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EPIDEMIOLOGIA DOS ACIDENTES OFÍDICOS NO MUNICÍPIO DE ROLIM DE


MOURA, RONDÔNIA

Carolina Stedile Anacleto de Souza1


Reginaldo de Oliveira Nunes2

RESUMO

O presente trabalho apresenta um estudo relativo a epidemiologia de acidentes ofídicos ocorridos no município
de Rolim de Moura, Estado de Rondônia entre 2000 e 2007. Foram analisados dados disponibilizados pela
Secretaria Municipal de Saúde do município, onde os resultados obtidos foram organizados referentes a idade,
sexo, procedência, zona (rural ou urbana), região anatômica picada, espécie de animal causador, classificação do
caso, soroterapia e tempo decorrido entre a picada e o atendimento.Os acidentes foram causados por serpentes
dos gêneros Bothrops, Lachesis e Micrurus. Os acidentes predominaram em pessoas do sexo masculino,
trabalhadores rurais e com idades entre 10 e 29 anos. Na maioria dos acidentes os principais locais de picada
foram pernas e pés; o tempo decorrido entre a picada e o atendimento prevaleceu entre 1 a 3 horas; 69,9% dos
casos foram classificados de nível leve e 19,3% de grau moderado; 80,7% das pessoas recebeu soroterapia, e
89,1% dos casos evoluíram para cura, exceto um caso que evoluiu a óbito.

Palavras-chave: Epidemiologia, Acidentes ofídicos, Rolim de Moura.

ABSTRACT

This work presents a study on the epidemiology about ophidian’s accidents occurring in the city of Rolim de
Moura, Rondônia State, Brazil, between 2000 and 2007. We analyzed the data provided by the Municipal
Health Secretariat of the city, where the results were organized for age, sex, origin, area (rural or urban),
anatomic region bite, the species of animal , classification of the case, serum and time between the bite and the
assistance.The accidents were caused by snakes of the kind Bothrops, Lachesis and Micrurus. The accidents
predominated in male people, rural workers aged 10 and 29 years. In most accidents main sites of the bites were
legs and feet, the time between the bite and the assistance prevailed between 1 to 3 hours, 69,9% of the cases
was rated between mild and 19,3% moderate; 80,7% most people received serum, and 89,1% the cases
progressed to cure, except one case that came to death.

Keywords: Epidemiology,ophidian’s accidents , Rolim de Moura.

INTRODUÇÃO

È preciso esclarecer que peçonha não é o mesmo que veneno. Peçonha são substâncias tóxicas
produzidas em glândulas e que podem ser inoculadas nos organismos. Venenos também são
substâncias tóxicas produzidas em glândulas, porém não pode ser inoculado. Desse modo os animais
peçonhentos podem ser considerados aqueles que possuem aparato especializado para
inocular substâncias tóxicas em outros organismos; enquanto os animais venenosos não
apresentam aparelho inoculador (SANTOS et al. 1995 apud GOMES, 2007.p.15.).
________________________________________________________________________
1
Graduanda do Curso de Ciências Biológicas da Faculdade de Ciências Biomédicas de Cacoal – E-mail: carolinaanacleto@hotmail.com
2
Docente do Curso de Ciências Biológicas da Faculdade de Ciências Biomédicas de Cacoal – E-mail: reginald_ufv@hotmail.com
240

Os acidentes ofídicos representam sérios problemas de saúde pública nos países


tropicais pela freqüência com que ocorrem e pela mortalidade que ocasionam. No Brasil,
segundo dados do Ministério da Saúde, ocorrem entre 19 mil a 22 mil acidentes ofídicos por
ano (MARQUES e SAZIMA, 2003. p.62-69).
Dentre os vertebrados, as serpentes que causam acidentes pertencem a família dos
Elapidae e Viperidae. Dentre a família dos Elapidae destaca-se o gênero Micrurus (coral-
verdadeira) e da família Viperidae (jararacas, cascavéis e surucucus) dentre elas estão as dos
gêneros: Bothrops, Crotalus e Lachesis (SANTOS, et al, 1995 apud GOMES, 2007.p.16), que
são as espécies que representam o mais importante grupo de serpentes para a saúde pública,
pois são responsáveis pela maioria dos mais graves acidentes ofídicos registrados, não só no
Brasil, mas também em outros países americanos.
Para a Região Norte são importantes principalmente as serpentes com potencial tóxico
do gênero Bothriopsis, Bothrocophisis, Bothrops, Lachesis, Crotalus e Micrurus todos com
representação no Estado de Rondônia (SANTOS, et al, 1995 apud GOMES, 2007.p.16).
Ainda nos grupos das serpentes, diversas espécies de Colubrideos (família
Colubridae), habitualmente tratadas como não peçonhentas, possuem glândulas cefálicas que
secretam substâncias químicas para ajudar na ingestão e digestão do alimento, e que podem,
algumas vezes, ser tóxicas também para o homem (CARDOSO, 2003.p.119).
Tendo em vista que não existem análises sistematizadas sobre os acidentes ofídicos
para o Município de Rolim de Moura, o mesmo constitui um problema de saúde pública e o
cenário epidemiológico é desconhecido, portanto faz-se necessário um levantamento para uma
futura caracterização do cenário epidemiológico, fornecendo dados para futuras ações no
combate aos acidentes ofídicos na região.
O objetivo deste trabalho foi traçar o perfil epidemiológico e discutir a incidência dos
acidentes com serpentes na região, tornando eficaz a verificação dos grupos de animais
peçonhentos que mais causam acidentes na região.

