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DICAS E RESPOSTAS DA LISTA DE EXERCÍCIOS 1 EDO II - MAP 0316

PROF: PEDRO T. P. LOPES WWW.IME.USP.BR/∼PPLOPES/EDO2

Os exercı́cios a seguir foram selecionados dos livros dos autores Claus Doering-Artur Lopes e Jorge Sotomayor.
(S.X.Y) indica exercı́cio Y do capı́tulo X do livro do Sotomayor. (D.L.X.Y) indica exercı́cio Y do capı́tulo X do
livro dos autores Claus Doering e Artur Lopes.

Exercı́cio 1 (S.1.1)
Seja g(t) = t22−1 , |t| =
6 1.
a) Mostre que toda solução de x0 (t) = g(t) é da forma

t − 1
ϕ(t) = c + ln ,
t + 1
onde c ∈ R.
Resolução:
De fato, basta integrar t 7→ g(t) e obtemos
ˆ t ˆ t ˆ t
s − 1 t

x0 (s)ds =
1 1 = ln t − 1 − ln t0 − 1 .

x(t) − x(t0 ) = g(s)ds = − ds = ln
t0 t0 t0 s−1 s+1 s + 1 t0
t+1 t0 + 1
Logo  
t0 − 1 t − 1 t − 1
x(t) = x(t0 ) − ln
+ ln
= c + ln
,
t0 + 1 t + 1 t + 1
 
em que c := x(t0 ) − ln tt00 −1
+1 .

b) Faça um esboço destas soluções em Ω = {t ∈ R; |t| =


6 1} × R.
1 1
(Sugestão: Note que g(t) = t−1 − t+1 ).

Exercı́cio 2 (S.1.2)
2
Seja f (x) = x 2−1 . Mostre que toda solução de x0 = f (x) diferente das soluções ϕ+ ≡ 1 e ϕ− ≡ −1 é da forma:

1 + cet
ϕ(t) = , c 6= 0.
1 − cet
Qual é o intervalo máximo Ic de definição destas soluções? Faça um esboço geométrico das soluções em Ω = R2
e compare com o exercı́cio anterior.
Resolução:
Usando o método aprendido em sala de aula, temos x(t) = F −1 (t − t0 ), em que
ˆ w ˆ w ˆ w 
1 2 1 1 w − 1 x0 − 1
F (w) = dξ = dξ = − dξ = ln
− ln
.
x0f (ξ) ξ2 − 1
x0 x0ξ−1 ξ+1 w + 1 x0 + 1
Assim F (x(t)) = t − t0 . Logo para algum c̃ e c pertencentes a R, temos

x(t) − 1 x0 − 1 x(t) − 1
ln
− ln
= t − t0 =⇒ ln
= t + c̃ =⇒
x(t) + 1 x0 + 1 x(t) + 1
x(t) − 1
= cet .
x(t) + 1
Assim
1 + cet
x(t) − 1 = cet (x(t) + 1) =⇒ x(t) 1 − cet = 1 + cet =⇒ x(t) =

.
1 − cet
Logo uma solução está definida para todo t, se c < 0. Se c > 0, a solução está definida para todo t tal que
1 6= cet , ou seja, et 6= 1c =⇒ t 6= ln 1c , ou seja, o intervalo máximo é ] − ∞, ln 1c [ ou ] ln 1c , ∞[, dependendo do ponto
do valor inicial.
1
DICAS E RESPOSTAS DA LISTA DE EXERCÍCIOS 1 EDO II - MAP 0316 2

Exercı́cio 3 (S.1.5)
Seja f : R → R.
a) As equações da forma x
x0 = f , t 6= 0
t
são chamadas homogêneas. Prove que a mudança de variáveis x = yt transforma equações homogêneas em equações
com variáveis separáveis.
Resolução:
Se x = yt, então x0 (t) = ty 0 (t) + y(t). Assim temos
x 1
x0 = f ⇐⇒ ty 0 (t) + y(t) = f (y) ⇐⇒ y 0 (t) = (f (y(t)) − y(t))
t t
b) Resolva a equação
x+t
x0 = , x(1) = 0.
t
Resolução:
Vemos que
x(t)
x0 (t) = + 1,
t
0 x

logo x (t) = f t , em que f (w) = w + 1. Se x = ty, então 0 = x(1) = y(1) e
1 1 1
y 0 (t) = (f (y(t)) − y(t)) = (y(t) + 1 − y(t)) = .
t t t
Assim
y(t) = y(1) + ln t = ln t.
Concluı́mos que x(t) = t ln(t).

