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ANAIS

ANAIS
Organização
Idilva Maria Pires Germano
Veriana de Fátima Rodrigues Colaço

Identidade Visual
Chico Neto

Projeto Gráfico e Diagramação


Rayana Vasconcelos da Costa

Apoio
Ana Paula Sthel Caiado
Celecina de Maria Vera Sales
Ianara Ferreira Freitas
Jacqueline Cunha da Serra Freire
Laisa Forte Cavalcante
Lilith Feitosa Acioly
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

S621a Simpósio Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA (8 : 2017 : Fortaleza, CE)
Anais do VII Simpósio Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA /
organizadoras: Idilva Maria Pires Germano e Veriana de Fátima Rodrigues Colaço. –
Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017.
8302 p.

Tema: Movimentos, experiências, redes e afetos.


Evento realizado de 12 a 15 de agosto de 2017.
Disponível em: http://www.jubra2017.com.br

ISBN: 978-85-420-1163-0

1. Jovens – Psicologia. 2. Relações Étnicas e Raciais. 3. Psicologia Intercultural. 4.


Jovens – Grupos Étnicos. 5. Integração Social. 6. Jovens – Fatores Socioculturais. 7. Jovens –
Aspectos Sociais. 8. Grupos Minoritários. 9. Adolescentes – Direitos Humanos. 10. Jovens –
Políticas Públicas. 11. Delinquência Juvenil. 12. Jovens – Movimentos Sociais. 13. Jovens –
Saúde Mental. 14. Jovens – Identidade de gênero. 15. Jovens – Mercado de Trabalho. 16.
Jovens – Mídia Social. I. Germano, Idilva Maria Pires (org.). II. Colaço, Veriana de Fátima
Rodrigues (org.). III. Universidade Federal do Ceará. IV. Título.

CDD 155.532

Elaborada por:
Juliana Soares Lima
CRB-3/1120
Universidade Federal do Ceará
Biblioteca Universitária
Biblioteca de Ciências Humanas
Comissão organizadora
COMISSÃO NACIONAL
Presidência
Lúcia Rabello de Castro (UFRJ)

Adélia Augusta Souto (UFAL)


Ana Lúcia Francisco (Unicap)
Andréa Vieira Zanella (UFSC)
Ângela de Alencar Araripe Pinheiro (UFC)
Anna Paula Uziel (UERJ)
Claudia Andrea Mayorga Borges (UFMG)
Clarice Cassab (UFJF)
Conceição Seixas Silva (UERJ)
Cristiana Carneiro (UERJ)
Dalva Maria Borges de Lima D. de Souza (UFG)
Divino de Jesus da Silva Rodrigues (PUC-GO)
Dorian Mônica Arpini (UFSM)
Eliane Ribeiro Andrade (UNIRIO)
Fernanda Costa-Moura (UFRJ)
Flávio Munhoz Sofiati (UFG)
Hebe Signorini Gonçalves (UFRJ)
Herculano Campos (UFRN)
Idilva Maria Pires Germano (UFC)
Ilana Lemos de Paiva (UFRN)
Iolete Ribeiro da Silva (UFAM)
Jacqueline Cavalcanti Chaves (UFRJ)
Jacqueline Serra Freire (UNILAB)
Jaileila de Araújo Menezes (UFPE)
Juarez Dayrell (UFMG)
Juliana Prates Santana (UFBA)
Karla Galvão Adrião (UFPE)
Katia Maheirie (UFSC)
Leila Maria Torraca de Brito (UERJ)
Leila Maria Ferreira Salles (UNESP)
Lúcia de Mello e Souza Lehmann (UFF)
Luciana Gageiro Coutinho (UFF)
Luciana Lobo Miranda (UFC)
Márcia Stengel (PUC-MG)
Marcelo de Almeida Ferreri (UFS)
Marcos Ribeiro Mesquita (UFAL)
Maria Cecília de Mello e Souza (UFRJ)
Maria Helena Oliva Augusto (USP)
Maria Ignez Costa Moreira (PUC-MG)
Maria Inês Gasparetto Higuchi (INPA)
Marta Rezende Cardoso (UFRJ)
Mônica Franch (UFPB)
Mônica Rodrigues Costa (UFPE)
Ricardo de Castro e Silva (ONG Taba)
Rafael Prosdocimi Bacelar (FIP-MOC)
Renata Alves de Paula Monteiro (UFF)
Rosana Katia Nazzari (Unioeste)
Rosana Carneiro Tavares (PUC-GO)
Rosane Castilho (UEG)
Rosângela Franceschini (UFRN)
Shara Jane Holanda Costa Adad (UFPI)
Silvia Helena Koller (UFRGS)
Solange Jobim e Souza (PUC-RJ)
Sônia Borges Cardoso de Oliveira (UFRJ)
Sônia Margarida Gomes de Sousa (PUC-GO)
Tatiana Cristina dos Santos de Araújo (UFPE)
Vera Lúcia Tieko Suguihiro (UEL)
Veriana de Fátima Rodrigues Colaço (UFC)
COMISSÃO LOCAL
Presidência
Veriana de Fátima Rodrigues Colaço (UFC)

Coordenação Geral
Alexandre Almeida Barbalho (UECE)
Andréa Pinheiro Paiva Cavalcante (UFC)
Celecina de Maria Vera Sales (UFC)
Daniely Ildegardes Brito Tatmatsu (UFC)
Elcimar Simão Martins (UNILAB)
Idilva Maria Pires Germano (UFC)
Inês Vitorino Sampaio (UFC)
Jacqueline Cunha da Serra Freire (UNILAB)
João Paulo Pereira Barros (UFC)
Leila Maria Passos de Souza Bezerra (UECE)
Luciana Lobo Miranda (UFC)
Luciana Maria Maia Viana (Unifor)
Nara Maria Forte Diogo Rocha (UFC)
Raquel Nascimento Coelho (UFC)

Comissão Científica
Coordenação: Idilva Maria Pires Germano (UFC)/ Celecina de Maria Vera Sales (UFC)
Ana Paula Sthel Caiado (UNILAB)
Deisimer Gorczevski (UFC)
Jacqueline Cunha da Serra Freire (UNILAB)
Raquel Alencar Barreira Rolim (UFC)

Comissão de Comunicação
Coordenação: Inês Vitorino Sampaio (UFC)/ Andréa Pinheiro Paiva Cavalcante (UFC)
Ana Cesaltina Barbosa (UFC)
Dawton Valentin (UFC)
Jéssica de Souza Carneiro (UFC)
Rayana Vasconcelos da Costa (Publicitária)

Comissão de Infraestrutura
Coordenação: Raquel Nascimento Coelho (UFC)
Cláudia Maria Inácio Costa (UFC)
Diana Montenegro Ribeiro (UFC)
Jorge Luís Maia Morais (UFC)
Luara da Costa França (UFC)
Luciana Queiroz Fontenele (UFC)
Kamila Costa de Sousa (UFC)
Mônica Dantas de Carvalho (UFC)
Pedro Henrique Alves da Silva (UFC)

Comissão de Cultura
Coordenação: Luciana Lobo Miranda (UFC) e Jaileila de Araújo Menezes (UFPE)
Alexandrino Moreira Lopes (UNILAB)
Brena Karla Girão Marques (Produtora Cultural)
Denise Costa Rodrigues (UFC)
Lilian Mendonça Gomes (UFC)
Steferson Dias Sampaio (Estácio)
Valdilane Santos Alexandre (UNILAB)

Comissão de Apoio
Coordenação: João Paulo Pereira Barros (UFC)
Filipe Augusto Alencar (UFC)
Jéssica Silva Rodrigues (UFC)
José Alves de Souza Filho (UFC)
Kevin Samuel Alves Batista (UFC)
Larissa Ferreira Nunes (UFC)
Lilith Feitosa Acioly (UFC)
Luiz Fernando de Souza Benício (UFC)
Comissão de Secretaria
Coordenação: Daniely Ildegardes Brito Tatimatsu (UFC)
Andrea Carla Filgueiras Cordeiro (UFC)
Laisa Forte Cavalcante (UFC)
Roseline Dantas de Souza (Psicóloga)
Sandinelly dos Santos Nascimento (Psicóloga)

Comissão Regional
Coordenação: Nara Maria Forte Diogo Rocha (UFC)
Alison Eric Vasconcelos Matos (UFC)
Ana Mirele Rodrigues Sena (UFC)
Andrea Abreu Astigarraga (UVA)
Anna Karla Rodrigues Dino (UFC)
Benedito Gomes Rodrigues (IFCE - Tianguá)
Cirliany Fernandes Albuquerque (Teias da Juventude)
Deysilane dos Santos Gonçalves (UFC)
Érica Atem Golçalves de Araujo Costa (UFC)
Fernanda Maria Matias Sousa (UVA)
Francisca Bruna Pereira Farias (UFC)
Francisco Gilmario Rebouças Júnior (Psicólogo)
Gênesis Anjos Nunes (Psicólogo)
Heloisa Oliveira do Nascimento (UFC)
José Rogers de Sabóia Nascimento (Nome Social)/Rogena de Sabóia Nascimento (Pedagogo)
Maria da Glória dos Santos Ribeiro (Psicóloga)
Maria Isabel Silva Bezerra Linhares (UVA)
Paulo Roberto Mendes Junior (Psicólogo)
Rodrigo Chaves de Mello Rodrigues de Carvalho (UVA)
Savanya Shell de Oliveira Sousa (Psicóloga)

Articulação política
Ana Paula Sthel Caiado (UNILAB)
Ângela de Alencar Araripe Pinheiro (UFC)
Nara Maria Forte Diogo Rocha (UFC)
Steferson Dias Sampaio (Estácio)

Equipe de Criação e Multimídia


Identidade Visual: Chico Neto
Site: Jéssica de Souza Carneiro e Rayana Vasconcelos da Costa
Facebook: Jéssica de Souza Carneiro e Rayana Vasconcelos da Costa
Redação: Dawton Lima Valentim
Apresentação

Do I Simpósio Internacional sobre a Juventude Brasileira (JUBRA), já se vão 12 anos. De lá


para cá, nosso evento vem ganhando importância no cenário acadêmico nacional e alhures,
entre pesquisadores, profissionais, gestores públicos e jovens comprometidos em conhecer
melhor as diferentes faces da juventude em nosso país, e, principalmente, com a garantia de
seus direitos e bem-estar.
Como empreendimento coletivo, o VII JUBRA dá continuidade aos esforços das edições
anteriores. Com muita alegria, o Ceará sedia o VII JUBRA, com o tema JuventudeS: movimentos,
experiências, redes e afetos. Este sétimo encontro deseja sublinhar esses conceitos que
aglutinam as dezenas de tópicos sugeridos por jovens nos fóruns realizados em Fortaleza e
Sobral, e, nacionalmente, através de nossa fanpage, quando consultados sobre o que é ser
jovem hoje e o que julgavam importante se discutir neste evento.
A noção de “movimentos” remete tanto aos deslocamentos físicos empreendidos por
jovens nos diferentes espaços da cidade e do campo, quanto aos deslocamentos simbólicos
vividos por jovens, que dinamicamente se engajam em projetos pessoais e coletivos, buscando
seu lugar no mundo, transformando-se e transformando outros, questionando o marasmo
que reduz suas possibilidades de existência. De onde partem os jovens? Para onde desejam
fluir? Que lugares seus corpos, em eterna mutação, ocupam e para onde se deslocam? Os
movimentos dos jovens – de corpos e mentes – desalojam as formas de pensar, sentir, dizer e
fazer na sociedade.
Quando destacamos as “experiências”, queremos trazer para nossa reflexão aquilo que
acontece a nós enquanto jovens. E também aquilo que acontece a nós, de outras gerações, que
compartilhamos sonhos, dúvidas e preocupações dos jovens. Central para nós que fazemos
o VII JUBRA é acolher as muitas vivências singulares – individuais e coletivas – que ajudam a
compreender os potenciais e dilemas, as conquistas e dificuldades dos jovens e com os jovens
no Brasil. Este encontro quer abraçar as diversas perspectivas do jovem sobre sua vida e também
o que se diz sobre o jovem entre pesquisadores, gestores e outros que atuam com segmentos
juvenis. Como aproximar os discursos já ditos daqueles ainda em gestação? Com a força do
diálogo, poderíamos construir juntos narrativas intergeracionais? O que se pode vislumbrar a
partir de nossas experiências compartilhadas? Queremos trocar essas experiências múltiplas e
juntar forças para construirmos juntos horizontes mais largos e felizes em nosso país.
Nesse sentido, emerge quase naturalmente a noção de “redes”. Nosso encontro, desde o
primeiro momento, vem construindo formas de diálogo e participação com jovens, para que
o evento possa espelhar nossa vontade de trabalharmos juntos. E para representar as muitas
conexões que é preciso estabelecer, a fim de dar conta das complexidades do universo jovem
hoje. “Redes” também são a cara dos jovens, que vivem hoje hiperconectados, tecnologicamente
atravessados em seu cotidiano. Afinal de contas, estamos todos enredados nas malhas de nossos
dispositivos… Que conexões podem e devem ser feitas para se construir um mundo melhor para
os jovens? Como promover redes que contribuam para mais justiça e inclusão social? Como
enfrentar os crescentes desafios e obstáculos que vêm ameaçando seu presente e futuro? O
JUBRA, em seu nome de batismo, já carrega a força das “redes”, uma grande articulação de
pessoas e coletivos empenhados na reflexão crítica sobre e com nossos jovens.
Por fim, chegamos aos “afetos”. Pois esses movimentos, experiências e redes são alimentados
pelo desejo e pela emoção de estarmos juntos. Podemos ser diferentes, com estilos de vida
e pontos de vista diversos, mas queremos estar juntos, com um sorriso no rosto, vislumbrando
com otimismo o futuro. E também nos indignando contra o que ameaça e prejudica nossos
jovens. Afeto evoca o cuidado amoroso com o outro, nascido de um compromisso ético e
político. Evoca, portanto, aquilo que me transforma, que me desaloja em minha relação com o
outro (e, círculo fechado, voltamos aqui ao “movimento”).
Orientado pela abertura aos movimentos, experiências, redes e afetos, o VII JUBRA vem
contando com pessoas e coletivos que estão contribuindo, com dedicação, na pesquisa, no
melhoramento das políticas públicas e nos mais diversos espaços de cuidado e proteção dos
jovens. Atendendo ao nosso convite e chamando outras pessoas interessadas, nós e nossos
colaboradores temos construído uma verdadeira rede, onde cada um e todos podem trazer
suas ideias para aprimorar a experiência de promoção desse encontro. Desde o início dos
trabalhos de planejamento, temos convidado jovens que participam de movimentos sociais e
coletivos em fóruns presenciais e digitais, de modo a expandir o diálogo entre a Universidade e
os demais setores da sociedade direta ou indiretamente interessados nas juventudes brasileiras.
Desses fóruns, reuniões de comissões e reuniões gerais chegamos à nossa proposta coletiva do
VII JUBRA, cuja estrutura leva a marca desse projeto elaborado a muitas mãos. Junte-se a nós
nessa grande rede!

Comissão Organizadora Local do VII Jubra


A CONSTRUção DO JUBRA

O JUBRA – Simpósio Internacional sobre a Juventude Brasileira é um evento científico,


que congrega pesquisadores e professores brasileiros e estrangeiros, profissionais, estudantes,
jovens, gestores públicos e agentes comunitários para a discussão de pesquisas, programas e
projetos sociais referentes à juventude. O evento potencializa as discussões e os intercâmbios
e amplia a rede de cooperação entre pesquisadores em torno da temática da juventude a
partir de diferentes disciplinas e campos do saber. Pretende-se que, a partir deste evento, se
produzam, a curto, médio e longo prazos, impactos sobre a própria produção do conhecimento,
assim como sobre as ações públicas e da sociedade civil no sentido da garantia dos direitos dos
adolescentes e jovens.
A primeira edição do Simpósio, cujo tema foi Perspectivas e Ações em Saúde, Educação
e Cidadania, foi realizado em outubro de 2004, na Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ). A iniciativa de realização partiu do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Intercâmbio
para a Infância e Adolescência Contemporâneas (NIPIAC). Contou com o apoio institucional do
Comitê de Pesquisa Sociologia da Juventude da International Sociological Association (ISA), do
Observatoire Jeunes et Societé da Universidade de Québec e do Comitê de Infância e Juventude
da International Union of Anthropological and Ethnological Sciences (IUAES).
O II JUBRA, cujo tema foi Ecos na América Latina, foi realizado em novembro de 2006 e
sediado na Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre (PUC-RS), sob a responsabilidade
dos Programas de Pós-graduação em Psicologia da PUC-RS, Programa de Pós-graduação em
Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Programa de Pós-
graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O evento contou
com as parcerias do Centro de Estudos Psicológicos sobre Meninos e Meninas de Rua da UFRGS
(CEP-RUA), Grupo de Pesquisa Estudos Culturais e Teorias Contemporâneas da PUC-RS e do
Núcleo de Estudos e Pesquisas em Adolescência da UFRGS.
O III JUBRA, cujo tema foi Juventudes no mundo contemporâneo: desafios e perspectivas,
ocorreu em junho de 2008, em Goiânia, na Universidade Católica de Goiás (UCG). O evento
esteve a cargo da UCG, Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Estadual de Goiás
(UEG), Casa da Juventude Padre Burnier (CAJU), Fundação Aroeira e do NIPIAC/UFRJ.
Em 2010 foi a vez da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas) a
acolher o IV JUBRA que ocorreu entre os dias 16 e 18 de junho em Belo Horizonte. A temática
deste JUBRA foi Juventudes Contemporâneas: um mosaico de possibilidades. O evento contou
com a parceria da Pró-reitoria de Extensão da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG),
da Pró-reitoria de Extensão da PUC-Minas, do Conselho Federal de Psicologia, do Conselho
Regional de Psicologia (CRP 04), do Conselho Regional de Serviço Social (CRESS).
O V JUBRA, cuja convocação foi Territórios interculturais da juventude, foi realizado em
setembro de 2012 no Recife pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) por meio de
seu Departamento de Psicologia, do Centro de Educação e do Programa de Pós-graduação
em Psicologia. Contou com a parceria do Programa de Pós-graduação em Psicologia da
Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), do Programa de Pós-graduação em Serviço
Social da UFPE e do Departamento de Métodos e Técnicas de Ensino do Centro de Educação
da UFPE. Contou também com o apoio da Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ), Universidade
Federal Rural de Pernambuco, Universidade de Pernambuco (UPE), Secretaria Especial de
Políticas para a Juventude da Prefeitura do Recife, da Secretaria de Educação do Estado de
Pernambuco e do NIPIAC/UFRJ.
O VI JUBRA retomou sua realização no Rio de Janeiro, sediado na UFRJ e tendo como
realizador o Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Intercâmbio para a Infância e Adolescência
Contemporâneas (NIPIAC). Com o tema Os Jovens e seus Outros, esta edição, que ocorreu em
setembro de 2015, se colocou o desafio de abrir o debate sobre a construção de uma rede
de pesquisadores, que têm como questão central a juventude em suas investigações e ações.
Neste sentido, aprovou em assembleia geral a formação de uma comissão representada
por participantes das diferentes regiões do país, encarregada de elaborar uma minuta de
estatuto de uma associação jurídica, a ser criada no VII JUBRA, com o propósito de garantir
a regularidade deste fórum de discussão e o intercâmbio permanente entre pesquisadores e
profissionais. O VI JUBRA contou com o apoio de vários órgãos da UFRJ, como o Instituto de
Psicologia, o Programa de Pós-Graduação em Psicologia, a Faculdade de Educação, o Centro
de Filosofia e Ciências Humanas e o Fórum de Ciência e Cultura e a Casa de Ciência e outras
instituições, como a UNIRIO e Banco do Brasil.
O VII JUBRA, sediado, em 2017, na Universidade Federal do Ceará (UFC), em parceria com
a Universidade Estadual do Ceará (UECE), Universidade de Fortaleza (Unifor) e Universidade
da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), garante a continuidade das
edições anteriores. Tem ainda por compromisso promover as interlocuções entre Universidade
e sociedade e a criação da REDEJUBRA, uma associação de pesquisadores da juventude de
caráter jurídico, que visa a articulação de estudos e pesquisas interdisciplinares sobre o tema.
LISTA DE ABREVIATURAS

ACR - Associação Cultural Cearense do Rock


AGBLT - Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais
AIC - Associação Imagem Comunitária
AJIR - Associação dos Jovens do Irajar
AL - Assembleia Legislativa
CAEN - Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Economia
CAJU - Casa da Juventude Padre Burnier
CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Ensino Superior
CAPS - Centro de Assistência Psicossocial
CAPS-AD - Centro Especializado de Assistência Psicossocial-Drogas
CEBRAP - Centro Brasileiro de Análise e Planejamento
CEDECA - Centro de Defesa da Criança e do Adolescente
CEFET-RJ - Centro Federal de Tecnologia do Rio de Janeiro
CEJA - Centro de Educação de Jovens e Adultos
CEMSJ - Centro Educacional Marista São José
CEP-Rua - Centro de Estudos Psicológicos sobre Meninos e Meninas de Rua
CESMAG - Colégio Estadual Senador Manoel Alencar Guimarães
CFP - Conselho Federal de Psicologia
CH 1/CH2 - Centro de Humanidades Área 1/Área 2
CIEDS - Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável
CIES-IUL - Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (instituto Universitário de Lisboa)
CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
CNJI - Conselho Nacional da Juventude Indígena
CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
COPPE - Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (UFRJ)
CRESS - Conselho Regional de Serviço Social 3ª Região (CE)
CRP-11 - Conselho Regional de Psicologia 11ª Região (CE)
CUCA - Centros Urbanos de Cultura, Arte, Ciência e Esporte
DEGASE - Departamento Geral de Ações Socioducativas (RJ)
DSEI - Distrito Sanitário Especial Indígena
ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente
ENSP/FIOCRUZ - Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca/Fundação Osvaldo Cruz
ESPM - Escola Superior de Propaganda e Marketing
FACED - Faculdade de Educação (UFC)
FACHA - Faculdades Integradas Hélio Alonso
FAMETRO - Faculdade Metropolitana da Grande Fortaleza
FATECI - Faculdade de Tecnologia Intensiva
FCL - Faculdade Cásper Líbero
FEAAC - Faculdade de Economia, Administração, Ciências Atuariais e Contabilidade
FLF - Faculdade Luciano Feijão
Fórum DCA - Fórum de Entidades de Direitos da Criança e do Adolescente
FUNDAJ - Fundação Joaquim Nabuco
FURB - Universidade Regional de Blumenau
GEPA - Grupo de Estudos e Pesquisas em Adolescência
GEPTE - Grupo de Estudos e Pesquisas Sobre Trabalho e Educação (UFBA)
GDECOM - Grupo de Desenvolvimento Comunitário
GRIM - Grupo de Pesquisa da Relação Infância, Juventude e Mídia
ICA - Instituto de Cultura e Arte (UFC)
ICEN - Instituto de Ciências Exatas e Naturais (UFPA)
IEMais - Instituto Esporte Mais
IFAM - Instituto Federal do Amazonas
IF Baiano - Instituto Federal Baiano
IFF Maricá - Instituto Federal de Maricá
IFPA - Instituto Federal do Pará
IFRN/SPP - Instituto Federal de Educação do Rio Grande do Norte (Campus São Paulo do Potengi)
IFSP - Instituo Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo
INCLUDERE - Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Currículo e Formação de Professores na Perspectiva da
Inclusão
ISC - Instituto de Ciências Sociais (UFAL)
IS-SP - Instituto de Saúde do Estado de São Paulo
LAPSUS - Laboratório de Pesquisa sobre Subjetividades
LOCUS - Laboratório de Pesquisa sobre Psicologia Ambiental
MP-PA - Ministério Público do Pará
NAIA-HSM - Núcleo de Atenção à Infância e à Adolescência (Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto)
NIPIAC - Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Intercâmbio para Infância e Adolescência Contemporâneas
NUCED - Núcleo de Estudos sobre Drogas
NUCEPEC - Núcleo Cearense de Estudos e Pesquisas sobre a Criança
NUCOM - Núcleo de Psicologia Comunitária
NUTRA - Núcleo de Psicologia do Trabalho
PARFOR - Plano Nacional de Formação de Professores
PMF/Fórum EJA - Prefeitura Municipal de Fortaleza/Fórum de Educação de Jovens e Adultos
PUC-Minas - Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
PUC-RJ - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
PUC-RS - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
PUC-SP - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
RDS - Reserva de Desenvolvimento Sustentável
SDHAS - Secretaria dos Direitos Humanos, Habitação e Assistência Social
SENAC - Sistema Nacional do Comércio
SESA-CE - Secretaria de Saúde do Estado do Ceará
SESAI - Secretaria Especial de Saúde Indígena (Ministério da Saúde)
SINASE - Sistema Nacional sobre Atendimento Sócioeducativo
SINDIUECE - Sindicato dos Servidores da Universidade Estadual do Ceará
UCAM - Universidade Cândido Mendes
UCB - Universidade Católica de Brasília
UCDB - Universidade Católica Dom Bosco
UCG - Universidade Católica de Goiás
UECE - Universidade Estadual do Ceará
UEG - Universidade Estadual de Goiás
UEL - Universidade Estadual de Londrina
UEMG - Universidade Estadual de Minas Gerais
UEOP - Universidade Estadual do Oeste do Paraná
UEPA - Uniersidade Estadual do Pará
UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro
UFABC - Universidade Federal do ABC
UFAC - Universidade Federal do Acre
UFAL - Universidade Federal de Alagoas
UFAM - Universidade Federal do Amazonas
UFBA - Universidade Federal da Bahia
UFC - Universidade Federal do Ceará
UFCG - Universidade Federal de Campina Grande
UFES - Universidade Federal do Espírito Santo
UFF - Universidade Federal Fluminense
UFG - Universidade Federal de Goiás
UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora
UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais
UFPA - Universidade Federal do Pará
UFPB - Universidade Federal da Paraíba
UFPE - Universidade Federal de Pernambuco
UFPI - Universidade Federal do Piaui
UFRB - Universidade Federal do Recôncavo Baiano
UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro
UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
UFRPE - Universidade Federal Rural de Pernambuco
UFRRJ - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
UFS - Universidade Federal de Sergipe
UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina
UFSCar - Universidade Federal de São Carlos
UFSM - Universidade Federal de Santa Maria
UNAMA - Universidade da Amazônia
UNB - Universidade de Brasília
UNESP - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
USP - Universidade de São Paulo
UNI7 - Universidade 7 de Setembro
UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas
UNICAP - Universidade Católica de Pernambuco
UNIFEM - Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher
UNIFOR - Universidade de Fortaleza
UNILAB - Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira
UNILEÃO - Universidade Leão Sampaio
UNINASSAU - Faculdade Maurício de Nassau
UNIRIO - Univerdade Federal do Estado do Rio de Janeiro
UNISINOS - Universidade do Vale do Rio dos Sinos
UPE - Universidade de Pernambuco
URCA - Universidade Regional do Cariri
UVA - Universidade Estadual Vale do Acaraú
VIESES - Grupo de Pesquisas e Intervenções sobre Violências e Produção de Subjetividades
SUMÁRIO

MESAS-REDONDAS Obs: Não há Mesas nos Eixos 4 e 9 17

EIXO 1: Juventudes e relações étnico-raciais 18


Juventudes indígenas: construções identitárias e mobilizações sociais 18
Juventude indígena e afetos: diálogos transdisciplinares, campos de possibilidades e
superação de vulnerabilidades 22
Juventudes indígenas: processos educacionais e espaços urbanos 26
EIXO 2: Juventudes, VIOLÊNCIA E CONFLITO 30
Adolescentes em conflito com a lei: entre o prescrito legal e a prática social 30
Cada vida importa: olhares sobre homicídios na adolescência em Fortaleza 34
A juventude criminalizada e os desafios para as políticas públicas no Brasil 38
Extermínio de uma juventude negra brasileira: entre políticas de drogas, políticas de
extermínio e políticas raciais 42
Juventude, violência e sistema socioeducativo: pesquisas e intervenções no
campo da justiça juvenil 46
Juvenicídio no Brasil: juventudes, violências, vulnerabilidades e preconceitos 50
EIXO 3: Juventudes e seus territórios 54
Afetos, ambiente e cultura: A juventude rumo a uma transição ecológica para a
superação de vulnerabilidades 54
Juventudes de territórios populares na afirmação de suas diferenças socioculturais 58
Juventude e psicologia comunitária: possibilidades de intervenções psicossociais 62
EIXO 5: Juventudes e sAÚDE 66
Debate sobre Saúde Mental e Políticas Públicas: Adolescentes em acompanhamento
psicológico/psiquiátrico 66
O acesso das juventudes ao Sistema Único de Saúde (SUS): uma discussão a partir da
efetivação de políticas públicas como estratégia de enfrentamento às discriminações 70
Os ‘vetin’ tão ligado: políticas estatais de tutela da juventude, encarceramento
e redução de danos em meio a usos de substâncias psicoativas 74
Políticas, famílias e universidade: contextos e propostas para a promoção
da saúde psíquica na adultez emergente 78
Suicídio entre jovens: podemos falar sobre isso? 82
EIXO 6: Juventudes e MOVIMENTOS SOCIAIS 86
Educar em Direitos Humanos e a invenção de dispositivos artísticos para pensar
a vida infanto-juvenil 86
Gênero, tecnologias digitais e ativismo: quando jovens mulheres abrem a boca na rede 90
“Já estou implicado até a alma!”: modos, expressões e desafios de
subjetivação política juvenil 94
EIXO 7: Juventudes, GÊNERO E SEXUALIDADE 98
Gênero e religiosidades: etnografias em sociabilidades juvenis 98
Projeto “E aí?!”: em busca de sexualidades sadias e prazerosas em adolescentes e jovens 102
Controles e resistências nas práticas de saúde sexual de/para mulheres jovens 106
EIXO 8: Juventudes, ARTES E CULTURA 110
Táticas juvenis: política, lazer e estética em experiências associativas 110
Arte, atalho e labirinto: juventudes, experiência e políticas do sensível 114
Juventudes e estetização: agências políticas, formas de trabalho
e práticas de sociabilidade 128
EIXO 10: Juventudes e TRAbalho 122
Estratégias de adaptação do jovem às novas demandas do mercado de trabalho:
reflexões sobre o empreendedorismo, a internacionalização e a orientação profissional 122
EIXO 11: Juventudes e EDUCAÇÃO 126
Estudantes em movimento: reflexões sobre as dinâmicas de mobilidade estudantil
internacional brasileira 126
Juventudes e políticas educacionais para o ensino médio: projetos,
percepções e expectativas 130
Diálogos sobre educação e políticas públicas no campo dos direitos humanos:
articulações teóricas e experimentações 134
Políticas públicas para a juventude: desafios e perspectivas na luta pela democratização
dos espaços educacionais e no acesso pleno a cidadania 138
EIXO 12: Juventudes, CONSUMO E NOVAS MÍDIAS 142
Juventude, mídia e subjetivação: estratégias de vigilância e de resistência 142
Juventude e cultura digital: novos sujeitos, seus afetos e seus laços 146
Crianças e jovens youtubers: desafios da participação na sociedade do consumo 150
GRUPOS DE TRABALHO Obs: os trabalhos do GT 20 foram realocados para outros grupos. 154

GT 01 - A dimensão coletiva das práticas culturais juvenis 155


GT 02 - Artes, medo e resistências juvenis em territórios de violências 177
GT 03 - Comportamento humano em organizações e jovens trabalhadores 195
GT 04 - CULTURAS JUVENIS CATÓLICAS 204
GT 05 - Debates em educação e saúde na perspectiva de direitos sexuais e
direitos reprodutivos 211
GT 06 - EJA, juventude e direito à educação 234
GT 07 - Expressividades juvenis e suas relações com a música 258
GT 08 - Gênero, sexualidades e corpo: desigualdades, (pre)conceitos e
transgressões juvenis 271
GT 09 - Identidades negras: memórias, posicionamentos e práticas educativas 319
GT 10 - Jovens e saúde: desigualdades, diferenças, possibilidades 345
GT 11 - Juventude e escola: o que o racismo tem a ver com isso?
Identidades étnico-raciais nas instituições educacionais, no currículo e
nos livros didáticos 369
GT 12 - Juventude, arte urbana e formas de cidadania insurgente 380
GT 13 - Juventude, Contestação Social e Ativismo Político
no Mundo Contemporâneo 401
GT 14 - Juventude, Criminalização e Politicas Públicas:
impasses e enfrentamentos 430
GT 15 - Juventude, Violência e Mediação de Conflitos Escolares 473
GT 16 - Juventudes e circuitos culturais-midiáticos na era digital 495
GT 17 - Juventudes e educação básica: o ensino médio em questão 521
GT 18 - Juventudes e HIV/Aids: intersecções e (r)existência nas respostas
à Juvenilização da epidemia 571
GT 19 - Juventudes e e novas práticas de leitura: suportes, mídias e cidade 581
GT 21 - Juventudes INDÍGENAS 691
GT 22 - Juventudes na Justiça: perspectivas de efetivação de direito 605
GT 23 - Juventudes no ensino superior: sistemas de cotas, pobreza e Ruralidade 629
GT 24 - juventudeS RURAIS 656
GT 25 - Juventudes sem fronteiras: diásporas, migrações e mobilidades juvenis 678
GT 26 - Juventudes, meio ambiente e agenda política dos jovens 697
GT 27 - Juventudes, trabaLho e educação: políticas públicas, formação,
qualificação profissional, pesquisa, protagonismo e experiências juvenis 711
GT 28 - Juventudes, Transformações Sociais e Religiosidade 753
GT 29 - Mobilizar, ocupar, participar, artistar, reinventar: o jovem
como ator politico e seus espaços de em(cena)ação 772
GT 30 - Movimentos estudantis: invenções e reinvenções contemporâneas 797
GT 31 - Novas tecnologias sociais na área do esporte e do lazer 807
GT 32 - Trabalho e juventude: mobilidades, espacialidades e
temporalidades/transformações laborais 820
MESAS-REDONDAS
Obs: Não há Mesas nos Eixos 4 e 9
EIXO 1: Juventudes e relações étnico-raciais

Juventudes indígenas: construções identitárias e mobilizações sociais


Coordenador(a): Assis da Costa Oliveira (UFPA)

Resumo Geral:

Esta mesa redonda objetiva discutir aspectos da diversidade das realidades e das demandas das
juventudes indígenas, com foco nas discussões sobre expressões socioculturais das juventudes
indígenas; vivências sociais; migrações internas e internacionais; construções identitárias;
relações intergeracionais; demandas políticas; mobilizações sociais; interculturalidade;
políticas públicas; e, direitos humanos. Trata-se de assumir a categoria juventudes indígenas
desde a ótica da pluralidade das expressões sócio-político-cultural, com diferenças e
similaridades locais que o diálogo intercultural e interdisciplinar pode dar visibilidade e foco
de atenção/problematização, de modo a instituir não apenas um campo de estudo acadêmico,
mas, acima de tudo, de articulação de sujeitos para discutir realidades, demandas e ações
sociais com as juventudes e os povos indígenas, pensando o enfoque brasileiro em conexão
com outros cenários latino-americanos, sobretudo o México. Tal espaço conta com a presença
de participantes indígenas e não-indígenas que discutem, desde a perspectiva intercultural
e interdisciplinar, questões relacionadas às realidades, dilemas e desafios das diferentes
juventudes indígenas existentes nos referidos países, procurando fomentar a reflexão sobre as
construções identitárias e mobilizações sociais no plano local, regional, nacional e internacional
das juventudes indígenas, assim como as demandas internas aos povos/movimentos indígenas
e as reivindicações por direitos humanos e políticas públicas que reconheçam os recortes de
especificidades de geração, gênero, sexualidade, raça/etnia e territorialidade. Busca, também,
problematizar as relações, conexões e conflitos entre as categorias juventude e povos indígenas,
assumindo tratar-se de construções históricas que exigem pensar como o étnico reconstrói a
categoria “moderna” de juventude, tanto quanto como esta categoria geracional influencia
nas transformações e permanências das dinâmicas culturais, numa interação dialógica e/
ou conflitiva que repercute diretamente no modo como as juventudes indígenas (no plural!)
reivindicam reconhecimento identitário e participação social em seus grupos étnicos e para
a sociedade não-indígena. Em suma, delineia-se um vasto campo de abordagens e reflexões –
contextualizadas em práticas sociais e/ou investigações acadêmicas – que possibilitem ampliar
a visibilidade e a importância dos sujeitos e da temática tanto no âmbito acadêmico quanto
sociopolítico, fomentando também a formulação de proposições e críticas que contribuam
para a adequação das políticas públicas, dos direitos humanos e do enfrentamento às barreiras
sociais e institucionais que o racismo, o adultocentrismo e outras formas de discriminação
social impõem aos jovens indígenas e aos povos indígenas.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
18
México: “Jóvenes indígenas”, flujos étnicos contemporáneos y giros epistémicos
Autores(as):: Maritza Alida Urteaga Castro Pozo (Escuela Nacional de Antropología e Historia)

Resumo:

En los últimos años muchas investigaciones han puesto en evidencia que la juventud es una
posición desde y a través de la cual se experimenta el cambio cultural y social. Entender el
empoderamiento y desplazamiento reciente de las juventudes étnicas en la actualidad - en
las oleadas migratorias, en su ingreso en universidades, en la producción cultural, en las
pandillas, en el consumo, en los nuevos movimientos étnicos y sociales-, es una pregunta por
las estructuras y los procesos que en la actualidad condicionan las actuaciones de estos sujetos
jóvenes, así como por sus prácticas y encuentros con la experiencia múltiple, fragmentaria,
efímera y precaria de lo moderno. Es desplazarse más allá de las fronteras teóricas del siglo
XX, implica emplazarse en las franjas contemporáneas movedizas siguiendo a actores que
son jóvenes, indígenas, estudiantes, migrantes, trabajadores, músicos, consumidores, hip
hoperos (y quien sabe qué más) en los nuevos espacios rural – étnicos y urbanos abiertos por
el proceso de globalización en curso, donde un nuevo régimen modifica el espacio y el tiempo,
produciendo nuevos y muy diferentes parámetros en la producción de la juventud, lo étnico y
la cultura contemporánea. La ponencia propone una revisión teórico-empírica y metodológica
del sujeto “jóvenes indígenas” en México, el cual ha cobrado relevancia académica y
social constituyéndose en un campo de investigación fresco y fértil en las ciencias sociales.
Parto de exponer los antecedentes fundamentales del mismo y su devenir investigativo,
marcando núcleos temáticos distinguibles entre sí a partir de las orientaciones analíticas, los
planteamientos metodológicos y las preguntas de investigación. Bajo esos tres ángulos de mira,
se hará hincapié en las últimas investigaciones sobre las juventudes contemporáneas, las cuales
identifican múltiples instancias de inscripción juvenil que fungen de referentes actuales en la
(re)estructuración identitaria juvenil: algunos más novedosos, como los derechos indígenas,
los espacios de las tecnologías digitales y los espacios que ocupan en la educación superior
(convencional e intercultural); otros más tradicionales, como el empleo (dentro y fuera del país)
y la educación de la primera modernidad; y, otros más tradicionales como los mojones étnicos.
El ultimo momento investigativo en este campo tiene como ejes conceptuales una serie de
articulaciones de las juventudes y la étnicidad con los flujos migratorios, las ciudades a las
que arriban, su acceso a la educación superior y el consumo de bienes materiales y simbólicos,
revelando una gran diversidad de modos juveniles de dotar de sentido a su experiencia
fragmentaria de la modernidad en su día a día. La pregunta central que guía esta exposición es
¿por dónde pasan hoy las agencias juveniles, la elaboración y articulación de afirmaciones en
torno al “yo joven” y el “yo indígena”, entre los contextos de origen cada vez más precarizados
y desinstitucionalizados y las experiencias radicalmente nuevas que experimentan dentro de
las migraciones sociales, los flujos de mercancías y su ingreso reciente al mercado y los flujos
tecno informacionales?

Palavras-chave: Juventudes Etnicas; Flujos; Giros Epistémicos.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
19
Participação Política de Jovens Indígenas no Rio Negro, Amazonas
Autores(as): Assis da Costa Oliveira (UFPA/UnB) e Claudina Azevedo Maximiano (IFAM)

Resumo:

A presente exposição desenvolve reflexão sobre o processo de participação política de jovens


indígenas no rio Negro, estado do Amazonas, a partir da análise das iniciativas de mobilização/
organização social de um “novo sujeito político” no cenário do movimento indígena e do
contexto social da referida região. Com isso, objetivo descrever e refletir acerca do processo
de articulação/mobilização de jovens indígenas na luta pelo protagonismo nos espaços sociais
de poder, assim como acerca da criação de um discurso em torno de um sujeito pluriétnico
autodenomiando de “jovens indígenas”. O trabalho de campo foi desenvolvido nos municípios
de São Gabriel da Cachoeira e de Santa Isabel do Rio Negro. Também analiso os problemas
sociais que envolvem os/as jovens indígenas na região e as iniciativas de articulação político-
organizacional, de modo complementar também os conflitos vivenciados por tais sujeitos
devido ações coletivas classificadas como “marginais” e/ou mobilização por políticas públicas
específicas que acabam por se conectar e/ou se tangenciam no cotidiano. Por certo, o processo
de mobilização dos jovens indígenas é algo relativamente novo na região; talvez possamos falar
em um processo em construção – algo que circunstancia a atualidade do movimento indígena
com o despontar de lideranças jovens, mas que se centra no contexto social contemporâneo
no qual estão inseridos os sujeitos envolvidos nesse processo. Diante dos problemas sociais
enfrentados, sobretudo no contexto urbano, a situação dos jovens se tornou uma preocupação
constante dos adultos, instituições e dos próprios jovens. Diante das problemáticas sociais
vivenciadas pelos jovens, as lideranças juvenis apresentam ideias e propostas, assumindo a
posição de protagonistas. Além disso, inauguram um discurso de participação atuante (não
só elaboram propostas, mas querem participar efetivamente da execução), apropriam-se e/
ou elaboram o discurso sobre políticas públicas para a juventude do rio Negro – e endossam a
participação efetiva dos jovens. Elas também almejam ocupar espaços estratégicos propostos
pela comunidade de jovens e adolescentes indígenas, seja no movimento indígena, seja na
esfera pública, isto é, espaços de poder. Outrossim, os jovens membros dos grupos considerados
marginais continuam provocando as lideranças, as instituições e os próprios jovens organizados
politicamente em atos de rebeldia, estes últimos vistos como ameaça à segurança nos centros
urbanos do rio Negro. Todo esse contexto social aponta para a emergência de um discurso,
talvez ainda muito “germinal”, algo ainda em seus primeiros momentos de existência e que se
concretiza na emergência de um novo sujeito político que passa a ocupar um lugar no cenário
do movimento indígena, assim como em outros espaços públicos dentro do contexto social do
rio Negro.

Palavras-chave: Participação Política; Jovens Indígenas.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
20
Comissão Nacional de Juventude Indígena e seus desafios para a mobilização da juventude
indígena
Autores(as): Alana Keline Costa Silva Manchineri (UFAC/CNJI/Povo Manchineri) e Danieide
Silva Cândido (CNJI/Povo Potiguara)

Resumo:

A exposição visa apresentar um breve histórico de criação da Comissão Nacional de Juventude


Indígena – CNJI, bem como sua missão e objetivos. A CNJI tem como missão o fortalecimento do
movimento da juventude indígena, o empoderamento e o protagonismo dos jovens indígenas nos
espaços de construção e implementação de políticas públicas. E possui os seguintes objetivos:
conhecer, trocar experiências e mapear as ações de jovens indígenas em andamento no Brasil e
outros países; dialogar com as diversas realidades da juventude indígena; identificar problemas
e demandas prioritárias por região e em âmbito nacional, bem como levantar ideias de possíveis
soluções; pensar estratégias para a ocupação dos espaços de discussão e implementação de
políticas públicas relacionadas à juventude indígena, associada a uma melhor comunicação,
participação e respaldo dos jovens junto ao movimento indígena; mobilizar e instrumentalizar
novos multiplicadores e protagonistas do movimento de jovens indígenas, informar sobre as
políticas públicas existentes para os jovens e avaliar a sua pertinência, iniciar a discussão sobre
o plano nacional da juventude indígena, contribuir com o movimento indígena nacional, em prol
da garantia dos direitos dos povos indígenas. A CNJI possui como principais desafios: realizar
levantamento de possíveis organizações indígenas e indigenistas com intuito de ampliar a
rede de financiamento e captação de recursos para a realização de ações da CNJI. Também
é necessária a atualização da agenda a nível nacional, aproximação entre a diversidade de
juventude indígena nas cinco regiões do país; ampliar parcerias, financiamento, entre outros.
E contribuir no processo de difusão das ações da juventude indígena entre as organizações
indígenas (local, estadual, regional, nacional e internacional), como exemplos: APIB, APOINME,
COIAB, CNPI, CONDISI etc. Todas as ações da CNJI devem se basear na união, respeito, diálogo,
e equidade, considerando a diversidade da juventude indígena, buscando sempre se aproximar
das lideranças e organizações indígenas, possibilitando aprendizado e intercâmbio entre as
diferentes gerações. Reafirmamos nosso compromisso com o movimento indígena nacional, no
sentido de contribuir enquanto segmento de jovens, visando o fortalecimento e a valorização
das culturas indígenas em sua diversidade e qualidade para o bem viver dos povos indígenas.
Colocamo-nos à disposição para mobilizar e articular os jovens indígenas para que também
possam buscar a garantia dos direitos dos povos indígenas, em diálogo por meio de vivências
regionais, mas que possam contribuir em âmbito nacional. Logo, as questões centrais a serem
debatidas são: mobilização social da juventude indígena; direitos das juventudes indígenas;
articulação com movimento indígena; e, participação social nos espaços de construção de
políticas públicas.

Palavras-chave: Juventude Indígena; Direitos; Mobilização; Diálogo.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
21
Juventude Indígena e Afetos: Diálogos transdisciplinares, campos de possibilidades e superação
de vulnerabilidades
Coordenador(a): Debora Linhares da Silva (LOCUS)

Resumo Geral:

No ano de 2011, a partir de dados de população da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e do


número de suicídios indígenas registrados pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM)
do Ministério da Saúde, construiu-se a estimativa de que a taxa nacional de suicídios indígenas
chegaria a 20 para cada 100 mil indivíduos (quatro vezes a média nacional). Diferentes formas
de violência (física, psicológica, sexual, institucional) juntamente à espoliação patrimonial,
dominação política, discriminação social e cultural e o não reconhecimento dos seus territórios e
formas próprias de territorialidade são alguns indícios dos diferentes tipos e níveis de sofrimento
vivenciados por tais populações. Aliam-se a tais a sensação de deslocamento provocada por fatores
como desarticulação familiar, falta de perspectivas de futuro, condições precárias de saneamento
e habitação (vivenciadas nas comunidades urbanas), dificuldades para inserir-se no mercado de
trabalho e a falta de alternativas construtivas de lazer. É nesse contexto que chegamos à juventude
indígena, que está no topo da lista de mortalidade por suicídio de jovens na faixa de 15 a 29 anos.
Assim também encontram-se nossos fazeres em três perspectivas de políticas públicas: educação
indígena, saúde indígena e assistência social para populações indígenas. Nesse encontro potente,
os diálogos serão enredados pelos eixos que envolvem a juventude em suas relações com questões
étnico-raciais, territórios (campo e cidade), saúde, educação e artes e cultura. Assim, no trabalho
intitulado “Juventude Indígena e a Política Pública de Educação: Diálogos necessários para uma
realidade potencializadora” traremos inquietações relacionadas à educação escolar indígena,
surgidas quando da inserção na aldeia Pitaguary no Ceará, para a construção da pesquisa de
doutorado da autora e realização de atividades do Laboratório de Pesquisa em Psicologia Ambiental
(LOCUS-UFC), objetivando discutir, por meio da afetividade, a educação escolar indígena como
espaço de transmissão, preservação e produção da cultura e do reconhecimento da juventude
indígena. Já no trabalho intitulado “Promovendo Saúde através do Teatro do Oprimido: experiência
com jovens indígenas Amanayé”, abrimos caminhos para pensar estratégias que respondam
aos agravos contemporâneos de saúde a partir da experiência de atuação profissional do autor
no Distrito Sanitário Especial Indígena Guamá Tocantins – DSEI GUATOC no estado do Pará,
proposta que objetivou provocar os diversos projetos de vida e expectativas sociais a tornarem-
se ato criativo e projetos comunitários de futuro, promovendo autonomia e protagonismo como
forma de fortalecimento de soluções locais aos entraves sociais cotidianos. Por fim, no trabalho
intitulado Jovens Indígenas e Suicídio: (Re)Pensando Fazeres na Proteção Social Básica”, partindo
das Orientações Técnicas para o Trabalho Social com Famílias Indígenas, em pesquisa vinculada
ao LOCUS-UFC, a autora objetiva identificar as principais questões que suscitam sofrimento
psíquico a estes jovens e tentar, a partir de um olhar multidisciplinar, pensar estratégias de atuação
potencializadoras de autonomia e libertação.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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22
Juventude Indígena e a Política Pública de Educação: Diálogos necessários para uma realidade
potencializadora
Autores(as):: Maria Zelfa de Souza Feitosa (UFC/Faculdade de Tecnologia Intensiva)

Resumo:

Este trabalho aborda inquietações relacionadas à educação escolar indígena, surgidas quando da
inserção na aldeia Pitaguary no Ceará, para a construção da pesquisa de doutorado da autora e
realização de atividades do Laboratório de Pesquisa em Psicologia Ambiental (LOCUS-UFC). Desde
a chegada dos colonizadores, os povos originários engendram forte movimento de resistência
à dominação e violências sofridas cotidianamente, que vão desde o roubo de suas terras até a
tentativa de aniquilar sua cultura. A ridicularização e a promoção do sentimento de vergonha de
ser indígena são alguns dos artifícios utilizados pela cultura dominante para entristecer e aprisionar
essas populações em modelos hegemônicos. Estas questões repercutem nos modos de ser e se
reconhecer indígena, principalmente da população jovem, de modo que historicamente estão
associadas à desafiliação em relação à etnia, ao uso abusivo de álcool e outras drogas e ao suicídio.
Neste cenário, a escola indígena, destinada por lei a ofertar uma educação diferenciada, deve ser
o espaço de valorização e fortalecimento dessa identidade, ao mesmo tempo que comporta uma
multiplicidade de tensionamentos, por agregar aspectos da cultura indígena e não-indígena, que
se interrelacionam dentro e fora da escola. Destarte, objetivamos discutir, por meio da afetividade,
a educação escolar indígena como espaço de transmissão, preservação e produção da cultura e do
reconhecimento da juventude indígena. Nossa base teórica é a Psicologia Social de base histórico-
cultural que, seguindo a filosofia espinosana, compreende a afetividade como tudo o que aumenta
ou diminui a potência de agir do corpo. Metodologicamente, adotamos a pesquisa etnográfica, as
vivências foram registradas no diário de campo e o submetemos à análise de conteúdo categorial.
Os resultados preliminares apontam como principais preocupações da aldeia em relação aos
jovens: a transmissão e preservação da cultura indígena; o uso abusivo de álcool e outras drogas;
a atratividade das novas tecnologias, vistas como concorrentes à aprendizagem dos saberes
tradicionais. Em relação à escola: é um espaço apropriado e construído pelos indígenas e que
também acolhe não-indígenas; é reconhecida como lugar onde a cultura é preservada, transmitida
e produzida; enfrenta dificuldades em transmitir a cultura, dada a proximidade da cultura não-
indígena e ao sentimento de vergonha que ela impõe e que é identificado em alguns jovens; é o
lugar onde o indígena pode assumir sua identidade (alguns jovens relatam ter sofrido humilhação
em escolas não-indígenas), mas ainda se vivem restrições, dados os descompassos entre o que se
preconiza na política pública e o que é possível na realidade. Consideramos que a educação escolar
indígena gera afetos potencializadores ao promover o respeito às expressões das identidades, ao
mesmo tempo em que afetos despotencializadores são identificados nas situações de contradições
geradas pelas distâncias entre a política pública e a realidade local. É imperativo, portanto, que
haja cada vez mais o diálogo e a participação dos indígenas, numa perspectiva intergeracional.
Agradecimentos à CAPES.

Palavras-chave: Afetividade; Juventude; Educação Escolar Indígena.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
23
Promovendo Saúde através do Teatro do Oprimido: experiência com jovens indígenas Amanayé
Autores(as): Álvaro Pinto Palha Júnior (DSEI GUATOC/SESAI/MS)

Resumo

O Distrito Sanitário Especial Indígena Guamá Tocantins – DSEI GUATOC tem dedicado especial
atenção à construção de ações que consigam prevenir agravos e promover saúde entre os povos
indígenas do seu território de atuação. Tarefa complexa e sob o risco de consequências imprevisíveis
que podem ser geradas por interferências bruscas na organização social, práticas de expressão
cultural, acesso à terra e recursos naturais ou mesmo práticas de cuidado em saúde, educação e/
ou qualquer outra política pública que não considerem as particularidades destes povos. Neste
sentido, os trabalhadores deste DSEI têm sido desafiados pela crescente ocorrência de violências
e uso abusivo de álcool e outras drogas nas aldeias de seu território, necessitando construir junto a
estas comunidades estratégias que respondam a estes agravos contemporâneos de saúde. Contexto
em que apresento a experiência de construção e execução de estratégia na aldeia Barreirinha
do povo indígena Amanayé, no estado do Pará. Nesta aldeia apresentavam-se relatos de uso
abusivo de álcool e ocorrência de violências diversas, contexto que pode provocar a fragilização
dos sentimentos de pertencimento ao grupo e dos vínculos de solidariedade entre os integrantes
da comunidade, diminuindo o poder de resposta dos mesmos a estes novos agravos, gerando a
necessidade de construir coletivamente respostas sustentáveis. Em diálogo com a comunidade, o
DSEI GUATOC identificou a necessidade de ação direcionada aos jovens e então construiu articulação
com a Fundação Cultural do Pará para realização de oficina de teatro para este público alvo, na
perspectiva do Teatro do Oprimido de Augusto Boal e discussões sobre intervenções de saúde de
Félix Guattari. Proposta que objetivou provocar os diversos projetos de vida e expectativas sociais a
tornarem-se ato criativo e projetos comunitários de futuro, promovendo autonomia e protagonismo
destes povos para fortalecimento de soluções locais aos entraves sociais cotidianos. A oficina
ocorreu com jovens da aldeia, seguindo fases de preparação de atores de Augusto Boal. Construiu-
se, no processo da oficina, proposta de trabalho com prioridade para cenas de teatro fórum, sendo
levantados como temas: Conflito de Terras; Álcool; Drogas; Violência Contra a Mulher; Preconceito
e Violência Sexual contra criança. Foi decidido coletivamente que seriam construídas três cenas
para o trabalho com a comunidade: cena de Abuso sexual infantil; cena bêbado bate na mulher
e na filha; e cena overdose de drogas na festa. A oficina promoveu grande encontro na aldeia, em
que foram apresentadas cenas de problemas cotidianos da comunidade para, então, estabelecer
diálogo entre todos sobre possíveis soluções para cada caso. Deste ensaio de protagonismo, as
cenas foram reconstruídas a partir das intervenções dos “expect’atores”. Momento potente que
mobilizou diversos sujeitos da aldeia e promoveu diálogos singulares sobre acontecimentos
invisibilizados pelo cotidiano local. Todos envolvidos avaliaram a intervenção como exitosa e o
grupo de teatro dos jovens segue ativo, participando e promovendo momentos de diálogos entre a
comunidade Amanayé, da aldeia Barreirinha, no Estado do Pará.

Palavras-chave: Jovens Indígenas; Teatro do Oprimido; Violências; Protagonismo Comunitário.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
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24
Jovens Indígenas e Suicídio: (Re)Pensando Fazeres na Proteção Social Básica
Autores(as):: Debora Linhares da Silva (LOCUS)

Resumo:

Partindo da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, as Orientações
Técnicas para o Trabalho Social com Famílias Indígenas (Proteção Social Básica do Sistema Único
de Assistência Social) trazem seu Artigo 21 - inciso 2: “[...] Particular atenção será prestada aos
direitos e às necessidades especiais de idosos, mulheres, jovens, crianças e portadores de deficiência
indígenas Destes, nosso foco são os jovens indígenas pois, conforme revelam dados do Mapa da
Violência 2014 Jovens do Brasil, alguns municípios que aparecem nos primeiros lugares nas listas
de mortalidade suicida são locais de assentamento de comunidades indígenas. Dos 475 suicídios
indígenas registrados no período de 2008 a 2012, 289 eram jovens na faixa de 15 a 29 anos de
idade, isto é, 60,9% do total de suicídios indígenas, mais que o dobro da expectativa. O suicídio entre
indígenas, no entanto, não é novidade. Juntamente com o uso abusivo de álcool e outras drogas,
este tem sido um dos aspectos de riscos e vulnerabilidades enfatizado pelos profissionais atuantes
na saúde indígena. A discriminação social e cultural e o não reconhecimento dos seus territórios
e formas próprias de territorialidade-identidade caracterizam-se como manifestações das
constantes violências físicas e psicológicas vividas por estas comunidades. A literatura pertinente
traz ainda a sensação de deslocamento provocada por fatores como desarticulação familiar, falta
de perspectivas de futuro, condições precárias de saneamento e habitação vivenciada na periferia
da cidade, dificuldades para inserir-se no mercado de trabalho, falta de alternativas construtivas de
lazer, entre outros, como aspectos relevantes à análise das condições vivenciadas por estes jovens.
Nosso objetivo é, então, identificar as principais questões que suscitam sofrimento psíquico a estes
jovens e tentar, a partir de um olhar multidisciplinar, pensar estratégias de atuação para o psicólogo
atuante na PSB, que sejam potencializadoras de autonomia e libertação. Aqui, a Teoria dos Afetos
de Espinosa e a Psicologia Histórico-Cultural de Vygotsky estarão entrelaçadas à necessidade de
superação do sofrimento ético-político e, também, como forma de abrir campos de possibilidades
às transformações sociais que, juntamente à Psicologia Ambiental, embasam-nos para analisar as
vulnerabilidades socioambientais, estima de lugar, identidade e os projetos de vida destes jovens.
Trata-se de uma pesquisa qualitativa e cuja natureza é a pesquisa de análise documental em forma
de revisões bibliográficas. Atualmente há 545 CRAS no país atendendo povos indígenas, sendo que
19 estão instalados dentro das comunidades. Porém, há um distanciamento entre as demandas
das comunidades e os serviços oferecidos. A necessidade de respeito às suas especificidades
culturais, defesa de direitos e fortalecimento das suas iniciativas coletivas de autonomia étnica
são prementes. No tangente aos jovens, o conceito de bem viver pode ser potencializador e talvez
supra a constante preocupação dos mais velhos sobre como e o que fazer para aproximar os jovens
e manter seus patrimônios étnico-culturais.

Palavras-chave: Jovens Indígenas; Proteção Social Básica; Suicídio; Vulnerabilidade.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
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Juventudes indígenas: processos educacionais e espaços urbanos
Coordenador(a): Elcimar Simão Martins (UNILAB)

Resumo Geral:

Esta mesa redonda objetiva discutir aspectos relacionados aos processos educacionais (indígenas
e não-indígenas) em que se inserem os/as jovens indígenas e os desafios aos povos indígenas nos
espaços urbanos, assim como protagonismo estudantil indígena, o papel sociocultural dos museus
indígenas, os dilemas e experimentações de interculturalidade nos espaços escolares e universitários,
mobilizações sociais, disputas pelo direito à educação diferenciada e políticas públicas para povos
indígenas nos espaços urbanos. Com isso, busca-se ampliar as discussões ligadas às políticas
públicas de educação, inserção educacional dos e das jovens indígenas, a relação com as práticas
tradicionais de produção e transmissão de conhecimentos e valores culturais, as contribuições (e
os dilemas) das escolas, universidades e museus indígenas na formação das identidades culturais
e na preservação das memórias das tradições indígenas, as boas (e más) experiências de ações
afirmativas e o protagonismo dos estudantes indígenas no processo de construir uma escola e
uma universidade mais intercultural e adequada ao diálogo das diferenças. São questões que não
abdicam de uma problematização permanente sobre o papel histórico da escola e da universidade,
e do saber científico de maneira mais ampla, e como pode ser apropriado e disputado pelos povos
indígenas, especialmente os/as jovens indígenas, que são o público preferencial de ingresso nesses
espaços. A educação em múltiplos processos e espaços sociais, não ignorando o racismo institucional
e as dificuldades de materialização da interculturalidade. Além disso, permeia-se o debate com a
identificação de demandas das juventudes e povos indígenas relacionados à vivência nas cidades,
discutindo as pautas urbanas dos direitos indígenas e a participação da juventude na construção
e execução destes direitos. Trata-se de assumir a categoria juventudes indígenas desde a ótica
da pluralidade das expressões sócio-político-cultural, com diferenças e similaridades locais que o
diálogo intercultural e interdisciplinar pode dar visibilidade e foco de atenção/problematização, de
modo a instituir não apenas um campo de estudo acadêmico, mas, acima de tudo, de articulação de
sujeitos para discutir realidades, demandas e ações sociais com as juventudes e os povos indígenas,
pensando o enfoque brasileiro em conexão com outros cenários latino-americanos. Em suma,
delineia-se um vasto campo de abordagens e reflexões – contextualizadas em práticas sociais e/ou
investigações acadêmicas – que possibilitem ampliar a visibilidade e a importância dos sujeitos e
da temática tanto no âmbito acadêmico quanto sociopolítico, fomentando também a formulação
de proposições e críticas que contribuam para a adequação das políticas públicas, dos direitos
humanos e do enfrentamento às barreiras sociais e institucionais que o racismo, o adultocentrismo
e outras formas de discriminação social impõem aos/às jovens indígenas e aos povos indígenas.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
26
Da aldeia à universidade: processos educacionais e museológicos na formação da juventude
indígena no Ceará
Autores(as): Antônia Da Silva Santos (UFRB/Povo Kanindé), Elcimar Simão Martins (UNILAB), José
Benício Silva Nascimento (UFC/Povo Pitaguari)

Resumo:

Durante os processos históricos de colonização e catequização no Brasil, a transmissão de


saberes tradicionais através da oralidade e do cotidiano asseguraram entre as populações
indígenas a transmissão e a resistência de suas culturas e modos de vida. Na atualidade se faz
necessário o surgimento de outras ferramentas de difusão de seus conhecimentos. Sendo assim,
contemporaneamente os indígenas apropriaram-se de duas instituições de origem europeia,
adaptando-as estrategicamente às suas necessidades e realidades: os museus e as escolas. Assim,
surgiram no Ceará a demanda por escolas diferenciadas, que se tornaram reivindicações dos povos
indígenas do estado; e museus indígenas, estruturados de forma autônoma, como no caso do Museu
dos Kanindé de Aratuba/CE, ou a partir de atividades de pesquisa e formação (como inventários
participativos e pesquisas sobre história local) executadas nas aldeias.Neste contexto, irei
desenvolver uma analise do processo histórico de criação das escolas diferenciadas e dos museus
indígenas do Ceará, destacando as principais contribuições de ambos os espaços na formação da
identidade cultural, e do saber cientifico e tradicional da juventude no estado. Darei ênfase na
criação e organização do Ponto de Memoria Museu Indígena Kanindé (1995), e na Escola Indígena
Manoel Francisco dos Santos (2005), que atuam interligados a aldeia e aos espaços de memória
do povo Kanindé, gerindo os processos de formação e posterior inclusão dos jovens desse povo
na universidade. Através de registros fotográficos, irei abordar as principais atividades realizadas
nestes espaços no ano de 2011, durante o trabalho realizado pelo prof. Alexandre Gomes (UFPE), na
criação do grupo de trabalho composto por estudantes da Escola Manoel Francisco que atuaram
na realização de um inventário participativo do Museu Kanindé. Este grupo de jovens estudantes,
posteriormente, torna-se um Núcleo Educativo que passa a atuar na recepção de visitantes e no
fomento e promoção do diálogo entre museu, escola e comunidade. Esse processo formativo
originou uma discussão que resultou na inserção dos estudantes indígenas da aldeia Sítio Fernandes
em diferentes campi universitários. Apresentarei as etapas de formação dos estudantes que atuaram
no processo de inventário, conjuntamente a um breve relato das distintas trajetórias tomadas por
cada membro após a conclusão do ensino médio. Também apresentarei dados referentes às áreas
de ingresso e universidades escolhidas por esses (as) jovens, destacando as principais dificuldades
e estratégias de inclusão adotadas por estes (as) estudantes em suas respectivas universidades.
Outro ponto relevante que trarei para a discussão são os desafios e preconceitos sofridos por estes
(as) jovens, relativo à romantização da figura indígena no Ceará, idealizada no romance Iracema
de José de Alencar, e que até hoje mantém no imaginário cearense uma figura indígena caricatural
e incoerente com a realidade das populações indígenas da atualidade.

Palavras-chave: Juventude; Memórias; Patrimônio; Identidade; Universidade.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
27
Juventudes indígenas na metrópole
Autores(as):: Lucia Helena Vitalli Rangel (PUC-SP)

Resumo:

Espaços urbanos, historicamente, sempre foram lócus de invisibilidade para a população indígena
na realidade brasileira. No entanto, desde as últimas décadas do século XX, quando ocorrem uma
série de transformações no cenário político, a emergência da democracia tem sido o fator mais
favorável ao rompimento da invisibilidade dos povos indígenas, em âmbito nacional. O movimento
indígena que tomou corpo na década de 1970, explode nos anos 1980 protagonizando os capítulos
referentes aos direitos indígenas, inéditos até então. As lideranças formadas a partir dessa forma
de participação, criam modos de articulação investidas em associações e diversos formatos de
ação política. A partir daí a presença indígena transforma as cidades em local de afirmação de
direitos indígenas, seja porque as sedes das associações passam a possuir endereço urbano, seja
porque as manifestações coletivas realizam-se nas capitais, incluindo a capital federal, ou nos
centros urbanos regionais. Por outro lado, os antigos e mais recentes moradores indígenas das
cidades, antes escondidos e invisíveis, passam a participar dessas ações políticas e criam suas
próprias articulações. Constroem uma pauta urbana para os direitos indígenas, cujas principais
reivindicações são: moradia, educação, saúde, trabalho e geração de renda. Nas principais capitais
do Brasil e em muitas outras cidades os sujeitos políticos indígenas têm ampliado conquistas efetivas
que merecem uma análise detida, como será feita neste trabalho. A participação dos jovens nesse
processo trilha um caminho rico e diversificado. São os jovens que possuem mais facilidade para
aprender ler e escrever, tornando-se assim o braço direito dos líderes mais velhos na luta política
e no domínio dos interstícios da burocracia estatal. Passaram a ocupar os cargos nas associações
e se apropriaram das gestões que os desafiaram: gestão de recursos financeiros, ambientais,
educacionais, de saúde, de estatutos, enfim tudo o que implica a participação política e a conquista
de direitos. Em contexto urbano vão, aos poucos, mostrando autoconfiança para sair do seu bairro
e galgar posições nos movimentos políticos, nas universidades e nos empregos onde possam auto
declarar-se indígenas. Isto, por certo, num enfrentamento permanente às discriminações sociais
da população não-indígena que reproduz o imaginário social do “indígena ideal” nas diferentes
formas de excluir ou prejudicar o acesso dos/das jovens indígenas aos bens e serviços existentes
na cidade. Por certo, a cidade tornou-se um lugar de redesenho das fronteiras étnico-culturais que,
no caso dos povos indígenas, também possibilita diferentes estratégias de visibilidade identitária e
reivindicação por direitos diferenciados, em que o papel e a participação da juventude indígena é
crucial para o processo de interculturalização da cidade.

Palavras-chave: Juventudes Indígenas; Metrópoles; Direitos; Visibilidade.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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28
Os desafios do protagonismo estudantil indígena na luta pela universidade plural
Autores(as): Maicon Santos Soares (UFRB/MUPOIBA/Povo Pataxó) e Rutian do Rosário Santos
(UFBA/Povo Pataxó)

Resumo:

Nessa exposição, queremos discutir os desafios colocados aos estudantes indígenas para construção
de um espaço universitário que seja mais adequado e respeitoso das diferenças culturais, de uma
ciência que compreenda e dialogue com os conhecimentos tradicionais, de uma democratização
do acesso ao conhecimento científico que também signifique a transformação dele com base em
nossos conhecimentos ancestrais e epistemologias indígenas. Avançamos também na discussão
sobre o protagonismo estudantil indígena, refletindo sobre a importância da organização e
mobilização entorno do Seminário Nacional dos Estudantes Indígenas, este ano em sua quinta
edição, a ser realizada na Universidade Federa da Bahia. Quais as implicações entre educação
universitária e as lutas pelos direitos dos povos indígenas? Quais as condições de transformação
intercultural da universidade, pensando as experiências em curso e o que pode ser projetado?
Como compreender os limites e as possibilidades do acesso e da permanência dos estudantes
indígenas no espaço universitário? E como tornar-se um profissional pode ajudar os movimentos
indígenas e a organização da juventude indígena? São algumas perguntas que pretendo abordar,
assim como expor, a partir de minha própria trajetória, as lições e os ensinamentos que possam
se conectar com outros cenários vividos pelos estudantes indígenas nas universidades brasileiras.
Com isso, busca fomentar o debate sobre as diferentes formas de inserção das juventudes indígenas
nos espaços educacionais, sobretudo o universitário e os museus indígenas, refletindo sobre os
dilemas e desafios da articulação com a educação tradicional, o acesso e a permanência, além de
problematizar a interseção com as demandas por outras políticas públicas, como de transporte e
trabalho. Trata-se de assumir a categoria juventudes indígenas desde a ótica da pluralidade das
expressões sócio-político-cultural, com diferenças e similaridades locais que o diálogo intercultural
e interdisciplinar pode dar visibilidade e foco de atenção/problematização, de modo a instituir
não apenas um campo de estudo acadêmico, mas, acima de tudo, de articulação de sujeitos para
discutir realidades, demandas e ações sociais com as juventudes e os povos indígenas, pensando
o enfoque brasileiro. Tal espaço conta com a presença de participantes indígenas e não-indígenas
que discutem, desde a perspectiva intercultural e interdisciplinar, questões relacionadas às
realidades, dilemas e desafios das diferentes juventudes indígenas existentes nos referidos países,
procurando fomentar a reflexão sobre as construções identitárias e mobilizações sociais no plano
local, regional, nacional e internacional das juventudes indígenas, assim como as demandas de
acesso e permanência aos serviços de educação escolar/universitária, de valorização dos sistemas
de educação tradicional e dos desafios para o fomento a interculturalidade no plano educacional
e social.

Palavras-chave: Estudante Indígena; Universidade; Protagonismo; Discriminação.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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EIXO 2: Juventudes, VIOLÊNCIA E CONFLITO

Adolescentes em Conflito com a Lei: entre o prescrito legal e a prática social


Coordenador(a): Veriana de Fátima Rodrigues Colaço (UFC)

Resumo Geral:

O tema da violência urbana está presente em todas as esferas sociais: no cotidiano de conversas
informais, em debates de políticos, de governantes, de juristas e de setores envolvidos com a
segurança pública e privada; aparece como objeto de estudos acadêmico-científicos em várias
áreas do conhecimento; como pauta de planejamento de ações institucionais; e em outros
campos de discussão que envolvem as relações sociais. Em todos esses debates, direta ou
indiretamente a questão das ações violentas cometidas por adolescentes e jovens é abordada,
embora raramente seja tratada a violência de que são vítimas. Sendo este Simpósio um espaço
em que o tema estará em foco, esta mesa redonda pretende pôr em relevo uma reflexão
sobre a outra face da relação entre violência e juventude, considerando especificamente a
posição do adolescente a quem se atribui cometimento de atos infracionais e as ações de
violação de direitos que expressam violência do Estado e da sociedade a ele dirigidas. O
primeiro trabalho abordará o que dispõem os documentos legais ECA e SINASE e a sua não
efetivação. A autora discutirá a violação de direitos cometida no âmbito da ampliação das
Medidas Socieoducativas, trazendo a realidade do Rio Grande do Norte. Neste contexto, tratará
tanto dos processos de intervenção aos centros educacionais do estado, por setores ligados à
defesa de direitos humanos, quanto dos esforços que vêm sendo empreendidos pela Fundação
Estadual da Criança e do Adolescente (Fundac) na perspectiva de mudança dessa realidade.
O segundo propõe fazer uma reflexão sobre para quem se dirige a ação do Estado nos casos
de atos infracionais e a contradição que se coloca com a perspectiva de direito universal do
ECA. Analisará a condição oposta em que se situa o adolescente das classes economicamente
favorecidas, que têm assegurados seus direitos e, do outro lado, os adolescentes pobres, negros
e da periferia, que são alvo das ações punitivas e pouco educativas, apesar do que prescreve
o ECA e o SINASE. E o terceiro fará uma discussão sobre a relação entre a ação sancionatória
e a ação educativa das medidas socioeducativas, ou seja, relacionando o papel da ação
socioeducativa enquanto sanção e promoção, e como o sistema jurídico se posiciona em
relação a isso, na prática. Com esse intuito, explorará um conjunto de pesquisas e intervenções
que problematizam essa relação, tomando por base experiências em diferentes unidades e
programas de atendimento ao adolescente do sistema socioeducativo do Distrito Federal. Os
três trabalhos, com diferentes enfoques, partem da compreensão de que o que vem ocorrendo,
de forma generalizada no Brasil, em termos de violação de direitos de adolescentes em
conflito com a lei, apesar de aparentar posições equivocadas, que resultam na ineficiência do
Estado na aplicação das medidas socioeducativas, se analisado com maior aprofundamento,
revelam ações intencionais e pautadas pela prática de um Estado excludente e seletivo. Assim,
propõem uma reflexão que possa também apontar caminhos e alternativas de enfrentamento
a esta realidade.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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Sistema Socioeducativo Potiguar: contradições e possibilidades de concretização do SINASE
Autores(as):: Ilana Lemos de Paiva (UFRN)

Resumo:

As alternativas de controle social do sistema socioeducativo vêm se mostrando insuficientes


para assegurar que a responsabilização de adolescentes e a proteção das crianças se deem
em termos dignos. Diversos autores têm demonstrado grande fragilidade no atendimento e na
garantia de direitos dos adolescentes que cometem atos infracionais. Tal fenômeno se relaciona
fortemente à cultura de criminalização e encarceramento da juventude das periferias, em geral
alimentada pelos veículos de comunicação em massa, que desconsideram as histórias de vida
e os fatores relacionados ao envolvimento dos adolescentes com atividades ilícitas, ignorando
que esses se encontram em condição peculiar de desenvolvimento e conclamando por punições
cada vez mais severas. No Brasil, tem-se um sistema socioeducativo que viola gravemente
direitos humanos dos adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas e de seus
familiares, especialmente os que cumprem medidas restritivas de liberdade. Tais violações se
explicitam no contexto das unidades de privação de liberdade. Nesse sentido, visando superar
as violações de direitos e potencializar o viés educativo do atendimento ao adolescente autor
de ato infracional, foi construído por diversos atores governamentais, e da sociedade civil, o
Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE), promulgado como lei n° 12.594/12.
O SINASE tem como principal objetivo parametrizar a execução das medidas socioeducativas
no território nacional e enfatizar o caráter pedagógico da socioeducação, e aponta como
importante instrumento socioeducativo o Plano Individual do Adolescente (PIA). Apesar dos
avanços observados, a realidade dos adolescentes que cumprem medidas socioeducativas
continua marcada por quadro de violação de direitos. Desse modo, pretende-se analisar as graves
e recorrentes violações de direitos humanos a adolescentes em conflito com a lei verificadas
no estado do Rio Grande do Norte, como territorialidade específica. Neste estado, todos os
documentos oficiais apontam para a fragilidade das condições de cumprimento de medidas
socioeducativas, com a recorrente negação de direitos para os jovens submetidos à restrição
de liberdade. Atestam, em verdade, que não se trata de violações esporádicas, localizadas ou
eventuais. Em consequência, a tortura, física ou psicológica, a violência, material ou simbólica,
revelam-se como cotidianas. Tal situação levou, mais recentemente, a justiça a interditar
unidades, como ocorreu com o Ceduc Pitimbu em 2012 e com a unidade de semiliberdade
de Natal, em 2013. Em 2014, a 3° Vara da Infância e Juventude de Natal acatou pedido de
tutela de urgência do Ministério Público Estadual e determinou a intervenção sob a Fundação
Estadual da Criança e do Adolescente (Fundac). Desde então, uma série de esforços vêm sendo
empreendidos por diversos atores envolvidos no processo de intervenção da Fundac com
objetivo de reestruturar o sistema socioeducativo do RN. Frente a tal realidade, faz-se mister
uma rigorosa atuação dos órgãos componentes da rede de proteção, a exigência de políticas
públicas condizentes com o Sinase e o ECA, além da participação ativa dos adolescentes e suas
famílias.

Palavras-chave: Adolescentes; SINASE; Sistema Sócioeducativos; Direitos.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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Quem é o adolescente em conflito com a lei? A proposta de universalização do ECA e o alvo
das medidas socioeducativas.
Autores(as):: Veriana de Fátima Rodrigues Colaço (UFC)

Resumo:

Um dos significativos avanços que o Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA, trouxe


em comparação aos códigos que o antecederam é a Doutrina da Proteção Integral, sendo
esta dirigida a todas as crianças e adolescentes. Isto vale tanto para a garantia dos direitos
fundamentais, quanto para os deveres e responsabilizações dos adolescentes frente aos seus
atos. Entretanto, dois questionamentos surgem ao refletirmos o tema: esta garantia de direitos
tem na prática atingido a todos? E, são aplicadas as medidas socioeducativas em todos os
adolescentes que cometem atos infracionais? São perguntas que nortearão a discussão desta
proposta. Abordaremos a relação entre garantias e violações de direitos e o processo seletivo
das ações do Estado, a partir dos sujeitos implicados. A reflexão está pautada pelas discussões
levantadas por Mbembe, que trata da exclusão e marginalização social de determinados
grupos populacionais. Sob este olhar, estaremos discutindo quem é o sujeito alvo das medidas
socioeducativas e o que leva a esse processo de seletividade de pessoas, que são qualificadas
em termos de valorização da vida na condição de humanas e não-humanas. O conceito de
necropolítica, proposto por esse autor, aparece como categoria central desta discussão. Assim,
nossa reflexão está direcionada para a compreensão de que, no que tange à garantia de
direitos fundamentais e à aplicação de medidas socioeducativas, os adolescentes envolvidos
estão posicionados em lados diametralmente opostos entre a inclusão e a exclusão social. Às
Crianças e aos adolescentes das camadas economicamente favorecidas estão assegurados os
direitos, sem que necessitem reivindicá-los, pois fazem parte da parcela para quem o Estado
investe em bens e serviços, dando conta de sua função e proporcionando formação global
nos padrões hegemonicamente estabelecidos. Mas há uma parcela de adolescentes e jovens,
que estão nas periferias das grandes cidades, que são negros em sua quase totalidade, sem
recursos materiais, com mínimo ou nenhum acesso às políticas sociais básicas, que estão à
margem, são invisibilizados quanto à garantia de direitos, porém extremamente visados
quando são acusados ou cometem atos infracionais. Sobre eles incidem a aplicação de medidas
socieducativas e, por serem desqualificados em sua condição de humanidade, estão sob julgo
do Estado na condição de “fazer morrer e deixar viver” (Mbembe). Este é o aspecto nodal, que
sustenta um descompromisso do Estado para com a construção de uma política que invista
efetivamente no que determina o ECA e o SINASE. Portanto, nossa análise sobre o caos que
rege as unidades de aplicação das medidas, em particular, a de privação de liberdade, é de
que as razões desta condição não são encontradas em um processo de ineficiência do Estado
e direcionamento equivocado de suas ações, mas sim, que há uma intencionalidade, tendo em
vista a pretensão de exclusão e até de eliminação desses, que tanto para o Estado quanto para
a sociedade civil, não importa a preservação da vida e a garantia de direitos.

Palavras-chave: Adolescentes/jovens; Direitos; Violência; Necropolítica.

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Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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Ação socioeducativa entre a sanção e a responsabilização: lições a partir de pesquisas empíricas.
Autores(as):: Maria Cláudia Santos Lopes de Oliveira (UNB)

Resumo:

Este trabalho argumenta sobre a necessidade de melhor caracterizar a distinção conceitual


e prática entre o atendimento socioeducativo e a medida socioeducativa no que se refere
à efetuação do atendimento socioeducativo, quando se visa o trabalho verdadeiramente
alinhado com a proteção e a garantia do direito do adolescente ao desenvolvimento de
trajetórias saudáveis de vida. A importante contribuição de Antônio Carlos Gomes da Costa
levou à conceituação das duas dimensões da medida socioeducativa, a saber, a sanção e a
responsabilização. Costa contribuiu oportunamente para destacar o valor pedagógico das
experiências a que o adolescente é submetido na condição em que se encontre sob a tutela do
Estado. Entretanto, essa mesma posição tem favorecido, sobretudo por parte de juízes, a visão
a nosso ver distorcida, de que a aplicação da MSE, em si mesma, dá conta de cumprir o papel
pedagógico de promover responsabilização e autonomia adolescente. Trabalhos posteriores
ao do pedagogo têm contribuído para que se reflita sobre a necessidade de estabelecer uma
separação entre essas duas faces da socioeducação. A aplicação/execução das MSE que é, em
todos os casos, a imposição de maior ou menor restrição de liberdade, fica adstrita à necessária
função sancionatória, sendo contraditória com a funçao pedagógica, se entendemos por
educativas as práticas promotoras de consciência, participaçao, conhecimento, autonomia e
crítica. Por esta visão, ressalta-se a necessidade de se promover formas de atuação da rede
encarregada do atendimento ao adolescente em MSE, que sejam eticamente implicadas
e tecnicamente sustentadas, para a promoção de novas identidades juvenis e outras trilhas
de desenvolvimento, mais saudáveis e menos determinadas pelo conflito à lei. Uma tal
orientacão de trabalho demanda açoes que promovam o engajamento da comunidade e das
famílias, promovendo protagonismo e maior engajamento e participação dos adolescentes
em suas comunidades. Compreendemos que, a despeito das bases jurídicas do atendimento
socioeducativo, alinhado às perspectivas internacionais da proteção e atenção aos direitos
humanos, as iniciativas na direção de ações verdadeiramente educativas na justiça juvenil são
esparsas e pouco documentadas. Profundas transformações são necessárias, a fim de qualificar
o atendimento prestado a adolescente autor de infração no âmbito do sistema socioeducativo
brasileiro. Nesse trabalho, apresentamos e analisamos algumas experiências desenvolvidas no
âmbito do Grupo de Açoes e Investigação das Adolescências (GAIA), da Universidade de Brasília,
que tem se dedicado à realização de pesquisas intervenção voltadas ao desenvolvimento
de metodologias de atendimento socioeducativo inovadoras, no DF, compatíveis com os
princípios e concepções acima delineados. Nessa direção, há diferentes linhas de investigação
em desenvolvimento, no GAIA momento atual, cujas pesquisas serão aqui exploradas: o grupo
como dispositivo de atuação das equipes multiprofissionais no contexto socioeducativo; a
escola, a família e a comunidade na corresponsabilizaçao do adolescente; transições juvenis e
indicadores de progressão e encerramento de medida socioeducativa.

Palavras-chave: Atendimento socioeducativo; Corresponsabilização; Transições juvenis.