2 MATERIAL E MÉTODOS

2.1 Área de estudo

O presente trabalho foi realizado no município de Rolim de Moura (Figura 1), Estado
de Rondônia, que está localizado nas coordenadas geográficas: S – 11º45’ e W – 61º45’.
241

Rolim de Moura originou-se de um projeto implantado na área pelo INCRA, destinado


ao assentamento de colonos excedentes do Projeto Ji-paraná. O nome da cidade foi dado em
homenagem ao Visconde de Azambuja. Dom Antonio Rolim de Moura Tavares, primeiro
Governador da capitania de Mato Grosso, pelos relevantes serviços prestados a região do Vale
do Guaporé (LOBATO, 2006.p.8).

Figura 1: Localização do município de Rolim de Moura. Fonte: IDARON.

A cidade é um importante pólo regional, sendo a cidade mais populosa e


economicamente ativa do que chamam Zona da Mata Rondoniense, com uma população de
cerca de 50 mil habitantes e área de 1.458Km2, com uma região de influencia que abrange os
municípios de Alta Floresta D’Oeste, Alto Alegre dos Parecis, Castanheiras, Nova Brasilândia
D’Oeste, Novo Horizonte do Oeste, Parecis, Santa Luzia D’Oeste e São Felipe D’Oeste,
totalizando uma população de cerca de 151.000 habitantes e área de 19.664 Km 2 (SEDAM –
Secretaria do Estado de Desenvolvimento Ambiental de Rondônia, 2008).

O município de Rolim de Moura está localizado na região tropical, próximo a linha do


equador. É influenciado pelo efeito moderador da temperatura do ar causada pelas águas que
cortam e cercam a região. Seu clima é caracterizado por apresentar uma homogeneidade
espacial e sazonal da temperatura média do ar, o mesmo não ocorrendo em relação a
precipitação pluviométrica, que apresenta uma variabilidade temporal, e em menor escala
espacial, devido aos diferentes fenômenos atmosféricos que atuam no ciclo anual da
precipitação (SEDAM, 2008).
242

Segundo dados obtidos na SEDAM (2008), o município é formado por terras de média
e baixa fertilidade, de textura média a grossa, com presença de cascalho, a predominância é
do tipo Podzólico vermelho amarelo estrófico, com zonas de solo arenoso e mancho de terra
roxa. A vegetação dominante é a Floresta Equatorial Amazônica com presença escassa de
campos e cerrados, o que faz dela uma região com vários tipos de biomas, sendo assim há
grande diversidade de flora e fauna.

2.2 Procedimentos Metodológicos

Para realização desse trabalho, em primeiro lugar foi feita uma coleta de dados
epidemiológicos em busca de informações que contribuíssem com a pesquisa, no município
de Rolim de Moura, Estado de Rondônia.

Os dados do presente estudo foram obtidos em planilhas organizadas a partir de dados


contidos em prontuários médicos dos pacientes picados por animais peçonhentos durante o
período de janeiro de 2000 a dezembro de 2007. Esses dados foram disponibilizados pela
Secretaria de Saúde de Rolim de Moura que correspondem a prontuários de investigação do
paciente, elaborada e fornecida pelo Ministério da Saúde, Sistema Nacional de Agravos e
Notificação (SINAN). Os dados foram checados após terem sido obtidos das planilhas, que
por ser dirigidos somente para acidentes com serpentes, facilitou a obtenção de informações
precisas.

