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Observações sobre os trabalhos (resenhas críticas)

1. Aspectos formais

Todos os textos, sem exceção, tinham erros de revisão (releitura). Texto acadêmico é
assim mesmo, nunca se escreve de uma vez por todas e nunca está pronto. Por isso,
precisamos sempre reler, ler novamente, reescrever etc. É preciso sempre antes de vocês
entregarem o texto de vocês, derem uma última lida com bastante atenção. O que vale é
o que você diz no texto, não o que quis dizer.

Quase ninguém colocou número de páginas, é importante que existam os números de


páginas (algumas pessoas entregaram por clips, p. ex.). Nunca apostem na boa vontade
de leitura de seus leitores e examinadores.

Neste quesito, coloquem sempre “professor doutor” na descrição do trabalho. Muitos


professores se importam demasiadamente com isto. Jamais errem, como fizeram comigo,
de colocar professor “mestre” (a não ser que seja mestre).

É importante que vocês comecem o texto de vocês dizendo o que vocês vão fazer no texto,
por exemplo, qual o objetivo do texto que vocês estão escrevendo? Quais são os passos
que vocês vão seguir? Quais argumentos vocês vão apresentar? Com quais textos vocês
vão trabalhar? Lembrem-se, o texto acadêmico é fruto de técnica, não de inspiração.

Lembre-se sempre de fazer referência ao que vocês disseram, retomar argumentos,


ampliar argumentos. Isso sempre fazendo referências. Porque as referências ajudam vocês
a fundamentar melhor o que vocês querem dizer, a situar o argumento com o qual vocês
estão trabalhando.

2. Aspectos argumentativos

Se o título do texto do Luís Cláudio é “A gestação do espaço psicológico no século XIX:


liberalismo, romantismo e disciplinas”, toda resenha deve expor consistentemente o que
o autor entende como “espaço psicológico” e como ele vê resumidamente o que é
liberalismo, romantismo e disciplinas.

Uma vez que você escreva estes dois pontos, você deveria, ao escolher um deles
(romantismo, liberalismo ou disciplinas), justificar sua escolha: por que estou indo pelo
caminho do romantismo? O que me faz escolher o romantismo? Assim, de que maneira
Michael Löwy vê o romantismo? Como ele me ajuda a justificar minha escolha?

Toda referência que escolhemos tem que fazer sentido na nossa argumentação. Toda
referência é uma ajuda para compor o nosso próprio pensamento. E o nosso pensamento
se produz justamente no encontro das referências. Nós precisamos criar um campo
problemático no interior do qual os autores possam conversar e fazer sentido.

3. Observações sobre algumas argumentações colocadas


“O Brasil nunca foi um país liberal”.

Algumas pessoas falaram muito mais sobre liberalismo ou neoliberalismo e esqueceram


de fazer a resenha do texto. Aqui me parece haver um certo efeito colateral desta nova
moda neoliberal: essa coisa de argumentar como uma metralhadora (sempre manifestando
pontos de vista já fechados e acabados) e esquecer de problematizar dialogicamente as
questões. Percebam que sempre que vocês se utilizarem de um referencial em seus
trabalhos, vocês vão perder por um lado e ganhar por outro. Por isso, pensem muito antes
de adotarem uma perspectiva no trabalho de vocês.

Muita gente somente nos últimos parágrafos e linhas é que manifestaram o que pensam.
Vejam, num texto acadêmico, aquilo que você pensa é o que constitui o início do trabalho.
Você parte do que você pensa e não termina o texto ali onde você diz o que pensa.

4. Nota sobre concepção de avaliação

Vocês se recordam que, no início da disciplina, eu fiz muitas discussões históricas,


filosóficas (e ainda faço). Isto porque eu entendo que na psicologia existem visões de
mundo que se consolidaram como abordagens psicológicas. Eu já disse a vocês que estas
visões estão presentes em todas as áreas. Vocês verão perspectivas mais objetivas e mais
subjetivas, mais científicas e mais críticas, em Fisioterapia e Nutrição.

Quando se fala em avaliação, a visão mais tradicional a entende como uma espécie de
classificação e meritocracia. Ou seja, a avaliação serve para classificar os alunos (dos
piores aos melhores) a partir do mérito próprio de cada um. Neste contexto, a avaliação é
avaliação da aprendizagem.

Portanto, é o professor quem diz os objetivos da avaliação. O objetivo da avaliação é o


de medir se os objetivos foram atingidos através do desempenho dos alunos.

No entanto, é possível pensar a avaliação não como avaliação da aprendizagem mas


como avaliação para a aprendizagem. Ou seja, uma avaliação feita de forma contínua,
com feedback do professor, a avaliação é um suporte da aprendizagem. A relação entre
avaliação e aprendizagem não é uma norma geral a que os alunos devem se aproximar,
mas uma experiência sempre singular de se relacionar com o conteúdo abordado em aula.

Na avaliação da aprendizagem, os erros estão contra os alunos, quanto mais erros eles
têm, menos eles aprenderam, mais devem estudar. Os alunos, então, devem temer os erros
e procurar meios para acertar. A prova (com questões gerais e respostas certas) é o
mecanismo mais adequado.

Na avaliação para a aprendizagem, os erros são os meios pelos quais os alunos


expressam aquilo que compreenderam do texto. Vejam que, em muitos textos de vocês,
é ali onde existem mais erros (de digitação, de ortografia, de concordância) que vocês
mais demonstram o que compreenderam. E é ali onde vocês menos erram (quando
copiam, quando fazem referências) que vocês menos mostram o que aprenderam). Aqui,
em vez de uma prova com questões gerais, o trabalho dissertativo individual é a melhor
maneira de entender como cada aluno apreendeu o conhecimento.
O meu objetivo não é que vocês aprendam reproduzindo o que eu estou dizendo (ou
o que os autores dos textos da disciplina dizem). Meu objetivo é que vocês
construam, a partir do que estou dizendo, algum tipo de conhecimento que faça
sentido para cada um de vocês. Ou seja, em vez de o conteúdo da aula ser alguma
coisa que vocês precisam aceitar passivamente, o que eu digo em aula eu prefiro que
vocês problematizem, modifiquem, encontrem relações. Essa é minha aposta.