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33
Cada vida importa: olhares sobre homicídios na adolescência em Fortaleza
Coordenador(a): Thiago de Holanda Altamirano (Comitê Cearense pela Prevenção de Homicí-
dio na Adolescência)

Resumo Geral:

O Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência nasceu em 2016, a partir da


necessidade de se pensar ações e políticas públicas capazes de responder, de forma emergencial,
essa crescente violência que atinge, sobretudo, os adolescentes e jovens do estado. A iniciativa
partiu de uma articulação entre o UNICEF, a Assembléia Legislativa e o Governo do Estado
do Ceará que arregimentaram para tal empreitada outros parceiros, tanto do poder público,
como da sociedade civil. Quatro eixos estruturantes sustentaram as ações do Comitê. São
eles: I. Audiências públicas, II. Seminários temáticos, III. Grupos focais institucionais e IV. Duas
pesquisas sobre os homicídios na adolescência. A escrita que segue tem como objetivo discutir
alguns resultados de uma das pesquisas realizadas, que teve como interlocutores os familiares
dos adolescentes assassinados no ano de 2015 em Fortaleza, levando em consideração três
pontos presentes na dinâmica comunitária desses garotos que são: 1) Violência armada e
conflitos territoriais: dinâmicas da violência letal contra adolescentes, tema que, em diálogo
com o eixo temático, se justifica em um contexto onde a alguns dos territórios comunitários em
Fortaleza, são marcados pela presença de conflitos que se desenvolvem até chegar à violência
armada. Segundo o Mapa da Violência, Waiselfisz (2016), Fortaleza foi a capital que mais
matou por arma de fogo em 2014. Se em 2004 a capital estava na 19º posição no ordenamento,
entre as capitais, com taxa de 18,4 mortes por 100 mil habitantes, em 2014 ela passou para a
1º colocação, com taxa de 81,5 mortes por 100 mil habitantes. 2) Fragilidade e a precariedade
do acesso: narrativas sobre a trajetória de adolescentes vítimas de homicídios nas políticas
públicas, pois não verificamos a existência de políticas públicas que impactassem a vida desses
adolescentes, por outro lado, a escassez nesse acesso surge como indicador do aumento das
situações de vulnerabilidade de forma a comprometer o desenvolvimento dos adolescentes,
potencializando a vitimização banalizada e invisibilizada de segmentos cada vez mais jovens
da população. 3) Homicídios na adolescência como um fenômeno processual, multicausal e
seletivo, em que não foram observados esforços para que essas mortes sejam esclarecidas
a nível judicial, uma vez que suas vítimas são adolescentes pobres, negros e moradores
das periferias dessas cidades, onde o investimento público é minguado e a infraestrutura é
precária, logo, podemos dizer que são áreas onde a presença do Estado se manifesta com
menor intensidade, evidenciando um processo sóciohistórico de aceitação da morte dessa
parcela da população. Um dos fatores que indica a existência de um indivíduo matável, é a
baixíssima responsabilização por esses crimes contra adolescentes. Na Comarca de Fortaleza,
os pesquisadores do Comitê analisaram 1524 processos de homicídios de adolescentes dos
últimos cinco anos protocolados no Sistema de Justiça e identificaram que, em apenas 2,8%
dos casos, houve responsabilização dos agressores, até o fim de 2016.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
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34
Violência armada e conflitos territoriais: dinâmicas da violência letal contra adolescentes
Autores(as): Thiago de Holanda Altamirano (Comitê Cearense de Prevenção de Homicídios na
Adolescência)

Resumo:

O processo de evolução da violência letal é crescente nas cidades da região Nordeste do Brasil,
sobretudo na última década, e o público mais vulnerável são os adolescentes e jovens negros do
sexo masculino. Fortaleza chegou a atingir, em 2013, um coeficiente de 141,1 homicídios para
100.000 adolescentes, enquanto o da população geral ficou em torno de 83,7 homicídios por
100.000 habitantes. A pesquisa realizada pelo Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios
na Adolescência teve um caráter sócio antropológico, almejando conhecer aspectos dos
modos de vida dos adolescentes mortos em 2015, a partir das narrativas das suas famílias. Foi
utilizado o método quanti-quali por trazer elementos que se complementam, corroborando
para uma interpretação mais abrangente da realidade posta. Durante 03 meses (de março
a junho de 2016), 24 pesquisadores estiveram em Fortaleza e em mais (seis) 6 cidades com
os maiores números absolutos de assassinatos de adolescentes no estado. Nessa discussão,
priorizaremos os dados relativos a Fortaleza. Utilizamos um questionário com questões
fechadas que compreendessem a vida dos adolescentes em quatro dimensões: individual,
familiar, comunitária e institucional. Foram aplicados 146 questionários em Fortaleza, referente
a casos de adolescentes assassinados na faixa etária de 12 a 18 anos. Utilizamos ainda diários
de campo, para que os pesquisadores relatassem o cotidiano de trabalho da pesquisa, que
incluiu aspectos relacionados aos cenários de observação dos lugares, as relações entre as
pessoas e os modos de vida em se encontravam os adolescentes. Nessa dinâmica conflituosa,
alguns resultados apontaram que a perda de pessoas do círculo de familiares e amigos é algo
bastante presente no cotidiano dos adolescentes que foram vítimas de homicídio. O percentual
de adolescentes mortos que tiveram algum membro da família assassinado chega a 45,89%.
Quando a pergunta se estende para o círculo de amizade é possível perceber maior incidência
da violência letal em seus cotidianos, 64,38% dos adolescentes tiveram amigos assassinados,
indicando certa horizontalidade no processo de vitimização letal. No Ceará, a arma de fogo
é o principal meio utilizado para o cometimento de homicídios, somente no ano de 2015, a
polícia apreendeu 6.615 armas de fogo em todo o Estado do Ceará, número equivalente a
uma média de 18 apreensões diárias. Os familiares ouvidos, na capital, revelam que 42,47%
das vítimas conviviam com amigos que possuíam acesso a armas de fogo. Para 29,45% dos
entrevistados, as vítimas não conviviam com pessoas que detinham acesso a armamentos.
O grau de desconhecimento do assunto, contudo, é elevado: 21,23% dos entrevistados não
souberam responder à questão. Embora a dinâmica do tráfico de entorpecentes costume ser
apontada como um dos principais fatores para o cometimento de homicídios, é preciso pôr em
relevo o comércio ilegal de armas de fogo nessa equação. Além de ser o principal instrumento
usado nas execuções, a posse da arma de fogo traz consigo um valor simbólico de distinção
e poder, sendo apontada como uma importante causa para o aumento da violência e dos
homicídios, mesmo diante do seu caráter multicausal.

Palavra-chaves: Violência Armada; Adolescência; Conflitos.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
35
Fragilidade e a precariedade do acesso: narrativas sobre a trajetória de adolescentes vitimas
de homicídios nas políticas pública
Autores(as): Rui Rodrigues Aguiar (UFC)

Resumo:

As políticas públicas devem dar respostas aos problemas que atingem a sociedade enquanto um
sistema. No entanto, uma certa ordem social tem sido constantemente recriada sob a justificativa
da proteção, mas o que nos parece é uma nova roupagem de propostas criminológicas e
positivistas. Contra a marginalidade são formadas políticas que produzem subjetividades
em torno do extermínio e da exclusão de parcela da população, dessa forma são propostas
como a redução da maioridade penal, remoções de habitações populares, encarceramentos,
guerra contras as drogas e, com isso, o aumento da vinculação da criminalidade à pobreza.
Essa escrita tem como objetivo discutir, a partir dos dados levantados pelo Comitê Cearense
pela Prevenção de Homicídios na Adolescência, o acesso às políticas públicas nas trajetórias
de vida dos adolescentes vítimas de homicídios no Ceará. A pesquisa realizada adotou a
metodologia quanti-quali. Foram ouvidas 146 famílias, a partir da aplicação de um questionário
com questões fechadas, de um total de 312 casos de adolescentes (12 a 18 anos) vítimas de
homicídio, em 2015, em Fortaleza. Também foi utilizado a produção de diários de campo,
na medida em que trabalham um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos
fenômenos. Para apontamentos breves dos resultados, ficou-se aparente a necessidade de
garantir a permanência desses adolescentes na escola, uma vez que 73,29% não frequentavam
a instituição há pelo menos 6 meses, que no modelo atual imprime alto desinteresse por
parte desses adolescentes. Nessa tônica, os serviços de saúde demonstram pouco interesse
em atentar para esses indivíduos na adolescência, de forma que 72,60% acessavam o serviço
somente quando estavam doentes, demonstrando que essa fase específica do desenvolvimento
humano é carente de uma atenção focalizada, principalmente no eixo da prevenção. Soma-
se a isso o trabalho irregular e precarizado, onde somente 5,31% tiveram acesso a emprego
com carteira assinada e a ínfima cifra de 2,05% tiveram experiência como jovem aprendiz.
Esse processo gera diversas problemáticas em que uma rede de apoio e proteção deveria
precisamente intervir. Porém, há novamente a pouca presença de instituições de apoio
psicossocial e jurídicas, onde somente 7,53% das famílias recorreram a essas instituições em
situações de conflitos familiares, em Fortaleza. Nas incertezas encontradas no cotidiano da
vida nos territórios urbanos em que moravam esses adolescentes, atividades informais, ilegais
e ilícitas se interligam e entremeiam especialmente no cenário em que indivíduos buscam
a garantia da sobrevivência cotidianamente. Isso pode resultar em um processo cujo o final
seja a aproximação de situações de conflito que, por sua vez, potencializam o risco desses
adolescentes serem vítimas de homicídios. Assim, percebe-se a pouca consolidação das
mínimas condições de cidadania para crianças e adolescentes, fruto das desigualdades e das
vulnerabilidades que limitam o desenvolvimento de uma adolescência plena, onde deveria
haver, por meio das políticas públicas, o contato com aprendizagens múltiplas para uma
construção saudável da autonomia e identidade.

Palavras-chave: Políticas Pública; Adolescência; Homicídios.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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36
Homicídios na adolescência como um fenômeno processual, multicausal e seletivo.
Autores(as): Renato Roseno de Oliveira (Assembleia Legislativa do Estado do Ceará)

Resumo:

É sabido que o Brasil vive uma crise oriunda do projeto de hiperencarceramento (hoje somos
a 4ª população carcerária do planeta). Há, contudo, uma percepção de que muitas vidas são
descartáveis e que seu assassinato é tolerado pela gestão da política criminal, já que os esforços
de responsabilização são tímidos. As 13 mil vagas do sistema penal cearense são ocupadas
por 23 mil presos. Dois terços da massa carcerária responde a crimes contra o patrimônio
ou tráfico de drogas. Portanto, uma porta de entrada larga, onde passam jovens (quase 50%
entre 18 e 28 anos), negros, pobres, de baixa escolaridade. Por outro lado, os crimes contra a
vida, sobretudo de jovens das periferias, já que são esses as principais vítimas, seguem com
baixíssima resolução. O Comitê Cearense pela Prevenção dos Homicídios na Adolescência, em
parceria com o Tribunal de Justiça - CE, realizou levantamento na Comarca de Fortaleza de 1524
processos de homicídios de adolescentes protocolados no Sistema de Justiça, entre os anos de
2011 e de 2016. Até o final do ano passado, chegaram à responsabilização dos agressores, em
primeira instância, apenas 2,8% dos casos. Sendo que 82% se encontram em fase de inquérito
policial, 10,5% em estágio de ação penal e 4,8% foram arquivados por autoria desconhecida
ou morte do acusado. Ressalte-se que a responsabilização deve ser compreendida para além
da exclusiva resposta no campo penal, mas a restituição (ou afirmação) da dignidade da vítima
e suas redes familiares. Os álibis socialmente aceitos e consolidados pela mídia policialesca
é quase sempre de atribuir, mesmo antes de quaisquer investigações, os assassinatos de
jovens a “acerto de contas” ou conflitos de grupos criminosos. Sendo assim, esse trabalho tem
como objetivo discutir alguns resultados da pesquisa do Comitê no que se refere a cadeia de
seletividade socioespacial e estigmatização racial e geracional, demonstrada em territórios com
elevada conflitualidade e sem acesso substantivo aos direitos básicos de cidadania; ausência
de processos oficiais de mediação de conflitos; sujeitos que habitam o lugar social de “classe
perigosa” que passam a ser administrados pela força dos dispositivos penais; elevada presença
de armas de fogo; conformação da representação social de “matáveis”, ou seja, aqueles os quais
se espera a morte. Esse ciclo perverso que gera altas taxas de populações de jovens privados de
liberdade, altos índices de assassinatos de jovens e baixa responsabilização não é contraditório.
É complementar e se retroalimenta. Os que matam, morrem e são presos ocupam um mesmo
lugar de subalternidade. A dinâmica que se institui é que há um indivíduo que, por sua cor,
classe, geração, lugar de vida, tem como possíveis lugares sociais: a precarização, a prisão ou o
cemitério e que em todas essas alternativas, não haveria responsabilização do próprio estado
por suas ausências. O trabalho do Comitê demonstra a permanência de estruturas seletivas
em toda a dinâmica de vida desses jovens. Suas mortes são fruto de processos multicausais
identificáveis e a ausência de resposta estatal a seus assassinatos faz parte do processo de
“naturalização” dessa vergonhosa taxa de morticínio.

Palavras-chave: Homicídio; Adolescência; Encarceramento.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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37
A juventude criminalizada e os desafios para as políticas públicas no Brasil
Coordenador(a): Pedro Paulo Gastalho de Bicalho (CFP)

Resumo Geral:

A mesa-redonda é constituída por três trabalhos que discutem os processos de criminalização


da juventude, em sua interface com as políticas de execução das medidas socioeducativas,
com as políticas de drogas e com a formação de psicólogos para os desafios impostos no
âmbito das políticas públicas, cujos saberes criminológicos são historicamente produtores de
normatização, normalização, estigmatização e, consequentemente, indutores de correção.
O primeiro trabalho, intitulado “Entre estatutos, conflitos e leis: uma análise da convivência
de adolescentes em privação de liberdade” problematiza a relação de adolescentes em
cumprimento de medida socioeducativa com as leis, os códigos, os estatutos, bem como
o modo como as instituições sociais e “representantes das leis” têm se relacionado com
moradores da favela e população negra, configurando-os cotidianamente como ameaça social,
Configura-se como uma estratégia de sobrevivência e resistência em meio à tantas violências
sofridas cotidianamente, em meio a privação das possibilidade de escolha, em meio a tantos
cerceamento da vida, a construção (e o respeito) às suas próprias leis. E deste modo questiona-
se: com quais leis tais adolescentes encontram-se em conflito? No segundo trabalho, intitulado
“Incriminação e criminalização nas políticas brasileiras sobre drogas” analisa modificações
na lei de drogas brasileira a partir da imbricação entre processos de incriminação e de
criminalização nas políticas sobre drogas do país, os quais se constituem como mecanismos de
regulação da existência, operados fortemente pela denominada ideologia da defesa social. Tais
processos constituem-se de mecanismos de regulação da existência humana, seja por meio de
normas afirmadas em dispositivos legais (incriminação), seja com base em maneiras corretas
de ser e estar no mundo, difundidas a partir dos meios sociais, culturais, históricos, políticos
e econômicos (criminalização). O terceiro trabalho, “A crítica criminológica na formação de
psicólogos: políticas de enfrentamento ao processo de criminalização da juventude” aponta a
necessidade de inserção de discussões críticas que envolvem os conceitos de crime, criminoso,
inimputabilidade e periculosidade em disciplinas presentes na formação dos psicólogos.
Aponta-se que a criminologia positivista é hegemonicamente alçada como paradigma para
a produção de tais referências, procurando entender as causas do fenômenos criminosos,
através da inferência de relações de causalidade, matematizações e medições, apoiada nas
abordagens antropométrica e sociológica, representadas pelas escolas positivistas articuladas
a pensadores como Cesare Lombroso e Enrico Ferri. Deste modo, a intervenção psicológica
surge como prática capaz de desvelar subjetividades e, a partir de diagnósticos, a Psicologia
passa a interferir na execução da pena, sem no entanto, colocar em questão a suposta natureza
e a construção histórica dos significados políticos de lei, transgressão e pena.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
38
Entre estatutos, conflitos e leis: uma análise da convivência de adolescentes em privação de
liberdade
Autores(as):: Flávia de Abreu Lisboa (Departamento Geral de Ações Socioeducativas do Estado
do Rio de Janeiro)

Resumo:

Este trabalho surge da pesquisa de mestrado em Psicologia na UFRJ “Adolescentes do DEGASE:


das Privações da Liberdade e dos Conflitos com a Lei”, bem como do trabalho como psicóloga
no Departamento Geral de Ações Socioeducativas do Estado do Rio de Janeiro, tomando a
relação com as leis como dispositivos de análise. Esses jovens encontram-se em situação de
privação de liberdade pelo cometimento de uma infração a uma lei inscrita no código penal.
No entanto, também são considerados infratores de outras normas, que não inscritas nas leis
penais, mas que delimitam cotidianamente as relações sociais, culturais, subjetivas. Antes da
infração à lei jurídica e ainda depois dela, o jovem negro e pobre é considerado esteticamente
infrator e uma ameaça social. Mas no encontro com esses jovens dentro das unidades de
privação de liberdade é possível conhecer outras normas com as quais eles se relacionam.
Trata-se de um conjunto de regras de convivência, chamado por eles de Estatuto, que definem
doutrinas, regras a serem respeitadas e formas de sanção para quem as descumpre. São
leis próprias que se diferem das leis jurídicas ou das normas da instituição DEGASE. Como
exemplo, a convivência nas unidades, incluindo aí a distribuição entre os alojamentos e
os horários das atividades, fica rigidamente restrita aos adolescentes da mesma facção ou
área em que vivem, independente do ato infracional ter vínculo com a facção. A hierarquia
entre os atos infracionais também importa: alguns atos não são toleráveis mesmo entre eles,
como estupro e assalto a ônibus que precisam ser separados do “convívio” como garantia da
integridade física. Afirma-se nesse estatuto que todos têm que “respeitar a família do outro”,
principalmente em aspectos sexuais. Ficam estabelecidos dias para a masturbação, o uso de
duas camisas em dia de visita, ou ainda, que é proibido coçar qualquer parte do corpo durante
a visita. Se por um lado estão em conflito com leis jurídicas e sofrem exclusão e violência por
serem considerados transgressores de normas inseridas na cultura, por outro são criadores,
executores e fiscalizadores de outras leis. Leis que dão sentido à sua convivência, que regulam
suas relações e tornam-se formas de afirmação enquanto sujeito no mundo. Coloca-se em
análise o título que recebem de “adolescentes em conflito com a lei” e questiona-se porque
eles estão em conflito com um tipo de lei, mas respeitam e cobram respeitam a outras formas
de lei? A provocação está na representação que a lei do Estado imprime em suas vidas. Que tipo
de convivência o Estado tem mantido com essa juventude cotidianamente? Jovens moradores
de territórios populares. Jovens negros. Como as leis, os códigos, os estatutos, bem como as
instituições sociais e representantes dessa lei têm se relacionado com moradores da favela e
a população negra? Relação de falta, opressão, violência, extermínio. Afirma-se, portanto, que
a existência desse estatuto, enquanto regras próprias de convivência, configura-se como uma
estratégia de sobrevivência e resistência em meio à tantas violências sofridas cotidianamente,
em meio a privação das possibilidade de escolha, em meio a tantos cerceamento da vida.

Palavras-chave: Lei; Conflito; Liberdade.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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39
Incriminação e criminalização nas políticas brasileiras sobre drogas
Autores(as):: Roberta Brasilino Barbosa (UFRJ)

Resumo:

O contato com forças moventes da tramitação do projeto de lei que visa introduzir modificações
na lei de drogas brasileira, assim como do julgamento pelo Superior Tribunal Federal do
recurso de número 635.659, permite afirmações acerca da existência de uma imbricação entre
processos de incriminação e processos de criminalização nas políticas sobre drogas do país. Tais
processos constituem-se de mecanismos de regulação da existência humana, seja por meio de
normas afirmadas em dispositivos legais (incriminação), seja com base em maneiras corretas
de ser e estar no mundo, difundidas a partir dos meios sociais, culturais, históricos, políticos
e econômicos (criminalização). Os processos de incriminação são aqueles relacionados às
esferas da prevenção, investigação, julgamento e execução, sempre baseados em leis penais;
já os processos de criminalização abrangem aspectos de normatização, normalização,
estigmatização e correção de sujeitos, não necessariamente positivados em leis. Já no momento
de construção legal está pressuposta uma margem de autores das práticas descritas em lei
como crime que a normativa não busca alcançá-los. Os processos de seletividade penal deixam
claro que, para além do que está positivado, existe uma gama de maneiras ‘corretas’ de ser e
estar no mundo, produzidas e difundidas pelos meios sociais, culturais, históricos, políticos e
econômicos. Foucault, a partir do conceito de enforcement of law, reforça essa imbricação,
ressaltando o quanto a regulação de existências (baseada em produção de subjetividades) se
opera com base em processos que afirmam normas em dispositivos legais e em outros cuja
afirmação não está positivada em leis. Por meio do enforcement, desse que se apresenta na
forma de um conjunto de instrumentos necessários a aplicação da lei, a lei ganha força, tendo
em vista que esses instrumentos são postos em prática para dar ao ato de interdição realidade
social e política. Uma análise dos argumentos apresentados tanto a partir da tramitação do
PL 7663/10 na Câmara dos Deputados e posteriormente do PLC 037-2013 no Senado Federal,
quanto do julgamento da inconstitucionalidade do artigo 28 da lei de drogas pelos ministros
do STF trazem mostras claras de relações de saber-poder atuantes na produção de normas,
transgressões e castigos no campo das políticas sobre drogas. Num universo próprio dos
processos de incriminação, imperam mecanismos criminalizantes responsáveis, por exemplo,
por vitimizar usuários de drogas ao mesmo tempo em que culpabiliza ‘traficantes’ e assim
pouco se discute acerca do papel da própria proibição. Alguns esforços são empreendidos no
sentido de repensar as punições impetradas tendo em vista os impactos por elas gerados, mas
por diversas vezes retorna-se o argumento para avaliação individual do sujeito desviante. A
ideologia da defesa social, ao ser empregada pelo Direito Penal especificamente nos assuntos
envolvendo ‘drogas’, necessita de uma noção de sujeito enquanto indivíduo, o que se opera
pela via da criminalização, em que se foca no sujeito e não no desvio por ele cometido.

Palavras-chave: Incriminação; criminalização; Subjetivação; Drogas.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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40
A crítica criminológica na formação de psicólogos: políticas de enfrentamento ao processo de
criminalização da juventude
Autores(as): Pedro Paulo Gastalho de Bicalho (CFP)

Resumo:

A presença das discussões acerca dos saberes criminológicos nos cursos de Psicologia,
quando existem (como parte das disciplinas de Psicologia Jurídica), ainda são marcadas
pela abordagem positivista que reduz o trabalho do psicólogo à participação nas Comissões
Técnicas de Classificação e na aplicação do então chamado exame criminológico no sistema
penitenciário brasileiro, cuja lógica é também atribuída à intervenção deste profissional no
sistema socioeducativo. Ou, ainda, na produção de referências técnicas para confecção de
laudos e pareceres que subsidiem a decisão de magistrados nos Tribunais de Justiça, ou na
construção de escutas capazes de restabelecer a verdade dos inquéritos, produzindo provas
para judicializações, condenações e penalizações, sempre marcados por um discurso que
atravessa um determinado recorte de juventude criminalizada ao estatuto de periculosidade.
Deste modo, a intervenção psicológica surge como prática capaz de desvelar subjetividades e,
a partir de diagnósticos, a Psicologia passa a interferir na execução da pena (ou das medidas
socioeducativa e de segurança), sem no entanto, colocar em questão a suposta natureza e a
construção histórica dos significados políticos de lei, transgressão e pena, produzindo verdades
assépticas em torno de conceitos como crime e criminoso, imputabilidade e inimputabilidade.
Que efeitos têm sido produzidos em nosso cotidiano? Que sujeitos, saberes e objetos – os quais
não existem em si - estamos o tempo todo produzindo? É preciso colocar em análise nossas
práticas, discutindo que psicólogos estamos produzindo e que saberes estamos perpetuando
como professores. Habitualmente, intervir como psicólogo pressupõe analisar um território
individual, interiorizado ou, no máximo, circunscrito a relações interpessoais, transferindo as
produções políticas, sociais e econômicas ao campo de estudos de um ‘outro especialista’.
‘São exteriores à realidade psíquica’, talvez seja esse o argumento. O que significa atravessar a
formação em psicologia com discussões sobre criminologia, violação de direitos e a emergência
das ‘classes perigosas’? Que efeitos são produzidos quando colocamos em análise a ideia
de crime, através de sua proveniência, saberes, diferentes confrontos e produções? O que
significa apresentar a perspectiva positivista ao mesmo tempo em que se discute a genealogia
foucaultiana com suas produções de saberes, poderes e as relações de força que constroem
um determinado modo de fazer criminologia? Com que ética estamos articulados e quais
subjetividades estamos produzindo? Quais epistemologias são asseguradas com tais medidas?
É preciso adquirir a clareza de que nosso trabalho profissional é também um trabalho político,
nunca isento nem neutro. Nossa prática profissional envolve uma concepção de mundo,
de sociedade, de homem, de humano, exigindo um posicionamento sobre a finalidade da
intervenção que fazemos, a qual envolve a certeza de que nossas práticas têm sempre efeitos,
exigindo que tomemos, portanto, posições. Posições epistemológicas que, por serem políticas,
mantêm ou transformam a ordem social em que apoiamos nossos saberes, articulados a
poderes.

Palavras-chave: Criminologia; Psicologia; Política; Formação.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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41
Extermínio de uma juventude negra brasileira: entre políticas de drogas, políticas de extermínio
e políticas raciais
Coordenador(a): Roberta Brasilino Barbosa (UFRJ)

Resumo Geral:

Esta mesa tem como proposta estabelecer-se como disparadora de um debate acerca do
extermínio da juventude negra no Brasil e algumas políticas que atravessam e possibilitam
que o número de jovens negros que morrem no país cotidianamente seja alarmante. Parte-se
da contribuição de três diferentes pesquisas que analisam temáticas e vetores relevantes para
fazer essa análise. A primeira delas, cujo recorte aqui foi intitulado de “Vidas indignas de serem
vividas? Uma análise das políticas de extermínio do jovem negro no Brasil, surge do trabalho
junto a adolescentes em privação e restrição de liberdade, no sistema socioeducativo no Rio de
Janeiro e da relação vida e morte desses adolescentes no que diz respeito às suas perspectivas
de futuro. Para isso, faz se uma discussão acerca das estatísticas alarmantes envolvendo a
morte de jovens negros e alguns discursos, ferramentas jurídicas e conceitos simbólicos que
sustentam, produzem e legitimam uma política de extermínio ou uma política criminal com
derramamento de sangue. Articulado a essa discussão, a segunda pesquisa vem contribuindo
ao propor uma análise acerca do discurso de enfrentamento às drogas e das políticas sobre
drogas no Brasil que são engendrados a partir da atuação policial nas favelas do Rio de Janeiro.
Sob a justificativa de se tratar de um grave problema de segurança pública, ações beligerantes
são executadas constantemente nas favelas e periferias do Grande Rio. Ainda que o comércio
de psicoativos ilícitos ocorra de maneiras distintas e em diferentes espaços da cidade, seus
praticantes não estão presentes de forma igual no dia a dia das delegacias de polícia e nas
estatísticas de mortes por armas de fogo. Ao pensar na relação com as drogas, tema tão
polêmico e tão presente nas juventudes, “Juventudes marcadas: políticas sobre drogas como
estratégia para supressão de direitos” se propõe a articular como o discurso de combate as
drogas têm contribuído para extermínios desses jovens a partir de uma política de cor, em
que a idade e o território são critérios igualmente relevantes na distinção entre o usuário e o
traficante, bem como a forma de tratamento para cada um. A terceira pesquisa propõe uma
análise de fundamental importância ao pensar nas mortes desses jovens que é a questão racial.
Não é possível pensar em juventude sem pensar o grande número de jovens que morrem por
dia atualmente no Brasil. E não é possível pensar nas políticas de juventude sem pensar o
racismo que perpassa as políticas brasileiras, as políticas de drogas bem como tais políticas de
extermínio. No entanto, este último trabalho, “Branquitude e juventude: privilégios do jovem
branco, marginalização do jovem negro”, traz como proposta pensar as desigualdades raciais
a partir da noção de branquitude, enquanto a identidade racial do homem branco, provocando
uma análise do papel do branco dentro das relações de poder e privilégios, e principalmente,
qual o efeito disso na vida da juventude negra e nas estatísticas das mortes da juventude negra.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
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42
Vidas indignas de serem vividas? Uma análise das políticas de extermínio do jovem negro no
Brasil
Autores(as):: Flávia de Abreu Lisboa (Departamento Geral de Ações Socioeducativas do Estado
do Rio de Janeiro)

Resumo:

Este trabalho está vinculado pesquisa de mestrado na UFRJ junto a adolescentes do


Departamento Geral de Ações Socioeducativas do Estado do Rio de Janeiro e tem como objetivo
provocar uma discussão acerca do extermínio da juventude negra no Brasil. Tema que surge da
inquietação de que os jovens que passam pelo sistema socioeducativo estão sempre à beira da
morte, podendo a qualquer tempo tornar-se mais um número de uma estatística alarmante. O
que leva a compreensão, por parte de muitos adolescentes e suas famílias, de que estar numa
unidade de privação de liberdade torna-se um livramento da morte e uma nova chance de vida.
Baseado no Mapa da Violência, que analisou o impacto das armas nas taxas de mortalidade do
País, alguns estudos demonstram o excessivo número de mortes entre jovens de 15 a 29 anos,
configurando um contexto político de extermínio. Das 56.337 pessoas assassinadas no país em
2014, 30.072 eram jovens, o que nos leva a estimativa de 07 jovens mortos a cada duas horas
e 82 por dia. Vale ressaltar também que em 2012 quase 96% das mortes de jovens matadas
por arma de fogo foram por homicídio. Números que representam uma política de extermínio,
a qual é engendrada por uma racionalidade que produz e sustenta essas grande número de
mortes. Dentro dessa política está o dado relevante de que grande parte dessas mortes foram
cometidas por policiais, a serviço do Estado. Mas é necessário pensar que a polícia mata, mas
todo o aparelho jurídico também mata quando legitima práticas que criminalizam o jovem
negro e pobre, quando sustenta argumentos e ferramentas que justificam o uso legal da força
e autorizam que a polícia mate. O discurso de combate às drogas, os autos de resistência ou
o grande número de arquivamentos, por parte do Ministério Público, em casos de mortes
envolvendo policiais fazem parte do que alguns autores chamam de uma política criminal com
derramamento de sangue. Esse sistema que produz e legitima o extermínio dessa juventude vêm
articulado com um sistema ideológico jurídico, sendo atravessado pelo conceito simbólico de
vidas indignas de serem vividas. Trata-se de pensar em vidas que passam a ter menos valor por
pertencerem à um grupo que ganha uma colagem identitária de possível perigoso e ameaça
constante. Um grupo que têm cor e território específico, e que são associados à figura do
inimigo, que coloca em risco a sociedade e por isso precisa ser exterminado. Contudo, afirma-se
que, para pensar as políticas de extermínio de jovens negros, é necessário pensar nas questões
raciais e nas desigualdades territoriais, as quais perpassam as relações cotidianas e sustentam
as políticas públicas brasileiras, para que possamos afirmar e garantir o direito à vida. Por mais
políticas que analisem as relações territoriais e afirmem o direito desses jovens a circular pela
cidade e serem respeitados em suas comunidades. Por mais políticas que analisem as relações
raciais, o racismo em sua estrutura. Por políticas que não criminalizem o jovem negro, o jovem
pobre. Por mais jovens vivos. Por mais jovens negros vivos. Pelo fim das políticas de extermínio.

Palavras-chave: Juventude; Extermínio; Direito à Vida.

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Juventudes marcadas: políticas sobre drogas como estratégia para supressão de direitos.
Autores(as):: Roberta Brasilino Barbosa (UFRJ)

Resumo:

Tendo em vista uma perspectiva vigente de enfrentamento para a temática ‘droga’, perspectiva
a qual frequentemente alija um debate sobre o assunto em diferentes esferas, lança-se luz para
alguns efeitos de políticas sobre drogas no Brasil que são engendrados a partir da atuação
policial nas favelas do Rio de Janeiro. Sob a justificativa de se tratar de um grave problema de
segurança pública, ações beligerantes são executadas constantemente nas favelas e periferias
do Grande Rio, promovendo criminalizações e mortes entre os envolvidos mais diretamente. E,
no processo que legitima essas práticas, observa-se a presença de uma lógica dicotomizante
que não só captura sob identidades únicas e estáticas formas diferenciadas de existência,
como também as coloca em pólos opostos, frequentemente identificadas como ‘inimigos’,
promovendo bloqueios na discussão. Neste trabalho serão apresentadas algumas formas de
atenção no âmbito da segurança pública que são destinadas a certas áreas da cidade tidas como
diferenciadas. Legitimando-se a partir da necessidade de combate ao comércio de psicoativos
ilícitos, as favelas e seus moradores são palco de diferentes tipos de ocupações, executadas
por agentes públicos de segurança fortemente armados, majoritariamente militares. Ainda
que o comércio de psicoativos ilícitos ocorra de maneiras distintas, seus praticantes não estão
presentes de forma igual no dia a dia das delegacias de polícia. Segundo o Fundo Monetário
Internacional, 500 bilhões de dólares são gerados pelo ‘narcotráfico’, mas a população
carcerária que responde por esse crime no Brasil é formada quase exclusivamente por pessoas
não brancas, extremamente pobres e com baixa escolaridade, detidas com drogas e sem armas,
na maioria das vezes. Retirando a cifra negra (delitos cometidos, mas desconhecidos pelas
autoridades, e delitos investigados, porém sem resultarem em processo penal), chegamos à
relação que existe hoje entre favelas e combate ao comércio de psicoativos ilícitos, incompatível
com a criminalidade real envolvendo comércio e produção de drogas e totalmente marcada
pela visibilidade da infração, adequação do autor ao estereótipo do criminoso construído pela
ideologia prevalente, incapacidade do agente em beneficiar-se da corrupção ou prevaricação
e vulnerabilidade à violência. A cidade enquanto negócio necessita de um tipo de investimento
que é atrapalhado por aqueles habitantes de inserção falha na lógica de consumo. Por esse
motivo então, esses citadinos precisam ser gestados, papel exercido brilhantemente pelas
políticas sobre drogas que respaldam certo tipo de política de segurança pública (pautada
na negação do direito à segurança) para favelas e periferias do Rio de Janeiro. A discussão
proposta também se preocupa em ressaltar os principais efeitos decorrentes dessa política
de segurança: as prisões e as mortes de diferentes atores (e atrizes) que compõe esse cenário,
ainda que sejam quase todos identificados univocamente por ‘traficantes’.

Palavras-chave: Drogas; Criminalização; Segurança Pública;

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
44
Branquitude e juventude: privilégios do jovem branco, marginalização do jovem negro
Autores(as):: Luciana Maciel Henriques (UERJ)

Resumo:

Este resumo é embasado em minha pesquisa de mestrado sobre branquitude e universidade,


objetivando discutir a relação dos jovens universitários brancos com sua branquitude. É
preciso pensar na branquitude e sua contribuição para a marginalização de jovens negros,
numa sociedade desde sempre estruturada pelo racismo. Nesta perspectiva, a relação racial
assimétrica legitima práticas violentas como o extermínio da juventude negra. O pensamento
racista da sociedade deve ser exposto e problematizado. Há modos sutis de se reproduzir a
estrutura racista brasileira, e a branquitude (identidade racial branca) reforça e produz violência,
ao passo que não racializa o sujeito branco, colocando-o em invisibilidade, e racializando
apenas o outro, o não branco. E só se constrói um diálogo, uma relação simétrica, em termos
raciais, quando o sujeito branco também se inclui nesta relação. A branquitude poderia se
encaixar em pautas sobre as relações raciais, porém num contexto de violência contra o
jovem negro, percebe-se as nuances raciais que este tema abrange, incluindo a questão da
branquitude. De acordo com estudos de autoras como Lia Schucman e Maria Aparecida Bento,
a não racialização do sujeito branco leva ao reforço dos discursos racistas, reproduzidos a todo
o momento, aceitáveis entre a população branca, não compreendidos como racistas e faz com
que essa estrutura esteja pautada nas questões de poder que a assimetria das relações raciais
trazem. É preciso que a branquitude seja discutida e compreendida por nós brancos, e seja
promotora de mudanças, em âmbito relacional. Apenas ter consciência de sua branquitude não
leva o sujeito branco a parar de obter privilégios em detrimento da população não branca. E o
que isso reflete na violência contra jovens negros? Através da branquitude, posição hierárquica
onde o branco se encontra, de privilégio e poder, as desigualdades se reafirmam sobre a
população negra e pobre. Havendo um diálogo horizontal, as desigualdades possivelmente
iniciarão um retrocesso. As desigualdades sociais no Brasil são antes de tudo raciais e, portanto,
colocam o jovem branco na segurança de que terá oportunidades e perspectiva de futuro, de
sonhos e realizações. O que significa dizer que o genocídio de jovens negros explícito, cruel, e
também legitimado pelo discurso racista é reforçado pela branquitude brasileira. Em outras
palavras, o jovem branco tem mais oportunidades de vida que o jovem negro, simplesmente
por ser branco, simplesmente porque a sua identidade racial o deixa confortável para ter uma
expectativa e qualidade de vida maior e melhor. Enquanto jovens negros morrem nas favelas,
são marginalizados, não conseguem oportunidades de vida, jovens brancos estão ocupando
seus lugares confortáveis dentro das escolas, em bairros seguros, nas universidades e nos
cargos de diretoria das empresas. Se não problematizarmos a branquitude e nos incluirmos
nas relações raciais, visando promover mudanças e diminuir nossos privilégios, continuará
havendo marginalização da juventude negra, de forma legitimada pelo racismo brasileiro.

Palavras-chave: Branquitude; Racismo; Juventude.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
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Juventude, Violência e Sistema Socioeducativo: Pesquisas e Intervenções no Campo da Justiça
Juvenil
Coordenador(a): João Paulo Pereira Barros (UFC)

Resumo Geral:

A ideia de que a produção do fenômeno da violência tem sido protagonizada pela juventude é
um tema que será problematizado nesta mesa. Historicamente, assistimos ao nascimento e à
falência de alguns olhares e modos de intervenção com adolescentes a quem se atribui autoria
de infrações. Atualmente, a justiça juvenil brasileira se baseia nas diretrizes constitucionais
de proteção integral à infância e adolescência, assim como nos procedimentos dispostos no
estatuto da criança e do adolescente e na lei do sinase. Por tais legislações, a resposta ao
ato infracional praticado por adolescentes deve seguir trâmite jurídico distinto do que está
regulamentado para os adultos. Embora inimputáveis frente ao direito penal comum, os
adolescentes são responsabilizáveis diante de lei especial. A estes está prevista a aplicação
de seis tipos de “medidas socioeducativas”, as quais se diferenciam das penas determinadas na
justiça comum, pela natureza jurídica e finalidade, já que as alternativas de responsabilização
propostas aos adolescentes, por serem socioeducativas, devem desempenhar uma função
pedagógica, com inúmeras peculiaridades em seu processo de aplicação e execução.
Conforme a lei do SINASE, as medidas socioeducativas devem se pautar em objetivos como
a integração social e a garantia de direitos individuais e sociais do adolescente, bem como
na promoção de seu processo de responsabilização quanto ao ato infracional praticado.
Considera-se a internação como a ação de responsabilização mais gravosa a ser aplicada a um
adolescente. Por tal motivo, o sistema de justiça juvenil adota como princípios norteadores a
ideia da excepcionalidade e da brevidade da aplicação dessa medida. Quando se assinala que
a responsabilização pela prática delituosa deve ser promovida primordialmente por outros
meios, distintos do cárcere, temos aí uma peculiaridade da justiça juvenil, distanciando-a,
em princípio, da lógica encarceradora verificada na justiça comum. Ao se pensar em outras
estratégias de responsabilização, traz-se ao debate o desafio de práticas que promovam, para
além da sanção jurídico-estatal, os encaminhamentos objetivos ao sistema de garantia de
direitos, cumulados com momentos de ressignificações e aprendizados para os jovens a quem
se atribui autoria de infração. Assim, a proposta desta mesa redonda prioriza três objetivos
principais: (a) problematizar o fenômeno da violência e as elaborações discursivas que, na
contemporaneidade, produzem a figura do jovem “infrator”, “perigoso”, “vicioso” e descartável,
por meio da apresentação de um conjunto de pesquisas e intervenções vinculadas ao grupo
vieses-UFC; (b) traçar um panorama da situação da execução de medidas socioeducativas no
Ceará, por meio da apresentação dos resultados parciais da pesquisa de monitoramento da
política de atendimento socioeducativo, realizada pelo fórum DCA desde 2006; (c) discutir sobre
os resultados de uma pesquisa-intervenção com adolescentes em cumprimento da medida
de psc em uma região administrativa de Brasília-DF, que se interessou pelas especificidades
do trabalho grupal, propondo reflexões e ressignificações para as práticas de atendimento
socioeducativo.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
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Juventudes, Violências e Modos de Subjetivaçrâneos: Reflexões a partir de Pesquisas e
Intervenções do VIESES-UFC
Autores(as): João Paulo Pereira Barros (UFC)

Resumo:

O objetivo deste trabalho é analisar conexões entre juventude e violência contemporaneamente


tecidas no Brasil, com ênfase na realidade de fortaleza, a partir das pesquisas e intervenções
desenvolvidas pelo “Grupo de pesquisas e intervenções sobre violências e produção de
subjetividades” (VIESES-UFC), ligado ao departamento de psicologia e ao programa de pós-
graduação em psicologia da Universidade Federal do Ceará (UFC). Esse recorte se justifica tendo
em vista ser esta a capital brasileira que apresentou maior índice de homicídios na adolescência
– 2012 e também pelo fato de que a situação degradante do sistema socioeducativo cearense
acarretou a denúncia do estado brasileiro à corte interamericana de direitos humanas em
2016. Sobre o panorama da violência envolvendo jovens na capital do Ceará, segundo dados
da secretaria municipal de saúde, Fortaleza esteve entre as três grandes cidades das Américas
e Caribe com maiores taxas de homicídios. Desde 2006, a mortalidade de adolescentes por
homicídios superou a da população em geral e segue significativamente maior. Entre 2014-
2015, cerca de mil jovens foram vítimas de homicídio na cidade. Nesse contexto, que pistas
as conexões entre juventude e violência urbana fornecem acerca das tecnologias de poder e
dos modos de subjetivação em curso no Brasil e em capitais como a do Ceará? A realidade de
criminalização, hiperencarceramento e extermínio de jovens em sua maioria negros, pobres
e habitantes das margens urbanas expõe a presença de modos fascistas de viver em plena
“democracia”, desarranjando o mito que associa brasilidade e cordialidade ao mesmo tempo
em que reiteram como a violência tem sido usada no brasil como dispositivo de controle
social da pobreza. A elevação dos índices de homicídio e encarceramento juvenis no Brasil
e em outros países da América Latina nos últimos 40 anos atesta a vigência de maquinarias
autoritárias de expressões multiformes, a despeito dos processos de democratização dessas
sociedades. A análise psicossocial da violência urbana no Brasil faz pensar que seu caráter
difuso e sua elevação à condição de como norma social acarretam o aumento de inseguranças
e a diminuição da confiança nas instituições, corroborando a produção do medo como
operador político e sua instrumentalização por forças autoritárias que retroalimentam o ethos
da eliminação de existências “infames”. Tem-se, portanto, o recrudescimento da produção de
sujeitos matáveis e de subjetividades punitivo-penais, sendo a figura do “jovem envolvido”
uma das principais encarnações do “inimigo social” e, portanto, uma das principais identidades
para o extermínio. Como desdobramento dessa análise do panorama fortalezense e das suas
tramas de saber-poder-subjetivação, o trabalho buscará apresentar experiências acadêmicas
desenvolvidas nesse contexto desde 2015 pelo Vieses-UFC junto a profissionais que atuam
com juventudes e junto a diversos segmentos juvenis, inclusive aqueles que cumprem medidas
socioeducativas, em torno dos eixos: violência e modos de subjetivação; práticas sociais e
institucionais, direitos humanos e políticas públicas; pesquisa-intervenção e micropolítica de
produção de subjetividades.

Palavras-chave: Juventude; Violência; Subjetivação.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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Grupo como dispositivo socioeducativo-dialógico: Reflexões a partir de uma pesqusia-
intervenção com adolescentes em cumprimento de PSC
Autores(as):: Dayane Silva Rodrigues - Secretaria da Criança e do Adolescente do Distrito
Federal

Resumo:

A Liberdade Assistida (LA) e a Prestação de serviço à comunidade (PSC) são medidas


socioeducativas aplicadas a adolescentes em caso de cometimento de ato infracional. Tais
formas de responsabilização se utilizam de práticas restaurativas, avessas à lógica punitivo-
encarceradora e, portanto, denominam-se medidas em meio aberto. Sob esse contexto
interventivo, a complexidade do atendimento aos adolescentes requer um olhar mais cuidadoso
com relação às ações empreendidas pela equipe socioeducativa para que tal atuação não se
reduza à mera fiscalização e ao ajustamento de comportamentos. Com base nessa conjuntura,
o presente trabalho objetiva problematizar especificidades, princípios e estratégias para
a utilização de metodologias grupais como dispositivos de atuação no atendimento a
adolescentes que cumprem, especificamente, esses dois tipos de medidas. As informações que
são discutidas neste trabalho foram produzidas por meio de uma pesquisa-intervenção, que
operacionalizou 16 encontros grupais, ao longo de três meses, com onze adolescentes, em
idades de 15 a 17 anos. Os participantes estavam sentenciados ao cumprimento da medida
de prestação de serviço à comunidade e encontravam-se vinculados a uma unidade de
atendimento em meio aberto do distrito federal. Sob a lente das abordagens histórico-culturais
de compreensão do desenvolvimento humano e da perspectiva do dialogismo, a discussão de
dados da investigação empreendeu uma análise microgenética, de base indiciária, do processo
grupal, por intermédio de um olhar atento às interações e trocas relacionadas aos mecanismos
de produção de significações no desenrolar dos encontros do grupo de adolescentes. O
estudo sistematizou os resultados em quatros blocos temáticos intitulados: “eu, o grupo, o
território e outros estranhos”; “eu, agente de transformação da minha vida e ator social”; “eu,
prestador de serviço à comunidade” e, por último, “eu e o processo grupal”. Em tais seções,
são comentados aspectos relativos aos fluxos do movimento grupal, permeado por devires,
ressignificações, produção de um plano comum e heterogêneo, problematizações acerca do
relacionamento dos participantes com seu território, diálogos sobre a construção de projetos
de vida pessoais e de metas coletivas, reflexões acerca do campo de possibilidades de atuação
de cada jovem, articulações entre trabalho e juventude, debates acerca da realização de uma
atividade colaborativa comunitária e os impactos e efeitos da psc para os adolescente e para o
território. Por fim, sob a voz dos participantes e como uma avaliação final de todo a pesquisa-
intervenção, o estudo discutiu sobre as estratégias de viabilização do trabalho de grupos
nas medidas socioeducativas em meio aberto e teorizou sobre o conceito de grupo como
dispositivo socioeducativo-dialógico. Espera-se que tal concepção de grupo possa contribuir
para o aprofundamento do debate sobre metodologias de atendimento em socioeducação,
com vistas a ampliar as ferramentas de atendimento em aos adolescentes em cumprimento de
medidas em meio aberto.

Palavras-chave: Desenvolvimento Humano; Adolescentes; Socioeducação.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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Fórum de Direitos da Criança e do Adolescente: Experiências de monitoramento de Medidas
Socioeducativas
Autores(as):: Francimara Carneiro Araújo (CEDECA Ceará)

Resumo:

O Fórum Permanente de ONG’s em Defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes – Fórum
DCA Ceará, realiza desde 2006 o monitoramento das medidas socioeducativas destinadas a
adolescentes a quem se atribui autoria de ato infracional. Esse tipo de ação vai ao encontro da
concepção do sistema de garantias de direitos – SGD, no qual o controle social das políticas
públicas é fundamental para efetivação dos direitos infanto-juvenis. A política de atendimento
socioeducativo do estado do ceará passa por um gravíssimo contexto de violações de direitos
humanos. Tal cenário ensejou, inclusive, o protocolo de uma petição com pedido de medidas
cautelares no sistema interamericano de direitos humanos em março de 2015. Nos primeiros
seis meses do ano de 2016, contabilizou-se mais de 400 fugas e 75 episódios conflituosos nas
unidades de internação masculina do ceará, o que expressa uma escalada crescente do número
e da gravidade dos conflitos. Esta crise no sistema socioeducativo cearense tem manifestado
suas consequências em diversas denúncias de tortura, maus tratos, agressões, superlotação,
restrição ao acesso à água, à alimentação e ao convívio familiar, além da ausência de atividades
de escolarização, de lazer e profissionalizantes. Como principal resposta do governo do estado
do ceará, foi criado, por força da lei estadual 16.040/2016, promulgada em junho de 2016,
a superintendência estadual de atendimento socioeducativo do ceará (SEAS), órgãos com
autonomia administrativa e orçamentária para gerir o atendimento socioeducativo de meio
fechado do estado do ceará. Como forma de mensurar os impactos que a mudança da gestão
da política tem provocado, o fórum dca iniciou no segundo semestre de 2016, as visitas para
a produção do 4° relatório de monitoramento do fórum DCA, abrangendo os nove maiores
municípios do ceará, em termos de internação de adolescentes, incluindo a cidade de fortaleza
e sua região metropolitana. Tal monitoramento consiste na aplicação de questionários semi-
estruturados com os principais atores do atendimento socieducativo e com os adolescentes.
Outra ação desenvolvida é a vista in loco aos principais equipamentos. Dentre os meses de agosto
e novembro de 2016, privilegiou-se a visita aos municípios do interior e da região metropolitana
de fortaleza. Em cada visita, garantiu-se o monitoramento dos creas, que executam as medidas
socioeducativas de meio aberto; das unidades de internação e de semiliberdade; das delegacias
da polícia civil e de atores do sistema de justiça juvenil. Além disso, também no segundo
semestre de 2016, foram realizadas visitas não-agendadas a unidades da cidade de fortaleza,
por conta de denúncias de tortura e maus-tratos dos familiares dos internos. A inspeção a
locais de privação de liberdade, é uma estratégia preventiva da prática de tortura e tem têm
sido utilizada pela organizações da sociedade civil como uma das táticas mais eficazes na
defesa dos adolescentes vítimas de violência e como espaço de incidência sobre os órgãos
encarregados da responsabilização dos agressores. Todas essas ações contribuem para a
conclusão do 4° relatório de monitoramento, que será lançado em abril de 2017.

Palavras-chave: Socioeducação; Monitoramento; Infância; Adolescência; Direitos.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
49
Juvenicídio no Brasil: Juventudes, violências, vulnerabilidades e preconceitos
Coordenador(a): Marisa Feffermann (IS-SP)

Resumo Geral:

A realidade política, econômica e social que se expressa hoje, com a derrocada do “estado
de bem estar social”, aponta para o declínio do modelo de proteção social, e explicita cada
vez mais a violência estrutural com a falta de oferta de trabalho e os seus processos de
desregulação do trabalho. A conseqüência é o recrudescimento da tendência totalitária em
virtude do acirramento da contradição do desenvolvimento tecnológico atrelado à reprodução
da miséria e das desigualdades sociais e uma crescente política de criminalização das parcelas
mais pobres da população brasileira, em especial os negros e indígenas em especial e os jovens.
O contingente de jovens existentes na América Latina vivendo em situação de vulnerabilidade,
aliada às turbulentas condições socioeconômicas de muitos países dessa região provoca
grande tensão entre os jovens que agrava diretamente os processos de integração social
e, em algumas situações, fomenta o aumento da violência e da criminalidade. Esta ordem
dominante tem ampliado condições de precariedade e de vulnerabilidade dos jovens, a partir
de perspectivas classistas, racistas, homofóbicas e de ordem proibicionista, que com o pretexto
de combater o crime organizado, têm funcionado como estratégia de limitação dos espaços
sociais de liberdade. A sociedade, por meio de mecanismos ideológicos, ataca todos os que
possam representar a falha do sistema. E desta forma, observa-se a exigência da sociedade
- aterrorizada - por um rigor punitivo traduzido em penas severas para os transgressores e a
criminalização generalizada de condutas. Este cenário é pouco promissor para jovens que
fazem parte dos segmentos da população mais afetados pela desigualdade social, pelas
políticas de ajuste econômico neoliberais e pela falta de efetividade das políticas sociais,
portanto, os efeitos da violência agudizam-se, capturando-os. Nesse contexto, pesquisadores da
América Latina têm buscado compreender o processo que implica em condições precarizadas
e persistentes que têm custado a vida de centenas de milhares de jovens não só na América
como, também, na Europa, com base no conceito de Juvenicídio.Com essa mesa propomos
discutir diferentes modos de expressão desse estado na América Latina, com particular atenção
para situações de violência ocorrida contra jovens no Brasil e no México.O primeiro trabalho
a apresenta parte dos resultado de uma pesquisa sobre os jovens das do Rio de Janeiro que
vivem a realidade que os oprime, de um lado os agentes do estado ( UPP - Unidade de Polícia
Pacificadora) e o Comando Vermelho ( em Rio de Janeiro).O segundo trabalho realizará uma
discussão do caso dos 43 desaparecidos de Ayotzinapa, amplamente divulgado, será por nós
aqui apresentado, para problematizar os modos como os governos, em especial o mexicano,
tratam seus jovens. O terceiro trabalho apresentará os resultados de uma pesquisa, trazendo as
informações concretas que levam os agentes dos órgãos dos Sistemas de Segurança Pública a
indiciarem por ato infracional equiparado a tráfico os adolescentes apreendidos em flagrante
portando substancias psicoativas proibidas em Londrina e região.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
50
Adolescentes e jovens: o tráfico de drogas em territórios com UPPS, tempos vividos, percepções
e expectativas
Autores(as):: Marisa Feffermann (IS-SP)

Resumo:

O trabalho apresenta parte dos resultados da pesquisa intitulada: “Adolescentes e jovens: o


tráfico de drogas em territórios com UPPs (Unidade Pacificadora de Polícia), tempos vividos,
percepções e expectativas” com o apoio da Fundação de Amparo à pesquisa do Rio de Janeiro
- Faperj, sobre os jovens que estão ou estiveram inseridos no tráfico de drogas em duas favelas,
uma na Zona Norte e outra na Zona Sul do Rio de Janeiro onde as UPPs foram implantadas.
Territórios com características semelhantes quanto a estigmatização, segregação, pobreza e
violência. Regiões, que sofrem o estigma espacial dos grandes centros urbanos, no caso específico
do Rio de Janeiro e a violência oriunda desta realidade. A pesquisa segue caminho qualitativo
com uma abordagem socioantropológica, com duração de dois anos e meio. O trabalho de
campo foi um componente básico do estudo, requisito para se adentrar no universo simbólico
dos pesquisados. Este foi o principal critério para a escolha das UPPs a serem estudadas, a
possibilidade de um contato anterior com a comunidade e com alguns jovens pesquisados. As
narrativas produzidas por meio da entrevista em profundidade foram complementadas pela
observação de campo. A nossa proposta foi combinar observação participante com formas de
escuta, considerando que há uma peculiar representação e convivência de adolescentes e jovens
com a realidade das UPPs. Os aspectos pesquisados na vida dos jovens foram: família, escola,
participação no tráfico de drogas e as mudanças com a Implantação das UPPS. Apresenta a
realidade de jovens trabalhadores do tráfico de droga,vivem hoje uma realidade que intensifica
a violência que perpassa o cotidiano das favelas/comunidades do Rio de Janeiro. Um cotidiano
de opressão, de um trabalho arriscado, onde cada dia é vivenciado como único. São explorados
como todos trabalhadores na sociedade capitalista, sendo a mais valia pode ser a sua própria
vida. A vida destes jovens esta intimamente relacionada a implantação da UPP e o vínculo
com o tráfico que ocorre em seu território e ainda ao grupo a que pertencem, que no caso dos
territórios estudados, é o Comando Vermelho. No estudo das trajetórias dos jovens uma das
instituições fundamentais para entendermos suas vidas e sua visão de mundo passa por um
olhar sobre instituições sociais como a escola. A questão que se apresenta mais latente é como
estas famílias, independente da maneira como estão estruturadas, vão conciliar a manutenção
e o fortalecimento destes vínculos, no sentido de contribuírem positivamente na trajetória
de vida destes jovens, com todas as condições de precariedade nas quais então envoltas. A
percepção dos jovens sobre a implantação das UPPs é dividida e muitas vezes contraditória,
todavia o que prevalece é a sensação de insegurança proveniente desta realidade.

Palavras-chave: Tráfico; Drogas; Juventudes; UPP; Violência.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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51
Foi o Estado!: violências contra jovens no México
Autores(as):: Lila Cristina Xavier Luz (UFPI)

Resumo:

Nas ultimas décadas muito se discutiu e se afirmado acerca da despolitização das juventudes.
Frases como: “não querem nada com a vida”, “são individualistas”, “só pensam em futilidades”,
“são alienados”, ecoavam pelos quatro cantos até bem pouco tempo. Essas afirmativas eram
recorrentemente utilizadas como referência a uma ação política vinculada à presença massiva
de pessoas nas ruas das grandes cidades, em geral pessoas jovens, durante as décadas de 1980
e 1990. Realidade empírica que, em geral, serve de base para as análises sobre as práticas
políticas de jovens na América Latina. Assim, as diferentes e recentes formas de contestações
juvenis são desconsideradas, desrespeitadas e anuladas, fato que tem resultado em violência
física contra jovens que protestam em espaços distantes dos holofotes urbanos. Um exemplo
recente da crueldade das instituições em responder a formas de protesto de jovens em espaços
rurais é o caso do desaparecimento dos 43 estudantes do Estado de Guerrero no México. Os
desaparecidos eram alunos da escola rural “Isidro Burgos” de Ayotzinapa, apreendidos pela
polícia local na noite de 26 setembro de 2014. Em seguida, narrativas diversas nos meios
de comunicações, no senso comum, de representantes de instituições de defesa de direitos
humanos, dos familiares dos jovens, evidenciam que os mesmos foram entregues a uma
quadrilha de traficantes de drogas. Até a presente data esses jovens continuam desaparecidos
e pouco se sabe, efetivamente, sobre o ocorrido. Todavia, há um consenso social de que o
estado mexicano é o responsável pelo ocorrido; pela violência que toma conta do país desde
que o governo declarou “guerra” ao narcotráfico. São comuns os acontecimentos violentos
no México. A maioria deles resulta em desaparecimento forçado de mulheres, crianças, em
especial, jovens pertencentes a populações originárias residentes em zonas distantes dos
centros urbanos, ou localizadas em áreas de conflitos resultantes de disputa por terras.
Segundo Lorusso (2016), mais de oitenta mil mortos e cerca de dezesseis mil os desaparecidos
nos seis anos a partir de quando o ex-presidente Felipe Calderón declarou “guerra” ao tráfico
de drogas, período de 2006 a 2012. Nos últimos anos esses números cresceram ainda mais.
Fontes oficiais falam de uma tragédia humanitária ainda maior. A sociedade mexicana vive em
meio à militarização dos territórios, a propagação do medo e constantes ações de desrespeito
aos direitos humanos. A principal intenção dessa comunicação é ampliar o debate e fomentar
reflexões acerca das violências contra jovens na América Latina, tendo por referência o México,
um país marcado por extrema desigualdade social e violência. O caso dos 43 desaparecidos
de Ayotzinapa, amplamente divulgado, será por nós aqui apresentado, para problematizar os
modos como os governos, em especial o mexicano, tratam seus jovens. Esse trabalho é parte de
minha experiência no percurso do estágio de pós- doutorado, realizado na UNAM-Universidade
Nacional Autônoma do México, de 2014 a 2015, realizado com o apoio da CAPES-Coordenação
de Apoio ao Pessoal de Ensino Superior.

Palavras-chave: Juventudes; Massacre; Violência de Estado.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
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52
Guerra contra juventude pobre: apreensões de adolescentes por tráfico de drogas
Autores(as):: Andréa Pires Rocha (UEL)

Resumo:

O resumo traz parte dos resultados do projeto de pesquisa “Adolescentes flagrados com porte
de drogas proibidas em Londrina e região: consumidores de drogas e/ou trabalhadores do
tráfico?” vinculado ao departamento de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina.
O objetivo geral foi conhecer as informações concretas que levam os agentes dos órgãos
dos Sistemas de Segurança Pública a indiciarem por ato infracional equiparado a tráfico
os adolescentes apreendidos em flagrante portando substancias psicoativas proibidas em
Londrina e região. Nos pautamos em discussões críticas acerca do Estado Penal, criminalização
da pobreza e controle da juventude pobre. Além disso, nos fundamentamos teoricamente na
tradição marxista, compreendendo as drogas como mercadorias que dependem de processos de
trabalho e exploram mais valia. Neste sentido vemos que o proibicionismo e a guerra às drogas
são elementos essenciais para o controle da juventude pobre. Os instrumentos metodológicos
foram a revisão bibliográfica e, principalmente, a pesquisa documental na qual obtivemos
fontes primárias que foram sistematizadas e refletidas a partir de analises qualitativas.
Analisamos Boletins de Ocorrência da Delegacia do Adolescente de Londrina/PR do período
de Janeiro a Dezembro de 2014, que totalizou 1.149, destes, 461 situações estavam vinculadas
diretamente a questão das drogas, sendo 340 referentes a tráfico de drogas e 121 referentes
a posse de drogas. Constatamos que a atribuição de ato infracional equiparado a tráfico de
drogas leva a internação provisória em quase totalidade dos casos. Dos 378 adolescentes
que lhes foram atribuídos ato infracional equiparado a tráfico de drogas, 351 foram levados
a internação provisória, ou seja, quase a totalidade dos adolescentes permaneceu privada de
liberdade, mesmo que por pouco tempo. Já dos 160 adolescentes apreendidos por posse de
drogas, 14 foram para internação provisória.
Estes dados ;anunciam a materialização da ideologia proibicionista, pois se a maioria dos
adolescentes apreendidos por tráfico portava no máximo 100 gramas de drogas, a internação
provisória poderia não ter sido aplicada. Outra preocupação revelada é em relação as
internações por porte, pois a lei 11.343/2006 coloca que a privação de liberdade não pode ser
medida aplicada no caso de porte, ou seja, nenhum adolescente poderia ter sido internado por
estar portando alguma substância proibida.
Consideramos que a pesquisa em questão demonstrou o quanto o ato infracional equiparado
a tráfico de drogas é recorrente em Londrina. Dentre as análises desenvolvidas a constatação
que merece destaque é o excesso de internações provisórias que os adolescentes apreendidos
com drogas são submetidos, comprovando, desta forma, o quanto a ideologia proibicionista
interfere na decisão dos órgãos de segurança. Privações de liberdade que demonstram o
quanto a guerra as drogas é uma guerra contra a juventude pobre.

Palavras-chave: Juventude; Pobreza; Consumo; Tráfico; Drogas.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
53
EIXO 3: Juventudes e seus territórios (Campo e Cidade)

Afetos, ambiente e cultura: A juventude rumo a uma transição ecológica para a superação de
vulnerabilidades
Coordenador(a): Zulmira Áurea Cruz Bomfim (UFC)

Resumo Geral:

A mesa-redonda “Afetos, ambiente e cultura: A juventude rumo a uma transição ecológica para
a superação de vulnerabilidades” tem como objetivo apresentar experiências e investigações
do Brasil e Espanha que contemplam um olhar sobre o enfrentamento das vulnerabilidades,
apontando caminhos que trazem resultados tanto nos aspectos subjetivos como objetivos. A
diminuição de vulnerabilidades ambientais e sociais para a juventude deve ser pensada nesta
proposta considerando os aspectos estruturais e ambientais, as dimensões simbólicas, afetivas e
culturais, dentre outras. Isto quer dizer que se deve investir em questões consideradas objetivas
como geração de emprego e renda, politicas publicas para criação de oportunidades para os
jovens, mas também aquelas que podem contribuir para a construção de significados com o
ambiente, com a natureza, com arte e cultura. Os eixos teóricos Juventudes e seus territórios
(Campo e Cidade) e Juventudes, artes e cultura se aproximam do conteúdo a ser abordado
pela mesa. A primeira fala vai apontar o lugar como um papel protetor dos jovens como
extensão das subjetividades em seu aspecto afetivo, principalmente em relação ao sentimento
de pertencimento ao lugar. Pesquisa desenvolvida entre grupos de pesquisas do programa
de pós-graduação em psicologia da UFC e do programa de pós-graduação em psicologia do
desenvolvimento da UFRGS, vinculado ao Cnpq, demonstrou que a criação de simbolismos e
significações do jovem com o bairro e a comunidade pelo pertencimento ao lugar pode ser
um caminho para a diminuição de vulnerabilidades sociais e ambientais. A Estima de lugar é
investigada como uma categoria teórica construída a partir dos mapas afetivos, instrumento
este, que se configura como uma ferramenta de conhecimento dos afetos em relação aos
lugares. A segunda fala aponta a importância da contribuição ativa da juventude no Brasil e
Espanha para a transição ecológica por intermédio de um projeto inovador que objetiva analisar
normas, valores e atitudes das pessoas jovens em diferentes culturas, tendo em conta gênero,
religião, etnia e economia, a partir da cooperação e da solidariedade. Este trabalho aponta a
importância da educação ambiental na juventude, com continuidade, para que seja efetiva
a ação ambiental em contextos comunitários, associada também aos estudos da dimensão
psicológica espacial dos problemas ambientais globais. E o terceiro resumo apresenta uma
proposta de desenvolvimento humano e comunitário que visa por meio das artes, educação,
permacultura, Biodança e ações ambientais, trabalhar a consciência do cidadão jovem com
autonomia, buscando o fortalecimento da identidade, ao mesmo tempo em que busca preservar
o seu lugar de origem, mostrando e buscando possibilidades socioeconômicas para se viver
bem integrado com a natureza. As três apresentações pretendem mostrar inovações quanto à
forma de trabalhar as vulnerabilidades na juventude envolvendo aspectos simbólicos, afetivos
e culturais tendo como base o lugar, a natureza e a sustentabilidade.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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54
A comunidade e o bairro como dimensão afetiva de proteção subjetiva do jovem de Escola
pública em Fortaleza
Autores(as):: Zulmira Aurea Cruz Bomfim (UFC)

Resumo:

Os estudos dos aspectos protetores subjetivos sobre jovens no contexto Brasileiro tem priorizado
as dimensões da autoestima, auto eficácia e perspectiva de futuro (Koller, 2009), porém poucos
estudos têm sido observados sobre os aspectos ambientais e do lugar como proteção subjetiva.
A estrutura física e o contexto de vulnerabilidades sociais têm sido considerados em seus
aspectos objetivos, como exemplo, a inclusão do meio ambiente e da sustentabilidade nas
Conferências Nacionais de Juventude, ou mesmo a previsão de participação da população
entre 15 e 29 anos como estratégica para o desenvolvimento sustentável na Agenda 21. A
dimensão afetiva relacionada ao lugar em nossos aportes baseado em pesquisas com alunos
de Escolas publicas de Fortaleza vão demostrar que a autoestima do jovem se correlaciona
positivamente com a comunidade e o bairro (Bomfim, et all 2013) em seus aspectos simbólicos.
O lugar exerce um papel protetor como extensão da subjetividade dos jovens em seu aspecto
afetivo, principalmente em relação ao sentimento de pertencimento. A pesquisa (Colaço, et all
2013) desenvolvida entre grupos de pesquisas do programa de pós-graduação em psicologia da
UFC e do programa de pós-graduação em psicologia do desenvolvimento da UFRGS, vinculado
ao Cnpq, demonstrou que a criação de simbolismos e significações do jovem com o bairro
e a comunidade pelo pertencimento ao lugar pode ser um caminho para a diminuição de
vulnerabilidades sociais e ambientais. A Estima de lugar (Bomfim, 2013) é investigada como uma
categoria teórica, a partir do Instrumento Gerador dos Mapas Afetivos (IGMA), que se configura
como uma ferramenta de conhecimento dos afetos em relação aos lugares, visto que estes são
muitas vezes intangíveis. O método consistiu em os jovens de escolas publicas externalizarem
imagens, em relação ao ambiente, de Pertencimento, Agradabilidade, Insegurança, Destruição
ou Contrastes, as quais foi possível qualificar o apreço ao lugar como potencializador e, ou
ao contrario a insegurança e destruição como despotencializadoras. Estas imagens têm sido
identificadas em diversas pesquisas (ALENCAR, 2010; BERTINI, 2006; BOMFIM, 2003; BOMFIM et
al., 2013; FEITOSA, 2014), levando ao aprimoramento e aprofundamento em torno de categorias
teóricas que envolvem a psicologia ambiental e social e áreas interdisciplinares que estudam
o ambiente. A partir do levantamento dos indicadores afetivos foram feitas intervenções em
uma escola publica no bairro de umas das cinco regionais de Fortaleza buscando priorizar
as atividades de trilhas urbanas, oficinas de fotografias, elaboração de fanzines e circulo de
cultura, visando potencializar a estima de lugar e autoestima dos jovens. Muitos deles não
conheciam o bairro a partir de uma percepção experiencial e sensível, proporcionando as
potencialidades para estes, de cuidado e de reponsabilidade ambiental. Nossas conclusões
apontam que Estimar os jovens é estimar a escola, o bairro e a comunidade.

Palavras-chave: Afetividade; Psicologia ambiental; Vulnerabilidade social.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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55
Envolvimento da juventude na transição ecológica
Autores(as): Ricardo Antonio Garcia Mira (Universidade da Coruña)

Resumo:

O objetivo desta apresentação é sintetizar o contexto pessoal e social em que as pessoas


jovens contribuem ativamente para a transição ecológica na Espanha e Europa por intermédio
de um projeto inovador que objetiva analisar normas, valores e atitudes das pessoas jovens
em diferentes culturas, tendo em conta gênero, religião, etnia e economia. Além disso, busca
avaliar os determinantes de implicação dos jovens em modelos socioeconômicos sustentáveis
e explorar as oportunidades e obstáculos que as pessoas jovens têm em relação a um país
mais sustentável e inovador. Este trabalho aponta a importância da educação ambiental na
juventude, com continuidade, para que seja efetiva uma ação ambiental, que por sua vez,
associa-se também aos estudos da dimensão psicológica espacial dos problemas ambientais
globais, considerando principalmente os contextos comunitários. Porem é importante enfatizar
que focar na juventude neste trabalho não significa deixar de olhar para outras gerações e ou
outras populações, por isso também se pretende comparar os resultados alcançados nesta
faixa etária com os de pessoas idosas e de comunidades socialmente excluídas. É ainda objetivo
desta apresentação contemplar formas inovadoras de práticas que permitam a contribuição
da juventude plenamente na transição socioeconómica em direção a uma sociedade mais
sustentável e sua implicação na sociedade. As pesquisas desenvolvidas na Universidade da
Coruña e Europa sobre sustentabilidade centram-se na necessidade de aprofundar modelos
explicativos do comportamento pro ambiental, e por intermédio da participação propõe
a incorporação do conhecimento científico à comunidade como base para o desenho de
politicas que integrem a dimensão cultural e educativa na gestão ambiental. Para isso, os
participantes, jovens e crianças voluntárias aprendem pela experiência de interação cultural,
proporcionando oportunidade para a internacionalização e intercâmbios. Os voluntários
participam de varias atividades nos países anfitriões, com a idade variando entre 9–17 anos em
casa de jovens ou unidades com uma educação multicultural. Todas as atividades são conduzidas
por jovens coordenadores. Durante as ferias vários eventos envolvendo os voluntários são
organizados visando a interação cultural e a transição para uma sociedade mais sustentável.
Os resultados apontaram algumas estratégias metodológicas para visualizar representações
sociais dos valores que regem a transição ecológica nesta faixa etária, abordando o estudo da
sustentabilidade, desde seu conceito até sua implicação no contexto da cultura e dos valores
sociais. Uma perspectiva critica na juventude se faz necessária para a implementação de
programas práticos de ação e de intervenção ambiental, tanto nos âmbitos institucionais como
no educativo e cultural.

Palavras-chave: Cooperação; Transição ecológica; Valores ambientais.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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56
Coral e Banda Semente das Artes: uma integração cultural e ecológica na comunidade
Autores(as): Jofran Fonteles Borges (ONG Semente das artes)

Resumo:

O coral e banda Semente das Artes faz parte de uma proposta de desenvolvimento humano
e comunitário do Instituto Semente das Artes e seus parceiros, Associação Comunitária Sônia
Maria, Portal Vida, Inec, entre outros, que vem por meio das artes, educação, permacultura,
biodança e ações ambientais trabalhar a consciência do cidadão jovem com autonomia,
buscando um fortalecimento da identidade, e, com isso, preservando seu lugar de origem,
mostrando e buscando possibilidades socioeconômicas para se viver bem e feliz integrado
com a natureza. O Instituto existe a mais de dez anos e atua por todo estado, já realizando
ações pelo Brasil e em outros países como: Espanha, Argentina, Colômbia, Peru e Cabo Verde.
Tem 3 sedes; Fortaleza, Taíba e em São Vicente – Meruoca, local de onde está o coral e banda
Semente das Artes. O projeto do coral e banda foi criado em abril de 2014, após a implantação
do NAE – Núcleo de Artes, Educação e Eventos, que aconteceu em janeiro do mesmo ano, que
é uma tecnologia social de desenvolvimento humano e socioeconômico por meio de ações
culturais, ambientais e criativas. É formado por moradores da comunidade de São Vicente,
principalmente jovens, na serra da Meruoca, que não tinha conhecimento e nem habilidades
musicais, que foram adquirindo na participação das aulas, ensaios e vivências. Além dos jovens
há uma integração intergeracional com donas de casa, estudantes, agricultores e profissionais
de várias áreas. A base de intervenção das atividades esta pautada no principio biocentrico (Toro,
1992) que tem a vida como concepção primeira de compreensão e intervenção do mundo e por
isso todas atividades estão voltadas para a preservação da vida, a arte e a sustentabilidade.
Como resultado das intervenções feitas nestes três anos estão: as apresentações do grupo no
Festival de Arte e Ecologia de São Vicente (I,II, III); no Encontro Nordestino de Educação e
Cidadania ( V, VI e VII); no XII Festival de Música da Ibiapaba; na Cantata de Natal da Meruoca;
eventos das comunidades de Santo Elias, Anil, Meruoca e Massapê; Sesc Sobral; abertura da
apresentação da Orquestra da Croácia (I, II e III) e dos cursos de Formação de Facilitadores em
Desenvolvimento Comunitário; Intercâmbio com Norteamericanos na praia da Taíba em São
Gonçalo do Amarante; Festa da Cidade de Meruoca, Encontro Anual do Crediamigo; abertura do
show da banda The Good Gardem; Feira do Empreendedorismo da Região Norte; apresentação
nos eventos das escolas e igrejas de Meruoca, além de outros eventos. O repertório é bastante
eclético, mas basicamente trabalha-se músicas com mensagens de paz, amor, fraternidade,
alegria, natureza e encontro consigo mesmo. Os temas de valorização regionais também
são abordados. Para o natal o repertório apresenta além de canções de domínio público,
composições próprias, em latim e de grandes compositores como Beethoven e Luiz Gonzaga.
O trabalho é todo voluntário e realizado com apoio institucional da Associação Sônia Maria e
Portal Vida. A regência, produção e concepção musical é do produtor, professor e arte-educador
Jofran Fonteles Borges que também é presidente do Instituto Semente das Artes

Palavras-chave: Principio Biocêntrico; Arte; Cultura; Juventude.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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57
Juventudes de territórios populares na afirmação de suas diferenças socioculturais
Coordenador(a): Jorge Luiz Barbosa (UFF)

Resumo Geral:

As juventudes das periferias urbanas são geralmente definidas como carentes, miseráveis e
violentas. Portanto, não são consideradas em suas potências de superação das condições
materiais e imateriais das desigualdades sociais. Predominam estereótipos e estigmas que
marcam negativamente as experiências de relações sociais e culturais. Não é sem surpresa
que o senso comum considera que “falta cultura” aos jovens das periferias urbanas. A questão
principal é que suas práticas não são reconhecidas como relevantes para sociedade como
um todo. E, não raras vezes, são tornadas invisíveis na cidade. Compreender potências e atos
socioculturais dos jovens na cidade requer a superação de representações hegemônicas que os
discriminam e os desconsideram como sujeitos do pensar e do agir em sociedade. Este caminho
nos permite não só enfrentar criticamente as representações discricionárias, mas também criar
uma aproximação da multiplicidade da experiência urbana de ser jovem. Em outras palavras,
precisamos considerar a criatividade, os desejos e as sociabilidades cotidianas que informam
sobre o mundo da vida dos jovens na cidade contemporânea. Os jovens não estão apenas
esperando a idade adulta ou consumindo objetos e sensações com avidez. Eles estão criando
modos de se constituírem como sujeitos em sociedade, expressando-os nas multiplicidades
de se apresentar e de viver com os outros. Invenções de si no cotidiano cruzam as vivências
de classe, raça, etnia e gênero, por isso é preciso falar do jovem no plural. Entendendo a
pluralidade, não como a composição de tipologias, mas enquanto princípio de diferenciação
constante de si por práticas e discursos. Pensamos os jovens a partir de três categorias que se
impõem em seu cotidiano e em suas experiências socialmente construídas: a desigualdade, a
pluralidade e a diferença. A desigualdade surge nas condições reais de existência, presente
em suas condições socioeconômicas, na distinção de direitos dos bairros onde habitam
e nos cerceamentos de sua mobilidade na cidade. A pluralidade remete para as variadas
formas de ser jovem; hábitos, gostos e modos de ser, que muito além das tipologias indicam
possibilidades de viver na relação com outros. Por fim, temos a diferença como experimentos
de si, um processo permanente de invenção em narrativas e práticas que apresentam os
jovens e os afirmam como sujeitos autônomos e coletivos na cidade. O jovem plural, desigual
e diferente cria para si, na relação com os muitos outros, as suas possibilidades de viver e de
ser na cidade. Criando outras narrativas de si e de suas espacialidades nas expressões culturais
por eles protagonizadas, afirmando-se enquanto sujeitos da diferença: questionadores das
representações homogeneizantes e autores de outros modos de ser na cidade. Colocar em
debate as questões acima enunciadas na mesa proposta com título Juventudes de territórios
populares na afirmação de suas diferenças socioculturais.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
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58
Território populares e juventudes na cena da cultura urbana.
Autores(as): Jorge Luiz Barbosa (UFF)

Resumo:

O território é produto de enlaces sociais das condições de nossa existência, bem como dos
investimentos simbólicos que nos fazem representar nossa experimentação corpórea do
mundo. No território estão presentes as cristalizações de símbolos, memórias e valores, que
encarnam o sentido primordial da cultura. Porém, ele mesmo não pode ser interpretado como
uma demarcação rígida e intransponível. O território também representa uma fronteira de
comunicação de culturas, reclamando a presença do Outro como possibilidade de realização
renovada dos modos de vida. A cultura é muito mais do que um conceito normativo empregado
para definir distinções entre práticas sociais, ou mesmo de produção/consumo de bens estéticos.
Ela diz respeito às vivências concretas dos sujeitos no ato de conceber e conhecer o mundo, a
partir das semelhanças e diferenças que são construídas em suas histórias de existência. Pode-se
afirmar, então, que a cultura é produto do encontro de saberes e fazeres na pluralidade da vida
social. Portanto, devemos considerar que a cultura se constrói do movimento próprio das relações
dos indivíduos entre si com a experiência de realização da vida, promovendo a significação do
ser-no-mundo. A cultura e o território possuem relações mais do que próximas, uma vez que
se realizam mutuamente. Entretanto, quando vivemos em cidades globalizadas pelo mercado
de produção e consumo cultural, começamos a indagar qual é o papel dos sujeitos sociais e
territórios urbanos no campo da criação e fruição estética. Desta interrogação primeira é que
nosso trabalho se propõe a trazer os territórios populares para a cena cultural, identificando
experiências estéticas das juventudes que possibilitam o devir da cidade. Apesar dos estigmas
da pobreza e da criminalização que ainda marcam os jovens de territórios populares, a riqueza
de suas expressões estéticas e de seus modos de afirmar a sua pluralidade cultural é admirável.
Os repertórios culturais dos jovens geram redes de sociabilidade que inventam, integram e
renovam experiências estéticas urbanas. As linguagens, costumes e práticas das juventudes
na cidade são significativas para entender a cultura que pulsa no território. Os jovens de
territórios populares lutam teimosamente para demonstrar a pluralidade da cultura em suas
múltiplas possibilidades de inventar sociabilidades. Estes jovens colocam o debate da cultura
na cidade em um campo mais complexo, que supera a condição hegemônica de bem, serviços
e/ou práticas culturais que tem se prestado à mercantilização da vida pública. Os jovens em
suas múltiplas ações apresentam a cidade como expressão da pluralidade de experiências
afetivas, existenciais e estéticas. É com esta pegada que colocamos em destaque a riqueza
cultural dos jovens de territórios populares no espaço urbano contemporâneo.

Palavras-chave: Território; Cultura; Juventudes; Cidade.

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Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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59
Jovens Umbandistas: Sujeitos estéticos criando territórios na cidade
Autores(as):: Ilaina Damasceno Pereira (UERJ)

Resumo:

Os jovens criam múltiplas expressões de si nas condições de sua existência na sociedade


urbana e, por meio destas expressões, apresentam sua diferença e contestam as representações
homogeneizantes das juventudes. A criação de músicas, danças, audiovisuais, gestos corpóreos,
entre outras mobilizações de linguagens estéticas, são atividades que enunciam confrontos
entre os modelos universais impostos e as experiências do contingente dos sujeitos sociais em
suas diferenças.
A criatividade dos jovens resulta de experimentos nos quais além de se distinguirem uns
dos outros, buscam pensar e fazer diferente do modo hegemônico de representações
socioculturais. Convocamos, portanto, jovens como sujeitos estéticos em suas performances
públicas de afirmação da diferença. Ou seja, sujeitos criativos que praticam modos de existir
questionadores, contingenciais e subversivos, sobretudo por problematizarem a normalização
das práticas sociais e a naturalização de desigualdades.
Estes jovens põem em destaque distintos modos de apropriação dos espaços de uso comum
(praças, parques, ruas e avenidas), evidenciando encontros e confrontos nos quais a cidade é
tornada território da política.Para o debate dos jovens como sujeitos estéticos na construção
da polis, analisaremos a experiência de umbandistas em Fortaleza (Ceará). Os coletivos
analisados (Maracatu Filhos de Iemanjá, Afoxé Filhos de Oyá e Grupo Cultural Toque de Senzala)
combinam discursos e ações em performances culturais por meio das quais se apropriam da
cidade.As performances são atos subversivos pelos quais os sujeitos aparecem e tornam-se
visíveis. Essas ações criadoras de sentidos, e, por isso mesmo, configuradas como rupturas
das normas estabelecidas, afirmam a diferença e a pluralidade ontológica. Trata-se de uma
disputa de imaginário sobre o significado da cidade em consonância às potências de criação
da diferença no mundo da vida.
As performances dos jovens umbandistas, enquanto possibilidade de apropriação da cidade,
são práticas que buscam presentificar a diferença em situações e locais onde a religião
não poderia estar. Nestas performances, os jovens umbandistas apresentam a diferença e a
desigualdade que marca as juventudes urbanas, e os encontros e conflitos de apropriação e
uso do território. Os jovens umbandistas em performances criam auto-apresentações (ARENDT,
2000) nas quais se mostram como seres políticos na cidade. Primeiro, revelando a pluralidade
de sujeitos que a habitam, sobretudo ao mostrar a existência de outros não contemplados ou
mesmo invisibilizados pelas narrativas hegemônicas. Segundo, se dão a conhecer por meio de
eventos variados e capazes de desafiar a narrativa única e homogeneizadora da sociedade.
E, terceiro, se afirmando como sujeitos da diferença em agendas ético-políticas de direito à
diferença na cidade.

