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Revista Cesuca Virtual: Conhecimento sem Fronteiras

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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: O QUE PENSAM ALUNOS E NÃO ALUNOS SOBRE


O PAPEL DO ALUNO VIRTUAL

Lise Mari Nitsche Ortiz


Luciana Helmann

RESUMO

Este trabalho partiu da retomada do conceito, do processo


histórico da Educação a Distância e dos desafios atuais dessa
modalidade de ensino para buscar compreender o que pensam
alunos e não alunos sobre o papel do aluno virtual. Fizemos
uma investigação qualitativa e aplicamos um questionário
online com 15 pessoas com ou sem experiência anterior em
cursos ou programas EAD, buscando saber seu entendimento
sobre EAD, o papel do aluno e as características deste aluno
virtual. Os resultados nos mostraram uma receptividade dos
pesquisados frente a esta modalidade de ensino e também
uma cisão entre a teoria do ensino a distância e o que é
praticado e oferecido por grande parte dos cursos e programas
que fizeram. As diferentes compreensões e métodos de ensino
utilizadas nos diversos cursos geram confusão entre os
pesquisados sobre o que se pode esperar desses cursos e
também sobre qual é o real papel do aluno virtual.
Identificamos que essa contradição gera resistências nos
pesquisados e também corroboram com a manutenção das
suas concepções errôneas sobre essa modalidade de ensino.
Parece ser necessário que as próprias instituições de ensino
que disponibilizam cursos EAD repensem sua gestão e práticas
pedagógicas, se desejam que a educação a distância continue
crescendo.
Palavras-chave: Educação a Distância. Papel. Aluno virtual.

ABSTRACT:

This work started from the resumption of the concept, the


historical process of the Distance Education and the current
challenges of this type of education to seek to understand what
students think and no students on the role of the virtual student.
We did a qualitative research and apply an online questionnaire
with 15 people with or without previous experience in distance
education courses or programs, seeking to know their
understanding of EAD, the role of the student and the
characteristics of the virtual student. The results showed us a

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receptiveness of respondents facing this type of education and


also a split between the theory of distance education and what
is practiced and offered by most of the courses and programs
they did. Different understandings and teaching methods used
in the various courses generate confusion among respondents
about what you can expect from these courses and also about
what is the real role of the virtual student. Identified that this
contradiction creates resistance in researched and also
corroborate with the maintenance of their misconceptions about
this type of education. Seems to be necessary for their own
educational institutions that offer distance education courses
rethink their management and teaching practices, if they want
to distance education continues to grow.

Keywords: Distance Education. Role of student. Virtual


student.

1 INTRODUÇÃO

A busca pelo conhecimento é o que move a humanidade desde o seu surgimento.


Atualmente a velocidade com que se propagam as informações é vertiginosa, nos
desafiando, a todo o momento, a alcançar as melhores e mais rápidas formas de
assimilar o saber.
Com a evolução dos meios de comunicação, a educação também teve que
acompanhar essas mudanças e modificou significativamente sua trajetória a partir
da disseminação e crescente oferta de cursos a distância. Entretanto, se
analisarmos os princípios básicos desta modalidade, percebemos que o ensino a
distância requer uma postura diferenciada do aluno presencial, visto que ele é o
responsável pela sua própria aprendizagem (Maia, 2007). Um dos questionamentos
sobre o desenvolvimento do EAD é acerca das características do aluno neste
processo; antes espectador no ensino tradicional e agora promovido a co-autor na
construção do conhecimento. Será que este aluno possui o perfil necessário para se
adaptar a esse modelo de ensino?
Embora a EAD tenha surgido em uma concepção ou perspectiva de inclusão social,
para atingir um público com dificuldades que iam desde o aspecto territorial até
mesmo geográfico (vide vilarejos e locais longes dos grandes centros), hoje a
modalidade a distância busca agregar o público que busca o autogerenciamento do
seu conhecimento, seja pelo escasso tempo disponível, seja pelas dificuldades
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oriundas do deslocamento para um ambiente de ensino tradicional, etc. Entretanto,


não podemos afirmar que esta modalidade de ensino determinará êxito do
aprendizado.
O presente estudo tem por finalidade compreender o que pensam alunos e não
alunos sobre o papel do aluno virtual. Fizemos uma investigação qualitativa e
aplicamos um questionário online com 15 pessoas com ou sem experiência anterior
em cursos ou programas EAD, buscando saber seu entendimento sobre EAD, o
papel do aluno e as características desse aluno virtual.

