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Marco antonio araujo jr.

Darlan Barroso
coordenadores

retaFinal
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Conteúdo complementar

Reforma
Trabalhista
Autores E Leone Pereira e Renata Orsi

De acordo com
• Lei 13.467/2017
• MP 808/2017
Diretora de Operações de Conteúdo
Juliana Mayumi Ono
Editorial: Andréia Regina Schneider Nunes, Cristiane Gonzalez Basile de Faria, Diego Garcia Mendonça, Luciana Felix,
Marcella Pâmela da Costa Silva e Thiago César Gonçalves de Souza
Assistente Editorial: Francisca Sena

Produção Editorial
Coordenação
Iviê A. M. Loureiro Gomes
Líder Técnica de Qualidade Editorial: Maria Angélica Leite
Analista de Projetos: Larissa Moura
Analistas de Operações Editoriais: André Furtado de Oliveira, Damares Regina Felício, Danielle Castro de Morais, Felipe
Augusto da Costa Souza, Gabriele Lais Sant’Anna dos Santos, Maria Eduarda Silva Rocha, Mayara Macioni Pinto, Patrícia
Melhado Navarra, Rafaella Araujo Akiyama e Thaís Rodrigues Sampaio
Analistas de Qualidade Editorial: Carina Xavier, Claudia Helena Carvalho, Daniela Medeiros Gonçalves Melo e Maria Cecilia
Andreo
Estagiários: Angélica Andrade, Miriam da Costa e Sthefany Moreira Barros
Capa: Brenno Stolagli Teixeira
Controle de qualidade da diagramação: Carla Lemos

Administrativo e Produção Gráfica


Coordenação
Mauricio Alves Monte
Analistas de Produção Gráfica: Aline Ferrarezi Regis e Rafael da Costa Brito
Marco antonio araujo jr.
Darlan Barroso
coordenadores

retaFinal
oaB
Conteúdo complementar

Reforma
Trabalhista
Autores E Leone Pereira e Renata Orsi

De acordo com
• Lei 13.467/2017
• MP 808/2017
RETA FINAL
OAB Conteúdo Complementar: Reforma Trabalhista
Leone Pereira e Renata Orsi
Autores

Darlan Barroso e Marco Antonio Araujo Junior


Coordenadores

Diagramação eletrônica: Know-how Editorial.

© desta edição [2018]

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Diretora Responsável
Juliana Mayumi Ono

Rua do Bosque, 820 – Barra Funda


Tel. 11 3613-8400 – Fax 11 3613-8450
CEP 01136-000 – São Paulo, SP, Brasil

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DIREITO INDIVIDUAL
DO TRABALHO
PRINCIPAIS ALTERAÇÕES
 1.1 TRABALHO INTERMITENTE.............................................................. 1
 1.2 TRABALHADOR AUTÔNOMO ......................................................... 2
 1.3 TELETRABALHO .............................................................................. 3
 1.4 OCUPANTES DE CARGO DE CONFIANÇA ....................................... 3
 1.5 NEGOCIAÇÃO DIRETA COM O EMPREGADOR/TRABALHADOR
“HIPERSUFICIENTE” ........................................................................ 4
 1.6 TRABALHO A TEMPO PARCIAL (PART-TIME JOB) ............................. 4
 1.7 GRUPO DE EMPRESAS .................................................................... 4
 1.8 SUCESSÃO DE EMPRESAS .............................................................. 4
 1.9 RESPONSABILIDADE DO SÓCIO-RETIRANTE .................................... 5
 1.10 UNIFORMES.................................................................................. 5
 1.11 TEMPO À DISPOSIÇÃO DO EMPREGADOR.................................... 5
 1.12 HORAS IN ITINERE ........................................................................ 5
 1.13 PRORROGAÇÃO DE JORNADA ..................................................... 6
 1.14 COMPENSAÇÃO DE JORNADA ..................................................... 6
 1.15 JORNADA 12X36.......................................................................... 6
 1.16 INTERVALOS ................................................................................. 6
 1.17 FÉRIAS .......................................................................................... 6
 1.18 PARCELAS INTEGRANTES DO SALÁRIO ......................................... 6
 1.19 EQUIPARAÇÃO SALARIAL ............................................................. 7
 1.20 TRABALHO INSALUBRE E GESTANTE ............................................. 7
 1.21 ESTABILIDADE GESTACIONAL ....................................................... 7
 1.22 INTERVALOS ESPECIAIS DA MULHER ............................................ 8
 1.23 HOMOLOGAÇÃO DA RESCISÃO CONTRATUAL ............................ 8
 1.24 DISPENSAS PLÚRIMAS E EM MASSA ............................................. 8
 1.25 PDI OU PDV .................................................................................. 8
 1.26 RESCISÃO POR ACORDO .............................................................. 8
 1.27 JUSTA CAUSA .............................................................................. 8
 1.28 QUITAÇÃO ANUAL DE DÉBITOS TRABALHISTAS ........................... 9
 1.29 DANO MORAL/EXTRAPATRIMONIAL ............................................. 9
 1.30 TERCEIRIZAÇÃO ........................................................................... 9
 1.31 ATIVISMO JUDICIAL ...................................................................... 10
DIREITO COLETIVO
DO TRABALHO
PRINCIPAIS ALTERAÇÕES
 2.1 REGULAMENTAÇÃO DA REPRESENTAÇÃO DOS EMPREGADOS
NA EMPRESA.................................................................................. 11
 2.2 EXTINÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SINDICAL OBRIGATÓRIA ................ 11
 2.3 PREVALÊNCIA DO NEGOCIADO SOBRE O LEGISLADO .................... 12
 2.4 REDUÇÃO SALARIAL POR NEGOCIAÇÃO COLETIVA ....................... 12
 2.5 ULTRATIVIDADE DAS CLÁUSULAS NORMATIVAS ............................ 12
 2.6 PREVALÊNCIA DO ACORDO COLETIVO SOBRE A CONVENÇÃO
COLETIVA ....................................................................................... 12
PROCESSO DO
TRABALHO
 3.1 COMPETÊNCIA FUNCIONAL DAS VARAS DO TRABALHO ................ 13
 3.2 CRIAÇÃO OU MODIFICAÇÃO DE ENTENDIMENTOS CONSOLIDADOS
DO TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO ........................................ 13
 3.3 PRAZOS PROCESSUAIS TRABALHISTAS ........................................... 14
 3.4 CUSTAS PROCESSUAIS ................................................................... 14
 3.5 BENEFÍCIO DA JUSTIÇA GRATUITA .................................................. 15
 3.6 HONORÁRIOS PERICIAIS ................................................................. 15
 3.7 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS ............................ 15
 3.8 RESPONSABILIDADE POR DANO PROCESSUAL................................ 16
 3.9 EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA TERRITORIAL (RELATIVA) ................ 17
 3.10 ÔNUS DA PROVA ......................................................................... 17
 3.11 RECLAMAÇÃO TRABALHISTA ....................................................... 18
 3.12 DESISTÊNCIA DA AÇÃO ............................................................... 18
 3.13 PREPOSTO .................................................................................... 18
 3.14 AUDIÊNCIAS TRABALHISTAS......................................................... 18
 3.15 DEFESA TRABALHISTA .................................................................. 19
 3.16 INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE
JURÍDICA ...................................................................................... 19
 3.17 PROCESSO DE JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA PARA HOMOLOGAÇÃO
DE ACORDO EXTRAJUDICIAL ....................................................... 20
 3.18 EXECUÇÃO TRABALHISTA ............................................................ 20
 3.19 RECURSO DE REVISTA .................................................................. 21
 3.20 DEPÓSITO RECURSAL ................................................................... 22
 3.21 RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DEPÓSITO
DO FGTS ...................................................................................... 22
DIREITO INDIVIDUAL
DO TRABALHO 1
Renata Orsi