Palavras-chave: Jovens umbandistas; Sujeitos estéticos; Cidade.

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Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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60
Dos espaços de identidade aos espaços de visibilidade.
Autores(as): Mário Pires Simão (UERJ)

Resumo:

Esta apresentação propõe um recorte sobre os jovens residentes em favelas no Rio de Janeiro,
destacando como a representação hegemônica atribuída a estes pode colaborar com a
invisibilidade destes como sujeitos políticos na cidade. Ao pensar a categoria juventude pela
ótica da diferença, se propõe a discutir estratégias de visibilidade dos jovens de origem popular
que passam por uma politicidade do corpo, do seu território de origem e pela cultura digital.
Juventude é uma categoria em disputa política. Partimos da premissa de que as arquiteturas
conceituais de juventude podem gerar uma certa invisibilidade de parcelas significativas de
jovens que não se enquadram em seus parâmetros. Caminhamos para pensar os jovens a partir
da desigualdade e da diferença, tentando superar os esquemas modulares centrados no que
chamamos de uma biocronologia da juventude. Os jovens vivem realidades suficientemente
desiguais a partir da origem, da classe social, da condição de gênero, do local de moradia,
entre outros. Embora a realidade da desigualdade não se restrinja aos jovens e, também, não
se localiza apenas em favelas, cabe reconhecer que estes territórios e seus moradores vivem
condições restritas em termos de acesso a direitos. Contudo, a desigualdade não se expressa
apenas por uma paisagem urbana de ausência ou escassez de recursos materiais, mas também,
pela produção de uma subjetividade extremamente cruel e promotora de estereotipias e
discriminações, que pode gerar distanciamentos que comprometem o sentido da cidade
como lugar do encontro, como nos aponta Henri Lefebvre. Distâncias físicas e simbólicas,
construídas ao longo do século XX, vão produzindo e difundindo a ideia de que as favelas
e, conseqüentemente, seus moradores, não pertencem à cidade, não compartilham do modo
civilizado de morar na cidade. Desigualdade não atua somente em sua condição de ter acesso
a produtos, mas na sua condição de pertencimento à cidade. A distinção territorial de direitos
opera na construção de um indivíduo que encontra dificuldades para se relacionar com a
cidade no conjunto de possibilidades que ela poderia lhe proporcionar. Criam-se, desta forma,
interditos e constrangimentos, o que pode afastar, silenciar, particularizar a existência de
muitos jovens, impactando sua mobilidade social e territorial. Este trabalho é desdobramento
de tese de doutorado concluída na Universidade Federal Fluminense em 2013, produção que
foi resultado da análise de entrevistas e material de grupo focal realizado com jovens de seis
espaços populares da metrópole carioca. Nele buscamos os sujeitos nos seus contextos de
vida e tentamos apresentar como as tipologias de juventude tendem a invisibilizar os jovens
oriundos de espaços populares. Assim tentamos discutir a partir de suas narrativas, como
enfrentam tais tipologias, como reconhecem a si, ao outro e como parte da cidade. As narrativas,
então, nos levaram a identificação de algumas estratégias de visibilidade acionados por estes
sujeitos, isto é, dos espaços de identidade aos espaços de visibilidade como sujeitos político,
que estabelece novas relações com a cidade.

Palavras-chave: Juventudes; Espaço; Diferença; Espaços populares.

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61
Juventude e psicologia comunitária: possibilidades de intervenções psicossociais
Coordenador(a): Márcia Kelma de Alencar (URCA)

Resumo Geral:

Esta mesa redonda se propõe a discutir possibilidades de intervenção com jovens a partir do
referencial teórico-metodológico da Psicologia Comunitária. Consideramos a importância
desta discussão devido ao potencial de contribuição desse campo do saber para as
intervenções em políticas públicas, já que o foco é situado na juventude que vivencia contextos
de pobreza. A Psicologia comunitária visa o desenvolvimento do sujeito comunitário, este atua
coletivamente em seu contexto social de forma consciente, crítica e transformadora. Para
tanto, utiliza o método dialógico-vivencial como base e o compromisso ético-político com
a transformação das condições sociais injustas e opressoras como norte. Assim, posiciona-
se em favor dos povos oprimidos social e culturalmente no contexto latino-americano.
Coerentemente com este posicionamento, utiliza técnicas e instrumentais que possibilitem o
fortalecimento e desenvolvimento dos potenciais dos jovens, buscando responder aos desafios
atuais da juventude urbana e rural, a partir do respeito às suas diversidades e possibilidades
de transformação de si e do entorno social em que vivem. Sendo assim, a proposta desta mesa
vincula-se ao eixo 3, Juventudes e seus territórios (Campo e Cidade), pois consiste em apresentar
três trabalhos acerca dessas reflexões, compreendendo e situando a complexidade desta
questão já que as técnicas de intervenção precisam estar vinculadas ao compromisso ético-
político, às especificidades da juventude e à potencialidade de desenvolvimento psicossocial
dos jovens. O primeiro situa a problemática da juventude e suas diversidades, apontando as
possibilidades de intervenções com jovens no âmbito da Psicologia Comunitária. Aponta ainda
o desafio em pensar e desenvolver estratégias de atuação com esses jovens, considerando o
contexto de pobreza em que vivem, constituindo-se esta condição como propulsora de limites e
potencialidades do existir. O segundo elege o círculo de cultura como uma das técnicas a serem
utilizadas na intervenção com grupos de jovens, dada as suas características de simplicidade
na aplicação, flexibilidade ao contexto e possibilidade de utilizar diversas linguagens para
motivar a juventude na busca da conscientização e transformação das situações adversas por
ela enfrentadas. Para tanto, descreve as etapas desta técnica, o papel do facilitador e suas
especificidades no trabalho com jovens. O terceiro trabalho visa relatar uma proposta de
intervenção a ser realizada com um grupo de jovens em uma comunidade rural no sertão
do Ceará através da atuação de um projeto de extensão em Psicologia Comunitária que tem
como foco os jovens da comunidade de Canafístula, município de Apuiarés, sertão do Ceará,
apresentando a possibilidade de uma intervenção em Psicologia Comunitária no contexto
da juventude rural. Os três estudos visam caracterizar a contextualização da temática, o
embasamento teórico-metodológico da intervenção e suas possibilidades de concretização.

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62
Juventude(s) e diversidades: entre as possibilidades de ser e intervir
Autores(as):s: Alexsandra Maria Sousa Silva (UFC) e Fernanda Maria Matias Sousa (UVA)

Resumo:

Problematizar a juventude é questionar a concepção da igualdade pela igualdade, que


homogeneíza o ser humano e se sobrepõe ao reconhecimento da diversidade de condições
em que vivem os nossos jovens. Isso se configura como um desafio para nossa atuação, em que
precisamos estar atentos a uma formação humana, política, social, cultural e ética, com foco na
análise crítica da realidade mesma vivida por esses jovens, onde o preconceito é naturalizado,
reproduzido e sustentado. Diante disso precisamos nos questionar: Quais estratégias possíveis
para atuar e intervir junto da juventude pobre, na direção de contribuir com processos de
conscientização? O objetivo deste trabalho é sistematizar possíveis técnicas e estratégias de
intervenção com jovens pobres. A metodologia proposta é baseada na concepção dialógica,
reflexiva e vivencial e nos referenciais da Psicologia Comunitária. Dentre essas técnicas temos
algumas direcionadas as intervenções individuais, como entrevista e visita domiciliar, outras
com foco a atuação coletiva, como dinâmicas, jogos, arte-identidade e vivências. Além disso,
faz-se necessário discutir o papel e as características do facilitador, que se contrapõe a visão
de líder ou animador de grupos, comumente estudadas em Psicologia. O facilitador tem a
função de favorecer processos sociais e humanos, gerar apoio mútuo, convivência afetiva,
cooperação e integração, participando também das mudanças que ocorrem no processo de
facilitação, uma vez que ele deve buscar entrar no fluxo do grupo. Dentre as características de
um facilitador, destacamos: Inserção (comunitária/grupal); Potência Pessoal; Capacidade de
vínculo; Conhecimento de técnicas de intervenções; Manejo democrático do grupo; Capacidade
de apoiar de dar limites; Fluidez verbal; Didática. Ser facilitador de grupos de jovens exige
um olhar diferenciado para essa juventude, reconhecendo o pluralismo da condição juvenil
como um fenômeno presente nas juventudes moderna, em que essa diversidade constitui a
formação de valores e, atravessa dentre outras, a dimensão social, cultural, sexual e afetiva.
A juventude, portanto, significa o primeiro contato com os dilemas da vida adulta, sendo esta
entrada traduzida por uma experiência vivida com maior intensidade, pelo que a construção
de identidade se configura relevante para esse momento. Quando se fala em juventude pobre,
estamos nos referindo a uma juventude marginalizada, e oprimida, mas que também possui
suas potencialidades, e que reconhecer isso é fundamental para intervenção com esses sujeitos.
O nosso desafio enquanto psicólogos e psicólogas é de pensar e desenvolver estratégias de
atuação com esses jovens, onde possamos reconhecer que se mudam as épocas, os modos
de ser jovens, mas permanece a necessidade de garantirmos o direito de ser e viver em uma
sociedade mais justa e democrática para todos e todas.

Palavras-chave: Juventude; Intervenção; Psicologia Comunitária.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
63
Projeto de intervenção com juventude rural: potencialidades e fortalecimento de jovens no
sertão do Ceará
Autores(as):s: Maria Natália Bizerra Pimentel Monteiro (UFC) e Verônica Morais Ximenes (UFC)

Resumo:

Faz- se necessário pensar a juventude de forma que seja atravessada pela ruralidade, levando
em conta os progressos e desenvolvimento da zona rural, não sendo mais vista como lugar de
atrasos, mas detentora de potenciais e elementos que fazem com que alguns jovens queiram
ficar em suas comunidades, não mais saindo de sua cidade de origem para buscarem outras
oportunidades nas grandes cidades. Diante de tais mudanças no cenário rural, se faz necessário
um foco mais voltado ao desenvolvimento das potencialidades de jovens em zonas rurais, haja
vista que ainda é pouco o incentivo para que eles permaneçam em seu lugar de origem, podendo
desenvolver e construir atividades junto às suas comunidades, bem como fortalecer seu vínculo
com os demais sujeitos comunitários no contexto em que estão inseridos. No contexto rural,
marcado pela pobreza e dificuldades de acesso às políticas públicas, os potenciais dos jovens
precisam ser descobertos, trabalhados e usados para que eles possam atuar como sujeitos
ativos em suas comunidades a fim de que haja um fortalecimento e resistência aos problemas
que se colocam em suas vivências como juventude, e, para além disso, juventude rural, que é
atravessada por um histórico de opressões, descaso e esquecimento. Nessa perspectiva, esse
trabalho tem como objetivo trazer aspectos de um projeto de intervenção a ser realizado
em campo, através de um projeto de extensão em Psicologia Comunitária que tem como
foco os jovens da comunidade de Canafístula, município de Apuiarés, interior do Ceará. Esta
demanda foi identificada a partir da intervenção comunitária realizada com um grupo de
mulheres da comunidade. A metodologia proposta é a participativa, onde há a construção
horizontal de conhecimento, visando a troca de experiências nas quais os jovens poderão se
reconhecer como sujeitos transformadores da realidade onde estão inseridos. Tendo como
base a participação direta do grupo alvo e a criação de vínculos com os extensionistas do
projeto, a inserção comunitária se faz necessária através de visitas domiciliares, o que
fortalecerá os vínculos entre participantes e facilitadores do grupo de jovens. As técnicas
utilizadas para a realização dos encontros terão como foco as construções coletivas, como
círculos de cultura, arte identidade, exercícios de biodança, jogos, dinâmicas e vivências
que permitam que a juventude da comunidade perceba e desenvolva suas potencialidades.
Conciliar aspectos comuns à juventude e trabalhar outras formas de vivenciar isso em um
contexto rural, torna-se desafiador e, ao mesmo tempo, estimulante para que um trabalho
seja realizado juntamente com a juventude no sertão do Ceará. Jovens conscientes de sua
realidade e capacidade de transformação da própria história são motores de ânimo e cheios
de potencial, capazes de causar impactos e mudanças nas comunidades em que vivem. Para
tanto, as intervenções devem considerar o papel ativo e criativo do jovem na sua comunidade,
utilizando metodologias dialógicas que possibilitem o aprofundamento da consciência de si e
do entorno social, possibilitando o desenvolvimento do protagonismo juvenil.

Palavras-chave: Juventude rural; Intervenção comunitária; Fortalecimento.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
64
Psicologia comunitária e juventude: a potencialidade do círculo de cultura como técnica de
intervenção
Autores(as):s: Márcia Kelma de Alencar Abreu (URCA) e Verônica Morais Ximenes (UFC)

Resumo:

Refletir sobre intervenções com jovens no âmbito das políticas públicas a partir do referencial
teórico da Psicologia Comunitária nos instiga a pensar sobre alguns aspectos, considerando
as especificidades da juventude que se constitui como público dessas políticas, os propósitos
éticos-políticos que as norteiam, assim como métodos e técnicas que possam fomentar esta
atuação. Consideramos que a maior parte da juventude alvejada pelos projetos sociais vivenciam
contextos de pobreza, enfrentam adversidades advindas da falta de acesso aos serviços públicos
e dos mecanismos ideológicos de exclusão social. Portanto, uma atuação comprometida
ético-politicamente com a juventude pobre deve ter como propósito o fortalecimento desses
sujeitos no âmbito social em que vivem para o enfrentamento dos desafios que a condição de
pobreza material e simbólica os impõe. O objetivo deste trabalho é apresentar o círculo de
cultura e suas potencialidades enquanto técnica de intervenção psicossocial em Psicologia
Comunitária para atuação com jovens que vivem em contexto de pobreza. O círculo de cultura
foi criado originalmente por Paulo Freire que o utilizou como instrumento de aprendizagem
individual e coletiva na Educação de Jovens e Adultos. É um instrumento que visa refletir
coletivamente sobre temáticas concernentes às problemáticas sociais vivenciadas pelos
grupos, facilitando a tomada de consciência das situações e instrumentalizando ações para
transforma-las, alvejando o desenvolvimento individual e coletivo. O diálogo e a troca de
saberes estão na base de sua constituição, facilitados por um animador, pode ser aplicado em
diversos grupos de jovens, esportivos, religiosos, escolares, comunitários, dada a possibilidade
de flexibilização da técnica e adaptação ao contexto grupal. O facilitador pode ser um agente
interno ou externo à comunidade e suas funções são motivar a reflexão, criar um clima de
espontaneidade, confiança e respeito entre os participantes. Nos grupos de jovens, o facilitador
tem um papel essencial para que o diálogo em grupo seja produtivo e prazeroso. As etapas de
facilitação são: levantamento do universo vocabular do grupo e escolha das palavras geradoras
ou temas geradores; diálogo em grupo; fechamento. Neste processo ocorre a codificação e
decodificação das situações existenciais, nas quais podem ser utilizadas diversas linguagens
atrativas para os jovens, como arte, poesia, colagem, dramatização, dança, etc. As palavras
ou temas geradores devem representar estas situações existenciais, de forma que sejam
representativas de problemáticas vivenciadas pela juventude, possibilitando um aclaramento
de consciência através do diálogo e construção coletiva, vislumbrando novas possibilidades
de enfrentamento e transformação das condições opressoras do viver. Portanto, afirmamos
a relevância dessa técnica, considerando que é potencialmente deflagradora dos processos
de conscientização, fortalecimento individual e grupal, constituindo-se como importante
instrumento a ser utilizado em intervenções com jovens nos meios urbano e rural.

Palavras-chave: Psicologia-Comunitária; Círculo de Cultura; Juventude-Intervenção.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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EIXO 5: Juventudes e sAÚDE

Debate sobre Saúde Mental e Políticas Públicas: Adolescentes em acompanhamento


psicológico/psiquiátrico
Coordenador(a): Raquel Alencar Barreira Rolim (UFC)

Resumo Geral:

A relevância do tema na concepção dessa mesa, considera, inicialmente, as determinações da


Lei no. 10.216/01 e a III Conferencia Nacional de Saúde Mental, que apontam a necessidade
de estender mais eficazmente as iniciativas da reforma psiquiátrica à população infanto-
juvenil. Nossa prática de pesquisa vem reforçando a necessidade de avançar o debate no que
tange ao atendimento proposto aos adolescentes com necessidades de cuidados psicológico e
psiquiátrico. As recomendações do Fórum Nacional de Saúde Mental postulam que a política
de atenção em Saúde Mental para os adolescentes, necessita de interface com outras políticas
públicas tais como ações sociais, diretos humanos, justiça, educação, cultura e outras. Sem
dúvida, existe uma urgência em tratar os casos de jovens em sofrimento psíquico, de forma
pluridisciplinar, com ações que visem a reversão da tendência de classificações institucionais
baseadas em diagnósticos precoces, sob a rubrica de “Transtornos Mentais”. O que gostaríamos
de debater com os participantes da mesa é a importância de conhecer os processos de
desenvolvimento das etapas do sujeito, incluindo o que é específico da fase adolescente. Desde
2004, foram criados e implementados serviços de base territorial através dos equipamentos:
CAPSi, ambulatórios ampliados, residências terapêuticas, moradias assistidas, casas-lares.
Apontamos, no entanto, situações que sugerem a dificuldade de acesso ao atendimento em
Saúde Mental na rede de atendimento existente. No decurso dessa preocupação, uma das
exposições desta mesa pretende abordar essa questão de forma direta e concisa. Trata-se do
relato de uma jovem que acompanha um adolescente na busca por um tratamento psiquiátrico.
A exposição traz dados de realidade para pensarmos sobre formas de lidar com as falhas da
rede de saúde, no intuído de reforçar o acolhimento competente de jovens, referenciando-se
em situações limites: dificuldades psíquicas com risco de surto psicótico. A outra apresentação
exporá as Políticas Públicas Brasileiras de Saúde Mental para jovens, incorporando os estudos
e pesquisas de caráter científico trazidos pela psicanálise, apontando para questões ainda
problemáticas tais como a institucionalização do usuário e a patologização do sujeito cujos
efeitos são mais evidentes na medicalização como ação prioritária de atendimento. A terceira
apresentação expõe os resultados de uma pesquisa intervenção que investigou a necessidade
de atuação de profissionais junto aos adolescentes acompanhados por um dispositivo de
saúde. A pesquisa realizada suscita questionamentos sobre as formas institucionais vigentes,
sugerindo possíveis formas alternativas de atendimento. As atuais diretrizes da Política Pública
de Saúde Mental encontram-se bem respaldada por debates que apontam a importância de
operarem em diálogo constante com os princípios que norteiam as ações do cuidado. Observa-
se, no entanto, que as classificações apressadas enquadram os pacientes de modo precoce,
sem atentar para a especificidade da condição adolescente como parte do desenvolvimento
natural do sujeito e suas etapas.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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66
Políticas públicas de Saúde Mental no Brasil voltadas pro adolescente
Autores(as):: Karla Patrícia Holanda Martins (UFC)

Resumo:

As políticas públicas de saúde mental no Brasil nos últimos 25 anos refletem uma redefinição
das responsabilidades do Estado e de seu compromisso com a equidade e a universalidade
de direito expressos na Constituição Federal de 1988. Em relação à infância e adolescência,
essas políticas encontram-se amparadas em um amplo movimento de defesa do direitos da
criança e do adolescente a nível internacional. O presente trabalho tem por objetivo pensar as
políticas públicas de saúde mental no Brasil e suas práticas, no que se refere especialmente a
adolescência. Considera-se de fundamental importância considerar os avanços nos processos
de construção de redes de cuidado para a criança e o adolescente, a partir da implantação dos
Centros de Atenção Psicossocial Infantil e Juvenil (CAPSi) e do desenvolvimento de estratégias
para articulação intersetorial da saúde mental com setores historicamente envolvidos na
assistência à infância e adolescência, tais como a assistência social, a educação, a justiça e a
cultura. Todavia, familiares e profissionais testemunham dificuldades de diversas ordens nas
suas respectivas na inserções do adolescente nos dispositivos de saúde e na rede de educação.
Assistimos uma sobrecarga de responsabilização das famílias e o descumprimento do estado
de direitos dessas família e jovens. Na rede de saúde brasileira, no caso especial da cidade de
Fortaleza, temos ainda um reduzido número de trabalhos que consideram as especificidades
da adolescência na atualidade, suas formas de laco social e subjetivação. As especificidades
do trabalho com a adolescência, suas crises e urgências subjetivas serão discutidas neste
trabalho com vistas a contribuir com a organização de novos diapositivos no campo da saúde
mental frente aos seus atuais desafios. O estudo conta com a base de dados de uma pesquisa
anteriormente realizada sobre o Estado de Conhecimento das publicações em psicanálise,
saúde e adolescência. A pesquisa buscou identificar e discutir o estado da arte das atuais
políticas de saúde mental para tratamento e atuações junto aos jovens. Trata-se de pensar e
contribuir com a formação e ampliação da atuação, estimulando a parceria entre as equipes
que estão em campo e a universidade enquanto agentes de mudanças nas práticas de cuidado,
fortalecendo, assim os processo de atuação. É de grande relevância a discussão sobre como
funciona e se articula a rede de saúde nas práticas com os jovens usuários dos dispositivos que
atuam com a prevenção e promoção da saúde psíquica. Os dados expostos servirão também de
indicadores para abordarmos os modos possíveis de operacionalizar o trabalho em rede tendo
a experiência de atuação como elemento central do debate. O trabalho de supervisão clínica
de alunos que realizaram estágios em vários dispositivos do SUS aponta a importância de se
debater sobre as Políticas Públicas de Saúde Mental para Jovens.

Palavras-chave: Políticas; Saúde Mental; Adolescente; Ações.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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67
Percalços de uma trajetória até um atendimento em Hospital Psiquiátrico
Autores(as):: Lavinia Gaspar Loiola (Estácio/FIC)

Resumo:

Apesar dos meios de comunicações transmitir varias informações sobre saúde mental,
existe um grande tabu quando se trata de um caso próximo de amigo, familiar ou vizinho. O
preconceito e a falta de conhecimento sobre como lidar com o sofrimento psíquico traz ainda
mais desamparo ao jovem que precisaria de acolhimento e atendimento. Tive a oportunidade
de ter a experiência de acompanhar um adolescente de 15 anos, e perceber os grandes
desafios enfrentados por muitos usuários da rede pública no acesso ao tratamento psicológico
e psiquiátrico. No início fomos á procura de ajuda em um CAPS do bairro em que moramos, este
não oferecia atendimento para crianças e adolescentes, indicaram portanto um CAPS infantil
que recebiam crianças e adolescente em outro bairro. Como já sabia que existe muita espera
nas redes de atendimento, solicitei um encaminhamento para ele ser acompanhado em uma
clínica escola. Eu o inscrevi em duas clínicas de universidade particular. Ambas me deram um
retorno com poucos dias, mais a primeira foi no NAMI. Ele iniciou seu tratamento e na segunda
sessão a psicóloga explicou a necessidade de associar a psicologia a um acompanhamento
psiquiátrico também, mais não teria vaga na mesma instituição. Por não ser daqui, pois sou
de uma cidade do interior, o único lugar que pensei em procurar ajudar e que não era tão
difícil o acesso de onde estávamos hospedados foi o Hospital Professor Frota Pinto. No mesmo
dia em que recebi o encaminhamento não perdi tempo e fomos ao hospital pela primeira
vez. A espera na emergência para ser atendido, foi bastante difícil. Cenas bastante fortes de
pacientes de todas as faixa etária, chegando acompanhados pelo SAMU, alguns sem tomar
banho, alterados, gritando, agressivos etc. Passamos pela triagem primeiramente com uma
enfermeira sendo repassados todas as informações pessoais e do que estava acontecendo
resumidamente com o adolescente que eu acompanhava. No início a profissional não achou
pertinente ele ser acompanhado pelo hospital devido a grande demanda de casos mais difíceis.
Recomendou que fossemos procurar um CAPS. Só que fui esclarecendo toda a história de
vida desse adolescente que já tinha passado, para que pudesse ajudar a gente. Por sorte, a
profissional disse que esperássemos para ser atendido pelo psiquiatra de lá mesmo. Então
fomos atendidos pela psiquiatra que estou atentamente o caso e compreendeu a situação.
Ele foi então inscrito no serviço ambulatorial do NAIA. O que é uma doença mental? Como
ela surge na adolescência? Tivemos que ir aprendendo tudo isso aos poucos. Éramos dois
jovens tendo que descobrir tudo isso, pois nossos familiares teriam ainda menos condições de
compreender todo esse percurso. Será relatado a realidade desse adolescente do interior do
Ceará que começou a apresentar dificuldades aos 14 anos, mas não sabia identificar a origem
e nem como tratar. O relato dessa história será uma forma de pensarmos juntos como este
acesso poderia ser simplificado, e pensar na prevenção desse tipo de situação que muitas
famílias passam quando um jovem apresenta problemas psicológicos e psiquiátricos só na
adolescência.

Palavras-chave: SUS; Psiquiatria; Adolescente; Atendimento

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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68
A especificidade do trabalho com o adolescente no setor secundário e terciário de saúde
Autores(as):s: Lílian Maria Aves (UFC/ Hospital de Saúde Mental PFP) e Raquel Alencar Barreira
Rolim (UFC)

Resumo:

Na perspectiva de compreender como se dá o atendimento aos adolescentes acompanhados


nos serviços da Rede SUS do estado do Ceará, foi realizada uma pesquisa de pós-doutorado
financiada pelo CNPq em parceria com o Laboratório de Psicanálise da UFC. A adolescência
é uma etapa da vida do sujeito de grande vulnerabilidade, de ruptura de laços sociais e
de clivagem psíquica. Alguns teóricos descrevem este momento como sendo uma etapa
turbulenta do desenvolvimento humana. De toda forma tais fatores implicam na dificuldade
de se estabelecer em muitos casos um diagnóstico diferencial entre neurose e psicose. Nesse
sentido, uma boa apreensão teórica dos processos na adolescência deve ser permanentemente
confrontada à clínica do jovem paciente. É portanto igualmente difícil ponderar o que é próprio
do desenvolvimento natural do jovem, daquilo que pertence ao desencadeamento de um quadro
que exija intervenção psiquiátrica medicamentosa a fim de conter uma descompensarão, por
exemplo. Vários estudos apontam o grande número de surtos psicóticos nesse período da
vida. Inicialmente foram feitas entrevistas informais com psiquiatras, enfermeiros, assistentes
sociais, psicólogos e pedagogos que tratam de crianças e adolescentes, com o intuito de
conhecer os modelos do atendimento de adolescentes em sofrimento psíquico grave. Existe
por parte dos profissionais entrevistados, do setor secundário ambulatórios (CAPSi, CAPS AD,
PSF) uma indistinção entre o tratamento dado à criança e àquele dado ao adolescente. Os
atendimentos são pensados, agrupando os usuários por classificações psicopatológicas ou
por sintomas. Esta organização foi concebida para melhor atender os pacientes e, segundo o
preceptor dos residentes em psiquiatria, por uma questão também didática. Nessa perspectiva,
existe um olhar voltado para compreender os aspecto psicopatológico dos sintomas. No
que se refere a compreensão e debate com os jovens sobre as dificuldades e pressão que
estes possam estar sentindo, que seria em decorrência da sua condição de adolescente, foi
constatado que seria necessário criar um espaço de fala entre jovens. Em parceria com o setor
de psicologia do serviço, foi planejado um grupo de adolescente para ser uma atividade fixa
e contínua do ambulatório, um encontre de pacientes de idades afins. O critério de seleção
dos jovens para compor o grupo foi a possibilidade de adesão, tanto pela avaliação clínica
quanto pela possiblidade de comparecer quinzenalmente ao serviço no horário do grupo. O
grupo convoca todos a pensar constantemente sobre a confidência, o segredo das sessões e
o lugar da intimidade, assuntos tão caros para o adolescente. O critério de exclusão é o grau
de comprometimento quanto a desorganização psíquica. Será relatado portanto os principais
assuntos abordados, o manejo da discussão e as mudanças percebidas de forma singular para
cada paciente, levantados pela equipe de saúde do ambulatório onde ocorre a pesquisa. É
imprescindível uma escuta que privilegie o lugar de sujeito, que os tire do lugar de somente
doente mental.

Palavras-chave: Adolescência; Psicanálise; Desenvolvimento; Atendimento SUS.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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69
O acesso das juventudes ao Sistema Único de Saúde (SUS): uma discussão a partir da efetivação
de políticas públicas como estratégia de enfrentamento às discriminações
Coordenador(a): Jeane Felix da Silva (UFPB)

Resumo Geral:

Esta mesa redonda tem a finalidade de debater experiências de políticas públicas direci-
onadas para as populações de jovens negros/negras, pobres e LGBT como estratégia de
enfrentamento as discriminações. Objetiva-se promover discussões em torno do acesso aos
diferentes segmentos de jovens ao Sistema Único de Saúde (SUS), apontando articulações
teóricos-práticas em torno do debate acerca das juventudes e de sua relação com a saúde
nas diferentes expressões de classe, raça e gênero. As exposições problematizarão alguns
marcadores que se configuram como determinantes sociais em saúde para essas populações,
ilustrando aspectos que perpassam a garantia de direitos no âmbito das políticas públicas
de saúde para esses segmentos, vinculando-se, especificadamente, ao eixo juventudes e
saúde. O Brasil é um país marcado por uma história patriarcal e escravagista. Por mais de três
séculos, jovens mulheres negras e jovens homens negros foram escravizados e tiveram suas
existências negadas em um processo político, cultural, social e econômico, legitimado pelo
estado brasileiro. A população preta sempre serviu (e ainda serve) de mão de obra barata para
a manutenção dos privilégios de pequenos grupos populacionais. As jovens mulheres ainda
ocupam os lugares mais desprestigiados, recebendo os menores salários e sofrendo violências
de gênero nas diversas instituições. A discriminação no Brasil ainda é velada, e, por isso, o
acesso a determinados direitos se configuram como um dos maiores desafios para essa parcela
da população. A população negra ainda ocupa os piores lugares nos números oficiais: são as
mulheres negras que sofrem mais com a violência de gênero; os/as jovens negros/as e LGBT
são os/as que mais morrem e menos estudam; os homens negros ocupam a maior parte do
mercado informal e o primeiro lugar no número de encarcerados no país. Ao mesmo tempo,
no cenário atual, tem se culpabilizado e criminalizado a juventude negra, pobre e da periferia
pelo aumento da violência, o que se verifica pelo fato desse ser o perfil dos jovens que estão
sendo mortos e que têm ingressado no sistema socioeducativo. Diante desses desafios, que
consistem determinantes sociais que codicionam o processo de saúde-doença das juventudes,
apresentaremos três exposições. O primeiro trabalho tem o objetivo de discutir as implicações
das políticas de equidade no acesso das juventudes ao SUS a partir de um relato de experiência
de uma atuação profissional no âmbito do Departamento de Apoio a Gestão Participativa e
Controle Social – Ministério da Saúde. O segundo trabalho apresentará cartografias de práticas
do cotidiano de algumas equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) em torno da problemática
da violência contra jovens nos seus territórios de atuação de um bairro da cidade de Fortaleza
e, consequentemente, do acesso desses jovens ao SUS por meio da ESF. E, por último, o terceiro
trabalho abordará a generificação dos serviços de saúde, as vulnerabilidades das mulheres e
homens jovens no tocante à saúde, particularmente saúde sexual e reprodutiva, e à educação,
refletindo sobre os desafios de implementar políticas públicas intersetoriais com o recorte de
juventudes.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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70
Juventudes, gênero, saúde sexual e saúde reprodutiva: desafios e potencialidades teórico-
práticas
Autores(as):: Jeane Felix da Silva (UFPB)

Resumo:

Esta exposição pretende abordar a generificação dos serviços de saúde, como foco nas
vulnerabilidades das mulheres e homens jovens no acesso aos serviços de saúde, do SUS. A
generificação ocorre desde a formulação e implementação de políticas voltadas para mulheres
e homens: onde a saúde reprodutiva se destina a elas e a saúde sexual a eles, até os horários
e tratamentos diferenciados. Nos interessa refletir sobre os desafios de implementar políticas
públicas intersetoriais (especialmente saúde e educação) com o recorte de juventude e pensar
estratégias teórico-práticas para enfrentar os contextos de vulnerabilidade enfrentados
pelas e pelos jovens, destacando aspectos como raça, sexualidade, local de moradia, nível
de escolaridade/formação, condição socioeconômica etc. Esta exposição pretende abordar a
generificação dos serviços de saúde, como foco nas vulnerabilidades das mulheres e homens
jovens no acesso aos serviços de saúde, do SUS. A generificação ocorre desde a formulação e
implementação de políticas voltadas para mulheres e homens: onde a saúde reprodutiva se
destina a elas e a saúde sexual a eles, até os horários e tratamentos diferenciados. Nos interessa
refletir sobre os desafios de implementar políticas públicas intersetoriais (especialmente saúde
e educação) com o recorte de juventude e pensar estratégias teórico-práticas para enfrentar os
contextos de vulnerabilidade enfrentados pelas e pelos jovens, destacando aspectos como raça,
se-xualidade, local de moradia, nível de escolaridade/formação, condição socioeconômica etc.
Partimos do pressuposto de que há diferenças na compreensão de direitos sexuais e direitos
reprodutivos quando estes são direcionados a mulheres e homens jovens, com-preendemos
que a sexualidade de jovens é recorrentemente abordada na mídia e em ou-tras pedagogias
culturais – e, diante disso, nos perguntamos: e os serviços de saúde e escola, como têm
abordado tais questões? Compreendemos que há, em nossa cultura, pouco reconhecimento
de direitos sexuais e reprodutivos de adolescentes e jovens e que há nos serviços de saúde
e escolas muitos estigmas e preconceitos geracionais atraves-sados por questões de gênero,
sexualidade, raça, viver com HIV/Aids, entre outros. Trata-se de uma apresentação baseada
em um conjunto de reflexões teórico-práticas produzidas pela inserção atual da participante
como docente e formadora de professores(as) e profissionais da saúde em uma instituição de
ensino superior (IES) e de suas atuações anteriores como trabalhadora da gestão pública em
âmbito federal. As reflexões apresentadas articulam aspectos teóricos com reflexões concretas
sobre os desafios de implementação de políticas intersetoriais com recorte de juventude em
uma sociedade adultocêntrica, machista, racista, heteronormativa e classista.

Palavras-chave: Juventudes; Gênero; Saúde sexual/reprodutiva.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
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As implicações das políticas de equidade no acesso das juventudes ao Sistema Único de Saúde
Autores(as): Andrey Roosewelt Chagas Lemos (Ministério da Saúde)

Resumo:

A proposta desta exposição consiste em uma discussão dos planos operativos de saúde, seus
eixos e ações articuladas que foram planejadas e executadas. Objetiva-se, por meio de um
relato de experiência, problematizar como essas políticas tem contribuindo com a promoção
da saúde das populações de jovens negros/negras, pobres e LGBT no âmbito do Sistema Único
de Saúde (SUS). Trata-se de um relato de experiência de uma atuação profissional no âmbito
do Departamento de Apoio a Gestão Participativa e Controle Social (DAGEP) – Ministério da
Saúde. A atuação do DAGEP se dá no apoio à gestão, movimentos sociais e os conselhos de
saúde na prática do controle social das políticas e ações de saúde, em especial, as políticas
de promoção da equidade, de educação popular em saúde e, ainda, na mobilização social
em defesa dos direitos à saúde. Assim, existe uma compreensão de que questões de ordem
discriminatória interverem no acesso das populações aos serviços de saúde, pois, ainda,
atualizam-se práticas oriundas da violên-cia patriarcal e escravagista. Os elementos históricos
revelam que jovens negras e negros foram submetidas/os a um processo de violações, sendo
marcadas/os por questões políticas, culturais e sociais ao longo de cada época, legitimando,
um quadro de desi-gualdades frente a população branca. Percebe-se que, nos dias atuais, os
jovens ne-gros/negras ocupam os piores lugares na pirâmide social. Existe, ainda, nos serviços
pú-blicos uma cultura racista e machista institucionalizada. A população negra, dentro
de indicadores sociais, ocupa os piores lugares: 1) são as mulheres negras que sofrem mais
com a violência de gênero; 2) as juventudes negra e LGBT são as que mais morrem no nosso
país, sendo, infelizmente, a população que menos estudam 3) os homens negros ocupam a
maior parte do mercado informal; 4) a população LGBT continua sendo alvo da violação de
direitos (sexualidades vivenciadas na clandestinidade, possibilitando uma forte prevalência
das infecções sexualmente transmissíveis) e 5) jovens transexuais não acessam à educação,
a formação profissional e o mercado de trabalho. A saúde, por meio do SUS e suas políticas
de promoção de equidade (Política Nacional de Saúde Integral da População Negra; Política
Nacional de saúde dos Povos do campo, da Floresta e das Águas; Política Nacional de Saúde
Integral de Lésbicas, gays, Bissexuais, travestis e Transexuais e Política Nacional de Educação
Popular em Saúde), vêm contribuindo para o enfrentamento dos racismos e das lgbtfobias,
considerando os marcadores descritos anteriormente. Dessa forma, por meio de alguns
resultados dos planos operativos, pretende-se apresentar a efetivação dessas políticas, seus
desafios de implementação e avaliação, e, sobretudo, como tem se dado a participação da
juventudes enquanto sociedade civil na sua elaboração e monitoramento, articulando-se nas
diferentes esferas de gestão para a garantia da integralidade do cuidado dessa população.

Palavras-chave: Juventudes; Políticas de Equidade; SUS.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
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Estratégia Saúde da Família, violência urbana e juventudes: abordagens e práticas sociais em
questão
Autores(as): Luis Fernando de Souza Benicio (UFC)

Resumo:

Interessa-nos nessa proposta apresentar um recorte de uma pesquisa de mestrado em


andamento, intitulada homicídios de jovens na cidade de Fortaleza: discursos e práticas
institucionais no cotidiano da Estratégia Saúde da Família”, vinculada ao Programa de Pós-
Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Ceará. Tratam-se de carto-grafias de
práticas do cotidiano de algumas equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) em torno da
problemática da violência contra jovens nos seus territórios de atuação e, consequentemente,
do acesso desses jovens ao SUS por meio da ESF. Portanto, neste estudo, discutiremos como
se configura a ESF como perspectiva de Atenção Primária à Saúde (APS) no contexto do
Sistema Único de Saúde (SUS), e, posteriormente, problematizar como violência e juventude
têm aparecido na literatura sobre saúde, em especial, nas práticas da ESF, assim como em
práticas do cotidiano de atuação das equipes de ESF de um bairro da cidade de Fortaleza
marcado por elevados índices de homicídios de jovens. Para responder tal proposta, traremos
elementos de uma revisão sistemática de literatura e algumas cenas analisadoras, produzidas
no contexto de inserção do campo da pesquisa. Optamos promover uma discussão a partir de
algumas concepções do que seria a ESF e seu papel no enfrentamento dos homicídios de jovens
atualmente, localizando perspectivas de pesquisadores e pesquisadoras no campo da saúde
coletiva que se dedicaram a esse campo de disputas. A partir de alguns autores e autoras do
campo da saúde coletiva e, também, cenas do campo, apontamos como expressões da violência
urbana figura como assunto no campo da saúde coletiva, sobretudo na ESF, mas que precisa
ser melhor discutido a partir de outras perspectivas que refutem lógicas punitivas-penais
nos territórios de atuação das equipes. É possível discutir, também, que, no que diz respeito
aos discursos sobre homicídios de jovens, os profissionais da ESF se refiram aos homicídios
de jovens em seus territórios como uma das principais preocupações e desafios de seu
trabalho, ao passo que há certa invisibilidade dos segmentos juvenis no cotidiano das práticas
institucionais. Aponta-se, nesse sentido, a necessidade de fortalecer os modos de organização
da ESF na cidade a fim de promover a efetivação da promoção de saúde no combate das
discriminações de jovens moradores de periferias. Além disso, por meio da revisão sistemática,
identificou-se temas ligados aos temas: prevenção; doenças sexualmente transmissíveis; saúde
sexual de adolescentes; programa saúde da escola; saúde do adolescente; promoção da saúde
do adolescente; ESF no enfrentamento da violência envolvendo adolescente; saúde mental
do adolescente; acesso de adolescentes; gravidez de adolescentes; cuidado de adolescentes
grávidas; representação de adolescentes sobre violência; prevenção de suicídios de adolescentes
e qualidade de vida de adolescentes. Considera-se, assim, ser relevante produzir pesquisa em
torno da violência contra jovens no cotidiano de atuação da ESF, visto que existem poucas
inclinações em torno dessa problemática.

Palavras-chave: Juventudes; Saúde da Família; Violência.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
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Os ‘vetin’ tão ligado: políticas estatais de tutela da juventude, encarceramento e redução de
danos em meio a usos de substâncias psicoativas
Coordenador(a): Carolina dos Reis (UFC)

Resumo Geral:

A suposição de que jovens são pessoas que tem um apreço pelo perigo ou risco tem sido
difundida no Ocidente, especialmente a partir na última metade do século XX. Nesse
contexto, certas juventudes são descritas por discursos ligados à irresponsabilidade, violência
e desordens sociais, sobretudo quando se tratam de jovens negrxs, moradores de periferias.
Quando articulados à temática das drogas, esses discursos servem como fundamento para
a promoção de políticas de criminalização e aprisionamento. Mesmo dentro do campo
da saúde, a internação compulsória vem como uma estratégia de recolhimento dos jovens
das ruas, revestida pela justificativa de garantia de cuidado em saúde. Essa mesa tem por
objetivo problematizar os discursos que se inscrevem sobre a relação: juventude e uso de
drogas, evidenciando o uso das políticas de segurança e de saúde como mecanismos de
enclausuramento desta juventude, estigmatizada por fatores socioeconômicos e raça/cor.
Por fim, trazemos as ações de Redução de Danos como uma abordagem que permite pautar
o cuidado em saúde em princípios de responsabilidade e autonomia, abrindo espaço para
outros modos de compreender a juventude e sua relação com o uso de drogas. Desta forma, o
primeiro trabalho parte da diferenciação presente na Lei 11.343/2006 entre usuário de drogas e
traficante para problematizar essas definições e a forma como o sistema de justiça e segurança
pública vai identificar quem deve ser entendido como um consumidor, configurando-se como
um caso de doença (a ser encaminhado aos serviços de saúde ou a cursos educativos acerca
dos malefícios das drogas) ou como um traficante, configurando-se como um caso de polícia
(a ser encaminhado por um conjunto de penalidades, incluindo a privação de liberdade). O
segundo trabalho, parte de processos judiciais de internação compulsória de jovens por uso
de drogas para problematizar a forma como essa modalidade de atenção em saúde vai ser
utilizada como ferramenta de aprisionamento de jovens sem que haja ato infracional, por uma
suposta periculosidade vinculada ao uso de drogas. A partir dos casos estudados, evidencia-se
como essas práticas acabam operando o aumento da vulnerabilidade social desses jovens. Por
fim, o terceiro trabalho, toma como foco as práticas de Redução de Danos desenvolvidas em
um Centro de Cultura, Esporte, Artes e Lazer na periferia da cidade de Fortaleza, evidenciando
a forma como essa estratégia de saúde permite a promoção de um cuidado articulado ao
território em que os jovens habitam. Fundada em uma lógica de liberdade e respeito pela
autonomia dos sujeitos, a Redução de Danos constitui-se de estratégias de proteção, cuidado e
auto-cuidado, possibilitando mudança de atitude frente às situações de vulnerabilidade. Além
disso, ela provoca rupturas na própria lógica proibicionista e de criminalização presente nas
redes de atenção em saúde, assistência social, educação, segurança pública e justiça.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
74
Jovens, drogas ilícitas e legislação: punição e estigmatização sempre?
Autores(as): Luara da Costa França (UNIFOR), Ricardo Pimentel Méllo (UFC)

Resumo:

Esse trabalho tem como problemática as drogas ilícitas e a adolescência em sua interface
com o campo jurídico, objetivando compreender os tensionamentos advindos da relação
adolescência, drogas e medidas socioeducativas. No Brasil jovens, geralmente do gênero
masculino, negros e moradores de periferias empobrecidas, são assassinados ou internados
(aprisionados), sob alegação de envolvimento com o tráfico de drogas. Operadores do direito
(delegados, juízes e promotores) tecem julgamentos sobre o porte de drogas e apreensão
de adolescentes baseados juridicamente no Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA e
em itens amplos da Lei 11.343/2006. A lei, foi promulgada para ser usada em situações que
envolvem adultos, indicando penalidades diferentes, indivíduos que fazem uso de drogas para
consumo pessoal (usuário) e aqueles que fazem o comércio ou (traficante). A lei exige que se
levem em conta a natureza e quantidade de substância apreendida, local e condições em que
se desenvolvia a ação com a droga, circunstâncias sociais e pessoais do sujeito, bem como seus
antecedentes. Utilizando como referenciais teóricos e metodológicos principais Michel Foucault
e Mary Jane Spink, em especial, o conceito de “práticas discursivas”, problematizaremos os
posicionamentos discursivos advindos de termos como: “jovem”, “adolescente”, “consumidores”,
“usuários”, “traficantes” relacionados a drogas ilícitas. Operamos com os termos adolescente ou
adolescência e jovem ou juventude pois gostaríamos de visibilizar um tensionamento teórico-
político que os atravessam. A adolescência é uma invenção e um efeito de certos exercícios de
saber–poder que constituirão o sujeito-adolescente-usuário e o sujeito-adolescente-traficante.
Para isso, analisaremos documentos normativos (Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA,
Lei 11.343/2006), entendo que estabelecem regimes de verdade com efeitos importantes na
ação de julgar o envolvimento de jovens com drogas ilícitas. Também levamos em conta a
produção das políticas conhecidas como “guerra às drogas”, que permitiu a articulação e
criação de legislações que buscam governar vidas. A proibição das drogas, configura-se como
uma invenção advinda de um conjunto de transformações históricas, inclusive a artificialidade
da distinção entre drogas lícitas e ilícitas. Concluímos que o ECA e a Lei 11.343/2006, vem sendo
aplicados, quando a situação envolve jovens flagrados com alguma droga ilícita sempre de
modo estigmatizante: quando consumidor, configura-se como caso de doença (que deverá ser
encaminhado aos serviços de saúde ou a cursos educativos); quando traficante, configura-se
como caso de polícia (e poderá sofrer penalidades, incluindo a privação de liberdade). Assim,
os operadores do direito parecem só se valer de ações punitivas e estigmatizantes em suas
práticas.

Palavras-chave: Jovens; Drogas Ilícitas; Judicialização.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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75
Internação compulsória: a proteção como controle e normatização
Autores(as):: Carolina dos Reis (UFC)

Resumo:

O presente estudo parte do crescente processo de judicialização do cuidado em saúde mental


de jovens usuários de drogas e tem por objetivo problematizar a forma como, na relação
entre os campos da Saúde Mental e da Justiça, vai se desenvolvendo uma biopolítica voltada
para o governo da população de “adolescentes drogaditos”; essa biopolítica, embora aja em
nome da garantia de direitos, opera produzindo vulnerabilidades. Para essa problematização,
fundamentamo-nos nas ferramentas teóricas e metodológicas da Psicologia Social, dentro de
uma perspectiva pós-estruturalista, especialmente no que se refere ao pensamento de Michel
Foucault, na forma como o autor desenvolveu uma análise dos discursos e da emergência dos
saberes na sua articulação com mecanismos e tecnologias de poder. A partir disso, discutimos a
emergência da “adolescência drogadita” como um problema social que convoca a Psicologia e
o Direito a produzirem uma série de saberes e estratégias de intervenção e manejo sobre essa
população, o que vai operar tanto na condução das políticas públicas quanto nos modos como
esses jovens são chamados a reconhecer-se e a relacionar-se consigo. O desenvolvimento da
pesquisa tem como base a análise de quatorze Processos Judiciais de adolescentes que tiveram
decretada a medida protetiva de internação psiquiátrica para tratamento por drogadição de
duas cidades do estado do Rio Grande do Sul, nos Juizados Especiais da Infância e da Juventude.
Ao analisarmos esses documentos, buscamos identificar as relações que se estabelecem entre
os campos de saber e os mecanismos de poder que incidem sobre a manutenção de certas
verdades ditas sobre a “adolescência drogadita”, as quais vão servir de suporte para a legitimação
e atualização da estratégia de internação compulsória. A análise dos materiais adquiriu três
grandes focos, quais sejam: os discursos que circunscrevem os jovens usuários de drogas
enquanto sujeitos potencialmente perigosos e como uma categoria populacional de risco; os
discursos em torno das famílias desses jovens que se direcionam para uma patologização e
desqualificação dessas famílias, permitindo a ação interventiva do Estado; e os discursos que
são associados à internação psiquiátrica, vindo a evidenciar que as justificativas para tal se
voltam muito mais para a busca de estratégias punitivas do que de cuidado em saúde mental.
Por fim, discutimos a acoplagem da imagem da juventude com a violência como aquilo que
favorece a disseminação de sentimentos de insegurança junto à população, consolidando a
ideia de uma juventude potencialmente perigosa ao país. Abre-se aí um campo de criação de
aparatos de governo sobre a vida de crianças e adolescentes, destinados a gerir suas condutas,
constituindo uma inversão na relação protetiva que se desloca do sujeito para a proteção de
uma determinada ordem social.

Palavras-chave: Internação compulsória; Judicialização; Juventude.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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76
Negociação/proposição, observação participante e princípio de análises sobre práticas e
discursos em estratégias de redução de danos entre jovens no Jangurussu-Fortaleza.
Autores(as):: Jaína Linhares Alcantara (UFBA)

Resumo:

A suposição de que jovens são pessoas com apreço pelo perigo ou risco tem sido difundida no
Ocidente, especialmente a partir na última metade do século XX. Trabalhos nos mostraram como
certas juventudes são descritas por discursos de estigmatização ligados à irresponsabilidade,
violência e desordens sociais (COHEN, 1972; YOUNG, 1972; THOMPSON, 1998). Enquanto
outras estão apenas se formando, subvencionadas e com direito ao lazer saudável. Discursos
se acentuam de modo desqualificador quando se trata de moradores de periferias, o peso
da diferença de classe é um fator importante, e se forem negrxs, radicalizam-se atributos
pejorativos. Marcadores sociais da diferença devem ser observados nesse contexto para que
possamos refletir sobre as distinções etárias, de gênero, sexo, raça/cor e socioeconômicas.
Junto a esses pontos está o uso de substâncias psicoativas lícitas e ilícitas em variadas
frequências e quantidades como uma prática que perfaz o cotidiano de vários dos jovens.
Portanto, tratarei neste trabalho de descrever como a experiência das estratégias de redução
de danos desenvolvidas entre jovens que frequentavam um Centro de Cultura, Esporte, Artes
e Lazer (CUCA – Jangurussu), potencializada pelo Núcleo de Estudos sobre Drogas (NUCED
– Departamento de Psicologia – UFC) foram provocadas por educadores sociais (CUCA),
estudantes e pesquisadoras de psicologia (UFC) e redutores de danos temporários do CUCA
junto aos jovens. Além disso, principio uma análise sobre como foram compreendidas tais
práticas pelas pessoas envolvidas. Interessa mostrar as interações sociais (GOFFMAN, 2011)
em meio a agenciamentos de diversos níveis envolvendo jovens, moradores locais, agentes
do estado, pesquisadoras e ativistas. Apresentarei dados coletados entre os anos de 2015 e
2016 durante a observação participante em reuniões, conversas, planejamentos, momentos
em sala de aula, ou na cozinha do CUCA, além de entrevistas possíveis, no desenvolvimento de
ações nas imediações do CUCA, centrais para a análise etnográfica. Foi possível verificar certa
adesões por parte do público jovem que circulava pelo CUCA à algumas estratégias propostas
pelos educadores sociais, com a presença e participação ativa nas Rodas das 16:20 – Chá e Café.
Já na formação (40h/a) que trabalhou “políticas sobre drogas e redução de danos” proposta
pelo NUCED, percebeu-se intermitência na permanência de alguns jovens em sala de aula por
períodos mais prolongados, ainda que com críticas, houve interesse e participação. Dois meses
após a formação, redutores de danos – jovens inicialmente atendidos pelo CUCA e moradores
da região – propuseram uma oficina de adesivos, estêncil e lambe-lambe durante a Roda das
16:20 - Chá e Café, onde acompanhei a ação e as informações produzidas e afixadas sobre
suas compreensões no que se refere à mensagens relacionadas a redução de danos. Também
foi possível verificar querelas envolvendo ações de ocupação do espaço público contíguo
ao CUCA entendidas pelos jovens organizadores como “resistência” em termos de lazer na
periferia (ex. Cuca Roots) e as instituições do estado designadas a gerenciar o espaço e as que
devem garantir segurança.

Palavras-chave: Juventudes; Psicoativos; RD; Jovens Pauperizados.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
77
Políticas, famílias e universidade: contextos e propostas para a promoção da saúde psíquica na
adultez emergente
Coordenador(a): Edna Lúcia Tinoco Ponciano (UERJ)

Resumo Geral:

A tendência de adiamento dos papéis de adulto e o maior investimento na formação escolar/


profissional trazem mudanças para a construção da identidade do(a) jovem, para a dinâmica
familiar, especificamente no relacionamento com os pais, e para as questões relativas à Saúde
Mental. Há modificações sobre o que se entende ser um adulto, tanto nos aspectos subjetivos
quanto nas expectativas construídas nas relações familiares e sociais. O objetivo desta Mesa
Redonda é discutir as transformações, psíquicas e relacionais, da adultez emergente, a partir
de um quadro encontrado no Brasil, discutindo pesquisas e considerando as diferenças entre as
classes sociais. Nesse sentido, são trabalhados três problemas principais, relativos à experiência
de tornar-se adulto, em um determinado contexto, e à necessidade de identificar implicações
para a Saúde Mental: (1) diante de uma nova fase de desenvolvimento, a da adultez emergente,
é importante reconhecer as diferenças e as especificidades encontradas entre os (as) jovens
brasileiros(as), para a definição e implementação de políticas públicas; (2) a família é um contexto
de desenvolvimento, sendo necessário reconhecer a especificidade de diferentes grupos
familiares, para que se compreenda a influência mútua entre as gerações; (3) outro contexto
de desenvolvimento é o universitário, caracterizado pela soma de esperanças e dúvidas, visto
como um momento delicado para a formação do(a) jovem, que precisa de reconhecimento
e de acolhimento. Esses três tópicos de problematizações geram questões específicas,
desenvolvidas pelos três trabalhos, que estão relacionadas ao eixo temático Juventudes e
Saúde, discutindo a saúde mental, fatores de risco e proteção para o adoecimento, incluindo
sofrimento psíquico dos(as) jovens. Apresentando “Políticas públicas para jovens diante do
prolongamento da transição para a vida adulta: novas demandas sociais e desenvolvimentais”,
Luciana Dutra-Thomé, UFBA, discute dados de uma pesquisa realizada com jovens de Porto
Alegre e do Rio de Janeiro, o que leva a considerações sobre políticas para a adultez emergente,
diante de necessidades específicas dessa fase e de diferentes classes sociais. Considerando
igualmente essas diferenças, Vanessa Barbosa Romera Leme, UERJ, aborda, em “Solidariedade
intergeracional familiar de jovens adultos: considerações sobre variáveis demográficas”, uma
pesquisa com jovens, majoritariamente do Rio de Janeiro, que considera o impacto dos grupos
de pertença sobre a transição para a vida adulta. Em “Desafios emocionais e relacionais na
adolescência e na adultez emergente (DERA): um projeto psicoeducativo”, Edna Lúcia Tinoco
Ponciano, UERJ, apresenta um projeto voltado para jovens universitários, fruto do resultado de
pesquisas com adultos emergentes e seus familiares, na cidade do Rio de Janeiro. Os trabalhos
apresentados, portanto, além de considerar a necessidade de caracterizar a adultez emergente,
considerando diferenças contextuais, elabora reflexões sobre a instabilidade desse momento
e apresenta possíveis intervenções para a promoção da saúde, considerando o sofrimento
psíquico dos(as) jovens.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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78
Políticas públicas para jovens diante do prolongamento da transição para a vida adulta: Novas
demandas sociais e desenvolvimentais
Autores(as):: Luciana Dutra-Thomé (UFBA)

Resumo:

O prolongamento da transição para a vida adulta, observado principalmente no contexto


urbano de países industrializados, revela uma nova forma de se tornar adulto de jovens entre
18 e 29 anos. Essas mudanças afetam os modos de vida juvenis em todo o mundo de forma
tão marcante que foi proposta a existência de uma nova fase desenvolvimental, diferente
da adolescência e da adultez, chamada “adultez emergente”. A adultez emergente possui
marcadores sociodemográficos (ex.: postergação casamento e planejamento de filhos;
inserção laboral tardia) e psicológicos (ex.: ambivalência), que indicam haver um aumento
da instabilidade e insegurança para jovens de diferentes níveis socioeconômicos em vários
âmbitos de suas vidas. O objetivo deste trabalho é discutir até que ponto políticas públicas
brasileiras dão conta das diferentes juventudes presentes no grupo etário entre 15 e 29 anos,
uma vez que, comumente, não atendem as especificidades de grupos mais próximos da
adolescência (em torno dos 18 anos) e aqueles mais próximos da adultez (em torno dos 29 anos).
A abordagem teórica que guiará essa discussão é a nova proposta de período desenvolvimental
de Jeffrey Arnett, recentemente estudada no Brasil. Como base para a discussão proposta,
será apresentado estudo sobre adultez emergente no Brasil realizado com 700 jovens entre
14 e 33 anos, de diferentes níveis socioeconômicos, residentes no contexto urbano da região
metropolitana de Porto Alegre e do Rio de Janeiro. Análises descritivas e bivariadas indicaram
haver diferenças relacionadas a idade e ao nível socioeconômico na forma que jovens vivem
sua transição para a vida adulta. Jovens de nível socioeconômico mais baixo possuem menos
probabilidade de viver um período prolongado de transição para a vida adulta. E jovens mais
próximo da adolescência apresentaram níveis inferiores de autonomia em relação aos mais
velhos. Esses resultados indicam haver demandas sociais e desenvolvimentais diferentes entre
os jovens, o que precisa ser considerado na elaboração de políticas públicas. A perspectiva
da adultez emergente pode ser útil para orientar as políticas públicas, em especial ao se
constatar que, no Brasil, essas políticas integram num mesmo grupo jovens entre 15 e 29 anos,
um intervalo de idade em demasia vasto para dar conta das diferentes necessidades dos jovens
que estão na adolescência ou início dos 20 anos, e aqueles próximos dos 30 anos. O Estatuto
da Juventude, elaborado em 2013 pela Secretaria da Juventude do governo federal, dispõe
de importantes conquistas para jovens estudantes e de nível socioeconômico baixo, mas
não leva em consideração essas especificidades. No Brasil, jovens em transição para a vida
adulta podem se beneficiar de políticas que levem em consideração o fenômeno da adultez
emergente, diante: da insegurança dos jovens devido à instabilidade em diversos campos
(ex.: família e profissão); da falta de educação, oportunidades profissionais e apoio familiar e
institucional, especialmente nos contextos do baixo nível socioeconômico.

Palavras-chave: Adultez Emergente; Adolescência; Políticas Públicas.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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79
Solidariedade intergeracional familiar de jovens adultos: considerações sobre variáveis
demográficas
Autores(as):: Vanessa Barbosa Romera Leme (UERJ)

Resumo:

As dificuldades de inserção no mercado de trabalho, a ausência ou escassez de políticas


públicas e crises globais tornam a transição para a vida adulta caracterizada como uma idade
de possibilidades, mas também como de instabilidade. Desse modo, os jovens dependem
mais e por um período mais prolongado dos seus pais, tanto do ponto de vista financeiro
quanto funcional, afetivo e estrutural. Durante essa transição, nota-se um “empreendimento
desenvolvimental conjunto”, em que os pais “investem” nos seus filhos, esperando que possa
existir um retorno desse investimento mais tarde, numa lógica de “banco de solidariedade”.
São considerados componentes da solidariedade intergeracional familiar (SIF) a proximidade
afetiva e física, as trocas de apoio e suporte, transmissão de valores familiares, recebimento
e oferecimento de ajuda e oportunidades de contato entre pessoas de diferentes gerações
(avós, pais, filhos, netos). A SIF torna-se, por conseguinte, cada vez mais importante, na medida
em que tanto as camadas mais jovens como as mais envelhecidas necessitam assegurar
a sua sobrevivência e o seu bem-estar. Pesquisas sugerem que os grupos de pertença, seja
eles definidos pelo sexo, pelo nível socioeconômico, por aspectos étnicos-raciais ou pela
área de residência, têm um impacto significativo nos modos e nos timings da transição para
a vida adulta. Diante disso, à luz da Teoria Bioecológica do Desenvolvimento Humano, o
objetivo deste estudo foi comparar a solidariedade intergeracional familiar de jovens adultos,
considerando as diferenças por nível socioeconômico (NSE baixo, médio e alto), sexo e estado
civil. Participaram 530 jovens adultos (idade entre 18 e 29 anos), sendo 320 do sexo feminino,
provenientes majoritariamente do Estado do Rio de Janeiro. Os instrumentos utilizados foram
Índice de Solidariedade Intergeracional, Questionário demográfico e Critério de Classificação
Econômica Brasil. Foram realizadas estatísticas descritivas e paramétricas (análise de variância
one-way e teste t de Pearson). Os resultados indicaram que os jovens de baixo NSE (n=151)
apresentaram menos SIF - conflito (pai) em comparação com jovens de médio NSE (n=275),
menos SIF - proximidade geográfica (pai e mãe) que os jovens de médio e alto NSE (n=122),
menos SIF - contato (pai e mãe) que os jovens de médio e alto NSE e mais SIF - normativa tipo
valores que os jovens de alto NSE. Com relação ao sexo, as mulheres indicaram maiores níveis
de SIF - normativa tipo cuidados que os homens. No que diz respeito ao estado civil, os jovens
solteiros (sem filhos, n=434) apresentaram em relação aos jovens não solteiros (em união
estável/casados/separados/divorciados com ou sem filhos, n=96) maiores níveis de SIF - conflito
(pai), proximidade (pai e mãe), contato (pai e mãe) e funcional (pai e mãe). São discutidas
as influências das condições socioeconômicas e dos papeis de gênero tradicionais sobre as
relações entre jovens adultos e seus familiares. Programas de intervenção para promoção de
saúde mental dos jovens são propostos.

Palavras-chave: Jovens; Solidariedade Intergeracional; Variáveis Demográficas.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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80
Desafios emocionais e relacionais na adolescência e na adultez emergente (DERA): um projeto
psicoeducativo
Autores(as):: Edna Lúcia Tinoco Ponciano (UERJ)

Resumo:

Os(as) jovens, atualmente, vivenciam a instabilidade, enquanto se transformam: experimentam


estilos de vida e de relacionamentos íntimos variados, sem necessariamente assumirem as
responsabilidades de um adulto ou deixar a casa dos pais; autonomia para tomarem decisões,
sem o ônus da completa independência; formação profissional prolongada, sem garantias
de trabalho e sem garantias de independência financeira, além de escolhas profissionais
flutuantes. Ao viver um período de intensas experimentações, que varia conforme a classe
social e o contexto cultural, o(a) jovem pode se encontrar perdido, buscando orientação entre
os pares e/ou adultos significativos. Pesquisando o relacionamento entre pais e filhos(as) na
adultez emergente, é observado que há um sofrimento psíquico ocorrendo por dois principais
fatores: devido à novidade dessa fase, já que a entrada na vida adulta não é mais linear, e
devido à falta de informações, que auxiliem a lidar com as experiências e a insegurança desse
momento. A exploração de identidades e os investimentos na educação são mais observados
na classe média e alta. Porém, isso tem mudado com o aumento do acesso à universidade,
para jovens de diferentes origens sociais. A extensão do período de formação profissional,
com mais jovens escolhendo a universidade, é acompanhada de esperança e de dificuldades,
tendo consequências para o bem-estar e a confiança no futuro. Nesse sentido, a Saúde Mental
exige maior atenção, devido ao possível aumento de sofrimento psíquico, sendo um período
de vulnerabilidade, já que estão expostos a diversos fatores de estresse e encontram-se numa
fase de surgimento de muitos transtornos mentais. Uma perspectiva de promoção da saúde e
de prevenção pode ser desenvolvida com objetivos psicoeducacionais, preparando os jovens
universitários para o enfrentamento dos desafios dessa fase, enfocando, principalmente as
emoções e as relações vividas na adultez emergente. O objetivo deste trabalho é apresentar o
projeto DERA, desenvolvido na UERJ, desde março de 2016, com alunos(as) de graduação, entre
18 e 29 anos, discutindo conceitos, tais como: promoção e prevenção de saúde, psicoeducação
e regulação emocional e intersubjetiva. Há duas frentes de atuação: palestras e grupos
psicoeducativos. As palestras têm funcionado como uma forma de primeiro contato com os(as)
alunos(as), para que a demanda seja mapeada e trabalhada, visando à implementação dos
grupos. Com a estratégia da psicoeducação, ao levar informações e propor atividades para o
treinamento da regulação emocional e intersubjetiva, trabalha-se a autonomia emocional no
contexto relacional. Até o momento, tivemos repostas positivas dos participantes, considerando
que as informações trazidas contribuíram para uma maior consciência do processo emocional
e relacional. A partir das palestras, confirmamos o interesse dos presentes em participar
de pequenos grupos, conforme pretendemos realizar. Desse modo, está sendo criado um
espaço de acolhimento e de trabalho para implementar estratégias de regulação emocional
e intersubjetiva, o que pode ter efeitos terapêuticos e contribuir para a Saúde Mental dos
participantes.

Palavras-chave: Adultez Emergente; Psicoeducação; Saúde Mental.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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81
Suicídio entre jovens: podemos falar sobre isso?
Coordenador(a): Raquel Alencar Barreira Rolim (UFC)

Resumo Geral:

A relevância do debate sobre o Suicídio entre os jovens deve-se, entre outras questões, a
espantosa escassez de ações para tratar o assunto, considerando o grande número de mortes
por esse motivo. De acordo com os dados apresentados no Manual de Prevenção ao suicídio
destinados aos profissionais de Saúde Mental publicado pelo Ministério da Saúde, o suicídio está
entre as três principais causas de morte para faixa etária entre 15 e 35 anos. Verificamos que,
entre 1980 e 2012, as taxas de suicídio tinham crescido de 62,5%, aumentando o ritmo a partir
da virada de século, tanto para o conjunto da população quanto para a faixa jovem. Apesar
da gravidade desses fenômenos, que deveriam provocar diversas discussões nos mais variados
âmbitos, é perceptível que assunto não tem sua merecida repercussão. Esta mesa se propõe
abordar o assunto sobre três perspectivas: Expor a problemática da vulnerabilidade dos jovens
quanto a essa questão; compreender as Políticas Nacionais de Prevenção ao Suicídio e evocar
os motivos destas políticas não conseguirem atingir as ações estatais; relatar experiências
e ações feitas pela rede do SUS nem município do Ceará e por jovens de uma escola desse
município. As três falas da mesa se complementam e trazem contrapontos importantes para
avançar no debate. A exposição da pesquisa sobre as “Concepções de juventude e políticas
de Prevenção ao suicídio no brasil” traz a importância de conhecer as Políticas Públicas de
prevenção do suicídio, ponderando sobre as concepções de juventude e sobre as propostas
de cuidado que são construídas diante das referidas políticas. Já a apresentação “Estratégias
de prevenção do suicídio de jovens na cidade de Paracuru/Ceará” aponta para a relevância
do desenvolvimento de meios e estratégias que favoreçam a participação dos próprios jovens
na elaboração, execução e apreciação das políticas públicas, inclusive sobre ações públicas
diante do suicídio. Esta mesa contará com o depoimento de um jovem que após ter feito uma
tentativa de suicídio, quis mobilizar uma ação de prevenção na sua escola. De fato, os registros
oficiais sobre tentativas de suicídio são mais escassos e menos confiáveis do que os de suicídio.
Estima-se que o número de tentativas de suicídio supere o número de suicídios em pelo menos
dez vezes. O debate contará, portanto, com a presença da supervisora de ações da Secretaria
de Saúde do Estado do Ceará, de um pesquisador que está escrevendo sua dissertação de
mestrado sobre o tema do suicídio entre jovens e de um profissional que atua na rede SUS com
um projeto de prevenção, juntamente com um jovem que trará seu testemunho como forma
de divulgar uma ação pensada e executada por estudantes de uma escola pública do Ceará.
Acreditamos que o debate aberto e consistente é um importante passo para superar o pudor e
omissão que costumam acompanhar o tema em questão.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
82
Concepções de juventude e políticas de prevenção ao suicídio no Brasil
Autores(as): Hamilton Almeida Peixoto (UFC) e Raquel Alencar Barreira Rolim (UFC)

Resumo:

O presente trabalho tem como objetivo refletir sobre as concepções de juventude e


de prevenção ao suicídio no Brasil. Para tal, pretendemos ponderar criticamente sobre
publicações do Ministério da Saúde e da Secretária-geral da Presidência da República. A
relevância de tal estudo se deve a importância de conhecer as Políticas Públicas de prevenção
ao suicídio, refletindo sobre as concepções de prevenção ao suicídio e de juventude. Para a
reflexão sobre as concepções em questão, utilizamos ferramentas conceituais de Michel
Foucault. As metodologias utilizadas para realização deste trabalho, abrangem a pesquisa
bibliográfica e documental. A partir dessa leitura crítica, buscamos identificar as condições
que possibilitaram a elaboração de saberes, discursos, sentidos e referências sobre o assunto
abordado. A prevenção corresponde a um trabalho prévio com intuito de impedir as doenças
ou agravos de se manifestarem ou de tomarem uma forma mais grave. Para tal, ela utiliza
a análise dos indicadores de vulnerabilidade e de risco, além de apresentar em um esforço
para provocar mudança de hábitos pelas recomendações quanto as atividades cotidianas. O
Ministério da Saúde propõe também a organização de linhas de cuidados integrais, com acesso
a diversas modalidades terapêuticas. Defende a consideração do contexto social do usuário
do sistema de saúde, mas não inclui esse usuário como sujeito na construção das propostas
terapêuticas. As políticas públicas buscam regular e organizar a vida em sociedade através de
mecanismos de biopoder. Tais mecanismos enfocam a defesa da vida, utilizando formas de
controle, regulação e organização de populações e corpos. Se por um lado é coerente afirmar
que as Políticas Públicas defendam a vida, por outro é possível perceber que elas podem atuar
como instrumentos eugênicos, pois o governo pode decidir o destino dado aos investimentos
públicos. Assim, deliberando sobre a vida e a morte dos grupos conforme seus interesses. Para
abordar as concepções de juventude, destacamos uma publicação governamental chamada
“Estação Juventude – Conceitos Fundamentais - Pontos de partida para uma reflexão sobre
políticas públicas” que aborda algumas concepções sobre juventude, são elas: “1) juventude
como etapa de preparação, transição entre a infância e a idade adulta; 2) juventude como
etapa problemática; 3) juventude como atores estratégicos para o desenvolvimento; 4)
juventude cidadã como sujeito de direitos”. Percebemos que as demandas ditas da juventude
são elaboradas por alguns setores da sociedade. Cabe o questionamento sobre que setores
são esses que se mobilizam em nome da juventude. Inclusive considerando que estes setores
são, na sua maior parte, integrados por adultos que podem defender posicionamentos não
correspondentes aos pontos de vista dos jovens. Além do mais, essa reflexão aponta para
a relevância do desenvolvimento de meios e estratégias que favoreçam a participação dos
próprios jovens na elaboração, execução e apreciação das políticas públicas, inclusive sobre
ações públicas diante do suicídio.

Palavras-chave: Políticas de Prevenção; Suicídio; Juventude.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
83
Estratégias de prevenção do suicídio de jovens na cidade de Paracuru/Ceará
Autores(as):: Ariadyne Barros Luz (Secretaria de Saúde de Paracuru)

Resumo:

Os debates do Grupo de Trabalho de Prevenção do Suicídio da Cidade de Paracuru conduziram


ações nas escolas municipais e estaduais, articuladas ao Sistema Único de Saúde. Tais
experiências trazem uma rica discussão sobre estratégias de prevenção do suicídio no público
adolescente, como um modo de estar próximo a esse público considerados estatisticamente
como os maiores atingidos por este tipo de morte. Tal trabalho foi embasado na Psicologia
Social que atua com esses adolescentes e jovens no seu contexto social, com uma aproximação
com o fenômeno, uma vez que a taxa de suicídios em Paracuru é mais elevada do que a
média nacional. Para a prevenção do suicídio desse público foram estruturados dentro do
Plano Municipal de Prevenção do Suicídio de Paracuru, inicialmente, dois momentos: contato
direto com adolescentes e jovens visando a desconstrução dos mitos referentes ao suicídio
com rodas de conversas nas escolas e capacitação de gestores escolares e professores, no
sentido de refletir a escola como espaço de proteção dos adolescentes e jovens. Nas Rodas de
Conversa o grupo de trabalho se deparou com diversos adolescentes explicitando que tinham
ideação suicida e alguns que já tinham tentando suicídio. O que mais chocou a equipe foi
perceber que os adolescentes e jovens não buscavam nenhum adulto do seu convívio social
para falar dessa situação, recorriam aos seus pares, e estes manejavam empiricamente as
ideias suicidas de seus colegas. Na capacitação de gestores e professores, foi trabalhado a
ideia da escola enquanto instituição de proteção para adolescentes e jovens. Na ocasião, os
professores relataram a prática de automutilação entre adolescentes e as ideações suicida
dos mesmos. Nas intervenções foi constado a distância dos adolescentes e jovens com relação
aos profissionais da saúde. Visando minimizar essa distância os profissionais estão indo com
mais frequências às escolas com metodologias que possam promover uma melhor relação,
como “e-mails” e jogos interativos. Também está sendo o fortalecimento da parceria com as
escolas para o cuidado imediato. Nos anos de 2015 e 2017 foram atingidos, aproximadamente,
600 (seiscentos) adolescentes e/ou jovens, alunos das escolas municipais e estaduais. Percebe-
se progressivamente a procura por dispositivos da rede, tanto o PSF quanto o CAPS para
atendimentos psicológicos, bem como o aumento da adesão ao tratamento e da visibilidade
da rede de proteção. Nessa perspectiva, os psicólogos da rede de saúde de Paracuru foram
convidados para conhecerem o projeto X que está sendo desenvolvido por um grupo de alunos
do 2ª ano de uma escola pública estadual com o nome Psicologia da Alma. Tal projeto tem o
objetivo de identificar os sofrimentos mentais, através da metodologia das cartas, dos alunos da
referida escola e a realizarem uma intervenção de acolhimento entre os pares e informações
para aqueles que necessitam de apoio profissional para terem uma melhor qualidade de vida.
Um dos alunos gestores deste projeto virá falar da sua experiência, sendo ele mesmo um jovem
que fez tentativa de suicídio e, portanto, achou importante iniciar e difundir essa ação.

Palavras-chave: Ações de Prevenção; Suicídio; Juventude.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
84
A Secretaria de Saúde do Ceará e as Políticas Públicas de prevenção ao suicídio de jovens
Autores(as): Aline Teles de Andrade (Secretaria da Saúde do Estado do Ceará) e Vicente Emanuel
Ribeiro Macêdo Alves (UFC)

Resumo:

O Fórum de debate sobre o suicídio acorrido em outubro de 2016 na Secretaria de Saúde do


Estado do Ceará trouxe a necessidade de se pensar em políticas e ações junto à população
jovem. De fato, esta é a segunda maior causa de morte dos jovens entre 15 e 29 anos pela
estatística brasileira. Foi, portanto, criado um grupo de trabalho, com pesquisadores, estudiosos
do assunto e profissionais atuantes do SUS. Este grupo pretende tornar o referido assunto uma
Política de Estado, com ações preventivas e de intervenção através de Câmeras Técnicas. A
Organização Mundial da Saúde (OMS) 2014, aponta a necessidade de entender as características
e comportamentos suicidas para poder criar estratégias de intervenção. Estudos revelam
que, situações como mudança social brusca, violência conjugal e intrafamiliar, incluindo a
violência sexual são os grandes fatores de risco. A população LGBT apresenta o maior número
de suicídios. Pesquisas mostram que os jovens que na infância sofreram violência (física, sexual
ou emocional), negligência, maus-tratos, separação ou divórcio dos pais, bullying na escola
revelaram-se como um grupo de maior risco maior de suicídio. Fatores adversos tendem a
se correlacionar e agem cumulativamente para aumentar os riscos de transtorno mental e
suicídio. As Diretrizes Nacionais para a Atenção Integral à Saúde de Adolescentes e Jovens
na Promoção, Proteção e Recuperação da Saúde, elaborada pelo Ministério da Saúde, pensa
as linhas de cuidado levando em conta a complexidade do fenômeno e a necessidade de
diferentes abordagens. Consideram, portanto, os fatores que influenciam no comportamento
autodestrutivo e a importância em discutir sobre as situações de vulnerabilidade. Dentre as
ações preventivas recomenta-se: Reconhecer as ideações suicidas e mesmo as tentativas de
suicídio como pedidos de socorro buscando o encaminhamento desses usuários para serviços
que garantem o acolhimento e continuidade de um tratamento. Nessa perspectiva e em
acordo com as Diretrizes nacional, o Grupo de Trabalho sobre as Políticas de prevenção ao
suicídio conta com o apoio da equipe do Instituto José Frota que acolhe diretamente os casos
de tentativas de suicídio. Ressalta-se, no entanto, a falta de dados sobre o assunto. Embora
exista na ficha de violência um campo sobre o risco de suicídio, pudemos constatar que este
na grande maioria dos casos não é preenchido. Alguns municípios do estado do Ceará foram
escolhidos para criar orientações para que as ações das linhas de cuidado dialoguem com
as outras políticas sanitárias do SUS buscando nas interfaces a resolutividade e a qualidade
do atendimento e a integralidade da atenção. Este grande desafio visa diminuir o número de
suicídios entre os jovens do estado do Ceará que está entre os maiores do Brasil, segundo a
estatística do Ministério da Saúde.

Palavras-chave: Políticas Públicas; Suicídio; Juventude; Sociedade.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
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EIXO 6: Juventudes e MOVIMENTOS SOCIAIS

Educar em Direitos Humanos e a invenção de dispositivos artísticos para pensar a vida


infanto-juvenil
Coordenador(a): Érica Atem Gonçalves de Araújo Costa (UFC)

Resumo Geral:

Esta mesa-redonda pretende debater, a partir de experiências e inserções institucionais,


intervenções em que os direitos humanos são objeto de criação pelos atores sociais envolvidos.
As questões mobilizadoras das práticas sociais e de pesquisas analisadas consideram os sujeitos
de direitos, crianças, jovens, adultos e idosos, em suas constituições identitárias relacionais. Os
Direitos Humanos aparecem como espaço para negociação e não apenas como discurso sobre
grupos vulneráveis. A arte ou as experiências artísticas e estéticas são dispositivo privilegiado na
construção desse caminho em que o outro não é somente aquele sem direitos, mas o outro é a
possibilidade dos atores sociais diferirem (devirem outro) em relação aos seus modos de entender
as diferenças. Historicamente, os Direitos Humanos, como rede discursiva, não se destinaram
igualmente a todos os grupos sociais. Quem são os sujeitos de quem se fala e por quem se luta?
O que podem criar coletivamente? Educar em Direitos Humanos parece-nos um modo da política
exerce-se como uma política menor, em torno dos sentidos que o encontro com a alteridade
pode suscitar. O primeiro trabalho intitulado Quando a experiência da/na infância interpela os
jovens: artistagens nos caminhos da formação na universidade põe em análise ações no âmbito
do ensino e da extensão na universidade. Mobiliza reflexões em torno da criação de espaços
em que os jovens se deparam com a tarefa de pensar sobre as diferenças por meio do encontro
com processos de criação. Em diálogo com a Filosofia da Diferença e a Psicologia institucional,
estas ações apontam os efeitos importantes quanto à singularização da trajetória dos estudantes
tendo em vista sua atuação em relação a questões que envolvem a resistência a normatizações
e menorizações de grupos sociais vulneráveis. O segundo trabalho proposto intitula-se Arte,
Cultura e juventudes: desenhando caminhos para um devir cidade. Os autores explicitam o
processo de criação do I Fórum em Direitos Humanos na cidade de Sobral/CE, destacando a arte
como eixo para a proposição de um espaço problematizador e de envolvimento com a temática
dos Direitos Humanos. A construção coletiva poderá efetivar-se sem que se exijam dos jovens e
seus outros respostas adequadas, de modo que haja abertura para a emergência do que ainda
não foi formulado. No terceiro trabalho intitulado Confetos de educar em direitos humanos
de professores para pensar a vida de crianças e jovens na educação básica a pesquisadora
experimenta, através da sociopoética, a criação de confetos pelas professoras do território de
uma comunidade escolar no Parque Alvorada, região fronteiriça que liga Timon-MA e Teresina-PI.
Esse processo acontece diante do desafio ético-político de educar em Direitos Humanos, fugindo
das marcas colonizadoras presentes no modelo eurocêntrico e cartesiano edificante das práticas
educativas e escolares ainda predominantes. Levanta a discussão de como a sociopoética como
método de pesquisa permite a desterritorialização e a invenção de saídas pelas professoras
diante das situações de vulnerabilidade a que estão cometidos às crianças e jovens com quem
atuam, reinventando a si mesmas.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
86
Quando a experiência da/na infância interpela os jovens: artistagens nos caminhos da formação
na universidade
Autores(as):: Érica Atem Gonçalves de Araújo Costa (UFC)

Resumo:

Este trabalho busca refletir sobre a possibilidade de espaços formativos, que se efetivam pela
experiência de pensar os processos de produção da diferença de forma que a reflexão seja vista
como um momento de criação. A noção de diferença é um balizador social, a partir do qual se
define o outro de quem se fala e a quem se destina uma prática. O confronto de elementos
desta genealogia com dispositivos artísticos ou experimentações estéticas possibilita aos
jovens em formação reformularem, repetirem, desgastarem, espantarem-se com suas questões
em torno da diferença? Tem-se como interlocutores a filosofia da diferença e a psicologia
institucional, assim como autores que se dedicam às temáticas intergeracionais. As práticas
extensionistas realizadas com e por jovens universitários passadas em análise neste trabalho
tem um intercessor privilegiado que alinhava os processos de criação, a saber, a infância e a
juventude tidas como experiência. A criança e o jovem como sujeitos deixam o lugar daquele
a quem se destina um olhar teórico, apenas, e passam a condição de sujeitos que interpelam
e desconstroem classificações prévias e universais. Esse tipo de metodologia possibilita dar
um contorno a questões para as quais a formação não necessariamente trará respostas
concluídas, sendo importante saber lidar com o que está por vir ou precisa ser inventado. A
criança e o jovem, sujeito de direitos, mesmo em situação de vulnerabilidade e invisibilidade
social, podem negociar os sentidos que o discurso dos direitos humanos põe em circulação
sobre eles mesmos. A arte (artistagens) tem sido uma opção ética nessa formação em que
as experiências são meio de autotematização pelo jovem no encontro intergeracional. Esses
encontros com a criança ou tendo a infância e a juventude como categorias a compreender
tem possibilitado entender e definir o que seriam os dispositivos de escuta das crianças e
jovens hoje (dispositivo de escuta). Questão que está no eixo de muitas políticas públicas
e intervenções no campo dos direitos humanos e em outras áreas também. Entende-se a
partir, destes trabalhos, que dispositivos de escuta são ações e práticas que contam com a
agência da criança (ou do jovem) e que os constituem como sujeitos, fazendo problema as
teias normativas da imaturidade e da ingenuidade. Estes espaços formativos, iniciados desde
2010, com a criação do projeto de extensão Grupo Maquinarias: pesquisa e intervenção em
educação e infâncias no curso de Psicologia da UFC/Sobral se desdobraram hoje em outros
novos projetos e incluem desde a sala de aula universitária como também intervenções em
escolas públicas em intercessão com os Centros de Referencia da Assistência Social (CRAS)
na cidade de Sobral. As análises destes trabalhos mostram como uma atuação micropolítica
pode deslocar o outro da posição de objeto de poder-saber dos discursos científicos e levá-lo
a uma região de afeto e estranhamento. A problemática da diferença produz-se no corpo dos
jovens, inscrita nas suas trajetórias de formação, onde poderão desenvolver de forma singular
seus percursos de resistência à normatização e à menorização dos atores sociais, incluindo a
si mesmos.