1.2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Para a Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância), a Educação a


Distância (EAD) é a modalidade de educação em que a maioria das atividades de
ensino-aprendizagem é desenvolvida sem que professor e alunos estejam no
mesmo lugar ou à mesma hora (DIAS apud ABED, 2006). Maia (2007) explica que
professor e aluno e mesmo os próprios alunos estão separados geograficamente
(ainda que em muitos casos possa haver encontros presenciais) e separados no
tempo (embora possa haver atividades que são feitas na mesma hora – síncronas).
Moore (2013) acrescenta à ideia básica do professor e alunos estarem em locais e
tempos diferentes o fato deles utilizarem da tecnologia para interagirem e se
comunicarem, sendo o único ou principal meio de comunicação na EAD.
Exatamente porque a educação sempre fez uso das tecnologias disponíveis de
acordo com a época que podemos pensar na evolução da EAD a partir de gerações
(DIAS, 2010). Moore (2013), por exemplo, explica o processo histórico da EAD a
partir de cinco gerações: na primeira situam-se os cursos por correspondência; na
segunda, os cursos por rádio e televisão; na terceira, os cursos oferecidos pela
universidade aberta; no quarto a teleconferência e no quinto a internet/web. Já
PORTO, NEVES E MACHADO (2012), contrapondo, percebem a consolidação de
um modelo de EAD apenas em 1969, com a fundação da Universidade Aberta da
Grã-Bretanha, embora os primeiros registros documentais de ensino a distância
datem do final do século XIX.
No Brasil os registros da EAD também não são precisos, mas a implantação das
escolas internacionais em 1904 e da rádio-escola do Rio de Janeiro em 1934 foram
momentos importantes, segundo Alves (apud Dias, 2010). Da mesma forma, os
cursos por correspondência em 1939, o programa de alfabetização de adultos por
rádio, na década de 60, os telecursos, em 1970; o videocassete, o fax, o computador
e a web, nos dias atuais (DIAS, 2010). Se considerarmos apenas a regulamentação
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no Brasil para se pensar a história da EAD ela é bastante curta, pois o incentivo para
a oferta de cursos em EAD aconteceu através da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional (LDB – n.9.394, de 20 de dezembro de 1996), mas só se
estruturou a partir de 2000 (GIOLO, 2005).
Mesmo com essa história imprecisa, é evidente o desenvolvimento das tecnologias
de comunicação utilizadas em EAD. Se antes os suportes utilizados eram o rádio,
televisão, telefone, áudio, vídeo, e serviam apenas para que os alunos recebessem
os conteúdos, as tecnologias de comunicação interativas da atualidade permitem
mais possibilidades de interação e menor distância entre aluno e professor (MAIA,
2007).

“Atualmente a tecnologia mais comum é o computador com seu navegador


conectado a internet, fornecendo mensagens de texto, áudio e vídeo, bem
como proporcionando um meio de interação entre os instrutores e os
estudantes e entre os estudantes em si. [...] consideramos particularmente
útil a diferenciação entre tecnologias gravadas (também conhecidas como
assíncronas) e interativas (síncronas)” (MOORE, 2013, p.22).

O que percebemos na EAD é que hoje se mesclam cursos com método de ensino
mais ou menos interativo, o que Maia (2007, p.09) ratifica afirmando que, mesmo
com o progresso das tecnologias, “muitos modelos de EAD privilegiam o estudo
autônomo e independente, utilizando muito poucas atividades interativas”.
Em função disso, autores propõem a diferenciação entre ensino a distância e
educação a distância. Para Moore (2013), a primeira expressão se refere à distância
entre o aluno e o professor, o que nos faz pensar que o ensino a distância não
focaliza nem estimula as interações e sim o conteúdo, ficando o professor com o
papel de difundir o conhecimento. Para explicar sobre educação a distância, Maia
(2007) cita Paulo Freire e a educação construtivista, esclarecendo que educar é um
ato de colaborar e de trabalhar conjuntamente, o que pressupõe um diálogo. Dias
(2010, p. 65) conceitua também nesse sentido, afirmando que na educação a
distância “o enfoque do processo educativo passa do professor ao aprendente, do
ensino para a aprendizagem, pressupondo-se que o professor torne-se parceiro dos
estudantes na construção do conhecimento. Por isso mesmo que, para Aragão
(2014), esta modalidade de ensino modifica o paradigma que traz o conhecimento
como estado, e não como processo.