Exercı́cio 4 (S.1.6)
Encontre os valores de α e β para os quais
x0 = αtα + βxβ
se transforma numa equação homogênea por meio de uma mudança de variáveis da forma x = y m .
Resolução:
Se x = y m , então x0 (t) = my m−1 (t)y 0 (t). Logo
my m−1 (t)y 0 (t) = αtα + βy βm ,
ou seja,
  y 1−m  y (β−1)m+1 
1  α 1−m  1
y 0 (t) = αt y + βy (β−1)m+1 = αtα+1−m + βt(β−1)m+1 .
m m t t
1
αtα y 1−m + βy (β−1)m+1 possa ser escrita como f ( yt ), devemos ter um dos três casos:

Logo para que m
1) α = β = 0.
2) β = 0 e α = m − 1.
1
3) β = 1 + m e α = 0.
1
4) β = 1 + m e α = m − 1

Exercı́cio 5 (S.1.8)
Mostre que a mudança de variáveis x1−n = y transforma a equação de Bernoulli
dx
= a(t)x + c(t)xn
dt
numa equação linear.
Resolução:
−1
Se y = x1−n , então y 0 (t) = (1 − n) x−n (t)x0 (t). Logo x0 (t) = (1 − n) xn (t)y 0 (t). Logo a equação acima equivale
a
−1
(1 − n) xn (t)y 0 (t) = a(t)x + c(t)xn =⇒
y 0 (t) = (1 − n) a(t)x1−n + (1 − n) c(t) =⇒ y 0 (t) = (1 − n) a(t)y(t) + (1 − n) c(t).

Exercı́cio 6 (S.1.9)
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A equação do tipo
x0 (t) = r(t)x2 + a(t)x + b(t) (∗)
chama-se equação de Riccati. Suponha que os coeficientes da equação (∗) são funções contı́nuas de t. Mostre que
se ϕ1 é uma solução da equação (∗), então ϕ = ϕ1 + ϕ2 é solução da equação (∗) se, e somente se, ϕ2 é uma solução
da equação de Bernoulli (veja exercı́cio anterior)
y 0 = (a(t) + 2r(t)ϕ1 (t)) y + r(t)y 2 .
Ache as soluções de
x
x0 =
+ t3 x2 − t5
t
sabendo que esta equação admite ϕ1 (t) = t como solução.
Resolução:
De fato, se ϕ1 + ϕ2 é solução, então temos
ϕ01 (t) + ϕ02 (t) = r(t)ϕ1 (t)2 + 2r(t)ϕ1 (t)ϕ2 (t) + r(t)ϕ2 (t)2 + a(t)ϕ1 (t) + a(t)ϕ2 (t) + b(t).
Como ϕ1 é solução, concluı́mos que
ϕ02 (t) = 2r(t)ϕ1 (t)ϕ2 (t) + r(t)ϕ2 (t)2 + a(t)ϕ2 (t).
No caso em que x0 = x
t + t3 x2 − t5 , ϕ2 deve satisfazer
   
0 1 3 3 2 1
y = + 2t t y + t y = + 2t y + t3 y 2 .
4
t t
Se y = z −1 , então  
0 1
z (t) = − + 2t z(t) − t3 .
4
t
Logo
 ˆ t  ˆ s    −1 ˆ t   
3 1 4 1 4
x(t) = t + x0 − s exp − + 2τ dτ ds exp + 2τ dτ
t0 s0 τ t0 τ

Exercı́cio 7 (S.1.11)
Em cada um dos seguintes exemplos, encontre ou demonstre que não existe uma constante de Lipschitz nos
domı́nios indicados:
a) f (t, x) = t |x|, |t| ≤ a, x ∈ Rn .
1
b) f (t, x) = x 3 , |x| ≤ 1.
1
c) f (t, x) = x , 1 ≤ x ≤ ∞. 
d) f (t, x) = x21 x2 , t + x3 , x23 , |x| ≤ b, |t| ≤ a.
Resolução:
a) É Lipschitz.
De fato,
|f (t, x) − f (t, y)| = |t |x| − t |y|| = |t| ||x| − |y|| ≤ |t| |x − y| ≤ a |x − y| .
Note que usei |x| = |y + (x − y)| ≤ |y| + |x − y| e |y| ≤ |x| + |x − y|. Logo ||x| − |y|| ≤ |x − y|.
b) Não é Lipschitz.
Isto foi visto em sala de aula. Se fosse Lipschitz, existiria uma constante C > 0 tal que
|f (t, x) − f (t, y)|
sup ≤ C.
x6=y |x − y|
Porém 1
|f (t, x) − f (t, 0)| |x| 3 − 2 x→0
= = |x| 3 −→ ∞.
|x| |x|
Um absurdo. Logo f não é Lipschitz.
c) É Lipschitz.
De fato, temos ˆ ˆ
1 y 1 y