Palavras-chave: Jovens; Diferenças; Criação intergeracional.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
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Arte, cultura e juventudes: desenhando caminhos para um devir cidade
Autores(as): Savanya Shell de Oliveira Sousa (Prefeitura Municipal de Sobral) e Gênesis Anjos
Nunes (Coordenadoria dos Direitos Humanos do Município de Sobral-CE)

Resumo:

A arte, entendida como potente dispositivo, em contato com a pulsação jovem suscita diversos
desdobramentos transformadores, assim como proporciona experimentações criativas. Uma
vez que essa lig-ação se faz presente, a pessoa jovem vem a experienciar o mundo a partir das
juventudes intrínsecas e a conexão direta se manifesta nas delicadezas produzidas pela célula
revolucionária. Cultivar a criatividade dos jovens é dilatar horizontes e entender que suas
expressões requerem Direitos. Este trabalho manifesta caminhos de idealização do I Fórum
dos Direitos Humanos - desafios e perspectivas para efetivação dos Direitos Humanos em
Sobral/CE – percebido como agenciamento para a construção coletiva dos direitos de jovens
no município de Sobral, tendo como cenário a interseccionalidade com outros grupos sociais.
O Fórum oferece delineamentos da configuração da Coordenadoria dos Direitos Humanos,
do mesmo modo que oportuniza, a equipe, posicionar-se diante da cidade e demarca a arte-
cultura, enquanto importantes linguagens-lugares de expressões, bem como aponta novas
possibilidades de atuação que desenhem e se façam perceptíveis políticas públicas próximas à
realidade dos sujeitos. Entende-se que a arte minimiza o calor das diferenças, alegra os passos da
concretização de Direitos do mesmo modo que conduz mudanças efetivas-afetivas. Alicerçado
a criação, os jovens reinventam formas e elementos da realidade vivida, a interpretação de
seus acontecimentos realizam a combinação entre o singular e coletivo. Assim, pretende-
se metodologicamente, proporcionar espaços problematizadores sobre o tema Direitos
Humanos desenvolvendo, a partir de traços particulares da arte, debates e construções com
pessoas jovens, da terceira idade, com algum tipo de deficiência, diversidade sexual e diversas
etnias inseridas em movimentos sociais, conselhos de direitos e demais políticas do município.
Mecanismos enriquecedores da arte e cultura serão potencializados por meio de metodologias
ativas, uma vez que estas apresentam características progressivas de aprendizados em busca
de despertar críticas acerca da proposta. Para tal, a arte e a cultura também foram pensadas
enquanto ferramentas de mediação e estratégias de aproximação com as pessoas envolvidas
em busca da garantia de direitos, pois como criar situações dentro das políticas públicas que
possam lidar com o indefinido, em que haja tempo para a insurgência dos atores, sem prendê-
los a modos de participação esperados por uma sociedade administrada? Compreende-se
que a realização artística se dá num encadeamento de comunicação, deste modo a mediação
através da arte se faz necessário pois possibilita processos criadores em que as divisões são
despotencializadas abrindo espaços-tempos para a horizontalidade nas relações, falas, ações
e gestos. Assim sendo, tenciona-se que o Fórum contagie, provoque movimentos de implicação,
consiga expandir o campo de produção de sentidos dos sujeitos ativos no processo, tal como
desperte processos germinativos transformadores no território das emoções da equipe e
deslocamentos ético-estético-político na maneira de atuação.

Palavras-chave: Direitos Humanos; Mediação Artística; Juventudes.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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Confetos de educar em direitos humanos de professores para pensar a vida de crianças e jovens
na educação básica
Autores(as):s: Maria do Socorro Borges da Silva (UFPI) e Shara Jane Holanda Costa Adad (UFPI)

Resumo:

A Educação em Direitos Humanos é um desafio a ser construído no cotidiano a partir das


singularidades de cada lugar educativo, superando o viés universalista e excludente do Direito
e da Educação que herdamos do modelo cartesiano e eurocêntrico. A Sociopoética se constitui
um dispositivo metodológico e filosófico de pesquisa e produção do conhecimento coletivo,
democrático e descolonizador do pensamento relevante para culturas de resistências como
crianças, adolescentes e jovens na escola, a partir da criação de confetos, conceitos produzidos
na relação de intersubjetividades, com o uso do corpo inteiro e da Arte. Diante da problemática
do como educar em Direitos Humanos na relação com a vida de Crianças e Adolescentes,
esta proposta objetiva analisar experiências de pesquisa com a Sociopoética com professoras
da educação básica pensando outros modos de educar em direitos humanos crianças e
adolescentes, destacando seus saberes experienciais na vida escolar e potencializando a
dimensão criadora na produção de problemas, confetos e devires. A experiência aconteceu
no território da Comunidade Escolar “Mãos Dadas” da Associação Daniel Comboni, no
Parque Alvorada, região fronteiriça que liga Timon -MA e Teresina – PI, área considerada de
vulnerabilidade social para as populações infanto-juvenis devido a violência estrutural que
configurou historicamente esse território. Com o uso do método Sociopoética, foram realizadas
oficinas com o tema-gerador “Educar em Direitos Humanos na relação com a vida de crianças
e adolescentes”, usando como dispositivo artístico a Capulana, inspirada na cultura africana.
Os principais teóricos que orientaram esta produção são Foucault (1992, 1984, 2003, 2011,
2013, 2014); Deleuze e Guatarri (1985; 1995; 2010 e 2013); Arendt (1989; 2001); Agamben (2010);
Certeau (1999); Gauthier (2012); Larrosa Bondia (2010; 2011); Panikkar (2004); Corazza (2004)
dentre outros que se orientam por essa vertente. A experiência revelou que a Sociopoética
enquanto abordagem metodológica de pesquisa interventiva potencializa os educadores a
se desterritorializar, descolonizar o pensamento das formas normativas e institucionais de
como educar em Direitos Humanos crianças e adolescentes, pois quebra com os modelos
tradicionais de formação, pesquisa e de ensino, sendo mais atrativos a esses sujeitos. Trata-
se de um método inventivo, prazeroso e filosoficamente potente de análise dos problemas
da vida, favorecendo na produção artística a criação de novos saberes vivenciados nas rodas
de conversas em que são socializados os sentidos da produção, bem como, propicia a análise
do pensamento do grupo, que ao perceber suas próprias limitações através da autoanalise,
produz a transformação de si e do coletivo. É relevante dizer que essa produção é resultado
da pesquisa de doutoramento em Educação.

Palavras-chave: Educar; Direitos Humanos; Professores Infanto-Juvenil

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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Gênero, tecnologias digitais e ativismo: quando jovens mulheres abrem a boca na rede
Coordenador(a): Idilva Maria Pires Germano (UFC)

Resumo Geral:

Esta mesa reúne estudos que examinam o vínculo entre tecnologias digitais, movimentos de
mulheres e ativismo feminista e suas implicações para a população jovem no país. Em especial,
discute como a internet vem se constituindo ferramenta indispensável para mulheres de todas
as idades contestarem as cotidianas formas de inequidade de gênero. Na era digital, o ativismo
de gênero reconhece que a internet é espaço privilegiado para a maior visibilidade das
mulheres, para a produção, circulação e consumo de conteúdos que defendem seus direitos
e para o combate coletivo às representações e práticas sexistas (Maffía, 2013; Natansohn,
2013; Tomazetti & Brignol, 2009). Com efeito, há pouco mais de duas décadas reconheceu-
se o acesso das mulheres à comunicação como direito humano básico e as tecnologias de
informação e comunicação (TICs) como importantes estratégias de empoderamento feminino
(Boix & de Miguel, 2013). Desse momento inaugural para cá, sujeitos femininos historicamente
silenciados (Perrot, 2003) se fazem ouvir, conectam-se, teorizam e agem em busca de relações
de gênero menos assimétricas. Na internet, coletivos feministas no país vem se multiplicando
e produzindo conteúdos que veiculam as demandas das mulheres, convocam sua organização
e participação política e mantém uma rede de comunicação ativa, solidária e heterogênea
de grupos e comunidades. Esta mesa busca trazer elementos para entender o alcance, as
dificuldades e os desafios transgeracionais do ativismo de gênero. O primeiro trabalho traz
à discussão princípios gerais e diretrizes políticas para uma internet alinhada às demandas
dos feminismos, a partir da experiência de uma oficina sobre internet e gênero dirigida à
comunidade universitária. O estudo pretende colaborar para a transformação da internet
com base nas pistas oferecidas por perspectivas críticas que levam ao questionamento dos
aspectos androcêntricos que fundam a ciência e a tecnologia e das barreiras de gênero
que explicam o acesso diferenciado de homens e mulheres às TICs e aos seus beneficios.
O segundo trabalho problematiza o conceito de “empoderamento” no âmbito do feminismo
negro, com base na análise de dois grupos do Facebook que reúnem mulheres negras, na
maioria jovens, em fase de “assumir” o cabelo natural, deixando de recorrer a alisamentos.
Observando as trocas de informações sobre produtos para cabelos crespos (“low/no poo”) e
juízos sobre afro-descendência nesses grupos, os autores levantam questões sobre as políticas
de identidade aí favorecidas e o alcance efetivo de tais políticas para o empoderamento de
jovens e mulheres negras. O terceiro trabalho aborda a campanha #PrimeiroAssédio (2015)
no Twitter e Facebook, promovida pelo coletivo feminista Think Olga, que, em poucos dias,
recebeu milhares de relatos contudentes de violencias sofridas por mulheres quando criancas,
adolescentes e jovens. As autoras discutem como os sites de redes sociais configuram espaço
favorável à revelação pública de práticas sexistas e violentas contra as mulheres, à sororidade
e ao ativismo de gênero. Os três trabalhos finalizam discutindo os caminhos do ativismo de
mulheres na internet entre segmentos jovens.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
90
#LigadasNaInternet! O que é internet feminista?
Autores(as):: Graciela Natansohn (UFBA)

Resumo:

As tecnologias digitais, com sua diversidade de ferramentas e dispositivos, suas oportunidades


e riscos, constituem cenários privilegiados para a ação política feminista, queer e LGBTT e, por
isso, tem sido objeto de reflexão crítica por parte dos feminismos acadêmicos e dos movimentos
sociais. A partir desse contexto, o trabalho que apresentamos traz um debate - incompleto,
provisório, em construção - sobre um conjunto de princípios ou direcionamentos políticos
desejáveis, elaborados a partir da questão: “como feministas, que tipo de internet queremos e
o que necessitamos para alcançá-la?”. Essa questão-chave norteia a oficina “Internet e redes
sociais: perspectivas críticas e feministas” (GIG@, 2016), que o grupo de pesquisa em Gênero,
Tecnologias Digitais e Cultura (Gig@) vem desenvolvendo com a comunidade universitária desde
2016. Mediante os eixos temáticos transversais “autonomia e agência”, “liberdade e sexualidade”,
“economia, infraestrutura e participação”, “conteúdos e privacidade”, as oficinas discorrem sobre:
a) direto ao acesso amplo, irrestrito, igualitário à internet;
b) direito à diversidade identitária, sexual e racial, contra o hetero-cis-normativismo;
c) desconstrução do caráter androcêntrico da ciência e da tecnologia digital, em todas as suas
fases (planejamento, desenho, realização, distribuição e usos);
d) a compreensão ampla, interseccional e não androcêntrica das brechas (exclusões) digitais de
gênero, raça, classe, nacionalidade, religião, idade, etc. e das estratégias para superá-las;
e) o combate à misoginia, assédios e violências, articulando estratégias para a defesa com menor
risco (redução de danos digitais);
f) internet como bem comum, o local onde nos constituímos como sujeitxs, onde nos sentimos
segurxs e confortáveis; espaço de sororidade interseccional, local onde nos articulamos e
organizamos em redes;
g) segurança e a privacidade, direito ao anonimato e ao esquecimento;
h) liberdade de expressão irrestrita; contra o controle, vigilância ou regulação através de
tecnologia, legislação ou violências.
j) promoção e estímulo aos softwares livres, contra as “caixas pretas” da tecnologia;
k) crítica às noções hegemônicas e mercadológicas que povoam internet, como “computação em
nuvem”, “internet das coisas”, “obsolescência programada”;
l) direito à participação de mulheres e minorias na governança e a tomada decisões sobre políticas
de internet;
m) economias digitais alternativas e solidárias, bens comuns, sustentabilidade;
n) utopia de que outra internet é possível: autônoma, não colonizada pelo comércio, pelo capital
ou pelo estado; sustentada pela colaboração, pela cultura do compartilhamento e do código
aberto.
Como parte da praxe do grupo, trazemos à discussão esses princípios e os materiais didáticos
produzidos. Trata-se de material impresso - uma série de quatro cartilhas chamadas
#LigadasNaInternet, que versam sobre temas pontuais, tais como: criptografia, criação chaveiros
digitais e navegação segura - e o vídeo “O que é uma internet feminista?” (Gig@2017), desenvolvido
para plataforma web.

Palavras-chave: Internet Feminista; Exclusões Digitais; Gênero.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
91
Assumi meu cabelo, e agora? Empoderamento e feminismo negro na rede
Autores(as): Aluísio Ferreira de Lima (UFC), Idilva Maria Pires Germano (UFC), Jéssica de Souza
Carneiro (UFC)

Resumo:

Os sites de redes sociais têm servido como importante plataforma onde pessoas e coletividades
cada vez mais reivindicam direitos, mobilizam-se e conscientizam-se politicamente. A
politização nas plataformas digitais de comunicação refere-se a mecanismos de resistência
aos dispositivos de poder, principalmente no que concerne àqueles de reiteração do racismo
e da opressão de gênero. Percebe-se nesses espaços a crescente emergência de grupos e de
indivíduos que defendem pautas ativistas e de lutas sociais, no sentido de manifestarem-se
contra enunciados e práticas de opressão e exclusão a grupos específicos. Assim, este trabalho
discute as diferentes faces do movimento feminista negro nos sites de redes sociais, tomando
como ponto central a problematização da categoria conceitual “empoderamento” presente nos
discursos desses grupos. Pretende-se compreender os novos contornos das opressões ligadas
à etnia, ao gênero e à geração na internet, analisando as formas como os movimentos de
ciberativismo disparados pelos SRS, sobretudo o Facebook, produzem narrativas de identidade
que impulsionam as lutas e disputas discursivas de resistência e empoderamento negro.
Levanta-se a hipótese de que o afastamento do feminismo negro de uma luta militante, ou seja,
da militância voltada para a crítica aos regimes de poder e à estrutura sistêmica da sociedade
que marcou as primeiras ondas feministas, alinha-se ao projeto neoliberal contemporâneo
no sentido de fortalecer políticas de identidade (FRASER, 2006; 2009), em vez de possibilitar
identidades políticas, além de constituir-se como mais um dispositivo reiterativo das relações
de poder vigentes e das opressões relacionadas à etnia e ao gênero. A partir disso, suspeita-se
que as relações de consumo que atravessam certas pautas feministas negras, as quais à primeira
vista podem parecer fortalecer e empoderar essas mulheres, agem na direção da despolitização
e da descoletivização do combate às relações de exclusão e opressão de mulheres negras,
com efeitos especialmente importantes sobre as jovens negras. Neste trabalho, discutimos as
postagens de dois grupos do Facebook- “No e Low Poo Iniciantes” e “No/Low Poo: cabelos
crespos” – que reúnem pessoas em processo de transição da química de alisamento aos fios
naturais crespos. Trata-se de grupos que não apenas discutem sobre a qualidade capilar e
técnicas de manuseio do cabelo, mas também travam debates étnicos sobre afro-descendência.
A análise qualitativa apoiou-se na netnografia e na análise do discurso no âmbito de teoria
feminista crítica. Entre alguns resultados, observa-se que os sites analisados configuram-se
espaços de visibilização de discursos de resistência no que tange às disputas identitárias e aos
movimentos de empoderamento negro, contudo, também sinalizam as tensões do ativismo
produzidas pelo foco no consumo de “produtos étnicos”, que podem limitar o alcance dos novos
engendramentos éticos, estéticos e políticos no campo do feminismo negro. Essas tensões nos
levam a refletir sobre os desafios do feminismo na internet sobre o empoderamento de jovens
e adultas negras.

Palavras-chave: Empoderamento; Feminismo negro; Internet; Jovens.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
92
Quebrando o silêncio: revelação, sororidade e ativismo de gênero na campanha #PrimeiroAssedio
Autores(as):s: Ana Cesaltina Barbosa Marques (UFC), Idilva Maria Pires Germano (UFC)

Resumo:

Bandeiras de igualdade de gênero e luta por direitos vêm sendo frequentemente levantadas
no Brasil, tanto nas ruas quanto nos meios de comunicação, especialmente desde o segundo
semestre de 2015, quando uma série de manifestações teve alcance nacional a ponto de o
momento ser batizado como “primavera das mulheres no Brasil” (Grillo, Oliveira & Buscato,
2015). Nesse contexto, os sites de redes sociais têm tido papel preponderante na difusão de
campanhas, obtendo o engajamento de milhares de pessoas, por meio de seus perfis pessoais,
em plataformas como Facebook e Twitter. A campanha #PrimeiroAssédio (2015) é um exemplo.
Foi promovida pelo coletivo feminista Think Olga (cuja misão é “empoderar mulheres por
meio da informação”) em reação ao assédio praticado nas redes à imagem de uma menina
participante de um reality show nacional. Na postagem que disparou a campanha, divulgada
no Twitter e partilhada também no perfil do coletivo no Facebook, a Coordenador(a): do projeto
convidou pessoas a partilharem memórias sobre suas primeiras experiências de assédio. Em
quatro dias, somente no Twitter, foram mais de 82 mil mensagens marcadas pela hashtag.
Usuários majoritariamente femininos apresentaram relatos de violências sofridas quando
crianças, adolescents e jovens, cometidas principalmente por amigos, vizinhos ou parentes.
Este trabalho analisa a conversação em rede (Recuero, 2012) gerada em torno da hashtag
#PrimeiroAssedio, buscando compreender como as respostas das mulheres revelam formas de
enfrentamento do silêncio imposto às mulheres no curso da vida, considerando a enunciação
como uma dimensão do exercício de dominação e, também, de resistência à dominação. Uma
seleção dos relatos foi estudada mediante análise temática das narrativas (Riessman, 1993)
e análise do discurso, ambas fundadas em molduras críticas da psicologia social discursiva
(Billig,1991,1996; Wetherell, 1998, 2001; Weatherall, 2012) e dos estudos de gênero e da
teoria feminista (Scott, 1994; Haraway, 1995). As observações empíricas assinalam que: 1. Os
episódios de assédio sexual começam muito cedo nas histórias das mulheres, levando meninas
e jovens a adotar majoritariamente estratégias de silenciamento e de esquiva dos agentes
de agressão; 2. O silenciamento das agressões pelas narradoras (frequentemente com sua
auto-culpabilização) envolve dilemas ideológicos (Billig, 1991; Towns & Adams, 2009) entre
discursos de matiz “individualista” (que poderiam levar a mulher a “cuidar de si”, denunciando
o agressor para reparar seu direito individual violado) e de matiz “coletivista” (levando-a a
silenciar em nome da paz familiar, por exemplo); 3. A campanha sinaliza no âmbito dos sites
de redes sociais um coletivismo favorável à revelação pública das violações, à sororidade e ao
ativismo de gênero. Como conclusão, o estudo sublinha a transgeracionalidade do sexismo nas
histórias contadas e as possibilidades de agência feminina fornecidas pelo ambiente digital às
mulheres de todas as idades, em especial, a de se “quebrar o silêncio” em torno do assédio e de
compreende-lo como prática de violência.

Palavras-chave: Ativismo digital; Mulheres; Assédio; Jovens.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
93
“Já estou implicado até a alma!”: modos, expressões e desafios de subjetivação política juvenil
Coordenador(a): Érika de Sousa Mendonça (UFRPE)

Resumo Geral:

A participação política, tal como a compreendemos, envolve ações produzidas por um sujeito
político com fins de afirmação dos posicionamentos individuais e/ou coletivos. Passa pela
experienciação do convívio com as diferenças e inclui a tomada de reflexões e atitudes na
luta ou defesa de pautas coletivas. Trata, enfim, da reinvenção de si e dos espaços públicos.
Tal perspectiva estabelece um contraponto a noções tradicionais de participação política,
associadas ao engajamento político partidário ou à vinculação a sindicatos e movimentos
sociais (no caso dos jovens, destaca-se principalmente o movimento estudantil). É, pois, a partir
de uma perspectiva ampliada que compreendemos as pequenas intervenções cotidianas no
espaço público, na relação com o outro, com o contexto sócio-político, como também indicativas
de um posicionamento de participação, a que viemos chamando de modos e expressões de
subjetivação política. Para tanto, estabelecemos tessituras teóricas com autores de referência
das Ciências Sociais, da Psicologia e da Filosofia. Tomamos de Michel Foucault a noção de
resistência ao instituído. Inspiramo-nos em Chantal Mouffe para pensar o/a político/a a partir de
sua proposição de um modelo agonístico de democracia. De Jacques Rancière, adotamos uma
concepção de política baseada na ressignificação de identidades anteriormente construídas.
De Lucia Rabello de Castro e Jaileila de Araújo Menezes, adotamos o reconhecimento do
sujeito acerca da existência das diferenças, com o consequente envolvimento em situações
de negociação, bem como sua implicação cotidiana numa perspectiva emancipatória da vida
coletiva.Entendendo-se, enfim, que a subjetivação política perpassa movimentos de resistência,
posicionamento crítico, reinvenção de si, habilidades de negociação e práticas cotidianas que
saem da exclusiva perspectiva do si-mesmo na direção do outro, buscamos, como objetivo
desta Mesa Redonda, discutir possibilidades e expressões de subjetivação política em jovens,
nos mais diversos contextos, considerando que, deste modo, contribuímos com a produção de
conhecimentos do Eixo Temático do Jubra, intitulado “Juventudes e movimentos sociais”, uma
vez que refletimos todo o tempo sobre possibilidades e expressões do jovem como sujeito
político. Propomo-nos a interrelacionar reflexões a partir de três olhares distintos, frutos de
pesquisas empíricas realizadas, a saber:
1) Discutir possibilidade dos jovens se reconhecerem e atuarem como sujeitos políticos no
contexto da militância institucionalizada desenvolvida no âmbito das Redes e Movimentos
Sociais;
2) Refletir sobre a participação de jovens em redes sociais na internet e a ressignificação de
identidades anteriormente construídas, a partir da emergência e expressão de subjetivações
políticas em contextos informatizados;
3) Entre o reconhecimento da força da juventude e os receios de abertura para novas visões
de mundo, refletir sobre os impasses para ampliação dos processos associativos em favelas a
partir da experiência do Comitê Comunitário e da Agência Cidade de Deus de Desenvolvimento
local.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
94
Desafios para a ampliação da participação de jovens no âmbito dos processos políticos e de
desenvolvimento local
Autores(as):: Tatiane Alves Baptista (UERJ)

Resumo:

O trabalho proposto é resultado de um conjunto de reflexões realizadas a partir de um projeto


no âmbito da Agência Cidade de Deus de Desenvolvimento Local, que é um braço executivo do
Comitê Comunitário da Cidade de Deus, entre os anos de 2016/2015.
A temática da juventude aparece circunscrita a um cenário de impasses entre a necessidade da
abertura para novos quadros no sentido da ampliação da participação dos sujeitos jovens no
direcionamento de espaços institucionais privilegiados, como a Agência de Desenvolvimento
Local, e, a tensão gerada pelo medo do confronto com as novas visões trazidas por esses jovens,
envolvendo desde a forma de fazer política até a estética das ações. O objetivo principal deste
trabalho é revelar como as alternativas associativas em favelas necessitam de um esforço no
sentido da desconstrução dos medos e das tensões clássicas que envolvem o “novo e o velho”
e que essas tensões podem estar na base das afirmações que colocam os jovens como alheios
aos processos políticos.
As evidências acerca desse quadro foram sendo reconhecidas por dentro de um conjunto
de oficinas realizadas na sede da Agência de Desenvolvimento Local da Cidade de Deus,
especialmente aquela que buscou identificar o quadro de forças, ameaças, fraquezas e
oportunidades da organização, onde se viu o seguinte resultado: Se por um lado há no grupo
o reconhecimento de que é necessário o aparecimento de novos líderes. Por outro lado, é
tido como uma fraqueza a incapacidade de desenvolver uma linguagem mais próxima e mais
atraente aos jovens. Interessante, ainda, para esse trabalho, foi observar o confronto entre
aquilo que é reconhecido como ameaça. Uma das sínteses das oficinas informou que: “é uma
ameaça para o futuro da Agência Cidade de Deus de Desenvolvimento Local a ausência da
juventude”, que segundo o grupo está atualmente envolvida com projetos de cunho pessoal.
Mas por outro lado, isso entra em choque, na consideração das fraquezas, onde foi afirmado que
há medo e insegurança de perder espaços com a chegada de novos quadros e líderes sociais
da comunidade. O que podemos concluir é que há hoje uma dinâmica de acontecimentos que
acarretam em práticas sociais específicas nos planos ético, político, cultural e social, tais como:
frustração e medo diante da fragilidade das instituições em face do predomínio do fugaz, do
efêmero, da desvalorização do papel da história, tal como desenvolveu Bauman, em seu texto
“Amor Líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos” (2004). Todavia e contraditoriamente, a
excessiva preocupação em garantir a continuidade de relações sociais consideradas seguras e
desejáveis pode acarretar em práticas conservadores e comprometedoras da transformação.
Nesse cenário a juventude aparece como refém e como algoz de uma trama emblemática, mas
que precisa ser enfrentada, conforme aponta o eixo temático: Juventude e Movimentos Sociais.

Palavras-chave: Processos Políticos; Desenvolvimento Local; Favela.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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95
Entre políticas de adesão e políticas de transformação: construções e expressões de subjetivação
política em jovens militantes
Autores(as):: Érika de Sousa Mendonça (UFRPE)

Resumo:

Em um contexto de criminalização da juventude pobre, assistimos a oferta de projetos sociais,


governamentais e não-governamentais, voltados a essa parcela da população. Propõem, entre
seus objetivos, estimular a formação e participação juvenil, defendendo serem estas ações
determinantes à transformação de realidades. Mas quais as reverberações subjetivas possíveis?
Podemos falar, neste interim, em sujeitos ético-políticos? Em atores sociais que protagonizam
ações mobilizadoras de mudanças? À luz da Psicologia Política adentramos numa revisão de
estudos que articulavam juventude, pobreza e política. Ainda, buscamos ampliar a noção de
participação para além dos espaços tradicionalmente reconhecidos. Assim é que passamos a
advogar por um sentido de participação política que se expressa no cotidiano, promovendo
ações em torno do bem comum, com respeito aos dissensos e conflitos, com reconhecimento
e valorização da alteridade, manifestação de pensamento crítico e resistência a práticas
instituídas e cristalizadas, o que viemos chamando de modos de subjetivação política.
Embora defendamos que todo jovem possa participar politicamente, assumimos também
um olhar através do qual acreditamos que aqueles que se vinculam a espaços formais de
participação - como os movimentos sociais e as Organizações Não-Governamentais (ONG) -
e que se denominam militantes, tomando para si propósitos políticos de vida, tenham muito
a contribuir com estudos como o que se propõe. Eis que decidimos pela realização de uma
pesquisa empírica, qualitativa, efetivada no contexto de dois eventos de formação política
protagonizados por uma ONG junto a jovens lideranças de movimentos sociais. Para tanto,
utilizamo-nos de estratégias metodológicas multimodais que incluíram entrevistas, uso
de imagens e observação participante. A pesquisa revelou construções e expressões de
subjetivação política que são dinâmicas, que se reconstroem frente a cenários, situações e
personagens. Ainda, que tais construções se dão independente à vida militante, embora este
contexto potencialize tal modo de subjetivar-se. Em nossas análises defendemos, também,
que modos de subjetivação política não estão necessariamente condicionados a habilidades
de performances políticas, tais como oratória, retórica ou perfil de liderança, podendo se
manifestar no cotidiano por meio de posicionamentos na direção do coletivo e também através
da revisão de si. O estudo revelou, enfim, que os modos de subjetivação política dos jovens
interlocutores tem lugar privilegiado de construção e reconstrução em espaços políticos de
adesão, como o são os movimentos sociais. No entanto, é a partir de políticas de transformação
assumidas na vida cotidiana que melhor se expressa a potência do sujeito político. Essa foi uma
pesquisa de doutoramento concluída em novembro de 2016 e a proposta, na mesa redonda do
Jubra, é dialogar teórica e empiricamente sobre as reflexões construídas, problematizando o
jovem militante em seus processos e modos de subjetivação política contribuindo, portanto,
com o Eixo Temático: “Juventudes e movimentos sociais”.

Palavras-chave: Participação Política; Subjetivação Política; Militância.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
96
Transformações de si mesmo em direção ao outro nas redes sociais e suas interfaces
educacionais: cognição e subjetivação política no Ensino Médio
Autores(as):: Flavia Mendes de Andrade e Peres (UFRPE)

Resumo:

A atual sociedade da informação tem promovido transformações nas subjetividades e,


concomitantemente, espaços educativos são desafiados a compreenderem melhor os sujeitos
que vivenciam o cotidiano escolar, em situações objetivas de ensino. O presente trabalho
ancora-se em territórios de debates que articulam cognição e subjetividade no mundo
contemporâneo. Concebemos a cognição como situada e distribuída, logo a qualidade no
desenvolvimento das capacidades humanas é promovida por condições objetivas de existência.
Apresentaremos, nesse espaço, estudos em que foram promovidos ciclos de autoria-uso de
jogos digitais educacionais, através de atividades de Design Participativo e Programação pelo
Usuário Final, entre jovens alunos do 1º ano do Ensino Médio de uma escola pública em Recife-
Pernambuco, Brasil. As intervenções dos pesquisadores foram organizadas como Comunidades
de Prática para o desenvolvimento de jogos digitais na escola, favorecendo a participação
legítima dos alunos no processo.
Os casos específicos aqui caracterizados apresentam as produções de sentido de jovens ao
longo do processo e respondem sobre as transformações subjetivas relacionadas às novas
identidades ao longo do projeto DEMULTS – Desenvolvimento Educacional de Multimídias
Sustentáveis. A partir da Análise Dialógica dos Discursos, verificou-se a tensões entre
vozes e mediações cognitivas que impactaram na identidade dos sujeitos e a afirmação de
posicionamentos individuais e coletivos, com ações de sujeitos políticos.
A partir das ideias de Michel Foucault e Jacques Rancière, norteando as análises, capturamos
ações que apontam para a resistência ao instituído e a ressignificação de identidades produzidas
anteriormente e tomadas como verdadeiras. Analisamos a dinâmica dos enunciados e marcas
discursivas da participação dos jovens em uma rede social, indicativas de transformação de
modos de resistência para posicionamentos críticos mais propositivos, negociados e dialogados
nas mediações cognitivas possibilitadas pelo DEMULTS. Foram relacionados aspectos
macro (referentes à instituição) e micro (referentes às atividades do modelo metodológico)
e estabelecidas quais as transformações ocorridas nas Comunidades de Prática em que os
jovens estavam situados, que favoreceram uma perspectiva emancipatória de vida coletiva. A
participação dos jovens engajados no projeto atesta a vivência com as diferenças e a tomada
de posições na busca por pautas coletivas, atribuindo-se à atividade do DEMULTS e sua
organização a origem das motivações dos jovens no processo.
Ademais, o estudo apresenta os limites e possibilidades de uso de tecnologias da informação
e comunicação que favoreçam a reinvenção de si e dos espaços institucionais escolares e
contribui para reflexões sobre juventudes e produção de significados na contemporaneidade. Ao
discutirmos possibilidades de subjetivação política em jovens no contexto escolar pela imersão
em atividades com tecnologias e redes sociais, podemos contribuir com o eixo: “Juventudes e
movimentos sociais”, pela estreita relação do estudo com fenômenos contemporâneos, como
a expressão de sujeitos políticos originada dos/nos ambientes virtuais.

Palavras-chave: Redes sociais; Subjetivação Política; Educação.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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97
EIXO 7: Juventudes, GÊNERO E SEXUALIDADE

Gênero e religiosidades: etnografias em sociabilidades juvenis


Coordenador(a): Alexandre Martins Joca (UFCG)

Resumo Geral:

A sociedade brasileira, historicamente, marcada por uma perspectiva monocultural – colonial,


escravocrata e patriarcal - guarda resquícios de estigmas e desigualdades sociais, que tem
como base de sustentação questões de gênero, etnia e classe. Em meados do século XX,
os estudos culturais surgem como determinantes para o reconhecimento, a afirmação e
a valorização de diferenças e diversidades, entre elas, as de gênero e de religiosidades. No
entanto, essas questões permanecem permeadas de tabus, preconceitos e discriminações,
geradoras de conflitos e tensões socioculturais, via processos de resistências, lutas e relações
de poder. Este cenário é perceptível em espaços/tempos sociais distintos da sociedade
brasileira. Da elaboração de (ou reivindicação por) políticas públicas às práticas empreendidas
na vida cotidiana, gênero e religiosidades, demarcam espaços/tempos de afirmação e/
ou negação de identidades e culturas. Assim, paradoxalmente, convivemos com visões de
mundo fundamentalistas e progressistas que nos condicionam a experiências e vivências
múltiplas e contraditórias em nosso cotidiano. O(A)s jovens do início século XXI, em seus
espaços/tempos de formação e sociabilidades, não estão isentos deste contexto, tão pouco,
passivos a ele, aparecendo, portando, como importantes sujeitos sociais nas transformações
da sociedade e do mundo. A mesa “Gênero e Religiosidades: Etnografias em Sociabilidades
Juvenis” discute desafios e possibilidades, encontrados por pesquisadore(a)s no campo dos
estudos da juventude, na realização de pesquisas que abordam tais questões em espaços de
sociabilidades juvenis. Os trabalhos apresentados, ambos empreendidos a partir da pesquisa
etnográfica, tratam, especificamente, de sociabilidades juvenis em dois espaços distintos:
praças e terreiros de candomblé da cidade de Fortaleza/CE. O primeiro – Levados por Anjos:
modos de vida, educação e sexualidades juvenis - busca compreender como marcadores
de gênero e sexualidades são acionados nas dinâmicas de sociabilidades juvenis em praças
de Fortaleza. A pesquisa aponta que as relações juvenis entre pares nas praças da cidade,
apesar de subverterem normas hegemônicas de gênero e orientação sexual, ainda elaboram
dinâmicas de interações respaltadas por dispositivos heteronormativos e sexistas. Ressalta,
ainda, que são relações que se moldam num jogo afetivo/sexual marcado pela multiplicidade
de identificações juvenis. A pesquisa – Jovem que Velho Respeita: as experiências e saberes
da juventude candomblecista – busca entender como os jovens candomblecistas vivem suas
condições juvenis no terreiro de candomblé. O estudo afirma que a religião se constitui numa
dimensão significativa da vida do(a)s jovens, contribuindo na construção de suas identidades
bem como suas cosmovisões de mundo e sociedade. Os trânsitos de gênero/sexuais dos
corpos juvenis acontecem de forma cambaleante, fluida e conflitiva, pois em nossa realidade
social existem territórios, como o terreiro do candomblé, onde o(a)s jovens vivem de forma
diferenciada, mas que também refletem as contradições sociais.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
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98
Ações comunitárias junto às juventudes LGBT em Fortaleza
Autores(as): Dediane de Souza (AGBLT)

Resumo :

Pesquisa realizada em Fortaleza/CE pelo Grupo de Resistência Asa Branca – GRAB, em 2007,
“Juventudes homossexuais e sexualidade: comportamentos e práticas” (2008), investigou
as necessidades de jovens gays e outros Homens que fazem Sexo com Homens - HSH - 15
a 29 anos - das periferias de Fortaleza. Entre outras conclusões, identificou que todos os
sujeitos entrevistados revelaram já ter sofrido algum tipo de discriminação devido a sua
orientação sexual. Os 35% afirmaram que os locais públicos são os principais espaços onde
ocorrem as agressões em decorrência da orientação sexual, seguido da escola 28,20% e
da casa 21,40%. Dos entrevistados, 23,3% afirmaram ter sido excluídos ou marginalizados
em ambiente religioso. As principais agressões são: ameaça, agressões físicas, chantagem
e extorsão e violência sexual. Esses dados indicam que os jovens LGBT enfrentam em eu
cotidiano violências diversas, respaldadas, sobretudo, pela cultura hegemônica de gênero,
sob a lógica binária e heteronormativa. Evidencia-se também, que as questões de gênero
estão associadas diretamente a determinantes étnicos e de classe. A violação de direitos
fundamentais como o direito à cidade e a vivência da sexualidade e da crença está presente
na realidade desses jovens. Nesse sentido, o GRAB, organização da sociedade civil que há
28 anos vem desenvolvendo diversas ações no campo dos direitos humanos da população
Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT) e na defesa dos direitos das pessoas
vivendo com HIV/AIDS no estado do Ceará, vem desenvolvendo um conjunto de metodologias
para realização de trabalhos comunitários junto às juventudes LGBT da cidade de Fortaleza.
Partindo dados acima, o GRAB realiza diversas ações de base comunitária visando combater
as violências institucionais, individuais e sociais sofrida pelo(a)s jovens LGBT. As atividades
compreendem a uma diversidade de ações, respaldadas em metodologias comunitárias como
a abordagem corpo-a-corpo (entre pares), campanhas de prevenção e cidadania; atividades
com mobilização coletiva e de massa (a exemplo, as Paradas pela Diversidade), apresentações
culturais, com ênfase no enfrentamento das vulnerabilidades programáticas e oportunas.
As metodologias aplicadas compreendem a educação entre pares e a utilização do quadro
das vulnerabilidades e dos direitos humanos; Nessa direção, aborda aspectos das dimensões
individuais, sociais e programáticas das vulnerabilidades; utiliza da capacidade de mobilização
de pares; qualificação profissional junto a (e com) jovens; formação de jovens ativistas para
atuar na elaboração e no controle social das políticas públicas para a juventude. A premissa de
que reconhecimento e a valorização de suas identidades e/ou identificações - sexuais, religiosas
e políticas - o(a)s potencializam para a superação das vulnerabilidades sofridas e ocupação
dos espaços sociais. Assim, as ações comunitárias, tem sem apresentado como importantes
mecanismos de formação política e social do(a)s jovens LGBT, na medida que contribui para a
autoafirmação como sujeitos de direitos.

Palavras-chave: Juventude LGBT; GRAB; Ações Comunitárias.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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99
Jovem que Velho Respeita: as experiências e saberes da juventude camdomblecista
Autores(as):: Silvia Maria Vieira dos Santos (Faculdade Latino Americana de Educação)

Resumo :

A presente pesquisa objetiva entender como os(as) jovens candomblecistas vivem suas
condições juvenis, compreendendo o que é ser jovem para o candomblé, como ocorre o ingresso
deles(as) na religião bem como conhecer suas aprendizagens tecidas no terreiro. A metodologia
utilizada de base qualitativa foi a etnografia, a qual me levou ao mundo cotidiano do terreiro
Ilê Asé Iya Omi Arin Ma Sun e, posteriormente, ao Ilê Asé Olojudolá. Com a colaboração de
20 jovens foram realizadas observações, entrevistas individuais, registros fotográficos e em
diário de campo num período de outubro de 2012 a junho de 2014. Além desses instrumentos
acrescentei uma discussão em grupo que denominei grupo de produção de saberes. Dessa
forma problematizo categorias importantes como juventude, geração, candomblé, hierarquia,
gênero e sexualidade. Ao realizar esta investigação entendi que a religião se constitui numa
dimensão significativa na vida dos(as) jovens, contribuindo na construção de suas identidades
bem como suas cosmovisões de mundo e sociedade. O Candomblé se apresenta como religião
ancestral que acolhe as mais diversas pessoas, valorizando a experiência religiosa do(a) mais
velho(a). Há que se salientar que o tornar-se mais velho(a) se configura pelo tempo de iniciação
na religião e não pela idade cronológica do indivíduo. Dessa forma alguns(mas) jovens desta
pesquisa são ao mesmo tempo velhos(as) para a religião, essa condição gera funções/cargos,
obrigações, responsabilidades, poder hierárquico, conflitos. Os(As) jovens evidenciaram uma
diversidade de maneiras de aproximação da religião, relataram suas motivações para a
iniciação e os saberes que aprendem no dia-a-dia da roça. Para eles(as) o candomblé ensina
saberes que podem ser utilizados dentro e fora dos terreiros, aprendizados para vida. Esses
relatos demostraram também que esta religião foi um meio de mudança de vida para esses(as)
jovens e proporciona para os que praticam durante muito tempo privilégios, independente
da idade. Outro aspecto determinante nesta pesquisa foi a relação existente entre os(as)
participantes da pesquisa e as dimensões do corpo-gênero e sexualidade. Constatei que os(as)
jovens indistintamente da identidade de gênero e orientação sexual podem ser filhos(as)
de orixás femininos e/ou masculinos, e que existe uma parcela considerável desses sujeitos
- homossexuais que atribuem comportamentos de gênero/sexuais à atributos operados por
suas divindades. Contudo esses trânsitos de gênero/sexuais dos corpos sejam dos(as) jovens
candomblecistas, sejam de seus orixás e a sua relação acontecem de forma cambiante, fluida e
conflitiva, pois o terreiro está inserido nesta sociedade carregada de estigmas e preconceitos e
a oposição binária masculinidade e feminilidade permeia a distribuição hierárquica de papéis
e atividades rituais. Portanto perceber que dentro de nossa realidade social existem territórios,
como o terreiro de candomblé, onde os(as) jovens vivem de forma diferenciada, mas que
também refletem a contradição desta sociedade foi o diferencial nesta investigação.

Palavras-chave: Juventude; Religião; Candomblé; Gênero; Sexualidade.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
100
Levados por Anjos: modos de vida, gênero e sexualidades juvenis
Autores(as): Alexandre Martins Joca (UFCG)

Resumo :

“Levados por anjos” é a expressão que nos remete, metaforicamente, a construções socioculturais
de estigmas atribuídos aos modos de vida juvenis não convencionais e a imaginários simbólicos
acerca das categorias de análise principais dessa pesquisa: juventudes, gênero e sexualidades.
Isso porque, por diversas vezes, nesta pesquisa, os demônios foram mencionados. “Se eu vou
pra PP, dizem que eu sou gay! Se eu tô na PP, dizem que eu sou do demônio!”, diz o jovem
Ângelo (19 anos), um dos colaboradores deste trabalho. O estigma de “demoníaco” atribuído
ao(à)s jovens pesquisado(a)s decorre tanto da construção sociocultural sobre seus modos de
vida quanto das suas práticas afetivo/sexuais. Esta pesquisa objetiva conhecer os percursos
e interações juvenis em Fortaleza/CE, a partir das experiências de ocupações de espaços
públicos, procurando compreender como essas sociabilidades mobilizam-se por marcadores
(dispositivos) de gênero e sexualidades. Os espaços/tempos da pesquisa trazem, também, os
referenciais científicos empreendidos nos estudos das categorias “juventudes”, “sexualidades”
e “educação”, campo de interseção teórica no qual se situa. Quanto aos estudos sobre
juventude, traz como referenciais as culturas juvenis, adotando uma perspectiva de juventude
como categoria social, compreendida como plural, múltipla, histórica e social. Os métodos,
técnicas e instrumentos de investigação estão amparados por estudos da etnografia urbana
e foram realizados por meio de observação participante, grupos de discussão e entrevistas
individuais, diário de campo e registro fotográfico, contando com a colaboração de um
grupo de referência composto de 26 jovens interlocutores. O resultado da pesquisa aponta
que as relações juvenis entre pares, longe do alcance institucional, lançam pistas de como
os jovens negociam e mobilizam saberes e práticas sobre gênero e sexualidades. Os circuitos
e as culturas juvenis pela (e na) Cidade revelam os modos como articulam relações afetivo/
sexuais em negociações com os demais processos de identificações e modos de vida juvenis.
Os “tempos de misturas”, sob uma diversidade de estilos e orientações sexuais, mobilizam-se,
especialmente, tomando como referência a produção de estéticas e/ou performances corporais,
demarcadoras de aproximações e distanciamentos nas relações afetivo/sexuais. Estão situados
em um campo de tensões paradoxais no qual, apesar de subverterem normas hegemônicas
de gênero e orientação sexual, ainda elaboram dinâmicas de interações respaldadas por
dispositivos heteronormativos e sexistas. A sociabilidade e grupalidade juvenil se mostram
diversas, empreendidas pela busca de semelhanças, mas também por significativas diferenças
juvenis, mostrando-se, eminentemente, educativos. Assim, os modos de vida e sexualidades
se complementam, e moldam-se num jogo afetivo/sexual marcado pela multiplicidade de
identificações juvenis em meio a descobertas, escolhas e experimentações de prazeres e
desejos tão fluidos e instáveis quanto o espaço/tempo da sociabilidade da rua.

Palavras-chave: Juventude; Gênero; Sexualidade; Praças; Cidade.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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101
Projeto “E aí?!”: em busca de sexualidades sadias e prazerosas em adolescentes e jovens
Coordenador(a): Angelina Martins Baruffi (SENAC)

Resumo Geral:

O crescente número de casos de Aids e gravidezes não planejadas entre os adolescentes e


jovens, revela a necessidade de abordar o tema da sexualidade nas escolas. Além do aspecto
prevenção, o tema traz à tona mitos, tabus e preconceitos que os jovens almejam discutir,
refletir e desconstruí-los. As discussões e a busca por informações verídicas são de extrema
importância para que os jovens tomem consciência de sua própria sexualidade/afetividade e
respeitem as diversidades existentes. Cabe salientar que a posição que o educador (professor
ou pais) assume em relação aos conflitos decorrentes dos preconceitos e das diferenças
ao realizar algum tipo de intervenção transmite mensagens às crianças e adolescentes,
influenciando diretamente em suas atitudes e na construção de valores que serão integrados
em suas personalidades. Infelizmente, ainda é comum que certos tipos de preconceitos e
discriminações como racismo, homofobia e sexismo, sejam naturalizados, não sendo percebidos
como algo negativo, intencional e que desrespeita, fere e magoa o indivíduo que sofre com
eles. Essa naturalização vem acompanhada de uma justificativa subjetiva de culpabilização
do outro, como se este tivesse culpa por algo que não se sabe ao certo o que é. Quando
esses preconceitos ocorrem no ambiente escolar é importante observar a postura não só dos
alunos, mas também dos professores, que geralmente reagem passivamente e colaboram na
reprodução das discriminações. Tal fato se deve, muitas vezes, ao distanciamento e a dificuldade
de professores e da própria gestão escolar em lidar com as diferenças, especialmente as
relacionadas ao gênero e a sexualidade. Para promover discussões e reflexões acerca de
temas relacionados à Sexualidade um grupo de estudantes da Universidade Estadual Paulista
UNESP/IBILCE, coordenado pelo Professor Raul Aragão Martins, criou em 2006 a Equipe de
Apoio do Ibilce/Unesp – E aí!?. Portanto, há dez anos o grupo desenvolve ações voltadas para o
desenvolvimento da autonomia sexual de jovens. A experiência já se ampliou para duas escolas
públicas de Ensino Médio e para o SENAC, escola de cursos profissionalizantes. O projeto E
aí?! tem como objetivo geral promover o protagonismo juvenil em espaços educacionais. Os
jovens protagonistas se organizam em grupos que discutem temas relacionados à Sexualidade
e desenvolvem ações entre seus pares voltadas para a promoção da saúde e autonomia sexual
de adolescentes e jovens, desconstruindo mitos e preconceitos sobre o assunto. A problemática
discutida na presente mesa está relacionada ao Eixo 7 – Juventudes, gêneros e sexualidade
do VII Simpósio JUBRA. O primeiro trabalho da mesa apresenta o início e a trajetória do
projeto E ai?! na Universidade, as pesquisas e resultados obtidos com as ações da equipe. O
segundo trabalho trata da parceria da universidade com o SENAC de São José do Rio Preto,
SP, suas ações e vantagens. E o terceiro relata como o projeto foi implantado e é desenvolvido
por estudantes do ensino médio, como protagonistas de suas ações e as consequências da
efetivação do projeto nas escolas.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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102
Conversando sobre Sexualidade com Estudantes do Ensino Médio
Autores(as):s: Heloisa Hernandes Lemo (UNESP), Larissa de Souza Lombardi (UNESP) e Luciana
Aparecida Nogueira da Cruz (UNESP)

Resumo :

Falar sobre sexualidade com crianças e adolescentes para muitos pais e professores ainda
não é uma tarefa fácil. Muitos buscam informações nas mídias impressas ou eletrônicas ou até
mesmo com profissionais (psicólogos, sexólogos ou hebiatras), outros se orientam pela própria
experiência de vida. É fato que a adolescência é uma fase em que o tema da sexualidade
emerge tanto na família quanto na escola. Discutindo ou não sobre o assunto, as práticas
sexuais entre os adolescentes estão ocorrendo ou irão ocorrer mais cedo ou mais tarde. Nesta
perspectiva o projeto “Equipe de Apoio do Ibilce/Unesp, E ai!?”, um projeto de extensão da
Universidade Estadual Paulista – UNESP, campus de São José do Rio Preto, que desenvolve
estudos e intervenções entre estudantes universitários, propôs discutir de forma reflexiva o
desenvolvimento da sexualidade e as práticas sexuais com estudantes do ensino médio de
duas escolas públicas e formar alunos para serem agentes multiplicadores entre seus pares na
escola. Esta iniciativa se deve a constatação que a média de idade da primeira relação sexual em
nosso país ser de 14,5 anos e a diferença entre rapazes e moças não é significativa. A equipe foi
composta por professores e estudantes da UNESP e do ensino médio. Assim, nasceram as equipe
do E aí, Justino?! (2013 a 2015) e do E aí, Jamil?! (2015 até o momento). O primeiro passo foi a
realização de uma pesquisa anônima para saber-se o número de alunos sexualmente ativos, que
mostrou que são em torno de 20% nos anos finais do Ensino Fundamental para alcançar cerca
de 85% no Ensino Médio. São realizados encontros semanais no decorrer do ano letivo em que
se discutem temas oriundos das dúvidas que emergem entre os estudantes da equipe e demais
estudantes da escola. Diversas atividades são desenvolvidas no intuito de informar e prevenir
práticas sexuais de risco: Para a sensibilização dos estudantes são realizadas atividades como:
a) oficinas de prevenção e sexo seguro; b) oficinas de sensações; c) apresentações de vídeos
temáticos; d) reuniões para discussão de temas atuais em relação a sexualidade. No início
de 2015 os participantes da equipe do E aí, Jamil?! responderam algumas questões a fim de
avaliarmos se o projeto contribui para a construção de conhecimentos voltados para práticas
sexuais saudáveis. Comparando as repostas do primeiro encontro e do último encontro do ano
de 2015, notamos significativas mudanças nas concepções e informações dos adolescentes
multiplicadores. O projeto vem alcançando resultados positivos segundo o relato dos próprios
alunos do ensino médio participantes da equipe, por exemplo, aqueles que eram tímidos,
superaram sua timidez e falam com naturalidade sobre assuntos relacionados à Sexualidade,
e todos eles conseguiram trabalhar com os colegas os conhecimentos que passaram a ter em
função da participação na equipe.

Palavras-chave: Sexualidade; Adolescentes; Ensino Médio; Multiplicadores.

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Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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103
Equipe de Apoio do Ibilce/Unesp “E ai?!”: atuação de universitários entre seus pares para a
vivência de uma sexualidade sadia, prazerosa e sem preconceitos
Autores(as):s: Ayane Tolfo Lima (UNESP) e Thais Emilia de Campos (UNESP)

Resumo :

Atualmente é do conhecimento de todos a dimensão da epidemia da HIV/Aids e um grupo em


vulnerabilidade é o dos adolescentes e jovens. Esse trabalho tem como objetivo apresentar o
trabalho desenvolvido por um grupo de estudantes universitários que formam a Equipe de Apoio
do Ibilce/Unesp – “E aí!?”. As atividades da equipe são desenvolvidas no Instituto de Biociências,
Letras e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista – UNESP, campus de São José do Rio
Preto. Todo início de ano os novos membros da equipe passam por uma formação para atuarem
como agentes multiplicadores para desenvolverem ações com estudantes universitários para
a testagem de HIV, incentivar o uso consistente de preservativos, sensibilizar para práticas
de sexualidade segura, responsável e prazerosa. Além disso, as ações da equipe visam o
empoderamento das mulheres como responsáveis pelos seus corpos e combater preconceitos,
como a homofobia e o sexismo. Os estudantes agentes multiplicadores realizam encontros
semanais para estudo e organização das ações a serem realizadas com os demais estudantes do
campus. Como procedimento metodológico são realizadas as seguintes atividades: a) formação
dos agentes multiplicadores (estudantes universitários) sobre sexualidade, por meio de curso
de capacitação de 12h oferecido pelo coordenador do projeto e estudantes que já participam
da equipe; b) grupo de estudos semanal com uma coordenadoria técnica, responsável pelo
currículo a ser estudado e pelos temas pertinentes ao projeto; d) oficinas de prevenção e de
sexo seguro; e) oficinas de habilidades; f) montagem de estande informativo em eventos da
Universidade e festas em que há grande concentração de universitários; g) distribuição de
preservativos feminino, masculino e gel lubrificante no campus, na moradia estudantil e em
repúblicas estudantis. Como um todo os trabalhos focam a sexualidade do ponto de vista da
obtenção de prazer entre as pessoas envolvidas, trazendo os aspectos de prevenção de IST/
Aids e gravidez não planejada de forma indireta. Este projeto tem parceria com o Programa
Municipal IST/AIDS de São José do Rio Preto, no qual o Programa municipal é corresponsável
pela capacitação dos agentes multiplicadores em prevenção e fornece preservativos masculinos
e femininos e gel lubrificante, assim como material gráfico informativo para divulgação da
prevenção das IST/AIDS na Universidade. Os resultados apontam que os jovens no papel de
multiplicadores são capazes de disseminar informações corretas e protetivas entre seus pares e
contribuem para desconstruir mitos e tabus que envolvem o tema da sexualidade. Observamos
que os casos de homofobia diminuíram e a procura por preservativo e testagem para o HIV-
Aids, entre os universitários, tem aumentado, principalmente entre as mulheres.

Palavras-Chave- Sexualidade; Universitários; Prazer sexual; Preconceitos.

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Equipe de Apoio do SENAC
Autores(as):s: Angelina Martins Baruffi (SENAC), Georgia Padiar Peres (SENAC SP) e Ieda Alves
Lulio (UNESP-IBILCE)

Resumo:

O adolescente vivencia afetos e relações que, do seu ponto de vista, não remetem a prejuízos à
sua saúde ou à sua condição atual, de adolescente. O desejo de experimentar os beijos, as carícias
e o prazer sexual é tão fascinante que uma palestra sobre infecções transmitidas sexualmente
(IST), por exemplo, não faz sentido para ele. O sentimento de onipotência característico deste
período lhe remete que jamais será afetado por tal mal. Além das diversas ISTs, o número de
adolescentes portadores de HIV aumenta a cada ano. Interessante notar que a única faixa
etária em que o número de casos é maior entre as meninas do que entre os meninos é de 13 a
19 anos. Desde 1998 este número se inverteu. Embora os adolescentes e jovens tenham cada
vez mais informações referente às ISTs e Aids/HIV, há elevado crescimento de transmissão do
HIV pelo ato sexual. Desde o início da epidemia na década de 80, até junho de 2012, foram
registrados 656.701 casos de Aids no Brasil, de acordo com o último Boletim Epidemiológico.
Somente em 2011, foram notificados 38.776 casos da doença e a taxa de incidência foi de
20,2 casos por 100 mil habitantes (BRASIL, 2013). As estimativas consideram que existam no
mundo, aproximadamente 34,2 milhões de pessoas vivendo com HIV/AIDS, sendo 30,7 milhões
de adultos, 16,7 milhões de mulheres e 3,4 milhões de menores de 15 anos de idade, segundo
o relatório anual do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS, divulgado em
julho de 2012 (UNAIDS, 2012). Esses números comprovam a força da epidemia e preocupa
a sociedade brasileira. Por essa razão, nos últimos 30 anos o tema da sexualidade passou a
ser discutido com maior frequência em toda a sociedade, já que o sexo é uma das formas de
contágio do vírus HIV, responsável pela Aids. Preocupados com esta questão, por ter atualmente
entre seus alunos muitos adolescentes e jovens, procurou apoio da Secretaria de Saúde, via
Programa Municipal IST/Aids, e do campus local da UNESP, por saberem dos projetos voltados
para alunos do ensino médio e universitário. O professor responsável pelo projeto na UNESP
colaborou para a organização de uma equipe de multiplicadores, que recebeu treinamento
e começaram com Semana de Prevenção, que teve as seguintes atividades: a) Exposição de
projetos desenvolvidos em sala de aula pelos alunos, que abordam assuntos relacionados a
Semana de Prevenção; b) Cine debate sobre os filmes: Unidos pelo Sangue, Kids e Cazuza; c)
Roda de Conversa sobre Sexualidade, álcool e drogas; d) Dinâmica: Caixa de sensações: de
uma forma lúdica, as pessoas poderão experimentar as sensações com o uso do preservativo;
e) Orientação sobre uso de preservativos masculinos e femininos; f) Dinâmica: O que você sabe
sobre a Sexualidade?; g) Atividades para abordar e orientar sobre a sexualidade de uma forma
ampla, enfatizando o uso dos preservativos e a prevenção às ISTs e hepatites; h) Instalação de
caixas para disponibilização de preservativos nos banheiros e áreas de maior afluência dos
alunos. Está prevista a realização de avaliação ao final do semestre, mas a participação inicial
dos alunos está mostrando que o projeto foi muito bem recebido.

Palavras-chave: Sexualidade; Equipe Apoio; Adolescentes; Jovens.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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Controles e resistências nas práticas de saúde sexual de/para mulheres jovens
Coordenador(a): Juliana da Silva Pinho (UFC)

Resumo Geral:

Objetivo desta mesa é analisar as práticas do campo da saúde que instituem padrões de modos
de existir para as mulheres jovens a partir do controle dos seus corpos e da sua sexualidade.
Propomos, ainda, discutir as linhas de fuga e as resistências produzidas pelas mulheres nesse
campo de forças. As pesquisas da mesa se alinham com o referêncial teórico-metodológico dos
estudos de Michel Foucault e do Feminismo Interseccional, tendo como base os conceitos de
modos de subjetivação, governamentalidade e interseccionalidade. Tais estudos são relevantes,
na medida em que na nossa sociedade, a forma como as pessoas exercem sua sexualidade
não é uma questão apenas do âmbito privado, mas um interesse do Estado. Por meio de
diferentes estratégias, que inclui desde a distribuição de preservativos, ao incentivo do uso
de anticoncepcionais de base hormonal para mulheres a partir da menarca, há uma tentativa
de controle dos corpos de forma individual, bem como, do controle da população através das
taxas de natalidade e contração de doenças sexualmente transmissíveis. Tendo em vista que
a principal função da mulher na sociedade ainda é associada à sua atividade reprodutiva,
podemos perceber que tal processo foi investido de padrões normativos que orientam quando,
como, com quem, quantas vezes as mulheres devem exercer a sua sexualidade. Tais regras
estão associadas principalmente a raça, idade, renda e estado civil das mulheres. Nesse sentido
apresentamos brevemente o objetivo dos trabalhos que compõem a mesa: 1) a primeira
pesquisa “Interseccionalizando olhares e práticas em saúde com mulheres trabalhadoras do
sexo” analisa as problemáticas que atravessam as práticas de saúde destinadas às mulheres
trabalhadoras do sexo na Barra do Ceará (Fortaleza/CE), versando sobre as interfaces da
prostituição feminina com o campo da saúde coletiva, tendo como referencial teórico-
metodológico o Feminismo Interseccional. 2) O segundo trabalho “Extensão universitária
desenvolvida pelo NUCED/UFC junto a trabalhadoras do sexo: práticas de cuidado em saúde”
é um relato de experiência do Núcleo de Estudos sobre Drogas da Universidade Federal do
Ceará que descreve e analisa experiências voltadas para práticas de cuidado em saúde com
mulheres trabalhadoras do sexo. As práticas de Redução de Danos com esse público surgem
após a análise do território e a percepção de que esta população não era assistida pela rede de
saúde de modo integral, como preconiza as diretrizes do SUS. 3) O terceiro estudo “Hormônios
agenciando controle e liberdade sexual na juventude” analisa as controvérsias envolvidas no
uso de hormônios, como contraceptivo por jovens, que possibilitam o agenciamento de controle
da mulher sobre sua vida reprodutiva, como também a coloca como a única responsável pela
gravidez. O corpus empírico foi constituído a partir de seleção de vídeos disponibilizados on-
line pela indústria farmacêutica Bayer, totalizando 34 vídeos. Esses trabalhos comprometem-
se com a anti-essencialização das mulheres e de suas experiências, reconhece a diferença e a
diversidade entre estas para garantir a integralidade das práticas em saúde.

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Extensão universitária desenvolvida pelo NUCED/UFC junto a trabalhadoras do sexo: práticas
de cuidado em saúde
Autores(as):: Juliana da Silva Pinho (UFC)

Resumo:

O Núcleo de Estudos Sobre Drogas (NUCED), criado em 2004, ligado ao Departamento de


Psicologia da Universidade Federal do Ceará (UFC), promove diversas ações de Redução de
Danos (RD). A estratégia de RD integra à Política Nacional de Saúde Mental e visa a autonomia
e a corresponsabilização do sujeito nos seus processos de cuidado. Este trabalho descreve e
analisa experiências no desenvolvimento de ações voltadas para práticas de cuidado em saúde
com mulheres trabalhadoras do sexo. As ações com as trabalhadoras iniciaram em setembro
de 2015 e em parceria com a equipe de Promoção de Saúde da Diretoria de Promoção dos
Direitos Humanos do CUCA (Instituto de Cultura, Arte, Ciência e Esporte) e com o Posto de
Saúde Lineu Jucá, no bairro Barra do Ceará (Fortaleza/CE). As práticas de RD com esse público
surgem após a análise do território e a percepção de que esta população não era assistida pela
rede de saúde de modo integral, como preconiza as diretrizes do SUS. Iniciamos as atividades
fazendo territorialização nos bares e motéis, conversando sobre o uso de preservativos e
os distribuindo, entregando informativos sobre IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis)
e folders com as atividades desenvolvidas no CUCA. Essa ação tem como função principal
a criação de vínculo, sendo possível estabelecer conversas informais, apresentar o CUCA e
incentivar idas ao posto. Realiza-se também, em locais no bairro (motel, bar e terreiro de
umbanda), testagem rápida de HIV, oficinas de maquiagem e rodas de conversa. São muitos
os pontos de prostituição no bairro, porém, em função da acessibilidade e vinculação prévia
de agentes comunitárias de saúde, focamos em três lugares: 1) região de maior concentração
de bares e casa de show, nos quais as mulheres tanto trabalham como residem; 2) “casa
de massagem”, junta a um terreiro de umbanda, e moradia de algumas mulheres; 3) ruas
próximas aos motéis, onde estão as mulheres em maior situação de risco, pela exposição na
rua e insegurança. Essas últimas são as que apresentam maior resistência em formar vínculo
com a equipe por, geralmente, trabalharem sozinhas e residirem em outros bairros. As ações
relatadas possibilitaram os seguintes resultados até o momento: mudanças na postura da
equipe de saúde em relação às trabalhadoras; ampliação do vínculo e do diálogo da equipe de
RD com as mulheres, adquirindo a confiança destas e tornando-se referência de cuidado nos
locais de prostituição. Após atividades nos territórios e diálogos com as trabalhadoras do sexo
e donos de bares e motéis, o próximo passo da ação é a realização de intervenções específicas
em relação a RD direcionadas ao uso de drogas. Identificamos usos abusivos de álcool, tabaco,
pó e crack. Isso requer que ampliemos os vínculos para maiores relações de confiança e
adentrarmos em ações mais abertas em relação a esse uso. Até agora iniciamos sensibilização
sobre o uso compartilhado de maquiagens e utensílios comuns, para mais adiante podermos
abrir diálogos centrados nos relatos sobre usos abusivos de substâncias psicoativas.

Palavras-chave: Saúde; Redução de Danos; Prostitutuição.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
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107
Hormônios agenciando controle e liberdade sexual na juventude
Autores(as):: Juliana Vieira Sampaio (UECE)

Resumo:

O objetivo deste estudo é analisar as controvérsias envolvidas no uso de hormônios, como


contraceptivo por jovens, que possibilitam o agenciamento de controle da mulher sobre sua
vida reprodutiva, como também a coloca como a única responsável pela gravidez. A abordagem
teórico-metodológica dessa pesquisa tem como referência os estudos de Michel Foucault e dos
pesquisadores alinhados à Teoria Ator-Rede (TAR). O corpus empírico foi constituído a partir
de seleção de vídeos disponibilizados on-line pela indústria farmacêutica Bayer, totalizando
34 vídeos. As análises produzidas enfatizam efeitos diversos produzidos no contexto da
publicidade sobre hormônios, especialmente a partir da atualização do modelo binário de
sexo, que, entre outras coisas, associa a mulher à função reprodutiva. Para o desenvolvimento
de nossas análises, realizamos um exercício inspirado na cartografia de controvérsias, proposto
por Bruno Latour. Compreendemos, nessa pesquisa, que os hormônios são atuantes de uma rede
heterogênea, que em articulação com outros elementos produzem efeitos diversos, mas esses
efeitos não são estáveis, estão sempre mudando e apontando novas possibilidades de existência.
Na nossa sociedade, a forma como as pessoas exercem sua sexualidade não é uma questão
apenas do âmbito privado, mas um interesse do Estado. Por meio de diferentes estratégias, que
inclui o incentivo ao uso de hormônios, há uma tentativa de controle dos corpos e das taxas
de natalidade. A função da mulher na sociedade ainda é associada à sua função reprodutiva,
podemos perceber que tal processo foi investido de padrões normativos que orientam quando
e quantas vezes as mulheres deveriam ser mãe. Tais regras estão associadas principalmente
a raça, renda e estado civil das mulheres, porém nas últimas décadas a idade também tem
sido um dos fatos marcante de regulação, inclusive com a emergência da noção de gravidez
precoce ou gravidez na adolescência. A ruina e o perigo provocado pela gravidez durante a
adolescência não é uma questão apenas individual, que acabaria com o futuro, a saúde e a
vida das jovens mães, mas principalmente, porque se trata geralmente de mulheres pobres que
aumentariam os gastos com saúde pública e assistência social. Dessa forma, tal cenário torna-
se uma questão de problema social que deve ser combatido por ações do Governo e políticas
públicas. As normas sociais também instituem que a gravidez só é legítima se for resultado
do casamento heterossexual e no caso da gravidez na adolescência a probabilidade desta
mulher também ser mãe solteira aumentam, o que também contribui para esse fenômeno
ser considerado um problema social. Concluímos que a pílula anticoncepcional agencia uma
série de mudanças na vida das mulheres, ela pode ser tanto fonte de liberdade sexual, aspecto
importante para a luta feminista, como pode ser usada para controlar moralmente o processo
reprodutivo.

Palavras-chave: Hormônios; Juventude; Mulher; Gravidez; Sexualidade.

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Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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Interseccionalizando olhares e práticas em saúde com mulheres trabalhadoras do sexo
Autores(as):: Lorena Brito da Silva ( FAMETRO)

Resumo:

Objetivando analisar as problemáticas que atravessam as práticas de saúde destinadas às


mulheres trabalhadoras do sexo na Barra do Ceará (Fortaleza/CE), esse trabalho versa sobre
as interfaces da prostituição feminina com o campo da saúde coletiva, tendo como referencial
teórico-metodológico o Feminismo Interseccional. Desdobra-se de atuações e pesquisas que
iniciaram em 2012, onde se percebe que dentre as marcas das violências estruturais, laborais
e de gênero está o desafio de garantir a integralidade da atenção prestada pelas políticas
públicas. A zona de prostituição está situada em um território periférico e estigmatizado,
sendo marcada pela dinâmica territorial, pela pobreza e violência advindos das políticas de
guerras às drogas, que potencializa uma série de privações e diferentes modos de resistência.
Em especial, destacamos a diversidade do perfil das trabalhadoras do sexo no que diz
respeito à idade, ao tempo que desenvolvem a prática e as concepções de cuidado em saúde.
O território revela distintas práticas de cuidado entre diferentes gerações, na medida em
que as trabalhadoras do sexo mais jovens, por terem menos “agravos” de saúde, resistem à
vinculação com os equipamentos de saúde, enquanto que as mulheres mais velhas, devido
ao quadro de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, buscam com maior frequência
os atendimentos no posto. Por outro lado, as mais jovens, estão localizadas nos pontos mais
vulneráveis do território, já às mais experientes na prostituição e mais velhas de idade, estão
nos bares, que para muitas servem como local de residência. A integralidade em saúde de
populações ditas “vulneráveis” aponta a problemática do acompanhamento de sujeitos que
não se adaptam aos rígidos protocolos clínicos, e esses elementos geracionais percebidos
desafiam metodologias de intervenção específicas. Existe uma compreensão ainda reduzida
das questões que envolvem e atravessam à saúde das prostitutas, visto que as ofertas quase
que exclusivas de ações circunscritas nas IST, Aids e Hepatites Virais, ainda conservam ranços
higienistas. E a forma de estruturação dos serviços de saúde, por conta da burocratização, não
conseguem sistematicamente desenvolver metodologias que considerem as práticas criadas e
experienciadas pelas próprias mulheres. Assistimos os questionamentos sobre a possibilidade
de autogestão de suas vidas e intervenções disciplinares que silenciam e buscam destituir
seus modos de viver. Pensar sobre as experiências dessas mulheres é também considerar os
atravessamentos dos marcadores de gênero, de lugar de origem, de geração, de classe e de
raça/etnia, que constroem e complexificam suas práticas de cuidado e as possibilidades da
atenção à saúde. Esses atravessamentos, em suas intersecções, produzem essas mulheres
e seus modos de cuidar de si e dos outros. Comprometendo-se com a anti-essencialização
das mulheres e de suas experiências, a Interseccionalidade surge como possibilidade para
reconhecer a diferença e a diversidade entre as mulheres para garantir a integralidade das
práticas em saúde.

Palavras-chave: Integralidade; Prostituição; Mulheres; Interseccionalidade; Geração.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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EIXO 8: Juventudes, ARTES E CULTURA

Táticas juvenis: política, lazer e estética em experiências associativas


Coordenador(a): João Bittencourt (ICS-UFAL)

Resumo Geral:

A proposição da mesa redonda Arte, atalho e labirinto: juventudes, experiência e políticas do


sensível relaciona-se a confluência de práticas sociais, que em diferentes contextos, procuram
criar, pelo agenciamento cm as artes, experiências de partilha e problematização em torno de
temáticas pertinentes a vida de jovens, seja em relação mais direta com os espaços formativos
destinados a sua educação, seja em lugares públicos e por meio de atividades culturais e de
inserção nos espaços da cidade. Dialoga com o eixo Juventudes, arte e cultura, uma vez que
procura refletir sobre os efeitos disparadores das experiências estéticas e artísticas, quanto à
urgência em fortalecer o desenho conjunto de um mundo diferente do que está posto hoje a
todos como sujeitos sociais. Como é possível tocar o outro, sem os muros edificados para segregar
idades, cor, gênero, experiências religiosas? Os espaços para o encontro com a alteridade
não podem ser planejados, antecipados, mas precisam ser garantidos como possibilidades
aos sujeitos. É nesses encontros que se pode construir experiências transformadoras, que
marcam, que habituam a fragilidade, as indefinições, ao inusitado, de modo que o risco possa
ser vivido como subversivo, como potência para devir diferente. O primeiro trabalho intitulado
A Sociopoética na emergência de atalhos sensíveis no labirinto da pesquisa entre jovens no
contemporâneo tem como objetivo apresentar a experiência da pesquisadora e orientadora de
pesquisas sociopoéticas entre jovens, expor os princípios da Sociopoética como a emergência
de atalhos sensíveis no labirinto da pesquisa qualitativa contemporânea. A pretensão é expor
a importância deste método para o campo das investigações das juventudes contemporâneas,
pois além da razão se faz necessário utilizar dispositivos artísticos, o corpo todo e em grupo,
tornando as pesquisas e mesmo o ensino-aprendizagem algo arriscado porque promove a
capacidade de criação, de invenção no ato de conhecer que ocorre coletivamente por meio do
sensível. O segundo trabalho intitulado Arte, Psicologia e Experiência: operando uma produção
do sensível nos entrelugares do cotidiano das juventudes apresenta uma discussão sobre as
possibilidades cotidianas da arte/criação no campo da Psicologia em conexão com crianças
e jovens. Nesta mesa pretende-se apresentar a experiência fronteiriça entre arte e psicologia
através da elaboração de oficinas-inventivas com grupos. Por sua vez, a terceira palestra
Juventudes, Arte e Cidade: ocupação e afetos realça as novas insurgências juvenis pautadas
na arte, na cultura e educação, operando como vetores de participação política e exercício da
cidadania, trazendo, sobretudo, a experiência do Coletivo Ocuparte. Pretende ainda provocar e
problematizar acerca da ausência do Estado na construção de politicas publicas que garantam
subsídio para os anseios, desejos e fazeres juvenis na cidade.

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Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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Coletivos: experiências micropolíticas de organização juvenil
Autores(as): João Bittencourt (ICS-UFAL)

Resumo:

Nos últimos anos temos assistido ao crescimento da participação juvenil em grupamentos


conhecidos popularmente como Coletivos. Com os mais distintos perfis políticos e culturais,
essas formações buscam estratégias de reconhecimento e divulgação das suas ideias por
intermédio de ações que misturam lazer e trabalho, diversão e seriedade, arte e política,
ideias que comumente são pensadas como antagônicas. Se por muito tempo o engajamento
político dos jovens se confundia com a participação em movimentos sociais ou partidos
políticos, como atesta a literatura sociológica, com os coletivos vemos uma ressignificação
das estratégias individuais e coletivas que definem o “fazer político”. O objetivo desse paper
é discutir os sentidos de pertencimento e engajamento elaborados por jovens que participam
desses grupos na cidade de Maceió/AL. Apesar de trazer alguns elementos de uma pesquisa
que estou desenvolvendo chamada “Sentidos da resistência juvenil: um estudo sobre o
cotidiano de jovens na cidade de Maceió e suas relações com a música, a cultura e a política”,
a discussão que me propus a fazer para essa mesa possui um tom mais ensaístico. A ideia
é problematizar algumas questões em torno de uma suposta “despolitização” da juventude,
referendada por um propagado desinteresse das populações jovens no que diz respeito aos
problemas sociais, bem como por um acentuado “desencantamento” em relação aos partidos
políticos. Paralelamente, proponho pensar o aparecimento dos “Coletivos”, como sintoma do
processo de individualização da vida social, tal como já fora apresentado por Giddens (2002)
e Elias (1994). Vivemos em um contexto de intensas mudanças sociais, políticas e culturais.
Se há dois séculos estas se davam de maneira mais lenta e gradual, atualmente vemos uma
velocidade maior, e isto ocorre em virtude de alterações significativas no tempo e no espaço,
decorrente principalmente do avanço das novas tecnologias da informação e da comunicação.
Como essas mudanças impactam diretamente no processo de construção das subjetividades,
estamos presenciando a emergência de novas cartografias juvenis (Rolnik, 2006; Bittencourt,
2015) que cada vez menos sofrem influência das tradicionais formas de socialização. Elemento
significativo das experiências juvenis, a militância ou o engajamento político também vem
passando por modificações. Às tradicionais formas de ação tais como a participação em
partidos políticos e movimentos estudantis somam-se outras caracterizadas por lutas mais
setorizadas, onde se mesclam elementos estéticos e afetivos. Os coletivos se apresentam
como uma das mais importantes expressões dessa nova forma de agir político. Apoiado nessa
argumentação, entendo que a noção de micropolítica (Rolnik & Guattari, 2006), pode nos ajudar
a traduzir essas estratégias juvenis que cada vez mais se voltam para o cotidiano. Se o poder se
capilarizou estendendo seus tentáculos à dimensão micro da existência social, é compreensivo
que voltemos nossa atenção para as cartografias juvenis, percebendo as ações dos coletivos
como formas alternativas de confrontar o poder em suas mais diferentes expressões.

Palavras-chave: Jovens; Coletivos; Micropolítica.

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Bandas, redes e bandos: notas musicais para uma etnocartografia dos afetos ‘rockoletivos’ de
Fortaleza-CE
Autores(as): Márcio Fonseca Benevides (UFC/UNI7)

Resumo:

Eis algumas reflexões de um pesquisador/músico que tece nexos sociológicos entre afetos
urbanos, música rock, culturas jovens e redes sociais digitais. Fornecem resultados preliminares
de uma tese que investiga, pela etnocartografia, como o rock devém um vetor micropolítico
que afeta a sociedade localmente e nisto produz subjetividades, coletividades e gera práticas
colaborativas entre certos actantes juvenis em Fortaleza-CE, no biênio de 2015 a 2017. Da
década de 1980 ao presente, a paixão musical dos afinados com o rock engendra redes de
sociabilidades e estilos de vida enquanto agencia afetos e artefatos em uma cena cultural
autodeclarada independente. Tal polifonia é composta por mediações que rearranjam
paisagens metropolitanas, sonoras e ciberespaciais, bem como incidem na economia da
cultura fortalezense. Para os roqueiros (quem aprecia/ouve/toca/consome), o rock “rola”
além da estética: é uma atitude – forma de sentir, pensar, falar, vestir, de interagir - que quase
independe de faixas etárias (com efeito, juventude é também devir); é uma ética underground,
alternativa ao mainstream e seus produtos massivos; simultaneamente é ontologia, lazer e
trabalho; ao articular sons, discursos e atos, inspira novas subjetividades e coletividades; é
uma potência contagiante que inspira crenças, desejos e que mobiliza ações (individuais e
coletivas), intervenções urbanas, políticas públicas, investimentos privados, relações laborais
e transações comerciais. Neste campo repleto de encontros, as bandas originais (que tocam
som próprio, autoral) estreitam laços, colaboram umas com as outras, unem-se a produtores
(sobretudo organizadores de shows) e se metamorfoseiam em bandos unidos pelo amor
comum ao rock e pela vontade de fazê-lo reverberar. Neste contexto “associartivista” (de
associação+arte+ativismo), emergem coletivos de produção cultural com metas (políticas,
comerciais e lúdicas) e métodos (de organização, promoção e negociação) singulares, os quais
denomino “rockoletivos” - associações/parcerias de músicos e produtores mais ou menos
conhecidos na cena fortalezense, que encaram o rock como ação coletiva. Inspirados pelo mote
punk “faça você mesmo”, os rockoletivos criam, nas redes online e nas ruas, práticas, amizades,
plateias, eventos etc. Rastreio 3 deles, que se destacam pela intensidade e pela relevância de
suas atuações: Associação Cultural Cearense do Rock (ACR), Musicoletiva e Fortaleza Marginal.
Fomentando um diálogo entre a cartografia de Deleuze & Guattari, a sociologia das mediações
de Hennion, a teoria ator-rede de Latour e as interfaces com a (etno) musicologia propostas
por Becker, tenciona-se cá ensaiar notas não para uma sociologia da música rock, mas para
uma sociologia musical, baseada em questões afetivas, culturais e políticas.

Palavras-chave: Música Rock; Afetos; Coletividades; Etnocartografia.

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Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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112
Práticas de sociabilidades e resistências: B-boys em João Pessoa
Autores(as): Marco Aurélio Paz Tella - UFBA

Resumo:

As cidades constituem espaços de construção de redes de relações, que possibilita trocas gerais
e diversificadas, materiais e simbólicas. Pretende-se para esta mesa apresentar análises sobre
formas de resistências e estratégias artísticas juvenis, que estão alicerçados nas práticas e
redes de sociabilidades. Nesses processos, jovens apreendem e aprendem meios que garantam
que a arte manifestada pela música e, principalmente, pelo corpo ganhem visibilidade estética
e política (Axel Honneth, 2003; Michel Agier, 2011). O objetivo da proposta é problematizar
práticas de sociabilidades na cidade de João Pessoa a partir de 6 grupos – crews – de jovens,
de um estilo de dança de rua, o breaking, uma das artes da cultura hip-hop. Com o propósito de
“satisfazer seus interesses” (Georg Simmel, 1983), os b-boys (break-boys) utilizam espaços da
cidade para ensaiar, treinar, batalhar (enfrentamento entre crews através da dança), aprender
ou ensinar novas coreografias, divulgar as performances e obter recursos financeiros, através de
coreografias em sinais de trânsito e calçadão da praia. As práticas e estratégias das crews, faz
com que b-boys circulem pela cidade, experimentem contatos e desfrutem do que a cidade pode
ou não oferecer (Janice Caiafa, 2002; Michel Agier, 2011). Em outra perspectiva, além de usufruir
da cidade, as práticas de sociabilidade desses b-boys tecem novas formas de citadinidade, que
é definida, segundo Agier (2011), a partir da relação entre os b-boys e, posteriormente, deles
com a cidade. Ao observar “de perto e de dentro” (José Guilherme Magnani, 2002) – observação
dos treinos, batalhas, apresentação de coreografias em espaços públicos e festivais, encontros
com b-boys em espaços diversos, conversas e entrevistas –, pode-se perceber três formas
distintas de apropriação do espaço: 1. espaços negociados com gestores públicos para os
ensaios/treinos das crews; 2. os espaços abertos, sem negociação com gestores, como praças
e calçadão da praia (o objetivo é divulgar a crew e para obter ajuda financeira, para auxiliar
no custeio de viagens para competições e inscrições de batalhas); 3. os locais de eventos,
batalhas, festivais são negociados com gestores públicos, empresários. Assim, na contramão
do esvaziamento dos espaços públicos, em decorrência do discurso do medo e insegurança,
os b-boys experenciam a cidade como espaço de ação política e da invenção e intervenção
cultural (Agier, 2011). Na etnografia, percebo formas de sociação apresentadas por Simmel,
como um processo de estabelecimento das trocas e das relações entre esses dançarinos e com
dançarinos de outros estilos. O conflitos fazem parte das reciprocidades e não do isolamento,
da separação. Há conflitos internos e, principalmente com outros citadinos e gestores públicos,
que ainda desqualificam e discriminam essa prática artística. As necessidades, os desejos e
turbulências (José Machado Pais, 2003) possibilitam que esses jovens solicitem, negociem,
busquem reconhecimento (Honneth) e pressionem junto a gestores públicos, estratégias de
intervir, (re)ocupar e usufruir de espaços públicos e equipamentos sociais.