PRINCIPAIS ALTERAÇÕES
1.1 TRABALHO INTERMITENTE
Talvez a maior inovação da Reforma, o trabalho intermitente é aquele em que o em-
pregado, embora subordinado ao empregador, não tem habitualidade na prestação de
serviços – a qual ocorre com alternância entre períodos de trabalho e de inatividade (que
podem ser de horas, dias ou meses – art. 452-A e ss., CLT). No período de inatividade,
o empregado não se considera à disposição do empregador (e, portanto, não será re-
munerado); por isso, pode prestar serviços a outros tomadores (art. 452-C, § 1º). Em
síntese, o trabalhador – embora devidamente registrado e vinculado à empresa – recebe
apenas pelos dias em que trabalhar, efetivamente.
O contrato de trabalho intermitente será celebrado por escrito e registrado na CTPS (art.
452-A, caput). Deve conter o valor da hora de trabalho (que não pode ser inferior ao
valor horário ou diário do salário mínimo e àquele devido aos demais empregados do
estabelecimento que exerçam a mesma função) (art. 452-A, II e § 12), bem como o local
e o prazo para pagamento da remuneração (art. 452-A, III).
O empregador deve convocar o empregado, por qualquer meio de comunicação eficaz,
para a prestação de serviços, informando qual será a jornada, com, pelo menos, três dias
corridos de antecedência (art. 452-A, § 1º). Recebida a convocação, o empregado terá
o prazo de 24 horas para responder ao chamado, presumindo-se, no silêncio, a recusa
(art. 452-A, § 2º). A recusa é livre ao empregado e, portanto, não descaracteriza a su-
bordinação (art. 452-A, § 3º).
Na data acordada para pagamento, o empregado receberá, de imediato (art. 452-A,
§ 6º): a) remuneração pelas horas efetivamente trabalhadas; b) férias proporcionais
+ 1/3; c) 13º salário proporcional; d) DSR; e) adicionais legais (incluindo adicional no-
turno, conforme art. 452-A, II). O empregador, por sua vez, deverá recolher as contri-
DIREITO INDIVIDUAL DO TRABALHO – RENATA ORSI 2

buições previdenciárias e os depósitos do FGTS com base no total dos valores pagos
mensalmente ao empregado, fornecendo comprovante de tais obrigações ao obreiro
(art. 452-H).
A cada 12 meses de trabalho, o empregado adquire direito a usufruir, nos 12 meses
subsequentes, um mês de férias, período durante o qual não poderá ser convocado para
prestar serviços pelo mesmo empregador (art. 452-A, § 9º). Ressalte-se, porém, que o
valor relativo às férias já foi recebido quando do pagamento da remuneração normal –
por isso, nada é devido pelo mês de férias.
O auxílio-doença do trabalhador intermitente deverá ser pago a partir da data da incapaci-
dade, inexistindo dever de a empresa pagar os primeiros 15 dias (art. 452-A, § 13). Ainda,
o salário-maternidade será pago diretamente pela Previdência Social (art. 452-A, § 14).
No caso de extinção do contrato de trabalho intermitente, o empregado terá direito às
mesmas verbas da rescisão por acordo, a seguir analisada (art. 452-E, CLT). Considera-
-se também extinto o contrato quando decorrido o prazo de um ano sem qualquer
convocação do empregado pelo empregador, contado a partir da data da celebração
do contrato, da última convocação ou do último dia de prestação de serviços, o que for
mais recente.

Na tentativa de evitar fraudes, o art. 452-G previu que, até


31 de dezembro de 2020, o empregado com contrato de
trabalho indeterminado que for dispensado não poderá
prestar serviços para o mesmo empregador por meio de
contrato de trabalho intermitente pelo prazo de 18 meses, contado da
data de sua dispensa.

1.2 TRABALHADOR AUTÔNOMO


O trabalhador autônomo passa a ser conceituado pela CLT no art. 442-B. Na redação
original, o dispositivo permitia a contratação do autônomo de forma contínua ou não,
com ou sem exclusividade, sem que restasse caracterizado o vínculo de emprego. Po-
rém, a MP 808/2017 afastou a possibilidade de contratação de autônomo de forma
exclusiva, dispondo no § 1º do art. 442-B ser “vedada a celebração de cláusula de
exclusividade” no contrato de trabalho autônomo. Por óbvio, entretanto, no § 6º, a
CLT prevê que, se presente a subordinação jurídica, será reconhecido o vínculo em-
pregatício. Ainda, o § 3º dispõe que o autônomo poderá prestar serviços de qualquer
natureza a outros tomadores que exerçam ou não a mesma atividade econômica do
“tomador principal”, sob qualquer modalidade de contrato de trabalho. Finalmente,
o § 4º garante ao autônomo a possibilidade de recusar a realização de atividade de-
mandada pelo contratante (podendo ser aplicada, neste caso, eventual cláusula penal
prevista em contrato).
3 RENATA ORSI – DIREITO INDIVIDUAL DO TRABALHO

1.3 TELETRABALHO
O teletrabalho passa a ser regulamentado pelos artigos 75-A a 75-E. Considera-se tele-
trabalho a prestação de serviços preponderantemente fora das dependências do empre-
gador, com a utilização de tecnologias de informação e de comunicação que, por sua
natureza, não se constituam como trabalho externo (art. 75-B, caput, CLT).
Referida forma de prestação de serviços deverá constar expressamente do contrato de
trabalho (art. 75-C, caput, CLT), ressaltando-se que o comparecimento, pelo emprega-
do, às dependências do empregador, para a realização de atividades específicas que
exijam sua presença (como reuniões, treinamentos etc.) não descaracteriza o regime de
teletrabalho (art. 75-B, parágrafo único, CLT). Ademais, poderá ser realizada a altera-
ção entre regime presencial e de teletrabalho, desde que haja mútuo acordo entre as
partes, registrado em aditivo contratual (art. 75-C, § 1º, CLT), bem como do regime de
teletrabalho para o presencial por determinação do empregador, garantido prazo de
transição mínimo de 15 dias, com correspondente registro em aditivo contratual (art.
75-C, § 2º, CLT).
As disposições relativas à responsabilidade pela aquisição, manutenção ou fornecimento
dos equipamentos tecnológicos e da infraestrutura necessária e adequada à prestação
do trabalho remoto (e.g., computador, mesa e cadeira etc.), bem como ao reembolso de
despesas arcadas pelo empregado, serão previstas em contrato escrito (art. 75-D, CLT).
De qualquer maneira, tais utilidades, quando fornecidas pelo empregador, não integram
a remuneração do empregado (art. 75-D, parágrafo único, CLT).
O empregador deverá instruir os empregados, de maneira expressa e ostensiva, quanto
às precauções a tomar a fim de evitar doenças e acidentes de trabalho, devendo o em-
pregado assinar termo de responsabilidade comprometendo-se a seguir as instruções
fornecidas (art. 75-E, CLT).

Finalmente, previsão bastante relevante consta do art.


62, III, da CLT: o teletrabalho passa a ser uma das ex-
ceções ao controle de jornada (e, portanto, exclui-se o
direito a horas extras de referida categoria).

1.4 OCUPANTES DE CARGO DE CONFIANÇA


Sabe-se que a reversão do ocupante de cargo de confiança ao cargo anteriormente ocu-
pado não caracteriza alteração ilegal do contrato de trabalho (art. 468, § 1º, CLT). Po-
rém, agora, independentemente do tempo em que se encontrar na função de confiança,
não incorpora em seu salário o valor da gratificação de função, consoante o art. 468,
§ 2º, CLT (contrariando o previsto pela Súmula 372, I, TST, que assegurava a incorpora-
ção da gratificação após 10 anos de trabalho no cargo de confiança).
DIREITO INDIVIDUAL DO TRABALHO – RENATA ORSI 4

1.5 NEGOCIAÇÃO DIRETA COM O EMPREGADOR / TRABALHADOR


“HIPERSUFICIENTE”
Segundo a doutrina, a Reforma determinou a criação de nova categoria de trabalha-
dor: o empregado hipersuficiente, caracterizado por receber salário igual ou superior
a duas vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social (o
famoso “teto do INSS”) e de ser portador de diploma de nível superior (art. 444, pará-
grafo único, CLT). Tal trabalhador poderá negociar diretamente com seu empregador
as condições de trabalho previstas no art. 611-A da CLT (i.e., as mesmas em relação às
quais o negociado prevalece sobre o legislado). Entre as matérias de referida negociação
destacam-se: redução de intervalo intrajornada, teletrabalho, sobreaviso, modalidades
de remuneração, troca de dias de feriado etc. Ademais, o art. 507-A da CLT passa a
prever que, nos contratos cuja remuneração seja superior a duas vezes o limite máximo
do RGPS (independentemente, aqui, do diploma de nível superior), poderá ser pactuada
cláusula compromissória de arbitragem, por iniciativa do empregado ou mediante a sua
concordância expressa.

