Jacy Côrrea Neto
Arquiteto do Núcleo de Estudos em Estética do Úmido, Curso de Arquitetura e Urbanismo,
Universidade Federal do Amapá, neto.scorrea@gmail.com

Mariana Martins Medeiros
Engenheira Florestal, Mestre em Ciências Florestais pela UnB, professora da Universidade do
Estado do Amapá, eng.marimedeiros@gmail.com

Droits d’auteur

 
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