1
|f (t, x) − f (t, y)| = − =

2
ds ≤ 1ds ≤ |y − x| ,
x y x s x
1
em que usamos s2 ≤ 1, pois f só está definido para x ≥ 1.
d) É Lipschitz.
DICAS E RESPOSTAS DA LISTA DE EXERCÍCIOS 1 EDO II - MAP 0316 4

De fato, a função é C ∞ . Logo


 
|f (t, x) − f (t, y)| ≤ max |Dx f (t, x)| |x − y| .
|x|≤b, |t|≤a

O número max|x|≤b, |t|≤a |Dx f (t, x)| é finito, pois é o máximo de uma função contı́nua sobre um compacto.

Exercı́cio 8 (S.1.12)
Seja f : R2 → R definida por f (x, y) = |y|. Considere a equação diferencial dy
p
dt = f (x, y) com a condição inicial
y(0) = 0.
(i) Dê uma solução desta equação.
(ii) Ela é única?
(iii) Caso a resposta de (ii) seja negativa, contradiz o Teorema de Picard? Justifique.
Sugestão: Use o método de variáveis separáveis para encontrar a seguinte solução:
( 2
x
y(t) := 4 2, x ≥ 0 .
− x4 , x ≤ 0
Resolução: √ p
(i) Uma possı́vel solução é dada por y(t) = 0 para todo t ∈ R, pois y 0 (t) = 0 = 0 = |y(t)|.
(ii) Não, usando o método de variáveis separáveis (a princı́pio ele só vale quando f (x, y) 6= 0, no entanto ele está
sendo usando aqui numa tentativa de obter uma solução) temos para x > 0
ˆ x
1 √ 1 1
F (x) = p dξ = 2 x =⇒ x = F (x)2 =⇒ F −1 (y) = y 2 .
0 |ξ| 4 4
2 2
Logo, obtemos para t ≥ 0, y(t) = F −1 (t) = t4 . Fazendo o mesmo para t ≤ 0, obtemos y(t) = − t4 . Como vimos,
este método só foi demonstrado a validade para f (x, y) 6= 0. No entanto, podemos mostrar explicitamente que a
solução obtida acima depfato resolve a equação. Embora não seja a única que o faça.
(iii) Não, pois y 7→ |y| não é localmente Lipschitiziana. Se fosse, existiria uma constante C > 0 tal que se
|x| ≤ 1, |y| ≤ 1, x 6= y, então p
|x| − p|y|
≤ C.

x−y


No entanto, p
|x| − p|0| 1
lim = lim p = ∞.

x→∞ x−0 x→∞ |x|

Exercı́cio 9 (S.1.14)
Seja f : R × Rn → Rn de classe C 1 e suponhamos que ϕ : R → Rn é a solução de
x0 = f (t, x), x(t0 ) = x0 . (∗)
É possı́vel que exista t1 6= t0 tal que ϕ(t0 ) = ϕ(t1 ), porém ϕ0 (t0 ) e ϕ0 (t1 ) são linearmente independentes?
d d
Sugestão: Note que dt (tsen(t)) = tcos(t) + sen(t) e dt t2 sen(t) = t2 cos(t) + 2tsen(t). Seja ϕ : R → R2 a
2 2
solução de (∗) com f : R × R → R dada por
f (t, (x, y)) = tcos(t) + sen(t), t2 cos(t) + 2tsen(t)


e condições iniciais (x(0), y(0)) = (0, 0). Calcule então ϕ(π), ϕ(2π), ϕ0 (π) e ϕ0 (2π).
Resolução:
Sim.
No caso da sugestão temos que ϕ(t) = tsen(t), t2 sen(t) é solução de ϕ0 (t) = f (t, ϕ(t)). Além disso,


ϕ(π) = (0, 0) .
ϕ(2π) = (0, 0).
ϕ0 (π) = −π, −π 2 .