1.6 TRABALHO A TEMPO PARCIAL (PART-TIME JOB)


Antes envolvendo o trabalho por até 25 horas semanais, o trabalho a tempo parcial pas-
sa a ter duração máxima de 30 horas semanais, sem a possibilidade de horas extras, ou,
26 horas semanais, com a possibilidade de acréscimo de até seis horas extras semanais
(art. 58-A, caput, CLT – permitindo-se que essas horas suplementares sejam compensa-
das até a semana imediatamente posterior à da sua execução). No regime anterior, as
férias do trabalhador a tempo parcial eram reduzidas (antigo art. 130-A, CLT); no novo
regime, são devidas pelo período normal (art. 58-A, § 7º, CLT). Da mesma forma, agora,
passa a ser permitido o abono pecuniário de férias a esse trabalhador, antes não admi-
tido (art. 58-A, § 6º, CLT).

1.7 GRUPO DE EMPRESAS


O conceito de grupo por coordenação, criado pela jurisprudência trabalhista, é alterado:
não mais basta a existência de sócios em comum nas empresas para configuração do
grupo; nos termos do art. 2º, § 3º, da CLT, são necessárias a demonstração do interesse
integrado, a efetiva comunhão de interesses e a atuação conjunta das empresas.

1.8 SUCESSÃO DE EMPRESAS


Consagrando entendimento já consolidado, o art. 448-A da CLT passa a prever que, ca-
racterizada a sucessão de empresas ou empregadores, as obrigações trabalhistas, inclusi-
ve as contraídas à época em que os empregados trabalhavam para a empresa sucedida,
são de responsabilidade do sucessor. Porém, nos termos do parágrafo único do mes-
mo artigo, é possível a responsabilidade solidária da empresa sucedida, que responderá
5 RENATA ORSI – DIREITO INDIVIDUAL DO TRABALHO

quando comprovada fraude na transferência (por exemplo, quando a aquisição for feita
por empresa “laranja”, apenas para afastar a responsabilidade trabalhista).

1.9 RESPONSABILIDADE DO SÓCIO-RETIRANTE


Nos termos do art. 10-A da CLT, o sócio retirante responde subsidiariamente pelas obri-
gações trabalhistas da sociedade relativas ao período em que figurou como sócio, so-
mente em ações ajuizadas até dois anos depois de averbada a modificação do contrato.
Porém, o sócio retirante responderá solidariamente com os demais quando ficar compro-
vada fraude na alteração societária decorrente da modificação do contrato.

1.10 UNIFORMES
Segundo o art. 456-A da CLT, cabe ao empregador definir o padrão de vestimenta no
meio ambiente laboral, sendo lícita a inclusão no uniforme de logomarcas da própria
empresa ou de empresas parceiras e de outros itens de identificação relacionados à
atividade desempenhada. No mais, o parágrafo único disciplina que a higienização do
uniforme é de responsabilidade do trabalhador, salvo nas hipóteses em que forem ne-
cessários procedimentos ou produtos diferentes dos utilizados para a higienização das
vestimentas de uso comum.
Finalmente, conforme o inciso VIII do § 2º do art. 4º da CLT, não será computado como
tempo de trabalho o tempo para troca de roupa ou uniforme, quando não houver obri-
gatoriedade de realizar a troca na empresa.

1.11 TEMPO À DISPOSIÇÃO DO EMPREGADOR


Altera-se o conceito de “tempo à disposição do empregador”, determinando-se que
não será computado como período extraordinário de trabalho o que exceder a jornada
normal, quando o empregado, por escolha própria: buscar proteção pessoal, em caso
de insegurança nas vias públicas ou más condições climáticas (o que pode ocorrer, por
exemplo, em caso de chuvas, alagamentos ou mesmo local de trabalho perigoso em
determinado horário); adentrar ou permanecer nas dependências da empresa para exer-
cer atividades particulares (por exemplo, atividades religiosas, de estudo, de convivência
social etc.) (art. 4º, § 2º, CLT).

1.12 HORAS IN ITINERE

São excluídas do cômputo da jornada de trabalho as cha-


madas “horas in itinere”, i.e., o tempo despendido pelo
empregado desde a sua residência até a efetiva ocupa-
ção do posto de trabalho e para o seu retorno, cami-
nhando ou por qualquer meio de transporte, inclusive o fornecido pelo
empregador (art. 58, § 2º, CLT).
DIREITO INDIVIDUAL DO TRABALHO – RENATA ORSI 6

1.13 PRORROGAÇÃO DE JORNADA


Exclui-se a obrigatoriedade de que o acordo individual de prorrogação de jornada seja
escrito. Ou seja: agora, é perfeitamente possível que as horas extras sejam efetuadas
com base em simples acordo verbal entre empregado e empregador (art. 59, CLT). Ainda,
em jornadas 12x36, exclui-se a necessidade de autorização do MTE para realização de
horas extras (art. 60, parágrafo único, CLT).

1.14 COMPENSAÇÃO DE JORNADA


Permite-se a negociação de banco de horas diretamente entre empregado e emprega-
dor, mediante acordo individual escrito, hipótese em que a compensação deverá ocorrer
no período máximo de seis meses (art. 59, § 5º, CLT). Também, passa a ser permitido
regime de compensação de jornada estabelecido por acordo individual, tácito ou escrito,
desde que a compensação ocorra no mesmo mês (art. 59, § 6º, CLT).

1.15 JORNADA 12X36


A jornada 12x36 (i.e., de 12 horas de trabalho seguidas por 36 horas ininterruptas de
descanso), passa a ser regulada no art. 59-A da CLT. Poderá ser celebrada mediante
acordo ou convenção coletiva de trabalho, exceto quanto às entidades atuantes no setor
de saúde, às quais é permitido celebrar tal jornada mediante acordo individual. Os inter-
valos para repouso e alimentação poderão ser observados ou indenizados, e o § 1º do
art. 59-A estabelece que a remuneração mensal do trabalhador abrange os pagamentos
devidos pelo descanso semanal remunerado e pelos feriados.

1.16 INTERVALOS
Em sentido oposto ao entendimento do TST (Súmula 437), é alterado o § 4º do art. 71
para prever que a não concessão ou a concessão parcial do intervalo intrajornada implica
o pagamento apenas do período suprimido, com acréscimo de 50% sobre o valor da
remuneração da hora normal de trabalho (e não do período total do intervalo – “hora
cheia”). O mesmo dispositivo passa a prever a natureza indenizatória do pagamento
do intervalo não concedido ou concedido parcialmente, afastando o entendimento da
Súmula 437, III, do TST, que consagrava sua natureza salarial.

1.17 FÉRIAS
Desde que haja consentimento do trabalhador, as férias poderão ser divididas em até
três períodos, um deles não inferior a 14 dias corridos e os demais não inferiores a cin-
co dias corridos, cada um (art. 134, § 1º, CLT). Ainda, proíbe-se o início das férias no
período de dois dias que antecede feriado ou dia de repouso semanal remunerado (art.
134, § 3º, CLT) e revoga-se a proibição de fracionamento das férias aos menores de 18
e maiores de 50 anos (art. 134, § 2º, CLT).