Nos dados disponibilizados para a pesquisa, obteve-se informações epidemiológicas


como: faixa etária, sexo, procedência segundo zona (rural ou urbana), região anatômica
picada, gênero de animal causador, classificação do caso, tempo decorrido entre a picada e o
atendimento, soroterapia e evolução do caso. Desse modo foi possível traçar o perfil
epidemiológico e discutir a incidência dos acidentes com serpentes na região, tornando eficaz
a verificação dos grupos de animais peçonhentos que mais causam acidentes na região.

Dados analisados são baseados na informação dos acidentados, ou dos seus


acompanhantes, ou na observação pelos profissionais de saúde dos sinais e sintomas
apresentados pelos pacientes. Portanto em todos os dados disponibilizados a partir de
planilhas organizadas, contendo dados de acidentes ofídicos levantados neste trabalho, o
reconhecimento das espécies de animais causadoras de acidentes não foram realizados por
profissionais especializados na área.
243

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

3.1. Faixa etária

No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, ocorrem, por ano, entre 19.000 a
22.000 acidentes ofídicos com aproximadamente 115 óbitos. A maioria destes acidentes deve-
se a Serpentes do gênero Bothrops e Crotalus (FEITOSA, MELO e MONTEIRO, 1997.p.2).

Sabe-se que a ocorrência dos acidentes ofídicos está, em geral, relacionada a fatores
climáticos e aumento das atividades humanas nos trabalhos de campo no Nordeste (ARAUJO,
SANTALUCIA e CABRAL, 2003.p.6).

Após coleta e tabulação dos dados coletados nos prontuários dos pacientes cedidos
pela Secretaria de Saúde do Município de Rolim de Moura, RO, em relação aos acidentes
ofídicos, percebe-se que a maioria dos casos ocorre em pessoas com faixa etária entre 10 e 29
anos (n=36) – (Figura 02).

Número de casos de acidentes ofídicos - 2000/2007

20
18
16
Nº de casos

14
12
10
8
6
4
2
0
1a9 10 a 19 20 a 29 30 a 39 40 a 49 50 a 59 60 a 69 70 a 79
Intervalo de idade

Figura 2 – Número total de casos de acidentes ofídicos em relação a idade dos pacientes atendidos no
período entre 2000 2 2007.

Desse modo, para o município pode-se considerar que os acidentes envolvem


indivíduos com idade de maior atividade de trabalho no campo. Resultados similares são
indicados em trabalhos realizados em outros municípios, tais como: (GOMES, 2007.p.32;
FEITOSA, MELO e MONTEIRO, 1997.p.5; PINHO, OLIVEIRA e FALEIROS, 2004.p.4;
RIBEIRO, JORGE e IVERSSON, 1995.p.3; ALBUQUERQUE, COSTA e CAVALCANTI,
2004.p.3; MORENO, et al, 2005.p.16; NASCIMENTO, 2000.p.4). Portanto pode-se
244

considerar que a idade dos indivíduos vem a ser um importante indicativo na caracterização
epidemiológica dos acidentes ofídicos.

3.2. Sexo

Em relação ao sexo dos pacientes picados por serpentes, cujos acidentes foram
notificados pela Secretaria Municipal de Saúde do município de Rolim de Moura, Rondônia,
existe predominância em relação aos indivíduos do sexo masculino. Do total de 83 casos
notificados com serpentes, 60 (72,3%) são referentes ao sexo masculino e 23 (27,7%) ao sexo
feminino.
Observa-se na Figura 3 que em todos os anos analisados o percentual de pacientes do
sexo masculino foi superior ao do sexo feminino. Percebe-se também que o número de casos
de acidentes com pacientes do sexo masculino foi maior nos anos de 2004 e 2005. De maneira
geral para o Brasil, a maior parte dos acidentes envolvendo serpentes ocorre com indivíduos
do sexo masculino (ARAÚJO, SANTALÚCIA e CABRAL, 2003).

Número de casos de acidentes ofídicos - Relação de


gênero

12
10
8
Nº de Casos 6
4
2
0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007
Ano

Masculino Feminino

Figura 3 – Número de casos de acidentes ofídicos em relação ao gênero dos pacientes analisados no
período de 2000 a 2007.

Segundo MARTINEZ et al, 1995, a maior incidência é encontrada em pessoas do sexo


masculino.
245

3.3. Procedência segundo zona (rural ou urbana)

Com relação à zona de ocorrência dos acidentes, 45 acidentes (54,2%) ocorreram na


área rural, 37 acidentes (44,5%) ocorreram na zona urbana e 1 acidente (1,3%) registrado em
prontuário não continha a informação relacionada a este dado (Figura 04).