1.3 DESAFIOS ATUAIS DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

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Vários são os desafios atuais da educação a distância.

Um deles se relaciona com a gestão da educação a distância - gestão feita pela


instituição que oferece EAD. Moore (2013) enfatiza que o fato da educação a
distância necessitar de tecnologia e técnicas de ensino variadas, demanda das
instituições novas formas de gerenciamento e novas políticas educacionais, não se
podendo apenas adaptar a EAD a um sistema pré-estabelecido de ensino. Gomes
(2013) delata que ainda ocorrem tentativas de adaptação das tecnologias aos
modelos tradicionais de ensino, sendo poucas as práticas pedagógicas e as
reflexões sobre o papel da universidade frente às demandas da atualidade.
Dias (2010) considera ainda o preconceito ao qual a educação a distância está
submetida, que é gerador de resistências. Vieira (2011) exemplifica com a “ausência
da cultura de que no virtual o aluno real aprende, resistência ao novo, pouco uso dos
recursos oferecidos pelas TIC’s (tecnologias de informação e comunicação), a
distância virtual que não permite focar “olho no olho” de quem aprende.

Outro desafio se refere ao método de ensino da educação a distancia, que vai gerar
maior ou menor comunicação entre professor e aluno - já que, como afirma Maia
(2007), a separação entre eles afeta o processo de ensino-aprendizagem. Vieira
(2011) corrobora a necessidade de se quebrar o paradigma da reprodução da
informação na educação a distância e de se usar ferramentas para despertar o
interesse do aluno, como materiais disponíveis nos AVAs (fóruns de debate, chats,
aulas interativas...) e/ou aulas editadas ou tele transmitidas.
Trazendo mais elementos para essa reflexão sobre o método de ensino em EAD,
Moore propôs a Teoria da Distância Transacional, utilizando o termo distância
transacional para designar a percepção de distância psicológica e comunicacional
sentida pelo aluno nas relações aluno-professor e aluno-aluno, o que considera
como uma barreira da educação em EAD (MOORE, 2002). Maia (2007, p. 15)
explica que “à distância transacional não interessa a distância física entre professor
e aluno, ou mesmo entre alunos, mas sim as relações pedagógicas e psicológicas
que se estabelecem na EAD”.
Moore (2002) considera existir três fatores ou variáveis que ocorrem no processo de
ensino-aprendizagem e que influenciam na distância transacional, que são interação
ou diálogo, estrutura do programa e autonomia.
a. Estrutura do programa: os elementos do projeto do curso e as estruturas mais
rígidas ou flexíveis, os materiais didáticos, assim como a forma de instruir o
aluno (espaços de diálogo com o professor x orientação escrita, por exemplo)
influenciam na percepção de distância. “Quando um programa é altamente
estruturado e o diálogo professor-aluno é inexistente, a distância transacional
é grande” (DIAS, 2010, p. 80).

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b. Interação ou diálogo: sendo a interação uma “ação recíproca entre dois ou


mais atores em que ocorre intersubjetividade, isto é, encontro de sujeitos”
direta ou indiretamente (DIAS, 2007, p.38), uma maior interação do aluno
gera um sensação psicológica de separação menor. Moore (apud Dias, 2010)
considera que as interações positivas, quando conduzem ao aprendizado,
geram diálogos e, consequentemente, a criação de ideias partilhadas e
sentimento de comunidade, gerador de responsabilidade no aluno. Maia
(2007) sugere que, para que esse ‘senso de comunidade’ exista em um
aluno, se deve utilizar de ferramentas de natureza interativa, como é o caso
de fóruns, chats, videoconferências e outros.
c. Autonomia do aluno: Carneiro (apud Dias, 2010) menciona a autonomia como
a capacidade de se auto-organizar. Na educação EAD o aluno é
independente para organizar os seus estudos e é responsável por seu
aprendizado. E, quanto mais ele estiver envolvido, menor o sentimento de
distância.