1.18 PARCELAS INTEGRANTES DO SALÁRIO


Os §§ 1º e 2º do art. 457 da CLT passam a prever como integrantes do salário, apenas: a)
o valor fixo; b) as gratificações legais e de função; c) as comissões; e d) as ajudas de custo
7 RENATA ORSI – DIREITO INDIVIDUAL DO TRABALHO

excedentes de 50% da remuneração mensal do empregado. Como não integrantes, por


outro lado, destacam-se todas as importâncias, ainda que habituais, pagas a título de
ajuda de custo (desde que não excedentes de 50% da remuneração), auxílio-alimentação
(vedado seu pagamento em dinheiro), diárias para viagem e prêmios (pagos, no máximo,
duas vezes ao ano, em decorrência de desempenho superior ao esperado do empregado).

1.19 EQUIPARAÇÃO SALARIAL


O critério da identidade de local para fins de equiparação salarial é alterado: antes consi-
derado como trabalho no mesmo Município ou Município pertencente à mesma Região
Metropolitana, passa a ser considerado como trabalho no mesmo estabelecimento (art.
461, caput, CLT). Ainda, altera-se o critério de identidade de tempo: agora, além de a di-
ferença de tempo na função não ser superior a dois anos entre paradigma e reclamante,
a diferença de tempo de serviço para o mesmo empregador não poderá ser superior a
quatro anos (permitindo, assim, que empregados com mais tempo de empresa ganhem
salários maiores) (art. 461, caput e § 1º, CLT).
Ademais, o quadro de carreira ou plano de cargo de salários deixa de ser obrigatoria-
mente registrado no Ministério do Trabalho e Emprego para fins de afastamento da
equiparação salarial, bastando que seja adotado por meio de norma interna da empresa
ou por negociação coletiva. Além disso, no plano ou quadro, permitem-se as promoções
por merecimento e por antiguidade, ou por apenas um desses critérios, dentro de cada
categoria profissional (não sendo mais obrigatória, portanto, a alternância de critérios de
promoção) – art. 461, §§ 2º e 3º, da CLT.
Finalmente, caso comprovada discriminação por motivo de sexo ou etnia, além das di-
ferenças salariais, será devida multa, em favor do empregado discriminado, no valor de
50% do limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social – art. 461,
§ 6º, da CLT.

1.20 TRABALHO INSALUBRE E GESTANTE


O art. 394-A da CLT passa a prever afastamento obrigatório da empregada, durante a
gestação, para quaisquer atividades, operações ou locais insalubres, independentemente
do grau. Porém, em atividades com insalubridade em grau médio ou mínimo, poderá
ser permitido o trabalho à gestante quando ela, voluntariamente, apresentar atestado de
saúde, emitido por médico de sua confiança, do sistema privado ou público de saúde, que
autorize a sua permanência no exercício de suas atividades. De qualquer forma, realocada
a gestante para outra função, resta excluído o pagamento de adicional de insalubridade.
A lactante, por seu turno, será afastada de atividades e operações consideradas in-
salubres em qualquer grau apenas quando apresentar atestado de saúde emitido por
médico de sua confiança, do sistema privado ou público de saúde, que recomende o
afastamento durante a lactação.

1.21 ESTABILIDADE GESTACIONAL


A Lei 13.509/2017 passa a assegurar estabilidade gestacional também a(o) empregada(o)
adotante, conforme o art. 391-A, parágrafo único, da CLT.
DIREITO INDIVIDUAL DO TRABALHO – RENATA ORSI 8

1.22 INTERVALOS ESPECIAIS DA MULHER


Revoga-se o intervalo de 15 minutos antes do início da prestação de serviços extraordi-
nários (anteriormente previsto pelo art. 384, CLT). Ademais, o intervalo para amamenta-
ção do art. 396 é estendido, também, para as adotantes.

1.23 HOMOLOGAÇÃO DA RESCISÃO CONTRATUAL


Não mais se faz necessária a homologação da rescisão contratual no sindicato ou MTE
(art. 477, CLT), devendo o empregador, apenas, 1. proceder à anotação na CTPS do
empregado; 2. comunicar a dispensa aos órgãos competentes; e 3. realizar o paga-
mento das verbas rescisórias no prazo de dez dias. O saque do seguro-desemprego e a
movimentação da conta do FGTS far-se-ão mediante simples apresentação da CTPS com
anotação da extinção do contrato, desde que a comunicação da rescisão, acima mencio-
nada, tenha sido realizada (art. 477, § 10, CLT).

1.24 DISPENSAS PLÚRIMAS E EM MASSA


Contrariando o posicionamento da jurisprudência trabalhista, a Reforma positiva que
quaisquer espécies de dispensas imotivadas (individuais, plúrimas ou coletivas) não ne-
cessitam de autorização prévia de entidade sindical ou de celebração de convenção
coletiva ou acordo coletivo de trabalho para sua efetivação (art. 477-A, CLT).

1.25 PDI OU PDV


Corroborando o atual posicionamento do STF, o art. 477-B da CLT passa a dispor que
eventual Plano de Demissão Voluntária ou Incentivada (PDI ou PDV), para dispensa indi-
vidual, plúrima ou coletiva, desde que previsto em convenção coletiva ou acordo coletivo
de trabalho, enseja quitação plena e irrevogável dos direitos decorrentes da relação em-
pregatícia, salvo disposição em contrário.

1.26 RESCISÃO POR ACORDO


Em, talvez, uma das maiores inovações da Reforma, a CLT passa a consagrar a hipótese
de cessação do contrato de trabalho mediante acordo entre empregado e empregador,
antes rechaçada pelo ordenamento brasileiro (art. 484-A, CLT). Nesse caso, serão devi-
das as seguintes verbas: a) metade do aviso prévio, se indenizado (se trabalhado, deverá
ocorrer pelo período integral, portanto); b) metade da indenização dos depósitos do
FGTS (ou seja, apenas 20% de indenização); c) o valor total das demais verbas rescisórias
(13º salário, férias indenizadas etc.). Ademais, o trabalhador poderá movimentar 80%
dos valores depositados na conta do FGTS (art. 20, I-A, Lei 8.036/1990), mas não terá
direito ao saque do seguro-desemprego.

1.27 JUSTA CAUSA


Nova hipótese de justa causa é consagrada no art. 482 da CLT: a perda da habilitação
ou dos requisitos estabelecidos em lei para o exercício da profissão, em decorrência de
conduta dolosa do empregado (art. 482, m, CLT).
9 RENATA ORSI – DIREITO INDIVIDUAL DO TRABALHO

1.28 QUITAÇÃO ANUAL DE DÉBITOS TRABALHISTAS


O art. 507-B da CLT prevê ser facultado a empregados e empregadores, na vigência ou
não do contrato de emprego, firmar o termo de quitação anual de obrigações traba-
lhistas, perante o sindicato dos empregados da categoria. O termo deverá discriminar
as obrigações de dar e de fazer cumpridas mensalmente e ensejará quitação anual dada
pelo empregado, com eficácia liberatória das parcelas nele especificadas.

1.29 DANO MORAL/EXTRAPATRIMONIAL


Após anos de aplicação dos preceitos civilistas para caracterização do dano moral/extrapa-
trimonial no Direito do Trabalho, a CLT passa a consagrar de forma expressa referida espé-
cie de dano, no Título II-A (arts. 223-A a G). O dano extrapatrimonial é conceituado no art.
223-B como a ação ou a omissão que ofenda a esfera moral ou existencial da pessoa física
ou jurídica, as quais são as titulares exclusivas do direito à reparação. Quanto à pessoa físi-
ca, consideram-se como bens juridicamente tuteláveis a etnia, a idade, a nacionalidade, a
honra, a imagem, a intimidade, a liberdade de ação, a autoestima, o gênero, a orientação
sexual, a saúde, o lazer e a integridade física (art. 223-C, CLT, em rol não exaustivo). Quan-
to à pessoa jurídica, são tuteladas a imagem, a marca, o nome, o segredo empresarial e o
sigilo da correspondência (art. 223-D, CLT, rol também não exaustivo).