Frequência por Ano - Local de Residência

9
8
7
6
5
Nº de Casos
4
3
2
1
0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007
Ano

Zona Urbana Zona Rural Ign/Branco

Figura 04. Freqüência por ano em relação ao local de residência dos pacientes que sofreram acidentes
ofídicos no período de 2000 a 2007.

O maior número de acidentes envolvendo pessoas moradoras da zona rural,


provavelmente, deveu-se a maior freqüência com que esse grupo desenvolve atividades,
principalmente, na agricultura e pecuária. Considerando as características da atividade que
exercem, este segmento ocupacional está mais exposto às serpentes e consequentemente aos
acidentes (MORENO et al, 2005.p.19).

3.4. Região anatômica picada

As regiões anatômicas mais frequentemente acometidas foram os membros inferiores,


tais como: as regiões dos pés (32,5%) e das pernas (24,0%) – Tabela 01.
246

Tabela 01. Regiões anatômicas acometidas por picadas de serpentes.

Local da Picada 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Total
Ign/Branco* 1 0 0 0 0 6 2 0 9
Cabeça 0 0 0 0 1 1 0 0 2
Braço 0 0 1 1 0 0 0 0 2
Ante-Braço 1 0 0 0 0 0 1 1 3
Mão 1 2 1 0 3 1 0 0 8
Dedo da mão 0 0 2 0 1 0 0 1 4
Coxa 0 0 0 0 1 1 0 0 2
Perna 1 0 1 3 6 3 3 3 20
Pé 2 4 6 4 4 3 0 4 27
Dedo do pé 1 1 2 0 0 0 1 1 6
Total 7 7 13 8 16 15 7 10 83
* Ignorado/Em branco

Os pacientes foram quase sempre picados nas extremidades, principalmente nas


inferiores e nestas, sobretudo nos pés, o que é concordante com estudos baseados no
atendimento do próprio HVB (Hospital Vital Brazil) e em outras regiões do país. Esta
localização da picada está relacionada aos hábitos terrestres da maioria das serpentes
peçonhentas brasileiras, as quais desferem o bote a uma distância que, como regra, não
ultrapassa um terço do seu próprio comprimento. Além disso, grande parte dos acidentes por
serpentes peçonhentas atendidos no HVB é causada por indivíduos juvenis de Bothrops
jararaca assim classificadas por medirem menos de 40 cm de comprimento. Foi observado
também que picadas acima do tornozelo são mais freqüentemente causadas por serpentes
adultas e, inclusive, apresentam pior prognóstico (RIBEIRO, JORGE e IVERSSON,
1995.p.6).

3.5. Gênero de animal causador

De um total de 83 casos em que houve referência ao gênero da serpente que causou o


acidente, 31 casos (37,3%) foram por serpentes do gênero Bothrops e 2 casos (2,4%) por
serpentes do gênero Lachesis (Figura 05). Foram constatados 54 casos (65,0%) em que não
houve registro de identificação da serpente causadora do envenenamento. Não foram
registrados casos de envenenamento pelos gêneros Crotalus e Micrurus.
247

Gênero das Serpentes

16

Número de Casos
14
12
10
8
6
4
2
0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007
Ano

Ign/Branco Bothrops Lachesis

Figura 05. Gênero das serpentes causadoras de acidentes ofídicos.

As serpentes podem ser classificadas em dois grupos básicos: as peçonhentas, que são
aquelas que conseguem inocular seu veneno no corpo de uma presa ou vítima, e as não
peçonhentas, ambas encontradas no Brasil, nos mais diferentes tipos de habitat, inclusive em
ambientes urbanos. A serpente peçonhenta é definida por três características fundamentais:
presença de fosseta loreal; presença de guizo ou chocalho no final da cauda; presença de anéis
coloridos (vermelho, preto, branco ou amarelo) (BUTANTAN, 2003.p.27).

Outra característica importante na distinção das serpentes peçonhentas é o tipo de


cauda. Algumas serpentes com fosseta loreal apresentam um chocalho na ponta da cauda, que
emite um som característico de alerta quando a serpente é perturbada. Essas são as cascavéis
cujo nome científico é Crotalus (BUTANTAN, 2003.p.27). As serpentes com fosseta loreal
cuja cauda é lisa até a extremidade pertencem ao gênero Bothrops (jararaca) (BUTANTAN,
2003.p.27).