Palavras-chave: Jovens; Sociabilidades; Resistências.

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Arte, atalho e labirinto: juventudes, experiência e políticas do sensível
Coordenador(a): Shara Jane Holanda Costa Adad (UFPI)

Resumo Geral:

A proposta da mesa redonda é problematizar os sentidos articulados pelos/as jovens na criação


de grupos e sociabilidades que visam dentre outras coisas a garantia de reconhecimento e
visibilidade de suas práticas. Por muito tempo, as expressividades juvenis foram percebidas
a partir das dicotomias como “problema” x “solução”, compromisso” x “irresponsabilidade”,
“profundidade” x “superficialidade”, entre outras. Se alguns estudos desenvolvidos nos Estados
Unidos na primeira e segunda metade do século XX enfatizavam a delinquência como um
aspecto quase inerente da condição juvenil, vide os clássicos textos de Frederic Thrasher
“The Gang” (1913) e Deliquent Boys: the Culture of the Gang, de Albert K. Cohen (1955), textos
como “O problema da juventude na sociedade moderna, de Karl Mannheim (1961), destacava
potencialidades no agir jovem que se fossem canalizadas de “forma adequada” poderiam
colaborar de maneira “positiva” para as mudanças sociais, rompendo com lógicas conservadoras
e estáticas. Os Subcultural Studies desenvolvido por pesquisadores ligados ao CCCS (Centre for
Contemporary Cultural Studies) da Universidade de Birmingham, foram pioneiros no que diz
respeito ao destaque concedido à articulação entre as lógicas de divertimento e de atuação
política a partir de análises que tinham como alvo as ações de jovens ingleses que compunham
as chamadas subculturas juvenis. Porém, esses estudos supervalorizavam o pertencimento de
classe em detrimento de outros aspectos e defendiam uma noção de “resistência” política
mais teórica do que empírica. Desde os anos 80, os estudos sobre juventude têm destacado a
importância do cotidiano e da performatividade como elementos centrais para a compreensão
dos sentidos articulados pelos agentes jovens. A influência de pensadores/as como Pierre
Bourdieu, Michel de Certeau, Judith Butler e Michel Maffesoli tornou-se preponderante nessas
novas abordagens. A noção de cotidiano se configura como o tempo-espaço privilegiado
para o desenvolvimento de ações que se voltam intensamente para o presente e a ideia de
performatividade compreende as expressões desse agir, ou seja, a maneira como os jovens vêm
reivindicando o protagonismo na produção de novas sensibilidades e realidades. Diz o sociólogo
José Machado Pais (2006) “as culturas juvenis são vincadamente performativas porque, na
realidade, os jovens nem sempre se enquadram nas culturas prescritivas que a sociedade lhes
impõe” (p.7). Mais do que falar sobre a produção de novas abordagens socioantropológicas
para pensar as experiências juvenis na contemporaneidade, voltaremos nossa atenção para
as práticas juvenis que forçaram o surgimento destas. Desse modo, nosso objetivo é mostrar,
a partir de alguns relatos de pesquisa, como jovens pertencentes a diferentes contextos e
situações, elaboram táticas que permitem a visibilidade de suas ações a partir de estratégias
que ora são percebidas como políticas e ora como artísticas. Dos coletivos de midiativismo,
passando por possses de hip hop e pequenas produtoras que atuam nas periferias, buscaremos
pistas para compreender os novos sentidos da insurgência juvenil no espaço urbano.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
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114
A sociopoética na emergência de atalhos sensíveis no labirinto da pesquisa entre jovens no
contemporâneo
Autores(as):: Shara Jane Holanda Costa Adad (UFPI)

Resumo:

Com esta palestra na mesa redonda Arte, atalho e labirinto: juventudes, experiência e políticas
do sensível pretende-se apresentar a experiência da pesquisadora e orientadora de pesquisas
sociopoéticas entre jovens, quando em 2010 torna-se Coordenador(a): do Observatório das
Juventudes, Cultura de Paz e Violências nas escolas – OBJUVE, inserido no Departamento de
Fundamentos da Educação – DEFE, no Programa de Pós-graduação em Educação - PPGEd, do
Centro de Ciências da Educação, na Universidade Federal do Piauí – UFPI. Intenta-se apresentar
os princípios da Sociopoética como a emergência de atalhos sensíveis no labirinto da pesquisa
qualitativa contemporânea. Mas, o que é a Sociopoética? Como fazer pesquisas entre jovens
com essa abordagem? Fugindo dos modos de se fazer pesquisa, instituídos e padronizados pela
visão moderna de ciência que muitas vezes apregoa verdades intransigentes, a sociopoética
é uma prática filosófica que descobre os problemas que não consciente mobilizam os grupos
sociais; promove a criação de novos problemas ou de novas maneiras de problematizar a vida;
favorece a criação de confetos (mistura de conceitos + afetos), contextualizados no afeto e na
razão, na sensualidade e na intuição, na gestualidade, na imaginação e possibilita a criação
de conceitos desterritorializados, que entram em diálogo com os conceitos dos filósofos
profissionais. O confeto é neologismo criado entre conceito e afeto no plano de imanência das
experimentações estéticas, em meio aos temas e os problemas que atravessam e mobilizam
o pensamento de grupos juvenis e vão ganhando consistência, mostrando que os afetos não
só existem como é o próprio motor da criação das produções juvenis no campo das práticas
culturais e políticas em que atuam. Apresentar-se-á em especial os princípios que dizem
respeito aos dispositivos de pesquisar com a arte, em grupo e com o corpo todo, descrevendo-
se, sobretudo, algumas das técnicas artísticas com diferentes linguagens utilizadas nestas
pesquisas e alguns dos confetos produzidos pelos corpos juvenis ao pensar de outros modos os
problemas e as práticas colonizadoras presentes nos conceitos e ideias prontas da educação
e do fazer políticas, na atualidade. A pretensão é expor a importância deste método para o
campo das investigações das juventudes contemporâneas, pois além da razão se faz necessário
utilizar dispositivos artísticos, o corpo todo e em grupo, tornando as pesquisas e mesmo o
ensino-aprendizagem algo arriscado porque promove a capacidade de criação, de invenção
no ato de conhecer que ocorre coletivamente por meio do sensível. Pois para essa prática
quando se conhece e pesquisa é preciso envolver-se por inteiro, de corpo todo, de modo
inventivo e em grupo, aproximando-se dos elementos próprios das práticas culturais juvenis. A
Sociopoética se encontra no entre da ciência, da arte e da filosofia, pois o que se faz é um furo
entre estas três fronteiras, transversalisando-as num tecer juntos, onde se cruzam os saberes
num conhecimento vivo, inovador.

Palavras-chave: Sociopoética; Dispositivos Artísticos; Pesquisas; Jovens.

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115
Arte, psicologia e experiência: operando uma produção do sensível nos entrelugares do
cotidiano dos jovens
Autores(as):: Thamila Cristina dos Santos da silva (Organização Educacional Farias Brito)

Resumo:

A mesa redonda Arte, atalho e labirinto: juventudes, experiência e políticas do sensível abre
passagem para uma conexão de vozes e desejos múltiplos sobre o que pode a arte no/do
encontro com as juventudes. Para essa costura de afetos e mapas, cada interlocutor parte de
um lugar no mapa. E dessa posição vislumbram-se intervenções, projetos, conceitos, afetos
e modos de operar, pensar, fazer e sentir a conexão com as juventudes contemporâneas.
Como psicóloga que atua no campo da educação e artista visual/fotógrafa parto deste lugar
fronteiriço que habito na cidade de Sobral, no Ceará, para pensar a incômoda e incessante
questão sobre as possibilidades cotidianas da arte/criação no campo de atuação da Psicologia
em conexão com crianças e jovens. Pretendo mediar uma reflexão que problematize os lugares
contemporâneos da Psicologia na atuação com as juventudes e pensar como essas intervenções
podem operar modos de saber/fazer mais sensíveis, críticos, conectados com outras linguagens
que transversalizem com a arte, a literatura, a poesia e possibilitem experiências e existências
mais potentes. Interessa-me pensar como esses entrelugares podem possibilitar intervenções
que instiguem às juventudes um caminho de criação e autoria com sua própria existência e
com os tantos mundos que as cercam, através da fronteira entre Arte e Psicologia. Elaborar,
imaginar, fabular, inventar, diferir, incorporar; escolher andar na companhia desses verbos-
abismos para rasurar as paisagens e criar (outros/mesmos/outros) mundos possíveis e potentes
para existir e resistir através dos agenciamentos da imagem. Portanto, pretendo apresentar
nesta mesa a experiência enquanto artista de investigação e elaboração das oficinas-inventivas
com grupos e narrar as potências da arte em agenciar afetos, desvios e produzir imagens-corpo/
imagens-som/imagens-palavra/imagens-diferença/imagens-percurso. Desejo problematizar,
sob o lugar ambíguo de artista e psicóloga, os perigos e as potências desses entrelugares e
os efeitos disso para pensar/fazer Psicologia entre jovens na contemporaneidade. Para isso,
conecto-me com alguns interlocutores para pensar uma política da criação que seja sensível,
inventiva e incômoda. Conjugo conexões possíveis entre a filosofia, psicologia e arte; aproximo-
me de Deleuze, Nietzsche, Rancière, Larrosa, Virgínia Kastrup, Manoel de Barros, Mia Couto,
Eduardo Galeano, Ítalo Calvino. Autores e escritores que instigam imagens de descolonização
do pensamento e maquinam uma política do sensível - da existência como obra de arte.
Portanto, esse trabalho tece-se pela multiplicidade de vozes, pelos agenciamentos de vetores
que extrapolam o campo da Psicologia e que retornam a esse saber não para dizer a verdade
sobre os sujeitos juvenis, mas, em outra posição, para instigar outras formas de pensar com a
juventude na contemporaneidade.

Palavras-chave: Arte; Psicologia; Entrelugares; Juventudes.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
116
Juventudes, arte e cidade: ocupações e afetos na política do sensível
Autores(as): Romualdo da Silva Teixeira (Coletivo Ocuparte)

Resumo:

Neste relato de experiência Juventudes, Arte e Cidade: Ocupação, Afetos e Políticas do Sensível,
da mesa redonda Arte, atalho e labirinto: juventudes, experiência e políticas do sensível, realçam-
se as novas insurgências juvenis pautadas na arte, na cultura e na educação, operando como
vetores de participação política e exercício da cidadania, trazendo, sobretudo, a experiência
do Coletivo Ocuparte. Pretende-se ainda provocar e problematizar acerca da ausência do
Estado na construção de Politicas Públicas que garantam subsídios para os anseios, desejos e
fazeres juvenis nos espaços citadinos. Esta participação dos jovens na cidade é vista ainda no
sentido da garantia de direitos e do relacionamento no cotidiano da cidade. Pergunta-se: O que
podem as juventudes? De que se ocupam na cidade? Busca-se trazer experiências vividas pelo
Coletivo Ocuparte em Sobral/CE, formado principalmente por jovens ligados ao fazer artístico,
cultural e educativo através da formação de novos agentes culturais, tendo em vista que este
grupo atua com projetos voltados à juventude por meio de uma produção cultural pautada
na perspectiva colaborativa e associativista dos agentes, bem como na articulação de uma
política cultural e de garantia de direitos. O Gestor deste Coletivo contribui nesta mesa por
meio da experiência de articulador e produtor cultural ao abordar a contribuição do Coletivo
Ocuparte na teia de fluxos culturais, que tem a juventudes sobralenses como protagonistas de
um processo de ocupação dos espaços públicos e ressignificação dos mesmos, contribuindo
para os processos de afetividade com a cidade. Enquanto Conselheiro de Juventude e de Política
Cultural no município de Sobral, provoca-se e se problematiza ainda acerca da ausência do
Estado na construção de políticas públicas que garantam subsídios para os anseios, desejos e
fazeres juvenis na cidade. O relato dos efeitos e impactos destas atividades é alvo de análise
neste trabalho desenhando uma cartografia das possíveis reinvenções das juventudes na cena
pública e comum. O relato constrói referências entre jovens que não por representação política.
O corpo, os afetos, as intensidades vão criando outras rotas e interferindo na paisagem de
encontros e desencontros característicos da vida urbana e cena de atuação dos atores jovens.
O agenciamento com as artes e as experiências de partilha e problematização em torno de
temáticas pertinentes a vida de jovens em lugares públicos e por meio de atividades culturais
e de inserção nos espaços da cidade promovem transformações nem sempre fáceis de prever.
O que é próprio destas ações é a abertura a confabulações e encontros com e diante do outro.
Assim, no contexto da mesa redonda, o relato compartilha, pelo agenciamento com as artes, a
problematização em torno de temáticas pertinentes a vida de jovens em espaços formativos
destinados a sua educação, com destaque aos lugares públicos por meio de atividades culturais
e de inserção nos espaços da cidade.

Palavras-chave: Juventudes; Arte; Cidade; Ocupações; Afetos.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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Juventudes e estetização: agências políticas, formas de trabalho e práticas de sociabilidade
Coordenador(a): Frank Nilton Marcon (DCS-UFS)

Resumo Geral:

O objetivo é analisarmos diferentes formas de expressões estéticas produzidas por jovens em


contextos sociais contemporâneos. A ideia é refletir sobre distintas formas de expressão estética,
como a dramatização, a pintura, o desenho, a música e a dança, como formas de comunicação,
de subsistência, de intervenção, de transição e de produção de sentido social. Analisar tanto o
campo estrito da arte canônica, como apresentar diferentes cenários em que o recurso estético é
utilizado como expressão de empoderamento simbólico e material, mesmo que em situações de
recursos escassos. Estas expressões nos tem feito refletir sobre os estilos de vida que se configuram
a partir do recurso a linguagem estética como forma de interação social, de atuação política e
de possibilidade de trabalho. Intervenções que tomam a cidade como suporte, que utilizam as
tecnologias de informação e comunicação como fonte de informação, de comunicação e como
técnica de novos formatos criativos. São intervenções muitas vezes informais, que emergem
da liminaridade, da alternância e da necessidade de agência destes sujeitos com maior acesso
à informação, à escolarização, às tecnologias móveis, que no dia a dia disputam e buscam
construir e dar visibilidade a sua existência e ao seu modo de ver o mundo. Com base em três
pesquisas de campo diferentes, os participantes desta mesa destacam a atuação, a linguagem
e a expressão de jovens ligados ao hip-hop, através do break, do grafite e do rap, como forma
de lazer, intervenção política e trabalho; as formas de expressar a “identidade africana” através
das danças e da música nas festas realizadas por jovens imigrantes africanos no Brasil, em que o
fortalecimento dos laços de afinidade se expressa pela estética sonora e corporal e se torna um
meio de visibilidade social, de lazer e de ocupação; a organização, o entendimento, a atuação
e o envolvimento de jovens com a arte dramática, que valorizam a ambiguidade entre ócio e
trabalho, a partir do gosto pela linguagem corporal também como forma de sociabilidade e
politização da criatividade, mesmo que diante da condição formalmente precária do trabalho
teatral, em um contexto político neoliberal. Assim sendo, estas diferentes linguagens estéticas
são apropriadas por diferentes grupos sociais, distintos em seus estilos de vida e desiguais em
termos socioeconômicos, mas que enfrentam a condição de serem jovens e experimentarem
certa condição precária de vida do ponto de vista material e econômico. A escolha por tal estilo
de vida também aparenta demarcar alguma condição de liminaridade geracional, em que a
possibilidade de se constituir como sujeito passa pela experiência e visibilidade de suas agências.
Reconhecimento, expertise, criatividade, inovação, legitimam os sujeitos perante o grupo e
fortalecem o grupo perante outros. Sendo assim, quem são socialmente os envolvidos com o
hip-hop, com o teatro e com as danças e a músicas das festas africanas? Qual a importância para
estes jovens de estarem envolvidos com tais formas de expressão estética? Como se expressam
e o que dizem? Como se dão as sociabilidades nestes meios? Quais as relações e os paradoxos
entre tais agências estéticas?

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
118
A Arte Teatral e os Desafios dos Jovens Artistas na Sociedade Contemporânea
Autores(as): Jefferson Dantas Santos (UNICAMP)

Resumo:

A literatura aponta que os artistas são majoritariamente jovens e estão nas regiões metropolitanas.
As artes cênicas, a música e o cinema compõem os principais domínios laborais, que congregam
grande contingente de artistas e revelam uma lógica constante, a intermitência do trabalho, ou
seja, trabalhos por projeto, informal, precário e inseguro. Os artistas que dialogam comigo nesta
pesquisa, sobretudo os mais jovens, se relacionam com a arte não só como uma experiência de
tempo livre, mas também como exercício de uma profissão. Indivíduos que constroem planos
de inserção no meio artístico, não raro, se indagando como poderão viver de arte. Ou seja, um
duplo movimento que compõe o seu estilo de vida. O Estado é a instituição que mais investe
em arte no Brasil, por meio de editais, por meio de instituições e da renúncia fiscal, que atrai
grandes empresas. O mecenato foi regulamentado pela lei 8.813/91, conhecida como lei Rouanet
e, segundo o Ministério da Cultura, mobilizou o montante de R$ 1.153.534.433,70 de reais no
ano de 2016, contudo o gerenciamento dos recursos é feito pela iniciativa privada, que decide
as manifestações artísticas que serão contempladas, fato que contribuiu para concentração de
recursos em algumas regiões. Outro efeito da lei é a obstáculo à participação dos artistas mais
jovens, pouco conhecidos, experimentais ou críticos, já que as empresas optam por artistas já
consolidados, pois elas capitalizam o investimento através do marketing cultural. Ao mesmo
tempo, esta política exige a formalização dos artistas para a obtenção do recurso e enseja práticas
empreendedoras, implicando na constituição de personalidade jurídica, microempreendedor
individual, dentre outras e o contínuo aperfeiçoamento de suas habilidades e competências,
afinal, segundo o mantra dominante, os novos artistas precisam entender que “the art is your
business”. Em Salvador, o Bando de Teatro Olodum, o CRIA, o Projeto Axé e o Balé Folclórico têm
sido instituições-chave na qualificação de adolescentes e jovens para as artes cênicas. Portanto, a
cidade de Salvador não está alheia ao cenário nacional. Quer seja na lei municipal Viva Cultura de
2016, quer na lei estadual de 2011, ambas reproduzem os sentidos da Lei Rouanet. O movimento
de artistas, Cultura na U.T.I, realizado na capital baiana, em 2009, evidenciou as dificuldades
provocadas pelo crescente processo de burocratização, apontando para o aperfeiçoamento
de políticas mais sensíveis às necessidades dos artistas. Proponho apresentar o resultado das
pesquisas de campo sobre esta realidade na cidade de Salvador/BA, a partir de um inventario de
estratégias das resistências individuais e ou coletivas de jovens artistas soteropolitanos em busca
do reconhecimento profissional num cenário redefinido pelas políticas neoliberais. A análise
está ainda atenta às desigualdades e hierarquias que marcadores sociais como raça, gênero e
geração informam.

Palavras-chave: Neoliberalismo; Estado; Produção Teatral; Jovens.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
119
Cultura, Movimento e Trabalho: Questões Sobre Juventudes e Hip Hop na Cidade
Autores(as): Sérgio da Silva Santos - UNB

Resumo:

As disputas pelos espaços públicos têm norteado debates acadêmicos e possibilitado a produção
de pesquisas sobre territorialidade, apropriação e direito à cidade. Nesse contexto, destacam-se
os usos feitos pelos praticantes do Hip Hop e suas próprias manifestações estéticas e políticas
nos centros urbanos. Em Maceió os processos de sociabilidades em torno do Hip Hop partem dos
inúmeros coletivos que produzem cotidianamente elementos simbólicos e discursivos em torno
desta cultura, produzindo estratégias de inserção nos espaços e possibilitando a visibilidade
tanto dos seus grupos quanto dos símbolos de sua cultura. No hip hop, os discursos e práticas
são orientados pela dimensão do espaço e são construídos a partir das experiências sociais dos
jovens nas diversas inserções no cotidiano urbano, ou seja, o lugar de fala é marcadamente
importante nos acionamentos em torno dos processos de significação dos espaços praticados
por jovens ligados ao Hip Hop. Os processos intersubjetivos produzidos pelas dinâmicas da vida
urbana produzem representações que são fundamentalmente significativas na construção dos
marcadores sociais das disputas pelos espaços públicos. As práticas sociais e culturais acionadas
pelo Hip Hop têm como um dos elementos centrais a busca por visibilidade. Os praticantes do
Hip Hop buscam se mostrar nas cidades, buscam reconhecimento e apropriação do espaço
urbano. O uso de determinado estilo de se vestir, estilo de linguagem específica e utilização
simbólica do corpo são estratégias utilizadas pelos seus praticantes para fazerem-se notar,
delimitados por uma identidade de grupo. Os grupos juvenis que estão articulados às práticas
sociais e culturais do Hip Hop acionam redes de solidariedade locais, nacionais e internacionais
a partir dos dispositivos disponíveis na internet. É importante ressaltar que, ao produzir eventos
na cidade e utilizar as tecnologias e as redes sociais para divulgar seus eventos, a cidade entra
no circuito cultural do Hip Hop. Os eventos que têm por objetivo a visibilidade e a ocupação
dos espaços públicos torna pública a cidade, como também estabelece diálogos em busca de
legitimidade diante dos seus pares e dos moradores da cidade. A relação entre Hip Hop e os
processos de significação dos espaços públicos é íntima e os jovens que interagem com o Hip
Hop contribuem significativamente com estes processos, seja expondo os corpos, os grafites, as
músicas e os discursos políticos, estes atores orientam suas lutas pela cidade, atuando como
movimento social, expressando sua linguagem estética e utilizando sua arte como meio de
vida. Como resultado da pesquisa de campo realizada em Maceió/AL proponho apresentar uma
análise sobre como a repercussão das práticas sociais e culturais do Hip Hop nas periferias das
cidades se torna um mecanismo importante de agência e de identidade social, como também
tem produzido símbolos positivos em relação às periferias, aos jovens e suas práticas.

Palavras-chave: Juventudes; Hip-Hop; Espaço Público; Estética; Sociabilidades.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
120
Juventude e “Música de Festa”: uma Expressão de Identidade, Estética e Poder na Diáspora
Africana
Autores(as): Frank Nilton Marcon (UFSE)

Resumo:

Há alguns anos venho pesquisando alguns movimentos contemporâneos de pessoas, de


produtos materiais e simbólicos entre Brasil, Portugal e Países Africanos de Língua Portuguesa,
principalmente no que diz respeito a circulação de jovens e estilos de vida associados à música e
a dança. A partir de etnografias que realizei em discotecas de Lisboa (Portugal) e Salvador (Brasil),
reconhecidos como espaços de música e dança “africanas” ou por promoverem festas também
denominadas de “Africanas”, analiso os processos de estetização, o significado e a dinâmica das
identidades e diferenças produzidas em contextos de arranjos sociais mediados pela música e
pela dança na diáspora. Nos casos examinados, a questão da etnicidade e o corte geracional
focado na juventude são privilegiados na observação participante de suas expressividades, de
suas práticas e de suas narrativas. Analiso especialmente as narrativas sobre as trajetórias de
vida dos DJs, produtores e animadores destas festas, assim como os relatos sobre música, dança,
corpo, experiência da imigração e sobre as identidades elaboradas pelos produtores das festas e
pelos participantes. Em ambas etnografías, a música feita, ouvida e dançada é a música urbana e
contemporânea produzida em diferentes países da África e do Caribe, com predomínio da música
eletrônica em suportes digitais e mixada por DJs, como o kuduro, a kizomba, zouk, entre outros.
Proponho apresentar os resultados destas pesquisas, analisando a dinâmica destes eventos para
a mobilização dos atores envolvidos e o que tais eventos e envolvimentos com a música e a dança
representam como expressão das ações e experiências de jovens oriundos de diferentes países
africanos que hoje vivem em Salvador e em Lisboa. Qual o perfil social destes jovens? Como se
tornaram DJs, MCs, dançarinos? Como realizam tais festas? O que a música, a dança e a festa que
produzem significa em termos sociais, emotivos, políticos e culturais para eles? As possibilidades
de agência política através da afirmação de identidades coletivas e de marcar a diferença com
relação aos nacionais; a alternativa de fazer da música e da dança um recurso ao trabalho; e a
criatividade em articular seus lugares de encontro e de sociabilidade (que possibilitam formas
de ocupar o tempo livre e constituir redes de afeto) são algumas das questões que analiso. A
expressividade, a visibilidade e o reconhecimento proporcionados pela música, pela dança e
pela festa caracterizam esta linguagem estética como possibilidade de enfretamento que marca
um empoderamento por destes jovens em um contexto social estranho e de dificuldades como
consequência da imigração. Além da juventude como ciclo social de transição e da etnicidade,
a origem nacional, a língua, a classe, o gênero e a sexualidade são elementos transversais na
análise dos casos que apresentaremos.

Palavras-chave: Juventudes; Música; Estetização; Diáspora; Sociabilidades.

OBS: Não houve Mesa-redonda no Eixo Temático 09- Juventudes, espiritualidade e religiosidade.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
121
EIXO 10: Juventudes e TRAbalho

Estratégias de adaptação do jovem às novas demandas do mercado de trabalho: reflexões


sobre o empreendedorismo, a internacionalização e a orientação profissional
Coordenador(a): Raquel Nascimento Coelho (UFC)

Resumo Geral:

Com a crise vivenciada no último quarto do século passado (Antunes, 2004, Lima, 2008, Barros,
2010), vivenciamos transformações significativas nos modelos econômico e social. Tais crises têm
promovido a desestabilização constante de dimensões laborais, levando a vivenciarmos uma
complexificação do mundo do trabalho e do perfil dos trabalhadores. Nessa realidade, os jovens
são muito afetados pelas transformações do mundo do trabalho, experimentando formas de
emprego precárias e instáveis, demorando em se consolidar no mercado e conseguir um trabalho
estável. De forma geral, os processos atuais de inserção laboral juvenil estão cada vez mais
caracterizados pelo desemprego ou por trajetórias individualizadas, descontínuas, flexíveis, com
uma característica de reciclagem laboral e formativa constante, dificultando os planos a meio
e longo prazo (Monteiro, 2011; Moreno, 2008). Diversas são as estratégias criadas na tentativa
de preparar os jovens para lidar com as dificuldades que enfrentarão na busca pela inserção no
mercado de trabalho ou por melhores oportunidades laborais. Entre elas, destacamos aquelas
que se aproximam da perspectiva empreendedora, à medida que individualizam o trabalho desse
jovem e o colocam como único responsável por seu sucesso no mundo laboral. A perspectiva
empreendedora – que será trazida como um dos temas deste trabalho através do projeto “Meu
Carrinho Empreendedor” – tem se difundido no Brasil nas últimas décadas como o caminho para
quem busca desenvolvimento e sucesso profissional. O conceito de empreendedorismo é de
certa forma exaltado por governos, entidades de classe e organizações como a principal base/
alternativa para o crescimento econômico e para a geração de emprego e renda na atualidade
(BARROS; PEREIRA, 2008). Assim, boa parcela dos brasileiros, inclusive jovens, tem se deslocado
para trabalhos por conta própria, mais voláteis e imprevisíveis. Somando-se a isso, a doutrina
neoliberal exige que todos se apresentem socialmente como empreendedores (COSTA; BARROS;
CARVALHO; 2011, p. 189). Outra estratégia a ser destacada no presente trabalho buscará discutir
propostas que buscam investir na excelência da qualificação dos jovens nas áreas de ciência e
tecnologia e nas experiências de internacionalização que se justificam na demanda do mercado
atual por jovens trabalhadores com tal perfil. Neste caso específico, será abordado o projeto
“Ciência sem Fronteiras” como estratégia do Estado brasileiro na adaptação do jovem às novas
demandas do mercado de trabalho. Projeto este que caminha em um sentido que se aproxima
da estratégia do estímulo ao empreendedorismo, já que também é uma forma de individualizar
as trajetórias juvenis e de responsabilizar o jovem pelo seu êxito de inserção laboral. Por fim,
refletiremos criticamente sobre as atuais tendências na prática de Orientação Profissional,
acreditando que esta, consoante com a Psicologia Social do Trabalho, possa ser uma ferramenta
para espaço de problematização do mundo laboral em suas diversas dimensões, escapando das
prescrições individualistas e determinantes, empoderando criticamente o sujeito, e fortalecendo
ações mais coletivizadas de enfrentamento.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
122
Entre o Empreendedorismo e a Precarização Laboral: a experiência de pipoqueiros no projeto
“Meu Carrinho Empreendedor”
Autores(as):: Eveline Nogueira Pinheiro de Oliveira (UFC)

Resumo:

A perspectiva empreendedora tem se difundido no Brasil nas últimas décadas como o caminho
para quem busca desenvolvimento e sucesso profissional. O conceito de empreendedorismo
é de certa forma exaltado por governos, entidades de classe e organizações como a principal
base para o crescimento econômico e para a geração de emprego e renda na atualidade
(BARROS; PEREIRA, 2008). Assim, boa parcela dos brasileiros, inclusive muitos jovens, tem se
deslocado para trabalhos por conta própria, mais voláteis e imprevisíveis. Somando-se a isso,
a doutrina neoliberal exige que todos se apresentem socialmente como empreendedores
(COSTA; BARROS; CARVALHO; 2011, p. 189), sendo inclusas nessa lógica as perspectivas
educacionais nesse sentido, assim talvez seja mais compreensível assistir à crescente onda
de pessoas que pensam em montar um negócio próprio, principalmente de médio e pequeno
porte. A presente comunicação parte de uma investigação em curso realizada no âmbito do
Mestrado em Psicologia da Universidade Federal do Ceará -UFC financiada pela Coordenadoria
de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CAPES. O objetivo é analisar o discurso de
Microempreendedores Individuais envolvidos no Projeto “Meu Carrinho Empreendedor” sobre
possíveis relações entre a atividade empreendedora e os processos de precarização laboral.
O interesse de investigar essas relações veio de pesquisas anteriores realizadas durante a
Graduação em Psicologia na UFC. Como fruto dessas pesquisas de cunho bibliográfico, foram
encontradas discussões de autores da área que relacionam o trabalho do empreendedor à
perspectiva de trabalho precarizado. Daí a relevância dessa investigação ir a campo, no
sentido de compreender essas relações sob a perspectiva do próprio trabalhador. O papel do
empreendedor como impulsionador do crescimento econômico acaba sendo relacionado com
o desenvolvimento social e garantia de melhores condições de vida. Essa lógica impulsiona
uma responsabilização do sujeito, já que o mercado não tem como garantir oportunidades
para todos, e o trabalhador se sente responsável por seu sucesso ou insucesso. Tal como é visto
pela Psicologia Social do Trabalho, o trabalho aqui ocupa posição privilegiada na construção
da subjetividade (AQUINO, 2008), sendo norteador na formação de sentidos e significados
e guiando a noção do tempo e da realidade. Coloca-se aqui a necessidade de estudos que
procurem entender a vivência dos empreendedores, sob a perspectiva dos próprios sujeitos
que se lançam em um mundo de trabalho cada vez mais imprevisível. Podemos encontrar
na figura do microempreendedor o elo frágil e vulnerável de uma cadeia de processos mais
complexos. A teia que o envolve na vulnerabilidade social engloba processos como a baixa
escolaridade, a exclusão frente ao mercado formal de trabalho e a insegurança social, pautado
numa lógica de intensificação e exploração de trabalho, desprotegido de uma teia social e
profundamente responsabilizado, já que o axioma principal é que o pobre é responsável por
sua pobreza (BARBOSA, 2011, p. 135).

Palavras-chave: Empreendedorismo; Precarização Laboral.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
123
O impacto da experiência de internacionalização nas perspectivas de inserção laboral de
jovens: programa “Ciência sem Fronteiras” na UFC
Autores(as):: Raquel Nascimento Coelho (UFC)

Resumo:

Uma das principais características de nosso contexto sócio laboral está na intensificação do
processo de globalização marcado pela internacionalização das estratégias de mercado,
aumento da difusão de tecnologia e conhecimento mundial e acirramento da competitividade
nacional e internacional. Como consequência, modificam-se exigências aos trabalhadores
que buscam inserir-se nessa realidade e se torna cada vez mais difícil para eles conseguir
oportunidades laborais e a sua própria permanência no mercado. Além disso, diante da
exigência de maior flexibilidade laboral para adaptar-se às demandas de competitividade, a
incerteza e a instabilidade passam a ser constantes no dia a dia dos trabalhadores e daqueles
que buscam inserir-se no mercado laboral. Nessa realidade, os jovens são muito afetados
pelas transformações do mundo do trabalho, experimentando formas de emprego precárias e
instáveis, demorando em se consolidar no mercado e conseguir um trabalho estável. De forma
geral, os processos atuais de inserção laboral juvenil estão cada vez mais caracterizados pelo
desemprego ou por trajetórias individualizadas, descontínuas, flexíveis, com uma característica
de reciclagem laboral e formativa constante, dificultando os planos a meio e longo prazo
(Monteiro, 2011; Moreno, 2008). Diversas são as estratégias criadas na tentativa de preparar
os jovens para o enfrentamento das dificuldades que enfrentarão na busca pela inserção no
mercado de trabalho ou por melhores oportunidades laborais. Entre elas, destacamos aquelas
que buscam investir na excelência da qualificação dos jovens nas áreas de ciência e tecnologia
e nas experiências de internacionalização que se justificam na demanda do mercado atual por
jovens trabalhadores com tal perfil. É também para esse grupo que as pressões do mercado
laboral por experiências de internacionalização, conhecimento de diferentes línguas e
capacidade de adaptação a distintos ambientes culturais são mais fortes. E tais pressões têm
conduzido a que cada vez mais estudantes busquem, através da participação em programas
de internacionalização, conquistar tais habilidades. A presente comunicação parte de uma
investigação em curso financiada pelo Programa Institucional de bolsas de iniciação Científica
– Pibic/UFC cujo objetivo é analisar os impactos da participação no programa “Ciência sem
Fronteiras” nos processos de inserção laboral dos estudantes egressos da UFC. Este programa
tem investido na formação de pessoal altamente qualificado nas competências e habilidades
necessárias para o avanço da sociedade do conhecimento. Competências estas diretamente
vinculadas a um perfil que despertaria interesse nas empresas ao reunir qualidades importantes
para o mercado: capacidade, experiência no exterior e educação de ponta (Brasil, 2011). Parece-
nos importante não somente avaliar a efetividade dessas estratégias, contrastando a demanda
do mercado por esse novo perfil de trabalhador e as reais oportunidades de inserção laboral
encontradas pelos participantes, além de analisar como tais estratégias do Estado terminam
depositando nos sujeitos individualmente a responsabilidade pelo êxito em seus processos de
inserção laboral.

Palavras-chave: Internacionalização; Inserção Laboral; Universitários.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
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Orientação profissional em um cenário de mudanças e incertezas, que caminho a Psicologia
Social do trabalho pode seguir?
Autores(as): Ítalo Emanuel Pinheiro de Lima (UNILEÂO)

Resumo:

O mundo do trabalho mudou (Antunes, 2004, Lima, 2008, Barros, 2010) e, com ele, as relações
estabelecidas pelo sujeito na construção de seu percurso no mundo do trabalho, tornando
necessária uma reflexão crítica acerca do papel exercido pela Psicologia como elemento
facilitador deste processo. Nascida da necessidade de ordem prática vivenciada pela sociedade
industrial, a Orientação Profissional despontou como prática solucionando o problema gerado
pela demanda de incorporação de mão de obra pela indústria e a necessidade do sujeito
de se adequar a uma sociedade pautada no trabalho e no progresso (Lassance e Sparta,
2003). A sociedade industrial, como ficou conhecida, orientava todas as ações do sujeito
para a manutenção de um status quo, com a participação de instituições como a Igreja e a
família, modelando pensamentos, discursos e comportamentos, criando um tipo padrão de
inserção, um modelo de trabalhador a ser seguido e um modelo de organização da sociedade,
o que não ocorre hoje de forma homogênea. Com a crise vivenciada no último quarto do
século passado, vivenciamos diversas transformações, mobilizadas por crises no modelo
econômico e social. Tais crises promovem a desestabilização cada vez mais constante de
dimensões laborais, levando a vivenciarmos uma complexificação do mundo do trabalho e do
trabalhador. A presente comunicação parte de uma investigação bibliográfica e de reflexões
teórico-práticas da disciplina de orientação profissional do curso de Psicologia da UNILeão
e tem como objetivo promover um debate acerca da prática de orientação profissional,
em particular do trabalho da Psicologia neste campo, e o atual contexto laboral brasileiro.
Neste cenário complexo e de rápidas transformações ainda observamos na Psicologia uma
predominância de um modelo clínico individual quando se analisa a prática de orientação
profissional, parecendo esquecer o caráter pedagógico/informacional e frequentemente
tratando o tema como um fenômeno interno ao sujeito. Em um outro viés, a Psicologia Social
do Trabalho como propõe Sena e Silva (2004), pode representar uma outra via teórico-prática
de abordagem do tema por não compreender esta relação de forma dicotômica, entendendo
a atividade laboral como elemento constituinte do sujeito e meio pelo qual este se expressa e
se significa em seu mundo. Este posicionamento nos parece ser mais coerente quando se pensa
em um cenário de diversas possibilidades, entretanto acreditamos haver uma resistência a este
posicionamento por conta do seu viés crítico, levando espaços institucionais como a escola a
evitar esta proposta de debate, o que parece estar referenciado por uma tentativa de manter
a docilidade do trabalhador e a manutenção de relações de poder que vêm se perpetuando.
Por fim, acreditamos na necessidade de ampliar o diálogo acerca do trabalho e investir em
práticas que fortaleçam uma apropriação do mundo do trabalho por parte do sujeito, caso
contrário nos distanciaremos de nosso compromisso ético-profissional com a transformação
da sociedade.

Palavras-chave: Orientação Profissional; Psicologia do Trabalho.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
125
EIXO 11: Juventudes e EDUCAÇÃO

Estudantes em movimento: reflexões sobre as dinâmicas de mobilidade estudantil Internacional


brasileira
Coordenador(a): Cássio Adriano Braz de Aquino (UFC)

Resumo Geral:

Nas últimas décadas a mobilidade estudantil internacional (MEI) passou a ser considerada de
grande importância na formação de jovens estudantes. Por um lado, cooperações e projetos
de pesquisa internacionais, bem como, programas de intercâmbio discente e docente são
características tradicionais das instituições de ensino superior (IES). Por outro, há o avanço das
políticas neoliberais nas universidades, juntamente com as transformações engendradas pelos
processos de globalização. Em uma análise macro do cenário, a MEI passou a ser vista como
uma estratégia eficiente de criação e consolidação de redes de pesquisa internacionais e de
promoção da circulação do conhecimento e transferência de tecnologias. Para as IES, o envio
de estudantes ao exterior, bem como o recebimento de estudantes internacionais passou a ser
considerado um critério importante para um bom posicionamento nos rankings internacionais.
E, a partir de uma perspectiva individual, a MEI configura-se como uma experiência que,
para além dos ganhos intelectuais – aprendizado de uma nova língua, novas abordagens
metodológicas e teóricas, internacionalização do currículo – contribui para o desenvolvimento
de habilidades interculturais, autoconfiança, empoderamento. Trata-se, portanto, de um
fenômeno complexo e multifacetado, que se dá em diferentes escalas, envolve distintos atores
e é atravessado por interesses políticos, sociais e econômicos. No caso do Brasil, desde os anos
1960 programas de MEI estão presentes no cotidiano das IES. Programas de intercâmbios com a
Alemanha, através do CAPES/DAAD, com a França via CAPES/Cofecub ou com os Estados Unidos
da América em parcerias da CAPES com a Fundação Fullbright ilustram essa tradição. Mais
recentemente, em 2011, o programa Ciência sem Fronteiras (CsF) deu um impulso significativo
para o envio de estudantes brasileiros/as a instituições no exterior, visando contribuir de forma
ativa para a internacionalização da ciência no país. A partir da apresentação de três pesquisas
distintas, esta mesa redonda objetiva discutir as dinâmicas de mobilidade estudantil para o
Brasil. De forma mais específica, busca traçar um perfil de quem são os/as jovens brasileiros/
as que tem podido participar desses programas de MEI, considerando que a intersecção de
distintos marcadores de diferença (gênero, classe social, idade, raça e região de origem)
resultam em oportunidades e experiências diferenciadas. Para além disso, pretende identificar
as motivações e constrangimentos que levam os/as estudantes a se interessarem ou não por
participar em programa de MEI. E, por fim, almeja refletir acerca do impacto da experiência
de MEI no processo de desenvolvimento intelectual, individual e cidadão dos/as jovens. Tal
discussão mostra-se relevante, posto que os investimentos feitos pelo governo brasileiro
para estimular a MEI tem crescido e as pressões do mercado de trabalho por experiências
de internacionalização, conhecimento de diferentes línguas e capacidade de adaptação a
distintos ambientes culturais tem conduzido a que cada vez mais estudantes busquem, através
da participação em programas de MEI, conquistar essas habilidades.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
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A mobilidade acadêmica como experiência de cidadania: a participação de estudantes
brasileir@s na Universidade de Coimbra na campanha contra o racismo e xenofobia
Autores(as):: Thais França da Silva ( CIES-IUL)

Resumo:

Desde 2012, os/as brasileiros/as figuraram como o maior grupo de estudantes internacionais
em Portugal e a Universidade de Coimbra como a instituição que mais abriga esses estudantes.
Contudo, esse novo fluxo estabeleceu-se em cima de um imaginário colonial estereotipado e
estigmatizado sobre os imigrantes brasileiros/as como sendo sujeitos inferiores, subalternos
e ignorantes e no caso específico das mulheres como hiperssexualizadas. Os estudos sobre a
mobilidade estudantil internacional (MEI) tem vindo ressaltar sua importância tanto no que
diz respeito ao crescimento pessoal dos/as estudantes como ao desenvolvimento. A partir
de uma reflexão sobre o engajamento de estudantes brasileir@s na campanha contra todas
as formas de discriminação e xenofobia na universidade de Coimbra em 2014, o presente
estudo tem como objetivo discutir o potencial da MEI como possibilidade de experiência de
atuação política e de cidadania, nesse caso específico no enfrentamento à discriminação em
espaços institucionalizados, como por exemplo a Universidade. Metodologicamente, recorre
a uma análise qualitativa, com base nas teorias da análise crítica do discurso, do material
produzido pelos estudantes e veiculado na plataforma da campanha em uma página do
Facebook. Ademais, a partir de uma perspectiva feminista crítica, esse trabalho recorre a
autorreflexividade como uma chave de leitura acerca da minha própria experiência de MEI na
universidade de Coimbra, durante meu mestrado. Ainda que haja uma tentativa da literatura
sobre MEI em categorizá-la separada dos movimento migratórios, o fato é que na prática o sujeito
“estudante internacional” e “imigrante” não se diferenciam de forma marcante, as situações de
preconceito, discriminação e exclusão fazem parte do cotidiano de ambos. No caso de muitos/
as dos/as estudantes brasileiros/as inscritos na Universidade de Coimbra, foi apenas ali que se
depararam pela primeira vez com os estereótipos e imagens sobre os/as brasileiros/as como
sendo inferiores, subalternos, ignorantes e no caso das mulheres como corpos sexualizados.
Assim, embora muitos/as desses/as estudantes tenham ido para Portugal abrigados por visto
estudantil ou programas de intercâmbio internacional, ainda assim vivenciaram experiências
discriminatórias e excludentes. Porém, uma vez que o meio acadêmico tende a ser um ambiente
politizado, embora não isento de dinâmicas de exclusão, marginalização e segmentação, e no
caso específico da universidade de Coimbra tradicionalmente atravessado pela importância
do movimento estudantil, os/as estudantes brasileiros/as encontraram aí terreno fértil para
engajarem-se politicamente e denunciarem as opressões que vivenciavam. Ademais, o capital
social e intelectual desses/as estudantes, resultantes de sua classe social, formação acadêmica,
redes sociais e pessoais, também contribuiu para que pudessem se organizar contra essas formas
de opressão. Pode-se dizer, portanto, que neste caso específico, a experiência de participação
em um programa de MEI fomentou para além de um crescimento pessoal e profissional uma
experiência de cidadania e de aprendizado político.

Palavras-chave: Mobilidade Estudantil; Cidadania; Racismo; Xenofobia.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
127
Jovens em Movimento: a experiência de universitários brasileiros na Europa
Autores(as): Isaurora Cláudia Martins de Freitas (UVA)

Resumo:

O Programa Ciência sem Fronteiras (CsF) foi criado pelo governo brasileiro em 2011 tendo como
objetivo promover a internacionalização da ciência, da tecnologia e da inovação por meio
da mobilidade acadêmica internacional. Até janeiro de 2016 foram concedidas 92.880 bolsas,
sendo 73.353 destinadas a estudantes de graduação. Tomando como objeto o CsF, realizei,
entre agosto de 2014 e julho de 2015, uma pesquisa que analisou a experiência de jovens
estudantes de graduação de universidades cearenses que, incentivados pelo CsF, realizaram
parte dos seus estudos na Europa. A hipótese que ancorou o estudo foi a de que dentre as muitas
formas de ser universitário, a que inclui a ida ao exterior afeta o exercício da própria juventude,
pois, além de agregar valor ao currículo acadêmico, acrescenta elementos socioculturais e
subjetivos que, com certeza, marcarão as trajetórias de cada um. O objetivo da pesquisa,
portanto, foi analisar as especificidades da vivência universitária em contextos de mobilidade
internacional, tentando compreender os significados que essa experiência assume para os que
dela participam. Juventude e mobilidade são categorias teóricas fundamentais no estudo que
dialogou com referencial interdisciplinar, aliando elementos da sociologia da juventude aos
estudos sobre mobilidade realizados por sociólogos, antropólogos e geógrafos. Nesse sentido,
a juventude é pensada como construção social e histórica caracterizada pela heterogeneidade
e pela diversidade nos modos de ser jovem (Bourdieu, 1983; Galland, 1991; Margulis, Urresti,
1996; Pais, 2003) e a mobilidade como fenômeno que, para além da dimensão física, possui
uma dimensão social, cultural e subjetiva (Caiafa, 2002; Cresswell, 2006; Urry, 2007) que produz
transformações de diversas ordens naqueles que a vivenciam. A pesquisa foi realizada a partir
de uma abordagem qualitativa que utilizou como técnicas a observação in loco dos contextos
vivenciais onde os jovens estavam inseridos ao longo do intercâmbio, a observação de perfis
e grupos criados pelos intercambistas na rede social Facebook e entrevistas semiestruturadas
com 12 jovens que fizeram intercâmbio em duas cidades da Espanha (Madri e Valência) e
duas cidades da França (Paris e Nantes). Embora os objetivos do CsF estejam circunscritos
apenas ao que ele pode gerar em termos de ganhos à qualificação profissional dos que dele
participam, considero que um dos principais ativos do Programa é o que ele gerou em termos
de experiência cultural, social e subjetiva. Os doze estudantes que acompanhei possuíam
em comum o fato de serem jovens e de nunca terem morado longe dos pais. Quatro deles já
tinham viajado ao exterior, os demais nunca tinham saído do país e três nunca tinham saído do
Ceará. Tendo experimentado sensações e vivências diversas e desenvolvido práticas distintas
daquelas do lugar de origem ao longo do tempo vivido no exterior, os jovens destacam em suas
falas, sobretudo, os acréscimos culturais e pessoais gerados pelo intercâmbio que, para eles,
significou crescimento e amadurecimento pessoal, cultural e acadêmico que, com certeza, vai
fazer diferença no futuro profissional de cada um deles.

Palavras-chave: Mobilidade Estudantil; CsF; Vivência Universitária.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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128
Percepção dos alunos usuários do Programa Ciência sem Fronteira sobre a internacionalização
na sua formação acadêmica
Autores(as): Cássio Adriano Braz de Aquino (UFC)

Resumo:

O presente trabalho integra uma área de investigação do Núcleo de Psicologia do Trabalho –


NUTRA UFC e do Grupo de Trabalho do CNPq “Sociedade e Trabalho” que lida especificamente
com aspectos relativos às novas temporalidades, espacialidades e formas de mobilidades. O
projeto a que se vincula busca analisar, a luz da percepção dos estudantes brasileiros que
experienciaram o programa Ciências sem Fronteiras - CsF, os impactos do mesmo na sua
formação acadêmica. A ideia de base centra-se na perspectiva de Castles (2005) sobre os
novos fluxos migratórios. Castles publicou o livro Globalização, Transnacionalismo e Novos
Fluxos Migratórios dos trabalhadores convidados às migrações globais (em português).
Sua proposta com a obra era oferecer uma análise sintética dos processos migratórios
internacionais, reconhecendo a transformação de um paradigma espacial de estado-nação
por um de corte transnacional e multicultural. Diante de programas que promovem o
intercâmbio entre universidades, tendo a globalização como pano de fundo e a partir de uma
política de qualificação e internacionalização desenvolvida nos últimos anos no âmbito da
educação, tentamos investigar as percepções de alunos que participaram do programa em
instituições estrangeiras e que estão ainda vinculados aos cursos da Universidade Federal do
Ceará. Na proposta desenvolvida é preciso destacar alguns pontos. O primeiro deles é que
não nos interessa, nessa etapa inicial, analisar o fluxo dos estudantes no contexto tradicional
da pesquisa acadêmica, ou seja, aquela prioritariamente associada à pós-graduação, dada
que a internacionalização nesse caso, já vem de alguns anos e está pautada na autonomia
do pesquisador. Conforme Dias (2005 apud MOROSINI, 2006, p. 109), diferente da pesquisa, o
ensino, tradicionalmente controlado pelo Estado, mas que a partir da década de 1990 com o
apelo da globalização e a consideração da educação como serviço, inclusive com regulação
pela Organização Mundial do Comércio (OMC) parece ter sido demandado a participar
desse fluxo migratório. O objetivo principal tem sido o de compreender como a experiência
acadêmica no exterior impacta na formação desses alunos, tendo um recorte primordialmente
qualitativo. O primeiro ano da investigação, entretanto, teve que direcionar seu olhar para
tentativa de organização da informação que parecia dispersa e superficial sobre tais alunos,
assim, desenvolveu-se um estudo de corte quase que eminentemente descritivo acerca do
perfil desses estudantes destacando pontos como prevalência de gênero, área de formação
e destino dos estudantes. A falta de informação mais precisa tem sido um dificultador para o
desenvolvimento das pesquisas nesse âmbito, tal como o ocorrido no projeto que deu origem
a atual investigação e que visava a uma análise da inversão do fluxo migratório no âmbito
acadêmico ocorrido ao longo da primeira década do século XXI no Brasil. A dificuldade de
acessar dados levou a opção pelo estudo do CsF buscando um retorno mais qualitativo da
informação tendo por base o discurso dos próprios beneficiados do programa.

Palavras-chave: Mobilidade Estudantil; Internacionalização; Formação Acadêmica.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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129
Juventudes e políticas educacionais para o ensino médio: projetos, percepções e expectativas
Coordenador(a): Miriam Fábia Alves (UFG)

Resumo Geral:

Nas últimas décadas a mobilidade estudantil internacional (MEI) passou a ser considerada de
grande importância na formação de jovens estudantes. Por um lado, cooperações e projetos
de pesquisa internacionais, bem como, programas de intercâmbio discente e docente são
características tradicionais das instituições de ensino superior (IES). Por outro, há o avanço das
políticas neoliberais nas universidades, juntamente com as transformações engendradas pelos
processos de globalização. Em uma análise macro do cenário, a MEI passou a ser vista como
uma estratégia eficiente de criação e consolidação de redes de pesquisa internacionais e de
promoção da circulação do conhecimento e transferência de tecnologias. Para as IES, o envio
de estudantes ao exterior, bem como o recebimento de estudantes internacionais passou a ser
considerado um critério importante para um bom posicionamento nos rankings internacionais.
E, a partir de uma perspectiva individual, a MEI configura-se como uma experiência que,
para além dos ganhos intelectuais – aprendizado de uma nova língua, novas abordagens
metodológicas e teóricas, internacionalização do currículo – contribui para o desenvolvimento
de habilidades interculturais, autoconfiança, empoderamento. Trata-se, portanto, de um
fenômeno complexo e multifacetado, que se dá em diferentes escalas, envolve distintos atores
e é atravessado por interesses políticos, sociais e econômicos. No caso do Brasil, desde os anos
1960 programas de MEI estão presentes no cotidiano das IES. Programas de intercâmbios com a
Alemanha, através do CAPES/DAAD, com a França via CAPES/Cofecub ou com os Estados Unidos
da América em parcerias da CAPES com a Fundação Fullbright ilustram essa tradição. Mais
recentemente, em 2011, o programa Ciência sem Fronteiras (CsF) deu um impulso significativo
para o envio de estudantes brasileiros/as a instituições no exterior, visando contribuir de forma
ativa para a internacionalização da ciência no país. A partir da apresentação de três pesquisas
distintas, esta mesa redonda objetiva discutir as dinâmicas de mobilidade estudantil para o
Brasil. De forma mais específica, busca traçar um perfil de quem são os/as jovens brasileiros/
as que tem podido participar desses programas de MEI, considerando que a intersecção de
distintos marcadores de diferença (gênero, classe social, idade, raça e região de origem)
resultam em oportunidades e experiências diferenciadas. Para além disso, pretende identificar
as motivações e constrangimentos que levam os/as estudantes a se interessarem ou não por
participar em programa de MEI. E, por fim, almeja refletir acerca do impacto da experiência
de MEI no processo de desenvolvimento intelectual, individual e cidadão dos/as jovens. Tal
discussão mostra-se relevante, posto que os investimentos feitos pelo governo brasileiro
para estimular a MEI tem crescido e as pressões do mercado de trabalho por experiências
de internacionalização, conhecimento de diferentes línguas e capacidade de adaptação a
distintos ambientes culturais tem conduzido a que cada vez mais estudantes busquem, através
da participação em programas de MEI, conquistar essas habilidades.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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130
Juventude e ensino médio: existe crise?
Autores(as): Gabriel Carvalho Bungenstab (UFG)

Resumo:

A educação brasileira vive um momento de reformas que se instala, principalmente, no ensino


médio. Este texto se apresenta com o intuito de contribuir para o debate acerca da juventude e
do ensino médio, tentando entender e analisar quais são os motivos que levam a possível crise
entre os estudantes e suas escolas. Estamos realmente vivenciando uma crise na relação da
juventude com o ensino médio ou não existe crise? Para tentar responder esta indagação foi
realizada uma pesquisa com a aplicação de um questionário para 297 estudantes de quatro
escolas de ensino médio público na cidade de Goiânia, capital de Goiás. O questionário foi
aplicado com duas turmas de segundo ano de cada escola estadual de ensino médio. As
escolas escolhidas foram (nomes fictícios): A1 (74 questionários), A2 (76 questionários), A3
(75 questionários) e A4 (76 questionários). A pergunta “Para você, o que é ser jovem?” foi
feita para 297 estudantes. A partir das respostas, foram criadas três categorias: os jovens
que acreditam que a juventude é uma fase para aproveitar a vida com liberdade (não sendo
velho); os jovens que veem a juventude como uma fase de amadurecimento/responsabilidade
(início da vida profissional); e aqueles que optaram por não responder a pergunta. No intuito
de categorizar os grupos, o primeiro deles foi chamado de “Juvenilistas”; o segundo grupo
de “Passageiros” e o terceiro de “Invisíveis”. Será que os jovens enxergam suas escolas como
espaços desinteressantes? Eles foram indagados se: “concordavam plenamente, concordavam,
indecisos, discordavam e discordavam plenamente”. Os jovens responderam da seguinte
maneira: 26.2% jovens concordam plenamente, 30.3% concordam, 23.5% estão indecisos, 12.7%
discordam e 7% discordam plenamente. Em relação a pergunta sobre possíveis mudanças em
suas escolas: dos 297 questionários aplicados, 74.7% das respostas disseram que as escolas
precisam passar por mudanças e 25.3% acreditam que suas escolas não precisam passar por
nenhuma mudança. Como ficaria a relação entre a ideia de juventude dos estudantes e suas
opiniões a respeito das mudanças na escola? Percebeu-se, nos três grupos juvenis, um maior
número de respostas favoráveis às mudanças nas suas escolas, totalizando 74.6%. Dessas,
14.1% correspondem aos jovens passageiros, 40% aos juvenilistas e 20.5% os invisíveis. Já
25.4% dos jovens não querem ver nenhuma mudança em suas escolas. Eles estão divididos
em 12.7% juvenilistas, 7.4% invisíveis e 5.3% dos passageiros. A partir dos resultados buscou-
se compreender que a crise existente entre o ensino médio e os jovens está também ligada à
ideia e a noção de juventude dos diferentes estudantes que estão na escola. Assim, defender
que a crise entre o ensino médio e a juventude é parcial, e está relacionada com as ideias sobre
o que é ser jovem, permitiu algumas reflexões, sobretudo na tentativa de romper com alguns
discursos: 1 - A massificação escolar ocorre no Brasil, contudo, a escola favorece um “perfil” de
jovem 2- A crise, quando existe, sempre é parcial e está relacionada às diferentes noções de
juventudes.

Palavras-chave: Juventudes; Ensino Médio; Crise.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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131
Os jovens brasileiros nas políticas educacionais para o ensino médio: projetos em disputa
Autores(as):: Valdirene Alves de Oliveira (UEG-Campus Inhumas)

Resumo:

O início do Século XXI registrou um incremento importante no número de matrículas no ensino


médio, tanto pela onda jovem, destacada pelo Censo de 2000, quanto pelo crescimento no
número de alunos concluintes no Ensino Fundamental, que a partir da década de 1980 elevou
a taxa de crianças na escola. O atendimento dessa demanda, ainda que ampliada, permaneceu
na média de 85% sob a responsabilidade das unidades federadas. Uma observação mais
atenta desse percurso evidencia que a temática “juventude” esteve mais presente na pauta
das ações das últimas gestões dos governos federais, do que em outros momentos da história
política do país. Inclusive nesse período foram estabelecidos marcos e ações importantes para
a juventude brasileira e para o ensino médio, tais como: a criação: do Estatuto da Juventude,
da Secretaria Nacional da Juventude, do Conselho Nacional da Juventude e do Programa
Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem); Programa Nacional de Integração da Educação
Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos (Proeja),
definição de Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (1998 e 2012), criação e
mudanças no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), criação do Programa Universidade
para Todos (Prouni), dentre outros. O presente trabalho se debruçou em apreender o ideário
pretendido para a escolarização dos jovens no ensino médio brasileiro no período de 2003
a 2014, mas também considerou alguns dos desdobramentos que ocorreram na educação
a partir da sanção da Lei de Diretrizes de Bases da Educação Nacional, lei nº 9.394/1996.
Mediante uma ampla revisão bibliográfica e documental foram correlacionadas as principais
políticas educacionais para o ensino médio, suas pretensões e alguns indicadores quantitativos
e qualitativos sobre o ensino médio brasileiro, especialmente no período apontado. O percurso
investigativo seguiu pressupostos metodológicos e alguns conceitos bourdieusianos e, nesse
prisma, foi possível compreender que houve por parte do Estado um delineamento de ações
que contemplaram de forma singular o segmento etário juvenil. Já a multiplicidade de vertentes
formativas pretendidas para as juventudes foram balizadas por algumas perspectivas distintas,
ora a prevalência das que priorizam a formação para o mundo do trabalho na definição de
suas agendas, sobretudo no governo FHC, e já no período de 2003 a 2014, num contexto de
disputas políticas ideológicas, há uma prevalência de proposições que buscaram imprimir uma
lógica mais includente, sobretudo, no que se refere aos que foram historicamente excluídos da
escola. Tal premissa denota um viés de formação integrada, que no arcabouço legal volumoso,
constituído por: Emendas Constitucionais, Leis, Decretos, Portarias e Resoluções reafirma a
disputa por projetos formativos para a escolarização dos jovens que estão no ensino médio.
Tal situação se explicita com a apresentação da Medida Provisória nº 746/2016, convertida na
Lei 13.415/2017.

Palavras-chave: Juventude; Política Educacional; Ensino Médio.

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132
Os jovens do ensino médio público e suas narrativas sobre a escola
Autores(as): Miriam Fábia Alves (UFG)

Resumo:

Os jovens não tem interesse no ensino médio? Não se interessam por essa etapa da educação
básica? A flexibilização do ensino médio é a resposta para reformar o ensino médio? Essas
questões aliadas à reforma do ensino médio em curso no Brasil me motivaram a propor tal
comunicação, pois estamos em meio a realização de uma reforma do ensino médio, proposta
pelo governo federal, por meio da Medida Provisória n. 746/2016, que foi aprovada utilizando
como uma argumentação central a “falta de interesse” dos jovens no ensino médio. Nesse
sentido, objetivo debater o tema Juventudes e Ensino Médio, com o recorte nas narrativas
dos jovens estudantes do ensino médio de escolas públicas. A temática será abordada a partir
dos dados levantados pela pesquisa “Juventude em Goiás: vivências em rodas de conversa
com jovens em escolas públicas das cidades mais violentas no Estado — possibilidades de
intervenção”, realizada entre os anos de 2013 a 2016, pelo grupo denominado Condição Juvenil
em Goiás. A pesquisa foi realizada com os jovens do 3o ano do ensino médio de quatro escolas
públicas das cidades de Goiânia, Aparecida de Goiânia, Luziânia e Rio Verde. A coleta de dados
resultou da adoção de dois procedimentos: aplicação de questionários e realização de rodas de
conversas que foram guiadas por músicas e vídeos, como forma de estimular o debate por meio
de um clima mais dinâmico, de modo que os jovens pudessem se expressar livremente sobre os
temas propostos e a interferência que estes exercem em suas vidas. Pretendo problematizar,
a partir do material coletado nas rodas de conversa, as narrativas que os jovens apresentam
sobre as mudanças no ensino médio. A pesquisa identificou que os jovens reiteram um discurso
de necessidade de mudanças na escola, mas não informam que haja falta de interesse pela
escola, ao contrário, compreendem a escola como um espaço privilegiado para melhoria de
sua condição de vida, e por isso mesmo, necessária para a continuidade dos estudos e dos
sonhos que alimentam de sair da condição de vida atual. Os jovens, mesmo reconhecendo os
limites da escola pública, valorizam o ensino médio e a escola, e reforçam sua importância nas
suas trajetórias de vida. Por fim a narrativa dos jovens indicam que a escola representa uma
dupla possibilidade: melhoria das condições de vida atuais e mobilidade social. No entanto,
outras pesquisas sobre o ensino médio têm indicado que o ensino médio é apenas uma das
exigências para a inserção no mercado de trabalho. dos dados coletados indicam que os jovens
atribuem um papel contraditório para a escola, pois se por um lado eles reconhecem seu papel
redentor, por outro, compreendem os limites da educação na resolução dos seus problemas
mais imediatos. Esse é um desafio a ser enfrentado e problematizado por todos os que estão
envolvidos com o ensino médio.

Palavras-chave: Juventudes; Ensino Médio; Escola Pública.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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133
Diálogos sobre educação e políticas públicas no campo dos direitos humanos: articulações
teóricas e experimentações
Coordenador(a): Nara Maria Forte Diogo Rocha (UFC)

Resumo Geral:

A presente mesa articula três contribuições pertinentes para o debate sobre a participação das
juventudes na construção das políticas públicas no campo dos direitos humanos. As reflexões
aqui apresentadas tratam de processos educativos que transbordam a escolarização formal,
assim como as trajetórias e histórias de vida dos jovens que habitam as escolas e as ruas.
Consideramos que a construção de políticas públicas que ultrapassem as gestões governamentais
precisam estar enraizadas nas preocupações e interesses daqueles a quem se destinam. Para
isso, levar em conta suas vivências como jovens e também como negros e negras, mulheres,
homens, transexuais, pessoas com deficiência, moradores da periferia de cidades interioranas,
estudantes, pobres. Ora vistos como vítimas, ora como algozes, sujeitos politizados ou apenas
reprodutores da cultura massificada do consumo, os (as) jovens transitam e constróem fluxos
dialógicos criativos e interativos que provocam educadores a problematizar os desafios de
nossa sociedade, desafios que marcam seus corpos, seus sonhos, sua realidade presente
e seu futuro. As contribuições aqui elencadas vão tensionar estas questões - dos múltiplos
pertencimentos, dos processos educativos na escola formal e na participação em movimentos
sociais e na construção de políticas públicas - pela via teórica e pela via da experimentação.
Na primeira delas, a autora, que é docente em um curso de Gestão de Políticas Públicas,
articula importantes contribuições no encontro interdisciplinar entre sociologia e educação
para fundamentar a importância do sujeito nos processos de participação. Sugere, portanto
uma reorientação da escola para o aluno como alguém constituído nas suas trajetórias de
vida e possibilidades contextualizadas histórica e socialmente. O segundo trabalho apresenta
a construção da Coordenadoria de Direitos Humanos da Prefeitura Municipal de Sobral em
suas interfaces com as Juventudes. Os jovens são considerados como sujeitos complexos que
compõem uma realidade atravessada pelas temáticas que organizam a coordenadoria: gênero,
deficiência, diversidade sexual e raça/etnia. O terceiro trabalho explicita como o trabalho no
curso de Psicologia articula os eixos da extensão e da docência para dar conta de uma formação
do psicólogo que se faça atravessar pela problematização das temáticas interseccionais que
dizem respeito aos jovens, sobretudo os jovens da periferia de um centro urbano do interior do
Ceará. Concluímos que os paradoxos com relação aos jovens se atualizam e se aprofundam nas
vivências de seus múltiplos pertencimentos, que complexificam suas realidades, exigindo dos
processos educativos que ocorrem dentro e fora das escolas e universidades abordagens mais
dialógicas, horizontais e provocadoras. Entendemos que os transitos entre rua, movimentos
sociais, universidade, gestão municipal e escola são marcados por lugares sociais hierarquizados
e que sua problematização é atravessada por processos educativos complexos, envolvendo
jovens, professores e profissionais em um contínuo aprendizado sobre possibilidades de
construção coletiva. As propostas alinhavam as reflexões derivadas destes percursos.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
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134
Jovens na articulação das discussões sobre gênero e diversidade sexual, raça/etnia e deficiências:
políticas públicas e direitos humanos em diálogo com a UFC/Campus Sobral
Autores(as):: Nara Maria Forte Diogo Rocha (UFC- Campus Sobral)

Resumo:

Este trabalho visa expor e discutir os resultados apontados pela linha de trabalho que vem
sendo atravessada pela reflexão sobre as juventudes no curso de Psicologia do campus
de Sobral da Universidade Federal do Ceará através da: 1) extensão universitária com o
projeto Diz Juventudes: trajetos e trajetórias de jovens do Norte do Ceará (DIZ); 2) docência
com as disciplinas de Psicologia Aplicada aos Portadores de Necessidades Especiais e
Psicologia do Desenvolvimento e Relações étnico-raciais. O DIZ, articulado ao Laboratório
de Pesquisas e Práticas em Psicologia e Educação (Lappsie), nasce das provocações sobre
a interiorização da construção do VII Simpósio da Juventude Brasileira (JUBRA). A partir da
fundamentação no conceito de interseccionalidade, advindo das epistemologias feministas,
o DIZ metodologicamente se orienta para a intervenção cartográfica e rizomática, testando
suas possibilidades em um campo que se reconfigura a cada imersão. Diversos movimentos
sociais articulando juventudes emergiram na zona periférica de Sobral-CE, movimentos estes
que tematizavam a vivência de jovens nestes contextos a partir do gênero e classe. Funcionar
sem um campo fixo, permitiu a orientação pelos fluxos dos jovens na cidade entremeados
com a participação na constituição de políticas públicas. Quanto à docência e pesquisa, as
trocas com espaços extra campus foi a estratégia metodológica para uma problematização
dos atravessamentos interseccionais, sobretudo no que diz respeito às juventudes. Como
resultados tivemos que a convivência com estes grupos teve como efeito na universidade e na
cidade o fortalecimento da luta pelos direitos humanos. Percebemos que para muitos jovens
da periferia a universidade não era um lugar possível e a convivência com as extensionistas e
pesquisadoras em formação já faz este espaço ser visibilizado como um direito. O projeto DIZ
deu origem a outras iniciativas que tornam mais porosas essas fronteiras. Destacamos aqui: 1)
o projeto Travessias tematiza dentro do curso de psicologia a questão das transexualidades,
e acompanha os jovens que lutam pela constituição de uma política de atendimento para a
população transexual, juntamente com a faculdade de medicina que está a frente com o projeto
Transversar. 2) o coletivo Kilomba, que surge da disciplina de Psicologia do Desenvolvimento
e Relações étnico-raciais, formado por estudantes de Psicologia que desejam problematizar
as questões relativas às mulheres negras. 3) a parceria do Lappsie com a Coordenadoria de
Direitos Humanos da Prefeitura de Sobral, na colaboração com o Fórum de Direitos Humanos
e 4) a constituição da Comissão Regional do JUBRA, articulando ONG’s, Prefeitura, Instituições
de ensino públicas e particulares do ensino superior no fomento ao estudo e pesquisa das
Juventudes Periféricas de Sobral.

Palavras-chave: Juventudes; Universidade; Educação.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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Juventude, políticas públicas e participação: discutindo possibilidades dialógicas a partir da
vivência na educação
Autores(as):: Verônica Salgueiro do Nascimento (UFC)

Resumo :

O presente trabalho discute teoricamente os fundamentos norteadores para os enlaces entre


educação e juventudes no tocante à participação na construção de políticas públicas. Nos dias
atuais, a categoria social da juventude assume importância fundamental para a possibilidade
de compreensão sobre as diversas características presentes nas sociedades modernas.
Lamentavelmente, vários estudiosos vão nos chamar a atenção sobre um importante ponto:
ainda prevalece uma representação negativa e preconceituosa em relação à juventude. Em
concordância com esse a ponto, questionamos a validade de uma educação, que em sua
essência deveria trazer a necessidade da vivência do aspecto relacional, mas que passa a se
estabelecer mediante a negatividade do sujeito, numa relação vertical e autoritária. Como
construir uma educação dialógica, se a condição de sujeito é negada ao educando? A ruptura
com uma antiga visão da juventude centrada na falta e na negatividade se faz urgente, para
que assim possamos voltar nossa atenção a esses sujeitos e trabalhar com as juventudes.
Metodologicamente construímos um diálogo a partir de autores centrais para este debate
interdisciplinar como Dayrell, na sociologia e Paulo Freire na Educação. Como resultados, a
categoria Sujeito emerge como ponto central para articular possibilidades. Acreditamos ser
necessário perceber o educando como sujeito sociocultural, o que implica compreendê-lo na
sua diferença, como indivíduo que possui uma historicidade, com visões de mundo, escalas de
valores, sentimentos, emoções, desejos, projetos com lógicas de comportamentos e hábitos
que lhe são próprios. Voltar a atenção ao educando significa direcionar nosso olhar para uma
importante dimensão do processo de ensino e aprendizagem que por muito tempo não foi foco
de nossa atenção, gerando um quase total desconhecimento por parte do educador de seu
educando. Essa postura negligente deve ser superada. O desafio é deslocar o eixo da escola para
o aluno. Em outras palavras significa uma maneira de instigar a prática da problematização
e do vivenciar criativo, pois ao produzir reflexões de forma coletiva, os educandos produzem
também entendimentos sobre si mesmos, como seres curiosos e potencialmente capazes
de falar e de escutar. Na relação dialógica, está inerente a dimensão da troca. Para que
isso aconteça, é necessário ter a consciência da incompletude do ser humano. Sendo assim,
homens e mulheres humildemente podem reconhecer suas limitações e potencialidades. A
prática do diálogo traz consigo a participação ativa, o envolvimento e a discussão. De tudo o
que foi relacionado até agora no presente trabalho, concluímos que não seremos capazes de
construir políticas públicas que fortaleçam a participação dos jovens como importantes atores
no cenário social e educacional sem cultivá-la no solo fértil da esperança e sem o compromisso
ético com a transformação social guiados por uma fé intensa naqueles que dela se ocupam.

Palavras-chave: Juventudes; Educação; Participação.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
136
Juventudes, Políticas Públicas e Direitos Humanos na Região Norte do Ceará
Autores(as):: Maria da Gloria dos Santos Ribeiro (Coordenadoria de Direitos Humanos de
Sobral/CE)

Resumo :

Compreendemos que o desenvolvimento de políticas públicas em defesa dos direitos humanos


e das juventudes carrega a pressuposição de que as pessoas têm demandas diferenciadas.
Falar em direitos humanos é falar em identidade e alteridade, afirmar a diversidade e torná-
la algo positivo e falar em juventudes é reconhecer uma parcela considerável da população
economicamente ativa e portadora de direitos e cidadania. Em Sobral-CE, a concepção da
Coordenadoria dos direitos humanos se deu a partir de um contexto político, organizacional
e social que propiciaram criação desse setor. Experienciando uma nova gestão municipal na
cidade foi possível construir de forma coletiva as propostas de governo e, nessa perspectiva,
a política de direitos humanos, proposta por parcela de moradores da cidade, foi inserida
na Secretaria dos direitos humanos, habitação e assistência social. Ressalta-se a demanda
social por defesa de direitos, considerando a expressiva exposição de violação de direitos
humanos ocorrida, principalmente, com a população jovem acolhida e acompanhada pelas
políticas setoriais do município. O objetivo geral deste trabalho é apresentar a experiência de
implementação da política municipal de direitos humanos e as interfaces com as juventudes.
Conforme classificação de faixa etária jovem estabelecida pelo Conselho Nacional de
Juventude, consideram-se jovens pessoas com idade entre 15 e 29 anos, o que representa
cerca de 16% da população geral do município e expressa a necessidade do desenvolvimento
de políticas de defesa e promoção dos direitos humanos dessa categoria. Partimos de uma
realidade social complexa, com inúmeras possibilidades de interações e intervenções, deste
modo, desenvolvemos um trabalho de natureza qualitativa, com a utilização do método
facilitar-pesquisando que consiste na facilitação de processos de conscientização por meio do
diálogo-problematizador visando o empoderamento dos sujeitos acerca do seu papel social e a
integração entre políticas públicas e sociedade civil organizada. No processo de implementação
da política municipal de direitos humanos, foram estruturados três principais eixos de atuação:
educação, promoção e defesa de direitos humanos, dando especial destaque para as políticas
públicas das pessoas com deficiência, da igualdade racial, da diversidade sexual e de geração
– infância, adolescência e idosos, garantindo espaços de participação desses segmentos e
desenvolvendo ações transversais aos demais órgãos da gestão municipal, sociedade civil
organizada e universidades, atentos à efetivação da intersetorialidade através da formação
e gestão de pontes ativas na comunidade. Dentro de uma sociedade cada vez mais plural,
se faz necessário respeitar as diferenças para que se concretize uma vivência mais pacífica,
e é através da construção coletiva de políticas públicas, que se efetivará o reconhecimento
da diferença e da ética nas relações entre as pessoas e a cidade com o comprometimento de
todos na defesa dos direitos das minorias.

Palavras-chave: Direitos Humanos; Juventudes; Políticas Públicas.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
137
Políticas públicas para a juventude: desafios e perspectivas na luta pela democratização dos
espaços educacionais e no acesso pleno a cidadania
Coordenador(a): Alberto Jose da Costa Tornaghi (PUC-RJ)

Resumo Geral:

A luta por melhores condições de vida para a juventude brasileira agregou na última década
inegáveis avanços no que diz respeito ao acesso à educação, programas de geração de
renda e perspectivas de futuro. Do ensino básico ao ensino superior verificamos uma série
de transformações que de uma forma ou de outra operou no combate às desigualdades
educacionais, propiciando melhor acesso a cidadania à população jovem. Tais conquistas só
foram possíveis mediante a um conjunto de políticas públicas que supriu diversas demandas por
parte da juventude permitindo, por exemplo, uma maior entrada nas Universidades Públicas
e uma maior inserção em programas de capacitação profissional. Nessa perspectiva, ações
como a política de cotas sociais / raciais, programas de financiamento universitário, “programa
universidade para todos” – PROUNI – e programas de assistência à juventude como o PROJEM
- foram primordiais para a consolidação desses avanços no âmbito nacional. É importante
também ressaltar que as referidas políticas públicas para juventude só foram possíveis muito
por conta das expressivas mobilizações da sociedade civil e movimentos sociais que pautaram,
em suas lutas, uma melhor qualidade de vida para a população mais jovem, sobretudo, aquela
que historicamente foi alijada dos processos de inclusão social, como a juventude pobre, negra,
trabalhadora, residente em espaços de favelas e periferias. A proposta de discussão para esta
mesa redonda se insere justamente no esforço de compreender as ações desses movimentos
sociais, verificando as suas potencialidades e o real alcance de suas ações na luta pelas políticas
para a juventude. Especificamente, no caso da cidade do Rio de Janeiro nos interessa debater
as ações dos movimentos sociais diretamente engajados na luta pela democratização dos
espaços educacionais e no acesso pleno a cidadania, por meio de propostas outras, que vão
de encontro às perspectivas tradicionais de educação, dentre elas, a educação popular. Soma-
se a isso a compreensão das trajetórias de jovens estudantes trabalhadores do ensino básico
e a luta dessa mesma juventude para ingressar nos espaços de educação pública do ensino
superior, majoritariamente ocupados por grupos privilegiados. A discussão proposta para esta
mesa redonda também se vincula aos eixos temáticos “Juventude e Movimentos Sociais”, na
medida em que se propõe a entender as trajetórias sociais desses jovens; as violências físicas
e simbólicas que sofrem cotidianamente; a precarização do trabalho a que são submetidos; e
as lutas que travam para superar os diversos obstáculos. Trataremos, por fim, sobre as diversas
formas de mobilização social dessa juventude em torno das políticas públicas, seja por melhores
condições de vida no trabalho, escola, universidade, seja na ampliação das perspectivas de
futuro. Buscaremos discutir, nesse sentido, as diferentes maneiras de engajamento dos jovens
por seus direitos a cidadania, tanto em movimentos coletivos com pautas bem definidas, quanto
em estratégias individuais postas em prática diariamente em espaços formais, informais e não-
formais de educação.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
138
“É nóis que tá, então é nóis que sabe!” Os sujeitos jovens da EJA e seu ensino mambembe:
relações entre escola, trabalho, direitos e cidadania
Autores(as):: Noelia Rodrigues Pereira Rego (PUC-RJ)

Resumo:

Um grande leque se abre quando tomamos para nós o desafio de estudar as juventudes.
Isso porque além de ser uma categoria relativamente nova, em plena “desmistificação” e
“desromantização”, é uma categoria caleidoscópica e, para tanto, com várias nuanças de
classe, cor, idade, gênero e localização geográfica. Em se tratando de juventudes populares,
estudantes da educação de jovens e adultos, a EJA, é ainda mais instigante e desafiador,
dadas suas histórias de vida e trajetórias mambembes. Assim que, durante dois anos nossa
pesquisa etnográfica acompanhou essas juventudes matriculadas no ensino noturno de uma
escola estadual localizada aos pés de um dos mais tradicionais morros da zona norte do
Rio de Janeiro. Diante dos muitos temas que surgiram ao longo das investigações, questões
sobre meritocracia, políticas públicas, qualidade da EJA, currículo, possibilidades de futuro e
mobilidades, direitos e cidadania, foram os assuntos que recortamos e tratamos de analisar
na pesquisa. Pensar numa educação para a cidadania, portanto popular e mais ancorada nas
diversas realidades presentes dentro e fora da sala de aula é entender, e não negar, as inúmeras
violências simbólicas (e mesmo físicas) a que enormes contingentes populacionais juvenis são
submetidos cotidianamente. Promover mudanças em torno do caráter político da educação
significa também atentarmos para as condições materiais das classes trabalhadoras, desse
jovem trabalhador, identificando essas condições na exploração que sofrem diuturnamente,
na falta de acessos e recursos, nas exclusões e discriminações constantes, dentre tantas
outras perversas variáveis que se somam nessa caminhada. É no terreno das incertezas que
essas juventudes irão se aventurar em suas trajetórias de múltiplas e alinhavadas realidades
construídas diariamente na busca constante por sobrevivência. É por meio de seus modos de se
fazer existir que muita das vezes essas juventudes se territorializam e afirmam suas identidades,
contracultura e resistência, por meio de suas culturas próprias e processos de elaboração de
realidades e saberes. Movimentos que trarão o protagonismo e, sobretudo, o entender-se
enquanto sujeito de sua própria história, procurando reivindicar direitos e fomentar políticas
públicas a partir de suas demandas e anseios. Por fim, para gestar um novo processo político-
pedagógico, bem como políticas públicas de juventudes reside emergencial a questão da
troca de uma educação para cidadania a uma educação por cidadania, com o objetivo de
trocar saberes e descolonizar pensamentos e práticas, preparando sim para o futuro, mas sem
visões românticas de um passado de concepções veladas, naturalizadas e esvaziadas. E nesse
processo a educação popular tem muito a somar tanto em espaços formais como em espaços
informais e não-formais de educação.

Palavras-chave: Juventudes; EJA; Educação Popular.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
139
A luta pela democratização do ensino público superior: o caso estudantes do pré-vestibular
comunitário do centro de estudos e ações solidárias da Maré Rio de Janeiro
Autores(as): Humberto Salustriano da Silva ( Prefeitura Municipal de Quissamã)

Resumo:

É inegável que os primeiros quinze anos do século atual tenha registrado uma série de avanços
no que se refere às políticas públicas de combate à desigualdade educacional no Brasil. As
políticas de cotas raciais e sociais, por exemplo, são exemplos significativos desse período de
mudanças, e a crescente diversificação social em muitos cursos de graduação das universidades
públicas tem sido a prova mais evidente de todo esse processo. Entretanto, ainda não é possível
constatar que alcançamos um grau desejável de democratização dos espaços educacionais
no país, visto o elevado número de jovens pobres e negros que ainda são alijados do direito
pleno à educação. A educação pública do ensino básico ainda é extremamente precarizado; os
jovens estudantes de menor poder aquisitivo são obrigados a ingressar cedo num mercado de
trabalho do subemprego, e os próprios obstáculos de políticas públicas ineficientes impedem
que a juventude concretize sonhos e perspectivas de futuro. Diante desse quadro, diversos
movimentos sociais no campo da educação tem tido um expressivo protagonismo no combate às
desigualdades e na luta pela democratização de espaços públicos historicamente privilegiados.
Especificamente, os pré-vestibulares comunitários tem exercido um papel importante nesse
campo de luta. Tem contribuído para o ingresso de jovens pobres nas universidades públicas
e, na prática, tem gestado em suas salas de aula, um modelo de educação crítica baseado na
desconstrução do eurocentrismo, amplamente amparado nos pressupostos da autonomia do
pensamento. Interessa-nos discutir neste trabalho a experiência particular de estudantes de
um desses pré-vestibulares comunitários, localizados no maior conjunto de favelas do Rio de
janeiro, e que já atua no espaço local há quase 20 anos no campo da educação. Trata-se do
Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (CEASM), organização não governamental fundada
e organizada por moradores locais e que já contribuiu para o ingresso de centenas de jovens
das favelas da região, nas mais diversas universidades públicas da cidade. As trajetórias desses
jovens estudantes do CPV-Maré são marcadas por uma série de lacunas educacionais, e por
diversos obstáculos cotidianos que interferiram diretamente em suas biografias. Diante desse
cenário, pretendemos compreender e debater sobre as diversas estratégias estabelecidas por
essa juventude para superar os desafios que lhes são impostos diariamente. Nessa perspectiva,
pretendemos ainda entender as diversas formas de criminalização dos estudantes do CPV-
Maré; a segregação urbana que configura as experiências de cada um deles e as estratégias de
resistências que são construídas ao longo do curso popular. Além disso, também nos interessa
verificar nesse processo, as contradições pedagógicas ao longo do ano letivo no pré-vestibular
comunitário, observando os embates de visões de mundo entre as bagagens de uma educação
tradicional e as propostas de educação popular apresentadas aos estudantes.