O art. 223-G da CLT consagra os denominados “parâmetros


de dano moral”, i.e., critérios que devem basear a fixação
da compensação pelo julgador. Pautado em tais elementos,
o magistrado deverá determinar se a ofensa é de natureza
leve, média, grave ou gravíssima – e, então, aplicar a devida compen-
sação (art. 223-G, § 1º): para ofensa de natureza leve: até três vezes o
valor do limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência
Social; para ofensa de natureza média: até cinco vezes referido valor;
para ofensa de natureza grave: até vinte vezes; ou para ofensa de na-
tureza gravíssima: até cinquenta vezes referido valor. Tais parâmetros,
entretanto, não se aplicam aos danos extrapatrimoniais decorrentes de
morte; ademais, no caso de pessoa jurídica, será utilizado como parâ-
metro não o teto do RGPS, mas o salário contratual do ofensor (§ 2º).

1.30 TERCEIRIZAÇÃO

Passa a ser expressamente permitida a terceirização de


atividade principal (atividade-fim) da empresa contratan-
te (arts. 4º-A, 4º-C e 5º-A da Lei 6.019/1974).
DIREITO INDIVIDUAL DO TRABALHO – RENATA ORSI 10

Ainda, o art. 4º-A, caput, da Lei 6.019/1974, passa a exigir que a prestadora de serviços
possua “capacidade econômica compatível” com a execução de tais serviços.
A Reforma, ademais, amplia os direitos dos trabalhadores terceirizados, ao afirmar que,
aos empregados da empresa prestadora de serviços, quando executarem seus serviços
nas dependências da tomadora, serão asseguradas as mesmas condições relativas: a)
à alimentação garantida aos empregados da contratante, quando oferecida em refei-
tórios; b) ao direito de utilizar os serviços de transporte; c) a atendimento médico ou
ambulatorial existente nas dependências da contratante ou local por ela designado; d) a
treinamento adequado, fornecido pela contratada, quando a atividade o exigir. Exceção
às alíneas “a” e “c”, acima, vem prevista no art. 4º-C, § 2º, da Lei 6.019/1974: nos con-
tratos que impliquem contratação de terceiros em número igual ou superior a 20% dos
empregados da contratante, é possível a esta fornecer, aos terceirizados, os serviços de
alimentação e atendimento ambulatorial em outros locais, desde que com igual padrão
de atendimento (por exemplo, em refeitórios separados).
Também devem ser asseguradas as mesmas condições sanitárias, de medidas de pro-
teção à saúde e de segurança no trabalho e de instalações adequadas à prestação do
serviço (art. 4º-C, caput e incisos, da Lei 6.019/1974).
A Reforma, ainda, previu que contratante e contratada poderão estabelecer que os em-
pregados da contratada farão jus a salário equivalente ao pago aos empregados da con-
tratante, além de outros direitos (art. 4º-C, § 1º, da Lei 6.019/1974). Finalmente, visando
a combater fraudes, estipulou que não poderá ser contratada a pessoa jurídica cujos ti-
tulares ou sócios tenham, nos últimos 18 meses, trabalhado para a contratante (com ou
sem vínculo empregatício), exceto se já aposentados (art. 5º-C da Lei 6.019/1974), bem
como que o empregado dispensado não poderá prestar serviços para a mesma empresa
como terceirizado (empregado de empresa prestadora de serviços) antes do decurso de
prazo de 18 meses, contados a partir de sua dispensa (art. 5º-D da Lei 6.019/1974).

1.31 ATIVISMO JUDICIAL


A reforma visa a limitar a atuação legiferante do TST, estabelecendo, no art. 8º, § 2º, que
“súmulas e outros enunciados de jurisprudência editados pelo Tribunal Superior do Tra-
balho e pelos Tribunais Regionais do Trabalho não poderão restringir direitos legalmente
previstos nem criar obrigações que não estejam previstas em lei”.
DIREITO COLETIVO
DO TRABALHO 2
Renata Orsi

PRINCIPAIS ALTERAÇÕES
2.1 REGULAMENTAÇÃO DA REPRESENTAÇÃO DOS EMPREGADOS
NA EMPRESA
A Reforma procedeu à regulamentação do art. 11 da CF/88, que consagra a representa-
ção dos empregados em empresas que contem com mais de 200 empregados. Agora, o
art. 510-A e ss. da CLT preveem que, nas empresas com mais de 200 empregados, será
assegurada a eleição de uma comissão para representá-los, com a finalidade de promo-
ver-lhes o entendimento direto com os empregadores. Nas empresas com mais de 200 e
até 3.000 empregados, a comissão será composta por três membros; nas empresas com
mais de 3.000 e até 5.000 empregados, por cinco membros; nas empresas com mais de
5.000 empregados, por sete membros.

O art. 510-D ressalta que o mandato dos membros da


comissão de representantes dos empregados será de
um ano, assegurando-se que, desde o registro da candidatura até um
ano após o fim do mandato, o membro da comissão de representantes
dos empregados não sofra despedida arbitrária, entendendo-se como
tal a que não se fundar em motivo disciplinar, técnico, econômico ou
financeiro.

2.2 EXTINÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SINDICAL OBRIGATÓRIA


Uma das medidas de maior destaque na Reforma Trabalhista foi, certamente, a extinção
da contribuição sindical obrigatória, conhecida popularmente como “imposto sindical”.
De fato, antes cobrada de todos os integrantes da categoria (para os empregados, um
dia de salário por ano; para os empregadores, um percentual de seu capital social), a
DIREITO COLETIVO DO TRABALHO – RENATA ORSI 12

contribuição sindical passa a depender de autorização expressa do empregado (arts.


545, 578, 579, 582, 602, CLT) ou opção expressa do empregador, quanto à contribuição
a seu cargo (arts. 583, 587, CLT), para seu desconto/recolhimento.

2.3 PREVALÊNCIA DO NEGOCIADO SOBRE O LEGISLADO


O art. 8º, § 3º, da CLT consagra o princípio da intervenção mínima na autonomia da
vontade coletiva, ao afirmar que, no exame de convenção coletiva ou acordo coletivo de
trabalho, a Justiça do Trabalho analisará exclusivamente a conformidade dos elementos
essenciais do negócio jurídico, respeitado o disposto no art. 104 do Código Civil. Em
seguida, o art. 611-A indica em matérias em que a convenção e o acordo coletivo de
trabalho terão prevalência em relação à lei (em rol que, segundo o próprio dispositivo,
é meramente exemplificativo), cuja leitura se recomenda. Destacam-se, entre tais maté-
rias, a redução do intervalo intrajornada, respeitado o limite mínimo de trinta minutos
para jornadas superiores a seis horas, o enquadramento do grau de insalubridade e a
prorrogação de jornada em ambientes insalubres, sem licença prévia das autoridades
competentes do Ministério do Trabalho.
Por outro lado, o art. 611-B da CLT contempla rol taxativo de matérias que não poderão
ser objeto de redução ou supressão mediante negociação coletiva, cuja leitura também
se recomenda. A maioria das matérias envolve preceitos constitucionais, previstos nos
arts. 7º a 9º da CF/88.

2.4 REDUÇÃO SALARIAL POR NEGOCIAÇÃO COLETIVA


Sempre foi permitida à negociação coletiva a redução salarial, conforme art. 7º, VI,
CF/88. Com a Reforma, porém, importante previsão passa a constar do art. 611-A, § 3º,
CLT: se pactuada cláusula que reduza o salário ou a jornada, a convenção coletiva ou o
acordo coletivo de trabalho deverá prever a proteção dos empregados contra dispensa
imotivada durante o prazo de vigência do instrumento.

2.5 ULTRATIVIDADE DAS CLÁUSULAS NORMATIVAS

Contrariando posicionamento expresso do TST (Súmula


277), a reforma veda qualquer tipo de ultratividade das
normas coletivas, i.e., possibilidade de suas cláusulas vi-
gorarem por mais de dois anos (prazo máximo de sua
vigência, cf. art. 614, § 3º, CLT).