ϕ0 (2π) = 2π, 4π 2 .

 
Como −π, −π 2 e 2π, 4π 2 são L.I. concluı́mos que sim, é possı́vel.

Exercı́cio 10 (S.1.15)
DICAS E RESPOSTAS DA LISTA DE EXERCÍCIOS 1 EDO II - MAP 0316 5

Seja f : R × Rn → Rn contı́nua e Lipschitziana com respeito a segunda variável (Existe K > 0 tal que
kf (t, x) − f (t, y)k ≤ K kx − yk, para todo (t, x) e (t, y) ∈ R × Rn ). Prove que dado (t0 , x0 ) ∈ R × Rn existe
uma única solução de
x0 (t) = f (t, x), x(t0 ) = x0 ,
definida em todo R.
Resolução:
Vamos esboçar duas formas de resolver este exercı́cio:
1) Refaço o Teorema de Picard Lindelöf.
Mostro que para todo intervalo compacto I que contém t0 a aplicação F : C(I, Rn ) → C(I, Rn ) dada por
ˆ t
F (x)(t) = x0 + f (s, x(s))ds
t0
n
é tal que F é uma contração para n grande. Logo existe um único ponto fixo. Assim a solução existe em cada
intervalo compacto que contém t0 . Mostro que as soluções coincidem nas intersecções dos intervalos. Por fim, mostro
que podemos definir uma solução em todo R dizendo que a restrição em cada intervalo compacto que contém t0 é
dado pelas soluções obtidas acima pelo teorema do ponto fixo.
2) Mostro que se o intervalo maximal for da forma ]α, β[ com β < ∞ (para α > −∞, o argumento é o mesmo),
então x(t) converge quando t vai para β. Logo podemos estender a solução para t maiores do que β.

Exercı́cio 11 (S.1.16)
Seja f : Rn → Rn de classe C 1 e suponhamos que ϕ : R → Rn é solução de
x0 = f (x), x(t0 ) = x0 .
a) É possı́vel que exista t1 6= t0 tal que ϕ(t0 ) = ϕ(t1 ), mas ϕ0 (t0 ) 6= ϕ0 (t1 )?
Resolução:
Não. Pois se ϕ(t0 ) = ϕ(t1 ), isto implica que ϕ0 (t0 ) = f (ϕ(t0 )) = f (ϕ(t1 )) = ϕ0 (t1 ).
b) Compare (a) com o exercı́cio 9.
Resolução:
No exercı́cio 9 temos um sistema não autônomo e neste exercı́cio um sistema autônomo. Concluı́mos que o efeito
descrito neste exercı́cio só pode ocorrer em sistemas não autônomos.

Exercı́cio 12 (S.1.28)
Seja f : R × Rn → Rn uma função contı́nua tal que f (t, x) = f (t + 1, x) e f |[0,1]×Rn é Lipschitziana. Prove que
toda solução ϕ(t, t0 , x0 ) (da equação x0 (t) = f (t, x(t)), x(t0 ) = x0 ) está definida para todo t ∈ R e ϕ(t, t0 , x0 ) =
ϕ(t + 1, t0 + 1, x0 ).
Resolução:
De f (t, x) = f (t + 1, x) é simples concluir que f (t, x) = f (t + n, x), para todo n ∈ Z. (Podemos usar indução)
Seja K > 0 tal que
kf (t, x) − f (t, y)k ≤ K kx − yk , ∀t ∈ [0, 1] .
Logo se t ∈ [n, n + 1], para algum n ∈ Z, concluı́mos que t = n + s. Portanto
kf (t, x) − f (t, y)k = kf (n + s, x) − f (n + s, y)k = kf (s, x) − f (s, y)k ≤ K kx − yk .
Desta maneira f é uma função Lipschitziana. Pelo exercı́cio 10, uma solução desta equação está definida para
todo R.
Por fim, observemos que se y : R → Rn é uma função dada por y(t) = ϕ(t + 1, t0 + 1, x0 ), então
y(t0 ) = ϕ(t0 + 1, t0 + 1, x0 ) = x0
e
d ∂ ∂ϕ
y(t) = (ϕ(t + 1, t0 + 1, x0 )) = (t + 1, t0 + 1, x0 ) =
dt ∂t ∂t
f (t + 1, ϕ(t + 1, t0 + 1, x0 )) = f (t, ϕ(t + 1, t0 + 1, x0 )) = f (t, y(t)) .
Pela unicidade das soluções de EDO, y(t) = ϕ(t, t0 , x0 ), ou seja, ϕ(t, t0 , x0 ) = ϕ(t + 1, t0 + 1, x0 ).