1.4 O ALUNO DA EAD

Para Moore (2010), o motivo mais comum para um adulto fazer um curso de
educação a distância é um aperfeiçoamento do conhecimento necessário para o
emprego, embora, sendo a participação voluntária, 30% a 50% dos alunos desistem.
Dentre os motivos de desistência estão as concepções errôneas sobre a EAD, por
exemplo, a pouca familiaridade com o método, a ideia de um curso a distancia exige
menos dedicação e menos responsabilidade, a ideia de que o professor ou
orientador conduzirá ao aprendizado e até mesmo a dificuldade com as tecnologias
propostas. “Os alunos frequentemente não compreendem que precisam assumir
uma grande responsabilidade por seu aprendizado em um curso de educação a
distancia e não esperar que o instrutor ou orientador os conduza” (MOORE, 2013, p.
233), o que os torna insatisfeitos. Em contrapartida, o autor considera que os alunos
que organizam seu tempo de estudo têm maior possibilidade de sucesso e maior
satisfação, desistindo menos.
A EAD, então, dá “um fim a passividade do aluno, viabilizando a construção de sua
autoformação e autonomia no processo de aprendizagem” (DIAS, 2010, p.35) e
aponta novos papéis a ele: o aluno passa a ser gestor de seu processo de
aprendizagem, devendo ser “autônomo e independente, mais responsável pelo
processo de aprendizagem e disposto a autoaprendizagem” (MAIA, 2007, p.85).

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Para Pallof e Pratt (2004) existem qualidades determinantes para aluno virtual ter
sucesso em um curso a distância, o que consideram como as qualidades do perfil
ideal, que são:

a. Conhecimento básico de internet: o aluno virtual precisa ter acesso a um


computador, preferencialmente com conexão de alta velocidade e saber usá-los,
sendo requisito básico de muitas instituições para que o aluno se matricule no
curso.
b. Interação com o grupo: o aluno virtual de sucesso tem a mente aberta e
compartilha detalhes sobre sua vida, trabalho e outras experiências
educacionais, participando de forma colaborativa com reflexões e ideias. Desta
forma, ele ajuda a contribuir efetivamente para a interatividade do grupo.
c. Possuir automotivação e autodisciplina: o aluno virtual precisa ter automotivação
e autodisciplina e ter a consciência que é o sujeito ativo responsável pela sua
própria aprendizagem, pois é ele quem gerencia e organiza sua rotina de
estudos. “Com a liberdade e a flexibilidade do ambiente on-line vem à
responsabilidade. Para acompanhar o processo on-line exige-se um
compromisso real e disciplina” (Pallof e Pratt, 2004 pg. 26).
No que se refere à interação com o grupo, Maia (2007) enfatiza ainda que o aluno
virtual precisa desenvolver habilidades de participar em grupos virtuais e ser
responsável pela construção dessas comunidades aprendizagem virtual, já que
participação ativa gera mais aprendizagem (mesmo pela prática da ‘interação
vicária’, que é quando o aluno somente lê as mensagens do grupo sem fazer
comentários). Igualmente, ele precisa aprender a fazer atividades colaborativas, co-
criando conhecimentos e desenvolvendo o pensamento crítico a partir dos diferentes
pontos de vista dos outros colegas.

Sendo evidente a necessidade do engajamento do aluno virtual para o sucesso no


curso ou programa EAD, buscamos compreender o que pensam alunos e não
alunos de EAD sobre o papel do aluno virtual.

2 A PESQUISA

Realizamos uma pesquisa qualitativa, pois nela buscamos aprofundar o “mundo dos
significados das ações e relações humanas” (MINAYO, 1999, p. 22).
Utilizamos um questionário online cujo link que foi encaminhado para 15 pessoas
conhecidas das autoras entre os dias 12 e 13 de outubro de 2014. No questionário
havia perguntas sobre a experiência anterior como aluno virtual, conceito de EAD,

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papel do aluno e características necessárias a esse aluno, todas com a finalidade de


compreender o que pensam alunos e não alunos EAD sobre o papel do aluno virtual.

Para análise dos dados, baseamo-nos nos conceitos da complexidade de Morin para
analisar os documentos, buscando aceitar a desordem e a contradição presente
neles (MORIN, 2010b) e utilizando processos de separação, ligação, síntese e
análise circularmente para a organização dos dados da pesquisa. (MORIN, 2010a).

2.1 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS

Com os dados obtidos na pesquisa, foi constatado que 13 pessoas (86, 66%) que
responderam ao questionário são receptivas a cursos EAD. Destas, oito (53,3%) já
fizeram algum curso nessa modalidade e dizem-se dispostos a fazer outro, pelo fácil
o acesso e a possibilidade de estudar sem dias e horários estabelecidos. Cinco
pessoas (33,33%) nunca fizeram um curso EAD, mas afirmam que fariam, pela
praticidade. A tabela a seguir detalha as respostas dos pesquisados:
Tabela 1

Você faria/fez algum curso EAD?