2.6 PREVALÊNCIA DO ACORDO COLETIVO SOBRE A CONVENÇÃO COLETIVA


O art. 620 da CLT passa a prever que as condições estabelecidas em acordo coletivo de
trabalho sempre prevalecerão sobre as estipuladas em convenção coletiva de trabalho,
priorizando o princípio da especialidade ou especificidade (acordos são mais específicos
em relação às demandas da categoria, e, por isso, devem prevalecer).
PROCESSO DO
TRABALHO 3
Leone Pereira

No dia 11 de novembro de 2017, entrou em vigor a chamada Reforma Trabalhista, Lei


13.467, de 13 de julho de 2017, publicada no DOU dia 14 de julho de 2017 (vacatio
legis de 120 dias).
Ademais, no dia 14 de novembro de 2017, foi publicada, no DOU (Edição Extra), a Medi-
da Provisória 808, que vem recebendo o epíteto de “a Reforma da Reforma Trabalhista”.
Por fim, foi editada a Lei 13.545, de 19 de dezembro de 2017.
Desde a edição da Consolidação das Leis do Trabalho, na Era Getúlio Vargas, Estado
Novo, este é o momento histórico de maior volume de reformas laborais, envolvendo o
Direito Individual do Trabalho, o Direito Coletivo do Trabalho e o Processo do Trabalho.
Com efeito, estudaremos as principais modificações no âmbito do Processo do Trabalho,
elencadas de forma didática e temática:

3.1 COMPETÊNCIA FUNCIONAL DAS VARAS DO TRABALHO


a) Compete às Varas do Trabalho decidir quanto à homologação de acordo extrajudicial
em matéria de competência da Justiça do Trabalho (art. 652, f, CLT).

3.2 CRIAÇÃO OU MODIFICAÇÃO DE ENTENDIMENTOS CONSOLIDADOS DO


TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO
a) Compete ao Tribunal Pleno do TST estabelecer ou alterar súmulas e outros enuncia-
dos de jurisprudência uniforme, pelo voto de pelo menos dois terços de seus membros,
caso a mesma matéria já tenha sido decidida de forma idêntica por unanimidade em,
no mínimo, dois terços das turmas em pelo menos dez sessões diferentes em cada uma
delas, podendo, ainda, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos
daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de sua publicação no
Diário Oficial (art. 702, I, f, CLT).
PROCESSO DO TRABALHO – LEONE PEREIRA 14

b) As sessões de julgamento sobre estabelecimento ou alteração de súmulas e outros


enunciados de jurisprudência deverão ser públicas, divulgadas com, no mínimo, 30
dias de antecedência, e deverão possibilitar a sustentação oral pelo Procurador-Geral
do Trabalho, pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, pelo Advogado-
-Geral da União e por confederações sindicais ou entidades de classe de âmbito nacional
(art. 702, § 3º, CLT).
c) O estabelecimento ou a alteração de súmulas e outros enunciados de jurisprudência
pelos Tribunais Regionais do Trabalho deverão observar o disposto na alínea f do inciso I
e no § 3º deste artigo, com rol equivalente de legitimados para sustentação oral, obser-
vada a abrangência de sua circunscrição judiciária (art. 702, § 4º, CLT).  

3.3 PRAZOS PROCESSUAIS TRABALHISTAS

a) Os prazos estabelecidos no Título Processo Judiciário do


Trabalho serão contados em dias úteis, com exclusão do
dia do começo e inclusão do dia do vencimento (art. 775,
caput, CLT).

b) Os prazos podem ser prorrogados, pelo tempo estritamente necessário, nas seguintes
hipóteses (art. 775, § 1º, CLT): 
i) quando o juízo entender necessário;
ii) em virtude de força maior, devidamente comprovada. 
c) Ao juízo incumbe dilatar os prazos processuais e alterar a ordem de produção dos
meios de prova, adequando-os às necessidades do conflito de modo a conferir maior
efetividade à tutela do direito (art. 775, § 2º, CLT).
d) Suspende-se o curso do prazo processual nos dias compreendidos entre 20 de dezem-
bro e 20 de janeiro, inclusive (art. 775-A, caput, CLT). 
e) Ressalvadas as férias individuais e os feriados instituídos por lei, os juízes, os membros
do Ministério Público, da Defensoria Pública e da Advocacia Pública e os auxiliares da
Justiça exercerão suas atribuições durante o período previsto no caput deste artigo (art.
775-A, § 1º, CLT). 
f) Durante a suspensão do prazo, não se realizarão audiências nem sessões de julgamen-
to (art. 775-A, § 2º, CLT). 

3.4 CUSTAS PROCESSUAIS


a) Nos dissídios individuais e nos dissídios coletivos do trabalho, nas ações e procedimen-
tos de competência da Justiça do Trabalho, bem como nas demandas propostas perante
a Justiça Estadual, no exercício da jurisdição trabalhista, as custas relativas ao processo
15 LEONE PEREIRA – PROCESSO DO TRABALHO

de conhecimento incidirão à base de 2% (dois por cento), observado o mínimo de R$


10,64 (dez reais e sessenta e quatro centavos) e o máximo de quatro vezes o limite má-
ximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social (art. 789, caput, CLT).

3.5 BENEFÍCIO DA JUSTIÇA GRATUITA


a) É facultado aos juízes, órgãos julgadores e presidentes dos tribunais do trabalho de
qualquer instância conceder, a requerimento ou de ofício, o benefício da justiça gratuita,
inclusive quanto a traslados e instrumentos, àqueles que perceberem salário igual ou
inferior a 40% (quarenta por cento) do limite máximo dos benefícios do Regime Geral
de Previdência Social (art. 790, § 3º, CLT). 
b) O benefício da justiça gratuita será concedido à parte que comprovar insuficiência de
recursos para o pagamento das custas do processo (art. 790, § 4º, CLT).

3.6 HONORÁRIOS PERICIAIS


a) A responsabilidade pelo pagamento dos honorários periciais é da parte sucumbente
na pretensão objeto da perícia, ainda que beneficiária da justiça gratuita (art. 790-B,
caput, CLT).
b) Ao fixar o valor dos honorários periciais, o juízo deverá respeitar o limite máximo es-
tabelecido pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho (art. 790-B, § 1º, CLT).
c) O juízo poderá deferir parcelamento dos honorários periciais (art. 790-B, § 2º, CLT).
d) O juízo não poderá exigir adiantamento de valores para realização de perícias (art.
790-B, § 3º, CLT).

e) Somente no caso em que o beneficiário da justiça


gratuita não tenha obtido em juízo créditos capazes de
suportar a despesa referida no caput, ainda que em outro processo, a
União responderá pelo encargo (art. 790-B, § 4º, CLT).

3.7 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS


a) Ao advogado, ainda que atue em causa própria, serão devidos honorários de sucum-
bência, fixados entre o mínimo de 5% (cinco por cento) e o máximo de 15% (quinze
por cento) sobre o valor que resultar da liquidação da sentença, do proveito econômico
obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa (art. 791-A,
caput, CLT).
b) Os honorários são devidos também nas ações contra a Fazenda Pública e nas ações
em que a parte estiver assistida ou substituída pelo sindicato de sua categoria (art. 791-A,
§ 1º, CLT).
c) Ao fixar os honorários, o juízo observará (art. 791-A, § 2º, CLT):
PROCESSO DO TRABALHO – LEONE PEREIRA 16

i) o grau de zelo do profissional; 


ii) o lugar de prestação do serviço;
iii) a natureza e a importância da causa;
iv) o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço. 
d) Na hipótese de procedência parcial, o juízo arbitrará honorários de sucumbência recí-
proca, vedada a compensação entre os honorários (art. 791-A, § 3º, CLT).

e) Vencido o beneficiário da justiça gratuita, desde que não


tenha obtido em juízo, ainda que em outro processo, crédi-
tos capazes de suportar a despesa, as obrigações decorren-
tes de sua sucumbência ficarão sob condição suspensiva de
exigibilidade e somente poderão ser executadas se, nos dois anos sub-
sequentes ao trânsito em julgado da decisão que as certificou, o credor
demonstrar que deixou de existir a situação de insuficiência de recur-
sos que justificou a concessão de gratuidade, extinguindo-se, passado
esse prazo, tais obrigações do beneficiário (art. 791-A, § 4º, CLT).

f) São devidos honorários de sucumbência na reconvenção (art. 791-A, § 5º, CLT).