Exercı́cio 13 (S.1.29)
DICAS E RESPOSTAS DA LISTA DE EXERCÍCIOS 1 EDO II - MAP 0316 6

Seja H : Rn → Rn de classe C 1 . Seja f : R×Rn → Rn contı́nua e Lipschitziana tal que f (t, H(x)) = DH(x).f (t, x)
para todo (t, x) ∈ R × Rn . Se f é Lipschitziana e ϕ(t, t0 , x0 ) denota a solução de x0 = f (t, x) que passa por (t0 , x0 ),
prove que
ϕ(t, t0 , H(x0 )) = H (ϕ(t, t0 , x0 )) .
Resolução:
Lembremos que por definição, a função x : R → Rn dada por x(t) = ϕ(t, t0 , x0 ) satisfaz
x0 (t) = f (t, x(t))
.
x(t0 ) = x0
Agora, basta observar que se y : R → Rn é a função dada por y(t) = H (ϕ(t, t0 , x0 )), então
 
0 d ∂ϕ
y (t) = [H (ϕ(t, t0 , x0 ))] = DH (ϕ(t, t0 , x0 )) (t, t0 , x0 ) =
dt ∂t
DH (ϕ(t, t0 , x0 )) f (t, ϕ(t, t0 , x0 )) = f (t, H(ϕ(t, t0 , x0 ))) = f (t, y(t)).
e y(t0 ) = H (ϕ(t0 , t0 , x0 )) = H (x0 ). Logo y(t) = ϕ(t, t0 , H(x0 )), ou seja, H (ϕ(t, t0 , x0 )) = ϕ(t, t0 , H(x0 )).

Exercı́cio 14 (S.1.30)
Se X = (X1 , X2 , ..., Xn ) é um campo vetorial de classe C 1 em Rn e V é uma função real diferenciável em Rn tal
Pn ∂V 2
que i=1 ∂x i
(x)Xi (x) ≤ 0 e V (x) ≥ |x| para todo x ∈ Rn , prove que toda solução de x0 = X(x), x(0) = x0 , está
definida para todo t > 0.
Resolução:
Basta observar que se x0 (t) = X(x(t)) e x(0) = x0 , então
n n
d X ∂V X ∂V
(V (x(t))) = dV (x(t)).x0 (t) = (x)x0i (x) = (x)Xi (x) ≤ 0.
dt i=1
∂xi i=1
∂xi

Logo t 7→ V (x(t)) é uma função decrescente.p Suponha que o intervalo de definição da solução máxima seja
I = ]α, β[, α < 0 e β < ∞. Como kx(t)k ≤ V (x(t)), concluı́mos que t ∈ [0, β[ → kx(t)k ∈ R é uma função
limitada, ou seja, x([0, β[) pertence a um compacto K de Rn . Como o campo está definido para todo Rn e β < ∞,
deve existir t∗ tal que x(t∗ ) ∈ Rn \K. Isto é um absurdo. Logo β = ∞.

Exercı́cio 15 (D.L.4.1)
Sejam f : E → Rn um campo contı́nuo, em que E ⊂ Rn é um aberto, I ⊂ R um intervalo com t0 ∈ I e x : I → Rn
um caminho contı́nuo e derivável tal que x(t) ∈ E para todo t ∈ I. Mostre que x é solução de x0 = f (x), com
x(t0 ) = x0 , se, e somente se, para qualquer t ∈ I vale
ˆ t
x(t) = x0 + f (x(s))ds.
t0

Resolução:
( =⇒ )
Suponha que x0 = f (x), com x(t0 ) = x0 . Como f e x são contı́nuas, concluı́mos que t 7→ f (x(t)) é integrável.
Assim, pelo teorema fundamental do cálculo:
ˆ t ˆ t ˆ t
0
x(t) − x(t0 ) = x (s)ds = f (x(s))ds =⇒ x(t) = x0 + f (x(s))ds.
t0 t0 t0

(⇐=)
´t
Suponha que x seja contı́nua e x(t) = x0 + t0 f (x(s))ds. Sabemos que se g : R → R é contı́nua, então
´ 
d t
dt t0
g(s)ds = g(t). Como s 7→ f (x(s)) é contı́nua, concluı́mos que
 ˆ t  ˆ t 
d d d
(x(t)) = x0 + f (x(s))ds = f (x(s))ds = f (x(t)).
dt dt t0 dt t0
´t
Além disso, temos x(t0 ) = x0 + t00 f (x(s))ds = x0 .