Palavras-chave: Educação; Juventudes; Movimentos Sociais.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
140
Uma escola de arte e tecnologia para o povo
Autores(as): Alberto Jose da Costa Tornaghi (PUC-RJ)

Resumo:

Que escola é essa? Vamos apresentar uma escola de arte e tecnologia que funcionou no Rio de Janeiro
no período de 2009 a 2016. Sua criação foi proposta por um instituto de responsabilidade social
ligado a empresa de telefonia. O instituto criou e apoiou quatro escolas co-irmãs que tinham, cada
uma delas, uma ONG como parceira responsável. Estas atuavam em áreas ligadas ao fortalecimento
da cidadania por meio da comunicação e da educação popular. O objetivo manifesto do instituto é
“utilizar a educação e a cultura como meios para solucionar questões sociais em nosso país”.
As escolas funcionavam em 4 cidades diferentes, todas pólos importantes de disseminação de cultura
e serviços em suas regiões. Essas escolas eram regidas pelo mesmos princípios fundamentais, mas
tinham conformações e projetos de ação definidos localmente. Em todas elas o público-alvo eram
jovens com renda familiar na linha da pobreza ou abaixo dela. Vamos falar aqui da escola que funcionou
no Rio de Janeiro. Os alunos da escola: buscamos constituir uma escola cuja atuação impactasse
em um universo significativamente maior do que a vida pessoal dos alunos que a frequentassem. A
perspectiva era que o trabalho lá desenvolvido impactasse, também, os espaços por onde viviam e
circulavam. Os alunos da escola foram selecionados, por edital público divulgado diretamente em
rádios comunitárias e associações de moradores, seguindo os seguintes critérios: idade entre 15 e
21 anos; morador em comunidade de baixa renda com atuação em grupos comunitários (de grupos
de teatro a igrejas e associações de moradores); renda familiar “per capita” abaixo de um salário
mínimo; cursando ou tendo cursado o ensino médio em escola pública ou comunitária; interesse por
arte e/ou comunicação e tecnologia; conhecimentos básicos de uso de tecnologias digitais. Parte do
processo de seleção era uma oficina da qual participavam um número de candidatos que era quatro
vezes o número de vagas. Isso permitia a candidatos e professores tomar a decisão pelo ingresso ou
não na escola apoiado em vivência real. Áreas foco do trabalho: a escola, originalmente, oferecia
formação em cinco áreas profissionais: Fotografia, Web-design, Animação, Design gráfico e Vídeo.
A partir de 2011, por questões orçamentárias, deixamos de oferecer o curso de webdesign e este
tema passou a fazer parte, como tema transversal, da formação de todos os alunos. A partir de 2012
inserimos no currículo oficina que chamamos de arte digital na qual ampliamos e aprofundamos o
estudo e a produções que envolvem aspectos de automação, projeção mapeada e afins. Além de
aulas dedicadas à aprendizagem dos temas centrais de cada área, havia ainda oficinas nas seguintes
áreas: oficina da palavra, história da arte e da tecnologia, design sonoro e desenvolvimento pessoal
e social - DPS. Resultados: O acompanhamento da vida profissional dos egressos revelou que mais
de 50% deles, em cada turma, dois anos depois de formados, estavam trabalhando na área e com
remuneração muito superior às expectativas que se apresentavam quando do ingresso na escola.
Muitos egressos montaram espaços de atuação em suas comunidades.

Palavras-chave: Escola; Arte ; Tecnologia; Comunidades.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
141
EIXO 12: Juventudes, CONSUMO E NOVAS MÍDIAS

Juventude, mídia e subjetivação: estratégias de vigilância e de resistência


Coordenador(a): Monalisa Pontes Xavier (UFPI)

Resumo Geral:

De diferentes modos tem se dado o governo da subjetividade ao longo do tempo e tais


estratégias de governabilidade se configuram em acordo com características sociais, políticas,
econômicas e de funcionalidade das variadas configurações societárias em distintos momentos
históricos. O período moderno produziu múltiplas e heterogêneas modalidades de interação
que de diferentes formas puseram em jogo narrativas e sentidos em torno do público e do
privado e isso reverberou diretamente sobre a configuração topológica da subjetividade em
tal período. Na contemporaneidade, a subjetividade encontra nos dispositivos de vigilância
um lugar de constituição, onde se exterioriza, performática e desejante do olhar público e de
reconhecimento. No espaço do visível se produz a “experiência de si” (Larrosa, 1994), ou seja,
as subjetividades contemporâneas são atravessadas pelos atuais dispositivos de visibilidade
que configuram o que Bruno (2013) nomeia como “estética da vigilância”. Esta reconfiguração
tópica da subjetividade contemporânea traz implicações como a redefinição dos espaços
e modos de interação, que se deslocam para dispositivos de vigilância, que se transmutam
eles próprios em emergentes modalidades interativas; e ainda a desterritorialização da
subjetividade, quando o protótipo moderno de subjetividade interiorizada, territorializada, se
desloca deambulante pelos múltiplos espaços de visibilidade nos quais estão constantemente
em passagem. Diante do que expusemos, emerge a seguinte problematização: como se opera
o governo da subjetividade de jovens no contexto de uma estética da vigilância? A partir
dessa interrogação trazemos uma discussão em torno da normatização de narrativas sobre
juventudes como forma de governo dos jovens, numa ação biopolítica de bem gestar essa
fase da vida. Para isso, partimos de autores como Foucault, Deleuze, Guattari, Larrosa, Sibília e
Bruno para embasar as discussões levantadas no encontro cartográfico com uma pluralidade
de enunciações sobre jovens/juventude. Essas enunciações são buscadas em dispositivos de
vigilância/visibilidade, em especial aqueles que circulam na internet e que são representativos
de discursos peritos e institucionais, peritos e não institucionalizados e discursos não-peritos.
Com isso, ambicionamos alcançar uma multiplicidade de enunciações sobre juventude, a fim
de compreender os modos de subjetivação ofertados aos jovens e como tais ofertas operam
um governo da juventude. As enunciações em torno da juventude – sejam elas discursivas ou
não discursivas – parecem funcionar como significativos vetores de subjetivação, ofertando aos
jovens modos de ser previamente construídos como produtos pret-à-porter, prontos para serem
consumidos irrestrita e irrefletidamente, num viés de assujeitamento frente às possibilidades
múltiplas de existir. Coexistem com essas enunciações massivas vozes que fazem circular
enunciados outros, contra hegemônicos, que buscam subverter narrativas normativas e em
larga escala, funcionando como estratégias de resistência frente às formas de vigilância e
governo do jovem/da juventude.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
142
Estética da vigilância e novos contextos de governo da juventude no contemporâneo
Autores(as):: Monalisa Pontes Xavier (UFPI)

Resumo:

De diferentes modos tem se dado o governo da subjetividade ao longo do tempo e tais


estratégias de governabilidade se configuram em acordo com características sociais, políticas,
econômicas e de funcionalidade das variadas configurações societárias em distintos momentos
históricos. O período moderno produziu múltiplas e heterogêneas modalidades de interação
que de diferentes formas puseram em jogo narrativas e sentidos em torno do público e do
privado e isso reverberou diretamente sobre a configuração topológica da subjetividade em
tal período. Na contemporaneidade, a subjetividade encontra nos dispositivos de vigilância
um lugar de constituição, onde se exterioriza, performática e desejante do olhar público e de
reconhecimento. No espaço do visível se produz a “experiência de si” (Larrosa, 1994), ou seja,
as subjetividades contemporâneas são atravessadas pelos atuais dispositivos de visibilidade
que configuram o que Bruno (2013) nomeia como “estética da vigilância”. Esta reconfiguração
tópica da subjetividade contemporânea traz implicações como a redefinição dos espaços
e modos de interação, que se deslocam para dispositivos de vigilância, que se transmutam
eles próprios em emergentes modalidades interativas; e ainda a desterritorialização da
subjetividade, quando o protótipo moderno de subjetividade interiorizada, territorializada, se
desloca deambulante pelos múltiplos espaços de visibilidade nos quais estão constantemente
em passagem. Diante do que expusemos, emerge a seguinte problematização: como se opera
o governo da subjetividade de jovens no contexto de uma estética da vigilância? A partir
dessa interrogação trazemos uma discussão em torno da normatização de narrativas sobre
juventudes como forma de governo dos jovens, numa ação biopolítica de bem gestar essa
fase da vida. Para isso, partimos de autores como Foucault, Deleuze, Guattari, Larrosa, Sibília e
Bruno para embasar as discussões levantadas no encontro cartográfico com uma pluralidade
de enunciações sobre jovens/juventude. Essas enunciações são buscadas em dispositivos de
vigilância/visibilidade, em especial aqueles que circulam na internet e que são representativos
de discursos peritos e institucionais, peritos e não institucionalizados e discursos não-peritos.
Com isso, ambicionamos alcançar uma multiplicidade de enunciações sobre juventude, a fim
de compreender os modos de subjetivação ofertados aos jovens e como tais ofertas operam
um governo da juventude. As enunciações em torno da juventude – sejam elas discursivas ou
não discursivas – parecem funcionar como significativos vetores de subjetivação, ofertando aos
jovens modos de ser previamente construídos como produtos pret-à-porter, prontos para serem
consumidos irrestrita e irrefletidamente, num viés de assujeitamento frente às possibilidades
múltiplas de existir. Coexistem com essas enunciações massivas vozes que fazem circular
enunciados outros, contra hegemônicos, que buscam subverter narrativas normativas e em
larga escala, funcionando como estratégias de resistência frente às formas de vigilância e
governo do jovem/da juventude.

Palavras-chave: Estética da Vigilância; Juventude; Subjetividade.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
143
Usos e Apropriações da Internet por parte dos Jovens na rede: Estudo de caso Mídia NINJA
Autores(as):: Moema Mesquita da Silva Braga (UNI7)

Resumo:

Entre os anos de 2009 e 2011 foi realizada uma pesquisa de mestrado com o objetivo de
identificar os usos e apropriações da internet por parte dos jovens dos setores populares de
Fortaleza. Para dar conta dos objetivos desta pesquisa, foi necessário olhar com cuidado para
o contexto em que estes jovens estavam inseridos, ou seja, o bairro em que viviam e os lugares
coletivos que acessavam à internet na época – Casa Brasil ( programa de Inclusão) e a LAN
house. Esses contextos foram identificados como importantes mediadores para compreender
a relação entre usuário – jovens – e meio de comunicação. Durante esta pesquisa, pôde-se
perceber o quanto o discurso dos jovens sobre si estava em consonância com os discursos
construídos pelos programas governamentais que fomentavam o acesso à internet, sempre
vinculando o uso da rede a maiores possibilidades de oportunidades e empregabilidade. Com
o passar dos anos, a forma de acessar a internet por parte dos jovens da periferia mudou,
atualmente 47% dos brasileiros possuem smartphones com acesso à internet e o crescimento
maior se deu entre as camadas populares. Os usos dos dispositivos móveis permitem maior
possibilidade de produção de conteúdo na rede. No entanto, mesmo com muitas possibilidades,
os jovens ainda buscam sites e páginas de referência tanto para acessar informações, quanto
para servirem de suportes midiáticos para replicarem seus conteúdos. Assim, surgem na rede
diversas páginas, grupos e coletivos organizados e alimentados por jovens. Uma página de
muita evidencia atualmente é a Mídia NINJA (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação),
uma página que nasceu no ano de 2013, e que produz notícias de forma colaborativa, tendo
como produtores muitos jovens de vários lugares diferentes. É uma página alimentada
essencialmente por jovens, que de forma independente produzem conteúdos de cunho
político buscando romper com antigos modelos comunicacionais do tipo de um para muitos.
Nesta pesquisa busca-se compreender o funcionamento do coletivo Mídia NINJA, assim como
traçar os discursos construídos pelo coletivo e colocados em circulação na página do grupo.
A análise será realizada a sob a luz de autores como Recuero e Primo, que refletem sobre
as novas formas de comunicação em rede, assim como por Sibilia e Deluze, para discutir os
agenciamentos e a construção de subjetividades por parte dos jovens produtores de conteúdo.
Por meio do método de Netnografia são analisadas as postagens de maior engajamento no
intuito de discutir o papel da juventude na produção de conteúdos colaborativos e quais os
discursos são construídos em torno da mesma. Esse espaço de produção de narrativas de
jovens, por jovens e sobre jovens é concebido como lugar de resistência, frente aos discursos
hegemônicos em ampla circulação.

Palavras-chave: Juventude; Usos; Apropriações; Mídia NINJA.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
144
Vigilância e Resistência na relação Juventude, Dispositivos Midiáticos e Território Escolar
Autores(as): Luciana Lobo Miranda (UFC) e Mauro Michel El Khouri (UFC)

Resumo:

A vigilância é há séculos um dispositivo fundamental no controle das condutas. Na Modernidade,


tornou-se um instrumento de visibilidade com efeitos de poder que permite identificar, classificar
e adequar o indivíduo no contexto da sociedade disciplinar. Na sociedade de controle o mesmo
mecanismo ganha novos contornos. Potencializadas pela inserção da cultura digital, surgem
outras formas do dispositivo de vigilância, que se molda e se legitima a partir de múltiplos
aspectos que envolvem vetores de visibilidade e monitoramento. Mídias e novas tecnologias
atuam como instrumento para o exercício de poder intensificando as formas de controle
entre estudantes e educadores numa relação mútua e complexa. Em ambos os contextos,
na sociedade disciplinar e de controle, a escola tem participação ativa, seja como produto
seja como produtora das práticas de vigilância. Na contemporaneidade, essas práticas estão
presentes na relação entre alunos, professores e gestores, de tal modo que vêm modificando o
cenário institucional que envolve, entre outros aspectos da rotina escolar, ensino, planejamento
pedagógico-curricular, apropriação do espaço, lazer e sociabilidade. Diante do exposto, surge
o seguinte problema de estudo: de que forma os dispositivos midiáticos estão modelando as
formas de controle e resistência em ambiente escolar? O objetivo deste trabalho é discutir
as estratégias de vigilância e controle, bem como as formas de resistência produzidas em
ambiente escolar com base no uso de dispositivos midiáticos. Parte-se de Michel Foucault e
Gilles Deleuze para pensar, através do conceito de dispositivo, aproximações e distanciamentos
entre sociedade disciplinar e sociedade de controle, bem como da análise de Fernanda Bruno
para problematizar, nessa articulação, as práticas de vigilância e controle mediadas pelas
novas tecnologias. O estudo discute os resultados relacionados a duas pesquisas-intervenção:
1) Juventudes e Mídia – um estudo sobre consumo, apropriação e produção de mídia por jovens
estudantes de Escolas Públicas de Fortaleza e 2) Pesquisando com Professores: A relação mídia
e cotidiano escolar. A primeira propôs uma oficina de vídeo com jovens estudantes de Ensino
Médio de duas escolas públicas do Ceará, e buscou discutir a relação juventude e mídia na
escola. A outra deu sequência aos trabalhos, propondo novamente uma oficina de produção
de vídeo, agora através de um curso de extensão para professores e gestores da Instituição.
Como resultados do estudo, o celular surge como objeto e como instrumento de controle na
relação educador-aluno. A maioria dos educadores se mostrou incomodada com a utilização
dos equipamentos, principalmente em sala de aula. Com isso, utiliza-se de estratégias de
vigilância e controle para restringir o uso do equipamento. De outra forma, o portátil digital
serve de meio através do qual estudantes e educadores promovem práticas de vigilância e de
resistência. Os dados produzidos apontam como as novas tecnologias atravessam as fronteiras
da instituição, rompem hierarquias e estabelecem certa horizontalidade na comunicação,
evidenciando o caráter difuso das relações de força entre estudantes e educadores.

Palavras-chave: Vigilância; Resistência; Juventude; Território Escolar.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
145
Juventude e cultura digital: novos sujeitos, seus afetos e seus laços
Coordenador(a): Vanina Costa Dias (UEMG)

Resumo Geral:

A temática desta mesa tem como objetivo aprofundar o debate sobre a inserção definitiva
da cultura digital na sociedade contemporânea. No tocante às mudanças percebidas na
subjetividade, a juventude certamente constitui o terreno mais fértil para esta assimilação,
o que implica a necessidade de se refletir sobre este processo, particularmente em relação
ao adolescente. Esta constatação justifica-se, de modo especial, por alguns atributos
característicos deste período da vida: uma busca apaixonada por uma identidade que permita
ao adolescente ser reconhecido pelo outro; sua urgência em extrapolar a esfera familiar, com
consequente adesão ao convívio em grupos; uma notável permeabilidade e intensa admiração
pelo novo. Todos esses elementos, somados à curiosidade – que o tornam ávido por novas
descobertas –, põem o jovem na esquadra de frente da navegação na internet. Diante desses e
de diversos outros questionamentos, muitas pesquisas têm sido desenvolvidas com o objetivo
de aprofundar essa discussão. Nessa mesa serão apresentadas pesquisas que tiveram como
referência a inclusão da cultura digital na relação dos adolescentes nas redes sociais, seus
modos de socialização, seus relacionamentos afetivos e sua relação com o saber. Assim, a Profª
Drª Márcia Stengel, do Programa de Pós-graduação de Psicologia da PUC Minas, apresentará
sua pesquisa que teve como objetivo analisar como se estabelecem as relações amorosas dos
adolescentes com o advento da internet. Também pretende investigar se a internet introduz
novas formas de relacionamento afetivo entre adolescentes; compreender os motivos que os
levam a buscarem parceiros amorosos na internet; e, analisar se a internet introduz uma nova
forma de amar ou reproduz as já existentes. A Profª Drª Nádia Laguárdia de Lima e o doutorando
Márcio Rimet Nobre, do Programa de Pós-graduação de Psicologia da UFMG, debaterão sobre
sua pesquisa que investiga as relações dos sujeitos com o saber no contexto das tecnologias
digitais. Esta proposta surge a partir de questionamentos como a forma que a virtualidade dos
meios técnicos interfere nas relações do sujeito com o saber; como se dá a transmissão do saber
na cultura virtual; o modo como as tecnologias digitais interferem na relação professor-aluno e
o lugar da escola hoje. E, finalmente, a Profª Drª Vanina Costa Dias, da Faculdade de Educação
da UEMG, apresentará a pesquisa na qual, a partir da categoria de gênero proposta por Scott
(1990), conceito que revela os sentidos socialmente construídos para as diferenças entre os
sexos, analisou qualitativamente os dados quantitativos produzidos e disponibilizados pelo TIC
Kids Online Brasil (2012 a 2015), questionando se as diferenças convertidas em desigualdades
produzem relações assimétricas de poder, reservando às meninas posição de subalternidade e
aos meninos de dominação também nas relações estabelecidas no espaço virtual.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
146
Adolescentes na rede: inovações e reproduções das relações de gênero
Autores(as):: Vanina Costa Dias (UEMG)

Resumo:

A cultura digital ou a cibercultura é uma complexa realidade que inclui todos os artefatos,
produtos, comportamentos individuais ou coletivos, conceitos e ideologias que surgiram
diretamente da implementação dessas novas tecnologias (Tápias, 2003). Está claro para
todos que a participação em comunidades virtuais é comum entre adolescentes de todo
mundo e principalmente entre os brasileiros. Além de possibilitar a comunicação entre eles,
o ciberespaço cria uma teia de relações que permite o compartilhamento de emoções e
experiências de aprendizagens. Esses dispositivos possibilitam aos adolescentes articularem-
se, desenvolver reflexões, que geram mudanças de percepção sobre cotidiano e as relações de
gênero. Assim, as redes sociais configuram-se como um importante elemento na constituição
da subjetividade desses adolescentes. A partir da categoria de gênero proposta por Scott
(1990), conceito esse que revela os sentidos socialmente construídos para as diferenças
entre os sexos, pretende-se analisar qualitativamente os dados quantitativos produzidos e
disponibilizados pelo TIC Kids Online Brasil (2012 2013 e 2014). Tais diferenças convertidas
em desigualdades produzem relações assimétricas de poder reservando às mulheres posição
de subalternidade e aos homens de dominação. Embora as redes sociais sejam espaços de
inovações, também reproduzem as estereotipias tradicionais de gênero. Em relação aos usos,
percebe-se que as meninas conectam-se com mais frequência para compartilhar experiências
afetivas, fotos de festas ou viagens com as amigas virtuais. Quanto aos meninos, o uso mais
frequente é o de acessar jogos e filmes com conteúdo de lutas e disputas. Diante dessas
diferenças já confirmadas, é possível questionar em que sentido meninas e meninos estarão
mais sujeitos aos riscos possibilitados pela internet em seus modos de acesso, e ainda de que
forma constituiriam um saber para lidar com os perigos possibilitados pela virtualidade. Indo
em outra direção, e pensando a relação de gênero no sentido da diversidade, carregando a
valorização das diferenças e das identidades em seu sentido mais amplo (raça, classe, opção
sexual, grupos etc.) é possível refletir sobre essa diversidade e desconstruir significados que
foram socialmente construídos para dar visibilidade às diferenças que também aparecem na
virtualidade? Para responder essas questões, além da análise dos dados trazidos pela pesquisa
TIC Kids, foram desenvolvidas entrevistas/ rodas de conversa com adolescentes usuários de
internet que foram convidados a partir de contato em escolas publicas e particulares, e a para
realizar uma leitura desse material, foi utilizado o referencial teórico da Psicologia Social em
diálogo com autores da teoria de gênero e das ciências sociais que analisam a cultura digital.

Palavras-chave: Adolescência; Relações de Gênero; Virtualidade.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
147
As relações amorosas: adolescentes e a virtualidade
Autores(as):: Márcia Stengel (PUC-Minas)

Resumo:

A pesquisa teve como objetivo analisar como se estabelecem as relações amorosas dos
adolescentes com o advento da internet. Também investigou se a internet introduz novas
formas de relacionamento afetivo entre adolescentes; compreender os motivos que os levam
a buscarem parceiros amorosos na internet; e, analisar se a internet introduz uma nova forma
de amar ou reproduz as já existentes. A adolescência pode ser definida como um tempo
(psíquico e sociocultural da puberdade) e um trabalho (essencialmente psíquico de integração
dos novos dados da puberdade na história do sujeito), em que o indivíduo vive suas primeiras
experiências afetivo-sexuais, que participam na organização de sua vida e construção subjetiva.
Atualmente, a liquefação dos laços sociais determina fluidez e superficialidade que afeta os
relacionamentos humanos, desvalorizando os sentimentos e incentivando a experimentação
sexual livre e descompromissada. Os adolescentes estão nesta lógica e usam a internet como
base de experimentação de suas identidades, vivenciando novas formas de sociabilidade,
incluindo a busca por relacionamentos afetivos. A presença da virtualidade introduz uma
nova forma de presença, que tem efeitos sobre a subjetividade. A complexidade das relações
entre o virtual e o presencial nos levou a interrogar a natureza dos relacionamentos que se
constituem na realidade virtual, suas motivações, especificidades e efeitos sobre os sujeitos.
Essa pesquisa se pautou pela metodologia qualitativa, em que foram realizadas 10 entrevistas
semiestruturadas presenciais com jovens de ambos os sexos de 18 anos de uma universidade
particular de Belo Horizonte, abrangendo cursos de distintas áreas e turnos para que houvesse
maior diversidade de sujeitos. A análise dos dados foi realizada a partir da análise de conteúdo
e da análise de discurso. As redes sociais são percebidas pelos adolescentes como um meio
para aproximar as pessoas. No que tange os relacionamentos amorosos, eles afirmaram que
elas auxiliam nas relações na medida em que possibilitam as conversas, trocas de mensagens e
fotos. Por outro lado, ela dificulta na medida em que as pessoas podem enganar e ser enganadas.
Não houve um consenso entre os entrevistados quanto à traição, à exceção da percepção de
que a internet a facilita a traição, pois traz um número maior de possibilidades de conhecer e
encontrar pessoas. No que diz respeito às relações amorosas, os entrevistados, em sua maioria,
estabeleceram uma fronteira entre os mundos público e privado. Eles afirmam que não se deve
postar coisas íntimas na internet para que não haja muita exposição e porque acreditam que
aquilo que é da intimidade não é para ser compartilhado com qualquer pessoa. Percebemos
que valores às vezes divergentes, como a lógica do amor romântico e do amor líquido, se
fazem presentes no cotidiano dos adolescentes. Concluindo, a internet é uma ferramenta
amplamente usada pelos adolescentes, que varia o tipo de uso e a quantidade entre eles, mas
não é descartada por nenhum como algo primordial em suas vidas, especialmente para suas
relações sociais, incluindo aí os relacionamentos amorosos.

Palavras-chave: Adolescência; Relações Amorosas; Virtualidade.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
148
Saber e transmissão na cultura digital
Autores(as): Márcio Rimet Nobre (UFMG) e Nádia Laguárdia de Lima (UFMG)

Resumo:

A cultura digital é uma complexa realidade que surgiu da implementação de novas tecnologias
de informação e comunicação. A revolução tecnológica no campo da comunicação transforma
todo dado em informação e a informação generalizada é a nova forma de saber absoluto.
O objetivo central desta pesquisa é investigar as relações de adolescentes com o saber no
contexto das tecnologias digitais. A proposta surge de diversos questionamentos que se
impuseram a partir da constatação dos efeitos das tecnologias da informação e comunicação
no universo escolar. Na investigação que daí se originou, vem sendo utilizada como principal
recurso metodológico a conversação em grupos, em que os adolescentes, alunos de escolas
públicas de Belo Horizonte são convidados a falar livremente sobre sua relação com a
internet e também com o contexto escolar. Na leitura desse material, o referencial teórico da
psicanálise é utilizado em diálogo com autores da comunicação, da educação, da antropologia
e das ciências sociais que analisam a cultura digital. Este tema é extremamente relevante
em função da sua atualidade e da escassez de pesquisas publicadas sobre o tema. Vivemos
na cultura digital, entretanto, o espaço escolar tem funcionado completamente à parte da
sociedade informacional, mesmo quando utiliza alguns aparelhos tecnológicos em sala de aula.
A crise da instituição escolar foi agravada com o desenvolvimento tecnológico, que reforçou
o declínio da autoridade do educador e o desinteresse dos jovens pelo saber acadêmico. Os
campos pedagógico e virtual se mostram incomunicáveis e os professores se sentem cada vez
mais ameaçados pela forte sedução que a virtualidade exerce sobre os jovens. O desinteresse
pelas atividades acadêmicas contrasta com o vivo interesse dos jovens pela invasão imagética
ou pela leitura e escrita no universo virtual (Lima, 2014). Mas, se a escola é hoje desvalorizada
como instituição social de transmissão do saber, ela continua exercendo importante função de
socialização para os jovens. Como aliar a função de socialização com a transmissão pedagógica
no espaço escolar? Como recuperar a função educativa da escola? É possível recuperar o desejo
de transmitir do professor, que se encontra tão desencantado pela prática educativa? Educar
no contexto da virtualidade requer, fundamentalmente, considerar as possibilidades e formas
atuais de pensamento dos alunos, com a tecnologia que eles manejam (Bloj, 2011). O capital
cultural não pode ser diluído pela mídia ou monopolizado pelo mercado. O saber é patrimônio
de todos. Em épocas de globalização os conhecimentos não podem ser expropriados, mas
devem, mais do que nunca, ser apropriados para serem compartilhados. O direito à educação
pode ser ampliado com as tecnologias digitais. Considerando que a dimensão da virtualidade,
introduzida pelas tecnologias digitais, acrescenta grande complexidade aos processos de
ensino-aprendizagem ao modificar radicalmente as formas tradicionais de aquisição de
conhecimento, o projeto busca investigar a relação dos adolescentes com o saber na cultura
digital, propiciando que os próprios adolescentes possam refletir sobre este uso.

Palavras-chave: Adolescência; Transmissão; Saber; Informação.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
149
Crianças e jovens youtubers: desafios da participação na sociedade do consumo
Coordenador(a): Inês Silvia Vitorino Sampaio (UFC)

Resumo Geral:

Nas últimas décadas, acompanhamos um processo de ampliação e intensificação do contato


de crianças, adolescentes e jovens com a comunicação midiática, que intensificou e ampliou
as possibilidades de produção, armazenamento e difusão de informação e, assim, conectar
cada vez mais as pessoas e constituir redes. Não se trata, contudo, de uma simples questão de
ampliação do leque de ofertas midiáticas. É importante reconhecer que para além das mudanças
particulares trazidas pelos dispositivos comunicacionais, seu maior significado está no processo
de convergência midiática que inauguram (JENKINS, 2008), permitindo a confluência de
tecnologias, conteúdos, linguagens etc. No contexto nacional, a pesquisa TIC Kids Online Brasil
(CGI, 2015), confirma o avanço no uso de dispositivos como notebooks, tablets e celulares por
crianças e adolescentes. Trata-se, na verdade, de uma tendência de caráter global. O contato
cotidiano com as mídias móveis, como sinalizado nos estudos do Net Children Go Mobile, é
uma realidade para parcela expressiva de crianças e adolescentes no mundo (MASCHERONI &
CUMAN, 2014). Associado a esse processo, temos um fenômeno de extrema relevância que vai
muito além das questões do acesso às TICs: a participação de crianças, adolescentes e jovens
como produtores de comunicação. Esta mesa se propõe a abordar esse novo lugar que vem
sendo ocupado por esses grupos sociais nas esferas públicas mediáticas, buscando identificar
e problematizar oportunidades e riscos associados a essas novas formas de comunicação. Ao
ocuparem e/ou buscarem ocupar esse lugar a partir do qual interagem com seus pares e o
público em geral, são obrigados a lidar com a situação de se tornarem pessoas públicas, em
alguns casos, tornando-se até mesmo “celebridades”, com implicações importantes do ponto de
vista da vivência de determinadas rotinas, da busca por criar e/ou manter a popularidade, de se
“profissionalizarem”, de promoverem ideias e produtos, etc. Trata-se, em última instância, do
desafio de lidarem com a condição de serem cidadãos e consumidores. Nesse sentido, revelam
estar aprendendo a atuar como agentes sociais autônomos nesse contexto fortemente marcado
pela comunicação mercadológica ou atuam reduzidos à condição de “garotos propagandas
de produtos e marcas”? Para debater essa questão, contaremos com a participação de duas
pesquisadoras da área de comunicação que abordarão questões éticas da participação das
crianças como youtubers e problematizarão a condição autoral dos discursos de crianças,
adolescentes e jovens neste contexto. Além do olhar da academia sobre os tensionamentos da
participação de crianças e jovens como youtubers, a mesa contará com a contribuição de uma
jovem vinculada ao Instituto Alana, e que atua na área de advocacy, que tem se destacado no
cenário brasileiro pela defesa de crianças e adolescentes diante da publicidade infantil, por
meio do projeto Criança e Consumo.

Palavras-chave: Crianças; Jovens; Youtubers; Participação; Consumo.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
150
Crianças, Adolescentes e Jovens Youtubers: quem fala?
Autores(as):: Ines Silvia Vitorino Sampaio (UFC)

Resumo:

No contexto de convergência mediática, em que se intensificam as tendências à conectividade,


à mobilidade e à privatização no acesso comunicacional por meio dos dispositivos móveis,
como atestam as pesquisas dos projetos EU Kids Online e Net Children Go Mobile, um
fenômeno de expressiva repercussão se delineia: a intensificação da participação de crianças,
adolescentes e jovens nas esferas públicas mediáticas como agentes comunicacionais. Nesta
apresentação, abordaremos uma dentre as muitas possibilidades interacionais delineadas
nesses novos territórios, a participação pública na rede de crianças, adolescentes e jovens
Youtubers, na condição de produtores de conteúdos. Em destaque nesta reflexão, sobressai
a busca por compreender de quais maneiras crianças, adolescentes e/ou jovens YouTubers
se fazem presentes nas esferas públicas mediáticas, com o fito de identificar se e como a
atuação deles em tais esferas contribui para alterar o modo de ver e compreender as crianças
e os adolescentes e sua interlocução na vida pública na sociedade brasileira. Tendo como
referência os estudos contemporâneos da sociologia da infância e o repertório investigativo
das pesquisas EU Kids Online e Net Children Go Mobile, abordaremos os tensionamentos
existentes entre o exercício dos direitos de crianças e jovens à participação e à livre expressão,
como elementos constituintes da cidadania e as pressões mercadológicas que, presentes
nesse cenário, impactam nas suas experiências e práticas de exposição de si e de interação
com os pares e o público em geral. No contexto atual, elas experimentam um processo de
socialização que vai muito além das relações familiares, comunitárias, e que é perpassado
intensamente pela comunicação midiática, com implicações importantes do ponto de vista
da redefinição dos sentidos que constroem acerca do público e do privado (MASCHERONI &
ÓLAFSSON, 2014), do familiar e do estranho (MESCH e TALMUD, 2010), entre outros. Com base
em um estudo exploratório da atuação de 06 crianças, adolescentes e jovens youtubers com
alta popularidade no país, problematizaremos a dimensão autoral dos discursos que projetam
em seus canais, em especial, nos seus vídeos de maior popularidade em 2016. No centro dessa
discussão, a construção de uma autoria que se faz na relação com os pares, na relação com o
público, condicionada, por outro lado, pelo contexto e as pressões mercadológicas permitem,
de fato, identificar tais discursos como próprios desses segmentos? A questão da autoria faz
sentido nesses novos cenários? Por meio da comparação de perfis de crianças, adolescentes e
jovens, temos a pretensão de identifica similaridades e diferenças que possam ser associadas
às singularidades de cada um desses públicos e seus contingenciamentos aos imperativos da
sociedade do consumo e/ou à vivência da cidadania.

Palavras-chave: Crianças; Adolescentes; Jovens; Consumo; Cidadania.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
151
Infância e publicidade na internet: modos de anunciar em canais e youtubers crianças
Autores(as):: Pâmela Saunders Uchôa Craveiro - UFF

Resumo:

Nas sociedades contemporâneas, os sentidos culturais têm se organizado cada vez mais a partir
das mídias que, como parte da cultura, mediam a relação entre os sujeitos e a cultura mais
ampla, promovendo, dessa forma, modificações nas interações coletivas (FANTIN, 2006). Essas
modificações mediadas pelas mídias têm exercido influência também na vida cotidiana das
crianças, ocorrendo o que Buckingham (2002) denomina infância midiática. Para o autor, cada
vez mais parece que as experiências cotidianas das crianças são preenchidas por histórias,
imagens e objetos produzidos por gigantescas empresas midiáticas de atuação global. Essas
instituições comerciais tornaram-se os “professores” do novo milênio, na perspectiva de que
oferecem às crianças valores, padrões e modelos de comportamento (STEINBERG e KINCHELOE,
2001). Desse modo, ao pensarmos sobre a experiência da infância contemporânea, temos que
considerar a relação da criança com o ambiente midiático e suas implicações decorrentes da
lógica comercial que a estrutura e se materializa na publicidade (SAMPAIO, 2006). Em meio
ao cenário atual do crescimento do acesso infantil à internet (TIC KIDS ONLINE BRASIL, 2014,
2015) e do aprimoramento das tecnologias, novas possibilidades de estratégias publicitárias no
ambiente on-line surgem a todo momento e contribuem para tornar mais complexa a relação
entre infância e publicidade. Esta proposta de apresentação se propõe a exibir e discutir dados
de uma investigação em curso acerca das estratégias publicitárias presentes nos canais de
youtubers mirins. Esse termo é usado para denominar as crianças que mantém canais no site
YouTube e produzem vídeos com temáticas variadas. Algumas dessas crianças possuem grande
popularidade, são seguidas por milhares de fãs e seus vídeos possuem milhões de visualizações,
o que as tornam relevantes para o mercado publicitário. É comum visualizar, nos canais dos
principais jovens youtubers, vídeos com relatos de suas experiências com produtos “doados” a
eles por marcas específicas, além de relatos de viagens e passeios patrocinados por empresas.
Dados preliminares, levantados por meio de análise de conteúdo (BARDIN, 1975) aplicada aos
canais dos principais youtubers mirins do Brasil, indicam que, nesses espaços, a comunicação
publicitária se apresenta de forma contextualizada ao conteúdo dos vídeos. Nesse cenário,
percebe-se um processo comunicativo mais penetrante, que prioriza a participação ativa da
criança como consumidora e promove um embaçamento das fronteiras entre o que é e o que
não é publicidade. Além de dificultar a identificação do conteúdo publicitário por parte do
público infantil, esse modelo de comunicação publicitária, que oferece conteúdo midiático
sem um apelo evidenciado ao consumo do produto ou marca que o patrocina, dificulta a
identificação da intensão persuasiva por trás daquele conteúdo narrativo. Em um país em que
a comunicação mercadológica dirigida à criança é considerada abusiva, precisamos discutir a
respeito das dimensões éticas dessas estratégias publicitárias veiculadas em espaços on-line
reconhecidos socialmente como para crianças.

Palavras-chave: Crianças Youtubers; Comunicação Mercadológica; Ética.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
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Youtubers mirins: publicidade dirigida à criança na rede
Autores(as):: Livia Cattaruzzi Gerasimczuk (Instituto Alana)

Resumo:

Na atuação jurídica do Instituto Alana, constatou-se um aumento de crianças produzindo


conteúdo na rede, os chamados youtubers mirins. Assim como ocorre em outras redes sociais,
as crianças criam seu próprio canal na plataforma de vídeos YouTube e passam a alimentá-lo
diariamente com produções audiovisuais nas quais elas são as protagonistas e apresentam
elementos de seu cotidiano, como brinquedos, material escolar, presentes, passeios,
personagens infantis, vestuário, entre outros assuntos. Com o tempo, vários desses canais
passaram a ser vistos e acompanhados por um número cada vez maior de crianças. Notou-se,
também, que a intensidade com que crianças acessam e se apropriam da internet, bem como a
crescente popularidade dos youtubers mirins entre seus pares, atraíram a atenção do mercado.
Diversas empresas, aproveitando-se da hipervulnerabilidade – tanto da criança youtuber como
da criança espectadora – passaram a enviar seus produtos a esses influenciadores digitais para
que eles os desembrulhassem, apresentassem, testassem e divulgassem em suas redes sociais,
utilizando-os como verdadeiros promotores de vendas e desenvolvendo publicidade abusiva
direcionada ao público infantil. Diante desse cenário, o Instituto Alana, por meio do seu projeto
Criança e Consumo, passou a atuar em diversos casos envolvendo o assunto, dentre os quais
se destacam: a) em maio de 2015, encaminhou representação ao Ministério Público do Estado
de São Paulo denunciado a rede de fast food McDonald’s em razão do envio de produtos para
crianças e adolescentes youtubers para que eles os promovessem em seus canais no YouTube;
b) em março de 2016, enviou representação ao Ministério Público Federal do Rio de Janeiro
denunciando 15 empresas por essa prática (dentre elas Pampili, McDonald’s, Ri Happy e Tilibra)
e c) em fevereiro de 2017, denunciou a fabricante de brinquedos Mattel em razão de parceria
realizada com o canal da influenciadora digital Julia Silva para a divulgação da promoção
‘Você Youtuber Escola Monster High’, com o intuito de promover sua marca e os produtos da
linha Monster High. Na visão do Instituto Alana, esses exemplos demonstram a abusividade
dessa prática e a violação aos direitos da infância por desrespeitarem a proteção integral e
ignorarem a hipervulnerabilidade da criança. Por essa razão, pretende-se apresentar e debater,
a partir de casos concretos, o fenômeno dos youtubers mirins, destacando-se seus principais
aspectos, tais quais: (i) o panorama do recente aumento da produção e consumo de conteúdo
publicitário por crianças no YouTube; (ii) o interesse das empresas na inserção de suas marcas
nos canais desses influenciadores digitais; (iii) o destaque que o tema vem tendo nos meios de
comunicação e nos órgãos do poder público de defesa de crianças e consumidores; (iv) uma
reflexão sobre a superexposição dessas crianças na rede; (v) trabalho infantil artístico e, por
fim, como contraponto, (vi) o direito dessas crianças e adolescentes à liberdade de expressão
e produção de conteúdo.

Palavras-chave: Youtubers; Publicidade; Criança.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
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GRUPOS DE TRABALHO
COMUNICAÇÕES ORAIS
Obs: os trabalhos do GT 20 foram realocados para outros grupos.
GT 01 - A dimensão coletiva das práticas culturais juvenis
Coordenadores: José de Souza Muniz Jr. (UECE), Lucas Amaral de Oliveira (USP),
Maria Carolina de Vasconcelos e Oliveira (CEBRAP)

Resumo Geral:

As últimas décadas testemunharam o surgimento de instâncias coletivas de produção e difu-


são de obras artísticas protagonizadas por frações variadas da juventude brasileira. Dentre
elas, chamam a atenção: festivais de cinema, teatro e dança; feiras de fanzines, livros de artista
e outras publicações; saraus literários e batalhas de poesia (slam); espaços e centros inde-
pendentes de arte e música; coletivos artísticos e outras redes descentralizadas de trabalho
intelectual. Tais iniciativas se desenvolvem atreladas a espaços diversos de sociabilidade, con-
tando, por vezes, com o incentivo do Estado, de ONGs ou outras institucionalidades (públicas
ou privadas) interessadas em seu desenvolvimento, consolidação e continuidade. Este Grupo
de Trabalho, de caráter interdisciplinar, receberá propostas dedicadas a compreender práticas
artísticas, culturais e intelectuais da juventude brasileira em sua dimensão coletiva. O objetivo
é congregar pesquisadores, educadores e produtores dedicados a analisar práticas e estraté-
gias coletivas de ação cultural e de criação estética, mobilizando diferentes conceitos e enqua-
dramentos analíticos para entender as formas de conexão intersubjetiva (grupo, agrupamento,
coletivo, coletividade, turma, fração, geração etc.) e os espaços objetivos nos quais tais práti-
cas se desenvolvem (tribo, subcultura, cena, circuito, rede, mundo, campo etc.). Nessa medida,
pretende-se fomentar tanto a discussão sobre as condições de possibilidade dessas práticas no
contexto contemporâneo, quanto o resgate e a análise da produção cultural coletiva de outras
épocas, com destaque para o papel do segmento juvenil na introdução de mudanças no pano-
rama artístico brasileiro. Embora o foco seja a produção cultural (objeto do Eixo Temático 8 do
JUBRA 2017), o GT se propõe a fomentar discussões sobre as relações dessa experiência com
outros âmbitos da vida juvenil, contemplados por outros eixos do encontro: a relação entre
ócio, lazer e mundo do trabalho, com destaque para a questão da profissionalização do jovem
artista (Eixos 4 e 10); as relações de classe, gênero e etnia vigentes nessas práticas e/ou o trata-
mento dessas questões na produção estética dos coletivos (Eixos 1 e 7); o desenvolvimento de
práticas artísticas por jovens estudantes, militantes, devotos, pertencentes a contextos de vul-
nerabilidade social ou em conflito com a lei (Eixos 2, 6, 9 e 11). Nesse sentido, o GT aceitará dois
tipos de contribuição: (1) relatos de pesquisa que abordem práticas, estratégias, trajetórias e
experiências, individuais ou grupais, implicadas nessas iniciativas, desde que remetidas à sua
dimensão coletiva; (2) relatos de experiência de artistas, educadores, produtores e mediadores
culturais envolvidos com essas práticas, bem como de formuladores e executores de políticas
relacionadas ao seu fomento. Serão considerados, como critérios de seleção: o caráter refle-
xivo e crítico das propostas; o vínculo consistente e inovador das análises teóricas e empíricas
aos estudos sobre o tema; sua contribuição à formulação de políticas públicas voltadas à pro-
dução cultural juvenil; e a diversidade regional e institucional dos participantes.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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Interculturalidade e as práticas de educabilidades no movimento hip hop (Crato-CE)
Autores(as): Laelba Silva Batista (UFC), Joselina da Silva (UFRRJ), Luiz Carlos Carvalho Siqueira
(URCA)

Resumo:

Nos últimos anos no Brasil, os movimentos sociais, ativistas políticos e acadêmicos


comprometidos com o desenvolvimento e justiça social têm buscado produzir e estabelecer
diversos espaços e trabalhos que reconhecem a profundidade das relações educação/
educações e a diversidade cultural, ou seja, a interconexão entre educação e cultura. A
“interculturalidade” e “educabilidade” são aspectos do reconhecimento de tais interconexões.
Compreendidas tanto como processos históricos e sociais nos quais revelam as tensões no
campo da identidade e da diferença cultural (FLEURI, 2002), esse conceito estabelece, também,
um sentido amplo que permite refletir sobre as diferentes educações e seus diálogos com a
cultura. A cultura é compreendida, nesta perspectiva, como uma teia de sentidos e significados
da experiência inter-relacional do ser humano (GEERTZ, 1978). Sendo assim, aspectos
definidos pelos próprios interlocutores no processo de reconhecimento da sua experiência/
vivência. Inserido em um contexto de forte presença da cultura popular, o grupo Irmandade
Rap (re) cria sentidos e significados sobre a diferença a partir das desigualdades que cercam
a juventude do município de Crato-CE. Bem como, permite reconhece-lo como um espaço
multirracial, pluriétnico e de interculturalidade, onde a presença da juventude hip hop, que
aqui nos interessa, são porta-voz e protagonistas. Fruto da pesquisa de mestrado desenvolvida
na pós-graduação em Educação Brasileira da Universidade Federal do Ceará, o presente
trabalho a partir da abordagem qualitativa de cunho analítico exploratório, utiliza-se de
entrevistas semiestruturadas e observação participante como forma de coleta de informações.
As entrevistas e observações foram realizadas no dia vinte e quatro de setembro de dois e
dezesseis, na cidade do Crato e participaram das entrevistas sete jovens do grupo Irmandade
do Rap, sendo duas mulheres e cinco homens. As análises destas entrevistas compuseram os
procedimentos metodológicos adotados neste estudo. Assim, nosso trabalho busca entender
o que há de interculturalidade no Movimento Hip Hop e como as práticas de educabilidades
presentes no grupo Irmandade do Rap ressignificam a identidade juvenil local. A partir deste
contexto, torna-se importante pensar como a juventude do Movimento Hip Hop local vêm
contribuindo para constituição de novos espaços culturais e educativos na cidade do Crato.
As práticas de educabilidades presentes neste contexto permitem reconstruir e identificar as
formas de ressignificação das experiências dos jovens entrevistados. O que possibilita perceber
que nos últimos anos, o movimento hip hop na cidade do Crato, tem intensificado suas ações
cada vez mais, buscando construir uma educação que emancipa os sujeitos, reconhecendo-os
como fazedores e protagonistas de suas histórias. As análises até agora organizadas sinalizam
que as práticas educativas aqui relatadas pelos integrantes do Irmandade do Rap evidenciam
uma nova maneira de conceber educação e que através da musicalidade do rap e dos outros
elementos da cultura hip hop proporciona aos seus sujeitos uma nova forma de interação e
compreensão de mundo.

Palavras-chave: Movimento Hip Hop; Interculturalidade; Educabilidades.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
156
Relato sobre o estudo dos Direitos Universais da Criança com adolescentes de uma escola
pública: o RAP como representação artística
Autores(as): Carla Renata Braga de Souza Martinez (Faculdade Maurício de Nassau - Fortaleza),
Alysson da Silva Lopes (Faculdade Maurício de Nassau), Camila de Fátima Barros Dias (Faculdade
Maurício de Nassau), João Lucas Lima Façanha (Faculdade Maurício de Nassau), Luciana Mara
Barros de Sousa (Faculdade Maurício de Nassau)

Resumo:

Este trabalho trata de um relato de experiência de uma intervenção com 40 alunos de 14 e 17


anos de idade do 1º ano C Tarde, na Escola de Ensino Médio Governador Adauto Bezerra, entre
os meses de Dezembro de 2016 e Janeiro de 2017. Com o propósito de fomentar o conhecimento
sobre os direitos assegurados universalmente às crianças, utilizamos 10 princípios advindos
dos 54 artigos dos Direitos Universais da Criança (D.U.C.). Para tanto, propomos que a turma se
dividisse em oito grupos, cada grupo deveria escolher um dos dez princípios para debater e fazer
uma produção artística que o representasse. Dentre as produções apresentadas, chamou-nos
atenção que dois grupos escolheram Raps. O primeiro foi “Aos olhos de uma criança” do rapper
“Emicida” para trabalhar o quarto princípio, que defende que o ambiente que circunda a família,
em especial mãe e criança, deve ser favorável ao desenvolvimento de ambas. O segundo grupo
escolheu o sexto princípio, que também tem o enfoque na função afetiva da família e nas
competências governamentais, em que o Estado e sociedade devem desempenhar para ajudar
as crianças que estejam em condições desfavoráveis de desenvolvimento, foi trabalhada a
música “Eu não pedi pra nascer” do grupo Facção Central. Nietzsche fala em arte pensando na
música, como sendo justificativa da forma como vivemos, e os alunos afirmaram isso quando
definiu as músicas como “realidade comum da classe pobre”. Além dessa definição, uma aluna
que se denominou “excluída” e que chamaremos de Flávia, afirmou: “essa música é minha vida”
– fazendo referencia a letra de “Eu não pedi pra nascer”. Ela se apropriou da música, foi à
frente da turma para cantá-la, iniciando uma discussão a respeito da relação entre a música e
a história de vida dos jovens. Casanova diz que aquilo que produzimos é a nossa verdade, que
quanto mais nos apropriamos disso, mais verdade se torna, sendo para Heidegger o artista um
apropriador de si-no-mundo. Outro momento de tomada de consciência se dá quando Flávia nos
deixa uma carta no envelope que destinamos para dúvidas e feedback, contando sua história
e nos procurando posteriormente para solicitar ajuda. Observou-se que um grande número
de alunos tem interesse por produções artísticas e que o RAP trouxe conteúdo do cotidiano
que são contrastantes com os direitos universais apresentados. Esses pontos divergentes foram
facilitadores na elaboração de um posicionamento crítico dos jovens perante a dificuldade em
assegurar seus direitos. As produções artísticas realizadas pelos alunos servem como meio de
proporcionar a divulgação desses direitos, estimulando que a criança participe de assuntos
de seu interesse, tenha consciência de seu lugar no mundo, percebendo-se cidadão brasileiro
dotado de direitos e deveres, e que saiba construir participações em ações que preservem os
princípios aqui expostos e analisados.

Palavras-chave: Direitos; Criança; Produção Artística; Adolescentes; Rap.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
157
(Re)Inventar e (re)imaginar: O ‘’Território Encantado’’
Autores(as): José Eduardo Gama Noronha (Centro Camará de Pesquisa e Apoio à Infância
e Adolescência), Daniela Yone Uechi (Centro Camará de Pesquisa e Apoio à Infância e
a Adolescência), Valéria Alves da Silva (Centro Camará de Pesquisa e Apoio à Infância e
Adolescência)

Resumo:

“Oi, Tudo bem? Como vocês estão? Sou uma Agnoma! Por que Agnoma? Porque não sou tão
grande quanto um humano nem tão pequena quanto um gnomo. Eu estava dormindo já faz um
bom tempo! É porque ninguém vem me visitar, caramba! Onde vocês estavam? Oi você, qual
seu nome? E você, opa, eu conheço esse rosto! E esse, esse, esse, esse não, esse aqui acho que
sim, hã, esse, não ou sim, nem sei! Meu nome é Estrela Construtora, alguém lembra por que eu
vim pra cá? - Porque você sentiu o cheiro daqui e veio ajudar a construir o Território Encantado!
– disse um dos pequeninos seres.- ISSO! - gritou a Agnoma”. O Território Encantado é uma
experiência que nasce da construção conjunta entre crianças, adolescentes e educadores do
projeto “Nossa escola é em todo Lugar”, iniciado em 2016 e executado pelo Centro Camará de
Pesquisa e Apoio à Infância e Adolescência, na cidade de São Vicente/SP, ONG com missão de
contribuir para a construção de uma sociedade equânime por meio da defesa e promoção dos
direitos humanos de crianças e adolescentes. O projeto, a partir do referencial da pedagogia
e psicologia social e o conceito de transdisciplinaridade, entende o corpo como o instrumento
principal para uma alfabetização integral, portador de uma potencia de criação e capaz de
abrir fissuras para as multiplicidades e manter uma postura crítica em relação às violências
institucionais, violências estas que são cotidianas nas vidas dos jovens moradores dos bairros
Vila Margarida e Jardim Dolores, territórios de alta vulnerabilidade social na cidade de São
Vicente. Um andar inteiro não utilizado, alguns panos coloridos, objetos diversos e, sobretudo,
a imaginação. A produção deste espaço-tempo encantado partiu dos desejos dos jovens de
construírem um lugar de criação de histórias e de transformação em personagens de contos
de fadas e filmes: rainhas, bruxas com poder de congelar ou controlar sonhos, em médicos e
detetives, mas também de invenção criaturas e seres novos, quimeras de gênero, etnia, espécie,
planeta, seres sem nome nem forma definida: devir-pássaro, devir-bruxa, devir-agnoma,
devir-mulher, devir-criança. Com o pouco que ali se encontra, são reproduzidos conflitos,
estereótipos, mecanismos de sujeição, escancara-se a vida-nua de que fala Agamben, mas
também inventa(m)-se a si e um mundo. O Território Encantado objetiva a experimentação
de novos modos de conviver e de se relacionar com o corpo, com as identidades, com o outro
e com os territórios, desestruturando formas cristalizadas, a partir da arte do imaginar e da
potência do brincar. A cada semana, a cada encontro, a cada novo membro deste lugar que
nasceu em um andar de salas inabitadas, o Território é performado e se transforma conforme
as necessidades, os desejos e a precariedade, se espraia, multiplica-se em outros Territórios a
cada troca com outros coletivos. O território e suas criaturas viajam sem cessar, nem que seja
no mesmo lugar. Ainda hoje e agora, o Território está lá, a espera de quem vá (re)imaginá-lo,
(re)inventá-lo, com um(a) Agnoma a espera de novos camaradas.

Palavras-chave: Brincar; Invenção; Arte.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
158
Desenho, arte e criatividade: projeto pedagógico em território juvenil de experiências coletivas
Autores(as): Leidy Dayane Paiva de Abreu (AJIR), Aretha Feitosa de Araújo (UECE), Germana
Maria da Silveira, Raimundo Augusto Martins Torres (UECE)

Resumo:

As juventudes vêm ocupando diversos espaços, como no caso das associações comunitárias
juvenis. Esses cenários são relevantes pelas crescentes mobilizações das juventudes nos
coletivos jovens, e também pela amplitude de suas expressões na arte, na cultura, na leitura
de mundo e na construção de novas formas de sociabilidade nas áreas da cultura popular.
O objetivo do trabalho é descrever as experiências práticas e coletivas de desenho, arte e
criatividade do projeto pedagógico em território juvenil da Associação dos Jovens do Irajá/
AJIR. O GT de Juventudes, artes e cultural tem relação clara com a proposta pedagógica que
apresenta a experiência de um coletivo jovem por meio de expressões artísticas e culturais
como desenhos e redações na AJIR/ Biblioteca 21 de Abril, com a participação ativa enfermeira,
representante da AJIR, com acompanhamento pedagógico e logístico das ações junto a 25
jovens, com faixa etária de 10 a 25 anos. As atividades acontecem semanalmente aos sábado de
8h ás 12h na Biblioteca 21 de Abril, Irajá, distrito de Hidrolândia/CE. A escolha pelo termo jovem
se expressa no sentido de que estes sujeitos estão imersos em contextos culturais diversos,
portanto, produzindo arte e cultura mediadas pelos cotidianos de suas experimentações e
vivências em grupos em território de produção de vida. O espaço de Educação Popular foi
construído com o desejo dos jovens de implantarem uma biblioteca comunitária no distrito de
Hidrolândia, nos anos 80, logo a juventude fez a ocupação permanente do espaço doado pela
Prefeitura e fundam a Biblioteca 21 de Abril, denominada assim, por ser criada nesta mesma
data em que realizam a sua reforma e organização do espaço a qual passa a se tornar sede
da Associação. As juventudes apresentaram suas redações e desenhos, além de apresentação
teatral de palhaços sobre a semana do natal, dezembro de 2016. As atividades culturais
permitiram uma rica discussão sobre o significado do natal. A liberdade dos diálogos no grupo
e das expressões artísticas das juventudes proporcionaram resultados satisfatórios, com
estabelecimento de vínculos e troca de saberes acerca do tema, com diálogos e apresentações,
em que foi visto que o natal simboliza para esses atores sociais sonhos, realizações pessoas
e profissionais, a importância da família, amigos, da AJIR e as lembranças de suas histórias.
A educação popular por meio da arte e cultura proporcionou a apresentação de significados
que os jovens constroem em suas vivências, promovendo o solidaríssimo comunitário e troca
de experiência na reflexão com ação, pois as manifestações culturais se colocam como um
caminho pelo quais as pessoas ganham significação enquanto sujeitos e conquistam o mundo
para a sua libertação. A experiência favoreceu incentivou e estímulo à utilização e à expressão
de diferentes formas de linguagem e representação da realidade das juventudes.

Palavras-chave: Cultura Popular; Jovens; Arte.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
159
Picadeiro pedagógico: práticas educativas com arte, aprendizagens e afetos
Autores(as): Maria Dilma Andrade Vieira dos Santos (UFPI), Shara Jane Holanda Costa Adad
(UFPI)

Resumo:

O relato apresenta resultados de uma pesquisa de mestrado em Educação, realizada com


oito jovens, integrantes da Escola de Circo Social Pé de Moleque, em Teresina-PI. A relevância
desta pesquisa está em apontar outras possibilidades de práticas educativas que levem em
consideração o riso e o corpo como dispositivos potencializadores de aprendizagens. A escola
de Circo Social realiza um trabalho pedagógico que utiliza a arte como processo de produção
de conhecimento, através do corpo/arte/movimento, como potência motivadora do desejo,
elemento fundamental para a aprendizagem. Nesse sentido, a escola estabelece uma diferença
pedagógica para com alguns espaços educativos regulares. Nesses, há preconceito contra o
movimento, permanece latente a ideia de separação entre mente e corpo, suprimindo outros
modos de conhecimento que não sejam baseados na racionalidade; naquela, ganham lugar
a imaginação, a criatividade, os sentimentos, a intuição, o conhecimento sensual, a alegria, a
experiência. A pesquisa teve como questões norteadoras: Como os jovens circenses pensam a
relação entre o riso e o corpo na Escola de Circo Social? Como favorecer a criação de outras
formas de pensar esta relação? Que pode o corpo dos jovens circenses na relação com o
riso? Como referencial teórico-metodológico, fez-se uso da Sociopoética – uma abordagem
filosófica de pesquisa que utiliza a arte como potencializadora da criação de confetos
(conceitos + afetos), por meio de técnicas que funcionam como dispositivos de desconstrução
de ideias naturalizadas, possibilitando outras formas de pensar. O dispositivo utilizado para
a produção de dados foi inspirado na técnica artística Action Painting, de Jackson Pollock,
denominada na pesquisa de CORpogestoAÇÃO, momento em que os jovens, por meio de
movimentos corporais, jogavam tinta sobre uma grande tela de lona estendida no chão. Seu
desdobramento foi intitulado Palimpsesto do Riso, em que as marcas de tinta deixadas no
corpo foram fotografadas de ângulos próximos, produzindo imagens surreais, que, após serem
selecionadas pelos participantes, foram relacionadas ao tema-gerador, à experiência com a
técnica e às vivenciadas no circo. As análises dos dados destacaram os confetos e os problemas
que mobilizam e atravessam o pensamento do grupo-pesquisador, os quais destacamos Corpo
riso interligado, Corpo deslizante do circo, Corpo Controlado, Corpo pirâmide, Experiência
diversos sentimentos medo-diversão e o Corpo todo sujo brincando junto com os amigos. Esses
confetos problematizam o aprender na incerteza, sem controle, no deslize, onde não se sabe
muito bem o que vai acontecer, uma outra forma de controle/disciplina que potencializa.
Aponta o riso como dispositivo que afeta, contagia, como potencializador de aprendizagens, de
movimento e de flexibilidade frente à rigidez e ao automatismo da vida. A análise dos confetos
apresenta elementos para pensar o currículo e as práticas educativas, ao apontar para um
movimento de construção e de desconstrução de saberes, de abertura a novas possibilidades
de ensinar e de aprender, e para uma aprendizagem/experiência que transforme os espaços
educativos.

Palavras-chave: Corpo; Riso; Jovens Circenses; Educação e Movimento; Sociopoética.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
160
Consumo, Cultura e Subjetividades: experiência da juventude no consumo de bens culturais
Autores(as): Julia Remigio Marques (UFPE)

Resumo:

A pesquisa em curso no mestrado em psicologia considera como campo de investigação


o consumo e a produção de bens culturais por jovens de baixa renda. O estudo intenciona
aprofundar os sentidos implicados por estes jovens na experiência de consumir e relacionar
este diálogo com a possibilidade de emancipação. Objetiva-se investigar se o consumo
ocorre como um fenômeno reprodutor de dominação social ou se pode ser um marcador
da independência, comunicação e expressão de gostos e de subjetividades juvenis e de seus
grupos de pertencimento. A cultura surge como importante forma de vivenciar a juventude,
sendo vetor de diversos programas, iniciativas e espaços de reivindicação. Segundo o Conselho
Nacional de Juventude, CONJUVE (2006), a cultura é um elemento fundamental e estruturante
na vivência do jovem, a partir do seu usufruto, criação e economia gerada por meio dela, muito
embora pouca atenção seja despendida pelo setor público nesse sentido. A sociedade ocidental
contemporânea, na perspectiva adorniana, estimula o consumo de bens culturais que carecem
de significado e o principal elemento educacional que promoveria o abismo entre a elite e
aqueles economicamente marginalizados, tendo a dominação social como consequência, é a
formação pela gênese cultural - pressuposto para consciência emancipada. De acordo com o
exposto no Estatuto da Juventude, Lei 12.852, sancionada em 05 de agosto de 2013, prevê-se
a promoção da autonomia e emancipação juvenil, valorização e promoção da participação
social e política e estímulo à criatividade. Entre as Políticas de Vivências Juvenis, é possível
destacar o eixo III, Cultura, cujo objetivo é ampliar o acesso à produção e aos bens culturais,
por meio do fomento e promoção das iniciativas e atenção às demandas de pertencimento,
garantindo ao jovem da cidade do Recife o pleno acesso à cultura. Assim, propõe-se o diálogo
com as diretrizes oriundas das políticas públicas de cidadania e participação social, em que há
interseção com os objetivos de promoção da liberdade de expressão identitária, comunicação
inclusiva e produção e disseminação da informação. O consumo, nesse sentido, pode ser
compreendido como instrumento para fortalecer a autonomia, as potencialidades e as ações
inovativas relacionadas à juventude, sendo vetor para a representatividade e participação social
em concordância com os pressupostos do Plano Municipal de Juventude do Recife. A teoria
de representações sociais orientará o presente estudo, apoiando-se na dimensão apresentada
por Denise Jodelet, que inclui subjetividade e experiência aplicadas aos campos sociais que
urgem mudanças no coletivo. Ainda, as noções de identidade psicossocial de Erick Erickson;
de singularidade, proposta por Érico Andrade; e subjetividade ativa e reflexiva, presente nos
estudos de Jodelet, serão utilizadas para nortear a pesquisa. O enfoque nos atravessamentos
deste consumo na subjetividade e autonomia dos jovens atores visa propiciar a emancipação
expressão do adolescente, por meio de políticas públicas de incentivo ao protagonismo juvenil.

Palavras-chave: Bens culturais; Consumo; Cultura; Juventude.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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161
Comunicação, consumo e memória: da cena cosplay a outras teatralidades juvenis
Autores(as): Mônica Rebecca Ferrari Nunes (ESPM/SP)

Resumo:

Este relato refere-se à pesquisa Comunicação, consumo e memória: da cena cosplay a outras
teatralidades juvenis, com apoio do CNPq (Edital Chamada Ciências Humanas, Sociais,
Sociais Aplicadas/MCTI/CNPq/MEC/CAPES n. 22/2014). O trabalho foi coordenado por esta
pesquisadora e levado a cabo pelo grupo de pesquisa em Memória, comunicação e consumo,
junto ao PPGCOM-ESPM, São Paulo. A pesquisa, já um desdobramento de trabalho anteriormente
realizado também com financiamento do CNPq sobre a cena cosplay, objetiva investigar as
relações estabelecidas entre a cena cosplay e as cenas medievalista, steampunk e revivalista,
coletivos juvenis que frequentam a cena cosplay e também fazem uso da performance e
conferem à cidade certa teatralidade pública graças ao consumo e à circulação de formas
estéticas. Pergunta-se, sob a forma do problema: como as teatralidades das cenas medievalista,
steampunk e revivalista podem ser constituídas? Quais características podem ser igualadas às
da cena cosplay anteriormente cartografada? Quais são diferentes? Como, nestas cenas, estão
acionados os nexos entre consumo midiático-material e a memória cultural, tendo em vista
que todas as cenas constroem temporalidades e espacialidades voltadas ao passado por meio
da representação de um “outro”? Quais as dimensões desta memória? Quais seus operadores?
Como objetivo geral, a pesquisa quer verificar lógicas e estratégias da produção das cenas
medievalista, steampunk e revivalista na cidade de São Paulo e em outros centros urbanos
como Belo Horizonte e Rio de Janeiro, comparando-as com as lógicas e estratégias da cena
cosplay já cartografadas em pesquisa citada. Segundo ementa do GT 01, quer-se “entender
as formas de conexão intersubjetiva (grupo, agrupamento, coletivo, coletividade, turma,
fração, geração etc.) e os espaços objetivos nos quais tais práticas se desenvolvem (tribo,
subcultura, cena, circuito, rede, mundo, campo etc.). Nessa medida, pretende-se fomentar (...)
a discussão sobre as condições de possibilidade dessas práticas no contexto contemporâneo”,
o que se liga diretamente ao propósito desta pesquisa que se volta à compreensão das cenas
e teatralidades desenvolvidas por coletivos jovens empenhados na rememoração de épocas
passadas por meio de criações estéticas e ficcionais, isto é, artísticas e culturais, vertentes do
Eixo Temático 8. A orientação teórica tem como fundamento a Teoria Semiótica da Cultura
de Tártu-Moscou. O trabalho é multimetodológico, conta com a flâneurie para as capturas de
relatos coletados no campo que ocorrem em treze eventos de animes e específicos e, também
com pesquisa bibliográfica sobre consumo, memória e juventudes. Podemos apontar como
alguns dos resultados e conclusões o fato de que estas cenas são sintomas das culturas da
memória e do consumo. As razões para acionar textos culturais emocionalmente competentes
no continuum da semiosfera são muitas, à medida que o presente e seus imperativos de ordem
social, econômica, política, estética, cultural podem gerar o desejo deste passado indefinido
(re)inventado por signos atuais.

Palavras-chave: Comunicação e Consumo; Memória; Teatralidades Juvenis.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
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162
Cenas de intolerância: Nada disso é com você!
Autores(as): Monique Dias de Oliveira (IFRN-Campus São Paulo do Potengi), Isabelle Araújo da
Silva (IFRN-Campus São Paulo do Potengi)

Resumo:

O presente relato de experiência estética e vivências coletivas tem por objeto o Projeto
Experimental de Teatro intitulado “Nada disso é com você!” que foi produzido no ano de
2015, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte, no
Campus São Paulo do Potengi, com jovens adolescentes, estudantes dos cursos Técnicos de
Nível Médio. Apresenta-se, sucintamente, os procedimentos artísticos para construção da
encenação e as repercussões desse processo para os jovens atuantes envolvidos. A encenação
surgiu ao constatar que temas polêmicos, tais como a intolerância religiosa e étnica, a
homofobia e o abuso sexual infantil eram assuntos que estavam “viralizando” entre os jovens,
adquirindo uma dimensão simbólica diante dos “casos da vida real” que eram divulgados, e
compartilhados nas mídias sociais. A dificuldade de abordagem desses temas nas disciplinas
da área de humanas, dentre outros fatores ocorrem, devido a currículos que não dialogam com
o contexto contemporâneo dos jovens e nesse sentido a abordagem pela via da linguagem
teatral abre possibilidades de reflexões e discussões interdisciplinares. Os desafios eram, além
da complexidade da temática, iniciar um experimento com estudantes que desconheciam
a metodologia de trabalho da professora recém-chegada ao campus, vinda de um contexto
urbano distante da realidade cotidiana dos estudantes daquela cidade do interior potiguar.
Formado o grupo de atuantes, partiu-se para o processo de encenação, orientada pela
metodologia do “modelo de ação”, proposta pelo encenador Bertolt Brecht, para o exercício
de peças didáticas. A metodologia visa estruturar o trânsito entre a apropriação crítica do
texto e sua relação com a cena. O trabalho coletivo utilizou como “modelos de ação”: notícias
de jornal, pequenos textos e imagens de publicações da web, experienciando o jogo teatral
para apropriação crítica do texto e sua exploração em ações físicas até a construção da
cena. A proposta inicial era trabalhar todos os casos com cinco atuantes, para que todos se
apropriassem dos textos sem focalizar em uma única personagem, ampliando a visão crítica
e a experiência estética dos participantes. Tínhamos um grupo composto por sete jovens, e ao
longo do processo, todos foram conquistando seu lugar na encenação, criando uma trajetória
“work in progress”, um procedimento que desconstrói paradigmas de construção da narrativa
e aponta para uma estética contemporânea. A construção incluiu todos os atuantes e cada
apresentação era um novo processo de descobertas. Em cena: 4 repórteres, 1 telespectador e 1
internauta indiferentes e 1 telespectador crítico, posicionados diante de uma “tela imaginaria”,
formada pela plateia. Os casos jornalísticos eram narrados de forma a romper com a linearidade
do texto, apresentando visões críticas sobre casos de intolerância. Ao final, eram projetadas
imagens e manchetes reais que provocavam o público, identificando-os como indiferentes,
pois nada daquilo era com eles. As repercussões para os envolvidos no experimento foram
positivas, pois possibilitarem trocas diferenciadas com os diversos públicos, apresentando
reações inesperadas quanto à recepção.

Palavras-chave: Intolerância; Teatro; Mídias.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
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163
“‘Tamo’ junto o ano inteiro” Sociabilidades juvenis e quadrilha junina na cidade
Autores(as): Ricardo Cruz Macedo (UFPB)

Resumo:

As festas juninas, destacáveis no calendário das comemorações brasileiras, atravessaram


significativas mudanças em suas estéticas e práticas nas décadas finais do século XX. Nas
cidades, por exemplo, ocorreu a institucionalização de festivais/concursos para apresentações
de quadrilhas, as quais passariam a ser organizadas ao longo do ano todo. Tal processo abriu
margem para que nestes referidos coletivos se elaborassem sociabilidades e performances
específicas, tornando-se espaços de encontro e presença marcante entre jovens. Encarando a
atuação juvenil em grupos culturais na cidade como tema de estudo, objetivo lançar alguns
elementos para uma compreensão sociológica sobre a construção de sociabilidades juvenis
a partir das quadrilhas juninas. Para tanto, tomei a Agremiação Junina Cariri, de Juazeiro
do Norte-CE, como lócus de pesquisa em virtude da sua composição marcadamente juvenil.
Ou seja, como emblemático espaço representante de determinadas frações da juventude,
associando-se, assim, a proposta do GT “A dimensão coletiva das práticas culturais juvenis”.
Enquanto categoria de análise sociológica, a juventude é entendida aqui no plural considerando
haver diversas formas de socialmente caracterizá-la. Corroboro a Juarez Dayrell (2010)
para quem os debates nas Ciências Sociais focalizam as juventudes a partir de condições,
problemas e expectativas distintas, revelando a dinamicidade e diversidade pelas quais são
marcadas socialmente, e nas quais as sociabilidades constituem diferentes redes de relações
e de apropriações nos espaços. No centro das representações sociais sobre festas juninas as
quadrilhas são tidas como um grande símbolo. Nos espaços urbanos, estes grupos culturais,
pensando com Mônica Melo e Marcos Leite (2013) , nomeiam práticas aonde podem ser
verificadas forte adesão juvenil atuando nos/e produzindo temas, passes coreográficos, figurinos
e performances específicas ao longo do ano para as apresentações nos festivais/concursos. Os
dados representam parte abreviada de minha Dissertação defendida em 2016 ao Programa
de Pós-Graduação da Universidade Federal de Campina Grande-PPGCS/UFCG e elaborada
através de análise etnográfica e entrevistas em grupos de discussão. O grupo Agremiação
Junina Cariri é composto por dezesseis casais com idade entre 15 e 30 anos. Para além destes,
há uma equipe de apoio à produção, somando-se em média cinquenta jovens oriundos de dez
bairros de Juazeiro do Norte. Aponta-se como considerações de pesquisa: Grupos como os de
quadrilhas juninas são espaços de construção de visibilidades nos quais os jovens atuam como
‘artistas’ na cidade; Os festivais juninos colaboram na elaboração e manutenção de redes
de relações, intercambiando valores e possibilitando apropriações dos espaços urbanos. Em
termos finais, as quadrilhas juninas definem-se como ambientes de sociabilidades que põe
distintos jovens em contato entre si na cidade, possibilitando pertencimentos e experiências
significativas para diversos coletivos juvenis.

Palavras-chave: Juventudes; Sociabilidades; Quadrilhas Juninas.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
164
Projeto Salve Rainha: insistência, resistência e existência da arte e da cultura na cidade de
Teresina
Autores(as): Renata Fortes Monte Franklin (FAR), Camila Fortes Monte Franklin (UFPI)

Resumo:

O Salve Rainha é uma Tecnologia Social de valorização do patrimônio histórico e cultural de


Teresina, que, através de uma proposta plural, visa promover a difusão cultural e oportunizar o
acesso democrático da sociedade às mais diversas manifestações artísticas e culturais ao tempo
em que levanta o debate sobre as formas de vivenciar a cidade e a situação de vulnerabilidade
do patrimônio histórico local. O projeto realiza ocupação de espaços públicos com instalação
de galeria de arte, música, teatro, dança, feira de microempreendedores, cozinha experimental,
oficinas e rodas de conversa voltadas para temas relacionados aos eixos em que atua. Todas
as atividades desenvolvidas fazem parte de uma programação gratuita realizada durante
temporadas pré-determinadas e ações que contemplam datas significativas do calendário da
cidade, a fim de gerar e regenerar memória coletiva. Os locais ocupados são identificados a
partir de uma pesquisa patrimonial e escolhidos por critérios que priorizam valores ambientais,
arquitetônicos e históricos, dando preferência aos mais esquecidos, negligenciados e/ou
subutilizados; assim, já passou por ruas, praças, o centro histórico, um parque, o vão inferior
de uma ponte e também por espaços onde funcionaram instituições de poder, como a antiga
sede da Câmara Municipal e a estrutura física que restou do Sanatório Meduna. A itinerância
faz com que a cada nova ocupação, um contexto e novas pessoas sejam atingidas, além do
público já formado que sempre acompanha. Atuando de forma crescente desde setembro de
2014, já realizou nove temporadas (cada uma com a média de duração entre 4 e 7 domingos
seguidos), mobilizando ao todo cerca de 700 artistas. O trabalho de insistência, resistência e
existência é realizado por uma equipe de voluntários composta atualmente por 34 profissionais
e estudantes, jovens (em sua maioria) e adultos de diversas áreas, um núcleo de cabeças
criativas e incansáveis em constante desenvolvimento, capazes de produzir e representar
as mais variadas formas de arte. A equipe de pesquisadores que se integra em um coletivo
tem dialogado com a comunidade de modo geral e acadêmica por meio da participação em
eventos, como forma de reforçar o debate sobre memória, preservação do patrimônio, arte,
cultura, identidade, protagonismo juvenil, combate às opressões, políticas públicas, direito à
cidade, tecnologia social e economia solidária. Como resultado, observa-se que o Salve Rainha
tem se tornado referência no estado do Piauí como ponto difusor da cultura piauiense, com
grande potencial de formação de público, atingido a média de 3 mil visitantes por domingo, e
com ampla repercussão em suas redes sociais que já possuem mais de 25 mil seguidores. Com
o aprimoramento da tecnologia, desenvolveu uma linha de produtos com a marca do projeto,
que também conta com a participação de artistas locais e gera renda para reinvestimento nas
atividades das temporadas (mantidas principalmente com o valor arrecadado com a cozinha
experimental durante as mesmas e com parte da renda do Salve Rainha Café Sobrenatural,
ponto fixo cedido em um parque da cidade, onde também é desenvolvida programação de
atividades semanais).

Palavras-chave: Arte; Cultura; Cidade; Protagonismo Juvenil; Coletivo.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
165
“Meu corpo grita rima”: uma etnografia do Slam da quentura de Sobral-CE
Autores(as): Maria Aline Sabino Nascimento (UVA)

Resumo:

O presente trabalho visa investigar uma experiência relacionada à poesia de rua e juventudes
desenvolvida na cidade de Sobral-Ce. Nesse sentido, o poetry slam, ou apenas slam, nasceu
nos Estados Unidos, na cidade de Chicago. É uma competição de poesia, realizada na rua e
traz a característica da junção de poesia falada e performance. Em Sobral-CE, o grupo recebeu
o nome de Slam da quentura, em homenagem ao clima quente da cidade. Sendo pioneiro no
Estado do Ceará, sua primeira apresentação aconteceu no dia 18 de março de 2017. O evento
é organizado por um núcleo orgânico de cinco pessoas e envolve jovens da periferia, negros/
as e LGBT’s, que se apresentam na Praça Quirino Rodrigues, ou praça do FB como é conhecida.
O Slam da quentura é realizado duas vezes ao mês e a competição funciona da seguinte
forma: cada pessoa recita uma poesia autoral, com um tempo máximo de três minutos e é
julgado por um júri popular. Os poetas são chamados de slammer e os jurados são pessoas da
plateia, escolhidas aleatoriamente pelo slam máster (apresentador). Esse trabalho objetiva
compreender como ocorrem as construções de corpos-memória, bem como sua relação com a
arte verbal e a performance no contexto do Slam da quentura. A metodologia empregada para a
construção dos dados da pesquisa foi de base etnográfica, considerando as reflexões acerca do
envolvimento e da presença da pesquisadora entre as/os sujeitas/os envolvidas/os no evento.
A etnografia teve início em março de 2017, e para este trabalho considerei os dados recolhidos
até abril. Além do método etnográfico, também fiz uso de entrevistas semiestruturadas com os
participantes. Alguns questionamentos que me surgiram enquanto pesquisadora foi como eu
iria manter a premissa da imparcialidade e distância mínima entre pesquisador/a e seu objeto
de estudo, dada a minha condição êmica (nativa)? Como iria eu analisar corpo e poemas que
também eram meus? Procurei, como disserta Da Matta (1974), tornar o familiar em exótico.
Com base na pesquisa desenvolvida, constatei que três marcadores sociais da diferença se
articulam para a efetivação das experiências dos/as poetas que participam do slam: raça,
classe e gênero. O que é apresentado através das palavras rimadas é uma realidade social que
perpassa os corpos e poemas de cada slammer. Os/as slammer rimam situações sociais que
fazem parte de suas vidas, tais como a vida na periferia, o racismo, o machismo e a LGBTfobia.
Em outras palavras, cada poeta fala daquilo que lhe afeta. O Slam da quentura mostra em suas
interfaces corpos e poesias construídos e transpassados por uma realidade social e um rede
de poder, discursos e papéis. Ao trabalhar autores como Deleuze e Guatarri, Foucault, Paola
Berenstein Jacques, cheguei à conclusão que esses poetas de rua são e representam um corpo-
político e um corpo-memória, que ocupa lugares da cidade onde eles são estranhos.

Palavras-chave: Slam; Rima; Corpo; Juventude.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
166
Reconfiguração dos campos de participação juvenil: Ação coletiva na ocupação Casa Amarela
Quilombo Afroguarany
Autores(as): Daniela do Nascimento Rodrigues (Secretaria Municipal de Educação de São Paulo)

Resumo:

Essa pesquisa trata do tema da juventude e participação cultural na Cidade de São Paulo.
Como objeto de estudo, a pesquisa se debruçou em conhecer e analisar as ações culturais de
artistas e coletivos juvenis que ocupam o Quilombo Afroguarany Casa Amarela. A intenção é
partir da análise macro da conjuntura das mobilizações que ocorreram na cidade em 2013
que tinha como objetivo a concretização do passe livre estudantil. A partir daí adentramos o
processo de organização interna que os coletivos juvenis construíram para existir e resistir na
ocupação da Casa Amarela, objeto deste estudo. De início é importante contextualizar que a
cidade de São Paulo é campo de disputa urbana entre os movimentos sociais e organizações
empresariais que fomentam a especulação imobiliária. Partimos da cartografia São Paulo
Ocupada - Cartografia das Juventudes Insurgentes na Cidade de São Paulo, coordenada por
Aluízio Marino. Observando atentamente a cartografia, damos conta que a cultura e a arte
estão na centralidade de muitas lutas dessa juventude urbana. Nesse sentido, observamos nos
processos internos de articulação desses/as novas formas de ressignificação da participação
juvenil neste contexto. O interessante na análise dessas ações é poder identificar o que
permanece e o que é (re)inventado nos modos de mobilização dos/as jovens. Tomando como
ponto de análise a organização de uma das ocupações culturais identificadas na cartografia
como Casa Amarela Quilombo Afroguarany, trataremos da singularidade de uma juventude
localizada num determinado território central urbano, que elabora processos de participação
democrática interna a partir de suas impressões como sujeito social, que lida e ressignifica o
que a sociedade lhe impõe como condição juvenil. Nesse sentido, identificamos características
no processo de ocupação, como a autogestão e organização dos espaços, o fato de ser um
movimento apartidário e, de agregarem várias bandeiras sociais. O objetivo principal era
compreender e descrever como se dá o processo de gestão da ocupação, bem como os espaços
de participação democrática nos momentos de decisão. Neste sentido, optou-se em conhecer
os coletivos que integram a gestão da ocupação, compreender e analisar como se dá o processo
de participação cultural desses/as jovens e o diálogo, o processo de planejamento conjunto e
o papel da cultura como campo privilegiado para a sociabilidade e visibilidade juvenil. Temas
como a socialização e a sociabilidade juvenil, o entendimento de direito à cidade, a cidadania
cultural, cultura periférica, participação cultural, cidadania ativa, resistência e empoderamento
são apontados neste estudo com as colaborações das fontes bibliográficas de autores/as como
David Harvey, Helena Abramo, Paulo Carrano, Juarez Dayrell, Luiz Antônio Groppo, Marilena
Chauí.