3.8 RESPONSABILIDADE POR DANO PROCESSUAL


a) Responde por perdas e danos aquele que litigar de má-fé como reclamante, reclama-
do ou interveniente (art. 793-A, CLT).
b) Considera-se litigante de má-fé aquele que (art. 793-B, CLT):
i) deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato incontroverso;
ii) alterar a verdade dos fatos;
iii) usar do processo para conseguir objetivo ilegal; 
iv) opuser resistência injustificada ao andamento do processo; 
v) proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato do processo; 
vi) provocar incidente manifestamente infundado;
vii) interpuser recurso com intuito manifestamente protelatório.
c) De ofício ou a requerimento, o juízo condenará o litigante de má-fé a pagar multa,
que deverá ser superior a 1% (um por cento) e inferior a 10% (dez por cento) do valor
corrigido da causa, a indenizar a parte contrária pelos prejuízos que esta sofreu e a arcar
com os honorários advocatícios e com todas as despesas que efetuou (art. 793-C, caput,
CLT). 
17 LEONE PEREIRA – PROCESSO DO TRABALHO

d) Quando forem dois ou mais os litigantes de má-fé, o juízo condenará cada um na pro-
porção de seu respectivo interesse na causa ou solidariamente aqueles que se coligaram
para lesar a parte contrária (art. 793-C, § 1º, CLT). 
e) Quando o valor da causa for irrisório ou inestimável, a multa poderá ser fixada em até
duas vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social (art.
793-C, § 2º, CLT). 
f) O valor da indenização será fixado pelo juízo ou, caso não seja possível mensurá-lo,
liquidado por arbitramento ou pelo procedimento comum, nos próprios autos (art. 793-
C, § 3º, CLT).

g) Aplica-se a multa prevista no art. 793-C desta Conso-


lidação à testemunha que intencionalmente alterar a ver-
dade dos fatos ou omitir fatos essenciais ao julgamento
da causa (art. 793-D, caput, CLT).

h) A execução da multa prevista neste artigo dar-se-á nos mesmos autos (art. 793-D,
parágrafo único, CLT).

3.9 EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA TERRITORIAL (RELATIVA)


a) Apresentada exceção de incompetência territorial no prazo de cinco dias a contar da
notificação, antes da audiência e em peça que sinalize a existência desta exceção, seguir-
-se-á o procedimento estabelecido no art. 800, caput, da CLT.
b) Protocolada a petição, será suspenso o processo e não se realizará a audiência a que
se refere o art. 843 da CLT até que se decida a exceção (art. 800, § 1º, CLT).
c) Os autos serão imediatamente conclusos ao juiz, que intimará o reclamante e, se existen-
tes, os litisconsortes, para manifestação no prazo comum de cinco dias (art. 800, § 2º, CLT). 
d) Se entender necessária a produção de prova oral, o juízo designará audiência, garan-
tindo o direito de o excipiente e de suas testemunhas serem ouvidos, por carta precató-
ria, no juízo que este houver indicado como competente (art. 800, § 3º, CLT). 
e) Decidida a exceção de incompetência territorial, o processo retomará seu curso, com
a designação de audiência, a apresentação de defesa e a instrução processual perante o
juízo competente (art. 800, § 4º, CLT).

3.10 ÔNUS DA PROVA


a) O ônus da prova incumbe (art. 818, caput, CLT):
i) ao reclamante, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 
ii) ao reclamado, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do
direito do reclamante.
PROCESSO DO TRABALHO – LEONE PEREIRA 18

b) Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibi-


lidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos deste artigo ou à maior
facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juízo atribuir o ônus da prova
de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à
parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído (art. 818, § 1º, CLT).
c) A decisão referida no § 1º do art. 818 deverá ser proferida antes da abertura da ins-
trução e, a requerimento da parte, implicará o adiamento da audiência e possibilitará
provar os fatos por qualquer meio em direito admitido (art. 818, § 2º, CLT).
d) A decisão referida no § 1º do art. 818 não pode gerar situação em que a desincum-
bência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil (art. 818, § 3º, CLT).

3.11 RECLAMAÇÃO TRABALHISTA

a) Sendo escrita, a reclamação deverá conter a designa-


ção do juízo, a qualificação das partes, a breve exposição
dos fatos de que resulte o dissídio, o pedido, que deverá
ser certo, determinado e com indicação de seu valor, a data e a assina-
tura do reclamante ou de seu representante (art. 840, § 1º, CLT).

b) Se verbal, a reclamação será reduzida a termo, em duas vias datadas e assinadas pelo
escrivão ou secretário, observado, no que couber, o disposto no § 1º deste artigo (art.
840, § 2º, CLT).
c) Os pedidos que não atendam ao disposto no § 1º do art. 840 da CLT serão julgados
extintos sem resolução do mérito (art. 840, § 3º, CLT).

3.12 DESISTÊNCIA DA AÇÃO

a) Oferecida a contestação, ainda que eletronicamen-


te, o reclamante não poderá, sem o consentimento do
reclamado, desistir da ação (art. 841, § 3º, CLT).

3.13 PREPOSTO
a) O preposto a que se refere o § 1º do art. 843 da CLT não precisa ser empregado da
parte reclamada (art. 843, § 3º, CLT).

3.14 AUDIÊNCIAS TRABALHISTAS


a) Ocorrendo motivo relevante, poderá o juiz suspender o julgamento, designando nova
audiência (art. 844, § 1º, CLT).
19 LEONE PEREIRA – PROCESSO DO TRABALHO

b) Na hipótese de ausência do reclamante, este será condenado ao pagamento das


custas calculadas na forma do art. 789 da CLT, ainda que beneficiário da justiça gratuita,
salvo se comprovar, no prazo de 15 dias, que a ausência ocorreu por motivo legalmente
justificável (art. 844, § 2º, CLT).
c) O pagamento das custas a que se refere o § 2º é condição para a propositura de nova
demanda (art. 844, § 3º, CLT).
d) A revelia não produz o efeito mencionado no caput do art. 844 se (art. 844, § 4º, CLT):
i) havendo pluralidade de reclamados, algum deles contestar a ação;
ii) o litígio versar sobre direitos indisponíveis;
iii) a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considere indis-
pensável à prova do ato; 
iv) as alegações de fato formuladas pelo reclamante forem inverossímeis ou estiverem
em contradição com prova constante dos autos.
e) Ainda que ausente o reclamado, presente o advogado na audiência, serão aceitos a
contestação e os documentos eventualmente apresentados (art. 844, § 5º, CLT).

3.15 DEFESA TRABALHISTA


a) A parte poderá apresentar defesa escrita pelo sistema de processo judicial eletrônico
até a audiência (art. 847, parágrafo único, CLT).