Algumas serpentes com fosseta loreal apresentam a extremidade da cauda com as


escamas eriçadas como uma escova. Essas são as chamadas surucucus ou pico-de-jaca, cujo
nome científico é Lachesis (BUTANTAN, 2003.p.27).

As serpentes são as principais causadoras de acidentes por animais peçonhentos no


Brasil sendo 80 a 90% dos casos causados por serpentes do Gênero Bothrops, conhecida
como jararaca. Devido sua capacidade de adaptação, essas serpentes podem ser encontradas
248

em diferentes tipos de ambientes, e mostram-se freqüentes na região de Rondônia (FRANÇA


e MÁLAQUE, 2003.p.72).

As jararacas são encontradas, em sua grande maioria, em áreas mais limitadas, como
as áreas de mata, apesar de alguns tipos habitarem também zonas de caatinga e cerrado. No
Brasil, ocorrem entre 19 e 22 mil acidentes ofídicos por ano. São registrados anualmente
17.000 acidente botrópico com letalidade em torno de 0,6% dos casos tratados (BRAZIL,
1991). As serpentes do gênero Lachesis apresenta a cauda com escamas eriçadas como uma
escova. É a maior das serpentes peçonhentas das Américas, atingindo até 3,5m. São
encontradas apenas em áreas de floresta tropical densa, como a Amazônia, pontos da Mata
Atlântica e alguns enclaves de matas úmidas do Nordeste (BUTANTAN, 2003.p.27). O nome
pico-de-jaca foi dado em virtude do aspecto da pele desse animal se parecer muito com a fruta
em questão (BUTANTAN, 2003.p.27).

3.6. Classificação dos casos

No caso de acidentes com serpentes foram considerados leves 58 casos (69,9%), 16


casos com grau moderado (19,3%) e 9 casos considerados de nível grave (10,8%). Conforme
ilustrado na figura 5, o maior número de casos considerados de nível grave ocorreu no ano de
2006, que representa do universo analisado 4,8 % (Figura 06).

Classificação dos casos de acidentes ofídicos

14
12
Nº de Casos

10
8
6
4
2
0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007
Ano

Leve Moderado Grave

Figura 6 – Classificação dos casos de acidentes ofídicos no período de 2000 a 2007.


249

A classificação do acidente, quanto à gravidade, tem como um dos objetivos orientar a


terapêutica com o antiveneno específico. Assim, o número de ampolas utilizadas num
determinado acidente depende do caso ser considerado leve, moderado ou grave (FRANÇA e
MÁLAQUE, 2003.p.79).

3.7. Tempo decorrido entre a picada e o atendimento

Na maioria dos casos de acidentes o tempo decorrido entre a picada e o atendimento


foi de 1 a 3 horas. Foi notificado apenas 1 caso com tempo de 12 a mais horas da picada até o
atendimento (Figura 7).

Escala de Tempo entre picada e Atendimento

8
7
Nº de Casos

6
5
4
3
2
1
0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007
Ano

Ign/Branco 0-1 horas 1-3 horas 3-6 horas 6-12 horas 12 e mais

Figura 07. Tempo decorrido entre a picada e o atendimento dos pacientes no período entre 2000
a 2007.

Investigações realizadas em diferentes períodos têm demonstrado que pacientes


atendidos muitas horas após a picada tem maior probabilidade de complicações locais e/ou
sistêmicas e de evolução para óbito. Dados do Ministério da Saúde mostram que 60% dos
pacientes vítimas de acidente botrópico que evoluíram para óbito foram atendidos 6 ou mais
horas após a picada (FRANÇA e MÁLAQUE, 2003.p.80).
A demora para a procura de atendimento médico pode levar o paciente à morte. No
período de 1989 dos 7.544 casos de acidentes, 72 pacientes foram a óbito, sendo que 37,5 %
dos óbitos ocorreram nas primeiras três horas após o acidente (CUPO, MARQUES e
HERING, 2003.p.198).
250

3.8. Soroterapia

Na maioria dos casos de acidentes com serpentes o paciente recebeu soroterapia


(80,7%). Houve também 5 casos (6,0%) que não receberam soroterapia (Figura 08).

Soroterapia dos Acidentes Ofídicos

14
12
Nº de Casos

10
8
6
4
2
0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007
Ano

Ign/Branco Sim Não

Figura 08. Recebimento de soroterapia contra acidentes ofídicos nos pacientes atendidos no
período de 2000 a 2007.

