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Usura

1. Requisitos (282.º)

1. Requisito objetivo de usura: desequilíbrio excessivo ou injustificado:


confronto entre as obrigações assumidas pelas partes contraentes; não basta um
desequilíbrio: tem de haver um desequilíbrio excessivo;
2. Requisito subjetivo atinente ao lesado: situação de inferioridade
negocial; importa atender ao momento em que o negócio é celebrado;
3. Requisito subjetivo atinente ao usurário: aproveitamento consciente e
intencional; necessário demonstrar um animus.

Notas:
A aplicação do regime da usura encontra no preenchimento do 3º requisito
a sua maior dificuldade. Não basta demonstrar a existência de um desequilíbrio e
de uma situação de inferioridade, exige-se um plus: intenção, por parte do
suposto usuário, de se aproveitar do suposto lesado.

2. Consequências (283.º)

1. Lesado pode optar pela anulação do negócio ou pela modificação


segundo juízo de equidade, 283.º/1;
2. Requerendo o lesado a anulação, o usuário pode optar pela modificação:
mas não o seu contrário, ou seja, pedida a modificação, o usuário não pode
preferir a anulação, 283.º/2.
Coação

1. Coação absoluta (246.º)

Requisitos:
Caracteriza-se por uma total ausência de vontade.
Exemplo: assinatura de contrato forçada ou licitação em leilão também
forçada.
Consequência:
Inexistência.

Notas:
Não confundir com coação moral por meio físico; p. ex.: um sujeito assina
um contrato porque lhe apontaram uma pistola à cabeça; teria sempre a hipótese
de recusar – a vontade, embora viciada, existe.

2. Coação moral

Requisitos (255.º):
1. Ameaça;
2. Ilicitude da ameaça: exercício normal de direitos não consubstancia uma
ameaça ilícita, p.ex.: “ou pagas o que me deves ou recorro aos tribunais”, 255.º/3;
3. Dupla causalidade da ameaça: é necessário que a ameaça cause medo e
que esse medo, por sua vez, seja determinante do negócio ou do ato viciado;
4. Finalidade de extorquir a declaração negocial: ameaça é feita com esse
propósito específico.

Notas:
1. O conceito de exercício normal de direitos congrega dois elementos: (1)
existência de um direito; e (2) exercício normal. Faltando um dos requisitos já
não se pode falar em ameaça lícita, p.ex.: “ou pagas o que me deves ou parto-te
um braço” – o direito a exigir o pagamento das obrigações assumidas não pode
ser exercício nestes moldes.
2. Quando a coação provenha de terceiro, ou seja, um sujeito externo à
relação negocial, os requisitos 1 e 3 agravam-se: a ameaça tem de ser grave e o
medo causado justificado – 256.º, parte final: quando “provenha de terceiro . . . é
necessário que seja grave o mal e justificado o receio da sua consumação”.

Consequências (256.º):
1. Anulabilidade.

Falta de Consciência da Declaração

1. Requisitos (246.º)

1. As declarações negociais devem sempre ser analisadas à luz dos critérios


previstos no artigo 236.º: perceção do declaratário normal. Se este, perante os
factos concretos, considera que estão verificados todos os requisitos legais então
estamos perante uma efetiva declaração negocial.
2. Apenas de poderá invocar o 246.º se o declaratário normal reconhecer a
falta de consciência da declaração.

2. Consequências (246.º)

1. Inexistência;
2. Todavia, havendo culpa: o declarante fica obrigado a indemnizar o
declaratário, 246.º, parte final.

Declarações Não-Sérias
1. Requisitos

1. Falta de vontade: o declarante não pretende concluir qualquer negócio;


2. O modo como é exteriorizada indicia essa falta de vontade;
3. Expectativa que a falta de seriedade não seja desconhecida.

2. Modalidades

2.1 Declaração patentemente não-séria (245.º/1)

1. Exemplo:
Numa peça de teatro, o ator diz que irá casar com a primeira mulher que o
quiser. Uma espectador levanta-se e diz que aceita.

2. Consequências:
Partindo do regime previsto no artigo 236.º, a falta de seriedade é evidente:
não existindo, consequentemente, qualquer tipo de vinculação ou motivo para
responsabilizar o declarante.

2.2. Declaração patentemente não-séria, mas que, por


particularidades condicionalismos, enganou o declaratário (245.º/2)

1. Requisitos:
Aos três requisitos acima indicados cumpre acrescentar outros três:
1. O declaratário tomou a sério a declaração;
2. A convicção do declaratário foi provocada pelas circunstâncias em que a
declaração ou emitida;
3. Essa convicção é justificável, compreensível ou aceitável.

2. Consequências:
Responsabilidade civil, parte final do 245.º/2

Notas:
O critério terá de ser, uma vez mais, a perceção do declaratário normal,
236.º .

2.3 Declaração secretamente não séria

1. Requisitos:
Não estão preenchidos os requisitos legais, em especial o 2º: o modo como
a vontade é exteriorizada não indicia qualquer falta de vontade

2. Consequências:
O negócio é válido: para o declaratário normal a declaração é séria.
Caímos no âmbito de aplicação da reserva mental, 244.º.