Exercı́cio 16 (D.L.4.2)
DICAS E RESPOSTAS DA LISTA DE EXERCÍCIOS 1 EDO II - MAP 0316 7

Seja f : E → Rn um campo de classe C 1 , em que E ⊂ Rn é um aberto. Dado y ∈ E, denotamos por I(y) o


intervalo máximo da solução da EDO  0
x = f (x)
.
x(0) = y
Mostre que se s, t ∈ R e x ∈ R são tais que s, s + t ∈ I(x), então t ∈ I (φ(s, x)).
Resolução:  0
n w = f (w)
Seja w : I(x) → R a solução máxima de . Suponha que s ∈ I(x). Defino z : {y − s : y ∈ I(x)} →
w(0) = x
n 0
R por z(u) = w(u + s). Logo z = f (z) e z(0) = w(s) = φ(s, x), ou seja, z é uma restrição de u 7→ φ(u, φ(s, x)).
Observamos que φ(s, x) está bem definida, pois s ∈ I(x). Se s + t ∈ I(x), então w(s + t) está bem definida (s + t
está no domı́nio de w). Logo z(t) está bem definida, ou seja, t pertence ao domı́nio de z (e de u 7→ φ(u, φ(s, x))).
Portanto, t ∈ I (φ(s, x)).

Exercı́cio 17 (D.L.4.3)
Sejam f : E → Rn um campo de classe C 1 , em que E ⊂ Rn é um aberto. Seja x uma solução definida em toda
reta e tal que limt→∞ x(t) = z0 , em que z0 ∈ E. Mostre que f (z0 ) = 0.
Resolução: ´t
Sabemos que x(t) = x0 + t0 f (x(s))ds. Tomando o limite para t → ∞, obtemos
 ˆ t  ˆ t
z0 = lim x(t) = lim x0 + f (x(s))ds = x0 + lim f (x(s))ds.
t→∞ t→∞ t0 t→∞ t0
Sabemos também que limt→∞ f (x(t)) = f (z0 ). Suponha que f (z0 ) 6= 0. Logo se f (x(s)) = (f1 (x(s)), ... , fn (x(s)))
e f (z0 ) = (f1 (z0 ), ... , fn (z0 )), então fj (z0 ) 6= 0 para algum j ∈ {1, 2, ..., n}. Suponha que fj (z0 ) > 0 (o argumento
para fj (z0 ) < 0 é o mesmo). Assim existe C > 0 e R > t0 tal que fj (x(s)) ≥ C > 0 para s ≥ R. Concluı́mos que
ˆ t ˆ R ˆ t !
lim fj (x(s))ds = lim fj (x(s))ds + fj (x(s))ds =
t→∞ t0 t→∞ t0 R
ˆ R ˆ t ˆ R ˆ t
fj (x(s))ds + lim fj (x(s))ds ≥ fj (x(s))ds + lim Cds = ∞.
t0 t→∞ R t0 t→∞ R
Portanto, z0 não é finito, uma contradição. Logo f (z0 ) = 0.