O tratamento consiste na administração, o mais precocemente possível, do soro


antiofídico, distribuído gratuitamente pelo Ministério da Saúde para todos os hospitais e
postos de atendimento médico. Em caso de acidente, não faça qualquer tipo de atendimento
caseiro, não corte nem perfure o local da mordida e não faça torniquete. Procure
imediatamente um posto médico, porque somente o soro antiofídico cura (BUTANTAN,
2003.p.28).

Vital Brazil em suas experiências descobria que a única arma contra o envenenamento
ofídico era o anti-veneno especifico (o soro obtido a partir do veneno do animal que causa o
acidente e neutraliza a ação desse veneno), então deu-se prosseguimento à preparação de
soros antiofídicos, para atender ao grande número de acidentes com serpentes peçonhentas, já
que o Brasil era um país com grande população rural (BOCHNER e STRUCHINER,
2003.p.4). O Soro é produto de origem biológica (chamados imunobiológicos) usados na
prevenção e tratamento de doenças. A diferença entre esses dois produtos está no fato dos
soros já conterem os anticorpos necessários para combater uma determinada doença ou
intoxicação (BUTANTAN, 2003.p.13).
251

Os soros são utilizados para tratar intoxicações provocadas pelo veneno de animais
peçonhentos ou por toxinas de agentes infecciosos, como os causadores da difteria, botulismo
e tétano. A primeira etapa da produção de soros antipeçonhentos é a extração do veneno -
também chamado peçonha - de animais como serpentes, escorpiões, aranhas e taturanas. Após
a extração, a peçonha é submetida a um processo chamado liofilizacão, que desidrata e
cristaliza o veneno (BUTANTAN, 2003.p.14).

De acordo com publicação na revista do Instituto Butantan (2003), cada tipo de


veneno ofídico requer um soro específico, preparado com o veneno do mesmo gênero de
serpente que causou o acidente, veja abaixo os tipos de soro para cada tipo de gênero de
serpentes peçonhentas: Antibotrópico: para acidentes com jararaca, jararacuçu, urutu, caiçaca,
cotiara. Anticrotálico: para acidentes com cascavel. Antilaquético: para acidentes com
surucucu. Antielapídico: para acidentes com coral. Antibotrópico-laquético: para acidentes
com jararaca, jararacuçu, urutu, caiçaca, cotiara ou surucucu.

3.9. Evolução dos casos

Referente à evolução dos casos de acidentes com serpentes, a maioria evoluiu para
cura, porém houve um caso de óbito no ano de 2003, conforme ilustrado na Figura 09.

Índice de Evolução dos Casos

18
16
14
Nº de Casos

12
10
8
6
4
2
0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007
Ano

Ign/Branco Cura Óbito

Figura 09. Evolução dos casos dos pacientes atendidos no período de 2000 a 2007.

Observa-se que o índice de óbito é relativamente baixo para o município, o que


coincide com dados de GOMES, 2007, porém dados encontrados em PINHO, OLIVEIRA e
FALEIROS, 2004 constam a ocorrência da notificação de 15 óbitos, perfazendo uma
252

letalidade geral de 0,46%, sendo a maior taxa observada entre acidentes causados por
Crotalus (5 óbitos-1%), seguido por Bothrops (10 óbitos-0,5%).

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nos dados apresentados pôde-se constatar que para o grupo das serpentes ocorreu um
número maior de casos com pessoas do sexo masculino, os acidentes foram causados em sua
maioria com serpentes do gênero Bothrops, trabalhadores rurais e com idades entre 10 e 29
anos.
Os principais locais de picada foram pernas e pés; o tempo decorrido entre a picada e
o atendimento prevaleceu entre 1 a 3 horas; os casos foram classificados entre leve e
moderados; a maioria das pessoas recebeu soroterapia, e quase todos os casos evoluíram para
cura, exceto um caso que levou a óbito.

REFERÊNCIAS

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estado da Paraíba. Revista de Biologia e Ciências da Terra. Vol.5. nº1, 2004.5p.

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Animais peçonhentos no Brasil: Biologia clinica e terapêutica dos acidentes. São Paulo: Sarvier,
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ultimos 100 anos no Brasil: revisao. Caderno Saúde Publica, Rio de Janeiro, 19 (1):7-16, 2003.
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STRUCHINER, Cláudio José: Epidemiologia dos acidentes ofídicos nos últimos 100 anos no
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CARDOSO, João Luiz Costa et al. Animais peçonhentos no Brasil: Biologia clínica e terapêutica
dos acidentes. São Paulo: Savier, 2003.468p.

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