Palavras-chave: Juventude; Participação; Cidadania Cultural; Ação Coletiva; Cultura Periférica.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
167
OcupARTHE - Práticas Artísticas e de Ocupação de Coletivos Juvenis em Teresina-PI
Autores(as): Luciana de Lima Lopes Leite (UFPI), Francisca Verônica Cavalcante (UFPI)

Resumo:

O crescente surgimento de coletivos juvenis em Teresina/PI, entre os anos de 2013 e 2016,


cujas partes se uniram “por questões de ordem pública, pelo princípio humanista, pela prática
da vida coletiva, pelas novas possibilidades do exercício da arte” (MITSUE, 2012: 16), bem
como a experiência como ARTEvista¹, nos despertou a necessidade de estudar a existência
desse Ser coletivo que se manifesta a partir de processos de identificação, interesses comuns
e mobilizações coletivas juvenis de práticas artísticas e ocupações dos espaços públicos.
O trabalho apresentado é, além de parte da pesquisa de Mestrado que desenvolvemos no
Programa de Pós Graduação em Antropologia – PpgANT, pela Universidade Federal do Piauí,
com o tema “Práticas artísticas de resistência nas ocupações OcupARTHE e OcupaMinC/PI, em
Teresina/ PI, nos anos de 2014 a 2016”, um relato de experiência junto ao coletivo OcupARTHE,
criado em 2014, em Teresina/PI, do qual fazemos parte. O estudo fundamenta-se nas pesquisas
sobre coletivo de Claudia Paim(2012), Fabiana Mitsue (2013) e Lucia Rocha (2009); e nas
teorias da Antropologia Urbana, destacando Gilberto Velho e Magnani. A metodologia é a
observação participante, diário de campo, entrevistas e registros áudio visuais. Entendemos
coletivos como uma forma de agrupamento que “sob o mesmo nome atuam conjuntamente,
de maneira autoconsciente e não hierárquica. Têm como tática mostrar-se, narrar-se,
representar-se” (PAIM, 2012). Interessa-nos o conceito de coletivo relacionado à grupalidades,
mas também ao “conjunto de discussões sobre arte e outros campos, a uma linha de proposta
estético-política, a dinâmica de organização grupal e a questionamentos sobre diferentes
níveis e planos nos quais a política se localiza no fazer artístico” (ROCHA, 2009), em que a
juventude é protagonista, e as vozes que constroem uma narrativa sobre/para a cidade através
das ocupações, encontrando “algumas possibilidades concretas para a re-interpretação de
realidades sociais” (BEDOIN; MENEZES, 2014). As práticas juvenis de coletivos de ocupação
criam lugares, mesmo que efêmeros, transformam a paisagem, ressignificam conceitos, têm
implicações políticas e sociais. As proposições do OcupARTHE buscam chamar atenção para
o descaso com o Patrimônio, Memória e História de Teresina, onde foi implantado um modelo
de desenvolvimento urbano que prioriza interesses econômicos de uma minoria, deixando de
lado os anseios de grande parte da população, inclusive da juventude. Entre 2014 e 2016, o
coletivo ocupou Universidade, Mercado Central, Metrô, Praças, Ruas, realizando exposições
– em que os objetos e obras podem ser levados por quem passar –, oficinas, apresentações
musicais, dança, intervenções urbanas com graffiti, pôster-lambe e performances, convidando
a comunidade a pensar, sentir, ocupar a cidade, impulsionando inclusive a formação de outros
coletivos de uma juventude que [r]existe com Arte.

Palavras-chave: Coletivo; Ocupação; Arte; Resistência; Ocuparthe.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
168
Salve Rainha e alternatividade em Teresina: diferença e singularidade
Autores(as): Caio Bruno Silva do Carmo (UFPI)

Resumo:

O Salve Rainha é um evento que ocorre em Teresina-PI. O coletivo se organiza principalmente


por meio de temporadas regulares, ocupando ruas ou imóveis antigos da cidade e promovendo
em domingos seguidos, gratuitamente, shows, exposições de arte, performances, feira e
rodas de debate. O Salve se enquadra no calendário da cidade como um dos principais
acontecimentos do construto cultural dito alternativo. Esta pesquisa surgiu com o objetivo
de fazer um mapeamento etnográfico geral de tal cena alternativa (onde o Salve Rainha
ocupa lugar de destaque). A experiência de campo, no entanto, nos trouxe questões ainda
mais vertiginosas, mudando a natureza do próprio problema de pesquisa e trazendo diferentes
pontos de vista sobre o conceito de experiência antropológica. Assim, propomos um problema
de pesquisa focando nas sutilezas, controvérsias e atravessamentos: como a cena alternativa
se apresenta não só como categoria antropológica distinta (o outro), mas principalmente como
a noção de alternatividade emerge enquanto operação singular da tessitura social? Mapear os
atravessamentos, sutilezas e diferenças que compõem a alternatividade da cena teresinense,
usando o Salve Rainha como recorte analítico. Por ser um coletivo majoritariamente jovem
(no sentido de um estilo de vida outro) e voltado para a reinvenção da cultura “local” por meio
das artes e do entretenimento, este relato de pesquisa se enquadra no eixo 8, “Juventudes,
artes e cultura”. Pela distância que a experiência empírica nos deu das abordagens mais
tradicionais de pesquisa em Ciências Sociais, consideramos que nosso enquadre teórico é
de roupagem contemporânea. O trabalho faz conexão direta com os estudos sobre processo
de subjetivação, com as ideias de antropologia simétrica e pós-social, tudo envolto pelo
universo da filosofia pós-estrutural. Os métodos adotados foram o “rastreamento descritivo”
e a “cartografia das controvérsias”. O rastreamento busca descrever experiências variadas
tendo somente o conceito de alternatividade como atravessamento comum, sem recortes de
gênero, raça, idade ou comportamento. O segundo coloca a contradição como importante
ferramenta de entendimento de qualquer realidade social. 1. Salve não é um evento central,
a cena alternativa teresinense é horizontalizada. Existem várias cenas e juntas elas compõem
uma rede rizomática sem centro ou eixo principal. 2. As cenas têm a diferença como fator
unificador e geracional, ao contrário do que supõe maior parte da literatura sobre estudos de
grupos. 3. A alternatividade também pode ser cooptada pelo capital, se fixando e deixando
de ser nômade. Entender a formação das subjetividades é fundamental para localizar a tal
alternatividade social. Pela ótica da simetria, a pergunta que o pesquisador faz ao seu campo,
o objeto também faz para a própria antropologia, uma vez que a realidade não diz respeito
somente aos aspectos identitários. A alternatividade nos faz pensar numa ontologia de vida
outra, baseada na diferença e na singularidade.

Palavras-chave: Salve Rainha; Antropologia; Alternatividade; Diferença; Teresina.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
169
Cinema e juventude: indústria cinematográfica e a produção de paradigmas identitários.
Autores(as): Elói Beltrami Doltrário (Deeper Produções)

Resumo:

A partir da segunda metade do século XX, a indústria cinematográfica voltou-se com particular
atenção para os jovens, o público mais assíduo das salas de cinema desde então. Buscando nas
vivências juvenis por referenciais temáticos que possibilitem produções de maior aceitação e
lucratividade, os filmes ocupam até hoje um papel importantíssimo na própria construção dos
paradigmas identitários que influenciam os jovens espectadores espalhados por todo o mundo.
A presente pesquisa analisou quatro blockbusters do início dos anos 2000 com o objetivo de
mapear os principais conceitos sobre juventude expressos por meio de suas narrativas. Foram
eles: Crepúsculo e Meu Nome Não É Johnny, lançados em 2008, e O Espetacular Homem-
Aranha e Jogos Vorazes, lançados em 2012. A seleção dos filmes foi feita com base em seus
personagens principais e nos resultados comerciais que obtiveram: são títulos protagonizados
por jovens e que ficaram entre as maiores bilheterias dos respectivos anos. A análise realizada
teve como objeto de estudo quatro obras audiovisuais produzidas inicialmente para o cinema,
mas construiu-se a partir de um método que pode ser aplicado a diversas peças, inclusive
as que são veiculadas por meio das chamadas novas mídias. Este método orientou-se pelos
fundamentos da Análise do Discurso, partindo das principais enunciações sobre juventude
presentes nos filmes estudados e buscando relacionar a estruturação dos textos aos lugares
sociais que os tornam possíveis e que eles próprios possibilitam. É também um trabalho que
remeteu a diversos conceitos de identidade presentes nas obras de Anthony Giddens, Stuart
Hall, Benedict Ander son e, sobretudo, Zygmunt Bauman. Buscou relacionar o processo de
construção da identidade – que não finda, mas é comumente associado às vivências adolescentes
e juvenis –, aos paradigmas propagados meio da indústria cultural. Os fragmentos extraídos
foram transcritos e agrupados segundo seis categorias que refletem algumas das principais
temáticas presentes na literatura sobre juventude: conflitos geracionais, transgressão,
notoriedade, emprego e renda, identidade e efemeridade. Estes conceitos e enunciados estão
em constante disputa e os discursos concorrentes estão fundados em relações de poder
bastante assimétricas. A grande mídia é responsável por uma circulação de informações
sem precedentes na história humana, colocando em contato trajetórias que há algumas
décadas jamais se cruzariam, nutrindo sonhos por vidas que outrora não seriam possíveis ou
imagináveis, mas é também mecanismo de padronização de pensamentos e condutas, que, em
última instância, servem aos interesses mercadológicos da indústria cultural. Ajudados pela
fragilidade das instituições tradicionais de educação, os discursos difundidos massivamente
desempenham uma significativa função socializadora e os trechos fílmicos analisados por esta
pesquisa se prestam a alguma elucidação deste processo.

Palavras-chave: Cinema; Identidade; Indústria Cultural; Paradigmas Juvenis.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
170
Arte e Amizade na produção coletiva do Alumbramento
Autores(as): Antônio Elionardo da Silva Saraiva (UECE), Alexandre Barbalho (UECE)

Resumo:

Este trabalho propõe uma reflexão sobre os processos de produção artística do coletivo
Alumbramento, criado em 2006 a partir de alguns jovens atuantes na cidade de Fortaleza.
Até hoje, o coletivo produziu mais de 50 filmes, assim como trabalhos de intervenção urbana
e de cineclube. Inicialmente, a produção coletiva do Alumbramento era atravessada por
diversas linguagens artísticas (cinema, artes visuais, performance), geralmente com uma
hibridização entre os integrantes para as funções de seus trabalhos - característica muito
presente na própria formação de alguns dos realizadores a partir de espaços como a ONG
Alpendre e a Escola de Audiovisual da Vila das Artes, onde se encontraram para a criação do
coletivo.Como situam Martha Marín e Germán Muñoz, para que um grupo de jovens constitua
uma cultura juvenil é preciso que se expresse através da dimensão da criação, que “trata de
múltiplos e diversos ‘agenciamentos coletivos de nossa época’”. Procedimentos de criação
e de produção de conhecimento que possibilitam a transformação de si e a constituição de
subjetividades coletivas. Esse modo de criação é entendido não só no campo das linguagens
artísticas, mas também na transformação da vida em arte. Nesse sentido, interessa-nos pensar
como o Alumbramento consegue criar as suas próprias condições de produção, realização e
exibição para os seus trabalhos, tencionando outros modos de produção industriais. Pensamos
com Cezar Migliorin, que os coletivos operam numa lógica pós-industrial, na qual as funções
são mais colaborativas, agindo por uma política dos afetos, das amizades e do desejo de
criação coletiva. Nesse sentido, mais do que uma objetivação profissional, característica do
modo industrial de produção capitalístico, o que percebemos na atuação dessas jovens, que
integram o coletivo Alumbramento, é uma afirmação da condição amadora, a qual possibilita
uma maior liberdade de criação, independente de recursos de fomento estatais. No entanto,
pensamos que é por uma partilha de sensibilidades, em diálogo direto com Jacques Rancière,
que podemos entender como uma prática artística coletiva atua politicamente, ou seja, como a
criação estética do coletivo Alumbramento é agenciada por posicionamentos éticos, estéticos
e políticos que são potencializadas por micropolíticas da amizade. Por estas entendemos, a
partir de uma perspectiva cartográfica de Félix Guattari e Suely Rolnik, os modos moleculares
de produção de subjetividade que desterritorializam as linhas molares de uma lógica industrial,
individual e capitalística, ainda operantes na criação artística do cinema e do audiovisual. Com
Agamben, Derrida e Foucault, compreendemos a amizade como uma imanência e um modo
de dessubjetivação, ou seja, como políticas que emergem da própria co-divisão da existência
entre os jovens que atuam coletivamente com a arte.

Palavras-chave: Audiovisual; Amizade; Política; Coletivo.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
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171
Gestos coletivos e luminosos: intervenções audiovisuais urbanas em Fortaleza
Autores(as): Aline Mourão de Albuquerque (UFC), Deisimer Gorczevski (UFC), Bruno Ribeiro
Pinto (ifce), Maria Fabiola Gomes (UFC), Priscilla Alves de Sousa, Sabrina Késia de Araújo
Soares (FaC)

Resumo:

O exercício de observar a paisagem urbana e os movimentos de criação e resistência, nas


cidades brasileiras, com toda a diversidade sociocultural e artística potencializada por inúmeros
coletivos e associações, disparam provocações e questionamentos que nos propõem a pensar
a relação entre arte e política. Nesse trabalho, interessou-nos cartografar práticas audiovisuais
coletivas, em especial, as intervenções urbanas – com o Cine Ser Ver Luz e o Luzes do Farol -
que propõem espalhar gestos luminosos tornando visíveis singularidades de viver e conviver
em espaços pouco conhecidos e, muitas vezes, esquecidos, em Fortaleza. Com aspiração nas
intervenções realizadas no Farol do Mucuripe, patrimônio histórico em estado de abandono
e descaso do poder público, no bairro Serviluz e em prédios abandonados, no Vicente Pinzón,
trazendo a tona questões|problemas que sugerem o urbano como plano de intervenções e a
arte como política que resiste à captura do sensível. Situada no nordeste do Brasil, Fortaleza é
uma cidade que vem expandindo suas redes de criação, produção, circulação e, em especial, a
formação audiovisual, mobilizando jovens a criarem imagens de si e do mundo com distintas
tecnologias e materiais de expressão, assim como artistas e estudantes universitários – que
atuam em coletivos e associações – a compartilharem fazeres-saberes e afetos em distintas
ações artísticas e comunicacionais. Entre as intervenções urbanas e audiovisuais analisadas,
chamou-nos atenção o envolvimento e as alianças entre o Coletivo AudioVisual e o Servilost na
criação e no desejo por espaços de encontro lúdicos e inventivos. Experiências de fruição que,
ao proporem modos singulares de exibição audiovisual, ampliam as expressões do sensível,
trazendo à tona problemas e potencialidades afirmando o lugar de moradia, os espaços de
participação comunitária e a produção audiovisual como política ativa que fortalece a relação
entre a experiência ética e estética na construção do conhecimento. O estudo é um recorte de
uma pesquisa mais ampla que vem analisando intervenções sonoras, visuais e audiovisuais e
problematizando o ato de pesquisar, intervir e inventar encontros entre moradores|artistas|
estudantes|pesquisadores. Experimentações que desacomodam e provocam deslocamentos
de lugares pressupostos, trazendo propostas às políticas públicas e governamentais ao afirmar
o exercício estético como ato político e social. Uma das estratégias para dar conta do exercício
teórico-metodológico vem sendo operada com as contribuições da Cartografia e da Pesquisa-
Intervenção. A pesquisa Coletivo AudioVisual do Titanzinho – Cine Ser Ver Luz iniciou em 2014
com a coordenação do Laboratório Artes e Micropolíticas Urbanas – LAMUR, amparado no
Programa de Pós-Graduação em Artes, do Instituto de Cultura e Arte da Universidade Federal
do Ceará.

Palavras-chave: Intervenções Urbanas Coletivas; Arte e Política, Coletivo Audiovisual, Servilost,


Pesquisa-Intervenção e Cartografia.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
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172
Juventude, Trabalho e Produção: Sabores da Amazônia
Autores(as): Francisco Barbosa Malheiros (UNIFAP), Débora Mate Mendes (UFPA), Marlo dos
Reis (UNIFAP), Zenaide Teles de Oliveira (UNIFAP)

Resumo:

O documentário Juventude da Floresta em Movimento apresenta as principais atividades


produtivas desenvolvidas pela juventude do campo, da floresta e das águas na Amazônia
amapaense. Os protagonistas desta produção cultural são jovens estudantes da Licenciatura em
Educação do Campo da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) e das Escolas Famílias (EFAs)
do Município de Mazagão (EFA – Carvão e EFA – Maracá). Todos com origens de populações
tradicionais, como ribeirinhos, quilombolas, extrativistas, agricultores familiares, entre outros.
O processo de produção contou com financiamento do CNPq por meio da chamada MCTI/MDA-
INCRA/CNPq N°19/2014 – Fortalecimento da Juventude Rural. Objetivando a produção, criação
e divulgação de Produtos Culturais pela Juventude do Campo, das Águas e da Floresta no Estado
do Amapá e regiões vizinhas em Ilhas do Pará, foram realizadas oficinas de produção de vídeo
na qual os jovens participaram e receberam noções básicas sobre o assunto. Além disso, foram
discutidos os pontos que os jovens gostariam de registrar por meio do vídeo documentário,
sendo escolhida pelos mesmos, a maneira de desenvolver suas diversas formas de trabalho e
renda em suas respectivas comunidades. A juventude das águas trouxe o extrativismo do açaí
um dos principais produtos manejados nas florestas de várzeas na região das ilhas amazônicas,
sua participação direta na alimentação e na economia das famílias extrativistas. Junto ao açaí
apresentaram a pesca do camarão de água doce e sua importância no hábito alimentar e na
renda de centenas de famílias em trechos do estuário do rio Amazonas. Os jovens do campo
apresentaram o cultivo da mandioca, cultura bastante trabalhada pelos agricultores familiares
no município de Mazagão, mostrando seu manejo e processamento, destacando a importância
dessa atividade na geração de renda a esse público. A juventude da floresta mostrou a coleta
da castanha, seu processo de beneficiamento artesanal na produção de biscoitos e derivados,
a participação marcante das jovens mulheres envolvidas nesta cadeia produtiva e na feira de
comercialização localizada nas comunidades ao longo da estrada Macapá/Jari. Esses fatores
demonstram a especificidade do trabalho desses jovens. Dessa forma se configura a relação
com o GT e eixo temático – juventudes, artes e culturas - por tratar-se de “Produção cultural
e artística de jovens e para jovens”, visto que toda a elaboração contou com o protagonismo
dos participantes. Foram realizadas expedições em campo para produzir as imagens, com
foco especialmente no trabalho e organização da Juventude do Campo. O projeto fortaleceu
a organização dos jovens nas atividades por meio do uso de tecnologias digitais. Possibilitou
também a oportunidade de atuar como protagonista, registrar seu meio e modo de vida e
qualificar sua participação nos movimentos comunitários. Fotografar e filmar sua própria
realidade lhes permitiu uma visão ampliada do seu próprio contexto, antes não percebido,
fortalecendo assim sua identidade como jovens do campo, das águas e das florestas.

Palavras-chave: Juventude; Trabalho; Produção.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
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Vidas, Cores e Sons pela Juventude da Amazônia
Autores(as): Zenaide Teles de Oliveira (UNIFAP), Débora Mate Mendes (UFPA), Francisco
Barbosa Malheiros (UNIFAP), Marlo dos Reis (UNIFAP)

Resumo:

O presente relato configura-se como fruto de experiência vivenciada por jovens de 15 a 29


anos, tendo como objetivo o fortalecimento da Juventude Rural na perspectiva de qualificar o
trabalho de Jovens extrativistas, quilombolas, ribeirinhos e agricultores do Estado do Amapá.
O projeto foi financiado com recursos aprovados na chamada MCTI/MDA-INCRA/CNPq N°19 –
Fortalecimento da Juventude Rural e foi desenvolvido por meio de parceria entre a Universidade
Federal do Amapá (UNIFAP), as Escolas Família Agroextrativista do Carvão e do Maracá (EFAs)
e o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), como parte da construção de um
processo mais amplo que é o Residência Agrária Jovem. As EFAs são escolas comunitárias que
desenvolvem ensino fundamental e médio por meio da Pedagogia da Alternância e o CNS
é uma organização que representa trabalhadores agroextrativistas de diversas associações,
cooperativas e sindicatos com atuação predominante na região Amazônica. Com esses
atores se construiu o projeto para a criação e divulgação de produção cultural realizada
pela juventude rural na Amazônia amapaense, o que vincula este trabalho ao GT e eixo
temático – Juventudes, artes e culturas - , por tratar-se de “Produção cultural e artística de
jovens e para jovens”. A orientação teórica que sustenta o trabalho tem representantes de
temáticas distintas, sobre Juventude temos como referência Dayrell, Castro, sobre Educação
serão aprofundados Freire, Arroyo, Gimonet e sobre Campo são apresentados Molina, Caldart
e Hage. As atividades do projeto seguiram a metodologia da Pedagogia da Alternância em
distintos tempos e espaços de formação articulados entre si. Sua operacionalização ocorreu
por meio de módulos de capacitação em produção artística e cultural no período de tempo
escola/universidade e no tempo comunidade os alunos desenvolviam planos de estudo de
acordo com a temática de cada módulo executado. O resultado do trabalho produzido pela
juventude da floresta configurou-se em quatro grandes produções, por meio de Fotografia,
Música e Filmagem: Exposições Intinerantes de Fotografias que retrataram o dia-a-dia dos/as
jovens (trabalho, lazer, modo de vida, etc.); Publicação de Livro com 200 exemplares contendo
registros fotográficos feitos a partir da vivência dos jovens durante o tempo comunidade;
Realização de um Festival de Música da Juventude que culminou com a gravação de um CD de
músicas inéditas, produzidas pelos jovens de vários municípios do Estado do Amapá com 1000
cópias; e Produção de Vídeo Documentário destacando quem são e como vivem os jovens do
campo, das águas e da floresta. O projeto se desenvolveu em contextos diferentes e possibilitou
a criação de um verdadeiro processo artístico da juventude da floresta que evidenciou por
meio da sensibilidade dos jovens as diferentes identidades, as riquezas e belezas da Amazônia.

Palavras-chave: Juventude; Protagonismo; Produção Cultural.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
174
Produção audiovisual de jovens em escolas públicas do Rio de Janeiro
Autores(as): Mirna Juliana Santos Fonseca (PUC-Rio)

Resumo:

A maior parte das pesquisas até então realizadas sobre audiovisual na escola estão voltadas
para a análise do papel motivador que os filmes e sua produção estabelecem no cotidiano
da escola, saindo um pouco da rotina, promovendo outra relação entre professor e alunos
para a produção de filmes. De acordo com Toledo (2014), as atividades que saem do
modelo estabelecido de quadro e giz conseguem alcançar os alunos que apresentam baixo
rendimento escolar, problemas de indisciplina, absenteísmo, problemas de relacionamento
com colegas e professores entre outros comportamentos que dificultam sua aprendizagem.
Isso é especialmente válido quando se trata de produção audiovisual. Nessa perspectiva, nossa
proposta pesquisa tem por objetivo descrever o processo de aprendizagem da linguagem
audiovisual na escola e compreender sua contribuição para a relação dos alunos com a escola
e com os conteúdos escolares. Sendo assim, buscamos compreender: fazer filmes na escola
contribui para a aprendizagem escolar? Na relação com a imagem, o sujeito se apropria de
conceitos importantes para essa aprendizagem? A produção de filmes pelos alunos interfere
na relação que eles estabelecem com a escola? Para tanto, estamos observando duas turmas
de alunos de 8º e 9º anos do ensino fundamental que fazem oficina de cinema em uma escola
da rede municipal do Rio de Janeiro. As visitas são semanais e pretendemos observar as
atividades desses grupos durante um ano, numa pesquisa de cunho qualitativo. Como Migliorin
(2014), compreendemos que o cinema entra na escola como uma possibilidade de ver o mundo
pelos olhos do outro. A partir do olhar de Bergala (2008), entendemos o audiovisual na escola
como propulsor de mudanças no modo de ver e de relacionar-se com o mundo, ou uma
outra maneira de interagir com a arte cinematográfica. De acordo com Fresquet (2013, p. 26),
defendemos essa proposta ao entender que: “A relação com o mundo atravessada pela câmera
produz uma determinada vivência para o aprendente/espectador criador, que é fortemente
transformadora.”

Palavras-chave: Produção Audiovisual; Cinema e Educação; Escola; Aprendizagem Escolar.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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175
Programa Conexões Periféricas: as práticas comunicacionais vivenciadas pelos jovens do Cuca
Mondumbim
Autores(as): José Augustiano Xavier dos Santos (UFC), Catarina Tereza Farias de Oliveira (UFC)

Resumo:

O presente artigo tem como proposta realizar uma análise sobre as práticas comunicacionais
presentes nos processos de produção do programa “Conexões Periféricas”. O programa é
realizado por jovens alunos do Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte (Cuca) do
bairro Mondubim, em Fortaleza, desenvolvido pela Prefeitura de Fortaleza e a TV Ceará. O
objetivo do artigo é verificar em que medida os jovens participantes do Cuca Mondubim são
ativos nos processos de criação, produção e finalização do programa “Conexões Periféricas”.
Nossa intenção é compreender de que modo os jovens estão preparados, tanto para cumprir
funções técnicas como: produção, apresentação e edição dos programas, quanto desenvolver
os temas que são propostos nas pautas do mesmo. Entendemos que a pesquisa dialoga com a
proposta do GT, a partir do eixo: “a dimensão coletiva das práticas culturais juvenis”. Essa relação
ocorre porque a investigação proposta elabora uma reflexão sobre práticas comunicacionais
vivenciadas por um grupo de jovens produtores de um programa de TV no espaço do Cuca
Mondubim, refletindo sobre os limites e perspectivas presentes nessas práticas em curso
em um espaço ligado ao poder público. As reflexões são construídas por meio da análise de
conteúdo de 12 programas produzidos entre agosto e dezembro de 2016. Para compreender
o sentido das ações dos jovens no Cuca, utilizamos o método etnográfico. Desse modo, foram
realizadas entrevistas com os jovens participantes da ação e acompanhamento etnográfico de
reuniões de pautas e das gravações para a composição dos programas. É importante ressaltar
que, o envolvimento e a presença constantes nas atividades em curso nos espaços do Cuca
Monduim, foram fundamentais para descobrirmos um campo mais complexo e diversificado,
que jamais poderia ser encontrado se não compreendêssemos a importância de estarmos
inseridos, de forma permanente, nos processos vividos pelos jovens. Em termos teóricos,
trabalhamos com as categorias de comunicação popular, comunicação pública e apropriação
para problematizarmos como os jovens vivem suas produções no contexto institucional do
CUCA. Com base nas reflexões teóricas e metodológicas, concluímos que há um envolvimento
expressivo dos jovens participantes nas práticas do processo de produção do programa. Ou seja,
os jovens dominam os processos técnicos, mas ainda há certa fragilidade no que diz repeito
ao domínio das temáticas abordadas nos programas analisados. Isso pode ser compreendido
pelo pouco espaço destinado para formação, discussão e reflexão de temas ligados a questões
sociais e culturais. Desse modo, entendemos que o Cuca Mundubim necessita criar mais espaços
voltados para a formação e discussão de temáticas sociais com os jovens envolvidos. Uma
reflexão mais geral defende que a formação dos jovens para trabalhar com comunicação
envolve processos de educação em profundidade nas dimensões: humana, cultural, artística
e não somente técnica.

Palavras-chave: Juventude; Comunicação Popular; Apropriação.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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176
GT 02 - Artes, medo e resistências juvenis em territórios de violências
Coordenadores: Ricardo Moura Braga Cavalcante (UFC), Francisco Rômulo do Nascimento Silva
(UECE) e Geovani Javó de Freitas (UECE)

Resumo Geral:

Nos bairros socialmente estigmatizados, adolescentes e jovens são assassinados com uma
constância que já não mais causa surpresa aos demais moradores. São mortos que já eram
considerados mortos no plano das hierarquizações simbólicas da gramática moral que orienta
os habitantes da cidade. Tal situação encontra-se mais presente em territórios que podem ser
compreendidos como “campos”, na terminologia de Agamben, onde se é permitido eliminar
os seres indesejáveis, onde o Estado cumpre de maneira indolente seu papel de garantir a
segurança de todas as vidas e não somente das pessoas consideradas “cidadãs”. São áreas em
que o Estado nem sempre mata, mas deixa morrer. Tal situação se faz presente nas ocupações,
nas áreas de risco, nos interstícios urbanos que se criam às margens de largas avenidas e
grandes prédios. Todos esses espaços são loci de circulação/reprodução de gerações inteiras
cuja existência podem ser percebidas como “vidas nuas” habitando espaços que propomos
definir teoricamente como territórios de exceção. No entanto, é em meio a esse mesmo
cenário de conflito conflagrado que adolescentes e jovens resistem e constroem sociabilidades
que buscam sedimentar uma trilha que vá além do ingresso no mundo do crime ou da mera
assimilação passiva do papel social que lhes é imposto como moradores de periferia. Os
veículos para que isso ocorra são os mais diversos: oficinas de arte, grupos culturais, associações
esportivas, comunicação comunitária, entre outras agências. Denominamos frouxamente
de “artes” todas essas manifestações a fim de ampliar o escopo de atividades desenvolvidas
pelas juventudes em contextos de violência. Entendemos que a arte também é uma forma
de resistência. Criar é resistir efetivamente, como dizia Deleuze. Mais que reforçar oposições
ou perpetuar concepções estigmatizantes dos jovens e de seus espaços de atuação, nos
interessa a produção de multiplicidades mobilizadoras de afetos. Pal Pelbart enfatiza o caráter
diagonal, híbrido e flutuante dos posicionamentos sociais na pós-modernidade, dissolvendo
assim os modelos identitários estanques e a cartografia naturalizada dos centros/periferias.
Mapear essas micropolíticas de resistência, registrar trajetórias juvenis e abrir espaço para
as reflexões teóricas que emergem dessas vozes é o objetivo deste GT. Para tanto, estamos
recebendo trabalhos que se insiram na proposta de uma antropologia da resistência, situada
em um contexto social de medo e violência disseminados, mas que compreenda a arte e a
comunicação como ferramentas de inclusão social, de denúncia e da constituição de lutas
subjetivas. A intenção é, seguindo Sherry Ortner, não só compreender os meios criativos com os
quais os agentes desafiam o modo como a ordem existente pode ser construída, mas esboçar
as visões alternativas de futuro incorporadas em tais movimentos. Trata-se, portanto, de fazer
crítica ao modelo vigente e, ao mesmo tempo, propor estudos que deem relevo às alternativas
criadas para a superação dessa realidade tendo como foco os jovens como protagonistas e
portadores de possibilidades.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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177
A mobilidade urbana de jovens pobres: entre o caos e a fruição, que caminho percorrer?
Autores(as): Sabrina Dal Ongaro Savegnago (UFRJ), Lucia Rabello de Castro (UFRJ)

Resumo:

A cidade é o espaço onde o encontro dos jovens com os diferentes parece decisivo para a
re-descoberta de si mesmo e de seu pertencimento ao mundo. No entanto, é através dos
caminhos percorridos no espaço urbano que o imprevisível e o incontrolável do convívio entre
os diferentes são passíveis de ser vividos e experimentados. Neste trabalho, pretendemos
analisar as mobilidades de jovens pobres cariocas na cidade, tendo em vista as experiências,
as percepções, os sentimentos e as construções de sentidos referidos pelos próprios jovens
em relação aos seus deslocamentos no espaço urbano, tendo como referência principal os
percursos realizados no ir e vir da escola. A escola se constitui em um contexto particular e
relevante para a investigação empírica destas questões, uma vez que pode ser considerada um
dos principais pontos de partida e chegada de deslocamentos e experiências juvenis. Foram
realizados grupos de discussão com 48 jovens, com idades entre 14 e 16 anos, estudantes de 9º
ano de escolas públicas municipais do Rio de Janeiro. Nos grupos de discussão, que ocorreram
no formato de oficinas, foi proposta a criação de desenhos e histórias sobre os trajetos “de
casa para a escola”, “de escola para casa” e “de casa para outros lugares” de personagens, que
fossem “jovens como eles”. A presente investigação encontra-se em andamento, em fase de
análise das informações. Os resultados parciais nos permitem observar que a mobilidade pela
cidade parece possibilitar aos(às) jovens o contato com as contradições da vida nas ruas, onde
são apresentadas vividamente relações de poder e desigualdades sociais. Em seus percursos e a
partir do encontro com o outro, os(as) jovens são confrontados com o pior da cidade - a pobreza,
o egoísmo, o desrespeito e a violência - elementos estes que compõe o que eles chamam de
“caos”. Segundo os(as) jovens, estar na rua significa estar à mercê de acontecimentos repentinos,
tais como tiroteios, assaltos e atropelamentos, o que provoca uma sensação de insegurança, ou
até mesmo a restrição de suas mobilidades. Todas estas experiências podem levá-los a mover-
se de um lugar para outro de forma defensiva, circulando de forma rápida e com cautela.
Os(as) jovens também apontam a vivência de diversos constrangimentos ao seu deslocamento
no espaço urbano, onde barreiras reais e simbólicas se impõem. O local de moradia, a raça, o
gênero, a classe social, a aparência e a forma de vestir parecem se constituir em fatores que se
tornam fonte de estigmas e preconceitos e, desse modo, contribuem para a restrição de suas
mobilidades na cidade. Para além do “caos” e das restrições ao deslocamento, a mobilidade
pela cidade oferece aos(às) jovens possibilidades de desfrute, entretenimento e convívio com
os pares. Nestes caminhos, é possível encontrar os pares para conversar, namorar, lanchar,
“zoar” e até “fazer nada”. Desse modo, a mobilidade destes(as) jovens no espaço urbano é
marcada por um tensionamento entre, de um lado, as possibilidades de fruição e convívio
com os pares, e de outro lado, o caos da cidade e todos os constrangimentos que podem ser
vivenciados durante seus deslocamentos.

Palavras-chave: Jovem; Mobilidade; Cidade; Escola.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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178
Análises sobre a realidade de jovens pobres que vivem na periferia de Sobral-Ce: Entre modos
de ser e modos de (vi)ver
Autores(as): Eliana Silva Pinheiro (FLF), Alexsandra Maria Sousa Silva (FLF)

Resumo:

Este trabalho é fruto de uma pesquisa em andamento, da Graduação em Psicologia que


abordará a relação entre Psicologia, Juventude e Pobreza. No Brasil, a população jovem
(entre 15 e 24 anos) cresceu expressivamente nas últimas décadas de 8,3 milhões em 1940 e
passou para cerca de 34,1 milhões em 2000. Segundo IBGE (2010), indica uma estimativa de
crescimento de 31,5 milhões de jovens em 2020, relevância está que o tamanho da população
jovem brasileira e nas implicações disso para o desenvolvimento de políticas públicas com
foco na garantia dos direitos da juventude pobre e marginalizada. Discutir sobre pobreza
implica problematizar uma dimensão unidimensional, focada na questão monetária e analisá-
la na perspectiva multidimensional, que inclui também outras dimensões, tais como culturais,
sociais e psicológicas que estão envolvidas na construção de suas identidades, seja do jovem
no campo ou na cidade. Essas condições de pobreza contribuem com processos de exclusão,
preconceito, humilhação e pode comprometer as expressões das potencialidades de vida
desses jovens que vivenciam condições de marginalização. Para melhor compreender essa
relação, partimos do referencial teórico-metodológico da Psicologia Comunitária. O objetivo
deste trabalho é analisar os possíveis impactos da pobreza no modo de vida dos jovens. A
metodologia será de base qualitativa, onde será feita uma pesquisa-intervenção com um
grupo de jovens em situação de pobreza, residentes na periferia da cidade de Sobral – Ceara,
através de oficinas temáticas e entrevistas individuais, com o intuito de facilitar a expressão
da identidade desses jovens e suas percepções acerca de suas condições psicossociais,
respeitando os procedimentos éticos que normatiza as pesquisas com seres humanos. Os
dados serão registrados em gravações de áudios, sistematizados e analisados, com base na
técnica de análise de conteúdo, com auxílio do software atlas t.i. Com esta pesquisa, espera-se
problematizar as desigualdades sociais e assim contribuir com desnaturalização da realidade
de pobreza no nosso país. Além disso, esperamos que, conhecer o modo de vida da juventude
possa oferecer subsídios para criação, implementação e desenvolvimento de políticas públicas
voltadas para o segmento juvenil, assim proporcionando oportunidades na vida destes jovens.
Justificativa com o eixo e o GT: Este trabalho está relacionado ao eixo 03, Juventudes e seus
territórios (Campo e Cidade), pois focaremos na realidade dos jovens que vivem em condições
de pobreza e desigualdades sociais, na cidade de Sobral - Ce. Nesse sentido, destacamos o GT -
Artes, medo e resistências juvenis em territórios de violências, pois abordaremos a construção
da identidade desses jovens que vivem em bairros periféricos, marcados pela violência, medo
e insegurança, próprio de uma cultura da pobreza.

Palavras-chave: Psicologia; Juventude; Pobreza.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
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179
Convivência, Sociabilidade Juvenil e Participação: possibilidades a partir da ação técnica
Autores(as): Marina Jorge da Silva (UFSCar)

Resumo:

A literatura e o cotidiano de trabalho têm demonstrado que as praças são de grande relevância
no espaço urbano, permitindo encontros, experiências e práticas coletivas entre distintos
grupos e gerações. Entretanto, é sabido que o acesso e circulação nesses espaços se modificam
frente às desigualdades inerentes às relações sociais. Configurando padrões diferenciados
de produção e ocupação do espaço urbano, a questão social incide fortes marcas sobre
possibilidades, vivências e modos de vida de diferentes grupos geracionais, destacando-se a
juventude. Pelo relato de experiência, busca-se refletir sobre a ação técnica para promoção
de espaços de convivência e sociabilidade a partir da ocupação de praças. Em uma praça
de um bairro periférico de uma cidade de médio porte do interior de São Paulo, território
caracterizado como de vulnerabilidade social, tem se empreendido ações de ensino, pesquisa
e extensão pela equipe do Laboratório METUIA do núcleo da Universidade Federal de São
Carlos. Partindo dos pressupostos teórico-metodológicos da terapia ocupacional social, são
realizadas semanalmente oficinas de atividades, dinâmicas e projetos, buscando problematizar
as conexões dos jovens com os espaços públicos, e as relações que estabelecem a partir
daqueles espaços, e ainda, potencializar suas possibilidades de participação e circulação
em seu bairro, e na cidade, de forma mais ampla. A busca pelo reconhecimento e oferta de
atividades de interesse daqueles jovens tem sido recurso estratégico para aproximação, e para
fazer frente ao estigma que os marcadores sociais de vulnerabilidade social daquele território
produzem sobre os jovens, extrapolando aquela localidade para o imaginário social de toda
a cidade. Entre os meninos, há aqueles envolvidos com o comércio ilícito de drogas, o que
frequentemente resulta na restrição de sua circulação e sociabilidade, em função da alta
exigência de dedicação do trabalho. Entre as meninas, a limitação dos espaços de circulação
e acesso a equipamentos públicos de convivência parecem reduzidos em face da reprodução
de modelos culturais machistas que as impossibilita de livre vivência naquele território. Desta
forma, o fomento à partilha de espaços de convivência tem sido o primeiro passo no estímulo
a trocas e construções conjuntas, tendo resultado em discussões sobre as liberdades em torno
das diferenças. Nesse processo, destacam-se relatos de frequentadores das oficinas sobre
aumento da circulação de diversos jovens naquele espaço durante o período em que se dão os
encontros. Embora muito ainda tenha que se avançar nos estudos sobre o tema, parece haver
indícios que a intervenção sobre espaços públicos pode ser entendida também como estratégia
de abordagem à restrição da cidadania dos indivíduos vulneráveis e invisíveis socialmente, pois,
igualdade e respeito à pluralidade, pressupostos à sociabilidade, são construções que podem
existir somente na esfera pública da vida. Defende-se a ação técnica como instrumento para
fortalecer a apropriação daquela praça pelos jovens, como espaço público, de convivência
com a diversidade, fomentando um lócus de efetiva participação.

Palavras-chave: Juventude; Sociabilidade; Território; Espaço Urbano.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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180
CUCA-Barra: que público o frequenta?
Autores(as): Luciene Ribeiro de Sousa (UFC), Catarina Tereza Farias de Oliveira (UFC)

Resumo:

Esta pesquisa pretende discutir a proposta do CUCA (Centro Urbano de Arte, Cultura,
Ciência, Esporte e Lazer), localizado na Barra do Ceará, denominado CUCA Che Guevara,
enquanto política pública para as Juventudes, no entanto problematizamos se na periferia
das metrópoles é possível criar um espaço delimitado aos jovens e como esse se constitui
em seu uso cotidiano para outros seguimentos que o procuram. O CUCA é um equipamento
cultural criado em setembro de 2009 na gestão da Prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins do
PT – Partido dos trabalhadores. A pesquisa busca entender como os frequentadores do CUCA
se apropriam deste bem cultural, bem como perceber se e como a questão desses usos se
estende para seguimentos além das juventudes. Nossa preocupação com essa problemática
se inicia quando passamos a acompanhar a frequência da Sala de cinema do Cuca da Barra.
Entendemos que o acesso a espaços de formação e exibição cultural por parte das classes
populares tem sido tema de discussões no que se refere à busca por uma maior igualdade
de condições para acesso à cultura, inserindo-as no contexto contemporâneo de partícipe da
esfera cultural. Assim, esse artigo se propõe a discutir como as políticas públicas vêm agindo
para inserir essa população neste âmbito, a partir de um equipamento cultural público, o
CUCA The Guevara, que tem uma proposta voltada essencialmente para as juventudes. O
eixo temático escolhido é Juventudes, artes e cultura, por abordar as políticas públicas que
fomentam práticas culturais feitas para e com as juventudes. Sendo o CUCA um equipamento
público, pretendemos neste estudo refletir sobre essa proposta e apresentar como ela ocorre
na pratica do cotidiano deste espaço cultural. Apesar do CUCA ofertar várias atividades
culturais, o lugar de onde pesquisamos foi delimitado a observar a sala de exibição de cinema
do Cuca Che Guevara e procurar entender seu uso pelas juventudes, bem como outros grupos
que venham a frequentar esse espaço. Para as reflexões teóricas nos fundamentamos com as
discussões sobre o acesso a bens culturais suas raízes históricas e processos de aculturação
trazidos por autores dos Estudos Culturais Latinos Americanos. Discutimos ainda os modos
de ver cinema e televisão das diversas classes, bem como o espaço que esse meio ocupa no
cotidiano das pessoas. Os autores mais presentes em nosso debate teórico são Martin-Barbero
e Garcia Canclini. Na metodologia para esta pesquisa, seguimos o método etnográfico, se
utilizando de observação participante, da entrevista aberta e compreensiva com o público de
cinema, bem como do vivenciar estar no grupo de espectadores de filmes na sala de cinema do
Cuca, da análise de documentos da proposta cultural do CUCA e de aplicação de questionários
para um conhecimento mais quantitativo do público que vai ao CUCA Barra em Fortaleza. O
acompanhamento da frequência às atividades do CUCA vem demonstrando a necessidade de
uma política pública com uma abrangência maior em termos de faixa etária, uma vez que
existe na periferia crianças e pessoas já adultas que também procuram usufruir do universo
cultural deste equipamento.

Palavras-chave: Cultura; Juventudes; Cinema.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
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181
Homicídios Juvenis: O Sentido dos Jovens do CUCA Jangurussu
Autores(as): Ana Jéssica de Lima Cavalcante (UFC), Veriana de Fátima Rodrigues Colaço (UFC)

Resumo:

Este resumo apresentará a pesquisa de mestrado em andamento intitulada “A Produção de


Sentido de jovens do CUCA Jangurussu sobre os Homicídios Juvenis” que está vinculada junto
ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Ceará. O tema
Juventude é bastante presente na contemporaneidade, seja nos ambientes acadêmicos, na
mídia ou no desenvolvimento de políticas públicas. De acordo com o Estatuto da Juventude
(2013), jovem é o indivíduo que está na faixa etária entre 15 e 29 anos. Porém, as maneiras
como as sociedades lidam com as transformações do indivíduo, causadas pela faixa etária,
são variadas, podendo assim sofrer modificações no tempo e no espaço. Dados do Mapa
da violência apontam que cerca de 70% dos jovens assassinados no Brasil são negros.
(WAISELFISZ, 2016). Fortaleza está no topo das estatísticas no que se refere a homicídios de
jovens e adolescentes. No ano de 2016 foi implementado, através da Assembleia Legislativa
do Estado do Ceará, o Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência, o qual
promoveu uma pesquisa para saber o perfil desses jovens assassinados. Constatou-se que em
5 anos o Ceará contabilizou 4470 homicídios na faixa etária de 10 a 19 anos, sendo que 2693
aconteceram em Fortaleza. Partindo desses dados faz-se a seguinte pergunta de partida: Como
os jovens, acompanhados no CUCA Jangurussu, produzem sentido sobre os homicídios juvenis?
Tendo como Objetivo Geral: Analisar os sentidos construídos por jovens, do CUCA Jangurussu,
a respeito dos homicídios juvenis. Os lócus da Pesquisa será o CUCA Jangurussu, uma Política
Pública de Juventude da cidade de Fortaleza, localizado na regional VI que possui cerca de
600 mil habitantes, dos quais 50% da população têm até 22 anos (IPECE, 2013). É uma das
regionais mais pobres da Capital cearense e com o maior índice de analfabetismo da cidade.
Estes bairros têm sido identificados pelas altas taxas de mortes violentas e homicídios. De
acordo com dados da Célula de Vigilância Epidemiologia da SMS em 2015, o bairro Jangurussu
figurou em primeiro lugar no número de homicídios, com um número de 88 mortos, desses 19
eram adolescentes e/ou jovens entre 10 e 19 anos, tais dados justificam a escolha do campo de
pesquisa. Para tal, teremos uma metodologia qualitativa, buscaremos a construção dos dados a
partir de uma Pesquisa Intervenção (CASTRO, 2008), de onde partirá a observação da realidade,
promovendo uma reflexão permanente sobre nossa prática com a finalidade de transformação
e de forma participativa, com instrumentos criativos como a fotografia e a arte. Serão um total
de 5 encontros. Além das gravações dos encontros, também comporá material de pesquisa os
diários de campo e outras produções dos participantes. A pesquisa já foi aprovada pelo Comitê
de Ética da Universidade Federal do Ceará e atualmente a pesquisa encontra-se na fase de
inserção do campo e tem tido uma boa aceitação dos jovens, já observou-se que a violência é
apenas uma das vulnerabilidades vivenciadas pelos jovens atendidos por este equipamento.

Palavras-chave: Juventude; Violência Urbana; Homicídios.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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182
Jovens em trajetórias ativas: o caso dos/as articuladores/as territoriais no Programa Caminho
Melhor Jovem
Autores(as): Mônica Pereira do Sacramento (PENESB/UFF)

Resumo:

O trabalho sintetiza as lições aprendidas em torno da articulação de jovens moradores/


as de 15 favelas, com Unidades de Polícia Pacificadora, e/ou em processo de instalação,
profissionais de um programa do governo do estado do Rio de Janeiro com financiamento
do Banco Interamericano de Desenvolvimento. As reflexões apresentadas resultam do
acompanhamento técnico a processos formativos e mediação de grupos, envolvendo 80
jovens, em média, no período de 2013 a 2016, tempo de desenvolvimento do programa
Caminho Melhor Jovem. A seleção das estratégias metodológicas para a sistematização da
experiência faz uso de multimétodos (observação de dinâmicas de grupo, plenárias, grupos
focais, entrevistas individuais), na tentativa de capturar com maior amplitude as percepções
sobre suas trajetórias e projetos pessoais e profissionais; sobre as ações governamentais em
curso e as expectativas em relação à vivencia da condição juvenil nos territórios onde residem.
Considerando o dinamismo do mundo atual, adotaram-se como conceitos orientadores a
Diversidade e a Interseccionalidade (de identificar-se e representar-se; de viver a juventude;
de realizar escolhas; de projetar suas trajetórias; de circular pela cidade e pela “favela em que
nasceram!”), para a compreensão sobre suas escolhas na composição de suas trajetórias. Com
idade média em torno de 20 - 21 anos, autodeclarados/as, em maioria, como negros/as (pretos
e pardos), o grupo apresenta prevalência de jovens mulheres. A maior parte dos/as jovens
possui Ensino Médio completo, tratando-se, para muitos/as, da primeira inserção no Mundo do
Trabalho. Em um contexto biográfico cada vez mais violento, complexo, contraditório e hostil
frente à afirmação de suas inscrições identitárias e escolhas biográficas, em torno da metade
já possui filhos/as, e/ou são responsáveis pelos seus domicílios. Colocam em evidência o
desafio permanente de administração de seus cotidianos, apresentando ambigüidades quanto
aos modelos e representações associadas ao prestígio e ao sucesso social, e no processo de
definição de elementos de auto-suficiência e autonomia ao dar encaminhamento a projetos
futuros. Em alguns casos, associam o desempenho da função de articulação territorial no
programa como uma estratégia, em suas trajetórias, para a conciliação de projetos individuais
que articulam a relação trabalho- sobrevivência à motivação para colaborar com a vida no
local onde residem. Desempenhando papel de mediadores/as sociais difundem práticas locais,
valores e saberes territoriais acumulando, em seu conjunto discursivo, repertórios em torno da
afirmação de identidade(s) conjugadas e da afirmação de direitos e garantias sociais. Disputam,
por meio delas, novas perspectivas sobre o uso de múltiplas linguagens, representações,
modos de apresentar-se e construir narrativas sobre si, e sobre suas coletividades, em que
resistência, criatividade, persistência e superação pessoal são apresentadas como atributos
a serem reconhecidos e valorizados na formulação de novas iniciativas voltadas para os/as
jovens moradores de favelas cariocas.

Palavras-chave: Políticas Públicas; Jovens Negros/as; Favela; Trajetória; Mobilização.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
183
Juventude e território: uma nova afirmação da vida
Autores(as): Camilla Fernandes Marques (UCDB), Anita Guazzelli Bernardes (UCDB), Priscilla
Lorenzini Fernandes Oliveira (UCDB)

Resumo:

Esta discussão emerge de uma pesquisa de doutorado em psicologia que objetiva analisar de
que modos se forjam vidas possíveis a partir das práticas de governamentalidade, no que tange
as políticas públicas da assistência social. Os operadores teórico-metodológicos são autores
da perspectiva pós-estruturalista, tais como, Michel Foucault, Gilles Deleuze, entre outros. A
cartografia é o dispositivo metodológico utilizado que permite ao pesquisador implicar-se no
campo social, rastrear processos, acionar níveis sensitivos de afetação em diversos planos de
intensidade. Relaciona-se, assim, ao eixo temático 3. Juventude e seus territórios. A juventude,
nesta pesquisa, se conecta às práticas de governamentalidade, a partir do encontro com uma
jovem de 19 anos cuja ocupação/profissão de artista de rua fez com que fosse acionado o
Serviço Especializado de Abordagem Social – SEAS, ligado a Proteção Social Especial dentro da
Secretaria Municipal Assistência Social. O SEAS tem por finalidade identificar por meio de busca
ativa no território a não incidência de violações de direitos, de modo a assegurar o trabalho
social por meio de ações programadas e continuadas, promovendo o acesso à rede de serviços
socioassistenciais e outras políticas públicas na possibilidade da garantia dos direitos. A
captura da vida dessa jovem não se deu simplesmente por estar na rua exercendo sua atividade
laborativa, mas por encontrar-se com seu filho de 7 meses no carrinho, embaixo de uma grande
árvore em uma das principais avenidas de cidade. A jovem foi encaminhada posteriormente ao
Centro de Referência de Assistência Social – CRAS, a ação se constitui pautado em um saber
legitimado em materialidades, como nos documentos oficiais, que enquadram certas práticas
em normativas para determinadas categorias da população. Entende-se que esta captura se
dá por meio do contato com o poder, por meio de práticas no território onde a população se
encontra, tornando-o o espaço mediante o qual a vida passa a ser regulada. Mas, ao mesmo
tempo, a partir deste contato se ilumina a vida desta jovem tornando possível visibilizar um
exercício cotidiano de afirmação de uma nova modalidade existência, no que diz respeito a
jovem se identificar como mochileira [viajante independente], artista e artesã de rua, e nesta
trajetória colocar os cuidados que tem com seu filho em primeiro lugar, quando menciona “a
fralda do meu filho em primeiro lugar,” “mínimo que eu tiro é R$40,00 por dia”, “eu só trabalho
de manhã, porque de tarde o sol é muito quente para ficar andando com meu filho, só levo ele
junto porque não tem vaga no CEINF” e “se não for arrumar para ele agora não vai adiantar,
porque daqui uns 3 ou 4 meses eu já vou para outra cidade”, “eu não fui embora com o pai dele,
porque ele ainda era muito pequeno para viajar”. Essas enunciações e as formas de captura
indicam a relação que a jovem cria com o espaço e modos possíveis de cuidado com o filho que
se constituem no território, a partir de jogos de negociações e resistência, possibilitando que
a juventude seja pensada como uma nova afirmação de vida, reconfigurada a partir de uma
relação singular com o território.

Palavras-chave: Juventude; Território; Assistência Social; Governamentalidade; Subjetividade.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
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Juventudes, resistências e modos de habitar a cidade: “Cuca Roots” como analisador
Autores(as): Carlos Alberto Ferreira Gomes Neto (UFC), Jéssica Silva Rodrigues (UFC), João
Paulo Pereira Barros (UFC)

Resumo:

O presente trabalho consiste em reflexões sobre os modos de habitar espaços públicos


pelas juventudes inseridas nas margens urbanas e práticas de resistência aos processos de
criminalização desses segmentos. As reflexões são fruto de experiências de campo vivenciadas
por integrantes do Grupo de Pesquisas e Intervenções sobre Violências e Produção de
Subjetividades (VIESES) da Universidade Federal do Ceará (UFC) cujas ações tencionam mapear
micropolíticas de resistências juvenis e potencializar espaços de problematizações sobre
violências contra jovens que vivem nas periferias de Fortaleza (CE). Nas ações desenvolvidas,
cartografamos coletivos de jovens que frequentam o CUCA Jangurussu (Centros Urbanos
de Cultura, Arte e Esporte), política municipal para as juventudes da capital. Tomaremos o
evento “CucaRoots” como analisador das micropolíticas de ocupação de espaços públicos
pelas juventudes nas margens urbanas de Fortaleza e das práticas de repressão a esses modos
de habitar a cidade. O “CucaRoots” consistia na promoção semanal de momentos festivos de
integração entre jovens no intuito de fortalecer a cultura reggae nas periferias. O referido
bairro localiza-se na periferia da cidade e destaca-se pelos elevados índices de homicídios de
jovens, de acordo com o mapa da criminalidade e violência em Fortaleza (2011). Batista (2003)
denuncia o processo de criminalização e extermínio dos jovens pobres e negros que habitam as
periferias das cidades, os quais, em vista do mito da periculosidade, têm suas mortes legitimadas.
Frente a esse cenário de extermínio das juventudes pobres, podem-se perceber práticas de
resistência como desenvolvimento de atividades artísticas e organizações de coletivos juvenis.
Para Foucault (1982), as práticas de resistência podem ser compreendidas como um modo de
se evidenciar relações de poder que preponderam numa sociedade. A discussão aqui proposta
tomará por base os diários de campo produzidos, observações realizadas pela equipe e
produções discursivas veiculadas pela página do evento no Facebook. O “CucaRoots” pode
ser compreendido como um espaço potente de resistência dos jovens do território, tendo em
vista que era autogerido por um coletivo de jovens da região, fato que garantia o alcance de
uma maior quantidade de jovens, garantindo a multiplicidade de expressões da juventude. O
território em questão é marcado por constantes conflitos com a polícia, nos quais as repressões
se articulam com práticas menoristas, proibicionistas e higienistas no trato com as juventudes
periféricas. Essas práticas tornaram-se evidentes pelo fim das atividades do CucaRoots que se
deu após o assassinato de um jovem da região durante uma das festas, em fevereiro de 2017.
Essa morte serviu como justificativa para ações agressivas da polícia contra jovens que estavam
no local e também para o fim dos encontros. Além de uma pista das práticas de resistência aos
acuamentos decorrentes da instrumentalização do medo, o acontecimento CucaRoots é um
analisador do recrudescimento de processos de militarização da cidade e suas tentativas de
silenciamento das práticas culturais produzidas por juventudes e territórios estigmatizados
pela violência.

Palavras-chave: Cultura; Juventudes; Práticas de Resistência.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
185
Juventudes, violência e resistência na Santa Maria da Codipi, em Teresina-PI
Autores(as): Yasmin Feitosa Carvalho de Moraes (UFPI), Lila Cristina Xavier Luz (UFPI)

Resumo:

O Brasil possui uma das maiores taxas de mortalidade juvenil do mundo provocada, em grande
parte, por causas externas (homicídios-principalmente por armas de fogo-, acidentes de trânsito
e suicídio). Além disso, os jovens são os sujeitos que mais sofrem com outros tipos de violência
como a simbólica, estrutural, institucional, cultural e midiática, violências não tão “visíveis”
como a interpessoal e autoinfligida, mais que revelam os mecanismos de negação de cidadania
e de criminalização das juventudes. Nessa perspectiva, a juventude é a categoria social que
mais sofre com a violência urbana no Brasil, especialmente, os jovens oriundos das classes
populares que em diversas situações são comumente associados à violência e à criminalidade.
Dessa forma, a respeito dessa realidade foi realizada uma pesquisa qualitativa e exploratória
com jovens moradores do bairro Santa Maria da Codipi, em Teresina-PI, um lugar marcado
pelo estigma de “perigoso e violento” e apontado por um estudo realizado pela Polícia Civil
do Piauí como o bairro da capital onde ocorreram mais homicídios contra jovens durante o
ano de 2013. Nesse sentido, face as diversas formas de violência contra os jovens objetivou-se
analisar como as juventudes na Santa Maria da Codipi enfrentam/ resistem a esse fenômeno
sócio-.histórico tão complexo. Para tanto, foram realizadas reflexões teóricas, entrevistas com
jovens do sexo masculino e feminino, e observações às atividades de cultura e lazer por eles
desenvolvidas, numa perspectiva “de perto e de dentro” como forma de conhecer o lócus
de pesquisa, e, assim, romper possíveis preconceitos e estereótipos relacionados ao bairro e
aos seus moradores. Dessa maneira, as narrativas revelaram que além da problemática dos
homicídios os jovens sofrem outros diversos tipos de violência como a estrutural, institucional,
cultural, etc. e revelam que cultura e lazer devem ser utilizadas como formas de enfrentamento
à violência por entenderem que atividades do tipo ajudam a ocupar o tempo livre de crianças
e jovens da comunidade tendo, portanto, a capacidade de evitar o envolvimento desses
sujeitos com a criminalidade. Diante disso, há indícios de que algumas atividades de lazer e
cultura desenvolvidas por alguns jovens na Santa Maria da Codipi funcionam, para além do
seu caráter lúdico, como formas de resistência às violências sofridas, posto que tais dimensões
da vida contribuem de forma direta e/ou indireta para a reflexão e conscientização sobre a
realidade social, facilitando assim a discussão de determinadas problemáticas vivenciadas
pelos moradores do bairro. Entretanto, apesar das “boas intenções” do discurso que defende
cultura e lazer como formas de enfrentamento à violência, é preciso levar em consideração que
essas dimensões não devem ser vistas apenas como “válvulas de escape” para esse fenômeno
que demanda, sobretudo, investimento em políticas públicas. Desse modo, cabe lembrar que
cultura e lazer são direitos garantidos pelo Estatuto da Juventude e devem ser experimentados
por todos os jovens como dimensões de forte potencialidade humana inerentes à vida,
independentemente dos “motivos” que lhes são dados para seu acesso.

Palavras-chave: Cultura; Jovens; Lazer; Violência.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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Narrativas Urbanas: o rap como arte de resistência da juventude em territórios de exceção
Autores(as): Antônio Fábio Macedo de Sousa (UECE), Antônio Franklin Pereira de Sousa
(FATENE), Fabiana Moreno de Lima (UECE)

Resumo:

O Rap é uma linguagem artística oriunda da cultura hip hop que traduz discursivamente a
realidade de seus agentes sociais, a partir do som vibrante combinado com rimas e poesias.
As narrativas produzidas no Rap nos permitem verificar representações e práticas sociais
cotidianas da juventude que vive nos bairros socialmente estigmatizados. Nessa perspectiva,
o objetivo do trabalho é analisar as percepções sobre a juventude em territórios de exceção
(AGAMBEN, 2004) nas letras do grupo de Rap Ruptura Capital. A fim de alcançar tal intuito,
lançamos as seguintes questões norteadoras da pesquisa: Qual a narrativa que o Rap constrói
sobre juventude da periferia? Como as letras de Rap descrevem a realidade do bairro e as
práticas juvenis urbanas? Nas letras do Rap qual a perspectiva de vida dessa juventude em
territórios de violências? Nossa reflexão teórica segue a perspectiva de Pierre Bourdieu (1983)
que compreende as diferentes e diversas (re)construções de experiências sociais de juventude.
Portanto, entendemos as culturas juvenis da periferia como culturas de resistência. Nesse
sentido, para colher dados que subsidiem a pesquisa, utilizamos referencial bibliográfico
constituído por autores das Ciências Sociais e Humanas que trabalham com os conceitos de
juventude (DIÓGENES, 1996) e narrativa (BENJAMIN, 1985). A metodologia da pesquisa é de
natureza qualitativa, na qual procedemos mediante a análise de conteúdo (BARDIN, 1977). Assim,
destacamos o seguinte fragmento da letra de rap do grupo Ruptura Capital: “Sou personagem
nessa vida (...) esquecido e cada morte é fatal e cada tiro tem um destino, é as paredes de tijolo,
é a cabeça do menino. É uma vida uma bala dita perdida de quem protege a burguesia e ofende
a periferia”. No verso supracitado verificamos que as percepções sobre a juventude, construídas
por esses atores sociais expressam situações elementares (AGIER, 2011) da realidade dessa
juventude urbana. Bem como, a linguagem que remete as manifestações da questão social, que
segundo Iamamoto (2012) se traduzem no antagonismo de classes e contradições de gênero,
raciais, regionais, de fragilização e tensionamento do parco acesso as políticas públicas e
sociais, síntese nevrálgica do extermínio da juventude pobre, negra, das periferias cearenses,
criminalizada cotidianamente na mídia corporativista burguesa. Dessa forma, mediante o
contexto de violências (materiais e simbólicas), o rap traduz lugares, situações e movimentos
de luta e resistências da juventude para manter-se viva nos assentamentos urbanos. Em outra
música – “Tempo sobre o tempo” – analisamos a narrativa político-poética do rap afirma que
a juventude da periferia pode superar essa realidade: “Sei que não estamos sós, somos vários,
a nossa força está no abraço. Servidão não é obediência, eles inventam realidade, nós criamos
resistência”. Por fim, observamos nesse último fragmento que a construção linguística do Rap
também representa a reflexão de que, os conflitos urbanos vivenciados pelos jovens só podem
ser vencidos na coletividade e no pertencimento a “quebrada” na resistência e luta contra ao
opressor e as facetas do modo de produção capitalista.

Palavras-chave: Juventude; Letras de Rap; Narrativa; Arte; Resistências.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
187
O Autoconhecimento e o Reconhecimento do Território como propostas para (re)educação do
Sujeito
Autores(as): Aldenise Barreto de Albuquerque Silva (Faculdade Salesiana Maria Auxiliadora)

Resumo:

Este artigo é resultante de um trabalho de pesquisa de campo na Disciplina Psicologia


Educacional, tendo como foco o adolescente que reside em locais de vulnerabilidade
social e ambiental, que convive em meio hostil de violência e tráfico de drogas e que busca
afirmação da vida no lugar onde vive suas experiências e práticas coletivas. A experiência
é fundamentada nas perspectivas dos teóricos Vygotsky e Paulo Freire, cujos pressupostos
são cada vez mais utilizados nas práticas intervencionistas na educação formal e não
formal. A pesquisa de intervenção foi desenvolvida em três encontros, numa ONG, situada
na Comunidade das Malvinas, na cidade de Macaé/RJ, denominada de POSCRIS – Projeto
de Crianças Saudáveis, cujas atividades contribuem para a diminuição do índice de crianças
envolvidas com drogas e prostituição; o fortalecimento dos laços familiares e a preservação
do meio ambiente. A proposta teve por objetivo trabalhar a autoestima dos jovens, os dilemas
do cotidiano e suas próprias experiências, além do reconhecimento do território onde vivem,
como espaço e elemento de transformação. Sentir-se parte integrante do meio, sem que se
sintam influenciados pelos fatores não positivos da comunidade, mas com capacidade para
perceber melhoramentos e contribuir para que a mudança aconteça, se não no presente, mas,
no futuro. A ideia era utilizar as experiências trazidas descobrindo caminhos para enfrentar
as dificuldades e estimular a capacidade de construção e de fortalecimento do amor e afeto.
Enfim, buscar novos horizontes, novos conhecimentos e, nova qualidade de vida. O trabalho
foi alicerçado na pedagogia freiriana tendo o diálogo e a troca como traço essencial no
desenvolvimento da consciência crítica e na vygotskiana que apostava no desenvolvimento
e aprendizagem como coisas que andam juntas. Como metodologia de trabalho e estratégia
de ação foram utilizadas técnicas como, a roda de conversa, grafismo e atividades lúdicas.
Observou-se que, a partir dessas atividades foi possível sair da invisibilidade e do anonimato
tanto na comunidade como na instituição. Puderam externar seus desejos, sonhos e
sentimentos. Os anseios de transformação da realidade social emergiram e foram acolhidos.
Houve a possibilidade de serem protagonistas dessas transformações de vida. Não há dúvidas
de que apesar do ambiente de vulnerabilidade é possível a educação e o resgate das crianças
e adolescentes, por mais que a realidade se mostre árida, pesada, injusta e cruel. Como a
linguagem é o elemento fundamental e mediador no processo de constituição do sujeito foi
possível alcançar o objetivo desse trabalho. O psicólogo, assim como, o educador, devem abrir
espaço para os adolescentes compartilharem o que pensam e sentem com relação ao mundo
em que vivem e trabalhar outras realidades. Criar outras possibilidades para transcender o
mundo imediatamente disponível, inclusive para pensar e agir como pessoa humana e cidadã.

Palavras-chave: Autoestima; Reconhecimento do Território; Afirmação da Vida; Vítimas de


Violência.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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188
Pluralidades juvenis e processos de subjetivação em territorios “sem Estado”
Autores(as): Roseane Amorim da Silva (UFPE), Emília Bezerra de Miranda (UFPE), Jaileila de
Araujo Menezes (UFPE)

Resumo:

O presente estudo buscou realizar reflexões sobre jovens de diferentes territórios, moradores/
as da periferia do município de Garanhuns, interior de Pernambuco, e moradores/as da Região
Metropolitana do Recife, a partir de duas pesquisas que estão sendo desenvolvidas nessas
localidades. As pesquisas são qualitativas. Na primeira está sendo realizada observação e
oficinas com os/as jovens, em que tem sido trabalhado com diferentes temáticas, a exemplo
de usos de álcool e sexualidade. Na segunda busca-se, através de entrevistas narrativas,
compreender as experiências de amizade em uma região de crescimento econômico. As
pesquisadoras observaram questões comuns entre os/as jovens em ambas os trabalhos: situações
e desigualdades sociais em decorrência da maioria serem pobres, negros/as e habitarem
espaços que têm pouco a oferecer aos/às mesmos/as, no que se refere a oportunidades de
trabalho, cuidados com a saúde, práticas de lazer, entre outras. Vimos como esses/as jovens são
criminalizados/as, assassinados/as e controlados/as socialmente. Considerados/as em maior
ou menor grau, um perigo à sociedade. A esses/as é permitido que circulem em alguns espaços
da cidade e em outros não. São destinados aos/as mesmos/as os lugares marginalizados e
excluídos, seja pela falta de renda para acessar alguns lugares, seja através do preconceito e
discriminação que sofrem quando estão em alguns espaços. Concordamos com o pensamento
de Foucault sobre Racismo de Estado, e observamos que para esses/as jovens, a morte e o
morrer se fazem presentes. Uma morte não necessariamente física, mas de privação de
direitos. Vimos que são muitos os assassinatos “indiretos” previstos pelas tecnologias racistas
de regulamentação: a morte política, a exclusão, a rejeição, entre outras (Foucault, 2010). Essa
é a realidade que constitui tais juventudes. Percebe-se que os sistemas de segurança existentes
são criados para atender às necessidades das classes média e alta. E como ficam os/as jovens
nesses territórios “sem Estado”? Chamamos atenção, portanto, para o modo como o Racismo
de Estado produz efeitos nos processos de subjetivação desses/as jovens. Nessa direção, nos
apoiamos em Foucault, que entende que os modos de subjetivação podem tomar as mais
diferentes configurações, sendo que estas cooperam para produzir formas de vida e formas de
organização social distintas. Assim, temos buscado observar também nas pesquisas como os/
as jovens têm enfrentado as situações de desigualdades sociais, e o que têm feito para viver
nesses territórios. Compreendemos que as políticas para juventude precisam considerar essa
realidade tão presente na vida de muitos/as, a fim de garantir uma vida digna para jovens
homens e mulheres moradores/as dos diversos territórios brasileiros. Entendemos que este
trabalho relaciona-se à discussão proposta pelo GT, ao pensar a multiplicidade das juventudes
em territórios diversos, os contextos de restrição e resistência encontrados pelos/as jovens.

Palavras-chave: Juventude; Racismo de Estado; Território; Processos de Subjetivação.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
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189
Práticas culturais juvenis contra o extermínio da juventude: linguagem, paz e resistência no
Programa Viva Palavra
Autores(as): Claudiana Nogueira de Alencar (UECE)

Resumo:

Este trabalho apresenta uma cartografia dos fluxos e processos da construção coletiva do
Programa Viva a Palavra, uma proposta de pesquisa -intervenção co-construída por jovens
dos coletivos culturais e movimentos populares da Serrinha em Fortaleza (Movimento Político
Cultural Ensaio Rock, Movimento Fundição Sonora e Poética Flor de Cactus, Enquadro Rap,
AmorBase- Associação de Moradores do Bairro da Serrinha, HGO) e por pesquisadoras- militantes
da Universidade Estadual do Ceará. O programa (PROEXT-MEC/SESU 2015) pretende atuar na
prevenção da violência e promoção de direitos da juventude, na luta contra o extermínio da
juventude pobre e negra da periferia de Fortaleza, considerando que as grandes metrópoles
urbanas têm sido palco da vulnerabilidade social e criminalização que vitimizam a juventude
(Waiselfisz, 2012) principalmente a juventude negra, uma vez que o racismo funciona como
elemento chave da colonialidade do poder, que segrega e exclui socialmente os nossos
jovens. Não esquecendo as questões de identidade, de busca acentuada pelo poder e pelo
reconhecimento (Damico e Meyer, 2010; Honneth, 2003), a pesquisa procurou investigar em que
medida novas formas de sociabilidades e práticas culturais juvenis vivenciadas pelos coletivos
envolvidos podem oferecer uma contra-palavra (Voloshinov/Bakhtin, 1969), da juventude que
vivencia a violência em seu cotidiano às práticas sociais hipervalorizadas pelo chamado crime-
negócio (Zaluar,1990, 1993, 2012), constituindo novas formas de vida (Wittgenstein, 1989). Para
isso, utilizamos como aparato metodológico a pesquisa cartográfica como forma de intervenção
(Passos; Barros, 2009) e como ação participativa e inclusiva (Kastrup; Barros, 2014). Nessa
cartografia, para a construção arcabouço teórico, foram articulados os conceitos de “palavra
mundo”, de Paulo Freire, e linguagens como formas de vida, de Wittgenstein, para sugerir
um desenho metodológico para a pragmática cultural, proposta de pesquisa linguística que
procura “atravessar a rua” que separa a academia das práticas e saberes culturais e populares.
Os resultados indicam que para além da conquista da palavra pelos jovens e adolescentes,
outros aspectos, como a infraestrutura econômico-social, a distribuição das riquezas, a
diminuição da diferença remuneratória entre o trabalho intelectual e o trabalho técnico, as
relações psicológicas pessoais e familiares, devem ser considerados no enfrentamento da
violência contra a juventude. Essas questões estruturais que mostram a complexidade da
violência apresentam-se desafiadoras para Viva Palavra. No entanto, as diversas vozes juvenis
sugerem que a tomada da palavra pelos jovens é mais um passo para o enfrentamento dessas
questões. A vivência nos círculos de cultura juvenis na comunidade e a cartografia das diversas
gramáticas de resistência da juventude da periferia de Fortaleza, possibilitaram, para além do
desenho metodológico, uma reflexão sobre uma perspectiva de pesquisa interventora, que
considere o caráter terapêutico e crítico da linguagem na construção umas práxis dialógica,
acadêmica e popular, de enfrentamento ao extermínio da juventude pobre e negra no Brasil.

Palavras-chave: Linguagem; Juventude; Práticas Culturais; Periferia; Violência.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
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190
Processos Educativos Com Jovens: Uma Experiência na Ocupação Dandara em Belo Horizonte
Autores(as): Júlia Elisa Rodrigues dos Santos (UFMG), Luisa Cristina Nonato (UFMG)

Resumo:

O projeto “Processos educativos com jovens” tem como objetivo promover o encontro,
a socialização e a formação entre jovens que moram em periferias urbanas da Região
Metropolitana de Belo Horizonte. Tal ação dá continuidade a uma iniciativa do Fórum das
Juventudes da Grande BH, que em 2015 desenvolveu encontros formativos com jovens de três
coletivos juvenis: Mafiossos (grupo de hip hop de Santa Luzia), Nosso Sarau (coletivo de poesia
de Sarzedo) e jovens da Ocupação Dandara (BH). Compreendemos que as experiências das/
os jovens estão enredadas por práticas e saberes de resistência nas dimensões social, coletiva,
individual e subjetiva, além de demandas específicas, negligenciadas, na maioria das vezes,
pelos poderes e órgãos institucionais. Considerando que toda prática social é educativa, isto
é, proporciona a construção de valores pelos sujeitos que a vivenciam, procuramos com esse
projeto o encontro compartilhado de múltiplas experiências e saberes juvenis, como também
contribuir para a atuação dos coletivos juvenis em seus territórios. Esse projeto de extensão
busca potencializar ações já desenvolvidas pelo Programa Observatório da Juventude da
UFMG. Em 2016, iniciamos o projeto com a realização do “Encontrão das Juventudes” na
UFMG, envolvendo cerca de 45 jovens. Para a maioria, foi a primeira oportunidade de estar na
universidade. O encontro tinha como finalidade a construção de um diagnóstico das juventudes
sobre seus territórios tendo como pergunta norteadora: “o que pega na sua quebrada?” As
respostas das/os jovens da Ocupação Dandara sinalizaram a precariedade do acesso ao
lazer, cultura, esporte e saneamento básico, além das vivências de racismo e preconceito que
sofrem por morarem no território. Muitas dessas violências acontecem devido à ineficiência de
políticas públicas na cidade em relação à moradia, somado às diversas negações de direitos.
Tendo em vista tais relatos, nós, bolsistas de extensão, sugerimos uma oficina de fotografia que
teve como foco a valorização das identidades juvenis e o pertencimento racial e territorial.
Juntamente com uma educadora social, trabalhamos com a criação de postais a partir de uma
oficina em que as/os jovens fotografaram partes de seus corpos respondendo à pergunta: “o
que eu gosto em mim?” e desse percurso relatando suas histórias de vida com o coletivo. O
grupo era muito heterogêneo, com idades entre 12 e 34 anos, mas a maioria era de meninas/
mulheres negras. Muitas levavam filhas ou crianças que cuidavam no horário da formação.
As/os jovens tiveram também oficina de estêncil, e, no final, sessão de fotografia com várias
pessoas de suas famílias. Este processo educativo foi importante não apenas por proporcionar
o conhecimento sobre as particularidades de vivências desses sujeitos, mas, sobretudo, pela
possibilidade de construção de um espaço significativo de formação no contexto de ações
extensionistas universitárias.

Palavras-chave: Juventudes; Processos Educativos; Cultura; Ocupações Urbanas; Extensão


Universitária.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
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191
Rap, Resistências e Territorialidades: Reflexões sobre a música Rap em Maceió
Autores(as): Sérgio da Silva Santos (UnB), Geysson dos Santos Pereira (UFAL)

Resumo:

A narrativa mais difundida sobre a constituição do Hip Hop é elaborada a partir da sua
contraposição à violência. Desta forma, é importante compreender que as produções musicais
e poéticas do Rap, um dos elementos que constitui o Hip Hop, são orientadas muitas vezes
por estas informações em torno das violências. É comum ouvirmos uma música Rap que esteja
narrando determinado cotidiano que exponha a violência como foco, ou que represente algum
tipo de imaginário em relação às interações sociais entre jovens e policiais militares. Essas
músicas são os objetos da reflexão que estamos propondo, tendo como recorte os Raps e os
Rappers de Maceió/AL. Propomo-nos a trazer uma reflexão sobre a representação da violência
com base na música rap, produzida por cinco rappers de Alagoas. Dessa maneira, temos o
objetivo de interpretar as dimensões simbólicas e de resistência que estão em jogo nessas
letras de rap, produzidas por esses artistas. Fizemos a escolha por letras de músicas que
possuem eixos comuns, ou seja, violência, polícia e espaços públicos, para então compreender
os aspectos das representações e das resistências que as músicas produzem. Além das
análises referentes às músicas, nós realizamos entrevistas com os Rappers. Apesar morarem
em bairros diferentes da cidade, eles apresentaram nas entrevistas algumas ideias comuns
sobre violência, como também, ideias semelhantes sobre a periferia. As entrevistas trouxeram
importantes dados em torno das percepções dos rappers sobre a violência, principalmente,
donde partem seus imaginários em torno do fenômeno e como se colocam diante dele no
cotidiano. Nas entrevistas, alguns citaram dados sobre violência em Alagoas e atentaram para
inúmeras formas de violência localizada em bairros específicos e tipos específicos de violência,
principalmente homicídios e tendo como vítimas jovens negros. As letras de rap e as entrevistas
que realizamos com os rappers trazem elementos importantes em torno das questões
relacionadas às representações, como também, elementos de protagonismo e resistências. É
através da música Rap que estes artistas apresentam suas maneiras de resistir ao cotidiano,
apontando as estratégias de luta diante contra os estigmas e rótulos impostos, principalmente
pela polícia. A Polícia é um ator muito presente nas músicas Rap e nos discursos dos Rappers.
As músicas que analisamos trazem rimas que apontam os aspectos das representações em
torno da polícia. As rimas apontam para um caráter “fascista” das UPP’s no Rio de Janeiro, como
também, afirmam o caráter violento e racista. As representações da violência nas letras de rap
é um importante instrumento dos atores sociais ligados ao Hip Hop, é uma ferramenta para
a produção de arte, resistência e denuncia. São as músicas que “estalam” nos becos e vielas
das periferias de Maceió que possibilitam uma educação resistente as opressões da polícia e
denunciam o ordenamento social vigente, como por exemplo, os estigmas e o racismo.

Palavras-chave: Resistência; Hip Hop; Territorialidades; Juventudes; Polícia.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
192
Re-tratos das juventudes da cidade de Fortaleza: relatos de experiências
Autores(as): Camila dos Santos Leonardo (UFC), Aldemar Ferreira da Costa (UFC), Dagualberto
Barboza da Silva (UFC), João Paulo Pereira Barros (UFC), Luís Fernando de Souza Benicio (UFC),
Pedro Henrique Capaverde (UFC), Vanessa Amarante de Souza (UFC)

Resumo:

O presente trabalho apresenta um relato de experiência sobre o projeto de extensão “Re-


Tratos da Juventude” desenvolvido pelo Grupo de Pesquisas e Intervenções sobre Violência
e Produções de Subjetividades (VIESES-UFC), ligado ao Departamento de Psicologia e ao
Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFC. O intuito do projeto é criar intervenções
micropolíticas em territórios da cidade de Fortaleza em torno da questão dos processos de
subjetivação juvenis e dos direitos humanos de juventudes, numa perspectiva transdisciplinar
e intersetorial, colocando em discussão regimes de verdades que atravessam os tratos das
juventudes, bem como a forma como estas juventudes vêm sendo produzidas pelas e nas
práticas sociais da cidade. Re-tratar a juventude significa buscar a fabulação de tratos distintos
e perscrutar outros caminhos potentes de análise e intervenção, a partir de analisadores tais
como: a condição juvenil em territórios marcados pela intersecção de desigualdades sociais; as
possibilidades e os desafios da efetivação de direitos humanos dos segmentos juvenis; a criação
de práticas de resistência e a composição de planos comuns nesses atuais contextos urbanos.
As atividades foram desenvolvidas junto a segmentos juvenis e profissionais que trabalham
com juventudes, em territórios de Fortaleza marcados altos índices de letalidade juvenil e pela
intersecção de desigualdades e processos de exclusão social. Desde sua criação, o projeto
ocorre em parceria com a Rede Cuca, particularmente com sua Diretoria de Promoção de
Direitos Humanos (DPDH), atuando especificamente em contextos institucionais e territoriais
das regiões da Barra do Ceará e do Jangurussu, gravitando em torno das conexões entre
violência urbana e juventudes. O primeiro ciclo se deu no território da Barra do Ceará, através
do Grupo de Trabalho Drogas e Juventudes, onde foram realizadas rodas de conversas em
torno das temáticas: juventudes, drogas, práticas de cuidado, redes socioassistenciais, violência
urbana etc. Neste mesmo ciclo, realizamos dois encontros interinstitucionais com a rede de
políticas sociais do/no bairro da Barra do Ceará, dado pelas taxas elevadas de homicídios
de crianças e jovens nesse território no ano de 2015. Conseguimos, através do diálogo com
profissionais, problematizar o perfil desses jovens em situação de violência e o não acesso às
políticas sociais dos seus territórios - por meio de indicadores e, ainda, construir estratégias de
enfrentamento a essa problemática. No segundo ciclo, ampliamos o projeto atuando junto ao
território do Jangurussu. Em resposta a demanda dos profissionais da rede Cuca por momentos
formativos que discutissem sobre violência, juventude e direitos humanos, foram realizadas
três oficinas: duas sobre homicídios da juventude, e uma sobre o acompanhamento de jovens
em conflito com a lei. Também estamos acompanhando a Roda do Chá, atividade promovida
pela DPDH que tem por intuito promover discussões com jovens, que muitas vezes são vítimas
de violações, sobre juventude, direitos humanos e violência. As duas frentes seguem atuantes,
intervindo nesses cenários e cartografando novas possibilidades.

Palavras-chave: Juventudes; Violência Urbana; Práticas de Resistência.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
193
“Alegria, motivo e razão onde dizem que não”: Juventudes, periferia e trabalho
Autores(as): Jorge André Paulino da Silva (UFAL), Lila Cristina Xavier Luz (UFPI)

Resumo:

Este estudo trata de jovens de periferia e trabalho. O trabalho oferece certa visibilidade
às juventudes do bairro Santa Maria, uma periferia da cidade de Teresina, capital do Piauí.
Entendemos o tornar visível como evidenciar suas narrativas a respeito de experiências
vividas a partir de seu bairro. Pretendemos ampliar os olhares sobre esses sujeitos, em geral
visibilizados pela dimensão da criminalidade ou envolvimento com práticas criminosas, pois
entendermos a pluralidade presente nas manifestações de jovens, em particular os de periferia.
Objetivamos compreender a condição juvenil do bairro Santa Maria a partir de narrativas de
jovens. Para tanto, pretendemos apreender a configuração do bairro e analisar as estratégias
de jovens contra as segregações vividas nesse espaço urbano. Para fundamentar nossas
reflexões, recorremos a autores como Portelli (2000), Khoury (2001), Lima (2004; 2005; 2010;
2013), Sousa (2012), Pais (1993), Abramo (1994), Oliveira (2014), Luz (2013), Silva (2005), Castro
(2005), Reis (2004), Costa (2011), entre outros. Para aproximação com os jovens e construção das
narrativas, valemo-nos de imersão a campo e a realização de oficinas, conforme a proposta de
Luz (2013). Assim, a partir das histórias de “Andarilho”, “Provocador”, “Poeta”, “Instigado”, “Bota
Fé”, “Cabreiro”, “Correria”, “Confiança”, “Igualitária”, “Glória” e “Poderosa”, descobrimos que,
diante da ausência de políticas públicas, jovens moradores do bairro resolveram mobilizar-
se na busca de melhorias da comunidade, buscando se distanciar do estereótipo do bairro
como lugar violento, e se valem da cultura/lazer para transformar essas realidades e assim
construir possibilidades de trabalho a partir da cultura. O que os jovens do Santa Maria buscam
é serem reconhecidos como cidadãos, como sujeitos de direitos, moradores de um lugar mais
valorizado, com moradia e condições de trabalho dignas, além de um policiamento que de
fato lhes ofereça segurança diante da violência no bairro e entornos e não temor, bem como a
diversidade de espaços de cultura/lazer, com incentivo às produções da comunidade. Mais do
que um contato fugidio, estabelecemos vínculos com o Santa Maria nesta pesquisa. Após várias
idas e vindas ao bairro, o conhecimento cotidiano adquirido a partir das narrativas sobre as
experiências dos jovens, aquela multiplicidade de realidades que aconteciam no Santa Maria,
saímos de nossa temática inicial, que trataria sobre como os jovens entendiam o policiamento
militar no próprio bairro, para algo mais amplo. Assim, destacamos a importância e o ganho
teórico que o presente estudo pode oferecer sobre as sociabilidades de jovens desse bairro da
periferia de Teresina. Esperamos contribuir para as reflexões daqueles que elaboram políticas
públicas no Estado do Piauí, para a Sociologia, e, especialmente, para os jovens daquele bairro.