Exercı́cio 18 (D.L.4.5)
Seja f : R → R um campo de classe C 1 com uma solução máxima não constante x : I → R de x0 = f (x) tal que
a imagem x(I) é limitada. Mostre que:
a) I = R
b) x é estritamente monótona.
c) x(I) é um intervalo aberto limitado ]a, b[.
d) f (a) = f (b) = 0.
Resolução:
a) Suponha que o intervalo maximal fosse ]α, β[, com β < ∞ (para α > −∞, o argumento é análogo). Logo,
para todo compacto de R, em particular um intervalo fechado limitado que contenha x(I), deveria existir x(t∗ ) que
não pertence a este compacto. Isto é evidentemente uma contradição. Logo β = ∞.
b) Se x não for monótona, então existe um máximo ou mı́nimo local de x : I → R, ou seja, um ponto t∗ ∈ I tal
que x0 (t∗ ) = 0. Concluı́mos que f (x(t∗ )) = x0 (t∗ ) = 0. Seja y : I → R dado por y(t) = x(t∗ ) para todo t ∈ I. Logo
y 0 (t) = 0 = f (x(t∗ )) = f (y(t))
.
y(t∗ ) = x(t∗ )
Por unicidade das soluções, concluı́mos que y = x. Logo x é uma solução constante. Isto é uma contradição.
Logo x tem que ser monótona.
c) Sabemos que I é um intervalo. Logo é um conjunto conexo de R. Assim x(I) é um conjunto conexo de R,
pois x é contı́nua. Concluı́mos que x(I) é um intervalo. Suponha que x(I) =]a, b] (o caso [a, b[ se trata de maneira
semelhante). Logo existe t∗ ∈ R tal que x(t∗ ) = b. Como x é monótona, concluı́mos que existe t ∈ I, t > t∗ se x for
crescente, ou t < t∗ , se x for decrescente, tal que x(t) > b. Logo x(t) ∈/ x(I), o que é uma contradição. Concluı́mos
que x(I) =]a, b[.
d) Sabemos que o limite limt→±∞ x(t) é igual a a ou b, dependendo de ±∞, pois x é uma função monótona. Como
limt→±∞ f (x(t)) é igual a f (a) ou f (b), basta aplicar o resultado do exercı́cio 17 para concluir que f (a) = f (b) = 0.
DICAS E RESPOSTAS DA LISTA DE EXERCÍCIOS 1 EDO II - MAP 0316 8

Exercı́cio 19 (D.L. 4.7)


Seja x : I → Rn uma solução máxima não constante de x0 = f (x). Mostre que se x não for injetora, então:
1) O intervalo máximo da solução é R.
2) Existe uma constante T > 0 tal que x(t + T ) = x(t) para todo t ∈ R.
Uma solução com as propriedades acima é chamada de periódica.
Resolução:
Sabemos que x não é injetora. Logo existem t1 e t2 pertencentes a I tais que x(t1 ) = x(t2 ). Seja T = t2 − t1 .
Defino y : [t1 , t2 + T ] → Rn 
x(t), t ∈ [t1 , t2 ]
y(t) = .
x(t − T ), t ∈ [t2 , t2 + T ]
Como x(t2 − T ) = x(t2 − (t2 − t1 )) = x(t1 ) = x(t2 ), concluı́mos, usando um resultado dado em sala de aula, que
y também é uma solução da EDO y 0 = f (y). Podemos estender esta solução para todo R da seguinte maneira: Se
t ∈ [t1 + nT, t2 + (n + 1) T ], n ∈ Z, então t = t1 + nT + s, com s ∈ [t1 , t2 ]. Logo defino
y(t) = y(s).
Usando o resultado dado em sala de aula para cada ponto t1 + nT (podemos usar indução), concluı́mos que y é
uma solução da EDO definida em todo R. Por unicidade da solução máxima, concluı́mos que x = y, ou seja, x está
definido em todo R.
Pela própria construção de y, concluı́mos que x(t + T ) = x(t) para todo t ∈ R.
O resultado dado em sala de aula a que nos referimos está enunciado no exercı́cio 10.1, pag. 381, da primeira
edição do livro do Doering e Lopes.

Exercı́cio 20 (D.L. 4.9)


Seja f : Rn → Rn um campo tal que hx, f (x)i = 0, para todo x ∈ R. Mostre que toda solução máxima x : I → Rn
de x0 = f (x) está definida para todo t ∈ R. Ou seja, mostre que o intervalo máximo de toda solução máxima é
igual a R.
Observação: hx, yi := x1 y1 + x2 y2 + ... + xn yn .
Resolução:
Basta observar que
     
d 2 d dx dx dx
kx(t)k = hx(t), x(t)i = (t), x(t) + x(t), (t) = 2 (t), x(t) = 2 hf (x(t)), x(t)i = 0.
dt dt dt dt dt
Logo t 7→ kx(t)k := R é uma função constante. Suponha o intervalo maximal fosse ]α, β[, com β < ∞ (para
α > −∞, o argumento é análogo). Logo, para todo compacto de Rn , em particular uma bola fechada de raio maior
do que R, deveria existir x(t∗ ) que não pertence a este compacto. Isto é evidentemente uma contradição, pois x(t)
está confinado a bola fechada de raio R. Logo β = ∞.