3.16 INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA


a) Aplica-se ao processo do trabalho o incidente de desconsideração da personalidade
jurídica previsto nos arts. 133 a 137 da Lei 13.105, de 16 de março de 2015 – Código
de Processo Civil (art. 855-A, caput, CLT).

b) Da decisão interlocutória que acolher ou rejeitar o inci-


dente (art. 855-A, § 1º, CLT):
i) na fase de cognição, não cabe recurso de imediato, na
forma do § 1º do art. 893 da CLT;
ii) na fase de execução, cabe agravo de petição, independentemente
de garantia do juízo; 
iii) cabe agravo interno se proferida pelo relator em incidente instau-
rado originariamente no tribunal. 
c) A instauração do incidente suspenderá o processo, sem prejuízo
de concessão da tutela de urgência de natureza cautelar de que trata
o art. 301 da Lei 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo
Civil) (art. 855-A, § 2º, CLT).
PROCESSO DO TRABALHO – LEONE PEREIRA 20

3.17 PROCESSO DE JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA PARA HOMOLOGAÇÃO DE


ACORDO EXTRAJUDICIAL
a) O processo de homologação de acordo extrajudicial terá início por petição conjunta,
sendo obrigatória a representação das partes por advogado (art. 855-B, caput, CLT). 
b) As partes não poderão ser representadas por advogado comum (art. 855-B, § 1º,
CLT). 
c) Faculta-se ao trabalhador ser assistido pelo advogado do sindicato de sua categoria
(art. 855-B, § 2º, CLT). 
d) O disposto no Capítulo Processo de Jurisdição Voluntária para Homologação de Acor-
do Extrajudicial não prejudica o prazo estabelecido no § 6º do art. 477 da CLT e não
afasta a aplicação da multa prevista no § 8º art. 477 da CLT (art. 855-C, CLT).
e) No prazo de 15 dias a contar da distribuição da petição, o juiz analisará o acordo,
designará audiência se entender necessário e proferirá sentença (art. 855-D, CLT). 
f) A petição de homologação de acordo extrajudicial suspende o prazo prescricional da
ação quanto aos direitos nela especificados (art. 855-E, caput, CLT). 
g) O prazo prescricional voltará a fluir no dia útil seguinte ao do trânsito em julgado da
decisão que negar a homologação do acordo (art. 855-E, parágrafo único, CLT). 

3.18 EXECUÇÃO TRABALHISTA


a) A Justiça do Trabalho executará, de ofício, as contribuições sociais previstas na alínea
a do inciso I e no inciso II do caput do art. 195 da Constituição Federal, e seus acréscimos
legais, relativas ao objeto da condenação constante das sentenças que proferir e dos
acordos que homologar (art. 876, parágrafo único, CLT).
b) A execução será promovida pelas partes, permitida a execução de ofício pelo juiz ou
pelo Presidente do Tribunal apenas nos casos em que as partes não estiverem represen-
tadas por advogado (art. 878, CLT). 
c) Elaborada a conta e tornada líquida, o juízo deverá abrir às partes prazo comum de
oito dias para impugnação fundamentada com a indicação dos itens e valores objeto da
discordância, sob pena de preclusão (art. 879, § 2º, CLT). 
d) A atualização dos créditos decorrentes de condenação judicial será feita pela Taxa
Referencial (TR), divulgada pelo Banco Central do Brasil, conforme a Lei 8.177, de 1º de
março de 1991 (art. 879, § 2º, CLT).
e) O executado que não pagar a importância reclamada poderá garantir a execução
mediante depósito da quantia correspondente, atualizada e acrescida das despesas pro-
cessuais, apresentação de seguro-garantia judicial ou nomeação de bens à penhora,
observada a ordem preferencial estabelecida no art. 835 da Lei 13.105, de 16 de março
de 2015 – Código de Processo Civil (art. 882, CLT).
21 LEONE PEREIRA – PROCESSO DO TRABALHO

f) A decisão judicial transitada em julgado somente poderá ser levada a protesto, gerar
inscrição do nome do executado em órgãos de proteção ao crédito ou no Banco Nacional
de Devedores Trabalhistas (BNDT), nos termos da lei, depois de transcorrido o prazo de 45
dias a contar da citação do executado, se não houver garantia do juízo (art. 883-A, CLT).
g) A exigência da garantia ou penhora não se aplica às entidades filantrópicas e/ou àque-
les que compõem ou compuseram a diretoria dessas instituições (art. 884, § 6º, CLT).

3.19 RECURSO DE REVISTA


a) Sob pena de não conhecimento, é ônus da parte transcrever na peça recursal, no caso
de suscitar preliminar de nulidade de julgado por negativa de prestação jurisdicional, o
trecho dos embargos declaratórios em que foi pedido o pronunciamento do tribunal
sobre questão veiculada no recurso ordinário e o trecho da decisão regional que rejeitou
os embargos quanto ao pedido, para cotejo e verificação, de plano, da ocorrência da
omissão (art. 896, § 1º-A, IV, CLT).
b) O relator do recurso de revista poderá denegar-lhe seguimento, em decisão mono-
crática, nas hipóteses de intempestividade, deserção, irregularidade de representação ou
de ausência de qualquer outro pressuposto extrínseco ou intrínseco de admissibilidade
(art. 896, § 14, CLT).

c) São indicadores de transcendência, entre outros (art. 896-


-A, § 1º, CLT):
i) econômica, o elevado valor da causa; 
ii) política, o desrespeito da instância recorrida à jurisprudência sumu-
lada do Tribunal Superior do Trabalho ou do Supremo Tribunal Federal;
iii) social, a postulação, por reclamante-recorrente, de direito social
constitucionalmente assegurado;
iv) jurídica, a existência de questão nova em torno da interpretação da
legislação trabalhista.

d) Poderá o relator, monocraticamente, denegar seguimento ao recurso de revista que


não demonstrar transcendência, cabendo agravo desta decisão para o colegiado (art.
896-A, § 2º, CLT). 
e) Em relação ao recurso que o relator considerou não ter transcendência, o recorrente
poderá realizar sustentação oral sobre a questão da transcendência, durante cinco mi-
nutos em sessão (art. 896-A, § 3º, CLT).
f) Mantido o voto do relator quanto à não transcendência do recurso, será lavrado
acórdão com fundamentação sucinta, que constituirá decisão irrecorrível no âmbito do
tribunal (art. 896-A, § 4º, CLT). 
PROCESSO DO TRABALHO – LEONE PEREIRA 22

g) É irrecorrível a decisão monocrática do relator que, em agravo de instrumento em re-


curso de revista, considerar ausente a transcendência da matéria (art. 896-A, § 5º, CLT). 
h) O juízo de admissibilidade do recurso de revista exercido pela Presidência dos Tribu-
nais Regionais do Trabalho limita-se à análise dos pressupostos intrínsecos e extrínsecos
do apelo, não abrangendo o critério da transcendência das questões nele veiculadas (art.
896-A, § 6º, CLT).

3.20 DEPÓSITO RECURSAL


a) O depósito recursal será feito em conta vinculada ao juízo e corrigido com os mesmos
índices da poupança (art. 899, § 4º, CLT).
b) O valor do depósito recursal será reduzido pela metade para entidades sem fins lu-
crativos, empregadores domésticos, microempreendedores individuais, microempresas e
empresas de pequeno porte (art. 899, § 9º, CLT). 
c) São isentos do depósito recursal os beneficiários da justiça gratuita, as entidades filan-
trópicas e as empresas em recuperação judicial (art. 899, § 10, CLT). 
d) O depósito recursal poderá ser substituído por fiança bancária ou seguro garantia
judicial (art. 899, § 11, CLT).

3.21 RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DEPÓSITO


DO FGTS
a) O empregador efetuará o recolhimento das contribuições previdenciárias próprias e
do trabalhador e o depósito do FGTS com base nos valores pagos no período mensal e
fornecerá ao empregado comprovante do cumprimento dessas obrigações (art. 911-A,
caput, CLT).  
b) Os segurados enquadrados como empregados que, no somatório de remunerações
auferidas de um ou mais empregadores no período de um mês, independentemente do
tipo de contrato de trabalho, receberem remuneração inferior ao salário mínimo mensal,
poderão recolher ao Regime Geral de Previdência Social a diferença entre a remuneração
recebida e o valor do salário mínimo mensal, em que incidirá a mesma alíquota aplicada
à contribuição do trabalhador retida pelo empregador (art. 911-A, § 1º, CLT).
c) Na hipótese de não ser feito o recolhimento complementar previsto no § 1º, o mês
em que a remuneração total recebida pelo segurado de um ou mais empregadores for
menor que o salário mínimo mensal não será considerado para fins de aquisição e ma-
nutenção de qualidade de segurado do Regime Geral de Previdência Social nem para
cumprimento dos períodos de carência para concessão dos benefícios previdenciários
(art. 911-A, § 2º, CLT).
Bons estudos, com pensamento positivo e ânimo firme!
Prof. Leone Pereira
Janeiro / 2018