Palavras-chave: Juventudes; Periferia; Segregações Urbanas; Trabalho.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
194
GT 03 - Comportamento humano em organizações e jovens trabalhadores
Coordenadores: Kely Cesar Martins de Paiva (UFMG), Alice Gerlane Cardoso da Silva (UFMG) e
Milka Alves Correia Barbosa (UFAL)

Resumo Geral:

O objetivo do grupo temático será trocar informações a respeito do tema “Comportamento


Humano em Organizações e Jovens Trabalhadores”, promovendo discussões integradas
entre subtemas tradicionais e contemporâneos no âmbito do comportamento humano em
organizações (CHO), incluindo e buscando ir além de modelos anglo saxões de se compreender
pessoas com idades e faixas etárias diversas (gerações X, Y, Z, baby boomers). As pesquisas
sobre CHO não são recentes, mas têm ganhado impulso no Brasil devido a diversos aspectos:
na academia, as dificuldades em torno de delimitações conceituais e de campos de pesquisa
têm privilegiado alguns temas em detrimento de outros e, em ambos os casos, contribuído para
avanços nas políticas e práticas de gestão aquém de seu potencial, no interior das organizações;
já nestas, percebe-se tanto o tratamento superficial e ideológico dessas questões como o
despreparo dos responsáveis pela gestão de pessoas em lidar com os processos envolvidos,
suas causas e conseqüências. Já as pesquisas com jovens trabalhadores são recentes no país,
sendo este grupo considerado pela literatura internacional uma “”população especial””, um
“”caso paradigmático”” de estudo, devido às suas idiossincrasias e aos precários contextos de
trabalhos em que normalmente eles se inserem. Consideram-se jovens trabalhadores aqueles
entre 14 e 26 anos de idade, jovens aprendizes (Lei do Aprendiz), formal ou informalmente
contratados ou vinculados no mercado de trabalho. Além disso, jovens trabalhadores usualmente
são vítimas de agressões e violência no ambiente de trabalho, podendo ser encaixados em
“patologias da atividade”, “patologias da solidão e da indeterminação no trabalho” e patologias
associadas “aos maus-tratos e à violência no trabalho”, conforme literatura da área. Diante
disso, considera-se fundamental conhecer e discutir não apenas os resultados das pesquisas,
mas também os aportes metodológicos que têm permitido aos pesquisadores se aproximarem
dos fenômenos em foco, melhor delimitarem e aprofundarem nas temáticas, ampliarem
as discussões e contribuírem para a difusão desse conhecimento, extremamente útil aos
gestores e às organizações, especialmente as brasileiras, tendo-se em vista as mudanças no
perfil etário da população, mas sobretudo útil aos próprios jovens, no sentido de conhecerem
realidades de trabalho e percepções a seu próprio respeito, de modo a promover uma
inserção mais consciente e autônoma.A princípio, os temas focalizados são:– Valores pessoais,
profissionais, organizacionais e do trabalho;– Comprometimento, entrincheiramento e vínculos
organizacionais;– Qualidade de vida no trabalho, estresse ocupacional e síndrome de burnout;–
Justiça organizacional e atitudes retaliatórias;– Prazer e sofrimento no trabalho;– Percepções
temporais;– Espiritualidade no trabalho.Estudos comparativos entre jovens e profissionais mais
maduros ou senis, além de outros que considerem aspectos críticos relacionados aos temas
descritos também são bem vindos, assim como os de aportes metodológicos tradicionais e
diferenciados e, também, outros que tangenciam os subtemas e sejam considerados pertinentes
à temática principal.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
195
Comprometimento Organizacional e Percepções Temporais: Um Estudo Sobre Jovens
Trabalhadores
Autores(as): Jane Kelly Dantas Barbosa (UFMG), Letícia Rocha Guimarães (UFMG), Michelle de
Souza Rocha (UFMG), Willey Max de Pinho Costa (UFMG)

Resumo:

O comprometimento organizacional pode ser considerado um fator importante para indivíduos


e organizações, influenciando as vivências no trabalho e a produtividade. Estudos sobre esse
tema são essenciais a uma organização verdadeiramente apta a mudanças e propensa ao
sucesso e à perenidade. De maneira semelhante, estudos sobre percepções temporais também
se revelam importantes para o entendimento do tempo e de como este influencia a rotina
dos trabalhadores nas organizações, uma vez que ele é tratado majoritariamente como algo
natural e não é problematizado, embora possua faces não desnudadas. Considerando, ainda,
as idiossincrasias que permeiam os jovens trabalhadores, grupo que vivencia uma fase de
descobertas e formação da identidade, em muito relacionada às primeiras experiências no
mundo do trabalho, este estudo teve como objetivo analisar como se encontram configuradas
as dimensões do comprometimento organizacional em relação às percepções temporais de
jovens trabalhadores assistidos pelo ESPRO - Ensino Social Profissionalizante – da cidade
de Recife (PE). O ESPRO é uma instituição sem fins lucrativos que atua na capacitação
profissional de jovens com vistas à inclusão no mercado de trabalho. Para atingir o objetivo,
foi realizada uma pesquisa de caráter descritivo, exploratório e abordagem quantitativa com
amostra de 229 respondentes, selecionados pelo critério de acessibilidade. O instrumento de
pesquisa compreende perguntas acerca de informações demográficas e pessoais, escala de
comprometimento organizacional (MEYER; ALLEN, 1991) e escala de percepções temporais
(BLUEDORN; JAUSSI, 2007). A análise dos dados foi realizada por meio de estatística descritiva
e bivariada. Considerando as variáveis sociodemográficas, apesar de existirem correlações
significativas no que tange o comprometimento organizacional, essas são de baixa intensidade.
Por outro lado, as percepções temporais apresentaram maiores correlações com características
pessoais, destacando-se correlações positivas com as variáveis sexo, escolaridade e ramo
de atuação. Em relação ao comprometimento organizacional, os jovens trabalhadores
demonstraram ser predominantemente do tipo afetivo (média=3,62), significando que esses
jovens se identificam com as empresas nas quais trabalham, reforçando o sentimento de pertença
e o desejo de contribuírem de forma ativa para os objetivos. Esse resultado pode estar ligado à
importância para os jovens da formação de amizades, contato com outras pessoas e referência
às figuras de autoridade e liderança para sua formação como pessoas e trabalhadores. Sobre as
percepções temporais, os jovens revelaram preferências por comportamentos monocrônicos,
rápidos e pontuais, com ênfase no passado, sendo predominantes as vivências de arrastamento
relacionadas à liderança. Evidenciou-se que, apesar da presença de correlações significativas
no que tange o comprometimento organizacional e as percepções temporais, essas são
consideradas discretas e agrupadas principalmente na dimensão do comprometimento afetivo,
o que pode estar ligado à situação de vulnerabilidade social e ao momento de transição desta
fase da vida, em que o trabalho adquire centralidade.

Palavras-chave: Comprometimento Organizacional; Percepções Temporais; Jovens


Trabalhadores.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
196
Conexões entre tempo, prazer e sofrimento no ofício de jovens prostitutas
Autores(as): Kely Cesar Martins de Paiva (UFMG), Jane Kelly Dantas Barbosa, Jefferson Rodrigues
Pereira (Centro Universitário Unihorizontes), Letícia Rocha Guimarães (UFMG)

Resumo:

A prostituição é, no senso comum, a profissão mais antiga da Humanidade, embora seja


envolta por uma série de dilemas, preconceitos, estigmas e outras construções sociais que
condenam socialmente aqueles que sobrevivem deste ofício. Atualmente, a definição de
prostituição designa uma atividade na qual se estabelece uma relação de troca de sexo por
dinheiro, associada também à imagem de perigo à saúde, disseminada em função de doenças
sexualmente transmissíveis, e à depravação sexual. Ainda assim, ela é amplamente praticada,
cabendo ressaltar que a prostituição soma mais de 40 milhões de praticantes no mundo,
sendo que, destes, cerca de 75% são mulheres com idades entre 13 e 25 anos, revelando que
grande parte destas profissionais se encontram no período de vida da juventude. Conforme a
Organização Internacional do Trabalho, a juventude compreende a faixa etária entre 15 e 29
anos. Trabalhando com o prazer de diversas pessoas diariamente e fazendo valer a máxima
de que “tempo é dinheiro”, as prostitutas constituem um grupo de profissionais que estão à
margem da sociedade. A partir do explicitado, o objetivo deste estudo foi analisar como aspectos
temporais influenciam as percepções de vivência de prazer e de sofrimento no trabalho de jovens
prostitutas na cidade de Belo Horizonte (MG). Metodologicamente, foi realizado um estudo de
caso com prostitutas das “zonas” ou “hotéis de batalha” da Rua Guaicurus, região central dessa
cidade. A pesquisa foi de natureza descritiva e se preocupou em detalhar a realidade retratada
pelas prostitutas, juntamente com observação direta (in loco). A abordagem utilizada foi
qualitativa, em que se buscou compreender, em profundidade, cotidiano e vivências. A coleta
de dados deu-se por meio de entrevistas com roteiro semiestruturado, em que foram envolvidas
8 profissionais das “zonas”, identificadas na pesquisa pelos seus “nomes de guerra” (escolhidos
ou criados por elas para identificação no ambiente de trabalho: Carol, Fernanda, Hellen,
Lorena, Paloma, Sabrina, Samara e Suelen). Os dados coletados foram submetidos à técnica
de análise de conteúdo, a partir da transcrição literal das entrevistas. Os resultados obtidos
mostraram dados demográficos como: estado civil – 7 delas são solteiras e 1 denominou-se
como “enrolada”; filhos – 5 possuem filhos; naturalidade – apenas 2 são de MG, as demais vieram
de outros estados (BA, RJ, SP e MT); escolaridade – 1 com Ensino Fundamental incompleto,
outra, completo, 3 com Ensino Médio completo e 3 com Ensino Superior Incompleto; tempo de
prostituição – variou entre 2 e 6 anos; religião – 2 candomblecistas, 3 evangélicas, 1 católica, 1
espírita e 1 disse não ter religião. As entrevistadas relacionaram o tempo a um recurso; ele foi
vinculado a vivências de prazer no sentido de que a administração adequada do mesmo gera,
para elas, o dinheiro que é a principal fonte de prazer do seu trabalho, num processo direto de
mercantilização do tempo. Contudo, o tempo de trabalho é também fonte de sofrimento, uma
vez que as prostitutas naturalizam ou trabalham a aceitação daquilo que lhes traz incômodos
ocupacionais, além de conseqüências pessoais e sociais, principalmente para familiares.

Palavras-chave: Jovens; Prazer e Sofrimento; Percepções Temporais; Tempo; Prostituição.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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197
Empresas Multinacionais e Direitos Humanos: em busca de um novo paradigma para resguardar
a dignidade do trabalhador
Autores(as): Laura Germano Matos (UFC)

Resumo:

Os direitos humanos na esfera trabalhista são objeto de proteção especial no âmbito


internacional, especialmente com atuação da Organização das Nações Unidas e da Organização
Internacional do Trabalho, empregando esforços para produzir convenções que vinculem os
Estados às normas de padrão mínimo internacional. Questões como o combate ao trabalho
escravo, ao trabalho infantil e em condições degradantes para o trabalhador jovem e adulto,
às piores formas de trabalho, às jornadas exaustivas e às ameaças à segurança no ambiente
de trabalho são temas que ganharam força na esfera de proteção internacional e buscam
estabelecer condições mínimas que os Estados devem adotar em relação a seus trabalhadores,
sejam esses menores aprendizes ou adultos em idade laboral. No cenário atual, a década de
1990 marcou uma época de enorme expansão da globalização corporativa. Surgem inúmeras
companhias multinacionais que direcionam sua atividade econômica para diversos países ao
mesmo tempo, operando de maneira global e conectadas em tempo real. Com isso, nasce
um novo modelo de produção, de consumo e, portanto, de relações de trabalho, trazendo
novos desafios à proteção dos direitos humanos. Empresas que operam globalmente não são
regulamentadas como tal. Em vez disso, cada uma das entidades que compõem a sua cadeia
de empresas terceirizadas está sujeita à jurisdição dos países em que atua (Ruggie, 2014).
Dessa forma, não há um marco legal comum de proteção aos direitos violados. A empresa é
submetida às regras de proteção específicas dos lugares onde atua, e, portanto, o interesse na
busca de mão de obra mais barata é um dos fatores prioritários na escolha dos locais onde irá
estabelecer sua produção. Notícias de trabalho desumano, acidentes por falta de segurança
nas fábricas de vestuários, crianças trabalhando arduamente em diversas atividades, imigrantes
vítimas do truck system e de trabalho degradante tornaram-se recorrentes em diversos países
do mundo, principalmente nos subdesenvolvidos que enfrentam graves crises econômicas
e políticas. Nesse cenário, surge um novo paradigma onde as empresas multinacionais são
convocadas a assumir posição de responsabilidade, exigindo-se um maior comprometimento
em relação às suas práticas éticas e sustentáveis. Defende-se que a proteção aos direitos
humanos não se dá apenas de maneira verticalizada, assumindo o Estado a única posição de
responsável pelas práticas adotadas. A empresa, especialmente em relação à mão de obra
que utiliza, também tem papel de destaque na tentativa de implementação de novas práticas
de governabilidade empresarial, horizontalizando-se a responsabilidade por violações a
direitos humanos. Situando-se na perspectiva dos Direitos Humanos no âmbito laboral, este
trabalho busca apresentar, a partir de revisão da literatura jurídica, a discussão atual sobre
o novo modelo de responsabilidade das empresas multinacionais que operam globalmente
pelos danos que toda a sua cadeia produtiva venha a gerar para trabalhadores em todas as
faixas etárias, especialmente jovens. São novos paradigmas a serem adotados pelos Estados e
empresas na busca de adequação aos ditames internacionais.

Palavras-chave: Direitos Humanos; Multinacionais; Responsabilidade; Trabalhadores.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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198
Estudo sobre a (in)visibilidade e as consequências do assédio sexual para jovens trabalhadores
Autores(as): Alice de Freitas Oleto (FGV/EAESP), Jane Kelly Dantas Barbosa (UFMG), José Vitor
Palhares dos Santos (UFMG), Letícia Rocha Guimarães (UFMG)

Resumo:

Falar de assédio sexual nas organizações faz-se pertinente por levantar questionamentos
sobre consentimento, submissão e liberdade dos indivíduos. O assédio sexual é uma forma
de violência psicológica, em que a vítima é perseguida no ambiente de trabalho, ou mesmo
fora dele, com uma série de investidas de conotação sexual. A vítima recebe, repetidamente
e sem seu consentimento, galanteios, olhares libidinosos, propostas, entre outras investidas.
Nesse contexto, a ocorrência de assédio sexual no cotidiano laboral de jovens trabalhadores,
grupo que revela idiossincrasias e transita entre a leveza da infância e as responsabilidades
da vida adulta, deve ser alvo de reflexão considerando o contexto de trabalho precário em
que usualmente se inserem. Assim, o objetivo desta pesquisa foi analisar como são percebidas
situações de assédio sexual vivenciadas por jovens trabalhadores sob a perspectiva de
profissionais da Associação Alfa. Ressalta-se que a pesquisa tinha como objetivo inicialmente
entrevistar os jovens trabalhadores da associação, mas ela vetou qualquer tipo de contato
com os jovens e pediu sigilo quanto à sua identificação. Trata-se de uma Associação nacional,
que atua na inclusão de jovens em situação de vulnerabilidade social no mercado de trabalho.
Para fins da pesquisa, foi considerada a filial da cidade de Belo Horizonte, devido ao critério de
acessibilidade. Realizou-se um estudo de caso, de natureza descritiva e abordagem qualitativa.
A coleta de dados se deu através de entrevistas com roteiro semiestruturado com 21 profissionais
da Associação Alfa e os dados coletados foram tratados por meio de análise de conteúdo. Os
entrevistados demonstraram não entender os conceitos de assédio moral e assédio sexual,
dificuldade que afirmaram ser comum também entre os jovens, o que revela o quanto o assunto
não é discutido. Quanto à realidade do assédio sexual, foram narrados 5 casos, sendo que todos
envolviam predominantemente jovens do gênero feminino. Percebeu-se que a Associação Alfa
faz acompanhamento desses casos, entretanto, trata o tema com ressalvas, não incluindo-o
nas discussões com os jovens. A respeito da forma com que os casos são tratados na Associação
Alfa, percebeu-se através dos relatos que, quando chegam ao conhecimento dos profissionais
da instituição, geralmente há transferência ou desligamento do jovem da empresa, recaindo
sobre as vítimas possíveis consequências do assédio, uma vez que não foram relatadas ações
relacionadas à organização. Um fato preocupante é a inversão da culpabilidade do assédio
sexual do assediador para o assediado (vítima), como evidenciado nas falas de profissionais
que afirmam caber ao jovem se prevenir do assédio, evitando comportamentos de maior
intimidade com os colegas de trabalho e uso de roupas inadequadas. Assim, destaca-se a
importância de tratar do assunto de forma que os trabalhadores compreendam do que se trata,
desnaturalizem essa prática nas relações de trabalho e desconstruam a noção de que a vítima
é culpada por ter sofrido a agressão para que experiências dessa natureza não comprometam
a formação e o desenvolvimento desses profissionais.

Palavras-chave: Assédio Sexual; Jovens Trabalhadores; Trabalho.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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199
Participar do Movimento das Empresas Juniores: uma possibilidade de aprendizagem
cooperativa
Autores(as): Adriana Ventola Marra (UFV), Ana Carolina Silva Ferreira (UFV), Leticia Barbosa
Santos Morais (UFV)

Resumo:

Segundo a Confederação Brasileira de Empresas Juniores, há 11 mil jovens inseridos no


Movimento das Empresas Juniores (MEJ) espalhados em mais de 280 universidades brasileiras,
compondo 1200 entidades (BRASIL JÚNIOR, 2016). Este estudo buscou compreender como a
participação de estudantes de administração no MEJ pode ser entendida como um método
de aprendizagem cooperativa. Foi realizado um estudo de caso na Empresa Júnior da
Administração da Universidade Federal de Viçosa - Campus de Florestal (UFVCOACH), criada
em 2014, que no período 2014-2016 participou de onze eventos do MEJ. Existem diversos
métodos de aprendizagem cooperativa, porém todos perpassam pela interdependência
positiva, competências sociais e responsabilidade individual e de grupo (PINHO, FERREIRA,
LOPES, 2013). No MEJ os estudantes são estimulados a busca de conhecimento e atitudes ativas
em grupos (NICOLINI, 2003), bem como preparar-se para atuar como agente transformador
tomando decisões baseadas em valores éticos (RHINOW et al.,2004). Para Bonfiglio (2006) e
Oliveira et al., (2009) ao ingressar na empresa júnior o estudante é instigado a trabalhar em
grupo, desenvolver a criatividade, oratória, liderança e o respeito à liderança, proatividade,
aperfeiçoando perfil profissional. Por meio de um estudo de caso qualitativo, foram realizadas
15 entrevistas semiestruturadas, com participantes da UFVCOACH As entrevistas, depois
de transcritas e codificadas, foram analisadas por análise de conteúdo (BARDIN, 1977). Os
resultados foram organizados a partir das seguintes categorias terminais: oportunidades,
competências sociais, significados da experiência e aprendizagem. A maioria dos entrevistados
afirmou que a participação no MEJ foi capaz de oferecer, além da experiência prática,
melhorando suas competências sociais. No que tange as competências sociais, destacaram-
se o autoconhecimento, o espirito de liderança, saber trabalhar em equipe, comunicação
e resolução de conflitos. O desenvolvimento destes quesitos age como uma passagem e
transformação do lugar de aluno para profissional (OLIVEIRA, 2005). Para os entrevistados,
participar do MEJ significa a oportunidade de tomar decisões, colocar ideias em prática, fazer
uma rede de contatos, estimularem a visão empreendedora e assumir riscos. Tal processo de
aprendizagem trouxe resultados positivos para a sala de aula. Estes alunos apresentam um
desempenho superior em suas atividades acadêmicas, além de buscarem o desenvolvimento
continuo. Por fim, conclui-se que a abrangência e importância do MEJ, como uma possibilidade
de aprendizagem cooperativa, para o fomento da visão empreendedora e para o estreitamento
entre as teorias vistas no curso de Administração e a prática do ambiente de trabalho. Acredita-
se que estes jovens tendem a ingressarem mais facilmente no mercado de trabalho, dado que
os conhecimentos, habilidades e as atitudes cooperativas desenvolvidas são exigidos pela
maioria das empresas e, ainda saberem atuar de forma eficaz na gestão de um negócio. Para
ampliar ainda mais o tema, espera-se que ele seja cada vez mais aprofundado, inclusive pelas
próprias federações de empresas juniores.

Palavras-chave: Empresa Júnior; Aprendizagem cooperativa; Graduação.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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200
“Penso, logo, existo”: o encarceramento simbólico de jovens com parentes detentos
Autores(as): Jonaza Glória dos Santos (Governo do Estado de Sergipe), Najó Glória dos Santos
(UFS), Suanam Glória Fontany (DeVry/Faculdade Martha Falcão)

Resumo:

Esta pesquisa tomou como objeto jovens que tem um parente detento pela indissociabilidade
do estigma do encarceramento e seus reflexos na construção das suas sociabilidades. Acontece
em um espaço marcado pelo estigma social de violência e perigo por ter se edificado em torno
de uma penitenciária, hoje desativada como prisão, mas ainda vinculada à segurança pública
e manter viva sua memória. Esses aspectos impõem a esses jovens a convivência cotidiana
com os estigmas individuais e sociais que suas histórias carregam. O objetivo do trabalho foi
investigar o processo de socialização e aprendizagem dos jovens que tem um ente detento.
Sabendo-se que o estigma do encarceramento do detento recai de forma auto-infligida ou
pelo olhar do outro sobre seus familiares alterando suas construções identitárias e relações
sociais. O que se encaixa confortavelmente com o GT e eixo temático escolhido. Orientação
teórica: Toma como fio condutor as percepções teóricas de Irving Goffman na abordagem do
estigma individual que explica a delicada convivência do estigmatizado consigo e com o outro.
Pelas lentes de Norbert Elias na construção do conceito de estigma coletivo, visto esses jovens
estarem inseridos em um espaço/lugar diferenciado – bairro América, zona oeste de Aracaju,
marcado pela presença da 1ª penitenciária de Sergipe e toda sua urbanização ter sido edificada
a partir daí, o que os insere na teoria dos estabelecidos e outsiders. Aborda ainda, a relação
entre estigma e desvio através das teorias de Howard Becker que preceitua a necessidade
de se redefinir os conceitos sociológicos em torno do estigma ligado ao desvio. Através de
pesquisa qualitativa – exploratória com inspiração histórico – dialética e pesquisa de campo,
pudemos conhecer as estratégias desenvolvidas pelas juventudes locais para a convivência
e superação com o duplo estigma – individual e social, nos seus processos de socialização. A
reconfiguração do sentido de estigma alterou a percepção dos jovens em torno do estigma
do encarceramento, esse, não se constituindo mais uma impossibilidade de inaceitação
social. As novas composições familiares, neste caso, predominantemente monoparentais
femininas, também foram identificadas e descritas confortavelmente ante a ausência paterna.
A condição juvenil de superação deu-lhes a possibilidade de não aceitarem socialmente as
restrições impostas pelo estigma, o que não impede a desconfortável convivência individual
com o mesmo. Breve consideração do locus:A pesquisa foi realizada com jovens que tem um
ente detento moradores do bairro América em Aracaju-Sergipe, espaço/lugar marcado pelo
estigma de violência e perigo dada a presença da penitenciária e o histórico político, social
e econômico perverso do sistema penitenciário brasileiro. Desativada em 2007, mas ainda
presente simbolicamente.

Palavras-chave: Educação; Estigma; Juventudes; Encarceramento Simbólico.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
201
Primeiro emprego e competências comportamentais: Um desafio para os jovens
Autores(as): Adriana Ventola Marra (UFV), Ana Carolina Silva Ferreira (UFV), Áurea Fideles
Teixeira (UFV/Campus Florestal), Dara Heleno da Silva (UFV), Leticia Barbosa Santos Morais
(UFV)

Resumo:

O desemprego entre os jovens de 18 a 24 anos, atingiu 25,9%, e especificamente para a faixa


etária entre 14 a 17 anos é de 39,7% (IBGE, 2016). Concomitante a esta situação, estudos
constatam que a maioria dos jovens não consegue conciliar os conteúdos técnicos trabalhados
com as competências comportamentais necessárias ao exercício profissional. A partir desta
problemática, em 2015, iniciou-se um projeto de extensão na UFV/CAF que tem como objetivo
desenvolver competências comportamentais nos alunos do ensino médio e técnico das escolas
de Florestal/MG. Dessa forma, o presente trabalho tem o objetivo relatar a experiência do
projeto e enfatizar a importância do comportamento do jovem dentro de uma organização.
Florestal possui duas escolas públicas que oferecem seis cursos técnicos e dois de ensino médio
(federal e estadual). A orientação teórica do trabalho segue dois eixos principais: competências
e empregabilidade. Entende-se por competências o saber agir, a partir de conhecimentos,
experiências, habilidades e atitudes, reconhecidos e validados, que conciliam valores
econômicos às organizações e sociais aos sujeitos (FLEURY; FLEURY, 2001; TANGUY, 2001). Em
termos de empregabilidade, ressalta-se, além dos conhecimentos técnicos, a autonomia do
controle de situações, postura ética, saber se comunicar negociar com as pessoas, trabalhar
em equipe e conseguir o reconhecimento dos outros por isto (ZARAFIAN, 1994), ou seja, as
competências comportamentais (DUTRA, 2001). Foi utilizada uma metodologia que envolveu
um mapeamento das competências comportamentais requeridas junto a 14 empresários e seis
coordenadores de cursos, por meio das entrevistas. E foram analisados relatórios de estágio
de 129 ex-alunos dos cursos técnicos. Estes foram analisados, a partir da análise de conteúdo,
resultando em temas trabalhados, por meio de oficinas e palestras. Os resultados das análises
dos relatórios apontaram que os jovens apresentam dificuldades em inovar, dar sugestões e ser
proativo. Os alunos relataram insegurança e medo de falar em público. Nas entrevistas, foram
apontados os seguintes comportamentos: iniciativa, proatividade, criatividade, compromisso,
ética, responsabilidade, trabalhar em equipe e profissionalismo. A partir destes resultados,
foram organizadas ações extensionistas, por meio de palestras e oficinas que tratam os
seguintes temas: mercado de trabalho, processos de seleção, relacionamento interpessoal, ética,
profissionalismo, comunicação e atendimento ao cliente. Até março/2017, foram realizadas
20 ações e atendidos mais de 300 jovens. As ações extensionistas realizadas possibilitaram o
aprendizado e a troca de experiências entre os estudantes do curso de Administração, docentes
e os alunos dos cursos técnicos e médio, vivenciando o desenvolvimento de competências,
o processo de recrutamento e seleção das empresas da região e as novas exigências do
mercado de trabalho ocorrem na prática cotidiana dos habitantes. Considera-se que houve
uma promoção do desenvolvimento dos jovens e sua inclusão através da aquisição de novas
competências, e com isso, uma facilidade maior na transição curso técnico/médio-mercado de
trabalho.

Palavras-chave: Primeiro emprego; Jovens; Competências comportamentais; Empregabilidade;


Estágio.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
202
A escola como espaço de transição para o mundo do trabalho
Autores(as): Magno Geraldo de Aquino (UFMG); Alice Gerlane Cardoso da Silva (UFMG)

Resumo:

Dadas as rápidas evoluções sociais, econômicas, culturais, tecnológicas e a emergência de


novas e complexas nas configurações das organizações e do mercado de trabalho, a escola tem
sido demandada a repensar constantemente a sua função, na transição do jovem/adolescente
para a vida ativa adulta, especialmente, quanto à sua formação, adequação e capacitação para
o trabalho. Este trabalho de reflexão teórica tem como objetivo refletir sobre a adequação da
escola, em seus modos habituais de transmissão e construção do conhecimento, no processo
de transição do jovem para a vida adulta ativa e profissional. Argumenta-se que a escola atual
carece de questionamentos importantes sobre suas maneiras de conduzir o adolescente neste
processo de transição, necessitando repensar suas práticas e ações na formação dos jovens
como sujeitos ativos na própria constituição emancipatória e aptos ao mercado de trabalho.
Uma primeira consideração dá conta de que os jovens/adolescentes vivem em um momento de
ocorrência de inúmeros estágios de transição - acadêmico, biológico, social. Tais estágios geram
uma gama de sentimentos que os acompanham, tais como o medo de não estarem preparados
para lidar com as mudanças pessoais que vivenciam e, contraditoriamente, desapego pelo
desconhecido. Assim, a transição para a vida ativa e a preparação para o mundo do trabalho
adquire importância considerável e se torna foco de reflexões.
Necessário refletir sobre as funções da escola, seus modos, procedimentos e conteúdos, a
partir de uma perspectiva sócio-histórica, para uma adequada formação destesu, os jovens
não dispõem de orientação escolar e profissional adequadas que lhes permitam canalizar os
seus interesses e habilidades para a vida profissional. Isto se percebe ao se constatar que a
escola não tem conseguido repassar para os jovens, de forma abrangente, os modos como são
constituídos os valores existentes no mundo produtivo, os efeitos da segregação do mercado de
trabalho e a realidade por trás da dificuldade de acesso a uma primeira ocupação e os processos
de discriminação social e as formas de combate e/ou resistência a este estado de coisas. Estes
são, enfim, desafios muito atuais para a escola. As discussões sobre a formação do jovem ao
longo da vida e as capacidades desenvolvidas em sua permanência no sistema educacional,
bem como as formas como tais aspectos se tornam determinantes na vida profissional, devem
ser tomadas como primordiais na escola. Torna-se que é necessário que a escola se utilize de
uma abordagem abrangente que inclua as diferentes facetas da vida adulta, como o trabalho,
habitação, renda, lazer, relacionamentos, de tal modo que se ordene uma rede de bem-estar
social. Afinal, considera-se que a integração profissional do jovem pode ser dada como essencial
para sua incorporação como adulto na sociedade e o seu desenvolvimento como indivíduo e
cidadão. É desta integração que, em última análise, depende o progresso econômico e social.

Palavras-chave: Escola; Mundo do Trabalho; Jovem.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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203
GT 04 - CULTURAS JUVENIS CATÓLICAS
Coordenadores: Flávio Munhoz Sofiati (UFG)

Resumo Geral:

O Censo de 2010 aponta que houve pela primeira vez no Brasil a diminuição no número
absoluto de fiéis católicos, passando de 125 milhões para 123 milhões de adeptos. O declínio
católico ocorre em vista dos processos modernos de liberdade de escolha. Todavia, uma visão
sócio-histórica evidencia que o catolicismo deixou de ser a “religião dos brasileiros”, mas
é ainda a “religião da maioria dos brasileiros”. Os números também mostram que mais de
90% da população brasileira adere a um credo religioso em um universo de multiplicidade
de ofertas e liberdade de escolha. Há o esvaziamento das instituições religiosas tradicionais
em um processo de “desinstitucionalização” das religiões e, no caso brasileiro, até mesmo um
processo de “mutação sociocultural”. Com o advento da liberdade religiosa no espaço público
moderno, o catolicismo perde em números mas ganha em participação ativa, principalmente
com as vertentes da teologia da libertação e da renovação carismática. Isso pelo fato de
haver no atual contexto a intensificação de uma “adesão pessoal” em que a tradição pode
ser acionada, mas não é determinante no momento da escolha. Com o fim do monopólio
católico e a expansão do que temos denominado pluralização da vida social, ocorre no
Brasil a diversificação do próprio modo de ser católico. O catolicismo tem um potencial de
incorporar a diversidade, porém ela não é nova no contexto nacional, sendo constitutiva do
próprio catolicismo. A novidade está no grau de diversificação “dentro de uma única igreja sob
uma única liderança”, isto é, o novo é a dimensão da diversidade no contexto contemporâneo.
Mais recentemente os pronunciamentos do papa Franciso e a midiatização das Jornadas da
Juventude contribuem no processo de revisão institucional com impactos para as formas de
adesão a esta tradição milenar. O segmento juvenil tem ganho destaque no campo católico
seja por representar potencialmente o futuro da instituição; seja pela expansão das diferentes
correntes de inspiração carismática que têm na juventude seu público alvo. Diante do exposto,
este Grupo de Trabalho tem como proposta o diálogo em torno das culturas juvenis vivenciadas
no interior da Igreja Católica. O objetivo é estabelecer um espaço de análise dos diferentes
contextos de atuação da juventude e as transformações formuladas pelas novas gerações a essa
instituição bem como o seu processo de recepção. Pergunta-se: como se estabelece o processo
de rejeição, adaptação e inovação que os jovens realizam frente a seus pares? Que tipos de
mediações institucionais são realizadas pelos jovens que se identificam com o catolicismo? A
juventude que atualmente participa do catolicismo tem alterado a dinâmica institucional? De
que modo? Convidamos a todos a proporem comunicações que problematizem o papel juvenil
no processo de atualização ou reformulação do catolicismo na sociedade brasileira marcada
pela expansão das ofertas religiosas.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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204
“Distante de Deus”? Apropriação Juvenil em espaço ritual na Missa da Misericórdia
Autores(as): Ricardo Justino dos Santos (URCA), Francisco Jamerson Alves de Lima (URCA),
Renata Marinho Paz (URCA)

Resumo:

O objetivo deste trabalho é analisar os diferentes usos e apropriações por parte das juventudes
em relação à Missa da Misericórdia, promovida pela Comunidade Católica Filhos Amados do
Céu (FAC) em Juazeiro do Norte (CE). Esta celebração é realizada semanalmente no estádio
Romeirão, atraindo milhares de fiéis em busca de bens e serviços religiosos como a cura e
a libertação, além de atendimentos que são realizados antes da celebração, promovendo
forte acolhida aos fieis pelos membros da comunidade, e pelo despertar de reavivamentos
através da ênfase nas emoções, e promovendo a “satisfação espiritual” (SOFIATI, 2009).
Dentro do mesmo espaço de realização litúrgica são oferecidas outras atividades como a
comercialização de bens e serviços religiosos, materiais e simbólicos. Este trabalho vem sendo
desenvolvido a partir da realização de observação participante nas missas, e de entrevistas
semiestruturadas com frequentadores da celebração e membros da comunidade FAC. Conforme
Fernandes (2009), Rodrigues (2007) entre outros, consideramos que as juventudes podem
possuir diferentes perfis, resultantes de pertencimentos sociais diversificados. Sendo assim,
não homogeneizaremos as juventudes, sendo a análise neste trabalho desenvolvida a partir
desse aspecto plural das agências. Pretendemos mostrar que os trânsitos juvenis (“distantes” e
engajados), podem revelar “agências de projetos” (ORTNER, 2007) dentro do espaço da Missa.
A partir das observações realizadas, um dos aspectos que tem chamado a nossa atenção são
os significados dessas múltiplas inserções dos jovens que traçam “trajetórias indeterminadas”
(CERTAU, 1998) no mesmo terreno. De um lado observamos os jovens “distantes”, que transitam
em grupos, dando a impressão muitas vezes de estarem alheios à celebração, ou que “não são
coerentes com o espaço construído” (CERTAU, 1998), mas que, em determinados momentos, se
deixam envolver. Contrastivamente encontramos também uma forte atuação juvenil no palco/
altar, nas atividades musicais e religiosas, e no entorno nos serviços de oferta, de acolhimento
e oração, compondo maciçamente a equipe da Comunidade FAC, e auxiliando na dinâmica
e logística ritual da missa. Diante deste cenário, observamos que os jovens ocupam espaços
como protagonistas na celebração (muitos deles sendo membros da Comunidade FAC),
sendo os responsáveis em boa medida pela organização do espaço, pela musicalidade da
missa, pelo engajamento nas atividades do ofertório e adoração, mas também se encontram
nas margens do evento, desenvolvendo formas de sociabilidade aparentemente alheias às
praticas religiosas realizadas naquele espaço, o que reforça o discurso de que “Os jovens estão
se afastando de Deus”, recorrente na narrativa de entrevistados (membros da comunidade)
e do padre Monteiro, responsável pela celebração. Neste aspecto, podemos observar uma
identidade religiosa não apartada de outras experiências do cotidiano juvenil (MANDARINO,
2012), como a sociabilidade entre esses jovens “afastados” e seus grupos no espaço da missa.
O que aparece no campo observado são essas posições plurais, que oscilam do engajamento
religioso à relativa marginalidade naquele espaço ritual.

Palavras-chave: Renovação Carismática Católica; Juventude; Comunidade Filhos Amados de


Céu.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
205
A Pastoral da Juventude nas conferências nacionais de Juventude
Autores(as): Rodrigo Crivelaro (Instituto Federal de São Paulo)

Resumo:

Esta comunicação oral é fruto de um dos capítulos da dissertação de mestrado intitulada “O


que a rebeldia teima: capturas e resistências nas Conferências de Juventude em Santa Bárbara
d’Oeste”. Esta comunicação oral tem por objetivo apresentar um relato de experiência da
participação da Pastoral da Juventude nas conferências, construído a partir das minhas memórias
e do retorno aos relatórios das etapas municipais, estaduais e nacional das conferências de
juventude. Trata-se de num registro da história das conferências a partir da minha vivência
como militante da Pastoral da Juventude(PJ), e organizador de etapas no município de Santa
Bárbara d’Oeste. Ao mesmo tempo ele se configura como um elemento analítico a mais que
me dá o panorama das conferências, territórios que os jovens vivenciam ao produzir sentidos
sobre a conferência, participação e juventude. O referencial teórico utilizado são estudos
sobre juventude, pastoral da juventude, conferência e participação, e obras de autores que
dialogam com a perspectiva pós estruturalistas como Michel Foucault e Deleuze Guattari.
Utilizei como metodologia a cartografia, adotando registro da experiência do pesquisador
como participantes e revisita aos relatórios finais das conferências de juventude e a visita a
matérias da PJ produzido pós-conferências. Como aprendiz de cartógrafo, passei a utilizar
minhas memórias, querendo mergulhar “nas intensidades do presente para dar língua para
afetos que pedem passagem” (ROLNIK apud BARROS; KASTRUP, 2015, p. 57-58). Tais afetos e a
temática estudada me levaram a voar e contribuíram para rever os dispositivos que atuaram
na construção de minha subjetividade. A partir daí organizei meus voos e pousos por caminhos
nômades, entendidos por Takeuti (2012a, p.7) como “antes de tudo, um modo de pensamento
e de agir por deslocamentos em linhas de fuga e pela descodificação em direção à reinvenção
de um novo corpo”. Pousando sobre os relatórios, busquei cartografar quais foram os temas
utilizados em cada uma das edições, quais foram foco da atuação da PJ, quantos foram os
participantes, como a conferência foi avaliada pela Comissão Organizadora Nacional e pela
Pastoral da Juventude. Ao pousar sobre minhas memórias, pude cartografar sentidos, desejos,
potências e capturas que não estão presentes nos relatórios finais, apresentando a forma como
fui afetado, bem como produzi afeto nas/pelas conferências. No caso das etapas nacionais,
fiz o mesmo movimento partindo dos relatórios que foram divulgados a partir do site da
Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), porém agora atribuindo a eles as minhas percepções
enquanto participante das etapas nacionais. As considerações surgem como uma possibilidade
de sobrevoar e cartografar os sentidos atribuídos a juventude, a participação e as conferências
de juventude.

Palavras-chave: Juventude; Conferências Nacionais e Municipais; Participação; Relações de


Poder.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
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206
Culturas juvenis católicas na Jornada Mundial da Juventude: expressividades e performances
no espaço religioso
Autores(as): Flávio Munhoz Sofiati (UFG)

Resumo:

A proposta desta comunicação é apresentar algumas análises acerca da realidade juvenil


e especificamente da juventude católica no Brasil, a principal participante da JMJ (Jornada
Mundial da Juventude) que aconteceu na cidade do Rio de Janeiro em julho de 2013. Entende-
se que, apesar do motivo religioso do evento, o estímulo à participação do jovem passa
também por outras dimensões: a da socialização, ou mais precisamente, a da festa e do
encontro (passeio e turismo) como elementos aglutinadores. O consumo dos bens culturais
(música, moda, artigos religiosos) e possibilidades de sociabilidade (festa, lazer, férias, viagens)
também devem ser considerados na interpretação dos dados sobre os participantes jovens da
JMJ. Apresenta-se três breves exemplos para pensar o tema. Festa e música como elementos
de atração na JMJ. A música é um signo geracional. Os jovens estão muito conectados à
música. No entanto, é também um signo grupal, visto que diferentes grupos juvenis gostam
de diferentes tipos de música. A música cumpre ao mesmo tempo o papel de integração
geracional e de diferenciação entre os jovens. A música é uma forma cultural que atinge os
jovens de maneira diferente, como demonstra Galland (2009). Observa-se que há também
na música católica, principalmente carismática ao se pensar a JMJ, um modo de ritualização
das crenças católicas de sua juventude. Tempo livre e turismo religioso. A juventude tem no
tempo livre seu principal espaço de socialização. Estar com os amigos, sair, viajar, passear,
visitar pessoas e lugares, enfim, ir à eventos são meios que possibilitam a sociabilidade juvenil.
Os jovens participantes da JMJ no Rio de Janeiro devem ser entendidos complementarmente
por esse viés. O elemento religioso pode ser preponderante, mas estas outras práticas sociais
ajudam na configuração e descrição do participante da Jornada. O tempo livre contribui com
a construção das solidariedades e identidades grupais. Falar, conversar, estar por estar com os
amigos são boas maneiras de passar o tempo livre na fase juvenil. E quando é possível “viajar
com a galera é muito melhor” (PAIS, 2003). A Jornada possibilita essa realização aos jovens
católicos. As viagens com amigos são uma oportunidade de evasão, de saída do cotidiano. Há
nessa prática um espírito de aventura, de conquistas que são valorizadas pelos jovens. Flash
Mob como elemento de divulgação e mobilização. A JMJ afirma ter feito o maior Flash Mob
do mundo. Trata-se de uma performance coletiva que surge, em geral, na interação dos jovens
por meio das redes sociais (ou virtuais). Foi um dos principais instrumentos de divulgação da
JMJ e mobilização da juventude católica nas paróquias. Isso demonstra que uma ferramenta
social utilizada por jovens em geral foi absorvida para juventude católica como prática
sociorreligiosa, como mecanismo de evangelização. Enfim, apesar do elemento religioso ser
pensado como o principal motivador para participação na JMJ, é importante considerar os
elementos socializadores que dão sentido aos modos de ser jovens dos católicos.

Palavras-chave: Juventudes; Catolicismo; Sociabilidade; Música; Performance.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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207
Evangelização na contemporaneidade: os novos movimentos eclesiais como caminho de
evangelização
Autores(as): Maria Eduarda Freitas Silva (UNILAB)

Resumo:

A necessidade de se reinventar e de chegar mais próximo dos leigos fez com que a igreja
católica no Brasil abrisse espaço para o nascimento de novas comunidades orgânicas ligadas
ao pentecostalismo católico. Pe. Abimael do Nascimento explica que essas comunidades
são agrupamentos de leigos, marcados por uma nova linguagem ligada especialmente aos
jovens. Atuando dentro da comunidade com atendimento social, grupos de oração e eventos.
Entre essas comunidades, advindas da Renovação carismática Católica (RCC), as mais
conhecidas nacionalmente estão à comunidade Shalom, Canção Nova e Toca de Assis. Esses
movimentos buscam resgatar práticas como a castidade, a reza do terço mariano, a vivência
dos sacramentos como o da confissão e da comunhão e a adoração e benção do santíssimo,
acreditando que dessa forma o cristianismo seja vivenciado de forma plena e carismática.
Este carisma pregado por estas comunidades é um carisma comunitário e benevolente, onde a
preocupação com o outro é explícita em práticas sociais. Alguns vão a busca de resgatar jovens
drogados, mendigos abandonados, casamentos e famílias destruídas. Outros ainda, se dedicam
a evangelização nas paróquias através dos grupos de oração ou usando meios midiáticos.
Carismáticos e sacerdotes usam redes sociais para aconselhar e evangelizar. Programas de
radio e TV transmitem diariamente mensagens, missas, programas e shows de grandes nomes
da musica católica do país. Grandes eventos anuais são produzidos como o Halleluya que
chega a ter um público de até 1 milhão de pessoas durante os cinco dias de evento. O grande
número de jovens que aderem a estes movimentos trás um novo revigoramento para a igreja,
que passa de um lugar antes tido como conservador e excludente, a um lugar renovador e
acolhedor. Pensar em formas de evangelizar condizentes com os dias atuais, sem perder a
espiritualidade cristã e sem deixar de lado os dogmas da igreja, é uma das missões dessas
novas comunidades eclesiais. Missão às vezes difícil, tendo em conta a opinião contraria de
alguns bispos, padres e leigos com características mais conservadoras, que acreditam faltar
prudência de alguns carismáticos ao difundir certas práticas. Pe. Paulo Ricardo, em seu canal
do youtube alerta que praticas como o dom de línguas e o repouso no espírito santo devem
ser contidos. Acredita que os afetos instigados no inicio da conversão cristã é bem vinda, mas
que isso não pode ser uma pratica apelativa, tendo em vista, o processo de evolução que o
cristão terá que passar, processo esse que não é todo o tempo saboroso. O testemunho de
quem vivência o carisma é sempre de derramamento de graça, de profundo encontro com
o espírito santo e de sentimento de misericórdia. E apesar de opiniões contrarias os grupos
ligados a renovação carismática atrai pessoas à igreja e resgatam os que um dia se afastaram,
através da restauração do sentimento do amor de cristo e da difusão da misericórdia divina,
cumprindo a graça da missão da igreja de pregar o evangelho e a busca pela santidade. E é
esta graça que perpetua o movimento em seus mais de 50 anos de existência.

Palavras-chave: Evangelização; Carisma; Renovação Carismática Católica; Igreja católica.

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208
Participação de jovens e de mulheres na Igreja Católica: uma discussão a partir da V Assembleia
do Povo de Deus na Arquidiocese de Belo Horizonte
Autores(as): Laísa Silva Campos (Cáritas Brasileira Regional Minas Gerais)

Resumo:

O presente artigo discute a presença de jovens e de mulheres nos espaços de participação das
comunidades paroquiais da Igreja Católica, problematizando questões referentes às relações
inter-geracionais e de gênero, tomando como recorte a V Assembleia do Povo de Deus da
Arquidiocese de Belo Horizonte, que compreende 28 municípios. O artigo busca traçar paralelos
entre a presença das mulheres na Igreja Católica, nos municípios que compõe a Arquidiocese,
bem como a presença de jovens e de mulheres na Assembleia das Juventudes, que tirou propostas
e delegados para a Assembleia Geral, e, por fim, os destaques de gênero e juventude deliberados
como texto final, fruto deste processo e levanta questionamentos sobre a presença de jovens e
de mulheres na Igreja Católica e sua participação em espaços representativos e de tomada de
decisão da Igreja. Para a escrita do artigo foi realizada pesquisa de campo, tomando por base
a V Assembleia do Povo de Deus, processo que ocorre na referida Arquidiocese a cada quatro
anos visando abarcar, de forma representativa, as pessoas que fazem parte destes segmentos
da sociedade. Ainda, para a composição do texto, foi realizada uma pesquisa bibliográfica
com recortes temáticos assim descritos: a) participação das mulheres na Igreja e na sociedade;
b) estudos sobre a juventude; c) concepções teóricas que abordam e definem os modos de
interação desses públicos nos espaços eclesiais. Foram utilizados para a discussão proposta
dados da pesquisa “Valores e religião na região metropolitana de Belo Horizonte”, realizada em
2012, pelo instituto Vertex, coordenada pelo Prof. Dr. Malco Camargos. Para tal pesquisa foram
entrevistadas 2.826 pessoas de 28 cidades da região metropolitana de Belo Horizonte; sua
margem de erro é de 1,8% e o intervalo de confiança de 95%. Através dos dados pode-se traçar
um perfil religioso, nos municípios em questão. Apresenta-se a partir dos dados disponíveis,
os percentuais em cada município dos que se afirmam católicos e a presença de mulheres
e de jovens que residem nesta Igreja local. Através de documentos e diretrizes produzidos
pela Arquidiocese de Belo Horizonte, apresenta-se as diretrizes elaboradas para as chamadas
Assembleias do Povo de Deus - que estabelecem um momento de escuta e formulação das
prioridades para a elaboração do Plano Pastoral do quadriênio 2017-2020 - salientando quais
são as pessoas que participam do processo e os meios para esta participação. Ao final do artigo
são apresentados os destaques textuais de gênero e juventude que aparecem no documento
intitulado “Projeto de Evangelização Proclamar a Palavra: Diretrizes da Ação Evangelizadora
2017-2020”, fruto do processo, levantando questões que possibilitam uma reflexão acerca das
relações de inter-geracionalidade e gênero, apontando como essas categorias podem refletir
na vida e na construção subjetiva de jovens mulheres participantes da Igreja Católica.

Palavras-chave: Juventudes; Mulheres; Igreja; Assembleia.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
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209
PJ Natal e Resistência pelo Processo na (trans)formação da Juventude Católica
Autores(as): Francisco Geovani dos Santos (UFRN)

Resumo: A Pastoral da Juventude (PJ) é uma organização destinada ao trabalho com jovens
no âmbito da Igreja Católica do Brasil e tem sua história iniciada ainda na década de 1970,
fruto das experiências da Ação Católica Especializada e das Comunidades Eclesiais de Base
(CEBs), e tendo sua identidade inspirada nos princípios da Teologia da Libertação. Ao longo do
tempo, a PJ tem fortalecido e reafirmado a sua missão no sentido de despertar os jovens para
o projeto de Jesus, a partir de um processo de formação integral baseado na fé, provocando a
conscientização e atuação transformadora dos jovens na Igreja e na sociedade. Na Arquidiocese
de Natal – Rio Grande do Norte (RN), a PJ iniciou sua articulação no começo dos anos 2000,
num esforço das lideranças da época para organizar e fortalecer o trabalho que já era
realizado de forma autônoma por diversos grupos e paróquias da Arquidiocese. Atualmente a
PJ Natal, como é chamada, vive um momento de rearticulação junto as suas bases, buscando
assegurar o acompanhamento e a formação das lideranças juvenis. Em termos organizativos,
a PJ Natal articula suas ações a partir dos 3 Vicariatos, que são subdivisões administrativas
adotadas pela Arquidiocese, e que, por sua vez, agrupam os Zonais em que estão distribuídas
as paróquias. A responsabilidade por dinamizar as ações arquidiocesanas é partilhada entre
as equipes de: Coordenação; Assessoria; Equipe Técnica; e, Animadores dos Zonais. Contudo,
no atual cenário de intensa proliferação de experiências neopentecostais, dos movimentos
de encontro e eventos de massa voltados à juventude católica, a PJ Natal ocupa um lugar de
resistência a esse modelo de evangelização. É precisamente neste campo conflituoso que se
situa o presente relato, objetivando demonstrar como a experiência da PJ Natal tem assumido
a opção pedagógica fundamental pelo processo na (trans)formação da juventude, de modo
a contribuir com o resgate e desenvolvimento de uma cultura católica juvenil fundada no
verdadeiro projeto de Jesus e da Igreja enquanto comunidade/povo de Deus. Rompendo com
a lógica de promoção de grandes eventos e atividades isoladas, a PJ Natal prioriza, desde
2015, a realização processual de Encontros de Coordenadores por Vicariato, de modo a: (1)
descentralizar a ação da PJ, alcançando o maior número possível de grupos; (2) promover
a formação contínua de suas lideranças; (3) promover acompanhamento efetivo aos grupos
e paróquias da Arquidiocese. Esta experiência tem resultado numa gradativa articulação e
comunhão entre os diversos grupos da PJ, possibilitando a estes o aprofundamento acerca da
identidade e missão da Pastoral da Juventude, e despertando-lhes ao compromisso radical
com o Reino de amor e justiça anunciado por Jesus. Neste sentido, a PJ segue na contramão
das tendências hegemônicas atuais, enfrentando a resistência de alguns setores da Igreja
que, por vezes, estão seduzidos pela facilidade de uma experiência mais cômoda, baseada
numa vivência espiritualista e individualista da fé. Ao assumir a opção pelo processo, a PJ
Natal defende um modo ser jovem católico em permanente (trans)formação, vislumbrando um
horizonte claro – a Civilização do Amor.

Palavras-chave: Pastoral da Juventude; Resistência; Processo; (Trans)Formação.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
210
GT 05 - Debates em educação e saúde na perspectiva de direitos sexuais e
direitos reprodutivos
Coordenadores: Patricia Castro de Oliveira e Silva (UFRJ), Daiana Roberta Silva Gomes (CIEDS)
e Wendell Ferrari Silveira Rosa (UFRJ-NIPIAC)

Resumo Geral:

Ainda que tenhamos vivido avanços no campo da sexualidade e dos direitos sexuais e
reprodutivos, vivemos em uma sociedade onde a intolerância e resistência quanto ao
reconhecimento e valorização das diferentes expressões em sexualidades e gênero são
observadas cotidianamente. A questão se revela ainda mais pungente em relação às juventudes
pois, neste caso, temos a intersecção com geração onde à heteronormatividade e desigualdade
de gênero vigentes se somam contradições que permeiam as relações geracionais, relações
desiguais de poder entre adultos/as e jovens com vistas à dominação e exploração, e ainda a
desvalorização e marginalização das juventudes. Ademais, é preciso observar tais questões em
perspectiva com a desigualdade social em que se constituem e vivem nossos/as jovens, onde
classe socioeconômica, raça/etnia, dentre outros, ampliam vulnerabilidades. A presente proposta
se vincula ao eixo temático Juventudes, Sexualidades e Gênero e se justifica, especialmente,
levando-se em conta um panorama atual que parece caminhar em direção a retrocessos em
Direitos Humanos, onde se ampliam cenários de homofobia, lesbofobia, transfobia, violência
de gênero, recrudescimento de políticas e ações punitivas que tem reverberado em uma série
de violações de direitos de adolescentes e jovens. Faz-se necessário pensar tais questões
dentro de uma perspectiva de direitos sexuais e direitos reprodutivos como Direitos Humanos,
estabelecendo uma rede de pesquisas e experiências realizadas no âmbito de esferas onde
as juventudes se fazem (ou deveriam se fazer) especialmente presentes, tais como instâncias
de educação e saúde. É importante o reconhecimento de que os processos discriminatórios e
de violência contra expressôes diversas em sexualidades e gêneros tem lugar, muitas vezes,
em espaços onde os/as jovens deveriam se sentir acolhidos/as e respeitados/as tais como
escolas, universidades ou serviços da rede de saúde. A vivência de tais processos resulta em
agravos como sofrimento psíquico, vulnerabilidade ao uso abusivo de álcool e outras drogas;
e também se reflete na desqualificação da atenção dispensada a essa população. Neste
Grupo de Trabalho, pretendemos promover a troca de experiências entre pesquisadores/as e
profissionais que atuam em temas das juventudes, sexualidades e gêneros, em sua interface com
educação, saúde e direitos sexuais e direitos reprodutivos, recebendo pesquisas e relatos de
experiência de trabalhos em desenvolvimento ou concluídos para apresentação na modalidade
Comunicação Oral. Particularmente, desejamos debater trabalhos que abordem a gravidez
não planejada, aborto, violência sexual, diversidade sexual e uso de álcool e outras drogas
em interelação com sexualidade, gênero e direitos, identificando as principais perspectivas
teóricas, metodológicas e intervenções realizadas. E ainda, potencialidades e desafios com
relação a esses temas, especialmente em espaços educacionais como escolas, universidades,
unidades do sistema socioeducativo, movimentos de juventude e coletivos e/ou em serviços da
rede pública de saúde, dentre outros.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
211
Os direitos sexuais de crianças e adolescentes e a defasagem do Estado de garantia de direitos
Autores(as): Ana Paula Cruz Penante Nunes (UERJ)

Resumo:

O presente estudo propõe a discussão dos direitos sexuais de crianças e adolescentes


fundamentada na perspectiva de que os direitos sexuais são direitos humanos interdependentes
dos demais direitos. Considerando as legislações nacionais e os parâmetros internacionais de
direitos humanos, como o Estado brasileiro está respondendo às demandas concernentes à
sexualidade infanto-adolescente? O objetivo geral desta pesquisa é identificar impactos na
materialização dos direitos sexuais de crianças e adolescentes no contexto de arrefecimento
e precarização dos direitos sociais no Estado neoliberal. O reconhecimento da criança e do
adolescente enquanto sujeitos detentores de direitos sexuais ainda é uma questão polêmica
cujo debate no ambiente acadêmico, nos movimentos sociais e na esfera governamental é
constituído, muitas vezes, por argumentações que reforçam uma lógica tutelar em detrimento
do fortalecimento da autonomia destes indivíduos. Por esta razão, faz-se necessário trazer à
tona os direitos sexuais enquanto uma pauta a ser discutida na agenda pública e um direito
fundamental a ser garantido pelo Estado, por meio da execução das políticas públicas como
a educação, a saúde, a assistência social, a cultura, o emprego e demais políticas. Pode-se
afirmar que mesmo não contendo explicitamente a sua conceituação ou menção direta nos
tratados internacionais, os princípios que originam a concepção dos direitos sexuais estão
presentes em documentos como o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos (1966);
Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (1966); Convenção sobre
a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (1979). Em 1999, A World
Association for Sexology (WAS) aprovou a Declaração Universal dos Direitos sexuais. Segundo
Sheil (2008), apesar dos direitos sexuais terem sido incluídos na Plataforma de Ação de Pequim
e estarem subjacentes a outros marcos regulatórios dos direitos humanos, estes direitos ainda
são direcionados para mulheres adultas vítimas de violência sexual, o que reforça a cultura
patriarcal e a dominação adultocêntrica presente no tratamento da sexualidade.Trazendo
para o contexto brasileiro, os direitos sociais conquistados pela Constituição Federal (1988)
e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (1990), que declaram os princípios da prioridade
absoluta e melhor interesse da criança e do adolescente, estão submetidos à lógica neoliberal
do ajuste fiscal, incorrendo em uma forte defasagem entre a legislação e a realidade (BEHRING;
BOSCHETTI, 2010). O método de análise que permeia todo o estudo é o materialismo histórico
dialético, que articula três categorias: contradição, mediação e totalidade (NETTO, 2011). Os
procedimentos metodológicos realizados foram revisão bibliográfica e pesquisa documental e
as categorias de análise utilizadas neste estudo foram “direitos sexuais” e “Estado neoliberal”.
O resultado desta pesquisa aponta para o descompasso entre a legislação brasileira
regulamentadora da universalização da proteção social e a inviabilização do acesso da
população infanto-adolescente às políticas garantidoras do exercício dos direitos sexuais.

Palavras-chave: Criança e Adolescente; Direitos Sexuais; Direitos Humanos; Estado Neoliberal.

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Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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212
Educação Sexual e a abordagem sociológica no ensino fundamental
Autores(as): Fernanda Naiara da Frota Lobato (UFC)

Resumo:

A política pública de educação básica cearense apresenta inúmeros desafios, os quais convocam
o desenvolvimento de saberes plurais. Neste contexto o PIBID (Programa Institucional de Bolsa
de Iniciação à Docência) de Sociologia surge como uma ferramenta importante, reverberando
em questões acerca do currículo, da ética e da formação, atravessadas pelo cenário político-
social. O presente relato de experiência tem como objetivo refletir sobre a educação sexual e
seus efeitos no alunado, sobretudo nas meninas. Bem como visa pensar a transversalidade e
interdisciplinaridade do tema no currículo escolar de uma escola de Fortaleza, repensando o
modelo de ensino teórico e metodológico. A metodologia se deu a partir do método de observação
participante, acompanhamento de aulas e realização de atividade em uma turma do 9º ano do
ensino fundamental. O PIBID de Sociologia atuante na Escola de Ensino Fundamental e Médio
Dr. César Cals elaborou uma atividade sobre educação sexual, sexualidade e gênero, a partir
do pedido de alunas. Para realizar a atividade foi produzida uma caixa intitulada de “Faça aqui
sua pergunta sem (tanta) vergonha.” que recebeu durante duas semanas perguntas anônimas
vindas dos alunos e que depois foram recolhidas. A primeira aula-intervenção construída
objetivou apresentar as DST’s (Doenças Sexualmente Transmissíveis), a prevenção das mesmas
e da gravidez, levando uma abordagem de cunho feminista para a sala de aula, uma vez que se
incentivou o conhecimento do corpo das meninas por elas mesmas, assim como foi debatido o
termo “Direitos Reprodutivos” como parte dos direitos humanos. Além disso, a abordagem se
deu em concomitância com a explanação da história de resistência da sexualidade feminina
e suas consequentes conquistas sociais. A segunda aula teve como objetivo discutir gênero
e identidade de gênero, e responder as perguntas feitas na caixa. Em suma, essa atividade
trouxe à tona questões de violências sexuais, machismo, heteronormatividade e identidade
de gênero, pois através das reações de estranhamento, das argumentações e depoimentos
o senso comum transparecia, assim como os valores conservadores nos discursos dos e das
estudantes que recebem e reproduzem diariamente as marcas e as expressões do sistema
patriarcal no qual vivemos. Mas, apesar disso as meninas demonstravam interesse pela saúde
sexual e saúde reprodutiva, sendo na atividade concebido como um interesse também social,
tendo sido discutidas questões como o uso de drogas e as práticas sexuais. Assim, percebe-se
a necessidade de incluir o debate e a informação sobre educação sexual e gênero no currículo
escolar, principalmente transversalizando o tema através das ciências humanas, como a
sociologia, que nesse caso em específico foi dispositivo de esclarecimento. Para perspectiva
teórica a fim de embasar e fomentar o debate foi utilizado o texto “Direitos Reprodutivos no
Brasil”, de Miriam Ventura.

Palavras-chave: Escola; Feminismo; Gênero; PIBID; Sexualidade.

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213
Família: vivência de direitos sexuais e reprodutivos por jovens da região SUAPE
Autores(as): Beatriz de Brito Coelho (UFPE), Jaileila de Araujo Menezes (UFPE)

Resumo:

Na presente pesquisa investigamos os significados produzidos pela rede de convívio família


sobre a vivência de direitos sexuais e direitos reprodutivos de jovens da região SUAPE. Algumas
linhas teóricas que auxiliaram a contextualização e discussão dos temas da pesquisa foram:
noção de circuito integrado (Haraway, 2009); analítica do poder (Foucault, 1975); autonomia
(Brandão, 2004; Chaland, 2001). Tratando-se de uma pesquisa qualitativa, entrevistamos
quatro membros da rede família, antes indicados por jovens residentes nos municípios do
Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca. Essas quatro entrevistas foram analisadas como elemento
da textualidade social, em uma perspectiva discursiva em que a linguagem é tomada como
campo de relações de poder, sendo divididas, em relação aos direitos sexuais, em cinco
eixos: controle x liberdade, educação sexual (conversas e informações sobre sexualidade),
doenças sexualmente transmissíveis, homossexualidade e práticas sexuais de jovens da
região. A análise de dados permite-nos ressaltar a falta de diálogo entre familiares e jovens
sobre direitos sexuais, além de ser presente um discurso marcado por um viés geracional
controlador e também por preconceitos e severo controle de condutas quando o assunto é
homossexualidade. Os familiares mostraram saber que o diálogo é necessário, mas se omitem
em colocar essa necessidade em prática, por vezes em atenção à preceitos religiosos ou
ao marcador de geração que se afilia com a concepção de que “falar é incitar” o sexo em
uma idade onde ele não deve ser praticado. Os/as jovens participantes da pesquisa ocupam
um território que passou por um processo de intensivo crescimento econômico, mas sem
equivalente desenvolvimento social, o que impactou sobremaneira em suas vivências afetivo-
sexuais. Por se tratar de um território de grandes obras (indústrias, portos, estaleiros) SUAPE
recebeu uma quantidade expressiva de homens, mudando o cenário físico e as rotas de
sociabilidade da população local. A grande mídia divulgou o aumento da violência na região,
com forte expressão da violência de gênero e gravidez de jovens mulheres. O descompasso
entre crescimento econômico e desenvolvimento social expressou-se, entre tantas situações na
falta de acesso à informação qualificada sobre direitos sexuais, direitos reprodutivos, direitos
sociais, dentro e fora de casa: com um clima não propenso à comunicação, abertura, desabafo,
aprendizagem e empoderamento entre familiares, além de usufruírem de pouco auxílio
nos postos de saúde, os jovens também não puderam contar com a escola como instituição
social comprometida com a efetivação da transversalidade dos temas sexualidade e gênero.
Para sanar suas dúvidas sobre sexualidade os/as jovens acessam informações disponíveis na
internet, recorrem à rede de amizade e algumas poucas e descontínuas ofertadas do contexto
escolar. Entendemos como fundamental os “debates em educação e saúde na perspectiva de
direitos sexuais e direitos reprodutivos”, tendo a família como instituição social que precisar
ser confrontada com seus limites, possibilidades e responsabilidades na promoção da justiça
sexual e de gênero para jovens.

Palavras-chave: Juventude; Direitos Sexuais; Direitos Reprodutivos; Família.

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Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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214
Educação em saúde e sexualidade: relato de experiência de promoção de cuidado em um
Centro Educacional
Autores(as): Natália Silva Almeida do Nascimento (Fanor), Larissa Ferreira Nunes (Fanor)

Resumo:

Este relato de experiência ocorre no Centro Educacional Aldaci Barbosa Mota, única unidade
socioeducativa feminina no Estado do Ceará. Os centros educacionais estão regulamentas
na Lei 12.594/12 que institui o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase),
anteriormente a esta data, a palavra socioeducação como política especial de média
complexidade à adolescentes que cometeram algum ato infracional foi mencionada pela
primeira vez no Estatuto da Criando e do Adolescente (ECA) na Lei 8.069/90. A adolescência
dentro de uma visão desenvolvimentista é reconhecida como uma fase peculiar e com algumas
características: mudanças sociais, busca da identidade e do reconhecimento grupal, mudanças
biológicas, início da puberdade e muitas vezes da vida sexual. Neste último ponto, percebemos
que o início da vida sexual vem ocorrendo de forma precoce, inclusive cresce o número de
gravidez na adolescência e casos de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Por isso,
este relato de experiência de encaixa no Gt – 5 – Juventude e saúde, ao trabalhar fatores de
risco e proteção para o adoecimento entre jovens. Objetivou-se trabalhar a sexualidade com
adolescentes em conflitos com a lei em meio fechado a fim de entender e contextualizar ações
pertinentes ao seu universo. Trata-se de um estudo descritivo do tipo relato de experiência,
de acadêmicos de enfermagem da Faculdades Nordeste (FANOR), do nono período, durante o
desenvolvimento de uma atividade da disciplina de Educação em Saúde tendo como público
alvo adolescentes de um Centro Socioeducacional na cidade de Fortaleza-CE, no mês de
Maio de 2016. A ação foi direcionada a sexualidade, diversidade sexual e prevenção das DST/
AIDS de forma participativa junto a dinâmica “Árvore do Prazer”, pensando nisso entregou-se
cartelas para serem expostas na árvore do prazer para que, em seguida, as discussões fossem
bem exploradas pelas adolescentes. Essa dinâmica se encontra disponível em uma Cartilha
promovida pelo Ministério da Saúde. As condições observadas foram expressas pelas respostas
das adolescentes frente ao que lhes dava prazer, a maioria definia atitudes/atos prazerosos
aqueles ligados a sua liberdade. Percebeu-se que o conhecimento adquirido por elas “quebrou”
diversos mitos e tabus populares levando conhecimento e possibilitando a elas a realização
do autocuidado. A experiência dentro de uma instituição socioeducativa nos aproximou da
realidade violadora de direitos dos jovens em conflito com a lei e evidenciou a ineficácia das
medidas socioeducativas como ressocializadoras e promotoras de cidadania. A atividade
instigou a curiosidade de como são construídos os significados e noções de sexualidade e
autocuidado por essas jovens diante as experiências que vivem de suas realidades e de suas
singularidades. Portanto, esse assunto, que ainda é um tabu, precisa ser melhor explorado pelos
profissionais de saúde reconhecendo o adolescente em sua peculariedade e individualidade.

Palavras-chave: Sexualidade; Adolescente em Conflito com a Lei; Educação em Saúde; Promoção


de Cuidado.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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215
Metodologias participativas como mobilizadoras do diálogo na rede de garantia de direitos
Autores(as): Íris Vieira de França (UFCG), Aleff Silva Aleixo (UFCG), Alyne Alvarez Silva
(Universidade Federal de Campina Grande), Camilla de Melo Silva (Universidade Federal de
Campina Grande), Maristela de Melo Moraes (UFCG)

Resumo:

As Metodologias Participativas são instrumentos educativos e pedagógicos que objetivam a


participação dos sujeitos como principais agentes transformadores de suas realidades, levando
em consideração seus saberes e pautando-se na relação dialógica de construção coletiva
do conhecimento. A partir dessa perspectiva, o presente relato objetiva trazer a experiência
vivenciada em encontros intersetoriais realizados em Campina Grande - PB, proporcionados
pelo Projeto Redes da Secretaria Nacional sobre Drogas (SENAD) e a Fundação Oswaldo Cruz
(FIOCRUZ), em parceria com o Núcleo de Pesquisa e Extensão Sobre Drogas (NUD/UFCG). Os
encontros contaram com a presença de, aproximadamente, 70 profissionais, buscando articular
a Rede de Garantias de Direitos e Assistência à Criança e ao Adolescente do município, além
de proporcionar um espaço no qual pudessem ser estabelecidos vínculos para a possível
construção de um trabalho interprofissional e intersetorial. No primeiro momento, foram
utilizadas técnicas que partiram de uma contextualização da trajetória pessoal de cada
sujeito e realizadas atividades que objetivavam a apresentação dos serviços - delimitando os
objetivos e as atribuições assumidas por cada um. No segundo dia, as atividades seguiram
com a proposta do pensar coletivo, trazendo os pontos positivos e negativos de cada serviço,
assim como propondo a construção de possíveis soluções para os desafios e tensões presentes
em cada um. A partir do que encontramos nos encontros, podemos destacar questões que
atravessam toda a rede e que surgiram enquanto entraves para o seu funcionamento, a saber:
falta de diálogo nos e entre os dispositivos, a exemplo de serviços que atuam no mesmo
território e não se (re)conheciam; a falta de infraestrutura para a realização de atividades com
os usuários e profissionais; a carência de capacitação profissional, refletindo a organização
política do lugar, uma vez que a cada nova eleição municipal, novas pessoas chegam ao
serviço, gerando inconsistências na atuação; dentre outras questões. Sobre possíveis soluções
para as lacunas encontradas, podemos destacar a construção de mais espaços de formação
que proporcionem novos encontros, além da necessidade de os serviços estarem mais abertos
ao diálogo assim como a novas parcerias. Diante do que foi colocado e vivenciado, os dois
momentos se mostraram bastante potentes, uma vez que mobilizaram as pessoas que atuam
nos serviços de saúde e de assistência social, especialmente. Estas se olharam, se enxergaram
e se (re)conheceram. Ao se ouvirem, perceberam que suas causas eram as mesmas e que
estas seriam mais exitosas se dialogadas. Acreditamos que o movimento de conexão, na lida
cotidiana, não é instantâneo, porém entendemos que a rede necessita ser fortalecida e que
cada ação, voltada para esta, irá gerar uma reação.

Palavras-chave: Metodologias Participativas; Garantias de Direitos; Criança; Adolescente.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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216
A Escola no Enfrentamento da Violência Sexual Contra Adolescentes
Autores(as): Ana Carolina da Silva Bitencourt (UFPA), Genylton Odilon Rego da Rocha (UFPA),
Raphael Augusto Ferreira dos Santos (UFPA)

Resumo:

A escola assume um papel importante na luta contra a violência sexual contra adolescentes,
pois essa instituição e os atores sociais que a compõem necessitam conhecer essa realidade
para poder enfrentá-la, tendo em vista que os adolescentes ao sofrerem esse tipo de violação,
geralmente “contam” através do seu comportamento a agressão sofrida. Conforme esses
pressupostos, o presente resumo é resultante do Projeto, em andamento, “Empoderando
Comunidades Escolares para o Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e
Adolescentes”, esse está vinculado ao Grupo de Estudo e Pesquisa sobre Currículo e Formação
de Professores na Perspectiva da Inclusão-INCLUDERE, assim o Projeto possui como lócus de
intervenção as Escolas Públicas localizadas na Região Metropolitana de Belém-PA, e como
objetivo pretende empoderar, por meio de ações de extensão, a comunidade escolar para o
enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. Com isso, a relação com o
Grupo de Trabalho Juventudes, Violência e Conflito Escolares e com o Eixo Temático Violência
contra, entre e por populações juvenis com a discussão proposta se refere à prevenção da
violação contra os adolescentes, pois o Disque 100, nos últimos dois anos, recebeu cerca de
37 mil denúncias sobre violência sexual e exploração sexual contra esse público. Para realizar
a discussão sobre este assunto utilizamos como referência o Guia Escolar: Identificação de
sinais de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes (2011), Estatuto da Criança
e Adolescentes-ECA (1990), bem como artigos, dissertações e teses referentes ao tema. A
metodologia a ser utilizada é a sistematização do tema, a partir de revisão bibliográfica; a
realização do levantamento sobre o conhecimento da tematica junto às Escolas Públicas da
Região Metropolitana de Belém-PA,; ações de formação, por meio de palestras e oficinas, nas
escolas públicas localizadas na Região Metropolitana de Belém-PA; a realização de um evento
que objetiva mobilizar e sensibilizar a sociedade para o enfrentamento da violência sexual
contra crianças e adolescentes. Os resultados iniciais foram à realização do levantamento
bibliográfico acerca da temática, por meio de sessões de estudos e a realização do III Seminário
Empoderamento para o Enfrentamento da Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes
e o III Simpósio Educação como Possibilidade de resistência a Violência contra Pessoas
LGBT, que contou com a participação de 120 pessoas, no dia 19 de maio, durante o evento a
discussão sobre as temáticas. Dessa forma, com as atividades em andamento, desenvolvidas
por este Projeto, revelam a extrema relevância em discutir e desenvolver estratégias para o
enfrentamento desse problema, observando que através do dialogo com esses sujeitos e com
a comunidade escolar podemos erradicar esse tipo de fenômeno.

Palavras-chave: Escolas Públicas; Enfrentamento à Violência Sexual; Comunidade Escolar;


Adolescentes; Empoderamento.

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Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
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217
O Enfrentamento da Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes: Ações do grupo de
estudos e pesquisas INCLUDERE/UFPA
Autores(as): Raphael Augusto Ferreira dos Santos (UFPA), Ana Carolina da Silva Bitencourt
(UFPA), Fernanda Larissa Oliveira Tenorio (UFPA)

Resumo:

O presente trabalho, apresenta os resultados das ações desenvolvidas pelo programa


de extensão “Empoderando Comunidades Escolares Paraenses para o Enfrentamento da
Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes” (PROEXT/2015-2016), implementado pelo
Grupo INCLUDERE/ICED-UFPa. O referido programa teve como objetivo Empoderar crianças
e adolescentes pertencentes as comunidades escolares, membros dos conselhos tutelares,
Conselhos Municipais do Direito das Crianças e Adolescentes, acadêmicos e outros atores
sociais ligados à rede de enfrentamento, através da realização de pesquisa sobre o tema em
questão. No entanto deve-se observar que a criação de um ambiente de inclusão para a criança
e o adolescente deve ser realizada a partir de um engajamento de toda a sociedade. Como
principal meio de formação do cidadão, a escola deve ser grande aliada na luta da violência
sexual contra crianças e adolescentes, ajudando no reconhecimento dos casos, a forma de
atuação e prevenção para com as famílias e atendimento adequado aos casos. Partindo desta
problemática e das ações do Grupo INCLUDERE em conjunto com o papel fundamental da
universidade, através do tripé: Ensino, Pesquisa e Extensão, entende que a relação deste trabalho
com o tema da juventude e sua inserção no debate da efetivação de direitos, parte do princípio
de que as crianças e adolescentes possuem um papel fundamental na sociedade e formação
da mesma, como cidadãos críticos. Propõe, por meio das comunidades escolares, realizar a
formação e socialização dos trabalhos realizados com o fim de empoderar nossas crianças e
adolescentes e consequentemente a comunidade escolar para combater e enfrentar esse tipo
de violência que ocorre em nossa sociedade e que fere a garantia dos direitos humanos desses
sujeitos. A metodologia utilizada para a realização das atividades de extensão deu-se pelas
seguintes etapas: Pesquisa diagnóstica sobre o conhecimento da comunidade escolar sobre o
tema da violência sexual contra crianças e adolescentes e como ela tem atuado no enfrentado
a esta problemática; Cursos de capacitação para a comunidade escolar, que compreende
entre outras coisas o treinamento (da comunidade escolar) para o uso do Guia Escolar. Os
resultados alcançados pelo programa, deram-se na realização de dois eventos de caráter
acadêmico; planejamento, organização e sistematização de palestras, oficinas e minicursos,
vídeo debates e mesas redondas que foram realizadas e também, através da oferta do curso
de aperfeiçoamento denominado: “Empoderando Comunidades Escolares Paraenses para o
Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes” que foi ofertado em 13
municípios, permitindo fossem empoderados cerca de 1500 profissionais em todo o Estado do
Pará, sobre a temática da violência sexual contra crianças e adolescentes e das estratégias de
enfrentamento.

Palavras-chave: Enfrentamento; Empoderamento; Comunidades Escolares Paraenses; Violência


Sexual.

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218
Juventude e o combate à violência sexual contra meninos.
Autores(as): Matheus Ricardo da Silva Lima (UFPA)

Resumo:

Este artigo é resultado de pesquisa e tem como objetivo a discussão acerca da violência
sexual contra meninos, que frente aos levantamentos efetuados demonstrou-se um déficit
de estudos no Brasil, no que diz respeito à realidade de meninos vítimas desta violência. De
tal forma, a relação com eixo temático “Juventudes, violência e conflito” faz-se interligada,
uma vez que um percentual da juventude masculina vem sofrendo com esta violência onde o
processo de ocorrência da mesma é dificultado devido a padrões de masculinidade baseados
na independência e no estoicismo (SANDERSON, 2005; WEISS, 2010) e devido à ausência de
garantia de direitos que amparem este público. O método tratou-se da abordagem realizada
com base no materialismo histórico dialético, indo além do aparente e apreendendo de forma
crítica os determinantes desta realidade, somado a estudos de Jean Von Hohendorff. Sendo
assim, abordar tal assunto vem a ser um passo em direção para que pesquisadores venham
a estudar e combater assuntos relacionados a este público e a esta problemática. Diante da
escassez de estudos nacionais sobre a VS masculina, a atuação profissional torna-se um desafio
(HOHENDORFF; HABIGZANG; KOLLER, 2012), necessitando assim que se evidenciem mais
estudiosos na área, solidificando um conhecimento teórico-prático como base. Estimativas
indicam que uma em cada quatro meninas e um em cada seis meninos experimentou de
alguma forma de violência sexual na infância ou adolescência (SANDERSON, 2005, apud
HOHENDORFF; HABIGZANG; KOLLER, 2012), à vista disso, por mais que os índices de abusos
sexuais no sexo feminino sejam maiores que o masculino, não podemos excluir a realidade
de que o sexo masculino vem sofrendo com esta violência e demanda-se estudos voltados a
analisar e intervir nesta realidade. Nota-se um silêncio advindo das vítimas masculinas de VS,
isto repercute pelo fato de que a dinâmica da violência sexual, especialmente a intrafamiliar,
seja contra meninas ou meninos, tende a ser complexa devido a diferentes fatores que podem
estar envolvidos em sua manutenção (HOHENDORFF; HABIGZANG; KOLLER, 2012). Uma vez
ocasionada esta violência, as percepções sociais acerca de meninos e homens vítimas de VS
foram inclusas no modelo de Spiegel (2003 apud HOHENDORFF; SANTOS; DELL’AGLIO, 2015),
onde tal violência ocorreria por meio de seis categorias, sendo estas: sujeição, interações
sexuais, encobrimento, invalidações, reconciliação e desenvolvimento do “self compensatório”,
sendo esta teoria importante para análise da realidade destas vítimas e suas repercussões,
desde físicas (trauma, DST’s), emocionais (medo, ansiedade, depressão), comportamentais
(retraimento social, comportamento sexual inadequado) e alterações cognitivas. Parte
essencial neste processo se dá acerca da garantia de direitos dessas vítimas, aonde os centros
de acolhimento vem a ser porta de entrada no trato da realidade vivenciada pelas vítimas,
desta forma requer-se estruturas de proteção especializada a estas famílias e vítimas. Assim
sendo, revela-se a importância de estudos que alertem a sociedade para esta realidade e do
desenvolvimento de políticas, junto à justiça, de amparo a estes.

Palavras-chave: Violência Sexual; Meninos; Juventude.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE A JUVENTUDE BRASILEIRA, 7., 2017, Fortaleza. Anais do Simpósio
Internacional sobre a Juventude Brasileira: JUBRA. Fortaleza: Expressão Gráfica, 2017. 1010 p. Disponível
em: <http://www.jubra2017.com.br>
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As relações amorosas do adolescentes com histórico de violência intrafamiliar
Autores(as): Thais Afonso Andrade (UNICAP), Albenise de Oliveira Lima (UNICAP)

Resumo:

Entende-se por violência intrafamiliar qualquer ato ou omissão que prejudique a integridade
física e psicológica e o pleno desenvolvimento de um membro da família. As relações familiares
violentas resultam em várias consequências entre elas, as emocionais para os adolescentes
que convivem nesse contexto disfuncional. É importante destacar que é no período da
adolescência que as relações de amizade e de namoro ganham maior importância, a família
vai cedendo espaço para a construção de outros relacionamentos e interações. Como objetivo
buscamos compreender como o adolescente com histórico de violência intrafamiliar se vincula
afetivamente nas suas relações amorosas pré-matrimoniais. O presente estudo apresenta
relação com o Grupo de Trabalho (GT) “Juventude, Criminalização e Políticas Públicas: impasses e
enfrentamentos”, do eixo temático 02, “Juventudes, violência e conflito”, por fomentar discussões
acerca da juventude que convive com uma série de vulnerabilidades, entre elas, a falta de
referência familiar. O trabalho foi desenvo