9
8
8 Nunca fiz, mas faria.
7
6 Sim, já fiz e faria outro.
5
5
4 Sim, já fiz e não faria
3 outro.
2 Não faria.
1 1
1
0

Respostas dos pesquisados sobre experiência e/ou receptividade em fazer um curso


EAD

Das duas pessoas não receptivas a essa modalidade de ensino, uma delas (6,67%)
já fez um curso EAD e não pretende fazer outro, e a outra pessoa (6,67%) não fez e
não deseja fazer. Ambas justificam suas respostas por reconhecerem que suas
características como alunas (falta de concentração, disciplina e organização de uma
rotina de estudos) lhes dificultam, o que nos sugere que elas sabem da necessidade
do aluno virtual ter a automotivação e a autodisciplina para ter sucesso em um curso
a distância, exatamente com afirmam Pallof e Pratt (2004).

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No que se refere à compreensão dos respondentes sobre o que é o ensino a


distância, a não presença foi o item mais apresentado, seguido da possibilidade de
gerenciamento de tempo de estudo, o que indica que o fato de professor e alunos
estarem separados no tempo e espaço é de conhecimento dos pesquisados. A
autonomia do aluno e responsabilidade na construção do seu conhecimento e a
atribuição do papel do professor como suporte também aparece, ainda que neste
item uma pessoa (6,67%) tenha mencionado o fato de muitos cursos EAD ainda
manterem a posição do aluno como receptor e do professor como dono do saber,
exatamente um dos desafios que Moore (2013) identifica junto à gestão da
educação a distância, pelo fato delas não poderem, apenas, adaptar a EAD a um
sistema pré-estabelecido de ensino. A compreensão de que é necessário utilizar a
tecnologia dos cursos EAD também aparece, assim como o uso de outros termos
como suporte online e internet, chat e e-mails e ambiente virtual, o que nos sugere
que os pesquisados relacionam essa modalidade de ensino existente a partir do
computador e a web, e não anteriormente, como mostra a história da EAD. Duas
pessoas (13,33%) explicaram que o EAD supre necessidades de ensino dos alunos,
quando não existem condições de participar de um ensino presencial e o fato de
uma dessas respostas virem de uma pessoa que fez um curso EAD, parece indicar
que realmente ainda existem concepções errôneas sobre a modalidade de ensino,
mesmo dentre as pessoas que já são adeptas.
Quanto à forma de estudo realizada pelo aluno EAD, embora 100% dos
respondentes afirmem que o aluno virtual interage com o professor, um deles
(6,67%), que já foi aluno EAD, afirmou que não ocorre interação com os colegas.
Podemos pensar, com isso, que esse aluno participou de um curso EAD em que não
houve o fomento da interação e colaboração entre os colegas, confirmando que não
são todos os cursos que fomentam isso, como mencionou Maia (2007).
O fato de oito pesquisados (53,33%) terem afirmado que o aluno virtual recebe a
matéria pronta pelo professor, tendo seis desses tido experiências em EAD, nos
indica que ainda existem cursos a distância em que os modelos tradicionais de
ensino são apenas adaptados às tecnologias, confirmando o apontamento de
Gomes (2013). Também chamou-nos atenção o fato de 100% dos respondentes
terem afirmado que o aluno virtual constrói o seu conhecimento e é responsável pelo
seu aprendizado, o que nos parece uma ideia contrária ao recebimento da matéria
pronta pelo professor, que demanda uma posição mais passiva do aluno.

Sobre o conhecimento dos pesquisados sobre a avaliação do aluno EAD um deles


(6,67%), que já fez curso a distância, afirmou que o professor não avalia o aluno.
Dois outros (13,33%), sem experiência com aluno EAD, desconhecem se há provas
no ensino EAD. Novamente essas respostas nos sugerem que os cursos EAD
mesclam metodologias, o que confundem o aluno. Todos os respondentes
afirmaram que o aluno EAD recebe certificado.
A tabela a seguir detalha as respostas dos pesquisados sobre a forma de estudo do
aluno EAD:

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Tabela 2

Como se dá a forma de estudo do aluno EAD?


16 15 15 15 15 15 15
14
14 13
12 Sim
12
10 8
8 Não
6 5
4 2 2 2 Não
2 1 1 sei
0

Respostas dos pesquisados sobre como entendem ser a forma de estudo do aluno
EAD

Quanto às características que os respondentes consideram necessárias a um aluno


EAD, 100% afirmam que dedicação, organização, disciplina, autogerenciamento e
autonomia contemplam o perfil ideal do aluno virtual, reconhecendo as proposições
de Pallof e Pratt (2004). No que se refere à necessidade do aluno EAD saber se
expressar por meio de textos, uma pessoa (6,67%) discordou e, como ela tinha
experiência como aluno EAD, pensamos que o curso que ela fez não lhe demandou
que escrevesse textos. A concordância de 13 pessoas (86,67%) sobre necessidade
do aluno EAD saber compartilhar o seu conhecimento nos remeteu novamente a
interação entre pessoas, e a diferença entre ensino a distancia e aprendizagem a
distancia empregados nos cursos atualmente, havendo alguns deles que não
estimulam interações e priorizam o conteúdo e o outros que demandam uma
atuação mais ativa do aluno e com maior interação entre eles.
A tabela a seguir oferece essas e outras informações sobre as respostas dos
pesquisados:
Tabela 3

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Quais características deve ter um aluno EAD?


Ter acesso à tecnologia e saber… 1
14
2
13
Flexibilidade para novas ideias 2
13
1 2 12
Automotivação 1 14 Não sei
15
Organização Não
15
15 Sim
Autogerenciamento 15
11
13
Autonomia 15

0 5 10 15 20

Respostas dos pesquisados sobre as características necessárias a um aluno EAD

Analisando todos os dados da pesquisa, nos parece que os respondentes tiveram


experiências distintas em cursos EAD, participando de cursos com maior ou menos
rigidez, cujas práticas pedagógicas exigiram maior ou menor passividade do aluno.
Essa mescla de métodos de ensino propostos pelos cursos EAD parece gerarem
confusão sobre como é realmente um curso a distância e como deve ser, e qual o
papel do aluno virtual e como deve ser, havendo uma separação entre o que diz a
teoria e o que se pratica.
Parece ser essencial, então, que as instituições de ensino que disponibilizem cursos
EAD repensem suas gestão e práticas de ensino utilizadas em cursos e programa
EAD.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os dados da pesquisa nos sugerem que o conceito do ensino a distância está


disseminado, já que os pesquisados compreendem que a educação a distancia é
uma modalidade de ensino em que professor e aluno estão separados no tempo e
espaço e usam da tecnologia para interação. Essa é uma modelo de ensino que
encontra receptividade entre os pesquisados, e não percebemos que o fato deles
identificarem o início dos cursos EAD a partir do surgimento do computador e
internet comprometa em seu interesse ou motivação para inscrição. Porém ainda
existem resistências e compreensões errôneas sobre essa forma de ensino.

Também os achados da pesquisa nos mostraram a existência da cisão entre a teoria


do ensino a distância e o que é praticado e oferecido por grande parte dos cursos.
Podemos pensar que fato dos cursos e programas EAD terem compreensões e

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métodos de ensino distintos gera confusão sobre o que se pode esperar de um


curso e também sobre qual é o real papel aluno virtual, podendo contribuir para a
desistência do aluno. Nesse sentido, nos parece que essa mescla de tipos de cursos
pode gerar mais resistência e não contribuir para a disseminação, valorização e
reconhecimento dessa modalidade de ensino. O que nos faz indicar, então, que as
instituições de ensino que disponibilizam cursos EAD repensem suas práticas
pedagógicas, se almejam realmente praticar a educação a distância e não somente
o ensino a distância, e desta forma, quem sabe, interferir na retenção do aluno.

Uma pesquisa que buscasse entender a motivação das instituições de ensino para a
realização os cursos EAD e como é feita a gestão disso, assim como outra que
identificasse a prática pedagógica utilizada pelo curso e relacionasse com
permanência/desistência de alunos poderia nos dar mais dados sobre nossas
inferências.

Ao finalizar nossa pesquisa, fica evidente o quanto esse campo está em evolução e
necessita de mais pesquisas para melhor compreendê-lo, se realmente se pretende
que o ensino a distância assuma um lugar diferenciado na educação da atualidade.

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